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CONCURSOS PÚBLICOS

CIÊNCIAS
DEGRADAÇÃO DO MEIO AMBIENTE Meio ambiente é o conjunto dos elementos e fatores físicos, químicos e biológicos, naturais e artificiais, necessários à sobrevivência das espécies. O conjunto de relações harmônicas entre os seres vivos e destes com o meio ambiente chama-se "equilíbrio ecológico". No transcorrer da História ocorreram diversas intervenções do homem na natureza, muitas delas provocando danos ambientais. Ocorrerão alterações ambientais quando: a) Ocorrer alteração na concentração (para mais ou para menos) de um produto já existente na natureza. b) Forem introduzidas na natureza substâncias naturais que não fazem parte do ecossistema. c) Forem introduzidos nos ecossistemas plásticos e metais, produtos químicos, gases e agrotóxicos. Os impactos ambientais decorrentes da ação do homem podem ocorrer em escala local, regional e global. Agressões à natureza: destaques a) Os desmatamentos. b) A poluição e a erosão dos solos. c) A poluição das águas. d) A poluição do ar atmosférico. e) A contaminação dos solos por lixo. f) A poluição sonora e a visual. Os desmatamentos - As florestas tropicais e equatoriais, responsáveis pelo equilíbrio ecológico do Planeta e pelas reservas de grande parte da biodiversidade, são as que mais correm o risco de destruição. As atividades humanas que mais contribuem para reduzir as áreas florestais são: a agricultura, a mineração, a extração indiscriminada de madeira, as  A diminuição do tempo de permanência das águas nas bacias hidrográficas.  A erosão e o empobrecimento dos solos com a retirada da cobertura vegetal.  O rebaixamento do nível do lençol freático, comprometendo não só a vegetação local, mas também o nível dos rios no período de estiagem.  A expansão das áreas em processo de desertificação.  Mudanças no clima. A Desertificação - A desertificação, segundo a ONU, é "a degradação das terras nas zonas áridas, semi-áridas e subúmidas seca, resultante de fatores diversos como as variações climáticas e as atividades humanas". (Agenda 21 do Eco-92). A desertificação pode ter como causas: a) O uso intensivo do solo para a agricultura. b) As técnicas não apropriadas de irrigação e cultivo c) Os desmatamentos. d) A fragilidade dos ecossistemas. Em cerca de 100 países onde esse processo se verifica, geralmente ocorrem: a) Problemas sociais - Fome, desnutrição, analfabetismo, diminuição da renda e do consumo nas áreas rurais e, quando ocorrem migrações para as áreas urbanas, dá-se ainda a pobreza, a desestruturação familiar, o desemprego. b) Problemas ambientais - Destruição da biodiversidade, erosão dos solos, formação e avanço de dunas, etc. c) Problemas econômicos - Redução dos recursos hídricos e das terras cultiváveis, desemprego, estagnação econômica nas áreas atingidas, etc. Os Impactos ambientais em ecossistemas agrícolas: A agricultura, cuja finalidade é produzir alimento e matéria-prima para a indústria, também pode provocar sérios danos à natureza. O cultivo da terra para fins agrícolas fez desaparecer parcela significativa da vegetação original dos continentes. Entretanto podemos evitar a progressão desse problema, tomando algumas medidas de prevenção. A Poluição das águas - Oceanos, lagos, mares e rios, sobretudo os que estão nas proximidades de regiões industrializadas, estão seriamente poluídos. Centenas de rios e lagos dessas regiões não possuem mais nenhum tipo de vida. Grande parte dos oceanos e mares, principalmente nas regiões costeiras, onde se concentra a maior parte da fauna marinha, encontra-se violentamente poluída. A água é severamente atingida pela escalada desenvolvimentista da sociedade capitalista. "Mais de 1,2 bilhão de pessoas não dispõem de água potável para beber e 1,8 bilhão de pessoas não dispõem de saneamento adequado. A água limpa salvaria a vida de 2 milhões de crianças a cada ano. Todos os anos as doenças decorrentes da água imprópria custam à Índia 73 milhões de dias de trabalho." (NAGLE e SPENCER. Advanced Geography. Oxford University Press, p. 137. 1997.). Principais fontes de poluição das águas: a) Os efluentes industriais e residenciais. b) O chorume do lixo orgânico. c) O lixo sólido. d) Os resíduos agropecuários.

construções de hidrelétricas, as queimadas (propositais ou não). Charge criticando a situação do desmatamento em áreas florestais do mundo Conseqüências:  A redução e a extinção da biodiversidade nos locais atingidos.  O aumento da temperatura, elevando a concentração de gás carbônico na atmosfera.  O assoreamento dos rios, implicando enchentes repentinas.
Rod. Augusto Montenegro- Conj. Cohab-263 Marambaia – Fone:3238-0803

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neblina) carregadas de ácido nítrico (HNO3) e sulfúrico (H2SO4). radiações ultravioleta intensas podem provocar câncer de pele. não há a subida do ar. A poluição atmosférica – A poluição do ar provocada por atividades industriais tem suas principais fontes nas refinarias de petróleo. agravando a poluição atmosférica. dióxido de enxofre. como também para plantas. Esses ácidos são resultantes de reações químicas que ocorrem na atmosfera a partir da presença de enxofre (dióxido de enxofre: SO2). A Chuva Ácida – Constitui um sério problema de agressão ao meio ambiente. No outono ou no inverno. pela queima de carvão. Por algumas horas. mas também todos os seres vivos. Nos humanos. Já naquela época. O problema acontece quando a inversão térmica está associada a áreas com grande poluição atmosférica. a elevação das médias térmicas globais. global (efeito estufa. lagos e mares. concentrando a poluição rente à superfície. O aumento das concentrações desses gases da atmosfera. Os raios ultravioleta são. cimento e nas siderúrgicas. até que o solo se aqueça. os poluentes não se dispersam. solos. fertilizantes. isolados ou associados. que podem permanecer ativos na atmosfera por mais de um século. pelos veículos. problemas respiratórios nos seres humanos. O Efeito Estufa – Esse mecanismo é conhecido desde o fim do século XIX. os lagos. resfria-se. animais. Essas atividades liberam para a atmosfera grande quantidade de partículas sólidas em suspensão: óxido de nitrogênio. inflamação da córnea e redução das defesas imunológicas. fica mais pesado e desce novamente. Os principais são os CFCs (clorofluorcarbonos). essa situação inverte-se: o ar próximo do solo (agora mais frio) não se aquece e. Augusto Montenegro. quando a temperatura diminui.CONCURSOS PÚBLICOS CIÊNCIAS e) A mineração. As Ilhas de calor – a temperatura da região central das grandes cidades é mais alta que a temperatura das áreas periféricas dominadas pelo mesmo clima. prejudiciais para quase todas as formas de vida. não sobe. "Ilhas de calor". À medida que ganha altitude. por sua vez. Cohab-263 Marambaia – Fone:3238-0803 2 . Elas têm efeito corrosivo e atingem não só as edificações. hidrocarbonetos. Com isso. A destruição da camada de ozônio – A camada de ozônio tem importância vital. chuva ácida). apontando os exemplo. riscos associados às emissões de carbono (CO2) e a outros gases como o metano (CH4) e o óxido nitroso (N2O). em alguns comprimentos de onda. não configurando dano à natureza. geralmente mais quente. vão comprometer a qualidade do ar atmosférico com prejuízos não só para o homem. teria por conseqüência o aumento paralelo da retenção de calor e. Esse fenômeno Rod. clorofluorocarbonos (CFC) e uma infinidade de outros produtos que. é lançado à atmosfera pelas indústrias. As chuvas ácidas podem destruir as matas e poluir os solos e as águas superficiais.Conj. os rios. Esse movimento constante ajuda a dispersar os poluentes das camadas próximas do solo. Os impactos ambientais provocados pela poluição atmosférica podem ocorrer em escalas: local e regional (inversão térmica. fica mais leve e sobe. causando por Quando em contato com a superfície da Terra. entre outras coisas. Certos compostos químicos de origem artificial são capazes de acelerar a destruição das moléculas de ozônio. o ar aquece-se. pois absorve grande parte da radiação ultravioleta. O enxofre. nas fábricas de celulose. portanto. rompendo o equilíbrio natural que mantém a camada protetora. Trata-se da precipitação das gotas de água (chuva. provocado pela combustão de carvão e petróleo. portanto. Os desmatamentos e os automóveis também são grandes responsáveis pela degradação da qualidade do ar. A Inversão Térmica É um fenômeno que ocorre naturalmente em vários lugares do Planeta. os veículos. rios. etc. alguns cientistas preocupavam-se com a interferência das atividades humanas no equilíbrio térmico atmosférico. destruição da camada de ozônio). ácido sulfúrico.

dificilmente as pessoas se recordam da poluição visual. agredindo a sensibilidade humana. dificultando a absorção das informações úteis e necessárias para o deslocamento. deixam a população sem referencial de Rod. elevam o índice de Albedo (poder difusor de uma superfície). infláveis. o qual aumenta o risco de doenças. Juntamente com a poluição sonora. estética. formas diversas de propaganda e outros fatores que causem prejuízos estéticos à paisagem urbana local.Organização Mundial da Saúde. sendo considerada uma das formas mais graves de agressão ao homem e ao meio ambiente. que envolvem o desenvolvimento de produtos específicos. nosso organismo sofre estresse. afetando mais psicologicamente do que fisicamente. Acima disso. que é o som indesejado. banners. retiram a possibilidade dos referenciais arquitetônicos da paisagem urbana. a rubéola é responsável por 20% dos casos. o limite tolerável ao ouvido humano é de 65 dB (A). especialmente observada no centro e nos bairros históricos das cidades. O consumo intenso de combustíveis fósseis em aquecedores. outdoors. cavaletes. influenciando a mente. A perda da audição. Poluição Visual Urbana Roberto Hermínio França Júnior Engenheiro civil Ao se tratar de poluição. paisagem e harmonia. os níveis de ruído industrial nas empresas brasileiras são absurdamente excessivos. Essa situação pode ser revertida aplicando-se as tecnologias de controle de ruído existentes. a poluição sonora ocorre pela emissão de ruídos acima das especificações produzidas por eletrodomésticos. náuseas e cefaléias. mas é renegado a segundo plano. cartazes. Poluição Sonora Com o crescimento desordenado das cidades e o surgimento das grandes indústrias. invadirem os espaços públicos. balões.CONCURSOS PÚBLICOS CIÊNCIAS resulta da intervenção humana no meio ambiente. sendo que. No âmbito doméstico. cartazes. O problema preocupa. justamente por suas conseqüências não serem tão visíveis. Há por exemplo. previsão da redução de ruídos através de programas de simulação e o desenvolvimento de máquinas menos ruidosas. fazendo com que os habitantes não tenham outra opção a não ser reparar neles. degradando o gosto popular. Atualmente. Segundo a Sociedade Brasileira de Acústica. de consultas médicas e do absenteísmo. portanto contrários ao bem-estar das populações. servindo de refletores para o calor produzido na cidade e o calor solar. A poluição visual é um problema visível na atualidade. Com ruídos acima de 85 dB (A) aumenta o risco de comprometimento auditivo. além de distraírem os condutores nas vias. O ruído industrial. back-lights. pode ser causado por várias atividades da vida diária. Nesse cenário. Este tipo de poluição é a que menos recebe atenção por parte do governo e das pessoas em geral. que vão de efeitos psicológicos. embora quase ignorados pelos urbanistas. agravando a situação. aniquilam as feições dos prédios obstruindo aberturas de insolação e ventilação. Dois fatores são determinantes para mensurar a amplitude da poluição sonora: o tempo de exposição e o nível do barulho a que se expõe a pessoa. front-lights. O suceder de placas. a poluição visual causa graves males à saúde. constituem uma contribuição bastante óbvia e freqüente para a paisagem urbana sendo considerada neste aspecto a maior do século XX. banalizarem o ambiente. nos prédios públicos e particulares e. O ruído de trânsito de veículos automotores é o que mais contribui na poluição sonora e cresce muito nas grandes cidades brasileiras. além de causar agressões visuais e físicas aos "espectadores". espaço. totens. cerca de 5% das insônias são causadas por fatores externos. distúrbios neuro-vegetativos. um outro tipo de poluição que não pode ser visto e com o qual as pessoas de certa forma se acostumaram pode ser considerado um dos maiores problemas da vida moderna: a poluição sonora. até redução da produtividade. as pessoas passaram a conviver com a poluição de lagos. e a seguir serão apresentadas as melhorias que podem ser feitas.Conj. Augusto Montenegro. faixas. Cohab-263 Marambaia – Fone:3238-0803 3 . rios e das próprias metrópoles. Tudo isso sem contar as pichações e grafitismo nos monumentos. Entende-se como poluição visual em áreas urbanas a proliferação indiscriminada de “outdoors”. transgridem regras básicas de segurança. como o asfalto e o concreto. automóveis e indústrias transformam as cidades em uma fonte inesgotável de calor. provoca uma grande variedade de males à saúde do trabalhador. nos equipamentos urbanos. perda de 30% da audição nos que usam walkman. o efeito mais comum associado ao excesso de ruído. Os materiais usados nas construções. Segundo GORDON os anúncios e publicidades nas ruas. Talvez a conseqüência mais funesta da poluição visual seja a descaracterização do conjunto arquitetônico. aumento do número de acidentes. além da perda orgânica da audição. A poluição sonora se dá através do ruído. painéis eletrônicos e painéis televisivos de alta definição. toca-fitas ou laser disk durante duas horas por dia durante dois anos em níveis próximos de 80 dB (A). e algumas atitudes tomadas por alguns órgãos públicos. Calcula-se que 10% da população do país possua distúrbios auditivos. Segundo a OMS . principalmente ruídos. painéis. desse total. recursos para identificação e análise das fontes de ruído. Algumas razões para se controlar a publicidade de rua seriam o fato dos anúncios serem inconvenientes e.

o vírus é também chamado vírion. para alguns autores. Esta é uma das características exclusivas dos vírus. o DNA viral se liga ao DNA da bactéria. O ciclo em que a célula é destruída chama-se ciclo O ciclo lisogênico do bacteriófago: O DNA do vírus lítico e os vírus se integra ao DNA da bactéria. o DNA do vírus comanda a produção de uma enzima que inativa o DNA da bactéria. este ciclo recebem o nome de vírus líticos ou virulentos. Uma vez no interior da célula. que mantém o seu metabolismo normal. —. Isso acontece porque um gene do vírus comanda a síntese de uma proteína chamada proteína repressora. ele precisa usar as de uma célula para se multiplicar. o vírus é chamado pró-fago e não destrói a bactéria. de cristalizar-se. Mas. Em alguns vírus. 2. formando de 100 a 200 novos vírus. Dizemos que o vírus é um parasita intracelular obrigatório. um grupo de genes "empacotados" em proteínas. uma molécula de ácido nucleico. duplicando – se que provocam junto com ele.2 μm (1 μm ou micrometro equivale à milésima parte do milímetro). em seu interior. Como ele não possui as estruturas necessárias (enzimas. (receptores) capazes de se encaixar nas proteínas da cápsula.05 e 0. porque é incapaz de se reproduzir fora dela. injetando o DNA do vírus na célula. vazia. Proteínas virais podem estar mergulhadas nessa membrana. O vírus é. Isso explica por que determinado tipo de vírus só ataca certas células de certos organismos: os vírus são parasitas específicos. pois todos os outros seres vivos têm sempre os dois ácidos nucleicos. mas nunca ambos. Parasita. Além disso. reproduzindose em seu interior. o processo é comandado pelo ácido nucleico do vírus e não pelo da célula. que ataca bactérias. que contém. Às vezes. o vírus só pode ser observado ao microscópio eletrônico. A cápsula. porém. Cada tipo de vírus ataca apenas um determinado tipo de célula. os vírus não podem ser enquadrados em nenhum dos cinco reinos: de fato. porque retira substâncias da célula.Conj. A Reprodução de um Vírus de DNA o Bacteriófago Um dos vírus mais estudados é o bacteriófago ou fago. Mesmo sendo acelulares. Tudo começa com o encaixe das fibras da cauda do vírus na membrana da bactéria: a cauda se contrai. se houver alguma alteração no gene que comanda a síntese da proteína repressora — uma mutação provocada por produtos químicos.CONCURSOS PÚBLICOS CIÊNCIAS VÍRUS VÍRUS: Transição entre a Matéria Bruta e o Ser Vivo Os vírus só se comportam como seres vivos quando estão no interior de células vivas. eles não podem ser considerados seres vivos. deixam de apresentar qualquer propriedade de vida: são apenas moléculas inertes. provocando a ruptura e a morte da célula. inclusive. que tanto pode ser o DNA (ácido desoxirribonucleico) como o RNA (ácido ribonucleico). obrigatório. Fora delas. na realidade. fica do lado de fora (conforme a figura). Quando fora da célula. o capsídeo. que consegue aderir apenas às células que possuem proteínas da membrana 1. etc. originando novos vírus da mesma espécie. Somente então podem se reproduzir. ribossomos. Todo esse processo pode levar menos de meia hora e cada novo vírus formado pode infectar uma nova bactéria. Nesse estado. o pró-fago pode replicar e destruir a célula. As novas cápsulas se associam às cópias do DNA. usando os nucleotídeos e as enzimas da célula para fabricar cópias de seu DNA. A cápsula é formada por grupos de proteínas.) para a duplicação de seu ácido nucleico e para a síntese de proteínas da cápsula. constituída da membrana plasmática da célula invadida pelo vírus. a cápsula é coberta por uma membrana lipídica. causando prejuízos. reproduzindo-se com ele a cada divisão da célula bacteriana. Como são desprovidos de estrutura celular. Essa especificidade é dada pela cápsula. Notamos então sua estrutura: são formados basicamente por uma cápsula de proteína. A Reprodução do Vírus de RNA Rod. etc. o DNA do vírus comanda também a síntese de proteínas da cápsula. A transformação do ciclo lisogênico em lítico recebe o nome de indução. raios ultravioleta. Augusto Montenegro. O DNA do vírus assume assim o comando do metabolismo celular. eles podem provocar doenças nos seres vivos. porque se reproduz dentro da célula. capazes. como os minerais. Quando o vírus utiliza o equipamento metabólico da célula para se reproduzir. Cohab-263 Marambaia – Fone:3238-0803 4 . A Estrutura e Reprodução do Vírus: Medindo entre 0. intracelular. O ciclo que preserva a célula é conhecido como ciclo lisogênico e os vírus que provocam este ciclo são chamados de vírus temperados ou não-virulentos. os capsômeros. Um dos genes do vírus produz então uma enzima que digere a parede bacteriana. que inibe os outros genes virais.

12. Reprodução do vírus da Aids. O que é ciclo lisogênico? 4. Cohab-263 Marambaia – Fone:3238-0803 5 .CONCURSOS PÚBLICOS CIÊNCIAS Em alguns tipos de vírus de RNA. raiva ou poliomielite. Os retrovírus realizam assim um processo contrário à transcrição (síntese de RNA a partir de DNA) e fazem isso com auxílio de uma enzima chamada transcriptase reversa. d) DNA e RNA. Cite duas defesas artificiais contra o vírus. varíola. da raiva ou da poliomielite. poliomielite. b) aminoácidos e água. d) são constituídos de nucleoproteína. levam lipídios da membrana da célula ao redor da cápsula.Conj. por sua vez. como o vírus da gripe. Contamos também com as defesas artificiais. caxumba. um retrovírus. afirma-se que: a) são constituídos quimicamente de moléculas de hidrocarbonetos. e) fabricar seu próprio alimento. comanda tanto a síntese de proteínas da cápsula como a síntese de novas moléculas de RNA do vírus. febre amarela e hepatite infecciosa. Este DNA poderá então orientar a produção de novas moléculas de RNA virais e das proteínas da cápsula. tétano. como a vacina e o soro e alguns poucos medicamentos contra certos tipos de vírus. malária. b) realizar a síntese de proteínas. EXERCÍCIOS 1. rubéola. (UFSCar-SP) Qual dos grupos apresentados reúne apenas doenças causadas por vírus? a) Rubéola. (UFRN) Todos os vírus são constituídos por: a) DNA e proteínas. Esta. Os antibióticos não têm efeito contra os vírus. c) reproduzir-se e sofrer modificações em suas características hereditárias. mas nosso organismo possui defesas naturais representadas pelos anticorpos e pelo interferon. febre amarela. simultaneamente. e armazená-lo. Com relação a esses vírus. 10. e) Sarampo. febre amarela e malária. Como é a estrutura de um vírus? 2. uma proteína que protege o corpo especificamente contra os vírus. O nome retrovírus (retro = para trás) deve-se à capacidade que esses vírus têm de comandar a síntese de DNA a partir de uma molécula de RNA — processo inverso ao que ocorre normalmente na célula. para uso. tuberculose. sendo apenas o DNA injetado na bactéria. 3. poliomielite. do sarampo. b) possuem grandes quantidades de mitocôndrias e ergastoplasma. ao saírem. d) Tétano. moléculas de DNA e RNA em sua organização. como o do herpes e o da AIDS. catapora. Como é transmitida a raiva? E a febre amarela? 7. b) Hepatite infecciosa. 6. sarampo e rubéola. e penetram inteiros dentro Rod. c) são constituídos de uma cápsula protéica e um miolo de DNA. 5. c) ácidos nucleicos e proteínas. produzidas pelo homem. Descreva a reprodução do vírus no ciclo lítico. 9. quando em vida livre. (UFBA) A caracterização do vírus como ser vivo está relacionada com a capacidade de: a) sobreviver em meios de culturas artificiais mantidos em laboratório. c) Malária. formando o que se chama de um pró-vírus. Cite três medidas preventivas contra a AIDS. Quais as medidas preventivas que devemos tomar contra a dengue? 8. Já no grupo de vírus de RNA conhecido como retrovírus. e) RNA e proteínas. 11. (Unimep-SP) Alguns vírus atacam e destroem bactérias e por isso receberam o nome de bacteriófagos ou simplesmente fagos. o RNA sintetiza uma molécula de DNA que penetra no núcleo da célula hospedeira e se liga ao DNA da célula. poliomielite e varíola. Cite uma defesa natural contra o vírus. Augusto Montenegro. que inclui o vírus causador da Aids. essenciais para que se possam reproduzir. quando cristalizado. gripe e rubéola. Formam-se novos vírus que. como o do sarampo. utilizando seus próprios ribossomos. Esquema da reprodução dos vírus de RNA. d) apresentar. explicando como elas atuam. o RNA do vírus orienta a produção de uma molécula de RNA.

c) proliferação de criadouros de mosquitos transmissores. Augusto Montenegro. d) ingestão de água contaminada por esgotos. O contágio se dá. IV. III e IV são corretas.Conj. por isso o material nuclear é disperso no citoplasma. Todos os representantes desse reino apresentam parede celular (envoltório rígido que protege a membrana plasmática) essa estrutura é formada de peptidoglicano (que são aminoácidos e polissacarídeos). há muito erradicadas dos grandes centros urbanos brasileiros. Cohab-263 Marambaia – Fone:3238-0803 . b) se apenas II e III são corretas. II e IV são corretas. ribossomos e glicogênio (seu alimento). A doença é causada por vírus. contato sexual com portadores e uso em comum de agulha por viciados em drogas. A convivência com a pessoa doente. no trabalho. o DNA se apresenta em forma circular não estando ligado a proteínas como em seres eucariontes a visualização da anatomia de uma bactéria está representada abaixo. e junto com as cianofíceas (algas azuis) são as únicas células procariontes conhecidas. diminuindo a resistência do organismo. temos as afirmações seguintes: I. (Fuvest-SP) Doenças como dengue. Uma condição que propicia o reaparecimento das doenças citadas é: a) aumento exagerado dos níveis de poluição do ar. principalmente. II. 13. por cissiparidade. não oferece perigo de transmissão da doença. então. No citoplasma. e) se I. em casa. por transfusão de sangue contaminado. III. A doença atua sobre o sistema imunológico.CONCURSOS PÚBLICOS CIÊNCIAS da bactéria. (Exemplo de bactéria) (Exemplo de espirilo) 6 Rod. III e IV são corretas. na escola. c) se apenas I. na rua. excluídas as condições mencionadas em II. 14. multiplicando-se. II. III e IV são corretas. Considerando os conhecimentos atuais. (Vunesp . terminando por destruí-las. b) ingestão de alimentos contaminados por agrotóxicos. como aconteceu recentemente em áreas urbanas de São Paulo e do Rio de Janeiro. d) se apenas I. BACTÉRIAS REINO MONERA. assinale a alternativa: a) se apenas I. encontramos apenas o DNA. podem reaparecer. e) são moléculas procarióticas que parasitam bactérias.SP) Em relação à Aids. Morfologia e fisiologia. febre amarela e mesmo malária. e) aumento de radiação ambiental causada pelas usinas nucleares. O OBS: A característica principal dos seres procariontes é a ausência de carioteca (membrana nuclear). De todos os seres vivos as bactérias são os menores e mais simples criaturas do planeta.

bacilos (alongados). Respiração. Cohab-263 Marambaia – Fone:3238-0803 7 . Quanto à respiração podemos classificar as bactérias em:  Bactérias aeróbias: Dependem de oxigênio para sobreviver. A conjugação é um tipo de reprodução sexuada realizada por bactérias onde duas bactérias se ligam através de filamentos (pêlos sexuais) e trocam material genético DNA. Bactérias que fazem quimiossíntese utilizam energia química para oxidação de minerais. Algumas bactérias possuem a bacterioclorofila. espirilos (espiral) e vibriões (curvos). realizam a fermentação láctica. Como exemplo nós temos o Bacilo do tétano.CONCURSOS PÚBLICOS CIÊNCIAS Juntos com os fungos. onde uma célula se divide em duas células filhas de material genético idêntico a célula mãe (clones). Rod. essas bactérias ficarão intoxicadas e morrerão. já que a água não é utilizada na reação e sim o gás sulfídrico. que fornecem aos vegetais e são importantes no ciclo do nitrogênio. após esse processo. A maioria das bactérias é heterotrófica por absorção. (cárie) De acordo com sua forma as bactérias podem ser classificadas por: cocos (esféricos). Nutrição. caso contrário na ausência de oxigênio. realizando a respiração aeróbia. se houver no ambiente uma alta concentração de oxigênio. como por exemplo. as bactérias que oxidam amônia. (bacilo do tétano: Clostridium tetani) Reprodução. Augusto Montenegro. utilizam a fermentação (processos anaeróbios) dessa forma a quantidade de energia adquirida é muito menor do que uma respiração aeróbia. realizando assim o processo da fotossíntese. nitritos e nitratos. as células se separam e possuem o DNA totalmente modificado. As cianofíceas possuem a mesma clorofila encontrada nos vegetais. retirando moléculas orgânicas já digeridas no meio ambiente ou de seres que parasitam.  Bactérias aeróbias facultativas: Podem sobreviver com a presença de oxigênio. A isso se deve o fato de algumas bactérias espalharem uma resistência a determinados antibiótico para outras.  Bactérias anaeróbias obrigatórias: Utilizam apenas a fermentação para obterem energia. Temos como exemplo os lactobacilos que na ausência de oxigênio. Abaixo nós temos alguns exemplares de formas de bactérias. que é um tipo de clorofila que resulta em uma espécie primitiva de fotossíntese onde não há a liberação de oxigênio.Conj. A principal reprodução das bactérias é a divisão binária ou cissiparidade. as bactérias são os principais decompositores do planeta. e são os responsáveis pela produção de iogurtes e queijos.

do estado de saúde-doença de uma população. Por fim temos o processo de transformação onde uma bactéria pode absorver material genético disperso no ambiente (por exemplo. por vezes. por vezes. Consoante a sua gravidade. EPIDEMIA E ENDEMIA 8 . inesperada e descontrolada dos coeficientes de incidência de determinada doença. Quando a epidemia adquire grandes dimensões e ultrapassa fronteiras. Sífilis: Doença sexualmente transmissível que causa danos no sistema nervoso podendo causar paralisia progressiva até a morte. Cohab-263 Marambaia – Fone:3238-0803 (Esquema anatômico de bactérias) 1. tifo exantemático. encontra as condições ideais para proliferar nos sistemas de ar condicionado ou canalizações de grandes edifícios públicos e ataca quem entrar cm contacto com ela até que soe o alarme. costumam-se utilizar algumas denominações específicas. Gonorréia: Uma DST que causa o aparecimento de pus nos órgãos sexuais e ardência ao urinar. associam-se ou agravam-se. caracterizada por uma elevação progressiva. mucosas e nervos. normalmente denomina-se episódio epidêmico e caracteriza-se por infecções provocadas por microorganismos que necessitam de condições muito específicas para a sua propagação ou que apenas afetam indivíduos que apresentam uma sensibilidade especial. se diagnostique o problema e se controle o foco. O termo "epidemia". de uma bactéria morta) e incorpora-lo ao seu DNA. ultrapassando e reiterando valores acima do limiar epidêmico estabelecido. tudo. afetando um número significativo de pessoas. uma grave doença produzida por uma bactéria que. o principal fator corresponde a um súbito aumento da agressividade de um determinado microorganismo. e demos. Em relação às características dos microorganismos. adoção de um limiar epidêmico convencionado e acompanhamento permanente da incidência através de diagramas de controle. povo). proveniente do grego (epi. sobre.  Fatores desencadeadores de epidemias Existem vários fatores que proporcionam o aparecimento de epidemias e. São inúmeros os exemplos históricos de pandemias que arrasaram os povos europeus nos séculos passados: peste bubônica.CONCURSOS PÚBLICOS CIÊNCIAS (Conjugação de bactérias) Além da conjugação uma outra forma que as bactérias utilizam para alterar seu DNA é através da transdução onde vírus que se reproduzem dentro de uma bactéria podem sair contaminados por DNA bacteriano e acabam transportando-os para outra bactéria. febre amarela. designa-se pandemia (do grego pan. povo).Conj. DOENÇAS CAUSADAS POR BACTÉRIAS: Tuberculose: Ataca geralmente os pulmões causando expectoração com sangue. quando a epidemia é muito breve e afeta um número limitado de pessoas. febre e contrações musculares. causa dor de cabeça. estendendo-se por vários países ou até continentes inteiros. ou seja. Embora os possíveis exemplos variem bastante.” Para ser determinada é preciso que haja vigilância e controle: coleta de dados bioestatísticos. Epidemias  Conceito “é uma alteração. Por exemplo. De fato. Alguns estão relacionados com as características do microorganismo causador e outros essencialmente com a sensibilidade da população ou até mesmo com a existência de condições que favoreçam a propagação do agente responsável. Augusto Montenegro. Rod. existe um muito claro: os eventuais episódios epidêmicos da doença do legionário. e demos. Tétano: Penetra na pele através de ferimentos. cálculo de coeficientes. o número de vítimas e a extensão do problema. espacial e temporalmente delimitada. uma possível mutação pode provocar um aumento da virulência de um micróbio e desencadear uma epidemia. Hanseníase: Causa lesões na pele. entre outras. designa o aparecimento súbito de uma doença infecciosa que se propaga durante um determinado período de tempo por uma determinada zona geográfica.

f) Decréscimo endêmico: quando o processo regride a níveis mais baixos que aqueles vigentes antes da eclosão da epidemia. oral. (ex. atingindo várias nações.  Alterações na distribuição das doenças São as modificações nos níveis de incidência da doença considerada: a) incidência em nível endêmico: se suas medidas caírem dentro dos limites endêmicos. Cohab-263 Marambaia – Fone:3238-0803 9 . que é de progressão.  Classificação das epidemias: Não é classificatória. o fator desencadeador corresponde ao aparecimento de situações que favoreçam a disseminação de um determinado microorganismo. Podem ser: Epidemia por fonte pontual (no tempo): exposição a gases tóxicos intoxicação alimentar.( doenças transmissíveis respiratórias. como por exemplo perante catástrofes que favoreçam a contaminação da água de consumo (como acontece com a cólera) ou alterações no clima que originem uma proliferação dos insetos vetores de alguns microorganismos (como os mosquitos no caso da febre amarela). uma ocorrência epidêmica restrita a um espaço extremamente limitado: colégio. já que o delta do rio Ganges encontra-se. “a epidemia é restrita a um intervalo de tempo. caso um microorganismo até ao momento desconhecido na região e contra o qual os habitantes não encontrem defesa aceda a uma determinada zona geográfica. d) epidemia por fonte comum: inexistência de um mecanismo de transmissão hospedeiro-hospedeiro. ação intencional de vigilância e controle ou processos naturais de controle. embora completamente desconhecidas para os invasores. por via respiratória.Conj. até então controlada. Conceito de endemia A endemia designa uma determinada doença infecciosa presente de forma persistente e permanente numa zona geográfica.  Abrangência das epidemias Podem ocorrer em um espaço definido desde um surto até uma pandemia: Surto epidêmico: ou surto. Esta infecção é. por vezes. quando uns poucos casos já caracterizam o processo epidêmico. contrariamente a endemia que é ilimitada. diversas epidemias provocadas por microorganismos provenientes do Velho Mundo assolaram os nativos e o mesmo sucedeu com a chegada de microorganismos transportados pelos conquistadores que se propagaram a toda a Europa. e) Regressão: última fase na evolução de uma epidemia.  Mecanismos que interferem na incidência A incidência de uma doença pode chegar a níveis epidêmicos através : a) da importação e incorporação de casos imigrados b) contato acidental com agentes infecciosos. bairro. após o descobrimento da América. ou seja. O fator extrínseco (ag. pode durar poucas horas. assume caráter epidêmico . ar ou introduzido por inoculação. A cólera. Calcula-se que Rod. pode-se pensar em erradicação teoricamente. Epidemia por fonte persistente (no tempo): febre tifóide devido a fonte hídrica contaminada por esgoto. sua progressão é lenta. pessoa a pessoa. genital. d) Incidência máxima: a força de crescimento da epidemia se extingue devido a: diminuição do número de expostos. b) Incidência em nível epidêmico: se suas medidas ocorrerem na região de valores epidêmicos (acima do limite superior endêmico). pois ao longo da história existem casos de exércitos que sucumbiram perante doenças comuns nas regiões invadidas. dias ou décadas”. sobretudo. afetando um número considerável dos seus habitantes. provavelmente há milhares de anos. de série de surto: “Maria Tifosa”). b) Egressão: a incidência ultrapassa o limite superior endêmico.  A curva epidêmica a) incremento inicial de casos: o coeficiente de incidência aproxima-se do nível superior endêmico. provocada pela existência numa certa região de condições que facilitem a persistência de determinadas fontes de infecção acessíveis à população ou através da presença de algum vetor específico que intervenha no contágio de determinados microorganismos.CONCURSOS PÚBLICOS CIÊNCIAS Em relação à sensibilidade da população. b) epidemia lenta: a velocidade com que a incidência máxima é atingida é lenta. c) epidemia progressiva: o critério diferenciador é a transmissão hospedeiro-a-hospedeiro. O paludismo é endêmico em várias zonas tropicais do planeta onde existem as condições ideais para o mosquito Anófeles transmitir o protozoário responsável pela doença através das suas picadas. radiações ionizantes. ou por vetores. diminuição do número de suscetíveis. quartel.( doenças de longo período de incubação. por insetos e artrópodes). existem grandes probabilidades de epidemia. hanseníase). DSTs. Infeccioso. edifício de apartamento. mas apenas didática: a) epidemia explosiva: refere-se a velocidade do processo na primeira etapa. contaminado.etc. é endêmica tanto no Paquistão como na Índia. a deslocação de um número elevado de pessoas. toxinas ou produtos químicos em populações nas quais a incidência da doença permanecia nula até então. alimento. Por exemplo. fatores físico-químicos ou produtos do metabolismo biológico) é veiculado pela água. c) A doença presente. por exemplo. Por último. anal. A incidência máxima é alcançada logo após ter-se iniciado a progressão. Pandemia: ocorrência epidêmica caracterizada por uma larga distribuição espacial. não tem significado quando a incidência é nula ou de casos esporádicos. Augusto Montenegro. c) Progressão: fase inicial do processo até o clímax. Pode igualmente acontecer o contrário. marcada por um começo e por um fim.

em 1969. acidentes. antes de se viajar para estas zonas. Pretendia-se. nos níveis nacional e estadual. na década de 1980. e compreendia fases bem estabelecidas – preparatória.  Propósitos e funções Por propósito. peste e varíola. a vigilância epidemiológica deve fornecer orientação técnica permanente para os profissionais de saúde que têm a responsabilidade de decidir sobre a execução de ações de controle de doenças e agravos.CONCURSOS PÚBLICOS CIÊNCIAS vivem mais de 15OO milhões de pessoas nas regiões onde o paludismo é endêmico. sobretudo nas regiões tropicais e subtropicais do planeta. combate a vetores. de consolidação e de manutenção. dentre outros. Esses instrumentos legais tornaram obrigatória a notificação de doenças transmissíveis selecionadas. envenenamentos na infância. Simultaneamente. utilização de aditivos. Por recomendação da 5ª Conferência Nacional de Saúde. comportamentos como fatores de risco.259/75 e Decreto nº 78. A expressão vigilância epidemiológica passou a ser aplicada ao controle das doenças transmissíveis na década de 50. com a finalidade de recomendar e adotar as medidas de prevenção e controle das doenças ou agravos”. o Ministério da Saúde instituiu o Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica (SNVE). Augusto Montenegro. leucemia. aplicadas individualmente. doenças profissionais. e não de forma coletiva. Em 1977. Essas intervenções consistiram na organização de grandes campanhas sanitárias com vistas ao controle de doenças que comprometiam a atividade econômica. Iniciativas nesta direção estão sendo adotadas tanto pelo Ministério da Saúde/SVS como por algumas secretarias estaduais e municipais de saúde. Tal processo fundamentou a consolidação. além das doenças transmissíveis. constantes de relação estabelecida por portaria. caracterizada pela descentralização de responsabilidades e integralidade da prestação de serviços Por sua vez. No Brasil. de ataque. O modelo operacional baseava-se em atuações verticais. por meio de legislação específica (Lei nº 6. que permitia aplicação a variados problemas de saúde pública. A vigilância epidemiológica foi o tema central da 21ª Assembléia Mundial de Saúde realizada em 1968. sob forte inspiração militar.Conj. Cohab-263 Marambaia – Fone:3238-0803 10 . convém informar-se sobre este assunto. a exemplo da febre amarela. Rod. de bases técnicas e operacionais que possibilitaram o futuro desenvolvimento de ações de impacto no controle de doenças evitáveis por imunização. Além de ampliar o conceito. a Campanha de Erradicação da Varíola (CEV) − 1966-73 − é reconhecida como marco da institucionalização das ações de vigilância no país. a detecção ou prevenção de qualquer mudança nos fatores determinantes e condicionantes de saúde individual ou coletiva. o programa de erradicação da varíola também instituiu uma fase de vigilância epidemiológica. vindo a designar uma de suas fases constitutivas. Essa metodologia foi fundamental para o êxito da erradicação da varíola em escala mundial e serviu de base para a organização de sistemas nacionais de vigilância epidemiológica. Na década de 60. um sistema de notificação semanal de doenças selecionadas e disseminar informações pertinentes em um boletim epidemiológico de circulação quinzenal. imunização e tratamento em massa com fármacos. O atual Sistema Único de Saúde (SUS) incorporou o SNVE. mediante busca ativa de casos de varíola. abortos. as profundas mudanças no perfil epidemiológico das populações. realizada em 1975.231/76). SISTEMA DE VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA  Bases históricas e conceituais As primeiras intervenções estatais no campo da prevenção e controle de doenças. datam do início do século XX e foram orientadas pelo avanço da era bacteriológica e pela descoberta dos ciclos epidemiológicos de algumas doenças infecciosas e parasitárias. a exemplo das malformações congênitas. no âmbito de progra mas de controle específicos. o Ministério da Saúde elaborou o primeiro Manual de Vigilância Epidemiológica. Tratava-se. desenvolvidas sob bases científicas modernas. tendo fomentado e apoiado a organização de unidades de vigilância epidemiológica na estrutura das secretarias estaduais de saúde. finalmente alcançada em 1994. portanto. que abriu perspectivas para a erradicação da doença no continente americano. na qual se estabeleceu a abrangência do conceito. subseqüente à de vacinação em massa da população. reunindo e compatibilizando as normas técnicas então utilizadas para a vigilância de cada doença. significava “a observação sistemática e ativa de casos suspeitos ou confirmados de doenças transmissíveis e de seus contatos”. as ações de vigilância epidemiológica passaram a ser operacionalizadas num contexto de profunda reorganização do sistema de saúde brasileiro. têm propiciado a discussão da incorporação de doenças e agravos nãotransmissíveis ao escopo de atividades da vigilância epidemiológica. a detecção precoce de surtos e o bloqueio imediato da transmissão da doença. dentre outros. o programa disseminou a aplicação de novos conceitos que se firmavam no âmbito internacional e não se vinculavam à prévia realização de uma fase de ataque. As campanhas valiam-se de instrumentos precisos para o diagnóstico de casos. da vigilância de pessoas. O principal êxito relacionado a esse esforço foi o controle da poliomielite no Brasil. definindo em seu texto legal (Lei nº 8.080/90) a vigilância epidemiológica como “um conjunto de ações que proporciona o conhecimento. 2. no qual se observa declínio das taxas de mortalidade por doenças infecciosas e parasitárias e crescente aumento das mortes por causas externas e doenças crônico-degenerativas. O modelo da CEV inspirou a Fundação Serviços de Saúde Pública (FSESP) a organizar. para designar uma série de atividades subseqüentes à etapa de ataque da campanha de erradicação da malária. com base em medidas de isolamento ou quarentena. Como existem inúmeras doenças endêmicas. riscos ambientais. Originalmente.

Quanto mais capacitada e eficiente for a instância local.Conj.  Coleta de dados e informações O cumprimento das funções de vigilância epidemiológica depende da disponibilidade de dados que sirvam para subsidiar o processo de produção de informação para a ação. a vigilância epidemiológica constitui-se importante instrumento para o planejamento. como prioridade. As ações executivas são inerentes ao nível municipal e seu exercício exige conhecimento analítico da situação de saúde local. • processamento dos dados coletados. conseqüentemente. • promoção das ações de controle indicadas. A operacionalização da vigilância epidemiológica compreende um ciclo de funções específicas e intercomplementares. voltadas para questões emergenciais ou que. manutenção e aprimoramento das ações. os responsáveis pela coleta devem ser preparados para aferir a qualidade do dado obtido. conseqüentemente. voltadas para questões emergenciais ou que. da adequada coleta de dados gerados no local onde ocorre o 11 . Portanto. é fundamental a capacitação para o diagnóstico de casos e a realização de investigações epidemiológicas correspondentes. sobretudo. o planejamento adequado da ação governamental. organização e operacionalização dos serviços de saúde. a cada momento. estadual e federal) abarcam todo o espectro das funções de vigilância epidemiológica. de forma que as medidas de intervenção pertinentes possam ser desencadeadas com oportunidade e eficácia. porém com graus de especificidade variáveis. É também nesse nível que os dados devem primariamente ser tratados e estruturados para se constituírem em um poderoso instrumento – a informação –. o fortalecimento dos sistemas municipais de vigilância epidemiológica. • avaliação da eficácia e efetividade das medidas adotadas. capaz de subsidiar um processo dinâmico de planejamento. • recomendação das medidas de controle apropriadas. A coleta de dados ocorre em todos os níveis de atuação do sistema de saúde. Subsidiariamente. mas cabe aos níveis nacional e estadual conduzir as ações de caráter estratégico e longo alcance. A atual orientação para o desenvolvimento do SNVE estabelece. permitindo conhecer. • análise e interpretação dos dados processados. informações atualizadas sobre a ocorrência dessas doenças e agravos. Quanto mais capacitada e eficiente for a instância local. Nesse contexto.CONCURSOS PÚBLICOS CIÊNCIAS tornando disponíveis. inclusive internacionais. por exemplo. • recomendação das medidas de controle apropriadas. numa área geográfica ou população definida. A qualidade da informação depende. • divulgação de informações pertinentes. Augusto Montenegro. possibilitando melhor compreensão do quadro sanitário estadual e nacional e. as intervenções oriundas dos níveis estadual e federal tenderão a tornar-se seletivas. dotados de autonomia técnico-gerencial para enfocar os problemas de saúde próprios de suas respectivas áreas de abrangência. requerem avaliação complexa e abrangente. As competências de cada nível do sistema de saúde (municipal. por sua transcendência. Os dados e informações aí produzidos serão mais consistentes. • avaliação da efi cácia e efetividade das medidas adotadas. da notificação de doenças transmissíveis. com participação de especialistas e centros de referência. sobretudo. as intervenções oriundas dos níveis estadual e federal tenderão a tornar-se seletivas. Cohab-263 Marambaia – Fone:3238-0803 evento sanitário (dado coletado). Os dados e informações aí produzidos serão mais consistentes. mais oportunamente podem ser executadas as medidas de controle. bem como dos fatores que a condicionam. por sua transcendência. com participação de especialistas e centros de referência. Nesse contexto. requerem avaliação complexa e abrangente. para esse fim. mas cabe aos níveis nacional e estadual conduzir as ações de caráter estratégico e longo alcance. possibilitando melhor compreensão do quadro sanitário estadual e nacional e. dotados de autonomia técnico-gerencial para enfocar os problemas de saúde própria os de suas respectivas áreas de abrangência. A força e o valor da informação (dado analisado) dependem da precisão com que o dado é gerado. bem como a normatização das atividades técnicas correlatas. o comportamento da doença ou agravo selecionado como alvo das ações. como prioridade. inclusive internacionais. estadual e federal) abarcam todo o espectro das funções de vigilância epidemiológica. o fortalecimento dos sistemas municipais de vigilância epidemiológica. A eficiência do SNVE depende do desenvolvimento harmônico das funções realizadas nos diferentes níveis. • promoção das ações de controle indicadas. • divulgação de informações pertinentes. porém com graus de especificidade variáveis. desenvolvidas de modo contínuo. • análise e interpretação dos dados processados. da adequada coleta de dados gerados no local onde ocorre o Rod. A qualidade da informação depende. avaliação. mais oportunamente podem ser executadas as medidas de controle. São funções da vigilância epidemiológica: • coleta de dados. Tratando-se. As competências de cada nível do sistema de saúde (municipal. A eficiência do SNVE depende do desenvolvimento harmônico das funções realizadas nos diferentes níveis. A atual orientação para o desenvolvimento do SNVE estabelece. As ações executivas são inerentes ao nível municipal e seu exercício exige conhecimento analítico da situação de saúde local. o planejamento adequado da ação governamental. Coleta de dados e informações O cumprimento das funções de vigilância epidemiológica depende da disponibilidade de dados que sirvam para subsidiar o processo de produção de informação para a ação.

Como princípio organizacional o sistema de vigilância deve abranger o maior número possível de fontes geradoras.  Dados de mortalidade São de fundamental importância como indicadores da gravidade do fenômeno vigiado. Outro aspecto relevante refere-se à representatividade dos dados. Seu uso apresenta dificuldades relacionadas à representatividade e abrangência dos sistemas de informações disponíveis. A partir de fontes selecionadas e confiáveis pode-se acompanhar as tendências da doença ou agravo. com acompanhamento constante da situação geral de saúde e da ocorrência de casos de cada doença e agravo sujeito à notificação. o que impõe cautela na análise dos dados de mortalidade. O fluxo. vinculados à prestação de serviços. Em geral. por se referirem a fatos vitais bem marcantes e razoavelmente registrados. Além disso. por permitirem a detecção imediata ou precoce de problemas sanitários. O SNVE deve estimular. Portanto. da produção de serviços ambulatoriais e hospitalares. ou a introdução de outras doenças não incidentes no local e. mais válidos do que os dados de morbidade. nascimentos e óbitos devem ser discriminados segundo características de sua distribuição por sexo. com vistas à definição de denominadores para o cálculo de taxas. da busca ativa de casos. a utilização dos sistemas e bases de dados disponíveis. os sistemas locais de saúde devem ser estimulados a utilizar de imediato as informações das declarações de óbito. para evitar a sobreposição de sistemas de informação e a conseqüente sobrecarga aos níveis de assistência direta à população. esses fatos devem ser notificados aos níveis superiores do Rod. As deficiências qualitativas próprias desses sistemas tendem a ser superadas à medida que se intensificam a crítica e o uso dos dados produzidos. por isso. o fluxo deverá ser suficientemente rápido para que não ocorra atraso na adoção de medidas de controle. no caso particular de doenças de maior letalidade.Conj. avaliação. cada vez mais. Sua obtenção provém de declarações de óbitos.  Tipos de dados Os dados e informações que alimentam o Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica são os seguintes:  Dados demográficos. em relação à magnitude do problema existente. padronizadas e processadas nacionalmente. socioeconômicos ambientais e  Dados de morbidade São os dados mais utilizados em vigilância epidemiológica. etc. conseqüentemente. à possibilidade de duplicação de registros e a deficiências de métodos e critérios de diagnóstico utilizados. Dados sobre aspectos climáticos e ecológicos também podem ser necessários para a compreensão do fenômeno analisado. com o auxílio de estimativas de sub-enumeração de casos. o diagnóstico de uma situação epidêmica inicial para a adoção imediata das medidas de controle. idade. A coleta de dados ocorre em todos os níveis de atuação do sistema de saúde. Essa prática possibilita a constatação de qualquer indício de elevação do número de casos de uma patologia. ocupação. A disponibilidade de indicadores demográficos e socioeconômicos é primordial para a caracterização da dinâmica populacional e das condições gerais de vida. é fundamental a capacitação para o diagnóstico de casos e a realização de investigações epidemiológicas correspondentes. cuidados especiais na coleta e análise. 12 . há proporção Significativa de registros sem causa definida. Geralmente. algumas delas com sub enumeração elevada de óbitos. sendo ainda. manutenção e aprimoramento das ações. A prioridade de conhecimento do dado sempre será concedida à instância responsável pela execução das medidas de controle. Quando for necessário o envolvimento de outro nível do sistema. da notificação de doenças transmissíveis. Atrasos na disponibilidade desses dados dificultam sua utilização na vigilância epidemiológica. com base em indicadores adequados às características próprias de cada doença ou agravo sob vigilância. periodicidade e tipos de dados coletados devem corresponder às necessidades de utilização previamente estabelecidas. É também nesse nível que os dados devem primariamente ser tratados e estruturados para se constituírem em um poderoso instrumento – a informação –. Cohab-263 Marambaia – Fone:3238-0803 Os dados demográficos permitem quantificar grupos populacionais. por exemplo. A força e o valor da informação (dado analisado) dependem da precisão com que o dado é gerado. Trata-se. escolaridade. capaz de subsidiar um processo dinâmico de planejamento. Dados sobre o número de habitantes. em geral. entre outras formas. Augusto Montenegro. A disseminação eletrônica de dados tem contribuído muito para facilitar o acesso a essas informações. os responsáveis pela coleta devem ser preparados para aferir a qualidade do dado obtido. Tratando-se. Correspondem à distribuição de casos segundo a condição de portadores de infecções ou patologias específicas. Merecem. Essa base de dados apresenta variáveis graus de cobertura entre as regiões do país. de dados oriundos da notificação de casos e surtos. às quais se vinculam os fatores condicionantes da doença ou agravo sob vigilância. situação do domicílio. de estudos amostrais e de inquéritos. não é possível nem necessário conhecer a totalidade dos casos. Considerando tais fatos. de investigações epidemiológicas.CONCURSOS PÚBLICOS CIÊNCIAS evento sanitário (dado coletado). como também de seqüelas. cuidando-se de assegurar a regularidade e oportunidade da transmissão dos dados.  Notificação de surtos e epidemias A detecção precoce de surtos e epidemias ocorre quando o sistema de vigilância epidemiológica local está bem estruturado. condições de saneamento.

ou seja. Cohab-263 Marambaia – Fone:3238-0803 agravo. possivelmente. Estados e municípios podem adicionar à lista outras patologias de interesse regional ou local. sem considerar a factibilidade de implementação das medidas decorrentes da notificação. dos resultados obtidos com as ações de controle e da disponibilidade de novos conhecimentos científicos e tecnológicos. nem sempre podem ser aplicados de modo linear. febre amarela e peste. na maioria das vezes. No processo de seleção das doenças notificáveis. Esses compromissos incluem obrigações assumidas por força do Regulamento Sanitário Internacional.CONCURSOS PÚBLICOS CIÊNCIAS sistema para que sejam alertadas as áreas vizinhas e/ou para solicitar colaboração. a notificação deve seguir um processo dinâmico. com o objetivo de delimitar a área de ocorrência. ao conteúdo de informação requerido. a notificação compulsória tem sido a principal fonte da vigilância epidemiológica. a partir da qual. Ocorrência de epidemias. elucidar o diagnóstico e deflagrar medidas de controle aplicáveis. Potencial de disseminação – representado pelo elevado poder de transmissão da doença. que afetam grandes contingentes populacionais e se traduzem por altas taxas de incidência. às características de distribuição das doenças consideradas. destacando-se: severidade. relevância social. estabelecido no âmbito da Organização Mundial da Saúde. esses critérios devem ser considerados em conjunto. Por outro lado. absenteísmo escolar e laboral. Os dados correspondentes compõem o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan). Mecanismos próprios de notificação devem ser instituídos com base na apresentação clínica e epidemiológica do evento. embora o atendimento a apenas alguns deles possa ser suficiente para incluir determinada doença. por descrédito nas ações que dela devem resultar. previstas em acordos firmados pelo governo brasileiro com organismos internacionais. Compromissos internacionais – relativos ao cumprimento de metas continentais ou mundiais de controle. pelo valor imputado pela sociedade à ocorrência da doença e que se manifesta pela sensação de medo. o que ocorre por desconhecimento de sua importância e. que ainda exige a notificação compulsória dos casos de cólera. Dada a natureza específica de cada doença ou agravo à saúde. e uma obrigação inerente ao exercício da medicina. Historicamente. surtos e agravos inusitados à saúde – são situações emergenciais em que se impõe a notificação imediata de todos os casos suspeitos. às modalidades de notificação indicadas e à representatividade das fontes de notificação. repulsa ou indignação. medida por taxas de letalidade. de hospitalização e de seqüelas. Vulnerabilidade – medida pela disponibilidade concreta de instrumentos específicos de prevenção e controle da doença. etc. sabe-se que a notificação nem sempre é realizada. avaliada. bem como de outras profissões na área da saúde. subjetivamente. este regulamento está sendo objeto de revisão e. quando necessária.. de forma a conquistar a confiança 13 . a principal é a notificação. também. no tempo e no espaço. Augusto Montenegro. avaliada por prejuízos decorrentes de restrições comerciais. aos critérios de definição de casos. Entretanto. Os parâmetros para a inclusão de doenças e agravos na lista de notificação compulsória devem obedecer os seguintes critérios: Magnitude – aplicável a doenças de elevada freqüência. para fins de adoção de medidas de intervenção pertinentes.  Fontes de dados A informação para a vigilância epidemiológica destina-se à tomada de decisões – informação para a ação. redução da força de trabalho. prevalência. As normas de notificação devem adequar-se. mortalidade e anos potenciais de vida perdidos. a comunicação da ocorrência de determinada doença ou agravo à saúde feita à autoridade sanitária por profissionais de saúde ou qualquer cidadão. Dentre essas. custos assistenciais e previdenciários.Conj. sem sobrecarregar os serviços com o preenchimento desnecessário de formulários. à periodicidade da transmissão dos dados. variável em função das mudanças no perfil epidemiológico. Mesmo assim. propiciando a atuação efetiva dos serviços de saúde sobre os indivíduos e coletividades. Entende-se que só devem ser coletados dados para efetiva utilização no aprimoramento das ações de saúde. colocando sob risco a saúde coletiva. os Estados-Membros da OMS passarão a notificar eventos inusitados que possam ter repercussões internacionais. O caráter compulsório da notificação implica responsabilidades formais para todo cidadão. e relevância econômica. se desencadeia o processo informação decisão-ação. Este princípio deve reger as relações entre os responsáveis pela vigilância e as diversas fontes que podem ser utilizadas para o fornecimento de dados. de eliminação ou de erradicação de doenças. por meio de vetores ou outras fontes de infecção. justificada a sua necessidade e definidos os mecanismos operacionais correspondentes. A experiência tem evidenciado que o funcionamento de um sistema de notificação é diretamente proporcional à capacidade de se demonstrar o uso adequado das informações recebidas. as quais dependem de condições operacionais objetivas de funcionamento da rede de prestação de serviços de saúde. Transcendência – se expressa por características subsidiárias que conferem relevância especial à doença ou Rod. A listagem das doenças de notificação nacional é estabelecida pelo Ministério da Saúde entre as consideradas de maior relevância sanitária para o país.

• a notificação tem de ser sigilosa. sendo de primordial importância para os agentes responsáveis pelas ações de vigilância. realizados pelos laboratórios de saúde pública em apoio às ações de vigilância. que pode basear-se em dados muito restritos para a tomada de decisões oportunas e eficazes. Não é um estudo amostral e destina-se a coletar dados para complementar informações já existentes. Outras bases de dados dos sistemas nacionais de informação O registro rotineiro de dados sobre saúde.  Imprensa e população Muitas vezes.Conj. objetivando aprimorar a qualidade do registro e compatibilizar as informações oriundas de diferentes fontes. pode ser necessário. configurando-se o que se denomina notificação negativa. principalmente quando a vigilância em determinada área é insuficientemente ativa.  Inquérito epidemiológico – estudo seccional. Não se deve aguardar a confirmação do caso para se efetuar a notificação. privadas e filantrópicas) devem fazer parte do sistema. em todos os níveis. derivados da produção de serviços ou de sistemas de informação específicos. essa cobertura universal idealizada não prescinde do uso inteligente da informação. Podem ser o primeiro alerta sobre a ocorrência de uma epidemia ou agravo inusitado. respeitando-se o direito de anonimato dos cidadãos. que podem ser coletados por inquérito. levantamento epidemiológico ou investigação. são exemplos de levantamentos epidemiológicos. abrangendo. em determinado momento ou período. em situações especiais. e a busca ativa de casos. Augusto Montenegro. para análises de tendências. constitui valiosa fonte de informação sobre a ocorrência de doenças e agravos sob vigilância epidemiológica. Com a progressiva implementação de recursos informacionais no setor saúde. Cohab-263 Marambaia – Fone:3238-0803 . Além da notificação compulsória. servem como fonte de conhecimento de casos que não foram notificados. só podendo ser divulgada fora do âmbito médico-sanitário em caso de risco para a comunidade.  Investigação epidemiológica Os achados de investigações epidemiológicas de casos e de surtos complementam as informações da notificação no que se refere a fontes de infecção e mecanismos de transmissão.   Laboratórios Os resultados laboratoriais vinculados à rotina da vigilância epidemiológica complementam o diagnóstico de confirmação de casos e. o uso do laboratório como fonte de detecção de casos tem sido restrito a algumas doenças. descrito no terceiro capítulo deste Guia. onde é realizada a triagem sorológica de doadores de sangue. Levantamento epidemiológico – estudo realizado com base nos dados existentes nos registros dos serviços de saúde ou de outras instituições. para aferir a eficiência do sistema de notificação. do ponto de vista epidemiológico. Também podem possibilitar a descoberta de novos casos não notificados. a ocorrência de eventos sanitários. que funciona como um indicador de eficiência do sistema de informações. esses dados tendem a tornar-se cada vez mais acessíveis por meios eletrônicos. levado a efeito quando as informações existentes são inadequadas ou insuficientes em virtude de diversos fatores. informações oriundas da imprensa e da própria comunidade são fontes importantes de dados. • o envio dos instrumentos de coleta de notificação deve ser feito mesmo na ausência de casos. descoberta de agravos inusitados. o Sistema de Vigilância Epidemiológica pode definir doenças e agravos como de notificação simples. geralmente do tipo amostral.CONCURSOS PÚBLICOS CIÊNCIAS dos notificantes. devendo ser sempre consideradas para a realização da investigação pertinente. dentre os quais se podem destacar: notificação imprópria ou deficiente. dificuldade na avaliação de coberturas vacinais ou eficácia de vacinas. 14 Rod. inicialmente. pois isto pode significar perda da oportunidade de intervir eficazmente. é o principal instrumento de coleta dos dados de notificação compulsória. a rede de laboratórios centrais de saúde pública nos estados (Lacens) e também a rede de hemocentros. Todas as unidades de saúde (públicas. esse sistema deve ser progressivamente estendido a outros laboratórios públicos e privados. Também devem ser incorporados os dados decorrentes de estudos epidemiológicos especiais. Não obstante. necessidade de avaliação da eficácia das medidas de controle de um programa. Complementarmente. mudança no comportamento epidemiológico de determinada doença. recorrer diretamente à população ou aos serviços para obter dados adicionais ou mais representativos. visando melhorar a quantidade e qualidade dos dados coletados mediante o fortalecimento e ampliação da rede. bem como os profissionais de saúde e mesmo a população em geral. Há necessidade de se organizar um sistema integrado de resultados das análises realizadas para diagnóstico das doenças sob vigilância. O sistema de notificação deve estar permanentemente voltado para a sensibilização dos profissionais e das comunidades. A recuperação de séries históricas. Entretanto. Aspectos que devem ser considerados na notificação: • notificar a simples suspeita da doença. muitas vezes. O Sinan. Fontes especiais de dados Estudos epidemiológicos Além das fontes regulares de coleta de dados e informações para analisar. dentre outras variáveis. Seu uso para a vigilância epidemiológica deve ser estimulado.

Entende-se que todas as vezes em que isto ocorra o sistema de vigilância deve ser acionado para que o evento seja investigado e as medidas de prevenção adotadas. pois isto se vincula à apresentação clínica e epidemiológica das doenças e agravos e. O monitoramento de grupos-alvos. em função dos objetivos de intervenção e. é o compromisso de responder aos informantes. determinar as características epidemiológicas da doença. compatível. A expressão “investigação epidemiológica” aqui utilizada tem o sentido restrito de importante diagnóstico da vigilância epidemiológica.CONCURSOS PÚBLICOS CIÊNCIAS Investigação epidemiológica – método de trabalho utilizado para esclarecer a ocorrência de doenças transmissíveis ou de agravos inusitados à saúde. provável ou confirmado. para adequarem-se às etapas e metas de um programa especial de controle. ordens de serviço. os procedimentos para sua realização encontram-se detalhados em roteiro específico no segundo capítulo deste Guia. da capacidade dos serviços locais de saúde – responsáveis pelo atendimento dos casos – diagnosticarem corretamente as doenças e agravos. os profissionais deverão estar tecnicamente capacitados e dispor de recursos complementares para a confirmação da suspeita clínica. não deve alterar as definições de caso. que é a detecção de doença preveinível. identificar as causas do fenômeno e orientar as medidas de controle. como. Definições de caso devem ser modificadas ao longo do tempo. disponíveis nas unidades do sistema. ainda. qualitativa e quantitativamente. incapacidade ou morte inesperada cuja ocorrência serve como sinal de alerta de que a qualidade terapêutica ou prevenção deve ser questionada. a organização de redes constituídas de fontes sentinelas de notificação especializadas. é de grande valor na área de prevenção de doenças ocupacionais. Para intervir em determinados problemas de saúde pode-se lançar mão de sistemas sentinelas de informações capazes de monitorar indicadores-chave na população geral ou em grupos especiais que sirvam de alerta precoce para o sistema de vigilância. Tem especial importância a definição de caso de cada doença ou agravo. Para isso.  Diagnóstico de casos A credibilidade do sistema de notificação depende. para atender realidades estaduais diferenciadas. através de exames periódicos. a adaptação das orientações de nível central. tem-se trabalhado no desenvolvimento da vigilância de espaços geográficos delimitados em centros urbanos. A credibilidade do sistema depende de que os profissionais de saúde e as lideranças comunitárias se sintam participantes e Rod. de forma adequada e oportuna. Existem vários tipos destes sistemas. Outra técnica baseia-se na ocorrência de evento sentinela. por exemplo. ao longo de seu curso. Fundamentalmente. na vigilância epidemiológica costuma ser denominada como “investigação epidemiológica de campo”. Como exemplo.  Normatização A definição de normas técnicas é imprescindível para a uniformização de procedimentos e a comparação de dados e informações produzidos pelo sistema de vigilância. aos instrumentos de controle disponíveis e indicados para cada situação específica. denominado vigilância de áreas sentinelas.  Retroalimentação do sistema Um dos pilares do funcionamento do sistema de vigilância. contribuindo para a eficiência do sistema de vigilância. exigindo conhecimento e competência profissional. Augusto Montenegro. o programa de erradicação da poliomielite adotou. demonstrando a sua contribuição no processo. O mesmo deve ocorrer com as doenças e agravos de notificação estadual exclusiva. As normas técnicas devem estar compatibilizadas em todos os níveis do sistema de vigilância. entre outros itens que exigem padronização. a partir de casos isolados ou relacionados entre si. principalmente. tendo como objetivos: confirmar o diagnóstico. em qualquer de seus níveis. por alterações na epidemiologia da própria doença. visando padronizar os critérios diagnósticos para a entrada e classificação final dos casos no sis tema. O conteúdo da informação fornecida deve corresponder às expectativas criadas nas fontes. A correta e oportuna realização do diagnóstico e tratamento assegura a confiança da população em relação aos serviços. em grande parte. Destina-se a avaliar as implicações da ocorrência para a saúde coletiva. Para diferenciar. A instituição de unidades de saúde sentinelas tem sido muito utilizada no Brasil para a vigilância das doenças infecciosas e parasitárias que demandam internamento hospitalar. Em geral. Essas normas devem primar pela clareza e constar de manuais. podendo variar desde a simples consolidação dos dados até análises epidemiológicas complexas correlacionadas com ações de controle. Cohab-263 Marambaia – Fone:3238-0803 15 .Conj. para atender necessidades de ampliar ou reduzir a sensibilidade ou especificidade do sistema. em relação às normas de âmbito municipal. Por ser uma atividade de fundamental importância para o processo de decisãoação da vigilância epidemiológica. já bastante utilizadas para o acompanhamento e vigilância da situação de câncer. Consiste em um estudo de campo realizado a partir de casos notificados (clinicamente declarados ou suspeitos) e seus contatos. compatíveis ou confirmados (laboratorialmente ou por outro critério). diferente de uma ampla conotação como sinônimo da pesquisa científica em epidemiologia. os casos são classificados como suspeitos.  Sistemas sentinelas Nem sempre o processo de decisão-ação necessita da totalidade de casos (notificação universal) para o desencadeamento das estratégias de intervenção. essa resposta – ou retroalimentação – consiste no retorno regular de informações às fontes produtoras. para possibilitar a realização de análises consistentes. Mais recentemente. Nesse sentido. materiais instrucionais e outros. o que pode variar segundo a situação epidemiológica específica de cada doença. diferentes critérios para definir caso suspeito.

estadual. mortalidade. casos evitados. Avaliação dos sistemas de vigilância epidemiológica O sistema de vigilância epidemiológica mantém-se eficiente quando seu funcionamento é aferido regularmente. da capacidade demonstrada em informar com precisão.   Retroalimentação do sistema Um dos pilares do funcionamento do sistema de vigilância. em relação às normas de âmbito municipal. da capacidade demonstrada em informar com precisão. a situação epidemiológica de determinada doença ou agravo. com relação aos seguintes aspectos. vigilância. retroalimentação do sistema. mortalidade. entre outros itens que exigem padronização. a situação epidemiológica de determinada doença ou agravo. o reconhecimento da função de vigilância decorre. Augusto Montenegro. eficiência e efetividade das ações. destinados a dirigentes com poder de decisão. ainda. entre outros: atualidade da lista de doenças e agravos mantidos no sistema. podendo variar desde a simples consolidação dos dados até análises epidemiológicas complexas correlacionadas com ações de controle. A organização de boletins informativos. assegurando a continuidade e aperfeiçoamento do processo. com vistas a aprimorar a qualidade. demonstrando a sua contribuição no processo. o impacto das ações de controle efetivadas e a indicação de outras medidas necessárias. abrangência dos tipos de dados e das bases informacionais utilizadas. A avaliação do sistema presta-se. que devem ser acompanhadas e avaliadas continuamente. é o compromisso de responder aos informantes. para demonstrar os resultados obtidos com a ação desenvolvolvida. Avaliações periódicas devem ser realizadas em todos os níveis. Avaliação dos sistemas de vigilância epidemiológica O sistema de vigilância epidemiológica mantém-se eficiente quando seu funcionamento é aferido regularmente.Conj. em quantidade e qualidade. Expressa-se a importância de um problema de saúde pública pelos seus indicadores de morbidade. A organização de boletins informativos. Informações como essas devem ser contrapostas às despesas operacionais do sistema. O mesmo deve ocorrer com as doenças e agravos de notificação estadual exclusiva. Essa função deve ser estimulada em cada nível de gestão. estadual. em termos de vidas poupadas. regional. organização da documentação coletada e produzida. em última análise.CONCURSOS PÚBLICOS CIÊNCIAS contribuintes. a retroalimentação do sistema propicia a coleta de subsídios para reformular normas e ações nos seus diversos níveis. A retroalimentação do sistema materializa-se na disseminação periódica de informes epidemiológicos sobre a situação local. as tendências esperadas. ainda. A retroalimentação do sistema materializa-se na disseminação periódica de informes epidemiológicos sobre a situação local. macrorregional ou nacional. a cada momento. a retroalimentação do sistema propicia a coleta de subsídios para reformular normas e ações nos seus diversos níveis. Nesse sentido. para demonstrar os resultados obtidos com a ação desenvolvolvida. que justifiquem os recursos investidos em sua manutenção. essa resposta – ou retroalimentação – consiste no retorno regular de informações às fontes produtoras. valendo-se de meios e canais apropriados. assegurando a continuidade e aperfeiçoamento do processo. em qualquer de seus níveis. pode auxiliar na obtenção de apoio institucional e material para a investigação e controle de eventos sanitários. Nesse sentido. A credibilidade do sistema depende de que os profissionais de saúde e as lideranças comunitárias se sintam participantes e contribuintes. de forma adequada e oportuna. etc. as tendências esperadas. que justifiquem os recursos investidos em sua manutenção. para correções de rumo oportunas. Os resultados do conjunto de ações desenvolvidas no sistema são também medidos pelos benefícios sociais e econômicos decorrentes. em última análise. o reconhecimento da função de vigilância decorre. O conteúdo da informação fornecida deve corresponder às expectativas criadas nas fontes. destinados a dirigentes com poder de decisão. custos assistenciais reduzidos. Essa função deve ser estimulada em cada nível de gestão. para correções de rumo oportunas. Expressa-se a importância de um problema de saúde pública pelos seus indicadores de morbidade. a cada momento. qualitativa e quantitativamente. custos assistenciais reduzidos. A manutenção em funcionamento de um sistema de vigilância envolve variadas e complexas atividades. Os resultados do conjunto de ações desenvolvidas no sistema são também medidos pelos benefícios sociais e econômicos decorrentes. Informações como essas devem ser contrapostas às despesas operacionais do sistema. para possibilitar a realização de análises consistentes. não deve alterar as definições de caso. para atender realidades estaduais diferenciadas. regional. Fundamentalmente. cobertura da rede de notifi cação e participação das fontes que a integram. pertinência das normas e instrumentos utilizados. Cohab-263 Marambaia – Fone:3238-0803 16 . Nesse sentido. eficácia. incapacidade e custos atribuídos. Além de motivar os notificantes. o impacto das ações de controle efetivadas e a indicação de outras medidas necessárias. quanto a  Rod. Além de motivar os notificantes. em termos de vidas poupadas. macrorregional ou nacional. funcionamento do fl uxo de informações. etc. incapacidade e custos atribuídos. casos evitados. informes analíticos produzidos. pode auxiliar na obtenção de apoio institucional e material para a investigação e controle de eventos sanitários. a adaptação das orientações de nível central. investigações realizadas e sua qualidade. valendo-se de meios e canais apropriados. A avaliação do sistema presta-se.

vem possibilitando o desenvolvimento de sistemas de informações mais agéis que contribuem significativamente para tornar mais oportunas as intervenções neste campo da saúde pública. tendo em vista facilitar a operacionalização e reduzir os custos. especificidade. As medidas quantitativas de avaliação de um sistema de vigilância epidemiológica incluem sensibilidade. A oportunidade refere-se à agilidade do fluxo do sistema de informação. As secretarias estaduais estão. incorporação de novos fatores de risco. A rápida evolução das ferramentas computacionais. a aceitação está vinculada à importância do problema e à interação do sistema com os órgãos de saúde e a sociedade em geral (participação das fontes notificantes e retroalimentação). indicando a necessária construção de novas relações entre usuários e trabalhadores e destes entre si. para que Rod. fármacos. Sensibilidade é a capacidade de o sistema detectar casos. implantação de normas atualizadas. A atual política de descentralização do sistema de saúde está proporcionando um salto qualitativo para a reorganização dos sistemas locais de vigilância epidemiológica. que tem como um dos seus pilares de atuação a vigilância epidemiológica de problemas de saúde prioritários. e as qualitativas. A flexibilidade se traduz pela capacidade de adaptação do sistema a novas situações epidemiológicas ou operacionais (inserção de outras doenças. supervisão e monitoramento das ações. atuação em casos emergenciais. A simplicidade deve ser utilizada como princípio orientador dos sistemas de vigilância. Augusto Montenegro.) e aprimoramento das estratégias operacionais de controle. Em geral.CONCURSOS PÚBLICOS CIÊNCIAS iniciativas e instrumentos empregados. cada vez mais. com pequeno custo adicional. condições administrativas de gestão do sistema. interação com as instâncias responsáveis pelas ações de controle. Os profissionais de saúde têm como desafio atual trabalhar para o desenvolvimento da consciência sanitária dos gestores municipais dos sistemas de saúde. etc. interação com a comunidade científica e centros de referência. A „humanização‟ em saúde volta-se para as práticas concretas comprometidas com a produção de saúde e produção de sujeitos (Campos. deixando de desempenhar o papel de executoras para assumir as responsabilidades de coordenação. simplicidade. avanços científicos e tecnológicos de prevenção (imunobiológicos. representatividade e oportunidade. Lista nacional de agravos de notificação compulsória Botulismo Carbúnculo ou “antraz” Cólera Coqueluche Leishmaniose tegumentar americana Leishmaniose visceral Leptospirose Malária Dengue Difteria Doença de Chagas (casos agudos) Doenças meningocócicas e outras meningites Meningite por Haemophilus influenzae Peste Poliomielite Paralisia flácida aguda Esquistossomose (em área não-endêmica) Febre amarela Febre do Nilo Febre maculosa Raiva humana Rubéola Síndrome da rubéola congênita Sarampo Febre tifóide Hanseníase Hantaviroses Hepatites virais Sífilis congênita Síndrome da imunodeficiência adquirida (AIDS) Síndrome respiratória aguda grave Tétano Infecção pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV) em gestantes e crianças expostas ao risco de transmissão vertical Tularemia Tuberculose Varíola  HUMANIZAÇÃO DOS SERVIÇOS No campo das políticas públicas de saúde „humanização‟ diz respeito à transformação dos modelos de atenção e de gestão nos serviços e sistemas de saúde. profissionais ou organizações. especificidade expressa a capacidade de excluir os “não casos”. e custos de operação e manutenção. em cada espaço geográfico.). A representatividade diz respeito à possibilidade de o sistema identificar todos os subgrupos da população onde ocorrem os casos. 2000) de tal 17 . etc. flexibilidade e aceitabilidade.Conj. aliadas à redução dos seus custos.  Perspectivas Uma das características dos sistemas de vigilância epidemiológica é estar permanentemente acompanhando o desenvolvimento científico e tecnológico por meio da articulação com a sociedade científica e formação de comitês técnicos assessores. testes diagnósticos. participarem e utilizarem o sistema. Essa articulação é importante por possibilitar a atualização dinâmica das suas práticas mediante a incorporação de novas metodologias de trabalho. A aceitabilidade se refere à disposição de indivíduos. composição e qualificação da equipe técnica responsável. Cohab-263 Marambaia – Fone:3238-0803 passem a priorizar as ações de saúde pública e trabalhem na perspectiva de desenvolvimento da vigilância da saúde.

Tais iniciativas encontravam um cenário ambíguo em que a humanização era reivindicada pelos usuários e alguns trabalhadores e. Orientada pelos princípios da transversalidade e da indissociabilidade entre atenção e gestão. qualidade e humanização na atenção à saúde com controle social”. Com isto vai-se configurando um “núcleo do conceito de humanização [cuja] idéia [é a] de dignidade e respeito à vida humana. o que não pode se fazer sem o trabalho também constante da produção de outros modos de vida. Por isso. principalmente ao dos usuários. Por „humanização‟ entende-se menos a retomada ou revalorização da imagem idealizada do Homem e mais a incitação a um processo de produção de novos territórios existenciais (Benevides & Passos. entre os diferentes processos de trabalho constituindo outros modos de subjetivação e outros modos de trabalhar. As alianças entre os movimentos de saúde e os demais movimentos sociais. „Humanização‟. Esta crítica permite argüir movimentos de „coisificação‟ dos sujeitos e afirmar a aventura criadora do humano em suas diferenças. o direito à privacidade. Por um lado. a „humanização‟ se expressa a partir de 2003 como Política Nacional de Humanização (PNH) (Brasil/Ministério da Saúde. não havendo uma imagem definitiva e ideal do Homem. 2003). Por outro lado. dos movimentos coletivos que o constituem. enfatizando-se a dimensão ética na relação entre pacientes e profissionais de saúde” (Vaitsman & Andrade.Conj. seja entre os diferentes atores que constituem o processo de trabalho em saúde. assim. Somente com trabalhadores e usuários protagonistas e co-responsáveis é possível efetivar a aposta que o SUS faz na universalidade do acesso. Cohab-263 Marambaia – Fone:3238-0803 18 . na gênese do conceito. desempenham aí papel fundamental na luta pela garantia de maior eqüidade e democracia nas relações. Deste modo. CNS (2000). ao trabalhador. na integralidade do cuidado e na eqüidade das ofertas em saúde. Como o trabalho em saúde possui “natureza eminentemente conversacional” (Teixeira. entretanto. 2004). é preciso aceitar a tarefa sempre inconclusa da reinvenção da humanidade. a alterações que não chegavam efetivamente a colocar em questão os modelos de Rod. assim. abstrata e distante das realidades concretas e é tomado em sua singularidade e complexidade. Augusto Montenegro. seja entre as instâncias de efetuação do Sistema Único de Saúde (SUS). Tais afirmações indicam que na gênese do conceito de „humanização‟ há uma tomada de posição de que o homem para o qual as políticas de saúde são construídas deve ser o homem comum. A XI Conferência Nacional de Saúde. indica potencialização da capacidade humana de ser autônomo em conexão com o plano coletivo que lhe é adjacente. portanto. que tinha como título “Acesso. isto é. a confidencialidade da informação. a „humanização‟ como a valorização dos processos de mudança dos sujeitos na produção de saúde. tal como ele se apresenta no campo das políticas de saúde. estabelecendo com ele regime de trocas e construindo redes que suportem diferenciações. os usuários reivindicam o que é de direito: atenção com acolhimento e de modo resolutivo. valorizando sua inserção como cidadãos de direitos. outros modos de atender. procura interferir nas agendas das políticas públicas de saúde. Como tal. DESENVOLVIMENTO HISTÓRICO Nos anos 90. 2005. secundarizada por gestores e profissionais de saúde. humanitário” (Dicionário Aurélio). O aumento do grau de comunicação em cada grupo e entre os grupos (princípio da transversalidade) e o aumento do grau de democracia institucional por meio de processos co-gestivos da produção de saúde e do grau de co-responsabilidade no cuidado são decisivos para a mudança que se pretende. mais tarde.CONCURSOS PÚBLICOS CIÊNCIAS modo que atender melhor o usuário se dá em sintonia com melhores condições de trabalho e de participação dos diferentes sujeitos implicados no processo de produção de saúde (princípio da indissociabilidade entre atenção e gestão). entendemos que a efetuação da „humanização‟ como política de saúde se faz pela experimentação conectiva/ afectiva entre os diferentes sujeitos. os críticos às propostas humanizantes no campo da saúde denunciavam que as iniciativas em curso se reduziam. o feminismo. Para esta capacidade se exercer é necessário o encontro com um „outro‟. Este voltar-se para as experiências concretas se dá por considerar o humano em sua capacidade criadora e singular inseparável. Cresce o sentido que liga a „humanização‟ ao campo dos direitos humanos referidos. grande parte das vezes. o Programa Nacional de Humanização da Atenção Hospitalar (PNHAH) iniciou ações em hospitais com o intuito de criar comitês de „humanização‟ voltados para a melhoria na qualidade da atenção ao usuário e. o homem concreto. Pensar a saúde como experiência de criação de si e de modos de viver é tomar a vida em seu movimento de produção de normas e não de assujeitamento a elas. Neste sentido. o humano é retirado de uma posição-padrão. Transformar práticas de saúde exige mudanças no processo de construção dos sujeitos dessas práticas. de novas práticas de saúde. novos sujeitos implicados em novas práticas de saúde. por vezes. Há. Define-se. De 2000 a 2002. 2005a). os profissionais lutam por melhores condições de trabalho. o consentimento em face de procedimentos médicos praticados com o usuário e o atendimento respeitoso por parte dos profissionais de saúde ganham força reivindicatória orientando propostas. compromete-se com a construção de uma nova relação seja entre as demais políticas e programas de saúde. p. a fundação de uma concepção de „humanização‟ crítica à tradicional definição do humano como “bondoso. em sua gênese. outros modos de gerir a atenção. como por exemplo. programas e políticas de saúde. 608). falamos da „humanização‟ do SUS (HumanizaSUS) como processo de subjetivação que se efetiva com a alteração dos modelos de atenção e de gestão em saúde.

Cohab-263 Marambaia – Fone:3238-0803 19 . solidárias e comprometidas com a produção de saúde e com a produção de sujeitos. fortalecendo o compromisso com os direitos do cidadão. orientação sexual e às populações específicas (índios. Programa de Acreditação Hospitalar (2001). assentados etc). Destacamos a instauração do procedimento de Carta ao Usuário (1999). 2005a). destacando-se o respeito às questões de gênero. fomentando a transversalidade e a grupalidade. por um lado. apontando diretrizes e dispositivos clínico-políticos concretos e comprometidos com um SUS que dá certo. o conceito de „humanização‟ se amplia. por outro.CONCURSOS PÚBLICOS CIÊNCIAS atenção e de gestão instituídos (Benevides & Passos. etnia. 3) Apoio à construção de redes cooperativas. EMPREGO NA ATUALIDADE A „humanização‟ enquanto política pública de saúde vem-se afirmando na atualidade como criação de espaços/tempos que alterem as formas de produzir saúde. raça. Assim. 5) Coresponsabilidade desses sujeitos nos processos de gestão e de atenção. incorporando concepções que procuram garantir os direitos dos usuários e trabalhadores e. Programa de Humanização no Pré-Natal e Nascimento (2000). Programa Nacional de Avaliação dos Serviços Hospitalares (PNASH –1999). 6) Fortalecimento do controle social com caráter participativo em todas as instâncias gestoras do SUS. estimulando processos de educação permanente. Rod. Norma de Atenção Humanizada de Recém-Nascido de Baixo Peso – Método Canguru (2000). 2004): 1) Valorização das dimensões subjetiva e social em todas as práticas de atenção e gestão no SUS. 2005a). ribeirinhos. Augusto Montenegro. quilombolas. Entre os anos 1999 e 2002. Este movimento se faz com sujeitos que possam exercer sua autonomia de modo acolhedor. podemos acompanhar a relação que vai-se estabelecendo entre humanização qualidade na atenção-satisfação do usuário (Benevides & Passos. resolutivo e de gestão compartilhada dos processos de trabalho. Ainda que a palavra „humanização‟ não apareça em todos os programas e ações e que haja diferentes intenções e focos entre eles. 7) Compromisso com a democratização das relações de trabalho e valorização dos profissionais de saúde. algumas outras ações e programas foram propostos pelo Ministério da Saúde voltados para o que também foi-se definindo como campo da „humanização‟. coresponsável. 2) Fortalecimento de trabalho em equipe multiprofissional. ao ser proposto como política pública. 4) Construção de autonomia e protagonismo de sujeitos e coletivos implicados na rede do SUS. Com estas direções foram definidos norteadores para a Política Nacional de Humanização (Brasil. dentre outros. Com a desestabilização do caráter unitário e totalitário de „homem‟ e com a valorização da dimensão concreta das práticas de saúde. além do PNHAH. tomando como princípios o aumento do grau de comunicação entre sujeitos e equipes (transversalidade). assim como a inseparabilidade entre a atenção e a gestão. o conceito de „humanização‟ ganha capacidade de transformação dos modelos de gestão e atenção. Programa de Modernização Gerencial dos Grandes Estabelecimentos de Saúde (1999). Programa Centros Colaboradores para a Qualidade e Assistência Hospitalar (2000).Conj.