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UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA FACULDADE DE ENGENHARIA MECÂNICA GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA MECÂNICA DISCIPLINA: VENTILAÇÃO INDUSTRIAL PROFESSOR: JOÃO CÍCERO

DA SILVA

Projeto de um sistema de Ventilação Geral Diluidora

Aluno: Bruno Alexandre Roque Frederico Cerchi Guilherme Augusto de Oliveira

Uberlândia, 07 de Dezembro de 2011

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Conteúdo
1. 2. Introdução ............................................................................................................................. 3 Conceitos ............................................................................................................................... 3 2.1. 2.2. 2.3. 2.4. 3. Contaminação do ar ....................................................................................................... 4 Necessidades humanas de ventilação ............................................................................ 5 Principais contaminantes ............................................................................................... 7 Valores limiares da tolerância ....................................................................................... 9

Sistema de Ventilação para uma Lavanderia Hospitalar ..................................................... 12 3.1. Ventilação na Área Suja .............................................................................................. 13 Captores............................................................................................................... 14 Perda de Carga nos Dutos ................................................................................... 20 Dimensionamento dos Ventiladores para Exaustão ............................................ 23 Estimativa da ventilação natural.......................................................................... 26

3.1.1. 3.1.2. 3.1.3. 3.1.4. 4.

Conclusão ............................................................................................................................ 28

Bibliografia ................................................................................................................................. 29

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1. Introdução

A ventilação pode ser definida como a movimentação intencional de ar de forma planejada, a fim de atingir um determinado objetivo. Essa movimentação pode ser feita por meios naturais ou mecânicos. O ar sempre se movimenta da zona de maior pressão para a zona de menor pressão. Portanto, o projeto correto de diferenciais de pressão no sistema é de fundamental importância para um bom funcionamento.

2. Conceitos

Os sistemas de ventilação se classificam como: ventilação geral, natural ou mecânica, que é aquela que ventila o ambiente como um todo, também conhecida como Ventilação Geral Diluidora (VGD) e Ventilação Local Exaustora (VLE), que retira as substâncias emitidas diretamente do local de geração, conduzindo-os para a atmosfera externa.

Figura 1 – Sistemas de Ventilação Geral Diluidora e Local Exaustora

Modernamente o conceito de ventilação está mais abrangente, com vistas a um controle efetivo dos poluentizadores também em ambiente aberto ou não confinado. No campo da higiene do trabalho, a ventilação tem finalidade de prover o conforto térmico, evitar a dispersão, diluir a concentração e purificar o ar, de modo a minimizar o efeito dos compartimentos aéreos. Assim sendo, a ventilação é um método de evitar doenças profissionais oriundas da poluição aérea, mantendo os

a velocidade e a distribuição do ar.300m) a respiração torna-se difícil. poeiras. material particulado sólido os quais podem contaminar o ar das adjacências e até mesmo locais relativamente afastados. Existem limites admissíveis do ar . considerando-se ar limpo e isento de poluentes em geral.4 aerodispersóides nocivos em concentrações baixas compatíveis com a saúde. é dada na tabela a seguir. umidade e as irradiações. Torna-se necessário insistir que a ventilação industrial não visa tão somente o controle de confinados ou no limite dos mesmos. A composição aproximada do ar. depois de captados. e. 2. aproximadamente. rigorosamente. muitas vezes. o controle da poluição por meio de ventilação requer o contaminante.Contaminação do ar A ventilação permite controlar.1. Tabela 1 – Composição média do ar atmosférico Geralmente o ar ambiente não tem a mesma composição do ar puro. podendo ambiente:  Para pressões muito baixas (altitude de 3. a pureza. Objetiva também impedir o lançamento na atmosfera de fumaças. rios ou lagos. gases. Permite a manutenção da concentração dos gases. sob três diferentes condições. sejam coletados dando o destino devido de modo a não contaminar a atmosfera. a temperatura. Além de remover ou atenuar os efeitos do elemento contaminante. tornar-se inadequados à respiração. vapores e poeiras explosivas ou inflamáveis fora das faixas de inflamabilidade e explosividade.

portas e aberturas no forro estiverem fechadas. fumaça de cigarro.  Automóveis consomem O2 e produzem gases. pois a construção padrão de edifícios para ocupação humana não pode prevenir a infiltração ou a saída de quantidades de ar.2. O consumo normal de ar para um homem adulto com peso de 68. odores da cozinha e outras impurezas odoríficas e não para manter a quantidade necessária de oxigênio ou remover o Dióxido de carbono produzido pela respiração.  Combustão e iluminação consomem O2 e produzem gases. dificultando o metabolismo humano. pois para 10% de oxigênio verifica-se asfixia e com 7% a morte. 2.  Fumantes. mesmo quando todas as janelas.  Indústrias.Necessidades humanas de ventilação A ventilação de residências. Existem várias causas da contaminação do ar:  Pessoas e animais reduzem O2 e exalam microorganismo. Isso é verdadeiro.  O índice de oxigênio recomendado para a respiração é de 14%.5  Devido ao desprendimento de calor e vapor de água efetuado pelo corpo humano e outros equipamentos. espaços comerciais e escritórios e necessária para controlar odores corporais. aumento rapidamente e temperatura e umidade do ambiente.5 Kg é o seguinte: Tabela 2 – Consumo de ar por humano/atividade .

” Uma redução de oxigênio para valores entre 16 e 20% ocasiona dificuldade de respirar. materiais em suspensão. A 21°C perde em uma hora cerca de 75 kcal de calor sensível e cerca de 0. consumindo 02 litros de oxigênio e exalando 1. O ar atmosférico contém. Na mesma situação serão necessárias 75 horas para reduzir o oxigênio à 16% e aumentar o Dióxido de carbono para 5%.6 m³ de oxigênio e produz cerca de 0. gases raros hidrogênio. para o caso. qual seja: Um adulto consome em um minuto 5. Acima de certa concentração. entre 11 e 16% produz dores de cabeça. Mackey ofereceu uma interessante análise sobre as alterações físicas e químicas que ocorrem em ambiente interno como resultado da ocupação humana.6 Um adulto. em menos de duas horas. desagradáveis ou não ao olfato. As conseqüências de uma poluição do ar em larga escala. pode-se imaginar o seguinte caso: Um adulto confinado em um ambiente completamente vedado e isolado termicamente com aproximadamente 30 m³. e. Assumindo. além de bactérias e os chamados de odores. além de oxigênio. modificará o ambiente de tal modo que a temperatura aumentará para 37°C. para simplificação que essas taxas permaneçam constantes. Dióxido de carbono e vapor d’água. uma temperatura de 21°C. vegetal ou animal. Os materiais em suspensão que se encontram normalmente no ar é formado por pequena quantidade de poeira de origem mineral.5 m³ de dióxido de carbono. ânsia de vômitos e perda de consciência. executando trabalhos pesados. essas substâncias. passam a constituir os poluentes ou contaminantes ocasionando prejuízos à saúde humana e danos ecológicos. respira até cerca de 40 litros de ar por minuto. a alteração física devido a temperatura é mais perigosa que a alteração química. podem manifestar-se em forma de doenças graves entre as quais podemos mencionar:  Enfisema pulmonar e outras afecções bronco-pulmonares  Hipertensão arterial  Doenças do fígado  Doença dos olhos e irritação de mucosas  Doença do sistema nervoso central  Dermatites . aproximadamente. está em situação de repouso. dependendo evidentemente dos poluentizadores. azoto.045 kg de vapor de d’água. e entre 8 a 10 %.7 litros de Dióxido de carbono.

trituração. venenos acumulativos. Poeiras Os aerossóis no caso são formados por partículas sólidas. e quase sempre acompanhada de oxidação. constituindo partículas sólidas extremamente pequenas em suspensão no ar. predominante maiores que as coloidais. Resultam da condensação de partículas em estado gasoso. deve-se executar uma instalação de ventilação adequada.7  Anomalias congênitas  Alteração de fertilidade no homem e na mulher Os conhecimentos da Medicina estabelecem níveis de conforto. variam de 1 a 10) Resultam da desintegração mecânica de substâncias inorgânicas ou orgânicas. É o caso dos fumos metálicos. como o cloreto de amônio. moagem.Principais contaminantes Fumos Os fumos são partículas sólidas. Esses fumos de PbO são tóxicos. esmerilhamento.001mm). aerossóis. geralmente após volatilização de metais fundidos. chegando mesmo a 01 (01 mícron = 0. com diâmetros compreendidos entre 1 e 100 (Segundo o Manual da Connor. Quando o chumbo é derretido. onde são fundidas ligas de chumbo antimônio. por exemplo. PbO. razão por que. isto é. nos linotipos. Os fumos de óxidos metálicos produzem a chamada “febre dos fundidores” ou “febre dos latoeiros” que se manifesta acompanhada de tremores. o vapor de chumbo sublimado em contato com o ar se transforma em óxido de chumbo. de poluição e dos limites de tolerância do organismo para um grande número de substâncias. Os fumos tendem a flocularem no ar. cabe a Engenharia encontrar e explicar a solução adequada para que os limites de segurança sejam respeitados. seja pelo simples manuseio (embalagem). .3. seja em conseqüência de operações de britagem. algumas horas após a exposição ao “fumo”. 2. em geral com diâmetros inferiores a 10.

os esporos de fungos (01 a 10) e as bactérias (0. dificuldades respiratórias e reduz a visibilidade. No mist ocorre uma baixa concentração de partículas liquidas de tamanho “grande”. papel.05). de tinta pulverizada. de “spray” etc. O smong resulta de reações na atmosfera entre certos hidrocarbonetos. fibras e outras. respingos etc. As partículas possuem diâmetros inferiores a 01 (ou a 0. demolição etc. óleo combustível.). Em meteorologia. As poeiras de dimensões maiores são às vezes designadas por particulados ou areias finas. precipitam pela ação da gravidade. carvão. sendo as partículas de fog (cerração. As poeiras não tendem a flocularem. dispersões de água ou gelo) menores que as de um mist (pulverizados. óxidos de nitrogênio e o ozônio. Organismos vivos Os organismos vivos mais comuns são os pólens das flores (5 a 10). nebulização.002 a 0.1 (ou mesmo 0. Provocam irritação nos olhos. ou ainda.8 peneiramento. papel.01) e 100. cigarro etc. ou da dispersão mecânica de líquidos em conseqüência de operações de pulverização. fundição.1. material fragmentado.). segundo o Manual de Connor). exceto se submetidas a forças eletrostáticas. ao contrário. resultantes da condensação de vapores sobre certos núcleos. sob a ação da luz solar. Exemplos: névoa de ácido sulfúrico. Fumaça As fumaças são aerossóis constituídos por produtos resultantes da combustão incompleta de materiais orgânicos (lenha. espirro de uma pessoa etc. Em circunstâncias especiais e em geral em locais confinados. orvalho. Não se difundem. sílica. pode ocorrer a presença de vírus (0.2 a 5 ou mesmo até 20). atomizações. mist indica uma leve concentração de partículas de água de tamanho suficientemente grande pra que caim. . As neblinas se acham compreendidas entre 1 e 50 e se classificam em mist e em flog. algodão. de ácido crômico. Exemplo: poeiras de carvão. usinagem mecânica. Névoas As névoas são aerossóis constituídos por gotículas liquidas com diâmetro entre 0. asbestos.

que podem ocorrer em certos ambientes ou processos industriais. Cl e CO2 (em excesso). CO. pode ser reduzida total ou parcialmente ao estado líquido. 2. como é o caso do NH3. T L V – TWA (Thershold Limit Value – Time Weighted Average) Corresponde a concentração ponderadas pelo tempo. à temperatura ordinária.Valores limiares da tolerância Valor limiar da tolerância (V L T) corresponde a uma concentração média de substâncias dispersas no ar de um certo ambiente de trabalho. À temperatura ordinária. a qual. dia após dia. Não possui forma e volume próprios e tende a expandir-se indefinidamente. CH4.9 Gases e Vapores Além dos aerossóis. . e que representam certas condições para as quais se pode presumir com certa segurança que quase todos os trabalhadores possam estar expostos a esse ar sem que ocorram reações adversas aos seus organismos. “Fly ash” (fuligem) A fuligem é composta de partículas finamente divididas de produtos de queima de carvão e óleo combustível e que são carregadas nos gases de combustão em geral de fornalhas e queimadores de caldeiras. São considerados por alguns autores como sendo também aerodispersóides.  Gás: É um dos estados de agregação da matéria. sem efeito adverso. em um determinado intervalo de tempo. mesmo sujeita a pressões fortes. deve-se levar em consideração os gases e vapores.  Vapor: E a forma gasosa da matéria. não podem ser totais ou parcialmente reduzidos ao estado líquido.4. para uma jornada de trabalho de 8 horas e uma semana de trabalho de 40 horas para quais todos os trabalhadores podem ser expostos repentinamente. SO2.

10 T L V – STEL (Thershold Limit Value – Short Term Exposure Limit) É a concentração para qual os trabalhadores podem ser expostos por um curto espaço de tempo sem sofrerem:  Irritação das mucosas e da pele  Dano crônico ou irreversível de qualquer tecido  Narcose que impossibilite ou reduza a autodefesa STEL se define como a concentração num intervalo de tempo de 15 minutos que não pode ser ultrapassada em nenhum tempo durante um dia. deve haver no mínimo um intervalo de 60 minutos entre STEL. As exposições correspondentes ao STEL não devem exceder 15 minutos no máximo quatro vezes ao dia. Tabela 3 – Valores de TLV para diferentes agentes químicos .

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secadoras e prensas. Sistema de Ventilação para uma Lavanderia Hospitalar Neste trabalho. A saída de ar deve ser de modo a não contaminar os serviços adjacentes. será dimensionado um sistema completo de ventilação.12 3. será apresentado o projeto de ventilação de uma lvanderia hospitalar. de forma a aumentar a eficiência do pessoal (conforto térmico) e impedir a disseminação de microrganismos. Com base nestas informações. respeitando as características de cada ambiente. Para captar calor e umidade nos locais de origem. 06 secadoras e 04 calandras. para um hospital de 1250 leitos. deve-se construir uma caixa com porta de tela fina. levando em consideração a localização de cada equipamento dentro do layout proposto. No caso de saída do ar para fora do prédio. evitando que se torne fonte de contaminação. 1986. é conveniente a previsão de uma coifa sobre a calandra. A exaustão das secadoras deve ser feita por tubos amplos e possuir uma ou mais portas para inspeção e limpeza periódica. com pressão mais baixa na zona contaminada. O ar deve fluir sempre do lado limpo para o lado sujo. Serão seguidas as recomendações citadas pelo Ministério da Saúde. O mais adequado é que o ar. . Para o projeto da lavanderia hospitalar. A tomada de ar fresco para a área limpa deve ser localizada o mais distante possível da exaustão de incineradores e caldeiras e da exaustão da área contaminada da própria lavanderia. com altura máxima de 60 cm acima da mesma e outros exaustores próximos às lavadoras. antes de ser lançado na atmosfera. é de suma importância considerar-se um sistema de ventilação industrial. passe através de uma cortina de água com produtos especiais para a purificação. O sistema de exaustão da área contaminada e da área limpa devem ser independentes um do outro. para reter as felpas que se desprendem das roupas durante a secagem. A referida lavanderia contará com 08 lavadoras. todas estas máquinas utilizam vapor para seu funcionamento. no Manual de Lavanderia Hospitalar. É importante a criação de uma diferença de pressão barométrica. Brasil.

UNB. a fim de promover uma redução na concentração de poluentes nocivos. A primeira observação a ser feita é a de que esse método de ventilação não impede a emissão dos poluentes para o ambiente de trabalho. que conta com 08 lavadoras e 16 operadores. Conforme traz Pimenta. portanto. a concentração desses poluentes.13 3. ao introduzir-se ar limpo ou não poluído em um ambiente contendo certa massa de determinado poluente.1. reduzindo. mas simplesmente os dilui. para remoção dos vapores gerados pela água quente utilizada no processo e insuflamento de ar oriundo do ambiente externo. faz-se com que essa massa seja dispersa ou diluída em um volume maior de ar. Essa redução ocorre pelo fato de que. será considerado um sistema de ventilação geral diluidora. 2009) .Ventilação na Área Suja Para este local. ou ambos. de exaurir ar desse ambiente. A ventilação geral diluidora é o método de insuflar ar em um ambiente ocupacional. será utilizado um sistema semelhante ao de ventilação geral diluidora mostrado abaixo: Figura 3 – Desenho esquemático do sistema VGD a ser dimensionado (Pimenta.

Captores A seguir.14 O ambiente em questão é grande e possui várias entradas de ar exterior.1. que serão localizados acima das máquinas lavadoras. Com isso. de acordo com recomendações da ANVISA para ventilação em lavanderias em geral. será aplicada uma vazão de exaustão de 135. a ventilação natural poderá suprir a demanda do sistema (27 m³/h/pessoa segundo a ANVISA). Portanto. tem-se um total de 4480 m³ (35 m x 16 m x 8 m). Calculando o volume do ambiente. para garantir que os odores. conduzindo os mesmos até a rede de dutos. Será utilizado o número de 30 trocas/hora. será feito o dimensionamento dos captores. 04 bocas de exaustão: Figura 4– Planta baixa da área suja da lavanderia 3. a pressão do ambiente será levemente negativa.1. . contaminantes e vapores não se espalhem pelos ambientes vizinhos. não há necessidade de se utilizar um sistema mecânico de insuflamento de ar. A figura a seguir traz a planta baixa do local onde estão alocadas as 08 máquinas lavadoras. Como se trata de uma lavanderia deve haver certo controle sanitário. divididas em 04 bocas de exaustão. Captor é uma peça ou dispositivo projetado para enclausurar os contaminantes ou vapores.000 m³/h.

UNB. 2009) A perda de carga total de um captor é dada por: (03) Onde k é coeficiente de perda de entrada do captor e hv a pressão dinâmica no tubo do captor. obtém-se a pressão estática (PE) na entrada do duto: ( ) (02) Figura 5 – Perda de carga em captores (Pimenta. a pressão estática do captor é dada por: | | (04) . aplica-se a equação da energia: (01) Trabalhando como pressão relativa e considerando o ar em repouso na aspiração. Reescrevendo e representando com valor absoluto.15 Para determinar a pressão estática depressão a jusante do captor.

O centro da vena contracta é achado geralmente a D/2 a partir da entrada do duto. a vazão real é dada por: √ (07) . onde D é respectivo diâmetro do mesmo.16 A perda de carga no captor é originada principalmente pelo estrangulamento do ar na entrada do duto. UNB. Pode-se expressar a pressão dinâmica em função da vazão: (06) Desta forma. 2009) Define-se o coeficiente de entrada de um captor como: (05) Onde Qr é vazão real (com perdas) e Qi é vazão ideal (sem perdas). o que reduz a área de passagem do escoamento (efeito da “vena contracta”). Figura 6 – Vena Contracta no captor (Pimenta.

 S é a área de seção transversal do duto [m²]. optou-se por utilizar um captor circular de abertura flangeada. Por questões de eficiência. a pressão estática se reduz a Pv. A equação que rege estes captores de boca circular com flange é a seguinte: (11) Onde:  V é a velocidade de captura [m/s]. chegase a seguinte relação para o coeficiente de entrada Ce: √ √| | √ √ √ (09) Obtendo-se o coeficiente de perda de carga em função do coeficiente de entrada Ce. conforme traz a figura mostrada. .17 No caso em que não existem perdas (k=0). a vazão ideal é dada por: √ (08) Combinando as equações da vazão e do coeficiente de entrada do captor. tem-se: (10) Os valores de K e Ce são dados em tabelas para diferentes captores.

2009) Impondo x =1D. tem-se a seguinte equação para a vazão dos captores de boca circulares e flangeadas: ( ) (12) Os valores adotados para se determinar o diâmetro ideal são:  Vazão de ar “Q” igual a 10 m³/s. Agora é possível calcular a velocidade do escoamento dentro do duto: (13) Onde Q é vazão volumétrica de ar no duto. para se assegurar uma boa eficiência do sistema. para prédios industriais a .22 m. Clézar.18  X é a distância do ponto de captação à boca [m]. Com isso. tem-se um diâmetro de captor de 1.30 m/s (poluente emitido em ar praticamente parado. V é a velocidade do escoamento e A é a área da seção transversal do duto. assim como a distância X de captação. Conforme recomendações da NBR6401.  Velocidade de captura “V” igual a 0. Figura 7 – Perdas de carga e coeficientes de entrada para captores (Clezar. 2009). .  Q é a vazão do tubo [m³/s].

08 kg/m³. Portanto.62 m/s.UNB. Conferindo pela equação 13.22 Pa.19 velocidade em dutos principais deve estar entre 6 e 9 m/s. tem-se uma velocidade de escoamento de 8.49. A pressão dinâmica no captor é dada por: (14) A pressão estática a montante é dada por: (15) Como a massa específica do ar. tem-se uma pressão estática de 59. para uma velocidade de escoamento de 8. é de 40. 2009). Portanto. Figura 8 – Desenho esquemático do captor de boca circular flangeada (Pimenta.95 Pa. o fator k é igual a 0. na cidade de Uberlândia é de 1.62 m/s. ρ. . É sabido que para o captor escolhido. portanto. a pressão dinâmica no captor. adequada.

O coeficiente de atrito f depende do número de Reynolds. a relação fundamental para a determinação da perda de carga num duto reto é a equação de Darcy-Weisbach. é o fator de atrito.2.1. No caso de dutos circulares.5 metros de dutos para passagem do ar. Perda de Carga nos Dutos O próximo passo é avaliar as perdas de carga nos dutos. A tabela a seguir traz valores de rugosidades relativas para diferentes materiais. visto que o pé direito do recinto é de 8 metros.2 metros. é o diâmetro do duto [m]. 2011) .5 metros e os captores estarão distantes das máquinas 1.20 3. que estabelece: (16) Onde:       é a perda de carga [Pa]. é a massa específica do ar [kg/m³]. Como as lavadoras possuem uma altura de 2. A rugosidade absoluta e o diâmetro são relacionados num único parâmetro denominado rugosidade relativa ε /D. da rugosidade absoluta ε e do diâmetro do duto. serão necessários aproximadamente 8. é a velocidade do escoamento [m/s]. determinados por experimentos de Moody: Figura 9 – Rugosidade em dutos de diversos materiais (Fox. é o comprimento do duto [m].

o diâmetro para o fluxo no tubo. será utilizada a mesma temperatura do ambiente. tem-se: √ . dada boa relação custobenefício deste material para estas aplicações.22 metros. por questões de segurança no dimensionamento. Aplicando os valores encontrados na equação para o cálculo da perda de carga. encontra-se um fator de atrito “f” igual a 0. ou seja.1614 Kg/m³ a uma temperatura de 27ºC e pressão atmosférica de 1 Atm.21 Serão utilizados dutos circulares de aço galvanizado.  ρ . no entanto.velocidade média do fluido. tem-se uma rugosidade relativa ε/D igual a 1. Haaland desenvolveu a seguinte equação para determinação do fator de atrito f: *( ) + (17) Desta forma.23.014. É sabido que o ar a ser exaurido terá uma temperatura maior que a ambiente. 10-4.105.15 mm) e diâmetro (D =1220 mm).  μ . Conforme citado por Fox.massa específica do fluido.59. diâmetro do duto de 1.62 m/s.longitude característica do fluxo. Pelo valor da rugosidade do aço galvanizado (ε = 0. viscosidade dinâmica do ar de e massa específica do ar de 1. Obtém-se um Re de 6. Deve-se então determinar o número de Reynolds do escoamento: (17) Onde:  V .  D . o escoamento é turbulento.viscosidade dinâmica do fluido. Para uma velocidade de 8. pois é maior que 2400.

conforme mostrado por Mesquita. 1985).22 Para a construção da rede de dutos para exaustão de diâmetro de 1220 mm. Deve-se ainda determinar a perda de carga devido ao chapéu chinês. Opta-se pela construção dos dutos circulares 1200 mm por calandragem com costura longitudinal. .95 mm de espessura (bitola 20). aço galvanizado de chapa 0. devem-se escolher os materiais e formas construtivas segundo dados fornecidos pela NBR 6401: Figura 10 – Recomendações para construção de dutos de ar (NBR 6401). 1985: Figura 11 – Perdas de carga em chapéus (Mesquita.

PVV.26. é a pressão de velocidade correspondente à velocidade média do ar na saída do ventilador. A pressão total do ventilador (PTV) é a diferença entre a pressão total do ar na saída e na entrada do ventilador. tem-se uma relação h/D igual a 0. a perda de carga no chapéu chinês é de: Em posse das perdas de carga do sistema. A pressão estática do ventilador. PEV.22m.  H = 0. Seu valor pode ser medido através de tabelas e gráficos que serão mostrados adiante. PVV.44m. 2009. A pressão de velocidade do ventilador. em aumento de pressão de ar.1. Desta forma. ventiladores são estruturas mecânicas utilizadas para converter energia mecânica de rotação.82 m Pela tabela. A vazão Q de um ventilador é o volume de ar deslocado numa dada unidade de tempo. PTV. tem-se: (18) Onde se tem: (19) .  D/3:0. aplicada a eixos.41m. 3. Dimensionamento dos Ventiladores para Exaustão Conforme traz Clézar. Desta forma.675 o que resulta numa perda de carga em relação à pressão cinética(dinâmica) do sistema de 0.3.  2D :2. deve-se agora dimensionar ventiladores para o sistema de exaustão. é a pressão total do ventilador.23 Têm-se as seguintes dimensões características do chapéu:  D:1. menos a pressão de velocidade do ventilador.

em W. em Pa. sendo expressa por: (22) Ou ainda: (23) Onde: : É a potência no eixo. É a pressão total do ventilador. PEV. é possível concluir que: (21) A determinação da pressão estática do ventilador. É a vazão. É a eficiência total do ventilador. Peixo. É a pressão estática do ventilador. pode ser medida por meio do uso de um tubo de Pitot-Prandtl. PEV e Q. A potência no eixo do ventilador. em m³/s. é a potência necessária no eixo do ventilador. tem-se: (20) Reescrevendo. em Pa. . para impor ao escoamento os parâmetros PTV.24 Combinando ambas as equações anteriores.

cozinhas industriais.  Velocidades recomendadas de descarga: 10 a 16 m/s. oferecido pela empresa de ventiladores OTAM®. .  Faixa de vazão de ar: 600 a 200000 m³/h.25 É a eficiência estática do ventilador. torres de refrigeração. O software Vortéx. coifas. Os modelos AVR (Ventilador axial de pás de passo variável) são recomendados para uso em: indústria naval. auxilia no dimensionamento do equipamento mais adequado para esta aplicação: Figura 12 – Ventilador OTAM® AVR AL 1120/30 CLASSE 1 Deverão ser instalados 04 ventiladores (um para cada boca exaustora) AVR AL 1120/30 Classe I. ventilação e exaustão industrial. indústria de mineração.  Faixa de pressão estática: 2 a 100 mmCA. evaporadores e radiadores.

 Direção predominante. Estimativa da ventilação natural A seguir. considerando:  Velocidade média do vento. .  Interferências locais por obstruções.26 O gráfico do ventilador é dado a seguir: Figura 13 – Curvas de desempenho do ventilador OTAM® AVR AL 1120/30 CLASSE 1. será estimada a vazão de ar renovada devido a existência de janelas nas paredes do prédio. Para tal.  Variações diárias e sazonais.1. dimensiona-se para uma velocidade de 50% do valor da velocidade média sazonal local.4. 3. será feita uma estimativa do fluxo de ventilação gerada por ação direta dos ventos. Como base de cálculo.

] que entra num recinto através de aberturas.φ A V (24) Onde:  E é a eficiência das aberturas. Quando são diferentes.25 a 0. [ft3/min.5 a 0.35 – p/ ventos diagonais A maior vazão de ar por unidade de área é obtida quando as áreas de entradas e de saídas corrigidas são iguais.27 O cálculo da vazão de ar.6 – p/ ventos perpendiculares à parede e 0. é dado pela equação: Qv = E.  A – aberturas de área total (ft2)  V – 50% da velocidade média sazonal dos ventos locais (ft/min). e acrescenta-se um aumento de vazão obtido no gráfico adiante: Figura 14 .Gráfico para obtenção do aumento de vazão causado pelo excesso de área de uma abertura sobre a outra .  φ (coeficiente de incidência nas aberturas): 0. considerando-se a menor das áreas de passagem do ar. Qar. faz-se o cálculo.

Como os cálculos envolvem coeficientes de aproximação tabelados e velocidades medidas por métodos experimentais.  E: Janelas com basculante com chapas a 60º reguláveis.  Φ = 0. sobretudo quando se trata de agentes químicos (TLV) e conforto térmico. cada parede terá aberturas com janelas basculantes 60º de 28 x 1. têm-se os seguintes dados:  Vmédia = 5 m/s ou 984.contando as janelas das duas paredes maiores de 35 x 8 m.58.28 Conforme apresentado pela equação 24. o que garante que o ambiente tenha uma pressão levemente negativa. Com tudo o que foi exposto. pode-se ter uma boa renovação de ar no ambiente. com a vazão oferecida pela ventilação natural. pois como as janelas são equipadas com basculantes 60º reguláveis.25 ft/min (média anual da cidade de Uberlândia. Além disso. tem-se: Qv [ft³/min] 64496 Qv[m³/h] 109579 Desta forma. 4.2ft² . conforme normas do Ministério da Saúde para Lavanderias Industriais. Desta forma. pode-se afirmar que a ventilação industrial pode garantir uma boa qualidade do ar ambiente e ajuda a oferecer certo conforto térmico para trabalhadores. Minas Gerais). Conclusão Com este trabalho.  A: área das janelas de 70 m² ou 753.3 (ventos diagonais). Neste caso como o objetivo do sistema de VGD era oferecer conforto térmico aos operadores das . pode-se aumentar ou diminuir a área de passagem do ar.25 m. Calculando a vazão oferecida pela ventilação natural. de acordo com as necessidades do momento. Esta entrada de ar é cerca de 80% da vazão exaurida pelo sistema de exaustão. o bom senso deverá prevalecer durante os dimensionamentos. esta vazão pode ser controlada. eficiência de 0. pôde-se perceber a importância de consultar normas técnicas específicas para cada aplicação da ventilação industrial.

São Paulo. F. 100 p. Alan T.FOX. .Manual de Lavanderia Hospitalar. Ed.Associação Brasileira de Normas Técnicas . 250 p. .CLEZAR.A. [2] .NBR 6401.29 lavadoras. João – Apostila do Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho – Ventilação Industrial. 1985. como um tratamento por elementos finitos. 69 p. São Paulo. 8. [8] . Cestesb.. 1977. o grupo utilizou equações e dados obtidos pela bibliografia vista em sala. UFSC.MACINTYRE. 442 p. 1980. CEBRAE. Brasil.. Robert W. CFD entre outros. – Engenharia de Ventilação Industrial. 2009. Brasil. . [3] .Ministério da Saúde . MACDONALD. 1985. Philip J. . deveriam ser usadas técnicas de cálculo mais apuradas.a edição. 2011. e NOGUEIRA. e NEFUSSI N.S. J. [4] .MEZZOMO. se fosse tratado o caso de algum agente químico altamente tóxico e danoso à saúde. Carlos A. por meio de softwares específicos de simulação numérica aliados a dados experimentais.Introdução à Mecânica dos Fluidos. 173 p. A.Instalações Adequadas para o Destino Final de Dejetos Normas Técnicas sobre Instalações Sanitárias. LAAR – UNB – Brasil. 125 p. [9] . Um aspecto importante que deve ser ressaltado é que a informática computacional auxilia muito os engenheiros a resolverem estes problemas.PIMENTA. Augusto A. GUIMARÃES.A lavanderia hospitalar no Brasil.Ventilação Industrial. PRITCHARD. A. 400 p. . Brasil. Guanabara.Ministério da Saúde . Bibliografia [1] . 2009. 1986. [5] . Mas como foi falado pelo professor. Brasil. [6] . [7] .L. Antonio Carlos R.MESQUITA. 1993. 20 p.Ventilação Industrial e Controle da Poluição.

[11] . 2000. – Mecânica dos Fluidos. Frank M.VALLE FILHO H. . C – Apostila do Curso de Ventilação Industrial.a edição. UFSC.30 [10] . 1992. e Melo.WHITE. 4.