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ESCOLA SUPERIOR DE GUERRA

MANUAL BÁSICO
Volume II ASSUNTOS ESPECÍFICOS
Rio de Janeiro 2009

ESCOLA SUPERIOR DE GUERRA

MANUAL BÁSICO

VOLUME II ASSUNTOS ESPECÍFICOS

Rio de Janeiro 2009
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Impresso no Brasil/Printed in Brazil TODOS OS DIREITOS RESERVADOS - É proibida a reprodução total ou parcial, de qualquer forma ou por qualquer meio, salvo com autorização, por escrito, da Escola Superior de Guerra - ESG

Escola Superior de Guerra (Brasil) Manual Básico da Escola Superior de Guerra. - Rio de Janeiro: A Escola, 2009 - reimpressão 2010. Volume II - Assuntos Específicos. 126 p. 1. Escola Superior de Guerra (Brasil) - Expressões do Poder. 2. Brasil - Elementos de Inteligência Estratégica. 3. Brasil - Elemento de Logística e Mobilização. MB-2009

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7 – Qualidade e Atuação das Elites e Lideranças Políticas 3.3 – O Judiciário 4.1.6 – Os Grupos de Pressão 4.6 – Qualidade e Atitude do Eleitorado 3.1.2 – O Legislativo 4.5 – Qualidade e Ordenamento Jurídico 3.1.3 – Instituições Políticas Seção 3 – Fatores 3.1 – Organizações 4.5 – Os Partidos Políticos 4.4 – Doutrinas e Ideologias Políticas 3.2 – Território 2.1.EXPRESSÃO POLÍTICA Seção 1 – Conceituação Seção 2 – Fundamentos 2.1.1 – O Executivo 4.1 – Situação Geopolítica 3.8 – Interação dos Poderes do Estado Seção 4 – Organizações e Sistemas Políticos 4.ÍNDICE Parte I EXPRESSÕES DO PODER NACIONAL CAPÍTULO I .2 – O Sistema Político 3 13 14 14 15 16 18 18 20 21 22 23 24 24 25 26 26 27 29 30 31 31 33 34 .3 – Cultura Política 3.4 – O Eleitorado 4.2 – Condicionamentos Históricos 3.1.1 – Povo 2.

2 – Mercado 2.EXPRESSÃO PSICOSSOCIAL Seção 1 – Conceituação Seção 2 – Fundamentos 2.3.1.6 – Capacidade de Consumo 3.3 – Capacidade da Acumulação e Absorção do Capital Fixo 3.1 – Sistema Econômico 2.3.1 – Cultura e Padrões de Comportamento 3.2 – Aspectos Qualitativos 2.2 – Recursos Naturais 2.1 – Pessoa Humana 2.5 – Capacidade de Financiamento 3.3 – Empresa 2.3.1 – Modernização e Adaptação às Mudanças 3.CAPÍTULO II .2 – Níveis de Bem-Estar 3.4 – Consumo 2.3 – Dinâmica Ambiental 4 51 51 51 53 54 55 55 58 62 37 38 38 39 40 40 41 42 43 44 44 45 45 46 46 47 47 48 48 48 49 .2 – Ambiente 2.3 – Instituições Sociais Seção 3 – Fatores 3.4 – Capacidade Empresarial 3.1 – Recursos Humanos 2.EXPRESSÃO ECONÔMICA Seção 1 – Conceituação Seção 2 – Fundamentos 2.3 – Instituições Econômicas 2.7 – Capacidade de Participação Seção 4 – Organizações e Funções CAPÍTULO III .3.2 – Capacidade do Conhecimento Científico e Tecnológico 3.3.1.1 – Aspectos Quantitativos 2.5 – Moeda Seção 3 – Fatores 3.

3.2 – Exército 2.1 – Recursos Humanos 5 63 66 66 67 69 69 69 70 71 72 73 75 76 76 77 78 78 79 80 80 80 80 81 81 81 82 83 83 83 . Adestramento e Aprestamento 3.3 – Capacidade de Comando e Controle 3.8 – Capacidade de Mobilização 3.1 – Organizações 4.7 – Capacidade Logística 3.2 – Funções CAPÍTULO IV .1 – Marinha 2.2 – Estrutura Militar 3.4 – Dinâmica Estrutural Seção 4 – Organizações e Funções 4.4 – Interação das Forças Armadas 3.1 – Recursos Humanos 2.6 – Moral Militar 3.3 – Aeronáutica Seção 3 – Fatores 3.2 – Território 2.EXPRESSÃO MILITAR Seção 1 – Conceituação Seção 2 – Fundamentos 2.9 – Serviço Militar 3.3.5 – Instrução.1 – Doutrina Militar 3.2 – Funções CAPITULO V .EXPRESSÃO CIENTÍFICA E TECNOLÓGICA Seção 1 – Conceituação Seção 2 – Fundamentos 2.10 – Capacidade Científica e Tecnológica Seção 4 – Organizações e Funções 4.1 – Organizações 4.3.3 – Instituições Militares 2.3.

6 – Biodiversidade 3.2 – Administrativas ou Estratégicas 4.2.1 – Organizações 4.5 – Segmento Inteligência 1.2.3 – Conhecimento Estratégico 1.3 – Instituições Científicas e Tecnológicas Seção 3 – Fatores 3.1 – Educação 3.6 – Segmento Contrainteligência Seção 2 – Planejamento da Atividade de Inteligência Estratégica Seção 3 – Relação entre o Produtor e o Usuário da Atividade de Inteligência 93 93 94 94 95 95 96 97 97 6 .7 – Diversidade Mineral 3.2.2 – Comunicação 3.3 – Nível de Pesquisa e Desenvolvimento Experimental 3.8 – Proteção Ambiental Seção 4 – Organizações e Funções 4.3 – Operacionais ou Produtivas 84 84 85 85 86 86 86 87 87 87 88 88 88 88 88 89 89 Parte II ELEMENTOS DE INTELIGÊNCIA ESTRATÉGICA CAPÍTULO I – INTELIGÊNCIA ESTRATÉGICA Seção 1 – Atividade de Inteligência Estratégica 1.1 – Políticas e Normativas 4.4 – Dinâmica Produtiva 3.2 – Conceituação 1.2 – Recursos Naturais e Materiais 2.2 – Funções 4.2.5 – Infraestrutura Científica e Tecnológica 3.4 – Organização de Inteligência Estratégica 1.1 – Considerações Iniciais 1.

4.4.4.5.Parte III ELEMENTOS DE LOGÍSTICA E MOBILIZAÇÃO CAPÍTULO I .5.3.4.5 – Expressão Científica e Tecnológica 1.4 – A Mobilização nas Expressões do Poder Nacional 1.3 – Expressão Psicossocial 1.1 – Expressão Política 1.3.2 – Expressão Econômica 1.5 – Planejamento da Mobilização Nacional 1.5.2 – Requisitos para a Estrutura do Sistema Nacional de Mobilização 1.4 – Expressão Militar 1.1 – Fases 3.4.1 – Organização 1.2 – Execução da Mobilização Nacional 1.4.3 – Ciclo de Planejamento da Mobilização Nacional 7 109 109 109 111 112 113 113 114 115 116 117 117 118 118 119 120 121 .1 – Introdução 1.2 – Conceituação 1.2 – Setores e Funções Logísticas Seção 4 – Princípios Gerais da Logística Seção 5 – Conclusão 101 102 104 104 105 106 107 CAPÍTULO II .LOGÍSTICA NACIONAL Seção 1 – Introdução Seção 2 – Conceituação Seção 3 – Atividades Logísticas 3.1 – Preparo da Mobilização Nacional 1.MOBILIZAÇÃO E DESMOBILIZAÇÃO NACIONAIS Seção 1 – Mobilização Nacional 1.6 – Considerações Finais 1.3 – Fases da Mobilização 1.

2 – Planejamento da Desmobilização Nacional 2.1 – Introdução 2.3 – Conclusão 123 123 124 125 8 .Seção 2 – Desmobilização Nacional 2.

Método para o Planejamento Estratégico /ESG detalha a metodologia preconizada pela ESG para o planejamento da ação políƟca. organizações e funções das Expressões do Poder Nacional e assuntos ligados à Inteligência Estratégica e à LogísƟca e Mobilização Nacionais. No Volume I . parte de uma coletânea composta de três volumes. fundamentos. foi elaborada a NCE 001 – 09 DFPG que trata das Bases Teóricas de Planejamento. servindo como embasamento didáƟco e metodológico.Assuntos Específicos aborda conceitos. fatores.Elementos Fundamentais são apresentados os Fundamentos Axiológicos. O Volume III . O Volume II .APRESENTAÇÃO Este Manual Básico. A fim de propiciar melhor entendimento do Método. O conteúdo apresentado nos três volumes e na NCE 001 – 09 DFPG não consƟtui dogma. os Conceitos Fundamentais (ObjeƟvos Nacionais. destina-se a orientar os estudos e os trabalhos desenvolvidos na ESG em seus diversos Cursos. A obra está em consonância com o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa que passou a vigorar em 1º de janeiro de 2009. PolíƟca Nacional e Estratégia Nacional) e os Campos de Atuação do Poder Nacional. Ciclos de Extensão e demais aƟvidades acadêmicas. 9 . Poder Nacional.

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PARTE I EXPRESSÕES DO PODER NACIONAL 11 .

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com funções tais consƟtuem a forma pela qual a Nação se expressa poliƟcamente. projetos ou decisões. embora consƟtua 13 . em nome da Nação e sempre em beneİcio dela. como instituição da Nação. podem ser impostas coerciƟvamente pelo Estado. O Estado o faz por intermédio do desempenho de três funções básicas: a normaƟva. daí denominar-se a esse conjunto parƟcular Expressão PolíƟca. Ɵtular que é da soberania. têm as funções de interpretar os interesses e aspirações do Povo. o Estado. transformadas em normas. legiƟmamente. em interação. organizam-se historicamente meios que. podendo o Estado. idenƟficando e estabelecendo os ObjeƟvos Nacionais. Esses meios em interação. planos. que contribui para alcançar e manter os ObjeƟvos Nacionais. valer-se. As ações ou omissões necessárias à conquista e à preservação dos ObjeƟvos Nacionais. retornam ao Povo ou a seus representantes. desde que em atendimento à Vontade Nacional. decisões) considerados mais relevantes pelo Povo. Contudo. cuja conquista e preservação orientam. transformando-se em objeƟvos arƟculados que. Eis uma caracterísƟca específica da Expressão PolíƟca: é nela que se resolve a alocação coerciƟva de valores (normas. sob a forma de propostas de normaƟvidade. cabe exercer. a coerção social. Os anseios e aspirações do Povo. a administraƟva e a jurisdicional. máxima insƟtuição da Expressão PolíƟca de um dado Poder Nacional. mais ou menos difusos. nas sociedades democráƟcas. projetos estatais ou decisões específicas.CAPÍTULO I EXPRESSÃO POLÍTICA Seção 1 Conceituação Dentro do conjunto da sociedade nacional. da força de que dispõe. Ao Estado soberano. Expressão PolíƟca do Poder Nacional é a manifestação de natureza preponderantemente políƟca do Poder Nacional. parâmetros de decisão. processamse na Expressão PolíƟca.

estabelecendo-se um contrapeso necessário para assegurar-se um regime de liberdade. se o Estado detém uma parcela importante do Poder. alcançar o estágio sociocultural de Nação. temos: Fundamentos.o centro do processo decisório nacional. Fatores e Organizações e Sistemas Políticos.Povo O fundamento humano da nacionalidade toma. condição básica para o exercício da cidadania. estabelecem-se algumas categorias úteis à compreensão de seus elementos estruturais. a ela não pertencem. compreendendo os nacionais e estrangeiros que se tenham fixado no território sob a soberania do Estado. se limita ao conceito sociológico de sociedade hereditária que pode. Não deve ser confundido com o conceito de população. 14 . Nas sociedades democráƟcas. que é mais amplo. o que. nesta Expressão. por seus comportamentos e ações. Tampouco. Quer considerado como uma sociedade hereditária em seu conjunto. como outros que. Assim. entretanto.1 . Para a análise da Expressão Política. Seção 2 Fundamentos 2. na medida em que carecem do mencionado vínculo direto com o Estado. de determinadas aƟvidades políƟcas. em decorrência de vínculo direto com o Estado. Aos estrangeiros pode ser estendida a faculdade de parƟcipar. o conceito de Povo abriga todos os estratos e classes sociais dessa sociedade. produzem. não esgota a Expressão PolíƟca da Nação: parƟcipam do processo de integração e expressão da Vontade Nacional outros componentes e interações que. Do ponto de vista políƟco. excepcionalmente. não os torna integrantes do Povo. efeitos relevantes na Expressão PolíƟca. uma configuração plural e um senƟdo políƟco. Integram o Povo os nacionais natos e naturalizados. Incluem-se aqui não só elementos essencialmente políƟcos. quer tomado em senƟdo políƟco. eventualmente. não o detém todo. conquanto se relacionem com a esfera estatal. das quais fazem parte as elites políƟcas (no Governo ou na Oposição). o Povo é a parcela da população que possui. predominantemente de natureza diversa. e as não-elites.

é o Território. de que é elemento estrutural. É ela. no conceito de que internacionalmente se reconhece àquela ordem jurídica estatal. Na medida em que a Nação pode ser entendida como “um conjunto de pessoas que. minimamente expressa pelo consenƟmento da maioria. mas a forƟori o de Estado-Nação. no plano externo. política e juridicamente considerado como base substanƟva do Poder Nacional. É do Povo. evidencia-se que a territorialidade alicerça não só o conceito de Nação. e o Estado só é possível sobre um Território. nas sociedades democráticas. que legiƟma a instauração da disƟnção entre governantes e governados. que deriva a legiƟmação do Poder políƟco. sobre base territorial definida. pelo consenƟmento da maioria do Povo. a relação comando-obediência se exerce. em senƟdo políƟco.2 – Território O espaço. Quando se analisa ou se avalia o Poder Nacional. Se. da pessoa individual sobre o grupo.Nação o direito à 15 . Isso porque a valorização do plural humano conƟda no conceito políƟco de Povo não deve olvidar o fundamento axiológico da supremacia do homem concretamente considerado. Atributo essencial do Estado. ou seja. Nas democracias. todo o Poder.E é com esta acepção não excludente que se diz que. porque reforça o conceito de idenƟdade nacional. no plano interno. Afinal. a Soberania não consiste senão na independência dessa ordem jurídica territorializada. de sua vontade. revelam consciência de uma idenƟdade própria”. ainda. nas democracias. a vontade popular resultante do processo interaƟvo dos diferentes segmentos que compõem o Povo consƟtui a fonte da legiƟmidade. vale dizer aquele Estado. Legitimada a autoridade. em verdade tem-se em mente (porque outras possibilidades não têm relevância histórica) o Poder de uma Nação políƟca e juridicamente organizada como Estado. o beneficiário da ação políƟca. cada homem e todos os homens. 2. a Soberania consƟtui conceito com necessárias referencias territoriais. a Soberania consiste na supremacia da ordem jurídica estatal sobre um dado território. submeƟda aos princípios do Bem Comum e do respeito às minorias e aos direitos individuais. deve ser o homem. essencial à existência do próprio atributo estatal da Soberania. emana do Povo e em seu nome é exercido. com a aceitação do princípio da autoridade e da decorrente relação comando-obediência.

quanto. Consiste na base geográfica İsica. por outro lado.em condições de segurança. frequentemente. isto é. O Território consƟtui. quer se trate de interações envolvendo órgãos e organizações pertencentes às sociedades civis de diferentes NaçõesEstado.InsƟtuições PolíƟcas Manifestações essenciais do Povo. que oferece ao fundamento humano da Nação as condições de desenvolver sua cultura . em seu relacionamento com as demais Nações-Estado e. nos níveis políƟco e /ou administraƟvo. do Poder da Nação-Estado. 2. quer interestatais ou intergovernamentais. embora tenham cada qual sua função específica. na medida do desenvolvimento de sua cultura políƟca. estabelece as condições que possibilitam a criação e o aperfeiçoamento das InsƟtuições PolíƟcas e as interações entre os diversos órgãos da 16 . na relação com seu fundamento humano. por mais divididas que pareçam. encontram repercussão tanto nas alianças e rivalidades históricas do Estado Nacional. O Povo. internamente. na própria estrutura interna da distribuição espacial do poder políƟco: maior ou menor centralização ou descentralização da competência decisória. internamente. relações socioeconômico-culturais de que se possam extrair conotações ou efeitos políƟcos. na forma histórica do Estado (unitário ou composto: federação ou confederação) e. as dimensões e a forma do Território de uma Nação-Estado. incluída nela a Plataforma ConƟnental. tentam a coesão. ainda. certo grau de peculiaridade nacional que as faz parơcipes primordiais na percepção da idenƟdade nacional (cultural) mesma. ainda. em senƟdo mais amplo e remoto. O Território Nacional consƟtui base não só do Poder do Estado. Detêm.autodeterminação naquele espaço territorial. a arena sobre a qual se processam as relações políƟcas internas e o referencial imprescindível das relações internacionais. porque foram criadas para responder a desafios peculiares a um povo. as InsƟtuições. o mar adjacente e o espaço aéreo sobrejacente. mas. Em úlƟma análise. refleƟndo sua cultura e buscando estabelecer a unidade ante posturas divergentes. em decorrência. criam um conjunto de esơmulos e desafios (esơmulos e desesơmulos geopolíƟcos) que. as InsƟtuições PolíƟcas são o produto de um mínimo consensual nas sociedades. A situação geográfica.e suas insƟtuições .3 . quando estabelecem o campo para o desenrolar dos processos sociopolíƟcos oposiƟvos.

Possibilitadas pelo estágio de desenvolvimento cultural do Povo. abrigando outras diversas. a existência e o funcionamento das InsƟtuições e dos Órgãos incorporam-se ao patrimônio cultural do Povo. nem com os fatores. cumpre lembrar o seu caráter instrumental e o fato de que há insƟtuições políƟcas não só historicamente anteriores ao Estado. Assim. ainda. em sua amplitude e forma. a compeƟção políƟca é a organização de interesses. que correspondem 17 . a Representação PolíƟca (em sua natureza e composição) e o Regime PolíƟco (normaƟzando as relações de poder e autoridade entre governantes e governados). em suas dimensões e caracterísƟcas. pois. tais como: o Ordenamento Jurídico (que se confunde com o próprio Estado). Não se deve confundir as InsƟtuições PolíƟcas com os grupos. seja por intermédio de parƟdos políƟcos. Por sua vez. pode organizarse como Estado. a Forma e Sistema. Quando o Povo aƟnge o estágio cultural de Nação. o Governo (em seus poderes e estrutura). também são insƟtuições relevantes: os modelos da compeƟção políƟca. as formas de acesso ao Poder e a relação de Poder: a relação governante-governado. A análise da Expressão PolíƟca de um dado Poder Nacional impõe o estudo das InsƟtuições PolíƟcas vigentes na sociedade em exame. regulam aƟvidades políƟcas que se desenvolvem no seio do segmento não-estatal da sociedade (sociedade civil). órgãos e organizações que lhes dão concretude e cujas interrelações o complexo insƟtucional conforma e possibilita. Além do Estado. engendrando novas necessidades e possibilidades. Regulam. a InsƟtuição Estatal tem por finalidade básic a preservação da existência. o processo decisório nacional. de representação e das formas de parƟcipação no processo decisório. a Nação. embora relacionadas com a aƟvidade estatal. seja por meio de grupos de pressão.Expressão PolíƟca. Dotada do atributo da Soberania. de solução das crises e conflitos políƟcos (mecanismos insƟtucionais de reequilíbrio do sistema). Tratando-se de Regime PolíƟco DemocráƟco. criatura da sociedade nacional. como modernamente compreendido. que não é senão uma macroinsƟtuição. mas que. o funcionamento do próprio Sistema PolíƟco. as InsƟtuições PolíƟcas consƟtuem complexos normaƟvos que regulam não só a manifestação e a arƟculação das ideias e interesses políƟcos mas. Se o Estado consƟtui a InsƟtuição PolíƟca. ou seja. são relevantes outras insƟtuições. da idenƟdade e das possibilidades evoluƟvas do seu ente criador. de organização do quadro parƟdário.

situando-os no complexo das relações interespaciais que mantêm com seus vizinhos e. consolidadas pelo tempo. A relação de fatores que explicitaremos não consƟtui lista exausƟva. a rejeição de soluções insƟtucionais inadequadamente importadas. a não observância das peculiaridades da cultura nacional explica. representam. na medida em que uma dada cultura nacional se insere. as diferentes formas e variações de intensidade das interações manƟdas entre esses diversos componentes analíƟcos da Expressão.1 . devemse compreender seus espaços territoriais. qual o da vertente civilizatória a que se vincula historicamente essa sociedade nacional. aspectos fundamentais da própria idenƟdade nacional. 3. enfim. poder-se-ão idenƟficar traços políƟco-insƟtucionais comuns entre sociedades nacionais de mesma origem cultural. consideradas como complexos normaƟvos criados intencionalmente para responder a necessidades e peculiaridades políƟcas de uma dada sociedade nacional. Isto explica o fenômeno da adoção de determinadas insƟtuições e sua possível aclimatação histórica em sociedades nacionais diferentes. frequentemente. As instituições políticas. com suas peculiaridades.Situação GeopolíƟca Para compreender as possibilidades históricas das Nações. num universo sociocultural mais amplo. e ainda. Por outro lado. com 18 . desde que observando o indispensável requisito da adaptação às caracterísƟcas culturais locais. Indicam estados e comportamentos dos Fundamentos e dos Órgãos. as mudanças eminentemente conjunturais. Outros explicam e refletem. Contudo. ao longo do tempo. Seção 3 Fatores Os fatores são as variáveis da Expressão PolíƟca.às variáveis comportamentais e interacionais do Sistema. Alguns são de natureza estrutural: variam de sociedade para sociedade e revelam pequena variação na mesma sociedade. mas a indicação de fatores considerados relevantes para a compreensão da dinâmica da Expressão PolíƟca. possibilitadas pela cultura do Povo.

os Estados Nacionais. em face da situação esơmulo-desafio em que se encontram. da intercomplementariedade de suas culturas e economias. na medida da maior ou menor arƟculação de suas regiões. a população que vive nas diversas regiões cria subculturas. com reflexos na Expressão PolíƟca. devem ser considerados. sem essa causa. o Povo com sua cultura. Outros aspectos. porque as Nações. valendo lembrar sua constante interação com os condicionamentos históricos e com os efeitos da capacidade cienơfico-tecnológica alcançada 19 . Por sua posição geográfica. será um fator mulƟplicador do Poder Nacional que pesará certamente nas relações internacionais do Estado. mas os que podem ter. chamados “Estados-Tampão”. uma maior extensão territorial. estaria alheio. A par dos influxos histórico-culturais. em grande parte. Também. por exemplo. de que decorrem as InsƟtuições. A situação geográfica das Nações condiciona seus interesses recíprocos. Assim. pode decorrer da importância estratégica de uma dada área geográfica e da necessidade de estabelecer um “amortecedor” geográfico entre Estados rivais. AƟtudes há. A situação geográfica e a extensão territorial do Estado influem sobre a Expressão PolíƟca à medida que favorecem ou prejudicam sua eficiência e eficácia. Por outro lado. caracterizando a interrelação entre o Fundamento Território com os demais. dando origem a regionalismos. inclusive no aspecto insƟtucional. O Território de um Estado apresenta aspectos variados. interage. seja no que diz respeito ao potencial econômico. historicamente assumidas pelas Nações. com muitas outras variáveis ou fatores. Assim. seja no concernente à sua caracterização İsica. consequentemente. o neutralismo. decorrem daí interesses regionais que. que decorrem primordialmente do fator geográfico. ou o perene antagonismo entre duas ou mais Nações podem encontrar aí sua principal explicação. nem sempre têm os interesses que querem. Deste modo. A variável geopolítica. também.o mundo. em relação à parƟcipação em determinadas alianças e blocos de Nações. seja no que se refere às peculiaridades de suas fronteiras. entre si. a extensão do território pode dar origem a problemas relaƟvos à integração nacional. também. Mesmo a criação de certos Estados. o isolacionismo. a situação geopolíƟca pode condicionar. podem ser harmônicos ou confliƟvos. e. sendo um dos fatores de harmonia ou conflito. Os efeitos da descentralização políƟca e administraƟva vinculam-se a esse fator e lhe indicam a importância. um Estado pode vir a ser envolvido em conflitos aos quais. os interesses nacionais.

está o Homem conƟngenciado por vários fatores. não impede o reconhecimento de que.pela Nação. aproveitar e superar. a tarefa histórica de encontrar e apontar à Nação os meios pelos quais possa ela valer-se de seus condicionantes históricos para. O passado. Assim. Os condicionamentos geopolíƟcos não consƟtuem determinismos. não podem ser ignorados. de modo geral. 3. Os esơmulos e os desesơmulos dos espaços geográficos integram-se aos influxos histórico-culturais. Cabe às elites. respecƟvamente. ante o esơmulo-desafio que eles consƟtuem. para apresentar aos povos os esơmulos e os desafios que eles devem. valendo-se dos esơmulos e superando os condicionamentos limitadores. perde a coesão interna. Antes de tudo. condicionam sua trajetória futura. até porque as relações interespaciais são dinâmicas. A compreensão dos condicionamentos históricos é básica para entender-se o complexo das InsƟtuições PolíƟcas de uma dada sociedade 20 . Os condicionamentos históricos. devem ser vistos. ao fazê-la. Desconhecer o passado é subesƟmar forças que atuam no presente por intermédio do psiquismo dos povos. evolui conƟngenciado por vários fatores. como determinismos inexoráveis. superá-los e construir seu futuro. Os povos podem. ignorar as tradições de um povo é o mesmo que desprezar sua idenƟdade cultural . por outro lado. perde o senƟdo de sua própria evolução. a priori. sem perder sua idenƟdade. perde as referências que o fazem Nação. seu passado. em maior ou menor medida. Ele se fragiliza e se torna objeto da dominação de outros povos que souberam conservar sua idenƟdade. suas imperfeições. adicionando-se e subtraindose. e às elites intelectuais e políƟcas em parƟcular. na medida em que o próprio avanço cienơfico-tecnológico altera as distâncias entre os povos e suas relações com o ambiente natural. entre esses sua finitude. portanto. enfim suas circunstâncias. nem. os condicionamentos históricos devem ser compreendidos. dentre eles os de natureza históricocultural. no senƟdo de que ele é quem a faz. o Povo. encontrar as maneiras pelas quais a eles devem responder. as tradições integram a idenƟdade cultural de um Povo e. como sociedade hereditária de homens. também.2 – Condicionamentos Históricos A afirmação de que o Homem é sujeito em relação à História. Quando um povo perde sua idenƟdade.nada mais perigoso.

mediante os quais o Povo integra processo políƟco. Podem-se constatar traços significaƟvos de 21 . como vê a compeƟção políƟca. como reage ao rompimento das regras estabelecidas para a conquista do Poder. 3. mais especificamente. A Cultura PolíƟca corresponde aos padrões de comportamento. parƟculariza seus modos de senƟr.Cultura PolíƟca Sendo a cultura de um povo consƟtuída pelo conjunto de seus modos de senƟr. são comparƟlhados com outros povos de uma mesma civilização ou vertente cultural. e se exprime por intermédio dos canais de representação e parƟcipação políƟcas. que se estabeleceu por intermédio da fixação de traços muito específicos relacionados à consciência de uma origem e um desƟno comuns. a separação entre as esferas pública e privada. eventualmente. ao longo de sua História. um segmento desse universo pode ser idenƟficado como Cultura PolíƟca. da preservação e do exercício do Poder. entre os órgãos de sua Expressão PolíƟca. Nem é a idenƟdade nacional outra coisa senão uma idenƟficação de natureza cultural. afinados com os valores da sociedade nacional. como recebe a parƟcipação do estrangeiro na vida do país.nacional e as interações existentes e possíveis entre os atores sociais e. todo povo tem uma Cultura PolíƟca . A partir desse denominador comum. como concilia os planos da realidade e do dever ser da aƟvidade políƟca. como encara a autoridade e o governo. pensar e agir. A natureza políƟca desse segmento é dada pelos seus vínculos com os fatos da conquista. Se muitos traços. interno ou externo. mais ou menos rudimentar . como expressa suas demandas junto ao Poder políƟco. Cada povo. entretanto. Todo povo tem uma Cultura.3 . Os modos como um Povo vem desenvolvendo. o que deles espera e como os apóia e controla.consƟtuída dos traços comuns com que pensa ou sente o fenômeno do Poder ou com que age ou reage às manifestações desse mesmo fenômeno. em certa medida. alguns serão tão peculiares que poderão integrar a própria idenƟdade do povo. podem-se constatar diferenciações: diferentes culturas políƟcas em função dos diversos posicionamentos regional ou social de grupos dentro de uma sociedade nacional. consƟtuem traços exemplificaƟvos de um perfil cultural de natureza eminentemente políƟca. como pensa e sente o relacionamento com povos de diversas culturas.mais ou menos desenvolvida. pensar e agir em relação ao fenômeno políƟco.

não se faz caso da diversidade ou se tenta sufocá-la. alguma doutrina ou ideologia concorrente. 3. mas.eventualmente mais abertas aos influxos dos contatos culturais . das massas . mormente quando se apresentam sistemaƟzadas. ou dos camponeses.e talvez principalmente .diferenciação numa região do país.e uma Cultura PolíƟca das não-elites. a despeito das restrições quanto à circulação das ideias. As ideias movem os homens e consƟtuem um dos fatores quer da permanência. simplesmente. transformando-a. uma Cultura PolíƟca das elites . é imprescindível para a compreensão das aƟtudes dos atores políƟcos. à organização do Estado ou 22 . o de influir sobre ela. Há. as dominantes e subdominantes.Doutrinas e Ideologias PolíƟcas A história não se faz apenas com fatos. necessidades e gestos. derivada de uma influência peculiar a que outras regiões não esƟveram expostas. A idenƟdade nacional pode estar em ambas: a unidade na pluralidade.frequentemente apegada a determinadas roƟnas do processo políƟco. por definição. e. correspondendo a uma Cultura PolíƟca mais avançada ou mais tradicionalista em relação à média nacional ou. Os processos sociopolíƟcos de cooperação. sob a forma de doutrinas ou ideologias. Deste modo. de compeƟção e de conflito não se produzem apenas pelo aparecimento de interesses comuns ou antagônicos. quanto à relação Estado-Sociedade. sobreleva a diversidade e se olvida a unidade subjacente. Podem-se admiƟr culturas políƟcas caracterísƟcas de certas categorias sociais ou profissionais: a Cultura PolíƟca do empresariado. quer da mudança políƟca. a aƟvidade políƟca revelase extremamente sensível ao influxo das ideias. e para a determinação dos cenários prospecƟvos possíveis na evolução de um Sistema PolíƟco. será possível disƟnguir-se.com ideias. por vezes. mas frequentemente pela força agluƟnadora ou divisora de determinadas ideias ou sistemas de ideias. Isto porque se passou a atribuir às ideias não somente o papel de explicar a realidade mas. também. esteja ele sob Regime democráƟco ou não. . IdenƟficar a natureza das principais correntes ideológicas ou doutrinárias. também. entre elas. além da ideologia dominante. Numa sociedade democráƟca que. Mesmo numa sociedade não democráƟca. Doutrinas e ideologias políƟcas contêm propostas de ação no campo políƟco. permite a livre comunicação das ideias e a expressão das divergências.4 . Por vezes. em profundidade e alcance. ou dos militares. sem dúvida. entrecruzam-se doutrinas e ideologias divergentes na busca de difusão e adesões.

embora imponham muitos sacriİcios à sociedade na tentaƟva. de moƟvação e de ação. as ideologias tendem a buscar uma unanimidade de representação.do governo. em qualquer dos entendimentos. Correspondendo à índole do Regime PolíƟco insƟtuído. Doutrinas e ideologias consƟtuem importante fator que influi. portanto. publicista ou contratualista. em todo o Sistema: estaƟzante ou privaƟsta. incorporandose à cultura do Povo. determinando o comportamento dos atores políƟcos. podemos admiƟr.Qualidade e Ordenamento Jurídico ConsƟtuído pelo conjunto do Direito vigente numa sociedade nacional organizada como Estado.5 . suas caracterísƟcas se refletem no Ordenamento Jurídico como qualidades que repercutem. o complexo de suas próprias leis”. flexível ou rígido. Postas no contexto societário. Há quem veja absoluta idenƟdade entre o Estado e sua Ordem Jurídica: o Estado existe apenas na medida e na maneira em que se exprime na lei: “é o somatório. De toda forma. é uma InsƟtuição PolíƟca. 3. consƟtui uma InsƟtuição. às vezes. o Ordenamento Jurídico reflete suas qualidades: democrático. Nem sempre o conseguem. o Ordenamento Jurídico. totalitário. Relevante manifestação da Cultura PolíƟca. em seus objeƟvos e meios a empregar. diferindo do Ordenamento Jurídico. posiƟva ou negaƟvamente. e assim por diante. sobre os componentes da Expressão PolíƟca. Mas. posiƟva ou negaƟvamente. modificando e. a Ordem Jurídica estatal. Sendo o Ordenamento Jurídico uma macroinsƟtuição. jusƟficando ou rejeitando sob um único ponto de vista. que o Estado tem uma realidade histórica e sociológica que o faz ou ao aparato estatal. refleƟndo-se nas InsƟtuições. uma macroinsƟtuição que não só permite a formalização de todas as demais mas ainda abriga a todas numa sociedade nacional em Estado consƟtuída. um sujeito de direito. a qualidade do Ordenamento Jurídico espelha o próprio caráter do Povo e a natureza do desenvolvimento de 23 . pode-se mesmo dizer que geralmente não o conseguem. ritualista ou essencialista. em si. por outro lado. sua tendência a consƟtuir-se como uma cosmovisão. autocrático. Expressão da cultura do Povo. quanto ao exercício do poder. ou Ordenamento Jurídico. na medida em que organiza as diferentes esferas decisórias e canais de expressão. O que empresta às ideologias sua conotação negaƟva é o seu senƟdo acríƟco e dogmáƟco. tudo explicando. suas natureza e qualidade constituem variáveis que atuam produzindo estímulos sobre todos os componentes da Expressão PolíƟca e sobre o próprio funcionamento do Sistema Político.

6 . Qual a aƟtude do Eleitorado em relação à insƟtuição Presidência da República? Em relação aos ParƟdos PolíƟcos? Em relação ao Empresariado? Em relação ao direitodever de votar? Eis exemplos de questões cujas respostas compõem o perfil da aƟtude do Eleitorado. Parcela poliƟzada do Povo. se aprimora pela reiteração das práƟcas democráƟcas.Qualidade e Atuação das Elites e Lideranças PolíƟcas Assim como os diferentes setores da aƟvidade social produzem suas elites. conservador ou inovador. Esses. das quais se destacam. consƟtui o Eleitorado elemento primordial para a representação da vontade do Povo. a aƟtude básica do Eleitorado em relação às InsƟtuições e aos órgãos da Expressão PolíƟca. ainda. fator decisivo para o bom funcionamento do Sistema PolíƟco. 3. Claro está que esta qualidade. Reflete. atributos compõem a qualidade do Eleitorado. no exercício das diferentes formas de parƟcipação políƟca. que é essencial para aprimorar a qualidade do Eleitorado. preconceituoso. também. 24 . as lideranças políƟcas.suas elites. realiza-se nas sociedades bem estruturadas uma educação para a cidadania. de optar e manifestar sua opção. o Eleitorado poderá ser mais ou menos educado. RefleƟndo o nível cultural do Povo. ou seja. individualmente. conforme a índole do Regime. notadamente quando o sufrágio é universal.Qualidade e AƟtude do Eleitorado Órgão da Expressão PolíƟca. a aƟvidade políƟca dá origem ao surgimento de elites políƟcas. divididas ou unificadas. críƟco. Como parte da educação geral do Povo. a interface imprescindível à aplicação destas. e outros. em Regimes democráƟcos. regionalista ou bairrista. fator do Sistema PolíƟco. a representação que exerce. e deve ser objeto de avaliação. é de natureza tácita. Daí decorre a importância da qualidade e aƟtude do Eleitorado. ou de seus critérios. notadamente das elites políƟcas e jurídicas. A qualidade do Eleitorado decorre de sua amplitude e da cultura média dos diferentes estratos ou segmentos que o compõem. de observar.7 . consƟtuindo o Ordenamento Jurídico. as doutrinas ou ideologias políƟcas dominantes. de avaliar. ao corpo social. no Estado de Direito. 3. A ele se integra. nacionalista. porque o Eleitorado é a sua parcela capaz de exprimir-se poliƟcamente. Presume-se que seus anseios sejam os do Povo.

Avaliar a qualidade das elites políƟcas implica avaliar sua origem e composição. seu grau de abertura relaƟvamente às não-elites. fundamentais. deve significar que os diversos Poderes e. seja sob a insƟtuição da Representação PolíƟca. Detendo a capacidade de conhecer os condicionamentos geopolíticos e histórico-culturais e os dados da conjuntura. com pequenas alterações. que interagem com as demais e com o estrato que podemos denominar não-elites. suas formas de recrutamento. de modo a sintonizar aqueles anseios e aspirações com os objeƟvos nacionais de longo prazo. têm o dever de interpretá-los e arƟculá-los. Nas sociedades democráƟcas.8 . em suas interrelações. políƟcas ou não.Interação dos Poderes do Estado O equilíbrio entre os Poderes do Estado. sua sintonia com a massa dos representados e. idenƟficando seus anseios e aspirações. ou seja. A qualidade e atuação das elites e lideranças políƟcas consƟtui. O centro decisório estatal — o Governo.As elites políƟcas. especialmente. com seu braço execuƟvo 25 . Pode-se mesmo afirmar que a qualidade da Representação PolíƟca depende da qualidade das elites e das lideranças políƟcas. recebendo o apoio ou críƟca de outras parcelas das elites e de outras lideranças. dos Órgãos e do Sistema PolíƟco na sua totalidade. o LegislaƟvo e o ExecuƟvo. enfim. Sua atuação pode ser avaliada pela perspecƟva dos representados. seu nível de compeƟção interna. no ExecuƟvo ou no Judiciário. podem servir à avaliação das lideranças. que atuam nos ParƟdos ou nos Grupos de Pressão. sua representatividade. têm o papel de auscultar o Povo. como se evidencia. fator fundamental para o funcionamento das InsƟtuições. sinteƟzado na fórmula famosa dos “freios e contrapesos”. respondendo-se às questões: Que significam as elites e lideranças políƟcas para os eleitores? Qual o grau de confiança que nelas os eleitores depositam? 3. esse papel de intérprete consciente e criaƟvo é desempenhado pelas elites e pelas lideranças políƟcas. parâmetros que. devem propiciar adequada operação do sistema decisório central. seja por intermédio do exercício de cargos no LegislaƟvo.

encontram-se ainda: a manipulação do Poder. A qualidade da interação dos Poderes constitui variável relevanơssima da Expressão PolíƟca. podem-se apontar: o fisiologismo clientelista. a Câmara dos Deputados ou o Senado. como as organizações políƟcas que denominamos parƟdos. criando impasses dolorosos para a sociedade. ou o Presidente da República. Mas a boa ou má interação entre LegislaƟvo e ExecuƟvo é. idenƟficadas como atores políƟcos que interagem na arena políƟca. o fator básico do desentendimento está na própria inadequação do processo legislaƟvo. No lado do ExecuƟvo. como centro de gravidade do sistema. sem dúvida. Muitas podem ser as causas de desentendimento entre o Poder LegislaƟvo e o Poder ExecuƟvo. suficientes e oportunas. fator decisivo para a funcionalidade ou disfuncionalidade do Sistema PolíƟco. ainda que: os partidos políticos e o sistema parƟdário tanto podem contribuir para o bom relacionamento entre os Poderes quanto podem inviabilizar essa relação. os impasses entre os outros Poderes.Organizações As Organizações que integram a Expressão Política do Poder Nacional podem ser. as aƟtudes meramente eleitoreiras. Podem ser singulares.1 . No LegislaƟvo. outras vezes na desestruturação ou na polarização ideológica do quadro parƟdário. temos: os desvios no exercício da representação e a tentaƟva da concentração hegemônica do Poder. Serão mais estruturados. ou podem ser coleƟvos como o Eleitorado. também. no Parlamentarismo. às demandas do Povo. Às vezes. Seção 4 Organizações e Sistemas PolíƟcos 4. a perda da iniciaƟva e do poder de barganha. no Presidencialismo. reserva-se para arbitrar. Pode-se dizer. a ausência ou excesso de lideranças.e seu suporte legislaƟvo — deve ser capaz de responder com decisões adequadas. 26 . ou menos estruturados. Entre as que podem ser detectadas tanto no LegislaƟvo quanto no ExecuƟvo. O Judiciário. como o Chefe de Estado e o Chefe do Governo. o populismo. caracterizadas na exacerbação de prerrogaƟvas e no expansionismo. quando for o caso.

Nos países que adotam o sistema Presidencialista. e . As organizações podem estar estruturadas em sistemas e órgãos. Essas funções. desde Montesquieu.O ExecuƟvo O Poder ExecuƟvo. Sua maior ou menor relevância depende não só das caracterísƟcas das InsƟtuições PolíƟcas vigentes. As organizações se definem pelo conjunto de suas funções que são decorrências do quadro insƟtucional em que os órgãos se inserem. No plano estatal. gerindo os bens públicos e coordenando ações com vista ao atendimento das aspirações gerais. são realizadas. . que é o Chefe de Estado e o Chefe do Governo.a função normaƟva. A distribuição dessas funções por Poderes diferenciados instaura um sistema de freios e contrapesos considerado. auxiliado por ministros e secretários nacionais. do ExecuƟvo e do Judiciário. que insƟtui e atualiza a ordem jurídica.a função jurisdicional. 4. Presidencialista ou Parlamentarista. mas das condições reais de operação do Sistema PolíƟco. LegislaƟvo e Judiciário. pelos órgãos pertencentes às respecƟvas esferas do LegislaƟvo. dependendo do sistema de governo adotado. são funções básicas da Expressão PolíƟca: .1. tem maior ou menor independência e relevância. uma divisão clássica é a que idenƟfica sistemas que. essencial à prevenção do arbítrio e à existência do Estado de Direito. que corresponde ao estrato políƟco aƟvo do Povo. por anƟga tradição. predominantemente. que provê o atendimento dos interesses coleƟvos. que resolve os liơgios provocados por interesses conflitantes. os ParƟdos PolíƟcos e os Grupos de Pressão. o ExecuƟvo é exercido. que têm em vista o atendimento dos interesses coleƟvos nos âmbitos interno e externo.a função administraƟva. 27 . movimentos e frentes de agluƟnação de interesses. Fora do Estado. recebem a denominação de Poderes: ExecuƟvo. em sua plenitude. Podem pertencer à estrutura estatal ou ter sua existência na sociedade civil. aplicando a normaƟvidade constante da ordem jurídica estabelecida. dentre elas o Regime adotado. pelo Presidente da República. mas não exclusivamente.como os grupos políƟcos informais. devemos privilegiar a análise de certas organizações cuja atuação é caracterísƟca do próprio Regime PolíƟco democráƟco: o Eleitorado. Na esfera estatal.1 .

por intermédio de propostas de sua iniciaƟva. conduz as relações internacionais. dá-se. a direção políƟca da diplomacia. consiste no poder-dever estatal de prevenir e reprimir o crime e a criminalidade. mesmo. No âmbito externo. exercício profissional. No plano das relações internacionais. aƟvidades econômicas. Considerando as funções legislaƟvas. correspondendo ao dever do Estado em oferecer condições de segurança à sociedade. os ministros e secretários nacionais são meramente seus assessores. conhecido como poder regulamentar. que engloba duas relevantes funções: a polícia administraƟva e a polícia de Segurança Pública. quer desencadeando o processo. delegando a alguns de seus membros. o Primeiro-ministro e os integrantes do Gabinete. que estes exercem enquanto merecerem a confiança da maioria parlamentar. No Parlamentarismo. pela definição das Diretrizes de PolíƟca Externa e. seja no plano pessoal seja no coleƟvo. total ou parcial. ao Chefe do ExecuƟvo a função judicial de conceder graça ou indulto e. No Presidencialismo. o ExecuƟvo é absorvido pelo LegislaƟvo. situação de estrangeiros. ou seja. A diplomacia caracterizada como a arte de conduzir negociações entre Estados soberanos e a estratégia como a arte de preparar e aplicar o poder da Nação para a conquista e manutenção de seus objeƟvos maiores. as funções execuƟvas. cabem ao ExecuƟvo as funções diplomáƟca e estratégica. No âmbito interno. A segunda. o ExecuƟvo dirige a administração pública. a função estratégica está em dirigir os esforços da sociedade nacional para a consecução dos objeƟvos políƟcos fixados. a cargo do Serviço DiplomáƟco que é a insƟtuição permanente do Estado responsável pela elaboração das propostas de Política Externa. tendo em vista o interesse público. em ambos os sistemas de governo.O Presidente da República responde pela formulação. uso e fruição da propriedade. costumes. tais como os setores da saúde pública. A primeira consiste no poder estatal de disciplinar. Na eventualidade de guerra. comunicações. implantação e execução da PolíƟca Nacional. Na administração pública. é frequente a parƟcipação do Executivo no processo de elaboração das normas legais. também. Costuma caber ainda ao ExecuƟvo o poder de editar normaƟvidade suplementar. também. quer exercendo as prerrogaƟvas de sanção ou de veto. pela estruturação e implementação da Estratégia Externa. o Poder ExecuƟvo exerce o chamado Poder de Polícia . diversas aƟvidades da sociedade. a de comutar 28 .

como aplicação dos princípios democráticos da independência e do mútuo controle entre os Poderes. representa. exerce funções jurisdicionais e administrativas. no caso das federações. que se estendem a uma vasta gama de normas. exerce. o Legislativo realiza papel na educação política do Povo e na sua socialização como ator político. o Legislativo. no Parlamentarismo. em torno de objetivos e soluções comuns. O sistema bicameral. desde a elaboração e aprovação de modificações constitucionais. busca agregar. e. constitui um dos mecanismos de freios e contrapesos característicos dos Regimes democráticos. tanto no Presidencialismo quanto no Parlamentarismo.1. seja aprovando parâmetros para futuras decisões.O LegislaƟvo As funções primordiais do Poder Legislativo dizem respeito à ação legiferante e ao controle político dos atos do Executivo.2 . no exercício da representação. por intermédio do poder de emenda. os interesses dos diferentes segmentos da sociedade. Não só permite a representação das unidades federadas paralelamente à da população. que permite o aprofundamento e a ampliação da discussão da lege ferenda. o que. Subsidiariamente. que se manifesta em nome do Povo. as funções básicas de representação e de agregação de interesses. também. em Regime democrático. o Legislativo. como o regimento interno de suas Câmaras. por seus integrantes. Ou seja. ainda. instaura uma dupla instância no processo legislativo. O Poder Legislativo detém uma série de atribuições e prerrogativas legiferantes. integra o centro do processo decisório nacional. Exerce o LegislaƟvo.penas. até a edição de legislação ordinária e normatividade de alcance mais restrito. 4. Para o desempenho legítimo dessas funções. por delegação. O Poder Legislativo pode ser exercido por intermédio de sistema unicameral ou bicameral. é comumente reservado ao Chefe de Estado. Seja editando normas que constituem decisões de aplicação imediata. na sua função de fiscalização e supervisão. de diversa hierarquia e natureza. a par da separação dos Poderes orgânicos do Estado. mas. a vontade do Eleitorado. o 29 . Secundariamente mas de modo relevante do ponto de vista político. o Legislativo.

o Poder Judiciário exerce funções normaƟvas e administraƟvas. No Brasil. ainda. Os órgãos de cúpula do Poder Judiciário desempenham frequentemente. O Poder Legislativo pode ter. Transitadas em julgado. cabe-lhe. Salvo exceções. o Judiciário. determinadas e com objeƟvo definido. Subsidiariamente. na tradição mais recente. como tais. ou seja. quando se lhe defere competência para processar e julgar Chefes de Estado e de Governo. İsicas ou jurídicas. em atos relativos à sua organização. é essencial para a manutenção do equilíbrio e da paz social. A existência de um Judiciário independente e imparcial. que realizam constante auditoria quanto à legalidade e regularidade da despesa pública. expressamente estabelecidas em norma consƟtucional ou legal. impor decisão final e definiƟva aos liơgios decorrentes de interesses conflitantes que ocorrem no meio social. as decisões do Judiciário são Ɵdas por verdadeiras e. nos estados e unidades menores (condados e municipalidades).controle políƟco dos atos de gestão do ExecuƟvo. nas democracias. quando o liơgio se tenha estabelecido entre pessoas. Desempenha. também.O Judiciário Ao Poder Judiciário compete o exercício da função jurisdicional. em razão da práƟca de determinados crimes. No papel de Tribunal Constitucional. quando elabora os regimentos internos de seus órgãos 30 . Poder de Polícia e provimento de cargos. o Poder Legislativo é exercido pelas Câmaras de representantes correspondentes. Nos países de sistema federaƟvo. pode constituir o centro de gravidade do funcionamento do sistema político em Regime democrático e dispor dos instrumentos institucionais para zelar por seu reequilíbrio em face de crises graves. sendo frequentemente auxiliado por órgãos especializados. como os Tribunais de Contas e congêneres. as Assembléias LegislaƟvas e Câmaras Municipais. ministros de Estado e integrantes do Poder Judiciário. 4. mantendo equidistância dos interesses políticos em jogo.3 . devem ser cumpridas. funções jurisdicionais. só se pronuncia em casos concretos. aplicando o Direito vigente. isto é. acessível à população e que lhe inspire confiança. o Legislativo funções administrativas.1. papel de poder moderador nos impasses entre os demais Poderes.

a Vontade Nacional. os anseios e aspirações do Povo. 4. o Eleitorado consƟtui o órgão do sistema políƟco.1. nas democracias. internamente Poder de Polícia. grupos de interesses. consƟtui a parcela da população que detém. ele é quem expressa. Clubes de opinião. As formas de integração entre o Eleitorado e as elites políƟcas. consolidado ou fluido. viabilizando a conƟnuidade e a alternância no Poder. na qualidade de seu conteúdo racional e éƟco. interesse pelo jogo políƟco e realiza. de forma insƟtucionalizada. que detém a prerrogaƟva e a responsabilidade de resolver quanto à linha políƟca a prevalecer no processo decisório nacional. quanto à composição da representação políƟca e quanto à ocupação dos principais cargos e funções públicas. refleƟndo o nível de cultura geral e políƟca do Povo.4 . a ação das elites políƟcas e a própria eficácia da representação parecem ser diretamente dependentes da sinergia advinda da organização em grupos 31 . hoje. ainda que em grau mínimo. a tendência é a de uma crescente organização em torno de interesses predominantes e de correntes de ideias. Amplo ou mais restrito. fundamento da Expressão PolíƟca. a condição básica para o exercício da cidadania. dependem diretamente do desenvolvimento cultural de ambos os estratos. é decisiva para o fortalecimento da Democracia. embora sofrendo a influência de diferentes centros de poder. por vínculo com o Estado Nacional. Em úlƟma análise. A qualidade do Eleitorado. corresponde ao estrato políƟco aƟvo da população. em regime democráƟco.Os ParƟdos PolíƟcos À medida que o estrato poliƟzado da população busca aumentar sua parƟcipação políƟca.1. ainda.O Eleitorado Se o Povo. na medida em que amplia ou reduz o grau de racionalidade das escolhas políƟcas. Na verdade. insƟtucionalmente. 4. ou seja.ou organiza seus serviços e sistema de cargos ou. do coƟdiano das democracias. o Eleitorado vem a ser a parcela do Povo que a exerce com senƟdo políƟco. ConsƟtui o Eleitorado a parte do Povo que mantém. blocos parlamentares e partidos perpetuaram-se quando do declínio e desaparecimento do absoluƟsmo e fazem parte. o insubsƟtuível papel de manifestar.5 .

os ParƟdos PolíƟcos exercem várias funções. a ascensão de um ParƟdo ao poder não pode significar risco mortal para os demais. os ParƟdos PolíƟcos democráƟcos operam num quadro de consenso em profundidade. numa democracia. Lembra-se que. considera-se da essência do Regime democráƟco a existência de ParƟdos. o que significa preservála como Estado organizado. soberano e viável. exercendo o que se denomina função tribunícia. invertendo as posições de situação e oposição. por circunstâncias de natureza conjuntural. a despeito das desconfianças com que chegaram a ser vistos. os parƟdos. que consƟtui o centro do processo decisório nacional. Essa base consensual deve ser suficientemente ampla para resguardar os objeƟvos fundamentais da nacionalidade. no quadro geral do sistema parƟdário. ou seja. ainda assim contribuirá para a boa operação do sistema e a evolução do Regime. servindo de canais para a distribuição dos papéis políƟcos. e o Governo. Dentre esses grupos. recrutam e renovam as elites políƟcas. ao menos quanto à preservação dos requisitos básicos do Regime que lhes permite a existência e atuação. Contudo. dão expressão à vontade dos governados. com possibilidades reais de realizar a alternância no poder. da maior relevância. desempenham uma função legiƟmadora. 32 . a função de críƟca e de proposição de alternaƟvas à ação governamental. Os ParƟdos PolíƟcos estruturam as opiniões. alcançar o poder. os ParƟdos PolíƟcos afiguram-se como os de maior importância para a preservação e o desenvolvimento dos regimes democráƟcos. Em relação ao sistema políƟco como um todo.que competem pelo poder políƟco. os ParƟdos PolíƟcos são essenciais ao funcionamento regular do Sistema políƟco em Regime democráƟco. idenƟdade e possibilidades evoluƟvas da Nação. São indispensáveis não só para captar os anseios e aspirações difusos no ambiente social mas. não possa um ParƟdo. Com efeito. aqueles que dizem respeito à existência. a par de viabilizar o revezamento políƟco. arƟculam os interesses e organizam os eleitores em torno de diversas linhas de pensamento políƟco. buscando conquistá-lo ou influenciá-lo. por seu segmento poliƟcamente aƟvo. Órgãos intermediários entre o Povo. nas democracias. Resultantes da diversidade de modos de pensar e agir próprios da natureza humana. embora deem expressão às divergências. Mesmo quando. ou sejam. o Eleitorado. favorecendo a estabilização do sistema. durante largo tempo. também. mobilizando e canalizando as energias políƟcas para as formas insƟtucionalizadas de compeƟção.

como os clubes de opinião e movimentos ideológicos. entre Povo e Governo. devidamente filtradas e arƟculadas. Grupos de Pressão há de natureza eminentemente políƟca. se a pluralidade parƟdária é importante para retratar as diferentes correntes de opinião. 4. e com o Eleitorado e outros grupos intermediários da sociedade. cujo atendimento. abrindo-se democraƟcamente aos segmentos da sociedade que buscam representar e superando. Sua relevância como atores políƟcos depende das peculiaridades de cada sociedade nacional e da conjuntura em exame. a ponto de. atuam junto aos órgãos da Expressão PolíƟca. por excelência. Além disso. Se os ParƟdos PolíƟcos têm por objeƟvo final conquistar o poder para exercê-lo com um senƟdo global de. correspondem a organizações que. 33 . constituem os intermediários. Os ParƟdos PolíƟcos devem ser os garanƟdores da qualidade da Representação. A disƟnção básica se faz sob dois critérios: o dos objeƟvos e o dos beneficiários da ação. vinculando os representantes aos representados pela fidelidade a um programa e emprestando à parƟcipação políƟca o atributo da representaƟvidade.6 . Os parƟdos estão em interação com o Governo. apoiando-o ou criƟcando-o. os Grupos de Pressão. tendo papel preponderante em outras Expressões do Poder Nacional. entretanto. contudo. internamente. beneficiar a sociedade como um todo. Outros. mas para bem cumprir esse papel devem exercitar sua sensibilidade e responsabilidade sociais. impedir a formação de maiorias estáveis e desorientar o Eleitorado. mas tão-somente influenciá-lo e sempre num senƟdo fragmentário de atendimento a um interesse ou reivindicação setorial ou específica. fragmentar-se excessivamente. dos quais captam as demandas. por sua atomização. indesejáveis práƟcas oligárquicas e personalistas. ao contrário. poliƟzam. na tentaƟva de viabilizá-lo.para agluƟná-los coerentemente em torno de propostas e projetos. não pretendem assumir a responsabilidade do exercício do poder. cada qual à sua maneira e sob seu prisma. buscando influenciá-los. não deve o quadro parƟdário. Os Partidos Políticos.1. podem-se estabelecer duas categorias: a dos ParƟdos PolíƟcos e a dos Grupos de Pressão.Os Grupos de Pressão Do conceito genérico de grupos de interesse. numa Democracia.

2 . o Sindicalismo. que. Por outro lado. a ơtulo de exemplificação. qualitaƟvamente. essencialmente ou. Essas atuações. a Mídia. ou sejam. que. a sua dinâmica. Decorre daí a importância de analisar não só os aspectos estruturais estáƟcos. Um Sistema PolíƟco consiste numa totalidade dada pelo conjunto dos atores e das interações com os quais e pelas quais se tomam e se impõem as macrodecisões de uma sociedade. 4. incidentalmente. políticos. Decisões de tal importância que devem ser tomadas pelas mais altas instâncias do poder estatal. Tais decisões podem ser impostas até mesmo pelo emprego legíƟmo da força — eis aqui a especificidade do sistema políƟco. Compõe-se de um conjunto de atores. mesmo. mas. interações concernentes à conquista. Essas interações têm como fulcro as macrodecisões demandadas por uma sociedade nacional.O Sistema PolíƟco Um Sistema é uma totalidade de elementos em interação cuja dinâmica não é reduơvel à simples soma desses mesmos elementos. podem-se exemplificar. atuando em interação com os órgãos Ɵpicamente políƟcos. alguns desses grupos. ao exercício e ao controle do poder — do poder políƟco que se configura na relação básica entre governante e governado. à maneira de grupos políƟcos. Aí está o conceito de sinergia do sistema: a noção de que uma dinâmica adequada pode conduzir o conjunto a um resultado qualitaƟvamente superior à soma das capacidades das partes. uma dinâmica inadequada pode conduzir a resultados que. mantêm interações de natureza políƟca. ainda. seu poder relaƟvo na dinâmica do funcionamento de um dado Sistema PolíƟco. num quadro de regras institucionais. de atores coleƟvos como o Empresariado. à manutenção. ou órgãos. as atuações. originalmente consƟtuído por essa sociedade nacional. a Igreja e a Universidade. se situem aquém das capacidades das partes envolvidas. mas com vontade e meios próprios. apresentam-se subdivididos em subgrupos em intensa compeƟção. Assim. Uma análise da conjuntura não será completa se não buscar caracterizar os Grupos de Pressão conjunturalmente significaƟvos e seus propósitos.Podem-se citar. suas interações. não raro. singulares ou coleƟvos. abstraindo a questão da desejabilidade de suas atuações políƟcas. podem chegar à caracterização de verdadeiros centros de poder políƟco interno. 34 . cuja relevância varia de conjuntura para conjuntura.

portanto. programas. com diferentes formas de apoio políƟco. decerto com novas demandas. capazes de engendrar novos arranjos e soluções para a superação de divergências e impasses ou. que permite a alternância de atores no poder e. Para tanto. Tal sistema se reequilibra com facilidade porque há entre os atores políƟcos um consenso em profundidade quanto às suas regras 35 . Para isso cooperam. Portanto. admite a expressão aberta das divergências e contém mecanismos que possibilitam a negociação e a alternância. projetos. que. provenientes do meio social. metas. responde ao sistema políƟco. insƟtucionalmente. buscam os atores políƟcos — individuais ou coleƟvos — melhor se posicionarem junto ao centro (ou centros) do processo decisório nacional. mas não raramente. mesmo. tais como os mecanismos internos de negociação e arbitramento políƟco. O ambiente social. a força para fazer valer suas decisões — disƟngue o Sistema PolíƟco de outros sistemas e do sistema social mais amplo. a sociedade nacional. a mudança do senƟdo. com legiƟmidade. eventualmente. Cabe ao sistema político — ou subsistema políƟco — a função maior de orientar e de harmonizar o sistema societário total: no caso. ainda. a de permiƟr a conversão das demandas. de modo a saƟsfazer as demandas. com maior ou menor frequência. o Sistema Político se diferencia do sistema social. A finalidade da existência desse sistema específico é. do ritmo das decisões políƟcas. que o envolve. mas. acarreta a disfunção do Sistema. O Sistema PolíƟco é funcional na medida em que as demandas da sociedade são respondidas com decisões ou parâmetros de decisão. o exercício dessa função que se operacionaliza pela emissão de decisões ou parâmetros para futuras decisões dos atores sociais (leis. A descrição precedente corresponde a um Sistema PolíƟco em Regime democráƟco. dentre as quais está — o que é relevante — a própria legiƟmação do Sistema e do seu substrato insƟtucional: o Regime. como consequência possível. que se reequilibra por meio de mecanismos insƟtucionalizados (legais ou costumeiros). competem e. ordens). do alcance e. então. o processo de compeƟção eleitoral. entram em crise.Esta caracterísƟca — de poder empregar. e com o qual mantém diversos canais de comunicação e diferentes níveis de troca. A insaƟsfação no ambiente sociopolíƟco interno se ultrapassar os níveis ordinários de tolerância. Aos atores ou órgãos políƟcos cabem. em decisões orientadoras para as interações futuras dos diferentes atores sociais. que sejam acolhidas pelo ambiente social com um razoável grau de saƟsfação. quando razoavelmente saƟsfeito. que consƟtui seu ambiente.

adequadas e suficientes. Essas manifestações. oriundas do ambiente políƟcosocial interno. como da ausência delas.básicas de funcionamento. O conflito políƟco é um conflito no processo decisório central. um vácuo. para rompê-lo e subsƟtuí-lo. que serão diversos no Presidencialismo e no Parlamentarismo. que frequentemente assinalam uma tentaƟva de comunicação paralela em relação aos canais insƟtucionalizados e com os ocupantes do centro decisório do Sistema. à manutenção. Vácuo que deverá ser preenchido por meio dos mecanismos insƟtucionalizados de reequilíbrio do Sistema. seja pela mudança radical do próprio Sistema em suas estruturas. ao estado de tensão denominado crise. ao exercício e ao controle do poder. seja pelo deslocamento. mas que se o não for a tempo. quer pela dimensão das demandas ante a capacidade de resposta do Sistema. o conflito se agrava e se desdobra em manifestações de inconformismo. acabará resolvido. isto é. ou seja. mais ou menos agressivas. concernentes à conquista. não insƟtucionalizado. no centro decisório. em face de demandas específicas ou do conjunto das demandas sociais. às demandas da sociedade. o mais das vezes. no que se denomina “Revolução”. Quando o Sistema PolíƟco não consegue responder com decisões. em claro processo de mudança revolucionária. quer por seus vícios intrínsecos. do poder decisório para determinados atores conjunturalmente relevantes. Se tais mecanismos falham. Vácuo do poder significa vácuo no processo decisório central. no que se denomina golpe de Estado. Instaura-se. as regras estruturadoras. que tanto pode derivar de decisões havidas. quer pela intransigência dos atores. que muitos cienƟstas políƟcos denominam “vácuo do poder”. instaura-se o conflito políƟco. 36 . podem ser exploradas por outros atores políƟcos no senƟdo de atacar as bases estruturais desse mesmo Sistema. pelos mecanismos reequilibradores. superado.

proteção e procriação).CAPÍTULO II EXPRESSÃO ECONÔMICA Seção 1 Conceituação Expressão Econômica do Poder Nacional é a manifestação de natureza preponderantemente econômica do Poder Nacional. mas atender aos requisitos de Bem-Estar originados pelo evoluir constante da sociedade e da capacidade intelectual de que dispõe. Vista sob a lente da economia. em razão das desigualdades entre produção e consumo. A caracterísƟca fundamental da Expressão Econômica do Poder Nacional consiste em acionar meios predominantemente econômicos. Entre os aspectos caracterísƟcos da Expressão Econômica do Poder Nacional avulta a importância das inovações tecnológicas. ela enfaƟza o respeito aos pressupostos éƟcos como exigência do caminho para aƟngir os objeƟvos (finalísƟcos) do emprego do Poder Nacional. a história da humanidade consƟtuise na luta para superar o problema da escassez de recursos em face de necessidades crescentes. pois. por intermédio dos quais o homem busca. Tais considerações não devem consƟtuir enfoque materialista e limitador para a Expressão Econômica. embora voltada para o atendimento de requisitos de Bem-Estar material. não só satisfazer suas necessidades vitais (alimentação. modificando processos de produção e alterando demandas pelos fatores produƟvos. a qual deve reverter em invesƟmentos para que haja aumento da produção. 37 . excedentes não consumidos que consƟtuem a poupança. concentra-se nas mãos de determinados segmentos. tornando crescentes suas necessidades e aspirações e. a demanda por consumo de bens e serviços. que contribui para alcançar e manter os ObjeƟvos Nacionais. portanto. No entanto. desde indivíduos até Nações. e entre setores da sociedade.

Para atender às necessidades e aspirações. Seção 2 Fundamentos A manifestação dos Fundamentos do Poder Nacional na Expressão Econômica ocorre por intermédio dos Recursos Humanos. fruto do esforço humano. tem no homem o seu intérprete e a capacidade é proporcionada pelos meios de toda ordem que a Nação dispõe. consubstanciadas em ObjeƟvos Nacionais.elevação dos padrões de consumo e do Bem-Estar. são necessárias vontade e capacidade para executá-las. 2. os bens. . sem descurar dos aspectos éƟcos envolvidos no processo.Por isso.ampliação das oportunidades econômicas.melhoria da reparƟção da renda. a economia se preocupa com tarefas básicas. 38 . assegurando liberdade de escolha. agente essencial da produção e do consumo. não só. . é. seu beneficiário.aplicação eficiente e eficaz dos recursos produƟvos.criação e aperfeiçoamento de insƟtuições econômicas. uma vez que o sistema deve estar orientado para o Bem Comum.1 . dos Recursos Naturais e das InsƟtuições Econômicas. e . a parƟr do quesƟonamento sobre o quê. o organizador e executor do processo produƟvo mas. Entende-se que o sistema econômico funciona melhor quando é capaz de. . a sociedade enfrenta problemas diversificados e complexos. suprir as necessidades humanas e atender às aspirações sociais. A vontade. Na realização das tarefas econômicas. também. como aƟtude racional. cabendo destacar: . quanto e como produzir e distribuir.Recursos Humanos Os Recursos Humanos consƟtuem fundamento predominante da Expressão Econômica do Poder Nacional pois o Homem.

É. que não se encontra ocupado. problemas graves que devem ser minimizados.1 . pode-se examinar a dimensão e a evolução de grande número de agregados censitários e das relações demográficas fundamentais para a avaliação quanƟtaƟva dos recursos humanos. A eficiência e a eficácia dos Recursos Humanos dependem da possibilidade e do aproveitamento de toda capacidade realizadora do ser humano. idade. a população não economicamente aƟva é o conjunto de pessoas. ainda que tal objetivo seja de difícil realização.é a população não economicamente aƟva acrescida das pessoas fora do limite etário uƟlizado para definir a população economicamente aƟva (PEA). O crescimento demográfico de um país e o tamanho de sua população interessam à avaliação dos Recursos Humanos e. classificada de acordo com naturalidade. Outro aspecto importante a considerar é o grau de utilização dos Recursos Humanos. nem procurando emprego.População Economicamente AƟva (PEA).pessoas a parƟr de determinado limite etário.População Total . a parƟr de determinado limite etário. geralmente. subempregados. todo sistema econômico deve buscar o “pleno emprego” dos fatores de produção.2. autônomos. que trabalham ou estejam procurando trabalho. sexo e outros atributos. pode-se proceder à análise quanƟtaƟva dos Recursos Humanos como fator de fundamental importância para o desenvolvimento nacional. sejam empregados. entre os quais: . para qualquer economia. cabendo 39 .População Dependente .1. de pesquisas e de amostragens. também. . influem na oferta e na demanda de bens e serviços. Como consequência. empregadores e mesmo aqueles que.Aspectos QuanƟtaƟvos As análises quanƟtaƟvas dos Recursos Humanos fundamentam-se nos dados e nas informações colhidos regularmente por intermédio de censos demográficos e econômicos. O desemprego e o subemprego constituem. De fato.População Ocupada – conjunto de indivíduos que estejam trabalhando. Com base nesses e em outros agregados demográficos.compreende todas as pessoas em uma sociedade. embora trabalhando. . o fazem por (um) número mínimo de horas diárias ou semanais. A parƟr desses levantamentos. e .

e. fauna.Recursos Naturais Aos Recursos Naturais correspondem as forças. 2. Os primeiros são os disponíveis para a uƟlização imediata nas aƟvidades produƟvas. a exploração. o desenvolvimento global solidificando o fortalecimento do Poder Nacional. A qualificação dos Recursos Humanos é fundamental para obtenção de maior produƟvidade na economia. a descoberta.Aspectos QualitaƟvos Em orgânica ligação com o acréscimo de Poder Nacional.salientar a relevância de uma população demasiadamente jovem ou velha e. A modernização dos processos produƟvos é o reflexo mais imediato da preocupação com os aspectos qualitaƟvos dos Recursos Humanos. a sociedade deve ser vista como uma sociedade do conhecimento. bem como. Isto significa a construção de uma democracia onde o conhecimento não fique restrito a um grupo privilegiado. passíveis de serem uƟlizados nas aƟvidades produƟvas. concomitantemente.2 . riquezas e recursos que a natureza oferece. também do nível de uƟlização dos Recursos Humanos. 2.1. bem como disponibilidades hídricas e energéƟcas. os que. Consideram-se como segmentos importantes dos Recursos Naturais: solo. mais rápido será o crescimento econômico e. ou seja. sua higidez e especialização. embora possam ser 40 . do estágio de desenvolvimento da sociedade. flora. do conhecimento. os úlƟmos. mas seja incorporado pela Nação como um todo. O conhecimento.2 . o aproveitamento e o controle desses recursos dependem do grau de evolução da ciência e da tecnologia. Tal qualificação é resultado não só da ampliação do conhecimento como de sua generalizada difusão pela população. os aspectos qualitaƟvos dos Recursos Humanos na Expressão Econômica do Poder Nacional situam-se na oƟmização do rendimento e na produƟvidade do Homem. Os recursos ofertados pela natureza podem ser classificados em atuais e potenciais. Quanto maiores o volume e a universalidade das informações. pois. dependentes da qualificação da população quanto a seu nível cultural e educacional. clima. também neste aspecto. subsolo.

consƟtui-se de todo o acervo patrimonial de conotação econômica.InsƟtuições Econômicas As Instituições Econômicas são resultados da herança coletiva. bem como toda a produção material advinda dessa acumulação. valores. Tal vinculação tem propiciado o surgimento de novos mercados onde o intercâmbio cresce a ritmo sem precedentes. moƟvações.conhecidos. São formas de expressão que retratam padrões de comportamento dos homens.recomposição da economia pela ampliação espacial do mercado. conơnua e imemorialmente produzida pelo Homem refleƟndo hábitos. Enfim. às leis que regem 41 . ora pela concorrência. material e não-material. o equilíbrio ecológico se apresenta como assunto de fundamental importância. legado pelo passado.reestruturação de núcleos de poder por intermédio da formação de megablocos com influência direta sobre os mercados. No que tange às relações socioeconômicas. é a eficiência do seu aproveitamento no sistema produƟvo. . deve-se notar a crescente vinculação entre mercados. dependendo seu aproveitamento da ampliação da fronteira de produção. comportamentos. Assim. não se acham em condições de uƟlização imediata. cada vez maior da economia. que ampliam as formas de utilização dos Recursos Naturais. explicando o dinamismo. em face da escassez ou da possibilidade de exaustão dos recursos. em especial. É importante salientar que. os não renováveis. As modificações do comportamento socioeconômico daí resultantes apresentam-se com as seguintes caracterísƟcas: . ora marcado pela cooperação. técnicas e formas de organização econômica. A uƟlização do ecossistema exige práƟcas conservacionistas que contribuem para a conquista dos objeƟvos a que se propõe a sociedade. 2. constantemente atualizado e ampliado pela capacidade criadora do ser humano. tanto ou mais significaƟva que a dimensão İsica dos recursos. originada e acelerada pelo desenvolvimento tecnológico dos meios de comunicação. e . bem como aprofundamento da discussão sobre o papel do Estado na economia. no que concerne às aƟvidades econômicas.3 . aƟtudes. de organização e de administração empresarial.novos e diferentes padrões de produção. crenças.

as InsƟtuições Econômicas têm papel ponderável na promoção ou limitação do desenvolvimento.1 . destaca-se o Sistema Econômico (como enƟdade mais abrangente). às formas de apropriação do excedente e à conformação do sistema econômico vigente. Nele se incluem os órgãos e as organizações. na regulação dos contratos. bem como as funções que desempenham. objeƟvos econômicos de sua existência. circulação. 2. As InsƟtuições Econômicas consƟtuem os canais próprios para as aƟvidades diversificadas que dizem respeito às relações do Homem com os Recursos Naturais bem como dos homens entre si.3. em busca de superiores padrões de vida. na influência econômica das organizações sindicais de operários e de patrões. à importância atribuída ao mercado. do mais simples objeto artesanal ao mais sofisƟcado equipamento de úlƟma geração. no nível de intervenção do Estado na economia e em muitos outros aspectos da vida econômica da sociedade. O amplo quadro das InsƟtuições Econômicas se completa com a inclusão do estoque de bens materiais produzidos pelo Homem. constata-se que as InsƟtuições Econômicas se revelam no regime de propriedade. a empresa. das facilidades asseguradas ao aperfeiçoamento dos Recursos Humanos e do maior ou menor grau de liberdade de iniciaƟva existente na aƟvidade econômica. ParƟcularizando. distribuição da renda etc). Entre as InsƟtuições Econômicas. consumo de bens e serviços. justo e legíƟmo e possível. O resultado alcançado irá depender da segurança que emprestam ao esforço visando ao aƟngimento daquele objeƟvo. no esơmulo às praƟcas consensuais do mercado na aceitação ou rejeição aos monopólios e cartéis. envolvendo o mercado. na forma como são definidos os salários. aos quais se possa atribuir valor econômico. o consumo. a moeda e seus desdobramentos. dentro daquilo que eles julgam ser bom.esse comportamento.Sistema Econômico Sistema Econômico é o conjunto de elementos e de relações que abrange todas as aƟvidades econômicas de uma sociedade. com vista à realização das aƟvidades econômicas (produção. na conduta dos empresários e dos trabalhadores em geral. As InsƟtuições Econômicas refletem a maneira pela qual os homens ordenam sua vida social e políƟca. 42 . Na realidade.

as insƟtuições que regulam tal funcionamento e os fatores que atuam sobre todos esses componentes. Por isso, o Sistema Econômico pode ser visto como abrangente de toda produção, circulação e consumo de bens e serviços, da reparƟção da renda, do crescimento da economia, do seu desenvolvimento e da segurança na área econômica. Para ter senƟdo democráƟco, o Sistema Econômico deve fundamentarse na iniciaƟva individual, fortalecendo a ação dos agentes econômicos, ou seja, aqueles que exercem o direito de escolher a aƟvidade em que desejam empregar seus recursos, caracterizando a propriedade privada dos meios de produção, a qual, deve atender à sua função social.Cabe, também, considerar a presença do Estado por meio das funções reguladoras das aƟvidades econômicas, assegurada a liberdade de iniciaƟva. 2.3.2 - Mercado Mercado é a interação entre oferta e procura de bens e serviços, determinando relações de livre troca entre produtores e consumidores pelo mecanismo de preços. A ordem espontânea e a natureza impessoal das decisões do mercado baseiam-se na adoção de práƟcas econômicas estabelecidas historicamente e que prevaleceram porque obƟveram êxito nas sociedades que as adotaram. É uma insƟtuição que se fundamenta na busca da reciprocidade de interesses e propicia conciliação de diferentes objeƟvos para beneİcio mútuo dos parƟcipantes. O Mercado torna possível a uƟlização do conhecimento e da habilidade de todos os membros da sociedade em grau muito maior do que seria possível em qualquer outra forma de organização econômica. Ele propicia aos indivíduos liberdade para uƟlizar conhecimentos, habilidades e recursos na conquista de seus objeƟvos, em termos operacionais e econômicos. A concepção do mercado livre envolve a possibilidade de ser ofertada e demandada, sem restrições, toda espécie de bens e serviços. Ao mercado assim concebido contrapõe-se um mercado oficialmente controlado. Cabe à sociedade buscar os meios para assegurar o funcionamento do mercado, porquanto somente ele consegue ajustar a produção ao consumo e assegurar a liberdade econômica essencial ao regime democráƟco. O Mercado pode ser dividido em: - Mercado Interno: compreende as relações de troca realizadas entre agentes econômicos do mesmo país, segundo normas que as 43

regulam. O seu fortalecimento proporciona maior consistência e segurança à Nação, diminuindo suas vulnerabilidades. É o principal instrumento de integração econômica para a Nação, podendo ser fortalecido por intermédio, entre outras, das seguintes ações: aumento do número dos que parƟcipam como produtores e consumidores, incorporando à aƟvidade econômica crescente parcela da população, a qual passa a auferir beneİcios oriundos do crescimento econômico e do crescente intercâmbio entre as diversas regiões do mesmo país, reduzindo desigualdades regionais e permiƟndo desenvolvimento mais justo e equilibrado. - Mercado Externo: compreende as relações de troca entre agentes econômicos de diferentes países, segundo normas que entre eles se estabelecem. Os Sistemas Econômicos devem ser abertos. Uma economia fechada condiciona seu processo de crescimento apenas às disponibilidades e à dimensão de seus recursos internos, o que conduz geralmente à compressão do consumo. A abertura da economia pode ensejar crescimento mais rápido, seja em decorrência dos ganhos com o comércio internacional, seja pela possibilidade de uƟlização da poupança externa. 2.3.3 - Empresa A Empresa é a Instituição Econômica que se dedica, principalmente, à geração de lucros por meio da produção de bens e serviços. No regime de livre iniciaƟva, a Empresa é, em princípio, privada, atuando o Estado em caráter complementar para suprir carências que o sistema empresarial apresenta. A Empresa atual deve conviver com métodos e processos acelerados de inovação e a criação de riquezas, dependendo o seu êxito, cada vez mais, da possibilidade de acesso a dados, informações e conhecimentos atualizados. Daí, a importância cada vez maior do gestor, no âmbito da empresa, pois a ele cabe assumir os riscos inerentes ao reconhecimento do papel inovador da combinação entre o conhecimento, a imaginação e a ação. 2.3.4 - Consumo O Consumo corresponde à uƟlização, aplicação ou gasto dos bens e de serviços postos à disposição da sociedade e representa a fase final do processo econômico. 44

A importância do Consumo se revela pelo que significa como forma de avaliar padrões de Bem-Estar da sociedade. Há, porém, um nível de Consumo que se deve consƟtuir numa preocupação básica do governo, pois diz respeito ao atendimento das necessidades mínimas da população, tornando-se, por isso mesmo, elemento imprescindível para a definição das políƟcas econômicas de cunho social. Diferenças acentuadas na capacidade de Consumo entre os vários estratos da população podem conduzir a insaƟsfações cujo nível venha a comprometer objeƟvos vitais da Nação. 2.3.5 - Moeda A Moeda, ao ter curso forçado decretado pelo Estado, transformouse em moeda nacional, instrumento legal de troca e símbolo de Soberania. Por sua importância para o funcionamento do Sistema Econômico, há necessidade de mantê-la num nível de estabilidade para não comprometer as caracterísƟcas dos componentes desse sistema. O descontrole sobre a emissão e o uso da moeda não afeta apenas a Expressão Econômica mas, também, todas as outras, podendo chegar a influenciar negaƟvamente convicções e comportamentos do Homem e, até mesmo, valores de sua cultura.

Seção 3

Fatores
Fatores econômicos são meios capazes de produzir variações quanƟtaƟvas e qualitaƟvas nos fundamentos do Poder Nacional e em todos os demais componentes do Sistema Econômico, bem como nas relações que entre eles se processam, com vista à produção de efeitos econômicos. Assim, as capacidades produtiva e empreendedora, próprias da insƟtuição empresa, e a capacidade cienơfica e tecnológica, que aumentam a produƟvidade individual e coleƟva, ao propiciarem ganhos de produtividade, são aspectos presentes na definição dos fatores econômicos. 45

Modernização e Adaptação às Mudanças A sociedade deve ter aƟtude de aceitação a mudanças para que os processos de produção se inovem. o volume das transações. a própria natureza da capacidade do capital como fator de produção se altera. telecomunicações. portanto. valoriza os recursos humanos. O ritmo dessa transformação está condicionado. propiciando-lhes acesso a melhores salários e atua nas empresas. e só adquire ritmo próprio quando o sistema projeta e desenvolve produtos. Com o conhecimento cienơfico e tecnológico. convicções.Capacidade do Conhecimento Cienơfico e Tecnológico O fator cienơfico-tecnológico. o complexo capacitor. tecnologias progressivas de produção e consumo. aumentando-lhes a produƟvidade e os lucros. inclusive no nível internacional. Essa capacidade está inƟmamente relacionada com o aprimoramento dos recursos humanos e com o melhor aproveitamento do espaço 46 . às reações da sociedade às mudanças e ao modo como elas ocorrem. aƟtudes e costumes. eletrônica de concepção. de sua manutenção e até em cópia do original. 3. Todavia. destacam-se os seguintes: 3. O impacto da transformação sobre os indivíduos altera. Para a economia. equipamentos e sistemas tecnológicos avançados. pois o modo como ele vai influir nesse processo será modificado em função de formas novas de atuação progressiva. a grande mudança só se inicia quando o Sistema Econômico é capaz de fazer alterações e adaptações nos novos disposiƟvos. A compra de tecnologia pode ser uma primeira fase do fenômeno. os produtos se aperfeiçoem e a produƟvidade aumente.2 . mulƟplicando.1 . Aspecto importante é a sensibilidade de uma sociedade à mudança.De um longo rol possível desses Fatores. concreƟzada no aprendizado da operação dos equipamentos. automação e robóƟca. microeletrônica. quando presente no nível desejado. muitas vezes. influem positivamente na agilidade do sistema de acumulação de capital. envolvendo informáƟca.

No que concerne à parƟcipação do capital no processo produƟvo. aquisições.Capacidade da Acumulação e Absorção do Capital Fixo Em todos os Sistemas Econômicos. O posicionamento para a busca de vantagens compeƟƟvas e de oƟmização que emergem no mercado levam as empresas. joint-ventures. portos indústrias. disputa com os demais bens a primazia do mercado. sua óbvia influência é determinante para a Acumulação e Absorção do Capital Fixo. É imprescindível admitir que as transformações qualitativas modernizadoras que dinamizam o processo produtivo constituem caracterísƟcas que determinam a maior capacidade de Formação do Capital Fixo. equipamentos etc. bem como as mudanças na focalização de seus negócios. no que concerne à economia. será sempre fundamental na promoção do seu crescimento. Com o desenvolvimento mundial das comunicações. por intermédio do conhecimento. A absorção desse capital pela economia envolve o emprego de métodos e processos. de forma criaƟva. reorientando a formação gerencial e da mãode-obra. também.3 . fusões. constata-se que a melhoria dos resultados não está correlacionada apenas ao seu uso em maior proporção. por intermédio da construção de estradas. às reestruturações. da capacitação gerencial e profissional nos empreendimentos como condição inegável da eficiência e da eficácia empresarial. 47 . Quanto aos processos de produção e aos bens e serviços produzidos. 3. visando a permiƟr constante aumento dos níveis de produção e de produƟvidade capazes de sustentar expressivo ritmo de crescimento do produto real da economia. 3. pois a evolução da capacidade de acumulação de capital de uma sociedade decorre da elevação da renda per capita e do esơmulo ao invesƟmento. o domínio de seu conhecimento.4 .Capacidade Empresarial O bom desempenho do Sistema Econômico depende. a maior capacidade de Formação de Capital Fixo.econômico.

onde afloram conhecimentos que permitem às empresas sobrepujar. estas sempre mais numerosas. não só quanto ao comportamento futuro dos preços mas. também. do nível dos estoques. também.Capacidade de Financiamento É necessário que a Nação disponha não só de adequada propensão a poupar como também de um sistema financeiro que. inclusive nos aspectos que ficam sob responsabilidade direta do governo é 48 . que surgem de áreas muitas vezes surpreendentes. é necessário que a produção de bens e de serviços seja demandada. procurando corrigir disfunções eventuais da economia de mercado. insuficiências do processo produƟvo. a participação em órgãos empresariais. de maneira consistente. O Estado deve atuar em defesa dos consumidores. desempenhe o papel de intermediação e redistribuição dos recursos financeiros. a expectaƟva dos consumidores. coletivos.6 .Capacidade de ParƟcipação A parƟcipação da população na problemáƟca econômica. também. que podem adaptar-se a mudanças. dos estoques dos consumidores e de algumas peculiaridades conjunturais da economia como. tornando as poupanças disponíveis aos invesƟmentos.7 . da políƟca fiscal do governo.O fortalecimento da capacidade empresarial implica. A visão ampla do empresário permite perceber oportunidades e ameaças. A demanda final de bens e de serviços pelos agentes econômicos depende do nível e da reparƟção da renda. não só o obsoleƟsmo de métodos e processos. como. 3. 3. respeitadas as regras de mercado estabelecidas pela sociedade. propiciando a desejável regularidade em sua evolução. A idenƟficação de eventos causadores de impactos trabalha a favor da segurança das empresas. quanto à normalidade do abastecimento dos bens demandados. disciplinada e ágil. 3.5 .Capacidade de Consumo Para que o Sistema Econômico funcione adequadamente. por exemplo.

Sua natureza varia conforme o Sistema Econômico vigente em cada país. complementando a iniciaƟva privada. É por intermédio delas que se realiza o emprego do Poder Nacional. em parƟcular. Aqui. O setor privado deve ter mobilidade e flexibilidade necessárias para ocupar espaços econômicos que lhe proporcionem lucros. gerando um processo cultural responsável. A maior parcela do conjunto das aƟvidades econômicas deve caber ao setor privado. ainda que. para agilização de suas aƟvidades. O senƟdo de realização pessoal. Neste caso. de valoração do indivíduo em tal processo lhe confere atributo de poder e de responsabilidade em relação ao Sistema Econômico. por intermédio da ação efeƟva do indivíduo no controle da aƟvidade do Estado.importante requisito para o desenvolvimento como processo global e para a segurança econômica. atendendo 49 . Seção 4 Organizações e Funções As Organizações e Funções integram o Sistema Econômico. a ação econômica direta dos órgãos governamentais deve limitar-se a empreendimentos que não suscitem a ação da iniciaƟva privada e que sejam: geoeconomicamente pioneiros. em beneİcio da própria nação. sejam considerados imprescindíveis e de interesse para a Segurança Nacional. isto é. entrando o setor público no processo da produção e circulação de bens e serviços de modo subsidiário. O próprio governo deve encontrar. de lenta maturação ou que exijam grande aporte de recursos e. canais de parƟcipação da população na concreƟzação de seus objeƟvos econômicos. serão estudados apenas segundo o enfoque do capitalismo de mercado contemporâneo. elevando o nível de segurança deste sistema. O capitalismo de mercado concentra os órgãos e organizações em duas áreas. com vista à agilização das aƟvidades econômicas. de risco elevado. No moderno capitalismo de mercado. por sua natureza. a Expressão Econômica deve buscar uma arƟculação apropriada entre o setor público e o setor privado.

circulaƟva . alocando os fatores de produção. aluguéis. dos bens e dos serviços produzidos. . As funções desempenhadas. na maior parte dos casos.normaƟva .reparƟƟva . de acordo com critérios de equidade.que.de distribuição. fundamentalmente. à iniciaƟva privada. são: a produƟva. juros. pelo setor privado. a circulaƟva e a reparƟƟva. 50 .administraƟva . no mercado. provêm a sua remuneração (sob forma de salários. possibilita melhor reparƟção social da riqueza criada.pelos ganhos de produƟvidade e pela oƟmização da políƟca de vendas baseada no justo preço. .produƟva . Funções exercidas basicamente pelo setor público (pelo menos com abrangência e validade amplas nas áreas de jurisdição da União. Na divisão das funções entre o setor público e o setor privado existem algumas que são exercidas pelas enƟdades públicas e outras competem. tornam-se tais funções cada vez mais complexas e podem assim ser descritas: .que responde pelo processo da produção de bens e serviços.de regulamentação e orientação das aƟvidades econômicas. e . . Por intermédio dos seus órgãos. lucros e outras rendas) e que. dos Estados e dos Municípios) são as normaƟvas e administraƟvas.de implementação das normas que presidem o funcionamento da economia e das políƟcas e estratégias formuladas. por intermédio de apropriação de parcela de renda gerada pelas aƟvidades produƟvas e sua distribuição. às necessidades do consumo em expansão. E. à medida que a economia ganha dimensão e se diversifica. o Sistema Econômico desempenha um elenco de funções com vista à saƟsfação das necessidades coleƟvas.

ideais. os interesses e as aspirações da sociedade. Um ser é uma Pessoa Humana quando é capaz de ter discernimento sobre si. utopias. em si e fora de si (consciência moral). o bem do mal. 2. estruturas. em todos os senƟdos. comunidades. 51 . de natural abertura ao mundo. como oponível. que contribui para alcançar e manter os ObjeƟvos Nacionais. O mundo pagão não registra a ideia de pessoa.1 – Pessoa Humana A compreensão do Homem como Pessoa Humana consƟtui-se em enorme avanço. recursos e organizações. aos homens e a Deus. Expressão Psicossocial do Poder Nacional é a manifestação de natureza predominantemente psicológica e social do Poder Nacional. que podem satisfazer às necessidades. normas. Ambiente e InsƟtuições Sociais. grupos. a coisa. Dotada de razão. integrados num vasto complexo orientado para o alcance de objetivos sociais valiosos.CAPÍTULO III EXPRESSÃO PSICOSSOCIAL Seção 1 Conceituação Esta Expressão abrange pessoas. instituições. situados no seu campo de interesse. de capacidade para disƟnguir o falso do verdadeiro. de consciência de si. senƟndo-se responsável pelo que faz e compreendendo que há radical diferença entre o que faz e os efeitos da ação de uma força mecânica ou da ação insƟnƟva de animais. ou além. Seção 2 Fundamentos São Fundamentos do Poder Nacional na Expressão Psicossocial: Pessoa Humana.

Aos poucos. a questão vai-se deslocando do plano filosófico para o plano sociocultural. A Pessoa é. a família e as organizações da insƟtuição educacional. a da família nem sempre é revelada na inteireza de sua dimensão. uma realidade intrinsecamente não manipulável. O trabalho básico de aquisição e de desenvolvimento dos valores por um indivíduo — construção da personalidade — sempre iniciado em fase de baixa idade. Enquanto a contribuição da educação é bastante conhecida. é claro. todos os valores do Homem gravitam forçosamente em torno da Pessoa Humana — dimensão definidora da dignidade do Homem e da sociedade humana — de tal sorte que a própria ideia-valor da igualdade fundamental de todos os homens deriva da aceitação de que todos nascem iguais. Tanto dependem as personalidades do processo sociocultural de sua formação. Há razões claramente funcionais que militam a favor da produção de personalidades livres. do Estado. assim. é o ser espiritual que faz da pessoa uma realidade sacra. capazes de escolhas morais emocionalmente sustentadas — e por isso coerentes consigo mesmas (no tempo e no espaço). do concerto intelectual e moral da humanidade. da políƟca ou da tecnologia. majoritária em nossa cultura. no seio da família. A sociedade de homens livres depende de personalidades afirmaƟvas. sagrada e inviolável. dotados de uma mesma dignidade de Pessoa Humana. notadamente. já desƟnada desde o primeiro instante de sua existência a uma duração eterna. resultante do processo de socialização. Assim. na medida em que comparƟlham de um mesmo patrimônio moral e espiritual. necessariamente. quer dizer. requer meio essencial de transferência. aƟvas e cooperaƟvas. Trata-se do produto cultural mais completo. como depende este das mesmas personalidades para a sua produção e conƟnuidade. e para isto ser alcançado é indispensável a existência e a atuação eficaz da família por longo período da vida. que não pode sofrer constrangimentos ou qualquer violência.a pessoa parƟcipa. dos parƟdos ou da religião. Segundo a concepção cristã. intocável. onde aparece o lado sociológico e funcional da Pessoa: a personalidade. veículo afeƟvo. na forma adequada e suficiente. um valor absoluto. só conhecido. 52 . que é exercitado por todos os agentes e todas as agências sociais permanentemente. de caracterísƟcas muito especiais. inƟmamente livre e soberana.

Na verdade. com o qual 53 .o da sociosfera ou meio social. quer do ponto de vista filogenéƟco. Ela é. o mundo exclusivo do Homem. cooperaƟvas. como indivíduo. trabalha e cria. que é chamado genericamente de meio İsico (litosfera. e principalmente. leis. A biosfera compõe-se de um mundo inorgânico. resumindo. mas também. à sociedade e à própria vida. é o mundo dos valores. as organizações sociais e todo o conhecimento humano. química e biológica que permite. 2. onde ele assume a significação plena de sua presença no planeta. com a sobrevivência do ser humano. também. quer do ponto de vista İsico. influências e interações de ordem İsica. abriga e rege a vida. e . considerado. o contexto onde o Homem assume o papel de socius. climáƟcos e energéƟcos. em seus constantes ajustamentos.Ambiente É o conjunto de condições. há que se atentar para o fato de que ela se assenta num ambiente İsico. Considerando uma dada sociedade nacional.A incapacidade dos processos socioculturais para produzir personalidades livres. Um desajuste de grandes proporções pode inviabilizar a sociedade. construƟvas — verdadeiras pessoas — pode levar a sério compromeƟmento à manutenção dos valores e a transformação de tais valores em ação. diretamente. A sociosfera é o meio social. em todas as suas formas. da cultura e do espírito.o da biosfera ou esfera ecológica. caracterizada pelos valores e normas ligados especificamente à cultura e pelos padrões ideais ligados à sociedade. Compreende não só os aspectos globais. nele incluindo-se o Homem. O primeiro desses níveis relaciona-se. em dois níveis: . onde vive. hidrosfera e atmosfera) e de um universo biológico — o mundo vivo — consƟtuído por todos os seres dotados de vida. Compreende. como se dá nas revoluções. sadias.2 . marcada pela prevalência dos elementos naturais. a não ser quando decorre de transtornos políƟcos transitórios. É o condicionante mais geral de todos os fenômenos relaƟvos à pessoa. os processos biológicos indispensáveis à sobrevivência do Homem. O Homem vive e convive dentro de uma teia de relações e interações. como espécie.

especialmente a familiar. serão tão mais fortes quanto maior for a aceitação dos valores que as permeiam. para saƟsfazer as necessidades. se aperfeiçoam. já que o respeito pelos valores permanentes pode coexisƟr com um processo normal de evolução. Apresentam-se como um complexo integrado de ideias. padrões de comportamento. normas e valores.InsƟtuições Sociais Instituições Sociais são estruturas normativas decorrentes de necessidades sociais. em conciliar as transformações que ele vai produzindo com a preservação dos ecossistemas. essencialmente. indispensável à existência e sobrevivência do grupo. À medida que as InsƟtuições Sociais se estabilizam. no entanto. de seus códigos de conduta. Esta aceitação traz consigo um senƟdo conservador. Sendo construções intertemporais. configurado na própria mudança social. expressam comportamentos e modos de senƟr. realizam suas funções sociais e se integram aos objeƟvos maiores da sociedade.3 . As insƟtuições. Interage. Esta manutenção consiste. que esse aspecto não deve ser confundido com o conservadorismo. de modo que a vida não se torne autodestruƟva ou infeliz. ao longo de seu processo histórico-cultural. Uma das grandes responsabilidades do Homem é manter o equilíbrio do ambiente em senƟdo amplo. presente em todas as insƟtuições. com o aprimoramento da qualidade de vida. a religiosa e a assistencial. inclusive simbólico. 2. As pessoas e os grupos também interagem. caracterizados pelo ânimo de permanência. relações interpessoais. Em úlƟma análise. aspirações. Elas são idenƟficáveis pela especificidade de suas funções. Vale considerar. sentimentos. com o meio ambiente sociocultural de outras sociedades nacionais e da civilização a que pertence. os interesses e as aspirações. fortalece-se o Poder Nacional. em níveis diferentes. pensar e agir. com o ambiente cultural interno. imprimindo uma ordem imprescindível à vida em grupo. bem como com a vigência dos valores. de suas aƟvidades e pelo valor. Retratam os caminhos estabelecidos por uma sociedade. também. a educacional.interage. O desafio que se põe ante os estudiosos do Poder Nacional é o de compreender as alterações que ocorrem nas InsƟtuições Sociais com 54 . visam à coesão social.

como a insƟtucionalização. o conhecimento criado (a teologia. principalmente. explícitas ou implícitas. a filosofia. a toda produção material (obras de civilização) e.Dinâmica Ambiental. . o que inclui todo o universo simbólico. . a Cultura resulta da ação social. a mobilidade e a mudança social. os valores. Seção 3 Fatores Os Fatores da Expressão Psicossocial são. é elemento condicionante da ação social futura. São elas próprias criações da cultura. muitas vezes. imaterial da sociedade. que é precisamente a cultura.1 . num contexto cultural.Cultura e Padrões de Comportamento Refere-se à Cultura. Por outro lado. a atenção do estudioso deve voltar-se para o quadro de fundo de toda a fenomenologia social.Dinâmica Estrutural. Em si. a literatura. e constitui-se no patrimônio singularizador dos agrupamentos sociais humanos. As InsƟtuições Sociais existem. com exclusão daquelas regularidades que são de caráter hereditário. e . entre outros: . elas produzem efeitos antes mesmo que se tenha percebido a sua ocorrência. consiste lato sensu em todas as formas de comportamento. necessariamente. o conhecimento descoberto ou natural (ciências İsico-matemáƟcas e da natureza). as artes e a música). Assim. adquiridas ou transmitidas mediante símbolos. a qual torna possível os chamados processos sociais derivados.Cultura e Padrões de Comportamento.Níveis de Bem-Estar. porquanto. 55 . todas as formas de relação social e todas as regularidades no comportamento dos membros da sociedade. Assim.reflexos na estrutura desse Poder. 3. a socialização (formação e conƟnuidade da personalidade).

Geralmente entende-se que a sociedade corresponde a uma reunião de personalidades reciprocamente ajustadas. a sobrevivência e o progresso. de grupos e de comunidades. enquanto a Cultura reúne valores e ideias estruturados. em muitos aspectos. É esta. espiritual etc) dotada de uma interpretação. de um lado. A obra de formação da Cultura é concomitante à construção da sociedade e deriva da série infinita de ensaios feitos pelo grupo humano na tentaƟva de insƟtucionalizar-se. assim.A primeira tarefa do Homem é procurar conhecer o mais possível tudo que está à sua volta e ele mesmo e. A Cultura é um fenômeno cuja existência predominante está no espírito dos indivíduos. dentro de certos limites. assim. do Universo. e de outro. bem como o desenvolvimento da interdependência e o crescimento da previsibilidade dos comportamentos individuais a padrões habituais. A divisão histórica do trabalho e a atribuição simultânea de tarefas. por exemplo. moƟvando e dirigindo o comportamento sem que o indivíduo o perceba. inevitavelmente a ele associado — o desenvolvimento de um certo grau de unidade psicológica. assegurar. reações emocionais condicionadas a eles associados e padrões de comportamento de que parƟcipam. mais ou menos. e. a 56 . em nível subconsciente. social. a saber. todos os membros da sociedade. moral. Esse ajustamento recíproco das personalidades é dado pela Cultura. Essa interpretação da circunstância permite-lhe construir uma noção integrada de mundo. da Sociedade e do próprio Homem. noções complexas de Deus. afastar a ameaça de viver e de sobreviver em circunstância enigmáƟca. efeito da unidade psicológica) — que vai tornar possíveis dois outros fenômenos interdependentes conhecidos como “sociedade e cultura”. que corresponde a uma circunstância complexa (İsica. são concomitantes a um outro grande processo. O modo mais completo de entender a circunstância do Homem compreende as grandes categorias que integram uma cosmovisão. É a interação desses dois grandes fenômenos — o enquadramento da ação dos indivíduos em padrões habituais. Este é um produto cultural elaborado e é indispensável ao Homem e às sociedades para que afastem o caos primiƟvo que lhes sugere o ambiente não conhecido. A sociedade é uma organização de indivíduos (personalizados). a crescente identificação com o grupo (um certo espírito-de-corpo. uma cosmovisão. permiƟndo-lhes construir suas insƟtuições sociais e organizar a vida e.

altamente integradas. complexos e padrões. os profissionais e outros — envolvendo complexas relações de cooperação. os quais consƟtuem o âmago da sua cultura. que inclui a parte de escolarização formal e a de convivência na sociedade com os diferentes grupos — de início. e novos padrões sociais são apresentados e sugeridos a todo instante. o descompromisso social. a começar pela socialização inicial. acomodação e assimilação. os quase iguais (proximidade etária). depois os de vizinhança. A pluralidade. ideias e hábitos perca eficácia. conflito. a produção arơsƟca. atos. incluindo senƟmentos. não é capaz de agir como uma sociedade. intelectual e material. a perda de força dos valores mais centrais. a ausência de sanção. níveis que se integram e são de complexidade e abrangência crescentes — é transmiƟda de geração a geração mediante processos muito suƟs. compeƟção. No entanto. A parƟcipação dos membros de uma sociedade nos complexos sistemas de valores. A socialização corresponde a um longo processo. A Cultura só pode ser idenƟficada por meio do comportamento dos membros da sociedade. a linguagem — recurso indispensável de pensamento e comunicação — enfim. que propicia condições ideais para a recepção de traços que só podem ser bem integrados em condições adequadas de riqueza afeƟva. no domínio da família. a comunhão de certos senƟmentos sociais. a sociedade contemporânea é extremamente permeável à comunicação. sentimentos. A Cultura — por seus traços. portadoras de cultura por excelência — é o caso exemplar da família — estão menos integradas e perdendo eficiência neste aspecto. desfavorecendo assim a compreensão comum de fatos políƟcos. toda e qualquer forma de manifestação dos homens em sociedade. prejudicando a capacidade de ação conjugada da sociedade e da cooperação social. é que garante o funcionamento da sociedade com níveis toleráveis de interferência e confusão. tecnológica e cienơfica. Se a sociedade não é capaz de se senƟr como tal. enfim. O termo comportamento está tomado aqui em acepção ampla. Estes fatos estão gerando condições inéditas de amplitude de opções. Além disso.situação de certos valores que são introjetados em nível muito profundo durante o exercício do processo de socialização. 57 . a hierarquização dos valores segundo uma escala comparƟlhada por todos. fazendo com que a comunidade de valores. as unidades sociais pequenas. o anonimato. a comunicação.

principalmente as econômicas (que vivem intensamente interesses ou um patrimônio comum. atual e futuro. As aspirações ao Bem-Estar se corporificam em expectaƟvas que. com séria ameaça à construção democrática.2 . de vez que este sistema depende essencialmente da parƟcipação voluntária e das escolhas morais dos agentes sociais. Entretanto. social. voluntária. ser assimilado a algo objeƟvo e. O fenômeno cultural tem especial significação na avaliação da capacidade de ação e reação (a esơmulos). necessariamente.a universalização e o ritmo frenéƟco da vida estão acarretando novos problemas às sociedades contemporâneas. pelo menos o mais notório elemento do Bem-Estar é a Saúde. assumem um aspecto de invariância intersubjeƟva que pode. ao esfacelamento políƟco. principalmente. que deve 58 . descrito. Se não o mais importante.Níveis de Bem-Estar O Nível de Bem-Estar corresponde ao entendimento de necessidades relaƟvas à sobrevivência e à forma de vida Ɵda por boa no contexto de uma sociedade. por se repeƟrem por parte dos integrantes de uma comunidade. o que lhes garante convergência e agressividade). e de uma realidade interna que exige compromissos com a mudança e esforços pela transformação espiritual e material da sociedade. na dimensão éƟca da vida social. facilmente. isso não significa que a noção de Bem-Estar permaneça. e sua avaliação implica a análise da eficácia com que os diferentes órgãos da Expressão Psicossocial desempenham suas funções. mais coerentes culturalmente e mais eficazes socialmente. com vistas ao bem comum. políƟca e de avanços significaƟvos em ciência e tecnologia mas. Os Níveis de Bem-Estar refletem-se de maneira imediata na capacidade de contribuição para o Poder Nacional. diante de um mundo complexo e cambiante. como tal. até mesmo. conjugada e convergente da sociedade nacional. 3. podendo chegar. Esta é um direito fundamental do Homem. no nível subjeƟvo. Este há de compreender a garanƟa de serem alcançados níveis mais convenientes de organização econômica. O reconhecimento dessas necessidades envolve uma explicitação acerca do que seja o modo normal de vida. ou mesmo o desmembramento da comunidade maior em comunidades menores. A perda de eficácia do núcleo da Cultura pode acarretar o controle da sociedade por minorias.

Ao contrário. exibir uma condição de saúde compaơvel com as possibilidades normais ditadas pelos padrões da cultura. como ambiente. mental ou social do Homem. O saneamento básico é o controle de todos os fatores do ambiente que exercem ou possam exercer efeitos deletérios sobre o Bem-Estar İsico. Consequentemente. a habitação é inviolável. Ela tem forte sentido de proteção. com agressividade e com violência. que é justa aspiração da pessoa. a sua sociosfera ou ambiente construído por ele próprio a origem de suas privações. atribui à sociedade. que o estariam marginalizando e penalizando. No entanto. A moradia representa mais que o espaço onde o Homem habita quando não está em atividades fora de casa. naturais ou provocadas. o saneamento básico cria condições para o ser humano alcançar e conservar uma de suas mais caras aspirações. As carências alimentares de grandes conƟngentes populacionais. Assim interpretado. cria uma relação de correspondência entre a estabilidade de moradia e a segurança pessoal. consƟtuem metas cujo alcance pode e deve ser pragmaƟcamente procurado. gerando sentimentos de segurança. A Habitação é o espaço İsico e social. A condição essencial do senƟr-se bem. A saúde e sua conservação devem ser entendidas no plano ideal. o ambiente insƟtucional da família. E pode revoltar-se. contra essas estrutura e organização sociais. mental e social do Homem e não apenas como ausência de afecções ou de doenças. consƟtuem-se em fator adverso dos mais perigosos. correspondente à sua importância para aquela boa forma de vida. Deste modo. é conceituada como o estado de completo Bem-Estar İsico. parƟcularmente a fome. do ponto de vista psicossocial. a saúde. o Homem não mais aceita a fome aguda ou crônica como fatalismo. pode-se admiƟr que é totalmente facơvel uma administração dos recursos preocupada com a saúde de todos. Como espaço İsico. o que justifica a existência de programas de apoio governamental e privado. São inúmeras as repercussões sociais decorrentes da problemáƟca da moradia. 59 .fruí-la e conservá-la em seu beneİcio e da coleƟvidade. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS). atribuindo-lhe uma prioridade especial. Nos dias atuais. bem como viver num ambiente livre de agressões. resulta do ajustamento ou adaptação que o Homem consegue em relação a si mesmo e ao meio onde vive e convive. todas as dificuldades ligadas à habitação e às suas condições geram tensões e insegurança.

O Ambiente tem sido crescentemente modificado.Contrariamente. é outro elemento importante para a definição do nível de Bem-Estar. de modo inequívoco. ConsƟtui vetor das informações necessárias para praƟcar a forma de vida Ɵda como boa. principalmente como consequência de novas tecnologias colocadas à disposição do homem. o Ambiente e as InsƟtuições Sociais. seja pelo seu significado como meio para garanƟr. o estabelecimento de uma infraestrutura adequada. Por outro lado. em todos os aspectos. a falta ou deficiência do saneamento básico consƟtui-se numa das mais sérias agressões ao Homem e à própria sociedade. até os hábitos e aƟtudes requeridos para o pleno desenvolvimento e sobrevivência da sociedade. afirmar que as condições de Bem-Estar da vida contemporânea dependem. não só nas cidades como no meio rural. Para se entender a racionalidade existente nas relações humanas no interior das unidades de trabalho. de extraordinária significação para a vida hodierna. enquanto cria condições para que o Homem atribua a sua experiência o significado capaz de valorizá-la. Sob este ơtulo deve-se entender. A Educação. também. sem os quais o Homem comum. Compete ao Poder Público promover. O Trabalho é outro elemento essencial ao Bem-Estar. especialmente aquele ambientado nas cidades. o acesso aos níveis mais sofisƟcados de educação acarreta a possibilidade do domínio científico-tecnológico. forçoso é apreender a realidade dos seus integrantes — o trabalhador e o empregador — e o espaço em que essas relações se processam — a sociedade. 60 . de forma a propiciar nível de vida compaơvel com a dignidade humana. para si e para sua família. o potencial humano de uma Nação. Não é exagero. A maior parte dos seres humanos vive hoje num ambiente constantemente alterado pelo próprio Homem. portanto. saberia sobreviver. com vista ao saneamento. As modernas tecnologias têm afetado desde aspectos relacionados com a procriação. A evolução cienơfica e tecnológica tem influenciado profundamente a Pessoa Humana. da presença dos implementos tecnológicos. tanto formal quanto informal. O conceito de trabalho transcende as teorias econômicas do valortrabalho e dos fatores de produção. não apenas na medida em que capacita para o agir mas. condições de sobrevivência e de progresso pessoal. seja pelo que representa em termos de autoexpressão do indivíduo. em quanƟdade e qualidade.

indispensável à sua realização como pessoa. notadamente por intermédio do Estado. A Segurança Individual e Comunitária. policial e penitenciário. proporcionam ao Homem uma sensação de segurança. Mais difusa que a previdência. de proventos. outro importante elemento do Bem-Estar. acentuadamente nos de mais baixo nível de renda. numa sociedade democráƟca. É aquela espécie de garanƟa oferecida às pessoas que não dispõem de meios suficientes contra os riscos de que não se podem preservar por seu próprio esforço e provisão. saƟsfeitas. A oferta de assistência aos necessitados e. Cabe assinalar que a Seguridade Social consƟtui-se numa forma de redistribuição de renda e pode significar. benefícios e oportunidades pessoais. A Seguridade Social refere-se à garantia que a sociedade. impõem a definição do seu custeio. Quanto maiores as carências. Os beneİcios consƟtuem uma expectaƟva natural de toda a população e sua efeƟvidade tem reflexos posiƟvos no senƟmento de segurança dos integrantes dos diferentes estratos sociais. em grande parte. maiores as responsabilidades sociais. oferece a cada pessoa que a integra. a par da aƟvidade estatal. consequentemente. pública ou privada. também. o que pressupõe considerações realistas acerca das condições da economia nacional. consƟtui um marco de humanização e racionalidade na evolução das sociedades. em determinadas situações. Para isso é mister que a capacitação para o trabalho contemple a aquisição de habilidades adequadas às realidades cambiantes do mercado. que não podem ser assumidas exclusivamente pelo Estado. consƟtui dever moral de todos os que possam fazê-lo e. de caráter confessional ou leigo. A Previdência Social. Essa variável psicossocial 61 . são expectaƟvas que. de oportunidades sociais. A Assistência Social difere da previdência à medida que não está limitada às regras daquela e tem o seu universo específico de aplicação. quanto à percepção. intelectuais ou manuais. o respeito da sociedade pelas tarefas que desempenha. parece ser diretamente proporcional à eficiência e à eficácia dos sistemas jurídico. A universalização e a ampliação dos beneİcios previdenciários. o que será tanto mais graƟficante quanto mais se concilie com as apƟdões e os interesses do trabalhador. valioso mecanismo de reordenação de oportunidades sociais.A certeza de remuneração condigna. contudo. se faz presente na iniciaƟva parƟcular. utilizando-se dos órgãos de previdência e assistência social. aliada a outros fatores. um direito dos que o queiram fazer.

as organizações nacionais e internacionais buscam incessantemente o estabelecimento de uma consciência ambiental mundial. em consequência. confere. no senƟdo de atender às necessidades das aƟvidades econômicas produƟvas atuais sem. que se prende. Entretanto. Todas essas questões são bases necessárias para que o Homem se realize plenamente como Fundamento do Poder Nacional. as condições de regeneração.3 . exigindo novas respostas e adaptações à dinâmica da natureza e da vida. frequentemente. em pouquíssimo tempo. por serviços e equipamentos que. revesƟdas de um caráter falsamente ambientalista. à manutenção da Ordem Pública. representam na verdade outros interesses econômicos ou políƟcos e buscam alcançar seus objeƟvos lançando mão de arƟİcios como cláusulas sanitárias e sociais. Por isso. 3. assim. principalmente quando se considera que. atualmente. a velocidade da degradação do meio ambiente é de tal ordem de grandeza que leva ao risco de se perderem. A poluição ambiental e o esgotamento dos recursos naturais são moƟvos de preocupação e estudos. aspectos e importância especiais. no senƟdo de prover as necessidades suscitadas pela distribuição desequilibrada.Dinâmica Ambiental A dinâmica do meio ambiente reflete as transformações na natureza. 62 . é preciso ter cuidado com organizações que. cria novos desafios. ơpico dos tempos modernos. ao atuar sobre o meio ambiente. a todos esses problemas. Caracteriza-se. precipuamente. Essas transformações apresentam-se sob dois aspectos: natural e induzida pelo homem. um dos principais problemas que as sociedades contemporâneas enfrentam.encontra correspondência jurídica no conceito de Segurança Pública. fonte de recursos essenciais à vida e ao desenvolvimento. comprometer os recursos naturais às gerações futuras. recuperação e de equilíbrio do sistema. Isto torna imperiosas providências. A urbanização caracteriza-se por um estilo de vida típico das concentrações populacionais citadinas. especialmente as do poder público. historicamente decorrentes de migrações. O fenômeno da Urbanização. o que se realiza por meio da garanƟa da Ordem Jurídica. contudo. Os ecossistemas que integram a biosfera são extremamente sensíveis às agressões provocadas pelo homem que. ultrapassam a capacidade de atendimento.

A dinâmica familiar. A dinâmica familiar configura-se como relevante conjunto de variáveis psicossociais. necessárias e indispensáveis à aprendizagem das regras do convívio social. na realidade social. acelerando o processo de maturidade. A Família é a principal insƟtuição social da qual o ser humano parƟcipa. em decorrência. Qualquer interação social pode trazer dois Ɵpos de resultados: agregação e desagregação. os homens interagem.muitas delas de conteúdo contrário aos interesses.Dinâmica Estrutural A Dinâmica Estrutural envolve todas as formas de relacionamento entre grupos sociais das mais variadas dimensões. facilitando o relacionamento por intermédio da parƟcipação do companheirismo. exercem influências recíprocas que interferem no comportamento. os processos de interação social e aqueles que determinam a mobilidade social incluem-se entre os principais aspectos da dinâmica estrutural da sociedade. Dentre as inúmeras mudanças que ocorreram na família destacamse as do sistema de papéis e. as do conjunto de direitos e deveres de cada um de seus membros. tanto do ponto de vista intragrupal. contudo. O diálogo espontâneo entre pais e filhos. Os processos interaƟvos são os alicerces da vida social. Ɵrar-lhe a importância como fator de inserção do Homem na sociedade. estando presentes em todos os demais. 3. Não são estanques e. considerada sua sinergia. entre cônjuges e entre irmãos vai crescendo em importância. que se expressam pelas vivências que decorrem das relações dentro da família. quanto intergrupal. No ato de conviver. isto é. às necessidades e às aspirações da sociedade brasileira. A dinâmica ambiental é fator importantíssimo na expressão psicossocial. na medida em que interfere na qualidade de vida das pessoas e nas insƟtuições sociais. instituições ou sociedades. As aceleradas e crescentes mudanças sociais refletem-se nas aƟvidades desenvolvidas na família. sem. populacional.4 . Contribui para a formação de um clima mais favorável ao desenvolvimento 63 . grupos. É na dinâmica familiar que se propiciam as primeiras formas de interação. acontecem simultaneamente entre pessoas. numa dada sociedade.

entre as produzidas pela mudança de métodos e técnicas de produção. O trabalho relaciona-se ao problema do emprego e do subemprego. Indicadores. O grande número de jovens nos países menos desenvolvidos que. tem. em parte. Ao Estado cabe representar os interesses da sociedade. normas fixadas pelo Estado. também. A insƟtucionalização das relações de trabalho. a análise das variáveis demográficas é imposiƟva. Dentre elas cabe enumerar: mortalidade. sendo especialmente intensa nas sociedades democráƟcas pela oportunidade que estas proporcionam aos seus integrantes de. tanto mais sadia quando mais intensa e afeƟva a convivência familiar. A atuação do Estado liga-se. sobretudo. fecundidade e migração. mais do que isso. chega ao mercado de trabalho nem sempre é absorvido. das suas tendências a médio e longo prazos. são elementos de quanƟficação dessas variáveis. cuja geração decorre de modificações estruturais. cujas fileiras são engrossadas pelos migrantes rurais e que não se ajustam aos padrões de trabalho urbano. A mobilidade social constitui aspecto marcante de todas as sociedades. ao ObjeƟvo Fundamental da Paz Social. procurando harmonizar interesses e dar uma resposta global aos diferentes conflitos. nessa área. Todos os problemas relaƟvos à dinâmica das populações se incluem na dinâmica estrutural da sociedade. Esse problema assume considerável dimensão nas sociedades contemporâneas. a consciência e a superposição das realidades do trabalhador e do empregador vão propiciar não só a possibilidade de realização pessoal para ambos mas. formando-se legiões de desempregados. despertar o senƟdo da comunhão de interesses. livremente. 64 . anualmente. Em consequência. Uma sociedade que permita a realização da pessoa é possível pela parƟcipação com base no respeito e responsabilidade. como taxa de fecundidade. A existência. escolherem o seu caminho. A significação da dinâmica populacional decorre do fato de ser imprescindível ao planejamento o conhecimento da configuração da realidade populacional e. especialmente naquelas que vivem fase de expansão demográfica e mudança estrutural tecnológica. fruto da dinâmica dessas relações.da personalidade.

o inverso do que pode ocorrer em consequência de concentrações maciças e desenfreadas.Há dois Ɵpos de mobilidade social: verƟcal e horizontal. têm que crescer muito rapidamente. Muito frequentemente. sobretudo. o desequilíbrio das contas públicas nos contextos periféricos tem sido muito agravado pela necessidade de reservar parte 65 . evidenciando alterações na estrutura da sociedade. sistemas viários e de transportes. momentos de crise ou de depressão. principalmente nos países menos desenvolvidos. Nestes. as cidades não agridem o meio ambiente de forma predatória. da sorte ou Ɵpo de ajuda recebida. hábitos de consumo. exigindo recursos maiores do que podem ser obƟdos por meio da arrecadação. A mobilidade social horizontal diz respeito à mudança. entre outros serviços. A mobilidade social descendente pode ocorrer por diversos moƟvos. embora menos significaƟva para uma avaliação das oportunidades de realização oferecidas por uma sociedade aberta. também. da vontade que impulsionará a pessoa a ultrapassar os óbices existentes. O fenômeno é grave e acarreta níveis de expectaƟva de diİcil saƟsfação. a posição atual é mais elevada do que a ocupada anteriormente. a urbanização aparece como um dos fatores mais notáveis de nosso tempo. O deslocamento acelerado para a cidade cria. Em nível individual. Escolas. melhor remuneração e possibilidade de acesso a bens e serviços antes não aƟngidos. as pessoas. local de moradia e até preferências. é bastante reveladora da dinâmica social. portanto. depende. inúmeros problemas. A mobilidade social ascendente consiste na elevação social. hospitais. relaciona-se com maior presơgio. incluindo-se. A migração é a forma de mobilidade social horizontal que ocorre no espaço geográfico. Quando se analisa a distribuição espacial das populações. o fenômeno vem ocorrendo de forma acelerada e contribui para o conơnuo decréscimo da eficácia das ações administraƟvas. Aliás. Esse Ɵpo de mobilidade traz mais dificuldades de ajustamento que a ascendente. a dificuldade da economia absorver novos e grandes conƟngentes de mão-de-obra de pouca ou nenhuma qualificação. saneamento básico. sem alteração do status. ainda. como perda de emprego. tanto para o indivíduo quanto para o grupo familiar pelas alterações de relacionamento. no espaço social. A mobilidade social horizontal. Quando organizadas de modo planejado. das apƟdões individuais e.A verƟcal resulta do aproveitamento das oportunidades de vida. ou seja.

eles promovem.serviços da saúde. as Organizações podem ser compreendidas como enƟdades que desempenham Funções de emprego do Poder Nacional. preponderantemente. o senƟmento de insegurança. mais de um Fator. governamentais ou não. o que absorve ainda mais recursos que poderiam ser invesƟdos em obras de infraestrutura. Seção 4 Organizações e Funções 4.escolas.Organizações Numa conceituação ampla. Segue. como agências que promovem e controlam os Fatores. 66 . por intermédio dessas Organizações que acionam singularmente o Poder Nacional. enfraquecendo o próprio Poder Nacional. frequentemente. A atuação dos Fatores sobre os Fundamentos faz-se. moral e patrimonial. Contrariamente. alia-se à perspecƟva de que tal segurança não pode ser obƟda senão mediante um esforço coleƟvo. elas se caracterizam.grupo familiar/famílias. quanto à manutenção da integridade İsica. Isto não significa que aos Fatores correspondem Organizações específicas que os promovam. Devido à pluralidade de funções das diferentes Organizações. O senƟmento da segurança pessoal. o que proporciona a melhoria da qualidade de vida. concomitantemente.igrejas. abaixo.empresas. As cidades têm funções básicas como pólos de cultura e de beneİcios de trabalho. percebido individual ou comunitariamente. . imprescindível para a obtenção dos níveis adequados de interação entre os Fundamentos da Expressão Psicossocial. uma lista de exemplos de Organizações que bem representam a natureza da Expressão: . Na Expressão Psicossocial.dos recursos públicos para o pagamento de juros de dívidas que crescem muito com a chamada modernização neocapitalista. . leva a diferentes formas de desagregação social. .1 . .

geralmente pequenos. . é o laço afeƟvo — só possível nesses pequenos grupos — o veículo próprio para a vivência dos valores e para sua incorporação pelas novas gerações. a integração dos valores mostra-se quase sempre imperfeita. Quando se afirma que toda sociedade é um projeto de valores. e ela garante não só a convivência. também. Por consequência. no seio dos quais o contato é ínƟmo. principalmente. As pessoas conƟnuam conhecendo o conteúdo material de sua cultura — sabem calcular. em uma sociedade na qual tenham entrado em colapso as insƟtuições familiar e educacional. operar equipamentos. é claro. Esses valores decorrentes do processo histórico — no bojo do qual se formam e consolidam — compõem uma espécie de eixo da vida social. É que a transferência da pauta de valores fica grandemente prejudicada. e .sindicatos. no qual se destaca. Fora do clima afeƟvo. Por fim. são os mais adequados à transferência desses valores.serviços de previdência. depende. o que hoje envolve a comunidade social e sempre implica na crescente parƟcipação da pessoa em grupos sociais diversos. escrever. por não serem tais valores de natureza simplesmente cogniƟva mas. como também um nível conveniente de integração da sociedade. .. Esses grupos concretos. emocional.serviços de comunicação social. às vezes sofisƟcados — mas não percebem mais como se relacionar umas com as outras e como se devem comportar. A transferência dos valores para as consciências individuais depende do processo inicial de socialização. Assim. perdem 67 . A transferência.serviços de assistência. Naturalmente que os conteúdos civilizacionais conƟnuam a ser apresentados e aprendidos. pela importância. da conƟnuidade do processo de socialização. 4. conơnuo e de caráter afeƟvo. todo o complexo éƟco parece ameaçado. Chama-se a isto a internalização dos valores.2 – Funções A vida social só é possível pela transferência dos valores para as consciências individuais. o que dá uma ilusão de que a insƟtuição educacional não entrou propriamente em colapso. é à internalização e práƟca desse conjunto axiológico que se faz referência. o desempenho dos chamados grupos portadores e transmissores de cultura por excelência: a família e a escola.

a situação em que as pessoas não conseguem mais chegar a acordo quanto às pautas essenciais da vida social e da políƟca. As funções das organizações da Expressão Psicossocial do Poder Nacional são. de socialização e de controle. por ignorância dos fatos objeƟvos ou por insuficiência na internalização dos valores. não é possível uma sociedade democráƟca. caracteriza-se por ser muito menos estruturada que a anƟga organização social. podem levar à redução da faculdade de ação voluntária conjugada da população. por causa da adesão de partes da população a diferentes referenciais críƟcos (por força da diversidade anômala na pauta de valores. também podem ter papel adverso nessas questões. passando esta a exercer funções aumentadas de controle social informal. a manipulação. É de notar-se que a própria sociedade precisa ter certa autodisciplina quanto ao modo como ela se reproduz. entre o certo e o errado. E sem essa capacidade de realizar escolhas morais emocionalmente sustentadas. de modo que os comportamentos concretos tendem a ser condicionados cada vez mais pela mídia eletrônica. de divergências quanto às prioridades entre eles ou de acentuada assimetria nos graus de adesão).a capacidade de realizar escolhas morais emocionalmente sustentadas — logo. Cabe notar que os meios de comunicação. dada a intensa mobilidade de certos elementos (pessoas. também conhecida como sociedade de vigilância. O próprio país pode ver-se ameaçado diante dessas situações. a desumanização. o bem e o mal — ancoradas nas suas convicções mais profundas. acentuando os obstáculos de ordem individual e social já presentes na sociedade moderna. na qual convivem homens verdadeiramente livres. A emergente sociedade de fluxos. Pode-se aƟngir. quer dizer. A nova configuração. Por exemplo. com espontaneidade e consistência de posições. que corresponde à nova configuração das sociedades atuais. nesta hipótese. mercadorias. garanƟa única de fidelidade em relação à escolha feita. deste modo e essencialmente. 68 . assim como podem favorecer a expansão da solidariedade entre os homens e o desenvolvimento integral da pessoa. sensações) parece ser desfavorável à transmissão e influência dos valores. capitais. informação. sérias deficiências no processo de socialização ou mesmo uma certa interferência. o indiferenƟsmo e o desinteresse pelas questões sociais. Naturalmente que o Poder Nacional pode ser muito afetado em sua capacidade pelo desempenho das organizações da Expressão Psicossocial. que parƟcipam da vida social intensamente. tais como: o consumismo. como ela conƟnua no tempo.

porque qualquer desses enfoques condiciona. que contribui para alcançar e manter os ObjeƟvos Nacionais. seja por efeito de desesƟmular possíveis ameaças. Expressão Militar do Poder Nacional é a manifestação de natureza preponderantemente militar do Poder Nacional. dos índices de crescimento populacional. Manifesta-se. seja pela atuação violenta do Poder Nacional para neutralizá-las. o potencial humano de uma Nação. da higidez. cabe ressaltar os inúmeros reflexos que resultam da maior ou menor amplitude de faixas etárias. Em face disso. do caráter e do moral nacionais. a caracterísƟca mais marcante. indiscuƟvelmente.CAPÍTULO IV EXPRESSÃO MILITAR Seção 1 Conceituação A Expressão Militar do Poder Nacional tem no emprego da força ou na possibilidade de usá-la. 69 . Território e InsƟtuições Militares.Recursos Humanos Sob este ơtulo deve-se entender. 2. em todos os aspectos. O Homem. dos níveis de escolaridade. a sua capacidade. o mais precioso elemento da Expressão Militar deve ser visto tanto sob aspecto quanƟtaƟvo como qualitaƟvo. Seção 2 Fundamentos São Fundamentos da Expressão Militar: Recursos Humanos. da capacidade de absorção e desenvolvimento de novas tecnologias.1 .

mariƟmidade ou conƟnentalidade.2 .recortada. Assim. imporá às Forças Armadas estrutura. . . já que essa missão lhes está confiada. Tal fato reflete-se. patrimônio a preservar. forma e extensão.alongada. a integridade territorial consƟtui aspiração nacional de alta significação que todas as Nações se esforçam por manter. A extensão representa. e . Nações cujos Territórios tenham formas alongadas. com extensas fronteiras terrestres e maríƟmas. Traduz. A manutenção da inviolabilidade das fronteiras. elas se estruturam desde o tempo de paz. no quadro da Segurança Externa. sensível proteção contra ações militares adversas. disƟnguem-se no território três aspectos básicos: posição.laƟtude e longitude. . normalmente. até as úlƟmas consequências. Condições favoráveis ou desfavoráveis de posição podem atenuar ou agravar o fator forma do Território. A posição é definida.compacta. quando. no âmbito regional e no contexto dos países vizinhos (áreas de influência e pressões). ponderavelmente. fazem valer a força de sua Expressão Militar. das Águas Jurisdicionais Brasileiras e do espaço aéreo consƟtui encargo específico das Forças Armadas. À luz da situação geopolíƟca. hão de encarar problemas militares diferentes daquelas que estejam embasadas em Territórios compactos. sobre a Expressão Militar. mas exige 70 . e . então. por seu turno. pela própria desƟnação que os textos consƟtucionais lhes impõem. seja pelos recursos econômicos que proporciona à população. porque nela influi de maneira decisiva e condicionante. Para tal. por isso mesmo. Por isso.2. O Território é relevante para a Expressão Militar. considerando-se: . Doutrina e instrução adequadas e disƟntas daquelas das demais Nações.situação relaƟva no globo terrestre. A forma do espaço geográfico pode ser: . Isto. recortados ou fragmentados. seja pelo que representa em seu aspecto histórico-cultural.Território O Território é a base İsica de uma Nação.fragmentada.

As InsƟtuições Militares brasileiras. 2. serão empregadas pelo Comandante Supremo (Chefe de Estado). em especial com suas tradições. e . desse modo. As Forças Armadas encontram suas bases legais na ConsƟtuição e em outros textos legais do País. e .desƟnação consƟtucional. por intermédio do Ministério da Defesa. voltando-as para o futuro. arƟculação compaơvel e presença militar em tempo oportuno.3 . . As Forças Armadas são o componente essencial da Expressão Militar do Poder Nacional. subordinadas ao Ministério da Defesa.os recursos naturais (minerais estratégicos e energéƟcos) que existem no solo ou no subsolo são significaƟvos para a Expressão Militar. imprimem caracterísƟcas próprias as suas InsƟtuições.Forças Armadas e sua composição básica. sua desƟnação e seu funcionamento. assessorado pelo Ministro da Defesa. são os pilares das InsƟtuições Militares. mas sempre a refleƟr o caráter nacional e a sua vocação histórica. como elementos essenciais da execução da PolíƟca de Defesa Nacional. pelo Exército e pela AeronáuƟca. Outros aspectos do Território devem também ser considerados.as caracterísƟcas fisiográficas que exercem influência sobre a Expressão Militar.subordinação funcional-legal à autoridade suprema do Chefe de Estado. Tais documentos formam um conjunto que completa e aprofunda o fundamento em exame. impondo suas ligações com o passado.princípios de hierarquia e disciplina. garanƟdores da coesão das Forças Armadas.maiores efeƟvos. São aspectos caracterísƟcos do fundamento em estudo: . quer durante a guerra. São constituídas pela Marinha. sob a autoridade suprema do Presidente 71 . . quer em tempo de paz.caráter de permanência.InsƟtuições Militares As InsƟtuições Militares são os canais próprios mediante os quais as Nações empregam o Poder Nacional de acordo com os princípios que as norteiam e. destacando-se: . limitadora da esfera de atuação das Forças Armadas e orientadora de suas atribuições. com seu Conselho Militar de Defesa. que estabelecem sua organização. .

. bem como à cooperação com o Desenvolvimento Nacional e a Defesa Civil.Marinha Mercante. as facilidades.Infraestrutura Hidroviária: portos. 2. . desƟnam-se à defesa da Pátria. e à parƟcipação nas Operações Internacionais. O Poder Naval é o componente militar do Poder MaríƟmo. . suas bases e posições de apoio e suas estruturas de comando e controle. .Indústria Naval: estaleiros de construção e reparos.Organizações e Meios de Exploração e Explotação dos recursos do mar.MARINHA Compete à Marinha “orientar o preparo e aplicação do Poder MaríƟmo e preparar e aplicar o Poder Naval a fim de contribuir para a consecução dos ObjeƟvos Nacionais”. os serviços e as organizações relacionados com os transportes maríƟmo e fluvial.Indústria de Pesca: embarcações. quando vinculados ao cumprimento da missão da Marinha e submeƟdos a algum Ɵpo de orientação. por iniciaƟva de qualquer destes. também. . quer como fator de desenvolvimento econômico e social. da lei e da ordem. visando conquistar e manter os ObjeƟvos Nacionais.Organizações e os Meios de Pesquisa e Desenvolvimento tecnológico de interesse para o uso do mar e águas interiores e de seus recursos.Indústria Bélica de interesse do aprestamento naval. seu leito e subsolo.Poder Naval. bem como as forças e os meios de apoio não orgânicos da Marinha. os meios aeronavais e de fuzileiros navais). especialmente os aéreos. à garanƟa dos poderes consƟtucionais e. comando ou controle naval. compreendendo as forças navais (expressão que abrange. Poder Marítimo é a capacidade resultante da integração dos recursos de que dispõe a Nação para a uƟlização do mar e águas interiores. meios e instalações de apoio e controle. terminais. . terminais e indústrias de processamento de pescado. Concretamente.da República por meio do Ministério da Defesa. logísƟca e administraƟva. o Poder MaríƟmo é integrado pelos componentes a seguir apresentados: . .1 .3. e 72 . quer como instrumento de ação políƟca e militar.

.cooperar com as demais Forças Singulares. .controlar áreas marítimas de interesse para a segurança do Território Nacional e para a salvaguarda dos recursos das águas jurisdicionais nacionais e da Plataforma ConƟnental.projetar poder. Para cumprimento desta missão. .defender a Pátria. da ordem e das insƟtuições. empreender as ações básicas a seguir mencionadas: . . .garanƟr a Lei e a Ordem. . . . na paz e na guerra. 2.contribuir para a garanƟa do uso das calhas principais e hidrovias secundárias aƟngíveis a parƟr daquelas.2 . de acordo com compromissos internacionais assumidos.controlar as áreas marítimas necessárias à manutenção das comunicações maríƟmas de interesse Nacional e aliado. .cooperar com a Defesa Civil. e .EXÉRCITO A desƟnação do Exército Brasileiro está insƟtuída na ConsƟtuição Federal. .. a Força Terrestre (FTer) 73 . . .Pessoal que desempenha aƟvidades relacionadas com o mar e hidrovias interiores e os estabelecimentos desƟnados à formação e ao treinamento. e .colaborar no desenvolvimento socioeconômico e técnico-cienơfico do País.colaborar com a Defesa Civil.dissuadir aƟtudes hosƟs e esƟmular as favoráveis. Para o cumprimento de sua Missão.promover a segurança da navegação maríƟma. de interesse nacional. nas bacias e rios.negar o uso de áreas maríƟmas ao inimigo. a Marinha deve.garanƟr os Poderes ConsƟtucionais.parƟcipar de Operações Internacionais.parƟcipar de Operações Internacionais.3. que é comum a todas as Forças Armadas é a seguinte: . Esta desƟnação. fluvial e lacustre.contribuir para a manutenção da lei.cooperar com o Desenvolvimento Nacional. . .

a FTer pode: . comprometem a lei. e . conforme necessário.prevenir e dissuadir aƟtudes hosƟs e ameaças externas aos interesses vitais da Nação. os variados níveis de intensidade de conflitos e os diversificados ambientes operacionais caracterizam. à FTer cabe: . A indefinição das ameaças. em situação de grave crise ou iminência de conflito armado. deve estar em condições de cumprir qualquer missão. passar de uma situação de paz para uma situação de guerra.atuar de modo prevenƟvo ou repressivo contra qualquer forma de ameaça ou agressão que. no local de emprego. Por outro lado. sob a égide de organismos internacionais. um quadro de grande incerteza e imprevisibilidade. o Exército deve ainda desenvolver ações subsidiárias apoiando a Defesa Civil e atuando no processo de desenvolvimento socioeconômico. impedindo ou repelindo qualquer forma de ameaça ou agressão aos interesses vitais da Nação. Além das responsabilidades acima descritas. a Força desejada deverá ser configurada pela rápida reunião. em caso de conflito armado. . no quadro da Defesa ColeƟva ou para a manutenção da paz mundial. com presteza e eficácia. dos meios adequados e necessários. A FTer. de modo ajustado à estatura políƟco-estratégica do País e ao contexto do desenvolvimento harmônico das Expressões do Poder Nacional. a fim de dar efeƟvidade às ações do Governo. A organização da Força deve ser tal que lhe permita.cooperar com os esforços do Governo no combate aos ilícitos e crimes transnacionais de natureza variada. apoiadas ou não do exterior. a ordem e os fundamentos do Estado DemocráƟco de Direito. como decorrência de compromisso assumido. quanto ao emprego da FTer. em consequência. No âmbito interno. em especial da fronteira terrestre.atuar contra o inimigo externo. incorporando os meios mobilizados. Em resumo. No âmbito externo.garanƟr a inviolabilidade do Território Nacional. . bem como parƟcipar da garanƟa da inviolabilidade dos espaços aéreo e maríƟmo. em curto espaço de tempo. o Exército deve preparar-se.parƟcipar de forças.deve estar pronta para atuar nos âmbitos interno e externo. e . a mulƟplicidade de missões e formas de atuação. para respaldar decisões soberanas da Nação no âmbito internacional e para dar efeƟvidade às 74 .instrumento de ação do Exército .

cooperar com a Defesa Civil participar de Operações e Internacionais. 2. decorrentes das imposições da Defesa Nacional. garanƟr os poderes consƟtucionais.Infraestrutura Aeroespacial. por iniciaƟva de qualquer dos poderes consƟtucionais. o objeƟvo de destruir o Poder Nacional inimigo e evitar que o Poder Aéreo inimigo destrua o nosso.orientar. visando conquistar e manter os ObjeƟvos Nacionais. a AeronáuƟca possui as seguintes atribuições subsidiárias: . Para aƟngir esse objeƟvo. coordenar e controlar as aƟvidades da Aviação Civil. . primordialmente. cooperar com o Desenvolvimento Nacional. quer como fator de desenvolvimento econômico e social. Os elementos consƟtuƟvos do Poder Aeroespacial são: . Para cumprimento da sua missão. a AeronáuƟca uƟliza-se do Poder Aeroespacial que é a capacidade resultante da integração dos recursos de que dispõe a Nação para a uƟlização do espaço aéreo e do espaço exterior.prover a segurança da navegação aérea.3 . é mínimo. 75 . garanƟr a lei e a ordem.Indústria Aeroespacial.3. . das instalações. é imprescindível a prévia existência de diferentes planos operacionais que definam o emprego eficiente dos diversos escalões da Força. A Força Aérea é o conjunto das organizações.AERONÁUTICA A missão consƟtucional da AeronáuƟca é defender a pátria. e .Aviação Civil. com o máximo poder de destruição. a Força Aérea executa ações aéreas ofensivas e defensivas. A principal caracterísƟca da Força Aérea é a capacidade de prontaresposta. . Para que essa caracterísƟca seja inteiramente explorada. .Força Aérea.concepções estratégicas de emprego da Força Terrestre. Seu emprego em combate tem.Complexo Cienơfico-Tecnológico Aeroespacial. Além das tarefas descritas. quer como instrumento de ação políƟca e militar. dos equipamentos e do pessoal empenhados no cumprimento da missão militar atribuída à AeronáuƟca. Isto significa que o tempo necessário para que a Força Aérea inicie uma ofensiva aérea.

médio e longo prazos. seja em consequência de novos processos de combate. É de citar-se. a Infraestrutura Aeroespacial. . delineada para uma época. de qualquer senƟdo dogmáƟco e. atenta à capacidade e às necessidades do Poder Nacional. também. a Doutrina Militar deve atender aos acordos e às alianças internacionais. subordinada aos interesses nacionais. como também perceber.1 . susceơvel de constante evolução seja devido ao notável dinamismo de que se reveste o mundo moderno. porque a validade dos elementos e das ideias nela conƟdas depende do respeito às parƟcularidades de cada Nação e. A Doutrina Militar visa a atender aos Ɵpos de guerra admiƟdos a curto. seja pelo surgimento de engenhos bélicos sofisƟcados. em diferentes graus de probabilidade. em realidade. em ritmo acelerado. a imperiosa necessidade de vinculação da Doutrina Militar às aspirações da Nação e às suas caracterísƟcas psicossociais. à disposição dos estrategistas do mundo inteiro. de um lado. tanto quanto 76 . de organização e de métodos. mereça ampla confiança e apoio de toda a sociedade nacional. Por outro lado. diretamente ou mediante concessão. de outro.. Assim. A Doutrina Militar não deve ser importada nem improvisada. por considerar os antagonismos.contribuir para a formulação e condução da PolíƟca Aeroespacial Nacional. a Doutrina Militar caracteriza-se por alto senƟdo prospecƟvo. e . para que fique em consonância com o espírito da Segurança ColeƟva. A Doutrina Militar é dinâmica e evoluƟva. Seção 3 Fatores 3. desƟtuída.estabelecer. equipar e operar. ainda. do contexto em que ela se inscreve. para que.Doutrina Militar Deve ser objeƟva. As concepções estratégicas procuram visualizar as guerras do presente. de largo alcance e poder de destruição. de concreƟzação e de valor das ameaças conforme estabelecido nas Concepções PolíƟcas e Estratégicas Nacionais.operar o Correio Aéreo Nacional. isto é. que a tecnologia vem colocando.

para assegurar a unidade e a coesão das Forças Armadas em torno dos mesmos princípios gerais. cabelhe. em áreas de interesse e de responsabilidade situadas fora de seu Território. órgãos. e . objeƟva responder às diferentes necessidades de emprego. dentro do Território Nacional. os contornos. Assim sendo. conceitos. e considerando o nível em que se posiciona. Entende-se por arƟculação: o disposiƟvo militar resultante da localização de suas unidades e órgãos. o preparo e o emprego das Forças Armadas. balizar as Doutrinas Específicas das Forças Singulares. entretanto.possível. valores e concepções estratégicas. as peculiaridades e as tendências das guerras do futuro. unidades operacionais e de apoio logísƟco. o preparo e o emprego das Forças Armadas. considerados seus efeƟvos em pessoal e suas dotações em material. nas quais os efeitos diretos visados não são Ɵpicamente militares. Destarte. Estas ações complementares situam-se dentro da desƟnação consƟtucional das Forças Armadas. sistemaƟzar e coordenar todas as aƟvidades militares e estabelecer as bases para a organização. métodos e processos que têm por finalidade estabelecer as bases para a organização. A arƟculação das Forças Armadas.Estrutura Militar A Estrutura Militar engloba. 3.a organização. que arƟculam suas Forças. normas.a arƟculação. A organização abrange os grandes comandos. A Doutrina Militar tem como finalidade precípua orientar. Há Nações. também. os comandos de forças. quanto às Forças Armadas: . chega-se ao conceito: Doutrina Militar é o conjunto de valores. também. normalmente. parques e arsenais.2 . 77 . tanto no campo do Desenvolvimento como no da Segurança e que podem conduzir a outra forma de emprego das Forças Armadas: são as aƟvidades conhecidas como Ações Complementares. É possível adequar a arƟculação às necessidades conjunturais. princípios. inclusive na ocorrência de conflito armado em um quadro conjuntural nacional ou internacional. estabelecimentos.

a Integração das Forças Armadas pressupõe: . .Integração das Forças Armadas As guerras modernas exigem. 3. terminologia e técnicas de planejamento. .3 . educação. Uma das mais importantes caracterísƟcas da Estrutura Militar deve ser a flexibilidade.busca de uma apropriada padronização de equipamentos. de aperfeiçoamento conƟnuado e de seleção rigorosa. para o sucesso das operações militares. 3. com evidentes reflexos na Expressão Militar. a importância do Alto Comando. conceitos. pelo decisivo papel na formulação da PolíƟca e da Estratégia de cada Força Singular. Cabe ressaltar. valores e concepções estratégicas idênƟcos. na observância da Doutrina Militar. no quadro de um enfoque integrado da Expressão Militar. no quadro de uma integração operacional. a capacidade de comando e controle é fator capaz de refleƟr o valor de uma Força Armada.amplo espectro de interações. e representam medidas prevenƟvas de Segurança Interna. logísƟca e tecnológica. e .4 . na complementação de ações e no emprego combinado. neste caso. Baseada na soma de esforços.realização frequente de exercícios combinados sob a responsabilidade de Grandes Comandos Combinados Operacionais. o emprego de meios ponderáveis. suprimentos. a fim de fazer face às mais diversas situações internas ou externas. orientada por princípios gerais. Os trabalhos são realizados.Tais ações são consideradas de interesse nacional e fazem-se senƟr diretamente no campo do Desenvolvimento. e. transporte e comunicações. no exercício de comando.Capacidade de Comando e Controle Resultado de uma adequada formação geral e profissional. pois se fazer senƟr em todos os seus escalões. direção ou chefia. nos setores de saúde.valorização e dinamização da formação de oficiais em curso específico para o exercício de comando e de funções em estados-maiores de Forças Combinadas. pertencentes a mais de uma Força Singular. abrangendo os seguintes sistemas: 78 . principalmente.

Todos os escalões. tanto de forma individual como coleƟva. são submeƟdos à Instrução e ao Adestramento. • de operações estratégicas. em termos. • de defesa territorial. Um bom Adestramento pode. que significa exercitar o Homem. aprimoram-lhe a formação cívica e dotam-no de habilitações de interesse para o mercado de trabalho. necessário para responder às situações de emergência. desenvolvendo habilidades para cumprir missões específicas. objeƟvos e bem estruturados. sejam de execução. seja para as indispensáveis coesão e unidade. e • de informações militares estratégicas. 79 .• logísƟco militar. A Instrução e o Adestramento devem ser diversificados. basicamente. da Instrução e do Adestramento. portanto. É. Respeitadas as caracterísƟcas e as peculiaridades de cada Força Singular. superar uma deficiência material. • de mobilização militar. sem necessidade de mobilização. Aprestamento significa ter o Adestramento correto para determinada missão e possuir os meios logísƟcos necessários para emprego imediato. • tecnológico militar. a integração das Forças Armadas consƟtui fator relevante. de planejamento ou de comando. quer em equipe. com proficiência. não é verdadeira. Após a Instrução vem o Adestramento. o grau de presteza. há necessidade da realização de frequentes exercícios combinados ou conjuntos. seja para a obtenção dos mais altos níveis de eficiência e eficácia das Forças Armadas. A capacidade operacional e a eficiência do apoio logísƟco dependem. Além disso. Adestramento e Aprestamento Instrução é o processo por intermédio do qual são transmiƟdos conhecimentos técnicos sobre aƟtudes a adotar em determinadas situações e sobre a uƟlização e manutenção de equipamentos.5 . de prontidão. para as missões que poderá vir a receber.Instrução. A recíproca. visando a preparar o militar. • de serviço militar. Visando à eficiência do Adestramento e à integração. quer individualmente. 3. contudo.

a preparação psicológica. na Expressão Militar. os recursos humanos. função de situações conjunturais e reflexo do moral nacional. estado de espírito coleƟvo num determinado momento. 3. quando em situação de emergência. a uƟlização dos efeƟvos militares em tempo de paz e a formação das reservas mobilizáveis. o grau de apƟdão que têm as Forças Armadas para absorver ou se beneficiar dos recursos humanos e materiais que a Nação coloca a seu dispor para fazer face à concreƟzação de uma ou mais Hipóteses de Emprego (HE). desde os tempos de paz. na quanƟdade.Capacidade LogísƟca É o grau de competência que têm as Forças Armadas para desenvolver um conjunto de aƟtudes visando a prever e a prover. 3. qualidade e oportunidade. condição geralmente indispensável para se alcançar a vitória. na firmeza de ânimo e na determinação de cumprir a missão recebida. 3. A disciplina. em síntese.Capacidade de Mobilização Entende-se por Capacidade de Mobilização. a maior ou menor possibilidade de durar na luta. para que seja assegurada eficácia em sua execução.6 .Moral Militar O Moral Nacional.9 .7 . a liderança exercida pelos chefes e a confiança na insƟtuição bem administrada fortalecem o Moral Militar. O mesmo ocorre em relação ao Moral Militar. é mais ou menos instável de acordo com as influências circunstanciais que podem fortalecê-lo ou debilitá-lo.3.Serviço Militar A forma de recrutamento dos recursos humanos. É de alta importância o planejamento da Mobilização Nacional. Afinal. capacidade de Mobilização retrata. despertando o espírito de corpo e a convicção de legiƟmidade da luta.8 . o material e os serviços necessários ao seu preparo e emprego. que se faz senƟr: no espírito de sacriİcio. 80 .

Capacidade Cienơfica e Tecnológica Em todos os setores das aƟvidades humanas. e os conƟngentes anualmente incorporados. . o tempo de duração desse serviço. licenciados e excedentes. todos traduzidos em percentual sobre a população nacional e sobre a faixa etária de jovens em idade para o Serviço Militar. Seção 4 Organizações e Funções 4. além de criar uma gama de novos e sofisƟcados engenhos bélicos.Organizações As funções de preparo e emprego do Poder Nacional.10 . com relação à Expressão Militar. 81 . A Expressão Militar sofre influências imediatas e palpáveis no que concerne ao desenvolvimento tecnológico. em cada Força Singular. o Serviço Militar obrigatório ou voluntário. ciência e tecnologia alcançam índices surpreendentes de progresso e de refinamento. que há um grande esforço. para aperfeiçoar seus armamentos e equipamentos. realçam: o grau de profissionalização. de organização e de métodos avançados que exigem capacidade e eficiência de emprego.direção geral e setorial. tudo visando à superioridade sobre o inimigo. Tanto é assim. principalmente por parte das Nações mais desenvolvidas. são desempenhadas pelas organizações que a consƟtuem. priorizando as aƟvidades de preparo.1 . nos dias atuais. Devem compor a Expressão Militar organizações com as seguintes finalidades: .assessoramento ao Comandante Supremo. a serem examinadas com parƟcular interesse. representam dimensão significaƟva que condiciona o emprego das Forças Armadas. Dentre as bases do Serviço Militar. 3.em caso de guerra. e alta qualidade dos recursos humanos responsáveis. O significativo progresso tecnológico permitiu que as Forças Armadas dispusessem de novos equipamentos.

meios de apoio. combinados ou não.forças operacionais. de modo algum.organizações de aƟvidade-meio − realizam as funções de apoio às operações ou às aƟvidades de instrução e adestramento. em níveis estratégico e táƟco. . 82 .. e . sempre e quando for necessário o emprego violento do Poder Nacional. Assim. O primado da Defesa / Segurança não exclui. .Funções Outra forma de classificar as organizações da Expressão Militar é quanto às suas finalidades. antes as complementa. voltados para a realização do combate (operações) e de aƟvidades subsidiárias. funções relacionadas com o Desenvolvimento. desƟnados a empregarem as forças de forma integrada. A principal função das organizações da Expressão Militar está relacionada com a Defesa Nacional. e .assessoramento de cada comandante de Força Singular.comandos. tem-se: . 4.organizações de aƟvidade-fim − realizam as funções de preparo e emprego.2 . que deverá ser exercido em defesa da Nação.

2. consƟtuem-se das pessoas que. na Expressão Cienơfica e Tecnológica do Poder Nacional. o Homem.1 . concorrem para as aƟvidades cienơficas e tecnológicas. os homens que atuam e os meios que são uƟlizados naqueles setores. estes fundamentos especificam-se como: Recursos Humanos . direta ou indiretamente.Recursos Humanos Os Recursos Humanos. Seção 2 Fundamentos O Poder Nacional tem como fundamentos. Recursos Naturais e Materiais e InsƟtuições Cienơficas e Tecnológicas. os próprios elementos básicos da nacionalidade. que contribui para alcançar e manter os ObjeƟvos Nacionais. essencialmente. 83 . Engloba todas as aƟvidades relacionadas à geração. ou seja. caracterizando a capacitação nacional em ciência e tecnologia. Na Expressão Científica e Tecnológica.CAPÍTULO V EXPRESSÃO CIENTÍFICA E TECNOLÓGICA Seção 1 Conceituação A Expressão Cienơfica e Tecnológica do Poder Nacional representa a manifestação deste Poder nos setores da ciência e da tecnologia. Compreende. Expressão Científica e Tecnológica do Poder Nacional é a manifestação preponderantemente científica e tecnológica do Poder Nacional. a Terra e as InsƟtuições. disseminação e aplicação dos conhecimentos cienơficos e tecnológicos.

visando ao desenvolvimento do País. Considere-se neste Fundamento. 2. no que diz respeito à Expressão Cienơfica e Tecnológica. é condição essencial à geração. também.A disponibilidade de Recursos Humanos. a exploração.Recursos Naturais e Materiais Os Recursos Naturais. Atualmente. os materiais. o aperfeiçoamento e o controle dos Recursos Naturais e Materiais anteriormente considerados. por intermédio da Tecnologia. neste Fundamento. para fazer frente aos desafios crescentes que esta realidade apresenta. 84 . à transferência e à uƟlização. Estão incluídos. Na sociedade atual. ao lado de uma maior flexibilidade da mão-de-obra. um melhor conhecimento. a informação e o conhecimento assumem dimensões relevantes e prioritárias em termos de poder. dos conhecimentos cienơficos e tecnológicos. em todos os níveis de qualificação.2 .InsƟtuições Cienơficas e Tecnológicas As InsƟtuições Cienơficas e Tecnológicas configuram os valores e conceitos prevalecentes na comunidade técnico-cienơfica e consƟtuemse canais próprios por meio dos quais esta comunidade exerce suas aƟvidades. sendo que se caracteriza. fortalecendo o Poder Nacional. predominantemente tecnológica. compreendem os elementos que consƟtuem o nosso Universo e seus fenômenos como objeto de estudo e explicação. por meio de sua Expressão Cienơfica e Tecnológica. os bens produzidos pelo homem a parƟr desses recursos. os seres da natureza e seus ambientes usados pelo homem para a manutenção e melhoria de sua existência. A Ciência e a Tecnologia propiciam a descoberta. de forma cada vez mais marcante. visando aos ObjeƟvos Nacionais. Isto porque as tecnologias modernas exigem uma base superior de conhecimento. eficaz e eficiente. 2. que são uƟlizados nas aƟvidades de ciência e tecnologia. requer-se a disponibilidade de Recursos Humanos cada vez mais capazes. por parte da Ciência e de transformação.3 . a correlação entre a disponibilidade de Recursos Humanos educados e treinados e o desenvolvimento e poder das Nações.

correspondente aos diferentes níveis profissionais e abrangendo toda a mão-de-obra. A tecnologia.Elas são as grandes reveladoras da idenƟdade do grupamento social. Compreendem não apenas sua maneira de agir. por sua vez. também. embora em segmentos limitados da população. presentemente se exige um nível educacional adequado 85 . A ciência exige o mais elevado nível de educação. requer uma educação específica. nas suas manifestações cienơficas e tecnológicas. realizam suas funções sociais e se integram aos objeƟvos maiores da sociedade. 3. entre eles. a Expressão Cienơfica e Tecnológica se enriquece e o Poder Nacional se fortalece. e podem se realizar. mas também o acervo que resulta das realizações levadas a efeito segundo estes valores. concretamente.Educação Possivelmente. valorizando-os ou depreciando-os. Na verdade. em face da complexidade das tecnologias. portanto. Na realidade. Trata-se. As Instituições compreendem. formal e informal. representam os fatores mais significaƟvos para a capacitação cienơfica e tecnológica. de um patrimônio material e imaterial que vai do mais simples artefato até as mais profundas especulações do espírito humano. Existem muitos Fatores — elementos dinâmicos — atuando sobre aqueles Fundamentos. À medida que as Instituições Científicas e Tecnológicas se aperfeiçoam. o condicionante mais importante ao desenvolvimento da ciência e tecnologia é a educação. Seção 3 Fatores Os Fatores são os elementos dinâmicos que influem sobre os Fundamentos da Expressão Cienơfica e Tecnológica.1 . pelo sistema educacional. senƟr e pensar. por intermédio dos órgãos ou organizações que incorporam o equipamento material imprescindível à concreƟzação do desenvolvimento cienơfico e tecnológico. os a seguir enumerados. a formação e o treinamento de recursos humanos. destacando-se.

o intercâmbio cienơfico e tecnológico e o acesso a bases organizadas de dados.Dinâmica ProduƟva A dinâmica produƟva cienơfica e tecnológica representa o grau de estruturação sistêmica e de atuação eficiente dos vários segmentos que desenvolvem aƟvidades de Ciência e Tecnologia. em termos de geração de conhecimentos e de formação de recursos humanos. Ela é fortemente afetada pela eficácia do Sistema Cienơfico e Tecnológico.3 . evidentemente.Comunicação A comunicação é essencial à ampliação do conhecimento cienơfico e importanơssima no desenvolvimento tecnológico.também da população em geral. 86 . pode-se dizer que as tecnologias modernas exigem uma base superior de conhecimento. enriquecem-se em função da intensidade com que são realizadas as pesquisas básicas. ao lado de uma maior flexibilidade de mão-de-obra. aplicadas e o desenvolvimento experimental. 3. A comunicação pode efeƟvar-se por intermédio de diversos meios. usuários que são dos produtos tecnológicos. no que se refere à inovação e à qualidade dos produtos. nessas organizações. Com o desenvolvimento dos meios eletrônicos de processamento de dados e o progresso das telecomunicações e das redes de informação. A qualidade e produƟvidade das universidades. Esse fator tem grande significado. 3. o que aponta. para um melhor nível educacional. e a das empresas. pois determina a capacidade da Comunidade Cienơfica e Tecnológica de ampliar seus conhecimentos. e de pesquisas e desenvolvimento experimental.4 . importanơssimo no desenvolvimento cienơfico e tecnológico. a comunicação tomou uma relevância extraordinária no desenvolvimento cienơfico e tecnológico. Em resumo. a comunicação oral em seminários e congressos. nas universidades. 3. é o nível de realização de pesquisas.Nível de Pesquisa e Desenvolvimento Experimental Um fator essencial. como: a publicação escrita. nas empresas.2 .

mais intensa se faz a busca pela disponibilidade de recursos minerais que saƟsfaçam suas necessidades básicas. especialmente na Engenharia GenéƟca. A biodiversidade se consƟtui num fator que pode dar oportunidade a muitos dos desenvolvimentos da ciência e tecnologia. fiscalização. 3. É na biodiversidade. educação. é preciso alertar que a diversidade mineral é um fator que. Isto porque. A atuação destas organizações subentende uma gama muito extensa de aƟvidades que incluem: planejamento. animais e vegetais. no futuro. decididamente. poderá ter significado decrescente.Diversidade Mineral A diversidade mineral representa a variedade de minerais encontrados na natureza. razão pela qual se ressalta a importância da diversidade mineral. normalização. Entretanto. 3. 87 . a produƟvidade e qualidade industriais. por novos materiais criados em laboratórios. 3. Influencia.dando oportunidade ao desenvolvimento de novos processos e produtos.7 . A humanidade experimenta descompassos com a tendência a se esgotarem alguns desses recursos. considerando que as nações avançam cienơfica e tecnologicamente. Pode se consƟtuir em recurso natural de grande importância para a evolução cienơfica e tecnológica. À medida que aumentam os interesses e as aspirações da sociedade.5 .Infraestrutura Cienơfica e Tecnológica A infraestrutura compreende as organizações formadoras de recursos humanos. a tecnologia vem possibilitando a subsƟtuição de muitos minerais. que a humanidade deposita suas esperanças para resolver seus problemas de produção de alimentos e de melhoria do padrão nutricional. encontrados na natureza. testes. ensaios. que fazem parte de um ecosistema. por meio dos desenvolvimentos da biotecnologia.6 . treinamento. pesquisas e desenvolvimento experimental. os prestadores de serviços cienơficos e tecnológicos e aqueles que realizam a pesquisa e o desenvolvimento experimental.Biodiversidade A biodiversidade representa a totalidade dos seres vivos.

enquanto aqueles de caráter operacional ou produƟvo pertencem ao Setor Privado.8 . Em geral. como se segue: 4. nos dias de hoje.2 – Funções Pode-se classificar as Funções desempenhadas por estas Organizações em três grupos principais.PolíƟcas e NormaƟvas Compreendem as Funções características das organizações responsáveis pela política de ciência e tecnologia e daquelas com 88 . Como decorrência. nenhum projeto de grande vulto pode ser desenvolvido sem uma análise de impacto ao meio ambiente.Proteção Ambiental Os desenvolvimentos da ciência e da tecnologia. Segundo suas naturezas. surgiu o conceito de desenvolvimento sustentado que seria aquele que não comprometesse as gerações futuras. 4. sobretudo desta úlƟma.1 Organizações Organizações são as enƟdades componentes do Sistema Cienơfico e Tecnológico.1 . para caracterizar a sua sustentabilidade. Seção 4 Organizações e Funções 4. finalidades e funções. normaƟvas ou administraƟvas se incluem no Setor Público. estão. a ponto de tentar sujeitar o desenvolvimento dos países mais atrasados a seus critérios do que seria aceitável em termos ambientais. Existem diferentes Ɵpos de Organizações Cienơficas e Tecnológicas. as que têm funções políƟcas. por meio das quais o Poder Nacional se efeƟva.2. estas Organizações podem pertencer ao Setor Público ou ao Setor Privado. Este fator cresce de significado quando se considera que os países mais desenvolvidos têm dispensado especial importância ao mesmo.3. fortemente condicionados pelas preocupações de ordem ambiental. Presentemente.

tais como. poderá ter. por exemplo. as aƟvidades de incenƟvo. segundo as quais as aƟvidades de Ciência e Tecnologia são conduzidas. por atribuição. de fiscalização e controle. As organizações podem ter. Incluem.também. também. Igualmente.funções administraƟvas. fomento e informação relaƟvas à Ciência e Tecnologia.3 . compreendendo a pesquisa básica ou aplicada. 89 .2. uma ou mais das Funções delineadas acima.2. visando alcançar os objeƟvos decorrentes das políticas estabelecidas. visando a aƟngir os objeƟvos fixados pela políƟca. promoção. de suporte à pesquisa e ao desenvolvimento experimental e de realização de serviços cienơficos e tecnológicos. o desenvolvimento experimental e a produção intelectual publicada em livros. 4. Compreendem as atividades de fiscalização. revistas técnicas e comunicados.2 . também.Operacionais ou ProduƟvas Consideram as aƟvidades-fim do Setor de Ciência e Tecnologia geradoras dos conhecimentos cienơficos e tecnológicos. Uma organização responsável pela PolíƟca de Ciência e Tecnologia. de formação de recursos humanos.competência para emissão de normas. um insƟtuto que tenha funções normaƟvas poderá.AdministraƟvas ou Estratégicas Compreendem as Funções das organizações com responsabilidade pelas ações estratégicas. 4. ter atribuições produƟvas de realização de pesquisas.

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PARTE II ELEMENTOS DE INTELIGÊNCIA ESTRATÉGICA 91 .

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não deva conhecê-los. A AƟvidade de Inteligência Estratégica ocupa espaço específico como instrumento do Estado para defesa das insƟtuições e interesses nacionais. no interesse exclusivo do Estado e. pois.1 . quando possível. também os Estados. Um princípio básico da alta gerência de Estado recomenda que todo ato decisório deve estar lastreado em subsídios oportunos e. a consciência de que a observância dessas concepções é importante para o êxito da ação governamental. onde coexistem a permanente necessidade de ampliar o nível de Bem-Estar das sociedades e a dificuldade crescente de gerir e mulƟplicar recursos. Estar bem informado é fundamental. Cresce. Inteligência é definida como a aƟvidade que objeƟva a obtenção. da sociedade nacional.883 de 07/12/1999). Conforme o explicitado na legislação que insƟtuiu o Sistema Brasileiro de Inteligência – SISBIN (Lei nº 9. sobretudo em uma realidade cada vez mais complexa. sempre em meio ao choque de interesses e de vontades. por extensão. mas também se torna cada vez mais indispensável negar o conhecimento desses fatos ou situações a quem. bem como a constatação de que já não basta conhecer os fatos e as situações de interesse para a ação governamental. amplos e seguros. Assim como as pessoas.Considerações Iniciais O desejo e a necessidade de conhecimentos são inerentes à natureza humana. individualmente ou em grupo perceberam isso. há uma verƟginosa valorização do conhecimento do qual se valem os sucessivos governos para fundamentar suas ações decisórias. cujas políƟcas e estratégias são fundamentadas em modernas técnicas de planejamento. Na atualidade. não podem ignorar a necessidade do conhecimento.CAPÍTULO I INTELIGÊNCIA ESTRATÉGICA Seção 1 AƟvidade de Inteligência Estratégica 1. análise e disseminação de conhecimentos 93 .

com possível projeção para o futuro.Conceituação O Conhecimento de Inteligência Estratégica é a resultante da obtenção. Por isso. a qual permite o acompanhamento de aspectos parciais conhecidos para correlacioná-los com variações supervenientes. às suas Vulnerabilidades.Conhecimento Estratégico É o conhecimento de fato ou situação de interesse imediato ou potencial para o planejamento da ação políƟca.3 . 1. interpretação e disseminação de conhecimentos sobre as situações nacional e internacional. Uma decisão não poderá ser boa se for tomada com base em conhecimentos deficientes. a execução e o controle de ações voltadas para o preparo e aplicação do Poder Nacional. no que se refere ao Poder Nacional. Dessa forma. A AƟvidade de Inteligência Estratégica é o exercício permanente de ações direcionadas à obtenção de dados e à avaliação de situações relaƟvas a óbices que venham impedir ou dificultar a conquista ou a manutenção dos ObjeƟvos Nacionais.dentro e fora do território nacional sobre fatos e situações de imediata ou potencial influência sobre o processo decisório e a ação governamental e sobre a salvaguarda e a segurança da sociedade e do Estado. estando presente em todas as suas fases e etapas. 94 . a Escola Superior de Guerra chegou a seguinte conceituação para caracterizar o conhecimento de Inteligência Estratégica. O nível do Conhecimento depende do emprego que lhe é dado. Esta asserƟva destaca a importância do conhecimento para a tomada de decisão. análise. A AƟvidade de Inteligência Estratégica encontra seu pleno emprego no planejamento governamental. podendo ser estratégico ou operacional.2 . a Atividade de Inteligência produz conhecimentos por intermédio de uma metodologia própria. 1. O Conhecimento Estratégico é gerado a parƟr de conhecimentos produzidos pelo Sistema de Inteligência. às Possibilidades e outros aspectos correlatos. aos Óbices.

serão necessárias as seguintes ações: .a idenƟficação. avaliação e neutralização de ações adversas promovidas por organismos ou pessoas. capazes de dificultar ou impedir a consecução dos interesses estratégicos do País. oportunas e completas. impõe a uƟlização de metodologia e de técnicas acessórias que permitam afastar a práƟca de ações meramente intuiƟvas e a adoção de procedimentos sem qualquer orientação racional. A aplicação dessas técnicas permite uma abordagem mais eficiente de problemas de alta complexidade e maior eficácia na elaboração do conhecimento. no interesse do Estado e da Sociedade. de vários Ɵpos de conhecimentos que exigem. 1. A metodologia uƟlizada é complementada pela técnica de avaliação de dados e. pela uƟlização de técnicas acessórias.a salvaguarda dos conhecimentos e dados que. veladas ou dissimuladas. para sua produção. em suma.a obtenção de dados e avaliação de situações que impliquem ameaças. cobrindo os âmbitos nacional e internacional.atenda à finalidade básica de saƟsfazer às necessidades do usuário.Para tanto. vinculadas ou não a governos. avaliação e neutralização da espionagem promovida por serviços de Inteligência estrangeiros.o Conhecimento Estratégico . 1. 95 . Essa organização deve proporcionar condições para que seu produto .Organização de Inteligência Estratégica Os formuladores e executores da Política Nacional necessitam. A AƟvidade de Inteligência divide-se em dois segmentos: Segmento Inteligência e Segmento Contrainteligência.a obtenção de dados e avaliação de situações que representem oportunidades para consecução dos interesses estratégicos do País. constantemente. e . .5 . uma Organização de Inteligência que trabalhe em nível estratégico.a identificação. Deve.4 . . .Segmento Inteligência O correto exercício da produção do conhecimento. estar apta a fornecer elementos para o correto equacionamento dos problemas de planejamento da ação políƟca. devam ser protegidos. em alguns casos. de modo que sejam alcançadas decisões seguras.

a segunda. públicas ou privadas. interpretar e disseminar conhecimentos. ou seja. A Contrainteligência é uma aƟvidade desenvolvida necessariamente por todas as Organizações de Inteligência com o objeƟvo de idenƟficar. motivando a salvaguarda do conhecimento onde quer que ele se encontre.Segmento Contrainteligência Contrainteligência é o segmento da AƟvidade de Inteligência que objeƟva neutralizar a Inteligência adversa. constantemente. neutralizar ou reduzir a atuação dos Sistemas de Inteligência adversos. por indivíduos. com a segurança das atividades de Inteligência concernentes aos assuntos governamentais de caráter sigiloso. órgãos ou agências interessadas. nos campos da Segurança e do Desenvolvimento Nacionais. Não obstante esse caráter defensivo da Contrainteligência. e busca obter. antecipa-se aos fatos. Neste sentido. é reaƟva e prevenƟva e visa a impedir o acesso a esses conhecimentos. da informáƟca e de áreas relaƟvas a esses aspectos. sigilo. Essas medidas abrangem ações de proteção. pode-se conceituar o Segmento Inteligência como: O segmento da AƟvidade de Inteligência voltado. Assim. A Contrainteligência preocupa-se. os métodos de ação e as suas operações são essencialmente ofensivos. impedir. ao contrário. A diferença fundamental entre Inteligência e Contrainteligência está em suas finalidades: a primeira é caracterisƟcamente proaƟva. do material das comunicações. para a produção do conhecimento. controle e segurança do pessoal.6 . especificamente. As medidas passivas são aquelas que visam a impedir o acesso às informações de interesse nacional. analisar. a Contrainteligência projeta suas ações além dos limites do Sistema Inteligência. 96 . bem como dados sigilosos gerados por outras entidades nacionais. procura salvaguardar os conhecimentos e/ou dados sigilosos oriundos do Sistema de Inteligência ou por ele manuseados.Assim sendo. 1. o Segmento Contrainteligência compreende medidas passivas e aƟvas. Neste senƟdo.

tudo voltado para o preparo e aplicação do Poder Nacional. Seção 2 Planejamento da AƟvidade de Inteligência Estratégica A Inteligência Estratégica. Entendendo Plano como sendo um conjunto ordenado de disposições e procedimentos visando a operacionalização de decisões governamentais. É conveniente. organizações 97 . por vezes. é interessante que ele seja elaborado na cúpula do SISBIN. tendo em vista a expansão e a importância das organizações de Inteligência em todo o mundo. reduzir ou impedir as ações adversas de qualquer natureza.As medidas aƟvas são aquelas que visam a idenƟficar. grupos. aí incluída sua execução e seu controle. portanto para uso dos mais altos níveis da estrutura governamental do Estado. a desagradar pessoas. nos últimos anos. aspecto considerado fundamental ao sucesso dessa AƟvidade. enƟdades. A AƟvidade de Inteligência é reconhecida em nível mundial como fator indispensável de assessoria na estrutura administraƟva do Estado. portanto. que a AƟvidade seja estruturada por meio de Planos que orientem o trabalho a ser desenvolvido. As atividades e o campo de atuação da Contrainteligência ampliaram-se. Como consequência é aplicada a qualquer planejamento estratégico de governo em todas as suas fases. campo de ação da Inteligência estudada na Escola Superior de Guerra. classes. É quase inevitável que a atividade de Inteligência venha. Seção 3 Relações entre o Produtor e o Usuário da AƟvidade de Inteligência Deve-se enfaƟzar a importância das relações entre o produtor e o usuário do conhecimento fruto da AƟvidade de Inteligência. neutralizar. é aquela cuja aƟvidade produz conhecimentos para uso imediato ou potencial para o planejamento da ação políƟca.

e correntes de opinião. Por isso mesmo, é essencial para o seu êxito o bom relacionamento entre produtor e usuário, isto é, entre os que vão proporcionar os conhecimentos e os que vão servir-se deles. O usuário do conhecimento localiza-se no extremo de uma cadeia. Na condição de cliente, ele é o desƟnatário de um produto acabado. As relações entre produtor e usuário, no entanto, não podem ser descritas de maneira simples. Na realidade, trata-se de processo dinâmico e integrado, em que seus componentes dependem de confiança mútua e peculiar relacionamento. O produtor deve atuar em estreita ligação com o usuário para receber deste o máximo de orientação, mas não tão próximo a ponto de perder a objeƟvidade e a isenção indispensáveis à natureza de sua tarefa. Finalmente, o usuário precisa compreender que o produtor do conhecimento, para bem realizar as suas funções, necessita ter boa compreensão da estrutura governamental responsável pela elaboração da políƟca, pelo planejamento e pelas ações em curso. Isto não significa, porém, que o produtor deva ou possa imiscuir-se na política, no planejamento ou nas ações governamentais. O Sistema de Inteligência formula o Plano Nacional de Inteligência (PNI), e seus planejamentos decorrentes. A AƟvidade de Inteligência é subsidiária, embora realize uma importante função de assessoria específica, pois atua no denominado universo antagônico, cenário caracterizado essencialmente pela existência, real ou potencial, de óbices que, deliberadamente, se contraponham ao aƟngimento dos ObjeƟvos Nacionais Fundamentais. Sua missão é assegurar-se de que os usuários estejam bem informados e detentores de conhecimentos úteis e oportunos para a correta tomada de decisões. Os conhecimentos não poderão ser úteis se os responsáveis pela produção destes conhecimentos não obƟverem orientação precisa sobre as necessidades de seu usuário. A falta desta orientação precisa poderá acarretar distorções no planejamento da AƟvidade de Inteligência, bem como, na consequente tomada de decisões por parte do usuário.

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PARTE III

ELEMENTOS DE LOGÍSTICA E MOBILIZAÇÃO

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cujo preparo consƟtui uma exigência permanente e continuada. consƟtuindo-se numa decisão de Governo. a TáƟca e a LogísƟca. Ações Estratégicas de Desenvolvimento e Ações Estratégicas de Segurança. . em cada um dos campos. que é a LogísƟca. onde a eventual predominância de um sobre o outro depende de uma judiciosa avaliação da conjuntura. Esta se concreƟza por intermédio das ações que empreende. pelo Barão Antoine-Henri Jomini. empregado.CAPÍTULO I LOGÍSTICA NACIONAL Seção 1 Introdução A conquista e a manutenção dos ObjeƟvos Nacionais são alcançadas mediante a realização de Ações Estratégicas. numa sinergia de dois campos de atuação. no livro Princípios da Arte da Guerra. Sua conquista e manutenção visam. A dinâmica de previsão e provisão de meios encerra uma aƟvidade muito anƟga. possuam instrumentos capazes de reforçá-los em curto prazo. Os ObjeƟvos Nacionais Fundamentais são idenƟficados pelas elites nacionais. . vindo a se consƟtuir na PolíƟca Nacional. realizadas com os meios disponíveis. A intensidade das Ações Estratégicas variará. 101 . em úlƟma análise. em 1838. entretanto.LogísƟca.Estratégia. Tal fato obriga a que as Nações mantenham meios permanentemente orientados para atender a essas finalidades e. ao Bem Comum. simultaneamente. o da Segurança e o do Desenvolvimento. aplicando os meios. que prepara e aplica o Poder tendo em conta óbices existentes ou potenciais. ou seja. de acordo com a natureza e o grau dos óbices a serem vencidos. fornecendo os meios. .TáƟca. quando sinteƟzou os três ramos da guerra: a Estratégia. Para a consecução de seus fins a Política Nacional vale-se da Estratégia Nacional. A palavra logística parece ter-se originado do termo francês logisƟque. planejando e determinando o emprego dos meios.

de acordo com a capacidade do Poder Nacional. e outros. consƟtuindo-se numa LogísƟca Nacional. mas também os recursos humanos. Neste entendimento estavam englobados não só os recursos materiais e os transportes. Seção 2 Conceituação A palavra LogísƟca. Em consequência. em situação de emergência. os serviços de abastecimento. com base na estrutura jurídica vigente e. os serviços de saúde. paulaƟnamente. veio a ser entendida como: Conjunto de aƟvidades relaƟvas ao provimento de todos os meios necessários à realização de uma guerra. consƟtuem exemplos de aƟvidades logísƟcas. durante a 1ª Guerra Mundial. A atribuição dos meios resulta de planejamento. extravasando a Expressão Militar e fazendo-se presente em todas as Expressões do Poder Nacional. visando ao atendimento das necessidades da Nação em situação normal. o armazenamento. não podem deixar de ser consideradas como aƟvidades de caráter logísƟco. Assim. prevendo e provendo os meios necessários para a realização de Ações Estratégicas. de acordo com legislação específica. o suprimento de bens acabados. exigindo aumento quanƟtaƟvo e extrema diversificação dos 102 . os transportes. na relação entre a Segurança e o Desenvolvimento.Após a 2ª Guerra Mundial. o conceito de LogísƟca foi ampliado em sua dimensão. do significado de apoio exclusivo às forças militares em operações e à Segurança Nacional. embora tenham elevado grau de interesse para a Segurança Nacional. não se cingindo somente às ações de guerra. as aƟvidades da LogísƟca estão sempre presentes. inicialmente empregada no senƟdo de englobar as aƟvidades de suprimento e de transporte de tropa. a palavra LogísƟca foi se desvinculando. Por outro lado. Os conflitos do século passado. envolvendo hoje ações das mais variadas naturezas. O que se verifica é que. não há como desconhecer as diferentes aƟvidades que se inserem no campo específico do Desenvolvimento e que. com sua complexidade e globalidade.

se por ocasião da 1ª Guerra Mundial a atenção das nações foi despertada para a LogísƟca. a posição de relevo que ora ocupa. adotou-se a expressão LogísƟca Nacional. por isso. ora provendo os meios necessários às ações estratégicas. ora prevendo.meios empregados. a LogísƟca Militar da seguinte maneira: Conjunto de aƟvidades relaƟvas à previsão e à provisão de todos os meios necessários à realização da guerra. o entendimento de logísƟca. Neste conceito. conferiram máxima importância à LogísƟca na arte da guerra. isto é. então. inegavelmente foram as lições decorrentes da 2ª Guerra Mundial que levaram tal assunto a se projetar e assumir. A extraordinária importância dos meios empregados no úlƟmo conflito mundial e sua influência no êxito das operações projetaram a logísƟca. Conceituou-se. como em situações belicosas. 103 . com presteza. às mutações decorrentes da variação da necessidade de meios para a execução das Ações Estratégicas. A introdução da logísƟca na terminologia militar brasileira é recente e devida à influência da doutrina norte-americana. as crescentes necessidades de suprimentos e de níveis de estocagem. em apoio às ações de emergência. passou a ser mais abrangente e. extravasando a dimensão militar. em pessoal e material. de onde se originou sua conceituação. por se fazer presente em todas as Expressões do Poder Nacional. identificam-se as principais características da LogísƟca Nacional: . em apoio às ações correntes. Nos dias atuais. e .suas atividades são permanentes. Uma rápida análise histórica mostra que. A dinâmica de previsão e provisão de meios possibilita a conceituação de LogísƟca Nacional como: Conjunto de aƟvidades relaƟvas à previsão e à provisão dos recursos necessários à realização das ações planejadas para a consecução da Estratégia Nacional. existem tanto em situação de normalidade. no quadro internacional.seu planejamento requer dinamismo e flexibilidade para se adaptar.

Fases As operações relaƟvas às aƟvidades logísƟcas compreendem três fases que.o quê prover? . A LogísƟca para o Desenvolvimento é o conjunto de aƟvidades de previsão e de provisão dos meios necessários à realização das ações decorrentes da Estratégia de Desenvolvimento.para quem prover? 104 . que poderão ser desdobradas em fases. ObƟdos esses meios.A LogísƟca Nacional. É no Poder Nacional Atual que a LogísƟca Nacional encontra os meios que se fazem necessários para atender às Ações Estratégicas. isto é. embora disƟntas.Obtenção. principalmente: . Seção 3 AƟvidades LogísƟcas A LogísƟca Nacional desenvolve aƟvidades permanentes. 3. e . A lª Fase — Determinação das Necessidades — consiste no levantamento completo dos meios necessários à execução das ações planejadas.Distribuição. pode ser classificada sob diversos aspectos. se entrelaçam de maneira variável: .1ª Fase . cumpre realizar o provimento necessário à execução das ações. setores e funções.2ª Fase .quanto prover? . considerando. de um modo geral. tanto em situação de normalidade como em situação de emergência. merecendo destaque seu campo de atuação. quer nas situações de emergência. A LogísƟca para a Segurança é o conjunto de aƟvidades de previsão e de provisão dos meios necessários à realização das ações decorrentes da Estratégia de Defesa.Determinação das Necessidades. já que ela está presente.3ª Fase .1 . . LogísƟca para o Desenvolvimento e LogísƟca para a Segurança. quer em situações normais.

Recursos Humanos .onde obter? . devem ser levados em conta a evolução da conjuntura nacional.quando distribuir? . Em cada um dos setores poderão exisƟr aƟvidades de natureza correlata ou afim. execução e controle. Os Setores e Funções logísƟcas assim se relacionam: SETORES Pessoal Material Instalações Serviços FUNÇÕES . não só para facilitar o trato de assuntos logísƟcos.onde distribuir? 3.2 . a complexidade decorrente da natureza e quanƟdade dos recursos.como obter? A 3ª Fase — Distribuição — consiste em fazer chegar. então. que. além das imposições de padronização. Procura-se saƟsfazer dentre outras. suas tarefas de prever e prover meios de toda ordem necessários ao atendimento das Ações Estratégicas podem ser desdobradas em setores e funções.A 2ª Fase — Obtenção — visa a conseguir os meios necessários nas respecƟvas fontes. Procura-se.Manutenção .como distribuir? . aos executores das Ações Estratégicas. como para tornar mais eficaz o desempenho das mesmas. as seguintes indagações: . No planejamento. os prazos exigidos e os aspectos de organização.InformáƟca 105 . responder basicamente às indagações: .Setores e Funções LogísƟcas Sendo a Logística um conjunto abrangente de atividades que envolve um vasto campo de atuação.para quem distribuir? . convencionou-se denominar de funções logísƟcas. todos aqueles meios previstos e obƟdos nas fases anteriores.Saúde .Transportes .Engenharia (Construções) .Comunicações . interdependentes. tempesƟva e eficazmente.Suprimento (Abastecimento) .

Embora se possa idenƟficar as funções logísƟcas acima selecionadas, outras mais poderão surgir, dependendo da natureza e do vulto das aƟvidades a realizar. Tais funções, em alguns casos, interpenetram-se e completam-se, não sendo relevante determinar-se, com precisão, os seus limites. Quanto à Logística Militar, considerando as peculiaridades operacionais das Forças Armadas, tem suas funções previstas na Doutrina de LogísƟca Militar, elaborada pelo Ministério da Defesa. Seção 4

Princípios Gerais da LogísƟca
A Logística obedece a princípios que dizem respeito a um planejamento dinâmico, permanentemente atualizado. Esses princípios são coerentes com os princípios da Estratégia, decorrentes dos Princípios de Guerra que, por sua universalidade, podem aplicar-se a qualquer forma de aƟvidade ligada a planejamento e execução. Os Princípios Gerais da LogísƟca são: - ObjeƟvidade Identificação clara das atividades que devem ser realizadas e determinação precisa dos meios de toda ordem requeridos para sua concreƟzação, no espaço e no tempo. - ConƟnuidade Estabelecimento das aƟvidades logísƟcas, em sequência lógica e com caráter permanente. - Flexibilidade Capacidade de adaptação, para fazer face às situações supervenientes, mercê da dinâmica da conjuntura. - Economia Racionalidade na obtenção, distribuição e uƟlização dos meios disponíveis, evitando-se desperdícios. - Segurança GaranƟa de execução dos planos elaborados, a despeito dos óbices que se lhes anteponham. - Controle Acompanhamento das aƟvidades logísƟcas em curso e confronto dos resultados da sua execução com o que fora previsto no planejamento. 106

- Prioridade Estabelecimento de um escalonamento das aƟvidades a serem desenvolvidas, prevalecendo o principal sobre o secundário. - Oportunidade Adequação da execução das aƟvidades no momento exato. - Unidade de Direção Existência de uma autoridade central, que assegure a convergência de esforços para o objeƟvo estabelecido. - Amplitude Entendimento de que toda aƟvidade que vise a proporcionar meios em pessoal, material, instalações e serviços, dentro da capacidade do Poder Nacional, pode ser rotulada como LogísƟca. - Previsão Condicionamento do êxito das aƟvidades logísƟcas à capacidade de correta esƟmaƟva das necessidades. - Coordenação Conjugação harmônica de esforços de elementos disƟntos, visando a alcançar um mesmo fim. É mister assinalar que esses Princípios Gerais representam preceitos ou normas básicas e seu verdadeiro valor reside mais no alerta que propiciam quanto ao resultado de certas formas de conduta, do que como regras imposiƟvas para o planejamento ou execução das aƟvidades. Os Princípios apresentados são interdependentes e completares. Em determinadas situações, podem até ser conflitantes. Assim, a sua aplicação deve ser cuidadosamente ponderada em cada situação parƟcular, de modo a atender às circunstâncias do momento em que sejam aplicados. Seção 5

Conclusão
Não obstante a variedade de exemplos que assinalam, por intermédio dos tempos, a presença da Logística na guerra, só recentemente suas aƟvidades passaram a consƟtuir objeto de estudos mais aprofundados. Os resultados desses estudos permitiram o estabelecimento de um conjunto de encargos específicos, baseados em 107

princípios, normas e processos, que integram atualmente a LogísƟca Nacional. Por sua destacada e importante atuação na solução de complexos problemas de apoio às forças militares, a LogísƟca conquistou posição de relevo no quadro da guerra, o que fez com que observadores militares passassem a considerá-la como um dos fundamentos da arte da guerra. Em várias oportunidades da 2ª Guerra Mundial, foi a LogísƟca, mais do que a Estratégia e a TáƟca, o fator determinante de vitórias e derrotas, deixando a impressão de que o resultado final da guerra é claramente influenciado pela superioridade logísƟca e a capacidade de bem aproveitá-la. Depois de se ter projetado em estreita associação com a ideia de guerra, a LogísƟca extravasou a dimensão militar, para vincular-se a problemas inerentes às ações ditadas pela Estratégia Nacional. O que deve, porém, ficar bem claro é que a LogísƟca Nacional, inserida no contexto da Estratégia Nacional, cumpre sua finalidade de forma abrangente, presente em todas as Expressões do Poder Nacional, sendo que, na Expressão Militar, devido às suas peculiaridades, se idenƟfica como LogísƟca Militar. Sejam quais forem as designações que as aƟvidades logísƟcas recebam nos diversos órgãos dos setores público e privado, precisam ser interligadas e harmonizadas, para que se integrem no esforço nacional, em beneİcio das Ações Estratégicas. A LogísƟca Nacional na forma como é conceituada, consƟtui-se num instrumento de execução e de atuação permanente, de que se vale a Estratégia Nacional na aplicação do Poder Nacional, para a conquista e manutenção dos ObjeƟvos Nacionais.

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2 .1 – Introdução O antigo significado do vocábulo Mobilização. consƟtuindo-se em ameaças à tranquilidade e à segurança das nações. criou uma Divisão de Mobilização no Estado-Maior do Exército da Prússia. para a realização de ações de emergência em proveito direto da Segurança Nacional. visa também a atender. em 1870. cujo planejamento passou a ser mais meƟculoso e a abranger todas as Expressões do Poder Nacional. pela primeira vez. fato que muito contribuiu para a vitória daquele país na Guerra Franco-Prussiana. em prazos definidos. A Mobilização Militar destacouse.CAPÍTULO II MOBILIZAÇÃO E DESMOBILIZAÇÃO NACIONAIS Seção 1 Mobilização Nacional 1. em todas as Expressões. 1. psicológicas ou de outra natureza. Envolvida uma coleƟvidade em situação que ponha em risco sua 109 . quando o General Von Scharnhorst. A 2ª Guerra Mundial.Conceituação Ainda não se conseguiu evitar a eclosão de conflitos. segundo essa concepção. seja sob a forma de guerras. com sua exigência de meios de toda ordem trouxe como consequência maiores responsabilidades para as aƟvidades da Mobilização. como agressões econômicas. as necessidades de recursos. além de visar ao fortalecimento do Poder Nacional. após analisar detalhadamente as razões da derrota das forças prussianas frente às tropas de Napoleão. era restrito ao meio militar: “pôr em movimento ou passar as tropas para o pé de guerra”. Nos ensinamentos daquele conflito encontra-se o ponto de parƟda para o processo evoluƟvo de que resultou a atual concepção da Mobilização Nacional. A Mobilização Nacional. originado do francês MobilisaƟon.

antes mesmo que as primeiras ações bélicas precedam o início das hosƟlidades. em face da iminência ou da eclosão de uma guerra. Tem sido práƟca muito frequente. com a produção de novos meios e com a transferência de outros. o desencadeamento de operações militares sem prévia e formal declaração de guerra.sobrevivência. A ação de prevenir. O preparo das ações relacionadas com a Defesa Nacional é. comuns ou especiais. dessa forma. Diante. de uma situação anormal. não deve ficar ao sabor das improvisações. estaria compromeƟda a própria Soberania Nacional e esƟmulada a atuação do inimigo ante a imprevidência do oponente. uma exigência conƟnuada. Em consequência. Determinadas situações poderão exigir prazos mais curtos e. com intensidades variáveis das Ações Estratégicas de Defesa. nos úlƟmos tempos. A execução. o Estado poderá aƟvar outro mecanismo que é a Mobilização Nacional. portanto. é imperioso reagir no senƟdo de neutralizar ou eliminar a ameaça. todavia. Na época atual. Ao fornecer os meios para as Ações Estratégicas. a LogísƟca vale-se da estrutura do Estado e das regras que presidem as suas relações com as pessoas İsicas ou jurídicas de direito privado. variando conforme a intensidade dos óbices. Em consequência. capaz de perturbar profundamente a harmonia social. certas medidas 110 . comuns do passado. possuam mecanismos capazes de reforçá-los. Ao irromper a 2ª Guerra Mundial. os prazos para execução da Mobilização passaram a ser extremamente críƟcos e consƟtuem fator de grande importância. em que os meios previstos e alocados pela LogísƟca Nacional sejam insuficientes para vencer os óbices. uma guerra pode ter início sem os longos períodos de tensão políƟca e sem os prenunciadores incidentes de fronteiras. simultaneamente. ainda prevalecia a ideia de se estabelecerem linhas de obstáculos e de se empregarem forças retardadoras para se ganhar o tempo necessário para a Mobilização. às vezes. Daí decorre a grande mutabilidade dessas ações e dos meios de toda ordem necessários à sua realização. exige que as nações mantenham alguns meios permanentemente voltados para aquela finalidade e. A rapidez das primeiras operações mostrou que tal recurso. pois que. por si só. neutralizar e eliminar ameaças que surjam na vida das nações. exigindo que seja planejada e preparada desde o tempo de paz. até então empregados no Desenvolvimento. não foi suficiente.

os Órgãos dela encarregados acompanham permanentemente as necessidades das prováveis situações de emergência.os vários elementos consƟtuƟvos de uma mesma Expressão do Poder Nacional. para o campo da Segurança. nas horas graves.as Expressões do Poder Nacional. influir nas programações para o Desenvolvimento. moƟvo porque a Mobilização Nacional atua também sobre o Potencial Nacional. promovendo. As necessidades. para fazer face a uma agressão estrangeira. compulsória e aceleradamente. quando necessário. permanente.deverão ser tomadas antes. metódica e progressiva. superam as disponibilidades.Fases da Mobilização A Mobilização requer a transferência. com o propósito de criar condições que permitam. . antes mesmo de decretada a Mobilização. complementando a LogísƟca Nacional. Essas transferências podem processar-se entre: . de forma planejada. com o propósito de capacitar o País a realizar ações estratégicas no campo da Defesa Nacional. um acelerado e eficaz emprego do Poder Nacional. durante as situações normais. em geral. Convém notar que.3 . 1. Daí nasceu um senƟdo novo para a Mobilização Nacional. até então desƟnados a atender aƟvidades do Desenvolvimento. durante as situações normais. desde a situação de normalidade. independentemente dos atos de execução da Mobilização Nacional. que passou a ser concebida como aƟvidade necessária. essencial à Segurança Nacional e capaz de influir no Desenvolvimento. Essa é uma importante razão pela qual tais Órgãos devem.os campos do Desenvolvimento e da Segurança. de meios do Poder Nacional. Feitas essas considerações e tendo em vista que a atuação dos Órgãos de Mobilização Nacional faz-se sentir tanto na paz quanto 111 . A Mobilização Nacional é assim conceituada: Conjunto de aƟvidades planejadas orientadas e empreendidas pelo Estado. e . mantendo atualizado seu planejamento. a produção oportuna de meios adicionais.

é a Mobilização Nacional exigir um planejamento adequado. em harmonia com a conjuntura do País e em face dos problemas de Segurança. desde a situação normal. São duas as fases da Mobilização Nacional: . Para isso.Execução. O planejamento da Mobilização Nacional deverá ser conduzido. visando a facilitar a Execução da Mobilização Nacional. A Nação. procurando evitar a redução da capacidade vital da Nação. é preciso que a Mobilização Nacional harmonize-se com o ritmo do Desenvolvimento Nacional e que. testando-as e corrigindo possíveis falhas. É no Preparo que a Mobilização vai esƟmular o fortalecimento do Poder Nacional. cuja tríplice finalidade é: . para que seja assegurada eficácia quando de sua execução.1 . desde a época de normalidade. em parƟcular a Mobilização Militar 112 . embora não conte normalmente com todos os recursos necessários.exercitar essas aƟvidades. e . . portanto.Preparo da Mobilização Nacional Um aspecto de suma importância. Assim. e . deve estar preparada para enfrentar a efeƟvação de uma Hipótese de Emprego. 1. que venha a exigir o emprego das Forças Armadas.Preparo. que deve ser ressaltado na Mobilização Nacional. que vai ampliar o campo de ação da própria Mobilização Nacional.na guerra. promover a liberação de recursos indispensáveis e disciplinar seu crescimento. empreendidas ou orientadas pelo Estado.tomar medidas que incenƟvem e fortaleçam o Poder Nacional e facilitem a transformação do Potencial em Poder. consequente da evolução de uma Crise PolíƟcoEstratégica. é válido se estabelecer um faseamento que idenƟfique as diferentes aƟvidades e atribuições dos referidos Órgãos. o Preparo da Mobilização Nacional é conceituado como: Conjunto de aƟvidades planejadas.planejar todas as aƟvidades relacionadas com a sua execução. Daí surge a noção de Preparo da Mobilização Nacional. mas tendo em vista também o Desenvolvimento.3.

em tempo oportuno. para facilitar o provimento de todos os recursos necessários à execução das Ações Estratégicas de emergência excepcional. consequentemente. dependentes da maneira como o Preparo da Mobilização. de Mobilização e as de fortalecimento e de aperfeiçoamento do Poder Nacional. Deve haver uma idenƟdade entre as aƟvidades do Preparo da Mobilização e as Ações Estratégicas correntes de Desenvolvimento. são empreendidas pelo Estado. Essa conƟnuidade exige um entrosamento entre as aƟvidades de LogísƟca. por vezes. de modo acelerado e compulsório. seja na transferência de meios do Poder Nacional.4 .3.Execução da Mobilização Nacional A segunda fase da Mobilização Nacional.2 . Essas atividades podem causar transtornos à vida nacional e são. a maior ou menor facilidade que tem a Nação de passar de uma situação normal para uma situação de emergência é aferida por meio da Capacidade de Mobilização. que se conceitua como: Grau de apƟdão que tem uma Nação de. em grande parte inserido no contexto do Desenvolvimento. Por conseguinte. for planejado e executado. em tempo de paz. 1. ou seja. 113 . é conceituada como: Conjunto de aƟvidades que. a sua Execução.possa atender às necessidades específicas da Defesa Nacional.A Mobilização nas Expressões do Poder Nacional A atuação da Mobilização Nacional. não sendo fácil. passar de uma situação de paz para uma de guerra. seja na transformação de parcela do Potencial Nacional em meios adicionais. 1. exige medidas nas diversas Expressões do Poder Nacional. a fim de transferir meios existentes no Poder Nacional e promover a produção oportuna de meios adicionais. disƟnguir onde terminam umas e iniciam-se outras. com o máximo de eficácia e o mínimo de transtornos para a vida nacional. após decretada a mobilização.

Dentre as diversas aƟvidades que se pode visualizar. com o propósito de assegurar à Nação os recursos de natureza políƟca de que ela precisa. normalmente nos Estados Democráticos.1.Poder LegislaƟvo: • adequação da legislação e elaboração de novos instrumentos legais. . e • atuação em âmbito internacional. maior concentração de autoridade no Poder ExecuƟvo e limitação de certas liberdades individuais. como também o seu processo de interação. O Preparo da Mobilização Nacional exige que se disponha de flexibilidade e também de instrumentos hábeis. ligadas à Expressão PolíƟca. A Mobilização PolíƟca deverá engendrar uma estrutura políƟca que permita à Nação fazer face às modificações necessárias à passagem do estado de paz para o de guerra. permiƟndo ao Estado intervenção mais ampla na vida econômica de um país. requeridos pela conjuntura. destacam-se: . . a Mobilização Nacional implica não só o aumento da eficiência e eficácia dos seus meios.1 . e • criação de instrumentos que deem respaldo aos atos do execuƟvo. 114 . Tal situação de emergência impõe. colocandoos em condições de saƟsfazer às exigências impostas por situações de emergência de grau excepcional. coordenação e fiscalização do processo administraƟvo.Expressão PolíƟca No que tange à Expressão Política.4.Poder ExecuƟvo: • condução. É imprescindível buscar o apoio dos ParƟdos PolíƟcos no senƟdo de proporcionar a necessária cobertura às ações de Governo. • adoção de providências orçamentárias para a emergência. dos princípios e das normas jurídicas.Poder Judiciário: • dinamização do processo de aplicação das leis. para que se possa atuar adequadamente e com oportunidade.

É a Economia de Guerra.4. em situações de beligerância.cadastramento industrial.. 1.estabelecimento de níveis de estocagem e racionamento de materiais críƟcos e estratégicos. As aƟvidades da Mobilização Nacional. .controle das importações e exportações.ParƟdos PolíƟcos: • adoção de medidas em apoio ao esforço nacional de Mobilização. aqui. . sejam criadas as condições para a acelerada e eficaz adaptação da economia ao atendimento da emergência. . e . Cumpre também à Mobilização Nacional. o contendor que dispuser de maior poderio econômico levará sensível vantagem. Dentre as medidas a serem consideradas. . por ser essa expressão a fonte da maioria dos recursos tangíveis e dos meios a serem uƟlizados. com imediatas e 115 . a tarefa de promover a transformação de aƟvidades produƟvas e a de regular e controlar as aƟvidades monetárias. É indispensável que. a Mobilização Industrial. destacam-se: . objeƟvando possíveis transformações ou conversões de linhas de produção. crediơcias e fiscais.incremento à produção. as ações da Mobilização Nacional têm grande amplitude e intensidade. no âmbito da Expressão Econômica. desde os tempos de paz.desenvolvimento de tecnologia autóctone. padronização e nacionalização em geral. por sua enorme importância no conjunto da Mobilização Nacional.adequação da infraestrutura viária e de comunicação para fins militares. equilibrando as exigências desta com o atendimento das necessidades requeridas pelas ações normais da vida nacional.compaƟbilização dos interesses do Preparo da Mobilização com os planos nacionais. desenvolvimento e produção de energéticos alternaƟvos. É inegável que. .2 . . no âmbito da Expressão Econômica. visam a adaptar o Sistema Econômico a uma possível situação de emergência. Tem relevo.Expressão Econômica Na Expressão Econômica.pesquisa.

Ênfase especial merecem os seguintes aspectos da Mobilização Psicossocial: . a fim de se obter a conscienƟzação da importância das necessidades da Nação. A segurança das insƟtuições e do patrimônio individual e familiar deverá ser enfaƟzada para moƟvar o indivíduo quanto à necessidade de sua parƟcipação consciente na Mobilização Nacional. em parƟcular. . um conjunto de mensagens. 1.4. Seu preparo envolve aspectos técnicos e cienơficos complexos que podem aƟngir interesses quase sempre conflitantes e exigir o empenho de recursos.equilíbrio na distribuição demográfica da população.Expressão Psicossocial Na Expressão Psicossocial.atuação da Comunicação Social. .grau de intensidade das operações psicológicas adversas. . tornando imposiƟvo um planejamento cuidadoso.profundas repercussões em todas as Expressões. e . ou em determinadas áreas geográficas ou de aƟvidades humanas. em especial. . nas áreas de fronteira. O objeƟvo síntese da Mobilização Psicossocial é a formação e a consolidação de uma Mentalidade de Mobilização.nível de educação e saúde da população como um todo. complexos e padrões culturais para que se possa desencadear.esơmulo à formação e ao aperfeiçoamento de mão-de-obra necessária às aƟvidades de interesse da Mobilização. quanto à Segurança Nacional.grau de sensibilidade da população quanto aos senƟmentos cívicos em geral e. 116 . No Preparo da Mobilização. tendo como esơmulo preponderante a possibilidade da ocorrência de guerra que envolva direta ou indiretamente o país. com a finalidade de criar condições favoráveis ao apoio das aƟvidades de mobilização. devem ser feitas pesquisas visando a idenƟficar traços. assim entendida: AƟtude eminentemente consciente e parƟcipaƟva. às vezes escassos. .educação moral e cívica da população. pela Comunicação Social.3 . a Mobilização Nacional visa à moƟvação de pessoas e da sociedade.

. quer para a Defesa. . para proporcionar meios à indústria. podemos alinhar. A Mobilização Militar deve ser planejada de modo a assegurar os recursos necessários à rápida transformação estrutural das Forças Armadas.incenƟvo a Órgãos de Ciência e Tecnologia civis e militares.4. algumas das aƟvidades a serem empreendidas são: .Expressão Cienơfica e Tecnológica A Expressão Científica e Tecnológica alcançou um estágio de primordial importância. 1.formação e cadastramento de reservas aptas. 117 . .busca de padronização e nacionalização de materiais e itens de interesse militar. essa Expressão mostrou ser um elemento indispensável. e . dependendo do vulto e da natureza das ações a serem empreendidas. fornecendo-lhes pessoal com habilitações requeridas para preenchimento de claros. Desta forma. Dessa forma.5 .priorização de invesƟmentos na pesquisa e desenvolvimento.4.Expressão Militar Na Expressão Militar. Assim. Mobilizar os recursos cienơfico-tecnológicos vai permiƟr a aplicação dos evoluƟvos conhecimentos cienơficos e das mais eficientes práƟcas tecnológicas na produção de bens e serviços desƟnados ao esforço nacional para atender a uma possível situação de emergência excepcional. para a indústria de material de defesa. além do material na qualidade e especificação solicitadas. na nacionalização do material de defesa. também para a Mobilização.incremento do intercâmbio dos InsƟtutos de Pesquisa e Tecnologia das Forças Armadas com outros Institutos. para atendimento dos programas de fabricação de material de interesse militar.1. genericamente. no campo da Defesa. as seguintes aƟvidades: .incremento de pesquisa e desenvolvimento tecnológico de interesse militar.4 . e . as Forças Armadas transformar-se-ão nos grandes uƟlizadores dos meios do Poder Nacional. quer para o Desenvolvimento.colocação de encomendas educaƟvas nas indústrias.

No decurso de sua atuação. deve ser encarada como um recurso extremo a ser uƟlizado nas situações de emergência mais graves. Psicossocial.Considerações Finais Como um complexo de atividades bem diversificadas. deve ser encarado como uma roƟna inseparável das ações normais do Governo. em função de prioridades. ao se planejar a Mobilização Nacional. Cabe ressaltar que. 118 . Muito ao contrário. porém harmônicas. Se a Execução da Mobilização é uma decisão de grande magnitude e circunstancial. como também pelas limitações existentes. e Cienơfica e Tecnológica terá senƟdo altamente significaƟvo em proveito daquelas.6 . será facilitada a produção de meios adicionais. com maior ou menor intensidade.Planejamento da Mobilização Nacional O Planejamento da Mobilização Nacional contribui para eficiência e a eficácia de sua execução. é indispensável ter em conta que se devem considerar todas as Expressões do Poder Nacional. como fornecedora da maioria dos recursos tangíveis e na Expressão Militar. Todavia. O atendimento das necessidades será influenciado não só pelos condicionamentos recíprocos entre as Expressões. a adequação das medidas de Mobilização Nacional nas Expressões PolíƟca. de prazos e do confronto entre necessidades e disponibilidades. Desse modo. Providências tomadas em uma das Expressões têm sempre reflexos e consequências nas demais.4.5 . inclusive no tocante às aƟvidades da livre empresa. A Execução da Mobilização Nacional. como a maior usuária dos recursos do Poder Nacional. 1. ao contrário. oriundas de uma guerra. eliminando-se atritos e desgastes internos ou externos. e defendendo-se a população contra as invesƟdas da guerra psicológica adversa.1. isto não significa que seja menor a importância da contribuição das demais Expressões. a Mobilização Nacional processa-se em todas as Expressões do Poder Nacional. o seu Preparo. consƟtuindo um ato que interfere profundamente em todos os setores da vida nacional. a Mobilização Nacional apóia-se acentuadamente na Expressão Econômica.

complexidade das aƟvidades de Mobilização. . capaz de elaborar e de manter atualizado um planejamento integrado da Mobilização Nacional e estar apto a mudar. . com vistas à eficiência e à eficácia do Sistema Nacional de Mobilização: .Organização O estudo das atividades de Mobilização Nacional conduz à necessidade de uma estrutura organizacional e funcional. Além do mais. como um todo. esse Sistema deve estar de acordo com a Doutrina de Mobilização e sua estrutura deve atender às modernas técnicas administraƟvas. embora seja esta extremamente complexa.impossibilidade de soluções comparƟmentadas para os problemas de Mobilização. O mesmo deve ocorrer com a Desmobilização Nacional.globalidade dos problemas.o Sistema deve assegurar o funcionamento.5. apta a orientar. e .necessidade de orientação normaƟva. rapidamente. pode-se conceituar Sistema Nacional de Mobilização como: 119 . Ainda cabem aqui. 1. duas considerações básicas. pelas dificuldades de visualização de projeções futuras. esforços convergentes. a destinação de recursos de toda ordem e acelerar a produção de meios adicionais. desde épocas normais. ou pelo menos possibilitar. pelo fato de envolver todas as Expressões do Poder Nacional. autonomia administrativa e orçamentária e ainda a integração de recursos.o Sistema deve igualmente assegurar. e . coerência e compatibilidade de programas.1 . na medida em que envolvem interesses da Nação. interessando a todos os níveis de administração e às múlƟplas e variadas aƟvidades da vida nacional. Dessa forma. Essa estrutura assumiria a forma de sistema. de supervisão técnica e de fiscalização específica a ser conduzida por um Órgão Central e de alto nível. coordenar e dirigir aquelas aƟvidades. de um mecanismo flexível. tendo em vista os seguintes aspectos: .O Planejamento da Mobilização Nacional deve englobar tanto a fase do Preparo como a da Execução. que é conhecido por SISTEMA NACIONAL DE MOBILIZAÇÃO (SINAMOB).

suas mudanças de intensidade exigem que alguns órgãos empregados na atividade de Mobilização Nacional estejam em condições de.Conjunto de Órgãos que.Flexibilidade O preparo das ações relacionadas com a Estratégia Nacional de Defesa deve ser flexível. 120 . com as adaptações necessárias. Em época de normalidade da vida nacional. concorrendo para fortalecer e aperfeiçoar o Poder Nacional. para assegurar a conƟnuidade das medidas de fortalecimento do Poder Nacional com vista ao desenvolvimento das Ações Estratégicas.Permanência O Sistema deve ter caráter permanente. o Sistema prepara a Mobilização Nacional. o Sistema conduz sua Execução. destacam-se: .5. . uma vez decretada a Mobilização Nacional. enquanto acompanha e esƟmula o processo de Desenvolvimento. rapidamente. atuando de modo ordenado e integrado. visando a implementar as Ações Estratégicas de Emergência. também. Ao prenunciar-se o fim da situação que determinou a Execução da Mobilização Nacional.2 . o Sistema toma as medidas destinadas à Desmobilização. Uma estrutura permanente para a Mobilização Nacional é condição indispensável à eficácia do respecƟvo planejamento. em face da variação da conjuntura. com vista à Segurança. 1. planejada desde o tempo de paz. se adaptarem às situações de emergência. objeƟva planejar e realizar todas as fases da Mobilização e da Desmobilização Nacionais.Requisitos para a Estrutura do Sistema Nacional de Mobilização Entre os requisitos que a estrutura do Sistema deve saƟsfazer. Em situação de emergência. As ações variam de acordo com a natureza e a intensidade dos óbices. Os órgãos integrantes de Sistema Nacional de Mobilização devem constituir verdadeiros núcleos de subsistemas capazes de serem rapidamente acionados no caso de decretação da Mobilização Nacional. para possibilitar o estudo e o planejamento das providências a desencadear na Execução da Mobilização e.

1.disseminar orientação doutrinária. nos diversos níveis do Sistema de Mobilização. a saber: ..Fase de Orientação. Estadual e Municipal. Psicossociais. baseado em normas. A Doutrina Básica e a PolíƟca Governamental de Mobilização Nacional servirão de base à elaboração dos documentos.Âmbito Nacional As atividades da Mobilização Nacional se exercem de forma integrada nas várias Expressões do Poder Nacional e nos diversos setores administraƟvos das esferas Federal. devem estar sob uma única direção central. . princípios e métodos preconizados por uma Doutrina Básica de Mobilização Nacional (DBMN). que assegure convergência de esforços na uƟlização do Poder Nacional. As principais finalidades do ciclo de planejamento são: . 121 .Ciclo de Planejamento da Mobilização Nacional O ciclo de Planejamento da Mobilização Nacional abrange os procedimentos necessários à elaboração dos planos.integrar e coordenar os órgãos envolvidos no Sistema Nacional de Mobilização. A Fase de Orientação é aquela em que o Órgão Central do Sistema formula a PolíƟca Nacional de Mobilização e da qual decorrem a Doutrina Básica de Mobilização Nacional e a PolíƟca Governamental de Mobilização Nacional. com aƟvidades bem específicas. O ciclo de Planejamento da Mobilização Nacional comporta duas Fases. e . em nível setorial. Militares. . Econômicos.Fase de Elaboração de Planos. Deverá haver um órgão no mais alto nível do ExecuƟvo encarregado de planejar e gerir a Mobilização. conceitos. e . Cienơfico-Tecnológicos. sendo influenciadas por um complexo de fatores PolíƟcos.Unidade de Direção As aƟvidades de Mobilização Nacional.5.3 . com poder decisório capaz de compaƟbilizar o atendimento das necessidades mínimas da vida nacional com as exigidas pela Defesa Nacional.Alto Nível O Órgão Central do Sistema Nacional de Mobilização deve situarse no mais alto nível governamental.

PolíƟca Governamental de Mobilização Nacional (PGMN).Diretrizes e Instruções (DI) aos Órgãos Subordinados. nos diversos níveis do Sistema Nacional de Mobilização. Os planos devem ser dinâmicos. em todos os níveis. e . .Diretriz Setorial de Mobilização Econômica (DSME). dando origem aos Planos Ministeriais de Mobilização. os diversos Ministérios estabelecerão diretrizes para os órgãos subordinados. . Em decorrência da orientação recebida.Diretriz Setorial Cienơfica e Tecnológica (DSCT). em consonância com os documentos emanados do Órgão Central. referente. Estes. e . Após exame e aprovação.Diretriz Setorial de Mobilização Psicossocial (DSMPs). portanto. poderão.Diretriz Setorial de Mobilização da PolíƟca Externa (DSMPE). concorrentes ao Preparo da Mobilização Nacional. poderão ser elaboradas Doutrinas e PolíƟcas. . . A Fase de Elaboração de Planos segue-se à conclusão da Fase de Orientação. na medida em que as necessidades sejam atendidas pela LogísƟca e pela própria Mobilização. .outra. contendo o elenco de ações a serem desencadeadas após a decretação da Mobilização Nacional (parcial ou total).Diretriz Setorial de Mobilização da PolíƟca Interna (DSMPI). Cumpre pôr em relevo o aspecto dinâmico que deve caracterizar os Planos de Mobilização. desde os níveis inferiores da estrutura sistêmica. serão consolidados pelos Órgãos Superiores. ou seja. à Execução da Mobilização Nacional.que resultarão nas Diretrizes Setoriais de Mobilização. Planos Setoriais de Mobilização e. Em síntese. deverão conter duas partes básicas: . Os Planos de Mobilização. . a fase de orientação da Mobilização concreƟzar-se-á com a elaboração dos seguintes documentos condicionados pela Doutrina Básica de Mobilização Nacional: . Deve-se enfaƟzar que. periodicamente atualizados e elaborados para cada HE.Diretriz Setorial de Mobilização Militar (DSMM). . também.uma relaƟva às medidas a serem adotadas durante os tempos de normalidade da Nação. o Plano Nacional de Mobilização. baixar diretrizes e instruções aos seus elementos execuƟvos subordinados. aƟngindo o vérƟce do Sistema. com delineamento de novas ações. 122 . por sua vez. em senƟdo inverso do observado na Fase de Orientação.Diretrizes Ministeriais de Mobilização (DMM).

para não causar graves prejuízos à vida nacional. em boa parte irreversíveis. de forma prioritária.Seção 2 Desmobilização Nacional 2. sendo essa antecipação de grande relevância para o retorno à normalidade da vida nacional. Nas Expressões do Poder Nacional. uma vez cessados ou reduzidos em sua intensidade os motivos determinantes da Execução da Mobilização Nacional. o que é impossível. empreendidas e orientadas pelo Estado visando ao retorno gradaƟvo da Nação à situação normal. para a Defesa Nacional. pois estaria limitando aqueles destinados ao Desenvolvimento. ficavam orientadas para o apoio às ações estratégicas de Defesa. terão ocorrido grandes desgastes. A partir desse estágio é que será retomado o esforço de Desenvolvimento. a figura da Desmobilização Nacional . porque o Estado não poderá manter. passa-se às providências relacionadas com o retorno da Nação à sua existência regular. desde logo. não se entenderá por isso uma simples volta a condições anteriores à Execução da Mobilização. 123 . a par de significativos avanços. conceituada como: Conjunto de aƟvidades planejadas. sobretudo na área científica e tecnológica. dessa forma. Quando a evolução da situação permite. parƟcularmente para estrutura e infraestrutura da Nação que.1 . O conflito terá deixado profundas repercussões. Com os prenúncios do fim da situação que determinou a Execução da Mobilização Nacional. até então. que devem ser planejadas e preparadas desde a situação normal.Introdução Cessados ou atenuados os motivos que determinaram a Execução da Mobilização. A Desmobilização Nacional deve ser efetuada gradaƟvamente. Surge. os recursos do Poder Nacional voltados. em ritmo compatível com os meios existentes. permanentemente. Evidentemente. algumas medidas de Desmobilização Nacional devem ser tomadas. a Nação deverá retornar à condição de normalidade.

. . quando possível. e reconversão de indústrias de interesse militar. aos incapacitados.Expressão Política . e . Portanto. devem ser 124 .suspensão progressiva das restrições à liberdade individual e coleƟva. principalmente ao término das hostilidades. financeiros e materiais.2 .Expressão Cienơfica e Tecnológica . . apresentando-se com aspectos peculiares. reintegração da força de trabalho às condições normais: amparo aos desincorporados. Da consideração de todas as ações. Isto decorre da dificuldade de antever as medidas a serem adotadas.Embora tratada globalmente.Expressão Psicossocial .reavaliação da programação na área de pesquisa militar. 2. com base no planejamento integrado desta. . e . readaptação da estrutura políƟcoadministraƟva para o restabelecimento da normalidade políƟca.reconversão das aƟvidades produƟvas ao ritmo normal e absorção dos excedentes de produção.Expressão Econômica . em especial.redução gradativa do esforço adicional em pesquisa e desenvolvimento de novos “Sistemas de Armas”.Expressão Militar . Assim. liberação de restrições de aƟvidades civis colocadas sob controle militar durante a emergência. em situação normal. para garanƟr a segurança imprescindível frente aos novos e eventuais problemas que possam ocorrer.redução dos meios às proporções compaơveis com as exigências da Defesa Nacional. para setores do Desenvolvimento Nacional. deverão ser consideradas como principais ações para a Desmobilização Cienơfica e Tecnológica: . acima alinhadas. também a Desmobilização Nacional interessa a cada uma das Expressões do Poder Nacional.Planejamento da Desmobilização Nacional O Preparo e a Execução da Desmobilização Nacional são complexos. Seu processo deve ser dirigido pelos mesmos órgãos encarregados da Mobilização Nacional. como sejam: .engloba também vários setores da vida nacional e deverá ser conduzida de modo lento e gradual. A amplitude da Desmobilização Nacional depende da estrutura mobilizada ainda a ser manƟda.redirecionamento de recursos humanos. refluirão os condicionamentos da intensidade e do ritmo da Desmobilização Nacional.criação de um clima interno favorável à retomada da normalidade.

a ser uƟlizado somente nas situações de emergência de grau excepcional. descuidar dos aspectos que envolvem a Segurança da Nação. com antecedência. provocando ondas de violência inéditas em diversas áreas do mundo.atuação sobre o Poder e o Potencial Nacionais. esƟmulando o progresso. No entanto. a Ciência e a Tecnologia avançam rapidamente. em beneİcio do Desenvolvimento. os conhecimentos necessários à preparação. Seu desencadeamento consƟtui séria e delicada decisão do Governo.caráter excepcional. os conflitos se sucedem. funcionando segundo modernas técnicas administraƟvas.Conclusão Nos tempos atuais.inserção no contexto da Segurança Nacional. portanto. inclusive nas aƟvidades privadas. em virtude das suas caracterísƟcas. em condições saƟsfatórias. deve ser encarada como recurso extremo. O Sistema deve promover a plena interação dos diferentes órgãos responsáveis pela Mobilização Nacional e examinar o equacionamento 125 . a Mobilização Nacional requer uma organização consƟtuída por estrutura sistêmica adequada. dentre as quais convém destacar: . Isto porque o ideal do Bem Comum. Como a Execução da Mobilização Nacional interfere profundamente em todos os setores da vida nacional.coerentes com o Planejamento e com os respecƟvos Planos de Mobilização Nacional. . propiciado pelo Desenvolvimento. superando todas as expectaƟvas.compulsoriedade das medidas. . sendo imperioso desƟnar-lhes consideráveis parcelas de seus esforços e recursos. A realização do Planejamento da Desmobilização trará.3 . Não se deve. Os esforços e recursos desƟnados à Defesa redundarão. . do retorno à normalidade. 2. Para o desempenho de suas complexas aƟvidades. A eficiência das medidas de Mobilização será um fator preponderante para aƟngir os objeƟvos almejados pela Nação. não poderá ser aƟngido. sem a garanƟa proporcionada pela Segurança. quer direta ou indiretamente. certamente. e . também.prazos críƟcos. obƟda pelas medidas e ações de Defesa.

dos problemas que ela abraça em todas as Expressões do Poder Nacional. cujos Órgãos serão responsáveis pela elaboração e implementação das aƟvidades do Preparo e da Execução da Mobilização e Desmobilização Nacionais. a Mobilização Nacional se consƟtui em importante fator de dissuasão. capaz de influir no ânimo belicoso dos possíveis inimigos fazendo-os vacilar à vista das condições de preparo da nação para revidar a qualquer agressão. dentre suas caracterísƟcas. A Mobilização Nacional é. portanto. Aprovada a Lei da Mobilização Nacional. diante de uma emergência que afete gravemente a Nação. instrumento de alta valia para fortalecer o Poder Nacional e para garanƟr seu adequado emprego. MOBILIZAÇÃO . Finalmente. estará também criado o Sistema Nacional de Mobilização Nacional (SINAMOB).SEGURO DE VIDA DA NAÇÃO! 126 .

Urca . João Luís Alves.RJ CEP 22291-090 . s/n .www.Este documento foi impresso na gráfica da ESCOLA SUPERIOR DE GUERRA Fortaleza de São João Av.br 127 .Rio de Janeiro .esg.

Brasil www.br . RJ. por Estácio de Sá.esg.E-mail: esg@esg. de 20 de agosto de 1949. em especial nas áreas da Segurança e da Defesa.ESCOLA SUPERIOR DE GUERRA A Escola Superior de Guerra . na várzea entre os morros Cara de Cão e Pão de Açúcar. Rio de Janeiro.br . criada pela Lei nº. A Fortaleza foi mandada construir. os aspectos relativos à Defesa Nacional e ao Desenvolvimento Nacional. João Luís Alves s/n Urca .ESG -. Funcionando como centro permanente de estudos e pesquisas. também. destinados a contribuir para o desenvolvimento do conhecimento e da metodologia do planejamento e da ação . 785. A ESG desenvolve estudos sobre política e estratégia. e destina-se a desenvolver e consolidar os conhecimentos necessários para o exercício das funções de direção e para o planejamento da Segurança Nacional. compete ainda à ESG ministrar os cursos que forem instituídos pelo Ministério da Defesa. subordinado diretamente ao Ministro de Estado da Defesa. considerando. A ESG se localiza na área da Fortaleza de São João. e marca a fundação da cidade do Rio de Janeiro. em 1565.políticas e estratégias -.Fortaleza de São João 22291-090. é um instituto de altos estudos. no bairro da Urca. Revista da Escola Superior de Guerra Av. Rio de Janeiro.