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RESUMO GERAL PSICOLOGIA DO DESENVOLVIMENTO Tema 3: Aspectos gerais da psicologia do desenvolvimento: Conceito; Histórico; Metodologia; Hereditariedade X Meio-Ambiente

. Nos dias atuais as demandas para os profissionais da psicologia têm crescido fortemente. Com o rompimento das barreiras clássicas da clínica, que por muito tempo foram consideradas a glória maior da profissão os psicólogos passaram a invadir outros espaços em que antes estavam ausentes. Em cada espaço novo havia o desafio de desenvolver novas técnicas e novos meios de execução do trabalho psicológico (num sentido mais prático que hermenêutico). Nessa expansão a produção de novos conhecimentos se vale dos antigos, numa ampliação de suas aplicações. Certamente uma das áreas clássicas da psicologia que mais fornece subsídios teóricos para essa verdadeira revolução que está sendo vivenciada é a Psicologia do Desenvolvimento. A psicologia do desenvolvimento é a parte da psicologia que se ocupa dos estudos dos processos de mudança psicológica que ocorrem ao longo da vida humana. Teria então como objeto de pesquisa a própria vida das pessoas e os processos de mudança psicológica que nela ocorrem. As mudanças que interessam aos pesquisadores da área são os processos de mudança e suas experiências vitais significativas. O desenvolvimento humano envolve o estudo de variáveis afetivas, cognitivas, sociais e biológicas em todo ciclo da vida. Desta forma faz interface com diversas áreas do conhecimento como: a biologia, antropologia, sociologia, educação, medicina entre outras. Tradicionalmente o estudo do desenvolvimento humano focou o estudo da criança e do adolescente, ainda hoje muitos dos manuais de psicologia do desenvolvimento abordam apenas esta etapa da vida dos indivíduos. Hoje há um consenso de que a psicologia do desenvolvimento humano deve focar o desenvolvimento dos indivíduos ao longo de todo o ciclo vital. O que muda? Como muda? E quando muda? Estas são perguntas freqüentes nas pesquisas sobre o desenvolvimento, e são freqüentemente abordadas de formas distintas pelas diferentes abordagens teóricas que descrevem o desenvolvimento humano. Ao ampliar o escopo de estudo do desenvolvimento humano, para além da infância e adolescência, a psicologia do desenvolvimento acaba por fazer interface também com outras áreas da psicologia. Só para citar algumas áreas temos: a psicologia social, personalidade, educacional, cognitiva. Biaggio (1978) argumenta que a especificidade da psicologia do desenvolvimento humano está em estudar as variáveis externas e internas aos indivíduos que levam as mudanças no comportamento em períodos de transição rápida (infância, adolescência e envelhecimento). Teorias contemporâneas do desenvolvimento aceitam que as mudanças são mais marcadas em períodos de transição rápida, mas mudanças ocorrem ao longo de toda a vida. Mota (2005), analisando a obra de Biaggio, Monteiros e Cairns, propõe uma divisão da história da psicologia do desenvolvimento que se compõe de um Período Formativo seguido de outras quatro fases diferentes. O Período Formativo tem uma data de início um pouco controversa. Mota aponta 1882 como data de seu início com a publicação do livro de Preyers, “The Mind of the Child”, e se consolida com a criação de centros de estudos do desenvolvimento na França e nos Estados Unidos. No país ianque é o próprio Stanley

entre os francos seu fundador é Binet.circunstâncias históricas. Há um aumento da utilização do método experimental e do uso de técnicas correlacionais associadas a estudos longitudinais. Para os mesmos. O mesmo autor aponta várias das grandes abordagens modernas. Dentro dessa perspectiva o que está fora do sujeito o molda de forma que o desenvolvimento não teria uma dinâmica interna própria. de onde não guardamos quase nenhuma memória. O desenvolvimento seria então uma “história de aprendizagens”. especialmente no estabelecimento de relações entre variáveis que afetam o desenvolvimento. limitando os avanços teóricos. Os opositores frontais a essa perspectiva do desenvolvimento são os inatistas. que vai até 1990.experiências particulares privadas. infinito. Há um crescente interesse pela psicobiologia e pelas bases biológicas do comportamento. apesar de ter nascido com o filósofo empirista inglês do século XVII John Locke. Porém duas dominaram o cenário até meados da década de 1980.Hall que cria seu laboratório na Universidade Clark. A Segunda Fase. entre 1940 e 1959. psicologia da personalidade e desenvolvimento cognitivo. Todas as idéias que pareceriam inatas. Os pesquisadores dessa abordagem preferem trabalhar com aquilo que pode ser definido em termos operacionais e que é passível de ser medido e quantificado. Sendo que a maioria das pesquisas ainda usa métodos descritivos e normativos. Desta forma os principais métodos de pesquisa utilizados nesta fase foram os métodos correlacionais. sem qualquer conteúdo estabelecido em sua mente ou que viria a se manifestar. Segundo Palacios (1995) são três os fatores relevantes para o estudo da psicologia do desenvolvimento nos dias de hoje: 1. Observa-se também a re-emergência da Teoria Piagetiana como arcabouço teórico das pesquisas neste campo o conhecimento. na verdade foram aprendidas em tempos na tenra infância. ou seja. O empirismo. os principais interesses de estudo foram o desenvolvimento intelectual. ainda tem grande influência.a etapa da vida em que a pessoa se encontra. que teria início em 1913. No que diz respeito à metodologia de pesquisa utilizada nesta fase busca-se o estabelecimento das causas do desenvolvimento. ou ainda esquecemos simplesmente. O interesse nesta época ainda se concentra no estudo da criança. Há um aumento do interesse por estudos longitudinais e começa-se discutir a importância do uso deste tipo de metodologia para o estudo do desenvolvimento. os sujeitos nascem com . maturação e crescimento. Os interesses de pesquisa nesta época envolviam principalmente a psicobiologia. influenciados por Rousseau e Kant. Todo o conhecimento e tudo o mais viria da experiência do sujeito. Na Terceira Fase. Para o pai do empirismo inglês a pessoa nasce como uma tabula rasa. Até meados da década de 60 a psicologia do desenvolvimento sofre grande influência da Teoria Behaviorista e dos conceitos de Aprendizagem Social. Da perspectiva empirista vieram os estudiosos do enfoque mecanicista. A quarta fase é aquela que ainda estamos experimentando e é marcada pela grande gama de abordagens e concepções teóricas. Começa-se a criticar os métodos existentes de pesquisa na área do desenvolvimento humano. advindos dos órgãos dos sentidos. 3. verificou-se uma re-emergência das pesquisas no campo do desenvolvimento. 2. culturais e sociais e. Os estudos nessa área dão ênfase na operacionalização e na verificação. e outras. foi grandemente influenciada pela depressão de 30 e pelas Guerras que levam a uma escassez de investimentos em pesquisa. Na prática o interesse por esse tipo de delineamento não se concretiza. como Deus. perfeição. Na Primeira Fase.

Para o primeiro a criança nasceria boa e é corrompida pela sociedade. Portanto os autores da orientação etológico valorizam a conexão do desenvolvimento da espécie (filogênese) com o desenvolvimento do indivíduo (ontogênese). A grande contribuição etológica sob o ponto de vista metodológico é a importância das investigações que buscam seus dados na observação da conduta no meio em que se produz. um “auge”. há estágios necessários para o desenvolvimento. Sua perspectiva oferece um contexto amplo.). A redescoberta da obra de Vygotsky trouxe novamente para o palco da Psicologia do Desenvolvimento a perspectiva histórico-cultural. Já para o filósofo alemão a mente estaria já pré-disposta desde o nascimento a realizar categorizações de pensamento diante dos estímulos da realidade e que tais categorias seriam organizadoras do desenvolvimento.elementos já prontos que os possibilitam desenvolver-se. Por isso é importante considerar o ambiente em que viveram nossos antepassados pois vários desses comportamentos foram incorporados para responder àqueles ambientes. Para este enfoque é muito importante o estudo dos comportamentos inatos. O psiquismo iria então do social ao individual. ressaltando o caráter determinante que o ajuste às exigências deste ambiente tem sobre a conduta. etc. biológico e histórico-cultural. Dentro do enfoque ecológico destaca-se a importância da multiplicidade de influências que recaem sobre a criança e o adolescente ao longo de seu desenvolvimento (não apenas de pais mas avôs. o sentido bidirecional dessa influência (o comportamento da criança também molda o comportamento daqueles que a influenciam) e a consideração de realidades não imediatamente presentes. ou seja. Já os autores de orientação etológica destacaram que o ajuste às exigências deste ambiente de adaptação. com caráter teleonômico. orientando métodos sensíveis a essas diversas questões. Mais modernamente apareceram os teóricos do “ciclo vital”. sendo necessário levar em consideração a conexão do aspecto psicológico. . tios. chamados também de organicistas. com poucos compromissos conceituais e que permite investigações a partir de diversas formas e metodologias. Uma discussão mais aprofundada sobre esse debate será feita mais adiante. Resultado de uma concepção dialética dos fenômenos psicológicos. Os que o cercam ofereceriam à criança uma série de estratégias e instrumentos psicológicos e sua absorção seria o próprio desenvolvimento. o desenvolvimento teria uma “meta”. conhecidos. Para os inatistas. a perspectiva de Vygotsky ressalta o papel histórica e culturalmente mediado por tais fenômenos. que na verdade foram adquiridos em algum momento da evolução. seriam os estudos naturalistas. Para os autores dessa linha o desenvolvimento é um processo que tem múltiplas causas e que pode orientar-se e múltiplas direções.