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CONTROLE IMUNOHEMATOLÓGICO

O Controle imunohematológico é fundamental na determinação dos grupos sanguíneos do sistema ABO e a presença do fator Rh. Para fins de transfusão é investigada a ausência ou a presença do antígeno Rh (D). Realizam-se também testes para identificar anticorpos irregulares (anticorpos anti-eritrocitários clinicamente significativos no soro/plasma. Isto é, anticorpos potencialmente causadores de reacções transfusionais hemolíticas, de diminuição da sobrevida eritrocitária póstransfusional ou de doença hemolítica do recém-nascido). Erros na determinação do grupo sanguíneo podem induzir à transfusões incompatíveis, que suscitam severas reações antígeno-anticorpo capazes de produzir hemólise intravascular severa, que pode resultar em óbito. A seleção pré-transfusional compreende a identificação correta das amostras de sangue, a classificação dos sistemas ABO e Rh, o estudo de anticorpos irregulares e provas de compatibilidade (prova cruzada). Esta última é a mais importante e compreende dois tipos: menor e maior. A prova de compatibilidade menor envolve teste das células do receptor com o soro do doador e a prova de compatibilidade maior envolve soro do receptor com as células do doador. Certas situações exigem estudos laboratoriais mais elaborados, como nas anemias hemolíticas auto-imunes. Este tipo de anemia é caracterizado pela destruição das células do própio indivíduo por auto-anticorpos. Não são raros os casos de anemias hemolíticas auto imunes. É obrigatória a realização de exames laboratoriais de alta sensibilidade em todas as doações, para identificação das doenças transmissíveis pelo sangue. Estes exames devem ser feitos em amostra colhida da doação do dia e ser testada com conjuntos diagnósticos (kits) registrados na ANVISA, em laboratórios específicos para tal fim. PROCEDIMENTOS ESPECIAIS EM HEMOTERAPIA Em adição aos procedimentos habituais já revistos, um conjunto de procedimentos especiais, tem aplicação em muitos hemocentros e unidades de hemoterapia. Destes, os principais são: Aférese: A palavra aférese deriva do grego com o significado de separar, isolar ou retirar e, com essa conotação é aplicada aos procedimentos de separação dos diversos componentes do sangue. A aférese, portanto, consiste na remoção de um componente do sangue de um indivíduo, através de máquinas que realizam a separação por centrifugação. Aférese Terapêutica: É um procedimento especial que consiste na separação e remoção do componente do sangue supostamente patogênico: plasma (plasmaférese), plaquetas (plaquetaférese) ou dos leucócitos (leucoférese), com finalidade terapêutica. Transfusão Autóloga: É aquela em que a coleta e a transfusão de sangue e/ou componentes, preenchem o binômio doador - receptor; o mesmo indivíduo é doador e receptor ou, em outras palavras, um indivíduo doa sangue para sí mesmo.

concentrado de granulócitos.5%. antitrombina III. sendo os principais antígenos implicados os do sistema Rh. crioprecipitado. a obtenção de diversos componentes hemoterápicos. para restabelecer o volume sanguíneo circulante ou repor componentes específicos. conforme as necessidades de cada paciente. O fracionamento do sangue coletado de um doador origina diversos componentes (figura 1). permite ainda que um mesmo receptor. Sem a prova cruzada. concentrado de hemácias pobre em leucócitos. o banco de sangue sempre deve fazer uma 'prova cruzada' com as hemacias do doador e o soro do receptor. leucócitos e plaquetas entre os indivíduos. Kell.TERAPÊUTICA TRANSFUSIONAL A terapêutica transfusional consiste em administrar o sangue total. O fracionamento do sangue pode originar: concentrado de hemácias (concentrado de hemácias lavadas com salina. fator VIII liofilizado. Prova Cruzada Antes de liberar a bolsa de hemacias para a transfusão. concentrado de hemácias congeladas e hiperconcentrado de hemácias). albumina. concentrado de plaquetas. A transfusão de sangue total é substituída com vantagens pela terapêutica fracionada. Por problemas logísticos. Os antígenos aloimunizantes dos leucócitos e plaquetas são do grupo HLA. seus componentes ou derivados (hemácias. Cada bolsa de sangue doada possibilita. plasma (fresco congelado e comum). imunoglobulina sérica e imunoglobulina Rh. Duffy e Kidd. X liofilizados. a ocorrência da aloimunização está em torno de 1-1. granulócitos e derivados plasmáticos). A principal razão de ser da prova cruzada é a garantia absoluta de prevenção contra um erro grave: liberar uma bolsa incompatível em relação ao sistema ABO. Se houver aglutinação é por que no soro do receptor existem anticorpos contra antígenos das hemacias do doador e com uma alta capacidade de aglutinação. que exige técnica rigorosamente asséptica e conhecimento dos princípios que governam a compatibilidade entre os grupos sanguíneos. Em relação às hemacias. esta bolsa seria liberada para o indivíduo errado e aconteceria uma catástrofe! COMPLICAÇÕES DA HEMOTRANSFUSÃO 1-Aloimunização Como existem diferenças antigênicas das hemacias. receba maiores quantidades de um determinado componente sanguíneo. Reação Transfusional Hemolítica Alo-lmune . ou de erro humano. a bolsa de sangue não pode ser liberada. com componentes específicos do sangue. algumas vezes a transfusão sanguínea estimula a produção de aloanticorpos (alo = indivíduo diferente da mesma espécie) contra antígenos presentes na membrana das hemacias e/ou leucócitos e/ou plaquetas. VII. Neste caso.plaquetas. alguém poderia inadvertidamente ripar uma bolsa erradamente. A transfusão de sangue é um procedimento complexo. pelo fracionamento. fator IX liofilizado. IX. fatores II. O fracionamento permite maior conservação dos estoques de sangue e contribui para beneficiar um maior número de pacientes que necessitam de frações específicas do sangue.

que liberam citoquinas próinflamatórias. provocando coagulação intravascular disseminada (CIVD). taquicardia. Sepse Bacteriana É uma complicação potencialmente grave que pode ocorrer devido à contaminação do sangue doado no momento da coleta ou da manipulação. O sangue doado e do receptor devem ser prontamente retestados. O concentrado de plaquetas.A presença de alo-anticorpos no soro do receptor que reagem contra os antígenos das hemacias do doador pode provocar hemólise. para reduzir a lesão renal e a terapia de suporte respiratório e hemodinâmico. malestar. C5a). exceto a Yersinia enterocolytica. O sistema complemento é hiperativado. O diagnóstico é realizado pela hemocultura do receptor e pela cultura da bolsa que tinha começado a ser infundida.000 transfusões. Como os anticorpos anti-A e anti-B são IgM e têm um alto potencial de ativaçio do sistema complemento. e ativam o sistema de coagulação. com uma letalidade em torno de 40%. taquidispnéia. flush facial. marcado por febre. produzindo fatores quimiotáticos para neutrófilos (C3a. O sistema fechado de bolsa dupla ou tripla reduziu drasticamente esta complicação. Por isso. esta bactéria é o agente etiológico mais comum da sepse por transfusão. a chance de contaminação é bem maior. choque e insuficiência renal aguda (necrose tubular aguda por hemoglobinúria + ação de citoquinas). Os primeiros 30ml de sangue transfundido já são suficientes para desencadear a reação hemolítica com repercussão clínica. A conduta é a suspensão imediata da transfusão. o resultado é uma intensa hemólise intravascular que se inicia imediatamente após a transfusão. por erros logísticos (troca de bolsas). por ser armazenado e temperaturas mais próximas da ambiente (22° C). Quase todas as hemácias doadas são imediatamente hemolisadas. Incompatibilidade ABO (Reação Hemolítica Aguda) Este é o quadro mais grave de todos! Ocorre em 1 a cada 12. A maioria das bactérias não resiste à temperatura de armazenamento do concentrado de hemacias (4o C). seguido por uma hidratação vigorosa. . dor lombar. O resultado é um quadro muito grave.