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ALGUMAS CARACTERÍSTICAS DO PORTUGUÊS DO BRASIL1
Ana Maria Stahl Zilles professora do Instituto de Letras da UFRGS

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INTRODUÇÃO

! o. Nesta exposição, retomo um debate muitas vezes já travado na sociedade brasileira (cf. Lobo, 1994), em diversos momentos de nossa história e em diversas instâncias da vida social, debate este que gira em tomo da seguinte pergunta: qual é a língu~ falada no Brasil? À primeira vista, a resposta parece ser tão óbvia que nem haveria j ustificati va para levantar tal pergunta: falamos o português, ora bolas! Entretanto, trata-se da mesma língua falada em Portugal? Trata-se da mesma língua trazida para o Brasil pelos colonizadores, em diferentes momentos de nossa história? Falamos a língua trazida pelos primeiros portugueses. no século XVI? Todos os portugueses que aqui chegaram falavam a mesma variedade de português ou não"?

! E mais, o que 'teria ac~ntecido com a língua do colonizador em contato, iniCialm+te. com indígenas falantes de diferentes línguas' , depois, com milhões de negros' escra~os . oriundos de tribos diferentes, falantes de línguas diferentes, e, mais tarde. em contato com imigrantes europeus e asiáticos? Tais perguntàs e muitas outras têm apenas respostas parciais na litera\ura especializada. Pouco se sabe, de fato, da história da língua no Brasil, da história desses contatos e de como os problemas de comunicação foram (e são) resolvidos. ~sse desconhecimento é ux,ndos motivos por.que, na falta de dados reveladores dos fatos, torna-se fácil divulgar e enraizar mitos. I Um desses mitos é, justamente, no dizer de Stella Maris Bortoni-Ric~do . (1984:9), o de que "somos um país privilegiado, pois do ponto de vista lingüístico tvdo • nos une e nada nos separa''iOu seja, de que, no Brasil, todos falamos a mesma lín~ua," de que não há dificuldades de intercompreensão entre, por exemplo, nortistas e sulistas ••. entre moradores da zona rural e dos centros urbanos, entre pessoas das, camadas , populares e das elites. ! Os estudos sociolingüísticos levados a cabo nos últimos trinta anos, assim c9mo os estudos dialetológicos e filológicos desenvolvidos anteriormente ou ainda'em andamento, já mostraram inúmeras evidências de que não só o português do Brasil difere em muitos aspectos do português de Portugal, mas. também. de que há grande variação lingüística interna no país, considerando-se quer a dimensão geogrãfica, qjuer . a dimensão social. i Por isso, como urh bom mito, o da unidade lingüística no Brasil - e entre Brasil e Portugal - serve fundamentalmente para oferec:r uma visão ilusória' da realidade, ou. em outras palavras. constitui uma forma de NAO ver a realidade. oU de

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1 Uma primeira versão desta exposição foi apresentada durante o curso de extensão intitulado "Uma política didático-pedagógica para ensino de língua portuguesa na Escola-Cidadã". durante o segundo semestre de 1996. Posteriormente. foi revista para ser apresentada durante o V Seminário Estadual de Língua Portuguesa e Literatura Río-Grandense e I Fórum de Educação em Rio Pardo. no dia 25/07/97. O que aqui se apresenta é uma síntese revista dos dois trabalhos. Agradeço ao Prof. Gregory Guy pelas oportunidades de discussão dessas questões quando de sua estada na UFRGS como professor visitante. em agosto/setembro de 1996. Parte das idéias aqui desenvolvidas 'inspiram-se nas conferências e aulas que aqui ministrou. Agradeço às colegas Profa. Luciene Sim15éS'bProfa. Dorotea Kersch, bem como à mestranda . Hilaine Gregis. pela leitura do original e pelos valiosos comentários. Por fim. agradeço. também. ao colega Prof. Paulo Guedes pela oportunidade de participar do cursode extensão antes referido e de compartilhar com os professores de língua minhas preocupações e reflexões. As falhas são de minha inteira responsabilidade,

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Copiral CópIas Ltda. Original
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2 Atalíba Castílho (1992) refere-se à questão da origem dos primeiros portugueses que vieram para o Brasil - se do norte ou do sul de Portugal - c as possíveis relações drsso com tendências atestadas no Português do Brasil. Trata-se de um texto valioso que o próprio autor denomina de "roteiro de leitura", 3 Esta é matéria controvertida. Castilho (1992:239) faz referência a "um milhão de indígenas'te "cerca de 300 lfnguas". Rodrigues (1993:83) calcula. com base em projeção feita a partir de dados da época. uma cifra de 1.175lfnguas indígenas no território brasileiro quando da chegada dos europeus. Não é de+iS dizer que. hoje. esse número não passa de 180! I 4 Mais materia controvertida. Castilho (1992:239) menciona urna cifra de 18 milhões de escravos: Guy (1989:228) refere-se a uma cifra de 3.6 milhões. com base na obra intitulada The Atlantic Slave T1'3d~.de Philip Curtin (Madison: Universíty of Wisconsin Press, 1968). Clovis Moura. em "Dialética radical do Brasil negro" (São Paulo: Editora Anita. 1994). discute a questão mostrando a enorme dificuldade de estabelecer índices definitivos em função de a documentação encontrada até o momento. sobre o tráfic~ de . escravos. ser inexata e incompleta. i l

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Uma concepção de língua que reconheça que. tecnicamente. isso só pode ser feito mediante a explicitação da realidade na sala de aula. contudo. 90 91 . e sim num fato objetivo: o de que falam uma variedade de língua diferente da do entrevistador.. na maioria dos brasileiros. na medida em que a aceitação da variação lingüística implica a aceitação da diferença e a busca de uma concepção mais adequada de língua e de ensino de língua. como as diversas reformas ortográficas promovidas pelo governo). do governo. do rádio. julgo importante. da sintonia entre interlocutores. A mep ver.. frente a seus interlocutores. que cito a seguir. sentem-se excluídos. o que vem sendo. nos dois depoimentos. E: De quê? \ 1: Ah. . dar novo impulso a essa discussão. por suas incapacidades (supostas. do ajuste às situações em que as pessoas se encontram e das formas mais adequadas de alcançar seus propósitos comunicati vos e suas representações sociais. diz que ela não ~ boa. nos dois trechos. no sentido de constante flexibilidade no uso dos recursos lingüísticos em busca da intercompreensão. médicos._-_ __ . _ __ . Por ! . do poder. que o problema que enfrentam não está neles. como disse antes. 1984:15e16): I (1) E: Mas tem um programa especial (no rádio) que a senhora gosta? I: Tem maisi eu num entendo daquilo. eu esqueço. dentre as quais está a de aprender o português da escola. segundo tudo indica. Professores de língua? De língua portuguesa? Mas. menos ainda qualquer outro conteúdo! Essa violência consiste. Uma concepção 'que não se restrinja a privilegiar uma única variedade de língua coxrio. A respeito da auto-imagem que os falantes brasileiros têm de si mesmos. no Brasil. ou seja.. mesmo se ele é professor em uma Universidade. \ ocultá-Ia. I \ O falante nativo. na falta de memória ou na "cabeça ruim". E na instância do exercício da cidadania. cidade-satélite de Brasília (cf. porque algum gramática. tô c 'a cabeça ruim . E se não existe. a senhora participa de alguma coisa? I 1: Participo. Esses falantes não percebem. engenheiros. pois. em geral. ' Chama a atenção. Na instância da escola. é só pelo reconhecimento da realidade lingüística que se pode superar uma violência constantemente repetida em nossa sociedade: a de fazer crer à maioria dos brasileiros que eles não são capazes de aprender sua própria língua.) e língua padrão (a que. especialmente pelos professores de língua. Pontes (1987:95) afirma: ' o sentimento de autodesvalia transparece claramente. e de leis. retomar o debate. que prefiro chamar de língua culta. a variação é a regra. se não falamos sobre ela. da televisão. pode ter conseqüências benéficas em pelo menos duas instâncias: a do ensino da língua na escola e a do exercício da cidadania. se não a reconhecemos abertamente. por razões desconhecidas. essa distinção entre língua cultallíngua padrão e o reconhecimenr da variação lingüística são condições necessárias para que os professores compreendam mais claramente o seu papel de formar cidadãos capazes de usar a língua com I I flexibilidade. Por àcreditarem no mito. não por quem os exclui de verdade . Os professores reforçam esta crença cada vez que eles recusam uma sentença.· __ . de entrevistas feitas por pesquisadores com rnigrantes da zona rural radicados em Brazlândia. eu vejo eles falá. deficientes. numa inversão das coisas. sofreu o processo de padronização. do jornal. de acordo comas diversas exigências da vida e da sociedade. que ninguém fala? Ou a efetivamente usada pelos falantes-cidadãos? Que língua devemos ensinar? ·A que os alunos já aprenderam ·em sua comunidade ou a língua de que vão precisar para o exercício pleno da cidadania? Certamente. um sentimento de autodesvalia que contribui para que não se vejam como capazes de compreender e mudar a sociedade. simultaneamente representados como superiores e plenamente capazes. porque acredito que permite uma compreensão mais acurada das dificuldades dos alunos diante da tarefa de aprender a chamada língua padrão e propicia que o professor desenvolva uma atitude de respeito ao aluno enquanto pessoa..cidadãos participantes dos processos de decisão. eu sõ boba. o resultado é óbvio: ela não existe. do livro. Assim. bela e real. para fazer urna distinção entre língua culta (a dos falantes cultos: professores. de gramáticas e a explicitação de normas.a única certa. (2) E: E assim de grupos de igreja. cumé que é que responde a senhora. na prática diária dos falantes. de qual variedade do português? A preconizada n~s gramáticas. esta última. A crença em que a língua portuguesa é tão difícil que ninguém sabe escrever é espalhada em nossa sociedade. é claro!). de dança.a elite que detém o poder -. não se vejam corno. em manter e reforçar. não acha que conhece sua lingua 'e não tem confiança no que escreve. como procuro caracterizar a seguir. por outro lado. o chamado português padrão. inclusive por órgãos como a Academia Brasileira de Letras. eu num sei de que que é. Por isso. acabam por se auto depreciarem. mas por sua própria "culpa".' i A meu ver. generalizadamente reforçado na escola. Bortoni-Ric~do. etc. que inclui a confecção de dicionários. não há nada a fazer a respeito. pois acredito que essa atitude de querer compreender a realidade como ela é. E se não vemos a realidade. expressos numa linguagem que não compreendem ou com a qual não se identificam. jornalistas. o fato de que essas pessoas se representam como inferiores.

I i 5 Para uma reflexão mais aprofundada de tal distinção. No que segue. Acredito! que a comparação explícita. que seI comparem modos de falar e de escrever. Para uma introdução ao assumo. o crescente emprego de a gente promove redução auma só forma marcada: (3)A vida não me chegava pelos jornais nem pelos livros Vinha da boca do povo na língua errada do povo Língua certa do povo Porque ele é que fala gostoso o português do Brasil Ao passo que nós O que fazemos.. podemos supor a existência de ums processo de mudança na língua falada. ------_. 1977).---- . É macaquear A sintaxe lusiada Mais de 60 anos nos separam do poema de Manuel Bandeira e.':'. veja-se. não marcada. que se desvelem os va1o~es sociais atribuídos às variedades do português e se discutam as atitudes de prestígio e. que de língua flexionada passou a marcar apenas a 3a pessoa do singular do verbo no presente (hei she/it comes. uma importante conseqüência sintática poderia' estar. então. inclusive de terceiro grau. Uma tal mudança seria comparável ao que ocorreu em outras línguas que conhecemos? O inglês. 6 Prestígio e estigma são concebidos como valores sociais.. para as demais pessoas. no sentido da perda das desinências verbais dê' pessoa e número (Lernle & Naro. adquirem prestígio as formas associadas às classes dominantes.. associadas aos grupos sociais que tipicamente as utilizam. em que circunstâncias. I e a segunda.-_. ressalt::n~o sua maior ou menor gener~lidade.----. TaralJo (1985). é o propno reconhecimento das diferenças.:.': ...: . Vejamos alguns exemplos.•. para a I' pessoa do singular e a outra. desde a primeira série. 93 __ . i . atribuídos às variantes língüístícas.as varieda~es faladas e escritas. sendo que.' . isso. . en:re .. procuro mostrar algumas das características do português falado no Brasil. . na variedade rural de Minas Gerais descritapor Assis (1988). Na fala coloquial do RS.. ' (3)eu canto tu/você canta ele canta nós cantamots) / a gente canta vocês cantam eles cantam Paralelamente. seu recado não tem sido ouvido nas escolas.. urgentemente.. duas vantagens: a primeira. mesmo considerando falantes escolarizados. respectivamente positivos ou negativos. entre outros. a elã relacionada: a de progressivo aumento da freqüência de sujeito preenchido porproncme. de modo geral. decorrente da primeira. " .. enquanto recebem estigma as formas associadas às classes populares. o sistema padrão se reduz a duas formas no singular (canto/como) e duas no plural (cantamos/ cantam).:. neste momento.. por exemplo._. Não é demais._------------------- . etc.:. lembrar Manuel Bandeira quando dizia.. pelo menos. como deve mesmo ser para cumprir sua função.._'--.. julgo de fundamental importância que se discuta abertamente a variação. a fim de oferecer aos professores alguns subsídios para o trabalho comparativo antes proposto. ao que parece.:. tem. que também está passando por uma redução das desinências verbais (na fala) e exibe hoje a conseqüente obrigatoriedade de mencionar o pronome reto como um afixo do verbo? Face a essa possibilidade de mudança (de perda das desinências verbais) no português do Brasil. ainda.--_. o seguinte: REDUÇÕES E MUDANÇAS MO~OSSINTÁTICAS Uma primeira redução que eu gostaria de considerar é a que se observa nas desinências verbais de pessoa e número. para quem. Assim. como se observa em: I I I (4)eu canto você canta ele canta nós/a gente canta vocês-canta eles canta Se considerarmos.:Ui._--_ . sob a forma de nome ou pronome? Ou o francês. é a compreensão das diferenças. estigma" associadas a cada forma de dizer ou de escrever o quê. veja-se. nas aulas de português.ipor exemplo. emsal~ de._---' . ! 92 ~. Precisamos. Lucchesi (1994). certamente mais conservadora e uniforme. o sistema de pessoa e número tem apenas duas formas: uma. marcada.. em um poema de 1930 chamado Evocação do Recife. no plural. conhecer as características da Iingua falada e em que essa variedade se distancia da língua escrita. com que propósito. em oposição a come para todas as outras pessoas) e a exigir a menção ao sujeito.'. que há variação no emprego da desinência de 3' pessoa do plural em diversas regiões do país. aula..

iros desafios que têm de enfrentar diariamente.e n. estaria passando por uma processo de descrioulização. M~ chama a atenção o índice menor de apagamento em outras classes de palavras. haveria uma exceção nos verbos: com o verbo pôr e seus derivados. conforme. também. Assim. para os professores. apesar de nossas estúpidas ações e de nossa culposa omissão. ao lado dessa interpretação dos fatos de variação (mudança espontânea da língua na direção da perda das desinências verbais). por exemplo. Costuma-se atribuir ao crioulo.. Marinho (1996). segundo monografia de Bertani (1996). do contato' teriam surgido um ou mais crioulos: (como no Haiti e em muitos outros lugares com história social semelhante à do Bi' colonial). Mas eu gostaria de ressaltar que. Esta hipótese' I toma por base a história social do Brasil colonial e vê nas múltiplas situações de contato I entre o português e as línguas africanas trazidas pelos escravos. não dizemos. entre outros. o apagamento do Irl ocorre em 97% dos casos de infinitivo. proposta. 1995) e Holm (1992) rediscutem a hipótese de origem crioula para o português do Brasil e apresentam interessantes evidências a partir de estudos de comunidades isoladas. Um outro processo de redução existent. em muitas partes da América. em lugar de apagá-los como requer a: sintaxe da escrita (sintaxe lusíada?). por força de dominação política e cultural.__ . I ou nome. muito no sistema verbal. a fonte das diferenças entre o português popular do Brasil e o português de Portugal ou da elite brasileira. tanto quanto ~a observação assistemática me permite julgar. por exemplo. 1992:47). Tarr'Io (1990:139-141).. & Alkmin (1987). 9 Bortoní 0989:167-68) descreve sucintamente o movimento migratório no Brasil e estuda.os chamados pidgins . ~ ._-----_ .. poderíamos compreender melhor por que nossos alunos "repetem" tanto os pronomes sujeitos quando escrevem. por oposição ao pidgin. -. -Na fala de Porto Alegre. da África e da Ásia. gaúchos. I Não pretendo discutir tais hipóteses e nem teria novos argumentos tara apresentar aqui. Lira (1988). nos adjeti vos. que teriam <ladoorigem à fala popular hoje encontrada no país. Como explicar esse fenômeno? Pode-se pensar na existência de uma rfgra fonológica de redução das sílabas travadas por consoante (CVC) para sílabas abertas terminadas em vogal (CV) (cf. a característica de ser língua materna dos que nascem em uma nova comunidade lingüística. como se observa no infinitivo e\-: ao que parece.professf em lugar de professor? Talvez não. O que dizer dos substantivos: é possível termos má em lugar de mar. ! 10 Um manual que contempla a diversidade da língua e de usos é a obra de FARACO & TEZZA (1992). Tarallo. cabe ressaltar que sobre o apagamFnto I I ~P~~~tf ! I L I ! I I 7 Baxter (1992. . com o êxodo rural e o crescente processo de urbanização e concentração da \ pop_u!~~o os grandes centros? . os cri~ulos apresentam-se como mesclas das línguas postas em contato.que surgem em situações de contato entre falantes de diferentes línguas/culturas a fim de pemútir a [ntercomunícação. _ . que teria de considerar. .. ao longo de mais de três séculos. De qualquer modo. com a ampliação da rede de ensino e a implantação dos meios de municação de massas. Para uma introdução ao assunto. são verdadd. é o apagamento de consoantes finais. Por outro lado.ndo eu cantá em lugar de quando eu cantar. ~SS3 redução não parece possível. Por isso. pelo menos.a língua falada. no futuro do subjuntivo: dizemos cantá em lugar de cantar e qua. Nesse caso. de outros crioulos de base portuguesa e de situações de contato entre o português e línguas indígenas. Paredes e Silva (1991 ). em geral. ainda que possamos ter mulé ou muié em lugar de mulher e. qualqué em lugar de qualquer.. Todos os contatos lingüísticos são em si interessantes e. por sua Z. Esta. voltemos à caracterização da língua falada. dentre eles. as línguas de minorias de imigrantes e as línguas indígenas cujas tribos ainda não dizimamos. maió em lugar de maior.. por exemplo. considerando os dados do Projeto Variação Lingüística Urbana no Sul do Brasil (Projeto VARSU4).1989). que consIstiria na aquisição das regras da língua padrão ou. Holrn. há uma outra hipótese. 8 Crioulo é a denominação dada à consolidação de variedades de língua emergenciais . consulte-se. num grupo determinado. É possível que nosso ensino falhe por não sermos capazes de explicitar para os nossos alunos quais regras presidem o apagamento de sujeito na escrita e em que tais regras diferem das que presidem a fala! Diversos estudos têm siqo feitos para destrinçar esta questão. suas conseqüências lingüísticas. mais generalizadamente entre nós. Segundo esta hipótese. superiõ em lugar de superior. na progressiva aproximação às regras da fala culta. Mas julgo da maior importância mencioná-Ias para despertarjnos professores o interesse pela história das línguas no Brasil. por Guy (1981. estabelecida. muitas vezes sem qualquer apoio [nos materiais de que dispõem (que gramáticas ou livros didáticos tratam dessas questões". como foi o caso nos processos de colonização européia. Assim. 94 95 .. nos últimos cinco séculos.

respondeu: vamo. um estudo sobre narrati vas colhidas em "Pedra D'água (PB). p. . outra redução que eu gostaria de destacar aqui. Esses exemplos sugerem que precisamos investigar dois aspectos. Mas. Algumas delas já apareceram nos exemplos de conjugação verbal acima: a substituição de vós por vocês. um dos .. conhecem as regras sociais de uso da língua e controlam sua fala para atender às exigências das situações. válida em todo o país.19) I I I J I A? concluir a palestra antes mencionada. empregam as formas contendo as reduções acima desc~ta~!em maior escala e ficam sujeitos à avaliação negativa. Transcrevemos apenas três ocorrências: i (7) mai eu saí de lá com pena . já comentadas.Id fenômenos variáveis ~o português do Bra~il que.. revelar ~ valor a elas atrib~ído pela sociedade e. com a maior naturalidade. duas professoras que estavam na acima ~e tud. devemos destacar.. Por outro lado.1996). o que tem sido estudado por diversos autores. Ao que a outra. se possível. enquanto fenômenos variáveis.do Irl nos verbos não recai estigma. novamente. na fal~ de todos os falantes. comunidade negra semi-isolada. a variação e as implicações no emprego de pronomes possessivos e reflexivos são apresentadas a seguir. em seu já clássico artigo-apelo-à-pesquisa. provável escravo fugitivo. em maior ou menor escala. ~ Um comentário que me parece importante fazer diz respeito ao fato de que essas reduções. (idem.. prontamente. de fato. i Trata-se do apagamento de Iel final de palavra. quando da minha exposição. a resposta seda não. coisa que tinham duvidado que ?zessem. Acho importante registrar esse fato para acrescentar que precisemos. também saliente nos verbos:' (9) aí tinha um rapai lá que deu cachaça pra eu tomá .de Manuel Paulo Grande. descendentes . . dependendo do grau de formalidade da situação. (idem. Mas é interessante registrar que o apagamento do Is/ ocorre em outras classes de palavras. seria necessário explicar o que a bloqueia nas demais classes de . . Já os falantes com menor escolaridade e menor flexibilidade no uso da língua não têm a mesma competência comunicativa: conseqüentemente. Dizemos. Em primeiro lugar. para exemplificar. capazes de grande flexibilidade comunicativa. iDionisio. se o mesmo se verifica em outras classes de palavras. mesmo sem ter consciência disso. A respeito de a gente. no seminário de Rio Pardo. é papel da escola mostrar essas diferenças. até. em respeito ao aluno. sugiro a leitura de alguns trabalhos ~ue tratam da questão: Guy (1981. palavras e. da velocidade com que ele fala. 96 97 . A essas alterações nas formas dos pronomes retos correspondem alterações no restante do sistema pronominal. como exemplo. de modo geral. e como se observa nos dados de Dionísio (1994). é evidente que o apagamento do /s/ se faz sentir mais marcadamente no sistema de concordância nominal. Tarallo (1990: 126-12P) e Holm (1992:52-53). p.tu cantas / tu canta (6) na l' pessoa do plural . A meu ver. intimamente relacionadas com as reduções do sistema de desinêneias verbais. enquanto professores. no mesmo instante. em conformi9ade com as regras da língua padrão." São narrativas 1 orais espontâneas.nós cantamos / nós cantamo'! Cabe perguntar. Paralelamente às reduções já mencionadas. O segundo aspecto a investigar diz respeito à não aplicação da regra i de apagamento do Irl no verbo põr e seus derivados. entre vários outros citados-por Lernle (1978:70-72). aparecem. também. i Há.o. Uma disse para a outra: vamo Investigá ISSO. 1994:18) (8) adepoi teve um médico lá . o uso bastante generalizado de você em lugar de tU!2 e o uso crescente de a gente em lúgar de nós (Omena. dentre eles. ainda. Para nao me estender demais. Os chamados falantes cultos.. ~vitando formas estigmatizadas quando é o caso. o que não parece ser o caso nas demais classes de I palavras. Nesse sentido. em princípio. oportunizar que ele desenvol va esse uso flexível das regras variáveis em função das exigências sociais. meno em lugar de menos? Mê em lugar de mês? Trê em lugar de três? Ao que parece. como menciona Holm (1992:47). pelo menos para a fala gaúcha que mais conheço. I I (5) na 2' pessoa 40 singular . relacionar isso com a questão da direção da mudança em curso: antes mencionada.22) Mais uma vez chama a atenção o maior estigma ao apagamento do Isl [nas outras classes de palavras que não verbos. com outras reduções.. na fala popular. profundas alterações em curso no sistema P. o de que a regra de apagamento esteja realmente circunscrita às formas verbais ~ nesse caso. tem re.p:u-a~elatar que tinham tomado consciência de sua própria fala. ambas perceberam que haviam.fonominal do português falado no Brasil. para podermos oferecer-lhes uma visão mais adequada da realidade e um ensino' mais proveitoso. (b) A gente pode se encontrá lá. 1996: Menon. Oliveira e Silva (1996). de como nossos alunos falam. Scherre (1989. surgidas no decorrer d~aconversa com duas pesquisadoras (Angela : Paiva Dionísio e Elizabeth Lima). tomar consciência da forma como falamos e. E. formada por analfabetos. do monitoramento exercido pelo falante sobre sua pr6pria fala e. inibem a ocorrência das reduções. platéia me procuraram para dizer que tinham ficado muito interessadas pelas questões tratadas. (c) Nós combinamo a( s) nossas coisa depois. Estaria o estigma impedindo a difusão de uma regra de apagamento? Ou estariam I emjogorazões internas ao sistema lingüístico?' i . ainda que brevemente.cebido bastante aten~ao i os pesquisadores. (10) (a) Nós podemo nos encontrá lá. 1989). apagado o /s/ final do verbo. 1996).

Dos seis tempos simples do modo índicativo. acabar de. temos então um sistema em que persistem apenas as flexões do presente. (15) (a) Estudarei depois de jantar. e a inexistência desse pronome no dialeto rural (Assis. (a) Estudaria. Trata-se do uso generalizado de se como pronome reflexivo. de falantes cultos. Seria. a meu ver. (c) Vi ela ontem. então. também combinado ao infinitivo. de um lado. enquanto que em (15) o verbo auxiliar aparece no presente. prevalecem as formas oblíquas. As formas em (a) e (b) acima parecem só persistir na escrita e. não sem antes mencionar um último aspecto. permitem a expressão dos valores do mais-que-perfeito. mostrando a influência ~o contexto sintático . entre outros. 1 Com relação aos pronomes. ver Vitral (1996). dever) que funcionam do mesmo modo. temos ambos os verbos auxiliares flexionados no imperfeito e combinados a formas nominais (particípio e infiniti vo).. de outro. como bem observam Duarte (1989:30-32) eHolrn (1992:54). Apresento apenas dois exemplos das formas não-padrão: Não é necessário muito esforço para perceber a incongruência entre a realidade e o que ensinamos em sala de aula. 15 Veja-se. se tivesse tempo. como se observa nos exemplos abaixo: ! • I I (13) (a) Estudara muito antes de jantar: (14) (b) Eu tinha estudado muito antes de jantar. os/as. (b) Eu vou estudar depois de jantar. um grande número de auxiliares" aspectuais (começar a. . paralelamente. com base nas descrições incompletas ofereci9as nas gramáticas tradicionais" . mas é nesta que as formas oblíquas já não são mais encontradas na fala. (e) Nós se vemo depois. (b) Eu ia estudar. também relacionado ao sistema verbal. I 98 99 . (e) Eu vi 12> ontem. ~plicadas aos ve~os auxiliares. recebem estigma" e ocorrem mais em linguagem informal ou na fala de pessoas com menor grau de escolaridade. as quais. como em (e). esses alunos podem pensar que burros somos nós. na fala formal. face às limitações de espaço. Dar aos alunos uma visão adequada dessas d~fer~nç'a's . Arnaldo Antunes e Arto Lindsey. eventualmente... por sua vez. como na letra da canção Beija eu: beija eu}beija eu}me beija. Canção que apreciamos sem atribuir ignorância a seus autores . cuidada. Após essa breve incursão pelo terreno dos pronomes. parece que o sistema verbal atual' privilegia construções analíticas em lugar das construções 'sintéticas. a forma zero. parar de.I I (d) A gente combina a(s) nossas coisa depois. a inovação na língua? Que repercussão tem sobre o preenchimento ou apagamento do sujeito? Muito mais precisaria ser dito sobre o sistema pronominal do português falado no Brasil. na fala" ." ser investigada. Refiro-me ao emprego de locuções verbais em lugar dos tempos simples. merece ainda destaque a progressiva substituição das formas oblíquas de terceira pessoa o/a. (l2)(a) Onde é que nós vamo se lavá? (b) Onde é que nós vamo lavá (nós mesmos)? 12 Para uma perspectiva histórica da forma você. As construções em (b) podem ser consideradas reduções . deixo aos leitores a tarefa de ampliar esse quadro aqui apenas esboçado. (f) A gente se vê depois. em oposição a você/ocê. se eu tivesse tempo. ao que parece... pretérito perfeito e pretérito imperfeit~. falo em reduções do paradigma verbalem relação às construções em (a). de Marisa Monte. pelo pronome lexical ele/ ela ou pelo pronome zero. Nas outras pessoas. (d) Eu vi ela ontem. quero tratar de ~m outro aspecto. No entanto. • tratar as formas da fala como erradas e os alunos que as empregam comoburros. o texto de Jacyra Mota (1996). ver Faraco (1996). Outra quest~o a . a respeito das incongruências entre o conteúdo das gramáticas e a descrição lingillstica dos pronomes pessoais sujeito. Como há. 13 O emprego das formas retas em posição de objeto não se restringe à terceira pessoa. pior ainda.• seria. As formas em (c) e (d). 14 Mas note-se que são bem aceitas as construções como Eu vi ele limpar o carro ontem. continuar a) e alguns auxilares modais ~ (poder. como se observa a seguir. porque. Para uma análise da possível clítícízação de cê. muito mais adequado do que simplesmente ignorá-Ias ou. 1988:71-75). seus professores. ainda que ocorram as formasretas. (ll)(a) Vi-a ontem. o qual novamente implica reduções. futuro do presente e futuro do pretérito. (b) Eu a vi ontem. Com todo o direito.neste caso. em (13) e em (14). que nem sequer vemos a realidade! . .

ela chegou ontem. Vejamos alguns exemplos. não da escrita. precisa ser corrigido (com camisa-de-força'i). infelizmente.20-6·81).. vale mencionar as orações adjetivas preposicionadas (Tarallo. elas assumiriam as seguintes configurações: Essa bolsa aberta ato eu podia te roubar a carteira. (19) (a) ganhei um sabonete do qual não gostei (padrão. a crueldade também universal dos açougues. que emprega a denominação acima adotada. em contraste com as construções não marcadas Sujeito-Verbo-Objeto. No entanto. e Figueíredo Silva (1996). Diante disso.escritor pode. acompanhados dos comentários pertinentes: 16 Propositadamente.« Não caberia ao professor ao menos indagar do aluno se o que ele quer dizer é o mesmo que pode ser expresso pelas formas certinhas .. sem que o professor se pergunte o que. A Rosa. bem. Assis. pois sabe o certo. formal) (b) ganhei um sabonete que não gostei dele 100 . quando os professores encontram um tipo de sentença que não é usual na língua escrita. por isso. Seguemse alguns exemplos. dito de outro modo. uso restrito à língua escrita e fala cuidada. Essa crença errada está sendo descorfirmada por todo aquele que estuda a língua oral em situações reais. de fato. No entanto. quais são suas funções" no discurso. 1983. A mesma autora caracteriza Os professores de português.ela chegou ontem a Rosa Considerem-se também estes outros exemplos de estruturas tópico-comentário apresentados por Pontes (1987: 86): bichos.Para análises ~lt~ativas . a Rosa. o comportamento milenar e sempre novo da juventude (Estado de Minas . precísaria ser dito sobre cada um dos aspectos já levantados e sobre outros que poderiam ser aqui incluídos. constata-se a interferência de uma avaliação negativa a priori do aluno . como erros. o aluno é outra história: pressupõe-se que ele só sabe as" formas estigmatizadas e que. 17.. eles tendem a considerá-Ia errada. com pronome relati vo precedido de preposição. dentre outras. os alunos querem dizer quando as empregam. ou. para atingir um certo efeito. para alguns aspectos da organização sintática da frase.)? É ainda de Pontes (1987:93-94) a passagem a seguir. discuti tais construções.dessas construções. Esta atitude é baseada no preconceito de que o falante nativo não sabe usar a língua para comunicar as mais sutis. não seguem o uso dos bons escritores. feita por Pontes (1987:57). Às vcZt's. Quando lhes mostramos que mesmo os melhores escritores usam estas estruturas em suas obras. a partir de Pontes (1987): (16)Tópico-comentário -:. são condenadas na escola. ~e imediato. comentando a atitude dos professores: (17)essa casa bate muito sol a belina cabe muita gente essa Janela não venta muito Pontes (1987:85-86) observa que tais construções.A cidade dá prá sentir o riso dos adultos. veja-se Ponte~ (1987). de construções que não parecem ser Sujeito-Predicado no sentido mais tradicional. 1992). para marcar tais construções como próprias da fala. gostaria de chamar a atenção para a existência.em casos como o da construção Tópico-Comentário fica difícil saber qual seria a forma "certa": Quanto a essa bolsa aberta aí (. (.a Rosa ela chegou ontem" Deslocamento de sujeito à direita . concentrandome naqueles em que as diferenças entre fala e escrita são mais marcantes. "nuances" de significação. 198~). No caso de representá-Ias em texto escrito. essas construções aparecem nos textos de nossos melhores escritores. inclusive de pessoas cultas. prestigiada. a naturalidade dos essa postura do professor como preconceito: Como um rêsultado da ignorância ESTRUTURAS SINTÁTICAS NA FALA E NA ESCRITA \ Em primeiro lugar. mas (J aluno não". também consideradas marcadas ou especiais. na fala.essa bolsa aberta aí eu podia te roubar a carteira" Deslocamento de sujeito à esquerda . eles respondem que "o escritor sabe como usâ-las. que transcrevo a seguir: (18). que as caracteriza como redobramento de sujeito. me permito mudar o foco. em minha tese de doutorado (Zílles.. e dbs preconceitos. apesar de muito comuns na fa~..)? Diante· dessa bolsa aberta aí (. • I Ainda no âmbito das construções em que fala e escrita se distinguem. obviamente. Ela chegou ontem.) eles acham que os alunos que as usam "não dominam os padrões corretos de pensamento". mas as prescrições dos gramâticos. mas emprega formas orais por razões '" estilísticas: o aluno. não emprego sinais de pontuação nem letras maiúsculas iniciais. como é o caso da citação de Carlos Drummond de Andrade.Muito mais. 18 Adotando uma perspectiva funcional.

... Espero que este caminho possibilite que nossos alunos não se sintam ameaçados pelo que lhes queremos ensinar. . Como esse uso tem sido repetidamente registrado na literatura gramatical e lingüística. onde a renomeação remete mais à especificação do objeto. deve haver mais do que ignorância dos escritores em jogo. (e) "( . não-redundante. 24. (não-padrão.04. pela desmistificação da realidade. 1996: 130) (d) "Aqueles sós direi.. do inferno e perde os b-eens que d'ante auya fectos (.. que capacita o aluno à flexibilidade no uso.. né. : ~ ••: ." (Istoé n01338.. pecando mortalmente.. 1996:68).. __ ... .... Como revela o estudo de Kersch (1996)...•. tempo. além de ser usada como pronome relativo para a idéia de lugar (restrita à noção de espaço físico pelos gramãtícos)..) muyto ha gramde rrazom de profundamente gemer e de 'sse fundir em 1agrimas a pessoa que assanha seu cryador. Temos que ser capazes de. estigmatizada.. a palavra onde. a simbolização remete mais a valores sociais. .:.... Aí. de substituir seu dialeto pela língua padrão ou de ameaçar sua identidade pessoal. citado por Kersch.. dobutamina e placebo).... um registro que também me parece interessante diz respeito aos usos da palavra onde para ligar orações.•..95... citado por Kersch . ao ser entrevistado por um pesquisador (E) da universidade (citado em Assis. posse (esquiva do emprego de ClJjo?). oriundos do dialeto rural (Assis. a autora mostra que o onde díscursivo encontrado (e condenado) em textos escritos atuais (exemplo c) é comparãvel ao encontrado em Camões (exemplo d) e em texto arcaico do século XIV (exemplo e). com a estrutura do exemplo (c). ai trapaia tudo. .. ao desenvolvimento de sua competência comunicativa. conhecendo a realidade. 87. pois não se trata de impor uma única variedade de língua. citado por Kersch. 1988:61): A: . Por isso. Kersch procura caracterizar os contextos sociais e discursi vos em que esses andes ocorrem. evento (exemplo b). p. .__ . o estigma que recai sobre as construções dos alunos. _.. em suas redações escolares. usada na fala e na escrita) A esses exemplos. com pronome cópia.. CONCLUSÃO Examinadas algumas das características da língua efetivamente falaca (e mesmo escrita) no Brasil. normalmente com fortes marcas ideológicas. uma relação mais honesta com seus alunos. que lhes permita respeitá-los e ajudá-los a construírem. mais uma vez.. citado por Kersch. .. perdendo-a.da qual a língua é parte necessária . não pude evitar a lembrança do título da comédia shakespeareana: Much I Ado About Nothing /Tanto Barulho Por Nada ..._ .. que aventuraram Por seu Deus..•. _ . né! \ I E: O senhor queria falar assim. não corremos o risco de nos depararmos com depoimentos como o que segue.. a gente fica mei nervoso. onde compareceram políticos. Onde.õ... •..2' ed. acredito ter indicado aos professores um caminho: o de buscarem.. para encerrar essa breve discussão sobre construções sintáticas. em fama a dilataram Ao considerar. __. da coletânea de textos arcaicos de Leite de Vasconcelos. 1996: 116) (c) "Este trabalho apresenta três grupos (dopamina. São Paulo: Martins Fontes. (21)(a) "Diferentemente Jas operações de determinação. é possível acrescentar outros. contrariando a prescrição gramatical. XIV. Além disso.' (artigo científico de autoria de dois médicos.__ .B2.. para que exerçam seu direito à cidadania e participem da construção de uma sociedade mais humana. não-estigmatizada.1996: 109) (b) "Itamar disse que a recepção oferecida pelos chineses foi um evento social.---------. 1988:62-3): . a amada vida." (João Wander1ey Geraldi... sem escolaridade.uma representação de si mesmos como seres capazes de aprender e de criar. (20)0 moço que eu saí mora ali na Portera Tão bem de suas obras merecida. e os argumentos de clareza e elegância usados para justificar sua condenação.205.. séc. empresários efiguras da sociedade brasiliense. Portos de Passagem.. citado por Kersch (1996:69).•. com base na sua identidade pessoa1.. de 1922) : I I o home que eu casei foi embora de vez Por fim. usada na fala informal) (c) ganhei um sabonete que não gostei 0 (não-padrão. por seu Rei._~. .. às veiz oceis tem uma fala deferente.. p. honde perde Deus e o parayso e gaanha os tormentos." (Os Lusíadas. _ . 1993. de um agricultor (A) falante do dialeto rural de Minas Gerais. ao empregarem a palavra onde com valor discursivo. diferente? 103 102 -- -------- --- ---.. a partir do estudo de textos de [éculos anteriores. Sob essa concepção de ensino. )" (Castelo Perigoso... onde [significando de modo que?) foi possível comparar o efeito da dopamina com outra droga inotrópica. também é empregada para indicar espaço nocional (exemplo a).•_I.-- . VII.. promover o que se convencionou chamar de ensino produtivo da língua.

167-180. Aí eu tinha . A dona que essa língua que náis fala num é assim errada.oprendê essa língua da escola é uma boa tamein. O tratamento você em português: uma abordagem histórica. .114-117. Nôis num precisa tê vergonha dela.).revelandonossa ati~de avaliativa em relação a esses falares e. :. simbolicamente cedendo a palavra a quem fala da realidade: "Minha filha tava sempre sufocado.. In: Revista Internacional de Lingua Portuguesa. Johrí.. Acho que consegui sensibilizartambém. p.jan/jun 1994. 1996. ingasgada. Fotografias SociolingtJfsticas.. diverg§ncias nas vertentes afro-brasíleiras.. o resultado concreto de um trabalho que considera e discute a variação pode ser visto nos depoimentos de pais de alunos de uma escola primária. Campinas. Porto Alegre. (78-79):9-32.7-36. 1989. i 19 No momento em que concluía a palestra já referida. I FIGUEIREDO SlLVA. Petr6polis (RJ): Vozes. . UFPR. Alan N.da UNICAMP.'. 1992. né! Tinha que botá pustiça.. 1996..julho-dezembro de 1984. Mas suas fisionomiasmudaram completamentequandomencioneiespecificamenteo comentáriodessamãe.Como costumodizer aos meus filhos." fei: vê que eu posso aprendê. sabê falá os dois jeito._:. dezem~lro 1995. respeito é bom e todo mundo gosta.. ln: TARALLO. A postura interacional do narrador. né! (risos) Ao contrário. J9 Não cum ar de deboche. Variações ungtusncas e suas impli~ações no ensino do vernáculo: uma abordagem socioltngutsttca.. I CASTlLHO. Lingtlfstica Ronulnifa. Eglê. Maria Cristina. 1992. da UNICAMP. (20):59-81. In: ll. Problemas de comunicação interdialetaí.a esses falantes. Angela Paiva. 1996. I GUY. ~ . Análise fonolôgica do infinitivo na fala de Porto Alegre. . REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ASSIS. BANDEIRA.. Prática de texto: ltngua portuguesa pra estudantes universitários. Carlos Alberto. . ln: TARALLO. llnguisttc Variarion in Brazilian Portuguese.'. obviamente..' :~. ln: Trabalhos em Lingutsttca Aplicada. '. Actas do Colóquio sobre Crioulos de Base Lexical Portuguesa. 1930) BAXTER. University of Pennsylvania. Lisboa: Colibri. [monografia não publicada) : BORTONl-RICARDO. .). In:__ . (23):11-28.. Silvia Renata. (13):51-82. 2° semestre de 1988. . sensibilizadapor sua filhàter sido tratada com respeito. Maria Eugênia Lamoglia. Gregory R. p. Transmissão geractonal irregular na história do português brastleiro .ARI. Português do Brasil. Popular Brazilian Portuguese: a semi-creole. Ataliba T. Cristóvão. Evocação do Recife...~~ ' ' ·':::::. p. Associação das Universidades de Língua Portuguesa. n "A sinhora desceu até nóis e cum isso as criança qué chegá até a sinhora. Rosa Maria. FARACO. por tabela. I A: leu? num dá não . Bogotá: Instituto Caro y Cuervo. ~n: Fragmenta.'. p.19-34. " "Otro dia minha filha ainda me disse: num sabia que eu num era burra. Janeiro: Livraria José 0lympio. Estrela da Vida Inteira. Aspecrs of the Phonotdgy. Alain (orgs. Lisboa.IUUFRGS. I GUY.117-132. né! aí eu tinha né. Rodolfo. 3' ed.p. Carlos Alberto & TEZZA. • I DUARTE. 237-285.que distraí meus dente. 011 the nature and origins of Popular Brazilian Portuguese. (originalmente publicado no livro: denominado Libertinagem.. In: d' ANDRADE. Curs9 de Pôs-Graduação em Letras Vernáculas: CNPq. Ernesto': & KIHM. dirigidos ~professora de seus filhos.p. GregoryR. Alan N. Flcrianópolis. A contribuição das comunidades afro-brasíletras isoladas para o debate: sobre a crioulização prévia: um exemplo do Estado da Bahia.. In: Pesquísa & ensino da lingua: contribuições da sociolingtlfstica: Anais do II Simpásio Nacional do GT de Soctoungutsüca da ANPOU.: . São Paulo: Ática. UNICAMP. BAXTER.. de O. Camplnas (SP): Pontes: Ed. O conflito sociolingtustico nos primeiros anos de escolaridade.. 1981. 1973. . Stella Maris. Curitiba. [phD dissertation]. Clftico acusativo. Campinas (SP): Pontes: Ed -. In: Ilha do Desterro.227. Fernando. nao só na boca mas na mão tamein. 1996.. i HOLM. qué falá iguar a sinhora.1989. publicaci6n n083. BORTONl. Ann Arbou!: Univer~ity Microfilms... ln: Estudios sobre espanol de América)' ltngutstíca afroamericana. A posição sujeito no Português do Brasil: nas frases finitas e infinitivas.. A sinhora como qui bateu nas costa dela e fez ela sortá as palavra.. BERTANI.245. i DIONÍSlO. i FRANCHl. tinha que mudá a parecença tudo que Deus me deu. A migração rural-urbana no Brasil: uma análise sociolingUfstica. Ernestd & KIHM. da tJNICAMP. Rio de Janeiro: Timing Editora: UFRJ.. Campinas (SP): Ed. minhas duas jo~ens ouvintes. Mais. Eglê Franchi. Rio de Janeiro. I FARACO. Manuel. com os quais concluo esta exposição. Fernando. pronome lexicai e categoria vazia [no português do Brasil. Fotografias Sociolingtlfsticas.percebiqueduasjovens da platéiariam. ln: d'ANDRADE. Acras do Colóquio sobre Crioulos de Base Lexical Portuguesa. lendo essas citações e me esmerando para pronunciá-Iascomose falassetal dialeto. p. Stella Maris. Alain (orgs.(14):72-90. I ! 104 105 I . Syntax and Languàge History. Rio de. 1992. In: Tempo Brasileiro.

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