You are on page 1of 42

OBJETIVO

A identificação de perigos tem por objetivo levantar os possíveis eventos indesejáveis que podem levar à materialização de um perigo, para que possam ser definidas as hipóteses e meios de se evitar esses acontecimentos.

PROVIDÊNCIAS INICIAIS
A fim de se ter uma noção do que ocorre no ambiente em que está inserido, cabe ao profissional se interar do que acontece a sua volta. Para isso deve:

a. circular pelo local de trabalho e observar tudo o que possa causar danos; b. consultar os trabalhadores e/ou os seus representantes sobre os problemas que lhes tenham surgido;
c. analisar sistematicamente todos os aspectos do trabalho, isto é, observar o que se passa realmente no local de trabalho; d. analisar as operações não rotineiras e intermitentes; e. ter em atenção acontecimentos não planejados mas previsíveis, como, por exemplo, interrupções das atividade.

PRINCIPAIS MÉTODOS DE IDENTIFICAÇÃO DE PERIGOS Séries Históricas Estudo do ambiente Brainstorm

Dentre diversos outros métodos, a técnica de brainstorming propõe que um grupo de pessoas - de duas até dez pessoas reúnam-se, e utilizem das diferenças em seus pensamentos e idéias para que possam chegar a um denominador comum eficaz e com qualidade, gerando assim idéias inovadoras que levem o projeto adiante.

É preferível que as pessoas que se envolvam nesse método sejam de setores e competências diferentes, pois suas experiências diversas podem colaborar com a "tempestade de idéias" que se forma ao longo do processo de sugestões e discussões. Nenhuma idéia é descartada ou julgada como errada ou absurda.

Todas as idéias são ouvidas e trazidas até o processo de brainwrite, que constitui-se na compilação ou anotação de todas as idéias ocorridas no processo de brainstorming.
No Brainwrite, realiza-se uma reunião com alguns participantes da sessão de brainstorming, evoluindo-se as idéias até a chegada da solução efetiva.

As quatro principais regras do brainstorming são:

Críticas são rejeitadas; Criatividade é bem-vinda; Quantidade é necessária; Combinação e aperfeiçoamento são necessários.

CRÍTICAS SÃO REJEITADAS: Esta é provavelmente a regra mais importante. A não ser que a avaliação seja evitada, o princípio do julgamento não pode operar. A falha do grupo ao cumprir esta regra é a razão mais crítica para que o sessão de brainstorming não resulte. Esta regra é aquela que primariamente diferencia um brainstorming clássico dos métodos de conferência tradicionais.

CRIATIVIDADE É BEM VINDA: Esta regra é utilizada para encorajar os participantes a sugerir qualquer ideia que lhe venha à mente, sem preconceitos e sem medo que isso o vá avaliar imediatamente. As ideias mais desejáveis são aquelas que inicialmente parecem ser sem domínio e muito longe do que poderá ser uma solução. É necessário deixar as inibições para trás enquanto se geram ideias. Quando se segue esta regra, cria-se automaticamente um clima de brainstorming apropriado. Isso aumenta também o número de ideias geradas.

QUANTIDADE É NECESSÁRIA: Quanto mais ideias forem geradas, mais hipóteses há de encontrar uma boa ideia. Quantidade gera qualidade.

COMBINAÇÃO E APERFEIÇOAMENTO SÃO NECESSÁRIOS: O objetivo desta regra é encorajar a geração de ideias adicionais para a construção e reconstrução sobre as ideias dos outros.

LIÇÕES BÁSICAS SOBRE O BRAINSTORMING Gere inicialmente o maior número possível de ideias: Linus Pauling já dizia “A melhor forma de ter uma boa ideia é ter várias ideias”.

No começo não descarte ideias esdrúxulas: Uma idéia esdrúxula pode servir de lembrete para uma idéia útil.
Concentre seu esforço nas melhores ideias: escolhidas as melhores idéias, explore-as. Mantenha o controle: Por mais que seja estimulada à freneticidade inicial, a equipe precisa saber quando já tem ideias o suficiente para dar prosseguimento ao processo.

EXEMPLO: Quais os perigos encontrados em uma residência?

1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9. 10.

Tomada Chuveiro elétrico fogão secador de cabelo lixo Animais peçonhentos Piso escorregadio Panela quente Liquidificador Álcool

11. 12. 13. 14. 15. 16. 17. 18. 19. 20.

Objetos pontiagudos Armas Veículos Cão de guarda Veneno Janelas de vidro Cadeiras defeituosas Redes de dormir Gás Plantas tóxicas

CONCEITO
A APR consiste em um estudo, durante a fase de concepção ou desenvolvimento prematuro de um novo sistema, com o fim de se determinar os riscos que poderão estar presentes na sua fase operacional.

CARACTERÍSTICAS
É uma análise inicial "qualitativa", desenvolvida na fase de projeto e desenvolvimento de qualquer processo, produto ou sistema, possuindo especial importância na investigação de sistemas novos, de alta inovação e/ou pouco conhecidos, ou seja, quando a experiência em riscos na sua operação é carente ou deficiente.
Apesar das características básicas de análise inicial, é muito útil como ferramenta de revisão geral de segurança em sistemas já operacionais, revelando aspectos que às vezes passam despercebidos.

CARACTERÍSTICAS
A APR não é uma técnica aprofundada de análise de riscos e geralmente precede outras técnicas mais detalhadas de análise, já que seu objetivo é determinar os riscos e as medidas preventivas antes da fase operacional. No estágio em que é desenvolvida podem existir ainda poucos detalhes finais de projeto e, neste caso, a falta de informações quanto aos procedimentos é ainda maior, já que os mesmos são geralmente definidos mais tarde.

A APR é própria para ser empregada na fase inicial de concepção e desenvolvimento das plantas de processo, na determinação dos riscos que possam existir. As principais vantagens da APR são: identificação com antecedência, e conscientização dos perigos em potencial por parte da equipe de projeto

identificação e/ou desenvolvimento de diretrizes e critérios para a equipe de desenvolvimento do processo seguir.

PRINCÍPIOS
Os princípios e metodologias da APR consistem em proceder-se a uma revisão geral dos aspectos de segurança de forma padronizada, descrevendo todos os riscos e fazendo sua categorização de acordo com a MIL-STD-882.
A partir da descrição dos riscos, são identificadas as causas (agentes) e efeitos (consequências) dos mesmos, o que permitirá a busca e elaboração de ações e medidas de prevenção ou correção das possíveis falhas detectadas.

CATEGORIZAÇÃO DE ACORDO COM A MIL-STD-882
CATEGORIA I II TIPO DESPREZÍVEL MARGINAL OU LIMÍTROFE CARACTERÍSTICAS

Não degrada o sistema, nem seu funcionamento Não ameaça os recursos humanos Degradação moderada / danos menores Não causa lesões É compensável ou controlável
Degradação crítica Lesões Danos substanciais Coloca o sistema em risco, e necessita de ações corretivas imediatas para a sua continuidade e recursos humanos envolvidos.

II

CRÍTICA

IV

Séria degradação do sistema CATASTRÓFICA Perda do sistema Mortes e lesões

A priorização das ações é determinada pela categorização dos riscos, ou seja, quanto mais prejudicial ou maior for o risco, mais rapidamente deve ser solucionado.

Desta forma, a APR tem sua importância maior no que se refere à determinação de uma série de medidas de controle e prevenção de riscos desde o início operacional do sistema, o que permite revisões de projeto em tempo hábil, no sentido de dar maior segurança, além de definir responsabilidades no que se refere ao controle de riscos.

UTILIZAÇÃO DO MÉTODO

A análise preliminar de riscos compõe-se dos seguintes passos básicos: reunir os dados necessários; efetuar a análise preliminar de riscos; registrar os resultados.

REUNIR OS DADOS NECESSÁRIOS A APR requer a reunião, antes de tudo, dos dados disponíveis sobre a planta(ou sistema) em estudo, e então, informações pertinentes, proporcionadas pela experiência prévia com qualquer planta similar, ou mesmo com uma planta que trabalhe com processo diferente, mas utilize equipamentos e materiais similares.
É muito conveniente que se determine a existência de experiência prévia com a concepção do processo em estudo. Quaisquer problemas que venham a ser identificados pela experiência prévia, poderão auxiliar na APR da planta em estudo.

REUNIR OS DADOS NECESSÁRIOS Os processos deverão ser conhecidos, bem como os principais tipos de equipamentos, principalmente itens de equipamentos especiais ou de longa vida, por exemplo, vasos, trocadores de calor e tipo de construção das instalações. Além dos componentes da planta, os objetivos operacionais desta e os requisitos básicos de desempenho são úteis à definição do contexto para os riscos e o ambiente no qual irá a planta operar.

REALIZAR A ANÁLISE PRELIMINAR DE RISCOS O processo de execução da APR consiste em identificar os perigos, eventos iniciadores em potencial, e outros eventos capazes de gerar consequências indesejáveis. Os analistas devem igualmente identificar os critérios de projeto ou alternativas com possibilidades de eliminar ou reduzir os perigos capazes de determinar um nível de riscos excessivamente elevado para o empreendimento.

REALIZAR A ANÁLISE PRELIMINAR DE RISCOS Na realização da APR, devem ser considerados os seguintes elementos:
equipamentos e materiais perigosos da planta como, por exemplo, combustíveis, substâncias químicas altamente reativas, substâncias tóxicas, sistemas de alta pressão e outros sistemas de armazenamento de energia interfaces entre equipamentos e substâncias da planta associadas à segurança como, por exemplo, interações de materiais, início de propagação de incêndios ou explosões e sistemas de controle ou parada

fatores ambientais susceptíveis de influenciar o equipamento e os materiais da planta como, por exemplo, terremotos, vibração, temperaturas extremas, descargas eletrostáticas e umidade

REALIZAR A ANÁLISE PRELIMINAR DE RISCOS Na realização da APR, devem ser considerados os seguintes elementos:
procedimentos de operação, teste, manutenção e atendimento à situações de emergência, importância dos erros humanos, funções a serem desempenhadas pelos operadores, disposição (ergonomia) dos controles de equipamentos e proteção contra acidentes com o pessoal; elementos de apoio das instalações como, por exemplo, armazenamento, equipamentos de teste, treinamento e utilidades; equipamentos relacionados com a segurança: sistemas de atenuação, redundância, extintores de incêndio e equipamentos de proteção pessoal.

EXEMPLO:
Como exemplo, consideremos um processo que utilizará H2S (ácido sulfídrico) líquido bombeado. O analista de APR só dispõe da informação de que este produto será usado no processo e nenhum outro detalhe do projeto.

ANÁLISE O analista sabe que o H2S é tóxico e identifica sua liberação como um perigo. Estuda então as causas para esta liberação:
o cilindro pressurizado vasa ou rompe-se; o processo não consome todo H2S; as linhas de alimentação de H2S apresentam vazamento ou ruptura; ocorre um vazamento durante o recebimento do H2S na planta.

EXEMPLO:
O analista determina, então, o efeito dessas causas. Neste caso, havendo liberações maiores, poderão ocorrer mortes. A tarefa seguinte consiste em oferecer orientação e critérios para os projetistas aplicarem no projeto da planta, reconhecendo cada um dos mecanismos de liberação em potencial significativos.

EXEMPLO:
Por exemplo, para o primeiro item, vazamento no cilindro, o analista poderia recomendar:

estudar um processo que armazene substâncias alternativas de menor toxidez, capazes de gerar o H2S de acordo com as necessidades da operação; instalar um sistema de alarme na planta; minimizar o armazenamento local do H2S, sem excesso de manuseio ou de entregas como, por exemplo, armazenamento das necessidades de produção para um período de duas semanas a um mês; desenvolver um procedimento de inspeção de cilindros

REGISTRO DOS RESULTADOS
Os resultados da APR são registrados convenientemente num formulário que mostra os perigos identificados, as causas, o modo de detecção, efeitos potenciais, categorias de frequência e severidade e risco, as medidas corretivas/preventivas e o número do cenário.
MODO DE DETECÇÃO CATEGORIAS EFEITOS FREQUÊNCIA SEVERIDADE RISCO MEDIDAS/ OBSERVAÇÕES Nº CENÁRIO

RISCO

CAUSA

REGISTRO DOS RESULTADOS
1ª coluna: Riscos Esta coluna contém os riscos identificados para o módulo de análise em estudo. De uma forma geral, os perigos são eventos acidentais que têm potencial para causar danos às instalações, aos operadores, ao público, ao meio ambiente. Portanto, os perigos referem-se a eventos tais como liberação de material inflamável e tóxico.

2ª coluna: Causa As causas de cada risco são discriminadas nesta coluna. Estas causas podem envolver tanto falhas intrínsecas de equipamentos (vazamentos, rupturas, falhas de instrumentação, etc), bem como erros humanos de operação e manutenção.

REGISTRO DOS RESULTADOS
3ª coluna: Modo de Detecção Os modos disponíveis na instalação para a detecção do perigo identificado na primeira coluna foram relacionados nesta coluna. A detecção da ocorrência do perigo tanto pode ser realizada através de instrumentação (alarmes de pressão, de temperatura, etc), como através de percepção humana (visual, odor, etc).

4ª coluna: Efeito Os possíveis efeitos danosos de cada perigo identificado foram listados nesta coluna. Os principais efeitos dos acidentes envolvendo substâncias inflamáveis e tóxicas incluem: incêndio em nuvem; explosão de nuvem; formação de nuvem tóxica.

REGISTRO DOS RESULTADOS
5ª coluna: Categoria de Frequência do Cenário No âmbito da APR, um cenário de acidente é definido como o conjunto formado pelo perigo identificado, suas causas e cada um dos seus efeitos. Exemplo de cenário de acidente possível: Grande liberação de substância inflamável devido a ruptura de tubulação podendo levar à formação de uma nuvem inflamável tendo como consequência incêndio ou explosão da nuvem. De acordo com a metodologia de APR adotada neste trabalho, os cenários de acidentes foram classificados em categorias de frequência, as quais fornecem uma indicação qualitativa da frequência esperada de ocorrência para cada um dos cenários identificados, conforme tabela 1 a seguir.

REGISTRO DOS RESULTADOS
TABELA 1. CATEGORIAS DE FREQUÊNCIA DOS CENÁRIOS USADOS

REGISTRO DOS RESULTADOS
6ª coluna: Categoria de Severidade Também de acordo com a metodologia de APR adotada neste trabalho, os cenários de acidentes foram classificados em categorias de severidade, as quais fornecem uma indicação qualitativa do grau de severidade das consequências de cada um dos cenários identificados. As categorias de severidade utilizadas no presente trabalho estão na tabela 2. 7ª coluna: Categoria de Risco Combinando-se as categorias de frequência com as de severidade obtêmse a Matriz de Riscos, conforme mostrado a seguir. Essa matriz fornece uma indicação qualitativa do nível de risco de cada cenário identificado na análise.

CATEGORIAS DE SEVERIDADE DOS CENÁRIOS DA APR

REGISTRO DOS RESULTADOS
MATRIZ DE CLASSIFICAÇÃO DE RISCO

REGISTRO DOS RESULTADOS
8ª coluna: Medidas/Observações Esta coluna contém as medidas que devem ser tomadas diminuir a frequência ou severidade do acidente ou quaisquer observações pertinentes ao cenário de acidente em estudo. A letra (E) - Existente nesta coluna indica que as medidas já foram tomadas.

9ª coluna: Identificador do Cenário de Acidente
Esta coluna contém um número de identificação do cenário de acidente. Foi preenchida sequencialmente para facilitar a consulta a qualquer cenário de interesse.

RISCO

CAUSA

MODO DE DETECÇÃO

CATEGORIAS
EFEITOS
FREQUÊNCIA SEVERIDADE RISCO

MEDIDAS/ OBSERVAÇÕES

Nº CENÁRIO

Liberação tóxica

1. Vazamento no cilindro de H2S
2. H2S não consumido todo no processo

1. 2.

Não há Não há

1e2 Possíveis mortes com liberações maiores

D

III

4

Instalar sistema de alarme b) Minimizar armazenamen to no local c) Preparar procedimento para inspeção de cilindro

a)

1

A APR tem grande utilidade no seu campo de atuação, porém, como já foi enfatizado, necessita ser complementada por técnicas mais detalhadas e apuradas. Em sistemas que sejam já bastante conhecidos, cuja experiência acumulada conduz a um grande número de informações sobre riscos, esta técnica pode ser colocada em by-pass e, neste caso, partir-se diretamente para aplicação de outras técnicas mais específicas.

CATEGORIAS
RISCO CAUSA
MODO DE DETECÇÃO

EFEITOS
FREQUÊNCIA SEVERIDADE RISCO

MEDIDAS/ OBSERVAÇÕES

Nº CENÁRIO