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PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO – 3ª REGIÃO VARA DO TRABALHO DE ITUIUTABA - MG

ATA DE JULGAMENTO RECLAMANTE RECLAMADOS ITUIUTABA AUTOS JULGAMENTO : MINISTÉRIO PÚBLICO DO TRABALHO : 1) MUNICÍPIO DE ITUIUTABA 2) CONS. COMUNIT. DE SEG. PREVENTIVA DE : 00369-81.2012.503.0063 : 04/03/13 ÀS 16:01H

Cuida-se de ação civil pública com pedido de tutela antecipada proposta pelo Ministério Público do Trabalho – Procuradoria Regional da 3ª Região, pela Procuradoria do Trabalho do Município de Uberlândia – em face do Município de Ituiutaba e do Conselho Comunitário de Segurança Preventiva de Ituiutaba – CONSEPI. Alega o autor, em suma, que após a instauração de Procedimento Preparatório para análise da viabilidade e regularidade do Projeto Zona Azul de Ituiutaba, constatou-se que os adolescentes contratados pelo 2º reclamado possuem idade entre 15 e 18 anos. Apresentadas as características das atividades realizadas pelos adolescentes em questão, conforme Termos do Plano de Ação do Consepi, concluiu o autor que estaria configurada a manutenção de empregado com idade inferior a 18 anos em locais e serviços insalubres ou perigosos, conforme lista TIP, que descreve as piores formas de trabalho infantil, contida no Decreto nº 6481/2008. Informa o autor, ainda, que os reclamados teriam se recusado, em audiência administrativa realizada, a retirar os adolescentes com idade inferior a 18 anos das atividades da Guarda Azul, não restando alternativa para salvaguarda dos direitos dos menores senão a propositura da presente ação. Suscitando que a conduta dos réus teria causado lesão a direitos coletivos e difusos dos jovens adolescentes vinculados ao Projeto Zona Azul, bem como a toda sociedade de Ituiutaba, ao lado da imediata cessação das atividades dos menores pleiteou o autor a condenação dos reclamados, de forma solidária, ao pagamento de R$150.000,00, quantia que deverá ser revertida ao Fundo para Infância e Adolescência. Requereu, assim, a antecipação dos efeitos da tutela de mérito, notadamente para fazer cessar imediatamente a situação acima, sob pena de multa, e, em caráter definitivo, a confirmação dos efeitos da tutela antecipada e a condenação dos reclamados, de forma solidária, ao pagamento da quantia retromencionada, a título de indenização por dano de natureza coletiva. Com a inicial vieram aos autos os documentos de f. 11/120. Por meio da decisão de f. 121/122, o pedido de antecipação da tutela foi deferido por este Juízo.
Proc. 03369-81.2012.503.0063 de - Vara do Trabalho de Ituiutaba MG Página

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PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO – 3ª REGIÃO VARA DO TRABALHO DE ITUIUTABA - MG Notificados os reclamados (f. 123 e 124) e após comunicado o autor acerca da decisão que deferira a antecipação (f. 125), foi realizada audiência inicial (ata de f. 126), inconciliadas as partes, ocasião em que os reclamados apresentaram suas defesas. O Município de Ituiutaba (f. 127/132), na peça defensiva, aduziu que o deferimento da antecipação da tutela teria esgotado o objeto da ação. Quanto ao mérito, propriamente dito, justificou a realização do projeto Zona Azul, destacando, em suma, sua importância e os vários desdobramentos que são realizados com os jovens participantes e suas famílias, requerendo a improcedência do pleito. Com a defesa o Município juntou os documentos de f. 133/153. O CONSEPI, em contestação (f. 153/161), invocou inicialmente sua ilegitimidade passiva ad causam, alegando que o Projeto Zona Azul teria sido criado pelo 1º reclamado, responsável por ele e pela seleção dos adolescentes participantes. Ainda em preliminar, suscitou que o Ministério Público do Trabalho seria carecedor da ação, alegando que não ficou configurada na inicial qual a responsabilidade do Conselho a propósito do projeto, além de falta de interesse processual por não ter sido provada qualquer participação do CONSEPI na prática de atos contrários às normas em relação aos menores. No mesmo compasso, alegou o 2º reclamado que a petição inicial seria inepta, aduzindo que ela não conteria os requisitos exigidos pelas normas processuais em vigor, além de ser confusa e não narrar com clareza os fatos, especialmente nenhuma comprovação ou indicação de sua responsabilidade a respeito do que foi invocado pelo autor. Pugnou, por tais razões, pela extinção do feito sem resolução do mérito. Já no mérito, sustentou que a pretensão do autor não teria amparo legal e que as alegações vertidas na exordial não refletiriam a verdade real dos fatos, dizendo-se mero cumpridor de ordens do 1ª reclamado, nos moldes do convênio n. 029/2012, instituído pela Lei n. 4.128/2011. Assim como o Município de Ituiutaba, o 2º reclamado também defendeu a importância do Projeto Zona Azul, refutando a alegação de que os menores de 18 anos trabalhariam sob condições insalubres ou perigosas. Além disso, defendeu o caráter social do projeto para a formação profissional dos menores e que, portanto, inexistiria qualquer dano a eles ou à coletividade. Pediu, assim, a revogação da antecipação da tutela concedida, ou pelo menos a dilação do prazo para cumprimento da decisão, para 6 (seis) meses, com a anuência do 1º reclamado, prazo essencial, a seu juízo, para que os adolescentes e suas famílias se adaptem sem os alimentos e as rendas provenientes do Projeto Zona Azul.

Em análise do pedido inicial. fora de qualquer dúvida. 03369-81. A ação é um direito subjetivo de caráter autônomo (teoria do direito abstrato de agir). pois. 504). o autor replicou as alegações dos reclamados.MG Pugnou. 121/122 apenas para que não fossem excetuados os menores que tivessem autorização ao trabalho. pelo acolhimento das preliminares e.” Proc. 505). pois. 405. não se confundindo. A presença ou não das condições necessárias à apreciação do pedido decorre dos termos da petição inicial.503. Não havendo outras provas a serem produzidas. 189-verso). Com a defesa o 2º reclamado juntou os documentos de f.Vara do Trabalho de Ituiutaba MG - Página 3 21 . Curso de Direito Processual do Trabalho – vol. reiterando os termos da inicial (f. da CLT. LTr. No prosseguimento da audiência (f. São Paulo. 162/189. Adiante (p. na forma prevista no art. por fim. sem conciliação.0063 de . I . o mesmo autor ensina que “sempre. Devidamente intimado (f. 196/197) foram ouvidas duas testemunhas apresentadas pelos réus. DECIDO. ele estará. A aferição da legitimidade para figurar no polo passivo e/ou ativo do processo não envolve a análise da veracidade da relação jurídica material alegada na peça exordial. 195). “a legitimidade para a causa consiste na individualização daquele a quem pertence o interesse de agir e daquele perante o qual se formula a pretensão” (TEIXEIRA FILHO. que o réu estiver vinculado a uma situação jurídica proveniente das alegações formuladas pelo autor. esse Juízo manteve a antecipação da tutela tal como deferida initio litis (f. além de requerer a reforma da antecipação da tutela deferida à f. Segundo escólio de Manoel Antonio Teixeira Filho. Rejeito. Manoel Antonio.2012. conta telefônica e os honorários da psicóloga). 190/194). sendo suficiente atentar para as posições ocupadas pelos litigantes em face do direito substancial articulado. 2009. no mérito.PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO – 3ª REGIÃO VARA DO TRABALHO DE ITUIUTABA . a relação jurídica processual com a relação jurídica material. legitimado para a causa. §2º. p. de natureza pública (porque dirigida em face do Estado-Juiz) e independe do direito material deduzido em juízo. a instrução processual foi encerrada. PRELIMINARES Ilegitimidade passiva do segundo reclamado O segundo reclamado entende que é parte ilegítima para figurar no polo passivo ao fundamento de que o Município é o responsável pela seleção dos adolescentes e também pelo custeio de despesas ligadas ao projeto (aluguel do prédio. a improcedência dos pedidos.

também na exordial. rejeito. a prática de atos atentatórios aos direitos dos menores. Enquanto preliminar. MÉRITO Obrigações de não fazer Postula o autor a condenação dos réus nas seguintes obrigações: 1) Abstenham-se de submeter. à vista do que se afirmou na peça inicial e independentemente de sua efetiva ocorrência. o que justifica a legitimidade de ambos para figurar no polo passivo. 769 da CLT. especialmente em atividades de controle de estacionamento na . Inépcia da inicial O segundo defendente entende que a peça inicial é inepta porque não atende aos requisitos exigidos pelo art. discute-se o trabalho de menores no “Projeto Zona Azul”. direta ou indiretamente por empresas conveniadas. ou seja. A peça inicial é clara. crianças e adolescentes com idade inferior a 16 (dezesseis) anos de idade a trabalho. I. Questões ligadas à responsabilização dos reclamados e/ou provas dos fatos alegados demandam análise de mérito. comprovando previamente perante o Ministério Público do Trabalho e ao Ministério do Trabalho e Emprego a regularidade da condição de todos os aprendizes. do CPC e art. 840 da CLT e foram observados pelo autor. Rejeito. Carência de ação A preliminar em referência é eriçada com duplo fundamento: o autor não teria informado na inicial “qual a responsabilidade” do segundo reclamado e porque não estaria provada. o que já seria suficiente para a rejeição da preliminar. in statu assertionis. que é realizado em regime de parceria entre os reclamados. não podendo ser objeto de investigação em sede preliminar. 2) Abstenham-se de utilizar do trabalho de menores de 18 (dezoito) anos e maiores de 16 (dezesseis) anos em atividades que impliquem permanência nas vias e logradouros públicos. 295.MG No caso em análise. Os requisitos da petição inicial trabalhista encontram-se elencados no art. salvo na condição de aprendiz a partir dos 14 (catorze) anos. Destaco que o exame da presença ou não das denominadas condições ocorre no plano abstrato. contendo de forma pormenorizada os fundamentos jurídicos e os correspondentes pedidos. Permitiu a produção de defesa útil pelos reclamados.PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO – 3ª REGIÃO VARA DO TRABALHO DE ITUIUTABA .

à convivência familiar e comunitária).2012. Tal dispositivo. As alegadas “atividades diferenciadas” (palestras voltadas para a área social e profissional.90/91). sem que tenham sido efetivamente implementadas. passam a ter mais vivência social. Contudo. diretamente. em vias públicas. dispôs no §3º que a proteção especial abrange. à liberdade.05. insalubres ou penosas. sem exclusão de outras que impliquem na permanência nas vias e logradouros públicos. oportunidades de estudos e de empregos” (f. Prevê o Estatuto da Criança e do Adolescente. ao final do seu expediente de trabalho. do trabalho de menores de 18 (dezoito) anos e maiores de 16(dezesseis) anos em atividades proibidas pela legislação vigente. pela prova produzida nos autos.2999.Vara do Trabalho de Ituiutaba MG Página 5 21 . à alimentação. a observância à idade mínima para o trabalho. procedendo a venda do mesmo. 35/40). à saúde.MG área azul. instituiu o “Projeto Zona Azul” em novembro de 1999 (f. 1º. o “Projeto de Reformulação da Zona Azul pretende revitalizar as ações no sentido de ter maior controle nos estacionamentos rotativos. conforme previsto no inciso I. pelos menores ocorre. no seu art. figuram apenas como atrativos para o Programa. perigosas. A norma constitucional incorporou a doutrina da proteção integral do menor (art. 03369-81. organização de visitas à empresas para direcioná-los à área profissional” – f. O trabalho desenvolvido incontroversamente. por meio do qual são selecionados adolescentes entre 16 e 18 anos para executar as atividades constantes do art. II – Abordar o condutor que não apresentar cartão de estacionamento. capítulo II do Regimento Interno do Projeto Zona Azul (f. ao enumerar os direitos assegurados à criança e ao adolescente (direito à vida. Segundo o Plano de Ação do CONSEPI (f. 41/42). maior compreensão por parte dos motoristas da importância educativa dos menores de 15 a 18 anos. 3) Abstenham-se de utilizar. III – Fazer o acerto das vendas de cartões realizadas. 22 e seguintes: I – Fiscalizar o uso correto da área de estacionamento rotativo. 2º: Proc.503. ou indiretamente por empresas conveniadas. O Município de Ituiutaba. 227). criou o estacionamento rotativo (“Zona Azul) em ruas centrais desta cidade denominado Zona Azul (f. ao que parecem. não foi possível verificar a existência de quaisquer procedimentos voltados para conscientização dos motoristas sobre a “importância educativa nos menores” ou outras ações voltadas para incremento dos estudos ou acessibilidade dos menores ao mercado de trabalho após a saída do Projeto. 37).0063 de .PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO – 3ª REGIÃO VARA DO TRABALHO DE ITUIUTABA . que sejam respeitados num serviço educativo que após deixarem a Zona Azul. Para implementação de referida Lei. de 26.336/1999. 90). pela Lei 3.

Não é possível vislumbrar no Projeto Zona Azul qualquer “capacitação para o exercício de atividade regular remunerada” ou que as . Art.capacitação profissional adequada ao mercado de trabalho. estabelece o Estatuto da Criança e do Adolescente as seguintes condições: Art. deverá assegurar ao adolescente que dele participe condições de capacitação para o exercício de atividade regular remunerada. O programa social que tenha por base o trabalho educativo. a pessoa até doze anos de idade incompletos. e adolescente aquela entre doze e dezoito anos de idade. 2º Considera-se criança.respeito à condição peculiar de pessoa em desenvolvimento. Art. observados os seguintes aspectos. 62. § 1º. 60 e seguintes). 68.” Para a segunda hipótese de trabalho lícito do menor. a norma estabelece: Art.MG Art. entre outros: I . No tocante ao menor aprendiz. Entende-se por trabalho educativo a atividade laboral em que as exigências pedagógicas relativas ao desenvolvimento pessoal e social do educando prevalecem sobre o aspecto produtivo. 60.PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO – 3ª REGIÃO VARA DO TRABALHO DE ITUIUTABA . O trabalho prestado pelos menores no Projeto Zona Azul não se enquadra nos ditames supra. A remuneração que o adolescente recebe pelo trabalho efetuado ou a participação na venda dos produtos de seu trabalho não desfigura o caráter educativo. O adolescente tem direito à profissionalização e à proteção no trabalho. salvo na condição de aprendiz. sob responsabilidade de entidade governamental ou não-governamental sem fins lucrativos. É proibido qualquer trabalho a menores de quatorze anos de idade. II . seja porque contam com idade superior a 14 anos. 69. Distintas as duas situações. ou porque não lhes é destinada “formação técnico-profissional ministrada segundo as diretrizes e bases da legislação de educação em vigor. Considera-se aprendizagem a formação técnico-profissional ministrada segundo as diretrizes e bases da legislação de educação em vigor. § 2º. O Estatuto admite duas hipóteses de trabalho lícito do menor: a) na condição de menor aprendiz (art. b) como menor educando. para os efeitos desta Lei.

regulamentou os artigos 3º. avós ou irmãos e se dessa ocupação não poderá advir prejuízo à sua formação moral. 405 . assegurar a proibição e eliminação de trabalho infantil. Contudo.597 de 2000 foi promulgada a Convenção 182 e a Recomendação 190 da OIT. que “o termo "criança" designa toda pessoa menor de 18 anos”.481. 03369-81. Não houve comprovação nos autos de que o trabalho dos menores que ingressam no Projeto Zona Azul tenha sido precedido da autorização judicial a que alude o dispositivo supra transcrito. ao qual cabe verificar se a ocupação é indispensável à sua própria subsistência ou à de seus pais. Sob o prisma do Estatuto da Criança e do Adolescente.0063 de . etc.MG “exigências pedagógicas relativas ao desenvolvimento pessoal e social do educando prevalecem sobre o aspecto produtivo”. para efeitos da Convenção. praças e outros logradouros dependerá de prévia autorização do Juiz de Menores. alínea “d”.503. eventual irregularidade na prestação laboral. com urgência. e 4º da Convenção 182.2012. portanto. 1 da Convenção: Todo Membro que ratifique a presente Convenção deverá adotar medidas imediatas e eficazes para assegurar a proibição e eliminação das piores formas de trabalho infantil.PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO – 3ª REGIÃO VARA DO TRABALHO DE ITUIUTABA . por meio do Decreto 6. de 2008. levando a crer que apenas constam do Programa formalmente. Analisando sob a ótica da Consolidação das Leis do Trabalho. Como se verifica.O trabalho exercido nas ruas. atendimentos especializados. Poder-se-ia argumentar no sentido de que doravante seria buscada junto ao Juízo Competente a autorização para o trabalho dos menores. sanando. que versam sobre a Proibição das Piores Formas de Trabalho Infantil e a Ação Imediata para sua Eliminação. a autorização contida no art. o Brasil assumiu perante a comunidade internacional o compromisso de imediata e eficazmente. E dando continuidade ao intento. Por meio do Decreto 3. Muitas das atividades relacionadas no Regimento Interno (exemplos: reuniões sócio-educativas. não há como chancelar o Projeto Zona Azul.Vara do Trabalho de Ituiutaba MG Página 7 21 . conforme se verá abaixo): Art. assim. 2 estabelece. tampouco. 405 da CLT não tem o condão de tornar lícito o trabalho dos menores. Preconiza o art. em caráter de urgência. O art.Ao menor não será permitido o trabalho: § 2º . entendo que após a promulgação da Convenção 182 da OIT. Diz o art. preconizando ser proibido o trabalho do Proc.) não foram objeto de demonstração em Juízo. 405 da CLT (de questionável vigência.

é comum o cidadão estacionar seu veículo no centro e da deixá-lo até o final do dirá. ou seja. chuva e frio. a partir da idade de dezesseis anos. Vejam-se relevantes informações contidas na defesa do primeiro reclamado (f. chuva e frio. hipertemia. 131): Em cidades onde não há zona azul. Consta da lista que acompanha o Decreto 6. queimaduras na pele. começam também os conflitos. autorizado pelo Ministério do Trabalho e Emprego. desidratação. câncer de pele. atropelamento. No caso dos autos. dentre as piores formas de trabalho infantil. Ainda que se colha da prova oral que os menores são recolhidos para ambiente fechado durante as chuvas. No parágrafo primeiro do art. desde que fiquem plenamente garantidas a saúde. traumatismos. à violência.MG “menor de 18 anos nas atividades descritas na Lista TIP”. em tese. guardas mirins. transporte de pessoas ou animais. pois todos se acham no direito de . que ateste a não exposição a riscos que possam comprometer a saúde.PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO – 3ª REGIÃO VARA DO TRABALHO DE ITUIUTABA . e II .481/2008. O trabalho dos menores que integram o Projeto Zona Azul. depositado na unidade descentralizada do Ministério do Trabalho e Emprego da circunscrição onde ocorrerem as referidas atividades. guardador de carros. não foram cumpridos os requisitos exigidos para elidir a proibição. exposição à radiação solar.na hipótese de ser o emprego ou trabalho. é desenvolvido nas ruas/logradouros públicos e os expõem. exposição à radiação solar. a segurança e a moral dos adolescentes. acidentes de trânsito. drogas. gravidez indesejada.na hipótese de aceitação de parecer técnico circunstanciado. envelhecimento precoce.m. atropelamento. s. Exposição à violência. assinado por profissional legalmente habilitado em segurança e saúde no trabalho.j. assédio sexual e tráfico de pessoas. 1º estabeleceu: § 1o A proibição prevista no caput poderá ser elidida: I . Ferimentos e comprometimento do desenvolvimento afetivo. atividade sexual precoce. Em ruas e outros logradouros públicos (comércio ambulante. se amolda à situação acima descrita. guias turísticos. o labor: 73. acidentes de trânsito. doenças respiratórias. após consulta às organizações de empregadores e de trabalhadores interessadas. entre outros). salvo nas hipóteses previstas no mesmo decreto. assédio sexual e tráfico de pessoas. a segurança e a moral dos adolescentes. não ficam a salvo das demais situações descritas na lista TIP. doenças sexualmente transmissíveis. porém à medida em que a cidade vai crescendo e começam a faltar vagas. dependência química. ferimentos. drogas..

Direito do Trabalho no pós moderno. Os convênios do FAT com sindicatos terminaram em escândalos. é preciso analisar a questão também sob outro ângulo. Antônio Álvares da Silva 1 retrata bem a inquietude que toma aos que se deparam com a situação mencionada: E aqui se repete a nova contradição que assola o mundo capitalista.Vara do Trabalho de Ituiutaba MG Página Proc. externos. fato que na maioria das vezes abalam bons relacionamentos de comerciantes e moradores vizinhos. com base nas informações supra. numa época 1 SILVA. o problema continua o mesmo: o trabalho da criança para o sustento da família é a regra.2012. Substitui a educação pelo emprego.MG estacionar aqui ou ali. Não sei de resultados concretos e visíveis. que os menores laboram em meio a situações de conflito entre motoristas. situações nas quais se enquadra o labor prestado pelos menores no Projeto Zona Azul: 72 Em serviços . que impliquem em manuseio e porte de valores que coloquem em risco a sua segurança (Office-boys. contínuos) Acidentes trânsito exposição violência de Traumatismos.PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO – 3ª REGIÃO VARA DO TRABALHO DE ITUIUTABA .0063 de 9 21 . (.503. Contudo.. Embora a defesa faça referência às cidades onde não existe estacionamento regulamentado. ferimentos. mensageiros. 03369-81. Pode-se afirmar. qual seja. o menor trabalha ou é levado a trabalhar pelos pais.) No Brasil.. Para livrar-se da privação. portanto. não é possível desprezar o aspecto social da questão em debate: normas legais X realidade de jovens carentes e em situação de vulnerabilidade. . a situação narrada amolda-se a qualquer cidade onde haja dificuldades para estacionamento. E isto lhe causa profunda perda pois. 2010. Os contratos de aprendizagem são exceções. comerciantes e moradores. Editora RTM. na mesma lista mencionada. sob o prisma legal não é possível referendar o trabalho dos menores no Projeto Zona Azul. Antônio Álvares da. E continua: A pobreza é uma contingência. com ou sem Zona Azul. e ansiedade e estresse à Como se viu. o trabalho dos menores em serviços externos que envolvam manuseio e porte de valores. Todos esses fatores levam a opostos insanáveis. mas prejudica sua própria sobrevivência pela ausência da instrução e de trabalho metódico. Insere-se. O menor tem que trabalhar para sobreviver. a eles expostos.

têm um considerável peso na incidência do trabalho infantil. É justamente para evitar a reprodução de comportamentos sabidamente danosos para a sociedade que são criadas as leis: As leis – e. o que é pior ainda) trabalhos manuais de baixa significação e precária remuneração. O trabalho precoce – em regra – não qualifica o menor. acesso em 28/02/12. o menino-homem. Andrea Saint Pastous Nocchi. indispensável ao lucro. numa situação e pobreza em massa. 4 “Os níveis elevados de trabalho infantil podem se auto alimentar. é de que os menores. precisa ser modificada e o é. O valor econômico atribuído aos filhos contribui para que os níveis de natalidade se . 3 . acaso não ocupados com um ofício.pdf. FAVA. serão arregimentados pelo crime ou algo parecido. A garantia de sobrevivência familiar cabe aos adultos. in http://www.br/uploaded_files/artigo%20-%20trabalho%20infantil%20%20%20manifesta%C3%A7%C3%A3o%20amatra%203. SOBRINHO. 39.PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO – 3ª REGIÃO VARA DO TRABALHO DE ITUIUTABA . Trabalho do adolescente e tutela do Ministério Público do Trabalho: proteção indispensável contra uma chaga social indecente. para conseguir trabalho que efetivamente lhe promova como cidadão4. 2010. Isso. Marcos Neves.MG em que o conhecimento é o principal meio de acesso ao trabalho digno. o trabalho infantil faz parte da estratégia de sobrevivência das famílias pobres. quando adulto. Não teríamos caixas de previdência. Como destaca Zéu Palmeira Sobrinho3. ato de desrespeito aos sacrossantos contratos. o menino exemplar. menos um marginal e mais um cidadão etc. p. Por exemplo. 2 . usado e sugado até o fim. por meio das leis. convencendo ainda mais as famílias que os seus filhos devem trabalhar ao invés de ir à escola. competindo ao Poder Público adotar políticas eficazes para corrigir distorções do mercado. Trabalho. que era crime. Não teríamos liberdade sindical. a realidade que a sociedade enxerga pelas janelas e não a agrada. Adolescente. antes. Marcos Neves Fava.” O argumento. é falacioso. Especialmente no plano dos direitos fundamentais. Zéu Palmeira. quando 16 horas constituíam um limite razoável para o labor diário. por sua vez. o menino trabalhador e sinônimo de: ‘homem do amanhã’. Gabriel Napoleão Velloso. mas para mudá-lo. porque o mercado cuidava – e cuida – de reduzir todos os custos ao mínimo insuficiente aos outros.com. Ficará deficiente na sua formação e carregará pela vida o pesado ônus do meio emprego.2 O argumento. sempre utilizado pelos que defendem a possibilidade de trabalho infantil. ao meu juízo. “no imaginário e na cultura populares. manteríamos até hoje as indecentes jornadas de trabalho do século XVII.amatra3. Se não fosse assim. Não teríamos salário mínimo. reduz os salários. porque o homem descartável. nem greve. não deve (pode) representar mais gastos para a sociedade. a troca do estudo pelo trabalho obriga-a a aprender (empiricamente. que integram a tradição inventada na esfera da cultura. organizadores – São Paulo: LTr. Esses estigmas. a Constituição – não são feitas para manter o mundo. O Trabalho Infantil: um balanço em transição na obra coletiva Criança. apenas contribui para a evasão escolar e retira-lhe a possibilidade de obter formação educacional e profissional que de fato lhe qualifique.

O trabalho antes da idade mínima legal constitui fator de agravamento da pobreza e inviabiliza a adequada inserção social do cidadão portador de aptidões próprias. trabalhar ou ficar esmolando nas ruas. organizadores – São Paulo: LTr.MG Alertam Viviane Colucci e Roberto Basilone Leite 5 que “a grave conjuntura econômica que assola famílias desamparadas não justifica o apartheid social que condena o filho dos menos favorecidos a uma situação de permanente exclusão. será um subempregado. Não se trata de discutir e comparar. ( O fim do trabalho infantil:Um objetivo ao nosso alcance . 03369-81. é cada vez mais provável que. numa sociedade em que o trabalho infantil é a norma. Numa sociedade marcada por um equilíbrio elevado de trabalho infantil. netos.PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO – 3ª REGIÃO VARA DO TRABALHO DE ITUIUTABA . em regra. Andrea Saint Pastous Nocchi. de que “crianças que trabalham saem de lares em que isso.Relatório Global no quadro do Seguimento da Declaração da OIT sobre os Princípios e Direitos Fundamentais no Trabalho. na obra coletiva Criança. devendo ser consideradas tais circunstâncias quando se analisa a questão. 5 Trabalho na Infância e na Adolescência: a autorização judicial em face da Constituição. Mas também não se pode fechar os olhos para a advertência feita por Marcos Fava. 34). senão por falta de opção.2012. 2006. trabalhar ou roubar. mantenham elevados. p.Vara do Trabalho de Ituiutaba MG Página 11 21 . Quem não tem opção. 129. 2010.. Nenhum pai põe seu pequeno para labutar. ou colher ‘a opinião dos pais’ consolidam pressupostos já lançados nas páginas amarelas da história”. bisnetos no mesmo ciclo de trabalho infantil. qual seja. Do mesmo modo. trabalhar e não trabalhar. Gabriel Napoleão Velloso..” Não se pode discutir a questão do trabalho em moldes comparativos. Finalmente. se é melhor para a criança trabalhar ou traficar. No particular. faço minhas as lúcidas colocações de Marcos Neves Fava (no artigo já mencionado): Penso ser um equívoco discutir sobre trabalho infantil com argumentos comparativos entre trabalho lícito e a perdição das crianças nas ruas. por contingência da acentuada e desequilibrada distribuição de renda no Brasil.0063 de . é urgente e necessário. O trabalho infantil em massa serve ainda como desestímulo aos empregadores para investir em novas tecnologias.503. Trabalho. por sua vez. o que leva também a uma elevada oferta de mão-de-obra. Marcos Neves Fava. p. Proc. Sabe-se que quem começa a trabalhar na infância. o fazem imbuídos dos melhores propósitos. não pode optar. Deve-se mirar em outro rumo. terá filhos. ponham seus filhos para trabalhar em vez de mandá-los à escola. Daí que falar em atender ‘o interesse dos pais’. Adolescente. Além disso. as famílias e toda a sociedade podem ser apanhadas num círculo vicioso de pobreza”. A ninguém é dado duvidar de que os pais desejam o melhor para seus filhos e que quando incentivam o trabalho. adiando a implantação do projeto de uma sociedade livre.. a procura pela educação é baixa e será difícil aplicar leis sobre a idade mínima e o ensino obrigatório. à medida que as crianças trabalhadoras chegam à idade adulta. justa e solidária. não é possível acolher o argumento de que o trabalho dos menores é autorizado e incentivado pelos pais (como parece ocorrer no caso em análise). em atividades precarizantes. como se costuma fazer. perdão da obviedade. E a única opção possível é “não trabalhar”.

p. . sendo afastados do convívio social com pessoas de sua idade 6. em sua fase da vida. discriminando-a. 2010. “O trabalho tem de ser considerado um fator positivo no caso de crianças que. Xisto Tiago de Medeiros Neto (artigo mencionado. . Xisto Tiago. O MITO. na obra coletiva Criança. dada a sua situação econômica e social. ela massacra a criança trabalhadora. além de fechar os olhos para a realidade cientificamente comprovada dos malefícios do trabalho na vida da criança.MG Várias são as dimensões do desenvolvimento dos menores atingidas pelo trabalho precoce. comportamento e convivência com o mundo adulto. “A causa da incorporação de crianças pelo mercado de trabalho é a precarização das relações de trabalho. As longas jornadas de trabalho. vítima indefesa de toda sorte de explorações. a rotina e a repetição. O trabalho é formativo. as ferramentas.PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO – 3ª REGIÃO VARA DO TRABALHO DE ITUIUTABA . ao longo de suas vidas. dificuldades para estabelecer vínculos afetivos em razão das condições de exploração a que estiveram expostas e dos maus-tratos que receberam de patrões e empregadores. Se a precarização das relações de trabalho atinge de modo nefasto o trabalhador adulto. os utensílios e o próprio maquinário inadequado à idade resultam em sérios problemas de saúde e elevação dos índices de mortalidade. Tal pensamento ignora os direitos fundamentais da criança. p. deformidades físicas e doenças. em transcrição literal: . se veem obrigados a realizar trabalhos que requerem maturidade. com base em estudo feito pela Procuradora do Trabalho Jane Araújo dos Santos Vilani.afeta o desenvolvimento físico. vivem em condições de pobreza e risco social”. pois as crianças e adolescentes. antes mesmo de atingir a idade adulta.prejudica o desenvolvimento social. Trabalho Infantil e Fundamentos para a Proteção Jurídica da Criança e do Adolescente. Marcos Neves Fava. O MITO. Muitos são os mitos criados em torno do trabalho infantil. verbis: 1. incentivo à 6 MEDEIROS NETO.compromete o desenvolvimento emocional. A VERDADE: O trabalho precoce é deformador da infância. Andrea Saint Pastous Nocchi. uma vez que os expõe a riscos de lesões. Adolescente. na medida em que as crianças submetidas ao trabalho precoce podem apresentar. Veja-se. Implica. também. enumerou e argumentou de forma a desconstituir vários dele. é uma escola de vida que torna o homem mais digno”. 2. 258. 268/270). teoricamente apto à defesa de seus direitos. e . Gabriel Napoleão Velloso. muitas vezes superiores às possibilidades de defesa de seus corpos. A VERDADE. organizadores – São Paulo: LTr. Trabalho.

5. cansativo e prejudicial. resultados de estudos recentes do Banco Mundial no Brasil mostram que a entrada precoce no mercado de trabalho reduz os ganhos ao longo da vida em cerca de 13 a 20 por cento. O MITO. Demonstra-se. A VERDADE.Vara do Trabalho de Ituiutaba MG Página 13 21 . O MITO. tempo de brincar e aprender. e da doutrina ultrapassada da situação irregular. Era esse o fundamento do vetusto Código de menores de 1927. 7. Proc. perpetuação da pobreza da família e das suas gerações futuras7. A VERDADE. 6.2012. que concebe a criança como sujeito de direitos. Tanto o abandono da rua. alvo de proteção obrigatória. O trabalho precoce deforma e subtrai da criança uma fase essencial da vida. contribui para a perpetuação da pobreza. A infância é tempo de formação física e psicológica.MG 3. Quando a família se torna incapaz de prover seu próprio sustento. “Trabalhar educa o caráter da criança. A visão da realidade global – e não de raríssimos casos isolados – é de que o trabalho precoce é árduo. a exploração da criança no trabalho traduz prejuízos irreversíveis e uma condenação injusta. “É melhor a criança trabalhar do que ficar na rua. Hoje existe um novo paradigma constitucional.Relatório Global no quadro do Seguimento da Declaração da OIT sobre os Princípios e Direitos Fundamentais no Trabalho. é um valor ético e moral. “Criança desocupada na rua é sinônimo de perigo. Além disso. O MITO. cabe ao Estado apoiá-la e assisti-la. com sequelas irreversíveis. “Criança que trabalha fica mais esperta. O MITO. Crianças e adolescentes que trabalham em condições desfavoráveis pagam com o próprio corpo e comprometem o desenvolvimento psíquico.PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO – 3ª REGIÃO VARA DO TRABALHO DE ITUIUTABA . “O trabalho infantil. aproveitar o tempo com algo útil. Por exemplo. aumentando significativamente a probabilidade de ser mais pobre no futuro”. não constituindo estágio 7 . não à criança. É melhor ganhar uns trocados. exposta ao crime e aos maus-costumes”. por sua vez. aprende a lutar pela vida e tem condição de vencer profissionalmente quando adulta”. (O fim do trabalho infantil:Um objetivo ao nosso alcance . 38). e o valor recebido pelas crianças que são remuneradas.0063 de . A VERDADE. sintoma de problema”. que mais de 50% das crianças nada recebem pelo trabalho realizado. 2006. O direito de aproveitar a infância é irrenunciável e inalienável. 4. 03369-81. estatisticamente. da família e da sociedade. A VERDADE. representa. O trabalho infantil sempre se realiza em ambientes e situações nocivas à sua saúde e segurança. impede a frequência escolar e prejudica a formação da criança. cerca de 10% da renda familiar. de algo perdido. pois o trabalho é bom por natureza”. A VERDADE. O MITO.503. ajudando-a a sobreviver”. especial e prioritária da atuação do Estado. em regra. “É bom a criança ajudar na economia da família. p.

independentemente do empenho das pessoas envolvidas no Projeto. dos lixões. das plantações e das carvoarias. na verdade. desonesta e desordeira”. Conquanto possa existir (e aparentemente existe) o envolvimento de pessoas realmente comprometidas com o bem-estar dos menores que integram o Projeto Zona Azul. pois as atividades que desenvolve nos locais de trabalho. A VERDADE. não possibilitam aprendizagem e não são. Mas ao trabalharem em tenra idade – notadamente em vias públicas – os menores a elas se expõem. como mecanismo de promoção social. aprendendo um ofício. razão de ser da proibição legal. pois não qualifica e é inútil. das olarias. A criança perde a chance e o direito de estudar. quando não têm onde deixálos”. O desafio de todos. Não se afirma aqui que no caso em apreço se façam efetivamente presentes todas as situações acima analisadas. seriedade e coragem. o fato de estarem as crianças/adolescentes albergados em programa oficial não os coloca a salvo dos riscos existentes nas ruas. as jornadas são extenuantes. a própria violência no trânsito. transformando a realidade das crianças e dos adolescentes. no sentido de evitá-las ou minorá-las. “O Estatuto da Criança e do Adolescente é uma utopia e está dissociado da realidade brasileira: é preciso adaptá-lo às reais condições sociais e econômicas do país”.O MITO. O trabalho infantil gera absenteísmo escolar e rouba da criança o tempo e a disposição de estudar. a exemplo das feiras. O MITO. é natural que os pais levem seus filhos para o trabalho. a participação em crimes. desde insultos até agressões físicas e sexual.MG necessário para uma vida bem-sucedida. 9. de profissionalizar-se quando adulta e ingressar no mercado de trabalho. 8. “É natural que as crianças trabalhem com os pais. Isto porque. além da circunstância de atraírem para si condutas . A criança que trabalha também sofre uma série de injustiças: é mal remunerada. e principalmente do Estado brasileiro. A VERDADE. aprendendo um ofício. A criança não está. A exposição do menor é inquestionável. A questão do trabalho infantil insere-se na órbita da exigência de respeito aos direitos humanos fundamentais. é tornar efetivas as garantias previstas no ECA. o ambiente é prejudicial e sujeita-se a constantes abusos. sequer remuneradas. A VERDADE. Disciplina e outros valores se aprende junto à família e à escola. 10.PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO – 3ª REGIÃO VARA DO TRABALHO DE ITUIUTABA . a que vive em vadiagem se torna preguiçosa. com qualificação superior à dos seus pais. tal circunstância não é suficiente para permitir que os menores continuem nas ruas. como a violência sexual. por consequência. “Criança trabalhadora é sinônimo de disciplina. na maioria das vezes. O MITO.

perigosas. direta ou indiretamente por empresas conveniadas.0063 de . c) Abstenham-se de utilizar. apenas.00 (cinco mil reais) por criança e/ou adolescente encontrado laborando em desacordo com os itens acima e por obrigação descumprida – valor a ser revertido para instituição local que desenvolva trabalho voltado para a infância e adolescência. comprovando previamente perante o Ministério Público do Trabalho e ao Ministério do Trabalho e Emprego a regularidade da condição de todos os aprendizes. Mas.MG antissociais de adultos – como. Não houve impugnação específica da pretensão. dentre outros.000. sem exclusão de outras que impliquem na permanência nas vias e logradouros públicos. Sendo assim. acolho os pedidos iniciais.2012. por serem as únicas detentoras de direitos da personalidade. b) Abstenham-se de utilizar do trabalho de menores de 18 (dezoito) anos e maiores de 16 (dezesseis) anos em atividades que impliquem permanência nas vias e logradouros públicos. para determinar aos reclamados que: a) Abstenham-se de submeter. diretamente. que a concebe apenas para as pessoas físicas. Fica estabelecida multa de R$5. Confirmo a liminar concedida. crianças e adolescentes com idade inferior a 16 (dezesseis) anos de idade a trabalho. a expressão dano moral está atrelada a uma concepção individualista dos conflitos sociais. imagem. Parquet que as condutas dos requeridos produziram dano moral coletivo que deve ser reparado pecuniariamente. a ser escolhida em eventual liquidação de sentença (cabendo ao Ministério Público do Trabalho fazer acompanhamento da destinação do numerário). tais como honra. ficam mantidos integralmente os termos da liminar concedida. sob qualquer prisma em que se analise a questão posta em Juízo. por qualquer dos defendentes. especialmente em atividades de controle de estacionamento na área azul. 122. na realidade. Em regra. itens 1. aliás.Vara do Trabalho de Ituiutaba MG Página 15 21 . ou indiretamente por empresas conveniadas. insalubres ou penosas. 03369-81. Para que não haja dúvidas. Portanto. 2 e 3 de f. sói acontecer muitas vezes com motoristas nervosos. salvo na condição de aprendiz a partir dos 14 (catorze) anos. Indenização por danos morais coletivos Entende o i.PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO – 3ª REGIÃO VARA DO TRABALHO DE ITUIUTABA . intimidade. do trabalho de menores de 18 (dezoito) anos e maiores de 16(dezesseis) anos em atividades proibidas pela legislação vigente.503. não há como referendar o trabalho dos menores no Projeto. exceto no tocante à possibilidade de trabalho. que fica mantida. quando autorizado pelo Juiz de Menores. sua abrangência é Proc.

6. já dispunha a lei sobre interesse coletivo a ser protegido. reparado. podendo se afirmar que nos últimos estariam contidos os danos morais. 4º. com a lei da Ação Popular (n. nela conceituado como sendo patrimônio público a ser necessariamente assegurado e protegido. ‘coletivos’ e ‘fragmentados’. 2º.717/65). naquela época já sem vigor. §1º). Preconizou a lei mencionada condenação em perdas e danos. É necessário despir dos preconceitos para admitir que qualquer abalo no patrimônio moral de uma coletividade também merece ser reparado. pois aquela foi estabelecida como meio para defesa. Também é inquestionável a possibilidade de se falar em reparação de danos morais ocorridos em face de entes diversos das pessoas físicas. Na mesma década foi promulgada a Constituição cidadã. até mesmo porque o seu título II do capítulo I trata dos direitos e garantias fundamentais. IX e art. podia-se vislumbrar um instrumento legal para tutela do dano moral coletivo. No início da década de 80 veio à lume a Lei n. abordando a política nacional do meio ambiente.. julgo conveniente transcrever o parágrafo único do art. Afinal. Atualmente também se admite com tranquilidade a extensão do instituto do dano moral aos chamados direitos difusos e coletivos. erguendo-se à altura dessas novas e prementes aspirações. tendo em vista o uso coletivo (art. 9º. que como se sabe é um atributo apenas das pessoas físicas. também. doutrinária ou jurisprudencial – quanto à reparabilidade dos danos morais.884/94 (Lei Antitruste). 14. abdicando de mencionar diversos outros diplomas legais que estabelecem dispositivos permitindo enxergar a possibilidade de reparação de danos morais coletivos. sobre a possibilidade de reparação dos danos morais. 8 CAPPELLETTI.8 Análise despida de preconceitos permite visualizar na legislação nacional vários dispositivos que apontam para a reparabilidade dos danos morais coletivos. podendo ser utilizada sempre que se pretenda fazer contraposição ao dano patrimonial econômico. do patrimônio público – que por natureza se caracteriza como interesse difuso. art. diante da necessidade social da justiça célere e eficaz. Para a aceitação do dano moral coletivo mister a ampliação do seu conceito. além dos tradicionais direitos individuais”. “para que o Poder Judiciário se justifique. com previsões acerca de direitos e deveres individuais e coletivos. portanto. tornar-se eles mesmos protetores dos novos direitos ‘difusos’. Porto Alegre: Sérgio Fabris. da Lei n. E por último. e. Mauro. Embora o texto constitucional não faça referência textual ao dano moral coletivo. encerrando a batalha doutrinária. 1993. é imprescindível que os próprios juízes sejam capazes de ‘crescer’.938/81. dada a sua clareza sobre a questão aqui estudada: Art. I). VI e VII.. abandonando a ideia de que o mesmo seria um equivalente da dor psíquica. portanto. p. 59 .MG maior. 1º. .PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO – 3ª REGIÃO VARA DO TRABALHO DE ITUIUTABA . Hoje em dia nenhuma resistência há – legal. em caso de dano (ver art. que saibam. tão característicos e importantes da nossa civilização de massa. Já em 1965. como dito por Mauro Capelleti. 4. 8. Juízes Legisladores? Tradução de Carlos Alberto Álvaro de Oliveira. tal fato não redunda na impossibilidade da reparação dos danos praticados em desfavor da coletividade. Desde aquela época. portanto.

causando-lhes sentimento de repúdio. 2º). 123. Análise.2012. in Temas Polêmicos de Direito e Processo do Trabalho. O Código de Defesa do Consumidor (ver parágrafo único do art.MG Parágrafo único. Mais grave se afiguram as condutas porque perpetradas por órgão público (primeiro reclamado) e organização de caráter assistencial (segundo reclamado). a súmula 227 do STJ. p. é suficiente para demonstrar que nossos julgadores têm admitido a reparação de danos morais perpetrados em desfavor de entes distintos das pessoas físicas. deve ser considerada como um terceiro gênero a ser protegido. desagrado. Também o art. insatisfação. classe ou comunidade de pessoas ou até mesmo de toda a sociedade. seja por imperativo legal (Município) ou 9 TEIXEIRA. ao lado das pessoas físicas e jurídicas. entidades que devem zelar pelo bem estar dos menores. Pode-se concluir. LTr.PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO – 3ª REGIÃO VARA DO TRABALHO DE ITUIUTABA . 03369-81. e assim tutelados juridicamente. a Lei da Ação Civil Pública e o Estatuto da Cidade – dentre outros – são diplomas legais que servem para demonstrar o cabimento de indenizações morais à coletividade. Proc. São Paulo. com possibilidade de falar-se em danos morais quando aquelas têm algum título extrajudicial indevidamente protestado. O dispositivo acima atribuiu à coletividade a condição de titular de bens ou interesses jurídicos. em razão de agressões praticadas contra os interesses difusos e coletivos. notadamente quando vislumbramos a importância dispensada pelo legislador pátrio. inclusive. preconizando que a pessoa jurídica pode sofrer dano moral. cuja ofensa atinge a esfera moral de determinado grupo. Dano moral coletivo na relação de emprego . vergonha. angústia ou outro sentimento psico-físico. Neste sentido. quando ao tratar do patrimônio cultural brasileiro de bens materiais e imateriais faz referência aos grupos formadores da sociedade brasileira. ainda que perfunctória. A coletividade é titular dos bens jurídicos protegidos por esta lei. sejam eles materiais ou morais (o legislador não estabeleceu limitação/restrição. João Carlos. ao sentimento de desapreço e de perda de valores essenciais que afetam negativamente toda uma coletividade. pode-se mencionar a proteção dispensada às pessoas jurídicas. diante da evolução do nosso direito. aos interesses naquela contidos. João Carlos Teixeira9 define o dano moral coletivo em face das relações de emprego como sendo “a injusta lesão a interesses metaindividuais socialmente relevantes para a coletividade (maior ou menor).503. Como exemplo. 216 da CF/88 sinaliza no mesmo sentido. constitucional e infraconstitucional. pois.” A proteção a ser dispensada à coletividade está umbilicalmente ligada à imagem das nossas leis. da jurisprudência. ao desconforto da moral pública. dúvidas não há de que o desrespeito dos requeridos a vários dispositivos legais mencionados nesta decisão caracterizam o dano moral coletivo perseguido pelo requerente.Vara do Trabalho de Ituiutaba MG Página 17 21 . que não há como negar. que em última análise nada mais são do que a coletividade. não cabendo ao intérprete fazê-lo). que a coletividade. No caso dos autos.0063 de .

no particular. dizem respeito à coletividade como um todo. p-. sem se descurar. individualmente. Assim. n. 109. inciso VII do Estatuto do segundo reclamado – f. o objetivo de fazer o ofensor sentir. a extensão do dano. Tais valores têm caráter nitidamente indivisível . destarte. Dano moral coletivo: fundamentos e características. também. independentemente de suas partes. entre outros fatores. 2002. cabendo ao requerente acompanhar a destinação do dinheiro. pois. em bens de alta significação moral e social. pontifica Xisto Tiago de Medeiros Neto 11 o seguinte: Tenha-se presente. considerando o prejuízo ensejado à coletividade. O valor será revertido para entidade local que desenvolva trabalhos em prol de menores. p. E nem se argumente que cada menor poderia buscar. Do dano moral coletivo no atual contexto jurídico brasileiro. o fato de terem sido praticadas por quem incumbia proteger as crianças/adolescentes. que a reparação deve servir de desestímulo para os ofensores. in Revista do Ministério Público do Trabalho. Os valores coletivos. 10 BITTAR. então. . que condicionará a atividade jurisdicional na fixação do quantum. em sua função pedagógico-preventiva. que em cada caso particular. conforme se apurar na fase de liquidação.MG institucional (veja. as conseqüências da conduta danosa. de cada célula.. Como bem esclarece Carlos Alberto Bittar. São Paulo: Revista dos Tribunais. 942 do CCB) ao pagamento de R$20. Trata-se. 12. será a gravidade da conduta e seus efeitos. por ser um conjunto de indivíduos. 1994. 10 “assim como cada indivíduo tem sua carga de valores.000.00 (vinte mil reais) a título de reparação de danos morais coletivos. Deve preponderar. ano XII. a repercussão social. por força da sanção pecuniária.” No que diz respeito ao valor a ser atribuído a título de reparação pelo dano moral coletivo. valores esses que se não confundem com os de cada pessoa. 44/62 11 MEDEIROS NETO. de cada elemento da coletividade. em proporção bastante a atender ao desiderato da reparação. Xisto Tiago de. também a coletividade. da finalidade de compensar a lesão moral em face da coletividade ofendida.PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO – 3ª REGIÃO VARA DO TRABALHO DE ITUIUTABA . exemplarmente. tem uma dimensão ética. 166). desta forma. de valores do corpo. in Revista de Direito do Consumidor. out/dez. condeno os requeridos. considerando a gravidade das condutas reconhecidas nesta decisão. Mas é essencial que se assevere que a citada amplificação desatrela os valores coletivos das pessoas integrantes da comunidade quando individualmente considerados. set. a consideração dos valores atingidos e a repercussão social apreendida.. a situação do lesante. Carlos Alberto. solidariamente (art. reparação por danos morais de que eventualmente tenha sido vítima – o que afastaria a possibilidade de falar-se em danos morais coletivos.

pelos índices juslaboralistas. desenvolvendo o nível de conscientização sobre o mesmo. consequentemente. Ele é ao mesmo tempo o resultado da pobreza e uma forma de perpetuá-la. Uma ação eficiente contra o trabalho infantil requer um amplo leque de políticas. Entretanto. o que impõe um grande desafio em termos do desenvolvimento de políticas e de uma coordenação efetiva entre vários atores. aparentemente a contrariar os interesses dos próprios menores (e suas famílias). É necessário que cada um de nós faça a sua parte. a exploração do trabalho infantil atualmente é um dos problemas mais alarmantes do cenário mundial. Mas esses fatores terão de funcionar em conjunto para se criar um círculo virtuoso12. A eliminação do trabalho infantil só será possível se ela for abordada em diversas frentes: crescimento global da economia. melhoria no mercado de trabalho dos adultos. contados da mesma data. que não devem ser apresentadas ao mundo laboral antes de vivenciarem as experiências necessárias ao seu desenvolvimento físico. mudanças nos padrões culturais (incluindo mudanças nas relações de poder dentro da família contribuindo para a capacitação das mulheres). Fechar os olhos para essa realidade empobrece e destrói o capital humano necessário ao crescimento futuro da economia.. para sua inserção na sociedade como cidadão digno e ciente dos seus direitos. emocional. mudanças tecnológicas. Não podemos ser complacentes com o trabalho infantil.PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO – 3ª REGIÃO VARA DO TRABALHO DE ITUIUTABA . Proc. estatais e não-estatais. psicológico. o combate ao trabalho das crianças e adolescentes. Lembro Mario Quintana: "Se as coisas são inatingíveis. todos eles. É função da sociedade. da publicação da presente sentença até o efetivo pagamento. 03369-81. sobre os fatores determinantes. cognitivo. da família.503. 34. programas e projetos e. oferta de escolas decentes. a ligação com a pobreza e seu potencial para funcionar como um obstáculo e um atraso para o desenvolvimento a longo prazo.Relatório Global no quadro do Seguimento da Declaração da OIT sobre os Princípios e Direitos Fundamentais no Trabalho. bem como instrumentos legais e sua aplicação podem. taxas de natalidade mais baixas. 2006.Vara do Trabalho de Ituiutaba MG Página 19 21 .. ora! Não é 12 O fim do trabalho infantil:Um objetivo ao nosso alcance .2012. a sua natureza e extensão. levar a quedas radicais na incidência de trabalho infantil. É necessário dar continuidade ao compromisso brasileiro de erradicação do trabalho infantil. cultural e social – determinantes para a construção do seu caráter e personalidade. p. e principalmente do Poder Público. Utopia? Quem sabe.0063 de . muitas partes interessadas nos setores público e privado. Considerações finais Esta juíza não desconhece o impacto social da presente decisão. mostrando sua face mais cruel em países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento. sem prejuízo dos juros de mora.MG O valor acima deverá ser corrigido.

em parte. Fica estabelecida multa de R$5.MG motivo para não querê-las. ficam mantidos integralmente os termos da liminar concedida. perigosas. Confirmo a liminar concedida.00 (cinco mil reais) por criança e/ou adolescente encontrado laborando em desacordo com os itens acima e por obrigação descumprida – valor a revertido para instituição local que desenvolva trabalho voltado para a infância e adolescência. Que tristes os caminhos se não fora a mágica presença das estrelas!". sem exclusão de outras que impliquem na permanência nas vias e logradouros públicos. 122. julgo procedentes. na forma da fundamentação. do trabalho de menores de 18 (dezoito) anos e maiores de 16 (dezesseis) anos em atividades proibidas pela legislação vigente. especialmente em atividades de controle de estacionamento na área azul. itens 1. crianças e adolescentes com idade inferior a 16 (dezesseis) anos de idade a trabalho. NOS TERMOS DOS FUNDAMENTOS SUPRA. diretamente. quando autorizado pelo Juiz de Menores. Observem as partes que a decisão adotou tese explícita sobre todas as questões de mérito e relevantes da lide. cabendo ao requerente acompanhar a destinação do dinheiro. salvo na condição de aprendiz a partir dos 14 (catorze) anos. para condenar os reclamados. que fica mantida. conforme se apurar na fase de liquidação.00. Condeno os requeridos. solidariamente. também solidariamente.000.PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO – 3ª REGIÃO VARA DO TRABALHO DE ITUIUTABA . c) Abstenham-se de utilizar. a ser escolhida em eventual liquidação de sentença (cabendo ao Ministério Público do Trabalho fazer acompanhamento da destinação do numerário). b) Abstenham-se de utilizar do trabalho de menores de 18 (dezoito) anos e maiores de 16 (dezesseis) anos em atividades que impliquem permanência nas vias e logradouros públicos. apenas. Correção monetária e juros de mora. insalubres ou penosas. 2 e 3 de f. no valor de R$20. O valor será revertido para entidade local que desenvolva trabalhos em prol de menores. direta ou indiretamente por empresas conveniadas. nas seguintes obrigações: a) Abstenham-se de submeter. ao pagamento de indenização por danos morais coletivos. exceto no tocante à possibilidade de trabalho. Descabem embargos de ..000. os pedidos iniciais. comprovando previamente perante o Ministério Público do Trabalho e ao Ministério do Trabalho e Emprego a regularidade da condição de todos os aprendizes.. ou indiretamente por empresas conveniadas. Para que não haja dúvidas.

inciso V. § 1º do CPC c/c Súmula 393 do TST).2012. O presente feito não se submeterá à remessa ex officio prevista no art. TÂNIA MARA GUIMARÃES PENA Juíza do Trabalho Proc. calculadas sobre R$20. Dra. do Decreto-Lei 779/69. 515. Ana Paula Lourenço de Paula.00. do CPC. Custas.503.Vara do Trabalho de Ituiutaba MG - Página 21 21 . Além disso. no importe de R$400. valor atribuído à condenação. § 2º. por tratar-se de pressuposto processual objetivo dos recursos de natureza extraordinária.0063 de . 03369-81.MG declaração para reapreciação de fatos. 1º. eventual recurso ordinário devolve ao órgão de segunda instância a possibilidade de reapreciar toda a matéria fática e jurídica objeto da controvérsia. ante o disposto no artigo 475.000.00. Enviem cópia integral da presente decisão ao Ministério Público Estadual – Ituiutaba – aos cuidados da 3ª Promotora de Justiça. pelos requeridos. Encerrou-se.PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO – 3ª REGIÃO VARA DO TRABALHO DE ITUIUTABA . Não há que se falar em pré-questionamento em 1ª instância. Cientes as partes. provas e teses jurídicas. em razão da amplitude e profundidade do seu efeito devolutivo (art.