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FIRMINO DE PINHO

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Tabagismo
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PORTO Esoola Tipográfica da Oficina de S. José Rua Alexandre Herculano 1 9 1 S

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TABAGISMO

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FIRMINO DE JESUS DE PINHO

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(BSSVBS NOÇÕES)

Dissertação inaugural apresentada á fmiûlî'U de medicina do Porto

M A R Ç O -

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PORTO Esoola Tipogrèíica da Oficina da S. José Rua Alexandre Herculano XS 1 S

faculdade de Medicina do Porto
DIRECTOR

Maximiano Augusto de Oliveira Lemos
SECRETARIO

Álvaro Teixeira Bastos
CORPO DOCENTE
PROFESSORES ORDINÁRIOS

Augusto Henrique de Almeida Brandão Cândido Augusto Corrêa de Pinho Maximiano Augusto de Oliveira Lemos João Lopes da Silva Martins júnior Alberto Pereira Pinto de Aguiar Carlos Alberto de Lima Luís de Freitas Viegas. José Dias de Almeida Júnior José Alfredo Mendes de Magalhães António Joaquim de Sousa Júnior ., . Thiago Augusto de Almeida Joaquim Alberto Pires de Lima. José de Oliveira Lima Álvaro Teixeira Bastos António de Sousa Magalhães e Lemos Manuel Lourenço Domes Abel de Lima Salazar António de Almeida Garrett Alfredo da Rocha Pereira
Vago PROFESSORES

Anatomia patológica. Clinica e policlínica obstétricas. Historia da Medicina. Deontologia medica. Higiene. Patologia geral. Patologia e terapêutica cirúrgicas. Dermatologia e Sifiligrafia. Pediatria. Terapêutica g e r a l . Hidrologia medica. Medicina operatória e pequena cirurgia. Clinica e policlínica medicas. Anatomia descritiva. Farmacologia. Clinica e policlínica cirúrgicas. Psiquiatria e Psiquiatria forense. Medicina legal. Histologia e Embriologia. Fisiologia geral e especial. Patologia e terapêutica medicas.
Clinica das doenças infeciosas. JUBILADOS

José de Andrade Cramaxo Pedro Augusto Dias

A meus Pais .

A meu Padrinho .

A minhas Srmãs A meus Irmãos .

Aos meus Amigos .

. Carlos.e Donaciano de Abreu Freire Dr.Aos meus antigos companheiros de colégio e amigos P. João Ruela Ramos ilustres directores do Colégio de S.

Thiago d'Almeida .Ao meu ilustre professor e digníssimo presidente de tese Dr.

M .

não intentei acender . quando á luz reflectida maior numero se alumia.Duas palavras P ciência sei eu que não venho acrescentar nem um til com esta ligeira dissertação — Tabagismo. eis o meu fito. Mais importa o reflexo do que o brilho. É toda de utilidade a missão que distribuí ao meu pensamento. mais do que assoalhar erudição. Por isso. Vulgarisar noções e factos para escarmento de viciosos.

a intenção a que. . Esta. ^rt&a m .■] ■■.novos Jumes no candelabro sublime e fulgentissimo da ciência. Dele roubei esta pálida chama para uso dos que não podem orientar­se á grande luz da ciência pura. . . > : /. circunstancias invencíveis frustrar­me­hiam mais alevantadas aspi­ rações. .subordinei o meu trabalho. Demais..

c'est la guerre. mobilisando-me o espirito para outros cuidados.. No regresso. resta-me a consolação de que é ainda um sacrifício que por Ela faço. Prisioneiro da Alemanha soube quanto é mais doce servir a Pátria do que chora-la. . sendo obrigado a aparecer em publico tão modestamente por causa da Pátria. que não os do estudo. Ciência.À guerra cingiu-me as correias da disciplina militar..

. História do tabaco . CAPÍTULO I Noções de Botânica..

que compreende mais de 50 espécies. ' As mais importantes pelo aroma e riqueza em princípios activos e venenosos são : a nicotiarta tabacum. de Linneu. de dois . que produz o tabaco conhecido pelo nome de Maryland.que é o tabaco. a nicotiarta panicalata. que foi a primeira a ser introduzida na Europa. É uma planta que pode atingir mais. etc. a nicotiarta auriculata. De todas estas espécies é considerada como VEJAMOS O tipo a nicotiana tabacum. Sob o ponto de vista botânico. nicotiana rependa. nicotiana glutinosa. c uma planta da família das solanaceas. nicotiana pérsica. género nicotiana.

As sementes são muito numerosas e pequenas . um encerra um grande numero de óvulos inseridos numa placenta carnuda aderente ao septo de divisão. formado por dois carpélos unidos em um ovário ovóide. verde e coberto de uma pubescencia pegajosa. O gineceu é livre. algumas lindíssimas e de aroma suavíssimo. O caule é cilíndrico. brancas. persistente. Os estâmes. e livres na parte superior.t 28 TABAQISMO metros de altura. septicída e fazendo a dehiscencia por dois óvulos. tendo dois loculos. As flores são em cacho ou panicula de cimeiras. . cobertas de um pêlo aveludado podem atingir mais de 60 a 70 centímetros de comprimento. são insertos no tubo da corola. simples. em numero de cinco. ou de uma côr roseo-amareiada. O calice é gamopétalo. As folhas são as únicas partes do vegetal que a industria aproveita para alimentar o detestável e pernicioso vicio. um centímetro cubico contem seis mil sementes. desiguais. herbáceo e coberto de pêlos moles e viscosos. As folhas. alternas. O fructo é uma capsula duns dois centímetros de comprimento. pericarpo papiráceo. ovóide.

na maioria das opiniões. sobre o modo porque o uso e a cultura do tabaco se expandiram progressivamente pelo mundo inteiro. ao desembarcar numa das ilhas Americanas. As afirmações são tão numerosas. viu aspirarem os indígenas. e hoje conhecida pelo nome de Cuba. no entanto ha auctores. que se foi progressivamente espalhando pelo mundo inteiro. outros ainda sus- . De forma que. o tabaco parece ser realmente de origem americana . Parece ser. nem todos os auctores se encontram de pleno acordo. Este facto não era particular á ilha de Cuba. denominada Fernandina.CAPÍTULO I 29 Quanto á origem desta planta. o fumo de uma herva seca enrolada numa palha de milho. que não se sabe positivamente em quem acreditar. foi constado também nas Antilhas e no continente. como Lotario Becker. e. que o supõe planta asiática. com prazer e deleitosamente. Cristóvão Colombo. acesa numa extremidade. em 1492. outros querem que a pátria dessa malfadada planta seja a Africa . cultivada e fumada na Persia muito antes do descobrimento da America. a America o berço primitivo dessa narcótica planta. muitas vezes tão vagas e sempre tão contradictorias. entretanto.

Como quer que seja. como actualmente o incenso entre nós. Servia também para preparar o veneno que os indios punham na ponta das flechas com o fim de ferir mortalmente o inimigo. em que se devia decidir a paz ou a guerra.30 TABAQISMO tentam que o seu berço é a Australia. não ha noticia positiva da existência do' tabaco no velho mundo. Alem das cerimonias religiosas. que derivou natu­ . entravam num estado doce de embriaguez narcótica que lhes anunciava o signal da penetração da divindade tutelar. As impressões agradáveis que acompanhavam as inalações do. o que leva a crer ser. fumo levaram­ ­nos a acreditar que algum génio bom se identifi­ cava com o seu estado dalma. antes do descobrimento da America. que gosava na crença religiosa dos indígenas. ' ■ Os sacerdotes. objecto de uma grande veneração porque lhe atri­ buíam virtudes singulares. E foi desta importância. entre os povos primitivos. entrava também nas Assembleias e Conselhos. o certo é que. Era queimado nas egrejas.tsta a sua pátria. Era considerado. no meio dos vapores que absorviam.

Fr. Para alguns foi um missionário espa­ nhol. o tabaco teve grande voga no tratamento das mais variadas afecções. A branca civilisação europeia adptou essa tera­ pêutica indígena. aos asfixiados por submersão. não havendo moléstia. rosas moléstias entre eles. sobre as feridas recebidas nos combates aplicavam folhas inteiras ou pisadas. Mas a desilusão veiu breve . COMO APARECEU 0 TABACO v ­ ­ ■ NA EUROPA ­ ■ ■ Sobre este assunto as opiniões são muito divergentes. pelo que foi definitivamente abandonado. em 1518.. que impressionado pela veneração que os Índios tributavam ao tabaco. sobre mordeduras venenosas.por mais rebelde que fosse. Assim. sementes estas que . encarregou Fernando Cortez de levar algumas gementes a Carlos v. Romano Pane. . insu­ flavam o fumo do tabaco.CAPÍTULO I 31 ralmente a sua larga aplicação na cura de nume». o suco das folhas. que não ficasse curada pelo poder maravilhoso da nicotiana. terríveis acciden­ tes sobrevieram com o emprego terapêutico do tabaco.

enviou um presente dessa narcótica planta em pó á rainha Catarina de Médecis. o certo é que o uso do tabaco só começou. onde deveria ser cultivada. desde que João Nicot. nome que foi introduzido na ciência em 1690. embaixador de França em Portugal. porem. Como quer que seja.32 TABAGISMO foram mandadas semear pelo rei. Na Europa recebeu ainda outras denominações. A datar do dia em que tão requintadamente a rainha era assim presenteada. Os portugueses chamavam-lhe herva Santa por causa dos maravilhosos efeitos que lhe atribuíam. pela mesma época. para esta curar umas enxaquecas de que sofria. a divulgar-se. . Desde então a planta era cultivada em Espanha. teria levado do Mexico as sementes para a Espanha. Alguns anos mais tarde o botânico Tournefort deu-lhe o nome de nicotiana (em honra de Nicot). no começo do século xvi. a introduziu no seu paiz. especialmente sob o ponto de vista ornamental. Para outros foi Hermandez de Toledo. a planta tomou o nome de kerva da rainha ou herva medicéa. Outros há que atribuem o aparecimento da nova planta ao almirante inglez Drake que. quem.

segundo André Thevet em 1755. herva para iodas as doenças. diz que o nome de tabaco vem de uma espécie de folha. e a que os indígenas davam o nome de tabacos. panacea antartka. a palavra tabaco provem de uma das pequenas Antilhas. a de Tabasco. Tabasco. em honra de Francisco de Lorraine . tendo como divulgadores na França e na Italia. herva angoulmoisine (Angoulême).CAPÍTULO I 33 Na França era conhecida por herva estrangeira. ou Tobago. sobre a origem do qual nem todos os autores se encontram de acordo. Outros reclamam essa honra para uma outra ilha. situada no golfo do Mexico. O uso fez prevalecer desde ha muito o nome vulgar de tabaco. Nicolau Fournabon e . Segundo alguns. que envolve a planta desde a sua origem. O bispo Barthélémy de Las Casas. contemporâneo de Cristovam Colombo. ao fundo da baía de Campeche. Com outros nomes foi ainda bátisada: herva do Grão Prior. O uso do tabaco começou a ter uma longa e rápida expansão na Europa. onde exploradores o viram pela primeira vez. etc.

considerando que o fumo embriagava. Luiz xm de França prohibiu-Ihea venda. e aos que pitadeavam. e cujo fumo êle comparava «ás imanações infernais». o nariz. foi êle o seu principal propagandista. o . escreveu contra os fumadores . na Inglaterra.34 TABAQISMO o cardeal Santa Cruz . cujos esforços foram consideravelmente favorecidos pela rainha Isabel em prol desta propaganda. e que o livro sagrado. e foi com efeito o que sucedeu : Assim. o almirante Walter Raleigh. o papa Urbano vm excomungou os que pitadeassem nas egrejas. o seu sucessor Jaques Ique. cortava-se o nariz no caso de reincidência. Na Persia. Na Russia. vindo assim de tão alto. aos que fumavam. devia ter certamente uma enorme repercussão. nos últimos anos do século xvi. entre os quais. que mais tarde teve grandes perseguidores. Na Turquia. na Inglaterra. Este ódio ao fumo. nas plantas dos pés. mandava-se-lhes cortar os lábios. e a decapitação era reservada aos incorrigíveis. Jaime i. mandou decapitar o infeliz Raleigh acusando-o injustamente de fazer parte duma conspiração como fim de destrona-lo. inimigo fidagal do tabaco e de que nem o cheiro podia sentir. o Czar Miguel Federowich mandava aplicar 60 bastonadas.

em 1874. e. e o melhor que fizeram os estados. porem. Hoje. ou prescrevendo grandes impostos contra o seu consumo. a renda realisada pelo Estado sobre a venda do tabaco. para se fazer ideia da difusão do vício do tabaco. basta apontar alguns algarismos que não deixam de ser interessantes. transportemos a nossa atenção para o quadro abaixo mencionado. Na França. Portugal. Para fazer ideia mais ou menos exata deste assunto. em 1821. indicando o consumo medio. em um certo numero de . Quanto ao consumo do tabaco devemos dizer que varia muito de nacionalidade para nacionalidade. enforcavam-se de cachimbo na boca.000 contos. por exemplo. É certo. 2. ainda não ha muito. vendo a sua ineficácia. que o tabaco triunfou de todas estas perseguições . por individuo. estes números devem ser muito mais elevados. Começou pois a ser explorado pelos Estados.CAPÍTULO I 35 Korão. ultrapassava 30 milhões de francos. foi estabelecer a monopolisação da sua venda. como uma fonte de receita. condenava a embriaguês. 140 milhões.

300 Seria interessante ter algarismos relativos á Turquia e a Cuba.980 9. Portugal 3.661.060.515 2.654.112 19.400 c 1.869.36 TABAGISMO países.335 « 1.485 c 1.. segundo uma estatística de 1896.305.860.620 35.000 1.350 « 1..110 « 1.511.257. Bouant — Le tabac..250 9.657 98.130 4.443. que deviam ser consideráveis.125 c 1.719 76.) EMa: Consumo médio p o r individuo Consumo total Países-Baixos.196 144. (E.630 4.667.400 i*r.650 4.050 « 940 c 933 « 910 « 850 « 680 « 635 « 610 « 550 « 16..004 600 26.480. Austria-Hungria.842..931. 2. Estados-Unidos.695 2.074..410.694 55.552 « 1. .779.500 5.

. muitas vezes. como havemos de vêr. Qual o facto que explica este uso tão geral e enraísado do tabaco ? Corresponde por ventura a uma necessidade real? Não. um vicio perigoso e nocivo. principalmente nesfa ultima. os homens. e. Na Turquia. o tabaco não corresponde a nenhuma necessidade real da nossa organisação. toda a gente fuma. É um habito. as mulheres e as creanças. preferindo mesmo os cigarros mais grossos e mais escuros. sempre dispensável. á parte as mulheres da alta sociedade creoula. vivem por assim dizer de cachimbo na boca.CAPÍTULO I 37 pois que.

CAPÍTULO II Breve estudo químico do tabaco .

em 1809. n . cujos processos de dosagem e fabricação foram aperfeiçoados por Schioesing. isolou a nicotina. principalmente a propósito de investigações criminosas.s primeiras pesquizas sobre a constituição quimica do tabaco datam do principio do século xix. apoz os seus exames. chegou á seguinte conclusão : a parte seca da nicotiana tabacum apresenta uma composição muito complexa. E. Só mais tarde é que os observadores Reimann e Poselt obtiveram a nicotina pura. mas a nicotina impura segundo Tardieu. Teem sido feitas varias analises químicas do tabaco. que. e são devidas a Vauquelin. Bouant.

como sejam : a piridína. matérias azotadas. citrico. a metilamína. e emfim diversas substancias orgânicas tais como : — resinas. em pequena quantidade o acido cianídrico. ácidos minerais (acido azotico. . úlmico). Alem destas substancias. e que foram bem estudadas por Le Bon. oxido de manganez. e. e o oxido de carbono (Gréhant). a picolína. a nicotina é a substancia essencialmente característica do tabaco. sulfúrico. constituem sem duvida uma causa de intoxicação. oxálico. quer pelas suas propriedades organolepticas. clorídrico. pético.42 TABAQISMO Encontram-se bases minerais (potassa. A maior parte destes corpos. prussico. Vohl e Eulenburg. acético. a lutidina. substancias celulósicas. fosfórico. a colidína. sendo dotados duma grande toxidez. uma base orgânica (nicotina) . cera. que. ácidos orgânicos (acido málico. silicico) . quer pelos seus efeitos extremamente tóxicos. oxido de ferro. nicotianina. amoníaco) . quando absorvidos pelo aparelho respiratório. magnesia. É de notar. entre todos estes elementos. cal. o fumo do tabaco contem outras bases voláteis que se formam durante a combustão.

CAPÍTULO II 43 Convém. A 100° emite vapores tão espessos e de tal modo sufocantes. dissolvendo-se também facilmente no alcool. dar algum desenvolvimento a este composto. seja tão pobre deste alcalóide ( 2 %. A nicotina é um alcali orgânico. e gorduras. incolor. Apresenta um sabor cáustico. como a principal causa das desordens provenientes do uso e do abuso do tabaco. amarelo quando em contacto com o ar. combinação de carbono. é um liquido oleaginoso. É bastante solúvel na agua. e. diz Barrai. segundo Tardieu ). . é o que explica que o rapé. que. sofrendo uma dupia fermentação. que sofre sempre nas diversas fases da sua preparação . Ferve a 250° produzindo um vapor muito inflamável. tornando-se extremamente forte e acre a quente. éter. dificilmente se pode respirar num aposento onde haja caído uma só gota. Este principio essencialmente activo do tabaco. hidrogénio e azote (C l 6 H 4 Az 2 ). odor fraco a frio. cristalino quando recentemente preparado. pois. A riquesa do tabaco em nicotina é diminuída pela fermentação. visto ser êle também a principal causa dos efeitos agradáveis experimentados pelo fumador.

não só quando se passa dum clima para outro. Estas folhas.44 TABAOISMO A nicotina.42 2. como também duma para outra variedade. segundo Pontag. Eis.00 6.50 6. se bem que existe em todas as partes da nicotiana tabacum. 41 centímetros cúbicos de oxido . considerando que os números abaixo indicados. para 100 gramas. localisa-se especialmente nas folhas e mais particularmente nos bordos do que no parenquima.10 4. dizem respeito a folhas inteiras previamente secas á temperatura de 100°. Queimando-se 1 grama de tabaco obtem-se.87 Donde se conclue como é variável o grau de nicotina. a riqueza em nicotina dos principais tabacos. a 4.42. segundo Bouant (Le Tabac).50 3. conteem os seguintes pesos de nicotina: Tabaco > » » » » » de » > » » > » java Maryland Sansoun Algeria Kentucky Havana Virginia 1.33 3.

formam-se de 2 a 8 miligramas de acido prussico. absorverá. segundo Habermann. Metade de nicotina. passa no fumo absorvido. Pela combustão de 100 gramas. Este acido só se forma durante a queima do tabaco.CAPÍTULO II 45 de carbono. o fumador absorve cerca de 14 miligramas de nicotina. 32 de amoníaco. conforme diz Pontag. Fumando 10 cigarros. 11 bases piridicas e 250 centímetros cúbicos de oxido de carbono. a outra parte fica na ponta do charuto ou do cigarro. segundo as experiências de Habermann. 8 miligramas de nicotina. 6 de acido prussico. Um fumador que fume 20 cigarros por dia. .

CAPÍTULO III Acção fisiológica da nicotina. Envenenamento pela nicotina .

Todos os animaes.agora a acção fisiológica da nicotina. diz Claude Bernard. o animal é fulminado. e. por qualquer via que seja introduzida. demostraram que a nicotina actua sobre todo o organismo. porém. apoz as considerações feitas sobre o tabaco. Duas gotas VEJAMOS . As admiráveis pesquizes de Claude Bernard. são atacados por esta substancia. em rápidos traços. Desde já devo dizer. que se respira com dificuldade numa sala em que se espalhou uma gota desta substancia. É um veneno tão violento. que não é meu desígnio fazer um estudo completo da nicotina sobre o organismo. Deixo essa tarefa a outros mais favorecidos do que eu pelo tempo e meios de investigação. Vulpian e Blatin.

Em virtude de Pareniy e E. para produzir os mesmos efeitos. o animal de experiência entra num verdadeiro estado de tetanisação. Cada musculo é a sédede uma contracção enérgica. Mas — coisa notável ! — é um veneno de tolerância rápida : '/M de gota produz efeito sapreciaveís sobre a circulação . e. Mas nem por isso deixa de ser uma substancia de um grande poder toxico. ou morre. no dia seguinte é precisa uma gota inteira. e em seguida uma resolução muscular completa. tremores. oito um cavalo. Depois. em quatro minutos. Os nervos motores . Em doses mais fracas. Quando é dada uma dose suficiente.50 TABAGISMO matam um cão. Grosset. a nicotina determina nos animai» movimentos convulsivos e tremores muito fortes. ao fim de quatro dias. ou se ha sobrevivência. já são precisas cinco gotas. a dose mortal de nicotina pura está comprehendida entre 21 e 31 miligramas por quilograma de animal. Basta uma única gôta para produzir no homem imediatos acidentes graves. aparece um periodo convulsivo.

mas não actua sobre todas com egual intensidade. A respiração a principio é excitada. Este veneno não poupa nenhuma espécie zoológica. donde resulta a diminuição do campo respiratório. se se derramar na conjunctiva uma só gota desse alcalóide. donde sibilos e maior dificuldade na entrada do ar. sobretudo nos primeiros. os mamíferos. tetanisam-se os músculos brônquios. depois perdem-na. depois diminuem e enfraquecem. a morte é quasi instantânea. tetanisam-se os músculos costais e diafragma. Depois vem a paralisia deste musculo 'e dahi. Em todos os animais nicotisados tem a observação demonstrado que eles se vão acostumando . como as rãs. Aumenta o numero dos ciclos respiratórios. tetanisa-se a glote e as cordas vocais. Nos animais de circulação lenta. Os sensitivos são pouco influenciados. Nos animais de circulação sanguínea muito activa. a morte não é rápida. que morrem imediatamente. o perigo da asfixia. donde a suspensão tetânica da respiração. as pulsações precipitam-se ao principio . nesta fase ainda. cobras.CAPÍTULO III 51 conservam a sua excitabilidade. como os pássaros. Quanto ao coração.

actuando particularmente sobre o bolbo e os pneumogástricos. depois de uma diminuição inicial. em pequena dose. diremos que. no fim de dois minutos o numero das pulsações cardíacas passa de 115 a 132. Segundo uma experiência de Claude Bernard. Em pequenas doses. torna-se necessário augmentar as doses progressivamente. a digestão e as secreções.52 TA B A O I 8 M O com o toxico. mau grado os acidentes iniciais. iníelismente. a respiração. Para reunir em algumas palavras o resultado das ultimas experiências fisiológicas. de um modo geral. É assim. acaba por suportar o tabaco e habituar-se com êle de tal modo que dificilmente abandona esse vicio tão detestável quanto prejudicial. de modo que para se obter com a nicotina varias vezes os mesmos efeitos de intoxicação. excita a medula e os nervos. . que o fumante. por intermédio dos quais exerce a sua influencia sobre a circulação. a nicotina acelera os movimentos cardíacos. a nicotina. um cão que receba numa ferida cutanea três gotas de nicotina.

em 1850. as mordificações fisiológicas produzidas pela nicotina no organismo. conde de Bocarmé. Um belga. são. ENVENENAMENTO PELA NICOTINA Os envenenamentos criminosos pela nicotina. que aparece quási sempre nos casos de intoxicação. perto de Bry. e provavelmente o primeiro.CAPÍTULO III 53 A sua acção sobre as secreções traduz-se por um exagero das secreções salivar. datando já de tempos remotos. especialmente no período paralítico. Tais são rapidamente descritas. A toxicologia poucos menciona. deu-se no castelo de Bitremont. O mais celebre. entretanto hoje muito raros. um seu cu- . auxiliado pela sua mulher. E é do estudo destas manifestações que tratam os capítulos que se seguem. urinaria e especialmente sudoral. A temperatura eleva-se sob a influencia de pequenas doses. Hipólito Visart. envenenou. e diminue sob a influencia de grandes doses.

atrahida a uma entrevista. porque a historia química da nicotina era muito pouco conhecida nesta data. Entretanto. o sábio químico. tomou sem desconfiança uma chávena de café na qual o assassino havia derramado uma certa quantidade de nicotina. Dworzak e Heinrich. O tribunal.54 TABAGISMO nhado. por experiências que fez em animais com matérias extraídas dos órgãos da victima. Demonstrou quimicamente que o envenenamento foi produzido por um alcalóide . sábio químico belga. Gusfave Fougnies. fisiologicamente. O crime foi descoberto. A victima. baseado nas conclusões de Stas. Era. Primeiramente Stas pensou tratar-se de um envenenamento pelo acido acético. de quem esperava herdar. e Stas. porem. então pouco conhecida. dois corajosos experimentadores tomaram três miligramas de nicotina . e isso não era fácil. condenou Bocarmé á pena capital. foi encarregado do exame medico-legal. mas não tardou a reconhecer que se tratava da nicotina. necessário fornecer provas em apoio desta opinião. que esse alcalóide era a nicotina. com extraordinária sagacidade conseguiu prova-lo.

amolecida. Nesta ultima havia. opressão respiratória. revelou : a lingua apresentava-se vermelha. spasmos clonicos. sonolência. a do véo do paladar manifestava uma côr branca-acinzentada.CAPÍTULO i n 55 cada um. tumefacta. facilmente destacável. visão indistinta e lipotimia . Em doses macissas um individuo morre em convulsões tetânicas de grande intensidade. feita na vitima do conde de Bocarmé. extremidades frias.Eis os signais que a autopsia. Anatomia patológica . ponto em que a acção do veneno provavelmente mais se fez sentir. nauseas e vómitos . alem dos signais já mencionados. placas negras e sufusões . Primeiramente tiveram uma sensação de queimadura na lingua e na faringe. ptialismo. e descrevem o seguinte quadro sintomático que esteve prestes a apagar-lhes a vida. As mucosas faringo-esofagicas e a do estômago encontravam-se congestionadas e facilmente destacáveis. cefalalgias. A mucosa em certos pontos apresentava-se destacada. vertigens. Só ao cabo de três dias foi que se dissiparam esses terríveis fenómenos. especialmente dos músculos respiratórios. com uma mancha negra do lado esquerdo.

repletos de sangue negro e fluido Os diversos órgãos do cadaver exalavam um pronunciado e inequívoco cheiro a tabaco. os signais que a autopsia forneceu. Após o vomitivo recorre-se aos antídotos e aos adstringentes. como o chá verde.56 TABAGISMO equimoticas. Tratamento — Sendo a nicotina um toxico tão violento. Os pulmões. resumidamente. menos as placas negras. estas mesmas alterações. e. indicação esta tirada de experiências de Van Praag. a quina. afim de desembaraçar o estômago de alguma quantidade de veneno que possa conter. a intervenção do medico deve também ser a mais inergica possível. portanto inofensivo. Tais foram. o duodeno. O primeiro passo a fazer consiste no empfego de um vomitivo. que. e especialmente o tanino que precipita a nicotina. dando logar á formação de um corpo mais ou menos insolúvel. E aconselhável também o emprego de diuréticos com o fim de eliminar o veneno que se possa encontrar no sangue. envenenando animais . o café não torrado.

em virtude da acção rápida deste alcalóide. são inúteis todos os esforços terapêuticos. . Se a intoxicação fôr produzida por via rectal. que nos casos de doses massiças. É de notar. observou que eles não morriam quando a diurese era abundante. administram-se grandes lavagens purgativas.CAPÍTULO III 57 com o emprego da nicotina. porem.

CAPITULO IV Intoxicação aguda pelo tabaco .

Donde. basta observar o que se passa numa creança que começa a fumar pela primeira vez. os prazeres que ideadisa. ./ í INTOXICAÇÃO aguda pelo tabaco apresenta graus diversos. e ás escondidas vai procurar. desde as perturbações leves até aos acidentes graves e mortais. da embriaguez dos primeiros cigarros que fumei quando colegial). uma forma benigna e uma forma grave. muito naturalmente. muito bem. A creança vê fumar. consoante a dose do veneno absorvido. (E eu ainda me lembro. se distingue duas formas de intoxicação aguda pelo tabaco . no fumo de um cigarro ou de um charuto. A primeira é fácil de descrever .

respiração acelerada. cortado por gritos e por terríveis acessos tetaniformes. suores frios. sente zumbidos. embaraço da . Depois. vem a paralisia e o colapso. estupor profundo. E o pobresinho não tarda que comece a ser surprehendido por essa indefinível sensação de angustia precordial. vertigens.62 TABAGISMO Toma na boca as primeiras baforadas. na esperança de que o prazer delicioso e agradável ha-de vir. palidez. dejecções. o individuo sente uma sensação de calor no epigastro e ventre. que parece mortal. Seguem-se os vómitos e uma prostração. É a embriaguez do primeiro cigarro. A face torna-se-lhe pálida e cobre-se de suores. pupilas contraídas. a vista obscurece-se. perturbações de ideias. Assim. grande astenia. pois. pulso duro e raro. uma agitação continua. vómitos. Mas continua. que breve se transforma em nausea. dilatação das pupilas. . obtusão da sensibilidade. e admira-se de somente lhes experimentar o amargo travor. E o que é isto. senão o cortejo sintomático dum fenómeno de intoxicação aguda pelo tabaco ? Nas formas graves esta sintomatologia assume um cunho de maior intensidade. e vacilam-lbe as pernas.

algumas horas mais tarde. sem duvida entusiasmados com os vapores inebriantes de Baccho. em face deste dramático exemplo. por desgraça. sublimes versos ? O poeta fora convidado para jantar em casa do principe de Conde . e. e a titulo de brincadeira. Outras vezes. lançaram uma certa quantidade de tabaco na chávena de café que lhe foi oferecida. a morte que pode dar-se em um quarto de hora ou em 24 horas. o desenlace não é fatal e então o doente começa a voltar a si. em latim. Que exigir mais. é um veneno. mas sente horrorosas dores de cabeça. por fim. para o quadro completo de um envenenamento por intoxicação aguda ? Não ha duvida pois que o tabaco é um terrível veneno. O poeta inocentemente tomou a mortífera bebida . imperce- .CAPÍTULO IV 63 respiração. a que o organismo depressa se habitua. Mas. alguns amigos. pulso filiforme. grande fraqueza e embaraço gas tricô. expirava nos braços dos autores de tão trágica brincadeira. O abalo da saúde pode durar meses. As acções nocivas de cada dia. e. no meio de terríveis sofrimentos. Quem não conhece a lamentável morte do poeta Sauteuil que fazia. muito embora minimas.

É a gota de agua a infiltrar-se lentamente no muro solidissimo. .64 TABAQISMO ptiveis. e que um dia pôde revelar-se por fenómenos alarmantes. vão-se somando ás de outro dia. que se vai dando no tabagismo. É esta infiltração lenta. que parece desafiar os séculos e que um dia desaba subitamente com espanto de toda a gente.

CAPÍTULO V Intoxicação Crónica. Aogão sobre os diferentes aparelhos da economia = e faculdades intelectuais = .

que. e as tnumeras observações colhidas pelos diferentes clínicos. Assim o 4eem demonstrado os numerosos factos experimentais. pelos fisiologistas. nos indivíduos intoxicados pelo tabaco.p I ARA admitirmos a influencia do tabaco sobre o desenvolvimento das doenças que produz. isto é. que o tabaco actua sobre o organismo como todos os tóxicos. que a influencia do tabaco se faz sentir muito espacialmente durante a adoles- . É de notar. reaftsados nos animais. porem. precisamos partir deste facto bem estabelecido e actualmente aceito sem contestação. teem encontrado as mais variadas afecções orgânicas e perturbações funcionais de toda a ordem.

O toxico produz então uma serie de afecções. quando as funções digestivas teem necessidade de toda a sua energia para fornecer ao corpo. Será mais justificável o habito do tabaco aspirado em forma de rapé. provocando ou exagerando uma infinidade de estados mórbidos. O habito de mascar o tabaco encontra-se quasi somente nos marinheiros. segundo o nosso modo de entender. conforme a constituição do individuo. É fácil explicar. . circunstancia esta desfavorável ao julgamento dos próprios interessados. ou ainda o de o mascar ? Não. o maior perigo do tabaco é êle ser um toxico de acção lenta . porque tantas pessoas se recusam á evidencia e a admitir ideias baseadas em provas tão numerosas. os elementos necessários ao crescimento. quando o apetite deve ser mais desenvolvido. os seus efeitos só se manifestam com o decorrer do tempo e sem que o fumador se aperceba deles. pois. ao facto dos efeitos maléficos de intoxicação tabagica só se manifestarem com o tempo.68 TABAGISMO cencia. sem duvida. pela alimentação. Até aqui não tenho falado senão do tabaco fumado. isto é devido. muitas vezes incuráveis. O que constitue.

que nos adverte de diversos perigos. Ora o olfáto é uma sentinela vigilante. e aos canais lacrimais e trompas do ouvido. que comunicam com as fossas nasais. o olfáto não pode deixar de ressentir-se. que nos proporciona. não pode deixar de irritar igualmente. Irritada a mucosa do nariz. ou ligados ainda a uma utilidade muito real. Não só dá á boca um hálito fétido. Mas não é assim. o que não pode deixar de perturbar a digestão. e esta irritação pode propagar-se aos diversos seios. sensações de mero deleite. A sua deglutição ha-de levar ao estômago e circulação geral os princípios tóxicos do tabaco com os seus inconvenientes. O rapé é um irritante da mucosa nasal . á primeira vista. Util por este lado. não menos util nos é pelas sensações agradáveis.CAPÍTULO V m É um habito repelente. O habito do rapé parece. Provoca uma descomunal secreção de saliva. Todos nós sabemos quanto o aroma agradável dos alimentos no-los torna mais apetitosos e por isso mais digeriveis. mas corroe-Ihe a mucosa e até os dentes. Sorvido até á faringe. não ter inconvenientes. como o realçar o apetite dos alimentos. se fôr expelida. .

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TABAOISMO

Ora sacrificado assim o olfáto pelo uso do rapé, sofrerá com isso a digestão. Mas a irritação da mucosa nasal pode ir até á ulceração e á formação de pólipos, o que é bem mais grave. Os efeitos perniciosos do tabaco não se observam tão somente nos indivíduos, que deles usam e abusam. Também se vêem nos operários que o manipulam. Alem dos efeitos agudos nos operários noviços, — cefalalgias, nauseas, perda do apetite, diarreias, fenómenos que passam ao fim de algumas semanas, ha efeitos consecutivos, devidos á impregnação crónica pelas emanações tabagicas : — uma côr terrosa característica, deterioração geral da saúde, cegueira, paralisias. Tem-se afirmado mesmo, que as operarias são mais sujeitas aos abortos, o que não seria para admirar, se se confirmasse a existência da nicotirlt no liquido amniótico. A mortalidade dos recemnascidos afirma-se também cousideravel. Seria muito interessante fazer as estatísticas da mortalidade entre os fumadores dos diversos

CAPÍTULO

V

71

países ; mas, isso, porem levar-me-hia muito longe de modo que limilar-me-hei a recorrer á estatística de Paris. Citarei somente os algarismos seguintes sob o ponto de vista das mortes súbitas no sexo fumador, e no sexo não fumador:
Homens Mulheres Total

De 1 a 19 anos 4 A partir de 20 anos.. :' 82

8 50

12 132

Assim, pois, antes que o homem seja intoxicado pelo tabaco, o numero de mortes súbitas é duplo nas mulheres. Mas a partir da idade em que o homem se intoxica, a proporção é inversa. Outros números interessantes, são os tirados da Beacon Light (janeiro 1908) sob o ponto de vista da mortalidade. Assim, em 100 óbitos, na Inglaterra, encontraram-se :
Não fumadores Fumadores

Afeções do aparelho respiratório...

10,69

16,09

72

TABAGISMO Não furaadofes Fumadorei

Afeções do aparelho digestivo Afeções do aparelho circulatório...

9,92

11,88

3,32

8,77

Para maior facilidade e clareza do estudo sobre a intoxicação tabagica crónica, veremos as diferentes perturbações produzidas por essa intoxicação conforme interessarem : O aparelho digestivo. O aparelho circulatório. O aparelho respiratório. O sistema nervoso e as faculdades intelectuais. 5.° O aparelho genito-urinario. 6." Os órgãos dos sentidos. a) Aparelho digestivo. A acção nociva do tabaco sobre o aparelho digestivo, sobre o estômago em particular, tem sido l.o 2.° 3.° 4.°

CAPÍTULO V

73

desde muito tempo verificada pela experiência e pelos numerosos casos de observação clinica. Sob o ponto de vista fisiológico, é evidente que a acção do tabaco actuando sobre os ramos pulmonares e cardíacos do pneumogástrico, não poderia poupar os ramos gástricos deste nervo. Ele actua, pois, sobre os ramos gástricos de vago, excitando-os ou paralisando-os segundo as doses. De modo que o estômago é sempre mais ou menos atacado, não só na sua função química, mas na sua inervação. Não ha ocasião, para aqueles que fumam, em que o seu funesto habito se torne mais imperioso do que após as refeições. E a razão é porque nesse momento a nicotina constitue um auxiliar dos fenómenos digestivos ; mas, não é impunemente que um elemento extranho ao organismo intervém nestas condições, sem consequências funestas para o próprio organismo. Assim, fustigado constantemente, o pneumogástrico fatiga-se^enfraquece-se, tornando-se as digestões mais difíceis, mais penosas, sendo necessárias doses mais elevadas de nicotina para estimular a ,actividade^do estômago. De forma que a cada estimulo sucede um enfranquecimento

Na faringe é frequente a angina granulosa. apoz um excesso mais ou .74 TABAGISMO proporcional. sobrevem a anorexia. das bochechas. b) Aparelho circulatório. Os acidentes mais sérios do tabagismo crónico são os que incidem sobre o aparelho cardíaco. Localmente. Referem-se também numerosos casos de cancro dos lábios. não é raro observar. a alimentação torna-se insuficiente. em indivíduos sem lesões do coração. começa o depauperamento orgânico. mas sobretudo observados nos fumadores inveterados que fumam de cachimbo de tubo curto. lingua e alterações dos dentes. (cancro dos fumadores). e surdez mais ou menos acentuada. E a propagação da irritação á faringe superior pode dar logar á otite do ouvido medio. provocados pela irritação prolongada do cigarro ou do charuto. Assim. o fumador enfim torna-se um dispepticoEste é um facto consagrado pela observação clinica que não carece já de demonstração. gengivas. o fumo do tabaco produz a irritação da mucosa labial.

0 É muitas vezes associada a outros accidentes de envenenamento nicotinico. Esta aritmia.o Os ataques anginosos. 3. palpitações. os acidentes desaparecem por supressão do tabaco. afrouxamento ou a aceleração). o maior perigo da intoxicação nicotinica crónica. 4.o Quando não existem lesões. A angina pectoris tabagica constitue. 7. 2.o Toma muitas vezes a forma Vaso-motora. que por vezes tanto inquieta o doente.CAPÍTULO V 75 menos prolongado do uso do tabaco.o Os acessos muitas vezes expontâneos. por assim dizer.o A angina tabagica orgânica (por arterio-esclerose nicotinica) é mais tenaz e não desaparece senão lentamente pela medicação iodada.o Quasi sempre. Segundo Huchar a angina do peito tem os caracteres clínicos seguintes: l. cessa logo que o doente renuncie ao seu habito. outras vezes frustos também. 5. fora dos acessos. . 6. podem ser também provocados por um esforço. taquicardia. umas vezes são completos. ha perturbações cardíacas (aritmia. palpitações e iníermitencias.

actuando directamente sobre a célula nervosa. Remack. que o seu uso produz num grande numero de fumadores. a sua acção nociva exerce-se rapidamente por intermédio das perturbações dispepticas.76 TABAGISMO 8. não manifesta os seus efeitos . Os giânglios de Bidder. o tabaco parece determinar directamente ora espasmos das coronárias. devem sofrer a acção desse toxico que. Em outros casos. actua indirectamente sobre o coração e a circulação. Mas o tabaco.° Ha uma forma dispepíica. Em certos casos. Entretanto Huchar. ainda é um assunto problemático e discutível. Quanto á possibilidade da nicotina provocar a arterio-esclerose. que tem uma acção electiva sobre o coração. É êle um toxico vaso-constrictor que experimentalmente determina a retracção dos vasos e eleva a pressão arterial. que é am ais benigna. de Ludwige. diz que a influencia do tabagismo sobre a arterio-esclerose é possível e mesmo provável. ora uma excitação do plexo nervoso (Potaín).

exerce também a sua acção nefasta sobre as vias respiratórias. ou um exercício mais ou menos violento. São também indiscutíveis os acessos de dispneia penosa. É de notar que esta dispneia especial dos fumadores é sempre um signal de saturação nicotinica.CAPÍTULO V 77 nefastos só pela angina de peito. que o tabaco determina frequentemente. provocados pelos excessos do tabaco. c) Aparelho respiratório. ou de bronquites crónicas. a abstenção completa do fumo. existem outras verdadeiras cardiopatias nicotinicas. feitas em diferentes animais. a acção do . ao menos durante algum tempo. Em virtude de numerosas experiências fisiológicas. e mesmo de ataques de asma. Não é raro encontrarem-se fumadores portadores ou de Iaringites. sobrevem ordinariamente nos dias em que se fuma em excesso. basta para a fazer desaparecer. Essa dispneia. O abuso do tabaco. aflictiva. por vezes sem gravidade. e sobretudo quando se faz uma ascensão.

nos pulmões. É de notar que nesta fase. De modo que. O numero normal dos movimentos respiratórios diminue. faz com que se atenuem os seus incómodos. em virtude das propriedades do tabaco embotarem até certo ponto a sensibilidade. coagulação deste liquido nos capilares. facto que. nestas condições. que se encontram descritas nos livros que tratam do assunto: irritação directa da mucosa brônquica. O primeiro destes efeitos dá logar á bronquite. o fumador sente uma certa necessidade de fumar. o organismo necessidade de que estes movimentos se façam mais frequentes e enérgicos. estes exageros conjugados com tosse persistente . que se converte por vezes em catarro crónico. provoca uma dificuldade e obstáculo á respiração e á hematose pela diminuição de superficie em que se deve realisar as trocas gazosas da respiração. realisando-se. O segundo. manifesta-se também por desordens mais ou menos intensas.TABAQISMO tabaco. tendo. perturbação e enfraquecimento dos fenómenos da hematose. diminuição de calibre e da contractilidade dos canais circulatórios do ar e do sangue.

penetrando no sangue por endosmose.CAPÍTULO V 79 constituem o inicio das dilatações brônquicas. Este fenómeno repete. como também nos da calorificação. que se tornam revestidos dum tecido análogo ao do fígado. é também uma depressão da sensibilidade. Quanto ao terceiro efeito podemos dizer que o alcalóide do tabaco. o que dificulta assim o movimento das colunas sanguíneas aos diferentes capilares. vai perturbar a acção do oxigénio. que estão intimamente ligados á hematose. podendo dar logar á hepatisação dos pulmões. Os elementos mais -afectados pela nicotina parecem ser os glóbulos rubros. tornando assim o sangue impróprio para satisfazer as necessidades fisiológicas a que se destina. . A quarta espécie de efeitos produzidos pela acção da nicotina é a que diz respeito aos nervos dos pulmões. que se é uma falsa consolação para o fumador. O sangue torna-se mais expesso. produzindo uma espécie de embriaguez asfixica. acarreta perturbações não só nos fenómenos da hematose. que podem dar Iogar ao enfisema pulmonar.

as gastralgias e as enteralgias. A vertigem dos fumadores não é somente um . sciaticas. O tabaco é factor frequente de nevralgias. Outro facto que é muito comum observar-se no fumador é o tremor das extremidades. que podem [aparecer indiferentemente em qualquer região sendo mais comuns. Numerosos auctores sempre consideram a intoxicação tabagica como uma das causas de alteração da célula nervosa.80 TABAGISMO d) Sistemanervosoe faculdades intelectuais. bem como a vertigem. Tanto o [sistema nervoso periférico. mais visível nas mãos. de todas estas nevralgias é a da inervação cardíaca que oferece maior importância. intercostais. etc. Os auctores ainda se referem ás nevralgias faciais. Entretanto. Sobre o sistema nervoso é que o tabaco parece ter mais predilecção ao lado do aparelho cardio-vascular. oculares. podendo dali resultar perturbações nutritivas e de outra natureza para o lado dos diversos tecidos. como o central são comprometidos.

Alem da vertigem. ha outras consequências da intoxicação tabagica. a acção do tabaco sobre cada uma das três faculdades: — atenção. Fisiológica ou experimentalmente essa vertigem deve ser considerada como o resultado da acção do tabaco sobre o pneumogástrico. por alto. passam com a maior volubilidade de uma ideia á outra. é também o de uma intoxicação crónica e é acompanhado de tremores. provoca a contracção dos vasos e o fenómeno de anemia cerebral. memoria e inteligência. Torna-se distraído. Ha certas posições que os fumadores adquirem e que parecem traduzir grandes meditações : — erro. Atenção — É uma faculdade que o fumador perde ao cabo de certo tempo. que se manifestam por diversas paralisias das extremidades. . acção que se manifesta por uma paralisia temporária desse nervo.CAPÍTULO V 81 sinal de intoxicação aguda. agora. que deixando aos nervos vaso-constrictores toda a sua propriedade funcional. as ocupações mais serias não teem o poder de fixar o seu espirito. abstracto. Vejamos. a ponto de em conversa ficar por vezes alheio ao que se passa.

a mais conhecida. .T o d o s os indivíduos. mais acentuada no fumador do que no alcoólico* Gomo quer que seja. analisar o seu estado de um modo inteligente. . por conseguinte. apresentavam. podendo. o enfraquecimento da mempria devido ao tabaco é um facto incontestável. . Werbster diz que a perda da memoria é. os-mesmos-Sintomas :-r-esquecimento das palavras.. : O Dr. São indivíduos mergulhados eternamente em melancolias. demonstrado por numerosas e variadas observações.sífilis. v .. C Rouillard observou um grande numero de casos de amnésia nicoíiniã que seria muito longo e fastidioso inumerar aqui. sem aquela vivacidade propria dos que teem o cérebro em perfeito estado funcional. na maior parte instruídos. e. estão abstractos e dormitam com os olhos abertos . todos eles. isentos de . de alcoolismo: ou desqualquer outra afecção que possa perturbar a memoria. . todos eles. é de todas as manifestações dessa intoxicação. Memoria — A acção que o tabaco exerce sobre a:memoria.82 TABAGISMO etn nada pensam. estão sob a influencia nefasta da nicotina.

como já vimos. é. que. A verdade é que o tabaco exerce realmente uma acção prejudicial sobre a inteligência. mas nunca ou quasi nunca esquecimento dos factos e das imagens. São faculdades tão ligadas entre: si. snv:>' aaoq Balzac. portanto. A amnésia nicotinica aproxima-se muito das outras amnésias por intoxicação.\ CAPÍTULO V 83 esquecimento dos substantivos. . o único tratamento.Inteligência — O tabaco. e. fumadores ou rapetistas. Walter Scott. Musset. Byron. se completam. O restitutio ad integrum obtem-se pela supresão da causa. para bem dizer. no Bulletin de la Société contre Fabits . e tantos OtítfW que. aliás. espeeialtaetílè dofr nomes próprios. diminue a atenção e enfraquece a memoria. é quasi desnecessário dizer que compromete também a inteligência. Napoleão. foram homens ilustres. Entretanto/ muitas pessoas ha que negam ao tabaco esta ááçãov lembram então os nomes de grandes homens'que tinham o habito de fumar ou dé'-pftadea-Yj como por exemplo:—Milton. É o argumento mais frágil e pueril 4e quantos se podem invocar. Bacon Newton. especialmente da amnésia alcoólica.

como o alcool. ataca a inteligência. Leão Tolstoi. e. Goethe. Littré. ilustre e imortal psicólogo russo. a tal ponto as suas idéas a este respeito estavam arreigadas. . Dumas. Os fumadores são particularmente expostos á albuminuria e á diabetes.84 TABAGISMO du tabac. foi um dos mais intransigentes. notou que os alunos fumadores eram sempre os mais atrazados . Victor Hugo. em uma carta dirigida a Maurice de Fleury: «o tabaco é. como também conduz a um certo grau de abolição da excitabilidade intelectual. numa estatística que fez na Escola Politécnica de Paris. Para êle. Mas vejamos o que dizem os homens de ciência: —Bertillon. que prohibiu que se fumasse no Val-de-Grâce. o tabaco não só oblitera o senso normal. Os rins ressentem-se igualmente das perturbações que o tabaco acarreta para a maior parte das nossas funções vitais. em quanto foi director desse hospital. o mais terrível inimigo da inteligência». diz claramente que «o abuso do tabaco destróe o corpo. bestialisa uma nação». filho. não só não fumavam como eram verdadeiros inimigos do tabaco.

Mas a este argumento. em grande parte. atravez da minha vida de prisioneiro de guerra. Estes factos. Em 1864. a degenerescência cancerosa da prostata. ha notar. a paralisia muscular da bexiga. que estes povos absorvem muita pouca nicotina. E eu tive. já porque os tubos dos cachimbos são muito compridos — o'que retém uma parte da substancia toxica volatilisada.CAPÍTULO V 85 A incontinência e a retenção de urinas. Os defensores do tabaco dizem que os turcos e os alemães. e que. por conseguinte não sofrem os efeitos anafrodisiacos do tabaco. têem uma grande actividade genital. O que parece ser averiguada é a acção depressora que o tabaco exerce sobre o sentido genital. segundo alguns auctores. não parecem suficientemente ilucidados. por isso. apenas me limito a constatá-los. Wright o demonstrou experimentalmente em cães. fazendo-os comer tabaco misturado aos alimentos. seriam devidas também. já porque o tabaco por eles usado contem muito pouco alcalóide. á mesma causa. infelizmente. durante quasi nove . grandes fumadores. ensejo de verificar isto mesmo na propria Alemanha. porem.

Fumei alguns cigarros que eram efectivamente muito pobres em nicotina. * '■ Finalmente. não sendo difícil a surdez como consequência directa duma lesão do nervo ótico. O rapé. pela irritação exercida na pituitária enfraquece o olfáto. A. As perturbações visuais apesar de não serem tão frequentes são incontestáveis. sobre os órgãos dos sentidos. A otite depende da extensão da faringite granulosa ás trompas de Eustachio. A niais notável dessas perturbações é a designada sob tínòrrie de anibliopia nicotinica. As mulhe­ res expõem­se muito menos ás intoxicações que os . O sexo tem grande influencia sobre a frequência das afecções. estraga o paladar em proporções algumas vezes consideráveis. o tabaco exerce também a sua acção nefasta. Fuma­ do em excessso ou mascado.86 M ÏABAdlS O meses de triste e faminto cativeiro. frequência dos abortos nas operarias em­ pregadas nas manufacturas do tabaco é de noção bem esclarecida. e vi a maior parte da gente fumando por uns longos cachimbos (alguns chegam a ter meio metro e mais de comprido). Quanto á influencia sobre a prenhez muito se tem falado a este respeito.

.CAPÍTULO V 87 homens.. .. . neles mais frequentes os casos de ambliopia. .. 3. Convém difundir largamente trabalhos de vulgarisação cientifica..*: O simples uso do tabaco alem de ser nocivo. alem daqueles males produz graves desordens na saúde.-. sob o ponto de vista'económico.. : 2. : Apresentarei algumas observações sobre o envenenamento pelo tabaco . que se podem vêr em numerosos tratados e revistas. .." O abuso do tabaco. sendo.I**. em que os efeitos nocivos do tabaco sejam expostos. cria um estado de obsessão. nocivo sob o ponto de vista psíquico. O uso do tabaco não corresponde a nenhuma necessidade rea! do nosso organismo.. Após todas as considerações que venho fazendo sobre o tabaco. O doente experimenta uma diminuição na faculdade de distinguir as cores mixías e pouco vivas. . .. por isso.a O uso do tabaco deve ser abandonado. 5:a. 4.-. . a ciência registra uma quantidade enorme de casos. . não posso formular outras conclusões á minha tese que não sejam estas: -. .

«7 ir OBSERVAÇÕES cl to .

Quatro horas depois das refeições. estas dores atingiam o máximo de intensidade. casado. torcendo-se em altos gritos. Dores intestinais fortes e duradoiras.I / \i G. de 41 anos. natural e residente no Porto. em forma de cólicas. v Períodos de diarreia alternados com períodos de constipação. mas conservando sempre dolorosas irradiações acompanhadas dum certo mal estar constante. para diminuir um pouco passadas duas horas. indiferencia ao . comerciante. por vezes tão violentas. que obrigavam o doente a deitar-se no chão. astenia.

foi arrastando a vida durante uns bons quatro annos. Assim. todos os sintomas que o atormentavam. no meio de constantes sofrimentos. no Hotel Continental. começaram a desaparecer como . um certo despreso e aborrecimento por tudo. onde o entrevistei. segundo me confessou há dias. o próprio doente. Fatiga fácil. o único tratamento que lhe prescreveu foi a ausência absoluta do tabaco. Ligeiras e rápidas pontadas no coração. resolveu consultar o ilustre professor desta Faculdade. tendo-se submetido a variados tratamentos impostos por especialistas. (ha dois anos) a conselho do meu colega e condiscípulo Francisco António Gonçalves. Absolutamente mais nada lhe formulou. este sábio professor chegou á conclusão de que se tratava de um caso de intoxicação tabàgica. Cinco dias depois. sobretudo com qualquer exercício por mais pequeno que fosse. Um belo dia. Depois de convenientemente examinado. E como tal. Thiago d'Almeida.92 TABAGISMO trabalho.

come de tudo. . '• ■ ■'•'­­ v :. e constantes . E desde então. outrora incompatível com o seu estado de saúde. Ha dois anos que não fuma. alem de fumar bastante durante o dia. e. natural da Suissa.. de 26 anos. cigarros tinha de fumar. desde creança. sente­se bem. levando emfim uma vida agitada.. Ha ocasiões que sente pontadas no coração.'. Se dez ou vinte vezes acordasse.'". comerciante. n W i D. não podia resistir de acender um cigarro. que me foi apresentado por um amigo meu.■­ ila'ï . Este individuo. trabalha. Fumava em jejum. dez ou vinte. 62. É de notar que este doente era um fumador inveterado. todas as vezes que acorda. solteiro. tem o péssimo habito de fumar durante a noite. todas as vezes que acordasse.OBSERVAÇÕES 93 que por encanto. rua Sá da Bandeira. residente no Porto..

tem anorexia. logo ­que deixe de fumar. farmacêutico. Í*&M $¥: yy.?:. .!* . que o aliviam um pouco dos seus sofri­ mentos. concelho de Estarreja. nauseas. anu *'■ 3 & tiiissts *ína ■ • Por vezes submete­se a dietas mais ou menos rigorosas. casado. •*■! :>. natural de Murtosa. e palpitações cardíacas a ponto de recorrer já a especialistas.!« tofUiljR rapaz a quem lhe aplicaram suco de tabaco sobre uma das ulceras da cabeça.. . M as entretanto lá vai fumando ainda o seu cigarro apesar de saber a acção nociva que êle exerce sobre o seu organismo. três dias . IV . Biori Todos estes sintomas diminuem de intensidade./::fe. que não se explicam senão pelo abuso do tabaco.94 ÏÀpAQlSMO Vertigens. se bem me recordo. 38 anos. polidipsia.ïHa muitos anos que sofre de hipercjoridria gástrica. III J i B. • ■ • : ■ -. cefa­ lalgias. Quando abusa do tabaco.

1838). morte a uma creança de 14 anos. 317.OBSERVAÇÕES 95 depòisoífflorâa^i (IWatterhafc fiurnal de chimie médicale. pag.^e constipação derveniréjíiioiícaijtrês quartos dê hora denoistv da aplicação sde^ùm.dos filhos de Gàlariha de Médias^sofria dê uma doença de pele .8 gramas cie lafcaÈo.ftdeïérmïnotti ëeœi duas.l RKNOiSGcy 8^1 orpiimeiro . lmi4£.: 316..clíster preparado com Í 4 8 " gramas íde^síabaeoí (JomrkdeuiCbimie médxafcí pag. .183£jí s>!S sao svhm os?!ie VII sb «. »o . boras.in: IM clister preparado com . a. r .ooîô:UM*HmuIh^sdeis24:iîanosv.

o remédio dos indios. de envenenamento pela nicotina. o tabaco. Tiraram como resultado a sua morte. . com todos os sintomas. aplicando-o sob a forma de pomada sobre as ulceras da pele do rei. Experimentaram.Q6 TABAGISMO contra a qual tinham sido estéreis todos os recursos da medicina daquele tempo. nesta conjectura. conhecidos hoje.

Proposições Anatomia — A abóbada craneana resiste ás pressões e aos choques traumáticos como as abóbadas arquitectorais. entre os neurones. Materia medica — O antídoto da morfina é á dôf. relações de contiguidade e não de continuidade. . Patologia geral — Admitimos uma hereditariedade moral e intelectual. Fisiologia —A distribuição do calor animal está subordinada á inervação vaso-motôra. Histologia — Há.

Higiene — Nunca dc^e fumar-se em togares fechados. Operações — A ténotomia subcutânea do tibial anterior é indicada no varus equineo. Anatomia patológica — Não há carie sem processos .inflamatórios. . .Patologia externa—A extracção das neoplasias malignas está.oS-?*ias»3j a£s Patologia interna e$ Quais» todos bs diabéticos' morrem tuberculosos.lr. indicada aquando pode ser completa. <is s r"-::x:r.

- . VISTO. PODE 1MPRIMIR-SE. Msíq Medicina legal -r-Nos casos de inorfe aparente a circulação e a aborpçãopersistem embora com fraca intensidade.Obstetrícia—O diagnostico positivo da gravidez só pôde ser leito no decerso doíquarto imês de gestação.

LINHA ONDE SE LÊ: DEVE LER-SE : 50 « 53 61 63 73 82 83 97 99 4 13 9 14 8 7 16 18 10 5 produz efeitos produz efeito E. modificação mordificações idéalisa ideadisa Santeul Sauteuil do vago de vago nicotinica nicotiniâ Tapelistas rapetisias O antídoto da mor.' "'- ERR/UflS PAO. aborpção absorpção * - . Orosset . antídoto da dôr. Grasset E.A m o r f i n a é o fina é a dôr.