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TEORIA DA PERCEPÇÃO MENTAL

Wadih Miguel João (Membro da Sociedade Teosófica pela Loja Unicidade, de Cataguases-MG)

A consciência, segundo a Psicologia Moderna, é “a referência dos conteúdos psíquicos do Eu, na medida em que for entendida como tal”. Essa definição só é válida para uma das numerosas funções desse componente fundamental, não só de nossa estrutura psicológica, mas da psique em todas es formas de vida na Natureza. Parece haver uma total impossibilidade de definir satisfatoriamente esse aspecto multifuncional da nossa natureza essencial, pois, por mais que pensemos, não conseguimos construir uma outra expressão para substituí-la, uma vez que definir uma proposição “A” é declarar que ela será usada em lugar de outra “B”, cujos termos são mais ou menos familiares às nossas experiências comuns. Por isso, enquanto aguardamos a evolução da lingüística que um dia poderá prover novos termos adequados à definição, sugerimos que o termo consciência seja considerado como primitivo. A impossibilidade de definir um termo não constitui impedimento ao conhecimento da coisa que o termo designa. Na base de toda ciência sempre figuram termos primitivos e nem por isso a ciência tem deixado de evoluir, elevando-se, em muitos casos, a grandes alturas. O “enfoque” que pretendemos apresentar à natureza da consciência, às suas funções e à teoria da percepção mental não é nosso. Trata-se de uma síntese elaborada com base no acervo de conhecimentos que nos oferecem quatro fontes de alta idoneidade nessa área de nossa natureza essencial. São elas: - Escolas Sankhya e Vedanta de Filosofia; os Ioga Sutras de Patanjali, comentados por I. K. Taimni; a Ciência Moderna e a Teosofia. A Teosofia desempenha aqui papel de primordial importância, pois sem ela seria totalmente impossível penetrar o conteúdo das informações fornecidas pelas citadas fontes, em virtude do denso véu que envolve o conhecimento. As fontes tentam, através do método alegórico, simbólico e analógico transmitir o conhecimento ao qual só têm acesso os iniciados. Refiro-me às duas primeiras fontes. A mente, segundo a Vedanta, possui quatro funções assim denominadas: Chitta, Mana, Buddhi, Ahamkara. Chitta é a função que transforma as sensações em percepções e as retêm por uma subfunção denominada memória, ou e a função que transforma o movimento produzido pelos estímulos, atuantes sobre uma completa estrutura sensitiva, em imagens mentais. Chitta, deriva de Chit

Para a Psicologia Iogue. é o que se chama Ahamkara na terminologia Vedantina. Os conteúdos da mente mudam constantemente. Todas as imagens que passam pela nossa mente e nossas experiências se congregam em um centro egóico que as relaciona e as coordena em um conjunto harmonioso e integrado. totalmente. converte a luz do estado potencial para o ativo. ela está em estado integrado e sua diferenciação se faz na medida em que ilumina os infinitos níveis de densidade da matéria do plano búdico e do plano manásico. Esta é a razão por que a mente em seu sentido mais restrito é simbolizada pela lua que brilha porque reflete a luz. com suas funções Chitta e Manas. Manas é a função da mente que sustenta a sucessão das imagens mentais. não poderia haver vida mental significativa e contínua. quer para o . Quando isto ocorre. Uma coisa é o centro e a outra. este permanece sempre. então. do terceiro ou quinto raio. A luz que jorra através desse átomo se divide em duas radiações: uma se orienta para o átomo permanente búdico e a outra para o átomo permanente manásico. Se o poder de Ahamkara é forte e ele canaliza luz com a mesma intensidade quer para o átomo permanente búdico. do segundo ou sexto raio. inibe a luz e pode. controla a luz. existe uma interrelação no sentido de Ahamkara para Buddhi. Porém entre Ahamkara e Buddhi (a luz). Ahamkara é o centro egóico do qual é projetada a luz da consciência que ilumina a mente. Isto é. Se a radiação que se orienta para o átomo permanente búdico é a mais intensa. Esse “Eu” que está enraizado no centro da consciência é a fonte de iluminação das imagens mentais e o instrumento de coordenação das nossas experiências. e o Espírito é simbolizado pelo Sol que brilha com luz própria. Sem esse centro de consciência. é o eixo em torno do qual gira nossa vida mental. se suficientemente desenvolvido. as lembranças e premonições. Quando a luz emerge dos átomos permanentes búdico e manásico. o escoamento da luz. a luz que escoa através desse centro. dizemos que predomina no homem a volição e ele é do primeiro ou do sétimo raio. a mente em sue totalidade fica inoperante pois suas funções dependem da luz de Buddhi. Ahamkara (o centro) é formado por um átomo permanente e Buddhi se escoa através desse átomo. no entanto. a luz jorra caudalosa e livre através do centro. Pode ocorrer. estrangular o centro e impedir o escoamento da luz de Buddhi. Quando Ahamkara é dotado de um grande poder sobre a luz e pode com relativa facilidade estrangular o centro e impedir. isto é. o homem será um pensativo. Dissemos que Ahamkara é o centro através do qual jorra a luz de Buddhi. é insensível e as imagens só adquirem sentido e significado quando a mente é iluminada pela luz de Buddhi. Todas as nossas experiências e imagens mentais seriam movimentadas de maneira fortuita se nada houvesse que as conglomerasse em uma vida singular e diferente das vidas de outros indivíduos. a mente. Ahamkara provê a luz. porém.(saber) e é o resultado da atuação do aspecto Chit de nossa natureza tríplice: Sai-Chit-Ananda (Poder-Saber-Querer). que o poder de Ahamkara seja muito reduzido e. nesse caso. o “Eu” que conglomera as experiências. Se a radiação mais intensa for a que se orienta para o átomo permanente manásico. o homem será um sentimental.

vê-mo-lo como um conglomerado de átomos. a trajetória dos impulsos é muito mais longa e complexa do que se pensa. caracterizado pela tônica da harmonia. dos três referidos movimentos. desempenham um papel de vital importância na teoria da percepção mental. Tamas é a inércia. porém. elas determinam a estrutura interna ou essencial de todas as coisas. isto é. simultaneamente. que transforma o impulso em sensação. Os elétrons giram entorno do núcleo com alta velocidade. em relação a cada ponto. o movimento ritmado e o movimento caótico. então o homem será do quarto raio. por exemplo . só foram conhecidos pela ciência em tempos relativamente recentes. caótico. desordenado (Rajas). isto é. O que mantém a estabilidade das distâncias é a inércia (Tamas). aquela modalidade do movimento que se repete em tempos iguais. por si. reflete-se aí e a radiação refletida se orienta para o centro correspondente no cérebro do Pranamayakosha (Duplo Etérico).um átomo.manásico. isto é. e Tamas.Satva. onde são transformados em sensações e percepções. o estado em que se encontram. As três gunas . onde se reflete novamente para atingir o centro correspondente no Kama Rupa (corpo emocional). conhecidos há milênios pelos filósofos Sanquianos. Segundo a Psicologia Iogue. o átomo como um todo é dotado de um movimento caótico. todo corpo material é bem caracterizado por uma resultante de três componentes que são os princípios fundamentais do movimento: a inércia ou posição fixa. Essa três modalidades ou princípios fundamentais do movimento.chegaremos à conclusão de que ele é dotado. isto é. Se tomarmos uma só partícula desse corpo para exame . Outro componente é o significado da imagem - . O reflexo se dá mais uma vez e incide sobre o centro correspondente no cérebro do corpo mental concreto onde a sensação transformada numa imagem mental. Segundo observações diretas realizadas pelos expoentes das quatro fontes de informações já citadas. movimento que se repete em tempos iguais (Satva). mas a imagem mental é apenas um componente da percepção. executando movimento ritmado. É exatamente esse resultante que estimula nossa estrutura sensitiva e produz os impulsos nervosos que são conduzidos aos centros cerebrais. Satva designa o movimento ritmado. para o qual não se pode formular uma lei. Rajas é o movimento desordenado. Rajas. íons positivos ou negativos. caracterizado pelo repouso de movimento retilíneo uniforme. Segundo a teoria cinética da matéria. O impulso produzido pelos estímulos. a incapacidade que os corpos materiais possuem de alterar. a distância é fixa. a distância do ponto subseqüente pode não ser a mesma que separa o procedente do núcleo. ou um ser. moléculas. ao atingir o centro cerebral. Pelo que acabamos de ver. Cada ponto da trajetória do elétron mantém uma distância fixa do núcleo. Quando examinamos um corpo material qualquer à luz do conhecimento científico moderno.

FIM . Logo. mas não conseguimos vê-lo como um vasto Universo povoado por concentrações de movimentos. Em outras palavras: nós vemos o mundo exterior através de imagens mentais. tal como ele é. pela estrutura sensitiva com sua complexa organização. Com base no que foi exposto.seu conteúdo . enquanto os estímulos que deram origem a esse conjunto são de natureza dinâmica (os corpos materiais são concentrações dos três tipos fundamentais do movimento). podemos com facilidade concluir que o conjunto de percepções em nossa mente (imagens mais seus correspondentes significados) é de natureza estática. parece ser fato de evidência primária que o conjunto das percepções não nos fornece uma representação do mundo exterior tal como ele é na realidade. havendo uma inquestionável impossibilidade de perceber o mundo objetivo ou mundo dos estilos.que é função do nível de densidade da matéria que foi iluminado pela luz de Buddhi. Chegamos assim a uma surpreendente conclusão: os seres humanos vivem em um Universo puramente mental.