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SEMINÁRIO TEOLÓGICO BATISTA DO NORTE DO BRASIL COORDENADORIA DE TEOLOGIA

CURSO DE FORMAÇÃO EM TEOLOGIA

ESCATOLOGIAS E APOCALIPSES

Prof. Marcos A M Bittencourt
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Tg. fala sobre alguns bispos da igreja da Síria que partiram para o deserto levando consigo suas comunidades para esperar a volta de Cristo.. Agostinho (354-430 dC) defendeu.6. II. adiando o retorno de Cristo para uma época mais remota. 2. 1 .logia) é uma parte da teologia que trata dos últimos eventos na história do mundo ou do destino final do gênero humano. Eusébio mudou sua posição. Não obstante. que seria seguido pelo juízo final. começara com a primeira vinda de Jesus e terminaria com o seu glorioso retorno. 2. os cristãos da era apostólica.4:17). Este conceito de amilenismo recebeu o nome de Agostinho. enquanto o Cristo vitorioso governa seu povo através de sua Palavra e Espírito. como se o dia do Senhor estivesse já perto” (II Tess. Mas. algo aconteceu que mudou radicalmente a visão escatológica cristã. Os cristãos consideravam esse novo momento o cumprimento de Isaías 35 e Salmos 47. pois a tão violenta perseguição a que se referia só poderia ser um presságio da proximidade do fim do mundo. as perturbações causadas pela expectativa da volta imediata de Cristo. quer por espírito. que se estava estendendo além do prazo previsto por muitos (II Pd.nem vos perturbeis.4:15) e “Depois nós.ESCATOLOGIAS E APOCALIPSES I. No final do quarto século Ticônio ensinava que o milênio. Afirmava ele que a primeira ressurreição mencionada em Ap. esperava a volta de Cristo possivelmente ainda em vida. CONCEITO Escatologia (do grego antigo εσχατος. os que ficarmos vivos.20:5.C).3:4) levaram Paulo a escrever uma segunda carta ao Tessalonicenses: “.nós os que ficarmos vivos para a vinda do Senhor” (I Tess.. quer por palavras. comumente denominado como fim do mundo. Os amilenistas crêem que haverá um crescimento contínuo de bem e mal no mundo que culminará na Segunda Vinda de Cristo quando os mortos serão ressuscitados e se processará o último julgamento.2 – O PERÍODO PÓS-APOSTÓLICO – As perseguições movidas contra os cristãos no período pós-apostólico foram interpretadas como sinais da vinda iminente de Cristo pelos líderes das igrejas de então. "último". PERÍODOS HISTÓRICOS DA ESCATOLOGIA CRISTÃ 2.. mais o sufixo .3 – O PERÍODO PÓS-NICENO – Perto do importante Concílio de Nicéia (325 d." Agostinho foi também influenciado pelo método de interpretação alegórica de Orígenes. quer por epístola como enviada de nós. em suas epístolas.5:8). Ele ensina que não haverá um milênio de paz e justiça na terra antes do fim do mundo. Ele era um amilenista. Por exemplo. refere-se à conversão. seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens” (I Tess. esperavam o retorno de Cristo em breve (Hb. pois ele escreve “.1 – O PERÍODO APOSTÓLICO – As igrejas do período apostólico aguardavam a segunda vinda de Jesus e a consumação dos séculos para um prazo referente àquela época. porém indeterminado. A oficialização do cristianismo em 313 dC pelo Imperador Constantino mudou a situação de um cristianismo perseguido para um cristianismo privilegiado. primeiro historiador da igreja (270-340 dC) acreditava que o surgimento do Anticristo estava iminente.10:37. Hipólito (martirizado em 235 dC) em seu comentário sobre Daniel.2:2). que simbolizava um longo período de tempo. ampliou e popularizou a interpretação de Ticônio. Eusébio. considerando que essa nova situação era a realização do Reino de Deus na terra. Inicialmente Agostinho era pré-milenista. Paulo. mas abandonou esta posição "em vista do extremismo e carnalidade imoderada daqueles que sustentaram o pré-milenismo em sua época. Os amilenistas crêem que o Reino de Deus está presente agora no mundo..

260 anos. que fizeram cálculos para o retorno de Jesus em 3 de julho de 1525. op. professor de grego da Universidade de Cambridge (Inglaterra). Henry. entre 1618 e 1648. O Massacre de S. por isso. eram o cumprimento da profecia da soltura de Satanás. Os selos do Apocalipse (Ap. entre outros. No Sec. que Cristo estava às portas. um fazendeiro 2 . “por um pouco de tempo” antes do grande di a do juízo. p. Vol. Suas idéias ganharam muitos adeptos. A idéia dominante até a época (agostiniana) é que os cristãos já estavam vivendo o milênio. José Mede fez uma leitura dos fatos que mudaram a história. 1992) nasceu de uma dupla descoberta: a redescoberta de Cristo e a descoberta do Anticristo. A Reforma. essa convicção se reforçou nos seguidores de Lutero por causa da Guerra dos Trinta Anos.Bartolomeu. Desta forma.II. III . Segundo o sistema amilenista de Agostinho. a Contra-Reforma (Concílio de Trento).410).28:18) e que a perseguição papal. Nos Estados Unidos os cálculos de Fiore e de Mede foram refeitos por William Miller. Para não abalar essa convicção Jose Mede (1586-1638). Cria.XVI. irrompida com a Reforma. A idéia era aplicar cálculos à profecia das setenta semanas de Daniel (Dn. Guerra dos Huguenotes na França.30-34) de líderes religiosos tais como Stoeffler e Miguel Stiefel. p.15 e 16) foram consideradas como representando o declínio e a queda do poder papal em 1870. Exs: A queda de Constantinopla. a qual reduziu a população da Alemanha e da Áustria à metade. se não tiver sido a um terço (NEWMAN. A Manual of Church History. Existem relatos (Schaly. fazendo os 1.1 – A ESCATOLOGIA HISTÓRICO-PROGRESSISTA OU O PRÉ-MILENISMO HISTÓRICO – José Mede (1586-1638) incomodado com o prolongamento do “pouco tempo” da “soltura de Satanás”. com a revolução francesa e a perda de estados papais para a unificação da Itália.9:24) e de Apocalipse 11:3. levando consigo muitos seguidores. também chamado de prémilenismo histórico. o acorrentamento de Satanás e o início do milênio ocorreram durante o ministério de Jesus. o Anticristo era o Papa. E para os reformadores.2. seguindo-se depois a segunda ressurreição.XVII. o juízo final e o novo céu e a nova terra. o arrebatamento da igreja e a segunda vinda de Cristo com o estabelecimento do reino milenar. José Mede colocou o milênio para um tempo futuro e histórico. entendendo-os como cumprimento das profecias.4 – O PERÍODO DA REFORMA PROTESTANTE – A Reforma protestante do Sec.cit. segundo Grattan Guiness (apud Schaly. defendido pelos reformadores.260 dias significarem 1.os quais deixaram suas posses e bens para esperar o grande dia. como fora manifesto na Guerra dos Camponeses. elaborou um sistema com base nas interpretações do monge Joaquim Fiore (1130-1203). Para Mede essa seria a data da última profecia. implicando da primeira ressurreição.PRINCIPAIS ESCOLAS DE ESCATOLOGIA CRISTÃ 3. Lutero acreditava que o Anticristo estava manifesto no sistema papal e que o Diabo estava solto. elaborou em sistema escatológico progressivo. um dos temas de nosso próximo estudo. o entendimento era que a redenção da igreja com a volta de Cristo estava próxima. Em meados do Século XVII o “pouco tempo” da soltura de Satanás estava se prolongando demais. tendo-lhe sido dada “toda a autoridade no céu e na terra” (Mt.6) foram considerados como se referindo à queda gradativa do império romano ocidental e as taças (Ap.

nem o Filho. pois gerou uma grande expectativa nos cristãos e uma grande frustração. e quase tudo dentro de sete anos. José Bates. obediência: Gn 4:4 Povoar abundantemente a terra e se multiplicar: Gn 8:17 Provar a capacidade do homem manter-se fiel. nem os anjos dos céus. porque como o pré-milenismo histórico-progressista. Era uma contradição à palavra de Jesus que disse: "Porém. terminando pela destruição do templo e pela dispersão mundial.36). Eles se convenceram que a profecia bíblica previa não o retorno de Jesus à Terra em 1844.2. daquele dia e hora ninguém sabe. Do pequeno grupo que se recusou a desistir depois do "grande desapontamento" surgiram vários líderes que construíram a base do que viria a ser a Igreja Adventista do Sétimo Dia e deu origem à interpretação da profecia já citada. desprezou o Messias.e pregador batista. 3. 6ª Da Graça Rejeita a Cristo: Jo 1:11/ Jo 5:40 / II Tm 3:1-5 7ª Do Governo Divino Adorar e obedecer a Cristo: Zc 14:16-17 Rebelião Final: Ap 20:7-9 Futurismo.. Esse dia ficou conhecido como o Dia do Grande Desapontamento. 3..2 – O PRÉ-MILENISMO DISPENSACIONALISTA OU FUTURISMO 3. Dispensacionalista. Além dos adventistas também as Testemunhas de Jeová procederam desse movimento. pertencendo a uma nação separada: Gn 12:1-3 O que o homem fez/faz para o fracasso Comeu: Gn 3:6 Corrompeu-se: Gn 6:12 Desobedeceu: Gn 11:4 Não confiou na promessa: Gn 16:2-3 Mentiu: Gn 20:9 Enganou: Gn 37:18-22 O Resultado Dor e Maldição: Gn 3:16-18 Morte: Gn 3:19 O dilúvio: Gn 6:7 Confusão de línguas: Gn 11:79 Escravidão no Egito: Êx 1:1314 Vários períodos de cativeiro. pela fé: Jo 1:12 / Jo 3:16-18 / Ef 2:8-9 Desobedeceu a Lei."(Mt 24. depois do arrebatamento da igreja.2. Destacam-se dentre estes líderes um jovem casal . Dt 28:63-66 A Grande Tribulação: Mt 24:21 / Ap 6:17 O Julgamento do Grande Trono Branco / Inferno: Ap 20:11-15 4ª Patriarcal 5ª Da Lei Guardar a Lei: Êx 19:8 Ser povo sacerdotal: Êx 19:6 Aguardar o Messias: Is 5:19 Que recebam a Cristo como Senhor e Salvador. porque o milênio é a última dispensação das sete em que este sistema divide a história bíblica da humanidade.2 Linhas mestras  As linhas mestras do pré-milenismo dispensacionalista são: 3 . Para atenuar o grande problema pastores de diversas denominações reinterpretaram a previsão. serviu a outros deuses. mas que Ele começaria naquela data um ministério especial no céu (juízo investigativo). e apontaram o fim do mundo para 22 de outubro de 1844.1 – Definições  Convém primeiro explicar os termos que designam essa corrente escatológica: Pré-milenismo. porque tudo depois de capítulo 9:26 de Daniel e do capítulo 4 em diante de Apocalipse deverá ocorrer no futuro.Tiago e Ellen White .e um capitão de navio aposentado. mas unicamente meu Pai. São como segue: Dispensação 1ª Da Inocência 2ª Da Consciência 3ª Do Governo Humano O que Deus pede/quer Que não se comesse do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal: Gn 2:16-17 Sacrifícios das primícias. também aguarda a segunda vinda de Cristo para estabelecer o milênio antes da consumação dos séculos.

c) João Batista anunciava este reino temporal. por Daniel Whitby (1638-1725). mas os Seus não O receberam”. Hal Lindsey (“Os anos 80: contagem regressiva para o juízo final”).2. 3. 3.1 – Origem  Aproximadamente em 1700. assim será também a VINDA do Filho do homem. e) A Igreja. relatada no livro de Atos dos Apóstolos. que visava o estabelecimento de um reino temporal tipicamente judaico.3.3 – Principais defensores  Os principais defensores dessa corrente são: A Bíblia de Scofield (em suas notas de rodapé).2 – Linhas mestras  As linhas mestras do pós-milenismo são: a) O Pós-milenismo defende uma interpretação preterista das profecias apocalíptcas. que deveria estender seu domínio sobre todo o mundo (Bíblia de Scofield. Tito. foi ele levado a adiar este seu plano original para sua segunda vinda. Mt. c) “E este evangelho do reino será pregado em todo o mundo. João 1:11). De acordo com os pós-milenistas isso aconteceu com a destruição de Jerusalém em 70 dC. para estabelecer um reino temporal. Assembléia de Deus. d) “Pois assim como o relâmpago sai do oriente e se mostra até o ocidente. teólogo anti-calvinista e com tendências arianas. b) Os ensinos de Jesus.24:27-28). nota de rodapé). filho do Imperador de Roma. narrado em Mateus 24. davídico. Essa profecia teria sido cumprida no dia de Pentecostes quando representantes de várias partes do mundo estavam em Jerusalém e ouviram o Evangelho. tipificava Jesus. 3. para que Cristo possa restabelecer sua relação com os judeus e estabelecer um império mundial judaico por mil anos. é também o período da Igreja. em sua primeira vinda. Até mesmo a apostasia relatada em Mt. o Instituto Bíblico Palavra da Vida. Filho do Deus Vivo. na Inglaterra. alguns grupos batistas fundamentalistas (Regulares). b) O “Princípio das dores” representa a perseguição que se abateu sobre a Igreja. com a queda de Jerusalém pelas mãos dos romanos. para eles. em testemunho a todas as nações (etnias).24:8).24 teria sido cumprida no primeiro século. não são para a Igreja. Todos os sinais relatados por Jesus são interpretados como: “Mas todas essas coisas são o princípio das dores” (Mt. por ter sido rejeitado pelos judeus ( “Veio para o que era Seu. mas será restaurada sob o reino pessoal de Cristo. A Dispensação da Graça. cumpriu-se ainda naquela geração (“Não passará esta geração. sim. foi então introduzida como um parêntese. contidos em sua maior parte nos Evangelhos sinópticos.3 – O PÓS-MILENISMO 3. durante quase todo o seu ministério. O termo “mundo” aqui é interpretado como “o mundo de então”. para ocupar o período entre a primeira e segunda vindas de Jesus. regras de conduta que deveriam prevalecer no reino que ele estava antecipando estabelecer então (Idem). não veio para estabelecer a Igreja. Foi interrompida temporariamente a então Dispensação da Lei (substituída pela da Graça). que não fora prevista no Antigo Testamento (segundo eles). Então virá o fim”(Mt.”). esteve iludido quando ao resultado de sua missão. a Chamada da Meia Noite. Tito atacou Jerusalém de forma repentina. Era em suas mãos que estava a espada de Deus para executar juízo sobre os seus inimigos.. d) Tendo Jesus fracassado em seu propósito de restabelecer o reino temporal como o Messias davídico.24:14). aí se ajuntarão os abutres” (Mt. e Jesus. porém será removida pelo arrebatamento. mas. mas “finalidade”.3:2. mas. Ninguém 4 . O termo “Fim” ao significaria “conclusão”. judaico.. político. Onde estiver o cadáver. e crê que o sermão profético de Jesus..a) Jesus. sim.3.

3. e restauradas à sua condição original. com os seus cultos e sacrifícios. Como o próprio nome sugere essa corrente crê no milênio como mil anos. À medida que as coisas criadas convergem em Cristo. O que se chama de Vinda Secreta de Jesus também não encontra respaldo bíblico. ressuscitando-o dentre os mortos”(At. não literais. trata-se de um mesmo evento que vai acontecer no último dia da história humana. . Quando Ele vier para julgar os vivos e os mortos. quanto a dos ímpios ocorrerão simultaneamente (Jô. Quando se diz que Ele viria como um ladrão. Nesse caso.3 . e) O pós-milenismo acredita na segunda vinda de Jesus. Ele disso deu certeza a todos. Pedro testificou: “Ele nos mandou pregar ao povo. Foi semelhante a um relâmpago que sai do oriente e se mostra do ocidente. A idéia de “mil anos” é interpretada sob a ót ica do simbolismo judaico apocalíptico. i) O propósito de Deus não foi destruir todas as coisas. Compete à igreja cristã divulgar seus ensinamentos. Quando Ele anuncia o fim. Pois determinou UM DIA que com justiça há de julgar o mundo. a Antiga Aliança teve seu fim para sempre. Na verdade. “mil” é um período de tempo indeterminado. ela só foi plenamente instaurada com a queda do primeiro tabernáculo.4. e testificar que ele é o que por Deus foi constituído juiz dos vivos e dos mortos” (At.1:10). Cristo já o estabeleceu. e a invasão e destruição de Jerusalém pelo exército romano comandado por Tito.10:42). ou seja. a criação entrará no Estado Eterno.4:4. Para eles o que a Bíblia chama de “Plenitude dos Tempos” é o período que vai do nascimento de Jesus até a destruição de Jerusalém (Gl. A doutrina do Arrebatamento. Paulo endossa: “Mas Deus. Agora Ele virá para julgar os vivos e os mortos.esperava um ataque tão súbito. elas são reconciliadas com Deus. ou o fim da desordem causada pelo pecado. Isso Ele já fez em Sua primeira vinda. g) Para essa corrente Jesus não deixou dúvida de que tanto a ressurreição dos justos. 5 . reconciliação. Portanto. manda agora que todos os homens em todos os lugares se arrependam.Principais defensores  Algumas igrejas neo-pentecostais tais como a REINA-Igreja do Futuro (Bispo Hermes Fernandes).17:30-31). não levando em conta o tempo da ignorância. na casa de Cornélio. como é concebida pelos pré-milenistas não possui respaldo bíblico. por meio do homem que destinou. f) Não existe distinção entre o dia do Arrebatamento e o do Juízo. Ao discursar em Cesaréia. j) O Pós-milenismo espera que a grande maioria da população mundial se converterá a Cristo antes de Seu retorno glorioso.O termo tem como prefixo "a" o que significa "não" ou "sem". Depois daí.4 – O AMILENISMO 3. 3.C. e outra pública. refere-se ao fator surpresa que envolve a Sua Vinda. Mas essa segunda vinda não será para o estabelecimento de seu reino. mas espirituais.5:28-29) h) Com a queda do templo em 70 d. Embora a Nova Aliança tenha sido inaugurada na Cruz.3. não haverá uma vinda secreta. ensinando seus povos a aplicar os princípios do Reino de Deus em cada área da vida humana. Ele está falando sobre o fim da ordem danificada. discipulando as nações. Amilenismo significa sem milênio. todos os olhos O verão. e sim. Ef.1 – SIGNIFICADO . A palavra chave não é destruição.

Logo. 14:17-20 por exemplo). Satanás estaria preso der modo não total.3. podemos seguramente assumir que os mil anos são também figurativos. Portanto.(Ray Summers. aquelas vastas multidões juntas. Oh. mas Deus as destruirá todas com fogo. sob a direção do diabo. mas para Satanás também (veja João 16:11 e Apocalipse 12:7-9). ele ainda está ativo numa extensão considerável: ele anda em derredor bramando como leão. Então. não deve ser compreendido que tudo isto será no futuro. Harald Schaly. seja o que for que os primeiros dez versos de Apocalipse 20 possam significar. ele será solto para realizar o seu desejo: enganar Gogue e Magogue.4. Imediatamente. assim como Ele destruiu os inimigos de Israel com fogo (Ezequiel 38). a cadeira. Satanás. haverá ressurreição tanto de crentes como de incrédulos. livro “ O pré-milenismo dispensacionalista à luz do amilenismo”) alguns grupos pentecostais. todavia. aquelas nações que durante esta era vivem nos arredores da civilização e da história (versos 7-8). A freqüência dos números neste livro visionário mostra que eles devem ser compreendidos como simbólicos! e) De acordo com essa posição. Ele está preso (restrito) desde o tempo da ascensão de Cristo até antes de Seu retorno glorioso. batistas. Por essem tempo também começarão o novo céu e a nova terra. enquanto outros (como Berkhof). de modo que não pode impedir o crescimento do Evangelho. Os crentes também comparecerão diante do tribunal de Cristo (II Co.Linhas mestras  a) O Amilenismo entende que o milênio descrito em Apocalipse 20:1-10 já está em atividade no mundo. nem nos apresentado com vinte e dois capítulos de eventos que acontecem numa ordem consecutiva. livro “Digno é o cordeiro”. ficando inerte. onde Deus habita. Durante esse período. Repetidamente o apóstolo João recapitula e nos dá outra visão do mesmo período de tempo (Apocalipse 6:12-16. após o juízo final. é impedido de realizar o seu propósito. mas esse julgamento irá apenas determinar os graus de recompensa no céu. por um pouco de tempo. o estado eterno terá início e permanecerá para sempre. ressurreição e ascensão de Cristo tiveram um grande significado não somente para a Igreja. Alguns amilenistas dizem que Cristo pode voltar a qualquer momento dizem que Cristo pode voltar a qualquer momento.5:10). pois só os incrédulos serão condenados eternamente. encontrado no Terceiro Céu. Antes. imediatamente após a volta de Cristo.2 . mas teria seu poder limitado com a morte e ressurreição de Cristo. d) O livro de Apocalipse é altamente simbólico e figurativo e não deve ser imaginado que os seus capítulos estão numa cronologia exata. a presente era da igreja continuará até o tempo da volta de Cristo. os mortos em Cristo já estariam participando do milênio no Paraíso. Dessa forma. o apóstolo vê um longo período da historia de outro ponto de vista. a primeira ressurreição de modo espiritual: se a segunda morte é a separação de Deus no lago de fogo. que deriva todo seu poder de Deus (Jó 1). e o prender são todos figurativos. E visto que esta é uma visão. 3. b) Entende. tem o poder limitado durante a presente era. 6 . que deseja trazer toda força possível contra a Igreja de Cristo para destruí-la completamente. Esse esquema é bem simples porque nele todos os eventos dos tempos do fim ocorrem de uma só vez.Principais defensores  Presbiterianos (Augustus Nicodemos Lopes). verso 2. c) A morte. Os crentes terão o corpo ressuscitado e unido novamente com o espírito e entrarão no pleno gozo do céu para sempre. ele não deve ser interpretado literalmente em muitas passagens. ele não é capaz de fazer tudo que tem em mente para fazer. aquele das nações de Gogue e Magogue. alegam que alguns sinais ainda não se cumpriram.3 . Quando Cristo voltar. 16:15-19. pois começou com a primeira vinda de Jesus e terminará na segunda vinda com a instauração do novo céu e da nova terra. espiritualmente. para o juízo final. e o anjo. este é o significado do aprisionamento dele por mil anos. a primeira ressurreição é a união com Cristo até a ressurreição dos justos. assim.4. Os incrédulos serão ressuscitados para enfrentar o julgamento final e a condenação eterna. se dirigirão contra todas as nações Cristãs nas quais a Igreja é encontrada. Em nossa presente passagem a visão é que Satanás. Durante este tempo os crentes reinam com Cristo no céu e sobre a terra.

Percebe-se um estado de tensão entre os reinos do mundo (poderes políticos e militares) e o reino de Deus. Queria impor o modelo de sabedoria e religião gregas sobre os judeus.O QUE É UM APOCALIPSE? A palavra “apocalipse” é oriunda do grego e significa literalmente “descortinar”. cuja dinastia foi herdeira da divisão geopolítica que sucedeu à morte de Alexandre Magno. mas mesmo que isto não aconteça. 27).6:9. Podemos dizer que o “Apocalipse de João” é um “apocalipse”. ainda que isso custe a morte do fiel (Ap. Assim.. pode gerar exílio aos perseguidos (Ap. 6.7. Antíoco foi um rei sírio de educação grega. mas agentes portadores de revelação de Yehweh (8:15-16). Os amigos de Daniel sabem que Deus pode livrá-los da fornalha.000 judeus. protetores e intercessores em favor dos homens (10:12-21). o reino de Deus triunfará. O Apocalipse é testemunho (Ap. “revelar”. Contém alegorias e símbolos: números. ou seja. Apesar dos poderes imperiais. 2.1:9) ou até mesmo martírio (Ap. 8. Assim as quatro bestas representavam reinos e seus governantes pagãos. partes de Zacarias e o Apocalipse de João. 2:10. os fiéis são os que “guardam as palavras deste livro”(Ap.6:26. com o sacrifício de uma porca no altar sagrado e a implantação de uma estátua de Zeus. 11. de acordo com Flávio Josefo.19) . 9. 4. dentre os quais o livro de Daniel. 12:2). As revelações geralmente são obtidas por visões e arrebatamentos temporários. imagens exageradas. 3. Outros textos: Dn. ou melhor. acarretando a profanação do templo em julho de 167 a. 1. convém falarmos de “apocalipses”. Nos apocalipses há um constante chamado à fidelidade. 3:10.3:18). 1:2).10:19. mas não dos ímpios (perseguidores). O “Filho do Homem” pode ser considerado como um governante e sua coletividade. eles não deixam a fé (Dn. Trata-se de um jeito de se escrever de maneira velada e cifrada para os fieís que viviam em momento de opressão e perseguição.C. 7. uma espécie de panfletagem às ocultas por causa da perseguição. como a sob Antíoco Epifânio IV em 167 a C (fazendo surgir o livro de Daniel).2:3. 20:4). Tem por objetivo encorajar. Mas. A sabedoria de Deus é maior que a sabedoria dos homens. Imagens são igualmente recursos importantes. “tirar o véu”. o seu reino. além da matança de mais de 40.22:6. O apocalipse é cheio de expressões de adoração. simbólica. 10. Os apocalipses tinham linguagem direcionada ao entendimento dos justos (perseguidos). bem como dizer que o livro de Daniel é um “apocalipse”. 2:24-26. entre os ímpios e os justos (Dn. Tensão .18. Antes de falarmos sobre o livro Apocalipse de João. mas eram realidades mais ou menos entendidas pelos seus destinatários.IV . Nada têm em relação com o esoterismo. 7 .9. 5. Foi muito comum no período interbíblico e nos 100 primeiros anos da era Cristã. sustentar a fé dos perseguidos. Uma teologia da História: O fim da história e o senhorio de Deus. A pregação do “Filho do Homem” no capítulo 7 parece designar mais uma coletividade do que uma individualidade. Angelologia  O conceito de Anjos se torna mais arraigado no judaísmo posterior na medida em que se desenvolve o monoteísmo absoluto diante da queda do politeísmo e do henoteismo. Instala-se num ambiente histórico de perseguição e opressão ao povo de Deus. desde o quarto século antes de Cristo. Há utilização de muitos números com sentido qualitativo. imagens cósmicas. são exemplos.10. 12. formado a partir do Senhor (7: 18. os Anjos não são deuses. povo de Deus perseguido pelas autoridades humanas. A linguagem é cifrada. o que torna um livro em “apocalipse”? Quais são as características de um apocalipse? Vejamos as mais importantes.

7-12. O Dragão ou a Serpente (12.4.1-4).11.1.3. Alfa e Ômega (21.5). o povo de Deus.5). de sete trombetas (8. 2-8). 5.1. o máximo da maldade.5.13:18.12. urso.8). leão (13. peste. 3. 100 e 1000).14): imagem de Jesus.6.20:2). 12 portas com 12 anjos protetores da Nova Jerusalém (Ap. cujo sangue opera a libertação do povo. companheirismo. quatro ventos (7. Três Associado a Deus em sua triunidade indivisível. a medida de cada lado da cidade quadrangular (Ap.000 estádios.2. força. 8 .1-21).2). 17. então é o imperfeito do imperfeito do imperfeito. Dois Testemunho. A Besta que sobe do mar (Mediterrâneo) (13. como juiz.9): o tempo da ressurreição de Jesus mais o tempo da ressurreição dos mortos.9).).16).4.6): primeira e última letras do alfabeto grego.21.12).1. Besta-fera com aparência de cordeiro e voz de dragão (13.3:4-5) Vermelho Violência.6. calamidade.5.6. 7. 1.1. 21.3). as direções geográficas básicas.21. o mundo inteiro (os quatro cantos da terra). Dez Na maioria das vezes indica um tempo divino (ele e os seus múltiplos. Filho do Homem (14. sete candelabros (1. Doze A igreja ideal do Senhor (Doze tribos e Doze apóstolos. que mancha as vestes (Ap. 5.6).1).1).000 assinalados de cada tribo (7.2). 14. morte.17).3.10. catástrofe. primogênito dentre os mortos e príncipe dos reis da terra) e obra divina (aquele que nos ama.1.13. um número que implica em um tempo divino (Ap. Cordeiro (14. Sete Número que indica a perfeição. 17. Assim se fala dos quatro pontos cardeais. Pode também representar vitória sobre o pecado.1 . Tanto o número doze quanto seus múltiplos são significativos: 12. sete taças de flagelos (15.20.4-8). O que está em jogo aqui não é a quantidade de dias (poucos). mas a intensidade dessa aflição. 144.13). Ap. 5. Angústia (Ap. sete estrelas (1. uma forma de superlativo (o número da besta o cúmulo da perversão. a altura das muralhas de Jerusalém celeste (Ap.17).V .6). normalmente associado à unicidade divina. Quatro Perfeição celestial. Ap.9). 2. Negro fome.9): O poder do mal que opera no mundo. 5.3 ½ dias (Ap. a totalidade: Assim o autor fala de sete anjos (8. sete lâmpadas (4. da cidade quadrangular (21.4).1. quatro chifres do altar (9. sete reis de Roma (17. sete espíritos diante de Deus (1. o Cordeiro Pascal.1).11.4).CORES Branco Vitória(Ap.1). 4.OS SÍMBOLOS NO APOCALIPSE 5.10).NUMÉRICOS Um  Unidade indivisível.1. Escarlate devassidão(Ap.6.7. 16. sete pragas ( 8. 1. 144 côvados. por extensão.13.20.11. sete olhos do cordeiro (5. 666.6. Pantera. potência.SÍMBOLOS DE PESSOAS E INSTITUIÇÕES A mulher grávida (12.21. Deus como princípio e fim de todas as coisas. sangue.1).3): 1260 dias ou metade de 7 anos. 13.8. indicação de limitação e imperfeição.1). 15. o universo inteiro: Fala-se dos quatro anjos (7. A duração da aflição causada pelo diabo em Esmirna durará dez dias (2. 3.14-15).1). 17. o Cristo e os cristãos perseguidos pelo Império Romano. nos liberta e nos faz reis e sacerdotes).000 pessoas no séquito do Cordeiro (14. sete montes de Roma (17. Seis  Número da imperfeição. 4. quatro candelabros (6. infinito.2 . morte conseqüente e decomposição(Ap.2): símbolos das voracidades ou da exploração. 2. Também está relacionado a tudo o que aponta para a personalidade divina (fiel testemunha. Outros  42 meses (Ap.11:2.1. guerra (Ap.9). Jesus. Amarelo/Esverdeado doença. 24 anciãos diante do trono de Deus (Ap. tirada do livro de Daniel.3. 12 estrelas no diadema da mulher (Ap.8): O Império Romano. Mil Incontável.6. Se aparecer três vezes seguidas.6.16. 9.17. 1-2): Israel/Jerusalém do AT. 16.11): são os falsos profetas que se colocam a serviço do Império Romano para legitimá-lo perante o povo. 12.7:4). 9. sete cabeças do dragão (12.

Bodas do Cordeiro (19.16): poder. Candelabro de ouro ( 1. 5.7.13. Chifre (13.5. 3. Sodoma e Gomorra foram destruídas por uma chuva de enxofre (Gn 19. 16. 11. 19. Saraiva (juntamente com chuva de pedras.13): realeza.13): sacerdócio.1): poder.18. imagem tirada de Ez.11.4 –SIMBOLISMO DE OBJETOS/PARTES DO CORPO/SIMBOLOS VIVOS Cabelos brancos (1. força.2. Gog e Magog (20. Palmas (7.19.10.10.4. 13.19. 14-20.2): pavimento do templo celeste. Cinto de ouro (1.9): símbolo da Jerusalém celeste ou paraíso 9 .14.20. firmeza.9.5. 17. Fogo (1. Coroa (4.1. Cítara (5.20. 16. divino. 19. 15.14. Mulher de Acab.14.1.15.5): imagem do julgamento.24).5. Jezabel (2. Foice (14.Anjos (2.7.5): sinal de vitória.8. 21.7. 20. Nuvem (1.5.12. 10.1. Mar de vidro (4. 18. O vivente (1.11): habitação de Deus normalmente fechada e cheia de mistérios que agora se abre e desvenda seus segredos. Vinho da ira de Deus (14. beleza. 19.22): instrumento principal da música celeste.15): o campo da batalha escatológica. 19. 20.2. uma seita mencionada em Apoc. gelo.17): sinal de juízo ou julgamento.19. cidade de Roma.4): símbolo de força. 13.10. todos os cristãos martirizados. Olhos (1.8): símbolos da força e da guerra.7.5.18): Jesus Cristo.14): o âmbito celeste. 10.12.17): sinal de garantia de entrada no Reino. 11.18): sinal que acompanha a vinda de Cristo.15): estabilidade.9.15). 11. 15. 14. 16. Céu aberto (4.21. 11.4): culto prestado à Besta.1): segredo.8.2): a Igreja ou a Jerusalém celeste.2. Cavalos (6.5.14. “ira” significa “justiça” de Deus. 19. 16.5.1.10.14): mensageiros celestes ou coordenadores de igrejas locais. A esposa do cordeiro (20. 19. Duas testemunhas (11.15): castigo infligido por Deus.19.20. Túnica longa ( 1.17-18.5): Babilônia. Pés (1.1): igreja local.18.19.13. A grande prostituta (17. Pedra branca (2.16): palavra de Deus que julga a Igreja e os perseguidores.8.14): onisciência. Selo (6.2.8.20. Balança (6. Absinto (8. 8. 38.20. 16.14. granizo) (8. Deus obriga os seus adversários a beber um vinho estragado ou envenenado. julgamento. 14.8): tipo de fogo destruidor alimentado por esse mineral.11. 11.2.21): sinal de castigo divino.12.14):eternidade (também sabedoria e paz).9.10. 39. Relâmpago (juntamente com trovões e vozes retumbantes) (4. 12. Enxofre (9. Idolatria ( 9.12. conhecimento pleno. Trombetas (8. princípio e fonte de vida. 2. Espada afiada de dois gumes (2.8.10:5) .8. Mão direita (1. ou. ou Pedro e Paulo.20): apelido pejorativo dado à sacerdotisa dos nicolaítas. (2. Ombro (Dn.4. 14.7. 15.2): sinal de acontecimentos solenes e importantes. Lugar da ira de Deus (14. 10.2.6. o oposto da Jerusalém celeste.19.5): medição. simplesmente.10. prêmio.3): Elias e Moisés. Colheita (14.9): sinal de vitória. responsável pela morte de Nobot.16.11): nome de uma estrela que causa amargura nas águas e fontes. 18.poder Cauda (9.8): elemento do castigo (JUÍZO) e do equilíbrio. símbolo da idolatria e do mal.8): as nações pagãs opostas à Igreja.

1984. O Fim: a construção do pensamento escatológico moderno. 10 . 2ed. Sidney R. São Paulo: Abba Press. 2009. Recife. _________. Rio de Janeiro: Juerp. Rio de Janeiro: Juerp. Material impresso para uso na Escola Bíblica Dominical da Igreja Batista do Cordeiro.BIBLIOGRAFIA E REFERÊNCIAS BITTENCOURT. 1992. SCHALY. O pré-milenismo dispensacionalista à luz do amilenismo. Breve história de escatologia cristã. Marcos A M. Harald. 2010. MACHADO.