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O Caçador de Diamantes

Governador
Secretário Chefe da Casa Civil

Geraldo Alckmin
Arnaldo Madeira

Imprensa Oficial do Estado de São Paulo
Diretor-presidente Diretor Vice-presidente Diretor Industrial Diretor Financeiro e Administrativo Núcleo de Projetos Institucionais Projetos Editoriais Hubert Alquéres Luiz Carlos Frigerio Teiji Tomioka Flávio Capello

Emerson Bento Pereira Vera Lucia Wey

Coleção Aplauso Cinema Brasil
Coordenador Geral Coordenador Operacional e Pesquisa Iconográfica Projeto Gráfico Revisão e Editoração Rubens Ewald Filho Marcelo Pestana Carlos Cirne

Vittorio Capellaro O Caçador de Diamantes por Maximo Barro São Paulo. 2004 .

2004. Título. 1921 .com. Maximo I. 192p.Roteiros 3.Ficha catalográfica elaborada pela Biblioteca da Imprensa Oficial do Estado Capellaro.(Coleção Aplauso Cinema Brasil) ISBN 85. Barro. 1877 4.Brasil Tel. Victor.981 Foi feito o depósito legal na Biblioteca Nacional (Lei nº 1. – São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo. Capellaro.825. . Imprensa Oficial do Estado de São Paulo Rua da Mooca.SP . Victor O caçador de diamantes: o primeiro roteiro cinematográfico brasileiro completo/Victor Capellaro.com.São Paulo .Brasil 2.Mooca 03103-902 . Cinema . Cinema – História .br e-mail: livros@imprensaoficial.7060-241-3 1.430. analisado por Maximo Barro. II. Série CDD 791.: (0xx11) 6099-9800 Fax: (0xx11) 6099-9674 www.br SAC 0800-123401 . de 20/12/1907). : il.imprensaoficial.

que havia sido registrado pela câmara do major Thomas Reis. editado em Manaus. sendo que o primeiro. É que. Mesmo a autoria do material escrito escondese atrás do anonimato de um pseudônimo.Apresentação Há uma razão especial e importante para que tenha sido escolhido O Caçador de Diamantes como o primeiro roteiro editado em livro nesta nova Coleção da Imprensa Oficial do Estado. na verdade. cultivo e colheita da castanha e aspectos topográficos da região amazônica e mato-grossense. ele é o segundo roteiro completo (ao menos conhecido até agora) escrito para ser filmado no Brasil. não era realmente um roteiro pois. Um Observador. é apenas um relato jornalístico sobre a extração do látex. 5 . historicamente. agosto de 1919. que estaria trabalhando para a Asensi & Cia. proprietários no Gy-Paraná (Rio Madeira). Ouro Branco.

ITALIANO PIONEIRO DO CINEMA BRASILEIRO. Todas as informações e biografia que seguem. para o estado perdedor. o Brasil paralisou-se com a Revolução Getulista e. as duas tendo São Paulo por epicentro. São Paulo. Jorge e Vitório Capellaro. acontecera a quebra da bolsa de Nova York. pouco propícia a nascimentos cinematográficos. No ano seguinte. dois anos depois. mais ainda. . que Vittorio Capellaro estará finalizando O Caçador de Diamantes. ao mesmo tempo em que se afirmava o cinema sonoro e falado. de autoria dos seus filhos. com outra revolta reivindicatória. foram retiradas do livro VITTÓRIO CAPELLARO. ainda sob o impacto econômico da crise americana. Em 1929.É interessante falarmos um pouco sobre a gênese de O Caçador de Diamantes porque ele surgiu numa época ingrata do país. 6 Serão nesses anos conturbados para o Brasil e.

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Biografia

Eusébio Vittorio Giovanni Battista Capellaro nasceu em Mombrano, Turim, em 1877, convivendo na infância e juventude com o sentimento nacionalista daquilo que passou para a história italiana com o nome de Rissorgimento. Órfão desde cedo, teve sua educação orientada por um tio que, movido por sua profissão, era obrigado a uma vida de constantes deslocamentos pela Itália, França e Argélia. Além disso, a proximidade de Turim com a fronteira da França e o ativo comércio de tecidos que havia entre as duas regiões, levou o menino a uma educação mais prática que teórica, amoldandose a lugares diferentes e adaptações contínuas, entre elas, aprender o francês antes do italiano. Na juventude, enquanto completava sua educação formal com os salesianos, aprendeu relojoaria, o que muito contribuiria para seus

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futuros vôos. Era uma tradição curricular na educação da Congregação de Dom Bosco a utilização do teatro como forma de educação e cultura, e Capellaro muito se interessou por ele. Cantava bem e tinha pendores para imitação, principalmente quando o modelo era o trágico Zacconi, o maior e mais popular ator do teatro clássico italiano. Completados os estudos, estagiou por algum tempo no teatro amador, como ator e cantor. Profissionalizando-se, em seguida, veio a ter contato em 1905, com o próprio Zacconi que, encantado com a paródia do seu estilo que o rapaz fazia, contratou-o. Serão anos de viagens e estudos informais com a companhia teatral, que o amadurecerão intelectualmente para a construção dos personagens que iria vivenciar ao longo do seu caminho artístico. Além de requisitos físicos, Capellaro devia ser bom ator, senão jamais poderia ter conquistado, em 1907, o ambicionado posto de segundo papel masculino. na companhia da maior intér-

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Capellaro em um filme italiano .

Francesca Bertini (mais Alberto Collo. 12 . fixando-se no Brasil para distanciar-se da Guerra que tanto detestava. Ângelo Galina e outros luminares). Alberto Capozzi. o contratou percorrendo. Apesar de já ter começado a Grande Guerra de 1914-18. decidiu não retornar à Europa. transferindose para a Companhia de Tina de Lorenzo. Eleonora Duse.da enorme colônia italiana que aqui existia. entre outros. Com ela viajou pela primeira ao Brasil. Em 1912. como parceiro de outra decantada atriz do cinema italiano. Ibsen e Alexandre Dumas Filho. pela terceira vez. e por ter-se relacionado com ativos grupos teatrais e operísticos amadores paulistas – os filodramáticos . Na volta. percorreram praticamente toda a Europa. porém. encenando. a América do Sul. ele continuou trabalhando no palco e estreou no cinema. terminada a turnê americana. inclusive a Rússia. Desta vez. Em 1915 outro renomado intérprete de teatro e cinema. visitou novamente o Brasil.prete trágica do teatro italiano.

Chegada a Santos a bordo do Tomaso di Savoia. 1915 .

e mesmo cidades cosmopolitas como São Paulo e Rio. Nessa primeira incursão pela literatura nacional. e Antonio Campos com a fotografia e laboratório. ficando os filo-dramáticos do Doppo Lavoro e Muse Italiche com os demais personagens. ele dirigiu e também (incrivelmente) interpretou o índio Pery. Campo Grande.14 Em contato com o pioneiro do cinema paulista Antonio Campos. Pelotas. Campinas. de 1916. baseado no livro do Visconde de Taunay. Havia total disparidade de biotipo entre o nortista italiano . O Guarany. Capellaro seria. ele dirigiu e interpretou o principal papel masculino. Indiscutivelmente. Cataguases. podendo transmitir conhecimentos sólidos de como deveria transcorrer uma filmagem corretamente profissionalizada e nunca no amadorismo primário e capenga que imperou nos ciclos de Recife. realizou a adaptação de Inocência. nesse momento. um dos raríssimos praticantes de cinema no Brasil que tivera contato com cinematografias mais adiantadas. A próxima realização é mais empenhada.

nada sabiam. para a produção de O Cruzeiro do Sul. associando-se ao grande técnico italiano. Uma predisposição incomum superava todos os empecilhos da aprendizagem. E se tornou o técnico mais 15 . para lá se deslocou. errando para aprender. talvez para fazer capital de giro. ele fizera de tudo um pouco. Paolo Benedetti. Benedetti exemplificava o lado oposto da formação técnica que Capellaro recebera na superestratificada produção italiana. A exemplo da maioria absoluta dos técnicos que trabalhava no Brasil. produziu dois documentários. Fora projecionista e gerente de cinema. um abordando o problema do café e outro sobre o Instituto Butantã. o que lhe facilitou a captação de meios para as próximas produções. porque os que porventura ensinavam. Percebendo que o maciço da produção brasileira estava concentrado no Rio de Janeiro. mas isso não impediu que o filme tivesse um grande sucesso de público. Enquanto isso. fotógrafo e laboratorista.e o silvícola do romance.

o que permitiulhe conhecer além do Sul. da distribuição de filmes. inventor de sistemas sonoros e coloridos e o primeiro a tentar a co-produção. produções italianas no Brasil. Apesar de pacifista. retorna ao Brasil. professora de literatura e com ela. Posteriormente retornaria à produção nacional. principalmente. Por causa da idade. é designado para atuar na retaguarda. Norte e Nordeste. ele retornou à pátria e vestiu farda. em 1917. 16 Acabado o conflito. ocupando-se. . inicialmente. Capellaro será convocado para a guerra. nesse momento 40 anos. levantando dinheiro para o esforço bélico. Tardiamente. casou-se com a poliglota Giorgina Nodari.conceituado que tivemos no período mudo: experimentador. vendendo.

17 No exército. 1917 .

Giorgina.Com a esposa. 1921 .

em co-produção com a Paramount. . como letreiros e trucagens. para quem fazia alguns destes trabalhos de laboratório. Assim. produziu. de Bernardo Guimarães. Capellaro voltou em 1924 para São Paulo.Em 1919. depois. O Garimpeiro. distantes dos grandes centros. O sucesso de crítica e público é compensador. sempre com o apoio de fotografia e laboratório de Benedetti. o filme foi apresentado como produção americana. fazendo trabalhos gerais para as empresas americanas e italianas. Consta que em muitos municípios. será a vez de Iracema. Como os meios cinematográficos paulistas haviam-se tornados mais promissores que os cariocas. de José de Alencar e. O Guarany. 19 Em 1926. recebendo a reconstituição da época seiscentista o carinho especial que os italianos devotavam a esse gênero no cinema. dirigiu e interpretou. no Rio. montando até mesmo um laboratório. ganhava independência. pela segunda vez.

20 O Garimpeiro. Capellaro empregou o lucro obtido nas bilheterias na melhoria do seu estúdio. só encontrada em paises de alta gabarito cinematográfico. Equipamento de luz. 1919 Desprendido das coisas materiais. o melhor e mais bem-equi- . câmaras e cenografia são de alta qualidade. possivelmente. que ganhou uma pavimentação sofisticada.

21 . faz pesquisas históricas para futuros roteiros abordando a vida da Marquesa de Santos. ora pelo alto preço cobrado por direitos autorais. As Minas do Rei Salomão e O Caçador de Esmeraldas que fracassam. Os fartos elogios que obteve com a qualidade fotográfica. e da maquinaria importada. Mesmo assim. Ele então optou por um tema livre. Os documentários não serão suficientes para sanar os rombos orçamentários provocados pela desvalorização dos mil-réis e a retração que o comércio cinematográfico sofreu em todo o mundo. abordando o bandeirismo. ora por embaraçar-se com as controvérsias que os historiadores nacionais apresentavam. desorganizarão seus planos.pado estúdio brasileiro antes da fundação da Cinédia. mais a hecatombe representada pela queda do valor do dólar na bolsa americana e a chegada do som. As duas revoluções centralizadas em São Paulo. cenográfica e direção de arte de Caçador. deveram-se aos espaços funcionais do estúdio que estruturara.

o presenteou a Jurandir Noronha. por sua vez. dadas as ligações que mantinham com a produtora Paramount e. este roteiro esteve nas mãos de Adalberto Kemeny. É importante ressaltar as preferências do italiano Capellaro. segundo a memória e pesquisas de Jorge Capellaro. enviou uma cópia xero-grafada a Jorge Capellaro. também cremos. por afinidades no campo intelectual. Das nove produções que partici- 22 . deve-se ao seu pai e a Niraldo Ambra. o documentário de longa-metra-gem Panorama do Cinema Brasileiro (realizado entre 1967-8). que colaborava freqüentemente com Capellaro. A presente edição apóia-se nesse documento. quando este dirigia para a Embrafilme. durante anos. Para maior compreensão de todos os questionamentos e melindres que levantamos é importante mencionar que. no qual O Caçador participava com a seqüência da taberna. mais de 30 anos depois. tempos depois. Jurandir.A paternidade do roteiro de O Caçador de Diamantes. um dos fotógrafos e laboratorista da produção que.

portanto. cinco estão baseadas em clássicos da nossa literatura. como veremos. O Caçador. Essa postura de nacionalismo brasileiro do italiano contrasta com a dos nativos daquele momento . metalinguagem autobiográfica. 23 . Fazendo Fita. continha material histórico misturado à ficção.que preferiam a temática francesa. era uma comédia paródica sobre dois produtores do cinema brasileiro empregando todos os métodos na tentativa de realizar um filme: era. Seu último longa-metragem. sendo que dois deles.pou como diretor ou produtor-diretor.Luis de Barros à frente . os refilmou. O Guarany e Iracema. de 1935.

de chapéu. no Parque Jabaquara .Nas filmagens d’O Caçador.

estes métodos estariam 25 . não cremos na hipótese de que este roteiro servisse como veiculo propagandístico do filme. como é obrigatório no cinema internacional. inclusive na Europa ou América. Ou. mas pouquíssimas vezes no Brasil. vinham acompanhados deste material e. No caso específico de filmes brasileiros. o roteiro de O Caçador de Diamantes. porque é sabido por todos os pesquisadores de cinema no Brasil que nem mesmo os filmes estrangeiros. como material que a distribuidora oferecia aos donos de cinemas. como muitos chegaram a interpretar. quando eram distribuídos aqui. Pessoalmente. Tanto poderia ser creditada como um trabalho escrito previamente para orientação das filmagens. também. Sínteses de poucas linhas era o usual. levantaram sérias celeumas entre os estudiosos quanto à sua verdadeira utilização. jamais tivemos notícia deste método. para efeito de propaganda.O Texto As páginas datilografadas que constituem atualmente.

fora de cogitação. foram desprezadas 26 . Deve-se também levar em consideração que sobre a cópia do roteiro há sinais a lápis. 206. é trabalho de detetive. há inversão na ordem das tomadas montadas. caso elas tenham sido realizadas entre 1920 e o fim de 1940. porque a penúria das nossas produções muitas vezes obrigava o produtor a um lançamento sem qualquer apoio de propaganda. por vezes. no momento das filmagens. 353. O roteiro apresenta 20% de tomadas que não constam no filme e. 462 e 463 foram inteiramente riscadas no roteiro. não aparecendo no filme. localizar uma produção nacional em jornais. inclusive cartazes. tomadas como as de números 203. baseando-nos na confrontação que realizamos entre o roteiro e a cópia restaurada. sinal de que. Nossa posição é de a que o roteiro seja anterior às filmagens. às vezes. em relação ao roteiro. construído para orientar a produção. 360. indicativos das tomadas já filmadas. Além disso. Muitas vezes.

porque um dos autores do roteiro. inclusive com as costumeiras inversões gramaticais. Capellaro optou por recolher material de várias fontes. faleceu sem deixar maiores informações (apesar de ter sido entrevistado. nos anos 80. numeradas como 4A e 5A. crítico do jornal Folha de São Paulo. quase sem cortes. Niraldo Ambra. muito comuns em todos os textos.por motivos estéticos ou de economia. que propiciassem a grandiloqüência que um tema épico e histórico exigiam. entre as tomada 241 e 242 do roteiro. dirigente da Paramount e distribuidor. Os diálogos existentes no roteiro foram transcritos in totum. Contrariamente. por Luis Felipe Miranda e Jorge Capellaro). Como muito bem vem exemplificada na sua biografia. foram acrescidas outras duas tomadas. Não cremos que obteremos algum dia maiores informações sobre a gênese do roteiro. 27 .

Com os filhos em frente à sua casa/estúdio .

clamava por auto-afirmação perante os altos feitos pátrios. não podemos deixar de lembrar que Capellaro fora educado na vivência de um estilo teatral e operístico dos Bertinis. Percebe-se também. que fascinavam o espírito do italiano que. como já levantamos. traduzido por Eça de Queiros. o cerne principal que norteava os propósitos de Capellaro. a influência dos escritos românticos e ultranacionalistas de José de Alencar. logicamente. as fontes buscadas seriam As Minas do Rei Salomão. Tinas. Zacconis.Segundo os Capellaro. onde imperavam 29 . sem muito enfronhar-se em questões autorais. Trader Horn (Idem. Van Dyke). quando o espírito do povo italiano. de W. Os capolavoro cinematográficos. que vagava entre Verdi e D´Annunzio. de Araújo Aguire. Esteticamente. mais o grande sucesso da Metro. Capellaro e Niraldo Ambra costuraram o que podia servir-lhes destas três fontes mais. vivera e fora educado em momento paralelo da história. 1931. Capozzis. S. além de Em Plena Floresta. transitando de Julio César a Garibaldi. recém-unificado.

Paraguay e bandidos históricos para a tela. Borelli. Ironicamente. No mesmo patamar. nem mesmo. sabe-se lá. na mesma época que Capellaro está elaborando o roteiro e a produção de Caçador .Quaranta. portanto. Carmi. Os Últimos Dias de Pompéia e. tanto em número 30 . ainda poderíamos indagar quais os filmes brasileiros que poderiam ter-lhe servido de rota? Poucos. Novelli. O problema é que a pobreza franciscana do cinema brasileiro não permitia. As pouquíssimas vezes em que havíamos transportado Pedro I . nome com o qual eles rebatizaram A Retirada da Laguna e. Tarlarini. devíamos também aos italianos Lambertini e Andaló. Libero Luxardo e Alexandre Wulfes estão realizando na área do Mato Grosso Alma do Brasil. nem longinquamente. As expectativas de Capellaro. se o filme chegou a influenciá-lo em algum quesito. Bonard e tantos outros. nada que se assemelhasse a Cabiria . viajavam sempre na contra-mão do que praticávamos. A Dama das Camélias.

Anchieta. caravelas. Ganga Bruta. onde ele deve ter visto Irene Rudner interpretando uma índia. O mineiro teria assistido o filme do italiano? Lógico. Konchim. com amplos orçamentos fornecidos pelo Instituto Nacional do Cacau. De lá ele retiraria a seqüência onde o almirantado português cobre cristianissimamente. infelizmente. 1931. de Arturo Carrari. com toda certeza. Somente três anos depois de O Caçador é que Humberto Mauro. que Mauro tanto admirava. de Antonio M. a Cinédia e Humberto Mauro produzem sua obra-prima repudiada. lançado em outubro de 1929. resultará num “historicão” próximo a Cecil B. empregando todos os recursos tecnológicos da época: maquetes. Costa. em junho de 1931 e. mas que. com cobertores. de Mille. Simultaneamente a Capellaro. Entre o Amor e a Religião. de Jorge S.quanto em representatividade. A Escrava Isaura. os bugres que 31 . animação. realizará O Descobrimento do Brasil . Iracema.

32 . No roteiro. ela encontra-se na Scena 31. e cobre a índia que encontraram. crítico de cinema. a quem estão reservados os momentos cômicos do filme.visitavam o navio. A fonte é bem clara e bastante próxima. e que servirá supinamente à então ácida pena de Graciliano Ramos. Quadro 328. quando o índio Imbú retira o cobertor dos bandeiristas João e Pedro.

Com os filhos. quase esquina com a Rua Pamplona . na Al. Santos 112.

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havia uma nomenclatura estratificada para as diversas posições de câmara e referencial para qual a situação que os intérpretes teriam no fotograma. Capellaro e Niambra dividem o roteiro em SCENAS e QUADROS. um conjunto de planos que mais tarde formarão a montagem. pois se dermos crédito ao depoimento que nos concedeu. ele não só chegava a minudências no roteiro. isto é. isto é. Plano Geral e outros usados hoje.O Roteiro Numa época onde nem mesmo no cinema americano e europeu. QUADROS. Por Scenas devemos entender o que hoje classificamos como SEQÜÊNCIAS. como desenhava ao lado o enquadramento descrito. . 35 José Medina seria exceção. indicações como Close Up. hoje levam a classificação de TOMADAS. Plano Médio. começaram no cinema sonoro. quando o orçamento dos filmes duplicou o custo da produção e tudo precisava estar bem planificado.

as vezes grafado M. correspondendo ao atual Plano Geral ou Plano de Conjunto mas. conterá de 600 a 700 tomadas. Os autores do roteiro aplicam. na tela. um filme moderno.1º p. O roteiro agora editado. M. .i. contem 44 Scenas e 440 Quadros. ao Detalhe. .b. ou M. apenas 1º p. às vezes ele é um Plano Americano ou um mais fechado. média de 10 tomadas por seqüência. não deixa dúvida que refere-se ao atual Primeiríssimo Plano ou. porque na tela a correspondência é de uma tabuleta.b. tanto poderia ser erro de datilografia – e nisso o trabalho pecaria 36 . um pedaço de mão. Normalmente. signos que hoje poderiam ser interpretados de variados modos. De todos os sinais. mais acertadamente. ou até de nenhum.M. americano de 100 minutos. para exemplificação das tomadas.B. poderia ser Plano Inteiro.. P..B. Os demais não apresentam a mesma facilidade interpretativa. uma perna ou um objeto.i.a menor parte do filme. como: P.

criminosamente. também é classificado como Panorama. com as quais não atinamos com o verdadeiro significado.como possui interpretações subjetivas. 37 Tudo indica que n’ O Caçador de Diamantes. Ele nada deixou nos seus guardados que provasse o inverso. grua. Há. O movimento da câmera sobre o eixo do tripé. esquerda. Câmera baixa é indicada explicitamente. seus filhos.no roteiro aparece como Panorama. em tradução francesa. não recordam-se de ver o pai anteriormente apoiando-se num meio tão preciso. referências de 1916 sobre anotações que ele fazia diretamente nas páginas de O Guarany. não fosse ele confeccionado para uso próprio . para cima ou para baixo . O movimento da câmera sobre um veículo. automóvel ou carrinho. pelo contrário. atualmente chamado de Traveling. pois seus biógrafos principais. atualmente identificado como Panorâmica – direita. . seria a primeira vez que Capellaro servia-se de um roteiro.

Capellaro amargará. Quando os ânimos pareciam estar aquietados com a promessa de nova constituinte. temos certeza. sofrendo as conseqüências dos perdedores.Os cuidados com a novidade do roteiro elaborado. longo período de pausa. teríamos a revolução de Vargas que poria fim à República Velha. em 1932. São Paulo tornouse o oponente de Vargas. E novamente os paulistas serão perdedores. 38 Quinze meses depois. a principal delas sendo o fim do Partido Republicano Paulista PRP . . Em 1930. para o bem e para o mal. que derrubaria a economia de tantos países. em nome da Constituição. devem-se ao momento delicadíssimo que o Brasil atravessava. outra revolta articulada pela burguesia da cafeicultura paulista. a crise da bolsa americana.que por quatro décadas exercera fundamental importância na vida brasileira. levantou em armas parte do Brasil. como conseqüência.

acrescida do problema cafeeiro. o local. logo depois com o Movietone ou o som encastrado na própria película. por volta do século XVII. Nela ficamos sabendo que veremos um drama ambientado em São Paulo. ou sonorização através da sincronização em discos e. até indícios do conteúdo. Simultaneamente ao desastre americano de 1929. em 1933. no Caçador é mostrado a partir da Scena 1. primeiro com o Vitafone. período bandeirista. O Caçador de Diamantes será gestado em meio a toda essa turbulência. conduziria o Brasil à terceira bancarrota. 39 Aquilo que. . possivelmente. o cinema finalmente optaria pelo sistema sonoro. em dramaturgia cinematográfica vem classificada como APRESENTAÇÃO. que contêm 20 quadros. o momento em que os que os construtores da trama nos indicam a época. os personagens principais e.

Fernando. O primeiro personagem a ser apresentado será D. D. ela pede a interseção de seu acompanhante. Fernando também são apresentados João e Pedro. A moça demonstra preferências por D. Conduzida numa cadeirinha. Ele paralisa o duelo. amigos do jovem que se encarregarão dos momentos cômicos do filme.40 Nos primeiros momentos veremos escravos retirando água de uma fonte e sendo chiba-tados. três contra um. será obrigado a bater-se com três esbirros. D. surge a primeira personagem feminina. que sairá à procura de pedras preciosas e ouro. convidando o jovem a incorporar-se à sua bandeira. Maria. . jovem e influente personalidade no local. apesar de ser prometida a D. Percebe-se que as 20 tomadas sintetizaram a estrutura de vários personagens e incidentes que serão logo mais aprofundados e confrontados. Fernando. Junto com D. Luiz. Vendo luta tão desigual. por defender um escravo açoitado. Luiz. jovem voluntarioso que.

pai de Maria e o pai de D. A Scena 2 conterá 13 quadros e também pertencerá ao grupo da APRESENTAÇÃO.A primeira e segunda Scenas do roteiro deveriam ser ligadas através de uma Fusão. que será confirmada logo depois. Fernando. Luiz combinam a união do casal. Fernando senhor do mapa com as informações do roteiro dos diamantes. esta trucagem será substituída por um Escurecimento / Clareamento. para grande alegria do rapaz. Barros. no filme. Será o mensageiro que tornará D. começará o DESENVOLVIMENTO da trama. Nela surgirá o personagem Mestre Garro e sua forjaria. uma das molas principais do argumento. ou seja. a ambição. A partir da Scena 3. Mais velho é uma espécie de mentor e guarda-costas. 41 . mas. apesar de que durante ele depararmos com novos personagens: D. A outra será o amor. mas porta-se como tal. materializado pela disputa pela mão de Maria. Ele não é familiar de D.

A Scena 6. Ceci tem dois pretendentes. D. A ambição o tornará nefasto a D. aos amigos. por outro apresentará D. à bandeira. Fernando e D. Pelo engendrado até aqui é possível destacar os variados cruzamentos que a trama de Capellaro-Quadros. Fernando. localizada numa taberna. tem com O Guarany. se por um lado aprofundará as personalidades cômicas de João e Pedro.Simultaneamente. há um encontro entre D. Nesta seqüência fica clara a influência da ópera 42 . que tipificará todo restante do roteiro do Caçador. Maria. Luiz. personagem que carrega características malignas tão intensas quanto as normalmente incorporadas aos barítonos na ópera italiana. Os dois pretendentes guardam enorme cavalherismo entre si. Ruy. contrabalançando e contrapondo-se à Scena 3. mas o pai já a prometera a um deles. quando ele pedirá para que ela seja sua madrinha na benção das espadas.

na cavatina Senza Tetto. mas não da aventura. Durante um jantar. obrigando-a o pai a aceitar D. Sorrateiramente. dias depois. Luiz. rico e de renome. o pai de Maria a induz a aceitar D. durante a benção das espadas. Maria. A seqüência amorosa é contrabalanceada pela espionagem de D. . Ela tem íntima relação com a 2º Quadro do 2º Ato quando. Senza Nulla. Os choques da trama continuarão quando. Mestre Garro antecipa a entrega do mapa a D. Fernando. em detrimento do pobretão D. D. Luiz. O incidente excluirá D. Ruy. que delata o encontro ao pai de D. Simultaneamente. Fernando. Maria. Maria se confrontará com os dois pretendentes. Fernando da Bandeira. 43 Outra vez os roteiristas empregarão o contraste.de Carlos Gomes sobre Capellaro. D. D. Luiz. Fernando e D. Fernando entra no quarto de D. no alojamento do Castelo o caráter facínora de Loredano é desvendado.

na canoa que conduz D. o índio que os roteiristas. na fonte. quando o salvou das chibatadas do feitor. Fernando. Inquerido do porque de ter-lhe salvo a vida. ao sair da casa. Por algum tempo a trama se desenvolverá por terra. D. Barros tornará D. A Scena ou seqüência 20 corresponderá a várias metades. inacreditavelmente. Pedro e Imbú. Luiz. Fernando um pária. João. desacorda os atacantes. e pelo rio. com um tacape. na bandeira aparatosa de D. Será a metade do tempo de filme. Mestre Garro o protegerá e proporcionará um barco onde possa fugir. insistem em adjetivar como negro. salvando o rapaz. A violação da casa de D. Imbú dirá que está devolvendo a intervenção do rapaz. Metade do número de seqüências do roteiro. Fernando é atacado por três guardas de D.Em conseqüência. perseguido por todos. 44 . Fim das cenas da cidade e começo da mata virgem. Surge inesperadamente Imbú que. Barros.

Ruy arma uma cilada dizimando grande parte da bandeira. A Scena 31 apresentará um diálogo com maneirismos encontrados tanto nos romances indigenistas de Alencar. Fernando.Mais adiante. como nos filmes americanos. É a onda que beija a 45 . usada desde o início do período mudo e que poderia ser perfeitamente dispensada porque a todos seria compreensível o transcurso do espaço-tempo cinematográfico. Ela voltará a interferir na trama várias vezes.. o negro e inculto Imbú. o local dos diamantes. Indagado pelo enfeitiçado D. futuramente. Não entendemos porque Capellaro apoiou-se em simbologia tão canhestra. enquanto a perversidade de D. Fernando o que é o amor. responderá como tenor de ópera: É a folha que canta ao vento. uma ampulheta metaforizará a passagem de tempo.. João e Pedro deparam com uma índia. além de indicar. que será para Imbú o contraponto de D. A partir da entrada da bandeira. Maria para D.

Um ataque dos índios. D. Fernando e D.praia. Prisão e justiciamento de D. morrendo pouco depois. para manter a ação em perene dramaticidade. Ruy armou uma cilada.. 46 . Ruy. inclusive João. A scena 38 será a transição do DESENVOLVIMENTO para o CLIMAX. praticamente dizima a bandeira.. fazendo com que os indígenas massacrassem os bandeirantes. na selva. Luis escreve uma carta despedindo-se de todos e desejando a felicidade a D. informando que D.. É a estrela que brilha no escuro do céu. à noite. Os autores desencadearam vários incidentes de forma contínua. Fernando e D. Na seqüência 37 haverá o encontro. Os jovens unem-se. continuando juntos a jornada.. entre D. Cavalheirescamente. Uma mulher. Maria. A índia desvendalhes o local das pedras. Luiz que resultará num duelo logo interrompido porque chegará semimorto um membro da expedição... Tramóias de Imbú para salvar o grupo de brancos.

D. 47 . indicam uma Fusão como meio técnico para a transição espacial e temporal. a Fusão é usada para ligar tomadas dentro da própria seqüência. No filme. que muitos podem tomar como antiquado. inteiramente em desuso. Quase todas as seqüências. e ainda hoje. no roteiro. em especial em A Muralha. elas foram modificadas para Escurecimento / Clareamento. No filme ela concretiza-se pelo rio. a TV Globo a utiliza nas mini-séries. tornandoo ainda mais próximo do final tanto do romance quanto da ópera. No roteiro a indicação é de que ofarão por terra. Fernando e Imbú retornam. hoje em dia. num barco. Por vezes. O tom aventuresco do filme. é normal em narrativas deste estilo.

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Kemeny e Lustig Música Gaó (Odmar Amaral Gurgel) Laboratório Rossi-Rex Films .Ficha Técnica Vittorio Capellaro Produções Cinematográficas Produção e direção Vittorio Capellaro Argumento e roteiro Vittorio Capellaro e Niraldo Ambra Fotografia Adalberto Kemeny e Rodolfo Lustig Cenografia Adolfo Fonzari Roupas e adereços 49 Casa Teatral Temaghi Sonorização Primeira gravação: Dux-Recorde Segunda gravação: Byington&Cia Montagem Gilberto Rossi.

Francisco Scolamieri. com apoio da BR Distribuidora. com a presença da atriz Corita Cunha. Benevenuto Capellaro. Luigi Goffi. . Nota: A reprodução a seguir respeitou fielmente a ortografia do original. Santos 112 Preto e Branco / 35 mm / 85 minutos 50 Cópia restaurada pela Cinemateca Brasileira.Distribuição Paramount Pictures Elenco Corita Cunha. Rio de Janeiro. De Carlos. Elmo Claifontes. Nobre Jocoso. Sergio Montemor. naquele momento com 85 anos.Al. Irene Rudner. escrito em 1934. foi apresentada no Cine Odeon. a 26 de Julho de 2001. Interiores Estúdio Vittorio Capellaro . única da equipe ainda viva. Rubens Rocca. Reginal Calmon.

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Uma epopéa das bandeiras do fim do Seculo XVII .

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Luiz Imbú Botujú José (sic João) Pedro Ruy Mestre Garro D. Antonio Sergio Montemór Corita Cunha Francesco Scolamiéri Reginaldo Calmon Irene Rudner Nobre Jocoso Elmo Clairfontes (sic) Rubens Rocca Luiz Goffi De Carlos Fotografia Diretor Kemeny e Lustig Victor Capellaro . Fernando Maria D.O Caçador de Diamantes 1934 Produtor: Victor Capellaro Elenco: D.

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. á caça de ouro. Fernando a juntar-se aos seus na expedição.. 57 . a traição e a perfidia – para trazer im punhado de ouro na mão e na alma um sonho de conquista. Fernando – movido por compaixão intervem em favor de um pobre escravo indio – Imbú – pertencente a D. Em meio a refrega. Luiz – que se prepara para partir para o sertão á frente de sua “bandeira” e convida D. a quem um “capitão do matto” está maltratando cruelmente. as feras. ou desillusão de uma derrota. A arrancada das “bandeiras” no ano de 1656. no “hinterland” a dentro. Fernando. No chafariz. o indio. o joven fidalgo – D. Antonio de Barros. chega outro fidalgo – D. vencendo a floresta.. ao tempo existente no Largo da Matriz. Sangue de genuino “bandeirante” que também possui D.Enredo São Paulo no seculo XVII no tempo em que ousadas expedições varavam os nossos sertões. este aceita o convite..

Fernando está num idylio com a sua amada. Fernando havia pedido á Maria para que ella fosse a sua madrinha na cerimonia de benção das espadas que se vae celebrar antes da partida dos “bandeirantes”. E Maria beijando-o. D. promettera baptisal-o e tambem que o esperaria de volta da expedição. em commemoração ao seu vigesimo anniversario. os paes de Maria ajustaram o casamento de sua filha com D. Num encontro anterior. a excantadora Maria. o velho armeiro Mestre Garro acaba de preparar a espada que nesse dia offerecerá a seu grande amigo. D. Entrementes. que não é outra senão a linda filha do fidalgo proprietario do escravo que elle alvou da perversidade do capataz. Fernando. Luiz e o communicaram á menina. E emquanto D. o velho armeiro retira de um bahu um roteiro que o pae de Fernando deixou em suas mãos para ser entregue ao herdeiro de seu nome quando elle completasse vinte e um annos. sabendo que não poderá desposar o homem que o seu coração ama. . que se entristece com a noticia.58 Na sua officina.

na occasião em que D. que é seu noivo. Luiz. uma noite. Fernando. E Maria. Ruy – que pretendia liquidar D.da qual pretendia voltar rico o que lhe permittiria pedil-a em casamento ao pae. exigindo-lhe que seja a madrinha de D. com grande desapontamento dos dois jovens namorados. Ao mesmo tempo. Luiz. D. Fernando. na taverna do Gallo. Fernando recebe do armeiroo roteiro que seu pae deixou 59 . D. Luiz. D. Chega o momento da benção das espadas dos “bandeirantes” e o pae de Maria oppõe-se a que ella cumpra a sua promessa a D. vê-se obrigada a acceital-o como noivo. Antonio fez vêr a sua filha que ella tem que esquecer D. De volta a casa. Fernando salva a vida de seu rival. uq é o único que lhe poderá fazer a felicidade. Luiz. que não ama D. Luiz ia sendo victima da vingança de um bandoleiro – D. Voltando a casa do Mestre Garro. um pauperrimo e casar com D.

velhos amigos de D. Fernando diz-lhe que tal documento o guiará á Ilha dos Diamantes e o tronará riquissimo. vêm juntar-se a elle. Fernando necessita encontrar a fortuna o quanto antes para poder desposar Maria. inesperadamente. Fernando traça o plano que deverá seguir. Fernando resolve fazer. buscando esconderijo na encruzilhada do rio. com uma fortuna ainda maior que aquella que o sei rival possue. Ao amanhecer. Luiz e organisar sua propria expedição. 60 Mestre Garro tambem aconselha ao seu joven amigo desligar-se da “bandeira” de D. a D. Mestre Garro justifica essa antecipação dizendo que D. Fernando. assim como . por ser pobre. Antonio que o persegue. A fortuna assim acena. E Mestre Garro dando o roteiro a D.para elle. Guiado pela orientação de Mestre Garro. D. Fernando. uma vez que D. poe isto que Mestre Garro antecipa um anno a promessa feita ao seu fallecido amigo. João e Pedro. o que D. Antonio o achara indigno de casar com a filha. contra a gente de D.

impassivel. sem a menor palavra de estimulo. Luiz. quasi simultaneamente. em meio de grandes festas. Luiz vae despedir-se de Maria mas esta o recebe friamente. Os primeiros mezes de viagem são para estes. audaz. o escravo que elle salvou da sanha do “capitão do matto” e a pequena “bandeira” de quatro homens apenas. Não corresse nas suas veias o sangue brasileiro. partem da cidade os “bandeirantes” de D. 61 No dia seguinte. E Maria o enche de esperança e coragem. cheios de imprevistos. Fernando e Imbú e em breve eil-os chegando ao ponto de desembarque. Enquanto isso. que elles vencem galhardamente. João e Pedro recolhem a bordo de sua canôa D. Também D.Imbú. Fernando vae despedirse de Maria. sendo quase victima de uma cilada de Ruy que não o esqueçera. Fernando. heroico. como para D. D. . partirá com destino á região indicada no mappa deixado por seu pae. Imbú. porém o salva. perigos e privações. Mas antes de partir.

Fernando então resolve seguir nesta direcção. onde haviam sido avistados homens brancos. Mas os prisioneiros nenhuma informação lhe fornecem que o possa guiar. e elle então vale-se de um estratagema para lhes fazer acreditar que é o Rei do Fogo. Luiz julga também ter encontrado a fortuna quando aprisiona dois indios. prompto a destruir-lhes as aldeias. se não o favorecerem com as indicações que precisa. Dias passados. confiante de que se lhe depare ali a fortuna a cujaconquista veio ao sertão.destemido. indica claramente a Imbú que não fica longe a zona habitada pelos homens de sua tribu. D. no momento de ser encontrada. capaz de enfrentar toda a sorte de adversidades! O encontro de uma india – Botujú – pelos companheiros de D. D. 62 . até que certa noite refere Botujú que. em cujos collares brilham o ouro e as pedras preciosas. mas novos mezes se passam sem um clarão de esperança. estava de viagem para o poente. Fernando.

D. Luiz julga que D. Quando os dois rivaes se defrontam. vem a encontrarse com a gente deste. e logo é despachada uma expedição que. Fernando resolve incorporar-se á gente de D. Luiz. vê a situação e resolve aproveital-a para se vingar. Depressa as laminas fendem o ar. sob as indicações do bandoleiro. prevenidos dos propositos de D. Obtido por um cumplice uma pepita.D. Luiz. D. Luiz. Ruy. num combate singular que teria tragico epilogo se não fora interrompel-o um mensageiro que chega a esvair-se em sangue. elle convence ao fidalgo da proximidade do ouro. o proprio Imbú aconselha a rendição. que não cessou de odiar a D. Nobre como sempre fôra. A resistencia porém será inutil. para a defesa comum. se dirige ao acampamento dos indios. por traição de D. Ruy. toda a expedição foi dizimada e que os indios não tardam a chegar para atacar os que restam. Fernando ali veiu para liquidar as velhas contas. a direcção do poente. com a noticia de que. 63 .

assim justamente castigado de sua perfidia. 64 FIM . sempre avante. ao encontro da gloria ou. graças ao escravo Imbú. em cuja alma não esfriou o espirito da aventura..Os brancos são levados á presença dos chefes indios. mas por meio de um habil estratagema. que os condenam á morte. cumprindo sua obra de civilização. que ainda dá ao seu protector a sua desejada fortuna. de uma morte gloriosa. E Luiz resolve deixar que Maria seja feliz com Fernando. pelo menos. Livres. Ruy. Imbú consegue subtrahir os dois fidalgosá sorte que os esperava.. os dois jovens terão agora que decidir por si proprios. o seu destino. seguirá avante. Elle porém. muito embora para isso tenha que consentir no sacrificio de D.

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Luiz D. Maria Imbú João Pedro D. Fernando D. Ruy Uma india 67 .As Figuras D.

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69 Quadro 2 P. Outras duas mãos negras segurando outra bilha escura e brilhante vem succeder á primeira. espadaúdo e forte (Imbú). Quadro 3 M. mostra a bica. Um grupo de negros suados. passa ao companheiro uma das bilhas.i.b. A segunda. . Panorama: A machina desce. Um negro. de onde jorra em fio a agua crystalina. Taboleta com o pergaminho real. recolhe a agua em bilhas de barro. as duas mãos a retiram. A bilha enche até transbordar. duas mãos negras seguram uma grande bilha escura e brilhante. que vão passando de mão em mão (passam. pregada ao alto da fonte. sob o olhar duro do feitor que balança ameaçadoramento o relho. ao fundo cadeirinhas conduzidas por negros apressados. escorrega-lhe das mãos. cavalleiros passeiam. escuras e brilhantes.O CAÇADOR DE DIAMANTES SCENA 1 Quadro 1 No Largo da Matriz 1ºp. ao passo elegante de cavallos nervosos).

montado. O feitor encara-o com odio. agita o relho rosnando uma praga. desce num pulo e. que acceita o castigo. O feitor. arranca-lhe o relho. estaca subito o cavallo.i. de espadas desembainhadas. de cenho carregado. firma-se no quadro anterior. Fernando sorri. desembainha com agilidade a sua espada. faz um signal a tres homens. investindo contra elle. . empurra-o brutalmente com o pé e levanta o relho. açoita o escravo. passeia ao passo do animal. segurando a mão do feitor. Bilha cahindo ao chão. D. P.Quadro 4 1ºp. Quadro 5 Quadro 6 M. D. impassivel. P. correndo despreocupada pelo Largo. Imbú curva-se submisso sobre os cacos. Approxima-se de Imbú. Fernando apparece. que joga ao chão. que se approximam do moço. O feitor. Fernando.i. 70 Quadro 7 Quadro 8 M. olhando de revés para o feitor.b. D. irado. A sua vista.B. defendendo-se com segurança. espatifando-se.

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72 Quadro 10 M. Este esporeia o animal. A cadeirinha pára. Maria.Quadro 9 P. Luiz. A moça abre a cortina. Maria olha anciosa para o duello. fala a D. A moça chama um dos negros. Quadro 13 P. D.i. volta-se para a moça. A moça fala-lhe. fixando seu olhar no quadro anterior. Maria! É sinhô D. e responde: 1Num é nada não.i. D. furiosamente. Maria o segue com a vista. Dois transeuntes param e apontam para o logar da luta. Fernando que está se adivertindo! Quadro 12 1ºp. Ao vel-o. a acompanha. um esbelto cavalleiro. O moço sorri sempre.b. Sinhá D. O negro olha para onde se desenvolve o duello. Fernando defendo-se dos golpes que os tres esbirros.b. A seu lado. e . Carregada por negro retintos. D. que se aproxima respeitoso. lhes lançam. o feitor descobre-se. Cadeirinha consuzindo D. Quadro 11 M. D. Luiz chega ao logar da luta. D. Luiz. e avança.

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Fernando cumprimenta-o com a espada. volta-se para onde está a moça. entre severo e benevolente. Fernando pensa um instante. Luiz chega á cadeirinha. 74 Quadro 15 M. Estende a mão ao moço. D. porque vos não alistaes nella? Quadro 14 M. quando preciso de homens de coragem.b. D. e vae ao encontro da cadeirinha.2- os tres esbirros. e fala: Esperdiçaes. Luiz! Contae commigo. Ella faz que sim. D. Fernando sorri para ella. Luiz e responde. affastam-se. Anima o animal. que a aperta. Luiz sorri. Maria na cadeirinha. D. emquanto Quadro 18 P. . D. por nada. D. Luiz olha-o. parando o combate.i. A minha bandeira parte em tres dias. Quadro 16 M. se de mim necessitaes! Quadro 17 P.b. Os escravos erguem-na e. sorrindo. curvados.i. Volta-se para D. com a cabeça. e como buscando um conselho. D. D. num cumprimento: 3É um prazer servira aum chefe como vós.b. em cumprimento. a vossa valentia.

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b. Mestre Garro deixa o folle. 76 Quadro 21 1ºp Quadro 22 M. retira do fogo um florete. Quadro 23 P. reconhecido. Embainha calmamente a espada. approxima-se de Imbú. animando-o. Fernando acompanha a cadeirinha com o olhar. Quadro 20 1ºp D. abaixando e levantando o folle da forja. SCENA 2 Na forja de Mestre Garro A mão de Mestre Garro. Fernando. D. Quadro 19 M. pega-lhe na mão e beija-a.b. Vae mergulhar dentro dele o florete quente.i. . com D. Luiz a seu lado. Fusão. Fernando bate nas costas do negro. olha o moço. Mestre Garro vae até o balde de agua. continuam seu caminho. que examina com olhos de artista. Imbú ergue-se um pouco. Elle sorri.a moça olha furtivamente para onde estava D.

Fernando.Quadro 24 1ºp. O velho armeiro retira a arma do balde. bate-lhe no hombro. Assoma D. maneja-o.i. dobra-o. Mestre Garro contempla o florete. olha-a com saudade. Florete entrando no balde de agua. Quadro 26 M. D. Mestre Garro. O Mestre volta-se. e joga-a . Fernando entra.b. approxima-se. Fernando. Levanta-se uma fumaça tenue e leve. Quadro 27 P. Tira a sua espada. batendo nos hombros do rapaz: 4É para vós. Fernando.b.B. hoje que completaes vinte annos! Espero que o honreis sempre. Quadro 25 M. orgulhoso de sua obra. D. que o admira com olhos de prazer. D. que olha para dentro. Mostra-o a D. está entretido com a arma. 77 Quadro 28 M. comovido. Fernando. de costas para a porta. Experimenta o gume. aperta a mão do velho.b. O velho fala. A porta da forja abre-se. sorri para o rapaz. como o faria vosso pae! Quadro 29 M.

para mostrar-se ao velho de arma nova. Quadro 32 M.para cima de uma das mesas. Mestre Garro volta-se devagar. Abre-a. bregeiramente. e sahindo quase a correr. A seguir D. D.b.b. comprehendendo. Fernando. Quadro 30 M. Entregue por seu pae a Mestre Garro. Fernando parte. procura. Mestre Garro ajoelha-se deante da arca. vê o moço sahir. Dirige-se para uma velha arca. desdobra-o.” . O velho sorri. Remexe. victimas dos indios que os atacam. quando completar 21 annos. substituindo-a pelo florete. 78 Quadro 31 P. Mestre Garro. de costas. Lê: 5“Roteiro da Ilha das Esmeraldas. diz-lhe qualquer coisa ao ouvido. ajoelha-se. pouco antes de morrer com sua mãe. fazendo um gesto rapido de despedida. Para ser entregue a meu filho.i. Tira de lá um pergaminho. Faz uma pose. ao canto da parede. Approximase depois de Mestre Garro.

O velho Barros chama a attenção do seu parceiro para a cadeirinha que entra. Fusão SCENA 3 Barros Quadro 34 Varanda da casa colonial dos Snrs. Barros lhe fala: 6Estive pensando no futuro delles. O velho Barros move uma pedra. sentados ao redor de uma mesa. 79 Quadro 37 M. Mestre Garro torna a enrolar o pergaminho. Luiz. mas a sua attenção volve-se para o portão. ergue a cabeça. onde dois velhos. Maria. e sorri significativamente. Quadro 36 P.B.i. O velho Monteiro volve o olhar para a entrada. transpõe o grande portão da entrada. Vista da varanda.b.b. acompanhada por D. Torna a guardal-o. A cadeirinha de D. fecha a arca. jogam xadrez. Suspira com desalento.Quadro 33 M. volta-se depois para o velho Barros. sorridente. Feito o lance. Minha filha possue innumeras . Quadro 35 M.

O velho Monteiro sorri do lance.Luiz é um filho que honra o vosso nome.. Maria a descer da cadeirinha. completando: 8Acho que. Luiz auxilia D. O velho Monteiro ri-se. a que a moça se apoia delicadamente. Faz o lance: Quadro 39 1ºp. estendendo-lhe a mão. A mão do velho Monteiro tira. Quadro 43 P. fazendo que sim com a cabeça. Quadro 40 M. Ambos sobem os degráos da pequena escada que conduz á varanda. com o peão.b. seria um formoso casamento! Quadro 42 M.prendas.. Maria.b. em se casando D. D. Barros sorri tambem.b. Olha para o taboleiro. Achaes que. Quadro 38 M. a dama adversaria. e D. Luiz com D. D. bate noo hombros do Snr. fala ao seu amigo: 7Perfeitamente: eis meu peão que vos rouba a dama! 80 Quadro 41 M.b. O velho Monteiro sorri. .i. de Barros.

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Que dizeis a isso.. Passeia. D. D. Felizardo? Quadro 46 M. Maria. beija-o.Pensamos casal-o com D. 82 Quadro 47 P.Quadro 44 M. Luiz sorri. e entra para dentro.. Maria. O velho Monteiro tambem estende a sua juntando. D. contente pela felicidade que o espera. Maria. Luiz volta-se para os velhos. Luiz! Quadro 45 M. a moça estende-lhe a mão. D. Luiz beija. Luiz cumprimenta-os. Maria até a porta da entrada. SCENA 4 Exterior da residencia dos Snrs. Approxima-se de seu pae. O moço sorri. dizendo-lhe: 10 . A moça lhe fala: 9Obrigada pelo lindo passeio. aperta a mão do velho Barros. D.b. D. ao longe. como para sellar o compromisso. Vê.b. demorando-se a olhar para a casa. que sorriem. D.i. D. as tres mãos. Estaca o cavallo. Barros D. olha para elle. Antes de entrar. num aperto. cumprimenta o velho Monteiro. .b. e enlevado. Fernando a cavallo. numa mesura graciosa. que D. a casa da D. Monteiro levanta-se. Maria inclina-se. a seguir acompanha D.

Maria. Maria.Pára.i.i. D. Quadro 49 P. occultando-se com cuidado entre as arvores. escala o muro. e assobia. D. chega ao pé do muro. em porta voz. Maria sentada em um banquinho. borda um lenço. D. no alpendre. Lança depois um olhar em torno de si. Fernando desce o muro. um velho muro cheio de trepadeiras. perto da casa de D. D. Deixa a peça de fazenda em cima do banco. Quadro 51 1ºp. até que pára. e. olha para o interior. Ergue-se com cuidado. olhando a mucama que cochila. 83 Quadro 50 P. Fernando. Affasta alguns ramos. a velha mucama negra cochila. dentro do jardim.i. Quadro 52 P. . Caminha. sentada em uma larga poltrona de vime. olha. Barros D. Ao seu lado. Rodei-a.i. Fernando leva a mão á bocca. No alpendre. põe-se de pé sobre a sella. cuidadoso.Quadro 48 P. Ella ouve o chamado. SCENA 5 Jardim dos Snrs. e vae ao encontro do moço.

O moço inclina um joelho em terra e.É um presente que me deu hoje Mestre Garro. Dão. Maria. . um passo para a frente.Quadro 53 P. toca primeiro o hombro esquerdo. Fernando estende-lhe a mão esquerda. apresenta-o a D. Maria. com D. extasiado. 84 Quadro 55 P. inclina um joelho em terra. segurando com as duas mãos o florete. Depois desembainha o florete. D. O moço pega amorosamente nas mãos de D. D. A moça ergue-o. A moça sorri. beija-lhe a mão.b. Quadro 54 M. depois o hombro direito de D. Mostra-o.. Quereis ser minha madrinha?. assim. Fernando. Vão sentar-sae em um banco rustico. rodeado de trepadeiras e de flores. levanta-a sobre a cabeça do moço.i. Maria assoma entre os ramos.. O rapaz vae ao seu encontro. Ella toma a arma com a mão direita.i. pousando a sua mão na mão do moço. D. levanta-se. contempla a moça. Fernando. Maria. Fala: 11 .

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a um cochilo mais forte. Levanta-se. Olha em redor. No alpendre. e finge cochilar como antes. fecha os ramos devagar.i. Quadro 57 1ºp. espantada por não ver D. A seguir a moça faz D. Olha depois para o banco. balançando ao vento.i. cautelosa. volta a sentar-se na sua larga poltrona de vime. Ella sorri. Peça de fazenda. mostrando os dentes brancos. A mucama desperta. que o recebe.i. de frente. Fernando. . A mucama. sobre o banco. vae até um grupo de trepadeiras. com o mesmo cuidado. Maria. 86 Quadro 60 M.Quadro 56 P. A moça apresenta o florete a D. Mucama. Quadro 61 P. Quadro 58 P. Affasta os ramos com cuidado. A mucama faz um gesto significativo. e beija-o nas duas faces. Quadro 59 P.i. Fernando erguer-se. e olha.b. entre os ramos.

Devassarei a terra virgem. na bençam das espadas.Obedeço á ordem do meu amor. Maria olha ao redor com cuidado. e hei de voltar rico para poder pedir a vossa mão! Quadro 63 M. olha em redor. Luiz. que lhe fala: 12 .b. para o lado. affasta-se. Faz um gesto de silencio para o moço.b. que continua: 13 . diz-lhe adeus com a mão. Depois.b. como se ouvisse algum rumor. A moça faz que sim com a cabeça. D. com a cabeça. Contempla D. Maria! Parto com a bandeira de D. D. Maria fita o moço nos olhos. vae até os ramos. abre-os. Maria inclina a cabeça sobre o hombro do moço.Quadro 62 M. Fernando. Depois. olhando-a com carinho. D. o moço prosegue: 14 . 87 . D. faz um gesto rapido. sereis de novo minha madrinha? Quadro 65 M. roubar-lhe-hei os seus melhores thesouros para vir offerecel-os áquella que mais amo! Quadro 64 1ºp. Seus labios se approximam.Amanhã. volta-se.

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D. Um faz rabiscos na parede. Ruy. Ao fundo. Luiz conversa com um amigo. estão João. e seu amigo Pedro. A machina continua. Panorama. A machina caminha. sentados. João vae levar seu pichel á bocca. Em uma das mesas. o sol se põe. outro fala. A machina apanha o gallo em madeira que está pregado ao alto do arco da entrada. . uma taboleta: um gallo recortado em madeira. interior da taberna. Corre entre as mesas. Sinos tocam Angelus. bebe um pichel de um trago. Desce. Um rapaz serve vinho a outra mesa. D. com seu gato preto a tiracollo. Pregada ao alto. Mostra o gordo taberneiro que dormita sentado em um barril. mas ve que está vasio. No balcão. um homem de má catadura. ali um dorme. Porta da taberna. joga dados com outro. Quadro 67 1ºp. 89 Quadro 69 M.b. Um. de que os outros se riem.i. Quadro 68 P. até parar na mesa onde.SCENA 6 Taberna do Gallo Quadro 66 1ºp.

dis-lhe alguma coisa ao ouvido. dando as costas a João. desalentado. Pedro apponta com o pollegar para o fundo. lançando um olhar de cubiça para o pichel de Pedro. que se ri mais ainda. vae leval-o á bocca. dá uma gargalhada. enquanto este. fechando a cara. João. approxima-se-lhe. João olha para o amigo com olhar malicioso. que está cheio. enquanto Pedro se volta. pega no braço de João. tornando a collocal-o no logar. Pedro olha-o desconfiado. no que é acompanhado por João. disfarçando. Comprehende o logro em que cahira.90 Deposita-o. evasia-o de um trago.Quando é que pagas os dois escudos que me deves? . Pedro voltase para o logar indicado. pegando no pichel de Pedro. apoia o queixo na mão e olha para cima com o ar mais innocente deste mundo. A seguir Pedro pega no seu pichel. sorri como quem descobre uma vingança. sobre a mesa. apontando para o fundo da taberna. mas verifica que está vasio. Pensa um instante. e interpella-o carrancudo: 15 .

Sim. 91 Quadro 72 M. Luiz. Entra. Pedro. e senta-se á mesa de João e Pedro. Enche-o de vinho.Quadro 70 M. Um homem traz um pichel a D. em retribuição. Fernando continua: 18 . que o recebem alegres. Pedro olha para o moço. Fernando responde: 17 . D. pega no nariz de Pedro. Ruy. Fernando. Continua.i. Fernando assoma á porta da taberna. com ar feroz. Preciso voltar rico. bem sabes porque. D.Sempre seguís com a bandeira de D.b. e pergunta: 16 . Faz um gesto de quem está zangado. Cruza-se. para pedir alguem em casamento! Quadro 74 M. João e Pedro fingem um ar comovido e grotesco D. cumprimenta D. Luiz? Quadro 73 M.E esse alguem será minha . pucha-o. com ar mais feroz ainda. Quadro 71 P.b. retirando tambem a mão.b. mimoseia o amigo com um forte puchão de orelha.. no balcão. com D. que joga dados.. João olha desapontado para Pedro.b. retira a mão.

joga os dados contra o parceiro que acaba de deixal-o. Quadro 76 P. D. rapido. Este. D. mas D. 92 Quadro 77 M. Quadro 75 M. com a cuia na mão) D. na bençam das espadas. vae descer o braço. Ruy olha-o.i. Luiz . D.. no balcão. com desprezo. D. pega na cuia dos dados. D. (Em 1ºp. de alto a baixo. Panorama. amanhã. jogando dados. esvasia-o. Luiz desembainha a espada. Luiz. levanta-se. Ruy joga os dados. irritado ante o insulto. Luiz. Joga outra vez. Quadro 79 P. furioso.b. ao fundo. Ruy.. D. Vae jogar outra vez.b. rosna pragas. Ruy.madrinha. D. em tres quartos. perde. Os dados vão bater no rosto de D. Erra. e dá-lhe uma cotovellada. Pega do seu pichel. João pisca para Pedro.b. Ruy furioso. mas o seu parceiro lhe diz que não quer jogar mais.i.. Quadro 78 M. A machina vae até onde está D. Fernando fica pensativo. perde. Ruy. toma um trago de vinho.

93 . Fernando agarra D. Ruy. atira a arma mas o moço ainda lhe segura a mão. e obrigando a ajoelhar-se deante de D. torcendo-lhe o braço. ao lado da cabeça de D. D. Quadro 80 M. e fala: 19 . joga-lhe para longe o copo. Fernando observa a scena. agradece a D. (D. Ruy tira disfarçadamente um punhal.Devia castigar-te.b. examina-o dos pés a cabeça. Fernando e D. num gesto rapido. D. mas preciso na minha bandeira de homens violentos como tú. Ruy. Punhal cravando-se violentamente na parede. A arma oscilla do golpe. Luiz. Fernando. com tempo de desviar o rumo da arma. Ruy violentamente. Ruy) D. Fernando levanta-se da cadeira. que se espatifa. Luiz. Luiz. biltre. pondo simuladamente a mão para traz do gibão. Quadro 81 1ºp. D. D. com o olhar. com um golpe de espada. D. Quadro 82 P.i. Ruy contorna D.agilmente. levanta D. Este. da parte de traz do gibão.

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onde uma multidão se comprime. comos alvos dentes á mostra. Voam no ar. apontada para cima. D. Luiz. Fusão SCENA 7 No Largo da Matriz 95 Quadro 84 P. A machina o acompanha em panorama. A machina. Panorama. encaminha-se para a sahida. em semi-circulos. Pares .i. apanhando uma vista de todo o largo. Raparigas sorridentes falam alegres. A machina vae descendo. Ruy olha com odio para D. bandos de andorinhas. fita o moço mais uma vez.b. e sobe os degráos da escada. mostra a vetusta torre da egreja colonial. Negras e mucamas sorriem. Grupos de fidalgos passeiam.Partimos em tres dias: o meu capitão te alistará ainda hoje! Quadro 83 M. Ruy volta-se para o interior. No humbral da porta. Uma gorda irmã conduz pelos braços duas crianças enfeitadas. Os sinos badalam. Faz um gesto de raiva. sorri enigmaticamente. D. Largo da Matriz.

A machina vae atravessando a massa de povo. Barros e D. Vêm os clerigos. conduzindo os homens da bandeira. passa-os em revista. D. solemne. Fernando. encabeçadas por D. avança até a entrada do Largo. volta-se para a egreja. Conduzindo o Santissimo. o cortejo pára. Fernando vem logo depois. o sacerdote que officía a cerimonia. Após elles. Luiz. os velhos D. um grupo de coroinhas. ladeado por clerigos e padres.96 de namoradas fazem confidencias. abrindo o cortejo. guiados por D. em fila. As moças. imponente. Monteiro. Chegando ao meio do Largo. Os bandeirantes. sae da egreja. Luiz e D. espalham no ar nuvens de incenso. conduzindo suas esposas pelo braço. Na sua frente. Maria os segue. O cortejo. Subito toda aquella multidão. caminhando pelo centro. vão postar-se á direita. pelo braço de D. Maria. até . á esquerda da scena. A multidão começa a apartar-se. vão postar-se. A machina. D. até parar deante da porta da Matriz. como movida por um só desejo. conduzindo thuribulos.

Quadro 89 1ºp. Todos erguem-se. O sacerdote. Quadro 90 P. fala: 20 . Quadro 86 P.i. Maria ergue furrtivamente o olhar na direcção de D. D. no gesto do ritual. perto do grupo central). Maria. ergue o Santissimo. Quadro 87 1ºp. D. e sorri. e vos guie sempre no caminho do Bem e da Justiça! . completando o cumprimento. O sacerdote. erguem-nas perpendicularmente ao rosto. Bandeirantes desembianham as suas espadas. Luiz e D. Quadro 88 1ºp. 97 Quadro 91 M.Fernando.Que Deus abençoe as vossas espadas! Que vos faça poupar sangue innocente. com o Santissimo na altura do peito. Fernando. Quadro 85 1ºp. D. Maria ficam no extremo da fileira. inclinan-nas depois para o lado direito. O sacerdote abaixa o Santissimo.i.parar onde está o grupo central (D. Todos se ajoelham. Fernando ergue furtivamente o olhar na direcção de D. e sorri tambem.b.

(D. e estende para a frente a espada. O sacerdote faz.i. o signal da cruz.i. Luiz. porque D. caminham para a frente. Fernando estende tambem a sua espada. Luiz e D.b. Fernando de frente).Quadro 92 M. levantam-se e encaram-se. D. Fernando interroga: 22 . (D. O primeiro fita o segundo. Luiz e D. Os bandeirantes seguram as espadas com as duas mãos. surpresos.b.Que vossas madrinhas vos inspirem! Quadro 93 P. Conclúe: 21 . D. e vão ajoelhar-se cada um diante de uma moça. vendo isso. Maria vae ser minha madrinha! Quadro 96 M.b. Fernando. Os rapazes. com a mão direita. Quadro 94 P. Luiz e D. Maria. D. D.Parece que vos enganaes. 98 Quadro 95 M. . Fernando ajoelhamse juntos diante de D. frente a frente). A moça hesita. em posição de ataque. recua dois passos.

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D.b. Quadro 98 P.Quadro 97 M. Fernando. Olha depois para D. Luiz ajoelha-se deante de D. Barros. Volta-se depois. O moço abaixa a cabeça. Barros e D.Abençoa a sua espada! Quadro 100 M. Luiz. Fala-lhe: 23 . o Santissimo. olhando o quadro anterior. D. fita o pae. D. Maria. A moça faz um gesto de supplica.b. Quadro 101 M. D. enquanto a cerimonia continua: D. . Monteiro e suas senhoras.i. O velho faz um gesto imperativo.b. desalentado.b. Ella. que continua severo: 24 . D.i. mostra. O sacerdote.Escolhi D. D. com um grande ar de tristeza nos olhos. duramente. levanta-a para D. Maria. Quadro 102 P. O sacerdote colloca-se entre os dois rapazes. Maria. Luiz para teu esposo! 100 Quadro 99 M. D. Maria. Ambos desistem do ataque. Fernando atravessa o grupo. Barros colloca a sua mão no hombro de D. Barros e sua filha. attonita. avançam para os contendores. fita-a. andando devagar. com a mão. de cabeça baixa.

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A machina pára em D. com as duas mãos. Ellas as levantam sobre as cabeças dos bandeirantes. Ruy. D. SCENA 8 Acampamento da bandeira Panorama. outros enchem pequenos barrís com alcool.i. ensaccam mantimentos. Homens acocorados no chão. Outro grupo de homens está polindo as espadas. Acampamento da bandeira. Ruy. sentado em outra caixa mais baixa.Os rapazes. fusão. limpa calmamente o seu bacamarte. A seu lado. depois o direito. Quadro 103P.b. um . emquanto a scena faz. Ha grande azafama. Tocam-lhe primeiro o hombro esquerdo. outro examina as escorvas dos bacamartes e das garruchas. dividem as polvoras entre os polvarinheiros. um grupo de mucamas ensacca o sal empilhado em montes. sentado em cima de caixas. 102 Quadro 104 M. outras. Outros enchem de agua os cantís. lentamente. entregam ás moças as suas espadas. A machina vae focalisando os seus aspectos.

i.i. trepa por elle como na primeira 103 Quadro 106P. D. e á noite communicar-te-has commigo. D. O mestiço finge-se distrahido. encaminhando-se para lá. Ruy. a cavallo. havemos de sahir-nos bem! Quadro 105M. Ruy continua calmamente a limpar o seu bacamarte.mestiço de máscara. O mestiço limpa. e fala: 25 . Maria. Desta vez. com a manga. . Fernando. Fusão rapida. Ruy cuspinha para o lado. o suor do rosto. Barros D. acredito. Fernando rodeia a casa. Approxima-se um homem: D. Mette depois o cavallo a passo. Acompanharás a bandeira de longe. no alto de uma collina coberta de Exterior e herva rasteira. Faz com a cabeça um signal mysterioso. contempla ao longe a residencia de D. chega-se cauteloso ao muro.Tú partirás no mesmo dia em que sahirmos. Quadro 107 P. SCENA 9 Exterior e jardim dos Snrs. a olhar para o que faz D.b.

b.b. pousa a cabeça entre as mãos. O moço senta-se no banco. Interior do jardim. . o banco rustico em que pela manhã se sentára. avança com cautela. como quem descobre no chão alguma coisa. Quadro 111M. Quadro 114 1ºp. Lencinho de rendas. Fernando volta-se. O alpendre vasio.i. Olha em torno. Encaminha-se para elle. as flores. abre os ramos devagar. D. escondendo-se entre as arvores. com saudade. 104 Quadro 112P.i. Quadro 108P. Quadro 110P.i. Fernando desce o muro. Fernando ergue-o.b. D. olha. D. abaixa as mãos. O moço tem no rosto uma expressão de tristeza. medita. Depois. e abaixa a mão para apanhar o objecto. Quadro 113M. O moço olhando ao redor: fita as arvores. A mão de D. Fixa o olhar. Quadro 109M. ficando de pé sobre a sella. as plantas.vez. Fernando pára.

escala-o. D. Fernando olha o lenço com amor. inclina a cabeça. guarda-o no gibão.b. O velho D. A velha senhora vae falar. Fita-o longamente. rezam antes da refeição. A velha senhora olha-a com carinho. SCENA 10 Sala de jantar dos Snrs. dirige depois o olhar para D. no outro lado. . Maria.b. Fernando. sua esposa e D. D. (Flou) A moça fita seu pae. Olha-o ainda mais uma vez. Barros. Dirige-se para o muro. Leva-o aos labios. de Barros Sala de jantar da residencia de D. Quadro 1191ºp. Depois. Mostra-o cahindo sobre o cavallo.i.b. olhos cheios de lagrimas. Os tres levantam as cabeças. Os olhos da moça estão cheios de lagrimas. Maria. 105 Quadro 118M. O velho fita sua esposa. cabeças baixas. A machina sobe com elle.i. lança um ultimo olhar em torno. Quadro 120 M. de pé. Quadro 116P. Quadro 117P. Levanta-se. e partindo a galope.Quadro 115 M. beija-o. Maria. envergonhada de revelar a sua tristeza.

Mestre Garro em sua frente.Maria fita o pae. O velho olha o rapaz. está sentado em outro tamborete..Esquece esse amor infeliz! D. conserva-a com carinha na sua. filha! Reserva essas lagrimas para outro mais digno. 106 Fusão SCENA 11 Na forja de Mestre Garro Noite. e fala-lhe suavemente: 26 . Luiz é um fidalgo! O outro é um plebeu indigno de ti! Quadro 122M.Coragem.i. D. O velho fidalgo fita commovido a sua filha. . destacando-lhe os traços. Barros faz com a mão um signal para que se cale.b. No interior da forja de Mestre Garro.b. Mestre Garro fala: 28 .. meu rapaz. Quadro 121M. o teu desanimo nada adiantará! Quadro 123P. D. olhos abertos. de costas. como quem olha e não vê.. Conclue: 27 . pega na mão de sua filha. Estende o braço.D.Não chores. A luz do archote illumina-lhe as feições. Fernando está sentado.. em um tamborete rustico.

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continúa: 29 . rasga o envolucro. Quadro 125P. Agita-se. com incontida alegria. abre-a.Devia eu entregar-vos isto daqui a um anno.b. Fernando de frente. 108 Quadro 126M.b.b. Mas quebro a minha promessa: olhae! Quadro 127M. Olha o velho. O velho continúa a fitar o rapaz. e a seus olhos se desvenda um mappa. O rapaz acaba de ler. O moço continua pensativo. E fitando o rapaz.Quadro 124 M.O famoso roteiro da Ilha das Esmeraldas! É a fortuna que está aqui! . Esse desdobra-o. O velho de costas. Põe-lhe a mão no hombro. tira de lá o pergaminho. O velho levanta-se. D. Remexe. O moço fala.b. Hesita. O velho senta-se. Levanta-se. num assomo de alegria: 31 . inclina um joelho em terra. torna a sentar-se.i.. volta. Mestre Garro dirige-se para a velha arca. Lê. fala: 30 .. O velho entrega o pergaminho ao rapaz. Quadro 128M.Espera.

i. ambos levantam-se. illuminado na parte superior pela larga porta envidraçada que dava accesso ao quarto de D. Rodeia a casa.i. o rapaz de costas. e o amor! Quadro 130P. Embarcareis amanhã. Maria. Mestre Garro de frente. approxima-se. Fernando abraça. o seu velho preceptor. D.A fortuna. D.Não deveis revelar o segredo a ninguem.. fracamente illuminada pelos archotes da rua. Fernando.i.Quadro 129 M. comovido. Sorri para o moço. sorrindo. O velho cofia calmamente a barba. Mestre Garro continúa: 33 . Prepararei tudo: João e Pedro iráo comvosco. Barros Noite. 109 Quadro 132P. . cuidadosamente embuçado.. debaixo do balcão cheio de trepadeiras. Fusão SCENA 12 Exterior residencia Snrs. Depois. O velho continua a cofiar a barba.b. Vista exterior da residencia de D. e responde: 32 . Maria. Quadro 131P. Pára.

i. A sombra affasta-se. pára. ancioso.b. 110 Quadro 135m. Leva a mão á bocca. receiosa. Quadro 137 M. Olha para cima. Quadro 136P. escutando o chamado. D. Maria entra. D. e assobia. fechando-a á chave. Examina attentamente os arredores desertos. escurecendo a porta.b.i. para escutar melhor. A sombra de D. dá um passo.Quadro 133 M. para o corredor de onde viera. E. procurando distinguir. dirige-se para a porta envidraçada do balcão. Maria. como fazia no jardim. Fernando continúa a olhar . D. Quadro 134P. A porta abre. affasta o reposteiro e espia entre os vidros. O moço descobre o rosto. Olha. Interior da alcova de D.b. cerra a porta. Inclina-se um pouco para a frente. mostrando um gesto de espanto da moça. Fernando olhando anciosamente para cima. pé ante pé. em porta voz. Vista exterior da porta envidraçada. Maria apparece de encontro á luz. O reposteiro torna a cahir. que leva a mão ao rosto.

illumina a cena. A sua face tem. um sorriso escarninho. Dobrando a esquina. Fernando subir.para cima.b. Maria.i. Examina o balcão.B. Quadro 139M. Ruy espera á porta. vem abril-a. pára. Ruy. Quadro 140P. entra. Feições contrahidas. num gesto rápido. Esquina da casa de D. Um archote. colla-se ao muro. com o punho fechado. abaixa a capa que lhe cobre o rosto. Volta até uma pequena porta encravada no muro. chega á porta. o escravo que fôra açoitado no Largo da Matriz. subindo pelas trepadeiras.i. avança pelo terraço. Imbú. Vendo D. A machina acompanha D. D. escala o balcão. A porta torna a cerrar-se. 111 Quadro 141P. Quadro 138P. olhar de odio. preso ao alto. Depois. assoma um vulto embuçado. Fernando. Quadro 142 M. escala o balcão. D. . agora. Panorama. Ruy avança.i. apparece a figura de D. abre-a devagar. Bate tres pancadas surdas. que sóbe.

emocionado: 34 .i. Quadro 143P. Fernando pega-lhe nas mãos. em busca da fortuna. docemente. O moço fala. Maria hesita. Maria. de costas. Mas parto amanhã. sempre ajoelhado: 35 . D. põe um joelho em terra.i. quereis dar-me a honra de ser minha esposa? Quadro 146 P. não escondendo a sua surpresa e o seu receio. Fernando. com um archote na mão. sosinho. A porta torna a fechar-se.b. Maria Interior da alcova de D. D. Fernando. SCENA 13 Alcova de D. 112 Quadro 144M. e continúa. D. descoberto. D. adeanta-se. A moça volta-se. Vae . Maria (machina collocada na porta envidraçada do balcão). conserva-as entre as suas. D. A moça fita-o. anciosa.. Ergue depois.. Torna depois a fitar o moço.b.Quando eu volta.somnolento. Quadro 145M. D. Ruy entra precipitadamente. como escondendo a dôr que a invade.Perdoae-me se ouso tanto.

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i. que hei de ser vossa esposa dedicada e amorosa! Quadro 148M. e pára deante da imagem da Santa. SCENA 14 Salão da residencia No salão da residencia. O rapaz ajoelha-se e. illuminada por dois cirios collocados em candelabros de prata. A moça volta-se para o rapaz e. Mas a moça ergue-o logo.Deante desta imagem eu vos juro. os seus olhos nos olhos delle.com elle até o canto da alcova. onde está o oratorio. Elle enlaça-a. fala: 36 . Olham-se nos olhos. Quadro 1491ºp. Os labios tocam-se. Fernando.b. com apaixonado carinho. o velho Barros revela no seu rosto 114 Quadro 151 P. D. Quadro 1501ºp. carinhoso. As duas cabeças se approximam mais. Approximam-se lentamente. de pé. . lhe beija as mãos. num longo beijo.b. Quadro 147M. como não querendo que se ajoelhasse deante della.

D. e fala: 37 . Ergue depois a cabeça. sem se voltar. Ruy. para o nosso amor e a nossa felicidade! . e fala: 39 . está curvado deante delle. cão immundo. sempre curvado e humilde. Maria Quadro 153M. Olha-o com amor. Fernando. D. affasta-se em direcção á porta. O velho sobe a escada que conduz ao quarto da moça. O senhor Barros faz um gesto energico de despedida. Interior da alcova. D. Ruy. mandarei esfolar-te pelos meus escravos! Quadro 152P. cobre-as de beijos. 115 SCENA 15 Alcova de D. Barros fita o delator.b.Voltarei breve.Se não fôr verdade o que me dizes.i. bate com o punho fechado na mesa. Fala: 38 . Rezarei por vós! Quadro 154M. O moço beija-lhe as mãos. submisso como um cão. A moça desprende-se dos braços do rapaz.um incontido odio.Podeis partir agora.b. D.

Fernando desce. num pulo rapido. O moço atravessa-o rapido. Escala o balcão. volve ainda a olhar para a moça. D. dirige-se para a porta. emquanto os negros. D. Fernando olha para a moça pela ultima vez. cerram ao lado delle. Um archote illumina mais vivamente o rosto do moço. abre-a. escondidos ao pé da trepadeira. Ruy com tres escravos. munidos de varapáus e archotes.Quadro 155 P. D.i. D.i. Ruy faz-lhe frente. Quadro 158P. que ficára imovel no mesmo logar. Terraço do balcão. começando a descer para a rua (panorama). sáe. O moço.b. com a espada em punho. . D. affasta-se do seu alcance. Volta-se. Pousa o pé em terra.b. Ruy avança. A porta fecha-se. lança-lhe com os dedos um ultimo beijo. SCENA 16 116 Exterior da residencia Quadro 157M.i. Quadro 156P. arranca rapidamente a sua espada. Quadro 159 M. esperam que o moço desça.

117 .

e mal o segundo se volta. D. O negro fala: 40 . Quadro 161P. O moço. Affasta-se calculadamente. D. a seguir. Tem no rosto uma expressão de espanto.. Imbú. Ruy fazia ao moço.i.. 118 Quadro 162M. D. Recúa. deixando os outros dois supportarem o ataque que. vendo o duello dos dois homens.Eu sou o escravo que foi açoitado no Largo da Matriz. Quadro 163P.b. o negro que fôra açoitado no Largo da Matriz. Ruy esgrimem. Fernando e D. tocado na ilharga. Este.b. D. Quadro 164M. surprehendido pela traição. Imbú. cáe. Fernando golpeia a fundo. reconhece o moço.Quadro 160 M. . fraqueja os ataques.Ruy recúa. Com um golpe certeiro abate o primeiro negro. O negro Imbú affasta-se dois passos. Nunca esqueço de quem me faz bem. que a aperta.b. naquelle instante. surpreso. D. Fernando defende-se dos golpes que lhe são vibrados. prostra-o tambem.i. posta-se em attitude de expectativa. estende a mão ao negro. Ruy. O corpo de D.

e fala: 41 . Pela manhã. fita-o. um signal para que o siga. O velho armeiro passeia agitado. e ide a . pelo mais escuro da rua. O moço faz com a cabeça. O negro olha para o moço. Parti com elles. Fernando olha fixamente para Imbú.i. Mestre Garro cofía a barba.Quadro 165 M. de costas. pensativo. pernas cruzadas como um budha. Ambos se affastam. Imbú está sentado no chão. Volta a falar: 42 . mãos nas costas. Bate no hombro do negro. Quadro 167P. em signal de protecção e reconhecimento. para o negro. rapidamente. SCENA 17 Na forja de Mestre Garro No interior da forja de Mestre Garro. Quadro 166P. lá apparecerá a canôa de João e Pedro.Escondei-vos esta noite na encruzilhada do rio.Fostes demasiado imprudente. Fernando. O moço inclina a cabeça.b. meu rapaz! Não tarda que os esbirros do velho Barros vos procurem.i. D. Pára deante do moço.b. D. 119 Quadro 168M. está sentado em um tamborete. de um lado para o outro.

b. de Barros Manhã. numa attitude humilde e triste. acompanhado por Imbú. O velho faz-lhe que não. vae até a porta. seu pae. Maria está ao lado de seu pae. O velho tem um ar energico. Fernando. O velho lhe . Que Deus vos abençoe! Quadro 169P. espia attentamente para fóra. de pé. Os tres. despede-se dali com um olhar.i.i. Maria. Dali.i. O moço vae despedir-se delle. vae até a janela. Na varanda. sua mãe. Lá estão a moça. e sáe. D. O velho armeiro. faz um gesto ao moço para que fuja.procura das esmeraldas. Quadro 171P. D. Fusão. O velho e sua filha. parecem esperar alguem que não deve demorar. Quadro 170P. desanimado. ouvindo qualquer rumor na rua. A velha senhora enxuga disfarçadamente uma lagrima teimosa. Na varanda da residencia de D. Quadro 172 M. 120 SCENA 18 Varanda da casa dos Snrs.

O velho approxima-se.b. severo. Luiz adeanta-se. beija-lhe a mão.b.b. que ella limpa com a mão. Transposto o portão. O moço ergue a cabeça.fala. Luiz a cavallo. Quadro 174P. O velho encara a filha.Esquecerei o insulto de hontem á noite. Rolam-lhes lagrimas dos olhos. Os dois unem-se num abraço. tomando-a pelo braço: 43 . Luiz que sereis sua esposa! Quadro 173M. Ella levanta para elle o olhar supplicante. inclina-se.fixamente. A um ruido. atravessa o grande portão da entrada. inclina-se num cumprimento. O capitão segura os animaes pela redea. sobe a escada da varanda. Volta-se depois . D. Maria. se agora jurardes a D. D. e fala: 44 . apeiam-se.A minha bandeira está de partida.i. estende a mão ao moço. que a aperta. 121 Quadro 175M. acompanhado de seu capitão. A seguir o moço volta-se para a velha senhora. descobre-se. Vim trazer-vos as minhas despedidas! Quadro 176M. D. voltam-se para o portão.

Luiz. num gesto. Maria pela mão. A moça interroga seu pae. Quadro 177P. Luiz desce o degráos da pequena escada.Tenho duas grandes affeições. D. enlaça-a. Maria. inclina-se sobre o seu hombro..Vou dedicar-me agora ao meu segundo amor: a floresta bravía. D. Vão até onde estão os cavallos seguros pelo capitão. Fala-lhe.i. Maria com enlevo. conduzindo D. que continua: 46 . O velho fidalgo fita a sua senhora. Param. uma traição em cada moita! . Ella desce a pequena escada. escondendo um perigo em cada folha. acompanhando D.para D. A moça olha para D. Maria: o meu amor por vós. 122 Quadro 178M. Luiz fita D. mas o velho. e o meu amor pelo sertão bruto. e ficam ambos olhando o par que desce. com o olhar ainda supplice. tendo as mãos della entre as suas: 45 .b. lhe ordena que acompanhe o moço. toma-a pela mão. D.. Luiz. A velha senhora approxima-se de seu esposo. Quadro 179M.b.

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b. os cavalleiros.E quando voltar para o vosso amor. Maria. O seu capitão imita-lhe o gesto. ás costas o sacco de Quadro 183P. 124 Quadro 182P. levam a tiracollo os arcabuzes. Á frente. enlaça-a.Quadro 180 M. esporeia o animal e parte.b. A moça continúa a fitar silenciosamente o moço. Diz adeus a D. Luiz monta a cavallo. sopeando os animais nervosos que escarvam a terra impacientes. em ordem de marcha.i. respeitoso.i. hei de trazer-vos honra. estaciona a grande bandeira. A moça conserva-se sempre immovel e silenciosa. . Depois. e um nome ainda mais glorioso que se unirá ao vosso para sempre! Quadro 181M. D. O moço beija-lhe as mãos. SCENA 19 No Largo da Matriz No Largo da Matriz. D. O moço volta-se. que prosegue: 47 . fortuna. Maria inclina a cabeça. beija-a na testa. O moço cumprimenta com o chapéo os dois velhos. que ainda unidos os contemplam da varanda.

que ella levanta para que possa ver bem. facas e garruchas. folhas. Uma matrona enxuga os olhos. D. e do outro o porta-bandeira. que segura a flammula da expedição. trazendo apenas os calções brancos e alvos. flores. Faz um signal com a mão. os preparativos da partida. A machina dirige-se para a frente da bandeira. A machina os passa em revista. Outra tem no collo um garoto. em panorama. Os 125 . Quadro 184 P. á cintura o cantil. amuletos. barrisinhos de alcool. saccos de sal. onde está D. Luiz. Atraz vêm os negros semi-nús. á frente. Algumas moças dão aos bandeirantes quinquilharias. Mistura-se. Um guapó rapaz beija uma rapariga. Os homens dão os ultimos retoques na roupa e nos armamentos. Pretas e mucamas andam daqui para ali. o polvarinheiro. e monta depois a cavallo. curiosos. olham todos. lança um ultimo olhar á extensa fila de homens. figas. tendo ao seu lado seu capitão.i.roupas. pés de coelhos. Luiz. conduzindo á cabeça os caixotes e a bagagem miuda. depois pela multidão que os rodeia.

Quadro 190P. entre os applausos do povo. D.i. Quadro 1871ºp.i. Quadro 1861ºp.tambores.i. agita lenços. lançam beijos com as mãos. seguem-se-lhes os negros. Ruy cambaleia no seu cavallo. Quadro 188P. rufam. á sua frente. Tambores tocando. num gesto de dôr. Balcão cheio de flores. A extensa fila marcha. Repetem outros tres toques alternados.i. Fernando. D. homens atiram para o ar chapéos as moças fazem gestos de adeus. apruma-se como póde sobre o animal. A bandeira da expedição tremulando ao vento. Quadro 1851ºp. repleto de 126 Quadro 189P. Leva a mão á ilharga. Luiz faz com o braço o signal de partida. Passam os cavalleiros. Dão tres toques alternados. e marcha com os outros. Quadro 191 P. levantando uma nuvem de pó. Endireita o gibão. para não magoar onde fôra ferido por D. . Tambores tocando. Elle e o grupo deanteiro iniciam a marcha. A multidão vibra.

Fusão SCENA 21 Margem do rio Margem do rio. ou pelos talhos dos valles ensombrados. de costas. D. desfila em baixo. Quadro 195M. de Barros. A bandeira transpõe as ultimas casas. Tem lagrimas nos olhos. pensativa. D. contempla a bandeira que desfila lenta. de Barros SCENA 20 Quadro 193M. Quadro 192P. D. D. A bandeira. ao longe. Interior da casa dos Snrs.i. No interior da residencia dos Snrs. Maria. As moças jogam-lhes flores. Maria.moças. começa a penetrar nos campos. Interior. silenciosa. Maria de costas.b.i. Quadro 1941ºp. qual uma grande serpente que se enroscasse pelos dorsos das collinas. Fernando. de 127 Quadro 196 P. Pende depois a cabeça.b. Maria a contempla. encostada á janella. encostada á janella. marcial. D. . de frente. A bandeira continua ao longe o seu lento desfilar. e olhos fitos no horizonte.

D. A canôa abica. e torna lentamente a apparecer. Fusão SCENA 22 128 Sobreposição Quadro 1971ºp.d. Fernando e o negro saltam para dentro della. para depois definitivamente desapparecer com a ultima fusao. A bandeira desfila. Quadro 198L. Sentado perto do moço. com Pedro e João nos remos. Interna-se na floresta. ao longe. Botas cambas. A canôa affasta-se. com os olhos fitos no barco que chega. Quadro 1991ºp. até o correr de alguns quadros. como uma serpente.pé. . A ampulheta apparece. Corre o tempo. Imbú. Desapparece lentamente. O moço. com saudade. espera a canôa que se aproxima. na scena da canôa. Ampulheta. Fusão rapida. no fim das sobreposições. fixa o olhar no logar que acaba de deixar. gastas e rotas que caminham esmagando as hervas. Pedro e João impulsionam com vigor os remos. O fio de areia cae lentamente.

Quadro 2061ºp. Quadro 2011ºp. prestes a pular. abrindo a picada. Uma flecha attinge 129 . Um grupo de homens que caminha sobranceiro. As mesmas botas. atravessando o lodo sujo de um pantano. Quadro 202M. Dois homens de costas. caminhando penosamente. empunhando facões que rebrilham. rostos suados. Botas e pés descalços que caminham. em golpes vigorosos. expressões energicas.b. Subito. Uma cobra que se enrosca num tronco. o matto denso e fechado. peitos para a frente. de mistura com os pés descalços dos negros. arma o golpe mortal. Abrem.b. Quadro 2051ºp. Botas que caminham esmagamdo hervas. peitos para a frente. Uma grnade onça negra. O grupo de homens que caminha. Rostos suados. onde se enterram até os joelhos. Quadro 2041ºp. Quadro 207 M. de olhos faiscantes.Quadro 200 1ºp. Quadro 2031ºp.

Fusão . Quadro 213 1ºp. expressão de animo inquebrantavel. Quadro 209M. Botas e pés descalços marchando. Rosto severo. Quadro 2101ºp. Um cantil se lhe approxima. marchando. Cáem outras flechas. de botas como qualquer outro. marcham os outros. Botas e pés marchando.b. o assiste. Quadro 2081ºp. Uma grande bocca sequiosa. Luiz.o primeiro no peito. Um homem que cabaleia e cáe. A bocca sorve a agua em grandes góles. O homem cae. Ao fundo.i.i. Continuam a marcha. O agonisante fecha os olhos. Outro ajuda-o a erguer-se. tiram os bacamartes de tiracollo. O padre tira do gibão um crucifixo. O padre faz o signal da cruz. Um sacerdote. Os outros. Quadro 212P. Busto e rosto de D. 130 Quadro 211P. Um homem deitado que agonisa.

D. Quadro 219M. Quadro 220 P. a superficie da agua.b. A canôa está abicada. D. com seus galhos.b. na floresta. em que as arvores quasi tocam. Quadro 216P. de costas. continuam remando. Fusão rapida. Remos tocando pausadamente a flor d’agua.i.b. João e Pedro acabam de descarregar os ultimos volumes. Fusão rapida. Fernando de frente. Quadro 2151ºp. 131 Quadro 218M. Imbú na prôa. João e Pedro.i. O negro tem os olhos fitos no moço. . O moço tira do gibão um lencinho de rendas. SCENA 24 Margem de rio Trecho de margem de rio.Sobreposição Quadro 214M. á pôpa. Leva-o aos labios. Fernando de frente. de costas. sentado á pôpa da canôa. Canõa atravessando um trecho de rio cheio de sombra. Quadro 217P. João e Pedro. Beija-o com fervor. remam devagar.SCENA 23 Rio .i. Canôa atravessando um trecho de rio illuminado pelo sol.

Fernando. que começa a apparecer de novo nesses ultimos quadros. que cáe devagar. Fernando e Imbú. Luiz fizera alto. D.i. Fusão SCENA 25 Acampamento da bandeira Numa grande lareira. promptos para a marcha. faz com a mão um gesto para que o sigam e interna-se por uma picada. curva um joelho. faz-lhes um signal.i. desamarra a canôa.D. devagar. ao pé da canôa. Quadro 221M. Quadro 222P. Fernando olha em torno. impulsiona-a. 132 Quadro 2231ºp.b. a bandeira de D. em terra. . O acampamento tem a grande Quadro 224 P. os contemplam. A canôa se affasta. O moço levanta-se. A ampulheta. João Pedro e Imbú erguem os volumes. Fernando vae até a canôa. D. carregada pela correntesa. D. O moço olha-a. volta-se para os seus companheiros. continua a filtrar o seu fio de areia.

um maço de velhos pergaminhos. Á porta de sua tenda. O capitão torna a falar: 50 . Faz um gesto affirmativo com a cabeça. O capitão de matto aponta para os pergaminhos e fala ao moço: 48 . outros andam á beira do rio peneirando cascalho.b.b. Volta-se para D. A 133 . Luiz fita o capitão. passa pelos grupos: uns comem.E nenhum signal dos filões de ouro.. D.actividade das grandes agglomerações.Os nossos homens morrem. Luiz tem na mão. num gesto de desalento: 49 . Suspira. Quadro 226M. outros bebem.. em panorama. dos rios de diamantes de que falam esses velhos pergaminhos.b. Quadro 225M. e continúa. sentado em um velho tronco.. Luiz.. Quadro 227 M. A machina. O capitão de matto gira o olhar em torno. procurando ouro ou pedras. D.Já vae para mais de meio anno que afundamos por estas brenhas. das montanhas de esmeraldas. desenrolado. e tendo ao seu lado o seu capitão de matto.

com as cabeças apoiadas nas mãos. O capitão interpella-o. E quanto mais avançamos. . para com elles fazer fogo. em attitude pensativa. D. Um pouco affastados. ancioso: 51 .Para a frente. Luiz de costas.Fernando está sentado perto do negro. Fernando Imbú reune alguns gravetos. olham estupidamente para Quadro 231P. O capitão faz um gesto de desanimo ante a obstinação do moço.Que decidís. Luiz acompanha-o com a vista. Sacóde os hombros. Olha fixamente um ponto distante. Fusão SCENA 26 Acampamento de D. João e Pedro.b. D. affasta-se em direção ao rio. O moço pousa a cabeça na mão.i. Luiz? Quadro 229M.bandeira se aniquilla.b.i. D. mais reveses soffremos! Quadro 228M. sonhador: 52 . D. O moço levanta-se. sempre para a frente! 134 Quadro 230P. volta-se para o seu capitão de matto e responde.

Conhece tudo! Talvez. O moço fala: 53 . Fernando medita. D. D.b. sacodem as pernas para desentorpecel-as. Fernando volta-se para a frente.E não há nada que nos dê um indicio do roteiro! Quadro 234M.b. D. ambos levantam-se. faz fogo esfregando um páu de encontro ao outro. que se volta para elle. Fernando. Fernando põe a mão sobre o hombro do negro.Imbú nasceu aqui. chama D. Pedro lhe diz que vão 135 . Os quatro sentados.Este sertão é cada dia mais rude e mais aggressivo. Quadro 233M. Pedro põe a mão na bocca. meneando a cabeça: 54 . Os gravetos se incendeiam. volta a falar. se lhe apparecer o logar. Imbú lhe traga diamantes! Quadro 235P. Quadro 232M.o que o negro está fazendo.. Imbú aviva o fogo. Imbú. espreguiçam-se bocejam. feito porta-voz. Imbú interrompe o seu trabalho.b. João faz um signal a Pedro.. que ergue a cabeça. e fala ao moço: 55 .i.

Na margem. João e Pedro olham-se. nús. Passa as mãos na agua. O moço lhes faz um gesto. já assustado.b. entre os ramos. um grande renque de folhagem. fazendo com os braços gestos de quem está nadando. Procura ancioso. junto á margem. Na copa de uma arvore. João espanta-se por não encontrar o que ia buscar.b. mira-as de longe. . um grupo de macacos pula de galho em galho. João reforça. Fusão SCENA 27 No rio Trecho de rio. vaidoso. João. limpa as unhas. sacódem os hombros e se affastam. Quadro 239 M. olha. Há. João e Pedro estão na agua. 136 Quadro 2371ºp. com um graveto. jogam-se agua. com o busto fora della. para todos os lados. vae até a margem. torna a limpal-as. Admira-se. Quadro 238M. Quadro 236P.andar um pouco. assim de quem diz que podem ir até para o inferno. escondendo-os da margem.Esfregamse as costas.i. espreguiça-se. Na agua.

. Quadro 2431ºp.i. num esgar de espanto.A roupa. Pedro. Quadro 240P.e nada encontrando a inda.b. Pedro e João.b. Macacos pulam entre os galhos das arvores.. com o busto descoberto. e tendo o resto escondido pela folhagem. João chama o companheiro. João conclue: 57 . desconfiado. nada vendo na margem.b. e elle. com Pedro.. até que João. offegante: 56 . João lhe brada. Quadro 244M. começam a sahir da agua. Quadro 242M. olha para cima.b. olham ao redor de si. num gesto ameaçador. que acóde logo. Quadro 241M. . volta-se para o amigo. afflictos. procurando aqui e ali. leva a mão ao rosto.. João levanta o punho fechado para os macacos. sem saber o que faça.A roupa sumiu!. Os dois procuram ainda. SCENA 28 Na matta 137 Quadro 245 M.

cada uma. Os dois. chamando o amigo e apontando para uma moita.i. faz um gesto de espanto. até que João. em outro logar. Ella examina justamente uma peça intima de João. Abaixam-se. com manifesta curiosidade. e olha para o . Os dois amigos olham-se. desta vez surprehendido deveras. Duas mãos que pegam. desapparecendo na folhagem. só com o busto descoberto ainda. Os dois pares de botas jogados entre a folhagem. examinando curiosamente as peças de roupa de Pedro e João. numa pequena lareira cheia de flores.Quadro 246 M.estaca. examinam o que os cerca.b. Quadro 247 1ºp. desapontado e envergonhado. Quadro 2491ºp. 138 Quadro 253 M.b. João leva a mão á bocca. Os dois amigos. Quadro 248M.b. e que mostra a Pedro o que desta vez descobre: Quadro 252P. Uma formosa india está sentada entre a folhagem. fitando um ponto.

com o dedo no nariz.b. sempre ao ouvido do amigo.. E. dando-se ares de entendido: 60 . andam os indios por ahi.b. faz-lhe entender que está nú. como na taberna.Com que roupa?. João faz um ar feroz. Ao que João cochicha. Pedro. dá um valente piparote no nariz de Pedro que.. um gesto de silencio. responde 62 .Ora. em 139 . antes que aquella nhambiquara se suma com tudo! Quadro 254M.Mas como queres que eu me apresente assim deante de uma senhorita? Quadro 257M. Quadro 255M. ao ouvido do amigo: 58 . Pedro faz-lhe. João encara surpreso o amigo e. sem nada que lhes cubra a pelle horrivel que o demo lhes deu! Quadro 256M.b.Sabes lá se ella é casada? Quadro 258 M.b.amigo como em busca de uma suggestão.Temos que buscar o que é nosso. e fala. com um gesto. ao ouvido do outro: 61 . impaciente já. respondendo: 59 . Pedro retruca logo.b.

A formosa india continúa a examinar. desapparecendo na folhagem. brinda João com outro valente piparote na orelha. faz novo gesto de espanto. Quadro 263 M. Desse ponto surgem. que se agita toda. Fazem grandes mesuras.M. Quadro 262 1ºp. embrulhados em folhagem da cabeça aos pés. De repente. . olha para a folhagem. A folhagem se agita. Mas. larga tudo. e desaparecem na folhagem densa da matta. olhando um ponto. sempre em mesuras. vão apanhando a sua roupa e. cahindo em si. Quadro 260P. De repente. como se a india as entendesse.b. 140 Quadro 261.i. India assustada. curiosa. e vendo que a india poderia descobril-os.represalia.b. A india continúa a olhar. abaixam-se rapidos. os dois amigos.i. Quadro 259P. e fica como que paralysada de terror. as peças de roupa. affastam-se.

Avançam com passo militar e cadenciado. de frente. cumprimentam. o que se passára com elles. e mais impacientes ainda porque a india denota nada comprehender de todos os gestos. Quadro 2651ºp. Os dois amigos. muito mal vestidos. Quadro 268 P. até que o seu olhar se concentra na scena que se passa: Quadro 266P. Imbú na folhagem. param a dois metros da india. e passam a explicar. Tentam cada um explicar melhor do que o outro. O negro. na orelha. A folhagem fechada. furiosos. Os ramos abrem-se. 141 Quadro 267 M.Quadro 264 P. tiram os chapéos. Passando entre os . Apparece o rosto de Imbú. que em retribuição tambem o mimoseia com outro. Pedro e João olham-se. O negro avança. sáem de dentro da folhagem.i. avança pela scena.b. que examina em volta de si. por meio de gestos. começam a empurrar-se.i.i. mais valente ainda. visto de costas. João dá novo valente piparote no nariz do amigo.

Quadro 273M. a india de frente) A india tem uma expressão de espanto.b. Pedro e João entreolham-se. que o 142 .dois amigos. depois a bocca. Quadro 270M. vae ajoelhar-se. (os dois amigos) João responde: 64 . depois os ouvidos. Quadro 269M. Leva a mão ao peito. (Imbú de costas.b. Quadro 271M.b. separando-os e.b.b. com as duas mãos. como quem diz: “Vamos ver o que sae dahi!” Quadro 272M.b. Abaixa as mãos. (os dois amigos) Pedro pergunta. (a india de costas. admirados. e murmura uma palavra. num tregeito. Imbú interroga a india. enquanto os dois amigos olham tudo. O negro torna a falar. mas Imbú não o permitte. como que dominada pelo olhar do negro. pára deante da india. Esta levanta-se. sempre impassivel.Sei lá! É lingua de bugre. Imbú de frente) Imbú. ao ouvido do outro: 63 . Ella responde. tapa primeiro os olhos.Em que diabo de lingua falam elles? Quadro 274 M.

demo entenda! Quadro 275P. Vae commigo! (os quatro) Pedro e João sacodem os hombros: aquillo lhes é indiferente. Olha para Imbú. Fernando. autoritario: 65 .i. a india.i. encaminha-se para o logar de onde viera. que desdobra e examina. . Imbú. endireitando a roupa. João e Pedro estão sentados. 143 Quadro 276P. e lhes diz. (os quatro) Imbú pega na mão da india. volta-se para seus companheiros. D. Os dois amigos os seguem. tomando a india pelo braço.Ella é da minha tribu. ao redor dos restos da fogueira apagada. Imbú. Fernando tira do gibão o roteiro. A india está recostada no hombro de Imbú. Fusão SCENA 29 Acampamento de D. e pergunta: 66 .i.Dizes que esta india viu um grupo de homens brancos? Quadro 277P. Fernando D.

Ia voltar. (os quatro) Pedro olha para João. Quadro 281P. quando a encontramos. (os tres) Imbú fita a india. faz um ar feroz. que fôra elle. Exprime-lhe. (os tres) D.Nós. o negro e a india) Imbú estendo o braço numa direcção. e lá vae um piparote ao nariz de Pedro. a dois dias de marcha! Quadro 279M. e responde: 69 .Sim.b.i.E o que faz ella aqui? Quadro 280M. não! Fui eu que a encontrei! João olha indignado para o amigo. 144 Quadro 282P. responde: 67 . apontando o horizonte. este para Pedro.Volta-se para D. mas perdeu-os de vista.Acompanhava seus irmãos que partiam para a guerra. . recebendo em troca o piparote na orelha. na direcção do poente. e fala: 70 . que o contempla.b. Fernando. Pedro diz que não. Os dois ficam quiestos.i.b. D. João. Fernando lhes impõe silencio.Quadro 278 M. Fernando continúa a interrogar: 68 . que a encontrára. João. (D. Fernando. num gesto.

agora mais lento e mais grave.. Fernando levanta-se. mede a altura do sol.Na direção do poente. nós tambem vamos para lá! 145 Quadro 286P.b.b.i. Imbú e a india) O moço..i.Seus irmãos partiam para a guerra. (os dois) Imbú faz um gesto affirmativo. (todos) D. D. Quadro 285P. repete o gesto que já fizera. Fernando e Imbú) O negro pergunta: 74 . Fernando. Dizes que para lá há ouro e pedras? Quadro 289 M. Fala ao negro: 73 . (D.Que tenciona fazer? Quadro 288M.b.b.Não sei. O negro levanta-se..b. e aponta o horizonte: 72 . olha o moço. Quadro 287M. (os dois) O moço medita um instante.Imbú. (D. Em que direcção? Quadro 284M.. apprehensivo.. (os tres) Imbú. interroga ainda: 71 .Então vamos: para a fortuna. Fernando continua: 76 .Quadro 283 M.. e pergunta: 75 . .

e conclúe: 77 . (os dois) O moço fita o negro impassivel.. há o mesmo movimento de sempre. Quadro 294M.. Fernando e o negro olham-se.b. . a areia que revela o ouro! Quadro 295 M. fixamente. Junto ao chefe. Fusão SCENA 30 Acampamento de D.b. D. 146 Quadro 293P. Quadro 292P. o capitão mostralhe contente a peneira. onde nada uma areia fina e brilhante.. sentado sobre um tronco. Luiz examina com cuidado. á margem do rio. ou para a morte! Quadro 291M.Mas é só areia!.i. enquanto o capitão fala: 78 .A areia que procuramos. D. D.b.i.. corre os olhos pela animação da bandeira.b..Quadro 290 M. Luiz. Luiz. Luiz No acampamento de D. D. Luiz levanta a cabeça para o capitão e commenta. consternado: 79 . tendo na mão uma peneira de pesquizar ouro. O capitão de matto approximase.

Depois.b. apontando os collares: 81 . 147 Quadro 299M. assoma um grupo de homens conduzindo dois indios prisioneiros que não escondem o assombro que os domina. Quadro 297M. No outro lado da lareira.Talvez orientando melhor as pesquizas.b..Quadro 296 M. Luiz. com uma mão.. uma pedra despede um fulgor extranho. e lhe diz: 80 .Ouro. Um dos homens fala. manda-lhe que se affaste. Com a mão.. fazendo-os ajoelhar deante delle. Quadro 298P. emquanto com a outra mostram a D. Quadro 300 P. e esmeraldas! .i.i. aqui e ali.. O moço interrompe o capitão com um gesto de incredulidade. Os bandeirantes. O capitão mostra com a mão a areia. Dois dos homens trazem os prisioneiros para a frente de D.b. O capitão se affasta. dando de hombros. Luiz os collares e braceletes de formas grosseiras onde. levantam-lhes brutalmente as cabeças. mantêm erguidas as cabeças dos indios.

D. Os dois indios. Luiz. no rosto. D. Luiz ordena aos homens que dêm aos indios o resto dos presentes. encostado a uma arvore. chama dois homens e lhes faz um signal significativo. trazendo sal. . D. contas e quinquilharias. Quadro 305P. Luiz approxima-se dos indios. Ruy. aponta para os collares.i. dar-lhes-hei muito sal. desconfiados.i. Quadro 303P.i. Os dois homens voltam. contempla a scena. toda a cobiça que o inunda. D. 148 Quadro 3041ºp. Os homens depositam parte do que trazem aos pés dos indios. As mãos dos homens. Luiz examina os indios.i. Quadro 302M.Quadro 301 P.b. diz-lhes: 82 .Se me disserem onde encontraram isso. Estampa-selhe. e respondem negativamente com a cabeça. tudo observam. depositando os presentes aos pés dos indios. Luiz ordena-lhes que entreguem aquillo aos indios. curvados. Os homens Quadro 306 P. D. Os homens partem. muitos presentes bonitos! Os indios olham para D.

cumprem a ordem. Quadro 3071ºp. Mãos depositando o resto dos presentes deante dos indios. Quadro 308P.i. Os indios olham os novos presentes, e repetem o gesto negativo.

Quadro 309M.b. D. Luiz. O moço passeia, impaciente. Depois pára, chama um negro, dá-lhe uma ordem: 83 - Traga, num prato, um pouco de alcool! Quadro 310M.b. O negro parte. O moço continúa a passeiar, agitado. Quadro 311M.b. D. Ruy, encostado á arvore, continúa a observar a cena, curioso. Quadro 312M.b. O negro volta com um grande prato de estanho, onde boia o liquido. Quadro 313P.i. D. Luiz faz um gesto. Os seus homens levantam os indios. O negro approxima delles o prato de alcool. D. Luiz tira do gibão o seu isqueiro de pedra, olha para os indios, e lhes fala, com ar imperativo:

149

84 - Se não me disserem onde encontraram essas pedras e esse metal amarello... Quadro 314M.b. (D. Luiz, o negro e os indios) O negro levanta o prato á altura do rosto dos indios, que contemplam tudo sem nada entender. D. Luiz levanta as mãos á altura do prato, prompto para bater a escorva do isqueiro, e conclúe: 85 - ... mandarei incendiar todas as fontes e todos os rios, como vou incendiar esta agua, e todos os homens morrerão de sêde!
150

Quadro 315M.b. Os indios fazem um esgar de espanto. D. Luiz bate o isqueiro. Quadro 3161ºp. A mão do moço bate o isqueiro. O alcool começa a arder. Quadro 317M.b. O alcool arde. Os indios olhamn’o apavorados. Quadro 318P.i. Os indios, tendo na face o assombro e o medo que a ameaça lhes causa, caem de bruços, estatelados, immoveis. Erguem depois o busto, levantam as mãos para o céo, e bradam: 86 - O diabo de fogo, o diabo de

fogo! Quadro 319P.i. Os indios cáem de novo, de bruços. D. Luiz enfada-se. Faz um signal a seus homens, dizendolhes: 87 - Deixae-os ir, que nada falarão agora. Não os sigam, que elles voltarão para contar tudo! Os homens levantam os indios, e os conduzem para a orla da matta.

Quadro 320P.i.

Quadro 321M.b. D. Ruy, encostado á arvore, medita. Depois, sorri sinistramente. Fusão SCENA 31 Acampamento de D. Fernando Noite, no acampamento de D. Fernando. Estão todos sentados em volta da fogueira e comem, segurando com a mão, pedaços de carne assada.

151

Quadro 322P.i.

Quadro 323 M.b. Pedro e João. Comem cada um o seu pedaço, quando Pedro fala, com ar aborrecido: 88 - Já estou farto de tanta carne! Se, pelo menos, houvesse por ahi um

iria buscal-o mesmo que fosse á taba do nhambiquara mais feio da terra! Quadro 324 M.b. A india come.Dizes que amanhã encontraremos os homens brancos? Quadro 327 M. Larga com repugnancia o seu pedaço de carne. Fernando. Panorama: A machina apanha Imbú e a india. de que João se apossa.b. do que comerem-me a mim todo viradinho. que lhe lança um olhar carinhoso. João olha o amigo e. onde 152 . Fita o negro. encostada em Imbú. continuando a comer nos dois pedaços. fita silenciosamente a fogueira. e pergunta: 90 . Pedro faz um gesto de nojo. O moço medita: a cabeça entre as mãos. A seguir a machina pára em D. com os torresmos que tú lhes deres! Quadro 325M.Pois eu não me queixo.b. Antes isso. O negro faz um gesto affirmativo. Quadro 326M.viradinho de feijão com torresmo.b. com ar resignado responde: 89 . O moço nada come.

as chamas crepitam, em curvas caprichosas. Quadro 328P.i. (todos) Acabam de comer. Pedro e João espreguiçam-se, bocejam. Deitam-se depois para um lado, cobrindo-se com as capas; cada um pucha para si a capa do outro, até que afinal, com as capas completamente embaralhadas, e firmando o braço como travesseiro, adormecem. Imbú levanta a india nos braços, com carinho, deita-a em uma cama de folhas. Vae até onde estão Pedro e João, tiralhes as capas, cobrindo com ellas a india. Volta depois, e senta junto de D. Fernando que, sempre pensativo, olha a fogueira.

153

Quadro 329M.b. O moço medita. O negro não interrompe o seu silencio. O moço tira do gibão o lencinho de rendas, olha-o enlevado, com amor, e o leva aos labios. Quadro 330 1ºp. O moço leva o lencinho aos labios e o beija com profunda emoção. Quadro 331 M.b. Imbú, com a impassibilidade de

sua raça, fita a fogueira. O moço, conservando numa das mãos o lencinho, volta-se para o negro e pergunta, melancolico: 91 - Imbú, o que é o amor? Quadro 3321ºp. O negro volta-se para o rapaz, e repete, como não entendendo bem: 92 - O amor? Quadro 333M.b. O moço diz que sim. Imbú medita um instante e responde, olhos vagos, como falando consigo mesmo: 93 - É a folha que canta ao vento...
154

Quadro 3341ºp. Pausa. Imbú continúa, o olhar sempre vago: 94 - A onda que beija a praia... Quadro 3351ºp. Pausa. Imbú continúa: 95 - ... a estrella que brilha no escuro do céo... Quadro 3361ºp. Pausa. O negro prossegue: 96 - ... uma mulher... Quadro 337 1ºp. Pausa. O negro conclúe: 97 - ... e um beijo que canta nos labios da gente! Quadro 338 M.b. Imbú cala-se, e continúa na sua

anterior impassibilidade. O moço inclina a cabeça. Quadro 3391ºp. Lencinho na mão de D. Fernando. Quadro 340M.b. O moço continúa de cabeça baixa. O negro, sempre impassivel, continúa a olhar as chammas. Quadro 341M.b. A machina, em panorama, vae até onde estão João e Pedro. O gato de João sáe fóra de sua cesta, espreguiçando-se, eriçado, olha para a machina, que se approxima delle, mostrando, em primeiro plano, o seu olhar frio de felino. O quadro seguinte vae apparecendo em sobreposição sobre o olhar do felino, que desapparece no inicio da scena. SCENA 32 Acampamento da bandeira

155

Quadro 342M.b. D. Ruy e o seu mestiço, um pouco affastados da fogueira. D. Ruy lança um olhar em redor de si. Quadro 343 P.i. Noite, no acampamento da bandeira, os homens dormem no chão, embrulhados em suas

o vigia. incendiará todos os rios e todas as fontes.Vae até a tua tribu. O mestiço faz o signal de ter entendido.mantas. O mestiço faz um gesto affirmativo. Eu lhes prometto. com o velho pagé.Eu me encontrarei. Ao fundo. 156 . D. Ruy conclúe: 101 . Quadro 344M. Diz ao velho pagé que o chefe branco. em troca. Ruy. D. e lhe fala quase ao ouvido: 98 .Dize-lhes que os seus guerreiros deverão desenvolver o plano que vaes levar. Ruy olha o acampamento e sorri perversamente. O mestiço olha para D.b.b. na taba do conselho! Quadro 347M. e prosegue: 100 . D. todos os viveres e armas. O aventureiro continúa: 99 . Quadro 346M. com uma pepita de ouro para mim! Quadro 348 P. Quadro 345M. D. Ruy pucha o braço do mestiço. á tarde.Voltarás pela manhã. quando o sol despontar.b.i.b. e desapparece na sombra. com um riso escarninho. Ruy lança o olhar receioso em torno.

deante de D. e dirige-se para o acampamento. D.i. Manhã. O mestiço apparece. SCENA 34 Acampamento da bandeira No acampamento da bandeira. e vae até onde está D.b. Ruy.i. Ruy approxima-se de D. olha em volta. O mestiço. Ruy espera. Luiz. D. 157 Quadro 353P. O aventureiro entra. com fingido nervosismo. Quadro 351P. enthusiasmado. que entrega a D. affastando os ramos. Ruy. O sol desponta no horizonte.SCENA 33 Trecho da matta Quadro 349L. como que vibrando ainda de um grande acontecimento. Caminha a passos largos. Faz um gesto ao mestiço para que se retire.d. Vem contente. Este examina-a. atravessa-o. Quadro 354M. guarda-a no gibão. a pepita que . O aventureiro tira do gibão. encaminhando-se para elle. Luiz. tira da bolsa uma pepita de ouro.i. O mestiço se approxima. Quadro 350P.b. Encostado á uma arvore. Quadro 352M.

Quadro 357M. Quadro 355M. perguntando ancioso: 103 .Dae-me os vossos melhores homens... Olha alegre para o aventureiro. Ruy agradece. com falsa alegria: 102 . Ruy e. mostra-a a D. convincente: 105 . D. D. que continúa. e partí! Deixae-me apenas o necessario para a defesa commum. Ruy.Onde?.Ouro. admira a pedra. Quadro 359 M. D. 158 ..Na direção do poente.. estende o braço para o horizonte: 104 . sempre sorridente. fazendo um gesto affirmativo. aperta effusivamente a mão de D. Luiz.Escolhei os homens.b.b. Ruy. Quadro 356M.b. D.. Luiz. D. e simulando grande alegria. D.b.b.. Luiz devolve a pepita ao aventureiro. Encontrei ouro!. responde: 106 . Luiz olha bem para D. D. Luiz.. Luiz e lhe fala. surpreso. e ao pôr do sol trar-vos-hei uma fortuna! Quadro 358M.o mestiço lhe entregára..

tendo á frente D. em ordem de marcha. Param. 159 Quadro 363P. aguardam impacientes o signal da partida. Ruy faz o signal de parada. Os homens da bandeira.i. avança sosinho. D. como procurando orientar-se. Ruy no meio do acampamento. Quadro 361P. Dá ordens e trata de reunir os homens. D. e D. Fusão rapida. iniciam a marcha. Diz aos seus homens que o esperem. . Fusão rapida.i.i. Os homens. Ruy examina os arredores. Quadro 362P. Quadro 360P. concita os homens para a partida. auxiliado pelo capitão de matto. Ruy e o capitão de matto. toda rodeada pela floresta escura.i. Fusão rapida SCENA 35 Na lareira Chegando a uma lareira.e affasta-se para o acampamento.

Ruy). Quadro 368M. tendo nos labios um sorriso sinistro. na matta. antes de entrar na matta.b. contempla a sua obra. Ruy. Quadro 365P. agrupados em quadrado (vistos de onde está D. Ruy avança alguns passos pela matta.i. D. parados. e embrenha-se pela selva. na orla da matta. D. Ruy. até a orla da floresta.i. D. Fusão . Os homens. que os crivam.b. Quadro 364M. Quadro 366M. e pára. Os homens em quadrado. olha ainda uma vez para os seus homens. 160 Quadro 367P. Tal é a surpresa e o espanto que os bandeirantes mal têm tempo de usar as suas armas: caem. dizimados pelas flechas.b. Ruy. sempre com seu sarcastico sorriso. Leva a mão a bocca. um a um. e assobia tres vezes. volta-se. chovem das arvores centenas de flechas. esperam D. Subito.cauteloso. Depois. arrasando-os impiedosamente. sorridente.

que assim se vêm obrigados a carregar sosinhos todos os fardos.i. Imbú desce a india ao chão. e a seguir. ao attingir a elevação. encaminham-se para o grupo. Luiz. Á orla da matta apparece o grupo de D. surpresos. O grupo pára. com grande odio de João e Pedro. Imbú. em sentinella. distingue-se ao longe o acampamento de D. Quadro 371P. João e Pedro. encaminhando-se para o acampamento da bandeira.SCENA 36 Trecho de floresta D.i. Imbú vem carregando a india ao collo. sahindo de sua tenda. que passeiam pelo acampamento. Fernando aponta para o acampamento. 161 SCENA 37 Acampamento da bandeira No acampamento de D. e vendo os visitante. Restam-lhe apenas tres homens. Luiz. marcham através da floresta. Os bandeirantes. Numa elevação. D. Fernando. Quadro 369P. D. para reconhecel-o. estaca. Quadro 370P. . com o arcabuz na mão. Luiz. descem a encosta. Fernando.i. a india.

O grupo de D. Fernando, ladeado pelos bandeirantes, se approxima. D. Luiz, resoluto, vae ao seu encontro. SCENA 38 Acampamento da bandeira D. Fernando e D. Luiz encontramse, e, quando se reconhecem, olham-se com rancor.

Quadro 372P.i.

Quadro 373M.b. Os dois moços se encaram. D. Luiz o interpella: 107 - Vós, D. Fernando! Viestes ajustar velhas contas,com certeza?
162

Quadro 374M.b. D. Fernando inclina-se, num cumprimento ironico, e responde: 108 - Como quizerdes, D. Luiz! Quadro 375P.i. Os homens os rodeiam, admirados. Á direita, ficam os tres homens da bandeira; á esquerda, João, Pedro, Imbú e a india. Os moços desembainham as espadas.

Quadro 376 M.b. Panorama: a machina apanha os bandeirantes. Passa os tres, um a um, mostrando-lhes as caras patibulares e carrancudas.

Quadro 377 M.b. Panorama, pelo grupo de D. Fernando: primeiro a india, encostada ao negro, Imbú, sempre impassivel, e João e Pedro, que fazem caras de nojo, ao encarar os bandeirantes. Quadro 378M.b. D. Fernando e D. Luiz cumprimentam-se com as espadas. D. Fernando, a sorrir, avisa ao seu adversario: 109 - Por D. Maria, D. Luiz! Continuemos a palestra interrompida no Largo da Matriz! Quadro 379M.b. Os ferros se cruzam. Succedem-se os golpes. Revela cada um maior destreza, equivalendo-se em força. Quadro 3801ºp. Os aços cruzando-se, rapidos. Quadro 381M.b. Os moços continuam a esgrimir. Quadro 382P.i. O duello continúa. Na orla da matta, cambaleante, apparece o capitão de matto, correndo tropegamente. Vae até o scenario da luta, e cae aos pés dos esgrimistas. Estes suspendem o combate.
163

Quadro 383 P.i.

D. Luiz deixa a sua espada e ajoelha-se junto ao capitão de matto. Os outros rodeiam-n’os.

Quadro 384M.b. D. Luiz e o seu capitão. Este abre os olhos, ve o moço, e lhe fala, tendo na mente o horror que o domina: 110 - Traição... Todos mortos! Quadro 385M.b. O moço franze a testa. Indaga, com a colera estampada na face: 111 - Traição? E de quem?... Quadro 386M.b. O capitão, arquejante, fala com difficuldade: 112 - D. Ruy... Armou-nos uma emboscada... os indios... Quadro 387M.b. D. Luiz ampara o seu capitão, que mal pode terminar: 113 - Acautelae-vos... elles não tardam! Quadro 388M.b. O capitão olha ainda para o seu chefe. Fecha os olhos, e a sua cabeça pende para o lado: está morto. D. Luiz contempla-o, pesaroso, e ergue-se, com ar sombrio. Quadro 389 P.i. D. Luiz, vendo D. Fernando, torna a pegar a sua espada, para

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estende-lhe a mão. impede-lhe com elegancia o gesto. Quadro 391M. D. Luiz. D. Luiz olha os seus homens.Sois chefe da bandeira. porém.. Fernando fala a D. collocam dentro della as armas e os polvarinheiros. reconhecido ante a nobresa do moço.continuar o combate. D. levam-n’o para a tenda de D. Tudo prompto. que fica fóra do entrincheiramento. rapidamente. que D.b. organisam todos. Fernando. e uma vez que propuzestes fazer parte della. Luiz. Quadro 390M.i.b. Luiz: 114 . O moço encara D.b. E.. Fernando aperta. Ao capitão de matto. uma barricada em quadrado. no centro da lareira. collocam-se dentro da 165 . que continúa: 115 . E que D. Dá ordens. Maria nos guie no que vamos fazer! Quadro 392M. Fernando. Prompta a barricada. D. valendo-se para isso de todos os fardos que têm á mão.Acceitae o meu auxilio e o dos meus homens na defesa do acampamento. Quadro 393P.

Quadro 396P.i. Inubia tocando. e despedindo as flechas. a india aninha-se dentro de uma caixa. Luiz. Um grande indio assoma em primeiro plano (de baixo para cima). Quadro 3911ºp. perto de Imbú. Um rosto convulso de indio. Quadro 394 P. Os arcabuzes disparam. Os arcabuzes disparam. assoprando a inubia. Quadro 3941ºp. numerosas. segurando os arcos. . As flechas cáem. cáe. Quadro 3971ºp. 166 As flechas cáem na barricada. Distende o arco. Mãos vigorosas. arremessa a flecha. attingido. Quadro 3921ºp. negras e grossas.i. O homem que vinha da tenda de D. Maracás. Mãos negras agitando freneticamente os maracás. Quadro 393 1ºp.barricada. Luiz. na barricada. Um dos homens vem voltando da tenda de D. Quadro 3951ºp.

As flechas cáem.Quadro 395 M. Tudo em volta se conserva immovel. admirados. Quadro 399 M.b. os indios suspendem o ataque: não cáe mais nenhuma flecha. Luiz já estão cahidos. cambaleia e cáe. os dois homens restantes de D. Conheço a guerra de minha tribu: elles sabem que estamos fracos e querem aprisionar-nos. que 167 . Quadro 396P. têm os olhos fixos em Imbú. Dentro da barricada. Dentro da barricada. vendo parar o ataque. Subito. Quadro 397M.b. levanta a cabeça cautelosamente. Fernando olham para elle. attingido por uma flecha nas costas.b. sempre numerosas. Imbú repete o gesto. examina os arredores.. e faz um gesto para que cessem o fogo.i. João. e explica: Quadro 398116 . de dentro de sua caixa. A india. sorri para Imbú que. abaixa-se novamente.. Os dois moços. Luiz e D. até a altura dos olhos. D. Pedro rosna uma praga. poupando os seus guerreiros. com o arcabuz em punho. dispara. Imbú.Não vale a pena atirar mais. com ar sombrio.

fazendo que sim. Quadro 400M. de surpresa.. É preferivel que nos entreguemos. Este tira do gibão uma moeda. Os moços esboçam um gesto de protesto.b. 168 . A resistencia será inutil.b.Podemos descançar agora: elles somente atacarão á noite. Os moços ficam como que aniquillados.A mim é que não comem.. lentamente. Quadro 402M. com difficuldade. Pedro sorri. Imbú insiste.. Quadro 401M. viradinho com torresmo.b. docemente. Pedro o assiste com solicitude. ao amigo: 118 . para aprisionar-nos. e ainda fala: 119 . dá um leve piparote na orelha de João.continúa sempre impassivel: 117 . sem saber o que faça para soccorrer o amigo. João agonisa. Tambem docemente.Toma lá os dois escudos que eu te devo. João fala. rodeia-a entre os dedos . João abre os olhos sorri e. contristado. com a cabeça. dá um leve piparote no nariz de Pedro. que sorri tambem..

À luz das fogueiras. Dentro da barricada. num esforço. com a outra mão.b. como num preito de saudade. Ruy. cinco velhos chefes índios. tendo num braço o gato. Noite. A escuridão mal permitte distinguir os vultos. a .b. Luta.Toma conta de “Napoleão”! Cuida delle como se fosse de mim!. uma porção de figuras negras salta dentro da barricada. e fecha para sempre os olhos. Confusão. e pede. Pedro. acaricia-o. está o grande conselho reunido. quase desfallecido: 120 .i.Quadro 403 M. D.b. Subito. João entrega a moeda ao amigo. colloca o gato perto delle. Fusão Quadro 405P. Imbu. Quadro 404M. Fusão Scena 39 Na Taba 169 Quadro 412 M. Depois. fica mechendo na orelha de João... Pedro toma o gato. com um riso escarninho. João sorri. de phisionomias graves.

O velho chefe torna a falar: 123 . homem que falas a nossa lingua. o desenrolar da scena. o Caçador de Diamantes. amarrados fortemente com cipós. Fernando.Reconhecemos-te. repete o signal que fizera à índia. Imbu continua impassível. Movimento de espanto entre os chefes. Imbu.Sou Imbu. D.b. Imbu. e que tens a pelle da nossa cor? Quadro 413 M. com as duas mãos. o Caçador de Diamantes. Um dos chefes.Tu julgaras os brancos. depois a bocca.b. o mais valente da tribu! Quadro 414M. Pela tua 170 . pergunta-lhe. voltando-se para Imbu. o negro responde: 122. magestoso: 121. D. O velho chefe continua: 124 . anciosamente. Imbu espera passar a agitação.índia.Quem es tu. Luiz e D.b. Terminada a extranha apresentação. tapando primeiro os olhos. e. Os dois moços acompanham. Ruy franze o sobrolho. filho do Jaguar. filho do Jaguar! Mas queremos que nos proves que o espírito dos brancos não te escureceu a mente! Quadro 415M. depois os ouvidos.

Imbu. com a cabeça. Exijo que tambem seja condemnado! Quadro 412 M. o Caçador de Diamantes. e responde: 125 .Aquelle traiu hoje os brancos. Movimento de aprovação entre os chefes. Quer sahir. nos trairá tambem. o mais velho faz que sim. Amanhã.b. pela traição do negro.Eu. mas duas grossas mãos o mantêm quieto no logar.b D. volta-se para os velhos chefes. sempre com a mesma indifferença: 126 .sentença avaliaremos a tua fidelidade ao nosso sangue! Quadro 416M. e continúa. Os velhos chefes parecem hesitar. Aponta para D. Afinal.B. Imbú conclúe: 171 . Consultam-se entre si. Lentamente. Os moços têm um gesto de espanto e indignação. filho do Jaguar. Imbu faz um gesto afirmativo. Ruy. olha os circunstantes. Imbu espera que passe o movimento que a sua phrase provocara. Ruy apavora-se. condemno os homens brancos á morte! Quadro 417M.

.

As mãos affastam os dois moços. impassiveis. Outras agarram D. D. ao romper do sol! Quadro 413 M. Fernando olha o animal. 173 . D. Luiz. Quadro 416 M. Os chefes approvam.b. Quadro 414 1ºp. Quatro mãos agarram violentamente D. Imbú enlaça a india e continúa a caminhar. com odio. Fernando.O traidor morrerá agora. Os outros dois são chefes: morrerão no Cume Sagrado. Ruy. Quadro 415 M. D.b. mas as mãos o agarram e o levantam.Negro ordinario! Quadro 417 M. Fernando e D. Fernando e D. Luiz cruzam com Imbú e a india.b.b. Param. brutalmente. O gato de Pedro entra no circulo do conselho. Quadro 418 M. Faz um esforço para libertar-se. junto com D. comprehende.127 . Imbú e a india entram para dentro da taba. Luiz.b. Imbú sorri. fala ao indio: 128 .

Os cinco velhos chefes. desamarrados. e com facilidade os levanta nos braços. Imbú passa no meio delles carregando a sua carga. Luiz. As pernas de D. á luz livida dos archotes. .i. Fernando e D. As flechas partem. que cáem desaccordados. como se o corpo fosse attingido. Tem. Olha para a frente. Quadro 4201ºp. na face. lento. O conselho abre alas. Imbú e a india. Ao pé do Cume Sagrado. Imbú approximase delles. magestoso.b. começa a subil-a com passo firme Quadro 422P. e seus olhos se arregalam apavorados. Imbú attinge a encosta.Quadro 419 M. seguido pela india que o acompanha como um cão fiel. Quadro 4211ºp. As mãos trazem D. está amarrado no poste de supplicio. Ruy relaxam-se. As mãos dão. uma expressão de pavor e desespero. a seguir. Fusão SCENA 40 174 No Cume Sagrado Manhã. D. Mas segurando os arcos. um tremendo golpe na nuca dos moços. Ruy.

b.d. levanta os dois corpos no ar. Quadro 428M. assistem silenciosos á execução.d. de perfil. desce a encosta. Encosta mais alta. Imbú volta-se. Imbú. olhando para cima. O negro. A india o segue sempre. arremessa os dois corpos no abysmo. que os recebe. Imbú sobe-a. Quadro 424 L.d. 175 Quadro 426M. Quadro 429 L.d. Os chefes indios levantam os braços para o céo.d. com os braços erguidos.b. tendo os moços nos braços. com passo seguro. Quadro 427L. Num gesto de gigante. olha o horizonte. O negro chega ao alto do cume. contempla o horizonte. A sua figura destaca-se como a de um gigante. Encosta do cume. . acima de sua cabeça.Quadro 423 L. Os chefes do conselho. erecto como uma estatua. fazendo-os estraçalhar-se nas suas fraguas. Imbú continúa a subir. Quadro 425L. Num esforço herculeo. Imbú pára a beira do abysmo. A india já não está mais com elle.

Do lado opposto surge Imbú que. (mais proximo) O negro continua a descer. cujos rostos ella esconde com o corpo.Quadro 430 L. passam a mão pela cabeça. de pé. Imbú. a india está ajoelhada junto a dois homens. cobrindo com ella a passagem. Luiz. arrasta uma grande pedra. A um canto. Os moços. Quadro 434M. 176 SCENA 41 Na gruta A immensa gruta se revela em toda a sua aggressiva grandiosidade. reanimando-se. num violento esforço.i.i. se dirige para a india. Dentro da abertura da moita. tranquillo. Quadro 433P.b. Quadro 432P. D. De repente. Imbú desce. começa a andar pelo escuro corredor. e desapparece numa pequena moita. ajoelhandose perto della.i. como . Fernando. Volta-se e. sereno. a india e Imbú. inesperadamente.d. caminhando com seu passo cadenciado. dá um pulo para o lado. Quadro 431P. Na encosta. D.

Os moços estem as mãos para o negro. filho do Jaguar. vae beijal-as.Sim! Acabo de atiral-os do alto do Cume Sagrado! Quadro 436M. tirei de lá dois cadaveres. e atirei-os no abysmo.querendo reunir as idéas.b. em vosso logar! Quadro 437 M. Soerguem-se. ainda não nos executaram? Quadro 435M.b. o negro ao lado delles. Os dois moços não escondem a sua surpresa. Os dois moços contemplam admirados a nobre figura do negro. ancioso: 129 . e responde.Olá. Imbú sorri. e olham curiosamente em torno.Aqui estamos seguros. A india sorri.b. O negro sorri. levei-os para a encosta. espantados. Imbú sorri de novo. Fernando indaga. enigmatico: 130 . mas os moços o impedem. meneando a cabeça. vêm.Quer dizer: fui á noite ao acampamento da bandeira. que as pega. sem nada comprehender. D. como para verificar se era verdade. Tapei a 177 . e explica: 131 . Apalpam-se. Imbú lhes fala: 132 .

Luiz os contempla. Maria vos espera! .D. Á noite. D. volta-se para D. fazendo um signal para que o acompanhem. forçaremos a sahida.b. O moço não esconde a surpresa. Quadro 438P. Examina as anfractuosidades da gruta.b. e prosegue: 135 .i. Fernando.Enfiae a mão. retira-a. Reservo-lhe ainda outra surpresa maior! 178 Quadro 439M. cuidadosamente. Fernando. o Caçador de Diamantes nunca esquece o seu benfeitor.Levae o que quizerdes! D. Fernando obedece: a sua mão volta cheia de diamantes que fulguram. e tirae dahi o que puderdes! Quadro 440 M. silencioso. desloca-a com cuidado. Imbú continúa sorrindo. O negro pousa o dedo na saliencia. continua: 134 . Pára deante de uma pequena saliencia lisa. Fernando e fala: 133 . desenhada na pedra. Fernando. D. a alegria. um pouco affastado. e ninguém conhece a gruta. a admiração. O negro levanta-se. D. e mostrando o pequeno orificio a D.entrada.

O moço olha surpreso para o negro.O iminigo do meu bemfeitor é tambem meu inimigo! Poupeivos. Fernando. Maria! Quadro 443M. que fala: 136 . senta-se numa anfractuosidade. responde-lhe. Fernando. volta-se para 179 .Fui derrotado em tudo. Fernando fita tranquillamente D.b. Este sorri. D. para junto della. inttervem. chamado assim á posição de juiz na sorte do outro. Luiz. aniquillado. sem odio: 138 . Luiz avança. A india fala qualquer coisa ao ouvido do negro.i. D. Luiz olha os seus dois interlocutores. A india. D. que se conservára affastada. Este.Quadro 441 P. D. para que D. Só falta que vós me roubeis tambem D. vae até onde estão o negro e D. Luiz fala ao moço: 137 . Luiz fita D. Quadro 442M. D. mas Imbú o detem. Quadro 446 M. Ella decidirá! Quadro 444M.b.b. Fernando fizesse de vós o que entendesse. pousa a cabeça entre as mãos. volta-se iz vae até um canto. se fôr possivel.Voltaremos.b.

Imbú. O luar filtra-se por uma abertura do alto. Os moços olham em torno. Nada vendo perto de si.Ella diz que se D. desperta.Minha esposa não está mais aqui! 180 Quadro 449 M. Imbú. D. e olha para o lado. concluindo: 141 . A noite nos favorecerá a fuga.b. somnolentos ainda. que ella lhe dará uma muito grande que tem guardada perto daqui! Quadro 447M. porém. faz um gesto tranquillisador.Talvez ella estaja á nossa espera na encosta. Imbú lhes fala: 140 . e explica: 139 . que dormia tambem. Fernando e D. .i. Luiz dormem. agradecido.b. para a india.D. No interior da gruta. O moço sorri. Fernando. desperta os dois moços. illuminando fracamente a scena. Fusão Quadro 448P. procura com o olhar. Fernando gosta dessas pedras. Noite. que accordam e soerguem-se. Saiamos. que se recosta no hombro de Imbú.

á frente. Os dois moços param tambem. A abobada da gruta fecha-se.i. O luar. tira-lhe com cuidado a . Quadro 453M.b. encaminham-se para um canto da gruta.i. Imbú. 181 Quadro 452P. Imbú pára. não é mais do que uma passagem muito baixa. Uma expressão de angustia pinta-se-lhe no rosto. compungidos.i. desapparecendo do quadro. Subito. tendoi no coração. cautelosos. Os tres levantam-se. Quadro 451M. os tres avançam.Quadro 450 P. com cuidado. SCENA 42 Na encosta Os tres surgem por detraz de uma pedra. O corpo da india. Os tres andam de rastros. olham: Quadro 454 P. Quadro 455 M. ao pé da floresta. cahindo perpendicularmente. De rastros. uma flecha. Os tres approximam-se. examina os arredores.b. espetada.b. e vão ajoelhar-se ao lado da india. cahido. Os tres continuam na sua cautelosa avançada. illumina-lhe as feições suaves. Imbú fita-a com tristeza.

e deixa cahir a cabeça. de pé. Ella segura um grande diamante. completando o quadro. levanta-a nos braços. Fernando! Quadro 458M. Quadro 457M. pega o diamante. Fernando. compungido. 182 .b. O negro retira o diamante da mão della. (de baixo para cima) Imbú. alguma coisa brilhar na mão da india. os dois moços. então. um de cada lado.i.flecha. vê. e fala: 142 . num desespero mudo. Quadro 4561ºp. immovel. em pé. que fulgura ao luar. tem nos braços a india. abandonados. O negro examina ao redor de si. A mão da india. os braços della caem. como offerecendo a sua esposa aos deuses. Os moços tambem se levantam. em silhueta. pega-a na india. O negro tem a cabeça erguida para o céo. Quadro 459 P. entrega-o a D. como dois guardas. tambem immoveis.b. Imbú levanta essa mão. e vendo tudo immovel e tranquillo. Ao fundo. D. Imbú.Era para vós. O moço.

e colloca-o sobre a tumba. Quadro 463 P. Deixa-os cahir. Fusão. Quadro 461P. Imbú levanta lentamente os braços para o céo. D. que mostra o logar onde a india fôra enterrada. fitam a humilde sepultura. immoveis. (normal) Imbú caminha. A mão de D. .Quadro 460 P. 183 Quadro 462 1ºp.i. inertes. D. numa evocação silenciosa. contemplando uma pequena elevação. Fusão. fracamente illuminado pelo luar. Fernando colloca o diamente sobre a elevação. O negro. D.i. cabeças pendidas. Luiz.i. Fernando. O negro e os dois moços estão de pé. depois. Fernando tira do gibão o grande diamante. Os dois moços o seguem. SCENA 43 Na matta Num recanto da floresta. A pedra fulgura aos raios da lua.

lê a extranha missiva: 143 . Adeus. Fernando deixa cahir lentamente o braço. D. irei fazer companhia a meus bravos companheiros. Fernando. D. Maria que me esqueça.” 184 Quadro 466 M. pode ser vencido. Ao pé delles balouça. vê o pedaço de fazenda. junto aos restos da fogueira apagada. Vê-se o sol despontar ao longe. Luiz. D. Um bandeirante. como eu. escrevo com meu sangue. e fazei-a feliz.SCENA 44 Á entrada da planicie Quadro 4641ºp. sertão a dentro. retira-o do páo. admirado. Fernando e Imbú despertam.b. D. pipillam os passaros. D. aqui e ali. Quadro 465P. dizei a D.“D. Parto. espetado em um páo fincado á terra. com essas palavras: . se não vencer ainda. E. Vae levantar-se. aniquillado nunca. por entre os galhos de uma arvore florida onde. um panno branco. Este. Luiz acceita todas as derrotas. O negro tambem o vê. ma so negro o sustêm. e entrega-o ao moço.i. Manhã. sosinho embora. Fernando soergue-se.

185 .

Deixae-o ir. de costas. Em silhueta.d. tendo nos braços a india. o indio inclina a cabeça. E. e o amor e a felicidade vos sorrirão para sempre! 186 Quadro 468M. Maria.Se a sorte vos favorecer. Fusão. O indio o fita. Fernando continua mudo. Quadro 470L. ainda a falar: 145 . Imbú olha-o. Fernando inclina a cabeça. D. ao fundo. pensativo. Tem o olhar fito e vago. a figura de Imbú. Fernando e Imbú. Á triste lembrança do seu amor destruido. as figuras de D. O rosto nobre do negro apparece em primeiro plano. Quadro 469 1ºp. há de encontrar a tumba gloriosa dos homens da sua raça: a terra virgem e o manto azul do céo! Quadro 467M.144 . E. D. é um valente! Homens como elle. de pé. volta-se depois para a frente.b. só a morte os derrota. em sobreposição.b. . Voltaes com as mãos cheias de diamantes. neste sertão immenso. breve tornareis a ver D.

marchando. marchando para o horizonte. FIM 187 ...

115. 17. 33. cedeu as fotografias reproduzidas nas páginas 9. 73. . 174 e 187. 90. 53 e 191 e À Cinemateca Brasileira que cedeu as fotografias reproduzidas nas páginas 70. além do roteiro. 22. 50. 101. 87. 96. 20. 30. 75. 119. 34. 109. 83. 77. 103. 26. 13.Agradecimentos À família Capellaro que. 125. 15.