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Introdução Para muitas pessoas, o tema deste segundo Caderno Bíblico pode parecer árido, acadêmico e sem qualquer importância. Entretanto, considerando os argumentos abaixo, sua relevância ficará clara. Primeiro, o fundamentalismo está em evidência no mundo. Em todo o mundo, grupos religiosos fundamentalistas estão crescendo rapidamente. Na América Latina, grupos pentecostais radicais se multiplicam e mudam as estatísticas gerais. Na Coréia do Sul e no Taiwan, centros do Confucionismo neotradicionalista se firmam. No Japão, uma nova versão radical do Budismo cresce rapidamente. E o fundamentalismo do mundo islâmico é conhecido por todos. Nos Estados Unidos e em outras partes do mundo, o fundamentalismo cristão ganha força, após um período de aparente extinção. Muito embora existam profundas diferenças entre estes grupos mencionados, eles têm em comum o desejo de retornar aos fundamentos e às origens de sua religião, e estão dispostos a lutar para isto. Segundo, o termo “fundamentalista” designa uma larga porcentagem do cristianismo norte-americano , com ramificações no mundo e também no Brasil. A influência do fundamentalismo no Brasil não pode ser esquecida ou minimizada. Terceiro, o uso pejorativo do termo . Determinados termos, dentro do Cristianismo, acabam por perder seu sentido original e adquirir uma conotação pejorativa. Não poucas vezes, estes termos pejorativos são usados irresponsavelmente para rotular adversários políticos e eclesiásticos, e com generalizações injustas. Se pudermos, devemos sempre ajudar a esclarecer o que o termo significa. E, finalmente, existem bem poucos estudos sobre o tema “fundamentalismo” no meio evangélico. Se pudermos ajudar no esclarecimento da Igreja de Cristo sobre este assunto, ficaremos gratos a Deus. É neste propósito que a Primeira

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Rev. Augustus Nicodemus Lopes Pastor da Primeira Igreja Presbiteriana do Recife 3 .Igreja Presbiteriana do Recife publica mais este volume da série Cadernos Bíblicos.

................................................................... 19 4 ............................................16 Análise Crítica do Fundamentalismo.....................................................................12 Conclusões.......................................................................18 Conclusão....................................4 A Reação Conservadora: Surgimento do Fundamentalismo Cristão....................Índice Introdução....... 13 Avaliação Crítica do Fundamentalismo..............................................................................................................18 Aspectos Positivos.....................8 O Fundamentalismo no Brasil: Breve Histórico.2 O Surgimento do Liberalismo Teológico............18 Aspectos Negativos.......... 7 As principais fases do movimento fundamentalista nos Estados Unidos.................................15 Como os fundamentalistas se entendem.......................................................15 Os fundamentalistas vistos pelos críticos......................................................................................

depois. nos Estados Unidos. os milagres de Moisés e os milagres de Jesus passaram a ser desacreditados. Muitos teólogos passaram a afirmar a existência de Deus. que procuraram compatibilizar a crença em Deus com os postulados do Racionalismo. mas negavam sua intervenção na história humana.O Surgimento do Liberalismo Teológico A melhor maneira de compreender a origem do termo “fundamentalista” é entender o crescimento do liberalismo teológico radical nas principais denominações históricas dos Estados Unidos no final do século XIX e início do século XX. O conceito de que Deus se revela ao homem e de que intervém e atua na história humana foram excluídos “de cara”. segue-se que esses relatos são fabricações do povo de Israel e. mas. posteriormente. Já que milagres não existem. os relatos bíblicos envolvendo a atuação miraculosa de Deus na história. chegou-se à conclusão de que o sobrenatural não invade a história . quer através de revelação. o Racionalismo de Descartes. em primeiro lugar. As pressuposições filosóficas do movimento eram. Como resultado da invasão do Racionalismo na teologia. movimento surgido no início do século XVIII que tinha em seu âmago uma revolta contra o poder da religião institucionalizada e contra a religião em geral. e. sim. seminários e igrejas da Europa. Como conseqüência. A história passou a ser vista como simplesmente uma relação natural de causas e efeitos. Não é que os teólogos se tornaram ateus ou agnósticos. como a criação do mundo. Os efeitos combinados dessas duas filosofias — que mesmo sendo teoricamente contrárias entre si concordavam que Deus tem de ficar de fora do conhecimento humano — produziu profundo impacto na teologia cristã. Em muitas universidades cristãs. 5 . O liberalismo era. de muitas maneiras. e o empirismo de Locke. da Igreja. quer através de milagres ou da providência. um fruto do Iluminismo. que atribuiu a Jesus atos sobrenaturais que nunca aconteceram historicamente. Spinoza e Leibniz. Berkeley e Hume. as idéias racionalistas começaram a ganhar larga aceitação.

que era a maneira pela qual a raça humana. os dogmas dos grandes concílios ecumênicos acerca da divindade de Jesus haviam obscurecido a sua figura humana e tornaram impossível. eles afirmavam. influenciados pela filosofia da época. desprovida de conceitos do tipo “Deus se revela”. Seguiu-se a separação entre Palavra de Deus e Escritura Sagrada. Teólogos protestantes que adotaram essa abordagem crítica (que consideravam como “neutra”) justificavam-se afirmando que a Igreja Cristã. Assim. Surge a idéia de “mito” na Bíblia. “a Bíblia não pode errar”. entre outras. Hegel oferecia uma 6 . seria necessária uma abordagem “não religiosa”. havia obscurecido a verdadeira mensagem das Escrituras. que os racionalistas entendiam como sendo a medida suprema da verdade. Essa impossibilidade. O surgimento da dialética de Hegel marcou esta fase. ou lendas criadas por Israel e pela Igreja apostólica. uma reconstrução histórica da sua vida. seria necessário deixar para trás dogmas e teologia sistemática. As ferramentas a serem usadas seriam aquelas produzidas pela crítica bíblica. dando origem ao chamado “método histórico-crítico” de interpretação bíblica. durante muito tempo. quando a exegese dos Evangelhos e da Bíblia em geral passou a ser controlada pelas confissões de fé e pela teologia sistemática. crítica literária. Segundo os exegetas críticos. para que a mesma pudesse ser feita de forma “neutra”. tentaram criar um sistema de interpretação da Bíblia que usasse como critério o que fosse racional ao homem moderno. para que se pudesse chegar aos fatos por detrás do surgimento da religião de Israel e do cristianismo. tornou-se ainda maior após a Reforma. articulava aquilo que não conseguia compreender. como crítica da forma. No caso dos Evangelhos. as fontes que os autores bíblicos usaram estavam revestidas de “mitos”. e tentar entender e reconstruir os fatos daquela época. pelos seus dogmas e decretos. ou “a Bíblia é a revelação infalível de Deus” ou ainda. rejeitando-se o conceito da inspiração e infalibilidade da Bíblia. muitos pastores e teólogos que criam que a Bíblia era a Palavra de Deus. Os estudiosos críticos argumentaram ainda que. O principal critério a ser empregado nessa empreitada seria a razão.Para se interpretar corretamente a Bíblia. Os estudiosos responsáveis pelo surgimento e desenvolvimento inicial do método crítico defendiam que o “dogma” da inspiração divina da Bíblia deveria ser deixado fora da exegese. em tempos primitivos.

mas do que estes criam sobre ele. 6. sem padrões morais. fazendo sínteses entre os movimentos contraditórios (tese e antítese). Todos os homens são seus filhos e o pecado não separa ninguém do amor de Deus. não são essenciais ou básicas para o 2. e só precisa de encorajamento para fazer o que é certo. Ele é Deus somente no sentido de que tinha consciência perfeita e plena de Deus. O caráter de Deus é de puro amor. não realizou milagres. 4. A tentativa de unir o Racionalismo com a exegese bíblica não produziu um resultado satisfatório. seguiu para os Estados Unidos. todas as religiões são boas e levam à Deus. Portanto. A paternidade de Deus e a filiação divina são universais. o homem. onde defendia os seguintes pontos: 1.visão da história sem Deus. não ressuscitou dos mortos. Era um homem normal. 3. Ou seja. Ficou-se com uma Bíblia que deixou de ser a Palavra de Deus para se tornar o testemunho de fé do povo de Israel e da Igreja Primitiva. no íntimo. 5. mas em termos de um movimento conjunto do pensamento. não nasceu de uma virgem. e de lá. o cristianismo é apenas a melhor delas. o qual rapidamente influenciou as igrejas cristãs na Europa. é bom. surgiu um movimento dentro do cristianismo que se chamou liberalismo. Jesus Cristo é Salvador somente no sentido em que ele é o exemplo perfeito do homem. A doutrina ou declarações proposicionais. explicando os acontecimentos. A Bíblia não é o registro infalível e inspirado da revelação divina. Existe uma centelha divina em cada pessoa. Como resultado. Ela não fala de Deus. mas o testamento escrito da religião que os judeus e os cristãos praticavam. 7 . como as que encontramos nos credos e confissões da Igreja. não em termos da intervenção divina. O cristianismo só é diferente das demais religiões quantitativamente e não qualitativamente.

G. Há artigos de eruditos conservadores como J. e havia diferentes manifestações do liberalismo. dos quais foram publicadas 3 milhões de cópias e espalhadas pelos Estados Unidos. Machen. Nem todos os liberais abraçavam todos estes pontos. Torrey. os mesmos foram considerados 8 . a publicação em 1910-1915 da série Os Fundamentos. Primeiro. A. Muito embora o conflito entre liberais e fundamentalistas envolvesse muito mais do que somente estes pontos abaixo. A Reação Conservadora: Fundamentalismo Cristão Surgimento do O nome “fundamentalistas” foi cunhado para se referir aos pastores. é o ensino moral de Cristo. Warfield. O nome foi usado por três motivos. e não a revelação. John Murray. a elaboração de uma lista dos pontos considerados fundamentais do cristianismo. transformava o cristianismo em outra religião. Campbell Morgan e outros. e que serve de geração a geração. ao negá-las. todas elas estavam enraizadas no racionalismo (só a ciência tem a verdade) e no naturalismo (negação da intervenção criadora de Deus no mundo) e queriam adaptar as doutrinas do cristianismo à moderna teoria científica e às filosofias da época. visto que o que molda e forma a religião é a experiência. 12 volumes de artigos escritos por conservadores onde defendiam os pontos fundamentais do cristianismo e atacavam o modernismo. presbíteros e professores conservadores americanos de todas as denominações históricas que se coligaram para defender a fé cristã da intrusão do liberalismo nos seus seminários e igrejas. B.cristianismo. B. A única coisa permanente no cristianismo. diferente do cristianismo bíblico. E terceiro. etc. R.. Segundo. a teoria da evolução. Entretanto. os conservadores insistiam que o liberalismo atacava determinadas doutrinas bíblicas que eram fundamentais do cristianismo e que.

As Principais Fases do Movimento Fundamentalista nos Estados Unidos Nesta parte. 5. A divindade de Cristo – também negada pelos liberais. milagres nunca existiram. O sacrifício propiciatório de Cristo – para os liberais. Em 1920. tendo se tornado o slogan dos conservadores e a bandeira do movimento fundamentalista: 1. O uso se espalhou para todos. O nascimento virginal de Cristo e os milagres – para o liberalismo. 3. nunca pelos pecados de ninguém. analisaremos o desenvolvimento histórico e teológico do fundamentalismo na Igreja Cristã nos Estados 9 . e que se alinhavam teologicamente com o conteúdo da obra Os Fundamentos.na época pelos conservadores como os pontos fundamentais da fé e do cristianismo evangélico. infalibilidade e inerrância das Escrituras – reagindo contra os ataques do liberalismo que considerava que a Bíblia estava cheia de erros de todos os tipos. A inspiração. o termo “fundamentalistas” foi empregado por conservadores batistas para designar todos aqueles que lutassem em favor destes cinco pontos. Sua ressurreição literal e física e seu retorno – ambas doutrinas eram negadas pelos liberais. eram construções mitológicas da Igreja primitiva. 4. 2. que as consideravam como invenção mitológica da mente criativa dos primeiros cristãos. de todas as denominações afetadas pelo liberalismo que lutavam para preservar estas doutrinas fundamentais do cristianismo. Cristo havia morrido somente para dar o exemplo. que insistiam que Jesus era apenas um homem divinizado.

Gradativamente o movimento fundamentalista começa a adotar o prémilenismo como um dos pontos fundamentais da fé cristã. o julgamento de um professor de escola secundária que ensinava evolução em classe. são derrotados no caso Scopes (1925). 10 . um clássico sobre o assunto. O alvo foi atacar o naturalismo. Entre elas destacamos a publicação da série “Os Fundamentos”. se organizam em associações e em movimentos dentro das denominações. líderes conservadores levantaram a bandeira contra o liberalismo ou modernismo dentro de suas denominações. Podemos dividir sua história em quatro fases. que fica nas mãos dos liberais. concordam que a inerrância da Bíblia é essencial. As denominações realizam encontros e reuniões para debater o assunto. A inerrância da Palavra de Deus é reafirmada nesta obra como sendo doutrina bíblica e fundamental. através dos meios políticos. É publicado o importante livro de Machen. Eles estavam lutando contra a incredulidade. promulgar leis federais e nos estados.Unidos e no Brasil. antes que os liberais finalmente tomassem o controle dos seminários e da administração. Gresham Machen e outros importantes professores conservadores deixam o Seminário Presbiteriano de Princeton. o que provocará na fase seguinte um importante racha no movimento. Os conservadores. Cristianismo e Liberalismo (1923). Um importante fato ocorrido neste período foi – que J. Várias medidas foram tomadas com este fim. Mas. proibindo o ensino do evolucionismo. O objetivo era expulsar os liberais das fileiras das igrejas. o liberalismo e todos os males a eles associados. Os fundamentalistas tentam também. Fase 1: Conflito e derrota (até meados da década de 1920) Nesta fase inicial. Surgem as listas dos “pontos fundamentais” que. embora variando quanto aos itens. e fundam o Seminário de Westminster. a esta altura já conhecidos como “fundamentalistas”.

Com ele saíram Francis Schaeffer. Como resultado. associações. liderada por J. missionários e obreiros. O movimento começa a associar-se com alguns valores morais da cultura americana. a Convenção Batista do Sul. como a abstinência completa do álcool. igrejas e denominações. Machen (1936). conferências bíblicas pelo país afora para evangelização. seminários e institutos bíblicos. Além disto. Todos estas defendem os pontos fundamentais. como a Associação Geral de Igrejas Batistas Regulares (1932). a Igreja Presbiteriana da América que em seguida mudou o nome para Igreja Presbiteriana Ortodoxa (OPC). a Associação Batista Conservadora da América (1947). A causa da separação foi que muitos fundamentalistas queriam considerar o pré-milenismo como um dos pontos fundamentais do cristianismo. São formadas novas denominações. Alan McRae. defesa da fé e treinamento bíblico de pastores. Os fundamentalistas formaram também muitas associações e juntas missionárias. a Associação Batista Americana e muitas outras denominações. periódicos. 11 . as Igrejas Fundamentalistas Independentes da América (1930) e muitas outras. que posteriormente vieram também a afastar-se de McIntire. muito embora os conservadores fossem a maioria nestas denominações. a Igreja Presbiteriana do Sul. particularmente a inerrância da Palavra de Deus.Fase 2: Separação e organização (até meados da década de 1940) Nesta fase. É nesta fase que o movimento fundamentalista se divide pela primeira vez. separam-se formando novas instituições. No sul dos Estados Unidos os fundamentalistas dominaram a maior denominação batista. havia a identificação crescente deles com a total abstinência de bebida alcoólica e rejeição das descobertas e avanços das ciências. Sai um grupo liderado por Carl McIntire para formar a Igreja Presbiteriana da Bíblia e o Seminário Teológico da Fé (1938). o movimento fundamentalista percebe o fracasso em expulsar os liberais das fileiras das grandes denominações reformadas.

É então que surge o neo-evangelicalismo ou “evangelicalismo” . denominações e seminários fundamentalistas. os fundamentalistas entenderam que a separação era a única forma bíblica para manter a pureza da fé e a integridade dos pontos fundamentais do cristianismo. o termo fundamentalista começa a ter conotação de intransigência. divisionismo. o neo-evangelicalismo. uma ala dentro do movimento fundamentalista que deseja preservar os pontos fundamentais da fé mas não deseja o espírito separatista da primeira geração de fundamentalistas. o nome “fundamentalistas” se referia aos cristãos conservadores separatistas que eram maioria dentro das denominações ao sul dos Estados Unidos e aos que haviam saído de suas denominações formando outras de caráter eminentemente fundamentalista. Fase 3: Neo-Evangelicalismo (até meados de 1970) Nesta fase o fundamentalismo continua a batalha contra o liberalismo. e fundam faculdades que os mantêm unidos e ligados como numa rede invisível. pentecostais. Assim. surge nos Estados Unidos o Concílio Americano de Igrejas Cristãs. Conseqüentemente. conservadores e mesmo liberais. Em termos organizacionais. e falta de preocupação com problemas sociais. desejando fugir do rótulo “fundamentalista”. Esta segunda divisão no movimento atinge seriamente igrejas. Os fundamentalistas criam programas de rádio e televisão. intolerância.O ponto principal é que nesta fase entra no movimento fundamentalista o conceito de separação organizacional de qualquer associação ou denominação que mantenha e tolere liberais em seu meio. O movimento ganha repercussão internacional. fundado por Carl McIntire (1941) representando os 12 . O evangelicalismo procura comunhão e associação com outros cristãos. no final desta fase. anti-intelectualismo. Infelizmente. embora afirme a princípio a inerrância das Escrituras. Os que se consideravam “evangélicos” saem do movimento fundamentalista para formar novas associações e igrejas “evangelicais”. de fora das denominações e contra um novo inimigo.

Os males associados ao humanismo eram: evolucionismo. a revista Christianity Today. liberalismo político e teológico. estava se expandindo firmemente. moralidade frouxa. dentro da perspectiva “evangelical”. o Wheaton College e a Associação Billy Graham. surgem de dentro do fundamentalismo novos ministérios fundados e liderados por uma nova geração de fundamentalistas. igrejas e indivíduos que se identificaram com a bandeira fundamentalista. através da evangelização. em oposição ao Concílio Mundial de Igrejas (CMI). utilizando-se da mídia televisiva e impressa. econômica. Fase 4: Luta contra o Humanismo Secular (até meados de 1980) A partir da campanha de Ronald Reagan para a presidência dos Estados Unidos. socialismo. Da parte dos fundamentalistas é criado o Concílio Internacional de Igrejas Cristãs (1948). formado por denominações. por causa de sua abertura para outros cristãos. representando os evangelicais. o fundamentalismo americano entrou numa nova fase. moral e religiosa da América que envolvia legalização do aborto. associação com liberais e tendência de acomodar a fé à ciência moderna. ecumênico e liberal em muitos aspectos. e alguns até pensaram que havia morrido. Surgem o Seminário de Fuller. o governo e a família. proibição da leitura da Bíblia e oração nas escolas públicas. perversão sexual. as escolas. o fundamentalismo se torna menos proeminente. Na verdade. plantação de igrejas e programas de rádio. Para combater o novo inimigo. O fundamentalismo começa a atacar o evangelicalismo. O inimigo era o humanismo secular. Ganhou proeminência por oferecer uma solução para a crise social. universidades. comunismo e o ataque à autoridade das Escrituras. Entre eles: Jerry Falwell. Nesta fase. publicações. etc. responsável por corroer os valores morais. considerando-o um grande perigo ao verdadeiro cristianismo. Tim 13 .fundamentalistas e a Associação Nacional de Evangélicos (1942).

Hal Lindsey. o humanismo secular. A base deles era a Convenção Batista do Sul. Pat Robertson. A luta do fundamentalismo é contra os direitos dos homossexuais. os fundamentalistas se engajam na luta pelo ensino do criacionismo nas escolas. Associações evangelicais de teólogos começaram a tolerar teólogos que questionavam mesmo a onisciência de Deus. Líderes evangelicais. O alvo principal dos ataques fundamentalistas nesta época era o domínio do governo por humanistas e as conseqüências disto para a nação. somem do cenário por causa de desgaste político e extremo isolacionismo. em termos da libertinagem e relaxamento dos valores morais. Por outro lado. Sua mensagem foi de chamar a Igreja a retornar aos fundamentos da Palavra de Deus. do uso de drogas.LaHaye. o movimento feminista. sob a liderança de Jerry Falwell. James Dobson. Por outro lado. Acreditavam que havia uma conspiração humanista para tomar a América e banir o cristianismo. como chave para uma nova reforma na sociedade e na Igreja. bem como seminários e publicações evangelicais. ao lado do evolucionismo. os escândalos na década 14 . Neste sentido foi formada a Maioria Moral (1979). o ecumenismo com católicos e liberais (Billy Graham). mas atingiram rapidamente todas as denominações e também outros países. Ao contrário de gerações anteriores de fundamentalistas. O fundamentalismo ganhou mais força nesta época com o fato de que o movimento evangelical começou a dar mostras de que a política de boa vizinhança com liberais e católicos terminava em prejuízo para a fé bíblica. embora enfrentassem um outro inimigo. Nisto se associam com católicos. como Carl McIntire. Fundamentalistas antigos. associações com a Rússia. Esses novos líderes fundamentalistas mantinham os mesmos pontos doutrinários e a mesma visão separatista da primeira geração de fundamentalistas. começaram a aceitar o evolucionismo teísta. pentecostais e judeus de pensamento igual ao deles. posse de armas. para combater o liberalismo moral e social nos EUA. como o Brasil. envolveram-se com questões sóciopolíticas.

liderou uma campanha contra o Seminário Presbiteriano do Norte (SPN) sob a acusação de modernismo. A ALADIC congregava igrejas fundamentalistas na América Latina e no Brasil e tinha como alvo opor-se na América Latina ao Concílio Mundial de Igrejas (CMI). em Campinas. O Fundamentalismo no Brasil: Breve Histórico Vejamos em breves palavras o impacto do movimento fundamentalista em nosso país e os principais eventos da sua formação e continuidade. televangelistas fundamentalistas. Gueiros.de 1980. de orientação liberal e ecumênica. causaram um grande revés no movimento fundamentalista nos Estados Unidos. Apesar de tudo. pastor da Igreja Presbiteriana de Recife e ligado ao Concílio Internacional de Igrejas Cristãs (CIIC). não se faz em termos denominacionais. Surgem movimentos radicais de dentro do fundamentalismo como o Reconstrucionismo de Gary North e Rushdoony. missões. entretanto. Já em 1951 foi fundada por fundamentalistas a Aliança Latino Americana de Igrejas Cristãs (ALADIC). 15 . o fundamentalismo nos Estados Unidos continua firme e crescendo. O crescimento. Dr. O liberalismo teológico já havia chegado ao Brasil e entrado em vários seminários das denominações históricas. Israel F. envolvendo o casal Bakker. cujo primeiro presidente foi o brasileiro Rev. mas da multiplicação da mentalidade fundamentalista nos aspectos teológicos e apologéticos. Synério Lira. No Nordeste. no Seminário Presbiteriano do Sul. Havia professores nestes seminários como Richard Shaull. atacando a inerrância das Escrituras. Nesta mesma época. dentro das denominações tradicionais e no crescimento de ministérios. considerado como o pai da teologia da libertação. alguns missionários americanos da Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos (PCUSA) que eram professores do SPN questionavam a integridade dos relatos de Gênesis sobre a criação. do Rio de Janeiro. institutos e seminários de posição teológica fundamentalista.

não de eqüidistância de qualquer concílio ou conselho ecumênico. como fundadora do Concílio Internacional de Igrejas Cristãs. Desenvolveu-se como denominação no sul-sudeste e no centro-oeste do Brasil. Nos anos 50 a 90. A Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB). particularmente no Nordeste.Dr. A nova denominação se filia ao CIIC e à ALADIC. nem implique em concessões na área de seus símbolos de fé. não fugindo. Gueiros fundou outro seminário e foi deposto pelo Presbitério de Pernambuco em julho de 1956. qualquer resolução ou intenção de filiar-se a concílios ou conselhos ecumênicos de âmbito mundial. 16 . abrindo congregações e igrejas em várias cidades. quando saiu por discordar de decisões e rumos que estavam sendo tomados pelo CIIC. a contatos com estes agrupamentos ecumênicos em tudo que não fira seus padrões éticos. havendo pastores que negavam a realidade da eternidade do castigo de Deus sobre os ímpios. Talvez fosse importante mencionar a Igreja Presbiteriana Conservadora (IPC). do movimento fundamentalista mundial. campanhas. porém. que formaram um presbitério com 1800 membros. realizando congressos. Esta denominação havia saído da Igreja Presbiteriana Independente por causa da infiltração do liberalismo teológico. do qual desligou-se oficialmente em meados da década de 70.” Esta posição foi mais tarde reafirmada. (3) A IPB reafirma que não há de sua parte. e sim em termos de fidelidade às Escrituras do Velho e do Novo Testamento. o movimento fundamentalista floresceu no Brasil. (2) A IPB reafirma a posição de não envolvimento formal nem em relação ao CIIC. Em 21 de setembro foi organizada sob sua liderança a Igreja Presbiteriana Fundamentalista do Brasil com quatro igrejas locais (incluindo elementos batistas e congregacionais). A IPC participou em Amsterdam. Também expandiu-se no interior de Pernambuco e outros estados. toma a seguinte resolução em 1962: -“(1) A IPB reafirma a sua posição teológica e doutrinária formada em termos. mantendo programas de rádio e televisão e publicando literatura. diante da penetração cada vez maior no país da influência dos dois Concílios surgidos no final da década de 40. Permaneceu no CIIC até a década de setenta. em 1966. nem ao CMI e outros.

o Oriente Médio como relógio do mundo. identificada como o reino do Anticristo. No final da década de 90. com possíveis exceções. “Igrejas fiéis evangelizam. Guatemala (1999). Cristo está retornando em breve”. a clonagem humana. síndrome de uma conspiração mundial ocultista para controlar o mundo. Os Batistas Regulares já haviam saído do CIIC no final da década de 60. a visão restrita de “liberdade cristã” e alguns aspectos da batalha espiritual. Além disto. o Senhor está voltando”.diminuindo ainda mais a influência do CIIC no Brasil. que ficou praticamente apoiado pela I. parece exibir as seguintes marcas características: o dispensacionalismo. o fundamentalismo brasileiro. entre outras. edificam e ficam firmes pela fé”. Características do Fundamentalismo Brasileiro Atual Atualmente. “Vigiai. separatismo das demais denominações. o fundamentalismo não tem mais expressão no quadro evangélico nacional. como um dos 17 .P. O alvo é sempre combater o Concílio Mundial de Igrejas. “Maranatha. Equador (1995). permanecendo apenas algumas poucas dentro do movimento fundamentalista. parece ter desenvolvido uma mentalidade de censura e apego a itens periféricos como se fossem o cerne do evangelho (tal mentalidade está presente em muitas de nossas igrejas). desde símbolos ocultistas espalhados em todo lugar até versões modernas da Bíblia (especialmente a Bíblia na Linguagem de Hoje e a Nova Versão Internacional). o sionismo. A ALADIC continua realizando congressos a cada três anos: Chile (1992).que abraçou o dispensacionalismo como cerne teológico. Fundamentalista. o movimento se faz representar no Brasil hoje por estas poucas igrejas presbiterianas e algumas igrejas batistas tendo se identificado com o Pentecostalismo tradicional . Tem declarado guerra especialmente ao surgimento da Nova Ordem Mundial. Mas como movimento. batalha espiritual e a aniquilação futura dos palestinos. e levantado a bandeira contra itens que julga ser instrumentos de Satanás para promover este Reino. a Igreja Presbiteriana Fundamentalista vê a grande maioria de suas igrejas voltando para a IPB. Com isto.

podemos perceber vários aspectos do fundamentalismo que o caracterizam e definem. entre outros. o fundamentalismo se vê. o qual foi representado pelos conservadores que se levantaram contra o liberalismo no início do século passado e defendendo os cinco pontos fundamentais.fundamentos da nova ordem mundial e os jogos olímpicos mundiais. Primeiro. Sob este aspecto. o fundamentalismo como movimento teológico de retorno aos fundamentos bíblicos do cristianismo histórico . o fundamentalismo crê que não pode haver associação com igrejas. o fundamentalismo como movimento separatista do erro teológico como meio de preservar a verdade cristã . É preciso notar que o fundamentalismo brasileiro não está mais restrito a esta ou aquela denominação. mas como a continuação histórica da fé bíblica. É mais uma atitude que se faz presente em igrejas locais das mais diversas denominações e em determinadas missões e instituições evangélicas. Conclusões Olhando a história. Neste aspecto. Segundo. não como um novo movimento. denominações e indivíduos que 18 .

neguem os pontos fundamentais do cristianismo. o fundamentalismo como movimento ativamente identificado política e socialmente com o capitalismo . da utilização de novos conhecimentos e métodos na interpretação bíblica. com a destruição dos palestinos. 19 . Quinto. Neste aspecto. das superpotências. o fundamentalismo se vê como movimento apologético de defesa da fé. muito embora não aceitem o rótulo “fundamentalista”. e que percebe uma conspiração mundial para o surgimento do Reino do Anticristo através do ocultismo. da tecnologia. profundamente identificado com o dispensacionalismo. uma vez por todas. Quarto. o fundamentalismo como rejeição do conhecimento científico. principalmente a aderência aos pontos fundamentais da fé e a defesa da fé cristã. Neste aspecto. foi entregue aos santos. como o comunismo e o socialismo. que entende como tarefa da Igreja cristã defender a fé que. Terceiro. desconfia de tudo novo que provenha de descobertas científicas. dos avanços e descobertas modernos. da mídia. o fundamentalismo como movimento escatológico. Muitos cristãos conservadores que não pertencem a denominações fundamentalistas se identificam hoje com aspectos do fundamentalismo. inimigo dos sistemas políticos identificados com o ateísmo. com os acontecimentos políticos do Oriente Médio. dos eventos mundiais. Fazer isto seria acomodar a fé cristã ao erro e trair o ensino bíblico de que os cristãos devem se separar dos falsos mestres. com Israel. avesso às questões sociais.

São também acusados por estes grupos de crerem na inspiração verbal plenária. Quanto à apologética. por terem uma atitude militante em defesa da fé e contra o que consideram como erro doutrinário e prático. que acredita literalmente em cada palavra das Escrituras. Eles são acusados por grupos liberais ou neoortodoxos de terem criado o inerrantismo. Há muitas e diferentes expressões do fundamentalismo. que não conseguem conviver com quem pensa diferente deles. que utiliza a religião para fazer política.Avaliação Crítica do Fundamentalismo Devemos entender que o fundamentalismo não é um movimento monolítico. • Os Fundamentalistas Vistos Pelos Críticos Há muitas críticas feitas aos fundamentalistas por diferentes grupos. são criticados como “donos da verdade”. Neste aspecto são freqüentemente chamados pejorativamente de xiitas e de separatistas e divisionistas. isto é. “guardiões da Igreja” ou “defensores de Deus”. Já os grupos feministas acusam os fundamentalistas de machistas. Lembremos ainda que o termo “fundamentalismo” ganhou conotações muito mais políticas do que religiosas nesses últimos anos. por desconfiarem das descobertas científicas e do valor delas para a interpretação 20 . que Deus teria ditado cada palavra da Bíblia e de terem uma interpretação literatista da Bíblia. rejeitando o método históricocrítico que representaria um avanço na hermenêutica. doutrina resultante da influência do próprio racionalismo e que não é defensável diante das descobertas da ciência. Os fundamentalistas são ainda considerados como obscurantistas e anti-intelectuais. Entretanto. principalmente por causa do Islamismo. os críticos tendem a tratá-las de forma uniforme e a identificar como fundamentalista qualquer pessoa que exiba alguma característica do fundamentalismo. por militarem contra o movimento feminista e especialmente contra a ordenação de mulheres ao ministério.

são vistos como um movimento reacionário. não podem ser considerados como antiquários e antiquados. atrasados. eles se entendem como descendentes e preservadores atuais de tradições antigas. políticas sociais e econômicas para subsistir. pelo menos nos inícios do movimento. Portanto. Lembram que sua característica distintiva é a interação crítica com a cultura moderna (teologia. por não se envolverem em questões sociais e políticas. Os cristãos evangélicos reformados e conservadores perceberão que muitas das críticas feitas aos fundamentalistas. Eles se definem em oposição ao mundo moderno. No geral. • Como os Fundamentalistas Se Entendem Vejamos em seguida a concepção que os fundamentalistas têm de si próprios e que se encontra em artigos e publicações escritos por fundamentalistas. as críticas feitas aos fundamentalistas dependerão dos posicionamentos teológicos e éticos dos que as fazem.). muito embora firmados na antiga Bíblia. Ainda são criticados como totalitaristas. ciência. de isolacionistas e pessimistas quanto ao mundo e ao homem. na verdade. Eles insistem que o fundamentalismo é mais que a afirmação dos cinco fundamentos. que se alimenta das crises religiosas. movido pelo medo da extinção de si mesmos e da verdade. pessoas que desejam impor suas idéias e sua visão de igreja e de mundo à força. e não manifestações contemporâneas de sobras de um passado distante.mais acurada da Bíblia. São as sobras de um passado distante. antiquados e retrógrados. etc. por todos os meios possíveis. são ataques ao cristianismo histórico e bíblico defendido por eles. filosofia. É também uma atitude militante 21 . Naturalmente. No geral.

como os críticos dizem. a continuidade e o sucesso deles na história (enquanto que seus inimigos já mudaram ou sumiram) mostram que o fundamentalismo é mais que um movimento reacionário que se alimenta das crises da humanidade. mas usam o que é bom e proveitoso. e a separação bíblica de quem apóia ou tolera estas afirmações e atitudes. O fato de que defendem uma sociedade que seja orientada 22 .Também não se vêem como machistas – sua atitude para com as mulheres no que tange ao ministério cristão (não ordenam mulheres) são em obediência ao ensino bíblico sobre o papel da mulher na Igreja. através da história. Desejam apenas que o raciocínio seja guiado pelos pressupostos bíblicos e não pelo racionalismo e o naturalismo controladores das ciências modernas. As exigências feitas para que alguém pertença às suas igrejas e organizações (conversão. tentando desta forma rotulá-los negativamente. aderência à confissões e credos) não é separatismo ou exclusivismo. A organização.contra todas as afirmações e atitudes anti-bíblicas. condenam a agressão feita às mulheres pelos fundamentalistas islâmicos. na Igreja e na sociedade. não têm receio de extinção e nem que a verdade um dia vai ser extinta da terra. são otimistas e confiantes na vitória final do Reino de Deus e da verdade aqui neste mundo e acreditam que Deus e a história estão do lado deles. Negam ainda que sejam reacionários e apontam para o fato de que têm desenvolvido meios criativos. espirituais e políticos que afligem o homem moderno. morais. Também negam que sejam alimentados e movidos pelo medo (que é a tese de Karen Armstrong em Em Nome de Deus). quando a preservação da pureza do Evangelho assim o requeira. Negam que sejam anti-intelectuais. entre outros. Na verdade. de expressar positivamente a fé bíblica e de apresentar soluções para problemas sociais. Para eles. Rejeitam a idéia de que são produto de crises. como a tecnologia de comunicações. o divisionismo e o separatismo são bíblicos. Rejeitam da modernidade aquilo que é contrário à Palavra de Deus. Na verdade. mas obediência aos critérios bíblicos visando a pureza doutrinária das igrejas locais.

que nasceu de novo. do compromisso com o erro.” 23 .por princípios bíblicos em todas as áreas (escolas. Afirma as verdades fundamentais da fé cristã histórica: a doutrina da Trindade. a encarnação. 6. os quais se utilizam da força e da violência para impor estes princípios. e que: 1. a ressurreição dos santos para a vida eterna. política. 2. e da apostasia da verdade. nascimento virginal. na Escócia. que são o corpo de Cristo. a seguinte definição de um fundamentalista foi elaborada: “Um fundamentalista é um crente no Senhor Jesus. 7. no Congresso Mundial de Fundamentalistas. como no fundamentalismo islâmico. sacrifício expiatório. e a segunda vinda do Senhor Jesus. e a comunhão dos santos. 5. Acredita na veracidade de tudo aquilo que a Bíblia diz. artes) não quer dizer que sejam totalitários. Contende fervorosamente pela fé uma vez dada aos santos. leis. Expõe e se separa de todas as negações eclesiásticas desta fé. 4. o novo nascimento pela regeneração do Espírito Santo. Julga todas as coisas pela Bíblia e é julgado somente por ela. economia. 3. Conserva uma lealdade inamovível à Bíblia. infalível e inspirada verbalmente por Deus. que ele recebe como inerrante. Em 1976. ressurreição física e ascensão gloriosa. a ressurreição dos ímpios para o julgamento final e a morte eterna. Pratica fidelidade a esta fé e procura pregá-la a cada criatura.

podemos identificar como marcas teológicas gerais do fundamentalismo o apelo de retorno aos fundamentos da fé cristã.Em resumo. ressurreição física. etc. o separatismo eclesiástico de organizações que sejam. sacrifício expiatório. o evangelicalismo. Análise Crítica do Fundamentalismo • Aspectos Positivos Há pontos positivos no fundamentalismo que merecem ser admitidos e mencionados. consideremos o fundamentalismo em sua condição de movimento teológico 24 .). como a autenticidade e historicidade de todos os relatos bíblicos (nascimento virginal. segunda vinda de Cristo. o humanismo. Primeiro. como o liberalismo teológico. mantenham ou tolerem liberais ou outros que ameacem a fé cristã. o ocultismo e tudo mais que for a isto associado. especialmente a doutrina da inerrância bíblica e as demais doutrinas disto decorrentes. a defesa militante destes fundamentos contra tudo que possa ameaçá-los. os milagres da Bíblia. o compromisso inalienável com pontos fundamentais do cristianismo histórico.

Um outro aspecto positivo do fundamentalismo é sua face apologética. existem alguns aspectos do fundamentalismo que merecem reparo. o conceito fundamentalista de que a separação institucional do erro teológico é o único meio de preservar a verdade cristã. Organização Palavra da Vida. Exemplos no Brasil: Focus on the Family (James Dobson). • Aspectos Negativos Porém. que haviam sucumbido ao arminianismo. que entende ser tarefa da Igreja cristã defender a fé que uma vez por todas foi entregue aos santos. preparação de obreiros e divulgação de literatura. contribuindo para o fortalecimento da fé reformada inclusive entre os batistas em geral. sempre ativamente engajado na evangelização. organizações e editoras. particularmente ao conceito da autoridade das Escrituras. Neste sentido. com redes de rádio e TV. usaram o melhor que a tecnologia pode oferecer. identificando inimigos potenciais do cristianismo. entre outros. com sua aderência inabalável aos fundamentos da fé cristã. como o liberalismo teológico. o fundamentalismo crê que não pode haver associação com 25 .de retorno aos fundamentos bíblicos do cristianismo histórico . onde estes fundamentos se apóiam. é positiva a disposição de lutar em favor da fé bíblica. Chamada da Meia Noite (Wim Malgo). Primeiro. Aliança Cristã Missionária. Esta ênfase acabou promovendo uma grande ênfase às doutrinas reformadas. Mencionemos ainda a visão evangelística do fundamentalismo. Clube dos 700 (Pat Robertson). o evolucionismo e o neoevangelicalismo no que tem gradualmente abandonado a doutrina da infalibilidade da Escritura e adotado tanto o ecumenismo quanto o evolucionismo teísta. Sob este aspecto. o humanismo. como movimento de defesa da fé. Neste aspecto.

decidiram permanecer na igreja. Não obstante serem ainda minoria no contexto da denominação. da “Gereformeerde Bond” (Aliança Reformada) dentro da “Igreja Reformada do Estado” (Hervormde Kerk) . Nos Estados Unidos. quando o mesmo se infiltra 26 . conseguiram reagir e readquiriram recentemente o controle da denominação e da educação teológica. Podemos mencionar ainda a formação na Holanda. existe grande esperança de que a Igreja da Escócia volte a ser o que John Knox desejou e orou em favor dela. após terem perdido para os liberais em muitos seminários. E. Os conservadores da denominação Batista do Sul dos Estados Unidos. usando duas armas. em 1905. por fim. quando as mesmas foram tomadas pelos liberais. Sob a liderança de William Still e posteriormente de David Searle. condenação do homossexualismo e salvação somente por Cristo. não aceitam pastores e pastoras homossexuais. pontos polêmicos dentro da denominação. As igrejas filiadas à Aliança não dão dízimo para a Assembléia Geral.igrejas. e se mobilizam para lutar contra os liberais nos concílios da denominação. que juntou presbitérios e igrejas conservadoras em torno de uma breve confissão de 3 pontos: infalibilidade da Bíblia. denominações e indivíduos que neguem os pontos fundamentais do cristianismo. Os exemplos acima mostram que o separatismo denominacional e eclesiástico não é o único caminho correto para se lidar com o erro teológico. às vezes com bons resultados. o ocorrido na Igreja Presbiteriana da Escócia. onde o número de pastores reformados era pouco mais de três ou quatro cerca de trinta anos passados. Entretanto. os evangélicos que permaneceram na Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos (PCUSA) formaram uma Aliança de Igrejas Confessantes. Hoje reúnem um grupo de cerca de 300 pastores a cada ano para a reflexão sobre as marcas da Igreja de Cristo. ainda que fossem uma insignificante minoria. preparando novos pastores que simpatizaram com esta causa. que estava aceitando o liberalismo teológico. a oração e a pregação expositiva. conservadores às vezes têm optado por fazer resistência organizada dentro de suas denominações.

Um outros aspecto negativo é a identificação atual do fundamentalismo com o dispensacionalismo. Há limites. dos eventos mundiais. Conclusão 27 . como aspecto negativo. para a estratégia mencionada acima. como por exemplo. das superpotências. da tecnologia. e acaba tratando com desconfiança irmãos conservadores que concordam com os pontos fundamentais mas que divergem em outras questões. crítica e separatismo que alguns fundamentalistas têm para com irmãos conservadores que não pensam como eles em todos os pontos. além do desenvolvimento de uma síndrome de conspiração mundial para o surgimento do Reino do Anticristo através do ocultismo. Acrescente-se ainda o desenvolvimento de uma mentalidade de censura e apego a itens periféricos como se fossem o cerne do evangelho e critério de ortodoxia (por exemplo. só é bíblico e conservador quem usa versões da Bíblia baseadas no Texto Majoritário.nas organizações eclesiásticas. é claro. a atitude de desconfiança. o abandono de toda confessionalidade por parte de uma denominação ou a aceitação oficial do homossexualismo. mesmo em questões que não afetam os pontos fundamentais da fé. da mídia. quem não assiste desenhos da Disney e não assiste “Harry Potter”). Aqui incluiríamos também. O fundamentalismo nem sempre consegue conviver com diferentes opiniões.

Terceiro. Muito embora não seja. que não quer dizer mais nada. mas sim um cristão reformado. pelo caráter emocional do termo. o cristianismo bíblico em toda a sua amplitude. boa parte das vezes em que é empregado. Funciona apenas como um insulto. definitivamente. certamente muitos não gostariam de ser chamados de “fundamentalistas”. e portanto não serve mais como designação da posição teológica de alguém. Os três pontos acima podem ser ditos também de outros termos como liberais. comprometido com o cristianismo bíblico e histórico. Primeiro. Atualmente. sem que se faça distinções importantes e sem que se explique o que é um fundamentalista. Freqüentemente ele é usado em generalizações injustas e maldosas. por exemplo. entretanto deixou de representar. Segundo. com o passar dos anos. Gresham Machen. como o fundamentalismo acredita. O reducionismo do movimento fundamentalista que.Concluímos este Caderno indagando sobre a propriedade e conveniência de usarmos o termo “fundamentalista” para descrever cristãos que crêem na importância dos fundamentos bíblicos da fé. 28 . pelo caráter vago do termo. O próprio J. Ele é usado dentro e fora da Igreja para expressar emoções fortes de revolta e rancor da parte dos que o utilizam contra outros que ousam discordar e opor-se de forma firme. pelo caráter pejorativo do termo. um descrédito para o cristão o compromisso com os pontos fundamentais. puritanos e pentecostais. mesmo que estejam corretos nesta oposição. Quarto. o termo se tornou tão vago pelo uso generalizado e emocional. O mesmo tem sido usado para denegrir. rotular e marcar de forma negativa. Há vários motivos pelos quais o rótulo não é mais apropriado. porque há diversos aspectos do fundamentalismo com os quais o reformado confessional não se identifica. disse que preferia não ser chamado assim. muito embora tenha um sólido centro doutrinário. nas questões sociais. conforme mencionamos acima. em várias ocasiões.

o termo fundamentalista se refere a um movimento relativamente recente na história da Igreja.Por fim. enquanto que o reformado confessional se vê como aderente do cristianismo bíblico e das antigas doutrinas da graça. e pode dar a idéia de mais uma novidade ou excrescência da Igreja Cristã moderna americana. 29 .