Alcance

DAS EMOÇÕES NO

Correspondência para/ C Correspondencia para/ o Correspondence to r Hilka Vier Machado r Universidade Estadual de e Maringá - Depto de s Administração p Av. Colombo, 5790 - Cep: o 87.020-900 Maringá/PR n Tel. (44) 263-5476 d e-mail: hilkavier@yahoo.com ê n Artigo recebido em: 02/03/03 c Aprovado em: 16/04/03 i a

A ABORDAGEM

ÂMBITO DAS ORGANIZAÇÕES

LA PERSPECTIVA DE LAS EMOCIONES EN EL ÁMBITO DE
LAS ORGANIZACIONES

ADDRESSING EMOTIONS WITHIN
ORGANIZATIONS
Hilka Vier Machado Professora do Mestrado em Administração UEM/UEL

Palavras-chave: emoções, comportamento organizacional, identidade social.

RESUMO: Apesar da racionalidade que predomina nas organizações, a influência das emoções vem sendo enfatizada em diversos estudos, que indicam diferentes possibilidades de análise desse fenômeno. Considerando que as emoções integram a vida social organizacional, o seu impacto pode ser observado nos indivíduos e nas organizações. O objetivo deste artigo é o de abordar as emoções nas organizações, a partir de outros estudos realizados, verificando o enfoque que vem sendo dado, bem como um provável direcionamento dos estudos nessa área. Trata-se, portanto, de um estudo teórico, exploratório, cuja contribuição consiste na sistematização de estudos, que foram compilados em cinco grupos de temas sugeridos: a) emoções, cultura e identidade organizacional; b) hierarquia, gênero e etnia; c) emoções e mudança organizacional; d) conseqüências do trabalho emocional; e) identidade social, emoções e grupos nas organizações. RESUMEN: A pesar de la racionalidad que predomina en las organizaciones, la influencia de las emociones viene siendo enfatizada en diversos estudios que indican diferentes posibilidades de análisis de ese fenómeno. Considerando que las emociones integran la vida social organizacional, su impacto puede ser observado en los individuos y en las organizaciones. El objetivo de este artículo es el de tratar las emociones en las organizaciones a partir de otros estudios realizados, verificando el enfoque que viene siendo dado así como un probable direccionamiento de los estudios en esa área. Se trata por lo tanto de un estudio teórico exploratorio cuya contribución consiste en la sistematización de estudios que fueron compilados en cinco grupos de temas sugeridos: a) emociones, cultura e identidad organizacional; b) jerarquía, género y etnia; c) emociones y cambio organizacional; d) consecuencias del trabajo emocional; e) identidad social, emociones y grupos en las organizaciones. ABSTRACT: In spite of the rationality that is predominant in organizations, the influence of the emotions has been emphasized in various studies, which indicate different possibilities for the analysis of this phenomenon. Considering that emotions form part of the social life of the organization, their influence can be seen on individuals and organizations. The aim of this article is to address emotions in organizations, based on other studies carried out, observing the focus that has been given, as well as a probable direction of studies in this area. It is, therefore, a theoretical, exploratory study, whose contribution consists of the systematization of studies, which were compiled in five groups of suggested themes: a) emotions, organizational identity and culture; b) hierarchy, genre and ethnicity; c) emotions and organizational change; d) consequences of emotional work; e) social identity, emotions and groups in organizations.

Palabras clave: emociones, comportamiento organizacional, identidad social.

Key words: emotions, organizational behavior, social identity.

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Alcance - UNIVALI - Vol. 9 - n.1 p. 11 - 35 - Jan./Abr. 2003

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1.INTRODUÇÃO
As organizações são sistemas sociais estruturados em torno de uma lógica própria. Existe nessas instituições uma racionalidade apenas aparente, pois as decisões, mesmo as mais "frias", mobilizam a afetividade (LE BRETON, 1998). Assim, convencidos da ilusão da racionalidade, os indivíduos engajados nesses sistemas enquadram-se em um pensamento cartesiano de causa e efeito, perdendo, ao longo do tempo, a noção de sua subjetividade. Na tentativa de sobreviver a essa anulação, as emoções e sentimentos são negociados no contexto organizacional, porque, na realidade, as organizações são um caldeirão de fantasias e desejos reprimidos (FINEMAN, 2000) e quanto mais se procura legitimar a soberania da racionalidade, maior será a pressão para expressar as emoções nesse espaço social. Essas reações correspondem a mecanismos de defesa dos indivíduos, pois o homem sem suas emoções é "um arquivo" (LENZONI in MAURER e ARAÚJO, 2000). Essa defesa se manifesta também porque as emoções têm um papel determinante na construção da identidade, porque é através delas que a memória registra os fatos e atribui significados para cada indivíduo, constituindo a história de cada um. Nesse contexto, uma das dificuldades na manifestação de emoções nas organizações tem origem na separação entre o ambiente público e o privado. Como dois mundos distintos, exige-se dos indivíduos que eles manifestem comportamentos diferentes. Assim, no ambiente público, o homem transparece desprovido de emoções, a serviço de uma determinada lógica. Em contraposição, o universo privado é o palco da manifestação de emoções. Apesar disso, não é possível separar totalmente o homem, suas emoções e o momento de senti-las, pois esse processo é, na maioria das vezes, involuntário. Deste modo, no contexto da organização, é necessário um esforço para reconhecer a emocionalidade como um aspecto inerente à sua dinâmica, pois no âmbito dessas instituições há uma representação simbólica da razão como ordem e da emoção como desordem. Nesse sentido, estudos sobre emoções têm ampliado sua influência no terreno organizacional (FINEMAN, 2000; HOCHSCHILD, 1983; ASHKANASY, 2000). Esses trabalhos foram desenvolvidos a partir de concepções sociológicas e psicológicas, demonstrando muitas vezes que as emoções, longe de serem desconsideradas no âmbito das organizações, são de fato negociadas e exploradas, embora de maneira implícita. O objetivo deste artigo é o de abordar as emoções nas organizações, a partir de estudos desenvolvidos sobre o tema, verificando o enfoque que vem sendo dado a este fenômeno social no contexto organizacional, bem como o possível direcionamento a partir de sugestões de estudos. Para atingir o objetivo proposto, inicialmente serão apresentadas
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11 . assustar-se. implicando na aceitação ou não por parte do indivíduo nessa determinada situação (FRIJDA. zangar-se etc. 2000)./Abr. Posteriormente. uma emoção expressa um julgamento valorativo e avaliativo sobre uma situação na qual um indivíduo se encontra. adota uma perspectiva. Elas têm sido objeto de análise por parte de diferentes áreas do conhecimento. são mencionados estudos sobre emoções nas organizações e. as relações sociais produzem emoções (KEMPER. tais como a linguagem dos corpos e dos gestos (LE BRETON. porque o humor afeta a auto confiança e a auto percepção (EICH et al. Essa forma individual de interpretar os eventos. a reação emocional será sorrir. portanto. o enfoque psicológico do fenômeno procura explicar as emoções em termos de cognição.Alcance considerações sobre a natureza das emoções. contribuindo para a formação de um ciclo vicioso.1 p. chorar. Diferentes reações emocionais podem ser atribuídas ao mesmo evento por diferentes pessoas. de acordo com a visão de cada um sobre os fatos vividos. conforme as diversas culturas. qualquer resposta emocional depende da percepção ou avaliação da situação pelo indivíduo e.p65 13 31/03/2006. 1999). está de acordo com o estado emocional do indivíduo.. 2. 03:42 pm . 2000). a teoria da construção social das emoções considera que elas recortam o mundo de maneiras diferentes. fatores contingenciais que resultam em situações que agradam ou não o indivíduo e dos processos cognitivos dos indivíduos. caracterizando uma relatividade cultural. finalmente.UNIVALI . 2000). Deste modo. Em seguida. a medida que os indivíduos tendem a formular julgamentos das situações em consonância com o estado emocional em que se encontram. Além disso. 9 . p. que determinam a associação ou Alcance . para as teorias de percepção emocional.n.Jan. por sua vez. De acordo com o significado selecionado. do ponto de vista sociológico. Destarte. Para essa corrente. 67) os processos emocionais não são provavelmente "linearmente organizados" e as emoções podem ser deflagradas a partir de três possibilidades: estímulos sobre o indivíduo. Por outro lado. abordam-se a classificação e intensidade de emoções. de processos ligados aos indivíduos e de interações do sujeito com o ambiente. as emoções são vistas como processos que envolvem uma avaliação do indivíduo em torno de uma situação vivida. Por isso. tem seus próprios pressupostos e uma forma diferente de pensar sobre o assunto. pessoas felizes tendem a ignorar negativas avaliações feitas a seu respeito.35 .Vol. são discutidas sugestões de estudos. NATUREZA DAS EMOÇÕES As emoções constituem um fenômeno de elevada complexidade. assim como ela pode também ser percebida por intermédio de outros sinais. 2003 Revista 13 1-Alcance 11-35-HILKA. enquanto que os tristes tendem a alterar seu modo de agir para se adaptar ao conteúdo das críticas. Para Frijda (2000. Cada área.

b) ter algum trabalho para fazer. Russel & Lemay (2000) apontam uma outra possibilidade. dificilmente conservam o seu sentido original.A ABORDAGEM DAS EMOÇÕES NO ÂMBITO DAS ORGANIZAÇÕES 1-Alcance 11-35-HILKA.Alcance não entre a situação vivida e os acontecimentos do passado. utilizam-se os termos como amor. muitas vezes. audição e gustação) codificam as emoções. na medida que é o agente responsável. Portanto.p65 14 Revista 31/03/2006. Essa variação é também acentuada de uma cultura para outra. existem termos que expressam emoções em determinados idiomas. Outro aspecto importante para compreensão das emoções. estes nem sempre indicam com precisão o que é emoção. do ponto de vista cognitivo. 03:42 pm . 308). que vão desde simples sensações de prazer e dor até o stress extremo. baseada nas percepções do indivíduo sobre a situação (SEYMOUR. "a felicidade consiste em estar satisfeito com o que temos e o que não temos" (KETS de VRIES. A palavra emoção tem origem no latim (movere). Para o autor. porque algumas taxonomias incluem conceitos que não transmitem claramente a idéia de emoções. que são as estruturas neurotransmissoras. e é através deles que o ser humano entra em contato com seu mundo interno e externo. c) ter sonhos. mas não tem o poder de determiná-las. de ameaças ou situações de prazer e segurança são decodificadas (LENZONI in MAURER e ARAÚJO. A emoção pode ser considerada uma síndrome socialmente construída. descreve-o como sendo o resultado de: a) ter sempre alguém para compartilhar a vida. o termo emoção é freqüentemente usado para cobrir uma larga variedade de experiências. 1980). é que. Entretanto. tais como as palavras "saudades". Ou seja. poucos estudos têm seu foco direto sobre o significado de alguma emoção específica. 2000). Se. É por meio desses radares que situações de perigo. tal como o amor. pois. constitui um estado de agitação ou perturbação (RUSSELL e LEMAY in LEWIS e JONES. raiva. a surpresa e o respeito. Deste modo. O autor menciona o caráter evasivo desse sentimento e. 2000). pois as emoções não formam uma classe de objetos homogêneos e são. considerando que o indivíduo atribui um significado emocional para toda experiência vivida. a percepção emocional é lenta. de alarme. tato. pois fronteiras tênues separam um estado emocional de outro. porque até mesmo o indivíduo pode se confundir ou se enganar a respeito de suas próprias emoções. que quando traduzidos. o conceito de emoção não tem fronteiras claras. 2000. Uma dessas contribuições é apresentada por Kets de Vries (2000). que significa transferir de um lugar para outro. p. tais como as que incluem no grupos das emoções a insônia. pois os órgãos do sentido (visão. olfato. Todavia. sucesso e felicidade são coisas distintas. em português e "amae". medo etc. sendo assim. Além disso. sobre a felicidade. as emoções influenciam a memória. utilizando como metáfora um provérbio chinês. a delimitação do fenômeno torna-se difícil. fraterno. normalmente. em japonês. para Russel e Lemay (2000). conjugal etc. Além disso. paradoxalmente. que pode ter diferentes naturezas: amor materno. 14 HILKA VIER MACHADO (UEM/UEL) . arduamente distinguidos. há variações dentro do mesmo termo.

nervosismo. CLASSIFICAÇÕES DAS EMOÇÕES As emoções são expressões dos sentimentos. crenças e desejos dos indivíduos.UNIVALI . as experiências místicas levam a um estado moral de exaltação. Considerando a categorização dos indivíduos. sendo que a expressão. amor (afeição. frustração. o que pode ser observado na classificação apresentada a seguir. nas quais o êxtase produzido acarreta a perda dos limites do eu (LINDHOLM. Alcance . desagrado).Vol. 11 . ocorre uma ruptura do eu e o resultado é um estado emocional transcendental. somente paixão. 03:42 pm . Nesses casos./Abr. Esse fato contribui para que pensamentos e julgamentos também tenham uma estreita relação com a emocionalidade. c)Transcendentais: quando as estruturas cognitivas são rompidas e não há ação. 3. 2001). ódio. apreciação) ou negativas. em: a)Impulsivas: quando se referem a estados de forte motivação. enquanto que as últimas são construídas em grupo. 2003 Revista 15 1-Alcance 11-35-HILKA. surpresa.35 . Também do ponto de vista sociológico. Uma das distinções entre as emoções impulsivas e as transcendentais é que as primeiras são em geral determinadas pelo próprio agente. pois há diferentes tipos de emoções. já mencionada. b)Conflituosas: quando se constituem em impulsos incompatíveis. irritabilidade.Jan. Essas reações podem ser observadas em lideranças carismáticas.n. susto) e a culpa (remorso. as categorias de ação e paixão transcendem e o indivíduo mergulha numa experiência diferenciada. produzindo um senso de imortalidade. Além da classificação de emoções em positivas e negativas. aborrecimento).1 p. carinho. a origem e o significado estão desassociados do eu como agente. segundo Kets de Vries (2000). sentimento de elevação. 9 . as identidades individuais se desintegram e a força da atração implica na ausência da vontade própria. 2000). o medo (ansiedade. que geralmente não são completamente identificados pelo indivíduo como agente. na medida que há uma conexão entre estes e a memória imbuída de conteúdo emocional. A raiva (hostilidade. 2000). vergonha e embaraço) são exemplos de emoções negativas (BAGOZZI apud DAVEL e MACHADO. as emoções classificam-se. Elas podem ser positivas. Em situações dominadas pelas emoções transcendentais.p65 15 31/03/2006. mediante alguma forma de indução. a tristeza (depressão. 2000).Alcance e esta é dependente do humor (EICH et al. 1990). Nessa situação. afeto) e alegria (prazer. memória e emoção estão interligadas. Consequentemente. preocupação. satisfação. de acordo com as normas sociais e as estruturas cognitivas (RUSSELL e LEMAY in LEWIS e JONES. pois os grupos constróem suas memórias emocionais (FINEMAN. tais como: felicidade.

a pessoa tem percepção da tendência à ação. a dissociação do eu conduz a um estado de fuga ou perda de memória e a resposta emocional é inapropriada. pensamentos negativos e uma sensação de insatisfação. um total envolvimento obscurece os limites do indivíduo e do outro e a situação torna-se palco de todos os desejos e conflitos para o indivíduo. O último estágio é quando o indivíduo percebe a diferença entre a própria reação emocional e a de outras pessoas. pois 16 HILKA VIER MACHADO (UEM/UEL) . Nesse último caso. falta de motivação e baixo desempenho. há sempre um equilíbrio desejável entre o envolvimento emocional no papel e na vida pessoal. 03:42 pm . Em geral. INTENSIDADE DAS EMOÇÕES A percepção emocional pode variar em intensidade. quando a atenção está focada no objeto da emoção e é difícil para o indivíduo pensar em outras coisas. Assim sendo. Outro aspecto importante para compreender a expressão das emoções diz respeito a possíveis diferenças de intensidade. havendo três possibilidades: a)um baixo envolvimento no papel. produzindo reações no organismo. Apesar desse envolvimento a resposta emocional não é completamente dissociada do seu agente. e b) externos: os que não acreditam em sua capacidade de realizar as coisas. como por exemplo: a raiva. Em um estágio senso motor mais avançado. Quando a pessoa desempenha um determinado papel ou atividade. as experiências emocionais vividas nesses papéis também podem variar em intensidade. as emoções são interpretadas como bipolares: "triste" versus "alegre". são condições importantes: a) compreender o papel desempenhado. Enquanto um baixo envolvimento acarreta desatenção. No entanto. a pessoa sabe o que está fazendo e é sensível a mudanças na situação. há provavelmente uma associação entre as emoções transcendentais e os indivíduos do tipo externos e as impulsivas e os do tipo internos. para alguém interpretar uma resposta como emocional. b)um envolvimento intermediário. ocorre a percepção da emoção. quando a pessoa encontra-se completamente envolvida no papel emocional. quando o indivíduo percebe a emoção e simultaneamente o seu oposto. seguida de um desejo de vingança. "tenso" versus "calmo" e "eufórico" versus "deprimido". Assim. de forma distinta e a operação concreta. 4. Ou seja. 2000). que começa com alguma ofensa. perdendo sua própria identidade.p65 16 Revista 31/03/2006. os níveis mais baixos correspondem às primeiras sensações motoras e percepções corporais.A ABORDAGEM DAS EMOÇÕES NO ÂMBITO DAS ORGANIZAÇÕES 1-Alcance 11-35-HILKA. Em seguida. Desta forma. Isso pode ser ocasionado pelo excesso de pressões sociais (EICH et al.Alcance em: a) internos: aqueles para os quais nada é impossível. existe um protótipo comportamental e seqüencial. c) total envolvimento.

mais do que enfatizar produtividade e eficiência.Vol. também Mumby e Putnam (1992) reforçaram essa questão. porém já com um enfoque voltado para uma valorização da expressão emocional no trabalho. a arena emocional no contexto das organizações envolve alta complexidade. em seu estudo etnográfico. 2003 Revista 17 1-Alcance 11-35-HILKA. o objetivo que distingue essa organização das demais é a valorização das relações interpessoais e a tentativa de melhorar o entendimento mútuo entre os indivíduos. Além de estudos como o de Hochschild (1983). organizada e é dado a ela um significado. consentidas (DAVEL e MACHADO. De acordo com os autores. Isso decorre das seguintes estratégias: a tolerância à ambigüidade. Posteriormente. pode produzir efeitos negativos que podem chegar até mesmo à perda do senso da própria identidade. 1998). outros enfoques ressaltaram a importância da emocionalidade nos processos de gestão.UNIVALI . no qual a autora introduz o "trabalho emocional". Alcance ./Abr. 03:42 pm . É de grande importância nas discussões sobre emoções no campo administrativo o estudo desenvolvido por Hochschild (1983). 2001) e direcionadas por grupos e indivíduos nas organizações. Acompanhando a realização do trabalho e os treinamentos ministrados a essas funcionárias. Mesclando-se a interesses de poder e de status as emoções são. Para ela. 2000). porque a partir da ressonância de significados semelhantes é que os indivíduos se aproximam ou se distanciam. sendo que estas constituem mecanismos importantes de interação social. a valorização da autenticidade no trabalho e a tentativa de criar um senso de comunidade entre os integrantes da empresa. 9 . o estabelecimento de uma hierarquia de valores. nem politicamente neutra (FINEMAN. como categoria derivada da análise do trabalho de aeromoças em uma companhia aérea norte americana. porque toda experiência é filtrada. ESTUDOS SOBRE EMOÇÕES NO CONTEXTO ORGANIZACIONAL Os limites da racionalidade nas organizações foram apontados por Simon (1970). a dissimulação das emoções. 11 . 5.Alcance todo papel faz parte de um drama. no qual os autores apresentam um estilo gerencial com elevada ênfase na expressão emocional dos integrantes da referida organização.n.1 p. exigida no trabalho das pessoas que analisou. pois não é cultural.Jan. b) monitorar o desempenho.35 . tais como o estudo qualitativo realizado na empresa Body Shop (MARTIN et al. Estas considerações sobre emoções constituem apenas um recorte deste fenômeno complexo e abrangente e são aqui apresentadas a fim de possibilitar melhor compreensão das emoções no plano organizacional.p65 17 31/03/2006. Apesar disso. a autora. aponta como a empresa "apropria-se" das emoções de funcionárias para obter vantagens na prestação de seus serviços. não é isolado. a todo o momento.

2000) mencionam a vergonha e o orgulho como úteis para produzir conformidade e estabilidade social. processos de trabalho e gestão. Portanto. A elevação do nível de status de outra pessoa pode gerar inveja ou a sua diminuição resultar em sentimento de pena. a obediência tende a gerar orgulho e a desobediência está associada à vergonha. para atingir resultados. Diferenças hierárquicas na organização também podem resultar em inveja (KETS de VRIES in CHANLAT. há outras implicações das emoções no âmbito organizacional. o papel de estabilizadores sociais. • Existe uma associação entre emoções. provoca uma dissociação de si mesmo e da própria emocionalidade. Além disso. (RUSSEL e LEMAY in LEWIS e JONES. 2000) salienta que elevado status e expressões de raiva estão associados com percepções de competência. status e raiva estão associados com habilidade. que são: • As emoções podem ter. reforçando o ciclo vicioso do status social e das emoções a ele relacionadas. as pessoas criam um estereótipo de que pessoas bravas são mais competentes. 03:42 pm . No contexto organizacional. • Outra relação cíclica. há uma relação recíproca entre status e emoções. Nesse ambiente. 1992). Para Kemper (2000) as relações sociais podem ser expressas em duas dimensões: o poder e o status e estas podem deflagrar diferentes reações emocionais. a vergonha é uma emoção desagradável.Alcance Além desses estudos mencionados. Além disso. ele constatou uma dissonância por parte de mulheres em organizações. por exemplo. consiste na manutenção da desigualdade entre homens e mulheres no trabalho. Por exemplo. Deste modo. poder e status nas organizações. como culturalmente o conflito é uma atitude masculina. as mulheres evitam-no. entre a tentativa de ser sincera e o medo de magoar os outros. a raiva é mais aprovada do que a compaixão no terreno organizacional e o trabalho sob pressão. que é também uma relação viciada. a raiva e a força 18 HILKA VIER MACHADO (UEM/UEL) . Tiedens (in ASHKANASY. Para o autor. relacionando emoções. quando expressões emocionais por mulheres estão associadas com irracionalidade. Assim. o excesso de poder pode produzir ansiedade e culpa. constatadas em outros estudos. Enquanto o orgulho é uma emoção prazerosa. Ashkanasy (2000) verificou que há uma expectativa social que pessoas com elevado status sintam mais raiva porque os indivíduos associam raiva com elevado status e culpa e tristeza com baixo status. Assim. apontada por Ashkanasy (2000). ou a dissonância entre o status obtido e o imaginado pode gerar vergonha.p65 18 Revista 31/03/2006. O autor verificou que. no plano organizacional. entretanto. ambos são reguladores que asseguram o controle social sem a necessidade de vigilância externa. contribuindo para marginalizar a sua participação.A ABORDAGEM DAS EMOÇÕES NO ÂMBITO DAS ORGANIZAÇÕES 1-Alcance 11-35-HILKA. assim como elevação do status pode resultar em reações de felicidade e contentamento.

pois sempre há neles um sentido emocional. O mesmo acontece com o mau humor. • A emoção está fortemente relacionada com a coesão e o desempenho dos grupos nas organizações.n.Vol. O clima organizacional é assim construído.UNIVALI . Alcance . Apesar disso Brody e Hall (2000) constataram em suas pesquisas que as mulheres expressaram facialmente suas emoções mais do que os homens. exceto a raiva. cultura e identidade organizacional porque as emoções são as bases de memórias dos grupos e indivíduos nas organizações. 9 .p65 19 31/03/2006. 11 .Alcance são mais aceitas do que lágrimas e vulnerabilidade. e que definir emoções como masculinas e femininas é uma questão independente de variações culturais e históricas. que afirmam que a distinção. A representação social simbólica das emoções associadas ao gênero é também abordada por Alvesson e Billing (1994) e Brody e Hall (2000). a intensidade tende a ser maior em culturas individualistas do que em culturas coletivistas./Abr. ao mesmo tempo em que demonstram interesse em socialização e cooperação. que tendem a expressar emoções somente para pessoas mais íntimas. o sentimento aumentado do "eu" provoca nelas alegria. Quando há uma valorização das pessoas no ambiente de trabalho. Ainda. atribui uma importância particular a certos fatos (LE BRETON. em geral. em diversas culturas foi observado que as mulheres expressam suas emoções para um número maior de pessoas do que os homens. Segundo Brody e Hall (2000). Além do mais. identificações e vinculações serão estabelecidos a partir dos significados decodificados. a diminuição do "eu". • A emoção é determinante do clima organizacional. O contrário ocorreu com os homens: eles mencionaram mais estados emocionais positivos em casa. Assim. 1998). (apud Brody e Hall) as mulheres mencionaram mais estados emocionais positivos no trabalho do que em casa. Os valores. • Há uma relação entre emoções. que é assoprada pelo grupo. é uma fonte de tristeza. que muitas vezes geram estereótipos. Contudo. 03:42 pm . não está ligada ao gênero. compartilhar as emoções é a base da energia emocional.Jan. Se as pessoas estão com bom humor. indivíduos satisfeitos esperam que seus companheiros sejam mais cooperativos e usem mais cooperação e menos estratégias de competição. pois cada grupo fornece aos seus membros um senso de inclusão pela valorização de cada um e é essa energia que favorece as interações no âmbito dos grupos. em função da falta de reconhecimento. As diferenças de gênero e intensidade emocional variam em diferentes culturas e.1 p. 2003 Revista 19 1-Alcance 11-35-HILKA. entretanto. A coesão do grupo depende de emoções compartilhadas e a emoção.35 . em experiências realizadas por Larson et al. segundo os autores. através da disseminação das emoções. elas esperam que os outros tenham também bom humor.

b)Manifestações da emoção de acordo com a hierarquia. Esses aspectos estão interligados com redefinições de poder e status na organização e necessitam ser enfocados para romperem ciclos viciosos. que muitas vezes impedem estabelecimento de novas práticas. 6. elas constituem apenas instigações que visam ampliar o debate em torno do tema. tais como o de status e emoções. Sendo assim.p65 20 Revista 31/03/2006. Esse comportamento. algumas sugestões de estudos são comentadas a seguir. liderança e mudança organizacional.Alcance • Há uma associação entre emoções. que tendem a reforçar práticas de poder autocráticas. o que pode acarretar conseqüências para ele e para a organização. a formação de valores e identificações está intimamente associada à emoção. identificaram-se cinco grupos. impedindo mudanças organizacionais. Nessa perspectiva. Ao contrário. Também na esfera organizacional os valores da cultura organizacional e as identificações organizacionais podem ser explicados através das emoções. Do ponto de vista do indivíduo. c)Processos emocionais. 03:42 pm .A ABORDAGEM DAS EMOÇÕES NO ÂMBITO DAS ORGANIZAÇÕES 1-Alcance 11-35-HILKA. o estudo das emoções nas organizações pode constituir um ponto de partida estratégico para a adoção de novos estilos gerenciais. que são: a)Emoção. cultura e identidade organizacional. baseados na premissa de que nesse âmbito nada mais há do que o universo racional. Além disso. pois não há aprendizado sem significados emocionais. e. é importante compreender como variações nas culturas organizacionais podem propiciar uma intensidade emocional maior ou menor. Embora estudos sobre liderança tenham mencionado associações entre tipos de emoções e lideranças. gênero e etnia no espaço organizacional. a sua adaptação a esse tipo de estrutura exige dele a não manifestação livre de sua emocionalidade. bem como dos aspectos sobre emoções apresentados nos itens anteriores. ao longo do tempo. baseados em lideranças transformacionais. cognição e criatividade. que podem contribuir para o desenvolvimento de estudos organizacionais com foco nas emoções. SUGESTÕES DE ESTUDOS A partir dos estudos mencionados anteriormente. pode conduzir a uma dificuldade de auto conhecimento emocional no trabalho. ao mesmo tempo. práticas de alternância de poder e criatividade na organização. Conforme já mencionado. É importante ressaltar que esses pontos não encerram a discussão sobre as amplas possibilidades do estudo das emoções no ambiente organizacional. romper com determinados estereótipos e modos de gestão. há ainda muitos aspectos a serem explorados em 20 HILKA VIER MACHADO (UEM/UEL) . Outro aspecto que fica evidente nos estudos realizados é que esses modelos têm contribuído para a criação de ciclos viciosos.

explorados ou considerados importantes. c)Processos organizacionais e efeitos das emoções. stress. clima. Do mesmo modo. identidade organizacional e comunicação organizacional. e)Processos individuais e efeitos das emoções. que incluem os seguintes temas: a)Determinantes das emoções. e)Grupos.Vol.Alcance torno da energia emocional presente na relação entre líder e liderados. 03:42 pm . Portanto. 2003 Revista 21 1-Alcance 11-35-HILKA. mas que não são conhecidos./Abr. desempenho e emoção. tais como cultura. trabalho emocional. a partir de estudos que explorem causas do processo emocional. é importante que os indivíduos encontrem espaços para a sua expressão emocional no campo organizacional. observar o processo emocional nas organizações é um desafio para os gerentes.UNIVALI . explorando humor. 11 . o que já vem acontecendo em algumas empresas internacionais e nacionais. identidade social e emoções. Outra sugestão de estudos é apresentada por Fisher e Ashkanasy (2000). burnout.n.Jan. Enquanto filosofias gerenciais buscarem explicação para os fatos organizacionais somente a partir de processos racionais. d)Emoções e grupos nas organizações.35 . Outro aspecto apontado por eles trata das emoções em organizações virtuais. tais como: gênero e emoções. bem como relação entre cognição e emoção. tomada de decisão. assim. b)Natureza e descrição das emoções. Ashkanasy e Daus (2002) consideram ainda a importância de estudos voltados para explorar causas e conseqüências de emoções do tipo raiva. taxonomias. inveja etc. muitos fatos podem estar sendo repetidos e interpretados sempre da mesma forma com base em processos emocionais reinantes. Essas Alcance . assim como entre tipos de emoções e tipos de lideranças. muitas situações não serão compreendidas. desmotivação). equilibrar aspectos racionais e emocionais nas organizações. 9 . procurando. d)Trabalho emocional e suas conseqüências (turn over. CONSIDERAÇÕES FINAIS Ao abordar as emoções no campo das organizações. comprometimento. 7. stress.p65 21 31/03/2006. socialização. vergonha. Como as emoções são importantes no processo de auto categorização. Essa pauta de estudos sugerida representa apenas uma reflexão inicial sobre as possibilidades de expandir estudos nesse campo.1 p. sobretudo na área de recursos humanos. este estudo contribuiu para pôr em relevo o papel importante das emoções nesse ambiente.

Entretanto. uma dinâmica política integra esse cenário. elas não consideram as possibilidades dos indivíduos construírem emoções e criarem significados paralelos aos legitimados pela empresa. ocorrerá ao abordar emoções nas organizações. gerando novos processos cognitivos. que muitos problemas organizacionais decorrem da intensidade do envolvimento emocional dos indivíduos nos papéis. É nesse contexto que se inserem as discussões sobre as emoções nas organizações. contudo. para a maioria das organizações ainda predomina a idealização do espaço público como sendo o palco da racionalidade absoluta. Além disso. bem como no seu desinteresse e desajustamento no trabalho. exercem um domínio maior sobre o seu comportamento do que os definidos nas normas institucionais. a realidade social da organização será mais aparente. não se ignora que elas são construídas socialmente. Nessa perspectiva. pois toda organização tem um "ambiente emocional". tais como ansiedade. É necessário salientar. 03:42 pm . que a mesma dificuldade de outras áreas para delimitar o campo de estudos das emoções. garantindo a subjetividade nas organizações. por exemplo. Dependendo da duração e da intensidade. Entretanto. esse comportamento pode resultar em conseqüências negativas para o indivíduo. Isso não significa uma tentativa de descobrir mecanismos de controle emocional dos indivíduos no trabalho. Indiscutivelmente. no entanto. que para abordar as emoções nas organizações não se parte do pressuposto de que elas são ordenadas.A ABORDAGEM DAS EMOÇÕES NO ÂMBITO DAS ORGANIZAÇÕES 1-Alcance 11-35-HILKA.p65 22 Revista 31/03/2006. como ocorre em organizações com elevada racionalidade. baseadas na vivência emocional dos fatos organizacionais. 22 HILKA VIER MACHADO (UEM/UEL) . fruto das interpretações individuais atribuídas aos eventos vividos e é sobre estas que se desencadeia a dinâmica política no território organizacional. É importante ressaltar. depressão e stress. Além do mais. Há ainda um longo percurso de estudos a ser percorrido neste campo. mas que. em última instância. essa atitude resulta em uma dissonância entre a expressão emocional demonstrada e o real sentimento. novas referências para julgamentos e decisões são obtidas. lineares ou até mesmo facilmente explícitas.Alcance organizações perceberam que quando indivíduos procuram não manifestar a reação emocional. Nessas instituições não se observa. mas na atenção especial sobre a expressão emocional no trabalho. torna-se ainda mais difícil estabelecer os limites de estudos dessa natureza. principalmente em função da abrangência das taxonomias. A partir do momento que se valoriza memórias emocionais organizacionais. como os limites entre a racionalidade e o espaço das emoções não são claros. o que não impede que a dinâmica de uma organização possa ser também compreendida pela ótica das emoções que são geradas no seu interior.

De este modo. Existe en esas instituciones una racionalidad apenas aparente. estudios sobre emociones han ampliado su influencia en el terreno organizacional (FINEMAN. 1983. porque es a través de ellas que ala memoria registra los hechos y atribuye significados para cada individuo constituyendo la historia de cada uno. los individuos comprometidos en esos sistemas se encuadran en un pensamiento cartesiano de causa y efecto. demostrando muchas veces que las emociones lejos de ser desconsideras en el ámbito de las organizaciones son de hecho negociadas y exploradas. pues ese proceso es involuntario la mayoría de las veces.n. En la tentativa de sobrevivir a esa anulación. Alcance . perdiendo con el tiempo la noción de su subjetividad. mismo las más "frías" movilizan la afectividad (LE BRETON.Jan. Estos trabajos fueron desarrollados a partir de concepciones sociológicas y psicológicas. pues las decisiones.p65 23 31/03/2006. En este contexto. una de las dificultades en la manifestación de emociones en las organizaciones tiene origen en la separación entre el ambiente público y el privado. A pesar de eso no es posible separar totalmente al hombre. Esta defensa se manifiesta también porque las emociones tienen un papel determinante en la construcción de la identidad.Alcance V e r s i ó n e n E s p a ñ o l 1. se exige a los individuos que ellos manifiesten comportamientos diferentes. 9 . 2000).Vol. En contraposición el universo privado es el escenario de la manifestación de emociones. aunque sea de manera implícita. en el contexto de la organización es necesario un esfuerzo para reconocer la emotividad como un aspecto inherente a su dinámica. De ese modo. ASHKANASY. 2000. pues en el ámbito de esas instituciones hay una representación simbólica de la razón como orden y de la emoción como desorden. INTRODUCCIÓN Las organizaciones son sistemas sociales estructurados alrededor de una lógica propia. 2000).UNIVALI . 11 . Como dos mundos distintos./Abr. 2003 Revista 23 1-Alcance 11-35-HILKA.35 . Así. las emociones y sentimientos son negociados en el contexto organizacional porque en realidad las organizaciones son un caldero de fantasías y deseos reprimidos (FINEMAN. sus emociones y el momento de sentirlas. 03:42 pm . En este sentido. en el ambiente público el hombre trasparece desprovisto de emociones al servicio de una determinada lógica. 2000) y cuanto más se busca legitimar la soberanía de la racionalidad. 1998). mayor será la presión para expresar las emociones en ese espacio social. HOCHSCHILD. convencidos de la ilusión de la racionalidad.1 p. Estas emociones corresponden a mecanismos de defensa de los individuos pues el hombre sin sus emociones es "un archivo" (LENZONI in MAURER y ARAUJO.

Alcance El objetivo de este artículo es el de abordar las emociones en las organizaciones a partir de estudios desarrollados sobre el tema verificando el enfoque que viene siendo dado a este fenómeno social en el contexto organizacional.A ABORDAGEM DAS EMOÇÕES NO ÂMBITO DAS ORGANIZAÇÕES 1-Alcance 11-35-HILKA. la reacción emocional será sonreír. Ellas han sido objeto de análisis por parte de diferentes áreas de conocimiento. De este modo. llorar. las personas felices tienden a ignorar evaluaciones negativas hechas a u respecto. implicando la aceptación o no por parte del individuo en esa determinada situación (FRIJDA. la teoría de la construcción social de las emociones considera que ellas recortan el mundo de modos diferentes según las diversas culturas caracterizando una relatividad cultural.. 1999). de procesos conectados a los individuos y de interacciones del sujeto con el ambiente. enfadarse. para las teorías de percepción emocional. Esa forma individual de interpretar los hechos. inicialmente serán presentadas consideraciones sobre la naturaleza de las emociones. De este modo las emociones son vistas como procesos que envuelven una evaluación del individuo alrededor de una situación vivida. Por otro lado.p65 24 Revista 31/03/2006. NATURALEZA DE LAS EMOCIONES Las emociones constituyen un fenómenos de elevada complejidad. Para alcanzar el objetivo propuesto. 03:42 pm . 2000). el enfoque psicológico del fenómeno trata de explicar las emociones en términos de cognición. Además de eso. así como ella puede también ser percibida por intermedio de otros signos tales como el lenguaje de los cuerpos y de los gestos (LE BRETON. Diferentes reacciones emocionales pueden ser atribuidas al mismo evento por diferentes personas de acuerdo con la visión de cada uno sobre los hechos vividos. bien como el posible direccionamiento a partir de sugerencias de estudios. De acuerdo con el significado seleccionado. en cuanto que los tristes tienden a alterar su modo de actuar para 24 HILKA VIER MACHADO (UEM/UEL) . contribuyendo con la formación de un ciclo vicioso a medida que los individuos tienden a formular juicios de las situaciones en consonancia con el estado emocional en que se encuentran. 2. asustarse. A continuación son mencionados estudios sobre emociones en las organizaciones y finalmente son discutidas sugerencias de estudios. está de acuerdo con el estado emocional del individuo. etc. Por eso cualquier respuesta emocional depende de la percepción o evaluación de la situación por el individuo y por tanto una emoción expresa un juicio valorativo sobre una situación en la cual se encuentra un individuo. tiene sus presupuestos y un modo diferente de pensar sobre el asunto. Cada área a su vez adopta una perspectiva . desde el punto de vista sociológico. 2000). Posteriormente se aborda la clasificación e intensidad de emociones. Para esa corriente las relaciones sociales producen emociones (KEMPER.

9 . pues los órganos del sentido (visión. Russel & Lemay (2000) apuntan otra posibilidad que son las estructuras neurotransmisoras. pocos estudios tienen su foco directo sobre el significado de alguna emoción específica. que cuando traducidos difícilmente conservan su sentido original. rabia. de alarma. de amenazas o situaciones de placer y seguridad son descodificadas (LENZONI in MAURER y ARAUJO. la sorpresa y el respecto en el grupo de las emociones. Para Frijda (2000. 03:42 pm . Esta variación es también acentuada de una cultura para otra. Es por medio de estos radares que situaciones de peligro./Abr. siendo así constituye un estado de agitación o perturbación (RUSSEL e LEMAY in LEWIS y JONES. miedo. basado en las percepciones del individuo sobre la situación (SEYMOUR. mas no tiene el poder de determinarlas. porque hasta mismo el individuo puede confundirse o engañarse a respecto de sus propias emociones. Además de eso la delimitación del fenómeno se torna difícil.. tales como las que incluyen el insomnio. Una de esas contribuciones es presentada por Kets de Vries (2000) sobre la felicidad. en la medida que es el agente responsable. Si normalmente se utilizan términos como amor. 2000). De este modo. pues las emociones no forman una clase de objetos homogéneos y son muchas veces arduamente distinguidos. Además de eso. que significa transferir de un lugar para otro. etc. La palabra emoción deriva del latín (movere). audición y gusto) codifican las emociones y es a través de ellos que el ser humano entra en contacto con su mundo interno y externo. factores de contingencia que resultan en situaciones que agradan o no al individuo y de los procesos cognitivos de los individuos. pues tenues fronteras separan un estado emocional de otro.Jan. El autor menciona el carácter evasivo Alcance . la percepción emocional es lenta. olfato. tales como la palabra "saudades" en portugués y "amae" en japonés. para Russel y Lemay (2000) el concepto de emoción no tiene fronteras claras. La emoción puede ser considerada un síndrome socialmente construido. que determinan la asociación o no entre la situación vivida y los acontecimientos del pasado. tal como el amor que puede tener diferentes naturalezas: amor materno. etc.Alcance adaptarse al contenido de las críticas porque el humos afecta la auto confianza y la auto percepción (EICH et al. 1980). Entretanto. fraterno. conyugal.35 . porque algunas taxonomías incluyen conceptos que no transmiten claramente la idea de emociones.Vol.UNIVALI .p65 25 31/03/2006. tacto. hay variaciones dentro del mismo término. Con todo. el término emoción es frecuentemente usado para abarcar una gran variedad de experiencias que van de simples sensaciones de placer y dolor hasta el extremo estrés. 2000). 11 . 67) los procesos emocionales no son probablemente "linealmente organizados" y las emociones pueden ser deflagradas a partir de tres posibilidades: estímulos sobre el individuo. 2000).n. éstos ni siempre indican con precisión lo que es emoción.1 p. p. O sea que existen términos que expresan emociones en determinados idiomas. Por lo tanto. 2003 Revista 25 1-Alcance 11-35-HILKA.

En estos casos las experiencias místicas llevan a un estado moral de exaltación. apreciación) o negativas. 03:42 pm . CLASIFICACIONES Revista DE LAS EMOCIONES Las emociones son expresiones de los sentimientos. afecto) y alegría (placer. satisfacción. 2001).A ABORDAGEM DAS EMOÇÕES NO ÂMBITO DAS ORGANIZAÇÕES 1-Alcance 11-35-HILKA. Consecuentemente ocurre una ruptura del yo y el resultado es un estado emocional trascendental. sorpresa. nerviosismo. Para el autor. irritabilidad. preocupación. las emociones se clasifican de acuerdo con las normas sociales y las estructuras cognitivas (RUSSELL y LEMAY in LEWIS y JONES. siendo que la expresión.p65 26 31/03/2006. b) Conflictivas: cuando se constituyen en impulsos incompatibles. Ese hecho contribuye para que pensamientos y juicios también tengan una estrecha relación con la emotividad. desagrado). 3. es que considerando que el individuo atribuye un significado emocional a toda experiencia vivida. Ellas pueden ser positivas.Alcance de ese sentimiento y. las emociones influencian a la memoria y ésta es dependiente del humor (EICH et al. c) tener sueños. 2000. vergüenza y embarazo) son ejemplos de emociones negativas (BAGOZZI apud DAVEL y MACHADO. También desde el punto de vista sociológico memoria y emoción están interconectadas. pues paradójicamente "la felicidad consiste en estar satisfecho con lo que tenemos y lo que no tenemos" (KETS de VRIES. p. el miedo (ansiedad. que generalmente no son completamente identificados por el individuo como agente. 2000). susto) y la culpa (remordimiento. solamente pasión. b) tener algún trabajo para hacer. amor (afección. pues los grupos construyen sus memorias emocionales (FINEMAN. utilizando como metáfora un proverbio chino. desde el punto de vista cognitivo. 308). frustración. c) Trascendentales: cuando las estructuras cognitivas son rotas y no hay acción. lo describe como siendo el resultado de: a) tener siempre a alguien con quien compartir la vida. la tristeza (depresión. tales como: felicidad. en la medida en que hay una conexión entre éstos y la memoria embebida de contenido emocional. odio. creencias y deseos de los individuos. En esta situación las categorías de acción y pasión trascienden y el individuo se sumerge en una experiencia diferenciada. en: a) Impulsivas: cuando se refieren a estados de fuerte motivación. el origen y el significado están desasociados del yo como agente. La rabia (hostilidad. 2000). aborrecimiento). 26 HILKA VIER MACHADO (UEM/UEL) . pues hay diferentes tipos de emociones lo que puede ser observado en la clasificación presentada a seguir. cariño. éxito y felicidad son cosas diferentes. 2000). Otro aspecto importante para la comprensión de las emociones. Además de la clasificación de emociones en positivas y negativas ya mencionada.

Otro aspecto importante para comprender la expresión de las emociones tiene que ver con posibles diferencias de intensidad. 03:42 pm . los niveles mas bajos corresponden a las primeras sensaciones motrices y percepciones corporales. las experiencias emocionales vividas en esos papeles también pueden variar en intensidad. en los cuales el éxtasis producido acarrea la pérdida de los límites del yo (LINDHOLM.p65 27 31/03/2006. En general./Abr. hay probablemente una asociación entre las emociones trascendentales y los individuos del tipo externos y las impulsivas y los del tipo internos. habiendo tres posibilidades: a) un bajo envolvimiento en el papel. la última etapa es cuando el individuo percibe la diferencia entre la propia reacción emocional y la de otras personas. b) un envolvimiento intermediario cuando la atención está enfocada en el objeto de la emoción y es difícil para el individuo pensar en otras cosas. INTENSIDAD DE EMOCIONES La percepción emocional puede variar en intensidad. Cuando la persona desempeña un determinado papel o actividad. "tenso" versus "tranquilo" y "eufórico" versus "deprimido". En situaciones dominadas por las emociones trascendentales las identidades individuales se desintegran y la fuerza de atracción implica la ausencia de voluntad propia. Estas reacciones pueden ser observadas en liderazgos carismáticos. la respuesta emocional no está completamente disociada de su agente. 2003 Revista 27 1-Alcance 11-35-HILKA. Una de las distinciones entre las emociones impulsivas y las trascendentales es que las primeras son en general determinadas por el propio agente. 9 . c) total envolvimiento cuando la persona se encuentra completamente envuelta en el papel emocional perdiendo su propia identidad. Entretanto. existe un prototipo de comportamiento y secuencial. Alcance . 11 . 1990). O sea que la persona sabe lo que está haciendo y es sensible a los cambios en la situación. según Kets de Vries (2000). en: a) internos: aquellos para los cuales nada es imposible y b) externos: los que no creen en su capacidad de realizar las cosas.UNIVALI .Vol. en cuanto que las últimas son construidas en grupos mediante alguna forma de inducción. Enseguida ocurre la percepción de la emoción de forma distinta y la operación concreta cuando el individuo percibe la emoción y simultáneamente su opuesto.35 .1 p. las emociones son interpretadas como bipolares: "triste" versus "alegre".n. pensamientos negativos y una sensación de insatisfacción seguida de un deseo de venganza. A pesar de ese envolvimiento.Alcance sentimiento de elevación. Considerando la categorización de los individuos.Jan. produciendo reacciones en el organismo. como por ejemplo: la rabia que comienza con alguna ofensa. Así. En una etapa de sentido motriz más avanzado. 4. produciendo un sentido de inmortalidad. la persona tiene percepción de la tendencia a la acción.

03:42 pm . 5. Para ella. 2000). A pesar de eso. Eso puede ser ocasionado por el exceso de presiones sociales (EICH et al. puede producir efectos negativos que pueden llegar hasta la pérdida del sentido de la propia identidad. hay siempre un equilibrio deseable entre el envolvimiento emocional en el papel y en la vida personal. organizada y le es dado a ella un significado. la disimulación de las emociones. Posteriormente. también Mumby y Putman (1992) reforzaron esa cuestión. porque a partir de la resonancia de significados semejantes es que los individuos se aproximan o se distancian. En cuanto un bajo envolvimiento acarrea desatención.p65 28 Revista 31/03/2006. la autora en su estudio etnográfico señala cómo la empresa "se apropia" de las emociones de las empleadas para obtener ventajas en la ejecución de sus servicios. para que alguien interprete una respuesta como emocional. 2000). Acompañando la realización del trabajo y los entrenamientos suministrados a esas empleadas. exigida en el trabajo de las personas que analizó. b) monitorear el desempeño. De esta forma. Siendo así. no está aislado. 2001) y encaminadas por grupos e individuos en las organizaciones. Mezclándose a intereses de poder y de status las emociones son consentidas a todo momento (DAVEL y MACHADO. el estudio desarrollado por Hochshild (1983) en el cual la autora introduce el "trabajo emocional" como categoría derivada del análisis del trabajo de azafatas en una aerolínea norte americana. un total envolvimiento oscurece los límites del individuo y del otro y la situación se torna escenario de todos los deseos y conflictos para el individuo. pues todo papel forma parte de un drama. el escenario emocional en el contexto de las organizaciones envuelve alta complejidad. ESTUDIOS SOBRE EMOCIONES EN EL CONTEXTO ORGANIZACIONAL Los límites de la racionalidad en las organizaciones fueron señalados por Simon (1970). pero ya con un enfoque dirigido a una valorización de la expresión emocional en el trabajo. Estas consideraciones sobre emociones constituyen apenas un recorte de este fenómeno complejo y abarcador y son aquí presentadas a fin de posibilitar mejor comprensión de las emociones en el plano organizacional. 28 HILKA VIER MACHADO (UEM/UEL) . falta de motivación y bajo desempeño. en las discusiones sobre emociones en el campo administrativo.A ABORDAGEM DAS EMOÇÕES NO ÂMBITO DAS ORGANIZAÇÕES 1-Alcance 11-35-HILKA. son condiciones importantes: a) comprender el papel desempeñado. porque toda experiencia es filtrada.Alcance En este último caso la disociación del yo conduce a un estado de fuga o pérdida de la memoria y la respuesta emocional es inapropiada. Es de gran importancia. siendo que éstas constituyen mecanismos importantes de interacción social. pues no es cultural ni políticamente neutro (FINEMAN.

Ashkanasy (2000) verificó que hay una expectativa social que las personas con elevado status sientan más rabia porque los individuos asocian rabia con elevado status y culpa y tristeza con bajo status. en el plano organizacional. constatadas en otros estudios relacionando emociones. Además de eso. el objetivo que distingue esa organización de las demás es la valorización de las relaciones interpersonales y la tentativa de mejorar el entendimiento mutuo entre los individuos. status y rabia están asociados con habilidad. procesos de trabajo y gestión. o la disonancia entre el status obtenido y el imaginado puede generar vergüenza. • Existe una asociación entre emociones. que son: • La emociones pueden tener. Así./Abr. Por lo tanto. otros enfoques resaltaron la importancia de lo emocional en los procesos de gestión. reforzando el ciclo vicioso de status social y de las emociones a él relacionadas. el establecimiento de una jerarquía de valores. Así (RUSSEL y LEMAY in LEWIS y JONES.Alcance Además de estudios como el de Hochshild (1983). 2000) mencionan la vergüenza y el orgullo como útiles para producir conformidad y estabilidad social. 2000) destaca que elevado status y expresiones de rabia están asociados con percepciones de competencia.1 p. más de que enfatizar productividad y eficiencia. Diferencias jerárquicas en la organización también pueden resultar en envidia (KETS de VRIES in CHANLAT. 1992). en el cual los autores presentan un estilo gerencial con elevado énfasis en la expresión emocional de los integrantes de la referida organización.Vol. hay una relación recíproca entre status y emociones. 03:42 pm . entretanto. así como la elevación del status puede resultar en reacciones de felicidad y contentamiento. la vergüenza es una emoción desagradable. ambos son reguladores que aseguran el control social sin la necesidad de vigilancia externa. poder y status en las organizaciones. Alcance .n. o exceso de poder puede producir ansiedad y culpa. tales como el estudio cualitativo realizado en la empresa Body Shop (MARTÍN et al. De acuerdo con los autores.35 . 9 . Eso deriva de las siguientes estrategias: la tolerancia a la ambigüedad. De este modo.UNIVALI . 1998). Tiedens (in ASHKANASY. La elevación del nivel de status de otra persona puede generar envidia o su disminución resultar en sentimiento de pena. En el contexto organizacional la obediencia tiende a generar orgullo y la desobediencia está asociada a la vergüenza. Por ejemplo. En cuanto el orgullo es una emoción poderosa.p65 29 31/03/2006. la valorización de la autenticidad en el trabajo y la tentativa de crear un sentido de comunidad entre los integrantes de la empresa. Además de estos estudios mencionados hay otras implicaciones de las emociones en el ámbito organizacional. las personas crean un estereotipo de que personas enfadadas son más competentes. 11 . 2003 Revista 29 1-Alcance 11-35-HILKA. el papel de estabilizadores sociales. Para Kemper (2000) las relaciones sociales pueden ser expresadas en dos dimensiones: el poder y el status y estas pueden provocar diferentes reacciones emocionales. lo que es también una relación viciosa.Jan.

pues cada grupo proporciona a sus miembros un sentido de inclusión por la valorización de cada uno y es esa energía que favorece las intenciones en el ámbito de los grupos. él comprobó una disonancia por parte de las mujeres en organizaciones. que es soplada por el grupo. la rabia es más aprobada de que la compasión en el terreno organizacional y el trabajo bajo presión para alcanzar resultados provoca una disociación de sí mismo y de la propia emoción. cuando expresiones emocionales de las mujeres están asociadas con irracionalidad. las mujeres lo evitan. En este ambiente la rabia y la fuerza son más aceptadas de que las lágrimas y la vulnerabilidad. • La emoción está fuertemente relacionada con la cohesión y el desempeño de los grupos en las organizaciones. Además. quienes afirman que la distinción.A ABORDAGEM DAS EMOÇÕES NO ÂMBITO DAS ORGANIZAÇÕES 1-Alcance 11-35-HILKA.Alcance • Otra relación cíclica destacada por Ashkanasy (2000) consiste en el mantenimiento de la desigualdad entre hombres y mujeres en el trabajo. la intensidad tiende a ser mayor en culturas individualistas que en culturas colectivistas. individuos satisfechos esperan que sus compañeros sean más cooperativos y usen más cooperación y menos estrategias de competición. entretanto. según los autores. 03:42 pm . el sentimiento 30 HILKA VIER MACHADO (UEM/UEL) . por ejemplo. al mismo tiempo en que demuestran interés en socialización y cooperación. La representación social simbólica de las emociones asociadas al género es también abordada por Alvesson y Billing (1994) y Brody y may (2000). no está conectada al género y que definir las emociones como masculinas y femeninas es una cuestión independiente de variaciones culturales e históricas que muchas generan estereotipos. Brody y Hall (2000) constataron en sus investigaciones que las mujeres expresan facialmente sus emociones más que los hombres. compartir las emociones es la base de la energía emocional.p65 30 Revista 31/03/2006. Lo contrario ocurrió con los hombres: ellos mencionaron más estados emocionales positivos en el hogar. en diversas culturas fue observado que las mujeres expresan sus emociones para un número mayor de personas que los hombres. atribuye una importancia particular a ciertos hechos (LE BRETON. Las diferencias de género e intensidad emocional varían en diferentes culturas y. contribuyendo a marginar su participación. excepto la rabia. Para el autor. entre el intento de ser sinceras y el miedo de disgustar a los otros. Según Brody y may (2000). Además de eso. La cohesión del grupo depende de emociones compartidas y la emoción. quienes tienden a expresar emociones solamente para personas más íntimas. Cuando hay una valoración de las personas en el ambiente de trabajo. en experimentos realizados por Larson et al. (apud Brody y Hall) las mujeres mencionaron más estados emocionales positivos en el trabajo que en el hogar. • La emoción es determinante del clima organizacional. El autor constató que como culturalmente el conflicto es una actitud masculina. 1998) De ese modo. Además. A pesar de eso.

Con todo. El clima organizacional es así constituido a través de la diseminación de las emociones.Vol. su adaptación a ese tipo de estructura exige de él la no manifestación libre de su emoción. lo que puede acarrear consecuencias para él y la organización. 6.Jan. pues siempre hay en ellos un sentido emocional. en función de la falta de reconocimiento. la disminución del "yo". que tienden a reforzar prácticas de poder autocráticas.p65 31 31/03/2006. la formación de valores e identificaciones está íntimamente asociada a Alcance . el estudio de las emociones en las organizaciones puede construir un punto de partida estratégico para la adopción de nuevos estilos gerenciales. En esa perspectiva. algunas sugerencias de estudios son comentadas a seguir. basados en la premisa de que en ese ámbito no hay más nada que el universo racional. Desde el punto de vista del individuo. Este comportamiento. en general ellas esperan que los otros tengan también buen humor. SUGERENCIAS DE ESTUDIOS A partir de los estudios mencionados anteriormente. cultura e identidad organizacional porque las emociones son las bases de las memorias de los grupos e individuos en las organizaciones. cognición y creatividad. 9 . basados en liderazgos transformacionales. cultura e identidad organizacional. impidiendo cambios organizacionales. 03:42 pm . que son: a)Emoción. pues no hay aprendizaje sin significados emocionales.35 . ellas constituyen apenas instigaciones que pretenden ampliar el debate alrededor del tema y al mismo tiempo romper con determinados estereotipos y modos de gestión. bien como de los aspectos sobre emociones presentados en los ítem anteriores fueron identificados cinco grupos. • Hay una relación entre emociones. Si las personas están con buen humor./Abr. 11 . Es importante resaltar que estos puntos no concluyen la discusión sobre las amplias posibilidades de estudio de las emociones en el ambiente organizacional.Alcance aumentado del "yo" provoca alegría en ellas. identificaciones y vinculaciones serán establecidos a partir de los significados decodificados. Otro aspecto que queda evidente en los estudios realizados es que estos modelos han contribuido con la creación de ciclos viciosos tales como el de status y emociones.UNIVALI .n. Al contrario. a lo largo del tiempo. Los valores. prácticas de alternancia de poder y creatividad en la organización. 2003 Revista 31 1-Alcance 11-35-HILKA. puede conducir a una dificultad de auto conocimiento emocional en el trabajo. • Hay una asociación entre emociones. es una fuente de tristeza. Siendo así. Según ya mencionado. Lo mismo sucede con el mal humor. que pueden contribuir con el desarrollo de estudios organizacionales con enfoque en las emociones.1 p.

género y etnia en el espacio organizacional. vergüenza. explorando el humor.A ABORDAGEM DAS EMOÇÕES NO ÂMBITO DAS ORGANIZAÇÕES 1-Alcance 11-35-HILKA. bien como la relación entre cognición y emoción. 03:42 pm . las que incluyen los siguientes temas: a) Determinantes de las emociones a partir de estudios que exploren las causas del proceso emocional. stress. tales como género y emociones. tales como cultura. b) Naturaleza y descripción de las emociones. Aunque estudios sobre liderazgo hayan mencionado asociaciones entre tipos de emociones y liderazgos. tomada de decisiones. hay todavía muchos aspectos a ser explorados alrededor de la energía emocional presente en la relación entre el líder y los liderados. burnout.Alcance la emoción. c) Procesos organizacionales y efectos de las emociones.p65 32 Revista 31/03/2006. Además de eso. es importante que los individuos encuentren espacios para su expresión emocional en el campo organizacional. falta de motivación). comprometimiento. Ashkanasy y Daus (2002) consideran aun la importancia de estudios volcados a explorar causas y consecuencias de emociones del tipo rabia. Otra sugerencia de estudios es presentada por Fisher y Ashkanasy (200). tratando así de equilibrar los aspectos racionales y emocionales en las organizaciones. las taxonomías. e) Grupos. e) Procesos individuales y efectos de loas emociones. etc. identidad organizacional y comunicación organizacional. es importante comprender cómo las variaciones en las culturas organizacionales pueden propiciar una intensidad emocional mayor o menor. c) Procesos emocionales. que muchas veces impiden el establecimiento de nuevas prácticas. desempeño y emoción. Como las emociones son importantes en el proceso de auto categorización. d) Trabajo emocional y sus consecuencias (turn over. Estos aspectos están interconectados con redefiniciones de poder y status en la organización y necesitan ser enfocados para romper ciclos viciosos. Esa línea de estudios sugeridos representa apenas una reflexión inicial sobre las posibilidades de expandir los estudios en ese campo. clima. Otro aspecto apuntado por ellos trata de las emociones en organizaciones virtuales. b) Manifestaciones de la emoción de acuerdo con la jerarquía. También en la esfera organizacional los valores de la cultura organizacional y las identificaciones organizacionales pueden ser explicados a través de las emociones. stress y trabajo emocional. d) Emociones y grupos en las organizaciones. 32 HILKA VIER MACHADO (UEM/UEL) . socialización. liderazgo y cambio organizacional. envidia. identidad social y emociones. así como entre tipos de emociones y tipos de liderazgos.

Vol. generando nuevos procesos cognitivos. por ejemplo. Además de eso. tales como ansiedad. 9 . Dependiendo de la duración y de la intensidad. lo que no impide que la dinámica de una organización puede ser también comprendida por la óptica de las emociones que son generadas en su interior. Es importante resaltar. 11 . esa actitud produce una disonancia entre la expresión emocional demostrada y el real sentimiento. la realidad social de la organización será más aparente. que muchos problemas organizacionales derivan de la intensidad del envolvimiento emocional de los individuos en los papeles. bien como desinterés y desajustes en el trabajo. mas de la atención especial sobre la expresión emocional en el trabajo. mas que en última instancia ejercen un dominio mayor sobre su comportamiento de que los definidos en las normas institucionales. nuevas referencias para juicios y decisiones son obtenidas. pues toda organización tiene un "ambiente emocional". En esas instituciones no se observa. mas que no son conocidos. Eso no significa un intento de descubrir mecanismos de control emocional de los individuos en el trabajo. garantizando la subjetividad en las organizaciones. CONSIDERACIONES FINALES Al abordar las emociones en el campo de las organizaciones. muchas situaciones no serán comprendidas. Indiscutiblemente.1 p. muchos hechos pueden estar siendo repetidos e interpretados siempre de la misma forma con base en procesos emocionales reinantes. ellas no consideran las posibilidades de que los individuos construyan emociones y elaboren significados paralelos a los legitimados por la empresa. como ocurre en organizaciones con elevada racionalidad. En cuanto las filosofías gerenciales busquen explicación para los hechos organizacionales solamente a partir de procesos racionales. Por lo tanto.n. lo que ya viene sucediendo en algunas empresas internacionales y nacionales. 03:42 pm . depresión y stress.p65 33 31/03/2006. una política dinámica integra ese escenario. Del mismo modo. Estas organizaciones percibirán que cando los individuos tratan de no manifestar la reacción emocional. 2003 Revista 33 1-Alcance 11-35-HILKA. A partir del momento en que se valorizan las memorias emocionales organizacionales.35 . sobretodo en el área de recursos humanos.UNIVALI . para a mayoría de las organizaciones aún predomina la idealización del espacio público como siendo el palco de la racionalidad absoluta. En esa perspectiva. Es en ese contexto que se insertan las discusiones sobre las emociones en las organizaciones. Entretanto.Jan. explorados o considerados importantes. todavía. ese comportamiento puede traerle consecuencias negativas al individuo. basadas en la vivencia emocional de los hechos organizacionales.Alcance 7. que para abordar las emociones en las Alcance . observar el proceso emocional en las organizaciones es un desafío para los gerentes./Abr. este estudio contribuyó con poner en relieve el papel importante de lasa emociones en este ambiente.

ASHKANASY. Emotion and Expression. 1992. D. Les Passions ordinaires Anthropologie des émotions. London: University of California Press. Masculinities. et al. Además de eso. DAVEL. KETS de VRIES. LE BRETON. 1. e MACHADO. A dinâmica entre liderança e identificação: sobre a influência consentida nas organizações contemporâneas. Y. ocurrirá al abordar las emociones en las organizaciones. Carisma Êxtase e perda de identidade na veneração ao líder. Gender. KEMPER. New York: The Guilford Press. La sociologie du corps. C. New York: The Guilford Press. FISHER. N. 1990. T. Y.123-129. N. Entretanto. 18. Research. LE BRETON. 76-86. et al. Emotion in the workplace: the new challenge for managers. E. J. 2 ed. 2000. São Paulo: Atlas. 2000.A Revista ABORDAGEM DAS EMOÇÕES NO ÂMBITO DAS ORGANIZAÇÕES 1-Alcance 11-35-HILKA. 107-126. CHANLAT. Es necesario destacar. 3. Feminities and Work. D. 21.. Rio de Janeiro: Zahar. Paris: Armand Collins.H. A. 3. Academy of Management R. M.p65 34 31/03/2006. N. 16. In: LEWIS. M. Social Models in the Explanation of Emotions. M. Theory and Practice.V.D. European Management Journal. Handbook of Emotions.D.e HALL. principalmente en función del alcance de las taxonomías. 03:42 pm . lineares o hasta mismo fácilmente explícitas. 4d Paris: Presses Universitaires de France. The emerging role of emotions in work life: an introduction. Revista de Administração Contemporânea. HOCHSCHILD. BRODY. p. no se ignora que ellas son construidas socialmente. In: LEWIS. Emotion in Organizations. The Business Graduation Speech: Reflections on Happiness. 2000. C. Journal of Organizational Behavior. p. 1994. M. The Managed Heart . O indivíduo na organização . 2000. J. EICH. 2 ed.D. 2000. In: ALVESSON. S. p. 2000. F. FINEMAN. Handbook of Emotions.A. Cognition and Emotion. J. J. FRIJDA. 2002. & HAVILAND-JONES. 2001. 1983. M. Hay también una larga senda de estudios a ser recorrida en este campo. 34 HILKA VIER MACHADO (UEM/UEL) . M. H.R.Alcance organizaciones no se parte del presupuesto de que ellas son ordenadas. Liderança na empresa: como o comportamento de líderes afeta a cultura interna. & ASHKANASY. & HAVILANDJONES. São Paulo: Atlas. J. N.Dimensões esquecidas. ASHKANASY. London: Sage. & HAVILANDJONES. In: LEWIS. L. R. 2000. fruto de las interpretaciones individuales atribuidas a los hechos vividos y es sobre éstas que se desencadena la política dinámica en el territorio organizacional.302-311. Understanding Gender and organizations. London: Sage. 2 ed. Handbook of Emotions. D. New York: The Guilford Press. LINDHOLM. Emotions in the Workplace. 1997. London: Quorum Books. E. p.R. que la misma dificultad de otras áreas para delimitar el campo de estudios de las emociones. 2000. REFERÊNCIA BIBLIOGRAFIA: ALVESSON. 2 ed. 1999.M. Psychologists'Point of View. e DAUS. se torna aún más difícil establecer los límites de los estudios de esa naturaleza. como los límites entre la racionalidad y el espacio de las emociones no son claros. F.Commercialization of Human Feeling. Oxford: University Press. C. entretanto. e GILLING.M. 5. 1998. KETS de VRIES. e BILLING.S.

Handbook of Emotions. D.M. Academy of Management Review. K.UNIVALI . 1980. J. Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas. 9 . Arqueologia das emoções. The Politics of Emotion: A feminist reading of bounded rationality.Jan. C. 3. E HAVILAND-JONES. & PUTNAM./Abr.428469. e BECKMAN. Revista Alcance .n. p. Comportamento Administrativo. L. H. J. Administrative Science Quarterly. jun 1998.35 . K. SIMON. In: LEWIS. New Jersey: Prentice-Hall. Emotion Concepts.. SEYMOUR. T. e ARAÚJO. Y. 2000. E. MAURER. 2 ed.465-482. New York: The Guilford Press. A e LEMAY.Vol. MUMBY. 1970.p65 35 31/03/2006. S. RUSSELL. p. 11 . 2003 35 1-Alcance 11-35-HILKA. J. 2000. 03:42 pm . G. 17. 1992.Alcance MARTIN. Personality: basci issues and Current Research.1 p. Petrópolis: Vozes. An alternative bureaucratic impersonality and emotional labor: bounded emotionality at the body shop. KNOPOFF.

p65 36 31/03/2006. 03:42 pm .1-Alcance 11-35-HILKA.

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