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Quando criança, numa escola publica que estudei metade do meu ensino fundamental, cantava o hino nacional todas

às manhas para lembrar sempre aos aprendizes como nosso país é grande e generoso, como nosso povo é bravo e destemido. Era ensinado também o significado da bandeira, as matas, riquezas, o céu e a paz que nos pertence. Ate hoje lembro verso por verso do cântico, mas tenho receio e até certa vergonha de proferir. Talvez seja mais interessante ser julgado como pessimista do que como hipócrita, ressalvando a beleza de um país que assassina sua população todos os dias por miséria e falta de recursos básicos para a vida. Afirmar que o Brasil de amor eterno será símbolo, negando os direitos homossexuais e muitas vezes tratando como se a sexualidade fosse doença. Ou chamar a pátria de idolatrada (Salve! Salve!), sendo que uma mulher brasileira é agredida a cada 15 segundos e milhares outras (com certeza negras e pobres) morrem tentando fazer aborto, tão criminalizado pela mesma população que defende a redução da maioridade penal. Eu não admito uma pátria (e acredito que ninguém deveria). Patria vem de pater, pai. Mas não no sentido paternal, mas no sentido de domínio, de dono. Daí surge o sentido do patrinomium. O pater é o dono de sua liberdade e de seu direito de vida e de morte, de ir de vir, de todas as suas terras. Pátria é uma palavra que vem desde a idade media onde os patrícios eram donos de tudo, e os plebeus seus subordinados e protegidos, o que da sentido a ideia da igreja de que “Deus é pai” Nossa sociedade capitalista não se importa se Neymar ganha milhões e se estádios tem mais investimento que hospitais. Afinal, hospitais não fazem a economia girar, e isso que é importante. Não precisamos de trem ou de metrô, já que as multinacionais vendem diversos carros no lugar de apenas alguns vagões, e isso faz tudo movimentar. Impressões em papel verde valem mais que nossas vidas, que é cada vez mais banalizada e ate mesmo tratada como um bem de luxo. Mas de quem é a culpa do pandemônio que tudo se tornou? Da Dilma, diria algum manifestante qualquer sem a mínima noção política. Mas não, não é da Dilma. É sua e minha, e dos seus pais. Elementos, raças, cores. Quanto mais nos afastamos da natureza e criamos nosso pequeno e gigante universo paralelo também conhecido como antroposfera, criamos uma noção de separação ilusória, que nos faz esquecer que somos todos membros de algo maior, somos todos um e estamos presos uns aos outros por toda a nossa vida. Nas palavras da personagem Sonmi do filme Cloud Atlas “Nossas vidas não são nossas. Desde o ventre ao túmulo, estamos vinculados aos outros. Passado e presente. E através de cada delito e cada gentileza, nós damos origem ao nosso futuro. Ser é ser percebido. E assim, conhecer a si mesmo só é possível através dos olhos do outro. A natureza de nossa vida imortal depende das consequências de nossas palavras e atos, e isso vai nos empurrando por toda parte o tempo todo.” Os cavaleiros sem armadura ainda são apenas uma ideia que surgiu da vontade genuína de ajudar os que precisam, e assim criar uma corrente boa de ações que perpetuem e se espalhe. Para mudar o mundo é necessário primeiro modificar o seu universo interior, onde você trava a maioria de suas batalhas. Se cada um fizer a sua parte e pensar no outro, abstraindo a ideia de individualismo que é implantada na gente por uma ditadura social não declarada, o mundo será bem melhor.

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