INTRODUÇÃO

Parte crucial dos cursos de licenciatura, o estágio supervisionado pode ser definido como:
[...] o primeiro contato que o aluno-professor tem com seu futuro campo de atuação. Por meio da observação, da participação e da regência, o licenciando poderá refletir sobre e vislumbrar futuras ações pedagógicas. Assim, sua formação tornar-se-á mais significativa quando essas experiências forem socializadas em sua sala de aula com seus colegas, produzindo discussão, possibilitando uma reflexão crítica, construindo a sua identidade e lançando, dessa forma, um novo olhar sobre o ensino, a aprendizagem e a função do educador. (JANUARIO, 2008) [...] um momento de aquisição e aprimoramento de conhecimentos e de habilidades essenciais ao exercício profissional, que tem como função integrar teoria e prática. Trata-se de uma experiência com dimensões formadora e sócio-política, que proporciona ao estudante a participação em situações reais de vida e de trabalho, consolida a sua profissionalização e explora as competências básicas indispensáveis para uma formação profissional ética e coresponsável pelo desenvolvimento humano e pela melhoria da qualidade de vida. (INSTITUTO FEDERAL ESPÍRITO SANTO)

É notável a relevância que muitos pesquisadores atribuem ao estágio supervisionado dentro dos cursos de licenciatura pelo fato de este aproximar o futuro professor de sua profissão. O estágio permite ao acadêmico conhecer as reais condições de trabalho a que poderá estar submetido ao término do curso além de permitir uma maior compreensão da carreira de docência através das dificuldades que lhes são apresentadas no decorrer desse período. Antes de submetidos diretamente ao ensino, os acadêmicos dos cursos de licenciatura passam por um período de observação, onde deverá observar aulas ministradas por outros professores de modo a constatar quais são problemas, características estruturais, projeto pedagógico e demais fatores que estão presentes nas escolas de educação básica e que influenciam direta ou indiretamente no processo de ensino aprendizagem. Esse período de observação permite ao estagiário conhecer com profundidade o ambiente em que terá que

Porém é necessário termos em mente que será preciso severas adaptações do meio escolar para que a música possa realmente tornar-se parte integrante dos projetos pedagógicos das escolas de ensino regular. poucas horas para planejamento de aula. A metodologia a ser utilizada nesse primeiro momento será a de observador não participante. alguns acordes. O dogma deste século é sem dúvida a transformação da educação de modo a acompanhar os avanços tecnológicos que muito influenciam. pois desta forma conheceria o contexto sócio-cultural dos alunos imersos nesta instituição. e usarei aqui um conceito muito discutido na etnomusicologia: outsider. condições que não favorecem para um sistema educacional ótimo). positiva e negativamente. 2007). É nesse momento que nos encontramos. E a música não escapa a estes avanços devendo . Embora conhecedor do instrumento violão (suas escalas. todos nós brasileiros ficamos muito felizes com a volta da música para os currículos escolares. etc). seria importante que todo e qualquer professor que viesse a ser contratado por uma escola a qual nunca lecionou passasse por este período de observação. a vida dos jovens e crianças que lidam o tempo todo com a modernidade. enfim. Entrarei em outro universo por mim até então desconhecido. não se trata do meu instrumento de estudo ao qual dedico horas ao aperfeiçoamento técnico e pedagógico. Por ter uma ligação muito forte com a música. O que acontece nesse estágio é justamente isso: um músico e professor de percussão que irá observar aulas de violão lecionadas por um músico e professor de violão. podendo melhor atende-los. o pesquisador outsider não somente observa tudo de longe. muitos alunos por turma. apontando os pareceres de diversos etnomusicólogos. Porém trata-se de uma ideia utópica. Se pensarmos mais a respeito deste assunto. Segundo Cook. salário baixo. visto o momento pelo qual passam os profissionais de docência no Brasil (ausência de plano de carreira.atuar no futuro caso escolha a educação básica para lecionar. mas também não faz parte daquele meio observado (COOK.

2012) a escola encontra-se ainda naquilo que ele chama de “era do conhecimento”. mas como linguagem. quando o ensino e a aprendizagem musical privilegiam o perceber e o perceber-se como alicerces da construção do conhecimento musical e do ser. Segundo Ricardo Breim (BREIM. A escola está habituada a resolver tudo com a língua. flautas doces. onde deve haver um equilíbrio entre o saber e o ser.. o indizível. No caso da Música.adaptar-se duas vezes.. onde a educação é fundamentada no pensamento. muitas até fazem investimentos desnecessários comprando inúmeros violões. enquanto que a música está na “era da sensibilidade”.] você precisa aprender tudo que já se construiu a respeito de conhecimento. 168) O ensino da música tem o invisível. Atualmente a música nas escolas tem sido tratada como o ensino único e exclusivo de instrumentos. a experiência mostra que ela oferece ao aluno possibilidades únicas de construção de esquemas quando é utilizada não como entretenimento ou outros fins. “[. 174) A música na escola deve agir não como formadora de músicos. interpretar e improvisar. 2012. porque se fosse da dimensão da palavra dava pra resolver com a língua. então para ela. primeiro à escola de ensino básico com muitos alunos por turma e diversos outros obstáculos que devem ser ultrapassados. segundo. valorizando tanto os produtos finais quanto a qualidade das experiências e processos de apreciar. a expressão como meio. p. 2012. uma coisa que transcende a palavra. p. e no momento em que todos aprenderam a se expressar através da música. (Breim. (Breim. compor. cornetas (instrumentos dificílimos para se trabalhar com crianças e jovens). etc. aí sim entra o instrumento. mas como formadora de indivíduos sensíveis à música e capazes de reconhecer e diferenciar musicalmente o que lhes é imposto pela sociedade e pelo sistema em que estão inseridos. a era digital que ao mesmo tempo em que facilita o acesso ao material sonoro produzido por todo o mundo nas mais diferentes épocas também inibe a criatividade destes uma vez que já encontram tudo que precisam pronto para uso ou desuso. Deve-se pensar o instrumento como meio. é difícil pensar conhecimentos que tem uma outra natureza. a respeito de como se toca bem aquele . sem enxergar que essa não é a meta de tornar a música uma disciplina integrante do currículo escolar.

mas sim em como está se fazendo uso desta música. ela tem que escolher não o que está na mídia. O conceito de distração e entretenimento refere-se ao não trabalho ou. (quando focamos o ensino de música no instrumento estamos apenas reproduzindo aquilo que o sistema quer ver: alunos músicos e não alunos musicais).. e saber que tudo isso é meio. que não se ensina. (Salles. [. que não se avalia. A escola é o lugar da resistência. ajuda a gente a entender o lugar do repertório. que é a “aula livre” (para não dizer.] (a) habilidade de tocar instrumento não contribui quase nada com a sensibilidade. eu acho que essa questão de entender a gênese do conhecimento em arte pode contribuir pra formação humana. p. Maioria das vezes essas funções que a música desempenha dentro da escola trás pouca ou nenhuma experiência musical significativa que possa ser caracterizada como aquisição de conhecimento por parte dos alunos. p. ou como lazer. que não se aprende. quando a escola entende isso ela não embarca na mídia. o desfrute. O problema não está em usufruir da música para tais funções. entretenimento para acalmar outras disciplinas mais rigorosas e nunca como uma disciplina que merece tanta atenção quanto às demais. A grande dúvida ao se aprovar a volta da música nas escolas. é o papel dela. Esta é vista muita das vezes apenas como cartão postal nas escolas e usadas para mostrar “serviço” em datas comemorativas. foi o fato de haver ou não docentes suficientes para assumirem a responsabilidade de lecionarem algo novo nas instituições educacionais. do brinquedo e da pura fruição. levando-a a um vazio. a “aula da bagunça”). também conhecemos a maneira com que a música é encarada no rol das disciplinas escolares. é isso que ela tem que fazer. o lugar do instrumento. 2012. em outras palavras. Então. como aquela que não é aula. Porém. o lazer. 175) Outro fato importante de ser mencionado aqui é a interdisciplinaridade a qual sempre está relacionada à matéria de música. 195) Juntamente com essa transição de pensamento para uma mudança no sistema educacional de modo a atender a introdução da música nas escolas estão as discussões a respeito dos profissionais que a lecionarão e sua formação. (Breim.. de nos arrancar do mundo do trabalho e nos lançar ao mundo do jogo. podemos dizer que a música tem também essa capacidade de “distracionar”. mas o que contribui pra formação humana. O que acarretou no ingresso de muitos profissionais não . que não é levada a sério. equívocos que têm afastado a música dos campos do conhecimento humano. para muitos que trabalham na área. 2012. Sim.instrumento” para só depois tornar o instrumento participante ativo no processo d e ensinoaprendizagem musical.

intensa e profunda. 42) Se pensarmos a música como pertencente à história da humanidade e como influenciadora e influenciada pelas relações sócio-culturais envolvidas nessa história. em qualquer ponto do planeta. a música nas escolas pode ser vista como uma evolução para a educação brasileira. moda ou classe social particular. vai além das metodologias vigentes que tendem a afirmar o certo e o errado. muitos educadores musicais precisavam justificar o sentido de “utilidade” da música nas escolas (KATER. em todas as culturas. Parece estranho termos que justificar o porquê disto uma vez que a música é: [. p. Enfim. evoluímos. 2012). o inteligente e o medíocre. Outros autores defenderão a ideia de que não necessariamente o professor de música precisa de formação acadêmica para fazer os alunos entenderem e sentirem a música a fim de torná-los cidadãos musicais (BREIM. pois a introdução de um campo de estudo intimamente ligado ao estético e a uma concepção de educação como formadora do indivíduo espiritual e culturalmente. (KATER. Após a aprovação da Lei n°11.qualificados para a função gerando. o talentoso e o não talentoso. assim.. 2012). maior discórdia por parte dos profissionais qualificados. Muitos autores acreditam ser pouco provável que “professores” de música sem nenhum conhecimento da música como ciência e todas as demais áreas que envolvem o ensino de música possam realmente desenvolver trabalhos significativos nesse campo.769/2008 que discorre sobre a inclusão da música nos currículos escolares. Além de todos os parâmetros psicológicos envolvidos no ensino-aprendizado de música e estudados por diversos autores.. 2012. . ao longo de todas as fases de seu desenvolvimento. são músicos educadores. Comparações à parte é importante esclarecer que grande parte dos professores de educação musical que atuam hoje em escolas de ensino básico não possuem formação acadêmica e sim musical. que faz parte não de uma época.] uma necessidade de expressão humana. desde os seus primórdios. mas que acompanha toda a humanidade. então teremos uma concepção de música como ciência capaz de transformar uma sociedade através do conhecimento adquirido pelos membros desta sociedade.

áreas de lazer. Este estabelecimento de Ensino mantém o Ensino Fundamental. no turno vespertino é oferecido o Ensino Fundamental e CIES e no turno noturno é oferecido Ensino Médio e Normal Médio e CIES. Estado de Mato Grosso do Sul.A ESCOLA A Escola Estadual Prof. (texto retirado do blog da escola. É mantida pelo governo do Estado de Mato Grosso do Sul e Administrada pela Secretaria de Estado de Educação. licenciado em Letras. e figura ilustre na cidade de Campo Grande. o bairro oferece meios de transporte (ônibus coletivo). vide referências) A Escola Estadual Professor Otaviano Gonçalves da Silveira Júnior foi criada através do decreto nº 5817 de 25/02/1991. Otaviano G. No aspecto infraestrutura. centros . É mantida pelo Governo do Estado de Mato Grosso do Sul e administrada pela Secretaria Estadual de Educação. dava aulas de Língua Portuguesa. inclusive com famílias desestruturadas. que buscam na escola uma melhoria na qualidade de vida. Recebeu esse nome em homenagem ao professor Otaviano Gonçalves da Silveira Júnior. Noturno – composta de grande parte de jovens trabalhadores. Campo Grande. Crisântemos. localiza-se na Av. sendo que no turno matutino é oferecido o Ensino Fundamental e Ensino Médio. Latim e Grego na Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS). Normal Médio e CIES. jornais. iluminação pública. etc) ruas asfaltadas e com fácil acesso à escola e dotadas de saneamento básico. da Silveira Júnior. meios de comunicação (telefone. nº 454. Ensino Médio. internet. carentes e pouco participativas. A clientela escolar tem características distintas em cada período: Diurno – compreende estudantes de diversos bairros próximos e distantes com nível de vida econômico-social das mais diversas.

Dentre os recursos materiais da escola não são encontrados materiais relacionados a aula de música. 01 professor tradutor (intérprete de LIBRAS).comunitários que oferecem cursos a comunidade. 01 sala de professores. Pedagógico: 04 coordenadores. 01 cantina. . 10 banheiros (sendo 01 adaptado para cadeirante). 01 quadra de esporte descoberta. 01 secretaria. 01 biblioteca ou sala de estudo. Não há nenhuma sala adaptada para aula de música e estas são realizadas na sala de multimeios. Técnico administrativo: 19 funcionários. a comunidade se compõe na maioria de trabalhadores assalariados com baixo nível de renda e com baixo nível de renda e que são assistidos pelos programas do governo (Bolsa Escola. O bairro possui UBS (Unidade Básica de Saúde) e comércio variado. 01 professor de apoio em classe comum. Hoje a situação física da escola é composta de: 11 salas de aula. 01 pátio descoberto. Durante o estágio a escola estava passando por reformas e a sala de multimeios servia de depósito para as ferramentas da obra. Compõe o quadro de funcionários da escola: Corpo Docente: 25 professores efetivos e 19 professores convocados. muitos dos quais apresentam-se inutilizáveis por falta de recursos financeiros para manutenção (sem cordas). No aspecto socioeconômico. 01 sala de tecnologia educacional e 01 sala de multimeios. Bolsa Família). com exceção de aparelhos de som e 10 violões que foram comprados pela SED. Há uma pequena parte que refere-se a matéria de Arte e pelo texto é notável a importância dada as Artes Visuais. As aulas estavam sendo realizadas em uma sala de aula normal. No projeto pedagógico da escola não há nada que se refira ao ensino de música. O prédio onde está situada a escola funcionou no ano de 1990 como prédio da Escola Adventor Divino de Almeida.

(DOEMS. . 20/01/2012) Através do projeto são oferecidas aulas de violão. promovendo a sua formação integral e a valorização do espaço escolar como um elemento de interação social. xadrez. atuando como ferramentas no processo de educação escolar durante a permanência do estudante na escola. E é através desse projeto que a escola inclui a música no currículo. em escolas da Rede Estadual de Ensino de Mato Grosso do Sul como meio de desenvolvimento humano.A escola está inserida no projeto Cultura e Esporte nas Escolas Estaduais de Mato Grosso do Sul (Ceeems) idealizado pela Secretaria Estadual de Educação (SED): O Projeto Cultura e Esporte nas Escolas Estaduais de Mato Grosso do Sul é constituído por atividades culturais e esportivas no contra turno escolar. dança e artes plásticas.

O PROFESSOR Eder Guardiano de Oliveira é professor de violão do projeto. 1) Quando e como você faz o seu planejamento de ensino? Que tipo de planejamento você faz (curso. Foram feitas algumas perguntas ao professor para melhor conhecer suas responsabilidades como tal e saber mais a respeito da metodologia utilizada por este em sala de aula. procuro demonstrar que possuo o conhecimento que eles desejam. ensinar a melodia de uma música. assim. Leciona para alunos do ensino fundamental e médio. ensino músicas que permitam um aprendizado imediato e/ou em curto prazo. Essas respostas servirão de apoio para compararmos ao final do estágio se o que ele realiza em sala de aula está de acordo com o que disse. como por exemplo. unidade. Trabalha como professor contratado. aula)? Por quê? Prof. Trabalha também como professor particular de violão para conseguir uma renda extra. ajustar segundo as necessidades dos estudantes de cada escola.: O Planejamento é semestral. e. no conteúdo ministrado. 2) Como faz para conseguir a motivação do seu aluno para o estudo? O que faz para despertar o interesse da turma? Prof. em 6 escolas estaduais de Campo Grande. . Está cursando o curso de Licenciatura em Música na Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS).: Para motivar o estudante. repertório. e existe ainda um relatório do conteúdo que foi ministrado em sala de aula. E para despertar o interesse. Podemos assim inclusive perceber falhas na didática aplicada. com 24 horas semanais.

Utilizo quadro para detalhar com que dedos ele vai tocar as cordas e se o movimento é pra cima. e então após uma boa compreensão de tudo alguns já executam simplesmente com a explicação. Assim. por exemplo. ou abafado.: Baseado nos teóricos estudados ao longo do curso de Música (UFMS). é que estão baseados os objetivos de ensino. Como faz para atender os alunos com mais dificuldades? Prof.ternário) que ele aprende muitas vezes não dá certo quando tenta aplicá-lo em outra música (balada . 6) Quais os problemas que você enfrenta no cotidiano da sala de aula? . 4) Qual o seu método básico de transmissão de matéria? Por que escolheu esse e não outro? Descreva os passos que você segue numa aula comum.quaternário). na experiência profissional. como binário. e também. porque um ritmo (guarania. faço demonstração de diferentes ritmos. vou explanar um pouco sobre compasso. Dessa maneira. 5) Você adota livro didático? Como é feita a escolha? Prof. os conteúdos e os métodos? Prof.: Citarei um exemplo para esclarecer meu método de transmissão da matéria e que são os passos que realizo em uma aula norma: Por exemplo o ritmo guarania para execução no violão. conteúdos e métodos. ternário ou quaternário. somando os mesmos e elaborando aulas que atendam as necessidades específicas de determinado grupo. e ainda. constatando a realidade sócio-cultural em que os estudantes estão inseridos. e como os diferentes gêneros são executados em compassos diferentes. a música é “desmistificada” e o estudante passa a entender melhor.3) Em que você se baseia para definir os objetivos de ensino. pra baixo. e aqueles com mais dificuldades são atendidos individualmente suprindo sua necessidade e respondendo suas dúvidas. A demonstração é passo a passo e lentamente.: Utilizo apenas fragmentos de livros didáticos para elaboração das aulas.

Prof. . falta de encordoamentos e peças para manutenção imediata dos violões. trabalhar a pronúncia de forma que eles possam cantar.: Os problemas enfrentados são diversos e variados de acordo com cada escola: varia desde a reforma da mesma. mas já tenho proposta e também tenho projetos para desenvolver com alguns deles.: Não estou desenvolvendo atualmente nenhuma atividade em conjunto com meus colegas de trabalho. como por exemplo. e em parceria com o/a professor (a) de língua estrangeira. servir como avaliação em sua matéria de Inglês. é um meio de trabalhar honestamente e suprir as necessidades materiais de uma maneira muito criativa.: A Licenciatura prepara o profissional para ser um docente e trabalhar em sala de aula. deixando o ambiente desorganizado e sujo. e a Música. à falta de espaço adequado para ministrar as aulas. e assim. 7) Você desenvolve alguma atividade em conjunto com os seus colegas? Gostaria de desenvolver? Quais? Prof. alegre e racional. 8) Por que você fez licenciatura em Música / Artes? Prof. escolher alguma música em inglês para os estudantes aprenderem a tocar. entre outros.

. As turmas estavam assim divididas: Manhã – 10 alunos de ensino fundamental. Por se tratarem do mesmo professor. entre 10 e 12 anos. Tarde – 11 alunos do ensino fundamental ao médio. porém desta forma ele consegue deixá-los mais uniformes. da mesma metodologia de ensino e das mesmas músicas em ambas as turmas. relatarei aqui as aulas de forma geral dando ênfase a um ou outro acontecimento relevante que sejam particulares a uma ou outra. incluindo 2 mães de alunos.OBSERVAÇÃO O estágio de observação foi realizado nas aulas de violão que aconteciam as quintasfeiras em duas turmas. mas ele responde que alguns até sabem afinar. A escola possui 10 violões de marca Kashima. o que ajuda no trabalho do professor. Alguns alunos possuem violão. uma vez que a quantidade de instrumentos não daria para todos os alunos. muitos dos quais estão sem cordas. o que acontece algumas vezes. uma na parte da manhã e outra na parte da tarde (contra turno como previsto no projeto). Pergunto se não seria mais proveitoso aos alunos tentarem afinar de ouvido. O professor pede para que alguns pais ajudem quando puderem. AULA 01 – 23/05/13 No primeiro momento da aula o professor pega o violão de cada aluno para afinar com um afinador.

o professor começa a passar as músicas que vinha ensinando os alunos antes: Pra não dizer que não falei das flores e Pássaro Campana. Pássaro Campana Essa música possui o mesmo ritmo da mão direita executado na música anterior. O professor questiona a respeito da mudança de acordes em determinada parte mais difícil da música e repassa várias vezes esse trecho. Uma das senhoras da turma da tarde fica perdida nos acordes e executa apenas a base rítmica da mão direita. Depois quando questiono ao professor ele responde que ela havia parado de fazer aula e agora que voltou. Aqui o processo se dá da mesma forma que na música anterior: dois alunos solam enquanto os outros fazem a base.Depois de afinado os violões. Outros executam o solo da música que lhes foi passado em aulas passadas por processo de imitação. Uma situação relevante é que um dos alunos na turma da manhã fica ao fundo da sala com o violão na mão executando apenas a base rítmica na mão direita. e através do mesmo processo ele passa a base e o solo aos alunos que ainda não sabem. porém não há tempo suficiente em aula para dar maior atenção a ele. A música apresenta certa dinâmica entre as partes e esta é ressaltada pelo professor para que eles a executem. Todos começam a tocar. E passa para os alunos uma música nova: La Bela Luna. mas que consegue executar a base bem. Alguns fazem a base que resume em dois acordes: Em e D. Pra não dizer que não falei das flores O professor coloca os alunos sentados em círculo. . O professor me diz que ele é um aluno especial. Nessa música os alunos apresentam uma boa execução ao instrumento nas duas turmas.

e estes fazem silêncio e se mostram interessados.O professor não fala nada a respeito do contexto histórico de ambas as músicas e preocupa-se apenas com o movimento mecanizado dos alunos. Um ensino voltado unicamente para a performance. Durante alguns momentos na aula o professor novamente afina os violões. Isso acontece nas duas turmas. Primeiro este executa somente a base rítmica com a mão direita com a mão esquerda apenas abafando as cordas. Após passar as duas músicas o professor separa a turma em partes: uma parte vai para o pátio da escola ensaiar a base e o solo e outra parte fica na sala para fazer o mesmo. Isso demonstra que os alunos interagem entre si mostrando músicas que sabem e que tiraram em casa e que não se limitam as músicas passadas pelo professor. mas que se concentrem apenas no que estão executando ao violão. O professor senta no corredor com aquela aluna da tarde que estava fazendo apenas a base rítmica e passa rapidamente os acordes para ela. ele passa os acordes de D e A7 para serem executados juntos com o ritmo. La Bela Luna Ao introduzir a música nova o professor utiliza alguns termos técnicos referentes a compassos. Isso remete que os alunos tem uma noção do que e de como funcionam os compassos. Quando os alunos pegam bem. Percebe-se que os alunos respeitam o professor. O professor consegue conversar com os alunos em ambas as turmas. Enquanto isso os alunos que ficaram na sala conversam sobre música que tiraram em casa e que não são do repertório escolhido pelo professor. sem colocar acordes. O professor canta a melodia e pede para que os alunos não cantem junto. . O critério para dividir a turma foi o nível dos alunos.

A música já está bem ensaiada. outros demoram mais e acabam por atrasar o desenvolvimento daqueles. . Pássaro Campana e Green Sleaves. Nem todos os alunos tocarão todas as músicas. e os alunos começam. pois alguns ainda não conseguiram pegar bem a passagem de acordes. Pra não dizer que não falei das flores O professor conta em voz alta: 1 e 2 e 3. Ele faz a divisão dos alunos por música e avisa que juntará a turma da manhã com a turma da tarde para essa apresentação. pois as músicas que eles tocam nas apresentações são fáceis para ele. As músicas que farão parte da apresentação serão: Pra não dizer que não falei das flores. Começa a passar a músicas na ordem em que apresentarão. uma música que exige um bom conhecimento de dedilhado para que seja executada. La Bela Luna. O professor faz um círculo com os alunos e os dispões de forma que os alunos que realizarão o solo fiquem todos juntos. A música Green Slevaes será tocada apenas pelos alunos mais avançados da turma da tarde. Um dos alunos afirma que gostaria de aprender mais música como esta. como de costume e avisa que daqui a duas semanas haverá uma apresentação para o término das aulas na escola. pois enquanto uns conseguem pegar bem as música. O professor me fala que depois que essa é a desvantagem de se dar aulas em grupo. AULA 02 – 20/06/13 O professor começa a aula afinando os violões.Ao final da aula da tarde o professor junta-se com os alunos mais avançados para passar a música Green Sleave.

Depois passa cada parte separadamente. Alguns alunos da manhã se perdem um pouco nos tempos dos solos. com muitas sincopas e sentem dificuldade para terminar a música. pois caso algum dia o professor não possa comparecer em alguma apresentação é necessário que eles não tenham total dependência e contem com algum colega para dar a entrada das músicas. Então escolhe um aluno (o mais avançado) para que possa coordenar naquele momento a entrada e o término das músicas. Os alunos se perdem um pouco pois o a entrada não é dada corretamente. que. Escreve no quadro como deve ser executado o ritmo da mão direito 1 2 e 3 e 4 Repete isso várias vezes com os alunos sem acordes e depois coloca-os. O 3 não é contado. Na turma da tarde o professor comenta a respeito de os alunos tornarem-se independentes do professor. Alguns alunos já conseguem improvisar sobre o solo da música. Pássaro Campana Solo e a base são passados separadamente. aliás. Depois de alguns minutos de terem tocado uma música não lembram mais como começa e às vezes não lembram nem dos acordes. mas depois sai tudo certo. desta forma o professor executa o ritmo real nesta contagem para que os alunos não se percam. o solo e a base. são bem difíceis. Isso remete que estão apenas fazendo movimentos mecanizados e não absorvendo musicalmente o que lhes é passado. O professor canta a letra. .La Bela Luna Aqui a contagem é: 1 2 e 3 e 4.

2. M. Rio de Janeiro: 2001. v. 2008. único. Universos culturais e representações docentes: subsídios para a formação de professores para a diversidade cultural.edu. A. no 77. OTAVIANO GONÇALVES JÚNIOR: http://eeotavianogoncalves. Campinas: GdS/FEUnicamp. ALLUCCI. p. 2008.REFERÊNCIAS E. São Paulo: Allucci e Associados Comunicações.br Projeto Político Pedagógico EE Prof. TERAHATA.com. In: SEMINÁRIO DE HISTÓRIA E INVESTIGAÇÕES DE/EM AULAS E MATEMÁTICA. CANEN. A Música na Escola.. Ano XXII. G. Campinas. 1-8.br/ JORDÃO. Otaviano Gonçalves da Silveira Júnior INSTITUO FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO http://www. O Estágio Supervisionado e suas contribuições para a prática pedagógica do professor. MOLINA... Anais: II SHIAM. R. 2012.ifes. A. JANUARIO. Educação & Sociedade. G. p 207224. R.blogspot. . S. E.

. MARCUS MEDEIROS ACADÊMICO: FELIPE BRITO DE MELO RELATÓRIO PARCIAL CAMPO GRANDE.UNIVERSIDADE FEDERAL DO MATO GROSSO DO SUL – UFMS CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS – CCHS DEPARTAMENTO DE ARTES E COMUNICAÇÃO – DAC DISCIPLINA: ESTÁGIO OBRIGATÓRIO I PROFESSOR: DR. 21 DE JUNHO DE 2013.

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