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Estudo de Dosagem e Controle de Qualidade do Concreto

Prof. Dario de Araújo Dafico, Dr.

Versão: Ago./2012

Sumário

  • 1. O Traço

..........................................................................................................................

2

  • 2. Obtenção das Equações das Leis Fundamentais .........................................................

10

  • 3. Método de Estudo de Dosagem do IPT / EPUSP .........................................................

18

  • 4. A Curva de Gauss

.......................................................... ...............................................

22

  • 5. Controle de Qualidade do Concreto

............................................

30

1 - O TRAÇO

1.1 - DEFINIÇÕES FUNDAMENTAIS

Denomina-se TRAÇO a expressão da proporção dos materiais componentes de uma “receita particular de concreto”. O traço expressa as quantidades relativas de agregados miúdos, agregados graúdos e de água em relação à quantidade de cimento.

Chama-se DOSAGEM o ato de medir e misturar os componentes do concreto (cimento, agregados, água, aditivos e adições) a partir de um TRAÇO pré-definido. DOSAGEM TÈCNICA é aquela feita em obra que possui o conhecimento de um TRAÇO elaborado de acordo com a técnica. DOSAGEM EMPÍRICA é aquela feita em obra que não possui o conhecimento de um TRAÇO elaborado de acordo com a técnica, para dosagem de concreto com os materiais disponíveis na obra, mas utiliza um TRAÇO EMPÍRICO, ou seja, uma “receita de bolo” que não considera a implicação da variabilidade das fontes de materiais para o concreto nas suas propriedades. Atualmente é inconcebível a utilização de dosagem empírica para o preparo de concreto estrutural.

Denomina-se ESTUDO DE DOSAGEM ao procedimento técnico utilizado para obtenção do traço que satisfaça certos pré-requisitos particulares de uma obra, em geral um certo valor mínimo de resistência à compressão aos 28 dias, mas podem ter vários outros como, por exemplo, resistência à tração na compressão diametral, módulo de deformação, retração, fluência, massa específica, etc.

ESTUDO DE DOSAGEM EXPERIMENTAL é aquele realizado utilizando dados de misturas experimentais feitas com amostras dos materiais que serão utilizados para o preparo do concreto para a obra. Para isso são realizados diversos ensaios de caracterização dos materiais em laboratório e realizados ensaios para determinação das propriedades dos concretos, obtidos através das misturas experimentais.

ESTUDO DE DOSAGEM NÃO EXPERIMENTAL é aquele realizado sem os dados de misturas experimentais feitas com amostras dos materiais que serão utilizados para o preparo do concreto para a obra. Para que seja possível a realização de um ESTUDO DE DOSAGEM NÃO EXPERIMENTAL é necessário haver uma grande “massa de dados” acerca dos materiais de uma determinada região, para que se possa obter os “valores de referência” de cada material componente da mistura, necessário para a realização dos cálculos do estudo, através de simples avaliação visual. ESTUDOS DE DOSAGEM NÃO EXPERIMENTAIS eram muito utilizados antigamente no Brasil para a obtenção de TRAÇOS para obras de menor porte em função da dificuldade de se encontrar laboratórios especializados. Hoje isso não faz mais sentido, o país se desenvolveu e se integrou. Há laboratórios espalhados por todo o território nacional. Nas localidades mais longínquas do Brasil, aonde não há laboratório nas proximidades, também não faz sentido a realização de Estudo de Dosagem Não Experimental pois, neste caso, também não haverá dados que fundamentem o estudo. É importante lembrar que atualmente há uma grande diversidade de tipos e marcas de cimento no país, o que dificulta ainda mais a realização desse tipo de estudo.

No nosso curso iremos aprender como obter um TRAÇO através do ESTUDO DE DOSAGEM EXPERIMENTAL e como fazer a DOSAGEM TÉCNICA na usina ou na obra, em massa, ou volume unitário. A expressão do traço será sempre feita em proporção da massa de cimento.

1.2 - EXPRESSÃO DO TRAÇO DO CONCRETO

O traço do concreto pode ser expresso em termos de proporções em massa ou volume, além de uma forma mista, que expressa o cimento em massa e os agregados em volume. No nosso curso a expressão do traço será sempre feita em termos de proporções sobre a massa de cimento (kg/kg). É a forma moderna de se expressar o traço do concreto.

A expressão do traço do concreto segue a seguinte configuração:

  • 1 : a : b : a/c

onde:

=> Primeiro termo que representa a Massa de cimento em relação à Massa de cimento (M c /M c = 1);

1

a

=> Massa de areia em relação à Massa de cimento (M a /M c = a);

b

=> Massa de brita / Massa de cimento(M b /M c = b);

a/c => Massa de água em relação à Massa de cimento (M água /M c = a/c).

Observação: Deve-se ter o cuidado para não confundir o significado da letra “a” quando representando a proporção de areia do traço, com a letra “a” do parâmetro “a/c” que representa a proporção de água e relação ao cimento.

Para entendermos melhor como funciona a representação através do traço vamos ao seguinte exemplo. Seja uma mistura para concreto composta por 1 saco de cimento, 150 kg de areia, 250 kg de brita 1 e 25 kg de água, então temos que:

50 / 50 : 150 / 50 : 250 / 50 : 25 / 50 (cimento : areia : brita : água)

Logo o traço será expresso como:

  • 1 : 3 : 5 : 0,5

No caso de se utilizar mais de um agregado miúdo (areia) e/ou mais de um agregado graúdo (pedra britada ou seixo rolado) o traço é expresso do material mais fino para o mais grosso. Por exemplo, 2 areias e 3 britas:

  • 1 : a 1 : a 2 : b 1 : b 2 : b 3 : a/c

Temos algo como o exemplo de traço mostrado abaixo:

1 : 1,50 : 1,50 : 1,00 : 2,00 : 2,00 : 0,50, sendo a seqüência: (1 : a 1 : a 2 : b 1 : b 2 : b 3 : a/c)

obs.2: Exceto o primeiro termo do traço que é sempre 1, todos os outros são expressos com números contendo duas casas decimais.

Denomina traço bruto “m”, ou traço não desdobrado, à proporção do agregado total (miúdo + graúdo) em relação ao cimento. Por exemplo, quando dissemos que m = 3, temos um traço 1:3, e isso significa que para cada kg de cimento temos a utilização de 3 kg de agregado total.

1.3 - CÁLCULO DA QUANTIDADE DE CIMENTO DO CONCRETO

Para se calcular a quantidade de cimento de um concreto, em kg de cimento por m 3 de concreto utilizamos a fórmula que obteremos a seguir:

Sabemos que um certo volume de concreto é o resultado da soma dos volumes absolutos de seus constituintes, isto é, do cimento, areia (agregado miúdo), brita (agregado graúdo) e água. Também sabemos que em 1 m 3 temos 1000 dm 3 . Logo podemos escrever:

V c + V a + V b + V água = V conc

(1)

Sabemos ainda que a massa específica de um material é por definição a sua massa dividida pelo seu volume absoluto. Logo o seu volume é a massa dividida pela massa específica ou seja:

se:

ρ =

M

V

,

então:

V =

M

ρ

(2)

Como queremos uma fórmula que calcule a quantidade de cimento em 1 m 3 de concreto, que é o mesmo que dizer a quantidade de cimento por 1000 dm 3 de concreto, mas a unidade de massa específica utilizada pelas normas técnicas é kg/dm 3 , fazemos:

(2) em (1) temos:

M

c

+

M

a

+

M

b

+

M

água

= 1000

ρ

c

ρ

a

ρ

b

ρ

água

(3)

Como a massa específica da água é igual a 1 (ρ água = 1 kg/dm 3 ), temos:

M

c

+

M

a

+

M

b

ρ

c

ρ

a

ρ

b

+

M

água

= 1000

(4)

Usando o artifício de dividirmos

ambos

os

lados

pela massa de cimento

(M c ),

pois

trabalhamos com traços, que são proporções em relação à massa de cimento, temos:

M

c

M

a

M

b

+

M

água

1000

=

+

+

M .

c

ρ

c

M

c

.

ρ

a

M

c

.

ρ

b

M

c

M

c

(5)

Vemos na equação resultante até aqui as relações sobre a massa de cimento que no traço representamos por:

1 : a : b : a/c, que substituindo em (5) fica:

1

+

a

+

b

+

a / c

ρ

c

ρ

a

ρ

b

1000

=

M

c

(6)

Isolando a massa de cimento finalmente obtemos a fórmula desejada:

M =

c

1000

1

+

a

+

b

/

+ a c

ρ

c

ρ

a

ρ

b

(7)

É costume representar a massa de cimento contida em um m 3 de concreto pela letra C, maiúscula, então na formula substituiremos o símbolo M c por C, ficando assim:

1000 C = 1 a b + + + a c / ρ ρ ρ c
1000
C =
1
a
b
+
+
+ a c
/
ρ
ρ
ρ
c
a
b

(8)

Na fórmula (8) não foi considerado nenhum teor de ar incorporado ao concreto, que em concretos plásticos normais se situam por volta de 20 dm 3 por m 3 de concreto. Para obtermos uma fórmula que considere o volume de ar incorporado ao concreto temos que fazer:

V c + V a + V b + V água + V ar = V conc

(9)

Repetindo os mesmo procedimentos feitos para obtenção da fórmula (8) temos:

M

c

M

a

M

b

+

M

água

V

ar

1000

=

+

+

+

M

c

.

ρ

c

M

c

.

ρ

a

M

c

.

ρ

b

M

c

M

c

M

c

(10)

Passando o termo que contém o volume de ar para o outro lado fica:

M

c

M

a

M

b

+

M

água

1000

=

V

ar

+

+

M

c

.ρ

c

M

c

.ρ

a

M

c

.ρ

b

M

c

M

c

M

c

(11)

Substituindo pelos parâmetros do traço (1 : a : b : a/c) temos:

1

+

a

+

b

+

a / c

ρ

c

ρ

a

ρ

b

=

1000

V

ar

M c

(12)

Isolando a massa de cimento obtemos a fórmula desejada:

M

c

=

  • 1000 V

ar

1

+

a

+

b

/

+ a c

ρ

c

ρ

a

ρ

b

(13)

Novamente,

para

seguirmos

o

costume

de

utilizamos

a

letra

maiúscula

C

para

representarmos a massa de cimento por m 3 substituimos M c por C na fórmula ficando,

quando consideramos o volume de ar incorporado:

1000 − V ar C = 1 a b + + + a c / ρ
1000 − V
ar
C
=
1
a
b
+
+
+ a c
/
ρ
ρ
ρ
c
a
b

(14)

1.4 - CÁLCULO DAS DIMENSÕES DAS PADIOLAS

Padiolas são recipientes utilizados para a dosagem dos agregados em volume unitário quando não é possível fazê-lo em massa. É utilizado para a dosagem de concretos, em obras de menor responsabilidade. A padiola pode ser construída em madeira, compensado ou aço, podendo ser feita para ser carregada por dois operários, ou montada sobre rodas (estrutura semelhante à de carrinhos de mão), para poder ser transportada por somente 1 operário. Neste caso, montada sobre rodas, é preciso estar utilizando betoneira com carregador, que permite a construção de uma pequena rampa para o acesso da padiola sobre rodas.

No caso de padiola de padiola sobre rodas, a seção vertical que corta longitudinalmente a padiola forma um trapézio como mostrado na figura abaixo, para facilitar o escoamento do agregado para o carregador da betoneira.

Vista superior

 

Corte vertical

e = 40 cm

1.4 - CÁLCULO DAS DIMENSÕES DAS PADIOLAS Padiolas são recipientes utilizados para a dosagem dos agregados

h = 35 cm

15 cm L i
15 cm
L i
  • L s

Para se obter uma fórmula para o cálculo da altura da padiola sobre rodas, sendo a variável volume da padiola V pad em dm 3 e a medida de comprimento L i em dm, temos:

V pad = 4 . L i . 3,5 + ((3,5 . 1,5)/2) . 4

simplificamos temos:

V pad = 14 . L i + 10,5

14 . L i = V pad – 10,5

Finalmente obtemos:

V −10,5 pad L = i 14
V
−10,5
pad
L =
i
14

(sendo L i em dm)

(15)

(16)

(17)

(20)

Se quisermos o valor de L i em centímetros, que é a unidade de medida usada pelo carpinteiro, é só multiplicar o resultado da equação (20) pelo número 10.

A dimensão da seção horizontal de uma padiola para carregamento por dois operários geralmente é de 45 x 35 cm, sendo a altura variável conforme o volume necessário para a dosagem do traço. Uma padiola deve ser dimensionada para uma massa de agregados não superior a 70 kg qualquer que seja o tipo de padiola.

Se quisermos o valor de L em centímetros , que é a unidade de medida usada
Se quisermos o valor de L em centímetros , que é a unidade de medida usada

1.5 - EXERCÍCIOS

Para resolução das questões, utilizar as características físicas dos materiais a seguir indicadas.

Materiais

Cimento

Areia Fina

Areia Grossa

Brita 0

Brita 1

Brita 2

(12,5 mm)

(19 mm)

(25 mm)

Massa específica (kg/dm 3 )

3,14

2,63

2,62

2,78

2,75

2,75

Massa unitária (kg/dm 3 )

-

1,50

1,52

1,38

1,40

1,43

Umidade (%)

-

4,50

3,50

0,80

0,80

-

Inchamento (%)

-

30

27

-

-

-

I - Calcular as quantidades de materiais

a serem adquiridos para a

execução de uma

estrutura cujo volume de concreto é 55 m 3 . O traço do concreto estudado para a obra é:

1 : 2,20 : 1,15 : 2,52 : 0,56 (cimento, areia grossa, brita 0, brita 2, água)

II - Utilizando o traço acima, que volume de fôrmas se encherá com o concreto de uma betonada em que se utilizam 3 sacos de cimento ?

III - Quantas betonadas de um saco de cimento seriam necessárias para fabricar 1 m 3 de concreto ?

IV - Qual o percentual do volume de pasta (cimento + água) do concreto acima ?

  • V - Qual o percentual do volume de argamassa (cimento + areia + água) ?

    • VI - Uma obra solicitou 6 m 3 de concreto a uma central. Quais as quantidades dos materiais

colocadas no caminhão betoneira para atender ao traço 1 : 2,0 : 3,5 : 0,5 (cimento, areia

fina, brita 0, água) ? obs.: Os materiais na central são medidos em massa úmida.

VII - Para os materiais medidos em volume, quais as dimensões das padiolas com seção paralelepípeda e trapezoidal, para betonadas de 2 sacos de cimento, a serem confeccionadas para o uso do traço acima (questão VI) ?

VIII - Fornecer as quantidades de materiais (cimento em sacos, areia, brita e água em

volume) que se deve adquirir para fabricar 200 m

3

de concreto, sabendo-se que em cada

betonada utilizam-se as seguintes quantidades de materiais nas condições de canteiro:

cimento = 1 saco; areia fina úmida = 87 kg; brita 1 úmida = 36 kg; brita 2 úmida = 118 kg; água adicionada = 25 l.

IX - Que volume de materiais são necessários para produzir 5 m 3 de concreto, sabendo-se que em cada betonada deste concreto usam-se: cimento = 1 saco; areia fina = 85 dm 3 ; brita

  • 1 = 52,8 dm 3 ; brita2 = 83 dm 3 ; água = 22 dm 3 , considerando-se as condições de canteiro ?

  • X - Dado o traço de concreto 1 : 2,15 : 1,85 : 2,80 : 0,62 (cimento, areia grossa, brita 0, brita

1, água), pede-se calcular a quantidade em massa dos materiais (agregados e água) a serem colocados numa betoneira de 2 (dois) sacos de cimento, considerando:

  • a) Os agregados secos;

  • b) Os agregados na condição do canteiro.

    • XI - Para o mesmo traço do item anterior pede-se a quantidade dos materiais em volume,

considerando-se as condições do canteiro.

XII - Na fabricação de um concreto de traço (em massa de materiais secos) expresso como

  • 1 : 2,20 : 4,50 : 0,60 (cimento, areia fina, brita 2, água) verificou-se que o concreto produzido não correspondia ao volume esperado. Por um lapso, o encarregado não levou em consideração a umidade e o inchamento dos materiais. Determine:

    • a) Qual o traço realmente utilizado se os materiais foram medidos em massa?

    • b) Qual o traço realmente utilizado se os materiais foram medidos em volume?

XIII - Qual o traço verdadeiro adotado (em massa de materiais secos) sabendo-se que os materiais úmidos no canteiro foram:

  • - 2 sacos de cimento;

  • - 220 kg de areia grossa;

  • - 150 kg de brita 1;

  • - 250 kg de brita 2;

  • - 40 litros de água.

XIV

- Calcular

o

misturaram:

traço de

um

  • - 1 saco de cimento;

concreto (em

  • - 1 padiola de areia fina (L i = 3,5 dm);

  • - 1 padiola de brita 1 (L i = 3,0 dm);

  • - 2 padiolas de brita 2 (L i = 2,1 dm);

  • - 24 litros de água.

massa de materiais secos) em

que

se

Respostas:

  • I - 360 sacos de cimento; 33,2 m 3 de areia grossa úmida (26,1 m 3 seca); 15 m 3 de brita 0; 31,8 m 3 de brita 2.

II - V conc = 0,46 m 3 .

  • III - 7 betonadas.

IV - Volume da pasta = 28,8 % do volume do concreto.

  • V - Volume da argamassa = 56,3 % do volume do concreto.

VI - 2112 kg de cimento; 4.414 kg de areia fina; 7.451 kg de brita 0; 807 litros de água.

  • VII

Padiola de seção paralelepípeda:

Areia fina (3 padiolas) => L = 45 cm x e = 35 cm x h = 36,7 cm Brita 0 (5 padiolas) => L = 35 cm x e = 40 cm x h = 32,2 cm

Padiola de seção trapezoidal:

Areia fina (3 padiolas) => e = 40 cm; h = 35 cm; L i = 33,8 cm; L s = 48,8 cm Brita 0 (5 padiolas) => e = 40 cm; h = 35 cm; L i = 28,7 cm; L s = 43,7 cm

  • VIII - 1509 sacos de cimento; 109 m 3 de areia fina; 38 m 3 de brita 1; 125 m 3 de brita 2; 38 m 3

de água.

IX - 33 sacos de cimento; 2.805 dm 3 de areia; 1.742 dm 3 de brita 1; 2.739 dm 3 de brita 2; 726 litros de água.

  • X e XI

material

traço correto

material seco

material nas condições de canteiro

massa úmida

volume úmido

cimento

1

2 sacos

2 sacos

2 sacos

areia grossa

2,15

215

kg

222,5 kg

179,6 l

brita 0

1,85

185

kg

186,5 kg

134,1 l

brita 1

2,80

280

kg

282,2 kg

200,0 l

água

0,62

62 l

50,8 l

50,8 l

XII

  • a) 1 : 2,10 : 4,50 : 0,70

  • b) 1 : 1,69 : 4,50 : 0,68.

    • XIII - 1 : 2,12 : 1,49 : 2,50 : 0,49

XIV - 1 : 1,37 : 1,47 : 2,28 : 0,55

2 - OBTENÇÃO DAS EQUAÇÕES DAS LEIS FUNDAMENTAIS

2.1 - REGRESSÃO LINEAR AOS MÍNIMOS QUADRADOS

Dada um conjunto de pontos conhecidos de coordenadas (x,y) que descrevem uma

tendência linear como da figura abaixo:

Y

Y 3 D Y = a.X + b 3 D 1 , D 2 , D
Y
3
D
Y = a.X + b
3
D 1 , D 2 , D 3 ,
...
, D i , ...
,
D n são os
D
Y
2
erros de previsão (desvios)
2
Y 1
D
1
X
X
X
1
X
2
3

Figura 1 – Representação esquemática da regressão aos mínimos quadrados

Para obter os coeficientes “a” e “b” da equação da reta de regressão representativa de um

fenômeno linear é só obter:

  • X = média dos valores de “x”

Y = média dos valores de “y”

S

 

= Σ

n

(X

 

xx

i = 1

i

S

xy

= Σ

n i = 1

(

X

i

X )

2

).(

X Y

i

Y

)

E calcular os coeficientes “a” e “b” através das seguintes expressões:

a =

S

xy

S

xx

b = Y a.X

Encontrados os valores dos coeficientes é só colocá-los na equação:

Y = a.X + b

Para auxiliar a tarefa de encontrar os valores de X ,Y, S e S , constrói-se
Para auxiliar a tarefa de encontrar os valores de
X ,Y, S e
S
, constrói-se uma tabela
xx
xy
seguindo o modêlo abaixo:
Ponto
X i
Y i
2
(X
X )
(X
X )
(Y
Y)
(X
X ).(Y
Y)
i −
i
i
i
i
1
2
3
4
5
6
7
8
M
n
n
2
n
X
Y
S
= Σ
(X
X )
S
= Σ
(
X
X Y
).(
Y
)
xx
i = 1
i
xy
i
= 1
i
i
Resultados

Exercício de fixação:

Uma empresa produtora de blocos de concreto celular localizada na cidade de São Paulo

possui uma rede distribuidora por todo o interior do Estado. Realizou um estudo para

determinar qual a função que liga o preço do produto ao consumidor e a distância do

mercado consumidor da cidade de São Paulo. Os dados são os seguintes:

Y i

 

Preço

36,00

48,00

50,00

70,00

42,00

58,00

91,00

69,00

(R$/bloco)

X

 

Distância

50

240

150

350

100

175

485

335

i

(Km)

  • a) Estimar a reta de regressão para representar essa relação. (Resp.: p = 30,19 + 0,12.d)

  • b) Com base na equação da reta encontrada estime o preço ao consumidor numa nova

“praça” situada a 420 Km de São Paulo. (Resposta: R$ 80,58)

  • c) Calcule e organize em uma tabela os erros de previsão de cada praça.

2.2 - LEI DE ABRAMS

f c

K 1 f = c a c / K 2 a/c Figura 2 – Curva de
K
1
f =
c
a c
/
K
2
a/c
Figura 2 – Curva de Abrams e a sua equação

Segundo a Lei de Abrams o principal parâmetro a provocar variações na resistência à

compressão do concreto “f c ” é a relação “a/c”. A resistência varia segundo a expressão

mostrada na figura 2, sendo K 1 e K 2 constantes que dependem das características

particulares dos materiais utilizados em uma determinada mistura.

Num estudo de dosagem do concreto, para encontrarmos a equação representativa

daquelas misturas particulares a partir de alguns poucos pontos conhecidos (mínimo 3), é

preciso linearizar a equação para se utilizar o Método dos Mínimos Quadrados. Então, se:

f =

c

K

1

K

/

a c

2

Linearizando, através de logarítimos, temos:

log

f

c

= log

K

1

K

/

a c

2

log

f

c

=

log

K

1

log

K

/

a c

2

log f

c

=

log K

1

a c
a
c

.log K

2

Reorganizando na forma da equação da reta temos:

b log K log K log f c = − c + ). X Y (
b
log K
log K
log f
c = −
c +
).
X
Y
(
a
2
a
1

Para obter a equação de Abrams particular fazemos uma regressão linear entre “log f c ” e

“a/c” obtendo-se “a” e “b” como coeficientes da reta.

Se:

a = −log K

10

2

log K

2

= −a

K

2

= 10

a

b = log

10

K

1

K

1

log

f c

 

log K

2

Então:

1 K 2 = a 10
1
K
2 =
a
10

Se:

então:

b K 10 1 =
b
K
10
1 =

Com os valores numéricos dos coeficientes K 1 e K 2 monta-se a Equação de Abrams. Para

se encontrar o valor da relação “a/c” necessária para uma resistência especificada faz-se:

log

c a =
c
a
=

Exercício resolvido:

Em um estudo de dosagem do concreto elaborou-se, para um dado conjunto de materiais,

concretos com relações “a/c” de 0,41 – 0,55 – 0,70, quando foram moldados corpos-de-

prova para ensaio de resistência à compressão aos 28 dias de idade, cujos resultados

obtidos foram, respectivamente, 38,0 MPa – 28,0 MPa – 20,0 MPa. Obter a equação de

Abrams desse concreto. log f c = − ( log K ). a + log K
Abrams desse concreto.
log f
c = −
(
log K
).
a
+
log K
2
c
1
Y
a
X
b

a/c

f c

log f c

(MPa)

0,41

38,0

1,5798

0,55

28,0

1,4472

0,70

20,0

1,3010

Ponto

   

X

Y

(X X )

 

(X X )

2

(Y Y)

 

(X X ).(Y Y)

 
 

1

 

0,41

1,5798

0,1433

  • - 0,0205

 

0,1371

 
  • - 0,0196

 
 

2

   

0,55

1,4472

0,0033

  • - 0,0000

 

0,0045

 
  • - 0,0000

 
 

3

   

0,70

1,3010

0,1467

 

0,0215

 

0,1417

 
  • - 0,0208

 
   

X

Y

 

S

xx = Σ

(X

X )

2

 

S

xy = Σ

(X

X ).(Y

Y)

Resultados

 

0,5533

1,4427

 

0,0420

   
  • - 0,0404

 

a =

S

xy

= −

0,04040

= − 0,9619

S

  • xx 0,0420

b = Y a.X = 1,4427 (0,9619.0,5533) = 1,9749

log f = (−0,9619). a +1,9619 c c - log K 2 log K 1 b
log
f
= (−0,9619).
a
+1,9619
c
c
- log K 2
log K 1
b
1,9749
K 1 =
10
=
10
=
94,38
1
1
K
=
= 9,16
2 =
a
0,9619
10
10
94,38
f =
c
a c
/
9,16

2.3 - LEI DE LYSE

Petrucci, baseado em Inge Lyse, estabeleceu afirma que

. . .

“para concretos plásticos de

mesma consistência, feitos com os mesmos materiais, a quantidade total de água por

unidade de volume é constante, independente do traço”.

2.3 - LEI DE LYSE Petrucci, baseado em Inge Lyse, estabeleceu afirma que . . .

Figura 3 – Teor de água em relação à quantidade de materiais secos é independente do

traço segundo a Lei de Lyse

Abatimento constante

aumenta f c argamassa pasta 1 : 3 Brita H 2 O Cimento Areia : 4
aumenta f c
argamassa
pasta
1
: 3
Brita
H 2 O
Cimento
Areia
: 4
H 2 O
Cimento
Areia
Brita
1
diminui a/c
Brita
( + ) coeso
( + ) plástico
( + ) pasta
( - ) atrito
H 2 O
1
aumenta a/c
diminui f c
( - ) coeso
( - ) plástico
( - ) pasta
( + ) atrito
Areia
: 5
Cimento

Figura 4 – Esquema de variação das propriedades reológicas do concreto de mesmo valor

de abatimento em função da variação do traço 1:m

De acordo com a Lei de Lyse, para um determinado abatimento do concreto, o teor de água

a ser utilizado para sua elaboração depende das características particulares do cimento e

agregados utilizados. Essa regra também vale para concretos com aditivos plastificantes

desde que o teor de aditivo em relação ao teor de cimento seja mantido constante.

Denomina-se Teor de Água do Concreto, representado pela letra “H”, o valor da relação

“massa de água / massa de materiais secos” presentes na mistura. Assim sendo:

M água H = ( M + M + M ) c a b Como: M
M
água
H =
(
M
+
M
+
M
)
c
a
b
Como:
M
água
a
=
,
a =
c
M
c
Logo:
(
a
). M
c
c
H =
(
M
+
a M
.
+
b M
.
)
c
c
c
M
.(
a
)
c
c
H =
M
.(1
+ +
a
b
)
c
ou seja:
m = a + b
Logo:
(
a
)
c
H =
(1
+ m
)
temos:
(
a
)
c
1+
m
=
H
(
a
)
c
m =
1
H
1
m
=
.(
a
)
1
c
H

obs.: Alguns autores preferem expressar o “H” em porcentagem da massa de materiais secos. Para isso esse valor é multiplicado por 100%. O “H” também é chamado por alguns autores de umidade da mistura.

M

a

M

c

,

b =

M

b

M

c

Como o traço “m” é a soma das proporções de areia “a” e brita “b” em relação ao cimento,

Considerando “H” constante como afirma a Lei de Lyse e fazendo “m” como função de “a/c”

Chamando:

K

4 =

  • 1 Fazendo:

e

H

1 = K

3

Obtemos a equação de uma reta:

= a 4 m Y K .( + K 3 b a X ) c
=
a
4
m
Y
K
.(
+
K
3
b
a
X
)
c

Assim, a partir de um conjunto de pontos de coordenadas (a/c,m) podemos, através do

método dos mínimos quadrados, obter a equação que representa a variação do traço em

função da relação “a/c”.

Importante entender que substituir o valor da constante -1 por k 3 significa aceitar a

possibilidade de se encontrar valores diferentes de -1 para essa constante da equação,

quando obtida através do método dos mínimos quadrados. Essa adaptação da Lei de Lyse

feita pelos autores melhora a capacidade da equação de prever o traço como função da

relação a/c.

2.4 - LEI DE MOLINARI

Molinari obteve uma equação que correlaciona o consumo de cimento por m 3 de concreto

“C” com o traço bruto “m”, desde que as várias misturas de traços distintos possuam mesmo

abatimento e tenham sido dosados com o mesmo cimento e agregados. A equação tem a

seguinte forma: 3 10 C = K + K m . 5 6
seguinte forma:
3
10
C =
K
+
K m
.
5
6

sendo: K 5 e K 6 coeficientes representativos de um conjunto particular de materiais (cimento e

agregados)

Essa equação é muito útil em estudos de dosagem pois permite obter o consumo de cimento

para qualquer traço desejado entre o intervalo de misturas do estudo. Para obtenção dos

valores numéricos K 5 e K 6 é necessário linearizar a equação para colocá-la na forma linear

(equação de uma reta), permitindo assim o uso do Método dos Mínimos Quadrados. Para

isso fazemos:

K

5

+

K m

6

.

10

3

=

C

Rearranjando, para o formato da equação da reta, temos:

3 10 = K m . + K 6 5 C Y a X b
3
10
=
K m
.
+
K
6
5
C
Y
a
X
b

3 - MÉTODO DE ESTUDO DE DOSAGEM DO IPT / EPUSP

  • 3.1 - Fundamentos básicos do método

I – LEI DE ABRAMS: Para um certo conjunto particular de materiais, a resistência do

concreto é função da relação a/c.

f =

cj

k

1

k

/

a c

2

II – LEI DE LYSE (adaptada => k 3 ≠ -1): Para um certo conjunto particular de materiais, a

consistência do concreto, medida pelo abatimento do tronco de cone, é função da relação

água/materiais secos “H” (em porcentagem) e é independe do traço seco (1:a:b).

  • m =

k

4

.(

a ) c
a
)
c

+

k

3

III – TEOR IDEAL DE ARGAMASSA SECA: Para um certo conjunto particular de materiais,

existe um teor ideal de argamassa seca “α” (em relação unitária) que é independente do

traço (ou da resistência requerida).

Por definição:

α =

(1

+ a

)

(1

+ m

)

Logo: a = α.(1+ m) 1

,

b = m a

IV – CÁLCULO DO CONSUMO DE CIMENTO: O consumo de cimento (em kg por metro

cúbico de concreto) pode ser determinado a partir do ensaio de massa específica do

concreto ( ρ ) e do traço (1:a:b:a/c) através da expressão:

cf

C

=

1000. ρ cf (1 + a + + b a ) c
1000.
ρ
cf
(1
+
a
+ +
b
a
)
c

e

Teor de ar

_

_

_(%)

=

100

0,1.

C

 1 a b  a .  + + +   c  ρ
1
a
b
a
. 
+
+
+
c
ρ
ρ
ρ
c
a
b

V – LEI DE MOLINARI: O consumo de cimento de um concreto correlaciona-se com o valor

do traço seco “m” através de uma curva do tipo:

C

=

1000

k

5

+

k m

6

.

3.2- Principais Requisitos do Projeto Estrutural

  • - Resistência característica à compressão do concreto;

  • - Relação a/c máxima em função da agressividade do meio;

  • - Abatimento pelo ensaio do tronco de cone;

  • - Dimensão máxima característica do agregado.

    • 3.3 - Dados Preliminares Necessários (para se fazer uma estimativa da relação água/materiais secos

“H” e do teor ideal de argamassa seca “α” antes da determinação experimental desses parâmetros)

  • - Conhecimento do tipo e classe do cimento a ser utilizado;

  • - Avaliação visual do tipo

característica.

de

agregado a

ser utilizado

e

de

sua dimensão máxima

3.4 - Etapas do Estudo de Dosagem

I - Ensaios preliminares => simples avaliação visual

II - Estimativa do “H” para um traço 1:5

III - Determinação experimental do teor de argamassa seca ideal

α

e

da

relação

água/materiais secos “H” de traço 1:5, acrescentando-se aos poucos cimento, areia e água

para o ajuste da trabalhabilidade. Fixa-se o “α” para todos os traços a serem dosados. O

valor de "H" encontrado serve como estimativa do valor real necessário para o abatimento.

IV – Mistura de 3 traços, sendo eles : 1:3,5 – 1: 5,0 – 1:6,5

Mede-se as massas específicas desses concretos e moldam-se corpos-de-prova para as

idades de 3, 7, 28 e 91 dias

V – Construção do diagrama de dosagem

3.4 - Etapas do Estudo de Dosagem I - Ensaios preliminares => simples avaliação visual II

3.5 - Recomendações quanto ao abatimento dos concretos

Elemento estrutural

Abatimento (mm)

Pouco armada

Muito armada

Laje

≤ 60 + 10

≤ 70 + 10

Viga e parede armada

≤ 60 + 10

≤ 80 + 10

Pilar do edifício

≤ 60 + 10

≤ 80 + 10

Paredes de fundação, sapatas, tubulões

≤ 60 + 10

≤ 70 + 10

observação.: Para aceitação do concreto na obra utiliza-se esses limites de + 10 mm. Entretanto, no Estudo de Dosagem feito em laboratório, é possível e recomendável utilizar-se de uma faixa menor de aceitação, de + 5 mm.

3.6

- Determinação da composição ideal entre agregados graúdos

- Considera como sendo a melhor composição aquela que produz o maior da massa unitária

no estado compactado seco

Tabela exemplo da determinação da composição “ideal” entre brita 1 e brita 2 através da massa unitária no estado compactado seco

       

Massa da

Massa

 

brita

2

brita 2

brita 1

acréscimo

de brita 1

mistura no

unitária no

 

*

estado

 

brita

1

+

brita

2

(kg)

(kg)

(kg)

recipiente

compactado

 

(kg)

(kg/dm 3 )

 

1,0

 

30

   
 

0,9

 

30

3,33

+ 3,33

24,50

1,63

 

0,8

 

30

7,50

+ 4,17

24,80

1,65

 

0,7

 

30

12,86

+ 5,36

25,40

1,69 (escolhido)

 

0,6

 

30

20,00

+ 7,14

25,50

1,69

 

0,5

 

30

30,00

+ 10,00

   
 

0,4

 

30

45,00

+ 15,00

   
 

0,3

 

30

70,00

+ 25,00

   

* Recipiente com volume de 15 dm 3

  • 3.7 - Determinação experimental do teor ideal de argamassa seca de uma mistura com

30 kg de agregado graúdo

Tabela dos acréscimos de cimento e areia

   

Quantidade de areia

Quantidade de cimento

Quantidade de água

Relação

Teor de

Traço

(kg)

(kg)

(kg)

a/c

argamassa

             

(%)

(1 : a : b)

acréscimo

Massa

acréscimo

Massa

acréscimo

Massa

na mistura

total

na mistura

total

na mistura

total

 
  • 35 8,46

1: 1,10 : 3,90

 

7,69

     
 
  • 37 1,22

1

: 1,22 : 3,78

 

9,68

0,25

7,94

     
 
  • 39 1,31

1

: 1,34 : 3,66

 

10,99

0,25

8,20

     
 
  • 41 1,37

1

: 1,46 : 3,54

 

12,36

0,27

8,47

     
 
  • 43 1,50

1

: 1,58 : 3,42

 

13,86

0,30

8,77

     
 
  • 45 1,59

1

: 1,70 : 3,30

 

15,45

0,32

9,09

     
 
  • 47 1,72

1

: 1,82 : 3,18

 

17,17

0,34

9,43

     
 
  • 49 1,85

1

: 1,94 : 3,06

 

19,02

0,37

9,80

     
 
  • 51 2,00

1

: 2,06 : 2,94

 

21,02

0,40

10,20

     
 
  • 53 2,17

1

: 2,18 : 2,82

 

23,19

0,44

10,64

     
 
  • 55 2,36

1

: 2,30 : 2,70

 

25,55

0,47

11,11

     
 
  • 57 2,59

1

: 2,42 : 2,58

 

28,14

0,52

11,63

     
 
  • 59 2,84

1

: 2,54 : 2,46

 

30,98

0,57

12,20

     
 
  • 61 3,12

1

: 2,66 : 2,34

 

31,10

0,62

12,82

     
 
  • 63 3,47

1

: 2,78 : 2,22

 

37,57

0,69

13,51

     
 
  • 65 3,86

1

: 2,90 : 2,10

 

41,43

0,78

14,29

     

Tabela contendo os traços em função do teor ideal de argamassa encontrado

Teor de

Traços desdobrados a partir dos traços brutos 1:3,5 , 1:5,0 e 1:6,5

argamassa

1 : a : b

(%)

1:3,5

1:5,0

1:6,5

 
  • 35 : 0,58 : 2,92

1

  • 1 : 1,10 : 3,90

  • 1 : 1,63 : 4,87

 
  • 37 : 0,67 : 2,83

1

  • 1 : 1,22 : 3,78

  • 1 : 1,78 : 4,72

 
  • 39 : 0,76 : 2,74

1

  • 1 : 1,34 : 3,66

  • 1 : 1,93 : 4,57

 
  • 41 : 0,85 : 2,65

1

  • 1 : 1,46 : 3,54

  • 1 : 2,08 : 4,42

 
  • 43 : 0,94 : 2,56

1

  • 1 : 1,58 : 3,42

  • 1 : 2,23 : 4,27

  • 45 :

1

1,03 : 2,47

  • 1 : 1,70 : 3,30

  • 1 : 2,38 : 4,12

 
  • 47 : 1,12 : 2,38

1

  • 1 : 1,82 : 3,18

  • 1 : 2,53 : 3,97

 
  • 49 : 1,21 : 2,29

1

  • 1 : 1,94 : 3,06

  • 1 : 2,68 : 3,82

 
  • 51 : 1,30 : 2,20

1

  • 1 : 2,06 : 2,94

  • 1 : 2,83 : 3,67

 
  • 53 : 1,39 : 2,11

1

  • 1 : 2,18 : 2,82

  • 1 : 2,98 : 3,52

 
  • 55 : 1,48 : 2,02

1

  • 1 : 2,30 : 2,70

  • 1 : 3,13 : 3,37

 
  • 57 : 1,57 : 1,93

1

  • 1 : 2,42 : 2,58

  • 1 : 3,28 : 3,22

 
  • 59 : 1,66 : 1,84

1

  • 1 : 2,54 : 2,46

  • 1 : 3,43 : 3,07

 
  • 61 : 1,75 : 1,75

1

  • 1 : 2,66 : 2,34

  • 1 : 3,58 : 2,92

 
  • 63 : 1,84 : 1,66

1

  • 1 : 2,78 : 2,22

  • 1 : 3,73 : 2,77

 
  • 65 : 1,93 : 1,57

1

  • 1 : 2,90 : 2,10

  • 1 : 3,88 : 2,62

  • 3.8 - Lubrificação da betoneira (caso o estudo se destine a concretos produzidos na obra)

O abatimento do concreto é muito sensível ao teor de pasta da mistura. Como a pasta

do concreto tende a aderir às paredes da betoneira, no caso de misturas de pequeno

volume, é recomendável fazer uma lubrificação prévia da mesma com um concreto traço

1:2:3, com 1 kg de cimento. Para isso, molha-se previamente a betoneira, acrescenta-se a

brita, um pouco de água e a areia. Acrescenta-se mais água até que se forme um concreto

que tenha aparência de um concreto com a trabalhabilidade que se pretende produzir.

Retira-se esse concreto com a betoneira em movimento, pára-se a betoneira e retira-se o

restante de concreto com uma colher de pedreiro, deixando-se uma camada de pasta

aderida por toda a cuba.

  • 3.9 - Seqüência de mistura

No preparo dos concretos, após a lubrificação da betoneira, coloca-se primeiramente a brita,

um pouco de água, o cimento, mais água, a areia, mais água aos poucos até alcançar o

abatimento desejado. O ensaio de abatimento é feito quantas vezes for necessário.

4 – A CURVA DE GAUSS

Fenômenos naturais representados por variáveis aleatórias de tendência central possuem

boa aderência à Curva de Gauss. A resistência à compressão do concreto é um fenômeno

aleatório natural de tendência central, portanto, a Curva de Gauss é uma boa ferramenta

matemática para avaliação de riscos. Mas, primeiramente, é importante definir alguns

conceitos. Então vamos lá:

  • - Fenômeno natural: todo fenômeno governado por leis da natureza, ou seja, leis da física e

da química. Por exemplo: velocidade das moléculas de água dentro de um copo, altura das

pessoas, peso das pessoas, resistência do concreto, etc. Fenômeno não natural (ou social)

é todo aquele governado por decisões humanas. Por exemplo: Salário de presidentes de

empresas privadas, riqueza pessoal, taxa de suicídios entre adolescentes, etc.

  • - Variável aleatória: toda variável cujas alterações são resultantes da influência de vários

fenômenos agindo de modo independente ao mesmo tempo.

  • - Variável de tendência central: toda variável cujos valores tendem para um valor médio

sendo os desvios, em relação à média, na maioria das vezes relativamente pequenos.

  • - Avaliação de riscos: cálculo da probabilidade de ocorrência de um evento indesejável.

Por exemplo: Probabilidade de ser atingido por um raio, probabilidade de um jovem de 18

anos do sexo masculino estudante de engenharia civil bater o carro a cada ano,

probabilidade de uma betonada de concreto resultar numa resistência inferior à metade da

esperada, etc.

Um modo de descrever o comportamento probabilístico de eventos aleatórios é fazendo a

distribuição gráfica da ocorrência dos eventos na forma de um gráfico de barras verticais

conforme mostra a figura 1. Neste exemplo a categoria altura foi dividida entre 7 intervalos e

os todos os alunos foram classificados conforme suas alturas em um desses intervalos.

Essa classificação, ou seja, a computação do número de eventos (eixo y) ocorridos em

cada categoria (eixo x) é denominada de distribuição, pois é uma forma de distribuir, neste

caso, distribuir os resultados conforme a regra criada para classificá-los. Este tipo de

distribuição chama-se distribuição descontínua, porque qualquer dado “cabe” dentro de

um intervalo relativamente grande (não infinitesimal). Esses intervalos são como gavetas de

um armário onde as coisas são organizadas conforme seu tamanho. Se distribuirmos os

dados em intervalos infinitesimais, então a distribuição será denominada contínua.

44

22 18 8 5 2 1 131-140 141-150 151-160 161-170 171-180 181-190 191-200
22
18
8
5
2
1
131-140
141-150
151-160
161-170
171-180
181-190
191-200

Altura (cm)

Figura 1 – Distribuição do número de alunos de uma classe com 100 exemplares conforme a altura

Veja que, sendo a altura uma variável aleatória natural de tendência central, a maioria dos

alunos (44 %) possui altura entre 161 e 170 cm, intervalo que também deve conter o valor

médio da altura dos alunos. Observe também, pelo mesmo motivo, que não há nenhum

aluno com altura de na faixa de 1 milímetro ou com 10 km de altura. Em fenômenos não

naturais (sociais), como por exemplo, fenômenos econômicos, distribuições alargadas são

muito comuns.

O mesmo conjunto de dados do exemplo anterior pode ser distribuído em intervalos um

pouco menores, como mostra a figura 2. Observe como o desenho formado pela união das

colunas lembra a forma de um sino (ou chapéu). Podemos ir construindo outros gráficos com

intervalos cada vez menores se tivermos número suficiente de eventos para distribuir nos

intervalos. Imagine que ao invés da amostra do exemplo anterior estivéssemos trabalhando

com uma amostra de 100.000 estudantes brasileiros matriculados em um curso superior e

os intervalos de altura fossem de 1 mm. Então, um determinado exemplar, por exemplo um

certo aluno chamado João da Silva, se tivesse 1765 mm de altura, seria esse dado colocado

no intervalo que coubesse esse valor.

Veja que, sendo a altura uma variável aleatória natural de tendência central, a maioria dos alunos

Figura 2 – Mesmos dados distribuídos em intervalos menores

Note que, quanto menor o intervalo, menor a porcentagem relativa do mesmo. Numa

distribuição com intervalos infinitesimais (contínua), a porcentagem de cada intervalo é

também infinitesimal e, desse modo, perde o sentido físico. No entanto, numa distribuição

com intervalos infinitesimais podemos, ao invés de perguntar o número de eventos dentro

daquele intervalo infinitesimal (que é aproximadamente zero), podemos perguntar qual o

número de eventos que está compreendido entre um conjunto de intervalos infinitesimais.

Por exemplo, qual o número de alunos com altura de no máximo 150 cm? Repare que na

figura 2 cada quadrado representa um exemplar, ou seja, um aluno. Logo a soma das

alturas das colunas dos intervalos que contêm os exemplares que satisfazem os quesitos da

pergunta corresponde ao número de alunos, e a resposta é 6, ou seja, como a amostra

possui 100 alunos, 6 % do número total de alunos possuem altura de no máximo 150 cm.

O exemplo da figura 2 foi proposto com uma amostra de 100 exemplares para facilitar a

compreensão. Entretanto, se a amostra tivesse, por exemplo, 200 exemplares, a curva teria

a mesma forma, a diferença é que seriam 200 quadrados, cada um deles representando um

exemplar. Do mesmo modo a amostra poderia ser formada por 758 exemplares e abaixo da

curva seriam então 758 quadrados, cada um representando um exemplar, ou qualquer outro

número. O que se pode perceber é que a área total abaixo da curva é formada pela soma de

todos os quadrados (toda a amostra), cada quadrado representando um exemplar. A

contagem do número de quadrados em um certo intervalo, dividido pelo total de exemplares,

vezes 100, dá a freqüência de valores nesse intervalo.

Em função dessa interpretação, ao invés de plotarmos a altura das colunas como número de

exemplares, podemos plotá-las em termos de porcentagem da amostra (freqüência), ou

como relação unitária, o que é mais comum. Desse modo, se a freqüência em um certo

intervalo (coluna ou soma de colunas) for, por exemplo, 0,23, isso significa que 23 % dos

eventos se dão com valores dentro de tal intervalo. A soma das freqüências de todas as

colunas de um mesmo gráfico dará sempre 1, ou seja, 100 %. Observe que até agora

estamos falando somente de gráficos de colunas.

Se os intervalos forem infinitesimais ainda assim

o conjunto

de colunas

de largura

infinitesimal definirá um desenho na forma de sino. Essa forma pode ser descrita

matematicamente de vários modos. A equação preferida é da Curva de Gauss, porque é

relativamente simples, e também porque utiliza como coeficientes para particularização de

uma determinada amostra somente dois números. Esses números são a média de valores

da amostra e um índice de desvio, um número que representa a tendência apresentada pelo

fenômeno em desviar-se de sua média. Esse índice é denominado de desvio-padrão e tem

como origem histórica a Curva de Gauss. A função matemática que descreve a Curva de

Gauss, chamada de função densidade de probabilidade, possui a seguinte configuração:

onde:

2 ( x − µ ) 1 − 2 f x ( ) = e 2
2
(
x −
µ
)
1
2
f x
(
) =
e
2
σ
σ
2
π

f(x) = densidade de probabilidade (1) de eventos de valor x

µ = média da população;

σ = desvio-padrão da população.

(1) Observação: Densidade de probabilidade não é o mesmo que

probabilidade (freqüência). Não há um sentido intuitivo para essa variável. A

probabilidade (freqüência) de ocorrência de eventos de valores dentro do

intervalo entre x e x + x é de aproximadamente f(x).(x + x), ou seja, a área

abaixo da curva entre x e x + x.

Veja como é simples. Basta conhecer a média de uma população e sua tendência de desvio

em relação à média para podermos construir uma equação matemática que descreve a

ocorrência de eventos em qualquer intervalo não muito distante da média. Ou seja, basta o

valor da média e do desvio-padrão para podermos calcular probabilidades, calcular os riscos

de ocorrência de eventos indesejáveis. E melhor, não é preciso um número elevado de

dados para construir a equação. Com uns poucos resultados tem-se uma boa aproximação.

Quanto maior o número de dados melhor será a equação que descreve um fenômeno

particular. Com 30 resultados (tamanho de uma amostra) a precisão se torna praticamente

igual àquela conseguida com todo o universo (todos os eventos de um fenômeno analisado).

A Curva de Gauss não surgiu por acaso. Os matemáticos (não foi somente Gauss)

procuravam por uma equação que tivesse a forma de sino e que pudesse descrever a

distribuição estatística dos valores de um fenômeno aleatório a partir de sua média e de sua

tendência de desvio em relação à média. Conseguiu-se encontrar uma equação

relativamente simples, particularizada através da média “µ” e do índice “σ” que é função da

dispersão dos valores. Verificou-se que o índice “σ” poderia ser obtido a partir de uma

amostra que tivesse pelo menos de 30 resultados usando a seguinte equação:

σ

=

(

x

  • 1 )

x

2

+ (

x

2

x

)

  • 2 + (

x

3

x

)

  • 2 +

    • L + (

x

n

x

)

2

particular. Com 30 resultados (tamanho de uma amostra) a precisão se torna praticamente igual àquela conseguida

n

onde:

  • x 1

, x

2

, x ,

3

  • L , x

n

= valores de cada exemplar;

  • x = valor médio;

n = número de exemplares.

Esse valor “σ” é denominado de desvio-padrão da população. Se a amostra contiver

menos que 30 exemplares, então o desvio-padrão será chamado de desvio-padrão da

amostra, representado pela letra “S”, sendo seu valor obtido através da seguinte equação:

S

=

 

(

x

1

x

)

2

+

(

x

2

x

)

  • 2 )

+

(

x

3

x

  • 2 +

  • L +

(

x

n

x

)

2

n − 1

n

1

 

A figura 3 mostra como o gráfico da função densidade de probabilidade pode ser utilizado

para cálculo de probabilidades. Note que para um certo fenômeno de média “µ” a

probabilidade de ocorrência de eventos com valores entre µ-2σ e µ+2σ é de 95,4%, pois a

área abaixo da curva entre esses valores de x é de 95,4 % da área total abaixo da curva que

representa a totalidade de eventos. Por exemplo, imagine que a média de altura de alunos

seja 170 cm e o desvio-padrão das alturas seja de 10 cm. Então, podemos afirmar que 95,4

% dos alunos possuirão alturas entre 150 e 190 cm. Ou podemos afirmar que somente 4,6

% dos alunos (100 % - 95,4 %) possuem alturas menores que 150 cm (µ-2σ) e maiores que

190 cm (µ+2σ). Ainda que somente 2,3 % dos alunos (4,6 % ÷÷÷÷ 2) possuem alturas menores

que 150 cm ou que somente 2,3 % dos alunos possuem alturas maiores que 190 cm. Do

mesmo modo podemos dizer que 68,3 % dos alunos possuirão alturas entre 160 cm (µ-1σ) e

180 cm (µ+1σ). Essa é uma propriedade da Curva de Gauss, não importa se a tendência de

desvio do fenômeno, em relação à média, é pequeno ou grande.

particular. Com 30 resultados (tamanho de uma amostra) a precisão se torna praticamente igual àquela conseguida

Figura 3 – Porcentagens das áreas abaixo da curva para intervalos entre + 1 σ e + 2 σ.

A figura 4 (a) mostra duas distribuições com médias diferentes, mas de mesmo desvio-

padrão. Poderia ser, por exemplo, a distribuição dos alunos do sexo feminino cuja média

seria µ 1 e dos alunos do sexo masculino cuja média seria µ 2 . Em média os dois grupos,

separados por sexo, possuem alturas médias diferentes, mas ambos possuem desvios em

relação à média semelhantes. Esse é um exemplo bem próximo da realidade. A figura 4 (b)

mostra a distribuição de valores de três grupos de mesma média, mas com tendências de

desvios em relação à média diferentes. Um exemplo poderia ser a distribuição da variável

tamanho de pães produzidos por 3 diferentes fábricas de pães de fôrma. A fábrica com

melhor controle sobre a produção (melhor qualidade) possui um σ pequeno, enquanto a

fábrica com controle de qualidade ruim irá apresentar um σ grande.

a) Médias diferentes e desvios-padrão iguais. b) Médias iguais e desvios-padrão diferentes.
a) Médias diferentes e desvios-padrão iguais.
b) Médias iguais e desvios-padrão diferentes.

Figura 4 – Curvas de Gauss de diferentes amostras caracterizadas por suas médias e desvios- padrão.

Percebe-se então que, para calcular probabilidades relacionadas a um fenômeno aleatório

que segue a distribuição de Gauss, basta calcular a área abaixo da curva de Gauss do

fenômeno, no intervalo de interesse. Seria fácil se a função de Gauss fosse integrável, mas

não é, pelo menos não por métodos matemáticos convencionais. Uma boa solução é utilizar

a capacidade dos computadores em realizar cálculos simples com grande rapidez. Para

calcular a área abaixo em um certo intervalo de interesse é só dividir essa área em vários

trapézios de altura de altura diminuta x e fazer a soma. Quanto menor o x maior precisão

se obtêm para o cálculo da área. Mas em tratando-se de cálculos probabilísticos precisão é

algo que não faz muito sentido. O que importa é que atualmente podemos fazer uma rotina

simples com uma planilha eletrônica para efetuar esses cálculos. Mas antigamente isso não

era possível. Para resolver o problema os matemáticos criaram um artifício. Inventaram a

Curva de Gauss Padronizada, ou Curva Normal de Probabilidade, ou simplesmente

Curva Normal.

A Curva Normal é uma curva de distribuição de um fenômeno abstrato qualquer cuja média

de valores é igual a zero e o desvio-padrão é igual a 1. Desse modo, o cálculo da área

abaixo da curva pode ser calculado em termos de quantidades de quadrados de lado σ, ou

seja, um quadrado desses mede 1 σ 2 . Unidades de medida podem ser polegadas, pés,

centímetros, km, etc., ou simplesmente sigma. Imagine um ladrilho cerâmico cujo lado mede

1 sigma. Imagine que você viva num país imaginário e a unidade de medida é o sigma (é

como o metro). Então o ladrilho cerâmico possui área de 1 sigma quadrado, ou 1 σ 2 .

O desvio-padrão ao quadrado, ou σ 2 , é chamado de variância. A área abaixo da curva de -

a +em uma curva normal possui área de 1 σ 2 . Logo, se você souber a área abaixo da

curva normal em termos de frações de 1 σ 2 , em qualquer intervalo de interesse em termos

de número de sigmas, você saberá automaticamente a freqüência de ocorrência de eventos

com valores nesse intervalo. A figura 5 mostra as Curvas de Gauss de quatro diferentes

amostras onde há diferenças em termos de médias e variâncias. Note que uma das

distribuições é a distribuição normal, pois possui a média igual a zero e o desvio-padrão

igual a 1. Na figura 6 vê-se a Curva Normal plotada de tal forma que o eixo da densidade de

probabilidade possui a dimensão igual a 1, ou 1 sigma. A escala dos dois eixos é de 0,1, ou

seja, cada quadrado possui lado de tamanho 0,1. Logo, a área abaixo da curva de - a +

possui 100 quadrados.

igual a 1. Na figura 6 vê-se a Curva Normal plotada de tal forma que o

Figura 5 – Curvas de Gauss de diferentes médias e variâncias.

1,0 0,9 0,8 0,7 0,6 0,5 0,4 0,3 0,2 0,1 0,0 -3 -2 -1 3 2
1,0
0,9
0,8
0,7
0,6
0,5
0,4
0,3
0,2
0,1
0,0
-3
-2
-1
3
2
0
1

Figura 6 – Curva normal com eixo das ordenadas de dimensão igual a 1 desvio-padrão.

Se podemos saber a freqüência de ocorrência de eventos de um fenômeno abstrato de

média µ = 0 e σ = 1 simplesmente contando os quadrados abaixo da curva dentro do

intervalo de interesse, podemos utilizar essa mesma curva para calcular a freqüência

provável de qualquer outra amostra com µ 0 e σ 1, desde que a amostra possua

distribuição na forma de sino, fazendo a padronização da variável x. Ou seja, passamos a

expressar a variável x em termos de desvio em relação à média, na forma de número de

desvios-padrão da própria amostra. Essa padronização é feita do seguinte modo:

Troca-se os valores de x pelo valor padronizado z fazendo:

z

i

=

x

i

µ

σ

Por exemplo, caso se queira saber a freqüência provável de ocorrência de um evento de

valor entre x 1 = 1,8 e x 2 = 2,5 se a média da amostra é 2 e seu desvio-padrão é 0,71. Para

isso calcula-se as variáveis padronizadas z 1 e z 2 fazendo:

z =

1

1,8

2

0,71

= − 0,28

e

z =

2

2,5

2

0,71

= + 0,70

A freqüência provável de ocorrência de um evento de valor entre x 1 = 1,8 e x 2 = 2,5 será a

mesma freqüência provável de ocorrência de um evento de valor entre z 1 =-0,28 e z 2 =+0,70

, que é facilmente obtido da curva normal. Mas não é preciso ter uma curva normal plotada

em um grande papel milimetrado e contar quadradinhos toda vez que precisar calcular uma

freqüência provável. Desde o começo, quando ainda não haviam computadores, os

matemáticos construíram as tabelas mostradas nas figuras 1 e 2 que contêm as freqüências

acumuladas entre -e z i . Na tabela 1 estão as freqüências acumuladas para os casos em

que z i for negativo e na tabela 2 quando for positivo. Resultado do exemplo será 36,83 %.

Tabela 1 – Valores tabelados da freqüência acumulada da curva normal para valores de z i < 0.

 

P(z < z i ) quando z i < 0

 
P(z < z ) quando z < 0
 
 

x

i

µ

 

z

i

=

 

σ

Z i

- 0

- 0,01

   

- 0,02

- 0,03

- 0,04

- 0,05

- 0,06

- 0,07

- 0,08

- 0,09

  • - 0,0

0,5

0,4960

 

0,4920

0,4880

0,4840

0,4801

0,4761

0,4721

0,4681

0,4641

  • - 0,1

0,4602

0,4562

 

0,4522

0,4483

0,4443

0,4404

0,4364

0,4325

0,4286

0,4247

  • - 0,2

0,4207

0,4168

   

0,4129

0,4090

0,4052

0,4013

0,3974

0,3936

0,3897

0,3859

  • - 0,3

0,3821

0,3783

   

0,3745

0,3707

0,3669

0,3632

0,3594

0,3557

0,3520

0,3483

  • - 0,4

0,3446

0,3409

 

0,3373

0,3336

0,3300

0,3264

0,3228

0,3192

0,3156

0,3121

  • - 0,5

0,3086

0,3050

 

0,3015

0,2981

0,2946

0,2912

0,2878

0,2844

0,2810

0,2776

  • - 0,6

0,2743

0,2709

 

0,2676

0,2644

0,2611

0,2579

0,2546

0,2514

0,2483

0,2451

  • - 0,7

0,2420

0,2389

 

0,2358

0,2327

0,2297

0,2267

0,2237

0,2207

0,2177

0,2148

  • - 0,8

0,2119

0,2090

 

0,2061

0,2033

0,2005

0,1977

0,1949

0,1922

0,1895

0,1868

  • - 0,9

0,1841

0,1814

 

0,1788

0,1762

0,1736

0,1711

0,1686

0,1661

0,1636

0,1611

  • - 1,0

0,1587

0,1563

   

0,1539

0,1515

0,1492

0,1469

0,1446

0,1424

0,1401

0,1379

  • - 1,1

0,1357

0,1335

   

0,1314

0,1293

0,1272

0,1251

0,1231

0,1210

0,1190

0,1171

  • - 1,2

0,1151

0,1132

 

0,1113

0,1094

0,1075

0,1057

0,1039

0,1021

0,1003

0,0986

  • - 1,3

0,0969

0,0952

 

0,0935

0,0918

0,0902

0,0886

0,0870

0,0854

0,0839

0,0823

  • - 1,4<