Artigo: Falava com ela - Dom Pedro José Conti

terça: 12 de junho de 2007

Tomo emprestada uma historinha que alguém me contou andando pelo mundo. Numa vila, dois jovens namoravam a mesma moça. Queriam conquistar o seu coração para que ela decidisse casar-se com um dos dois. O primeiro falava muito sobre ela. Falava a todos, exaltava as qualidades da moça, a sua beleza, o seu jeito... O segundo, ficava calado; nem parecia que estivesse namorando-a. Muitos chegaram a pensar que este não gostasse da mulher. Pelo entusiasmo com que falava, a maioria teria apostado que seria o primeiro rapaz a levar a moça ao altar. Após alguns tempos, a moça decidiu com quem se casar. Surpresa para todos: ela escolheu o segundo pretendente, o caladão. E a explicação foi simples e clara para todos. No tempo que o primeiro falava dela aos outros, o segundo falava com ela. A sós. E assim acabou conquistando o coração da namorada. Essa história é um convite à reflexão, antes e depois do dia dos namorados. É um convite a não viver o namoro de maneira superficial. Quantos jovens acabam se ligando somente nas aparências do seu namorado ou da sua namorada. Poucos têm a paciência e a capacidade de entrar mesmo no coração do outro ou da outra. Não é para menos. Numa sociedade toda visual, onde o que vale mais é a “imagem” da pessoa, quem se preocupa mais com o que está escondido, e às vezes bem guardado, no coração e na vida de cada um de nós? Mas é um engano. O tempo se encarrega de revelar o que está encoberto, seja porque ninguém consegue fingir ou se esconder o tempo todo, seja porque, a cada momento, a vida nos obriga a revelar a grandeza ou a mesquinhez do nosso coração e da nossa alma. O tempo, inexoravelmente, é a grande prova da veracidade e da sinceridade das nossas palavras, dos nossos sentimentos, das nossas promessas. Não é sempre verdade que: “o que é bom dura pouco”. Um grande amor, deveria durar a vida inteira. Amadurece, muda as suas manifestações exteriores, mas continua vivo e bem motivado no profundo da vida das pessoas que amam e são amadas. É por isso que um namoro sério exige tempo e paciência. Exige preparação e renúncias. Exige que os dois aprendam a regular os seus passos para caminhar juntos e para sempre na vida. Não é fácil namorar bem, como não é fácil escolher bem. Muitos acreditam na sorte, no destino, nos astros. Sem dúvida, em cada grande amor parece ter algo que foge ao nosso controle, porém nada substitui a reflexão, um bom diálogo, uma conversa franca e sincera. Para quem acredita, também Deus-Pai está presente no amor humano. Pior é não pensar, atropelar os tempos, ter pressa. Só pode dar confusão e mais tarde, sofrimento. O que eu disse vale para todas as vocações, não somente para os namorados. Qualquer um de nós deve saber conversar com quem ama. Inclusive Deus. Devemos tomar cuidado com quem fala demais dEle. Melhor confiar em quem O conhece bem, porque passa tempo com Ele, na oração, meditando a sua Palavra, contemplando e agradecendo por suas maravilhas. É sempre bom “não nomear o nome de Deus em vão”. Quem ama alguém, não precisa de alarde, basta-lhe estar perto do seu amor. Mas quando fala, sabe de Quem fala. Não fala à toa, não fala palavras vazias. Conhece, ama com todo o seu coração e dá testemunho disso, mais com a sua vida do que com as suas palavras. Dom Pedro José Cont Bispo de Macapá

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