Lucas Pigari Lucas de Paula Vitória Coimbra Willian Gomes de Almeida

Considerações histórico-funcionais na utilização do pedal e escolha de dedilhado para piano
Análise da peça “Canções sem Palavras” Op. 30 n.3 Felix Mendelssohn.

Prof. Dr.ªFátima Corvisier

RIBEIRÃO PRETO

Pedal. bem como a analise da aplicação destes recursos em na peça Lider ohne Worte op. 2 . Dedilhado. É apresentado o desenvolvimento histórico do instrumento para fundamentação da utilização destes recursos pelos pianistas e professores atuais Palavras Chave: Piano. Pianoforte.2013 RESUMO Este trabalho tem como objetivo apresentar as formas de utilização dos pedais e os fatores que influenciam na escolha de dedilhado. 30 nº 3 de Felix Mendelssohn.

3 Felix Mendelssohn. pedal. 30 No. as well as the analysis of the application of these resources in the play Lider ohne Worte op.ABSTRACT This paper aims to present the forms of use of the pedals and the factors that influence the choice of fingering. It presents the historical development of the instrument for reasons of using these resources for current teachers and pianists Keywords: Piano. fingering. Pianoforte. 3 .

7 p.9 p.13 p.14 4 .11 p. 5 p. 6 p.SUMÁRIO Introdução Aspectos Históricos Aspectos funcionais do piano Pedal Dedilhado Conclusão Referencias bibliográfica p.

a estrutura de funcionamento de pedais e dedilhados aplicados ao estudo de uma peça prático. É de extrema importância que os pianistas venham a conhecer por meio dessa extensão disciplinar dada esta pesquisa. mas estilística de cada período. harmonia e os aspectos composicionais de uma obra. Ao analisarmos sua evolução ao longo do tempo. promovendo assim uma execução aprimorada das peças para piano.INTRODUÇÃO Este seminário expõe de forma sucinta os pedais no piano e a maneira de dedilhar. dado o uso de um dedilhado correto juntamente do pedal. possibilita assim aos interpretes uma maior amplitude de possibilidades na execução da performance musical e aos professores o melhoramento na didática do instrumento. fraseados. não somente mecânica. agógica. na abordagem prática. É apresentada inicialmente a evolução histórica do instrumento. mesmo que de forma superficial. podemos observamos a importância do estudo pratico interpretativo para uma maior compreensão das características contida nas formas de articulação. sonoridades. 5 .

na celebração do aniversário de Jorge III da Inglaterra. P. foi o instrumento dominante nos teatros e igrejas.22-33. Na Grécia. Belo Horizonte. 6 . podemos traçar suas origens e desenvolvimentos. com crescendos e diminuendos. cujo objetivo era estudar as relações numéricas dos sons.a idéia da patente é mais comum ao século XIX. mudança.” PERSONE. o cravo tornou-se o instrumento de teclas mais popular e a partir deste desenvolveu-se o piano forte. “Antes do advento do registro de patentes. muitas vezes poderia ser difícil conectar a invenção ao seu criador . No século XVII. impossível de conseguir no cravo. o lugar e seu inventor. Observamos o desenvolvimento do clavicordio. É possível ver exemplos de melhorias patenteadas posteriormente na história do piano por Erard ou Pleyel.ASPECTOS HISTÓRICOS Os resquícios primários do funcionamento do piano são encontrados desde as civilizações antigas. a spineta e o virginal. No caso particular do piano. Na França. por serem considerados instrumentos da nobreza. ou aprimoramento podiam ser diretamente relacionados ao seu inventor ou executor. (Dolge. onde o princípio de teclas era utilizado nestas fontes sonoras. toda nova invenção. Em 1795. Muitos cravos tiveram seu mecanismo retirado para aproveitar a caixa e transformá-los em pianos. graças a sua sonoridade. por volta de 1790 nos Estados Unidos. 2009. 1972). Essa ocasião ficou como a data símbolo em que o cravo passou a ser considerado antiquado e obsoleto. Com a criação da lei de patentes. Pitágoras desenvolveu um instrumento denominado Monocórdio. n. p. Veio o esquecimento e durante um século o cravo passou à condição de peça de museu. sendo possível determinar a provável data. quando os novos estilos musicais impunham uma execução com nuanças entre o forte e o fraco. Alfred. usou-se um piano no lugar do tradicional cravo para o acompanhamento do canto.20. Para entender esse desejo dos interpretes devemos voltar ao século XVIII que assistiu ao apogeu e declínio do cravo. A evolução do instrumento grego alavancou o surgimento de diversas categorias no período Medieval. “Foi à base da orquestra da época e. Cada invenção ou criação materializada por um construtor nas diversas etapas da história do fortepiano parece ter sido inspirada pelo desejo de fazer um instrumento de teclado que permitisse ao intérprete tocar expressivamente com douceur. Per Musi. As críticas desfavoráveis começaram na segunda metade do século XVIII. A aurora do (forte) piano. forte e piano.

o piano é um instrumento de cordas na qual emite som ao ser atingido por martelos cobertos com feltro. Também chamado de piano forte. foi o primeiro a levantar fábricas de construção de pianos. Jean Henri Pape de Paris patenteou inúmeras melhorias para o piano (17891875). As composições eram escritas especificamente para o novo instrumento. onde se modificou o design dos martelos e o mecanismo de ação dos mesmos. É atribuída a criação do piano ao italiano Bartolomeo Cristofori de Francesco.” Matéria publicada na EmDiv Magazine Kindle Edition . na Inglaterra. consequentemente. 2006).Agosto 2011. John Broadwood. 7 . As melhorias continuaram entre 1825-1851 com diversas patentes na Europa e nos Estados Unidos. Houve uma melhoria notória na produção sonora e a capacidade de resposta do instrumento no ano de1775. o piano moderno surgiu com base no desenvolvimento da placa de ferro fundido para uma resistente estrutura capaz de suportar toneladas de tensão geradas pelas cordas de aço. (Miles Chapin. podendo ter modelos que são compostos de aproximadamente 12. Em meados do século XIX. permitindo a continuidade de vibração das cordas e consequentemente à permanência da sonoridade. mas que provavelmente não saíram do papel.foram confiscados e queimados durante a revolução francesa. ASPECTOS FUNCIONAIS DO PIANO O piano pode ser considerado uma das peças artesanais com o maquinário mais complexo do mundo. Embora outros como Marius em 1716 e Christoph Schroter em 1717 tivessem esboçado idéias inventivas para melhorar as performances mecânicas e acústicas assim como Bartolomeu. O piano tornou-se importante em toda a Europa em meados do século XVII. Principalmente quando citamos marcas cuja sua fabricação é feita ainda de maneira artesanal e pouco automatizada. O piano moderno padrão contém 88 teclas e tem uma extensão de sete oitavas completas. ao invés de serem transcrições daquelas criadas para cravo.000 peças. como a Steinway & Sons na qual pode ser considerada uma das melhores fabricantes de piano. O mecanismo admitia o martelo voltar logo após o ataque. reduziu-se o custo do instrumento. O piano criado por Bartolomeu consistia em martelos que atingiam as cordas através da gravidade. em 1700. que exigem mais de 500 artesões especializados. após serem acionados pelas teclas conectadas aos mesmos. Por tanto é considerado um instrumento de percussão.

e os pedais.Ao contrario do cravo.1994) “Durante alguns anos. Stanley. o movimento é transmitido por meio do piloto para a alavanca interna. a lingueta então atua sobre o rolete. o martelo fica livre. compreendendo as teclas (normalmente 88). que é feita de madeira e se localiza abaixo das cordas (sem a qual. que abrange tudo o que já foi citado. que só permitia um volume de som. assim. depois duas para cada. A estrutura de metal (16. Alavancando a categoria 8 . o piano permite infinitas gradações do som. que faz o martelo avançar para a corda. enquanto a tecla continuar pressionada. O botão de escape aciona a projeção da lingueta para frente. geralmente de cobre. os martelos e o mecanismo que os opera. Se a tecla for parcialmente liberada. torna-se possível. 1981). permitindo que o martelo prossiga em seu movimento para ferir a corda e iniciar a descida. quando então um pleno golpe do martelo se torna novamente possível). a tábua harmônica. 400 Kg) que sustenta a considerável tensão das cordas. a caixa harmônica. a ação. O piano de cauda moderno é constituído por seis elementos principais: três cordas para cada nota abaixo de Si ou Sib. ele é então apanhado e retido pelo engate e pela alavanca de repetição. e o rolete é acionado diretamente pela alavanca de repetição. com exceção para os extremos graves. que tem apenas uma corda enrolada por um bordão. a sonoridade seria tênue e diluída). Figura 1 – Ação do Martelo sobre a corda do piano Quando a tecla é pressionada. compositores como John Cage tentaram produzir novos sons com o piano. ( Sadie. (Keith Spence. e depois a lingueta recua. adaptando as cordas e os martelos das mais diversas formas”. ferir novamente a corda pressionando a tecla mais uma vez (a lingueta só acionará novamente o rolete quando a tecla estiver liberada meio curso. não permitindo ao instrumentista a possibilidade de controle sobre a duração da nota. piano ou forte.

mais conhecido como pedal de sustentação. PEDAL O pedal da direita. O ataque de meio pedal consiste num movimento rápido do pé na mudança do pedal. levanta os abafadores das cordas. 1981). Existem várias maneiras de usar o pedal de sustentação: Pedal Rítmico: Pedal sincopado: Meio pedal: É mais um tipo de ataque do pedal direito. acrescentando duração e ressonância ao som.existente do piano comum de concerto a outra variação. cuja tem sido conhecida com piano preparado. (Keith Spence. e o pedal é levantado 9 . O pé nunca sai do pedal. mesmo que as mãos já tenham sido tiradas das teclas.

ou até mesmo pela interposição de um pedaço de feltro (entre os martelos e as cordas). Usa-e a mesma frase (que está o pedal) para iniciar e para finalizar a peça. conhecido como “una corda” (uma corda) ou pedal da surdina.e pressionado instantaneamente. reduz o volume – nos pianos de cauda a ação é deslocada lateralmente para que o martelo atinja uma corda a menos. uma espécie de névoa. de movimento. que sem o pedal esta parte soaria bem mais limpa. até chegar no acorde de dominante. Pedal vibrato: O pedal vibrato proporciona um efeito de ressonância. o pedal ajuda a criar um clímax. neste caso como todas as notas fazem parte do mesmo acorde o efeito que o pedal causa é um preenchimento. e nos pianos de armário os martelos são aproximados das cordas para que o impacto seja menor. O pedal da esquerda. Nesta peça aplica-se o pedal em um arpejo de mi maior. ou seja. 10 .

sendo o polegar o único pivot da mão. Enquanto o sistema moderno procura basicamente minimizar as diferenças de comprimento e força entre os cinco dedos. o uso de 11 . este terceiro pedal age como um abafador do som.1857). Czerny foi considerado o primeiro a estabelecer uma série de normas para este novo sistema de dedilhar tais como: a supressão da passagem dos dedos mais longos sobre os mais curtos. nos pianos de armário. a supressão do uso de um mesmo dedo em duas ou mais teclas consecutivas. DEDILHADO O Dedilhado no piano refere-se à escolha da seqüência de dedos utilizados para realização da performance musical no instrumento. Dentre os vários nomes relevantes do período destacam-se Muzio Clementi (1752-1832). por exemplo. A Clementi atribuiu-se o dedilhado clássico das escalas e o hábito de se empregar o polegar duas vezes por oitava durante a execução de uma escala e de servir-se dele como pivot da mão para se percorrer várias oitavas nos arpejos. os antigos procuravam explorar estas desigualdades. geralmente um pedal tonal. 1994).Alguns pianos ainda possuem um pedal central. representante da Escola Pianística de Londres. compatível com o seu aparato pianístico e a sua visão da obra. para fins de estudo. que permite a sustentação de um grupo selecionado de notas. e Carl Czerny (1791. Stanley. enquanto outras notas estão sendo abafadas. visto que cada intérprete pode encontrar um tipo de solução diferente. e por isso regras e normas de como dedilhar nunca poderão ser acatadas como definitivas. os dedos 1 e 5 não eram utilizados. a proibição do uso do polegar e do mínimo em teclas pretas. Nos dedilhados mais antigos. (Sadie. O dedilhado sempre esteve mais ligado ao aspecto da tecnica instrumental.

o uso de substituição de dedos para se alcançar o efeito legato. 12 . Tempo: É um consenso na maioria dos pianistas onde um tempo mais lento utiliza-se um determinado tipo de dedilhado diferentemente nas passagens rápidas. Entretanto. Padrões de dedilhados: A excecução de passagem semelhantes em muitas peças. Alguns professores relacionam diretamente a utilização de dedos com a utilização do “sustain”. 3. assim como a resposta acústica do ambiente. a articulação. 4. marcação de compositores: O período histórico. Por exemplo. 5. Teclas Pretas: Existe um consenso muito grande em relação a utilização de determinados dedilhados para utilização em teclas pretas. SOLBODA (1997) levanta motivos que influenciam diretamente na dedilhação esolhidas por alunos e professores do instrumento: 1.dedos diferentes em notas repetidas para favorecer a segurança da percussão da tecla. Em geral. bem como o dedilhado marcado pelo compositor. observa-se passagens onde faz-se nescessario ou a melhor opção a ser utilizada é a quebra do senso comum. Interpretação. mas que “a mais obvios e mais simples dedilhado não é sempre o mlelhor para usar em uma particular passagem de fraseado e expressao. Entretanto. 2. e dedilhados precisam adaptar-se as especiais características da peça”. são observados primordialmente na escolha do dedilhado. Pedalização: Há divergências em relação a pedalização como influencia ao dedilhado. A escolha de dedilhado é influenciada por diversos fatores. Eles estão em função da escola pianística e da formação individual de cada instrumentista em relação à técnica. abomina-se o uso do polegar para estas notas. ROSKELL (1996) cita em recente publicação “Um bom entendimento dos principios de deilhdo de escalas e arpejos é fundamental para que se possa introduzir dedilhados em peças de música”. bem como escalas e arpejos. a execução de uma melodia em um âmbito de oitava compreendido entre teclas pretas.

no caso o piano. A evolução histórica do piano mostra-nos o desenvolvimento técnico em busca da melhora de recursos mecânicos visando a facilitar o instrumentista a criar novas possibilidades de sonoridades no instrumento em função do estilo musical vigente em que se concentra a peça estudada.CONCLUSÃO O seminário promoveu conhecer melhor a estrutura interna do piano essencial ao pianista que busca melhorar seu desempenho. é conhecido o distanciamento existente entre os aspectos mecânicos dos instrumentos musicais e os interpretes que os utilizam. toma se a importância desse conhecimento que é essencial ao instrumentista na exploração dos recursos do piano. Entretanto. Portanto. Tal busca reflete em uma compreensão de interpretação que busca a originalidade ao tocar as peça limitadas as características mecânicas e sonoras do instrumento. além disso. na compreensão das diferenças interpretativas de execução musical nos diversos períodos históricos e no entendimento da evolução do instrumento como um todo enriquecendo o como interprete. 13 . dificultando a compreensão dos motivos das diferentes formas de interpretação musical contida no repertorio pianístico em sua diversidade de períodos históricos. a falta de intersecção entre os estudos de dedilhado e pedal nas praticas interpretativas empobrecem notoriamente a possibilidade de realização musical quando por ventura não estudada. isto ocorre devido à falta de articulação direta entre as duas áreas do conhecimento nos aspectos do ensino do piano.

14 .

(1993).274. Londo: LCM Publications. Miles. nº 1. CHAPIN. Alfred. Eugénia. 272 . 2002. 1984. Rodica. (2001) “Pedalling” in The New Grove Dictionary of Music and Musicians 2nd ed.Mills Publishing Corp.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BIELEFELDT. Yale: Yale Universty Press.. The Art of Piano Fingering. ROWLAND. Um pouco sobre o pedal. Musica Scientie. Stanley (ed). pp. D. The Wonders of the Piano: The Anatomy of the Instrument. Dicionário Grove de Musical. ADAM. 15 . Stanley. London: McMillan. 2006.Dover Publications.19. Stanley (ed). Oxford Universty Press. VALADIMIROVNA CHETS. Belwin. Uma abordagem geral ao pedal e a sua implementação no ensino do piano.. PARAKILAS. Sadie. SLOBODA. 87-107. John. Catherine C. Sadie. P. SADIE. 1994. Inc. Piano Roles: Three Hundred Years of Life with the Piano. 1997. DOLGE. James. Noah. 88 keys: The making of a Steinway Piano. WEIL. . Amadeus Press. Pianos and their Makers: A comprehensive History of the Development of the Piano. ROSKELL. Talking fingers: an interview study of pianists’ views on fingering. 1972.. Vol. PRATO. Vol 1. Alfred R.

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful