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DIREITO CIVIL - MATERIAL DE APOIO DIREITO DAS OBRIGAÇÕES - APOSTILA 01 PROF: PROF.: Pablo Stolze

TEMA: INTRODUÇÃO E CLASSIFICAÇÃO DAS OBRIGAÇÕES 1. INTRODUÇÃO E CONCEITO DO DIREITO DAS OBRIGAÇÕES O desenvolvimento do Direito das Obrigações liga-se mais proximamente às relações econômicas, não sofrendo, normalmente, acentuadas influências locais, valendo destacar que é por meio das “relações obrigacionais que se estrutura o regime econômico, sob

formas definidas de atividade produtiva e permuta de bens”, como já salientou ORLANDO
GOMES 1.
Em objetiva definição, trata-se do conjunto de normas e princípios jurídicos reguladores das

relações patrimoniais entre um credor (sujeito ativo) e um devedor (sujeito passivo) a quem

incumbe o dever de cumprir, espontânea ou coativamente, uma prestação de dar, fazer ou não fazer.
2. CONCEITO DE “OBRIGAÇÃO” Em sentido amplo, podemos definir “obrigação” como sendo a relação jurídica

obrigacional (pessoal) entre um credor (titular do direito de crédito) e um devedor (incumbido do dever de prestar).
Não se confunde, pois, com a relação jurídica real, estudada pelo Direito das Coisas. Relação Jurídica Obrigacional: Sujeito Ativo (credor) ----- relação jurídica obrigacional ----- Sujeito Passivo (devedor)

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GOMES, Orlando, Direito das Obrigações. Rio de Janeiro: Forense, 2000, p.3.

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Relação Jurídica Real: Titular do Direito Real ------------relação jurídica real------------ Bem/Coisa A relação obrigacional é composta por três elementos fundamentais: a) subjetivo ou pessoal: sujeito ativo (credor) sujeito passivo (devedor)

b) objetivo ou material: a prestação c) ideal, imaterial ou espiritual: o vínculo jurídico

Questão de Concurso 1- O que é “obrigação propter rem”? Também chamada de “ob rem” ou simplesmente “in rem”. Trata-se, em verdade, de uma obrigação de natureza mista (real e pessoal), e que se vincula a uma coisa, acompanhando-a (ex.: obrigação de pagar taxa condominial). São determinadas por lei. Nesse sentido, confira-se o seguinte julgado do STJ: AÇÃO DE COBRANÇA. COTAS DE CONDOMÍNIO. LEGITIMIDADE PASSIVA. PROPRIETÁRIO DO IMÓVEL, PROMISSÁRIO COMPRADOR OU POSSUIDOR. PECULIARIDADES DO CASO CONCRETO. OBRIGAÇÃO PROPTER REM. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. RECURSO NÃO CONHECIDO. 1. As cotas condominiais, porque decorrentes da conservação da coisa, situam-se como obrigações propter rem, ou seja, obrigações reais, que passam a pesar sobre quem é o titular da coisa; se o direito real que a origina é transmitido, as obrigações o seguem, de modo que nada obsta que se volte a ação de cobrança dos encargos condominiais contra os proprietários. 2. Em virtude das despesas condominiais incidentes sobre o imóvel, pode vir ele a ser penhorado, ainda que gravado como bem de família. 3. O dissídio jurisprudencial não restou demonstrado, ante a ausência de similitude fática entre os acórdãos confrontados. 4. Recurso especial não conhecido. (REsp 846.187/SP, Rel. Ministro HÉLIO QUAGLIA BARBOSA, QUARTA TURMA, julgado em 13.03.2007, DJ 09.04.2007 p. 255)

na sede recursal eleita. uma obrigação com oponibilidade erga omnes. CRÉDITO CONDOMINIAL. Ministro ALDIR PASSARINHO JUNIOR. ou seja. QUARTA TURMA. Todavia. ALEGAÇÃO DE OFENSA A DISPOSITIVOS CONSTITUCIONAIS. ANÁLISE IMPOSSÍVEL NA VIA RECURSAL ELEITA. DJe 24/08/2009) Não confunda a “obrigação propter rem” com a “obrigação com eficácia real”. Inviável ao STJ. simplesmente. sobre a obrigação de pagar credor com garantia de hipoteca sobre o imóvel: CIVIL E PROCESSUAL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. I. III. na prescrição de uma pretensão decorrente de uma dívida (em que o direito não se satisfaz com obrigações perpétuas) ou na impossibilidade de cobrança judicial de dívida de jogo (pelo reconhecimento social do caráter danoso de tal conduta). por refugir à sua competência. que traduz. constituído em função da utilização do próprio imóvel ou para evitar-lhe o perecimento.3 No próximo julgado. É o caso da anotação da obrigação locatícia (contrato de locação) levada ao Registro de Imóveis (art. Tal inexigibilidade pode pretender preservar a segurança e a estabilidade jurídicas. Rel. OBRIGAÇÃO PROPTER REM. distingue-se da obrigação civil por não ser dotada de exigibilidade jurídica. a apreciação de suposta ofensa a normas constitucionais. IMPROVIMENTO. Agravo regimental improvido. Questão de Concurso 2 – O que é “obrigação natural’? Em essência e na estrutura. mesmo com a alienação do imóvel a obrigação em face do locatário deverá ser respeitada por qualquer eventual adquirente. inclusive. PREFERÊNCIA AO CRÉDITO HIPOTECÁRIO. a obrigação natural não difere da obrigação civil: cuida-se de uma relação de débito e crédito que vincula objeto e sujeitos determinados. oponível a qualquer pessoa. O crédito condominial tem preferência sobre o crédito hipotecário por constituir obrigação propter rem. observamos que a obrigação de pagar taxa de condomínio (propter rem) tem preferência. (AgRg no REsp 1039117/SP. . Trata-se de uma obrigação com eficácia real. por exemplo. 8º da Lei do Inquilinato): neste caso. II. julgado em 23/06/2009. Precedentes do STJ. muito interessante. como ocorre.

podem traduzir responsabilidade. 2 2. com sabedoria. débito e responsabilidade se verificam conjuntamente na mesma pessoa do devedor. “Haftung”. poderá o credor retê-lo. . as obrigações poderão ser: a) fracionárias. anticrese)”. apreciadas segundo a prestação que as integra. Questão de Concurso 3 – Que se entende por “Schuld” e “Haftung”? Em alemão. N. pág. penhor. “Schuld” pode significar culpa ou débito. Em sala de aula. Considerando o elemento subjetivo (os sujeitos). ou seja: posto não possa cobrá-lo. 2008. mas é perfeitamente possível que a responsabilidade seja de outro sujeito que não o devedor. Classificação Básica As obrigações. 3. de fazer) e NEGATIVAS (de não fazer). caso receba o pagamento. Sobre o tema. de aval. poderão ser: POSITIVAS (de dar – coisa certa ou coisa incerta. em uma classificação básica. DA GAMA: “Normalmente. São Paulo: Atlas.2. 2 GAMA. Direito Civil – Obrigações.1.4 A conseqüência ou efeito jurídico decorrente da obrigação natural é a retenção do pagamento (soluti retentio). CLASSIFICAÇÃO BÁSICA E ESPECIAL DAS OBRIGAÇÕES 2. por sua vez. desenvolveremos esta temática. a palavra Schuld identifica-se com o débito e Haftung com a responsabilidade. GUILHERME C. 31. No Direito Civil. Muito bem. Guilherme Calmon Nogueira da. como nos casos de fiança. b) conjuntas. de direitos reais de garantia (hipoteca. anota. e também “Haftpflicht”. Classificação Especial Vamos estudar também outras categorias especiais de obrigação.

d) solidárias. E.5 c) disjuntivas. em princípio. c) obrigações de garantia. podemos apontar a existência de modalidades especiais de obrigações. a saber: a) alternativas. Finalmente. Classificação Especial Quanto ao Elemento Subjetivo (Sujeitos). quanto ao conteúdo. Nas obrigações fracionárias. que também utiliza este critério (prestações de dar. b) obrigação a termo. de forma que cada um deles responde apenas por parte da dívida ou tem direito apenas a uma proporcionalidade do crédito. Uma obrigação pecuniária (de dar dinheiro). e) líquidas e ilíquidas. Considerando o elemento objetivo (a prestação) . fazer e não fazer) -. classificam-se as obrigações em: a) obrigações de meio. b) facultativas. .além da classificação básica. d) divisíveis e indivisíveis. c) obrigação modal. c) cumulativas. b) obrigações de resultado. concorre uma pluralidade de devedores ou credores. é fracionária. Obrigações Fracionárias. quanto ao elemento acidental. encontramos: a) obrigação condicional.

TRANSAÇÃO COM UM DOS CODEVEDORDES. Vale dizer.6 Obrigações Conjuntas. concorre uma pluralidade de devedores ou credores. Obrigações Disjuntivas. A solidariedade não se presume nunca: resulta da lei ou da vontade das partes. Veja.Na presente lide. pois resta apenas um devedor. de qualquer dos co-devedores. FIXAÇÃO. C). POSSIBILIDADE. De tal forma. DIREITO CIVIL. desde que um dos devedores seja escolhido para cumprir a obrigação. concorre uma pluralidade de credores. OUTORGA DE QUITAÇÃO PLENA. INDENIZAÇÃO. PRESUNÇÃO DE RENÚNCIA À SOLIDARIEDADE. a sobrevivência da solidariedade não é possível. portanto. Nesta modalidade de obrigação. existem devedores que se obrigam alternativamente ao pagamento da dívida. SUCUMBÊNCIA. cada um com direito à dívida toda (solidariedade ativa). parcial ou totalmente. SOLIDARIEDADE PASSIVA. senão até a concorrência da quantia paga ou relevada. impondo-se a todos o pagamento conjunto de toda a dívida.Na solidariedade passiva o credor tem a faculdade de exigir e receber. ao credor a escolha do demandado. DANO EFETIVO. havendo uma dívida contraída por três devedores (A. a dívida comum. na mesma obrigação. Neste caso. B. todos os demais co-devedores continuam obrigados solidariamente pelo valor remanescente. . ALTERAÇÃO PELO STJ. não se autorizando a um dos credores exigi-la individualmente. DIREITO PROCESSUAL CIVIL. o qual permaneceu responsável . contudo. DANOS MORAIS. não alcança os demais. por exemplo. a obrigação pode ser cumprida por qualquer deles: ou A ou B ou C. Existe solidariedade quando. os outros estarão conseqüentemente exonerados. . VALOR EXORBITANTE OU ÍNIFMO. ou uma pluralidade de devedores. O pagamento parcial efetivado por um dos co-devedores e a remissão a ele concedida. a respeito da solidariedade passiva. no Direito germânico. recente julgado do STJ: DIRIETO CIVIL. cabendo. São também chamadas de obrigações unitárias ou de obrigações em mão comum (Zur gesamtem Hand). cada um obrigado à dívida por inteiro (solidariedade passiva). Havendo pagamento parcial. PEDIDOS FORMULADOS E PEDIDOS EFETIVAMENTE PROCEDENTES. Obrigações Solidárias.

implicaria. no entanto.060 do CC/02 exigem dano material efetivo como pressuposto do dever de indenizar. que. nesse ponto. diante do quadro delimitado pelas instâncias ordinárias. no sentido de que a recorrida respondesse pela integralidade do valor remanescente da dívida. se os alimentandos (credores) forem idosos. não seria razoável que a outra devedora. visto que a relação solidária era constituída de tão-somente dois co-devedores. Todavia. o direito de exigir da outra devedora a sua quota. a teor do que estipula o art. a conseqüência lógica é que apenas a recorrida permaneça no pólo passivo da obrigação. julgado em 09/12/2008.059 e 1. eu devo alimentos ao meu filho. em tese. por isso. Assim. . não obstante. 283 do CC/02. que só atuariam complementarmente ou em subsidiariedade). lhe caberia. poderá haver a participação – em litisconsórcio – de mais de um legitimado passivo. A transação implica em concessões recíprocas. não cabendo dúvida de que a recorrente. ainda que por via indireta. 1. antes dos meus pais. caso haja insuficiência ou ausência total de recursos. . Precedentes. esta já tenha obtido plena quitação em relação à sua parte na dívida. Precedentes. nos termos da transação. não propriamente uma típica solidariedade legal. para ampliar a sua tutela. Precedentes. o STJ.7 por metade da obrigação. mas sim uma complementaridade jurídica entre os coobrigados: por exemplo.A intervenção do STJ. para alterar valor fixado a título de danos morais. Isso porque. aceitou receber da outra devedora.Os arts. entende-se que a obrigação de pagar alimentos traduz. se visse obrigada a despender qualquer outro valor por conta do evento em relação ao qual transigiu e obteve quitação plena. atual e subsistente. provido.O acolhimento da tese da recorrente. a rigor. Note-se. Recurso especial parcialmente conhecido e. já entendeu haver inequívoca solidariedade passiva entre os devedores (legitimados passivos): . ser certo. na burla da transação firmada com a outra devedora. pelos prejuízos sofridos (correspondentes a metade do débito total). Ministra NANCY ANDRIGHI. os meus pais (avós da criança) poderão ser chamados.A proporcionalidade da sucumbência deve levar em consideração o número de pedidos formulados na inicial e o número de pedidos efetivamente julgados procedentes ao final da demanda. . Diante disso. Rel. a quantia prevista no acordo. TERCEIRA TURMA. mas a regra é no sentido de haver preferência de uns em face de outros (eu respondo em face do meu filho. ao firmá-la. na hipótese da recorrida se ver obrigada a satisfazer o resto do débito. . aplicando o Estatuto do Idoso. é sempre excepcional e justifica-se tão-somente nas hipóteses em que o quantum seja ínfimo ou exorbitante. pois. (REsp 1089444/PR. O dano deve. DJe 03/02/2009) Em geral.

atribuiu natureza solidária à obrigação de prestar alimentos quando os credores forem idosos. cumprindo política pública (art.O Estatuto do Idoso. . Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI. 3º). porque é conjunta. ou que o transporte seja gratuito ou oneroso. Rel. sob o prisma do Código Civil.2006 p. TRANSPORTE BENÉVOLO. 279) Classificação Especial Quanto ao Elemento Objetivo (Prestação).06. . DJ 26. que por força da sua natureza especial prevalece sobre as disposições específicas do Código Civil. o seu mau uso cria a responsabilidade pelos danos causados a terceiros. (REsp 577. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO PROPRIETÁRIO DO AUTOMÓVEL.2006. 12).06. em afirmar que o dever de prestar alimentos recíprocos entre pais e filhos não tem natureza solidária. VEÍCULO CONDUZIDO POR UM DOS COMPANHEIROS DE VIAGEM DA VÍTIMA. Ministro ANTÔNIO DE PÁDUA RIBEIRO. julgado em 13. . RESPONSABILIDADE PELO FATO DA COISA. julgado em 13. Ação de alimentos proposta pelos pais idosos em face de um dos filhos. o proprietário do veículo fica solidariamente responsável pela reparação do dano.8 Direito civil e processo civil.902/DF. assegura celeridade no processo. uma vez que sendo o automóvel um veículo perigoso. Rel. Recurso especial provido. . DEVIDAMENTE HABILITADO.2006 p. Chamamento da outra filha para integrar a lide.Provada a responsabilidade do condutor. Definição da natureza solidária da obrigação de prestar alimentos à luz do Estatuto do Idoso. (REsp 775.741/2003. . como criador do risco para os seus semelhantes.08. TERCEIRA TURMA.06. o proprietário do veículo responde objetiva e solidariamente pelos atos culposos de terceiro que o conduz e que provoca o acidente. impedindo intervenção de outros eventuais devedores de alimentos. p/ Acórdão Ministra NANCY ANDRIGHI.2006. Recurso especial não conhecido.A doutrina é uníssona.A solidariedade da obrigação alimentar devida ao idoso lhe garante a opção entre os prestadores (art. pouco importando que o motorista não seja seu empregado ou preposto.Em matéria de acidente automobilístico.A Lei 10. DJ 28. 143) Outro importante julgado do STJ é no sentido de reconhecer a solidariedade entre o proprietário e o condutor do veículo por acidente: ACIDENTE DE TRÂNSITO.565/SP. . Obrigações Alternativas. . TERCEIRA TURMA.

CC-02. Exemplo da aplicação: DIREITO COMERCIAL. 373) Em caso de impossibilidade total ou parcial das obrigações alternativas. .se a escolha cabe ao credor: poderá exigir o valor de qualquer das prestações. art. também denominado pela doutrina e pelo atual Código Civil (arts. para facilitar a sua fixação: 3.9 As obrigações alternativas ou disjuntivas são aquelas que têm por objeto duas ou mais prestações. 888. . é que (i) a propriedade da coisa entregue para venda não é transferida ao consignatário e que. . Rel. julgado em 06. deve devolver o valor devidamente corrigido ao consignante. segunda parte. Ministra NANCY ANDRIGHI.658/RJ.09. CONTABILIZAÇÃO INDEVIDA PELA FALIDA DO VALOR EQUIVALENTE ÀS MERCADORIAS.Os riscos são do consignatário. inclusive contabilizando-o indevidamente. CC-16).09. TERCEIRA TURMA. que suporta a perda ou deterioração da coisa. o consignatário assume uma obrigação alternativa de restituir a coisa ou pagar o preço dela ao consignante.O que caracteriza o contrato de venda em consignação. ainda que a restituição se impossibilite sem culpa sua. CC-16). ALIENAÇÃO DE MERCADORIAS RECEBIDAS EM CONSIGNAÇÃO ANTES DA QUEBRA. (REsp 710. após recebida a coisa. Incidência da Súmula n. segunda parte. IMPOSSIBILIDADE TOTAL (TODAS AS PRESTAÇÕES ALTERNATIVAS): a) sem culpa do devedor – extingue-se a obrigação (art.2005. 886. 887. . Recurso especial ao qual se nega provimento. 4. art. CC-16). CC-02.2005 p. sendo que o devedor exonera-se cumprindo apenas uma delas.° 417 do STF.Se o consignatário vendeu as mercadorias entregues antes da decretação da sua falência e recebeu o dinheiro da venda. b) com culpa do devedor – se a escolha cabe ao próprio devedor: deverá pagar o valor da prestação que se impossibilitou por último. não se exonerando da obrigação de pagar o preço. DEVER DA MASSA RESTITUIR OU AS MERCADORIAS OU O EQUIVALENTE EM DINHEIRO. . CC02. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE DINHEIRO.A arrecadação da coisa não é fator de obstaculização do pedido de restituição em dinheiro quando a alienação da mercadoria é feita pelo comerciante anteriormente à decretação da sua quebra. mais as perdas e danos (art. 254. IMPOSSIBILIDADE PARCIAL (DE UMA DAS PRESTAÇÕES ALTERNATIVAS): . FALÊNCIA. mais perdas e danos (art. 255. apresentamos o seguinte quadro-resumo. DJ 26. 256. 534 a 537) de contrato estimatório. art. SÚMULA 417 DO STF.

só podem ser cumpridas por inteiro. art. por sua vez. As obrigações cumulativas ou conjuntivas são as que têm por objeto uma pluralidade de prestações. 887. A obrigação é indivisível quando a prestação tem por objeto uma coisa ou um fato não suscetíveis de divisão. CC-16). É o que ocorre quando alguém se obriga a entregar uma casa e certa quantia em dinheiro. primeira parte. 255. 885. art. ou dada a razão determinante do negócio jurídico”. 253. por motivo de ordem econômica. primeira parte. Obrigações Divisíveis e Indivisíveis. CC-02. iguais e distintas. que devem ser cumpridas conjuntamente. 257. as indivisíveis. “Art. A obrigação é considerada facultativa quando. CC-02. CC-16). Obrigações Cumulativas. 258. prevista subsidiariamente. Obrigações Divisíveis: “Art. Não se confunde com a obrigação alternativa. As obrigações divisíveis são aquelas que admitem o cumprimento fracionado ou parcial da prestação. quanto os credores ou devedores”. 885. por sua natureza. esta presume-se dividida em tantas obrigações. art. mais as perdas e danos (art. . Obrigações Indivisíveis: . tendo um único objeto. Havendo mais de um devedor. d) com culpa do devedor – se a escolha cabe ao próprio devedor: concentração do débito na prestação subsistente (art.se a escolha cabe ao próprio credor: poderá exigir a prestação remanescente ou valor da que se impossibilitou. Obrigações Facultativas. o devedor tem a faculdade de substituir a prestação devida por outra de natureza diversa.10 c) sem culpa do devedor – concentração do débito na prestação subsistente (art. ou mais de um credor em obrigação divisível. CC-02. CC-16). 253. cujo objeto já “nasce” composto.

E isso ocorre não necessariamente por força de um vínculo de solidariedade passiva. Por óbvio. solve a totalidade. CC-16). insuscetível de fracionamento. art. em si mesmo. e) a solidariedade cessa com a morte dos devedores. Por óbvio. B e C obrigam-se a entregar um cavalo. Instituições de Direito Civil – Rio de Janeiro: Forense. normalmente. enquanto a solidariedade conserva este atributo. 259. CC02. 3 PEREIRA. enquanto a indivisibilidade assegura a unidade da prestação. enquanto a solidariedade é sempre de origem técnica. que o dever imposto a cada devedor de pagar toda a dívida não significa que exista solidariedade entre eles. uma vez que. Obrigações Líquidas e Ilíquidas. e a indivisibilidade objetiva. eis que não se admite o fracionamento do objeto da obrigação. . mas sim. qualquer deles. resultando da lei ou da vontade das partes. e a da indivisibilidade é. Note-se. f) a indivisibilidade termina quando a obrigação se converte em perdas e danos. a solidariedade visa a facilitar a satisfação do crédito.11 Fique atento: Não confunda “indivisibilidade” com “solidariedade”. qualquer que seja a natureza da indivisibilidade (natural. legal ou convencional). se concorrerem dois ou mais devedores. se A. 891. demandado. para dar apenas um terço do animal ao credor. pelo simples fato de que não se poderá cortar o cavalo em três. Com a sua peculiar erudição. todavia. enquanto a indivisibilidade subsiste enquanto a prestação suportar. Caio Mário da Silva. enquanto na indivisibilidade. porque deve integralmente. quando o objeto é. é o objeto da própria obrigação que determina o cumprimento integral do débito. a natureza da obrigação. c) a solidariedade é uma relação subjetiva. cada devedor paga por inteiro. d) a indivisibilidade justifica-se com a própria natureza da prestação. em razão da impossibilidade jurídica de se repartir em quotas a coisa devida. em razão de que. CAIO MÁRIO DA SILVA PEREIRA enumera os caracteres 3 distintivos das duas espécies de obrigação (indivisível e solidária): a) a causa da solidariedade é o título. no caso. b) na solidariedade. deverá entregar todo o animal. cada um deles estará obrigado pela dívida toda (art.

uma vez que esses profissionais. Classificação Especial Quanto ao Conteúdo. Trata-se de obrigações condicionadas a evento futuro e incerto.00. como ocorre quando alguém se obriga a dar a outrem um carro. capítulo XV (“Plano de Eficácia do Negócio Jurídico”) – Pablo Stolze Gagliano e Rodolfo Pamplona Filho . para que possa ser cumprida. de meio. imposto a uma das partes. a exemplo do que ocorre quando alguém se obriga a entregar ao credor a quantia de R$100. sem garantir. Classificação Especial Quanto ao Elemento Acidental 4. Obrigações de Meio. As obrigações modais são aquelas oneradas com um encargo (ônus). outrossim. individualizada. todavia. assim como as do advogado. Obrigações a Termo. Se a obrigação subordinar a sua exigibilidade ou a sua resolução. fundamentalmente. . Obrigações Condicionais. são.Saraiva. é certa. A obrigação ilíquida. Volume I. Obrigações Modais. a um evento futuro e certo. a despeito de deverem atuar segundo as mais adequadas regras técnicas e científicas disponíveis naquele 4 Cf. o resultado esperado. nesses casos. As obrigações do médico. carece de especificação do seu quantum. estaremos diante de uma obrigação a termo.12 Líquida é a obrigação certa quanto à sua existência. e determinada quanto ao seu objeto. que experimentará um benefício maior. em geral. quando este se casar. por sua vez. Novo Curso de Direito Civil – Parte Geral. pois. A prestação. A obrigação de meio é aquela em que o devedor se obriga a empreender a sua atividade.

DANOS MORAIS. Agravo improvido.11. não apenas a empreender a sua atividade. no caso do cirurgião plástico (cirurgia plástica estética). CULPA DO PROFISSIONAL. DJe 25/06/2009) AGRAVO REGIMENTAL. Em geral. Ministro SIDNEI BENETI. 2. RESPONSABILIDADE MÉDICA.00 (VINTE MIL REAIS). I .000. Rel. (AgRg no Ag 1132743/RS.11. o que não ocorreu no presente caso. OBRIGAÇÃO DE MEIO.OBRIGAÇÃO DE RESULTADO (RESPONSABILIDADE CONTRATUAL OU OBJETIVA) INDENIZAÇÃO . II .fato ocasionador da cegueira .por ser portador de alta-miopia. não podem garantir o resultado de sua atuação (a cura do paciente. a produzir o resultado esperado pelo credor.2004 p. RAZOABILIDADE. JULGAMENTO EM SINTONIA COM OS PRECEDENTES DESTA CORTE. SÚMULA 07/STJ. a relação entre médico e paciente é contratual e encerra.O agravo não trouxe nenhum argumento novo capaz de modificar a conclusão alvitrada. Precedente. no entanto. Agravo Regimental improvido. QUARTA TURMA.2004. no óbice da súmula 07/STJ. Nesta modalidade obrigacional. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO.INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. (AgRg no REsp 256. julgado em 04.A jurisprudência desta Corte orienta que a obrigação é de resultado em procedimentos cirúrgicos para fins estéticos. OBRIGAÇÃO DE RESULTADO. inevitavelmente. I . DJ 22. CIRURGIA PLÁSTICA. Rel.13 momento. a jurisprudência entende ser de resultado: AGRAVO REGIMENTAL. FUNDAMENTO INATACADO. a qual se mantém por seus próprios fundamentos. . o êxito no processo). ERRO MÉDICO.174/DF. QUANTUM INDENIZATÓRIO. INCIDÊNCIA. Ministro FERNANDO GONÇALVES. Agravo regimental improvido. Obrigações de Resultado. a pretensão de modificação do julgado esbarra. o cirurgião assume obrigação de resultado (Responsabilidade contratual ou objetiva). de modo geral (salvo cirurgias plásticas embelezadoras). III . Segundo doutrina dominante.Contratada a realização da cirurgia estética embelezadora.Esta Corte só conhece de valores fixados a título de danos morais que destoam razoabilidade. principalmente. 345) CIVIL E PROCESSUAL . 3. TERCEIRA TURMA. julgado em 16/06/2009. R$ 20.CIRURGIA ESTÉTICA OU PLÁSTICA . Afastada pelo acórdão recorrido a responsabilidade civil do médico diante da ausência de culpa e comprovada a pré-disposição do paciente ao descolamento da retina . 1. o devedor se obriga. REEXAME FÁTICO-PROBATÓRIO. obrigação de meio e não de resultado. a obrigação do médico é de meio. mas.

1999. a oriunda de promessa de fato de terceiro (CC. mesmo que haja força maior ou caso fortuito. Na exemplificação sobre a matéria. em relação à evicção. o vendedor. o paciente não compareceu mais ao local para aplicação de colírio. a sua finalidade foi atingida. como no presente caso. que. Assim sendo. a região central da córnea ficou prejudicada e. Durante a recuperação.05. O rapaz entrou na Justiça contra a clínica. Já a clínica alegou ter informado sobre a possibilidade de uma má cicatrização.14 devendo indenizar pelo não cumprimento da mesma. reparando suas conseqüências.conjur.5 graus. entendimento no sentido de que a cirurgia para a correção de miopia. Leia a decisão: APELAÇÃO CÍVEL 1. sem que haja culpa sua. ex. p. com isso. alheio à vontade do obrigado. afirmou. relativamente aos vícios redibitórios.101/PR. Havia “um risco intrínseco ao procedimento adotado. 447 e ss). Para o relator.04. cabe a indenização quando o serviço é prestado de forma negligente. TERCEIRA TURMA. Rel.01.441 e s. a cirurgia no olho do paciente. II .1999 p. acessado em 20 de setembro de 2008) Obrigações de Garantia. houve também uma redução da miopia de 13 para 3. na jurisprudência. houve uma redução da visão do olho operado. “vale registrar que o contrato de prestação de serviços médicos é. por se tratar de procedimento médico. que poderia gerar um corpo opaco no olho. Ainda segundo o relator.: Existe. uma vez que seu conteúdo é a eliminação de um risco. arts. por sua vez. com destreza e zelo. após a cirurgia.0707. Ministro WALDEMAR ZVEITER. a do contratante..Cabível a inversão do ônus da prova. Mas. e não de RESULTADO (ou seja.). 140) OBS. arts.Recurso conhecido e provido. o devedor não se liberará da prestação. em geral. decorrente de eventual deformidade ou de alguma irregularidade. Tais obrigações têm por conteúdo eliminar riscos que pesam sobre o credor. (REsp 81. a seguradora. é um acontecimento casual ou fortuito. julgado em 13. Assim. o incêndio . havendo melhora na acuidade visual. Pereira da Silva. Em todas essas relações obrigacionais. observa MARIA HELENA DINIZ: “Constituem exemplos dessa obrigação a do segurador e a do fiador. e não de resultado”. 439). que na época era o único existente e adequado à doença”.br/static/text/56944. a 10ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Minas Gerais reformou o entendimento de primeira instância e a dispensou de pagar indenização.com. A cirurgia custou R$ 420. nos contratos comutativos (CC. DJ 31.1#null. estará adstrito a indenizar o comprador evicto. igualmente. para correção de miopia. encerra OBRIGAÇÃO DE MEIO. III . sendo certo que a seqüela decorreu por fatores pessoais do paciente”. nos contratos comutativos que versam sobre transferência de propriedade ou de posse (CC. Também argumentou que. de acordo com o desembargador. Alegou falha no procedimento cirúrgico. “foi realizada com a técnica certa. considerado de meio.044481-8/001” (Informação do Consultor Jurídico: http://www. art. Cabe recurso. não podendo o médico garantir a visão perfeita): “Por considerar que uma clínica não foi responsável pelos danos no olho de um paciente. a do alienante. ainda que.

Mas vale a pena relembrar. distingue-se da obrigação civil por não ser dotada de exigibilidade jurídica. intelectual ou artística. mas a nulidade resultante não pode ser oposta ao terceiro de boa-fé. ou cumprir obrigação judicialmente inexigível” Nessa mesma linha. 16ª ed. 2002.Sentença 5 DINIZ. .882): “Art. CC-02: “Art. o § 2 O preceito contido neste artigo tem aplicação. Maria Helena. p. na forma do art. 4. Peça Prática . ainda que se trate de jogo não proibido. ou se o perdente é menor ou interdito. desde que os interessados se submetam às prescrições legais e regulamentares. As dívidas de jogo ou de aposta não obrigam a pagamento.814. 814. sendo irrelevante o fato de o devedor ter realizado a prestação na convicção de que podia ser compelido a pagar. Trata-se da soluti retentio (retenção do pagamento). por fim. Curso de Direito Civil Brasileiro. a obrigação natural não difere da obrigação civil: trata-se de uma relação de débito e crédito que vincula objeto e sujeitos determinados.. São Paulo: Saraiva. Não se pode repetir o que se pagou para solver dívida prescrita. o § 1 Estende-se esta disposição a qualquer contrato que encubra ou envolva reconhecimento. mas não se pode recobrar a quantia.” Destaque-se. Obrigação Natural Já mencionamos linhas acima. só se excetuando os jogos e apostas legalmente permitidos. o CC estabelece (o art. que voluntariamente se pagou. os prêmios oferecidos ou prometidos para o vencedor em competição de natureza esportiva. salvo se foi ganha por dolo.15 da coisa segurada tenha sido provocado dolosamente por terceiro. igualmente.882. 2º vol. 5 deverá indenizar o segurado” .186. que a irrepetibilidade do pagamento existe na obrigação natural ainda que se trate de caso de erro quanto à incoercibilidade da dívida. o § 3 Excetuam-se. Em essência e na estrutura.. novação ou fiança de dívida de jogo. as dividas de jogo ou aposta. Sobre o tema. Todavia.

pôde ser devidamente solucionada. referente. que enfrenta uma das mais tormentosas questões do Direito Brasileiro: a composição de lides em face de imóveis sem registro. Brevemente relatados. Em curso o feito. o pleito dissolutório. em que se alegou a falência do vínculo afetivo. 24 v. então. Reiteraram. a fl. por conduto de advogado constituído. com resolução do mérito (fl. pondo fim ao litígio. apenas. O Ministério Público pugnou pela homologação do acordo e a extinção do feito. No caso. constituiu-se um titulo obrigacional com força executiva entre as partes. 28. JUÍZO DE DIREITO DA COMARCA DE AMÉLIA RODRIGUES ESTADO DA BAHIA AUTOS N. do sítio São João. 22-23). Este processo traz características bastante inusitadas. E a lide. Juntou-se certidão de registro imobiliário do referido bem. as partes juntaram termo de acordo. na convivência concubinária. em que o Direito Registrário acaba por não acompanhar a . Buscamos no Direito Obrigacional a fundamentação jurídica necessária para a homologação do acordo. à divisão. proposta por “ELA”. uma sentença homologatória de transação. mantida ao longo de onze anos. localizado na Rua XXXXXX. neste município. xxxx AUTORA: ELA RÉU: ELE SENTENÇA Trata-se de Ação de Dissolução de Sociedade de Fato (União Estável). tendo havido consenso quanto aos demais interesses patrimoniais atinentes à lide (fls. figura jurídica estudada em nosso curso. abaixo. em face de “ELE”.). por igual (50%). DECIDO.16 Segue. portanto. posto freqüentemente comuns no interior do nosso Pais.

de valorização do vínculo socioafetivo na formação do conceito moderno de família. 6 . Aliás. em uma de suas últimas e imortais obras: Numa definição sociológica. Nesse contexto. não pode perder de vista que a multiplicidade e variedade de fatores não consentem fixar um modelo social uniforme 7. não pode e não deve o Poder Judiciário manter unidas pessoas que não se gostam mais. 2001. Muito clara a intenção dos conviventes de se separarem. E arremata: Quem pretende focalizar os aspectos ético-sociais da família. Dentro deste conceito. surgiram novas e várias representações 6 sociais para ela . Rodrigo da Cunha. Belo Horizonte: Del Rey/IBDFAM. o que nos impõe solução imediata. Coord. 7 PEREIRA. pelo grande CAIO MÁRIO. 2002. pretensão reforçada pelas suas diversas manifestações. no curso do presente feito. Direito civil: alguns aspectos da sua evolução. Direito de família e o novo Código Civil. pode-se dizer com Zannoni que a família compreende uma determinada categoria de ‘relações sociais reconhecidas e portanto institucionais’. entre os clássicos. para que não se desdobre mais. p. especialmente PEREIRA. não poderia uma mera discussão patrimonial prejudicar o desiderato do casal de ver reconhecido o fim do vínculo concubinário que os unia. como bem observou RODRIGO DA CUNHA PEREIRA: A partir do momento em que a família deixou de ser o núcleo econômico e de reprodução para ser o espaço do afeto e do amor. a família ‘não deve necessariamente coincidir com uma definição estritamente jurídica’. Aliás. Tendência essa observada. Rio de Janeiro: Forense. Caio Mário da Silva.17 realidade dos fatos e a perspectiva econômica das relações negociais do cidadão brasileiro. dentro da nova perspectiva do Direito Civil. 170. 226-227. p.: Rodrigo da Cunha Pereira e Maria Berenice Dias.

o imóvel Sítio São José fora objeto de Cessão de Direitos Hereditários. portanto. segundo a boa doutrina.295. é “nula a transação a respeito do litígio decidido por sentença passada em julgado.18 porque firmaram transação. reciprocamente. notadamente a capacidade das partes e a legitimação. todavia. pela via adequada (adjudicação compulsória ou usucapião). § 1º. por título ulteriormente descoberto. ainda que no plano meramente pessoal ou obrigacional. Como observa SILVIO VENOSA. CC-02.1. se verificar que nenhum deles tinha direito sobre o objeto da transação” (art. devem ser feitas. Todavia. art. que o presente acordo seja homologado. algumas observações. Posteriormente. e cessionário JOELIO XXXXXXXX. Por isso mesmo.661. b) existência de relações jurídicas controvertidas: haver dúvida razoável sobre a relação jurídica que envolve as partes é fundamental para se falar em transação. se dela não tinha ciência algum dos transatores. 850. Deve ser elástico o conceito de dubiedade. nos termos propostos. em que a convergência de vontades é essencial para impor sua força obrigatória. e obrigando-as.036. CC-16). CC-16). e não no plano dominial. firmando-se os direitos das partes. solucionando amigavelmente este aspecto que impedia o desfecho da lide. bem como a outorga de poderes especiais. De logo. 09-11 e 28. quando realizada por mandatário (art. registro que o a transação celebrada entre as partes gerará efeitos apenas no plano obrigacional.1. ou quando. Assim sendo. este último firmou Contrato Preliminar de Compra e Venda (Promessa). art. Nada impede. a que procedam. § 1º. faz-se mister a conjunção de quatro elementos constitutivos fundamentais: a) acordo entre as partes: a transação é um negócio jurídico bilateral. eis que o registro imobiliário do bem ainda pende de regularização no que tange à sua cadeia sucessória. é imprescindível o atendimento aos requisitos legais de validade. ‘qualquer obrigação que possa trazer dúvida aos obrigados pode ser objeto de transação. em favor do réu. em que figuraram como cedentes JOÃO XXXX e MARIA XXXXX. uma vez que os pressupostos da transação encontram-se devidamente configurados: “Para reconhecer a existência efetiva de uma transação. a posteriori. CC-02. Somente . Consoante podemos observar da análise dos termos de fls. ELE. à regularização dominial.

desistência ou doação”. c) animus de extinguir as dúvidas. a teor do art. Pablo Stolze e PAMPLONA FILHO. págs. a Fundação Getúlio Vargas reeditou a clássica obra “A Obrigação como um Processo” do grande professor Clóvis do Couto e Silva (2007). especialmente. não apenas porque não haveria razão e sentido em manter os conviventes unidos em uma relação exaurida. Amélia Rodrigues. em XX de junho de 2006. porque o reconhecimento da composição nos termos propostos não infringe nem vulnera norma de ordem pública. inexistirá transação. Essa é a idéia regente do instituto. . e. em tese.R. não se sabendo. renúncia. acolho o parecer ministerial. 8 GAGLIANO.19 não podem ser objeto de transação. cada uma das partes abre mão de uma parcela de seus direitos. 7. justamente para evitar ou extinguir o conflito. de quem é a razão. Pablo Stolze Gagliano Juiz de Direito Titular 5. d) concessões recíprocas: como a relação jurídica é controversa. prevenindo ou terminando o litígio: através da transação. 8 Assim entendo. FIQUE POR DENTRO Recentemente. Rodolfo. cedem mutuamente. Custas processuais pro rata. Se tal não ocorrer. Assim. sim. III. HOMOLOGO O ACORDO. liquidez e valor não são discutidos pelo devedor’. estando perfeitamente harmonizado com o Direito Obrigacional.I. com resolução do mérito. as obrigações cuja existência. Ed. mas. para dissolver a união estável entre ELA e ELE. de forma absoluta. São Paulo: Saraiva. 2006. CPC. 269. Novo Curso de Direito Civil – Obrigações. para evitar maiores discussões. devendo cada parte arcar com os honorários dos seus advogados. 201-202. declarando extinto o processo. P. mas. as partes.

que analisou a hipótese de divergência entre julgados de órgãos do STJ. é que permite definir-se a obrigação como fizemos”. Assim. de quem o carteiro deve colher o ciente. Naquele caso. de quem deve colher a assinatura no recibo. É uma posição que deverá ser adotada em julgamentos nas demais instâncias da Justiça Federal e dos estados. Não seria possível definir a obrigação como ser dinâmico se não existisse separação entre o plano do nascimento e desenvolvimento e o plano do adimplemento. A referência legal da nova súmula são os artigos 215 e 223 do Código de Processo Civil. quando autorizada por lei. todos relativos a pessoa física. mas de orientação. entre esses dois atos. Para a validade do processo é indispensável a citação inicial do réu. Desde 1996 esta posição vem sendo adotada. o relator foi o ministro Carlos Alberto Menezes Direito. Ela expressa um entendimento reiterado do STJ sobre o tema. para satisfazer o interesse do credor. O ministro destacou a pessoalidade que deve revestir o ato da citação. exige o aviso de recebimento”. sendo necessária a entrega direta ao destinatário. Segundo o autor. Os ministros também consideraram dez precedentes das Turmas julgadoras do STJ a respeito do tema e um caso julgado na Corte Especial. Não tem poder vinculante. (trecho das “conclusões” da obra) Vale a pena conferir! Já no campo da nossa jurisprudência. . A distância que se manifesta. tal como se dá em uma relação processual: “A obrigação é um processo. a citação pelo correio deve obedecer ao disposto na lei. dirige-se ao adimplemento. como um todo. é um sistema de processos. A relação jurídica. devendo o carteiro entregar a carta diretamente ao destinatário. A citação é o ato pelo qual se chama a juízo o réu ou o interessado a fim de se defender. A Súmula 429 ficou com a seguinte redação: “A citação postal. a relação obrigacional somente poderia ser compreendia em seu aspecto dinâmico. O precedente analisado pela Corte Especial foi a julgamento em 2005. e a relação funcional entre eles existentes.20 Trata-se de uma das mais importantes obras do Direito Obrigacional brasileiro. A posição eleita foi a de não ser suficiente a entrega da correspondência no endereço do citando. seguem importantes notícias do STJ: Nova súmula exige aviso de recebimento quando citação for por correio 26/03/2010 A Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ) aprovou nova súmula que estabelece a obrigatoriedade do aviso de recebimento nos casos de citação postal. vale dizer. no mundo do pensamento.

a ação foi proposta pela viúva do empregado acidentado. Resp 129867. tratando-se de pessoa física. No entanto. teve aquele conhecimento da demanda”. Sendo assim.jus. e não do réu.te xto=96504 acessado em 28 de março de 2010.wsp?tmp. o ônus da prova para a demonstração da validade da citação é do autor. Resp 208791.21 Quando a citação é para uma pessoa jurídica. ministro . firmou o entendimento de que se trata de acidente de trabalho em qualquer causa que tenha como origem essa espécie de acidente. em geral as empresas têm setores destinados exclusivamente para o recebimento desse tipo de comunicação. O novo entendimento foi firmado pela Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ).stj.estilo=&tmp. seja o porteiro ou qualquer outra que não efetivamente o citando. Resp 884164. Corte Especial determina cancelamento de súmula sobre indenização por acidente de trabalho 21/09/2009 O julgamento de ação de indenização por acidente de trabalho movida pelos herdeiros do trabalhador é de competência da Justiça do Trabalho. não se pode ter como presumida a citação dirigida a uma pessoa física quando a carta citatória é simplesmente deixada em seu endereço. A mudança se deu em razão de jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF) firmada após a Emenda Constitucional 45/2004. Para os ministros. Ocorre que o STF. o Tribunal já havia sumulado que competia à Justiça estadual julgar ação indenizatória proposta por viúva e filhos de empregado falecido em acidente de trabalho (Súmula 366). Por ela. mas por seus sucessores. é preciso considerar a deficiência dos chamados serviços de portaria nos edifícios e condomínios. visando obter a indenização de danos sofridos por ela. o artigo 114). por outros meios ou pela própria citação irregular. não sendo do réu a assinatura no aviso de recebimento. Resp 164661. Resp 1073369. Resp 712609 Fonte: http://www. que decidiu revogar a Súmula 366. Processos: Eresp 117949. mediante protocolo. foi atribuída à Justiça do Trabalho a competência para julgar as ações de indenização por dano moral e material decorrente de relação de trabalho. A emenda ficou conhecida como Reforma do Judiciário. recentemente. a qual estabelecia ser a Justiça estadual a competente para o julgamento dessas ações. “Portanto. Em situação semelhante. Resp 80068. cabe ao autor demonstrar que. RMS 12123. De acordo com o precedente da Corte Especial. o relator do conflito de competência analisado pela Corte Especial do STJ. Considerando que cabe ao STF dar a palavra final sobre interpretação da Constituição (no caso. Resp 810934. O STF incluiu aí as ações motivadas por acidente de trabalho. com qualquer pessoa. Resp 57370.br/portal_stj/objeto/texto/impressao.area=398&tmp. é irrelevante para a definição da competência da Justiça do Trabalho que a ação de indenização não tenha sido proposta pelo empregado. No caso apreciado pelo STJ.

não era possível a cobrança de juros capitalizados em qualquer periodicidade nos contratos de mútuo celebrados pelo SFH. por exigir reexame de fatos. .wsp?tmp.estilo=&tmp.te xto=93814 acessado em 22 de setembro de 2009 STJ fixa teses repetitivas sobre juros em contratos do Sistema Financeiro Habitacional 21/09/2009 O Superior Tribunal de Justiça (STJ) firmou o entendimento de que. Até então. comercial ou industrial. nos contratos celebrados no âmbito do Sistema Financeiro da Habitação (SFH). como nos mútuos rural. é um dos sistemas mais usados em contratos de financiamento da habitação e também um dos mais polêmicos. No entanto. O relator do recurso.22 Teori Zavascki. propôs o cancelamento da súmula. passou a prever o cômputo capitalizado de juros com periodicidade mensal (alteração dada pela Lei n.977/2009).br/portal_stj/objeto/texto/impressao.380/64) não estabelece limitação dos juros remuneratórios. 4.stj. As teses repetitivas foram aprovadas por unanimidade. 11. que possibilita que uma tese decidida pelo novo sistema seja aplicada no julgamento de todas as causas idênticas não só no STJ como nos tribunais de segunda instância. chamado de Tabela Price. Já os contratos firmados pelo SFH têm leis próprias (a lei regente) que. levou as duas questões ao julgamento na Segunda Seção.jus. A ferramenta reduziu em 20% o número de recursos que chegaram aos gabinetes dos ministros em 2009. ministro Luis Felipe Salomão. Com isso. somente em julho deste ano. Tabela Price O sistema francês de amortização. o STJ passa a acompanhar a posição do STF: o ajuizamento da ação de indenização pelos sucessores não altera a competência da Justiça especializada (do Trabalho). 11. Também se afirma que a prática seria incompatível com o SFH. provas e análise de cláusula contratual. Alega-se que a tabela gera uma evolução não linear da dívida. que a lei regente do SFH (Lei n.area=398&tmp.672/08). O recurso é da instituição bancária contra decisão do Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR). O ministro Teori destacou ser importante que o STJ adote a posição do STF até mesmo para evitar recursos desnecessários. é vedada a capitalização de juros em qualquer periodicidade. O STJ decidiu. ainda. Processos: CC 101977 Fonte: http://www. em relação ao mesmo período do ano passado. compatível com cobrança capitalizada de juros. cuja finalidade é facilitar a aquisição de habitação pela população menos beneficiada. não cabe ao STJ verificar se há capitalização de juros com a utilização da Tabela Price. destacou o ministro relator. O ministro Salomão destacou que é possível a existência de juros capitalizados somente nos casos expressamente autorizados por norma específica. O julgamento ocorreu de acordo com o rito da Lei dos Recursos Repetitivos (Lei n.

Neste aspecto. O texto determina que o reconhecimento da fraude de execução depende do registro da penhora do bem alienado ou da prova de má-fé do terceiro adquirente. Outros dois temas debatidos no recurso foram decididos para o caso concreto. Processos: Resp 1070297. não há como analisar uma fórmula matemática única. não estabelecendo limitação da taxa de juros. Nessa hipótese.stj. no caso concreto.026. 8. fatos ou interpretar cláusula contratual.692/93 será analisada no julgamento na Corte Especial do Resp 880.633-MS e 193. Limitação Outro ponto contestado no recurso diz respeito à limitação dos juros remuneratórios em 10% ao ano. alínea e.388-MG.388/MG. Neste aspecto.br/portal_stj/objeto/texto/impressao.228-SP. somente tratou dos critérios de reajuste de contratos de financiamento previstos no artigo 5º da mesma lei. Resp 880026 Fonte: http://www. 865. conforme a lei regente do SFH. Já as instituições do ramo financeiro negam a ocorrência pelo método. é preciso analisar cada caso. mas não pelo rito dos repetitivos.048-PR. Entre eles. cujo relator é o ministro Luiz Fux. 135. o que envolve apuração de quantia e perícia. os recursos especiais 739. Já a incidência do Código de Defesa do Consumidor aos contratos celebrados antes de sua vigência foi considerada irrelevante pelo ministro Salomão para a solução do caso concreto. A possibilidade de cobrança do coeficiente de equiparação salarial (CES) em contratos anteriores à edição da Lei n. 140. razão por que a sua análise não teve a abrangência da Lei dos Repetitivos. não pode o STJ reexaminar provas. a Segunda Seção atendeu ao recurso da instituição financeira e afastou a limitação de 10% ao ano imposta pelo TJPR no tocante aos juros remuneratórios. O relator foi o ministro Fernando Gonçalves.estilo=&tmp. .jus.670-GO. Um dos precedentes aplicados pela Corte para embasar a aprovação da Súmula 375 foi o recurso especial 739. O ministro Salomão concluiu que. 734. 186. a de número 375. que levou em conta vários recursos especiais e embargos de divergência julgados nas Turmas e Seções do STJ.wsp?tmp. ajuizado contra a Fazenda Pública de Minas Gerais pelos legítimos proprietários de um lote no município de Betim que foi levado à penhora em razão de execução fiscal proposta pelo Estado contra os alienantes do referido imóvel.280-RJ.974-RS.23 Entidades ligadas aos consumidores alegam que a utilização da Tabela Price implicaria capitalização de juros. o ministro Salomão explicou que o artigo 6º. para chegar a uma conclusão.area=398&tmp.te xto=93806 acessado em 22 de setembro de 2009 STJ edita nova súmula sobre fraude de execução 18/03/2009 A Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça aprovou uma nova súmula.

XI.wsp?tmp.br 7. A oração verdadeira é aquela que se pronuncia com o coração.br ou www.area=398&tmp. a Primeira Turma concluiu que o registro da penhora no cartório imobiliário é requisito para a configuração da má-fé dos novos adquirentes do bem penhorado.com. eles sustentaram que não houve má-fé. Esta Força está ao seu alcance! Nos momentos de desânimo.br/portal_stj/objeto/texto/impressao. e vos será concedido (Marcos. ministro Luiz Fux. Pablo. uma vez que a penhora não estava registrada quando a operação de compra e venda do imóvel foi efetivada. cap. 24)”. II – Obrigações. Pablo Stolze Gagliano e Rodolfo Pamplona Filho (Ed. os compradores do imóvel alegaram que a ineficácia da venda em relação a terceiro em razão de fraude à execução depende da demonstração de que o adquirente tinha ciência da constrição e agiu de má-fé. v. e que nos faz sentir toda a plenitude da Presença de Deus.com.24 No recurso. questões que já foram exaustivamente decididas podem ser resolvidas de maneira mais rápida mediante a aplicação de precedentes já julgados. a súmula é uma síntese das reiteradas decisões proferidas pelos tribunais superiores sobre uma determinada matéria. O termo “súmula” é originário do latim e significa resumo.jus.estilo=&tmp.saraivajur. porquanto presume o conhecimento da constrição em relação a terceiros por meio da sua publicidade. MENSAGEM “O que quer que seja que pedirdes na prece. crede que o obtereis.editorajuspodivm. BIBLIOGRAFIA BÁSICA DO CURSO Fonte: Novo Curso de Direito Civil – vol. Saraiva) www.stj. Fonte: http://www. No caso em questão. Com ela. recorra a Ela! E lembre-se: Para Deus nada é impossível! Nada! Um forte abraço!! O amigo. . Acompanhando o voto do relator.te xto=91331 acessado em 21 de março de 2009 6. No Judiciário.

1. .com.2010.25 Contato: www.pablostolze.br (no site você também pode conferir os enunciados das Jornadas de Direito Civil) Revisado.D.OK C.S.