You are on page 1of 109

Tecnologia Mecânica 3  SENAI-SP, 2004

Trabalho elaborado pela Escola SENAI Roberto Simonsen do Departamento Regional de São Paulo.

Coordenação Geral Coordenação

José Carlos Dalfré Laur Scalzaretto João Roberto Campaner

Organização Editoração

Sylvio Gonçalves Adriana Ribeiro Nebuloni Écio Gomes Lemos da Silva Sílvio Audi

Adaptado de Metalmecânica – Caminhão Betoneira – teoria – V. 1 e 2 TC 2000 Profissionalizante – Ensaios de Materiais Supervisores de 1ª Linha – Tecnologia de Materiais

Escola SENAI Roberto Simonsen Rua Monsenhor Andrade, 298 – Brás CEP 03008-000 - São Paulo, SP Tel. 11 3322-5000 Fax. 11 3322-5029 E-mail: senaibras@sp.senai.br Home page: http://www.sp.senai.br

Sumário

página Esforços mecânicos Elementos de elevação (cabos de aço) Molas helicoidais Torneamento Fresamento Mandrilamento Usinagem por abrasão (retificação) Normas brasileiras Materiais plásticos Borracha Transmissões flexíveis (correias e correntes) Engrenagens Referência bibliográfica 3 9 17 25 27 29 39 43 51 75 83 99 107

.

A densidade de um material está relacionada com o grau de compactação da matéria. Se tomarmos dois diferentes materiais e submetê-los ao mesmo tipo de esforço. A seguir mostraremos algumas dessas propriedades. ρ= M V  kg   3  dm  Exemplo: o cobre tem maior densidade que o aço: ρ Cu = 8.Esforços mecânicos Propriedades dos materiais Na construção de peças e componentes. Fisicamente. basta que fique deformado). Dá-se o nome de resistência à maior ou menor capacidade que o material tem de resistir a um determinado tipo de esforço. o que primeiro deformar. Toda 3 . a densidade (ρ) é definida pela massa (M) dividida pelo volume (V). devemos observar se os materiais empregados possuem as diversas propriedades físicas e mecânicas que lhe serão exigidas pelas condições e solicitações no trabalho que executam.se permanentemente é o que menor resistência terá a esse tipo de esforço (não é necessário que o material se rompa.93 kg/ dm3 ρ aço = 7.8 kg/ dm3 Resistência Todo corpo tende a resistir aos esforços que lhe são aplicados.

Plástica Deformação permanente.. 4 . Flexão cisalhamento torção tração flambagem compressão Deformação Quando um determinado material é submetido a um esforço qualquer. cisalhamento. podem exercer sobre o material cargas de flexão. tração. Uma vez cessados os esforços. torção. Há dois tipos de deformação: plástica e elástica. As solicitações externas. tende a se deformar.força externa gera no material tensões de acordo com o tipo de solicitação. o material não volta à sua forma original. flambagem ou compressão.

5 . sem romper-se. Ductilidade ou ductibilidade Pode-se dizer que a ductilidade é o oposto da fragilidade. não suportando choques. o material volta a sua forma original. Tenacidade Se. um material é resistente e possui boas características de alongamento para suportar um esforço considerável de torção.Elástica Deformação não permanente. alumínio e aço com baixo teor de carbono. é chamado tenaz. Exemplo: ferro fundido e vidro. São dúcteis os materiais que por ação de força se deformam plasticamente. . Uma vez cessados os esforços. Na figura abaixo temos um fio de cobre de 300mm de comprimento. enquanto que os materiais menos duros resistem melhor aos choques. porque o cobre possui boas qualidades de ductilidade. por exemplo cobre. Assim. Se puxarmos este fio.conservando a sua coesão. tração ou flexão. os materiais que possuem baixa resistência aos choques são chamados frágeis. Fragilidade Materiais muito duros tendem a se quebrar com facilidade. ele se esticará até um comprimento de 400 a 450mm sem romper-se.

prendemos.a mola na morsa por um lado e a estiramos pelo outro lado até que se estique. Para comprovarmos a elasticidade do aço para molas. deve deformar-se e. Elasticidade Uma mola deve ser elástica. 6 . quando cessada a força. Por ação de uma força. Quando a soltamos.A chave da figura abaixo pode ser tracionada e flexionada sem romper-se facilmente porque é de um material tenaz. se a mola voltar à posição inicial é porque o aço possui boa elasticidade. deve voltar à posição inicial.

A dureza é. portanto. 7 . a resistência que um material oferece à penetração de outro corpo.Dureza As ferramentas devem ser duras para que não se desgastem e possam penetrar em um material menos duro.

Elementos de elevação

Cabos de aço
São feitos de arames estirados a frio que são inicialmente enrolados formando pernas; as pernas são enroladas em espirais em torno de um elemento central, chamado núcleo ou alma.

Tipos de cabos

9

Torcedura dos cabos

Observação As torceduras podem ser, semelhantes às roscas, à direita ou à esquerda. Para a escolha correta do tipo de torcedura dos cabos deve-se considerar que a torcedura lang é indicada para instalações sujeitas a grande desgaste (abrasão). Devido a sua tendência de girar, é usada com guias. A torcedura comum é usada onde é essencial que o cabo não gire nem torça em serviço.

10

Os núcleos de aço aumentam a resistência à tração em 7% .P. chegando a 1 300% para os elevadores de passageiros. Especificação dos cabos A tabela abaixo apresenta valores referentes a resistência à tração. a quantidade de fios em cada perna. Material do fio Aço comum (iron) aço para tração (traction steel) Aço M. Fatores para o dimensionamento O coeficiente de segurança deve estar entre 500 e 850%. em função do material do fio. (improved plow steel) 1 800 a 2 000N/mm2 Os materiais do núcleo do cabo podem ser de cânhamo.S. (plow steel) aço E. fibras artificiais.S. (extra I. 11 .Identificação dos cabos É feita por dois números: o primeiro dá a quantidade de pernas e o segundo.S.P.P.) Resistência à tração 600N/mm2 1 200 a 1 400N/mm2 1 400 a 1 600N/mm2 1 600 a 1 800N/mm2 2 000 a 2 300N/mm2 aço I. Os fios podem ser galvanizados ou simplesmente lubrificados.S. porém diminuem a flexibilidade. (mild plow steel) aço P.P. o que dá boa proteção. Atualmente está sendo usado o náilon estirado como revestimento de cabos. amianto ou aço.I.S.

lubrificação. na requisição devem constar o comprimento. tipo de construção.No caso de suspensão de pesos fora da vertical. considerando todos os fatores envolvidos no serviço. A figura abaixo mostra as formas possíveis de amarração de cargas com cabos e os coeficientes em relação à vertical. aplicação. aceleração. tem-se de considerar que existe uma redução da capacidade do cabo. abrasão. carga útil e resistência dos arames. número de pernas e fios. diâmetro. E. quantia de curvas. torcedura. Na aquisição de um cabo devem ser consideradas as condições de trabalho como velocidade. 12 . finalmente. Polias e tambores para cabos O diâmetro das polias e tambores para cabos deve ser o maior possível. corrosão e o peso próprio do cabo. acabamento.

Canais a 45º dão a máxima durabilidade. 13 . Na ausência dessas informações. podem-se considerar os seguintes dados: Canais redondos guiam da melhor maneira.Para uma rápida avaliação podem ser considerados os diâmetros indicados na tabela abaixo. Tipo de serviço Serviços de pequena intensidade Serviços de média intensidade Serviços de grande intensidade Cabos não retroativos Cabos pouco flexíveis d = Ø do cabo Cabos 8 x 19 6 x 25 6 x 19 18 x 7 19 x 7 6x7 Ø da polia 16d 20d 25d 30d 34d 42d Máquinas com acionamento manual 6 x 37 Quanto à forma da canaleta (ou canal) devem ser observadas as recomendações do fabricante.

Canais de 20º dão o máximo efeito de cunha. a fim de não se desgastar nem se deformar facilmente. O material deve ser resistente tanto à abrasão quanto à fluência (escoamento). 14 . Os canais não devem ser largos demais para que o cabo tenha apoio nas laterais e não deforme.

Fixação da ponta

Ponta com soquete chumbador fixado em zinco fundido

Ponta fixada por cunha

Olhal com sapatilha de proteção

Olhal com estribo protetor Fixação por presilhas rosqueadas. Neste caso, a distância y deve ser maior do que 1,5 x. Para cabos com diâmetro até 5/8" usam-se três presilhas; acima disso, quatro ou mais. Podese usar também y = 6 x Ø do cabo.

15

Molas helicoidais

Molas
São elementos elásticos de grande importância, empregados com os seguintes objetivos: absorver energia, como em suspensão de automóveis; acumular energia, como em relógios; manter elementos sob tensão controlada, como em válvulas; medir, como em balanças e outros instrumentos.

As molas realizam esforços de tração, compressão, torção e flexão. A seguir os tipos mais comuns.

17

Barra de torção – Fabricada de vergalhão redondo ou quadrado (figura abaixo). 18 . enrolada em espiral plana e deformase sob a aplicação de um momento torsor.Mola helicoidal – Nas formas cilíndrica. Pode ter a secção circular ou prismática. Trabalha para compressão ou tração. É fabricada de arame ou fita de aço (figura abaixo). Mola espiral – Trabalha para torção. O barriletamento ou conificação visa aumentar o curso sem encostar as espiras. Também submetida a um torque. barriletada ou cônica.

19 . Mola prato – Feita de chapa conificada. Possibilita variar a rigidez e capacidade de carga apenas mudando o número de discos ou sua disposição. para travas. Trabalha para compressão (figura abaixo). É formada por uma pilha de discos montados com as concavidades alternadamente opostas. esperas ou molas de retorno. Mola de disco plana – Feita de chapa de aço recortada de várias maneiras.Mola de torção – Fabricada com fios de secção circular ou prismática (figura abaixo).

Uma forma especial de mola de flexão é a formada por feixes de molas (mola balestra). Pode ser também sustentada em ambas as pontas e carregadas ao centro. conseguindo grande resistência. 20 . sustentadas em uma ponta (vigas de balanço) e carregadas na outra. levemente curvas ou planas.Mola de flexão – Consiste em uma ou várias lâminas de aço. que utiliza várias lâminas de comprimentos diferentes.

Usada para solicitações de alta rigidez. os anéis internos contraem-se e os externos expandem-se. Mola de borracha – É formada por tarugos de borracha separados por discos metálicos. Usada habitualmente para isolar vibrações. Sob compressão axial.Mola anelar – Constituída por anéis com chanfros alternadamente internos e externos superpostos em um cilindro. trabalha para compressão. Possui alta capacidade de armazenar energia e resiste bem ao cisalhamento. que é um bloco de borracha colado a placas de metal. emprega-se um tipo chamado coxim. Em veículos e máquinas. 21 .

Seu limite de ruptura é de 1 700N/mm2. Está substituindo com vantagem a mola de aço usada em ferramentaria. Aço mola trefilado duro – contém 0. Materiais para molas Aço piano – contém de 0. suporta altas pressões e tem ótima flexibilidade.40% de manganês e 0.5 a 0.7 a 1% de carbono. É usada quando são exigidas peças muito compactas e amortecimento pelo atrito entre as espiras. Seu limite de ruptura está entre 840 a 1 260N/mm2.1 a 0.25 a 0. visto que resiste muito bem aos óleos. raramente quebra de imprevisto.65% de carbono e 0.7% a 1% de manganês.Mola de plastiprene – Feita em forma de tarugos de uretano sólido. Mola voluta – Formada por uma lâmina relativamente larga.2% de silício. 22 . 0. enrolada em hélice cônica com superposição das espiras.

Manutenção de molas Uma mola devidamente especificada durará muito tempo.5% de carbono. Em caso de abuso.8 a 2. Aço cromo-vanádio (SAE-6150) – com 0. não devendo ser submetida a um esforço maior que o previsto.5% de fósforo.6 a 0.15 a 0. Seu limite de ruptura está entre 1 050 e 1 750N/mm2. 17 a 20% de cromo e 8 a 10% de níquel.3 a 0.9% de manganês e 1. Usado para molas de veículos. Aço silício-manganês (SAE-9260) – com 0. 0.8% de manganês.12% de carbono. Aço mola revenido – contém de 0. Flambagem – ocorre em molas helicoidais longas por falta de guia.45% de manganês. Recomendações • Evitar a sobrecarga da mola – ela foi especificada para uma solicitação determinada.05% de carbono. 0. Bronze fosforoso para molas – com 5% de estanho e 0. Aço inoxidável para molas – com 0. 0. apresentará os seguintes danos: • • • Quebra – causada por excesso de flexão ou torção. Seu limite de ruptura é 660N/mm2.6% de carbono. Seu limite de ruptura está entre 1 230 e 1 370N/mm2. Seu limite de ruptura está entre 1 400 a 2 100N/mm2.2% de vanádio.9 a 1. Seu limite de ruptura está entre 1 050 3 1 960N/mm2.2% de vanádio.5 a 0.9 a 1.2% de cromo e 0. Amolecimento – causado por superaquecimento presente no ambiente ou devido ao esforço de flexão. Usado especialmente para molas de válvulas.Aço laminado a quente – contém de 0.85 a 1% de carbono e 0. 23 .

Somente em casos de quebra das pontas de molas muito pesadas. é possível consertá-las soldando-as com eletrodos de alto cromo.• • • • Impedir a flambagem – se a mola helicoidal comprimida envergar no sentido lateral. considerar o tipo de material e seu estado superficial. As molas helicoidais podem ser enroladas a frio até o diâmetro do arame de 13mm. Testar as molas nas revisões periódicas da máquina – fazêlo num dispositivo que indique a relação entre o curso e o peso aplicado sobre a mola. Evitar o superaquecimento – providenciando refrigeração e troca da mola que mudou de coloração. providenciar uma guia. Evitar desgaste não uniforme das pontas – isso criaria um esforço adicional não previsto. • Quando uma emergência tornar indispensável a fabricação de uma mola. riscos de matrizes de trefilação. 24 . é inútil. • Evitar tentativas de consertar a mola quebrada esticando-a. evitando marcas de ferramentas. rugosidade excessiva e descarbonetação superficial. Trocar a mola que enfraquecer. incrustações.

A peça a executar é presa à placa do torno (máquina operatriz). cilíndricas e cônicas com diâmetros sucessivamente menores. Observação . A partir do movimento sincronizado da peça e da ferramenta de corte são obtidas superfícies planas. realizando o movimento de avanço. A ferramenta de corte se desloca simultaneamente em sentido longitudinal ou transversal à peça. 3. 4. gira ao redor do eixo principal de rotação da máquina e desenvolve o movimento de corte.A ferramenta de corte é presa ao portaferramenta. 2. 25 . planas e cônicas de diâmetros diversos. O processo de torneamento abrange os seguintes passos: 1.Torneamento O torneamento é o processo usado para obter produtos com superfícies cilíndricas. A peça acoplada ao torno.

26 .

A fresa é a ferramenta multicortante empregada para realizar o fresamento. Planos. perpendiculares ao eixo de rotação da ferramenta. paralelos ao eixo de rotação da ferramenta. 27 . A fresa realiza o movimento de corte.Fresamento É usado para obter superfícies com formatos: • • Planos. a ferramenta gira e a peça ou a ferramenta se desloca. O fresamento também é empregado para obter formas combinadas desses dois tipos de superfície. realizando o movimento de avanço.

28 .

Mandrilamento Mandrilamento é um processo mecânico de usinagem de superfícies de revolução. internas. As figuras a seguir mostram exemplos desses tipos de mandrilamento. a ferramenta de corte é fixada a uma barra de mandrilar em um certo ângulo. o mandrilamento. cônico. com o auxílio de uma ou mais ferramentas de corte. determinado pela operação a ser realizada. também conhecido como mandrilagem ou broqueamento. também chamada de mandril. Nessa operação. Pelo mandrilamento pode-se conseguir superfícies cilíndricas ou cônicas. A figura a seguir mostra um exemplo de barra de mandrilar. mandril Tipos de mandrilamento Dependendo do trabalho. 29 . em espaços normalmente difíceis de serem atingidos. com eixos perfeitamente paralelos entre si. pode ser cilíndrico. radial ou esférico.

mandrilamento radial 30 . mandrilamento cônico O mandrilamento radial é o processo em que a superfície usinada torno do é qual plana gira e a perpendicular ao eixo em ferramenta. mandrilhamento cilíndrico O mandrilamento cônico é o processo em que a superfície usinada é cônica e seu eixo de rotação coincide com o eixo em torno do qual a ferramenta gira.O mandrilamento cilíndrico é o processo em que a superfície usinada é cilíndrica e o seu eixo de rotação coincide com o eixo em torno do qual a ferramenta gira.

Com o acoplamento de acessórios apropriados. uma máquina universal. além do mandrilamento. tornando-se. como mostram as figuras. nesses casos. mandrilhadora universal horizontal mandrilhadora universal vertical 31 .. pode ser utilizada para furar. a mandriladora. rosquear etc. Dependendo da posição do eixo-árvore. as mandriladoras podem ser horizontais ou verticais. mandrilamento esférico Mandriladoras As mandriladoras são máquinas especiais que permitem a adaptação de diferentes tipos de ferramentas.O mandrilamento esférico é o processo em que a superfície usinada é esférica e o eixo de rotação coincide com o eixo em torno do qual a ferramenta gira. fresar.

ela é colocada na mandriladora apoiada na mesa giratória. rosqueamento. sem que haja necessidade de remover a peça da máquina. É possível posicionar a ferramenta para usinar um furo ajustando-se o cabeçote em determinada altura. A vantagem do uso dessa máquina é a economia de tempo. Todos os deslocamentos são indicados em escalas graduadas. Uma peça com forma prismática pode ser usinada em todas as suas quatro faces verticais porque a mandriladora tem uma mesa giratória que possibilita a usinagem em todos os lados.Em máquinas como essas usinam-se grandes carcaças de caixas de engrenagens e estruturas de máquinas. Nas mandriladoras mais modernas. temos a necessidade de usinar a carcaça de uma caixa de engrenagens. Desse modo. Se. que permitem maior exatidão no trabalho. mesa giratória A mandriladora pode realizar um grande número de movimentos. por exemplo. cada uma a seu tempo. as escalas possuem equipamentos de leitura óptica ou contadores numéricos digitais. 32 . e a mesa em posição transversal. permite o giro da carcaça em torno do seu eixo vertical. A mandriladora universal tem a capacidade de processar todas as operações necessárias de usinagem. assim. do desbaste ao acabamento. do começo ao fim. são executadas todas as operações necessárias. A mesa gira e. como corte.

são feitas as operações 4 e 5. acompanhando as indicações abaixo. marcada na face lateral direita. O furo identificado com o número 3 já havia sido feito na primeira posição. marcada na face posterior da peça. requer três operações: 7. são realizadas as operações numeradas com 1. você tem uma demonstração de seqüência de operações realizadas por uma mandriladora universal numa caixa de engrenagem. A operação 1 consiste num mandrilamento radial. Na posição II. nessa ordem. para evitar deslocamentos da ferramenta durante a opera-ção. para fazer a bolacha desse furo. Na posição I. marcada na face frontal. 8 e 9. Analise a figura passo a passo. nessa mesma face. Observe que a extremidade da barra de mandrilar está apoiada sobre um mancal. Repare no dispositivo especial acoplado à ferramenta. As operações 2 e 3 correspondem a mandrilamentos cilíndricos simultâneos. é feito primeiro o furo identificado como operação 6. O furo mais acima. Na posição III. respectivamente. 2 e 3.A seguir. que compreendem um furo mandrilado com flange e os furos roscados do flange. lembra-se? 33 .

evitando com isso possíveis desvios e vibrações durante o uso. sem defeito de retilineidade. na posição IV. barra de mandrilar montada com buchas 34 . ou seja. São feitas de aço rápido ou carboneto metálico e montadas em uma barra de mandrilar. A barra de mandrilar deve ser rígida. para possibilitar a montagem de buchas que formam mancais.Finalmente. como mostra a próxima figura. cilíndrica. Elas têm pequenas dimensões porque. Ferramentas da mandriladora As ferramentas de mandrilar são selecionadas em função das dimensões (comprimento e diâmetro) e características das operações a serem realizadas. geralmente. trabalham no interior de furos previamente executados por brocas. Deve ser bem posicionada no eixo-árvore. são feitas as operações 10 e 11. o mandrilamento e o fresamento da face.

e na operação de pré-alargamento de furos de até 100 mm. • brocas helicoidais de correção. • lâminas de corte duplo. usadas para fazer rebaixos internos de furos. usadas para desbastar. 35 . como ovalização. conicidade e retilineidade. usadas para corrigir deformações.As ferramentas de uso mais comum nas mandriladoras são: • hastes com pastilhas soldadas de corte simples.

Atualmente. um novo conceito em ferramentas de mandrilamento é utilizado na indústria. escareador rebaixador • alargadores fixos. 36 .• escareadores e rebaixadores. usados no trabalho de alojamento e rebaixo de furos previamente executados por brocas comuns. usados para alargar superfícies cônicas internas. usados para calibrar furos. Esses alargadores podem ser de desbaste e de acabamento. • alargadores cônicos. mantendo a exatidão no trabalho. em que um sistema modular de ferramental permite reduzir o tempo gasto nas trocas de ferramentas. desbaste acabamento Sistema modular As paradas de máquina para troca de ferramentas representam tempo ocioso que reflete nos custos de produção.

reúnem-se blocos elementares de dispositivos. Quando um sistema modular é bem desenvolvido. ele possibilita solução mais rápida para praticamente todos os problemas de mandrilamento. reduções.O sistema modular possibilita dispor de um conjunto de ferramentas com partes modulares intercambiáveis. 37 . como extensões. Veja na figura ao lado uma série dessas ferramentas. Para operar com esse sistema. diferentes cabeçotes de mandrilar e acessórios. O único componente específico de máquina em todo esse arranjo é o adaptador de fuso.

.

39 . Dependendo do perfil do rebolo. são empregadas ferramentas abrasivas rotativas denominadas rebolos. rugosidade superficial muito pequena ou. cônicas. peças com dureza elevada (acima de 40 HRc). ainda.Usinagem por abrasão Retificação É o processo de usinagem por abrasão utilizado na execução de peças que devem apresentar dimensões e formas rigorosas. Os rebolos são responsáveis pela realização do movimento de corte. Na retificação. as superfícies a serem usinadas (internas ou externas) podem ser cilíndricas. entre outras. planas.

40 .

41 .

.

Normalização no Brasil A ABNT foi fundada em 1940. Têm por objetivo orientar a elaboração de projetos e de seus componentes. As normas da Petrobrás. 43 . sendo a primeira entidade a disseminar normas técnicas no Brasil. Embora de uso interno. Em 1962. as normas de empresa algumas vezes são utilizadas de maneira mais ampla. a realização dos processos de fabricação. pela Lei Federal 4050. também são seguidas por suas fornecedoras. a ABNT foi reconhecida como entidade de utilidade pública. a organização dos sistemas de compra e venda e outras operações de interesse da empresa. por iniciativa particular de um grupo de técnicos e engenheiros.Normas brasileiras Normas de empresa Algumas normas são elaboradas pelas próprias empresas. além do uso específico pela empresa.

Até há bem pouco tempo. Os grandes objetivos do SINMETRO são a defesa do consumidor. Por exemplo: a norma que padroniza as dimensões de parafusos com cabeça cilíndrica e sextavado interno era registrada na ABNT como PB-165.ABNT .CONMETRO e o Instituto Nacional de Metrologia. Fazem parte do SINMETRO o Conselho Nacional de Metrologia. foi criado o Sistema Nacional de Metrologia e Qualidade Industrial .Associação Brasileira de Normas Técnicas Em 1973.SINMETRO. e no INMETRO era registrada como NBR 10112. recebiam a sigla NBR. pela Lei Federal 5966. com a compatibilidade de todos os interesses. 44 . aprovadas e registradas na ABNT recebiam o seguinte registro: CB − EB − MB − NB − PB − SB − para Normas de Classificação para Normas de Especificação para Normas de Método de Ensaio para Normas de Procedimento para Normas de Padronização para Normas de Simbologia Essas mesmas normas. as normas elaboradas. Normalização e Qualidade Industrial . a conquista e a manutenção do mercado externo e a racionalização da produção industrial. Normalização e Qualidade Industrial INMETRO. ao serem registradas no INMETRO.

será muito comum que as normas brasileiras sejam registradas como NBR ISO. A ABNT manteve sua estrutura interna em relação aos Comitês Brasileiros . entidade privada. padronização. orientar e supervisionar o processo de elaboração de normas brasileiras. NBR ISO 8402. e com a colaboração de várias entidades voltadas para a disseminação de normas técnicas. Criado a partir de acordo firmado entre a ABNT e o CONMETRO. o CNN busca estruturar todo o sistema de normalização. como por exemplo. por meio de diretrizes e instruções das associações internacionais de normalização (ISO e IEC). com o intuito de descentralizar e agilizar a elaboração de normas técnicas. Com isso. 45 . acrescentandolhes. à qual compete coordenar. de preferência. quando preciso.CNN e o Organismo de Normalização Setorial . método de ensaio.O atual modelo de normalização foi implantado a partir de 1992. Nesse ano foram criados o Comitê Nacional de Normalização . as particularidades do mercado nacional. que as normas brasileiras devem ser feitas. O atual modelo define. com numeração seqüencial da ISO.ONS. utilizando-se a forma e o conteúdo das normas internacionais. simbologia e terminologia). O CNN define a ABNT como Foro Nacional de Normalização. especificação. Para que os ONS passem a elaborar normas de âmbito nacional. devem ser credenciados e supervisionados pela própria ABNT. bem como elaborar. sem fins lucrativos. Cada ONS tem como objetivo agilizar a produção de normas específicas de seus setores. editar e registrar as referidas normas (NBR). procedimento.CB e aos tipos de normas elaboradas (classificação.

Mobiliário. Decorações e Similares CB 16 − Transporte e Tráfego CB 17 − Têxteis CB 18 − Cimento. Tratores. Veículos Similares e Autopeças CB 06 − Equipamento e Material Ferroviário CB 07 − Construção Naval CB 08 − Aeronáutica e Transporte Aéreo CB 09 − Combustíveis (exclusive Nucleares) CB 10 − Química. Petroquímica e Farmácia CB 11 − Matérias-primas e Produtos Vegetais e Animais CB 12 − Agricultura. Administração e Documentação CB 15 − Hotelaria. Seguros. Concreto e Agregados CB 19 − Refratários CB 20 − Energia Nuclear CB 21 − Computadores e Processamento de Dados CB 22 − Isolação Térmica CB 23 − Embalagem e Acondicionamento CB 24 − Segurança contra Incêndio CB 25 − Qualidade Normas da ABNT As normas elaboradas pela ABNT classificam-se em sete tipos: • • • • • • • Procedimento Especificação Padronização Terminologia Simbologia Classificação Método de ensaio 46 . Caminhões. Pecuária e Implementos CB 13 − Alimentos e Bebidas CB 14 − Finanças. Bancos. Comércio.Os comitês da ABNT são os seguintes: CB 01 − Mineração e Metalurgia CB 02 − Construção Civil CB 03 − Eletricidade CB 04 − Máquinas e Equipamentos Mecânicos CB 05 − Automóveis.

indicado pela Norma NBR 10105: De acordo com a norma NBR 10105. A NBR 6875 fixa as condições exigíveis e os procedimentos de inspeção para fios de cobre de seção retangular. com haste cilíndrica para rasgos. ou seja. que fixa as condições para a execução de cálculos e dimensionamento do feixe de molas. Outro exemplo é o da norma NBR 8567. Especificação − Normas relativas à especificação fixam padrões mínimos de qualidade para os produtos. utilizados nas suspensões de veículos rodoviários.Procedimento − As normas de procedimento orientam a maneira correta de: • • • • empregar materiais e produtos executar cálculos e projetos instalar máquinas e equipamentos realizar o controle dos produtos. AR − fresa é fabricada com material tipo aço rápido. K − fresa para uso geral. Abaixo está ilustrado um dos itens de especificação para fresas. fresa de haste cilíndrica lisa. − fresa com 25mm de diâmetro na parte cortante. para rasgos. a especificação A 25 K AR quer dizer: A 25 − fresa do grupo A. 47 . A norma NBR 10105 indica as condições ou especificações exigidas para a fabricação de fresas de topo.

rebites. feitos por extrusão. A norma NBR 6176 define os termos empregados para identificação das partes das brocas helicoidais. peças e outros artigos. equipamentos e dispositivos mecânicos.A norma NBR 7000 constitui outro exemplo de norma de especificação. como porcas. Padronização − As normas de padronização fixam formas. máquinas. parafusos. evita-se a fabricação de produtos com variedades desnecessárias tanto de formas quanto de dimensões. utilizadas para aperto e desaperto de porcas e parafusos. dimensões e tipos de produtos. Terminologia − As normas sobre terminologia definem. que são utilizados com muita freqüência na construção de máquinas. os termos técnicos aplicados a materiais. Essa norma especifica as propriedades mecânicas dos produtos de alumínios e suas ligas. Tem por finalidade padronizar as dimensões de parafusos com cabeça cilíndrica e sextavado interno. Com a padronização. A norma NBR 10112 constitui outro exemplo de norma de padronização. pinos e engrenagens. A norma NBR 6415 padroniza as aberturas de chaves e suas respectivas tolerâncias de fabricação para chaves de boca fixa e de encaixe. com precisão. broca helicoidal de haste cilíndrica 48 .

Na tabela a seguir estão alguns símbolos definidos para cantoneiras de abas iguais. componentes de circuitos. Simbologia − As normas de simbologia estabelecem convenções gráficas para conceitos. sistemas. bloco. grandezas. aço e ferro fundido. placa. Nessa norma são encontradas definições para produtos como chapa. A norma NBR 6646 estabelece os símbolos que devem ser aplicados na identificação dos perfis do aço. com a finalidade de representar esquemas de montagem. fio. fluxogramas.broca helicoidal de haste cônica Já a norma NBR 6215 define a terminologia empregada para os produtos siderúrgicos. Símbolo Significado 49 . circuitos. ou parte de sistemas.

e h l r1 r2 Indica a espessura das abas. Altura do perfil. Y-Y Eixo formando ângulo de 90º com o eixo X-X e representado por uma linha reta que passa pelo centro de gravidade da seção transversal do perfil. 50 . A norma NBR 5266 define os símbolos gráficos de pilhas. Raio interno. Comprimento do perfil. O significado de cada símbolo encontra-se na própria norma.Y0 Linhas retas que passam pelo centro de gravidade da seção transversal de perfil que representam os eixos principais de inércia. acumuladores e baterias utilizados na representação de diagramas de circuitos elétricos em desenhos técnicos. X0 . Eixos principais de inércia.X0 Y0 . Raio externo.X-X Eixo que passa pelo centro de gravidade da seção transversal do perfil e que é representado por uma linha reta nas seguintes posições.

Plasticidade Quando submetida a uma carga ou força. deve voltar a sua forma ou posição original. 51 . Monômero É a menor unidade molecular do plástico. nitrogênio e outros compostos. Polímero É a combinação de monômeros por um processo chamado polimerização. os quais também existem nos organismos vivos. hidrogênio.Materiais plásticos Elasticidade Quando submetida a uma carga ou força. não ocorrendo o fenômeno do retorno como na elasticidade. uma peça deforma-se e. Combinação química orgânica É uma combinação entre carbono. Isso ocorre quando essa força aplicada é superior ao limite elástico do material. constitui sua partícula elementar. uma peça deforma-se permanente e definitivamente. formando uma cadeia. quando é cessada a carga ou força que sobre ela atua. oxigênio.

52 . da combinação entre o carbono e hidrogênio. Macromoléculas Consistem em milhares de moléculas formando grandes fios (macro = grande).Molécula É a combinação química de dois ou mais átomos. oxigênio. como madeira e metal. obtidos através do craqueamento do petróleo. quando são aplicados sobre eles temperatura e pressão. nitrogênio e outros compostos orgânicos e inorgânicos de origem direta ou indireta do petróleo. Os plásticos apresentam-se no estado sólido e líquido pastoso. Plásticos Plásticos são materiais orgânicos. Plásticos e suas matérias primas Materiais plásticos são tipos de um vasto grupo de materiais. construídos basicamente. da hulha e do gás natural liquefeito. ao contrário de materiais naturais. ou em sua maior parte. Pode ser separada (decomposta) em átomos através de processos químicos.

desde os mais comuns do dia-a-dia aos projetos mais sofisticados. leve. Além dos vários tipos de plásticos já existentes. por ser moldável. como os plásticos resistentes à temperatura e altamente impermeáveis à corrosão (termofixos em geral). aumentou a demanda de plásticos de todos os tipos. e barato quando comparado à madeira. resultando novos polímeros que terão propriedades individuais. usinados. Os materiais plásticos não são materiais vulgares. Alguns plásticos são semelhantes à borracha. são consideradas plásticas. pintados ou metalizados. às combinações de propriedades e vantagens somente oferecidas por essa classe de substâncias. mas. versátil. O amplo uso dos plásticos. moldados ou laminados. Ele pode transformar-se em todo tipo de produto. em grande parte. incolores ou pigmentados (coloridos). criados para resistir à temperatura das naves espaciais. pode ser atribuído. flexíveis ou rígidos. como é o caso da celulose e da caseína (proteína extraída do leite). O plástico se transforma em qualquer tipo de produto. enquanto que algumas borrachas. materiais nobres. Demanda no mercado A partir da Segunda Guerra Mundial (1939). Os plásticos podem ser transformados em fios. sim. plásticos completamente novos foram introduzidos no mercado. ao alumínio.A matéria-prima utilizada para a fabricação dos plásticos pode ser largamente combinada. 53 . na era moderna. transparentes ou opacos. Outros plásticos são obtidos a partir de substâncias naturais. assumindo as mais diversas formas. tratadas quimicamente. capazes de substituir muitos outros materiais. ao cobre e ao aço.

sendo 90% de sua produção mundial aplicada à indústria de borracha. garrafas). O negro de fumo. ao mercado de eletrodomésticos. dracon. As fibras sintéticas. passando de 84 mil para 252 mil toneladas. 54 . acolchoamentos. usos domésticos (tapetes) e industriais (cordas e cordonéis para pneus). plásticos e tintas. as borrachas sintéticas atendem a 70% das necessidades mundiais. como maior resistência à abrasão e ao calor. sendo que três categorias representam cerca de 60% do consumo total: o cloreto de polivinila (PVC). tampas. O poliestireno e o PVC têm uso no mercado de embalagens (sacos plásticos. no Brasil. forros. Também chamadas de elastômeros. mais uniformidade no processamento. o polietileno (em alta ou baixa densidade) e o poliestireno. têm seu consumo voltado para a fabricação de peças de vestuário (tergal. plásticos especiais. orlon). chegando a 865 mil toneladas em 1975. cadeiras pré-moldadas) e só o poliestireno. no capeamento de fios e cabos. A produção mundial tem duplicado a cada cinco anos. sua utilização chega a ser de 80% do total de borracha consumida. etc. por exemplo. nycron. fluidez na moldagem e diversidade de tipos. no setor de pneumáticos.Os anos de guerra tiveram enorme influência no crescimento rápido das indústrias de plásticos já estabelecidas e deram impulso a muitas outras indústrias. é insubstituível na fabricação de certos tipos de borrachas. no revestimento de canais de irrigação. O PVC e o poliestireno estenderam seu uso ao mercado de móveis (capas. O consumo de plástico no Brasil triplicou no período de 1964/70. Isso por apresentar vantagens sobre a natural.

chamam-se também combinações orgânicas. formando macromoléculas (polímeros). Baixa resistência mecânica (σ = 15 – 100N/mm2). Baixa condutividade térmica e elétrica. Facilidade de trabalho. 55 . por isso. Alto coeficiente de dilatação (15 vezes maior que o do aço C).2g/cm3). Polimerização São reações químicas que ocorrem entre moléculas iguais (monômeros) quimicamente não saturadas.Propriedades comuns de todos os plásticos Todos os plásticos consistem em macromoléculas que possuem como principal elemento químico o carbono (C). às soluções salinas e ácidas. Baixo coeficiente de atrito. que se unem (por rompimento das duas ligações) em longas cadeias. obtidas através de reações químicas. Alta resistência à corrosão. Pouca estabilidade dimensional – deformam-se facilmente com qualquer variação de temperatura. Boa resistência aos álcalis. De um modo geral os plásticos apresentam as seguintes vantagens: • • • • • • • Pouco peso (Y = 0. Entre as desvantagens podemos enumerar: • • • • • Baixa resistência ao calor. Boa aparência. Obtenção dos plásticos Os produtos básicos dos materiais plásticos são as resinas sintéticas. Não resistem aos ácidos concentrados. aos solventes orgânicos e aos hidrocarbonetos.9 – 2.

Polimerização Essas reações não alteram a composição química molecular. originam moléculas mais complexas. ao reagirem entre si. portanto. Reação de policondensação (elimina água) 56 . álcool ou outro composto simples. com eliminação de água. são irreversíveis. são reversíveis. Essas reações alteram a composição química molecular. Policondensação São reações químicas que ocorrem entre moléculas iguais ou diferentes (contendo grupos funcionais característicos) que. portanto.

sem eliminação de nenhum outro elemento. As macromoléculas formam fios (linhas) (figura seguintes) e são ligadas somente pelas forças de coesão e adesão.Poliadição É uma reação que ocorre entre moléculas de iguais ou diferentes características funcionais. na polimerização uma reação química. O plástico então amolece e pode ser transformado várias vezes. Durante o aquecimento essas forças diminuem e as macromoléculas tornam-se móveis. Classificação dos plásticos Termoplásticos São resinas que amolecem com o calor (superior a 800C) e endurecem com o frio. chamadas de forças de Van der Waals não existindo. 57 . Poliadição Um átomo da primeira molécula une-se à segunda molécula. portanto.

Os termoplásticos também podem ser soldados. usualmente. As macromoléculas são ligadas quimicamente. papel e celulose para melhorar as características mecânicas. Características físicas e de transformação dos termoplásticos mais comuns e Comportamento químico de alguns termoplásticos quando em contato com agentes agressivos. e com fibras. 58 . aplicações e características físicas e químicas dos termoplásticos mais comuns. através de cadeias laterais formando assim uma estrutura tridimensional difícil de romper (figura ao lado). Essas resinas. por motivos econômicos. são misturadas com farinha de soja. tecidos. Estrutura dos duroplásticos O material bruto pode ter a forma líquida ou sólida e é moldado por meio de pressão e calor que são necessários para ocorrer a reação de policondensação ou poliadição. Duroplásticos (termofixos) São resinas obtidas por policondensação ou poliadição e portanto é uma reação irreversível. Os duroplásticos não são transformáveis após a primeira formação. serragem ou pó de rocha. apresentamos as propriedades. Também não podem ser soldados. Estruturas dos termoplásticos Nas tabelas Propriedades e aplicações dos termoplásticos mais comuns.

Veja na tabela Propriedades e aplicações de elásticos mais comuns as propriedades e aplicações desses materiais. Estrutura dos elásticos O elemento de formação das pontes é o enxofre. aplicações e características físicas desses duroplásticos. a borracha sintética e a borracha de silicone. Silicone Os silicones diferenciam-se dos demais plásticos em razão da matéria-prima de que são constituídos. Estão neste grupo a borracha natural. 59 .As resinas termofixas mais usadas são: • • • • • Fenólica Uréica Melamínica Epóxi Poliéster Nas tabelas Propriedades e aplicações dos termofixos mais comuns e Características físicas e de transformação dos duroplásticos mais comuns apresentamos as propriedades. que também é responsável pelo fenômeno da recuperação elástica do material (vulcanização). Elásticos São plásticos cujas macromoléculas possuem poucas pontes de redes.

frisos. agentes antiespuma e fluidos dielétricos. brinquedos. carretéis. vernizes. baixa dureza superficial. Os silicones são menos ativos quimicamente do que os compostos de carbono e são mais resistentes ao calor. revestimento de fios e cabos elétricos. alta resistência. Policarbonato – Nomes comerciais: Makrolon Lexan PC Transparente como vidro. São encontrados em produtos tais como ceras para polimento. juntas. Polietileno – Nomes comerciais: Hostalen Vestolen Polietileno-U Carbide PEHD (alta densidade) PELD (baixa densidade) Elevada rigidez – boa dureza superficial. flores artificiais. cosméticos. embalagens. 60 . Polipropileno – Nomes comerciais: Hostalen Vestolen P PP Elevada estabilidade de forma ao calor – resistente a choques – boa dureza superficial – esterilizável a 120 C – quebradiço a 00C. conduítes. Alta flexibilidade – boa resistência. solas de sapato. placas. fotografias: filmes. São usados como a borracha (veja a tabela Propriedades e aplicações de elásticos mais comuns. guarnições. dielétrico. resistente a choques. caixas para telefone. Tubos. garrafas. brinquedos. dielétrico. resistente à ebulição. Propriedades e aplicações dos termoplásticos mais comuns Símbolo DIN Propriedades Aplicações Cloreto de polivinila – Nomes comerciais: Troriplas Vestolit Hostalit Geom. capacetes. Frascos flexíveis. xícaras. tinta. Mangueiras.Enquanto todos os outros plásticos são constituídos de cadeias de átomos de carbono. saquinhos. câmaras. PVC Rígido PVC Flexível Muito elástico. Poliestireno – Nomes comerciais: Polystirol Vestyron OS Grande rigidez e exatidão de medidas. não é indicado para embalagens de produtos alimentícios. graxas e óleos que devem resistir a alta temperatura. os silicones são constituídos de cadeias de átomos de silício. 0 Peças de automóveis. botas. tenacidade e dureza. Garrafas. Peças para eletricidade e telecomunicações. brinquedos. interruptores automáticos. rádio e TV. Boa resistência. Peças para computadores. pratos. discos. estabilidade dimensional até 1400C. revestimento de fios. vasilhas. recipientes e vasilhas para uso doméstico.

4 – 0.1 – 0.. brinquedos..250 0.91 1.2 – 2. Carcaças de aparelhos elétricos. capacetes... grades.0 2.05 180 .45 1.. engrenagens.80 Temperatura de transformação 0 Contração de moldagem % 0. inalterável ao tempo.5 Temperatura máxima no serviço 0 C C Cloreto de polivinila rígido Cloreto de polivinila flexível Polietileno alta densidade Polietileno baixa densidade Polipropileno Poliestireno Policarbonato Poliamida (nylon) AcrilonitriloButadieno Estireno PVC PVC PEHD PELD PP PS PC PA 175 – 200 175 – 200 185 – 220 150 –175 200 – 220 180 – 210 240 – 290 180 – 290 65 65 120 90 140 80 140 100 ABS 1.20 1. semáforos. mamadeiras.8 1.0 – 4.antitóxico.2 0.0 – 2.15 tração N/m2 30.05 1.96 0.. indústria radiofônica e fotográfica: caixas para rádio e TV..5 – 3.40 50. embalagens para produtos alimentícios. geladeiras.8 90 Comportamento químico de alguns termoplásticos quando em contato com agentes agressivos PVL PE PP PS PC PA ABS 61 .6 0.4 – 0.0 1. filmes. cordas.0 0. rotores de bombas – parafusos e porcas – revestimento de cabos e fios.92 0. Poliamida – Nomes comerciais: Ultramid Durethan Nylon PA Grande capacidade para suportar cargas dinâmicas – dureza e rigidez elevada – resistência aos choques – amortecedor de choques. indústria automobilística. Características físicas e de transformação dos termoplásticos mais comuns Nome Abreviatura Densidade Resistência a g/cm3 1.75 65 60. acústicas – antitóxico – permite a produção de produtos repuxados a frio a partir de chapas.. Acrilonitrilo-Butadieno-Estireno – Nomes comerciais: Novodur Lustran Vestodur ABS Duro resistente a choques – amortece vibrações Utensílios domésticos: batedeiras.50 10. jarras para água..0 1. pás para ventiladores.14 25 10 30.. caixas e teclados para máquina de escrever e de calcular. buchas.5 – 3. ruídos e vibrações – resistente à abrasão e ao desgaste – boas propriedades de deslizamento.20 0.3 – 0. copos para filtros. faroletes traseiros para carros.

pranchas e peças de isolamento elétrico. Ferroell Lenax Durcoton Novatext Resitex Celeron Impregnada em tecido São bastante resistente à flexão e têm boa tenacidade. Propriedades Aplicações Pertinax Repelit Trolitax Impregnada em papel São resistentes à umidade e se incham muito pouco quando em contato com graxa ou óleo. Permitindo colorir-se Aparelhos elétricos. buchas. Corpos para bobinas. rádios.concentrado ácidos fraco concentrado álcalis fraco álcoois óleos minerais graxas benzina esteres éter cetona hidrocarbonetos clorados benzol carburante I E E E I E C C I C C C I I I E I E I E E E E I I I I I I E E E E E E I E E E I E E E E E E I I I I I I E E C I C C C I I I E E E I I I I I I I E E I I I I E – Estável I – Instável C – Condicionamento Estável Propriedades e aplicações dos termofixos mais comuns Nome Comercial Resina fenólica fenol formaldeído (PF) Baquelita Reriform Eshalit Trolitan Isolante elétrico – resistência à pressão de 12 a 15kg/mm2 e resistência à tração de 2. aletas de máquinas pneumáticas. tabuleiro de instrumentos. peças para 62 .5kg/mm2. Resina uréica – Uréia formaldeído (UF) Beetle É inodora e transparente. martelos. caixas para motores pequenos. aspiradores. TV. tomadas elétricas. Engrenagens. Plugs. baterias.

6 – 2. Resistem aos ácidos e a lixívia. os vapores irritam a pele. Borracha natural Proveniente da seiva da seringueira (látex). guarnições.Plaskon Baquelite com cores claras. conectores e aparelhos elétricos em geral. carrocerias de carro. mas pode-se obter qualquer cor por meio de corantes. Isolação em interruptores.F 1. pranchas isolantes contra o calor e o ruído. Resina melamínica – Melamina formaldeído (MF) Melmac Melurac Resina epóxi (EP) Araldite Epirole Epoxim Metallon Existem variedades desta resina – líquida e sólida.2 150 Propriedades e aplicações de elásticos mais comuns Nome Propriedades Aplicações Pneus. etc. incolores e pastosas. verniz ao fogo. cola.F 1. No estado líquido são venenosos.P 1.F 1.45 – 1. As mesmas da resina uréica.55 135 – 188 100 - 1. etc. obtemos resina para fabricação de moldes de fundição. grafite. lâmpadas.40 – 1. Características semelhantes à resina uréica – resiste bem a água. mas endurecidos tornam-se atóxicos. ela é 63 . Resina do poliéster – Poliéster insaturado (UP) Thermaflow Mylar Kriston É incolor e transparente.25 – 1.1 120 – 180 120 E. Peças de rádio e TV. Características físicas e de transformação dos duroplásticos mais comuns Nome Abreviatura Densidade g/cm 3 Temperatura de transformação 0 Temperatura máxima no serviço 0 C C Fenol – Formaldeído (baquelita) Uréia – Formaldeído (uréia) Melamina Formaldeído (melamina) Poliéster (com fibra de vidro) Epóxi F. vidraças de avião. coberturas. Endurece sob pressão. talco. como o branco.37 149 – 177 160 U. transparentes. condensadores.55 135 – 188 135 M. calor e ácidos orgânicos. adesivos para metais. Os epóxis são inodoros e sódicos. Misturada com quartzo.

Não resiste bem a muitos óleos e solventes. Fibra vulcanizada Massa específica 1. Permanece elástica até –700C. etc. celulóide. De cor natural cinzenta. - Alta resistência ao calor. isolantes para fios.aquecida com enxofre (vulcanização) para tornar-se mais consistente mantendo a elasticidade. Emprego: guarnições. Materiais obtidos quimicamente de produtos naturais Celulose sintética Fibra vulcanizada. guarnições. que devem resistir a temperaturas extremas. Facilidade de produção. boa resistência elétrica. Mangueiras e guarnições para óleo. O vapor reaquecido destrói a borracha de silicone. Comumente combinada com a borracha natural e usada nos mesmos produtos. Butadieno estireno (SBR) Propriedades semelhantes da borracha natural. Polímeros de clorobutadieno (cloropreno) (neopreno) Borracha de silicone Suporta temperaturas de trabalho até 150 C. celona e celofane. 0 mangueiras. Mangueiras. 64 . Um pouco inferior à borracha natural em resistência à tração e resistência ao desgaste. sapatas para freios. Alta resistência a óleos e produtos químicos. adquirindo comumente as cores marrom. Não é processado como a borracha natural..4kg/dm3.1 a 1. roxa ou preta. cabos para ferramentas. óleos e a produtos químicos. particularmente para temperaturas altas. luz. Pneus para serviço pesado.

Usinagem de plásticos Devido à baixa condutividade térmica dos plásticos. Emprego: substitui o chifre e o marfim na fabricação de regüetas. é insípido e inodoro. o calor gerado pelo atrito entre a ferramenta e a peça durante a usinagem não se dispersa.3kg/dm3. Celona Massa específica 1.38kg/dm3 (inflamável). Berolit. É conhecido no mercado como Galalit. Os duroplásticos produzem cavacos curtos e quebradiços. provocando. então.Celulóide Massa específica 1. Esbirith. Chifre sintético Massa específica 1. cabos para facas e pentes.4kg/dm3 (não facilmente inflamável mas pega fogo). Quando se queima. armação de óculos. Celofane Papel transparente impermeável. armação de óculos. Pode ser tingido em todas as cores. capa intermediária para vidros de proteção. réguas de cálculo. As ferramentas a serem utilizadas: Metal duro – tipo K10 ou Aço rápido 65 . o que dificulta o corte. Portanto. já os termoplásticos produzem cavacos longos e contínuos. Emprego: placas de proteção. uma combustão nos duroplásticos. É incolor e transparente mas com o tempo fica amarelada. a 700C é fácil de dobrar ou estampar. Já os termoplásticos amolecem e ficam pastosos. durante a usinagem é muito importante que se faça um bom resfriamento com ar comprimido. cheira a leite queimado. Emprego: pára-brisas. resinas. É fácil de ser usinado e se deixa polir. filmes. Esse material é fabricado de caseína (leite desnatado).

1 20 – 40 manual até 1000 0. 66 .3 0.3 até 40 0.Deve-se normalmente utilizar alta velocidade de corte e pouco avanço.1 – 0.2 – 0.1 – 0.3 200 – 250 0.30 Ângulo de saída 0 (γ ) 12 – 25 6 – 10 3 20 – 25 0 – 12 0–6 3 0 3–5 0–8 0 – 25 40 – 50 3–5 5–8 25 0–5 3–5 0–8 0 – 25 Avanço mm/rot Velocidade de corte m/min MD 0.3 200 – 500 0.1 0.2 0.3 manual 0.5 0. Acrílico Aço Ráp. Características das ferramentas para usinagem de plásticos Material Duroplásticos com material de enchimento orgânico Duroplásticos com material de enchimento inorgânico PVC Ferramenta MD Processo Tornear Furar Serrar Fresar Tornear Furar Serrar Fresar Tornear Furar Serrar Fresar Tornear Furar Serrar Fresar Tornear Furar Serrar Fresar Ângulo de folga 0 (α ) 8 6–8 10 – 15 10 – 20 5–8 6–8 10 – 15 15 8 – 10 30 – 40 25 – 30 8 – 10 8 – 15 30 – 40 25 – 30 5 – 10 3–8 30 – 40 25 .1 – 0.5 0.2 – 0.1 60 – 80 manual 2500 – 3000 0.1 – 0.1 – 0. Poliamida (Nylon) Aço Ráp.1 – 0.1 – 0.4 0.4 manual 0.5 200 – 500 150 3000 até 1000 200 – 500 até 100 até 2000 até 1000 500 – 600 20 – 50 até 2000 até 1000 Aço Ráp.1 – 0.3 0.1 – 0.

por meio de pressão. Processo de moldagem por injeção Na moldagem por injeção.Processos de transformação Injeção Na moldagem de materiais termoplásticos aquece-se o material até um estado de fluidez e. em seguida. 67 . desse molde pode-se extrair a peça moldada após o seu resfriamento. Se necessário deve ser preaquecido em um cilindro adequado. Molde para plástico Finalmente. a máquina injetora é alimentada com material granulado ou em pó. onde o material se plastifica o suficiente para que possa ser injetado sob pressão em um molde frio e fechado. é lhe dada a forma de um molde. esfria-se a peça antes de extraí-la do molde.

Extrusão de filmes 68 . mangueiras. chapas. etc. filmes. cabos elétricos.Máquina de moldagem por injeção Extrusão A extrusão é um processo extremamente versátil e entre os artigos fabricados por esse processo incluem-se tubos. folhas.

b) Vazão controlada do produto fluidificado através de uma matriz que o molda na forma desejada. em geral em forma granular. Termoformação Na termoformação. 69 . d) Enrolamento ou corte final. A máquina de extrusão em si é constituída de um parafuso de Arquimedes. c) Solidificação do produto. enquanto que as fases c e d podem ser chamadas de acabamento e se realizam em equipamentos auxiliares. que gira dentro de um cilindro aquecido.Revestimento por extrusão A seqüência básica de processamento de um termoplástico em máquinas de extrusão é a que segue: a) Fluidificação de matéria-prima. As fases a e b são realizadas realmente na máquina de extrusão. seja dentro de um molde. uma chapa de plástico amolecida pelo calor recebe uma determinada forma. em relação ao qual mantém uma folga muito pequena. seja ao seu redor.

o método consiste em fixar a folha num quadro ligado à caixa de molde. é estirada por sobre o molde. que existe acima da folha. A chapa é aquecida até ficar com a consistência de borracha e. por meio de vácuo. 70 .A termoformação pode ser dividida em três tipos principais: Formação a vácuo Em sua formação mais simples. A pressão atmosférica. força-a contra o molde enquanto é resfriada suficientemente para poder manter a sua forma definitiva.

etc. As calandras foram originalmente projetadas para o processamento de borracha. atualmente são utilizadas também para a produção de lâmina dos termoplásticos. tecidos. especialmente de PVC flexível e para a preparação de revestimentos sobre papel. Sopro Aplicado na produção de garrafas. com a diferença que se aplica à folha aquecida uma pressão positiva de maior ou menor intensidade. Introduz-se um tubo pré-formado em estado plástico na matriz e injeta-se ar (sopra-se). Calandragem (esquema) 71 .Formação a vácuo (esquema) Formação sob pressão ou por pressão É o mesmo caso anterior. porém. 3 Sopro (esquema) Calandragem É o processo pelo qual se fabrica uma chapa contínua passando o material amolecido pelo calor entre dois ou mais cilindros. A figura ao lado mostra a seqüência de formação da peça.

fechado desde o início. fora do molde. Moldagem por transferência É um processo em peças que possuem muitos detalhes. embora possa ser também facilmente aplicada aos trabalhos com termoplásticos. para dentro de um molde. basicamente de plásticos termofixos. onde atinge um estado suficientemente plástico que permite sua passagem (sob pressão) através de uma abertura adequada.Moldagem por compressão Usa-se principalmente na fabricação de produtos. 72 . O processo consiste no carregamento de uma certa quantidade de pó de moldagem em uma câmara aquecida.

73 .

.

é a nossa seringueira. absorver choques. isolar ruídos. Sem falar na fabricação de luvas cirúrgicas. A borracha é um material de origem vegetal obtido do látex da seiva de uma árvore chamada Hevea brasiliensis. balões de festa. 75 . calçados. os tubos. Essa árvore. Afinal. No entanto. unir partes. conduzir fluidos. pneus e.000 sementes para a Inglaterra. Após alguns anos. Em 1876. as guarnições? Graças às suas propriedades físicas e químicas.. grandes plantações começaram a produzir em escala comercial. perdeu o monopólio. é muito difícil encontrar uma máquina que não tenha borracha para transmitir movimento.Borracha Sempre que pensamos em conjuntos mecânicos. um contrabando levou 70. os acoplamentos. os materiais a eles relacionados e de que mais nos lembramos são. de que são feitas as correias. onde elas foram cultivadas em estufas e depois plantadas na Ásia. por explorar apenas as plantas nativas.. O Brasil. a borracha é capaz de desempenhar com muita eficiência todas essas funções dentro das máquinas e equipamentos que nos cercam. encontrada em estado selvagem na Amazônia. em geral. os materiais metálicos. Até a segunda metade do século XIX. nativa das florestas tropicais. o Brasil teve o monopólio da produção mundial da borracha. camisinhas.

Porém. A borracha bruta é obtida do látex que é uma emulsão natural retirada por meio de um corte oblíquo feito na casca de uma árvore (como a Hevea brasiliensis. Ele deixou cair acidentalmente uma mistura de borracha e enxofre sobre a chapa quente do fogão. essa descoberta foi considerada de pouco valor. Como sempre. Mas. No dia seguinte. Para se livrar dela. as necessidades de mercado determinaram o rumo das pesquisas e novos produtos surgiram. Estava descoberta a vulcanização. foi a substituição do miolo de pão para apagar traços de lápis. que Charles Goodyear descobriu. lembra?).Embora tenha sido sempre utilizada por índios da América do Sul na vedação de canoas. a borracha só foi descoberta pelos europeus em 1736. se tornara flexível. mais de um século depois. mas as pesquisas em busca de borrachas sintéticas levaram à descoberta do Neopreno (1931) nos Estados Unidos e da Buna (1936) na Alemanha. descobriu que o material que ele atirara pela janela. que fica para a próxima parte da aula. pois a borracha natural é mole e pegajosa quando aquecida e dura e quebradiça quando fria. ao acaso. 76 . Goodyear atirou-a pela janela. na impermeabilização de objetos e na confecção de bolas para jogar. O látex é recolhido em um recipiente preso no tronco logo abaixo do corte. isso é outra história. um modo de tornar a borracha menos rígida e quebradiça. o único uso encontrado para ela. Foi somente em 1839. Nessa condição. O uso de aceleradores de vulcanização e de antioxidantes ajudou a melhorar as propriedades da borracha natural. A mistura pegou fogo e começou a soltar muita fumaça.

em seguida. é derramado em tanques divididos por paredes de metal. se depois forem passadas entre cilindros girando em velocidades diferentes. é uma massa esponjosa que. secas e defumadas. Depois. formam bolas em torno de um bastão. Por fim. Os seringueiros que trabalham na extração do látex das árvores no meio da floresta tropical. Essas bolas são então lavadas. As folhas de borracha que saem dessa laminação.O látex colhido. ele é coagulado pela adição de ácido acético diluído. é laminada entre dois cilindros que giram com velocidades iguais debaixo de água. 77 . O que se obtém dessa operação. transformam-se no que chamamos de borracha-crepe. essas lâminas de borracha são prensadas em grandes blocos e enviadas para as indústrias onde se transformarão em produtos acabados. depois de coado para a retirada de folhas. geralmente deixam que o látex se coagule naturalmente. gravetos e insetos. esse material pode ser defumado para evitar que fermente ou mofe. Lá. Depois.

ela é misturada com a borracha sintética para a fabricação dos mais diversos produtos. torna-a mais elástica e praticamente insolúvel. porém altera-se em presença de luz e calor. Não existem artigos feitos de borracha pura. Outros produtos. têm 60% de borracha. A vulcanização. cuja borracha recebe adição de negro de fumo para aumentar sua resistência à abrasão.Essa borracha. Na verdade. à eletricidade e à água. como os solados de borracha. 78 . realizado sob pressão ou em estufas. que é um tratamento por enxofre (2 a 4%) a quente (110ºC). A câmara de ar que se coloca dentro de pneus tem 90% de borracha. é um produto da polimerização do isopreno. resistente à abrasão. na verdade um hidrocarboneto cuja fórmula é (C5H8). Os pneus. contêm 30% ou menos. Ela é elástica. além de não ter resistência a muitos óleos e solventes.

têm as mesmas propriedades das borrachas naturais. Por outro lado. um copolímero de estireno-butadieno e Buna-N. Esses produtos borrachas nitrílicas (Buna-N) butílicas (copolímeros de isobutileno-isopreno). Já na metade dessa década pesquisas (1936).Borrachas sintéticas A borracha sintética foi criadas para tentar obter um material que melhorasse as propriedades que a borracha já tinha. combinados na proporção de 75% de butadieno e 25% de estireno. possibilidade de vulcanização. e para tentar afastar as incertezas dos mercados fornecedores de borracha natural. solubilidade em solventes. ou seja. em 1931 os alemães desenvolveram as borrachas conhecidas como Buna-S. elasticidade. As borrachas sintéticas. uma vez que a maioria dos produtores estava no sudeste da Ásia. resistência à água. que se preparava para a guerra e os Estados Unidos. ou copolímeros de estireno-butadieno. Assim. apresentam melhor desempenho quanto à 79 . para empresas obter um e americanas produto as com desenvolveram foram as propriedades superiores às da borracha natural. que perceberam a incerteza a que o fornecimento de borracha natural estava sujeito em caso de guerra. um copolímero de butadieno-acrilonitrila. são as borrachas sintéticas mais comuns no mercado. Dois países entraram nessa corrida na década de 30: a Alemanha. Observação Os SBRs. à eletricidade e à abrasão. também chamadas de elastômeros sintéticos.

O quadro a seguir apresenta algumas borrachas sintéticas. Não é processado como a borracha natural Mangueiras e guarnições para óleo em temperaturas altas. diafragmas.e solventes nitrila (Nitrila) Polímeros de clorobutadieno (Cloropreno e Neopreno) Copolímeros de isobutileno (Borrachas butil) Alta resistência ao calor. suas vantagens e desvantagens em relação à borracha natural e suas aplicações. ao calor. guarnições.Propriedades iguais ou isopreno superiores às da borracha natural Butadienoestireno (SBR) Propriedades semelhantes às da borracha natural Amplas facilidades de produção Copolímeros de Combinações com a borracha natural. mangueiras e diafragmas para vapor. Tipo Vantagens Limitações Facilidade limitadas de fabricação e processamento Um pouco inferior à borracha natural em resistência à tração e ao desgaste Aplicações Pneus para automóveis e caminhões Borracha de poli.durabilidade e à resistência a óleos. mangueiras para gasolina e óleo butadieno-acrilo. Queima com facilidade. máscaras contra gases. Tubos internos. tanques de combustíveis. câmaras de ar Baixa resistência à Vedação em equipamentos para tração à abrasão e à refinaria e campos de petróleo. chama. mangueiras. durabilidade Poli-sulfetos (Thiokol) Excelente resistência a óleos e solventes. discos de sede de válvulas. isolação elétrica. a óleos e a produtos químicos. solas. à luz. Excepcional impermeabilidade a gases. à luz e aos ácidos. pneus para serviços pesados Dura quando fria. correias. Boa resistência química. elevada resistência à abrasão. Boa resistência elétrica. pneus. tapetes Maior resistência a óleos Menor resistência à tração Diafragmas para carburador. ao calor e à luz. 80 .

. o Cobertura de fios e cabos. na beira de rios e estradas e até no quintal das casas. Hycar) Excelente resistência a óleos. É elástica até -38oC. onde acumulam água que atrai transmissores de doenças. mudança de condução por meio de tubos e correias. Apesar do alto índice de recauchutagem (reciclagem dos pneus para reaproveitamento) que prolonga a vida dos pneus em 40%. a borracha mantém seu papel único dentro da indústria mecânica. acaba parando nos lixões. Não é compatível com a borracha.” 81 . tração. guarnições e tubos para condições extremas. Alto custo Tubos para a passagem de óleo quente. Quase um terço disso é exportado para 85 países e o restante roda nos veículos nacionais. Adaptado de: Processo de Fabricação e Materiais para Engenheiros. por Doyle. Na Mecânica. borrachas hidráulicas. Só para lembrar da importância desse material. aparelhos para a indústria química. solventes e ácidos. rasgamento e abrasão. guarnições para automóveis Borrachas de silicone (Polysiloxane) Suporte temperaturas de Baixa resistência à trabalho entre 150 a 260 C.. Editora Edgard Blücher Ltda. mísseis e naves espaciais. e outros. mas para aplicações especiais decorrentes de suas propriedades únicas: a elasticidade e a capacidade de retornar quase que totalmente à forma inicial. partes de aviões. Custo elevado. “O Brasil produz 32 milhões de pneus por ano. Lawrence E. Natural ou sintética. já desgastada pelo uso. transmitindo movimento em milhões de máquinas por este Brasil afora. pense nos milhões de correias.. correção de desalinhamentos por meio dos acoplamentos flexíveis.Poliacrílicos (Borracha acrílicas. 1962 A borracha não é usada comumente como material de construção mecânica. Baixa resistência à abrasão e à tração. Suporta temperaturas altas. isso significa o uso para absorção de choques e isolação de vibrações.. a maior parte deles. São Paulo.

devem retiradas adubo comercialização. Com essa tecnologia. a 9. Esses mesmos resíduos (pedaços de 5 cm) podem ser usados para ajudar na aeração. do uso de solventes para separar o tecido e o aço e da adição de óleos aromáticos. Os pneus velhos também podem ser usados como pára-choques em ancoradouros ou em pistas de corrida. solados de sapatos. bastante conhecida em nosso país. Essas partículas. pode crer. basta dizer que cada pneu equivale. já bastante avançada e disponível no Brasil. no Rio de Janeiro.4 litros de petróleo A segunda maneira é a da reciclagem propriamente dita. como combustível de fornos com o devido controle da poluição por gases. no mínimo. Segundo esse mesmo boletim. Para se ter uma idéia da economia que essa queima traz. ou seja. o impacto dos pneus velhos no lixo urbano é da ordem de 0. na ventilação ser de compostos do orgânicos antes para da enriquecimento do solo. o pó gerado na recauchutagem e os restos dos pneus moídos podem ser aplicados na composição de asfalto de melhor elasticidade e durabilidade. comentando os problemas que os pneus velhos trazem para o ambiente. Além disso. por meio da trituração dos pneus. uma organização do Rio de Janeiro. isso dá um bocado de pneus compondo verdadeiros “cemitérios” que. Apesar desses problemas. pisos industriais e borrachas de vedação. após cumprirem sua função. em capacidade combustível. enfeiam a paisagem. 82 . entre outros.O parágrafo anterior foi retirado de um boletim da CEMPRE (Compromisso Empresarial para Reciclagem). obter um produto reciclado com a elasticidade e resistência semelhantes ao material virgem. há algumas maneiras de diminuí-los. é possível. Esse material serve para a fabricação de tapetes para automóveis. eles correspondem a 1% desse lixo. para formar recifes e aumentar a produtividade da indústria pesqueira. A primeira delas é a reutilização por meio de recauchutagem (ou recapagem). Nos Estados Unidos.5%. E.

Transmissões flexíveis Transmissão por polias e correias Para transmitir potência de uma árvore à outra alguns dos elementos mais antigos e mais usados são as correias e as polias. elásticas e adequadas para grandes distâncias entre centros Relação de transmissão (i) É a relação entre o número de voltas das polias (n) numa unidade de tempo e os seus diâmetros. elevada resistência ao desgaste e funcionamento silencioso. V1 = V2 ∴ D1n1 = D2n2 Onde D1 = Ø da polia menor D2 = Ø da polia maior n1 = número de voltas por minuto (rpm) da polia menor n2 = rpm da polia maior 83 . alto coeficiente de atrito. São flexíveis. A velocidade periférica (V) é a mesma para as duas rodas. As transmissões por correias e polias apresentam as seguintes vantagens: • • Possuem baixo custo inicial.

No acionamento simples. O deslizamento depende da carga. quando em serviço. A correia plana.D 1 ) L α ≈ 180º - Para obter um bom ângulo de abraçamento é necessário que: • • A relação de transmissão i não ultrapasse 6:1. A velocidade periférica da polia movida é. O tamanho da superfície de atrito é determinado pela largura da correia e pelo ângulo de abraçamento ou contato (α) (figura abaixo) que deve ser o maior possível e calcula-se pela seguinte fórmula: α para a polia menor 60 . quando existe somente uma polia motora uma polia movida (como na figura anterior). A distância entre eixos não seja menor que 1. ou múltiplo. porém o desgaste da3 correia é maior. No acionamento cruzado as polias giram em sentidos contrários e permitem ângulos de abraçamento maiores. na prática. sempre menor que a da polia motora. (D 2 . a polia motriz e a movida giram no mesmo sentido. quando existem polias intermediárias com diâmetros diferentes.Logo V1 = V2 D1n1 = D2n2 D1n1 = D2n2 n1 D = 2 =i n2 D1 Transmissão por correia plana Essa maneira de transmissão de potência se dá por meio do atrito que pode ser simples. 84 . desliza e portanto não transmite integralmente a potência. do tamanho da superfície de atrito e do material da correia e das polias. da velocidade periférica.2 (D1 + D2).

o perlon e o náilon. O acabamento superficial deve ficar entre quatro e dez milésimos de milímetro. é necessário aumentar o ângulo de abraçamento da polia menor. Material fibroso e sintéticos Não recebe emendas (correia sem-fim). Para isso. Tem por material base o algodão. A polia com superfície plana conserva melhor as correias. para polia de pequeno diâmetro. Quando a velocidade da correia supera 25m/s é necessário equilibrar estática e dinamicamente as polias. suporta bem os esforços e é bastante elástica. Tensionador ou esticador Quando a relação de transmissão supera 6:1. a superfície de contato da polia plana pode ser plana ou abaulada (figura abaixo). A tensão da correia pode ser controlada também pelo deslocamento do motor sobre guias ou por sistema basculante.A correia plana permite ainda a transmissão entre árvores não paralelas Formato da polia plana Segundo norma DIN 111. 85 . usa-se o rolo tensionador ou esticador. própria para forças sem oscilações. o viscose. Materiais para correia plana Couro de boi Recebe emendas. o pêlo de camelo. acionado por mola ou por peso. e a polia com superfície abaulada guia melhor as correias.

É feita de borracha revestida por lona e é formada no seu interior por cordonéis vulcanizados para absorver as forças. Menor carga sobre os mancais que a correia plana. Elimina os ruídos e os choques. O emprego da correia em V é preferível ao da correia plana e possui as seguintes características: • • • Praticamente não tem deslizamento. B. C. Transmissão por correia em V A correia em V (figura abaixo) é inteiriça (sem-fim) fabricada com secção transversal em forma de trapézio. Perfil e designação das correias em V A designação é feita por uma letra que representa o formato e por um número que é o perímetro interno da correia em polegadas. Relação de transmissão até 10:1. Partida com menor tensão prévia que a correia plana. couro e sintéticos Essa correia possui a face interna feita de couro curtido ao cromo e a externa de material sintético (perlon). D e E. em conseqüência do efeito de cunha. Permite uma boa proximidade entre eixos. O limite é dado por p = D + 3/2h (D = diâmetro da polia maior e h – altura da correia) • • • • • A pressão nos flancos. Suas dimensões são mostradas na figura abaixo. 86 . capaz de transmitir grandes potências. típicos da correia emendada com grampos. Essa combinação produz uma correia com excelente flexibilidade. Emprego de até doze correias numa mesma polia. Os perfis são normalizados e denominam-se formato A.Material combinado. triplica em relação à correia plana.

5 11 E 27.(tabela abaixo) Perfil padrão Diâmetro externo da Ângulo da correia A polia (mm) 75 a 170 acima de 170 130 a 240 Acima de 240 200 a 350 Acima de 350 300 a 450 Acima de 450 485 a 630 Acima de 630 do canal 34º 38º 34º 38º 34º 38º 34º 38º 34º 38º T 9.5 8. pode-se encontrar.25 C 15.5 8 6 33 16 13 87 . medindo o comprimento externo da correia.5 38.25 25. o número que vai ao lado da letra.5 6. por aproximação. Perfil Medidas em mm A 25 B 32 C 42 D 60 E 72 Perfil dos canais das polias As polias em V têm suas dimensões normalizadas e são feitas com ângulos diferentes conforme o tamanho.Para especificação de correias.5 32 6 4.5 22.5 4 3 22 9.25 D 22 36. diminuindo um dos valores abaixo e transformando o resultado em polegadas.5 28 12.5 S 15 Medidas em milímetros W 13 Y 3 Z 2 H 13 K 5 X 5 B 11.5 19 17 3 2 17 6.25 44.

a relação de transmissão está em função dos diâmetros das polias. A força se transmite através dos flancos dos dentes e pode chegar a 400N/cm2. As polias são fabricadas de metal sinterizado. Para as correias em V. geralmente. As correias de qualidade têm no seu interior vários cordonéis helicoidais de aço ou de fibra de vidro que suportam a carga e impedem o alongamento (figura abaixo). metal leve ou ferro fundido em areia especial para precisão nas medidas e bom acabamento superficial. Relação de transmissão (i) para correias e polias em V Uma vez que a velocidade (V) da correia é constante. são feitos com módulos 6 ou 10. O diâmetro nominal (figura abaixo) calcula-se pela fórmula: Dm = De – 2x Onde: De x = = diâmetro externo da polia altura efetiva da correia Transmissão por correia dentada A correia dentada em união com a roda dentada correspondente permitem uma transmissão de força sem deslizamento. 88 . o que anularia o efeito de cunha. O perfil dos dentes pode ser trapezoidal ou semicircular. A correia não deve ultrapassar a linha do diâmetro externo da polia e nem tocar no fundo do canal.O perfil dos canais das polias em V deve ter as medidas corretas para que haja um alojamento adequado da correia no canal. deve-se tomar o diâmetro nominal médio da polia (Dm) para os cálculos.

para que não provoquem danos nos mancais e eixos.Para a especificação das polias e correias dentadas. A relação de transmissão (i) é dada por: número de sulcos i= da polia maior número de sulcos da polia menor Procedimentos em manutenção com correias e polias A correia é importante para a máquina. Quando mal aplicada ou frouxa. há quebra dos eixos ou desgaste rápido dos mancais. 89 . As polias devem ter uma construção rigorosa quanto à concentricidade dos diâmetros externos e do furo. quanto à perpendicularidade entre as faces de apoio e os eixos dos flancos. o passo dos dentes e a largura. quando esticada demais. e quanto ao balanceamento. provoca a perda de velocidade e de eficiência da máquina. deve-se mencionar o comprimento da correia ou o número de sulcos da polia.

Os defeitos construtivos das polias também influem negativamente na posição de montagem do conjunto de transmissão (tabela abaixo). Repercussão do defeito Tipo de defeito da polia sobre a posição de montagem Defeito de funcionamento da transmissão por correia oscilação da polia no seu movimento de rotação falta de movimento circular 90 .

ainda. A transmissão por corrente normalmente é utilizada quando não se podem usar correias por causa da umidade. não ocorre o deslizamento. É necessário para o funcionamento desse conjunto de transmissão que as engrenagens estejam em um mesmo plano e os eixos paralelos entre si. de muita utilidade para transmissões entre eixos próximos. substituindo trens de engrenagens intermediárias. óleos. A transmissão de potência é feita pela forma através do engrenamento entre os dentes da engrenagem e os elos da corrente. vapores. É. etc.Transmissão por correntes Um ou vários eixos podem ser acionados através de corrente. 91 .

colocados rolos.Tipos de correntes Corrente de rolos É composta por elementos internos e externos. em transportadores. com abas de adaptação. em movimentação e sustentação de contrapeso e. 92 . é fabricada em tipo standard. médio e pesado. Várias correntes podem ser ligadas em paralelo. onde as talas são permanentemente ligadas através de pinos e buchas. Esta corrente é aplicada em transmissões. formando corrente múltipla (figura abaixo). sobre as buchas são. podem ser montadas até 8 correntes em paralelo. ainda.

de elo a elo vizinho. É conhecida por "link chain". É conhecida como corrente silenciosa. sobre cada pino articulado. Esta corrente permite transmitir rotações superiores às permitidas nas correntes de rolos.Corrente de dentes Nesse tipo de corrente há. pois entre eles não há diferença. pode ser usada em transmissões. 93 . igual. várias talas dispostas uma ao lado da outra. Corrente de elos livres Esta é uma corrente especial usada para transportadores e. o passo fica. podem ser construídas bem largas e muito resistentes. onde cada segunda tala pertence ao próximo elo da corrente. sendo apenas necessário suspendê-lo. mesmo com o desgaste. Além disso. Sua característica principal é a facilidade de retirar-se qualquer elo. ("silent chain"). Dessa maneira. em alguns casos.

Fabricação das correntes As talas são estampadas de fitas de aço. separadamente. É usada nos transportadores e os blocos formam base de apoio para os dispositivos usados para transporte. beneficiadas ou temperadas para aproximadamente 60 rockwell. podendo ter um vergalhão transversal para esforço. As peças prontas são. os rolos e as buchas são repuxados de chapas de aço ou enrolados de fitas de aço. forma um sólido (bloco). com seus elos.Corrente comum Conhecida também por cadeia de elos. cada par de rolos. Corrente de blocos É uma corrente parecida com a corrente de rolos. 94 . os pinos são cortados de arames de aço. É usada em talhas manuais. mas. transportadores e em uma infinidade de aplicações. possui os elos formados de vergalhões redondos soldados.

porque a corrente se aplica sobre a roda em forma poligonal.Engrenagens para correntes As engrenagens para correntes têm como medidas principais o número de dentes (Z). 95 . as laterais dos dentes são afiladas e 10% mais estreitas que a corrente. o passo (p) e o diâmetro (d). O perfil dos dentes corresponde ao diâmetro dos rolos da corrente e para que haja facilidade no engrenamento. O passo é igual à corda medida sobre o diâmetro primitivo desde o centro de um vão ao centro do vão consecutivo.

compreende 60º. 96 . Os dentes são formados de tal modo que os rolos colocados entre eles tenham folga no flanco da frente e no flanco de trás. Engrenagens para correntes de dentes As engrenagens para correntes de dentes têm dentes de flancos retos (sem evolvente). O ângulo entre os flancos. Fabricação das engrenagens Os principais materiais para fabricação de engrenagens para correntes são: aço laminado. Os flancos dos dentes dos elos da corrente devem ser um pouco abaulados para evitar um apoio de canto. aço fundido. sobre os quais se apóia um elo de corrente. ferro fundido e chapa de aço.Algumas rodas possuem o perfil modificado para compensar o alargamento produzido pelo desgaste.

O tensor. quando necessário. O número máximo de dentes de qualquer das rodas não deve exceder a 150. • Nas transmissões horizontais e inclinadas a flexão deve ser aproximadamente 1mm para cada 50mm entre centros.Os dentes são fresados. Os cubos eventualmente podem ser soldados e ligam-se aos eixos através de chavetas. Precauções: • • • O ângulo de abraço da roda motriz não deve ser menor que 120º. e o número mínimo de dentes para cada roda é 16. 97 . Nas transmissões verticais e nas sujeitas a choque a flexão deve ser quase nula. não deve estar mais perto do que quatro elos da roda mais próxima e deve ter 19 dentes. medida no centro entre eixos. no mínimo. A soma dos números de dentes das duas rodas não deve ser menor do que 50. ter o engrenamento de três dentes no mínimo. A distância entre eixos mais favorável está entre 30 e 50 passos. Manutenção das transmissões por correntes Inicialmente será apresentada uma lista de precauções e em seguida o quadro “Defeitos comuns de correntes de rolos” fornecerá os defeitos comuns das correntes de rolos e suas soluções. deve estar do lado sem carga. • • • As rodas dentadas devem ser perfeitamente alinhadas e os eixos nivelados. moldados por fundição ou estampados.

O esticador deve permitir um jogo de 2% do comprimento total da corrente.• • • Para partidas com carga convém usar esticador com molas. A velocidade máxima linear da corrente não deve exceder os limites das especificações. 98 .

É mais empregada na transmissão de baixa rotação do que na de alta rotação. pois é fácil de engatar. 99 . É o tipo mais comum de engrenagem e o de mais baixo custo.Engrenagens Engrenagem cilíndrica de dentes retos Os dentes são dispostos paralelamente entre si e em relação ao eixo. por causa do ruído que produz. É usada em transmissão que requer mudança de posição das engrenagens em serviço.

Engrenagem cilíndrica de dentes helicoidais Os dentes são dispostos transversalmente em forma de hélice em relação ao eixo. É usada em transmissão fixa de rotações elevadas por ser silenciosa devido a seus dentes estarem em contato constante. Serve para transmissão de eixos paralelos entre si e também para eixos que formam um ângulo qualquer entre si (normalmente 60 ou 90º). uma componente axial de força que deve ser compensada pelo mancal ou rolamento. porém. Tem. 100 . permitindo uma economia de espaço e distribuição uniforme da força. Engrenagem cilíndrica com dentes internos É usada em transmissões planetárias e comandos finais de máquinas pesadas.

É usada para transformar movimento giratório em longitudinal.As duas rodas do mesmo conjunto giram no mesmo sentido. podendo ser menor ou maior. Engrenagem cilíndrica com cremalheira A cremalheira pode ser considerada como uma coroa dentada com diâmetro primitivo infinitamente grande. Engrenagem cônica com dentes retos É empregada quando as árvores se cruzam. 101 . o ângulo de intersecção é geralmente 90º.

em baixas velocidades.Os dentes das rodas cônicas têm um formato também cônico. diminui a precisão e requer uma montagem precisa para o funcionamento adequado. A engrenagem cônica é usada para mudar a rotação e direção da força. o que dificulta sua fabricação. 102 .

Sempre engrenam vários dentes simultaneamente. Os dentes possuem o perfil da evolvente e podem estar inclinados à direita ou à esquerda. Os dentes oblíquos produzem uma força axial que deve ser compensada pelos mancais. o que dá um funcionamento suave e silencioso. 103 . Pode ser bastante solicitada e pode operar com velocidades periféricas até 160m/s.Engrenagem cilíndrica com dentes oblíquos Seus dentes formam um ângulo de 8º a 20º com o eixo da árvore. Os dentes vão se carregando e descarregando gradativamente. Engrenagem cilíndrica com dentes em V Conhecida também como engrenagem herringbone ou espinha de peixe. Possui dentado helicoidal duplo com uma hélice à direita e outra à esquerda.

a engrenagem em espinha de peixe deve ser montada com precisão e uma das árvores deve ser montada de modo que flutue no sentido axial. Pode ser fabricada em peça única ou em duas metades unidas por parafusos ou solda. eliminando a necessidade de compensar esta força nos mancais.Isso permite a compensação da força axial na própria engrenagem. 104 . Usam-se grandes inclinações de hélice. Para que cada parte receba metade da carga. Neste último caso só é admissível o sentido de giro no qual as forças axiais são dirigidas uma contra a outra. Engrenagem cônica com dentes em espiral Empregada quando o par de rodas cônicas deve transmitir grandes potências e girar suavemente. geralmente de 30 a 45º. pois com este formato de dentes consegue-se o engrenamento simultâneo de dois dentes.

105 . São usados quando se precisa obter grande redução de velocidade e conseqüente aumento de momento torsor.O pinhão pode estar deslocado até 1/8 do diâmetro primitivo da coroa. O sem-fim e a coroa servem para transmissão entre dois eixos perpendiculares entre si. Parafuso sem-fim e engrenagem côncava (coroa) O parafuso sem-fim é uma engrenagem helicoidal com pequeno número (até 6) de dentes (filetes). Isso acontece particularmente nos automóveis para ganhar espaço entre a carcaça e o solo.

.

Telecurso 2000 – Profissionalizante – Materiais. 1989. São Paulo 1997. São Paulo. Tecnologia de Materiais (Manutenção Mecânica 4). Metalmecânica – Teoria Caminhão Betoneira. Por Marcos José de Morais Silva e Dirceu Della Coletta. 1997. SENAI-SP. São Paulo. 107 . 1997. FRM/SENAI-SP.107 Referência bibliográfica SENAI-SP. V. Por Luiz Rodrigues da Silva e Regina Célia Roland Novaes. Por Abílio José Weber e Adriano Ruiz Secco. Por Regina Célia Roland Novaes e Selma Ziedas. V. Metalmecânica – Teoria Caminhão Betoneira. 2. SENAI-SP. 1. São Paulo.