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Tesão e tensão: aspectos psicóticos do universo

O mito de Prometeu talvez seja um dos mitos mais belos da mitologia grega. Por amor à humanidade ele roubou o fogo dos deuses e trouxe a luz e o conhecimento ao mundo dos homens. Na história da humanidade muitos foram os “prometeus” que trouxeram o fogo para as cavernas da ignorância e porões da alienação. O fogo representa a luz que ilumina e clareia. O elemento xamânico cuja missão é a transmutação através da gnose ou conhecimento espiritual. Na região do lago Titicaca o grande prometeu foi o sacerdote lemuriano “Aramu Muru”. No México o mestre atlante “Quetzcoalt”; na Índia Rama, no Oriente Médio Jesus e no Egito o maior dos sacerdotes atlantes “Thoth”. Todos eles e muitos outros trouxeram para a humanidade o fogo avatárico do conhecimento iniciático. Por amor ao humano, eles mergulharam na densidade existencial vivendo a crucificação esotérica da descida ao plano concreto físico e o mergulho na piscina da Barreira de Freqüência (campo astral da Terra) que muitas tradições chamam de “samsara”. Os seus ensinamentos foram registrados nos livros sagrados, nas pedras dos templos e nos papiros simbólicos. Também ficaram arquivados e armazenados nos registros “akashicos”, um tipo de banco da dados no nível cósmico. O grande mestre Thoth trouxe para o Egito os conhecimentos do “Kybalion”, livro cabalístico atlante que tratava das leis universais e dhármicas. Esse sacerdote atlante - lemuriano da escola de Naacal deixou um legado iniciático que trata das sete leis cósmicas principais. Quem compreendê-las viverá uma vida mais sábia e criativa. Infelizmente, falsos gurus da modernidade transformaram a lei da atração nos fermentos da arrogância e onipotência e que estão engrossando o bolo do ego de muitos carentes de sabedoria. A lei da atração está sendo distorcida e mal empregada servindo a uma ideologia materialista e consumista disfarçada de sabedoria espiritual. Os magos cinzas disfarçados de mestres e gurus acabam estimulando a vaidade e a onipotência do ego que apenas espera a satisfação dos próprios desejos.

Os filósofos Hegel. Mas cada qual com a sua própria lente dialética. Nagarjuna. A negação da tensão leva à ausência do tesão. por exemplo. Os filósofos do Taoísmo conheciam essas oscilações do estado de humor cósmico! A idéia do "yin" e do "yang" ilustra bem isto. Lao Tsé. A psicanálise do cosmos não identifica um transtorno psiquiátrico (transtorno bipolar). Essa bipolaridade é criativa e saudável. analisaram esse quadro psiquiátrico cósmico. O grande filósofo Heráclito de Éfeso. . A negação da tensão e do conflito impossibilita o avanço evolutivo. O poeta cria na dança das oscilações e a poesia é filha deste jogo dialético entre as oposições. o universo tem uma bipolaridade e muitos psiquiatras cósmicos já diagnosticaram esse quadro na grande “anamnese” da psique cósmica. O sagrado está sendo profanado e corrompido.As outras seis leis foram engavetadas e esquecidas e isso é pura perversão. Essas forças opostas geram uma tensão responsável por todo o “devir” cósmico. não é preocupante. Morin e o físico quântico Bohr. pois a manifestação gera bipolaridade e a bipolaridade gera manifestação. Existe uma harmonia oculta nas forças opostas e a tensão gerada na oscilação rítmica da bipolaridade (outra lei do “Kybalion” – a lei do ritmo) gera criatividade e avanço! O diagnóstico da psiquiatria cósmica. Mas esta tensão entre os opostos acontece dentro de uma unidade (o "Logos" de Fílon ou o “Uno” de Plotino) estabelecendo um equilíbrio dinâmico e criativo. Boa loucura e criatividade andam juntas e de mãos dadas. A grande dança cósmica acontece tendo como “pano de fundo” um equilíbrio dinâmico entre essas duas forças opostas e complementares. portanto. A palavra poesia vem de “poiesis”. já citado acima. também percebeu isto. cuja indicação clínica seria a da medicação com Lítio ou a internação em um hospital psiquiátrico. Essa bipolaridade é a condição da vida e do movimento. Heráclito. Segundo esta lei. A “poiésis” ou geração acontece nesta bipolaridade. A lei da polaridade é uma dessas seis leis que foram negligenciadas pelos adeptos da nova religião do "eu posso tudo". Nós podemos pensar que o universo vive um sintoma de bipolaridade.

Ela abraça as oposições e transcende na síntese da unidade. a justiça não significa apaziguamento e sim. A lógica usada neste tipo de defesa. Na visão gnóstica. Ela aceita a verdade de que somos e não somos ao mesmo tempo. Isso porque ele trabalha com a lógica exclusiva de Aristóteles que divide de um lado o que “é” e do outro lado o que “não é” (ser e não ser). Enquanto a lógica aristotélica do ego não for substituída pela lógica inclusiva do “Self” ficará difícil encontrar na tensão da multiplicidade e da oposição. aceitação e bom manejo do conflito.O filósofo Heráclito dizia que “o conflito é o pai de todas as coisas”. Para o bom manejo do conflito é necessária a percepção da unidade nas oposições através do intelecto noético. Ele é capaz de abraçar e contemplar esta unidade. Neste contexto. Mas que parte da alma humana é capaz de realizar isto? Sem dúvida alguma o “Self” espiritual.lineares. Um gozo que não é fálico. o tesão da unidade que integra e harmoniza. Por isto. A lógica da função transcendente é inclusiva e integradora. as tensões da multiplicidade sem a negação das diferenças. Esse processo é dificultado pelas defesas do nosso ego. A transcendência é exatamente a realização da percepção de que no jogo das oposições existe uma algo mais que integra e acolhe as dualidades. Mas fazer esse “yoga” não é tarefa nada fácil. Para entender a mente do universo manifesto é necessário compreender que ele é bipolar e paradoxal. essa integração ou “yoga” é feita pelo “Logos”. Ele sim é capaz de chegar na “harmonia oculta” de Heráclito ou na “harmonia pré-estabelecida” de Leibniz. Por isto essa função está associada a vivência do Logos. acolhendo a realidade de sermos contraditórios e não . Aquilo que a psicanalista Melanie Klein chamava de defesa esquizo-paranóide funciona mais ou menos desta maneira. o desenvolvimento daquilo que Jung chama de “função transcendente” é central para o aprimoramento desta capacidade de ir além das dualidades e encontrar a unidade nas oposições. Um terceiro que vincula e une em uma síntese criativa e edificante. não consegue abraçar as contradições e chegar à unidade na multiplicidade (ser e não ser). . mas dhármico.

não há o tesão da unidade sem a tensão da pluralidade! Sem a tensão não há o tesão. A lógica aristotélica tão utilizada pelo nosso ego (que não reconhece a unidade na tensão da multiplicidade) precisa ser substituída pela lógica das contradições do "Self" Espiritual. Mas para isto.A aceitação de que ele tem um quadro bipolar que oscila num ritmo próprio e muitas vezes fora do nosso controle é fundamental para uma passagem mais criativa e sábia neste universo fenomênico. O homem precisa não apenas uma psicologia para o ego mas também de uma Psicologia Multidimensional para o “Self”. não precisando haver exclusão de nada. Transcender significa ir além. O dia em que o ser humano aprender esta lição cabalística. E sem o tesão. Por isto o "Budismo Vajrayana" nos diz que não há nirvana (unidade da essência) sem “samsara” (pluralidade da existência). Os opostos são complementares e não antagônicos. penso que o grande desafio humano é aprender a arte de encontrar na tensão da multiplicidade o tesão da unidade. o ego precisa ser transcendido! E transcender não significa negar ou reprimir o nosso ego. condição para o ato de amar. poderá viver plenamente o arquétipo de síntese Crístico. Assim sendo. a Psicologia da Ascensão (Iniciática) é tão necessária. Quem sabe um dia nós aceitaremos com tranqüilidade a verdade de Augusto dos Anjos: "a mesma boca que beija também é aquela que escarra”! . Por isto. Na dialética evolutiva. não há o grande orgasmo místico da iluminação espiritual. O ser humano necessita de uma Psicologia que o ajude a chegar ao “Self” Espiritual e isso significa ganhar consciência da presença Crística em nossa profundidade. Esta consegue transcender as dualidades e chegar a uma síntese integrativa (tesão da unidade).