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João Marecos Direito Internacional Privado Ramo do Direito que regula situações transnacionais através de um processo conflitual.

Situações transnacionais são aquelas onde se coloca um problema de determinação do Direito aplicável, que deva ser resolvido pelo DIP. Processo Conflitual, através do qual se determina qual a lei aplicável ao caso concreto, por via de uma norma remissiva para o Direito aplicável (Direito dos conflitos) ou através do reconhecimento dos efeitos de sentenças estrangeiras (Direito do reconhecimento) O DIP regula situações de direito público? Antes, não (concepção da absoluta territorialidade do DPub; absoluta imunidade de jurisdição dos Estados). Agora, sim, se o DPub da ordem jurídica para a qual o DIP remete for aplicável à situação. Aceita-se hoje que a imunidade Estadual respeita apenas aos actos praticados ius imperii (exercício de poderes de autoridade) e não aos ius gestionis. Caracterização das normas de conflitos de leis no espaço em DIP; são: 1. Normas de regulação indirecta: Previsão (determinada situação conflitual) + Remissão para Direito aplicável. Profs. Lima Pinheiro (LP) e Magalhães Collaço (IMC): são normas de conduta e não meras normas remissivas (como defende a escola de Coimbra), já que exprimem valoração própria (muito dúbio…). 2. Normas de conexão: conectam uma situação da vida com o Direito aplicável, através do elemento de conexão (que pode ser a nacionalidade, a residência habitual, etc.) 3. Normas formais: não atendem ao resultado material da aplicação da lei para a qual remetem. Limite: 22ºCC, cláusula de ordem pública internacional. Técnicas de regulação Estadual diferentes da exposta acima: 1. Aplicação directa do Direito material comum: regulações como se de situações internas se tratassem, prescindindo de normas de conflitos. Desvantagens: compromete a segurança jurídica e a harmonia internacional de soluções; possibilita o fórum shopping. LP rejeita como alternativa. 2. Criação de um Direito material especial de fonte interna: só aplicável às situações transnacionais. Mesmas desvantagens que (1). LP rejeita como alternativa global. Justificam-se em situações excepcionais: v.g., 54/2 CC, defesa dos terceiros. 3. Unificação internacional do Direito material aplicável: criação, por fonte supraestadual, de Direito uniforme (Roma I, Convenções de Haia, etc.). Desvantagens: a unificação não é geral (de todas as matérias), nem universal (só abrange contratantes) e suscita diferentes interpretações e integrações. 4. Regulação por normas de Direito comum do foro “autolimitadas” e relevância de normas imperativas estrangeiras: diz-se autolimitada a norma material que, apesar de incidir sobre situações reguladas pelo DIP, tem uma esfera de aplicação no espaço diferente da que resultaria da actuação do sistema de Direito dos Conflitos. V.g. art. 38 do DL Contrato de agência. 5. Reconhecimento de decisões estrangeiras. Regulação pelo Direito Comunitário: as normas de DC são directamente aplicáveis, sendo normalmente normas de conflitos que operam uma regulação indirecta. Regulação por Direito autónomo do comércio internacional: a nova lex mercatoria (natureza: Schmitthoff: não é ordem jurídica autónoma, mas sim fonte de interpretação e integração do negocio jurídico; é direito material especial do comércio internacional dotado de uniformidade. Goldman: é O.J. autónoma, com valorização da jurisprudência arbitral enquanto fonte. LP: é 1 Direito transnacional mais adequado à especificidade do comércio internacional; não é ainda O.J. autónoma).

como conexão adequada à situação ou questão parcial em causa. mediante interpretação dos valores em causa. 4 tipos de normas autolimitadas: 1º . J. 50º CC Qual o objecto das normas bilaterais? Tese universalista – conflitos de soberanias. Bilaterais: tanto remetem para o direito do foro como para direito estrangeiro. Normas bilaterais imperfeitas: Limitam o seu objecto a certos casos que têm uma ligação especial ao foro. 3º . 2º . 4º . E quando a sociedade tem sede estatutária em país estrangeiro diferente do da sua sede de administração? Aplica-se a regra geral. 3º . interna a esse Direito.1º passo: verificar se há lacuna. Ex: 3/1/2ª parte CSC. V. estrangeira por força de título de aplicação que conceda vigência na O. só contempla directamente a hipótese em que a sociedade tem sede de administração no estrangeiro e estatutária em Portugal. mas não a todos e também se aplicam quando o Direito do foro não é competente. LP . 37 LAV). a não previsão desta situação constitui uma falha de regulação contrária ao plano do legislador: há lacuna e deve por isso ser integrada. ou bilateraliza-se esta norma unilateral especial? O objectivo é defender os terceiros que confiam na sede estatutária.g. Relevância das normas imperativas estrangeiras: as normas imperativas estrangeiras só podem ser aplicadas na O.as que têm esfera de aplicação parcialmente coincidente com a que decorre do Direito dos Conflitos geral. 3/1/1ª parte CSC).as que têm esfera de aplicação no espaço inteiramente diferentes do que decorreria do Direito dos conflitos geral.g. Estas são aplicáveis sempre que o Direito do foro é chamado pelo Direito dos conflitos geral e ainda noutros casos (v. Aplicam-se a alguns casos em que o Direito do foro é chamado pelo Direito dos conflitos geral.as que se reportam a uma norma ou lei material individualizada (norma ad hoc) (v. A dupla função técnico-jurídica das normas bilaterais: por um lado a norma determina o Direito aplicável. sede da administração. As da lex causae são aplicáveis. Tese da escola nacionalista italiana (Ago) – normas internas não podem ter essa função. objecto são relações interindividuais. através da bilateralização.as que têm esfera mais restrita que a que decorre do Direito dos conflitos geral. Assim. local. J.as que se reportam a questões parciais que em princípio estariam englobadas no domínio de aplicação de outras normas de conflito. 37 da LAV. por outro.as que se reportam a estados ou categorias de relações jurídicas (v. A Justiça do Direito dos Conflitos: justiça de conexão (atende ao significado dos laços que a situação estabelece com os Estados em presença e não à solução material dada pelo Direito desses Estados) .João Marecos Normas de conflitos unilaterais: só determinam a aplicação do direito do próprio foro.as que têm uma esfera de aplicação no espaço mais vasta que aquela que decorreria do Direito dos conflitos geral. Tese LP – o objecto é a situação transnacional Tese escola de Coimbra – o objecto são normas materiais (porque defendem que as normas de conflitos são normas sobre normas). 3 tipos de normas unilaterais: 1º . 38 Agência).J. V. Lacunas em normas unilaterais: a bilateralização só é possível quando a regra unilateral valha como revelação de um princípio geral. confere um título de aplicação na O. 2º .

Ordenamentos jurídicos complexos Art. Reserva jurídico material. 2) a remissão possa não ser entendida como referência material. Devolução 1) A norma de conflitos do foro remete para uma lei estrangeira. 28º . LP contrapõe com a letra do 27 e com o argumento de que essa solução levaria a tratar a mesma pessoa como nacional de um país para umas situações e como português para outras. IMC. aplica-se o sistema com conexão mais estreita: 20/2 – residência habitual. 3) a lei estrangeira designada não se considera competente. dupla nacionalidade) – pode ser resolvido por norma especial. há lacuna. quando não haja nada em contrário. Personalidade (lei pessoal. conexão mais estreita. porque ao DIP não compete resolver conflitos internos. Quando uma das nacionalidades é comunitária? Acórdão Micheletti (1992) entendeu que para efeitos de direito de estabelecimento a nacionalidade relevante é sempre a do Estado comunitário. que a estrangeira deve prevalecer se se verificar que é essa a conexão mais estreita. apátrida. Elemento de Conexão Conteúdo múltiplo (ex. Escola de Coimbra – aplica a lei da residência habitual mesmo que esta se situe fora do estado da nacionalidade. 3. 27 e 28 da Lei da Nacionalidade (LN). Marques dos Santos defende. Princípios de conexão: 1. Confiança. 2. Quanto à interpretação. caso da nacionalidade. Ac. Se não existir norma especial.g.. Concretização no tempo do elemento de conexão (v. LP – não. 2. respeito pela identidade cultural). as normas de conflitos vinculam tanto como as normas materiais. LP e IMC – é competente o estado soberano desse lugar. 3. Garcia Avello – do afastamento de uma nacionalidade comunitária em benefício da nacionalidade do foro não pode resultar um efeito discriminatório. essa prevalece. 2 teses: IMC e LP – só releva a residência se for num estado da nacionalidade. 20. deve interpretar-se a norma de conflitos para resolver a situação. que depois logo distribui a competência. aplicam-se as regras gerais. Autonomia Privada. resolve-se com lei especial. se não. Favor Negotii. etc.João Marecos Princípios de Direito dos conflitos Moura Ramos (RMR) e Baptista Machado (BM) – os princípios prevalecem sobre as normas singulares. Se não for. integração de lacunas. 5.g. Ferrer Correia – interpretação da norma de conflitos que suscita o problema. arts. BM. 2 teses: Batiffol. Princípios de conformação global do sistema: 1. se esta for num dos Estados de que é nacional (princípio da nacionalidade efectiva). v. contra legem. Divergência quanto às lacunas: BM e RMR dizem que só há lacunas patentes em DIP.. através de interpretação restritiva ou redução teleológica.g.quando uma das nacionalidades for portuguesa. Harmonia material. Falta de conteúdo – v. veja-se desde logo a autonomia das partes designarem o Direito aplicável). Quando o elemento é outro? 2 teses: Ferrer Correia entende que é competente o sistema em vigor no exacto lugar para onde o elemento aponta. integrada com recurso ao princípio da conexão mais estreita. 27º . LP diz que podem ser descobertas lacunas ocultas. Territorialidade (não vigora em Portugal. 4. 4. 6. Vitta – aplicam-se as regras gerais de direito intertemporal. Isto vale para outros efeitos.releva a nacionalidade da residência habitual. . Efectividade. designadamente para a aplicação das normas de conflitos. Se o ordenamento jurídico complexo não resolver os conflitos internos. residência habitual verifica-se com referência a que data? É que pode mudar…): sucessão de estatutos. Harmonia jurídica internacional. – só se refere à remissão feita pelo elemento de conexão “nacionalidade”.Conexão mais estreita.

Se L2 só remete para L1. o retorno só é aceite em duas hipóteses. portanto atendendo à remissão que esta efectue. que considera L2 competente mas pratica devolução integral pelo que aceita a devolução. caso seja determinada a aplicação do nº1. Devolução integral/dupla devolução/foreign court theory – o tribunal deve decidir a questão como ela seria julgada pelo tribunal do país da ordem jurídica designada. ou 2. Retorno de competência: L2 remete para L1. se não for. 3. não se aplica. Também art. LP: L2 tem de ser a Lei da nacionalidade.retorno de competência: L1 remete para L2. em matéria de estatuto pessoal. 65/1 in fine. Devolução simples – remissão abrange normas de conflitos da ordem estrangeira mas entende necessariamente a remissão operada pela norma de conflitos estrangeira como referência material. 17/3 – 1.João Marecos Pode ser 1. 17/1 . quando se trate de matérias nele indicadas. Reenvio para Lei de um terceiro Estado: (No artigo 17º. Referência global – referência feita atendendo ao Direito dos conflitos da Lei designada. 18. que aplica o direito material de L1. 16º .) Art. Reenvio para a lei portuguesa: Art. 18º. 16 CC (ler direito “interno” como “material”. Desvios: 17º. regra pragmática). sendo o Estado do foro o da residência habitual. 18/2. verificar se não está em causa uma situação do 19º. Art. 36/2. Leva a situações em que. não deve abdicar da solução que elegeu como mais justa. Critério gerais de solução: Referência material – a referência feita pela norma de conflitos é sempre entendida como uma remissão directa e imediata para o Direito material da lei designada. 4. Art. Consagrada no 15º Roma I e 24 Roma II. L1 aplica L3 (porque a devolução funciona assim:L1 remete para L2 e considera a remissão de L2 para L3 como referência material. não se aceita o retorno. L2 remete para L3. Já noutro caso. Nunca se aceita o retorno directo praticado por um sistema que pratica devolução simples. passar obrigatoriamente para o nº2 e.Referência material. L2 aplique L2 (por remissão de L3) e L3 aplique L3 (por remissão de L2). A que a lei da nacionalidade aplique a lex rei sitae. 17/2 – Não se aplica 17/1. L3 é indirectamente competente: aplica-se o 17º. com referência material. regra geral (para BM. em caso de retorno entre duas ordens que pratiquem devolução simples. mas não a aplica. Regime vigente: Art. 2. Transmissão de competência: L2 remete para L3. No fim. . passar obrigatoriamente para o número 3. descurando o seu direito dos conflitos. L2 também e L3 remete a situação para L2. Ferrer Correia: este cessar de efeitos deve-se ao facto de.Transmissão de competência: aplica-se se L2 aplicar L3 e esta se considerar competente. E que esta se considere competente. E esteja verificado um dos casos de cessação da transmissão de competência previstos no nº2…Volta a ser possível a transmissão: princípio da maior proximidade. se este for aplicável. Este “considerar-se competente” pode sê-lo indirectamente: L1 aplica L2. se (1) a lei designada for a lei pessoal e (2) o interessado residir em Portugal ou (2) em país cujas normas de conflito remetem para o direito do Estado da nacionalidade. o interessado é aquele que desencadeou o funcionamento do elemento de conexão. mesmo que depois verifiquemos que nem L3 se aplica a si própria). devido à ratio. imagine-se que L1 pratica devolução simples. Assim.

19/2 – Se a lei estrangeira for designada pelas partes. adquirir nova nacionalidade para contornar lei da sua nacionalidade. Dois tipos: 1.situação da vida. Esquema subsuntivo: 1º Premissa maior – previsão da norma. 2. FC. Deve ser sancionada tanto a fraude à lei do foro como a fraude à lei estrangeira. XIX. A fraude é à norma imperativa. 3º Subsunção – recondução da situação de vida à previsão da norma. mas a interpretação de Ferrer ultrapassa o sentido possível da letra da lei. naquele o afastamento da lei normalmente competente e o desrespeito da norma imperativa nela contida. LP: enquanto a fraude à lei do foro é sempre sancionada.João Marecos Não pode haver reenvio: Art. Momentos da qualificação: 1º momento. Historicamente. 2º Premissa menor . Se embora a lei estrangeira não sancione a fraude. devem ser desconsiderados os efeitos jurídicos dos actos cometidos no processo fraudulento: e aplicar-se a lei que seria normalmente competente. em detrimento de outro que não o faz.. Manipulação do elemento de conexão (modelação do conteúdo concreto do elemento de conexão: v. é um elemento da justiça da conexão. que limita o alcance com base na tutela da confiança: só se aplica às situações já constituídas e que estejam em contacto com a OJ portuguesa ao tempo da constituição. posição 2. Fraude à Lei Fuga a norma proibitiva através do afastamento do ordenamento jurídico que proíbe determinada conduta. Sanção: posição 1 . contrariamente. Kegel. sendo a norma de conflitos o instrumento da fraude.15 CC. chamou a atenção para o assunto. reconduzir a situação da vida a uma determinada norma da qual consta um conceito-quadro. Objectivo (manipulação com êxito do elemento de conexão ou internacionalização fictícia. Ferrer Correia (FC) e BM defendem interpretação restritiva. IMC. Na interpretação dos conceitos contidos na norma de conflitos. Internacionalização fictícia de uma situação interna (estabelecimento de uma conexão forçada com um Estado estrangeiro para desencadear a aplicação do Direito estrangeiro). LP diz que a fraude à lei pressupõe que haja uma norma material defraudada mas tutela a justiça da conexão e não a justiça material). não há reenvio. Dois elementos: 1. LP: casos de devolução integral. a fraude à lei estrangeira só é sancionada em dois casos: 1. Subjectivo (dolo). art. todos os actos integrados no processo fraudulento são nulos ou inoperantes. França. É um limite ético à autonomia privada.Fernando Olavo. Não se confunde com o instituto da Ordem Pública Internacional: neste está em causa a compatibilidade do resultado a que conduz a aplicação da lei estrangeira com a justiça material da ordem jurídica do foro. Regimes especiais de devolução (em matéria de forma): 36/2 e 65/1 in fine – não exige que L3 seja competente para se aceitar o reenvio. pode sim recusar o efeito dessa naturalização na aplicação da norma. Qualificação Subsunção de uma situação da vida ao conceito técnico-jurídico utilizado para delimitar o objecto da remissão. FC e LP dizem que não há fraude se o individuo se integrar seriamente na sua nova comunidade nacional – caso de sanação). há que lhes dar maior abertura. BM: não diferenciam. FC e BM. i. está em causa para o DIP do foro um princípio do mínimo ético nas relações internacionais.g. caso Bibesco. LP: tem um alcance demasiado extenso. jurisprudência francesa: fraus omnia corrompit. Se a lei estrangeira defraudada também sanciona a fraude ou 2. 19/1 – favor negotii como limite à devolução. interpretar (partindo do direito material português mas . a fraude é à norma de conflitos. seguida no art. 2. 21 CC – Estado do foro não pode declarar inválida a aquisição da nacionalidade estrangeira.e.

Exemplo: 365 e 371 CC: é um documento lavrado por “notary public” nos EUA. leva à apreciação da questão prévia segundo leis diferentes que dão solução diferente à questão prévia. à previsão da norma material de outra ordem jurídica. etc. outra crítica é a de questionar o porquê de se procurar a harmonia com a lex causae da questão principal e não. bem como entre valorações conflituais e valorações materiais. A favor da tese da conexão subordinada: 1. Para reger a questão principal é competente uma lei estrangeira. o filho reside na Suíça. partindo do Direito europeu se for uma norma material europeia. qual o conteúdo e função da lei material a que chegámos no seu próprio ordenamento jurídico? 3º momento. diz LP. estabelece-se entre as duas ordens um nexo de prejudicialidade. v. No exemplo em apreço.. então é porque as ordens não estão em hamonia. Ex: Problema: determinar sucessíveis de um suiço. V. Helena Brito. desde logo na delimitação dos aspectos que são abrangidos pelas normas. sem fé pública. a L3 devolve para L2 e acaba por dar a mesma solução. compra e venda.62 CC) para L2. L1. L1 remete para L3. Harmonia internacional de soluções. 56/2): não se verifica a filiação à luz deste direito. que diz que os sucessíveis são os descendentes do autor da sucessão. Crítica LP: Para promover esta harmonia existe o instituto da devolução. a mãe residia na Alemanha com o marido. cabe a esse ordenamento defini-lo. Quando assim não seja. Suscita dificuldades na qualificação. suíça.) esse conceito-quadro e verificar se a situação da vida lhe é subsumível. subsume-se essa função à do conceito-quadro da norma de conflitos de que partimos? Dépeçage – fracionamento conflitual de situações da vida. vamos ter soluções diferentes. admitindo a aplicação de normas estrangeiras se forem normas de direito material português. Adaptação – ajustamento das normas em presença quando haja duas Leis competentes a dispor em sentidos incompatíveis.João Marecos com autonomia. tese da conexão subordinada ( BM.. transferência do risco é material obrigacional.e. alemã (art. i.. Criação de soluções ad hoc que representem um compromisso entre as soluções materiais dos Direitos em presença Questão prévia – Pressupostos: 1. Há divergência entre a norma de conflitos portuguesa aplicável à questão prévia e a norma de conflitos da lei reguladora da questão principal aplicável à questão prévia.e. Wengler) – lex causae determina também o Direito aplicável à questão prévia. Solução: tese da conexão autónoma (LP.g. com o conteúdo jurídico que lhe é atribuído por uma ordem jurídica. 2º momento. . 4. 2. Moura Vicente com limitações) – lex fori para tudo. Substituição – o preenchimento de um elemento da previsão da norma material de uma ordem jurídica deve ser apreciado segundo uma ordem jurídica diferente. 2. transferência da propriedade é matéria real. Se não -> repetir o processo com outra norma de conflitos até encontrar uma que determine uma Lei competente. 3. Questão prévia: como se determina a filiação? Problema: o filho de mãe casada alemã. Trata-se. Na previsão da norma material aplicável por força de uma norma de conflitos integra-se um pressuposto cuja verificação constitui matéria abrangida por outra norma de conflitos.. Se um ordenamento coloca um pressuposto. portuguesa remete (art. de reconduzir uma situação da vida. equivalente a documento autêntico? Não. autor da sucessão. com a lex causae da questão prévia. podendo originar concursos ou lacunas. A divergência entre o DIP da lex fori e da lex causae i. da lei aplicável à questão principal.g. Se sim -> seguir para a Lei competente segundo essa norma. Resultado: se julgarmos a questão prévia com recurso às normas de conflito quer da lex fori (L1) quer da lex causae (L2). L2 remete para si própria e afirma a filiação. Crítica LP: há autonomia entre o problema da determinação do Direito aplicável e o problema jurídico-material. não pode.

.e. Consequências da intervenção da ROPI: afastamento do resultado ou não reconhecimento de decisão estrangeira. já que se parte da OJ que dá conteúdo jurídico à situação e não da OJ que rege a produção dos efeitos. vale o princípio do mínimo dano à lei estrangeira. No fim do processo de determinação do Direito aplicável. É um limite à aplicação do Direito estrangeiro ou transnacional competente segundo o Direito de Conflitos ou ao reconhecimento de uma decisão estrangeira. Atender também ao carácter evolutivo: a OPI evolui consoante a evolução axiológico da OJ portuguesa. e à relatividadade. quando a cláusula actua como limite. Se do afastamento resultar uma lacuna. à face de determinado Direito deve tanto quanto possível ser respeitado à face de outra ordem jurídica.. recorre-se às regras do Direito material do foro (22/2 CC). i. Característica fundamental da cláusula de OPI consiste na sua excepcionalidade: só intervém como limite quando a solução dada ao acaso for não apenas divergente da que resultaria da aplicação do Direito português mas também manifestamente intolerável.João Marecos Transposição – o conteúdo jurídico que uma situação tem. Reserva de Ordem Pública Internacional (ROPI) – 22º CC. a intensidade da relação com as OJ em causa. É Internacional porque específica do DIP mas nacional porque veicula princípios da ordem jurídica do foro. Em último caso. aprecia-se a compatibilidade da solução com a ROPI: concepção aposteriostíca da OPI. integra-se. designadamente quando esta for chamada a reger a produção de certos efeitos: estabelece-se entre as duas ordens um nexo de preordenação.