You are on page 1of 16

CAPÍTULO 6

MEDIDAS ELÉTRICAS

6.1 CONCEITOS BÁSICOS Medir é estabelecer uma relação numérica entre uma grandeza e outra, de mesma espécie, tomada como unidade. Medidas elétricas só podem ser realizadas com a utilização de instrumentos medidores, que permitem a quantificação de grandezas cujo valor não poderia ser determinado através dos sentidos humanos. Padrão é a grandeza que serve de base ou referência para a avaliação da quantidade ou da qualidade da medida; deve ser estabelecido de tal forma que apresente as seguintes características: • permanência, significando que o padrão pode se alterar com o passar do tempo nem com a modificação das condições atmosféricas; • reprodutibilidade, que é a capacidade de obter uma cópia fiel do padrão. Erros são inerentes a todo o tipo de medidas e podem ser minimizados, porém nunca completamente eliminados. Em medidas elétricas, costuma-se considerar três categorias de erros: a) Grosseiros São sempre atribuídos ao operador do equipamento e, de uma maneira geral, pode-se dizer que resultam da falta de atenção. A ligação incorreta do instrumento, a transcrição equivocada do valor de uma observação ou o erro de paralaxe1 são alguns exemplos. Esses erros podem ser minimizados através da repetição atenta das medidas, seja pelo mesmo observador ou por outros. b) Sistemáticos Devem-se a deficiências do instrumento ou do método empregado e às condições sob as quais a medida é realizada. Costuma-se dividi-los em duas categorias: • instrumentais, inerentes aos equipamentos de medição, tais como escalas mal graduadas, oxidação de contatos, desgaste de peças e descalibração; podem ser minimizados usando-se instrumentos de boa qualidade e fazendo-se sua manutenção e calibração adequadas. • ambientais, que se referem às condições do ambiente externo ao aparelho, incluindo-se aqui fatores tais como temperatura, umidade e pressão, bem como a existência de campos elétricos e/ou magnéticos; para diminuir a incidência desses erros pode-se trabalhar em ambientes climatizados e providenciar a blindagem dos aparelhos em relação a campos eletromagnéticos. c) Aleatórios Também chamados erros acidentais, devem-se a fatores imponderáveis (incertezas), como a ocorrência de transitórios em uma rede elétrica e ruídos
1

Erros de paralaxe acontecem quando são feitas leituras com ângulo desfavorável em instrumentos de ponteiro.

1. já que esta região está distante do centro. de Castro Neves e Rubi Münchow elétricos provenientes de sinais espúrios.embora sejam muitas vezes usados como sinônimos . de acordo com o aspecto considerado a) Quanto à grandeza a ser medida: • • amperímetro: para a medida de corrente. imagine-se um atirador tentando atingir um alvo. determinada através de um processo estatístico de medições.Exemplo de exatidão e precisão.1 . em (c) conclui-se que o atirador foi exato.2 CLASSIFICAÇÃO DOS INSTRUMENTOS DE MEDIDAS ELÉTRICAS Os instrumentos de medidas elétricas podem ser classificados de várias formas. Como não podem ser previstos. além de preciso. 48 . Figura 6. Para ilustrar a diferença. Precisão: característica de um instrumento de medição. voltímetro: adequado para a medida de tensão. em (b) pode-se dizer que o atirador foi preciso. A precisão é um pré-requisito da exatidão. portanto. embora o contrário não seja verdadeiro. como ilustrado na Figura 6. dizer que um instrumento é preciso não implica. isto é. em relação à média aritmética dessas medidas (Norma P-NB-278/73. uma qualidade relacionada com a repetibilidade das medidas. 1 Eurico G. necessariamente. A precisão é. No tratamento de erros.têm significado diferentes: • • Exatidão: é a propriedade que exprime o afastamento que existe entre o valor lido no instrumento e o valor verdadeiro da grandeza que se está medindo. da ABNT). que seja exato. indica o grau de espalhamento de uma série de medidas em torno de um ponto. os termos exatidão e precisão . pois todos os tiros atingiram a mesma região do alvo. sua limitação é impossível.ELETROTÉCNICA – Vol. 6. Assim. que exprime o afastamento mútuo entre as diversas medidas obtidas de uma grandeza dada. porém não foi exato. Em (a) não houve exatidão nem precisão por parte do atirador.

ELETROTÉCNICA – Vol. Os instrumentos digitais ganham a cada dia destaque entre os dispositivos de medidas elétricas. • de uma maneira geral. b) Quanto à forma de apresentação dos resultados: • • • analógicos. frequencímetro: que mede freqüência. (a) (b) Figura 6. que fornecem a leitura diretamente em forma alfa-numérica num display. • queda dos preços – nos últimos anos o custo dos instrumentos digitais reduziuse vertiginosamente. (b) digital (Fluke Mod. ohmímetro: para a leitura de resistência. tornando aqueles mais apropriados em determinadas situações. No entanto. varímetro: para a medida de potência reativa. Dois fatores são apontados para seu sucesso: • comodidade do operador – é muito mais fácil ler o resultado diretamente no display do que deduzi-lo a partir da posição de um ponteiro sobre uma escala. capacímetro: capaz de medir capacitância. de Castro Neves e Rubi Münchow wattímetro: capaz de medir potência ativa.Exemplos de multímetros: (a) analógico (Minipa Mod. a utilização de medidores analógicos ainda é muito intensa devido a fatores tais como: • grande número de instrumentos de oficinas e painéis de controle de indústrias ainda têm por base instrumentos analógicos. 49 . 1 • • • • • • Eurico G.2b. usualmente através do posicionamento de um ponteiro sobre uma escala.2 . MT330). Muitos desses instrumentos são especificados para operação em corrente contínua (CC) ou corrente alternada (CA). como o mostrado na Figura 6. nos quais a leitura é feita de maneira indireta.2a. etc. fasímetro (ou cosifímetro): apropriado para a medida de defasagem (cos ). ET-3021). digitais. instrumentos analógicos são mais robustos que os digitais. exemplificado na Figura 6.

mostrando-se apropriados para o trabalho diário sob as mais diversas condições. (a) (b) (c) Figura 6. é mais interessante observar o movimento de um ponteiro do que tentar acompanhar a medida através de dígitos. portáteis. (b) registrador. 2 VU meter é um instrumento usado em mesas de estúdio e amplificadores. por exemplo). totalizadores. c) Quanto à capacidade de armazenamento das leituras: • • • indicadores. os aparelhos digitais utilizam majoritariamente circuitos eletrônicos comparadores.Exemplos de instrumentos classificados quanto à sua capacidade de armazenamento de leituras: (a) indicador. de bancada. fixos. de Castro Neves e Rubi Münchow em algumas aplicações onde há variações rápidas da grandeza a ser medida (VU meters2. d) Quanto ao princípio físico utilizado para a medida: • • • • • • • bobina móvel ferro móvel ferrodinâmico bobinas cruzadas indutivo ressonante eletrostático Esses tipos de medidores são tipicamente analógicos. 50 . capazes de fornecer somente o valor da medida no instante em que a mesma é realizada. A Figura 6. têm a qualidade da robustez. f) Quanto à portabilidade • • de painel.3 . industriais: embora não sejam necessariamente tão exatos quanto os de laboratório. 1 • Eurico G. registradores.3 mostra exemplos desses instrumentos. que apresentam o valor acumulado da grandeza medida. e) Quanto à finalidade de utilização: • • para laboratórios: aparelhos que primam pela exatidão e precisão. capazes de armazenar certo número de leituras.ELETROTÉCNICA – Vol. permitindo acompanhar processos de gravação ou reprodução sonora. (c) totalizador.

zero deslocado ou zero suprimido (aquela que inicia com valor maior que zero).voltímetro. 40 – 0 – 200 V . usado em instrumentos de precisão. Posição do zero: a posição de repouso do ponteiro.ELETROTÉCNICA – Vol. Na Figura 6. Os tipos de suspensão mais utilizados são: • por fio. portanto. 1 Eurico G. zero à direita. 6. escala com zero deslocado. • por pivô (conhecido também como mecanismo d’Arsonval). Quando a valores iguais correspondem divisões iguais. Linearidade: característica que diz respeito à maneira como a escala é dividida. O mecanismo de suspensão é a parte mais delicada de um instrumento analógico. um dos quais preso à parte móvel e o outro fixado ao corpo do aparelho. como aquelas mostradas na Figura 6. escala com zero à esquerda. A escala é um elemento importante nos instrumentos analógicos. • 3 Este nome é usado porque usualmente corresponde ao valor marcado no fim da escala.voltímetro. de modo que muitas vezes é necessário blindá-los contra tais campos.5. devido ao excepcional resultado que proporciona.1 Características Construtivas Os instrumentos analógicos baseiam sua operação em algum tipo de fenômeno eletromagnético ou eletrostático. composto de um eixo de aço (horizontal ou vertical) cujas extremidades afiladas se apóiam em mancais de rubi ou safira sintética. diz-se que a escala é linear (ou homogênea). como a ação de um campo magnético sobre uma espira percorrida por corrente elétrica ou a repulsão entre duas superfícies carregadas com cargas elétricas de mesmo sinal.miliamperímetro. 120 – 0 -120 V .4. como a que aparece acima do espelho da Figura 6. quando o instrumento não está efetuando medidas (zero) pode variar muito: zero à esquerda. É ele quem promove a fixação da parte móvel (geralmente um ponteiro) e deve proporcionar um movimento com baixo atrito. São. caso contrário. já que é sobre ela que são feitas as leituras. Entre suas muitas características podem-se ressaltar as seguintes: • • Fundo de escala3 ou calibre: o máximo valor que determinado instrumento é capaz de medir sem correr o risco de danos. devida à força de atração (ou repulsão) de dois pequenos ímãs. escala com zero suprimido. escala com zero central.4. de Castro Neves e Rubi Münchow 6. sensíveis a campos elétricos ou magnéticos externos. Costuma-se explicitar a posição do zero através da designação da escala. como tensão e resistência. a escala é chamada não-linear (heterogênea). adaptações feitas neste medidor permitem que seja usado para a medida de outras grandezas. zero central. Por exemplo: 0 – 200 mA .4 INSTRUMENTOS ANALÓGICOS O instrumento analógico tem como fundamentação básica a medida de corrente (amperímetro). 51 . 10 – 200 Aamperímetro.4 são mostrados alguns tipos de escalas que se diferenciam quanto à posição do zero. • suspensão magnética.

52 .4 . devida à existência dos enrolamentos. Figura 6. (d) zero deslocado. esses aparelhos causam uma mudança na configuração original4. Então 1 S (6. neste caso. de Castro Neves e Rubi Münchow Figura 6.5. 5 O conceito de sensibilidade para instrumentos digitais é um pouco diferente e será analisado na seção 6. (b) zero central.1) I max 4 Como se costuma dizer.2. como mostrado na Figura 6. quando inseridos em um circuito. • Correção do efeito de paralaxe: muitos instrumentos possuem um espelho logo abaixo da escala graduada. portanto. conexões e outras partes.5.ELETROTÉCNICA – Vol.4. "carregam" o circuito. 1 Eurico G. a medida deverá ser feita quando a posição do observador é tal que o ponteiro e sua imagem no espelho coincidam.2 Principais Características Operacionais • Sensibilidade Todos os instrumentos analógicos possuem uma resistência interna.). (c) zero suprimido.5 – Espelho para correção do erro de paralaxe. no caso de medidores analógicos5. A sensibilidade (S) é uma grandeza que se relaciona à resistência interna dos instrumentos. (Simpson Electric Co. 6.Classificação de escalas de acordo com a posição do zero: (a) zero à direita. ela é calculada tomando-se como base a corrente necessária para produzir a máxima deflexão no ponteiro (Imax).

1 Eurico G. próxima seção) do instrumento.1). Quanto maior for a sensibilidade de um instrumento.1 . 6.3 Simbologia Os painéis dos instrumentos de medidas analógicos normalmente apresentam gravados em sua superfície uma série de símbolos que permitem ao operador o conhecimento das características do aparelho.ELETROTÉCNICA – Vol. Tabela 6.2.5.1.Simbologia de instrumentos de medidas elétricas Bobina móvel Geral Com retificador Com par termelétrico Com circuito eletrônico Com medidor de quociente Ferro móvel Eletrodinâmico Geral Com lâmina bimetálica Geral Com núcleo de ferro Com medidor de quociente 53 . podendo atingir valores da ordem de 100 k/V. Tabela 6. • Tipo de instrumento Os símbolos para alguns dos principais tipos de medidores são mostrados na Tabela 6. a diferença entre esses valores é dada por duas divisões adjacentes em sua escala. De uma maneira geral. No caso de instrumentos analógicos. de acordo com a Tabela 6. de Castro Neves e Rubi Münchow Considerando a Lei de Ohm (Equação 3. . os instrumentos de bobina móvel são aqueles que apresentam melhor sensibilidade entre os medidores analógicos.Valor fiducial de instrumentos de medida Tipo de escala Zero à esquerda Zero central ou deslocado Zero suprimido • Resolução Valor fiducial Valor de fundo de escala Soma dos valores das duas escalas Valor de fundo de escala Determina a capacidade que tem um instrumento de diferenciar grandezas com valores próximos entre si. melhor este será. • Valor fiducial É o valor de referência para a especificação da classe de exatidão (v. deduz-se que a sensibilidade é dada em ohms por volts (/V). no que se refere à posição do zero.2. para a qual 1 A = 1 V/. Este valor é determinado de acordo como tipo de escala do medidor.

7 . • Posição Figura 6. se o aparelho indicar 50mA. a tensão de prova é igual a 500 V.6 . o qual indica a tensão (em kV) que deve ser aplicada entre a carcaça e o instrumento de medida para testar a isolação do aparelho (Figura 6. isto significa que o erro máximo admissível em qualquer ponto da escala é 0.5 tem amplitude de escala de 0 a 200 mA. de Castro Neves e Rubi Münchow É simbolizada por uma estrela encerrando um algarismo. 60o) (a) (b) Figura 6.ELETROTÉCNICA – Vol.7 mostra as possíveis posições de instrumentos de painel. Por exemplo. O uso de um instrumento em posição diferente daquela para a qual foi projetado pode ocasionar erros grosseiros de leitura. É indicada no painel do instrumento por um número expresso em algarismos arábicos.6). Na ausência de algarismo.  Classe de exatidão A classe de um instrumento fornece o erro admissível entre o valor indicado pelo instrumento e o fiducial. Instrumento utilizado na posição vertical Instrumento utilizado na posição horizontal Instrumento utilizado na posição inclinada . (b) simbologia usada. levando-se em consideração o valor do fundo de escala. se amperímetro de classe 0. a variação admissível será 50  1 mA. bem como a simbologia usada para sua representação. 1 • Tensão de prova Eurico G.Símbolo da tensão de prova. A Figura 6. 54 . se estiver indicando 150 mA. Instrumentos de painel usualmente são projetados para funcionamento na posição vertical. a variação será igualmente 150  1 mA. porém outras posições podem ser viáveis.5  200   1 mA 100 Portanto.o número dá a inclinação (neste exemplo.Posição dos instrumentos de medida: (a) representação das diversas posições possíveis.

Figura 6. para proporcionar maior destaque ao brilho dos LEDs. a operaão dos aparelhos digitais tem como fundamento a medida de tensão (voltímetro).5.3.ELETROTÉCNICA – Vol. resistência. Esta conversão análogo-digital (ou A-D) é realizada por circuitos eletrônicos cuja operação foge ao escopo deste curso. temperatura e capacitância.3 0. como corrente. Esses displays têm fundo escuro.Exemplos de displays de LEDs e de cristal líquido (LCD) 6 7 Light emitting diodes = diodos emissores de luz Liquid crystal display = visor de cristal líquido 55 . impedindo a passagem da luz.5 INSTRUMENTOS DIGITAIS Se nos instrumentos analógicos o modelo básico é o amperímetro. com eixos polarizadores alinhados perpendicularmente entre si. entre as lâminas existe uma solução de cristal líquido.0 a 5. 6. freqüência. Tabela 6.Classe de exatidão de instrumentos de medidas elétricas.5 2.5 a 1. constituídos por duas lâminas transparentes de material polarizador de luz. A Figura 6.0 Significado Instrumento de precisão Instrumento de ensaio Instrumento de serviço 6.1 Características Construtivas A característica básica dos instrumentos digitais é a conversão dos sinais analógicos de entrada em dados digitais.8 . Classe de Exatidão 0.3 . que pode ser de 2 tipos: a) Display de LEDs6. 1 Eurico G.1 a 0. A parte mais evidente em um instrumento digital é seu display (visor). de Castro Neves e Rubi Münchow As classes de precisão de instrumentos de medidas elétricas são dadas na Tabela 6.8 mostra alguns modelos desses displays anteriormente mencionados. cujas moléculas podem se alinhar sob a ação da corrente elétrica. b) Display de cristal líquido (LCD7). dispositivos semicondutores capazes de emitir luz quando percorridos por corrente elétrica. A alteração da configuração inicial permite que sejam medidas outras grandezas.

pode ser usado em ambientes com pouca luz. tempo de resposta decresce em baixas temperaturas. Tipo • • • LED • • • • LCD • Vantagens pode ser visualizado virtualmente de qualquer ângulo. proporciona leituras mais fáceis à distância. É expresso através de percentual da leitura do instrumento8. O conhecimento dessas características pode auxiliar na tomada de decisão sobre qual tipo de visor é mais adequado às condições da medida. a resolução é dada pelo número de dígitos ou contagens de seu display. Tabela 6. pode ser usados em condições ambientais mais adversas. permite leituras em ambientes externos. • • Desvantagens consumo de energia mais elevado que os LCDs. enquanto que em um aparelho digital a exatidão é aplicada sobre a leitura do display. pois pode apresentar 19999 contagens. Um outro instrumento de 4½ dígitos tem maior resolução. portanto. o valor verdadeiro estará na faixa de 99 a 101 unidades. Um instrumento com 3½ dígitos tem 3 dígitos “completos” (isto é. que só pode apresentar 2 valores: 0 (nesse caso o algarismo está “apagado”) ou 1. se um instrumento digital com 1% de exatidão está apresentando uma medida de 100 unidades em seu display. seu tempo de resposta varia muito pouco com a temperatura ambiente.4 apresenta as principais vantagens e desvantagens de cada um desses tipos de display. • Exatidão De forma semelhante aos instrumentos analógicos.ELETROTÉCNICA – Vol. até com resoluções maiores. • • uso em ambientes com pouca luz exige iluminação de fundo (backlit). difícil leitura sob a luz solar. Em um instrumento digitais. 6. mesmo sob incidência direta de luz solar. consumo de energia muito baixo. esta característica está relacionada à capacidade de diferenciar grandezas com valores próximos entre si. Por exemplo.5. capazes de mostrar os algarismos de 0 até 9) e 1 “meio dígito”. 4000 (34/5 dígitos) ou 6000 6 (3 /7 dígitos) também são fabricados.2 Principais Características Operacionais • Resolução Como no caso dos instrumentos analógicos. este instrumento pode contar até 1999. A especificação da exatidão de alguns instrumentos inclui o número de contagens que o dígito mais à direita pode 8 É importante ressaltar que a exatidão de um aparelho analógico está relacionada com o valor de fundo de escala.. de Castro Neves e Rubi Münchow A Tabela 6. Instrumentos com contagem de 3000 (33/4 dígitos). 56 .4 – Comparação entre displays de LEDs e de cristal líquido. via de regra é mais durável que os LCDs. 1 Eurico G. a exatidão dos medidores digitais informa o maior erro possível em determinada condição de medição.

57 .22 V. 1 Eurico G. Não basta que a proteção se dê pela escolha de instrumento com escalas com ordem de grandeza suficiente para medir o que se quer: é necessário levar-se em consideração. se um voltímetro tem exatidão de (1% + 2) e seu display mede 220 V. tanto do instrumento em si como de seu operador. somente os instrumentos classificados com True RMS darão a indicação exata. Nesse caso. como mostra a Figura 6. Assim. a possibilidade da existência de transientes de tensão. o valor real pode estar entre 217. cada uma delas abrangendo situações às quais o medidor se aplica. • True RMS A maioria dos medidores de tensão e corrente fornece indicações bastante exatas quando operam grandezas constantes (CC) ou formas sinusoidais puras (CA). • Categoria Esta característica diz respeito à segurança. no entanto deixam a desejar quando a grandeza sob análise tem outra forma de onda. ainda. Figura 6. que podem atingir picos de milhares de volts em determinadas situações.78 e 222. Os instrumentos digitais são hierarquizados em categorias numeradas de I a IV.9. de Castro Neves e Rubi Münchow variar.9 – Categorias dos instrumentos digitais de medidas elétricas (Fluke do Brasil).ELETROTÉCNICA – Vol.

Este procedimento.11 – Instrumento digital “de alicate”. isto significa que um condutor deverá ser “aberto” no ponto de inserção do instrumento. ou seja.10 – Medida de corrente com amperímetro: (a) conexão do instrumento.6 INSTRUMENTOS BÁSICOS DE MEDIDAS ELÉTRICAS Neste trabalho. Outras grandezas elétricas – como resistência e capacitância .10a. sempre é ligado em série com elemento cuja corrente quer-se medir. pode-se considerar que os amperímetros são ideais. Um amperímetro ideal é aquele que tem resistência interna igual a zero. Figura 6. tensão. 58 . equivale a um curto-circuito. 6.10b. capaz de medir a corrente pelo campo magnético que esta produz ao passar no condutor. a menos que se busque grande exatidão em uma medida. chamado multiplicação de escala. é mostrado na Figura 6.11). como mostra a Figura 6. Por vezes faz-se necessário medir correntes de magnitudes superiores à de fundo de escala do amperímetro. 1 Eurico G. para isso. potência e energia.12b mostra dois tipos de resistores de derivação. denominamos básicos os instrumentos destinados à medida das grandezas elétricas básicas: corrente. Se a interrupção do circuito é impraticável pode-se usar um amperímetro-alicate (Figura 6. a fim de que o instrumento interfira minimamente no circuito sob inspeção. de Castro Neves e Rubi Münchow 6.1 Amperímetro Utilizado para medir correntes. A resistência interna de um amperímetro deve ser a menor possível. a Figura 6. Figura 6.podem ser determinadas a partir de adaptações feitas nesses medidores básicos. Na prática. que desviará a parcela de corrente que excede o fundo de escala.ELETROTÉCNICA – Vol. O símbolo do amperímetro está mostrado no diagrama esquemático da Figura 6. liga-se em paralelo com o instrumento um resistor (chamado derivação ou shunt). (b) diagrama da ligação.6.12a.

isto é. pois uma inversão na mesma fará com que o ponteiro se desloque no sentido errado da escala.2 Voltímetro Instrumento destinado à medida de tensões. quando isso acontece.ELETROTÉCNICA – Vol. Para tanto. utilizar um voltímetro com fundo de escala inferior à tensão que se quer medir. de Castro Neves e Rubi Münchow (a) (b) Figura 6.13 – Medida de tensão com o voltímetro: (a) conexão do instrumento.13a e b). 1 Eurico G.6. 9 Alguns modelos têm uma chave que permite inverter internamente a conexão. A mesma observação relativa à ligação dos amperímetros analógicos vale para os voltímetros: a inversão na conexão do instrumento ocasiona a inversão do sentido de deslocamento do ponteiro. 6. Figura 6. (b) diagrama de ligação. devem-se inverter os terminais da conexão9. relativamente ao sentido da corrente.14). Também no caso dos voltímetros é possível a ampliação de escalas.12 – Processo de multiplicação de escala de um amperímetro: (a) esquema de ligação. (b) resistores de derivação (shunt). conecta-se em série com o instrumento um resistor cujo valor seja apropriado para receber o “excesso” de tensão (Figura 6. 59 . Em muitos modelos de amperímetros analógicos deve-se atentar para a ligação. o voltímetro deve ser ligado em paralelo com o elemento cuja tensão quer-se determinar (Figura 6.

tendo uma bobina de potencial e outra de corrente.4). Os wattímetros analógicos (Figura 6. porém ainda são muito numerosos os analógicos. uma para a medida de tensão (também chamada bobina de potencial) e outra para medir a corrente.15b mostra-se o símbolo geral usado para wattímetros e sua conexão para a medição de potência em uma carga. Figura 6. através delas. 6. 1 Eurico G. bem como o fator de potência da carga. por amostragem.16a. este é um medidor de energia ativa.14 – Esquema de ligação para a ampliação de escala de um voltímetro. Seção 5. O aparelho é construído de tal forma que o ponteiro indica o produto dessas duas grandezas multiplicado. Sua construção é semelhante à do wattímetro. em outras palavras. sua estrutura e ligação são vista na Figura 6. de Castro Neves e Rubi Münchow Figura 6. com indicação das bobinas de tensão e de corrente. as potências ativa e aparente. geralmente.5.12. um circuito eletrônico calcula.ELETROTÉCNICA – Vol. do tipo “alicate”.6. utilizado por todas as concessionárias de energia elétrica para aferir o consumo das instalações elétricas.15 – Wattímetro analógico: (a) vista geral. facilitando sobremaneira a conexão para as medidas.4 Quilowatt-horímetro Popularmente chamado “relógio de luz”. ainda. Nos wattímetros digitais. pelo cosseno da defasagem entre elas (fator de potência). tensão e corrente eficazes e. Esses instrumentos são. Na Figura 6. É cada vez mais freqüente a instalação de medidores de energia digitais. A leitura 60 . o aparelho mede a potência expressa pela Equação 5. 6. também chamados de ponteiro.15a) possuem duas bobinas. (b) símbolo e conexão a uma carga.3 Wattímetro É o aparelho apropriado para a medida de potência ativa (V.

61 . de Castro Neves e Rubi Münchow destes exige atenção.16 – Medidor de kWh: (a) Estrutura e ligação. já que podem medir Volts.16b. (b) (a) Figura 6. corrente (normalmente só CC) e resistência10.924 kW. com seus componentes principais.17 – Multímetro analógico (esquerda) e digital (direita). Ohms e Miliampères.17) são instrumentos projetados para medir diversas grandezas. pelo menos. o valor lido é 14. No exemplo da Figura 6. tensão (CC e AC). a inserção de resistores em série permite a medida de tensão e a adição de uma fonte externa (uma bateria de 9 10 Os multímetros (principalmente os analógicos) são por vezes chamados de VOM. começa-se pelo último ponteiro e vai-se anotando o último algarismo ultrapassado pelo ponteiro. Todo o multímetro é capaz de medir.7 MULTÍMETROS Multímetros ou multitestes (Figura 6. Figura 6. 6. (b) exemplo de display analógico de ponteiros. 1 Eurico G.ELETROTÉCNICA – Vol. Multímetros analógicos são baseados nos amperímetros. pois os diversos ponteiros giram em sentidos opostos.

ELETROTÉCNICA – Vol.2) onde Rp0 é o valor de Rp para o qual a ponte está em equilíbrio. não haverá indicação de corrente no instrumento: diz-se que. de Castro Neves e Rubi Münchow V. Por convenção. para isso utiliza-se um sensor (no lugar de Rx) do qual se conheça a relação entre a grandeza a ser determinada e sua resistência elétrica. Rx  R2  R p0 R1 (6. um amperímetro sensível (galvanômetro). cujo valor pode ser lido em um painel. 6. 1 Eurico G. alguns instrumentos têm terminais apropriados para medidas específicas. É o caso das células de carga (strain gage) para a medida de pressão e esforços mecânicos e de termômetros resistivos. nessa situação. a ponte está em equilíbrio. tais como valores mais elevados de corrente ou decibéis. permita que se meçam resistências. O circuito é alimentado por uma fonte de CC com tensão nominal E e possui. R1 e R2 são valores conhecidos de resistência e Rp é um potenciômetro. para um determinado valor de Rp. a ponta de prova preta é ligada ao terminal – (COMUM) e a vermelha ao terminal + (“vivo”). a leitura no amperímetro vai-se alterando e.18. demonstra-se que o valor da resistência desconhecida é dada por: Figura 6. onde Rx é a resistência desconhecida. 18 – Ponte de Wheatstone. ainda. Quando isso ocorre.8 PONTE DE WHEATSTONE É um circuito utilizado para medir resistências e sua estrutura básica é vista na Figura 6. Com o ajuste do potenciômetro. 62 . A ponte de Wheatstone é muito utilizada para a determinação indireta de outras grandezas. por exemplo).