Transversalidades fotografia sem fronteiras 2013

Territórios, Sociedades e Culturas em tempos de mudança

Transversalidades 2013

título

Transversalidades 2013 – fotografia sem fronteiras
Coordenação

|

Territórios, Sociedades e Culturas em tempos de mudança

Rui Jacinto
Coordenação fotográfica

Monteiro Gil
textos

António Gama | Antonio Nivaldo Hespanhol | António Pedro Pita | Eliseu Savério Sposito | Eugenio Baraja Rodríguez Henrique Cayatte | Jorge Gaspar | Lúcio Cunha | Maria Encarnação Beltrão Sposito | María José Prados Messias Modesto dos Passos | Pedro Hespanha | Rosangela Ap. de Medeiros Hespanhol | Rui Jacinto | Santiago Santos Valentín Cabero Diéguez | Victorino García Calderón | Xulio X. Pardellas
produção

Alexandra Isidro
revisão

Ana Margarida Proença
Apoio técnico

Arménio Bernardo

|

Alexandra Cunha

|

Sofia Martins

Design | pré-impressão

Via Coloris, Design de Comunicação, lda.
impressão | acabamento

Marques e Pereira, lda.
tiragem

1000 ex.
Depósito legal

335972/11
iSBN

978-989-8676-02-3
edição

Centro de Estudos Ibéricos R. Soeiro Viegas, 8 6300-758 Guarda www.cei.pt

Transversalidades fotografia sem fronteiras 2013
Territórios, Sociedades e Culturas em tempos de mudança

Índice
Tema 1 Tema 2

Melhor portfolio .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. 8 Imaginar o mundo na era da imagem - Rui Jacinto .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. 12

Paisagens, biodiversidade e património natural
Fotografias premiadas.. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. Fotografia e Paisagem - Jorge Gaspar .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. Portfolios selecionados .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. Paisagens, biodiversidade e património natural - Lúcio Cunha.. .. .. .. Fotografias selecionadas .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. Paisagem e património natural – Espanha - Eugenio Baraja Rodríguez Paisagem e Território - Messias Modesto dos Passos .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. 22 27 32 45 47 68 72

Espaços rurais, povoamento e processos migratórios
Fotografias premiadas.. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. Población y espacios rurales, su imagen y su estética - Santiago Santos Portfolios selecionados .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. “L’essentiel est invisible pour les yeux” - Pedro Hespanha .. .. .. .. .. Fotografias selecionadas .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. Espacios rurales, poblamiento y procesos migratorios - María José Prados.. O tempo da natureza e do homem - Antonio Nivaldo Hespanhol e Rosangela Ap. de Medeiros Hespanhol . .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. 80 .. 85 .. 88 .. 95 .. 98 .. 106

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Índice
Tema 3

Cidade e processos de urbanização
Fotografias premiadas.. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. Cidade palimpsesto - Henrique Cayatte .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. Portfolios selecionados .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. As cidades e os processos de urbanização - António Gama .. .. .. .. Fotografias selecionadas .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. Cidade e procesos de urbanización - Xulio X. Pardellas .. .. .. .. .. Urbanização e cidades, ciência e arte: a fotografia como linguagem - Maria Encarnação Beltrão Sposito .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. 114 .. 120 .. 122 .. 133 .. 136 .. 146

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Cultura e sociedade
Fotografias premiadas.. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. Imagen, cultura, sociedad y su estética - Victorino García Calderón .. Portfolios selecionados .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. Cultura e sociedade - cidade, arte e política - António Pedro Pita .. .. Fotografias selecionadas .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. Imágenes y miradas solidarias - Valentín Cabero Diéguez .. .. .. .. .. A imagem, a cultura e a cultura da imagem - Eliseu Savério Sposito .. Legendas das imagens . .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. 154 .. 160 .. 163 .. 174 .. 178 .. 198 .. 200 .. 204

Tema 4

Territórios, Sociedades e Culturas em tempos de mudança
melhor portfolio

melhor portfolio

Transversalidades

I fotografia sem fronteiras

Vítor dos Santos teixeira Portugal

4. 1. 12. 1. 35 Os homens do Sal_2 *(1) Marinhas de Santiago, Aveiro (Portugal), 2012 4. 1. 12. 3. 35 Os homens do Sal_3 *(2) Marinhas de Santiago, Aveiro (Portugal), 2012

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Territórios, Sociedades e Culturas em tempos de mudança

4. 1. 12. 6. 35 Os homens do Sal_6 *(3) Marinhas de Santiago, Aveiro (Portugal), 2012

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I fotografia sem fronteiras

4. 1. 12. 5. 35 Os homens do Sal_5 *(4) Marinhas de Santiago, Aveiro (Portugal), 2012 4. 1. 12. 4. 35 Os homens do Sal_4 *(5) Marinhas de Santiago, Aveiro (Portugal), 2012

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Territórios, Sociedades e Culturas em tempos de mudança

4. 1. 12. 1. 35 Os homens do Sal_1 *(6) Marinhas de Santiago, Aveiro (Portugal), 2012

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Transversalidades

I fotografia sem fronteiras

Imaginar o mundo na era da imagem
rui Jacinto * O que quer isto dizer? Que verdade é esta que uma película não erra? Que certeza é esta que uma lente fria documenta? (…) A realidade verdadeira dum objecto é apenas parte dele; o resto é o pesado tributo que ele paga à matéria em troca de existir no espaço. Semelhantemente, não há no espaço realidade para certos fenómenos que no sonho são palpavelmente reais. Um poente real é imponderável e transitório. Um poente de sonho é fixo e eterno. Quem sabe escrever é o que sabe ver os seus sonhos nitidamente (e é assim) ou ver em sonho a vida, ver a vida imaterialmente, tirando-lhe fotografias com a máquina do devaneio, sobre a qual os raios do pesado, do útil e do circunscrito não têm acção, dando negro na chapa espiritual. Fernando Pessoa. Livro do desassossego.

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sonho do fotógrafo na era da imagem: imaginar o mundo. A produção exponencial e a difusão viral de fotografias, provenientes de recônditos lugares e retratando distintas situações, permite aceder, quase instantaneamente, a uma avalanche de imagens, das mais simples, banais e anónimas às mais complexas, sofisticadas e icónicas. A rapidez com que circulam e a banalização dos respectivos conteúdos transformaram a fotografia num produto instantâneo, retirando-lhe densidade, espessura e a áurea de mistério que a envolvia. O momento capital que fixa o meio natural, a diversidade de paisagens e as manifestações humanas, captadas em variados contextos económicos, sociais, culturais e políticos, esboça em cada fotografia uma pequena geografia que revela como “o espaço é a acumulação desigual dos tempos”, qual mapa onde se condensa o movimento e a mudança que ocorre a montante e a jusante daquele instante. A uniformização e crescente fragmentação dos territórios, que se verifica em todos os continentes e a todas as escalas, das locais às globais, também subtraiu capacidade da fotografia, inequivocamente e de modo imediato, interpretar e situar os espaços retratados. Porque nem sempre mostra toda a verdade e pode ser usada para manipular ou, mesmo, mentir, é legítima a interrogação se a fotografia continua a valer mais que as apregoadas mil palavras. Todas estas razões converteram a fotografia numa das metáforas do nosso tempo. Desde os seus primórdios que a fotografia cumpre a nobre missão de retirar do anonimato pessoas e territórios olvidados, incomoda quando produz testemunhos que permanecerão como memória futura, interpela ao mostrar o que alguns pretendem ocultar, traz ao conhecimento público casos e situações que gostariam de manter esquecidos. Razões estéticas, documentais ou emocionais concentram em determinadas imagens tal carga simbólica, que somos obrigados a questionar, como outros já o fizeram, por que certas fotografias nos obrigam a olhar para o que não queremos ver.

Territórios, Sociedades e Culturas em tempos de mudança

A comunicação inter-pessoal, o acesso à informação e ao conhecimento, do mais simples ao mais elaborado, fizeram-nos dependentes de imagens. Um breve acesso ao universo das redes sociais mostra como naufragamos num oceano de tantas e tão variadas imagens, como o excesso de elementos visuais pode não dar resposta cabal à necessidade real de informação estratégica. Esta irónica contradição mostra como a quantidade avassaladora de informação visual que continuamente nos submerge, por si só e de forma imediata, não é suficiente para descodificar as mensagens que carregam nem estruturar uma leitura assertiva do mundo que nos rodeia sem recurso a adequadas ferramentas de leitura e intermediação. A fotografia, contudo, continua a ser uma convenção do olhar, uma linguagem de representação, a expressão de um olhar sobre o mundo, imagem híbrida onde a realidade captada passa a incorporar e a veicular uma mensagem com determinado conteúdo histórico, social e cultural. “Nesse sentido, as imagens são ambíguas (por sua natureza técnica) e passíveis de múltiplas interpretações (em relação ao meio através do qual elas circulam e do olhar que as contempla). Por isso, para a sua interpretação, são necessárias a compreensão e a desconstrução desse olhar fotográfico, através de uma discussão teóricometodológica, que permita formular problemas históricos e visuais, no sentido de que a dimensão propriamente visual do real possa ser integrada à pesquisa histórica”1. Como os exploradores, os cartógrafos e a generalidade dos geógrafos, também os fotógrafos retratam territórios físicos e imateriais, desenham mapas imagéticos onde vertem o sonho que todos continuam a prosseguir: resumir numa única imagem, seja fotografia, desenho ou mapa, tanto o que lhes vai na alma como o conhecimento do mundo acumulado em longas viagens interiores e exteriores. Como se velho geógrafo, perante a ingenuidade desarmante do Principezinho, continuasse a esgrimir argumentos na vã tentativa de eternizar o efémero: “As geografias, disse o geógrafo, são os livros de mais valor. Nunca ficam fora de moda. É muito raro que um monte troque de lugar. É muito raro um oceano esvaziar-se. Nós escrevemos coisas eternas.” É o que, à sua maneira, também pretende o fotógrafo. Exclusão seria o que o fotógrafo não gosta, não quer, não pode ou está proibido de fotografar. Razões endógenas (não gostar, não querer), razões exógenas (não poder, ser interdito). (…) Fotografar é também resistir e cada um resistirá conforme a sua pessoa. Não é humanamente possível fotografar tudo; há que escolher, portanto há que excluir. Mas também não é possível reduzir o mundo à sua representação fotográfica. Tendo a acreditar que a fotografia está para a realidade como o mapa para o território. Um minuto depois do “clic”, o mundo já não é exactamente assim. Um dia depois do temporal, o mapa já não espelha fielmente o terreno. Tudo isto me leva a concluir que a fotografia é sempre uma ficção porque a sua relação com o real é, por inerência, filtrada pelo olhar do autor que exclui segundo os seus valores éticos e estéticos. Gérard Castello-Lopes (2004) - Reflexões sobre fotografia. Assírio & Alvim: 117-121.

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Transversalidades

I fotografia sem fronteiras

Transversalidades: fotografia, inclusão e identidade territorial. A imagem, desde as cavernas e as remotas pinturas rupestres, tem acompanhado o processo de socialização, ordenado a relação entre os homens, feito a sua intermediação com o visível, o invisível e o transcendente; desde Lascaux e Altamira, o homem “parece ser possuído por essa quase religiosa necessidade de representar, de recriar o mundo, para o celebrar ou para lhe esconjurar os perigos.” As imagens, no passado mais recente, invadiram todos os domínios do quotidiano e da organização social, tornaram-se omnipresentes, conheceram uma difusão tão prolífera que, em muitos casos, configura uma verdadeira poluição visual. Na sua versão digital ou virtual, estão na televisão, no cinema, nos jogos, na internet, no telefone e em toda a parafernália de gadgets, assumindo um significado que transcende o seu incontestado valor estético, documental ou pedagógico. Os territórios (lugares, regiões ou países), por outro lado, também constroem a sua própria imagem, combinando marcas materiais com sinais intangíveis, desde as crenças às ideias, impressões e expectativas que suscitam. Porque, “em última instância, o espaço regional é também uma imagem. Entre os homens e o espaço em que vivem, uma das relações mais fundamentais é a da percepção, do comportamento psicológico em relação ao espaço vivido”. Como salientou Armand Fremont em A região, espaço vivido (1976, 1980: 109), “os mecanismos da aculturação e da alienação impõem aos homens uma certa imagem dos lugares onde vivem, do seu espaço, da sua região. E essa imagem, aceite, recalcada ou recusada, constitui um elemento essencial das combinações regionais, o laço psicológico do homem com o espaço, sem o qual a região seria apenas a adaptação de um grupo a um meio, ou um encontro de interesses dum espaço dado”. A imagem, em sentido lato, por todas estas razões, viu reforçada a sua importância como objecto de estudo, mas, também, como elemento estratégico a ter em conta na acção, sobretudo quando estão em causa certas políticas públicas. O campo de investigação que se abriu em torno da imagem, necessariamente interdisciplinar, tem por objectivo “problematizar a centralidade das imagens e a importância do olhar nas sociedades contemporâneas”, envolve as artes, a comunicação, a geografia, a história, a antropologia, a psicologia, a sociologia. Os estudos sobre a cultura visual analisam “a forma como os diversos tipos de imagens perpassam a vida social cotidiana (a visualidade de uma época), relacionando as técnicas de produção e circulação das imagens à forma como são vistos os diferentes grupos e espaços sociais (os padrões de visualidade), propondo um olhar sobre o mundo (a visão), mediando a nossa compreensão da realidade e inspirando modelos de ação social (os regimes de visualidade)”2. A utilização da fotografia na promoção dos territórios tem sido analisada, sobretudo, em estudos sobre os centros urbanos e a actividade turística: concluem que o discurso imagético é de forte selectividade, recorre a fotografias que apenas divulgam aspectos singulares ou marcas parcelares, vincando fragmentos estetizados da paisagem, da arquitectura monumental ou conjuntos urbanos limpos e bem conservados. Este tipo de comunicação obedece a uma estratégia simples e eficaz: ressaltar elementos arquitectónicos imponentes ao mesmo tempo que omite ou desvaloriza expressões materiais de alguma degradação ou descaracterização física; a humanização da paisagem e do seu entorno é feita por persona-

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Territórios, Sociedades e Culturas em tempos de mudança

gens, geralmente estereótipos, facilmente identificáveis, donde se excluíram pedintes, ambulantes e, por vezes, até pessoas comuns. A narrativa deste discurso prossegue um único objectivo: tornar apelativos certos lugares pela exaltação da beleza, do esplendor e da glória, quase sempre passada, construir ícones e clichés a partir de material imagético, quase sempre redutor, com forte carga ideológica, que valoriza a paisagem e o património, real e simbólico, enquanto recursos consumíveis pelo turismo e actividades similares. Os sinais fortes que os lugares encerram viram marca territorial, elemento nuclear dum conceito que é colocado ao serviço da promoção espacial. A criação e a gestão de imagens transforma-se, pois, na estratégia quase exclusiva do marketing territorial, apostado em valorizar certos atributos dos lugares, por vezes de forma artificiosa se não artificial, para lhes conferir notoriedade, induzir competitividade e, deste modo, os tornar mais atractivos junto de diferentes públicos internos e externos. Além da coesão territorial a fotografia tem servido outras causas, designadamente a da coesão social. Como ferramenta é usada em metodologias de investigação/acção participativa, como o projecto Photovoice, cujo referencial teórico é a educação crítica de Paulo Freire, as teorias feministas e a fotografia documental social, com os seguintes objectivos: “encorajar os indivíduos a identificar e a reflectir sobre aspectos da sua própria experiência pessoal e comunitária; promover o diálogo crítico e o conhecimento sobre aspectos importantes da sua comunidade; projectar a visão acerca das suas vidas a outros, especialmente poderosos agentes políticos”3. A fotografia está na base doutro tipo de projectos, designadamente pedagógicos, orientados para a “educação do olhar” ou a análise de contextos económicos e sociais, onde se integram os respectivos participantes, a partir das suas experiências e vivências. Quando estão em causa fins científicos, a fotografia fica na fronteira fluida definida pelos códigos de leitura visual dos respectivos especialistas. É a partir do valor plástico ou científico que reconheçam às imagens, provenientes da astronomia, imagiologia médica e de outras ciências, sobretudo sociais (paisagens, lugares, pessoas, elementos, peças do vestuário, símbolos, cenas do quotidiano, etc.), que avançam com outros olhares possíveis sobre o mundo. A imagem, em geral, e a fotografia, em particular, jogam ainda um papel, que não é despiciendo, na (re)construção das identidades territoriais, processo permanente que se alimenta duma infinidade de elementos sociais, históricos, culturais e políticos. Os poderes e autoridades públicas, regionais e locais, apostam na criação de imagens que os diferencie dos restantes para, assim, ajudar ao desencravamento físico e imaterial, reforçar a auto-estima dos habitantes e, em última instância, contribuir para a promoção da coesão territorial e social. O projecto Transversalidades, fotografia sem fronteiras, é tributário de toda esta cultura visual, recorre à imagem como instrumento para promover o diálogo e a cooperação territorial, tendo como coordenadas: aproveitar o valor estético, documental e pedagógico da imagem para promover a inclusão dos territórios menos visíveis, inventariar recursos, valorizar paisagens, culturas e patrimónios locais; promover a cooperação entre pessoas, instituições e territórios, de aquém e além

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Transversalidades

I fotografia sem fronteiras

fronteiras, fomentar a troca de experiências e de conhecimentos entre espaços unidos pela matriz ibérica comum, espalhados por diferentes países de vários continentes; formar novos públicos e usar as novas tecnologias de comunicação como meio privilegiado de comunicar, apelando à participação de jovens estudantes universitários e, assim, alargar a rede internacional de investigadores que se vai organizando a partir da entidade promotora desta iniciativa (CEI). Como designar, então, a profissão destes caçadores de fascínio? Fotógrafo é um termo que não basta. Melhor seria chamá-los de imaginógrafos. Com eles todos sangramos da mesma ferida, todos reacendemos igual esperança, todos ousamos de novo assaltar o futuro. Eles manejaram o poder mágico da imagem: desocultar os múltiplos sentidos do acontecido, libertar o tudo que poderia ter sido naquilo que simplesmente foi. (…) doaram um olhar e nos facultaram a descoberta de fascinantes mundos que tão perto estavam mas que não sabíamos ver. Mia Couto, Pensatempos: 83. Todos nós fotógrafos: participação e cultura territorial. A nossa relação com a fotografia mudou, deixamos de ser meros espectadores, de ter a posição passiva de simples consumidores para sermos, também, protagonistas e produtores de imagens. Cada um à sua maneira, hoje, é caçador casual de imagens, faz registos para alimentar a memória e mais tarde recordar, faz apontamentos mais intencionais destinados a partilhar causas ou transmitir sentimentos. Os 166 participantes no concurso, que submeteram 841 imagens, são predominantemente jovens, do sexo masculino, oriundos de meios urbanos, com qualificações relativamente elevadas, exercendo profissões técnicas. Uma análise mais fina mostra que 25% dos participantes têm menos de 25 anos, valor que atinge 42% se estendermos este limite aos 30 anos; embora predominem os homens, as mulheres representam 32% dos concorrentes. Aos portugueses (que representam 59% do total de participantes), espanhóis (20%) e brasileiros (13%) juntam-se concorrentes doutros países de língua portuguesa (Cabo Verde e Moçambique) e continentes (Uruguai, Venezuela, Japão, Polónia, África do Sul, etc.). A origem dos concorrentes é, também, variada, embora prevaleça, entre os portugueses, além da Guarda (12), os que residem, em Lisboa (8), Porto e Coimbra (7), Viana do Castelo (8), Leiria e Viseu (3); os espanhóis são, fundamentalmente, de Salamanca (5), Madrid, Barcelona e Sevilha (3), os brasileiros do Rio de Janeiro (4), Porto Alegre (3) e São Paulo (3). Depois dos estudantes (39), destacam-se as seguintes profissões: professores (21), fotógrafos (13), designers (8), arquitectos (6), além de outras mais técnicas (biólogos, engenheiros, geógrafos, etc.) ou de carácter generalista (administrativo, secretária, etc.). A elevada participação não deixa de ser uma manifestação de cidadania, de envolvimento e desejo cooperação através da fotografia, veiculando mensagens que espelham, além de valor documental, uma cultura territorial relativamente abrangente e tematicamente variada: o tema paisagens, biodiversidade e património natural recebeu 360 imagens (42% do total) de 66 concorrentes (40%); os espaços rurais,

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Territórios, Sociedades e Culturas em tempos de mudança

povoamento e processos migratórios (13% de imagens, 14% de participantes); cidade e processos de urbanização (14 %); cultura e sociedade (31 e 32%, respectivamente). O espectro dos lugares e países onde as fotografias foram captadas são incomparavelmente superiores e mundialmente mais representativos. Portfolios com discursos intencionais, maduros e consistentes convivem com outras leituras mais fragmentadas, complementando abordagens temáticas igualmente diversas, dos territórios naturais e sociais específicos (geomonumentos, ria de Aveiro; Bairro do Aleixo, etc.) aos do trabalho e da cultura (vindima, pesca, pastorícia, etc.). Para além dos vencedores, inerentes a qualquer concurso, fica para memória futura um conjunto de imagens que nos ajudam a compreender melhor o mundo e o tempo em que vivemos, peças dum complexo mosaico com que vamos construindo um pequeno atlas imagético do mundo. Ora nenhuma outra cultura celebrou tanto as imagens, em detrimento do livro e do conceito, como a nossa. O texto irá desaparecer, o livro também, em proveito das imagens icónicas, pixelizadas, digitalizadas, o real recua na sua espessura carnal em proveito da modalidade virtual: alcançamos o culminar da imagem e, como acontece sempre nestas alturas, o excesso mata a própria possibilidade delas poderem ter verdadeiramente significado. Michel Onfray (2009). Teoria da Viagem. Uma poética da geografia. Quetzal: 25. Atlas imagético do mundo: temas e territórios; significado e utilidade das imagens. As imagens obtidas no âmbito deste concurso são olhares subjectivos, abordagens pessoais dos temas que enquadravam o concurso, documentos que mostram a diversidade de geografias, a variedade de processos e reestruturações que percorrem os territórios, as sociedades e as culturas de vários continentes. Através delas captam-se sinais de continuidade e de mudança, arcaísmos e inovações, diferentes modos de organização social e espacial que ocorrem tanto nas metrópoles mais populosas como em despovoadas, remotas e longínquas áreas rurais. O catálogo e os textos que estruturam os respectivos capítulos obedecem aos temas do concurso: paisagens, biodiversidade e património natural; espaços rurais, povoamento e processos migratórios; cidade e processos de urbanização; cultura e sociedade. O resultado que fica plasmado é um mosaico de imagens do mundo, pequeno atlas imagético que nos permite viajar por múltiplos e variados territórios. As fotografias, ao mostrarem e permitirem ler as paisagens naturais, económicas, sociais e culturais, sobretudo as dos territórios periféricos, marginais e menos visíveis, acabam por se transformar num instrumento de cooperação e inclusão territorial. Embora predominem fotografias captadas na Europa, o catálogo inclui muitas que são provenientes do Sul, para onde parece ter emigrado a esperança, que aqui retorna sob a forma de imagem. Quando as observamos assaltam-nos reflexões contraditórias. Vêm-nos à memória os mapas que desenham as geografias da guerra, da fome e das abissais desigualdades que fragmentam o mundo; concluímos que as análises

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Transversalidades

I fotografia sem fronteiras

de Josué de Castro só pecaram por defeito, que as novas fronteiras destes flagelos se tornaram mais fluidas, chegam a penetrar na Europa, continente donde se pensava estarem praticamente erradicadas. Esta leitura é reforçada pelo insucesso dos nobres Objectivos de Desenvolvimento do Milénio, definidos em 2000 pelas Nações Unidas, quando 191 estados assumiram acabar, até 2015, com a extrema pobreza e a fome, promover a igualdade de género, erradicar doenças que continuam a matar injustificadamente milhões de pessoas em todo o mundo. Enquanto pensamos nisto, mergulhados na crise, angústia e incerteza que actualmente nos enreda, deparamos com sinais bem diferentes, a avaliar pelo novo relatório do desenvolvimento humano de 2013, divulgado pelo PNUD: “A ascensão do Sul: progresso humano num mundo diversificado”. Referia uma fonte, com base naquele estudo, que os países do Sul se desenvolvem “a uma velocidade e escala sem precedentes”, resgatando centenas de milhões de pessoas da pobreza, integrando outras numa nova classe média mundial. “Nunca, na História, as condições de vida e as perspectivas de futuro de tantos indivíduos mudaram de forma tão considerável e tão rapidamente”. Enquanto o crescimento nos países do Sul está a permitir um “reequilíbrio global sem precedentes”, o lado oposto do globo conhece, pelo contrário, políticas de austeridade e ausência de crescimento económico que “dificultam a vida de milhões de pessoas desempregadas e privadas de benefícios”, crise que começa a ameaçar a paz social. Até 2020, “o produto combinado das três principais economias do Sul (China, India e Brasil) ultrapassará o produto agregado dos Estados Unidos, Alemanha, Reino Unido, França, Itália e Canadá”. A mesma fonte escrevia que a ascensão meteórica do Sul, num mundo interdependente, ficará comprometida se as economias dos Estados Unidos e da Europa titubearem. Alguém referiu recentemente que “a Europa tornou-se um museu de si mesma” (Eduardo Lourenço), assumpção implícita da agonia do eurocentrismo, esse olhar desfocado com que se insistiu ler e interpretar o mundo. Torna-se ainda mais evidente que há mais mundo para além de Gibraltar, facto que irá impor alguma humildade para se reaprender com o Sul os caminhos da esperança, onde foram adoptadas, sem complexos e contra algumas cabeças bem pensantes, receitas que funcionam e começam a apresentar resultados.

* CEGOT - Universidade de Coimbra; CEI 1 Charles Monteiro (Org.; 2012) – Fotografia, História e Cultura Visual. Pesquisas recentes. EdiPUCRS, Porto Alegre: 14. Consultado em:

http://ebooks.pucrs.br/edipucrs/fotografia.pdf.
2 Charles Monteiro (Org.; 2012), ob. cit.: 11. 3 Photovoice (http://www.photovoice.org), projecto lançado por Carolina C. Wang (Universidade de Michigan) e Mary Ann Burris

(Universidade de Londres); Sofia Rodrigues & Liliana Sousa, Comunicar com famílias pobres: o Photovoice (www.ua.pt/cs/ReadObject. aspx?obj=15508).

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Paisagens, biodiversidade e património natural
Tema 1

Prémio Tema 1

Transversalidades

I fotografia sem fronteiras

António Côrte-real, Portugal

1.1.3.5.6 Despojos *(7) Olivença (Espanha), 2012

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1

I Paisagens, biodiversidade e património natural

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Menções honrosas

Transversalidades

I fotografia sem fronteiras

1.1.47.5.151 José Manuel Portelo Paiva, Portugal The Reflex *(8) Parque Natural Serra da Estrela (Portugal), 2012

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1

I Paisagens, biodiversidade e património natural

1.1.17.4.69 Julio Herrera, Espanha Soledad *(9) Asturias (Espanha), 2012

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Jovens estudantes

Transversalidades

I fotografia sem fronteiras

Menções honrosas

1. 2. 17. 4. 141 Leonice Seolin Dias, Brasil O choro no canavial *(10) São Paulo (Brasil), 2012 1.2.16.6.139 Alejandro López Arnal, Espanha El cementerio grabado *(11) Castelló de la Plana (Espanha), 2012

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I Paisagens, biodiversidade e património natural

Fotografia e Paisagem
Jorge Gaspar * É em nós que as paisagens têm paisagem.

F

BS/FP: Livro do Desassossego

otografia e paisagem são dois termos que aparecem frequentemente associados. Num artigo de 2001 em que defendíamos a ideia de que o interesse da Geografia pela paisagem se tinha renovado, escrevíamos: “Mas o regresso à paisagem não é só apanágio da Geografia, manifesta-se em vários outros domínios onde é necessário apreender a luz, as formas, os ambientes, para compreender os lugares e o sentido do espaço e do tempo; daí as novas paisagens da pintura, da literatura, da arquitetura e a continuidade renovada da fotografia.”. Assim se tem verificado. A fotografia de certo modo veio “democratizar” a arte e ao mesmo tempo dar outra amplitude àquele que era um dos grandes desideratos das artes visuais – o permitir a objetivação/concretização/materialização da memória. Se a pintura, a escultura, a tapeçaria tinham permitido sobrelevar determinados factos e personagens memoráveis, a fotografia permitiu o crescente alargamento dessa memória material para as pessoas, as coisas, as experiências, as vivências, os acontecimentos banais. Assim, com a fotografia, também a imagem da paisagem se banalizou e, sobretudo, deixou de ser necessária ao que continua a ser um domínio maior da fotografia: o retrato – do retrato de pose, intencionalmente encenado, ao retrato de identificação pretensamente objetivo: dos arquivos (civis, militares, judiciais, prisionais), ao passaporte, bilhete de identidade, entre outros. É interessante que tendo a paisagem sido inventada pela pintura, mormente o retrato, conferindolhe um enquadramento, ou servindo como pretexto, foi o retrato fotográfico que desvinculou a paisagem dessa função, autonomizando o tema central. Desde a Primeira Exposição Universal no Crystal Palace, onde o fotógrafo americano Mathew Brady apresentou, entre outros trabalhos, daguerreótipos de paisagens, que a fotografia de paisagem não deixou de se banalizar e em certo sentido, passaram a ser uma das fontes de construção da “paisagem”. Primeiro através da difusão dos álbuns de fotografias e a partir de finais do século, através do postal ilustrado, sem dúvida o principal agente de construção e divulgação de paisagens. É famoso o primeiro postal ilustrado, mostrando a paisagem alpina de Davos, enviado da estação de correios local, em 30 de Dezembro de 1890. A fotografia é desde cedo associada ao caminho-de-ferro, contribuindo para fomentar o interesse pela viagem e pelas paisagens. As estações dos caminhos-de-ferro, e também as carruagens, vão ser dos

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I fotografia sem fronteiras

mais conspícuos apresentadores de fotografias, sobremaneira as dedicadas a paisagens. É o nascimento do turismo moderno. Por todo o Mundo, as gares mostravam, em fotografia, revelavam através da reprodução de imagens fotográficas, panoramas, paisagens, hotéis e monumentos, lojas e restaurantes, onde se podia chegar no conforto do comboio. Poucos anos depois, sobretudo após a 1ª Grande Guerra, o automóvel irá, a um tempo, competir e complementar o caminho-de-ferro. O automóvel vai permitir o alargamento de horizontes e aprofundamento da sua pesquisa. Disso nos deu nota Miguel Unamuno, já em 1907, nas suas notas finais sobre as viagens Por Tierras de Portugal y de España: «Outra de las cosas que contribuyen hoy aquí a desarrollar la afición al campo y al goce de las bellezas de la Naturaleza es el automóvil. El deporte automovilista ha llebado a muchos a conocer campiñas y rincones que antes ignoraban, ha hecho que muchos empiecen a descubrir España.» (Unamuno, 1907; 1960, pp. 187-188). A popularização do automóvel que entretanto se verificou a níveis nunca imaginados, não só banalizou o passeio, como a viagem, permitindo multiplicar ao infinito as visões de paisagens, que variam segundo o observador, mas também, e de que forma, segundo a velocidade. Até que o TGV veio trazer novas imagens, como nos apresentou Yoshio Nakamura «Le TGV est un aspirateur du paysage» a-t-on dit quelque part en une bien intéressante métaphore. En effet, le paysage, disséminé en corps poudreux comme de la poussière, est aspiré vers l’arrière, comme dans un aspirateur. A la pointe de la civilisation contemporaine, cette métaphore célèbre annonce la mort du paysage traditionel» e mais adiante «L’aspirateur du paysage fait pressentir que le train à grande vitesse est un outre un média générateur d’images.» (Nakamura, Frieling e Hunt, 1993, pp.16-17). A fotografia permite nos nossos dias múltiplas interações com a paisagem: registo, arquivo e instrumento de planeamento (guia para a intervenção), ela prolonga ou recupera a contemplação, permitindo ou facilitando imaginar/construir futuros. A fotografia, ao representar a paisagem enquanto modelo, constitui um campo aberto não só à leitura e interpretação, como à intervenção, à imaginação, à manipulação, à (re)criação… Se o objetivo da Geografia é contribuir para o conhecimento do Planeta, não nos pode surpreender que o aparecimento da fotografia no século XIX tenha contribuído para novas perspetivas do trabalho dos geógrafos. Assim, ao mesmo tempo que as técnicas fotográficas progrediram e se consolidaram, a Geografia progrediu e afirmou-se como domínio científico. Não admira pois que os primeiros laboratórios de Geografia do início do século XX tenham atribuído um lugar central à fotografia, tanto nos seus equipamentos como nas coleções, a par com mapas e atlas, com os quais aliás a imagem fotográfica foi construindo relações e associações originais e fecundas. Correlativamente, os livros e os artigos das revistas de Geografia passaram a apresentar regularmente ilustrações fotográficas, ao mesmo tempo que a fotografia contribuía para o reforço do paradigma paisagístico da Geografia. A fotografia estava tão fortemente

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associada ao progresso científico da Geografia que o congresso da UGI que teve lugar em Washington DC, em 1904, aprovou a proposta do geomorfólogo alemão Albrecht Penck para que se promovesse um levantamento fotográfico da superfície da Terra, o que viria a originar o Atlas phographique des formes du relief terrestre, da autoria de Jean Brunhes, Émile Chaix e Emmanuelle De Martonne, cujas primeiras lâminas foram apresentadas por De Martonne no X Congresso Internacional de Geografia, Roma 1913, (Robic,1993). Mais ambicioso seria o banqueiro Albert Khan que em 1909 inicia o projecto de levantamento fotográfico e cinematográfico, Les Archives de la Planète, para cuja direcção científica convida, em 1912, o geógrafo Jean Brunhes, projecto que terminaria por efeito da grande crise financeira de 1929. Entre 1909 e 1931 foram realizados e arquivados 72000 autocromos, 4000 fotografias a preto e branco, e cerca de 100 horas de filme, abrangendo meia centena de países. Este acervo pode ser visitado em Paris, no museu Albert Khan.

Toda a paisagem não está em parte nenhuma. BS/FP: Livro do Desassossego Acabo de ler que no dia 25 de Abril p.f. o pároco de Fátima irá celebrar uma missa às escuras dedicada aos invisuais; todos poderão assistir, desde que coloquem vendas que serão distribuídas. Olho agora para estas fascinantes 44 fotografias que já me levaram em múltiplas viagens (à volta do meu quarto…) e procuro imaginá-las às escuras, feitas numa noite de lua nova e com o céu carregado de nuvens baixas, sem luzes. Está tudo naqueles 44 retângulos negros, só falta a luz, mas são 44 paisagens, para lá da luz. Mas não são paisagens das trevas. E, no entanto, à medida que aprofundo esta procura das paisagens na escuridão (os deuses vivem da luz, até ao exagero de serem só luz - só Espírito Santo), navego sobre as águas de rios e oceanos, de montanhas velhas da Ibéria ou sobre os jovens sertões dos Brasis. Sinto os frios na cara e ouço aves, ventos e pessoas… vozes, cantigas, florestas, vinhedos, ondas, cheiro mais e mais e a cada minuto que passa cresce em mim aquele impulso táctil de que escreveu Y Fu Tuan a propósito do The Leaping Horse de John Constable, e em relação ao qual Robert Hughes foi definitivo: “...this is the landscape of touch.”(Tuan, 1993, 43). Respiro mais e mais fundo, na busca do fundo daquelas paisagens e sinto a angústia da busca ansiosa de Kazimir Malevich, 18 meses de escuridão iluminada até chegar ao quadrado negro (черный квадрат Tchorniquadrat). Volto a respirar bem fundo, e percebo que as funções vitais adquirem a sua plenitude quando se

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processam ao ar livre, “em plena paisagem”. Comer na paisagem é um acto que marca a estética dos séculos XIX e XX – Le déjeuner sur l´herbe! A vitória da liberdade, “que c’est bon de se desembêter!”, na expressão queiroziana, e a recuperação do gosto simples, da vida saudável, é o contraponto aos miasmas pútridos da cidade. Daí também o fascínio de pintores e de fotógrafos pela comida na paisagem que nos actos prosaicos e populares dos habitantes de Lisboa de 1900 era prática frequente - comer fora de portas porque as portas davam acesso aos ares puros, à natureza, ao que hoje diríamos paisagem, no sentido de campo. É assim que inspirados, por exemplo, no picnic de burguesas do Cesário Verde, podemos encenar sobre a toalha, as paisagens de diferentes latitudes. Entre nós os mais comuns podem resumir-se na memória literária de Orlando Ribeiro: as paisagens mediterrâneas e as paisagens atlânticas, que poderão ser mescladas com uma paisagem ibérica, onde as cecinas e os quesos assumem o essencial da paisagem da meseta, podendo mesmo convocar as dimensões gustativas do Quijote e esconjurar a hambre do Lazarillo. Com luz, espanto, serenidade e grandeza. Dia a dia recebemos testemunhos, também através das leituras fotográficas, das contradições resultantes dos movimentos que se operam nas infinitas dimensões do Planeta, que por um lado se encolhe e achata e, por outro, nos mostra o crescendo explosivo das rugosidades da paisagem. E aquelas ovelhas, exibindo a pele da sua pele, paisagens mutantes, paisagens do corpo, que virão a transmutar-se em pele de outros corpos. Lembro-me de David Mourão Ferreira “Quem foi que à tua pele conferiu esse papel de mais que tua pele ser pele da minha pele”. De facto, não podemos deixar de ter presente, entre outros, dois factos que colocam limites à capacidade da fotografia captar as paisagens. Por um lado, a paisagem é a síntese de um lugar, de um território, de uma região, mas é uma síntese modelizada (simplificada). Vidal de La Blache escreveu que a construção mental da paisagem é o resultado da memória, é aquilo que fica...; por outro lado, como se sublinhou nos trabalhos conducentes ao PNPOT (Programa Nacional de Políticas de Ordenamento do Território): “É ainda necessário ter presente que a paisagem, enquanto valor cultural e societal, constitui uma realidade dinâmica. Por essa razão, a paisagem não é passível de tipificações datadas nem de processos de cristalização: os usos alteram-se, assim como as relações dos habitantes e dos visitantes com os territórios. É fundamental saber incorporar subtilmente as mudanças, mantendo ou reforçando os valores de identidade, de memória e de uso”. Estas 44 imagens mostram-nos outras paisagens para lá da fotografia, para lá da luz.

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Paisagem Desejei-te pinheiro à beira-mar para fixar o teu perfil exacto. Desejei-te encerrada num retrato para poder-te contemplar. Desejei que tu fosses sombra e folhas no limite sereno dessa praia. E desejei: «Que nada me distraia dos horizontes que tu olhas!» Mas frágil e humano grão de areia não me detive à tua sombra esguia. (Insatisfeito, um corpo rodopia na solidão que te rodeia.) David Mourão-Ferreira, in “A Secreta Viagem”

* Universidade de Lisboa

Referências: Gaspar, J. (2001) “O Retorno da Paisagem à Geografia - apontamentos místicos” in Finisterra, XXXVI, 72, pp.83-99. Nakamura, Y., Frieling, D., Hunt, J. D. (1993) Trois Regards sur le Paysage Français, Seyssel, Champ Vallon. Robic, Marie Claire (1993) “La Géographie dans le mouvement scientifique” in Jean Brunhes - autour du monde: regards d´un géographie/ regards de la Géographie, Paris, Musée Albert Khan. Tuan, Y-F (1993) Passing, Strange and Wonderful – aestetics, nature and culture, Washington, D.C., Islands Press. Unamuno, M. (1907) Por Tierras de Portugal y de España, 5ª. ed., Espasa Calpe, 1960.

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Carla Alexandra Fernandes Mota, Portugal 1. 1. 10. 3. 43 Explorando a superfície glaciar
*(12) Parque Nacional Los Glaciares - Patagónia (Argentina), 2011

1. 1. 10. 1. 43 Aproximação *(14) Parque Nacional Los Glaciares - Patagónia (Argentina), 2011 1. 1. 10. 2. 43 Parede do glaciar Viedma *(15) Parque Nacional Los Glaciares - Patagónia (Argentina), 2011

1. 1. 10. 4. 43 Entrando ou saindo do gelo *(13) Parque Nacional Los Glaciares - Patagónia (Argentina), 2011

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Miguel Pereira López, Espanha 1. 1. 14. 2. 62 Reflections on water at La Albufera
*(16) La Albufera - Valencia (Espanha), 2012

1. 1. 14. 4. 62 Fisherman at La Albufera *(17) La Albufera - Valencia (Espanha), 2012 1. 1. 14. 6. 62 Sunset on water at La Albufera *(18) La Albufera - Valencia (Espanha), 2012

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João Pedro Costa, Portugal 1. 1. 18. 2. 70 Garra
*(19) Rogil, Aljezur (Portugal), 2010

1. 1. 18. 6. 70 Solitário *(20) Praia do Carvalho, Lagoa (Portugal), 2012

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1. 1. 18. 3. 70 Labirinto
*(21) Arrifana, Aljezur (Portugal), 2011

1. 1. 18. 5. 70 Rebolinhos *(23) Praia dos Rebolinhos, Sagres (Portugal), 2010 1. 1. 18. 1. 70 Costa Norte *(24) Arrifana, Aljezur (Portugal), 2010

1. 1. 18. 4. 70 Portal *(22) Praia do Carvalhal, Odemira (Portugal), 2012

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Dolores Giraldez Alonso, Espanha 1. 1. 44. 4. 143 Inmensidad de la costa IV
*(25) Carvoeiro (Portugal), 2012

1. 1. 44. 6. 143 Inmensidad de la costa VI *(26) Cabo de São Vicente (Portugal), 2012

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1. 1. 44. 3. 143 Inmensidad de la costa III
*(27) Carvoeiro (Portugal), 2012

1. 1. 44. 5. 143 Inmensidad de la costa V *(29) Lagos (Portugal), 2012 1. 1. 44. 2. 143 Inmensidad de la costa II *(30) Portimão (Portugal), 2012

1. 1. 44. 1. 143 Inmensidad de la costa I *(28) Albufeira (Portugal), 2012

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Dirce Maria Antunes Suertegaray, Brasil 1. 1. 22. 4. 79 Peixes na luta pelo retorno ao lago
*(31) Tefé - Amazonas (Brasil), 2012

1.1.22.5.79 O lago e os pescadores *(33) Tefé – Amazonas (Brasil), 2012 1. 1. 22. 3. 79 Barcos e Pescadores *(34) Tefé - Amazonas (Brasil), 2012

1. 1. 22. 1. 79 Pesca de Malhadeira *(32) Tefé - Amazonas (Brasil), 2012

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António Alves Tedim, Portugal 1. 1. 37. 3. 107 Puxando a “cabrita pequena”
*(35) Ria de Aveiro (Portugal), 2012

1. 1. 37. 2. 107 O trabalho é em família
*(37) Ria de Aveiro (Portugal), 2012

1. 1. 37. 6. 107 À vara se navega *(36) Ria de Aveiro (Portugal), 2012

1. 1. 37. 4. 107 Lavando a ameijoa *(38) Ria de Aveiro (Portugal), 2012

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Enric Vives-Rubio, Portugal 1. 1. 38. 4. 110 As Ovelhas
*(39) Reguengo, Montemor-o-Novo (Portugal), 2011

1. 1. 38. 1. 110 O Dono *(40) Reguengo, Montemor-o-Novo (Portugal), 2011

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1. 1. 38. 3. 110 O Tosquiador
*(41) Reguengo, Montemor-o-Novo (Portugal), 2011

1. 1. 38. 5. 110 A Mulher *(43) Reguengo, Montemor-o-Novo (Portugal), 2011 1. 1. 38. 6. 110 A Lã *(44) Reguengo, Montemor-o-Novo (Portugal), 2011

1. 1. 38. 2. 110 O Rebanho *(42) Reguengo, Montemor-o-Novo (Portugal), 2011

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Sérgio Pinto, Portugal

1. 1. 28. 2. 89 Amanhecer
*(45) Marvão (Portugal), 2012

1. 1. 28. 5. 89 Intemporal *(48) Serra do Marão (Portugal), 2012

1. 1.28.1.89 Tempo Suspenso *(46) Apúlia (Portugal), 2012 1. 1. 28. 3. 89 Abrigo
*(47) Serra do Marão (Portugal), 2012

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José Manuel Portelo Paiva, Portugal 1. 1. 47. 4. 151 Morning Cold
*(49) Parque Natural Serra da Estrela (Portugal), 2012

1. 1. 47. 1. 151 Waiting *(50) Pateira de Fermentelos (Portugal), 2012 1. 1. 47. 3. 151 Running River *(51) Parque Natural Serra da Estrela (Portugal), 2012

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Rafael Emiliano Abreu Antunes, Portugal 1. 1. 46. 3. 150 Escuro Flamejante
*(52) Guarda (Portugal), 2012

1. 1. 46. 1. 150 Reflexos *(54) Guarda (Portugal), 2012 1. 1. 46. 2. 150 Apagão *(55) Guarda (Portugal), 2012

1. 1. 46. 5. 150 Nas Nuvens *(53) Guarda (Portugal), 2012

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Paisagens, biodiversidade e património natural

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lúcio Cunha * este início de século XXI, as condições demográficas, as mudanças nas condições de trabalho e o aumento da mobilidade, a par com a valorização da educação e da cultura têm contribuído para uma modificação das procuras turísticas e de lazer, com valorização dos seus segmentos menos massificados, aqueles que estão ligados ao mundo rural, aos espaços silvestres e de montanha, às águas interiores, à floresta e, de um modo geral, à valorização do património natural. A crescente utilização dos chamados espaços de baixa densidade para atividades de turismo e lazer, desportivas, tratamento terapêutico, investigação científica e educação ambiental, tem vindo a promover a valorização cultural e económica das paisagens de base natural e do geopatrimónio, ao mesmo tempo que faz aumentar a sua vulnerabilidade, face a uma procura muitas vezes mal ordenada e que se traduz numa fruição inadequada e selvagem, através de atividades desenvolvidas sem os devidos cuidados de gestão. A valorização da Natureza, das paisagens culturais de base geomorfológica e do património natural ultrapassa, em muito, o valor económico nas suas diferentes vertentes (turismo em espaço rural, animação desportiva e cultural, comércio de produtos endógenos, emprego local) para alcançar uma dimensão cultural, científica, educativa e até social que transporta as paisagens, a biodiversidade e o património natural para um lugar de destaque no Mundo deste conturbado início de século.

Neste contexto, quer do ponto de vista científico, quer do ponto de vista cultural, cabe um lugar de destaque para o geopatrimónio. Este corresponde ao património natural abiótico, ou seja aquele que é associado a aspetos geológicos e, sobretudo, a aspetos geomorfológicos que, pelas suas características particulares (científicas, didáticas ou estéticas) ou pelo significado de que se reveste para a sociedade (na cultura, na arte ou na religião) merece ser valorizado, divulgado e preservado. À semelhança do que já acontecia com o património humano (histórico-arqueológico, monumental, imaterial) e com o património biológico ligado aos valores da biodiversidade, o geopatrimónio tem vindo a ganhar relevância com um desenvolvimento significativo dos estudos com vista à sua inventariação, classificação, valorização e conservação, um pouco por todo o Mundo, mas particularmente nos espaços rurais e de montanha, em territórios de baixa densidade económica ou em espaços ambientalmente protegidos. Se a utilização destes espaços e dos seus elementos patrimoniais para atividades desportivas, para turismo e para educação ambiental, é um importante fator de valorização e de marketing territorial, logo de desenvolvimento local, importa chamar a atenção da sociedade e dos seus actores e agentes (autarcas, gestores de áreas protegidas, operadores turísticos e agentes desportivos) para a importância que o geopatrimónio assume enquanto recurso e, sobretudo, para a fragilidade ambiental que, em regra, lhe está associada. Dentro da geodiversidade, o geopatrimónio é, talvez, a forma mais acabada de entendimento da relação entre a Natureza abiótica e os Seres Humanos que nela encontram as suas raízes, a sua casa, a sua âncora, a sua base de sustentação. Por isso, o valorizam e protegem.

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Longe de ser uma relação de equilíbrio, a relação biunívoca que se estabelece entre a Sociedade e a Natureza é, fundamentalmente, uma relação de agressão, de defesa, de posse, de domínio. Nos dois sentidos… Se o Ser Humano, individual e, sobretudo, colectivamente, tem vindo, ao longo dos tempos, a procurar o domínio da Natureza, a explorá-la, a transformá-la, a poluí-la, a travesti-la com novas roupagens, a Natureza, o Planeta, a Gaia no sentido de James Lovelock, tem vindo a reagir, a defender-se e, mesmo, a impor-se… A “Vingança da Gaia”, uma das obras deste autor, fala-nos, precisamente, de alterações climáticas, de desastres naturais de grandes dimensões, das enormes dificuldades que o Ser Humano vai tendo para se adaptar e viver com qualidade numa Gaia em distúrbio e que de natural vai tendo cada vez menos. Claro que a maior parte das vezes, os problemas, bem localizados ou mais generalizados, estão, apenas, no mau ordenamento ou no mau uso do território, ou seja no modo como não entendemos o funcionamento e, consequentemente, subestimamos a força da Natureza natural. Ainda assim, alguns equilíbrios são possíveis e multiplicam-se os exemplos recentes de situações de boa articulação entre Sociedade e Natureza, que promovem a sustentabilidade ambiental e lhe dão novos significados. O uso crescente dos recursos renováveis (hídricos, energéticos, bióticos), bem como o valor social e cultural das paisagens de base natural e do geopatrimónio para fins turísticos, desportivos e de educação ambiental, são apenas dois bons exemplos desta articulação. Muito daquilo que é a produção de território passa por estes equilíbrios e desequilíbrios. Passa pelo melhor e pelo pior nesta articulação entre o Ser Humano, a sua economia, cultura e educação, com a Natureza, os seus valores, os seus recursos, as suas forças e as suas fragilidades. A paisagem, mais natural ou mais humanizada, mas sempre cultural, corresponde à síntese perfeita ou imperfeita destas articulações. E, como o estudo da paisagem não corresponde a uma ciência exacta, uma vez que muito depende dos olhares e da percepção que sobre ela se têm, a arte e, particularmente, a pintura e a fotografia, são instrumentos de análise fundamentais. As fotografias desta exposição transmitem percepções e sensações acerca de paisagens rurais, dos valores da biodiversidade e de diferentes elementos do património natural. As percepções são sobretudo as dos seus autores e estão associadas aos olhares das lentes das suas máquinas! As sensações passam a pertencer, agora, também, aos leitores, aproximando-os dos valores estéticos da paisagem, da Natureza, da biodiversidade e do património natural. Cada um lerá de seu modo, cada um sentirá com a sua alma, cada um valorizará com as suas experiências de vida! No entanto, a plástica destas imagens e o seu valor estético arrastam consigo, também, um valor educativo intrínseco, que em muito ajuda a compreender, a conhecer, a amar e, consequentemente, a preservar melhor a Natureza, em todos os seus significados. Porque, independentemente do modo como a vemos, usamos ou dominamos, todos nós, fotógrafos, leitores, investigadores, desportistas ou simples turistas, somos intrinsecamente Natureza!
* CEGOT, Universidade de Coimbra

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1. 2. 14. 4. 88 Ana Margarida Ramalhoso Batista, Portugal Monte Solitário
*(56) Loriga (Portugal), 2009

1. 1. 30. 3. 95 Alexandre António Rodrigues Luís, Portugal Ébrias aparições *(58) São João da Pesqueira (Portugal), 2012 1. 2. 8. 3. 51 Ricardo Manuel Azevedo Brandão, Portugal Arouca *(59) Arouca (Portugal), 2009

1. 2. 8. 4. 51 Ricardo Manuel Azevedo Brandão, Portugal O encontro das montanhas
*(57) Arouca (Portugal), 2009

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1. 2. 12. 3. 60 Pablo Estrem Brosset, Espanha Montaña arcillosa
*(60) Sedona, Arizona (Estados Unidos), 2010

1. 1. 7. 1. 31 Rui Ferreira, Portugal Amarelo Sujo *(62) Mértola/Serpa (Portugal), 2012 1. 1. 27. 6. 87 Egídio Eduardo Manita Santos, Portugal Grifos no Penedo Durão *(63) Freixo de Espada à Cinta (Portugal), 2012

1. 1. 33. 1. 101 Beatriz Mendoza, Espanha Título
*(61) Sierra de La Culebra, Zamora (Espanha), 2011

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1. 1. 40. 5. 115 José Freitas, Portugal Torres
*(64) São Domingos, Mértola (Portugal), 2012

1. 1. 7. 3. 31 Rui Ferreira, Portugal Harmonia *(66) Monsanto, Idanha-a-Nova (Portugal), 2012 1. 2. 14. 6. 88 Ana Margarida Ramalhoso Batista, Portugal O Abrigo do Douro *(67) Figueira de Castelo Rodrigo (Portugal), 2009

1. 1. 33. 2. 101 Beatriz Mendoza, Espanha Petroglifos de Lucillo
*(65) Lucillo, León (Espanha), 2010

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1. 1. 23. 2. 80 Eulalio Ruiz Muñoz, Espanha El futuro
*(68) Isla de La Palma, Canarias (Espanha), 2012

1.1.35.1.105 Rui Lopes Pinheiro, Portugal O espigueiro *(70) Caldas de Reis (Espanha), 2012 1. 1. 20. 4. 75 José António Morgadinho São Pedro, Portugal São Gens *(71) Nisa (Portugal), 2012

1. 2. 3. 3. 22 Davidson, Brasil Sempre pode ser maior
*(69) Viveiro da UTFPR Campos Dois Vizinhos, Paraná (Brasil), 2011

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1. 2. 1. 2. 7 Ana Filipa Neto, Portugal Fardos
*(72) Santo Varão (Portugal), 2012

1. 1. 11. 1. 44 Alexandrina Pinto, Portugal Sincelo *(74) Parque Urbano do Rio Diz, Guarda (Portugal), 2012

1. 1. 27. 2. 87 Egídio Eduardo Manita Santos, Portugal Paisagem Trás-os-Montes
*(73) Parque Natural de Montesinho (Portugal), 2012

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I fotografia sem fronteiras

1. 1. 29. 2. 90 Inês Pereira Leonardo, Portugal Ao tempo do Vento
*(75) Serra da Freita, Arouca (Portugal), 2012

1. 1. 3. 6. 6 Antonio Corte-Real, Portugal Campos Dourados *(77) Olivença (Espanha), 2012 1. 1. 19. 1. 74 Pedro Costa, Portugal Down through the dam *(78) Shing Mun Reservoir, China (Hong Kong), 2010

1. 1. 31. 2. 98 José Costa Pinto, Portugal A rua da Cisterna
*(76) Castelo Rodrigo (Portugal), 2010

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1. 2. 15. 1. 123 Rosana Almeida, Portugal Paisagem
*(79) Caminha (Portugal), 2012

1. 1. 12. 2. 45 Andreia Pereira, Portugal Outono 2
*(80) Brugges (Bélgica), 2012

1. 1. 12. 4. 45 Andreia Pereira, Portugal Outono 4 *(81) Brugges (Bélgica), 2012

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1. 1. 45. 2. 144 Enric Enrich, Espanha Tronc
*(82) São Miguel, Açores (Portugal), 2012

1. 1. 32. 1. 99 José Carlos Martins Silva, Portugal Magic Place *(84) Sintra (Portugal), 2012 1. 2. 4. 3. 26 Luis Márquez Nogales, Espanha Otoño en la Ribera del Múrtigas *(85) La Nava (Espanha), 2011

1. 1. 45. 3. 144 Enric Enrich, Espanha Caldeira Velha
*(83) São Miguel, Açores (Portugal), 2012

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1. 1. 25. 2. 84 Daniel Jesús Sánchez Escalera, Espanha Alcornoque
*(86) Jabugo, Huelva (Espanha), 2012

1. 1. 19. 2. 74 Pedro Costa, Portugal In the moss world *(88) Pirinéus, a caminho da La Grande Fache (Espanha), 2011 1. 1. 23. 3. 80 Eulalio Ruiz Muñoz, Espanha Los caminos *(89) Isla de La Palma, Canarias (Espanha), 2012

1. 2. 16. 4. 139 Alejandro López Arnal, Espanha La frontera inocente
*(87) Molí de la Font, Castelló de la Plana (Espanha), 2012

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I fotografia sem fronteiras

1. 2. 17. 2. 141 Leonice Seolin Dias, Brasil O verde e o preto
*(90) Rodovia Assis Chateaubriand, São Paulo (Brasil), 2012

1. 1. 26. 1. 85 João Aristeu da Rosa, Brasil Teias de aranha *(92) Espírito Santo do Pinhal, Estado de São Paulo (Brasil), 2011 1. 2. 11. 2. 59 Kleber Renan de Souza Santos, Brasil Seca e cheia sem fronteiras *(93) Margem do Rio Miranda, Pantanal de Mato Grosso do Sul (Brasil), 2011

1. 1. 26. 2. 85 João Aristeu da Rosa, Brasil Raios de luz
*(91) São Luís, Estado do Maranhão (Brasil), 2012

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1. 1. 5. 2. 25 André Luiz Caixeta, Brasil Flamboyan
*(94) Brasília (Brasil), 2012

1. 2. 12. 1. 60 Pablo Estrem Brosset, Espanha Río Colorado desde el Desert View *(96) Gran Cañón del Colorado (Estados Unidos), 2010 1. 2. 17. 6. 141 Leonice Seolin Dias, Brasil Beleza no canavial *(97) Rodovia Assis Chateaubriand, São Paulo (Brasil), 2012

1. 2. 17. 3. 141 Leonice Seolin Dias, Brasil Ação antrópica na vegetação
*(95) Rodovia Assis Chateaubriand, São Paulo (Brasil), 2012

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Transversalidades

I fotografia sem fronteiras

1. 1. 48. 2. 158 Oleksandr Bilko, Portugal Flores
*(98) Trofa (Portugal), 2012

1. 1. 8. 3. 32 Rui Manuel Lourenço Moreira, Bélgica Três tetas *(100) S. João das Arribas, Miranda do Douro (Portugal), 2011 1. 1. 8. 2. 32 Rui Manuel Lourenço Moreira, Bélgica Estrelas do campo *(101) S. João das Arribas, Miranda do Douro (Portugal), 2012

1. 1. 11. 4. 44 Alexandrina Pinto, Portugal Grafitti em comunhão com a natureza *(99) Guarda (Portugal), 2012

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I Paisagens, biodiversidade e património natural

1. 1. 8. 5. 32 Rui Manuel Lourenço Moreira, Bélgica Sedução
*(102) S. João das Arribas, Miranda do Douro (Portugal), 2011

1. 2. 9. 2. 55 Sara Gomes, Portugal Formiga *(104) Monfortinho (Portugal), 2012 1. 2. 6. 2. 29 Vanessa Simei Martins, Brasil Lanche *(105) Jales, SP (Brasil), 2012

1. 2. 9. 6. 55 Sara Gomes, Portugal Simples
*(103) Monfortinho (Portugal), 2012

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I fotografia sem fronteiras

1. 1. 3. 1. 6 Antonio Corte-Real, Portugal Espelho do mundo
*(106) Alentejo (Portugal), 2012

1. 2. 6. 1. 29 Vanessa Simei Martins, Brasil Bandeira *(108) Jales, SP (Brasil), 2012 1. 2. 11. 3. 59 Kleber Renan de Souza Santos, Brasil Quem dera fossemos como a água *(109) Gruta do Lago Azul, Bonito, Mato Grosso do Sul (Brasil), 2012

1. 1. 16. 5. 65 Teresa Fernandes, Portugal Espreitando
*(107) Algarve (Portugal), 2012

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I Paisagens, biodiversidade e património natural

1. 1. 30. 5. 95 Alexandre António Rodrigues Luís, Portugal Paraíso encoberto
*(110) São João da Pesqueira (Portugal), 2012

1. 1. 36. 4. 106 Maria Raquel Simões M. C. Pinto, Portugal Vida dura...
*(112) Pateira de Fermentelos, Águeda (Portugal), 2010

1. 1. 36. 5. 106 Maria Raquel Simões M. C. Pinto, Portugal Reflexos
*(111) Pateira de Fermentelos, Águeda (Portugal), 2010

1. 1. 36. 2. 106 Maria Raquel Simões M. C. Pinto, Portugal Pedra da Ferida *(113) Espinhal, Penela (Portugal), 2010

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I fotografia sem fronteiras

1. 2. 4. 2. 26 Luis Márquez Nogales, Espanha Ocaso
*(114) Aracena (Espanha), 2011

1. 2. 2. 5. 14 Pedro Nuno Fernandes Rodrigues, Portugal Catalunha a banhos! *(116) Banyoles, Província de Girona, Catalunha (Espanha), 2012 1. 2. 2. 4. 14 Pedro Nuno Fernandes Rodrigues, Portugal Escaldante despedida *(117) Serra de Vila Nova (Portugal), 2010

1. 2. 13. 2. 82 Eduardo Filipe Fernandes Realinho, Portugal Jantar na Sabóia
*(115) Reserva da Faia Brava, Figueira de Castelo Rodrigo (Portugal), 2012

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I Paisagens, biodiversidade e património natural

1. 1. 5. 5. 25 André Luiz Caixeta, Brasil Esplanada dos Ministérios
*(118) Brasília (Brasil), 2012

1. 1. 5. 1. 25 André Luiz Caixeta, Brasil Sol Congresso Nacional Brasil *(120) Brasília (Brasil), 2012 1. 2. 7. 1. 40 Heitor Garcia, Brasil Pôr-do-sol Santos *(121) Santos (Brasil), 2012

1. 2. 7. 4. 40 Heitor Garcia, Brasil Nascer do Sol
*(119) Rio de Janeiro (Brasil), 2012

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I fotografia sem fronteiras

1. 1. 45. 1. 144 Enric Enrich, Espanha Fim
*(122) São Miguel, Açores (Portugal), 2012

1. 1. 33. 4. 101 Beatriz Mendoza, Espanha Volviendo a Puerto *(124) Viana do Castelo (Portugal), 2011 1. 1. 34. 2. 104 Isabel Nobre, Portugal Âncoras *(125) Praia do Barril, Tavira, Algarve (Portugal), 2011

1. 1. 41. 4. 118 Osvaldo da Graça M. G. de Carvalho, Cabo Verde Sodade
*(123) Praia Grande, Ilha do Maio (Cabo Verde), 2011

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I Paisagens, biodiversidade e património natural

1. 1. 43. 3. 132 Vitor Alexandre Pina Cabrita Da Silva, Portugal Final de Etapa
*(126) Lyon (França), 2012

1. 1. 29. 3. 90 Inês Pereira Leonardo, Portugal Estou aqui só para te ver *(128) Cabo de São Vicente, Sagres (Portugal), 2012 1. 1. 43. 5. 132 Vitor Alexandre Pina Cabrita Da Silva, Portugal Água, “O Arquitecto” *(129) Praia do Carvalho, Lagoa (Portugal), 2012

1. 2. 5. 2. 27 Alistair Langmuir, Espanha Make your path long
*(127) Teba, Málaga (Espanha), 2011

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I fotografia sem fronteiras

1. 1. 32. 2. 99 José Carlos Martins Silva, Portugal In The Ocean
*(130) Peniche (Portugal), 2012

1. 1. 34. 4. 104 Isabel Nobre, Portugal Entardecer *(132) Praia da Fábrica, Cacela Velha, Algarve (Portugal), 2012 1. 1. 1. 1. 3 João Miguel do Nascimento Ribeiro, Portugal Falésias *(133) Milfontes (Portugal), 2012

1. 1. 1. 2. 3 João Miguel do Nascimento Ribeiro, Portugal Rochedo
*(131) Milfontes (Portugal), 2012

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I Paisagens, biodiversidade e património natural

1. 1. 41. 3. 118 Osvaldo da Graça M. G. de Carvalho, Cabo Verde Esperança
*(134) Ponta Preta, Cidade de Porto Inglês, Ilha do Maio (Cabo Verde), 2011

1. 2. 5. 1. 27 Alistair Langmuir, Espanha O mar, sempre navegado *(135) Ilha do Barril, Sta. Luzia, Algarve (Portugal), 2010

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Transversalidades

I fotografia sem fronteiras

Paisagem e património natural – espanha

D

eugenio Baraja rodríguez * iversidad natural y densidad histórica se decantan en la singularidad y variedad de los paisajes españoles. Como todo paisaje, se constituyen como una realidad física, objetiva, visible; son las formas del territorio, el reflejo de sus estructuras. Pero también como una percepción individual y social; el producto de una sensibilidad y de unos valores que filtran las miradas e inspiran sus representaciones. Son, desde esa doble perspectiva, una construcción cultural. Una cultura que se plasma en la materialidad que los produce y en los significados que les otorga.

Si la sensibilidad social ante la magnitud y rapidez de los cambios de nuestro entorno justifica el renacer del interés por el paisaje en España, las múltiples formas de acercamiento y consideración que admite (académico, político, técnico, estético…) han puesto en evidencia su diversidad. Uno de sus mejores conocedores, Eduardo Martínez de Pisón, se refiere a ello al destacar que “la clave de los paisajes naturales españoles, tanto de los que hacen de soporte a los espacios humanizados, como de los escasos que aún guardan marcas evidentes de sus elementos naturales, es su diversidad” 1. Tanto es así que, posiblemente, en esta piel de toro encontremos la mayor variedad paisajística de Europa. Una diversidad que descansa en una trama fisiográfica compleja, derivada de la compartimentación del relieve en unidades diferenciadas. Si la insularidad, conformación y latitud individualizan los archipiélagos, en la Península, alineaciones montañosas de diversa composición, disposición y naturaleza - agrestes y arriscadas en unos casos, macizos pandos y pesados en otros- enmarcan valles y aíslan depresiones. Altas y extensas llanuras dominan y abren el horizonte en el interior, marcando un acusado contaste con las estrechas franjas litorales. Por otro lado, su situación de encrucijada en el ámbito de las latitudes medias, entre masas continentales y marinas, explica las diversas influencias a las que se ve sometida. Lo atlántico y lo mediterráneo se distribuyen el territorio, solapándose en espacios de transición o matizándose por el efecto del relieve. En la húmeda franja septentrional (desde el NO de Galicia hasta el confín oriental de los Pirineos) se hace evidente el influjo boreal, mientras que la aridez del estío y sus manifestaciones ecológicas define el amplio dominio territorial de lo mediterráneo. Rasgos ambientales que justifican la variedad de vegetación y la riqueza florística, traducida en una veste vegetal que se manifiesta en la diversidad de bosques, montes, pastizales... Determinadas porciones, a veces enclaves, afirman su singularidad dentro de los respectivos ámbitos por una combinación de factores que les dotan de interés ecológico, científico, estético…, lo que les ha valido el reconocimiento social como portadores de unos valores que justifican su conservación. Es la naturaleza entendida como patrimonio, que -convergiendo con la idea de patrimonio elaborada a partir

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I Paisagens, biodiversidade e património natural

del monumento, de raíz histórica y valor arquitectónico artístico- se ha traducido en unas normas para su custodia y preservación en forma de espacios naturales. Sin embargo, estos espacios protegidos responden a una idea de lo natural reelaborada culturalmente, en tanto que la impronta humana a lo largo de una ocupación milenaria ha ido dejando atrás sus rasgos primigenios. En efecto, desde antiguo, los pobladores insulares y peninsulares han venido modificando, en mayor o menor medida, los rasgos del medio. Un proceso de construcción territorial dilatado y complejo, resultado de una cultura secular contrastada y rica en variantes en virtud de las formas de ocupación, de asentamiento y de relación propias de cada momento histórico. De entre las actividades del hombre, las tres categorías de aprovechamientos que definen lo agrario: el cultivo de la tierra, el cuidado del ganado y el uso forestal, son las que más intensamente ha contribuido a la construcción de los paisajes españoles. Constituyen la manifestación visual de una combinación profunda y diferenciada de naturaleza y cultura que define e identifica una forma de vida. Los grandes dominios climáticos, así como la multitud de matices que determinan el relieve y los suelos, conforman el basamento sobre el que se asientan los grandes grupos de aprovechamientos. Bosques, prados, brañas y pastizales, policultivos y forrajes en los ámbitos atlánticos. Cereales, viñedos, olivares y frutales en el mediterráneo, donde la aridez se mitiga en la compleja malla de los regadíos. Paisajes del monte y de la dehesa, combinación singular de lo agrícola, ganadero y forestal. Adaptándose y utilizando en su beneficio los componentes naturales, la actividad agraria, con sus tramas parcelarias, aprovechamientos del suelo, formas de asentamiento y organización, es la gran modeladora de los paisajes en España, la clave para su interpretación. Pero el paisaje es contingente y dinámico por definición. Se reelabora continuamente. El paso de una sociedad rural y campesina a otra urbana, industrial y terciarizada que tuvo lugar en la España de la segunda mitad del siglo XX, determinó una profunda transformación de las formas de vida y de los paisajes tradicionales que la acompañaban. El abandono y la despoblación de unos espacios se han combinado con la intensificación de los aprovechamientos en otros. Es la manifestación de la integración y adaptación al cambio y a las nuevas funciones que la sociedad les otorga. Esa (re) funcionalización del espacio se ha traducido en nuevas formas de ocupación y de organización, y se ha enriquecido con la aparición de elementos novedosos. Los procesos son de sobra conocidos, pues forman parte del presente inmediato del país: el avance de la ciudad hacia el campo, los espacios concebidos para el ocio, la proliferación de residencias secundarias, las ocupaciones turísticas, las infraestructuras de comunicación, la producción energética extensiva… Todo ello genera una nueva malla que se sobrepone a la anterior, reescribiendo en el “palimpsesto territorial”, y generando una convivencia no siempre armónica (paisajes híbridos, transversales, complejos, tensionados….) La rapidez e intensidad de estos procesos ha inducido trasformaciones y cortes radicales con el pa-

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Transversalidades

I fotografia sem fronteiras

sado. Son nuevas materialidades, producto de los tiempos globales. El fuerte impacto y la escasa calidad de las mismas, en el sentido de la progresiva homogeneización y falta de integración, ha llevado a hablar de banalización del paisaje, de no lugares…, en alusión al contraste con lo tradicional que, a veces, perdura en forma de elementos o combinaciones paisajísticas residuales, mejor o peor conservadas, y en los que la sociedad reconoce su singularidad. Es el sentido del paisaje como identidad. Ese sentimiento de pérdida de lo que nos identifica en sus formas pretéritas y ancestrales, de los valores materiales y culturales que encierra, junto a la necesidad de protegerlo para a su vez legarlo, justifica el reconocimiento del paisaje como patrimonio. A remolque de un marco normativo reconocido internacionalmente, que lo define como las obras de la labor combinada del hombre y la naturaleza que por su singularidad y representatividad merecen un reconocimiento y protección, en España el concepto de patrimonio ha ido incorporando los valores éticos, la cultura inmaterial y la idea de espacialidad a las dimensiones estéticas y materiales convencionales. El encuentro entre lo histórico y lo natural deriva así en un tipo de patrimonio territorial, donde el paisaje se abre camino como concepto clave. Sin embargo, los espacios que por los valores que encierran necesitan una protección especial son escasos y se encuentran aislados. Entre ellos se extiende el espacio de la vida cotidiana, el paisaje habitual y ordinario en el que vivimos la mayor parte de los ciudadanos, que no está dotado de atributos excepcionales, pero sí está sometido a las tensiones de los procesos de transformación. A este tipo de paisaje hace mención el Convenio Europeo del Paisaje, al definirlo como “cualquier parte del territorio tal y como la percibe la población, cuyo carácter sea el resultado de la acción y la interacción de factores naturales y/o humanos”. Una definición abierta (sin adjetivos, basado en el carácter de un territorio) y una finalidad que no necesariamente pasa por la protección, sino por la gestión de los cambios y la intervención en las situaciones más críticas. La entrada en vigor en España de este Convenio tiende una vía para su consideración transversal en las diferentes políticas de ordenación del territorio o en aquellas sectoriales de notable impacto que inciden en la calidad de vida de los habitantes. Pero el acercamiento al paisaje no es necesariamente racional y operativo, también es comprensivo. Numerosos autores han abundado en esta dimensión, destacando cómo las representaciones e imágenes literarias, pictóricas, cinematográficas…, son un puente tendido entre el observador y lo observado. Por ello permiten, a través de las diferentes miradas, acercarnos a la idea subjetiva del paisaje, a las percepciones, a los valores que encierra y que la imagen desvela, a la relación de la sociedad con su entorno captada por la mirada sutil del artista, pero también del ciudadano. Porque el paisaje tiene una dimensión textual abierta a una lectura que admite múltiples interpretaciones y sensibilidades. De entre las posibles representaciones, la fotográfica, más allá del efectismo técnico o la espectacularidad artística, ha sobresalido por su valor interpretativo, por su capacidad para caracterizar la

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I Paisagens, biodiversidade e património natural

diversidad paisajística y mostrar comprensivamente el paisaje. De ahí el valor de esta muestra. Las fotografías vencedoras del Concurso de Fotografía Transversalidades 2012 del CEI, independientemente de su indiscutible calidad, tienen precisamente esa virtud: acercarnos a la diversidad de los paisajes a través de miradas también diversas. Ello les otorga un alto valor pedagógico. Muestran una síntesis evocadora, ilustrativa e informativa, de la riqueza y variedad de los paisajes en España.

* Universidad de Valladolid 1 MARTÍNEZ DE PISÓN, E. (2003): “El Paisaje de España”, en Atlas de los Paisajes de España ( Mata, R. y Sanz, C., dirs.). Madrid, Ministerio

de Medio Ambiente, Universidad Autónoma, p. 17

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I fotografia sem fronteiras

Paisagem e Território
messias modesto dos passos * “É inútil sonhar com uma rusticidade distante de nós. Isso não existe. O que inspira tal sonho é o charco que há em nosso cérebro e em nossas entranhas, o vigor primitivo da Natureza existente em nós. Nunca encontrarei nos ermos de Labrador rusticidade maior que em qualquer lugar de Concord, pois para cá a trago”.

A

Henry David Thoreau in Simon Schama: “Paisagem e Memória”.

geografia é hoje reconhecida como “a ciência social dos territórios”. A compreensão geográfica do meio ambiente deve se manifestar essencialmente nessa perspectiva. “Territorializar” o meio ambiente é, ao mesmo tempo, enraizá-lo no território dos homens e na longa história das sociedades, fornecendo os meios conceituais e metodológicos de fazer avançar o conhecimento ambiental nesse campo. Enquanto por toda parte desmoronam as ideologias conhecidas, a ascensão da noção de meio ambiente aparece como a grande revolução do século XX no modo de pensar do mundo e, mais precisamente, nas relações do homem e da natureza. A natureza e os fenômenos naturais aí são, certamente, considerados em si mesmos e para si mesmos, mas cada vez mais em uma perspectiva social no amplo sentido, ao mesmo tempo econômico e cultural. Isto não aconteceu sem reticências por parte dos cientistas “duros”, mas a “demanda social” foi mais forte e até suscitou a reconversão de numerosas problemáticas. A pesquisa em meio ambiente é o próprio exemplo da pesquisa interdisciplinar confirmada uma vez que ela associa, pelo menos na teoria, as ciências sociais às ciências da natureza. Entre as diferentes abordagens pertinentes à descrição e análise das dinâmicas e organizações espaciais, existem duas grandes orientações que, acredito, devem ser vistas como complementares. Uma, a análise espacial consiste em explicitar as grandes regras que estruturam, organizam o espaço. A outra, a geografia social, aborda os processos de construção territorial pela análise dos comportamentos sociais. A abordagem paisagística se propõe a costurar as relações entre estas duas orientações, para mostrar como as diferentes combinações de comportamentos individuais induzem cada uma das construções paisagísticas específicas e, pois, os modelos recorrentes de organização do território. Nos últimos vinte anos a paisagem tem mudado de estatuto, de finalidade e de conteúdo participando de forma explícita da cultura, da sensibilidade, do simbólico, ou seja, do que se considera de “artialização”. E mais, a paisagem assume, a cada dia, maior relevância como um dos componentes das políticas de ordenamento – ambiental e patrimonial - dos territórios.

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I Paisagens, biodiversidade e património natural

A paisagem é o sinal sobre o terreno e o olhar das convulsões ambientais que sacodem o planeta. Trabalhar com a paisagem significa contemplar um paradigma de complexidade e de diversidade, que transcende disciplinas e interdisciplinas. Após uma longa história, se tem dado à paisagem, talvez como último recurso, a missão de interceder para sensibilizar, nos dois sentidos do termo, sobre as questões do território, do meio ambiente, da ordenação e do desenvolvimento. A paisagem pode (e deve) ser muito mais do que um atalho, uma moda. Ela é um longo caminho que aclara e humaniza o território. Se há um contraste de paisagem, há, também, um contraste político-administrativo. Para conhecer a Geografia Física é preciso conhecer os problemas sociais, econômicos, administrativos... A interdisciplinaridade, o globalismo, o ambientalismo e a análise dialética da natureza e da sociedade não puderam se desenvolver senão num ambiente científico dominado pela ideia de sistema. Era o fim de uma longa tradição de setorização da pesquisa, ao curso da qual, os elementos, isolados de um sistema de referência, conheceram longas derivas. A recentragem em torno dos conceitos de estrutura e de sistema, e do princípio de auto-organização, relançou a Ecologia em torno do conceito renovado de ecossistema e, a Geografia Física, em torno do conceito de geossistema. Este último é lentamente separado da análise paisagística para dar nascimento a um método naturalista às margens das ciências sociais e das práticas de organização do espaço.De onde a necessidade de não se analisar o meio ambiente no quadro estrito de um único conceito, a partir de 1990, Bertrand reconhece que não é possível abordar o meio ambiente – complexo e com diversidade -, a partir de um conceito unívoco, (ecossistema e/ou geossistema) e, então, propõe o modelo GTP (Geosistema – Território – Paisagem). “O meio ambiente e o retorno do geográfico”, tem como objetivo maior chamar a atenção para o surgimento do geográfico na mídia, nas políticas de ordenamento territorial e no cotidiano das pessoas. Esse geográfico está explícito na espetacularização do meio ambiente, quer seja através das imagens de catástrofes, de cenários paisagísticos; mas, também, na necessidade de se considerar as potencialidades de determinados territórios em termos de recursos naturais: água, solo, biodiversidade, geodiversidade, fotossíntese etc. “A paisagem é o reflexo e a marca impressa da sociedade dos homens na natureza. Ela faz parte de nós mesmos. Como um espelho, ela nos reflete. Ao mesmo tempo, ferramenta e cenário. Como nós e conosco, ela evolui, móvel e frágil. Nem estática, nem condenada. Precisamos fazê-la viver, pois nenhum homem, nenhuma sociedade, pode viver sem território, sem identidade, sem paisagem.” (Bertrand, 2007). Uma paisagem nasce, toda vez que um olhar cruza um território, pois a paisagem nasce da interação de dois elementos: (a) o objeto - um determinado espaço geográfico; (b) o sujeito - o observador, isto é, o homem com sua sensibilidade, seus projetos, etc.. O mais importante é o que existe entre os dois. Paisagem é um processo! Um modo de representação sócio-cultural de um espaço. A cada um a sua paisagem.

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Transversalidades

I fotografia sem fronteiras

A paisagem é um tema transversal. Abordar a paisagem como uma questão transversal – e de travessia – suscita muito mais interrogações que afirmações: “Le paysage revient inattendu dans le vide où le système comme un arc-en ciel dans le pré” (“A paisagem retorna para o vazio ou o sistema como um arco-íris no prado”) (Michel Serres, Les cinq sens, Grasset, 1985: 229), coloca as questões essenciais inerentes à paisagem e nos interpela sobre alguns pontos : o retorno da paisagem, tendo sido preciso esperar o fim dos Trinta Gloriosos para que se tivesse um olhar de interesse pela paisagem, há muito tempo esquecida, notadamente pelos gestores do território; a relação entre paisagem e sistema; a abordagem sensível, poética e cultural, que marca o retorno da paisagem através da imagem, da espetacularização das catrástrofes ambientais... A primeira dificuldade desde que se fala de paisagem é lhe dar uma definição. Segundo um provérbio chinês “a paisagem está ao mesmo tempo na frente dos olhos e atrás dos olhos”. Cada um de nós tem uma imagem associada à paisagem e a define através de suas próprias referências. Mais, todos os povos não exprimem da mesma maneira a noção de paisagem. Esta concepção vaga tem um sentido diferente em função das línguas e das culturas. Os rurais não falam de paisagem, falam da terra: “a gente cultiva a terra” e “a gente olha a paisagem”. Além do debate em torno das definições se coloca a questão do “retorno” da paisagem. Há muito tempo esquecida, a paisagem tornou-se atualmente uma preocupação tanto ecológica e econômica como cultural, interferindo com as problemáticas do meio ambiente e da gestão do território. Mas este novo interesse suscita outros problemas e interrogações. Nós somos confrontados com uma multiplicidade de fontes, de interpretações históricas e de lobbies que se interessam no sujeito. A multiplicação de correntes, tendências de “escolas” que se opõem nas ambições e aspirações diferentes dão uma visão confusa da percepção atual da paisagem. A noção de paisagem procede menos da polissemia que da cacofonia (vazia de sentido, frágil, logomarca etc.); se quer ligar a paisagem às formas de interdisciplinaridade atualmente frágeis. É preciso encontrar outra coisa, fora das disciplinas. É preciso reconhecer e favorecer a diversidade das interpretações e das abordagens. Propor uma abordagem, híbrida, susceptível de associar os contrários: natureza e sociedade, subjetivo e objetivo, individual e coletivo, teórico e prático, ciência e cultura, ordinário e extraordinário etc. Associa a paisagem ao território no sistema GTP (Geosistema – Território - Paisagem) fundado sobre a trilogia Source-Ressource-Ressourcement. É preciso construir um sistema a partir dos diferentes elementos. É mais que um simples agregar. É preciso rejeitar a cesura entre geografia física e humana, aproximar-se da história. É preciso utilizar a geografia para atravessar as outras disciplinas com a condição de traçar um caminho. Como o diz Antonio Machado: “O caminho, a gente o faz caminhando”. É preciso considerar que desde que a gente fala de paisagem, de meio ambiente, de gestão, de ordenamento ou de território, a gente fala sempre do mesmo objeto. É um conjunto que a gente não pode utilizar com uma única metodologia. É um paradigma que toma em consideração todos os elementos e híbrido dos contrários (exemplo: natureza/sociedade, individual/coletivo, ordinário/extraordinário). É uma entrada particular no território que é função de cada um.

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I Paisagens, biodiversidade e património natural

Ver, fazer ver, prever. O objetivo primeiro das representações da paisagem é fazer ver virtualmente, uma infinidade de paisagens, ou uma infinidade de vistas da mesma paisagem. A utilização de representações em três dimensões, e não somente de fotografias, implica uma vontade de compreensão global que ultrapassa o clichê. Trata-se de ver a paisagem no seu conjunto, sua profundidade, para compreender não somente as diferentes perspectivas, mas também as relações espaciais: visualizar os sítios de implantação do habitat em relação ao relevo, a organização da paisagem agrária em função da inclinação de vertente, a configuração de bacias hidrográficas etc. O objetivo é não somente ver, mas também multiplicar os tipos de perspectivas, de olhares e, portanto, de análises: “Nossa concepção atual de paisagem, sistema ecológico, cultural, estrutural e simbólico, cujos significados são diversos, não pode se satisfazer, para todo modo de representação, de uma carta de base de dados especializados” (ERVIN, S., 1994). Depois de criar o canto, o verso, a rima, a poesia e as rezas de sol da missa do vaqueiro, sou também um vaqueiro montado na beleza e na grandeza dessa gente, ativado num calor de vaquejada, cavalgando por seus cantos e seus recantos, recolhendo no chão, no ar e no céu do sertão a emoção e vertigem dessa vivência, que pontifica o verso e constrói o poema. Sou um vaqueiro afoito, cansado, descontraído, emergindo da caatinga para descansar na tranqüilidade do trabalho realizado, e à sombra da jurema, suado, esbaforido, tiro o chapéu, bato o pé do marmeleiro, desvencilho-me do gibão, das perneiras e das botas, sou um homem comum na passagem da vida – bebo cachaça no chocalho, gracejo e me divirto com meus parceiros e este mundo companheiro, sou um vaqueiro livre e eterno, como o vento do mundo, as pedras da terra e as estrelas do céu. Janduhy Finizola da Cunha, Missa do Vaqueiro. As paisagens, como vimos, são às vezes produtos da natureza e da sociedade. Elas foram, são e continuarão a ser enquanto a terra seja habitada, enquanto os olhares se colocaram sobre o mundo. Este mundo, que não é um jardim paradisíaco, é dominado por duas aspirações utópicas para a felicidade. A primeira, baseada sobre o direito à liberdade, privilegia o mercado – o livre-comércio – para criar e repartir as riquezas como os recursos. A segunda, apoiada no princípio da igualdade, recorre às regras da democracia para regular os efeitos perversos do livre-comércio: pobreza, segregação social, acessibilidade seletiva aos espaços, concentração de patrimônios, destruição do meio ambiente etc. A paisagem entre liberdade e igualdade. A liberdade de mercado pode ser o único motor da produção de paisagens materiais? Para responder, é preciso imaginar os mundos governados principalmente pelo interesse egoísta e a ganância, e marcado pela recusa da responsabilidade coletiva. A liberdade de empreender, gostaria de viver como lhe apraz, produz paisagens particulares. Elas não são ficções. Elas existem nas grandes planícies cerealistas da América do Norte, nas monoculturas de soja, de cana do Brasil, nos agrobusiness, nos centros comerciais das grades megalópoles, nos parques de atração e de lazer. Estes empreendimentos geram paisagens de desigualdade e de exclusão social: surgimento de favelas insalubres nas

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Transversalidades

I fotografia sem fronteiras

cidades africanas e sul-americanas, segregação social entre quarteirões ricos, médios e pobres, privatização dos serviços públicos etc. Não regulada, a liberdade não termina a história das paisagens, ela cria pela revolta possível as condições de sua transformação. Paisagem de uns, território de outros: a participação. As questões econômicas e políticas se traduzem por questões de poder sobre a paisagem (BERDOULAY, V. et SOUBEYRAN, 0., 1992). A paisagem pode ser analisada a diferentes escalas, da unidade de paisagem ao elemento da paisagem; mas, igualmente ser protegida a diferentes escalas, do parque regional à praça. A qual escala serão tomadas as decisões? Quem decidirá sobre a paisagem e a qual nível de análise do pesquisador ela é integrada? A gestão de paisagem está contida num campo de força entre o habitante que vive na paisagem e as autoridades administrativas que agem sobre a paisagem. Entre estes dois pólos, informações-decisões-ações estão em movimento de yo-yo que parte, regra geral, de cima para a base. Mais precisamente se observa uma dupla tendência que pode parecer bastante paradoxal. Progressivamente, a gestão de paisagem se integra numa lógica de planificação que controla e enquadra a evolução do conjunto da “grande paisagem”. A implantação de uma indústria, a organização de uma parcela, a construção de uma casa, não pode resultar de simples decisões individuais e devem se curvar a regras relativamente precisas e aos esquemas de conjunto. Paralelamente, a mobilidade crescente dos atores econômicos reduz a proporção de ações da população local sobre uma paisagem. O caso é particularmente flagrante quando novas dinâmicas territoriais se sobrepõem aos quadros de vida tradicionais, como é o caso, por exemplo, do avança da cana-de-açúcar no noroeste do estado do Paraná, ou, onde o desenvolvimento do turismo e das residências secundárias leva uma “despossessão” do território para os habitantes de “origem”. De outra parte a paisagem, mais que um objeto, é um produto. O reconhecimento desse produto (raramente concluído) implica, portanto, o reconhecimento do papel de seus criadores, ou seja, os moradores locais. A paisagem não é um quadro, é uma realidade viva.

* Programa de Pós-Graduação em Geografia da FCT-UNESP, campus de Presidente Prudente/SP-Brasil

Texto escrito em portugês do Brasil Referências bibliográficas: BERDOULAY, V. Et SOUBERYAN, O., 1992 : Pour une problématique de la planification environnementale, construction et régultion instituées des enjeux environnementaux. REED, avril 1992, pp. 10-12. BERQUE, A. Les raisons du paysage. Paris : Hazan, 1995. CLAUDE e BERTRAND G. Uma geografia transversal – e de travessias. O meio ambiente através dos territórios e das temporalidades. Maringá: Massoni, 2007; 1ª. ed. (Tradução Messias Modesto dos Passos) ERVIN, S.M., 1994: Images, texts et videos… Cahiers de l´Institut d´Aménagement et d´Urbanisme de la Région d´Îlle-de-France, n. 116, pp. 84-90. SERRES, M. Les cinq sens (Os cinco sentidos), Grasset, Paris, 1985. SCHAMA, S. Paisagem e Memória. São Paulo: Editora Schwarcz/Companhia das Letras, 2009 (Tradução: Hildegard Feist).

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Espaços rurais, povoamento e processos migratórios
Tema 2

Prémio Tema 2

Transversalidades

I fotografia sem fronteiras

Nuno Sousa, Portugal

2. 1. 1. 4. 2 Quentes momentos *(136) Montalegre (Portugal), 2012

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Menções honrosas

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2. 1. 8. 1. 86 Natalie Arlete Pereira Sánchez, Venezuela San José: Pueblo del Sur *(137) San José del Sur, Mérida (Venezuela), 2012

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2. 1. 12. 3. 116 José Monteiro Fernandes, Portugal O artista *(138) Santa Eufêmia (Portugal), 2012

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Jovens estudantes

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I fotografia sem fronteiras

Menções honrosas

2. 2. 4. 2. 162 Fernando Cerqueira Barros, Portugal Socalcos no Vale do Vez
*(139) Padrão, Sistelo - Arcos

de Valdevez (Portugal), 2011 2. 2. 3. 1. 152 Sara Rubio Angulo, Espanha Al otro lado *(140) Saucelles (Portugal), 2012

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Población y espacios rurales, su imagen y su estética
Santiago Santos * …la diferencia deja de ser estigma para trocarse en experiencia enriquecedora de la especie humana.

D

Francisco Reyes Palma1

esde la aparición de la fotografía, hacia mediados del siglo XIX, uno de los principales usos a los que se destinó, mediante Las Misiones Fotográficas, fue el registro de culturas lejanas y lugares poco conocidos por las clases acomodadas de las grandes ciudades europeas. El envío de fotógrafos a zonas alejadas, para que plasmaran lugares de los que había noticia sólo a través de las crónicas de los viajeros y de los grabados publicados en periódicos, y revistas, estas condiciones dieron como resultado un corpus de imágenes, gracias a las cuales, surgió una idea exótica y amanerada sobre las formas de vida en las zonas rurales. Se captaban los monumentos, los lugares típicos, las personas, generalmente vestidas para la ocasión o como mínimo con poses estudiadas. Estaba surgiendo el fotógrafo documentalista. Estos fotógrafos exploradores crearon un valioso registro de las formas de vida en zonas muy alejadas de sus lugares de origen, circunstancia que dio como resultado imágenes obtenidas con un gran distanciamiento hacia el sujeto fotografiado (reforzado por las características técnicas de la fotografía en las primeras décadas) y primando la creación de imágenes icónicas. Si damos un salto en el tiempo y observamos lo que sucede en las primeras décadas del siglo XX, vemos que conviven imágenes deudoras de aquellas primeras misiones con otras mucho más cercanas. De nuevo la técnica tiene una clara influencia en la forma de acercarse al sujeto, la fotografía se ha convertido en una disciplina más asequible, lo que propicia que en cualquier lugar haya un fotógrafo, profesional o aficionado, que es aceptado por sus conciudadanos. Esta relación genera imágenes sinceras, es decir, sin extrañamiento entre fotógrafo y sujeto, dando como resultado un registro mucho más cercano y natural en el ámbito del retrato y además de interesarse sólo por los “monumentos” y espacios significativos, se preste también atención al entorno cotidiano, lo que nos ha llevado a disponer de un registro visual que ha conformado nuestra manera de entender un mundo rural hoy en claro declive. Con el devenir de los años y la generalización de la práctica fotográfica amateur, ya en segunda mitad del pasado siglo, se vuelve, de alguna forma, a un uso de la fotografía en unas coordenadas similares a las de los comienzos de ésta, se registran principalmente ocasiones señalas, un viaje, un acontecimiento especial, un encuentro familiar… ¿Cuáles serían las conclusiones de un hipotético investigador del siglo

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XXII sobre nuestra forma de vida si sólo dispusiera de estos registros? En paralelo continúa la actividad de fotógrafos conscientes de estar asistiendo a la pérdida de un importante patrimonio cultural que registran sistemáticamente formas de vida, objetos y lugares que silenciosamente dan paso a la desolación que produce el éxodo a las ciudades.

¿Quién atravesó ese camino? ¿Quién veneró ese lugar? ¿Cómo se amó allí? ¿Cuánto dolor ha sido esparcido sobre esas rocas? ¿Quién subió por esa escalera? ¿Acaso alguien miró como yo lo estoy haciendo desde aquí? 2 No fotografío personas, no fotografío el mundo que me rodea (si no es por encargo), mi intención al hacer fotografías es hacer preguntas sobre qué motivó, cuál fue el origen o qué razón hubo para que ese objeto esté ahí, esos árboles estén agrupados y a la vez solitarios, qué idea o acción está detrás de que un lugar sea como es, cómo la actividad humana modela en entorno y reescribe sobre lo pasado su presente, con la falsa seguridad de que los tiempos venideros no llegarán. Para mí el interés fotográfico está en los rastros que dejan las personas en sus obras y cómo afecta a estas el paso del tiempo.

El abandono de los espacios rurales como consecuencia de los procesos migratorios y la vuelta ocasional de esos emigrantes a sus lugares de origen, generan, a través de referentes que dieron forma a sus vivencias, un código de imágenes asentadas en la memoria del lugar, en lo que aún permanece y en lo ya desaparecido. El simbolismo de las dos imágenes seleccionadas es fundamental para comprender su dimensión. En “El cementerio grabado”, la calma de la escena otoñal y su construcción con un punto de vista a ras de suelo y la fuga central, parece mostrar la dirección en la que buscar a los seres queridos. En “O choro do canavial”, el campo que ya a dado sus frutos y el árbol solitario que da testimonio de la desolación y la esperanza. La desolación producida por el final de una etapa, de una generación, y la esperanza de futuras cosechas, de futuros pobladores. Una de las cualidades más significativas de la fotografía es el concepto de corte 3, cuando apretamos el disparador de la cámara, captamos un momento, un instante, irrepetible por el forzoso devenir del tiempo-espacio, que deja congelado un gesto, un espacio o una acción 4. Desde la perspectiva de los procesos migratorios y su influencia en la estética de la imagen, que es el tema que nos interesa aquí, esto tiene una trascendencia fundamental al poner de relieve la importancia de las imágenes en la conformación del acervo cultural común.

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Es significativa la confluencia del concepto de corte que ponen de manifiesto las fotografías “Dried up and dead to the world y Rua Regedor José Diogo” con los proyectos interrumpidos y el consiguiente abandono y ruina de espacios que prometían una vida mejor, nos lleva a reflexionar sobre la continua oferta para mejorar nuestro modo de vida a costa de las profundas modificaciones de nuestro entorno. En “Parque Luxemburgo” una silla vacía en primer plano y varias figuras que se alejan de la escena o son ajenas al entorno, evidencian la percepción de un espacio, cuidado y tranquilo pero ajeno, del que no formamos parte, al que no pertenecemos, sentimientos que acompañan con frecuencia a los emigrantes.

* Fotógrafo 1 Francisco Reyes Palma. Mariana Yampolsky. Colección Campo de Agramante Nº 7. Ediciones Universidad de Salamanca. 1995. 2 Artificios y ficciones. A propósito de las fotografías de Santiago Santos. Rafael doctor Roncero. Colección Campo de Agramante Nº 10. Ediciones

Universidad de Salamanca. 1996.
3 Philippe Dubois. El acto fotográfico. De la representación a la recepción. El golpe del corte. Pag. 141. Editorial Paidós Editorial S.A. 1994. 4 No hablo, es este caso, del instante mágico de Henri Cartier-Bresson.

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I fotografia sem fronteiras

Pedro de Oliveira Simões Esteves, Portugal 2. 1. 5. 6. 54 Wild horses
*(141) Sabucedo (Espanha), 2012

2. 1. 5. 4. 54 Cowboys *(143) Sabucedo (Espanha), 2012 2. 1. 5. 3. 54 Rapa das bestas *(144) Sabucedo (Espanha), 2012

2. 1. 5. 5. 54 Stampede *(142) Sabucedo (Espanha), 2012

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Fernando Cerqueira Barros, Portugal 2. 2. 4. 3. 162 A ruína da civilização do “maíz”
*(145) Padrão, Sistelo, Arcos de Valdevez (Portugal), 2011

2. 2. 4. 4. 162 Conjunto Agro-Pastoril (“branda” da Gémea)
*(147) “Branda” da Gémea, Padrão, Sistelo, Arcos de Valdevez (Portugal), 2011

2. 2. 4. 1. 162 Calçada *(146) “Branda” de Rodrigo, Lordelo, Cabreiro, Arcos de Valdevez (Portugal), 2011

2. 2. 4. 5. 162 Estrutura em Falsa Cúpula - Abrigo Pastoril *(148) “Branda” de Ínsuas, Soajo, Arcos de Valdevez (Portugal), 2011

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I fotografia sem fronteiras

Pedro Miguel Brito Ferreira, Portugal 2. 1. 17. 4. 153 Vindimas na Região do Dão IV
*(149) Canas de Senhorim (Portugal), 2012

2. 1. 17. 2. 153 Vindimas na Região do Dão II *(150) Canas de Senhorim (Portugal), 2012

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2. 1. 17. 1. 153 Vindimas na Região do Dão I
*(151) Canas de Senhorim (Portugal), 2012

2. 1. 17. 3. 153 Vindimas na Região do Dão III *(153) Canas de Senhorim (Portugal), 2012 2. 1. 17. 6. 153 Vindimas na Região do Dão VI *(154) Canas de Senhorim (Portugal), 2012

2. 1. 17. 5. 153 Vindimas na Região do Dão V *(152) Canas de Senhorim (Portugal), 2012

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Javier Alonso Crespo, Espanha 2.1.10.5.94 Sandín, entre las aguas
*(155) Sandín, Zamora (Espanha), 2010

2.1.10.4.94 Carro *(157) Codesal, Zamora (Espanha), 2010 2.1.10.6.94 La cocina de Flora *(158) Codesal, Zamora (Espanha), 2012

2.1.10.1.94 El Sobrao de mi abuela *(156) Cional, Zamora. (Espanha), 2012

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Francisco Manuel Duarte Mendes, Portugal 2. 1. 6. 5. 66 Segredos da Serra: apelo
*(159) Lousã (Portugal), 2012

2. 1. 6. 3. 66 Segredos da Serra: contemplação *(161) Lousã (Portugal), 2012 2. 1. 6. 6. 66 Segredos da Serra: fronteira *(162) Lousã (Portugal), 2012

2. 1. 6. 2. 66 Segredos da Serra: comunhão *(160) Lousã (Portugal), 2012

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Natalie Arlete Pereira Sánchez, Venezuela 2. 1. 8. 2. 86 San José: Pueblo del Sur (2)
*(163) San José del Sur, Mérida (Venezuela), 2012

2. 1. 8. 6. 86 San José: Pueblo del Sur (6) *(165) San José del Sur, Mérida (Venezuela), 2012

2. 1. 8. 3. 86 San José: Pueblo del Sur (3) *(164) San José del Sur, Mérida (Venezuela), 2012

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“L’essentiel est invisible pour les yeux”

A

pedro hespanha * imagem que hoje temos do interior do país é a de um rural abandonado, envelhecido e decadente, vastos territórios outrora cheios de vida que foram sendo deixados para trás e estão agora a agonizar. As marcas desse passado muito ativo, sejam as encostas surribadas em socalcos, as águas represadas por moinhos e levadas, lado a lado com caminhos, pontes e alminhas, ou os fumos que se soltam do casario das aldeias ao crepúsculo, estão presentes por todo o lado é certo, mas aparecem cada vez mais aos nossos olhos como fantasmas de um passado que se vai distanciando de tal modo estas marcas estão perdidas do mundo que lhes deu origem. Porém, se deambularmos erraticamente pelas páginas dos municípios (e até de algumas freguesias) do interior porventura à procura de um motivo para visitar ou fotografar, em qualquer uma delas que seja, ficamos surpreendidos pela quantidade de iniciativas que têm origem, envolvem e mobilizam a população das aldeias. As agendas culturais, desportivas ou gastronómicas estão recheadas, ao longo de todo o ano, de concursos, festivais, feiras, torneios, cerimónias, mercadinhos, festas, excursões, récitas, desgarradas, bodos e outros programas que têm lugar nas aldeias. Por trás dessas iniciativas é de crer que esteja muito trabalho, muita capacidade de organização, muita entreajuda e muito brio. E assim é. Vendo de mais perto, ou seja, acercando-nos do quotidiano das aldeias, podemos compreender como é possível em territórios “abandonados, envelhecidos e decadentes” haver dinamismo e ação coletiva pujante. Mas para isso, temos de pôr de parte os critérios de medição da produtividade dos territórios e do empreendedorismo das suas gentes, caros aos economistas e decisores políticos, e olhar para aquilo que exprime melhor o universo rural: as relações de comunidade, a trama dos vínculos de vizinhança, as redes horizontais e verticais de solidariedade, a economia popular de trocas feita de dom e reciprocidade, o orgulho identitário e o amor pelo rincão natal. Em estudo recente, a ANIMAR dá-nos conta das condições em que as aldeias podem contrariar as tendências para o declínio e a desertificação, tornando-se sustentáveis e ativas economica, social e culturalmente1. Reconhecendo que “o desenvolvimento em meio rural se confronta, em muitos lugares, com fatores de desestruturação que funcionam não só como poderosos obstáculos e travões à mudança, mas também como fontes de aprofundamento da(s) crise(s)”, o estudo identifica alguns desses fatores: a tendência para a descapitalização e o desinvestimento demográfico do meio rural, a abertura à influência do meio urbano em domínios que minam a sua identidade e reduzem a sua auto-sustentabilidade, a hiper-partidarização da participação política, respostas políticas descontinuadas ou de emergência, muitas vezes envolvendo as próprias instituições locais em parcerias pouco inclusivas, o desencontro entre quem intervém e os territórios intervencionados típico dos programas de intervenção local, e o localismo para que tendem certos territórios e que se traduz num fechamento à mudança.

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I fotografia sem fronteiras

Mais interessante é o reconhecimento, a partir dos casos estudados, de que a revitalização das aldeias, quando acontece, segue padrões muito diversos e nem sempre é induzida de fora. Existem em muitas dessas aldeias recursos preciosos que conseguem mobilizar a comunidade ou setores significativos dela: desde logo, gente mais jovem e escolarizada, ávida de mudança, gente com experiência de vida mais rica e diversificada, como os emigrantes e os reformados que regressam à aldeia, gente com especiais qualidades de liderança e sentido de comunidade mesmo que nunca tenham saído da sua aldeia, pessoas mais velhas, homens e mulheres cujo papel desempenhado no passado os torna capazes de reavivar as tradições e os símbolos identitários, e também os notáveis ou aspirantes a notáveis locais que querem fazer carreira ou antevêm vantagens pessoais nos projetos. Recursos materiais também existem ou, quando não, eles são reinventados a partir do que é mais abundante: o trabalho voluntário não pago, incluindo o daqueles que estão fora e podem ser convocados para ajudar. Outros recursos, mesmo que escassos, são postos ao dispor da comunidade e multiplicados na ação coletiva, pois tudo se aproveita. E o dinheiro sempre vai aparecendo, nem que se tenha de correr seca e meca, pois a obrigação de ajudar conta muito na economia moral das aldeias e prestigia os doadores independentemente das suas motivações. Em muitos outros casos, o impulso veio de fora mas foi incorporado pela comunidade da aldeia e transformou-se num projeto de todos. Mas nem sempre as coisas se passam deste modo. Por isso se torna importante para a avaliação do sucesso destes processos de revitalização das aldeias saber, primeiro, se as mudanças tiveram origem dentro da comunidade ou fora dela e, segundo, se, tendo origem dentro da comunidade, elas se devem à iniciativa de uma elite social ou técnica local ou a uma iniciativa de base alargada a partir de associações ou de grupos informais de pares. A esta última situação – a mais favorável para a coesão interna da comunidade - corresponde um desenvolvimento endógeno de base associativa (com liderança partilhada e concertação de interesses), congregando os diversos agentes (institucionais, económicos) locais para a valorização e promoção do território (pelo turismo, produtos de qualidade, memória e património natural) e para o envolvimento da pequena produção em redes colaborativas ou ações de base cooperativa, por exemplo fomentando a cooperação entre pequenos produtores agrícolas para o abastecimento das instituições sociais ou para a participação em mercadinhos urbanos. Situação distinta é a que se pode designar por desenvolvimento endógeno verticalizado, assente numa liderança individual forte e legitimada pela experiência, pela competência técnica, pela autoridade carismática ou pelo capital político, capaz de angariar apoios externos. Aqui, os casos mais bem sucedidos correspondem a situações em que se verificou um envolvimento progressivo da população nas responsabilidades e nas decisões. Mas, mesmo sem isso, pode ter havido uma melhoria generalizada de bem estar quando, por exemplo, a iniciativa individual desencadeou o processo de revitalização da aldeia, criando emprego e fixando as pessoas, valorizando os recursos endógenos (gastronomia, plantas medicinais e

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aromáticas, turismo rural, etc.), criando serviços de proximidade, requalificando edifícios e estruturas desativadas, sensibilizando a comunidade para se envolver em novas atividades e, assim, recuperar o gosto de viver na aldeia. Quando o impulso vem de fora (por exemplo, de uma autarquia local, de uma universidade, de um grupo empresarial, de uma associação de desenvolvimento local ou de um programa europeu) os bons exemplos estão associados à existência de uma capacidade de envolvimento da população nas mudanças, de um acolhimento esclarecido dos objetivos do projeto e de uma progressiva assunção pela população e suas organizações da condução e do ajustamento das mudanças projetadas, para reforçar a autonomia da comunidade face ao projeto e garantir a continuidade deste. O maior risco identificado em inúmeras intervenções desta natureza é a descontinuação abrupta da ajuda antes que a comunidade estivesse preparada para suportar os encargos da mudança. Nada do que foi dito contradiz a afirmação de que o futuro do mundo rural está ameaçado e de que são abundantes os sinais de crise: abandono das terras e das casas, envelhecimento e isolamento das populações, discriminação (negativa) das dos territórios, mercadorização dos recursos locais incluindo o património, enfim, o rural como área de negócios. Porém e em contraponto, manifestam-se hoje por todo o lado sinais de renovado interesse pelo rural. Sinais ambíguos, decerto, pois a retórica do ruralismo dá para tudo. O que importa refletir é sobre o que move essa procura: cansaço do modo de vida urbano?, curiosidade pelo diferente?, refúgio para tempos de crise? ou busca de uma vida digna em harmonia com os outros e com a natureza? Talvez um pouco de tudo isso, mas o modo como algumas aldeias se estão a revitalizar anuncia a emergência de fatores de atração mais baseados na vivência de valores de sociabilidade e ambientais alternativos do que na oferta de um mero espaço de recobro temporário para o stress urbano. Assim os nossos olhos e as lentes das câmaras fotográficas o queiram ver.

* Universidade de Coimbra 1 http://www.asas.com.pt/

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2. 1. 1. 3. 2 Nuno Sousa, Portugal O Regresso
*(166) Montalegre (Portugal), 2012

2. 1. 19. 3. 160 Ilda Susete Ferreira Fernandes Correia, Portugal Pela linha da memória *(168) Duas Igrejas, Miranda do Douro (Portugal), 2010 2. 1. 7. 3. 83 Nuno Sousa, Portugal People went away *(169) Montalegre (Portugal), 2012

2. 1. 13. 1. 117 Adélia Sofia Pimentel Rolim, Portugal À espreita
*(167) Santa Eufêmia (Portugal), 2011

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2. 1. 14. 1. 128 Maria do Céu Pires Antunes Pissarra, Espanha “Carroça”
*(170) Vila Mendo (Portugal), 2010

2. 1. 12. 4. 116 José Monteiro Fernandes, Portugal TDT
*(172) Santa Eufêmia (Portugal), 2011

2. 2. 3. 3. 152 Sara Rubio Angulo, Naturalidade Una solución
*(171) Freixo da Espada Foz (Portugal), 2012

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I fotografia sem fronteiras

2. 1. 18. 5. 157 Fabíola Franco Pires, Portugal Memória presente arruinada
*(173) Sistelo, Arcos de Valdevez (Portugal), 2011

2. 1. 16. 6. 147 Hugo Miguel Branco da Fonseca, Portugal Termas do Cró *(175) Sabugal (Portugal), 2011 2. 1. 16. 1. 147 Hugo Miguel Branco da Fonseca, Portugal Debaixo da Ponte *(176) Idanha-a-Velha (Portugal), 2011

2. 1. 18. 1. 157 Fabíola Franco Pires, Portugal Eternamente sós
*(174) Numão (Portugal), 2010

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2. 1. 2. 1. 28 José Rosário, Portugal Á sombra das acácias
*(177) Sumbe (Angola), 2010

2. 1. 2. 3. 28 José Rosário, Portugal Observando a obra *(179) Quibala (Angola), 2010 2. 1. 4. 3. 52 Jair Emile Guerra, Brasil Carroça em Petrópolis *(180) Petrópolis/RJ (Brasil), 2011

2. 1. 2. 5. 28 José Rosário, Portugal Diversidade agrícola
*(178) Chipipa (Angola), 2010

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I fotografia sem fronteiras

2. 1. 9. 1. 93 M. Sergio López Conde, Espanha Campo de vinos
*(181) Tarragona (Espanha), 2012

2. 1. 13. 5. 117 Adélia Sofia Pimentel Rolim, Portugal Trigémeas *(183) Santa Eufêmia (Portugal), 2011 2. 2. 1. 2. 53 Fernando Francés, Espanha Agua natural *(184) Sallent De Gallego (Espanha), 2011

2. 1. 19. 1. 160 Ilda Susete Ferreira Fernandes Correia, Portugal Paragem no tempo
*(182) Cilhades, Torre de Moncorvo (Portugal), 2010

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2. 1. 12. 6. 116 José Monteiro Fernandes, Portugal Apeguilho
*(185) Santa Eufêmia (Portugal), 2011

2. 2. 1. 1. 53 Fernando Francés, Espanha Contemplando *(187) Málaga (Espanha), 2011 2. 1. 16. 3. 147 Hugo Miguel Branco da Fonseca, Portugal Rainha de Paus *(188) Meimão, Penamacor (Portugal), 2010

2. 1. 13. 4. 117 Adélia Sofia Pimentel Rolim, Portugal Panela
*(186) Santa Eufêmia (Portugal), 2011

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I fotografia sem fronteiras

2. 1. 15. 4. 135 Nelson Amarildo da Silva Varela, Cabo Verde Pico Senhor do Mundo
*(189) São Salvador do Mundo, Ilha de Santiago (Cabo Verde), 2010

2. 1. 4. 1. 52 Jair Emile Guerra, Brasil Forte S. Mateus e o futuro *(191) Cabo Frio / RJ (Brasil), 2012

2. 1. 15. 3. 135 Nelson Amarildo da Silva Varela, Cabo Verde A estrada
*(190) Milho Branco. S. Domingos, Ilha de Santiago (Cabo Verde), 2010

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espacios rurales, poblamiento y procesos migratorios

L

maría José prados * Los espacios rurales forman parte del imaginario colectivo de las sociedades contemporáneas. Esta afirmación, que podría considerarse una renuncia al propio enunciado del texto, persigue provocar en el lector una reacción a las construcciones mentales sobre dichos espacios. Nuestros pueblos y sus campos han cambiado intensamente a lo largo de la segunda mitad del siglo pasado y no serán más como fueron en nuestras geografías personales. Apartados del camino trazado por las revoluciones industriales y tecnológicas y mientras todas las miradas se dirigían hacia la construcción de grandes regiones urbanas, los espacios rurales han dejado marchar a sus habitantes abriéndose hacia todo aquello que suponía cambio o una ilusión de mejora. El resultado es un conjunto desarticulado de pueblos desnaturalizados, campos abandonados y actividades agrarias intensivas, que parecen estar siempre a la expectativa. Este panorama es un reflejo de las capacidades finitas del territorio en general, y de los territorios rurales en lo que aquí nos concierne. En el pasado el territorio se iba construyendo de forma pausada, represando las aguas y clareando el bosque allí donde era necesario proporcionar tierras de cultivo para el sustento a la población. Los pueblos quedaban a salvo sobre las colinas, desde donde se divisaba un paisaje de vegas, campiñas y monte. Erigidos en objetos principales de un conjunto ordenado de usos y actividades que se complementaban entre sí. Todo comenzó a cambiar con la industrialización y el crecimiento acelerado de las ciudades y regiones, porque es entonces cuando el sistema territorial se fractura provocando desequilibrios. La manifestación más clara es la ruptura de las relaciones comerciales entre la ciudad y el campo y la concentración de los procesos productivos en las áreas urbanas. Estableciendo una relación de dependencia y supeditación socio-demográfica y económica que, a día de hoy, sigue marcando la pauta de muchas áreas rurales. El exponente más dramático de esta situación puede contemplarse en la selección de fotografías que ilustran el trabajo de Julia Schulz-Dornburg sobre Ruinas Modernas. Una topografía del lucro (Barcelona: Ambit, 2012). A propósito de la descomposición de nuestro territorio provocada por el desarrollo urbanístico desaforado, el lector puede constatar en las fichas de los proyectos que acompañan a muchas de estas fotografías, que se trata de desarrollos urbanísticos en espacios rurales. Todo es posible en ellos, todo tiene cabida como expresión de su rendición ante los intereses del oportunismo y de los especuladores: urbanizaciones, campos de golf, parques de atracciones, plantas eólicas o fotovoltaicas, centrales y almacenes nucleares. Todo encuentra justificación bajo el argumento de que los espacios rurales tienen que participar de modelos de desarrollo exógenos capaces de crear empleo, atraer población, y generar bienestar y riqueza. La profunda crisis de las actividades primarias y la incapacidad de erigirse en centrales como proveedoras de materia prima para la industria alimentaria ha ido en paralelo a la profunda pérdida de población. De ahí que el enunciado de este texto sea el de espacios rurales, poblamiento y procesos migratorios.

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I Espaços rurais, povoamento e processos migratórios

La salida continuada de población tuvo consecuencias que van más allá de la propia contabilidad de emigrantes o de sus estrategias personales y familiares. Las repercusiones de estos procesos superan incluso a los cambios en las estructuras demográficas de las áreas rurales que se traducirían en la retracción de la fecundidad y el envejecimiento. Es necesario aceptar también, en qué medida fueron mudando las condiciones y expectativas de vida de los que se quedaron. La desolación provocada por la marcha continuada de paisanos fue agravándose a medida que la población continuaba en su éxodo. El proceso de despoblamiento ha estado ligado al del envejecimiento de las áreas rurales en las que los ancianos han permanecido como autores únicos del territorio. Esta situación redujo las posibilidades educativas de los habitantes además de otros servicios médicos o asistenciales. De manera que las estructuras sociales se debilitaban y hacían cada vez más vulnerables ante un futuro incierto. Aunque pueda parecer paradójico, ello ha devenido en un conjunto de oportunidades para determinados territorios rurales. La ausencia de presiones demográficas y económicas ha permitido que determinadas áreas rurales se transmuten en espacios naturales protegidos; que se hayan preservado paisajes culturales de gran valor; y que los elementos del patrimonio territorial perduren, a modo de testigos de usos y aprovechamientos en declive. Es de justicia reconocer que la iniciativa pública ha jugado un importante papel en estos procesos, pero es cierto también, que muchas veces ha venido a impulsar iniciativas y peticiones locales largo tiempo desatendidas. La permeabilidad del sistema territorial ha permitido reorganizar las relaciones entre territorios urbanos y rurales. Esto es así en la medida en que la población demanda entornos con bajos niveles de urbanización, la presencia de elementos naturales, de calidad paisajística. Precisamente a partir de estas necesidades se construyen nuevos conceptos y modelos basados en el apoyo a los recursos rurales que están bien conectados con los recursos ambientales. La suma de todos ha supuesto un reforzamiento de los espacios rurales en cuanto a la capacidad para fijar población, para atraer a nuevos pobladores, e incluso, de arrastrar a las actividades económicas. Desde esta perspectiva se puede afirmar que las sociedades rurales son protagonistas de su resurgimiento, y que este se apoya sobre los mismos pilares que iban siendo erosionados. Pero que como hemos visto al principio, puede continuar provocando igualmente una mayor presión de sus debilitadas estructuras: la sobreexplotación de las áreas protegidas por el excursionismo o la práctica deportiva; la degradación de los paisajes con infraestructuras; o la destrucción de bienes patrimoniales … constituyen algunos ejemplos. El divorcio entre unos y otros retrata desequilibrios territoriales que es importante superar. Va en ello la supervivencia de unos espacios rurales que han evolucionado hasta convertirse en reservas de suelo y de recursos. Pero también y no menos importante, en soportes de un legado de estructuras territoriales y paisaje. La colección de fotografías recogidas en este volumen refuerza los elementos positivos de los espacios rurales en un reflejo fiel de su realidad. No oculta el vacío demográfico y el envejecimiento, la falta de jóvenes a los que transmitir los saberes tradicionales, las estructuras sociales masculinizadas. Pero

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Transversalidades

I fotografia sem fronteiras

apoyándose en la belleza natural de las imágenes, nos invita a mirar el lado positivo. La calidad sostenida de una parte de los espacios rurales tiende puentes entre las ciudades y las áreas protegidas, provocando el disfrute de los espacios abiertos, de elementos tradicionales y naturales, en la configuración armoniosa materializada en los paisajes culturales. Cuando atravesamos esos puentes la parada tiene lugar en los pueblos, donde se busca entroncar con las tradiciones y la cultura. Vayamos en la dirección correcta, reforzando los elementos que les proporcionan valor material en su condición de singulares e incluso únicos.

* Universidade de Sevilha

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I Espaços rurais, povoamento e processos migratórios

O tempo da natureza e do homem
Antonio Nivaldo hespanhol * rosangela Ap. de medeiros hespanhol ** “Aquilo que hoje morre não é a noção de homem, mas sim uma noção insular do homem, retirado da natureza e da sua própria natureza; aquilo que deve morrer é a auto-idolatria do homem, admirando-se na imagem pomposa de sua própria racionalidade”.

A

(Morin, 1973, p. 199)

Natureza, em toda sua amplidão e beleza, tem um tempo que lhe é próprio, propiciado pelas dinâmicas e processos intrínsecos aos fenômenos que marcam sua lenta evolução. Os animais selvagens, as montanhas, as espécies vegetais, o solo, o orvalho, a chuva, o sol, enfim, são alguns dos componentes de inúmeras paisagens que, não obstante a presença do homem e de sua capacidade de intervenção e modificação expressam uma lógica e um tempo que escapam a compreensão humana. Na escala temporal da Natureza, aquele que envolve o tempo longo, nas palavras de Braudel (1979), o homem, a Sociedade - entendida como uma relação de caráter mais econômico e contratual - somente há muito pouco passou a alterar essa lógica, inicialmente adaptando-se a ela, para depois de conhecê-la, modificá-la, rompendo o equilíbrio até então existente. Uma lógica e um equilíbrio em que a Natureza e sua beleza selvagem, com toda sua diversidade, complexidade e delicadeza, passou a ser controlada, dominada e apropriada para atender os interesses da sociedade, convertendo-se em recursos naturais. Esse processo de dominação, controle e apropriação da Natureza pela sociedade foi possibilitado pelo desenvolvimento das técnicas e sua aplicação ao processo produtivo, mas, sobretudo, pelo fato do homem não se reconhecer como parte dela, o que redundou no seu distanciamento, desvinculação e estranhamento em relação a algo que lhe é intrínseco. A domesticação de animais e o cultivo de espécies vegetais para o consumo humano datam de aproximadamente 10 mil anos. Nos últimos 150 anos, no entanto, ocorreram importantes mudanças que decorreram da incorporação de novas técnicas de produção pela agricultura. O advento do petróleo resultou na segunda revolução agrícola, a qual foi marcada pelo uso cada vez mais intenso de fertilizantes químicos, biocidas e emprego de força mecânica em substituição à tração animal. Tais mudanças propiciaram o incremento da produção de alimentos, fibras e matérias primas agroindustriais, mas tornaram os alimentos artificiais, ampliaram a degradação ambiental, reduziram a biodiversidade, excluíram agricultores, intensificaram as migrações campo-cidade e provocaram o esvaziamento das zonas rurais. A agricultura

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I fotografia sem fronteiras

transformou-se numa atividade econômica como qualquer outra e, como tal, centrou-se na exploração do trabalho, apropriação dos recursos naturais e acumulação de capital. A despeito das profundas modificações, os espaços não se tornaram homogêneos, as diferenciações pré-existentes não somente foram mantidas, mas até ampliadas, a partir do aprofundamento das relações capitalistas e do processo de globalização (SANTOS, 1996). Os espaços cada vez mais integrados, modernizados, “luminosos”, expressões de um tempo rápido, nas palavras de Milton Santos (1996 e 2001), contrapõem-se e coexistem com espaços pouco integrados, tradicionais, “opacos”, detentores de um tempo lento, nos quais os homens simples vivem e convivem cotidianamente, com as suas tradições, memórias e lembranças de um tempo e espaço pretéritos. Nas aldeias e pequenas cidades do interior de muitos países, em que os jovens foram obrigados a procurar novas formas de sobrevivência longe de seus lugares de origem, principalmente nos grandes centros urbanos, esse tempo lento esta presente no cotidiano daqueles que permaneceram e, ao mesmo tempo, envelheceram. Ele se expressa tanto por meio de marcas em suas paisagens - como nas casas e sua forma de organização e disposição, nos caminhos tortuosos, no carroção de madeira, na capela, no fogão e forno à lenha, no armazém e seus poucos itens - quanto nas relações sociais - marcadas pela proximidade entre os moradores que cultivam o hábito de conversar amistosamente, de valorizar a música que alegra a vida, de se vestir com simplicidade, de rezar para agradecer por si e pelos outros. Nesses lugares, os conflitos e as diferenças estavam e ainda estão presentes, porém não foram e não são a base, a essência, da vida. A palavra dada ainda tem grande valor e os compromissos são assumidos de maneira informal, tendo o aperto de mãos grande significado. Nesses lugares em que o tempo é lento, a vida em coletividade, em comunidade, tem outro sentido: o da solidariedade, do compartilhamento de experiências e saberes e de proximidade com a Natureza. Para Tönnies é na comunidade que as relações das pessoas são enraizadas na família, no lugar e na tradição. A comunidade envolve uma convivência mais próxima entre as pessoas e entre estas e a natureza. Na época da colheita, da vindima, por exemplo, a ajuda mútua, o trabalho coletivo, envolve não apenas o esforço físico e o cumprimento de um conjunto de atividades e tarefas para se alcançar determinado objetivo, mas, sobretudo, a oportunidade de conviver, compartilhar e aprender com a experiência dos outros, obedecendo o ritmo e o tempo da natureza. Nesse contexto, tanto o trabalho como os seus resultados, adquirem outro sentido: da vida, da esperança e de um futuro melhor. O futuro é incerto para muitas dessas comunidades, cuja população está idosa e os descendentes encontraram melhores condições de sobrevivência nas cidades, apesar da pressa, da pressão, dos riscos e dos custos mais elevados que são próprios às grandes aglomerações. Por vezes aparecem alguns forasteiros, os chamados neorurais, muitos dos quais estão a fugir do tempo rápido das cidades e procuram essas comunidades para viver em paz ou simplesmente para se refugiar temporariamente (segunda residência), o que

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I Espaços rurais, povoamento e processos migratórios

gera, num primeiro momento, a desconfiança dos habitantes locais, ao mesmo tempo em que representa um alento, pois com eles tais localidades têm a chance de continuar a existir. Nas localidades situadas ao longo de vias ou que possuem algum atrativo aparecem os turistas que tiram muitas fotografias, conversam, bisbilhotam, mas deixam a contrapartida no restaurante, no armazém, na loja de artesanato e contribuem para que os lugarejos persistam e realimentem as suas esperanças no futuro.

* Docente do Departamento de Geografia da Faculdade de Ciências e Tecnologia da UNESP – Campus de Presidente Prudente e membro do

GEOIDE
** Docente do Departamento de Geografia da Faculdade de Ciências e Tecnologia da UNESP – Campus de Presidente Prudente, coordenadora

do GEDRA (Grupo de Estudos Dinâmica Regional e Agropecuária) e membro do GEOIDE Texto escrito em portugês do Brasil Referências: BRAUDEL, Fernand. Le temps du monde. Tomo 3 de Civilisation matérielle, économie et capitalisme: XV – XVIII siècle. Paris: Armand Collin, 1979. MORIN, Edgar. O enigma do homem. RJ: Zahar Editores, 1973. SANTOS, Milton. A natureza do espaço – Técnica e tempo; razão e emoção. SP: Hucitec, 1996. SANTOS, Milton; SILVEIRA, Maria Laura. O Brasil: Território e sociedade no início do século XXI. RJ – SP: Editora Record, 2001. TÖNNIES, Ferdinand. Comunidade e sociedade como entidades tipico-ideais. In: FERNANDES, Florestan (Org.). Comunidade e sociedade: leituras sobre problemas conceituais, metodológicos e de aplicação. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, p. 96-116, 1973.

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Cidade e processos de urbanização
Tema 3

Prémio Tema 3

Transversalidades

I fotografia sem fronteiras

Nuno moreira, Japão

3. 1. 7. 3. 36 State of Mind *(192) Osaka (Japão), 2012

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3

I Cidade e processos de urbanização

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Menções honrosas

Transversalidades

I fotografia sem fronteiras

3. 1. 9. 1. 48 Sol Cañibano Peláez, Espanha Ritmo
*(193) Zaragoza (Espanha), 2011

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I Cidade e processos de urbanização

3. 1. 10. 1. 61 Jaime Gómez Giganto, Espanha Valletta_001 *(194) Valletta, Malta (País), 2010

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Jovens estudantes

Transversalidades

I fotografia sem fronteiras

Prémio

3. 2. 4. 1. 76 Nuno Cabrita, Portugal Dried up and dead to the world *(195) Amora (Portugal), 2012

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3

I Cidade e processos de urbanização

Menções honrosas

3. 2. 3. 5. 72 Hélder Sousa, Portugal RRJD 2
*(196) Valongo (Portugal), 2011

3. 2. 2. 2. 64 Ignacio González Castaño, Espanha Parque Luxemburgo *(197) París (França), 2012

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Transversalidades

I fotografia sem fronteiras

Cidade palimpsesto
henrique Cayatte * “A memória não é um instrumento para explorar o passado mas o seu teatro. É o meio de experiências vividas como o chão é o meio na qual as cidades estão enterradas”.

S

Walter Benjamin

omos, como os pacientes copistas medievais, “apagadores” de memória.

No silêncio dos scriptoriums os artesãos da palavra escrita apagavam com pedra pomes as iluminuras e os caracteres dos pergaminhos porque o suporte era caro e era preciso reutilizá-los. Não muito diferente do que fazemos hoje com o papel que depois de usado é reciclado para de novo ser utilizado num movimento perpétuo. Ou então porque novas censuras se impunham às anteriores e aquilo que até então era verdade depois deixou de o ser. Escondia-se assim do futuro o que tinha sido o passado já que, como sabemos, o presente é tão efémero que quase não conta. O que esses calígrafos faziam era uma vã tentativa de alargar o campo do conhecimento. Como Van Gogh, que sem meios para comprar novas telas, pintava nas costas do que havia pintado ou sobrepunha novas pinturas sobre as antigas. Ao apagar, para criar espaço para novas palavras, esses copistas estavam a fazer desaparecer irremediavelmente saberes mais antigos para dar lugar ao novo. Nunca saberemos se o que se limpou era mais ou menos relevante do que o que agora se acabava de escrever. A ideia era mesmo apagar e não deixar rasto. Porventura os temas até passavam a ser diferentes. Se o que estava escrito antes era sobre botânica ou comércio os novos textos poderiam ser agora sobre fé ou novas ordenações. Hoje, tantos séculos depois, nem as mais modernas técnicas conseguem fazer reaparecer o que esteve gravado a tinta pelos aparos manuseados por esses silenciosos peritos da escrita. E mesmo o facto de há tantos séculos o universo de leitores ser tão restricto não impediu decisões que, podemos imaginar, foram nalguns casos bem dramáticas. Guarda-se para as gerações vindouras ou imprime-se a novidade? Não precisamos de recuar muito no tempo para, entre nós, se terem tomado decisões de efeito equivalente embora em suportes bem diferentes. Não é raro ouvirmos hoje jornalistas queixarem-se de que muitas e valiosas gravações do arquivo público de televisão terem sido apagadas sem remissão face à escassez de meios e à necessidade de se gravarem novas imagens e sons. A história está cheia de palimpsestos e este exemplo audiovisual nem sequer é original.

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I Cidade e processos de urbanização

Gutemberg, que foi um percursor do sampling contemporâneo, quando rastreou e depois fundiu técnicas e saberes para criar edições de tipo novo, não viria a ter essa possibilidade. Impressos os conteúdos em papel, agora com com caracteres móveis, a única alternativa seria a de riscar, rasgar, deitar para o lixo ou mesmo queimar como mais tarde assitiríamos na Alemanha de Hitler.

Com as cidades passa-se o mesmo. As cidades nascem, crescem e envelhecem e continuam a nascer, crescer e envelhecer. Estatísticas recentes dizem que dentro de poucos anos teremos mais de 75% da população mundial junto da linha de costa e predominantemente nas cidades. Estamos longe do período em que Piero della Francesca pintou a sua “cidade ideal”. Não podemos deixar de, hoje, olhar para essa fulgurante pintura com um olhar simultaneamente nostálgico e admirado. Vemos um fragmento de uma cidade europeia mas não vemos pessoas. O olhar do pintor é o olhar do observador. Platão queria essa cidade construída sobre a justiça e Leonardo como um sistema racional para, depois de muitos teóricos, já na contemporaneidade, Jacob nos falar dos não-lugares das grandes metrópoles e Florida das cidades renovadas pelas migrações dos novos talentos digitais. Chico Buarque, no seu tema “Cidade ideal”, cria um coro grego constituído por todos nós - em especial crianças - mas também por uma galinha, por um jumento ou por um cão que glosam o tema. Se para o cão a cidade ideal tem um poste por metro quadrado já para a galinha esta cidade sonhada tem as ruas cheias de minhoca. Também Auster nos dá a ver a cidade a partir dos olhos de um cão: Mr. Bones. A preocupação é similar. Ver e olhar, sentir, tocar e cheirar de uma outra forma. Diferente onde afinal todas as leituras são possíveis para ficarmos mais ricos. Mas as cidades são também palimpsestos contemporâneos. Edifícios, graffitis, árvores ou pessoas que desaparecem para dar lugar a outras cidades. Muitas vezes invisíveis como no enorme romance de Calvino. Muitas vezes fantasmas como nos subúrbios de Houston aquando da crise do petróleo. Desenvolvem-se por “camadas” em que desenvolvimentos orgânicos são muitas vezes interrompidos por catástrofes naturais, guerras ou renovações urbanas. Renovações que muitas vezes não substituem o velho pelo novo mas que servem momentos de celebração como a EXPO’98 ou polémicas reorganizações sociais como na Paris dos anos sessenta. Os passados desaparecem e novas cidades nascem. A Lisboa do terramoto foi disto um exemplo trágico e total. Os desenvolvimentos são sempre não-lineares mesmo quando as planificações são maduramente pensadas e depois executadas com rigor como, por exemplo, com Corbusier ou em Brasília com Lúcio Costa e Niemeyer. As cidades ideais são, depois, habitadas e transformadas e sonhadas por quem lá habita.

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Transversalidades

I fotografia sem fronteiras

E de ideais passam a bem reais. Apesar de aparentemente estáticas e perenes surpreendem-nos sempre porque a luz, o som e os protagonistas fazem-nas mudar num movimento perpétuo, tanto de dia como de noite, como se se tratasse de um palco de uma grande encenação inacabada. Saber se as cidades que habitamos são lugares capazes de guardar a memória é uma das questões com que nos confrontamos. Será que as crises, a ganância e a velocidade, num time lapse contínuo, podem destruir as cidades em que habitamos, é o enigma que hoje vivemos em directo enquanto actores e simultaneamente público. Respostas só as teremos amanhã e entretanto corremos o risco de ficarmos mais ignorantes ou, na melhor das hipóteses, insuficientemente informados porque as reconstruções parece que teimam em apagar para se afirmar. Como nalguns palimpsestos.

* Designer | Professor auxiliar convidado na Universidade de Aveiro

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I Espaços rurais, povoamento e processos migratórios

Sol Cañibano Peláez, Espanha 3. 1. 9. 5. 48 Paleta de color
*(198) Granada (Espanha), 2011

3. 1. 9. 6. 48 Geometría *(200) Valladolid (Espanha), 2010

3. 1. 9. 2. 48 Bidireccional *(199) Zaragoza (Espanha), 2011

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Transversalidades

I fotografia sem fronteiras

Nuno Moreira, Japão 3. 1. 7. 5. 36 State of Mind
*(201) Shibuya (Japão), 2012

3. 1. 7. 6. 36 State of Mind *(202) Shibuya (Japão), 2012 2012

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I Cidade e processos de urbanização

3. 1. 7. 4. 36 State of Mind
*(203) Shibuya (Japão), 2012

3. 1. 7. 1. 36 State of Mind *(205) Kamakura (Japão), 2012

3. 1. 7. 2. 36 State of Mind *(204) Tóquio (Japão), 2012

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Transversalidades

I fotografia sem fronteiras

Mateusz Jan Radek, Polónia 3. 1. 8. 1. 41 A bandeira
*(206) Madrid (Espanha), 2011

3. 1. 8. 5. 41 Alegria *(208) Madrid (Espanha), 2011

3. 1. 8. 2. 41 O rosto *(207) Madrid (Espanha), 2011

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I Cidade e processos de urbanização

3. 1. 8. 4. 41 Jovens
*(209) Madrid (Espanha), 2011

3. 1. 8. 3. 41 Fantasias *(211) Madrid (Espanha), 2011

3. 1. 8. 6. 41 A dança *(210) Madrid (Espanha), 2011

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Transversalidades

I fotografia sem fronteiras

Jaime Gómez Giganto, Espanha 3. 1. 10. 4. 61 Valletta_004
*(212) Valletta (Malta), 2010

3. 1. 10. 5. 61 Valletta_005 *(213) Valletta (Malta), 2010

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3

I Cidade e processos de urbanização

3. 1. 10. 2. 61 Valletta_002
*(214) Valletta (Malta), 2010

3. 1. 10. 6. 61 Valletta_006
*(215) Valletta (Malta), 2010

3. 1. 10. 3. 61 Valletta_003 *(216) Valletta (Malta), 2010

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Transversalidades

I fotografia sem fronteiras

Rui Fernando Bernardo Pinto, Portugal 3. 1. 15. 2. 134 Choque arquitectónico
*(217) Ulan Batar (Mongólia), 2009

3. 1. 15. 4. 134 Rumo ao céu *(219) Kuala Lumpur (Malásia), 2011

3. 1. 15. 3. 134 A caminho do progresso *(218) Singapura (Singapura), 2011

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3

I Cidade e processos de urbanização

Nuno Filipe Brito Ferreira, Portugal 3. 1. 16. 1. 138 Edifício Burgos I
*(220) Porto (Portugal), 2011

3. 1. 16. 4. 138 Tribunal de Justiça de Gouveia II *(222) Gouveia (Portugal), 2012 3. 1. 16. 3. 138 Tribunal de Justiça de Gouveia I *(223) Gouveia (Portugal), 2012

3. 1. 16. 5. 138 Multiusos de Lamego I *(221) Lamego (Portugal), 2012

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Transversalidades

I fotografia sem fronteiras

Carlos Romão, Portugal 3. 1. 18. 5. 149 Reabilitar o passado para construir o futuro *(224) Porto (Portugal), 2010 3. 1. 18. 2. 149 Reabilitar o passado para construir o futuro *(225) Porto (Portugal), 2010 3. 1. 18. 3. 149 Reabilitar o passado para construir o futuro *(226) Porto (Portugal), 2010 3. 1. 18. 4. 149 Reabilitar o passado para construir o futuro *(227) Porto (Portugal), 2010

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3

I Cidade e processos de urbanização

as cidades e os processos de urbanização

O

António Gama *

mundo urbaniza-se a um ritmo sem cessar de forma acelerada, em especial desde meados do século XX. Podemos considerar, de forma simplificada, os processos de urbanização como um processo social que comporta uma determinada concentração de pessoas e de edificações num determinado espaço e que se traduz numa realidade social específica. Pelo seu alcance espacial, compreende dois sentidos distintos e integrados: como uma invasão dos espaços imediatos à cidade, alargando a extensão da forma urbana e como o aumento e a extensão do número de localidades com o estatuto de cidades (Paul Claval). Durante muito tempo as cidades agruparam efectivos pouco numerosos, sendo a acumulação de população e a multiplicação das cidades, no essencial, obra dos dois últimos séculos. Enquanto expressão concreta de processos sociais que envolvem toda a sociedade, as cidades atravessam toda a história das civilizações, adquirindo maior expressão nos últimos dois séculos, associadas ao desenvolvimento das sociedades capitalistas e industriais, denotando a modernidade correlativa. As cidades e a urbanização são ao mesmo tempo produtos e produtoras do sistema socioeconómico reflectidos na organização do espaço urbano. Por essa razão a cidade é, ao mesmo tempo, uma forma social e uma forma material, constituindo uma fixação espacial e um espaço social. Enquanto nas cidades pré-modernas prevaleceu o primado do político e do ideológico, a ordenação no espaço e no tempo é relativamente fixa. Por sua vez, nas do modo de produção capitalista, a organização socio-espacial processa-se segundo a lógica dominante do económico: a cidade tornou-se, neste caso, sobretudo um facto económico. Nela opera-se a passagem de uma progressiva dominância do valor de troca sobre os valores de uso, ou seja, assiste-se cada vez mais à mercantilização do espaço e do tempo, do solo e da habitação, que embora de tipo diferente não deixam de ser mercadorias como as outras. Além disso, é também um factor técnico e um factor político e ideológico. Os espaços sociais e económicos que constituem as cidades estão atravessados por contradições e conflitos de apropriação, de utilização e de avaliação que os grupos sociais fazem do espaço e que se expressam na segregação de usos, nas formas residenciais e nos diferentes tipos de desigualdades sociais. À nova ordem social também corresponderá uma ordem espacial, mediada ou imposta pelos poderes instituídos e organizadores dessa ordem, com configurações de geometria variável. O sentido de cidade e de urbano podem resumir-se em diferentes abordagens: a mudança social e a explicação da morfologia pela ecologia social ou mais modernamente pela compreensão da estrutura sócio-espacial; a cidade à luz duma teoria da mudança social e não o inverso, o que lhe dá um estatuto de meio onde as transformações da sociedade se efectivavam de uma maneira específica; os modos de vida dos citadinos a prova das especificidades propriamente urbanas, expressas nos índices de uma transforma-

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Transversalidades

I fotografia sem fronteiras

ção profunda das relações sociais no seu conjunto, nos efeitos específicos deste meio, ao ponto de fazer dele uma variável independente da evolução social; a quotidianidade da vida urbana, englobando quer a vida no trabalho quer fora do trabalho. Os diferentes modos de vida urbana ofereciam assim um meio de identificação dos diferentes grupos sociais. O foco na reprodução da força de trabalho adquire, por consequência, um valor explicativo na análise dos espaços urbanos. Embora uma boa parte das análises escamoteiem as contradições no que se refere aos modos de vida urbanos, ao trabalho e à vida doméstica, permitem, apesar disso, discernir as articulações entre o modo de produção, a forma urbana e as suas actividades. As formas, do plano urbano à arquitectura, pela sua diversidade e o seu tratamento iconográfico, convertem-se numa via privilegiada para analisar a organização e o carácter instrumental do espaço. São os traços dos modos de vida da população urbana que aí se encontram, e além disso, as suas transformações. A heterogeneidade do território conjugada com as mudanças políticas, económicas sociais e culturais, influenciam as estruturações hierárquicas e ajudam a transformar a homogeneidade espacial original. A cidade, “criação político-religiosa na sua origem, enquanto fenómeno geral, procede de seis princípios: centralização, concentração, verticalização, heterogeneidade, mediação e mecanização. Estes princípios condicionam não apenas a cidade mas ainda toda a existência urbana e, consequentemente, as actividades” (Claude Raffestin). As modificações que afectam estes princípios acabam por se repercutir nas estruturas internas e externas da cidade e do sistema urbano. A história ensina-nos que o número dos “lugares” e localizações susceptíveis de serem cidades é finito. Algumas localizações tornaram-se cidades, outras permaneceram aldeias, algumas cresceram, outras diminuíram; contudo, os sistemas urbanos europeus, no fim do século XVIII, ou mesmo, anteriormente, já estavam inscritos no território, embora sem a actual estruturação hierárquica. A designação de cidades abarca realidades muito diferentes que não podem ser reveladas apenas pelo volume populacional ou pelo número crescente de centros urbanos, a que o rápido processo de urbanização contemporânea deu origem. Do centro regional à cidade de subúrbio metropolitano passando pelas pequenas ou médias cidades de influência local ou regional existe uma enorme diversidade urbana. Da disposição das cidades num território resultam dois tipos principais de inter-relações: uma, das cidades entre si, outra, da cidade com o campo. Sendo “a cidade uma das formas territoriais que permite maximizar a interacção”, a concentração e a centralidade tornam-se os princípios mais utilizados nas discussões geográficas e, por isso, uma condição necessária, mas não suficiente, da heterogeneidade. A rápida urbanização deu origem a uma diversidade de cidades, diferenciadas na importância demográfica ou funcional: do centro regional ao subúrbio, passando pela cidade de fraca influência regional são diferentes os seus papéis na rede urbana; por exemplo, “de tamanho pequeno ou médio, estas cidades não são necessariamente verdadeiras pequenas ou médias cidades em sentido funcional. Mas como precisar esta noção que vai mais para lá do tamanho? E segundo que critérios se pode qualificar a cidade de pequena ou média?” Habitualmente estas questões são deixadas sem resposta.

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I Cidade e processos de urbanização

“Pouco importa o termo que se utiliza para descrever as cidades muito grandes (megalopolis, metrópole, cidade plurimilionária, conurbação, nebulosa urbana), surgindo com a revolução industrial um fenómeno inteiramente novo. Quando se fala de tamanho de uma cidade é preciso determo-nos ainda sobre a definição do perímetro de uma cidade”, é útil fazer a distinção entre três noções de cidade: “a cidade propriamente dita” “a aglomeração” e a “zona metropolitana”. “A cidade propriamente dita”, delimitada, geralmente e no caso português, segundo critérios administrativos, compreende a freguesia ou as freguesias que integram o centro urbano. A “aglomeração”, definida pela “cidade e o seu arredor”, compreende geralmente as zonas de carácter nitidamente urbano adjacentes, extravasando a cidade propriamente dita. Estes arredores, que resultam essencialmente da evolução urbana no séc. XIX, já existiam na Idade Média, em algumas destas cidades. Por fim, a “zona metropolitana”, primordialmente aplicada apenas às cidades de tamanho muito grande e possuam um centro administrativo de algumas dezenas de milhar de habitantes. O perímetro estende-se a regiões onde “existe toda a evidência de uma interdependência de funções locais e as de uma cidade central”. Assim, a região metropolitana engloba não apenas os arredores adjacentes mas igualmente pequenas aglomerações que, por razão da sua proximidade, se tornaram dependentes da cidade” (Paul Bairoch). As novas periferias envolvem, pois, extensões consideráveis, gerando importantes mudanças nos comportamentos quotidianos dos seus residentes. Estas novas realidades socio-espaciais associadas à urbanização transformaram espaços rurais, pelos processos de desurbanização predominantes nos países de economia desenvolvida ou pela urbanização acelerada nas sociedades menos desenvolvidas. As formas de urbanização difusa, que as tipifica, diferenciam-se segundo os contextos de desenvolvimento e da estrutura espacial precedente. Uma dispersão da população pela periferia de centros pré-existentes, tanto na expressão mais antigo de crescimento de áreas metropolitanas, como, mais recentemente, das áreas periféricas de centros urbanos de pequena e média dimensão, dão lugar, num caso como no outro, a uma transição gradual entre a cidade e o campo. Os novos espaços diferenciam-se entre si pela posição relativa do desenvolvimento do país no sistema mundial, pelo momento em que se encontram relativamente ao desenvolvimento urbano-industrial e pela natureza da tradição urbana. Os processos sócio-económicos recentes induziram a formação e transformação da urbanização contemporânea com implicações espaciais consideráveis, sobretudo na inter-relação entre a dimensão espacial (concentração e extensão), a funcional (mudança dos usos do solo - intensidade e funcionalidade) e a social (mudanças sociais, práticas sociais e atitudes culturais das populações). As cidades são, pois, produto das relações sociais espacializadas cuja avaliação não é simples. Na transformação de antigas formas de organização social e na criação de outras em sua substituição ou em sobreposição, o espaço toma pois uma dimensão importante, quer como recurso, quer como elemento simbólico.
* Departamento de Geografia FLUC e CES

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Transversalidades

I fotografia sem fronteiras

3. 2. 5. 1. 159 Liliana Pereira, Portugal O anjo
*(228) Braga (Portugal), 2012

3. 1. 4. 2. 18 Ana Patrícia Rodrigues Alho, Portugal Fonte
*(230) Coimbra (Portugal), 2012

3. 1. 4. 5. 18 Ana Patrícia Rodrigues Alho, Portugal Gárgula
*(229) Guarda (Portugal), 2011

3. 1. 19. 3. 164 Carlos Alberto Matias Martins, Portugal Chafariz *(231) Guarda (Portugal), 2012

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3

I Cidade e processos de urbanização

3. 2. 2. 5. 64 Ignacio González Castaño, Espanha París desde el Arco del Triunfo *(232) Paris (França), 2012 3. 2. 1. 4. 5 Diogo Lucas Sousa, Portugal Baixa
*(233) Coimbra (Portugal), 2012

3. 1. 6. 1. 24 Joaquim Alberto Lourinho Carrapato, Portugal Guimarães *(234) Guimarães (Portugal), 2012 3. 1. 14. 5. 130 Leandro Guardado, Portugal Portugal que tenho nos olhos 5 *(235) Lisboa (Portugal), 2011

137

Transversalidades

I fotografia sem fronteiras

3. 2. 3. 6. 72 Hélder Sousa, Portugal RVLC 4
*(236) Valongo (Portugal), 2012

ADD 1 Hélder Sousa, Portugal ADD 1
*(238) Valongo (Portugal), 2011

3. 1. 11. 3. 92 Jorge Alexandre Pereira, Portugal “São Marcos”, da série Subúrbio
*(237) Urbanização de S. Marcos, Concelho de Sintra - Lisboa (Portugal), 2012

3. 1. 11. 2. 92 Jorge Alexandre Pereira, Portugal “Cavalo Cigano”, da série Bairros Vizinhos *(239) Bairro Horizonte, junto à rotunda Vale de Chelas, Lisboa (Portugal), 2012

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3

I Cidade e processos de urbanização

3. 2. 4. 6. 76 Nuno Cabrita, Portugal War in the Middle East
*(240) Sintra (Portugal), 2011

3. 1. 12. 2. 120 Rui Miguel da Cruz Feijão Moreira Marques, Portugal Viva o Bairro do Aleixo (implosão da torre 5) 2 *(242) Porto (Portugal), 2011

3. 2. 4. 2. 76 Nuno Cabrita, Portugal Falling green
*(241) Cacilhas (Portugal), 2012

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Transversalidades

I fotografia sem fronteiras

3. 1. 14. 1. 130 Leandro Guardado, Portugal A cidade que tenho nos olhos 1 *(243) Lisboa (Portugal), 2011 3. 2. 4. 5. 76 Nuno Cabrita, Portugal Visão do canhão
*(244) Elvas (Portugal), 2011

3. 1. 6. 4. 24 Joaquim Alberto Lourinho Carrapato, Portugal Parque das Nações *(245) Lisboa (Portugal), 2011 3. 2. 5. 4. 159 Liliana Pereira, Portugal Os pescadores *(246) Abrantes (Portugal), 20

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3

I Cidade e processos de urbanização

3. 1. 2. 2. 15 Susana dos Santos Lanção, Portugal A fé está entre nós
*(247) Santuário de Fátima (Portugal), 2011

3. 1. 2. 3. 15 Susana dos Santos Lanção, Portugal A fé como companhia *(249) Monsanto (Portugal), 2011

3. 1. 11. 1. 92 Jorge Alexandre Pereira, Portugal “Terra de Ninguém”, da série Subúrbio
*(248) Junto à estrada Otávio Pato, entre Sintra e Oeiras (Portugal), 2012

141

Transversalidades

I fotografia sem fronteiras

3. 1. 5. 6. 23 Daniela Carreira Peralta, Portugal Janela vestida, rotina despida
*(250) Prazeres de Aljubarrota (Portugal), 2012

3. 1. 3. 1. 16 Sandra Eunice dos Santos, Portugal Dublinbikes *(252) Dublin (Irlanda), 2012 3. 1. 2. 4. 15 Susana dos Santos Lanção, Portugal “Os idosos são crianças inocentes na sua velha idade” *(253) Aldeia de Santa Margarida (Portugal), 2011

3. 1. 5. 3. 23 Daniela Carreira Peralta, Portugal Medieval literal
*(251) Aljubarrota (Portugal), 2012

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3

I Cidade e processos de urbanização

3. 1. 17. 4. 142 Manuela Alexandra de Oliveira, Portugal Fronteira
*(254) Guarda (Portugal), 2012

3. 1. 13. 1. 127 Rory Aliran Birkby, Africa do Sul Fogueira de Festa I *(256) Praça Velha, Guarda (Portugal), 2011 3. 1. 19. 2. 164 Carlos Alberto Matias Martins, Portugal Rua histórica *(257) Guarda (Portugal), 2012

3. 1. 17. 1. 142 Manuela Alexandra de Oliveira, Portugal Sinantrópicos
*(255) Guarda (Portugal), 2012

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Transversalidades

I fotografia sem fronteiras

3. 1. 17. 3. 142 Manuela Alexandra de Oliveira, Portugal Envelhecimento
*(258) Guarda (Portugal), 2012

3. 1. 5. 5. 23 Daniela Carreira Peralta, Portugal Das dualidades. *(260) Alcobaça (Portugal), 2012 3. 1. 14. 2. 130 Leandro Guardado, Portugal Portugal que tenho nos olhos 2 *(261) Lisboa (Portugal), 2011

3. 1. 19. 1. 164 Carlos Alberto Matias Martins, Portugal Vista de uma janela
*(259) Guarda (Portugal), 2012

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3

I Cidade e processos de urbanização

3. 2. 2. 1. 64 Ignacio González Castaño, Espanha Montmartre
*(262) Paris (França), 2012

3. 1. 1. 3. 13 Rafael, Espanha Mejora en tiempos de lluvia *(264) Murcia (Espanha), 2012 3. 2. 1. 2. 5 Diogo Lucas Sousa, Portugal Sr. Panelas *(265) Belo Horizonte (Brasil), 2012

3. 2. 1. 1. 5 Diogo Lucas Sousa, Portugal Bananeiro
*(263) Belo Horizonte (Brasil), 2012

145

Transversalidades

I fotografia sem fronteiras

Cidade e procesos de urbanización

N

Xulio X. pardellas * on había moitas grandes cidades en España nos anos 30 e todas elas sufriron importantes destruccións na guerra civil, en especial Madrid e Barcelona, pero tamén Bilbao, Oviedo, Toledo ou Zaragoza. A dura posguerra e a falta xeral de recursos apenas permitiu reconstruír unha parte das desfeitas (recordemos que aínda a mediados dos 50 os niveis de consumo privado empezaban a recuperar as taxas de principios dos 30 e o índice medio de investimentos só recuperou aquela taxa a mediados dos 60). Será o Plan de Estabilización de 1959 e o inicio da década dos 60 a que marcará o grande salto da industrialización, da economía en xeral e en consecuencia, da aparición dun novo urbanismo, paralelo ao proceso migratorio interno máis importante da historia de España, que para moitos autores pode cualificarse con todo rigor de abandono ou éxodo masivo do campo para as cidades. Cómpre unha breve pero necesaria análise deste fenómeno para entendérmonos os procesos de urbanización actuais, moi condicionados pola rapidez con que as cidades deberon construír vivendas para os novos moradores que chegaron entre 1960 e 1975. Catro grandes factores axudan a explicar os acontecementos deses tres lustros e o seu impacto nos procesos de urbanización: No ámbito político, a liberalización do comercio exterior e a desaparición de moitas barreiras e trámites administrativos internos permitiron incentivar a creación de empresas e aumentar a produción xeral e os intercambios con Europa. No ámbito económico sectorial, a agricultura empezou a interrelacionarse coa industria e incrementou e diversificou notablemente a súa produción. Á par, a industria incorporou tecnoloxía e aproveitou con fortuna os baixos prezos da enerxía. Entre 1960 e 1975 triplicouse o consumo de petróleo e tomando 1934 como base 100, o índice de produción industrial pasou de 110 en 1960, a 550 en 1975. No ámbito financeiro, houbo dúas fontes principais e importantes de capitais. Por un lado o capital interior derivado dos crecentes proveitos do sector agrícola e máis do aforro dos emigrantes a Europa enviado ás súas familias. Polo outro lado, o capital externo que chegaba como investimento directo ou como divisas procedentes do sector turístico. Finalmente, no ámbito social, observamos de modo simultáneo dous grandes movementos migratorios, sempre na dirección das cidades: o primeiro xa foi citado como abandono da man de obra do campo, expulsada pola mecanización das actividades agrícolas, o segundo foi a incorporación masiva da muller ao mercado de traballo, que buscaba e encontraba novas oportunidades de emprego na industria e nos servizos.

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3

I Cidade e processos de urbanização

A consecuencia destes catro factores conxuntamente foi un rápido crecemento da demanda de vivendas urbanas e unha non menos rápida construcción de edificios, en moitos casos sen os mínimos requisitos de seguridade, de equipamentos e de calidade nos materiais. Os desmedidos proveitos das empresas inmobiliarias foron unidos á corrupción administrativa que permitiu e provocou irreversibles desfeitas urbanísticas que perviven na actualidade. Utilizando a mesma metodoloxía de análise proposta, podemos establecer dous grandes períodos e modelos de urbanización posterior, desde a crise de 1975 ata hoxe. O primeiro deles duraría case vinte anos, ata mediados dos 90, marcado por un crecemento máis lento das cidades a consecuencia da destrucción de postos de traballo industrial, así como un certo desprazamento da poboación para o litoral turístico mediterráneo. O segundo período remata coa crise de 2009, condicionado neste caso pola aparición de novas oportunidades de traballo nos servizos, pero tamén polas temerarias facilidades financeiras dos bancos para a adquisición de vivendas, provocando un forte crecemento da débeda privada e un novo proceso de crecemento urbano, unido outravolta á corrupción política e administrativa. Desde o enfoque cualitativo, o urbanismo dos anos 60 nunca foi sustentable e as súas consecuencias poden observarse aínda hoxe: expansión desregulada, desaparición de vivendas tradicionais e barrios antigos, destrucción de patrimonio monumental histórico e reducción de espazos verdes. Ao mesmo tempo, falta de equipamentos sociais, menor calidade de vida e despilfarro de enerxía por defectos na construcción. O cambio desde a crise do 75 tivo algúns resultados positivos, sobre todo derivados da maior conciencia ambiental da sociedade e das normativas reguladoras promulgadas polos gobernos socialistas dos anos 80. Podemos ver así un incremento moi sensible dos equipamentos sociais nas cidades e en especial, unha maior extensión das zonas verdes, que en moitos casos se deberon á recuperación de espazos industriais ou militares abandonados (os casos de Gijón, Coruña ou Bilbao son un paradigma). O último período que chega ata hoxe responde a unha loita e enfrontamento directo entre a conciencia ambiental creada nos anos anteriores e as novas oportunidades de negocio para inmobiliarias e bancos, apoiadas polos cambios legais dos gobernos conservadores que desde finais dos 90 volveron a facilitar a construcción de vivendas. Os principios de estabilidade, diversidade e coesión social, que semellaban consolidados no urbanismo moderno, foron de novo pervertidos polo proveito egoísta das empresas e a corrupción política, dando como resultado un modelo de urbanización social e ambientalmente irracional, que volveu a destruír espazos verdes (mesmo lugares naturais protexidos pola normativa europea), con esqueletos de edificios, hoxe abandonados pola crise, coma se un bombardeo de avións inimigos caíse sobre eles.
* Depto de Economía Aplicada. Universidade de Vigo

Texto escrito em Galego

147

Transversalidades

I fotografia sem fronteiras

Urbanização e cidades, ciência e arte: a fotografia como linguagem

A

maria encarnação Beltrão Sposito * fotografia tornou-se, no decorrer do século XX, uma linguagem importante para a construção do pensamento científico e para a difusão deste conhecimento. Em diversos campos das chamadas Ciências Biológicas e Exatas ela é muito utilizada, desde a escala microscópica, passando por aquelas capazes de apreender a diversidade de grandes estruturas e biomas existentes sobre a superfície terrestre, chegando à planetária, com a ajuda dos satélites, que nos possibilitam ver a Terra de outros pontos de vista. No campo das Ciências Humanas e Sociais, a Geografia, a História, a Antropologia, a Sociologia, a Arquitetura e o Urbanismo, destacando os campos que têm grande interesse na compreensão do processo de urbanização e de constituição das cidades, têm, igualmente, utilizado esta linguagem. Assim, independentemente dos ramos científicos, a fotografia é, de um lado, documento de onde se pode extrair informação, a partir do qual se pode fazer inferências, deduções e interpretações; de outro lado, ela é largamente utilizada para representar, exemplificar, ilustrar e conhecimento do novo, como uma forma de empiricizar ou de trazer, para o texto, o concreto como base para a abstração, caminho necessário para a construção teórica. Quando adotamos a linguagem como parte do discurso científico, cercamo-la de todos os cuidados necessários: buscamos suas fontes, conferimos sua pertinência, selecionamos com acuidade as que devem ser utilizadas, procuramos dotar as imagens fotográficas de referências que possibilitem apreender a escala do que representam, datamo-las, legendamo-las, inserimo-las com critérios, num esforço de compor um conjunto coerente com a linguagem escrita, com a cartográfica, a gráfica e outras das quais podemos fazer uso, valorizando a objetividade em nossas ações. No entanto não é, o campo científico, o único em que a fotografia ganhou espaço ou oportunidade de difusão no último século. É notório seu uso político e econômico, no campo da construção de ideologias ou do marketing, para tratar de duas possibilidades que são diferentes e que se encontraram de forma impressionante, nas últimas décadas do século XX, associação que vem se realizando com força espetacular no século atual. Tem sido no campo artístico que as fotografias têm tido mais eco, pois fomentam experiências, ganham exposições, tornam famosos alguns de seus autores, favorecem a possibilidade da realização de um artista em cada um de nós, porque nos oferecem a chance de representar o essencial e o banal, como canalização das nossas múltiplas habilidades e sentimentos. Neste livro, a fotografia é, essencialmente, uma linguagem artística. Os autores destes registros não tinham objetivos científicos, tampouco a eles foram encomendadas imagens que servissem a esta ou aque-

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3

I Cidade e processos de urbanização

la finalidade política ou econômica. Muito ao contrário, provavelmente, foi o desvencilhamento destas preocupações que os embalou no ato de fazer a melhor fotografia. Nesta perspectiva, foram atrás do melhor ângulo, da luz, do plano e do ângulo, que lhes favorecesse não a representação mais próxima do real, mas aquela em que a beleza, a imaginação, o duplo sentido, a sensibilidade, enfim, a subjetividade prevalecesse sobre a razão. Neste caso, a parte foi mais importante que o todo, o detalhe teve mais peso que o conjunto, a oportunidade de dar luz ao que se quis valorizar e, por outro, deixar na sombra ou no lusco fusco, aquilo que procurou minimizar ou com o que se deseja fustigar múltiplas sensações. Pensando nestes termos, em que as diferenças essenciais entre Ciência e Arte estão em foco, poderse-ia separar as fotografias em dois grandes grupos, cujas finalidades, por suas naturezas intrinsecamente diferentes, impõem a oposição entre as imagens realizadas por razões que têm suas origens em formas de ver e sentir o mundo que são, radicalmente, distintas. No entanto, ao se deterem nas fotos desta publicação, os leitores podem realizar, simultaneamente, as duas possibilidades. Por meio delas, apreendemos matizes da beleza urbana, a crueza da vida cotidiana das cidades, sua abertura para o mundo, as barreiras que se impõem ou que se deixam superar no processo de realização da vida social. Tais imagens denotam a sensibilidade que tiveram seus autores de escolher seus objetos de registro, os ângulos de tomada, as escalas de enquadramento, a entrada de luz permitida e as mensagens que desejaram passar ou não, porque nem sempre captamos o que o autor quer transmitir e, muitas vezes, lemos nessas imagens o que não lhes passou pela cabeça comunicar. Como sensações que aguçam nossa sensibilidade são elas, também, instrumentos de nossa razão: fazem-nos refletir, ler o que nem sempre está visível na paisagem, correr atrás de uma explicação, elaborar hipóteses e contribuir para a construção de teses. Elas nos mostram que Ciência e Arte, campos tão diferentes de se ver e sentir o presente, o passado e perscrutar o futuro, possibilitam ler o tempo e o espaço, como movimentos da sociedade indissociáveis e distintos ao mesmo tempo. Entre elas, há interfaces e desenham-se fronteiras que não são barreiras, porque podem ser vistas como áreas compostas por transições, sobreposições, diálogo e confrontos que, em muitas situações, ensejam o novo, tanto como explicação do mundo como sentimento acerca dele. Vivemos numa sociedade urbana, cujos valores e tentáculos abraçam cidades e campos. Tanto em Portugal como no Brasil, de onde provêm os registros fotográficos feitos em cidades, a urbanização é intensa e se promoveu com maior força a partir da segunda metade do século XX. A desigualdade das camadas de tempo que compõem a tessitura da vida urbana nestes dois países é o que as diferencia. A identidade cultural e as formas de ação política conformadas no período colonial e diversificadas, com o passar do

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Transversalidades

I fotografia sem fronteiras

tempo, são os liames que sustentam nossa lusófono-brasilidade. São cordas que nos prendem ao passado, são linhas com as quais podemos costurar nosso presente, são alinhavos de um conjunto de experiências urbanas que podem e devem se articular, tanto para nos reconhecermos como para nos distinguirmos, por meio de um amálgama de permanências e transformações que está sempre em refazimento. Milton Santos, para tratar do espaço geográfico, apresentou-o como acumulação desigual dos tempos. Nas cidades, esta explicação, ao mesmo tempo científica e metafórica, é emblemática. Em todas as civilizações, em diferentes tempos históricos, as cidades representam e são continentes de suas capacidades de fazer e ler o mundo. Fotografá-las é, assim, também oportunidade de compreendê-las e senti-las, de representá-las e de imaginá-las, de estranhá-las e de amá-las.

* Universidade Estadual Paulista – UNESP, Brasil

Texto escrito em portugês do Brasil

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Cultura e sociedade
Tema 4

Prémio Tema 4

Transversalidades

I fotografia sem fronteiras

miguel Ángel, Espanha

4.1.10.1.33 Mulheres no Senegal ( I ) *(266) Casamance (Senegal), 2012

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I Cultura e sociedade

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Menções honrosas

Transversalidades

I fotografia sem fronteiras

4. 1. 35. 3. 140 Nuno França Machado, Portugal Tea-garden *(267) Fábrica de Chá do Porto Formoso, Ilha de São Miguel, Açores (Portugal), 2012

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4

I Cultura e sociedade

4. 1. 39. 1. 155 Sérgio Lopes, Portugal Tingindo a Vida *(268) Sapa (Vietname), 2010

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Jovens estudantes

Transversalidades

I fotografia sem fronteiras

Prémio

4. 2. 10. 3. 122 Elisandro Almeida, Portugal Rotina
*(269) Caminha (Portugal), 2013

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4

I Cultura e sociedade

Menções honrosas

4. 2. 7. 6. 103 Francisco Fonseca Mateus, Portugal Carreira 60
*(270) Avenida 24 de Julho,

Lisboa (Portugal), 2012 4. 2. 5. 2. 96 Cátia Sofia Damião Ferreira, Portugal O olhar *(271) Vila Nova de Cerveira (Portugal), 2012

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Transversalidades

I fotografia sem fronteiras

Imagen, cultura, sociedad y su estética

D

Victorino García Calderón * ecía Peter Burke que “las imágenes dan acceso no al mundo social real sino a las visiones de ese mundo”. Seguir los conceptos que cada uno de los participantes en este certamen sostiene como motivo de su inquietud es cuando menos una tarea compleja ya que son múltiples y diversas las miradas que nos aproximan a ese mundo de ficción en el que se convierte cada uno de los momentos vividos ante lo que podemos llamar la irrealidad consentida, es decir cuando nos ponemos ante un contexto ya sea paisajístico, humano o cualquier índole con ánimo de registrarlo y/o perpetuarlo, cierto es que esto último que cada vez menos, estamos sin querer asistiendo a una especie de engaño ya que una vez plasmada, esa imagen (1) cobra identidad propia alejándose de la realidad de la que fue sacada para instalarse en un mundo virtual que nos desvincula en gran medida de esa realidad. El almacenamiento de un número, inimaginable hace tan solo unos años, de imágenes que se está realizando en estos momentos por todos los fotógrafos ya sean profesionales, amateurs o ciudadanos de cualquier índole debido a la profusión de dispositivos móviles, está poniendo en entredicho el “valor cultural” de dichas imágenes. Cuando la imagen era solamente pictórica fue tratada como un objeto de poder, tenía un comprador-propietario, le pertenecía de tal manera que podía llegar a ser objeto de culto exclusivo, como lo fue por ejemplo la “maja desnuda” de Goya, tanto, que incluso llegó a ser mostrada clandestinamente como si de un tesoro se tratara, un tesoro machista evidentemente y de ostentación de poder masculino ya que solo los hombres podían tener acceso a ello y, por tanto, la imagen (pictórica) debería pertenecer a ese mundo de ostentación, mundo relacionado directamente con el disfrute en tiempo presente de la “propiedad” tal y como apunta John Berger. Por el contrario, en el mundo actual la imagen, con el advenimiento de la fotografía y sobre todo de la publicitaria, el disfrute es en tiempo futuro, es un logro a conseguir, un señuelo delante de los ojos a modo de quimera inalcanzable, de deseo insatisfecho. La contaminación que de este hecho se deriva en el resto de las imágenes producidas en la actualidad es evidente, la mediocridad de la inmensa mayoría es manifiesta, la profusión de imágenes sin sentido no son más que el reflejo exacto de una sociedad dominada por el deseo, es decir, por el poder amparado en el futuro. Uno de los mayores librepensadores españoles del siglo XX, el zamorano García Calvo abogó siempre en sus alocuciones casi siempre dirigidas a cientos de jóvenes en cualquier universidad o espacio público, por el desprenderse de ese yugo esclavizador que es el futuro y que según él está cargado de insatisfacción y pleno de ansias de dinero, dios y poder, que viene a ser lo mismo, según sus palabras. En este certamen hay participantes jóvenes que han fotografiado su entorno altamente contaminado de insatisfacción e incomunicación, su discurso lejos de presentarse como una simple constatación

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4

I Cultura e sociedade

cuasi periodística es altamente gratificante ya que suponen intrínsecamente una denuncia de dichas actitudes, pero hay que tener cuidado de que esa denuncia no navegue excesivamente en el filo de la dualidad presente-futuro, es decir realidad-deseo ya que se corre el riesgo de ser asumidas y por lo tanto diluidas en la corriente dominante que no es otra que el predominio del poder económico sobre el social, del mundo financiero sobre el humano en el que cada vez cuentan menos la política (2) y los que la ejercen y más los que especulan con ella beneficiándose hasta extremos inconcebibles dentro de una verdadera democracia. Es necesario, por tanto, que los “hacedores de imágenes” estén en sintonía con los nuevos retos que plantean las nuevas tecnologías sin dejarse llevar por modas o esnobismos, sean valientes en sus propuestas buscando nuevas maneras de expresión en las que la estética (3) sea un elemento aglutinador de la idea como si de líquido amniótico se tratara y sin predominio quedando siempre en segundo término, ya que si no fuera así volveríamos a estar ante un planteamiento banal de futuro en el peor sentido del término. Si acudimos a la representación no estudiantil -e incluso en alguno de ellos también- en estas mismas fotografías que nos acompañan, podemos contemplar estéticas más asentadas en postulados más tradicionales no por los temas que tratan sino por sus miradas más encaminadas a la constatación de tal o cual actividad humana registradas como si de un catálogo del quehacer humano se tratara. Es cierto que no están exentas de intención artística siendo la composición, el tratamiento del color o su ausencia elementos fundamentales por los que discurre nuestra mirada cuando se posa sobre la superficie de las imágenes aludidas, así se pueden ver rostros en blanco y negro y color que denotan el paso del tiempo en personas ya trabajadas por el sol u otras circunstancias o la ausencia del mismo en dulces rostros de adolescentes inmersos en actividades que denotan sin pudor una gran dosis de impostura inducida por sus mayores inmersos en una tradición que, a veces, es casi inhumana. Casi todas ellas se supeditan al concepto decimonónico del coleccionismo museístico que propició la asunción de los postulados culturales de la revolución francesa en los que no había conquista napoleónica que no se llevara los “objetos culturales” a engrosar las colecciones que han dado museos tan importantes como el mismísimo Louvre. Este, llamémoslo así, lastre que muchos fotógrafos más o menos circunstanciales tienen, viene acompañado de una gran dosis de humanidad y belleza que hace que las imágenes sean más benévolas y es por ello que los espectadores lo asumimos como si de una condición ineludible se tratara reconociéndonos y participando de ellas en un vano intento de asumir el resto de las actividades humanas que nunca podremos tener. Es muy común ver en este tipo imágenes aspectos que son muy distintos a los de la propia condición del “hacedor de imágenes”, y por tanto es ahí donde radica el peligro de la descontextualización. Para que un trabajo fotográfico sea interesante desde el punto de vista socio-cultural, es necesario que las vivencias del sujeto y del objeto sean lo más próximas posible, es decir, que no se trate como si fuera una colección, sino de algo que “hacedor de imágenes” conozca, sienta, participe e incluso critique. Si no es así, la imagen obtenida será una más del montón, una más

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Transversalidades

I fotografia sem fronteiras

de las millones y millones que se realizan cada segundo en un planeta que está abocado, si no lo remediamos, a una sobrecarga iconográfica que nos puede aplastar como seres humanos para convertirnos, si no lo somos ya, en meros consumidores de deseos futuribles, incluida nuestra llamada historia (tradición) cultural. Vaya pues desde aquí una modesta apuesta por la fotografía sentida y vivida desde el conocimiento del entorno propio y ajeno acompañada por una buena dosis de investigación estética e inmersa en el contexto socio-cultural del siglo actual que es el que nos toca vivir.

* Profesor de EE. MM. y fotógrafo 1 Figura, representación, semejanza y apariencia de algo. 2 Dic.- rama de la moral que se ocupa de la actividad, en virtud de la cual una sociedad libre, compuesta por hombres libres, resuelve los pro-

blemas que le plantea su convivencia colectiva, es un quehacer ordenado al bien común.
3 Del gr. (Del gr. αἰσθητικός, sensible). adj. Perteneciente o relativo a la percepción o apreciación de la belleza.

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I Cultura e sociedade

Miguel Ángel, Espanha 4. 1. 10. 5. 33 Mulheres no Senegal (V)
*(272) Casamance (Senegal), 2012

4. 1. 10. 2. 33 Mulheres no Senegal (II) *(274) Casamance (Senegal), 2012 4. 1. 10. 6. 33 Mulheres no Senegal (VI) *(275) Casamance (Senegal), 2012

4. 1. 10. 3. 33 Mulheres no Senegal (III) *(273) Casamance (Senegal), 2012

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Transversalidades

I fotografia sem fronteiras

Luís Manuel Soares da Silva Ramos, Portugal 4.1.3.1.9 Romaria 1
*(276) Viana do Castelo (Portugal), 2011

4.1.3.3.9 Romaria 3 *(278) Viana do Castelo (Portugal), 2011 4.1.3.6.9 Romaria 6 *(279) Viana do Castelo (Portugal), 2011

4.1.3.2.9 Romaria 2 *(277) Viana do Castelo (Portugal), 2011

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I Cultura e sociedade

Lluís Salvadó Icart, Espanha 4. 1. 18. 3. 68 Ebanista
*(280) Lisboa (Portugal), 2010

4. 1. 18. 4. 68 Cerâmica *(282) Lisboa (Portugal), 2010 4. 1. 18. 1. 68 De compras en Chiado *(283) Lisboa (Portugal), 2010

4. 1. 18. 2. 68 Barberia *(281) Lisboa (Portugal), 2010

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Transversalidades

I fotografia sem fronteiras

António José Gonçalves Ramos, Portugal 4. 1. 21. 1. 91 Aldeia Avieira do Patacão
*(284) Patacão, Alpiarça (Portugal), 2010

4. 1. 21. 6. 91 Pedaços de memória *(286) Escaroupim (Portugal), 2012 4. 1. 21. 5. 91 Ainda há Avieiros no Tejo *(287) Golegã (Portugal), 2011

4. 1. 21. 3. 91 As riquezas dos Avieiros *(285) Portas de Rodão, Vila Velha de Rodão (Portugal), 2010

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4

I Cultura e sociedade

Arnaldo Alves de Carvalho, Portugal 4. 1. 24. 5. 108 Romeiros 5
*(288) Margens do “Río del Quema”, próximo de Rocío (Espanha), 2011

4. 1. 24. 4. 108 Romeiros 4 *(290) Margens do “Río del Quema”, próximo de Rocío (Espanha), 2011 4. 1. 24. 1. 108 Romeiros 1 *(291) Descida para o vale do “Río del Quema”, próximo de Rócio (Espanha), 2011

4. 1. 24. 2. 108 Romeiros 2 *(289) Travessia do “Río del Quema”, próximo de Rocío (Espanha), 2011

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Transversalidades

I fotografia sem fronteiras

Luís Jorge Nunes Filipe Taveira Sarmento, Portugal 4. 1. 28. 6. 125 O sonho perdido
*(292) Lisboa (Portugal), 2012

4. 1. 28. 3. 125 Concerto numa só Voz *(294) Lisboa (Portugal), 2012 4. 1. 28. 4. 125 O concerto da Solidão *(295) Lisboa (Portugal), 2012

4. 1. 28. 5. 125 O espelho da Vida *(293) Lisboa (Portugal), 2012

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I Cultura e sociedade

Eladio García Castaño, Espanha 4. 1. 32. 6. 133 La sonrisa te saluda
*(296) Serengueti (Tanzânia), 2011

4. 1. 32. 4. 133 Ebano azul *(298) Stone Town, Zanzibar (Tanzânia), 2011 4. 1. 32. 1. 133 Alumbrando el futuro *(299) Lago Victoria (Tanzânia), 2011

4. 1. 32. 3. 133 The sweetest thing *(297) Zanzibar (Tanzânia), 2011

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Transversalidades

I fotografia sem fronteiras

Marcelo Claros Marzana, Espanha 4. 1. 37. 2. 148 Cotidianidad desplazada 02
*(300) Cochabamba (Bolívia), 2011

4. 1. 37. 4. 148 Cotidianidad desplazada 04 *(302) Cochabamba (Bolívia), 2011 4. 1. 37. 5. 148 Cotidianidad desplazada 05 *(303) Cochabamba (Bolívia), 2011

4. 1. 37. 3. 148 Cotidianidad desplazada 03 *(301) Cochabamba (Bolívia), 2011

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I Cultura e sociedade

Ana Arias Lopez, Espanha 4. 1. 33. 2. 136 Ferias
*(304) Oaxaca (México), 2012

4. 1. 33. 1. 136 Mírame *(306) Oaxaca (México), 2012 4. 1. 33. 4. 136 No te apendeje la TV *(307) Oaxaca (México), 2012

4. 1. 33. 3. 136 Sapienza *(305) Oaxaca (México), 2012

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Transversalidades

I fotografia sem fronteiras

Nuno França Machado, Portugal 4.1.35.2.140 A caminho da plantação de chá
*(308) Ilha de São Miguel, Açores (Portugal), 2012

4.1.35.1.140 A chamada *(310) Ilha de São Miguel, Açores (Portugal), 2012 4.1.35.5.140 Processo manual de rolagem *(311) Ilha de São Miguel, Açores (Portugal), 2012

4.1.35.4.140 Apanhadeira *(309) Ilha de São Miguel, Açores (Portugal), 2012

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I Cultura e sociedade

Sérgio Lopes, Portugal 4. 1. 39. 4. 155 Paleta de cores
*(312) Nova Deli (Índia), 2012

4. 1. 39. 5. 155 Vida Errante *(313) Varanasi (Índia), 2012

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Transversalidades

I fotografia sem fronteiras

Cultura e sociedade - cidade, arte e política

É

António pedro pita * possível que pensar as relações entre “cidade” e “cultura” seja, em si mesmo, um exercício de reflexão sobre as metamorfoses da cultura. Porque também as cidades mudam? Certamente. Mas, antes de mais, porque a cultura é constituinte da organização da cidade. Ou, dito por outras palavras: sendo “uma organização destinada a maximizar a interacção social”, implicando uma “necessidade de especialização e diversificação do corpo social”, ligada a um aumento da divisão de trabalho e à necessidade de comunicar e de trocar mercadorias e ideias”, a cidade originou um “modo de vida” específico ou uma “cultura” própria. O traço mais vivo desta cultura é talvez ser um espaço de confluência das longamente separadas “cultura do povo” e “cultura de elite”. Não pretendo sequer resumir a considerável produção que entre nós, o tema das relações entre “cidade” e “cultura” já suscitou. Os textos de, entre outros, Idalina Conde, Claudino Ferreira, João Teixeira Lopes, Alexandre Melo, José Madureira Pinto, António Pinto Ribeiro, Mara de Lurdes Lima dos Santos e Augusto Santos Silva, sem esquecer Carlos Fortuna e João Peixoto, a cujos textos fui buscar algumas noções precedentes, são esclarecedores, para além da complexidade, da implicação mútua entre “cidade” e “cultura”. É útil determo-nos um pouco nesta implicação mútua e averiguar o ponto em que o próprio da cultura e o próprio da cidade se encontram ou coincidem, para além de todas as proximidades simplesmente alusivas ou pretextuais. Num texto a vários títulos sugestivo, escrito em colaboração com Augusto Santos Silva, Carlos Fortuna observa que a cultura, nas suas mais diversas concepções e manifestações, tem uma espacialidade própria: “num sentido físico mais restrito, a espacialidade da cultura diz respeito aos lugares e equipamentos especializados, sejam eles teatros, auditórios, museus ou galerias”; de um modo geral, é o conceito que pensa “as condições em que a cultura surge transformada em ingrediente de renovação potencial a vida social nas sociedades contemporâneas”. “Ingrediente de renovação potencial a vida social nas sociedades contemporâneas”: repito. As nossas cidades não são só heterogéneas: são compostas por fragmentos de uma totalidade mítica, dos quais alguns teóricos extraíram “o anonimato, a superficialidade e a transitoriedade” das existências e das relações. Ora, não há uma cultura que confira homogeneidade ao que é heterogéneo, que una o que está separado. A cultura não reconcilia o todo da cidade consigo próprio - porque a cidade não é unificável e, na cidade, os fragmentos que a cidade é originam a cultura de que se faz a cultura urbana.

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I Cultura e sociedade

Reconhecer estas pluralidades, reconhecer que elas não são redutíveis a dualidades simplificadoras (amador/profissional; popular/elite; local/global) é um imperativo político - subjacente, aliás, quer às estratégias de fortalecimento da malha cultural quer aos planos de qualificação dos equipamentos. A vitalidade do espaço urbano depende desta qualificação e daquele fortalecimento: por um lado, a geografia dos equipamentos, os requisitos técnicos, o rigor arquitectónico, a competência de gestão e as condições de atractividade de públicos; por outro, a suficiência de criadores, entre a sedimentação e a aventura, a escola e a transgressão, quando trabalham na velocidade do povo actual e quando trabalham na velocidade do povo virtual - alimentam a circulação de saberes e de afectos, intensificam heterogeneidades, geram a cultura como devir. Percebemos que a cultura mudou de configuração: já não é a soma erudita de conhecimentos nem a simples mediação da consciência de si e do mundo nem a outra que se opõe à cultura científica (à C.P. Snow) nem o universo onde Jean Dubutfet asfixiava. Nem, finalmente, no imaginário cartográfico que por vezes adoptamos, uma região ao lado de outras regiões. Afirmar a centralidade estratégica da cultura significa que é nela que reside o elemento fundamental capaz de promover a “renovação potencial da vida social nas sociedades contemporâneas”: a tensão entre socialização e criatividade ou, em outra terminologia, o devir anónimo da invenção. Por conseguinte, reivindicar a centralidade estratégica da cultura não é querer generalizar coisas do espírito, formais e abstractas. É instaurar na permeabilidade do espaço urbano as condições de circulação de tudo o que pode transformar os corpos, os olhares e os afectos. É afirmar que o próprio da cultura, digamos: o seu núcleo substancial (a tensão “socialização” / “criatividade”), não é uma região ao lado de outras regiões porque é coextensivo ao conjunto de regiões e produz efeitos específicos na relação com cada uma delas. E é mostrar como é que em áreas chave de uma estratégia de desenvolvimento -educação, economia, coesão social - o núcleo substancial da cultura é decisivo. No entanto, esta reconfiguração da cultura não é simples nem óbvia nem linear. Esse processo de reconfiguração, congenitamente dependente da secularização, democratização e massificação das sociedades contemporâneas e do espaço urbano, entre outras consequências, institui a mercantilização generalizada das trocas culturais e cria as condições de emergência das “indústrias criativas”. É impossível ler a afirmação de que a cultura se tomou geradora de mais-valia económica e de que o volume desta mais valia é relevante no PIB sem esse contexto e a consequente deslocação de fronteiras identificadoras do que seja, hoje, “o cultural”. Por exemplo: sabemos que a concepção, produção e comercialização de jogos vídeo é uma das mais sólidas indústrias criativas e em grande parte responsável pela importância daquela mais-valia.

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Transversalidades

I fotografia sem fronteiras

É inevitável perguntar se a reconfiguração da cultura vai no sentido da generalização do divertimento de curto alcance e da multiplicação de fortes emoções passageiras ou se este é apenas o contraponto, inevitável, na longa e profunda mutação nas modalidades de acesso de cada vez mais pessoas a cada vez mais cultura. A observação de Carlos Fortuna é pertinente: “chegando mais longe e a mais gente, a produção da media culture, por mais uniforme que seja, em cada conjuntura e sector, defronta-se com a enorme variedade cultural dos grupos sociais que vão tendo acesso a ela. Numa fórmula expedita proposta (...) por Diana Crane, pode dizer-se que ao impulso da homogeneização na oferta contrapõe-se um impulso de heterogeneização na procura”. Não desvalorizamos, porém, o facto de que seja na consequência económica directa que se situa a viragem reconfiguradora da cultura anunciada na génese e expansão das “indústrias criativas”. Que podemos definir assim: “actividades que têm a sua origem na criatividade, competências e talento individual, com potencial para a criação de trabalho e riqueza através da geração e exploração da propriedade intelectual” ou “as indústrias culturais têm por base indivíduos com capacidades criativas e artísticas, em aliança com gestores profissionais na área tecnológica, que fazem produtos vendáveis e cujo valor económico reside na suas propriedades culturais (ou intelectuais)”. Suponho que é necessário não ler estas noções demasiado depressa. Pelo menos, não tão rapidamente que nos impeça de reconhecer que o modelo, confesso ou inconfesso, da criatividade é a arte. Permitam-me que defina a arte como criatividade intransitiva. Na concepção de que somos herdeiros, a arte é por excelência a prática criativa, paradigma ou referência exemplar de o que seja a criatividade, independentemente das condições e das consequências. Daí a importância de que reveste a sustentabilidade dos focos de criação artística e a existência de um espaço público vivo e dinâmico. Não são dois factos. São elementos constituintes de um movimento em que a arte devém vida e as vidas se transformam - por isso mesmo, um movimento genuinamente social e político. Percebemos então a imensa responsabilidade de uma política de cultura coerente e consequente e percebemos também como é delicada a tarefa de programar. “O que é programar?”- perguntou em tempos António Pinto Ribeiro. E respondeu: “é uma actividade aparentemente muito simples: provocar o encontro entre os criadores e os seus instrumentos de uso técnico e simbólico: as suas faculdades, os seus conhecimentos, as suas histórias, os seus instrumentos técnicos e musicais, os seus ensaios sobre o mundo, as suas técnicas de educação, as suas memórias pessoais e colectivas. É, portanto, simples. Basta ter um espaço - ou espaços - temporário ou permanente, alguns recursos, e provocar o encontro entre pessoas: umas que são quotidianamente criadoras, outras que esperam encontrá-las e às suas criações”.

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I Cultura e sociedade

Provocar o encontro. Sucede que os encontros podem levar-nos para o melhor ou para o pior de nós. E a tarefa de uma política de cultura não é fazer por nós as nossas escolhas, não é satisfazer clientelas, não é procurar êxitos fáceis, não é esquivar a exaltação e o risco. Se a cultura precisa de uma política é para resistir às múltiplas hipóteses de erosão: à erosão do espectáculo, à erosão da demagogia e do populismo (que degrada o popular), à erosão da reafirmação de identidades (contra a experimentação, o devir das diferenças, o cosmopolitismo). Nós precisamos da cultura para nos descobrirmos como possibilidades e desenhar um rosto improvável em que, outros, nos reconheçamos.

* Universidade de Coimbra

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I fotografia sem fronteiras

4. 1. 25. 1. 114 Mariana Jeca, Portugal Horizonte
*(314) Lisboa (Portugal), 2012

4. 1. 43. 2. 166 João Romba, Portugal Foz Côa 2 *(316) Vila Nova de Foz Côa (Portugal), 2011 4. 1. 17. 6. 67 João Vasco dos Santos Ribeiro, Portugal Fado: Património Imaterial da Cultura *(317) Lisboa (Portugal), 2011

4. 1. 17. 5. 67 João Vasco dos Santos Ribeiro, Portugal A noite do Evaristo
*(315) Lisboa - Chiado (Portugal), 2012

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I Cultura e sociedade

4. 1. 11. 3. 34 Nuno Filipe Cesário da Luz, Portugal Relaxando
*(318) Golegã (Portugal), 2012

4. 1. 11. 2. 34 Nuno Filipe Cesário da Luz, Portugal Castanhas à Portuguesa *(320) Golegã (Portugal), 2012 4. 1. 11. 1. 34 Nuno Filipe Cesário da Luz, Portugal Siga a Festa *(321) Golegã (Portugal), 2012

4. 1. 11. 6. 34 Nuno Filipe Cesário da Luz, Portugal Charrete
*(319) Golegã (Portugal), 2012

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I fotografia sem fronteiras

4. 2. 6. 4. 97 Kevin Ribeiro Roman, Portugal O início de um Domingo
*(322) Deão, Viana do Castelo (Portugal), 2012

4. 2. 6. 1. 97 Kevin Ribeiro Roman, Portugal Fé
*(324) Deão, Viana do Castelo (Portugal), 2012

4. 1. 17. 4. 67 João Vasco dos Santos Ribeiro, Portugal Cosmopolit
*(323) Lisboa - Jardim da Estrela (Portugal), 2012

4. 1. 17. 3. 67 João Vasco dos Santos Ribeiro, Portugal Trabalhar até ao fim *(325) Estrada Sintra - Ericeira (Portugal), 2011

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I Cultura e sociedade

4. 1. 43. 1. 166 João Romba, Portugal Foz Côa 1
*(326) Vila Nova de Foz Côa (Portugal), 2011

4. 1. 7. 3. 17 Rogerio Venturineli, Brasil Ibéria: Direito à Vida
*(328) Évora (Portugal), 2012

4. 1. 43. 6. 166 João Romba, Portugal Foz Côa 6
*(327) Vila Nova de Foz Côa (Portugal), 2010

4. 1. 7. 4. 17 Rogerio Venturineli, Brasil Ibéria: Direito à Vida *(329) Lisboa (Portugal), 2012

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I fotografia sem fronteiras

4. 1. 1. 3. 1 Inês Sofia Barata Antunes, Portugal Simplicidade
*(330) Aigra Nova, Góis (Portugal), 2012

4. 2. 8. 1. 109 Andreia Filipa Sousa Rodrigues, Portugal Olhar
*(332) Vila Nova de Cerveira (Portugal), 2012

4. 1. 42. 3. 165 Carlos Alberto Matias Martins, Portugal Devoção
*(331) Guarda (Portugal), 2012

4. 2. 9. 1. 111 Patrícia Monteiro, Portugal Mais que um olhar *(333) Vila Nova de Cerveira (Portugal), 2012

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I Cultura e sociedade

4. 2. 7. 5. 103 Francisco Fonseca Mateus, Portugal Folia Estudantil na Ginjinha
*(334) Largo de S. Domingos, Lisboa (Portugal), 2011

4. 2. 5. 1. 96 Cátia Sofia Damião Ferreira, Portugal A minha história é diferente da tua? *(336) Alvarães, Viana do Castelo (Portugal), 2012 4. 1. 23. 4. 102 Cibelle Rodrigues Gomes de Castro, Brasil Desigualdade *(337) Paris - Rua Champs Elysee (França), 2012

4. 2. 7. 4. 103 Francisco Fonseca Mateus, Portugal Café Palanca
*(335) Mouraria/Martim Moniz, Lisboa (Portugal), 2012

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I fotografia sem fronteiras

4. 1. 5. 6. 11 Alfredo Almeida Coelho Cunha, Portugal São Bartolomeu do Mar
*(338) Esposende (Portugal), 2012

4. 1. 5. 4. 11 Alfredo Almeida Coelho Cunha, Portugal Procissão *(340) Esposende (Portugal), 2012 4. 1. 9. 4. 21 José Alberto Pinto de Magalhães Lima, Portugal Imóvel na Estação de S. Bento *(341) Porto (Portugal), 2011

4. 1. 9. 1. 21 José Alberto Pinto de Magalhães Lima, Portugal Mais um Desejo na Parede
*(339) Praga (República Checa), 2012

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I Cultura e sociedade

4. 1. 38. 2. 154 José Pablo Palencia. Morchon, Espanha Iglesia de la misericordia
*(342) Guarda (Portugal), 2012

4. 1. 38. 1. 154 Jose Pablo Palencia Morchon, Espanha Catedral de Guarda *(344) Guarda (Portugal), 2012 4. 1. 2. 3. 8 Diogo Miguel Carvalho Ribeiro, Portugal Belém e a janela da sua torre *(345) Belém (Portugal), 2012

4. 1. 9. 3. 21 José Alberto Pinto de Magalhães Lima, Portugal Uns e Outros
*(343) Praga (República Checa), 2012

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Transversalidades

I fotografia sem fronteiras

4. 1. 27. 2. 124 Ana Ramírez Martín, Espanha Haciendo de comer
*(346) Íllora, Granada (Espanha), 2012

4. 1. 4. 5. 10 Daria Volante, Itália Prédio natural *(348) Ortahisar (Turquia), 2012 4. 1. 14. 1. 47 Neide da Cunha Pinto, Brasil Rua do Centro *(349) Centro - Cidade de Salvador, BA (Brasil), 2011

4. 1. 25. 3. 114 Mariana Jeca, Portugal Font Mágica
*(347) Barcelona (Espanha), 2012

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I Cultura e sociedade

4. 2. 1. 1. 37 Sérgio César Corrêa Soares Muniz, Brasil A espreita da Cidadania
*(350) Povoado de Conceição, Município de Bequimão (Brasil), 2012

4. 2. 1. 3. 37 Sérgio César Corrêa Soares Muniz, Brasil “Modernidade” Multipla *(352) Comunidade do Rio Grande, Município de Bequimão (Brasil), 2011 4. 1. 26. 2. 119 Andreu Trias, Espanha Txiloli_1848 *(353) Praça Yon Gato, São Tomé (São Tomé e Príncipe), 2011

4. 2. 1. 2. 37 Sérgio César Corrêa Soares Muniz, Brasil Maranhão sou eu
*(351) Povoado de Conceição, Município de Bequimão (Brasil), 2012

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Transversalidades

I fotografia sem fronteiras

4. 1. 26. 1. 119 Andreu Trias, Espanha Txiloli_1892
*(354) Praça Yon Gato, São Tomé (São Tomé e Príncipe), 2011

4. 1. 22. 4. 100 Kátia Valeria Santos de Carvalho, Brasil A Folia no Morro Chapéu Mangueira *(356) Rio de Janeiro (Brasil), 2012 4. 1. 22. 5. 100 Kátia Valeria Santos de Carvalho, Brasil Dia da Cultura tem Folia *(357) Rio de Janeiro (Brasil), 2011

4. 1. 22. 2. 100 Kátia Valeria Santos de Carvalho, Brasil A Folia sobe o Morro da Formiga
*(355) Rio de Janeiro (Brasil), 2012

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I Cultura e sociedade

4.1.30.1.129 Júlio Manuel Antunes Pissarra, Portugal Encerro
*(358) Aldeia Velha (Portugal), 2012

4. 1. 8. 4. 20 Fernando Curado Matos, Portugal Tradição, arte e movimento-1 *(360) Lisboa (Portugal), 2012 4. 1. 8. 5. 20 Fernando Curado Matos, Portugal Tradição, arte e movimento-1 *(361) Lisboa (Portugal), 2012

4. 1. 30. 5. 129 Júlio Manuel Antunes Pissarra, Portugal Capeia 4
*(359) Aldeia Velh a (Portugal), 2012

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Transversalidades

I fotografia sem fronteiras

4. 1. 40. 3. 156 Ana Rojas, Reino Unido Funk in London 3
*(362) Londres (Reino Unido), 2012

4. 1. 40. 2. 156 Ana Rojas, Reino Unido Funk in London 3 *(364) Londres (Reino Unido), 2012 4. 1. 6. 2. 12 M. A. Febrer, Espanha Mariscar 2 *(365) Praia de Monte Gordo (Portugal), 2011

4. 1. 6. 1. 12 M. A. Febrer, Espanha Mariscar 1
*(363) Praia de Monte Gordo (Portugal), 2011

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I Cultura e sociedade

4. 2. 10. 2. 122 Elisandro Almeida, Portugal Rotina
*(366) Vila Nova de Cerveira (Portugal), 2012

4. 2. 10. 1. 122 Elisandro Almeida, Portugal Rotina de família *(367) Caminha (Portugal), 2012

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Transversalidades

I fotografia sem fronteiras

4. 1. 29. 6. 126 José Antonio Hernández Martín, Espanha En familia
*(368) San Cristóbal (República Dominicana), 2011

4. 1. 29. 1. 126 José Antonio Hernández Martín, Espanha Tierna mirada *(370) Pedernales (República Dominicana), 2011 4. 1. 5. 3. 11 Alfredo Almeida Coelho Cunha, Portugal Esposende *(371) Esposende (Portugal), 2012

4. 1. 29. 4. 126 José Antonio Hernández Martín, Espanha En primera fila
*(369) San Cristóbal (República Dominicana), 2011

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I Cultura e sociedade

4. 1. 20. 1. 73 Yassmin do Rosário Santos Forte, Moçambique Mafalala o bairro de zinco
*(372) Maputo (Moçambique), 2012

4. 1. 20. 4. 73 Yassmin do Rosário Santos Forte, Moçambique Mafalala o bairro de zinco *(374) Maputo (Moçambique), 2012 4. 1. 4. 1. 10 Daria Volante, Itália À espera *(375) Goreme (Turquia), 2012

4. 1. 20. 3. 73 Yassmin do Rosário Santos Forte, Moçambique Mafalala o bairro de zinco
*(373) Maputo (Moçambique), 2012

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Transversalidades

I fotografia sem fronteiras

4. 1. 36. 1. 146 Xoana López López, Espanha 3105 caras
*(376) Aldea alrededores de Kumasi (Ghana), 2012

4. 1. 6. 3. 12 M. A. Febrer, Espanha Mariscar 3 *(378) Praia de Monte Gordo (Portugal), 2011 4. 1. 36. 5. 146 Xoana López López, Espanha Buscando alimento *(379) Keta (Ghana), 2012

4. 1. 29. 5. 126 José Antonio Hernández Martín, Espanha Sustento diario
*(377) San Cristóbal (República Dominicana), 2011

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I Cultura e sociedade

4. 1. 13. 4. 46 Sónia Cordeiro, Brasil Crenças 2
*(380) São Vicente (Brasil), 2011

4. 1. 13. 3. 46 Sónia Cordeiro, Brasil Crenças *(382) Litoral de São Vicente (Brasil), 2011 4. 1. 31. 5. 131 Edson Ulisses Brito Monteiro, Cabo Verde A volta *(383) Baxo rocha, Ilha do Maio (Cabo Verde), 2011

4. 1. 41. 2. 161 Cláudia Luisa Zeferino Pires, Brasil O Pescador
*(381) Rio Tefé - Amazonas (Brasil), 2012

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Transversalidades

I fotografia sem fronteiras

4. 1. 7. 2. 17 Rogerio Venturineli, Brasil Ibéria: Direito à Vida
*(384) Sevilha (Espanha), 2012

4. 2. 8. 3. 109 Andreia Filipa Sousa Rodrigues, Portugal Pecados Mortais - Avareza
*(386) Vila Nova de Cerveira (Portugal), 2011

4. 2. 5. 3. 96 Cátia Sofia Damião Ferreira, Portugal Sida
*(385) Vila Nova de ceveira (Portugal), 2011

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Transversalidades

I fotografia sem fronteiras

Imágenes y miradas solidarias
Valentín Cabero Diéguez * “Hoy se venera la salvación del mercado como instantánea, porque cada vez hay menos distinción entre la realidad virtual y la realidad. El futuro se ha eliminado”.

L

John Berger, Luz de Candil, 1995

a idea de transversalidad atraviesa con sentido abierto y universal las actividades del Centro de Estudios Ibéricos, y nos acerca de nuevo a través de la mirada fotográfica y artística a la sociedad en que vivimos. Aquí no sólo se muestra como registro o documento puntual, sino que cruza como interrogante vital el paso del tiempo y del espacio, descubriéndonos diferentes formas de ser y estar en el mundo. Es una lectura que compartimos desde distintos lugares y experiencias, aunque es cierto que la acumulación de imágenes que nos invade desde ángulos y medios contradictorios puede falsearnos y trastocarnos la verdadera realidad, construida bajo la dialéctica territorial y social de la desigualdad. Detrás de la estética y belleza de estas imágenes, descubrimos y percibimos, no obstante, un hondo compromiso con el entorno y con sus habitantes, en apuestas y mensajes personales que reclaman una sociedad más responsable con el devenir de sus propios paisajes y más solidaria con el futuro de sus hombres y mujeres o con la conservación de sus riquezas naturales y culturales.

Cuando los dioses y dueños del mercado nos hacen vivir momentos orwelianos y de banalización de principios y de conceptos para nosotros casi sagrados como los de paisaje o sostenibilidad, las fotografías nos reconcilian con la memoria y también con la propia realidad, en palabras de Susan Sontag1. Más aún, la presencia humana del trabajo, de la artesanía transformada en tejidos de un cromatismo deslumbrante, o de símbolos representativos del transcurso del tiempo y de las mudanzas sociales y culturales, convierten a estas imágenes en un “modo de ver” y de reencuentro inteligente con el territorio y la sociedad, bien desde la evocación o bien desde la lectura explícita de las instantáneas, aproximándonos a historias desconocidas y a lugares extraños para la globalización y para la macroeconomía2. Posiblemente sean las imágenes sobre el trabajo individual o colectivo en medios cargados de dificultades, las que nos expresan con mayor fuerza la historia laboral de nuestra sociedad y de nuestros paisajes culturales en esos cuerpos curtidos por el sol y el viento o por el sudor (ganarás el pan con el sudor de tu frente). El trabajo humano no es una metáfora estética, se manifiesta en personas y en lugares que en todos los rincones del planeta se adapta a condiciones distintas y a la vez análogas. Los ojos inquietos de nuestros fotógrafos y sus instantáneas se trocan, por tanto, en una reivindicación de muchos trabajadores anónimos cuya labor nunca ha sido reconocida por una sociedad que ahora renuncia al modelo del bienestar y se entrega sin rebeldía en los brazos del poder financiero y del mercado global.

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I Cultura e sociedade

Una vez más es la fuerza expresiva de las miradas la que nos habla con contundencia y sensibilidad de nuestra sociedad. La belleza y lectura de las miradas asombradas, tristes, asustadas, tímidas, perplejas, limpias, serenas, humilladas por la pobreza, o marcadas por la ingenuidad, por la ternura o por la esperanza infantil, nos enfrenta sin duda a la vida cotidiana y a sus seres más desvalidos. Sin estar ante maestros de la fotografía, el poder de estas miradas, nos ayuda a conocer el mundo y a interpretar los escenarios que nos rodean, recordándonos “los lazos humanos existentes entre todos nosotros”, en palabras del gran fotógrafo Steve Mccurry. Y en claro contraste, observamos cómo a las dinámicas de abandono marcadas por las ruinas y la soledad, se contraponen paradójicamente procesos insolentes de especulación que sin piedad devoran y banalizan entornos naturales y culturales preñados aún de memoria. Nuevas fisonomías se construyen sobre los despojos en los bordes de la ciudad o en medio de paisajes residuales y lugares olvidados. Y allí, los artilugios desechados por la sociedad, herrumbrosos y carcomidos por el óxido de la intemperie, se transmutan silenciosamente en símbolos de la contingencia y despiertan delicados sentimientos de pérdida. La fuerza expresiva de las imágenes adquiere un significado cargado de dignidad y de humanidad en los rostros de las mujeres anónimas que, alegres y juveniles o ajadas por el paso del tiempo, nos envuelven entrañablemente en los brazos de la mansedumbre o en la calma de la maternidad y de la crianza, reivindicando a la vez el reconocimiento vital de su presencia y de su trabajo en la construcción de una sociedad solidaria y justa. Unas imágenes universales y sin fronteras.

* Universidad de Salamanca 1 SONTAG, Susan: Sobre la fotografía, Edhasa, Barcelona, 1996, p.190: “Las imágenes son más reales de lo que cualquiera pudo haber imagina-

do. Y como son un recurso ilimitado que jamás se agotará con el despilfarro consumista, hay razones de más para aplicar el remedio conservacionista. Si acaso existe un modo mejor de incluir el mundo de las imágenes en el mundo real, se necesitará una ecología no solo de las cosas reales sino también de las imágenes”.
2 Ver con más detalle Valentín CABERO DIÉGUEZ, “El Palimpsesto del paisaje y la memoria del lugar”, en León, Palimpsesto. Forcal, 2008.

pp.31-41.

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Transversalidades

I fotografia sem fronteiras

a imagem, a cultura e a cultura da imagem

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eliseu Savério Sposito * e a imagem fala em silêncio, se as cores são atributos da intangível paisagem, se a distância do foco dos olhos para o ponto apreciado se dilata e se contrai de acordo com a lupa na frente da vista, se o corpo não se cansa de se mover em frente ao eco percebido no infinito das pupilas, então estamos no caminho certo. O caminho é oposto ao que ficou para trás, mas é resultado do semblante especulativo que segue as coordenadas geográficas fincadas no mapa e desconhecidas no terreno, marcadas pelos graus imaginários, criação da inteligência humana. Na frente do caminho, mesmo com o arco-íris a deslumbrar no meio da água que desce das nuvens, não há um pote de ouro: há um lugar onde o pensamento quer se transformar em coisa, quer buscar a riqueza idolatrada na foto inconteste que se pode ver no celular/portável de última geração. Encontros que se fazem na repetição: eis a marcação do tempo nas nossas vidas. Desencontros que se sentem pela ausência física do que está vivo na mente, aquilo que não está a ser visto, mas está concretizado no sentimento atônito da firmeza do espírito. A cultura não se faz na simples paisagem que aparece, inesperadamente, quando se dobra a primeira esquina. Mas é diferente. Pode ser um poste que atrapalha a calçada, pode ser um cartaz que anuncia um produto novo e miraculoso para embelezar o que já é belo (porque o feio fica aquém da imaginação, ele não conta na mensagem que se vê na imagem iluminada pelo neon depois que anoitece). Depois da esquina está a multidão inesperada que se debate para chegar depressa ou que se curva às regras formando filas intermináveis para os balcões dos bancos ávidos de lucro. A paisagem se faz cultura em todo o território. Ali está uma praia. Mais além, o horizonte marcado pelo navio que passa, vagarosamente, em direção ao infinito, ao lugar onde as paralelas nunca se encontram, nem na vontade de negar as verdades matemáticas aceitas e incorporadas em nossa memória. Há, olhando para o lado, um pequeno restaurante, pouca gente a esperar... todos já se foram. O pão que jaz na mesa, fermento que se deteriora, farinha que ganha cor de musgo à medida que perde o branco de origem, não foi consumido. Não foi produto que fez jus ao equivalente geral. Ficou na mesa esperando o apetite ávido dos insetos cegos que se movem em busca do elemento perdido que escorregou pelos dedos adormecidos de tanto contar dinheiro. O que se deteriora torna-se alimento do inesperado mas real, invisível mas contundente, incolor mas reflexo do verde das folhas balouçantes ao vento sul. O pedaço de madeira chegou à praia. Veio trazido pelas ondas que espumam ao se chocarem entre si. As ondas são barulhentas. O pedaço de madeira jaz na areia, silencioso, estirado ao sol, sem se mexer e sem mexer com ninguém. Os humanos que passam por ele não se dão conta de que ali está uma quantidade de

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matéria que já teve vida, foi sustentada por raízes, sentiu o sol por entre as folhas, sentiu a chuva de dia e de noite, sentiu o vento do inverno e do verão. Sentiu os pássaros que nele foram fazer seus ninhos. Sentiu os animais que subiam e desciam como se fosse sua própria casa. Sentiu os vermes rastejarem e penetrarem sua casca que foi mudando de cor e de densidade ao longo do tempo. Sentiu os dias nunca contados que deram o ultimato para sua existência. Ali está o pedaço de madeira. Nunca foi talhado pelos marceneiros, nunca recebeu a tinta do carpinteiro, nunca viu fruto cair sobre a terra sombreada cheia de húmus no ambiente tropical. Ali está ele. Nunca se afasta. As pessoas é que se aproximam e se afastam. Quando passam por ele, pulam dando risadas. Quando topam seus pés nele, saem imprecações de suas gargantas revoltadas com a dor que se sente nas pontas dos dedos. O pau de madeira jaz incólume. Se o deixarem ali, será eterno por muitos anos. Se o levarem para casa, secarem-no e o colocarem no fogão, ele será transformado em cinzas. Destino tosco para dar calor para aquecer a sala durante o frio ou para dar calor para assar uma pizza. Na frieza do líquido da garrafa que sai da geladeira, senti a sede desaparecer e a saciedade encher a alma de prazer esperado e procurado, conseguido e terminado. A garrafa ficou vazia, mas o corpo se encheu de moléculas de oxigênio e hidrogênio enriquecidas com um pouco de sódio (que aumenta a pressão arterial e provoca preocupações no médico da família!). A grama do jardim também precisa de líquido, a água destilada que cai, em gotas ou em flocos, no Brasil ou em Portugal, e se distribui desigualmente pelo solo de superfície latossólica ou calcária. A sede desaparece, mas faz tempo que não chove. Faz tempo que não neva. O sol incansável muda a paisagem aqui e ali, mas alhures a chuva castiga as cidades imprudentes que se erguem ao longo das áreas de inundação dos rios que se tornaram urbanos. As rosas e os ipês floresceram porque o outono se avizinha, denunciado pela temperatura que está mais baixa no termômetro pendurado, claudicante, na parede da varanda. A paisagem não contém cultura no aeroporto... contém alguns miligramas de gás carbônico proveniente dos escapamentos abertos. A turbulência da turma que chega para embarcar muda a quantidade de decibéis no ambiente. A alegria vem em forma de seres humanos adolescentes, púberes sonhadores com o lado oposto de sua virgindade pretérita que teima em ser lembrada para ser eliminada. Ora pois, aonde vão? Suas casas os esperam de portas trancadas que serão abertas com sorrisos preocupados pelo que andaram fazendo. As mulheres no Senegal aparecem, em branco e negro, em negro e branco, ainda com caras infantis. A menina está silenciosa, mas fita com alegria e curiosidade o fotógrafo que se deixa esconder por trás da câmera fotográfica. Na outra imagem, o pano, tecido como se tece, tingindo a vida, encobre parte do belo rosto da jovem. É destaque na fotografia. É o ser negando o nada que o envolve na perspectiva sartreana. Em tons de cinza ou em cores vivas. É o olhar inquisidor, misto de curiosidade e distanciamento. Não há como saber o que ela pensa. O pensamento voa. Você se distrai enquanto subtrai, seu rosto contrai os nervos que traem sua indisposição de abstrair. É preciso compor e recompor para dispor do tempo e repor o passado. Paisagem

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Transversalidades

I fotografia sem fronteiras

da curta cultura. Um conselho que não vale nem pesa: tente não olhar as fotos nem rolhar os fatos. Fotos feitas de carinho 3 x 4 são pouca coisa, o tamanho é tamanho que fica pequeno. Mas a imagem permanece, desvanecendo pela força da luz que insiste em aparecer todos os dias, faça sol ou faça chuva, para iluminar o caminho que se desvela na perspectiva euclidiana pela geometria da convergência. A cultura se manifesta bruta na paisagem do campo de futebol. São pontos, vistos das cadeiras numeradas, que se deslocam sem se interessar pelas contas do mercado. O movimento se faz em busca da bola, redonda, pelota. Em alguma convergência angular, uma perna vem em linha reta e em ângulo diverso da perna apoiada na grama, sustentada pelo pé que rodeia a bola, parada, imóvel e riscada pelo mal trato nos contatos com botinas patrocinadas por marcas mundiais. Aí vem o carrinho. O carrinho, no futebol, não é uma jogada feita com carinho. É corrida que arranca pedaços das folhas de grama. Na marcha lenta da televisão, torna-se espetáculo plástico que excita os sentimentos brutos dos fanáticos que não pensam nos filhos que ficaram em casa jogando videogame na solidão de seus quartos. Suas vidas se expandem na esperança de ver o time vencer o campeonato. Ficam esperando a vitória como negação da derrota dos outros. Negação da negação, pasmem, aquele zero a zero foi se modificando aritmeticamente e, depois de noventa minutos, com a chuva tropical caindo, com o locutor falando uma língua de origem latina que no Brasil chamamos português, com verbos intransitivos, modo indicativo e subjuntivo, próclise, ênclise e mesóclise, três a um se torna um placar clássico, como definiu aquele velho locutor de rádio cujo nome não ficou na memória daqueles que optaram pela televisão, onde a imagem catódica, lédica ou plasmática move-se no plano luminoso congelado na frente da sala, os fios à mostra, o satélite invisível comprovando o avanço das tecnologias da informação e comunicação. A rotina da televisão ligada, brilhando para ninguém, e o estudante sentado na sua cadeira, pensante, sem ter coragem para estudar. Sem ter coragem para ler. Sem ter vontade para decifrar as letras do texto fundamental. Como na imagem, fica imóvel. Sua reação só será vista quando ele se levantar para buscar um copo d’água. Sua rotina se faz pela disposição das cadeiras, pelos papeis espalhados em cima da mesa, pela repetição cotidiana de atos que ele quer negar mas dos quais não consegue fugir. Volto ao gramado. Não há mais ninguém. As luzes foram apagadas. A solidão vai se encobrindo de escuridão, da impossibilidade de ver o que apenas pode ser lembrado. Os holofotes são vistos apenas em seu contraste com a visão das estrelas escondidas atrás de algumas nuvens. A lua ainda não despontou no horizonte porque está na fase minguante. O silêncio denuncia a ausência da imprensa, das pessoas com suas camisas personalizadas com nomes de empresas que embaçam os nomes dos atletas. O silêncio, associado à escuridão, nega a paisagem que se movia, plasticamente, ao deslocar parabólico da bola, acionada pelos chutes, pelos arremessos laterais, pelos tiros de canto ou com a lentidão dos gandulas que queriam abreviar o tempo para seu time não perder. É a cultura da vitória que não permite outra possibilidade e não perdoa a derrota. Todos têm que vencer. Ninguém pode perder. Essa antinomia, impossível de acontecer para todos, provoca risos, gritos e saltos de uns; choros, imprecações e ranger de

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dentes de outros, como se fosse o fim do mundo, o momento do armagedon entrando, com o apito nas mãos, para definir a final do campeonato. O tea garden aparece, lentamente, na visão embaçada do gramado. De um lugar para outro no planeta, uma imagem se esvai, outra ganha força, nitidez, cores vivas. São pessoas vestidas de branco num fundo, frente e lado de verde intenso. São as folhas de chá, minúsculos objetos vistos nos milímetros quadrados (dots per inch para os não analfabites). Muito longe dali, a azáfama da carreira mostra o homem arfante, buscando oxigênio para a própria vida mostrando, dentro do vagão, uma repetição cotidiana para se lamentar de ter saído, mais uma vez, para o trabalho enfadonho, mas para a garantia do emprego em tempos de crise. Do trem para o gramado. As coisas vão e voltam. O som do hino nacional não é mais ouvido. A música, cantada pelo barítono de voz treinada, não fez o efeito esperado. Todos cantaram, mas muitos não entenderam o significado de lábaro, garrida, margens plácidas, brado retumbante, raios fúlgidos... vocábulos ouvidos mas não aprendidos no ensino fundamental. Porque isso não interessa tanto quanto o peso da camisa pela história do clube, paixão que se transforma em números porque muitos querem saber quantos torcedores tem o seu time favorito. Os rankings, que ganham adeptos, são esboçados em inglês (deixando de lado o nosso velho português-brasileiro), passam pelo espaço virtual da América, da Europa e faz pequeno e virtual na China para se legitimar e se tornar referência para os surrados torcedores com seus rostos vincados pelo tempo. Ó pátria amada, dolartrada, salve-se, salve-me.

* UNESP

Texto escrito em portugês do Brasil Fotos observadas: Mulheres no Senegal Tea Garden Tingindo a vida Rotina O olhar Carreira 60

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1- 6 Colheita de Sal nas marinhas de Santiago em Aveiro. 7 A relação entre o homem e a natureza. O resultado da passagem do homem por ambientes naturais é o de detritos, despojos e poluição. Neste caso uma velha bicicleta transportada pelas correntes e abandonada à decomposição. 8 Reflexo do amanhecer no rio Zêzere.

Legendas
20 Enquadramento a partir de uma pequena gruta na praia do Carvalho, numa fria manhã de outono. 21 Imponente parede de grauvaque e veios de quartz num ventoso e nublado nascer do sol. 22 Arco na falésia com diferentes e curiosas formas e texturas de rocha e de acesso bastante difícil. 9 Un viejo abedul se mantiene solo después de una tormenta. 10 Árvore afetada pela queima da palha da cana-deaçúcar. É uma das práticas silenciosas de eliminar a vegetação, presente nos canaviais. Na foto, para exemplificar o resultado das queimadas, observa-se o tronco de uma árvore, um dia após a queima da cana. A árvore fragilizada continua subsistindo, talvez, até à próxima queima. (Estrada vicinal que liga o município de Bastos até à SP-425, Rodovia Assis Chateaubriand). 23 Grande plano das pedras arredondadas e vermelhas da praia dos Rebolinhos, numa serena e nebulada tarde. 24 Foto tirada a partir do miradouro da Arrifana, na direcção norte, num dia de luz límpida e cristalina. 25 La belleza e inmensidad de la costa del Algarve. Arcos da Marinha. 26 La belleza e inmensidad de la costa del Algarve. Cabo de São Vicente. 27 La belleza e inmensidad de la costa del Algarve. Praia Albandeira. 28 La belleza e inmensidad de la costa del Algarve.Praia Manuel Lorenço. 29 La belleza e inmensidad de la costa del Algarve. Praia do Camilo. 30 La belleza e inmensidad de la costa del Algarve. Praia dos três irmãos. 31 Pescadores fecham a malhadeira de maneira que os peixes não possam escapar e retornar ao lago. Lago Tefé - Amazonas. Atividade autorizada pelo Acordo de Pesca instrumento de gestão da pesca na área. 32 Pesca de Malhadeira, lago Tefé, município de TeféAmazonas. Pescadores autorizados pelo Acordo de Pesca instrumento de gestão da pesca na área. 33 “Pescadores vigiam a pescaria para que os botos, comuns nas águas do lago, não se aproximem da malhadeira e a perfurem na busca de peixes para se alimentarem. A perfuração permite a perda dos peixes. Lago Tefé-Amazonas. Atividade autorizada pelo Acordo de Pesca instrumento de gestão da pesca na área.” 34 Pescadores recolhendo a malhadeira após a pesca. Lago Tefé - Amazonas. Atividade autorizada pelo Acordo de Pesca instrumento de gestão da pesca na área. 11 <Nena> estuvo aquí, antes y después que el ulular del viento y la partida de las innumerables generaciones de tercios. Su nombre contempla ahora, la tranquilidad que les ofrece la liberación de la defensa de su reputación. Final y principio. (Parc del Meridià). 12 O movimento do glaciar faz-se a um ritmo diferenciado na base e no topo. Devido à forte abrasão na base e na parte lateral, o glaciar move-se mais rapidamente no topo e no centro. Esta situação provoca o aparecimento de várias morfologias no gelo. As mais comuns são as crevasses, fendas estreitas e profundas que se vão abrindo e fechando com o movimento do glaciar. 13 O glaciar Viedma exibe também algumas formas de pormenor bastante interessantes como grutas, arcos e fendas, permitindo o acesso ao interior do gelo. 14 A aproximação ao glaciar Viedma faz-se de barco percorrendo o lago homónimo. O Viedma é o maior glaciar argentino e o segundo maior glaciar da América do Sul, logo depois do Pio XI, no Chile. O glaciar apresenta cerca de 25 km de comprimento e 2,3 km de largura numa massa aproximada de 945 km2. 15 Com uma parede de gelo com cerca de 40m, o Viedma é o glaciar mais importante do sector norte do Parque Nacional Los Glaciares. 16 Typical architecture at La Albufera National Park reflected on water. Valencia, Spain. 17 Fisherman on his boat at La Albufera National Park, in Valencia, Spain. 18 Sunset over the rice plantations at La Albufera National Park, in Valencia.

19 Pormenor de um arrife inclinado, só acessível à maré vazia na zona do Rogil. Uso de uma objectiva ultra grande angular para conseguir enquadrar o veio de quartz.

35 - 38 “Relação homem/meio. Gente de borda d´água que na Ria de Aveiro vive e morre ao compasso das luas, dos ventos e das marés. Da ”Mãe Ria” tiram as migalhas que engenhosamente conseguem transformar em pão”. 39 Hilário Curto, trabalha sempre com o Vítor Carriço e com o José Santos. Por temporada a equipa tosquia umas 7.000 ovelhas. Os tosquiadores são trabalhadores sazonais, depois das tosquias vão para a cortiça. Os piores trabalhos são a descasca de eucaliptos e a tosquia de ovelhas. 40 Bernardino Manuel Bicho, 71 anos, dono do rebanho. ”Tudo o que a gente come vem da terra, ainda não comi nada que venha dos computadores”. É pastor do seu próprio rebanho, e vende uns 100 borregos por ano. 41 Hilário Manuel Curto, 48 anos, tosquiador de Montemor-o-Novo. Antigamente, quando a tosquia era feita a tesoura, demorava-se 20 minutos por ovelha, mas elas não se mexiam tanto, porque tinham as patas atadas. 42 Tosquia das ovelhas do rebanho de Bernardino Manuel Bicho (71 anos) e da mulher Maria Antónia (68 anos) . Os tosquiadores são Hilário Manuel Curto (48 anos), Vítor Manuel Coelho Carriço (34 anos) José Inácio Isaías Santo. Está também António Arcadinho (60 anos) vizinho do Bicho. A tosquia é realizada num terreno no Reguengo, em Montemor-o-Novo. 43 Maria Antónia, 68 anos, mulher de Bernardino Manuel Bicho. Donos das ovelhas. Durante dois, três dias serão tosquiadas 229 ovelhas. 44 Cada ovelha produz aproximadamente 1,5 kg de lã. O preço da lã é 1,50 euros o quilo. Contrataram três tosquiadores para fazer o serviço a um preço de 1,85 euros por ovelha. A venda da lã não dá para ganhar dinheiro, dá para pagar as despesas. Mas o casal Bicho tem ovelhas para vender a carne. 45 Foto tirada ao nascer do dia num dia de inverno. 46 Foto tirada num dia de inverno na praia. 47 Foto tirada numa viagem ao interior do país. 48 Foto tirada no cume da Serra do Marão. 49 Primeiros raios de sol no pico do Cântaro Magro. 50 Uma Bateira nas águas calmas da Pateira de Fermentelos. 51 Cores de Outono no Poço do Inferno.

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52 Do desconhecido no escuro de um lar, apenas a certeza de uma chama que não se apaga. 53 Da Natureza rica, sugamos o poder de iluminação… 54 Um telhado pode revelar muita coisa, mas a luz que reflete, revela muito mais. 55 Há uma corrente que liga o escuro da matéria, com a iluminação do céu rosa. 56 Planalto a caracterizar a paisagem de Loriga. 57 Nesta imagem podemos ver o encontro de duas montanhas, na qual resulta um riacho. 58 As vinhas descansam em escarpadas terras onde os vales perdem a sua profundidade e ganham vida nas matinais existências. 59 Esta foto foi tirada num dos percursos pedestres a Drave (aldeia mágica), no qual me deparei com paisagens deslumbrantes como esta. 60 Foto realizada en la localidad de Sedona en Estados Unidos, concretamente en Arizona. 61 Territorio fronterizo, la raya entre España y Portugal. Desde una cueva vemos la carretera serpenteante que nos lleva a Trás os Montes. 62 Vista do Pulo do Lobo a partir da margem esquerda do rio Guadiana. 63 Grifos fotografados junto ao penedo Durão, Freixo de Espada à Cinta. 64 Torres da antiga Mina de São Domingos em Mértola. 65 A los pies del sagrado monte Teleno, en la comarca de La Maragateria (León) encontramos un importante núcleo de petroglifos descubiertos por un vecino de la zona. 66 Casa perfeitamente integrada nos elementos naturais locais. 67 Um vestígio captado a caminho de Figueira de Castelo Rodrigo. 68 El Observatorio de El Roque de los Muchachos, es un ejemplo de ordenamiento del espacio natural que conforman los picos más altos de las montañas de la isla de La Palma. Numerosos países participan en su desarrollo y el respeto al entorno es absoluto integrándose el Observatorio plenamente en las proximidades del Parque Nacional de La Caldera de Taburiente.

69 Com o ponto de vista certo e os cuidados necessários as coisas crescem. 70 A fotografia retrata uma belíssima paisagem rural e pouco humanizada na província da Galiza, numa manhã solarenga de Verão. 71 Necrópole Megalítica de São Gens, Nisa, Norte Alentejano. 72 Fardos de Palha no Baixo Mondego. 73 Campo de cultivo no Parque Natural de Montesinho. 74 Manhã de Janeiro, as árvores cobertas de sincelo. 75 Na serra da Freita, a cerca de 1000 metros de altitude, foi instalado um parque eólico. Desde há muito o homem utiliza a energia do vento. Sendo uma energia natural e renovável, tem baixíssimo impacto ambiental e imenso potencial. No entanto o reverso da medalha também existe, para além da poluição visual e sonora, podem representar um grande obstáculo para as aves que existem no local, ou têm na sua rota este local. 76 Rua de Castelo Rodrigo. 77 Contraste natural entre um horizonte dourado e o céu azul. 78 The jungle is nearby, waiting to spread and stick through the human surface. It is an interesting dam knowing that, as you are going down (right in the middle of the structure), after you reach half of the way, you have no view to where you first started, and you alone again, out of the eyes of the touristic mass. 79 Panorâmica. 80 Canais de Brugges. 81 Cores da estação. 82 Bosque muito denso na Caldeira Velha. 83 Cascata da Caldeira Velha. 84 Esta foto foi tirada nos jardins do Palácio da Pena em Sintra e parece ser um pouco do paraíso na terra. 85 “Todas las estaciones del año nos deleitan con los cambios que generan en el medio natural, pero sin duda y al menos para mí, son el otoño y la primavera las que mayores placeres visuales nos ofrecen. En el sur de la Península Ibérica estamos acostumbrados a secos y tórridos veranos. El otoño se erige como el

renacer del campo, vuelve a brotar el verde, el agua vuelve a correr y además los árboles caducifolios nos brindan un espectacular espectro cromático de amarillos, rojizos y ocres con los que alimentar nuestra vista y espíritu. Es el caso de de la Ribera del Río Múrtigas, donde olmos, fresnos y chopos van perdiendo la hoja antes de la inexorable llegada del invierno. El Río Múrtigas es uno de los principales cursos fluviales de la Sierra de Aracena, junto con el Chanza y el Odiel. Nace en la localidad de Fuenteheridos y tras algo más de 80 kilómetros desemboca en el Río Ardila, a la altura del Castillo de Noudar, ya en Portugal.”
86 Alcornoque en la Sierra de Aracena y Picos de Aroche (Huelva). 87 Ignorantes de su destino. Confiados (ambos) de la libertad responsable de aquellos. 88 Por entre dias frios e chuvosos, uns ténues raios solares concedem um alívio atencioso para estas flores de musgo, plantas que chegam a formar pequenas áreas de pântanos a estas alturas. 89 Para respetar el medio ambiente y, a la vez, permitir que las personas puedan disfrutarlo, se ha elaborado en la isla de La Palma una cuidadosa red de caminos rurales y veredas perfectamente señalizadas que te permiten acceder a espacios netamente naturales, que finalmente conducen a un mejor conocimiento del medio y a un incremento del respeto al mismo. 90 Árvore queimada após processos de atear fogo no canavial. A ação humana não elimina a vegetação no preparo inicial do solo para o plantio, mas a cada queima do canavial a vegetação sofre pela ação do fogo e acaba sendo eliminada aos poucos. (Estrada vicinal que liga o município de Bastos até a SP-425). 91 Foto tirada no período da manhã no sítio Maracanã nos arredores de São Luís, Estado do Maranhão, Brasil, em julho 2012. 92 Foto tirada em dezembro/2011 às margens da estrada de rodagem que dá acesso à cidade de Espírito Santo do Pinhal, Estado de São Paulo. 93 A marca evidente no tronco das árvores em cerca de 1,5 metros, identifica o limite da última enchente do Rio Miranda, no Pantanal. Esse sobe e desce das águas contribui com a renovação de nutrientes e dispersão de espécies da fauna e flora pantaneira, onde a vida pulsa sem fronteiras. 94 Final de tarde indo para casa e contemplando a beleza da nossa flora. 95 Exemplo de extinção da vegetação pela ação humana que não corta árvore diretamente, mas proporciona meios para que isto ocorra. (Estrada vicinal que liga o município de Bastos até a SP-425).

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96 Gran Cañón del Colorado. 97 Ipês-rosa sobreviventes às queimadas da palha da cana-de-açúcar. Até quantos processos de queima sobreviverão? (Estrada vicinal que liga o município de Bastos até a SP-425). 98 Fotografia que mostra a beleza da natureza, neste caso a beleza das flores... 99 À beira de um caminho, desabrochou uma flor. Os artistas criaram a sua obra inserindo-a no contexto. 100 À sombra da azinheira bem agasalhadas num tricot feito à mão, esperam elas uma boca esfomeada. 101 Estrelas do estio abrasador dão luz e vida ao campo. Nota geral: “Que paisagem vertiginosa e arrebatadora desfrutei no miradouro pré-histórico de S. João das Arribas perto de Miranda do Douro! Prostrado fiquei, muito juntinho à vegetação a observar as formas inventivas e diversas da natureza! Desde 1999 que me interesso pelas regiões raianas, e todos os anos me desloco a Portugal no intuito de prosseguir este trabalho, que já teve apoio do CPF do Porto para uma exposição em Bruxelas, «raia vs raya », e que naturalmente se focaliza também nos aspectos humanos”. 102 Seduzido tremo diante da beleza e do encanto. 105 Jacaré saindo da água com um peixe entre os dentes, talvez para não ter que reparti-lo com as piranhas ou outros jacarés. 106 O mundo visto dos olhos de um cavalo. Como será que estes animais nos vêem? 107 Em casa de vilão, nem gato, nem cão. 108 Tamanduá bandeira (Myrmecophaga tridactyla) acordando na sombra de uma árvore no interior de São Paulo - Brasil. O animal, considerado vulnerável pela Red List da IUCN, pode ser observado em liberdade, se tiver um pouco de sorte. 109 Pura, transparente e humilde! A beleza no interior da Gruta do Lago Azul é ressaltada pelos espeleotemas estalactite (que pendem do teto) e estalagmite (que se formam no chão), além do intenso azul refletido pela água. Esta impressionante formação geológica evidencia algo além das fronteiras do pensamento humano, deixa claro, sobretudo, que deve ser preservada e admirada. 110 O nevoeiro aguarda a vinda da cintilante estrela ardente num ritual de cortejamento. 111 Vista da Pateira ao romper do dia.

112 Nas primeiras horas do dia, pescador a caminho dos locais para armar as redes. 113 Queda de água no concelho de Penela, freguesia do Espinhal. 114 “Atardecer fotografiado desde el embalse de Aracena en un agradable día de mayo. El embalse de Aracena se construyó a principios de los años 70 y sus aguas abastecen a la cercana ciudad de Sevilla.” 115 A caminho da Sabóia. 116 Explorando o Lago de Banyoles. Em 1992 recebeu as competições de remos dos Jogos Olímpicos (Barcelona) e em 2004 foi palco do Campeonato Mundial de Remo.... 117 Final de tarde na Serra de Vila Nova - Miranda do Corvo. 118 Uma bela manhã de Sol radiante. 119 Nascer do Sol visto dentro do ônibus, a destino do Rio de Janeiro. 120 Foto feita em uma manhã bem cedo em que o Sol nasce e ilumina com o seu esplendor. 121 Pôr-do-sol visto do estuário de Santos. 122 Dia nublado na Lagoa da Fogo. 123 Numa praia de km e km de areia branca, as ondas quebram trazendo a esperança e levando a saudade dos povos das ilhas, que na “tardinha” sentam nos bancos vendo o sol pôr-se e lembrando dos que partiram por mundo fora, construindo Europa e Américas. 124 Las gaviotas se amontonan junto a un pesquero que vuelve a puerto. 125 Cemitério das âncoras. 126 A árvore morta na margem do Lago representa o fim de uma etapa, no qual dará início a outro, a sua decomposição, transformando-se lentamente em matéria orgânica. 127 The philosophy of great trips, where the most important thing is not the goal, but the path itself. Make your path long. 128 No extremo sudoeste de Portugal, está o cabo de São Vicente e o seu farol. Muitos turistas visitam este local devido à fama do seu espectacular e sempre

visível pôr do sol... Excepto quando está nublado. Neste dia visitei o Cabo de São Vicente, na expectativa de ver esse inesquecível pôr-do-sol. O tempo bastante nublado pregou-me uma partida, mas ainda assim estavam por ali algumas pessoas com a mesma expectativa que eu, numa “demonstração” de relação homem-natureza.
129 Os fenómenos da erosão deram resultados a paisagens que o homem não consegue reproduzir. Nesta foto, mostra-se uma rocha esculpida ao longo do tempo pela água, o vento. 130 O céu e o mar em plena harmonia, foto captada quase ao final de mais um dia de passeio. 131 Praia de Vila Nova de Milfontes. 132 A tranquilidade de um final de dia na praia. 133 Praia de Vila Nova de Milfontes. 134 Com o afastamento das águas do mar a muitos anos, ficaram para traz rastros das mudanças, principalmente pelas alterações climáticas. Nesses blocos de areias a natureza demonstra a sua força, desperta a vida, mesmo quando o impossível parece imperar. 135 Since unmemorable time we have been sailing the sea...Thousands of boats, millions of sails men. The whole globe discovered.” 136 Fotografia efectuada numa saída fotográfica pelo concelho de Montalegre. Aqui vê-se um processo tradicional de fabrico de pão. 137 Durante mucho tiempo, los pueblos del Sur se quedaron separados de los grandes desarrollos modernos. Debido a la geografía accidentada de la zona, los pueblos se quedaron aislados en su mundo rural. Ese aislamiento, paradójicamente, los protegió. La gente siguó viviendo a su ritmo, según las costumbres heredadas de los ancestros Indígenas y Españoles. Es el único lugar de los Andes Venezolanos, donde la gente vive tan aunténtica y respetuosa de sus tradiciones. El único aspecto negativo es la migración de las generaciones jóvenes, lo cual ha dejado el pueblo prácticamente sin habitantes. 138 Um aldeão anima uma tarde fria de outono, aproveitando o fraco sol. 139 “Paisagem retalhada em Socalcos, no Vale do Vez, entre o Lugar de Padrão e o de Porta Cova (visível à nossa frente ligeiramente à direita), freguesia de Sistelo (Arcos de Valdevez) Com a introdução, posterior ao século XVI, da cultura do Milho Maiz, a paisagem, outrora ondulada e feita de prados e poulos, passa a ser retalhada em monumentais socalcos.” 140 “con la intención de divisar desde otra mentalidad

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una proyección positiva e inquieta capaz de vivificar la belleza de forma no agresiva pero con los recursos de antaño. Intento de retrospectiva al pasado y sus dificultades con una visión sostenible y sensata en el futuro, conciencia preparada y prometedora.”
141 Garranos, cavalos selvagens a correr. 142 Garranos, em corrida encaminhados pelos populares para o vale. 143 Alguns populares a cavalo guardam os garranos. 144 Garranos, encaminhados pelos populares para o vale. 145 “Com a introdução da Cultura do Milho ”Maiz” o território da Serra da Peneda, além da construção dos socalcos assistiu à proliferação de numerosos conjuntos de espigueiros (ou canastros) onde as colheitas desta cultura eram guardadas. Nas últimas décadas, com o aumento drástico da desertificação, as profundas alterações nos sistemas produtivos rurais e o consequente abandono da produção de milho “maiz”, o espigueiro, guardador do precioso grão, revela, através do seu abandono, o abandono e transformações que estes territórios serranos estão a sofrer.” 146 “Caminho rural em calçada tipo-romano, de acesso do lugar de Lordelo (Cabreiro - Arcos de Valdevez) à sua “”branda”” do Rodrigo. Ao fundo, por detrás do arvoredo, a margem esquerda do Vale do Ramiscal.” 147 “As ”Brandas” são núcleos complementares às aldeias, de uso sazonal estival. Localizam-se nas cotas mais elevadas da Serra da Peneda, próximas ao seu maciço central. De diversas tipologias e usos, podem ter função agrícola, pastoril, ou mista. Dado o seu carácter de uso sazonal e as condições de profundo isolamento em que se encontram, construíram-se nestes locais peculiares construções onde se recorre aos mais primitivos sistemas construtivos. Nesta (da Gêmea), de uso pastoril e agrícola, encontramos conjuntos de edifícios onde se associam estruturas em falsa cúpula (associadas à prática pastoril) as construções de planta rectangular - casas de ”branda” (estas associadas à prática agrícola). 148 “Abrigo Pastoril com cobertura em sistema de falsa cúpula. Ao pastoreio serrano estão associados os mais simples e primitivos modos de viver e construir. As estruturas em falsa cúpula recorrem exclusivamente ao material local da Serra (granito), fechando a calote através da sobreposição de lajes dispostas na horizontal. Apresentam excelentes ”performances” no que diz respeito à sua durabilidade e resistência às agrestes condições climatéricas da Serra dado o material em que são construídas. Além do carácter funcional são peças de arte popular espalhadas pela serra, elementos de grande complexidade construtiva e rara beleza.”

149 - 154 Tradicional vindima na Quinta da Boiça em Canas de Senhorim, região demarcada do Vinho do Dão. 155 Barrio de la localidad de Sandín que quedó en parte anegado, destruido y abandonado por la construcción de la Presa de Cernadilla en 1969. 156 Aperos y objetos de la agricultura y la sociedad rural que van quedando en el olvido. 157 Estampa rural donde se puede observar la arquitectura popular de la comarca de La Carballeda en Zamora, así como un viejo carro. 158 Una de las cocinas tradicionales que quedan en la localidad de Codesal, con el horno en una de sus paredes y con la lumbre en mitad de la estancia y las paredes de adobe en forma cónica. Normalmente la chimenea también era de forma cónica de pizarra y rematada con una chapa móvil giratoria con una especie de veleta para favorecer la salida del humo. Es lo que se denomina una “candonga” aun visible por estas comarcas. Alrededor de estos fuegos tenían lugar las reuniones familiares, llamadas filandones en León y seranos en esta comarca zamorana de La Carballeda. Al final del dia se contaba como habia ido la jornada, se hablaba y hasta se cantaba mientras se hacia algún trabajo manual. En 2010, las Cortes de Castilla y León declararon al Filandón como Bien de Interés Cultural. 159 Linhas da construção existente na aldeia de Xisto do Talasnal, onde a simplicidade e o xisto são palavras de ordem. 160 Cerdeira. Mais uma das aldeias cravadas na serra da Lousã. Aldeia edificada numa arquitetura muito simples e que está numa fase de melhoria/reconstrução. 161 Uma das vistas possíveis desde a aldeia de Xisto do Talasnal. Aldeia cravada e camuflada na serra da Lousã. 162 Pormenor da aldeia de Xisto do Talasnal. 163 - 165 Durante mucho tiempo, los pueblos del Sur se quedaron separados de los grandes desarrollos modernos. Debido a la geografía accidentada de la zona, los pueblos se quedaron aislados en su mundo rural. Ese aislamiento, paradójicamente, los protegió. La gente siguó viviendo a su ritmo, según las costumbres heredadas de los ancestros Indígenas y Españoles. Es el único lugar de los Andes Venezolanos, donde la gente vive tan aunténtica y respetuosa de sus tradiciones. El único aspecto negativo es la migración de las generaciones jóvenes, lo cual ha dejado el pueblo prácticamente sin habitantes. 166 Fotografia efectuada numa saída fotográfica pelo concelho de Montalegre onde captei o regresso a casa de uma pastora com o seu gado.

167 Um burro espera ansiosamente pela chegada de seu dono. 168 Rebanho conduzido pela antiga linha ferroviária do Sabor, desativada desde 1988, junto à estação do seu término, em Duas Igrejas, concelho de Miranda do Douro. 169 A natureza começa a ganhar terreno na recente renovada (2007) e posteriormente abandonada Linha do Tua. 170 Meio de Transporte e de Carga puxado por Burro ou Cavalo. 171 Pretendo reflejar el duro contraste en las formas de pensar los materiales y recursos de la zona. 172 A televisão digital veio desactivar as antigas antenas de tv, trazendo mais solidão às aldeias do Interior. 173 A freguesia de Sistelo, uma das mais remotas do concelho de Arcos de Valdevez tem um ícone: o “castelo” do Visconde de Sistelo”: um natural daqui, que tendo regressado rico do Brasil comprou o título e operou melhoramentos em toda a aldeia. A sua morada é o espelho do abandono que grassa actualmente nestas paragens... 174 “Cemitério dentro do castelo de Numão. Depois da transferência da aldeia para o sopé desta elevação, apenas os mortos permaneceram...” 175 “Um dia o senhor Tarkovsky, quando descobrir este local, pega na sua câmara e começa a realizar um filme (risos). As Termas do Cró ficam situadas a 15 km do Sabugal e são atravessadas pelo ribeiro do Cró, um afluente do rio Côa. As suas águas medicinais crêem-se terem uma utilização antiga, do tempo dos romanos, mas os seus efeitos curativos e medicinais são comprovados posteriormente, no século XVI.”. 176 “Antiga Ponte de origem Romana situada sobre o bonito Rio Pônsul, na histórica localidade de Idanhaa-Velha, antiga Egitânia, a capital da “civitas Igaeditanorum“, que parece ter sido fundada pelo Imperador Augusto, numa zona de grande beleza natural. Esta Ponte situar-se-ia no importante eixo viário entre Mérida (Emérita Augusta) e Braga (Bracara Augusta), que teve várias reconstruções ao longo da Idade Média. A Ponte granítica é considerada uma obraprima de engenharia Romana, assente sobre arcos ogivais, e tem sofrido diversas alterações e restauros ao longo dos séculos, mantendo-se contudo ainda um marco importante da antiga Egitânia que albergava milhares de habitantes.” 177 Nos arredores de Sumbe, à beira da estrada, ilustrase a relação casas típicas/acácias, bem com as cinco garrafas com produtos destinados a venda.

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178 Realça-se aqui a diversidade de produtos agrícolas existentes em zona rural, vendidos no mercado local, à beira da estrada. 179 Numa zona rural, uma grande rocha é utilizada para secar a farinha de milho, assim como corar a roupa. 180 A luz estava perfeita, quando deparei, ao passar por Itaipava (na serra de Petrópolis/RJ), com este antiquíssimo meio de transporte, que o dono da pousada encontrou não se sabe onde e comprou para seu jardim. Aquilo me transportou para a Península Ibérica instantaneamente e tentei retratá-la por inteiro, o que acabou por conferir um ponto de vista bem diferente. 181 Tarragona es tierra de vinos. Ello hace un paisaje muy particular como se puede apreciar. 182 Paragem no tempo. Pormenor da aldeia abandonada de Cilhades, no concelho de Torre de Moncorvo, que irá ficar submersa pela albufeira da barragem do Sabor. 183 3 ovelhas curiosas posam para a foto. 184 Agua natural saliendo de las montañas... 185 A bucha tradicional de uma habitante do Interior. Chouriça, pão caseiro e a ajudar uma faca local. 186 Uma panela típica portuguesa. 187 Viendo la vida pasar, el anciano y el mundo rural, contemplativo, soñador a pesar del tiempo... 188 “Jogo de cartas - a ‘sueca’ - Jogo muito popular em Portugal, nomeadamente, numa classe de idade avançada, serve principalmente para passar o tempo e matar a solidão.” 189 Nas achadas guardando vales verdejantes com protecção do famoso Pico Senhor do Mundo, encontramos uma povoação dinâmica e batalhadora. 190 Numa harmoniosa sintonia entre a natureza e os homens. A agricultura de sequeiro, cultivo de milho a beira de uma estrada que viram muitos filhos partiram para tão longes terras. 191 Forte de 1535, deu nome à Praia do Forte, a principal de Cabo Frio. Apesar de pequeno, visto assim de trás, parece muito maior. A menina é minha filhota de um ano e meio, quis assim retratar o passado e o futuro reunidos numa mesma imagem. 192 State of Mind. 194, “Valletta” es una serie de fotografías que habla del

estado de abandono y el paso del tiempo, convertidos ahora en un plano tangible. Supone una narración en la que, la ya desnuda piedra, se resquebraja en un silencio atronador y sin queja. Son imágenes descarnadas y diédricas pertenecientes a una realidad que nos transporta en el tiempo, allí donde los restos de un cambio siguen midiendo la duración de los acontecimientos en una degradación constante. Son la esencia de lo que hubo; la esencia de la ausencia. Pasado y presente convergen en el punto del futuro incierto.”
195 Primeira piscina olímpica em Portugal agora jaz na ruína. Empreendimento turístico dos anos 60 esconde-se por entre uma pequena mata onde alguns sem abrigo encontram algum conforto. 196 Série Rua Regedor José Diogo.l 197 La foto está tomada en el Parque de Luxemburgo, en la Ciudad de París, en Francia. 201 - 205 State of Mind. 206 Uma das partes do festival da identidade dominicana são as bandeiras que mostram a integração dos imigrantes. Na foto a bandeira da Comunidade do Madrid. Todas as 6 fotos desta série documentam o evento chamado: Més de la Dominicanidad 2011. 207 A foto mostra o festival da identidade Dominicana 2011, celebrado em Madrid todo ano. Esse evento cultural prova a conexão dos imigrantes com suas raízes Latino americanas. 208 A parte inseparável da festa do Més de la Dominicanidad e a alegria, presente em todas as partes dos bloques. É o dia mais feliz dos imigrantes da Republica Dominicana que moram em Madrid. 209 Os jovens marcam sua presença formando os bloques de dança, mostrando suas fantasias que sempre representam as cores da bandeira da República Dominicana. 210 Os dominicanos formam os bloques de dança, apresentando vários estilos. Assim os estilos de danças latino americanas como samba se misturam com as danças originais espanholas como flamenco. 211 Durante o festival da República Dominicana numa das principais ruas em Madrid, os participantes mostram diversas fantasias. 212 - 216 “Valletta” es una serie de fotografías que habla del estado de abandono y el paso del tiempo, convertidos ahora en un plano tangible. Supone una narración en la que, la ya desnuda piedra, se resquebraja en un silencio atronador y sin queja. Son imágenes descarnadas y diédricas pertenecientes a una realidad que nos transporta en el tiempo, allí donde los restos de un cambio siguen midiendo la duración de los acontecimientos en una degradación constante.

Son la esencia de lo que hubo; la esencia de la ausencia. Pasado y presente convergen en el punto del futuro incierto”.
217 A cidade de Ulan Batar, capital da Mongólia, enfrenta uma urbanização crescente. No centro da cidade, arquitectura tradicional encontra-se a paredes meias com os edifícios modernos. 218 Singapura tem registado nos últimos anos taxas de urbanização crescentes. Aparecem novos edifícios todos os meses e a cidade parece mudar de visual a cada ano que passa. 219 Kuala Lumpar é uma das cidades que mais cresce na Ásia. A sua população atingiu, em 2011, 28 859 154 habitantes. Apesar da recente diminuição da taxa de natalidade, a cidade continua a crescer fruto do aumento de imigrantes asiáticos que chegam todos os dias à capital. 220 Edifício Burgos, na Avenida da Boavista na cidade do Porto, obra do arquitecto Português Eduardo Souto Moura. 221 Multiusos de Lamego, na cidade de Lamego, obra dos arquitectos Portugueses Barbosa & Guimarães. 222 Palácio de Justiça de Gouveia, na cidade de Gouveia, obra dos arquitectos Portugueses Barbosa & Guimarães. 223 Palácio de Justiça de Gouveia, na cidade de Gouveia, obra dos arquitectos Portugueses Barbosa & Guimarães. 224 - 227 Reabilitação do «Quarteirão das Cardosas» no centro histórico do Porto. 228 O anjo de pedra ora sereno e imóvel, a qualquer tempo. 229 Gárgula na Guarda. 230 Fonte em Coimbra. 231 Chafariz da Alameda de Santo André. 232 La foto fue hecha desde el Arco del triunfo. Es la ciudad de París vista desde esa perspectiva. 233 Baixa de Coimbra numa tarde de Agosto. Realizada para trabalho “Diário de Férias”. 234 No ano em que Guimarães foi capital Europeia da cultura algumas das suas praças apresentam lindíssimas obras de arte. 235 Aproveitar devagar as sobras da comida rápida.

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236 Série Rua Vasco Lima Couto. 237 “A Alameda de S. Marcos, sem infraestruturas de lazer, tenta compensar a selva de betão e automóveis com a sua vegetação de relva e ervas daninhas aparadas. Urbanização construída de raiz para um único fim, o de dormitório de Lisboa. Durante o dia o silêncio é absoluto e frio.” 238 Série Avenida dos Descobrimentos. 239 “Passa vários dias ao relento. A corda que o prende ao terreno permite-lhe apenas desenhar uma circunferência de uns 60 metros de raio. Alimenta-se das ervas daninhas de um terreno para o qual estão projetados fogos habitacionais.” 240 Com características árabes, este enorme edifício foi esquecido, localizado bem no coração da vila de Sintra. 241 Os elementos deixam a sua marca na Lisnave, outrora um grande estaleiro naval. 242 A demolição da torre 5 do Bairro do Aleixo (aqui retratada em 3 momentos) marcou o início de uma operação de ”renovação urbana”, no Porto, destinada, de acordo com a narrativa oficial, a eliminar uma das maiores ”chagas” urbana e social da cidade do Porto. Narrativas não oficiais acusam esta justificação de esconder outros propósitos, dado os terrenos apresentarem um elevado valor comercial, pela sua localização.Este tipo de polémica acerca da ”renovação urbana” vai-se repetindo em variadas geografias, tendo ficado associado, nos EUA dos anos 60 e 70, com a expressão (”urban renewal, negro removal”), o que poderá, de acordo com alguns, ser aplicado também aqui. 243 Casa com vista para o Tejo. 244 Antigos canhões/metralhadoras poderiam estar montadas neste buraco, mas actualmente as batalhas já não são feitas de fortes nem castelos, como tão bem sabe antiga prisão do Forte da Graça. 245 Zona transformada e recuperada aquando da Expo‘ 98 na Cidade de Lisboa. 246 Os barcos estão sozinhos, deixados ao abandono. Os pescadores já não pescam, dedicam-se a outra coisa. 247 Um casal conversando num banco. 248 “Urbanização embargada na fronteira entre dois municípios, Sintra e Oeiras. Zona empresarial de importância estratégica mas agora estagnada, com vários encerramentos de empresas e deslocalizações.” 249 Duas amigas conversando.

250 A rotina que lhes preenche o dia. 251 Dos tempos antigos. 252 A cidade de Dublin é cheia de ciclovias e é muito adequada para se andar de bicicleta. Dublin Bikes é um projeto da Cidade de Dublin que oferece bicicletas de aluguer, cobrindo principalmente o centro da Cidade. Este projeto é considerado um dos mais bem sucedidos do mundo! 253 Senhora com uma flor enconstada ao peito, e uma criança em plano de fundo. 254 A construção do homem enquanto ser criativo dentro de limites espaciais, históricos e temporais. 255 “Considerado já um símbolo da cultura urbana, o pombo mostra-nos uma atitude de liberdade em bando, que tem tanto de magnífico, como de indesejado. O contraste entre a beleza do seu voo sobre um centro histórico, e o problema ambiental que ele representa actualmente para a humanidade, faz-nos reflectir sobre as semelhanças deste animal, com o modo de vida urbano em crescimento, que tanto tem de atractivo como de excessivo.” 256 Inverno, Dezembro. Lenha espera o incêndio da noite. 257 Rua do centro histórico. 258 Um tempo gasto e perdido, e uma história esquecida nas sombras daquelas que foram outrora janelas para outras vidas. Destacam-se as lascas que descamam como camadas de pele envelhecida numa arquitetura que se perdeu. 259 Vista para a Sé de uma janela. 260 Há sempre mais do que uma opção. 261 Quando o céu se reflete nas águas que dele cairam. 262 La foto está hecha en el barrio de Montmartre, en París. En la foto podemos ver las calles, los establecimientos y las casas de este barrio. Una situación cotidiana de esta zona de la ciudad.. 263 Vendedor de fruta no Mercado Central. Realizada para trabalho “Diário de Férias”. 264 Se puede apreciar en un simple retrovisor una zona totalmente distinta, aun que borrosa de otro nivel de urbanización contrarrestando la del principio. 265 Vendedor no Mercado Central. Realizada para trabalho “Diário de Férias”.

266 “Os olhos quase sempre contam uma história. Os olhares se movendo rumo ao passado para nós para imaginar um futuro. No Senegal, como em muitos países, o futuro está nas mãos das mulheres. Eles são os que falam de otimismo com a voz de seus olhos…” 267 “Vista da plantação e da sua apanha. As plantações de chá foram apelidadas, pelos ingleses, de ”teagarden”. 268 Uma mulher da etnia H’mong, dedica-se à ancestral prática de tingimento de tecidos. Quase isolados do resto do mundo, a mais de 2 mil metros de altitude, os membros deste grupo étnico vivem dos tecidos e do cultivo de arroz. 269 Na sala. 270 Interior de uma carreira de transportes públicos, espelhando uma visão do quotidiano Lisboeta. 271 Em qualquer tipo de situação o seu brilho reflete seus sentimentos. 272 - 275 “Os olhos quase sempre contam uma história. Os olhares se movendo rumo ao passado para nós para imaginar um futuro. No Senegal, como em muitos países, o futuro está nas mãos das mulheres. Eles são os que falam de otimismo com a voz de seus olhos…”. 276 - 279 A religiosidade constitui um pilar cultural nas comunidades piscatórias do país e é transmitida, com grande fervor, às camadas mais jovens. Anualmente, a Romaria da Senhora da Agonia em Viana do Castelo, onde esta série de fotografias foi realizada no ano passado, reúne milhares de pessoas ao longo de vários dias de festejos. 280 Un ebanista trabaja en su taller del barrio de Alfama. 281 Leyendo el periódico a la espera del próximo cliente. 282 Tiago realizando sus platos artesanos en su taller de Alfama. 283 Una mujer mira el cambio tras comprar. 284 Para construir a barraca (palhota), mandaram cortar as madeiras na serração do Júlio Gameiro, em Alpiarça, e depois construíram-na no Patacão assente em paus de cimento, do tipo palafita. Tal como com as outras barracas, este método de construir dava segurança aos pescadores porque os protegiam das cheias. Ficou localizada no Patacão, junto de um conjunto de outras barracas da aldeia, encostada ao tapadão – paredão localizado ao longo do rio Tejo e obra de engenharia que regula o leito do rio e protege a lezíria contra a destruição das terras que as cheias provocam.

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285 “Vá deixa ir assim, mais para o lado direito... mas devagar para a rede não prender, assim está bom” vai dizendo o homem na poupa da bateira para a mulher que não larga os remos, é assim a tradição desta gente oriunda da praia de Vieira de Leiria, na Região Centro – daí o nome de Avieiros, e foi a procura de melhor vida que os levou a procurarem sustento no rio Tejo. No Inverno, quando o mar de Vieira de Leiria se mostrava pouco generoso, famílias inteiras deslocavam-se em campanha até ao Tejo, onde em pequenos barcos pescavam sável, enguia, fataça, lampreia e robalo. 286 As maiores movimentações terão ocorrido entre 1919 e 1939. Durante décadas esta gente dividiu a sua vida entre o verão em Vieira e o inverno no Tejo, entre a arte xávega da sardinha e a arte varina do sável. Mas chegou o dia em que deixaram de regressar durante o Verão. E para sempre ficaram ligados à história do Tejo, os homens de Vieira, os Avieiros. Existem actualmente vários movimentos como a Candidatura da Cultura Avieira a Património Nacional e Comunidade Avieira a Património da UNESCO. 287 As redes ficaram no rio durante a noite. De manhã bem cedo arrancam para a recolha. De regresso pela hora do almoço vêm eles. Mas não são meros pescadores ou homens da borda-d’água. São herdeiros de uma cultura ancestral, única no Mundo, espalhada pelas margens do rio Tejo desde 1850. A história deste povo e destas aldeias perde-se na bruma do tempo, com muito poucos registos escritos. O que se sabe foi sendo transmitido de boca em boca. 288 -291 Romaria de “Nuestra Señora del Rocío”. Um povo inteiro que, a pé, de carroça, a cavalo, se faz ao caminho para venerar a “Blanca Paloma”. Um misto de fé e tradição cultural, de religião e paganismo. Um estado de espírito que percorre a Andaluzia e move comunidades inteiras que, na sua diversidade, se unem em torno de uma festividade secular. Será a fé que mantém viva a cultura ou serão as raízes culturais que fortalecem a crença? 292 Uma foto que transmite o isolamento da pessoa em relação à sociedade que o rodeia. 293 Um espelho que retrata bem as diferentes vidas, o trabalhador em movimento e o excluído da sociedade, ausente de qualquer actividade. 294 Esta composição está a meu ver brilhante, pois consegue-se ligar o elemento principal (o músico) e o secundário (o leitor) numa composição equilibrada e mostrar como se luta contra a pobreza mesmo não havendo qualquer elemento humano interessado na música, é muito gratificante esta luta. 295 Esta fotografia retrata bem a humildade de uma pessoa que faz companhia ao músico, ouvindo com atenção todas as músicas, em contraste com o músico, que está concentrado em lutar contra a pobreza em que se encontra, apesar de o lugar em si estar praticamente vazio de pessoas.

296 Estos dos hermanos me reciben con su mejor sonrisa a mi llegada a un pequeño pueblo cerca del Parque Nacional del Serengueti, en Tanzania. Yo no hablo suajili y ellos no hablan inglés, pero como las sonrisas son el lenguaje internacional nos entendemos perfectamente. 297 Una niña saborea el caramelo que le acabo de dar y a cambio ella me regala esta preciosa sonrisa. 298 Una niña paseando por un humilde barrio a las afueras de Stone Town, en Zanzibar. 299 Escuela de primaria de una pequeña aldea en las orillas del Lago Victoria. Con mucho trabajo y esfuerzo diferentes ONGs internacionales y locales pusieron en marcha esta pequeña escuela que trata de darles a más de 80 niños de esta zona de Tanzania unos conocimientos para poder defenderse en el futuro. 300 Las vidas se desplazan en busca de nuevas oportunidades, en ese intento de adaptación, simplemente surge un instinto de supervivencia. 301 Existen momentos en los que se abandona el verdadero hogar, entonces somos capaces de adaptarnos a las nuevas situaciones. 302 Ante la situación de migración, encontramos espacios para desarrollar necesidades cotidianas. 303 Es una fuerza inconsciente la que nos impulsa a sobrevivir en lugares ajenos. Es tan solo instinto, un instinto que tal vez no nos ayuda a ser más ricos o más sabios, pero de seguro nos ayudará a sobrevivir un día más. 304 Ambiente en el primer día de fiestas de un pueblo perdido en Oaxaca. 305 Una señora, de las de verdad, en un pequeño mercado oaxaqueño. De las que cada arruga es una marca de la vida. De las que han visto más de lo que jamás podrían explicarte. 306 Una niña, en la plaza central de Oaxaca, México. Como tantas otras, vende caramelos a cualquiera que pase por la calle. De repente, un señor mayor pasa con un puesto de helados, y se pone a vender en la plaza. Ella consigue vender una piruleta, y con ese dinero se va hacia el heladero y le compra un helado. Un niño siempre será un niño, aunque parezca un adulto. 307 Niños en un mercado de un pueblo perdido. La escritura de detrás reza: ‘no te apendeje la TV’. Y tanto que no... 308 Homens e mulheres descem a encosta para dar-se início à apanha do chá. Fábrica de Chá do Porto Formoso.

309 A forma de vestir da apanhadeira de chá leva-nos à época em que a Cultura do Chá se difundiu em São Miguel (início do século XX). Fábrica de Chá do Porto Formoso. 310 Os trabalhadores preparam-se para iniciar a apanha. Primeiro de tudo, é feita a “Chamada” para confirmar se estão todos presentes. Fábrica de Chá do Porto Formoso. 311 Folhas de chá bem enroladas melhoram a qualidade do chá. Fábrica de Chá do Porto Formoso. 312 Em frente ao Forte Vermelho, as mulheres envergam os seus “saris” multicolores. A alegria das cores contrasta com o papel secundário que as mulheres desempenham naquela que é a maior democracia do mundo. 313 Junto ao Rio Ganges, o rio que gera a vida e leva a morte, os Sadhus são presença constante. Deixam casa e família, despem-se de bens materiais e vivem errantes, na eterna procura da perfeição espiritual... 314 A Ciência alarga os horizontes do ser humano. Fundação Champalimaud Centre for the Unknown. 315 Loja de vestuário e calçado, numa das zonas mais caras de Lisboa. 317 Raquel Tavares canta e toca a Guitarra Portuguesa. 318 - 321 Foto tirada na Feira do Cavalo 2012 na Golegã. 322 O início de mais um Domingo. 323 Leitor do Le Monde numa manhã de sábado num jardim de Lisboa. 324 O país faz lembrar épocas de fome e pobreza e é através da fé que pessoas pensam em não voltar ao passado. 325 Vendedora de fruta na beira da estrada. 328 Ibéria: Direito à Vida (Portugal, Catedral da Sé de Évora). 329 Ibéria: Direito à Vida (Portugal, Catedral da Sé de Lisboa). 330 A capacidade de encontrar alegria nas coisas mais simples da vida. 331 Devoção de uma crente. 332 The innocence of a child!

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333 Os olhos dizem mais que a boca. 334 Imagem de folia em frente a um dos sítios emblemáticos da cidade de Lisboa, a Ginjinha do Rossio. 335 Um retrato de um café africano, espelho de acolhimento de emigrantes angolanos. 336 “Sim jovem, já pensei como tu”. 337 “Luta contra a pobreza e a exclusão social. Em plena Rua Champs Elysée - a verdadeira desigualdade social e sua exclusão”. 338 Início da procissão de São Bartolomeu do Mar. 339 Lennon Wall, Praga. 340 Início da procissão de São Bartolomeu do Mar. 342 Iglesia de la misericordia. 343 Turista prepara-se para fotografar um homem pedindo esmola com um copo de papel de uma conhecida marca de fast-food. 346 Esta foto muestra una particular visión de la vida rural en resumen, su gente, sus enseres, sus formas y su vida. 347 As pessoas juntam-se em torno da fonte para ver um surpreendente espectáculo de cores e som. Não é por acaso que esta fonte se chama ‘Fonte Mágica’. 348 “Redescobrir seu lugar Pra retornar e enfrentar o diaa-dia Reaprender a sonhar.” Maria Bethânia. 349 Coqueiro, trânsito, calor e movimento, e um prédio antigo resiste à acelerada urbanização da cidade. 350 Senhora que observa uma comemoração dos jovens de seu povoado ao serem reconhecidos como Comunidades Remanescente de Quilombos o que permite aos mesmos que estes acessem direitos específicos e venham a ser sujeitos de direito, cidadãos. 351 Quilombola que entoa canção com nome de “Maranhão sou eu” acompanhado de um instrumento de percussão conhecido com “caixa” entoado pelo mesmo. 352 A imagem revela um pouco das contradições sobre as quais estão assentes várias comunidades negras rurais do Estado do Maranhão. 353 A Tragédia do Marquês de Mântua. Grupo Tragédia Formiguinha da Boa Morte.

354 A Tragédia do Marquês de Mântua. Grupo Tragédia Formiguinha da Boa Morte. 355 Durante Encontro de Folias, integrante da ‘Sagrada Família da Mangueira’ na subida do Morro da Formiga, na Tijuca (zona norte da cidade do Rio de Janeiro), carrega a máscara do Palhaço. A cultura da Folia de Reis persiste em áreas menos favorecidas na cidade levando alegria a seus moradores. 356 “Depois de amanhecer no Morro da Formiga, o Grupo ‘Sagrada Família da Mangueira’ sai da Tijuca (bairro da zona norte da cidade/RJ) e vai até o Morro Chapéu Mangueira, no Leme (zona sul), onde encerrou o ciclo de atividades em pleno dia de São Sebastião (20 de janeiro). A cultura da Folia de Reis persiste em áreas menos favorecidas na cidade levando alegria a seus moradores. Na foto, os palhaços fazem uma pausa num beco, no alto do Morro.” 357 No dia da Cultura, comemorado em 5 de novembro, o grupo de Folia de Reis da ‘Sagrada Família da Mangueira’ se apresenta na Praça Tiradentes, centro da cidade do Rio de Janeiro. A figura do Palhaço adorada e às vezes temida pelas crianças - é quem mais chama atenção. 358 Transferência dos Touros, para a Praça onde serão lidados, realizada por cavaleiros. 359 Força, Determinação e Arte. 360 - 361 A tauromaquia contestada por alguns adorada por outros mas fazendo parte da cultura e tradição portuguesa do norte ao sul, do litoral á zona raiana, é uma constante festa na lide e entre o homem e o animal que gera imagens de rara beleza e movimento. 362, 364 “O Baile Funk carioca além das fronteiras do Rio de Janeiro. “”Celebração”” à conclusão do Projeto Morrinho, uma favela em miniatura construída por jovens do Brasil e do bairro de Stockwell em frente ao Southbank Centre, complexo cultural de grande afluência de inúmeras culturas da Babel Moderna que é Londres atualmente em julho de 2010. Uma mostra do êxtase comunitário vivido nos subúrbios cariocas tendo a figura da mulher como objeto de culto/desejo, leva a imagem do Brasil de certa maneira engrandecida pela sua arte mas ao mesmo tempo alimenta o estigma da figura feminina na nossa sociedade.” 363 Mariscar em Monte Gordo. 365 Mariscar em Monte Gordo. 366 No quarto. 367 A cozinhar.

368 Familia campesina posando a la puerta de su casa de madera. 369 Familia viendo la tele al aire libre. 370 Niña delante de una pequeña cabaña costera con mirada tierna. 371 Feira popular em Esposende. 372 Casa de zinco (colorida). 373 Sombras...crianças. 374 Barraca de zinco (Mercearia de zinco). 375 ”Você verá que é mesmo assim, que a história não tem fim” Maria Bethânia. 376 Un grupo de niños de una aldea en los alrededores de una mina de oro en Kumasi (Ghana), juegan y disfrutan ante la mirada indiscreta de una cámara, como en cualquier otro lugar del mundo. 377 Niños limpiando peces a la orilla del río. 378 Mariscar em Monte Gordo. 379 La llegada de la barcas con la pesca en este pequeño pueblo no altera el curso de la vida diaria. La madre y su hija, preparada para comer, y el resto del pueblo trabajan buscando su alimento. 380 Muitos destes grupos se reúnem em datas específicas e também na passagem do ano para agradecerem através de oferendas as graças recebidas. 381 Pescaria artesanal. 382 “Festas e oferendas. O Brasil é um país de rica diversidade cultural, étnica e religiosa. Esta é apenas uma das tantas manifestações religiosas que ocorrem durante o ano todo.” 383 A alegria do retorno de mais um dia de pesca é vivida por toda a comunidade onde a pesca é fonte de sustento. A terra firme é admirada depois de dias e dias a deriva buscando o pão para a família ansiosa em casa a louvar protecção para um feliz retorno. 384 Ibéria: Direito à Vida (Sevilha). 385 “A esperança é a última a morrer.” 386 Miserliness. Become different.

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Transversalidades
fotografia sem fronteiras