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Reforma Sanitária Brasileira

O Sistema de Saúde Brasileiro vem apresentando vários problemas, todos relacionados de alguma forma à política vigente em cada momento histórico do país. A Europa, na 2ª metade do século XIX, passava por um momento de crescente industrialização e urbanização, com grande número de fábricas e aumento da aglomeração humana nas cidades na busca por emprego e melhores condições de vida. Dentro desse quadro, houve deterioração das condições de vida da população pobre e conseqüente aumento significativo no número de epidemias, originando maior pressão social da massa operária urbana sobre o Estado, surgindo correntes de pensamento pregando o socialismo. Este cenário começa a exigir uma intervenção do Estado na sociedade de forma geral, inclusive no que se referia a questões de saúde. O quadro citado também foi reproduzido no Brasil, onde a desigualdade no acesso aos serviços de saúde tem origens remotas. Até o início do século XX a cura de doenças era realizada por instituições de caridade sustentadas pela igreja e por doações, ou por médicos que atendiam apenas aqueles que podiam pagar por seus serviços. O Estado não participava dessa assistência. Em 1923 a Lei Elói Chaves representa um marco no surgimento da Previdência Social Brasileira, com a criação das Caixas de Aposentadorias e Pensões (CAPs). Através delas algumas empresas, inicialmente as das estradas de ferro, ofereciam aos seus funcionários assistência médica, além de aposentadorias e pensões. A assistência médica curativa prestada pelas CAPs era financiada pelas empresas e seus empregados. As CAPs cresceram bastante, sendo que algumas categorias profissionais já possuíam hospitais próprios e, em 1932, foram transformadas em Institutos de Aposentadorias e Pensões (IAPs). Estes Institutos atendiam trabalhadores de uma determinada categoria profissional e já havia alguma participação do Estado. Nesse momento a contribuição era tripartite, sendo realizada pelos empregados, pela empresa e pelo Estado, que atuava mediando à base contributiva previdenciária. Entre os anos de 1945 e 1964 são criados a carteira de trabalho, espécie de certidão de nascimento cívico, e o Ministério da Saúde. Por volta de 1966 os IAPs existentes se fundem e é criado o Instituto Nacional de Previdência Social (INPS) para unificar e executar as políticas de previdência e assistência, com uma participação ainda maior do Estado. Foi criada a categoria dos pré-cidadãos, que eram aqueles que ocupavam lugar

e que culminou coma VIII Conferência Nacional de Saúde em 1986. articulado a uma . tem sido responsável por um crescimento desordenado dos gastos do setor saúde. em maior ou menor grau. mas ao modo como a exercia. havendo maior cobertura da população (todos trabalhadores urbanos formalmente inseridos no mercado de trabalho e parte dos trabalhadores rurais) e consequentemente aumento de gastos. saneamento. elas eram de acesso universal. Este último condicionante pode ser denominado de “cidadania regulada”.). uma vez que os direitos do cidadão estavam condicionados não apenas à sua profissão. Na década de 70 o mundo passa por uma crise no modelo de financiamento médico.no processo produtivo. sem que isso reflita em uma melhor assistência ou em melhores condições de saúde para a população assistida. que são a universalidade do acesso e a integralidade das ações. conveniados ou comprados no mercado. até então.Devemos considerar que. No Brasil o Movimento da Reforma Sanitária. Esta característica. e que eram excluídos das políticas públicas produzidas. Em 1977 é criado o Instituto Nacional de Assistência Médica e Previdência Social. controle de endemias. Isto tem ocorrido ora pelo pagamento direto do usuário ao médico. Deste pensamento resultaram duas das principais diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS). mas sem reconhecimento legal. devido á nítida separação existente entre a prevenção e a cura. quem precisasse de assistência médica deveria pagar diretamente por ela. devido à inflação médica gerada pelos próprios profissionais da área. Para melhor entender e analisar a viabilidade da "Reforma Sanitária" na atual conjuntura. ou estar formalmente inserido no mercado de trabalho. por uma compra de serviços privados. Como resultado o modelo de atenção à saúde era inadequado às reais necessidades da população como um todo e sem integralidade. mesmo que funcionassem em paralelo às ações ditas curativas. ou ser atendido em instituições filantrópicas. junto à tecnificação crescente da Medicina e aos interesses privados com fortes lobbies. A assistência médica curativa no Brasil tem sido caracterizada. ora pelo pagamento indireto (pelas empresas) através de serviços próprios. no final da década de 70. propõe que a saúde seja um direito do cidadão. é necessário compreendê-la como um projeto setorial. Quanto às ações de saúde pública ou preventivas (vacinação. etc. um dever do Estado e que seja universal o acesso a todos os bens e serviços que a promovam e recuperem.

constituinte de uma trajetória maior – juntamente com outros projetos econômicosociais reformadores – que se consubstancia por sua vez em uma série de "projetos parciais" que sinteticamente gravitam em torno dos seguintes eixos: 1. por sua vez. Racionalização e otimização dos recursos setoriais com financiamento do Estado através de um Fundo Único de Saúde a nível federal. sindicatos. 2. quando da aprovação do SUS. Pode-se dizer que a "Reforma Sanitária" como um projeto específico. A lei implanta o Sistema Único de Saúde e os conselhos nacional. entre outros temas de interesse da Reforma Sanitária. situação que se agravou enfaticamente com a supressão das liberdades de participação e organização e a limitação dos direitos civis durante os anos de autoritarismo.O movimento sanitário havia conseguido inscrever na Constituição um mo delo complexo de efetivação do poder da base. desdobrado na Lei nº 8. Através destes "projetos parciais" se busca o apoio social ao projeto da "Reforma Sanitária" visando a um somatório de forças para sua viabilização.080. Unificação do Sistema de Saúde e sua hierarquização e descentralização para estados e municípios. os que defendem o setor público. os artigos referentes à participação da comunidade. execução e avaliação das políticas e ações de Saúde. enfrentando-se na Comissão de Seguridade Social as diferentes forças sociais que aglutinam propostas diferentes para o setor: de um lado. hospitais. Participação da população através – de entidades representativas – na formulação. havia se institucionalizado com a Constituição Federal de 1988 ao reconhecer a total liberdade partidária e sindical e estabelecer um marco legal para a participação da comunidade no sistema de saúde. com unidade na Política de Saúde. que está direcionada à consolidação da etapa democrática do capitalismo brasileiro. Collor não hesita em vetar. global para a sociedade. . estaduais e municipais. É dentro desta perspectiva que a "Saúde como um Direito do Cidadão e Dever do Estado" se coloca como idéia social básica do "Movimento Sanitário". A discussão do projeto de lei sobre a saúde é bastante polêmica.estratégia maior. Uma das diretrizes desta estratégia é a ampliação dos direitos de cidadania às camadas sociais marginalizadas no processo histórico de acumulação do capital. de 19 de setembro de 1990 (Lei Orgânica da Saúde). Em torno dessas questões. articulam-se representantes de profissionais. na perspectiva da municipalização e da descentralização. do outro. o qual remonta a meados da década de setenta e que agora se cristaliza em sua forma mais elaborada: A "Reforma Sanitária". Universalização do atendimento e equalização do acesso com extensão de cobertura de serviços. gestão. 3. 4.O processo participativo. os privatistas e.

por meio de . o custeio da administração do Inamps/MS e de Programas Especiais em saúde. aprovou a Norma Operacional Básica /SUS nº 01/91. apesar das pressões dos municípios e estados e do Conselho Nacional de Saúde. de 7 de Janeiro de 1991. secretários de saúde. emitida ainda pelo Inamps. fica definido que o SUS é constituído pelas ações e serviços prestados por órgãos e instituições federais. de 17 de setembro de 1990. de dispositivos contrários aos princípios de uma assistência social responsável. as conferências e conselhos de saúde e dava ao conselho um caráter deliberativo. Na Lei nº 8.080/90. em caráter complementar”. que se limite a auxílios às camadas mais carentes da população. Collor veta o artigo 11 da lei. Na Mensagem nº 672. contudo comprometer-se com a complementação pecuniária de renda. que é uma inovação na política de saúde. a saúde do trabalhador e a assistência terapêutica integral. configurando-se a preeminência do setor público e a inclusão apenas complementar do setor privado. na proposição. que reafirma a necessidade de convocação imediata da 9ª CNS e de vali dação das conferências estaduais e municipais. Destacam-se na NOB 91. realizadas em 1991. entre outras medidas: o financiamento da atividade ambulatorial e recursos na forma de AIHs proporcionais ao tamanho da população. lobistas do setor privado. sobressai a da existência. pagamento de prestadores diretamente pelo Inamps. da administração direta e indireta e das fundações mantidas pelo poder público (art. DF e municípios. índices de reajuste com base na Unidade de Cobertura Ambulatorial – UCA. que previa. estaduais e municipais. A Resolução nº 258. constatou-se o atraso no pagamento dos hospitais em convênio com o SUS e adiou-se a realização da 9ª Conferência Nacional de Saúde em 1991. inclusive farmacêutica. papel este de uma ação voltada à maior disponibilidade de empregos e salários”. 4). que trata da nova política de financiamento do Sistema Único de Saúde – SUS para 1991. alegando que cabe ao Presidente da República criar órgãos da Administração Pública. a forma convênio firmado com estados. Na era Collor. setores administrativos dos ministérios. O conselho também aprova documento do “Programa Nacional de Agentes Comunitários de Saúde”. sem. No campo de atuação do SUS. Collor assinala que “entre as razões primordiais que justificam o veto. conforme disposto no artigo 199 da Constituição Federal. em cada esfera de governo. estão ainda incluídas as vigilâncias sanitária e epidemiológica.universidades. O parágrafo 2º do artigo 4º diz expressamente que “a iniciativa privada poderá participar do SUS.

e os consórcios administrativos intermunicipais. o governo anuncia ao mercado segurador sua pretensão de privatizar o seguro de acidentes do trabalho. a partir do dia 1/11/1991. o Ministério da Economia. a implementação do Sistema de Informações Ambulatoriais SIA/SUS. com os interesses dos produtores privados.sistema próprio informati-152 zado SIS/SUS. a partir do dia 1/10/1991. uma série de situações e eventos marcam a crise no setor saúde: no início de 1992. . e dos planos de saúde. 2006). tendo sido confirmados 2. Durante o governo Collor. Segundo Gastão Wagner “poderíamos afirmando que esses dirigentes d a área de saúde têm funcionado como mediadores entre o poder executivo (estatal) e as pressões e demandas dos outros segmentos sociais.103 casos em 1991 (Brasil. Fazenda e Planejamento libera os preços dos seguros de saúde. mais ou menos. o Ministério da Saúde está sem dinheiro para combater o cólera. com o projeto dos médicos. Conforme as políticas de cada governo conciliam. estados e municípios reivindicam a rolagem de suas dívidas. com a utilização clientelista da maquina pública”.

INSTITUTO DE MEDICINA INTEGRAL PROF.IMIP PROGRAMA DE RESIDÊNCIA DO IMIP Reforma Sanitária Brasileira Módulo: Políticas Públicas de Saúde Professor: Dr. Rafael Moreira Grupo:_________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ . FERNANDO FIGUEIRA .