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INSTITUTO POLITÉCNICO DA GUARDA

ESCOLA SUPERIOR DE ENFERMAGEM DA GUARDA
VIII Curso de Licenciatura em Enfermagem
2º Ano / 2º Semestre

Pneumoniae

Guarda 2005

INSTITUTO POLITÉCNICO DA GUARDA
ESCOLA SUPERIOR DE ENFERMAGEM DA GUARDA
VIII Curso de Licenciatura em Enfermagem
2º Ano / 2º Semestre

Pneumoniae
APLICAÇÃO DO MODELO TEÓRICO SEGUNDO VIRGÍNIA HENDERSON A UM DOENTE COM ALTERAÇÃO DA RESPIRAÇÃO

Guarda 2005

Ao te curvares com a rígida lâmina do teu bisturi sobre o cadáver desconhecido, lembra-te que este corpo nasceu do amor de duas almas, cresceu embalado pela fé e pela esperança daquela que em seu seio a agasalhou. Sorriu e sonhou os mesmos sonhos das crianças e jovens. Por certo amou e foi amado, esperou e acalentou um amanhã feliz e sentiu saudades dos outros que partiram. Agora jaz na fria lousa, sem que por ele se tivesse derramado uma lágrima sequer, sem que tivesse uma só prece. Seu nome, só Deus sabe. Mas o destino inexorável deu-lhe o poder e a grandeza de servir á humanidade. A humanidade que por ele passou a indiferença. Rokitansky, 1876

E também ao Serviço de Pneumologia do HSM as oportunidades durante o estágio. José. Luís Videira pelo apoio e orientação prestado. e o facto de nos ter facilitado este estudo.Agradecemos ao Sr. . E agradecemos finalmente ao Prof. foi graças a ele que fomos capazes de realizar este trabalho.

CO2 – Dióxido de Carbono DPOC – Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica ESenfG – Escola Superior de Enfermagem da Guarda FC – Frequência Cardíaca HSM – Hospital Sousa Martins O2 – Oxigénio PE – Processo de Enfermagem SOS – Sit Opus Sit (sempre que necessário) TA – Tensão Arterial ºC – Grau Celsius Abreviaturas Fig. – Pagina p/min – pulsações por minuto . – Figura mmHg – milímetro de Mercúrio p.Siglas AVD – Actividades de Vida Diária.

. 5 – Caixa Torácica………………………………………………….p.23 Fig.24 .Índice de figuras Fig.. 4 – Caixa Torácica e posição dos órgãos por ela protegidos………. 22 Fig.p.p. 2 – Divisão dos Pulmões em lobos e segmentos………………….24 Fig. 3 – Alvéolo Pulmonar………………………………………………p. 21 Fig. 1 – Anatomia do Aparelho respiratório ……………………………p.

......11 2.......................................................................56 1 ..SUMÁRIO 0.........................................................Observação do doente/necessidades fundamentais.....3.......4...........AVALIAÇÃO DO DOENTE COM A ALTERAÇÃO DA RESPIRAÇÃO....................................................................2..........45 2.. ....51 3 ......... .......................................................................37 1.... – ESTUDO DE UM DOENTE COM ALTERAÇÃO DO PADRÃO RESPIRATÓRIO.1............................21 3...............................................................................................................................................................................................................44 1..................HISTÓRIA DE ENFERMAGEM DO DOENTE.....................................................ANATOMOFISIOLOGIA DO APARELHO RESPIRATÓRIO...ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM AO DOENTE COM ALTERAÇÕES DA RESPIRAÇÃO................................................27 3. ............... ...1 ...................8 1-PROCESSO DE ENFERMAGEM......18 3 – ALTERAÇÃO DA RESPIRAÇÃO.........................................1....................................................62 3 – REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS...............ALTERAÇÃO DA RESPIRAÇÃO POR PNEUMONIA...........................1................................................63 ANEXOS Folha Anexo 1 – Colheita de dados……………………………………...............................REFLEXÃO CRÍTICA...AVALIAÇÃO / EVOLUÇÃO DO DOENTE............20 3............. 66 Anexo 2 – Gráfico da temperatura……………………………………………..44 1........................................................................................59 2 – CONCLUSÃO....... .................32 3...................................................................MODELO TEÓRICO CONCEPTUAL DE VIRGÍNIA HENDERSON........... 68 .INTRODUÇÃO............... ............... – DIAGNÓSTICOS/ PLANEAMENTOS DE CUIDADOS......................

personalizada e humana. que se encontrava no serviço de pneumologia. utente/enfermeiro/família. pretendemos alcançar os seguintes objectivos:  Aplicar o Processo de Enfermagem a um doente em estudo. para que este possa dar uma resposta mais satisfatória ás necessidades do utente. Desenvolver competências. referente ao estágio IV no serviço de Pneumologia do HSM. . é elaborado por um grupo de cinco alunos do 2ºano/2º semestre do VIII curso de Licenciatura em Enfermagem da ESEnfG. 8 . para que a prestação de cuidados seja de forma holística.0.  situação de carácter prática. O estágio enquadra-se nos conteúdos programáticos delineados para o corrente semestre e o nosso trabalho tem como ponto fulcral o estado de um doente relacionado com alteração da respiração manifestado por pneumonia. o primeiro decorrido de 29 de Novembro a 7 de Janeiro que decorreu no serviço de Pneumologia e o segundo decorreu de 10 de Janeiro a 11 de Fevereiro no serviço de Medicina Mulheres.INTRODUÇÃO O presente Estudo de caso. Este estágio abrange um período compreendido entre 29 de Novembro de 2004 a 11 de Fevereiro de 2005 estando dividido em dois campos de estágio.    doente. aplicando a uma Realizar o planeamento de cuidados segundo a metodologia científica.  Compreender a importância do Processo de Enfermagem no dia a dia do Enfermeiro. Identificar as necessidades fundamentais que se encontram afectadas no estabelecendo uma relação de empatia entre o suporte o modelo teórico de Virgínia Henderson. tendo como Aplicar conhecimentos teóricos anteriormente adquiridos. Com a elaboração deste Estudo de caso.

Este trabalho encontra-se dividido em três partes: na primeira encontramos a fundamentação teórica para uma melhor compreensão teórica do tema na qual abordamos como se elabora o processo de enfermagem em que consiste o modelo teórico de conceptual de Virgínia Henderson e referimos as alterações que podem ocorrer na necessidade de respirar assim como a anatomofisiologia do aparelho respiratório. dada a importância que reconhecemos durante o período de estágio. através da participação activa de todos os membros. do trabalho em equipa de todos os profissionais e alunos de enfermagem. A segunda parte contém o estudo do doente com base no modelo teórico de Virgínia Henderson e suas necessidades fundamentais alteradas. Aumentar a coesão de grupo. Uma das etapas para a realização deste Estudo de Caso foi a escolha de um utente que se encontrava no serviço de Pneumologia do HSM. Escolhemos como título do nosso estudo de caso “Pneumoniae”. 9 . sendo transferido do serviço de urgência do mesmo hospital no dia 3 de Dezembro com o diagnóstico clínico de pneumologia da base direita. discussão em grupo descritivo.desenvolver a reflexão critica onde compararemos os cuidados preconizados dos autores citados no trabalho com os cuidados de enfermagem por nós prestados. Para a realização deste trabalho utilizámos as seguintes metodologias e recursos que foram: a pesquisa bibliográfica. ou seja iremos aplicar as cinco fases do processo de enfermagem ao nosso doente. entrevistas informais com o utente. A terceira parte é referente á reflexão final. consulta e análise do processo de enfermagem do utente. Decidimos seleccionar um doente cuja patologia nos pareceu interessante aprofundar e dirigir o nosso estudo ao doente (que lhe atribuímos um nome fictício) José do sexo masculino de 84 anos residente na Guarda que deu entrada no serviço de Pneumologia no HSM. Para terminar faremos uma breve conclusão. aqui iremos. e equipa de saúde. familiares. análise e síntese de conteúdos relacionados com o tema. cujo nome advém do microorganismo identificado: Streptococus Pneumonae. pois trata-se de um doente com pneumonia da base direita.

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2). esta satisfação aumenta o sentimento de controlo do doente sobre o que lhe está a acontecer. O processo de enfermagem faculta uma imensidão de vantagens. O uso do processo de enfermagem promove o envolvimento activo do doente na sua própria saúde.1-PROCESSO DE ENFERMAGEM “O processo de enfermagem proporciona uma abordagem de resolução de problemas ordenada e lógica para a gestão de cuidados de enfermagem de forma a que as necessidades que os doentes têm desses cuidados sejam satisfeitas de maneira global e eficaz. em vez de uma mera rotina. Doenges e Moorhouse (1992) destacam as seguintes:  O processo de enfermagem fornece uma matriz em que podem ser satisfeitas as necessidades do doente como indivíduo. . Podemos então inferir que o conhecimento e utilização do processo de enfermagem: Têm em conta as necessidades do doente numa base individualizada.” (Doenges e Moorhouse. da sua família e da comunidade. em consequência de um plano de cuidados holístico. O processo de enfermagem proporciona um meio de avaliar a contribuição económica da enfermeira para os cuidados do doente. O uso do processo de enfermagem fornece uma linguagem comum para o exercício da profissão.p. reforçando-lhe as suas competências e intuição de forma construtiva. Os passos do processo de enfermagem focalizam a atenção da enfermeira nas suas respostas humanas “individuais” do doente/grupo a uma determinada situação clínica. O uso do processo de enfermagem capacita a enfermeira a ter um maior controlo sobre a sua prática de enfermagem. que se traduz por uma maior satisfação. 1992.

• As etapas do processo podem ser adaptadas de forma concomitante ou sequencial. reforçando a sua satisfação e estimulando a resolução dos seus problemas. . podendo ser flexível em dois contextos: • Pode ser utilizado nas actividades de enfermagem em qualquer local ou especialização que lide com pessoas. • Objectivos O principal objectivo do PE é proporcionar uma estrutura que possa satisfazer as necessidades pessoais do indivíduo/família/comunidade. Adaptado a todos os modelos teóricos para a enfermagem – uma vez que qualquer modelo teórico é passível de ser utilizado no PE (Hermínia Barbosa. 2002/2003). grupos ou comunidade. (1993.Promovem o envolvimento dinâmico do doente. p. as propriedades e a organização. Interactivo – centra-se nas relações recíprocas que se estabelecem entre os enfermeiros/utentes/família e outros profissionais. proporcionando cuidados individualizados. O processo de enfermagem de acordo com Taptich e Benocchi-Losey. Dinâmico – na medida em que envolve mudanças continuas porque é um método ininterrupto centrando-se nas relações enfermeiro/utente. • Propriedades O PE apresenta sete propriedades: Intencional – voltado para um objectivo. Este implica uma relação interactiva entre o utente e o enfermeiro. tendo como foco o utente. Flexível – usado em pessoas de qualquer idade e que necessitam de cuidados de enfermagem. Baseado em teorias – visto basear-se em ciências físicas. biológicas e humanas. sendo elas: os objectivos.7) pode ser definido em termos de três dimensões. Sistemático – utiliza cinco fases para gerir os cuidados de forma individualizada e de qualidade (centrados no utente para alcançar os objectivos). possibilitando acções explícitas e coerentes de forma a alcançar os problemas do utente.

terminando com a documentação das informações obtidas. e documentar os factos” (Doenges e Moorhouse. implementação e avaliação. p. Colheita de dados A colheita de dados.5) são as seguintes: história. a observação e o exame físico. Esta componente da primeira fase do processo de enfermagem constitui um mecanismo de .10). Documentação “.A documentação permite o registo dos dados recolhidos e faz parte de todas as etapas do processo de enfermagem”. 1992). (Doenges e Moorhouse. A enfermeira tem que rever os dados.15)) Para os mesmos autores as fontes dividem-se em primárias (principais) ou secundárias. planeamento.. Segundo Taptich e Bernocchi-Losey. (1993. sendo caracterizada como um processo organizado e sistemático da colheita de dados. identifica problemas pessoais. As fontes primárias são aquelas que o próprio utente fornece os dados subjectivos.• Organização As cinco fases do processo de enfermagem para Doenges e Moorhouse (1992. • História “A história é mais do que uma simples recolha de informação. esclarecer ou confirmar a informação. organizar e ponderar a relevância de cada item (valor dos dados). a história de enfermagem é formada por duas componentes: as colheitas de dados e a documentação. 1992. p. As fontes secundárias são aquelas que são recolhidas através de pessoas que não são o utente e recorre-se a essas fontes quando o utente não pode colaborar ou quando é necessário completar. Constitui a primeira etapa do processo de enfermagem.17). diagnóstico. confirma o diagnóstico e a reacção ao tratamento. envolve a entrevista. p. p. (Doenges e Moorhouse (1992..

Escrever o diagnóstico em termos legalmente aconselháveis. reunidas ou não. Não incluir diagnósticos médicos no enunciado de enfermagem. uma declaração breve e concisa que inclui as reacções e os factores relacionados. actual ou provável. a confirmação e a documentação. • Diagnóstico De acordo com Doenges e Moorhouse ( 1992. é enunciado conciso. e relacionadas a uma causa de dificuldade. o diagnóstico deve: Ser escrito em função da reacção do utente e em termos das necessidades de enfermagem. evita repetições da entrevista e perda de dados. segundo Virgínia Henderson. a formulação da declaração do diagnóstico. para elaborar um diagnóstico são necessários determinados requisitos.) Expressar o factor relacionado em termos daquilo que pode ser modificado. isto é. (Estas duas partes iniciais não devem ter o mesmo significado. Escrever o diagnóstico de forma clara e concisa. de manifestações de dependência da pessoa. o diagnóstico é constituído por quatro fases: o processamento de dados. Para estes autores. O diagnóstico de enfermagem. desenvolvimento de intervenções e avaliação dos resultados. Utilizar “relacionado com” para ser possível unir as duas partes iniciais.comunicação entre os elementos da equipa. . p.22). p. levando ao estabelecimento do diagnóstico de enfermagem.” O diagnóstico é no fundo.38) o diagnóstico de enfermagem é: “…uma conclusão traçada a partir dos dados coligidos sobre o doente e que serve como meio de descrever um problema de saúde cujo tratamento é da responsabilidade da enfermeira. Segundo Taptich e Bernocchi-Losey (1993.

” (Doenges e Moorhouse. de forma a que a atenção da enfermeira e acções subsequentes estejam adequadamente focalizadas. está disponível. ao implementar estas intervenções os enfermeiros recorrem a três fases que são a preparação. O plano de cuidados é então uma manifestação escrita onde são identificados os problemas ou necessidades do utente. 1992. p. planeiam-se estratégias quer para reforçar reacções saudáveis quer para prevenir e mesmo minimizar reacções não saudáveis. • Implementação “Neste ponto do processo de enfermagem a enfermeira está pronta a desempenhar as intervenções e actividades registadas no plano de forma atempada e economicamente viável. servir de instrumento de ensino e suporte de documentação. 1992.66).85). intervenção e documentação.• Planeamento Após a formulação do diagnóstico de enfermagem e antes de se finalizar com a documentação real do plano de cuidados. começando por identificar os cuidados que prioritariamente presta ao doente. tendo um formato que auxilia o processamento da informação. O plano de cuidados assegura a continuidade dos cuidados entre os profissionais de saúde de modo a reforçar a comunicação. Segundo os mesmos autores. Este plano permite poupar tempo e serve como um guia orientador para encaminhar as actividades de enfermagem de modo a satisfazer as necessidades do utente. . “O ponto de partida para o planeamento dos cuidados é o estabelecimento de uma ordenação geral dos problemas/necessidades do doente. p. actualizado e devendo ser feito a seguir ao primeiro contacto com o utente (pelo enfermeiro). Tal PE. Preparação Análise das acções antes das intervenções. Revisão dos conhecimentos e das habilidades exigidas.” (Doenges e Moorhouse.

Para os mesmos autores. a avaliação final é composta por três fases: a reavaliação. No decorrer das intervenções de enfermagem. . de exigência legal. 1992. a fase final de avaliação determina a pertinência dos cuidados prestados. Determinar e promover os recursos necessários. Intervenção Consiste no começo das acções de enfermagem planeadas. • Avaliação A avaliação é a quinta e última etapa do PE. “Embora o estádio de avaliação possa parecer similar à fase de avaliação inicial. Em vez de identificar o estado geral do doente e os seus problemas/necessidades. a fase final determina a justificação dos cuidados prestados e a evolução ou a ausência dos resultados esperados. p. Promover um ambiente favorável à prestação de cuidados.98). manifestando-se como uma oportunidade de resolução de problemas e de crescimento pessoal. existem algumas diferenças importantes.Verificar potenciais complicações. A necessidade de alterar as intervenções. 1992. a modificação do plano de cuidados e o termo dos serviços. a avaliação dos dados obtidos determina: Se as acções de enfermagem são apropriadas. A avaliação deve ser constante ao longo de todo o PE.” (Doenges e Moorhouse. Documentação Documenta a implementação das acções. Sendo assim. podendo adquirir uma diversidade de formatos de diagramas escritos e também por comunicação oral.98). p. Reavaliação “A reavaliação é um processo permanente de avaliação que não coincide com a necessidade de rever os resultados esperados ou com o momento de decidir sobre a alta de um doente” (Doenges e Moorhouse.

Aqueles que não foram atingidos têm de ser novamente reformulados e documentada a razão por não terem sido alcançados. se pertinente.” (Doenges e Moorhouse. é planeado o termo dos cuidados. É uma etapa importante. Observação directa. e então revêemse os resultados ou escrevem-se outros. no ambiente e no regime terapêutico. p. Também é possível que não o tenham sido. A necessidade de enviar a outros recursos. Os mesmos autores afirmam que. A necessidade de rever as prioridades para ir ao encontro das necessidades em mudança.104).” (Doenges e Moorhouse. A avaliação é um processo constante.101). 1992. usado para o julgamento de cada etapa do PE. nesta etapa o plano de cuidados é analisado e. o termo dos cuidados pode ocorrer quando todos os objectivos/resultados estão atingidos. há que identificar e registar as razões que levaram a que o não fossem. Modificação do plano de cuidados “Quando os resultados forem avaliados e se verificar que não foram atingidos. Termo dos serviços “ Quando se atingirem os resultados esperados e os objectivos mais alargados forem satisfeitos. possibilitando fazer a análise do que está bem ou mal para que se possa modificar ou corrigir.O desenvolvimento de novos problemas/necessidades dos utentes. 1992. Entrevista com o utente. p. . modificado. Revisão dos registos. Nesta fase é importante que o plano de cuidado vá ao encontro das necessidades em mudança do utente/família e das mudanças no seu estado de saúde.

psicológicas. Movimentar-se e manter uma postura correcta 5. Cada necessidade apresenta componentes biológicas. A importância que se atribui a cada necessidade varia de pessoa para pessoa e da situação de vida em que se encontra. “Um modelo conceptual para a profissão é. é a sua representação mental estruturada da sua própria disciplina”. publicou uma nova concepção de enfermagem dando extrema importância ao processo de enfermagem. Virgínia Henderson. ou de algum exemplo a seguir. As necessidades formam um todo. Respirar 2.28) “Um modelo conceptual para a enfermagem é uma maneira de conceber o serviço que as enfermeiras prestam à sociedade: por outras palavras.” (Evelyn Adam.28). pois. p.2. Segundo a mesma autora (p. mesmo satisfeitas. “Mesmo depois de satisfeitas. no período de 1935 a 1980. fisiológicas. as necessidades fundamentais não deixam de ser necessidades. as catorze exigências. enfermeira impulsionadora da prestação de cuidados de enfermagem. Beber e comer 3. Dormir e Descansar . Virgínia Henderson descreve as necessidades do ser humano em catorze tipos de necessidades. Eliminar 4. A organização dos cuidados de enfermagem baseava-se na satisfação das necessidades do indivíduo em relação ao funcionamento óptimo da sua independência.117) Assim sendo. 1991.MODELO TEÓRICO CONCEPTUAL DE VIRGÍNIA HENDERSON A palavra modelo é muitas vezes utilizada como sinónimo de esboço. p. sociológicas e culturais. 1991. continuam a ser exigências de qualquer pessoa. uma imagem mental da profissão. mas sim um todo dinâmico. passamos a descrever as catorze necessidades segundo o modelo conceptual de Virgínia Henderson: 1. pelo que não existem necessidades primárias e secundárias. na concepção daquilo que a mesma poderia ou deveria ser” (Evelyn Adam.

Preocupar-se com a sua realização pessoal 13. Aprender . Higiene. Comunicar com os semelhantes 11. Evitar os perigos 10.6. Agir segundo as suas crenças e valores 12. Cuidar e proteger a sua pele 9. Manter a temperatura do corpo nos limites normais 8. Divertir-se 14. Vestir-se e despir-se 7.

o oxigénio e medicamentos narcóticos.3 – ALTERAÇÃO DA RESPIRAÇÃO O ar é um elemento essencial à vida. Dentro dos factores de natureza física que influenciam a respiração. da capacidade de expansão. da força dos músculos diafragmáticos e intercostais e da actividade ciliar dos brônquios (Phaneuf. no nosso dia a dia. movimentos respiratórios menos amplos. 2003). A imobilidade também afecta o normal funcionamento da respiração. O acto de respirar é uma das actividades que a maioria de nós raramente pensa. perturbações do mecanismo da tosse e estase de secreções. Na presença da mesma a respiração torna-se mais lenta e menos profunda. A diminuição do movimento respiratório e do movimento das secreções resulta numa ventilação deficiente e perfusão limitada (Videira. Contudo a facilidade ou o desconforto com que nós respiramos tem um importante impacto na qualidade das nossas actividades diárias (Phipps. a diminuição da capacidade inspiratória. manifestando-se a perda de elasticidade dos tecidos pulmonares. No doente imobilizado há uma redução significativa da eficácia ciliar normal o que permite a acumulação de secreções na árvore traquebrônquica. segundo Carnevali e Bruckner (1980). alterações regionais na proporção ventilação/perfusão. psicológica. verificando-se. 2004). capacidade vital diminuída. O envelhecimento afecta a necessidade de respirar. . 2003). A respiração é afectada por múltiplos factores como os de natureza física. Assim para uma melhor compreensão das alterações da respiração apresentamos de seguida uma breve revisão da anatomo-fisiologia do aparelho respiratório. sociocultural. espiritual e ambiental. podemos encontrar várias substâncias utilizadas no tratamento de problemas de saúde como por exemplo.

. Suzanne e Bare.364). o aparelho respiratório tem a finalidade essencial de assegurar as trocas gasosas entre o meio ambiente e o organismo. Brenda. São responsáveis pela ventilação (movimento do ar para dentro e para fora das vias aéreas). captando o oxigénio indispensável às actividades vitais e removendo o dióxido do carbono resultante dos fenómenos metabólicos dos diversos órgãos e estruturas.3. (Para uma melhor compreensão da anatomia do aparelho respiratório ver figura 1) Fig.ANATOMOFISIOLOGIA DO APARELHO RESPIRATÓRIO Segundo Smeltzer. (2002.1. p. 1 – Anatomia do aparelho respiratório Fonte: Programa Netter . o sistema respiratório é composto pelos tratos respiratórios superior e inferior.

encerradas dentro da caixa torácica. Cada pulmão é dividido em lobos. efeito o diafragma. um médio e um inferior. Cada lobo é posteriormente subdividido em dois a cinco segmentos separados por fissuras. p. Quando essa capacidade está aumentada. Tal como está demonstrado na figura 2.Anatomia do Trato Respiratório Inferior: Fig. O brônquio lobar divide-se em brônquios segmentares (10 à direita e 8 à . os pulmões podem ser divididos em Lobos.7) Smeltzer. p. onde se verificam as trocas gasosas entre os alvéolos e os capilares (Videira. os pulmões retraem e forçam o ar para fora. Brenda (2002. e enche os pulmões. desses Pulmão direito Pulmão esquerdo movimentos é elevar e diminuir a distensão do tórax. p. devido à diminuição da pressão interna. 2 . o ar entra através da traqueia Fonte: Tratado de enfermagem médico cirúrgica de BRUNNER e SUDDARTH. Existem várias divisões dos brônquios dentro de cada lobo do pulmão. A ventilação exige um movimento das paredes da caixa torácica e do O seu sustento. 2003. que são extensões da pleura. Quando a parede e o diafragma retomam às suas posições anteriores (expiração). 365) referem que os pulmões são duas estruturas flexíveis.365) (inspiração). A fase inspiratória da respiração normalmente exige energia. As primeiras constituem os brônquios lobares (três no pulmão direito e dois no pulmão esquerdo). através dos brônquios e da traqueia. O pulmão esquerdo é constituído por um lobo superior e outro inferior. Suzanne e Bare.Divisão dos pulmões em lobos e secções As vias aéreas inferiores iniciam-se abaixo da glote e conduzem o ar até ás unidades respiratórias. enquanto o pulmão direito tem um lobo superior.

esquerda). Fig. Entre as pleuras visceral e parietal existe uma pequena quantidade de líquido. que são metabólicamente activas. a pleura parietal cobre o tórax internamente. então. 3 – Alvéolo pulmonar Há três tipos de células alveolares. As células alveolares tipo III. Essas células segregam surfactante. os pulmões e a parede do tórax são revestidos por uma membrana serosa denominada pleura. que são células epiteliais que formam as paredes dos alvéolos. 365). que são estruturas identificadas quando se escolhe a posição mais eficaz para drenagem postural para um determinado paciente. As células alveolares tipo I. dividese em brônquios subsegmentares. permitindo um movimento suave desses órgãos dentro da cavidade torácica. macrófagos. Esses brônquios estão envolvidos por um tecido conectivo que contém artérias. Brenda (2002. muco. 3). p. bactéria) e actuam como um importante mecanismo de defesa. o líquido pleural serve para lubrificar. A pleura visceral cobre os pulmões. que são grandes células fagocíticas que ingerem matérias estranhas (por exemplo. linfáticos e nervos. O pulmão é constituído por mais de 300 milhões de alvéolos. Suzanne e Bare. Fonte: Programa Netter Estruturas que auxiliam e possibilitam os mecanismos respiratórios Pleura Segundo Smeltzer. . As células alveolares tipo II. O brônquio segmentar. organizados em forma de cachos (fig.

Fonte: Programa Netter) Para cumprir correctamente a sua função é ao mesmo tempo rígida e resistente.958). 5 – Caixa torácica Omoplata Externo Coluna vertebral Costelas De acordo com Phipps.4 – Caixa torácica e posição dos órgãos por ela protegidos Fonte: Programa Netter) Fig. Músculos respiratórios Os músculos respiratórios formam um sistema que age como uma bomba. a dinâmica costal é muito importante para a ocorrência de movimentos respiratórios correctos e eficazes.Caixa Torácica Fig. (Luis Videira. Qualquer tipo de deformação torácica irá alterar a mecânica respiratória. A sua importância centra-se no movimento coordenado e rítmico de bombear ar para o interior e para o exterior dos alvéolos pulmonares. p. a caixa torácica. sendo constituída anteriormente pelo externo e pelas costelas e posteriormente pela omoplata e coluna vertebral (Figura 5). Desta forma. Wilma [et al] (2003.7) . mas também flexível de modo a permitir os movimentos respiratórios – inspiração e expiração. é uma estrutura óssea. 2003. cuja abertura inferior é delimitada pelo diafragma. p.

p. durante a inspiração.960). a resistência ao fluxo aéreo e a complacência pulmonar. os músculos intercostais externos. p. os gases fazem o percurso inverso. assim como pela retracção da caixa torácica e dos pulmões.959 e 960). Fisiologia da respiração Para Phipps (2003. o ar flúi do exterior para dentro da traqueia.( Phipps 2003) A variação da pressão do ar é conseguida através das pressões positivas e negativas conseguidas pelos movimentos torácicos. a actividade de respirar inclui dois processos interligados: a) Ventilação. Através destes movimentos os níveis de oxigénio e dióxido de carbono são mantidos em níveis ideais nos alvéolos e sangue arterial. A resistência ao fluxo aéreo é provocado pelos diâmetros das vias. e qualquer alteração provoca alteração no fluxo e pressão do ar dentro dos pulmões. bronquíolos e alvéolos. os músculos escalenos. b) Respiração. Durante a expiração. .Para Phipps. Os factores físicos que controlam o fluxo do ar para dentro e para fora dos pulmões são denominados: mecânica da ventilação e incluem as variações da pressão do ar. os músculos respiratórios dividem-se em dois tipos: os músculos inspiratórios e os músculos expiratórios. No entanto quando há doença a expiração passa a ser um fenómeno activo intervindo os músculos. a) Ventilação A ventilação é constituída pela inspiração e expiração. A expiração é um processo passivo e resulta do relaxamento dos músculos inspiratórios. Para Phipps. Wilma [et al] (2003. o músculo dentado superior. brônquios. Os músculos inspiratórios são: o diafragma que realiza a maior parte do esforço. o esternocleidomastoideu e o músculo quadrado dos lobos. Consequentemente provoca uma diminuição passiva do volume pulmonar. obrigando a entrada e saída do ar.

Os princípios da difusão de O 2 e CO2 entre os tecidos e a corrente sanguínea são possíveis devido às pressões parciais dos gases (o O2 tem maior pressão nos pulmões e menor nos tecidos em relação ao sangue. A membrana alvéolo-capilar é ideal para difusão devido à sua larga área de superfície e fina membrana. ( Phipps. Nos tecidos o oxigénio e o dióxido de carbono saem e entram das células por difusão. combinado com a hemoglobina (cerca de 8%) e sob a forma de iões bicarbonatos (a maior parte). b) Respiração A respiração é um processo envolvido na fisiologia da respiração que consiste nas trocas gasosas entre o oxigénio e o dióxido de carbono. com o dióxido de carbono passa-se o inverso). A corrente sanguínea é o veículo de transporte. este transporte faz-se dos capilares pulmonares para os capilares dos tecidos onde é libertado. No adulto saudável normal. movido pelo coração.A complacência é a medida da elasticidade. 2003) Existem vários problemas de saúde que afectam directemente a respiração (nfecções pulmonares locais. etc…) e outros que são causa de dificuldades respiratórias (DPOC. a difusão e o transporte dos gases: A difusão é o processo pelo qual o oxigénio e o dióxido de carbono são trocados na interface ar-sangue. atelectasias. expansibilidade e distensibilidade dos pulmões e das estruturas torácicas. rinite. O transporte dos gases é o movimento de O 2 e CO2 de e para os tecidos. . Na respiração estão implícitos dois fenómenos. Na corrente sanguínea o oxigénio combina-se com a hemoglobina e uma pequena percentagem dissolve-se no plasma (cerca de 3%).pneumonia. o oxigénio e o dióxido de carbono passam através da membrana alvéolo-capilar sem dificuldade. etc…). ocorre nos alvéolos. enfisema. onde é dissolvido no plasma (cerca de 1%). como resultado das diferenças das concentrações de gás nos alvéolos e capilares. Em sentido inverso o dióxido de carbono regressa para os alvéolos.

23). geralmente. (Beecham.34). provoca alveolite e acumulação de exsudado. Quando o agente infectante fica inactivo. 80). 22) Também segundo Beecham (1995. esta surge depois da inalação de alguns microorganismos. de inalação de fumos nocivos e de tratamento por radiações.3. 1992. Para o mesmo autor. como aquelas que são causadas por estafilococos ou bactérias gram-negativas. como um processo inflamatório do parênquima pulmonar. 1995. com disseminação para a zona mais interna. Brenda. No entanto. 80). 1992. além da inalação ou transporte (via corrente sanguínea) de agentes infecciosos. a pneumonite ou reacção inflamatória. p. como em doentes internados (Wilson. p. p. dá-se a cura e a estrutura pulmonar normal. a pneumonia pode resultar. Suzanne e Bare. Envolve as vias aéreas terminais e os alvéolos pulmonares. Anatomopatologicamente a pneumonia caracteriza-se por acumulação de neutrófilos nos bronquíolos distais e alvéolos levando a uma consolidação fibrinosupurativa do parênquima. ocorrem excepções a essa cura completa. . como por exemplo em determinadas pneumonias necrotizantes. sendo causada por agentes infecciosos (Smeltzer. do ponto de vista histológico.26). tanto na comunidade. p. em torno dos alvéolos ocorrem consolidação e um certo comprometimento da troca gasosa no tecido pulmonar atingido. geralmente associado ao acentuado aumento dos líquidos intersticiais e alveolares. que invadem as vias aéreas distais”. após as quais fibroses ou cicatrizes são o que resta do pulmão (Wilson.ALTERAÇÃO DA RESPIRAÇÃO POR PNEUMONIA Pneumonia (pneumonite) define-se.2. A pneumonia continua a ser uma das mais comuns infecções respiratórias. é restaurada. p. Podemos referir que na etiologia da pneumonia. p. segundo Black e Matassarin-Jacobs (1996. “A pneumonia caracteriza-se por uma resposta inflamatória do hospedeiro a uma multiplicação incontrolável dos microorganismos em causa. mas às vezes a infecção é levada pela corrente sanguínea ou migra para os pulmões directamente de uma infecção próxima. .

e/ou da qualidade e número de agentes infecciosos. 54) Segundo Black e Matassarin-Jacobs. p. 60). estando também dependente do agente infeccioso. As pneumonias nosocomiais. sendo a de maior mortalidade.Infecção das vias aéreas superiores. e/ou antibioterapia capaz de induzir a selecção de agentes microbianos resistentes. p. a pneumonia ocorre com mais frequência quando os mecanismos de defesa estão debilitados ou foram superados. . esta continua a ser uma importante causa de morbilidade e mortalidade. As pneumonias podem classificar-se em dois grandes grupos: pneumonias adquiridas na comunidade e pneumonias adquiridas no hospital. é aquela que não está presente. ou seja. Para Black e Matassarin-Jacobs. Por outro lado. Condições de vida ou de trabalho em grupo podem facilitar a sua ampla transmissão. A pneumonia adquirida na comunidade. Staphylococcus aureas. no momento da admissão ao serviço. apesar dos grandes avanços que ocorreram na terapia antibiótica. .Poluição do ar. submetidos a técnicas invasivas. sendo responsável por mais de 10% dos internamentos hospitalares.Fumo. no mínimo após quarenta e oito horas do internamento. Phipps [et al] (1995. uma vez que podem constituir portas de entrada para agentes microbianos. especialmente entre idosos. 53) referem que a incidência da pneumonia. é aquela que se instala no indivíduo quando este se encontra fora do ambiente hospitalar. podem ocorrer aquando a realização de métodos de diagnóstico e de tratamento. são a segunda causa de infecção hospitalar. como os da gripe e da varicela podem também causar a pneumonia bem como alguns fungos. 62). como o Streptococcus pneumoniae. 1995. nem incubada. São as que se instalam no indivíduo internado. A maioria destes casos surgem em doentes hospitalizados. Legionella e Hemophilus inflenzae. as causas mais frequentes são as bactérias. p. (Phipps [et al]. ocorre em cerca de 5% dos pacientes internados com outros diagnósticos. os factores de risco que tornam susceptível o indivíduo à pneumonia são: . . Os vírus. (1996. Em doentes jovens e sem outros problemas de saúde é possível a instalação de um processo de pneumonia em consequência de infecções respiratórias altas ou virais. (1996.Nos adultos. p.

anestesia geral.Inalação de substâncias nocivas.Choque.Aspiração gástrica. .Politraumatizados. distúrbio convulsivo. .Gravidade da doença. . traumatismo de crâneo. . para além dos factores de risco atrás mencionados. No caso das pneumonias nosocomiais. . quimioterapia. . . .Cirurgia torácica ou abdominal alta. .Colonização gástrica.Extensa doença periodontal.Doença pulmonar de base DPOC. . . especialmente através do sistema respiratório.Tratamento imunossupressor: corticóides.Aspiração de corpos estranhos (por exemplo. .Doenças crónicas: Diabetes mellitus.No caso de pacientes idosos que geralmente tem deficiência do sistema imunitário e muitas vezes residem em agrupamentos. . produtos de petróleo). .Antibioticoterapia prévia. doença cardíaca. aspiração de material oral/gástrico. doença pulmonar crónica. como sugere Prado (1997.. cancro.Alteração de consciência: alcoolismo. .Coma. p. . . dose excessiva de droga. . .Síndrome da imunodeficiência adquirida. . esses factores são: .Imobilidade prolongada. .Uso de sondas nasogástricas. . apresentam também outros factores de risco.Posição supina favorecendo aspiração.Entubação traqueal.72).Idade superior a 60 anos.Exposição prolongada a germes especialmente virulentos. .Ventilação mecânica.Desnutrição e desidratação. . doença renal. .Doença debilitante prolongada. onde há maior probabilidade de transmissão da doença.

Mecanismos de defesa do pulmão. pneumoniae e Legionella sp. dificultando a passagem através do leito capilar pulmonar. A via hematogénica ocorre através da retenção pulmonar de bactérias circulantes na corrente sanguínea. 2. Podemos . p. apesar de ser uma doença bastante comum.88). Wilson volta a referir que os organismos infecciosos podem atingir os pulmões através de quatro mecanismos básicos: 1.85). sendo o principal mecanismo das pneumonias por M. Neste contexto. alojam-se nos pulmões. Este mecanismo é mais comum em doentes internados. Para Wilson (1992. durante o sono profundo. é a via de entrada mais frequente. onde desenvolvem a inflamação. Por deposição na vascularização pulmonar após disseminação hematogénica. Segundo o mesmo autor a instalação de uma pneumonia depende basicamente de dois factores: . no entanto. Por penetração no tecido pulmonar ou disseminação por contiguidade. p. Segundo Wilson (1992. a pneumonia é uma patologia relativamente rara de acontecer em pessoas saudáveis. p. Por inalação directa de partículas infectantes do meio ambiente. Se os agentes infecciosos circulantes forem muito grandes. o processo da aspiração tem como “fruto” micropartículas provenientes da orofaringe. .Para Wilson (1992. 4. com foco infeccioso distante e/ou uso de drogas injectáveis. Este aspecto vem comprovar a eficácia dos mecanismos de defesa dos pulmões. 3. a fisiopatologia de todos os tipos de pneumonia apresentam como característica comum a inflamação do tecido pulmonar. poderá envolver diferentes áreas anatómicas do parênquima pulmonar e das pleuras. levando a uma possível fonte de infecção. A via inalatória é responsável pela inalação de microorganismos.86). Qualquer um destes mecanismos é mais favorecido se os mecanismos de defesa dos pulmões perderem a eficácia e permitirem que os agentes infecciosos penetrem nas vias aéreas inferiores. a aspiração de micróbios colonizadores da nasofaringe. Por aspiração de secreções da boca e nasofaringe. a flora bacteriana da orofaringe exerce um papel fundamental na determinação da etiologia do processo patológico em causa.Invasão das vias aéreas distais pelo organismo infeccioso. que consoante o agente agressor e estado físico do hospedeiro.

temperaturas entre 39 e 40ºC (com início súbito). sinais de condensação: (macissez.Barreiras anatómicas.90) afirma que temos: . taquicardia e taquipneia. Muitos dos efeitos sistémicos da pneumonia são consequência da produção de certas substâncias pelos macrófagos alveolares. correlação clínica radiológica. . . os alvéolos. acaba por ocorrer resolução e cura. Se houver uma contenção bem sucedida do processo inflamatório. sobretudo bactérias. Os mecanismos de defesas actuam sobretudo nas vias respiratórias superiores e de grande calibre. fervores crepitantes. o processo de limpeza fica dependente de células fagocitárias e factores humorais. uma vez. como por exemplo calafrios. Além da fagocitose.57) coloca em evidência a sintomatologia da pneumonia típica ou clássica: hipertermia. Também Beecham (1995. alvéolos. Normalmente.Encerramento da glote por reflexo.54) diz que as pneumonias podem ser típicas e atípicas. O mesmo autor refere que a maioria das bactérias que chegam aos alvéolos são rapidamente captadas e destruídos pelos fagócitos (fagocitose). Deste modo Wilson (1992. laboratório .Reflexo da tosse. que em certos casos as duas fronteiras se esbatem.definir estes mecanismos como sendo um conjunto de barreiras anatómicas. febre. Segundo o mesmo autor quando estes mecanismos de defesa são evitados pelos agentes infecciosos. p. ao não possuírem epitélio cíliado e células secretoras de muco e sendo a tosse ineficaz na limpeza de material infeccioso. e se depositam nos alvéolos. a destruição dos micróbios depende também da eficácia dos macrófagos. aumento da transmissão das vibrações vocais. . hipomobilidade do hemitórax afectado. adejo nasal. mal-estar e mialgias. Assim sendo as unidades terminais. as regiões mais inferiores encontram-se assépticos. são estes os neutrófilos e componentes plasmáticos ai existentes.p. em pulmões saudáveis. sopro tubário). mecanismos de depuração existentes na nasofaringe e vias aéreas superiores e factores humorais e celulares localizados nas unidades terminais. como a epiglote e as zonas de oclusão apicais entre as células epiteliais de revestimento da Mucosa.Ramificação frequente da árvore pulmonar. Beecham (1995. que promove a filtração aerodinâmica do ar inspirado. contudo salienta que nem sempre é fácil demarcar uma pneumonia típica de atípica. outro grupo de mecanismo de defesa entram em funcionamento. p.

Beecham (1995. 3. . Wilma [et al] (2003. p. procurando sinais e sintomas.3. se possível com frequências e volumes variados. Pode também ocorrer tosse. podendo em muitas situações salvar a vida do doente. idosos e em crianças pequenas. ausência de sinais esteto-acústicos de condensação.(velocidade de sedimentação aumentada.969) a análise física do aparelho respiratório é realizada através da inspecção. tosse irritativa escassamente produtiva. O tratamento com antibióticos depende do diagnóstico etiológico da pneumonia. daí a importância de estabelecer um diagnóstico correcto e realizar um tratamento apropriado. da percussão e da auscultação. sibilos e expectoração.54). Segundo Phipps. mostra que o quadro clínico atribuído ao síndrome de pneumonia atípica se caracteriza por: mal-estar geral de aparecimento progressivo. Não obstante da multiplicidade de sintomas e sinais que podem surgir aquando de uma pneumonia. mialgas. sendo a dor pleural uma característica dominante. dissociação clínico radiológico A infecção respiratória das vias aéreas inferiores atípica tem sido atribuída historicamente a casos de broncopneumonias e ocorre mais frequentemente em indivíduos com doenças crónicas subjacentes. p 65) salienta que a dispneia é o sintoma principal da pneumonia. cefaleias. da palpação. Com alguma frequência o doente apresenta febre e arrepios. fibrinogénio e outros parâmetros de inflamação de fase aguda elevados). p.AVALIAÇÃO DO DOENTE COM A ALTERAÇÃO DA RESPIRAÇÃO A avaliação do doente com alteração da respiração deve dar ênfase ao aparelho respiratório. dor faríngea. que indiciam alterações. • Inspecção A inspecção deve implicar o exame do tórax em diversas posições e no decurso de todo o ciclo respiratório. Para Beecham (1995. febrícula. • Palpação .

Certos . p. Wilma [et al] (2003. é apenas à travessia aérea dos brônquios proximais (lobares e segmentares) que se deve a génese do ruído que. Assim. a avaliação das características das vibrações vocais. as suas características: emissão de um som de alta ressonância. nas respectivas áreas torácicas.969) A percussão torácica é a ressonância consequente à indução de choques. • Percussão Segundo Phipps. A percussão pressupõe: • Uma avaliação prévia da espessura dos tecidos moles. ela é habitualmente de importância decisiva. p. como os fervores.970) Na palpação salienta-se. são provocados pela presença de líquido nos pulmões. Em condições normais. uma vez amortecido pelo parênquima pulmonar e pela parede torácica. naturalmente. Certos sons "alterados" designados por sopros podem indicar uma pneumonia. p. se ouve através da auscultação do tórax (nomeadamente durante a inspiração e o início da expiração). A necessidade de exames em diversas posições.Para Phipps. e que se designa por murmúrio vesicular. a presença de patologia respiratória diferenciada. pela sua importância. • • • Uma perfeita execução. Uma análise cuidadosa da frequência e da duração do som obtido. factor de influência decisiva na apreciação dos efeitos sonoros da percussão. • Auscultação Segundo Phipps. transmitidas pelas vias aéreas desde a glote (onde são geradas) até à parede torácica. Wilma [et al] (2003. claro e não timpânico. Outros sons. semelhantes a um crepitar ou borbulhar. de tonalidade inferior. pleura normal e parênquima sem alterações corticais) da percussão condicionam. Os factores de normalidade (parede torácica de espessura média. os quais só reflectem as condições parietopulmonares numa espessura de cerca de 5 cm. o aumento ou a diminuição das vibrações vocais vêm sugerir. de um ou mais dedos contra um outro encostado à parede torácica. pequenos e limitados.969) Quanto à auscultação. bronquite ou outros problemas. Wilma [et al] (2003.

ou seja. como a dispneia. Diz-se que uma tosse é produtiva quando origina muco ou expectoração.sons.). expectoração. produzido por áreas inflamadas do pulmão ao roçarem umas nas outras. Wilma [et al] (2003. a eventual influência do posicionamento do tórax. à tosse sufocante devida à inalação de corpos estranhos. as toracalgias e as hemoptises constituem habituais sintomas de alarme • Tosse Para Phipps. geralmente provocados pela asma. Mas já outros. habitualmente devido a uma infecção viral.963). De acordo com (Kindersley. Muitas tosses devem-se à irritação das vias respiratórias por poeiras. inalação de poluentes. como roncos e sibilos. nomeadamente se presentes em indivíduos fumadores. acção de fármacos. quando assim não acontece. . pouco valorizados como a tosse e a expectoração (quando apresenta características aparentemente anormais). pelas glândulas existentes nas paredes dos brônquios e por células que revestem o nariz e os seios nasais. • Expectoração Segundo Kindersley (1992). eventualmente de fundamento imunoalérgico. hemoptise. desde quadros espasmóticos. 1992) os sinais e sintomas mais frequentes quando há alteração do aparelho respiratório são: tosse. dispneia. e não produtiva. Deverão ser sempre pesquisadas algumas características. A pleurisia caracteriza-se por um arranhar. que se designa de atrito. p. são consequência de espasmos das vias respiratórias. frequentemente. etc. a tosse é uma acção reflexa com a finalidade de limpar as vias respiratórias de muco. a sua correlação com outros dados (como ingestão de alimentos. o despiste de tosse produtiva. a denominação expectoração engloba todas as secreções mucosas produzidas pelas células que revestem o aparelho respiratório. ou seca. tais como: o seu ritmo. fumos ou gases ou por muco que escorre da parte posterior do nariz. de um corpo estranho ou de outros bloqueios ou matérias irritantes. A tosse como mecanismo de defesa broncopulmonar. Alguns deles são. O dano aos tecidos dos pulmões causado pela pneumonia origina uma tosse produtiva dolorosa. Outra causa vulgar da tosse é a inflamação do tracto respiratório superior. toracalgia e disfonia. pode exteriorizar-se sob formas muito variadas. de expectoração.

em que uma inflamação dos brônquios e dos alvéolos lesa a parede de um vaso sanguíneo. mais raramente.964) ainda o mesmo autor. uma reacção alérgica produz normalmente expectoração incolor e os edemas pulmonares (retenção de líquido nos pulmões) podem apresentar uma expectoração espumosa e cor-de-rosa raiada de sangue ou hemoptóica. quer da ruptura. A expectoração com sangue pode apresentar-se sob a forma de raios de sangue. A forma que assume depende quer das dimensões do vaso sanguíneo. que pode ser acompanhado por dor durante os movimentos respiratórios. A expectoração. A causa subjacente pode ir desde a tosse persistente a uma doença grave. A hemoptise não deve ser confundida com a presença de sangue na boca. a hemoptise é a expectoração sanguinolenta devida à ruptura de um vaso sanguíneo para as vias respiratórias. misturados ou não com o muco da expectoração. nariz ou garganta. a bronquite e a tuberculose. quer da causa subjacente. • Dispneia Segundo Phipps. Wilma [et al] (2003. . Como causas mais frequentes da expectoração hemoptoíca temos as infecções. por reacções alérgicas ou por inalação de substâncias irritantes. eliminada através da tosse ou sob forma de vómica. sangue vivo. tosse.A produção das secreções pode ser aumentada por infecções. Wilma [et al] (2003. como o cancro. p. Os sintomas que acompanham a dispneia podem incluir sensação de aperto no tórax. caracterizada por um aumento do esforço necessário para respirar. Referindo o mesmo autor. p. a hemoptise (sangue vivo na expectoração) pode ser provocada por uma infecção ou por cancro do pulmão. pieira e dor torácica. espuma rosácea e. a qual se deve geralmente a hemorragia nasal ou gengival. tais como a pneumonia. apresenta características orientadoras em relação ao diagnóstico da situação clínica subjacente: • Hemoptise Referindo Phipps. pulmões. coágulos de sangue de cor vermelho viva ou acastanhada.962) dispneia é uma respiração difícil. A produção de expectoração varia: enquanto uma infecção bacteriana provoca geralmente expectoração amarela ou verde.

impõem um exame cuidadoso e um criterioso diagnóstico diferencial que permite distinguir as dores torácicas de causa respiratória das que podem ter origem: → Em alterações de outras estruturas torácicas. factores psíquicos. que podem ser temporárias. bem como da sua avaliação correcta no âmbito da incapacidade respiratória. as lesões nos pulmões. haverá na patologia respiratória . Em relação à dor torácica. a dispneia pode ocorrer em repouso (ortopneia) ou com o esforço (dispneia para os grandes. em áreas orgânicas sem contiguidade directa em relação ao tórax. diafragmática ou mediastínica).A dispneia podem dever-se a qualquer situação que comprometa o trajecto do ar para dentro e para fora dos pulmões. resultar de lesões do tecido pulmonar. De entre as causas da dispneia temos a obstrução das vias respiratórias. em que as paredes dos alvéolos pulmonares são destruídas. Esta situação pode. como na pneumonia. a dor torácica. a transferência de oxigénio dos pulmões para o sangue. por vezes do seu diagnóstico diferencial relativamente a processos extra-respiratórios (causas centrais. → Através de mecanismos reflexos. a dispneia pode também dever-se a défice da transferência de oxigénio dos alvéolos pulmonares para a circulação sanguínea. médios e pequenos esforços). devem-se acentuar a dificuldade. no edema pulmonar (líquido no pulmão) e no derrame pleural (líquido em volta do pulmão). tornando difícil e dolorosa a respiração normal. Na lesão dos pulmões. no pneumotórax (pulmão colapsado). As lesões podem também ser permanentes. como no enfisema. por sua vez. os sintomas frequentes da patologia respiratória. O mesmo autor salienta no entanto que as dores torácicas imputáveis ao aparelho respiratório têm origem habitual na pleura parietal (lateral. nomeadamente no âmbito profissional. • Toracalgias Para Kindersley (1992). esta pode agravar-se com os movimentos respiratórios. a circulação do sangue pelos pulmões ou o controle da respiração pelos centros cerebrais. Consequentemente e de um modo geral. Continuando com a ideia do autor supracitado. Dentro das características da dispneia. em que são aumentadas as necessidades de oxigénio dos tecidos. causas mediastínicas ou infradiafragmáticas). entre outros.

a hemoptise. expectoração. Vão ser apresentadas. Wilma [et al] (2003. Será necessário excluir-se a patologia das estruturas orgânicas em que se projectam as toracalgias de causa respiratória (nomeadamente. . um conjunto de acções a prestar a um doente com alterações da respiração: Manutenção da permeabilidade das vias aéreas A permeabilidade das vias aéreas pode ser promovida através da realização das seguintes actividades: . neste caso. 3. as algias por afecção da parede torácica).4. a disfonia é uma alteração da voz. tais como a tosse. A disfonia deve-se tanto a lesão laríngea intrínseca (virusal. • Disfonia Baseado ainda em Kindersley (1992). resultante de doenças ou lesões da laringe ou da inervação dos músculos da laringe. a cianose e a dor pleural. como em neoplasias pulmonares e. mostraram-nos que existem vários factores de risco que podem levar a alterações na respiração. tuberculosa. a dispneia.ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM AO DOENTE COM ALTERAÇÕES DA RESPIRAÇÃO Phipps. múltiplos sinais e sintomas relacionados com estas. pneumotórax ou neoplasia) ou secundário (pneumonia com corticopleurite ou invasão tumoral).1055). como a compromisso secundário da sua inervação (compressão do nervo recorrente. É com base nestas manifestações que o enfermeiro deve planear um conjunto de intervenções visando a pessoa numa perspectiva holística.dolorosa compromisso da pleura parietal. primitivo (fase inicial do derrame pleural. como também. a seguir. p. com paralisia unilateral). neoplásica).

 Estar atento ao grau de dificuldade respiratória. Wilma [et al] (2003.  Pode colocar-se. Manutenção das trocas gasosas Phipps.  Mudar frequentemente de posição para mobilizar as secreções. que é colocada numa mesa sobre a acama. uma almofada nas costas do doente para apoiar e empurrar o tórax. p. Se ocorrer cianose: deve colocar-se O 2 a baixo débito (até análise gasométrica) e estar alerta para sinais de insuficiência respiratória aguda (hiperventilação). Monitorizar os efeitos colaterais e a resposta à terapêutica. para respirar.1055) referem que devemos ajudar o doente a fazer inspirações profundas e a expandir o tórax para aumentar a ventilação.  Ajudar nas AVD com exercícios para evitar fadiga e dificuldade respiratória.  Administrar broncodilatadores se estiverem prescritos.  Nos doentes acamados utilizar a posição da cabeceira a 45º ou semi-fowler. colocada á sua frente.  Estar alerta para o reflexo da tosse e/ou de deglutição  Incentivar o doente para fazer respirações profundas e a tossir eficazmente.  Alguns doentes podem respirar melhor quando estão sentados num cadeirão inclinados sobre uma cadeira mais pequena.  Assegurar uma adequada ingestão de líquidos de modo a fluidificar as secreções e compensar as perdas relacionadas com a febre e sudorese. fazer a aspiração usando uma técnica asséptica. Manter a permeabilidade destas vias. da humidade e da temperatura em níveis confortáveis .  O doente que fique em posição de sentado. ligeiramente para a frente. longitudinalmente.  Se for incapaz de fazer a limpeza das suas próprias vias aéreas. Manutenção da ventilação.  Ajudar na terapêutica com nebulizador. pode encontrar uma posição mais confortável colocando a cabeça e os braços sobre uma almofada. permitindo utilizar mais livremente o diafragma.

No tratamento da pneumonia está indicado baixo débito de oxigénio. Wilma [et al] (2003. a enfermeira deve verificar frequentemente o equipamento para assegurar um funcionamento adequado. assim como posicionar em decúbito lateral ou em posição de decúbito sobre o lado não lesado (decúbito contra lateral à lesão). pode ser benéfica uma atmosfera húmida e quente através de um humidificador ou um vaporizador. na garganta ou brônquica.  Se o doente sentir irritação no nariz. colher expectoração para exame cultural. Wilma [et al] (2003. Na oxigenoterapia podem ser utilizados vários métodos.Para Phipps.  A maioria dos doentes sentem-se mais confortáveis se o ar estiver fresco e não demasiado húmido. p. O enfermeiro deve estar familiarizado com os vários dispositivos usados para administrar oxigénio e quando este está a ser utilizado. da humidade e da temperatura em níveis confortáveis são:  Promover mudanças de decúbito para maximizar a ventilação perfusão das áreas pulmonares. . ideal por via de cateter nasal. as actividades a desenvolver para a Manutenção da ventilação. Administração Aerossolterapia) de Medicamentos e Tratamentos (Oxigenoterapia e Phipps. que dificulta a tosse e a respiração profunda.1056) apresentam as seguintes actividades:  Antes de iniciar a administração dos antibióticos prescritos.  Antipiréticos e Analgésicos – são de extrema importância no combate à dor torácica e pleuritica. com todas as consequências que daí advêm.  Administrar a medicação prescrita:   Antibióticos Fluidificantes e Expectorantes – indicados para fluidificar e facilitar a eliminação das secreções. dependendo da situação do doente e da concentração de oxigénio necessária.960). p.

 Manter o doente aquecido e seco e evitar calafrios. controlar a quantidade. Wilma [et al] (2003.Deve ser realizada a aerossolterapia segundo prescrição médica. Proteger os lábios e as narinas com lubrificantes. em vez de tentar libertar as secreções com nebulizações.1059). Se o doente está a receber fluidos endovenosos. Wilma [et al] (2003. Promoção da Hidratação e Nutrição adequada Segundo Phipps. O melhor agente fluidificante é a água e é preferível hidratar adequadamente o doente. Vigiar diurese.  Encorajar a ingestão de líquidos por via oral.  Avaliar as características e localização da dor torácica.  Proporcionar frequentes cuidados de higiene oral. Se o doente não sofrer de doenças cardiovasculares que requeiram uma restrição de fluidos. .1059) podemos desenvolver as seguintes actividades para promover o conforto:  Colocar o doente em posição confortável.  Apoiar o tórax com as mãos quando o doente tosse.  Administrar analgésicos para a dor torácica e avaliar efeito. p.  Perguntar ao doente de que alimentos é que ele gosta. p. facilitando a fluidificação e expectoração das secreções. Promoção do Conforto Segundo Phipps. promovendo-se também uma broncodilatação indispensável à recuperação da doente. deve proporcionar-se a ingestão de 3 a 4 litros de líquidos por dia. para melhorar a respiração. a desidratação provoca secreções espessas e viscosas. os doentes ficam mais confortáveis com a cabeceira da cama elevada a 45º ou Semi-fowler.

Wilma [et al] (2003.  Encorajar a ingestão de alimentos de elevado teor calórico e proteico. sobre a infecção respiratórias. as actividades desenvolvidas para prevenir a disseminação da infecção são:  Quando se utilizam as Normas de Precauções.  Ter cuidados com as secreções do doente ensinando-o a colocá-las num saco de plástico apropriado.  Ensinar o manuseamento adequado das secreções. Prevenção da Disseminação da Infecção Segundo o mesmo autor. Introduzir o lenço num saco de . com perguntas como é que a infecção é transmitida e os seus factores de risco. Cobrir o nariz e a boca com um lenço de papel quando tosse ou espirra. p. o isolamento respiratório não é necessário. Proporcionar refeições pequenas e frequentes. na prevenção. para Phipps.  A lavagem das mãos é a medida mais importante para evitar a disseminação da pneumonia de um doente para outro através das mãos do pessoal de saúde (Pneumonia nasocomial). Promoção do Ensino O maior ênfase do ensino é.  Proceder a Baciloscopia para despiste de Tuberculose Pulmonar ou outra infecção.  Avaliar os conhecimentos do doente.1059).

duas vacinas para evitar as infecções respiratórias: a vacina da anti-gripal( administrada anualmente) e a vacina antipneumocócica( administrada apenas em cada 3 a 5 anos)  As pessoas que estão em risco de desenvolverem complicações da gripe (pneumonia) deverão ser imunizadas.  Proceder à reeducação funcional respiratória como medida coadjuvante no tratamento da infecção respiratória com os seguintes objectivos:      Manter a permeabilidade das vias aéreas.  Reforçar a importância dos cuidados a seguir. Melhorar a ventilação alveolar. espirrar e expectorar. Controlar a respiração em repouso e exercício. .plástico ou de papel descartável para lixo.  Salientar a importância da lavagem das mãos após tossir. excepto se forem alérgicas ao ovo ou seus derivados ou que tenham tido reacção prévia á vacina. Corrigir as sinergias ventilatórias. Diminuir a sobrecarga do trabalho muscular.  Reforçar a necessidade de imunização:  Estão disponíveis. Colher as amostras de expectoração num recipiente adequado.

.

Foi-lhe diagnosticado pneumonia na base do pulmão direito. duas casas-de-banho. garantindo a privacidade do utente. hipertermia e mal-estar geral.64 metros e pesa 64 kg. O Sr. sendo a data do último internamento a 10 de Fevereiro de 2001. diabetes Mellitus. residente na Guarda. tendo dois filhos um com 54 e outro com 44 anos de idade. No dia 3 Dezembro de 2004 dirigiu-se ao serviço de Urgência do HSM por manifestar dispneia. uma sala de jantar. 1. Não tem antecedentes familiares de doenças cardiovasculares. até ao serviço de pneumologia. dafalgan. sendo transportado por maca. raça caucasiana. com três quartos.1. Reside numa habitação modesta. permixion. mede 1. no mesmo serviço. “José”. casado. pouco húmida e com saneamento básico. nome fictício. também não tem hábitos tabágicos. é um utente do sexo masculino. praxilene. tendo 84 anos de idade. 44 . Tem história de internamentos anteriores. nascido a 29/09/1920. assim como aplicar o modelo de Virgínia para deslindar as necessidades afectadas. ou outras doenças com variante congénita ou hereditária. vive com a esposa. O utente no domicílio tomava a seguinte terapêutica: hipertil. – ESTUDO DE UM DOENTE COM ALTERAÇÃO DO PADRÃO RESPIRATÓRIO Neste ponto iremos conjugar os dados do doente com as diferentes fases do processo de enfermagem.HISTÓRIA DE ENFERMAGEM DO DOENTE Os dados de enfermagem recolhidos através da entrevista serão de seguida abordados. uma cozinha e uma dispensa.1 . com bom arejamento.

.1. . . Esta necessidade encontra-se alterada. . . . que nos permitiu elaborar os diagnósticos e planos de cuidados de enfermagem. 45 . O exame físico permitiu comprovar dados subjectivos obtidos durante o período de internamento.Apresentava tosse produtiva. .Língua limpa. arredondado e cor rosado. .O utente apresenta: .1.Hálito normal.1. para a colheita de dados.Nariz: Formato longo.É autónomo na satisfação desta necessidade. . com uma frequência de 26 ciclos por minuto e ritmo irregular. realizou-se desde que a utente deu entrada no serviço até ao momento da alta.O utente apresenta: .Olfacto: Presente . lisa e sem inflamação.Narinas: Não apresenta feridas ou crostas . íntegros.Sem antecedentes tabágicos.Lábios e mucosas grossos.Observação do doente/necessidades fundamentais A observação.Corrimento nasal: Apresenta corrimento nasal. Respirar . Beber e comer . Em seguida vamos descrever as necessidades do utente segundo o modelo conceptual de Virgínia Henderson. rosados.Garganta rosada sem inflamação. expectoração mucosa.A amplitude respiratória superficial a nível torácico e simétrico.

Intestinal . . Almoço. Eliminar Vesical .Dentição incompleta mas usa prótese dentária. urina de características normais (cor âmbar claro. sem sedimentos. Deitado: sem dificuldade em se movimentar na cama . .É autónomo na satisfação desta necessidade. . ... Marcha: mobiliza todas as partes do corpo através de movimentos coordenados.O utente apresenta órgãos genitais íntegros sem lesões ou dor. 46 .Costumava habitualmente defecar 1 vez por dia.Membros superiores e inferiores sem edemas. rosados. . quentes.Não tem alergias conhecidas a nenhum alimento.Durante o internamento a sua dieta era normal.Apresenta fezes moldadas em quantidade pequena de cor castanha escura. lanche e Jantar). Durante o internamento esta necessidade não esteve alterada Movimentar-se e manter uma boa postura .Postura Pé: o utente apresenta-se uma ligeira flexão da coluna a nível cervical. . o volume varia de acordo com a ingestão de líquidos).Não tem conhecimento de patologias associadas.Costuma urinar cerca de 5 vezes por dia. Esta necessidade não se encontrae alterada. . odor característico.Costuma fazer 4 refeições por dia (Pequeno almoço. Sentado: tem facilidade em se mover.O utente apresenta: ..

Sistema Cardiovascular Pulso: radial. cuidar e proteger a sua pele . . Esta necessidade não esteve afectada.O utente apresenta: . Higiene.Não tem alergias a nenhum tecido nem preferências. Tensão arterial: normotenso (131/67mmHg). . Esta necessidade encontrava-se alterada. frequência: 61 bat/min.3ºC. Esta necessidade não esteve alterada Dormir e Descansar .Durante o internamento utilizou pijama do Hospital.. Vestir-se e despir-se . .Dorme cerca de 8 horas no período da noite.Pálpebras: Rosadas 47 . forte e regular. Manter a temperatura corporal dentro dos limites normais . Esta necessidade não esteve alterada.É autónomo na satisfação desta necessidade.Face: Cor: rosada.Quando chegou ao serviço apresentava uma hipertermia de 38.

Olhos: Castanhos. .Pele: . . .Expressão: simpático. pele limpa e hidratada .Vive com a esposa.Couro cabeludo: Cor rosada. .Tem por hábito realizar a higiene oral 3 vezes ao dia Esta necessidade não esteve alterada. . Evitar perigos . . não apresenta lesões nem inflamação. . e banho de imersão de 8 em 8 dias . assimétrica.É extrovertido.Integridade: Íntegra. .Usa prótese dentária.Toma banho completo uma vez por dia.Fazia consultas regulares no centro de saúde. O utente apresenta: . . Comunicar com os seus semelhantes -Não apresenta dificuldades comunicacionais.O utente apresenta alergia ao adesivo castanho utilizado no serviço. . . .O utente encontra-se orientado no espaço e no tempo.Prurido: Não apresenta.Cabelos: Calvo.Coopera com os profissionais de saúde 48 . . sem lesões aparentes. . Esta necessidade encontrou-se afectada.– Cabeça: Forma oval.Costumava deambular pelo serviço.Higiene: higiene cuidada.Usa óculos para ler.Coloração: Rosada. .

Preocupar-se com a sua realização pessoal . Esta necessidade não esteve alterada. 49 . .A sua primeira profissão foi mineiro. . Esta necessidade não se encontra alterada.Esta necessidade não se encontra alterada Agir segundo as suas crenças e os seus valores . .Nos tempos livres lê a sagrada escritura. posteriormente sapateiro e ainda trabalhou alguns anos como auxiliar de educação. Divertir-se .Tem percepção do motivo de internamento. vê televisão e ouve rádio.Pertence à religião Batista. Esta necessidade não se encontra alterada Aprender -Tem a 4ªclasse.Gosta de adquirir novos conhecimentos Esta necessidade não se encontra alterada.Respeita a cultura e valores da comunidade onde se insere mas refere que age de acordo com as suas crenças e valores.

50 .Após a apreciação das necessidades afectadas passamos de seguida á segunda fase do processo de enfermagem que consiste na elaboração dos diagnósticos tendo em conta as alterações detectadas.

Decidimos elaborar os planos de cuidados seguindo o PES. a partir daí foram construídos diagnósticos. Este deve ser habitado por um pensamento que lhe dê sentido.2. que oriente as decisões e justifique as acções. tendo em conta a cronologia para efectuar os diagnósticos. sistemática e prévia de forma a melhorar a qualidade e a rapidez da prestação de cuidados. traçados os objectivos atingíveis para o utente colocando em prática um conjunto de acções que tendem a oferecer cuidados de melhor qualidade. – DIAGNÓSTICOS/ PLANEAMENTOS DE CUIDADOS Para uma correcta prestação de cuidados é necessário uma planificação consistente. Segundo Phaneuf (2001) o sistema de planificação de cuidados não se resume a um arranjo organizacional visando um bom funcionamento de um estabelecimento. 51 . Nas páginas a seguir. surgem então os planos de cuidados por nós elaborados. tendo em conta que cada pessoa é única e apresenta necessidades e preocupações individuais.

• Efectuar manobras manuais como a percussão vibração e respiração segmentar. tosse as e dispneia. em 5 dias. Promoção de uma tosse eficaz para a expulsão das secreções Aspiração de excreção Vigilância e avaliação das características das secreções Administração de oxigénio segundo a prescrição médica a 1 l por minuto. Avaliação de sinais e sintomas de alterações respiratórias Fluidificação das secreções: • Promover uma ingestão de líquidos adequada.. Que padrão respiratório 20 ciclos 16/ por o doente o 3/12/2004 expectoração. Mobilização das secreções: • Incentivar o doente a realizar uma respiração abdominodiafragmática para que ao tossir expulse as secreções. • Promover um ambiente húmido. • Administrar fluidificantes por aerossolterapia. Posicionamento do doente em semi-fowler. Auxílio do doente nas actividades quotidianas promovendo a sua autonomia. 07/12/2004 O primeiro objectivo foi atingido visto que o doente não apresenta secreções.DATA DIAGNÓSTICO DE ENFERMAGEM OBJECTIVOS ACÇÕES DE ENFERMAGEM AVALIAÇÃO Dificuldade com presença em Que o doente de ou ou respirar relacionado seja secreções manifestado capaz de diminuir eliminar por expectorar todas secreções durante 10 dias. . ou fowler alta se dispneia alta ou indicação médica Colocação do doente em repouso de forma a diminuir as necessidades em oxigénio Promoção do decúbito do lado não afectado de modo a melhorar a relação ventilação/ perfusão Sessões de educação para a saúde oportunas. recupere min. 14/12/2004 o segundo objectivo foi atingido visto que o doente não apresenta padrão respiratório alternado.

aumente a sua com tolerância ao esforço esforço manifestado actividade 3/12/2004 por fraqueza. durante e após as actividades. internamento.DATA DIAGNÓSTICO DE ENFERMAGEM OBJECTIVOS ACÇÕES DE E. fadiga durante e cansaço fácil. Promoção da alternância de decúbito Promoção do aumento gradual de actividades Avaliação do estado físico do doente durante as actividades Avaliação dos sinais vitais antes. 07/12/2004 O objectivo foi atingido visto que o doente aumentou significativamente a tolerância ao esforço e no final do internamento deambulava sem sinais dispneia.NFERMAGEM AVALIAÇÃO Alteração mobilidade relacionado intolerância da Que o doente ao e à o Promoção de mobilizações passivas e activas assistidas. Programa de actividades progressivas Registo no processo do doente. .

S (Paracetamol) 3/12/2004 . Realização do arrefecimento periférico. Hidratação diária do utente conforme as suas necessidades Mudança de roupa sempre que esta se encontre húmida.DATA DIAGNÓSTICO DE ENFERMAGEM OBJECTIVOS ACÇÕES DE ENFERMAGEM AVALIAÇÃO Hipertermia relacionada Que o doente com o processo manifestado por sudorese. corporal entre 36 Administração de anti-piréticos em S. Banho de agua tépida Utilizar compressas frias debaixo das axilas e nas virilhas. Vigilância de sinais de hipertermia Avaliação da temperatura axilar de 6 em 6 horas em S. calafrios e mau estar geral restabeleça a infeccioso (pneumonia) temperatura / 37 ºC em 3 dias.S e registar .O. Manutenção da temperatura entre 18 a 20ºC.O. Registo no processo do doente 03/12/2004 O objectivo foi atingido visto que o doente após inicio do tratamento ficou apirético.

06/12/2004 .DATA DIAGNÓSTICO DE ENFERMAGEM OBJECTIVOS ACÇÕES DE ENFERMAGEM AVALIAÇÃO Alergia da pele adesivo manifestado por rubor e prurido Que o doente Utilização de um adesivo hipo-alergicos Aplicação de um creme hidratante. Avaliação da zona ruborizada. relacionada com uso de recupere a integridade cutânea ao fim de dois dias. 09/12/2004 O objectivo foi atingido visto que o doente recuperou a integridade cutânea. Registo no processo do doente.

3 . Apresentava tosse produtiva e expectoração mucosa. Permitem a continuidade e aumentam a satisfação do alvo dos cuidados. Esta etapa é também parte integrante das restantes. sendo a respiração regular e profunda. 56 .AVALIAÇÃO / EVOLUÇÃO DO DOENTE As notas de evolução proporcionam uma visão fiel e global dos cuidados prestados. o que permite um aperfeiçoamento e enriquecimento contínuo. Foi-lhe prescrito 1 litro de O2 contínuo por cateter nasal. Seguidamente relatamos as notas de evolução da utente por necessidades. logo pode de igual modo. Fervores crepitantes. proveniente do serviço de urgências. Respirar Á entrada o Sr José apresentava: • • • • • em média 25 ciclos respiratórios por minuto. pois tinha indicação para terminar com o O2 prescrito. A avaliação dos resultados ou do atingir dos objectivos constitui a última etapa do Processo de Enfermagem. tendo terminado pelas 14 horas do dia 15 de Dezembro de 2004. Ao verificar-se os resultados alcançados. No final do internamento apresentava 22 ciclos respiratórios. modificar o plano de cuidados. é possível uma análise retrospectiva da eficácia e qualidade dos cuidados prestados. já não apresentava expectoração e os fervores crepitantes eram imperceptíveis. O internamento do nosso utente iniciou-se no dia 3 de Dezembro de 2004 pelas 24 horas. bem como da sua eficácia imediata. No dia da alta foi-lhe retirado o cateter nasal. A respiração irregular e superficial. Ao nível da palpação e percussão não se detectou alterações. Os episódios de tosse eram quase inexistentes.

sendo repuncionado ao quarto. sétimo e décimo dia alternando o local da punção. 57 .Movimentar-se e manter uma boa postura À entrada o utente apresentava os seguintes sinais vitais: TA – 147/70 mmHg Fc – 74 p/min O doente apresentava também intolerância à actividade física. Nos restantes dias do internamento o doente apresentou-se sempre apirético (ver anexo).3C. às sete horas do mesmo dia o doente apresentava uma temperatura axilar de 36ºC. Evitar perigos No primeiro dia foi puncionado na veia periférica do antebraço direito. pelo que lhe foi administrado duas gramas de proparacetamol. Cumpriu o regime terapêutico ao longo do internamento. Manter a temperatura do corpo dentro dos limites normais No primeiro dia à meia-noite apresentava uma temperatura axilar de 38º. No dia da alta apresentava uma frequência cardíaca de 62 p/min e uma tensão arterial de 145/69 mmHg.

1 - REFLEXÃO CRÍTICA Na prática quotidiana da enfermagem hospitalar aprendemos lições de vida, constatamos erros, atitudes pouco éticas, mas sobretudo aprendemos a ser, estar e fazer, no sentido de reflectir para melhor cuidar. Por vezes, parecemos esquecer como o nosso agir “toca” a dignidade e a liberdade do outro. Na azáfama do dia-a-dia, escondendo-nos por detrás do escudo da rotina a cumprir, a falta de tempo… perdemos o essencial da nossa profissão que é o CUIDAR: o respeito por nós próprios, pelo outro, a empatia, o comunicar, a relação de ajuda. Não colocamos em segundo plano a execução de uma boa técnica, como por exemplo a administração de um injectável cujos erros cometidos podem ser fatais, nem tão pouco a humanização dos cuidados de enfermagem. São duas vertentes que se sobrepõem com vista a melhorar a qualidade dos cuidados prestados. O que temos de essencial a fazer é viver uma relação de ajuda no encontro com cada ser humano, materialização do acto do cuidar, simultaneamente simples e complexo: a razão e a essência de ser enfermeiro! O “Sr. José” foi internado no serviço de Pneumologia do HSM, no dia 3 de Dezembro de 2004, com alteração da necessidade de Respirar, com diagnóstico médico de Pneumonia na base do pulmão direito. Segundo Carnevali e Bruckner (1980) a imobilidade afecta o normal funcionamento da respiração. Tornando a respiração mais lenta e menos profunda, verificando-se movimentos respiratórios menos amplos, alterações regionais na proporção ventilação/perfusão, capacidade vital diminuída, perturbações do mecanismo da tosse e estase de secreções e maior susceptibilidade a infecções respiratórias, o que se verifica com o nosso doente uma vez que este é reformado, tendo uma vida sedentária. De acordo com Phaneuf (2003) o envelhecimento afecta a necessidade de respirar, manifestando-se a perda de elasticidade dos tecidos pulmonares, a diminuição da capacidade inspiratória, da capacidade de expansão, da força dos músculos

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diafragmáticos e intercostais e da actividade ciliar dos brônquios, verificando-se no caso em estudo, uma vez que o “Sr. José” tem 84 anos de idade. Para Black e Matassarin-Jacobs, (1996, p. 62), existem inúmeros factores de risco que tornam susceptível o indivíduo à pneumonia, entre muitos ele refere o caso de doentes idosos que geralmente tem deficiência do sistema imunitário e muitas vezes residem em agrupamentos, onde há maior probabilidade de transmissão da doença, especialmente através do sistema respiratório. Para Wilson (1992, p.85), a fisiopatologia de todos os tipos de pneumonia apresentam como característica comum a inflamação do tecido pulmonar, que consoante o agente agressor e estado físico do hospedeiro, poderá envolver diferentes áreas anatómicas do parênquima pulmonar e das pleuras, no caso do “Sr. José” o agente infeccioso apenas envolveu a base do pulmão direito. Para o mesmo autor a pneumonia é uma patologia relativamente rara de acontecer em pessoas saudáveis, apesar de ser uma doença bastante comum. Isto não se verifica no “Sr. José” uma vez que não se tem conhecimento de outras doenças, sendo portanto saudável. Beecham (1995, p.54) diz que as pneumonias podem ser típicas e atípicas, contudo salienta que nem sempre é fácil demarcar uma pneumonia típica de atípica, uma vez, que em certos casos as duas fronteiras se esbatem. O mesmo autor coloca em evidência a sintomatologia da pneumonia típica: hipertermia, temperaturas entre 39 e 40ºC (com início súbito), taquicardia e taquipneia, adejo nasal, hipomobilidade do hemitórax afectado, sinais de condensação: (macissez, aumento da transmissão das vibrações vocais, fervores crepitantes, sopro tubário), correlação clínica radiológica, laboratório (velocidade de sedimentação aumentada, fibrinogénio e outros parâmetros de inflamação de fase aguda elevados). Mostra também que o quadro clínico atribuído ao síndrome de pneumonia atípica se caracteriza por: mal-estar geral de aparecimento progressivo, febrícula, mialgas, dor faríngea, cefaleias, tosse irritativa escassamente produtiva, ausência de sinais esteto-acústicos de condensação, dissociação clínico radiológico Dentro desta sintomatologia apenas verificamos neste caso febre (38ºC), dispneia, fervores crepitantes e mal-estar geral, verifica-se então que é difícil enquadrar uma pneumonia em típica e atípica. Beecham (1995, p 65) salienta que a dispneia é o sintoma principal da pneumonia, sendo a dor pleural uma característica dominante. Pode também ocorrer

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Apesar de não ser o mais correcto. pelo que observámos que a entrevista de enfermagem e planificação de cuidados não são executadas. visto que é um serviço que se encontra na maior parte do tempo lotado. os cuidados prestados ao doente. estes não são registados e anexados ao processo da doente. No entanto ao longo da nossa estadia no serviço. Podemos então constatar que o que os autores acima citados preconizam está de acordo com as acções por nós efectuadas 61 . Falando da planificação de cuidados. No que diz respeito ao processo de enfermagem propriamente dito. não sendo os mesmos anexados no processo do doente. sendo o que aconteceu. progrediram de uma forma contínua e holistica e como tal o “Sr. José” no dia 15 de Dezembro de 2004 teve alta clínica por apresentar uma melhoria considerável no seu estado de saúde. é importante salientar que algumas das suas fases não são executadas como na aprendizagem teórica. sibilos e expectoração. foram elaborados por nós os planos de cuidados e a sua avaliação. Com alguma frequência o doente apresenta febre e arrepios. talvez pela “falta de tempo” dos enfermeiros. mas são verbalizados aos outros enfermeiros no decurso das passagens de turno.tosse.

afecta os utentes em todas as dimensões: física. 62 .2 – CONCLUSÃO É com satisfação que no final da realização deste trabalho. Na elaboração deste estudo realizado a um utente internado no Serviço de Pneumologia do HSM. social e psicológica. Para terminar gostávamos de referir que este trabalho exigiu muito de nós contudo foi bastante gratificante porque nos permitiu ter um conhecimento mais aprofundado da patologia em causa e da importância da aplicação do processo de enfermagem na prestação de cuidados. No decorrer desse trabalho deparámo-nos com algumas dificuldades. nomeadamente a escassez de tempo para adiantarmos o trabalho o mais possível. Uma aplicação cuidada do PE permite organizar de uma forma coerente os cuidados de enfermagem de qualidade. de forma a melhorar os cuidados prestados ao utente. pudemos mais uma vez constatar a importância de recorrer ao processo de enfermagem segundo o modelo conceptual de Virgínia Henderson. os membros do grupo concluem ter alcançado todos os objectivos que se propuseram a atingir. como a administração da terapêutica. contudo estas dificuldades foram ultrapassadas com o auxílio prestado pela equipa de enfermagem e orientador de estágio. visto um elemento do grupo se ausentar para outro campo de estágio e também dificuldades em identificar as necessidades afectadas. Na prestação de cuidados de enfermagem devem-se ter em conta não só os factores que contribuem para uma melhoria rápida do utente. o repouso e a alimentação. Uma análise cuidada deste estudo permite concluir que a pneumonia como qualquer outra patologia. mas também aqueles que contribuem para uma readaptação à vida. pois aproveitámos o máximo de tempo disponibilizado. Apesar das dificuldades descritas consideramos ter alcançado os objectivos. após a ocorrência da patologia.

. I Volume. ISBN 972-609-053-9. DOENGUES. Evelny – Ser enfermeira. Joyce M. Dorling. Margot – Planificação de Cuidados. Loures: Lusociência. 1995. 63 . ISBN 0-07-549193-1 PHIPPS. MOORHOUSE. 1992.ª Edição: Instituto Piaget.. 1991.. 6ª Edição. Lisboa. Coimbra. MATASSARIN-JACOBS. uma abordagem psico-fisiológica. 3. Mary – Aplicação do processo de Enfermagem. Lisboa. 1996. Margot – Reportório dos diagnósticos de enfermagem segundo o modelo conceptual de Virgínia Henderson. 1ª Ed… Selecções do Reader’Digest. Marilynn E. 1ª Ed… Selecções do Reader’Digest. um sistema integrado e personalizado. Janeiro de 1992.Enciclopédia de Medicina. [et all] – Enfermagem Médico-Cirúrgico – Conceitos e prática clínica. 2001. Enfermagem Médico-Cirúrgica. 2ª Edição.3 – REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ADAM. Volume 2. Esther. [et all] – Enfermagem Médico-Cirúrgico – Conceitos e prática clínica. 4ª ed. Wilma J. Janeiro de 1992. PHANEUF. Lisboa: Lusodidacta.. II Volume. 2001 PHIPPS. BEECHAM – Avanços em Pneumologia. Wilma J. 1986..Enciclopédia de Medicina. KINDERSLEY. ISBN 972-609-053-9. KINDERSLEY. Coimbra: Quarteto Editora. ISBN: 972-8535-78-3 PHANEUF. Dorling. 2003. BLACK. Luckman &soresen. Quarteto Editora. Canadá: Mcgraw – Hill. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan. Lisboa.

3ª Edição. 2002. Brenda G. Brenda G. 9ª Edição. Suzanne e BARE. SMELTZER.A. Felício Cintra do – Actualização terapêutica: manual prático e tratamento. Volume I. – BRUNNER & SUDDARTH – tratado de Enfermagem Médico-Cirúrgica.PRADO. 1993. WILSON. 1997. 1977. Rio de Janeiro: Editora Guanabara Koogan S. Rio de Janeiro: Editora Guanabara Koogan S. Suzanne e BARE.A. – BRUNNER & SUDDARTH – tratado de Enfermagem Médico-Cirúrgica. SMELTZER. Barcelona: Mosby. 64 . – Transtornos Respiratórios. F. Textos fornecidos nas aulas de patologia e enfermagem médica dados pelo docente Luís Videira no oitavo curso de Licenciatura na Escola Superior de Enfermagem da Guarda 2004/2005. 18º Artes Médicas. S.

65 .

ANEXO 1 COLHEITA DE DADOS 66 .

67 .

ANEXO 2 GRÁFICO DA TEMPERATURA 68 .

5 37 36.5 38 37.5 1 2 3 4 5 6 7 Dias 8 9 10 11 12 13 ºC Temperatura 69 .Temperatura 38.5 36 35.5 35 34.