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CURSO: INTRODUÇÃO À FRUTICULTURA Profa. Dra.

Adriana Graciela Desiré Zecca

HISTÓRICO A vida humana seria impossível se não existissem as árvores. As plantas, especificamente as árvores, fornecem ao homem lazer, abrigo, perfume, remédio, comida, combustível, tinta, além de permitir a confecção de instrumentos para as mais distintas utilidades. Segundo alguns historiadores, a fruticultura tem sido praticada há milhões de anos e dentre as espécies mais antigas, são citadas a Macieira, Videira, Cítricos, Figueira e Pereira. A dispersão das frutíferas ocorreu com os vários deslocamentos do homem, seja por guerras, ou por novas conquistas. A partir dos centros de origem, as plantas foram disseminadas em todo o mundo, primeiramente, através de pequenas viagens realizadas pelo homem e pela necessidade de utilização para os vários objetivos, destacando a alimentação. No início, as plantas frutíferas, quando levadas aos locais fora dos centros, sofreram algumas mudanças, pois sua adaptação foi progressiva. Daí, devido às alterações no seu 'habitat', várias mudanças podem ter surgido, repercutindo muitas vezes em variações genéticas, através de mutações espontâneas e hibridações naturais. O homem, então, com seu espírito de selecionar as espécies de interesse, foi através dos tempos escolhendo aquelas espécies ou variedades que apresentavam características superiores. Sabe-se que inúmeras variedades e cultivares hoje existentes são, na sua maioria provenientes de mutações e hibridações naturais. A disseminação das espécies e variedades, na verdade, ocorreu primeiramente no velho mundo e daí para o novo mundo e o canal foi a ansiedade dos povos mais antigos em descobrir novos horizontes. Através dessas aventuras, a tripulação inicialmente em caravelas e posteriormente com meios de transporte mais adequados, levavam material genético, principalmente em forma de sementes, além de frutos e até mudas, que deixavam nos locais como forma de registrar a sua presença ou de dominância nos novos locais, bem como o objetivo de produzir frutos destinados ao uso na alimentação, visando as próximas viagens. De lá para cá, grandes avanços têm sido alcançados, colocando o Brasil na posição privilegiada de maior produtor de frutos frescos e maior exportador de suco de laranja concentrado congelado. Em termos gerais, o Brasil, com seu potencial para produção, ainda está aquém de sua capacidade. Entretanto, o que se tem observado é um grande incremento na produção de frutos, tanto para consumo como fruta fresca, quanto para industrialização. Quase todos, senão todos os Estados exploram a fruticultura; algumas regiões se destacam, a exemplo de São Paulo, que é o maior produtor de cítricos e manga, com aproximadamente um milhão de hectares de cítricos; Santa Catarina mostra sua potencialidade, sendo o maior produtor de maçã. O Rio Grande do Sul ocupa a primeira posição na produção de uva, principalmente para a produção de vinhos.

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DISTRIBUIÇÃO E CLASSIFICAÇÃO DA FRUTICULTURA De acordo com alguns pesquisadores, pode-se definir as espécies, geográfica e didaticamente, de acordo com as condições climáticas. Assim sendo, pode-se definir as frutíferas em três grandes grupos: frutíferas de clima tropical, subtropical e temperado. As frutíferas de clima tropical são aquelas que encontram boas condições para desenvolvimento e produção em clima quente, exigindo, de preferência, pluviosidade regular e temperatura média anual superior a 22ºC. Nesta faixa, não há muita variação nas estações do ano, chegando a temperatura mínima de 15ºC, em média. Frutíferas que apresentam crescimento quase que contínuo. Dentre as inúmeras espécies cultivadas nessa faixa, pode-se citar: abacaxizeiro, bananeira, cajueiro, coqueiro, goiabeira, gravioleira, jaqueira, mamoeiro, mangueira, maracujazeiro, sapotizeiro e tamareira. O segundo grande grupo é composto pelas frutíferas de clima subtropical. Esse grupo de plantas se adapta melhor em condições intermediárias com temperaturas médias anuais variando entre 15 e 22ºC. Grande parte dessas plantas possuem folhagem permanente, desde que tenham solo com água disponível e sem períodos prolongados de seca. A maioria delas apresenta alguns surtos de crescimento durante o ano. Algumas plantas desse grupo são caducifólias, com um surto de crescimento mais acentuado na primavera. De forma geral, as frutíferas de clima subtropical apresentam um curto período de repouso vegetativo provocado por baixas temperaturas ou por seca prolongada. Algumas espécies desse grupo apresentam pequena tolerância às geadas, sendo que essa tolerância aumenta para aquelas que possuem as folhas caducas, resistindo por pouco tempo a temperaturas inferiores à 4ºC. Dentre as frutíferas desse grupo destacam-se: abacateiro, cajueiro, figueira, jabuticabeira, laranjeira, lichieira, limeira, limoeiro, marmeleiro, nespereira, tangerineira, entre outras. O terceiro grande grupo é composto pelas frutíferas de clima temperado. Essas, contrastando com as duas anteriores se adaptam a baixas temperaturas. Exigem para melhor desenvolvimento e produção, temperatura média anual baixa, variando de 5 a 15ºC. Apresentam um período denominado de repouso vegetativo ou dormência, sendo que durante esse tempo apresentam alta resistência a baixas temperaturas. As espécies desse grupo são caducifólias, condição essa provocada por baixas temperaturas ou por falta de água disponível no solo. Comparando-se com outras frutíferas, pode-se considerar, de maneira geral, que essas plantas apresentam somente um surto de crescimento. As principais espécies dentre as inúmeras desse grupo são: ameixeira, cerejeira, damasqueiro, framboeseira, macieira, nogueira-européia, pereira, pessegueiro, videiraeuropéia, videira-americana. A classificação das frutíferas em três grandes grupos (tropicais, subtropicais e de clima temperado) serve para indicar, de maneira geral, as melhores condições para sua exploração. Entretanto, com os trabalhos de melhoramento, tem sido possível adaptar fruteiras classificadas num determinado grupo para o cultivo em locais de condições climáticas diferentes daquelas de sua origem. A videira européia (fruteira de clima temperado) e a figueira (classificada como subtropical que exige altas altitudes) estão sendo cultivadas com muito sucesso no Nordeste do Brasil, onde o período de repouso vegetativo e provocado pela falta de água no solo, enquanto nos Estados do Sul ele é provocado pela

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baixa temperatura durante o inverno. Fruteiras típicas de clima tropical, como abacaxi, bananeira, goiabeira e maracujazeiro, são cultivadas comercialmente em climas subtropicais e temperados, desde que protegidas contra ventos frios e cultivadas em locais sem geadas ou com ocorrência de geadas fracas. Os citros encontram melhores condições para a produção de ótimos frutos nas regiões subtropicais, mas são cultivados também nas tropicais e temperadas, onde não ocorram geadas ou estas sejam de curta duração. DISTRIBUIÇÃO NO BRASIL O Brasil, por ser um país de dimensões continentais, possui uma diversidade climática muito grande. Há regiões que chegam à temperaturas inferiores a 0ºC no período de inverno, como a serra gaúcha, propícia para a fruticultura de clima temperado. No nordeste do país, encontram-se regiões semi-áridas com precipitações médias anuais abaixo de 400 mm e com temperaturas médias ao redor dos 30ºC, regiões que, bem manejadas, poderão produzir frutos tropicais de ótima qualidade, além de permitir a adaptação de espécies de clima temperado como a videira. Por ser um extenso território fica difícil determinar regiões bem definidas para esta ou aquela cultura. Existem, nas diversas regiões, microclimas que dão condições ao estabelecimento de frutíferas que pelas suas exigências climáticas, não se adaptariam. No Sul do país, Santa Catarina mais especificamente, onde se produz maçãs de alta qualidade, também já se cultiva banana com muito sucesso na região do Vale do Rio Itajaí, graças às condições locais de clima. Assim como em Santa Catarina, no vale do Rio São Francisco, região de clima quente, o cultivo da videira, considerada por muito tempo como típica de clima frio, está sendo explorada de maneira intensiva com resultados econômicos significativos. Tendo em vista que nas diversas regiões ocorrem variações climáticas características, pode-se, a partir desse conhecimento, definir de um modo geral as grandes regiões produtoras de frutos no Brasil. Como mencionado no item anterior, a distribuição das frutíferas segue basicamente a distribuição do clima. No Sul do país, pelos fatores mencionados, com grande potencial, produz frutos de clima temperado como a maçã em Santa Catarina representada por Fraiburgo (que é a capital dessa pomácea) e São Joaquim. O pêssego se destaca no Rio Grande do Sul, na região de Porto Alegre (frutos para consumo 'in natura'), e de Pelotas (frutos para indústria), enquanto a uva vem sendo cultivada há muito tempo em Bento Gonçalves e Garibaldi. O cultivo de videiras encontra-se expandido para outras regiões, sendo que a região Sudoeste do Rio Grande do Sul tem destaque no cultivo de uvas viníferas. De acordo com estudos agronômicos realizados, constatou-se que toda a Região Norte do Estado é recomendada para fruticultura. Nesta Região existe a possibilidade de implantação de uma grande gama de frutíferas, devido à ampla diversificação edafoclimática, isto é, condições de clima (desde temperado até tropical em algumas microrregiões) e solo de excelente qualidade que permitem a exploração de frutas de clima tropical, subtropical e temperado. A Região do Alto Médio Uruguai possui solo e clima que permitem o cultivo de

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b) da importância das espécies frutíferas em sistemas de diversificação na propriedade. a receita por unidade colhida para frutas é superior à alcançada em culturas anuais. África e Américas Central e Sul apresentam clima favorável ao cultivo de uma diversidade muito grande de espécies. muitas vezes são oferecidas a preços incompatíveis com o baixo poder aquisitivo da maioria da população. Regiões subdesenvolvidas ou em desenvolvimento. denotando uma alimentação carente e/ou inadequada. entretanto. permitindo a obtenção de uma receita elevada em uma pequena área. O quadro de desnutrição. A melhoria do 4 . ou seja. VALOR ALIMENTAR As frutas têm grande importância na composição da dieta. mais especificamente. o que permite a ocorrência de floração e maturação mais cedo. o interesse do consumidor em adquirir frutas consideradas exóticas é um dos fatores que têm estimulado a produção frutícola. c) da necessidade da capitalização do produtor rural utilizando a fruticultura. A relevância do setor frutícola em cada região é variável. dentre as quais as espécies frutíferas. como é o caso do suco de laranja e de conservas de pêssego. mas pode-se afirmar que a potencialidade para uma ou mais espécies frutíferas ocorre em cada região. Com base nesta potencialidade. com entrada de frutas mais cedo nos mercados o que possibilita a obtenção de preços maiores. pois as frutas possuem alto valor agregado. desde plantas frutíferas de clima tropical (muitas das quais tem seu centro de origem no próprio Brasil) até de espécies de clima temperado. ameixa e tangerina e é menor em produtos provenientes de frutas após processamento. O valor agregado torna-se tanto maior em espécies destinadas ao consumo ‘in natura’ das frutas. IMPORTÂNCIA DA FRUTICULTURA A fruticultura é uma das atividades mais importantes do setor primário. quanto ao alto custo dos mesmos. em praticamente todo mundo. comparados com outras regiões produtoras de frutas do Rio Grande do Sul. como é o caso de maçã. de um modo geral. d) da relevância da fruticultura como geradora de empregos. há condições adequadas para cultivo de um grande número de espécies. e) da importância das frutas como componentes da balança comercial e na geração de divisas. Esse panorama contraditório se estabelece tanto por falta de cultivo dos alimentos dentre os quais as frutas. cuja adaptação de um grande número de cultivares é bastante satisfatória. No Brasil. a fruticultura é uma das grandes geradoras de recursos. principalmente a Ásia. Além do que já foi mencionado. Cada vez mais o setor frutícola tem aumentado sua significância. a corrida para a fruticultura no Brasil e a tradição do cultivo de espécies frutíferas são realidade. pêssego de mesa. Na verdade. As frutas. possuem alto valor por unidade colhida. na medida em que cresce a consciência: a) do valor alimentar das frutas e da necessidade de sua inclusão na dieta. é freqüentemente alarmante. Observa-se que.frutíferas de caroço com a vantagem de que o inverno é ameno. f) do aumento do interesse de produtores tanto em nível doméstico quanto em nível empresarial. tornando viável o seu cultivo comercial.

figo. dadas em calorias. amido e celulose (fibra). e secas (2 a 10%). A maioria dos frutos não são bons fornecedores de calorias (carboidratos. banana. Uma nutrição baseada no consumo de frutas como componentes de uma boa alimentação é essencial. de forma equilibrada. ciente de que as frutas têm equilibrada distribuição de nutrientes e podem complementar uma boa alimentação. essenciais para o organismo humano. O valor biológico de uma proteína expressa a sua eficiência em ser absorvida pelo organismo. O perfil do consumidor vem se alterando. goiaba. castanha de caju. jaca. O elevado teor de água na maioria das frutas é importante para prevenir a desidratação. Em segundo lugar. aroma e aparência das mesmas e não pelo seu valor nutritivo. as frutas podem ser classificadas em: frescas. açúcares e gorduras). As frutas são excelentes fontes de vitaminas. Mesmo em países desenvolvidos ou outras regiões tradicionalmente consumidoras de frutas. fornecendo água ao organismo. aliadas ao seu baixo valor calórico. que apresentam entre 60 e 90% de água. dois aspectos são fundamentais: o teor de nutrientes e a quantidade de produto consumido. 5 . pois. Assim.1 g/100 g de porção comestível de ”Omega 3”. o consumo de frutas é motivado apenas pelo sabor. O abacate (100 g de polpa) pode fornecer até metade de vitamina A necessária para um dia. de modo geral. exceto os frutos mais ricos tais como abacate. predomina a vitamina A (mais precisamente). o consumo das mesmas deve ser incrementado. apresentam cerca de 0. mas também para permitir que sejam aproveitados em maior quantidade em alguns frutos do que em outros. As frutas secas apresentam cerca de 3 a 25% de carboidratos. fruta-do-conde. isso já vem ocorrendo. Daí a importância do estudo e divulgação do valor alimentar das frutas. atividade física. Neste sentido. Na verdade. Abacate. principalmente em frutas de polpa amarela. As frutas como componentes na alimentação não podem ser a única forma de fornecimento desses elementos. a pró-vitamina A (caroteno). As frutas. situam-se as substâncias energéticas. Aproximadamente 90% do requerimento de vitamina C (ácido ascórbico) é oriundo de frutas e hortaliças. Freqüentemente. etc. sendo a(s) vitamina(s) predominante(s) variáveis com a espécie. síntese de tecidos. fração composta basicamente de açúcares simples. coco e outros. as frutas contêm. embora esta vitamina seja apenas um dos componentes comumente encontrados neste tipo de alimento. coco e maracujá. As proteínas são encontradas em maiores quantidades em frutos como a castanhado-Pará. Os ácidos graxos poliinsaturados “Omega 3” são importantes na prevenção da obstrução de artérias e na inibição de tumores cancerígenos. pectina. bem como pela sua inclusão na dieta cotidiana. muitas delas são de alto valor biológico. No que se refere ao conteúdo de água. de grande importância em dietas de emagrecimento. crus. muitos elementos fundamentais para uma boa alimentação. enquanto a banana pode fornecer cerca de 5 a 10% do necessário e outras frutas. Substâncias energéticas são importantes para o metabolismo basal. abacate. são importantes fontes de ácidos graxos tais como o linoleico e o linolênico. Embora na maioria das frutas o teor de proteínas seja proporcionalmente baixo. framboesa e morango. O consumo variado de frutos é importante não apenas para quebrar a monitoria alimentar.estado nutricional nestas e outras regiões passa obrigatoriamente pelo aumento da oferta de frutas. de modo geral. mas devem ser utilizados para complementar a dieta do dia-a-dia.

útil na prevenção de diversas doenças da atualidade. a goiaba. Nozes. reações de fotodegradação e oxidação reduzem significativamente o seu valor nutricional. exceto a celulose. O potássio. os compostos ficam mais concentrados. o abacaxi e os frutos cítricos podem fornecer toda a quantidade necessária. cálcio. A fibra é um componente não absorvido pelo organismo humano que auxilia nos movimentos peristálticos para eliminação do bolo fecal. como a acerola. têm praticamente todos os componentes de frutos. como C que é altamente termoinstável (degrada-se com o aumento de temperatura). Toda vez que há uso de aquecimento da fruta. A quantidade de fibras na maioria das frutas é bastante significativa e importante para o consumo humano. ao passo que o ferro é encontrado em espécies como o figo. há perdas principalmente de vitaminas. de 50 a 100%. por mínima que seja. de forma que o teor de nutrientes é mais elevado.como mamão. A melhor forma de consumir uma fruta. goiaba e suco de maracujá. Frutos ricos em vitaminas C. Nas frutas secas. Com o tempo após o preparo. 6 . Os minerais estão presentes nos frutos em maior ou menor quantidade.5 a 1% das frutas. limão e caqui são fontes de cálcio. Sucos de frutas extraídos pouco tempo antes de seu consumo. O total de minerais em geral corresponde a 0. Toda e qualquer forma de processamento acarreta modificações na sua composição. A dieta do homem moderno é freqüentemente pobre em fibras e o consumo de frutas pode contribuir para o incremento dessa fração na alimentação. por exemplo. sendo maior em vitamina C. a perda de vitaminas é em torno de 50% de pró-vitamina A e vitamina B. Em frutas enlatadas. abacate e maracujá. magnésio e ferro são encontrados com mais freqüência e em qualidades razoáveis. Outras vitaminas como B1 e B3 são fornecidas em cerca de 5 a 20% do necessário pela maioria das frutas. considerando seu valor nutricional é na forma ‘in natura’.

como um agente de capitalização do produtor. como também na colheita e manejo dos frutos. envolvendo desde preparo de solo.os custos de manutenção de um pomar e os recursos alocados pelo produtor beneficiam os setores de fertilizantes. maquinarias e a própria mão-de-obra concentrada. defensivos.IMPORTÂNCIA SOCIAL O cultivo de espécies frutíferas tem como principal característica a elevada exigência de mão-de-obra. de forma indireta. aquisição de mudas e a mão-de-obra do plantio. Dessa forma a fruticultura é um importante fator de fixação do homem à terra. os custos estão representados basicamente pela mão-de-obra para a colheita.por ser uma atividade de exploração intensiva. uma quantidade de mão-de-obra relativamente baixa. compreende-se porque a fruticultura tem um importante papel social. proporcionando um volume de recursos alocados e gerados para as atividades muito significativas. refrigeração e processamento. são necessárias muitas pessoas (mão-de-obra familiar e concentrada) para realização de tarefas tais como podas. Estima-se que. raleio de frutos. deve-se compreender três fases: a) Antes da produção . Para entender-se a importância econômica da fruticultura. Estes recursos. uma cultura anual exige. Em comparação. beneficiam os setores que podem ser incluídos na jusante do volume de recursos. para cada hectare cultivado com frutíferas. além dos setores de embalagens. no processamento dos frutos e manejo de produtos industrializados. A complexidade da fruticultura faz com que sejam exigidos tratos culturais especiais e para isso. mas também indiretamente. especialmente se a fruticultura estiver dentro de um plano de diversificação de cultura da propriedade. são criados 3 a 5 novos postos de trabalho. Isso porque não apenas são necessários cuidados na condução do pomar. pois possibilita a exploração intensiva e lucrativa das áreas produtivas. b) Durante a produção . como citados anteriormente. inclusive porque a mecanização é altamente adotada. transportes e sistemas de beneficiamento. deve-se dispor de mão-de-obra especializada em grande quantidade. ao contrário da fruticultura. uma vez otimizando o sistema de produção.nesta fase. c) Após a produção . a fruticultura é uma fonte geradora de empregos não apenas diretamente no pomar. a fruticultura pode atuar. 7 . como fonte geradora de empregos. para condução de um hectare. colheita e apenas para citar alguns exemplos. IMPORTÂNCIA ECONÔMICA As frutas apresentam alto valor agregado. Ainda no que se refere à mão-de-obra. Assim. Por outro lado. o custo de implantação de pomares é elevado. Face ao elevado rendimento por área e ao alto valor agregado de frutos.

Até agora. Isto favorece o equilíbrio ou mesmo o superávit de balança comercial. quando inicia-se a fase de estabilização da produção e amortização dos recursos. uma vez que o Brasil atinja patamares de qualidade aceitável e compatível com a exigência dos importadores. Uma consideração econômica a ser feita ainda é quanto a exportação de frutos. 8 . As receitas geradas por um pomar eficiente e com a adoção de tecnologia são significativas. utilizando-se como exemplo o estado de Minas Gerais. especialmente após encerrado o período improdutivo. Nas tabelas 3 e 4 é mostrada a rentabilidade da fruticultura no Estado do Rio Grande do Sul. apenas considerando a comercialização dos frutos frescos é muito significativo. entretanto. estas considerações econômicas apenas computaram as despesas. As perspectivas para a exportação são promissoras. uma atividade crescente no Brasil.Isto ocorre porque a fruticultura exige tecnologia de alto custo e mão de obra intensiva e especializada. especialmente em frutas tropicais. é apresentada a quantidade média de insumos para manutenção de pomares de algumas espécies frutíferas. Na Tabela 2. O volume de recursos gerados pela fruticultura.

regiões de produção. a fruticultura está aumentando de importância. 12. gerando grandes montantes em divisas e proporcionando o desenvolvimento de muitos países. comercializados e industrializados.000 Kg Tabela 4: Rentabilidade da Fruticultura (dados de 2001) FRUTA QUANTIDADE KG/HA Pêssego 15. o 2º de banana. Pode-se afirmar que. a fruticultura é uma atividade muito dinâmica.Tabela 3: Renda bruta/ha (R$) e produção por ha de algumas atividades desenvolvidas no RS (dados de 2001).500 9 . ATIVIDADES RENDA BRUTA/HA PRODUÇÃO/HÁ (R$) Pecuária de corte 150 150 Kg Pecuária de leite 420 2. a fruticultura é uma atividade muito importante.500 25. PANORAMA MUNDIAL Em termos mundiais. Isso qualifica o Brasil como um grande produtor e impõe um grande desafio para a expansão da fruticultura. O Brasil aparece como o 1º produtor mundial de mamão e laranja.750 5. O hábito do consumidor vem sendo modificado no sentido de incluir mais frutas em sua dieta.000 20.000 15. entre outros.000 12.500 18.000 14.000 14. movimentando mercados.000 12.000 litros Trigo 300 35 sacos Milho 350 50 sacos Soja 720 40 sacos Sorgo 400 70 sacos Fruticultura 10.000 20. volumes produzidos.500 18. com constantes alterações nas áreas de produção.000 10.000 30. principalmente visando o mercado de frutas frescas. espécies.000 10.000 25.000 Ameixa Amora-preta Figo Citros de mesa Caqui Abacaxi Manga Abacate SITUAÇÃO ATUAL Apesar de ser um setor fundamentado em plantas perenes.000 VALOR em R$ 7.000 8. e o 4º de abacate e abacaxi. Este fenômeno acarreta o crescimento de toda a cadeia produtiva de frutas. tanto em nível mundial quanto nacional.

A cultura da macieira é uma das mais tecnificadas. melhores condições de clima e solo têm sido encontradas na fronteira oeste do Rio Grande do Sul (Santana do Livramento). algumas regiões como Videira e outras de colonização italiana. Isso é reflexo de aspectos positivos para o cultivo de frutas. A temperatura amena e a amplitude térmica elevada entre o dia e a noite favorecem a qualidade dos frutos cítricos para consumo ‘in natura’. goiabeira e abacateiro são bastante cultivadas. Mesmo que na região Sul predomine a fruticultura de clima temperado. o Brasil é o maior produtor mundial de frutas. principalmente por problemas com a indústria processadora. extensão territorial. A região Sul do Brasil é uma tradicional produtora de frutas. A uva é destinada predominantemente para a produção de vinhos.isso tem permitido que o produto sul-brasileiro atinja o mercado internacional com boa aceitação. Entretanto. uva. se destacam na produção de vinhos. O aumento da produção para exportação.5% da produção mundial de frutas. em muitas regiões. As regiões de produção de Fraiburgo e São Joaquim (SC) e Vacaria (RS) têm tido modificado o seu panorama econômico em função da cultura da macieira. tais como maçã. proporcionar várias safras por ano. embora tenha passado por uma condição de diminuição da área em produção. Embora o Brasil seja o maior produtor. o que dificulta especialmente a exportação.2 milhões de hectares) são usados para a fruticultura. muitas delas trazidas junto com os imigrantes europeus que a colonizaram.PANORAMA NACIONAL Atualmente. espécies subtropicais como os citros. é hoje ainda uma boa alternativa. Muitas frutas são destinadas à exportação. carência de tecnologia e deficiência na transferência da mesma. pêssego. tais como água. O pêssego. onde a produção de uvas viníferas têm proporcionado a obtenção de vinhos de excelente padrão. Pelas suas condições climáticas favoráveis. canais de distribuição. abrangendo um longo período de maturação e cultivares com excelentes características. a região apresenta a liderança nas principais espécies de clima temperado. Embora a produção esteja concentrada na região da serra gaúcha (Bento Gonçalves. sol e diversidade climática. grande utilização de pesticidas. com dupla finalidade. A fruticultura desempenha. RS). Um grande número de cultivares foram lançadas pelo CPACT/EMBRAPA (Pelotas. em alguns casos. caqui. entre outros. os quais podem. tanto para o consumo ‘in natura’ como para o processamento ou ainda. De toda a área destinada à agricultura no Brasil (55 milhões de hectares). infra-estrutura e barreiras não-tarifárias. pois seu cultivo demanda alta tecnologia para obtenção de frutos de boa qualidade . As condições edafoclimáticas muito variáveis de região para região permitem o cultivo de diversas espécies. aliado ao incremento do mercado interno pode se traduzir em um desenvolvimento muito grande da fruticultura nacional. figo. A grande parte da produção brasileira de frutas é destinada ao mercado interno. pode ser triplicado. Em Santa Catarina. entretanto. somente cerca de 1% da produção é exportada na forma de fruta fresca. O Brasil responde por 7. apenas 4% (2. O mercado para exportação. etc. nectarina. As regiões dos vales dos rios Caí e Taquari (RS) são 10 . problemas de adaptação de cultivares. uma vez solucionados alguns problemas de qualidade. Caxias do Sul). principalmente. perdas da ordem de 15 a 40%. uma grande importância econômica. alguns problemas em comum são observados: deficiência em qualidade da produção. provocando problemas de resíduos na fruta. bem como outras para o processamento.

maçã e citros na forma. Entretanto. visto que os aspectos relacionados à saúde estão sendo encarados com mais seriedade. POTENCIAL E PERSPECTIVAS O Brasil possui regiões com enorme potencial para a produção de frutíferas. acerola. ainda que parte da produção seja destinada ao fabrico de sucos. goiaba e manga em breve estarão sendo cultivados no litoral de Santa Catarina. Países com áreas muito menores têm maior expressão no contexto mundial. mais de 5000 produtores rurais têm na bananicultura sua principal fonte de renda. com certeza a potencialidade da fruticultura brasileira será reconhecida e 11 . esta não é orientada para o mercado consumidor. ao passo que o Brasil exporta 150 milhões.colheita vêm assegurar a maior vida útil do fruto mantendo suas características inalteradas. neste contexto. especialmente essências nativas. Em Santa Catarina. Aliada a este manejo. ou seja. seja pela falta de orientação técnica. técnicas de conservação pós.tradicionais produtoras de frutos cítricos para consumo ‘in natura’. O Brasil sendo o maior produtor mundial de frutas. principalmente. Espécies tropicais também são cultivadas na região Sul. voltando seus objetivos para a qualidade do produto ofertado. apenas colhe-se o que a planta oferece naturalmente. o próprio padrão de qualidade não é implementado. deve ordenar a produção. Neste sentido. como o Chile que exporta quase 1 bilhão de dólares em frutas frescas. competitividade. Com a instalação fábricas de suco de laranja para produção de suco concentrado. Entre as culturas de grande importância pode-se citar a manga. Apesar de possuir vocação frutícola. Em alguns microclimas do Rio Grande do Sul estão sendo produzidas manga. Isto porque a exploração ainda é feita em grande parte de forma extrativista. na região Litoral Norte. abacaxi e mamão com boa qualidade. A agricultura representa. são poucas as culturas que têm significativa importância na balança comercial do país. ainda que a produção seja abundante. A partir dessa conscientização. seja pela falta de exigência do consumidor brasileiro. Abacaxi. a região oeste tem crescido em importância na citricultura. nos últimos anos tem-se verificado uma tendência de aumento do consumo de frutas (processadas ou não). o que se observa é uma desatenção por parte das autoridades. tanto no âmbito mundial como nacional. geração de empregos. seleção e hibridações de variedades. vêm-se utilizando técnicas de manejo adequadas à cada cultura. um conjunto de setores que apresentam condições para auxiliar na crescente modernização e competitividade da economia brasileira no mercado mundial. onde a amplitude térmica favorece a obtenção de frutas com sabor atrativo e elevada qualidade. qualidade de vida e funções do Estado sejam discutidas. Em Santa Catarina. o cultivo tem sido incrementado. maracujá. estão possibilitando o aumento da oferta de produtos. A produção é destinada aos Estados do Sul do Brasil. porém os países do Mercosul surgem com boas potencialidades para consumo. O mesmo ocorre com a cultura no Rio Grande do Sul. que em associação às introduções. não se aplicam técnicas culturais de forma a garantir a qualidade e a produtividade da cultura. no sentido de incentivar a fruticultura no Brasil. e as frutas de um modo geral são fornecedoras de vitaminas e proteínas indispensáveis a dieta alimentar. Entretanto. Motivado por estas e outras razões. Em diversas espécies. A modernização do país e a globalização das atividades faz com que questões como qualidade. de suco de laranja concentrado congelado (SLCC).

procurando uma maior racionalização no uso de recursos e insumos. O produtor deve considerar. alardeado nesta fase como abundante e lucrativo. o que é benéfico ao produtor. vai sendo verificado que nem todos os produtores apresentam condições para manter a cultura com viabilidade de produção. Historicamente. crescente em uma sociedade cada dia mais exigente tem aumentado a procura por frutas. O aumento da eficiência produtiva dos pomares tem permitido que as frutas sejam oferecidas a preços mais compatíveis com o poder aquisitivo do consumidor. A tônica da organização do processo produtivo tem sido a busca da elevada produtividade. trabalha calcada em perspectivas e projeções. muitas vezes sem tecnologia apropriada e sem maiores preocupações com o mercado. que cada vez mais procura atingir um bom nível de conhecimento técnico e econômico da cultura antes de formar um pomar. do qual podem ser citados como exemplos a laranja em São Paulo e a maçã em Santa Catarina e Rio Grande do Sul. com predominância de pomares domésticos. até então desconhecidas. visando elevada produção e qualidade dos frutos. os mercadológicos. observa-se que a fruticultura. Aos poucos. mas também de frutas exóticas. tanto em nível nacional quanto internacional: 12 . devendo se assessorar com um exportador habilitado. A busca por uma dieta mais saudável. Estreitamente relacionadas com o fenômeno da profissionalização da fruticultura. conferindo cada vez mais um caráter empresarial à atividade. com incremento de tecnologia. a fruticultura. não apenas das chamadas ‘frutas tradicionais’. um processo de profissionalização da fruticultura como atividade econômica. Embora considerando a incerteza para o futuro. Os primeiros momentos de euforia caracterizam-se por um aumento abrupto da área cultivada. Nos últimos anos. passou (e periodicamente passa) por momentos de euforia para determinadas culturas. Após este processo de ‘seleção natural’. a profissionalização torna-se algo cada vez mais comum. fruto de estudos sobre os fenômenos passados e sobre as tendências de consumo e produção. necessária e cujo surgimento não é obrigatoriamente derivado de uma crise anterior. especialmente em nível nacional. caso seja este o destino da fruta. mesmo nestas situações o empirismo vêm cedendo lugar à tecnologia e o amadorismo vem sendo substituído pela fruticultura vista como uma profissão. Assim. como qualquer outra atividade humana. É um comportamento cíclico. passou-se para a exploração de áreas mais extensas. face às exigências da atividade e sua complexidade. muitas vezes envolvendo mão-de-obra familiar. para acompanhamento em marketing e vendas. vem se observando. os fruticultores que sobreviveram à crise buscam profissionalizar-se. além de constituir-se em uma excelente alternativa de diversificação na propriedade rural. o que provoca a desistência e o abandono dos pomares. como outras áreas do setor primário. De uma situação em que o cultivo de frutas era algo caseiro e “de fundo de quintal”. para diversas culturas. Além disso. de uma maneira geral. A profissionalização da fruticultura é um fenômeno saudável. além dos aspectos agronômicos. pois permite que ela se consagre como atividade econômica viável.virá a ser uma das principais atividades econômicas do país. associada ao crescimento da qualidade do produto final. Embora uma parte significativa da produção de frutas ocorra em pomares de pequeno porte. tanto na forma ‘in natura’ quanto após o processamento. podem ser mencionadas as seguintes tendências. a exploração em grandes áreas é uma realidade. As lições do passado têm feito com que este fenômeno cíclico venha ocorrendo com menor freqüência.

5 kg/habitante/ano) em comparação a muitos países. são encontradas algumas estimativas de que um pequeno incremento no consumo ‘per capita’. A qualidade em frutos inclui redução de pesticidas. muitas vezes trabalha-se com uma faixa estreita de lucro. Embora a margem de lucro seja variável conforme a cultura. Os princípios da Qualidade Total. seria responsável por um grande aumento do volume 13 . Embora no Brasil. atributos e propriedades que dão valor alimentício do mesmo ao homem. Para tanto. demonstrando a importância do primeiro fator no volume comercializado. inclusive para sustentar uma escala maior de produção. granizo. doenças. Os principais meios de redução dos custos em fruticultura são os defensivos. a necessidade de aumento da qualidade das frutas produzidas é necessária e irreversível. Frutas tropicais com qualidade e preço competitivo têm excelente mercado. ventos.o mercado interno mostra-se como a grande fronteira comercial para a produção brasileira de frutas. sem que isso implique em redução de tecnologia. aroma. pragas). Além disso. a mão-de-obra e a redução do período improdutivo. mas sim pela otimização dos insumos. b) Aumento da qualidade . A competitividade depende do custo mas.a qualidade de um produto hortifrutícola inclui características. maior o seu valor agregado. sabor. aplicados a muitas atividades. Freqüentemente. o consumidor não esteja habituado a exigir muita qualidade dos produtos que adquire. que se traduzem. permitiu um aumento do poder aquisitivo. com reflexos positivos no consumo interno de frutas. mais do que tudo. 3. depende diretamente da qualidade. Em alguns setores da fruticultura têm-se observado que. quanto maior a qualidade dos frutos. na satisfação do consumidor. ausência de resíduos. este tende a diminuir a área visando incrementar a qualidade das áreas restantes. etc. especialmente se associado com o crescimento e melhor distribuição da renda em uma economia estabilizada. em última análise. Se as experiências de exportação são importantes para modernizar as bases produtivas de frutas. de modo a satisfazer o consumidor ou um segmento que esteja interessado no produto. em relação ao mercado de frutas.esta tem sido uma das maiores preocupações. Atualmente. Embora o Brasil seja tido como o maior produtor mundial de frutas. c) Fortalecimento do consumo interno . um dos maiores desafios é a redução de custos de produção. especialmente quando da sua implantação. tamanho. as compras internas serão ainda mais relevantes.a) Redução de custos . sanidade. deve-se apontar os principais aspectos favoráveis do consumo de frutas: valor nutritivo. maçã. podem e devem ser aplicados à fruticultura. O baixo poder aquisitivo da maior parte da população e a falta de hábito de consumo deste tipo de alimento no dia-a-dia são os principais fatores que restringem a demanda nacional de frutas. aliado à grande população brasileira. pois afeta diretamente o produto final e a facilidade de venda do produto. sabor. após um incremento muito grande de áreas de cultivo de um produtor. o consumo ‘per capita’ da maior parte das frutas pelo brasileiro é baixo (como por exemplo. especialmente se produtos de alta qualidade são comercializados a preços mais altos. Portanto. O Plano Real. e outros. trabalha-se com um consumidor cada vez mais exigente em qualidade e cabe ao fruticultor fornecer um produto compatível com esta exigência. importância medicinal e dietética. em sistema de alto risco devido a fatores não-previsíveis (chuva. Na verdade. frutas e legumes tendem a ser os primeiros produtos a serem eliminados da lista de compras quando de períodos inflacionários. maturação. aspecto visual. porém poderá ser modificado na medida em que uma adequada estratégia de ‘marketing’ for adotada. O hábito de consumo é um componente muito arraigado do comportamento humano.

há uma tendência de ampliação do leque de espécies cultivadas. dentre as quais 14 . as quais. incluindo resistência a baixas temperaturas.5 kg/habitante/ano) fosse incrementado em 15%. Além disso. absorvendo não apenas toda a produção nacional. Estas poderão vir a se tornar boas fontes de renda para o produtor. a exploração nestas condições pode permitir a oferta de um fruto mais cedo ou mais tarde no mercado. EUA e Japão proíbem a importação de figo. c) condições edafoclimáticas que permitem a adaptação de algumas cultivares. aparência) e fitossanitários (ausência de pragas. medidas protecionistas internas de cada país têm feito com que a entrada do produto seja mais difícil.além das espécies frutíferas consideradas como ‘tradicionais’. juntas. podem lançar o produto no mercado internacional com padronização e garantia de qualidade. baixa exigência em frio hibernal para quebra da dormência. seria necessário um acréscimo de 3750 ha à atual área cultivada. d) tecnologia de produção apropriada para estas regiões. é dada preferência para aquisição de frutas de ex-colônias dos principais importadores. e) Exploração de áreas marginais . Há uma grande demanda por frutas no mercado internacional e a remuneração é bastante elevada. tanto de frutas para consumo ‘in natura’ como industrializadas. A comunidade econômica européia e os Estados Unidos são grandes importadores dos produtos brasileiros. Um dos maiores desafios a serem enfrentados é o da qualidade. As perspectivas para exportação de frutas são. goiaba e caqui e impõem exigências especiais para a aquisição de manga e uva. como também exigindo o aumento da área cultivada.0 kg/habitante/ano. Embora estas regiões dificilmente venham a competir com as áreas preferenciais para cultivo. Em alguns casos. As principais barreiras não tarifárias à exportação das frutas brasileiras estão relacionadas a aspectos fitossanitários. Assim. diferenciada das áreas mais tradicionais de cultivo. estresse hídrico e a doenças. Os denominados “tigres asiáticos” são alguns dos países com maior potencial para importação de frutas brasileiras. Uma das estratégias a serem adotadas é a da formação de ‘pools’ de empresas produtoras. considerando uma produtividade de 20 t/ha e uma população de 150 milhões de habitantes.. A flora brasileira é muito rica em espécies frutíferas nativas e muitas delas já se encontram em cultivo comercial. que se encontram em fase de melhoramento e desenvolvimento de tecnologia. regiões próximas a barreiras naturais. atingindo 4. o mercado internacional é ávido por frutas ‘exóticas’. A introdução com sucesso de uma espécie frutífera em áreas marginais depende dos seguintes fatores: a) fatores sócio-econômicos. além de outras tantas.a restrita demanda interna por frutas tem feito com que o Brasil busque o mercado externo. especialmente quando a produção brasileira é colocada no mercado em períodos de entressafra dos países importadores. b) disponibilidade de cultivares com capacidade de adaptação para áreas marginais. especialmente quarentenárias). à proximidade de centros consumidores e à disponibilidade de mão-de-obra. o que exigirá um esforço cada vez maior dos fruticultores e exportadores. tamanho. tanto com espécies exóticas quanto nativas. relacionados ao mercado. atuando como exportador. localizados em vales de rios. o incremento do cultivo está associado a uma intensificação da pesquisa. Estas condições edafoclimáticas podem ser encontradas tanto em áreas extensas quanto em microclimas. Se o consumo atual de maçã (cerca de 3. de modo geral. d) Crescimento das exportações .de consumo. Entretanto. f) Diversificação da fruticultura . pois são crescentes as exigências em padrões de qualidade (peso. a valores mais elevados. montanhas. promissoras. etc.‘áreas marginais’ são aquelas cujas condições edafoclimáticas são desfavoráveis à adaptação plena de cultivares de uma certa espécie.

se incluem estas espécies. A agricultura biológica prevê a produção de frutos com um mínimo de custo. No Rio Grande do Sul. A importância do mercado externo como consumidor da fruta brasileira está muito aquém do potencial do País. No Brasil. Observa-se um aumento no interesse por frutas com elevado teor de um ou outro componente da dieta humana. O processamento das frutas é uma atividade bastante desenvolvida em algumas espécies. A falta de planejamento para colocação do produto final. caso da acerola. IMPORTAÇÃO A fruticultura brasileira. bem como para quem assessora tecnicamente o produtor e. kiwi. relacionada com o aumento da demanda de produtos isentos de resíduos. o Estado só consegue atender 60 % do consumo nas épocas de maior demanda e tem dificuldade de abastecer e fornecer matéria-prima para suprir as industrias de suco instaladas. com uso de tecnologia. uva. entretanto. amêndoas e avelãs). podendo até mesmo inviabilizar o empreendimento. para quem comercializa a produção. Mesmo no caso dos citros. ainda importa boa parte dos produtos aqui consumidos como acontece com a ameixa. Esta técnica é uma tendência mundial. como a vitamina C. era de se esperar que o Brasil não tivesse necessidade de importação de frutos. valor esse que corresponde a 10% da produção mundial. isto inclui a necessidade de se buscar tecnologias capazes de associar um mínimo de insumos com a obtenção de um fruto de bom padrão. acaricidas. envolvem especialmente inseticidas. A produção brasileira de frutos está estimada em 35 milhões de toneladas por ano. do camu-camu e de outras tantas espécies. pêssego e coco. g) Redução do uso de insumos . Os insumos. isso não se concretiza. MERCADOS O conhecimento do mercado de frutas é essencial para quem produz. maçã. a qual equivale a um montante de 25 bilhões de dólares. com o seu maior valor de mercado e com uma boa estratégia de marketing e com a conscientização de que os limites de resíduos de agrotóxicos são cada vez menores. pêra. como a laranja. As importações de frutas podem ser divididas em frutas frescas.a questão do meio ambiente está cada vez mais presente na agricultura e produtos “ecologicamente corretos” são cada vez mais procurados. obviamente. a situação não é diferente. frutas secas (desidratadas) e de frutas de casca rija (castanhas. De acordo com esses dados. neste caso. seja ele na forma de fruta fresca ou processada acarreta grandes dificuldades. porém necessita ser incrementada como forma alternativa de absorver frutas em excesso ou mesmo de baixo padrão para comercialização na forma de fruta fresca. fungicidas e adubos químicos (ou mesmo orgânicos) capazes de deixarem resíduos nos frutos. trantandose de tradicional importador de frutas de outros países e/ou estados. 15 . alto valor biológico e bom aspecto comercial. vários fatores contribuem para que o principal destino da produção seja o mercado interno de frutas frescas. Também como componente da qualidade. apesar de ocupar a primeira posição mundial em produção. entre outras.

há maior capacidade de competição frente aos produtos importados. Outro produto importante é a uva. o fruticultor nacional geralmente é prejudicado. Além das frutas frescas. além da maior abertura de mercados. devido à indústria vitícola não ter capacidade de absorver mais frutas para processamento. outros da Europa. algumas variedades de uvas sem sementes e muitos outros que a população exige em decorrência do aumento do poder de compra. produtos industrializados de inúmeras formas são importados dos diferentes países e das diversas regiões do globo. A falta de condições para suprir o mercado nacional e as facilidades para liquidação de câmbio nas importações favorecem este quadro. ou até favoráveis ao produto estrangeiro. levando. visando atender o mercado brasileiro com frutas sem similar nacional e/ou em épocas de entressafra. ainda batalhar para que a importação não seja substituta do produto nacional. Outro fator importante dessa abertura é o acordo entre os países do Mercosul. produtos nacionais e importados são colocados em condições equivalentes de vendas (preço e exposição nas prateleiras). O aumento da importação de frutos e derivados tem reduzido o consumo do produto nacional. seu volume é significativo. vêm tendo um incremento significativo no volume de importações. acarretando um incremento dos produtos que já são importados e outros que os consumidos exigirão. Dessa forma. damasco. impõe desafios ao fruticultor. em alguns casos ela se realiza devido à acordos bilaterais de cooperação entre países. considerando os frutos que também são produzidos no Brasil. por outro. principalmente para uvas de mesa. mas sim. da qualidade do produto nacional e das suas demais propriedades. caso típico do pêssego enlatado importado da Grécia. a tendência é de aumento nas importações de diversas frutas. através de técnicas de marketing.A importação de frutos é feita de acordo com necessidades de cada país. pêra. a importação traz problemas. Cabe aos fruticultores. complementar a ele. Sabe-se que além dos países da América do Sul. muitas vezes. aliando-se a um mero custo de produção. Além disso. Algumas frutas que ainda são consideradas como exóticas. também. O aumento da importação acarreta alguns problemas. Dentre essas. Tem-se observado. aumento da renda. maçã. sem dúvida. pois. preferentemente. pode-se destacar o kiwi. pois apesar de apresentar valores abaixo da maçã e pêra. a necessidade de aumentar a qualidade das frutas brasileiras. nectarina. Freqüentemente. tem prejudicado enormemente o consumo de vinhos nacionais. 16 . valorização cambial e redução de tarifas aduaneiras. Central e Norte. que o aumento no consumo de vinhos importados. com o aumento de consumo devido à estabilidade da moeda. até mesmo. O maior deles é. Em se tratando de frutas sem similar nacional (ou com pequeno volume produzido no Brasil). alguns produtores do Rio Grande do Sul erradicarem seus vinhedos. Entretanto. o produto brasileiro. Ásia e África também são grandes fornecedores de frutos para o Brasil. framboesa. Estima-se que esses valores serão menores ao longo dos anos. De maneira geral. convém incentivar a difusão. incentivando o consumidor a adquirir. ameixa. Se por um lado. entretanto. não há grandes dificuldades. devido ao aumento considerável que está ocorrendo nas produções e plantio de novas áreas. como é o caso do Norte de Minas e Nordeste do Brasil. a importação representa uma concorrência desleal com o produto brasileiro.

EXPORTAÇÃO O Brasil é o maior produtor mundial de frutas. Porém, quando se refere a exportações, os volumes e cifras brasileiras no setor frutícola são bastante modestos. Nos últimos 10 (dez) anos, o volume de frutas exportadas pelo Brasil não ultrapassou 300.000 t (menos de 1% da produção nacional). Dessa forma, o Brasil figura como o 20º em volume de frutas exportadas. As principais frutas exportadas são a laranja, manga, maçã, uva, abacaxi e banana (vendida somente para a Argentina e Uruguai). A expansão da população mundial e o aumento da demanda por alimentos, daí decorrente, é uma realidade. A modificação do perfil do consumidor, cada vez mais direcionado para uma alimentação saudável e equilibrada, ávido por novidades (entre elas, frutas exóticas) e exigente quanto à qualidade do produto que adquire, traduz-se na necessidade dos principais países consumidores de frutas (em geral, os países mais desenvolvidos) importarem volumes bastante expressivos. América Latina, África e Ásia constituem-se em reserva de terras, e fontes para produção de frutas, não apenas para a sua subsistência, mas também para a exportação. O Brasil enquadra-se nesta condição de “potencial exportador”. Neste sentido, o estudo de assuntos relativos à exportação é extremamente importante, pois as frutas apresentam alto valor agregado e a exportação pode ser uma excelente fonte de divisas para o país. Nos últimos anos, o interesse pela exportação tem aumentado em função do caráter empresarial que vários setores da fruticultura têm alcançado, da possibilidade de alcançar mercados que podem absorver maiores qualidades de frutas e da melhor remuneração pelo produto por parte do mercado externo. De modo geral, descontados embalagem e frete, a remuneração ao produtor com frutas exportadas, é cerca de 10% superior ao comércio interno. Além disso, embora o poder aquisitivo do brasileiro venha aumentando, aspectos culturais e econômicos fazem com que o consumo interno de frutas seja ainda incapaz de absorver toda a produção nacional - dessa forma, a exportação é uma boa alternativa para a comercialização. A significância e o maior volume de informações refere-se a exportações de frutas frescas. Apesar disso, o Brasil é o principal exportador de SLCC (Suco de Laranja Concentrado e Congelado), bem como exporta outros produtos derivados de frutas. Falta atingir-se ainda um padrão de qualidade elevada, compatível com as exigências dos principais importadores - este é o caso, por exemplo, do pêssego enlatado, que ainda não atingiu os consumidores estrangeiros devido à qualidade do produto.

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PLANEJAMENTO E IMPLANTAÇÃO DE POMARES INTRODUÇÃO Quando pensa-se em instalar um pomar, deve-se responder alguns questionamentos: O que plantar? Onde plantar? Qual será o mercado existente ou potencial? Em quanto tempo teremos o retorno do investimento? Hoje, a fruticultura deve ser vista como um negócio e assim, todas as etapas que envolvem questões técnicas, econômicas e ecológicas devem ser consideradas antes da decisão de plantar, pois os custos são elevados, os mercados são exigentes em qualidade e muito competitivos. Portanto, todos os riscos devem ser calculados e analisados antes da implantação do pomar. Deve-se ter em mente que a maioria das frutíferas são perenes ou semi-perenes, esperando-se com isso retorno econômico por um período mais longo possível. Na moderna fruticultura, não se admite improvisações, pois os erros cometidos só surgirão após alguns anos, o que acarretaria grandes prejuízos. Observa-se, então que uma das fases mais importantes na implantação do pomar é o planejamento. Como via de regra, deve-se planejar a implantação com, no mínimo, dois anos de antecedência. Esse tempo permite ao fruticultor analisar todos os aspectos que envolvem um bom planejamento. O bom planejamento permite garantir o desenvolvimento de uma cultura racional e altamente rentável. PLANEJAMENTO O planejamento visa, dentre outros objetivos, garantir um desenvolvimento da cultura de forma ordenada e precisa e que deve levar em considerações os inúmeros fatores, a exemplo de: a) clima favorável, deve-se avaliar os vários aspectos de altas e baixas temperaturas, ventos fortes, quentes, secos ou frios, umidade relativa do ar, baixa, a quantidade de chuvas e a sua distribuição; b) solo, analisando os aspectos químicos, físicos, biológicos, topografia, compactação e uniformidade; c) localização do pomar, principalmente em relação ao mercado consumidor, principais vias de acesso, ausência de problemas fitossanitários restritivos à cultura, existência de água abundante e de qualidade, proximidade de centros com mão-de-obra suficiente e de preferência especializada; d) seleção de cultivares, copas e porta-enxertos, iniciando pelo destino de produção, época de maturação, produtividade, tamanho das plantas, tamanho dos frutos, resistência à pragas e doenças, uniformidade de produção, adaptabilidade aos diferentes tipos de solos, rendimento industrial;

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e) fatores técnicos, tais como: aquisição ou formação de mudas, distribuição dos talhões de acordo com o relevo, sistema de plantio, espaçamento, tratos culturais, irrigação, maquinarias, equipamentos e principalmente infra-estruturas; f) fatores comerciais, como: comercialização das safras, capital investido (necessário), número conveniente de plantas, problema de super oferta, plano de desembolso. CUSTO DE IMPLANTAÇÃO O pomar requer grandes investimentos no momento da implantação. Os custos envolvem o valor da terra e seu preparo, mudas, insumos, equipamentos, infra-estrutura e mão-de-obra, entre outras, fazendo com que esta atividade tenha um alto investimento inicial. Deve-se considerar o período de carência da espécie, a vida útil, o mercado e a produtividade do pomar. Com isso é possível realizar uma análise apurada da viabilidade técnica e econômica. Deve-se levar em conta todos os aspectos de ordem técnica e financierira para que o produtor tenha garantia no empreendimento, melhoria na sua condição sócio-econômica e um aproveitamento racional no uso da terra. De uma maneira geral, o custo de um hectare de pessegueiro ou amaixeira está em torno de 2.000 dólares, ao passo que para a cultura da macieira e pereira o valor sobe para 3.000 dólares. Esta diferença, em parte, é atribuída à quantidade das mudas utilizadas; para pessegueiro em torno de 400 e para macieira em torno de 1.000 mudas/ha. Estes valores não consideram o valor da terra. Normalmente, as plantas frutíferas só iniciam a produção a partir do terceiro ano e alcançam ótimos rendimentos a partir do sétimo e oitavo anos de produção. MÃO-DE-OBRA As práticas realizadas no pomar necessitam de mão-de-obra qualificada e em quantidade, pois, praticamente todas as atividades que envolvem o manejo da planta, são realizadas manualmente. A fruticultura é uma atividade típica para pequenas propriedades. A mão-de-obra familiar nem sempre é suficiente e, na maioria das vezes, necessita ser complementada, especialmente no período da poda hibernal, raleio e colheita das frutas. MERCADO Antes de instalar um pomar deve-se ter informações sobre as demandas regionais, estaduais, nacionais e internacionais; os períodos do ano que as frutas alcançam melhores preços; sobre a preferência do consumidor, principalmente com relação ao tamanho, cor e sabor das frutas.

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o vento pode provocar a mistura de ar quente com ar frio e impedir a formação de geadas. O quebra-vento protege 4 vezes sua altura e até 15 vezes a sua área. Os ventos frios e intensos oriundos do Sul. principalmente. Além disso. frutas e folhas. do estádio de desenvolvimento da planta. Crescimento rápido. também. Folhas não caducas 20 . em determinados locais. Boa ramificação. Quando se deseja fechar a área para evitar a entrada de animais ou de pessoas. Ventos quentes e secos produzem efeitos desastrosos nas plantas. em época fria. desidratam e podem queimar as folhas. ramos. porém requerem embalagens adequadas e maiores cuidados no manuseio por parte dos produtores. é plantar de duas a três linhas com as plantas desencontradas. Características do quebra-vento: De preferência plantas melíferas. pode-se fazer a cerca viva (quebra-vento) com uma fila de árvores apenas. recomenda-se instalar o pomar no local mais abrigado do terreno (face contrária à direção dos ventos fortes). luz e nutrientes. Deve-se. Tudo dependerá de sua velocidade. com pomar de frutíferas pequenas. Em pequenas áreas. é aconselhável escolher porta-enxertos que formem plantas pequenas e poda sistêmica para diminuir a altura das plantas. flores. Para evitar os efeitos negativos do vento. VENTOS A ação do vento. O mais indicado. É importante que as mudas frutíferas fiquem distanciadas do quebravento (10 metros da primeira fila do pomar). além do quebra-vento planta-se o maricá ou Poncirus trifoliata. esses ventos podem alterar o porte e a forma da copa e ocasionar deformações e grande diminuição na produção de frutas. Além disso. Durante o inverno. pois assim crescem melhor e impedem a passagem dos ventos. o aparecimento de ventos quentes chega a provocar o início antecipado do florescimento e da brotação das plantas. dificultam o florescimento e a polinização. da época do ano e. quando a planta está em plena brotação e florescimento. que as plantas amarelecem e as frutas não atingem o tamanho normal. para que não concorram no consumo de água. fruta e da própria planta. temperatura. Observa-se em muitos locais. As raízes têm de fornecer maiores quantidades de água à planta e o solo resseca-se mais rapidamente. Ventos muito violentos provocam queda de folhas. No entanto. pode beneficiar ou prejudicar as fruteiras. prejudicam a formação de novos brotos. como derrubada de flores.As frutas destinadas ao mercado in natura alcançam preços mais elevados do que as frutas destinadas à industria. ficando pequenas e péssimas para consumo. Outra medida é colocar tutores ou estacas ao lado das mudas pequenas. Os prejuízos podem ser maiores no caso de surgimento de geadas tardias. considerar a distância do pomar ao centro de consumo. queimaduras ou mesmo destruição. a perecibilidade das frutas e a existência de agroindústrias para o aproveitamento do excedente. após a incidência de ventos fortes. no entanto.

Para locais de clima frio. é bastante rústico. plantio em curvas de nível. As plantas escolhidas para esse fim devem ter porte elevado e possuir ramos desde a base do tronco. principalmente quanto ao emprego de máquinas. passando uma roçadeira nas entrelinhas e capinando apenas em coroa ao redor das plantas. Nos terrenos planos ou levemente inclinados. Os terrenos com topografia mais plana. Com menor capacidade de retenção de água. e evitando-se a capina de plantas daninhas. com declividade de até 2 %. A formação de cercas vivas deve ser iniciada antes de se implantarem as mudas frutíferas no campo. podem fornecer madeira e lenha. servido de boa proteção para o pomar. doenças e pragas.Floração não coincidente com a frutífera. o terreno onde será instalado o pomar deve ter orientação norte-sul. resultarão em pomares com maior uniformidade e mais facilidade no cultivo. Um terreno voltado para o sul tende a ser mais úmido. conseqüentemente. esses terrenos sofrem maior erosão e vivem o período mais crítico nas secas. Deixa-se o solo coberto de vegetação. como camaleões. fazendo com que se forme uma zona próxima ao solo com ar frio e denso. Os pomares devem ser instalados preferencialmente na meio encosta (em caso de terrenos declivosos). a orientação do terreno altera as condições climáticas. Nesse caso. em qualquer solo. que empurra o ar mais quente para cima. têm solos muito superficiais e mais pobres em elementos nutritivos. Inclinação do terreno Para pomares. mais frio e menos iluminado do que aquele orientado para o norte. Elas devem crescer rapidamente. o cipreste tem apresentado bons resultados como quebravento. favorecendo os pomares que estão na meia encosta. e apresentar resistência à seca. Mas há problemas. necessitando de medidas de controle antes da instalação do pomar. geralmente são terrenos mais ricos em elementos químicos e sofrem menos nos períodos secos. Então. desde que as frutíferas estejam um pouco distanciadas. de maneira que as plantas possam ter maior aproveitamento da luz solar e. o ideal é que a inclinação do terreno não ultrapasse 20 %. a solução é a drenagem superficial ou a drenagem a uma profundidade de 1 metro e valetas com espaço de 10 a 15 metros. O eucalipto tem crescimento rápido. EXPOSIÇÃO DO TERRENO E TOPOGRAFIA Além da topografia. durante a estação das chuvas. para resistir aos ventos e competir menos com as frutíferas. com o excesso de água nos períodos de chuva. fornece madeira e pode ser plantado como quebra-vento. alcança grande altura. é 21 . De quebra. pois terrenos declivosos apresentam facilidade de escoar o excesso de água. Renques de bambu ou taquara também são uma boa opção. além de um sistema radicular vigoroso e profundo. quando alinhadas à distância de 5 metros. pois em noites de inverno rigoroso ocorre esfriamento da superfície do solo. Essas plantas podem atingir de 15 a 20 metros de altura. serão mais produtivas e com frutas de melhor qualidade.

No caso de renovação de pomares adotar o mesmo procedimento anterior. com a agravante de danificação do sistema radicular das plantas. retangular. comuns em áreas recém-desbravadas. e as mudas podem ser plantadas em linha reta. De maneira geral. não utilizando curvas de nível. Caso a área de plantio seja plano pode-se optar por linhas retas. hexagonal. Terreno com declive maior que 15%. com espaçamento 22 . Sistema de Plantio O sistema a ser utilizado dependerá do tipo de pomar a ser implantado e da declividade do terreno. com detalhes se o solo é sujeito a compactação. cinqüenta por cento antes da aração e a outra metade na gradeação. controla-se a erosão com o plantio de mudas em nível. para realização da calagem em terrenos recém-desbravados. prevenindo problemas futuros com cupim ou fungos dos gêneros Rizoctonia e Armillaria. deve-se desmatá-lo (de acordo com as necessidades). pode-se optar pelos seguintes sistemas de plantio: quadrado. quincôncio e triangular. em terrenos recémdesbravados não se recomenda o plantio de frutíferas. fazer a distribuição das leiras com os restos da derrubada. no mínimo. Entretanto. caso afirmativo fazer então a subsolagem. Preparo do Solo O preparo do solo requer cuidados específicos.desnecessário o trabalho de conservação de solo. após a retirada de madeira e lenha. dois anos com cultura anuais. de acordo com a análise do solo. Esta é a única oportunidade de se corrigir o solo em profundidade sem danificar o pomar. Algumas frutíferas exigem além da distribuição em área total a colocação de calcário nas covas. Notadamente. devendo-se cultivar durante. nesse caso. com antecedência mínima de 20 dias. Algumas precauções devem ser tomadas no sentido de não se arrastar a camada fértil de solo utilizando-se de garfos para o enleiramento. Quando a cultura já esta implantada e houver necessidade de calagem a profundidade máxima que se coloca o calcário atinge 10 cm. A incorporação deve ser feita em duas etapas. A destoca deve ser bem feita. seguidas de duas gradagens. Logo em seguir fazer duas arações profundas (geralmente são suficientes). especialmente se nunca foi cultivado. Calagem Em quaisquer dos casos deve-se fazer a calagem. dar preferência ao calcário dolomítico e distribuí-lo em área total. Nessa fase deve-se observar. deve-se utilizar curvas de nível. Nessa ocasião também se faz o combate sistemático às formigas. facilitando os tratos culturais. Nas áreas com declividade entre 2 e 5 %. INSTALAÇÃO A partir da definição dos parâmetros anteriores considerando um planejamento adequado deve-se então fazer a implantação do pomar.

necessita um desbaste no futuro e pode ser adotado para pomar doméstico. que propicia um maior número de plantas inicialmente. A determinação do número de plantas para o sistema em retângulo: é feita pela seguinte fórmula: Nº de plantas = S/L x l S = área a ser plantada l = lado menor L = lado maior No sistema em quadrado o número de plantas é determinado pela fórmula: Nº de plantas = S/L x L S = área a ser plantada L = lado do quadrado 23 . O sistema triangular é o mais difícil de se usar. com plantio de espécies de menor porte no meio. que é baseado no triângulo equilátero. sendo que nesse caso dará um menor número de plantas por área. porém oferece a vantagem de um maior número de plantas por área. é um sistema que para espécies de porte alto. O sistema de quincôncio. O sistema retangular permite um maior número de plantas por área. evitando o desbaste no futuro. O sistema hexagonal.retangular O quadrado seria o mais simples. facilitando também os tratos culturais. permite o cultivo em três sentidos.

Quando o terreno é plano adota-se o alinhamento em retas paralelas aos carreadores (ESQUEMA). citados. Marcação das Covas Antes da demarcação das covas deve-se definir qual o espaçamento a ser utilizado.A figura 1 ilustra os diferentes sistemas de plantio utilizados. 24 .

Em terrenos com declive acentuado recomenda-se a utilização de uma nivelada básica fazendo o primeiro sulco com trator e sulcador de cana. com dois bambús. ou bambú. 25 . Os outros poderão ser feitos a partir deste com o uso de uma vara. O trator seguirá as pegadas do segundo homem abrindo os sulcos (ESQUEMAS). de maneira que o primeiro homem caminhe sobre o sulco já aberto e o segundo paralelamente. distanciadas 40 metros umas das outras.Quando o terreno apresenta com declive uniforme pode-se utilizar linhas retas paralelas às linhas de nível (cortando as águas) (ESQUEMA). Nos dois casos anteriores a demarcação das covas é utilizado com o auxílio de linhas intermediárias. com o espaçamento determinado nas entrelinhas.

0 5.0 0.0 x 5.2 a 5.0 e 2.3 0. 26 . Os espaçamentos recomendados para as principais culturas são apresentados na Tabela 5.0 x 3. CULTURA DISTÂNCIA ENTRE DISTÂNCIA ENTRE ESPAÇAMENTO MAIS PLANTAS (m) LINHAS (m) UTILIZADO (m) Abacaxieiro 0.0 4.0 Kiwi 4.0 a 6.0 Mangueira 8.0 4.0 x 7.0 Videira 1.0 x 6.0 3.ESPAÇAMENTO O espaçamento é a distância existente entre plantas da mesma fileira (espaçamento entre plantas) ou entre plantas de fileiras diferentes (espaçamento entre linhas).9 Ameixeira 3.0 a 7.0 5.0 4. entre outros.0 3.0 a 3.5 a 3.0 2. maquinário disponível.3 x 0.0 a 8. disponibilidade de área.5 3.0 Bananeira 2.0 x 10.0 a 10.0 a 11. para frutíferas perenes e semi-perenes.0 3.5 3.0 Macieira 1.0 3. O preparo da cova deve anteceder o plantio.0 2.5 x 3.0 5.5 2.5 x 3.0 2.0 x 6.0 4. entre as cultivares. A abertura das covas pode ser feita manualmente ou mecanicamente com sulcador acoplado ao trator ou outro equipamento similar.0 a 10. Na abertura da cova.0 x 3.0 a 7.0 x 5.0 Marmeleiro 3. como por exemplo a dimensão mínima de 50 x 50 x 50 cm.0 8. no mínimo 60 dias.0 a 4.0 Goiabeira 3.0 Citros 2.0 6. Abertura e preparo das Covas Independente do tipo de marcação da abertura das covas deve obedecer algumas recomendações.0 a 4.8 a 1.0 4.0 a 7.0 Figueira 2.0 x 6.5 x 3.0 x 5.0 2. Esta também relacionado com fatores como tecnologia adotada.0 Mamoeiro 2.0 Pessegueiro 1.0 a 7. vigor do porta-enxerto e da cultivar-copa.0 5.0 Maracujazeiro 2.0 4. mesmo para uma mesma espécie. obedecer a separação do solo da superfície e do fundo da cova (Figura 2).0 4.0 a 12.0 x 4.0 2.0 a 12.0 a 2.0 5.0 a 6. com.0 Pereira 4.0 5. Tabela 5: Espaçamentos recomendados para as principais espécies frutíferas.0 10.0 a 5.0 x 6.0 O espaçamento é bastante variável entre as espécies e.0 a 11.

A adubação deve ser feita obedecendo os resultados da análise de solo e as necessidades de cada cultura. 27 . no enchimento da cova. Deve-se. Para assegurar um bom desenvolvimento da planta recomenda-se a utilização de matéria orgânica (esterco de curral. de galinha. Depois do fechamento da cova deve ser colocada novamente a estaca para demarcação do centro de cova e efetuar o plantio após 60 dias. torta de mamona ou similares) a adubação química com macros e micronutrientes(Figura 2). composto de lixo. inverter a ordem de retirada do solo e misturar a terra de superfície com a adubação orgânica e calcário.

devem-se utilizar mudas enxertadas em vez de mudas propagadas por sementes. O dinheiro gasto na aquisição de mudas é um investimento muito baixo em comparação aos cuidados permanentes que um pomar exige. Aí é só colocar a muda na cova. 28 . credenciados junto a órgãos oficiais e recomendados por especialistas no assunto. ÉPOCA DE IMPLANTAÇÃO O plantio das mudas pode-se tornar uma prática muito traumática para certas espécies devido a condições especiais de luminosidade e umidade que as mudas recebem nos viveiros. pessegueiro. limoeiro. Durante o transporte do viveirista ao local de plantio. não se devem comprar mudas de intermediários ambulantes. tangerineira e videira são fruteiras que podem ser transportadas sem folhas. especialmente os citros. durante o repouso vegetativo (fim do outono e inverno). Na fase de planejar o pomar – cinco ou seis meses antes do plantio – devem-se encomendar as mudas e ter certeza de que serão entregues na época certa. as covas prontas e adubadas. com vírus. marmeleiro. com as raízes protegidas. sem endereço fixo ou tradição na produção de plantas de qualidade garantida. torrão. caquizeiro. as mudas não devem ficar expostas ao sol e/ou ao vento. e o plantio deve ocorrer assim que elas cheguem. figueira. macieira. limeira. Quando as mudas chegarem ao pomar. a época de plantio depende de alguns fatores como a biologia da planta. As mudas de abacaxi. Ameixeira. nectarineira. Por isso. nespereira e romãzeira – devem ser transportadas nas embalagens individuais. cesto de taquara ou bambu. As mudas com folhas permanentes – como abacateiro. com as raízes protegidas. pereira. goiabeira. figueira-da-índia e tamareira podem ser transportadas em embalagens individuais e sem proteção. tudo já deve estar preparado. coqueiro. As mudas previamente encomendadas podem ser transportadas do viveiro até o local de plantio na embalagem coletiva (embalagem em raiz ou lavada) ou nas embalagens individuais (bloco. nogueira-de-pecã. durante o repouso vegetativo. nogueira-européia. por isso. cherimólia. plantas de menor porte e garantia da qualidade das frutas produzidas. Da muda enxertada obtêm-se: produção precoce. sempre que a planta permitir. durante o período de crescimento vegetativo.PLANTIO Seleção das mudas A muda é a base de toda a fruticultura e a garantia de produção abundante e de frutas de excelente qualidade. maracujazeiro. o tipo de muda utilizada e a região. laranjeira. considerando-se que uma planta pode produzir frutas durante dez ou quarenta anos. Elas devem ser adquiridas diretamente de viveiristas idôneos. lechieira. Regra geral: as fruteiras de folhas caducas são transportadas em raiz nua ou lavada. macadâmia. Em fruticultura. Muitos pomares fracassam pelo uso de mudas doentes. na embalagem coletiva com raiz nua ou lavada. e as plantas de folhas permanentes em embalagens individuais. saco plástico).

Logo a seguir. Finalmente. Uma prática recomendada é a colocação de cobertura morta (capim seco. Colocação da Muda na Cova Para o plantio propriamente dito é necessário a utilização da tábua de plantio. recomendando que a planta seja colocada a 5 cm acima do nível do solo. escritórios da EMATER. com seu sistema radicular protegido. as espécies frutíferas são classificadas em tropicais. com uso da tecnologia. A alteração da época de plantio só é indicada quando as mudas se encontram envasadas. Após essas operações deverão ser realizados uma série de tratos culturais que serão discutidos em outro capítulo e para cada cultura específica. Logo após a colocação da muda deve-se construir em volta desta uma bacia com aproximadamente 50 a 80 cm de diâmetro para facilitar as irrigações e proteção da muda. pois há possibilidade de cultivar espécies tropicais em regiões de clima tendendo a subtropical ou. A altura do plantio deve obedecer o nível do solo. para que se possa verificar a adaptação em diferentes condições. antes do plantio. Para o plantio de mudas com recipientes ou embalagens. Universidades ou Instituições de Pesquisa. considerando-se as exigências de cada espécie. de preferência fazer o tutoramento da muda com uma estaca de 60 a 80 cm visando protegê-la contra ventos fortes e principalmente orientar o seu crescimento vertical . o primeiro cuidado na escolha das espécies e variedades de frutíferas é observar aquelas que apresentam maior adaptação à região ou ao microclima onde se encontrará o pomar doméstico. subtropicais e temperadas. Esta informação pode ser obtida junto a produtores. ou seja. desde que haja irrigação freqüente. Nunca levantar ou transportar a muda pegandose na haste principal. cultivar espécies de clima temperado em regiões tipicamente tropicais. com chuva e com uma boa rega após o plantio. evitando deixar espaços vazios. o plantio pode ser realizado em qualquer período do ano. Espécies de folhas persistentes (citros. Maiores cuidados devem ser dispensados para mudas de raiz-nua. abacate) podem ser plantadas no inverno desde que não seja rigoroso ou que haja proteção contra as baixas temperaturas e geadas. 29 .Mudas de raiz nua devem ser plantadas preferencialmente no período de repouso vegetativo. preservando-o. que corresponde ao período de fim de outono e inverno. bagaço de cana ou similares). Esta é uma divisão didática. Após a colocação da muda. devese ter o cuidado de apertar bem. para essas dar preferência para dias nublados. Para mudas produzidas em embalagens. Portanto. protegendo assim a muda com maior aproveitamento de água e já impedindo o crescimento de plantas indesejáveis. Na retirada da embalagem tomar o máximo cuidado possível para não destorroá-la. com todos os cuidados já citados. Apesar disso. fazer irrigação logo após o plantio e nos dias subsequentes até o seu completo pegamento. expondo e destruindo raízes. ESCOLHA DE ESPÉCIES E VARIEDADES Quanto ao clima. é importante. usar sempre as duas mãos apoiadas no torrão. deve-se atentar para a retirada destes.

As espécies e variedades de clima temperado devem ser escolhidas de acordo com a sua exigência em frio (número de horas com temperaturas menores ou iguais a 7. as frutas destinadas ao consumo in natura. O planejamento da colheita das frutas aproveita melhor o equipamento e a mão-de-obra disponível. Valor comercial Diz respeito à preferência do mercado.Deve-se considerar que. deve-se dar preferências às cultivares tardias. pois para as cultivares precoces e de meia estação. entre outros. as espécies tropicais sofrem algumas restrições. Aquelas que são muito exigentes em frio só se adaptam bem em regiões frias do Sul do Brasil. por exemplo. Além disso. normalmente se recomenda utilizar cultivares com época de maturação diferente. Algumas frutíferas exigem também que se intercalem variedades polinizadoras para que possam produzir bem. deve-se procurar utilizar espécies que apresentem o pico de maturação em épocas diferentes das cultivares existentes na região. A preferência do proprietário. aspecto da fruta e o destino da produção.2 oC. com grande produção e frutas de boa qualidade. tamanho. de ameixeiras e de nectarineiras são pouco afetadas. Dentro de uma espécie. Tradicionalmente. Lembrando sempre que as cultivares precoces. os limites para escolha das espécies e variedades que compõem um pomar são muito amplas. Assim. plantando cultivares precoces. alcançam melhores preços que aquelas destinadas à industria. Em regiões de clima ameno. Época de amadurecimento No caso das frutas destinadas ao consumo in natura. como acontece com ameixeiras. pois as gerações desta praga ainda são insuficientes para um ataque mais severo. Um exemplo típico acontece com a mosca das frutas. necessitam de menores gastos com a produção. que geralmente se caracterizam por serem pomares mais extensos. dentro de cada espécie. medianas e tardias. diminui-se o risco de grandes perdas devido à ocorrência de geadas. onde as frutas das cultivares precoces de pessegueiros. macieiras e caquizeiros. abacateiros. existem variedades ou cultivares com diferentes capacidades de adaptação ao clima e ao solo do local do pomar. cor. aquelas que suas frutas amadurecem mais cedo. com frutas de pior sabor. em qualquer parte do mundo. pois com isso evita-se a concentração de atividades no mesmo período. devido à baixa soma térmica que ocorre no período. a resistência a pragas e doenças e a facilidade de manejo são outros critérios também importantes nesta definição. TRATOS CULTURAIS APÓS PLANTIO Após o plantio. pois geralmente escapam ao ataque das pragas e doenças. aumentando o ciclo e produzido menos. granizos. No início da brotação. recomenda-se fazer um escalonamento da produção. deve-se ter cuidado com o 30 . Sempre que possível. ou seja. é fundamental a realização de tratos ou práticas culturais que visam dar ao pomar uma vida longa. a combinação adequada das variedades pode permitir a produção durante um longo período no ano. com inverno frio e seco. Já no caso de pomares destinados à industria. o mercado já está saturado. estiagens. como a Valência e a Pêra. no caso de laranjas. As mudas devem ser tutoradas.

a irrigação é um componente importante para a melhoria da qualidade da planta e das frutas. os 3 a 4 primeiros anos de um pomar são considerados de formação. Em espécies de clima temperado. entra-se na fase de produção. nos primeiros 45 dias após o plantio. podem começar a produzir cerca de 6 meses após o plantio. esta pode ser hibernal ou seca (realizada durante o período de repouso vegetativo da planta) ou verde (realizada durante o período de crescimento vegetativo da planta). a ocorrência de veranicos obriga a irrigação uma vez por semana (ou com maior freqüência). desde que se siga as recomendações específicas e haja o acompanhamento de um técnico. Porém. * desbrotas . pode ser plantada grama entre as plantas. especialmente em regiões com secas estacionais. Entre ruas (ou entrelinhas). Quanto à época de poda. as mudas enxertadas. Mesmo em pomares com plantas adultas. a percentagem de reposição das mudas é da ordem de 5 %. limpeza (que consiste na retirada de ramos em excesso e ramos mal-posicionados.a competição de plantas invasoras com as frutíferas por água. Apesar do plantio em período chuvoso. frutificação (realizada anualmente com a finalidade de equilibrar o crescimento vegetativo e a produção de frutas). gotejamento ou outro método pode ser adotado. deve-se manter limpa a rua (ou linha) de plantio ou fazer o coroamento manual com enxada ao redor das plantas (projeção da copa). fazendo-se uma poda drástica para estimular a formação de uma nova copa na planta). que deverá traçar um esquema para todo o ano. Em alguns pomares domésticos. Para a correta execução destas atividades. um sistema de irrigação por aspersão. luz e nutrientes pode prejudicar o crescimento e o desempenho do pomar. * controle de invasoras .na fase logo após o plantio. doentes ou secos) e de renovação (que é aplicada em pomares velhos e/ou debilitados. plantas daninhas no pomar e alguns roedores que poderão causar danos na casca das mudas.controle de formigas. deve ser realizada com critério e cuidado. Conforme a situação. devendo-se considerar o custo do sistema e o acompanhamento de um técnico com conhecimento na área. o mato deve ser roçado ou ceifado.a porção do caule entre o colo da planta situado ao nível no solo até a abertura da copa (40 a 50 cm do solo) deve ser desbrotada periodicamente. algum tipo de poda é necessário e para que dê os efeitos desejados. deve-se ter uma orientação de um técnico. o qual. colocando-se 30 litros de água por muda a cada irrigação. Posteriormente. Podem ser utilizados herbicidas. embora a formação da planta continue por cerca de 3 a 4 anos. as podas em geral são realizadas anualmente durante o período de dormência (inverno). mesmo que seja simples (mangueira. 31 . Normalmente. * podas . Entre as atividades a serem realizadas na condução do pomar.em praticamente todas as espécies frutíferas. Dependendo do tamanho do pomar e do interesse do proprietário. têm-se: * irrigação . Por isso. pode auxiliar muito em épocas com pouca chuva. De uma maneira geral. devendo-se evitar que ela venha a competir com as plantas frutíferas. vários tipos de poda podem ser recomendados: formação (realizada nos primeiros 3-4 anos de idade da planta com o objetivo de formar a estrutura que irá sustentar os ramos produtivos). é recomendável ter junto ao pomar uma fonte de água de boa qualidade e um sistema de irrigação. Assim. carretão com tanque metálico ou outro similar). a muda tem poucas raízes e estas estão superficiais e mais sujeitas à falta de água no solo. Este percentual deve ser adquirido com antecedência para reposição em ocasião oportuna.

PROJEÇÃO DE POMARES A dimensão do pomar depende do tamanho da propriedade e do volume de produção desejado. 32 . Outro exemplo: se o consumo diário de uva são 2 quilos (60 quilos por mês). cuja produção média é de quinhentas laranjas por planta adulta. é preferível se ter menos plantas. A seguir. para determinar o número de plantas de cada espécie ou cultivar. Em plantas adultas. um pomar doméstico bem diversificado pode ocupar de 0. É comum o exagero no tamanho. plantándo-se duas qualidades de videira. de maneira que a produção seja de baixa qualidade e alternada (em um ano. Mesmo em plantas adultas. produzindo a média mensal de quinhentas frutas por planta. da idade e do vigor da planta. baixa produção e menor qualidade das frutas. pode-se observar o plantio das mudas muito próximas. mas apenas uma amostra de 10 a 15. há fixação de muitas frutas. há alta produção e. além de haver quebra de ramos devido ao grande peso exercido pelas frutas. a quantidade a ser deixada após o raleio dependerá da quantidade fixada após o florescimento. Usando-se como exemplo a laranjeira.1 hectare (1000 metros quadrados) a 1 ha (10000 metros quadrados). e sabendo-se que o consumo diário de uma família de dez pessoas é de cinqüenta frutas. em outro. bem arejadas e com boa insolação. bastaria para atender às necessidades. pode dar excelentes resultados na melhoria da qualidade das frutas.sendo que as podas mais intensas devem sempre ser realizadas durante o período de repouso. As podas verdes destinam-se à retirada ou desponte de ramos para melhorar a entrada de luz na copa ou ainda para estimular a formação de novos ramos produtivos. Em alguns pomares domésticos. se realizada em plantas bem manejadas. não suportam muitas frutas e podem ser debilitadas pela produção. da preferência do proprietário. num total de doze parreiras -seis de cada qualidade – amadurecendo em meses diferentes. O mesmo raciocínio pode ser utilizado para o cálculo da produção de muitas espécies. com produção anual média de 10 quilos por planta. Em geral. Mas isto não é uma regra: há pomares menores e outros. do clima e solo da região e da disponibilidade de mudas. há baixa produção). Nos dois primeiros anos. Esta composição poderá ser alterada em função da área disponível. 1. É importante fazer o cálculo da produção média anual de cada planta.500 laranjas por mês. aumento na incidência de pragas e doenças. Em uma mesma área. ocorrendo ainda o desequilíbrio entre as espécies e variedades plantadas. são apresentadas algumas sugestões para composição de pomares domésticos em áreas de 1000 e 10000 metros quadrados.plantas muito jovens. O raleio ou desbaste é uma prática que. as quais tendem a competir entre si por nutrientes e produtos da fotossíntese. ainda maiores. haverá disponibilidade de uvas maduras por dois meses. o que leva ao sombreamento de uma planta pela outra. ou seja. com idade até 2 a 3 anos. conclui-se que o plantio de três laranjeiras da mesma qualidade. causando menor luminosidade. menor arejamento. não se deve deixar muitas frutas por planta. mas mais bem distribuídas. procurando-se ajustar o consumo com o número de plantas do pomar numa determinada área de terreno para atender às necessidades. * raleio de frutas .

33 .

Este cultivo intercalar deve receber adubação apropriada e não deve competir com a muda em luz. umidade e nutrientes. *Os equipamentos devem ser apropriados para as atividades dentro do pomar. recomenda-se: *Evitar o uso de máquinas pesadas. 34 . dimensão da área. como as enxadas rotativas. trevos. espaçamento adotado. Para que as máquinas diminuam os riscos de erosão. manutenção de um bom nível de matéria orgânica. recomenda-se manter uma faixa de solo limpa periodicamente ao longo da linha das plantas. com culturas intercalares de porte baixo. equipamentos e máquinas disponíveis na propriedade. espécie cultivada. Esta faixa deve ser um pouco maior que a projeção da copa das plantas. Sistemas de cultivo do pomar depois do plantio das mudas O sistema de cultivo ou manejo do solo refere-se às práticas culturais aplicadas à superfície do solo: Pomar em formação: Nos primeiros anos de vida do pomar. O manejo do solo esta intimamente ligado ao sistema de plantio. adensamento do solo e danos sobre as plantas. além de custear as despesas do pomar na fase de implantação. tais como: aveia. desde o momento do plantio até a colheita. Características do uso de máquinas no pomar A utilização de equipamentos com tração mecânica permite grande rendimento do trabalho e a execução das atividades dentro do menor espaço de tempo. evitando problemas de erosão e propiciando melhorias nas condições físicas e químicas do solo. *O trabalho no solo com arados e grades deve ser superficial e realizados nas épocas adequadas para cada cultura. A área entre as filas de plantas é mantida com cobertura vegetal nativa ceifada ou. levando em consideração a economicidade. regulação da disponibilidade de água.MANEJO DO SOLO O manejo do solo envolve todos os tratos culturais aplicados à camada de solo utilizada pelas plantas frutíferas. facilidade no trânsito do homem e de máquinas no pomar. Deve ser o mais eficiente possível quanto ao controle da erosão do solo. entre outras. O cultivo intercalar mantém uma cobertura do solo. pois contribuem para aumentar a erosão do solo. redução da competição com ervas daninhas. manutenção da fertilidade do solo. clima e topografia. pois provocam adensamento no solo e danificam as plantas. *Evitar o uso contínuo de equipamentos que pulverizam o solo.

em períodos de seca. pois apresentam sistema radicular mais desenvolvido e.Pomar em produção As plantas frutíferas para se desenvolverem necessitam encontrar. provoca compactação. com isso. Em locais onde ocorre déficit hídrico por longos períodos é necessário prever práticas de irrigação. nativa ou cultivada de forma permanente. Pomar com cobertura vegetal permanente O solo todo do pomar é mantido com uma cobertura vegetal rasteira. do tamanho ou um pouco maior do que a projeção da copa das plantas. além de diminuir a matéria orgânica. Apesar desta forma de manejo evitar a concorrência das plantas daninhas. depois que as frutas foram colhidas pode-se deixar a vegetação espontânea crescer também ao longo da linha de plantas. a mesma é ceifada periodicamente. pois as plantas frutíferas não toleram solos encharcados ou com um lençol freático muito próximo à superfície. normalmente. facilitar a incorporação de nutrientes e demais tratos culturais. As espécies cultivadas devem ser de porte baixo e. deixando o solo mais sujeito às variações de temperatura durante o dia e a noite. ar e nutrientes minerais. que pode ter um caráter temporário ou permanente. uma maior capacidade de absorção de água do solo. Ao longo das filas é mantida uma faixa limpa. as leguminosas causam maiores prejuízos às plantas do que as gramíneas. o pomar é mantido na entrelinha com um cultivo intercalar. pelo trânsito de máquinas e implementos agrícolas. transito de maquinas e diminui a compactação. Se for utilizada uma planta intercalar para exploração econômica. é necessário executar um sistema de drenagem eficiente. Já em solos com excesso de água. porém deve-se considerar que. até o inicio da primavera seguinte. água. proteção contra erosão. provocam um endurecimento na camada superficial. Pomar com cultivo intercalar Neste sistema. deve-se realizar a adubação da planta independente da adubação da planta frutífera. Estas condições são básicas e precisam ser consideradas quando se pretende estabelecer um bom sistema de manejo do solo. Oferece vantagens para a proteção do solo no que diz respeito à melhoria na estrutura. 35 . através do uso de capinas ou aplicações de herbicidas. No caso especifico das frutíferas de clima temperado. leguminosas e têm o objetivo de melhorar as propriedades físicas e químicas do solo. expõe o solo à erosão. Quando se mantém a vegetação espontânea. As aplicações sucessivas de herbicidas. Pomar permanentemente limpo Neste sistema toda área do pomar é mantida livre de vegetação nativa ou invasora. no solo. contribuem para aumentar os riscos de intoxicação dos aplicadores e podem poluir os mananciais de água. Este sistema combina as vantagens que mantém o solo limpo na linha da planta e da cobertura vegetal na entrelinha com auxilio no controle da erosão. por meio de mobilizações periódicas e superficiais ou mesmo com uso de herbicidas.

pois estimula o desenvolvimento superficial das raízes. A espessura da cobertura varia de 10 a 20 cm. Variantes para combinar sistemas de cultivo do pomar Na prática os sistemas de cultivo citados anteriormente são pouco utilizados isoladamente. estrutura. declividade. apenas realizando um pequeno coroamento na projeção da copa durante o ciclo vegetativo da planta. Este sistema pode ser utilizado em solos com grande declividade. * Cultivo do solo com planta leguminosa durante parte do ano para posterior incorporação ao solo. Escolha do sistema de cultivo É difícil recomendar um ou outro sistema de cultivo apenas a partir de considerações teóricas. palha ou casca de arroz. * Aspectos relativos ao clima (chuvas. baseadas na espécie vegetal. palha de leguminosas. a cobertura morta aumenta o risco de geadas por impedir a irradiação do calor do solo para o ar. pode-se utilizar: * Cobertura vegetal permanente e cobertura morta na linha das plantas. conforme o material utilizado. o custo é significativo. * Aspectos relativos ao solo (profundidade. mantida rasteira através do uso de grades que atingem pequenas profundidades do solo. pois o sistema mantém as raízes da planta na superfície do solo. traz vantagens para o desenvolvimento das plantas. tais como: redução das perdas de água. contribui para o controle das ervas daninhas. entre outras. pois a escolha do sistema deverá levar em conta: * Aspectos relativos à planta. * Vegetação natural ceifada no período das chuvas e limpo. não deve ser estabelecido antes de três anos de vida da planta. na época da seca. cortados de espécies forrageiras. como é o caso da nogueira pecã. pois se necessita adicionar matéria seca anualmente. o abandono da prática pode trazer sérias conseqüências. além de dificultar a incorporação de fertilizantes. podendo causar graves prejuízos em épocas de estiagem. favorece o risco de incêndio e o ataque de roedores. Pomar com cobertura morta permanente O solo é mantido com uma cobertura de restos vegetais. 36 . geadas). aumenta as taxas de nutrientes no solo. com máquinas ou herbicidas. topografia). * Vegetação nativa na entrelinha. * Cobertura com vegetal ceifado na entrelinha e limpo na projeção da copa.Entretanto. Em algumas situações. disponibilidade de mão-de-obra. através do uso de capinas ou herbicidas. regime hídrico. o que se utiliza são as combinações deles. serragem. em pomares conduzidos com cobertura morta por alguns anos. é um sistema que a vegetação dentro do pomar concorre com a frutífera em água e nutrientes. * Vegetação natural ceifada quando necessário e plantas coroadas com herbicidas. textura. Apesar deste sistema ser oneroso e limitado a pequenas áreas. através de herbicidas e/ou capinas periódicas. equipamentos e custos. As limitações deste sistema seriam: em solos mal drenados os problemas de aeração são acentuados. Pode ser utilizado em plantas que apresentem um sistema radicular profundo.

matéria orgânica. como camada compactada. equipamentos disponíveis). ao alcance das raízes. evitando-se solos encharcados ou que estejam sujeitos ao encharcamento ou que possuam alguma camada que impeça a drenagem da água. sua declividade e se conta com boa disponibilidade de água. o replantio da mesma espécie ou espécies afins pode acarretar desenvolvimento reduzido das plantas. profundos e bem drenados. lavração profunda e incorporação de corretivos até 40 cm de profundidade. limo. cálcio e magnésio). bem arejado. nutrição e fatores físicos e químicos ou a liberação de substâncias no solo pelo sistema radicular que inibem o crescimento das novas plantas. Para a instalação de pomares deve-se dar preferência para solos francos. presença de nematóides. Em terras que já foram cultivadas deve-se fazer subsolagem. nitrogênio. por dez ou vinte anos. bem como planejar as atividades que deverão ser desenvolvidas. Uma árvore frutífera tem suas raízes a uma profundidade de 30 cm e. deve-se fazer destoca. Todos esses fatores devem existir em equilíbrio. problemas de alelopatia. é necessário que se conheça o histórico da área onde o pomar será instalado. para que o pomar vingue. saber o tipo de vegetação que se encontrava naquele local. potássio. em menor grau ocorrem em ameixeiras e pereiras. subsolagem. lavração profunda e incorporação de corretivos até 40 cm de profundidade e adubação de base e gradagem. Estes sintomas caracterizam o que se chama de doença do solo ou problemas de replantio. o replantio na mesma área é uma questão de sobrevivência. cerejeiras. Em regiões onde as propriedades rurais são relativamente pequenas. de 60 cm. se é permeável. Em terrenos que anterior mente abrigavam mata. de que as qualidades nutritivas do solo estejam também nessa camada. tipo de maquinário utilizado.* Aspectos econômicos (custo operacional. Há necessidade. etc. Há outro detalhe do solo que não pode ser desconhecido. O conhecimento prévio da área permitirá estimar problemas que podem ser encontrados. As possíveis explicações são patôgenos. conhecido como alelopatia. É fundamental também conhecer as qualidades e defeitos da estrutura física do solo. Por isso é importante escolher um solo de boa qualidade ou prepará-lo devidamente. outras culturas. Os principais sintomas observados são parte aérea pouco desenvolvida. Os problemas de replantio são mais severos para macieiras. sistema radicular fraco e com raízes esbranquiçadas. O primeiro passo para fazer um pomar é o estudo tanto das condições gerais do terreno quanto da sua constituição (argila. SOLO O pomar deve ser considerado e tratado como uma cultura permanente. cultivo de uma gramínea anual por um período de 1 a 2 anos antes da instalação. Ou seja: ele permanecerá sempre naquele chão. areia grossa ou fina) e também de seus componentes químicos (pH. Para que possamos obter resultados satisfatórios na produção de frutas. adubação e gradagem. 37 . retirada de raízes e pedras. porém vale lembrar que para frutíferas. ou seja. em casos excepcionais. portanto. fósforo. pessegueiros e plantas cítricas e.

que será composta de pelo menos 10 sub-amostras homogeneizadas. preferentemente a lanço. CORREÇÃO DO SOLO Faz-se a correção da acidez do solo com a prática denominada calagem. deve-se arar o terreno ou passar a enxada rotativa a 10 cm de profundidade para facilitar a incorporação ao solo. de 0 a 20 cm e de 20 a 40 cm. Inicia-se corrigindo o solo e adubando a muda ainda pequena. Num pomar comercial. que fará as recomendações do adubo e tonelagem de calcário a utilizar. representativas da área. a adubação poderá ser executada somente numa faixa de 3 metros de largura ao longo da linha de plantio. A dificuldade aumenta no caso de pomar doméstico. se possível. espalhando-o sobre a área que será utilizada. onde essa distância for superior e não houver interesse em se estabelecer cultura intercalar. diante da diversidade de espécies. que consiste na aplicação de calcário dolomítico. As amostras serão encaminhadas a um laboratório de análise. e incorporados no mínimo da camada arável. para corrigir as deficiências nutricionais de acordo com as exigências da cultura que se deseja implantar. pois é onde se encontra a maior parte do sistema radicular das frutíferas. as espécies e os recursos disponíveis. Para a análise do solo. é necessário que se faça a análise de solo. recomenda-se consultar um técnico da Emater. de cada área deve ser coletada uma amostra. ADUBAÇÃO A adubação de um pomar é prática rotineira e obrigatória na fruticultura. 38 . Sua base são a fertilidade do solo. pelo menos 6 meses antes da implantação do pomar. o terreno é dividido de acordo com suas características e. É necessário analisar o solo no intervalo de 4 a 5 anos e aplicar calcário. É preciso aplicar calcário de preferência de dois a três meses antes do plantio. Distribuição dos fertilizantes Em pomares com menos de 5 metros de distância entre as linhas de plantio. O número de coletas varia de acordo com a uniformidade do terreno. Depois da aplicação. Com o resultado da análise do solo. usados antes do plantio devem ser aplicados por ocasião da instalação do pomar. exigindo diferentes receitas e nutrientes. A análise de solo deve ser feita. as amostras devem ser coletadas em duas profundidades. a idade da planta. Os adubos fosfatados e potássicos. ou seja. a adubação é simples. os adubos devem ser espalhados em toda superfície. de acordo com as recomendações oficiais. Esse procedimento serve também para incorporar cálcio e magnésio ao solo. No entanto.ADUBAÇÃO Antes da instalação do pomar. geralmente. onde o número de espécies cultivadas é menor.

pois o esterco ainda não totalmente curtido e o adubo químico podem queimar a casca da muda. Após a adubação da cova ou sulco. grande produção. maior resistência às doenças e pragas. Normalmente. aumentam as retiradas de fósforo e. principalmente.500 g 8º ano 3. na periferia ou parte externa. retiradas pela planta. no fundo do sulco colocam-se misturados à terra da superfície. De preferência deve-se aplicar o esterco bem curtido com os adubos químicos. Segundo estudos realizados. as quantidades de esterco bovino ou de aves indicadas por idade das plantas no Rio Grande do Sul são: 39 . As árvores frutíferas – em função de suas diferentes maneiras de crescimento. pouca ou grande longevidade. incorporando levemente os adubos ao solo. sugere-se a fórmula 20-0-15. na seguinte quantidade por ano: Idade das plantas Fórmula 20-0-15 1º ano 200 g 2º ano 400 g 3º ano 800 g 4º ano 1. sendo preferível sua aplicação posterior. precocidade ou demora na frutificação.000 g Adubam-se as plantas em fase de crescimento na projeção da sua saia ou copa. Para o Rio Grande do Sul. pelas diferentes qualidades de frutas produzidas – não têm as mesmas exigências de fertilizantes. e as quantidades aplicadas por ocasião das adubações.000 g 7º ano 2. A aplicação de esterco bem curtido melhora consideravelmente as condições de crescimento e produção do pomar. vigor e longevidade das fruteiras. em cobertura. na época de frutificação.Mas.600 g 6º ano 2. isto é. a planta em formação necessita de maiores quantidades de nitrogênio e depois. potássio. pode-se também depositar adubo potássico na cova. um cuidado é muito importante: manter o adubo afastado do tronco a uma distância de 40 a 60 centímetros. demanda de podas e. Deve-ser manter o equilíbrio entre as quantidades existentes no solo. boa qualidade. principalmente. em pequenas quantidades com o adubo nitrogenado durante a fase de crescimento.200 g 5º ano 1. enquanto para as frutíferas de produção mais tardia não é recomendável o adubo potássico. Aqui. adubo fosfatado e matéria orgânica bem curtida (esterco de bovinos ou de aves). a adubação é medida indispensável para assegurar rápido crescimento. Na ocasião do plantio. durante a época de crescimento vegetativo e em cobertura ao redor da planta. aplicam-se adubos fosfatado e potássico por três vezes em toda a área do solo coberta pela copa. Para as frutíferas de ciclo curto (produção de frutas no primeiro ou segundo ano). quer seja um pomar comercial ou doméstico.

Idade das plantas 1º ano 2º ano 3º ano 4º ano 5º ano 6º ano 7º ano 8º ano Quantidade (Kg por planta) Esterco de bovinos Esterco de aves 10 a 15 2a4 10 a 15 3a4 15 a 20 4a6 20 a 25 6a8 30 a 35 8 a 10 40 a 50 10 a 12 50 a 60 12 a 15 60 a 80 15 a 20 Na fase de crescimento das plantas. A calda bordalesa. não ocorrem doenças e perdas depois da colheita. Em pomar adulto. a calda sulfocálcica e fungicidas são empregados no controle de doenças na fruticultura. matéria orgânica anual. O mais recomendável seria fazer duas ou três aplicações anuais. na periferia ou parte externa. DOENÇAS O plantio de grande número de espécies facilita a entrada. diminuirá a ocorrência de doenças no pomar. nos períodos de grande crescimento. Outra prática preventiva é eliminar os ramos localizados na parte mais interna da planta. durante o período de transporte. irrigação na época da seca. Assim. os adubos podem ser espalhados em toda a área e depois incorporados levemente ao solo. Mas em um pomar doméstico. na projeção da saia ou copa. frutos secos e caídos e mudas doentes devem ser cortados ou recolhidos. para garantir a conservação das frutas após a colheita. os adubos orgânicos podem ser aplicados em sulco. Formação de plantas bem nutridas (adubadas). As medidas preventivas funcionam melhor na fruticultura do que as práticas curativas. o crescimento e a propagação de muitas doenças comuns a diversas fruteiras. isto é. Sistematicamente. 40 . volta-se à questão básica inicial: as mudas para o plantio devem ser obtidas em viveiros registrados. Nesse ponto. solos bem drenados ou terrenos pouco inclinados são medidas auxiliares no controle de doenças do pomar. florescimento e produção de frutas. o pomar deve ser controlado: todos os ramos secos. Essa é a melhor medida para controlar as doenças. enterrados ou queimados. As plantas daninhas do pomar são hospedeiras de doenças e pragas e devem ser eliminadas ainda pequenas. permitindo melhor insolação e arejamento em seu interior. onde as frutas são colhidas e consumidas imediatamente no próprio local. Somente os pomares comerciais exigem a aplicação de produtos químicos preventivos. armazenamento e comercialização até chegar ao consumidor final.

O tronco e os ramos formam o esqueleto que sustenta as folhas. Lavrar o pomar e colocar galinhas. A mosca-das-frutas é uma presença constante em pomares. gansos ou patos para comerem larvas e pupas também auxilia no combate. desconhecendo seu efeito sobre a saúde do aplicador e do consumidor”. Vale a pena repetir que é primordial a aquisição de mudas sadias e de excelente qualidade para a formação de um bom pomar. Colocar iscas é medida eficiente e não apresenta riscos. as frutas temporãs. traz sérios riscos quando usado de maneira incorreta. A consulta a um técnico especializado no assunto. para dar a orientação necessária. inviabilizando qualquer controle posterior. No controle de pragas de um pomar doméstico é importante que se adote o mesmo princípio que para a poda de frutíferas: “é muito melhor não usar nenhum inseticida para controlar pragas do que utilizá-lo de qualquer jeito. a de sua família e a de outros. as raízes que garantem a sustentação e a nutrição das plantas. ensacam-se as frutas ainda pequenas. macieiras e videiras – quando não se utiliza o porta-enxerto indicado.PRAGAS O controle de pragas é das práticas mais difíceis no pomar doméstico. MORFOLOGIA E FISIOLOGIA DAS PLANTAS FRUTÍFERAS A estrutura de uma planta frutífera é composta pelo sistema radicular e pela parte aérea. Para detectar o início do ataque da mosca-das-frutas. por causa dos resíduos que ficam na planta. instalam-se iscas caça-moscas.levam junto as pragas. Para controlar com eficiência a mosca-das-frutas. muitas vezes o melhor é evitar a contínua produção de frutas maduras durante todos os meses do ano. que permitem identificar a época propícia para o controle com produtos químicos. e em especial as que têm repouso vegetativo. seja na forma ou no volume aplicado. é imprescindível para que o fruticultor não jogue com sua própria saúde. principalmente quando se cultiva grande número de espécies susceptíveis a essa praga. E o controle. contra-indicados para fruticultura e em doses e épocas não recomendadas. O número e a diversidade de pragas são grandes. o que permite examinar seu estado na ocasião do plantio. as frutíferas que podem ser transportadas e transplantadas com raiz nua. O ponto de partida para evitar problemas é a cuidadosa seleção da muda. Para evitar surpresas. trabalho que pode ser executado quando o pomar é pequeno. E para que não se repitam os acidentes sérios já registrados pelo uso indevido de produtos violentos. no sistema radicular. que permanecem no pomar durante o ciclo de crescimento e produção da planta. através de produtos químicos. deixa-se um intervalo de alguns meses para dificultar o ciclo contínuo de propagação da mosca-das-frutas. doentes ou caídas são coletas e enterradas profundamente. folhas. Na parte aérea encontramos o tronco. ramos. órgãos de 41 . Nesse caso. Em área maior. Mudas de figueira ou de abacaxi podem chegar ao pomar já portando nematóides. porque ela pode introduzir no pomar pragas e doenças. flores e frutas e. Citros. gemas. devem ter as raízes descobertas.

em muitas safras. ela serve para estimular o crescimento vegetativo. floríferas e mistas. parte delas permanecem vegetativas. Algumas práticas culturais. numa proporção de 10 a 20 %. Para obter frutíferas desse quilate. Particularmente no caso de macieiras. axilares. bem 42 . Já pela sua estrutura. para garantir uma boa produção do pomar. elas podem ser classificadas em vegetativas. estabelecendo-se. pereiras e ameixeiras é necessário o plantio intercalado de plantas polarizadoras. é necessário conhecer bem a planta antes de iniciar a poda. gemas e frutas. em plantas frutíferas de clima temperado. A poda. a poda controla e equilibra a circulação da seiva em toda a árvore frutífera. Ao ser adquirida. A formação da fruta se dá por fecundação. Estabelece ainda um equilíbrio entre o crescimento vegetativo. como o pessegueiro. pois delas depende todo o crescimento e o desenvolvimento das frutas. Assim. necessitam de polinização cruzada como forma de garantir uma boa produção do pomar. A poda produz também copas bem formadas. Segundo as espécies. O processo de formação das gemas inicia com a brotação e. o que se chama de alternância de produção. equilibradas. e é preferível nunca podar uma planta do que poda-la mal. vigorosas. além dos cuidados já citados. PODAS Plantas sadias. em condições de suportar a carga das frutas e resistir aos ventos fortes. as gemas floríferas podem ser formadas antes da brotação. enquanto as demais se diferenciam em gemas floríferas. aumenta a produção de frutas de boa qualidade e de maior tamanho. Geralmente. De acordo com sua posição na planta. ou seja 6 a 8 meses antes da abertura na primavera seguinte. no entanto. de forma evolutiva durante o período vegetativo. Em plantas frutíferas. o sistema radicular e a frutificação. estimula a indução floral. salvo no caso do de serem autoférteis. é necessário poda-las adequadamente desde a muda até a árvore em frutificação. as gemas podem ser classificadas em terminais. tais como o anelamento de ramos. A poda regula também a sucessão anual de safras e evita a alternância de produção. Com isso. o processo de diferenciação de gemas ocorre no final da primavera ou no verão. durante a brotação ou posterior a abertura das gemas vegetativas. A muda frutífera. necessita ter uma boa estrutura para garantir muita produção e frutos de qualidade. O corte e a retirada de parte de uma frutífera têm como finalidade melhorar algum aspecto da planta. secundárias (segurança) e basais. E como cada espécie cresce e frutifica de modos diferentes. Além de adequar as plantas ao seu espaço disponível. as gemas se constituem no órgão vegetativo por excelência. Ao passo que a presença de frutas em quantidades elevadas concorrem com a indução floral. que depois do plantio recebe podas obrigatórias de formação e frutificação. a muda pode ter de três a quatro pernadas ou ramos. no período de floração. e distribui a área de frutificação por toda sua extensão. o uso de abelhas. A poda e o raleio de frutos podem ajudar a diminuir este problema. é uma prática bastante recomendada. Em plantas fracas. As plantas frutíferas. é uma técnica que exige conhecimento. A presença de insetos polinizadores ajuda a diminuir os riscos na produção.frutificação.

visa justamente estabelecer um equilíbrio entre esses extremos. as plantas crescem sem qualquer modelamento. nogueira-de-pecã. tornando-se SEIVA ELABORADA. enquanto que para outra. Conceitos e importância da poda Poda é o conjunto de cortes executados numa árvore. limoeiro. Essa solução constitui a SEIVA BRUTA. macieira. os sais nutritivos que alimentarão a planta. assim poderá ser decisiva para uma. com o objetivo de regularizar a produção. Nestas e em presença de luz e perdendo água por transpiração. figueira. A seiva sempre flui para as partes mais altas e mais iluminadas da árvore. macadâmia. as espécies podem ser agrupadas em: Decisiva: Videira. aumentar e melhorar os frutos. lechieira. caquizeiro. Pouca importância: Citros. cherimólia. para adaptarmos a cada espécie que pretendemos podar. laranjeira. Na natureza. exigência muito diversa quanto à poda. Mas deve ser efetuada com extremo cuidado.distribuídos no tronco. mangueira. Relativa: Pereira. o que favorece sua circulação. buscam sempre a tendência natural de crescerem em direção à luz. nogueiraeuropéia. Outras frutíferas são adquiridas com haste única e têm crescimento apical: abacateiro. e o excesso de frutos é prejudicial a qualidade da colheita. contendo em solução. princípios fundamentais que regem a vida das fruteiras. E quanto a isso. ou de forma incorreta. causando um problema ainda maior para o agricultor. A importância de se podar varia de espécie para espécie. Toda a importância da arte de usar a tesoura. conseguimos entender que a poda. limeira. goiabeira. figueira. pessegueiro e tangerineira. O excesso de vegetação reduz a quantidade de frutos. mamoeiro e maracujazeiro. tendo conseqüentemente. Assim. Um desses princípios mais importantes é a relação inversa que existe entre o vigor e a produtividade . caquizeiro. É por isso também que. Cada fruteira tem o seu hábito específico de frutificação. a seiva bruta passa por diversas transformações. Seiva As raízes das fruteiras extraem do solo a água. Entre as espécies de mudas assim formadas estão ameixeira. O podador assemelha-se a um cirurgião. devemos então entender o básico de como funciona a planta frutífera. dessa ou com aquela espécie. que sobe pelos vasos condutores localizados no interior do tronco e se dirige até as folhas. razão pela qual os galhos mais vigorosos são aqueles que conseguem se posicionar melhor na copa e têm uma estrutura mais retilínea. o 43 . pereira. mantendo o completo equilíbrio entre a frutificação e a vegetação normal. jabuticabeira. Fundamentos e princípios da poda A poda baseia-se em princípios de fisiologia vegetal. e como tal. tomando a forma vertical. Com relação à importância. pessegueiro. ela é praticamente dispensável. não está em simplesmente cortar esse ou aquele ramo. a poda pode gerar uma explosão vegetativa enorme. não opera sem entender como funciona o organismo que ele está lidando. Se efetuada no momento impróprio. e com isso perdem a regularidade de produção. abacateiro.

e os inclinados. Baseado nesta lógica. 44 . Nos primeiros anos de vida. o que se denomina de Dominância Apical. Um exemplo seria o pessegueiro.crescimento da planta tende sempre a se concentrar nos ponteiros dos ramos. pode-se dizer que ramos verticais tendem a serem mais vegetativos. com uma correspondente maturação de ramos e folhas. decorrente da quantidade de seiva que recebem. mais rápida a seiva circulará. Desse modo. Por isso é necessário estabelecer uma relação de equilíbrio entre o número de frutos e o de folhas. ocorre uma melhor redistribuição da seiva. copa expandida e raízes amplas. Essa quantidade excedente de seiva acumulada é conseguida diminuindo a intensidade de circulação de seiva. Em princípio. 40 folhas. favorecendo a brotação lateral da gemas. prolongando o ramo devido sua abertura lateral ser bem menor. Equilíbrio Vegetativo-Produtivo A folha é o laboratório da planta. possuem maior potencial frutífero. Quando eliminada. uma planta de pessegueiro adulta. por onde a seiva circula de forma mais lenta. Um excesso de frutos frente ao total de folhas conduz à uma produção qualitativamente inferior. são formadas com a mesma estrutura. gemas mais vigorosas e mais pontiagudas irão se transformar em ramos vegetativos. O que vai torná-las vegetativas ou frutíferas é o vigor do seu desenvolvimento. que são armazenadas na planta As reservas de seiva elaborada quando atingem uma suficiente quantidade. enquanto que a lenta. perde através da poda 60% de seus ramos e 70% de seus frutos. as jovens fruteiras gastam toda a seiva elaborada no seu próprio crescimento. o que ocorre no período após a maturação das frutas. sua fábrica de energia. A circulação rápida da seiva tende a favorecer desenvolvimento vegetativo. através da poda. que devem respeitar uma distância média de 10 a 12 cm entre frutos. As gemas localizadas na parte superior dos ramos. Depois que a planta atingiu um tronco forte. para cada fruto. Essa relação é de 1 por 40. começa a aparecer sobras de seiva elaborada. têm uma forma mais arredondada e devem ser preservadas. Quanto mais retilínea. brotam antecipadamente e com maior vigor que as laterais. As reservas de seiva elaborada são invertidas ou gastas na transformação das gemas vegetativas em gemas frutíferas. Gemas Outro aspecto importante é sobre a formação das gemas. tem começo a frutificação. o desenvolvimento de ramos frutíferos e essa circulação é em função da estrutura da planta. futuras flores e frutos. Existe uma relação correta para os dois. bem como depauperamento da árvore. Em geral. ou seja. As floríferas.

Lamburda: ramo curto com nodosidades na base. sendo pouco maior que uma gema. Hábitos de frutificação de algumas espécies Ao podador é indispensável saber que parte da planta está cortando. com entrenós muito curtos. possui um hábito de frutificação específico. Quando a produção de ramos vegetativos é muito grande. tendo assim. Cada fruteira. uma conseqüência do acúmulo de carboidratos. mas em outros. 45 . sua eliminação redundaria em grave prejuízo para a produção. sem gemas laterais. as plantas frutíferas podem ser divididas em três grupos: Plantas com ramos especializados Só produzem nestes ramos. Apresentam uma roseta de folhas na extremidade. Conforme a natureza dos ramos que possuem. Ex. há ramos cuja supressão é indispensável. há boa produção de frutos e massa verde. porque neles encerram a própria safra de frutos dentro de suas gemas. pois.000 folhas. de maneira ideal.: macieiras e pereiras. exigências diversas quanto à poda. podendo terminar em gemas vegetativas ou floríferas (coroadas). São ramos geralmente curtos e muitos deles denominados esporões. é necessário um conhecimento prático dos seus hábitos de frutificação. A fim de compreender e entender as necessidades de poda das plantas sem comprometer a produção.Podada. é alto o N e baixa a produção de gemas floríferas. ele em conformidade com cada planta em particular.000 frutos e 30. com as seguintes denominações: Dardos: são estruturas pequenas e pontiagudas. Frutificação A frutificação é também.000 a 40. o pessegueiro permanecerá com cerca de 1. entretanto. Os demais ramos dessas plantas produzem brotos vegetativos e folhas. quando o C é maior do que o N. Na relação C/N.

em geral. Em sua ponta. Plantas com ramos mistos Além de frutificarem sobre os esporões. conseqüentemente. Essas fruteiras possuem. já que os seus ramos possuem gemas vegetativas e floríferas. podem apresentar um dardo. Ex. Pode dar origem a novas gemas florais. caquizeiro. Botão floral: forma arredondada e destacada. Ex. Brindilas: são ramos finos.: ameixeira. com enorme quantidade de substâncias nutritivas. lamburdas. pessegueiro. Geralmente. aparece na primavera e floresce abundantemente. uma gema vegetativa ou floral. goiabeira. com diâmetro de 3 a 5mm e 20 cm de comprimento. 46 . inchada. são originadas a partir de um esporão depois de vários anos. que formamse no ponto de união da fruta colhida com o ramo.Bolsa: parte curta.: Plantas cítricas. O ramo frutífero. frutificam também sobre os ramos do ano anterior. figueira. dardos. brindilas ou vários deles de cada vez. crescimento vegetativo e produção de flores. Plantas com produção em ramos do ano Frutificam em flores que surgem sobre os ramos da brotação nova. ao invés de ser formado no inverno. apresenta um volume maior que as gemas vegetativas.

abacateiro. A poda verde ou de verão. melhorar a insolação e a coloração dos frutos e diminuir a intensidade de cortes na poda de inverno. É também executada em plantas perenifólias (com folhas permanentes) como as cítricas. Mas o inverno é uma referência muito teórica e pode induzir alguns erros. figueira. mangueira. deve-se atrasar o início da poda o máximo 47 . as condições climáticas e o perigo de geadas tardias antes da operação. Por ocasião da poda seca ou de inverno. Existe um momento ótimo para iniciá-la. Se efetuada depois. exigindo mais tarde uma nova poda. No inverno. macieira. ameixeira. A poda deve ser iniciada pelas cultivares precoces. pode ser executada em duas épocas. passando as de brotação normal e finalizando pelas tardias. estimulará a brotação na hora errada. Se a poda for feita antes. como pessegueiro. é chamada de poda em seco e recomendada para frutíferas que perdem as folhas (caducifólias). por outro lado. a poda. É quando os primeiros botões florais surgirem nas pontas dos ramos.Época da poda Basicamente. deve-se considerar a localização do pomar. Em regiões sujeitas a geadas tardias. é realizada quando a planta está vegetando e destina-se a arejar a copa. indicando que a seiva começou a circular de novo pela planta. forçará a brotação vegetativa.

sempre voltadas para o lado de fora e assumindo as formas de vaso ou de taça. Outra opção é a formação da muda com uma copa distribuída no tronco em três a quatro brotações espaçadas entre si em 3 a 5 cm. deve-se manter as três ou quatro pernadas formadas. espaço físico no pomar. Tipos de poda A poda é executada na planta desde o seu plantio. formando sua copa. como no caso das mudas cítricas. ainda no viveiro. desbrotadas até a planta atingir um metro de altura. As mudas poderão ser formadas em haste única. mas dependem muito de clima. permite-se a brotação de gemas laterais que vão preencher os vazios da copa. já existem outras formações. Eliminam-se brotações excessivas. ou de rejuvenescimento. a planta frutífera sofre um tipo de poda adequado ao estágio de desenvolvimento que se encontra. normalmente as de ponteiros. Como uma regra geral. Poda de educação É executada normalmente no viveiro objetivando formar mudas com porte. buscando o equilíbrio entre a copa e o sistema radicular. com o cuidado de executar o corte deixando uma gema vegetativa volta para fora da copa inicial. Poda de formação Como a muda já sofreu uma poda de educação. etc. até mesmo quando as plantas já apresentaram uma considerável brotação. deixando. quando for o caso. Em cada etapa de desenvolvimento. três a quatro ramos bem distribuídos e fazendo o desponte de ramos longos. com ramos bem distribuídos. e a época do ano. essa poda de formação será efetuada após o estabelecimento da planta no pomar. onde todas as brotações laterias são eliminadas no viveiro. para sustentar as safras e facilitar o manejo e a colheita. Visa garantir uma estrutura forte e equilibrada. Prossegue até o terceiro ou quarto ano de vida da planta. A partir daí. goiabeira e caquizeiro. Boa formação de uma Frutífera 48 .possível. altura e brotações bem distribuídas. Cortam-se também as raízes muito longas. até o momento do corte total. quebradas e tortas. comum em macieira e pereira. Ultimamente. Poda de transplantação É feita por ocasião do plantio.

como as cítricas. A intensidade desta poda depende da espécie. idade. O cuidado aqui é manter o arejamento no interior da copa para evitar doenças ou a frutificação exclusivamente periférica. A poda de frutificação tem o propósito básico de manter o equilíbrio da produção e vegetação. pode gerar excesso de frutos. são cortadas as pernadas principais. número de pernadas ou ramificações existentes e do sistema de condução da planta. através do desponte ou desbaste de ramos. Normalmente. jaboticabeiras. As fruteiras tropicais e subtropicais. Podas energéticas aceleram a circulação da seiva e provocam excesso de crescimento vegetativo. Executada normalmente em períodos de baixa atividade fisiológica da planta. ao contrário. durante o inverno ou. quebrados e mal colocados. Como citado anteriormente. constituindo-se na retirada de ramos secos. como nas cítricas. Poda de rejuvenescimento ou regeneração Recomendada para livrar as plantas frutíferas de ramos doentes. a 40 cm do solo e com isso. assim como pela eliminação sistemática de ramos doentes. ou seja. florescem e frutificam de forma contínua na parte terminal dos ramos. É sempre bom lembrar que nunca devemos esquecer a relação determinante entre o vigor e produção. precisam de um período de dormência para frutificar e possuem ramos que produzem uma única vez. É uma poda leve. com uma safra de má qualidade. o ideal é a busca de seu equilíbrio. deve-se iniciar o processo de formação da planta 49 . mas com plantas que ainda apresentem troncos íntegros e vigorosos. Também é indicada para pomares velhos ou abandonados.Poda de frutificação É realizada após a formação da copa. onde seu corte é recomendado logo em seguida. logo após sua colheita. doentes. crescem. que brotam abundantemente. com redução de flores e frutos. vigor. mangueiras e outras tropicais. É essencial para as fruteiras temperadas. Esta poda deve ser acompanhada de uma adubação equilibrada e manutenção de água disponível no solo. Poda de limpeza É recomendada para as fruteiras que requerem pouca poda. com pragas ou renovar a copa através do corte total da mesma. deixando-se apenas as ramificações principais. Mas uma poda mais leve. praguejados ou mal localizados.

Encurtamento Consiste em diminuir o tamanho dos ramos mais promissores.novamente. e logo após. Isso ocorre em especial com macieira e videira. especialmente a cultivar Niagara. de modo reduza assim a quantidade de frutos a serem produzidos. isto é apropriada. limpa. Esses cortes são maiores no inverno. devendo ser arrancados manualmente durante o desenvolvimento da planta. regulam também a circulação da seiva. Ou no caso do pessegueiro. incentivando ou inibindo o desenvolvimento de brotos no ramo. para impedir a descida do hormônio. no local do corte o que facilita a cicatrização e evita o ataque de fungos Anelamento A flor que nasce na ponta dos ramos produz um hormônio inibidor que desce e impede o desenvolvimento de gemas floríferas anteriores. Não considerando os casos especiais e raros. a foice e a serra grande ou trançadeira podem. faz-se uma incisão anelar abaixo da flor. Com um canivete. seguindo-se sua formação. preparando assim a planta para a próxima safra. Instrumentos para poda Inúmeros são os instrumentos e ferramentas utilizadas na execução das diferentes modalidades de poda. três ferramentas são 50 . recomenda-se a aplicação de uma pasta fungicida. Não existe bom podador sem boa ferramenta. normalmente cúprica. Desnetamento É a retirada de brotações secundárias que surgem nas axilas das folhas da figueira e videira. algumas vezes. Esse encurtamento reduz de 1/3 a 2/3 o tamanho normal do ramo. Essas incisões de 2 a 3 mm de profundidade. forçar a brotação de gemas que irão produzir os ramos de substituição dos que estão no ano produzindo. entrar na relação das ferramentas do podador. Até mesmo o machado. afiada e lubrificada.

feita naturalmente com o serrote. alicate para incisão anelar. . Cortes de espessura maior que 3. serrote de podar (reto e curvo) e a decotadeira. PRINCIPAIS SISTEMAS DE FORMAÇÃO DE PLANTAS FRUTÍFERAS Vários são os sistemas e suas derivações empregados na formação de plantas frutíferas em função de sua fisiologia. oportuna e semi-especializada na formação e condução da planta.Permite na maioria das vezes uma rápida entrada em produção. requerem mão de obra intensiva. ambos com vigor decrescente até o ápice da planta. no sentido oposto ao da gema mais próxima. Sistema em Formas Piramidais ou fuso Consiste basicamente no crescimento de um eixo principal (tronco) como estrutura única de sustentação da planta. sendo atualmente os mais utilizados. sobre este eixo se distribuem os ramos principais e a partir destes os ramos secundários. Existem também instrumentos especializados como tesouras para desbaste de cachos de uva.Em solos de alta fertilidade e inexistência de porta-enxerto ananizante. .0 cm devem ser protegidos com pastas cicatrizantes à base de cobre. Na supressão de galhos grossos. . deve observar uma inclinação de 45 graus aproximadamente. de maneira que esta adquire uma aparência piramidal. onde pode causar o apodrecimento do ramo e aparecimento de fungos. 51 .Permite o aproveitamento do hábito de crescimento natural da espécie e/ou cultivar. o corte deve ser bem rente à base do galho e bem inclinado.Permite obter qualidade e uniformidade de produção. Considerações sobre o sistema: . torna-se difícil manter o equilíbrio e controle do vigor da planta.Por serem utilizados normalmente em alta densidade. realizado de uma só vez. Um corte ideal e preciso. . entre outros mais. podendo ocorrer sombreamento da parte inferior e interna. necessidades práticas ou de ambas.indispensáveis ao podador: tesoura de poda. o que evita o acúmulo de água.

.A B C Formas piramidais: A) tradicional com ramos em espiral.Qualidade e uniformidade da fruta depende da localização na planta. Este sistema é mais utilizado para a implantação de pomares em baixa e média densidade. com pisos de 4 ramos bem separados em cruz e identicamente orientados. dispostas radialmente com ângulo de 30 a 60º em relação ao prolongamento do tronco. O interior da copa deve ser mantido livre de ramos para facilitar a aeração e insolação. Sistema em Formas de vaso Sistema de formação muito antigo e de ampla utilização para quase todas as espécies especialmente para frutas de caroço. . .Maior facilidade na formação das plantas. Considerações sobre o sistema: .Menor densidade de plantio e maior demora da entrada em produção. constituído normalmente de 3 a 5 pernadas de acordo com a condição e o propósito.Maior custo de mão de obra devido ao vigor das plantas. . 52 . B) sistema Mckenzie. C) líder modificado ou pirâmide truncada.Maior longevidade do pomar.

. Este tipo de condução se formado adequadamente facilita a mecanização por tratarse de forma semiplana.Figura: Vaso comum Sistema em Formas de Y ou V Possibilita o aumento da densidade de plantio permitindo obter boas produções e qualidade de frutos já nos primeiros anos de implantação. . produtivos e espaçados entre si evitando a sobreposição.vigor excessivo dos ramos secundários competem com os principais. .Abertura insuficiente dificulta a penetração da luz. produção e qualidade do fruto.Abertura excessiva entre as pernadas aumenta o aparecimento dos ramos ladrões. 53 . diminui os ramos basais.Permite precocidade e aumento de produção. O maior inconveniente do sistema pode ser o sombreamento dos ramos basais. reduzindo o desenvolvimento dos ramos principais. Considerações sobre o sistema: . sobre estes ramos principais se distribuem os ramos secundários. . A planta é conduzida com dois ramos principais a partir de 40 a 60 cm do solo. com ângulo de 45 a 60º orientado de forma transversal a entre fila em forma de Y ou V.Permite maior densidade de plantio.

B Sistema em Forma “Y” duplo É usado em pomares de média densidade apresenta facilidade de formação da copa e permite eventualmente chegar a um Y perpendicular. utiliza 3 a 4 fios de arames. Sistema de espaldeira ou palmeta Caracteriza-se pela condução de um líder central até a altura desejada para a emissão dos ramos secundários no sentido da fileira e eliminação ou inibição dos brotos e ramos na entre fila. Sendo utilizado principalmente para a produção de uva e quivi. as plantas são conduzidas na forma vertical de condução simples.0 metro do solo e os demais distanciados entre 20 a 40 cm. Figura: Sistemas de condução em espaldeiras. A planta é conduzida com 4 pernadas com volume mais plano sobre a fila.A Figura: Ipsilon transversal (A) e forma de “V” (B). aumenta a insolação e ventilação produzindo frutas de melhor qualidade. devido a menor área de copa. as plantas são apoiadas sobre um tutor ou armação de arame. Sistema em Formas apoiadas (Espaldeira ou Palmeta e latada) Constitui o sistema de condução mais representativo das formas planas de árvores frutíferas. a copa das plantas desenvolvese num plano horizontal. Sistema de latada Também conhecido como caramanchão ou pérgula. O sistema normalmente é menos produtivo que o latado. Sustentados mediante a utilização de postes distantes entre si com 6 metros. É recomendado para produção de uvas finas. apoiada numa rede de fios de arame sustentada por postes ou 54 . no entanto facilita a realização dos tratos culturais. sendo o primeiro colocado a 1.

porém dificulta a realização dos tratos culturais. Proporciona uma maior produtividade. deixa-se outra muda (planta bisneta). para evitar o excessivo crescimento apical. Quando for realizada a colheita da planta matriz. permanecendo outra vez a mesma com três plantas em estádios diferentes de desenvolvimento. C) postes externos. os frutos são mais sombreados favorecendo a ocorrência de doenças fúngicas. eliminar parte dos ramos internos e equilibrar melhor a produção. a terceira muda. Caquizeiro Deve-se utilizar no plantio mudas formadas com três ou quatro pernadas. F E A C G B D Figura: Tipo latada contínua. eliminam-se todos os rebentos e deixa-se sair. B) cantoneira. 55 . Bananeira Após o plantio da muda. Depois. E) postes internos F) cordões secundários e G) fio simples. Pérgula ou caramanchão continua. bem distribuídas na copa. com intervalo de quatro a cinco meses. inseridas em pontos diferentes do tronco. garantir melhor crescimento da planta e aumentar o tamanho médio das frutas. ficando cada com três plantas (matriz. Latada descontínua. de 15 a 20 cm de comprimento. Deve-se poda-los. Eliminam-se toda brotação que aparecer no porta-enxerto e os ramos mal colocados ou encostados no solo. As formas mais conhecidas são: Latada. A) linha mestra ou cordão primário. filha e neta). D) rabichos.moirões. a segunda muda na mesma cova. Noções sucintas sobre poda em pomares domésticos Ameixeira Para podar uma ameixeira usa-se o mesmo sistema de poda de um pessegueiro. Parreiral ou T Bar. Nos primeiros anos de frutificação é aconselhável desbastar as frutas para evitar quebra dos ramos frutíferos. Todas as outras mudas devem ser eliminadas. com oito ou dez meses.

os ramos terminais são sistematicamente podados. montenegrina e a murcote. eliminam-se as brotações nascidas abaixo do ponto de enxertia e os ramos secos e doentes. aumentando o espaço entre as restantes e aproveitando as frutas verdes para fazer doces. Figueira No plantio. para eliminar um terço do ramo terminal. Em plantas enxertadas. Macadâmia Pode-se adotar o mesmo tipo de poda aplicado na nogueira-de-pecã. doentes e os nascidos abaixo do enxerto e encurtam-se os ramos muito baixos e mal localizados na planta. Mamoeiro O mamoeiro não requer nenhum tipo de poda. podem-se cortar alguns ramos do centro da planta. por causa de doenças. Jabuticabeira Normalmente não se faz nenhum tipo de poda. provocando produções alternadas. aproximadamente. deve-se deixar apenas um broto lateral. Para abrir um pouco a copa. 56 . para facilitar os tratos culturais e a colheita das frutas. perfazendo doze ou dezesseis ramos no final do segundo ano. Quando o mamoeiro perde a brotação apical. mas deixa-se desenvolver em cada ramo dois novos ramos. pode-se realizar desbaste de frutas para aumentar o tamanho e não esgotar a planta. Eliminam-se todos os demais. permite prolongar por um mês. encurvados e os mal localizados ou que encostem no solo. com três ou quatro ramos distribuídos regularmente na copa.Citros Deve-se iniciar a plantação com muda bem formada. Sistematicamente são eliminados os ramos secos. Eliminam-se todas as brotações que aparecem durante o período de crescimento vegetativo. a colheita das frutas. nascendo nova brotação. totalizando seis brotações durante o primeiro ano de crescimento. No caso de plantas mais baixas. dependendo da finalidade. que são focos permanentes de ácaros e podem dificultar os tratos culturais. Esses seis ou oito ramos são podados. Goiabeira Faz-se o plantio da muda de boa qualidade com três ou quatro ramos bem distribuídos na copa. A poda de frutificação. No final do terceiro ano deixam-se doze ou dezesseis ramos ou 24 a 32 ramos. Para as plantas que frutificam em excesso como a bergamoteira comum. o que permite melhor penetração do sol e diminui os problemas de doenças e pragas. doentes. Em plantas com frutas muito apertadas. utilizam-se mudas com três ou quatro pernadas e bem distribuídas na copa. A colheita é reduzida e as frutas são geralmente pequenas quando há muitos ramos originados de diferentes pontos de crescimento da mesma planta. Um número menor de ramos resulta em frutas de melhor qualidade e em produções mais abundantes. pragas ou frio. Sistematicamente são eliminados os ramos secos. pode-se realizar o desbaste de frutas. ficando com 20 a 30 cm no final do primeiro ano (no inverno) e deixam-se crescer duas novas brotações.

Também após a colheita das frutas aparecem. com apenas um broto terminal de crescimento até atingir o segundo fio mais alto na espaldeira ou a superior da latada. eliminam-se as frutas defeituosas. Com a planta já adulta. de dois a três brotos. quando atingir a planta seguinte. brotam seis ou oito ramos.Maracujazeiro A muda de maracujá é conduzida tanto no sistema de espaldeira como no tipo latada. Deve-se eliminar. Quando as frutas estão com diâmetro aproximado de 1. Pode-se despontar o crescimento terminal do ramo. dos quais. saindo de pontos diferentes do tronco e bem distribuídos na copa. para permitir a penetração de luz na parte interna da copa. Os ramos devem ser mantidos assim seguros durante dois anos. com comprimento de 15 a 25 cm. para cada botão floral. Ocorre. eliminam-se todos os ramos secos. Desses seis a oito ramos. em cada ramo. Com o novo crescimento. o crescimento terminal corre verticalmente. que continuam crescendo até o final do segundo ano. e eliminam-se todos os outros ramos em excesso e mal localizados. Os ramos devem ficar nessa posição durante um ou dois anos. forçando-as para uma inclinação de uns 40º horizontais. são eliminados todos os ramos supérfluos. período em que devem ser eliminados os ramos secundários. deixa-se apenas um ou dois brotos e eliminam-se manualmente todos os outros. no sistema de condução em espaldeira. Esses ramos do tronco ficam apoiados por estacas de bambu. o aparecimento de brotos a partir da extremidade dos ramos. selecionam-se de três a cinco ramos bem distribuídos ao longo do tronco e os demais são eliminados pela base. novamente o arqueamento das pernadas principais junto às ramificações. quando em excesso. Então deve se provocar. Nesse período. Depois. Nogueira-de-pecã A muda usada no plantio deve ser formada por três ou quatro pernadas. Dos três ou quatro ramos iniciais. ficando apenas três ou quatro frutas sadias e de igual tamanho em cada botão floral. escolhem-se mudas com três a cinco ramos bem distribuídos ao longo do tronco e cortam-se os demais pela base. controla-se a saída de doze a dezesseis ramos novos. num ângulo de inclinação de 55º da horizontal. Por ocasião do desbaste das frutas pequenas. são podados 50 a 60 cm de comprimento.5 cm. Nespereira No momento do plantio. praguejadas e em excesso. eleva-se o número de ramos 57 . um ou dois brotos. No primeiro ano. faz-se a desponta restando apenas três ramificações. Durante o período de repouso vegetativo. deixa-se crescer livremente. tomando uma forma de taça. com freqüência. em novembro ou dezembro. deixa-se a muda crescer naturalmente. novamente. Despontam-se somente os ramos grossos e demasiado longos. O desbaste de flores e frutas é necessário na nespereira para melhorar a qualidade. ficando apenas um por ramo. fazendo desbrotas do tronco e de alguns ramos da copa. ao longo das pernadas principais. quando são podados 50 a 60 cm de comprimento novamente. e todos os ramos que tendem para o centro da planta. ladrões e fracos. no final do primeiro ano. doentes ou aqueles que estejam abaixo do segundo fio de arame e junto ao solo. fios de arame ou cordão. Elimina-se parte dos botões florais e. A partir do segundo ano. Devem ser cortados também os ramos até a altura do primeiro fio.

lima. que fica com 0. os sarmentos devem ser podados anualmente. A pernada mais baixa deve ficar de 25 a 30 cm do solo. Uva. que crescem livremente até o final do terceiro ano. os ramos ladrões. e conduz-se verticalmente o ramo de crescimento em direção ao fio da latada. os ramos dirigidos diretamente para cima ou para baixo (verticais) e todos aqueles que têm um ponto de inserção muito fraco (ângulo muito fechado). anualmente. pode-se estimar a época de maturação dos frutos e o ponto de colheita. muito baixos e aqueles dirigidos para o centro da planta. O momento ideal para apanhar a fruta ocorre em três condições. aproveitando duas gemas imediatamente inferiores a esse nível. Considera-se a muda formada depois de três anos no campo. doentes. saindo de diferentes pontos do tronco. No final do primeiro ano. Os cultivares Isabel.80 m de comprimento aproximadamente. cortam-se os ramos quebrados. e os outros ramos nascidos das gemas inferiores são eliminados durante o crescimento (poda verde). Videira No caso de muda plantada no sistema do tipo latada. O sistema de poda anual desses sarmentos dependerá do vigor da planta e da variedade: na poda curta convém deixar um até três olhos ou gemas. cruzados. coloca-se a planta na cova. tangerina e bergamota têm de ser colhidas quando completamente desenvolvidas. e eliminam-se todos os outros. poda longa. Pessegueiro No momento do plantio poda-se a muda.para 24 a 32. Moscatel italiano e Niágara branca recebem poda curta. dependendo da variedade. figo. Com o plantio da muda no inverno. para abrir a copa. Plantas fracas recebem poda curta e plantas vigorosas. após o florescimento. quando então. No primeiro ano. Os sarmentos (ramos) das duas gemas abaixo da latada são conservados para que cresçam. Os ramos principais selecionados devem ser reduzidos – em até um terço do seu comprimento – e cortados logo acima de um ramo lateral que se dirige para fora. deixa-se crescer livremente o ramo principal e eliminam-se os ramos secundários e ladrões. podam-se os ramos defeituosos. fracos. na poda longa. manga. Na poda de frutificação. no período do inverno. com quatro ou cinco pernadas de 10 cm de comprimento. 58 . Nas plantas vigorosas – em que o crescimento terminal ultrapassa a parte superior da latada – poda-se na altura da latada. poda longa. no ponto de consumo. PONTO DE COLHEITA Decorrido determinado número de dias ou meses. secos e os mal localizados. ficando a 50 cm de distancia dos ramos da outra planta. permanecendo três gemas no ramo. de sete a dez gemas ou olhos. podam-se as mudas pouco vigorosas. Deve-se fazer uma poda intensiva para dar origem a uma copa em forma de cone invertido. seis a sete ramos bem distribuídos são selecionados para formar a ramificação principal da copa. quando as brotações alcançam10 a 20 cm. a Itália e Moscatel-de-hamburgo. Depois de crescidos. eliminam-se todas as brotações que não foram previamente selecionadas. laranja. No inverno seguinte. eliminam-se os ramos paralelos muito próximos entre si. em outubro ou novembro. Outras frutas como abacate.

No Quadro há exemplos do ponto de colheita de frutas: prontas para o consumo (maduras). ainda para o consumo ou uso. Essa abertura é formada por uma armação de arame grosso.pêssego maçã – manga – maracujá – nêspera – noz – nectarina – pêssego – romã . mas ainda impróprias para o consumo imediato. embora já estejam com a polpa mais mole e doce. mas ainda a dois ou três dias do ponto ideal de consumo. podem ser consumidas. regula-se a sacola para um volume menor. completamente desenvolvidas. pêssego. alguns diasFrutas desenvolvidas. Depois de maduras ou amadurecidas artificialmente. a maturação natural depois da colheita ou abreviar seu armazenamento. Para frutas de casca mais sensível (manga. lisos e pequenos para facilitar o manuseio e evitar que as frutas colocadas na base sejam pressionadas por aquelas das camadas superiores. ajudam na colheita de frutas de casca mais grossa e dura.goiaba. Tesouras especiais de colheita – diferentes das tesouras de poda. Além das escadas. A armação é ligada a uma bolsa. evitando-se a pressão entre as frutas e um eventual amassamento. banana e caqui são colhidas quando bem desenvolvidas. ou frutas fisiologicamente desenvolvidas. com capacidade para meia caixa. aroma. No caso de plantas de altura média. que podem prejudicar a qualidade. secas. mas aguardando alguns dias para consumo (frutas de “vez”). Frutas como pêra. Abre-se a parte superior da sacola e o fundo falso fica preso por ganchos. o que permite regular o volume da sacola e facilitar a descarga das frutas da sacola para as caixas. rodeada por um tecido de diâmetro um pouco superior ao da fruta. com comprimento variável. As frutas perecíveis devem ser acondicionadas em caixas de plástico ou madeira. manga e nêspera também devem ser colhidas completamente desenvolvidas. Sacolas de lona resistente. bom teor de açúcar. verdes para o consumo imediato (amadurecimento natural ou artificial) abacaxi – ameixa – bergamota -abacaxi – ameixa – abacate –ameixa – banana – caqui – pêra – cherimólia – figo – goiaba –banana – caqui – laranja azeda – noz-de-pecã jabuticaba – laranja – lechia – limão – maçã – manga – nêspera lima – limão – macadâmia –– nectarina – pêra . quando se colhem frutas de plantas muito altas. lisas. totalmente fechadas no fundo e nas laterais. antes de comer ou usar. ameixa. pode-se usar um coletor com vara comprida. sem quinas ou cantos. mas necessitando de transformações antes do consumo (frutas amadurecidas artificialmente ou ao natural). Quadro: Pontos ideais de colheita Frutas colhidas maduras prontasFrutas de “vez”. Ou em cestos. para onde a fruta desce lentamente depois de solta da planta. as escadas simples de abrir são mais apropriadas. batidas e pressões. grande porcentagem de suco e menor concentração de ácidos.uva Durante a colheita e o manuseio das frutas. de madeira leve e resistente. isentas de pontas e quinas. do tipo doméstico. O ponto ótimo de colheita das frutas é quando apresentam excelente sabor. Para colher frutas de plantas altas. convém evitar golpes. ameixa). tipo encosto. tendo na extremidade superior uma abertura. podem-se escadas retas. pequenas e com 59 .

o apanhador coloca a sacola no fundo da caixa de colheita. Aconselha-se que o colhedor corte as unhas para evitar ferimentos nas cascas das frutas sensíveis ou use luvas e tenha as mãos livres para fazer a colheita. Na colheita de ameixa. goiaba. solta o gancho e abre o fundo da sacola. é colocada a tiracolo. separam-se as frutas da planta e colocam-se na sacola. deve-se evitar o uso de sacolas de colheita. nectarina. Nesse caso. que deve ser executada quando as plantas estiverem com pouca umidade e. Quando a sacola estiver cheia. Nas plantas altas. pêra. Não é necessário apanhar o cacho inteiro. As pencas de um cacho de banana têm diferentes idades. Podem-se colher as pencas mais próximas do pseudocaule da planta (pencas mais altas) em dias diferentes. quando utilizada. Com o corte do pedúnculo feito com a tesoura especial de colheita. A sacola de colheita. nêspera ou manga. As tesouras são indicadas e muito práticas na colheita de laranja. bergamota. 60 . de preferência. e depois colher as mais próximas do solo de acordo com o consumo. caqui e abacaxi. depositando as frutas na caixa.pontas arredondadas para evitar o ferimento das frutas – são utilizadas durante a colheita para separar a fruta da planta. Seqüência da colheita São muito importantes algumas regras básicas na realização da colheita. regulada ao seu menor volume para frutas mais sensíveis. figo. com temperatura mais baixa. uva. o fruto pode ser separado da planta por simples torção manual e colocado dentro da caixa ou cesto. as frutas da parte mais baixa são colhidas primeiro. o que permite melhor conservação das frutas.