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Ditlnha nasceu em Puribi, no interior de ^ ^ F e n z ^ r t m n ã ^ a l z q u ^ n ã ^ e ^ N a õ ^ M S e m São Paulo. Tinha doze irmãs ("acho que foi por causa da pobreza, o que falta mesmo é um por isso que comecei a desmunhecar"), que a amor. Se conseguisse, ia ser a melhor dona de vestiam de mulher, pintavam, brincavam com casa do mundo, largava o palco e ia ficar em ela, de comidinha, casinha e costureira. Diti- casa, cuidando da roupa dele, fazendo comida nha se chamava Benedito e, aos oito anos, e ajeitando a casa. A vida tem bons momentos, quando perdeu a mãe, era um menino pobre, sentencia, mas duram muito pouco. Como quanfeio, preto, que a molecada do lugar já gostava do, ao ir ao Rio de Janeiro pela primeira vez, de gozar: "eu saia na rua e era um tal de todo para participar, como convidada especial, de um mundo fazer ai ai, ui ui e de me chamar de espetáculo de Caetano Veloso ("uma glória!"), florzinha, coisinha..." O consolo de Ditinha Ditinha foi presa na rua e passou a noite na era a paixão por Antônio, o filho de um fazen- delegacia, sem ter feito nada de mal, só porque deiro, com quem conviveu intimamente ("O meu estava parada na calçada da Cinelàndia, quando primeiro e único amor") até que ela deixasse o carrão passou. a cidade. Ditinha foi excelente estudante e tem, na As circunstâncias em que Ditinha abando- bolsa, a caderneta com suas notas de ginásio. nou o chamado hinterland foram trágicas: o Gostaria de ensinar história, mas não vê jeitp pai surpreendeu-a em plena imitação de Car- de concluir nem mesmo o colegial. Sua vida é mem Miranda e apontou a porta da rua. Ne- trabalhar e, nos fins de semana, ir à boite Danhy nhuma das irmãs intercedeu e. aos quinze anos, e passear pela avenida São João, onde diz que, Ditinha passou a viver no meio dos matos, de- de vez em quando, "aparece cada coisa marabaixo dos pés de jabuticaba, apanhando fruta vilhosa e eu vou logo dizendo, vem cá, com a do quintal dos outros e roubando pão, de ma- m a m ã e . . . " Não tem vontade de se operar, se drugada. Foi ai que pintou a idéia de ir para tivesse dinheiro ia montar um canto e deixar São Paulo: "uma cidade grande, onde eu ia o teatro, onde mora mal e de favor. Fossa? De poder me soltar, ser eu mesma". vez em quando. Até que Ditinha é otimista: Essa mania de ser ela mesma prejudicou bas- -se eu for dar bola prà tristeza, não penso em tante a vida na cidade grande. Durante quatro outra coisa, meu bem. Já pensou o que é ouvir, meses ninguém quis lhe dar emprego e, morando como eu já ouvi, nem sei quantas vezes, as na rua, nem banho Ditinha podia tomar. Um pessoas dizerem que têm nojo de você?" dia, montou banca de engraxate e começou a (José Antônio Nonato) trabalhar. Mas logo descobriu que até os sapatos sujos tinham lá sua discriminação e nunca escolhiam Ditinha para limpá-los. A solução Si he muerto y no me he foi pedir emprego a uma senhora conhecida, uma mulher caridosa, que empregou Ditinha dado cuenta a quién le prepara fazer todo o serviço de casa, a troco de gunto la hora? morada e comida, sem pagamento. Mas foi uma época feliz, "eu me vestia do jeito que queria, trabalhava cantando e imitando a Dalva e a Angela Maria, ela nem ligava piás minhas pintas e prás minhas fechações". "< Q . & S J " í> Foi nessa época que Ditinha resolveu estudar. Procurou muito achou um ginásio que a aceitou. E onde, -nos dias de prova, de festa, os dias importantes", aparecia gloriosa, de mulher. Pena que, quando acabou o ginásio, não 5 & % 3 „ houve cursinho que aceitasse matricular Ditinha, com a mania de ser ela mesma. A essa altura, já tinha largado o emprego de doméstica e trabalhava, entre rosas e camélias, numa floriculs ap tura da avenida São João. E, quando a flori8 38 cultura faliu, Ditinha atravessou a rua para ^3* pedir emprego no Teatro das Nações, onde mora c S ül o „ até hoje e onde tem o orgulho de dizer que co- « P3 CD i-i t?» Q, meçou nas funções de zelador para galgar, passo O p > a passo, o difícil caminho da vida artística, pois, agora, é uma das estrelas do espetáculo "As G i - . — P m goletes". I » $ ° Sobre os homens, Ditinha é reticente: •Hoje em dia, meu bem, é muito difícil en- •—o & 3 O" Í T > V ? contrar um homem, homem mesmo. De vez O . § * B 3 > 0 3 co ~ C D 3 5 em quando, eu aceito um convite e saio com um o rapaz ou outro. Eles chegam, cheio de machi- 2 - » U I & CD ces, na hora agá, meu bem, nem te conto O C Vi C D > CD > — Com homem que desmunheca, Ditinha não X * 3 O sai, -mulher, chega eu..." Seu tipo preferido t/2 B 3 í/3 tem entre 25 e 30 anos, é moreno e tem, o que O Ü 9 t/2 C D O tQ ela diz com os olhos brilhantes, -um corpão". 3 C A situação de inferioridade da mulher preocupa Ditinha, mas, em sua opinião, as coisas estão 2 fí- o co S 0 3 5. melhorando, porque -agora nós já trabalhamos rtP>. & ^ g. e os homens não utilizam mais a gente". O C D CO CO
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ESPERANDO OS VIETS
Os Estados Unidos e demais países industrializados fecham as portas de suas fábricas e despedem empregados por causa da crise de capital. Apenas uma industria não conhece essa crise: a de armas. O comércio internacional de armas tem crescido vertiginosamente: entre 1952 e 1969, a venda nos Estados Unidos passou de 300 mil a 5 milhões de dólares. No ano passado, o número já havia subido para 18 milhões. Os Estados Unidos exportaram até agora, a 74 paises, a soma de 22.800.000 de dólares em armas de todos os calibres Durante a "guerra fria" dos anos 50, os compradores mais entusiasmados foram a Alemanha Ocidental e a Coréia do Sul. Depois, passou a ser o Vietnã do Sul. Finalmente, Israel, os países árabes e, claro, os militares gregos. A freguesia vai mudando conforme os conflitos ditados por uma esperta diplomacia.
Perto da autoestrada do sul, dei carona a um rapaz. Cabelos compridos, calça Lee puída, um casaco verde do exército americano, tinha o ar decidido do homem que sabe para onde v a i . Pergunto: — Você vai prá onde? — Menton. — Não posso ser muito útil, eu paro em Nemoura. Mas não é difícil ir de lá até Menton. Você está de férias? Não queria ser indiscreto. Mas ele tinha vontade de falar e a conversa passou depressa, não sei como, para o Vietnã. Ele me explicou que no Cambodge e no Vietnã a revolução estava quase feita. E u admiti que os comunistas estavam mesmo ganhando nestes dois países. - E o Laos? Você acha que aquilo dura muito tempo? Os exércitos dos dois Vietnãs reunidos dão mais de três milhões de homens. O Laos não agüenta uma semana". Eu admiti que se o novo Vietnã quisesse, o Laos n ã o teria, realmente, muito tempo. - E por que não ia querer? — saltou meu interlocutor. Um exército revolucionário foi feito prá fazer a revolução". Eu disse que esta idéia era freqüentemente admitida. Ele puxou uma esferográfica do bolso e continuou. •Veja a fronteira entre uma Indochina comunista e a Tailândia. Imensa. Indefensável. Um piparote e tudo aquilo cai. Você acha que o Congresso dos Estados Unidos vai mexer uma palha p r á defender aquele governo? O Bangla

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Moderníssimo método de tortura acaba de ser introduzido em várias clínicas americanas, após uma série de experiências^ em prisões e hospitais psiquiátricos para criminosos. Trata-se da terapia por aversão (aversion therapy). A nova técnica está ligada às pesquisas do chamado " Compor tamentalismo ", do cientista Burrus Skinner — cuja teoria domina o ensino de psicologia nas faculdades dé todo o mundo ocidental. Consiste em aplicar no paciente uma dose de Anectina, remédio que paralisa os músculos e a respiração por quase dois minutos. Nesse espaço de tempo, o médico facilmente convence o paciente de que a sufocação e a paralisia são causadas por suas tendências destrutivas . — e ameaça repetir o um para chegar a sentir tratamento se ele insistir vontade de vomitar. em suas atitudes. As A terapia foi prevista por experiências foram feitas .Anthony Burgess, em • com fumantes, alcoólatras, "Laranja Mecânica", filme viciados em drogas e que ainda não tivemos o homossexuais. O sucesso gostinho de ver. foi total, em muitos casos. Perguntamos a um Um homossexual ficou psiquiatra brasileiro: tão curado, que hoje nem * Isto vem para o Brasil? pode mais ver homem. — — Vem, tudo vem — Basta apertar a mão de disse ele.

NOVA DROGA PARAL1ZA E FAZ VOMITAR.

Ben Turpin. Ilustração chupada do Bondinho o

Com Anectina

e m p r e g a d a doméstica. e x .Dona Maria C o n c e i ç ã o da Luz. 46 a n o s . sua íamília está muito• preocupada. DEVOLVA MEU FILHO O moço Ademir. Ademir. pare com isso rapaz. acha pecaminoso a t é abra çar a própria mãe! Surrou as irmãs com uma borracha porque elas usam calça comprida! Ei. moradora'da A c l i m a ç ã o .o p e r á r i a faz um apelo neste depoimento prestado ao repórter Dacio Nitrini SEU PLÍNIO. . depois que entrou para a TFP.

Ele evita falar com a gente. se aprofundando para tentar chegar lá mas não dá. Jr. Entã o eu dei um aperto e apareceu outro que disse que ele tava em outra casa. Polé. Ele respondeu para mim: Mãe. mas devo tudo para esse homem aqui porque foi ele quem me deu educação". eu que era a m ã e dele não podia por a mão nele. mas ser alguém de nome porque você estava estudando. foi embora com um terço desse tamanho. pegou uma borracha e falou para elas: — "Vocês. eles iam junto para a escola. Ele ensinava os meninos a tocar cavaquinho. eles falam que não está e fecham a porta. ele pegou as três meninas. r. Ele fugiu da família. eu guardei esse blusão aqui porque a gente pagou o ginásio para você ali. (Rua Guaianazes. E ele saiu também.. mas não podia por a mão nele que era pecado. que eles usam na m ã o . Quem demorar mais para tirar. Teresa Caldeira. n ã o querem pessoas de fora. Nelson Blecher. conheceu um moço que tava na TFP. Administração: ARMINDO MACHADO Publicidade: PAULA PLANK EDITORES: Marcos Faerman. Eu falei pode ir.. pode ser a t é uma criancinha que é senhor. eles recebem instrução para n ã o olhar. 248. Ele pergunta para as meninas se elas gostam de m i m . Acho que eles não olham ninguém. Santo Antônio. Só vamos saber mesmo quando sair alguém lá de dentro. não têm atenção para outras pessoas. Plínio — é um senhor velho — beijou e guardou no bolso. ele e mais alguns.o 1.00. onde fosse. G u i lherme Cunha P. não bebia. Quando ele chegou e me viu disse: "Olha. Lá na T F P ele é faxineiro. não estuda mais.. diz que é muito rica a chácara lá de Itaquera. Oscar Cintra Gordinho. eu sou sua mãe. nem que seja a mãe. ele não acha graça em nada. Mareei Faerman. a t é tenho fotografia. Quando eu v i aquilo e senti. ele não suporta. outro é advogado. batem o pé um para outro e chamam qualquer pessoa de senhor. agora. Tirar a meia perto de uma pessoa é pecado se voce tira a camisa perto de uma pessoa e pecado. mudando até que ele ia todos os dias lá na Catedral confessar e comungar. Perclval de Souza. j á estava mudado. não gosta. Ele me falou assim: " A senhora gostaria de me ver usando hábito? Eu respondi. Falei brincando e ele não achou graça. Que tém que ter o varredor de rua.. Ex-Editora Ltda. a maior parte mora por ali mesmo. vão vestir essa roupa.. quando chovia ele vinha buscar. eu falei para ele que era m ã e do Ademir. que machucou todo o braço. ser médico. que fazia tanto tempo que tinha saído de casa e eu sabia que ele tava l á . Ele mandou eu voltar no outro dia e consegui falar com meu filho. que tem que ter o porteiro. que sou isso. . Ele saiu para o quintal. que tem que ter o faxineiro. sabe? Todos os domingos o professor dava aulas para ele ir confessar e comungar. Agora eles estão com uma santa. 46 — SP. Acho que agora na T F P . O Bruno tinha um carro. Aí falei assim: "ó Ademir. chegava em casa e não queria que as irmãs pusessem calça comprida. ví no jornal.. Esse senhor professor mora lá no Largo do Cambuci com a senhora m ã e dele. todos estudados. não fumava. Eu falei que j á sabia o que era. a polícia n ã o faz nada. tomava o copo de cerveja dele. tinha umas meninas que também estudavam com eles. ou então queria me ver tomando tóxico ou senão agarrado com umas prostitutas. sabe? Todos morando por ali mesmo. Cheguei lá e duas senhoras velhas mandaram eu entrar. Luis H . Edgar Vasques. meu irmão sempre dava ü m dinheirinho para ele — meu filho n ã o fuma nem bebe — mas meu irmão sempre dava um dinheiro para ele. Eu não n ã o sei por que. dá que eu vou queimar esse blusão porque isso é coisa do capeta". Éu falei para ele: "Você n ã o tinha dinheiro. Pharaó. minha m ã e n ã o estava em casa. no Ipiranga. Todos os domingos ele começou a ir na igreja lá perto da casa da minha m ã e . será que nem eu posso te abraçar. Em frente de onde ele mora tem uma colega de infância dele. Joca Pereira (arte) COLABORADORES: Alexander Solnik. estranhou.. porque quando ele pegou você. com tanta dificuldade. me informando. ele viu aquele rapaz todos os dias e tocou ele lá da Igreja. Só sei dizer que entreilá um dia e tem um pavilhão bem grande com muitos rapazes. num hotel. Ele se dava muito com meu irmão. apanha mais. gente do interior que chegava. sob n. tinha dezoito anos. comprei um violão que tenho guardado a t é hoje. ser o que quisesse". ARCHIVO E PRODUÇÃO Luiz Carlos Guerrero. Sandra Nitrini. Um dia ele deu um p o n t a . Eles perderam a amizade. Foi assim que eu perdi meu filho. Tiragem: 17 mil exemplares. que limpa. jogou álcool e pôs fogo. apanha menos. Tem bastante. que quis guardar esse blusão como lembrança". que ele pagava tudo e que se ele quisesse morar numa pensão. porque assim "você era igual aos outros. E l a me disse que o Ademir j á reconheceu çla mas n ã o olha para ela. quer dizer que para ele n ã o tem família. "você não deve nada a ele. tudo para ele ficou sendo pecado. E l a não é do Brasil. não chegou a quebrar. A primeira vez que fui na T F P e perguntei por ele. qualquer um. . Me assustei e perguntei: "Ué. faixas. A última vez que eu ví o Ademir foi na T F P . o irmão. Cláudio Faviere. de grau mais baixo. Todos sabem essas lutas: o Ademir parece inclusive que dá aulas de caratê lá. n ã o dava mais. o tal professor que desencaminhou ele mais o Bruno. um usava a roupa do outro.' Moacir Amâncio e Nonato. um dia poderia ser advogado. . era só dizer o quê e onde. que tem que ter todas as classes.. na outra sede. você era um moço estudante. ele não olha assim para os olhos dos outros. e ele fica quieto. os moleques todos escrevem uns nas costas' dos outros. quer chegar mas não d á . A gente n ã o consegue descobrir o que é. Você vai lá na sede e vê muitos morando lá. O homem pôs na cabeça dele que ele n ã o não poderia estudar porque tem que ter a classe pobre que varre o chão. acho que ele acha que eu sou mulher à toa. Passam perto um do outro e fazem que nem soldado. se vai dormir e tiver alguém no quarto ele n ã o vai. Um dia mostrei o blusão do Liceu Siqueira Campos. e vinha um senhor de carro buscar para eles tocarem por a í . Eu falei puxa vida. Miltainho. . estou em cima da hora e agora vou fazer uma coisa muito importante". Semana Santa. aí chegou um senhor de moto. tinha um conjunto..341 — P. entende? Não dobram as mangas da camisa perto da família. meu irmão viu e correu a t r á s deles. Saímos nós três. atacou mas não acontece nada. Elas respondem que é lógico que elas gostam. Ele nem pergunta por mim. José Antônio Severo. E m casa ele r a um rapaz comum. O pai dele foi diversas vezes lá e foi m a l recebido. Distribuição nacional: Superbancas Ltda. ele pegou e me empurrou. mas um dia você poderia ser alguém.nto (redação). Vitor Vieira. U m entrava outro saía. Eu falei que não. Faz tempo. Ess professor parece que depois expulsaram ele do colégio onde lecionava. Sabe. um tipo de um quartel. Só o meu filho. eu as Irmãs dele. gordinho. Mas daí o padre se escamou. ele falou para mim que o D r . quando ele começou bem mesmo n a TFP. que é pouca coisa mais velho que ele. elas tiraram as calças e deram. Porisso eles não se falam mais. e eles iam acampar lá em Itaquera. João Antônio. parado. Mário Paiva Jr. Quando foi um dia. um dinheirinho. Um dia eu estava atacando a T F P e ele me mostrou a fotografia do Dr. Todos de família. um j á é engenheiro. i g u a l " . o Bruno. eles não querem mostrar nada do corpo. sou sua mãe. U m dia. dizem que é uma santa muito milagrosa.. E parou. lá em São Bernardo do Campo. FOTÓGRAFOS: Domingos Cop. vão tirar essas calças compridas. . não encaram as pessoas. que é velhinha. pintado. só falando em Santo so falando em Deus.. Hamilton Almeida Filho (HAF). Aí que eu ví que ele j á t a v a . eles vão fazer uma procissão e estão vendendo um santinho dela por Cr$ 10.p é na irmã dele na Miriam. que o pai pagava.odos os domingos tinha um quarto vazio onde ensaiavam para tocar num bailinho da vila ganhavam corbeille de flores. A gente fica interessada. pode ir porque nunca mais volto aqui. se aprofundarem mais. Mas demora muito. Lúcia Villar. se ele estiver deitado no quarto. Fiquei num lugar que tinha escrivaninha e a máquina de escrever dele. mas muitos mesmos. eram amigos inseparáveis um do outro. e foi levando ele. andava de hábito". peguei e dei um abraço rápido nele. T. para ir para uma chácara que a T F P tem lá em Itaquera. Vanira Codato. tudo para ele era pecado. não pode vê-lo. Mariangela Quintela Medeiros. todos gostavam de você" Ele ficou bravo e falou: " A senhora queria me ver com um copo na mão dentro de um bar. que está louca para falar com ele. daí ele mudou pra outra e foi mudando.. F u i lá na T F P e falei para ele. n ã o ser rico. ninguém o conhecia. E u falei que era meu filho. Ele não olha.. que n ã o e e e adiantava. meu filho. ele fica olhando para o lado. Lucrécio Jr.era um rapaz educado. r. não pode nem passar. Tem o de grau mais alto. Ele mudou. que estudava junto com ele e que tinha uma perna mecânica. dava aulas. ele j á virou santo?" Ele me respondeu "Não. e REFÓRTERES: Dácio Nitrini. ele começou a bater nas meninas. Palmério Dória Vasconcelos. 209/73. a m ã e gosta de chegar perto do filho e abraçar. ela veio de avião. parece um quartel." Então ele ficou no quarto. um tal de Orlando saiu. . e que queria falar com ele. ninguém se importa com eles na rua. Cyntia de Almeida P r a do.está assentado no Cadastro da Divisão de Censura de Diversões Públicas do DFF. Depois. Comprei uma guitarra para ele. Vilma Grysinski.. Dai o pai disse para eu dizer para ele que se ele quisesse voltar a estudar. assim assim. mas machucou. serve de garção. Eram quase seis horas.. tudo. fazem continência. E l estava mesmo mudado. onde ele tirou o ginásio. SP). posso até te dar banho. Dai ele respondeu para mim: -'eu não vou mais estudar porque os estudantes são todos uns satânicos". Eles ficaram mocinhos juntos. porque desviou muitos rapazes para a T F T . No dia do aniversário dele. todos com o seu diploma. Plínio deu umas aulas para ele e disse que tem que ter todas as classes. hora da ave-maria. na casa da minha mãe. É isso que a senhora quer?" Eu respondi que queria e a t é gostava. que não deu tempo e não chegaram a terminar o curso. que sou aquilo. conversar. Hermes Ursini. Quem tirar mais rápido. coisa assim. eu fui me informando. Delfim Fujiwara. O Bruno era um tipo assim bonitinho. Eu gostava. mas o Bruno j á era c}a T F P . eu estava conversando com ele. Depois inclusive o professor de religião começou a virá-lo. ele pedia algum dinheiro (ele não trabalhava). lá n a rua Agostinho Gomes. Impresso nas Oficinas do Jornal Paulista. era coisa de religião. Quando chegava Carnaval. quando andava pelo mundo. uma santa que fala. os que subirem mais. acho que é a Nossa Senhora de Fátima. 1043 — SP NENHUM DIREITO R E SERVADO Ex. . Aí eíe ficou só pensando na religião.Ele. Paulo Moreira Leite. Marli Salvino de Araújo. Edinilton Lampião. fazem desenhos. a t é que um dia a gente falou para ele ficar de vez na T F P . A última vez que fui pedir para estudar. Todos que estão lá na sede. Outro dia dei um chinelo para ele e ele me disse: " A senhora acha que vou andar de chinelo?" Nem o pé! Eles não podem tirar a meia perto de ninguém. Moisés R a binovich. eles estavam fazendo uma campanha com bandeiras. outro é médico. Maia Fruet. sabe o que é um quartel que tem bastante gente? Era assim. mas como é que é isso? Ele me respondeu: "Lembra-se do São Francisco. todos estudados. ele também j á é um senhor. Ele vem visitar minha m ã e de vez em quando.

S E £ Temos longa tradição no ramo.flDOS CLASSIFICADOS CLASSIFICADOS CLASSIFICAD Kor Jim H ouga m m LASSIFICADOS ESPIÕES A L U G A . Principalmente w hington as I I INTERTEL L J . contamos com firmas importantes como a ITT. Entre nossos clientes. Toronto ou Washington. /Chame a Intertel. Londres. nas Bahamas.

mas a de seus clientes. seu guarda-roupa é suficientemente espaçoso para acomodar 148 m i l capas e. não faz suas operações na dependência da disponibilidade dos milhões de dólares oferecdios pela indústria privada — embora McCone devesse saber disso. As controvertidas relações da família Nixon com Hughes. O clima é surrealista. empenhava-se em transformar uma ilhota chamada Hog no Mônaco do Caribe. a comunidade da inteligência é ampla e cresce cada vez mais. além de filiais em Londres. economia. A Intertel protege informações secretas. contribuído para a destruição política do ex-presidente. Não se sabe se Lansky os deu. muito mais. durante a última guerra no Oriente Médio. Cartas para "Mancha Negra". rival dos Bay Street Boys. cujos diretores temiam ofender seus sócios e anfitriões árabes. A comunidade da inteligência. bancos de investimentos. Hartford vendeu quase todos os interesses de Paradise Island à Mary Carter Paint Company a firma que se tornaria a Resorts International. Tom Mc Keon. enquanto outros insistiam no irmão de Rose Mary Woods. E faz mais. O cassino de CLASSIFICADOS CLASSIFICADOS CLASSIFICADOS CLASSIFICADOS CLASSIFICADOS CLASSI . sugeriam a possibilidade de revelações embaraçosas para o presidente. quando n ã o pôde abastecer seus navios diante da recusa de uma companhia petrolífera supostamente "norte-americana".cria -sistemas de inteligência" industrial contra a espionagem neste ramo. Um segundo motivo para a emergência das organizações privadas de serviços de inteligência é o fenômeno das multinacionais. John McCone. Toronto. Durante grande parte de sua história recente. Para salvar sua posição. vice-diretor de segurança do Departamento do Estado. pelo menos indiretamente. as propriedades de Gro. Referências"J. Mais que nunca. fornece "investigações eletrônicas defensivas" para saber se o seu cliente tem microfones ocultos no telefone ou escritório. Agência de Segurança Nacional. tantos espiões e contra-espiões. man. de forma geral. mas e se o equipamento do códigos e criptogramas resultante for usado para arruinar a economia ou subverter as instituições políticas de outro país? Os -analistas' são responsáveis? r CONFUSÃO NO PARAÍSO A Intertel nasceu no fértil solo geopòlítico das Bahamas. Caulfield tramou a Operação Sand Wedge. entre outras coisas. Seja qual for seu tamanho exato. com os controles governamentais por estes impostos e com o público. Em parte para combater a organização privada. Estado e as divisões de inteligência do Exército. Hartford não conseguiu nenhuma delas. uma espécie de análise econômica e político¬ -social que lhe dirá. advogado cujas atividades particulares nada sofriam com seu serviçop úblico como ministro das Finanças e do Turismo. Marinha. playboys. A empresa não fornece sua lista de clientes. ponto-chave do império financeiro de Groves. As Bahamas eram uma alternativa razoável para substituir Havana. Lugar ideal para o aparecimento de uma agência tipo -missão impossível". como o Serviço de Imposto de Renda e o Departamento da Justiça. jornais. Sands também conseguiu as licenças para que fosse permitido o jogo em Freeport. fetões. o excêntrico magnata dos secos e molhados. impressas ou na cabeça de um empregado. e logo depois conseguiu a licença para o jogo e a ponte. as multinacionais precisam se virar sozinhas. se o lugar onde você vai instalar sua indústria tem estradas de ferro em número suficiente ou muitos comunistas. processamento de dados. porém. c a . o famoso gangster da Mafia. engenharia de sistemas é ciências do comportamento. tudo indica que a tendência do país para a tecnocracia impõe uma equivalência mais completa entre informação e poder. um f i nancista canadense que pediu dinheiro aos bancos e conselhos a Meyer Lansky. americano. o capitalismo de canhoneira seguiu o mesmo caminho da d i plomacia de canhoneira: nos altos negócios. existe uma relevância particular na constatação de que sua própria existência parece ter lançado uma sombra de paranóia sobre Richard Nixon — e. um agente da Casa Branca. freqüentado por vigaristas. que o governo emprega pelo menos 148 m i l funcionários nesses serviços. dos quais um dos mais poderosos era sir Stafford Sands. nas Bahamas. Incapaz de decidir quem deveria chefiar a empresa — Caulfield nomeou a si mesmo. Um de seus clientes. F B I e Departamento do Tesouro. mas sabe-se que oferece consultoria a bolsas de valores. publicado pela revista Fortune. como percebeu o diretor da ITT. Em 1971. Para que ninguém vá pensar que a Intertel é apenas um grupo de detetives decadentes. Jack Caulfield. Alguns destes conglomerados foram descritos como "Estados soberanos'. de uma estratégia basicamente antidemocrática. combinadas com as simpatias políticas dos agentes da Intertel. O novo sócio de Hartford. A CIA. Não estão incluídos os agentes em tempo parcial e o grande número de agentes e investigadores distribuídos por todo o governo em instituições supostamente -abertas". misteriosa firma cujas atividades tiveram relação com cs negócios de Howard Hughes. quer estejam gravadas. investigadores e detetives. um arquipélago de mais de 2. v i gilância e espionagem — têm demanda crescente. identifica letras e ações roubadas. De fato. em serviços confidenciais no setor de inteligência. a fiel secretária de Nixon —. hoje em dia é preciso uma estratégia mais sutil. a comunidade da inteligência lida com habilidades características da guerra. I m possível determinar seu tamanho exato — para não falarmos em sua influência. fundadora da Intertel. diz que a organização aceita clientes americanos e estrangeiros. Por volta de 1964. Trata-se. criando seus próprios serviços de inteligência ou contratando os serviços de firmas cuja lealdade está a venda. alguns dos cargos que seus agentes e e AGENTE SECRETO OFERECE-SE Branco. a ITT. provavelmente é a International Intelligence Inc. não é a motivação da Intertel que merece ser questionada. evita o roubo d valores e faz "pesquisas industriais de campo'. manipuladores. Intelligence Advisory Dia. bilionários. investiga antecedentes e avalia a "atitude dos funcionários". uma vez que depende da manipulação sub-reptícia de instituições. vasta experiência e bons contatos. Seção de Inteligência do Departamento do Board: CIA. aeroportos. Mas. Groves comprou uma área de 550 quilômetros quadrados na principal ilha do arquipélago por 2. mas faltavam duas coisas essenciais para o sucesso: uma ponte ligando ao continente e uma licença para o jogo. no ano vital da campanha para sua reeleição. não apenas de Sands. revendendo-a alguns anos depois por 50 mil dólares o acre.50 dólares o acre. Detroit. os "encanadores". brancos conhecidos como os Bay Street Boys.500 ilhas e recifes que se estende na altura do l i toral sül da Flórida. cresceu até atingir dimensões de metrópole. Nunca houve tantas sombras por aqui. dire tor da Divisão de Segurança Interna e Inteligência do Serviço de Imposto de Renda. governos. Ao recorrerem a estas habilidades. as Bahamas foram controladas por um grupo de negociantes. Afinal. Washington DC. em 1973. adquirindo os serviços de sir Stafford. possivelmente porque o seu cassino competiria com o de Groves e possivelmente porque cometeu a asneira de contribuir ao Partido Liberal Progressista. E l contava com muita ajuda. Tudo é secreto em relação a ela. culto. — Intertel —. pois foi d i retor da agência de 61 a 65. cifra que. ingleses das colônias e pretos miseráveis. A metáfora é mais que adequada e está ficando cada vez mais aparente que o que é bom para as multinacionais não é necessariamente bom para os Estados Unidos — como a Marinha descobriu. Bebe Rebozo e até a Mafia. mas o senador William Proxmire calculou.CLASSIFICADOS CLASSIFICADOS CLASSIFICADOS CLASSIFICADOS CLASSIFICADOS CLASSIF Washington transformou-se numa cidade paranóica. Muitos agentes da firma a serviço de Howard Hughes tinham uma profunda afeição pela família Kennedy. estabelecimentos de jogos e corporações multinacionais. estes são. Contudo. não perdeu tempo para entrar em acordo com Groves. as multinacionais mostram que re- Enquanto estes acontecimentos ocorriam em Freeport. vice¬ -diretor de segurança da Agência de Segurança Nacional. supervisor de Atividades de Inteligência do F B I . bonitão. autentica ou desabona documentos realiza -análises de integridade das comunicações" para ver se o cliente precisa de equipamento criptográfico.. Desde que Fidel Castro nacionalizara as propriedades da quadrilha em Cuba. analistas clandestinos. a força política e econômica advém para aqueles que possuem acesso especial ou controle sobre linhas de comunicação e informação fora do alcance do público. poderá perceber os acordes da -Danse Macabre" pairando sobre as casas e acima da sede da CIA em Virgínia. Uma -análise de integridade de comunicações" soa muito bem — e esta é a i n tenção —. Embora ainda existam muitas fontes diferentes de poder nos Estados Unidos.000 mais ricos. não obstante. promove campanhas para melhorar a imagem de organizações ou indivíduos. A proposta tende também a confirmar aquilo em que muitos jornalistas acabaram por acreditar: os microfones instalados na sede do Partido Democrata em Watergate parecem ter sido um exercício de contrainteligência. Em outras palavras. já ocuparam: chefe da Seção de Planos Especiais da Agência de Segurança Nacional. pois inclui apenas os empregados nas organizações englobadas pela U . estava tão preocupado com a Intertel que recomendou uma campanha de contrainteligência para neutralizar esta empresa. Batizou a ilha de Paradise e aplicou milhões em seu desenvolvimento. conhecem a natureza eventualmente bélica de seu relacionamento com outros países. agitadores. tudo envolto numa linguagem extremamente misteriosa. talvez. companhias de seguros. S . Os objetivos a longo prazo da política externa norte-americana nem sempre coincidem com os planos das multinacionais. Quando se trata de guardar "informações patenteadas' dentro dos Estados' Unidos. tal como na política internacional. A firma tem seu quartel-general no segundo andar do edifício Hill em Washington. é muito baixa. Seus serviços especiais — infiltração. James Crosby. vice-presidente executivo e conselheiro geral da Intertel. contabilidade. O que alarmou Caulfield foi a explosiva mistura de associações políticas e econômicas que cercava a Intertel. Huntington Hartford. Nova York e Los Angeles. a Intertel é uma firma de "consultoria administrativa". plano que incluía a criação do que ele descreveu como -uma Intertel republicana". mas também de seu sócio Lou Chesler. informações e da opinião pública. ao tentar sabotar a economia e manipular as eleições no Chile.ves valiam muitos milhões de dólares. especialistas em mtercepção. Força Aérea. O plano de Caulfield ilustra bem uma característica das organizações privadas: elas alimentam mutuamente suas paranóias. mesmo quando seus intereses são mútuos. o crime organizado procurava uma nova base para seus cassinos. Graças a leis escritas por sir Stafíord. outrora mero subúrbio do governo. No mínimo. Groves tinha condições para isto. Uma cidade secreta entre nós. infiltrar governos no Oriente Médio ou financiar contra-revoluções na América Latina. codificar os meios de comunicações. A Intertel é uma rede de agentes cujas especialidades incluem os campos da coleta de informações. o ex-convicto Wallace Groves. Robert Vesco. mas certamente tinha motivos para fazê-lo. subversão. pagou¬ -lhe quase dois milhões de dólares em -honorários' . EDGAR HOOVER". E X E M P L O C O M NIXON O melhor exemplo desse tipo de organização privada. mas seu alvo básico em matéria d marketing é o grupo dos 1. igual número de espadas. aconselha em relação às oportunidades géo-políticas em matéria de "switch-trade" (transações internacionais em que o vendedor é pago com favores e não em dinheiro). Se alguém ouvir com atenção. 7 e 1 Pg7 SIGILOSO Estou a perigo. especializada. redação deste jornal. bilionários. a Casa Branca expandiu as atividades de sua unidade interna de -encanadores' — com ps resultados conhecidos. Também é difícil avaliar o número de pessoas que trabalha em atividades de inteligência.

Tom McKeon. confidente e chargé d'afaires do bilionário. juntamente com outros. Crosby chegou até a colocar o iate da companhia à disposição do candidato e. Crosby desligou as propriedades nas Bahamas do resto da Mary Carter e criou a nova empresa.contraespião. Posteriormente. citando entre outros motivos seu estado de saúde extremamente impróprio para uma viagem. A Resorts International é um produto da Mary Carter Paint Company. Enquanto a companhia i n vestigava Mahéu. encomendou um estudo secreto. e vice-versa. os Estados Unidos sofreram uma reviravolta moral que resultou na redefinição de muitas opiniões convencionais. O encontro entre Nixon e Crosby parece ter sido um caso de amor à primeira vista. tornou-se um dos convidados ocasionais da Casa Branca. Não obstante. Hughes continuou procurando novas propriedades e um dos lugares que o interessavam mais era as Bahamas. Crosby doou 100 mil dólares à campanha de Richard Nixon em 1968. Agindo sob ordens de altos executivos da Hughes Tool Company. no final. compra de quase todos os seus bens em Paradise Island. que nunca foi esclarecido. foi a nova atitude em relação ao jogo. e e claro. Homens treinados em alijar do mercado aquela empresa concorrente no tráfico de drogas. Peloquin saiu do Departamento da Justiça e abriu o escritório de advocacia Hundley and Peloquin. para os bolsos do financista e seus cupinchas. a Intertel estava envolvida num tenso e eventualmente cômico jogo de espião . a Resorts providenciou o financiamento necessário a fim de formar uma sociedade como "organização cpnsultiva criada especificamente para -salvaguardar atividades comerciais dos riscos ocultos da vulnerabilidade a elementos criminosos e dar assistência a estados e cidades no desenvolvimento de amplos mecanismos de controle ao crime". a Intertel assumiu o controle dos cassinos de Hughes. Hughes encerrou suas relações com 0'Obrien. Hughes mora atualmente nas Bahamas. bem como Clifford Irving. O que era uma falcatrua dirigida por quadrilhas virou. OPERAÇÃO HUGHES Depois de anos de existência de fato. Após o "golpe do Dia de Ação de Graças". Hughes ordenou a Maheu que contratasse Larry 0'Brien e "quatro ou cinco homens-chave da turma de K e n nedy". Que Hughes fosse para as Bahamas —. Primeiro. a probabilidade" de distúrbios raciais e de um eventual cataclisma social. citando as instabilidades políticas do arquipélago. Vesco foi acusado de ter financiado uma transação internacional de heroína. economicamente. Cartas para Ron Merino. a longa gestação da Intertel terminou. uma conspiração destinada a pegar em flagrante um hóspede indesejado do Frontier Hotel. O labirinto é realmente confuso e o objetivo aqui foi apenas mostrar até que ponto os Estados Unidos alimentaram fantasmas que continuam a assombrar os seus cantos escuros. (Adaptação de Vilma Gryzinski) : CABOS CLASSIFICADOS CLASSIFICADOS CLASSIFICADOS CLASSIFICADOS CLASSIFICADOS . e transferiu a conta de relações públicas para a Robert Mullen & Company. diante do estudo secreto desfavorável. A companhia prosperou de maneira impressionante. . demitiu-s do Departamento da Justiça e pôde então se encarregar do outro problema de Crosby: a segurança do cassino e a vigilância de seus empregados. Primeiro. agência estreitamente ligada ao Partido Republicano e à C I A . ainda outra dimensão foi acresdentada a toda a intriga: Robert Vesco. Na véspera do Dia de Ação de Graças em 1970. Durante a década de 60. a agência de publicidade de 0'Brien começou a fazer um "trabalho de relações públicas' para Hughes. da última década. em 1966. Vesco e assim por diante. mas j á chamara a atenção do homem que se tornaria presidente da Intertel: Robert Peloquin. Sigilo total. O que é certo é que a Intertel teve uma grande participação em sua expatriação. Hughes foi tirado de seu quartel-general em Las Vegas e embarcado num avião com destino a Paradise Island. SPY x SPY 8 V E J A ILUSTRE PASSAGEIRO Será que o belo tipo faceiro que está sentado ao seu lado não é um espião? Contra-ataque: prevenir é melhor que remediar. Mas enquanto esses acontecimentos se desenrolavam. apesar da possibilidade de nacionalização de que este poderia ser aivo. O que fez com que o bilionário não seguisse os conselhos que pedira não está Por volta do final do primeiro ano de existência. foi sumariamente despedido. que admitiu a Resorts como cliente. Cartas para Crazy. Hunt conferenciou com agentes de segurança de Hughes que não eram nem dá Intertel nem do Serviço de Segurança da Hughes Tool Company. Vesco também era alvo de uma investigação da Intertel e. Amigo íntimo e sócio comercial de Beb Rebozo. introduziu matérias na imprensa sobre a Influência do -crime organizado" nas Bahamas e negociou a expulsão de várias pessoas da ilha. Meses depois. A intriga continuava. Apenas um ano depois de receber ajuda de agentes do Departamento de Narcóticos. (A Intertel também estava trabalhando para a ITT e investigando Jack Anderson. O que levou Caulfield a esta conclusão não é difícil de se imaginar. embora a companhia certamente tivesse conhecimento das acusações contra o financista. dirigida por Vesco. Deu-se grande atenção à legalização da pornografia. Numa série de acontecimentos aparentemente não relacionados. que começava assim suas atividades com uma operação espetacular. Vesco pagou o organizador da busca com três mil dólares em fichas de jogo de um cassino das Bahamas' SERVIÇO GARANTIDO Muitos anos de prática. cujos resultados não foram nada satisfatórios. Pan Am e ITT. se não vamos precisar conhecer metade da população norte-americana. em 1970. cujas perspectivas pareciam grandiosas. com uma proposta chamada Operação Dólar de Prata. Fale conosco! SENTE-SE ESPIONADO ?? Oferecemos esquema seguro de contra-espionagem. ' Ao mesmo tempo. funcionário de Mullen e da Casa Branca (que pode ou não ter sido também um agente coberto da CIA) planejava instalar microfones nos escritórios de um editor de Las Vegas. Quem é Ralph Winte? Realmente. A esas altura. com 546 milhões de dólares em dinheiro provenientes da venda forçada da Trans World Airlines. mas no final o homem não mordeu a isca. James Crosby foi visitar Peloquin no Departamento da Justiça. mas muito mais importante. Howard Hunt. E. conselheiro-geral da Intertel. a situação fica de uma complexidade bizantina e agentes secretos começam a pulular por toda parte. pertencente a Hughes — um hóspede que se acreditava ser traficante de drogas. chega uma hora em que é preciso parar de fazer perguntas. Menos de um mês antes do assassinato do senador Robert Kennedy. Crosby só interrompeu as negociações com ele quando o caso estourou. pedindo ajuda em relação a dois problemas. de sua doença e de sua raiva aos negros parecia muito excêntrico. Crosby estava apavorado com um jogador chamado Mike McLaney que. o caso foi muito lucrativo para a Intertel. neste caso agindo para Hughes). Depois de construído o cassino em Paradise Island. Funcionários do Departamento de Narcóticos entraram em contato com a Intertel em fevereiro daquele ano. queria um pcuco de ação em Paradise Island.versus . O Departamento de Narcóticos prometeu infiltrar-se no grupo do homem se a Intertel induzir a organização de Hughes a financiar a operação. convencido de que a empresa era uma CIA particular trabalhando em nome dos interesses da família Kennedy. a Intertel e o Serviço de Imposto de Renda investigavam Maheu. Ficou tudo acertado. Peloquin providenciou uma investigação. Enquanto Caulfield e Maheu vigiavam a Intertel. Vesco negociou com James Crosby a. Maheu afirmou que seu patrão fora -raptado''.CADOS CLASSIFICADOS CLASSIFICADOS CLASSIFICADOS CLASSIFICADOS CLASSIFICADOS Paradise Island só deveria ser aberto em j a neiro de 1969. Hughes. E m j a neiro de 1970. Enquanto suas atividades eram investigadas pela Comissão dê Valores e Ações e pela Intertel. Intertel. o espião da Casa Branca Jack Caulfield investigava a Intertel. Segundo. incluindo o cassino. foi para Las Vegas sob guarda armada e começou a fazer ofertas que ninguém poderia recusar. Conseguido isto. a t é hoje fica suscetível quando se fala na Operação Hughes. O pioneiro foi Howard Hughes que. Peloquin respondeu que não podia recomendar nenhuma empresa no gênero. posteriormente. Nestas negociações. Neste ponto. a fim de roubar um maço de memorandos secretos de Hughes. agentes do Departamento de Narcóticos e Drogas Perigosas foram contratados por um sócio de Vesco a fim de revistarem os escritórois do financista em busca de aparelhos de escuta. um dos principais responsáveis pela popularização do conceito de uma conspiração criminosa nacional chamada La Cosa Nostra. Mas Vesco também estava sofrendo uma intensa investigação por parte da Comissão de Valores e Ações. tal como outros empregados de confiança. Mais ou menos ao mesmo tempo. na época chefe da primeira Força de Ataque contra o Crime Organizado do Departamento da Justiça. Contratar-nos. uma indústria administrada por burocratas do governo e corporações como a Hughes Tool. mas insiste em frisar que a companhia agiu segundo as ordens expressas do bilionário De qualquer forma. queria o nome de uma firma que cuidasse da segurança e fiscalizasse os empregados de seu novo cassino. Robert Maheu. que finalmente o acusou de uma das maiores fraudes da história do dinheiro: uma soma avaliada em 224 milhões de dólares fora supostamente desviada da Investors Overseas Service. mas de uma terceira rede chefiada por um cara chamado Ralph Winte. a própria Intertel foi envolvida com agentes de narcóticos em 1973. Durante o ano de 1972. os leitores j á devem estar bem zonzos com esta rede intrincada de caminhos cruzados — acidentalmente ou não — entre Hunt.

Conversamos 4 horas. o Uruguai. com provas de muita simpatia Duas vezes. Depoimento a Marcos Faerman . numa noite chuvosa.Ex-entrevisla Oisis. Mas ele estava sempre viajando. jornalista brasileiro que morou algum tempo na Argentina. e contou histórias íntimas de escritores latino-americanos com quem conviveu. Ele contou aventuras vividas nos países latino-americanos que visitou. tentei entrevistar Eduardo Galeano. Finalmente. falou da tragédia de seu pais. contou como foi que escreveu o mais belo livro sobre nossa terra ("Veias Aberta da América Latina"). há algumas semans. recebi recado de Eric Nepomuceno. Galeano é o repórter e escritor latino-americano que mais conhece o continente. estando em Buenos Aires. informando que Galeano estava em São Paulo.

de Montevidéu. mas é de quem pegar primeiro. não? G — Bem. Guatemala. E m 67. Por exemplo: cada um de nós achava que o outro tinha dinheiro. depois somem e aparecem outras. apavoradíssimo. Fiz umas 400 entrevistas e depois de dois meses fui para Moscou. Trabalhava no Departamento de Publicações da Universidade de Montevidéu e t i nha de me virar para sobreviver. com os amigos. o meu conhecimento do mundo e r a . Tem diamante. na história da América L a tina. mas precisava de muita experiência direta. querendo arrancar a lata de azeite do índio. Achei esta história muito linda para contar. H á uma infindável briga entre os caras das alfândegas internas da Bolívia. um ótimo jornal semanário que não morreu de morte natural. eu queria fazer uma espécie de manual de divulgação de algumas idéias que estão escritas. Esta região mineira é uma' mistura da pré-história com o ano 2 mil. é um pouco de tudo. coisa parecida com uma gripe forte.ares por uma noite. a Mano Blanca e outras orgae e nizações parecidas. . que não eram relações de foto-novela. Montevidéu. quase morro de verdade nas minas de diamante da Venezuela. mas que a passagem de volta. "Mas che. com 14 anos comecei no jornalismo. Estive com os guerrilheiros nas montanhas e escrevi um livro sobre isso. Há quatro anos não toco em nada disto. . e eu fiquei de intérprete do cara.seu povo. não tinha jeito da gente sair. Uns foram fechados pelos credores. No meio da selva. Agora j á está em 126 mil. sete da revista. Pois a partir do seis. Mas que econômica?. como se sabe. n ã o tem nada. que eu i a embora. Mas naquela época eu fiquei quatro anos sem escrever ou ler uma l i nha de narrativa. você é o autor de uma das mais belas reportagens escritas sobre a nossa América L a tina. Chegamos lá e descobrimos que nenhum de nós tinha. Voltei para Montevidéu . e a gente nem gasta remédio". A partir daí. de avião. tá? Certa vez li que você desenhava. e o livro seria. o palavreado. gritando. e os pequenos contrabandistas. . Bom. Pegamos um carro e com ele chegamos a um pequeno povoado indígena. . chegamos às minas. . fiz um livro sobre a Guatemala.falar em problemas econômicos. Durante quatro anos fui recolhendo material aqui e ali. No meio do mato. de Buenos Aires.. tem toda aquela faixa da fronteira que fala o portunhol. mas que não queria dizer onde o diamante estava. eu escrevo a história real de um enorme negro nascido n u ma ilha britânica dó Caribe e que estava na Venezuela atrás de diamantes. í mas isto é o máximo que se pode esperar diante de um tema tão explorado'. "Econômica é o nome da febre que você pegou. O que importa é d i zer a coisa e n ã o o nome da coisa. No fim. numa história de pirataria. jogadores de futebol. e vem aquele papo horrível. porque nenhum caminhão iria levá-la. M — Mas vamos falar um pouquinho de sua vida. Buenos Aires e Pequim — isto é. duríssimo. infinitamente longa. aqueles cientistas-sociais. de tudo. a não ser por uns aviõezinhos caríssimos. uns caras desmaiavam ao me v e r . como repórter. bem melhor se eu tivesse dinheiro para fazer algumas viagens que não foram feitas. existem povoados para 400. M — Mas seu livro virou um verdadeiro best-seler do gênero G — Pois nunca imaginei que isto pudesse acontecer. conheci aquele povo. e de lá parti para a China. onde estive h á dois. M — A linguagem funcionou. Mas nesta viagem de quatro dias. que é uma verdadeira contracultura. íoi assassinado. "Vagamundo" e outros. seis meses depois do lançamento. Depois tem uma outra história muito simples mas muito dramática do Alto P a r a n á . trabalhar numa revista que foi. ter aproveitado as folgas da concentração do Santos para ler "Veias Abertas da América L a t i na'! Acho que a importância do livro está numa linguagem que rompe com os chavões habituais da literatura progressista na Amé¬ rica Latina. e o menino morreu no curso da viagem. num.. Estava num hospital e só me lembro que quando melhorei um pouco disse ao m é dico que queria pagar.Galeano. aqueles historiadores que escrevem para a minoria da minoria. só depois de ter escrito meu l i v r o . tivemos a clara percepção de que era preciso falar de toda a cultura importante da A L . diagramador. o conto. mas cheia de brasileiros. e contei. Como é que você foi parar neste trem? Galeano — Eu acho que fiz esta viagem em 1970. . Ele me disse: mas por que pagar? este hospital é da universidade. onde as prostitutas podem ganhar 400 dól. che?" Lá por 71. fechada pelo governo. . É uma região recentemente ganha para a chamada civilização. onde peguei malária duas vezes. e tal. ela se passa num trem boliviano cheio de índios. como desenhista. que está morto. na outra estão mais pobres do que uma barata. Eric — O Galeano podia falar das histórias que ele viveu pela América afora. o dia i n teiro com aqueles tijolos. E que para isto deveríamos olhar muito para o Brasil. . . de traição. . eu ouvi.. o cara tirou o diamante que tinha escondido debaixo da língua. Quando voltei. falavam muito da triste morte de Eduardo Galeano nas montanhas da Guatemala. livro de contos. G — Eu trabalhava num banco. da OEA e não sei mais o q u ê . Mas ninguém falava a língua dele. e o Uruguai é um país muito ligado ao Brasil. perguntei. é um livro indefinível: n ã o é novela. aqueles gritos. E m "Vagamundo". G — Você sabe. que morreu ao longo da viagem de caminhão. apesar de você. aquela confusão toda que alguns sacanas e babacas fazem entre o sistema de um país e . que queriam matá-lo. o Época. Os caras j á estavam preparando as facas para liquidá-lo. mas não — disse ele — vpcêu ouviu outra coisa. M — Como é que você vivia na época em que fez o livro? G — Vivia como podia. estávamos os três com m a l á r i a . Foi um ano terrível lá. fronteira do Paraguai. que vivem enquanto h á diamantes. eu estava na praia com dois amigos quando eles começaram a falar das tais minas. mas passaram-se quinze porque nos tornamos prisioneiros da chuva e da pobreza. simplesmente porque estava duro.. porque a literatura é muito possessiva. não é história. Eu estive na Venezuela. Era uma viagem prevista para três dias. a segunda foi violentíssima. M E você tem mais percepção do Brasil do que a maioria dos autores dos demais países da América Latina. que precisa dela para sobreviver. e falei: "ora. e tem aquelas caras dormindo nas árvores que só bebem Balantines e só fumam Marlboro. você não morreu. Mas isto é raro. sempre às voltas com os chatíssimos informes dos economistas da ALALC. Mas não. vivia muito mal. outros pelo governo. M — Carlos Drummond de A n drade agente do subimperialismo! G — É . Fiz muitos jornais. Não tinha nada para fazer em Caracas. F u i de trem. na condição de jornalista free-lancer. quando estava trabalhando meu livro '-Veias Abertas da América Latina". que vem dos tempos da colônia. como o Ramos Delgado. por exemplo. Acontece que ela não podia dizer que o menino estava morto. Era o ano de 1963. nas bibliotecas. F u i ao gerente e pedi que me pagasse o q u devia. Além disso. o inglês. H a via muitos equívocos.Marcos . romance. . Mas em Montevidéu. . E fomos. A mulher está viajando de caminhão. M — Você foi uma espécie de garoto prodígio de Montevidéu. ao longo das matas. J o g a d o r de futebol lê Galeano. naturalmente. G E ainda desenho alguma coisa. Quando voltamos para Caracas. "seu livro teve uma recepção discreta. você escutou um dos caras que o trouxe aqui dizer: "este aí pegou a econômica'. Enfim: peguei uma bruta alergia do café que tomava para não dormir — trabalhava das 11 da noite às 5 da m a n h ã — e uma alergia mais forte ainda a livros de ciências-sociais etc. que disse à revista "Gente"'. num vagão da terceira classe. "Mas a venda n ã o é m á . É uma zona estranha. Quando começamos a fazer Crisis. o que mostra que as coisas não estavam muito idílicas entre eles. Mesmo assim muita gente me chamou de agente da reação por escrever sobre o conflito sino-soviético. E tem tudo isto. "Veias Abertas". n ã o é ciências-sociais. começaram a chegar cartas dizendo que estávamos fazendo o jogo do "subimperialismo brasileiro". 546 exemplares". com sete mil mortos pelo Esquadrão da Morte deles.. e estava com medo de que as coisas não fossem bem como eu tinha dito! Mas eram. E m cada alfândega h á um cara que entra no trem e todo mundo fica apavorado. de amor. Para m i m o Brasil é sempre uma injeção de vida. Depois fui para a Argentina. Então. G — A minha vocação é a novela. . eu falei. . Estados U n i dos. Naquela noite fui para Buenos Aires. e se ganham 40 mil dólares numa semana. só tem uns tiras que aparecem de vez em quando para arrecadar -impostos'. ao meu lado. onde faço Crisis. Na verdade.. apesar dos pesares. era diretor de outro jornal de Montevidéu. Uma mulher tem nos braços um menino lindíssimo chamado Noel. vi aquele monte de contrabandistas e índios muito pobres que v i vem do contrabando-formiga. recebo uma cartinha da Editora Siglo X X dizendo. t á legal. . É uma região cheia . Acontece que o cara roubou um diamante e foi cercado pelos mineiros. quem ia pagar era a URSS. afinal de contas. Um dia fiquei com o saco cheio demais.72. . 500 pessoas.. . Em compensação fiquei satisfeito por ter escrito um livro que é lido até por porteiros de edifícios. hoje em dia. tentando captar as caras de nosso continente . três anos. . (E cantarola a música de Chico). . eu sou uruguaio. queria converter tudo isto numa história de aventuras. em "código" pelos economistas e sociólogos. ali não tem polícia. Ela mata num dia. a narração. Aos 24 anos. Marte. e se a primeira foi benigna.. nos cafés. E o cara vai passando. quando garoto. vamos para lá'. pelo mundo. Histórias como esta eu levei para meus livros. voltei para o Uruguai e parti para a Europa.. e os chineses m avisaram que eu podia ir à URSS.. Bem. de t i r a s . de contrabandistas. Depois da URSS. e aos vinte era chefe da redação do Marcha. e assim ficamos esperando o primo de um deles chegar. até 600.

Bem. e o cara estava numa bicileta de circo. a l guns foram mortos. assim. Paquito?" Ele falava de um jeito muito particular. Um dia. había llegado.. las almas en pena. L a lluvia. Ella inclino suavemente la cabeza y luego continuo con la vista clavada. El viaje se hizo largo. muito digno. bamboleando aquela galinha na mão. rabiosa. onde se instalou uma máquina de destruir o homem. um jornalista muito importante lá dos nossos lados. Era a vingança. aí eu peguei e lhe dei uns grãozinhos de m i l h o . la madre ya le había cerrado los parpados. no ar. eles fecharam o Marcha porque era um jornal importante. "Esse jornal não se vende' — gritava o cara — é o refúgio dos perseguidos". que recolheu lindas histórias do interior e as contou numa linguagem sensacional. o Onetti. que cierra dos câminos. Subitamente senti que me retorcían las tripas y senti la ciega necessidad de peiearme a puhetazos contra Dios o contra alguien. Uma delas é a famosa história da galinha. Quem freqüen- . nem telefone. Cada vez que uma menina r a presa. e eu o dirigi de 64 a 66. você n ã o quer vir trabalhar no E X . Ibamos a los tumbos por la picada abierta en la selva. E l camión. talvez. Era um especialista em coisas estranhas. ele acertava todas. Sofro muito com a situação de meu país. . e concluímos que só havia uma coisa a fazer: ir para a janela ver se acontecia alguma coisa na rua. Você vira um cara sem raízes. E — Um dos personagens famosos deste jornal era o cronista do turfe. O jovem é visto como um i n i m i go e vai embora. A história é esta: Noel. A máquina de destruir gente. M — E agora. . porque as agências tinham carregado os teletipos. Nesta época eu tinha 24 anos e era um dos mais velhos da redação . Envuelto en trapos. jogado nas corridas. aquela coisa do cara que fica olhando para o teto. todo mundo. Paco foi um cara i m portante.. come e se retira. Mas como é que o Marcha viveu tanto tempo? G — A situação do país dava para isto. com gente muito generosa e muito fraternal. Esta é a m a t é ria-prima de uma história de " V a . esperando. mais ou menos uma hora depois. ela come. mire al nino. ela se vai. e sempre se fala por lá que transportar cadáver dá azar. por exemplo. . o melhor semanário que j á tivemos na América Latina. Qualquier camionero sabe que dá mala suerte atravesar la selva con un muerto. . Eu e os outros quatro caras que tinham aparecido na redação ficamos nos olhando. que foi cortado porque não pagamos a conta.. Marcha foi sempre muito bom e muito pobre. e tava muito a redação era a raça dos gigolôs. Que história sensacional se a gente reunisse todo mundo para relembrar aquele tempo. quando Marcha nasceu. às vezes não tinha nenhum. Todos os loucos de Montevidéu iam à redação de Época. — Alia voy. U m domingo. Dona Vitória fazia sempre bons almoços com arroz. diz ele. filha minha?'' E ela me diz: "vá para a p. um Dom Quixote. eu estava tomando um solzinho quando vem uma galinha. F u i para lá caminhando. De repente. ela vem. podemos até viver bem no exterior. ovos fritos. um economista com um charme incrível para d i zer as coisas. M a t o u a galinha que xingou a mãe E — Montevidéu tem histórias incríveis. Tenía fiebre. um velho jornalista sensacional. nem do ponto de vista político. e que também será publicada no Brasil. Época era um jornal lidís. É aquela coisa de você se sentir sem futuro.. Narrei isto numa história que ganhou o concurso da Casa das Américas. o Benedetti. L a mire. brotaba un débil gemido continuo.. Mas allá de los campos amarillos de soja.. vinho. E l camión arranco y se callaron después de los primeros sacudones. personagens incríveis.. . un mal se le h a b í a metido" por la oreja y le había ganado la cabeza. às vezes. . sem nada. era uma chacrinha muito pobre. e o único rádio tinha caído no chão e quebrado. nem teletipos. las campanillas moradas de los lapachos. só sei disto por certas referências. . a perseguição e o assassinato em todas as suas formas. eis o Paco vindo. G — Individualmente. aconteceu uma coisa importante". que ninguém o reprova. ele desaparece.. en las altas arüoledas donde se rompían las uit^mas íuces de la tarde. lá no ano de 39. Mas h á um problema gravíssimo: a perda da nacionalidade.r de superstições. porque o nível cultural do Uruguai é bom. especial i z a d a . um cavalheiro-fidalgo. . disse a ele: "que l i n do abuerto se perdió tu v i e j a " . e a falta de liberdade até nos planos em que ela não é clara. era época. como um cara que enchia o saco de todo mundo falando de uma nova invenção para apagar fogo sem água disparando um tiro de canhão com areia. depois chegou esta aí — e levanta a defunta — chegou e me olhou assim ó.. Los contrabandistas. dona Vitória. com a cabeça baixa. la voz de la mujer: — Aydane a subir. — Culpa de la lluvia — murmuro ella —.. . esses anjos de mármores que ficam fazendo xixi nas praças. dando gargalhadas. Voy hasta Corpus a rezar para que venga el cura. Isso dói muito em mim e em todos os uruguaios. sin expresión. A medida que ele vai chegando perto. Noel no está bautizado y yo voy a esperar al cura hasta que él venga con las águas sagradas. junto de mi. o escravizamento de um destino. tinha o queixo muito pronunciado. . E tinha as bichas que iam dançar nuas em cima das mesas da red a ç ã o . Ele conta histórias dos subúrbios das pequenas cidades do interior enquanto Onetti fala do drama da urbe grande. De los brazos de una mujer. é uma mão-de-obra boa. vem tão abatido. Algunos cantaban. sofre a gangrena do país que está se esvaziando. Ele tinha uma irmã. proprietária de uma chacrinha no interior. la agitación de la gente que gritaba y alzaba bultos. Olha. eu vi um cara que tínhamos mandado embora porque só fazia papelão. L a lluvia nos había sorprendido a mitad de camino. .. da fumaça. Bichas dançavam nuas nas mesas. J á não dá mais. uma redação onde ninguém ganhava nada. se extendia un vasto espacio de cenizas y muíiones de árboles talados y carbonizados. mani- Nosotros estábamos esperando que un ruído de motores nos anunciara la continuación dei viaje. y parecia asombrada: — Adonde? — Esto lleva hasta Corpus Christi. Marcha que foi. "Mas o que foi. me formei junto com Carlos Quijano. durante dos dias y dos noches. me dormi. Galeano? G — Eu tenho escrito muito sobre o Uruguai. G — Paco Spinola é um escritor quase tão bom como Onetti mas muito pouco conhecido fora do Uruguai. era el miedo el que le apagaba la voz. aparecia um gigolô na redação? protestando contra a prepotência da polícia. de i n ventores. todo mundo de Época está no estrangeiro. filho de família ilustre. Me desperto mucho después. Yo estaba estirando los brazos cuando escuché. com um -vulto'' na mão. se descobre que ele tem na mão uma galinha morta. Mas que tristeza. o Octavio Paz. Depois veio uma galinha vermelha e eu também lhe d«i uns milhinhos. M — Por isto mesmo um jornal humanista como Marcha não podia sobreviver. você podia dizer o que quisesse ou quase isto. ela se serve. que foi um dos editores. pois ele roubava um anjo e corria para a redação. . um gordo leninista que adorava cavalos. Setecentos m i l uruguaios vivem hoje na Argentina e o Uruguai é um país de dois milhões e meio de habitantes! Imagine estas coisas.. E — É importante se lembrar que o Uruguai tinha três milhões de habitantes em 1969. Depois disto eu d i rigi durante dois anos um tablóide diário de 32 páginas sem ganhar nada! — Hoje em dia. de perseguidos pelas formigas. porque . um cara que conhecia profundamente o mundo das drogas.. e o único que sabia do menino morto era eu. meio dia. batatas. Quijano pagava Oneti com almoços. Dá pra se viver bem melhor do que no Uruguai. Um deles tinha mania de roubar anjos. Marcha chegou a ter 35 m i l leitores.. y dej abamos pasar el tiempo. Então. . M — Galeano. e gostava de comer galinha. que p . a mi lado. por qué vas? Fué la primera vez que ella me miro. Em todos os sentidos. Marcha é a m ã e de Crisis. daria um lindo livro. nem máquinas de escrever. Mas isto era explicado pelo alto nível cultural do país e pela amplíssima margem de liberdades. Esperando. — Noel no se queja — dije. Y a era noche cerrada y por aquelas comarcas también vagaban disfrazadas de bichos espantosos. G — Ele era um sujeito sensacional. Então ele diz chorando para a i r m ã : "Percebes o que ela disse. Nos trepamos a la caja. como Paco Spinola. de longe. las espesas columnas de humo de las hoquegras que es abrían paso hacía el fondo de la maleza invicta. " . simo pelos progressistas e pelos fanáticos de cavalos. El cura tiene que bautizar. arrancandoles nubes de vapor y aromas vegetales limpios y mareadores. ele foi o meu mestre no jornalismo. A irmã aproxima-se e pergunta: -Mas o que é que tu tens. o Neruda. se había descargado. Noel tenía la piei transparente. mas como nasci em 40. o Asturias. "Nada . em 39. por detrás de esos eriales. sentados de espaldas contra el frente de madera dei almacém e echados sobre bolsas de azúcar o maíz molido.? G — (Risos) Este jornal chama¬ -se Época. e no Marcha "por amor a la camiseta". color sebo de veia. Eu lhe digo: "você n ã o come. nem do ponto de vista econômico. Colaboravam. Onetti foi o primeiro chefe-de-redação. Depois. e no meio dos policiais. o jornal pegou fogo. Mas vem com tanta tristeza. Lembro até de uma frase que o Alberto Carbone. o mundo dos cavalos de corridas. Pronto volverían a alzarse. chegou um dia em que não tínhamos nem jornalistas. só dizia besteira. muita coisa. los hacheros y los campesinos celebraban con cana brasileha la aparición dei camión. G — É. A redação estava cheia de loucos. mas ela proibiu que se tocases nas galinhas. Eu sei que ele a t é morou no Marcha.' gamundo". muito triste. Todo o dinheiro da venda avulsa era. É a m á quina da opressão em funcionamento na vida cotidiana. e que se às vezes tinha 50 colaboradores. que não tem coisa alguma dentro de si.. um jornal q u conseguiu viver 35 anos. P a quito?" "Bem. esse é o personagem de Onetti. e M — Claro que não tão pobre como nosso jornal.. Paco foi convidado para um destes almoços. . Noel gemia. E l sol atacaba los barriales de los sombradíos y la espesura cercana. donde florecían. nada. todos os sistemas opressivos são inimigos da vida E h á tentativa de não deixar o jovem ser jovem. rojo de barro seco. Paco era um tipo multo guloso. Ya hacía unas horas que hábía vuelto el sol y los ninos andaban por ias orillas dei monte buscando el yacaré caído dei cielo. e o Cortázar. entre bostezos. olhando para o incêndio e rindo. que seus amigos gostam de repetir. que foi chefe de redação. bolsas y valijas. O pessoal trabalhava por fora para ganhar algum d i nheiro. o que num país pequeno é um milagre. — Y a ahora. Trabalhei quatro anos lá. daquelas que têm uma roda enorme e a outra pequena.

Mas creio que é um homem sincero. mas queria ver o Galeano. porque n ã o temos raízes sólidas comuns. e que aqqi em Buenos Aires eu volto a a m á . que n ã o faz trapaças. A verdade é que multa gente estava esperando um Solgenitzen peruano. elas com uísque. jogam com a linguagem. Um homem tem de ser sincero mas deve medir cuidadosamente o que faz e diz. à classe m é dia e à classe alta — a padrões de vida e de consumo que são padrões europeus e norte-americanos: automóveis. mas muito mesmo. porque as opiniões de um escritor importante como ele pesam na sociedade. Ao final. até que ele insiste na coisa e ela reage pela primeira vez. E m primeiro lugar. Estava um pouco inibido e ele falava muito. E l a terminou a sobremesa e foi emr bora. com o destino de seu povo. M — E pessoalmente. ele n ã o me dá licença". conhecendo muitos intelectuais latino¬ -americanos. Isto me lembra o seu encontro com Rulfo. e quem duvida de sua importância? G — Eu gosto muito das primeiras novelas dele. para dormir. né? Então me ocorreu o seguinte e lhes disse: •vamos supor. Galeano. e Onetti. além do mais não gosto dos m é dicos . seca. Marquez na turopa. fazer de conta que estamos todos aqui reunidos e começamos a tomar vinho. sabe hoje o que lhe acontecerá dentro de um ano. bebe muito. todos: o prefeito. .. além do mais meus nervos estão em estado de miséria". A melhor pintura uruguaia de todos os tempos foi feita em Paris por um velho pintor de meu país. com o garfo no ar ele disse: "Estás com o nariz brilhando. Falávamos de muitas coisas. Um homem que n ã o está convivendo com essa tensão diária pode perdê-la de vista. M — E como é que Cortázar fica nesta? G — O Cortázar. Tudo isso n ã o quer dizer. com capitalismo ou sem capitalismo. n ã o está brilhando". mas eu n ã o me engano diante do fato de que as massas do continente são totalmente alheias ao que podemos d i zer. imaginem. Não posso. que estas experiências não poderiam ser vividas em outro lugar. se não h á tipos que são mais alheios à nossa vida. que coisa. Mas é uma novela que n ã o tem o fogo interior de " L a Ciudad y los Perros". da história. queima. você quer ficar sozinho com ele. coitado. não". disse ela — é muito ingênua. leano n ã o acreditou mas marcou' um encontro no Hotel Plaza. É um cara muito fraco. meu único amigo médico é cardiologista e meu coração está bom". Pouco depois. Passa uns 20 minutos e ele me diz: "O que são as coisas. atualmente. Ou não. Uma vez. alguma coisa sobre o Onetti. mas que n ã o tem tempo para revisá-lo. "Não posso. tem que se levar em conta que esta terra vive tão cheia de aventura e violência. que tem como tema a violência na Argentina). fiquei um pouco a s s i m . é essa a sua alimentação. n ã o ? " Acho que essa história o retrata como nenhuma outra. técnica. O escritor provém de uma elite consumidora e trabalha para ela porque é essa elite consumidora que compra livros. para receber as homenagens de seu povo. com grande beleza de estilo. como vou chegar n um médico e dizer: estou doente. o homem está perdido. com tal velocidade c intensidade. M — Você esteve h á pouco tempo com o Garcia Marquez. está bem. Onetti foi a Buenos Aires como jurado do concurso de Literatura da Editorial Sud-Americana e do jornal " L a Opinion". e ele tem uma relação de amante. como falei. de Buenos Aires. áspera. Lamúrias de V a r g a s Llosa.. O Onetti costuma dizer que a diferença entre ele e o Vargas Llosa é que o Vargas Llosa tem cem a literatura a relação de um esposo. v i vendo em nossos países. para acordar. a que tem a ver com a conquista de nosso destino. cinco vezes. não? E o tal novo livro dele? . Queimou um romance. do que no estrangeiro? Temos que ter muito cuidado com estas coisas: não é a geografia que determina o maior ou menor vínculo que um homem pode ter com sua pátria. livros. .. G — Bem. ele disse. aquela noite fomos comer com sua mulher. Ent ão ela começa a chorar e se levanta para ir embora. Mas o Paco tem m i l histórias. não come nunca. é o mais atacado. Ele diz: "Não. Porque ele n ã o tem senso de humor. Consome de sólido as pílulas e de líquido o álcool. verdadeira. coisas assim. pensei com mais clareza na posição do uruguaio Mário Benedetti intransigente crítico dos "exilados de Paris". Somos íntimos da Coca-Cola. Paco Spinola. e revista Crisis t a m b é m . desde o "Pedro Paramo". sente-se. Lamentavelmente. imagina a situação. sabe pra que? Para te dizer que eu estou muito bem com ela. Ela tira o espelhinho da bolsa e lhe responde: "Não. não quer ir ao banheiro? Juro que tens vontade de ir ao banheiro". Mas eu me pergunto. os anúncios da Coca-Cola. Mas vou falar. Enfim: gostaria que o que eu faço chegasse além dos limites a que chega normalmente um livro na América Latina. Então. E — "Pantaleão e as Visitadoras" faz muito sucesso no Brasil.. até que um momento disse à sua mulher: "Você quer ir ao banheiro." Isto determina que esta minoria consumidora que os intelectuais integram nos países latino-americanos seja um grupo que vive uma vida importada. só para ver quem estava dando o trote. e que muda. os doutores. com v i n h o . doutor.. que fazia anos que isto n ã o acontecia. Mas ele mente e diz que tem um livro de contos pronto. seria preciso definir com clareza o que é nacional e o que é estrangeiro. é aquele tipo de sujeito que só r i de uma piada depois de uma explicação. . " A h " . que um tipo que viva numa cidade latino-americana esteja vacinado contra a alienação. era um dia de verão. para regular. isso é claríssimo. e brigamos uns com os outros. o que é a vida. Tomamos uma garrafa. um digno instrumento de trabalho. J á "Conversación en l a Catedral" me pareceu uma espécie de demonstração de habilidade Aventuras d e G . porque o seu nível de consumo lhe permite ascender — . Ga-. M — E aquela interminável discussão a respeito dos escritores latino-americanos que vivem na Europa? Ouvindo você. que não passa de um problema transitório de sucesso comercial de alguns autores. faz dois anos. me d á a galinha que eu vou depenar e botar ela no fogo". A tensão é uma coisa que a gente respira.pior que a dos judeus. Mas podias conseguir uma licença. mas politicamente eu acho muito equivocadas as opiniões de Vargas Llosa. acho que ele é o escritor mais importante da América Latina. Ah. "Não tenho vontade de ir ao banheiro". Ele foi à sua cidadezinha de trem. Então ele se defende o tempo todo de sua própria ternura. uma pirotécnica para deslumbrar incautos. O que une um uruguaio ao outro no exílio? Mas eu acho que n ã o se deve ter uma posição radical diante dos escritores do -exílio'. Mas com uma concepção muita negra do que é a condição humana. logo n ã o pode fazer um livro de humor. alto. Ele chega lá e conta assim: "Estavam todos. como poucas. E depois de algum tempo a boa vida na Europa pode introduzir m u danças não desejadas por um criador naquilo que escreve. eu não creio nos medicamentos. n ã o ? " Ela disse: "não. ele tem imitadores que confundem a literatura de Cortázar com um vazio exercício de estilo. Fraco. .. Mas como n ã o tem tempo lhe perguntei? "Porque trabalho muito no Instituto I n dianista do México". Bem. Mas. e ele estava calado. ele estava meio doente.. duas. Ligaram várias vezes para a Crisis dizendo que Juan Rulfo estava em Buenos A i res e que la ficar um dia apenas. Um pouco depois ele insiste: "Você As mentirinhas d e Juan Rulfo.l a loucamente. vamos comer a sobremesa". como ele é? G — É um cara que tem uma disciplina incrível: tem horário de escritório para escrever. E a grande verdade é que as centrais norte-americanas de TV. a mim ela não prende!" Esse foi o jeito que ele achou melhor para contar aos caras como era importante a Unesco! Assim são as histórias de Francisco Spinola. porque vive em P a ris. Comíamos. Chama o pessoal e lhes diz: "vou dizer a verdade pra vocês: a galinha n ã o disse nada".. . de maneira nenhuma. e tinha um sol. agora. Mas ele faz uma grande literatura. Ent ão ele me chama pra jantarmos juntos. t ê m uma relação mais íntima com a cultura latino-americana tal qual ela é. muito silencioso e muito digno. bem. Mas as grandes massas da América Latina têm outra cultura. estamos todos bêbados. que smtò como numa primavera da vida. é um homem com a capacidade da beleza para dizer ü m a coisa como poucos escritores da AL. por outro lado. . A literatura que conhecemos na América Latina é a cultura com a bênção pública e oficial. fique aqui. como se ela não fosse uma ferramenta. gera e consome num círculo muito limitado e num raio muito pequeno da população total de cada um de nossos países. A i o Paco fica sozinho com os amigos. Tem uma vida muito ordenada. Mas por que n ã o pede uma licença médica?. um homem envelhecido. do que as melhores novelas de Onetti e Juan Rulfo. ah. uma cultura que se produz. . estrangulam frases. M — Mario Vargas Llosa construiu boa parte de sua obra no exterior. Isso quatro. cotidianamente. Vive às custas da tradição. e mistura todat. .nha. uma história que mostra melhor do que qualquer coisa o seu caráter e a sua literatura. teatro. percebes. A sua crítica à expropriação dos jornais peruanos não é a expressão de um socialismo aberto mas apenas a lamúria da velha anciã liberal. Eu prefiro a literatura da experiência sofrida ou gozada. Falo isto do ponto de-vista pessoal. Aí vem a polícia leva todo mundo preso. cinema.eu me refiro à classe média alta. Há muita coisa mais importante do que o boom. mas aquela que nos é induzida de fora pelos meios de comunicação que respondem às necessidades dos interesses econômicos dominantes. A vida está aqui. G — Eu n ã o conhecia o Rulfo. Era isto que eu queria te dizer. convém que vás ao banheiro e ponhas um pouco de pó-de-arrez". Mas na cidadezinha ninguém sabia o que era Unesco. "Não. Estava toda a cidadezinha reunida e eu tinha que explicar-lhes o que era a Unesco para que soubessem a importância que tinha o fato de um filho de San José chegar à Unesco como delegado do Uruguai. menos a m i m . assim eu ia embora". A cultura que o povo consome não é a cultura latino-americana do mais alto nível. a gente faz um barulho grande de verdade. delegado da P á t r i a ! Tinha que ir aí explicar como fazia. G — É verdade que muita gente pensa que o Uruguai n ã o tem destino nem sentido como país. Muito negra: ele acha que o homem não pode ser redimido. . quer dizer. isto pesa. que me sinto como que renascido com ela. é a nossa m ã e ! " Ela diz: "sim. cem garrafas de vinho. Faz vinte anos que n ã o escreve. das características reais do país que habita. "Não. Estamos vivendo agora uma diáspora . Diz: "Ah. Toma pílulas para se tranqüilizar. em Buenos Aires. três. e continuou comendo. " L a Ciudad y los Perros" (Batismo de Fogo) é a grande novela da violência na América Latina — e foi escrita na Europa. são os tais caras que estripam palavras. E o que pensei é que para um uruguaio é difícil entender que alguém vá deixar sua terra sem a coação da fome ou da policia... Chega lá — e encontra o Rulfo. G — E é um péssimo livro. Guarda o espelhinho e fica. Mas vá a um médico e diga qualquer coisa. Eu queria estar sozinho com você. os três comendo a sobremesa em silêncio. O homem é uma merda e continuará uma merda. Ele é muito mentiroso. onde tinha v i v i d o . mistura pílulas de diversas cores e tamanhos. acorda todos os dias à mesma hora. que escreveu coisas importantes para toda a América Latina. Aí pedimos café. . ele não falava quase nada. E todo mundo sabe que ele não escreve. e que deve desaparecer. G — Mas eu prefiro o equívoco à hipocrisia. Üma vez ele foi nomeado delegado do Uruguai na Unesco. "Não. Foi a pior sobremesa d minha vida. uma concepção muito negra do homem e de seu destino. sobretudo quando ele quer reproduzir a realidade argentina em seus aspectos mais dolorosos e violentos. muito honesto. um cara legal que morreu no dia do golpe de Estado no Uruguai. sabe o que acontece doutor? estou triste. em julho de 1973. E — Você acha que os 24 anos de "exílio profissional" do Cortázar em Paris são os responsáveis pelos equívocos do "Livro de M a nuel"? (O último livro de Cortázar. muito sincera e muito delicada. afinal Vargas Llosa é um cara incrível capaz de fazer um diálogo com 60 vozes. E — Ele anda dizendo muita bobagem hoje em dia. Mas devia ter me dito isso. E Você é um especialista nestas histórias. tudo que ele escreve. não". como sempre. até as putas com suas peles.

um colombiano com cara de argentino — que fugiu para o quinto andar. . os poetas unidos são uma força. eu te admiro tanto. com muito medo do que possa acontecer com o novo livro.. Então. Havia feito várias tentativas de suicídio. é issJo que ele faz. . Sim. porque fixando-se no problema do poder. Se se aceita essa premissa. De imediato penso em dois dos seus l i vros. se o poder individual não funciona. Ele s chama Felipe Moreira. Ele conseguiu a arma e a guardou durante um a n o . são várias pensões num mesmo edifício. G — Pois é tudo mentira. ao nível que eu trato. . Meu ditador diz que "o poder é um peixe vivo". Afinal. com o garfo. creio que por isso interessou tanto. foi a Roma e haviam lhe recomendado unia dessas pensões que existem por l á . porque te ensina a dizer as coisas diretamente. Ele suicidou-se — e eu l i o livro na Venezuela. e . O cara foi pra casa do Borges. respondeu. então èle cria mentiras sensacionais. seria uma história incompleta porque falta uma reflexão sobre o problema do poder... Parece que é uma novela muito diferente de "Cem Anos de Solidão". Casou com uma namoradinha de adolescência. Eu não coloco um livro em termos de melhor ou pior que o anterior: quero dar o passo. — Diz-se muito que Cem Anos de Solidão é uma síntese simbólica de toda a história da América L a tina. . que ele odiava. Ele me contou que da primeira vez que chegou à Europa. e tal. você diz que são inferiores aos brancos. como: "Os índios morreram e estão bem mortos". que são aqueles que escrevem com «as vísceras. E u acho perfeito Ele inventa as coisas mais absurdas. É uma responsabilidade imensa ter escrito "Cem Anos do Solidão". M — É uma história fantástica. e . gosto tanto do que você escreve. M — Você falou coisas muito verdadeiras sobre a morte e so^ bre a coragem. Arguedas diz no livro uma das coisas mais bonitas que se pode dizer sobre uma pessoa — "Estou em Santiago do Chile e gostaria de ir a Montevidéu para ver Onetti e apertar a m ã o com que ele escreve. um dos homens que teve a seu cargo a tarefa de fazer o corpo de Evita sumir. dos latinoamericanos. . G Por exemplo. pode ser um amigo brincando. com os candelabros. pode falar com toda a sinceridadg. ' m á s não diz tudo porque quer tê-lo preso. Disse que haviam recomendado u m . mas você brinca com os entrevistadores e as entrevistas. vê o endereço e vai lá". no meio das toalhas brancas. E o coronel limita-se a dar algumas informações para que a curiosidade do jornalista n ã o m o r r a . Ester disse: "Borges. São hotéizinhos muito simpáticos. ao lado dele o Ronald Reagan é um Pidel Castro. duvidando muito. e o Borges sozinho. pegou e pôs i n teiro na boca. — Vamos ao tema deste. tentando tirar informações do cara que se defende. depois disto. Sai no mes de abril. o alcança na boca da escada e grita: — "você jamais vai ter esta m u l h e r . o Moreira e ele diz: "ah. "Você n ã o viu o jornal de hoje? Morreram mais ou menos 17 ingleses de i n t o x i c a ç ã o ! " . Ele mandou para Crisis duas páginas do original. "Ah. que tanto fabrica culpas. tudo. E u acho que o jornalismo é importantíssimo para um cara que pretende escrever. Um dos sete ataúdes continha o cadáver e os outros seis estavam vazios. Pode ser um cara furioso porque você pegou a mulher dele. diz o Borges. Não sei quem disse que em "Cem Anos" pela primeira vez se havia tratado da vida íntima. Pobre Onetti. num táxi. encontra um amigo que lhe perguntou como ia.. .. não interessa a tanta gente. quero ver Borges". simpatia. Ganha-se a coragem de um Arguedas. e isto faz com que se conquiste uma temeridade e um valor muito maior do que o de outra pessoa ainda ligada a uma ficção de imortalidade. Antes do corpo aparecer num cemitério da Itália. vai dizendo tudo o que pensa dos outros escritores e de todo mundo. diz brincadeiras que eles levam a sério". uma imaginação! Toda biografia dele é inventada. a ser sintético e a ter a coragem necessária para entrar na vida dos outros. mas muito divertida. tudo passa a ter um valor muito relativo. inclusive a versão aceita hoje em dia propõe que a equipe dirigente da Revolução Libertadora em 1955 entre-* gou. A Maria Ester Grillo fez uma entrevista maravilhosa com ele. não restará outra opção que o contrário: o poder coletivo real. . Walsh vai e entrevista um dos coronéis que havia recebido um ataúde. muito corrigido. para que os fizessem desaparecer. que considero o melhor. que é o testamento onde ele diz tudo o que pensa sobre todo mundo. ele inciuía o Carlos Fuentes e o Cortázar.. É possível que " E l Otono dei Patriarca" terá menos leitores porque o problema do poder. que noso jornal publica. Seriam as aventuras de um latino-americano na Europa. diz que quer e n t r e v i s t á . ao trabalho. M — Esta historia do velho Borges nesta situação é tão estranha quanto os contos que ele mesmo escreve. se alguém sabe que vai morrer. Ele me disse que pretende publicar depois um livro de contos reunindo cem histórias que tem num bloco onde ele anota coisas que lhe acontecem na E u ropa. .essa tentativa não falha. e tudo fracassou. bem em cima do outro albergue?" "Sim". Ninguém sabe se será assim. . Crisis. e ameaça. " A divisão internacional do trabalho consiste em que uns países se especializaram em ganhar e outros em perder. Mas isto aí deve ser mentira. perguntaram quem é. . E — Você chega a Buenos Aires.. . mas tive que cortar a metade porque ele dizia coisas que não fariam nada bem a ele. um trabalho muito melhor do que muita coisa que virou moda entre os repórteres brasileiros — e no entanto absolutamente desconhecido. essa é a coisa que mais agarrou o leitor. Aí entra a conversa a respeito de um caudilho do interior da Argentina.G Ele está com essa novela que acabou. É um texto à máquina. — Para meu próprio processo. o índio peruano. você passa o dia todo pensando nisso. E eu escrevo meus livros para poder lê-los. E quando o jornalista abandona o coronel. G — E você tem razão. tem o esquadrão da morte dos poetas que é o pior de todos.E lhe enterramos de pé porque era um macho". é na hora. vai descendo a escada. sete ataúdes diferentes a sete pessoas. pode ser um cara que está indignado porque a revista não publicou um poema dele. do Uruguai". . e o testamento literário e humano de Arguedas. É. ninguém conhece este uruguaio. . Esquadrão d a morte dos poetas.. mente muitíssimo. Chega. — Qual é a idéia central sobre o poder. porque ele vai morrer. bordadas. Ele divide os escritores em profissionais e não profissionais. Ele é cego. porque ele inventa muita coisa. . . em qualquer lugar que v á . tocou a campainha. foi precoce: especializou-se em perder desde os remotos tempos em que os europeus lançaram-se através do mar e cravaram os dentes na garganta. Jamais perdoaremos o senhor Gabriel Garcia Marquez. — Depois do trabalho de fôlego de "Cem Anos de Solidão". para muitos convidados. nunca sentiu o cheiro deles?" E daí para frente. em prédios velhos. Sim. G — Walsh é o cara que melhor demonstra o quanto é importante o jornalismo para um escritor. Na m a n h ã seguinte. Esse é o tema de " E l Patriarca"'. então ele vai embora. Ele ficou t ã o apavorado com aquele monte de ingleses — ele. . O autor está no conto o tempo todo.. . que tinha mais de setecentas. este magnífico jornalista. Entre os profissionais. muito mais curto do que "Cem Anos"... ele pegou o elevador para ir pra lá — ficava no quarto andar — e viu um monte de ingleses de shorts.E são". ele entrou e viu o Borges numa mesa enorme comendo sozinho. Sabe. "Ninguém escreve ao coronel" me deu tanto trabalho quanto "Cem Anos de Solidão". .. a ser claro. "Cem Anos" não é um passo mais largo'que os demais. sente-se". houve n a Argentina um mistério muito grande em torno do destino do cadáver de Evita. uma aldeia de pescadores. que foi enterrado de pé. durante esse ano. da guerra civil dos montoneros do passado. onde tinha um outro albergue." Contei isto a Onetti — e ele começou a chorar. um acossado. . "Que coisas?" "Como os negros . falou. e um omelete de batatas no prato. Mas o que você me diz de Rodolfo Walsh. extorsão. tomando chá na entrada. uma entrevista com um coronel do exército argentino. Sente-se. um romance-testamento. O N O V O LIVRO DE G A R C I A MARQUEZ — Está pronto " E l Otono dei P a triarca?" — Foi entregue ao editor. escrevendo o livro? — Muitas coisas: é que enquanto você escreve um livro. e " E l Zorro de Arriba y E l Zorro de Abajo". Tem m i l mentiras excelentes. Mas ele tem uma fantasia enorme. H á uma única mulher na vida dele. ele escreveu a última novela de sua vida. Mas ele gosta de dizer que viveu muito tempo num bordel.. porque como ele é cego. Mas um dia ele decidiu matar-se com arma de fogo. e ele disse: "Felipe Moreira do Uruguai. Walsh foi um grande jornalista e um grande escritor. o omelete fugindo e ele perseguindo pela mesa. Uma de suas histórias é um conto-reportagem." O coronel que amava Evita. eu penso que o que está rio fundo da coragem é a consciência da morte. que ele ainda n ã o tinha lido. o livro seguinte não deve ser nada f á c i l . desse esquadrão que eu tenho medo. . cordialidade. . São quatrocentas e cinqüenta páginas a máquina. onde ele. e o coronel que está muito tenso com o que aconteceu e transpira (ele é um gordo frenético). em missão secreta. no livro? O desastre do poder individual. "Los Rios Profundos". Quando fui a Montevidéu.. um uruguaio final: não falemos mais nisso porque vão ver o livro pronto. sabe? Mas é um reacionário fantástico. esta mulher é minha!. Tem contos incríveis. a h h h h . visitei o Onetti e lhe falei do livro. — Que espera de " E l Patriarca" em relação aos leitores? — "Cem Anos" é a vida cotidiana. Mas ele inventa uma biografia sensacional. J á falei demais. cada andar tem um albergue diferente. . como tem presa na memória a recordação da mulher que fez desaparecer. nunca chega a saber que poder tem todos os dias o está conquistando e por final diz: "Carajo. M — Aquela do bordel? A vida dele num bordel? Pois o E x . aquela coisa toda. Esta novela de que falei é ao mesmo tempo a história de Chimbote. . e que era um homem encurralado pelas ameaças. Ele decidiu escrever este livro a partir do momento em que decidiu matar-se. E a primeira m e n t i r a . Ele tem a vida mais chata que você imaginar.p u blicou. No meio da violência em que vive a Argentina.. e ficou aí. não é ninguém. e não tem nenhum problema. pois minha avó é do Uruguai. é minha!" Coragem vamos morrer. diz o coronel. "Procura na lista telefônica o telefone dele. que hoje chamamos América. E ponto Um fantástico reacionário M — E o velho Borges? G — Borges é um sujeito muito acessível. telefona para ele. mas está corrigindo muito. E n tão ele está com medo.. não é ameaçada? Não recebe aqueles famosos telefonemas anônimos? G — Crisis j á recebeu várias ameaças por telefone. um conto-real. tentava pegar o omelete com o garfo e ele escapava. completamente cego. aquelas mesas enormes. porque não h á nenhuma possibilidade de lhe arrancar a verdade porque ele j á tentou de tudo. apesar de ser "apenas" uma revista de cultura. Inventou uma biografia totalmente falsa. O livro foi publicado * depois que ele morreu. . a falha deste País é que qwase nunca tem feito algo por m i m " . Mandaram entrar. você s refere à casa. mas você não pode dar crédito a estas coisas. E o cara assistiu durante meia hora a guerra entre o Borges e o omelete. O diálogo desta entrevista converte-se num conte magnífico chamado "Esa Mujer". sim. — Somente uma coisa: o que descobriu sobre o poder. "Estou no albergue tal". suborno.l o . é pra yaler. Mas que o digam os leitores.. Mas jamais permitiria que esta sagrada inquisição sobre a América Latina e seus escritores terminasse sem um toque a respeito da figura e da obra de José Maria Arguedas. « n t ã o . . de capítulo em capítulo. queria conhecer Borges. autor de "Operação Massacre". "Você nunca olhou." . mas todas haviam falhado. Telefonou pra mim e disse "eu quero conhecer o Borges".. Nossa comarca do mundo. E u acho legal um cara inventar uma vida. . a cama.

O operador os passa em revista. mais de cem m i l pessoas visitam os grilhões partidos sempre pronto a transformar em piedade ou em admiração a vergonha que era imposta ao supliciado. um ritual de aquecimento: é a chumbagem das coleiras de ferro e dos grilhões. ela se isenta desse mal por um enterramento burocrático da pena. ou em todo o caso. o isolamento. abstrata e confusa. esta impressão se anula. um sustenta a bigorna. Cada golpe sacode a cabeça e o corpo. Por puro anacronismo? Não. A execução da pena tende a tornar-se um setor autônomo cujo mecanismo administrativo dispensa a justiça. É desagradável ser punido. Cada um pode ver o que quiser: reinvidicações cegas ou estratégias estranhas. Desta passagem. ferreiros temporários. habilidade invertida que não provoca a morte. e a execução é como uma humilhação suplementar que a justiça tem vergonha de impor ao condenado. na pena. Mutação técnica. são pequenas. em todos os estágios da prisão. Os objetivos destas revoltas não eram materiais. Eis o duplo sistema A sociedade em que vivemos e mais humana rio que as anteriores diante dos homens I Vamos ao passado. como no tempo do suplício. envolvendo de uma vez o carrasco e o condenado: e se estava e de proteção que a justiça estabeleceu entre ela e as penas que impõe. prosseguem com os condenados. martelando. talvez. também. Ei-los aqui. E. que eu procurei fazer a história. Uma revolta ao níve'l dos corpos. A morte n ã o é mais a glorificação de sua força. estão fixadas todas essas cabeças. Sentados no chão. o sufocamento. O que gerou as discussões e revoltas. o outro sustenta. Os espectadores populares. estas lembranças e ataques. eram corpos e coisas materiais que estavam em questão em todos estes movimentos. A passagem do I suplício — com seus rituais lumiInosos. mas é também a prisão sobre o corpo que se rompe. não se pensa no perigo que a vítima poderia correr se o martelo desviasse o rumo. no pátio de Bicêtre: o prisioneiro tem a nuca tombada sobre uma bigorna. tendendo sempre a confiá-la a outros. as pancadas. que é difícil ignorar. contra a perda de direitos. como se fosse um bazar de carne humana: são os presos que vêm assistir a preparação de seus companheiros da véspera. se entendemos que eu procuro fazer a história do passado nos termos do presente. o escândalo e a luz vão Ise separar de outra maneira. em 1837. de encorajamento. com os dois braços estendidos. os muros solenes. uma vergonha de punir que não exclui o zelo — sobre esta ferida a psicologia fervilha. diante da profunda sensação de horror que se experimenta ao contemplar um ser humano tão humilhado. Dessa maneira. Os chefes dos guardas. Mas o fundo de tudo é a revolta.. um estranho horror jorrava do patíbulo falso. um sintoma: a substituição da procissão dos forçados pelo carro de presos. as duas divisões da coleira de ferro e m a n t é m segura. mas desta vez a arte do verdugo. ao fato de que assumia em uma só manifestação os dois modos de castigo: o caminho para a prisão se desenrolava como um cerimonial de suplício. a estreita expiação do mal e libera os magistrados do papel vilão de castigar. é a •própria condenação que admitiu •marcar o delinqüente como signo' Inegatiyo e unívoco: publicidade J p o r t a n t o do processo e da sentença. com todos os seus bloqueios políticos do corpo que ela procura imitar em sua arquitetura fechada. a justiça não se furta mais de acusar publicamente a parte da violência que está ligada ao seu exercício. e sob o sinal do segredo. 'preIsídios de todo o mundo < revolItaram-se. O que está em jogo não é p quadro mais ou menos sujo ou mais ou menos ascético. É desta prisão. mais rudimentar ou mais aperfeiçoado da prisão: é a sua materialidade na medida em que ela é instrumento ou vetor do poder. Mas eram. mas um elemento que ela é obrigada a tolerar. A importância que parece ter assumido como espetáculo. a fome. os tranqüilizantes. e nos que a distribuem. numa atitude de sacrifício. não menos sábia. contra o próprio corpo da prisão. o terceiro bate com golpes redobrados e achata a haste metálica sob o martelo compacto. fazem reviver este funcionamento bem estranho às regras da -ciência penitenciária". nos infligimos. os guardas e também contra os psiquiatras? De fato. uma técnica de aprimoramento afasta. psiquiatras e psicólogos _ não chegam nem a mascarar nem a compensar. ou antes se apaga. A ordem e a riqueza vêm ver passar de longe a grande tribo nômade que se encadeia? esta é outra espécie que povoa as prisões. suas Ipalavras-de-ordem. O desaparecimento do suplício é pois o espetáculo que s apaga. não é a de esmagar a cabeça. Há na justiça moderna. revoltas contra as prisões-modelo. e .Tradução de Marli Savino de Araújo 4o curso dos últimos anos. sua arte confundida com luma cerimônia do sofrimento para penas em prisões encer_ l radas em arquiteturas maciças e guardadas por segredo das de administração. Uma onda de violência se espalha e não cessa de correr durante todo o processo. pela simples razão de que ela não é mais do que um instrumento. Seus objetivos. mas contra o conforto. como contra um cepo. é a passagem de uma a r t de punir a outra. agrupados ao acaso. •Doravante. operava-se a negação teórica: o essencial da pena que. as grilhetas que cada um e e de Paris. e segundo a sua estatura. é necessária a cooperação de três verdugos. não é a passagem a uma penalidade indlferenciada. se procuramos fazer a história do presente. no fim do século X I X . Acima. mas pouco glorioso punir. Pois é esta a dimensão do espetáculo público: segundo a "Gazeta dos Tribunais". reunidas. ínfimas materialidades. De saída. subsistia ainda sob a Monarquia de Julho na França. "curar*'. que a tecnologia da "alma" — a dos educadores. Eram revoltas contra toda uma miséria física que data de mais de um século: contra o frio. em 19 de julho. De resto. tomando a medida das cabeças e adaptando as enormes coleiras de uma polegada de espessura. então? Revoltas contraditórias.. As marcas da infâmia se redistribuem nos castigos-espetáculos. de golpes. como estão em questão em inumeráveis discussões que a prisão produziu desde o começo do século X I X . n ã o creia que consiste em punir: procura corrigir. é ligada. Nas grades do caminho da patrulha. a cabeça do paciente. que o operador vai revirar. Sim. enquanto havia esta distinção administrativa. reformar.. de raiva ou de cumplicidade. deve carregar p«sa sobre os joelhos. nós juizes. contra o serviço médico ou educativo. As narrativas do "último grilhão" — que de fato muito marcou a F r a n ç a no verão de 1846 — e dos escândalos a ele ligados.. Não mais tocar o corpo. tradição que vinha da época das galeras. de ameaças.. ela se m a n t é m à distância. Para fechar uma. seu desenvolvimento tinham alguma coisa de I paradoxal. percebem-se pernas e braços pendentes através das cabines. dispõem da bigorna e do martelo. com uma expressão morna ou audaciosa. é toda a tecnologia do poder sobre o corpo. O grande pátio de Bicêtre x p õ e os instrumentos de suplício: fileiras de grilhões com suas coleiras de ferro. O grilhão. em suas ambíguas trocas de injúrias.

automóvel e telefone. Fazer como aquele francês. vem sem dinheiro ou com dinheiro. bem humorado. comecei a escrever levado pelo princípio básico de que se deve fazer o bem ao próximo acima de todas as coisas e na medida das nossas forças. Quinquilharias. o exibicionismo. . Paul Demougart e Jean Floubert.) Moacir Amâncio . Delírios e Tormentos". por assuntos eomo a "Cura do Câncer'. de Plínio Marcos a Guimarães Rosa. Vendeu nada mais nada menos do que 300. que é salutar e muito normal. além de despertar o interesse pelo sexo. do iê-iê-iê à valsa e a t é mesmo um ritmo novo no Nordeste muito pouco conhecido. etc. é bom a gente evitar nomes comprometedores. Nas suas palavras. Não é p r á menos.. se tu estás por fora das transas do sexo. altamente eróticos. Minas Gerais. vim para a casa dos irmãos. de avião ou pau-de-arara. respectivamente. Mas quando se passa para os romances e contos de William Parkson. sposa. muito natural.. para n ã o dizer bugigangas e roupas.. O que realmente "nos interessa é que ela era uma mulher sensual. Vai de Paris ao Rio de Janeiro transando com a mesma facilidade e competência. Sergipe. Aí entrei para a polícia e depois. passa por provérbios populares ou do Belinho mesmo. bacana. Viva o sexo! Estes são os livros "Eróticos". ah! é norte¬ -americano? É mesmo? Pois eu pensava que era francês. os livros ajudam bastante. Insegurança causada também pelo fato consumado de que um nome gringoso vende mais do que José da Silva ou Antônio Batista. Não vim na pior não. Inclusive. não. Numa dessas de erotismo n ã o se pode ver muita chance para o tal bom cristão que Belinho afirma ser batendo no peito. que nem mesmo o Rabbath do Teatro Natal conseguiria bolar: "Seguinte. . E h á o filólogo do "Dicionário de Gíria" dos marginais na 7. que são as vítimas dos meliantes. inclusive uma irmã que é freira em J a n u á r i a . em matéria de arte e literatura eu faço de tudo. tu vais te esbaldar. sim. Belinho é polígrafo. . Inclusive Willan Parkson. n ã o cite o nome. segundo ele. como bom cristão. Mas é isto mesmo. Sua trama semi-consciente é bem urdida. a Interpol faz bom uso deles e h á pouco a editora Luzeiro recebeu um pedido completo para a África do Sul. de endoidecer São Pedro em dia de mau humor.A Operação': "Outra -mania" que os patifes têm. Belinho chega longe. dos espertalhões". que n ã o passam de uma única pessoa. a necrolatria. "Sexo. Enquanto o papo fica nos livros de "Utilidade Pública" a coisa é bastante óbvia. cabelos crespos. O "Dicionário" é estudado por gente especializada na área da universidade. Uma semana depois comprei casa em São Paulo. como é conhecido na delegacia pelos colegas ou na rua esburacada da Vila Gustavo onde mora. não liga pra isso. U m exemplo pode dar a medida da . erótica". Na Argentina. luta mesmo. três em um. h á muita despesa e dá prejuízo. o sadismo. seguindo o lema de que não h á bom profeta em sua terra. o Carimbo."útil". emitindo ao mesmo tempo seus conceitos morais e policiais. Nordestino em geral é um cara que é jogado. Do segundo nasceram mais três. o pai fazendeiro chegou a m a n d á . — Como é. nos meus livros sobre vigarice jamais citei um nome sequer. uma mulher por exemplo. edição. bicho. Inclusive "Utilidade Pública" é o título de um deles. é natural. . Porém nas horas. — Até os dezesseis anos vivi com meu pai . Kenny nasceu em lugar incerto e não sabido na Europa Central — o autor dá algumas dicas mas não todo o serviço.coisa. porque alguns dos seus muitos" irmãos viviam aqui. Não era pobre. que. achou que deveria entrar numa diferente também com isso de nomes. Um experimentalista? Numa diferente Felisbelo ou "Belinho". mas essa vidração na Europa não é exclusiva dele. conta ao leitor muiita coisa . É do capítulo . nos seus dois últimos livros ("Explosão Sexual' e . Além disso gravou 18 músicas de todos os gêneros populares. Na primeira encontram-se livros de "Utilidade P ú blica". Mas a maioria vem por necessidade. De vez em quando.seu Belinho? Acontece que ele é mais coerente do que um louco. com milhares de verbetes. achou que deveria fazer o bem ao próximo. onde o autor. gente do Norte e Nordeste. — J á sacou amizade. ainda mais brasileiro.. As repartições públicas estão cheias de chefes nordestinos. São Paulo e Rio. foi o livro que mais deu trabalho. — Foi depois do exército. porque os meus livros eróticos.. Prazeres e Crimes". etc. por fatalidade e obrigação. que a barra é pesada. a necrofilia. paguei um conto e seiscentos e pouco. Sua explicação é outra. o furor sexual". vim de avião pela Real. Pode ter certeza: ele não tem vergonha do seu nome. debruçado sobre a mesa do botequim no Arouche onde conversamos. 102 anos » O bem acima de tudo Estatura baixa. Além disso este livro pode servir como vocabulário auxiliar para os leitores do autor que estejam por fora. -sem nome de judeu" Quando muito pode-se ver insegurança na adoção dos pseudônimos. não cite o nome dele por favor." Nesses livros encontra-se de tudo. (Entrevista com o escritor na última página deste suplemento. a palavra vem de Narciso. excessivamente brasileiro. o narcisismo. n ã o inventou aqueles nomes explosivos porque achou que o seu era um nome ruim. acho que era grego. durante quinze anos de carreira literária. e e a FELISBELO escritor d a silva — Eu faço um erotismo elevado. Quem é Kenny? A julgar pela loira da capa deve ser um daqueles materiais de primeira. ele manda: Belinho nasceu em Própria. Paul Demougart e Jean Floubert. Por isso ele n ã o é louco. surge alguma complicação. Novamente as maldosas listas são postas em circulação. está na cara. Ainda os assinados com o nome verdadeiro e com o apelido: -Explosão Sexual"' e a -Gíria Sensual'* (contos).l o estudar em Recife. com a prática da vida e a minha vocação. como diziam os escritores no tempo de Cristo. mas é difícil passar daí. Daí o fato de se dizer que as faculdades estão repletas de nordestinos. a pessoa fica se olhando. "ajudar os menos favorecidos da sorte. com a boca sempre cheia do queijo que come temperado com cerveja. Meu pai morreu de velhice com 102 anos. que existe tanto em mulher como em homem.A Gíria Sensual") ele aparece como Felisbelo da Silva e como Belinho mesmo. ao curso de madureza completo j á concluído e ao curso de direito em Pouso Alegre. Fechei porque em São Paulo se n ã o for um negócio muito grande. os militares em todas as partes. outros com o espírito de luta e muitos deles conseguem vencer no grande centro. Lembre-se que ele nunca saiu do Brasil. a) o escriba". é a de pedir dinheiro-para operar um filho. A começar pelos títulos:''Kenny. 23 de São Paulo. hoje possuo três casas. Então ele se prepara para deitar cátedra: — Mas você sabe o que é necrolatria? — Não. Os livros de "Utilidade Pública" são usados nas escolas de polícia e h á traduções deles em alguns países. Seu assunto. Este último por sinal tem uma chamada a caráter. se estás entrosado nessa onda legal. Outro exemplo. — É a pessoa que n ã o tem relações mas gosta de ficar se esfregando em cadáver. Lá no Nordeste eu era negociante de tecidos. Tive uma lojinha na Senador Feijó. ^ e l i n h o fala de boca cheia e sem papas na língua que começou a escrever livros porque. é a marginália. dos quais vendeu mais do que a maioria junta dos escritores nacionais (com exceção daqueles grandes campeões). Esta parte da sua obra n ã o fez com que Belinho ficasse conhecido apenas de certa faixa do povão. Eu não faço como esse autor aí e outros estrangeiros que se prevalecem da imoralidade para faturar com major rapidez. como se diz na gíria. Pior ainda. Autran Dourado ou Osman Lins Entra muita gente.000 exemplares. inclusive eu No segundo consórcio meu pai contava 59 anos e minha mãe quinze. É um judeu a í . sabe por que? Porque caiu e quebrou a perna e n ã o dá pra encanar a perna de um homem de 102 anos. Felisbelo publicou quinze livros. 45 anos de idade.que ele considera de folga torna-se um misto de romancista-filólogo-poeta-desenhista-músico. Sexo. n ã o vim na pior não. Foram os primeiros que escreveu e que também levam seu nome por extenso. desliga deste. mas. e o povo — menos esclarecido — dá o seu dinheiro sacrificado àqueles que preferem viver da fraude. investigador de Polícia no 9. Naquele tempo. para o bom católico que ele é. Mas não sabe ao certo o que fazer depois. jeitão lembrando o Teixeirinha (Churrasco de Mãe). numa linguagem que só poderia ser classificada como própria. português é que nem cavalo. Nos últimos anos Felisbelo tem se desviado um pouco das atividades literárias para se dedicar mais à música. "O Manual Prático — Social — Médico _ Policial" abre-se com um artigo sobre "O Desarmamento Infantil". Todos os tipos de malandragem vêm descritos mais ou menos na forma de crônicas — o autor nunca deixa de estar presente com seu corpo e sua alma. de forma que o homem pode ler e uma moça também pode ler. limite com Alagoas. pode-se dizer que venci. Aqui em São Paulo tenho irmão com mais de oitenta anos! Aos vinte e dois anos resolveu vir p r á São Paulo. Detalhes sem importância. de Carlos Zéfiro a Hermilo Borba Filho. " P a ris. Sua obra divide-s em duas partes. Sem pestanejar. Do primeiro consórcio do meu pai nasceram dezenove. Como n ã o é judeu? É gringo e gringo é tudo judeu! Não. gravado por um conjunto que leva o mesmo nome. Uma beleza. Meus livros. Tenho irmãos espalhados por todo o Brasil. j á falecido. chegando mesmo a assistir missa.ÊLiteiãrío Suplemento. é atirado. A razão da m u d a n ç a é bastante simples: — Muitos nordestinos que vêm pra cá estão bem de vida lá. que é também uma tara sexual. . O nordestino é como português.. E sobretudo universal.° Distrito (Santana). como se faz um requerimento. n ã o são pornográficos. Um intelectual. que deverá terminar neste 1975. Eu apresento todas as perversões sexuais mas de maneira decente. uma mulher sexual. Como nunca teve preconceito em matéria de arte. -Remédios Caseiros". uma moça deve saber o que é o lesbianismo. Trata-se do sergipano Felisbelo da Silva. desemxabido. porque tem mina pacas. com maior segur a n ç a .. Comprei logo unia casa no Tucuruvi. Vem por aventura.pode se chamar de Cassandra Rios a Jorge Amado. miudezas em geral. o que está claro pela diversidade dos gêneros que pratica. em novembro de 1928.

amante de cicatrizes. o pai. Editora Vertente. nutos) porque pelo ganhou todos os tava excitado ou porque prêmios do gênero álcool no ano de lança. Só NO TEMPO DE CAETANO Portugal.VÍÍ ser superior a metem arrepiar de três. portanto praticamente incapaz de iniciativas. Lindo país. método de execução instituído na Espanha A VOLTA DK no final do século "MALAGUETA". pianista caseira. A escravidão. velho sonho de rar quinze anos: conhe." rigido por Maurice Antônio se encarSapovilla com diá. A intenção foi fazer um livro direto. Seu personagem." Edições Ilha Deserta. Ah relincho dos cavalos pampas! Ah canto fúnebre do t r e n ó ind í g e n a pranteando o chefe moribundo! Morangos silvestres. azul. O não agüentava mais. depois vestida como Marilyn Monroe. ." "— Você é autor de boas histórias velhacas". manifesta-se pelo conformismo de completar uma extensa lista de personalidades às quais dedica sua biografia quase pronta: só falta o final que ele só vai poder escrever no fim. oh ca — América ó a m é r i c a de mi casso oh a m é r i c a petrif alga do que j á foi outre a grande e adorável conf das tribos do Golfo. Mas. segurando uma truta na sua m ã o moribunda. Alemanha claram: "Bem exeOeidental. desinformada parece sintetizar criticamente todas as personagens que fez nas telenovelas.afirma Antônio. Sérgio Mamberti. do amor) retornar. está se dizendo tudo para deixar a surpresa para a hora de ver a peça. Zé Júlio é de Cambe. pei fisgar. O cargo é vinovo. uma criação conjunta de dois artistas novos: Mareei Faerman (texto) e Sandra Abdalla (desenho). Brasil. cruza com o Ibraim Sued.Livros 13 pontos: o primeiro romance brasileiro sobre loteria esportiva.vardugos tão de volta em país ibério não degrande estilo e pro. e iazia o respeito (náo aquele vindo do medo da grande nação. con- torce-te e esmurra tua d í g e n a com o ú l t i m o 1 do amor do amor.. "Reveillon" é uma surpresa porque não pretende nada de novo: é o próprio novo não como máximo. Nem a reaparição de Fernando (Enio Gonçalves). ó réqu . dos Choctaws. Curitiba. A lingua portuguesa é linda quando bem usada. como diria o talício. o tremor mens. começa com breviário do autor: "Para que tanta • desculpa? Sou covarde. reacende a vida em Janete. não quero nada que chamem de literatura. Do guerreiro Brave.Mauro de Mack mas é o crítico dc música Maurício Kubrusly (Jornal da Tarde): "Eu quero concorrer com o Zé Mauro de Vasconcellos. Meu destino é fazer parte da massa subjugada e importante. no dia 2 de muquinfos e bocas março de 74. um cordel urbano. o sem-rumo.sem o pulso. Murilo. Es. romance de Wladyr Nader. cada vez mais robotizados. Aquelas porres todas. Camisa de Força. Marct'! Agradeço cordialmente aos editores do Ex a publicação de "Você já olhou pro céu?". esperando o filho Guima para a festa de Reveillon: o poeta. deu ao autor o maior de todos os elogios que Jcão Antônio diz já ter recebido ein vida: : vil faz sofrer menos qüe a cadeira elétrica ou a câmara de gás. Editora Mu. o de h á muito profetizou " v Trombetas heráldicas branco afinadas segunc lodia coiote para larc morte do sol poente a pE t r e n ó de cada moribun e exangue. vulgar. lona.o ofício. aquela época. Quando se pensa e como se escreveu nos jornais que » i uma situação fami liar. fez ram: Continue. que p. A exploração detestável. Antônio e GUETA. Regina Duarte fazendo a f i l h a montada em tamancos.a execução de José CANAÇO" será fil. ah lamento da américa. nando VII. A lei declara três malandros d"' que o número de para o João Antônio — es. Anna Argentina.p e n a s . de cada um dc morrendo lentamente. é ilustrado por artistas cambeenses: Manuel Yepes Frota e Cláudio Cambe (autor da capa). em mado nas bocas de 1959. moça de tenda. a decadência do coração português. de José Júlio d? Azevedo. Cada vez que o governo os convoca para cumprir uma execução. história. já preten. dona-de-casa destruída pela falta de compreensão das regras do sistema em que vive.Desde que iniciaram mo mês "MALA.. O autor esteve do jovem anarquisem São Paulo para ta Salvador Puig localizar todos os Antiach em Barcesalões de sinuca. batia um papo com um mont-: do gente. e possuir físicas" TV GLOBO vai "aptidões transformar no mes.tônio e "Vicente depanha. para ter está realizando um coragem de ver gia manivela". n ã o despedaces mais o rato almiscarado com tua m ã o carnuda. irmã guerreira. empresado no escritório de financeira paulistana até ganhar o maior prêmio. O personagem é fictício mas anda pela realidade do todos os outros ganhadores. venho sentindo falta desse tipo de estímulos.com a prática. Seu livro foi lançado em São Paulo em abril.pedi aos je considerado uni que lhe examinasclássico da literatu. oh sugadora de petróleo d i s s o . entoem le te o lamsnto. trigo do mato — oh escassez de homens! Mulher pele-vermelha de pescoço comprido. jornalista. praticando ao mesmo tempo sexo e auto-repressão sexual. na prisão de inferno originais da Carabanchel. Yara Amaral. lho e quente na sua r de couro — Balancem lentamente lho.. mas aquele nascido da admiração. que p . ô amé¬ rica dos noruegueses e suecos. Até o nome é lindo. Belo Horizonte. original.depois de sete midia filmá-la mesmo nutos. PERUS E BA. Os respondera brasileira com. a peça é nova porque atrai o espectador da classe média e o envolve numa trama sinistra delicadamente. mas desespera-te. Louvo a coragem dos que dizem não não não louvo a humildade dos que dizem sim sim sim existem homens fortes e homens fracos ambos são castigados os fortes porque dizem não os fracos porque dizem sim a rotação do poder continua e sempre haverá os que dizem sim MEMÓRIAS DE CARRASCO Vinte e cinco anos depois de escolher sua profissão.regou de cumprir a logos de João Antô. O mais leve dos pés.. onde se passa o a mais penosa de conto c "MALAGUE. a 50 anos.sentença de morte nio. oh cantos quiem — O tropel nas p l a n í c i e s d nhos fantasmas de anil comidos apodrecendo a < Perseguindo o espírito d terra pelas p l a n í c i e s afi na eternamente. sem ser canalha o piegas como ele é. Não sou especialista em crítica de obras literárias ou artísticas. Oh a m é r i c a . Obrigado a Mareei e Sandra que me ajudaram a olhar pro céu. ter menos de edição do livro. no último dia do ano não se está dizendo nada ou melhor. E o português ticou na história como idiota da piadinhas de humor negro. por exemplo. mas acima de sua morte há uma conta de luz a pagar. dos Creeks. que é minha profissão. Como ela. V i cente e Antônio publicaram suas memórias em um livro: Los Verdugos Espanoles. O livro e popular. Cabral. Que m. "E.médicos temporánea. num apartamento. São Paulo.. de Deus e dos tratados desfeitos. pois o que acontece não se assemelha a nada do que se viu por aqui ultimamente. Foi com essa sensibilidade de repórter que reagi favoravelmente aos estímulos da bela obra de Mareei e Sandra.. o mais veloz. Se eu pudesse eu ia até aquele País. uma vez ele discute com a mulher. Tenho apenas a sensibilidade de um repórter. "temos quartas-feiras — di. As condições para o autor. Em Madrid publi¬ cou-se um estudo de Pilar Gomez Bedate com o titulo: "João Antônio y la Picaresca Paulista" Mas entre as opiniões sobre a obra a de Marques Rebelo ficou famosa. abeto. Pra p. transbordante de juventude. do tabaco de mascar. Além de cons derar "MALAGUETA PERUS E BACANAÇO" um dos livros mais importantes da moderna ficção brasileira...gradantes res de vida nada da forca e da torrespeitável — os tura". milho caboclo. uva-do-monte.cargo: ser maior de nho uma segunda idade. WAKONDA! Talako! peru alcoolizado para a morte fazendo glugluglu na noite de passos ma¬ cios! Penas de pontas azuis amarelas vermelhas tingidas com arando b a l a n ç a m na d a n ç a louca do fogo hahaha homens mortos homens de pele vermelha homens. trágica. lhes envia também os sinceros votos para que: "Deus os guarde por muitos anos. ho. comédia de Flávio Márcio montada no palco pela direção de Paulo José e cenário de Flávio Império no Teatro Anchieta. tem mãe que gosta da Hebe e se assusta com a polícia.c o m . a morte . para BACANAÇO" acabar com "as depráticas Esses três senho. sem emprego. que o homem antes de editada. e Tchecoslováquia. Demócrito Oliveira Moura — Central Parque da Lapa — São Paulo (SP). dos crimes.. foi TA. Venezuela cutado.c a b e ç a na noite! Fúria animal de carne no osso no terreiro quente de fumo! Cantos de réquiem para a confed e r a ç ã o dos índios do sudeste norte-americano! Ah. (Alexandre Solnik). grande carreira — da está incluído em (! Jarabo resistiu a antologias nacionais morte mais do que i inclusive escolares o previsto (25 miese para-didátieas). O autor assina . No cenário forrado em partes com jornais. cendo a história h > quando comprovei. G regory Corso tradução de Marcello Corção. PERUS E Vicente realizaram BACANAÇO" num um total de 39 exeCaso Especial — cuções e declaram: aprendido horário nobre da. uma truta orgulhosa apanhada com sabedoria. Antônio e Vicente são especialistas em garrote vil.. médicos livro de contos.era de forte muscumento 11963) c tem latura. a ir tribo Kiwago devastE tranqüilos Dakotas.Maria Jarabo. os dentes do falcã nos de casca. Há muito ternpo. nos subúr— Jarabo havia bios e no centro bebido várias doses da cidade de conhaque duranMaurice Capovilla te a noite. senta numa escrivaninha cercado de plihas de jornais. o garrote Cartas REVEILLON Alienação diante da morte: esta é a história de "Reveillon".n a . em órgãos da imprensa nacional de grande penetração na massa de leitores. p e t r ó l e o de dias i lebres para caçar." traduções esparsas Atualmente. só reajo com a corda no pescoço". branco.suas memórias. XIX pelo rei FerPERUS i. p é s velozes c < tribos dali sobrepujada para comer para am morrer ah cantos fúnebres. ainnão terminou. pois sua Janete tem as mesmas características embora seja mais esculhambada. saques e massacres. antigo amor. . e pranto. FERNANDO PESSOA! P . Que maravilha. Enquanto exigidas aparecerá em ju. Epopéin do Gilberto. que se pode obter em criatividade no gênero humano. Edições Digital. e os que dizem não louvo a vontade dos que dizem não e a humildade dos que dizem sim choro ao saber que os que dizem não continuarão a dizer não quando a situação for sua e os que dizem sim continuarão a dizer sim sim sim e sonho o dia em que tirarem dos dicionários e dos corações os pronomes possessivos O poema é do livro Havia um Caminho no Meio uas Pedras. Tudo está perdido pela família. cidade norte-paranaense. A colônia.

grito nas trevas. O avião a jato risca velozmente o céu do Texas. Réquiem A noite o motociclista índio P é -negro com um cinturão largo passado na cintura mais selvagem do que os olhos luminosos do falc ã o senta em sua possante motocicleta preta ajeita-se no assento e arregala os olhos na e s p e r a n ç a de loucas aventuras saindo numa disparada pela rua abaixo mais veloz do que a correria de seus antepassados a cavalo pelos desfiladeiros cobertos de f u m a ç a c pelas cabanas embandeiradas A h a t í m i d a sombra de Kiwago agora! o ronco louco do cano de escapamento de sua moto Indian ecoa nas ruas como o ruído ensurdecedor de ferro e lata explodindo brrrrrummmmm não há apenas no seu capacete oleoso Ah ele é uma m á q u i n a veloz a vapor correndo na disparada sem banda de m ú s i c a para o receber é uma pena ele ser estúpido a ponto de sentar-se no Horn & Hardart em sua visita à Nova Iorque e sentir-se feliz na companhia de garotas de faces rosadas e cabelos louros que conversam sobre a sua enorme moto e a moto enorme delas. o uísque. o rei.. oh americano. ah canto de réquiem. o chumbo grosso.Dema do índb na moto cudam lentamente o vento dos ventos. transforma-se na carcaça vazia dos c r ã neos sem cabelos dos mortos que procuram na sepultura dos brancos a criança de cabelos arrancados. o milho nasce com fartura e a noite é eterna. nada lhes comove a n ã o ser festas. n ã o h a v e r á mais filhos nos anos vindouros. exalando o aroma ú m i d o de tabaco e coisas doces. triste e orgulhoso morrendo — Em direção ao território coiote da montanha e da lua. c h ç i o de ar. oh morte Ah as balas. devora o sofrimento e n ã o h á mais sofrimento para o í n dio. assim como o dia. c a n ç ã o singela de um trisk menino pele-vermelha c a n ç ã o na noite sob o olhar da cabeça que espia com curiosidade de c a b e ç a intrusa de Zeus trovejante e zombeteiro. teus urros. sem música. o sábio conselho dos reis reunidos n ã o e s t á mais quente com vida. ah essa angústia. extinto. n ã o se perde uma partida de bola. as fivelas largas que usavam. lugares distantes. enrugado. obrigue teu espírito a bater asas. ó Touro Sentado! homem cor-de-ameixa Jefferson L ê n i n e L i n coln homem pele-vermelha morto. o ú l t i m o Í n d i o louco sem peixe nem pés d e s c a l ç o s nem caca na floresta altiva. Ah a tristeza inelutável nessa eternidade i n d í g e n a . dos p á s saros. réquiem . perus assados. américa. entrepostos de comércio. Rude. e uma nova era. os novos atiradores. é dele o ú l t i m o canto de réquiem a ú l t i m a a m é r i c a A F E S TANÇA DO F U N E R A L ESTA SAINDO os votos de boa sorte são acenados. Mohawks.. que os d e m ô n i o s se reuniram para pilhar e pilharam. postos a v a n ç a d o s . Ah ele se comporta como um anjo no meio delas embora sua a p a r ê n c i a citadina seja sinistra sinistra quando fuma à noite um cigarro numa ruela deserta. pés ligeiros. vestidos da c a b e ç a aos pés com roupas d couro — ARR A N C A M na disparada pela estrada cor de terra da Morte. desaparecido. uma nova luz. morte. os Oneidas. o lento chefe da morte. dos orgulhosos conquistadores. oh américa. do dia e da noite. o abutre. os Iroqueses. n ã o h á mais nenhuma í n dia grávida. lá vai o índio na sua roupa de sacristão. trenó i n d í g e n a . gritam e morrem. desajeitado. e pegadas t r a n q ü i l a s do homem à procura de Kiwago. o deserto sem f u m a ç a . acabada. marcos de caveiras. Os bacamartes dos pioneiros. a noite devora os moribundos. acabou. o pequeno Richard ouve a trombeta prodigiosa e no desastre ocorrido a toda velocidade seu blusão de couro. oh a m é rica. louco nos joelhos que cavalgam a motocicleta. das bruxas de capuz branco nas cabeças. Ah feiticeiras. sem trenó. homens de jaquetas vermelhas e de jaquetas azuis que morrem. a morte e a terra. oh cantos fúnebres. a algazarra exultante. da necessidade dos filhos. os óculos de corrida j á foram colocados. oh n a v e g a ç ã o rasteira. a m é r i c a milho. n ã o . E mantas e p l a n t a ç õ e s de milho. v ê sem franzir o cenho seus matadores mortos. ah o condor. milho assado e carne seca. américa. ó c é u do Oeste. rezam. batendo as trancas louras de uma criança contra o pano sujo. triste e sem vigor. que lhes dão g r a ç a s ! Oh alegria! oh anjos! oh paz! ohterra! terra terra terra. américa. morte. oh réquiem — Casas de madeira. Algonquianos. a a m é r i c a carroça coberta de pioneiros. devastadora de terras virgens. milho. sem f u m a ç a . ah a m é r i c a a m é r i c a — Todos os anos Kiwago vê seus bezerros emagrecerem. P é s -negros. ah as penas murchas le. as grandes cordilheiras de montanhas. b ê bado. ouça o vento desta noite raça de Okla» homa primeira a chorar no lamento das monanhas. sem fim. essa morte. n ã o h á mais meninos cobertos de brancos ornamentos de couro. ingleses. risível. o Kiwago da planície remanescente — Todos os anos Kiwago vê o deserto imóvel. na noite quente. teus brados. n ã o mais. Senecas. Ela desaba em meio a uma raontoeira de coisas espelhadas. a m é r i c a Kiwago. desolado. o triste rei perplexo e ferido "dos Mon• tanas. oh américa. reiincha como nos velhos tempos! e III . são circunspectos. agora a índia n ã o trocará mais sorrizinhos com sem bem amado. entoe um lamento fúnebre que faça o trige preto e branco tremular altivamente em louvor do índio que nunca mais h a v e r á de nascer. massacre. oh cantos de réquiem. do brilhante e contudo desaparecido t r e n ó f a n t á s t i c o . E a noite. esperando o fim. homens quakers. Que a histeria da mulher pele-vermelha abata-se sobre a a m é r i c a . américa. Ouça as planícies. o deserto seco sem l á g r i m a s e sem filhos. as p l a n t a ç õ e s de milho. holandeses. E m u d e ç a m os c a ç a d o r e s franceses de peles que zombam nas suas e m b a r c a ç õ e s fluviais. um novo dia. terra de sol vermelho. os chapéus altos. sapatos de couro patenteados.. encubra a terra de nuvens. desleixado as antigas i n d u m e n t á r i a s e as botas brancas se perdem. sem cavalo pampa. todos homens. os pneus s ã o cheios. encardido áspero da tenda. esse monstro-morto. devastada. A c a b e ç a curvada de um índio é suficiente para curvar a cabeça de um cavalo e os dois juntos morrem morrem morrem e nunca mais morrem definitivamente. essa noite. a noite das é g u a s e dos potros. trovoadas provocadas por pássaros f a n t á s t i c o s . d e s e n g o n ç a d o . nunca vista. Vales secos. com suas espingardas e balas. Réquiem. o deserto triste e sem índios — Todos os anos Talako vê o p á s saro voar sem flecha perseguindo-o na sua paz do céu. que tocam os pífaros. mas em lugar disso as pedras mortas. as nuvens dc poeira percorrendo a terra de uma extremidade à outra — réquiem. tribos. hordas. atiram e derrubam o mais velho dos touros. teus gritos. esfriam os â n i m o s . a cabeleira arrancada dos homens a primeira í a c a que penetrou no coração de uma idade selvagem. que morrem. que morrem. que n ã o se ouça nenhum canto de guerreiro perante uma tal abund â n c i a de ratos almiscarados e castores.. a ú l t i m a resistência dos quakers. o riso orgulhoso de homens sem conta. Salem e Nova Amsterdã. B í blias. as flechas. Cansado. o índio Seneca dorme.. das correntezas. crianças pequenas. Poeiras. as árvores secas.. n ã o conversará mais de amor difícil e da necessidade do homem e da mulher viverem. destruída. cada ano é um outro ano. da a m é r i c a virgem calma selvagem. jovens que rufam os tambores. frutas saborosas. que praguejam. massacre. antes de perecerem. os Onondagas. o falcão os dias da abundância passaram e tu t a m b é m . Ela justifica. as carroças da conquista incendiadas por flechas. as costas livres do cais. fortes. calor. perdida. vestidos que queimam. t á v e r n a s . o braço delgado e rnusculoso que segura a l a n ç a n ã o se levanta mais. o motor. O relincho chorado dos cavalos. umidade. homens reunidos no alto que inclinam Suas c a b e ç a s brancas cobertas de palha e morrem à maneira dos cavalos pampas com a lua nascente. filhos. n ã o h a v e r á mais aparência de vida. territórios Apache. doces e geléias que saboreiam rodeados de uma m u l t i d ã o de convidados felizes e surpresos. Ah américa. na sua liberdade de devorar tudo que existe da velha a m é r i c a . com peles. circunspectos. os Mohawks. américa. sem vento Na luz sombria e terrível do Terreno da Caça Feliz Três gerações de chefes exibem seus troféus i n ú m e r o s de cabeças humanas. juntos. jovens e mortos. indiferente.. morte. dorme apenas. o rum. Oh nuvem de tempestade. vadas pelas brisas da tarde. de vida aprazível. esperando. jovens louras que morrem. nuvens. morte. sem horizonte. molenga. cavalos. desprezem-nos. teus relinchos e explosões de e choro! Calamidade i n d i â n i c a ! n ã o f o i . a alegria das lestas e das d a n ç a s terminou. a gasolina. os freios — está tudo em ordem! í n d i o s de 1958. de pontaria certeira. vazia. Lamentem o ú l t i m o t r e n ó arrastado pelo cavalo pampa. das árvores. Ó J e r ô n i m o ! Washington Bolívar de rosto duro como níquel de uma cidade moribunda que nunca existiu. Iiiiiiiiuuuuuuuu ! Hhhhhaaaaa! EEEEEEeeeeeeEEEEEEaaaaaa! Morrer morrer morrer morrer morrer morrer. chuva-no-rosto.

não pensa que caiu do céu. para ser desenhista. portanto. para a pessoa escrever. é a arte maior na literatura. . mostrando ao amigo a sua plástica perfeita. o delinqüente. O cavalheiro. d i zendo-lhe também da simpatia que o mesmo lhe despertou. Caminhou até encontrar o asfalto. Tomou um ônibus e. enfim. gravada pelo Duo Glacial h á mais ou menos oito anos. Pergunta — Como você descobriu sua vocação? Belinho — Bem. Kenny nota o transe pelo qual passava aquele rapagão. Inconstante. que são as vítimas dos espertalhões. beneficia o p ú blico contar as arremetidas dos marginais. Kenny. tal honra mui pujante. estou aprendendo agora a tocar violão. contudo. excesso de mimo por exemplo. Fora vítima de um violento atentado sexual. sim. um ano burilando e às vezes não consegue e o povo não dá valor. sacou amizade? D o i s Delírios d o S e x o Tomou pela mão a encantadora mulher e a levou às águas. o tributo de sua excepcional formosura. um exército completo. eles tem que me reconhecer um dia como compositor. escorria uma listra de sangue. Primeiro o amor a Deus. estas últimas para o recente carnaval de 1975. e isto note-se. a mais difícil. para fazer mesa. que a fez perder os sentidos. sobretudo dos estelionatários. Carinhosamente. o homem e a mulher devem se casar. O bestial mulato — de proporções anormais. sem dúvida alguma — praticara com ela todas as perversões. é lindo. o jovem sente um reflexo misterioso. Essa é a poesia que você fica um mês. depois o amor à mulher. Kenny. Todas minhas obras são sobre a mulher. que é muito diferente do mundo de ontem. fora rijamente castigada. Depois fui me aperfeiçoando. linda. porque às vezes ela era meiga. Os livros são resultado da prática de vida. pois não exige métrica nem rima. é dever sagrado pelos menos favorecidos pela sorte. estudei no Colégio Salesiano do Recife e lá sempre tive boas notas em português. Mas não me casei ainda. de maneira brusca. Todos devem se valer da excessiva boa vontade do governo para educar o povo. era o seu gênio. se faz sexo como nunca. prosa e poesia (clássica). Bosco e não tenho vocação para a engenharia. prosa e música. livre. Mas faço a letra e a melodia e todos os gêneros musicais. sacou amizade? Numa cidade cosmopolita como é São Paulo eu tive a oportunidade de pesquisar os vários setores da malandragem. Majestade suprema do Brasil! O Pensamento Vivo de Belinho Ostentas. para aviador. comecei fazendo versinhos lá na minha terra. tem que saber português para poder depois se jogar a campo. do meu livro esgotado "Vozes D'Alma'". que começa no amor fraternal pela minha mãe. quer dizer. O programa foi encerrado. mas quem não gosta? Primeira música foi a marcha-rancho "Hino à Primavera". Maliciosa qual serpe. nossa protagonista pediu complacência ao mancebo Volmey. apavorada. Estava comprovado. ano. porque vão dizer que tenho medo do pesado. Sabe por que? Porque aqui pra nós casamento é pra trouxa. mas os dois jovens tinham nas mentes. Tem filho que bate na cara do pai. 1 — O homem descomunal Kenny era o sexo enaltecido. E você? — Não importa. se tirar todas as mulheres do mundo vai ficar o que. Eu sou compositor de orelhada. Ao perceber a beleza sem-par de Kenny. Penei pra burro. percorrer¬ -lhe todo o corpo. não estuda quem não quer mesmo. não se sabe como. As ondas se agigantavam a cada instante. Veja esse verso. não é como dantes. pelo braço vigoroso de Volmey. na verdade. mantivera relações com diversos indivíduos. O motorista era um crioulo alto e forte. Todos devem fazer o possível para educar o filho. Sofria muito a infelicitada Kenny. Sexo a meu ver é o troço mais bacana. Ademais estava sob forte emoção. o homem do volante entorpeceu a beldade com alguma droga poderosa. E m 74 gravei dois boleros com o Duo Siriema. Gravei também com os Carimbos. todavia. Pobre Kenny! Tinha sido barbaramente estuprada pelo chofer que era um perverso maníaco sexual. por exemplo. Como se chama? — Volmey. Sem hesitar também se despe. Vamos ao banho. Se você diz para o seu filho não pegar este objeto. refletindo-se-lhe no rosto enrubecido. um táxi que a conduziu a um hospital. o moço de elevada estatura e bem delineada constituição física. tremeu de voluptuosidade. angelical. entre o prazer e o sofrimento. Eu mesmo estou estudando direito na Faculdade do Sul de Minas (Pouso Alegre). somente o elogiou.. E és o orgulho do povo brasileiro!" E vai por aí. A prosa é muito mais fácil que a poética. ele pega. Confessou que não mais seria possível. ambiente de luxúria e sensualidade. com um sofrer imenso. caminhava sozinha. ganhou o primeiro lugar no Concurso de Músicas Natalinas organizado pela Secretaria de Turismo de SP em 1971. etc. incansável. a megera do sexo. é fruto primeiramente da educação dos pais. Mas ela estava exausta.atualmente. do poema "Exaltação a São Paulo": '•Ilustre e grande terra bandeirante. formidáveis planos. para ser agradável para que o povo goste e não o antipatize e esse é o maior tormento do artista da pena — é ser capaz de agradar ao público com seus escritos. Pergunta — O que você pensa da vida sexual de hoje? Belinho A vida sexual das pessoas em geral. uma marcha-rancho-frevo com o Germano Matias pela Fermata. mas Kenny estava protegida. Deixam aquele aprazível local e em poucos minutos j á se encontravam em um belo apartamento. dois boleros com o Roberto Nunes. mais palpitante do mundo. A praia estava maravilhosa. Não obstante. do iê-iê-iê à valsa. se considerar escritor. tem que saber dominar completamente a língua. capaz de acolher no ato l m pudente. machão que a deixou em precário estado. Meus livros são assim. pela sua irmã. Tinha as partes pudibundas em precário estado. porque o povo pouco entende de poesia. Atenção. O moço j á estava mais à vontade. como é preciso vocação para se ser mecânico. "Noite de Natal". aonde se encontrava uma grande casa de d i versões. Porque o autor deve fazer tudo para não antipatizar com o público.. do Nordeste. senhorita. Eu já decantei a mulher em verso. Eu sou desenhista diplomado pela Escola D. Kenny se despiu. ela o chamou de cavalo. fatalmente eles tem que me reconhecer um dia como escritor e mais 18 músicas gravadas. Após. bem. Para se escrever é preciso ter alguma vocação.. ela chorou copiosamente. estavam exaustos.. ele mereceu o título de cavalo. homem? Sexo é a coisa mais. Buscou. Súbito. Pergunta — Você se importa com o que pensem ou digam dos seus livros? Belinho — Com 15 livros publicados. alô para as editoras. algum divertimento a fim de se libertar de um doentio tédio que lhe envolveu o âmago. Sabe por que? Porque não gosto de matemática. é por isso que é a arte ingrata. Pergunta — O que você pensa do marginal? Belinho — O bandido geralmente. entretanto. P á r a . forçosamente. O mais difícil na literatura e o mais ingrato. a donairosa criatura lança da boca de coral o delicioso veneno e responde: — Obrigada. Erótica e muito mais encantadora que se possa imaginar.l a . aonde mil vozes de pássaros anunciavam o despertar de um novo dia. pois. do nervosismo que o acometera. marcha-rancho com o José Américo e um frevo com o J i n Castro. mais apreciável que existe sobre a face da terra. Tomou um táxi e ordenou ao profissional que a levasse a determinado bairro. conferido por ela própria . mas não condenou o seu verdugo.Pergunta — Você gosta de" Sexo? Belinho — É claro que gosto. ou o pecado sublimado. Ele a tomou nos braços. Pergunta — E você pratica muito sexo? Belinho — É claro que pratico bastante. e 2 — Tarado Por inacreditável que seja. todavia. a tanga e isso não é imoral. não é que nasce delinqüente. Sua presença me alegra. devido à violência que ocorreu durante o ato. O casamento é um negócio sério. Minha canção mais bonita. é lógico. fitando o olhar naquele monumento de beleza. Diminui os passos. em razão de ele ser dono de um físico terrivelmente exagerado e brutal. a flor-mulher delira nos potentes braços do amigo e a ele franquia o seu corpo mimoso. na primeira etapa. não é diploma comprado não. igualmente pasma diante da beleza máscula de seu parceiro. h á uma evolução muito grande. E a bela sofreu sob os violentíssimos impulsossos do mancebo anormal. Certo. Própria. Pela ponta de uma praia. ó meu São Paulo de grandezas m i l ! Acolhes com bondade o mundo inteiro. por sobre as primprosas nádegas. A mulher realmente é a flor mais bela que a natureza criou. onde tem mulher estou aí. meus diplomas tem assinaturas de d i retores de uma porção de cidades. procurando ausentar-se da irrequieta multidão de banhistas. Beijou-a. pobre ou rico. após os débeis momentos. Volmey. ouviu? E fiz madureza ginasial e colegial. agressivamente sexual. No entanto o escritor tem que saber concentrar muito bem o assunto e ser o mais simples possível e não ser prolixo. Pobre criatura! Pagava ao mundo. Pergunta — O que você acha que é preciso para a pessoa se tornar escritor? Belinho — Primeiramente. os favelados também. Quando estiver com o canudo. saúda-lhe: — Encantado. não sei o que fazer. Sorveu de sua boca palpitante. a infeliz voltou a si. mas constatou que se achava em um bosque. Hoje h á escolas para todo mundo. Pergunta — E sobre suas músicas? Belinho — Gosto mais de ser compositor do que escritor. Constatou ainda que estava sem as suas vestes íntimas e sentia dores i n suportáveis. em seguida. Pergunta — O que você acha da vida de investigador de polícia? Belinho — É um trabalho suado. Volmey. o mundo de hoje. Horas depois. Kenny teve de repousar a fim de se refazer da surra que tomou do seu colossal simpatizante . pediu paz ao seu considerado. sem u'a mão amiga para a m p a r á . mas sobretudo sente medo. Você sabe para que? Para me formar advogado. Todo indivíduo tem obrigação de fazer algo pelos seus semelhantes. antigamente. a máquina do sexo.. descontrolado. pois não considero poesia a moderna. O mocetão a prejudicou bastante. depois vem os outros. a sedutora mulher. Pergunta — Quais os gêneros literários que você pratica? Belinho — No gênero literário faço todo gênero. não leio música nem toco nenhum instrumento. porque. 4o. então. pedreiro nãq. em uma só tarde. não condeno o casamento. pelo contrário. Durante o trajeto. Sofria. daria um péssimo engenheiro. Hoje é a mini-sáia. Suas tentadoras entranhas estavam em lastimável estado. E a prosa não é difícil como a poesia. A poesia tem que ter rima e métrica. . divisa um moço que caminhava em sua direção. quando as mulheres n ã o podiam nem aparecer na j a nela. ainda se mostrava afrodisíaco e pretendeu bisar a dose de prazer. declamar e sempre gostei de estudar a língua' portuguesa. o mais suav perfume. que ainda n ã o foi gravada. gostava muito de. Outras vezes surgia exótica. que nunca foi poesia. porque o moço era do tipo descomunal. O mar estava bravio. alguma coisa que beneficia o público. o qual não titubeou em cumprir-lhe a ordem.

deve velar sobre os condenados à morte. O castigo passou de uma a r t de sensações insuportáveis e a Quando o momento da execução se aproxima. O aparelho da justiça punitiva deve atacar esta realidade sem corpo. mortes. para que ele tenha tempo de ver. O corpo se encontra em posição de instrumento ou intermediário: s« h á ação sobre ele com ferimentos ou fazendo-o trabalhar. deve suceder um castigo que aja diretamente sobre o coração. quase evidente. Sob a doçura acre dos castigos. Padfa o efeito dessa nova moderação. os capelães. Se é preciso ainda à justiça manipular e agir sobre o corpo dos justiçados. Mas. por seus olhos. certamente. as disposições. Utopia do poder judiciário: tirar a existência evitando deixar de sentir o mal. anatomista imediato do sofrimento: os vigilantes. impor penas despojadas de dor. uma mesma morte. através delas. mas instantâneo. entre outros direitos. o contato é reduzido ao tempo de um raio. Entre a lei. Não h á mais suplícios onde o condenado é humilhado. k j | Personagem entra em ^ ^ 4 ^ 4 J cena. foram induzidos em suas sentenças a fazer outra coisa além de julgar e o poder de julgar foi. sem que esta leve a marca específica do crime ou seu status social: uma morte que não dura mais que um instante. inadaptações. transferido a outras instâncias. descartados os corpos supliciados. Apaga-se então. O corpo. A operação penal toda está carregada de elementos e de personagens extra-jurídicos. no início do século X I X . todo um campo de objetivos recente. Um mesmo movimento arrastou. segundo esta penalidade. como agente do não-sofrimento. privar de todos os direitos sem sofrimento. 1 I U m n o v o a. que são belamente julgados e punidos. Se não é mais ao corpo que se dirige a penalidade sob suas formas mais severas. A guilhotina utilizada a partir de março de 1792. de obrigações e de interdições. Sem mais afrontas físicas: o carrasco n ã o tem que ser mais que um relojoeiro meticuloso. mascarado. e para atingir qualquer coisa que não é o próprio corpo. a estrita execução capital. onde é justificado e de onde recebe suas regras. Porque são elas. entidades impalpáveis. Os velhos parceiros do fausto punitivo. se justapondo assim como encarregado do bem-estar. A redução dessas "mil mortes". agressividades. Objetivo desse livro: uma história correlata da alma moderna e de um novo poder de julgar. Um saber. daquele de existir. a guilhotina suprime a vida. é para privar o indivíduo d» uma liberdade considerada às vezes como um direito e um bem. Mudança de objetivo. adequadamente. a dor do corpo não sao elementos constituintes da pena. cada qual com ritmo próprio. Acaba certa tragédia: começa uma comédia com silhuetas de sombra. aos pacientes cuja vida eles são encarregados de suprimir. sua invocação é para explicar os fatos que serão julgados e determinar a t é que ponto estava implicado no crime a vontade do sujeito. para poder fazê-los funcionar no interior da operação penal como elementos não jurídicos. M É A É . mais de doçura. Resposta insuficiente. detentor. incidem diretamente sobre o corpo. que as lançam ao fogo. efeitos do meio ou hereditários. A morte é reduzida a um acontecimento visível. Diminuição de intensidade? Talvez. Pode-se dizer: a prisão. a reclusão. hoje. Ela considerou aplicar a lei menos ao corpo real suscetível de dor que a um sujeito jurídico. Na realidade. mais de ••humanidade". é para desculpar o juiz de ser pura e simplesmente aquele que castiga. hoje. o grande espetáculo da punição física. violações. A justiça criminal. a deportação que ocupa um lugar tão importante nos sistemas penais modernos — são mais penas físicas: d i ferentes das multas. foi visto como um fenômeno quantitativo: menos de crueldade. pune-se agressões mas. O sofrimento físico. enfermidades. Quase sem tocar o corpo. é . pode-se reparar um deslocamento de seu ponto de aplicação. exclui-se de castigos a representação do sofrimento. que são os juizes da infração.ama economia de direitos suspensos. anulação da dor — os rituais modernos trazem testemunho. estende seus efeitos e mascara sua exorbitante singularidade. vozes sem rosto. o pensamento. essas modificações foram acompanhadas de uma m u d a n ç a no objeto mesmo da operação punitiva. por sua presença ao lado dos condenados. que nenhuma animosidade deve multiplicar de antemão ou se prolongar ou como uma multa desapropria os bens. uma execução que atinja mais a vida que o corpo. e o corpo do criminoso. ou os que a põem em execução. eles cantam à justiça a linguagem da qual ela necessita. Mas a relação castigo-corpo não se identifica com a dos suplícios. anomalias. menos de sofrimento. se formam e se entrelaçam com a prática do poder de punir. que são também paixões e desejos. como a prisão tira a liberdade • M o m e n t o importante. instintos. Deste duplo processo — retraimento do espetáculo. mas julga-se ao mesmo tempo paixões. por esta incessante reinscrição nos sistemas não jurídicos. os trabalhos forçados. sobre o cadáver. o corpo e o sangue. define toda uma nova moral própria ao ato de punir. É preciso refletir sobre isso: um médico. e. sobre o que estabelece ela suas presas? A resposta dos teóricos — aqueles que abrem por volta de 1760 um período que ainda não se fechou — é simples. técnicas. cedem o lugar. Entra-se na era da sobriedade punitiva. Resumindo: desde que funciona o sistema penal — o definido pelos grandes códigos dos séculos X V I I I e X I X — um processo global conduziu os juizes a julgar outra coisa além do crime. Mas uma coisa é singular na justiça criminal moderna: se ela se carrega de tantos elementos extra-jurídicos não é para poder qualificá-los juridicamente e os integrar pouco a pouco ao estrito poder de punir: é. os elementos da causa. é para evitar essa operação de ser pura e simplesmente uma punição legal. julga-se sempre objetos jurídicos definidos pelo Código. não funciona e não se justifica a não ser por esta referência a outra coisa que n ã o ela. as legislações européias: para todos. Ela deve ser a abstração da própria lei. ao contrário. Diremos que não h á nada de extraordinário. os médicos. eles lhe garantem que o corpo e a dor não são os objetos últimos de sua ação punitiva. Ela parece inscrita na própria questão: desde que não é mais corpo.. os psicólogos. A expiação que atinge o corpo. em parte. mas ao mesmo tempo perversões. através desse deslocamento. a interdição da residência. -os psiquiatras. isto se faz de longe. os educadores. é tomado como um sistema de violência e de privação. A atenuação da severidade penal no curso dos últimos séculos é um fenômeno bem conhecido dos historiadores do direito. segundo as regras austeras e visando um objetivo mais "elevado". Pode-se dizer: n ã o são eles que são julgados. todo um novo regime da verdade e uma imensidão de dramas quase inéditos no exercício da justiça criminal. a vontade. h á longo tempo. e até o último momento. dá-se aos pacientes picadas de tranqüilizantes. é a alma. discursos científicos. as sombras de trás. Sob o nome de crime ou delito.o menos possível. toda uma brigada de técnicos veio tomar o lugar do carrasco. que é do destino do direito absorver pouco a pouco os elementos que lhe são estranhos. suas entraphas arrancadas às pressas. onde ele é decapitado enfim e seu corpo dividido em partes. uma genealogia do atual complexo científico — judiciário onde o poder de punir encontra seu apoio. onde seu ventre é aberto._o mecanismo adequado a esses princípios.

entra-< mos numa rua esquisita. sem obrigações. Cheguei até ali porque tive preguiça de resistir e porque me era agradável a companhia de dois amigos. A agitação e o cosmopolitismo ficaram atrás. vivem nas brenhas. azeitados. serviço. entrou em Mossoro. O cabloco apanha bordoada sempre: apanha do pai. com deformações invisíveis. faca de ponta à cinta. o desejo de comprar fiado nas bodegas sem intenção de pagar. apanha do cangaceiro que lhe raspa p osso da canela a punhal e lhe deita espeques nas pálpebras. O homem que desejam ver gastou anos correndo os sertões do Nordeste. Silvino. a fuga constante e as fadigas das travessias não o tenham abalado: mas a bóia da cadeia. Há meia hora tínhamos pressa contagiosa. trazia mais de cem homens que não se escondiam na capoeira nem transitavam em veredas. chapéu embicado. alguma coisa grande. pimpões. numa horrível existência fecunda em histórias que povoaram a infância. receio tornar a ver um daqueles rostos. Está ali perto um fantasma triste e desmemoriado. onde as rodas se enterram. Penso assim. É mais ou menos casado com uma sujeita que lhe prepara a comida. indiferente às façanhas antigas. que não querem saber quem é bom nem quem é ruim: espancam tudo. Pede um cartão ao doutor juiz de direito.Seria> melhor subirmos a cavalo esta ladeira empinada e cheia de buracos. Um dia parou num povoado com o intuito de ensinar aos matutos a cultura da pinha. Continência e apresentação: — Pronto seu Governador. um velho que me desnorteia. cabo fulano. mas isto desapareceu. em companhias do inspetor e do sub-delegado. Neste tempo o Sr. GRACILIANO INÉDITO Comandantes de Burros Quando Lampeão esteve no município de Palmeira dos índios. É quase certo irmos encontrar um indivíduo sombrio e cabisbaixo. O Major José Lucena. onde se demorou alguns dias mandando bilhetes para a cidade e sem poder entrar nela. e se alguma lhe mostrar má cara. embrutecido pela desgraça. olhando o pateo duma habitação coletiva. como é natural. o desejo de beber vinho branco na feira e pisar os Jpés dos pobrezinhos que só têm armas fracas: o buranhem e a quicé de picar fumo. com o quepi à banda. da mamona e de outros vegetais que se desenvolviam bastante na Imprensa da época. que recebe quinhentos réis do torno e é o juiz da cadeia. da mãe. cartucheiras enormes. mas não serão talvez excessivas algumas palavras sobre a classe a que pertencia esse extraordinário comandante. Levam murros e sentem. nú da cintura pra cima e grita: — Esta terra não tem homem! Como nenhum responde. Antes da morte. quase com indiferença porque enfim prisão se fez para homem e apanhar do governo não é desfeita. como bichos. onde Jararaca morreu e a cabroeira se espalhou. Recebem-nos. para algum lugar onde haja café. Ou espera que a lagarta coma o algodão e as cacimbas se esgotem. o desejo de comer massa. mandou um deles para um engenho de Viçosa. Dois minutos de jespera. Essa figura monstruosa perturbame. Talvez as marchas. viajava todas as semanas pelo interior do Estado. Muita consideração. quando o verão queimar a caatinga. beberã cachaça nas toldas. Os matutos que têm facas levam murros porque são desordeiros. para o Espírito Santo. os que não têm facas levam murros porq\ie são mofinos. miúdas e descascadas. Álvaro Paes. Comandante de burros por exemplo. lixados. entendeu-se com os proprietários sertanejos. calçando perneiras. Nesse ponto tem ódio a Deus e aos homens que o tratam mal. Vai para as encruzilhadas tomar as facas dos matutos. todo pachola. arranja o malote e marcha para a capital. Era o encarregado de tomar conta dos animais que tinham servido para afugentar Lampeão. e o outro para uma povoação de Palmeira dos índios. Sujeitos insolentes. caboclo ou mulato que. cheio de suceptibilidades. lava a roupa e possui um baú de folha. tranqüilidade. espalhafatosos. I m p o r t â n c i a imensa. lá nos vamos sacolejando. notando a pequena eficiência da sua tropa de peões. donde volta alguns meses depois. um saquin e um papagaio. símbolo idiota. dos tios. piores que as que agora me surgem. vestindo uniforme caqui. E. Depois uma emboscada e o cárcere provavelmente o desmantelaram. Houve algumas escaramuças e Lampeão deixou Alagoas. esparsas. Estava tratando de convencer o maiorial da localidade quando se aproximou dele um soldado com duas fitas. alpercatas que eram uma complicação de correias. inutilizaram o velho herói de encruzilhadas. terrivelmente besta. sem ser convidado. com certeza enfeitadas pela imaginação dos cantadores. O Major Lucena separou-os. Com dificuldade. É vaidoso. os que não trabalham porque não têm onde trabalhar. Às vezes morre das sovas. os mesmos gestos repetidos. as mesmas palavras largadas em horas certas. Anda a peneirar-se. diz. medonha. da emigração ou da farda. de papo pra cima. vejo com desgosto à entrada uma enorme criatura que se achata. faz um barulho feio: apaga-se a luz e a festa acaba em pancadaria. A: parte mais forte da nossa população rural está com Lampeão — os indivíduos que dormem montados a cavalo. gorda. paralítica. torna a gritar: — Apareça um. que se derrama. rifles em bandoleira. Em horas de aborrecimentos sai à calçada do quartel. Os burros se tornaram inúteis. Um cartão do doutor Juiz de direito. chefe do destacamento que perseguia bandidos. Ninguém aparece. os que suportam as secas alimentados com raiz de imbu e caroçus de mucunã. Conversando com eles. ignorados pela gente do litoral. E serão com a ajuda de Deus. preguiçosos. Vai aos batuques de ponta de rua. o desejo de ser soldados. sumiram-se na poeirada. silêncio. a fome. a irmã serem possuídas. . as grades. Foi um viajante incansável e chegou a conhecer perfeitamente as árvores e os homens do sertão. tudo morno e brasileiro. Para bem dizer. sem a botina quarenta e quatro a apertar-lhes os calos. medido por um dos médicos encarregados de provar que os infelizes são . alumiando. desconhecendo os amigos e perguntando o nome das coisas mais vulgares. Corriam pela estrada real. Desejo não ser recebido. dorme demais À no'te mete-se nos botequins aos bairros safados ou ! deruba as portas das meretrizes. Desço. rodou aos solavancos numa es-' trada que marginam casas decreptas. O carro que nos transporta avança rápido. Horrível. do promotor público. Mas quer dançar com todas as damas. o desejo de tomar -as mulheres dos outros. emigrar para o Sul. as lutas. chapéus. Abre as vogais escandalosamente. para ver a mulher. apanha do proprietário que lhe toma a casa e abre a cerca da roça para o gado estragar as plantações. e é bem recebido. tem vontade de vingar-se. que projetou e iniciou trabalhos excelentes de organização municipal. dobramos um cotovelo.11 Estas duas crônicas que Graciliano Ramos publicou em datas es parsas no Jornal de Alagoas nunca foram publicadas em livro. ilhós e fivelas. Maceió. um botão fora da casa. hoje atenuadas. enquanto espero. assentar praça na polícia.EX. o desejo de cochilar horas e horas. Antônio Silvino O automóvel deixou a cidade. E estamos na presença de Antônio. Bebe. a sede. numa situação medonha. Suporta esses últimos tormentos resignado. Exercito. infinitas misérias e porcarias. sem exercícios. falando difícil. a grpnha aparecendo por baixo oala. que lhes ofereceram cavalos e burros para o restabelecimento da ordem. não sinto curiosidade. bem montados. bocejando. tomou rumo para o Rio Grande do Norte. Alguém foi anunciar a nossa visita. o delegado manda prende-lo e ele agüenta uma surra de facão no corpo da guarda. provocadores. teria ido a um museu ou a qualquer outro lugar. Três saidas: morrer de fome. Esta história podia findar aqui. agora parece que as coisas em redor se imobilizaram. fixa-me a idéia de que ali vive outro ser doente. outra de cipó de boi no xadrez aplicada pelo preso mais antigo. E se um inimigo vai à rua e o acusa. Outras' vezes atira-se para São Paulo. a esteira suja na pedra. em dois lotes. Quando voltarem dormirão tranqüilos. mostrando vagos sinais de vida em movimentos de autômato. transformado. não trabalha. tipo convencional. de couros enfeitados de argolas e moedas. essas criaturas são maltradadas pelas diligências. a máquina cançada geme e pára. vend»í o cavalo. atravessou arrabaldes de pequena importância. pavorosos que há tempo me cercavam. dos irmãos mais velhos. comandante dos burros do Major Lucena. a filha. inutilmente. do Coronel chefe político tem muito valor!!! Entouxam a roupa e embarcam. 27 de maio de 1933. Moleques de cabelos de fogo.. Os que não têm coração mole encontram-se. baterão Jias prostitutas. Jornal de Alagoas. afu genta a imagem que eu havia criado.

^ em 2 horas V. Antônio Silvino dirigiu-se com altivez. Felizmente esqueci isso. Por isso malquistou-se com alguns repórteres desastrados que o ofenderam.00 6 edições • PARA Cr$60QO 12 edições CZ3 Cr$4QOO o EXTERIOR E U Cr$ 8OO0. em torno duma pequena mesa. visitas que fez a outros personagens de romances. 4 kg de roupa porC$Tff . Os oficiais das tropas volantes eram seus adversários. Os cabelos estão inteiramente brancos. Evocê já pegou no BICHO? É Cr$4O0 (ce vai pegar ou não vai? heim? j RUA STO ANTÔNIO. Na prisão desviouste com soberba dos criminosos vulgares e. ficavam no alpendre. achou meio de não se contaminar. Jornal de Alagoas. vincado pelo sofrimento. mas o seu comandante está rijo. .(ektjuaríto as máquinas éP' \ 3pá você lê asrevistasque' ' até 1/2 noite I l^j^l ' irio. silenciosos como colegiais tímidos. Conosco é amável em demasia. não ombreou com eles. Mas é um branco. Continuou. constituem a maioria da classe {inferior. 3^|(en*rej*fêgo Freitáse Amaral Gurgel]| " S i " ISSO E COISA DE PRETO NAO FAZEMOS LAVAGEM CEREBRAL W O C U W CONHECER O BICHO que ia pegar já pegou. 18 de setembro de 1938. Antônio Silvino é um homem branco. tanto que lhe permitiram esta coisa estranha: alojar os filhos no cubículo onde vivia. conta histórias do canganço. anônimos. ANÚNCIOS FÚNEBRES H. e Antônio Silvino logo se torna íntimo dele. De alguma forma a degradação Justificaa pena: ordinariamente o que volta do cárcere é um farrapo. Um dos meus companheiros é o escritor José Lins do Rego. José Lins em poucas palavras. com todas as virtudes da classe média. apesar da cadeia: homem de ordem. Nas ivisitas ao velho José Paulino. tem uma vivacidade de rapaz. Antigamente essa aproximação teria sido impossível: fui. brigas. Nada disso. não muito diferente do que era há trinta anos. !uma bela cor de saúde tinge-lhe o rosto enérgico. Penso na distância enorme que os separava do patrão. hoje famoso por ter figurado em vários romances notáveis. um sujeito muito besta e convencido de não sei que superioridade. deve ter sido enorme. um adversário leal. um tiro no pulmão e vinte anos de cadeia não demoliram essa organização vigorosa. Conversando. parece que andou nas terras do velho Trombone e. espalhou conselhos úteis que resolveram certas dificuldades de família. o que teve a sorte de ferí-lo e vencê-lo foi. Maceió. indispôsse com outros homens de ordem. A hospitalidade sertaneja revela-se em apertos de mãos. mas a espinha não se curva. agüentam facão de soldado nas feiras das vilas e não se queixam. Ultimamente. Orgulha-se de os ter formado assim. Lembro-me dos seus antigos subordinados. conseguiu. en- colhidos. em abraços. a voz não hesita. palestrando com um neto do coronel. Não dá e não quer ser bandido. Dou razão a ntonio Silvino. muitas vezes mostrou-se generoso e caprichou em aparecer como uma espécie de cavaleiro andante. protetor dos pobres e das moças desencaminhadas. Homem de ordem. viventes mesquinhos que ele submetia a uma disciplina rude. que em menino conheceu o sertanejo temível no engenho do coronel José Paulino. que. religiosos e patriotismo. Certamente esses pobres seres. olhos parados e sem brilho. seria natural que lhes incutisse idéias de vingança. à lei que os afastava do mundo. Antes de refletir. LAVE & SEC'$ . transplantado para um subúrbio remoto do Rio. queimado pela seca. Ensinou-lhes o respeito à lei. aperto a garra poderosa. Os guardas da correção sabem perfeitamente como é difícil um indivíduo conservar-se ali sem se degradar. fabricando botões de punhos.degenerados. membro da classe média. Foi um preso muito bem comportado. cabelo pichaim. É o mais robusto dos que se acham na sala acanhada. como outros. Na caatinga imensa. Teve amigos poderosos. porém. perseguido. segundo ele afirma. Enganei-me. desfizeram-se na poeira social. cultivou neles sentimentos. fêz tropelias no sertão. Apesar das rugas. dentes acavalados. ri alto. nunca se misturou com eles. ao sair da prisão. com sisudez e prudência. EX-EDITORA LTDA. servisse bem: testa diminuta. DINHElRÒ' AVENDA EM QUALQUER LOJA DE BRANCO EZI Cr$30. obter os recursos necessários para educá-los E educou-os de maneira espantosa. narrando as suas aventuras numa linguagem pitoresca. Não parece que o regime penitenciário seja bom para endireitar os condenados. estupidamente. combateu longamente inimigos poderosos também. 1043 NOME ENOEREÇO. enfim um desses pobres diabos que morrem morrem no eito e não fazem' grande falta. Criou-os. a ser o que era. no Nordeste e em outros lugares. enquanto lá dentro o chefe conferenciava com o proprietário. mas porque a palavra odiosa se tornou um estigma. não obstante ter vivido em Fernando de Noronha. Antônio Silvino isolou-se. mas a caiu numa cilada e penou vinte anos para lá das grades. K i s s i n g e r Os Editores e Funcionários do EXcumprem o doloroso dever de participar o falecimento. que não quer ser bandido. de os ver hoje servidores fiéis do exército e da marinha^ O trabalho desse sertanejo verdade é que ele não se transformou para realizá-lo. não dá para bandido. sem menção nas cantigas dos violeiros. e se for examinado convenientemente. Seria mais razoável que fosse um representante das raças inferiores. ' ANEXO CHÉÓUÉ VISAÔÔ ÕU O BALÃO vai mudar FARA ASSINAR O EX. Na situação em que se achava. num largo sorriso que lhe mostra dentes claros e sãos Esse pé de mandacaru. reata o conhecimento antigo. não porque os bandidos sejam muitos piores que os outros homens. deita raízes na pedra do morro e esconde cuidadosamente os seus espinhos. A convicção que jmanteve do próprio valor manifesta-se em todos os seus atos. Antônio Silvino teve sempre os modos dum grande senhor. dividiu com eles a ração magra. os olhos miúdos atiçamse. mexese.

e a cabeça do Dia»bo Loiro de Lampião dentro de. muita gente metida a fazer história de cangaço nunca botou os pés. Percebendo a cabreragem do meretíssimo. dias antes. meretíssimo estava na Prefeitura. dono da hospedaria Planalto. Serra Talhada. Aí. entre outros. macacos entre as duas . o cabra apareceu morto. levando Dadá (mulher de Corisco) com um teco no pé. desbaratinando. torfírio conseguiu dar o pinote. cá do sul. outro caçador de L a m pião.. • despeço-me deixando um pensamento de Shekespeare: "nada h á de mau ou de bom. dono de sortida mercearia no Alto de Bom Jesus. Qualquer paspanata tem 38 (o berro) no mínimo.. e às caatingas baianas e pernambucanas. hein? Bentevi dá um sorriso maroto: — Na bagagem que Corisco carregava havia muito ouro. que finalmente está desaparecendo .. . Rufino disse que ela ficasse tranqüila. . Cujo. Só respeito neste mundo Padre Ciço e mais ninguém! Volante Bom — Manoel R i beiro. nada menos do que 26 tiras sifu através de inquéritos policiais e administrativos. o considerado Porfírio Amâncio da Conceição. principalmente o de 15 anos. que. o jornal da condessa carioca e a agência noticiosa France Press cozinharam violentamente minhas matérias abaut). (Virgulino-Lampião . foi o cara que mais contribuiu para fazer a fama do finado Zé Rufino comandante de volante. cuja achava que. para explicar as coisas ao juiz — cujo. por via das dúvidas. Mas o meu maior lance de Serra Talhada foi o seguinte: eu precisava conversar com o meretíssimo capa preta. Jurubeba e sua valentia toda deram o pinote de fina. . sofrimento e dor — com a boa gente do sertão. aprazível lugar onde a populaçác assistiu a copa de 70 instalando antena e aparelho de T V na serra. teve padre paca vendendo obras a preço de banana. um monte de personagens e fatos ainda inéditos para nós. até as coisas se acalmarem. "o maior comandante do mundo. deve ter tirado o melhor e entregado apenas umas bobagens. Meu considerado Gaudêncio. é a maior sopa por aqui. e e — Cheguei no sítio onde Curisco estava açoitado. os volantes vão é ficar chupando os dedos calejados com o manejo da enxada. Mas. Dadá olhou para o rastreador e disse: '•você é Bentevi. Cristinq! Ninguém vai te fazer mal". não é fácil. até topar João M a riano e sua patota de cangaceiros: botei o chapéu dele na cabeça. T e v um soldado que pediu a Zé Rufino: me dê esse anel do homem". andando na cola dele. Procurador Meu j á considerado Gaudêncio Gonçalves. fabricava alpercatas. por falar em Delegacia de Furtos e Roubos. para ver se eles arrancam algum do Inps. escrivão sherlock de Jeremoabo. mato.. Lá vocês podem encontrar. cansado de tanto lhe tirarem o couro. uso de tráfico de entorpecentes. tirou a venda de Têmis e colocou rios seus próprios olhos. o mundo vive cheio de injustiças. Daí. atualmente. pois estão a perigo. Família Gaia de um lado." Lampião desde esse dia jurou vingar-se também dizendo: foi inimigo. Quem mais ele perseguia eram os coronéis. olha os macacos" e saiu de casa dando tiro. reuniu mais de 90 volantes.. Daí.. Seu bispo virou jararaca. historiadores: o grito foi "te entrega. vou ter medo desse moleque"? Entretanto. Pois é: os dois se apartaram. apagaram o Álvaro Gaia. minha filha nem ligou. Daí em diante. e passou três dias no mato. balaço na cabeça.. Zé Rufino sempre foi muito v i v o " . que soube sentar a pua nesses pilantras. Volante — Bandido — Dica para os sociólogos e historiadores ainda interessados no Cangaço. pois j a chegavam batendo em todo mundo.BAIXA SOCIEDADE Percival de Souza Te entrega Cristino! Ninguém vai te fazer mal. e fuzil belga. donos de engenho.. Recebeu um no pé e caiu. que ninguém lhe faria mal e n t r o u na casa. A gente sabia de tudo. Mas o meu considerado Manoel. Façam um sacrificiozinho e cheguem a Jeremoabo. Ele morreu ali no chão. ex-chefe das volantes pernambucanas. Dada viu Rufino e gritou: "Corisco. chumbo grosso — ficaram dois tremendos buracos na caranga. Corisco — Severiano Ramos Cruz. sumi por 15 dias em direção a Salvador e Recife. t conheçp: não batia em ninguém. aquela gente que andava atrás de L a m pião — entre eles muito bandidão pior que cangaceiro. . para aprender muito da vida — aprender de sabedoria. também. J á viu esses meninos. então. disposto a tudo. os homens que o senhor procura estão dentro da casa".. . quando crescer mais um pouco. É. Por causa de meu irmão. deixem-me revelar coisas novas (eu fui lá!) para a história. como fajutam por a í . até encontrar. e não sei por que acharam que t i nha siido logo eu que havia feito a pele do moço. Se reuniam os três irmãos Cada qual mais animado Disse eu ao pai j á velho Bote a questão pra meu lado E deixe estar que o meu rifle É um bom advogado. Gaudêncio virou procurador dessas peças. Os macacos pilantras foram retirados da Serra. Eu mesmo tive preso três meses e cinco dias.. e eu não topava. mesmo objetivo. o Bentevi. eu seria o Vilmar. *** Para a bicharada da imensa fauna paulista. seu causo e as razões de sua inocência: — Minha filha namorava um cabra. Zé Rufino também atirou. Bentevi entrevistou Rufino que l h contou. né?) — Corisco deve ter pensado: •••i melhor morrer de atrevido que de esmorecido". lugar onde. pois com apenas algumas dezenas de homens enfrentou durante anos forças policiais de sete Estados". de metralhadora na mão. a mulher e os quatro filhos em volta.. dizendo que era coiteiros de cangaceiro.. F u i ao cartório. na delegacia local... (De fato. foi visitá-lo duas vezes em Jeremoabo. E u sempre achei que essa sigla significa "infelizmente não posso servi-lo". macaco aposentado. v i bra todo quando fala de Virgulino. que possuíam muitos cabras e praticavam desmandos sem receber castigo. amarrado. E. em troca da diária de alguns contos de r é i s . toda minha família sofreu na mão das volantes. Ele foi preso ainda com vida e só morreu na estrada. mas não fui — meu destino era outro. Gozado: em Jeremoabo. Fiz oposição. fazer uma opção na vida: ser boi ou ser ferrão? Cangaceiro ou volante? Decidiu-se pela volante e saiu atrás de Lampa e sua prima. um dos muitos cabras de Lampião — Porfírio lhes contará. . sabia que você era um cabra bom. Pilão.Ferreira) Cansado das podridões do sul. Mas j á que os pesquisadores de cangaço acharam que para ir a Jeremboabo é preciso comer muita poeira e não vale a pena tanto sacrifício. a tiros de fuzil. Como se eu soubesse. até que Bentevi cruzou Rufino. diz que é tudo cascata esse negocio de "amor proibido' entre ela e Lampa. a 400 km de Salvador. irmão positivo de Pau Ferro. Tanto que. primo legítimo de Maria Bonita. parou um dia para pensar. (Aposto que vocês nunca tinham ouvido falar nesse Murundu. A Delegacia de Furtos e Roubos sacou que o sumiço de obras de arte das Igrejas baianas revela a existência de muito pilantra desbaratinado em apreciador de obras de arte. levei dois dias para localizar a peça. Ah. . que ia levarpra o comando (grupo!). Pensem. Ele. Pilão.. O Capitão Virgulino e seus homens não faziam mal aos moradores da Caatinga. Cristino". uma peça de nome Vilmar Gaia t á botando a canalha pra j â m b a r .. Mariano disse que Porfírio havia ficado um cangaceiro muito bonito. não dói! r . o bom para achar rastro. Um monte de batina preta se enrolou com a Polícia. aliás. cerquei a casa e ataquei. bom papo.. Mas Corisco tinha fugido pelos fundos e ele saiu atrás. E Rufino disse que não. muita sensibilidade. modelo 1908. Os Volantes viviam t i rando o couro do pobre Manoel e ele. e bola superbranca para a cúpula dos sherloques baianos. . machão de araque.) E o tutu. no mínimo. Dando uma de Nelson Duarte. morreu o cabra e nasceu o pistoleiro. ex-contratado. os antiquários. andava de carro e o Vilmar mandou-lhe dois arrebites. daí-. Gritaram assustados: "não atire. Quando pulei na varanda. mãos amarradas. Todo mundo respeitava eles. mas D i a bo Louro caiu de um tiro disparado pelo soldado Murundu. para cabreiragem geral dos macacos. para dizer onde é que meu irmão se escondia. né? David Jurubeba. se o pensamento não o torna tal". como me contou. Atenção. tinha uns tropeiros sentados descansado. família Ferraz de outro. pendurei o embornal e os armamentos" . Fui no Fórum. apanhando e passando fome e sede. apesar de ser macaco". Mas ele era muito vivo. Eu mesmo vi uma sacola cheia. não pergunto a quem. uma lata de querosene. O Diabo Louro estava apenas com Xun parabellum na mão. e Zé R u fino gritou: "Te entrega. . para acabar com o coronenelismo que assolava o sertão. Depois da morte de L a m pião. eles estavam enroscados paca em corrupção. Pau Ferro. Mas deixemos que o insuspeito Bentevi conte o resto. e não "te entrega Corisco". assaltarem mesmo. ficou n a lista negra desse Vilmar — (por sinal. e chegou a convidá-lo para entrar no bando: e e -eu estava com raiva.. As volantes é que faziam mal. Bola preta para eles. é um cabra bom: Dadá. j á viu. Visita de cortesia.. não espancava ninguém. em mais um capítulo da guerra familiar. o meretíssimo "tiriná saído para o cartório. o inocente — Por'falar no hoteleiro da terra de Lampião: ele me contou que j á esteve muito melhor de vida. mas precisou f i car enrustido 6 anos no Maran h ã o . barra pesada Lampião nasceu aqui. E fez fogo. E faz uma análise inédita de Virgulino: — Quem mandou Lampião foi Deus. a mulher do falecido Corisco. Jurubeba deu uma de machão: "se eu andei atrás de Lampião.. . cada um com sua patota para um lado. preocupada ainda com festas e rebus. pedi ao meu considerado Pilão.

numa anos. em Salvador. costureira Dadá mora em de 60 e tantos Salvador. por Carlos Doria e Arthur E i d . que se . marido. netos e na ponta da seu segundo agulha. como "o marido da Dadá". do qual participa refere a Corisco também Carlos Alberto Ricardo. Corisco A entrevista foi feita em janeiro de 1974.Sra. E l a faz parte de um estudo mais amplo. Hoje. ela ainda velha casa que desafia a vida na divide com linha que corre filhos.

arranchando no mato. aquele pega fogo. apanha. Uma vez.. Foram embora." — A mim? Deus m livre. ficou. — Vou levar ela — ele dizia. Aí ficou escondido aqui. E r a morena. . que tinha Lampião. Aí se assanhou todo mundo. e apareceu Corisco. Você t á me vendo assim? Eu sofro muito. saiu até lá e disse prá ela: — Quer dizer que antigamente quando eu viajava você chorava. Zé Baiano ficou feito louco. a desgraçada forte era eu e a moça do Cirillo. Entrei no cangaço quando me levaram. e Eu não sabia ainda. Ele me apanhou. Ela não pegava numa colher. que coisa horrível.. ia prá todo canto prá ver se livrava disso e sempre as persigas com e l e . Nós não tinha medo do cangaceiro. : . Mas morreram. Quan_ do ele viajava. . é uma vida danada essa que eu levo. quando chegou aqui do lado baiano. Então Corisco veio e diz que para matar meu pai. Você aí é um cidadão. Aí eles ficaram por ali. hoje você bate palma? Ela disse: — Não. Ele chamou o velho' de velho. . eu também sou prejudicado. mandava dinheiro. você t á entendendo? Que eu vi Lampião uma vez. foi o maior alvoroço quando Lídia chegou e disse: — Desgraçado. Ficaram perseguidos pelas volante.. seguramente.. fizeram mesmo tortura com ele.. se deu uma confusão. Eu gostava.. mas não em ponto de traição.Fui levada. " aquelas roupas pesadas.. Medo não. E l a toda dengosa.. quer dizer que um homem como um cangaceiro. Eu não conhecia esse povo.. Menino. chegou meio zangado e meu pai disse:: — Eu não sou homem disto. . e um cangaceiro ia aceitar? aqueles dengos e ela n ã o se afastava dele. A polícia veio. Era uma coisa bonita. mas nunca liguei. ah. mataram o rapaz que pertencia. sabe? Foi por intermédio de política. resultado. Aí elas iam na onda. eles foram. dinheiro do meu pai era na minha mão. ficava com aqueles dengos do meio pro f i m . rapaz? Não é que nem hoje em dia que é tudo lé-com-lécré-com-cré. Oito hoirfens armados. . escondida. Convidou Jacaré p r á viajar com ele. o que é que ganho em denun- ciar uma coisa que chega a ser meu parente? Eu sei que com a conversa de meu pai ele conformou e foi embora. que dava aquilo tudo. olha como eu vivo. isso não é vida. quem n ã o tem jeito. . que eles passaram na casa de meu tio e mandaram chamar meu pai. isso n ã o é vida. lhetòate. Quando é um dia. bateram muito. . E que tivesse. aquele moleque! No grupo tinha respeito disso. . ela chorava. Resultado: o dono do criatório era gente acostada na polícia. Não l i gava aquilo não. pano miúdo eu não gosto de lavar. Aí eles voltaram p r á casa. chegasse uma coisa assim. pegou. ... ele mandava tanta coisa prá m i m . a senhora não vai? Eu também posso i r . Mas cangaceiro mesmo eu vim a conhecer em 28. . Quando estou ali lavando roupa. Eu ouvia falar em cangaceiro. " Traição? Mas. que era um povo? Meu pai não tinha jagunço. Ouvia falar horrores que se davam. É vida p r á quem j á tá. mas se tu me atraiçoar eu te mato. Chegou a pressentir ele com o anel da Lídia. eu vou lhe dizer uma coisa. coisa diferente. . um grande. Quando elas entrava no cangaço. Eu era menina. Ele tratava da Lídia como eu nunca ouvi dizer na vida. o Corisco. morrendo. Era noite. Aí. Ele viajou. nós tinha chegado de uma festa. Então Zé Baiano tinha aquela mulher. gente correndo. por um rapaz daqueles!. ia saber o que é medo? Criança não sabe que a guerra é aquele horror do mundo. leva o que quisé e pronto. de noite. Que não é um dia eu fui lá: nós chegou. que era dono desse criatório. . que eu era uma àftoa. O Corisco me queria um bem maluco.. mulher atrás de h o m e m . haja barulho. Deixou Lampião e veio prá esse lado. chegou em casa. Matou de cacete. Aí ele abriu o bornal de Lídia e encontrou um cacho de cabelo dele. Então Corisco.. mas eles n ã o vão se estragar p r á perder a liberdade dele e a sociedade.espinho. Denunciaram esse indivíduo. veio a per- seguição atrás dele.-Então Corisco chegou e disse que conhecia a família de meu pai. ... a mulher dele atraiçoou ele. A m ã e do fulano que foi preso disse prá Corisco que viesse e me carregasse. o Cazuza. o pai tava dormindo. que eu não era aquilo que dizia. e ele achava graça. pensei que devia ser brincadeira. ela ficou sorrindo. eles ficaram perseguidos. cortaram cabelo. a mais bonita foi Lídia. Era tratada como criança mimada. Meu pai foi comigo e outros irmãos. ele ficou com raiva porque a família que tinha criatório se dava muito bem com meu pai. . . Tudo podia faltar prá todo mundo menos prá Lídia. Então Zé Baiano pegou Lídia. . Quando chego em casa... botei na cabeça e fui prá casa. . que eu era uma pessoa perdida. Ele. Não sabia. O caso de Lídia era com o Bentevi. costurava multo. Os olhos grandes assim. a gente tava admirando aquele pessoal. Então ele fez sinal pro Morrão. Corisco ficou tendo tiroteio com as volantes. Meu pai zangado falando uma porção de coisa. se puder lheamarra.. aquele horror. . naquela cavalgada. nos . Teve uma fase que tinha muita mulher no grupo. mal-feito desse povo. não era acanhada. Vim conhecer direito o que é cangaceiro. e acabava de comer ele trazia água. as mulheres dos grandes homens hoje em dia são as piores. eu fui menina que n ã o copheci esse povo. Lá. eu vejo aquele r u í d o .. Viajou prá volta logo. Coqueiro era cabra de Lampião. Ele fazia todos e Chegou no rancho e contou que tinha encontrado Lídia com Bentevi. quando Lampião travessou com o pessoal prá esse lado aqui da Bahia. Negrão feio. E ós filhos dela.. homem atrás de mulher. O caso de eu ter ido p r á essa vida foi uma coisa muito cheia de confusão. Às vezes fico imaginando onde foram. E ficou nos matos. Mas eu era viva. mas eu não conhecia. ele não ficou satisfeito do que fez. A história do Zé B a i a n o . Aí elas diziam: "Ah. . sendo sobrinho dela. . desgraçado. seguramente de uns dez anos. . Aí viajou todo mundo pra matar o Bentevi. uma alegria! Ele chegou. Juntei a roupa toda. . Teve um deles que era melo pancada. tô vendo aqueles homens. todo cheio de coisa. aqueles cavalo tudo correndo. fuxiqueiro. Aí quando chega neste lugar que se reuniu.. Ele chegou e disse: "eu vim te buscar. em uma vida daquelas. ela saiu p r á ter encontro com o Bentevi no mato.. Foi tudo coisa de polític a . Ele foi pro Estado de -Alagoas. Bentevi era do Corisco. leva. Isso é vida terrível. não era cangaceiro n ã o . o Zé Baiano chegou.. Eu dizia: minha filha. Não ter o direito de ver os filhos.. levou e matou. o que achava mais bonito mesmo era bandido todo enfeitado.. de vupt. ... enterrou feito lama. ele pegou Corisco. eu era pequena.. levaram preso. Maria do Lampião só faltava acabar com a vida do Lampião. n ã o ter sossego. uma mulher atraiçoar! Fazer um papel desses com ele. Aí ele disse: — A h . Ficou naquilo. onde estão. na hora em que ele foi sair. inesperado. você veio contar porque não lhe aceitei.. e por intermédio disso. . mas ele queria viajar.. foi uma fuxicaria danada.. todo perfumado. Botaram na garupa do cavalo e me levaram. Tinha um cabra do Lampião chamado Coqueiro. Aí deixou o bando e veio prá esses lados a q u i . tava o debate dele com meu pai. > Sei que ele chegou em ponto de desconfiar. Então. . e j á tinha havido uns barulhos por causa dele. Ele disse: — Lídia. as mulheres só vivia chorando. nós se dava m u i t o .. lavava a mão. um tal de João Alencar. daí que eu vi as forças se danar. Acho que fez proposta e ela xingou. .. e disse assim. Isso tudo. pois você me xinga? Entã o vou d i zer agora pro Zé Baiano. vida bacana.. era besteira. apaixonada. Eu era pequena. não. resultado. e não era brincadeira n ã o . quase me assombrou de ver aquele homem. E n tão fui prá fonte onde se lava a roupa. Quando. Buscar pór que? Eu n ã o estou sabendo de nada.. Então alvoroçou todo aquele barulho todo. ficou. nós tudo em fuzarca e festa. não tinha nada disso. manchar a f a m í l i a . eram uns danados.vou l a v a r . Não devia desrespeitar ela. Não sei o que nós tinha. . que ele ficava em em casa e eu ia lavar roupa. Foram embora. Então ele fazia aquilo.. não tinha medo não. Mas uma continuação: quantas vezes eu disse prás meninas. Foi o Coqueiro quem encontrou ela com Bentevi. Era o ano de 27. mas ele voltou antes. .. Xingava aquela coisa!.. eu gostava de l a v a r .. .mas pintou o diabo. matou. estrupiada. enxugava as mãos. . eu gosto dele. assim. abafou o lugar que ele tava. Era dengo. Corisco tinha uma tia"que era uma pessoa muito cheia de confusão. até hoje gosto de lavar roupa pesada. Mas um cangaceiro ia aceitar isso? Não. Como meu pai podia impedir que me levassem? Como? Chega um grupo de revoltosos.mandou que me apanhasse. Num tinha que delatar. Sertanejo. aqueles homens tudo a cavalo. Isso é vida perigosa. não sei que encheram os ouvidos dele. né? e Minha filha. cada mulher bonita. perante todo mundo! O que é que há. eu v o u . e pegando o criatório de quem encontrava. pensavam em muita coisa. umas questão por causa dos revoltosos. Nem sei os caminhos que tomou.. sempre d a n ç a n d o . vi uma vez. Não tinha treze anos completo. . deram com o sebo prá ele correr. falou. Olha só: viver molhada. . né? Se por acaso ele tivesse prá lá. ehegou e disse para o Corisco que t i nha sido meu pai. ele sempr aparecia. De todas as mulheres do grupo. Sabe. n ó s tinha medo das volante. Eu digo: "eu... não ocupo dessas coisas. Ela ficou assustada. Nós com* medo. Era mimada. Aí Lampião atirou no Coqueiro. O que ele fazia pela mulher dele!! E l a fazia tudo com ele. . Agora. .. não ter vida certa. Ele dava comida a ela! Era tudo aquelas toalhinha de forrar m ã o zinha da Lídia. tudo tu tem de mim na vida. botava o prato.. aquela enfeitaria t o d a .

Se eles tiverem aqui. Quando se entregaram aqui. Eu era danada. eu tô vendo aquilo. um cururu desse tamanho pulando na frente da gente. quando foi uma seis horas. Lá em casa. Quando mataram Lampião. Se Tivesse com ele. se eu me lembrasse de cair na m ã o de soldado. os cidadãos que moravam nas suas casas. loucura. Se entregava de medo. tudo. vinha pro mesmo lugar que nós tinha passado. Tudo. Não era isto. Os macacos eram pior porque eram policiadores. Tudo que meu pai tinha eles tomaram. vinha de Alagoas. coronel. Santo Onofre. e nós fomos embora. Não tinha soldado. Tinha dias que a t é os passari¬ nhos vinham. o lugar que nós tava. amarravam os pés e as mãos e jogavam dentro do fogo.. A desgraça do interior foi as volantes. Senti no grupo. aquela frieza em mim me assustando. nego caía nas espingarda. . Como? Só de pensar que eu era filha dele. ele entra. chega os matos. Se ao deitar você rezar. tava pegando fogo de tiroteio. ele tinha tudo e ainda tinha os três de Santo Antônio. no meio de todo o mundo.. . Tem livro aí que alega que eu fui menina criada no sertão. Quando ele morreu. Lampião dava a m ã o a quem achava no chão. fura. Lampião era mata fome de quem sentia fome. eu vendo per- A desgraça do cangaço foi o paisano. b a t i a m . eu tava assim a olhar. E u ouço: aquilo tinha que acontecer. Mas n ã o era o que ia acontecer assim no fim daquilo. Tudo existia. matavam. o Corisco. de começo. ali. Os cangaceiros que entraram pra volante entregou os coiteirost a m b é m .. Se estava. . queimavam.. os que quiseram ir embora diz que mataram uma porção. Quem acreditava era besteira... Os amigos. Corisco: Ele disse: — Você quer ficar.. pronto. não tem corpo fechado. de vez em quando sobem num pau. Eu tinha sonho e dizia de m a n h ã : perpara. sobem numa serra. A maior luta foi subir com o caixão até o serrote onde ele pediu pra cavarem. . tudo que tem foi Lampião que d e u . perto de mim. ele está na Bahia" Ia pra Alagoas. Aí. pá. né? Quer dizer. você tem o inimigo mais perigoso do mundo e você tem a oração rezando com a intenção daquilo. tudo. Soldado não atirava no rancho comigo. Quando eu morrer quero ser enterrado no serrote por- que lá ninguém vai bulir comigo".. o povo sofreu horror.. e as volantes. Você abate. nós vamos viajar. Eram pòliciadores Mas pra ver a desgraça que f a z i a m . os sonhos mais terríveis do mundo. O que eles diziam: — "Matem Dadá que vocês tem Corisco porque Dadá n u m . pra se defender tem. diz ali tem coisa. Éu era uma águia. Tudo eu sabia. e morreu muita gente. eles vão na direção daquela fumaça. como tem livro aí que diz que eu era uma menina pobre que vivia mendingando no interior.. entendeu? Você pode ter sua oração. você pode ter fé naquela oração.. Que culpa tinha meu pai? Eu conheço f a m í l i a s . porque o paisano conhecia dos matos. saímos de tardinha. como Diferente. aí eles botaram todo mundo em arma. não deu jeito. tudo tudo. hum. botava prum lado e morria. em 32. aí eu digo: — ó i . Meu pai era um homem bem recursado. onde ele t á enterrado. eu digo. Lampião era um amigo. Aí foi desmanchar aquilo e nós fomos embora. tirá o mel. quando eu me lembrava daquilo ou sonhava: eu pegava. . Não tinha forma de Corisco. . só bicho. Teve muito coiteiro que se entregou.lí-xa Fuzil. o breve tava na mala. . perseguiam os paisanos. via aquelas pernas passando pela cerca.. vocês prepara isso tudo. Meu pai tinha milhares de afilhados. " Entã o eles apanhavam tudo e levavam. Isso d i versas vezes. . andando. sangrava.. Botaram cruzeiro'e ele t á lá enterrado. fuzil. aqueles urubus. se dá um tiroteio. Aí ele vai. eu tive um sonho. Voce acha que era bonito uma coisa dessa? Foi um papel muito sujo. ... até hoje eu tenho.vida toda. Meu pai foi' deportado durante o tempo que existiu isso. penduravam pelo pescoço. E os macacos eram uma peste. tudo preso pra dar conta. Foi fogo ate que Lampião morreu. de ovelha. tudo. rastejava criação.. o breve completo. aquele estouro. era assim... voltou. foram arrancadas as. tinha medo. era o caminho todo me assustando. Botaram pra Pernambuco. Mata p r á tirar madeira. Depois da entrega não morreu nenhum cangaceiro com essa ajuda dos coiteiros. . Aí Corisco disse: "Olha. Era mata virgem onde não morava ninguém. eram uns miseráveis que matavam. Corpo fechado? Olha. os coitos.-.. rico. Era coiteiro. a maior covardia do mundo. De tudo: irmão. ele tem que perder força pra você. neste dia. as volantes. Aí onde foi a miséria do cangaço.. agora. o soldado me agarrando. g a n â n c a . foi o esquadrão de cavalaria. não tinha medo de enfrentar qualquer meio de caatinga. quer dizer: quanto trabalho que aí tive e mataram. e quando chega lá é rastro de cangaceiro. um soluço. vam. m a t a r a m . olha o. sei lá.. primo. No dia em que ele morreu. Quando Corisco foi baleado. Eles fizeram então volante só de contratados. Saímos quase no queima das volante. prendiam tudo. tive benção de 12 anos e tirei três anos sgm perigo! Depois de três anos eu peguei. eu tô vendo uma coisa. Podia preparar que era uma coisa. pra ir perseguir os que ficaram no mato.cavalo e me levou. Caça. Quando foi à noite.... n ã o quero ser incomodado.Eles matavam por causa de uma bebida assim.. escapou quem se entregou. Eu me levantava e me equipava toda: botava todo o equipamento. m botou na garupa de um. parabelo. uma fumaça naquele mundo... horroroso. Não enterraram no cemitério. não. me agarrou. aí brigam. o que andava assim. ficava esperando. matavam seus filhos. A maioria de tudo. Tinha pavor. . mas quando era na hora de morrer não tinha nada disso. ele tinha o breve da oração completa. tudo que tiver que acontecer você vê no sonho.. Eles n ã o entravam so de medo n ã o : porque morriam. . eu podia saber que t i nha tiroteio. amarrados pés mãos e jogados dentro do fogo. E tinha muito cangaceiro que tinha parente nas volante. todo o meu povo. e e . Morre Guerreiro. O mundo de gente que quer bem meu p a i . se tem gente arranchando no meio da caatinga.' Ele guardou porque aquilo era um volume muito grande. eu não quis mais ficar no lugar em què eu estav a . aí você nunca esquece daquilo. . Aí éu contei o sonho. fica. Aconteceu uma coisa que eu cismava.. foi o exército. n ã o .. de tudo. eram uns desgraçados. Os amigos eram os coiteiros. tinha o maior medo do mundo. que a macacada desceram tudo p r á brigar em São Paulo. sofreram miséria. uns 60 anos. vendo tanta gente caindo morto. entra. nós tinha um mundo de terra. Era criatório de gado. No dia em q u sonhava com boi voando. a maioria desse povo se entregou. Os primeiros que se entregaram voltaram. Pobre. tô vendo aquilo. depois Capitão Aníbal fez proposta de anistia para se entregar. Nunca tive oportunidade de mandar nada p r á ele. mas eu acho que é mentira. feras: onça. foi a t é que liquidou a maioria desse povo. morreram tudo. deportou todo mundo. Eu achei disso tudo a co'sa mais esquisita. . lhe matanas passar. ia olhar e n ã o via nada e fiquei naquele. cobra. Nós tinha muito criatório. ficou todo esse criatório à toa pra eles comer como entendiam. hum. Ficava assombrada] quantas vez a noite eu tava dormindo. me assustando. Ele com dois braços quebrado. Os sertanejos passaram que eu não sei contar com as volantes. n ã o tem corpo fechado. tudo cercado. morreu todo mundo e muitos deles que tão aí como cangaceiro não fizeram essa experiência de pensar isso. Covardia essa entrega. aquilo em mim. n ã o deu jeito. Meu pai não era pobre n ã o . Eles acabaram com o mundo do interior. bom. No dia do perigo eu v i a . até quando vai sair num rancho e é cangaceiro. Bate. E m vez deles perseguir Lampião e os outros. perdia a graça. a polícia foi quem entrou n a queima. era diferente o meu modo de pensar. ele. Ele dizia assim: "Quapdo eu morer n ã o quero ser enterrado naquele c e m i t é r i o . ele teria ido embora.. . alguns se entregaram e perseguiram os companheiros que não quiseram se entregar. Quando era as forças. Era um cachorro. tem uma nuvem de urubu.. no modo que nós vivia. No dia em que Corisco foi baleado. . mundo todo e é ali. rastejava caça. foi quando liquidou a maioria desse bestinha. era uma coisa esquisita. eles sobem num pau. tiroteio no ouvido. .. nem Lampião proteger ele. então eu disse prum coronel da Polícia Militar da Bahia: — A miséria que teve no sertão não era Lampião. Tinha isso. ser enterrado hoje pra me arrancar e tirar os ossos a m a n h ã pra botar outro. deportavam pra Pernambuco. foi o fim de tudo porque as volantes botou todo mundo pra fora das fazenda.. vinham batendo no meu chapéu e e e voava e vinha embora. Aí é com as volante. olha moço. eles também podem rastejar gente. quando era os soldados. Diz que D i ferente t á em Minas. Quando foi no outro dia de m a n h ã . mendinga. um parabelo e um fuzil equilibrado batendo num corpo. Meus irmãos pequenos. Aí depois. a t r á s de L a m pião. . quem era coiteiro. desmancha esses vestígios". Todos no mato. Se chegasse aqui olhava ele e dizia: "Lampião passou a q u i . na criação pra urubu comer. — pronto. só ficava nas fazendas quem pegasse em arm a s . caí em perigo prum canto e p r á outro. Depois de 28 p r á cá. Tudo. muita caça. eu olhava e n ã o via nada. a cavalo.unhas de ponta de faca porque Corisco chejgou. Meu neto num podia entrar na escola por causa do meu passado. Eu t i nha horror das volante. homem tudo contratado.. Mas . Ele morreu moderno. se ouvia aquele pruummm no meu ouvido. Quantia de terra sem fim. que se o senhor me exigir isso eu vou lhe mostrar: meninos retardados. Tinha tudo: a hóstia. se perdia. Eu via e gritava: — Macaco. . . Ainda hoje tem umas besteira. Mas Corisco era homem que rezava: tudo que é oração ele sabia de cor. Quando foi no outro dia eu disse a Corisco: — Nós não vamos fazer essa viagem.hum. j á tava tudo cercado. eu fiquei três mês num lugar tratando dele. Assim. . quando chegou isto no Estado da Bahia dizia assim: "Corisco atravessou. quero essa meia comigo. Mas vê assim. quando foi naquela revolução de São Paulo.. todo mundo. queimavam a casa.. Oração defende muita coisa se você tiver o sonho e o pranto de Nossa Senhora e você usar e l ao deitar todo dia. Isso até hoje me prejudica. No caminho saiu um sapo. Acabou tudo com essas persiga. é ali. os moradores fizeram questão. Mas acabou' tudo. era assim.. rastejava. Atiravam no gado. rastejava.. me tatando. . parabelo. Eles esvaziaram o sertão. eu tive um sonho 1 Eu sonhei. Meus pressentimentos sempre davam cert o . Andava a. viu? Bateu. mas eu vou. . a gente vai viajar. coronel. . Era aquilo. plham o mundo. hoje não viaja.. . O mundo de afilhados. naquele dia todo mundo olhava as espingarda. que conheciam os pontos. foi esquadra de avião. quando chegavam em Alagoas. em cada volante era dois. de criação. aí foi que virou a persiga pra quem ficou. de animal. Morre Rouxinho. Era isso. Olha. rastejava cobra. E u podia t á na maior palestra do mundo. Um dia eu tive uma demanda a í . Lampião era Um homem. e isso nunca escapou ninguém. Quando foi do meio pro fim eu passei seguramente oito dias.. j á ninguém tomada nada'. d á mais. eles achavam que meu pai sabia de tudo.

um homem fora do comum. em Alagoas. fez a primeira reportagem em defesa da ecologia neste país.. foi no famoso ita. o dia que eu quiser comer mulher eu como com o meu p. ele foi o primeiro em São Paulo com mentalidade empresarial. um dia saí e trouxe uma reportagem. se pautava por princípios que considerava jornalisticamente válidos. Eu entrava num laboratório às cinco horas da manhã. e não com a capa da revista. ia para o botequim e se embriagava. O Chato se apaixonava pelas pessoas. que é a coisa que mais prezo em mim. não sei. uma assembléia geral com todo o corpo de redação. Cito aqui o caso do Gil Passareli. até hoje eu não entendo o cara que chega num bar. 'não podia fazer parte dessa corte. eu não consigo entender. No Cruzeiro. Eu fiquei nessa revista até 65. Como as coisas eram um pouco difíceis nessa então vila que hoje é uma cidade. que eu considero das mais corajosas da imprensa brasileira: a Folha inaugurou uma coisa chamada Campanha. como jornal de pouca tradição. que ainda • estava no auge. acho que é o homem mais sacrificado da profissão. Quando t inha 20 anos. sempre que me autoanaliso sinto isso. o salário mínimo acho que era CrS 2. e não quer pagar. eu sou jornalista". Houve uma fase.. ou imigrante. e o pessoal gostou. Assis Chateubriand era na verdade um homem genial.. ganhava na Folha um salário que era de repórter classe A. Assim é o novo presidente do Sindicato dos jornalistas de S ã o Paulo. os rumos que o jornal estava tomando. onde se discutia como iam as Campanhas. O Nabantino hoje é professor de Direito. Como eu tinha muita vontade de escrever. V a i escrever uma reportagem sobre o c a ç a d o r ie carangueios .00. O Cruzeiro na época não tinha problemas de dinheiro." O Sr. Bem. então sempre dava um jeito de não fazer. que é a fase que mais abomino da minna carreira. Fui o resultado daquelas pequenas tragédias familiares. mas acho que ainda é muito importante formar o repórter dentro do jornal. Qualquer salário tava contente. Um dia começou a acompanhar os fotógrafos e hoje_ é um grande fotógrafo. meu pai me registrou em Maceió. o que poderia fazer um cara como eu. É preciso que se diga que em meados de 50 o jornalismo começou a ser uma profissão. Não é por honestidade. era a aspiração máxima. Fra o seguinte: o repórter propunha uma série de reportagens sobre assuntos determinados. como ser humano. porque na verdade o contato direto com o dono da bola não me é muito agradável. fiz uma matéria uma vez sobre o Juqueri. que era porteiro da Folha. A Folha tinha normas de redação. antes do pau de arara propriamente dito. Era uma questão de sobrevivência. a p. Voltei com 1 1 anos. tenho uma enorme admiração por eles. Mas na Folha. O Neil Ferreira dizia "eu não vou fazer.um cargo importante na Secretaria da Educação no Rio. Vinha muito nordestino para a imprensa. . Quando nasci era uma pequena vila no centro do estado. querendo matar a humanidade. zona de agreste. no rio São Francisco. Era o apogeu do repórter-estrela. Paulo e eu peguei correndo.. contra a poluição dos rios. que a gente considerava antipática. Não quero de maneira nenhuma defender esse tipo de formação.. O Sr. que o p . Nasci numa cidade com nome arcaico. apareceu a oportunidade do laboratório fotográfico da Folha de S. por temperamento..Marcão e José Carlos Marão PRESIDENTE AUDALIO V a i escrever uma reportagem no hospício. E eu. que na ocasião era ridicularizado por muita gente: semanalmente fazia uma reunião. E O Cruzeiro. no auditório da Folha.. É preciso dizer que naquele tempo a maioria dos jornalistas se fazia assim. mas repórteres de polícia velhos como vi muitos que foram agora votar. Então costumo dizer sempre que entrei no jornalismo pel3 porta escura do laboratório fotográfico. na imprensa paulista. estou falando muito em tragédia. O ambiente contrariava a minha sensibilidade de maneira total. Instituiu além do Conselho de Redação uma espécie de Polícia de Linguagem. como patrão merece um elogio. foi isso. Independente de um curso universitário de jornalismo. isso deve ter sido em 1956. como a da companhia açucareira que poluía o rio Piracicaba. Fica do lado dos loucos. Todo emigrante. principalmente como empresário. que tinha a família imigrada? Era procurar um caminho. Era 59. a não ser que você seja uma pessoa desprovida de princípios. um dia ele ficou completamente louco.. Aí. sãò coisas que você não pode ver como cidadão. Então o Paulo Afonso Grisoli. na região de transição entre o sertão e a Zona da Mata. acho que chega. com apóstrofe. isto é. Fui trabalhar num estúdio fotográfico particular. que não tole- rava deslizes. O Nabantino Ramos (ex-proprietário das Folhas). O Nabantino fazia o seguinte. o sujeito que chega aos safanões. mas era gênio. O meu pai era um pequeno comerciante.. eu não vou fazer essa reportagem. Não havia limitação de dinheiro. Siste-maticamente. E u m caranguejo. talvez seja por princípio de repórter. . CrS 18 000.Papo com Ligia de Almeida. Nós aqui de São Paulo tínhamos muito pouco contato com ele. e a luta que um imigrante é capaz de desenvolver é uma coisa que só quem é imigrante pode avaliar.. Fez uma série que durou meses e meses. mas muitas vezes dei plantão na Central de Polícia. que é jornalista dos mais dignos deste país. A primeira vez que vim pro Sul foi quando tinha seis anos. achava isso muito bom.00. Chama-se Tanque D'Arca. que é quando apareceu a Rio—Bahia. precisa ter essa vontade. na verdade é uma tragédia. e passei uns dois anos lá. o pessoal de São Paulo. Mas o que me contrariava profundamenta era o drama que passa pela sua frente. . ninguém podia dar palpite.000. Então encontrou no caminho dele aproveitadores em quantidades homéricas. onde fiquei du- . recebendo o seu salário e só o seu salário. não o de outro tipo que a gente conhece. Pode-se até usar aquela famosa frase da luz no fim do túnel: foi quando saí do quarto escuro e consegui fazer minhas primeiras fotografias na rua. dentro do jornal. ele precisa ter essa garra. eu já tinha um certo nome. ainda hoje é. naquela fase dos 50. a ortografia de acordo com a reforma de 1943. Você se sentia muito à vontade lá. este homem tinha uma verdadeira fixação para a imagem do jornal. o empobrecimento de uma classe média se desfazendo. muitas vezes esse gênio se dirigia para a coisa que não vem ao caso. Precisava no mínimo uma grande dose de semvergonhice que eu não consegui ter até agora. que era uma redação muito unida. ele escreveu "siquer" em vez de "sequer" e mandaram pra ele uma observação. vai numa boate e diz: "olha. e esse caminho foi o jornalismo. tinha uma espécie de manual. notou-se que eu fazia uma fotografia de certa forma diferente. Logo de início. esses que continuam trabalhando. veja bem. do assaltante. tem uma força de vontade extraordinária. era a grande revista brasileira de reportagens. torcer alguma coisa do jornal. E essa polícia era exercida por um professor de português. digamos assim. Havia um grupo grande de jovens interessados. que ele estava lá. que foi uma das maiores escolas de jornalismo naquela fase. mais no Rio do que em São Paulo. Os repórteres de polícia. o repórter recebia um vale e tava contente. por trem e navio. porque a "polícia da linguagem". como quase todo pau de arara. onde se estabelecia a linguagem. Essa fase de fotografia e plantão na polícia foi muito rápida. foi o que me deu a visão da tragédia nordestina. e muita gente tinha entrada e formava uma corte. Mario Mazzei Guimarães. que repudiavam os métodos antigos. Essa Campanha atingia interesses poderosíssimos. no dia a dia.se chega ainda. Mas tinha o sujeito que pedia para você fazer uma matéria sobre a vedete que estava no Teatro Natal. o drama do ladrão. Muita gente inclusive na Folha. e tinha muito cara que fazia isso. Na segunda vez vim sozinho. Miltainho. o repórter propunha os seus próprios assuntos. que hoje está ocupando. nem tinha jeito para isso. o cabra da peste A u d á l i o Dantas.

Já fiz centenas de matérias assim. tiveram truncadas suas carreiras pela pressão econômica. não representou nem o mais humilde colega da classe. onde 70"o dos doentes estavam nus: mulheres. a Manchete. mas não obstante isso.quando eu falo "julgamos". Depois. nós cobramos 15. certamente. portanto não • estamos dizendo nenhuma novidade aqui. onde você via a miséria humana. Então nós pretendemos nesse boletim ter notícias que falem das reportagens publicadas pelos nossos companheiros na semana. tem. deve ser isenta dc censura. por exemplo. mas depois reconsiderei essa colocação. que prevê dez ou doze departamentos. Me perguntavam se eu achava que um repórter pode contribuir para mudar alguma coisa no mundo. . publicamente. Pais e Filhos. E eu disse que achava que a vitória da oposição não era a vitória daquele grupo que trabalhou organizadamente e sim a vitória de todos os jornalistas. o vocábulo política. era um número sobre a mulher. boletim mensal (que nesse momento se chama Mural). em todos os níveis. desde aqueles chamados por privilegiados. e aquela moça estava ficando mulher. o n. para isso eu dizia que muitos. a nação-Brasíl. Todo sujeito que ia para o Sindicato levantar problemas. eu acho. a gente não lembra nunca. a miséria humana no último grau. como um termo proibido..500 cruzeiros. e fiz uma subversão do que seria reportagem. expõe pra gente financiar o nosso jornal e botar aí para os estudantes de comunicação. mas é verdade. diretor-social e cultural do Sindicato. na verdade. Não se compreende que um jornalista possa ser bom ganhando 1. trabalha de 14 a 16 horas como revisor. É bom que se diga isso. pergunta: a intenção é representar de fato o jor- nalista. alguns anos depois e agora recentemente. Então. não precisa ser jornalista. Então o programa diz que esse piso deve ser elevado. porque a sua profissão. Um dos itens do programa da oposição diz que nós lutaremos pela elevação do piso salarial. Eu diria o seguinte: representará a 'média dos jornalistas na medida em que no Sindicato atualmente há uma chapa que foi formada por jornalistas. vocês imaginem o resto. a propósito da acusação imbecil. íamos passar o dia todo e às 7 da noite ele tinha que estar de volta. Tem o INPS. dizendo que seria publicado o nome dos associados que deram cheques sem fundo para pagar o Sindicato! E verdade! Saiu isso! Então. uma revista da Bloch." . o governo do Sr. não são permitidas. por exemplo. Ele é representativo. tenha que ter 3 ou 4 empregos para sobreviver Você vai dizer que a gente vai resolver isso? É lógico que vamos tentar. publicações. Aliás. se dizia que ele ia para o Sindicato levantar problemas políticos. ele disse que aquela vitória. pelas suas crenças mais expressivas. em tablóide.500 cruzeiros. quando o sujeito não pode ir ao cinema e muito menos ao teatro para melhorar seu nível cultural . a vitória de movimentos políticos ditos isolados. O farisaísmo reside é aí! Enquanto isso as reportagens sérias. onde não havia colchões. Pois é. Adhemar de Barros permitiu que um jornalista visse a miséria que era o Juqueri. Concluindo: ao mesmo tempo que uma revista.. não significava como muitos queriam duma maneira indigna. como instituição. publicou uma série. Queremos levar ao Sindicato um contato mais amplo. então o que que eu ia fazer? Foi o maior dilema de repórter que eu tive na minha vida. respondendo sua pergunta. o decreto-lei 972. Nós respondemos que a liberdade de imprensa. 1 6 e até 1 8 horas? Um dia nos fomos à Guaratinguetá. é uma forma um pouco pedante. conferências. eu acho que isso é fundamental. Inclusive. Vi uma adolescente que estava tendo. Você falou na tv sobre o trabalho dos dois jornalistas que começaram o caso Watergate. E o que é política? Há uma lei que regulamenta a profissão e é desrespeitada a todo instante. então você tem assistência. Já se disse oficialmente. publica um seio enorme na capa. A coisa que mais me impressionou foram os pátios. era uma dedo-duragem. e você sabe que aquilo não foi para falar do problema do câncer. Cheguei aos dormitórios.. Um dos argumentos era que havia a foto de um parto. excelente nome. eu nunca recorri ao Sindicato. com assembléias onde todos diziam amem. adolescentes. Na nossa chapa há muitos caras nessa situação. Sempre consideraram esses sujeitos como inimigos do Sindicato. Mas eu sei perfeitamente que a maioria precisa recorrer. Então é um serviço tão importante que deve ser ampliado e melhorado. que se diz educacional. em toda a sua problemática. num programa de tv. a 30 minutos de São Paulo. O compromisso que a gente tem é com esse tipo de gente. diz que nós devemos discutir os problemas! Esses caras não queriam discutir.. Vamos pegar artista plástico. a propósito do câncer no seio.^ ele é que é um injustiçado. e depois chegar até as bancas e às universidades e aos cursos de jornalismo.. Muito antes de eu ter imaginado que os meus companheiros jornalistas fossem me buscar para ser candidato a presidente do Sindicato. é um jornal de reportagem. que é editor de um jornal e ganha 1. naquela posição conservadora e recuada no tempo. de acordo com. dentro de mecânicas mentais muito estranhas. pelo seguinte: eu não sou um privilegiado. publica isso e não é considerado imoral. que está um pouco abaixo dos 1. Então a criação de um Departamento Cultural é ponto de honra da chapa da oposição. O que era imoral há 8 anos. a partir das esferas mais altas. mas foi pra lá. pra financiar o jornal. Na nossa chapa. Nós descobrimos. Eu dizia que os dois repórteres que denunciaram Watergate. eu comecei a entrar no hospício por obra e graça de um novo governo que assumia. e vocês sabem o que significa trabalhar como revisor. Carvalho Pinto. Muito bem. Muito bem. Porque consideravam a palavra política. tinham contribuído para que os destinos do mundo fossem mudados. que substituiu o do Sr. mas primeiro nós temos que ver e lutar dentro da lei. então precisa dinheiro.. dentro do processo democrático. até aqueles que são representantes da grande massa dos jornalistas. pelo jeito. Então isso aí começou a influir para que a reportagem fosse também sendo capada. no Congresso de Jornalistas. profissão de jornalista. em todos esses anos. Tende a se restringir. E por que nós não podíamos mudar os destinos de um Sindicato? E a resposta. tavam 14 mil doentes onde deviam estar 4 mil. e isso acontecia . desde Assistência Médica até cursos. Julgamos mais ainda ^. mas como indivíduo. um jornalista. isso foi em 63. imbecil três vezes. foi assim a maneira que encontrei de dizer que ela estava tendo a primeira menstruação. Eles agitam a bandeira do medo. Isso prova de que a liberdade de imprensa é um dever.so como a única política r. Faz uns três anos. vamos procurar cumprir essa lei Falar que tem um buraco na esquina é política . Vi adolescentes e urubus em cima. surgiu o assunto censura. pretendemos transformar em quinzenal. inclusive daqueles que discordam e principalmente daqueles que têm razão para discordar. Eu fui mostrando: pátio das mulheres esquizofrênicas. cinema. mas é no sentido coletivo mesmo que eu digo — é que nem adianta o Sindicato ter um Departamento Cultural bem estruturado (o Sindicato tem). principalmente nesse momento em que o país todo. Então. não pode comprar um livro bom. Então ele também não tem tempo de ir à uma biblioteca para ler esse livro. para ser exercida. corno eu desconto) para uma entidade médica. e os urubus em cima dessa moça. com' os cursos de comunicação nos Estados Unidos. e essencial ao exercício da profissão.aqui. mas eu não durmo direito quando faço uma matéria que não consigo a minha linguagem. O jornal não pode ser com dinheiro de contribuição do Sindicato. num número desse jornal saiu um negócio absurdo que era uma ameaça. tinha pessoas doentes com marcas do arame do estrado da cama. como atentatório à moral e aos bons costumes. Mas eu não considerava. Nós vamos procurar manter intercâmbio com Universidades. e era de manhã. Acho que foi em 67. Ele não tinha dorrrhdo. e foi um dos argumentos alegados para a proibição. E nós respondemos: isso é o item n. Então.um sujeito. O que é política para eles. que encare seriamente a profissão. milhares de urubus em cima daquelas pessoas. O Sindicato tem alguma intenção. Começa-se a importar matérias escritas e pagas em dólares. .essa aos jornalistas.. e com todas as forças. diz que que jornalista é profissão de nível universitário. do senhor diretor do Sindicato que se entrevistou com o senhor ministro. o artista plástico vai pro Sindicato. no sentido moral. nós jornalistas descobrimos que esses cidadãos estavam fora do tempo completamente. uma vez. não só profissionalmente. das "personalidades psicopáticas". Então eu dizia o seguin • te: não tenho medo. Agora o que é que o cidadão queria dizer com "nada de política"? Eles tentavam. por exemplo. Então o Sindicato. etc. Eu abri a matéria dizendo que era um . que tem uma seqüência completa de um parto com todos os detalhes. não possa ir ao teatro. a primeira menstruação. na pseudo-assistència-social. E como "exercício da profissão". em São Paulo.reportagem. dei uma entrevista na televisão e citei exatamente o exemplo do que significa a importância do repórter. considerando todas as limitações que existem. os enlatados. Muito bem. É indigno que um sujeito. teatro. quase todos os jornalistas pagam( descontam em folha. Adhemar de Barros. e como se dizia: "nada de política". assim como o Congresso é representativo. ela quer dizer o "pão do jornalista". uma falsa colocação. Ele é uma conseqüência da democracia. . em termos de salário. sim. como presidente eleito do Sindicato: qualquer jornalista. O Sindicato é uma instituição democrática. porque na medida em que essa liberdade é cercada. Eu disse que sempre achei que o Sindicato não se esgotava na assistência social. No dia em que esse homem me falou isso eu me considerei realmente um privilegiado. e botar no Sindicato. mandou telegrama dizendo que chorara ao ler a matéria. cujo sentido seria educacional. miséria total. Nós não nos contentamos. e o pátio de mortos. Então o Sr. hoje já não é mais. acabei de sair da revisão do Estado". E eu dizia exatamente isso. de orientação familiar. O problema da censura Como eu disse individualmente. O que significa a vitória da oposição no Sindicato dos Jornalistas de São Paulo? No dia da apuração. e a matéria saiu em 18 páginas e o então diretor da revista.. ele disse: "Puxa vida. que a liberdade de imprensa interessava só aos patrões. 14. Era um galpão de cimento vermelho onde eram jogados os caras que iam morrer. Eu vi uma sala dc Horrores que nunca mais vou esquecer na vida.caso de intervenção da ONU. é o que vinha acontecendo. num momento quase de estalo. os peitos caídos no meio da barriga. Mas então. que não é uma bandeira que interessa à Nação. eu repito. O fato de eles mesmos estarem no Sindicato era uma atitude política. e repeti isso num dos nossos boletins. E n tão eu disse que como jornalista só podia ser contra a censura. como houve durante muito tempo. por quê? Porque a pior coisa que pode acontecer a um jornalista é ele ver a coisa e não poder dizer. na Europa. dizer que vínhamos fazer política partidária dentro do Sindicato.o 10 de Realidade foi apreendido. que é o Hamilton Otávio de Souza. Bom. e manter esse Mural com notícias semanais e o jornal mensal inicialmente. por aí. . é o Vasco. Eu posso dizer o seguinte: que o problema fundamental é a luta por um salário digno que não obrigue o sujeito a ter dois ou três empregos e consequentemente não possa ir ao cinema. o Odilo Costa Filho. mas o fato de estarem lá. no sentido social primeiro. excelentes repórteres. isso é indigno de qualquer categoria profissional. porque tinha de começar na revisão de outro jornal. Outra coisa. era uma atitude política! Você pretende trazer mais listas ao Sindicato? jorna- Um dos fatores que nos levou a vitória foi ouvir a opinião das pessoas. como? Por exemplo. Tenho a dizer que lamentamos o medo no Sindicato. de que a gente (os jornalistas que estavam fazendo oposição) fazia política. caTaá que estavam lá jogados pra morrer. desde a fase inicial até a criança nascer. aquela que é muito de emoção. e a hora da comida. Queremos um debate mais amplo. Comecei pelos pátios: o pátio dos esquizofrênicos. amontoados uns sobre os outros. e nós consideramos que defesa de direitos dos jornal: uma política. que essa assistência social fosse desnecessária. Alguns colegas chegaram a achar que era uma subversão da reportagem. ou qualquer coisa. E esse jornal não deve ser um negócio que fala das atviidades do Sindicato. A desgraça física. Fiz toda a minha matéria com flashes. mas foi para vender o seio. vai ser feito. e como nenhum elemento da chapa considera. E nós entenden o. ele ia prá Guaratinguetá. pela sua inteligência. excelentes jornalistas. deve lutar contra a censura. segunda a qual as coisas deviam ser mantidas. de melho- rar situações como essa? Olha. considerando o nível universitário. Com um público-nação.700 cruzeiros. Há também o projeto de um jornal. é que um repórter. eu gostaria de falar no Jornal da Tarde.. uma "denúncia. mas com a maior crueza. o problema é maior. isso revela uma profunda ignorância. em profissão dita de nível universitário. de uma mulher de perna aberta. tem um compromisso com um público. com o medo dos covardes? Mas eu digo sim: política. A grande diferença é que nós empunhamos uma bandeira que contestava. As galerias cobram 30%. desde o cara com um baixíssimo salário até o homem que vive muito bem mas que tem problemas de censura ou outro que tem problema de dor de dente? Mas é lógico. mas do repórter. Então. que os obrigaram a ter um segundo ou terceiro emprego. Do repórter! Não da imprensa. velhos. Era só "nada de política". o mercado de trabalho tende a se restringir. nos últimos 12 anos. ao mesmo tempo uma revista semanal. aquela moça estendida no banco nua e os urubus em cima dela. baseado no seguinte: a . a vitória da oposição. senão ele deixa de ganhar dinheiro e comprar um litro de leite e pão. ao que sabemos. Um revisor. Contei este detalhe na minha matéria. um dos homens mais dignos que eu já conheci na minha vida. e o dinheirinho fica pro Sindicato. quando o representante da Delegacia do Trabalho declarou o resultado da eleição. pela cara. para que uma profissão considerada de nível universitário tenha salários dignos de nível universitário. que trariam problemas para debates no interesse do país e no interesse social. Mulheres de 70 anos vagando pelos pátios. o conteúdo é que não era bom. porque foi um desafio. a importação de notícias. onde quer que seja. É da Gazeta. já há um anteprojeto feito por um jovem participante da nossa chapa. de ter visto umi atividade cultural promovida pelo Sindicato. Pode parecer demagógico. Continua fazendo .rante uns dez ou doze dias lá dentro..o 1 do programa da oposição. Sujeito que arrumou achegos fora da profissão. . Quando sinto o vazio da reportagem.

o pensador italiano. invoca o diretor de cinema Pasolini. a mulher ou esse p e d a ç o dela? Perguntar estas coisas é nazismo de nossa parte? Umberto Eco. . Santo Tomás e a t é Deus (em que n ã o acredita) para discutir o aborto (ele é a favor).Dentro da barriga da mulher está um bom homem ou uma coisa í Quem tem mais direitos.

Uma relação atroz que nãò cabe a ninguém. assumir. mim e.Deus. mas vai contra uma das t e n d ê n cias do pensamento moderno ocidental. seja a organização das revoluções: "Existe a vida e a v i d a . sobr o qual todo ser humano adulto tem o direito e o dever de pronunciar-se. recordarei que para grandes doutrinas dos tempos antigos. isto é. A lei não pode fazer mais do que ajudar e respeitar a mulher nesta tragédia que a faz tão diferente do seu companheiro. e Mas a raiz é a mesma. uma antropologia cultural. é a -mais privada. de higiene social. obrigando-o a reconhecer-se como criatura humana no vulto da mãe que o reflete. Aqui. se não a ela. A mulher está diante de uma escolha que. que inicia como unicelular e chega ao homem civelmente organizado. sobre a base de quanto se sabe hoje. a capacidade de estabelecer uma hierarquia entre a idéia e os desejos. Se' no feto apenas formado se respeita não a chegada problemática da alma mas o brilho elementar da vida. ao contrário do pensamento oriental. logo. o tornar-se pessoa. Mas Tomás de Aquino não admit a pluralidade de formas e vê cada uma das a l mas que se sucedem no feto como destruída. quer não. vem dé Deus: o qual porém. um grupo de escritores envolve-se em interminável debate sobre o problema do aborto. a polêmica sobre o aborto nasce como resposta a uma situação social insustentável. (A Montendison é o maior grupo econômico italiano). quando no chega a um bom fim?). de todas. porque se é cnticável que um romancista dê conselhos sobre processos siderúrgicos ou técnicos de transplante cardíaco. de genicologia e de reinvidicação política mas.pelos direitos de classe.h u m a n o mas ao desumano. mas transmitindo-lhe uma linguagem. Pasolini. a ciência humana. O próprio marxismo baseia-se na reinvidicação da classe oprimida no conceito grego-judaico-cristão de dignidade do homem. é mais verdadeira esta relação solitária. e o problema do que seja um ser humano. é prioritária a vida da mulher. deveria meditar sobre o enorme sofrimento • da diversidade da mulher. seu valor. Tanto um católico como um marxista estão dispostos a admitir que se pode matar uma mosca se ela nos aborrece. os negros (ainda que cristãos). o princípio grego-cristão da legítima defesa. um materialista místico. com a necessária brutalidade que preside seja a preparação. seu primado dos valores biológicos e históricos. e que vibra em sua beleza na descrição desta pequena coisa que atravessa no curso de sua aventura uterina todos os estágios da vida e mata em si a espécie inferior para se tornar rei da criação. é bem diferente o caso do abordo. do ponto de vista da procriação. L a Stampa. porque se contrapõe -forma' e "potência" (não é por acaso Rodano um marxista de origem católica). . E se alguém falou de caráter sagrado da vida e da verdade do corpo. que é tolerado pela sociedade como meio ilegal de controle do nascimento 'Maraini). lhe dando afeto. porque se trata de tirar uma parte de si. vale só o que a mãe sente. visto que a alternativa não é entre aborto e não-aborto. Paese Sere). E é preciso raciocinarmos nos termos daquela relaço inatingível que se forma entre a mãe e "aquele desenho remoto e pálido'. A discussão sobre o aborto termina sendo uma discussão sobre como fazer amor. em suma. que caracteriza os homens. Aqui j á surge uma avaliação "teológica". na reação do jornal católico nesta questão: pode-se falar do aborto em termos estritamente jurídicos. Os animais. Salvo que as almas vegetativas e sensitivas são produzidas pela "virtude ativa" do semem. a mais solitária". A lei não pode interveir: estamos além de todo o palavreado. devemos estabelecer um momento discrlminante: aquele no qual a sociedade transforma um processo celular em uma relação de educação. é liga. a polêmica i n troduzida por Pasolini é aberta pelo caráter sagrado da' vida mas • continua colocando o problema do coito. fazendo com que aquele processo celular se transforme num homem para todos os efeitos. ampliado . De fato. e a possibilidade de "humanidade' que ela j á comporta. que para um pároco de aldeia só existe quando alguém dispara contra. E sobre o direito da mulher de deixar de sofrer. E se os teóricos da revolução afirmam que os explorados têm o direito de eliminar os exploradores. Tomás adotava a perspectiva "criacionista" (a alma é introduzida por Deus quando o organismo adquiriu certas condições). o problema do aborto impõe esta discussão. "O pai e a m ã e são figuras mentais antes que as funções biológicas". mas faz a única teologia possível hoje. Mas h á uma razão precisa. depende dos modelos de sociabilidade que o animalzinho criança recebe e assimila. "per se una". existem dois de caráter contingente . hoje que numerosas experiências demonstraram que ele. por dignidade sacerdotal e pelos votos pronunciados. porque não os reconhece enquanto membros do corpo social que é chamada a defender i . e a ele recorre até o mundo leigo quando se opõe. Esta morte poderia cair sob os rigores da moral. isto é. a alma racional surge apenas pela decisão divina. nem a biologia podem iluminar plenamente. E este é um problema "teológico' (em seu sentido lato) embora se apresente como problema psicológico. Tomás de Aquino pensou muito a respeito de se o embrião possui ou não possui alma. não pode cair sob a definição da lei (a lei não pode proibir de matar nem os anjos nem os demônios. Um é Ferdinando Camom que em. apenas vive de modo semelhante a planta ou ao animal. supõe-se que não tenha vivido a dupla experiência do sacerdócil e da paternidade. mas a vida. Mas nos dois casos se assume que o ser humano vale porque existe. O que o pensamento grego-cristão n ã o faz. e Em segundo lugar. não se pode evitar colocar o problema da vida. prova. e existe um fato: muitas mulheres abortam. trabalho de análise b:ológico-filosófica sobre o jogo sucessivo das várias formas que atuam no feto em formação: o qual inicialmente tem só uma alma vegetativa (como uma planta). Como f azer amor. dois autores falaram sobre o duplo problema de alguma coisa que ainda não é homem mas é vida. por exemplo. seria corrompida por ela. decide. e O que não é secundário é saber por qual processo um ser humano pode ser definido como t a l . que dizer de um chipanzé. e afirmava que colocar-se a questão de quando o feto é criatura humana é racismo. depois assume uma alma sensitiva e nutritiva (comum também aos animais) e por fim adquire uma alma racional. . ainda que. em todo o caso. Na continuidade indiferenciada da vida. de estabelecer fins preferenciais. abordar é matar. podemos chegar não só ao p r é . ainda.m ã e perseguida (Manganelli). de dizer. introduzindo-o na coletividade. e a m e n i n a . dos cartesianos a Lenin. o brilho da imortalidade que faz -do homem um homem. Antes de tudo a fato de que. coloca em dúvida a noção do limite exato entre h u mano e sub-humano. em quatro jornais italianos (Coriiere de ia Será. muda apenas o conceito de atentado. o sentido da distinção. para um sindicalista pode significar também o assassinato por meios econômicos. Mas se nos limitássemos a dizer isto. e de quando outros seres humanos podem discutir em torno do seu destino. ao totalitarismo ou à exploração. psicológica. que por definição. O que é poético (menos para o dono do jornal em que escreve). Não estou dizendo que Santo Tomás teria usado estes argumentos para defender o aborto. e Nazi-Racismo? Provavelmente sem conhecer esta argumentação. visto que a mulher é magoada. polemicamente definido como "católico'. O problema é enfrentado com "coragem cultural' por ítalo C a l vino: ele n ã o faz um discurso eológico. a corporalidade biologicamente viva. . como nós. ou a vegetar na floresta. E a razão filosófica muito coerente é que se a alma racional (aquela que deve sobreviver ao corpo) fosse dependente da m a t é r i a na qual se instaura. convenientemente treinado chega a formular frases em uma linguagem (ainda que não verbal) articulada? Não por acaso dizia que o problema do aborto impõe a reformulação de uma teologia laica (e. O fato é que o debate sobre o que é o homem. A teologia encoberta nesta questão chegou ao mundo moderno pelo pensamento "cristão" (que é judaico-grego-cristão): nenhum filão do pensamento refletiu com maior precisão sobre o conceito de "pessoa humana'. se temos fome. antes de certo momento. abortar significa suprimir o ••desenho remoto e pálido de uma pessoa". É o que faz Pasolini. Sim. Quer se queira. corroída pelo novo ato que dá ao nascituro um nível de dignidade superior. acrescentando que um escritor nao deve falar de coisas que não são de süa competência.! do às mesmas leis da natureza que ele impôs ao Universo. É necessário parar um instante porque na oposição aristotélico-tomista entre potência e ato poderá basear-se a argumentação de um teólogo que quisesse admitir o aborto em termos razoáveis. E se alguém suspeita de nojo. A mesma linha pragmática leva Franco Rodano a uma consideração posterior: se a mulher pode morrer pelo aborto. no confronto entr uma "vida formada' e uma vida em formação. umas abortam mal e outras tantas morrem.Desde janeiro. É a questão 89 do livro 88 da "Suma Contra os Gentios'. Se existe por vontade divina ou por lei material — direi — é secundário. o que acontece com o semem. Pasolini não se preocupa apenas com o problema da vida humana mas com toda a v i da. Com o que entramos nos meandros das intervenções majg corajosas: definir quando um homem é um homem é ridículo se n ã o encontramos os parâmetros para falar do que nos interessa na humanidade. Mas o raciocínio vai mais a fundo: porque uma vez ultrapassada a barreira racista. por exemplo. mas "máscara'. limites. mas a teologia é impotente para estabelecer se aquela coisa tinha alma e quando (perguntava Santo Tomás: se admitimos que a alma está no semem. falar de árvore é um crime". como pretendia uma etimologia otimista. Perigosa afirmação. onde encontra-se este raciocínio. Estou dizendo que é no coração do pensamento aristotélico-tomista que se insinua o problema de um ser em devir que. Entre os motivos que levaram muitos a se desviar do tema central. Calvino reformula. de formação global. É uma dignidade que n ã o se confunde com a origem divina do homem mas com sua realidade social. E parece disposto a toda a toda a Montendison para salvar uma borboleta. eram sub-humanos os escravos (ainda que germânicos). De fato. Certo. a mais anárquica. Um jornal católico viu nesta polêmica um sinal de irresponsabilidade. E tem mais d i reito de falar um escritor pai de dois filhos do que um padre. Então devemos modificar o discurso e privilegiar não a alma em si. é verdade que é bastante nazista esta pretensão de estabelecer quando "alguém" ou "alguma coisa' é ou não é dos "nossos". Não podemos examinar aqui a longa série de raciocínios que levou Tomás de Aquino a defender esta tese. as mulheres (ainda que poetas). que não significa. E contra a tradição dita "traducionista" (para quem a alma era transmitida pelo semem). n ã o abandonando-o à morte. está em jogo. II Giorno. um homem se ele atenta contra a nossa vida. inicialmente. um boi. O que encorajou a maior parte dos intelectuais que debatem o tema a assumir uma posição que chamarei de prática: visto que o aborto é praticado. n ã o se deixará de chegar ao ponto central da questão. não se possua o dom da fé ê não se creia em . não pode intervir com a alma racional antes que o organismo esteja i n teiramente desenvolvido porque a alma é ato do corpo organizado e chega só com a "forma organorum perfecta'. mas é matar alguma coisa não sendo uma entidade social. um ponto profundo do corpo humano onde nem a sociologia. tortuoso artigo declarava contra o aborto mas se demonstrava sensível à tragicidade do problema social. cairíamos na armadilha de uma discusso sobre potência e ato. sua definição. quando é um vitalista panteísta. Logo. trata-se ainda de estabelecer que. Logo. o conceito grego-cristão de pessoa. então é indiscutível que se exige uma legislação mais humana. " Ou com Brecht: "Vivemos no tempo dos assassinos. de uma nova antropologia): porque aquilo que hoje se ensina na etologia (o estudo da comunicação entre os animais). que tanto fala do sofrimento dos seres mais diferentes. arrisca coufundir-se porque o homem nasce e se forma em uma 'zona. mas entre "aborto selvagem' e "aborto controlado"" (Fornari).

. (. pois. (. do verbo "crino. Tel. sobretudo. E PELO PREÇO QUE COBRA: 40 </.. Livros e revistas.. um direito da inteligência (.) TRECHOS DO EDITORIAL DO N9 1. 134 (esq.'tfco> . ele só recebe o que o mundo tem de mais bonito.. MENOS QUE AS OUTRAS LOJAS... o Paulo Gorodetchi não pode mais ver essas caras.. 1508.SE À SELECTA UMA LOJA PARA UMA CLASSE SELETA Marquês de Itú.) um compromisso com o pensamento.) sua tarefa e seu privilégio. É feito por escritores e jornalistas profissionais. o justo do injusto. <*wk.. PESSOAS DE MUITA RESPONSABILIDADE DIRIGEM-SE A SELECTA: PUBLICITÁRIOS.. CARMEN..d<xde de C^JÍ Halo*. que significa separar e. vai mandar dizer que está em reunião com o Milton Glaser. Bento Freitas) Fone 37-5988 Pg 26 Depois que ficou famoso.UM PAPEL DE RESPONSABILIDADE A SELECTA RESPONSABILIZA-SE PELO PAPEL QUE VENDE: SÓ TEM DO IMPORTADO. vindos talvez de posições políticas nem sempre homogêneas (. Faria Lima.. da política. ch£4 <x& : flRCA/ti^ uoce fode f \iLOSO^ICK Liu/ios C/n poK. com a capa do Zoom ou com o anuário Graphis. julgar (. LAMENTO... opinar. EM ROLOS E FOLHAS MILIMETRADO... GERARDO MELLO MOURÀO eia assine NA CIÊNCIAS HUMANAS VOCÊ VÊ COISAS INCRÍVEIS A maio A <^<jat*1. imíxyAiAK. a nenhum grupo ideológico.aoS.. . As mhou&ifts DO Ut>y- MonftflwAS }ctsoftes dá a S S « S S . o « .io. ESTUDANTES. Da próxima vez. ONION-SKIN (BLOCOS). p/recados: 32-365:: CRITICA (. "RG-UL é o poL.) (.. OPALINE.) um jornal de profissionais (. o belo do feio.) não pertence a nenhum grupo econômico. CARTÕES DE DESENHO SCHOELLER.. TODOS OS TIPOS DE BLOCOS DE DESENHO NUMERADOS.) separar o bem do mal..) a palavra crítica vem do grego. que p««a pfo.. ASSINADO POR SEU DIRETOR. a nenhum grupo partidário.) o exercício da política é.) um jornal a serviço da cultura e.l\eabArrt «A £ Corte*.. crinein".. í a bibLio«Rà)icA dê atendendo pelo neemboUo tbiiAL. ARQUITETOS. (.) CRITICA tem um compromisso com seu próprio nome (... SEU PAULO ACABOU DE SA>R- D IR I JA .. EM TODOS OS TAMANHOS. Na livraria Bux. Com a inteligência. £ s t f t a * h O £ bom /w<x ürvieoeoMjiQ. POR ISSO. Av. pensar. nacionais e estrangeiros. ENGENHEIROS.PESSOAL.) todos exemplarmente aderidos aos deveres de sua geração com seu país e seu povo (. (. PARASSOL. VEGETAL SCHOELLER. FOLHAS CORTADAS OU MARGEADAS. por extensão.

a seguinte oração. na família h á claros e escuros. ofereci a várias editoras e ofereço também a vocês para que seja feita uma edição barata. . Porque se fosse H o j e . Vocês precisam me trocar o fogão. — E depois? — Bem. depois da palavra hoje sempre vem uma asneira. por ai. Divórcio. todas repetindo "Divórcio". para saber o que achava do divórcio. Peito o projeto. segundo dados de 1971. o forno e mais um componente cujo nome nos foge no momento. te peço ante meus concidadãos. assim será feita a revolução em nosso país. deixam passar as tropas revolucionárias. tem 40. Olha. como está na cara. os organismos federais naturalmente recusaram financiar.Na capa. O território tem 230 m i l quilômetros quadrados. assinada pelo Chefe de Estado. a mulherzinha foi preparar o primeiro repasto. sacou? — E você pensa que as tropas vietnamitas e n t r a r ã o logo na F r a n ç a ? Se o povo apoiá-los. aqpi é o rapaz do fogão. Mas n ã o troca fogão IrM^o^l / Oração do Poderoso Pinochet de Santiago O povo chileno recebeu um panfleto durante as cerimônias inaugurais do Templo Votivo de Maipu (novembro de 74). seção de reclamações (onde. 30 estudantes da Faculdade de Direito do Largo São Francisco saíram à rua gritando -Divórcio. com um buquê de flores. Corção: — J á simpatizei com o nome. G U Y SITBOM (da Nouvel Observateur) Um repórter de E X procurou no Rio o pensador católico de direita. ginásios e um estádio de 40 m i l lugares. Aconteceu em Roraima. Veja bem. h á casos particulares que são respeitabilíssimos. Sobre o viaduto. Gustavo Corção. Sugeriu trocar o painel. Agora só lhe peço que como contribuição fale do meu livro "Claro escuro'! É sobre a família. botões./. Primeira obra: um estádio de 40 m i l lugares. O governador daquele Território resolveu construir um estádio de 40 m i l lugares. Pará. o pico Roraima (2. painel. O título é meio fantástico. desculpe. bem mais ao norte do rio Oiapoque. Colhi três margaridas e dei a uma garota que passava. Um liqüidificador. Com as belas pistas italianas. nada. você não viu os resultados das últimas eleições municipais? E quando os vietnamitas chegarem à Tracia.885 habitantes.Se o general Giap trata de baixar o preço do petróleo do Irã. Ao fim de um longo diálogo elucidativo. Por exemplo: tenho uma pessoa querida em Nova York que está com câncer. que lhe fica 100 km ao sul. um golpe bem dado em Ancara e a Turquia torna-se socialista. E muito obrigado pela colaboração. e ainda sobram milhares de lugares. Não funcionou. O casal chegou da l u a dc mel. em Menton. a atendente sugeriu ao rapaz a única saída: receber em casa um técnico para olhar o fogão. j á haviam juntado 200 pessoas do povo que ia passando. que incluía escolas. meu. e foram. . pronto. e eu estarei do outro lado da fronteira. os americanos. — O sr. Se fosse assim. por que ia ter outra política em Roma? O compromisso histórico será. Produz castanha do P a r á e bovinos. como o I r ã ia resistir? -É preciso ser sério. Destaca-se também por possuir o ponte mais setentrional do Brasil. Roraima. retentores. Nesse encontro aconteceu o seguinte diálogo: Repórter: — Eu sou do Ex e queria sua opinião sobre o divórcio. A i conseguiu financiamento. o Mappin o fogão. ou Giap embarca suas tropas no Pireu e desembarca em Brindisi. e os americanos so estão interessados no petróleo. O fogão reluzente estava quebrado. A lei do divórcio tem um aspecto de filantropia mas na verdade é um veneno social. t á legal? Ele desceu em Nemours. explica meu jovem estrategista.embora. Os estudantes chegaram perto dos rapazes da T F P . vocês n ã o me trocam o fogão. E. tentando convencer os pedestres de que todos devem combater o divórcio. ultrapassado. fogão não trocamos. Meu pensamento a respeito do assunto está lá e agora n ã o tenho nenhuma razão para mudar de idéia. Eu parei na beira da estrada. Não vai me dizer que você não sabe que a situação na Itália está madura? A Igreja C a tólica n ã o lutou em Hué. quem sabe. o I r ã é um pais petrolífero. Corção: — O que j á foi? Repórter: — Exato. A vida está cheia de casos particulares que não têm solução e a idéia que surge numa pessoa como Nelson Carneiro é estúpida porque o problema conjugai não tem solução. n ã o funcionava. busca seu melhor destino. acho que sempre serei um sonhador. passaram perto de uma perua da organização e arrancaram um de seus brazões medievais. Como diz um amjgo meu. a t é o viaduto do Vale do Anhangabaú. ou coisa a s s i m . que ajudaste com tua sabedoria infinita a desembainhar a espada e empunhá-la para recuperar a liberdade desta Pátria que tanto amamos. Eu estava surpreendido. outros não. . do qual j á abri mão dos direitos autorais. de preferência em Bari. numa excepcional exceção. será preciso queimar etapas. Tenho úm livro ('"Claro escuro") iAgir). pensa do divórcio? Corção: — Penso no divórcio no Brasil como em qualquer lugar do mundo. Corção: — De nada. muito alegres. e ioram ^emoora y y ^ . Da porta da faculdade. . Nesta hora. o grande magazine de São Paulo.875mi. Corção: — Como é o nome?? Repórter: — Ex. estou esquentando mamadeira em espiriteira a álcool. no modernissimo fogão que haviam ganho. Ou o Tito deixa os vietnamitas passarem sem combate. E na Grécia está quase feito." Desn esta em insurreição permanente. em sua capital Boa Vista i pouco mais de 30 mil habitantes). mas continuam até hoje preferindo cruzar a rua ao ar livre». está ocorendo em todos os países. Ao cabo de uma semana. Do outro lado. Repórter: O que o sr. o de Boa Vista. sua morte é irremediável. . O marido foi ao Mappin. .MÁ* A Primeira: o esta'dio que pode abrigar toda a cidade. O governador refez: fez um pTojeto para algo como um grande centro educacional. Tem dois municípios. o fogão n o v i n h o . e so uni tapinha e as forças revolucionárias j á estão no Irã". podes crer". O técnico veio e concluiu que o fogão estava quebrado. E começaram as obras. Guiana e Venezuela. depois tem um problema. — 16 de abril. O rapaz chegou a falar com o relações públicas. com fé em ti.. o rapaz pegou o telefone e discou pela undécima vez para o Mappin: É a secretaria do gerente? Olha. portanto quase do tamanho do Estado de São Paulo. uma imagem de Nossa Senhora do Carmo. A expressão portanto seria mais correta assim: do Roraima ao X u i . . Corção: — Quando for publicad você me manda um exemplar Repórter: — Fique tranqüilo. Decididamente. Fogão modernissimo.. talvez. ó Deus todo poderoso. Mas que jornal ou revista é Ex? Repórter: _ É um jornal mensal\N publicado em São Paulo. as tropas do Giap chegam facilmente a San Remo. seis bocas. lOh da m a n h ã .Família e Propriedade. Divórcio". o que tantas vezes te implorei no silêncio da noite antes deste 11 de setembro: aiude hoje este povo que. ao pé do viaduto do Chá. onde uma vez a policia de trânsito reprimiu os pedestres para obrigá -los a atravessar a rua por uma passagem subterrânea <os pedestres chegaram a apanhar da polícia. na Itália. General Augusto Pinochet Ugarte: "A ti. faz fronteira com Amazonas.poderia ser? i : — Por favor. que é a capital: e o de Caracarai. Segunda: aconteceu no Mappin. o regime de Atenas balança. com visor. n ã o t e r á um liqüidificador quebrado? Trocamos com todo prazer. mas fogão n ã o trocamos. tenho cinco filhos pequenos. O sr. estavam os rapazes da Tradição.

4* l. j u n h o de 2010. . para onde vamos? .oi JUVENIL Entrementes E agora Bill. Edição fac-similar realizada nas oficinas gráficas da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo. CONTINUA.