You are on page 1of 9

Egúngún

O culto aos ancestrais masculinos, tem sua importância definida em um contexto relacionado com a própria essência vital, uma vez que na vida, não existe fim, e sim um ciclo, aonde as energias se renovam e interagem . Sendo assim, podemos concluir que a crença na Ancestralidade está baseada em dois conceitos extremos: AYÉ – mundo concreto ÒRUN – espaço reservado a Ancestralidade Sabemos que o ser humano, tem sua origem ligada a um destino que começa a ser determinado no momento da fecundação, e que o mesmo passa por dois estágios: o nascimento e a morte, ou seja, dois nascimentos, uma vez que para o yoruba, a morte não é o fim e sim, como visto anteriormente apenas o início de um novo ciclo. O Emí (função vital, que interage junto ao orí ), perpetuasse, uma vez que o mesmo está associado ao nosso duplo no Òrun ( egbé ), sendo assim, independente de que ciclo o Emí esteja associado, o mesmo circula entre o Òrun e o Ayé, criando um movimento e assim a possibilidade de movimentação concreta dessa energia . De acordo com nossas ações no Ayé, podemos assumir a condição de um ancestral venerável, tendo participação concreta nas escolhas e caminhos de nossos descendentes. A Ancestralidade é algo concreto, e ao cultuarmos a mesma, abrimos um leque de possibilidades e um constante ciclo de renovações de nossas energias, uma vez que a manifestação energética do culto se encontra em constante movimento. Ao cultuarmos Bàbá Egún, reforçamos nossa crença na reencarnação, e através desse fenômeno evocamos a sua presença uma vez que dentro da essência desse culto cremos que todos, a principio sempre voltarão ao Ayé, pois nosso Emí é imortal . Por mais poderosa que seja Ikú, a mesma não destrói o homem, mas age apenas como um agente de transformação e renovação dos ciclos entre o Òrun e o Ayé. Podemos concluir que, enquanto existir o homem, tempo e o desejo, haverá o culto a Babá Egún. Uma vez entendido a essência dessa energia, podemos nos aprofundar um pouco no que vem a ser realmente Bàbá Egún. Os Egúngúns são guardiões da herança ancestral de um determinado grupo e através de sua manifestação, podem ajudar ou molestar, criar problemas ou nos encaminhar para a felicidade. Cultuado enquanto espírito coletivo de uma herança ancestral, são conhecidos como Ara Òrun kinkinkin, e possuem um papel fundamental, pois seus fiéis crêem que o mesmo tem participação constante em tudo aquilo que acontece no Ayé. Sendo assim, orientam, direcionam, protegem, pois de acordo com a crença yoruba, o Ancestral que deixa sua família no Ayé não dorme. Assim sendo, todas as minhas aflições serão depositadas nas mãos de meus Ancestrais, pois da mesma forma que uma árvore sem raiz não sobrevive, o mesmo acontece com um ser humano que não reconhece a importância de sua ancestralidade. Suas funções coletivas superaram a linhagem de um determinado círculo familiar. Protegem a comunidade dos espíritos, das epidemias, de feitiços e bruxarias, assegurando assim o bem estar geral. Enquanto Ancestrais, podem ser evocados individualmente (Bàbá Egún) ou coletivamente (Bàbá Igúnnuku ) de acordo com o momento e eventuais necessidades. O local onde as evocações podem ser feitas diferem. Podem ocorrer nas sepulturas de nossos ancestrais (Oju Orori), no igbá de uma determinada egbé ( Ilé Igbale ) ou mesmo no bosque de uma determinada egbé (Igbalele) .

ouvindo as vozes de nossos ancestrais. Ébu rere kója ló si apá kejí odó Ojó wo l´a o pàdé iwó òrisá ilé ? Nibó l´a o pàdé iwó òrisá ilé ? O di arinnakó o di oju alá O di okio aláwo ati ti awòrawó O di iwáju Olódùmaré Baba. Na Nigéria e também no Benin. Eni rere sun´re o. ORIKI EGUNGUN Egun ayiê Isibó Orún Móju Baré!!! Sún ré òkún. Esta comunicação pode simplesmente envolver recordações que os antepassados revivem na memória como um modelo para decisões nos mais variados níveis de nossa existência. tendo a mulher enquanto Ìyágan ou Ìyálasé. reforçam essa crença e nos orientam na maneira correta de proceder quanto ao preparo do Ojúgbo. òkún. éni rere sùnre o. Erín wo. Sun`re o. O mú´ni wó iínu ilé. a kó re i imó O mu´ni wó iyéwu ré kó padá bó Sun´re o. religiosa ou mesmo sentimental. onde reforçamos nossa crença no papel de orientação profunda que os ancestrais exercem sobre a comunidade. conhecido como os olhos de Bàbá. Muito mudou desde que os primeiros escravos yorubas desembarcaram nas costas ocidentais em relação a sua origem. o um éni rere Bi ikú ba ti de ko gbó´oógun mó Éni kú s´ébó tán O simi o si bó Iówó iyónu O di ebóra fun ómó arayé O di òken nin awón Màleká ode-orun Sun `re o. Bi ikú ba ngbowó A ba fun um l´ówó Bi ikú si ngb´ébó A ba ra agbó funfun nìkinkìn A ba ni ki ikú o gbá ko s´íjú Ko féni rere lê kó jé kó pé Ko feni rere lê leigbá èmi ré Sún´ré o. que voam com o vento. òrun súnré ô Órun re o. Éni rere sùn´ré o. O encontro com os ancestrais é um momento de festividade. onde se encontra a constante manutenção do ciclo de vida e morte. de Owonrin Mej. Ressalto aqui a importância do odu Oturupon Meji. conhecido entre os membros do culto como Aseyin e também Oyeku Meji. a Mãe Terra. que transmitem as mais variadas informações aos sacerdotes e iniciados. . Kíni a ba wi. kini a ba só ? Kini a ba fi sé ètùtù nlá yi ? Ká tu ikú l´ójú k´a ye isókun ojú K´a ba adájó ti nda ti a kó le ri Ikú ti nmu´ni l´ohún. social . Éni rere sùn ré o. Alguns Odus de Ifa. papel fundamental nos ritos iniciáticos. mu´ni léegun ara. como política. Ikú fó`jú kó riram Ikú féni búburú silé. Ki a to fojú ganni ara wa. Òkú ló gvéré a ko ri i mó Akikanjú p´arada a kò gbohun ré. acreditamos que todos. éni rere sun´´re o. Ikú t´ó fó niká silé t´o um éni rere Bi ikú ba maa gbó a ba bé ikú A ba dóbálé niwajú Élédá A ba fi fere kórin àilónka A ba ke pe ikú ko sáánú Ko fi omo sílé fun abiyamó Sugbón ilú di´´tí kó gbóhùn Sún`re o. têm o poder e a habilidade de se comunicar com aqueles que passaram além dessa vida. ou através de um pêndulo. onde essa energia será evocada. erin ló.A influência que os antepassados têm sobre a comunidade torna-se concreta enquanto os Egúngúns aconselham sobre as mais diversas funções. òrun. Ajànàkú subu kó lê g´óké Eni rené ló s´ájulé órun Sun´ré o. independente de sexo. já que a mesma é a manifestação viva da presença de Omulale ou Alale. òrun re o. através de sonhos. Éni rere sun´´re o.

misteriosa. e esconde um grande segredo. são as músicas que saem dos atabaques que chegam a todos os cantos de Ponta de Areia tocados pelas crianças ávidas de mostrar para a sociedade que estão evoluindo e . Disto. um pequeno templo. aparentemente constitui uma edificação muito simples. floreça. Aparenta uma edificação sem importância e insignificante para um olhar desatento. está uma casinha singela. o céu limpo e estrelado. guardada. as mulheres com suasbat as2 exuberantes. e com paredes mal aparelhadas e aprumadas cobertas com telhados ora feitos de telhas de fibrocimento ora de telhas cerâmicas artesanais (Ver Fig. a mais precária de todo o conjunto arquitetônico do terreiro. que anuncia as bênçãos de Bàbá. fora deste universo cultural complexo que se baseia em outros conceitos e valores. a casa do segredo. constitui o Axis mundi de todo o conjunto. todos vistosamente vestidos. o que é o belo para onagô? O que é o belo para a sociedade do culto aosÉgún? Belo para onagô. Mas o que é este templo que faz com que tudo cresça. a presença do maior número possíveis dos filhos de Bàbá. só eles dominam este poder conservado de geração em geração por um pacto de silêncio. é o centro de todo o terreiro. Constitui em uma casa feita de blocos cerâmicos aparentes. com as suas melhores roupas. pois sempre precisa de novos espaços para comportar os novos assentos dos novosÉgún à medida que osOjés falecem e tem os seus àse fixados nestes assentos. silenciosos. compassados. Na frente da mata sagrada. mas que contém entre as suas paredes e telhado um inimaginável poder e guarda. para os membros da sociedade do Omo Ilé Agboulá. só eles penetram neste segredo.O LESSAYN: O CORAÇÃO DE UM TERREIRO DE EGUN (Agboulá) AUTOR: FÁBIO MACÊDO VELAME. presa e agarrada a terra como uma árvore onde seus pilares se transformam em raízes. pacto este firmado a muito tempo atrás em terras Yorubás. que se comunicam e falam apenas pelo olhar. Neste templo apenas homens e anciões imponentes. só eles é que podem entrar. observadores. silenciosa. o seuàs e. cuida. se desenvolva em potência e beleza ao seu redor? Este templo é o Ilé Awo. em meio a árvores e arbustos de várias espécies.01). Todavia o Ilé Awo constitui a principal edificação do terreiro. é à noite que anuncia o inicio das festas deBàbá1 . Ela é a mais importante. pois é a que esta sempre sofrendo modificações e ampliações. o segredo de evocar os espíritos dos ancestrais e seus poderes de realização. Belo. num primeiro momento advêm uma questão primordial.

revela e manifesta a dimensão do sagrado em toda a sua carga simbólica e energética. bloco de todas as edificações. Belo. o belo torna-se tudo cujo esforço e harmonia revela o sagrado. são as cantigas e as danças das mulheres de todos os postos ali juntas abrindo a festa. com espelhos. a casa do segredo. cada galho. atento na entrada. O Ilé Awo assumi uma dimensão de importância ainda maior. preparando a casa paraBàbá. onde as mulheres mais velhas entram para descansar depois de fazerem as comidas. faixas. búzios. Belo. a dançar e abençoar a todos os presentes. todos reunidos e cantando alegres por estarem com os seus ancestrais.02). é o abrir do barracão. Belo é a presença deBàbá. pois materializam a sua concepção de mundo e é o suporte e o continente de seu sistema dinâmico. são todos extremamente belos. na certeza que seus filhos voltarão para terem com seus pais. montando guarda para que tudo ocorra bem. Assim como o Ilé Awo. pois elas é que guiam osBàbá. no seu conjunto. pois ele é o que possibilita a manifestação do sagrado. cada porta. recebendo os primeiros raios do sol nascendo na soleira de sua porta. é o portão do terreiro que se fecha. Belo. de chão batido. são os seus conselhos. ramos. é o Ilé Ìyá Egbé. pois constitui na ‘’morada’’ dosÉgún e é de onde eles voltam para oÀiyé. são as varas sagradas que trazem a mão. e notadamente para os membros do Omo Ilé Agboulá. doÒr un para oÀ iyé. com standarts. o amanhecer. e tão belo quanto. . com as folhas no piso purificando o espaço do barracão. cada assento de divindades e ancestrais. entre seus filhos. por causa dos rituais secretos da sociedade. para que juntos novamente possam festejar a vida. O Ilé Awo. respectivamente. a satisfação e a harmonia de Onílè. tem que ser construída na área mais reservada e privada do terreiro. comÈ sú. com a Casa deS àngó. são as flores trazidas pelos filhos da casa para dá de presente a Babá. Ògún eÌròk ò. e tão Belo é a felicidade de Bàbá ao estar na presença de seus filhos. central e hegemônica sobre todo o terreiro. de lá é que eles advêm doÒrun para se encontrarem com seus descendentes. a terra mãe de onde os mortos surgem do Òr un para oÀiyé (Ver Fig. a aurora. e tão belo. e é belo em suas inter-relações. ramo e folha das árvores sagradas. O belo é tudo o que é útil e dinâmico. servindo ainda para separar os mortos dos vivos. a avistar de longe os filhos da casa que se vão após cumprirem suas obrigações com eles e os ancestrais. Para os integrantes da sociedade de cultos aosÉgún. aquilo que dinamiza a existência pela sua função utilitária sagrada de coloca-lo em contato com as divindades e os seus ancestrais. rigorosamente e delicadamente bordadas pelas suas filhas com os emblemas mais diversos que revelam que eles eram em vida. são suas indumentárias coloridas. que levam os pedidos da sociedade e trazem as vontades e conselhos dosB àbá. ou seja. cheias de apetrechos dos mais diversos.aprendendo para satisfazer oBàbá. que faz com que oÀse. Portanto o belo para onagô está atrelado a tudo aquilo que o liga. os orientam no mundo. suas recomendações e repreensões. para lhe satisfazer. em sua casa. Tem como principio fundamental e irrestrito o fato de alguns de seus espaços internos serem em piso de terra. é o contentamento. que torna possível a vinda dos ancestrais. chamado também de casinha ou casa de Égún. telha. com as portas e janelas abertas. Belo. pois eles são os únicos que entendem os que osBàbá falam. cantarem e dançarem para Bàbá. o que possibilita o sagrado e o desenvolve. contas. os É gún. pois estão harmonicamente dispostas e equilibradas com o cosmo. Encontra-se no Omo Ilé Agboulá atrás do da entrada dos fundos do Ilé Nlá (barracão) envolvido pela mata sagrada e pelos assentos dos Òrìs à que possuem vinculo direto com os Égún. são suas ferramentas que trazem a mão e os seus tronos esculpidos que lhes afagam. são os respeitados sacerdotes. Belo. para que possa se estabelecer o contato direto com o solo. seus pais. se desenvolva e cresça para ser distribuído e usufruído por todos os seus filhos. osOjés. são as comidas feitas especialmente para atender o gosto de cada B àbá. Belo. Belo. se preserve. são os mais jovens e crianças acompanhando o ritmo e as letras das cantigas dos mais velhos. Belo. que é o Omo Ilé Agboulá. transmitido suas energias positivas. Belo. o cheiro da terra molhada do orvalho. mas para o nagô. para que eles não decepcionem quando este lhe pedir suas músicas prediletas. vigiando aqueles que estão indo embora. a ornamentação caprichosa feita especialmente para a festa. e zelando-os lá fora para que eles possam voltar. todas as demais edificações do terreiro são muito simples do ponto de vista construtivo e formal para um olhar arquitetônico ocidental e erudito. cada espaço livre e fechado é individualmente belo em si mesmo.

A ante-sala doIlé Awo constitui. Dentro dela encontra-se o assento deÈ sú e também o assento deÒsànyn4. são feitos Ojés e por fim onde são realizadas as cerimônias e rituais secretos de culto aosÉgún acessível apenas aosOjés. e as mulheres da sociedade. onde as decisões dosOjés são tomadas. de todas as hierarquias. compostos por nove membros (simbolizando cada espaço doÒrun) onde são discutidas as questões internas e externas referentes aos membros da sociedade. onde os iniciados. osAmuis an.A casa do segredo é composta de duas partes: a ante-sala e oÌ gbàlé. proteger osOjés e a casa do segredo. portanto a sala social dos Ojés. OÈsú que guarda e zela a porta de entrada do Ilé Awo é um Èsú Ona. é onde todos os assuntos religiosos são discutidos e resolvidos. e só a eles é permitido o acesso. O Èsú Ona é o supremo senhor dos caminhos podendo de acordo . sendo que alguns deles ficam dias longe de suas famílias enclausurados cumprindo todas as suas obrigações litúrgicas. tem como função especifica. é totalmente fechado a não-iniciados e a iniciados de ritos incompletos. A ante-sala é onde se reúne o conselho dos Ojés Agbás3.

No dia em que a Morte apareceu. o que se exprime em ioruba pela frase: ‘’Iyá Omo mésàn’’. Suas representações tanto na África como aqui na Bahia. (SANTOS. que lhe revelou o seu erro. onde estão todos os segredos fundamentais do culto aosÉ gún. é o espaço do culto de todos os filhos deOya (Iyãsan). p. o seu emprego. uma sociedade composta exclusivamente de mulheres com o objetivo de enfrentar a preponderância dos homens. Os babalawos (adivinhos e sacerdotes de Òrunmilá) disseram a AmeiyÉgún que ele e seus familiares deveriam adorar e cultuar os mortos por todas as suas gerações. em torno dessa ‘’novidade’’. os mortos. ele e seus familiares vestiram as tais roupas e se esconderam no mercado. No primeiro deles revela a origem deÉgún como filho deOya vinculando a seu tabu alimentar: Oiá lamentava-se de não ter filhos. (FILHO. Para tal. a mãe dos nove espaços do òrun (Mésàn-òrun). O Èsú Ona fiscaliza todo o fluxo de entrada e de saída. Desde então a Morte deixou de atacar os habitantes de Ifé. ele continua sendo o senhor absoluto das portas das casas. e ela. estavam nas passagens. Deoscoredes M. assim como todo os demais terreiros deÉgún no Brasil. que é a divindade das plantas medicinais e litúrgicas se encontra dentro da ante-sala do Ilé Awo porque nenhuma cerimônia secreta que manipula ervas sagradas pode ser feita sem a sua presença. conforme o mito de origem do culto aosÉgún: De quatro em quatro dias (uma semana iorubana). emblemas. e a mais importante desta e de todo o terreiro é oÌ gbàlé. origem de seu nome Iansã. manipulação e as palavras que despertam seus poderes constituem um dos elementos mais secretos da sociedade dos Égún. templos e palácios. da mesma forma osÉ gúns se apresentam. Embora a carne de cabra lhe fosse recomendada. 1981. a mãe e senhora do mundo dos mortos.com a situação fecha-los ou abri-los. que escondia todas as partes do seu corpo.òr un e os Égún. entre as quais deveria haver um tecido vermelho. e o guardião dos portões da cidade. Esta triste situação era conseqüência da ignorância a respeito de suas proibições alimentares. todo o tráfego. Oya Ìgbàlé é no culto aos Égún a única e exclusiva Òrìsà feminina cultuada e venerada pela sociedade dosÉgún. e fez sacrifícios apropriados. Iyá-mèsàn-òrun. nas . eles apareceram pulando. composta exclusivamente por homens que contém o segredo em comum da evocação dosÉgún. 1986. mais tarde. pois ele é o detentor do às é fixada nas folhas. Este pano. Nem mesmo osOrixás podiam comIku. também ocorriam nos caminhos que guiavam as vilas. oferendas e reverências lhe são prestados cujo ápice é o dia de finados no mês de novembro dedicado totalmente a ela.Égún é a terminação do nome deA meiyÉ gún. Dentro doLèsànyìn possui como um dos primeiros assentos fundamentais o de Oya Ìgbàlé. notadamente as de três caminhos.se da confusão provocada pela aparição dos Égúngún. em diversas cores. campos e cidades e principalmente nas encruzilhadas. Oiá tornou-se mãe de nove crianças. Neste espaço estão todos os paramentos. (SANTOS. fugiu deixando cair seu cajado. aconselhando-a a fazer oferendas. Tendo comprido essa obrigação. p. cuja presença fortalece e desprende oàsé das plantas para a realização dos rituais e oferendas aos ancestrais. Sua função é a mesma que na África. correndo e gritando com vozes inumanas. Deoscoredes M. ela comia a de carneiro. oÌgbàlé recebe a denominação deLèsànyì n. assim como os elementos ruins e totalmente malignos. hoje. e reverenciada pelos própriosÉgún. pois é ela que controla o mundo dos mortos. OLès ànyìn. apavorada.Iku (a Morte) vinha à cidade deI lê-Ifé munida de um cajado (Òpá iku) e matava indiscriminadamente as pessoas. e é como hoje são conhecidos os ancestrais do seu clã (Égún ouÉgúngún ). A segunda parte do Ilé Awo. confeccionou uma roupa feita com várias tiras de pano. e indumentárias. p. lembrando como eles venceram a Morte. O assento deÒs ànyn. os chamadosAr á. haveria de servir para confeccionar as vestimentas dos Égúngún. cobertos de panos e portando um cajado. 43 a 49). nas portas. formou-se. portanto. Abri e fecha a casa para as boas e más energias respectivamente. a qual em todas as festas do calendário litúrgico. ele é grande controlador dos caminhos que conduzem a fortuna.Iilé+és án+yi n. O nome das plantas. Quando a Morte chegou. 1981. cujo título africano é Iyãsan. as coisas boas. Assim que a roupa de Égúngún foi criada. e a todos os seus filhos. Mas elas exageraram e aproveitaram.165).171) que é a casa de adoração de Oya Ìgbàlé (SANTOS. 1981. aldeias. Inúmeros são os mitos que estabelecem a relação de Oya Ìgbàlé com osÉ gún. pois tanto lá como aqui. Oiá consultou um babalaô. No Omo Ilé Agboulá. p. Deoscoredes M. osÒpás5 dosÉgún. inclusive a própria cabeça.166). É a vitória da vida pós-morte: como no mito em que a vida venceu a morte. Um cidadão chamadoAmeiyÉgún prometeu salvar as pessoas.

168 a 170) O segundo o mito também revela a origem deÉgún. Iyasan. sob todos os seus aspectos. que é à base de origem deÉ gún. Estes. Desses filhos. 1981. mas tinha uma voz estranha. e como tal o senhor original do mundo dos mortos. conhecida com o nome de isan. Ele recomendou que ela fizesse oferendas. Mas o cargo de detentora e senhora do mundo dos mortos e de todos os seus habitantes foi um presente dado porObaluaê10. exasperados. 2005. Depois de cerimônia especial. este mito revela porque Oya Ìgbàlé é cultuada ao lado dosÉ gún. foi dado em sinal de gratidão aOya pelos seus feitos durante as festas. os homens dominaram as mulheres e são senhores absolutos do culto. Decidiram então ir a Òrunmilá (deus do oráculo de Ifá) a fim de consultar Ifá para saber que poderiam fazer para remediar uma tal situação. para ele fazer o que fosse determinado por Iyansan por meio de uma vara que ela segurava na mão. o Ijimeré (SANTOS. Assim. reuniam-se numa encruzilhada sob a direção de Iyasa. Juana. isto é. O terceiro mito descreve como Oya Ìgbàlé cria a sociedade dosÉgún. o segredo da gestação. simbolizados pelos nove filhos do mito dos quais os oitos primeiros representam osÀr a. uma roupa. Assim. Oiá procurou novamente o babalaô. preparado com roupas apropriadas ao pé do tronco de um igi.183). conseguiram descobrir seu segredo. Deoscoredes M. 309). de repente. os habitantes doÒr un. na encruzilhada. Ogun chegou bem cedo a encruzilhada e fez o preceito com os galos de acordo com o que Òrunmilá ordenou. o chapéu e pegou a espada em sua mão. o ancestral que fundou cada cidade. de agir e de dominar os Égún.ruas da cidade. Esse filho foi Égúngum. durante o dia.òr un. filho de Nanã Buruku11. p. Ela já estava ali com um macaco que tinha domado. p. o antepassado que fundou cada família. cavernosa. É por isso que Oya (conhecida mais comumente nos cultos afro-brasileiros sob o nome de Iyansan) foi a primeira a inventar o segredo ou a maçonaria dos Égúngún . 2002. (VERGER. Procurou o conselho de um babalaô. como conta os dois mitos seguintes: . A aparição era tão terrível que a principal das mulheres. usando suas ricas máscaras e roupas coloridas. rouca. quando Égúngum volta para dançar entre seus descendentes. Portanto. que estava a frente. doàsé. compreendendo galos. quando as mulheres chegaram e se reuniram para celebrar os ritos habituais. para enganar impunemente seus maridos. Graças a força e poder que tinha. apoderaram-se da sociedade e reservaram-na aos homens. profunda. Depois de ter consultado o oráculo. ela desapareceu para sempre da face da terra. somente diante de uma mulher ele se curva. foi a primeira a fugir. Isso se dava diante dos homens que fugiam aterrorizados por causa dessa aparição. p. oito nasceram mudos. 122 a 123). a forma de falar rouca e cavernosa como o do macaco marrom da Nigéria. Em seguida ele mandou Ogun fazer uma oferenda. Somente diante de Oiá se curva Égúngum. antes que as mulheres se reunissem. os raros exemplos de sociedades secretas as quais eram autorizadas a participar em território Yorubá continuaram a existir em circunstancias especiais. árvore. ele pôs a roupa. Um dia Xangô a possuiu assim e dessa relação Oiá teve nove filhos. um dia. Hoje. os homens resolveram tomar providências para acabar com a vergonha de viverem continuamente sob o domínio das mulheres. um chapéu usado. Foi Égúngum. Isso explica por que Iyasan-Oya é adorada e venerada por todos na qualidade de Rainha e Fundadora da Sociedade secreta dos Égúngún na terra. viram aparecer uma forma terrificante. ao pé da referida árvore. (PRANDI. dosÒr ìsà. quando as mulheres queriam humilhar seus maridos. Ele revelou-lhe que somente teria filhos quando fosse possuída por um homem com violência. Oya Ìgbàlé também é herdeira do principio poder feminino. o macaco aparecia e desempenhava seu papel seguindo as ordens de Iyasan. delas excluindo as mulheres para sempre. Mais tarde. Em seguida. assim como o culto aosÉ gún e sua sociedade foram tomadas das mulheres pelos homens: No começo do mundo. Finalmente. p. pois ela é a senhora dos noveÒr un. depois desta época. da criação da vida. é a exceção que faz a regra. a mulher intimidava o homem desse tempo. (SANTOS. segundo o provérbio. e o manejava com o dedo mindinho. e também as origens das roupas. Dito e feito. Tempo depois nasceu um filho que não era mudo. ebo. 1998. uma espada. Proibiram e proíbem sempre as mulheres penetrar no segredo de toda a sociedade de tipo maçônico. Mas. pertence à esfera do sangue vermelho. e o nono representa osÉgún vinculando também a sua forma de falar característica. mas como sendo o nono filho deOya ressaltando todo o seu poderoso poder genitor: Oía não podia ter filhos. Òrunmilá lhes explicou tudo o que estava acontecendo e que eles deveriam fazer. osir ê12.

os potes de barro de formas especiais com bocas larga como o próprio conteúdo cheio deàs e diferentes para cadaÉgú n. p. simbolizando. depois de cumprir o seu ciclo devem restituir-la. Os assentos dos Égún Àgbá são cuidados e zelados por um Ojés Àgbá especifico devidamente preparado nos seus gostos prediletos. cobriu-lhe com uma roupa de palha que ocultava sua cabeça e convidou-o a entrar e aproveitar a alegria dos festejos. Deoscoredes M. Obaluaê viu que estava acontecendo uma festa coma presença de todos os Orixás. Gglyphaea Lateriflora (SANTOS. fincada na terra saindo de um Ojúbo no qual são feitas as oferendas a todos osÒku-òrun da casa. o Mestre Didi. que os representa coletivamente. 1981. portanto.O Òpá-Kòko constitui o elemento fundamental do culto e do terreiro Omo Ilé Agboulá. Em frente a cada assento individual dos Égún Àgbá existe um buraco profundo feito no chão de terra batida denominado deOjúbo (SANTOS. é o elemento que compõem tanto o recipiente. e é nele (além do próprio assento) que em todas as festas e cerimônias internas doLèsànyì n são depositados as oferendas. o chamadoÈs ú òjíséebo. p. sem eles nenhuma comunicação entre os homens e as entidades sobrenaturais seria possível. Deoscoredes M. que é transmitido e distribuído para cada assento deÉgún.173) ou galhos de Àtòri.massa no qual os homem são moldados. 1981. São os símbolos por excelência dos ancestrais masculinos. ao perceber a angustia do Orixá. diante dos grandes templos. são utilizadas para invocar os Égún. e é o portal de passagem para oÒr un de onde advêm osÒku. 1981. além de ser o mensageiro e tradutor entre osÉgún e osOjés. p. o Igi-òpe. Obaluaê não podia entrar na festa. NoLès àny ìn ainda está plantado oàse da casa. o jeito de falar doÉgún (SANTOS.167). 1981. 1981.òr un. em todo o conhecimento especifico daqueleÉ gún. que é o Alapini do culto aosÉ gún no Brasil: Na África. Então ficou espreitando pelas fretas do terreiro. na Bahia.173). CadaOjúbo é rodeado por uma série deIsan (SANTOS. o próprio Òpó-òrun oun àiye. que são uma espécie deÒpá (SANTOS.183). e as comidas especificas de cadaÉ gún no inicio dos rituais. mas ninguém se aproximava dele. Iansã tudo acompanhava com o rabo do olho. são os Òku-òrun os mortos. feitos. e são simbolicamente representados pelo Òpá-Kòko. Ilé Òrìsà. os vivos. A importância doÒpá tanto na África quanto no Brasil é destacado por Deoscoredes Maximiliano dos Santos. Deoscoredes M. Ali fica oÒpá. OÒpá-Kòko é um tronco preceitual. nem mesmo os Ojés Àgbá. pois homem algum. pois o corpo é um pedaço de barro moldado porObàt álá.Òrì sà. no seu conhecimento do seuségi ouKé. o continente. seja comida. protegendo com o seuàse a entrada doOjúbo.àiy e. Acompanhando cada assento deÉ gún há também o assento do seu Èsú. guia-los e impedi-los de tocarem osÀr a. Deoscoredes M. que a morada dosÉgún é a proto-matéria. p. pois ele é o elemento que estabelece a ligação entre os nove espaços doÒr un entre si e entre eles e o Àiyé. Apesar de envergonhado. Deoscoredes M.Chegando de viagem a aldeia onde nascera. notadamente de nervura de folhas de palmeiras. Ogum. do Ojé Agbá aoAmuis an. Deoscoredes M. Elacis Guineensis (SANTOS. cetros e bastões sagrados usados nos rituais dispostos em volta dele formando um cone. permite-nos inferir a importância atribuída ao . Uma cantiga entoada pelos Égúngún. os sacrifícios.173). um bastão sagrado e ritual com um galho grosso da árvore sagrada nagôAkókó (SANTOS. p. há um lugar especial onde os ancestrais são cultuados. OI san é uma vara muito fina devidamente sacralizada de cerca de um metro e meio feitas de árvores sagradas.172) que são varas. varas bastões ou cetros rituais.173). OsÒpá. Ela compreendia a triste situação de Omulu e dele se compadecia. o pilar e o eixo do mundo nagô. ou Èsú Elebo. podem tocar nas roupas de Égún durante os rituais porque elas contêm em seus trajes a morte e energias maléficas. e cada membro do culto. Deoscoredes M. tornando-se o seu tradutor para os vivos. 1981. tão sagrada que sua folha era utilizada para consagrar reis. devido a sua medonha aparência. é o supremo senhor de todas as oferendas. os mortos. O assento coletivo dos ancestrais masculinos da sociedade que representam todos aqueles que não atingiram o grau de Ojés Àgbá e conseqüentemente não foram devidamente preparados durante a vida para que depois da morte fossem invocados comoÉ gún. que é o transportador e patrono das oferendas. ou seja. p. 1981. oferendas e sacrifícios. Iansã esperou que ele estivesse bem no centro do Logo o elemento barro simbolizando a terra. Obaluaê entrou. são de importância vital no culto dosÉ gúngún. e da qual depois de cumprirem o seu destino noÀ iy é. p.

dos ancestrais. 173). materializa a concepção nagô do ciclo que se fechou. uma ripa sequer não pode ser retirada. O Ilé Awo. dos mortos. do destino cumprido.03). fixação deÀs é para desempenho de uma dada atividade. uma argamassa. que é o seu espaço de socialização está voltado para o oeste. contenção e sacralização. É como se Olórun tivesse delegado parte de seu poder aoÒpá. que pertence á esfera do domínio do passado. O recinto de acesso do Ilé Awo. constitui a edificação central do terreiro e é o ponto de referencia de todas as demais.õr un. um bloco. ou seja. é o senhor do Òpá. que compreende também a varanda dosOjés (Ver Fig. substituída ou colocada sem que sejam realizados os devidos ritos de proteção. da existência genérica dosÒku-òrun e da existência individualizada constituídas noÉ gún. como um todo. constitui num elemento condicionador de localização dos demais espaços e construções do terreiro. Constitui em si. contendo a ante-sala e oLèsànyì n. 1981. da matéria restituída. assim uma telha. de onde saem osÉgún. p. de uma multiplicação de Àsé. sem que seja feito o seu fundamento. para o poente oÌ wò. Deoscoredes. . o supremo deus.Òpá: Olórun Olórun Olóòpá Olórun Olórun. uma edificação detentora de somatórios de poderosas energias. Sendo a própria edificação sacralizada através de ritos específicos para desempenhar esta função. (SANTOS.