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I – Realização Coactiva da Prestação As acções executivas são aquelas em que o autor requer as providências adequadas à realização efectiva do efeito jurídico enunciado num título jurídico. Não é suficiente que se imponha uma actuação e se reconheça uma pretensão – é necessário haver um poder de execução forçada. Por isso mesmo se diz que a execução é a realização coactiva da prestação. Na forma enunciada anteriormente, estamos perante uma execução em sentido próprio; no entanto, também podemos estar pera nte uma execução em sentido impróprio: “qualquer decisão judicial – mesmo uma sentença proferida numa acção de mera apreciação ou numa acção constitutiva – é susceptível de ser executada” (MTS) Assim, para MTS, a acção de execução específica só poderia ser uma acção executiva em sentido impróprio, porque é uma acção constitutiva. Para RP já não é assim; a acção executiva é uma acção executiva em sentido próprio.

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II – Princípios Princípios Gerais Estruturantes Princípio da igualdade das partes: art.3-A CPC Instrumentais Princípio do dispositivo: cabe ao credor dar o impulso processual pelo requerimento executivo. Embora tenha traços de oficialidade, é maioritariamente, um processo com diversos traços do princípio do dispositivo Princípio da legalidade: tem de haver uma pré-determinação legal do procedimento. Princípios Privativos

Princípio da formalização: a execução corre baseada num único documento, que é o título executivo.

Princípio do contraditório: p.e, a oposição à execução. Há uma importante excepção a este princípio: a possibilidade de se proceder à penhora sem audição prévia do executado (arts.812-F/1, 812-C e 812-F/2 CPC) Princípio da legalidade da decisão: vale para as decisões do juiz e também para as do juiz de execução Princípio da publicidade dos actos: art.167/1 CPC

Princípio da patrimonialidade: os objectos dos actos executivos são sempre situações jurídicas activas patrimoniais no domínio do devedor, ou coisas corpóreas ou prestações de facto.

Princípio da cooperação: entre partes e tribunal; art.819 CPC

Princípio da preclusão: por ser um processo sujeito ao princípio do dispositivo, as partes têm o ónus de realizar os actos processuais num certo momento e num certo prazo, sob pena de caducidade ou preclusão.

Princípio da proporcionalidade: o objecto da execução deve ser proporcional na medida da prestação devida (p.e, no art.812/3 CPC). Há autores que falam ainda do princípio do favor creditoris, na medida em que o executado não goza de paridade com o exequente (p.e, a eventual dispensa de citação prévia à penhora; a designação dos bens competir ao exequente, etc.)

Princípio da prevalência funcional: cada acto deve ter a forma mais adequada à função e deve justificar-se para a finalidade executiva (art.138/1 CPC)

III – Causa de pedir
A causa de pedir é o facto jurídico de onde decorre o efeito jurídico pretendido. Uma vez que o efeito jurídico pretendido junto do tribunal é a realização coactiva da prestação cabe perguntar de onde o autor deduz esse efeito jurídico. Há divergências quanto a esta matéria:

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a) Alguns defendem que o título jurídico, judicial ou extrajudicial, que segundo o art.45 CPC serve de fundamento à acção cumprindo a função de título executivo. RP não concorda, dizendo que o título é apenas um documento que servirá para demonstrar que o exequente tem a seu favor o direito a uma prestação. b) MTS escreve que a causa de pedir na acção executiva é a causa debendi, sendo esta o incumprimento. RP não concorda com esta posição. c) RP diz-nos que o que deve decorrer do título executivo, como facto jurídico constitutivo do pedido de execução, é a constituição na esfera do requerente de um direito a uma prestação por uma fonte legal. IV – Pedido O pedido é o efeito jurídico pretendido pelo autor de uma acção: a realização coactiva da prestação. O efeito jurídico pretendido corresponde, tendencialmente, à mesma situação de vantagem que adviria do cumprimento espontâneo do devedor. V – Tripartição Objectiva

Pagamento de quantia certa Tem como objecto a execução de uma obrigação pecuniária Art.810 a 922 CPC

Entrega de coisa certa
Tripartição objectiva da execução Como o nome indica, tem como objecto a execução de uma coisa Art.928 a 932 CPC Prestação de facto Carece de uma organização de meios pelo devedor que só o concursa da própria vontade pode gerar. Art.933 a 942 CPC

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VI – Tribunal O processo executivo é um processo que corre nos tribunais. O exercício da função jurisdicional, em geral, e a executiva, em especial, está cometido aos tribunais e, dentro das ordens jurisdicionais ou ordens de tribunais, a execução civil corre nos tribunais judiciais ou comuns. Um dos pontos centrais da Reforma da acção executiva é a admissibilidade da criação de tribunais com competência exclusiva para as execuções: os juízos de execução. Não existem juízos de execução em todas as comarcas do País. Onde existem então? a) Estão criados e instalados os 1º, 2º e 3º Juízos de Execução da Comarca de Lisboa, o 1º e 2º Juízo de Execução da Comarca do Porto, Oeiras, Loures, Sintra, Maia e Guimarães. b) Estão criados os juízos de execução de Braga, Coimbra, Leiria, Matosinhos e Vila Nova de Gaia. A Reforma de 2008 passou a prever a existência de tribunais arbitrais institucionalizados com competência para as execuções.

1) Competência funcional
a) Poder geral de controlo Antes da Reforma, o juiz tinha um poder geral de controlo do processo. Pela primeira vez, o juiz podia avocar o processo para verificar da legalidade dos actos processuais do agente de execução. Poderia ainda pedir informações e esclarecimentos ao AE, ou mesmo, no entendimento de LF, dar-lhe orientações genéricas e ordens específicas. Depois da Reforma, extinguiu-se este poder geral de controlo: o juiz deixou de poder destituir o agente de execução (art.808/6 CPC) Manteve-se, somente, um poder residual de controlo passivo pela competência para julgar os requerimentos de reclamação de todos os actos executivos e decisórios do AE. b) Competência executiva estrita Em matéria do procedimento executivo stricto sensuo juiz da causa terá competência de modo pontual: sempre mediante “intervenções estabelecidas na lei” (art.809/1/a) CPC). P.e, profer ir despacho liminar (art.809/1/a) CPC). Pergunta-se: tem o juiz competência para actos relativamente aos quais a lei não lhe atribua, nem retire competência, mas também não os acometa ao AE? RP diz-nos que não, na medida em que quem tem competência genérica para efectuar todas as diligências da execução é o AE, “salvo quando a lei determine o contrário” (art.808/1 CPC).

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antes de mais. de 10 de Setembro. A rectificação ou actualização dos dados inscritos neste registo pode ser requerida pelo titular a todo o tempo (art. Verificação e graduação de créditos. Cabe-lhe também gerir os autos dos procedimentos declarativos incidentais. a guarda e gestão da informação. Estes dados são. embargos de terceiro e reclamação. oposição à execução.811-A /1 CPC). a secretaria tinha também como competência a recepção do requerimento executivo e a sua recusa. actualizadas diariamente pelo AE. guardados em registo durante 10 anos. Na competência de natureza declarativa. o procedimento de reclamação dos actos do AE ou os processos declarativos acessórios e incidentais de oposição à penhora. tal passou a caber ao AE (art.Ana Beatriz Santos Direito Processual Civil III c) Competência declarativa O juiz de execução é um juiz de garantias de direitos.807/1 CPC).810/7 e 811 CPC). É um verdadeiro cadastro do executado. Neste registo informático consta um conjunto de informações. como competência a designação do AE. que constitui o processo. Após o cumprimento integral da obrigação o registo da execução finda e é eliminado imediata e oficiosamente pelo AE. Depois da Reforma. Quem pode consultar este registo? Art. b) Registos informático de execuções Previsto no art.806 CPC. no entanto. está regulado pelo DL 201/2003. caso o exequente não a tenha feito ou esta tenha ficado sem efeito.e. p. VII – Secretaria e registo informático a) Secretaria a) Guarda do processo A função da secretaria é. se necessária. Esta designação é feita a partir de uma lista informática fornecida pela Câmara dos Solicitadores (art.810 CPC) b) Competência executiva residual Antes da Reforma. O processo executivo é um processo virtual (art. A secretaria tem. em suporte de papel ou em suporte informático virtual.807/4 CPC 5 . ainda. vão-se incluir actos como.

ele pode cumprir a obrigação ou aderir a um plano de pagamento de dívida. de avaliação dos AE estagiários e de disciplina dos AE. Contem quais as execuções que se tenham extinguindo por não se encontrarem bens penhoráveis para pagamento total ou parcial da dívida. aumentou-se o uso da informática.121 ECS É à Comissão para a Eficácia das Execuções que cabe o poder disciplinar sobre os AE. admitiu-se a base de recrutamento a advogados – este alargamento fez com que a figura se passasse a chamar agente de execução.11 P.69-C/e) e f) ECS) 6 . em alternativa à designação de AE. A actualização ou rectificação dos dados inscritos nesta lista podem ser efectuadas oficiosamente pela secretaria. aumentaram-se as competências do solicitador de execução. O executado é notificado da inclusão do seu nome na lista e do prazo em que pode evitar que esta inclusão se dê. de 30 de Março O AE está sujeito a fiscalizações e inspecções da competência da Comissão para a Eficácia das Execuções (art. Para tal.117 ESC Incompatibilidades e impedimentos: art. a escolha de oficial de justiça para a realização de funções do AE. determinado segundo as regras de distribuição. os processos findos há mais de 5 anos são oficiosamente retirados da lista. residualmente. c) Pessoa singular não comerciante pode requerer.120/1 e 123 ECS Honorários: art. Quando pode ser uma funcionário judicial da secretaria? Em três casos: a) Não haver AE inscrito ou registado na comarca ou ocorrer outra causa de impossibilidade e o exequente ter requerido que as diligências de execução sejam realizadas por oficial de justiça. orgao independente da Câmara dos Solicitadores rsponsavel em matéria de acesso e admissão a estágio.126/1 ECS e art.120 e art. Acesso à profissão: art. Quem pode ser AE? Solicitadores. Deveres: art. Criou-se ainda a Comissão para a Eficácia das Execuções. à mesma comissão cabe o poder disciplinar sobre os AE art.Ana Beatriz Santos Direito Processual Civil III O que é a lista pública de execuções? É uma novidade da Reforma. Depois da Reforma de 2009. funcionários judiciais da secretaria.69-C/g) ECS). VIII – Agente de Execução (AE) 1) Generalidades Figura introduzida pela reforma de 2003 e melhorada pela reforma de 2009.331-B. O cumprimento da obrigação determina a exclusão da lista. b) Tratar-se de execução em que o Estado e o exequente. advogados e.

art.808/6 CPC – só a Comissão para a Eficácia das Execuções pode destituir o AE. iii. x. o mandatário do exequente é notificado e tem de proceder a nova designação em 5 dias. art. É no procedimento executivo que vamos encontrar os actos decisórios referidos. designação de administrador para o estabelecimento comercial penhorado. Depois da sua designação. autorização de venda antecipada de bens. nomeadamente: i. iii. vi. Os actos podem ser decisórios ou executivos. qualificação jurídica do penhor ou direito de retenção (cf. por negligência do exequente. vii. nos apensos declarativos não há actos decisórios. nomeação e remoção do depositário dos bens.Ana Beatriz Santos Direito Processual Civil III Como se procede à escolha do AE? O AE é designado pelo exequente. admissão ou recusa do requerimento executivo (cf. para efeitos do art. incapacidade definitiva ou por cessação das funções de AE. nos termos do art. ix. o juiz só pode aplicar multas e apresentar queixa à Comissão. 831º nº 2). 808º nº 1 al. 2) Actos do AE O art.809/1/a) CPC contrapõe actos e decisões do AE. decisão sobre a modalidade da venda. ii. autorização de fraccionamento de prédio penhorado e levantamento da penhora sobre algum dos imóveis resultantes da divisão (cf. uso de força pública para entrega efectiva. ordem de realização da penhora. remessa do requerimento executivo para despacho liminar (cf. art. Actos decisórios: são actos pelos quais o agente enuncia um efeito jurídico para uma questão posta no processo oficiosamente ou para uma pretensão de uma parte. Esses actos podem ser divididos em dois grupos: actos decisórios sobre a relação processual e actos decisórios sobre a realização coactiva da prestação. v. Como se substitui e destitui o AE? O AE pode ser substituído por morte. o AE é notificado e tem 5 dias para aceitar ou não aceitar: não aceitando. em realizar as diligências necessárias para o pagamento coercivo. ii.808/3 CPC. 804º). pode ainda ser destituído nos termos do art. Trata-se. muito em especial. XX). evantamento da penhora. dos actos de 7 . 842º-A). verificação da exibilidade da obrigação (cf. Os actos decisórios sobre a relação processual são: i. Actos executivos: são. art. redução ou isenção de penhora. escolha. viii. Os actos decisórios sobre a realização coactiva da prestação são. XX). iv. ou dele próprio. avaliação dos bens e de formação de lotes. interveniente ou terceiro. c) os estritos actos de execução material da pretensão de realização coactiva da prestação na sequência ou não de um acto decisório. art.

por maioria de razão. enunciada no art. 201º ss). Depois. i. se o agente de execução praticasse nomeadamente um acto nulo o regime do acto seria o da reclamação e não o da nulidade (cf.). tanto quanto ao prazo. conhecimento oficioso de nulidades A reclamação prevista no art. 160º) Coerentemente. Porém. Não pode ter sido essa a intenção do legislador. art. são aplicáveis aos actos decisórios do agente de execução as disposições reguladoras dos actos dos magistrados quanto ao dever de fundamentação (art. como decisórios. Defendemos que. penhora recebimento do documento de depósito da quantia devida ao executado por terceiro (cf. 666º e que vale aqui. Deste modo. arts. 860º nº 1) d. sob pena de improcedência da reclamação. Diversamente. ao regime comum dos actos processuais (arts. já os actos decisórios terão de estar sujeitos a um regime especial. art. 8 . em geral. que deverá ser adequado à produção fundamentada da decisão. c. 807º nº 2). g. Esses actos processuais tanto podem ser executivos. Assim. a previsão de reclamação dos actos do agente para o juiz esvaziaria de conteúdo outros meios de impugnação de acto processuais executivos como a penhora ou a venda. 916º nº 2) apreensão entrega citações e notificações Todos os actos do agente de execução não podem deixar de estar sujeitos. estes actos decisórios sujeitam. à regra geral do esgotamento do poder decisório.Ana Beatriz Santos Direito Processual Civil III a. na parte que for aplicável e com as devidas adaptações. a oposição à penhora ou a arguição de nulidade da venda. qualquer que ele fosse. f. 158º) e à regra do prazo de 10 dias para produção de decisões que não sejam de mero expediente (art. maxime. venda liquidação dos créditos exequendos e reclamandos e das custas (cf. 808º nº 2). recebimento pagamento voluntário (cf. h. e. 137 ss. Pode discutir-se se o uso da reclamação do acto do agente de execução é a regra ou se é um meio residual ou ainda se é algo de intermédio: a) Regra: a reclamação seria o meio de impugnação cujo âmbito seria determinado pela autoria do acto impugnado. atenta a necessidade de manter a harmonia de todo o sistema . art. b. 809º nº 1 al.c) é o meio específico de impugnação dos actos processuais praticados pelo agente de execução. não poderão ser actos praticados no exercício de um poder discricionário. 3) Reclamação. os actos executivos seguirão o regime dos actos da secretaria. art. introdução dos dados da execução no RIE (cf. como quanto ao dever de fundamentação.

834º. como as relativas aos honorários e aos seus deveres e imcompatibilidades. 863º-A a admite. quando não se aplique. requerida ao agente de execução ao abrigo do art. ser objecto autónomo de uma reclamação. mutatis mutandis de um meio semelhante ao recurso 9 . algum dos outros meios. porque a al. como a omissão de auto de penhora. deve fazê-lo em oposição à penhora. previstos no art. nº 3. se não o prever. a) do art. nº 2 ou o indeferimento de requerimento dirigido ao agente de execução – v. São. c) RP: Na verdade. parece poder afirmar-se que a reclamação da actuação do agente de execução pode abranger três fundamentos diferentes: a. tratar-se. Apenas o primeiro e o segundo fundamentos poderiam. b. as impenhorabilidades objectivas e subjectivas que merecem da lei meios próprios de tutela e que. nos termos do nº 3 do art. seja pelo fundamento. como a omissão ou a prática de um acto. pois não cabe no art. e pondo de lado. seja pela legitimidade. mas já o acto de recusa de substituição dos bens penhorados por outros. error in iudicando. repetimos. pois. nº 1.g. Este entendimento tomado sem reservas poder desvalorizar um meio que claramente o legislador de 2003 quis que fosse o meio de defesa único contra os actos do agente de execução. pois a reclamação é o único meio que tem à sua disposição.. 834º. assim. e nomeadamente. error in procedendo. 824º. 825. por isso. Não o podemos propugnar. 863º-A. como a dita negação da verificação dos pressupostos da comunicabilidade da dívida. nº 2 ou de reforço da penhora. que redundem em nulidade.Ana Beatriz Santos Direito Processual Civil III b) Meio residual: a reclamação de acto do agente de execução apenas pode ter lugar se a lei o admitir expressamente ou. seriam passíveis de reclamação pelo exequente. a negação da verificação dos pressupostos da comunicabilidade da dívida . vícios que não conhecem outro meio de tutela. c. 825. de reforço da penhora. em regra. o executado se quisesse alegar a da violação dos limites do art. previstos no art. Não se trata de uma reclamação hierárquica. não podem ser esvaziados. nos termos do nº 3 do art. o exequente teria. Assim. por não se incluir nem nas nulidades. interesse processual para reclamar para o juiz de acto do agente de execução. violação das normas que regulam o seu estatuto. a). al. nem nas oposições à penhora. só pode ser sindicável pela reclamação. No caso especial dos actos decisórios do agente de execução a reclamação toma o nome de “impugnação”. além da arguição de nulidade. 834º. Por exemplo. nº 1. parece. Por seu lado.

a falta de citação do executado será de conhecimento oficioso pelo tribunal (cf. 202º segunda parte e 203º nº1). c) do nº 1 do art. 921º. bem assim. 668º nº 1. há ainda a importante exclusão da recorribilidade do despacho do juiz que julgue a reclamação. conhecê-la oficiosamente ao abrigo do art. 205º nº 1. posta na primeira parte da al. 10 . por error in iudicando e por nulidade ou error in procedendo. porém. da regra geral do art. perguntar qual é esse regime especial. em reclamação do acto do agente. 198º nº 2 segunda parte (cf. ex vi art. art. O tribunal pode. Por força das regras gerais. muito em especial o juiz poder conhecer oficiosamente dos vícios quando a lei o autorize No entanto. aliás. dos arts. Cabe. o art. Dentro deste último. 204º nº 1. art. Somos de opinião que sendo reclamação de acto decisiório valem mutatis mutandis. aplica-se o art. 4) Efeito e contraditório Na ausência de previsão legal. Quem tem legitimidade para a reclamação? Tem legitimidade para reclamar qualquer sujeito directa e efectivamente afectado pelo acto. 809º Deste modo. a nulidade de citação edital prevista no art. prosseguindo o processo . art. 153º) a contar da notificação do acto ou do seu conhecimento se este ocorreu primeiro. Ora aparentemente será apenas a imposição ao juiz de um curto prazo de 10 para despachar o requerimento o que já decorria. 202º) e. porém. As restantes nulidades de citação carecerão mesmo daquela arguição a que alude o nº 1 do art. interveniente ou mesmo terceiro. haverá reclamação por violação de estatuto. até ao termo do prazo para a dedução de oposição à execução. por força das regras gerais de legitimidade do art. não deve sujeitar-se ao regime especial da reclamação do acto do agente. o erro deverá ser apurado segundo o critério geral do art. no caso das nulidades deve respeitar-se o seu regime expressamente previsto. 199º) deve a parte prejudicada invocar o vício. arts. Já quanto ao erro da forma de processo (cf. 202). seja parte. No mais devem valer os regimes típicos da falta e nulidade de citação de erro na forma de processo das nulidades atípicas e.Ana Beatriz Santos Direito Processual Civil III A dúvida que resta é se a alegação do error in procedendo apesar de conhecer o regime geral das nulidades. Quanto às nulidade secundárias. a reclamação não tem efeito suspensivo. Quando o fundamento seja a nulidade rege uma concretização do mesmo critério: a reclamação apenas pode ter lugar pelo interessado na observância da formalidade ou na repetição ou eliminação do acto (cf. 201º. 680º nº 2 e 26º nº 1. 201º ss. ainda os fundamentos especiais do art. 160º nº 1. Qual é o prazo de arquição e como funciona o conhecimento oficioso de nulidades? O requerimento de reclamação deve ser deduzido no prazo regra de 10 dias (cf. 202º. Contudo.

Essa regra é especial em face da que determina que as nulidades sejam conhecidas logo que sejam reclamadas (cf. no prazo de 10 dias. O uso da reclamação fora do seu âmbito deve redundar em absolvição da instância por falta de pressuposto processual inominado negativo de não concurso de outros meios No caso especial da reclamação/impugnação por nulidade deve. art. Por isso não deve ser ouvido. art. O juiz julgará as reclamações de actos do agente de execução. Com a reforma de 2009 da decisão final do juiz não cabe recurso. No caso das nulidades apenas se o requerimento for deferido haverá prévia audiência da parte contrária. aplica-se o art. 201º os actos decisórios do agente apenas serão nulos quando a lei o declare ou se o facto da nulidade influir no exame ou decisão do requerimento da parte ou da matéria oficiosamente decidida Cs actos executivos serão nulos quando a lei o estatua ou ipsum facto pela sua própria verificação ou omissão. 208.Ana Beatriz Santos Direito Processual Civil III Todo o processo correrá de modo contraditório. assumindo. Se o acto for declarado nulo. Ora. salvo caso de manifesta desnecessidade (cf. Quando o pedido seja manifestamente injustificado. 11 . quando e se os considerar necessários. adicionalmente. aplica-se o art. 207º). pois não há uma decisão cujo sentido final deva ser considerado. sendo um caso de expressa excepção ao art. distinguir-se entre nulidades de actos decisórios e nulidades de actos executivos. assim natureza híbrida”. 207º). cumpre uma função pública e está sujeito a regras estritas de estatuto. pelo que tal “implica a detenção de poderes de autoridade no processo executivo” RP: não se pode falar num funcionário público. no caso do uso do art. 667º ss. Tem o estatuto de “auxiliar da justiça”. devendo ser ouvida a parte contrária ao abrigo da exigência do art. O agente não é parte pelo que não tem um direito autónomo a um certo sentido decisório. fixados pelo Estado e até vigiadas pelo mesmo. 676º nº 1. 3º nº 3. 5) Natureza jurídica do AE e dos seus actos a) Natureza jurídica do AE LF: o “solicitador de execução é um misto de profissional liberal e funcionário público”. 201º como pelas regras especiais dos arts. vimos que os despachos do agente de execução regem-se tanto pela regra geral do art. Assim. mas antes num actor que sem estar na dependência laboral do Estado. 809º nº 2. sem prejuízo de o tribunal poder solicitar-lhe esclarecimentos sobre os actos. O acto decisório pode ser revogado ou substituído pelo juiz por tal ser a função de uma apreciação por via de um quase-recurso como a impugnação.

o “título executivo cumpre uma função constitutiva (nulla executio sine titolo): ele atribui a exequibilidade a uma pretensão. Os actos do AE até podem ser administrativos. para este autor. conjugando as características da suficiência (significa que o título pode cumprir toda a função seja de delimitação. O título não é a causa de pedir. 46 e ss. CPC) b) Literalidade. porque se trata já de executar uma decisão tomada. seja constitutiva. MTS: “com a apresentação do documento que consubstancia o título executivo. Para os títulos executivos valem as regras da: a) Tipicidade: as partes não podem determinar que outros documentos possam valer como títulos executivos (para além dos documentos enumerados nos arts. No entanto. 1) Título executivo (exequibilidade extrínseca) RP: O título executivo é o documento pelo qual o requerente de realização coactiva da prestação demonstra a aquisição de um direito a uma prestação .Ana Beatriz Santos Direito Processual Civil III b) Natureza jurídica dos actos do AE LF: a existência do AE “não retira a natureza jurisdicional ao processo executivo” mas tão só a “sua larga desjudicialização (…) e também a diminuição dos actos praticados pela secretaria”. em particular. b) Existência de uma prestação certa. como já o eram muitos dos despachos do juiz. seja probatória sem necessidade de elementos complementares e. possibilitando que a correspondente prestação seja realizada através das medidas coactivas impostas ao executado pelo tribunal”. exigível e líquida (art. na medida em que há uma relação permanente entre os actos jurisdicionais.802 CPC). mas tal não dá natureza administrativa ao próprio processo executivo. mas sim um pressuposto formal necessário para que o tribunal possa autorizar a realização coactiva da prestação. não há uma natureza administrativa autónoma. CPC). de mais processo declarativo) e da autonomia (a exequibilidade do título é independente da exequibilidade da pretensão). a obrigação exequenda considera-se provada”. O seu valor probatório é o do correspondente tipo de documento e terá o executado que terá de provar a falsidade respectiva ou a veracidade da letra ou assinatura. IX – Condições de exequibilidade Para que possa haver lugar a uma realização coactiva duma prestação devida. Para além disso. 12 . RP: o processo executivo já se aproxima mais da função administrativa. há que satisfazer dois tipos de condição: a) Existência de título executivo (art.45 e ss.

b) Despacho de aperfeiçoamento: esta é a tese que resulta dos arts. nos termos do art.811/1/b). Classificação dos títulos executivos a) Quanto à autoria: Títulos Executivos Públicos Privados Judiciais Judiciais impróprios Administrativos Exarado por notário Particulares Autenticados Simples b) Quanto ao seu efeito em face do direito à prestação: Títulos executivos Constitutivos da aquisição do direito à prestação Recognitivos da aquisição do direito à prestação 13 .Ana Beatriz Santos Direito Processual Civil III Consequências da falta de apresentação do título executivo: a) Indeferimento liminar: era a tese defendida por Alberto dos Reis. 812-E/1 a) a 3 e 812-D/e) CPC e que foi defendida por Castro Mendes.812-E/2 CPC existir um indeferimento parcial. Já é possível.

renovando-se para tanto a instância já extinta. modificação ou prossecução nos mesmos modos iniciais). a parte condenatória de acção de simples apreciação em que ao pedido de reconhecimento da existência/inexistência de um facto/direito o autor tenha cumulado um pedido de condenação e a parte condenatória de acção constitutiva em que ao pedido de constituição. as decisões arbitrais e a sentença homologatória. salvo se contra ela tiver sido interposto recurso com efeito meramente devolutivo.693/3 CPC) Proferida condenação judicial genérica e não dependendo a liquidação da obrigação pecuniária de simples cálculo aritmético. Quanto às sentenças de mérito proferidas em acções de simples apreciação. A acção executiva proposta na pendência do processo pode ainda ser suspensa a pedido do executado que preste caução (art. O termo “sentença” abrange: os acórdãos. Não pode existir execução provisória nas sentenças em que já antes da execução existia sempre efeito suspensivo.46/1/a) CPC) Cabem nesta previsão as sentenças de acção de condenação. só as sentenças judiciais de condenação constituem título executivo. modificação ou extinção de uma situação jurídica o autor tenha cumulado um pedido de condenação. é necessário que tenha transitado em julgado.46/1 CPC) a) Sentença Condenatória (art. essa execução provisória sofrerá as consequências da decisão que a causa venha a ter nas instâncias superiores (extinção. A sentença de condenação só se torna exequível depois desta liquidação. A sentença de condenação já liquida tem uma exequibilidade imediata. esta tem lugar em incidente do próprio processo declarativo. os despachos judiciais. 14 . Para que a sentença seja exequível.Ana Beatriz Santos Direito Processual Civil III c) Quanto ao seu valor como categoria: Títulos executivos Típicos Avulsos Espécies de título executivo (art. Nesta situação. é pacífico que não se pode falar de título executivo.

Estamos perante um contrato prometido. MTS. testemunhal. (Ac. teria feito a sua inclusão na previsão do art. um título executivo: ou seja.50 CPC a estes documentos. Os documentos autênticos ou autenticados são títulos executivos não só quando formalizam o acto de constituição duma obrigação. Exemplos de documentos exarados por notário (documentos autênticos) são o testamento público e a escritura pública.   O único ponto sobre o qual o legislador se pronunciou. A sentença proferida por tribunal estrangeiro é exequível. a condenação num dever de cumprimento. por si só. exige-se que se prove que alguma prestação foi efectuada para conclusão do negócio. foi quanto à execução dos juros legais sobre a qual não fora proferida decisão: art. são documentos autenticados por notário. Quando é que o testamento pode ser utilizado como título executivo? Quando o testador nele reconheça uma dívida sua ou constitui uma dívida que impõe a um sucessor. apoiado pelos Ac. aos documentos particulares simples?   LF: aceita a aplicação do art.804 CPC: o título já reconheceu ou constitui uma obrigação.e. podendo neste caso servir de título executivo. quanto ao artigo 50 CPC é a seguinte: pode este ser aplicável. Não carece de nenhum tipo específico de prova. Este artigo admite força executiva a documentos autênticos ou autenticados relativamente a prestações futuras neles convencionadas ou apenas cuja constituição neles se preveja. se o legislador quisesse abranger estes documentos. embora a doutrina dominante pareça decidir sobre a sua possibilidade. lhe são posteriormente levados para que. não sendo exarados por este. o testamento cerrado). aqueles que. podendo esta ser documental. não se constitui nenhuma obrigação. b) Documento exarado ou autenticado por notário (art. Esta posição não permite que uma obrigação constituída por documento particular simples seja. na presença das partes. que carece de prova documental. Acerca de todas as restantes matérias de condenação implícita o legislador não tomou posição.Ana Beatriz Santos Direito Processual Civil III E quanto à condenação implícita?  AR e LP: a expressão “sentenças condenatórias” inclui todas as sentenças que o juiz quis expressa ou tacitamente impor a alguém determinada responsabilidade. etc. nesta matéria. de forma implícita. RC de 30/11/1999 e Ac. RP: apoiado por jurisprudência.46/1/a) CPC. RM e AF: tem entendido que pode haver sentenças de simples apreciação ou constitutivas que contenham. da RP de 15/2/1993. os reconheça e autentique (p. para as segundas. AG. Situação do art. exige-se que se prove que alguma obrigação foi constituída na sequência da previsão das partes. A grande pergunta que se impõe. Situação do art. mas também quando nele se reconhece uma obrigação pré-existente. Para as primeiras. na medida em que não se produzem em juízo. analogicamente. da RE de 10/3/1987) LF: não partilhava de tal opinião.50 CPC: no momento em que o título se forma. não estando perante um documento particular 15 .46/1/b) CPC) Estes documentos são títulos extrajudiciais. considera que este artigo não se aplica a documentos particulares simples alegando que. nos termos do art.46/2 CPC.50 CPC.

50 CPC. não há forma de o incluir na previsão do art. como reconhecimento tácito de dívida: tese de Lebre de Freitas e Amândio Ferreira. Exigem-se 3 requisitos para que tal possa ser aceite: igual credor e devedor. tem de se indicar a causa do requerimento executivo). a assinatura do rogado esteja reconhecida por notário (art. se considerem títulos executivos.Ana Beatriz Santos Direito Processual Civil III simples em que haja ”constituição ou reconhecimento de obrigações pecuniárias” e não se incluindo estes documentos no art. b) Há título executivo. c) Escrito particular assinado pelo devedor (art.  Os documentos privados estrangeiros carecem de revisão? Não! Art. título com causa.46/1/c) CPC. só depois. não autenticados. de entrega de coisa ou de prestação de facto (art.458 CC) b) Reconhecimento tácito de dívida a) Há título executivo como reconhecimento de dívida (art. é imposto:  Requisito de fundo: deles tem de constar a obrigação de pagamento de quantia determinada ou determinável por simples cálculo aritmético. Requisito de forma: quando se trate de documento assinado a rogo. o único modo de executar essa obrigação é recorrer a uma acção declarativa de condenação previamente e. tem de ser um negócio não formal (aqui.49/2 e 540 CPC.458 CC): tese de Abrantes Geraldes.46/1/c) CPC). Assim. 16 .46/1/c) CPC) Para que os documentos particulares. livrança ou cheque poderá o título de crédito continuar a valer como título executivo.51 CPC). A grande pergunta que se impõe no âmbito dos escritos particulares assinados pelo devedor é a seguinte? Prescrita a obrigação cartular constante de uma letra.46/1/a) CPC. culminando na inexistência de título executivo. nos termos do art. utilizar essa sentença como título executivo. desta vez enquanto escrito particular consubstanciando a obrigação adjacente? Título de crédito prescrito Há título executivo c) Não há título executivo a) Reconhecimento de dívida (art. no caso de haver título sem causa.

não são resultantes duma decisão judicial (p. alega que aceitá-lo como reconhecimento de dívida é abusivo.810/1/h. perceber melhor o que são estes pressupostos.802 CPC exige que a prestação seja certa. a) Certeza: é certa a obrigação cuja prestação se encontra qualitativamente determinada.e. Exemplos paradigmáticos de incerteza qualitativa são as obrigações genéricas e alternativas (arts.806/1 CPC).. não tendo ocorrido o vencimento. por exemplo. coimas. Não é exigível quando. este não está dependente de mera interpelação (como é o caso de uma obrigação de prazo certo em que este ainda não tenha decorrido – art. tem de se proceder à sua liquidação.805 CPC: a liquidação da obrigação decorre. A liquidação pode ser feita de duas maneiras:  Por simples cálculo aritmético: o exequente deve ficar o seu quantitativo no requerimento inicial da execução.46/1/d) CPC) a) Títulos judiciais impróprios São títulos que.e. então. regra geral. etc.810/ 1 e 3 CPC) b) Exigibilidade: a prestação é exigível quando a obrigação se encontra vencida ou o seu vencimento depende. de simples interpelação ao devedor.  17 .805/2/a) CC . acta de reunião da assembleia de condóminos. processo de prestação de contas e processo de injunção). na acção declarativa. no próprio requerimento inicial da execução.777/1 CC. c) Liquidez: uma obrigação é líquida quando o seu objecto está quantitativamente determinado. Este Prof. de acordo com estipulação expressa ou com a norma geral supletiva do art. a única excepção é a da liquidação dependente de simples cálculo aritmético.ou de uma obrigação sujeita a condição suspensiva que ainda não se tenha verificado – art270 CC . embora sejam formados num processo. Não dependente de simples cálculo aritmético: o exequente. 2) Certeza. Vamos. indicar a causa do requerimento executivo implica a alteração da causa de pedir e esta alteração tem de obedecer aos arts. contrato de arrendamento de prédio urbano. de autarquias locais ou de outras determinadas pessoas colectivas públicas que têm por conteúdo créditos próprios (p. Quando uma obrigação é ilíquida. além disso.543/2 e 549 CC + arts.e. etc.) c) Títulos particulares P. nos termos do art. mediante especificação e cálculo dos respectivos valores. cobrança de tributos. que se dá já na acção executiva.Ana Beatriz Santos Direito Processual Civil III c) Não há título executivo: tese de Rui Pinto. exigibilidade e liquidez da obrigação (exequibilidade intrínseca) O art. renovando-se para o efeito a instância já extinta. exigível e líquida para que possa ser executada. especificará os valores que considera compreendidos na prestação devida e concluirá por um pedido líquido (art.272 e 273 CPC d) Título executivo por força de disposição especial (art. b) Títulos administrativos São títulos emitidos por repartições do Estado.

53/2 a 4 CPC. Ao executado. seja de competência genérica. bem como. se não o fizer. em caso de cumulação de pedidos. sem prejuízo de. CPC.90 a 95 CPC. 2) Competência em razão da hierarquia Apenas os tribunais de 1ª instância têm competência executiva (art.812-D CPC. procede-se à liquidação em incidente posterior à apreensão dos bens e anterior à sua entrega ao exequente. só se as partes não aperfeiçoarem a petição é que se segue para o indeferimento do despacho. quanto aos demais títulos. a apreciação judicial tem nele lugar.101 e ss. O desrespeito por estas regras gera uma incompetência absoluta. se igual ou inferior é dos juízos cíveis. nos mesmos termos e condições em que nos casos de incerteza ou inexigibilidade. Quais são as consequências da falta de liquidez? Não sendo requerida a liquidação de obrigação ilíquida. a competência é determinada pelo valor: se superior à alçada da Relação é das varas cíveis. O desrespeito por estas regras gera uma incompetência absoluta. haver oposição à execução. como previsto no art. Nas comarcas onde não existam juízos de execução: é necessário distinguir-se. poder vir a ser feita na primeira transmissão de bens penhorados. nos termos dos arts. Quais são as consequências da falta de certeza e exigibilidade? Primeiro. CPC. CPC. seja título extrajudicial. a competência em razão do território apura-se nos arts. seja sentença. não tendo. consoante o título executivo: as sentenças judiciais devem ser executadas pelo mesmo tribunal que as proferiu. Dentro dos tribunais comuns vamos encontrar tribunais de competência genérica (tribunais de comarca) e tribunais de competência especializada. nos termos do art. X – Competência do Tribunal 1) Competência em razão da matéria A execução civil corre nos tribunais judicias ou comuns. nos termos dos arts. nos arts. 4) Competência em razão do território Sem prejuízo da aplicação subsidiária das disposições reguladoras do processo declarativo. O desrespeito por estas regras gera uma incompetência relativa.812-E/4 CPC. fica sempre salva a possibilidade de se opor à execução. de competência especializada cível ou de competência específica. deve o juiz. proferir despacho de aperfeiçoamento e só no caso de a petição não ser consequentemente aperfeiçoada vir a indeferi-la. nos termos dos arts. se a execução prosseguir sem que a falta do pressuposto seja sanada.91 CPC).Ana Beatriz Santos Direito Processual Civil III O pedido ilíquido é admitido quando é pedido pelo exequente a entrega de universalidade – neste caso. podendo.108 e ss.101 e ss. Havendo lugar a despacho liminar. 3) Competência em razão da forma e do valor Nas comarcas onde existam juízos de execução: toda e qualquer execução deve ser colocado no juízo de execução. Os juízos de pequena instância cível não recebem execuções de títulos que não sejam as suas próprias sentenças (LF). Há que distinguir: 18 . o juiz procede a um despacho de aperfeiçoamento.

  O desrespeito por estas regras gera uma incompetência relativa. a) Legitimidade singular A ilegitimidade singular é de conhecimento oficioso e não é sanável. O tribunal que a conheça deve proferir um despacho de indeferimento liminar do requerimento executivo (art. CPC.90/2 CPC c) Outros títulos: Art.90/1. ao abrigo dos arts.92/1. nos termos dos arts. A falta de legitimidade constitui uma excepção dilatória que pode servir de fundamento à oposição à execução pelo executado. 19 .Ana Beatriz Santos Direito Processual Civil III a) Decisão de tribunal judicial: Arts.91. XI – Legitimidade das partes Obedece ao disposto nos arts. ao abrigo do art.814/2. 53/4: se as execuções se basearem em títulos extrajudiciais. 815 e 816 CPC.94/2 e 4 CPC Extensão da competência na cumulação de execuções: art.820 CPC.53/2 a 4 CPC.55 a 57 CPC. deve absolver o executado da instância e extinguir a execução.812-E/1/b) CPC) ou.93/1 e 94/3 CPC b) Decisão de tribunal arbitral: Art. se conhecida mais tarde. com as devidas adaptações.108 e ss. é aplicável à determinação da competência territorial o disposto no art. 53/3: quando se cumulem execuções de título judicial e de título extrajudicial. a acção executiva será promovida no tribunal do lugar onde correu o processo de valor mais elevado. remetendo para este.87/2 e 3. a execução corre no tribunal do lugar em que a causa foi julgada. arts. O que estes artigos ditam pode sintetizar-se da seguinte forma:  53/2: se todas as execuções se fundarem em títulos judicias.814/1/c) CPC e.

Os ditos nos 1 e 3. Tal é dificilmente configurável na execução para pagamento de quantia certa . embora raramente. 20 . 1405 e 2091/1 CC + art. atentos os limites subjectivos das medidas judiciais. em conjunto. na execução para entrega de coisa certa . o art. terceira parte. em regra. do art. 28/1 CPC. enquanto o nº 3.  Litisconsórcio necessário legal Arts. 1404 e 1405 impõem claramente um litisconsórcio activo: os contitulares de direitos exercem. A terceira parte do nº 3 prevê um litisconsórcio voluntário conveniente Por outro lado. 28o-A referem-se aos casos dos arts. 28-A não se aplica fora da execução para pagamento de quantia certa. 1404. há litisconsórcio necessário natural passivo se existir uma composse. Elas apontam. Por seu lado. No entanto. os direitos relativos a herança só podem ser exercidos conjuntamente por todos os herdeiros ou contra todos os herdeiros Por seu turno. pois o objecto da prestação e naturalmente divisível. implica que todos tenham de estar na acção. No passado ALBERTO DOS REIS afirmou que não há litisconsórcio necessário na acção executiva. para o regime de dívidas comuns e para o regime das dívidas comunicáveis. os nºs 1 e 3 terceira parte apenas se aplicam à execução para entrega de coisa certa. vontade das partes ou a indivisibilidade material da própria prestação. e 1682-A CC. respectivamente. Na prestação de quantia certa não valem o nº 3 primeira e segunda partes. o que é desmentido pela realidade. para os bens imóveis. 2091/1 CC dita que.1682 CC. todos os direitos que pertencem ao proprietário singular.Ana Beatriz Santos Direito Processual Civil III b) Legitimidade plural: litisconsórcio e coligação  Litisconsórcio necessário convencional e natural Atento o art. o art. A primeira parte e segunda partes do nº 3 do art. pode afirmar-se que o litisconsórcio é necessário na acção executiva quando a realização coactiva de um direito a uma prestação apenas pode ser feita contra todos os credores ou contra todos os devedores pode ter lugar seja por lei. para os bens moveis. 28-A estatui litisconsórcios necessários activos no seu nº 1 e litisconsórcios necessários passivos no seu nº 3. primeira e terceira partes. 28-A CPC Os arts. primeira e segunda partes apenas se aplicam à execução para pagamento de quantia certa. O litisconsórcio necessário convencional existe quando as partes convertem uma obrigação parciária ou uma obrigação solidária numa obrigação que chamaremos unitária O litisconsórcio necessário natural exige uma indivisibilidade da própria prestação: apenas pode ser materialmente realizada em face a todos os credores ou por todos os devedores o que.

É de conhecimento oficioso e é sanável e constitui uma excepção dilatória que pode servir de fundamento a oposição a execução pelo executado. 815 e 816 CPC. escolher a execução que pretende manter. Se se apresentar sozinho ou apenas deduzir a pretensão contra um dos obrigados apenas pode executar a respectiva quota-parte na prestação. por erro na forma de processo quanto ao pedido. art.  Coligação Há coligação quando a pluralidade de partes corresponde uma pluralidade de pedidos executivos subjectivamente diferenciados No regime da acção executiva estes requisitos estão vertidos no art. A não sanação conduz ao indeferimento liminar ou ao indeferimento sucessivo. art. A sanação dá-se pela intervenção principal provada do interessado faltoso.a contrario. bastando que um dos credores e/ou devedores intervenha para assegurar a legitimidade. 58/1 CPC deve levar o tribunal a notificar o exequente para.a)). 58 CPC. 55 CPC. conjugado com o art. 820o). ao abrigo dos arts. Trata-se. 812o-E no 3 e art. 512) ou parciária (cf. XII – Patrocínio judiciário Do art. 814o no 2. No entanto.  Litisconsórcio superveniente Como o ac. pela competência absoluta ou pela forma. a presença de cumulação pode exigir a articulação com o art.c)) e exige uma conexão funcional entre as execuções (al. a compatibilidade processual quanto à forma de processo (al. resulta o que se expõe de seguida. art. São de conhecimento oficioso e é sanável e constituem uma excepção dilatória que pode ser de fundamento a oposição a execução pelo executado. 53/1 al. pois. A falta de conexão funcional tanto por forca do art.  Litisconsórcio voluntário A natureza solidária (cf. 53/1 al.lc) e. ao abrigo dos arts. Todos têm legitimidade. arts. 814/2. arts. b) CPC. Quais as consequências da coligação ilegal? A falta de compatibilidade quanto a competência absoluta (cf.CC e art. 58/1 CPC remete para o art.b)). O conhecimento do vício e as eventuais diligências de sanação devem ter lugar no momento liminar em despacho.lc) e. sob pena de indeferimento de todas. RP 28-Abr-2008/0852357 (SOUSA LAMEIRA) deve entender-se que em processo executivo só excepcionalmente se pode autorizar a intervenção de terceiros. Se a incompatibilidade. 28/1 CPC. 53: pode haver coligação “quando não se verifiquem as circunstancias impeditivas previstas no nº 1 do artigo 53” Este prevê a compatibilidade processual quanto à competência absoluta a compatibilidade (al. 60 CPC. É esta a posição de Rui Pinto. 812-E/2 CPC). sendo decisivo o valor da causa. conforme o art. de um litisconsórcio voluntário conveniente. quando indispensável e necessária à defesa do executado. Este enunciado significa que basta a intervenção de um deles para se realizar a totalidade da prestação. estejam como partes na execução. nos termos do art. em face do art. remetendo para este. 815o e 816o O tribunal que a conheça deve proferir um despacho liminar ou superveniente de aperfeiçoamento (cf. 512. mas o que decorre do regime comum do art. 812-E/3 ou no momento superveniente. 533 CC) de uma obrigação plural não obriga a que todos. credores e/ou devedores. 27/2 CPC.814o no 1 al . O art. 820 CPC. 27 CPC e que sendo a obrigação parciária cabe ao exequente optar entre exigir a prestação acompanhado e/ou contra todos os deveres ou não. for total o indeferimento terá de ser total. a) gera incompetência absoluta para o pedido respectivo e indeferimento parcial do requerimento executivo. 34 CPC. art. 21 . sob pena de excesso do pedido sobre o título o que leva ao indeferimento parcial do requerimento (cf. como por forca do art. 53 CPC. remetendo para este.Ana Beatriz Santos Direito Processual Civil III Quais as consequências da preterição de litisconsórcio necessário? A pretericao de litisconsórcio necessário causa ilegitimidade. A falta de compatibilidade quanto à forma de processo também leva ao indeferimento liminar parcial. art. nos termos do art. Já se a obrigação for solidária vale o art. 814/1 al . ao abrigo do art. 31-A CPC. consoante os casos.

o regime e o mesmo salvo. em qualquer altura. no 1). permanecem dois efeitos distintos quanto a oposição a execução – um não suspensivo e um suspensivo – cfr. b) Por advogado. apenas por advogado. respectivamente. Portanto. 22 . se o exequente não constituir advogado. arts. se não houver suprimento. mas podem as partes. nas execuções de valor superior à alçada do tribunal de primeira instância e igual ou inferior à alçada da Relação. na indemnização dos prejuízos a que tenha dado causa. a tramitação inicial do procedimento de execução para quantia certa após a Reforma continua a depender e a distinguir-se consoante haja ou não citação prévia do executado – cfr. seja em momento liminar. 33 CPC. seja a citação efectuada antes ou depois da penhora (cfr. O juiz fixara no respectivo despacho o prazo dentro do qual deve ser suprida a falta ou corrigido o vício e ratificado o processado. sim. 828/1 CPC e corpo do nº 3 . Findo este prazo sem que esteja regularizada a situação. 40 CPC. seja em momento superveniente. Sempre que o vicio resulte de excesso de mandato. 812-A e 812-B CPC antes e arts. devendo este ser condenado nas custas respectivas e. XIII – Procedimento de execução para pagamento de quantia certa 1) Procedimento comum Estabelece-se agora no art. agora também os títulos extrajudiciais dentro da alçada da Relação – arts. Unificação existiu. nos 1 e 2 do art. o réu será absolvido da instância ou os seus actos anulados caso. 820o) ou a requerimento da parte contrária. cf. sob pena de o executado ser absolvido da instância. o tribunal. voluntariamente. e o aumento significativo da extensão dos títulos executivos passíveis de execução sem citação previa do executado – antes a sentença e titulo judiciais impróprios. consoante o que ficar sem efeito forem. Quais as consequências da falta ou irregularidades do patrocínio judiciário? A falta de patrocínio segue o art. Por isso. 812-D. respectivamente. advogado estagiário 98 ou solicitador para os restantes casos.Ora. A par disto. 813o. o requerimento executivo ou os actos do réu. ainda o art. No entanto. ser arguidas pela parte contrária e suscitadas oficiosamente pelo tribunal. 465 CPC que o “processo comum de execução segue forma única”. quanto ao prazo para a dedução da oposição a execução. 818 CPC – e dois prazos diferentes para a oposição a penhora – cfr. fa-la-á notificar para o constituir dentro de prazo certo. Se foi o executado quem não constituiu advogado. Finalmente. nas execuções de valor superior à alçada da Relação. o tribunal participa a ocorrência ao Conselho Distrital da Ordem dos Advogados. 812-C e 812-F/1 CPC. há patrocínio obrigatório. 812o-E no 3 e art. pleitear representadas por advogado estagiário ou solicitador. no 1 do art. Por seu turno a irregularidade do patrocínio segue o art. 812-B/1 e 812-A/1 CPC = art. fica sem efeito tudo o que tiver sido praticado pelo mandatário. Assim. que e sempre de 20 dias. art. embora de modo menos claro. que os actos do executado ficam sem efeito. o patrocínio não é obrigatório. tal aspecto procedimental constituía precisamente o cerne da oposição entre a forma ordinária e a forma sumaria. 863-B CPC. salvo para a reclamação de crédito superior a alçada da primeira instância.Ana Beatriz Santos Direito Processual Civil III Assim. nas execuções de valor igual ou inferior à alçada do tribunal de primeira instância . há patrocínio obrigatório: a) Por advogado para os apensos e para a reclamação de valor superior à alçada do tribunal de primeira instancia. E e F agora. art. oficiosamente (cf. a falta de procuração e a sua insuficiência ou irregularidade podem. se tiver agido culposamente.

todos os casos dos arts. eventual). notificação e oposição do executado ou de terceiro. Fase introdutória. No limite esses dois actos ou complexos de actos processuais bastariam para a realização judicial da prestação se o pagamento fosse sempre voluntario. apreciação liminar (agora. Intervenção de credores reclamantes e do conjugue não executado iv.. mas dada a pretensão ser de realização coactiva terá de ter lugar um momento de venda de bens ou similar para. A marcha ordinária ou de contraditório prévio tem lugar nos casos em que há citação previa (i.. v. haja despacho liminar (casos do art. 812-C) com despacho liminar (casos também do art. A execução para pagamento de quantia certa na forma comum segue as normas privativas dos arts. mediatamente.e.e. Venda v. continuam a ser instaurados em sede de execução com dispensa de citação prévia do executado. Fase introdutória contraditória diferida. eventual). i. Penhora. 812-F no 3). Intervenção de credores reclamantes e do conjugue não executado v. compreendendo petição executiva. todos os casos dos arts. compreendendo petição executiva. incluindo actos preparatórios. permitir o ulterior pagamento forcado. actos de penhora. Penhora. Venda vi. 812-D) ou não (demais casos a contrario) ou despensa judicial de citação previa (cf. actos de penhora e notificação iii. eventual). i. art. por ser um modo de tutela de direitos privados e disponíveis e a satisfação e a satisfação do credor por um pagamento ou meios de semelhante funcionalidade. Penhora. ii. apreciação liminar (agora. 810 a 922 CPC. compreendendo petição executiva. 812-C a contrario e 234/1). compreendendo actos preparatórios. na verificação de que os processos simplificados. O procedimento executivo para pagamento de quantia certa implica um impulso processual do credor. iii.Ana Beatriz Santos Direito Processual Civil III A permanência da diferenciação processual confirma-se. Deste modo. actos de penhora. 812o-B nos 1 e 2 e manteve-se no novo art. 812o-D) ou não (demais casos a contrario). alias. compreendendo citação. incluindo actos preparatórios. oposição a execução e oposição a penhora (eventuais) iv. Fase introdutória.801a 809 CPC. recebimento. podemos ter uma fase introdutória com contraditório prévio e com contraditório diferido. citação e oposição a execução (eventual) ii. Finalmente. Venda. Pagamento 23 . recebimento. citação e oposição (eventual). i. notificação e oposição a penhora (eventual iii. ii. a penhora justifica-se com a necessidade de assegurar a viabilidade material e jurídica da venda executiva. incluindo normas sobre recursos. que antes seguiam forma sumaria. Pagamento A marcha sumária ou de contraditório diferido tem lugar nos casos em que há dispensa legal de citação previa (i. Intervenção de credores reclamantes e do cônjuge não executado. subsidiariamente aplicam-se-lhe as disposições gerais do processo de execução dos arts. recebimento. apreciação liminar (agora. Fase introdutória. ampliou-se na reforma de 2003 com os casos dos arts. iv. Ela não teria justificação se os bens pudessem em simultâneo ser indicados e vendidos o que não e possível pela natureza das coisas. Tal já acontecia antes da reforma de 2003 nos casos referidas de forma sumaria. 812-F nos 1 e 3 da reforma de 2008-2009. Pagamento.

1118 e ss.Ana Beatriz Santos Direito Processual Civil III 2) Procedimentos especiais Actualmente existem em nosso entendimento duas execuções especiais: a dita execução por alimentos e a execução para entrega de coisa imóvel arrendada . i. CPC XIV – Impulso 1) Requerimento executivo O requerimento executivo e o acto pelo qual o credor da o impulso processual de arranque da acção executiva. Dedução da pretensão executiva. O requerimento executivo cumpre três funções: a. c. 24 . Execução por alimentos: arts. fundamentada em título executivo ou em factos que não constem dele. Configuração subjectiva da instância executiva. numa clara expressão do principio dispositivo que e característico do processo civil.e. b. Preparação da penhora.. do pedido de realização coactiva do direito a uma prestação.

ou. 811/1. ii. declarar a identidade do devedor. bem como os ónus e encargos que sobre eles incidam. e. quanto aos direitos a bens indivisos. sempre que possível. e. 812o-F no 1). al. a). c. Preparação da penhora. a sua situação e confrontações. o artigo matricial e o numero da descrição. o titulo de que constam. 14 c. se os tiverem. Pedido de citação prévia (cf. f)) Elementos específicos i. e)). h)). a respectiva matricula. Os elementos comuns são também elementos obrigatórios. pois a sua falta implica a recusa de recebimento do requerimento. Já nos elementos específicos da 25 . d. nos termos do art. indicando. h)). identificação das partes (al a)). exposição sucinta dos factos que fundam o pedido. respectivamente. Pela indicação de bens à penhora (al. c. dedução da pretensão executiva: o pedido (al. d)). nas suas versões antes e depois da reforma. art. d. b)). c. Quanto aos moveis. o montante.Ana Beatriz Santos Direito Processual Civil III Elementos comuns: i. d. b. locais de trabalho. identificação do tribunal (corpo do nº 1). iii. 808o. liquidação por simples calculo aritmético ou para incidente de liquidação (al. indicando os seus nomes. domicílios ou sedes e. Empregador do executado. freguesia e concelho. Instância processual a. indicar o administrador e os comproprietários. escolha da prestação. 825o no 2). Pretensão executiva a. se estiverem descritos no registo predial ou. antes pela secretaria e agora pelo agente de execução (cfr. sempre que possível e na medida do que for possível: a. indicação do domicilio profissional do mandatário judicial (al. a. b. c)). Alegação da comunicabilidade da divida (cf. Quanto aos prédios. a sua denominação ou numero de policia. filiação e números de identificação civil e de identificação fiscal. no caso dos bens moveis sujeitos a registo. indicando. Pedido de dispensa de citação prévia (cf. as garantias existentes e a data do vencimento. b. caso não tenham. art. valor da causa (al. quanto aos créditos. b. ii. nos 3 e 4 (al. bem como a quota parte que neles pertence ao executado. 812o-F no 3). caso não estejam. Designação do solicitador de execução . freguesia e concelho. o lugar em que se encontram e fazer a sua especificação. quando caiba ao credor (al. a natureza e a origem da divida. art. Configuração da instância a. profissões. a sua natureza. as contas e os bens deste. g)). quando os mesmos não constem do titulo executivo (al. f) e no 5). o art. indicação do fim da execução (al.

permitindo. 811/1/al. nos termos dos arts.. oposição a execução e. nos termos do art. 53/1 CPC) Não tem lugar uma compatibilidade substantiva entre pedidos executivos. Trata-se. 802 – liquidação da obrigação ou escolha da prestação – ou uma causa de pedir incompleta — exposição dos factos externos ao título. a) CPC. Compatibilidade processual. se a penhora já estiver realizada. Naturalmente que não podem existir “nenhuma das circunstâncias que impedem a cumulação”. pode o executado deduzir.Ana Beatriz Santos Direito Processual Civil III execução há uns que são obrigatórios. i. de negação. a designação do agente de execução e o pedido de dispensa de citação prévia. tanto pode assentar na impugnação. de um regime especial de cumulação simples de execuções. enquanto uma execução não for julgada extinta. dos factos da parte activa.Oposição à execução 1) Função e natureza No prazo de 20 dias a contar da citação. tanto quanto a competência absoluta. 834/3/al. 53 e 54 CPC. cumulativamente. a) CPC. 813/1 CPC. porque traduzem a não satisfação das condições de acção do art. 916 a 919 ou de. b) e no 2) e a falta da causa de pedir e causa de ineptidão do requerimento nos termos do art. 812o-E no 1 al. a). pois.e. nos termos e com os efeitos dos arts. e 863-B/1/al. É irrelevante se o titulo executivo e um só ou se se trata da execução de vários Títulos. XV. no mesmo processo. torna desnecessária qualquer regime de cumulação subsidiária. 2) Cumulação de pedidos O credor pode deduzir num mesmo processo uma pluralidade de pedidos executivos contra o devedor pretendendo que todos sejam contemporaneamente procedentes ao abrigo dos arts. porquanto não são “requisitos impostos”. ao abrigo do art. Naturalmente que uma vez citado o executado está em posição de poder pagar voluntariamente as custas e a divida. se não tiver havido citação prévia. a execução de outro título. pelo que nos permitimos apenas actualizar os dados dizendo que a cumulação simples de execuções apenas pressupõe: i. 53/1 CPC) ii. Conexão funcional (al. 813/2 CPC. Boa parte do regime respectivo foi já abordado a propósito da coligação. como na dedução de factos que impedem o conhecimento da procedência do pedido — os pressupostos processuais negativos da litispendência e caso julgado — ou que impedem. como quanto a forma de processo (als. superveniente ou não a data do requerimento executivo. Ao contrário do que decorre do teor facial do art. porque a realização coactiva da prestação opera num plano patrimonial concreto. 193o no 1 al. em processo civil. A defesa. 54 CPC e o que designa por cumulação sucessiva e que. a) e c) do art. A oposição a execução e o meio processo pelo qual o executado exerce o seu direito de defesa ou de contradição perante o pedido do exequente. a) a sua falta não pode ser fundamento de recusa de recebimento do requerimento. requerer a substituição dos bens penhorados. deduzir a oposição a penhora. modificam ou extingam o efeito jurídico que é pedido pela parte activa. cessando a exigência de conexão funcional quando a execução iniciada com vista a entrega de coisa certa ou de prestação de facto haja sido convertida em execução para pagamento de quantia certa. Os demais e outros são opcionais – a indicação de bens a penhora. b) do art. Ao contrário o que legislador admite no art. art. Aqueles são carentes de sanação sob pena de indeferimento total ou parcial (cf. materiais ou processuais — os pressupostos processuais positivos — . 26 .

822 e 824-A CPC com os arts. da constituição de garantias reais sobre bens próprios do devedor e da articulação de   27 . 835/1 e 56/2.Ana Beatriz Santos Direito Processual Civil III Na acção executiva o direito de defesa corporiza-se numa petição inicial do executado tendo por fundamento novamente a impugnação de factos ou a afirmação de factos.819 CPC XVI – Penhora i.814/1/als. assim como da sua aproximação dos arts. Há que ter em conta os desvios resultantes da existência de patrimónios autónomos. à excepção dos bens inalianáveis e de outros que a lei declare impenhoráveis.a execução.821.825 a 828. sendo o acto judicial fundamental do processo executivo para pagamento de quantia certa. seja sobre a divida. mas corre como processo acessório — diz-se. Esta sujeitabilidade da generalidade dos bens do devedor à execução para satisfação do direito do credor a uma prestação pecuniária constitui a responsabilidade patrimonial. Princípios Gerais A garantia geral das obrigações é. podem ser objecto de penhora. Aqui no final a sentença ditara a procedência do pedido do autor executado. seja sobre a instância.818 CPC 6) Responsabilidade civil do exequente Art. a) a g) CPC 3) Causa de pedir na oposição a execução de título judicial impróprio 4) Causa de pedir na oposição a execução de título extrajudicial 5) Efeitos da pendência Art. ii. em princípio. Objecto A penhora traduz-se na apreensão judicial de bens do executado. 2) Causa de pedir na oposição a execução de título judicial Art. constituída por todos os bens que integram o património do devedor. quando tenha sido julgada procedente impugnação pauliana de que resulte para o terceiro a obrigação de restituição dos bens ao credor. por apenso . Com a articulação dos arts. principal ou subsidiário. Em conclusão: a oposição a execução apresenta-se como uma acção funcionalmente acessória da acção executiva porquanto justificada pela oposição de uma defesa a dedução de uma pretensão executiva: sem execução não há oposição. O pedido será o de extinção da execução.601 e 818 CC. podem extrair-se os seguintes princípios gerais:  Todos os bens que constituem o património do devedor. e autónoma. Os bens de terceiro só podem ser objecto de execução em dois cass: quando sobre eles incida um direito real constituído para garantia do crédito exequendo. Estruturalmente esta defesa do executado não integra o procedimento de execução.

são indispensáveis ao exercício da profissão do executado (art. salvo se a execução for para pagamento de dívida com garantia real (art. quando se encontrem especialmente afectados à prossecução de fins de utilidade pública. Impenhorabilidade convencional: art.e. Impenhoráveis por estarem em causa interesses vitais do executado são aqueles bens que asseguram ao seu agregado familiar um mínimo de condições de vida (art.823/2 CPC).d e e CPC) . uma autorização ou consentimento alheio. É também vedada a apreensão de bens de valor económico nulo ou diminuto (art. o poder de disposição é atribuído a um não titular do direito. para dispor. desvios estes que. absoluta e total. c) iv. bem como os bens do Estado. constituem uma parte do rendimento do seu trabalho por conta de outrem (art. iii. seja este o devedor principal. enquanto noutros casos é relativa ou parcial. Resulta também da consideração de certos interesses gerais. 28 .Ana Beatriz Santos Direito Processual Civil III responsabilidades entre devedor principal e devedor subsidiário. Esta regra não tem excepções. quer para a realização do interesse do respectivo titular. por razões de interesse geral. também quer por consideração do seu próprio interesse.  Nunca podem ser penhorados senão bens do executado. de entidades concessionárias de obras ou serviços públicos e de pessoas colectivas de utilidade pública. os objectos especialmente destinados ao exercício de culto público e os túmulos (art. No primeiro caso. quer por consideração do interesse da pessoa que terá de autorizar ou consentir o acto dispositivo. um devedor subsidiário ou um terceiro. 603 e 833 CC. b) Indisponibilidade subjectiva: as normas de indisponibilidade subjectiva actuam eliminando ou restringindo os poderes de disposição do sujeito sobre bens próprios.822/a CPC) –p.822/g CPC) ou à sua personalidade moral.824/3 CPC). direito a alimentos e direito de uso e habitação. Impenhorabilidade directamente resultante da lei A impenhorabilidade não resulta apenas da indisponibilidade de certos bens ou de convenções negociais que especificamente a estipulem.602. com fim de garantia. quer para o exercício dum direito próprio da pessoa a quem é atribuído.822/c CPC). Penhora e disponibilidade substantiva a) Indisponibilidade objectiva: são objectivamente impenhoráveis os bens de domínio público (art. no segundo caso. Esta impenhorabilidade é. os objectos cuja apreensão seja ofensiva dos bons costumes. se exprimem em diferentes regimes de penhorabilidade subsidiária.831 CPC). São declarados impenhoráveis.822/f CPC).822/b CPC) e os bens inalienáveis de domínio privado (art. na maior parte dos casos. de interesses vitais do executado ou de interesses de terceiro que o sistema jurídico entende deverem-se sobrepor aos do credor exequente. incapaz de o exercer .824/1/b e art. à sua integridade física (art. das restantes pessoas colectivas públicas.822/c. em alguns casos. a limitação do poder de disposição traduzse na necessidade de o titular do direito obter.824/1/a CPC) ou se reputam indispensáveis ao seu sustento (art.

o art. Em todos estes casos. aplica-se. no de comunhão de adquiridos. Penhorabilidade subsidiária Tem de se considerar aqueles casos em que determinados bens. os bens próprios de qualquer dos cônjuges (art. 1693/1 CC e 1694/2 CC:  Pelas dívidas que são da responsabilidade de ambos os cônjuges respondem aos bens comuns do casal e só na sua falta ou insuficiência é que respondem. no âmbito da previsão deste artigo.825/1 CPC. ou todo um património.  O art. em consonância com o art. o art. se terem revelado insuficientes para a realização do fim da execução. não só os casos de responsabilidade exclusiva do executado. solidariamente. mas também aqueles em que a responsabilidade é comum. Pelas dívidas de exclusiva responsabilidade de um dos cônjuges respondem os bens próprios do devedor e só na sua falta ou insuficiência é que responde a sua meação nos bens comuns (art.825/1 CPC aplica-se à “execução movida contra um só dos cônjuges” e nela admite.1696 CC.1733 CC. 1692 CC.1691 CC. são exceptuados da comunhão os bens indicados no art.1696 CC). a) Responsabilidade comum e responsabilidade própria dos cônjuges No regime de comunhão geral.825 CPC fá-lo para todos os casos de execução movida contra um só dos cônjuges. a penhora de bens comuns do casal. 1693/2 CC e 1694/1 CCe próprias as que constam dos arts. ou outro património. assim. mas a execução foi movida contra um só dos responsáveis. Enquanto o art.1695/1 CC). São dívidas comuns as indicadas nos arts. ao passo que são comuns os bens a que se refere o art. os sub-rogados no lugar desses e os adquiridos por virtude da titularidade de bens próprios.Ana Beatriz Santos Direito Processual Civil III v.1724 CC. portanto. são próprios os bens indicados no art. Cabem.1696 CC estatui para as dívidas da exclusiva responsabilidade de um dos cônjuges. 29 .1722 CC. em que só podem ser penhorados depois de outros bens.

essa comunicabilidade: se ele a aceitar. no prazo de que dispõe para a oposição. com base nele. cabe ao cônjuge do executado aceitar.a inobservância do chamamento à intervenção principal do cônjuge não demandado preclude a invocação da comunicabilidade da dívida Dívida comum e execução baseada em título extrajudicial contra um só cônjuge LF: o executado pode invocar a comunicabilidade da dívida. ou não. que não chamou o cônjuge a intervir no processo declarativo não pode alegar no processo executivo que a dívida é comum . 30 .Ana Beatriz Santos Direito Processual Civil III Tem de se atender à diferença dos regimes substantivos aplicáveis: Dívida da exclusiva responsabilidade do executado a penhora deve começar pelos bens próprios dele e só depois pode ser penhorada a meação Dívida comum e havendo título executivo contra ambos os cônjuges a penhora deve começar pelos bens comuns e só na sua falta ou insuficiência pode incidir sobre bens próprios Dívidas dos cônjuges Dívida cumum e baseada em sentença que apenas constitua título executivo contra um dos cônjuges o executado. a ser executado. constitui-se automaticamente um título executivo extrajudicial contra o cônjuge. que passa.

que respondem solidariamente entre si. Citado o cônjuge do executado pode ele. a execução é suspensa até que se verifique a partilha e se.Ana Beatriz Santos Direito Processual Civil III Após a penhora dos bens do casal na execução movida contra um dos cônjuges.825/4 CPC). Caso contrário. 31 . nesta. em processo de inventário nos termos do art. b) Responsabilidade subsidiária com excussão prévia São devedores subsidiários com o benefício da excussão prévia os sócios da sociedade comercial em nome colectivo e da sociedade civil. Depois da penhora dos seus próprios bens. pelo que. se esta tiver sido requerida. a lei processual derroga este regime. essa aceitação é. mas subsidiariamente à sociedade. a execução prosseguirá nos bens penhorados (art. para requerer a separação de bens ou mostrar que ela já está requerida. incompatível com a separação de bens. fora os casos do art.640 CC. Sendo o cônjuge citado para declarar se aceita que a dívida é comum. a citação do cônjuge para o efeito de se pronunciar sobre esta já não tem de ter lugar. antes de o executado suscitar a questão d comunicabilidade.825/7 CPC). tem lugar a citação do cônjuge do executado. No entanto. os bens penhorados não forem atribuídos ao executado. pelas dívidas sociais e. no prazo de que dispõe para a oposição: requerer a separação de bens. ou se o cônjuge tiver provado que a requereu. obviamente. poderão ser penhorados outros que lhe tenham cabido (art. A lei material faz depender a excussão prévia da manifestação de vontade do devedor subsidiário. bem como os sócios comanditados da sociedade comercial em comandita. o fiador. fazendo-a funcionar automaticamente:   Quando o devedor subsidiário só é citado depois da penhora dos bens do devedor principal.1406 CPC juntar aos autos certidão comprovativa da pendência de processo de separação de bens já instaurado Se o cônjuge do executado nada fizer.

a insuficiência do património do devedor principal (art. em acção em que não tenha intervindo o devedor principal. se apurar que eles são insuficientes para o pagamento das custas da execução.329 CPC. o benefício da excussão prévia não é já invocável. por o réu. o exequente tiver pedido a dispensa da citação prévia do devedor subsidiário. depois de verificada. Execução movida apenas contra o devedor principal sempre que haja título executivo contra o devedor subsidiário. nos termos do art. Se. após a excussão. com o que obtém a suspensão da execução até que o exequente requeira a citação do devedor principal. porém. porém. é possível a sua citação ulterior para a execução. não ter chamado a intervir o devedor principal. que só é dispensada quando o exequente prove que ele renunciou ao benefício. contra quem tenha também título executivo. a imposição da excussão prévia implica que a execução dos seus bens só não é suspensa se o exequente provar que o devedor principal não tem bens ou que o devedor subsidiário renunciou ao benefício da excussão prévia (BEF). na acção declarativa. efectuada a sua venda.640/a CC. Qual a forma e o prazo para requerer o BEF?   Forma: simples requerimento Prazo: prazo da oposição à execução (art. para excutir o respectivo património. nos termos do art. invocar o benefício da excussão prévia. a menos que então expressamente tenha declarado que não pretendia renunciar ao benefício da excussão prévia. mas se o título executivo for uma sentença proferida apenas contra o devedor subsidiário. após a sua citação. do crédito exequendo e dos dos credores reclamantes que antes dele tenham sido graduados é que é admitida a penhora de bens do devedor subsidiário.a penhora dos seus bens tem lugar logo após a excussão.Ana Beatriz Santos Direito Processual Civil III Execução movida contra o devedor principal e o devedor subsidiário a penhora começa pelos bens do primeiro e só depois de.828/5) Penhorabilidade subsidiária Execução movida apenas contra o devedor subsidiário o devedor subsidiário pode. Se. precedida da sua citação. o exequente tiver pedido a dispensa prévia do devedor subsidiário.828/1 CPC) 32 .

pelo que. mas também a consignação de rendimentos. naturais ou civis. quando tenham sido excluídos da penhora. pode ter lugar sem intervenção do proprietário. incluem. não tendo o credor pignoratício qualquer direito sobre a coisa. desde logo. À penhora que recaia sobre outros bens. incidindo a garantia sobre bem de terceiro. também. b) Sub-rogação Art. a sua exclusão da penhora é admissível sem restrições. por forma válida segundo a lei civil.Ana Beatriz Santos Direito Processual Civil III c) Dívida com garantia real Bem especialmente afecto ao cumprimento da obrigação há quando se tenha constituído uma garantia real. quando. Esta regra de penhorabilidade subsidiária não tem lugar quando. Ouvido o exequente. Opondo-se o exequente. a propositura da execução tenha lugar só contra o devedor ou o exequente nomeie à penhora bens deste.842/1 CPC. que são susceptíveis de penhora autónoma quando não falte mais de um mês para a época normal da colheita. de alegar e provar que os bens penhorados não provieram da herança e que dela não recebeu mais bem do que aqueles que indicou. sem prejuízo da integração dos frutos civis futuros no objecto da venda subsequente. em que pedirá que seja levantada. não só o privilégio creditório sobre frutos.827/1 CPC). o exequente pode.824/1 CPC – a penhora abrange as partes integrantes e os frutos. quando estes estão sujeitos a algum privilégio. Quando o bem onerado pertença ao devedor. Mais duvidoso é o caso do penhor duma parte integrante do bem penhorado – o efeito de oneração da coisa fica condicionado ao acto da separação. a penhora é levantada se ele não deduzir oposição. Tratando-se de frutos naturais ou de partes integrantes. quando este não tiver tido ainda lugar à data da penhora. pode o executado opor-se por simples requerimento. fazer incidir a penhora em outros bens do devedor. XVII – A penhora em acção contra o herdeiro Na execução contra ele movida.823 CC 33 . o privilégio não está constituído. Ou a aceitação foi pura e simples e o executado tem. Estando em causa frutos civis. cessa. XVIII – Extensão da penhora a) Âmbito inicial Art. a sua separação material do bem que os produz. também. das duas uma:   Ou a herança foi aceite a benefício de inventário e basta ao executado juntar certidão do respectivo processo. indicando os bens da herança que tenha em seu poder (art. No caso de frutos pendentes. de onde se retira que também podem ser excluídos da penhora. da qual constem os bens que recebeu da herança. Nestes casos. A mesma disposição admite a exclusão destas no acto da penhora e. em oposição à penhora.827/2 CPC). tenha lugar a renúncia à garantia real constituída. O termo privilégio. só o proprietário tem a faculdade de operar a separação jurídica da coisa móvel. do art. a penhora de outros bens só pode ter lugar depois de se verificar a insuficiência daquele. só se podem penhorar os bens recebidos do autor da herança (art.

O AE pode penhorar outros bens que não os que forem indicados.821/3 CPC e 834/1. sem prejuízo de se vir a renovar se forem encontrados posteriormente bens penhoráveis. após o que. seguidamente. se este indicar bens para penhorar. Possibilitar o levantamento parcial da penhora – o executado terá de requerer o levantamento da penhora. 34 . seja oposta resistência com que não contava (art. devem eles ser penhorados. Neste último caso. se extingue a instância.834/1/a) a d) CPC que.Ana Beatriz Santos Direito Processual Civil III c) Divisão do prédio penhorado Quando. Esta indicação é dada na medida do possível e não vincula o agente de execução (AE) a penhorar os bens indicados. o seu valor manifestamente exceder o da dívida exequenda e dos seus créditos reclamados. se não forem indicados. oposição à penhora. por imposição da norma constitucional que garante a inviolabilidade do domicílio. Procede.e. cabe ao AE a determinação dos bens a apreender. desistência da penhora e invocação do BEF pelo devedor subsidiário. É o agente de execução que pode autorizar o fraccionamento. permitem o pagamento do crédito exequendo e das custas. é dada indicação dos bens do executado que o exequente conheça. a penhora de casa habitada ou de bem móvel nela existente em que cabe ao juiz ordenar a requisição da força pública.834/1/ a) a d) CPC. por poder estar em jogo a protecção de direito fundamental ou de sigilo. assim identificados. presumivelmente. recebimento de embargos de terceiro contra a penhora. sem prejuízo de a poder solicitar ao AE quando. é notificado o exequente e. com as precisões que lhe seja possível fornecer. Não sendo encontrados bens suficientes. c) Penhoras subsequentes É admissível ao executado requerer a substituição dos bens penhorados por outros que igualmente assegurem os fins da execução. no acto de penhora. é ainda solicitado ao executado que os indique . a qualquer diligência que tenha utilidade para a identificação e localização de bens penhoráveis. penhorado um bem imóvel divisível. o executado pode requerer autorização para proceder ao seu fraccionamento (art. Esse fraccionamento tem duas finalidades:   Permitir a venda separada – a penhora mantém-se.834/3 CPC enumera outros casos em que é admissível vir a penhorar outros bens: manifesta insuficiência dos bens penhorados.840/2 CPC). situação de oneração dos bens penhorados. e) e 2 CPC consagram e observando. O art. o AE começa por consultar o registo informático de execuções. Para descoberta dos bens do executado. na medida em que essa cláusula o consinta. O exequente pode rejeitar a penhora de determinados bens imóveis ou de bens móveis não sujeitos a registo. a penhora de certos bens deve ser precedida de despacho judicial. com respeito por uma clásula geral de proporcionalidade ou adequação que os arts. aguardando o momento da venda executiva. b) Autorização da penhora Excepcionalmente. p. não os indicando. XIX – Actos preparatórios da penhora a) Descoberta dos bens No requerimento executivo.a ordem estabelecida no art. excepto quando os bens forem indicados pelo exequente e pertençam a alguma das categorias referidas no art.842/A/1 CPC).

com as necessárias adaptações (art. se for um bem móvel não sujeito a registo. ou seja.862 CPC d) A penhora de direitos ou expectativas de aquisição A penhora pode incidir sobre direito ou expectativa real de aquisição do executado – aplicam-se as disposições relativas à penhora de direitos de crédito. Art.856 a 860 CPC c) A penhora do direito a bens indivisos Art. tem lugar mediante a tradição da coisa Penhora de bens imóveis Formas de penhora faz-se por comunicação à conservatória do registo predial competente. tem lugar quando não está em causa o direito de propriedade plena e exclusiva do executado sobre coisa corpórea nem um direito real menor que possa acarretar a posse efectiva e exclusiva da coisa móvel e imóvel b) A penhora do direito de crédito É notificado o devedor de que o crédito fica à ordem do AE.838/1 CPC) Penhora de direitos determina-se por exclusão de partes.860-A/1 CPC). 35 .Ana Beatriz Santos Direito Processual Civil III XX – O acto da penhora a) Formas Penhora de bens móveis se for um bem móvel sujeito a registo. também se faz por comunicação à conservatória do registo predial. com o valor de apresentação registral (art.

por aplicação subsidiária.  Tratando-se de direito sujeito a registo. a penhora é constituída pela comunicação à entidade registadora. na de coisas móveis sujeitas a registo e na de direitos: AE ou.  Sendo o direito relativo. em regra.e. e. XXI – O depositário A penhora implica. a garantia do interesse do exequente torna necessária. o objecto da penhora passa automaticamente a incidir sobre o bem transmitido. para além da notificação constitutiva da penhora. o depositário pode ser removido se não cumprir os deveres do seu cargo. o acto de reconhecimento da contraparte serve de base à formação do título executivo. Ao aplicar o art. que esteja na posse ou detenção do executado. nas execuções distribuídas a oficial de justiça. XXII – Registo da penhora a) Quando tem lugar e para quê É o que acontece. a efectuar com base em certidão do auto que atesta a sua realização. mas a ela tenha direito por via do contrato que celebrou. penhora de direito ou expectativa de aquisição.860-A/2 CPC tem de se ter em atenção duas coisas:   As situações de mera detenção têm de ceder perante a pretensão real da contraparte. p. nos casos de:   Imóveis ou direitos reais sobre imóveis Móveis sujeitos a registo ou direitos reais sobre eles Outras vezes. a apreensão material da coisa. Na penhora de estabelecimento comercial: pessoa designada pelo juiz. Consumada a aquisição. Quando não seja o AE. Na penhora de coisas móveis não sujeitas a registo: AE que efectue a diligência ou quem tenha a guarda do depósito para a qual a coisa seja removida. a penhora constitui-se com a notificação à contraparte.e. há situações em que é desnecessária a figura do depositário: p. Este acto de apreensão não implica a penhora da própria coisa.   Cabe-lhe administrar os bens ou direitos penhorados. No entanto. e) A penhora de outros direitos  Nos casos de direito absoluto. Quando o executado não tenha a posse da coisa. pessoa por este designada. um depositário. o registo da penhora constitui um acto a esta subsequente. Este é:  Na penhora de coisas imóveis. É o que acontece nos casos de:   Direito de crédito com garantia real sujeita a registo Direito ou expectativa real de aquisição de bem sujeito a registo 36 . quando estiver paralisada ou deva ser suspensa a actividade do estabelecimento.Ana Beatriz Santos Direito Processual Civil III Quando o objecto a adquirir for uma coisa móvel ou imóvel. a penhora efectua-se mediante simples notificação ao executado.

iii. o exequente fica com o direito de ser pago com preferência a qualquer outro credor que não tenha garantia real anterior (art. nos casos em que lhe é permitida a substituição por outro do bem penhorado. por negligência não imputável ao executado.A norma do art. 1 Mesmo no caso da penhora do direito de crédito. o tribunal passa a poder produzir a declaração de vontade em que esse direito se consubstancia. art. e este requerer o levantamento (art. O mesmo acontece com o direito real de aquisição. ou seja. no esquema do acordo do pagamento em prestações. XXIII – Levantamento da penhora Em geral. continua a poder praticar. Semelhantemente. No caso de desaparecimento do bem penhorado (art. a penhora é levantada:    Quando ocorra uma causa de extinção da execução difeente do pagamento posterior à venda executiva. a transferência dos poderes de gozo importa uma transferência de posse.822/1 CC).819 CC pressupõe. depois da penhora. Estes actos não têm eficácia plena. a prática de um acto voluntário do executado. Atenção! . como é também condição de prosseguimento do processo de execução. Quando o exequente desista da penhora.   XXIV – Função e efeitos da penhora a) Função: acto fundamental do processo executivo. estando em causa um direito de natureza diferente. 1 ii. o AE ou a secretaria fica com o poder de receber e provisoriamente reter a prestação principal. Se a execução estiver parada durante 6 meses. mas sim ineficazes – recuperarão a sua eficácia plena no caso de a penhora vir a ser levantada. do executado para o tribunal. b) Efeitos i. já não se pode falar em posse. Logo. Preferência do exequente: a penhora envove a constituição de um direito real de garantia a favor do exequente – tem este direito o atributo da preferência. o registo é obrigatório. 37 . não são actos nulos. Ineficácia relativa dos actos dispositivos subsequentes: o executado mantém a titularidade do direito esvaziado de todo o seu restante conteúdo. No entanto. sendo inoponíveis à execução.823 CC. sem que outro credor a mantenha. Cessa a posse do executado e inicia-se uma nova posse pelo tribunal. sempre.847/1 CPC).Ana Beatriz Santos Direito Processual Civil III  Bens ou direitos sujeitos a registo que integrem o estabelecimento comercial Nestes casos. actos de disposição ou oneração. Perda dos poderes de gozo: quando a penhora incide sobre o objecto corpóreo dum direito real. no caso da penhora dum direito potestativo. bem como nos termos em que tal lhe é permitido. Quando seja julgada procedente a oposição à penhora. dos poderes de gozo que integram o direito. constituindo ónus do exequente – não só é condição de eficácia do acto da penhora perante terceiros.730/c) CC). mas continua a verificar-se a transferência.

só pode ser feita perante o juiz. em requerimento. Regra geral.809/1/ c e d CPC. quando não tenha havido citação prévia. excepto se o AE for confrontado com a evidência do direito de terceiro no próprio acto de penhora. b) Incidente de oposição à penhora: tem lugar no próprio processo de execução. LF diz-nos que direito incompatível se concretiza da mesma forma que o direito incompatível do art. quando o executada tenha sido previamente citado e se tenha oposto à execução. ou para aquela dívida. A oposição à penhora é cumulada com a oposição à execução. na falta de outro meio de impugnação da penhorabilidade do bem apreendido ou a apreender. assim sendo. Perante o disposto no art. que direitos se extinguem com a venda executiva: 2 3 “Prova documental inequívoca”: RP considera que isto significa prova não contestada Impenhorabilidade objectiva: penhoram-se bens que não deviam ser penhorados. Restam ainda casos específicos em que a lei admite este meio de oposição (art. contados da citação. É um meio de oposição exclusivo do executado. ou sem excussão de todos os outros. O art. situação em que não deve realizá-la. RP e APCS consideram que o artigo é claro ao dizer que a ilisão é feita depois da penhora e.824/ 4 e 7 CPC). em absoluto.Ana Beatriz Santos Direito Processual Civil III XXV – Oposição à penhora Meios de oposição à penhora a) Oposição por simples requerimento b) Incidente de oposição à penhora c) Embargos de terceiro d) Acção de reivindicação a) Oposição por simples requerimento: tem lugar no próprio processo de execução. 38 .863-A enumera as situações em que se pode fundar a oposição do executado à penhora.827/2 CPC e art. suscitar a questão da impenhorabilidade. perante o juiz do processo. Estamos perante casos de impenhorabilidade objectiva 3.910 CPC. Esta presunção pode ser ilidida. quando tenha sido previamente citado. os bens de terceiro não são penhoráveis. Para LF. então. prova documental inequívoca 2 de que ela pertence a terceiro. O executado tem 20 dias para se opor. contados da notificação da penhora. ainda que por apenso. Tendo estas considerações doutrinais acerca do conceito. c) Embargos de terceiro: à penhora só estão sujeitos bens do executado. é necessário saber. RP apresentanos o conceito de direito incompatível como sendo um direito inoponível. a questão da impenhorabilidade. a ilisão faz-se perante um juiz. por outro lado. o exequente pode suscitar perante o juiz a questão da impenhorabilidade. ainda que por apenso. Penhorada uma coisa móvel encontrada em poder do executado. e 10 dias. que seja previamente citado. mediante simples requerimento acompanhado dessa prova. presumindo até lá que a coisa pertece ao executado. a lei concede a possibilidade de se fazer. Os embargos de terceiro têm dois fundamentos: i. pode o executado. Existência de direito incompatível: MTS diz-nos que direito incompatível é aquele que não se extingue com a venda executiva. antes mesmo da sua apreensão – nestes casos. ou não deviam ser penhorados naquelas circunstâncias. o requerente levantará.

no caso do estabelecimento comercial). se esta for exercida em nome de terceiro. que a posse exercida em nome alheio em nome do executado não dá lugar a embargos de terceiro. sob pena de litispendência. Fundamento na posse: ficará assente se o terceiro era. É um meio totalmente autónomo relativamente ao processo executivo e que pode levar a todo o tempo à anulação da venda (art. é preciso considerar algumas posições: LF considera que se a posse em nome alheio for exercida em nome do executado. diferentemente de LF. ii. proprietário do bem penhorado. O seu âmbito é diferente consoante o fundamento do embargo:    Fundamento em direito de fundo: ficará assente a existência ou não desse direito. efectivamentem um terceiro:    Penhora de bens próprios do cônjuge do executado Penhora de bens comuns.352 CPC.no entanto. embargar. ou seja. Posse incompatível: aquela posse cujo título é incompatível. quando não for citado Penhora de bens próprios do executado. igualmente. na medida em que as garantias das partes e a complexidade da tramitação dos embargos de terceiro não são inferiores às da acção declarativa. se for exercida em nome de terceiro. utilizar os dois cumulativamente. podemos falar também de posse em nome alheio. poderá.909/1/d) CPC). ao alcance do proprietário cujo direito tenha sido ofendido pela penhora. Geralmente. são admitidos embargos em sua representação. Impoe um litisconsórcio necessário natural: tem de ser intentada pelo executado e pelo exequente. a maioria considera que se deve recorrer à tutela do art. possuidor do bem penhorado à data da posse. também. Formação do caso julgado:produz-se caso julgado. não tendo havido citação? Embora a doutrina tenda a divergir. 39 . ainda. utilizar o meio dos embargos de terceiro ou o de acção de reivindicação. 4 Menezes Cordeiro excepciona o direito de retenção. O cônjuge pode embargar de terceiro quando for. O proprietário pode. d) Acção de reivindicação: trata-se da acção declarativa comum. Pode.Ana Beatriz Santos Direito Processual Civil III a) Direitos adquiridos depois da penhora b) Direitos reais de garantia 4 c) Direitos pessoais de gozo Os direitos reais de gozo adquiridos antes da penhora não se extinguem com a venda executiva. ou não. só no caso de bens especiais (p. falamos de posse em nome próprio mas. neste caso. alternativamente. não pode haver embargo.864/11 CPC. se os embargos forem e permanecerem fundados na posse. também não há lugar a embargos de terceiro. MTS considera.e. não há lugar a embargos de terceiro. Fundamento em direito de propriedade: ficará assente que o executado é. ou não. Nesta situação. É necessário falar. dos embargos de terceiro por cônjuge do executado art.

mas se o prazo do executado terminar mais tarde. ao cônjuge não é consentido fazer valer. Sendo o objecto da venda delimitado pelo objecto da penhora. nos termos do art. na oposição à execução. mas com restrições quanto à anulação derivada dos actos posteriores. Fora o caso em que a execução passe a correr também contra ele. Desta realidade.Ana Beatriz Santos Direito Processual Civil III XXVI – Convocações a) Em geral: Efectuada a penhora.809/1/d) CPC. os credores do executado e. b) Dos credores: só são convocados os credores que gozam de garantia real sobre o bem penhorado. O cônjuge do executado é convocado nos termos do art.  Os poderes processuais do credor reclamante. em oposição. como um substituto processual deste. o cônjuge pode dele aproveitar-se. sem atenção ao credor. XXVII – Pressupostos específicos da reclamação de créditos a) Existência de garantia real sobre os bens penhorados: será este ónus extensivo ao credor cuja garantia incida apenas sobre os rendimentos dos bens penhorados? O problema põe-se na medida em que a penhora não abrange os frutos.dir-se-ia que a transmissão de bens nessas condições não abrange os respectivos rendimentos – chega-se à conclusão de que assim não acontece. Sendo chamadas pela primeira vez ao processo. sobre os quais exista privilégio. ou mediante 40 . o seu cônjuge.864-A CPC. a sua convocação faz-se sob a forma de citação. advêm 3 consequências:  O credor reclamante só pode receber pelo valor dos bens penhorados sobre os quais tem garantia.  Quando a penhora tenha recaído sobre bem imóvel ou estabelecimento comercial que o executado não possa alienar livremente. Os credores vêm ao processo. na acção executiva. o Instituto de Segurança Social e o Instituto de Gestão Financeira da Segurança Social. c) Do cônjuge do executado: o cônjuge do executado é convocado em dois casos:  Quando a penhora tenha recaído sobre bem comum do casal. são convocados para a execução. bem ainda a Fazenda Pública. Havendo oposição entre a posição tomada pelo executado e a assumida pelo cônjuge. o juiz decidirá. nos termos gerais do art. como para fazerem valer os seus direitos de garantia sobre os bens penhorados. cuja falta ou nulidade tem o mesmo efeito que a falta ou nulidade da citação do réu. O credor que não tenha garantia real à data da penhora pode obtê-la no decurso do prazo das reclamações. fundamento já invocado pelo executado em oposição própria: o cônjuge do executado actua. por aceitação da comunicabilidade da dívida. não tanto para fazerem valer os seus direitos de crédito e obterem pagamento.  Qualquer resultado que deixe incólume o direito real de garantia pode ser obtido. São citados os credores com direito real de garantia registado e os que forem conhecidos. A oposição do cônjuge à execução e à penhora deve ter lugar no prazo de 10 dias. para além dos que respeitam à verificaçã e graduação do seu próprio crédito. no prazo de 5 dias. Já não é feita a citação edital dos credores. naturais ou civis.825 CPC. mediante a constituição de hipoteca judicial. circunscrevem-se nos limites do seu direito de garantia. em certos casos.

Ana Beatriz Santos Direito Processual Civil III arresto do bem penhorado. XXVIII – A acção de verificação e graduação de créditos 3 fases: 1. mediante a apresentação de petição articulada em duplicado. nos termos gerais. o juiz proferirá sentença de verificação dos créditos reclamados. reclamar os seus créditos. o crédito ter-se-á por reconhecido: trata-se. Articulados Citados os credores. a seguir. pode o credor com direito a hipoteca legal sobre os bens penhorados constituí-la mediante registo. que é graduado em último lugar (arts. salvo disposição em contrário e com excepção do privilégio mobiliário geral. da hipoteca e consignação de  41 . caso este não tenha conseguido tornar certa a obrigação até ao fim do prazo. o privilégio imobiliário é graduado em primeiro lugar. deve permitir-se que o credor deduza o pedido em forma alternativa.749 e 750 CC). pode ainda efectuar penhora sobre o mesmo bem em execução própria. acabando aí o processo. É assim que:  Em caso de concurso sobre a mesma coisa móvel. que evitará a propositura da acção. Em caso de concurso sobre a mesma coisa imóvel. Se a verificação de algum dos créditos reclamados estiver dependente de produção de prova. Se não houver impugnação. a resolver no momento em que a obrigação se torne certa. seguir-se-ão os termos do processo sumário de declaração. que a graduação de créditos aguarde a sua obtenção. 2. tenha havido impugnação. É ainda possibilitada a formação dum título executivo judicial impróprio. após o que reclamará o seu crédito na outra execução. dentro deste prazo. prevalece o direito real de garantia que mais cedo tiver sido constituído. sem prejuízo de o processo executivo prosseguir até à venda ou adjudicação dos bens penhorados e se fazer entrentanto a verificação dos restantes créditos. 3. c) Certeza e liquidez da obrigação: dada a existência do prazo para a reclamação. Havendo impugnação. pois. ao executado e aos outros credores reclamantes que.é-lhe facultado requerer. o mesmo acontece para a liquidez da obrigação. Graduação de créditos Logo que estejam verificados os créditos reclamados. o juiz gradua-os. o credor reclamante tem o direito a resposta. Do mesmo modo. seguido do direito de retenção e. podem impugnar os créditos reclamados e as respectivas garantias. em acção já pendente ou a propor no prazo de 20 dias. A verificação pode. Fora desse prazo. em articulado. as reclamações apresentadas são notificadas ao exequente. num prazo de 15 dias. estes podem. consistir no reconhecimento do crédito ou no seu não reconhecimento. Verificação de créditos Se nenhum crédito tiver sido impugnado ou. b) Existência de título executivo: podendo um credor com garantia real sobre o bem penhorado não dispor ainda de título no termo do prazo para a reclamação. podendo igualmente o tribunal não entrar na verificação de um certo crédito por julgar procedente uma excepção dilatória conducente à absolvição da instância. não houver prova a produzir. Terminado o último prazo para a reclamação dos créditos. dum processo cominatório pleno.

a ordem de prevalência é. que se limita a verificar os requisitios de que a lei a faz depender.889 a 907 CPC. deve atender-se à natureza e à data de constituição deste. Quanto a venda por propostas em carta fechada. 2) quando o exequente. c) Efeitos: art. logo. prevalecendo entre as duas últimas a que for registada em primeiro lugar (art. pelo AE quando se trate de direitos relativos a bens móveis e pelo juiz nos outros casos. a dos arts. encontra-se regulada pelos arts. constituam garantia real posterior à penhora. Direito de preferência: o direito processual reconhece o direito de preferência legal e o direito de preferência convencional com eficácia real – o primeiro prevalece sobre o segundo. por segunda penhora. Ao juiz cabe determinar a venda por negociação particular por razão de urgência. o caso julgado forma-se apenas quanto ao reconhecimento do direito real de garantia. arresto ou hipoteca judicial. do executado e dos credores com garantia sobre os bens a vender e comunicada seguidamente aos mesmos. Concorrendo entre si vários privilégios creditórios. A indicação da modalidade de venda cabe ao AE. se for apenas garantido pela penhora. consoante a causa do seu direito. a venda por negociação particular. CPC ii. em geral. Usam-se estas formas excepcionais: 1) quando a lei as impõe. A determinação da modalidade de venda é precedida da audição do exequente.912 e ss. a venda em bolsas de capitais ou mercadorias. Direito de remição: art. lhe concede. será graduado depois destes créditos. constituindo as restantes forms excepcionais. XXIX – A venda executiva a) Modalidades: venda mediante propostas por carta fechada.745 a 748 CC. é ela determinada. mas antes dos credores que. 759/2 CC e 6/1 CRP). segue-se o regime eral da lei civil e o titular do direito pode propor a acção de preferência no prazo que a lei.875 a 877 CPC). venda em depósito público. devendo fazê-lo no próprio acto e estando sujeitos às mesmas regras do proponente quanto ao pagamento do preço. Se o exequente tiver direito real de garantia. mas há várias disposições avulsas. que podem reclamar para o juiz. A venda por propostas em carta fechada constitui a forma normal da venda executiva de bens imóveis e de estabelecimentos comerciais de valor superior a 500 UC. Caso especial de venda executiva constitui a adjudicação dos bens penhorados (art. Quando a lei não determine a modalidade de venda nem consagre expressamente uma possibilidade de opção.824 CC 42 .Ana Beatriz Santos Direito Processual Civil III rendimentos. por analogia. a venda directa a pessoas ou entidades que tenham direito a adquirir os bens penhorados. O crédito do exequente. Quando não seja feita a notificação.751 CC. a venda em estabelecimento de leilões. b) Remição e preferências i. o executado ou um credor reclamante com garantia sobre os bens a vender proponha a venda em estabelecimento de leilão e não haja oposição dos restantes ou quando todos estejam de acordo na venda por negociação particular e 3) quando a lei concede ao juiz ou ao AE a opção entre mais de uma modalidade de venda.   Formação do caso julgado: não tem garantias iguais às da acção declarativa comum. Os titulares do direito de preferência são notificados para o exercer.

Se algo restar do produto da venda. e) Anulação: art. Só estes direitos são atendidos no processo de execução. A hipótese 3) levanta algumas dificuldades. dos rendimentos dos bens penhorados ao pagamento do crédito do exequente. mas acrescenta que eles “se transferem para o produto da venda”. perante uma sub-rogação objectiva. O direito real do terceiro subsiste. Entrega de dinheiro apreendido ou resultante do pagamento de créditos pecuniários que haja sido objecto de penhora iii. mas depois da constituição dum direito real precedente do exequente. 2) anterior à constituição da penhora. f) Natureza: a venda executiva é caracterizada como um contrato especial de compra e venda com características de acto de direito público. Só pode ter lugar quando estiver em causa: 1)um bem imóvel ou móvel sujeito a registo (art. A venda executiva ii. Vendido o direito penhorado. por isso. o produto da venda é. no processo executivo. e não perante uma verdadeira caducidade.Ana Beatriz Santos Direito Processual Civil III i. mas depois da constituição do direito real de garantia invocado por um dos credores reclamantes. existem 3 momentos possíveis de constituição do direito real de gozo: 1) posterior à constituição da penhora. tem o respectivo titular também o direito a receber a sua parte do produto da venda do bem. quando se refere a “qualquer arresto. e 3) anterior à constituição de qualquer direito real do exequente. d) Transferência para o produto da venda: a lei considera caducos os direitos que não acompanham a transmissão pela venda executiva. com respeito pela ordem decorrente das datas de constituição dos vários direitos em causa. há que distinguir entre os que sejam de:  constituição anterior à constituição de todos os direitos reais de garantia invocados ou constituídos no processo de execução: é preciso que os direitos de garantia de todos os credores sejam de data posterior à do direito real de gozo dum terceiro. Quanto aos direitos reais de garantia. Caducidade dos direitos reais: 824/2 CC. LF considera que estamos. Consignação de rendimentos: consiste na afectação.824/2 CC ser interpretado restritivamente. todos eles caducam. a lei determina que os bens se transmitam livres do direito real do terceiro. Em qualquer destas hipóteses. 2) um título de crédito nominativo (art.908 e 909 CPC. distribuído pelo exequente e demais credores reclamantes.879/1 CPC). XXX – Pagamento a) Meios de atingir o pagamento i.  constituição posterior à constituição de qualquer deles: nesta hipótese.857 CPC).881/3 CPC e art. Só o exequente tem 43 . nomeadamente porque coloca uma questão: estaremos perante um caso em que o objecto da venda poderá ir além do objecto da penhora? Ou deverá o art. penhora ou garantia a favor do exequente”? LF considera que se deve interpretá-lo de forma restritiva. deve ser restituído ao executado. de acordo com a ordem estabelecida na sentença de graduação de créditos. com eficácia real. na totalidade deste ou no remanescente que esteja por pagar. mas anterior à penhora nele efectuada. Caducando um direito real de gozo posterior a algum dos direitos reais de garantia que se tenha feito valer no processo. no campo dos direitos reais de gozo.

É necessário o acordo expresso ou tácito do executado. extinguindo-se. b) Ordem dos pagamentos O pagamento coercivo tem lugar segundo a ordem determinada na sentença de graduação de créditos. compensação.920 CPC. sempre pagas em primeiro lugar as custas de execução e atendendo-se igualmente na respectiva ordem. com um prazo de 15 dias. XXXII – Recursos a) Apelação autónoma: estão sujeitas a recurso de apelação. É efectuada por comunicação à conservatória. É possível proceder-se ao pagamento em prestações.882 e ss. se for requerida antes de a ela se proceder. desde que tenha interesse para o apelante independentemente daquela decisão. a consignação de rendimentos e pode fazê-lo entre o momento da realização da penhora e o da venda ou adjudicação dos bens penhorados.922-B/1 CPC só podem. as decisões finais proferidas nas acções declarativas que correm por apenso ao processo de execução. impossibilidade de encontrar bens penhoráveis. podem ser autonomamente impugnadas em recurso único.678. A consignação de rendimentos tem a particularidade de dispensar a convocação dos credores. não havendo recurso da decisão final. a execução chega ao fim. dação em cumprimento. os direitos reais de gozo que tenham caducado com a venda executiva e sejam oponíveis à execução. c) Pagamento em prestações: art. remissão e confusão. desistência da instância ou do pedido.194 a 198 CPC). consignação em depósito. XXXI – Extinção e anulação da execução a) Extinção: a causa normal de extinção da execução é o pagamento coercivo. a execução pode ainda extinguir-se devido a revogação da sentença exequenda. A instância extingue-se automaticamente. Estas causas vêm apresentadas no art. contados da notificação da extinção da execução. b) Anulação: verifica-se quando há falta ou nulidade da citação (arts. procedência da oposição à execução. Mas. CPC. a intepor no prazo de 15 dias. c) Revista: segue o regime geral 44 . Para além destas causas. porém. c) Renovação da acção executiva i. em princípio ser impugnadas com o recurso que venha a ser interposto da decisão final. novação. Causas: depois de extinta. ao AE. a acção executiva pode renovar-se no mesmo processo. Circunscrição da renovação feita nos termos do art. adjudicação pro solvendo do direito de crédito. Feita a distribuição. A decisão proferida no incidente de oposição à penhora pode também ser objecto de recurso de apelação. bem como o título em que se tenha baseado a execução. deserção e transacção. ii. É indiferente o fundamento da oposição à execuçao. a interpor no prazo geral de 30 dias e com sujeição às condições gerais de admissibilidade do art. por desistência do exequente ou por transacção. b) Impugnação não autónoma: as decisões interlocutórias nas acções e incidentes declarativo referidos no art.920/1 ou 2 CPC: a renovação só pode acontecer quando a extinção tenha ocorrido por extinção da obrigação exequenda. A obrigação exequenda pode extinguir-se pelo pagamento por acto voluntário do executado ou de terceiro (a chamada remição da execução). sendo.Ana Beatriz Santos Direito Processual Civil III legitimidade para requerer.

Ana Beatriz Santos Direito Processual Civil III 45 .

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