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Voltaire, que viveu entre 1694 e 1778, na França, embora tenha vivido parte de sua vida na Inglaterra, o que

lhe originou suas “Cartas filosóficas”, começa a esboçar nestas a ideia de um modo de vida moderno, em contraposição ao antigo, e também a ideia de uma instrução, apoiada na liberdade de imprensa, que daria suporte a este então nascente modo de vida. Dessa forma, Voltaire pode ser considerado um dos precursores das ideias que irão orientar e estar presentes durante o período de consolidação da modernidade na Revolução Francesa e nos anos subsequentes, quando se coloca o problema de fundar instituições consonantes com os ideais desse novo período histórico. As categorias “antigo e moderno” denotam características particulares na ótica de Voltaire. Dentro da primeira encontra-se a tragédia, esta seria o gênero pertencente ao passado, com cenas belas, trechos grandes, e a pretensão de ser universal. Shakespeare, na Inglaterra, fora o seu grande representante. Já na categoria moderno estaria contida a comédia, gênero ousado, fiel às regras do teatro, e que expõe o ridículo de cada nação. Porque ocorreria o desprezo pela tragédia e a exaltação da comédia pelo autor? Tanto comédia, quanto tragédia, e suas respectivas qualificações, estão inseridas nas categorias maiores “antigo e moderno”, e estas também possuem significados particulares, o que explicaria o desprezo de uma e a exaltação de outra. Voltaire qualifica o antigo como o tempo da barbárie e da ignorância em contraposição a fineza, ao cultivo e o refinamento do espírito moderno. Isto se deve as condições materiais da França no período em que viveu onde havia uma sociedade governada por um rei e extremamente ligada aos preceitos religiosos. Esta era a realidade adjacente à ideia de antigo, e que por isso, devia ser superada. A comédia, enquanto gênero ousado e capaz de expor os ridículos de uma nação, seria adequada a este propósito. Tornaria esse “antigo” risível, no sentido de chacota, zombaria. A tragédia, tão utilizada por Shakespeare na Inglaterra, não poderia atender aos propósitos almejados por Voltaire na França, dessa forma, ele efetua a sua critica de forma tão etnocêntrica. Cabe ressaltar que a Inglaterra já possuía um governo liberal instituído no século XVII e, por isso, os indivíduos gozavam de direitos civis que lhes garantiam liberdade de falar, escrever, ou seja, liberdade de imprensa. Este fato impressiona Voltaire, pois a liberdade de imprensa inexistia na França. Dessa forma, ele associa a liberdade de imprensa como co-requisito a instrução dos homens, pois, numa

pelo riso. e as características de um modo de vida moderno marcado pelo refinamento do espírito. Embora possamos considerar inerentes ao pensamento de Voltaire algumas limitações. é vista de forma positiva em Voltaire.tão necessário ao modo de ser moderno. visto de forma positiva. como a estratégia de um conceito de história pautado pela comédia. assim como Locke propunha na Inglaterra. ou seja. a civilização moderna em oposição à barbárie antiga. ao contrário. . pelo cultivo das letras. refinamentos de gosto. os advogados. pelo “desenvolvimento” sempre crescente da cultura. os médicos e muitos eclesiásticos devem ter o espírito cultivado em decorrência da posição que ocupam na sociedade. tenham o espírito cultivado. cada um deve ter o espírito da sua condição: os magistrados. pela fineza. Porém. Voltaire via esse processo com muito bons olhos. enquanto que a um comerciante. ele não propõe uma instrução universal. tudo que separe o homem da condição de animal. Deve forma. podemos dizer. o nível de instrução deve ocorrer de acordo com a posição social que o indivíduo ocupa.sociedade em que muitos podem falar. faz-se necessário que os mesmos sejam instruídos. e a instrução cumpriria o papel de refinar os espíritos . Enquanto Rousseau efetuava a critica das extravagâncias e a excessiva importância dada a aparência desse novo modo de vida que estava se consolidando na França. cabe apenas conhecer o seu negócio. Dessa forma. também devemos admitir que ele coloca algumas questões importantes aos seus contemporâneos. que pressupõe espíritos cultivados. expor suas ideias.

SP Michele Rodrigues Bizzio EN NS SA AI IO OS SO OB BR RE EA AS S “C CA AR RT TA AS S FI IL LO OS SÓ ÓF FI IC CA AS S” D DE E VO OL LT TA AI IR RE E ARARAQUARA – S.unesp UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA “JÚLIO DE MESQUITA FILHO” Faculdade de Ciências e Letras Campus de Araraquara . 2012 .P.