Pressupostos .

processuais e Nulidades no processo civil

José Maria Tesheiner
Livre-Docente pela Faculdade de Direito da UFRGS. Desembargador aposentado. Professor Orientador no Curso de Mestrado da WC-RS.

Pressupostos processuais e Nulidades no processo civil
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Saraiva

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Clmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)
Tesheiner, José Maria Rosa, 1934Pressupostos processuais e nulidades no processo civil 1 José Maria Rosa Tesheiner. - São Paulo : Saraiva, 2000.
Bibliografia.
1. Nulidades (Direito) 2. Nulidades (Direito) - Brasil 3. Pressupostos processuais 4. Pressupostos processuais - Brasil 5. Processo civil 6. Processo civil - Brasil I. Título.

índice para catálogo sistemático:
1. Pressupostos processuais e nulidades : Processo civil 347.92:347.933

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Meus agradecimentos a André Luís de Aguiar Tesheiner, que revisou os originais, apontando erros de português, obscuridades e contradições, e a Luiz Felipe Azevedo Gomes, que os reviu de meritis, dando sugestões que geralmente acolhi. Livrou-me, assim, de alguns equívocos. São de minha responsabilidade os que restaram.

.................................................................................. Introdução ..............................................................................
Prefácio

XIII
1

I
OS PLANOS DA EXIST~~NCIA. VALIDADE E EFICÁCIA
1. Inexistência ......................................................................... 1.1. Inexistência material e inexistência jurídica ............... 1.2. Regime jurídico do ato inexistente .............................. 2. Nulidade

7 8 9
11 16 19

............................................................................. 3. Ineficácia ............................................................................

4. Sentença inexistente. nula e ineficaz; rescindível e anulável 4.1. Terminologia ...............................................................

20

PRINC~PIOS.PRESSUPOSTOS E NULIDADES PROCESSUAIS 1. Pressupostos processuais .................................................... 1.1. A formação do processo e os pressupostos processuais 1.1.1. A demanda ......................................................... 1.1.2. O autor ............................................................... 1.1.3. O réu .................................................................. 1.I .4. O juiz ................................................................. 1.1.5. Os pressupostos processuais relativos ao juiz ... a) Jurisdição ....................................................... b) Competência .................................................. c) Imparcialidade ............................................... 1.1.6. Os pressupostos processuais relativos às partes a) Personalidade judiciária ................................

28 32 32 36 40 47 48 48 51 56 58 58

VII

b) Capacidade processual .................................. . Ação do absolutamente incapaz ............... . Ação do relativamente incapaz ................. . Ação contra o absolutamente incapaz ...... . Ação contra o relativamente incapaz ........ . Pessoas casadas ........................................ c) Capacidade postulatória ................................ 1.l.7. Os pressupostos processuais objetivos .............. a) Pedido ............................................................ b) Pedido imediato ............................................ c) Pedido mediato .............................................. d) Falta de pedido .............................................. e) Sentença e pedido .......................................... f) Causa de pedir ............................................... g) Nexo lógico entre o pedido e a causa de pedu . h) Compatibilidade dos pedidos, havendo mais de um ............................................................. 1.1.8. Os pressupostos formais .................................... 1.1.9. O cancelamentoda distribuiçãopor falta de preparo 1.1.10. Emenda e indeferimento da inicial .................. 2. O desenvolvimento do processo e as nulidades .................. 2.1. A doutrina de Galeno Lacerda ..................................... 2.2. A doutrina de Antônio Janyr D a l l 'Agnol .................... 2.3. A doutrina de Aroldo Plínio Gonçalves....................... 2.4. A doutrina de Teresa Warnbier .................................... 2.4.1. Exame do Código .............................................. 2.4.2. Síntese do pensamento de Teresa Warnbier ....... 2.5. Primeiras conclusões ................................................... 2.5.1. A escala da inexistência às meras irregularidades . 2.5.2. Nulidades de fundo e de forma .......................... 2.5.3. Nulidades não cominadas e decretação de ofício .. 2.5.4. Nulidades cominadas e prejuízo ........................ 2.5.5. Sentido da distinção entre nulidades cominadas e não cominadas ................................................ 2.5.6. Sanação do vício e sanação da nulidade ............ 2.5.7. Interrogando a jurisprudência ............................

.. 2..........9.1..... Intimações .... 2....... 2.. 2.......10........ 2... 2... O Ministério Público como autor ..8......8...8.........1................. 2.................9......2. Intimação para a sessão de julgamento ... ... 2...............8........... 2.. A citação ...6.............8......14....8.2..11...2..............................15.... Intimação -Efetiva atuação -Parecer .............. Intimação -Juntada de documento aos autos ...................... Citação com hora certa .4........... Fundamento da intervenção do Ministério Público 2...........2...........6. O Ministério Público como fiscal da lei no processo civil ......8.. Interesse público e qualidade da parte ...... 2.... Citação por oficial de justiça ....8.......... 2... O Ministério Público como fiscal da lei ...... 2...10..............9.... Atos e fatos das partes ..8.....9.. 2.... Conceito de parte .................... Os impedimentos e as exceções processuais ............................. 2.......... Morte de uma das partes ......................8.. Principais conclusões .................1..................... Naíureza da nulidade por falta de intervenção do fiscal da lei .2.......... Nulidade e prejuízo ........5..............6...................9..... 2...................8.. Defesa por curador especial ............ 2.6.. Justifica-se a participação de um fiscal da lei? ................6.... 2...........7...3..........8.7............ 2..4......1.6... 2......3. 2.....13..8.......................................6......3..... 2..... Intimação -Publicação com inconeções .5 ..... 2..10. Citação por edita1. 2.......... Momento a partir do qual se torna exigível a intervenção .6..Banco e empresa controlada -Desconsiderqão da personalidade jm'dica ..... 2............12.... 2.......... 2........................................................9.. Citação de pessoa física pelo correio ... Natureza da intervenção ......... 2. Necessidade de manifestação positiva do Ministério Público para a decretação da nulidade ...10......4...................8........8....... Generalidades sobre o Ministério Público .... 2.................................... 2..... Decisão sobre a existência de interesse público .6.............Citação de pessoa jm'dica pelo correio .........8.......................8...... Intimação da sentença -Preclusão ............ 2.....

...4.. Deferida. Constitui mera irregularidade estar o advogado inscrito em outra sqão .12..12.........12....... 2......10..13........... por não atendido o despacho determinando a especificação das provas ................................ Perito sem habilitação legal ..... 2..10........... em grau de recurso.9........ Nulidade da liminar concedida sem fundarnentação. Nulidade por iliquidez da sentença............ 2...................4..3...... Atos do juiz -Fundamentação das decisões .11...... 2..12.... Morte do procurador da parte ........12.... Falta de designação de dia e hora para a oblação.....3....... É sanável......... Identidade física do juiz ...................... Nulidade da decisão que desconsidera preclusão relativa à denunciação da lide .... nulos os atos praticados no IQgrau. posteriores ao indeferimento ... Nulidade da sentença que não julga todos os fundamentos de embargos à execução ..... 2..12... 2. 2................ em ação de consignação em pagamento -Preclusão ....... .. a denunciação da lide.12....10. 2.10... 2........5.12. Cerceamento de defesa não configurado.2.... 2.8......................5................ 2..... 2............. alegável somente pelo autor ....12........................... em mandado de segurança . Nulidade do julgamento antecipado da lide em processo com perícia . .....11........ Nulidade do julgamento por violação do princípio da publicidade ....... 2......................................2.12....... 2.... 2......6.....12............. a nulidade de recurso.. na instância ordinária.... 2....10....1.............7..12............ 2........12...... Preclusão da nulidade decorrente do indeferimento de perguntas ............... Morte e ação intransmissível ...12.........12. por falta de procuração ...6...... Falta de prévia declaração quanto à inversão do ônus da prova (Código do Consumidor) Nulidade não configurada ................. 2............. Não configura nulidade a errada indicação do nome da parte na sentença ................

.. Arrematação por preço vil ...12..... 2......... Conclusões finais .........................14.. 2.............................7..... pronuncia a prescrição...................13........ Execução ..12..... 2..... 2............ ................................. 2........12..............................................1.................13.... Avaliação ......... EFEITOS DO TRÂNSITO EM JULGADO SOBRE OS VÍCIOS PROCESSUAIS Referências bibliográficas......................................................... 2... extinguindo a execução ..1.........10.........6... Vícios transrescisórios ............. 2.......... sem forma nem figura de juízo............. Vícios preclusivos...............13.....13............. 1....... Falta de assinaturas no auto de arrematação ...13..... Obrigação de fazer ....... 2.................. 1.................2....5............. Vícios rescisórios .14. 2................................... 2....... Penhora .. Concurso especial de credores ....13.....2...... Sentença que......................9....... rescisórios e transrescisórios ........3.... 2......................................1 3..13.. 2. Sentença ultra petita ...... Meras irregularidades e vícios preclusivos ............13... Leilão em vez de praça .......... Título executivo inexistente ou deficiente .....4.. Excesso de execução...1 1...............8.....13......13...............3............... 2. 2............... 2....................2................................ Nulidade da sentença omissa quanto a fundamento da defesa ..13........ 1....... 1.. Falta de intimação do devedor para a praça ................15.............13.. Falta de intimação para a praça de herdeiros do devedor falecido ..

Ao transpor sua experiência de magistrado para o plano teórico. como se tudo já soubesse a respeito do tema em debate. pronto a revisar suas próprias convicções. ao lado do processualista consagrado. que é o de propiciar a prolação de decisões de mérito justas. por mais brilhantes na concepção e por mais respeitáveis que fossem seus seguidores. Também. Se não correspondessem à finalidade social do processo. Nesse convívio de uma década. em seus votos lapidares. mormente na última.No exercício da judicatura. a fim de evitar que suas normas viessem a sobrepor-se àquelas de direito material. ou. nem vaidades. Nada lhe repugnava mais do que o fácil acolhimento de preliminares. foi-me dado conhecer. transparecia seu desapego pelas teses jurídicas. o juiz dotado de profundo senso de Justiça. em órgãos colegiados do Tribunal de Alçada e do Tribunal de Justiça do Sul. . Era um juiz sem preconceitos. a fim de não deixar as partes sem solução para a lide. participei de incontáveis julgarnentos na companhia de José Maria Rosa Tesheiner. outro não poderia ter sido o resultado de seu labor intelectual do que o apresentado em suas obras. que procurava constantemente preservar o caráter instrumental do processo. não as adotava. não hesitava em desconsiderá-las. se já o tivesse feito. o que o levava a buscar o melhor meio de superá-las. atento aos argumentos trazidos pelas partes. sem jamais deixar de ouvi-las. voltada para a superação de todas as doutrinas que possam empecer a atividade dos juízes e dos tribunais. desviando o processo de seu escopo. intitulada Pressupostosprocessuais e nulidade no processo civil. em que pese o rigor lógico das deduções.

cujos vários lustros de atuação na advocacia. de lege ferenda. rescisórios e transrescisórios. aliando-se à crítica doutrinária a crítica da jurisprudência. nem arrefeceram seu espírito crítico ou obliterararn sua mente rica em criatividade. seja qual for a posição que assumirem frente às conclusões do renomado mestre que escreveu este livro e generosamente o entrega ao público leitor. em preclusivos. cumpre registrar que este livro de José Maria Tesheiner é obra de jurista maduro. o autor chega a oferecer a redação que teriam. não se destina apenas àqueles que se dedicam ao direito no plano teorético. membros do Ministério Público e a todos os demais profissionais do foro. pelo autor. mesmo na abordagem de intrincados problemas. Prática e teoria não se apresentam dissociadas. na cátedra e na judicatura não o desviaram do ideal que sempre norteou sua atuação profissional. Tornar-se-á ponto de referência obrigatório a todos que continuarem a meditar sobre a utilidade do processo.O trabalho que tenho a honra de apresentar. além de revestido de originalidade e do maior rigor científico. Pressupostos processuais e nulidade no processo civil irá marcar época no estudo dos temas que aborda. Será utilíssimo também para juízes. Tanto é assim que para demonstrar o acerto ou a erronia das teses e dos arestos. mormente no estudo dos vícios que contaminam o processo. Para finalizar. graças à clareza da exposição. bem como sua relação com o direito legislado. advogados. classificados. e ainda para professores e estudantes. segundo cada opinião estudada. os textos dos dispositivos do Código de Processo Civil. Luiz Felipe Azevedo Gomes .

se não removidos ou sanados.Que relação existe entre pressupostos processuais e nulidades? Se os pressupostos processuais fossem todos necessários para a existência do processo. os requisitos para a constituição do processo e. Teresa Arruda Alvim Wambier observou que o Código de Processo Civil. são defeitos que alcançam o processo como um todo. Diz: "Os defeitos pertinentes à relação processual e não particularmente a determinado ato do procedimento. de um lado. as nulidades decorrem de outros vícios processuais. restritas a atos processuais. o que a levou a distinguir as nulidades de fundo. IV. 41 5. do dever de apreciar a lide posta para o seu conhecimento"'. Segundo José Joaquim Calmon de Passos. p. vinculadas às condições da ação e aos pressupostos processuais de existência e validade. portanto. Não se cuida. 243 e S. de nulidade. em boa técnica. e do juiz. 159. extingue-se o processo quando se verificar a falta de pressupostos de 1 . p. Nos termos do art. Comentários ao Código de Processo Civil. das nulidades de forma2. 111. do Código de Processo Civil. ao tratar das nulidades. relacionados com os pressupostos de constituição e desenvolvimentodo processo. e sim de ineficácia derivada de outra causa e sancionada por outra forma: a extinção do processo com a liberação do réu da sujeição judicial. preocupou-se sobretudo com os defeitos de forma (arts. as nulidades. 2. de outro. .). os dois temas estariam perfeitamente divididos: teríamos. v. a falta de pressuposto processual determina a extinção do processo. defeitos. Nulidades do processo e da sentença. 267.

o processo é nulo desde o primeiro ato. art. um paradoxo: a inexistência do processo seria declarada por sentença que. ab initio. a incompetência absoluta do juiz (falta do pressuposto da competência) determina a nulidade apenas dos atos decisórios (CPC. os pressupostos processuais e os atos processuais e. A doutrina costuma denominar "meras irregularidades" certos vícios menores. mas defeituoso: . praticados no tempo. exigiria declaraçáo da inexistência do processo. portanto. está o juiz. não desconstitutivo. do outro. pode ou não determinar a extinção do processo. está. a partir de outro ato. intercalar. os vícios processuais. ao extingui-lo por motivo de invalidade. 5 2Q).. ou seja.constituição e de desenvolvimento válido e regular do processo. ato declaratório. é ato que extingue o processo . O processo constitui-se e desenvolve-se através de atos processuais. . uns em sequência aos outros. mesmo relativo a pressuposto processual. juridicamente o processo não existe. o processo não se extingue. . o juiz extingue o processo. o processo existe. IV. A série desses atos. Assim. Nulo. diríamos que temos. Ora. Seja como for. há um liame entre os pressupostos processuais e as nulidades. na realidade. outras vezes. 113. Nesse sentido. 267. é dos vícios processuais que vamos tratar. O enunciado desse dispositivo é claro. de um lado. Mas teríamos..Se falta pressuposto de regularidade.Se falta pressuposto de constituição. Às vezes. porque a nulidade deve ser pronunciada e.Se falta pressuposto de validade. A hipótese. mas é nulo. somente se extingue o que existe. Fazendo-se distinção entre direito e avesso. então. que não implicam nulidade. num sentido diverso do direito civil. não existem pressupostos de regularidade do processo. decorrente da circunstância de que ambos supõem a idéia de vícios processuais. a declarar a inexistência jurídica do processo. porque eles não determinam a extinção do processo. . pronunciando-a. a decretar sua nulidade. por definição. Em última análise. do CPC. constitui o procedimento. porém. O vício processual. contrariamente ao afirmado no art. na verdade. Ao extinguir o processo por falta de pressuposto processual de existência.

Expressão desse princípio se encontra na incompetência absoluta do juiz. especialmente no que diz respeito às nulidades. "Há nulidades que atingem simples atos do processo. 30140. com que se buscam os fins do processo.As nulidades no Código de Processo Civil. Embora o Código afirme categoricamente que a falta de pressuposto processual determina a extinção do processo. O tema dos pressupostos processuais e das nulidades é dominado. é como se o processo jamais tivera existido. não por acaso expresso na obra Despacho saneador.Se o processo é nulo desde seu início. extinguese o processo. Revista de Processo. no segundo. sanável. 3. Entre os princípios comuns avulta o da sanação. pronunciada a nulidade. mediante remessa ao juiz competente. no Brasil. quer apenas parte dele. acabamos sendo obrigados a rejeitar algumas de suas idéias fundamentais. pelo pensamento de Galeno Lacerda. Os pontos de divergência e de convergência com os autores que trataram do tema são apontados nos momentos devidos. Entretanto. a despeito de seus vícios."Humberto Theodoro Júnior.No primeiro caso. Para isso muito contribuiu o exame da jurisprudência. o decreto de extinção equivale em tudo à decretação de sua nulidade. Embora não o desejássemos. Há certamente diferença entre nulidade do processo e nulidade de ato processual3. quer contaminem todo o processo. O juiz deve sempre tentar sanar o vício. que não determina a extinção do processo. o processo continua. . repetindo-se ou retificando-se os atos necessários. há um regime jurídico que é comum aos vícios processuais. mas sua sanação. É que o regime dos pressupostos processuais e das nulidades é todo ele informado pelo princípio da sanabilidade. enquanto outras inutilizam toda a relação processual. Depois da decretação. não for sanado. mesmo a que declaradamente acolheu sua doutrina. ele próprio deixa claro que isso ocorre tão-só quando não for possível suprir-se a falta. não sanado o vício. somente decretando a extinção do processo se ele for insanável ou.

Procuramos realizar obra útil à prática judiciária. . Pensamos haver alcançado os melhores resultados ao apontar os casos em que as nulidades se sujeitam à preclusão e ao determinar o regime jurídico das nulidades por falta de intervenção do Ministério Público. sem prejuízo de sua fundamentação te6rica.

dos quais decorrem efeitos jurídicos (preceito). Formado o suporte fático de um contrato.) que o suporte fático se concretiza. O contrato existe a despeito de não existirem os seus figurantes'". dando ensejo ao surgimento do fato jurídico. Diferentemente. 52. 4. Permanece. e se extingue. portanto. O suporte fático é dito hipotético (ou abstrato). porém. p.. Como diz Marcos Bemardes de Mello: "é preciso considerar (. Fala-se de suporte fático concreto quando a hipótese ocorre no mundo fático. o fato jurídico. que faz dele. VALIDADE E EFICACLA A norma jurídica contém a previsão de fatos (suporte fático). surgindo então o fato jurídico.OS PLANOS DA EXISTÊNCIA. extinguindose assim que concretizado. por isso mesmo. enquanto visualizado meramente como parte integrante da norma abstrata. A incidência da norma dá-se sobre fatos que ocorrem em um tempo e espaço determinados. o fato jm'dico permanece no mundo jurídico. mesmo que aquelas que as manifestaram morram. É a "hipótese de incidência" a que se liga o preceito. Como o tempo não pára de fluir. Há. independentemente da permanência dos elementos de seu suporte fático. . uma determinação espaçotemporal do suporte fático. sofre a incidência da norma jurídica. as vontades negociais manifestadas que o compuseram permanecem vivas. o suporte fático sofre a incidência da norma jurídica. Teoria do fato jurídico.. podese afirmar que o suporte fático concreto é transeunte. transeunte. Ao se concretizar.

porém não há ilicitude em sentido próprio" (p. 109). que outra norma o prive de eficácia. permanência e intensidade no mundo jurídico" (p. mas de imputabilidade. contrário a direito que seja imputável a alguém com capacidade delitual (p. na composição do seu suporte fático. cit. Note-se que. quanto ao seu surgimento. o poder de escolha de categoria jurídica e de estruturaçãodo conteúdo eficacial das relações jurídicas respectivas. conduta ou evento. 140). e são eficazes (ou ineficazes). de ato jurídico (negócio jurídico e ato jurídico stricto sensu6). pois. em cujo cerne se encontra a vontade de 5 . Um fato é jurídico porque produz efeitos jurídicos. o ato-fato jurídico e o fato ilícito lato sensu5 transitam diretamente do plano da existência para o plano da eficácia. 201). a avulsão (p. aí. Não se trata de culpa. a morte.Desde Pontes de Miranda vê-se o mundo jurídico distribuído por três planos: o da existência. O sistema imputa ao seu responsável o dever de ressarcir o dano causado. mas não importa para a norma se houve ou não vontade em praticá-lo (p. de um fato apenas ocorrido no mundo fático. isto é. . Pode ocorrer. Fato ilícito lato sensu é todo fato. o reconhecimento da filiação não resultante do casamento. independentes de ato humano como dado essencial. o existir já é existir no mundo jurídico. Marcos Bernardes de Mello (Teoria.) explica: Negócio jurídico "é o fato jurídico cujo elemento nuclear do suporte fático consiste em manifestação ou declaração consciente de vontade. 165). E o caso do pagamento. 199). No ato-fato jurídico. existem (juridicamente) ou não existem. porém. em relação à qual o sistema jurídico faculta às pessoas. Ato jurídico stricto sensu "é o fatojurídico que tem por elemento nuclear do suporte fático manifestação ou declaração unilateral de vontade cujos efeitos jurídicos são prefixados pelas normas jurídicas e invariáveis. mas de um fato que. 112). o implemento de idade. sofrendo a incidência de norma jurídica. entrou no mundo jurídico. Marcos Bernardes de Mello (Teoria. o ato humano é da substância do fato jurídic9. assim como o nascimento. cit. 6. Exemplos: a interpelação para constituir o devedor em mora. Não se trata. porém. Exemplo: o contrato. entram apenas fatos da natureza. não cabendo às pessoas qualquer poder de escolha da categoria jurídica ou de estmturação do conteúdo das relações jurídicas respectivas" (p. O fato jurídico stricto sensu. Em se tratando.) explica: Denomina-se fato jurídico stricto sensu todo fato jurídico em que. "O exemplo do ato contrário a direito praticado pelo absolutamente incapaz é típico. a notificação para interromper a prescrição. o da validade e o da eficácia. dentro de limites predeterminados e de amplitude vária.

146 do Código Napoleão. é possível encontrar situações em que o ato jurídico (negócio jurídico e ato j~~]. feito com observância das formalidades legais. É lícito. (c) existe. Partindo do art. realizado perante autoridade competente). sem impedimentos dirimentes. por pessoas absolutamente incapazes)"'. entre os dois planos . pessoalmente. concluiu o civilista germânico que. ademais. inextensíveis por analogia ou mesmo por força de compreensão. . nem mesmo provisoriamente. é válido e é ineficaz (testamento de pessoa capaz. 79. (b) existe. de direito e de fato. antes da decretação da anulabilidade). sem necessidade de ação específica. 7. no caso. inexistia nulidade sem previsão legal. desconhecer. o que se deve afirmar é a inexistência e não a nulidade do casamento. mesmo a terceiros. é inválido e é eficaz (casamento putativo.da existência e da .praticá-lo.'dico stricto sensu) (a) existe. cit. não previstas expressamente). A teoria prosperou. negócio jurídico anulável. o vínculo meramente aparente. (d) existe. Ao passo que a nulidade do casamento exige ação para ser pronunciada. introduz-se.. não admitia nulidades virtuais (isto é. é válido e eficaz (casamento de homem e mulher capazes. p. quando falte o consentimento. o da validade.Teoria. dizendo que este somente se invalidava nos casos e nas condições definidas em lei. de ofício e a qualquer tempo. em matéria matrimonial. a propósito do matrimônio. o casamento inexistente não produz efeitos. sobretudo porque a doutrina. Caio Mário da Silva Pereira informa que a teoria do ato inexistente nasceu de um raciocínio de Zacchariae. Com ela se resolviam problemas doutro modo insolúveis. no entanto. Como diz Marcos Bernardes de Mello: eficácia "Na análise das vicissitudes por que podem passar os fatos jurídicos. em matéria de casamento. em face do princípio de que. Em suma. a inexistência pode ser declarada pelo juiz. antes da ocorrência da morte do testador). é inválido e é ineficaz (doação feita. que proclama não haver matrimônio sem consentimento.

Caio Mário da Silva Pereira. portanto. Cf. assim. para distingui-lo do ato nulo. As sentenças. . Assim. por exemplo. porque. p. São as sentenças ditas inexistentes. e no art. 3. Obrigam não apenas as partes. 74 1. no art. no primeiro caso. já estamos no plano jw'dico. 93-102. mas o matrimônio somente se anula por ação própria. ao passo que. sem embargo de quaisquer "nulidades" que possam conter. de ofício. produzem efeitos. mas quaisquer autoridades.1. ed. ao se referir à falta ou nulidade da citação. 37. se e enquanto não desconstituídas. não se realizou nenhum elemento da hipótese de incidência. 1. A idéia do ato juridicamente inexistente estendeu-se a outros campos do direito. a necessidade de um termo para designar as que são ainda menos sentenças do que as nulas. Znexistência material e inexistênciajurúlica Há quem distinga a inexistência material da inexistênciajw'dica. sem necessidade de ação ou exceção. levando ao abandono do aforismo romano quod nullum est nullum pvoducit efectum (o que é nulo não produz efeitos). parágrafo único. ao dizer que serão havidos por inexistentes os atos não ratificados pelo mandante. Sua inexistência pode ser declarada a qualquer tempo. incidentemente. a nulidade dos atosj~~~'dicos em geral pode ser pronunciada pelo juiz.Observe-se que não se aplicam ao casamento as regras gerais do Código Civil sobre nulidades. Instituições de direito civil. Sentiuse. a distinção não tem razão de ser. apenas atende à circunstânciade que. que pode produzir efeitos enquanto não desconstituído. em que se nomeia curador para defendê-lo.s e que carecem de imperatividade. assim em relação aos filhos como aos próprios cônjuges8. de ofício. quando se fala de ato jw'dico existente ou inexistente. praticados por advogado sem procuração. mas o casamento nulo os gera. O conceito de inexistência é encontrado no Código de Processo Civil. o ato nulo não produz efeitos. então. até mesmo para os particulares. A rigor. a ponto de poder a f i a r . A distinção. - 8.

p. 1 1 . Regime juriüico do ato inexistente A respeito do regime jurídico do ato inexistente. prevendo-os no art.. Nulidades no processo. 70. no caso. não chega a adquirir signincadojm'dico. como o de evitar a decadência ou a prescrição e de responder à urgência. expressamente. Fazendo. de atos que foram efetivamente realizados. observaAroldo Piínio Gonçalves: 9. . Nulidades. ou de sua situação no proces~o"'~. Trata-se. 71. 1. só adquirem sentido definitivo no procedimento pelo é anteinstrumento que autoriza sua prática. "A violação da norma. Nulidades..'dica cipada mas precária e exige confirmação po~terior"~. Sua existência j~~]. Os atos praticados sem o instrumento do mandato e não ratificados no prazo legal serão tidos como inexistentes. distinção entre as duas espécies de inexistência. Diz Aroldo Plínio Gonçalves: "A inexistência do ato pode ser concebida no plano fático e no plano jurídico. embora possam produzir efeitos. cit. algum elementoocorreu no mundo fático. ainda. mas insuficiente para que se possa haver por concretizado o suporte fático abstrato.2. 71. pode ter como consequência o nãoreconhecimento de qualquer efeito jurídico ao ato que. cit. A lei processual cuidou. p. parágrafo único. diz o mesmo autor: "O ato pode ser inexistente pela ausência de sua própria constituição material ou por defeito essencial de sua formação. 10. A conseqüência jurídica da irregularidade do ato pode consistir na recusa pela lei em reconhecer a própria existência do ato no plano do direito"". 37. existindo no plano fático. pela prática da conduta proibida ou pela omissão da conduta exigida.no segundo. p. dos atos inexistentes. e que. mas sob condição. ou àqueles que se constituíram sem requisito essencial previsto na norma processual. referindo-se a atos que não se materializaram e assim inexistiram no plano dos fatos.

. Mesmo uma sentença pode ser juridicamente inexistente. por exemplo. entretanto. porque a lei não lhe confere qualquer efeito. Se um ato produz efeitosjurídicos. Neste plano. não configura fato jurídico e. como o ato passível de nulidade. não chega a ser decretada. cit. 80. pelo comparecimento do réu"'*.. lícitos ou ilícitos. Tudo. mesmo completante do núcleo. 13. entretanto. Não acolhemos.. porque se é juridicamente inexistente não pode produzir efeitos no Direito. apenas. porém. O casamento realizado perante quem não tenha autoridade para casar. dando ensejo à incidência. no suporte fático. com razão d i a Teresa Arruda Alvim Wambier. Teoria. não pesa autoridade de coisa julgada". se há falta. por falta de requisito essencial. Um caso que não suscita dúvidas maiores é o da "sentença" proferida por quem não é juiz. não existe"I3. "Sobre sentenças inexistentes. p. que a leva a asseverar que a sentença inexistente produz ou pode produ- 12. p. A inexistência é assim explicada por Marcos Bemardes de Mello: "Ao sofrer a incidência de norma jurídica juridicizante. entram todos os fatos jurídicos. esta não passa em julgado. de elemento nuclear. donde não haver fato jm'dico. cit. a parte relevante do suporte fático é transportada para o mundo jurídico. importa. seu conceito de inexistência. Nulidades. 76. necessariamente há de existir no plano jurídico. a realidade da existência. fica circunscrito a se saber se o suporte fático suficiente se compôs. que é o plano do ser. O ato inexistente. No plano da existência não se cogita de invalidade ou eficácia do fato jurídico. Naturalmente. Se a inexistência atinge a própria sentença. ingressando no plano da existência. como a falta de citação. aqui. pode ser suprido. que. um delegado de polícia."O ato inexistente não poderá ter seus efeitos suprimidos p r que nunca os possuiu e não pode ser considerado válido. simplesmente. o fato não tem entrada no plano da existência.

tenha efeito ex tunc"14. a doutrina as separa em duas grandes classes: a das sanções que se destinam a provocar o cumprimento da norma. e visam a restabelecer. mas em desconstituir o ato e seus efeitos. como a vida. na medida do 14. NULIDADE Observa Antônio Janyr Dall' Agnol Júnior: "A invalidade não se identifica com o vício. "As sanções atuam como garantia da eficácia dos preceitos normativos e podem consistir na privação de um bem.zir efeitos. diz. a nulidade não existe antes de sua pronunciação pelo juiz. E esse consiste não apenas em reconhecer (= declarar) a existência de vício invalidante. o patrimônio. p. 15. "Trata-se". Invalidades processuais. e a lei inconstitucional. no caso de controle concentrado. Nulidades. Admitem elas diversas classificações. Teresa Arruda Alvim Wambier. ao distinguir o vício. que consistem em um evento desfavorável a ser aplicado ao autor da violação. mas constitui-se com ela. mas. enquanto não desconstituídas. a sentença que produz efeitos. .. não há atos inválidos senão os assim qualificados por decisãojudicial passada em julgado. da nulidade. Realmente. quando toma como referencial o critério da finalidade. De um ponto de vista jm'dico. que é a eventual sanção imponível. ou atingir o próprio ato praticado contra lei ou com omissão da forma ou das condições por ela estabelecidas. existem. A nulidade não é a pronunciação do juiz. embora esta afirmação. A mesma observação é feita por Aroldo Plínio Gonçalves. "de fenômeno razoavelmente análogo ou da lei inconstitucional -ela não o é até que o órgão competente o afirme. por múltiplos pontos de referência. para lhes negar efeitos jurídicos. 43. mas é o 'estado' conseqüente à decretaçãojudicial. p.Ora. nasce com ela"'5. e a das sanções que tendem a reparar ou neutralizar os efeitos de uma conduta ou de um ato contrário ao direito ou irregular perante ele. 232. cit. que é a imperfeição do ato. 2. e existem no mundo jurídico. a liberdade.

e não força motriz para seu automático desencadeamento.. "Ato nulo somente existe depois que a nulidade. Aroldo Plínio Gonçalves. não nos encontramos ante uma afirmação ontológica. Como consequência jurídica que é. diz o autor.. é pronunciada. p. cit. A linguagem do legislador contribui para esse equívoco. Aroldo Plínio Gonçalves.. 17. mas nunca sanável ou insanável. p. e jamais antes da declaração judicial"19. .possível. Aroldo Plínio Gonçalves. Aroldo Plínio Gonçalves. 327). Nulidade. 19. art. pronunciável ou não pronunciável. como conseqüência jurídica. e a sanção subordina-se às condições legais de sua aplicação. Nulidades. enfim. cit. aplicando. 19. Nulidades. a imperfeição. p. mas ante um comando normativo. a situação anterior à violação. 17. Nulidades. como conseqüência n~rmativa"~~. ao se referir. o ato só se toma nulo depois que a decisão judicial declara sua nulidade. a determinar que se decrete a nulidade do ato. p. Assim. a nulidades sanáveis (CPC. o defeito. cit. Assim. 13. como consequência jurídica. Mas a irregularidade pode ser apenas motivo que autoriza a imposição da sanção. pois. 12. 18.. será aplicável ou inaplicável. é a consequência jurídica prevista para o ato praticado em desconformidade com a lei e implica a supressão dos efeitos jurídicos que ele se destinava a produzir. 16.. Esta. por exemplo. "A situação das nulidades no quadro das sanções é suficiente para que se afaste o equívoco de se tratar a nulidade como se fosse o próprio defeito do ato"I8. o vício. sanável é a irregularidade. Nulidades. cit. 20. Aroldo Plínio Gonçalves. Ora. 20. Dentre essas situam-se as nulidades dos atos j~tl'dicos"'~. cit. "O ato que potencialmente pode ser declarado como nulo é o ato irregular. enquadra-se a nulidade na categoria das sançõe~'~. e não a nulidade. Nulidades. quando a lei a f i a que algum ato é nulo. será acolhida ou afastada pelo juiz. a nulidade. p.

não existindo nulidades virtuais. p. que não se restringe à sua forma. uma infração à lei. como o relatório ou a fundamentação. Não há unanimidade quanto à caracterização da nulidade como sanção. De fato. cit. Nulidades. ou a própria inexistência pode ser considerada inócua (art.ou tende a levar . na realidade. A ineficácia é. não pode ser outra a conclusão..A nulidade é sanção2'para o ato desviado de seu modelo legal. 249. "O efeito ex tunc acompanha todo pronunciamento de nulidade. A nulidade alcança a forma e todas as demais condições de regularidade do processo (Aroldo Plínio G~nçalves)~~. 24. 22. cit. mas ele não pode ser declarado nulo23. lQ sua falta não será suprida se não prejudicar a parte). por exemplo. é mais apropriado falar-se em decretação ou pronúncia da nulidade (o que de modo algum implica a atribuição de efeitos apenas ex nunc). cit. 115). chegar-se-á à conclusão no sentido que só há nulidades previstas expressamente em lei. 23. que é. como já se repetiu. 21. deve ser judicialmente declarada"24. Teresa Wambier. p. Nulidades. p. sanção que o juiz deve (ou não) aplicar. para se configurar.. que. cit. Nulidades. 108." E cita Blanc: "se se atribuir às invalidades o caráter da sanção.. uma conseqüência da decretação de nulidade. em face do princípio da legalidade" (Nulidades.à ineficácia. Dado que a nulidade não se confunde com o vício do ato. Aroldo Plínio Gonçalves. p. 35. Supõe a nulidade a existência do ato. . m a o autor: "Se a sentença for materialmente existente. Entende Aroldo Plínio Gonçalves não haver diferença entre declarar e decretar nulidade. 41. pelo comparecimento do réu).. se se entende por sanção a consequência de um ilícito. não havendo a mínima diferença entre decretação e declaração de nulidade no processo. "A nulidade é um estado de irregularidade que leva . é ato cujo defeito o toma passível de nulidade. neste sentido." Pensamos diferentemente. pois. mas tiver sido lavrada com omissão dos requisitos exigidos para sua regularidade. O ato inexistentepode ser suprido (como a falta de citação. direta ou indiretarnente. entende não caber chamar-se de sanção a nulidade. sendo.

Ora, se há necessidade de "declaração" judicial, para que se configure nulidade, cumpre reconhecer que se trata, na realidade, de algo mais do que meramente declarar; trata-se de constituir. Em síntese: a nulidade é sanção imponível como consequência de vício contido em ato jurídico; o ato processual nulo produz efeitos, se e enquanto não descon~tituído~~, a desconstituição opera ex tunc. A decretação da nulidade pode ou não depender de provocação do interessado; pode ou não sujeitar-se a prazo preclusivo, conforme determine a lei. A doutrina predominante concebe a nulidade como sanção. Não há, porém, unanimidade a respeito do assunto. Segundo Herbert Hart (The concept of law), sanção supõe ilicitude, o que não ocorre com a nulidade, que é consequência de uma ação permitida. Há normas jurídicas, como as penais, que impõem deveres que, descurnpridos, autorizam a aplicação de uma sanção. Outras, porém, apenas dispõem sobre requisitos para que se alcance determinado resultado. Assim, por exemplo, quem faz testamento sem observar a forma prescrita em lei pratica ato inválido, mas não viola qualquer dever ou obrigação; age no exercício de sua liberdade. E o que ocorre no campo do processo, com a só diferença de que o ato judicial nulo produz efeitos enquanto não decretada a nulidade. Assim, embora proferida por juiz absolutamente incompetente, a sentença produz seus efeitos próprios, até ser anulada em grau de recurso ou rescindida por ação própria. A prova de que a nulidade não é sanção decorre da circunstância de que a norma impositiva de dever pode ser concebida como primária, sendo secundária a que estabelece uma sanção ou penalidade para o caso de descumprimento. Ora, na hipótese de norma

25. No mesmo sentido a lição de Roque Komatsu: "O ato processual suspeito de invalidade (que pode ser 'convalidado' pela coisa julgada) continua, no entanto, válido até que sobrevenha decisão do juiz declarando-o e decretando-onulo" (Da invalidade no processo civil, p. 279).

potestativa, essa distinção não é possível. Se a inobservância de requisito essencial não implicasse nulidade, a existência da própria regra "primária" não poderia ser afirmada de modo inteligível, mesmo como regra jm'dica. A estatuição de nulidade é parte integrante desse tipo de norma, o que não ocorre com a pena associada ao descumprimento de um dever. Em síntese, a nulidade não é sanção, porque esta supõe ilicitude. As normas potestativas são regras técnicas: estabelecem os requisitos necessários para a obtenção de um resultado. Sua inobservância não implica ilicitude; apenas não se alcança a finalidade desejada. A nulidade expressa a inidoneidade de um ato para alcançar as conseqüências jurídicas pretendidas pelo agentez6. Também Roque Komatsu nega à nulidade a natureza de sanção. Aponta, entre os autores que lhe atribuem essa natureza, Lopes da Costa, Rezende Filho, Calmon de Passos, José Frederico Marques e outros mais. Entre os que negam, Carnelutti, Chiovenda, Tereza Arruda Alvim Pinto e Carlos Alberto Alvaro de Oliveira. Argumenta: "Decisivo parece, a propósito, o relevo que vê na sanção um quid qualificável como reação a um comportamento proibido pelo ordenamento, e especificamente, o efeito típico ligado à integração dos esquemas do ilícito: tentar uma aproximação da inobservância de um dever ou de uma obrigação à insatisfação do Ônus, sob o plano dos efeitos, reconhecendo na invalidade e em cada uma das suas formas uma sanção, constitui não apenas um desfiguramentodo conceito de sanção, mas sobretudo uma confusão entre dois planos em tudo diversos. O ato ilícito, com efeito, realiza uma fatispecie;o ato inválido não realiza nenhumafatispecie,antes é inválido justamente por esta razão"27. Refere-se, depois, à teoria de Hart, com sua contraposição entre normas de dever (ou imperativas) e normas potestativas, cuja inobservância não constitui ilícito: no máximo, pratica-se ato invá-

26. Sobre o assunto:Carlos Alberto Alvaro de Oliveira, Notas sobre o conceito e a função normativa da nulidade (org.), in Saneamento do processo, p. 131-9. 27. Roque Komatsu, Da invalidade, cit., p. 182.

lido, como no caso do testamento celebrado sem observância das formalidades legais2?'. Seguindo a doutrina entre nós predominante, continuamos neste livro a conceber a nulidade como sanção, no sentido de consequência jurídica do descumprimento de norma jurídica. Não nos parece correto vincular a invalidade ao desatendimento de um ônus processual ou à inobservância de uma norma "potestativa", porque de ônus somente cabe falar-se com relação às partes. O juiz tem o dever, e não apenas o ônus, de fundamentar suas decisões, sob pena de nulidade.

Um ato é jufl'dico porque produz ou se destina a produzir efeitos jurídicos. Não produz efeitos jurídicos o ato inexistente, assim como o anulado. Na terminologia de Caio Mário da Silva Pereira, a ineficácia é gênero que compreende a nulidade, a anulabilidade e até a inexistênciaZ9. Não é nesse sentido, porém, que falamos de ineficácia, mas no de ato que, embora existente e válido, contudo é ineficaz, o que, à primeira vista, parece paradoxal, porquanto definido o ato jurídico em função de seus efeitos jurídicos. Com alguns poucos exemplos, como o do testamento que, embora existente e válido, somente se torna eficaz com a morte do testador, bem como o da sentença que existe e vale, mas não para o litisconsorte que não foi validamente citado, é fácil compreender o que se pretende significar com o conceito de ato válido mas ineficaz. Damos a palavra a Antônio Janyr Dall' Agnol Júnior: "Atos há válidos que não produzem desde logo efeitos (v. g., editais regularmente publicados que não foram juntados aos autos

28. Roque Komatsu, Da invalidade, cit., p. 184. 29. Instituições, cit., 6 . ed., v. I, p. 543.

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- art. 232, parágrafo único), como os há, inválidos que produzem efeitos (v. g., ato nulo que não prejudicou a parte - art. 249,g I*).
Em se cuidando de validade, analisa-se a suficiência (= existir juridicamente) e a ausência de deficiência. A questão da eficácia não se confunde com a qualidade de eficiência; esta está antes. Ademais, não decorre a eficácia, muita vez, exclusivamenteda suficiência e nãodeficiência do ato. Para gerar efeitos, o ato deve ser suficiente e nãodeficiente, por certo, mas nem sempre apenas isso (o ato existe e tem validade, mas há necessidade de urnplus). No direito privado, lembra Pontes de Miranda o testamento. Com efeito, tal ato jufl'dico, existente e válido, apenas após a ocorrência de outro fato jm'dico -a morte do testador - irradiará efeitos. No direito processual, invocável o exemplo dos editais que se publicaram regularmente e que aos autos não foram, ou ainda não foram,juntados. Existem, são válidos, mas a eficácia, que há de se irradiar no e para o processo, depende de ato processual posterior, qual seja o de juntada.

..................................................................................................
Citação que se realiza em outra pessoa que não o legitimado passivo ad causam não é ato inexistente, como já se pretendeu; é ato ineficaz, quanto ao legitimado passivo.

..................................................................................................
Existência e validade dizem respeito com o próprio ato, independentemente de liame com qualquer sujeito de direito. O ato não existe-para 'A', ou é válido para 'A', 'B' e 'C'. O ato jurídico é ou não é; qualifica-se como válido ou como inválido, conforme atenda, ou não, as prescrições de lei. Seus efeitos, sim, podem atingir 'A', ou 'A', 'B' e 'C', ou um grupo, ou todos. Tais precisões evidenciam-se indispensáveis,principalmente em terreno que não oferece a mínima facilidade, como o da teoria das n~lidades"~~. Há ineficácia de um ato quando, embora válido, não produz efeitos por certo tempo (como a sentença relativa a relação jurídica

30. Antônio Janyr Dall'Agnol Júnior, Comentários ao Código de Processo Civil, v. 111, p. 424-5.

sujeita a condição ou termo -CPC, art. 572) ou para determinadas pessoas, não obstante aparência em contrário. "Eficácia do ato", diz Barbosa Moreira, "é a sua aptidão para produzir efeitos no mundo do direito. As mais das vezes, se o ato (além de existir) vale, tem essa aptidão. Um contrato válido, normalmente, faz nascer para as partes os direitos e obrigações nele previstos. Reciprocamente, se o ato não vale, em regra não produz os efeitos normais. Esses princípios, todavia, não são absolutos. Pode suceder que, apesar de válido, o ato deixe de produzir efeitos por certo tempo, ou para determinadas pessoas. Assim, v. g., o ato válido praticado sob condição suspensiva é ineficaz enquanto não sobrevenha o acontecimento a que ficou condicionado (CC, art. 118); a alienação a non domino -ao contrário do que com frequência se supõe -, vale, posto que não produza efeitos para o verdadeiro dominus. Em compensação, pode a lei, a título excepcional, atribuir efeitos a ato inválido"". A lição de Marcos Bemardes de Mel10 é diferente. Afirma que "os atos jurídicos válidos têm entrada imediata no plano da eficácia, mesmo enquanto pendentes termos ou condições suspensi~os"~~. Qual a diferença, com relação ao testamento válido, que só adquire eficácia com a morte do testador? A diferença está em que, antes da morte do testador, o testamento não gera direito algum para as pessoas nele contempladas.A irradiação de efeitos fica dependente da futura morte do testador. O termo inicial, porém, suspende o exercício, mas não a aquisição do direito (CC, art. 123). Portanto, já antes houve irradiação de efeitos. Quanto à condição suspensiva, estabelece o Código Civil que, enquanto ela não se verificar, não se adquire o direito (art. 119). Contudo, a relação jurídica já restou criada, já tendo, pois, ocorrido irradiação de efeitos. Observa Caio Mário: "Não cabe mais às partes a faculdade de se retratarem, porque o vínculo jurídico, em razão da vontade das partes, acha-se estabelecido, e elas ligadas re~iprocamente"'~.
3 1. José Carlos Barbosa Moreira. Citação de pessoa já falecida, Ajuris, 581 85-94, jul. 1993. 32. Teoria, cit., p. 82. 33. Instituições, cit., 6. ed., v. I, p. 483.

Assim, ao se afirmar a ineficácia de ato sujeito a termo ou condição, há referência a efeitos dele ou dela dependentes,emborajá haja o ato irradiado outros efeitos. Como, nesses casos, geralmente não se distinguem os efeitos irradiados dos por irradiar, facilmente se cria confusão, motivo por que é melhor não se afirmar a ineficácia do ato, nessas hipóteses, como preconiza Marcos Bernardes de Meiío.

4. SENTENÇA INEXISTENTE, NULA E INEFICAZ; RESCINDÍVEL E ANULAVEL
A rescindibilidade da sentença liga-se, em nosso direito, às seguintes idéias fundamentais: o trânsito em julgado da sentença, a necessidade de ação para que se decrete a rescisão, a existência de prazo decadencial para propô-la e a enumeração taxativa dos casos de cabimento (CPC, arts. 485 e S.). O juiz não pode, pois, decretar, de ofício, a rescisão; nem se obtém rescisão por via de exceção. Exige-se ação. Insiste-se em que rescindir não é o mesmo que anular, porque há casos de rescisão por fato superveniente. Ora, o vício que justifica a decretação da nulidade há de ser contemporâneo ao do ato anulado. "... qualquer que seja a causa da invalidade, o vício é dirimente e contemporâneo da formação do ato, quer se trate de nulidade ou de an~labilidade"~~. Diferentemente da rescisão, a inexistência da sentença pode ser declarada de ofício e, portanto, também por ação ou por exceção. Não há prazo para que se argua a inexistência da sentença. A possibilidade de alegação é perpétua. A nulidade da sentença que transitou em julgado - atenção! -não pode ser decretada de oficio. Mas é perpétua e pode ser alegada não s6 por ação, como também por exceção, podendo, pois, ser decretada incidentemente. Estamos, como Pontes de Miranda, a utilizar a expressão "decretar a nulidade", porque a sentença nula existe e produz efeitos no

34. Aroldo Piínio Gonçalves, Nulidades, cit., p. 80.

a retire do mundo jurídico. porque a cada passo é preciso traduzir a linguagem de um para a de outro. nos termos da lei civil.mundo jurídico. pronunciando a nulidade. Cabe falar em sentença anulável? O art. A ineficácia da sentença pode. como a arrematação e a adjudicação. não se decreta a ineficácia. a diversidade terminológica dificulta a comunicação. somente se refere a sentenças de mérito. em que o vício se apresenta como perpétuo. nula".1. O termo "anular" apresenta-se próprio. em face da existência de prazo para o exercício do direito. 485 do CPC. outras vezes. Por isso. já não produz efeitos. mas apenas de declarar que não produz efeitos. não obstante a diversidade de nomes dados aos fenômenos. depende de pedido do interessado. rescindível. que só cabe nos casos do art. a hipótese é de sentença nula. . que. Pode ou não ser perpétua. para que outros se convençam de que a nossa é melhor. Terminologia A rigor. 4. A jurisprudência tem utilizado. em processo em que não houve ou foi nula a citação. na tripartição "sentença válida. Segundo Pontes de Miranda. diferentemente do que ocorre com a sentença dita nula. Pode haver ineficácia porque: a sentença ainda não produz efeitos. se outra expressa melhor os fenômenos que se busca descrever. Pode-se chegar a conclusões concordantes. ou não produz efeitos em relação a esta ou àquela pessoa. para essas ações. pois não se trata de retirar a sentença do mundo jurídico. Consideremos o caso da sentença proferida contra réu revel. aliás. às vezes. Aplica-se o mesmo dispositivo aos atos judiciais que não dependem de sentença. enquanto não advém sentença (constitutiva negativa) que. não é desprezível o esforço de se justificar a terminologia adotada. ou para abandoná-la. ser decretada de ofício. como se falassem línguas estrangeiras. 486 do Código de Processo Civil estabelece que a sentença meramente homologatóriapode ser rescindida como os atos jurídicos em geral. Todavia. a terminologia adotada não tem maior importância. fazendo cessar seus efeitos (ex tunc). Declara-se. a denominação anulatórias para distingui-las da rescisória.

Mas que espécie de nulidade absoluta é essa que juiz nenhum pode decretar de ofício e que depende da vontade da parte. a escolha de um ou de outro termo não é sempre destituída de conseqüências. Para nós. é enfática no sentido de que a decretação de ofício constitui característica das nulidades. como o faz Teresa Wambier. como as decorrentes da incompetência absoluta ou impedimento do juiz. no direito. que só propõe ação rescisória se quiser? Se nulidades instituídas precipuamente no interesse público são como explicar a sanação sempre insanáveis. A doutrina. segundo bem ensina a autora. mas ainda assim importantes. as sentenças rescindíveis. as nulidades relativas ou anulabilidades sanam-se com o trânsito em julgado da sentença. No essencial. na tripartição "sentença válida. pode conduzir a diferenças de tratamento acidentais.. tratando-se. a diferença é apenas terminológica. na tripartição "sentença válida.evocando idéias diferentes. pois. nula e portanto rescindível. como ensina a autora35. 142. p. Mas. Ora. Pontes de Miranda e nós concordamos em chamar de rescindíveis. a hipótese é de sentença ineficaz. pelo decurso do prazo para a propositura de ação rescisória? Não é mais razoável a doutrina segundo a qual as nulidades do processo se convertem em rescindibilidade com o trânsito em julgado da sentença? 35. Nulidades. . de escolher a expressão que melhor descreva o fenômeno. de sentenças nulas. A diferença de denominação. pelo menos das absolutas. e não de nulas. rescindível.De acordo com Teresa Warnbier. Teresa Arruda Alvim Wambier. As nulidades que permanecem são exatamente as absolutas. pois. é quanto à conveniência de se chamar de nulas as sentenças rescindíveis. sentença inexistente". que se há de formular. a hipótese é de sentença inexistente. cit. A primeira pergunta. ineficaz". inclusive da própria autora.

só por si. especialmente com relação à decretabilidade de ofício. cit. SegundoTeresa Wambier. 22 . em vez de se falar. como explicar possa o autor apelar da sentença que indefira a inicial ou obter desde logo antecipação de tutela? Se a citação é pressuposto de existência do processo. Se o processo sequer existe antes da citação do réu. VII). com falta ou nulidade da citação. parece-nos mais conveniente chamar de sentença rescindível a que pode ser rescindida. o que aconteceu antes. enquanto o juiz ouvia o autor e despachava a inicial? E onde fica o art. Uma dificuldade para se incluir a citação entre os pressupostos de existência do processo decorre da circunstância de que ele se constitui. portanto. uma petição inicial e a citação". que é expresso no sentido de que a citação é indispensável para a validade do processo. art. de sentença nula. ou simplesmente distribuída? Outra dificuldade decorre ainda do art. 485. cuja existência ignorava. Por todas essas razões. nesses casos. p. com todas as dúvidas que essa denominação pode suscitar. que considera proposta a ação tanto que a petição inicial seja despachada peIo juiz. para sua existência. A segunda pergunta é se convém qualificar como inexistente a sentença proferida contra o réu. a ponto de poder ser concedida e executada liminar inaudita altera parte. 263 do CPC. antes mesmo da citação do réu. em processo que correu à revelia.Além disso. Qual o vício da sentença.. mas não do direito de ação (como diz a autora a propósito da 36. e suficiente. Nulidades. no caso de rescisão por haver o autor obtido documento novo. 39. 214 do Código de Processo Civil. a rescindibilidade não se liga necessariamente a uma nulidade. não. para assegurar-lhe pronunciamento favorável? (CPC. na linha autor-juiz. um autor com capacidade postulatória. são pressupostos processuais de existência haver um juiz (jurisdição). Dizer que num caso desses houve exercício do direito de petição.

Em primeiro lugar. 170. produziria tal efeito constitui exatamente um não-ato. somada à revelia. Observamos. . Teresa Amda Alvim Wambier. cit. é melhor falar-se 37. nulidade ou ineficácia sem menção a esse grande jurista. cit. o réu teria o condão de tomar retroativamente existente o que até então não existia! A terceira pergunta é se convém denominar de nula. para ser inexi~tente~~.. Quanto à citação nula. que espécie de inexistência é essa. segundo a autora. assinalamos que não rejeitamos o conceito de sentença nula. passe à inexistência. Objeto de nossa indagação é saber se. deixará de ser nula. Nulidades. em vez de ineficaz. a sentença proferida em processo com falta ou nulidade da citação. falar nas categoriasda existência. Nulidades. Nem tampouco a das sentenças inexistentes. Nulidades. e não apenas como rescindível. Basta que não argua a nulidade. diz a autora que. A revelia que. nosso debate é com Pontes de Miranda. porém. p. Aliás. sem que seja praticado ato algum para desconstituí-10. Parece-nos estranho que um ato existente. ainda que nulo. Assim. Frágil. Teresa Arru& Alvim Wambier. quando citado para a execução. seria uma escapatória verbal a uma dificuldade real. 284. parece-nos que o legislador teria andado melhor se houvesse qualificado como nula. por um passe de mágica.. Pontes de Miranda não nega a categoria das sentenças ineficazes. no caso de falta ou nulidade da citação. suscetfvel de tornar-se existente.falta de condição da ação)". Ora.. por posterior omissão do réu? Como que. Aqui. o argumento de autoridade. Diz a autora que o próprio Liebman afirma ser a citação o "primeiro e fundamental requisito para a existência de um processo"39. p. além disso. em oposição ao de sentença meramente rescindível. no Brasil. 272. por exemplo. não se pode. a sentença violadora de coisa julgada. cit. 39. em processo que correu à revelia. 38. que o réu pode aceitar a sentença chamada inexistente. Teresa Amda Alvim Wambier. quando se estilhaça ao se chocar com a realidade. sendo o réu revel. p.

ou mesmo incidentemente.. pode ser alegada em embargos à execução. a sentença é existente. I.t." Pontes de Miranda. 42. pode.) Segundo Pontes de Miranda. 741. mas a declaração depende de alegação do interessado (no que dela divergimos. 443. para as quais não se redigiu regra jurídica semelhante à do art. outrossim. a hipótese configura nulidade40. sem se precisar de propositura de "a~ão"~'. a nosso ver. porque resiste ao decurso do prazo para a propositura de ação rescisória. Parece-nos que a ineficácia explica melhor a sentença proferida em processo que correu à revelia. por exemplo. de alegá-la nos embargos à execução que venha a opor. citado para a execução. 94-5. resta ela sanada42. p. (A hipótese de tratar-se de inexistência já restou excluída. em litisconsórcio facultativo simples. cit. 40. Tratado. Se apenas um deles não foi citado. Tratado da ação rescisória. nesse caso). só não pode ser oposta ao que não foi citado. porque a inexistência pode ser declarada de ofício). porém há outras. pelas observações feitas acima. vê-se que o conceito de ineficácia descreve com exatidão o que ocorre na hipótese. p. por ser possível que a ação haja sido proposta contra vários réus. XI. "Sentença nula é a de que cogita o art. p. não argúi a nulidade. Comentáriosao Código de Pmesso Civil. I.em nulidade ou em ineficácia da sentença. o que caracteriza exatarnente a ineficácia. opondo-os. 741. do Código de Processo Civil. com falta ou nulidade da citação inicial. 181. deixando. . não opõe embargos ou. 41. Declara-se a ineficácia a qualquer tempo (conclusão idêntica à de Teresa Wambier. válida e eficaz com relação a todos. que utiliza o conceito de inexistência. Se o réu. Como. Pontes de Miranda. o réu não citado pode aceitar a sentença. ser desconstituída por ação de nulidade.

.PRINCÍPIOS. 5*.o do devido processo legal. No Brasil. e. O art. em detenninado momento da História.do controle hierárquico. -da ação. . receberam consagração constitucional os princípios: . . de modo a que possa ser qualificado como "devido". . -do juiz natural. . . . LIV.do contraditório. inter-relacionadas e interdependentes. da Constituição estabelece que ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal.da imparcialidade. as noções fundamentais a respeito do que deva ser o processo. PRESSUPOSTOS E NULIDADES PROCESSUAIS Os princípios processuais constituem um conjunto de idéias. A teoria dos pressupostos processuais e das nulidades trata dos requisitos necessários para que se constitua e desenvolva o processo. -da persuasão racional.da publicidade. -da representação por advogado.da licitude das provas.da inafastabilidade do Poder Judiciário. que expressam. nos termos da Constituição. como síntese.

CONSTITUCIONALIDADE.040. o devido processo legal"43. Essa inconstitucionalidade. da isonomia processual. Ap. 3'Câm. menos ainda.inciso LIV. e. impondo que ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal. Cív. por sinal. restando sempre ao prejudicado o ensejo de propor demanda onde se apreciem os aspectos materiais e formais da execução forçada extrajudicial. 189. 70. Porém a possibilidadede posterior ingresso no Judiciáriojamais pode justificar a permanência do que é inconstitucional. a que se refere a Constituição. 26 . ~ ~ ~ ç DECRETO-LEI Ã ~ N. da venda do imóvel objeto da garantia pelo agente fiduciário. Numa das primeiras aplicações do art. a 3PCâmara Cível do Tribunal de Alçada do Rio Grande do Sul afirmou a inconstitucionalidade da execução extrajudicial prevista no Decreto-Lei n.983. porém. menos ainda. como se vê do seguinte acórdão: 6 ' ~ ~ EXTRAJUDICIAL. da Constituição de 1988. que alguém seja privado da liberdade ou de bens de seu patrimônio. por atos de "justiça de mão própria". é preciso levar em conta que não se encontrava. difícil pretender que a execução forçada extrajudicial do Decreto-Lei 70166 seja um processo legal. de qualquer forma. da atual. Se antes havia acórdãos resolvendo pela constitucionalidade. é negada pelo Supremo Tribunal Federal. 5Q. j. norma como a do art. como. 25-10-1989. juiz e réu. que supõe ação. Sérgio Gischkow Pereira. 5Q. porque afronta outros regramentos constitucionais. é processo jurisdicional. conquanto a posteriori. TARS. por atos administrativos e. além de prever uma fase de controle judicial. o fez o proponente desta ação.Esse "processo". Compatibilidade do aludido diploma legal com a Carta da República. 70166. Ora. posto que.. não impede que even- 43. Não se admite. de 21 de novembro de 1966: "Dir-se-ia que o Decreto-Lei n. como é o caso do princípio do devido processo legal. pois. na anterior Carta Magna. da igualdade perante a lei.LIV.Rel. 70166 não impede o acesso à Justiça.

a existência de partes. pois. sem indicar o motivo que. Nessa forma de execução. Nossa lista de pressupostos existenciais do processo fica. j. de logo. Somente examinando a causa de pedir é que o juiz pode julgar fundado ou infundado o pedido. um réu. Recurso conhecido e provido"44. autoriza a medida. Há mesmo uma forma de nascer e de morrer. STF. assim. Não se admite que o autor peça uma providência jurisdicional contra o réu. no sentido constitucional da expressão. no caso. Réu. Demanda é o ato de pedir. Todo ato tem forma. 6-1 1-1998). aquilo que se pede. não há processo. no seu entender. Um aceno de cabeça 44. aquele que age.tua1 ilegalidade perpetrada no curso do procedimento seja reprimida. Não se pode falar em terceiro imparcial. isto é.. O conceito de juiz supõe. pelos meios processuais adequados. O ato chamado informal tem forma não prescrita em lei. podemos ver um autor e um réu. Ilmar Galvão. Rel. também.075-1. justiça de mão própria. exercício. de demanda e de pedido. RE 223. de um autor e de um réu. A idéia de pedido envolve a de causa de pedir. acrescida de três pressupostos objetivos: a demanda. A demanda é um ato processual: o mais importante ato processual. . Mas o que é um juiz? É um terceiro imparcial. não de ação em sentido processual. como pressupostos subjetivos de existência do processo. autor. um autor. Mas falta o juiz e. Pedido. A idéia de autor envolve as de réu. sem que haja pelo menos duas partes. extrajudicial. no sentido etimológico da expressão. apontar. ou seja. porque dele é que decorre a existência do processo. aquele contra quem é formuladoo pedido. um juiz e um réu. Podemos. Autor é aquele que pede a tutela jurisdicional. 23-6-98 (DJ. Min. laTurma. mas de ação em sentido material. pois. no sentido de pessoa que sofre os efeitos da ação do autor. o pedido e a causa de pedir. Vemos. sem ele.

apto a revestir de juridicidade eventual subtração da liberdade ou de bens do réu. Assim. não havia exceções processuais. 9 4*. um dos pais da ciência processual. da ed. a teoria das exceções processuais (então adotada). 45. que. deles não podendo o juiz conhecer de ofício. PRESSUPOSTOS PROCESSUAIS A idéia de pressupostos processuais se deve a Bullow. a forma. Tudo isso para que se tenha um "devido processo legal". daí por diante os pressupostos a considerar já não dizem respeito à constituição do processo. Exigindo a lei forma escrita para a demanda. lançou Bullow a dos pressupostos proces~uais~~. La teoria de las excepciones procesales y 10s presupuestos procesales. defesa de mérito indireta. pelo pedido do autor formulado ao juiz contra o réu. os obstáculos que somente a parte pode opor à prolação da sentença de mérito. é pressuposto de existência do processo. isto é. pois. forma de concordar. ato de pedir. Absurda. Daí decorre que não podem ser consideradas pressupostos processuais as exceções processuais. os pressupostos de constituição e de desenvolvimento válido e regular do processo. Constituído o processo. alemã de 1868. A exceção era sempre substancial. quando prescrita em lei. 1. no direito romano. São. sem ela o ato é juridicamente inexistente. aos pressupostos subjetivos e objetivos tem-se de acrescentar os formais. não raro. No caso da demanda. deveria levar a negar-se ao juiz o poder de declarar de ofício a falta de pressuposto processual. trad. Em substituição a essa teoria. pois. E argumentava: exceção implica ter o excipiente o ônus de alegar e provar o seu fundamento. O art. A demanda. . Oskar von Bullow. Exige-se que a petição inicial seja escrita ou reduzida a escrito. E a teoria das nulidades processuais que entra então em linha de consideração. por coerência. quais sejam. ou seja. Demonstrou ele que.é. 267. do Código de Processo Civil estabelece que o juiz conhecerá de ofício das matérias constantes de seu inciso IV. mas ao seu desemolvimento válido e regular. tem forma prescrita em lei.

exceções processuais. de que. além dos extrínsecos (alheios à relação processual). pois. 248 e 249 dispõem: "Art. que dependam de alegação da parte para ser conhecidos pelo juiz. Ao tratar especificamente das nulidades. Dizem respeito a quaisquer nulidades. 159.). ordenando as providências necessárias. 47. todavia. a distinção atende à circunstância. sobretudo de forma. reputam-se de nenhum efeito todos os subsequentes.. Os arts. 243 e S. que dela sejam dependentes. o Código de Processo Civil preocupou-se principalmente com as resultantes dos defeitos de forma (arts. vinculadas às condições da ação e aos pressupostos processuais de existência e validade. Art. 249. os objetivos e os formais. o que levou Teresa Wambier a distinguir as nulidades de fundo. . Em essência. Mas não é exato que os arts. Nulidades. Essa classificação quadripartida se deve a Galeno La~erda~~. declarará que atos são atingidos. nem sempre. a nulidade de uma parte do ato não prejudicará as outras. concementes ao juiz e às partes. sujeitando-se por isso à preclusão. o juiz conhece de ofício. ou retificados". Esta é. uma diferença que se pode estabelecer entre pressupostos processuais e nulidades: da falta de pressupostos processuais o juiz sempre conhece de ofício. a fim de que sejam repetidos. que dele dependam. 243 e S. Por igual razão. algumas nulidades de forma dependem de alegação da parte e se sujeitam à preclusão. p. ao pronunciar a nulidade. da falta de pressupostos processuais (nulidades de fundo). 46. não são pressupostos processuais os defeitos processuais. quanto às nulidades. do CPC regulem apenas as nulidades de forma. pois algumas dependem de alegação das partes. a incompetência relativa e a convenção de arbitragem. inclusive as de fundo. cit. Há os pressupostos subjetivos. Anulado o ato. O juiz. das nulidades de forma4'. e não pressupostos processuais. Despacho saneador. 248. já apontada.

Como a nulidade de um ato contamina apenas os subsequentes. o apelo e as contra-razões. segue-se que os atos processuais. são tanto mais importantes quanto mais cedo devam ser praticados. a caução. São pressupostos objetivos a existência de um pedido. A título de exemplo podem-se apontar a forma escrita da petição inicial e da sentença. como já se observou. a falta de pressuposto processual não determina sempre a nulidade de todo o processo. porém. Segundo Teresa Wambier. a nulidade da citação anula todo o processo. a perempção. b) concementes às partes: personalidade judiciária (capacidade de ser parte). vicia o processo inteiro. juiz e réu. a citação é pressuposto (de existência!) do processo. Galeno Lacerda classifica os pressupostos processuais em subjetivos. Os pressupostos formais dizem respeito à forma dos atos processuais. Consideramos. os requisitos da citação e intimações. que vincula o tema dos pressupostos processuais ao das nulidades. inclusive a sentença. de uma causa de pedir. a nulidade da citação não determina a nulidade da petição inicial e mesmo de lirninar concedida sem audiência do réu. São pressupostos subjetivos: a) concernentes ao juiz: ter jurisdição. a litispendência e a coisa julgada. apenas os atos subsequentes são desconstituídos. ser competentepara conhecer da ação e ser imparcial (inexistir causa de impedimento ou suspeição). A nulidade da demanda.É que. Os atos posteriores são visualizados mais sob o prisma das nulidades processuais. Entre os pressupostos extrínsecos Galeno Lacerda aponta o compromisso. porém. não afasta a identidade essencial. o compro- . com excqão dos poucos atos praticados anteriormente. primeiro ato do processo. Contudo. com seus respectivos pressupostos. capacidade processual e representação por advogado. a nulidade do julgamento da apelação deixa incólume todo o procedimento no primeiro grau de jurisdição. objetivos. Esse é o motivo pelo qual se fala de pressupostos processuais sobretudo quanto aos atos de constituiçãodo processo como relação jurídica vinculando autor. o depósito prévio das custas. havendo mais de um. formais e extrínsecos à relação processual. de nexo lógico entre ambos e a compatibilidade dos pedidos. Isso.

não encontra lugar na classificação por ele apresentada........ há fatos relativos ao procedimento que impedem o desenvolvimento da relação processual. pois. Julgamos de melhor técnica reservar-se o nome de impedimento processual às circunstâncias que obstam o desenvolvimento válido da relação processual... No direito anterior... 835. Comentários........ diversamente dispõe o art. Diz Calmon de Passos: "Ao lado dos pressupostos processuais.... o art...... matérias de que o juiz pode conhecer de ofício (art. ou seja...misso (convenção de arbitragem) como exceção processual.. é de entender-se a prestação de caução como um pressuposto processual? Respondemos negativamente... prevendo a caução para o autor não residente no País ou que dele se ausentasse durante o processo... Daí não haver o 5 4* do art..... 31 .......... Galeno Lacerda não destaca um pressuposto processual importante que.. v....... que dizem respeito estritamente aos sujeitos da relação processual e a seu objeto.. ao ato do autor que se dirige ao juiz pedindo a tutela jurisdicional.. Para distingui-los dos pressupostos processuais.. como pressupostos extrínsecos à relação processual a perempção.. José Joaquim Calmon de Passos.. Por força disso. vale dizer. 49. são designados como constituindo impedimentos processuais.... a inexistência de litispendência e de coisa julgada... nem são pertinentes aos seus sujeitos nem pertinentes ao seu objetoW4*... 111. A conceituação de pressuposto processual não deve estar condicionada a contingência de ordem formal e sim a critério substancial... são mais propriamente considerados "impedimentos processuais"..... 67.. 301 incluído essa hipótese entre as que se colocam fora do poder de iniciativa do magistrado. porque extrínsecos.. 301. a nosso ver... Hoje.... Referimo-nos à demanda..... independentemente de provocação da parte.. .. 277-8.. Restam.. 48.. bem como a falta de caução ou de outra prestação exigida por lei. p.. porque dependente de alegação da parte. cit..... tornando-se dever do juiz a exigência de caução.... mas que a ela são estranhos.... condicionava-a ao requerimento do réu. Tais pressupostos.

Todavia.l. sua compatibilidade.1. a classificação de Galeno Lacerda. pedindo a tutela jurisdicional. Nem sempre é fácil distinguir essas diferentes categorias. 3. 267 do Código de Processo Civil estabelece que o processo se extingue. . a demanda como pressuposto de existência do processo. Tal fato é. havendo muitas divergências a respeito. 4. como a litispendência e a coisa julgada. quando se verificar a ausência de pressupostos de constituição e de desenvolvimento vdido e regular do processo. isto é. a causa de pedir. concementes às partes: a personalidade judiciária. 2. pressupostos processuais: 1. daí concluir-se que não há pressupostos de existência do processo. extrínsecos à relação processual: a inexistência de impedimentos processuais. assim. a competência e a imparcialidade. Como o juiz não age de ofício. antes de todos eles. Há pressupostos que são de existência do processo. 5. adotarnos. isto é. não se pode pensar em processo sem fato jurídico que o constitua.1. São. outros ainda dizem respeito apenas à sua regularidade. subjetivos. A fonnação do processo e os pressupostos processuais Para a análise dos pressupostos processuais. 1. o ato de alguém. Apresenta-se. acrescida do pressuposto da demanda. no caso de cumulação de pedidos. formais: os relativos à forma dos atos processuais. a legitimação para o processo e a capacidade postulatória. A demanda O art. pois. o ato de pedir a tutela jurisdicional. a existência de nexo lógico entre ambos e. objetivos: o pedido. a demanda. outros concemem apenas à sua validade. 6. no essencial. o ato de pedir a tutela jurisdicional.1. que a ele se dirija. Como somente se extingue o que existe. a demanda. sem julgamento de mérito. concementes ao juiz: a jurisdição. via de regra. subjetivos. apresenta-se como requisito para que se tenha o "devido processo" a que se refere a Constituição.

em contrapartida. Pode-se ter. O princípio da ação. O princípio da ação caracteriza o denominado sistema acusatório. privativamente. na forma da Lei". antiquíssima. como autoridade administrativa. o poder de agir foi conferido a qualquer do povo. O princípio da demanda. Não tem nem a ação direta (defesa privada. assim. Persegue-o em juízo em vez de persegui-lo pelos campos. no processo acusatório romano. Em matéria penal. sem provocação de quem quer que fosse. mas. . é outorgá10 apenas a um órgão do Estado (Ministério Público). contra quem ele considera responsávelpela ofensa. a regra. a reação ao ilícito se concretizava por uma sanção imposta ao ofensor pelo próprio ofendido. Entende-se hoje que a iniciativa do juiz retira do processo seu caráter jurisdicional. da ação ou da inércia da jurisdição veda o exercício da jurisdição por iniciativa do juiz. basta que o magistrado tenha notícia de algum delito para que possa perseguir o seu autor (sistema inquisitório). mas não atividade jurisdicional. É indispensável a ação ou atividade de um autor ou acusador. a ação penal pública. o direito de ação substitui a primitiva ação punitiva. Primitivamente. é o direito de ação conferido apenas ao próprio lesado ou interessado.Historicamente nem sempre foi assim. ficando. sobretudo no processo penal. o ofendido duplamente impedido de agir contra o ofensor. I. sem a interposição de quem quer que fosse. hoje. isto é. Vedada a defesa privada. quanto ao processo penal. ou por seus farniliares. o indivíduo não tem nenhuma ação. exercício das próprias razões). então. em que o juiz age de ofício. 129. atividade de administração da justiça. o Estado assume integralmente a função punitiva ou admite que o ofendido dela participe por meio da ação. No segundo. Em matéria civil. da Constituição: "São funções institucionais do Ministério Público: promover. do ofendido. No primeiro caso. Os processos denominados inquisitórios podiam ser iniciados de ofício pelo juiz. em oposição ao inquisitório. está consagrado no art. nem a ação processual. direta. mas a regra.

O juiz não é um livre investigador de provas incertas ou imprecisas. O princípio da ação. nos . uma hipótese de processo que pode iniciar-se de ofício. quer penal. a doutrina processual conjuga as idéias de ação. A ação visa a averiguar a veracidade ou não de fatos afirmados na inicial. 5*. para justificar pretensões incertas e imprecisas de uma das partes. 989 do CPC: "O juiz determinará. jurisdição e processo como um todo. Eis. 2° do CPC estabelece que "nenhum juiz prestará a tutela jurisdicional senão quando a parte ou o interessado a requerer. porém. apenas na linha autorjuiz. supõe pelo menos dois sujeitos. isto é. fundado em fatos determinados. O juiz não pode exercer. de ofício. deve conter um pedido certo. LIV. Nemo iudex sine actore. O inquérito pode dirigir-se contra pessoas incertas. também denominado "princípio da demanda". se nenhuma das pessoas mencionadas nos artigos antecedentes o requerer no prazo legal". que se inicie o inventário. pelo juiz. A ação.Quanto ao processo civil. quer civil. no art. com seu corolário da vedação de julgamento extra ou ultra perita. no sistema de nosso Código de Processo Civil. impede que o juiz profira sentença além do pedido ou fora dele. Por que não apenas na linha juiz-réu? Atualmente. que nos deparamos com o disposto no art. Aí a diferença fundamental entre ação e inquérito (ou devassa). Mas pode também existir incompleta. um autor e um réu. O processo de inventário. uma hipótese de processo sem demanda. A acusação dirige-se contra pessoa certa. É certo que o processo é uma relação jurídica que. por isso mesmo. encontra-se embutido na fórmula ampla do "devido processo". pois. a jurisdição. cada um desses conceitos exigindo os demais. de ofício. da Constituição: "ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal".Temos. O art. É também certo que a relação processual completa supõe três sujeitos: um juiz. O inquérito se destina à descoberta de fatos novos. aí. o princípio da ação. é de jurisdição contenciosa.

na legislação. 878 da Consolidação das Leis do Trabalho: "A execução poderá ser promovida por qualquer interessado. ainda hoje. constituída pela citação a linha juiz-réu. devem ou não ser havidos como juridicamente inexistentes. alguns casos. tem natureza administrativa. a Constituição de 1988 e.casos e formas legais" e o art. . iniciável de ofício. na esfera do processo penal. especialmente a sentença. art. autor não é quem pede. Nesses casos. a ciência não tem alternativa diversa senão a de ajustar-se aos fatos. para o tribunal competente. o réu poderá interpor o recurso cabível. 9. Na esfera civil. a Lei Orgânica do Ministério Público. Assim. e não jurisdicional. ainda se encontram.099195. em grau de recurso. a atividade exercida pelo juiz.". jamais se poderá afirmar a inexistência jun'dica da execução. ou ex oficio pelo próprio Juiz ou Presidente do Tribunal competente. Ora. embora raros. antes dela. fazer com que os fatos se ajustem à doutrina. igual pronunciamento. IV). eliminou a possibilidade de processos penais de iniciativa do juiz. que deverá pronunciar-se sobre se está ou não configurada alguma hipótese excepcionalíssima em que tal iniciativa seja admissível. sem prévia demanda. isto é. de ofício. 262 dispõe que o processo civil começa por iniciativa da parte. temos. 52. os atos que o juiz pratique. iniciado o processo. processo sem autor no art. Assim. No campo do direito é possível o contrário. supõe processo existente. Contudo. por iniciada de ofício pelo juiz. porque sempre se terá de admitir a hipótese de que ela haja sido instaurada a pedido -verbal -do credor.. além do processo de inventário. Na Lei dos Juizados Especiais chegou-se ao mesmo resultado prático. Mas o que devemos realmente esclarecer é se. de processo sem ação.. admitindo-se que a execução da sentença se inicie mediante solicitaçãoverbal do interessado (Lei n. Em outros domínios. pelo menos ao desencadear o processo. mas aquele que será beneficiado pela sentença proferida contra ou em face do réu.

por não satisfazer o credor a mera condenação do devedor. mas não menor do que a sentença proferida por juiz absolutamente incompetente. 485. Supera-se a contradição observando-se que o processo é relação jurídica que supõe fato jurídico que a constitua. admitindo. execução há. por havermos. mas não existe a pessoa em cujo nome foi formulado o pedido.II). por fim. em vez da rescindibilidade da sentença.1. ainda assim estari'amos a reconhecer a existênciajurídica do processo. da constitucionalidade desses casos que excepcionam o princípio da ação. a citação. 1. Cabe indagar. por violação de literal disposição de lei. compreendendo-se no pedido de condenação o de execução. Sem dúvida. mas que não exista o autor: alguém formulou pedido (demanda) a um juiz. Chegamos. .Entendemos por isso que a sentença proferida em processo de conhecimento iniciado de ofício é rescindível. é a citação que faz nascer a relação interpessoal juiz-réu-autor. afirmado que a demanda constitui pressuposto de existência do processo. a um resultado contraditório. primeiro. assim. que também é apenas rescindível (CPC. Mesmo que afirmássemos a nulidade. O autor Imaginemos que haja uma demanda e um juiz. este no sentido de eventual beneficiário da atividade judicial. em sistemas estrangeiros. Há ofensa ao "devido processo legal"? Parece-nos que não: no caso do inventário. como processo de jurisdição voluntária. No caso excepcional de processo iniciado de ofício. tal fato é. porque se pode concebê-la como nova fase do processo. a demanda. ser desconstituída por ação anulatória. por suas características. art. depois. via de regra. iniciada execução de ofício.2. excepcionalmente. nos casos de execução de sentença. Dir-se-á que se trata de vício gravíssimo. depois. que o levam a ser considerado. ainda que a arrematação eventualmente efetivada possa. a existência jurídica de processo iniciado de ofício.

no caso de um ambientalista se dirigir ao juiz formulando pedido em nome de uma espécie vegetal ou animal ameaçada de extinção. elucida esse autor. munido de procuração. ou melhor. denominado petição inicial. Admitido que a demanda (ato de pedir) é pressuposto de existência do processo. Resolve-se a aparente contradição com a observação de que. 40. é a pretensão de direito material49. assim. Discorrendo sobre o tema. apesar de parecer que se está. embora invocando o nome de outrem. Na linguagem de Pontes de Miranda. o poder exigir que o Estado tutele o direito. atribui-se o ato a quem efetivamente o praticou. representado pela petição inicial. ainda que inexista o autor. O processo resulta de um ato (demanda). por exemplo. aojuiz. no caso de inexistência do autor.. de uma demanda sem que exista um demandante. pretensão à tutela jurídica (pré-processual).42 e 37. nasce a pretensão processual. 2) cita-se por edita1 pessoa que depois se verifica estar morta desde data anterior. Observa Jorge Luís Dall'Agnol: "Pontes de Miranda afirma que se falta a qualidade de parte ('se o processo foi intentado pelo procurador quando já morto o autor') não há relação jurídica processual. aquilo que se deduz no pedido contra o réu. Entendemos que. Tratado. p. Nesses casos. Essa é a regra.Isso pode acontecer. a imaginar a existência de um ato sem alguém que o pratique. ajuíza a inicial sem ter noticia de que o outorgante viera a falecer. processo há. da qual decorre a obrigação do Estado de prestar a decisão. tem o autor. quando se advirta do problema: e é quanto basta para que se tenha de reconhe- 49. havendo demanda. cit. . Do exercício dessa pretensão. ou seja. pelo qual o requerente (autor) pede. tutela jurisdicional contra ou em face de outrem (réu). José Carlos Barbosa Moreira colaciona os seguintes exemplos: 1) advogado. para um pronunciamento do órgão judicial. deve-se daí concluir que também o é a existência do autor? A resposta é não. antes. 'haverá lugar. O pedido. sem dúvida.

a relação processual inexiste com respeito ao pretenso representado. entretanto.. 267. CPC. seria válida a decisão do juiz que anulasse os atos desenvolvidos a partir da citação (inexistente ou nula . Dr. de órgão de uma pessoa jurídica. Aliás. quando. no processo. existe. tal qualidade não lhe corresponde (falsus tutol. Na hipótese concemente ao autor também não há negar existência ao processo. por isso mesmo...cer que algo. Rel. Dê-se prosseguimento ao exemplo referido: imagine-se que o réu tenha sido citado e contestado. Que natureza teria a decisão que. Chiovenda (. .observação nossa). nos seguintes termos: 'Comprovado que a companhia administradora de imóveis propôs a ação de despejo em nome de pessoa falecida. seria tomar insolúvel o problema!' No caso alusivo ao réu (. em situação análoga pronunciou-se a colenda 1TCâmara Cível do Egrégio Tribunal de Alçada do Rio Grande do Sul. antes de o juiz tomar ciência do falecimento do autor (em data anterior ao ajuizamento da demanda). IV. Nélson Luiz Púperi. correta se revela a sentença que declara extinto o processo com apoio na regra do art. reconhecendo o óbito.) em irrepreensível lição assentou. existe por certo: só há incerteza sobre se o sujeito dela é o pretenso representante ou o pretenso representado. deve considerar-se o caso como de nulidade'. em semelhante urgência. dúvida nenhuma há de que existe processo e. visando a sucessão processual ou eventual extinção do processo (na ausência de sucessores). condenando o mandatário ao pagamento das custas e honorários advocatícios' . Enquanto o juiz não houver declarado se existe ou não a pretensa qualidade.). extinguisse o processo e condenasse o advogado no pagamento das custas e honorários advocatícios? Não seria sentença terminativa do processo? Não constituiria ela virtual título executivo judicial? É claro que sim. porém.. e até vale: negar ao juiz a possibilidade de pôr termo validamente à atividade processual. falsus procurator). verbis: 'Se a demanda provém de uma pessoa ou se dirige a uma pessoa na qualidade de representante de um incapaz.

nestas situações. o advogado não será admitido a procurar em juízo. nesse caso. que deve ser extinto. Sem instrumento de mandato. IV. se a parte em cujo nome foi formulado o pedido não ratificar o ato do advogado que requereu em seu nome. e mesmo incidentemente em outro processo. possivelmente com a condenação do falso procurador nas custas e em outras corninações previstas em lei. todavia. Haverá aí lugar para uma resolução extintiva do processo. 93. 267. ineficácia declarável de ofício. ainda que alguém o formule em nome de quem não existe ou juridicamente não existe. a qualquer tempo. o dever de indeferir a inicial. é ineficaz em relação ao pretenso representado. afirmando-se procurador de outrem. utilizando-nos do exemplo de Celso Agrícola Barbi. mas apenas exercício do direito de petição. O acolhimento dessa tese parece encontrar obstáculo no art.Também assim se. nos termos do art. como o exige o art. p. do Código de Processo Civil. irnputase o pedido a quem efetivamente o formulou. IX. não há ação. exercício de atividade processual válida e desenvolvida no processo. 37. Dizer-se que. Poderá. 50. qual seja. uma Comissão Organizadora de Festival propor uma demanda perante órgão judiciário e este repeli-la liminarmente sob o fundamento de carência de capacidade de ser parte. 37 do CPC. Processo há. A sentença que o juiz profira. Nesses casos. É claro que não se pode conceber pedido sem que exista quem peça. que. 39 . em nome da parte. contra ou a favor. Todavia. 30-1. É o quanto basta para que se afirme a existência do processo. Não há como negar. o de criar. Nele se lê: "Art. Jorge Luís Dall' Agnol. aliás. é fugir à realidade com mero jogo de palavras. pedido há. para o juiz. que manda considerar inexistente a demanda. do CPC. Pressupostos processuais. A demanda formulada em nome de pessoa inexistente irradia pelo menos um efeito jm'dico. deverá fazê-lo motivadamente. É através deste que o órgãojudiciário avalia e define qualquer postulação que lhe seja submetida à aprecia~ão"~~.

. 30. porque já faleceu. respondendo o advogado por despesas e perdas e danos". Pressupostos. p. independentemente de caução. por despacho do juiz. através de procurador. a fim de evitar decadência ou intervir. Como observa Jorge Luís Dall' Agnol. pois. um réu em face do qual é formulado o pedido..bem como intentar ação. trata aquele dispositivo de lei justamente é de advogado sem parte. o advogado se obrigará. Jorge Luís D a ü 'Agnol. Se não for ratificado. O advogado não poderia responder por perdas e danos em decorrência de atos que não existiram. é porque ato processual na verdade existira.3. O mesmo dispositivo. para praticar atos reputados urgentes. a exibir o instrumento de mandato no prazo de 15 (quinze) dias. serão havidos por inexistentes. Há processo? Tomando posição nesse tema tão controvertido. Os atos. a inexistência decorrerá. cit. a rigor. O réu Um processo perfeitamente caracterizado supõe três pessoas: um autor que pede. temos dois dos três sujeitos do processo. praticado qualquer ato'. Baptista da Silva. ". Ineficazes seriam os atos praticados em relação àquela parte que se supôs representadav5'. 'se o ato pode ser ratificado. da circunstância de não haver a parte (!). Conforme chamou a atenção Ovídio A. . não ratificados no prazo. resolve a questão. é em relação à parte que não ratificou os atos praticados. Suponha-se que o demandante formule pedido contra réu inexistente. Ao contrário. Parágrafo único. na verdade. de ineficácia.1. A inexistência. no processo. pois. Trata-se. a que se refere o dispositivo. Havendo demanda formulada a um juiz. de parte sem procurador. um juiz para acolher ou rejeitar o pedido. na espécie. porém. 1. não se cuida. sustenta Jorge Luís Dall'Agnol que a existência do réu não constitui pressuposto de 5 1. Nestes casos. por exemplo. prorrogável até outros 15 (quinze)..

é inútil toda a atividade processual desenvolvida. pois.Requerida a citação editalícia de réus falecidos. Julgada procedente a ação. como no caso de ser proposta ação. impetraram mandado de segurança. ações de separaçãojudicial e divórcio.As nulidades de pleno direito. . na dupla condição de herdeiros e de ocupantes do imóvel. impõe-se reconhecer a nulidade do ato citatório e a não-ocorrência de formação da coisa julgada. Em caso apreciado pelo Superior Tribunal de Justiça. Entendemos que somente há processo Cjurisdicional) se formulado pedido contra alguém ou em face de outrem. O que pode faltar é a efetiva existência do réu.. não há processo (pelo menos o chamado processo contencioso) sem réu. sem que caiba indagar se. I1 . por não haver quem deva suportar-lhe os efeitos. tem este o dever de prestar a tutela jurisdicional. b) conceder liminar. ações decorrentes de venda a crédito com reserva de domínio. cit. Pressupostos. fato certificado pelo Oficial de Justiça. c) praticar atos processuais em casos de reintegração e manutenção de posse. 29. Se o réu indicado pelo autor de fato não existe. inclusive a eventual concessão de liminar. concedido em recurso ordinário. os filhos. mas contra estes ela é juridicamente ineficaz. formulada a demanda. no momento dessa decisão. Portanto. que decorrem da falta de regular formação da relação processual. pode o juiz "já neste primeiro contato com o autor: a) extinguir o processo por inépcia da inicial. Lê-se no acórdão: "I . Apresentada a petição inicial ao juiz. mesmo em sede de mandado de segurança impetrado por herdeiro dos falecidos. ainda que sob a forma de seu indeferimento. ação de embargos de obra nova. existe ou não existe.existência. o indigitado réu está vivo ou morto. A decisão poderá produzir efeitos de fato contra terceiros. 52. citados por edital. p. ações de alimentos e d) indeferir liminarmente a inicial quando reconhecer a decadência ou a prescriçã~"~~. podem ser deduzidas a qualquer momento. ignorando o autor o falecimento do réu. foi proposta ação possessória contra réus falecidos.

podendo defender a herança contra tercei- . se deu a abertura da sucessão e a conseqüente transmissão dos direitos possessórios. reconhecível até mesmo em mandado de segurança. Em primeiro lugar.572 do Código Civil. Sustentou ser ilegal o referido ato. o irnpetrante interpôs recurso ordinárioreafirmando a ilegalidade do ato. com a morte de seu pai. juntamente com sua mulher Maria da Estrela Roias Melo. haja vista a inexistência da sentença proferida nos autos da reintegração. O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. nos termos do art. os bens que lhe caberiam na sucessão.Conheço do recurso porque presentes os pressupostos de sua admissibilidade. em ação de reintegração na posse movida pela recorrida. Sr. Irresignado. Pediu. merecendo parecer favorável do Ministério Público Federal. foi o recurso admitido na origem. à época falecidos. na condição de herdeiro. por maioria. que fosse suspensa a reintegração até o julgamento final da ação rescisória que seria ajuizada. Ministro Sálvio de Figueiredo Teixeira (Relator): . réu. O impetrante. entendendo ser defeso suspender a execução de sentença rescindenda. filho de Joaquim Pinheiro Correia. então ocupante do imóvel. tendo em vista que a ação que deu origem ao mencionado mandado tramitou sem observância do devido processo legal. que tramitou sem citação válida dos réus. Francisco Adalberto Nóbrega. então. Sr. Ministro Sálvio de Figueiredo Teixeira: . é de assinalar-se que a legitimidade do impetrante é clara.O Exmo. Assumiu ele. Contra-arrazoado. É o relatório. insurgiu-se contra ato judicial que determinara a expedição de mandado de desocupação do imóvel. denegou a segurança. da lavra do Dr. uma vez que. VOTO O Exmo. ao ser feita a citação de seus pais.O recorrente impetrou segurança contra ato judicial que determinou a expedição de mandado de reintegração da recorrida na posse de imóvel situado na Capital flurninense. 1.

Ademais.quer por comparecimento espontâneo. 1. a decisão desta Turma no REsp n.93).06. 36. pode ajuizar demanda visando à defesa da herança. para a sua constituição e desenvolvimento válido. mesmo que não fosse herdeiro. que vai assim permanecer até a efetiva partilha. consubstanciada em acórdão com a seguinte ementa: 'I -Como anotado por Emane Fidélis. esteja o réu. 111 . de que fui Relator. em pólo oposto ao autor.I (DJ 21. 16.). seja o seu todo. No que concerne à matéria de mérito. A propósito. em cujo vértice se coloca o juiz-Estado e nos pólos ativo e passivo se posicionam as partes. to- .ro. que tratou de caso semelhante a este. CC. agem como mandatários tácitos dos demais co-herdeiros aos quais aproveita o eventual reingresso do bem na 'universitas rerum'. quer através de regular convocação.580 da codificação citada. 06v. preferiu requerer a citação editalícia. em tese. já que atual ocupante do bem. teria ele legitimidade.Um dos herdeiros. deve-se registrar ter sido demonstrado que a autora da ação originária (resolução de contrato cumulada com reintegração de posse). 1. I1 -Os descendentes co-herdeiros que. teve ciência da morte dos réus por informações do meirinho oficiante. Este é visto do ângulo dos próprios bens que o constituem. ora recorrida. que. Ao votar como Relator no REsp n. para questionar o ato ordinatório da desocupação. sustentei: 'O processo.580.391lR.96). como instrumento dajurisdição. apresenta-secomo uma relação jurídica.11. enquanto a herança se vê do ângulo de posição dos próprios herdeiros. Imprescindível. que certificou a ocorrência nos autos (certidão de fls. com base no disposto no parágrafo único do art. em defesa também dos direitos destes. tendo sido atendida por despacho do Juiz da causa. ainda que sem a interveniência dos demais. usando da disposição contida no art. demandam em prol da herança. O que não pode. Ao invés de providenciar a substituição deles.700lSP (DJ 11. seja o quinhão que lhe couber posteriormente'. Pode o réu não comparecer e mesmo assim a relação jurídica processual se constituir. ontologicamente a herança se distingue do espólio.

porquanto. SP. é a mais necessária de todas as peças do processo e a sua razão de ser repousa no próprio Direito Natural. como já vinha consignado nas Instituições de Justiniano. inseparável da pessoa humana. não poden- . Daí o relevo do instituto da citação. que.davia. não permite que ninguém seja julgado sem que tenha podido se defender. vício somente suprível pelo seu comparecimento espontâneo (CPC. um princípio sagrado que ninguém pode ser julgado se não foi chamado a se defender: 'Qui statuit aliquid parte inaudita altera. A citação. é absoluto. judican quid potest' . que ninguém deveria ser condenado sem ser ouvido ('nemo debet inauditus damnari'). g. indisponível. São Bernardo h a que 'nisi audiantur partes. é a base da ação e do julgamento. quando quis castigar o pecado de Adão. em sua sintética e precisa monografia O direito de ser citado (Ed. com efeito. vinculando ao princípio do contraditório. sua constante permanência ao longo da História fornece o alcance do seu significado. Processo sem réu não é processo. 214. 1977. Resenha Universitária. Por isso. como Cunha Salles e João Monteiro. Não há como afastá-lo'. o declararam repousante no Direito Natural. reproduzindo Vanguerve e outros. intangível. dizem. RT. por isso. 'Na verdade'. aliás. 'o direito de ser citado acerta com a própria origem da humanidade. foi citado ao ser acusado por Tértulo. São João Evangelista ensinava. previamente o interpelando: 'Vocavitque Dominus Deus Adam. o princípio e o fundamento de toda ordemjudicial: 'Immo citatio est principium etfundamenturnjudici' . et dixit ei: Ubi es'? Todos. estrangeiros e nacionais. Constitui. porque. n. consagrando o princípio da eterna justiça. 1980). Na mesma linha. É. a primeira citação foi praticada por Deus. Não há relação processual. é inocorrer a regular citação do réu. Ele próprio. escreveram Sanseverino e Komatsu ('A citação no Direito Processual Civil'. 'v. têm ido buscar o fundamento da citação no Direito Divino.'.s I*). art. 2): 'Alguns autores. aut aequusfuit' (Sêneca). um dos pilares do due process of law. consoante observou Luiz Carlos de Azevedo. in partes. para localizá-lo entre aqueles direitos que pertencem ao indivíduo como emanação de sua personalidade. Aequum licet statuerit.

C. contudo. dando-se por citado. tenha sido invocado'. cit'. a citação se impõe como uma providência substancial e necessária. Assim. Dessas considerações chega-se à formulação segundo a qual. porventura. no exemplo dado. cumprindo salientar a distinção porque. Azevedo. São insanáveis. 28 ed. Em singela monografia sobre o tema das nulidades ('Prazos e Nulidades em Processo Civil'. ou o litiscon- . fornecer. A circunstância de serem insanáveis. que sequer se forma. não citado validarnente o réu. 13. 1990. Forense. por isso. garantia e segurança àqueles que dele se servem' (L. a exemplo do que se dá com o comparecimento do réu que contesta. o réu deliberar sobre o seu direito. ipso iure. não impede que possam ser supridos. enquanto naqueles não se forma a relação processual.do. para ou repelir uma pretensão injusta. pp.. muito embora irregular a citação. se diz que 'onde quer que haja um direito a ser reclamado. ainda que com maior celeridade e eficiência. 541 5 3 . vamos descortinar especialmente os praticados em causas nas quais não se formou a relação processual. ou quando não citados todos os litisconsortes necessários. tive ensejo de escrever: 'Como atos nulos pleno iure. A distinção dos atos nulos pleno iure com os absolutamente nulos reside no fato de que nestes há o processo. isto é. O vício nunca será sepultado pela preclusão. a exemplo do que ocorre em feitos desprovidos de citação válida. nem por isto poderá afastar-se de sua finalidade última. 'se o processo judiciário é um instrumento técnico dedicado à melhor realização da Justiça e se lhe é oportuno colher subsídios à fantástica máquina operacional construída pelo progresso. estando ausente o réu. Na nulidade processual. seria sempre vítima da violência ou da surpresa e. de modo que a sua falta trará como conseqüência a anulação de qualquer procedimentojudiciário. o vício é mais grave porque atinge a própria relação processual. dispensando até mesmo a via da ação rescisória. que. 'op. uma culpa a punir. que peço vênia para trazer à colação. a defesa será tida como tempestiva mesmo que apresentada além do prazo previsto para a contestação.. p. sem ela. ou evitar de sua parte alguma oposição inconsiderada e sem êxito. n. uma reparação a ser exigida. 373)'.

. forma de citação ficta..... Conseqüentemente. faculdade.. Ministro Barros Monteiro.. não há que se falar em coisa julgada. de interpor recurso de agravo...... não haverá ato processual em relação a eles...... Cabimento do mandado de segurança por ofensa a direito líquido e certo do impetrante. uma vez que se trata de ato judicial recorrível.. 247. não há qualquer empecilho. 202 da Súmula deste Tribunal..... nos termos do Enunciado n. Assim... salvo na hipótese de comparecimento espontâneo.. Conforme já se viu. não tendo. E não se pode presumir tal ciência de pessoas já falecidas.. Na espécie dos autos. por oportuno.. a citação. presentes ainda os requisitos dofimus boni iuris e do periculum in mora'...... In casu..9861RJ (RSTJ 46/528)............inexistindo sentença válida.. de que foi Relator o Sr... nem sentença (que é ato processual). suprindo-se o vício.. mas. donde ser também chamada presumida. o vício não convalesce sequer pelo fenômeno da res iudicata... em que pese ter havido citação-edital. que improcede a argumentação da litisconsorte de que o mandado de segurança seria incabível.... o processo se desenvolve somente angularmente entre autor e juiz. Sem citação regular dos réus. sim. não se formou a citação válida na demanda resolutória cumulada com reintegratória. Nula.. presume-se que o réu dela venha a ter ciência. . 1.. e posterior nomeação de curador. CPC'.. não havendo que se falar em autoridade da coisa julgada..... não haverá processo... sem possibilidade de fazer valer o contraditório. Essa a índole do Verbete n......... que diz: .. à evidência que não preencheram tais atos os seus objetivos legais.. É de frisar-se. garantia maior do processo.... não haverá coisa julgada....... Não havendo sentença válida. logo.sorte necessário (também réu). nos termos expressos do art.. Quanto à discussão da matéria em sede de mandado de segurança. 267 da SúmulaISTF. o irnpetrante não foi parte no feito originário... como decidiu esta Turma no RMS n.. portanto... então... em acórdão assim ementado: 'Nulo de pleno direito é o processo que se fizer sem a citação da parte.. a sentença proferida é ato inexistente.... necessidade... Bastaria recordar-se que na convocação edital. Logo...

19-2-1998. 54.4. dou provimento ao recurso para sustar a desocupação até julgamento da rescisória. a existência de uma demanda e de um juiz. O juiz O processo. Comojá observamos. desta forma. contra ato judicial. 741. em mandado de segurança e até incidentemente. art. José Joaquim Calmon de Passos acrescenta. No caso. o pedido recursal para que se conceda a segurança.865-R&Rel. Sem honorários. cumprindo ressaltar que o requerimento do impetrante se limita à suspensão do mandado de reintegração da litisconsorte na posse do imóvel até julgamento da ação rescisória que viria a ser ajuizada. no sentido em que o estarnos examinando. 1. não há processo. Assim. 4 L h a ROMS . p. 10818 1 . cit. o tema está longe de ser pacífico. o mandado de segurança foi impetrado para fins de suspensão da execução até o julgamento final de ação rescisória a ser proposta. j. Em face do exposto.Jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça e Tribunais Regionais Federais. Lex . a saber. ou porque juiz em disponibilidade ou aposentado. I). Assim. 105 da Súrn~la/STJ"~~. A falta de citação pode ser alegada em embargos à execução (CPC. nos termos do Enunciado n. por exemplo. Mas não era necessária ação rescisória.).. . a esses 53. e. por exemplo. ex. g. que não é órgão do Estado. não se condiciona à interposição de recurso'. Sálvio de Figueiredo Teixeira.'A impetração de segurança por terceiro. p. 33. não tem idoneidade para ensejar processo (j~risdicional)"~~. ou outra ação que as suas vezes fizer (declaratória de nulidade. os pressupostos de existência do processo seriam dois e apenas dois.. Se. porque concursado ainda não foi nomeado. alguém formula pedido (demanda) a um bispo. Min. 8. Procede. STJ. Diz Jorge Dall'Agnol: "Demanda proposta perante quem não tem investidura jurisdicional. Pressupostos. supõe órgão do Estado investido do poder jurisdicional.1.

de pressuposto de existência.1. 56. não se pode excluir a invocação. capacidade dos sujeitos de serem partes (grifamos) e po~tulação"~~. p. cit. Trata-se de hipótese acadêmica. Embora tudo isso não suscite dúvida maior. Comentários. necessária para a existência do processo: "Para que a relação processual exista juridicamente. nem provocação da parte. pelo requisito de sua imparcialidade. 1. e a competência.dois pressupostos. "Juiz" sem jurisdição não é juiz. g. que se traduz. Tratase. v. 270. na ausência de qualquer processo. ou a que se ditou em processo diferente daquele a que se destinavam as notas)"".. a capacidade dos sujeitos de serem partes.. pois. cit. sim. diz Pontes de Miranda. juridicamente inexistente. p. a inexistência de causa de impedimento ou suspeição. Para a declaração dessa inexistência não é preciso ação rescisória. positivamente. sim. 111. a ) Jurisdição Ter jurisdição é o primeiro pressuposto relativo ao juiz. alguns requisitos são reclamados -os chamados pressupostos de constituição: existência do órgão com jurisdição. considerando-a. É inexistente. Tratado. segue-se que é inexistente a "sentença" proferida pelo não-juiz. em alguma hipótese. Os pressupostos processuais relativos ao juiz São pressupostos subjetivos. 449. proferida ao mesmo tempo que a pronúncia penal. concernentes ao juiz: ter jurisdição.5. o certo é que não há processo (junsdicional) sem juiz. da figura do "funcionário de 55. "a sentença publicada. Como não há processo sem juiz. A sentença é.. . nem há que se cogitar de prazo decadencial para que seja arguida. de difícil ocorrência. sem ser proferida em demanda civil a cuja instrução e debate imediatamente se ligue (e. Seja como for.

como violação da competência hierárquica e da competência discriminada entre as diversas Justiças e órgãos pela Carta Magna. como falta de atribuição legal para conhecer de uma entre outras causas de igual relevância e atribuídas a juízes de igual atribuição dentro da hierarquia jurisdicional e da partilha de competência feita pela Constituição. a sua rescindibilidade (CPC. a invasão de competência não representa simples violação de questões da ordem da incompetência absoluta. assumindo o lugar do STF. destarte. é possível que se tenha de afirmar a nulidade. Diz Humberto Theodoro Júnior: "A competência. Inversamente. O mesmo se diria do ato dojuiz de primeiro grau que. de sentença proferida por juiz regularmente investido na jurisdição. exorbitando de suas funções. adquirisse força e validade jurídicas um acórdão de Tribunal local que tomasse conhecimento de um recurso extraordinário e o julgasse. exarni- . por questão de hierarquia entre os diversos órgãos que compõem o poder jurisdicional do país. cabal absurdo pretender que. Dito julgamento configurará. no que diz respeito às atribuições das diversas 'Justiças' instituídas pelo poder constituinte. Tanto é que. tão-somente.II). ou por desrespeito a normas superiores da própria Constituição. não apenas uma sentença rescindível. por isso mesmo. A transgressão vai muito mais longe. pela ausência de rescisória. em regra. o Código se limita a prever. mesmo em se tratando de julgado proferido por juiz absolutamente incompetente. e não mera rescindibilidade. mas um julgado nulo ipso jure. 485. insuscetivel de se convalidar pelo transcurso do prazo decadencial destinado à interposição da ação rescisória. art. de sorte que o julgamento. para validar sentenças proferidas por pessoa investida na jurisdição por ato nulo. Outra coisa muito diversa é a total ausência de jurisdição. Seria. equivale a um julgamento por quem não detém a mínima parcela de jurisdição para o ato de autoridade que ousou praticar. Mas uma coisa é a incompetência. aliás. incapaz de gerar a coisa julgada e. não é matéria de nulidade absoluta da sentença.fato". Em semelhante conjuntura. ou que se investiu no exercício da jurisdição em circunstâncias de revolução ou guerra.

58. mais que em defeito de competência. 124. o Supremo Tribunal Federal. por exemplo. cit. 114. 25/161-79. tratando-se de litígio surgido 57.737-4-SP. inexistênciae rescindibilidade da sentença. 111. semelhante à atividade do não-juiz. Trata-se de lições que podem ser aplicadas em casos em que a competência resulta claramente da Constituição. uma causa entre particulares. v. 109) e a comum -remanescente. ou uma causa da União venha a ser dirimida pela Justiça Estadual. Entretanto. Só nos limites nela fixados está o juiz investido do poder de julgar. Comentários. A investidura dos órgãos dessas jurisdições já lhes confere poder de julgar limitado constitucionalmente. ou vice-versa. do ponto de vista process~al"~~. Humberto Theodoro Júnior. Por isso mesmo se diz que ela é fonte do poder jurisdicional. Entretanto. O que façam ou realizem fora dos limites constitucionais é. 291.art. há os casos de séria e continuada divergência jurisprudencial. No mesmo sentido a lição de Calmon de Passos: "O poder de julgar o magistrado tem suas raízes na Constituição. Constitucionalmente. decidisse que a sentençajá transitou em julgado por que razão não tinha o recorrente para se contrapor à sentença. federal -art. Ajuris. no Recurso Extraordinário n.. conseqüentemente. 238. ou. de sorte que o exercício de suas atividades fora dos limites traçados na Carta importa. ato inexistente juridicamente. eleitoral -art. em defeito de jurisdição. Também entendo que o mesmo ocorre quando uma causa civil venha a ser julgada por um Tribunal Trabalhista. do trabalho . proposta por empregado contra seu empregador. veio a íirmar entendimento contrário. o poder de julgar foi repartido entre as chamadas jurisdições especiais (penal-militar -art. ainda. 121.nasse o mérito da apelação. considerando infundadas as razões da parte. sem conexão com outra da União. entendia o Superior Tribunal de Justiça que era da justiça comum a competência para julgar as ações de indenização por dano moral. p. Nulidade. mas não a declaração de sua inexistência ou nulidade a qualquer tempo. a justificar a rescisão da sentença. . dizendo que. e. venha a ser solucionada pela Justiça Federal"". Assim. em tudo e por tudo.

a sentença torna-se inatacável por qualquer meio."não haverá juízo ou tribunal de exceção". Extinto o processo por sentença de mérito. 60. sana-se o vício pelo decurso do prazo de dois anos estabelecido para a propositura de ação rescisória (CPC. não que qualquer juiz possa. LIII -"ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente" e XXXVII . Min.528-SP. Decreta-se a nulidade apenas dos atos decisórios.II). tendo-se o que José Frederico Marques chamou de "coisa soberanamente julgada". art. j. . ao tempo de subirem à conclusão os respectivos autosvM'. 485. 59. ou. expresso em dois dispositivos da Constituição: no art. p. Não se tem aí. 10-3-1999. que confira ao acusado o direito de só ser processado. b) Competência O pressuposto processual da competência vincula-se ao princípio do juiz natural. "regra de direito intertemporal. não do próprio processo (CPC.Comentários h Constituiçãode 1946. Entrementes. a qualquer tempo. O vício detectado na pendência do processo sana-se com a remessa ao juiz competente. quantas ações não terão sido julgadas pela justiça comum? Que seja cabível ação para rescindi-las é razoável. 5 2Q).em decorrência de relação de emprego. pura e simplesmente declarar sua inexistência ou nulidade.CComp 21. pela autoridade competente ao tempo do ato delituoso. observa Pontes de Miranda. decorrido esse prazo. art. v. de modo que o princípio do juiz natural não assegura ao réu o direito de somente ser processado ou sentenciado por órgão que já tivesse competência à data do fato ou da propositura da ação.STJ.É que. ou sentenciado. 113. 5*. Esse acórdão provocou mudança da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiças9. 397. sequer. Rel. 4. O princípio da sanação atua também nos casos de incompetência absoluta. nada importa que a causa deva ser resolvida com base no direito civil. As normas sobre competência têm aplicação imediata. Carlos Alberto Menezes Direito.

Bastaria o enunciado do art.) Juiz que pertence à organização judiciária normal pode vir a ser juiz de exceção. infringindose o princípiow6'. 52 .. em síntese: 61. Também não se vedam os chamados "regimes de exceção". 179. p. ou especial. de assegurar a imparcialidade do órgãojulgador.. c) quer seja novo. b) provenha ou não de lei a deliberação de instituí-10. o princípio a instituição de órgãos especiais para julgar certa classe de casos. certa incerteza sobre a sentença que há de sobrevir integra o próprio conceito de julgamento. Entende-se mais facilmente o que se quer coibir com o dispositivo em exame. Certa álea. o art. "tribunal de exceção é o que se estabelece para determinado caso.. lendo-se o texto correspondente da Constituição Política do Império do Brasil. para redução da carga individual. 17: "não haverá .. XXXVII: "não haverá juízo ou tribunal de exceção". com que se busca pôr em dia o serviço forense. câmara ou turma. é algo redundante a norma de que ninguém será processado ou sentenciado senão pela autoridade competente. 395-6. ou já existente o órgão ordinário. o mesmo se podendo dizer do tribunal constituídopara julgar uma série de casos determinados. em última análise. independentemente da suspeição dos membros que a compõem.Excluído que se trate de norma de direito intertemporal. v. comentários. Comissão constituídapara julgar caso determinado parece suspeita. a que se confere o julgar excepcionalmente. porém. então. (. ou casos: a) já ou ainda não ocorrido. comissões especiais nas causas cíveis e crimes". 5*. anteriormente ocorridos. 4.. cit. ou fora dele. Temos. Não afronta. o julgamento não passa de uma farsa. pois a idéia de julgamento é incompatível com a de predeterminação de seu conteúdo. Se a decisão já foi tomada antes de reunirse o tribunal. predeterminados a condenar ou absolver. aumentando-setemporariamente o número de juízes de uma vara. Conforme Pontes de Miranda. como ocorre com as varas privativas dos feitos da Fazenda Pública. impedindo-se a constituição de tribunais ad hoc. Trata-se.

em que a Convenção. Lajustice criminelle en France sous lu terreur. A incompetência absoluta é improrrogável. 11 e 12 do termidor. bem como a seus amigos. não sendo oferecida a respectiva exceção. para o julgamento de causas penais ou civis"63. b) que os poderes constituídos não podem criar juízos para o julgamento de casos determinados. de defesa que precisa ser alegada pela parte para que dela possa 62. desse modo. René Roblot.instituídos por contingências particulares . no ano de 179462. A incompetência relativa prorroga-se. por ela declaradas fora da lei. Grinover & Dinamarca. irnpeantigo direito inglês. São Paulo. como ocorreu durante a Revolução Francesa. 63. que a competência de foro. préconstituído por lei.a) que a jurisdição não pode senão ser exercida pelos órgãos competentes. salvo nos casos expressos na própria Constituição. da mera constatação de sua identidade. A incompetência relativa constitui exceção em sentido estrito.A condenação à morte decorria. Não se modifica por conexão ou continência e é inderrogável por convenção das partes. impondo sanções penais sem processo prévio. no segundo. Revista dos Tribunais. O princípio do juiz natural apresenta um duplo significado: no primeiro. a possibilidade de o legislador julgar. muito em voga no f attainder). sob a liderança de Robespierre. . não seriam submetidas a processo criminal (Dec. 86 e 278. daí. que alimentaram as "fornadas" de 10. A incompetência pode ser absoluta ou relativa.contrapõe-se o juiz natural. Teoria geml do processo. através de leis votadas pelo Parlamento. Cintra. através de bill o de-se a criação de tribunais ad hoc e de exceção. não constitui pressuposto processual. pelo Poder Judiciário. que é relativa. de 19 e 20-31793. então. isto é. no denominado "Período do Terror". deputados e outros. Em outras palavras: "Aos tribunais de exceção . Essa norma veio a final a ser aplicada ao próprio Robespierre. O próprio Parlamento não pode exercer a jurisdição. lQ). art. Segue-se. decretou que as pessoas.p. ou seja. consagra-se a norma de que só é juiz o órgão investido de jurisdição (afastando-se. no prazo legal. 1976.

por incompetência absoluta do Juízo da 2a Vara de Família. decretar sua própria incompetência.. A acessoriedade ocorre em qualquer momento da propositura da ação acessória. Se a ação de oferta de alimentos deriva do reconhecimento da paternidade. antes que a parte adversa propusesse a sua. no prazo legal. Pnv. 108 do Código de Processo Civil. não pode o juiz. AgI 36. 1941201. Afirmando sua própria incompetência. é preciso que a parte argua. e a principal é a de investigação de patemidade cumulada com alimentos. o de sentença proferida por juiz absolutamente incompetente.Súm. art. nesse caso. sob pena de preclusão. JTJ. "A incompetência relativa não pode ser declarada de ofício". Se existe vínculo de acessoriedade entre a ação de oferta de alimentos e a de investigação de paternidade. 485 do Código de Processo Civil aponta. (Súm. alegou o apelante a nulidade da sentença. O tribunal rejeitou a preliminar: "A preliminar de nulidade. de oferta de alimentos. está claro que a ação acessória é a primeira. Marcus Andrade. a incompetência relativa (CPC. não cabe a ação. 28-1 11996. não prospera. durante ou depois da ação principal. j. entre os casos de rescisória. 33 do STJ. já havia sido distribuída e despachada.conhecer o juiz. É absoluta ou relativa a incompetência de um juiz. a ação acessória será proposta perante o juízo competente para a ação principal. no caso de nulidade relativa. TJSP. Assim é porque. de ofício. porque preventa a competência de outro? Em determinado caso. Por força do disposto no art. Dir. eis que relativa . O art. É que sua ação. 33 do STJ). não pode o juiz decretar a nulidade da cláusula de eleição de forow. exatamente porque outro seria o competente por prevenção. dizendo-a proferida por juiz incompetente. para julgar a ação. o que deixa claro que. S1 Câm. não importando que ela seja ajuizada antes. Tribunal paulista decidiu: Proposta a ação no foro de eleição. é perante o juiz que 64.Rel. . 112). de investigação de paternidade cumulada com alimentos.919-4.

processou a segunda que realmente teria que tramitar a primeira, em face do disposto no art. 108 do Código de Processo Civil. Ademais, não há que se falar em incompetência absoluta entre juízes de Varas de Família, pois ambos são competentes para processar e julgar as questões postas. Finalmente, a matéria encontra-se sepultadapela preclusão, pois do despacho de fls. 38 dos autos nQ35.637194 as partes foram intimadas e sem oferecimento de qualquer recurso. Rejeito a preliminar. O Senhor Desembargador Costa Carvalho -Revisor: Diversamente do que alega o apelante, em preliminar, não é nula a r. sentença a quo. Em verdade, sendo a ação de oferta de alimentos acessória, como de fato o é, em relação à ação de investigação de paternidade, nos termos do artigo 108 do CPC, a reunião das ações haveria mesmo que ocorrer perante o juízo por onde estava em tramitação a ação principal, no caso, a investigatória de paternidade, de ofício ou por provocação de qualquer das partes. Outrossim, como resta assente na doutrina 'A acessoriedade ocorre em qualquer momento da propositura da ação acessória, não importando que ela seja ajuizada, antes, durante, ou depois da ação principal, nem o fato de estar esta terminada' (cf. lição de Celso Agrícola Barbi e Pontes de Miranda - Coment. ao CPC, tomo 11, p. 278). Com a finalidade de evitar decisões contemporaneamente contraditórias, a ação principal atrai a ação acessória (confira-se com ac. unân. da Sec. Civ. do TJDF de 02.6.88, no CC nQ1.067, rel. o em. Des. Luiz Vicente Cernicchiaro). Se tudo isso não bastasse, a questão ora levantada em preliminar encontra-se preclusa, porquanto do despacho exarado à fl. 38 dos autos nQ 35.637194, as partes foram regularmente intimadas, deixando transcorrer o prazo recursal, entretanto, in a l b i ~ " ~ ~ .

65. TJDF,3'Turma Cív., AC 40.573196, Rel. Nívio Gonçalves,j. 17-1-1997.

Comentamos. O art. 106 do Código de Processo Civil dispõe que, correndo em separado ações conexas perante juízes que têm a mesma competência territorial,considera-se prevento aquele que despachou em primeiro lugar. Por sua vez, o art. 219 estabelece que é a citação válida que induz litispendência. Costuma-se harmonizar os dispositivos, algo contradit6rios, dizendo-se que o art. 219 regula a hipótese de ações propostas perante juízes com diversa competência territorial, ao passo que o art. 106 regula a de ações propostas perante juízes com a mesma competência territorial. De conformidade com essa doutrina, tomou-se preventa a competência do juiz que despachou a inicial da ação de oferta de alimentos. A prevenção teria ocorrido, ainda que se considerasse essa ação como "acessória" da de investigação de paternidade, cumulada com a de alimentos. Entendemos, por isso, que a ação não foi processada pelo juiz que era competente por prevenção. Mas o acórdão contém ainda outro argumento: o de que teria ocorrido preclusão, "pois do despacho de fls. 38 dos autos 19 35.637194 as partes foram intimadas e sem oferecimento de qualquer recurso". Entendemos, todavia, que não fica ao alvedrio das partes modificar competência determinada por prevenção. Depois de observar que a expressão conexão, usada no art. 102, refere-se a todos os casos constantes dos arts. 108 e 109, Celso Agrícola Barbi a f i a que a norma do art. 102 é imperativa: "havendo conexão ou continência entre duas ou mais causas, a competência fica modificada, não sendo dado às partes impedir esse efeito"66.
C)

Imparcialidade O princípio da imparcialidade encontra-se expresso no art. 10 da Declaração dos Direitos do Homem: "Todo homem tem direito, em plena igualdade, a uma justa e pública audiência por parte de um tribunal independente e impar-

66. Comentários ao Código de Processo Civil, v. II, p. 464.

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cial, para decidir de seus direitos e deveres ou do fundamento de qualquer acusação criminal contra ele". Está implícito na Constituição de 1988, a ele se vinculando as denominadas garantias da magistratura (vitaliciedade, inamovibilidade e irredutibilidade de vencimentos). Trata-se de princípio fundamental (quem há de propugnar por juízes parciais?), a ponto de se poder definir a própria jurisdição como "intervenção de um terceiro imparcial, em relação interpessoal alheia, a pedido de uma das partes". A imparcialidade supõe que o juiz não seja parte, nem dependa de qualquer das partes e que tarnpouco haja outro motivo para que se possa duvidar de sua isenção, o que se traduz na ausência de causa de impedimento ou suspeição. Os casos de impedimento estão no art. 134 do CPC. É defeso ao juiz exercer as suas funções no processo contencioso ou voluntário de que for parte; quando for órgão de direção ou de adrninistração de pessoa jurídica, parte na causa; quando for cônjuge, parente, consanguíneo ou afim, de alguma das partes, em linha reta ou, na colateral, até o terceiro grau; quando nele estiver postulando, como advogado da parte, o seu cônjuge ou qualquer parente seu, consanguíneo ou afim, em linha reta, ou na colateral até o segundo grau etc. O art. 485 do CPC aponta como um dos fundamentos de ação rescisória o fato de haver a sentença sido proferida por juiz impedido, o que deixa claro que, no caso de suspeição, não cabe a rescisória. Assim é porque, se a parte não recusa o juiz suspeito, no prazo legal, ocorre preclusão, o que significa que o vício não autorizará a decretação da nulidade do processo, nele próprio e, como maior razão, em qualquer outro processo. Sana-se o vício consistente no impedimento do juiz com a remessa dos autos ao substitutolegal (CPC, art. 313). O fato de a parte não opor a exceção própria, no prazo legal (CPC, art. 305), não implica preclusão. O impedimento pode ser declarado a qualquer tempo. Nem há sanação pelo trânsito em julgado da sentença. Contudo, não sendo proposta a ação rescisória nos dois anos subsequentes, a nulidade já não poderá ser decretada.

Estão os casos de suspeição no art. 135. Reputa-se fundada a suspeição de parcialidade do juiz, quando: amigo íntimo ou inimigo de qualquer das partes; alguma das partes for credora ou devedora do juiz, de seu cônjuge ou de parentes destes, em linha reta ou na colateral até o terceiro grau; herdeiro presuntivo, donatário ou empregador de alguma das partes; receber dádivas antes ou depois de iniciado o processo; aconselhar alguma das partes acerca do objeto da causa, ou subministrar meios para atender às despesas do litígio; interessado no julgamento da causa em favor de uma das partes.

1.1.6. Os pressupostos processuais relativos às partes São pressupostos processuais concernentes às partes: a personalidade judiciária (capacidade de ser parte), a capacidade processual e a representação por advogado.
a) Personalidade judiciária A capacidade de ser parte traduz-se melhor pela expressão "personalidade judiciária" do que por "personalidade jurídica", porque podem ser partes, no processo, como autores ou réus, entes que não são pessoas, como a massa falida. Nos termos do art. 2Qdo Código Civil, todo homem é capaz de direitos e obrigações. Todo homem tem, pois, personalidade civil, que começa com o nascimento com vida (CC, art. 49. Também podem ser partes no processo as pessoas jurídicas. Em suma, todas as pessoas têm personalidade judiciária. Todavia, mesmo não sendo havidos como pessoas, podem estar em juízo a massa falida, a herança jacente ou vacante, o espólio, o condomínio e, entres outros (CPC, art. 12), as chamadas pessoas formais. Mais ainda: no processo de mandado de segurança, tem-se admitido impetração por ou contra Câmara de Vereadores, Mesa da Assembléia Legislativa, Câmara dos Deputados, Senado etc. O Código do Consumidor admite como partes as entidades e órgãos da administração pública, ainda que sem personalidade jurídica, especificamente destinados à defesa dos interesses e direitos nele protegidos (Lei n. 8.078190, art. 82, III).

O Superior Tribunal de Justiça decidiu: TONS~RCIO DE EMPRESAS. CAPACIDADE PROCESSUAL. O consórcio de empresas pode estar em juízo para demandar e ser demandado, mesmo não tendo personalidade jurídica de direito material. A Lei, por uma questão de conveniência, lhe atribui essa capacidade processual (art. 12, WI, CPC)"67. Na verdade, é muito difícil apontar ente que, em hipótese alguma, possa estar em juízo. Um exemplo possível seria o de uma ação proposta pelo departamento de vendas de uma empresa contra o departamento de compras. Participamos de julgamento em que o autor era o órgão regional de uma associação de cabos e soldados da polícia militar, e a ré, a direção central. Por maioria, decretamos a extinção do processo, por falta de personalidade judiciária do autor. Na verdade, por detrás dessa questão processual, havia outra, de caráter ideológico, qual seja, a de saber até que ponto pode o Estado intervir em matéria interna corporis de associações. A decretação da extinção do processo implicou opção pela não-intervenção. Prosseguindo no raciocínio, suponha-se que advogado se dirija ao juiz, como representante de uma espécie animal ou vegetal em extinção, e que o juiz receba a petição inicial, determinando a citação do réu. Nesse caso, como já vimos, há demanda e, pois, wnautor, embora este não seja o ente indicado, que juridicamente não existe, mas o advogado, a quem se imputará a iniciativa e as sanções correspondentes. O mesmo ocorre nas hipóteses de ação proposta por advogado de autor inexistente; de ação proposta por advogado sem o instrumento de mandato, ou em nome de pessoa já falecida, ou de órgão de pessoa jurídica sem poderes para a outorga de procuração. Nos casos do art. 37 do Código de Processo Civil, a ratificação é possível mas, isso não ocorrendo, reputam-se inexistentes os atos

67. REsp 147.997-RJ, Rel. Min. Edson Vidigal, j. 15-4-1999 (Informativo STJ, n. 14, 12 a 16 de abril de 1999).

praticados, respondendo o advogado por perdas e danos ( a r t . 37, parágrafo único). Contudo, a inexistência jurídica da petição inicial não determina a inexistência do processo, pois o juiz deverá proferir sentença, decretando sua extinção e condenando o advogado em perdas e danos. Suponha-se, porém, que, embora sem a exibição do mandato e a indispensável ratificação, o processo continue. A hipótese não será de inexistência do processo, porque haverá necessidade de sentença que o extinga e, ademais, tal sentença condenará o advogado em perdas e danos. O que ocorrerá, na verdade, é a ineficácia da sentença em relação a quem poderia ter ratificado, mas não ratificou a inicial; ineficácia declarável a qualquer tempo, independentemente de ação rescisória.

b) Capacidade processual A capacidade processual vincula-se ao que no direito civil se denomina capacidade de fato ou de exercício. Têm essa capacidade aqueles que podem, por si mesmos, praticar os atos da vida civil. No campo do processo, tem capacidade processual quem pode praticar atos processuais, independentemente de representação ou assistência de pai, mãe, tutor ou curador. Para praticar atos processuais, os incapazes precisam que sua incapacidade seja suprida por representação ou assistência de outrem. O art. 8Qdo CPC estabelece que os incapazes serão representados ou assistidos por seus pais, tutores ou curadores na forma da lei civil. A incapacidade de qualquer das partes impõe a intervenção do Ministério Público (CPC, art. 82, I), sob pena de nulidade (CPC, art. 84). É possível que se imponha também a necessidade de nomeação de curador especial, por incidência do art. 9 do CPC, que dispõe: "O juiz dará curador especial: I - ao incapaz, se não tiver representante legal, ou se os interesses deste colidirem com os daquele;

Na falta de quem o assista. setembro de 1996. pena de substituição. porquanto sua atuação efetiva é obrigatória. o juiz deve nomear-lhe curador especial (CPC. gQ). em outro processo. a este competirá a função de curador especial". também denominado impróprio. a sentença será ineficaz em relação ao pretenso autor. Constitui ônus do autor provar os fatos constitutivos do seu direito"69. -Ação do absolutamente incapaz No caso de ação proposta por advogado com procuração outorgada por absolutamente incapaz. A declaração de ineficácia será possível ainda depois do decurso do prazo para a propositura de ação rescisória. 991194.. Prazo ordinatório. podendo o ato ser ainda validamente praticado. "A contestação extemporânea do curador especial não resulta em se reputarem verdadeiros os fatos afirmados pelo autor. AC 195178710. Amo Werlang. Rel. Parágrafo único.I1 -ao réu preso. dele não decorre preclusão. bem como ao revel citado por edita1 ou com hora certa. mãe ou tutor. ano 25. A ratificação pelo representante do incapaz é possivel (CPC. art. 69. é aquele cujo decurso não produz efeitos processuais. art. JTARS. . 13). Nas comarcas onde houver representante judicial de incapazes ou de ausentes. -Ação do relativamente incapaz Para propor ação. Tipicamente ordinatório é o prazo fixado por lei para o juiz proferir sentença. Cív. j. 1' Câm.em especial. 68. Sem ela. a nulidade absoluta do instrumento de mandato faz do advogado um 'yalsus procurato?'. entendendo-se ser meramente ~rdinatório~~ o prazo que lhe seja assinado para contestar ação. hipótese já examinada. TARS. por ação declaratória ou. O curador especial exerce múnus público. cujo "advogado" deverá ser condenado em perdas e danos. incidentemente. 14-5-1996. na forma da lei civil (CPC. o relativamente incapaz deve ser assistido por seu pai.

e nula é a sentença. I) ou em outro processo.art. abriu vista dos autos ao Ministério Público. para haver a diferença entre os valores pagos e os decorrentes da sentença. A sentença será ineficaz com relação a ele (pode haver outros réus). determinando fosse nomeado curador especial para a locadora. cit. art. a relação jurídica processual. O tribunal decretou a nulidade. Houve caso em que. . decreta-se a nulidade do processo (CPC. Não sendo sanado o vício. Fora daí. o interditando é parte e tem de ser citado""". Pontes de Miranda entende que. 9P). -Ação contra o absolutamente incapaz O réu absolutamente incapaz há de ser citado na pessoa de seu representante legal.. ineficácia declarável em embargos do devedor (CPC. no processo da interdição. interdição: inexiste. de pleno direito. no processo de execução e oportunamente examinada a validade do contrato por ela celebrado. O locatário juntou aos autos novo contrato.Tratado. na hipótese. "Tratando-se de enfermo da mente. a locadora propôs ação de execução. por isso. p. 452. a respeito da validade ou eficácia da sentença proferida na ação reno- 70. mas sua nulidade. a nulidade ipso iure independe de já haver. que foi homologada pelo juiz. em que esta dava quitação das pendências anteriores. a sentença é ineficaz em relação a ele. Verificando o relator que se tratava de pessoa demente. até por insuficiência de dados. com fixação de novo aluguel. por demência. 741. Em todo caso. não há inexistência jurídica da sentença. requerendo. art. a desistência (sic) da execução. celebrado com a locadora. não há citação. Parece-nos que a questão se resolve melhor com a afirmação da ineficácia da sentença:Mas as conseqüências são as mesmas. ou não. O tribunal não se pronunciou. a relação processual não existe e. julgada procedente ação renovatória de locação comercial. afirma. No caso de incapacidade absoluta do réu. 13). que arguiu a nulidade da sentença homologatória. Houve apelo da locadora. contraditoriamente.

A ré recebeu citação pelo correio e juntou o instrumento de procuração judicial regular.1996a locatária noticiou nos autos a celebração de novo contrato. identificou motivo para que o MP interviesse no processo e. com firma reconhecida. lançado parecer da eminente Procuradora de Justiça Renata Helena Petri Gobbet. eminente Juiz Lagrasta Neto. mas acenou para a possibilidade de rescisão da sentença por falta de intervenção do Ministério Público. Veio. o então relator. sem provas outras. ad cautelam. com parecer concordante do assistente técnico da ré. julgando a demanda procedente e fixando o valor locativo conforme o estimara o laudo.04. b) falta de prova da idoneidade financeira do fiador indicado.. uma vez que o contrato firmado vem estabelecer para 1996 aluguéis inferiores aos encontrados pela perícia para 1994. ré e fiadores. 'Cuida-se de demanda renovatória de locação comercial. Manifestação da empresa autora a f. adoto o parecer como parte substancial de meu voto. determinando. que detalha a história do processo. no prazo. . e c) insuficiência do novo aluguel proposto. Exa. exarou o r.julgava extinto o processo e determinava arquivamento dos autos. e porque eu não faria senão repetir o que disse Sua Excelência. então. Por isso.vatória. após a qual S. recurso de apelação. Apresenta a locadora. vindo contestação. oportunidade em que pleiteou extinção do processo. que a digna Procuradoria de Justiça se manifestasse. assinado pela autora. O saneador de f. Audiência... de vez que uma das cláusulas fazia referência expressa a quitação 'por quaisquer pendências anteriores etc. e alegando: a) falta de prova do cumprimento das obrigações contratuais em curso. com críticas. por isso. identifica infrações procedimentais e sugere solução que coincide com as conclusões que extraio da minuciosa leitura dos autos. sentenciou. despacho de f.' O douto Magistrado declarou que homologava desistência. "Examinando os autos. iniciou-se execução e em 08. Transitada em julgado a sentença. para reajuste anual. rejeitou arguição de intempestividade de defesa e designou perícia. arguindo a prática de dolo. Veio laudo a f.

que enfatiza a impertinência em sua parte final. 9. desde a homologação e extinção de f. 249. par. porque em matéria de nulidades processuais vige o princípio pus de nullité sans grief (CPC.248 e 249. em seu par. e o terceiro de outubro de 1995. com diagnósticos de doença de Alzheimer. mos arts. de 07. Do ponto de vista processual. a partir da homologação de f.. ún. e 146 do CC. O primeiro. I.. Se houve captação dolosa da 'vontade' da locadora. inclusive. O processo de qualquer modo é nulo. Quadro de insanidade evoluindo desde 1990. pronunciando outros- .. ante a literal disposição do art. Situação de extrema gravidade. quadro demencial involutivo.sempre no interesse da incapaz. sendo que este Último. para assinatura do novo contrato. uma vez que os termos da sentença vieram de encontro ao interesse da incapaz. se houve dolo unilateral. ou não. ou se para tanto concorreram os patronos de ambas as partes. em princípio. Ante o exposto. através de sonegarem as corretas informações a seu advogado. mas isto a verificar. ou os familiares da ré. Quer dizer: a subsistência da fase de conhecimento do processo poderá ser verificada. por ambos os lados..1995. $ 2*). ou pelo aspecto jurídico. ainda a requerimento das partes'.12. e no que se refere à fase de conhecimento. ou não. requeiro seja anulado o processo conforme supra-referido. 246 e 248.. do CPC poderá ser analisada à luz do art. 145. 249. f. Por incidência dos mesI.. a infração aos arts. diz: 'As nulidades do artigo antecedente (.s 2Q (aqui a contrario sensu) do CPC. Mas o contrato de locação é nulo e o seria ainda que fosse vantajoso ao interesse da incapaz.s 2Q. datado de 13. Y. 146. Nulo é também o contrato de f.) devem ser pronunciadas pelo Juiz.04.. por incidência dos arts. se a empresa locatária tinha conhecimento da enfermidade da ré. A informação da incapacidade da ré foi ocultada à Justiça. o segundo. cf. I. quando conhecer do ato ou dos seus efeitos e as encontrar provadas. 246.1993. Ou será caso de ação rescisória. art. quer pelo aspecto clínico. ún. não lhe sendo permitido supri-las.Apresenta prova de interdição em curso na Comarca de Camanducaia e laudos psiquiátricos. não importa.

ano 86. art. íü).. pois. instando a tanto o curador especial que venha a ser nomeado. RT.do contrato de f. depois de autorizado pelo juiz (CC. outra decisão seja prolatada pelo E. decisão de f. tudo muito complicado. Civ. a pretexto de protegê-lo. para o que couber.Ap. dou provimento ao recurso para anular a r.O curador então nomeado é que poderia propor a ação. Suposto que a locadora do imóvel já fosse incapaz ao tempo da citação para a ação renovatória. inclusive. em razão dos fatos posteriormente conhecidos. acolhida desde então. não poderia ser formulado pelo curador especial. devendo a Promotoria de Justiça providenciar a vinda aos autos de informação relativa à sentença de curatela. 61Câm. C/C 71.69011. por extravasar os poderes para defender o incapaz. Necessária ainda a comunicação do ocorrido (desde f. 468. para que.. por outro lado.' Dado o exposto. e tomará providências outras que se façam necessárias. Haveria. a nulidade incidenter tantum do contrato de f. . VII). o que afasta a possibilidade de se prejudicar o incapaz. o contrato de f. Exa. que. Câmara a nulidade -incidenter tantum . 2QTACSP.. apreciando. a hipótese seria de ineficácia da sentença. S. art. sempre suposta a incapacidade da locadora. a indispensável intervenção do MP. pronunciando essa C. para o que teria legitimidade o Ministério Público (CPC. No caso. pronunciando esse com eficácia ex tunc. 427. caso a C.117. Juízo de I* grau.que ratificará ou não os atos anteriores. O curador especial é nomeado para defender o incapaz. seria nulo o pedido de execução. desde f.sim V. Câmara julgadora pronuncie a nulidade aqui pleiteada. agosto de 1997. v. dependente de arguição por seu curador. 453.. Com o retomo dos autos à primeira instância. não tendo poderes para propor ação em seu nome."". como se vê. 1. quero dizer. art. F). e excetuadas as meras intimações) ao juízo da interdição. Rel. 7421185. d. O art. Carlos Stroppa. deverá ser nomeado à ré curador especial (CPC. necessidade de se promover sua interdição. se o caso..

a participação do autor ou do réu somente é indispensável nos casos de composse ou de atos por ambos praticados (CPC. e não só contra aquele. que também devesse ser citado. porque a ação se exerce contra os dois. porém. A sentença será ineficaz. tutor ou ~urador)"'~. figurando no documento. 72. 10 do CPC dispõe que o cônjuge necessitará do consentimento do outro nas ações: a) que versem sobre direitos imobiliários.s P). 485. Se. Tratado. incapaz e assistente. a nulidade é coberta pela sentença. Nada obsta a que se insira nos embargos do devedor. o assistido e o assistente (o relativamente incapaz e o titular do pátrio poder. 10. afalta de citação é nulidade ipso iure. a constituição ou a extinção de ônus sobre imóveis de um ou de ambos os cônjuges. existia titular do pátrio poder. Tal espécie somente ocorre se a lei exige que ambos sejam citados. V). Nas ações possessórias. porque. no endosso. devendo ambos ser citados para as ações que tratam de direitos reais imobiliários. tutor ou curador. 452. cuja execução haja de recair sobre o produto do trabalho da mulher ou seus bens reservados. tutor ou curador. d) que tenham por objeto o reconhecimento. vindo a execução. sem que o assistisse no processo. . assistido pelo titular do pátrio poder. ele e quem o assista hão de ser citados.Pessoas casadas O art. por exemplo. Pontes de Miranda distingue: "Outra questão é a do citado relativamente incapaz. como se o ato ilícito foi praticado pelos dois. nesse caso. porque a sua citação deveria ter sido feita e ser válida. b) resultantes de fatos que digam respeito a arnbos ou de atos praticados por eles. cit. art.-Ação contra o relativamente incapaz Se o réu é relativamente incapaz. sob pena de nulidade da citação. . c) fundadas em dívidas contraídas pelo marido a bem da família. e só a ação rescisória pode atacar o julgado (art.. como no caso acima considerado. p.

advogados funcionários. ainda. diz Calmon de Passos. v. na forma do a r t . É o que decorre da Constituição. Se não comgida. ou se tem a revelia . cit. 467.. nos limites da lei". pois se trata de pressuposto para seu desenvolvimento válido. então. SQ. quando verificada pelo juiz ou arguida pela parte. ou lhe seja impossível dá-la. (. Segue-se daí que a jurisdição não pode ser exercida sem que as partes sejam representadas ou assistidas por advogado. 74. A falta. remunerados pelos cofres públicos.LXXIV: "O Estado prestará assistência jurídica integral e gratuita aos que comprovarem insuficiência de recursos". quando um cônjuge a recuse ao outro sem justo motivo.. "de falta suprível. Se não corrigida. sendo inviolável por seus atos e manifestações no exercício da profissão. ao que a Constituição responde com o art. o processo será extinto. caput: "A Defensoria Pública é instituição essencial à função jurisdicional do Estado. invalida o processo. p.(quando a providência competia ao réu) ou a extinção do processo (sendo a providência de responsabilidade do autor)"73. Para os pobres. 73. LXXIV. 417. p. Observa. Comentários.). o problema do pobre. 11 dispõe que a autorização do marido e a outorga da mulher podem suprir-se judicialmente. v. Calmon de Passos. Comentórios. permanece o entendimento predominante de que a falta da outorga só pode ser arguida pelo cônjuge de cujo consentimento se pre~cindiu"~~. o mesmo autor: "Quando a hipótese não for de litisconsórcio necessário. dos necessitados. HI. . cit. art. em todos os graus.SQ. 133 da Constituição estatui: "O advogado é indispensável à administração da justiça.O art.. . 134. incumbindo-lhe a orientação jurídica e a defesa. não suprida pelo juiz. "Cuida-se". mas de simples outorga.. Põe-se. c) Capacidade postulatória O art. iIi.

para que esta possa mover-se. não raro lutando como pigmeus contra gigantescas organizações econômicas ou estatais. em que não há autor. não podem. defensores públicos. patrocinar ninharias. tem mostrado que. por essa via. em massa. é necessário que o processo seja simples. concede-se-lhe. assistentes judiciários. Irreversível é a substituição do mago. com a adoção do sistema inquisitório. A ação deixa de ser uma atividade para se transformar num mero ato. com suas ervas. de um lado. de certo modo subtraindo-se à parte o próprio direito de ação. Os advogados. produz bens ou presta serviços. em substituição. ou seja.Vedada a defesa privada. de que se tomaram empregados. de outro. pelo aparelho médico. uns tomaram-se servidores públicos. porém. Dá-se um novo passo quando se exige advogado. porém. bastando que o interessado dê noticia do ilícito à autoridade judiciária. que. invocações e preces. põe-se o problema do acesso à justiça. que não pode exercê10 pessoalmente. com remuneração vil. se defere aos juízes terrível arbítrio. mas apenas através de profissional habilitado. o direito de ação. pobres ou não. . a empresa. advogados da pobreza. em razão do pequeno valor da causa. de profissionais liberais. em detrimento dos direitos individuais. com as grandes concentrações urbanas. Outros foram absorvidos pelas empresas. mas não se pode ter simplicidade processual numa sociedade complexa. advogados de ofício. A História. negado a uns em razão de sua pobreza e a outros. O fenômeno provocou impacto na advocacia. feiticeiro ou curandeiro. raios X e raios lasel. corpos de cirurgiões. com seus hospitais. com suas próprias mãos. É irreversível a substituição da bucólica vida do campo pela vida trepidante das cidades. o acesso à justiça afirma-se como direito fundamental. A simplificação processual somente é possível com o sacrifício do sistema acusatório. Proibida a parte de. a favela e. Para que se possa dispensar o advogado. em que se encontram. antibióticos e exames laboratoriais. em suma. O problema tomou-se agudo. na América Latina. Exigida a representação do autor por advogado legalmente habilitado. agora que nos deparamos. Apenas um reduzido número pôde conservar a sua posição tradicional. esmagar o ofensor. Esses.

Não parece desejável que se tenha um tribunal em cada esquina. A atuação do advogado não se vincula apenas ao direito de ação. porque extinto o processo e findo o ofício jurisdicional. conforme haja ou não o juiz se dado conta da circunstância invalidante. O acesso à justiça é um bem que a ninguém se deve nega.906. nos Juizados Especiais Cíveis (Lei n. decretar a nulidade da sentença em outro processo que não o de ação rescisória. devemos oferecer oportunidade de trabalho. trânsito em julgado da sentença de mérito acaso proferida impedirá a decretação da nulidade. que é pago pelos próprios interessados ou pela sociedade. 4Q). A banalização da justiça não é desejável. para que possa ter alimento e habitação. contudo. através de impostos. A sentença poderá ser rescindida. Estatuto da OAB. O entrechoque das parcialidades é necessário para a imparcialidade do órgão judicante. P). nos termos do art. nem depois de transcorrido o prazo para que seja proposta.1994. Todavia. Ao pobre. porém. de 4-7. que não tem o que comer e onde morar. não cobra dívidas. não faz testarnento. A hipótese de petição inicial firmada pessoalmente pelo autor. Havia sabedoria no aforismo de minimis non curar praetor. sem o juspostulandi. e não se compreende que deva pagá-lo a sociedade se não o querem pagar os próprios interessados.que pode ser decretada em qualquer tempo do CPC. art. A sociedade precisa ter uma certa capacidade de auto-absorção dos conflitos. é de nulidade cominada (Lei n. é menos necessitada a presença do advogado. por entenderem que não vale a pena. Não se justifica a movimentação da máquina judiciária por uma camisa que não foi bem lavada na lavanderia.099.. porque o pobre não celebra contratos. . No cível. sem interferência do juiz. 9. nem deixa bens a inventariar. o e grau de jurisdição. 8.daí haver a lei ordinária admitido a reclamação pessoal. Trata-se. Não se poderá. por erro de fato ou por violação de literal disposição de lei. art. de um bem que tem o seu preço. 267. A advocacia da pobreza se desenvolvesobretudo no direito penal e no direito de família. Produziria a intervenção do Estado em todos os aspectos das relações sociais.s 3Q. mas também ao direito de defesa e ao princípio do contraditório. não advogados e tribunais.

... não de sua existência.. 285.. quando talvez o inverso fosse o mais correto"7h. suspenso.) é criticável a situação criada pelo sistema positivo..Diz: "O art. já que acabou por considerar como sendo um vício mais grave a ausência de procuração..... respondendo o advogado por despesas e por perdas e danos")75..... cit..... não ratificados no prazo.. faz menção à inexistência jurídica.. ou se os atos forem praticados por quem não esteja inscrito nos quadros da OAB.. uma vez existente o ato e produzindo os efeitos jurídicos próprios. (.. 37. ou por advogado impedido.. Parece-nos.. ...... menos grave.. serão havidos por inexistentes. preferimos caracterizar a capacidade postulatória como requisito apenas de validade do processo..906194 estabelece que são nulos os atos praticados por alguém que não esteja inscrito nos quadros da OAB... que a determinação dos pressupostos de existência do processo constitui matéria de teoria do processo.. 37 do CPC ("Os atos. Já o dispositivo inserido na Lei 8............ p... 75. já que a inexistência só ocorre quando não se junta o instrumento da procuração...... ou exercer atividade incompatível com o exercício da advocacia...... em primeiro lugar.Teresa Warnbier considera a capacidade postulatória pressuposto de existência do processo..Teresa Amda Alvim Wambier.... e com um bom argumento: o parágrafo único do art.. De nossa parte........ Parece-nos.. e..... licenciado ou que exerça atividade incompatível com o exercício da advocacia....... 76. parágrafo único... suspenso.... tem lugar o vício de nulidade se o advogado for impedido.. O resultado da conjugação desses dois dispositivos é a impossibilidade de se classificar com tranquilidade a capacidade postulatória como pressuposto processual de existência..Nulidades... As razões são várias.. . Entretanto.. em segundo lugar.... licenciado..... p.. cit. Nulidades.. que.. 38. a juntada de procuração de quem não é advogado ou não pode exercer a advocacia. não podendo ficar sujeito a deslizes redacionais do legislador.

considerando-se. parágrafo único. embora em seu nome haja sido pleiteada a tutela jurisdicional. não constitui hipótese de falta de jus postulandi. prejuízos para os seus eventuais clientes. não que se tomem inexistentes. parágrafo único. o que caracteriza exatamente a desconstituição por nulidade. em atenção aos interesses e boa-fé do cliente. inocorreu no caso vertente. 4. neste livro.906. licenciado ou que passar a exercer atividade incompatível com a advocacia. ao que consta dos autos. é de se aplicar analogicamente à espécie o decidido pelo Excelso Pretório quanto aos efeitos da atividade exercitada em causa própria por Advogado impedido. de 1963). Tudo. tal como o impedimento. São também nulos os atos praticados por advogado impedido. Tal. mas de advogado sem autor. Se não fosse possível tal averbação. haveria de ser recolhida a carteira e ou cartão do profissional. Sabiamente. a incompatibilidade superveniente e temporária haveria também de sê-10. mais do que o advogado. Por isso mesmo. 37.não se pode reconduzi-10 à inexistência. para conhecimento de terceiros. o art. 4Qda Lei n. há quem admita a ratificação dos atos praticados (mais. o citado artigo diz que os atos não ratificados serão havidos como inexistentes. sem prejuízo da responsabilidade disciplinar . que deveria ser averbado na carteira ou cartão de identidade ou profissional (artigo 85. vol. os efeitos processuais da declaração dessa nulidade recairiam inteiramente sobre o agravado. Em quarto lugar. 8. de mandatário sem mandante. de 4 de julho de 1994 (Estatuto da Advocacia) estabelece que são nulos os atos privativos de advogado praticados por pessoa não inscrita na OAB. Aliás. suspenso. 98/293). sem prejuízo das sanções civis. que não teria condições de reconhecer a existência dessa incompatibilidade. Em terceiro lugar. permitindo a ratificação dos atos por ele praticados ('RTJ'. sobre o tema. evitando-se. penais e administrativas. relativa essa nulidade. assim. da Lei n. evidentemente. em "A doutrina de Galeno Lacerda"): "em verdade. O art. que determina a ineficácia da sentença em relação a quem não participou do processo.pode-se apenas desconsiderar seus efeitosjurídicos. destarte. a decretação de tal nulidade prejudica a parte representada. É claro que.215.

Como se observa. nesses casos. sem ojuspostuhdi. Também há revelia. por se tratar de nulidade absoluta. mediante remessa dos autos ao juízo competente. entendemos que a inexistência do autor não acarreta a do processo e da sentença. e não nulidade. 13. tanto que admite a ratificação até mesmo de atos juridicamente inexistentes (art. 2& Câm. e que a falta de citação determina a ineficácia da sentença em relação ao réu que não foi citado. Se o advogado de réu incapaz. Ademais. cit. . TJSP. a sanação do vício. há defeito de representação que. Donaldo Armelin. oferece contestação por ele próprio subscrita (CPC. aí.II). não há senão nulidades relativas. validamente citado. apresentase com procuração passada por absolutamente incapaz. não sanado (CPC. A nosso ver. p. foi corretissima a decisão do tribunal. Nulidades. 13.. ou por se tratar de nulidade cominada. que bem aplicou o princípio da sanação.. que exerceu atividade profissional quando não mais poderia fazê-10"~~. caberia afirmar-se que. "nulidades instituídas precipuamente no interesse público são sempre in~anáveis"'~. o qual afirma ocorrer. acarreta a revelia. vinculada à violação de norma tuteladora do interesse público. 142.Civ. 37 e parágrafo único). Rel. Nisso estarnos a divergir de Pontes de Miranda (o que não deixa de ser temeridade). j. respectivamente. . 77. inexistência e nulidade da sentença. AgI 243. art. pois considera ojus postulandi como pressuposto de sua existência. consagrado pelo Código. 78.1. ou por relativamente incapaz não assistido. no processo. O tribunal teria encontrado fácil apoio doutrinário para afirmar a insanabilidade. Conforme se observou. admitiu-se. se o réu. 7-2-1995.do seu ilustre Patrono. H). Se há incompatibilidade entre o conceito de nulidade absoluta e o de sanação. tanto que sanável a própria incompetência absoluta. considerando-se não oferecida a contestação. 1691189.MJ.797. Teresa Wambier talvez declarasse a própria inexistência do processo. art. segundo essa mesma autora.

é sem qualquer existência: não há relação jurídica processual. No caso de inexistência do réu ou de falta de citação do réu. no velho direito. hoje ainda o é... p. A actio nullitatis -para as sentenças nulas ipsojure -podia e pode ser proposta após os dois anos do prazo preclusivo das ações rescisórias e até mesmo depois dos vinte da actio iudicati. sendo. em nome de uma espécie em extinção (incapacidade de ser parte) acarretaria a inexistência jurídica do processo. Mas o art. mas seria confundir-se incapacidade de ser parte com incapacidade da parte. pois.. porque são açóes perpétuas as que nascem contra a nulidade de pleno direito"80. I.). a ação proposta. 99. b) a incapacidade de ser parte. O caso b). "Discutamos dois casos que são de difícil colocação na dicotomia nulidade ipso iure e rescindibilidade: (. no momento da sentença. não há relação jurídica processual. Diz: " A sentença dada contra o morto era nula de pleno direito.). Comentários. não tivesse de sofrer a limitação do art.. Dentre os bons processualistas italianos. era o herdeiro. . no caso de o autor não ter capacidade de ser parte.. (. sendo também nula a sentença. o processo. "Se o princípio audiatur et altera pars fosse inexceptuável. pelo menos. não se pode falar de 'recurso' contra ela. 93. existe mas não vaie. t. porque o réu não foi citado (não se cita morto) e o réu. p. cit.Segundo Pontes de Miranda. cit. Comentários. juridicamente inexistente a sentença nele proferida. seria inexistente. 80. XI. t . M. portanto. ou. explícita. que contém o nome do réu e esse não foi citado.. a sentença. posto que nula a relação jurídica processual. a 'sentença' é não-sentença. Nesses termos. Não impor- 79. a sentença é. tratando-se de autor. 214 estabelece a pena de nulidade. a outra é causa de inexistên~ia"~~. segundo Pontes de Miranda. a ação proposta por absolutamente incapaz (incapacidade da parte) determinaria sua nulidade. Ricca-Barberis reputou objeto de querela nullitatis a incapacidadede ser parte. digamos. Essa é que é causa de nulidade. XI. 741.

. t . p. "Resta saber se. e se extingue a actio nullitatis do art. I. "Tanto relação jurídica processual existia. p. o comparecimento do citado. A nulidade é insanável com o trânsito em julgado da sentença. Comentários. .) Antônio Mendes Arouca e Gabriel Pereira de Castro permitiam que ainda depois se discutisse a nulidade absoluta da sentença: Miguel de Reinoso entendia que não (seguiu-o Manuel Gonçalves da Silva). XI. não cobre o vício da citação nula do revera2. 101. 214. saná-la-ia. t. 741. constitutiva. 81. mandamental. Diz. ainda favorável.. ex hypothesi. t . p. Pontes de Miranda. 83. XI. embora não seja a ação rescisória o único remédio jurídico para a desconstituição delas. oferecendoos. que o comparecimento do citado sanaria a nulidade (art.ta qual a ação de que se trata. Há a actio nullitatis e a exceptio nullitatis. Pontes de Miranda sustenta também que a nulidade da sentença por falta ou nulidade da citação inicial resta sanada se. condenatória. o que. não é esse inexistente. p. 741..g 49.. Diz: "No direito brasileiro. 100. ou da ação rescisória. como resulta do art. Comentários. ou executiva. Ambas as sentenças têm eficácia enquanto não se lhes decreta a nulidade ipso iure. XI. Comentários.. sim. a despeito da citação nula. I. XI. a citação de incapaz é nula. podendo ser proposta a exceção por via de embargos do devedor (art. 100. não alega a nulidade. t . 84. mas apenas no tocante à sentença. nem no é aquela. o réu não oferece embargos à execução ou. 94. Pontes de Miranda. cit.. o executado fica privado da sua ação de nulidade. I). (. Equiparação da falta de citação (citação inexistente) à citação nula. não se deuw8'. e nulo o processo. ainda. bem como os embargos do devedor que são espécie daq~ela"~'. 741. -se declarativa. 82. cit. Comentários. cit. se os embargos de devedor não foram apresentados no prazo legarw. exercíveis antes da prescrição. como em tantos outros. cit. que "A sentença. proposta a execução.

de uma causa de pedir. mas que o juiz ouça testemunha e certifique as 85. a) Pedido Distingue-se o pedido imediato. supre. Aí. como no caso da justificação. Observe-se que daí decorre não poder o juiz da execução decretar.1. como declarar. tal implicaria conhecer de embargos não opostos ou de matéria neles não deduzida. mas de condição da ação. 94-5. XI. não de pressuposto processual. em que não se pede declaração alguma. condenar ou mandar. tendo comparecido o executado. São eles a existência de um pedido. 1. um fazer. Esses requisitos se extraem do art. havendo mais de um. quando contiver pedidos incompatíveis entre si. efetivamente. t. Os pressupostos processuais objetivos Passamos ao exame dos pressupostos processuais objetivos.cit. constituir. a não-arguição. Comentários. que qualifica como inepta a petição inicial quando lhe faltar o pedido ou a causa de pedir. 295 do CPC.7. a nulidade da sentença proferida no processo de conhecimento. correspondente ao teor ou conteúdo do provimento. b) Pedido imediato Pode-se pedir ao juiz um dizer ou um fazer: um dizer. I. Pontes de Miranda. de nexo lógico entre ambos e a compatibilidade de pedidos. em que se pede que o juiz emita um ato de natureza declarativa.. quando da narração dos fatos não decorrer logicamente a conclusão. como no caso mais frequente. que corresponde à natureza do provimento solicitado. Manuel Gonçalves da Silva abundou em argumentoswg5. 741. Aliás. Miguel de Reinoso é que tinha razão. de ofício. do pedido mediato.Nos casos do art. . A hipótese de pedido juridicamente impossível é considerada como falta.

Contudo. ao juiz. Quanto aos efeitos. dirse-á declaratório.declarações por ela feitas. Assim. C) d ) Falta de pedido A falta de pedido. tem-se tolerado a ausência de pedido ou a formulação de pedido impreciso. que abre as portas para a execução. porque produz os efeitos da declaração de vontade omitida). na petição inicial. buscar. a sentença declara e executa. Em princípio. não se pode pedir. como as de acidente do trabalho. o provimento solicitado tanto pode consistir num fazer (exemplos: penhorar. também em honorários advocatícios. se o réu chegou a ser citado. dizendo-se competir ao juiz conceder o benefício previsto na lei especial para cada caso. petição inicial houve. o bem da vida por ele pretendido. a sentença condenatória também declara a existência de uma relação jurídica. Registramos. Assim. o provimento. de natureza declarativa. quanto à sua natureza. não impede a constituição da relação processual. o provimento solicitado pode ser ou não um ato declarativo. mas o efeito mais forte é o condenatório. Cabe ao advogado do autor determinar a medida própria e cabível. Quando se pede execução. em detrimento do réu. com fundamento no art. apreender e entregar coisa móvel ao autor) quanto num dizer (em certos casos de obrigação de prestar declaração de vontade. que sustenta importar a falta de pedido ou da causa de pedir na . a "providência adequada" para solucionar a situação de fato narrada. do Código de Processo Civil: A imprecisão ou mesmo a ausência de pedido não implica haver o juiz agido de ofício. constitutivo. por suposto. porque. 485. avaliar e alienar bens do devedor para satisfazer o credor. o pensamento diverso de Calrnon de Passos. ainda que inepta. conforme o que predomine. com a eventual condenação do autor nas custas e. A sentença que o juiz profira é rescindível. condenatório ou mandamental. V. em certas ações. Pedido mediato Pedido mediato é a pretensão material do autor. porém.

e) Sentença e pedido A sentença de mérito deve pronunciar-se sobre todo o pedido e somente sobre o pedido formulado pelo autor. Citra petita a sentença. re~cindível"~~. anulável mediante o provimento do recurso de apelação.. ocorre preclusão.cit.). 87. (6também o que pensa Calmon de Passos: "Havendo cumulação de pedidos. III. Comentários. sustentando. É rescindível. Comentários. 207. quer para acolhê-lo. 468. p. no todo ou em parte. não para que se a complete. E se transitar em julgado. ação rescisória.cit. que não há coisa julgada sobre pedido que o juiz não Se transita em julgada a sentença. 111. ou inexistentes os fatos suportes da post~lação~~. 28 série. diz 86.) -a de Barbosa Moreira (Temas. porque a ação rescisória existe para que se rescinda a sentença. sim. . porque inexistente a postulaçã6. a sentença pode conter vício. se a sentença é ultra petita ou extra petita. p. 233-4. se o juiz se omite do exame de algum deles. por não se pronunciar sobre a totalidade dos pedidos formulados pelo autor (sentença citra petita). Sob esse aspecto. cit.. v. precisa o autor interpor embargos declaratórios para que o juiz supra a omissão. Se transita em julgado a sentença.inexistêticia do processo. a decisão é citra petita. quer para rejeitá-lo. v. por violação de literal disposição de lei.. o que nos parece correto. cabe ação rescisória? Teresa Wambier refere as duas posições a respeito do assunto: -a de Arruda Alvim (Revista de Processo. 241 e S. 88. p. 14/15). Cabe. por ír além do pedido (sentença ultra petita) ou por se pronunciar sobre matéria alheia ao pedido (sentença extra petita). Nulidades. sustentando o cabimento e a imprescindibilidade da rescisória para desconstituir a coisa julgada constituída por sentença infa petita. p.

põe o nosso sistema entre os que reclamam a substanciação da causa de pedir. A teoria hoje predominante é a da substanciação. Tmtado. 116. rescisãoY'.Barbosa Moreira. Comentários ao Código de Processo Civil. Ensina Pontes de Miranda: "A sentença ultra petita era tida como ipso iure nula.cit. 160. Trattato. já que ao juiz incumbe a qualificação jurídica dos fatos. na petição inicial. já que da mesma relação se podem deduzir múltiplas pretensões. e não se pode alegar. terceiro. 91. 282. outra seria a causa de pedir. julgue ultra petita ou extra petit~"'~. por exigir do autor um conhecimento preciso do direito objetivo. Assim pensavam Jorge de Cabedo. Comentários. 11. por exemplo. em embargos do devedor. 90. v.p..III. p. Robsenber. aliás 89. que considera como causa de pedir os fatos alegados pelo autor. anulação.p. a sentença que. indique o fato e os fundamentos jurídicos do pedido (art. prestação y. primeiro. se diversa a relação jurídica invocada. Criticou-se tal posicionamento. segundo. v. tal matéria"90. Essa não é a solução de hoje. 32. como fundamento do pedido: ainda que os fatos fossem os mesmos. Agostinho Barbosa e Antônio Cardoso do Amaral. o que a lei não exige. Diz Calmon de Passos: "O a r t . X I . porque a indicação do autor não tem relevância. t. j) Causa de pedir O Código refere-se à causa de pedir ao exigir que o autor. 5 . "ao arrepio do preceito insculpido no art. 128. exigindo como requisito da inicial a indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos do pedido. n. prestação x. 282. por não se lograr identificar a ação. Tal sentença é apenas rescindível.111). . Cf. 111. Conforme a antiga teoria da individualização. Lent. § 88. a causa de pedir seria constituída sempre pela relação jurídica afirmada pelo autor.

93. para deduzir sua pretensão de direito material. e a da individualização. 92. Em nossa legislação foi adotada a teoria da substanciação. 158"Y2. O Código exige que o autor exponha na inicial o fato e os fundamentos ju11'dicos do pedido. v. como os Códigos alemão e austríaco. Comenrários. é o conjunto dos fatos apontados pelo autor.III. 142.contrato de compra e venda celebrado com A em data tal. não basta a aíirmação de que somos proprietários (causa próxima). p.. cit. v. v. . dispondo em igual sentido no seu art. que sustenta ser necessária a alegação do fato constitutivo do pedido. Primeiras linhas de direito processual civil. também se exige a da causa remota"y3. Por esta teoria não basta a exposição da causa próxima. menciona expressamente o fato -causa remota -e os fundamentosjurídicos do pedido -causa próximav4. Assim. pelo menos no que concerne às ações em que se invoca direito absoluto. Embora predomine a teoria da substanciação. Por esse modo fez ver que na inicial se exponha não só a causa próxima . usucapião declarado por sentença da Vara C). Causa de ped. por exemplo. herança por morte de B. a natureza do direito controvertido -como também a causa remota -o fato gerador do direito. como Chiovenda e Liebman. Josb Frederico Marques. 94. 1 1 1 . é preciso que se aponte o fato que nos fez proprietários (causa remota . p. Diz Moacyr Amaral Santos: "Chama-se a atenção para o texto da lei. ou título.os fundamentos jurídicos. I . que injustamente está na posse & coisa nossa.comojá o fazia o Código de 1939. Diz José Frederico Marques que. do novo CPC. p. 1. 155. nesse assunto. formaram-se duas correntes para identificar a causa petendi: a da substanciação. autores de muito prestígio entre n6s. para se reivindicar do réu. 282. 160. Quer dizer que o Código adotou a teoria da substanciação. pois o art. para a qual é bastante a relação de direito afirmado pelo autor. para individualizar-se a ação. ao tratar da causapetendi a ser exposta na petição escrita com que se propõe a ação. Manual de direito processual civil. filiam-se h teoria da individualização.ir.

p. cit. sem prejuízo de vir depois a ser julgada procedente a ação fundada no fato constitutivo do registro. de se houve ou não compra e venda. porém. a causa na reivindicação não é um ou outro modo de aquisição. E com acerto poderá ser essa a razão pela qual ação reivindicatória de imóvel. a questão jun'dica versa sempre sobre a existência do direito de propriedade. mesmo nas ações fundadas na alegação de um direito real. nov. basta a afirmação da relação jurídica. 95. servidão. Observa José Ignácio Botelho de Mesquita que as teorias da substanciação e da individualização têm vários pontos de contato. Ajuris. I.pois o direito de propriedade é sempre o mesmo.. 155. v. ainda quando a questão lógica se restrinja ao ponto. (.. Znstituiçóes de direito processual civil. nessa parte coincidente com a da teoria da substanciação. A causa petendi nas açóes reivindicatórias. .) Por conseguinte. elas se tomam irredutiveis. em cuja inicial o autor se afirma proprietário em decorrência de contrato de compra e venda. v. p. usufruto) para a determinação da causa petendi..Diz Chiovenda: "Na ação real. 96. diz Liebma. Manual. Sua conclusão. "a causa se encontra no direito real sem se levar em conta o titulo específico de aquisição do referido direito: o título de aquisição pode mudar sem que se altere a causapetendi. por exemplo. Nas ações reais. pode e deve ser julgada improcedente.. qualquer que seja o fato de que deriva"y6. mas o fato atual da propriedade. I. 201166-80. não basta a indicação da relação jm'dica (propriedade.) O mesmo se pode dizer dos outros direitos absoluto^"^^. (.. sendo necessária a indicação do fato constitutivo.. é que. assim denominados pela teoria da individualização os direitos reais e os direitos de família. Esse ponto onde ambas se afastam é precisamente a afirmação do que se deva entender por causa petendi nas ações propostas com fundamento em um direito de caráter absoluto. 97. "Em um ponto. Jose Igniicio Botelho de Mesquita. 1980. Cf. José Fredenco Marques. e os decorrentes do estado da pessoanY7. 11 I.

A falta de causa de pedir. art. cit. tornando-a rescindível. 158. o que não autoriza o indeferimento por ausência de nexo jurídico. parágrafo único. 485. O Código autoriza o indeferimento da inicial. não impede a constituição da relação processual. a que se vincula ao fato matriz da relaçãojurídica. ainda que verdadeiros os fatos por ele alegados. dizer que a causa de pedir é a resultante da conjugação tanto do fato gerador da incidência originária. "Pode-se. . V. quanto daquele de que resultou a incidência derivada. na petição inicial. conseguintemente. 295. Assim. a que se relaciona com o dever (lato sensu) do titular da situação de desvantagem. com fundamento no art.. por entender o juiz que o direito não ampara o autor. isto é. o pedido de condenação em dívida de jogo é impossível. v. 1. Remota. Próxima.Ensina Calmon de Passos que a causa de pedir não é só o fato matriz da relaçãojm'dica que vinculou os sujeitos da lide. g) Nexo lógico entre o pedido e a causa de pedir Equiparável à ausência de causa de pedir é a falta de nexo Iógico entre a narração dos fatos e a conclusão (CPC.477). p. O vício contaminará a sentença que acolha o pedido. Comentários. como por igual o fato de que derivou o dever de prestar do sujeito obrigado ou daquele a quem a ordem jurídica imputa o dever de determinado comportamento. ou daquele de quem se deve ou pode exigir determinado ato ou comporta~nento'*~. 111). não havendo nexo lógico entre o pedido e a causa de pedir. Para alguns autores. art. 1 1 1 . embora haja nexo lógico 98. A impossibilidade jurídica diz respeito a pedido vedado por lei. a distinção se faz em termos de causa de pedir remota e causa de pedir próxima. do Código de Processo Civil. não à "impossibilidade" decorrente da inexistência de norma que vincule os fatos alegados ao preceito indicado pelo autor. porque vedado por lei (CC.

já apontada com um julgamento preliminar de mérito. tendo sua ineficácia absoluta a possibilidade de ser declarada a qualquer tempo. nesse caso. Mesmo. a lição de Calmon de Passos. em outro processo. a sentença não poderá ser executada. não sendo ela proposta. Se. cit. o juiz acolhe ambos os pedidos. 216. porém. isto é. O juiz pode. 82 . De logo. inadvertidamente. Mas. Há. o juiz não está autorizado a indeferir a inicial. havendo mais de um A incompatibilidade de pedidos sana-se com a opção do autor por um deles ou mesmo com a sentença que. um caso de improcedência prima facie. h) Compatibilidadedos pedidos. o juiz percebe que o autor. que é em sentido diverso: "Este inciso II inclui. para que se afaste a contradição. porém. E é essa constatação que conduz à inépcia. p. por exemplo. mas pode-se interpretar o primeiro como principal e o segundo como subsidiário.entre o fato do jogo e o crédito dele decorrente. incompatibilidade entre o pedido de decretação da nulidade e o de rescisão de um contrato. acolha um único.é cabível rescisória. Registramos. v.jamais lograria acolhimento para o seu pedido. ainda quando provasse plenamente os fatos narrados. na verdade. mesmo entendendo que ela manifestamente não tem razão. Diz Pontes de Miranda: 99. interpretando um como principal e o outro como subsidiário. dada a inexistência de norma jurídica estabelecendo nexo (jurídico) entre o motivo alegado e a isenção solicitada. se uma empresa pede ao juiz que a declare isenta do imposto predial. embora incompatíveis (como o de decretação da nulidade do contrato e de condenação do réu em prestação dele decorrente).Comentários. por tal ou qual motivo. indeferir a inicial.. 1 1 1 . sem que essa opinião constitua qualquer absurdo ou e~travagância"~~. como pedido a ser examinado no caso de não ser acolhido o principal.

é da essência do ato. constitui ato inexistente. nem sequer reduzida a termo.o praeceptum impossibile é ineficaz. em sentido estrito. 46. É o que dispõe o art. 102."Para a ciência contemporânea. Se também se compõe algum pressuposto para a rescisão (art.. 101.1. p. é outra q~estão"'~. Distribuída a petição inicial. nem é nulo. ainda que esta possa ser oral ou consistir. Em sentido amplo. equiparando-se a hipótese já examinada do processo iniciado de ofício pelo juiz. Os pressupostos formais Consideremos. p. Todo ato tem forma. cit. Da invalidade. compõe um dos elementos constitutivos do ato proces~ual"'~~. É o conjunto de signos pelos quais a vontade se manifesta. considera-se proposta a ação.. "é o revestimento externo do ato. . Observa Roque Komatsu: "A forma. Nulidades. dispõe o mesmo artigo que 100. abrange o como. não é inexistente. "A forma. os limites exteriores que o individualizam. agora. modalidade de exprimir-se exigida para a realização de um ato. Petição oral. sua feição exterior. V). 32. por violação de literal disposição de lei. diz Aroldo Plínio Gonçalves.. ou de solenidades que se devem observar na celebração de certos atos jurídicos. cit. O lugar. apenas. do que decorre a rescindibilidade da sentença. os pressupostos formais. 485. 1. 130. cit. quando exigida. em um gesto dotado de significado. Tratado. o onde -o lugar e o quando -tempo.8. como o tempo e a modalidade de expressão. A forma do ato compreende também os requisitos de tempo e lugar. Contudo. A forma escrita da petição inicial. 263 do CPC. em seu sentido estrito". a forma do ato pode ser referida ao seu modelo legal e assim se constituir de todos os elementos que a lei exige para o reconhecer como um ato reg~lar"'~'. p.

que admite seja decretada. 741. a linha juiz-réu somente passa a existir com a citação. precedem à sua angularização. cuja nulidade pode ser decretada independentemente de ação rescisória. que. a existência da relação completa: autor-juiz-réu. e não como terceiro. Assim. desde que proposta a ação. fora da sistemática do processo. p. pensamos que a relação processual se apresenta completa. 213). em embargos à execução. "A afirmação de Enrico Tullio Liebman. XI. a relação jurídica processual e. porque o compa- 103. 214). I. pois. Pontes de Miranda. Somente no caso de revelia. é como réu. Comprova-o o art. 98.somente a citação produz os efeitos de prevenção. do Código de Processo Civil. a nulidade do correspondente processo de conhecimento. t. o processo. art. ou seja. confunde. juiz e réu.ainda mesmo onde não se dispensa a audiência da outra parte -. exigida em obediência ao princípio do contraditório. com a angularização da relação jurídica processual a formação ou criação dessa. litispendência'e (nas ações reais e reipersecutórias) torna a coisa litigiosa. que o réu pode eventualmente intervir no processo. 84 . Em outras palavras. se a ação correu à revelia.. Segundo Pontes de Miranda. Assim melhor se explicam as liminares que o juiz pode conceder. Para a validade do processo é indispensável a citação inicial do réu (CPC. A falta ou nulidade da citação constitui vício que contamina a sentença. Citação é o ato pelo qual se chama ajuízo o réu ou o interessado a fim de se defender (CPC. Há processos non audita altera parte. Comentários. de que com a citação é que se instaura o processo. art. como tantas outras que faz. com a propositura da ação. Isso. sim. não exclui a enorme importância da citação. depende da citação"'03. porém. o réu é réu simplesmente porque o autor contra ele formulou pedido. com autor. gravemente. porém . depende da citação a "angularização" da relação processual. De nossa parte. cit. ainda mesmo antes da citação. passa a existir a relação processual na linha autor-juiz. mesmo sem ouvir o réu. essa. Ademais.

art. em relação ao revel que não foi validamente citado. art. caput). mas já falecera ao tempo da citação (por edital com hora certa). se cabíveis. Observa Barbosa Moreira: "Não interessa apurar se o autor sabia. há falta de citação. no sentido de imposição de efeitos) do julgado. Em vez de nulidade. 48). com as conseqüências daí decorrentes. Se o réu existia. Atendese. "Querela Nullitatis" e açáo rescisória. supra. por conseguinte. 42/7-32. A hipótese é bem diferente. sim. na perspectiva em que agora nos colocamos. 214. que o citando já falecera. note-se. significando isso "que não apenas os interessados cuja citação se omitiu. 104. mas também os demais permanecem aptos a resistir à 'execução ' (latissimo sensu. Já no caso de litisconsórcio passivo necessário.recimento do réu supre a falta de citação (CPC. 3). a expedição de edital citatório. ou por outras que a essa equivalham" (Adroaldo Furtado Fabrício)'O4. assim. na própria petição inicial. por já situar-se no plano da validade. daquela em que o citando vive. e. às hipóteses de litisconsórcio facultativo passivo simples. Mas semelhante questão. pressupõe resolvida em sentido positivo a da existência do ato (cf. melhor dizer-se que a sentença é ineficaz. pode ser sujeito passivo do ato. Réu revel não citado. que a afirmação haja sido feita de boa ou de má-fé. Ajuris. essa ineficácia é absoluta. o aspecto subjetivo importa para a aferição da validade: considerar-se-á nula a citação se o autor tiver alegado 'dolosamente' o desconhecimento do lugar onde se encontrava o citando (CPC. art. afirmando ignorar o paradeiro do citando: é absolutamente irrelevante. em que a falta de citação de um dos réus não prejudica a validade e a eficácia da sentença em relação aos demais (CPC.. ou não sabia. o item n. Suponha-se que ele requeira. ou se fez deficientemente. . parágrafo único). Aí. 233. pela via dos embargos. ou depois.

a petição inicial vem a ser despachada pelo juiz. a consideração de se haverem observado todas as formalidades contempladas na lei. Supõe-se. segundo o qual 'as citações e as intimações serão nulas. 106. não for preparado no cartório em que deu entrada. 58/85-94. a negação assume caráter radical.1. não é invocável o art. sim. que a petição inicial não tenha sequer sido submetida ao juiz. impede que o processo chegue sequer a formar-se. Quid juris. como observa Egas Moniz de Aragão. A incidência dessa norma pressupõe que a citação haja sido feita. porque não pagas as custas devidas ao escrivão ou ao Estado. pois não será dado curso ao que não for preparado"lo6. se apesar da falta de preparo. quando feitas sem observância das prescrições legais'. O problema não diz respeito àforma do ato. igualmente. citação inexistente. dando-se andamento ao processo? 105. p. dela simplesmente não tem sentido indagar se vale ou não vale. O cancelamento da distribuição por falta de preparo O art.Aqui. U. por exemplo quanto à publicação do edital citatório (art. A doutrina não costuma apontar o preparo como pressuposto processual. Contudo. O caso é diverso do aqui considerado. em trinta dias. é a sua própria existência. ai. 312. Citação de pessoa falecida é. Ajuris. v. 1. Citação de pessoa já falecida.9. A possível boa-fé do autor em nada influi na solução do problema. exista. 232 e seus parágrafos). tal como prevista no artigo ora comentado. quer dizer. Aí. a fim de averiguar se ele é válido ou nulo. O que se questiona não é a validade da citação.Comentários ao Código de Processo Civil. José Carlos Barbosa Moreira. por falta de elemento essencial (o sujeito passivo). "a falta de preparo. 257 do Código de Processo Civil estabelece que será cancelada a distribuição do feito que. Por isso mesmo. cabe perguntar se se terão observado ou não as prescrições legais na realização do ato. em que nem sequer se passa a tal nível de aferição"lo5. Nenhuma influência tem. . repita-se. 247.

e isto em nada prejudicou a recorrente. Rel. necessidade de afirmar-se preclusão.1. de inexistência de prejuízo apenas se poderia falar se o pagamento houvesse entrementes sido efetuado. interrompida logo após seu nascedouro. trata-se de matéria estranha aos interesses da apelante. Além disso. com a conversão em depósito. Afirmouse não decorrer daí prejuízo. porque o prejuízo a que se refere o Código diz respeito à finalidade do processo.esta última. já que foram recolhidas custas ao início do processo. "quanto ao não recolhimento das custas. o não recolhimento não implica absolutamente em nulidade. até porque houve preparo quando da propositura da ação de busca e apreensão. Não haveria. De qualquer forma. pois sequer abordada na oportunidade do oferecimentoda contestação. 444. e sequer foi oportunamente alegado. a falta de recolhimento das custas pelo autor. 19-10-1995. j. cabe ao juiz o ato seguinte: verificando que a petição inicial não preenche os requisitos exigidos. face a não localização do bem em poder da devedora. 8' Câm. como foi muito bem ressaltado pela autora-apelada. quer para o Estado. A rigor. determinará que o autor a emende.10. porém. pois. que não é a de arrecadar custas. diga-se de passagem. pois em nada afeta a realização dos fins do processo. Eventual diferença poderá ser recolhida a final. Ap. Emenda e indeferimento da inicial Iniciado o processo com a demanda. ou que apresenta defeitos e irregularidades capazes de dificultar o julgamento de mérito. não apresentada.Para efeitos processuais. na contestação. 1. . nem mesmo o Estado. estando superada a questão pela preclusão" I". embora relativas à busca e apreensão. ou 107. quer para o réu. lPTACSP.. Ary Bauer. há que se concordar com o acórdão. a matéria está preclusa. pode-se considerar a falta como mera irregularidade. Admitido que se trate de nulidade.066-4. Mas já se decidiu que ocorre preclusão se o réu não alega. pois não se trata de hipótese de nulidade. porque eventual diferença poderá ser recolhida a final.

I11 . primeira parte. Considera-se inepta a petição inicial quando I . A narrativa que segue serve como exemplo de aplicação desse princípio: Filho oriundo de relacionamento extraconjugal de sua mãe e registrado como filho desta com seu marido propôs ação de nulidade de seu assento de nascimento. art. e 284. 295 do Código de Processo Civil que a petição inicial será indeferida quando for inepta. antes mesmo que os efeitos por ele perseguidos se tenham produzido. propôs ação de investigação de paternidade contra quem reputava seu verdadeiro pai. 108. j. Rel. 284). 284 do CPC108. que o indeferimento é uma forma obstativa da eficácia: "Enquanto a nulidade faz cessar os efeitos que já se produziram. não corresponder à natureza da causa. Estabelece o art. a atuar desde que se inicia o processo. quando não atendidas as prescrições dos arts.lhe faltar pedido ou causa de pedir." Calmon de Passos observa. Nancy Andrighi. É o princípio da sanação. obtendo êxito.contiver pedidos incompatíveis entre si. IV . por não ter sido dada ao demandante oportunidade para completar a inicial. 3*Turma. quando o autor carecer de interesse processual. quando a parte for manifestamente ilegítima. 39. parágrafo único. Entendendo que a inicial dessa ação deveria necessariamente ter sido instruída com a sentença que decretara a nulidade do registro de nascimento. AC 40790196. Somente não cumprindo o autor a. O tribunal decretou a nulidade da sentença. TJDF.o pedido for juridicamente impossível. 14-10-1996. se puder adaptar-se ao tipo de procedimento legal.diligência é que indefere a petição inicial. ou ao valor da ação. . no prazo de dez dias (CPC. caso em que só não será indeferida. escolhido pelo autor. com propriedade. 1 1-da narração dos fatos não decorrer logicamente a conclusão. Posteriormente. "Parágrafo único. como dispõe o art. a sentença de primeiro grau extinguiu o processo. o indeferimento sanciona o ato com a ineficácia. quando o tipo de procedimento.a complete.

a correção pelo autor. vale dizer. cit. na inclusão da decadência e da prescrição entre as causas de indeferimento da inicial. a inépcia da petição inicial é insanável. 110. v. pode estar seguro quanto à inexistência do direito do autor.III). por exemplo. tendo já havido produção de efeitos. Comentários.. a sanção de invalidade do ato. .111). 111. ser defeituosa. ou quanto à perda do poder de exigir (pretensão).A petição inicial. chamada de indeferimento. Discordamos. 282. art. pode levar à extinção do processo. O art. Mas não será cabível. 284 pode. Diz ainda o mesmo autor: "Há erro técnico manifesto. ato processual típico. alegada pelo réu (CPC. Comentários. 2 18. isso ele o faz em face dos defeitos ou das irregularidades que não são s~bstanciais""~'. José Joaquim Calmon de Passos. capaz de obstar o fim específico a que o ato se propõe ou de dificultar ou impedir o alcance dos fins de justiça a que o próprio processo. a indicação do pedido (art. deve o defeito da petição inicial acarretar o seu indeferimento. segundo nos parece. não se justificando. 284 é claro no sentido de que o juiz pode determinar que o autor emende a inicial a que falte. de logo. se lança. "O art. isto é. ao indeferir a inicial. o que cabe é a desconstituição do ato nulo. Em outras palavras. conseqüentemente. 213. 282. hoje. E se o defeito que apresenta é relevante. Se ele manda que o juiz. mas não ao indeferimento da inicial. o juiz declara a existência de vício e obsta à produção de seus efeitos.cit. por se haver consumado a decadência. Segundo Calmon de Passos. 282. v.. IV) ou do fato e fundamentos jurídicos do pedido (art. a inépcia da petição inicial. pode. a citação do réu. por seu caráter ob~tativo"~~. nem sendo possível. p. como fenômeno global. em particular. 301. III. suscitar dúvida. conceda ao autor o prazo de 10 dias para emendá-la ou completá-la. porque cumprido o prazo de 109. Por isso mesmo. p. em face de petição inicial que não preencha os requisitos do art. Quando o juiz.

Violação ao artigo 292. é apenas quanto à indicação da prescrição como causa de indeferimento da inicial. p. na verdade. José Joaquim Calmon de Passos.. não produz coisa julgada. ao indicar a decadência como causa de indeferimento da inicial e não de extinção do processo. por natureza. é decadência. A cumulação pretendida é inviável diante dos termos perempdo artigo 292 do Código de Processo Civil. devendo o juiz determinar que o autor emende a inicial.prescrição. por exemplo. prosseguir apenas com a ação anulatória. ignorada pelo maior interessado: o próprio réu. o juiz.Conversão da separação em divórcio e declaração de nulidade da escritura de pacto antenupcial Incompatibilidade material entre os pedidos . de trânsito em coisa julgada material. O autor cumulou o pedido de conversão de separação em divórcio com o pedido de declaração de nulidade de escritura de pacto antenupcial. é inexato falar-se.s lQ. prescrição que se pode conhecer de ofício já não é prescrição. deve ele tomar certa uma ou outra situação. suscetível. pronunciando-se sobre a decadência ou a prescrição. v. No mais. Assim. ainda que de mérito. 226. que só pode ocorrer quando se cuida de obstar a constituição da relação processual. Aqui. Comentários. O princípio da sanação atua também no caso de pedidos incompatíveis. mediante pronunciamento de mérito.inciso I. em face da circunstância de não ter ainda sido citado o réu. Pensamos que. na hipótese. em indeferimento da inicial. afastada a extinção do processo. constitui exceção. Por conseguinte. se nesse passo alguma crítica pode-se fazer ao Código. parece-nos correto o Código que. já se decidiu: "Cumulação de pedidos . cit. pois a prescrição. 111. Seria esquisita a existência de coisa julgada em prol do réu. tórios do inciso 1do Q lQ 11 1. . deixou claro que se trata de decisão que. optando por um deles. põe fim ao processo com exame do mérito"" '. inclusive. do Código de Processo Civil -Recurso provido para.

pág. Afastada a nulidade. bem lembrada nas razões do apelo. recebendo a aprovação do eminente Theotônio Negrão (n.. processando-se a ação anulatória. a ação de conversão não pode ser julgada. Em primeiro lugar e necessariamente. máxime se o sacrifício do elemento se basearia na não-miscibilidade ou na impossibilidade de junção do outro elemento. Reconhecida a nulidade. que os pedidos sejam compatíveis entre si. As duas ações teriam de correr paralelamente. Incide no caso a regra utile per inutile non vitiatur. TJSP. o princípio da sanação atua na teoria e na prática de nosso sistema processual. se a não se pode juntar a b. 97). 33/86. j. 4 ao artigo 292 do 'Código de Processo Civil'. b é que há de ser repelido' ('Comentários ao Código de Processo Civil'. exigindo provas distintas. a ação de conversão também não pode ser julgada. como insiste o autorapelante.Civ. respeitável Ganigós Vinhaes. há que se resolver a questão da alegada nulidade do pacto antenupcial. de 1977). prosseguindo-se apenas com a ação anulatória "' 12.). (. 1974. Diante do exposto. 24a ed. vol. autônomas e desconexas entre si.. Na verdade. 8LCâm. JTJ. Rel. é dado parcial provimento ao recurso para afastar a extinção do processo. José Osório. por falta da anterior partilha (artigo 31 da Lei n.. Mas também não é caso de extinção pura e simples do processo.exigindo.). Não se trata de mera questão de ritos. É o que recomenda Pontes de Miranda: 'Não se sacrifica o que é separável. Há incompatibilidade material entre os pedidos. 6. Nesse sentido e com esse apoio: 'JTACSP'. pois há pontos peculiares da partilha a serem esclarecidos. . 16519. Nada impede que se extirpe o pedido de conversão. As ações não podem mesmo ser processadas conjuntamente. como requisito de admissibilidade da cumulação. AC 213.515. 112.465-1. 28-9-1994.

Contudo. 116. 117. transitada em julgado. Da invalidade.. bem como por Roque Kom a t s ~ "e ~tem . Foi divulgada mais recentemente foi acolhida por por Egas Moniz de Aragão116. A doutrina de Galeno Lacerda Lançada na vigência do Código de Processo Civil de 1939. Antônio Janyr Dall'Agnol Júnior"'.1. a teoria das nulidades matrimoniais diverge da teoria das nulidades dos negócios jurídicos. com diversidade de soluções e de terminologia. desde logo. servido de guia para a jurisprudência. Comentários. várias doutrinas a respeito das nulidades processuais. dos vícios da sentença em processo findo. 115. cit. Invalidades. Comentários. no direito civil. em seu estudo intitulado Invalidades processuais"'. 11. . vinte anos antes do Código de Processo de 1973. Roque Komatsu. cit. já na vigência do Código de 1973Il4. É o que pretendemos demonstrar. a doutrina de Galeno Lacerda sobre nulidades processuais teve larga difusão. 114. 118. 1 13. ainda na vigência do Código de 1939.e adotada recentemente por Antônio Janyr Dall' Agnol. 2. contém erronia intrínseca e às vezes conduz a decisões injustas. O DESENVOLVIMENTO DO PROCESSO E AS NULIDADES Assim como. cit. p. cit. Despacho.2. no Brasil. Invalidades. Começamos com a de Galeno Lacerda. 264 e S. em seu Despacho saneador"" divulgada por Egas Moniz de Aragão. cit. exposta.. Iniciamos pelo estudo da primeira. cit. haver. sendo expressamente citada em numerosos acórdãos. v. isto é. observando. no campo do processo temos uma teoria dos atos viciados em processo pendente e outra. ela não se ajusta ao Código de Processo Civil.

relativa (= sanável) e da anulabilidade (dependente de arguição do interessado. é comissiva. Na anulabilidade. mas que eles se produzem desde logo. desde que se realize determinada condição. mas os extingue. omissiva. por não se constituir no objeto principal de seu estudo. a nulidade relativa significa que a eficácia do ato está sujeita à condição constituída pelo evento que sane o vício. tendo sido lançada por assim dizer incidentemente. pode produzi-lo. com relação ao direito espanhol. no primeiro caso. adotando a divisão clássica dos vícios essenciais em nulidades absolutas. Partiu de uma lição de Carnelutti. Isto signijica que a conditio iuris age não como suspensiva. os quais se 119.Assim. apesar do vício. que não produz efeito algum. Galeno Lacerda ainda não era o consumado processualista. Portanto. Essa análise aguda e brilhante. embora figure no Sistema de Direito Processual Civil.A conduta transcendentepara a eficácia do ato. ao contrário da nulidade absoluta. 'não cabe dizer que os efeitos do ato se suspendam até a produção da reação. Francisco Ramos Méndez trata da nulidade absoluta (= insanável).Distingue-as desta forma: 'O ato relativamente nulo. Pertencendo ao universo jurídico. no segundo. a reação não os constitui.Quando escreveu Despacho saneador. na doutrina processual. claro está que esses conceitos se aplicam ao tema dos vícios essenciais do ato processual. por exemplo. mas apenas um moço de extraordinário talento. como a incompetência relativa). com frequência. . Diz-se. em outras palavras. considera a nulidade absoluta insanável e sanáveis a nulidade relativa e a anulabilidade'I9. que o vício convalesce'. se situa em pura teoria geral do direito. Essa condição é suspensiva. o ato anulável está sob condição resolutiva da reação '. no tronco da Teoria Geral do Direito: "Carnelutti. Sua doutrina a respeito das nulidades. relativas e anulabilidades. E como se distingue a nulidade relativa da anulabilidade? 'Enquanto o ato relativamente nulo está sob condição suspensiva da confirmação ou da aquiescência. ao contrário do absolutamente nulo. embora original. então. Essa triparíição C feita. senão como resolutiva'. ocupa somente algumas poucas páginas de seu livro.

em seu aspecto teleológico. em vícios insanáveis. Despacho. pela repetição ou ratificação do ato. Por este motivo. A anulabilidade (. Diz Silvio Rodrigues que. indistintamente. tendo em vista sua força obrigatória. a norma desrespeitada tutelar.. o vício do ato é sanável. no campo mais limitado do processo civil. ainda. Sendo imperativa a norma que ordena a integração da capacidade. no campo da Teoria Geral do Direito. São preceitos que interessam diretamente à ordem pública.. do ato. e vícios sanáveis. Quando. como o ato permanece na esfera de 120. "Norma cogente é aquela que não pode ser alterada pela convenção entre os particulares. Daí decorre a faculdade de o juiz proceder de ofício. insanável. assistência ou autorização. O critério que as distinguirá repousa. ordenando o saneamento. Como exemplo podemos apontar a ilegitimidade processual provocada pela falta de representação.) é vício resultante da violação de norma dispo~itiva'~'. a violação provoca a nulidade absoluta. Como ela visa a proteger o interesse da parte. e que por isso o legislador . ou pelo suprimento da omissão. Vício dessa ordem deve ser declarado de ofício. na natureza da norma. a conseqüência é que o vício poderá ser sanado. à organização social. Se nela prevalecerem fins ditados pelo interesse público. de razão. Surgem aqui as figuras da nulidade relativa e da anulabilidade. 70 e S. as normas distinguem-se em regras cogentes (ou de ordem pública) e regras dispositivas (também chamadas supletivas e interpretativas). Tendo exposto as idéias de Carnelutti. porém. Galeno Lacerda. o que caracteriza o sistema das nulidades processuais é que elas se distinguem em razão da natureza da norma violada. p. portanto. os que sustentam. Disse: "Em nosso entender. serem relativas e sanáveis as nulidades pr~cessuais"'~~. o interesse da parte.. assim. onde se distinguem as nulidades relativas e as anulabilidades. de preferência. Carecem. cit. não pode o juiz tolerar-lhe o desrespeito.classificarão. constituídos pelas nulidades absolutas. Se ela for cogente. 121. tratou Galeno Lacerda de expor as suas. e qualquer das partes o pode invocar. a violação produzirá nulidade relativa.

ilidir a incidência de uma norma cogente. Invalidades. como na falta de caução. . Ponto importante a salientar é que. como na incompetência relativa e no desrespeito ao compromisso. segundo essa doutrina. era e é relevante a qualificação da nulidade como cominada ou não cominada. 123. p. provados seus fundamentos. vedada ao juiz qualquer provisão de ofício. por não estarem diretamente ligadas ao interesse da sociedade. podem ser derrogadas por convenção entre as partes. porventura faltante" (Direito Civil. Galeno Lacerda. para o juiz. Ao contrário do que ocorre com a nulidade relativa.. p. a sua anulação só pode ocorrer mediante reação do interessado. falando em nulidade e anulabilidade. deverá o juiz ordenar o suprimento. já então. o que servirá para demonstrar o quanto ela se distancia do texto legal. cit. Quando. Elas funcionam no silêncio dos contratantes. "os vícios passíveis de se constituírem em nulidade absoluta são. A doutrina geralmente parte do texto legal. o texto dos arts. esclarecendo o obscuro.. na doutrina de Galeno Lacerda. (. cit. se o legislador decidisse adotar por inteiro sua doutrina: não transige em que se suspenda sua eficácia. explicitandoo implícito. o vício insanável. tem a virtude de tomar. quando se tratar de ilegitimidade do próprio órgão judicial. Tinha. 70 e S. o inconveniente de se afastar da terminologia legal. in~anáveis"'~~. para o Código. suprindo o que falta e corrigindo eventuais equívocos do legislador.) As regras dispositivas. vamos transformar a doutrina de Galeno Lacerda em texto de lei. houver possibilidade de saná-lo por ato da parte contrária. Fazendo o inverso. não joga papel algum. ou de pagamento de despesas de processo anterior. parte geral. Essa reação. suprindo a manifestação de vontade. 16-7). essa doutrina foi exposta na vigência do Código de 1939. Jus publicum privatorum pactis derogare nonpotest. Como já se observou. ao passo que. porém. 54. p. a nosso ver.. através de convenção. Seria o seguinte.disposição da parte. Despacho. distinção que. 122. dependerá da não oponibilidade da ex~eção)"~~~. As partes não podem. Antônio Janyr Dall'Agnol Júnior. 243 a 245 do Código de Processo Civil.. por definição. em todos estes casos o saneamento depende pura e simplesmente de omissão do interessado (nas hipóteses figuradas.

que será insanável. Não há esse afastamento do texto legal na doutrina de Aroldo Plínio G o n ç a l v e ~ ' ~ assim ~ . Nulidades. o juiz decretará de ofício a nulidade. provando a parte legítimo impedimento". o juiz considerará válido o ato se. 124. de natureza dispositiva. Art.) Todavia. 125. o que se lê nos citados artigos do Código de Processo Civil é inteiramente diferente: "Art. cit. cit. (A doutrina desses autores é exposta adiante.A nulidade decorrente de violação de norma tuteladora de interesse da parte. Art. como na de Teresa Arruda Alvim Wambie~-'~~. a decretação desta não pode ser requerida pela parte que lhe deu causa. . 243. Se a norma violada tutelar norma cogente. Ora. Quando a lei prescrever determinada forma. e somente será pronunciada se decorreu prejuízo para a parte. 245. tuteladora de interesse público. Ocorrendo violação de norma cogente. Não se aplica esta disposição às nulidades que o juiz deva decretar de ofício. nem prevalece a preclusão. o juiz providenciará em sua sanação pela repetição ou ratificação do ato. 244. tuteladora de interesse da parte. lhe alcançar a finalidade. deverá ser alegada pelo interessado na primeira oportunidade em que lhe couber falar nos autos. A nulidade dos atos deve ser alegada na primeira oportunidade em que couber à parte falar nos autos. Art. sem cominação de nulidade. Art. Nulidades. sob pena de preclusão". sob pena de preclusão. realizado de outro modo. Parágrafo único. 244. ou pelo suprimento da omissão. Mais importante é a constatação de que a doutrina de Galeno Lacerda contém erronia intrínseca. 245. eventual desajuste entre douüina e texto legal não constitui necessariamente um "pecado capital"."Art 243. sob pena de nulidade. Quando a lei prescrever determinada forma.

ou seja. . por isso mesmo. casos em que a decretação da nulidade depende de tempestiva alegação da parte. por exemplo. não cabe falar-se em sanção de nulidade por violação de norma dispositiva. de nulidade somente cabe falar-se a propósito de violação de norma cogente. Esse é exatamente o ponto em que sua doutrina se apresenta como original. para dizer a seu respeito. o que exclui a possibilidade de o juiz decretar a nulidade do processo. uma norma não pode ser violada. praticando ato permitido por lei. E é claro que.Como já se observou. toma ciência do documento e nada reclama. Considere-se. a nulidade é decretável de ofício. É o que ocorre. Carnelutti distinguia interesse público e interesse privado. no prazo de cinco dias. ocorre preclusão. embora não intimada. nesse caso. segundo Galeno Lacerda. a norma dispositiva permite disposição em contrário. não havendo. a conclusão que se impõe é que a nulidade sujeita a preclusão é a decorrente de violação de norma cogente tuteladora de interesse da parte. Se a parte. portanto. Uma vez admitido que a nulidade é sanção que supõe a violação de norma jurídica e que não cabe falar-se em violação de norma dispositiva. Mas. É forma de sanção prevista em lei para o caso de violação de uma norma. a parte não viola norma alguma e. por exemplo. preclusão. Galeno Lacerda acrescentou o critério da natureza cogente ou dispositiva da norma violada. Por definição. Galeno Lacerda estabelece vinculação entre o regime das nulidades e a natureza da norma violada. Ora. É certo que a nulidade somente pode decorrer de violação de uma norma. determinando a intimação do adversário. constata-se que a doutrina de Galeno Lacerda não consegue explicar em que casos a nulidade fica sujeita a preclusão. O Código é expresso no sentido de que há casos de preclusão. É cogente a norma do art. Assim. a hipótese de juntada de documento. por falta daquela intirnação. Como a preclusão supõe ato de interesse da parte e somente cabe falar-se em nulidade por violação de norma cogente. não poderá posteriormente alegar nulidade por cerceamento de defesa. 398 do CPC. no caso de indeferimento de perguntas formuladas a testemunha. Conformando-se a parte com o indeferimento. enquanto dispositiva.

não se pode falar em sanção de nulidade. Pode haver preclusão. há certamente de concluir-se que nos encontramos em face de uma norma dispositiva. Assim.violação de norma dispositiva. porque o silêncio do réu. . quando as partes. ainda que a sanção possa depender da vontade do ofendido. o réu que opõe a declinatoriafori. sem que se cogite de nulidade. isto é. Ao contrário das normas cogentes ou imperativas. é anulável o ato por coação. como a incompetência relativa. por haver resultado de permissão do legislador. no sentido de que se processe a ação em foro diverso do previsto em norma dispositiva. não da natureza da norma violada. convencionam em sentido diverso ao estabelecido por norma dispositiva. não aceita. Ora. Tem-se. ao vincular a anulabilidade à violação de norma dispositiva. Galeno Lacerda. não porque o coator haja infringido norma dispositiva. a lei penal é sempre cogente. Os casos apontados por Galeno Lacerda como de anulabilidade são os correspondentes a defesas processuais que exigem alegação da parte. se o legislador permite que o réu concorde com o foro escolhido pelo autor. aí. pois. A parte que propõe a ação em foro diverso do domicíiio do demandado não viola a lei. não há. exceções processuais. não violam a lei e. mas porque a lei faz depender da vontade do coagido a anulação do ato. A anulabilidade nada mais é do que uma hipótese em que a lei deixa a critério da parte a aplicação ou não da sanção. da dispensa da caução ou do pagamento das despesas de ação anterior.Pode-se retrucar. Equivoca-se. prestação de caução e pagamento das despesas de ação anterior. do afastamento do juízo arbitral. nos crimes de ação privada ou dependentes de representaç ã ~ . mas há também de concluir-se que a opção do autor não importou em violação de norma jufl'dica.A dispositividaderesulta da opção conferida à parte. convenção de arbitragem. tácita ou expressamente. implica tácita convenção das partes no sentido da prorrogação da competência. as dispositivas ou supletivas podem ser afastadas pela vontade das partes. deixando de reclamar contra sua violação. De igual forma. Ora. proposta. por isso mesmo. muito menos. dizendo que Galeno Lacerda considera dispositivas as normas pertinentes a: incompetência relativa.

suspendendo o processo. art. 37. não podemos acolher a doutrina de Galeno Lacerda. nessa parte. 113. o juiz. verificando a incapacidade processual ou a irregularidade da representação das partes. qual seja. Tome-se. Contudo. -O art. além das decorrentes de violação a norma tuteladora de interesse público. então. Contudo. a vinculação que estabelece entre nulidade absoluta e insanabilidade. contudo. art. não importa em violação da lei. e não mera rescindibilidade. . salvar. as nulidades que o juiz pode decretar de ofício são. parágrafo único. 13 estabelece que. Assim. autoriza a ratificação até de atos juridicamente inexistentes. porque por ela permitida. desconsiderando princípio fundamental em matéria de nulidades processuais. lermos "violação a direito disponível" como dando lugar a mera anulabilidade. as que importem em violação a direito ou situação jm'dica subjetiva a que a parte não pode renunciar. a hipótese de penhora de bem impenhorável. 213. que a nulidade da penhora de bem impenhorável pode e deve ser decretada pelo juiz. -O art. Claro. Sana-se com a remessa dos autos ao juiz competente (CPC. -A falta de citação é talvez o mais grave dos vícios processuais. dela não decorre a nulidade do processo. $ 2*). sempre que possível. de ofício. quais sejam. mas por outro motivo. mas apenas dos atos posteriores. mas apenas a dos atos decisórios. dela decorrendo a nulidade da sentença. qual seja. os praticados por advogado sem mandato. em lugar de violação de norma dispositiva. marcará prazo razoável para ser sanado o defeito. Veja-se: -Nulidade absoluta é a resultante de incompetência absoluta. Admita-se que a impenhorabilidade constitua direito irrenunciável do executado. o da sanação. para exemplificar. $ lQ)e dela não decorre a nulidade do processo como um todo. a doutrina de Galeno Lacerda se. em sentido diverso ao previsto em norma dispositiva. dependentes da prévia citação.Mas a disposição das partes. o comparecimento supre a falta de citação (CPC. Ainda com essa correção. Pode-se.

sem atingir a eficácia da relação processual em seu conjunto" (As nulidades. tuteladora de interesse público. Que existam nulidades insanáveis é proposição com a qual devemos concordar. aí. se possível. de 12 de janeiro de 1994. Nulidade. a sanação do vício. Os Defensores Públicos. Considere-se a hipótese de atos praticados por advogado impedido ou que exerça atividade incompatível com o exercício da advocacia.. pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. única procuradora da parte autora. Falta de capacidade postulatória. exclusivamente. Ausência de pressuposto processual de natureza subjetiva. porém. Revista. por defensora pública. Não há relação necessária entre a natureza da norma violada e a possibilidade ou não de ~anaçãol*~. cit. estão impedidos de exercerem a advocacia fora de suas atribuições institucionais.. de que seja insanável toda nulidade decorrente da violação de norma tuteladora do interesse público. a partir da vigência da atual Constituição Federal. muito embora possam. Matéria de ordem pública a ser examinada de ofício. 134. 49).Constitui equívoco afastar-se o princípio da sanação quando violada norma tuteladora de interesse público. 130. pois. nos termos da doutrina de Galeno Lacerda. ser emendadas ou superadas pela renovação do ato. que aplicou a doutrina de Galeno Lacerda. Pareceres normativos internos invocando a existência de 126. o que tem sido admitido por alguns tribunais. Bem observa Humberto Theodoro Júnior que "as nulidades absolutas sempre podem ser declaradas de ofício. Pretensão de serem enquadrados. O que não concordamos é com a proposição. Agentes fiscais de serviços urbanos e do Demutran. nível X. . Petição inicial subscrita.. Inteligência do art. Tem-se. por isonomia. nos cargos de fiscais. A solução razoável é a ratificação dos atos praticados. Qualquer que seja a hipótese de nulidade. parágrafo único da Constituição de 1988 e arts. violação de norma cogente. absoluta e insanável. em vários casos..I e 137 da Lei Complementar ng 80. p. esquecido de que devia julgar o direito das partes e não o de seus advogados: "Funcionários públicos do Município de Petrópolis. fora de qualquer dúvida. Não. deve o juiz providenciar. a fim de que não seja necessário decretá-la. não demonstrada.

comina de nulidade os atos privativos de advogados praticados por pessoas não inscritas na OAB. . 69/72). Sempre que a norma tutelar um interesse público. A todas as luzes. em seu aspecto teleológico. a nulidade absoluta. Extinção sem análise do mérito. o art. 4Qda Lei nQ8. Ora. bem como os praticados por advogados impedidos. Descabimento. os pressupostos processuais dizem respeito aos requisitos necessários à formação e desenvolvimento da relação processual e é. parágrafo único. vício. difere da inexistência apenas por ser purgável pela res judicata. sendo insanável. Conforme consagrado trabalho de Galeno Lacerda (Despacho saneador. pág. mas como nulidade cominada tem sempre de ser declarada de ofício. Afastado o vício da inexistência que seria o não-ato (fático ou jurídico). Outros caracterizam as nulidades absolutas. Falta de condições de desenvolvimento válido do processo. a determinadas prerrogativas de regime funcional. matéria de ordem pública Por outro lado.906194 . ato absolutamente nulo será aquele que violar norma que tutela interesse público. Não há direito adquirido contra texto constitucional. O que caracteriza o sistema das nulidades processuais é que elas se distinguem em razão da natureza da norma violada. reconhecidamente. Precedentes reiterados do Supremo Tribunal Federal. 4°. nem tarnpouco. O ato processual praticado contra norma que tutela interesse público é absolutamente nulo. insanável.Estatuto da Ordem dos Advogados . sobre o qual as partes não têm o poder de disposição. resta apreciá-lo em função das chamadas nulidades lato sensu.direito adquirido. suspensos ou licenciados. do Estatuto da Ordem dos Advogados. induvidosamente. a infringência acarretará nulidade absoluta. Sistema de nulidades consoante com a inteligência do art. como sendo aquelas para as quais a lei comina expressamente a pena de nulidade.

por mais respeitável que conduza a soluções injustas. 502"'27.TJRJ. o estendia a quaisquer nulidades: "Art. admitindo a sanação. acolhe-se a primeira preliminar suscitada. com custas e honorários de 10%(dez por cento) pela autora. reconhecendo a nulidade ab initio do processo. Estranhamos que Galeno Lacerda haja restringido a aplicação do princípio da sanação apenas às nulidades decorrentes de violação de normas tuteladoras de interesse da parte. não guarda ressonância com o caso em análise. para evitar que a adoção sem crítica de uma doutrina.Dessa forma. j. em casos assemelhados à hipótese dos autos. Marcus Faver. RTJRJ. julho a setembro de 1997. sendo vício insanável. Não subscreveria o acórdão que estamos a criticar. Todavia. porquanto o Código de 1939. para não cometer injustiça. extingui10. Estamos certos de que Galeno Lacerda não hesitaria em repudiar sua própria doutrina. É de se reconhecer que. se não for possível suprir-se a falta ou repetir-se o ato".. além de ser interpretação destituída de cientificidade. S Câm. até mesmo em função da manifestação meritória de fls. Cumpre reconhecer. para. esta somente será pronunciada pelo juiz. ainda mais claramente que o atual. Rel. 477. P-10-1996. sem análise do mérito nos termos do art. certamente por preocupações sentimentais ou visando impedir supostos ou potenciais prejuízos da parte. 274. não há como ser purgado. É preciso ser cauteloso no julgamento das causas. há entendimentos jurisprudenciais ditados. AC 826196. 127. 321185. suscitada pela Procuradoria de Justiça às fls. ficando prejudicada a segunda preliminar de nulidade. Ainda que determinada forma tenha sido prescrita com a cominação de nulidade. Por tais circunstâncias. qualquer que seja o critério para detectá-las estaremos diante de uma nulidade absoluta que. mesmo porque quod nullum esfnullum pmducit eflectus. . 267. Cív. IV do Código de Processo Civil. porém. que as conclusões do acórdão decorrem logicamente de sua doutrina.

ocorre mera irregul~ri&'~~. Comentários. o juiz tem a faculdade de proceder de ofício. como de todos os Códigos de Processo. embora defeituosos. Distingue A. já na vigência do Código de 1973. o saneamento depende "pura e simplesmente da omissão do interessado". A doutn'na de Antônio Janyr Dall'Agnol Vejamos.1) tratando-se de norma cogente. apresenta o autor a seguinte sistematização que.2) cuidando-se de norma dispositiva. da validade e da eficácia. -Atos há no processo que. qualquer das partes a pode invocar. diz-se. 325). a sua anulação só pode ocorrer mediante reação do interessado. Seguindo lição de Galeno Lacerda. "como o ato permanece na esfera de disposição da parte. tanto há atos perfeitos (= válidos) que não são eficazes quanto os há imperfeitos (não necessariamente inválidos) que produzem efeitos. a violação provoca a nulidade absoluta. Dall'Agnol os três planos: da existência.2. -A ineficácia não se identifica com invalidade. de preferência. como essa doutrina foi recebida por Antônio Janyr Dall'Agnol.. deve ser declarada de ofício.2. não acarretam invalidade. ou pelo suprimento da omissão". . são apenas ordenamento regulamentar. agora. vale dizer. vedada ao juiz qualquer provisão de ofício". surgindo daí "as figuras da nulidade relativa e da anulabilidade". atos existentes juridicamente. vem sendo acolhida desde então pela doutrina brasileira": a) se na norma "prevalecerem fins editados pelo interesse público. -A questão da validade concerne a atos jurídicos. "Muitas regras jurídicas do Código de Processo Civil. insanável do ato". pela repetição ou ratificação do ato. o vício do ato é sanável". Nessas hipóteses. b) se. "a violação produzirá nulidade relativa". "a norma desrespeitada tutelar. cit. o interesse da parte. porém. sem consequências processuais se alguma infração ocorre" (Pontes de Miranda. p. a resultante poderá ser a anulabilidade. 128. "ordenando o saneamento. "integral ou parcialmente. b. b.

assevera estar "com a corrente doutrinária que entende sanável o vício da nulidade absoluta" reputa absoluta a nulidade decorrente de citação defeituosa ou a eventualmente advinda de infração aos arts. em verdade. é o poder que tem o juiz de 129. Invalidades. diz. por definição. relativas). a distinção apóia-se na natureza da norma jurídica violada. nulidades não corninadas não é o mesmo que se encontra sustentando a classificação das invalidades em nulidades absolutas. reflete vício insanável. como é o caso de José Frederico Marques. prossegue o autor. aqui. I. 1O4 . importa apenas a consideração da existência (expressa) da cominação. Observa Antônio Dall' Agnol: 1) cominadas dizem simplesmente com invalidades derivadas de regra onde se estabeleceu. por definição. Antônio Janyr Dall'Agnol Júnior. Dall' Agnol não trata. então. Por vezes. 11. e 13. cit. duas teorias das nulidades. ou inexiste nulidade absoluta em processo (todas as nulidades seriam. ou não. na obra indicada. no campo do processo. segundo essa doutrina "os vícios passíveis de se constituírem em nulidade absoluta são. segundo a doutrina esposada pelo autor. É o que ocorre. Os doutrinadores que não distinguem as duas classificações vêem-se obrigados a admitir a ocorrência de nuiidade absoluta que seria sanável. dos vícios da sentença que haja transitado em julgado. considerada em seu aspecto teleológico (cogência-dispositividade. uma das características da nulidade absoluta. 2) o que se encontra à base da distinção nulidades cominadas. são relativas. com Fábio Luiz Gomes.. ou a nulidade absoluta. uma referente aos atos processuais. qualificam-se como absolutas nulidades que. a conseqüência. É que temos. insanáveis"'". expressamente. do CPC. Lá. Ora (argumenta).Ponto importante a salientar é que. nulidades relativas e anulabilidades. tutela preferencial de interesse público ou de interesse individual). 54. e outra à sentença que transitou em julgado. O ilustre professor gaúcho que. todas hipóteses por ele consideradas como de nulidade relativa. p. Efetivamente. parágrafo único. explicitamente.

como o da incompetência absoluta. não afasta a incidência do art. a nulidade absoluta decorrente de incompetência absoluta somente pode ser decretada mediante pedido da parte. Por outro lado. em ação rescisória (CPC. não explica adequadamente o sistema legal. porém. Todavia. Ora. Parece-nos evidente o interesse público na imparcialidade do órgão julgador. Considere-se a hipótese de suspeição do juiz. Como se pode decretar a nulidade da citação e do respectivo processo. Por outro lado. Fecha-se ao interessado que não alegar tempestivamente a oportunidade de fazê-lo. aí. escapará à sanação produzida pelo trânsito em julgado da sentença.II). 245. a exigência de citação atende ao interesse do réu. predominantemente. Diz: "A possibilidade de decretação de ofício. nulidades absolutas. nulidades relativas e anulabilidades. há manifestação de perplexidade pela circunstância de operar-se . A hipótese. pois se trata. entendemos. sob pena de preclusão'. caput. o autor. outrossim. não estar devidamente demonstrada a vinculação das nulidades absolutas ao interesse público e das nulidades relativas e anulabilidades ao interesse da parte. menos grave. deparamo-nos com uma situação pelo menos curiosa: vício mais grave. coerentemente. Por vezes. ocorre preclusão se a parte não argúi a exceção. entendemos que a tripartição. o vício decorrente de defeito de citação. Um ponto em que A. de tutelar o interesse da parte ré. qualifica como de nulidade relativa a hipótese de defeito de citação. que diz respeito a interesse público. no interesse do demandado. 485. Dall' Agnol não foi fiel à lição de Galeno Lacerda concerne à afirmação de que a nulidade relativa pode ser decretada de ofício. por visar à tutela de interesse da parte. art. tanto que qualificado como de nulidade apenas relativa. uma vez trânsita em julgado a sentença. do CPC: 'A nulidade dos atos deve ser alegada na primeira oportunidade em que couber à parte falar nos autos. 741. não obstante sujeita a preclusão. é de nulidade. art. De nossa parte.decretá-la de ofício. mesmo após o decurso do prazo de dois anos previsto para a ação rescisória (CPC. cabendo ao juiz decretá-la de ofício. porém. I). sujeita ao prazo decadencial de dois anos. exigirá ação rescisória.

sem que isso iniba o juiz de determinar sua produção de ofício. Invalidades. denota isso apenas. o juiz pode optar entre decretar a nulidade ou declarar a preclusão. que informa o regime das nulidades. 54. por preclusão. também. Para eles sugerimos o uso da expressão "preclusão parcial". que deixa o juiz sem saber se deve ou não decretar a nulidade? Dizer-se. então: que espécie de doutrina é esta.cit. que. 286)"130. nesse caso. José Frederico Marques. importa em atribuir ao juiz poderes discricionários.. de ofício. 11. em matéria de nulidades. fica praticamente extinto' (cf. Preclusão apenas para a parte há. Todavia. mas sem razão de ser. em oposição aos casos de "preclusão total". Instituições de Direito Processual Civil.preclusão apenas para a parte. mas. o direito à realização de prova pericial. por outro lado. tarnbém. nos casos de nulidade relativa. pois o que se quer saber. p. como 'perda de uma faculdade ou direito processual que. decretar a nulidade e. realmente. Na verdade. seja em razão de qualquer dos incisos do art. Há preclusão parcial. . e ainda uma vez. seja por motivo de natureza íntima. é se o juiz deve ou não pronunciá-la. essa possibilidade é inadmissível em tema de nulidades. a qualquer tempo. como 'fato impeditivo destinado a garantir o avanço progressivo da relação processual'. entendendo-a indispensável para a decisão da causa. que pode e deve declará-la. em que há preclusão também para o órgão judicial. Pergunta-se. incompatíveis com o princípio da legalidade estrita. Há. por se haver esgotado ou por não ter sido exercido em tempo e momento oportuno. somente são aceitáveis duas alternativas: ou o juiz deve. 135. seria atribuir-se ao juiz o poder de decretá-la ou pronunciar a nulidade. sob o ponto de vista subjetivo. no caso de suspeição do juiz. Afora existirem hipóteses outras desse fenomeno. que a preclusão não pode ser visualizada só sob o ponto de vista objetivo. é irrelevante a manifestação 130. quando se examina seu regime jurídico. e não para o juiz. A única maneira de se conciliar preclusão com decretação de ofício. por exemplo. casos de preclusão apenas para a parte. p. Antônio Janyr Dall'Agnol Júnior. em relação à prova pericial: pode a parte haver perdido.

ainda que a parte interessada por quaisquer motivos na nulidade a requeira"'32. 68 e S. ou ocorreu preclusão. mas normas imperativas. e quais os efeitos de sua de~laração'~~. Aroldo Plínio Gonçalves. disciplinando a atuação do juiz e garantindo a participação das partes no desenvolvimento do procedimento regular. não há normas contemplando o interesse particular. conforme a essencialidade do ato. 2. Tal concepção não leva à conclusão de que a n o m que autorize a declaração de nulidade é instituída no interesse da parte. não se anula o ato. prejudicando-a. . trata-se de prever ou não a sanção de nulidade. sendo por isso vedado ao juiz pronunciá-la. cit. p. 133. em que circunstâncias deve ser decretada ou. Diz: "Carnelutti teve uma visão absolutamente correta dessa questão quando ressaltou que há base para a anulação do ato viciado quando o vício atingir o interesse da parte. no segundo. no processo. Nulidades.da parte. p. Nulidades. 46. A disciplina legal das nulidades envolve dois momentos distintos: no primeiro. p. quem pode requerê-la. 132. O Código distingue nulidades cominadas e não corninadas. cit. Não há terceira possibilidade (Tertium non datur). em razão da natureza do processo. pelo contrário.. se necessita de requerimento. cit. não ser pronunciada. Se o vício do ato praticado contra a norma não trouxer prejuízo. Dall' Agnol. Aroldo Plínio Gonçalves afirma que. Despacho. não pode servir de base para a anulação de atos processuais.3. 93. as nulidades corninadas e não cominadas não rece- 131. insistimos. Aroldo Plínio Gonçalves.. É o desvio do ato de seu modelo legal que constitui o vício e é ele que pode provocar o prejuízo. A referida incongruência.. Assim. Logicamente. não se encontra na obra de Galeno LacerdaI3'. A doutrinu de AroMo Plínw Gonçalves Contrariando frontalmente a doutrina de Galeno Lacerda e A. o interesse privado. trata-se de disciplinar sua aplicação: se deve ser decretada de ofício.

51-2. As nulidades que se designam por nulidade relativa ou por anulabilidade são sempre as não-cominadas. em qualquer fase do processo. no momento processual oportuno.. pode-se afirmar que não há nulidade sem prejuízo"I3'. mas apenas na legitimação do sujeito do processo para arguir a nulidade e no momento processual de sua alegação.. "A distinção entre elas não está nos efeitos que sua declaração produz. "No processo. Tanto nos casos de nulidade cominada como nos de nulidade não-cominada. "A nulidade dita absoluta. Alfredo Buzaid'". Nulidades. p.. que se contrapõe a qualquer outra espécie. porque. p. Pr. mesmo assim. p. Nulidades. mas podem ser também arguidas pela parte que não h e s deu causa. nem no grau de gravidade do vício. que podem ser decla- 134. 51. 135.beram o mesmo tratamento por parte do autor do anteprojeto. que o juiz pode declarar de ofício. Nulidades.. a qualquer tempo. não basta a existência do vício para que o ato seja passível de ser anulado ou declarado nulo. Nulidades. cit. há que se observar os princípios que condicionam sua decretação. Aroldo Plínio Gonçalves. Civil). sob a denominação de nulidade relativa ou de anulabilidade. cit. naturalmente. As não cominadas não podem ser declaradas de ofício. Em qualquer caso. cit. Aroldo Plínio Gonçalves. 58. cit. que podem ser reduzidos a dois: o da finalidade e o da ausência de prejuí~o"~. 64. no momento processual oportuno (art. 137. sua incidência no caso concreto é condicionada à ofensa aos princípios que regem a validade do ato processual. exigem a provocação da parte e. antes da sentença. As nulidades cominadas devem ser declaradas de ofício pelo juiz. mesmo praticado com infração da forma prescrita em lei. e a parte pode alegar. Aroldo Plínio Gonçalves. o da finalidade e o da ausência de prejuí~o""~. . 463 do C. p. seja de nulidade cominada como de não cominada. com ela. nada mais é do que a nulidade cominada. Aroldo Plínio Gonçalves. o juiz termina o ofício jurisdicional (art. 136. 243 do CPC).

244. 460 do CPC)'39. Nulidades.. a possibilidade de se alegar a nulidade da sentença não em razão de vícios que tornam os atos que a antecederam passíveis de nulidade. ainda. ou ultra petita (art. Parágrafo único.. . Observa Aroldo Plínio Gonçalves haver.. p. 245. donde conclui não se poder assim conceber que "sentenças nulas" passem em julgado. as nulidades cominadas. cit. 108-9. cit. realizado de outro modo. 243. Nulidades. tenha prejudicada sua atuação no pr~cedimento"'~~. mas pelo seu próprio conteúdo. As nulidades não cominadas somente serão pronunciadas mediante provocação da parte. 108. também. lhe alcançar a finalidade ou dele não resultar prejuízo. se for efetivamente aplicada. Aroldo Plínio Gonçalves. como se o legislador a adotasse numa reforma da lei processual. como sanção. Art. sob pena de preclusão. O juiz pronunciará de ofício e a qualquer tempo. ou que "sentenças nulas" sejam "convalidadas" por força do trânsito em julgado. Aroldo Plínio Gonçalves. pode existir potencialmente. antes que haja pronunciamento judicial aplicando a nulidade140. Art. assim como sobre qualquer ato processual. que a nulidade. Afirma. Vamos sintetizar a doutrina de Aroldo Plínio Gonçalves. cit. ou pela inobservância dos requisitos que lhe são essenciais. p. antes da sentença. Pensamos que a redação poderia ser a seguinte: Art. A nulidade deve ser alegada na primeira oportunidade em que couber à parte falar nos autos. p. transformando-a em artigos de lei. provando a parte legítimo impedimento. É o caso da sentença que julga extra petita. Quando puder decidir do mérito a favor da parte a quem 138. ou que "sentenças sejam nulas". Não prevalece a preclusão.radas apenas em razão da alegação da parte que não concorreu para o ato viciado e que. Em qualquer caso. 99. em razão do vício. 139. Nulidades. e que a via normal para a aplicação de sanções é a decisão judicial. mas só se abaterá sobre a sentença. 140. o juiz considerará válido o ato se.

Teresa Amda Alvim Wambier. Teresa Amda Alvim Wambier. podem indicar esta cir~unstância"'~~. Aponta quinze princípios que norteiam o sistema das nulidades proces~uais'~~. nulidades de forma e de fundo.4. cit. 178. Nulidades. 248.) Art. cit.) 2. Disserta a respeito do assunto com meticulosidade. distingue nulidades absolutas e relativas (ou anulabilidades). ou 'em qualquer caso'. Nulidades. 250. o juiz não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta. Além das categorias da inexistência e das irregularidades.. Teresa Amda Alvim Wambier. p. Estes consubstanciar-se-ão em nulidades absolutas em virtude de expressa previsão 141. (Inalterado. p. cit. 249. 243 refere-se exclusivamente aos vícios de forma.. 144. São absolutas nos casos expressos em lei. 139 e S. 142. 150.. p. sem que para isso se exija expressão sacramental. "Nulidades relativas só podem ser arguidas pelo interessad~"'~~.aproveite a declaração da nulidade. Teresa Amda Alvim Wambier. . Art. donde se conclui que as absolutas podem ser decretadas de ofício. (Inalterado. 246.) Art. (Inalterado o caput e suprimidos os parágrafos. em nossas "Primeiras Conclusões ". 143.) Art. As nulidades de forma são de regra relativas.) (Um exame crítico dessas afirmações de Aroldo Plínio Gonçalves encontra-se adiante. 177. 247. (Inalterado.. "Expressões como 'obrigatoriamente'. Nulidades. (Inalterado. ou mesmo o verbo no futuro do indicativo. cit. p.) Art. Nulidades. A doutrina de Teresa Wambier A obra de Teresa Amda Alvim Wambier tem o mérito de tentar a elaboração de uma teoria das nulidades do processo e da sentença. "O art.

159. p. O mesmo ocorre. cit. art. cit. no caso de advogado que se obrigou a exibir procuração de seu cliente: a falta de ratificação de seus atos determina a inexistência do processo (art. Teresa Amda Alvim Wambier. a capacidade processual ou a regularidade da representação do autor (CPC. Logicamente. assim.1. 47). segundo Teresa Alvim. quando obrigatória sua intervenção (art. parágrafo único). Nos casos em que um dos cônjuges não pode litigar sem o outro. No caso de litisconsórcio necessário (art. 146. que o juiz deve declarar de ofício. I) constitui pressuposto de existência do processo. 178. Há. que o juiz deve declarar de ofício. são as que se vinculam às condições da ação e aos pressupostos processuais. falta de um pressuposto de validade do processo. Segundo a autora. pois. 244 aplica-se aos vícios de natureza formal. positivos de existência e de validade. O art. vê falta de legitimação processual. os litisconsortes só têm legitimação para o processo agindo ou sendo citados todos. 37. 12 trata de capacidade processual. Infringido. 84). 245 aplica-se somente às an~labilidades'~~..4. Teresa Arruda Alvim Wambier.. determina a nulidade absoluta do processo. p. 2. Exame do Código Trata a autora de examinar cada regra contida no Código. Nulidades. sua falta determina a inexistência jurídica do processo. cit. nulidade de fundo. tem-se nulidade (de fundo. absolutas. A falta de intimação do Ministério Público. 147."O art. Nulidades. ou em que se exige a citação de ambos (arts. As nulidades de fundo. absoluta. a falta de citação de um dos litisconsortes necessários constitui falta de um pressuposto de existência do processo. segundo a autora. absoluta). Teresa Amda Alvim Wambier. de anulabiO caput do art. . Além disso. 13. e negativosI4'. tratando-se. 145. Nulidades. aos quais a lei não comina pena de nulidade.. 10 e 1I). 179. p.

. a cujo respeito a lei exige a iniciativa da parte (art. p. segundo a autora.) "Os arts. pois. Nulidades. 132). p. 183). b) ser praticado nas férias. art. 134). como dispõe o art. 28parte). nula. porque absolutamente incompetente. Nulidades. cit. De igual forma. cit. 180 e 266). há três circunstâncias que o viciam'49: a) ser praticado fora do prazo (art. nos feriados ou fora do horário de expediente (arts. Teresa Arruda Alvim Wambier. Caso. cujo regime é análogo ao das anulabilidades. 114 só se aplica aos casos de incompetência relativa. Dispensável. se proferida por juiz promovido. a forma imperativa deve ser interpretada como exigência legal sob pena de nulidade. 131. 172 a 175 e 177 a 192 tratam do problema do tempo no processo. Inexistente a sentença proferida por juiz aposentado (CPC. pois. exceto pela circunstância de nada anular-se. Teresa Arruda Alvim Wambier. que se liga ao fenômeno da 'admissibilidade'. em outras hipóteses.. Nulidade no caso de juiz impedido (art. 148.. "O art. 173 e 179). 128). Há nulidade. c) ser praticado durante a suspensão do processo (arts.. pelo menos no que diz respeito aos atos das partes"'48. a propositura de ação rescisória.A incompetência absoluta deve ser declarada de ofício. (Mas. 172. 149. de ação rescisória. 113 do CPC. 126). por falta de jurisdição. 156 e 157) não geram nulidade. As disposições relativas ao uso do vernáculo e da tradução de documento estrangeiro (arts. 177. apesar da forma imperativa do texto. 180." É inexistente a sentença em que o juiz se exima de sentenciar alegando lacuna ou obscuridade da lei (art. se o juiz decide a lide fora dos limites em que foi proposta ou se conhece de questões não suscitadas. no caso de faltar motivação à sentença (art.. Relativamente a quando deve o ato ser praticado.

180. Teresa Arruda Alvim Wambier.4. de caráter absoluto. a falta de designação de audiência de conciliação não determina nulidade'52.. numa eventual reforma do Código: Art. Teresa Arruda Alvim Wambier. 5 2") gera nulidade absoluta. a doutrina de Teresa Amda Alvim Wambier. o juiz somente decretará a nulidade por provocação da parte e se ocorrer prejuízo. 33 1. lhe alcançar a finalidade. Nulidade absoluta se. I1 . de sintetizar. Nulidades.. sob pena de nulidade ou expressão equivalente. Nulidades. 243. o processo prossegue sem ele (art. 265. 177. realizado de outro modo. p. 2. 5 29. VI. 267. poderia ela assim redigir o texto legal. sem cominação de nulidade. I Apesar da redação imperativa do art. I. O juiz decretará de ofício a nulidade: I -de fundo. Não prevalece a preclusão.de forma. agora. cit. 152.. p. cit. 244. Segundo pensamos. II. V e VI. sob a forma de texto de lei. 179. o que facilitará o confronto com as doutrinas antes expostas. a relativa a condição da ação.V. 301. cit. A falta de intimação pessoal do Ministério Público (art. Art. VI11 e IX'51. Nulidade de fundo e. quando prescrita em lei. $ 2Q Ojuiz considerará válido o ato se. Quando a lei prescrever determinada forma.2. ou a pressuposto negativo. Síntese do pensamento de Teresa Wambier Tratamos. 151.A infração aos dispositivos que dizem respeito aos atos de comunicação no processo gera nulidadeI5O. Nulidades. nos V . provando a parte legítimo impedimento. .. no caso de morte do advogado do autor. qual seja. a pressuposto processual positivo de existência ou validade. Teresa Arruda Alvim Wambier. significandoa expressão "em qualquer caso" forma prescrita sob pena de nulidade. p. 1 1 1 .. casos dos arts. $ lQ A nulidade deve ser alegada na primeira oportunidade em que couber à parte falar nos autos. portanto. Quando puder decidir do mérito a favor da 150. 236.

) 2. 38-59). o juiz não a pronunciará nem mandará repetir o ato. 243 e S. conforme dispõe o art.. entre esses dois extremos da escala. correspondentes às nulidades. em qualquer tempo e grau de jurisdição. Revista. . (Inalterado. apenas as hipóteses intercalares.. Regulam.) (Um exame crítico dessas afirmações de Teresa Wambier encontra-se. das quais o juiz conhece de ofício. 2.. nem às meras irregularidades. 267.5. Também Humberto Theodoro Júnior refere-se às nulidades de fundo. 2. ou suprir-lhe a falta. (Inalterado. (Inalterado. Teresa Wambier estabelece um laço entre os temas conexos dos pressupostos processuais e das nulidades. Art.2. 250. aí. a seguir. em oposição as nulidades de forma (As nulidades.) Art. Com essa categoria. p. Primeiras conclusões O exame e crítica das lições de Galeno Lacerda.5. (Inalterado o caput e suprimidos os parágrafos. relacionadas aos pressupostos processuais e condições da açáo. 153. 248.s 3Q. 249. 246.) Art.. A escala da inexistência às meras irregularidades Os arts.) Art. do Código de Processo Civil não dizem respeito nem às hipóteses de inexistência. (Inalterado. compreendidas como tais as decorrentes da falta de condição da ação ou de pressuposto processual.parte a quem aproveita a declaração da nulidade. em nossas "Primeiras Conclusões". 247. o Código apenas cogita das nulidades de forma.) Art. deixando de lado as nulidades de fundo'".1. cit. Aroldo Gonçalves e Teresa Wambier já nos permitem fixar algumas conclusões. Nulidades de fundo e de forma É correta a assertiva de Teresa Wambier de que.5.

155. dependem de alegação da parte. por isso. sob pena de nulidade. 154. Revista. Egas Moniz de Aragão. p. Ambos exigem provocação da parte. embora cominadas.. apenas porque a parte responsável pela ocorrência vem denunciá-la'"..5. Nepmcedat iudex ex oficio" (As nulidades. nada no Código autoriza essa dupla assertiva. todas as demais nulidades (isto é. hdesse o juiz.2. se. Entretanto. as nulidades cominadas. cit. Nos termos do art. devem ser pronunciadas de ofício pelo juiz (se não houver evidência de falta de prejuízo). Entende que o dispositivo compreende apenas a anulabilidade e as irregularidades. Não abrange a inexistência e as nulidades absolutas e relativas. sua decretação não pode ser requerida pela parte que lhe deu causa. por que se haveria de cogitar de requerimento da parte? O texto comportaria a hipótese. de ofício. nos casos de nulidades não comi nada^'^^. então. Essa é também a lição de Humberto Theodoro Júnior: "Salvo nas nulidades cominadas de forma expressa (nulidades absolutas). decretar de ofício nulidades cominadas. as não cominadas e relativas) somente poderão ser apreciadas e decididas se arguidas por quem tenha interesse na sua declaração. . a existência de alegação. Esse dispositivo somente tem sentido se admitirmos que há nulidades que. de estar o juiz pronto a decretar a nulidade. caso.3. no caso do art. 47). 243. em qualquer caso. p. o juiz deve decretar de ofício a nulidade. 243. Ora. em que deixaria de lado sua intenção. alegando-a.. 273. Comentários. Os autores examinados são concordes em apontar esse dispositivo como referente a nulidades que o juiz deve decretar de oficio. Moniz de Aragão. cit. quando recebe petição da parte. que são de ordem pública e. pois estas podem e devem ser decretadas de ofício pelo juiz e de modo algum se ihe poderia retirar esse dever.. quando a lei prescreve determinada forma. risível.. Nulidades não cominadas e decretação de ofício Tanto Aroldo Gonçalves quanto Teresa Wambier decretam. por esta ou aquela parte. que segue a doutrina de G tem uma posição diferente. seria totalmente irrelevante. e não decretaria a nulid sido Mlisacta pela própria parte que lhe deu causa.

as hipóteses de anulabilidade. pedindo a reforma da sentença. RT. aliás corriqueira. dependendo de alegação da parte. A parte é vencida e apela. . em qualquer caso. não de interesse público. não de norma cogente. podem ser também as não cominadas. Faltou. a nulidade não pode ser decretada (art. 243 somente adquire sentido se admitirmos que. de recurso não conhecido por intempestividade. o juiz não a pronuncia se. mas de norma dispositiva. Na verdade. Outro exemplo: suponha-se que uma das partes seja intimada da juntada de documento aos autos por intimação nula. na doutrina de Galeno Lacerda. mas de interesse da parte. pode ela depender de alegação da parte. Evidentemente.Podemos deixar de lado as irregularidades. Cominada ou não a nulidade. Nesse sentido. 214. Para demonstrá-lo. encampada por Moniz de Aragão. cominada ou não a nulidade. sem argui-la. art. Entretanto. constata que ela foi causada exatamente por quem a argúi. 214). nos termos do art. As anulabilidades. Edson Ribas Malachini: "As nulidades que o juiz deve decretar de ofício. não poderá o tribunal decretá-la de ofício. Caso de nulidade cominada é a decorrente da falta ou nulidade da citação (CPC. é inexata a assertiva de que. 245. sem jamais aludir à nulidade daquela intimação. que. Ora. por outro lado. porque (sempre na doutrina de Galeno Lacerda) decorreriam da violação de norma tuteladora. 545125-34). a preclusão. O Código comporta esse entendimento. basta que se considere a hipótese. Realiza-se a audiência. pois. objeto do art. somente poderiam corresponder a vícios de menor gravidade. assim. derivariam da violação de norma dispositiva. 244" (Nulidades no processo civil. enquanto tal. Restariam. independentementede alega- 156. porque estas não implicam nulidade. ainda que cominada. o nome de seu advogado. 236. do CPC. se o réu comparece. nos termos do art. sujeitando-se. Por outro lado. é vedado ao juiz pronunciar nulidade não cominadalS6. § lQ). De outro lado. ser violada. parágrafo único. o art. há unanimidade no sentido de que as hipóteses de nulidades cominadas são as correspondentes aos vícios mais graves. exatamente porque dispositiva. por exemplo. $ I*. já vimos que norma dispositiva não pode.

prescrevendo a lei de157. Ao não conhecer do recurso. a característica de cientificidade. A fluidez de sua doutrina. pois considera como tais não apenas as hipóteses em que a lei usa a expressão "sob pena de nulidade". Até aí poder-se-ia acompanhá-la. .. realizado de outro modo. afirmando tratar-se. se o ato atingir o fim a que se achava destinado no proce~so"'~~. Essa é também a lição de Humberto Theodoro Júnior: "Do princípio da instrumentalidade das formas e dos atos do processo. A primeira vista. como também os em que afirma que "é da essência do ato" ou utiliza expressão similar.ção do recorrido. lhe alcançar a finalidade". mesmo em caso de nulidade absoluta. retirandolhe. Revista. p. 244: "Quando a lei prescrever determinada forma. o juiz considerará válido o ato se..5. está o tribunal a afirmar a nulidade do ato de interposição do recurso. negando-lhe efeitos.4. 2. sem cominação de nulidade.. decorre a irrelevância dos vícios do ato processual. Haveria casos em que o uso da forma imperativa implicaria cominação de nulidade e outros em que tal não ocorreria. Teresa Wambier tentaria defenderse. de nulidade cominada. o juiz considerará válido o ato se. realizado de outro modo.. As nulidades. pois. exceto num ponto: ao contrário de Teresa Wambier. essa doutrina se choca com o disposto no art. A contrario sensu. no que toca a esse ponto. na realidade. cominada ou não a nulidade. Não cominada. 51.cit. Nulidades cominadas e prejuízo As doutrinas de Teresa Wambier e Aroldo Gonçalves são compatíveis entre si. Aroldo Gonçalves exige prejuízo para que se decrete mesmo as nulidades cominadas. lhe alcançar a finalidade ou dele não resultar prejuízo. mas decretável de ofício é a nulidade decorrente da falta de contestação oferecida por curador especial. Em casos dessa natureza. Mas ela vai além e a f i a que a cominação pode decorrer simplesmente da forma imperativa utilizada. inerte em todo o processo. toma indemonstrável sua falsidade. Segundo sua doutrina.

nem se lhe suprirá a falta. O suprimento da falta de citação pelo comparecimento espontâneo do réu somente se explica pela ausência de prejuízo. ou seja. E sobre o tema. 2. não se a pronuncia. realizado o ato de outro modo. deve o juiz pronunciá-la.5. como advertem os hermeneutas. Contudo. não se atende à diferença entre nulidade não corninada e nulidade cominada. sob pena de nulidade. a interpretaçãoa contrario sensu é sempre perigosa. Além disso. p. 249. 249. t. Aqui. haja o ato alcançado sua finalidade. a ilogicidade de se exigir a repetição do ato ou o suprimento de sua falta. ainda que. o próprio Código encarrega-se de demonstrar que. embora cominada a nulidade. assim se pronuncia Pontes de Miranda: "Diz o art. sob pena de nulidade. § lQ. Outro caso de nulidade corninada que somente se decreta havendo prejuízo está no art. qual seja. No caso.que estabelece: "É indispensável. Se não bastassem todos esses argumentos. Sentido da distinção entre nulidades cominadas e não cominadas Concluímos que a circunstância de tratar-se ou não de nulidade cominada nada nos diz sobre a possibilidade de ser ou não decretada 158. que da publicação constem os nomes das partes e de seus advogados. 347. cit. se isso não prejudicar a parte. 5 lQ. ainda que. suficientes para sua identificação". Comentários. ainda haveria outro. Pontes de Miranda. 236.terminada forma.que o ato processual não se repetirá. 118 ..5. realizado de outro modo. se não houve prejuízo. que é de nulidade cominada. A hipótese. o art. haja sido alcançada sua finalidade. por si só suficiente para sustentar a tese. Esse é inegavelmente o sentido da cláusula "suficientes para sua identificação". se de eventual equívoco não resultou prejuízo. 5 lQ. III. é expressa no sentido de que não se decreta a nulidade se a publicação atingiu sua finalidade. dispõe que o ato não se repetirá nem se lhe suprirá a falta quando não prejudicar a parte.sem distinguir entre nulidades corninadas e não cominadas. O que importa é que não haja prejuízo à parte"'58.

Revista. Há. . realizado de outro modo.. em qualquer dos casos. porém.. 160. Porque contra este a inteligênciapode pouco. não autoriza a conclusão de que o ato expressamente declarado nulo deva ser necessariamente repetido ou suprido. ou seja.s lQ.de ofício'59 e que. só há nulidades cominadas (Orlando Gomes)lM. Introdução ao direito civil.. de nulidades não previstas de maneira expressa. se bem casados e bem entendidos. 159. pois. No direito de família. Outra questão é a do prejuízo.cit. além das nulidades expressas. 244 e 249. Mas contra o primeiro ela pode tudo.. sendo a nulidade uma sanção. consoante tradição. A existência. como o político. ou seja. a nosso ver. O absolutismo das formas não pode ressuscitar. então. p. que o legislador pode ou não pôr como requisito para a pronúncia da nulidade. a existência de prejuízo constitui requisito essencial para que seja pronunciada. o sentido da contraposição entre nulidades cominadas e não cominadas? A referência do Código às duas hipóteses de nulidades explica-se. ainda que.Referindo-se expressamente às nulidades não cominadas. p. dessa segunda categoria. por exemplo. também nulidades virtuais. nem mesmo pretendendo sobreviver ao lado de outros absolutismos. o Código deixou claro existir. como expressa rejeição da tese de que. se o fim particular atribuído ao ato permaneceu inatingido e com isso ficaram comprometidos os fins de justiça do processo. ou entre nulidade cominada e nulidade insanável" (As nulidades. Humberto Theodoro Júnior com razão observa que "não há coincidência entre nulidade absoluta e nulidade insanável. as que decorrem de ato ou omissão causador de gravame. E certamente lhe negará a sobrevivência ou ressurreição. 401. no processo. 47). somente poderia ser aplicada nos casos expressos em lei. Com razão observa José Joaquim Calmon de Passos: "A atipicidade do ato processual só acarreta sua invalidade se os fins de justiça do processo foram vulnerados. Qual. haja alcançado por inteiro sua finalidade. É o que se deduz dos arts.

oferece de logo o réu.. a fim de que sejam repetidos. 260. só haverá interesse.6. por ausência de prejuízo. Comentários. A sanação da nulidade supõe que ela haja sido pronunciada. não obstante a existência do vício. por parte do réu. sua defesa não pôde ser tempestiva. ele logrará a reabertura do prazo para efetivála. demonstra. A ela se refere o art. O exemplo do réu que. A rigor. 2. me- 161. cit. não se a pronuncia. ordenando as providências necessárias. Ou quando ele queira retirar da nulidade alguma conseqüência para a responsabilidade do autor por dolo processual. embora realizado de outro modo. a ausência de prejuízo não sana a nulidade. quando. 120 . Nada obsta. 244: porque. o vício. oferece contestação. isto é. não se compõe o suporte fático para a imposição da sanção de nulidade. mesmo nessas circunstâncias. v. demonstra que a circunstância de se tratar de nulidade corninada não implica necessariamente decretabilidade de ofício. toda a sua defesa"16'. o ato alcançou a sua finalidade. Sanação do vicio e sanação da nulidade Pode-se distinguir sanação do vício e sanação da nulidade. e exaustivamente. que.Por conseguinte. o que ocorre quando o defeito. se não houve prejuízo. a violação do preceito ou da prescrição acarretou prejuízo para o direito de defesa do réu. nessa arguição se. José Joaquim Calmon de Passos. A nulidade é pronunciada. citação nula é apenas aquela atingida por atipicidade relevante. sem arguir a nulidade. p. A essa hipótese refere-se o art. por força da atipicidade. O que na verdade ocorre é que. em vez de apenas alegar a nulidade da citação. é ele válido. ocorreu violação de algum dos preceitos que disciplinavam seus requisitos e seu procedimento. porque ela é sanada. Se a citação foi atípica. declarará que atos são atingidos.5. embora cominada a nulidade. também. contudo. impossibilitando-o ou dificultando-o. ao pronunciar a nulidade. com a decretação da nulidade. mas não implica a extinção do processo. 111. nulamente citado. 249: "O juiz. ou retificados".

quanto à repercussão de seus efeitos... 111. pela repetição do ato ou dos atos atingidos.... a extensão dos efeitos da nulidade do ato.. por exemplo. ou ainda por outra forma.. que se corrigem. além da sanação para evitar a extinção do processo.... É a projeção da nulidade no processo que se corta.......... extensão que normalmente ocorreria.. em verdade........ em que há sanação pela remessa dos autos ao juiz competente..... A repetição de um ato não pode ser vista como sanação de defeito desse mesmo ato.. portanto. José Joaquim Calmon de Passos. Diz Calmon de Passos: "A sanabilidade ou insanabilidade da nulidade é uma apreciação posterior ao pronunciamento judicial que a constitui.. com isso.... como no caso da incompetência absoluta. e sim das repercussões que sua invalidade determina no processo. ........ não fosse o ato repetível.. Insanável. O juiz pronuncia sua nulidade e manda repeti-lo.... falase. não a nulidade.. com a invalidade. não há.. Logo... Nulidade sanável..sanação do vício. quando se fala em nulidades sanáveis e insanáveis. pelo juiz. cit. como um todo... no processo... . impedindo.. mediante a repetição de atos ou realização de atos que faltaram na série de atos do procedimento. Ela existe e deve ser decretada........ atos nulos de nulidade não pronunciada.. Só é nulo o ato sancionado.. atingindo-o na sua validade.............diante a repetição ou a retificação do ato. sobrevivendo o processo.. não é mais do que aquela cujas conseqüências sobre o processo podem ser obviadas. e isso só ocorre quando há prejuízo"'62. 414-5. Mas. p.. por conseguinte... Comentários. As sanáveis. quando o ato não pode ser repetido operando elas sobre o processo..... As insanáveis. expressamente.. quando o 162..... para que não seja necessária a decretação da nulidade . Suas conseqüências são extensas e definitivas..... É o que ocorre. Logo.. é a nulidade que repercute sobre o processo como um todo e importa em sua extinção..sanação da nulidade -cabe falar-se em sanação no sentido das providências tomadas pelo juiz. em decorrência da decretação da nulidade de ato processual . v. de extensão dos efeitos das nulidades.. O ato é nulo.

nas conclusões finais. apenas parcialmente documentadas. fomos nos convencendo de que nenhuma. mas desorientam. Optar por uma delas. preferem-se uns acórdãos em detrimento de outros.) O exame de casos concretos é que nos serviu de guia para as conclusões finais. Aos poucos. Estamos certos de que eles serão também úteis para os operadores do direito. a nosso juízo. Nas primeiras tentativas. para verificar qual delas resistia aos choques da vida forense. não tentamos reconstruir a idéia original do legislador. a final. com base nela. Algumas nos levaram a conclusóes inovadoras. verifica-se haver entre elas divergências bastante expressivas. optamos pelas linhas que nos pareceram melhores. em síntese. mesmo que conseguíssemos. ou o tribunal insta o advogado que subscreveu o recurso a exibir o instrumento de mandato. mesmo discordando de nossas conclusões. Nas divergências. confrontamos os acórdãos examinados com as doutrinas expostas. (Ao se constatar a existência de uma linha. 2. se comporta divergências. é sempre possível projetá-la para frente. . Com razão. porque a experiência já vivida provavelmente recomendaria deixá-la de lado. Chegamos. montar um sistema normativo que a explicasse e fosse consistente também para orientá-la. a conclusões próprias.juiz determina a emenda da inicial. O Código já tem mais de vinte anos de vigência e é pouco provável que tivéssemos êxito onde outros falharam e.5. ou permite a ratificação de atos praticados por advogado impedido.7. Restava. Interrogando a jurisprudência Comparando as propostas dos autores examinados. não sendo sempre uniforme? Claro que decisões contraditórias não orientam. que neles poderão encontrar caminhos. Inevitavelmente. então. uma única alternativa: interrogar a jurisprudência e tentar. vendo até onde conduz. expostas analiticamente nos comentários aos acórdãos que seguem e. ou acrescentar ainda outra? Para decidir. quase nada adiantaria. perguntaria o leitor: como pode servir de guia a jurisprudência.

. Para a validade do processo. art. a falta de citação". a sentença que venha a ser proferida é nula. Para a compreensão do tema das nulidades do Código de Processo Civil. art. por oficial de justiça ou por edital (CPC. é válida. art. para qualquer comarca do país. Citar. de regra. a fim de se defender. a . Pode-se dizer que a citação é o ato mais importante do processo. 214: "O comparecimento espontâneo do réu supre. quando o réu residir em local não atendido pela entrega domiciliar de correspondência.É feita a citação pelo correio. É mais do que isso: é chamar o réu ajuízo. dispensada a propositura de ação rescisória. a nulidade daí decorrente sana-se pelo comparecimento. a sentença. 222). Embora seja a citação um dos atos mais importantes do processo. nos processos de execução. .O art. norma das mais importantes é a contida no 5 lPdo art. é indispensável a citação do réu. pois. 224). 221). 213 do CPC define a citação como o ato pelo qual se chama ajuízo o réu ou o interessado a fim de se defender. 214 do CPC. Um dos raros casos em que se pode falar de sentença nula. quando for ré pessoa de direito público. 213 do CPC. bem como quando frustrada a citação pelo correio (CPC. Não se pense que tal suprimento decorra simplesmente da circunstância de haver o réu tomado conhecimento do processo. Sem ela. não sem chamamento do réu ajuízo. exceto nas ações de Estado. nos termos do art.Faz-se a citação por oficial de justiça (citação pessoal) nos casos acima indicados. -A citação faz-se por edital quando desconhecido ou incerto o réu. quando ignorado. incerto ou inacessível o lugar em que se encontrar. entretanto. quando for ré pessoa incapaz. senão o mais importante de todos. Na verdade. diz o art. nos casos expressos em lei. quando o autor a requerer de outra forma (CPC. É concebível processo sem demanda. não é apenas dar ciência da existência do processo. não obstante o vício de que esteja revestida. Faz-se a citação pelo correio. podendo apenas ser rescindida.

§ I". O mesmo 5 lQ do art. Trata-se. aí. do CPC. É fora de qualquer dúvida que o juiz pode. verificando que o réu não foi citado ou foi nulamente citado. A citação é indispensável à validade do processo. de aplicação do princípio geral da sanação das nulidades. também. seu comparecimento espontâneo supre a falta de intimação e. A citação é ato que tem por fim abrir ao réu a possibilidade de se defender. pode e deve decretar . comparecendo. que elas podem. de ofício. Com essa disciplina. insanáveis. tanto pode arguir a nulidade quanto receber o processo no estado em que se encontra. destinadas a dar oportunidade às partes de praticar ato processual. opção do réu. Comparecendo. Assim. 214 lança luz sobre os casos em que a decretação da nulidade depende ou não de alegação da parte. dispensa-se a citação. não existem nulidades absolutas. licitamente. art. no processo civil. verificando o juiz que o autor ou o réu foi nulamente intimado da juntada aos autos de documento oferecido pelo adversário.regra do art. por que seria absoluta a nulidade decorrente da falta de intimação do Ministério Público? Entendemos que a falta de intimação do Ministério Público sanase nas mesmas condições da falta de citação do réu. afirmando-a tempestiva. dependendo do réu a arguição da nulidade. em face da nulidade da citação. a decretação da nulidade depende de arguição sua. o Código deixa claro que. e. receber o processo no estado em que se encontra. que é também o da instrumentalidade das formas. implica dispensa de ato anterior. 214. não querer praticar. Se a própria falta de citação é sanável. comparecendo o réu. limitar-se a arguir a nulidade (CPC. 214. isto é. pode o réu: oferecer contestação. decretar a nulidade do processo. Entretanto. licitamente. não o efetivo exercício do direito de defesa. A mesma ordem de idéias aplica-se às intimações em geral. § 2Q). em princípio. não obstante dele dependa o subsequente: havendo contestação. sem arguir a nulidade. Exercer ou não o direito de defesa é. não querer se defender. pela simples razão de que o réu pode.

a nulidade, ordenando a repetição do ato. Entretanto, se a parte fala nos autos, mostrando ciência da juntada, e não argúi a nulidade, já não é dado ao juiz pronunciá-la de ofício. Esta, pois, a regra: a nulidade depende de arguição da parte, sempre que dela haja decorrido impossibilidade de praticar ato processual facultativo. As demais nulidades, ou seja, as que não se vinculam à prática de ato processual pela parte, não se sujeitam a preclusão, podem ser decretadas de ofício, a qualquer tempo, suposto que não se haja por outro motivo sanado o vício. Assim, ao julgar a apelação, pode o tribunal decretar de ofício a nulidade da sentença (ato do juiz), por falta de fundamentação. 2.6.1. Citação de pessoa física pelo correio Dispõe o art. 223 do CPC que "deferida a citação pelo correio, o escrivão ou chefe da secretaria remeterá ao citando cópias da petição inicial e do despacho do juiz, expressamente consignada em seu inteiro teor a advertência a que se refere o art. 285, segunda parte, comunicando, ainda, o prazo para a resposta e o juízo e cartório, com o respectivo endereço. Parágrafo único. A carta será registrada para entrega ao citando, exigindo-lhe o carteiro, ao fazer a entrega, que assine o recibo. Sendo o réu pessoa jurídica, será válida a entrega a pessoa com poderes de gerência geral ou de administração". Todavia, no acórdão que segue, afirmou-se a validade da citação de pessoa física pelo correio, mediante simples entrega da carta da portaria de edifício condominial. Caberia ao citando fazer prova de não havê-la recebido: "Ao ajuizar ação para rescisão de contrato de locação de veículo, no qual fora entranhada promessa desua alienação, por alegado descumprimento, pela ré, de suas cláusulas principais referentes ao pagamento, pleiteou a autora sua citação, que restou realizada pela forma postal, ou seja, mediante a expedição de carta. No entanto, como se vê do comprovante exibido às fls. 35 do AR de fls. 37, ainda que correto o endereço da citanda, não foi ela, pessoalmente, que recebeu a carta, mas terceira pessoa não identificada.

Donde a preliminar de nulidade da citação, porque a ré se mostrou revel, e apenas surgiu no processo quando da fase recursal. De início, convém anotar que o artigo 223, parágrafo único, do Código de Processo Civil é expresso, no sentido de que a carta registrada deverá ser entregue ao citando. Todavia, outras derivadas surgem desse postulando, ou seja, a de que, por exemplo, em se tratando de edifício condominial, como aquele em que a apelante reside, essas cartas são entregues, normalmente, nas suas portarias, ao porteiro ou zelador, e a praxe ensina que as mesmas são remetidas, posteriormente, aos condôminos. Inverte-se, aí, a presunção de veracidade do ato, devendo a citanda, pois, demonstrar que essa pessoa não fez a entrega da comunicação judicial, donde a impropriedade da arguição da nulidade do ato, porque a apelante deveria ter demonstrado, de forma inequívoca, que não recebeu a citação"'63. Pensamos que, contentando-se com a entrega da carta ao porteiro ou zelador de condomínio, esse acórdão violou literal disposição de lei, porquanto o art. 223, parágrafo único, do CPC, é claro no exigir a entrega da carta ao citando. O texto violado é recente, pois a Lei n. 8.710 data de 24 de setembro de 1993. Não se pode, pois, invocar alteração do estado de fato, para afastar a aplicação da norma. Não se pode presumir que o legislador não tivesse conhecimento da hipótese dos condomínios, bem como das dificuldades que têm os carteiros para a entrega de correspondência a pessoa certa, qualquer que seja a natureza do prédio. A solução está no art. 224 do CPC, que prevê a citação por oficial de justiça, sempre que frustrada a realizada pelo correio. Corretamente decidiu o Superior Tribunal de Justiça que, na citação de pessoa física pelo correio, é necessário seja a carta entregue pessoalmente ao citando, contra recibo: "Na citação feita pelo correio, com aviso de recepção, não há como se escusar ao cumprimento do disposto expressamente no art.

163. TJSP, 3. Câm. de Férias "B" de Dir. Priv., AC 13.501-4, Rel. Toledo César, j. 30-7-1996, JTJ, 188117.

215, c/c o parágrafo único do art. 223, ambos da Lei Processual Civil: o primeiro desses dispositivos, por condicionar a validade da citação inicial ao requisito da pessoalidade; e o segundo, pela exigência de que a carta de citação seja entregue ao citando e tenha deste a assinatura do recibo de entrega. É pacífico na doutrina e na jurisprudência que, na citação pelo correio, com aviso de recepção, exige-se seja a entrega feita, contra-recibo,pessoalmente ao citando ou a quem tenha poderes para receber a citação em seu nome"'". O acórdão acima trata de tema prévio ao regime das nulidades, qual seja, o da exata interpretação do art. 223, parágrafo único, do Código de Processo Civil, que exige seja a carta registrada entregue ao citando contra recibo. Parece fora de dúvida que entrega a terceiro, ainda que residente no mesmo prédio, não constitui entrega ao citando. Não tendo sido saneado o vício pelo comparecimento, impunha-se a decretação da nulidade. A exigência de entrega ao citando, no caso de citação de pessoa física pelo correio, foi também afirmada no acórdão que segue, lançado em ação de despejo. "Realmente, a citação está viciada (arts. 223, par. único e 247 do CPC). Foi realizada em pessoa que não a ré, sendo facilmente verificado que os autógrafos das fls. 08v. (contrato de locação) e 36 (procuração) não correspondem ao do AR (fl. 20). Ao exposto, dou provimento ao recurso para anular o processo a partir da citação"lh5.

2.6.2. Citação de pessoa jurídica pelo correio Vale a citação de pessoa jurídica, por carta recebida pelo chefe de pessoal da empresa: "Com a nova redação do parágrafo único do art. 223 do CPC, imposta pela Lei nQ8.710193, sendo o réu pessoa jurídica, já não

164. STJ, l1Turma, REsp 57.370-0, Rel. Min. Demócrito Reinaldo, j. 26-41995, RJTJRS, 172128, outubro de 1995, ano 30. 165. TARS, 7l Câm. Cív., AC 195182746, Rel. Cláudio Caldeira Antunes, j. 3-4-1996.

mais se exige que a carta citatória seja entregue diretamente ao representante legal do réu, bastando que o seja a pessoa com poderes de gerência geral ou de administração. Válida a citação recebida pelo Chefe de Pessoal da empresa, máxime inexistindo dúvida quando ao conhecimento que a ré teve da demanda contra si proNo caso que segue, considerou-se válida a citação de pessoa jurídica, por carta recebida por simples funcionário da empresa. "Alega o apelante que a citação deveria ter sido feita na pessoa de seus representantes legais com poderes para tanto, nos termos de seu estatuto ou, na ausência destes e por permissivo do CPC, deveria ter sido citada na pessoa de um de seus Diretores, justificando que tanto os seus Representantes legais quanto os seus Diretores não residem em Brasilia. A citação, no presente caso, foi feita pelo correio, com aviso de recebimento, e sobre a matéria, transcrevo a ementa do julgamento do REsp 36.312, do Superior Tribunal de Justiça, em que foi Relator o E. Min. Dias Trindade: 'Processual civil. Citação pelo correio. Banco. Classificação como comerciante. Art. 222, CPC. Deve ser de larga exegese a regra que permite a citação pelo correio de comerciante, industrial, de modo a abranger as instituições bancárias, organizadas em sociedades por ações e definidas no Código Comercial como comerciantes'. Trago ainda a Ementa do acórdão na APC nQ3 1.745, desse Eg. TJDF, em que foi Relator o E. Des. Estevarn Maia, na parte que nos interessa: 'Processual civil -Alegações de ilegitimidade passiva e nulidade da citação - Inocorrência - Revelia - Caracterização Improvimento da apelação. 1 - ... 2 -Válida é a citação recebida por funcionário graduado de pessoa jurídica, tanto mais se realizada via postal. 3 -Se o ato citatório atinge o seu objetivo, a ausência de resposta conduz à revelia, presumindo-se verdadeiros os fatos ale-

166. TJDF, E1 na AC 31.745196, Rel Des. Carmelita Brasil, j. 19-3-1997.

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gados pelo autor, de molde a merecer confirmação a sentença que assim julgou a causa. 4 -...' Desse mesmo acórdão, transcrevo e adoto como razões deste voto, parte do voto do E. Des. Relator: 'Quanto à alegação da apelante de que a citação ocorrida via postal é nula, pois não realizada pessoalmente, nem a seu representante, não procede. A citação pessoal não é imprescindível, quando se dirige às pessoas jurídicas, podendo ser feita por via postal a quem tenha poderes para recebê-la (art. 222, CPC). A jurisprudência se consolidou no sentido de se admitir a citação, por via postal, de pessoa jurídica, ainda que a carta tenha sido recebida por simples funcionário da empresa, conforme noticia o eminente Des. Romão Cícero Oliveira, na APC nQ32.361194, j. 29.08.94, Z8 Turma Cível'. Vale ressaltar que não poderia a norma adjetiva estabelecer a profícua modalidade de citação, por carta, com restrições às pessoas para recebê-la, sob pena de torná-la ineficaz, pois que não seria plausível pretendesse o legislador atribuir ao carteiro a capacidade ou a habilidade para examinar, detectar ou decidir a respeito de representação, poderes, qualificaçãoou, ainda, garantia de identidade efetiva do recipiendário (RSTJ nQ361392). No mesmo sentido o REsp nQ11.914191, 3" Turma, Rel. Min. Waldemar Zweiter. No presente caso, o apelante foi citado por via postal, cujo recebimento foi por Jailson Fragoso Barreto, conforme AR de fls. 16, e não consta dos autos (embora irrelevante em vistas do entendimento que adoto) que o recebedor da correspondência não seja pessoa credenciada para tanto, e essa prova caberia ao apelante. A citação foi determinada pelo MM. Juiz no dia 07.10.96, tendo o destinatário recebido a mesma no dia 11.10.96, conforme AR retromencionado, e com toda certeza, o recebedor da correspondência tomou a providência de encaminhá-la à pessoa encarregada, tanto que apresentou a contestação, embora a destempo.

Por tais considerações, nego provimento ao recurso"'67. No mesmo sentido, este outro acórdão: "Citação pelo correio. Desnecessidade que o chamamento se efetive na pessoa do sócio de pessoa jurídica, Ré. Sua validade, desde que comprovada sua entrega na própria empresa. Preliminar de nulidade do julgado por ausência de citação, rejeitada"'68. Todavia, embora seja certo que a carta não precisa ser entregue ao diretor da empresa ou a quem tenha poderes para representá-la nos termos de seus estatutos, não menos certo é que o parágrafo único do art. 223, do Código de Processo Civil, claramente exige que a carta seja entregue a pessoa com poderes de gerência geral ou de administração. Os acórdãos acima contradizem o disposto no art. 223, parágrafo único, do CPC, que considera válida a citação de pessoa jurídica pelo correio apenas no caso de entrega da carta a pessoa "com poderes de gerência geral ou de administração". É o que foi reconhecido no seguinte acórdão: "É nula a citação de pessoa jurídica procedida por carta se o 'AR' não for subscrito por pessoa com poderes de gerência geral ou de administração, nos termos do art. 223, parágrafo único, infine, do CPC. Recurso provido"169. Outro acórdão no mesmo sentido: "Sendo ré pessoa jurídica, a carta de citação é entregue a pessoa com poderes de gerência geral ou de administração. Art. 223, parágrafo único, do CPC. Tendo sido a carta citatória recebida por funcionário desprovido de tais poderes, a citação é nula. Preliminar acolhida.

167. TJDF, laTurma Cív., AC 43.657197, Rel. Paulo Evandro de Siqueira, j. 2-5-1997. 168. TJDF, laTurmaCív., AC 40.636196, Rel. Des. Edmundo Minervino,j. 12-8-1996. 169. TARS, 7' Câm. Cív., AC 1961 15265, Rel. Ricardo Raupp Ruschel, j. 27-1 1-1996.

onde o encontra. De tudo o oficial de justiça lavra certidão. assinado pelo escrivão com declaração de que o fez por ordem do juiz. forma ficta ou presumida de citação. por necessidade abandona-se a essência. Rel. o oficial de justiça tentar obter o "ciente" do citando. A forma do ato torna-se sacramental. ainda. Citação com hora certa É.4. 228). art. como a citação por edital. É interessante assinalar a vinculação que existe entre o formalismo exacerbado e a ignorância dos resultados. uma cópia do mandado. fazendo-se da forma o essencial. Deve. Não se sabendo se o fim foi ou não atingido. j. isto é. 2.. O oficial de justiça recebe o mandado de citação.6. AC 196230932. 226). se do eventual vício resultou ou não prejuízo. Não seria exagero dizer-se que. Procura o citando e. 4. Câm.5.6. apôs ou não quis apor a nota de ciente no mandado (CPC. na citação por edital. Citação por edital A citação por edital é forma de citação ficta ou presumida. declarando se o citando recebeu ou recusou a contrafé. não encontrado o citando. . a presunção hominis é exatamente no sentido de que o destinatário dela não tomou conhecimento. 20-3-1997. lê o mandado e entrega-lhe a contrafé. Cív. porque.3.6. Citação por oficial de justiça É a forma mais segura de citação. o oficial de justiça deixa a contrafé com pessoa da família ou com algum vizinho (CPC. art. Exatamente por isso. Manuel Martinez Lucas. TARS. os tribunais são rigorosos no cumprimento das formalidades previstas em lei. 170. 2.Processos anulados a partir da citação"'70. 2.

2PTurmaCív. Outra seria a situação. preliminarmente.O acórdão que segue corretamente decidiu que. Rel. 232. com certeza. AC 37. do Estatuto Processual Civil. Haydevalda Sampaio. Razão assiste ao apelante. TJDF. no caso de publicação única. onde houver. do Código de Processo Civil. realizada com inobservância das exigências do Estatuto Processual Civil. sentença hostilizada. arguindo. por se tratar de preceito cogente. não se podendo presumir que o apelante. 28-4-1997. onde houver. há certamente nulidade. Na presente hipótese. como já decidiu o Supremo Tribunal Federal (RTJ 901666). Efetivamente. por não passar de mera conjectura. do Código de Processo Civil. "Insurge-se o apelante contra a r. 171.. se o autor da ação estivesse sob o pálio da Justiça gratuita. realmente o edital de citação deve ser publicado pelo menos duas (2) vezes em jornal local. o edital de citação deve ser publicado pelo menos duas vezes em jornal local. nos termos do art. por se tratar de preceito cogente. inciso 111. nulidade da citação por edital. não convalidando a nulidade da citação. inciso 111. 132 . j. tenha tomado conhecimento do processo. estabelecido que a citação editalícia exige duas publicações em jornal local. Des. Nos termos do artigo 232. 11. Rogando vênia ao eminente Relator. o que importa em nulidade. A existência de um provável conhecimento do réu da ação em curso.635195. que dele não teria ciência. em decorrência de inobservância do disposto no artigo 232. houve apenas uma publicação. ainda. data vênia. havendo nulidade. ainda que houvesse publicação regular do edital de citação em jornal local. sendo irrelevante. Apenas o comparecimento do réu sanaria o vício. caso haja apenas uma publicação. dou provimento ao recurso para anular o processo a partir da citação""'.

A. sem alegar que a ré não havia sido regularmente chamada a Juízo. 20. Acresce que.A. A identidade de propósitos dos réus e a subordinação total de um ao outro dispensam citação autônoma da corretora. invocando a teoria da desconsideração da personalidade jm'dica: "A questão preliminar é viva expressão da deslealdade processual dos réus. contestou o processo. Por isso. afirmando ter comparecido espontaneamente. A própria intervenção dela na aplicação discutida se dá apenaspmforma. tendo existência apenas para viabilizar negócios dele. se a corretora contraiu obrigações na Cidade de Jacareí e nela deve correr ação movida contra ela. quando alega a não citação da corretora e traz aos autos exemplar dos estatutos sociais dela. O réu-Banco. Para o cliente.o cliente trata com funcionáriosdo Banco a respeito das aplicações e dele recebe grande parte das comunicações sobre o estado delas (verifiquem-se a respeito os documentos de 8s.. 19. Corretora de Câmbio e Títulos é empresa completamente controlada pelo réu Banco do Estado de São Paulo S. 18. não havendo a possibilidade de eles manifestarem vontades ou procedimentos distintos. Banco e empresa controlada -Desconsideração da personalidade jurídica O acórdão que segue considerou válida a citação da empresa controlada feita na pessoa do representante legal da controladora. com rendição perante as manobras desonestas dos réus e consagração da chamada 'Lei de Gerson' . pediu por duas vezes o julgamento no estado da lide. Depois.não é razoável. realizada nas pessoas que a representam na Cidade. havendo por parte do Banco.6. sem fazer reparo quanto à citação realizada.uma vez que. É amplamente sabido de todos que a ré BANESPA S. 51 v. foi perfeitamente legal. a citação de fls. Proferida a sentença em seu desfavor. e pleiteou a nulidade do processo. mero esforço para tumultuar o procedimento e retardar sua marcha.2. porque a lei deve sempre permitir interpretação que repila essa espécie de procedimento. devidamente citado. -BANESPA. ela seria daninha e inútil para os fins que a criaram se sua observância . 34. a hipótese pode ser tratada com aplicação do princípio da desconsideração da pessoa jurídica. procurando tirar proveito da confusão criada. Declará-la por amor à forma e desprezo pela realização da justiça. 35 e 40). como também é notoriamente conhecido. esse réu ao apelar alegou a nulidade da citação sua e da ré.6. Banco e corretora são a mesma pessoa.

O cliente de Banco. A comunhão de propósitos dos réus é demonstração inequívoca de que a ré-corretora está plenamente ciente desta ação e o procedimento daqueles que se apresentam como Patronos do Banco faz presumir que a não regularização da representação dela contém a intenção desleal já apontada. AC 256. que trata de tudo. porém.7. efetua os resgates e presta as informações devidas.premiasse os desonestos. JTJ. credita sua renda. e não da corretora. em virtude desses atos do Banco. não é informado de que está a tratar com pessoa jurídica diversa. A alegação de ilegitimidade passiva é repelida também por fundamentos semelhantes. Se não houve contestação dela foi porque o réu já trouxe aos autos os argumentos dela e porque os dois. A rigor. no pensamento único já indicado. haveria solidariedade entre ela e o estabelecimentode crédito para responder perante o cliente. por se haver chamado a juízo pessoa jurídica diversa daquela contra a qual se propôs a ação. não serão premiados. Maurício Vidigal. nem infração ao princípio constitucional do contraditório. Para ele. 172. TJSP. Por isso. convidado a investir em fundos ou aplicações semelhantes. 6-8-1996. recebe a quantia aplicada. uma vez que há inequívoca relação de consumo e as disposições do Código do Consumidor estabelecem a responsabilidade conjunta"'72. Rel. 2. acharam melhor criar um motivo para retardar o processo ou tumultuá-lo. ou se os interesses deste colidirem com os daquele. se não tiver representante legal. é o Banco. Não houve cerceamento de defesa. 191/114. A invocação da doutrina da desconsideração da personalidade jurídica é que permitiu uma decisão mais do que razoável: justa. por seus funcionários. Priv. Na pior das hipóteses. uma vez que há certeza de que a ré-corretora teve no momento oportuno total conhecimento da lide e de que lhe foi concedida a oportunidade de se defender. 10L Câm.849-1. 134 . j.. de Dir. 99 do CPC dispõe que o juiz dará curador especial: "I -ao incapaz. teria havido falta de citação. Defesa por curador especial O art.

exercer o direito de ação. Parágrafo único. sendo de seu dever apresentar contestação. na defesa do direito alheio. requerer e produzir provas. suspeição. e. 9P. ensina: "Esse curador especial exerce múnus público de defender o réu. acompanhar as audiências. em nome próprio. a tomada de medidas . bem como qualquer outra defesa direta ou indireta no processo civil (exceções de direito material: prescrição. poderá praticar qualquer ato no processo. c/c. pois. a este competirá a função de curador especial". Não pode. bem como responsabilizado civilmente por má gestão processual. ambos do CPC. non adimpleti contractus. portanto. é limitada à defesa do ausente. É opinião dominante que o curador especial de ausentes é substituto processual do réu revel citado com hora certa ou por edital (art. para que se efetive realmente a defesa do ausente.. A legitimação extraordinária do art. etc. decadência. que exigem do curador especial. a contestação nos processos em que oficia é obrigatória. no entanto. Isto porque todos estes atos processuais são de mero exercício dos poderes processuais que tem o cuador especial. transigir. o art. estará sujeito a sanções administrativas(se funcionário público).II. vedada a propositura de reconvenção ou de ação declaratória incidental bem como embargos de terceiro e ação rescisória. Nas comarcas onde houver representante judicial de incapazes ou de ausentes. bem como ao revel citado por edital ou com hora certa.I1 -ao réu preso. porque. etc. Casos há. Segue-se daí que essa atividade não implica renúncia ao direito material do substituído. Sendo substituto processual. desde que não importe em comprometimento ou disponibilidadedo direito material do réu revel substitui'do. Daí a razão de o prazo que o cuador especial tem para contestar ser considerado como impróprio. renunciar ao direito sobre que se funda a ação. Se não deduzir defesa em favor do réu revel ou preso. de qualquer modo. etc. reconhecer juridicamente o pedido. Nelson Nery Jr. compensação. etc. Não é lícito ao curador especial.. 6* do CPC). exceções processuais: incompetência. confessar.

com a adoção das modalidades fictas de citação. No processo de conhecimento. com legitimidade para a apresentação de embargos. não se justifica a citação com hora certa. pois. praticamente. a citação tem por finalidade dar ciência ao executado da ação posta para cumprir a obrigação (arts. de qualquer sorte. Nelson Nery Ir. . a ele não seriam cometidas. De nada aproveita. exatamente para essas hipóteses. A nosso ver. presumir. agora com razão de ser. porquanto é previsto. no caso. Por outro lado.que. conquanto não haja tecnicamente revelia no processo de execução. na verdade se constituem como o único meio de defesa. A Súmula 196 do Superior Tribunal de Justiça dispõe: ao executado que. por exemplo. nesse caso. falar em revelia. portanto. Na execução. ou forem eles encontrados pelo Oficial de Justiça. será nomeado curador especial. permanecer revel. poderá o curador especial exercer a sua defesa por meio dos embargos do devedor. o réu é citado para oferecer defesa (art. a obrigação continuará pendente. se souber o exequente da existência de bens do executado. 47/76-89. tratando-se de execução de quantia certa.. ainda assim. Cláudio Lima Bueno de Camargo critica essa súmula: "I. para se ter de admitir a possibilidade de citação por edital ou com hora certa em execução. 2. citado por edital ou por hora certa. 654). admitida pelo Autor. de ordinário. à disposição do devedor. da citação editalícia (art. A citação com hora certa e a contestação do curador especial. Neste caso específico dqs embargos à execução. 173. nem por edital. 632. o arresto (art. como. no processo de execução. Não se poderia. que o executado tenha tomado conhecimento da execução. 621. 213). se o devedor tiver sido citado fictamente e deixado de atender ao chamamento. basta essa última hipótese. Este posicionamento está. Entendemos que. Nada obstante tenham eles natureza jurídica mista de ação e defesa.642 e 652). pacificado tanto em doutrina como em sede juri~prudencial"'~~. se dá com os embargos do devedor. Ajuris. 653) seguido. porque consistente esta falta de contestação na forma e prazos legais.

586. experimentaráo curador fortes dificuldades quanto aos fatos possíveis de arguição defensiva. porquanto essa resultaria embalde. Acresce que. e bem objeta Araken de Assis. só vem a comprometer.embora não haja revelia no sentido indicado. nenhuma regra outorga ao curador a condição de substituto processual. I). 11119. a rigor sem aplicação na execução. 'caput').. forçoso reconhecer que. modificativa ou extintiva da obrigação (art. inclusive. que a adrnissibilidade da oposição de embargos pelo curador especial. pelo seu pouco alcance efetivo. assim. perdurando a presunção legal de liquidez.. Da curadoria especial nas execuções (Súmula n. para a oposição de embargos. Lex . No mais. dotado da presunção de liquidez. de assegurar o exercício do direito de defesa. além de encontrar óbices processuais significativos. e legítimos reclamos. de nada adianta conferir ao curador especial a prerrogativa de embargar ('contestar') por 'negativa geral'. no cumprimentode seu mister. certeza e exigibilidade (art. toda execução tem por base um titulo executivo (art. Reportando-se a Súmula ao conceito de revelia. Embora louvável a intenção de resguardar eventuais direitos do executado. certeza e exigibilidade do título (art. assim. Conclui. a celeridade da prestação jurisdicional. atuando. 4. 196 do STJ). 5. . Diante disso. 618. a rigor. pois ela só cabe nos casos expressos em lei ou quando deflua do sistema. 'caput'). 741. legitimando-o.Jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça e Tribunais Regionais Federais. a Súmula viola o princípio da reserva legal.ao curador especial. 3.. sua intervenção? Estimular o Juiz a conhecer questões naturalmente submetidas ao seu crivo por dever de ofício? O modestissimo escopo não justifica a perda de tempo e o acréscimo de despesas". de qualquer modo. assim como. Ao conferir legitimidade extraordinária. 583). trata-se. em que consistirá . contra todos os esforços. VI). máxime quanto a qualquer causa impeditiva. no pólo ativo dos embargos. faltaria pressuposto para a nomeação de curador especial. pena de nulidade (art. o Autor. com isto. 174. sua própria nomeação. em prol de sua pre~teza"~. 6. Cláudio Lima Bueno de Carnargo. 586.

nas circunstâncias previstas pelo art. do CPC deve ser por ele exercida. se aplicada a regra geral de que o curador especial é obrigado a resistir à pretensão do autor.não representa qualquer desvio na vocação institucional do Ministério Público. Nelson Nery Jr. não pode impressionar o argumento de que tal função não seja típica pelo fato de não ser exclusiva do parquet e muito menos a circunstância do art. é plenamente indisponível.Entendemos ser consistente a crítica do autor. Também Hugo Nigro Mazzilli considera atípica essa atribuição do Ministério Público. o direito ao contra175. mas sim a defesa dos interesses públicos no processo civil (art. Nem se argumente. 76-89. Antônio Cláudio da Costa Machado discorda: "Afinal de contas. 9 . a eles deve ser cometida a função de curador especial do art. diz Nelson Nery Jr.. . Ajuris. 129 da mesma Carta. advogado de ofício. cit. 127. fenômeno a que alude o inc. Y não se referir expressamente ao Ministério Público. 11. Além do mais. 82. do CPC). A súmula pode tomar-se até desanazoada. Nos demais casos. fictarnente citado significa tutelar o interesse público traduzido no 'interesse individual indisponível' de defesa. Evidentemente. por último.. particular ou público (defensor público. p. pois não é da atribuição do parquet a defesa de interesses privados. do CPC.. 90. funcionários públicos com a atribuição específica de defender a parte no processo. Defender o réu revel. o múnus deve ser atribuído a advogado. o direito de defesa.)""~. 9 . além de garantia constitucional do cidadão. IX do art. caput. Nos Estados onde há defensor público ou advogado de ofício. A citação.. que: "a função de defender direitos e interesses privados do réu é típica de advogado. da Constituição Federal.111. Como a função não é típica do MP. de sorte que a sua realização. Como obrigá-lo a propor ação alegando fatos que ignora? Tratando já de outro tema. Y e a finalidade ministerial instituída genericamente pelo art. somente quando houver cargos de representante judicial de ausentes (Curador de Ausentes) é que a função do art. 11.. et~. essa função é atípica do MP. que exista incompatibilidade entre a função do art.

p. exceção a esta regra ocorre quando o réu. E essa é função que cabe melhor a "representante judicial de incapazes ou de ausentes". motivo por que não há falar-se em princípio do contraditório. mediante a participação do curador especial. 76-89. 176. transigir. como diz Calmon de Passos. no processo civil. para ele. Diz Nery Jr. ou. 9". pagar dívida prescrita etc. do curador especial. Logo. não ocorrendo. .. Com a contestação. Ajuris. A intervenção do Ministério Público no processo civil brasileiro.não sendo necessário o exercício efetivo do direito de defesa. a condição plenamente típica"'76. que. A citação. em face da indisponibilidade do direito de defesa. à indisponibilidade e assume.. do CPC. pois o réu pode reconhecer juridicamente o pedido. parágrafo único. no mais das vezes. como se tivesse havido impugnação e~pecificada""~. não pode haver renúncia prévia ao direito de contestar ação. Certamente. os fatos tornaram-se controvertidos. Nelson Nery Jr. pois. incumbindo ao autor a prova dos fatos constitutivos de seu direito. para a validade do processo basta que se assegure o contraditório. que se haja de dar curador especial ao revel citado por edital. não se pode desentranhar contestação intempestiva do curador especial. destarte. "No entanto. citado por edital ou com hora certa. efetividade do contraditório. p. tomarse revel. 135. o direito de ser ouvido pelo tribunal. 177. preclusão.. devendo ser defendido por curador especial. mas sim em contraditório real. mas sim em princípio da bilateralidade da audiência. Não é exato. pois seu prazo é impróprio. diferentemente do penal. Todavia. como prevê o art. Dá-se-lhe curador em face da dúvida sobre a efetiva ciência da ação contra ele proposta. Esta é a razão por que a contestação do curador especial é necessária no processo. por isso.ditório. o processo civil tutela direitos disponíveis. Aqui não mais se fala em bilateralidade da audiência. O prazo dado normalmente ao réu para contestar não se aplica ao curador especial. A função do art. toma-se revel. ainda que genérica. do que ao Ministério Público. 99 vincula-se..

. de réu preso ou de revel fictamente citado (CPC.zelar pelo efetivo respeito dos Poderes Públicos e dos serviços de relevância pública aos direitos assegurados nesta Constituição. promovendo as medidas necessárias a sua garantia. do regime democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis (art. Fosse verdadeira. conforme dispõe o art. 82 do CPC. na forma da lei. Qual a natureza dessa espécie de atuação? Qual o regime da nulidade decorrente da falta de sua intervenção? Eis aí o objeto do presente estudo. do meio ambiente e de outros interesses difusos e coletivos.8. como autor. 2. Tal como a lei ordinária. 129 da Constituição: "I -promover.2. I1 . Pode atuar como curador especial de incapaz. Y ) . mais do que pretendia . privativamente. 111 . a ação penal pública. ou seja. 127).magis dixit quam voluit (disse mais do que queria). às vezes.promover o inquérito civil e a ação civil pública.1. para a proteção do patrimônio público e social. Generalidades sobre o Ministério Público Diz a Constituição que o Ministério Público é instituição permanente. essencial à função jurisdicional do Estado. art. O Ministério Público como fica1 da lei no processo civil O Ministério Público pode atuar. a hipótese de rescisória de sentença proferida em ação de nulidade de casamento por ele proposta). conforme previsão do art. Todavia. Nossa atenção volta-se especialmente para outra forma de sua atuação em processo civil. Mas esta somente é exigida em casos determinados. raramente como réu (refere-se. como fiscal da lei (custos legis). também a Constituição diz. no processo civil. incumbindolhe a defesa da ordem jurídica.8. não poderia haver processo sem intervenção do Ministério Público. soa falsa a nota de essencialidade à função jurisdicional do Estado. usualmente. São funções institucionais do Ministério Público.

IX . cit.. art. 9 9 e como fiscal da lei (CPC. Teoria. desde que compatíveis com sua finalidade.)178. art. 232 da Constituição. VI11 -requisitar diligências investigatórias e a instauração de inquérito policial. sem que com isso haja alguma alteração subjetiva nos processos em que oficiam. . 177. Ser independente significa que cada um de seus membros age segundo sua própria consciência jurídica" (Cintra et al. p. Ada Pellegrini Grinover e Cândido Dinarnarco. como substituto processual (ao atuar como curador especial -CPC. 82). art. 178. Ser una e indivisível a instituição significa que todos os seus membros fazem parte de uma só corporação e podem ser indiferentemente substituídos um por outro em suas funções. Cintra.IV -promover a ação de inconstitucionalidadeou representação para fins de intervenção da União e dos Estados. a instituição do Ministério Público: a) o da unidade. o Ministério Público exerce suas funções institucionais atuando como parte (CPC. No processo civil. V -defender judicialmente os direitos e interesses das populações indígenas.exercer outras funções que lhe forem conferidas. b) o da independência funcional. A intervenção do Ministério Público nas ações em que sejam partes os índios. suas comunidades e organizações é exigida pelo art. requisitando informações e documentos para instruí-los. Antônio Carlos de Araújo. indicados os fundamentosjurídicos de suas manifestações processuais. nos casos previstos nesta Constituição. na forma da lei complementar respectiva. VI1 -exercer o controle externo da atividade policial. sendo-lhe vedada a representação judicial e a consultoriajurídica de entidades públicas". SI). tradicionalmente. "Dois princípios básicos informam. na forma da lei complementar mencionada no artigo anterior. VI -expedir notificações nos procedimentos administrativos de sua competência.

98.. a atuação da vontade da lei. 180. Dando-se às palavras sentido diverso. pois. isto é. basta a posição de titular de um contraditório qualquer . Depende. tão frequente entre os juristas. não é autor.diante do juiz para que se alcance o status de parte no proces~o"'~~. como réu. nem contra ele é formulado pedido algum.) Para Liebman.. isto é. isto é. do conceito que se tenha de parte.. . outra. ainda quando atue como fiscal da lei. cit. para os quais este deve proferir o seu provimento). não formula pedido que constitua objeto do processo. A crítica supõe uma premissa: a de que o Ministério Público é parte. como autor ou. É lamentável o vezo. a idéia de que uma coisa é atuar o Ministério Público como parte. que um conceito puramente processual de parte se consolidou na doutrina. nada há de anticientífico na assertiva de que o Ministério Público. 179. Assim. há algumas décadas. mais raramente. Autor é quem pede. qualquer assertiva pode ser apontada como errada. e vice-~ersa)""~. anticientífica e até absurda. (. (. aquele que pede a tutela jurisdicional.. "Nada de científico tem a distinção. 101. Ora. p.2. de criticar afirmações alheias fora do conceito em que se inserem. em seu próprio nome. p. partes são os sujeitos do contraditório instituído perante o juiz (OS sujeitos do processo diversos do juiz. Aquele que adotamos é o de Chiovenda: são partes o autor e o réu. critica a distinção que usualmente se faz entre atuação do Ministério Público como parte e como fiscal da lei.amplo ou restrito . A intervenção.2.. pois.. intervir no processo como fiscal da lei. cit. citando Dinamarca. ao atuar como fiscal da lei. nem réu. Reafirmamos.8. como o adotado por Antônio Machado: "Foi com Liebman. a partir de outro conceito de parte. A crítica somente procede em outro contexto. Réu é aquele contra quem ou em face de quem é formulado o pedido. Conceito de parte Antônio Cláudio da Costa Machado.) posto que baseada em critérios heterogêneos (ser parte não significa não ser fiscal da lei. A intervenção. adotada essa conceituação.

porquanto não seja autor nem réu. Fiscalizando a atuação das partes e a aplicação da lei processual. cit. 182. O que os distingue é a legitimação: a parte a tem para promover ação ou para ser chamada a respondê-la (ainda que ulteriormente). haja vista que ambos podem-se colocar no contraditórioperante o magistrado e atuar processualmente. Antônio Cláudio da Costa Machado. mas não como autor ou como réu. terceiro é quem está legitimado a intervir no processo. p. requerendo diligências. compreender o pensamento de Antônio Machado. "Se alguém recebe da lei autorização para ingressar num processo. . é tão parte quanto estes.Em outras palavras. 101. Diz ele que o conceito de terceiro não é inferido a contrario sensu do conceito (liebmaniano) de parte. 116. considerando como tal não apenas o autor e o réu. não vai formular pedido para si. p. não porque não exerça ou não possa exercer atividade processual (está autorizado para tanto). cit. é parte quem quer que seja legitimado a requerer no processo e a produzir provas e alegações. Tecnicamente. O conceito formal de parte. Terceiro. mas também qualquer terceiro legitimado a intervir no processo. propondo provas. o terceiro a tem apenas para intervir em processo já existente entre outros sem exercer ação ou e x c e ç ã ~ " ~ ~ ~ . participando da instnição. este é terceiro. mas não para exercer ação ou exceção. mas porque não vai exercer ação ou exceção. embora não tenha a posição de parte bem definida... não se presta à distinção do terceiro. que mistura coisas heterogêneas. a instituição é parte apenas com a diferença que busca ao final um provimento definitivo que seja conforme a vontade da lei material e não conforme o interesse do autor ou do Não vemos vantagem nessa ampliação do conceito de parte. promovendo o andamento do processo. logicamente coerente a partir das premissas que adota. portanto. A intervençüo. A intervenção. Buscamos. Prossegue Antônio Machado: "O parquet. 181. fora o juiz. porém. atuando como custos legis.

não no sentido verdadeiro. no trecho final do art. 81. É situação sui generis. atuação do Ministério Público como autor. depois de todo esse circuito lógico. porque não é atingido pela coisa julgada. no processo. como já observamos antes. nem o agente) não é. Sendo isso o que sempre se quis dizer.8. mas como fiscal da lei. Mas. que é o duplo. parte substancial (titular do direito material) e parte formal (atuando em juízo). ou seja. como vencedor ou como vencido. nossa atenção não se volta para a atuação do Ministério Público como parte. o Ministério Público é parte. o Ministério Público não é parte. substituto processual. É.8. sem exercer ação ou exceção. Alcides de Mendonça Lima observa: "Como órgão agente. nem a lesividade. apesar de.3. o Ministério Público não é autor nem réu. 2.4. ex vi do art. sim. nesse passo. 199. os mesmos poderes e Ônus que às partes. O Ministério Público como fiscal da lei Estabelece o art. 2. 81 do Código de Processo Civil estabelece que o Ministério Público exercerá o direito de ação nos casos previstos em lei. p. atribuir ao Ministério Público 'os mesmos poderes e ônus das partes'. Parte substancial o Ministério Público (nem a entidade. parece-nos não ser impróprio destacar que. 82 competir ao Ministério Público intervir nas causas em que há interesses de incapazes. mas intervém no processo como terceiro. similar ao 81 italiano e ao 26 lusitano. ao agir como fiscal da lei. aí. cabendo-lhe. . ao afiiar-se que. 6P de nosso Código de Processo Civil. nas causas concementes 183. o que nos separa é uma divergência meramente terminológica envolvendo o conceito de parte. Tem-se. normal e exato do termo. Se o Ministério Público fosse parte verdadeiramente.Embora reconhecendo e proclamando que. Processo de conhecimento e processo de execução. vê-se bem que nada há de anticientífico nessa assertiva. O Ministério Público como autor O art. nem as vantagens. inútil a alusão à identidade quanto aos poderes e aos ônus das partes"'83. volta-se ao que já se sabia: atuando como fiscal da lei.

casamento.j. sendo intimado de todos os atos do processo. produzir prova em audiência e requerer medidas ou diligências necessárias ao descobrimento da verdade" (CPC. 9 2*.terá vista dos autos depois das partes. apoiada em tese do Promotor Sérgio da Costa Franco. tutela. 236.111. sobretudo. pátrio poder. por sugestão da Procuradoria-Geral de Justiça do Rio Grande do Sul. 184. sendo intimado de todos os atos do processo. 499. dispõe o art. 9. Tem-se. produzir prova em audiência e requerer medidas ou diligências necessárias ao descobrimento da verdade. poderá juntar documentos e certidões.415/96). A disciplina jurídica da intervenção do Ministério Público é simples: Deve ser intimado pessoalmente. no Tribunal de Alçada do Rio Grande do Sul (AC 189031974. atuação do Ministério Público como fiscal da lei. ainda que não haja recurso da parte". 83). O art. A Súmula 99 do Superior Tribunal de Justiça esclarece que "O Ministério Público tem legitimidade para recorrer no processo em que oficiou como fiscal da lei. 10-10-1989). realizado em São Paulo. "Intervindo como fiscal da lei. dos pequenos Municípios. conforme deixa claro o artigo seguinte. do CPC (com a redação anterior à Lei n. aí. art. nas ações que envolvam litígios coletivos pela posse da terra rural e nas demais causas em que há interesse público evidenciado pela natureza da lide ou qualidade da parteiu. interdição.ao estado da pessoa. declaração de ausência e disposições de última vontade. intervindo como fiscal da lei. A redaçáo da emenda foi alterada. o Ministério Público: I . art. I1 -poderá juntar documentos e certidões. para se lhe dar ainda maior amplitude. em acórdão de que foi relator. O Ministério Público tem legitimidade para recorrer assim no processo em que é parte como naqueles em que oficiou como fiscal da lei (CPC. estabelecendoque. § 2*). Estados e. 82. curatela. aprovada no I Congresso Nacional do Ministério Público. E o que informa Luiz Felipe de Azevedo Gomes. A intenção era exigir a intervenção do Ministério Público nas causas da União. . por notórias as deficiências de sua defesa judicial. resultou de emenda apresentada pelo Deputado Amara1 de Souza. o Ministério Público terá vista dos autos depois das partes.

cit. isto é. a indisponibilidade é o fundamento da atuação do Ministério Público: "O ser indisponível ou inalienável é qualidade que a ordem jurídica atribui a certos direitos independentemente de sua natureza. a f i a Antônio Machado. 146 . via de conseqüência. significa lutar pelo reconhecimento tanto da existência. p. p.8. Os direitos. o que não é exclusividade de nenhum ramo jurídico. Tanto é indisponível o direito privado como o direito público regido por lei de ordem pública. colaborando com o juiz e com as partes. independentemente da natureza da relação jurídica em cujo ventre tais direitos são gerados.5. 52. O que importa é a essencialidade social do direito.g. 185. ao processo eleitoral. outra é a lei criar a indisponibilidade geral de interesses por causa da condição de incapacidade do seu titular. podem ser objetiva ou subjetivarnente indisponíveis: "Uma coisa é a lei criar a indisponibilidade de um interesse ante a sua intrínseca e inerente essencialidade social (v.). Antônio Cláudio da Costa Machado. Já na segunda. Logo. A intervenção.2. numa hipossuficiência processual -. A intervenção do Ministério Público motivada pela existência de interesse público é certamente diversa da motivação decorrente da existência de interesse de incapaz. indisponível -o Ministério Público é chamado a participar imparcialmente do processo. também. como da inexistência do interesse. indisponíveis por causa da incapacidade do seu titular -o que se traduz.aos registros públicos etc. como não importa a titularidade do interesse -que é relevantíssimo socialmente e. qualquer direito indisponível merece a tutela processual do Ministério Públi~o"'~~. A indisponibilidade não discrimina. Fundamento da intervenção do Ministério Público Segundo Antônio Cláudio Machado. tudo no intuito de permitir a mais perfeita definiçãojurisdicional do interesse. por isso. 186. por se tratar de interesses que só se tomam relevantes e. a defesa da indisponibilidade. 64-5. cit. Na primeira hipótese. os interesses ligados à família.. tudo se transforma: oparquet deixa a sua imparcialidade e passa a atuar como um assistente da parte incapaz"'86. nesse caso.. A intervenção.

2. Na verdade. para que se exija e justifique a intervenção do Ministério Público. a disponibilidade. A mesma regra se aplica ao curador (CC. em outros. constata-se haver casos em que sem dúvida o Ministério Público intervém imparcialmente. Curso de direito civil brasileiro. Quanto às causas em que haja interesse de incapazes. para a defesa do interesse público. que o motivo determinante da intervenção do Ministério Público nos processos em que haja interesse de incapaz é a incapacidade. Constata-se.ainda que subjetiva . 82. por causa de sua incapacidade. ainda que exigida autorizainteresses dos seus filhos menores'87. assim nas causas em que há interesse público evidenciado pela natureza da lide. do Código Civil responde à questão. 75.6. 82 do CPC. assim nas 187.A nota da indisponibilidade objetiva está sem dúvida presente no primeiro caso. a qualidade da parte não é suficiente. 427. desde que autorizado pelo juiz. parece que a intervenção é destinada à proteção de uma das partes. Obrigações e contratos. No segundo. Como se verá.1II. portanto. ção do juiz. e não a indisponibilidadedos direitos controvertidos. o fundamento da intervenção do Ministério Público em processo civil é a existência de interesse público. versando a lide sobre direitos de incapaz? O art. por si só. autorizando o tutor a transigir. Natureza da intervenção Lendo-se o art. . IV. 453). cabe perguntar: há realmente indisponibilidade .nas ações patrimoniais envolvendo interesses de incapaz? É impossível transação. p. art. assim. não se exclui a transação e. como decorre da fórmula geral contida no art.8. do CPC: existência de interesse público evidenciado pela natureza da Lide ou qualidade da parte. Amoldo Wald informa que a jurisprudência tem aplicado princípio idêntico aos pais em relação aos Ora. a circunstância de versarem sobre direitos disponíveis não afasta o interesse público em que não sejam esbulhados de seus direitos.

não se justificando. que emita parecer contrário ao interesse de incapaz ou. pois o destinatário da norma que determina tal intervenção do MP não é o cônjuge. isto é. p. o MP intervém como fiscal de direitos ou interesses indisponíveis do grupo social. como na ação de dissolução de sociedade conjugal.causas em que há interesses de incapazes ou interesse público evidenciado pela qualidade da parte. destinatários específicos da norma que reclama a sua interven~ão"'~~. pouco importando que a ação se desenvolva entre duas pessoas individuais. que recorra em favor da parte contrária. mesmo que esta parte seja incapaz. "O Ministério Público não é nunca um procurador da parte. venha a verificar que o mesmo está nos autos procurando uma vantagem injusta. 189. como órgão interveniente. não é seu mandatário e nem seu defensor. Observa Alcides de Mendonça Lima que. a função do Ministério Público é a de custos legis. 148 . na segunda. Por isso. sem 188. do ponto de vista da predominância dos interesses em jogo. em duas espécies: na primeira. após exigir todas as provas em favor do menor. da coletividade. Ministtrio Público. Evidente não irá opinar a seu favor. pior ainda. sustentando alguns que o Ministério Público age sempre na defesa imparcial do interesse público. Observa Paulo Cezar Pinheiro Carneiro: "Seria possível grupar tal tipo de interveniência. 12-4. RT. sua atuação no cível. mas a instituição do casamento. afirmando outros haver casos em que sua atividade é de assistência. nem mesmo agindo como parte adjunta. na manifestação final" (João Francisco Moreira V i e g a ~ ) ' ~ ~ . O Ministério Público no processo civil e penal. assim.) Pode acontecer até que o Curador-Geral. ilegal e até merecedora de reprovação.. (. há divergência sobre a natureza una ou dual da intervenção do Ministério Público como fiscal da lei. o MP atuaria como fiscal predominantemente de interesse de determinadas pessoas ou classes de pessoas. 6531257-9. a favor da incidência correta da norma jurídica aplicável..

cit. estarão intimamente ligados à divisão acima proposta. ainda que seja um daqueles que provocam sua intervenção. Dinamarca. Mas informa que Hugo Nigro Mazzilli. 191. no caso de decisão de mérito favorável ao destinatário individual da norma que determina a intervenção do MP'92. no segundo grupo. por exemplo. Entretanto. quando existe interesse exclusivamente de incapaz. p. os limites de sua atuação processual. se limita às hipóteses de sentença ilegal ou. o interesse recursal do MP é mais amplo. O Ministério. não fica o Ministério Público limitado a suprir suas eventuais omissões processuais. Diz: "O MP. notadamente do ponto de vista do interesse recursal. em qualquer caso. em qualquer dessas hipóteses. Não é cabível recurso do MP. Em síntese. umas como de atuação de fiscal imparcial e outras de fiscal as~istente'~'. o Ministério Público atua como custos legis. como.ter de favorecer este ou aquele interessado. p. pouco importando que a sentença seja injusta. cit. 192. Paulo Cezar acaba distinguindo. enquanto o seu interesse recursal. embora motivada a intervenção pelo interesse de incapaz. No primeiro grupo. quanto ao direito material. sustenta que a natureza jurídica da intervenção do Ministério Público. nem fica impedido de 190. cit.. Também José Fernando da Silva Lopes entende que "a intervenção do Ministério Público como custos legis ocone sempre em função predominantemente do interesse Público". é de assistência. 12-4. . incapazes em geralIg0. Embora não querendo distinguir. o que permite o seu recurso em face de sentença ilegal e injusta. assim como Cândido R.. sustenta o autor que. será custos legis e somente isto. Processo. no sentido de que a sua intervenção não se dá em função de norma com destinatário individualmente especificado. não cabendo adjetivar as hipóteses. informa o mesmo Paulo Cezar Pinheiro Cheiro. àquelas hipóteses em que o destinatário individual da norma tem a decisão de mérito contrária aos seus interesses. O Ministério. 199. Paulo Cezar Pinheiro Carneiro sustenta que.

II). de um lado. art. o Ministério Público não exerce o direito de ação. o Ministério Público é um terceiro. pode levá-lo a opinar contra o incapaz. pedido é o formulado pelo autor que. o pedido que faça o Ministério Público. porém. o de recorrer (CPC. é mais autorização legal do que realidade processual. permitir que. Dizer que pede a aplicação da lei é fórmula imprecisa. das versões oferecidas pelas partes. como o juiz. não pode.opinar livremente. Se esta intervenção. que oferece ao juiz. porém. Usualmente. que viesse a recorrer em favor da parte adversa. É um exame do thema decidendum. porque. Ora. 83. 193. Paulo Cezar Pinheiro Carneiro. pois não provoca o exercício da jurisdição nem formula pedido algum. produzir prova em audiência e requerer medidas ou diligências necessárias ao descobrimento da verdade (CPC. como contraponto aos interesses essencialmente particularizados das partes. cuja qualidade não reclama a sua i n t e ~ e n ç ã o ' ~ ~ . tecnicamente. cit. 499. depois de analisar de modo compreensivo as duas espécies de intervenção. Intervindo como fiscal da lei. Como fiscal da lei. com ele. de aplicação da lei. Como fiscal da lei. Trata-se de um projeto de sentença.. o mais importante é. Voltaremos ao tema. Isso. apenas conhecendo. inclusive contra o incapaz. O Ministério. Não faria sentido. art. com valoração das alegações e provas produzidas e indicação do direito aplicável. através de recurso somente por ele interposto. 5 2*). 83. da perspectiva dos interesses gerais da sociedade. em nada altera o objeto do processo. 12-4. continue o processo defendendo interesse da outra parte. Dentre eles. p. o Ministério Público nada sabe sobre os fatos que ocorreram fora do processo. para o que tem vista dos autos depois das partes (CPC. o Ministério Público pode Juntar documentos e certidões. mas legitimado a intervir no processo. 150 . sem dúvida. art. com poderes exclusivamente processuais. porque. limita-se o Ministério Público a apresentar seu parecer. de outro. via de regra. I). determina o objeto da sentença.

TJSP. Encerrada a instrução. Por isso. emitindo parecer também nos tribunais superiores. 8-8-1997.111)... mas com voz. 82. Rel. nem é juiz.7. Verificando que o juiz deixou de aplicar a lei. mas atua no processo. age como parte. Interesse público e qualidade da parte Entende-se hoje que só o fato de figurar pessoa jurídica de direito público em um dos pólos da relação processual não implica necessária intervenção do Ministério Público em função da "qualidade da parte" (CPC. 1 8 Câm. São dois momentos distintos. Priv. depois. STJ. de Dir. art. j. É preciso que se faça presente o requisito do interesse público. poder-se-ia dizer que o Ministério Público atua como instrumento de controle das instâncias inferiores. fevereiro de 1998. participa dos julgamentos. No momento de emitir parecer.787-2. 748. nem ao Poder Legislativo. o Ministério Público pode emitir parecer contrário ao interesse do incapaz194.72540. . 153125). não oferece representação ao Chefe do Poder Executivo. 9Câm. A jurisprudência conforta a assertiva de que o Ministério Público pode emitir parecer contrário ao interesse da parte que motivou a sua intervenção. Sob esse aspecto. Rel. AC 46. como salientado na seguinte lição: 194. O que pode e deve é recorrer à superior instância. mas não tem legítimo interesse para recorrer em defesa de direito disponível da parte adversa.8. daí não decorrendonulidade (TJSP. Bons Kauffmann. ano 87. Mas ele é mais do que isso. 2. porque. Antes de encerrada a instrução. primeiro como se fosse parte e. Civ. sem voto. cabe ao Ministério Público requerer diligências e produzir provas. emite parecer. Pereira Calças. Essa dupla face da atuação do Ministério Público nos permite dizer que tanto estão certos os que d m a m a natureza una da intervenção do Ministério Público como fiscal da lei quanto os que asseveram haver casos em que o Ministério Público intervém como assistente de uma das partes.AC 217. como se fosse juiz. Nos demais momentos processuais.O Ministéiio Público não é um "agente do rei". 8-2-1994. j. o Ministério Público age como juiz. v. O fiscal da lei não é parte. RT.

' . c/c o art. L/ 380. 'A circunstânciade a pessoa de direito público ser parte na causa não constitui razão suficiente para a obrigatoriedade da intervenção do Ministério Público. Interesse público. Recurso extraordinário conhecido. ministra: 'Não podem ser os interesses patrimoniais da Fazenda e suas autarquias. se não evidenciada. 268 157). habilitados a bem defendê-las em juizo' (in Coments. do CPC. e vê-se de RTJ. 82. ao referir decisões do egrégio Tribunal de Minas Gerais e do Excelso Pretório (CPC Anotado. 82. p. o princípio do art. Tomo 11). no caso. a União. por seu turno.111. Forense. do CPC não obriga a intervenção do Ministério Público pelo só aspecto de haver interesse patrimonial da Fazenda Pública.111. o Município ou suas entidades descentralizadas' (Intervenção do Ministério Público nas causas a que se refere o art. interveniente. A circunstância de a pessoa de direito público ser parte na lide não constitui razão suficiente para a obrigatoriedade da intervenção do Ministério Público. como lembra Sálvio de Figueiredo Teixeira. a conotação de interesse público. também recusamos acerto à afirmativa de ser necessária sua intervenção em ação de execução fiscal. Os julgados já vêm agasalhando a tese ora defendida. Recurso extraordinário conhecido e provido. mas improvido'. Não se aplica o art. ré. ao mesmo tempo em que acentua a dificuldade de conceituação do que seja interesse público. Intervenção obrigatória. como em todo e qualquer feito cível em que seja autor. reservando a intervenção do Ministério Público para aquelas hipóteses de ocorrência de interesse público substancial."Já Calmon de Passos pondera: 'Nessa mesma linha de raciocínio. Celso Agrícola Barbi.111. 82. 46/47. o Estado. 941899 e 961266): 'Ministério Público. do CPC à hipótese de execução por título extrajudicial contra a Prefeitura Municipal. se não evidenciada a conotação de interesse público. porque elas têm seus procuradoresjudiciais. 82. Art. in Revista Forense. isto é. 246 do CPC. 111. da inaceitabilidade da presença do Ministério Público em um feito apenas porque parte nele uma pessoa jurídica de direito público. 941395. Na espécie. Saraiva. ao CPC.

e do próprio Ministério Público. a qualidade do litigante não é de molde a justificar a intervenção do custos legis (Francisco de Paulo Xavier N e t ~ ) " ' ~ ~ . Interesse público. 82 do CPC. do CPC.. transitando em julgado a decisão. deve ser aferida tendo-se em vista o órgão ou pessoa que participe do processo como parte. Processo. dispensava a intervenção do Ministério Público.posto que ajuizada contra o Município. Inversamente.'Intervenção do Ministério Público. em caso contrário. segundo Frederico Marques. para não ser obstado. Decisão sobre a existência de interesse público A intervenção do Ministério Público condiciona-se a uma dupla apreciação: do juiz. Recurso extraordinário não conhecido. Incidência da Súmula n. se é o Ministério Público que voluntariamente intervém. cabe ao juiz decidir sobre sua legitimidade: "não bastará o agente entender que tem de intervir.8. 195. 82. Interpretação do art. ingressando no feito. como índice de interesse público emergente da lide. porque. o caso somente será solvido se houver recurso e. deu-lhe interpretação mais do que razoável. que determina sua intirnação. cit. Até em ações relativas à incidência de tributos tem sido negada a existência de interesse público a exigir a intervenção do Ministério Público. então. valerá o pronunciamento superior. com poderes para decidir. o que nos parece um exagero. p. O acórdão recorrido. Se o Ministério Público entender que deve intervir e o juiz (em regra o incidente é no primeiro grau) indeferir. 111do art. 2. ou outra pessoa jw'dica de direito público. 381219-23. 200. conclusivamente. Numa ação em que figura a União.111. ou não bastará o juiz determinar para que o agente tenha de submeter-se.' A qualidade da parte. não ser caso de intervenção. o Município.8. Ajuris. . 196. a intervenção não poderá ocorrer" (Alcides de Mendonça Lima)Igh. 400. ao entender que a mera execução por titulo extrajudicial. ausentes as exigências impostas pelo inc. Intervenção do Ministério Público pela qualidade da parte.

197. substituindo-a pela atualmente em vigor: "nas ações que envolvam litígios coletivos pela posse da terra rural e nas demais causas em que há interesse público evidenciado pela natureza da lide ou qualidade da parte". de lavra de Arruda Alvim Netto. pelo próprio juiz. à época. evidenciado pela natureza da lide ou qualidade da parte". entre os extremos da facultatividade e da obrigatoriedade. inclusive nada post~lando"'~~. intervir no feito. impor a presença do agente do Ministério Público. 82. pelos tribunais superiores e por ação rescisória. 198. Essa é uma observação que reputamos fundamental. Ao Poder Judiciário cabe. de 23 de dezembro de 1996. . da mesma forma. É importante afirmarse o caráter vinculante e preclusivo do ato do Ministério Público que afirma não ser caso de intervenção sua no processo.415. com o seguinte enunciado: O art. mandar intimá10. tem o direito de admitir. mas. o membro agir como melhor lhe parecer. simplesmente. São Paulo. mas o Poder Judiciário. 201. A Lei n.. Ir9'. cabe ao órgão do Ministério Público resolver se deve. a determinação legal não suscita dúvida maior. ou não. ou não. pela 2a instância. por mais elevado que seja. a que se refere Alcides de Mendonça Lima: "Em posição intermediária pode ser apresentada a conclusão. De outra sorte. porque. para. alterou a redação desse inciso. a ser detonada a qualquer momento. Processo. estar-se-á minando o processo com possível causa de nulidade. Na verdade. a que chegou o 5QCurso de Especialização em Direito Processual Civil da PUC. a nível da legalidade. para a determinação do regime jurídico da nulidade decorrente da falta de intervenção do Ministério Público como fiscal da lei. o ingresso. não cabe a nenhum órgão do Poder Judiciário. em decisão final. se assim entender indispensável. é n o m discricionária. então. O titular desse poder discricionário é o Ministério Público. nos demais casos. controlar o exercício regular deste poder.Essa lição é particularmente válida para os casos de intervenção em face da existência de "interesse público evidenciado pela natureza da lide ou qualidade da parte". a referência é ao inciso I11 que. tinha a seguinte redação: "em todas as demais causas em que há interesse público. cit. Alcides de Mendonça Lima. p. Daí o acerto da "posição intermediária". 9. Por esta orientação.

397. Admite. somente se toma exigível a partir do momento em que se constata a existência desse intere~se'~~. por não haver atuado nos atos anteriores. cit. da falta de sua participação em atos anteriores. Entendemos que o interesse público determinante da intervenção do Ministério Público está presente no processo. por falta de sua intervenção nos atos anteriores do processo. Concordamos. Antonio Cláudio da Costa Machado. Mais importante nesse caso do que prevalecer o bem-estar processual da parte é prevalecer a verdade real e o direito regido por lei de ordem pública. não menos verdade é que sobre o interesse da parte está o interesse do Estado de que a relação controvertida seja perfeitamente definida em juízo. Ao determinar. porém. 155 . cit. resultou ou não prejuízo para o interesse que é chamado a defender. A intervenção. a intervenção do Ministério Público.8.. argua a nulidade do processo. A incongruência que daí resulta não passou despercebida ao autor. nas causas em que haja interesse público evidenciado pela natureza da lide ou qualidade da parte. a intimação do Ministério Público. o juiz pratica ato de saneamento do processo. que o Ministério Público. o que conduz ao postulado de que antes de tal acertamento não é exigida a intervenção. ao intervir. porque prejudicada a defesa do interesse público. 199. tardiamente. mesmo antes que se dêem conta as partes e o juiz. Em outros termos.9. a regra é a não-exigibilidade da intervenção antes do acertamento do interesse público e o nãodecreto da nulidade de atos anteriores ao acertamento se e quanto houver prejuízo da função fis~alizatória"~'". A intervenção. porém. que tratou de justificar-se: "Se é verdade que a parte não pode ser prejudicada pelo fato de não ter sido acertado o interesse público. p. Momento a partir do qual se torna exigível a intervenção SegundoAntônio Cláudio da Costa Machado. em que compete ao Ministério Público arguir a nulidade. 200. 3%.. p. É que tanto lhe cabe examinar a efetiva existência de interesse público a exigir sua intervenção como também se.2.

129. mas determinar sua intimação: se o Ministério Público não argúi a nulidade. Essa atribuição. a atuação do Ministério Público como fiscal da lei. Na relação processual triangular . pela lex maxima? A disposição constitucional não coloca como função institucional do Ministério Público a de "fiscal da lei". que exigia a intervenção do Ministério Público. juiz. pronunciar a nulidade. precipitadamente. não deve o tribunal pronunciar desde logo a nulidade.8. se não regrada explicitamente. ou. do . prevista no Código de Processo Civil e em leis extravagantes. prosseguindo-se nos demais atos do processo. Justifica-se a participação de um fiscal da lei? É dift'cil situar. dispense-se o 'parecer'.não só dos instrumentos e procedimentos. Pergunta para que seria necessário um "parecer". embora competente e interessado. réu .autor.Daí decorre importante conclusão: entendendo existir interesse público. 2. E conclui: "Sendo a deformalização . Se a nulidade já houver sido pronunciada.10. quem investir contra ela? Prossegue o articulista. Não deve o tribunal. se o juiz conhece o direito (iura novit curia). tão-só. 127 da Constituição. estaria revogada por incompatível com o novo texto constitucional? "Defesa da ordem jurídica" não será exatamente "promover" (processar). no processo. Como entender esta incumbência não acorde com a etiologia da instituição? Como entendê-la. ter-se-á criado um impasse porque.seria o Ministério Público o "quarto ângulo'Yo triângulo? Mauro Pinto Marques critica essa "função interventiva fiscalizadora" do Ministério míblico. ou caberia no amplo regaço do inciso IX do mesmo art. sana-se o vício. falando da sobrecarga de atribuições do Ministério Público. finalmente. mas de toda uma estrutura judicial -um fim a ser buscado. a f i a n d o ser necessário repensar a denominada "parte pública autônoma". por ser possível que o Ministério Público entenda não ser caso de intervenção sua no processo. e parece que nem implicitamente. salvo recurso. o tribunal não poderá rever sua decisão: repetir-se-ão atos do processo para que nele intervenha quem não quer intervir. estaria compreendida na definição "defesa da ordem jurídica" do art.

acolhido ou não pelo juiz. sem interesse pessoal no resultado do processo. Entendemos. eventualmente inútil. competência. Não faz sentido também porque a notável instituição tem preocupações outras. isto é. ele. o parecer do Ministério Público. significa uma atuação secundária para o Órgão Ministerial)"2n'. A experiência. 651279434. mais urgentes e tão mais significativas. mas um bom parecer pode impedir uma sentença ruim. Inestimável a ajuda que pode prestar ao juiz o parecer de um órgão independente. O que realmente prepondera. e. Natureza da nulidade por falta de intervenção do fiscal da lei Há doutrina e jurisprudência no sentido de que a falta de intervenção do Ministério Público como fiscal da lei. Considerado o valor qualidade dos julgamentos. habilidade. Um mau parecer não impede uma boa sentença. que a nulidade somente deve ser pronunciada se 201. não é mais que um auxiliar qualificado do Juiz (que não precisa. Discordamos frontalmente. De um ponto de vista estatístico. Ajuris. é desprezível a intervenção do Ministério Público na instrução do processo. Considerado apenas o valor celeridade do processo. ao demais. também com o apoio de jurisprudência. porque o cidadão não pode. desassombro e idoneidade de seus membros precisam estar onde for necessário preencher vazios.8.11. intervenção que não faz sentido. Mauro Pinto Marques. aumenta o percentual de acertos. acarreta nulidade absoluta e insanável. apresentase o parecer do Ministério Público apenas como um ato a mais. é o parecer que oferece ao juiz como projeto de sentença. pela simples razão de que desconhece os fatos vividos pelas partes. a retardar a entrega da prestação jurisdicional.agente do Ministério Público. nos casos em que é exigida. Ministério Público. A custódia da lei. Na feitura do 'parecer'. 157 . na causa cível que já tem o tripé segundo a modelar teoria da ação. em sua atuação como fiscal da lei. 2. a exigir sua imprescindível presença como 'parte'. de decisões socialmente desejáveis.

precisamente porque este pressupõe nulidade não-absoluta.. obrigatória a intervenção do MP. insanável. em seus comentários ao texto processual referido (art. portanto. Assim. que é insanável. que não se sana por sua intervenção no 2Qgrau de jurisdição. 82 do Código de Processo Civil é de natureza cogente. Neste caso. verificando o tribunal que o processo correu sem a intervenção do Ministério Público. nos expressos termos do parágrafo único do art. (. ainda que sem arguir a nulidade. como o interesse público não perde nem vence causas. deve determinar sua intimação e pronunciar a nulidade dos atos anteriores somente se arguida por ele. tornando. 5 2*. nas causas que arrola em seus incisos. 249. é inaplicável qualquer princípio de sanação. 246 desse diploma.arguida pelo Ministério Público e se tiver ocorrido prejuízo para o interesse a que é chamado a defender. o único legitimado para tal. 5 ZQ. seja qual for o rumo em que se oriente a sentença. a nosso ver. impondo-se.. haja ou não mais de um motivo para sua atuação. O Superior Tribunal de Justiça julgou procedente ação rescisória. que é.é fácil verificar que o texto fulrnina de nulidade absoluta. sob pena de nulidade absoluta. impossível de ser sanada. portanto. sempre e inquestionavelmente. afirmando ocorrer. Disse o Ministro Américo Luz (relator): "Entendo que a norma do art. 246). a declaração da nulidade. incluído o que se lê no art. como fiscal da lei. conforme se vê das lições de Moniz de Aragão. a falta de intervenção do Ministério Público. por falta de intervenção do Ministério Público em processo de interesse de incapaz. se em tais causas não houver funcionado o Ministério Público. e. que o interesse tutelado pela norma seja o daquele em cujo favor foi proferida a sentença. nulidade absoluta. é impossível recorrer a esse preceito para aplicá-lo i 3 nulidade absoluta. Ora. ao dizer: '. 249. isto é. Nesse sentido direciona-se a melhor doutrina.. como tal..) Com isso fica demonstrado que nos casos de intervenção do Ministério Público na qualidade de fiscal da lei. porque e quando funciona na qualidade de fiscal da lei. na hipótese. é impossível aplicar-se o disposto no art. O Ministério Público intervém a benefício do Direito e a ausência de sua inter- .pois não se configurará jamais a hipótese de o juiz poder decidir o mérito a favor do interesse público.

PRJ lQ1134). Também o Pretório Excelso teve oportunidade de manifestarse sobre o tema.828-1. Forense. do qual resulta que a ausência do MP. JTACivSP 851407). I. do 2QTACi~SP de 31-8-83. o entendimento expressado pelo relator.521. por ocasião do julgamento do RE nQ76. unân. à unanimidade. Em tal posição se situa o Código de Processo Civil atual. 'Tratando-se de hipótese em que a lei considera obrigatória a intervenção do Ministério Público. interpondo-se como instrumento estatal da neutralização do seu poder dispositivo. do TJPR de 17-3-81. a rnanifestação do órgão em segunda instância não se mostra suficiente para sanar a irregularidade. na AC 33. quando funciona como fiscal da lei. gera nulidade absoluta insanável' (Ac. unân. nos embs. resumido na ementa seguinte: . RT 5791101). unân. em casos nos quais deve intervir em nome do interesse público. do TJSP de 30-0683. A jurisprudência não admite que a omissão do Ministéno Público em primeiro grau seja suprida pela manifestação de seu órgão na instância superior' (Ac. Ed. nos casos em que a lei considera obrigatóriaessa intervenção. conforme noticiam os julgados abaixo: 'A intervenção do órgão do Ministério Público. na AC 1. a pena cominada para a omissão é a de nulidade absoluta' (Ac. 11. O seu papel é precisamente o de fiscalizar. Assim.868-8. da 48 Câm. págs. em cada causa. sobre a existência ou não de interesse público e. torna o processo nulo.venção gera nulidade absoluta' (in Comentários ao Código de Processo Civil. 'A falta de intimação do Ministério Público para intervir no processo. sufragando.387. Tomo II). Vol. 147. 39213931394). É ao Ministério Público que cabe decidir. ao contrário do afirmado pela ré. por todos os meios ao seu alcance. conseqüentemente. decls. da Y Câm. 69 da 38 Câm. quando fiscal da lei. De igual maneira orienta-se a jurisprudência predominante. sobre se deve ou não intervir. sempre se faz em virtude do mesmo e único interesse público. eminente Ministro Aldir Passarinho. muito embora sua tese encontre respaldo em alguns julgados e mesmo na doutrina de Celso Agrícola Barbi (in Comentários ao CPC. podendo o juiz declará-lo de ofício. Vol.

'Processual. Menores. Intervenção do Ministério Público. Indispensabilidade: art. 80,s 2Q,do Código de Processo Civil. Nulidade: art. 84 do mesmo Código. Havendo, no feito, interesse de menor, a intervenção do Ministério Público é indispensável, na conformidade do disposto no art. 80, $ 2Q, do Código de Processo Civil, não sendo de considerar-se sanada a omissão se tal interveniência se faz apenas em segunda instância. A cominação é de nulidade, segundo o art. 84 do mesmo Código. Recurso extraordinário conhecido e provido'. De ressaltar-se que, embora essa decisão tenha se apoiado no Código de Processo anterior, a mesma compreensão da matéria, atualmente, não encontra obstáculo no diploma vigente, em que os princípios são os mesmos. Em face do exposto, julgo parcialmente procedente a presente ação, em ordem a anular o processo, para que o Ministério Público integre a relação processual, a partir de quando a sua manifestação se fazia necessária, ou seja, após a apresentação da contestação, nos termos do art. 83, I, e parágrafo único do art. 246 do CPC2"". Em certa ação de indenização por acidente do trabalho, fundada no direito comum, tribunal paulista afirmou a nulidade absoluta do processo, por falta de intervenção do Ministério Público, por haver interesse de menores, filhos da autora, embora não fossem partes no processo. A nulidade foi decretada a pedido da parte vencida203! Comentamos. Da morte do acidentado decorreu, no caso, o direito de indenização da esposa e fiíhos. A hipótese não é de solidariedade nem de litisconsórcio necessário. Cada um dos lesados é titular de parcela do todo da indenização que, expressa em dinheiro, é perfeitamente divisível. Sobre o tema, diz Orlando Gomes: "A lei abre uma exceção à regra geral de que o direito à indenização pertence unicamente a quem sofreu diretamente o dano. Quando a vítima falece, admite que a indenização seja pleiteada pelos

202. STJ, IA Seção, AR 99-MG, Rel. Min. Aménco Luz,j. 29-5-1990, RSTJ, 10117 junho de 1990, ano 2. 203. 2* TACSP, Ap. 489.058-0010, Rel. Laerte Cmamenha, RT, v. 747, janeiro de 1998, ano 87.

que viviam sob sua dependência econômica. De regra, a legitimação ativa limita-se aos herdeiros da vítima, mas a restrição é censurável. Cumpre distinguir hipóteses quando ocorre o óbito da vítima. Primeiramente, a morte pode decorrer de outra causa que não o ato ilícito. Produzido o dano, sobrevém o falecimento da vítima antes de ter acionado o ofensor. Nesse caso, o direito de exigir a reparação transmite-se mortis causa. Mas a questão da legitimidade ativa excepcional não se apresenta nesses termos, surgindo na hipótese de consistir o dano na morte da vítima. A pretensão à indenização corresponde originariamente, nesse caso, aos que dependiam economicamente do finado. Trata-se de pretensão independente, atribuída aos prejudicados, ainda que não sejam herdeiros do falecido"204. E diz Wilson Me10 da Silva: "A ação da reparação do dano é outorgada iure proprio, não se revestindo de caráter hereditário, nem alimentar, tanto que cabe exercê-la, na qualidade de sujeito ativo, não somente ao lesado, mas a todos os lesados, isto é, a todas as pessoas prejudicadas pelo ato danoso"205. Esclarece José de Aguiar Dias: "Um dano pode atingir várias pessoas. Cada uma tem, então, direito de exigir reparação do responsável, tome-se esta palavra no sentido estrito de pessoa a quem incumbe obrigação decorrente de ato ilícito, ou no amplo sentido de pessoa que suporta em definitivo um prejuízo. Embora possam, desde que ocorram as condições processuais, cumular as respectivas ações, cada qual terá uma indenização distinta. Explica-se: com a outorga de uma soma global, a repartição do quantum entre as vítimas, proporcionalmente ao dano experimentado, se tomaria impossível, além de outras dificuldades que naturalmente suscitaria, sem contar que cada um intenta sua ação por direito próprio, que não depende do procedimento judicial dos demais para prosperar. Não há, nessas hipóteses, solidariedade ati~a"~".

204. Obrigações, p. 345. 205. Wilson Me10 da Silva, Da responsabilidade civil automobilística, p. 468. 206. Da responsabilidade civil, 11, p. 926.

Assim, o direito da autora podia e devia ter sido reconhecido no que tange à sua parte, excluindo-se a dos fiihos, que, não sendo partes no processo, não seriam atingidos pela coisa julgada. Raciocinou-se, porém, no acórdão, como se a hipótese fosse de solidariedade ativa. Embora pleiteando em nome próprio, seria a indenização a ela outorgada por inteiro. Somente nessa hipótese se poderia falar na existência de interesse de menores, embora não sendo partes. A hipótese é diferente da ação movida por espólio que, não sendo pessoa jm'dica, embora tenha personalidade judiciária, não é pessoa distinta da dos herdeiros, motivo por que, aí sim, poder-se-ia afirmar haver interesse de incapazes que não são partes em sentido formal. Chama a atenção a circunstância de a nulidade haver sido arguida pela parte adversa, indício veemente de ocorrência de prejuízo para ela, não para os incapazes.

2.8.12. Necessidade de manifestação positiva do Ministério Público para a decretação da nulidade Já observamos que tanto cabe ao Ministério Público decidir a respeito da efetiva existência de interesse público a exigir sua intervenção como também se, da falta de sua participação, em atos anteriores do processo, resultou ou não prejuízo para o interesse que legitima sua intervenção. Assim, entendendo a parte que o feito exige a intervenção do Ministério Público, deve requerer sua intimação, cabendo ao juiz, em igual hipótese, determiná-la. Se o Ministério Público, intimado, embora intervindo, não argúi a nulidade, sana-se o vício. Ao tratar das nulidades por falta de intervenção do Ministério Público, Antônio Cláudio da Costa Machado começa por afirmar que a hipótese é de nulidade absoluta, por violação de norma cogente tuteladora de interesse público, independendo sua decretação da verificação de prejuízo. Mas logo pergunta: como se explica a orientação liberal e de relativização de nossos tribunais em certas situações? Responde: "Inicialmente, não podemos desconsiderar que o fato da ordem processual prever intervenções do Ministério Público visando esco-

pos tão diferentes há de provocar obrigatórias mutações disciplinares em nível de nulidades. Realmente, uma coisa é a função de substituição processual do revel fictarnente citado (art. 9 , 11), outra é a de assistência ao incapaz (art. 82, I); uma coisa é a fiscalização fundada em situação não especificamente prevista (art. 82,III), outra é a fiscalização exercida nas hipóteses expressamente discriminadas pela lei (art. 82,II, e leis especiais). As particularidades de cada uma dessas intervenções haverão de ser, necessariamente, levadas em conta para que se possa compreender como o sistema processual deve tratar a nulidade em relação a cada caso". Tratando especificamente da intervenção do Ministério Público fundada na existência de interesse público evidenciado pela natureza da lide ou qualidade da parte (art. 82,III), sustenta que ela somente é exigida a partir do momento em que seja definido o interesse público no processo, por não ser justo que se penalize a parte com o decreto de nulidade e o retrocesso procedimental só porque ela mesma não o percebeu. Dessa premissa extrai-se a conclusão de que, intimado o Ministério Público apenas na 2" instância, cabe-lhe argiiir ou não a nulidade, conforme entenda que houve ou não prejuízo para o interesse Parece-nos de duvidosa juridicidade a assertiva de que a intervenção do Ministério Público somente se tome exigível a partir do momento em que as partes ou o juiz percebem a existência de interesse público. Isso implica dispensar sua intervenção por motivo de ignorância ou desatenção das partes e do juiz. Chegamos ao mesmo resultado, mas por caminho diverso. Em primeiro lugar, repudiamos a lição de Galeno Lacerda, no sentido de que a violação de norma cogente, tuteladora de interesse público, implique nulidade insanável, independentemente da verificação do prejuízo. O princípio da sanação se aplica mesmo nessa hipótese, não devendo a nulidade ser pronunciada se não resultou prejuízo para a finalidade do processo.

207. Antônio Cláudio da Costa Machado, A intervenção,.cit., p. 590-2.

Em segundo lugar, como o Ministério Público pode o mais, que é recusar-se a intervir no processo, se entender inexistente interesse público que exija sua intervenção, assim também pode o menos, que é verificar se de sua ausência, nos atos anteriores do processo, resultou ou não prejuízo para o interesse público que é chamado a defender. Por isso, entendendo o juiz ser caso de intervenção do Ministério Público, não deve desde logo pronunciar a nulidade e sim determinar sua intimação e decretá-la somente se arguida pelo Ministério Público, na primeira oportunidade em que fale nos autos e se da falta de sua intervenção resultou prejuízo. Embora seja nova a idéia de que somente o Ministério Público tem legitimidade para arguir a nulidade por falta de sua intervenção, não faltam acórdãos sustentando que ela precisa ser por ele alegada, suposto que devidamente intimado. Menor, assistida por sua mãe, interpôs apelação, arguindo a preliminar de nulidade, por falta de intimação do Ministério Público para a audiência de instrução e julgamento. O tribunal rejeitou a preliminar, por não haver a nulidade sido arguida pelo Ministério Público: "embora obrigatória a intervenção do Ministério Público, em lQgrau, a teor do art. 82, I, do CPC, estimo que o descumprimento de tal norma, no caso, não gere a nulidade cominada do art. 246. É que, ao intervir no processo, às fls. 40141, o agente do Ministério Público não requereu a anulação do processo. Ora, a norma do art. 82, I, tutela interesses particulares, e, portanto, a despeito de cominado o vício (art. 246), a nulidade é relativa (v. Antônio Janyr Dall' Agnol Júnior, 'Comentários', nQ92.6, pp. 4491 459, Porto Alegre, 1985). Por conseguinte, deverá ser alegada pela parte -e ao Ministério Público, reza o art. 81 do CPC, tocam os Ônus das partes - na primeira oportunidade (art. 245, caput), importando a inércia preclusão para ela (Dall'Agnol Júnior, ob. cit., nQ91.2, p. 439). Rejeito a preliminar de nulidadewzo8.

208. TJRS, 5' Câm. Cív., AC 597091990, Rel. Araken de Assis, j. 7-8-1997, RJTJRS, 1841351, outubro de 1997, ano 32.

Em ação de cobrança envolvendo empresa em liquidação extrajudicial,o Superior Tribunal de Justiça rejeitou a preliminar de nulidade, por falta de intervenção do Ministério Público, por não haver sido por ele alegada, demonstrando, assim, inexistir prejuízo: "Revelam os autos que a liquidação extrajudicial da recorrente somente foi noticiada por ocasião da apelação, e nela, também, requerida a intervenção da Curadoria de Liquidações. Cabe ressaltar que, intimado, manifestou-se o Ministério Público, porém, naquela oportunidade, não arguiu nenhuma nulidade e nem alegou qualquer prejuízo (fl. 124). Assim, não tenho como válida a assertiva no parecer da douta Procuradoria da Justiça Estadual sobre a nulidade do processo por força do artigo 246, 8 único, do Código de Processo Civil. Ao contrário do que se afirma, inexiste ofensa ao dispositivo de lei invocado. Isso porque a não intervenção do Ministério Público na primeira instância além de nenhum prejuízo acarretar à recorrente, este, em verdade, interveio nos autos nada requerendo. O Acórdão recorrido decidiu corretamente a controvérsia, ao rejeitar essa preliminar, conforme preceitua o art. 249,s lQ,da lei processual civiY209. Ao analisar a nulidade por falta de intervenção do Ministério Público em processo de interesse de incapaz, Antônio Cláudio da Costa Machado assim se pronuncia: "Quanto a nós, temos nos convencido de que o melhor posicionamento é o que sustenta a viabilidade da sanação do vício pela ratificação manifestada pelo Ministério Público de primeiro ou de segundo grau na hipótese deste considerar ausente o prejuízo para o incapaz. Ora, se a função de assistência visa ao prevalecimento do interesse do autor ou réu hipossuficiente e a sentença proferida atende integralmente a esse interesse, ainda que para tal não haja contribuído o parque?, não há motivo que justifique a anulação. Muito mais relevante para o Estado e a sociedade é o reconhecimento do

209. STJ,3Turma, REsp 2.048, Rel. M i n . Waldemar Zveiter, j. 27-3-1990, RSTJ, 91409, maio de 1990, ano 2.

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só teria o condão de prejudicar o assistido. "Aqui". cit. do interesse que o inc. a parte ou o tribunal.interesse do incapaz. p. com tal fundamento. não pode a parte ser penalizada com o decreto da nulidade a não ser 210. conseqüentemente. 594. na primeira oportunidade em que falar nos autos. Como visto. que é indisponível. deve o juiz determinar sua intimação. então. Por tais motivos é que entendemos aplicável à intervenção da curadoria de incapazes a regra contida no 3 2Qdo art. diz Antônio Machado. A intervenção. "duas questões ligadas intimamente uma à outra se colocam: é lícito ao tribunal decretar a nulidade de todo o processado em primeira instância? Duas. Pelo contrário. A anulação neste caso. Em síntese: verificando ser caso de intervenção do Ministério Público como fiscal da lei. caberá ao órgão do parquet analisar com cuidado todas as nuanças do processo para. 166 . de conformidade com o posicionamento que adotamos. Suponha-se que não tenha havido a intervenção do Ministério Público no 1"rau de jurisdição e que. do que a estrita observância do meio para se chegar a esse fim. Antônio Cláudio da Costa Machado. suscite. se na causa houver sucumbência parcial do hipossuficiente. é possível o suprimento da falta de intervenção em primeira instância pela manifestação do órgão ministerial que funciona em segunda instância? A primeira indagação respondemos que depende. de ofício. e se da falta houver resultado prejuízo. a nulidade do processo. se não houve discussão em primeiro grau sobre o acertamento do interesse público. I do art. concluir se é mais vantajoso pedir a anulação (percebida a possibilidade de melhor sorte na demanda com o retrocesso e a atividade ministerial coadjuvante) ou ratificar todos os atos do incapaz (se percebida a adequação da sentença aos fatos provados com eficiência nos auto^)"^'^. 82 quis resguardar. e a bem da verdade. na apelação. 249 do Código de Processo Civil e o princípio da instrumentalidade nele consagrado.. somente pronunciando a nulidade dos atos anteriores do processo se por ele arguida. uma vez que em tais situações o sucesso da parte é sinônimo do sucesso da defesa espontânea do incapaz e.

Concordamos com essas conclusões do autor. por não se saber qual seria o resultado do processo. Sem apresentar exatamente a doutrina que temos exposto. que a função fiscalizatória foi comprometida pela nãoatuação do órgão inferior. a existência de prejuízo há de se presumir pelo só fato da arguição da nulidade. para que se fale em preclusão. Em outras palavras. e mais uma vez nos valemos da doutrina a que temos dado apoio. a nosso ver. se a anulação tem em vista proporcionar ao Ministério Público oportunidade de atuar e o próprio órgão oficiante dispensa tal oportunidade (o que faria pedindo a nulidade). Se o procurador de justiça. tendo vista dos autos. no entanto. a decretação da nulidade depende de alegação do Ministério Público e da existência de prejuízo. 21 1 . Em muitos casos. A parte pode apenas provocar seu pronunciamento. as explica com maior simplicidade e exatidão: somente o Ministério Público tem legitimidade para alegar a nulidade do processo por falta de sua intervenção. É claro que. Se o Ministério Público não se manifesta positivamente no sentido da nulidade. é preciso que se intime o Ministério Público. fica-lhe aberta a oportunidade de requerer a anulação com base na ocorrência de prejuízo. ocorre preclusão.. é claro que a intimação do Procurador da Justiça é suficiente para a validade do processo. cit. a jurisprudência vem admitindo a tese do suprimentow2".que tenha havido evidente prejuízo para a função fiscalizatória. . A segunda indagação. Se não há exigibilidade da intervenção antes do acertamento do interesse público e este só ocorre em segunda instância. A intervenção. cremos que a melhor solução é esta: sem manifestação e pedido expresso do órgão ministerial de segunda instância não pode o tribunal anular o processado em primeiro grau. 399. sanou-se o vício. Entendendo este órgão. Em decorrência disso. a partir de uma premissa que. respondemos seguramente que sim. p. não há motivo que autorize o Judiciário a resguardar o que o parquet já desprezou. se produzidas as alegações e provas ausentes por falta de sua tempestiva intimação. não argúi a nulidade.

devidamente intimado. pois. como no caso de sentençatotalmente favorável ao menor. "o recorrente era o proprietário do imóvel. o Superior Tribunal de Justiça decretou a nulidade de um processo: a) porque não citada a mulher do réu. O agente financeiro executou a hipoteca com base no Decreto-lei n. interesse indireto deles. por exemplo. b) por haver notícia nos autos de que existiam menores co-proprietários do imóvel. É uma idéia que surge como projeção natural da doutrina e da jurisprudência acima consideradas. ao juiz. Em se tratando de ação real. não obstante se tratasse de ação real. assim. Assim.Em conclusão: só o Ministério Público. às partes não é dado mais do que requerer e. pelo que deveria o recorrido ter requerido a citação da atual mulher do 212. . Claro. não se pode impedir à parte de interpor recurso. arguindo a nulidade por falta de intervenção do Minist6rio Público. O mesmo raciocínio há de se fazer no caso de rescisória proposta com tal fundamento. posteriormente. Em outras palavras. 70166 e. determinar sua intimação. lastreada no direito de propriedade. que. que nem sempre tem exigido prévia e positiva manifestação do Ministério Público para a decretação da nulidade212. contrariando. havendo. Mas a decretação da nulidade há de depender de manifestação positiva do Ministério Público. Cabendo ao Ministério Público decisão sobre a existência de interesse público e sobre a existência de prejuízo. a jurisprudência. Essa é a tese que oferecemos à consideração dos doutos. por ausência de prejuízo. Sem ouvir o Ministério Público pode-se rejeitar a arguição de nulidade. de posse do título de propriedade. ajuizou a ação reivindicatória. a exigir a intervenção do Ministério Público. pode arguir a nulidade do processo por falta de sua participação como fiscal da lei. Tratase de direito assegurado pela legislação processual. o que pode a parte é provocar a manifestação do Ministério Público. forma-se litisconsórciopassivo necessário entre os cônjuges. inclusive por via de recurso. Deixou de pagar as prestações do financiamento. alienou o bem ao recorrido.

. A respeito da participação do Ministério Público..... em acórdão assim ementado: 'I1 -A mãe. Reputo..96). e 82.. as legítimas dos filhos menores que estariam prejudicadas com as alienações..... 10. interesse de menores. Rel. Sálvio de Figueiredo Teixeira.......... a divorciada renunciou em favor dos filhos os direitos que tinha sobre o imóvel objeto dos autos. do Código de Processo Civil. a ação reivindicatória influirá no direito daqueles.... j... do Código de Processo Civil.... IRX ....recorrente. Não bastasse isso.. STJ. Assim.. REsp 73. mesmo que por via difusa. A questão é pacífica tanto na doutrina quanto na jurisprudência. .. Turma..439lSP (DJ 25.. tenho que efetivamente existe interesse de menores a demandar a intervenção obrigatória do Ministério Público. do ajuizamento da ação. Ocorrendo.. 1061142. prejudicada a análise das demais ins~rgências"~~~.03. nos termos do art... ....Jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça e Tribunais Regionais Federais........ Na ação real. 4..975-PE... I. ainda que indiretamente. destarte.... Min. 24-1 1-1997.... I. 82. Por ocasião do divórcio do casal...... que ficariam privados da posse do bem em caso de procedência da pretensão do autor... os filhos passaram a ser também senhores do apartamento. parágrafo único.. ao sustentar a nulidade da venda realizada pelo pai....... decidiu esta Turma... no REsp n... 213.. com a qual está casado desde 1990.. portanto. Daí o interesse de incapazes a provocar a intervenção do Ministério Público'... de imóveis de propriedade do casal.... pretendendo que o patrimônio se reincorporasse ao acervo da família.. buscou preservar.. é dever do órgão do 'Parquet' intervir para apurar a regularidade na aplicação da lei. Desta forma. antes. ainda menores.... 32.1. malferidos os arts. em decorrência de interesse indireto de menores... portanto..... Consta dos autos que o recorrente foi casado com Isanilde Cruz de Oliveira e dessa união nasceram três filhos... tem-se por indispensável a citação dos cônjuges..

todavia. se diversa. Felizmente. . Rel. por falta de intervenção do Ministério Público. sem sua audiência prévia. Seja como for. o certo é que se decretou a nulidade do processo. Se os menores eram realmente co-proprietários do imóvel reivindicado. Como. A existência de prejuízo é exigida por Antônio Cláudio da Costa Machado também no caso de intervenção fundada no inciso 214. deve ser decretada ainda que alcançada a finalidade do processo. TARS. isto é. Assim. Cív. 71 Câm. se a conclusão for idêntica e lamentável.Comentamos. porque se trata de vício que autoriza a propositura de ação rescisória. deve-se crer que. podendo decidir-se no mérito a favor do interesse do incapaz. mas também por falta de intervenção do Ministério Público como fiscal da lei.8. mesmo na instância especial. a repetição dos atos já praticados terá sido inútil. não apenas por falta de citação da mulher do réu. na instância ordinária. resolveu-se que. Nulidade e prejuízo A nosso ver. ressente-se de bom senso a assertiva de que a nulidade do processo. 30-8. por exemplo. na condição de litisconsortespassivos necessários. a nosso ver indispensável. Se o processo atingiu o resultado justo. por falta do devido registro. ainda que da falta não haja resultado prejuízo. AC 195072574.13.. no sentido de sua decretação. j. como requisito para a decretação da nulidade. por não haver o Ministério Público se manifestado. haveria nulidade. não se decreta a nulidade por falta de intervenção do Ministério Público no processo214. Vicente Barroco de Vasconcellos. o que exclui a possibilidade de preclusão. entendemos que caberia a decretação da nulidade. fala-se no acórdão em interesse apenas indireto dos menores. a exigência de prejuízo é frequentemente exigida pelos tribunais. Atendida essa condição. tivessem eles apenas direito pessoal sobre o apartamento. não por falta de intervenção do Ministério Público. 2. mas por não haver a ação sido proposta também contra eles.1995.

a nulidade terá de ser decretada. na maioria dos casos em que a intervenção do Ministério Público é determinada por interesse impessoal.. Paulo Heerdt. 2. assim. Deste modo. Cumpre. por não comprovado vício de consentimento. Des. todavia. a realização da audiência. RITJRS.).8. De fato. não sua efetiva atuação. O que se exige é a intimação. Intimação -Efetiva atuação Parecer Não pode haver nenhuma dúvida quanto à necessidade de intimação do Ministério Público. desconsiderar o fenômeno do prejuízo para resolver os problemas que o tema das nulidades sugere neste caso"215. TJRS.AC 596046573. j. 592. é evidente que nada adiantaria o tribunal anular o processo. 216. Rel. já se decidiu que a ausência do Ministério Público à audiência de conciliação não gera nulidade. sob pena de aceitarem-se como admissíveis grandes dispêndios de tempo e energia. sendo válido o acordo celebrado pelas partes. em face da impossibilidade de se constatar a ausência de prejuízo. A intervenção. 84). portanto. ausente o Ministério Público. Nada impede. por exemplo. desde que intimado para a solenidade. O que se exige é a intimação do Ministério Público. Vê-se. 1801347. 28-8-19%. sem que contra tal atitude pudesse o Judiciário tomar qualquer providência. cit. ano 32. 171 . reconhecer que. até porque poderia o órgão ministerial pura e simplesmente cruzar seus braços. nos casos em que obrigatória sua intervenção.. não sua atuação efetiva216. seria inócuo o decreto de nulidade. Justifica: "se é responsabilidade exclusiva do Ministério Público a defesa do interesse indisponível e ele próprio reconhece que nada precisa ser feito em complemento para que o escopo da função fiscalizatória seja alcançado (a exata aplicação da lei) porque este foi alcançado mesmo sem sua presença. sob pena de nulidade (CPC. Cív. p. fevereiro de 1997.I1 do art.14. desde que devidamente intimado. que mais uma vez não é possível. art. 7'Câm. - 215. 82 (causas concernentes ao interesse da pessoa etc.

não devendo arcar com os mesmos ônus das partes. não ofereceu parecer no prazo legal. Não se impede. . à natureza desse prazo. não a falta de sua efetiva manifestação. com a introdução de novas hipóteses de paralisação não previstas em lei. de conclusão que vai além das premissas. são preclusivos os prazos para requerer diligências e provas. acima. O tribunal afirmou que apenas a falta de intimação é que enseja a nulidade. não como parte. Ademais. ainda que posteriormente ao prazo previsto em lei. O exercício da jurisdição não pode ser obstado por omissão objetivamente ilegal (ainda que sem culpa do omisso). nos casos em que o Ministério Público atua no processo em função da incapacidade de uma das partes. ordinatório o prazo para emitir parecer. intimado. Da circunstância de tratar-se de prazo impróprio apenas decorre logicamente que o Ministério Público pode oferecer o seu parecer. em parte. que. O Ministério Público recorreu. já prejudicadas pela demora natural dos processos. porém. O juiz proferiu sentença. ao requerer diligências. É. Não parece razoável sacrificar-se o direito das partes.Outra questão é se o juiz ou tribunal pode proferir sentença. produzir provas e recorrer. o lQTribunal de Alçada de São Paulo negou provimento ao recurso do Ministério Público. bem como para recorrer. O problema diz respeito. se preclusivo ou ordinatório. uma vez decorrido o prazo previsto em lei. Daí se poderia concluir que o juiz não pode sentenciar sem que o Ministério Público haja antes lançado nos autos seu parecer. porém. Demonstramos. dispensando o parecer e afirmando preclusão. ao emitir seu parecer. que o juiz cumpra o seu ofício. age como juiz. não obstante parecer ministerial pelo provimento. afirmando não caber falar-se em preclusão para a manifestação do Ministério Público. por funcionar no feito. Trata-se. sua atuação apresenta-se com dupla face: age como parte. No acórdão abaixo transcrito. mesmo para o Ministério Público. mas como custos legis. independentemente de pronunciamento do Ministério Público. porém. Ocorreu que o Ministério Público. requisitando os autos e lançando sua sentença. da falta não resultou prejuízo. Decorre daí que. independentemente de parecer do Ministério Público.

o que deve ser avaliado caso a caso. a própria lei estabelece que o processo é nulo quando não há intervenção do MP onde este devia intervir (arts. Falta de intimação do MP. 84.. o mesmo não funciona como parte. I. sentença de f. não dever-se-á pronunciar tal nulidade diante dos princípios da utilidade e da ausência de prejuízo. Nesta esfera. o casal de juristas traz os seguintes: '. A falta de intervenção do MP nas causas de interesse público enseja a nulidade do processo.. Porém. par. o qual. Nulidade. Coment. na mesma página. 82. RT. Como se não bastasse.. .. do CPC). os processualistas Nelson Nery Júnior e Rosa Maria Andrade Nery. 3. para prestigiar a insurgência recursal. 82.. 41 1'. p. inc. 471. e sim como custos legis. 334 do seu já festejado Código de Processo Civil e legislação processual civil extravagante em vigor. no caso em tela. posto que. a ilustre representante ministerial esgrime com as disposições cogentes contidas nos arts. de sua vez. Apela o órgão do Ministério Público alegando que houve nulidade do decisum. justificando a ausência de manifestação com o acúmulo de serviços. O que enseja nulidade é a falta de intimação do MP e não a falta de efetiva manifestação deste (STJRP 701272).. 145. Em seguida. V. I. acentuam que: '. n. seria imperativa a decretação de nulidade da r."Entendeu o sentencianteque. ao anotar o art. No mesmo sentido: Fabrício. diante do silêncio. do CPC. A demora do ilustre Promotor de Justiça em devolver os autos não pode trazer prejuízo para a parte. uma vez que a lei prevê a sua intervenção nas causas em que há interesses de incapazes (art. 84 e 246 do CPC). bate-se pela indispensabilidade da sua intervenção.. 244 e 246. na p. ún. A nulidade só é decretada se a falta de intervençãodo MP trouxe prejuízo ao interesse público. Aliás. inc. Ed. ou seja.. 84. Diante do acima exposto.' (sic). ao colacionar pronunciamentos jurisprudenciais. ficou precluso o direito de participação do MP na demanda. Não há que se falar na preclusão para a manifestaçãodo MP. não deve arcar com os mesmos ônus das partes. alcançando todos os atos praticados a partir de quando era devida a intervenção.

como o foi. se não houver prejuízo (CPC.. estatuindo que. incs. elidida eventual nulidade do processo (RSTJ 50/148). Ora.esta não iria modificar em nada a r.. Recurso improvido' . junho de 1997. em mandado de segurança. 7l Câm. Carlos Renato de Azevedo Ferreira.. 740. 53. j. 103/377. sendo indispensável sua manifestação efetiva...Mandado de Segurança . ainda que sem emitir pronunciamento. RT. uma vez que restaram provadas nos autos tanto a litispendência como as ilegitimidades ativa e passiva com as quais deveria o processo ser extinto sem julgamento de mérito (art. sentença de f.). in casu. Ainda que plenamente justificáveis os argumentos expendidos às f. pronunciou-se o SuperiorTribunal de Justiça. Tendo havido intimação e comparecimento do representante do MP à audiência. Esp.' (sic). já na página seguinte de mesma obra.'. 217. . ano 86. sob pena de nulidade da sentença que venha a ser proferida: "Trata-se de embargos de divergência opostos pelo Ministério Público Federal ao acórdão de fls.' Ainda. 267. 249). um representante do Parquet já havia participado da audiência (f. que. Rel. porém. em embargos de divergência. conhece-se e nega-se provimento ao ape10"~".825-1. 3-9-1996. Falta de manifestação.. Prejuízo. AC 682. É que.. v. V e VI. ainda que tivesse havido a manifestação do MP. Nesse sentido: RJTJSP 118/213.) e fora regularmente intimado ao depois (f. trazem os seguintes entendimentos: '. Ia TACSP. que decidiu na consonância da seguinte ementa: 'Processual . Não se decreta a nulidade do processo por não intervenção do MP. em sentido contrário. Do exposto.53315 1.Ministério Público -Prazo para pronunciamento. não existe nulidade e o Ministério Público não pode falar nos autos após vencido Ó prazo a ele conferido pelo Código de Processo Civil ou pela Lei nQ1. de julho de 1996.98/195. nenhum prejuízo adveio para o incapaz em decorrência da falta de manifestação ministerial.. não basta a intimação do Ministério Público. da Lei dos Ritos). Se houve intimação. Registre-se.

se. Com efeito. 84 do CPC nestes termos: 'Art. bem salientou o ilustre Ministro José de Jesus Filho. independente de solicitação da parte. quando a lei a considera obrigatória. Conclusão que se impõe. nas circunstâncias apontadas. Precedentes jurisprudenciais. mas jamais decidir sem a sua manifestação. cuja ementa está consubstanciada nestes termos: 'Processual Civil .533151. (. para a decisão.08. julgado pela Egrégia 2PTurma. o texto diz 'ouvido o representante do Ministério Público dentro em cinco dias' figura-se-me que a palavra 'ouvido' na citada expressão tem o sentido de exigência de que haja explícita manifestação do parque?.) Isto posto e à vista dos precedentes.268-AM. 10 da Lei nQ1.e ouvido o representante do Ministério Público dentro em cinco dias. a parte promover-lhe-á a intimação sob pena de nulidade do processo'. de 1951. Quando a lei considerar obrigatória a intervenção do Ministério Público. a falta de intervenção do Ministério Público. Recurso provido'. que. a qual deverá ser proferida em cinco dias. Se o fizer. no voto que proferiu no Recurso Especial nQ9. em mandado de segurança. no exercício da sua missão de custos legis. É o que se deduz do art. A propósito. Tal orientação é a que mais se harmoniza com a razão da sua intervenção em tal caso.21 1-AM. tenham sido ou não prestadas as informações pela autoridade coatora' . se o Ministério Público não atuar no prazo previsto em lei.. conheço dos embargos e os recebo. VOTO O Senhor MinistroAntônio de Pádua Ribeiro (Relator): No mérito. 84. deve o interessado representar contra o seu membro omisso perante o seu superior. os autos serão conclusos ao juiz. não enseja apenas preclusão. exerce o referido órgão magistratura independente e imparcial.O embargante indica como divergente o REsp nQ9. basta a intimação do Ministério Público para manifestar-se no prazo de cinco dias ou se é indispensável a sua efetiva manifestação. 7Q.. à vista do artigo 10da Lei nQ1. consiste a questão em saber. nula é a sentença.91.Pronunciamento do Ministério Público no processo de mandado de segurança -Indispensabilidade . cuja ausência acarreta do processo. . julgado pela ZTurma em 05. Dispõe o referido dispositivo: 'Findo o prazo a que se refere o item I do art. Consoante se verifica.533.Art. mas a nulidade do próprio processo. tendo em vista que.

85. como nos mandados de segurança.) Com os mesmos argumentos aqui usados pelo ilustre e digno Subprocurador-Geral da República. remeter ao órgão hierárquico do Ministério Público uma representação no sentido de promover essa responsabilidade. porque o Ministério Público não sendo parte. Isso. para se manifestar nos autos. quando o órgão do Ministério Público não exerce as suas funções por dolo ou fraude ou não justifica o seu ato.VOTO O Sr. O próprio Código de Processo Civil estabelece que.. (. evidenciada pela natureza da lide ou pela qualidade da parte. chegaríamos à conclusão de que o Ministério Público também não está sujeito a prazo para recorrer. Por esta razão entendi. na Turma. Logo.. como entende o Ministro Pádua Ribeiro e os demais integrantes da nossa Turma. nas causas em que há interesse público. O art. Então.533 seria de natureza peremptória ou dilatória. sob pena de nulidade. ou à parte. Ministro José de Jesus Filho: Sr. 10 da Lei nQ1. há interesse público nessa decisão e a intervenção do Ministério Público me parece obrigatória em todas as causas em que há interesse público. e. O que iria acontecer? Quebraria a espinha dorsal do mandado de segurança. como temos afirmado. Ora. poderíamos chegar a uma conclusão muito mais grave: em qualquer ação o Ministério Público também não estaria sujeito a prazo para recorrer e para contestar. O mandado de segurança é uma ação de natureza constitucional contra ato de autoridade. no mandado de segurança. apenas nele oficiando como custos legis. Presidente. Perguntar-se-ia se esse prazo que consta do art.) Assim peço vênia aos que pensam em contrário. Essa seria a questão a decidir. . Quando manifestei-me. quer me parecer que cabe ao Juiz. deve emitir o seu parecer nos autos. o fiz baseado em alguns princípios. que esse prazo não pode ser considerado de natureza peremptória e sim de natureza dilatória. Ministro-Relator. VOTO (vencido) O Sr... evidentemente. ele pairaria acima de tudo e não estaria sujeito a prazo nenhum. 82 do Código de Processo Civil é claro. Ministro Garcia Vieira: (. a respeito da matéria. se há um dispositivo legal que o responsabiliza civilmente. Dr. José Arnaldo da Fonseca. para acompanhar o Sr. ainda. será ele responsabilizado nos termos do art.

1 . foi vencedor.002-9. 218. M i n . Ainda que se acolha a tese da indispensabilidade do parecer do Ministério Público. como o Dr. peço vênia para divergir do Eminente Ministro-Relator e daqueles que pensam como S. para colher-se o parecer do Ministério Público de lQgrau.15. STJ.279. Exa.que é a celeridade. não argúi a nulidade. janeiro de 1992. RSTJ. mas ele sabe muito bem que têm representantes do Ministério Público que não são assim.001-9?19. l PSeção. Rejeito os O Superior Tribunal de Justiça reiterou esse entendimento no Recurso Especial n.) Sr. Antônio de Pádua Ribeiro. o Ministério Público atua sempre em defesa do interesse público. Como vamos justificar isso? Por isso Sr. José Arnaldo da Fonseca. STJ. É exigência. no sentido de que a nulidade somente deve ser decretada se arguida pelo Ministério Público. (. sana sua falta no lQ grau. Presidente. ' Se@o. Rel. j.8. que ficam anos e anos com um mandado de segurança.. 15. da tese acima sustentada. oferecendo parecer de mérito. também. por isso mesmo. dedicados. Como fiscal da lei. 3-12-1991. Principais conclusões São as seguintes as principais conclusões da presente obra: 1. 2. 291434. peço vênia para continuar no mesmo ponto de vista que venho sustentando na Primeira Turma.Peçanha Martins. Se o órgão ministerial do segundo grau entende que não houve prejuízo e. Posso dar esse testemunho porque quando eu era Juiz do Primeiro Grau trabalhamos juntos durante mais de uma década. EREsp 9.. j. como se fossem órgãos de duas instituições diferentes. EREsp 15. aliás. e que. cabe sustentar-se que o oferecimento de parecer. no Ministério Público. ano 4. Min. 219. atentaria contra o princípio da instrumentalidade a decretação da nulidade.Rel. É o que decorre do princípio da unidade e indivisibilidade do Ministério Público. Ele sempre procurou cumprir o seu dever. 14-9-1993. representantes trabalhadores. na 2 instância. porque sabemos que existe. Presidente.

isto é. não há motivo para argui-la. ao emitir parecer. por falta de intervenção do Ministério Público.9. verificando que faltou ou foi nulamente feita a citação. antes de ocorrer manifestação da parte. o Ministério Público age como se fosse parte. sob pena de preclusão. já não pode pronunciá-la o juiz. 4. podendo praticá-los ou não praticá-los. alegar a nulidade na primeira oportunidade que íhe couber falar nos autos. 6. somente deve ser pronunciada se por ele arguida na primeira oportunidade em que falar nos autos. mas apenas determinar sua intimação. Todavia. A mesma liberdade tem a parte para arguir ou não a nulidade. o juiz pode e deve decretar de ofício a nulidade. Zntimações O regime das nulidades por falta ou nulidade de intimação é análogo ao decorrente da falta ou nulidade da citação. É que as intimações são feitas para que as partes possam praticar atos processuais ou estar presentes em atos processuais. as demais nulidades. Mas incumbe à parte. Como já se observou. Entendendo ser caso de intervenção do Ministério Público. São preclusivos os prazos para requerer diligências e provas. não deve o tribunal pronunciar desde logo a nulidade. atua como se fosse juiz.2. ao se tratar da citação. 2. sob pena de preclusão. mas é ordinatório o prazo para a emissão de parecer. Se não argúi a nulidade. Somente o Ministério Público tem legitimidade para arguir nulidade por falta de sua intervenção no processo. 5. elas são livres. 3. Não se sentindo prejudicada pelo ato que deixou de praticar ou por sua ausência em solenidade a que podia comparecer. Ao requerer diligências e provas. porque tanto lhe cabe decidir sobre a efetiva existência de interesse público quanto examinar se da falta decorreu ou não prejuízo para os altos interesses a que é chamado a defender. Significa isso que. comparecer ou não comparecer. A nulidade dos atos anteriores do processo. as que não se vinculam à prática de ato processual da .

estabelece o art. ser indispensável. 9. vistas às fls. 236. Em seu socorro os agravantes citaram julgado coligido por Theotonio Negrão em seu 'Código de Processo Civil e legislação processual em vigor'.vol. 2. Em qualquer caso.'Estando o número do processo e o nome das . confira-se ainda: . sujeita ou não à preclusão. apesar de deficiências não substanciais. sob pena de nulidade. Decidiu-se que erro de grafia.1. sob n. a simples falta da conjunção 'e' entre o nome e o sobrenome não impediram. o que é inteiramente irrelevante para efeito da intimação. possuem o mesmo número. regulando a forma da publicação das intimações no órgão oficial. suficientes para sua identificação. insuficiente para impossibilitar a identificação do feito. A respeito.9. não faz sentidoo pronunciamento da nulidade. Se. 247 do Código de Processo Civil estabelece que as citações e intimações são nulas. Acontece que tal obra contém além da citação apontada. assim como não provaram que na comarca exista um outro advogado com o nome de 'José Carlos Silva'. podem sempre ser decretadas de ofício pelo juiz. "não provaram os agravantes que nas intimações faltaram ou estavam deficientes os elementos de identificação e individuação. porém. a nulidade somente deve ser decretada presente o requisito do prejuízo. que o advogado e a causa sejam perfeitamente identificáveis. que da publicação constem os nomes das partes e de seus advogados. e não impedem. 5 lQ.'JTACSP' . não acarreta nulidade. faltando apenas o 'e' antes do Silva no sobrenome do signatário deste agravo. 35 que os agravantes dizem correta. 3 1 a 34. mas não por preclusão. a seguir. alguns casos de nulidade decorrentes da falta ou nulidade da intimação. uma outra. foi atingida a finalidade. Examinamos. Dessa forma.'Vale a publicação que. como segue: . E. quando feitas sem observância das prescrições legais. Intimação -Publicação com incorreções O art. apesar de tudo. a mesma designação da causa e o mesmo nome das partes e do outro advogado que se vê na publicação de fls. As publicações ditas erradas. 551145). atinge a sua finalidade' (STF .parte. Pode ocorrer sanação do vício.

examina-se a arguição de cerceamento de defesa. II/253)"220. Sílvio Marques. 10-3-1992. pequeno erro de grafia no nome do advogado. não constitui causa para a invalidade da publicação' ('Comentários ao Código de Processo Civil'. Entretanto.partes corretamente publicados. se o ato alcançar a finalidade ou dele não resultar prejuízo. tornando a publicação perfeita'. 137129. em nada dificultaria a identificação da causa. Agi 498. inclusive invocando decisão do Colendo Supremo Tribunal Federal. Forense. ensina ser essencial que a publicação seja apta a autorizar a identificação. 2. . sob pena de nulidade. E desautoriza a doutrina de Teresa Wambier. pois. Outro julgado no mesmo sentido. segundo a qual o juiz deve decretar a nulidade de forma sempre que prescrita em lei. situação muito mais séria. O erro de imprensa. tendo-se juntado documento aos autos. Desse julgado.2. Moniz Aragão. IQTACSP. na parte em que sustenta que não se decreta a nulidade... A hipótese é de nulidade cominada. Não se decretou a nulidade por falta de prejuízo concreto: "Pelo seu caráter prejudicial.383-1. vol. mesmo que a referência não estampe todos os prenomes e o sobrenome completo. que não tome irreconhecível o nome divulgado nem cause confusão entre dois nomes distintos. O acórdão confirma. o próprio art. a doutrina de Aroldo Gonçalves. 236. 1%d. Rel. $ lQ. não para "manifestar-se sobre o documento junto aos autos".3a Câm. mostra que não é motivo de nulidade diferença de grafia como 'Allegretto' e 'Ailegretti'. j. expediu-se intimação para "ciência da parte contrária". 220. ainda que cominada. deixa claro que não se decreta a nulidade se o ato atingiu sua finalidade. JTACSP.9. quando na intimação foi publicado o nome sem o sobrenome do advogado. destaca-se 'A propósito. Também o Pleno desta Casa manifestou-se sobre o tema. Intimação -Juntada de documento aos autos No caso a seguir. ao se referir a dados "suficientes para identificação".

.94 e da conclusão. Não tendo. Walter Theodósio. REsp 34. Rel. em nada influíram na respeitável sentença e. não era mesmo de se pronunciar a nulidade. admitir que também não há prejuízo quando a parte não pode se pronunciar sobre documento que de modo algum influiu na decisão. 1985. é intimarse a parte para falar sobre documento junto aos autos. se a juntada do documento nenhum gravame acarretou ao litigante222. O despacho proferido às fls. entre a data da intimação. E. 1984. Públ. Cumpre. Não se reconhece a nulidade arguida. 398 do CPC estabelece: "Sempre que uma das partes requerer a juntada de documento aos autos. 222. 20-101993. não há nulidade. STJ. e não abertura de prazo para manifestação.4. o prejuízo a considerar seria quanto à prática do ato. 221. formal"221. porém. havido prejuízo. a outra.1. art.8' Câm.j. Comecemos pela alegada violação do princípio do contraditório. RSTJ. alegou o apelante prejuízo concreto decorrente. de Dir. pela não-oitiva da parte com a juntada de documento (CPC. TJSP. 358 foi o de 'ciência à parte contrária e ao Ministério Público'. em outro caso: "O especial se faz pelas alíneas a e c do autorizativo constitucional. AC 2390. pois. certidão de processo-crime em andamento contra o autor e jurisprudência do Tribunal de Ética da Ordem dos Advogados do Brasil. ano 6.4.152-1. 398). Cerceamento de defesa. 1841147. JTJ. Barros Monteiro.171. não.. O correto. 551225. 12. o juiz ouvirá. tampouco. 27-3-1996. Min. Rel.94. no prazo de 5 (cinco) dias". O Superior Tribunal de Justiça decidiu: Documento exibido sem audiência da parte contrária. Duas são as razões recursais. 15. Os documentos ali juntados. março de 1994. j. Os autos permaneceram em cartório por três dias. 1986 e 1987. tempo suficiente para a simples ciência da petição juntada. a seu respeito. simplesmente.4' 'hrma. Sem prejuízo. O art.Rejeita-se a invocativa. A rigor. porém. e esse prejuízo deve ser real. contratos de 1983.

p.758-RJ. p. ora recorrida. 28/30 dos autos. agora. O juiz monocrático não deu vista ao locatário. tomou conhecimento. Eduardo Ribeiro). que José Manoel Femandes Soares move contra o requerido e outros. Em sua sentença. a jurisprudência se orienta no sentido de que só haverá violação do due process no caso de o documento juntado influir diretamente na decisão: 'Nula se apresenta a decisão. atravessou petição. Sálvio de Figueiredo.08lRJ. DJU de 25/05/92. o caso concreto. 7398). . dos documentos. posto que em nada influenciou no julgamento' (REsp nQ3. a então autora (locadora). publicado no DJU de 09/10/90. infringindo o contrato existente' etc. ofensa à norma federal e ao princípio do contraditório..Senhor Presidente. 31/33). a contestação à consignatória. conforme se comprova às fls. 28/30). Senhor Presidente. não obstante tudo isso. caracterizando-se. Min.um dos pilares do devido processo legal' (REsp ne6.. A circunstância de não se ter dado vista à parte contrária para se pronunciar sobre documento. José Manoel Fernandes Soares. em tal contexto. Após a contestação por parte do ora recorrente especial (locatário). uma cópia de ação consignatória em desfavor dela. pedindo a juntada de dois documentos. relato pelo Min. não se tem como anular a sentença. É que na petição inicial tal fato já havia sido denunciado: '. 'Processual Civil. não acarreta nulidade. Examinemos. O segundo documento (fls. O primeiro (fls. rel. se referiu a eles: 'É de ser ressaltado nesta oportunidade que o locatário transferiu o ponto comercial ao Sr. uma vez que o locatário lhe havia vendido o ponto comercial. tenho para mim que mesmo tendo a sentença se reportado à documentação da qual o recorrente especial não teve vista. através de ação de indenização. se dela resulta prejuízo. 10895. ora recorrente especial. é certo. Juntada. Documento. consistente em cópia de acódão. onde o consignante (terceiro) diz que tentava pagar condomínioreferente ao imóvel. proferida sem audiência da parte contrária sobre documentojuntado aos autos. sem a devida autorização escrita do locatário (rectius: locador).

82 a 86). Rel. vol. pois o fato já havia sido deduzido na inicial e não fora arrostado na contestação"223. Em outro caso. Na espécie dos autos. sem intimação da ré. abriu-se posteriormente vista às partes (5 dias para cada uma). os documentos de fls. Adhemar Maciel. 253). A doutrina e a jurisprudência sustentam a tese de que haverá nulidade da sentença se a parte contrária não foi ouvida sobre documento juntado após a fase postulatória. REsp 40. ano 6. seja documental ou de outra espécie. 398 do Código de Processo Civil. em face dos fatos controvertidos e da relação jurídica litigiosa. esta se em tempo de ser produzida' (Comentários ao Código de Processo Civil. STJ. a locação. Não se pode. concretizando-se a preclusão (art. . RSTJ. para fins de razões finais. para esse fim. 50 usque 57 foram carreados ao processo antes da designação da audiência de conciliae anterior à audiência de instrução e julgamento ção (fls. 14-31994. decidiu hipótese idêntica: 223. 245 do CPC). Embora não houvesse o demandado retirado os autos do cartório. a cláusula 38do contrato de locação firmado'. falar que a documentação tenha influído diretamente no decisum. Min. infringindo. j. IV. a apelante compareceu ao processo e não recorreu da alegada nulidade. 591374.8 Turma.que o mesmo vendera o seu fundo de comércio e transferira. por violação ao art. pois. p. Ademais. juiho de 1994. propiciando-lhe ocasião para oferecer prova contrária. tendo-se juntado aos autos documento. sem a anuência da requerente. O egrégio Tribunal de Justiça de São Paulo. inclusive. entendeu o tribunal ter ocorrido preclusão. "A segunda preliminar é a de nulidade do processo.072-4. por sua 1' Câmara Cível. 63163~) (fls. Moacyr Amara1 Santos leciona que: 'Uma das finalidades da audiência da parte contrária é dar-lhe oportunidade de conhecer o mérito do documento.

sob pena de preclusão. 50156. porque efetívamente não consta dos autos que o advogado da Apelante tivesse sido intimado da juntada dos documentos de fls. TJDF. Para Galeno Lacerda. AGI nQ 0004545. A nosso ver. pág. a parte abriu mão do direito de oferecer razões finais. j. O Senhor Desembargador Wellington Medeiros -Revisor: Quanto à arguição de nulidade do processo: inicialmente me inclinei por seu acolhimento. Certamente. 81 verso). no caso. forte em precedente desta Corte: 'A nulidade dos atos deve ser alegada na primeira oportunidade em que couber à parte falar nos autos. No mesmo sentido. Nívio Gonçalves. para razões finais (cinco dias para cada uma. não houve.. 87). perdeu a oportunidade de impugnar os documentos -e também de alegar oportunamente a falta de sua intimação da juntada daqueles escritos . Consta dos autos que apenas a patrona da Apelada os retirou (fls.834197. preclusão.10. Deixando de retirar os autos do cartório. Rel. o apelante não alegou a nulidade na primeira oportunidade em que poderia fazê-lo e. (AGI nQ 0001522.'Contudo. em não exercendo a faculdade de exame dos autos. Assim. a Apelante abdicou do direito de examinar todo o processo para elaborar as suas razões finais.06. 12217"224. contudo. 11575).94. Des. DJ de 26. .ensejando a ocorrência da preclusão temporal. Inteligência do art. sucessivamente -fls. não do direito de se pronunciar sobre documentojunto aos autos. por isso. 1-9-1997. a preclusão decorre de violação de norma dispositiva. segundo pensamos. AC 44. a parte 224. DJ de 05. 245 do CPC). a matéria se tomou preclusa (art. 3L Turma Cív. Essa primeira oportunidade foi a audiência de instmção e julgamento' (RJTJESP 6 11120). Rejeito também essa preliminar. Observei. Entendo que. 245 do Código de Processo Civil'.86. Engana-se. sem que se lhe desse conhecimento dessa circunstância. pág. que após a juntada desses documentos foi deferida vista dos autos B s partes.

2. reputa-se que a omissão no cumprimento de expressas exigências tem relevo. ou regimental. CPC). pela via da publicidade. Isso mostra a existência de equívoco na doutrina de Galeno Lacerda. ainda que visando ao interesse da parte. certo que as partes e seus advogados . quando inoportuno. enquanto tal. data venia. para se beneficiar com a decretação da nulidade. apresenta-se a norma como dispositiva. A preclusão não pode decorrer da violação de norma dispositiva. 547 e segs. é cogente a norma que determina a intimação da parte adversa. mesmo no julgamento da remessa oficial. Junte-se que. temse de admitir. que. Intimação para a sessão de julgamento Decidiu o Superior Tribunal de Justiça que. Isso desmerece a doutrina de Galeno Lacerda. é indispensável a inclusão dos nomes do advogado e das partes na pauta. quanto junto aos autos algum documento. Como já se observou. Não vinga o argumenregra sancionatória do art. no sistema do duplo grau de jurisdição. é desprezo às obrigações processuais (arts.. to de que a exigência não abriga a hipótese de reexame necessário. de plano. Dessa forma. por exemplo. seja pela via de previsão legal.3. para a intimação e publicidade do julgamento. assegura-seocasião. à atenção aos prazos para eventuais recursos. "Dizer-se que a parte não sofreu prejuízo.9. Sob esse aspecto. a possibilidade de preclusão. 236. é cogente a norma que determina sua intimação. Considere-seou não a hipótese como de nulidade cominada. que não admite preclusão quando se trate de norma cogente. somente pode decorrer da violação de norma cogente que tutele interesse da parte. quando junto aos autos documento oferecido pelo adversário. causando reconhecível prejuízo ao direito de as partes serem intimadas e ao exercício da ampla defesa. Todavia. A omissão acarreta a incidência da do CPC. para sustentação oral ou apresentaçãode memoriais e à prática de outros atos atinentes à ampla defesa. é inviolável. sob pena de se permitir que o esperto deixe de alegá-la oportunamente. uma vez que a falta fere o princípio da publicidade.pode falar ou não falar sobre documento junto aos autos. em tese. $ lQ.

Essa compreensão é prestigiada pelo ínclito Barbosa Moreira.Rel. Erro material. pp.' (RE nQ80. LEX -v. 971235. devem ser acolhidos os embargos para anular o julgamento'.Forense. .Não suprida a irregularidade. Ministro Fontes de Alencar -in Rev. 169 a 171. Recurso extraordinárioprovido para o fim de anular o acórdão impugnado. STJ.) .) Quanto ao tema em comento.) .in RTJ. Ministro Antônio Neder in RTJ.'Embargos de declaração.370-Edcl. Imprescindibilidade da inclusão do nome dos advogados. As partes e seus advogados têm o direito à intimação para ciência de quando vai o Tribunal julgar o caso. 261444. Ministro Sálvio de Figueiredo -in Rev.in Rev.) . p.'Processo civil. $ lQ' . Se a notícia do julgamento é publicada em órgão oficial para efeito de intirnação.têm direito à intimação para o conhecimento antecipado da data do julgamento. (RE nQ 109.696 .' (REsp nQ1. -Constitui cerceamento e agride o princípio da publicidade a omissão nessa intimação. A omissão do nome do causídico é causa de nulidade absoluta do julgamento em que se configura prejuízo da parte. Incide a regra sancionatória do art. 6. Acolhimento. Ministro Francisco Rezek . deve ela mencionar os nomes das partes e de seus advogados.Rel.Rel. averbando que: 'Também é nulo o julgamento se na publicação da pauta se omitir o nome de alguma das partes. (Coments.337-RS . vertendo prejuízo reconhecível de plano. Rel. com prejuízo para o recorrente. ainda no mesmo sentido: REsp nQ16. Tendo sido incompleta a publicação da pauta de julgamento do recurso extraordinário.300 -GO -STJ -Rel. 236 e 552.633-0-DF. Pauta de julgamento. 391496. REsp nQ14. ou do advogado de qualquer delas.n" 352. 6"dição . 236. 2. anula-se o julgamento se da publicação da pauta de julgamento não constou o nome do advogado da parte. Ministro Waldemar Zveiter . STJ. 1231257. CPC . CPC. Interpretação harmônica dos arts. a respeito. 570. tem sonido sinfôuico e harmonioso: . A jurisprudência.'I.

Inexiste. prejudicada a apreciação do mérito. impunha-se a decretação da nulidade. qualquer alusão à presença dos advogados na sessão de julgamento. abril a setembro de 1995. arguindo. com a anotação de desobediência ao art. exige-se a intimação das partes. a de verificar. lQ. não vingando o argumento de que. Milton Luiz Pereira.além de manifesta discrepância com o entendimento doutrinário e jurisprudencial. 223-1995. mesmo em reexame necessário. interposto recurso adesivo. preliminarmente. consistente em determinar a existência da norma no sistema jm'dico. interpõe os presentes embargos declaratórios ao acórdão lavrado na Apelação Cível nQ40. que foram providos com decretação da nulidade do acórdão. em parte. há duas questões que não devem ser confundidas: a primeira. a fim de que outro seja realizado. a foco de remessa oficial não se impõem aqueles ordenamentos. ano 46. A nulidade foi arguida em embargos declaratórios. e incidindo a regra sancionatória do art. a nulidade absoluta do referido acórdão tendo em vista a ausência de intimação da Embargante para oferecimento de contra-razões no recurso adesivo interposto pela Embargada (fls. entendeu o tribunal que. j. que negou provimento à apelação e proveu. Min. Respondida afirmativamente a questão e afirmada também a existência de prejuízo. por haver a parte ficado impedida de estar presente à sessão de julgamento. Alinhado à motivação. se de sua violação decorreu nulidade. no caso afirmativo. No caso examinado. sem que dele fosse intimado o recorrido para o oferecimento de suas razões. RJTJMG.265196. 236. 17). Em outro caso. voto provendo o recurso.128-5-PA.132/133/493. nos autos. 225. nulo o julgamento. em nosso sistema processual. destarte. Rel. hipótese que o validaria.RMS 5. "Viação Riacho Grande Ltda. . lSTurma. subiram os autos à instância superior. STJ. com inteira submissão às pertinentes determinações processuais na elaboração e publicação da pauta"225. a segunda. 552. No exame de eventual nulidade. o recurso adesivo. CPC.

Min.Com efeito. Adrnissibilidade e processamento. Min.O recurso adesivo está sujeito ao exame das mesmas condições de adrnissibilidade e preparo a que subordinado o recurso a que adere' (STJ . dar provímento ao recurso. sendo que ao recurso do Embar- . pois. DJ 28.2Turma. Abertura de vista para resposta do recorrido constitui formalidade essencial. 4' Turma.02.)' (STJ -RE 89566.92. Djaci Falcão). assim se expressaram: 'Ementa: Processual Civil. (. DJ 20.79. Min. 173). Recurso adesivo.94. segundo o disposto no parágrafo único do art. Ausência. Recurso adesivo. Apelação. Rel. Inteligência dos arts. Veja: RTJ-91. Afronta ao art. Sálvio de Figueiredo). Dias Trindade). 5 18 desse estatuto processual. Min.Juiz de primeira instância deixou de intimar a Embargante para ofertar contra-razões a esse recurso (fls. In casu.93. Cláudio Santos). em casos semelhantes. após o seu recebimento. é o entendimento do E. Recurso adesivo.. deve o Magistrado.REsp 00257261 92 . DJ 16. Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal que. 4a Turma. Decisão que posterga o direito da parte a resposta de recurso adesivo. 500 do CPC. .11.03. houve grave violação ao princípio do contraditório. Ementa: 'Processo Civil. Nulidade.3' Turma.09. impõe-se intimar a parte nele recorrida para oferecimento de contra-razões. conhecer do Recurso Especial e lhe dar provimento' (STJ . Rel.). sem que lhe fosse dada oportunidade para oferecer contrarninuta. inclusive. de acordo com o art.. Recurso provido. Ementa: 'Processo Civil.1094' (STJ -REsp 0024250192. Decisão: Por unanimidade. Esse. o processamento do recurso adesivo é o mesmo do recurso principal. Rel. Direito a resposta.REsp 0026010192. Decisão: por unanimidade. Interposto recurso adesivo. 500. DJ 19. Intimação para contra-razões.508 e 518 do CPC. abrir vista ao recorrido a fim de que esse possa oferecer contra-razões. a Embargada interpôs recurso adesivo de apelação (fls. Ementa: 'Apelação. 1701172) e o MM. Rel. Recurso adesivo. os apelos foram julgados. Nesse passo. acarretando prejuízo ao Embargante (Viação Riacho Grande Ltda. Ora. 500 do Código de Processo Civil.

conforme o resultado do julgamento. 1411147) sustentando (a) omissão no julgado relativo à data em que o precatório foi apresentado na Secretaria deste Egrégio Tribunal. O acórdão que segue decretou. No caso negativo. 1701172"226. se vencida. se o embargado foi intimado para o julgamento desses embargos declaratórioscom efeitos rescindentes. T Câm. 123/126). na intimação para o julgamento.Rel. . por não haver constado da intimação o nome do advogado. A preclusão impede eventual "esperteza processual": ciente a . Também não se esclarece se.gante foi negado provimento e ao recurso adesivo interposto pela Embargada (Maria Vianey de Oliveira Ribeiro) foi dado provimento parcial (fls. no caso. . a nulidade do julgamento embargado. 17-3-1997. Foi determinada a renovação do julgamento. ED na AC 40. como era de rigor. (b) necessidade da juntada dos 226. à espera do julgamento. no acórdão. o embargante teria tido. constou. o que é relevante porque. combinados (vista ao recomdo para responder). a da sustentação oral. dou provimento aos Embargos Declaratórios para decretar a nulidade do v. Ocorreu. esse próprio julgamento poderia ter sua nulidade pronunciada. Hermenegildo Gonçalves. no caso afirmativo. Cív. violação dos arts. "Julgado procedente pedido de intervenção estadual no Município de Guaratinguetá (fls. j.265196. Em face do exposto. Não se esclarece.. parte da nulidade. aresto recorrido a fim de que haja novo julgamento dos apelos após a intimação do Embargante para ofertar contra-razões ao recurso adesivo interposto a fls. arguindo a nulidade depois. isto é. 1781184). oferece a Prefeitura Municipal embargos declaratórios (fls. como primeira oportunidade para alegar a nulidade. em embargos de declaração. por desrespeito ao mesmo princípio que levou à decretação da nulidade do acórdão embargado. a existência de recurso adesivo. por ocasião do julgamento. fica silente. 500 e 518 do Código de Processo Civil. TJDF.

têm. votação unânime. Primeira Turma. A informação prestada pelos serventuários (fls. artigo 533. pág. Ausentes as causas permissivas dos embargos declaratórios. considerando-se a republicação do julgado. lO4.admitido tais embargos com maior arnplitude para corrigir erros materiais evidentes.lO5-RJ. 159) atestam tal mácula. colaciona julgado nesse sentido: 'omitido da pauta o nome de advogado do apelante. conheceram do requerimento como embargos declaratórios e anularam o julgamento da apelação.86. a sanar vício de intimação ocorrido antes do julgamento. nesse sentido. são tempestivos.2%0l. em.acórdãos em que se apoiou o julgado embargado e (c) nulidade do julgamento por vício na publicação e intimação de sua pauta. Há. Apelação em Mandado de Segurança n. Embargos de Declaração. O acórdão embargado foi.. A Secretaria prestou informações sobre a alegada nulidade da publicação e intimação da pauta de julgamento (fls. Os pretórios. 1997. recebem-se os embargos para cancelar o julgamento. omissa quanto ao nome do Procurador do Município. a saber. 'DJU' de 12.2. omissa em relação ao nome do Procurador do Município. que considerou írrita sua publicação em relação à ora embargante por não ter consignado o nome do Procurador municipal que atua no processo. precedentes da Suprema Corte: . l396. novamente publicado na imprensa oficial. contradição ou omissão do acórdão (Código de Processo Civil.)' (in 'Código de Processo Civil e legislação processual em vigor'. excepcionalmente. entre eles a publicação da pauta para julgamento sem a menção do nome do Advogado.. a propósito. porém.10. obscuridade. 139). a rigor. 158) e a reprografia da página do Diário Oficial que publicou a pauta de julgamento (fls. 28%d. Os embargos. 158-159). de modo que outro seja realizado com obediência às normas processuais' (Tribunal Federal de Recursos. É o relatório. Theotonio Negrão. pág. 428). Relator Ministro Dias Trindade. por decisão do Excelentíssimo Desembargador Presidente desta Corte (fls. Merecem eles acolhimento pela alegada eiva insanável ocorrida na publicação e intimação da pauta de julgamento. julgado em 21.87. não se prestariam eles.

artigos 236. in 'RTJ'. com prejuízo para o recorrente.do Código de Processo Civil.370. Erro material. admitida a possibilidade.Pauta de julgamento Código de Processo Civil. a excluir o cabimento de rescisória para anulação do julgamento por falta de intimação. 99. Relator Ministro Milton Luiz Pereira). ver também Embargos de Declaração no Recurso Extraordinário n.980-0. ED 27.'Embargos de declaração. reconhecendo a nulidade do julgado embargado. Ocorre preclusão 227. Parece-nos que. na primeira oportunidade em que lhe cabe falar nos autos. 1231257. Ante o exposto. haverá preclusão. SrJ. por vício na publicação e na intimação da pauta de julgamento. Embargos acolhidos para reconhecer a nulidade do julgamento realizado' (Embargos de Declaração no Recurso Especial n. 2.1. Rel. e do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: 'Processual Civil . Órgão Especial.431-9. vol. Em princípio.s lQ.Recurso especial . 32. Relator Ministro Francisco Rezek. 10-9-1997. determinar outro julgamento com regular publicação e intimação da pauta"227. Para a intimação e publicidade do julgamento é indispensável a correta inclusão dos nomes dos advogados e das partes na pauta. TJSP. O acolhimento dos embargos para cancelar o julgado embargado. acolho os embargos para. Tendo sido incompleta a publicação da pauta de julgamento do recurso extraordinário.s lQ. e 552. 109. Precedentes jurisprudenciais. 1991137. os embargos de declaração não servem à decretação da nulidade do julgado. 3. Luís de Macedo.9. in DJU de 9. Relator Ministro Djaci Falcão. Acolhimento. A omissão atrai a incidência da regra sancionatóriado artigo 236.4.83). . Intimação da sentença -Preclusão A omissão de intimação deve ser alegada pela parte. 2. devem ser acolhidos os embargos para anular o julgamento' (Embargos de Declaração no Recurso Extraordinário n.9.275-7-RJ. prejudica a apreciação dos outros fundamentos alegados pela embargante. j.

de 23-9-1996) que o processo se extingue. a caução e o depósito prévio das custas. CPC. de 23-9-1996. 9. Suscitação da nulidade pela recorrente apenas quando publicada intimação comum às duas partes. Ausência do Nome do novo patrono da Parte. no caso acima. Preclusão. são pressupostos processuais extrínsecos à relação processual a convenção de arbitragem.906. STJ. do CPC (com a redação da Lei n. nada alegando. Recurso desa~olhido"~~~.307. é que as intimações posteriores. 192 . 245. Estabelece o art. Rel. 9. que determinaram a preclusão. a perempção. sem julgamento de mérito. Atos e fatos das partes 2. VII. a litispendência. j.10. hipótese. Peculiaridades do caso concreto. Intimação pela Imprensa. a coisa julgada. porque se trata de defesa de que o juiz não pode conhecer de ofício. Lex . REsp 65. 267. A perempção. 2.307. Cláusula compromissória é a convenção pela qual 228. a convenção de arbitragem compreende a cláusula compromissória e o compromisso arbitra1 (art. A exigência de caução e de pagamento de despesas de ação anterior constituem exceções processuais. Constância nessas publicações dos nomes corretos de ambas as partes e de seus patronos. Processo como instrumento ético.10. O notável. tinham por destinatário a parte adversa. Nos termos da Lei n. Tem-se. 3*). Sálvio de Figueiredo Teixeira. aí. Quatro intimações posteriormente endereçadas à parte adversa. 1071119. mas de exceção processual. a litispendência e a coisa julgada constituem impedimentos processuais. 2511-1997. pela convenção de arbitragem.1.se posteriores intimações deixam certo que a parte tomou conhecimento da intimação omitida. 4aTurma. não de pressuposto processual. Art. Os impedimentos e as exceções processuais Segundo Galeno Lacerda. Decidiu o Superior Tribunal de Justiça: "Processo Civil.Jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça e Tribunais Regionais Federais.

$ 4Q). Tanto a perempção quanto a litispendência configuram impedimento à continuação do processo. não poderá renovar sua ação contra o réu. também. Tratase. cit. à preclusão. 263. 5 4Q). Nem alcança. 111. . art. A cláusula compromissória é promessa de contrato.. à extinção do processo. por abandono da causa. de ofício. por esse mesmo motivo. Comentários.O compromisso arbitral é a convenção pela qual as partes submetem um litígio à arbitragem de uma ou mais pessoas. de matéria que depende de alegação da parte (CPC. assim. Embora o Código autorize o juiz a decretar. 301. a pretensão de direito material. Apresenta-se. Ela obsta o exercício da pretensão à prestação da atividade jurisdicional do Estado (ação). por três vezes. a extinção do processo. do CPC. podendo ser judicial ou extrajudicial (art. Há litispendência quando se repete ação que está em curso (CPC. pois. Ocorre perempção no caso do art. gQ). E também. o juiz extingue o processo.não cabe ação rescisória. vindo a ser não obstante 229. Por isso mesmo é suscetível de ser conhecida de ofício. $ 3Q). parágrafo único. 301. independendo de provocação do interessado. a possibilidade de alegar em defesa o seu direito. art. ficando-lhe ressalvada.sujeitando-se. havendo o autor dado causa. é contrato. v. como ocorre com a prescrição. " A perempção não extingue o direito material objeto do processo em que se deu o desfazimento da relação processual. O compromisso. Havendo as partes optado por solução extrajudicial do litígio. 268. E nisso ela se distingue da decadência. entretanto. 10 da Lei de Arbitragem. porém. a convenção de arbitragem como um obstáculo ao prosseguimento do processo.as partes em um contrato comprometem-se a submeter à arbitragem os litígios que possam vir a surgir relativamente a tal contrato (art. subsistem o direito e a pretensão de natureza substancial. em ambos os casos (art. oponíveis como defesa" (José Joaquim Calmon de Passos)Z29. 4Q). que deve atender ao disposto no art. p. 301. isto é.

Fato não alegado na primeira oportunidade em que possível . eventualmente com vícios autorizadores da decretação de sua nulidade. depósito ou pagamento de custas e honorários constituem exceções processuais. 2. Exige-se alegação da parte. No caso que segue. "Nulidade . sendo defesa a prática de atos processuais durante a suspensão. art. em outro processo. a existência de coisa julgada não só constitui motivo para a decretação da extinção do processo. nas ações que intentar. 265 e 266 do Código de Processo Civil estabelecem que o processo se suspende por morte de qualquer das partes.Inteligência do artigo 245 do Có- . se não tiver no Brasil bens imóveis que Ihes assegurem o pagamento (CPC. deverá prestar. Diferentemente. 28). caberá decretar-se. desenvolve-se ele com atos concatenados das partes e do juiz. É o tema tratado a seguir. por força do art. aí. caução suficiente às custas e honorários de advogado da parte contrária. sob pena de preclusão. o autor não poderá renovar a ação sem pagar ou depositar em cartório as despesas e os honorários em que foi condenado (CPC. art.2. Nada alegando a parte.Inocorrência . 485. a nulidade da sentença proferida.Não suspensão do feito em decorrência do falecimento do réu .proferida sentença de mérito (CPC. Mas o tribunal não pronunciou a nulidade. A caução. Morte de uma das partes Os arts. Tem-se. quanto motivo para a rescisão da sentença de mérito que eventualmente venha a ser proferida. formais e extrínsecos. é inatacável a sentença de mérito que venha a ser proferida. à evidência. Constituído o processo com seus pressupostos subjetivos. TV.do CPC. objetivos. o processo teve prosseguimento. 485.10. Havendo o juiz decretado a extinção do processo sem julgamento de mérito. a contrario sensu). duas hipóteses em que a preclusão decorre do trânsito em julgado da sentença. IV. nacional ou estrangeiro. Nem. e o autor. por não haver o fato sido alegado na primeira oportunidade e por ausência de prejuízo. 835). art. que residir fora do Brasil ou dele se ausentar na pendência da demanda.

8801 890. pois. deveria ter sido ordenada a suspenos autos estavam conclusos são do processo. ocorrido em 25. No dia 27. sem outros requerimentos. de prejuízo ao espólio apelante -Preliminar rejeitada.93 (fls.digo de Processo Civil . no caso vertente. mercê do que.93 (fls. tendo ele proferido despacho cujo parágrafo final assim foi redigido: 'assim. em primeiro lugar.12.). pois. . que foi publicada no 'Diário Oficial de São Paulo'. 878). e 266.Preclusão -Ausência. o digno sentenciante não praticou qualquer ato no período de tempo em que o feito foi levado à conclusão e a publicação da sentença recorrida. inciso I. ambos do Código de Processo Civil. Incide. 891).93 . ademais. e apensando-se a estes os autos da cautela. constata-se que nenhum prejuízo suportou o apelante. a velha parêrnia: pas de nullitésans grief. ficou ela preclusa. 893). com a não suspensão do processo. 878 v. 892) anotando-se que o Advogado Dirceu Bastazini foi quem assinou a inicial do recurso aclaratório (fls. Nenhuma noticia há nos autos do falecimento de Élio Raineri.9. Este despacho foi publicado no 'Diário Oficial' de 16.7. em face do falecimento de Élio Raineri.8.12. agora espólio. Em 14. figurando como embargantes 'Élio Raineri e outros' (fls. Além disso. em 22.93 foi proferida a respeitável sentença de fls. Por amor A lógica processual. venham os autos conclusos para decisão'. Não ocorre a apontada nulidade. a teor dos artigos 265. aprecia-se. A nulidade invocada agora no apelo não foi suscitada na primeira oportunidade em que o apelante falou nos autos. fato do conhecimento do Meritíssimo Juiz para quem . O processo foi à conclusão do eminente Magistrado a quo em 23. portanto.93 foram oferecidos embargos de declaração contra a sentença de Primeiro Grau. a arguição de nulidade do processo fundamentada na alegação de que.12.93 (fls. a teor do artigo 245 do Código de Processo Civil. o espólio-apelante não suportou qualquer prejuízo.

porém. o que pode ter enorme repercussão. a preliminar de nulidade do processo. e 266. Pereira Calças. 267. outorgada pelo inventariante do espólio-apelante ao mesmo Advogado que já representava os interesses do de cujus. Evidentemente. quando a ação for considerada intransmissível por disposição legal.3. no caso. extingue o processo. jamais haveria a possibilidade do espólioapelante vir a suportar qualquer prejuízo derivado da não suspensão do feito. ainda que na pendência de recurso especial ou extraordinário. decidiu-se que. Cabível. Intransmissível é a ação de divórcio. antes de transitar em julgado o acórdão que decretou o divór230. 16L Câm. IX. a argumentação fundada na ausência de prejuízo. onde a sentença deverá decidir uniformemente a lide em relação aos litisconsortes. Com a morte. TJSP. pois.. de se ressaltar que seria de nenhuma utilidade prática a anulação do processo e o seu retomo ao Primeiro Grau. Não havia. sem julgamento de mérito.458-2. invocada com supedâneo nos artigos 265. a morte de uma das partes. no que diz respeito à transmissão de bens por herança. 938. apenas para se regularizar a representação processual do espólioapelante. Civ. 196 . a parte que falece não pode alegar a nulidade na primeira oportunidade em que fala nos autos.Anote-se ainda que. extingue-se o mandato. do Código de Processo Civil estabelece que o processo se extingue. Assim. que se falar em preclusão. ocorrendo a morte de um dos cônjuges. ambos do Código de Processo Civil"230. estando todos os demais litisconsortes presentes no processo. regularmente representados. não tendo o falecido descendentes ou ascendentes. trata-se de hipótese de litisconsórcio passivo necessário unitário. inciso I. 2. isto já foi providenciado. dessarte. 20-12-1994. Afasta-se. Assim. AC 247. pois.Rel.j. Assim. Não bastasse isto.10. conforme procuração de as. Morte e ação intransmissível O art.

o que não havia era a possibilidade de. morto o promovente da ação.12.12. o que continua sob a vigência da Lei n.94 (v. de 31. Não podia a matéria ser devolvida ao juiz de primeiro grau. decidir sobre os incidentes vinculados aos recursos eventualmente oponíveis ao julgado. e 250 da Lei dos Registros Públicos) mas não o exigisse para alteração do estado civil das pessoas. pois.950. deve o Tribunal. Neste sentido o artigo 32 da Lei n. Segundo os artigos 26 e 27 da Lei n.308 do CÓdigo Civil. Ora.73). inexistiria interesse na interposição do recurso. 6. pela finalidade que dele se extrai de evitar a provisoriedade de uma situação tão relevante. o recurso especial se processava perante o Tribunal prolator do acórdão recorrido. de 13. se o trânsito em julgado é imprescindível para o divórcio ser eficaz. 1. bem como de desquite.015. serem opostos embargos de declaração em seu .5. enquanto não transitado em julgado o acórdão que tenha proferido. se estava em curso prazo para a interposição de recurso especial. mas é evidente que o preceito a ele se aplica.cio. então vigente. será exigido o trânsito em julgado (artigo 100. 8. a falta de menção ao divórcio se explica por sua inexistência no Direito brasileiro ao ser promulgada a Lei de Registros Públicos (Lei n. caput. de 28. da Lei dos Registros Públicos). No entanto. em caso positivo. por maior razão. a que dissolve o próprio vínculo do casamento.12. como a que dissolve a sociedade conjugal. perante quem não teria processamento o recurso. e. Assim. hajam transitado em julgado. extingue-se o processo.77: a sentença do divórcio produzirá efeitos depois de registrada no registro público competente. "O divórcio só tem eficácia quando a sentença ou acórdão que o tenham decretado sejam irrecorríveis. 6. sendo nulos embargos de declaração interpostos em nome do falecido e inaplicável o art. isto é. por seu órgão competente.90. Para a averbação da sentença de nulidade e anulação de casamento. 8. de 26.038. inciso I.515. Aliás. cabia ao Tribunal resolver se o processo estava ou não extinto pela morte de uma das partes. seria muito estranho que o legislador exigisse o trânsito em julgado da sentença para alterações no registro imobiliário (artigos 250. artigos 541 e 542 do Código de Processo Civil).

foi decretada no curso do prazo para o recurso especial ou para o recurso extraordinário (artigo 26. Tal como a sentença proferida por quem se diz Juiz sem o ser inexiste do ponto de vista de sua validade processual. prejudicial da decisão de mérito.533. a regra não é absoluta. sabido que ação de divórcio não corre nas férias (artigo 173 do Código de Processo Civil) e que é de férias na Segunda Instância da Justiça Comum paulista o período de 2 a 31'de junho (Lei Complementar Estadual n. embora não caiba mandado de segurança quando haja recurso previsto nas leis processuais (artigos SQ. do Código de Processo Civil).12. inciso V. 7*. e 267. porque já houve apreciação do mérito. a extinção do processo. como já referido. sequer pode-se dizer que os embargos existiram: existiram como aparência de embargos mas não como recurso processualmente válido. decreta-se a sua extinção (artigo 267.92). inviabiliza-se a extinção da ação. seria impossível a parte sobrevivente recorrer do venerando acórdão. IX. então. mesmo que o prazo tivesse seu curso com a morte do autor. específica. pois é inaplicável ao caso o artigo 1. Morta a parte. . então aplicável). concernente aos negócios jurídicos do mandante. a qual será como se não tivesse existido. os dispositivos da lei processual. inciso 11. embora possa existir como aparência de sentença. de 1990. de 15. proferido o acórdão. 8. A extinção do processo será. Se os embargos foram opostos por quem não mais existia. inciso I. 12.308 do Código Civil. 701. não há ato a ser concluído em nome dela no processo: ou o processo é suspenso. Note-se que se a intimação do venerando acórdão foi feita em 27. Nem se diga que. Como não existe processo sem parte e como não pode ser parte quem está morto (v.055. e não do direito comum. sendo intransrnissível a ação. para a substituição processual (artigo 265.94 (fls. ainda pendia de recurso. os artigos 43 e 1.7. nenhum sucessor dele tem interesse no seu prosseguimento. também inexiste o recurso interposto em nome de quem não pode mais ser parte.038. todos do Código de Processo Civil).51. da Lei n. pois. C. artigos 3*. inciso I. da Lei n. Tal apreciação ainda não se tornara imutável.6. 1. 36).94. ou. Finalmente. inciso IX.C. de 31. pois foi proferido em 19.nome. caput. 214. Aplicáveis. pois inexistiria a outra parte. do Código de Processo Civil).12. morto o autor.265. Além disso. intransmissível a ação. e 267 do Código de Processo Civil).

. morreu antes de iniciarse o curso) do prazo para recorrer (v... Incabível condenação em honorários advocatícios (Súmula n. fica restabelecida..... Mattos Faria. evidente sua inaplicabilidade ao caso.. Recurso especial atendido.. É a interpretação que melhor se conforma ao artigo 5*.. se evidente a ilegalidade ou o abuso de poder (in Theotonio Negrão.... 268 do Supremo Tribunal Federal.... de 3 1. nos autos da ação ordinária. 1S33.... Quanto à Súmula n....4312-1... a qual.. TJSP.. VOTO O Sr. pois é impossível transitar em julgado acórdão se a parte morre no curso (no caso. independentemente do recurso cabível. A instantaneidade da suspensão do processo decorre mesmo da morte do advogado da parte.. ob......10.. por decorrência...51)...... Custas na forma da lei"2".... j.....4. terceiro parágrafo da nota 15 ao artigo 5Q da Lei n...12.. inciso IX. Morte do procurador da parte. 231.. Ministro Fontes de Alencar (Relator): Em seu recurso especial ressaltam os recorrentes que 'O advogado do réu (Espólio de Knud Holger Vils).. Por conseguinte... cit. 1761239... MS 244......Além disso.. 5 12 do Supremo Tribunal Federal). inciso I...... e 267.. inciso LXIX.. dispositivos processuais já referidos. Segurança concedida. Maioria. Suspensão do processo.. JTJ. concedo a segurança e o faço para decretar a nulidade da respeitável decisão que recebeu os embargos declaratórios e reformou a respeitável decisão anterior que decretara a extinção do processo....... como já foi julgado pelo Superior Tribunal de Justiça........ 2... do Código de Processo Civil). ...... 27-6-1995. l0 Grupo de Câmaras Civis... cuja execução foi embargada pelos recorrentes. cabe mandado de segurança contra ato judicial..... Morte do procurador da parte Decidiu o Superior Tribunal de Justiça: "Embargos à execução. especialmente os artigos 265.. Rel. da Constituiçãoda República...

99 a 100). O ato do juiz não tem efeito constitutivo mas declarativo. após lhe haver sido denunciado o fato. ao que tudo indica. Com o início do processo de execução. comunicado. faleceu em 11de maio de 1990. aparentava subordinar a suspensão ao despacho do juiz. 14 dos autos. conforme faz prova o atestado de óbito acostado às fls. cuja demora não pode ter o condão de invalidar o preceito legal. herdeiros do réu.sucessoresdo mesmo naqueles autos. o fato ao Juiz. Isso não ocorreu pois o Juiz não foi comunicado e o processo continuou trazendo enormes prejuízos aos recorrentes. retroage ao momento em que ocorrera o fato gerador. 180. Convém frisar que os réus naquele processo. a causa não está no despacho e sim no fato gerador da suspensão. com o que seria tal despacho constitutivo. ou não. Mas há aí. logo. momento processual apropriado para alegar a inexigibilidade do título (vide Liebman. intimando o réu para que constituísse novo procurador.Assiste razão aos recorrentes no sentido de que a morte do único advogado da parte suspende o processo a partir do instante mesmo da ocorrência geradora da suspensão. não eram os ora recorrentes. 265. sem falar no despacho do juiz. segundo o que determina o inciso I1 do artigo 741 do CPC. foi comunicado o Juiz do falecimento e requerida assim a decretação da nulidade dos atos ocorridos após a morte do advogado uma vez que o feito deveria ter sido suspenso como manda a lei processual aplicável à espécie' (fls. que prevê a suspensão do curso do prazo. Portanto. em sua letra. 8 dos autos). suspender o feito. declara-o suspenso. . mas sim o espólio de seu pai. posto que a sentença é nula de pleno direito. os mesmos. Com propriedade assevera o Processualista Moniz Aragão sobre o tema: 'O Código de 1939. citação às fls. em cumprimento ao que determina o dispositivo legal supra. ocorrendo qualquer das hipóteses do art. Essa interpretação é reforçada pelo disposto no art. na época do falecimento. um equívoco: o juiz não suspende o processo. nos embargos à execução. quando os recorrentes tomaram ciência da situação em que se encontravam. cabia ao Juiz daquele processo. nD" e 111.

291-RJ. Turma. seu relator: 'Consoante a lei processual civil. 265. portanto. Min. ed. convenção das partes. Forense. permanece em verdade indefeso nos autos. Gueiros Leite. Ao apreciar o REsp 10. salvo a realização de atos urgentes. a fim de evitar dano irreparável (artigo 266). etc. caso. o despacho se limita a tornar certa a ocorrência do fato e opera desde a data dele (ex tunc)' ('Comentários ao Código de Processo Civil'. 5851 141. vol. o ato do Juiz que venha a suspender o processo tem efeito ex tunc' ('Manual de Direito Processual Civil'. portanto. 1975).398SP. 1975). A declaração de suspensão. Min. cujo procurador morre. tal como sustentam os ora recorrentes. 2. STJ: Ag nQ3. Relator Min. extinto TFR:Ag nP 41. lPedição). a partir do exato momento em que o fato ocorre. José Frederico Marques: 'A suspensão resultante de fatos ou acontecimentos físicos tem início desde o momento em que se dá a ocorrência do fato. 88/97. 5971136 e 606190. 951 427. Isto posto. nQI).). a morte do procurador da parte acarreta a suspensão do processo (art. 941265. assim se pronunciou o Ministro Barros Monteiro. Vale lembrar que. pág. opera-se ex tunc.609-PR. Segundo escólio de Hélio Tornaghi: 'a suspensão decorre do fato apontado (morte. Para o Prof. Athos Carneiro). Nesse sentido a jurisprudência francamente majoritária de nossos pretórios: Rev.semelhante. A suspensão do feito tem início a partir do momento em que o fato ocorre. 404. ao CPC. sem dúvida. O falecimento do advogado acha-se. Gueiros Leite. 3. ed. 321. a despeito de somente mais tarde o juiz vir a ter conhecimento dele e declarar suspenso o processo. dos Trib. Rev. recente julgamento desta eg. vol. de Jurisprudência do Tribunal de Justiça de São Paulo 841160. . Rel. acabou prevalecendo idêntica diretriz (REsp nQ8. pág. 98. Assim também o ensinamento da doutrina.A suspensão tem início. vinculado ao princípio do contraditório: o litigante. incapacitação. pág.271-SP. Rel. em cujo período é defeso praticar qualquer ato processual. despacho de efeitos evidentemente retroativos' (In Com. a despeito de somente mais tarde vir o Juiz a tomar conhecimento dele. 5961138. JTACSP 71/25. 5711138.

O recurso não logra firmar-se sob o prisma do dissídio jurisprudencial. Possibilidade de postulação da nulidade da decisão homologatória da partilha. porquanto os paradigmas foram colacionados através de ementas e estas não servem para demonstração do dissenso pretoriano. 265. I. do Código de Processo Civil. na boa companhia do emérito Ministro Athos Carneiro. Suspensão do processo. Em assim sendo. mas por cuidar. independentemente da interposição de recurso. nula igualmente a sentença que venha a ser proferida no processo suspenso. entendo que dita nulidade não deve ser declarada. Falecimento do único procurador do inventariante.Tenho que. e assim. 265. hoje não se apresenta. como assentado em seu voto. O acórdão resultante do julgamento do REsp aludido tem a rematá-lo a seguinte suma: 'Inventário. Participei do precedente desta Turma. em se cuidando de inventário. I. . Isto posto. e o fiz divergindo do seu eminente relator. tenho como violado o art. O que ontem impediu-me de acompanhar a conclusão do douto voto do Ministro Barros Monteiro. Recurso especial conhecido e provido'. não por haver tese discorde da sustentada por sua Exa. e 266. o Acórdão recorrido realmente contrariou o disposto nos arts. a despeito de somente mais tarde vir o Juiz a tomar dele conhecimento. ou decretada. mediante singela imploratio oficii iudicis' . da lei instrumental civil'. conheço do recurso pela violação à lei federal e lhe dou provimento. a suspensão do processo tem início desde o momento em que ocorre o fato. para anular o processo a partir da morte do patrono dos recorrentes. que 'não obstante ambos os atos processuais posteriores à causa de suspensão do processo. da maneira como decidiu. com todos os interessados maiores e acordes no pedido. Com o falecimento do advogado. pois que na hipótese vertente as decisões das instâncias ordinárias foram adotadas em embargos à execução fundada em sentença. dado que a instantaneidade da suspensão do processo decorre da mesma morte do advogado da parte.. em tese.

caso de querela nullitatis insanabilis. Comentários ao CPC. não demonstrou o prejuízo sofrido. em ação ou em defesa. Min. Rel. como em muitos outros casos. peço vênia respeitosa para considerar que o tema não poderia ter sido utilmente invocado nos embargos do devedor. VY36). que a 'doutrina não poderia excluir dos embargos do devedor' (Pontes de Miranda. nem é nula ipso jure. . RT. j. privilegiando a segurança jurídica. a não ser o fato da morte de quem diz ter sido seu procurador. De lege ferenda. É apenas uma sentença afetada de vício porque proferida num processo onde se alegou existir nulidade por cerceamento de defesa da parte que ficou sem procurador nos autos. REsp 49. não produz qualquer efeito material ou processual' (Luiz Eulálio Vidigal. ano 7. logo. Sendo assim. XI. como se contivesse vicio de 'tal natureza e gravidade que. Ministro Ruy Rosado de Aguiar: A sentença que se está executando não é inexistente. RSTJ. muito especialmente. não saberia dizer de pronto qual o melhor sistema. setembro de 1995. 731363. 'a sentença cobre a nulidade. independentemente de declaração judicial. o acórdão que os rejeitou não causou ofensa à lei. Nesse. quando há 'falta ou nulidade de citação no processo de conhecimento. 90193). não é alegável nos embargos como o fora em tempos anteriores à codificação da legislação processual no Brasil. Isto posto. mas a verdade é que a regra hoje vigente significou clara opção do legislador pela permanência das sentenças. ao afirmar a automaticidade da suspensão do processo.307-2. por morte do procurador 232. na explicação do mesmo Pontes de Miranda. 3' Turma. 13-91994. Fontes de Alencar. O acórdão acima contém importante lição. de qualquer forma não conheço do recurso porque o recorrente não fez nenhuma prova do que alega. mas permanece rescindível'.VOTO VISTA (vencido) O Sr. Não conheço"232. STJ. se a ação lhe correu à revelia'. Vencido nesta questão. Comentários ao CPC.

10-12-1990.da parte. 5 2*. dispensada a propositura de ação rescisória. O novo Estatuto (Lei n. Falta de comunicação. STJ. considerando-se habitualidade a intervenção judicial que exceder de cinco causas por ano. não seria razoável punir-se a parte por desobediência do advogado ao estatuto de sua profissão. RSTJ. Constitui mera irregularidade estar o advogado inscrito em outra seção Decidiu o Superior Tribunal de Justiça: Advogado. Mais importante ainda é a circunstância de haver a nulidade sido decretada em embargos à execução.215163): "Constitui condição de legitimidade do exercício temporário da advocacia em outra Seção a comunicação ao presidente desta do ingresso em juízo. b) da natureza da causa. ano 3. 76 da mesma lei. d) do endereço permanente do advogado". 4. 8. 56. 24/422. cujo saneamento cabe à própria Ordem233.10.for. nem qualquer prejuízo para a parte. A hipótese pode ser equiparada à de falta de citação. REsp 6. A referência constante do acórdão é ao art. 2. Seja como. do antigo Estatuto (Lei n. ainda que ignorada pelo juiz. Cláudio Santos. com a indicação: a) do nome e endereço do constituinte e da parte contrária.168. configurando-se apenas mera irregularidade. Inscrição em outra seção. . j. Não tendo havido o comparecimento. A nulidade dos atos subsequentes é conseqüência lógica dessa doutrina.906194) exige inscrição suplementar no Conselho Seccional em cujo território passe a exercer habitualmente a profissão. 233. 3a Turma. agosto de 1991. 56 do Estatuto da Ordem dos Advogados do Brasil não acarreta a nulidade prevista no art. A ausência da comunicação prescrita no 5 2 U o art. proferiu-se sentença nula. Rel. que atende ao princípio do contraditório. Min.5. O comparecimento sanaria a nulidade. c) do cartório e instância em que corre o processo.

. deve o juiz marcar prazo razoável para o suprimento da falta. que a 48 Turma deste Tribunal conheceu e proveu. vencido. não conheceu. rejeito-os no entanto..6. por maioria de votos. ter assistido à aplicação. 1. que. na 38Turma do Tribunal Federal de Recursos. Ministro Nilson Naves (Relator): (. tal recurso foi recebido (. O voto vencido baixava os autos em diligência. Indústria e Comércio de Móveis Soberana Ltda.). na instância ordinária. da apelação do Banco do Estado de Minas Gerais S. a 3aTurmadeste Tribunal adotou orientação que deixei assim resumida na ementa do REsp 3. Inconformada. O Banco do Estado de Minas Gerais apresentou embargos de divergência (. o advogado não se encontra habilitado para estar em juízo. Sem instrumento de mandato. Ministro Nilson Naves: O Tribunal de Alçada do Estado de Minas Gerais.10.. 13. reportando-me ao voto. Em embargos infringentes. 2. a teor do art.. que proferi no REsp 5. É sanável.. É havido por inexistente o recurso assinado por advogado que não .2. faltando ao procurador instrumento de mandato. 3. nesses termos: 'Provi o agravo de instrumento. por aplicação do art.190: 'Advocacia. do art. Instrumento de mandato. Ocorre..392. no entanto. que.A.. de Pr.. a nulidade de recurso. por falta de procuração Decidiu o Superior Tribunal de Justiça. Inexistência. 3. deduzido em rápidas palavras. Conhecendo dos embargos. em caso assemelhado. por sua 68 Câmara Civil. Civil. 2. interpôs recurso especial. no espaço de tempo entre o despacho no agravo e a subida dos autos. em embargos de divergência. 13 do Código de Processo Civil: YELATÓRIO O Sr.). 13 do Cód. na instância ordinária. não apresentando o signatário do recurso o instrumento do mandato. É o relatório.). para a subida dos autos principais. Ministro Fontes de Alencar (. pelo voto do Sr..). para que o defeito fosse sanado. porque tinha lembrança de. VOTO O Sr.

por um lado. rogo vênia para conhecer dos embargos e acolhê-los. simplesmente. 37 do CPC está conduzindo. cabia ao magistrado de l Qgrau. p. a cargo de uma plêiade de advogados do Banco-embargante. no aresto embargado. sem antes conceder à parte . Não o fez por um lapso.cujo equívoco era muito compreensível.entre os quais o da nova representação postulatória. e por outro. Recurso especial não conhecido'. Relator da apelação cabia. 8020). DJU 11111/70.)' . irretocável o acórdão recorrido (. Trata-se de princípio aplicável ao caso em foco: se inexistente o recurso assinado por advogado que não apresentou instrumento de mandato. de admissão . ao il. No caso.apresentou instrumento de mandato. 20109177. é uma autêntica transformação do advogado em substituto processual das partes -e não em seu mero mandatário. Aquelas . de instância em instância. 3. que nosso sistema processual é depus de nullité sans grief. O Sr. em sucessivos juízos de admissibilidade. como cumpria. o mesmo há de se dizer de petição inicial. Rel. para poder receber a apelação.. determinando novo substabelecimento . objetivos e subjetivos. dada a pletora de causas semelhantes e respectivos recursos. sem fundamentá-la. destarte. j. Se não cumprida a obrigação. Sou totalmente infenso à decretação de nulidades. não precisava sequer ter submetido o apelo todo ao Colegiado: inadmitia-o...STF12". O que a tradução literal do art. cuja parte final apresenta o teor seguinte: 'Verifica-se.que aliás não deve inexorável e inapelavelmente responder pelos erros procedimentais de seu advogado -a oportunidade de sanar as nulidades sanáveis. pois. em igualdade de circunstâncias. Ministro Moreira Alves. Tenho por mui judiciosos os argumentos expendidos pelo ilustre Subprocurador-Geralda República Dr.5 161SP . a presença constante do magistrado na regularidade do processo. Como o recebimento do recurso não vincula o Tribunal ad quem (RE 85. propiciando prazo para tanto. verificar todos seus requisitos. Vicente de Paulo Saraiva. Creio. Ministro Athos Carneiro: Reconsiderando a posição que adotei. em última análise. de corrigir as irregularidades passíveis de correção. por sua vez. aliás. ter mandado corrigir a irregularidade postulatória.

tanto mais quanto O Código de Processo Civil . alheia às atuais necessidades. elas é que têm de pronunciar-se se o advogado. O ponto mais alto de nossa ordenação processual civil. 13 do CPC. foi por elas realmente constituído como tal. a compreensível exprobação da Suprema Corte. ser o processo. que se apresenta como defensor delas.que ratificam ou não um mandato. que novamente teriam de reiniciar tudo de novo.é que são os sujeitos da relação jurídica processual. Permito-me igualmente. contra o que chama de fetichismo das formas. por óbvio também.. por causa de uma mera nuga processual? Daí. Não propiciar às partes a decisão a respeito de seu patrono agride ao próprio princípio constitucional de ampla defesa. sustentar ser irrelevante que a causa de nulidade haja surgido pendente o processo perante as instâncias ordinárias. se não há prejuízo para as partes. a sustentar a impossibilidade de... é exatamente o capítulo relativo às nulidades. e menos ainda de ordem pragmática. e assim vem sendo proclamado e reconhecido em sucessivos Congressos Internacionais. rogando vênia aos eminentes colegas que em contrário se têm manifestado. ainda que cominada pena de nulidade. uma missa jurídica. antes de tudo e acima de tudo. para o saneamento de defeitos na representação a d processum ou postulatória. vinculada a formalismos tidos por inarredáveis. como certa feita advertiu o saudoso Couture. não é.. E. ou já pendente perante esta Corte. data venia. admitindo o suprimento ou repetição dos atos defeituosos. é de se perguntar . convertido em diligência. por exemplo. facilmente emendável? Ao Estado-Juiz. Daí a intimação dever ser dirigida a elas . 1511152). por óbvio.ante o princípio teleológico do cui prodest?: A quem aproveitaria anular-se uma demandajudicial. na instância última. Não encontro embasamento jurídico.' (fis. até então meramente subentendido.932lAM (RTJ 861853). instrumento para a justa eliminação das lides. com o prevalecimento . ao acoiher o RE 82. perpetuando-se os litígios que perturbam as relações sociais?! Aos próprios litigantes. a teor do art.é infenso ao feiticismo formal. O processo é. e que a partir daí passa a ser corporificado através do instrumento. Ademais.

. no Egrégio Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. a Vossa Excelência. Não na extensão que sua Excelência admite o suprimento da falta de procuração mesmo nesta Instância Especial.). cujo trecho transcrevo de fls. como. porque passadas as Instâncias Ordinárias -nos casos que julguei. com a modificação de patrono -o recurso tem sido interposto sem o instrumento. nesta posição. como afirmado no voto que proferi no REsp nQ5. conheço dos embargos e aos mesmos dou provimento.dos princípios da sanabilidade e da convalidação dos atos processuais praticados.392-SP. Ministro Waldemar Zveiter: (. Ante o exposto. 284 do Código de Processo Civil. 284 .Sua Excelência faz uma exegese excelente do art. reiterando vênia ao eminente relator. Isto é. 140 destes autos: 'Senhor Presidente. na hipótese acompanhar o voto do Senhor Ministro Athos Carneiro. no que pertine à emenda da inicial. peço vênia a Vossa Excelência para acompanhar o eminente Ministro Eduardo Ribeiro. . para. Anulei algumas decisões para abrir chance a que se aplicasse essa determinação do art. fazendo. tal como em obediência ao estatuído no art. quando Desembargador. parece-me. Rogo vênia aos Senhores Ministros Nilson Naves e aos eminentes colegas da Egrégia Quarta Turma. a própria representação da parte. tendo também como objeto desta emenda não só os documentos pertinentes à decisão da causa. para acompanhar o Senhor Ministro Eduardo Ribeiro.. cujo ponto de vista pessoal ao final tenho a impressão de que consoa com o que venho de expender. mas nos precisos termos em que fixou entendimento a Egrégia Terceira Turma. à interposição do recurso'. que reputo mais liberal. sobretudo. 13 do Código de Processo Civil -. apenas uma observação quanto ao aspecto abordado por Vossa Excelência: Nestas questões do recurso. ainda. temos tido como inexistente. porque tenho reiteradas decisões proferidas. e não seria razoável que no Juízo Especial aplicássemos o princípio da emenda à petição. 284 do CPC se permite emenda ou complementação da inicial. dando sempre uma interpretação ampla ao art. O Sr. De sorte que peço vênia. novamente.

Rel. por falta de qualificação do perito (fls. à designação do perito judicial.11. "Na instância especial é inexistente recurso interposto por advogado sem procuração nos autos". Esse acórdão sintoniza com o sistema da lei processual. 2. cabendo lembrar que somente com a juntada do documento de 234. Perito sem habilitação legal O acórdão que segue decretou a nulidade do laudo pericial. que dispõe no sentido da sanação das nulidades. 37 do CPC. deverá o juiz marcar prazo razoável para que seja a falta suprida. e não usando da faculdade prevista no art. ED em REsp 14. quando mais não seja pela repetição. A matéria não está preclusa. Aplicação do disposto no artigo 13 do CPC' . sempre que possível. STJ. O Superior Tribunal de Justiça fixou regra diferente para o recurso especial: Súmula 115. Apresentando o laudo (fls. RSTJ. Min. 2 ' Seção. mas a respeitável sentença guerreada rejeitou a arguição. Não apresentando procuração o subscritor dos embargos. presente a divergência.Falta.). notadamente. simplesmente. Assim. e por não necessitar o perito de habilitação profissional. 2081233). ano 6. sem qualquer indicação de sua qualificação (fls.827-8-MG.Mandato . agosto de 1994. retificação ou ratificação do ato. 60185. por cuidar-se de matéria preclusa. . ante a propalada incompetência do perito para a realização do trabalho. pois não diz respeito. 23-2-1994. conheço do recurso e ihe dou provimento"234.O acórdão que restou assim ementado: 'Embargos à execução -Advogado . por não ter o perito a habilitação exigida por lei: "Ao sanear o processo o Mentíssimo Juízo nomeou perito. 2801300). mas à nulidade do laudo. a autora o impugnou. j. Insistiu na sua alegação. Waldemar Zveiter. 200 v.

Rio Grande do Sul. originária da Comarca de Não-meToque. O art. 7.fls. como se vê de voto do Prof. que merece transcrição: 'Muito se tem debatido em sede doutrinária e jurisprudencial sobre essa norma. 145 do Código de Processo Civil estabelece: 'Quando a prova do fato depender de conhecimento técnico ou científico. mediante certidão do Órgão profissional em que estiverem inscritos'. segundo o disposto no art. O eminente Ministro Sálvio de Figueiredo. E estatui o 2 * : 'Os peritos comprovarão sua especialidade na matéria sobre que deverão opinar. quando ainda integrante do Egrégio Tribunal de Justiça daquele Estado. de 10 de dezembro de 1984. Todavia.448. de que é exemplo o posicionamento pretoriano em relação às ações expropriatórias. o saber de . na condição de Relator da Apelação n. tão bem o tratou. vai-se solidificando o entendimento ora já consagrado em texto legislativo. introduziu três parágrafos a tal dispositivo. ou escapem ao testemunho comum ou à possibilidade de pessoal verificação pelo Juiz. a Lei n. ex vi dos transcritos parágrafos do artigo 145 do diploma processual civil.270. a questão vem se mostrando controversa em nossos Pretórios. verbis: 'Vale-se o Juiz de perito quando se cuida de comprovar fatos ou circunstâncias cuja elucidação dependa de especiais conhecimentos técnicos ou científicos. 33. pela própria natureza do fato a comprovar. hoje Ministro do Superior Tribunal de Justiça. Para algumas perícias é bastante. Athos Gusmão Carneiro. conseguido pela própria apelante. se pode questionar a condição profissional do vistor judicial. relatando acórdão sobre o tema. devidamente inscritos no órgão de classe competente. deste Código'. 301. Em razão dessa nova ordem. Reza o 3 lP: 'Os peritos serão escolhidos entre profissionais de nível universitário. o juiz será assistido por perito. 421'. Seção VII. Paulatinamente. porém. respeitado o disposto no Capítulo VI.

de 1984. ao artigo 145 do Código de Processo Civil (Recurso Especial n. Assim. de Minas Gerais. de 17. sendo manifesta a divergência. entre as quais se destaca o do devido processo legal (due process of law). e é o que comumente ocorre.8. 6351264): 'A legislação processual. valorativa.782-SP. o próprio perito reconhece que. é cediço que não fica ao arbítrio do Juiz aplicar ou não a lei.88 ('RT'. vol. entretanto. Agravo n. 369)'. de considerável incidência. demandam especiais conhecimentos e se inserem dentro da matéria privativa de profissionais qualificados e legalmente habilitados'. a avaliação de imóvel não é atribuição privativa de engenheiro. com tendência em sentido oposto. alicerçada na lógica do razoável e na instrumentalidade do processo. teleológica. e o . de que foi Relator o Desembargador Ayrton Maia. Na espécie. e poderá ser perito até pessoa rude e menos culta. não se diplomou (fls. No mesmo sentido. embora tenha cursado a Faculdade de Engenharia. Outras perícias. se conhecedora da matéria. a Apelação n.10. A mesma postura jurisprudencial.758. Destarte. 7.3987. estabelece que o perito deve ter conhecimento técnico ou científico. março. construtiva. à qual está submetido por força de regras e princípios processuais-constitucionais. não se tem descortinado no que tange às avaliações nas ações renovatórias e revisionais de locação. não conduzindo à nulidade do laudo o só fato de ter sido realizado por corretor de imóveis'. 7. especialmente nos grandes centros urbanos. circunstâncias essas vislumbradas na própria redação dada pela Lei n. julgado em 29. de forma simples. desprezando aquilo que posto induvidosamente na lei.experiências feito.270. 1992. como exemplifica o aresto do Egrégio Segundo Tribunal de Alçada Civil de São Paulo. 'RSTJ' . 223. 63. é de convir-se que não lhe é facultado julgar contra legem. 341). sem embargo de se reconhecer que o julgador não deve dar à lei interpretação meramente literal.91. dentre tantas outras. Por outro lado. mas sim lógico-sistemática. salvo se circunstâncias especialíssimas do caso concretojustificarem imperativamente essa opção com o escopo único de dar efetividade ao processo e realizar a justiça. pág.

que não se pode. com a nomeação de perito que atenda aos pressupostos legais"235. Ruiter Oliva. se é verdade que em certos casos a interpretação há de ser outra. Significa isso que o juiz deve não só decidir racionalmente. certo é. inocorrendo qualquer razão especialíssima a recomendar outra solução. de 6. 14-12-1993. assim. exclusive. 90. simplesmente. dispensando-se aquela exigência. o sistema da persuasão racional. até que se poderia ter como satisfeito o requisito do $ 2Q. de qualquer forma. 2.922. bem como o das provas legais. JTJ. j. . Mas. Civ. a nulidade do laudo. Adota-se. no caso. Rel. AC 215. por falta de habilitação legal do perito. trata-se de técnico de 2Q grau em edificações e agrimensura. 90. 93.85. 235. ficando afastados o sistema da livre convicção (ou da íntima convicção).12.2. que exige nível universitário.037-2. A legislação é expressa e. submetendo-se. a partir do respeitável despacho saneador. Realmente. Quer dizer. do artigo 145 da lei de processo. 14&Câm. Atos do juiz . decidir contra legem. TJSP. à crítica da comunidade. esbarra na exigência do $ l Qdo mesmo dispositivo. da Constituição estabelece que todas as decisões dos órgãos do Poder Judiciário devem ser fundamentadas.. Por isso mesmo é de anular-se o processo. pois. IX. mas também tornar público o seu raciocínio.Fundamenta@o das decisões O art. 301 atesta que está o vistor registrado no Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura. 1521130.922 admite a tais profissionais funcionar como peritos em vistorias e arbitramentos relativos à agrimensura.documento de fls. Como o precitado Decreto n. também. somente podia ser sanada pela repetição do ato. com as atribuições do Decreto n.

Primeiras linhas. assim. Moacyr Amara1 Santos. a função do juiz consiste em estabelecer qual dos litigantes deve sujeitar-se à prova e com que meio: depois disso.a) O sistema da íntima convicção impera. p. com experimentos em cujo resultado se vê a manifestação do juízo divino. no tribunal do júri. nem os que o levaram a condenar ou absolver"236. Em um processo que se decide com os 'juízos de Deus'. 236. cit. "No sistema da livre convicção. e à vista destas lhe é lícito repelir qualquer ou todas as demais provas. 5*. 359-61. 237. vinculado a qualquer regra legal. o raciocínio do juiz. o juiz se limita a assistir passivamente a prática probatória e a constatar mecanicamente seu resultado. La idea romana en e1 proceso civil moderno. art. o sistema da prova legal. Desapareceram lentamente os juízos de Deus. isto é. todavia. Além do que não está obrigado a dar os motivos em que funda a sua convicção. que deve extrair a decisão da conscienciosa observação e valoração dos fatos. no todo ou em parte. também chamado da 'íntima convicção'. Sigilosas as votações (Constituição. um conjunto de regras preestabelecidas. Não se pode imaginar um contraste mais forte com a função do juiz romano do que a do juiz no processo germânico da Alta Idade Média. é essencialmente romano. quer no tocante à espécie de prova. que não é. para isso. XXXVIII). 306. isto é. Observa Chiovenda: "O princípio de que a prova se destina a formar o convencimento do juiz. o juiz é soberanamente livre quanto à indagação da verdade e apreciação das provas. Formou-se. A convicção decorre não das provas. mas também do conhecimento pessoal das suas impressões pessoais. segundo as quais se deviam valorar as diversas provas. Chiovenda. quer no tocante à sua avaliação. em particular a te~temunhal"~~'. ou melhor não só das provas colhidas. .. mas permaneceu o caráter formal das provas que eles substituíram. A verdade jm'dica é a formada na consciência do juiz. p. b) O sistema das provas legais exclui. não importa a razão ou pura emoção que hajam levado o jurado a optar pelo sim ou pelo não. in Ensayos de derecho procesal civil.

E a competência é da Justiça Estadual. 2) fundamentar o seu convencimento. 214 . o juiz. como as que estabelecem presunções legais ou que exigem determinada forma para que repute existente ou provado o ato. mesmo agora. devendo. em razão da matéria. São servidores municipais. É da índole da nulidade cominada. Carlo Fumo. em prova legal. Temos aqui relação processual válida e regular. "embora não conhecível. Inculcam-se estáveis e respondem a procedimento administrativo. O que houve de nulidade corninada. sob 238. c) No sistema da persuasão racional. A linha de separação entre a prova legal e a coisa julgada é a mesma que separa o juízo de fato do juízo de direito23R. É que ela não define propriamente os fatos. a afastar o puro subjetivismo. forma livremente o seu convencimento.12. Nulidade da liminar concedida sem fundamentação. 2. o órgão jurisdicional competente . há de decretar de ofício. Contributo alla teoria della prova legale. porque não fundamentada. de ofício. mas as relações jurídicas. cabe falar.é o caso deste -.1. 176 e 195. decretou sua nulidade. em princípio. o recurso foi interposto. A sentença não constitui prova legal. Visa-se. e o foi perante Câmara competente para julgar a apelação. tal a sua gravidade processual. em oposição à prova livre. em mandado de segurança Embora não conhecendo de agravo interposto de liminar concedida em mandado de segurança. p. o tribunal. obtendo-se decisão o quanto possível independente da pessoa do julgador. em atos processuais praticados na relação processual do mandado de segurança. que acaso sobrevenha contra a sentença. com essas limitações. porém: 1) atender aos fatos e circunstâncias dos autos. tendo-se em mira as normas jurídicas que limitam o poder do juiz de formar livremente a sua convicção. retirando do processo a nulidade.Num sentido ligeiramente diverso.

Agi 130. observada a Constituição da República. 28-8i 990. 135/161). A Constituição exige que sejam fundamentadas todas as decisões. está eivada de nulidade. sob pena de'nulidade (art. no sentido de não-conhecimento do agravo. inatacável o acórdão ora comentado. que concedeu a liminar. 239.da Constituição da República vigente. 1. JTJ. contra a regra expressa do artigo 93. como se entender de direito. por seu órgão competente. em face da decisão preliminar. realce-se que se cuida de mandado de segurança em meio a fatos complexos. estão na regra jurídica do artigo 7*. a decisão de concessão da liminar havia de pronunciar-se sobre os pressupostos legais estabelecidos para esse fim. todavia.liminar. 26 dos autos do mandado de segurança (fls. Fica sem objeto o agravo. que a nulidade não podia ter sido decretada. da Lei Federal n. Posto isso. inciso 11. Sob esse aspecto. apesar de não se poder conhecer do recurso pelo seu conteúdo. Isso não envolve contradição alguma neste julgamento. j. inciso IX.. Costa de Oliveira. Civ. na forma da lei. seja proferida.cujos efeitos cessam até que outra. É matéria deste Tribunal e desta Seção Civil. Aliás. Pensamos. de ofício. 1301340. Não se cuida de provimento ao recurso nem de cassação da liminar. Ora bem. O Poder Judiciário.a acusação de ilicitude funcional. de 1951. do ponto de vista da irregularidade dessa não fundamentação. e bem assim o vário material documental que a alenta. . E de nulidade constitucionalmente cominada: é não fundamentada. sobrevenha outra decisão. por isso não há óbice a que. 90 deste instrumento). a decisão de fls. IX). Frisemos: é de nulidade cominada que se cuida. TJSP. É que o tribunal não tem competência para. Rel. São autos do mandarnus os deste agravo de instrumento. precisa decretá-la porque a encontra nos autos da causa.980-1. decreta-se a nulidade da decisão que concedeu a . 93. É pois de decretação de ofício que se trata.533. válida. Sem custas"239. Para valer. Mostra-o a redação da inicial (fls.2a Câm.

supondo. 241. era vedado ao juiz anular posteriormente o processo. O art.corrigir erros praticados pelos juízes de lP grau. Não tendo ela se insurgido contra o despacho omissivo da determinação de citação do denunciado. RJTJMG.REsp 49. 2-4. STJ. Decidiu o Superior Tribunal de Justiça que é nula a condenação de "litisdenunciado". A nulidade foi assim conetamente decretada. estabelece que "os juízes e os tribunais têm competência para expedir de ofício ordem de habeas corpus. não havendo a parte interposto recurso da decisão que declarou saneado o processo.1990. embora houvesse o denunciante se conformado com ato anterior que havia declarado saneado o processo. é como se não houvesse sido interposto. 3 ' Câm. 26-8-1996.12. ano 46. 125143. sem apreciar o requerimento de denunciação da lide. Efetivamente. por isso.180.s 2Q. sem apreciar requerimento de denunciação da lide. recurso interposto e conhecido. lQTACSP. outubro a dezembro de 1995. Se o recurso não é conhecido. ainda que-chamada "obrigatória" (CPC.208. por haver o magistrado desatendido à preclusão. Rel. Antônio de Pádua Ferraz Nogueira. Afirmou-se que. Nulidade da decisão que desconsidera preclusão relativa à denunciação da lide Decretou-se a nulidade do ato do juiz que determinou a citação do denunciado à lide. AgI 432.. j. a denunciação da lide. art. . 654. Rel. Sua competência é recursal. por decisão irrecor~ida~~'. fica inteiramente ao arbítrio da parte.2. tendo antes sido indeferida a denunciação à lide. quando no curso do processo verificarem que alguém sofre ou está na iminência de sofrer coação ilegal". 70). ocorreu preclusão.1. norma similar que autorize o tribunal a decretar nulidades. 2.do Código de Processo Penal. 240. Mas não há. j. para fins de citação do denunciado240. de ofício. Esses acórdãos confirmam a idéia de que há normas dispositivas no Código de Processo Civil. no processo civil. Carlos Alberto Menezes Direito. 1341224. 3LTiirma.'JTACSP.

apenas à guisa de esclarecimentos. a parte não viola norma alguma. No artigo 50 da Lei de Imprensa ficou assegurado o direito de regresso da empresajomalística e. É que tendo a empresa de radiodifusão direito de regresso na hipótese de insucesso na demanda indenizatória. Deferida. podendo a autora acionar regressivamente seu funcionário. a denunciação da lide. que. 2. em simultaneus processus. em conseqüência. era de rigor a acolhida da denunciação à lide para que. Nesse passo. para o fim de admitir-se a denunciação à lide. porém. ficando.12. em grau de recurso. Não há nulidade por violação de norma dispositiva.É certo. em ação relativa à Lei de Imprensa: "o agravo (retido) comporta provimento parcial. deixando de denunciar a lide ou de recorrer da decisão que a indefere. porque isso.3. Não se diga que inexiste previsão legal no diploma específico.não se afigura suficiente o fato de ter sido admitido o radialista a quem se imputa as ofensas de que os autos cuidam. interposto da decisão que indeferiu a denunciação da lide. a denunciação à lide tem expressa previsão legal (artigo 70. assim. houvesse definição judicial relativa à lide principal e também na lide secundária. se afigurando sem sentido e afrontando a lei o entendimento de que nada obstaria à empresa-ré de. Na lição de Vicente Greco Filho. nulos os atos praticados no lQ grau. decretada a nulidade do processo a partir do saneador. O acórdão que segue aplicou essa regra. em última análise. em açáo própria. do Código de Processo Civil). Tal fundamento é inconsistente. como assistente litisconsorcial. há assistência qualificada ou litisconsorcia1 quando o interveniente é titular de relação jurídica com o . voltar-se contra o autor da notícia tida como ofensiva. inciso III. implicaria em infirmar a própria razão de ser do instituto da denunciação à lide. implica a nulidade dos atos praticados no processo posteriormente ao indeferimento. posteriores ao indeferimento O provimento do agravo.

2..12. não terá eficácia contra o autor das ofensas. faz-se previamente o depósito. AC 254. para admitir a denunciação à lide. 181165. o credor era citado para. relação essa que a sentença atingirá com força de coisa julgada. dia e hora determinados. JTJ. sob pena de ser feito o respectivo depósito. Agora. 7-51996. como anota Theotonio Negrão (cf.946-1. 10a Câm.. Editora Saraiva. Priv. com a observação de que nada obsta ao aproveitamento da prova pericial já produzida. No acórdão que segue. vir ou mandar receber a quantia ou a coisa devida. que não é litisconsorte necessário. Ruy Camilo.adversário do assistido. dada a independência da responsabilidade civil em relação à penal. Daí o provimento parcial do agravo retido.95 1/94. de Dir. sendo o credor citado para levantar o depósito ou oferecer resposta. anulado o feito a partir do saneador. 218 .4. na espécie. como acima afirmado.3a). j.. na medida em que nada justificaria o sobrestamento do feito até solução do processo criminal em curso. São Paulo. era a antiga disciplina que se tinha em mente. Não o excluímos. 8. Rel. a sentença. TJSP. nota ao artigo 433. sendo certo que. 331). Falta de designação de dia e hora para a oblação. prosseguindo-se no feito em seguida como de direito. Assim. em lugar. Ora. 'deferida e realizada a prova pericial. dá-se provimento em parte ao agravo retido. com a redação determinada pela Lei n. há de se entender imprescindível a audiência de instrução e julgamento. em ação de consignação em pagamento -Preclusão Ao tempo da antiga redação do art. 893 do CPC. por lançar luz sobre a natureza das nulidades sujeitas a preclusão: "Consignação em Pagamento -Audiência de oblação -Falta -Nulidade alegada nas razões de recurso -Preclusão -Artigo 242.' ('Código de Processo Civil e legislação processual em vigor'. 1995. prejudicadas as apelações"242. pág.

..... soma à sua culpa de infratora a má-fé... preclusa tal alegação. e aplica-se a todas as nulidades. é que vem suscitar a nulidade da sentença. por certo. concordando. ainda..... A outra parte. para que. sem oferecer qualquer resistência.. Preleciona o saudoso mestre Pontes de Miranda.. . . possa obrigar o adversário a mais custosos suprimentos.... ou algum ato ou atos processuais. sem dúvida.... sob o fundamento da falta da audiência de oblação. que lhe foi desfavorável... que deixa prosseguir o processo.. na primeira oportunidade em que lhe coube falar nos autos.. ainda que não seja de forma o defeito'.Preliminar rejeitada. e. pois a autora. É bem verdade que o digno Magistrado no despacho de fls. t. ou repetições' (in 'Comentários ao Código de Processo Civil'.. razão.. suscitada pela autora-apelante..... fosse a ré citada........ ou inutiliza o processo. com o aludido despacho. protela.. determinando que a Autora depositasse a quantia que desejava consignar. Prossegue.. O artigo 245 do Código de Processo Civil estabelece o dever de arguição das nulidades pela parte prejudicada. Não obstante..245 do Código de Processo Civil ... restando.. após comprovado o depósito.... Preliminarmente....... somente agora. deixando de alegar essa nulidade.. com que embaraça.... 21). IIY340-341). ainda que não seja de forma o defeito.. do Código de Processo Civil. e aplica-se a todas as nulidades. não merece acolhida a arguição de nulidade da sentença. portanto. mais interessada em arguir a nulidade...... pode ter o intuito de conservar o defeito de forma.. em suas razões de recurso. ou de fundo.... por conseguinte. verbis: 'O artigo 245 estabelece o dever de arguição das nulidades pela parte prejudicada. Desassiste-lhe..... 24 suprimiu a audiência de oblação.. em suas razões de recurso......... para aceitá-lo ou contestar em dez dias. por falta da realização da audiência de oblação........ olvidou-se da regra inserta do artigo 245... ao alegá-lo mais tarde.......... A autora efetuou o depósito (fls. o mestre: 'A parte culpada..

o credor era citado para receber.Fica. o que supostamente já teria ocorrido antes da propositura da ação. Cerceamento de defesa não configurado. Cuba dos Santos. Sendo livre para praticá-lo ou não. poderia se considerar prejudicado. Não havendo a recusa. 10L Câm. Não o devedor. por desnecessidade da tutela jurisdicional.j. No caso. exatamente por se tratar de ação consignatória. em juízo. era e é essencial. fica também ao seu arbítrio alegar ou não a nulidade. Na ação de consignação em pagamento.5. 893. o devedor não tem interesse de agir. que se fazia.12. Não alegando a nulidade. de provocar a extinção do processo. o juiz impediu o recebimento. por ato do credor. cabia ao credor alegar a nulidade. quando impedida de praticá-lo. pelo credor. Era uma tentativa. que implicava reconhecimento da procedência do pedido. que terá força de pagamento. Trata-se de ação que supõe a recusa do credor a receber a prestação. Na antiga redação do art. sob pena de preclusão. Impedido de praticar ato processual previsto em lei. de praxe 243. JTJ. da quantia oferecida. a oferta e a recusa.. na primeira oportunidade em que lhe coubesse falar nos autos.AC 237. Ora. determinando a imediata realização do depósito. porém. 2. Civ. cujo pedido. assim. Trata-se.Rel. pela subtração da opção de recebimento.873-2. ocorre preclusão. o depósito. por não atendido o despacho determinando a especi6caçáo das provas A lei não prevê despacho determinando às partes que especifíquem as provas que pretendem produzir. ou seja. receber ou não receber era ato sujeito ao alvedrio do credor. repetindo-se. rejeitada a preliminar de nulidade da sentença"243. eventualmente. Ele é que. TJSP. . no caso de procedência da ação. 11-8-1994. l65/4l. era de depósito em pagamento. O acórdão comentado serve para confirmar uma regra geral: a de que a preclusão se vincula a atos que a parte podia ou não praticar.

Não apresentação. TJMG. não atendeu ao despacho de especificação das mesmas. 1341224. Cív.12. Recurso próprio. permitindo o julgamento antecipado da lide.6. Abreu Leite. ano 46. também sujeita-se ao seu arbítrio a arguição ou não da nulidade. 245. fica tarnbém ao seu alvedrio arguir ou não a nulidade. matéria sujeita à vontade das partes. deve a parte interpor agravo da decisão indeferitória de perguntas a testemunha. j. Hermenegildo Gonçalves.952194) diga que. Sendo a parte livre para formular ou não perguntas à testemunha. j. o raciocínio é o mesmo já exposto anteriormente. dando azo à preclusão do direito de 2. ao designar audiência de instrução e julgamento. Rel. nada sendo requerido. Essa opção deve ser exercida em tempo hábil. Por isso. Não a arguindo na primeira oportunidade em que lhe couber falar nos autos. sob pena de preclusão. 2a Turma Cív. 244. Indeferimento de perguntas. outubro a dezembro de 1995. o juiz determinará as provas a serem produzidas. Câm. sob pena de preclusão. 8. bem decidiu-se que: "Não há falar-se em cerceamento de defesa pelo julgamento antecipado da lide se a parte. Prec1usã0"~~~. se impedida.forense que tem se revelado útil. certo é que produzir ou não produzir provas é.966197.. 331 (introduzido pela Lei n. .. de regra. Inquirição de testemunha. Preclusão da nulidade decorrente do indeferimento de perguntas Julgando-se cerceada em seu direito de defesa. 12-5-1997. "Cerceamento de defesa. 18-9-1995. RJTJMG. Por isso. ocorre preclusão. TJDF. não obstante tenha protestado na inicial pela produção de provas. Embora o 5 2Pdo art. Rel. AC 43. impedida a parte de produzir prova. Aqui.

AC 247. e. fica também dependendo de sua vontade arguir ou não a nulidade. Nulidade do julgamento antecipado da lide em processo com perícia No acórdão que segue.8. TJSP. porque proferida sentença conforme o estado do processo. JTJ. a fim de se formar o correto convencimento a respeito dos fatos''246.Julgamento antecipado da lide . De qualquer sorte. 222 . a pretexto de não se haver realizado a audiência de instrução e julgamento.. ensejando às partes a oportunidade de solicitar esclarecimentos dos peritos e debater a causa. 435). Falta de prévia declaração quanto à inversão do Ônus da prova (Código do Consumidor) . indispensável é a realização de audiência de instrução e julgamento nos autos principais.458-2. 20-12-1994. não obstante produzida prova pericial. inclui. j.Ocorrência .Necessidade de obter esclarecimentos dos peritos e debater a causa . entre seus direitos básicos. o tribunal acolheu a alegação de cerceamento de defesa. para prestar esclarecimentos (CPC. com a inversão do Ônus da 246. Pereira Calças. Sendo a prova pericial realizada em medida cautelar. dispensada a audiência de instrução e julgamento.Processo anulado a partir da sentença -Recurso provido. Civ.2. 2. do Código de Consumidor.Nulidade não configurada O art. Rel. Tratando-se de faculdade da parte.7. VIU. não tivesse havido recurso. a preclusão é importante. 1681126. É evidente que a nulidade não poderia ter sido decretada.12. art. 1 8Câm. por excluir a possibilidade de rescisão da sentença. porque facultado às partes requerer o comparecimento do perito à audiência. A existência de perícia impede o julgamento antecipado da lide.12. "Cerceamento de defesa . "a facilitação da defesa.Prova pericial realizada em medida cautelar de produção antecipada de prova -Não designação de indispensável audiência de instrução e julgamento .

quando. for verossírnil a alegação ou for ele hipossuficiente' (artigo 60. A par desse direito de inversão do Ônus da prova dependente da discricionariedade do Juiz. for verossímil a alegação ou quando for ele hipossuficiente. no caso de não ficarem provados os fatos da causa. para não sucumbir. já recai ele sobre o fornecedor. O princípio da ampla defesa exige que o autor e o réu sejam previamente esclarecidos quanto aos fatos que devem comprovar. ainda que hipoteticamente se admita que a inversão do Ônus da prova nos termos do artigo e. Saber se a regra diz respeito ao Ônus subjetivo ou objetivo da prova é matéria que depende da interpretação que se dê ao mencionado dispositivo. sem condicioná-10 ao critério do Juiz. inciso VIII. No caso que segue. que 'o Ônus da prova da veracidade e correção da informação ou comunicação publicitária cabe a quem as patrocina'. De um ponto de vista objetivo. Dessarte. depende de prévia declaração judicial de que assim se fará. quando. deve decidir previamente que o patrocinador da publicidade tem o Ônus de provar a veracidade e correção do que nela se contém equivale a entender que tam- . de forma peremptória e taxativa. que abrange 'a inversão do Ônus da prova. Entender que o Juiz. a seu favor. no processo civil. no caso do artigo 38. Entende-se por Ônus subjetivo da prova a necessidade que tem o autor ou o réu de provar determinado fato. inclui o da 'facilitação da defesa'.prova. a critério do juiz. do Código de Defesa do Consumidor.inciso VIII). entre os direitos deste. Claro. interpretou-se o dispositivo como atinente ao Ônus objetivo da prova: "O Código de Defesa do Consumidor. não há como igualmente entender no tocante ao Ônus probatório em matéria publicitária que o artigo 38 incisivamente faz recair sobre quem a patrocina. as regras a respeito do Ônus da prova têm por destinatário o juiz. não há que se falar em inversão do Ônus da prova. segundo as regras ordinárias de experiências". se. por incidência de outras regras legais. no processo civil. informando-o como julgar. o Código estabelece em seu artigo 38. a seu favor. a critério do Juiz. em favor do consumidor.

.inciso VIII. É obrigatória. A inversão aqui prevista. JTJ. Refere-se a dois aspectos da pubIicidade: a veracidade e a correção' ('Código Brasileiro de Defesa do Consumidor'. portanto.inciso VIU. Embora desnecessariamente. 1691138. 216-217.modifícativo do direito do autor. comentando o artigo 38. depende da verossimilhança da alegação do consumidor ou de sua hipossuficiência. força é entender que o Juiz não pode decidir antecipadamente a respeito.Y Câm. pois. inciso VIII) do Código de Defesa do Consumidor (cf. posto que as citadas circunstâncias fáticas ao menos na maioria dos casos dependem de elucidação probatória. onde inexiste o grifo). ao contrário daquela fixada no artigo P. inciso VIII.. aplicou o artigo 38 (e não o artigo e. AC 255. anota: 'o dispositivo refere-se ao princípio da inversão do ônus da prova que informa a matéria publicitária. in fine). 6-4-1995. antes do início da instrução probatória.inciso VIII. 167. . do Código de Processo Civil. a preliminar de nulidade"247. j. não há como acolher a preliminar de nulidade. decisão antecipada. fls. no caso do artigo 6Q. não está na esfera de discricionariedade do Juiz. Fica conseqüentementerejeitada. só pode ser aplicado quando o Juiz.Editora Forense Universitária. Primeiro. a distinção entre as duas disposições legais não escapou da doutrina. 3a ed. et a l i i . como é expressa. Rel. Ada Pellegrini Grinover. TJSP. Ante o exposto e tendo em conta que a respeitável sentença recorrida. não comportando. Civ. págs. porque preceito legal algum determina que o citado artigo e . impondo num e noutro caso o insustentável entendimento de que o Juiz deve previamente proclamar que dará exato cumprimento ao que dispõem o artigo 38 do Código de Defesa do Consumidor e artigo 333 do Código de Processo Civil. Aliás. tanto que Antonio Herman de Vasconcelos e Benjamin. 247. Segundo.bém deve previamente decidir que ao autor cabe o Ônus da prova do fato constitutivode seu direito e ao réu do fato impeditivo. Aldo Magalhães. não custa acrescentar que a arguição de nulidade não seria procedente ainda que o Ônus da prova tivesse sido invertido com base no artigo e. tenha decidido ser o caso de sua incidência. porque se inversão do ônus probatório.461-2.

9. Não seria. não cominada. objetivo da norma em destaque"248. alegável somente pelo autor Decidiu-se: "Somente ao autor é lícito reclamar de iliquidez da sentença. Afinal. Des. AC 39. como se trata. em se tratando de nulidade de forma. Nulidade por iliquidez da sentença. de nulidade não cominada. Nulidade arguida pela parte à qual não aproveita. decretar-se a nulidade do julgado por este motivo comportaria violação do princípio da celeridade processual. AC 42. mercê da concessão de um prazo maior para o cumprimento da obrigação judicialmente reconhecida. Segundo Aroldo Plínio Gonçalves. laTurmaCív. quando formulara pedido líquido. j. seria ela pronunciada somente mediante provocação da parte prejudicada. desarrazoado entender-se que se tutela. o interesse na boa e rápida administração da Justiça -interesse público. 7-4-1997. o que explica. TJDF. Ana Maria D. 5-5-1997. Rel. j. Des.2. portanto -. E em outro caso: Pedido líquido. trata-se de nulidade relativa e que nada aproveita à parte contrária. Nesse descortino. Amarante. aí. . quando o autor tiver formulado pedido certo.. é vedado ao juiz proferir sentença ilíquida. Preliminar rejeitada249. porém. 459. a boa aceitação da doutrina de Galeno Lacerda.SaTurmaCiv. parágrafo único. Valter Xavier. o tribunal entendeu que a norma atende ao interesse da parte autora. O art.354196.12.. Nos casos apontados. Portanto. sentença ilíquida. 249. 248. do Código de Processo Civil estabelece que. De acordo com Teresa Wambier. o acórdão comentado encontraria suporte em qualquer das doutrinas referidas. Rel. tratando-se. já que pode ser invocada tanto por quem preconiza a decretação da nulidade quanto por quem a ela se opõe. em parte.266196. antes a beneficia. TJDF. a nulidade somente se decretaria havendo provocação da parte e prejuízo.

porque preferível uma liquidação de sentença com a certeza da condenação do que renovar-se a instmção para apurar o quantum devido. mas se admite a publicação de dissenting opinionsZ54 250. Antes. que organizou o Supremo Tribunal de Justiça. ou somente a estes". Quarta Série. entendemos que somente se pode falar em necessidade de arguição da parte (sob pena de preclusão) quando se trate de ato que ela tanto podia praticar quanto não praticar.12. ainda que de modo transitoriamente incompleto. sob pena de nulidade. in Temas de direito processual. Na França. fundado no princípio do segredo. Além disso. no Brasil. as deliberações dos órgãos colegiados são secretas e os juízes até juram manter o sigilo. Razoável.10. limitar a presença. e fundamentadas todas as decisões. . haver sido atingida a finalidade do processo (CPC. se o interesse público o exigir. O princípio da publicidade vige. seria desastrosa a decretação da nulidade. Também nos países anglosaxões as deliberações são secretas. fazer dele dependente a decretação da nulidade. às próprias partes e a seus advogados. há que se afirmar. 93. Publicité et secret du délibéré dans la justice brésilienne. Nulidade do julgamento por violação do princípio da publicidade O princípio da publicidade está expresso no art. LX. desde a Lei de 189. em casos como esse. art. 194-9. era lícito ao autor tanto formular pedido líquido quanto ilíquido. No caso. De outro lado. Do ponto de vista dos fins do processo.Como já se observou alhures. o art. 5*. deixando-se em aberto a possibilidade de improcedência da ação. podendo a lei. Nas decisões não se deixa transparecer a existência de eventuais votos discordantes. IX. da Constituição: "todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão públicos.1818. 244). José Carlos Barbosa Moreira. 2. estabelece: "A lei só poderá restringir a publicidade dos atos processuais quando a defesa da intimidade ou o interesse social o exigirem". p. portanto. vigorava o direito português. em determinados atos.

ou fora dos locais e horários constantes dos editais. Como se vê -prossegue o mesmo jurista -este princípio muito se aproxima e até mesmo se entrelaça aos do devido processo legal e do contraditório. Conforme Humberto Theodoro Júnior. "o princípio da publicidade obrigatória do processo pode ser. 93. atende ao princípio do art. 93. mas não é fundamentação. a publicidade dos termos processuais que os documentem (publicidadede ato passado). bem como na faculdade de intervenção das partes e seus advogados em todas as fases do processo. em público. porém. às próprias partes e a seus advogados. a que se refere o art. existindo grau superior de jurisdição a que se deva explicação da decisão tomada. IX. como corolário. Segue-se. 93. O art. exigível. constituem violação ao princípio da publicidade do processo: a) a concessão de medidas liminares em possessórias. da Constituição se refere à publicidade de ato presente. Na prática. c) a realização de praças e leilões. . b) a autorização para levantamento da penhora ou arresto sem prévia audiência do credor.Há duas espécies de publicidade: a de ato presente e a de ato passado. A fundamentação que se agregue a um ato já praticado pode ser uma explicação. na obrigatoriedade de motivação da sentença. mediante justificação testemunhal realizada sem citação prévia do réu. A publicidade de julgamento coram populo (na frente do povo) é publicidade de ato presente. na sessão de julgamento. IX. A oposição se faz com os julgamentos secretos e imotivados. ou somente a estes. pois aí se fala na possibilidade de se limitar a presença. porque a publicidade dos julgamentos envolve a publicidade de seus fundamentos. A publicidade conferida pelos registros públicos é publicidade de atos passados. sem regular divulgação dos competentes editais. Também a fundamentação.resumidono direito à discussão ampla das provas. em determinados atos. daí. O principio da publicidade se coordena com o da persuasão racional. é a contemporânea do ato: a que efetivamente determina a decisão. Todavia. que a fundamentação feita oralmente. IX. A redução a escrito dos motivos é. do princípio da publicidade dos atos processuais @ublicidade de ato presente) decorre.

Ajuris. " ~ ~ ' . Decidiu o Superior Tribunal de Justiça ser nulo o julgamento. d) a autorização ao inventariante para alienar bens do espólio sem prévia audiência dos demais sucessores.. Subsidiariamente. que pode. eis que o Código de Organização Judiciária. defesa da intimidade ou interesse social. Princípios gerais d o direito processual civil. "O cerceamento do direito de defesa ocorreu. 152.art. conforme se lê. proibir transmissão ao vivo. porque a Constituição assegura a todo cidadão -por que não ao magistrado? . 'que o advogado não foi convidado a se retirar do recinto'.s 6Q. e t ~ . LV. 'o contraditório e a ampla defesa. SQ. sem a intimação pessoal do devedor. cuidando do julgamento. ao contrário do que ocorreu quando do julgamento de outro juiz. salvo quando convocada especialmente'. Humberto Theodoro Júnior. especialmente da televisão e do rádio. A norma não tem pertinência com hipótesejulgada. Está inserida em capítulo que trata das sessões administrativas e de conselho do Supremo Tribunal Federal. inclusive.'em processo judicial ou administrativo. É que ele e o acusado foram convidados a retirarem-se do recinto da votação. Fundamentalmente. das partes ou de seus advogados. ainda. 36 no 3Qvolume. apesar de haver o advogado produzido sustentação oral. Diz então o art. 34116144. será admitida às sessões secretas. 152. assim. na certidão de fl. não sendo permitida a presença do acusado ou de seu defensor no momento da votação.. fica sujeita ao poder de polícia da autoridade judiciária. 130.'do Regimento Ifiterno do Supremo Tribunal Federal.ou. e aos acusados em geral' . por violação do princípio da publicidade. que a todo acusado é conferida a possibilidade de trazer para o processo as provas necessárias e úteis para o escla25 1. com os meios e os recursos a ela inerentes' . silencia quanto à presença do acusado. A justificativa que se lê no voto majoritário é a de que foi aplicado. Significa... com base no interesse público. A presença da imprensa. 152: 'Art. Nenhuma pessoa. 228 . no art. além dos Ministros. o art.

observando-se o seguinte: I -a acusação e a defesa terão. de 28. assegurado ao assistente um quarto do tempo da acusação. Inclusive. se o interesse público o exigir.' . II -encerrados os debates. 12. 'Art. pelo menos. Demais disso. poderia limitar a presença. ao caso. ficar presente no local onde está sendo julgado ou. Lei complementar. e fundamentadas todas as decisões. observado o disposto no inciso I1 do art. depois à defesa. o relator pedirá dia para que o Tribunal delibere sobre o recebimento. 93 da Constituição estatui: 'Art.Finda a instrução. de iniciativa do Supremo Tribunal Federal.90. determinando o Presidente as pessoas que poderão permanecer no recinto. às próprias partes e a seus advogados. ou a improcedência da acusação. disporá sobre o Estatuto da Magistratura. nessa ordem. estabelece: 'Art. podendo a lei. pois. 69 A seguir. ao próprio acusado ou somente ao seu advogado. o inciso IX do art. tratando da ação penal originária perante o Supremo Tribunal Federal e neste Superior Tribunal de Justiça.038. na forma determinada pelo regimento interno. a rejeição da denúncia ou da queixa. subsidiariamente. Aplicável. ou somente a estes. em determinados atos. 12 desta Lei'.recimento da verdade.05. se o interesse público exigir. primeiro à acusação. o Tribunal passará a deliberar. prazo de uma hora para sustentação oral. 93. ou somente a estes'. Q ZQEncerrados os debates. no caso. O interesse público. na oportunidade da colheita dos votos. sob pena de nulidade. observados os seguintes princípios: IX -todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão púbIicos. sucessivamente. 5 lQ No julgamento de que trata este artigo.o Tribunal procederá aojulgamento. o advogado que o representa. se a decisão não depender de outras provas. podendo o Presidente limitar a presença no recinto às partes e seus advogados. será facultada sustentação oral pelo prazo de quinze minutos. limitar a presença. o Tribunal passará a proferir o julgamento. poderia ser o disposto na Lei nQ8.

a publicidade. Enfim. não tendo o Órgão Especial permitido que o juiz ou seu advogado permanecessem no recinto durante todo o julgamento. porém. É como a f i o u o Ministro Peçanha Martins (RMS nQ417R J ) . a formação do quorum. que não pode ser uma ficção. Opor-se e explicar.defesa plena . A sessão é secreta. data venia. refutar e deduzir razões. 7Q). compreende contrariedade e dedução de provas. A presença. mas para policiamento. menos quando se trata de pedidos abusivos. insisto. Não é estranho. 29. o simples.da LOMAN. preservar a magistratura da publicidade de imputação de condutas desonrosas de seus juízes e preservar o magistrado da curiosidade alheia.Para o interessado. cerceou o direito de defesa. . de que são exemplos: veriíkação do quorum. 4 68. não só coletando todas as provas para que a verdade apareça. É secreta no sentido de não ser aconselhável. O acusado. Ou. por seu turno. integra o arco da defesa. e não como curioso.Além disso.porque toda defesa há de ser plena. para afastar a curiosidade de terceiros que não são diretamente interessados. os magistrados não podem 'ser punidos com menores meios de defesa que os assegurados aos cidadãos'. com isso.Ora. mas se ihe assegurando o direito de acompanhar e fiscalizar as discussões. Comparece como parte. basta publicar a conclusão (art. Evito falar . 27. como se processaram a votação e a apuração dos votos. acompanhamento da votação. também a regularidade do procedimento'. para os fins ressaltados. Tem ela de ser ampla. os impedimentos. Não. para sustentação oral. sem restrições. mas elementar direito de saber como e por quais motivos acabou sendo condenado ou absolvido. A decisão lhe diz respeito diretamente. tem interesse. recusada na lei. meramente protelatórios e que não digam respeito ao direito subjetivo do acusado. Daí o direito público subjetivo de o interessado e o advogado estarem presentes ao julgamento. Para terceiros. as convocações. eventual arguição de suspeição ou impedimento. obediência ao rito. como ensinou o Ministro Vicente Cemicchiaro (MS 334-RJ): 'A defesa. que pode ser vítima de calúnia. as suspeições. no sentido de ensejar. nos termos do art. fiscalizar o procedimento. Portanto. as presenças. Buscou-se. os debates. inclusive item por item da imputação.

' . as penas aplicáveis. sob pena de nulidade. 93 da Constituição. na hipótese de disponibilidade' (fl. Os órgãos colegiados do Poder Judiciário serão sempre presididos por magistrados vitalícios'. Está assim no Projeto do Estatuto da Magistratura Nacional: 'Art. limitar a presença. Parágrafo único.A referência deve ser ao § 6P do art. este não foi recepcionado pelo texto da Constituição de 1988. censura e demissão. sejam públicas e fundamentadas as suas decisões. ao contrário do que sucede com muitos outros dispositivos da Lei Complementar 35/79. 25). porquanto com ela incompatível. impondo que em todos os julgamentos realizados pelo Judiciário. inclusive os de natureza censória ou punitiva de magistrados. às próprias partes e a seus advogados. após a vigência do inciso IX do art. podendo a lei. Todavia. 'Art. Reforço esse meu entendimento com o texto e as explicações constantes do encaminhamentodo Projeto de Lei Complementar dispondo sobre o Estatuto da Magistratura Nacional enviado no dia 17. ou somente a estes. exigindo-se maioria absoluta desses membros. 26 da Lei Orgânica da Magistratura. por exemplo. 'assegurada ampla defesa em todos os casos. e dois terços. Desse modo. 4QTodos os julgamentos dos Órgãos do Poder Judiciário serão públicos.12. e fundamentadas todas as decisões. se o interesse público o exigir. Consta. em determinados atos. sendo as disciplinares tomadas pelo voto da maioria absoluta de seus membros.92 pelo Ministro Presidente do Supremo Tribunal Federal ao da Câmara dos Deputados. estando revogado. nos casos de advertência. tenho restrições quanto à eficácia dessa norma determinando que o julgamento será realizado em sessão secreta do Tribunal ou do seu Órgão Especial. da exposição de motivos que podem ser aplicadas penas disciplinares aos magistrados. por voto dos membros vitalícios do Tribunal respectivo. 5QTodas as decisões administrativas dos Tribunais serão motivadas.

o Tribunal. a de disponibilidade exclusivamente a juiz vitalício e a de demissão apenas a juiz não vitalício. STJ. Costa Lima. e somente assim. com o resguardo devido à dignidade e à independência do magistrado. passados cinco anos do termo inicial examinará a ocorrência. Min. A atividade censória dos Tribunais e seus órgãos disciplinares será exercida por membros vitalícios. a este sempre assegurada ampla defesa. se o interesse público o exigisse. Resulta daí que ficou prejudicado o requerimento relativo à inconstitucionalidade ao art. 10-2-1993.932-9.advertência. 55. somente serão aplicadas por voto da maioria absoluta dos membros vitalícios do respectivo Tribunal.censura. . 45 da LOMAN. ou não. assegurada. RMS 1.' 'Art. RSTJ. 5 ' Turma. a defesa ampla estaria garantida. encerrados os debates. quando o Órgão Especial passasse ao julgamento. ampla defesa.' Realizada a sessão no dia 25 de outubro de 1991. de cessação do motivo de interesse público. já em vigor a Constituição de 1988. Rel. São penas disciplinares: I . 252. em qualquer caso. por voto de dois terços. o máximo que poderia haver era. 4 3Q Na hipótese de disponibilidade punitiva.disponibilidade. 5 lQ As penas de advertência e censura são aplicáveis a qualquer magistrado. agosto de 1993. a fim de anular o j~lgamento"~". ter limitado a presença no recinto do acusado e de seu advogado ou apenas deste. IV . I1 e IV.demissão. 111 . o Presidente. ano 5. a requerimento do interessado.'Art. que a determinou. e a do inciso 111. I1 . 53. 5 2PAs penas previstas nos incisos I. 481525. j. pois assim. Tudo isso leva-me a conhecer do recurso e dar-lhe parcial provimento. deste artigo.

eis que ofendido o princípio da identidade física do Juiz. que não dirigiu qualquer ato instrutório. com isto. daquele Código. A uma. 1 2 . de debates e julgamento. A três. integrando-se os atos iniciais. o Código de Processo Civil adotou o sistema da oralidade e não aboliu o instituto da imediatidade. que é una e contínua. na sua nota 4 ao art. 1 1 . tendo a ação logrado juízo de procedência. Trata-se de direito que exerce. de um para outro juízo. Identidade física do juiz No caso que segue. Não merece prosperar tal arguição de nulidade. Não se reveste de caráter absoluto o princípio da identidade física do Juiz' (Recurso Extraordinário nQ65. acórdão do egrégio STF asseverou que o princípio da identidade física não é absoluto. entre outras razões. 2 . devendo ceder passo à exigência de prejuízo para o reconhecimento da nulidade processual: 'Rejeição de arguição de nulidade. a transferência de autoridade judiciária. aqui. 132 do CPC). da redação do art. Ocorre que houve a substituição do debate oral por apresentação de memoriais e. irrecorrível administrativamente. que atende. de nulidade dependente de arguição da parte. Procedida a instrução por uma Pretora. nulidade por desrespeito ao princípio da identidade física do juiz foi rejeitada. querendo. No caso. o ven. eis que inexistente a unidade da audiência. 132 do CPC. a sentença veio a ser prolatada por uma Juíza em regime de exceção. com a implantação do sistema de agilização de processos através do Projeto Sentença Zero. ato posterior e autônomo. a decisão administrativa. Mas. foi atacada por via de mandado de segurança.A parte tem o direito de estar presente no momento do julgamento. na espécie. não existe o pressuposto da vinculação a que se refere o art. como decorre. alega o recorrente a nulidade da sentença. pois. por não ter havido prejuízo: "Primeiramente. através das designa- . Cuida-se. referido em Theotonio Negrão. A duas. instrutórios. às necessidades do serviço judiciário. claramente.815. principalmente. por falta de prejuízo. 454.

2L Câm. Cív. Talvez não a pronunciasse. 611352)'. licenciado. Rel. acórdão. A prestação jurisdicional. 'não tem aplicação a ultrapassada teoria da identidade física do Juiz ao processo. a sentença foi proferida por juiz incompetente. por ausência de prejuízo. antes de tudo. STARS. AC 193210937. as diretrizes que orientam as referidas designações. A rigor. com ofensa ao princípio do juiz natural. consideradas as funções que íhe são atribuídas. março de 1995. promovido ou aposentado. Vicente Barroco de Vasconcellos.80/263)"253. revela-se uma técnica ou expressão de conhecimentos jurídicos e da lei' ('Julgados do TARGS'. diverso daquele que presidiu a audiência de instrução.931259. titular ou substituto que concluir a audiência. Comentamos. apesar de violada norma cogente tuteladora do interesse público. .ções de Juízes de Direito Substitutos. e. Lá. 'como aquele da necessária. 'de modo que não se colhe a pretendida nulidade. no corpo desse ven.houve provocação da parte. afastado por qualquer motivo. Ao que se depreende do acórdão. situação criada em parte pelo tecnicismo processual a que insistem os profissionais do Direito deva preponderar' ('Julgados do TARGS' . julgará a lide. máxime quando não se vislumbre prejuízo à parte por ausência de uma tipicidade específica no falar ou nas expressões usadas. pronta e efetiva prestação jurisdicional pelo Estado' que devem sobrepor-se ao interesse menor da identidade física do Juiz ('Julgados do TARGS'. como aqui. TARS. Atendendo-se à doutrina de Tere253. 5-5-1994. não se verificou qualquer das hipóteses que autorizaria a prolação de sentença por outro juiz. lê-se: 'Na atividade jurisdicional há interesses maiores. incabível em tempos quando tanto se critica a morosidade da Justiça. Élvio Schuch Pinto. 801263). casos em que passará os autos ao seu sucessor. sobretudo. deixou-se de decretar a nulidade. salvo se estiver convocado. Aroldo Plínio Gonçalves pronunciaria a nulidade porque.. ano 24. segundo o pronunciamento do hoje Des. não corninada. Contrariando a doutrina de Galeno Lacerda. 132 do Código de Processo Civil estabelece que o juiz. A quatro. j. O art.

1 lhor orientação que se afina com a finalidade do citado dispositivo é aquela que procura harmonizar o princípio da identidade física do Juiz. falar em nulidade de forma... como no caso que segue..... O Exmo... nele consubstanciado... deu 1-A meinício à audiência de instrução..... Precedentes do STJ... no caso... Nulidade por incompetênciasanase na forma prevista na lei processual. 132do CPC.. implicaria supressão de um grau de jurisdição. inclusive determinando às partes apresentassem as alegações finais. aliás.. a nulidade. quando o Juiz Auxiliar.... .. no caso de sentença proferida por juiz incompetente...... Na verdade... não se tem sustentado.... com o princípio da imediatidade.... com violação do princípio do juiz natural. Entendeu o Acórdão inexistente a alegada nulidade..... Decretaria.. A nosso ver. para a hipótese de incompetência absoluta.. para não se decretar a nulidade..sa Warnbier. pois..... porque substituída por acórdão do tribunal competente. seria imperioso afirmar-se a competência do juiz que proferiu a decisão recorrida.. A sentença proferida em grau de recurso substitui a recorrida.. Sr.. não a concluiu. 132 do CPC.Recurso não conhecido..... Contudo...... Não se pode.... I Hipótese em que não configurada violação do art.. apenas. caberia indagar sobre a natureza formal ou de fundo da nulidade de que se trata.. julgado pelo Superior Tribunal de Justiça: "Princípio da identidade física do juiz -art... I11 . mediante a remessa dos autos ao juiz competente. Ministro Waldemar Zveiter (Relator): Examino a irresignação do recorrente. que. por isso. não se pode invocar a regra da ausência de prejuízo.. imperioso que proferisse ele a sentença... porém. ou seja.. de ofício e independentemente de prejuízo............. nem se contém no acórdão afirmação no sentido de que a incompetência do juiz de I* grau restaria sanada.. a forma de sanação prevista em lei é a remessa dos autos ao juiz competente... Tendo Magistrado Titular concluído a instrução processual. consignando: 'O Juiz Auxiliar.... o que. Pensamos.... não se vinculou ..... 38). designado para as férias (fls.. designado para o período de férias.

o Dr. por não ter concluído a instrução. presidindo a audiência. nele consubstanciado. Encerrada a instrução processual. A propósito do tema. por outro lado. podendo ser ainda mitigada. pois não ultimada a instrução. tomo 11. o aresto teria negado a vigência do art. pág. A matéria não é pacífica. às suas atividades judicantes (0s. isto é. inclusive. 109).ao feito. o Juiz que colher a prova é que deve julgar a causa' (Comentários ao Código de Processo Civil. 1%d. 66). I. sustenta o recorrente que. Retomando o Dr. iniciar a instrução. Por sua vez. pelo que a tentativa de conciliação não vincula o Juiz à causa. ressalvada a peculiaridade de cada caso. Instrução e Julgamento. do Código de Processo Civil. sob sua presidência. Forense. Agrícola Barbi. 2 l). tomando. aí. 1975. 537). a respeito dos princípios que regem a oralidade. 132. deu continuidade à Audiência de Conciliação. Evidente. Saraiva. pág. com o princípio da imediatidade. resumidamente. que também não haverá vinculação quando a audiência for inicialmente adiada' (inManual de Direito Processual Civil.. 71/72). diz: 'c) identidade física de Juiz. No caso. adverte Frederico Marques: 'Iniciar a audiência significa. Juiz Auxiliar. consoante já afirmado no aresto. 132. Juiz Titular. Realizou-se audiência em prosseguimento' (fls.. bem como divergido de julgado do Colendo Primeiro Tribunal de Alçada Civil de São Paulo. não se vinculou ao processo. após gozo de férias. Depoimentos foram tomados posteriormente. dessa forma. 3* vol. somente o Magistrado que. concluindo a instrução processual se vincula ao processo. vol. mas estou em que a melhor orientação que se afina com a finalidade do citado dispositivo é aquela que procura harmonizar o princípio da identidade física do Juiz. Continuando: . o depoimento da testemunha faltante (do Autor). abriu-se vistas às partes para alegações finais (fls. No meu pensar. A questão versada nos autos envolve a aplicação do princípio da identidade física do Juiz inserto no art.

539). tomando o depoimento de uma das testemunhas.9. Em verdade. penso que a vinculação se prende a fatos de caráter objetivo. inclusive concedendo às pattes oportunidade para que apresentassem as alegações finais. tendo o relator. tendo o Magistrado titular tomado o depoimento pessoal. o eminente Ministro Eduardo Ribeiro. pág. como deixar de afastar a preliminar de nulidade da sentença de primeiro grau. em virtude do contato pessoal com as testemunhas. Por outro lado. apenas. no caso. promoção ou aposentadoria. na hipótese. e não o Julgador Auxiliar. não se justifica a vinculação' (DJ de 02. o novo Código modificou o sistema e s6 mantém a obrigação de o Juiz que iniciar a audiência concluir a instrução e julgar a causa.219-MG. porém. não se configurou qualquer contrariedade ao art. Juiz Auxiliar. Se assim é. uma vez que. imperioso que proferisse ele a sentença. ao examinar o REsp nQ7. sustentado: 'Considero que outro não haveria de ser o entendimento. reafirma-se.132. há que se exigir que a insirução tenha-se iniciado e nela não se compreendem os debates. mas a expressão iniciar a audiência deve ser entendida em harmonia com a finalidade do instituto. ouvido testemunha. cujo acerto é indiscutível. O tema já foi objeto de debate nesta Egrégia Terceira Turma. em face do não comparecimento de uma testemunha do autor.d a lei adjetiva civil. assim. Data venia dos que entendem ao contrário. a razão de ser da norma reside em que mais habilitado a proferir sentença o magistrado que colheu a prova oral. isto é. iniciou a instrução do processo.'Conformando-se com a orientação dos Tribunais. Consigna o dispositivo em exame que o Juiz concluirá a instrução. . tanto pela exegese literal do texto como pela interpretação teleológica. não a concluiu. favorecido. A regra aplica-se ao titular e ao substituto. designando nova data para prosseguimento da Ação. que.91). Se isso não ocorreu. Não havia. apenas. concluindo a instrução processual. ou se ouviu os esclarecimentos verbais do perito' (Obra citada. quando o seu afastamento não decorrer de transferência.. Ora. pois. deu início à instrução. o Dr. s6 se aplicará a regra se o Juiz colheu depoimento pessoal ou de testemunha.

Não vejo. do permissivo constitucional. pois. não restou demonstrado.Princípio da identidade física do juiz Litigante de má-fé . quando do julgamento do REsp nQ4. relator o eminente Ministro Cláudio Santos. por força do art. também.Nesse mesmo sentido se decidiu. Inadmito-o.444. eis que o Acórdão se conformou com entendimento esposado pela melhor doutrina e jurisprudência dos tribunais. Quanto ao dissídio. Waldemar Zveiter.REsp 13. 3' Turma. negativa de vigência do dispositivo apontado.12. Nele se decidiu pela nulidade da sentença proferida por Juiz substituto. ano 4. não implicando nulidade da sentença. quando o Magistrado Titular. Não conheço. porque esta. é corrigível a qualquer tempo. 255. do 2. em gozo de férias. fevereiro de 1992. Min. j. o seguinte acórdão. 132 do CPC. e $3. aliás produzida em outra comarca.12. rejeita-se a preliminar de nulidade de sentença. RSTJ.Condenação de ofício. É que o aresto padrão não guarda qualquer identidade ou sirnilitude com o caso dos autos. 29-101991. do RISTJ. Não viola o art. visto não ter o instnitor dirigido a colheita de prova oral. Nessa linha de pensamento. 132 do CPC a decisão que rejeita arguição de nulidade de sentença proferida por outro Juiz que não presidiu a audiência. assim. a teor do disposto no art. Inadmissível o recurso pelo fundamento da letra a. referiu que julgava 254. via precatória'. pelo fundamento da alínea c. inclusive deste Egrégio Superior Tribunal de Justiça. na parte dispositiva. facilmente identificável. em cujo Acórdão resultou consignado: 'Processual civil . "Primeiramente.091-SP.já se encontrava vinculado ao processo. 301500. arguida. Rei. 238 . Não configura nulidade a errada indicação do nome da parte na sentença Erro material. Hipótese diversa da versada nos autos. STJ.

O processo tem essência instrumental. onde se lê: 'Ocorre que questões levantadas nos embargos. 17-51995. em acórdão da lavra da eminente Dra. Rel. e. pois se trata de mero erro material. No caso presente. decide aquém do pedido. não houve a mínima dificuldade de apreensão do que foi decidido. nula. a decisão citra petita representa omissão parcial da prestação jurisdicional. nem ela o apontou. pois nenhum prejuízo trouxe a embargante. setembro de 1995. 239 . Maria Isabel Broggini. Vicente Bambo de Vasconceilos. AC 195003074. TARS.12. a qualquer tempo. Essa a lição contida no acórdão que segue: "Com a vênia do eminente Relator e dos eminentes Colegas que o acompanham. tendo o processo atingido sua finalidade. visto que a sentença atinge as finalidades de identificação dos litigantes e compreensão da parte resistida. conjugado com o do efetivo prejuízo. com ampla possibilidade de defesa. portanto.j. Enfim. tanto assim que a embargante interpôs o seu recurso com amplo descortino acerca da decisão e motivação que a amparou"255. Nulidade da sentença que não julga todos os fundamentos de embargos à execução A sentença que não julga todas as questões cumuladas num mesmo processo é inoperante. conigível. Em situação idêntica. 2. 951343. Embora não esteja expressamente prevista no direito positivo. no que conceme a decretação da nulidade. JTARS.13. O princípio retor no plano das nulidades e o da finalidade. de ofício. ano 24. sendo. o que constitui causa de sua nulidade. irrelevante tal ocorrência.improcedentes os embargos opostos por 'Abíiio Bodnar'. não se dignando a cultivar a forma pela forma. até. Admitir-se o posicionamento da apelante sena entender-se que o atual Código de Processo Civil teria retrocedido a superada fase do puro formalismo. a la Câmara decidiu pela anulação do julgamento. acolho os embargos para desconstituir a sentença. como a cobrança irregular de comissão de permanência 255. quando o correto era 'Lídia Regina Weber'. o mencionado equívoco não tem o condão de afetar a validade e eficácia da sentença.

profere sentença citra petita.12-94. sob pena de infringir o princípio do duplo grau de jurisdição. 1011125. citando lição de Alexandre de Paula: 'O Juiz. l QGrupo Cível. 458 do CPC'. a decisão citra petita representa omissão parcial da prestação jurisdicional. mas sobre relevante fundamento da defesa: 256. A omissão do julgado não pode ser suprida em segunda instância porque importaria em supressão de um grau de jurisdição. nesses termos. fixação de juros remuneratórios acima do limite de 12% ao ano. decide aquém do pedido. Tal omissão sobre pontos relevantes da incidental impossibilita o seu exame e suprimento em segunda instância. ao decidir. não quanto a pedido do autor.cumulada com outros encargos. Rel. março de 1997. deixou a decisão incompleta. caso contrário. 1V/175-177)"256. j. Embora idêntico o pedido. Nulidade da sentença omissa quanto a fundamento da defesa No caso que segue.14. Heitor Assis Remonti. in 'Processo Civil à Luz da Jurisprudência'. portanto. sendo. produzido nos autos da Apelação Cível nQ 194132940. Tratando-se de sentença citrapetita.12. deve o juiz julgálas todas. citra petita. . Havendo. E1 195061122. ano 26. capitalização mensal de juros. sob pena de proferir sentença citra petita. houve omissão. 13-9-1996. julgada em 06. Como se lê em recente acórdão da lavra do eminente Dr. 2. jamais deixará sem decisão parte da matéria alegada. A sentença que não julga todas as questões cumuladas num mesmo processo é inoperante. Arno Werlang. inocorrência de inadimplemento e conseqüente não-incidência da penalidade não obtiveram apreciação na sentença. cada causa de pedir configura uma ação. JTARS. de ser anulada para que o Juiz a quo profira outra. nula. julgado pelo Superior Tribunal de Justiça. A falta de pronunciamento. cumulação de ações. o que a toma nula por violação ao disposto no art. que era imprescindível. o que constitui causa de sua nulidade' (Alexandre de Paula. Embora não esteja expressamente escrito no direito positivo. TARS.

da Constituição! Não se cogita. IV. 458. A despeito de respeitáveis escólios em sentido contrário. Com efeito.417-RS. penso que sim. STJ. Segue-se que a inobservância do preceito induz nulidade absoluta. pág. se tivesse considerado a defesa cuja apreciação omitiu. ano 7. não conheço do recurso. 458. A causa de nulidade apontada pelo acórdão não tem a ver com a pretensão deduzida pelo autor. 661415. fevereiro de 1995. . Min. Quinta Turma deste Tribunal. Sendo a motivação requisito essencial da sentença. vol. Tratando-se de norma de ordem pública. na hipótese. RSTJ. Assim sendo. do CPC. ao apreciar o REsp nQ3.266-4. do CPC. da relatoria do eminente Ministro Athos Carneiro. IX. Costa Leite. constituindo evidente impropriedade considerar a sentença citra petita. 28ed. 3' Turma. Sentença proferida com abstração de ponto relevante da defesa. Nulidade. j. REsp 44. e não caracterizadoo dissídio com o acórdão desta Turma proferido no REsp nQ3. 5-4-1994. É o meu voto. declarou-se a nulidade da sentença em virtude de ter sido proferida com abstração de ponto relevante da defesa. 257. pois. 436). na esteira do magistério de Lopes da Costa referido por Amaral Santos ('Comentários ao Código de Processo Civil'.505-RJ.II. ser declarada de ofício.como tal se considerando a que é omissa a respeito de ponto relevante da defesa. A fundamentação da sentença é requisito essencial. de ausência de prejuízo. é nula a sentença não'fundamentada.. por não se poder indicar que rumo teria tomado a sentença."Sentença. há de ter-se o preceito como de ordem pública. Resta definir se a nulidade em causa pode ser declarada de ofício. a inobservânciainduz nulidade absoluta. Mas isso não assume relevo para o desate da controvérsia. nos termos dos arts.II. Rel. que. podendo. 458 do CPC e 93. consoante decidiu a e. Senhor Pre~idente"~~'. Em verdade. pode ser declarada de ofício. ao arrepio da norma do art. Recurso não conhecido. Forense. como é cediço. a teor do art.

Título executivo inexistente ou deficiente Já não se põe em dúvida a admissibilidade da denominada "exceção de pré-executividade". antes e independentemente da penhora. matéria apreciável de ofício pelo Juiz. no entendimento de não constituir título executivo crédito de conta corrente: "Cabe a apresentação da exceção quando atacadas as próprias condições da ação ou a nulidade da execução por ausência de titulo executivo. porque ultra p e t i t ~ ~ ~ ~ . Min. Execução 2. 2. A questão é polêmica na jurisprudência. de prosseguimento do processo administrativo. e o débito é apurável mediante simples cálculo aritmético. Posição atual da Câmara no sentido da negativa. RSTJ.15. 1' Turma. até há bem pouco tempo. porque aplicada por maioria inferior a 213 dos componentes do órgão.para que se declarasse a nulidade da punição. impetrararn mandado de segurança. O tribunal local concedeu a segurança. 258. Recentemente. No caso que segue. por maioria. STJ.350-0.13. Entendeu o Superior Tribunal de Justiça incabível a ressalva.1.12. que a execução somente seria admissível se anexados todos os extratos (E1 nQ194115564). nos casos de execução indevida por ausência de título executivo hábil. vinha admitindo a execução sob o fundamento de que os extratos estão sempre disponíveis para o correntista. com a ressalva. Sentença "uitra petita" Magistrados aos quais se impôs a pena de aposentadoria compulsória. ano 7. e esta Câmara. . Controvérsia jurisprudencial sobre a possibilidade de execução de contratos de abertura de crédito em conta-corrente. a exceção foi acolhida. RMS 1. Cesar Asfor Rocha.13. que é defesa oferecida pelo devedor. para aplicação de outra pena. Rel. 651217. o colendo Segundo Grupo Cível decidiu. janeiro de 1995. com vencimentos proporcionais.2. porém.

3 T . Esp. Precedentes desta Corte e do Superior Tribunal de Justiça. a Câmara vem repensando seu posicionamento. Esta tendência vem predominando nesta Corte e também no colendo Superior Tribunal de Justiça. 16-5-1996. assim ementada: 'Contrato de abertura de crédito em conta-corrente. prerrogativa da Fazenda Pública. não se lhe aplica o art. Recurso especial não conhecido' (egrégio Superior Tribunal de Justiça. ano 25. criando o banco sponte sua um titulo executivo à revelia do devedor. nQ153. Contrato de abertura de crédito em conta-corrente (cheque ouro e similares). Min. p. em geral. pois. nQ27389-8-RJ. . Descabimento da execução. Impossibilidade de o título completar-se com extratos unilaterais. Rel. Em conseqüência. junho de 1996. Contrato de abertura em contacorrente. 19-09-94). Recentemente. Contrato de abertura de crédito em conta-corrente (cheque ouro). Apelo impro~ido"'~~~. não é título executivo extrajudicial. Não é dado às instituições de crédito criar seus próprios títulos.. Título executivo extrajudicial. 10 da Lei de Falências. certeza e exigibilidade pode ser decretada de ofício e arguida pela parte independentemente de embargos do devedor: 259. . JTARS. sendo inviável sua execução. para legitimar o pedido de quebra. TARS. Rel. Cív. Não é título executivo extrajudicial.Consideradas as dificuldades que a questão tem suscitado. Relator o signatário. ainda que tal contrato esteja acompanhado de extratos.. j. mesmo acompanhado dos respectivos extratos. 981286. não constitui título executivo. AgI 196043012. ainda que acompanhado dos respectivos extratos de movimentação da conta. 74. Nilson Naves. além dos citados na sentença: 'Civil. Não caracterização. O Superior Tribunal de Justiça decidiu que a nulidade da execução fundada em título não revestido de liquidez. a Câmara reafirmou essa orientação no julgamento da Apelação Cível nQ195084892. DJ. 4aCâm. Moacir Leopoldo Haeser. vão embutidas cobranças abusivas e lançadas unilateralmente a débito do correntista. como se vê no julgamento do Rec.

do CPC. 586.II. a insurgência do recorrente se dá quanto à regularidade formal do título executado. obrigatoriamente.seus vencimentos não estão caracterizados . assim dispôs (fls. dos pressupostos processuais e mesmo a incompetência absoluta. apresentada dentro da execução e antes de seguro o juízo. Mas. 54/55): 'Evidentemente há defesas que podem ser apresentadas dentro da execução. O douto Juiz agiu corretamente. Na hipótese. assim. a matéria é própria dos embargos de devedor e com eles será apresentada. alega o recorrente. Sempre temos dito que dentro da execução somente é possível a discussão dos problemas relativos à regularidade da ação. Seja pelo aspecto da exigibilidade . negando sua força executiva. que foi ratificado pelo de fls. pelo prisma da certeza. a liquidez do título e ainda eventual compensação. . Por outro lado. Note-se que aqui pretende o agravante discutir. como a falta de condição da ação. da lei processual civil. deverá sempre revestir-se de liquidez. certeza e exigibilidade. a pretensão do agravado-recorrido não encontra suporte no art. somente através dos embargos de devedor'."O Acórdão. contra a importância cobrada. 586. afastando defesa contra o título executivo. validade ou exigência. 64/66. dificultando até o valor do bem a ser penhorado. da formação e desenvolvimentodo processo e de todas as demais matérias que podem ser objeto de reconhecimento de ofício pelo Juiz. sua regularidade. finalmente. qualquer título executivo. como garantia do Juízo. já que a inicial não corresponde ao que consta nas declarações. Ou. com sua defesa na execução. traz o recorrente a confronto arestos nos quais esposada a tese de que pode a parte alegar a nulidade de execução.seja pelo da liquidez. o examino. A teor do disposto no art. defesas contra o título. quando se pretende desconstituir o título. só é possível de discussão e solução nos embargos do devedor. independentemente. de embargos do devedor. além de constituído de forma escrita. São matérias de defesa. quando se pretende discutir o título. E. o que acarretaria sua inépcia impedindo a hipótese do pagamento. Mas.

vol. assim como pode e cumpre ao Juiz declarar a inexistência desses pressupostos formais contemplados na legislação pertinente. se ou quando pertinentes a todas as espécies. também.. se somente dizem respeito. A propósito. Sua declaração. certeza e exigibilidade. enquanto não proferida a sentença de mérito. assim. podendo a parte argui-la. A infringência de qualquer deles torna o credor parte ilegítima para mover a ação. aplicadas subsidiariamente (art. o juiz deverá indeferir o pedido de execução extinguindo o processo 'sem julgamento do mérito' (art. Sobre o tema. Ora. VI)' (Comentários ao Código de Processo Civil. V e VI. Ora. como vício fundamental. por se tratar de atos preparatórios tendentes a proporcionar o julgamento final da demanda. priva o processo de toda e qualquer eficácia. a fim de prestar a atividade jurisdicional. A s regras próprias que podem. do CPC). 267. adverte Mendonça Lima: 'Os incisos I e 111 configuram casos de 'condições da execução'. . VI -Tomo II. leciona Theodoro Júnior: 'A nulidade é vício fundamental e. em qualquer tempo e grau de jurisdição..Vale destacar. porque ele não será titular da pretensão executiva. quanto aos pressupostos processuais e às condições da ação. em qualquer de suas modalidades. 586. da lei adjetiva civil: 'O Juiz conhecerá de ofício. da matéria constante dos ns T V . de embargos do devedor. 659). particularmente. da mesma forma. constitui-se em nulidade. 5 3*. como condutor do processo. Pelo sistema do Código.'. a uma delas. fica subordinada. A todo o momento o juiz poderá declarar a nulidade do feito tanto a requerimento da parte como ex oficio. em paridade com as 'condições da ação'. 267. Daí a norma contida no art. condições basilares exigidas no processo de execução. Forense. não exige forma ou procedimento especial. no curso da execução. a ação executiva. e especiais. não se revestindo o título de liquidez. cumpre ao juiz o exame de ofício. ser gerais. além de submetida hs normas gerais que regem o processo de conhecimento. Ao juiz.pág. independentemente. cabe zelar pelo desenvolvimento válido e regular do processo.

Trata-se. Relator Eminente Ministro Cláudio Santos. 1 0 ed. ex. dezembro de 1992. definitiva. RSTJ.. a fim de. Por tais fundamentos. pois. ano 4. 40/447.960. Rel. portanto. VI. em documento particular sem a subscrição de duas testemunhas é título imperfeito para fundar execução (art. pág. 1990. custas e honorários de 10% sobre o valor atribuído à causa pelo vencido"260. os casos de prova do exercício da pretensão (p. conheço. sendo resolvida incidentalmente.Não é preciso. que o devedor se utilize dos embargos à execução. portanto. não se harmoniza com o entendimento afmado pela melhor doutrina. 585. dentre outros. Waldemar Zveiter. Contrato de abertura de crédito. Poderá arguir a nulidade em simples petição. 3 ' Turma. cassando as decisões recorridas. nos próprios autos da execução' (Processo de Execução. Incluemse. em princípio. . admite que se apontem outras condições da ação.079-MG. E a essa orientação se somam. 267. Trata-se. jurisprudência dos tribunais. cujo Acórdão está assim. 202). de destacar parcela do mérito. Min. do recurso pela alínea c. dessa forma. sempre. do permissivo constitucional e dou-lhe provimento para. Observamos alhures que o art. resumido por sua ementa: 'Processual civil -Execução -Título imperfeito -Nulidade -declaração independentemente da apresentação de embargos. STJ. do CPC). j. Recurso conhecido e provido'. REsp 13. não requer a propositura da ação de embargos à execução. com base no art. embora se trate de sentença proferida em processo de conhecimento e.1I. aí. em suma. A matéria já foi objeto de debate na Terceira Turma. sob a fórmula da carência de ação. Mendonça Lima.julgar extinto o processo. 618 do estatuto processual civil. quando do julgamento do REsp nQ3. O acórdão.. A arguição de nulidade da execução. inclusive. prévia 260. além das três clássicas. afastar a produção de coisa julgada material. não obstante haja transitado em julgado sentença que rejeitou o pedido do autor por motivo alheio à relação processual. 26-9199 1. deste Egrégio Tribunal Superior de Justiça. de admitir a renovação da ação.

317-SP. com o intuito de embargar a execução para a discussão de seus direitos. prova de ato vinculado ao exercício da pretensão (p. BEM DE FAMÍLIA. 12 a 16 de abril de 1999). de ofício. 649 do CPC contempla o beneficium competentiae (benefício de competência). INDICAÇÃO VOLUNTÁRIA. a nulidade poderia ser decretada de ofício. que protege a moradia da família. Mas a melhor explicação para a hipótese é a de Teresa Wambier: trata-se de nulidade de fundo. j. como o título executivo. . se sobrepondo à livre disposição de seu pr~prietário"~~'. em face do suposto prejuízo do executado. por isso mesmo. bem de família. decretável.537PR. porque relativa à condição da ação. pois. ex.notificação). a impenhorabilidade absoluta do 261. e. 2 . à impenhorabilidade estabelecida por lei em seu benefício? Decidiu o Superior Tribunal de Justiça: "PENHORA. 14. assim. 1 3 4 1 9 9 9 (Znfonnativo STJ. 2 . por maioria. supondo-se -como se haveria de supor -que de sua violação decorreria prejuízo para o executado. Aroldo Gonçalves também pronunciaria a nulidade. na ação de execução. na lição de Galeno Lacerda. Precedente citado: REsp 178. A Turma decidiu. assim como a apresentação de documento reputado indispensável para a propositura da ação. 1 3 . Min. Assim. Penhora Pode o devedor indicar a penhora bem irnpenhorável. Ruy Rosado de Aguiar. O executado indicou voluntariamente o imóvel. n. que esta indicação não significa renúncia ao direito à impenhorabilidade assegurado pela Lei n * 8. REsp 201. Diz Araken de Assis: "O art. independentemente da oposição de embargos do devedor.009190. à penhora. Rel. DJ 192-1999. A norma que exige título executivo para o desencadeamento da execução atende ao interesse público ou ao interesse do executado? Parece-nos claro que ao interesse do executado. prova do depósito preparatório da ação). por tratar-se de dispositivo legal de ordem pública. ou seja.. renunciando.

.... p.. Todavia. Manual do processo de execução. 263...... na hipótese. ora nulidade... faltando....... de forma alguma apresenta-se a norma como dispositiva....... assim... a classificação dos vícios essenciais se pacificou em tomo do sistema de Galeno Lacerda. Poder-se-ia.. 339. não sendo alegada na primeira oportunidade pelo executadoz6'.. a interpretação mais consentânea aos objetivos da regra aponta em direção contrária: o executado pode abdicar do privilégio e.. p... haveria violação de norma dispositiva.. decretável de ofício. por fim.. Araken de Assis....... Das duas uma: ou a nulidade é decretável de ofício. o ato está acometido de nulidade absoluta quando há violação de norma cogente........ e....... porque...... e de sua família.. se a norma infringida for cogente... Não obstante essa explicação possível.. 262. porque ele pode abrir mão da impenhorabilidade.. mas sujeita à preclusão. ou há preclusão porque a parte deixou de alegar a nulidade.. cit. em tema de nulidades. a f i a Araken de Assis: "Entre nós. por indicação do devedor.. Pontes de Miranda declara-o irrenunciável.. Mas..estritamente necessário à sobrevivência do executado...... se a norma violada for dispositiva. ocorreria violação de norma cogente... Assim. dizer que. Afirmando-se seguidor de Galeno Lacerda. Segundo ele.. que afirma configurar-se. não tendo ele indicado o bem à penhora. nomear tais bens à penhora"262. não cabendo falar-se em preclusão.. nulidade relativa. no que se refere à doutrina das nulidades. cujos fins abrigam interesse público. então. condição essencial para seu pronunciamento pelo juiz.......... a mesma impenhorabilidade produziria ora anulabilidade.. nulidade relativa... .. 248 . há anulabilidade. e à sua dignidade..... inclusive... 325-6. penhorado bem impenhorável.. no caso.. decretação de ofício e preclusão são conceitos que se repelem. está com Pontes de Miranda e não com Araken de Assis. porém tutela interesse da parte. entendemos que a razão. O benefício de competência se aplica de ofício. para o juízo e para o oficial que efetua a diligência. ante a natureza do vício derivado da infração a ele.. Manual..

porque a infração a preceito cogente. Araken de Assis. O que importa e define semelhante natureza.Cív. 26. Se isto ocorrer. p. nas diversas impenhorabilidades habita apenas interesse particular. Segundo essa lição. a ilegalidade objetiva da constrição. 265. Fontes de Alencar. do TARS. ao propósito. então. 29. como visto. porém. tratando especificamenteda nulidade decorrente da penhora de bem impenhorável. Manual.Então. a penhora pode ser invalidada. por si só.93. 192008043. Exato. 339. (Nota do Autor: Segundo a4". superado o prazo da rescindibilidade (art.180-1-PR. 245. entretanto. 'somente ao devedor cabe suscitar a irnpenhorabilidade do seu imóvel'. Ap. enfatiza Dall'Agnol Jr. Manual. Quanto muito. Em relação à ultima. 495). . E. como de regra são as que estabelecem impenhorabilidades. Tal vício representa nulidade relativa. 246. as nulidades absoluta e relativa têm em comum o desrespeito à norma cogente. caput). julgado da F Câm. Da nulidade absoluta. ocorre preclusão da alegabilidade pelo interessado (art. 6.). e da relativa o juiz conhecerá de ofício. distinguem-se quanto à sanabilidade: infração a gabarito informado pelo interesse público jamais convalidará. porém.. é o interesse tutelado. Rel. do STJ. haver aí mani- 264.12. fica encoberta a pretensão ao desfazimento do vício. O próprio benefício de competência não refuga renúncia do devedor"265. porquanto ato processual realizado em desconformidade ao gabarito previsto. a nulidade relativa pode ser decretada pelo juiz mas se sujeita à preclusão! Parece-nos.92.) E isso. vício particularmente grave. Configurar-se-á. diz Araken de Assis: "Facilmente se concebe. Rel. Ag. p. cit. do TARS (Nota do Autor: 78Câm. Cív.. o caráter absoluto da nulidade. Evidentemente. Min. Dall'Agnol Jr.não induz.2. infração às regras de impenhorabilidade absoluta ou relativa. A anulabilidade dependerá de requerimento para ser pronunciada"264. cit. ante a complexidade dos trâmites da penhora em si. Introduz-se outra discriminação relevante quanto ao regime da iniciativa para invalidar o ato..

Diz: "Ao contrário do que ocorre com a nulidade relativa. 267. denota isso apenas. como 'fato impeditivo destinado a garantir o avanço progressivo da relação processual'.. 266. É exato que há casos em que tal pode ocorrer. mas sem razão de ser. por se haver esgotado ou por não ter sido exercido em tempo e momento oportuno. 11. a preclusão. também. Instituições de Direito Processual Civil. 54. cit. de ofício.festa incongruência. não afasta a incidência do art. caput. Como se observa. a preclusão. sob pena de preclusão'. não pode deixar de pronunciá-la. disse: " A possibilidade de decretação de ofício. que a sustenta com a afirmação de que pode haver preclusão para a parte sem que ocorra para o juiz. fica praticamente extinto' (cf. a pretexto de que faltou tempestiva alegação da parte. e ainda uma vez. 286Y2'j7. por exemplo. Por vezes. p. Estando o juiz autorizado a decretar de ofício a nulidade. p. Essa incongruência não se encontra na doutrina de Galeno Lacerda. decorrentes de violação de norma dispositiva. tratando das nulidades relativas. 73. p. . Antônio Janyr Dall' Agnol Júnior. Fecha-se ao interessado que não alegar tempestivamente a oportunidade de fazê-lo. José Frederico Marques. 245. Despacho. Assim. como 'perda de uma faculdade ou direito processual que. A apontada incongruência Araken de Assis a colheu de Antônio Janyr Dall' Agnol Júnior. Embora não se encontre nela uma negativa formal dessa possibilidade. que. mas. há manifestação de perplexidade pela circunstância de operar-se preclusão apenas para a parte.. do CPC: 'A nulidade dos atos deve ser alegada na primeira oportunidade em que couber à parte falar nos autos. Afora existirem hipóteses outras desse fenômeno. do direito de requerer perícia não impede que o juiz ou mesmo o tribunal a determine. que a preclusão não pode ser visualizada só sob o ponto de vista objetivo. sob o ponto de vista subjetivo. Invalidades. certo é que limita a preclusão às anulabilidades. e não para o juiz. cit. em todos estes casos (de anulabilidade) o saneamento depende pura e simplesmente de omissão do interessado"266. porém. a incongruência não passou despercebida a Antônio Dall'Agnol Júnior. para a parte.

15 e 16 comprovam satisfatoriarnente que o referido veículo é utilizado pela agravante no desempenho de sua atividade profissional. Se. é absolutamente impenhorável o veículo em questão. em execução que lhe é movida pelo banco agravado. No acórdão a seguir considerado. os utensílios e os instrumentos. prestar favores a uma das partes é a própria negação da justiça. o tribunal decreta a nulidade. Todavia. contudo. necessários ou úteis ao exercício de qualquer profissão'. não sujeita à preclusão. ser pronunciada de ofício. As declarações. sustenta o digno magistrado que a matéria estaria preclusa. VI. pode ser alegada a qualquer tempo. presta um favor ao devedor. porém. O caso de penhora de bem impenhorável é expressivo: ou se afirma que ocorreu preclusão e não se decreta a nulidade. isso não é possível. 14. De outra banda. fazendo a entrega de hortifrutigranjeiros a comerciantes de Júlio de Castilhos. para ser decretada. Assim sendo. Não lhe assiste razão. nos termos do art. do estatuto processual. não tendo sido alegada em tempo oportuno. Ora. em tema de nulidades. aliás. acarretando nulidade absoluta.para a parte. ou se nega a preclusão e se a pronuncia. as máquinas. não se operando sobre ela a preclusão. Como demonstram os autos. Conseqüentemente. "Procede a irresignação manifestada pela agravante no presente instrumento. salientam que o caminhão é utilizado apenas para o transporte de tais mercadorias. acarretando nulidade absoluta. foi constritado o caminhão devidamente individuado no auto de penhora e depósito (fl. Na decisão agravada. decidiu-se que a impenhorabilidade constitui matéria de ordem pública. por ser intrinsecamente contraditória a assertiva de que uma nulidade depende de alegação. A impenhorabilidade constitui matéria de ordem pública. 649. as declarações de fls. do direito de arguir a suspeição do juiz não impede que ele próprio a declare. podendo. que veda a constriçãojudicial sobre 'os livros. 12). . apesar da preclusão. por se tratar de nulidade relativa.

também não a pronunciaria Teresa Wambier.Nesse sentido. TARS. parece-nos evidente que se tutela. de nulidade relativa. que apenas poderia ter sido afastada se não tivesse havido prejuízo. nulidade relativa. porque. conclui-se que o veículo em questão não poderia ter sido penhorado e que tal penhora não pode prevalecer. No mesmo diapasão é o seguinte pronunciamento jurisprudencial: 'A alegação de que determinado bem é absolutamente impenhorável pode ser feita a todo tempo. o acórdão utilizou a expressão interesse público no sentido de cogente). sem necessidade de maiores considerações. para quem a violação de norma cogente. Rel. A hipótese seria. deixou de ser alegada na primeira oportunidade. 27-3-1997. para desconstituir a penhora efetivada sobre o caminhão descrito nos autos"268. dou provimento ao agravo. 4* Câm. aí. ainda que tuteladora de interesse da parte. 268. j. decretável de ofício. vols. Desconsiderada a incongruência introduzida por Antônio Janyr Dall'Agnol. é decretável de ofício. A conclusão do acórdão poderia se apoiar na doutrina de Galeno Lacerda. Manuel Martinez Lucas. o citado processualista distingue as que tutelam interesse público e as que tutelam interesse da parte. porém cogente. 6771189. há copiosa jurisprudência. Assim sendo. mediante simples petição e independentemente de apresentação de embargos à execução. não cominada. o interesse do devedor. apud Theotonio Negrão). menciono os arestos desta Corte publicados in Julgados. . mas o devedor responde pelas custas do retardamento' (RT. Aroldo Gonçalves não pronunciaria a nulidade. Agl 196210538. Apenas a título exemplificativo. a f i a d o a existência de interesse público (na verdade.Civ. a doutrina que sustentaria o acórdão seria a de Galeno Lacerda: violação de norma tuteladora de interesse da parte. não sujeita a preclusão. Por igual motivo.. Embora o tribunal haja. Em face do exposto. na doutrina de Galeno Lacerda. no caso. então. 841186 e 861363. Dentre as normas cogentes.

669. seria de embargos & terceiro e não de embargos à execução. conformando-se com o ato praticado. no que tem razão Galeno Lacerda. É irrenunciável o beneficiurn competentiae. nesse caso. a f i m de que possa embargar a execução. a alegação de que estaria suprida a falta com a reserva da meação. torna nula a execução. Sendo dado ao devedor renunciar ao benefício. inclusive. A intimação da mulher do executado é imprescindível.teria lugar a preclusão. pois para a defhsa de sua meação. Independe. . pois. Decidiu-se que. o que dá legitimidade ao cônjuge-executado e. tanto poderia fazê-lo expressamente.A hipótese deixa claro que. conforme disciplina do art. faltando legitimidade ao marido. Admitida a renunciabilidade. Ademais. consoante previsão do art. insurge-se o embargante. de arguição da interessada. Impende assinalar que não teve ela conhecimento da penhora. independentementede arguição pela interessada. do CPC: "Julgados improcedentes embargos à execução. não colhe o argumento de que não foi a nulidade arguida na primeira oportunidade. descabena. 245 do CPC. recaindo a penhora em imóvel pertencente ao casal. em virtude de qualquer outro ato processual. da mulher. parágrafo único. conforme disposto no art. constante das contra-razões do recurso. a partir da penhora. porque inocorreu tal providência. mesmo tratando-se de norma tuteladora de interesse da parte. Não colhe a assertiva. no caso. como implicitamente. sob pena de nulidadepleno iure. exclusive. é necessária a intimação do cônjuge do executado. cabíveis os embargos de terceiro. conseguintemente. Não há preclusão. por não estar em jogo ato que a parte pudesse tanto praticar como não praticar. a nulidade pode ser decretada de ofício. sob pena de nulidade pleno iure. Igualmente. não se olvida que a intimação da mulher é qepminada. Vale observar que. em que coube ao recorrente se manifestar nos autos. Merece acolhida o apelo. porquanto a matéria. da execução. alegando nulidade do processo por não ter sido intimada sua mulher da penhora incidente sobre bem imóvel. indicando à penhora bem impenhorável. 669 do CPC. no sentido de que somente pela mulher do apelante poderia a nulidade ser alegada.

299.DJ 17. no recurso. REsp 767-GO. REsp 3. Sálviode Figueiredo. É idêntica a orientação nos julgados seguintes: REsp 454/RJ. rel. REsp 5. A hipótese é diversa de o ato haver sido realizado de outra forma. E não há dúvida de que sim. Conclui-se. rel.12.1990. porquanto admitidos como tempestivos os embargos à execução antes de citados os co-executados. ainda que casada no regime de separação total de bens. DJ 18.1981). RSTJ 661432. rel. apresentar embargos à execução. AC 48. posto que. Athos Carneiro. não é correta a admissão.1990. do art. penhorado o imóvel. pois decorre do fato mesmo de a execução haver prosseguido até o final. recaindo a penhora em bem imóvel. assim como sua outorga será sempre necessária para a alienação ou constituição de Ônus real sobre o imóvel (CC. Não se trata aqui de defesa de meação. alcançando sua finalidade' (REsp 44. E o prejuízo não precisaria ser demonstrado. Em nosso sistema a mulher pode embargar a execução. DJ 12. Min. Antônio de Pádua Ribeiro.1989. Min. STJ: 'O núcleo da questão está em saber se a falta de intimação da mulher. firme o entendimento jurisprudencial. não enseja dúvidas o excerto do v. Essa intimação corresponde à citação. defendendo o imóvel como um todo.459-4-GO.. em casos como o dos autos.09. Eduardo Ribeiro do C. como dito. com o devido respeito que merece opinião em contrário. acórdão da lavra do eminente Min. que de todo irrelevante tenha-se reservado a meação da mulher. art. I). DJ 10. pela falta de intimação. porque ocor- . Min. Sálvio de Figueiredo. A intimação da mulher não se fez e os embargos não foram oferecidos.1989. Impende anotar.1990.504-PR. No entanto. Min.09. REsp 1. sem ensejar-lhe o oferecimento de embargos. nos mesmos termos em que o pode fazer o marido. Sálvio de Figueiredo. Nilson Naves. do exposto. Sálvio de Figueiredo. conduz à nulidade. Desvaliosa a invocação. TFR-4aT.175.182-BA. dentro do princípio da instrumentalidade do processo. rel. passando a mulher a integrar a relação processual. rel. foi-lhe obstado. com a possibilidade de oferecer embargos à execução. 235. que afirma que somente a mulher poderia alegar a falta de intimação da penhora (cf. Min. rel. 244.03. DJ 20. Min.01. para o que são adequados os embargos de terceiro.Nesse sentido. REsp 45. RSTJ 641295).512. Min. do CPC. rel. DJ 07.05.

71 1-1. exclusive. no caso. já que o cônjuge. anulada a execução. A. já não podendo decretá-la o juiz.. Gomes Corrêa. lançada em autos de ação de embargos de terceiro que lhe move Marilene Barcellos da Silva. acarretando evidente prejuízo à parte. pena de nulidade de pleno direito. a nulidade da execução. 236. Sucumbência. Bem por isso é dado provimento à apelação. ensejando a nulidade da intimação. Sidney Caetano da Silva. nos autos de execução que o embargado move a seu marido. Extraordinária "B". . 4' Câm. l* TACSP. de ofício. desde a penhora. retome seu pr~cessarnento"~". melhor teria sido determinar que se fizesse a intimação que faltara. e não sendo ela arguida pela parte adversa. cuja sentença. 17 dos autos. por não intimado o devedor da avaliação: "Execução. AC 719.) Cuida-se de recurso de apelação interposto pelo Banco Meridional do Brasil S. 5 lQ. é litisconsorte necessário. contra sentença de lQ grau. sana-se o vício. 236 do CPC. porque a intimação para a prática dos atos processuais tem como destinatário o advogado. é decretável de ofício. 752. eis que apenas aquele possui o jus postulandi. 2 . sendo imprescindível sua intimação. do CPC impõe-se. Comparecendo sem arguir a nulidade. de ofício. Sendo a nulidade decretada de ofício. em vez de decretar desde logo a nulidade. se e enquanto não haja o comparecimento do cônjuge. (. Violação ao 8 lQ do art. Assim. e não ao exeqüenteembargado.. recaindo a penhora em bem imóvel. após rechaçar todos os argumentos de fato e de direito da ora embargante.RT. ano 87. Entendemos que a nulidade. decretou a nulidade da execução a partir da fl. 269. 11-12-1997. e Vilmor Moreira Ribas. j. Rel. não haveria nulidade a decretar. a omissão do nome do patrono de um dos litigantes compromete a identificação do processo. a fim de que. à embargante incumbe o Ônus das custas. junho de 1998. Avaliação O acórdão que segue decretou. 1 3 3 . e não a parte. Silenciando o cônjuge.re em detrimento do próprio direito do exequente. Por isso. O cumprimento do disposto no art.

A partir do momento em que silenciou. após a penhora da fl. (. E. 12. sendo. 17 e 22. por isso. por desatendimento elou violação ao art. no entanto. Se não embargou.: a sua irresignação é restrita à decretação de nulidade do processo a partir da fl. Não pode. Aduziu que o marido da embargante já tinha procurador no processo. obrigatório constasse da intimação o nome do advogado da parte.por violação ao art. 5 lQ. E. de ofício. do CPC. não constou o nome do advogado do executado Sidney nas notas de expediente relativas à avaliação e da pretensão da verba do avaliador.. É que se trata de norma cogente. aqui.do CPC. e quanto à sucumbência recíproca. onde é dispensável a arguição da parte. O certo é que a procuração foi juntada aos autos. especialmente. De outra parte. 17 dos autos da execução. entendendo o decisor a quo que.A. 236. a que não deu causa. por falha na sua condução.). a nulidade está sanada. Sustenta o recorrente que tal entendimento não pode prevalecer porque tal nulidade deveria ter sido arguida pela parte. pois esta só interessa à parte prejudicada. nas intimaçóes do processo. não constou o nome do advogado do réu Sidney Caetano da Silva. desimportando estivesse a referida procuração desacompanhada de qualquer petição. quando da publicação das referidas intimações das fls. conformou-se com a pretensão do credor. por isso. 13 foi juntada aos autos sem ser acompanhada de qualquer petição. sucumbir no feito em aspecto não abordado pela embargante e. a procuração da fl. Merece permanecer a nulidade decretada pelo juízo singular. 5 lQ. 236. trata-se de nulidade absoluta. VOTO Quanto ao apelo do Banco Meridional do Brasil S. como visto. podendo o Juiz conhecer de tal matéria. sob pena de nulidade. Tal obrigatoriedade se impõe porque a intimação para a prática dos atos processuais tem como destinatário o advogado. e não a par- .. com poderes específicos para embargar. Não tem razão. onde há a obrigatoriedade da indispensabilidade de que a publicação da intimação por nota de expediente conste obrigatoriamente o nome das partes e de seus advogados.

Não era caso. restando manifesto o prejuízo ante a falta de intimação do patrono do devedor. Cív. dezembro de 1997. e não ao exequente embargado. pois. Cláudio Santos. o executado. Pelo exposto. j. 16) e também sobre o laudo de avaliação dos imóveis constritos no processo de execução (fls. mas somente se e enquanto não sanada pelo comparecimento. a decretação de nulidade de tais intimações se impõe. a omissão do nome do patrono de um dos litigantes compromete a identificação do processo. principalmente sobre o laudo de avaliação dos imóveis constritos. apenas para isentá-lo do pagamento dos Ônus sucumben~iais"~~~. e. Evidentemente que se impunha a intimação do advogado do devedor Sidney sobre tais peças processuais. eis que apenas aquele possui o jus postulandi. Entendemos que o juiz pode decretar de ofício a nulidade da intimação. Não ar- 270. 29-03-94. 1' Câm. JTARS. Teresinha de Oliveira Silva..265-2-MG. não merecendo. 1041208. tratando-se de avaliação dos imóveis que garantem a execução. mas de determinar-se a intimação que faltava. a esta incumbe o ônus das custas. 7-10-1997. AC 196190912. eis que diz diretamente com o interesse material. Esse mesmo entendimento já foi esposado por ocasião do julgamento do Recurso Especial nQ36. de decretar-se a nulidade do processo de execução. 38 Turma. pela falta de intimação de seu patrono. por isso. sob pena de cerceamento de sua defesa. ano 26. acarretando evidente prejuízo à parte. TARS.te. No que tange à sucumbência. razão assiste ao recorrente. Ora. este último de significativa importância para o feito. Inocorrendo a intimação nos termos da lei. vingar o recurso interposto. não sendo ela arguida pela parte adversa. sendo de ofício a decretação da nulidade. Assim. deixou de manifestar-se sobre o pedido de honorários do perito judicial (fl. nesse aspecto. ensejando a nulidade da intimação. por ser indispensável e de fundamental importância para o executado. Min. Rel. . 19 a 21). dou parcial provimento ao recurso do banco. Rel. Superior Tribunal de Justiça.

ano 26. de Tendo o devedor procurador constituído nos autos. aqui. podendo o Juiz conhecer de tal matéria.157-0014.13. por se tratar de hipótese de nulidade cominada. porque o silêncio do executado. O tribunal decidiu: "Merece permanecer a nulidade decretada pelo juízo singular. também aqui. 126. sanaria o vício. Cív. j. 1041208.2*TASP.guindo o executado a nulidade da avaliação. era necessário que se procedesse à intimação que faltara. Como nos casos anteriormente examinados. Rel. 1' Câm. 271. com fundamento no art.. RT..AC 483. Excesso de execução O excesso de execução não constitui causa de nulidade do processo. por se tratar de violação de norma cogente. dezembro de 1997. entendemos que. houve a juntada de procuração passada pelo executado. a nulidade. nem a ela nada opondo. Em ação de execução. nem do requerimento de honorários formulado pelo perito. de ofício. A dúvida que se pode suscitar diz respeito à decretabilidade de ofício. 272. s. v. trata-se de nulidade absoluta. mas apenas enseja o acolhimento de embargos para ajustar o pedido ao quantum legitimamente devido272.d. que nada requereu. AC 196190912. Teresinha de Oliveira Silva. sob pena de nulidade. . onde é dispensável a arguição da parte. Galeno Lacerda afirmaria que sim. Mendes Gomes. 7-10-1997. do CPC. TARS.4. foi decretada. 8 I*. não haveria razão para repeti-la. ano 87. É que se trata de norma cogente. sem dúvida deve ele ser intimado dos atos do processo. Não tendo ele sido intimado da avaliação.janeiro de 1998. E. JTARS. antes de pronunciar-se a nulidade. 747. mesmo depois de devidamente intimado. de que resultou prejuízo para a parte. onde há a obrigatoriedade da indispensabilidade de que a publicação da intimação por nota de expediente conste obrigatoriamente o nome das partes e de seus advogados. Também Aroldo Plínio Gonçalves e Teresa Wambier. 2.Rel.

273. em grau de apelação. 128. 11' Câm. 693 e 694 do Código de Processo Civil estabelecem que a arrematação constará de auto.6. Julgados improcedentes.110-5. Aduz que a decisão impugnada malferiu as regras constantes dos arts. Falta de intimação do devedor para a praça Em embargos à arrematação. não havendo. 693 e 694? O interesse público? O das partes? Difícil de determinar. não havendo prejuízo. Ary Bauer.2. sobre alegar defeito irremediável na intimação. Falta de assinaturas no auto de arrematação Os arts. nulidade273. 161/77. tendo endereço certo e conhecido pela exequente. por não haver o devedor sido intimado pessoalmente do dia e hora de sua realização. sendo irrelevante a circunstância de não ser o auto lavrado no prazo legal. Decidiu-se que a ausência das assinaturas do juiz e do leiloeiro apenas comprovam a desídia do escrivão. além de dissentir de julgados de outros Tribunais. Ap. decretou o Superior Tribunal de Justiça a nulidade da alienação. O acórdão ajusta-se à doutrina de Aroldo Píínio Gonçalves. a sentença foi confirmada.467 e 475 do Código de Processo Civil.13. . em que Ubiratan Rodrigues Braga litiga com a Caixa Econômica de São Paulo. l* TACSP. É contra esta decisão que o vencido manifesta recurso especial. JTACSP. 2. Qual o interesse tutelado pelos arts. não se a pronuncia. pelo arrematante e pelo porteiro ou leiloeiro. cominada ou não a nulidade. sob o pálio das letras a e c do adrnissivo constitucional. na fase da praça dos bens..5. A pessoalidade da intimação implica ser necessário que o devedor seja procurado no local onde efetivamente reside.459. para que se não configure ciência por intermediação de pessoa: "Trata-se de embargos à execução. pois. pelo escrivão. ao sustentar que. na primeira instância. desde que. e não em qualquer outro. o qual será assinado pelo juiz. Rel.460. lavrado 24 horas depois de realizada a praça ou o leilão. j.13. 19-10-1995. foi demandado no endereço do imóvel dado em hipoteca. 640.

128. ao assentar: 'O ceme da questão reside no fato de que o ilustre juízo a quo na respeitável sentença ora atacada entende que: '. assim ementado: 'Comprovado. parece-me que. na primeira instância. com a sentença confirmada. no caso. de embargos à execução hipotecária. portanto. no contexto do acórdão objurgado. sob o pálio das letras a e c.Deferido na origem. ali consignadas. que as matérias. 459 e 460. para julgamento.459 e 460. além de desafeição aos arts. Alega. sem sombras de dúvidas. Pela letra c. o recorrente. ali. e nem foram objeto de desate na fase dos embargos de esclarecimento. recurso especial. são nulos os atos administrativos e judiciais tendentes a intimá-los no endereço deste'. o vencido. É o relatório. eis que. do Código de Processo Civil. afronta. em grau de apelação. na hipótese. o recurso foi encaminhado a esta instância. não se vislumbrando. No pertinente à ofensa aos arts. o requisito do prequestionamento. e em que o mutuário Ubiratan Rodrigues Braga litiga com a Caixa Econôrnica. desde logo. 128. o Ministro Arnérico Luz expendeu argumentos irrespondíveis.. estava o agente fiduciário APEMAT obrigado a expedir comunicações apenas ao endereço do imóvel financiado.597. citados. o decisório encontra-se em testilha com a jurisprudência desta Egrégia Corte e do antigo Tribunal Federal de Recursos. que tanto a financiadora da hipoteca como seu agente tinham prévio conhecimento da residência dos mutuários em local diverso do imóvel dado em garantia. frise-se. especialmente com aquele proferido na Apelação nQ105. 247 e 148 do Diploma Processual. Em seu voto condutor. qualquer ilegalidade'. 467 e 475. ficou assentado 'que o agente fiduciário só está obrigado a expedir comunicações ao endereço do imóvel'. do adrnissivo constitucional. . Manifesta. julgados improcedentes. VOTO Trata-se. nos autos. ausente. aos arts. não foram discutidas e nem julgadas.. pelo decisum.

nos 10 (dez) dias subsequentes. prevê que a citação só será efetuada por edita1 se o executado e seu cônjuge se acharem fora da jurisdição da situação do imóvel (artigo 3Q.. Aliás. principalmente não podendo alegar ignorância do endereço dos apelantes. o Decreto-Lei IP 70166 não prevê a obrigação de expedir co- municações apenas no endereço do imóvel financiado. principalmente o brasileiro. por sua vez. A significar. o objetivo do legislador é bastante claro. mas residir na jurisdição da situação do imóvel. § lQ Recebida a comunicação a que se refere este artigo.Ora. constante do item 6 do pedido inicial (folha 3). comunicará ao devedor que lhe é assegurado o prazo de 20 (vinte) dias para vir purgar o débito'. Nota-se aí o intuito do legislador para que o devedor seja comunicado. . Ao contrário: 'Art. pois.74117 1. Ora. E. Aliás. e implica inclusive em negar vigência aos artigos 247 e 248 do Código de Processo Civil Brasileiro. levantada a omissão nos Embargos de Declaração de fls. o agente fiduciário. reguladora da execução judicial dos imóveis financiados pelo Sistema Financeiro de Habitação. 3 1. principalmente quando é sabido que os devedores lá não residem. o espírito do legislador não é e nem poderia ser outro. não significando de forma alguma que a comunicação deva ser feita apenas no endereço do imóvel financiado. a respeitável sentença atacada não tratou do questionamento acerca da vigência dos artigos 247 e 248 do Código de Processo Civil. que se o devedor não estiver no endereço do imóvel financiado.. deve ser citado pessoalmente. A Lei nQ5. 186Jl88. o ilustre prolator permaneceu em silêncio'. não se coaduna com qualquer ordenamento jurídico vigente. O entendimento de que o Agente Fiduciário só está obrigado a expedir comunicações só no endereço do imóvel.'. E está espelhado com grande clareza no parágrafo único do artigo 36 do Decreto-lei nQ70: 'Considera-se não escrita a cláusula contratual que sob qualquer pretexto preveja condições que subtraiam ao devedor o conhecimento dos públicos leilões de imóvel hipotecado.5 P).

33 tenho por violado. o artigo 15 da Resolução nQRD 8/70 anexa não trata exatamente como o ilustre magistrado entendeu e não deve ser analisado em separado. Mas. por violação do art. Disse eu ao votar naquela oportunidade: 'Pelo que até aqui foi dito. é formalidade essencial para a execução extrajudicial. são as seguintes alegações dos apelantes (fls.054-SP. ao promover os acordos com aquele endereço e ao emitir recibos naquele endereço. verifica-se que a ciência pessoal do devedor e do seu cônjuge da realização do leilão. 161. acórdão publicado no DJ de 30. Outrossim. apto. mas conjuntamente. Paulista. cujo art. Isto. onde será comunicado obrigatoriamente que tem o prazo de 20 (vinte) dias para purgar o débito em atraso. Tratando-se de execução extrajudicial de hipoteca. acarretando a nulidade da execução extrajudicial e dos atos que lhe foram subsequentes. do Código Civil Brasileiro. concordou tacitamente'. a Caixa Econôrnica Federal. 42 e 8 lQ 'Esta Egrégia Corte sempre se pautou pela manifestação de nulidade do ato de arrematação quando haja inobservância a preceitos legais cogentes. A jurisprudência trazida à colação em Memorial que me foi enviado pela culta Advogada dos apelantes reporta decisão desta Egrégia Turma na AC nQ82. do mesmo modo. em consonância com os demais artigos da RD 8/70 e com o ordenamento jurídico vigente. O . Prevê o citado artigo 15 que se o devedor não for encontrado é que se fará a notificação por meio de edital. como já vimos. há mister observância fiel da lei que regula o Sistema Financeiro da Habitação.06. 2. o artigo 13 determina que o devedor deve ser notificado para ciência da execução extrajudicial da dívida.Procedentes. sabedora de que os apelantes residiam na Av. 199): 'Ora. bem como. inciso IV. prevista no art. da Regulamentação pertinente e em especial da RD nQ8/70. e não no imóvel financiado. quando se cuida de processo judicial.239. 687 do Código de Processo Civil. nos mesmos termos postos no 5 3Qdo art. 145.93. causando prejuízo aos devedores que não puderam utilizar-se da faculdade da RD nQ8/70'. de que fui Relator. cuja inobservância acarreta a nulidade do ato jurídico processual.

687. da Lei nQ5. E como ato da maior valia. a intimação deixaria de ser pessoal. Relator Ministro Jorge Lafayette Guimarães. Conheço do recurso pela letra c e dou-lhe provimento.741171. ano 6. Falta de intimação para a praça de herdeiros do devedor falecido Também decidiu o Superior Tribunal de Justiça.. que o devedor possa remir o imóvel penhorado. 36. sob pena de nulidade: "Na alienaçãojudicial de imóvel hipotecado inventariado.s 3P. recaindo a penhora sobre bens sob inventário. e não em outro.Lei nQ5. para a praça ou leilão. E deve ser intimado no local em que reside. porque é através dela que o devedor decai da propriedade de seu imóvel.'Execução hipotecária . para anular a arrematação.741171. 274. no procedimento executóiio extrajudicial. na forma do pedido"274. referente a imóveis vinculados ao Sistema Financeiro de Habitação. porquanto. o devedor deve ser intimado pessoalmente para ciência do dia e hora de sua realização. a arrematação é o ato mais importante da execução.808-RJ . 541322. Demócrito Reinaldo. em ação ordinária proposta contra a Caixa Econômica Federal. 1361140). j. específica à execução hipotecária. . nula é a praça realizada com inobservância da norma do art. que. a desconstituição do inventariante dativo impõe a intimação.' (fls.mesmo rigor impõe-se. se assim não fosse. a alienação forçada. Vejam-se estes precedentes: 1)Agravo de Instrumento 38. até assinatura do auto de arrematação. 1 ' Turma.08. . STJ. Dá-se. de todos os herdeiros. 2 . RSTJ. ou até maior. fevereiro de 1994. Admitindo o art..do CPC. aí.ocorrendo a desconstituição do inventariantee nomeação de outro dativo. 229-1993. Como se observa.Sistema Financeiro da Habitação . para configurar-se como uma ciência feita por intermediação de pessoa. Min. que exige seja o mesmo intimado pessoalmente para ciência do dia e hora e da realização do ato' (DJ de 10. 8*.1977. Rel. 1 3 . REsp.383-7. 7 .

8. por omissão. 20-1 1-1997. julgar-se improcedentes os embargos. com a intimação do dia. j. hora e local da alienação judicial. a representante legal da embargada pessoalmente intimada do ato (fls.00. No caso em tela. 28. até mesmo. 86. a Fazenda Pública. sob pena de nulidade da arrematação e dos atos subsequentes. arguiu sua nulidade. quanto ao dativo. Arrematação por preço vil Havendo. portanto. Já pelo art.8. em leilão. inc. avaliado o bem a lP. 99 1. 2aTurrna.000. o disposto no art. sem nada requerer. hora e local do ato. prevalecendo o entendimento deduzido no voto vencido. quando o inventariante for dativo. I. 'Impõe o art. v.. 2. § I*. p. todos os herdeiros e sucessores do falecido serão autores ou réus nas ações em que o espólio for parte. nota 24a)"'275.RT. uma máquina postelhadeira. ano 87. e 12. ou. 275. a atualização do valor da avaliação. Hélio Mosimann. a sustação do leilão. incumbe ao inventariante representar o espólio. Rel. . 'falecendo o inventariante legítimo (destituído) e nomeado. 12.000. em seu lugar. STJ. por outro lado. mas observando-se. assinalando-se. inventariante dativo. desvalorização. credora. fosse objeto da arrematação. 'Código de Processo Civil'. sendo. contribuíra para o fato: "Os embargos merecem acolhimento para o fim de. em especial.do CPC.13. rejeitada sob o fundamento de que. maio de 1998.380. Seja como for. porém. é de se ressaltar que. 687 do Código a intimação pessoal do dia. 12 dos autos em apensos). Daí porque. os herdeiros devem ser citados para intervir no feito como autores ou réus' (RTJE 134115 1 -Theotonio Negrão. 5 lQ.91 por Cr$700. 687. 751. embora cumprida a providência suprarnencionada e ciente a embargante do valor da avaliação. daí por que fácil de se concluir trate-se de bem sujeito a contínuo desgaste e. segundo o qual. REsp 36. ed. I.00.os herdeiros devem ser citados para intervir no feito. permaneceu ela no mais eloquente mutismo.99 1. sido arrematado bem por preço vil. conforme disposto nos arts. veio a ser arrematado em maio de 1992 por Cr$230.

que trabalha sobre preceito idêntico. os embargos"276. A matéria é bastante conhecida e tal como tem decidido a Egrégia Décima Terceira Câmara Cível. em que não há qualquer nulidade prevista no texto legal e reclama a embargante de providências que defluíram da construção jurisprudencial. E1 210.. 121366). essa é a inteligência que se dá ao artigo 243 do Código de Processo Civil. sem que haja nulidade cominada. JTJ. Tal como dispõe o artigo 243 do Código de Processo Civil: 'quando a lei prescrever determinada forma. . o que impede.Assim agindo. 1979: 'o significado do vocábulo causa. 3 própria nulidade que agora quer ver reconhecida. o provimento de seu recurso. e se absteve de qualquer impugnação no curso da demanda. tal como registra Theotonio Negrão. 'não deve ser declarada nulidade quando a parte a quem possa favorecer para ela contribuiu. 'Comentários ao Código de Processo Civil'. sob pena de nulidade. a fortiori deverá ser aplicado em caso como este. A palavra . vol. Civ. 'Código de Processo Civil'.alude apenas ao fato objetivo da parte. relativamente ao devido processo legal' ('RSTJ'. registrando Moniz de Aragão.escreve Zanzucchi .372-218. empregado no texto. s6 depois reclamar a existência de nulidade. 243 ed. 1651206. nota 3. pela sua omissão. de qualquer forma. Nesse mesmo sentido. h toda evidência não pode ser atendida. assim. pleno jure.. mesmo em se tratando de nulidade cominada. pois deu ensejo. já está suficientemente esclarecido pela doutrina italiana. para. artigo 243. 111350. 21 1. Acolhem-se. a decretação desta não pode ser requerida pela parte que lhe deu causa'. Ora. 1 9 Câm. vol. TJSP. já decidiu o Egrégio Superior Tribunal de Justiça. no julgamento &Apelação Cível n. Editora Forense.204-2. Rio de Janeiro. A proibição de alienação por preço vil atende ao interesse do executado? Do exequente? Ao interesse público? Entendemos que 276. em atitude de reserva mental. tem-se de tomá-lo em sentido estritamente objetivo. sendo esse o preceito aplicável às omissões da parte. não ao concurso de dolo ou culpa'.

parágrafo. de auto de arrematação deficitário. mantenho a r. 67/68. a decretação. de deficiência da própria arrematação. Não se esclarece. ferido. assim. mas. irrelevante a omissão do credor. pois. cit.). 694. Leilão em vez de praça Em outro caso. por haver resultado prejuízo para o executado. por realizado leilão em vez de praça. resolução judicial que. faltaria o requisito do prejuízo. Suposta a arrematação por terceiro. antes. não se deu. propriamente.ao interesse do executado. que é o 'átrio do edifício do fórum' (art. Fosse isso insuficiente -e não é -a intimação pessoal prévia da executada. Na primeira hipótese. da nulidade. Teresa Wambier pronunciaria a nulidade. não apenas foi ignorada a modalidade como o agente. se o bem foi arrematado por terceiro ou pelo próprio executado. cabendo. ademais. sendo. 686. 124. do CPC). no acórdão examinado. Nesses termos. Havendo o bem sido arrematado pelo próprio devedor. Aroldo Gonçalves não decretaria a nulidade porque. Desse modo.9. bem como o local. que as deve. de ofício. 2. 688. o art. tendo faltado. segundo Galeno Lacerda. que. não cominada. 687. Com isso.13. haveria sido prejudicado o interesse tutelado pela norma.s 2*. por ausência de assinatura. pois. decretou-se a nulidade da arrematação. sem prejuízo do recolhimento das custas pelo embargante. deve ser o porteiro (arts. autos da execução). teria ocorrido preclusão. loc. sem justificativa. em se tratando de praça. mais . do CPC. 697 do CPC) -foi ordenado o 'leilão' designando-se leiloeiro (fl. a intimação do executado: "penhorados foram imóveis (fls. para o pronunciamento da nulidade. do CPC). 5*. não se cuida. A hipótese não põe em xeque qualquer das doutrinas consideradas. Em vez de determinar-se a realização de praça -que é a modalidade adequada para a espécie de bem constrito (art.

incide o art. sem observância do contraditório. Caracteriza-se a nulidade da execução de obrigação de fazer quando ela se inicia como execução por quantia certa.13. j. . Civ. Rel.109"277. 26-10-1993.do que a invalidação do auto. pronuncia a prescrição. intentada pelo apelante contra o apelado.11. Renan Lotufo. AC 195149497.10. 278. para que este realize obras que ponham fim a infiltrações de água. com a cobrança direta da multa: 'Trata o presente processo de execução de sentença. Não foi fixado prazo para a execução da obrigação de fazer. como se se tratasse exclusivamente de obrigação de pagar quantia certa. Estabelece o art. incluindo as custas. com a imposição ao réu da obrigação de realizar as obras. TARS. Antônio Janyr Dall'Agnol Júnior. TJSP. Rel... acolhe incidentemente. j. Câm. como se vê à 8. Obrigação de fazer A execução de obrigação de fazer deve iniciar pela citação do executado. Cív. Iniciando a execução. 2.OO. extinguindo-a278. que entendeu de cobrar desde o trânsito em julgado da sentença. sob pena de multa diária de R$ 50. em ação cominatória. as quais causam prejuízo ao primeiro. Sentença que. AgI 197. Descumprido o preceito. nulificou a própria arrematação. em sua residência. para satisfazer o julgado no prazo que o juiz determinar. 633 do Estatuto Processual. 1531189. 1. 632 do CPC: 277. honorários e a multa diária. 29-11-1995. preliminar de prescrição da execução. o apelante peticionou. sem forma nem figura de juizo.560-1. que mora em apartamento logo abaixo. em processo de execução. extinguindo a execução É nula a sentença que. JTJ. 2. 7' Câm. A ação foi julgada procedente.13.

que deverá iniciar-se na forma legal. Jarbas Ladeira. portanto. sem que o executado fosse citado para satisfazer o julgado. se outro não estiver determinado no título executivo'. A vista do exposto.273-3. Há concurso especial de credores quando. ~ r o c e h o de execução. sob pena de incorrer na multa. j. 141-2. o devedor será citado para satisfazê-la no prazo que o Juiz lhe assinar. 632 do CPC. a fim de se satisfazer com o produto dos mesmos bens penhorados pelo primeiro. incide a multa que houver sido cominada' (RSTJ 191550).13. pois. . que começou anomalamente como cobrança imediata da multa. Enrico Tullio Liebman. no prazo fixado. Concurso especial de credores Ao concurso universal de credores. opõe-se o concurso especial. que se realiza sobre os bens penhorados e se destina a satisfazer os credores intervenientesZ8('. como acima referido"27Y.'Quando o objeto da execução for obrigação de fazer. AC 246. 4a Câm. Segundo o CPC Comentado de Nelson Nery: 'A execução de obrigação de fazer começa pela citação do devedor para que cumpra o julgado. do Código de Processo Civil. diretamente como execução por quantia certa. o processo de execução de obrigação de fazer. 633 do Estatuto Processual.12. p. v. na execução promovida por um. esta regulada nos arts. para anular a execução. 280.. 5-1 1-1997. 2. TAMG. intervém outro credor. sem que o executado recebesse a devida citação para cumprir o preceito. Decorrido este. abril de 1998. Descumpriu-se. em prazo determinado pelo Juiz. RT. Inobservou-se. o preceito do art. após o que deveria incidir a multa fixada na sentença. 750. São formas de concurso universal de credores a falência e a insolvência civil. 748 e S. que abrange todos os bens e todos os credores do executado. em prazo fixado pelo Juiz. Rel. acolho a preliminar de nulidade e dou provimento ao apelo. A presente execução começou de maneira anômala. Cív. 279. ano 87. aplicando-se também o art.

O concurso a que fez referência o MM. 1991. pelo juiz. concurso especial de credores. 709 a 713 do Código de Processo Civil. em nota l b ao artigo 7 11)' . devem os respectivos credores. 612 e 613). pág. 21a ed. eventualmente. Interposto agravo de instrumento. apenas com o lance por conta do crédito do agravante. com o que apenas o credor exequente nestes autos seria satisfeito.584199. recaindo mais de uma penhora sobre o mesmo bem. tudo sem que fossem intimados os demais credores. RT. arts. arts. Mas a hipótese é de lance por conta do crédito.. os quais. que disciplinam a distribuição. A respeito do tema. foi expedida carta de arrematação em favor de um dos credores.O concurso especial de credores está regulado nos arts. está longe de ser absoluta. No concurso especial de credores.Juiz poderia ser instaurado sobre esse produto. 38 1. e 711). Em caso de concurso especial de credores. Ocorre. anota Theotonio Negrão o seguinte: 'Constando dos autos a existência de mais de uma penhora. porém. o tribunal anulou a arrematação. Tal regra. sem que haja decretação da falência ou declaração judicial da insolvência do executado. eles devem ser pagos ainda antes do credor que promoveu a execução (CPC. 3 votos a 2) ('h' 'Código de Processo Civil e legislação processual em vigor'. pois. poderiam deter privilégio ou preferência a serem devidamente sopesadas'. bem como requerer o que for de seu interesse (Bol. cada credor com penhora anterior tem preferência sobre o outro.II. já foi decidido neste Egrégio lQTribunal de Alçada Civil que: 'Com efeito. sem que se desse conhecimento do fato aos demais credores portadores de penhora sobre os bens praceados nesses autos. Disse: "vale assinalar. AASP 1. Diversamente seria se houvesse sido arrecadado dinheiro na alienação judicial. 709. embora já registrada a respectiva carta. em detrimento dos demais. ser intimados para a instauração do concurso e para falar sobre o pedido. Se intervieram na execução credores com privilégio ou preferência. sob pena de nulidade. do produto da execução entre os vários credores. depositando a diferença entre o valor da avaliação e o de seu crédito. não poderia ser dado seguimento à segunda praça. que arrematara o bem. cuja penhora é posterior (CPC.

4. em 13. Desimporta que tenha sido expedida carta de sentença. porque negada ao agravante e demais credores oportunidade de intervir. acabada e irretratável. firmado o auto de arremataçãoe a conseqüentecarta. feita sem seu conhecimento. a fim de possibilitar ao credor preferencial o exercício de seu direito' (STJ 4a Turma. Agravo de Instrumento n. Nula. tempestivamente. j. Isto significa que o credor está dispensado de exibir o preço da arrematação. No caso. sido. 21 a 23). dele beneficiar-se em prejuízo de credor preferencial.. não podendo. por isso que descabido considerar a referida arrematação como perfeita. pág. No mesmo sentido. anota-se: 'Havendo pluralidade de credores.818-7. REsp n. inafastável a prévia verificação da situação de cada credor. ou poderá levantar a importância depositada. visto que se ocorrer prelação de terceiros sobre o valor do bem arrematado. porque impunha-se a complementação do preço e essa não ocorreu. Apel. com penhoras efetivadas sobre os mesmos bens do devedor. tomando despicienda a propositura de processo especial.09. 1531459). A arrematação não se aperfeiçoou.Viciado o ato pela falta da intimação dos credores com penhoras realizadas e até mesmo registradas e pela arrematação do bem sem exibição do preço. qual seja.959-OISP. DJU. consoante previsão do artigo 694. do qual foi Relator o Juiz Guerrieri Rezende in LEX Jurisprudência dos Tribunais de Alçada Civil de São Paulo. lacol.193. Evidente a nulidade dos atos acessórios apontados. portanto. portanto. tendo.). Min. deste lQ TAC. 23. s/ Rev. ou que essa tenha tido ingresso no registro imobiliário.(cf. Fontes de Alencar. a falta de informação da . do CPC.05. n. apenas se a execução for promovida em seu exclusivo interesse.certo que a assinatura dos correspondentes auto e carta decorreu de erro de fato.93. Rel. parágrafo único. indevidamente.94. 376. de modo a impedir a viciada arrematação. pois. em. a arrematação. arrematante é o Banco agravado de cuja omissão decorre a nulidade do ato. 631. 12610. de que foi Relator o insigne Juiz MANOEL MAmOS -fls. certo que 'é ineficaz a arrematação se o credor arrematante não deposita o valor integral de seu lanço. não poderá aquele que os arrematar deixar de exibir o preço acerca do qual se abrirá o concurso de preferência estabelecido pelo sistema processual vigente' (cf.

de violação de norma cogente. por ter havido provocação da parte. JTACSP. Gomes Corrêa. a decretação da nulidade impor-se-ia.596-3. 25-9-19%. Teresa Wambier a pronunciaria nulidade. cuja aplicação não pode ser afastada nem pelas partes. violada norma tuteladora do interesse da parte. Aroldo Píínio Gonçalves decretaria a nulidade (não cominada). Trata-se. Bem por isso é dado provimento ao agravo de instrumento. de uma vontade da lei. a fim de que pudessem requerer o que fosse de seu interesse. ensejando-se. Galeno Lacerda decretaria a nulidade porque. por ter havido prejuízo e provocação da parte. As 281.14. 2. decisão recorrida reformada. sendo a r. ainda. nulidade sanável ou insanável. ocorreu prejuízo. j. expedindo-se mandado para o Registro de Imóveis. . Em outras palavras. que sejam intimados todos os credores que obtiveram penhora do mesmo imóvel para que requeiram o que for de seu interesse"281. a intimação das partes. A existência de uma norma violada põe como questão prévia a relativa à existência. porque não há violação de norma dispositiva quando as partes convencionam em sentido diverso ao nela estatuído. somente depois de se afirmar que a lei exige. Conclusõesfinais As nulidades processuais decorrem da violação de norma processual. nulidade decretável de ofício ou dependente de arguição da parte. qualquer que fosse a doutrina aplicada.existência de outras penhoras sobre o imóvel e a conseqüente intimação dos demais credores. e por via de conseqüência anuladas a arrematação e sua respectiva carta. a interpretação da norma e a fixação de seu sentido têm de ser feitas antes de se pôr em jogo o regime jufl'dico das nulidades. efetivamente. Não viola a lei quem faz o que ela permite. é que cabe indagar se a falta implica mera irregularidade. Assim. por exemplo. lSTACSP. Rel. AgI 707. para o julgamento de reexame necessário. por suposto. nem pelo juiz. Nesse caso. 161122. como diria Chiovenda. O processo é regulado basicamente por normas cogentes.

em sua sanação. p.. Ao juiz compete a direção do processo e. de regra. haja ou não expressa cominação de nulidade. donde as referências a nulidades cominadas e não cominadas. providenciar. desconsidera-se o requisito do prejuízo. A fórmula. mas com a remessa dos autos ao juiz competente..pois.. por exemplo. se possível. pois somente norma cogente pode ser violada. à preclusão. ao afirmar que "sempre que o ato processual inobservar a forma traçada na lei. Nem por se tratar de norma dispositiva. haja ou não. portanto. demasiado ampla. Está visto que não concordamos com Humberto Theodoro Júnior. . Ao proprietário é dado vender o bem pelo preço que bem entenda. ainda que se sustente que o devedor pode indicar à penhora bem impenhorável. só deve o juiz pronunciá-la verificando que ocorreu prejuízo e. é vedado aojuízo penhorar bem impenhorável. na lei. cit. sana-se. dele não se cogita se a sentença foi proferida por juiz absolutamente incompetente. Por isso as nulidades são. não havendo tal indicação. sujeitando-se. restringe excessivamente os poderes do juiz. ao qual compete conduzir o processo de conformidade com as normas legais. assim. Quer se trate de nulidade cominada ou não cominada. zelar por sua regularidade. sem contudo violar preceito que contenha expressa previsão de nulidade. aí. diga-o a lei expressamente ou não. retificação ou ratificação do ato. mas ao juízo é vedado aliená-lo por preço vil. ao chamado "beneficio de competência". Em casos raros. A nulidade. É que o fato de um direito ser disponível para a parte não quer dizer que o seja para o juiz. E o ato não será anulado senão a requerimento da parte prejudicada" (As nulidades. A necessidade de alegação da parte não se vincula sequer à circunstância de estar em jogo direito disponível. mediante repetição. o caso será de simples anulabilidade. 50). pronunciando-a.nulidades decorrem de sua violação. nem chegar a atingir os pressupostos de validade da relação processual. renunciando. decretáveis de ofício. Em que hipóteses a pronúncia da nulidade depende de alegação da parte. 282. cominação expressa de nulidade. certo é que. Revista.. por não ter sido alegada na primeira oportunidade em que lhe coube falar nos autos? Não é por ausência de expressa cominação que a nulidade exige arguição da parte282.

porque intimada apenas na véspera da realização da audiência. o vício resta sanado e ocorre preclusão. de modo algum. podendo. O fato de. produzir prova ou simplesmente presenciar ato do processo. de ser o réu impedido de apresentar o seu memorial depois de conhecer o do autor. assim como no caso de falta ou nulidade da citação. por decisão equivocada do juiz. por ato ilegal. RT. Impedida de tempestivamente depositar em cartório o rol de testemunhas. no momento oportuno. O réu. comparecendo. pode arguir a nulidade. não alegar. Deste modo. Explica-se: às partes são assegurados. de produzir alegações. não comparecer. Não se trata. . A opção é sua. de ofício. que haja impedido a parte de. uma extensão da regra de que o comparecimento supre a falta de citação. aí. 66212530. A parte. pode o tribunal decretar a nulidade da execução por não intimada da penhora de imóvel a mulher do devedor. não requerer. enquanto não sanada pelo comparecimento.) Podendo nem sequer oferecer memorial. pode arguir a nulidade ou ignorá-la. a nulidade da intimação pode ser decretada pelo juiz. 283.As nulidades que se sujeitam à preclusão são as decorrentes de ação ou omissão ilegal. motivo por que lhe é dado optar por não alegar a nulidade28" E nessas hipóteses que opera a preclusão. pois. Observe-se que. nulamente citado. pode a parte optar por comparecer. provas e de estar presente em atos do processo. requerer. no processo. não produzir provas. apontada por Rogério Lauria Tucci e José Rogério Cruz e Tucci. os direitos de requerer. (Indevido processo legal decorrente da apresentação simultânea de memoriais. Tem-se. alegar. pode o réu concordar com o oferecimento simultâneo. aí. haver a parte sido impedida de praticar ou presenciar ato processual não lhe retira essa liberdade. sem arguir a nulidade. fica a critério da parte a interposição ou não do recurso de agravo. a hipótese. de nulidade "insanável". a quem não se deu vista de documento junto aos autos pelo adversário. Mas se esta comparece. oferecer contestação ou simplesmente receber o processo no estado em que se encontra. Mas elas são livres. Impedida de produzir prova pericial. sem arguir a nulidade. Enquadra-se.

em que momento se poderá razoavelmente presumir que efetivamente dele tomou conhecimento? No caso de julgamento sem prévia intimação da parte. Junto aos autos documento. Significa isso que o fiscal da lei tem como que uma dupla face. O Ministério Público tampouco é juiz.) Art. na primeira oportunidade em que lhe couber falar nos autos. assegura-se-lhe o direito ou faculdade de requerer. for requerida pela parte que lhe deu causa. se impedida. Cominada ou não a nulidade.(O que eventualmente poderá ser difícil de determinar é qual terá sido a primeira oportunidade que a parte teve para falar nos autos. 245. Ainda que prescrita em lei determinada forma. Todavia. porque nada pede. Contudo. qual o primeiro momento para a alegação da nulidade: o dos embargos de declaração ou o do recurso cabível?) Interpretamos os arts. Embora pareça atuar às vezes . emite parecer. o juiz não a pronunciará se. o Ministério Público não é parte. por ação ou omissão ilegal. a outra de juiz. sob pena de nulidade. de oferecer requerimento. o Ministério Público age como se fosse parte e conclui como se fosse juiz. 244. (Dizendo o Código que a parte que deu causa à nulidade não pode alegá-la. que para isso lhe é assinado. antes da sentença. uma de parte. Art. que não tem a natureza de meras alegações mas constitui como que um projeto de sentença. ainda que cominada. Incumbe à parte alegar a nulidade. é meramente ordinatório. deixa claro que uma e outra podem depender de alegação da parte. lhe alcançar a finalidade. lQ Não prevalece a preclusão. de produzir alegações e provas e de estar presente em atos do processo. realizado de outro modo. nem contra ele se pede. provando a parte legítimo impedimento. Pode-se aplicar a mesma doutrina ao Ministério Público? Atuando como fiscal da lei. o juiz considerará válido o ato se. produzir alegações ou provas ou comparecer a ato processual. 243. Enquanto fiscal da lei. sob pena de preclusão. 243 a 245 do Código de Processo Civil como se dissessem: Art. como às partes. E o prazo. dependendo de arguição do interessado. sem lhe ter sido dada vista.

distinta de qualquer outra. é lícito ao Ministério Público requerer ou deixar de requerer. sua intimação para acompanhar o feito impõe-se. na aplicação da lei. contudo. conforme entenda que houve ou não prejuízo para os interesses que foi chamado a defender. que "cabe ao próprio MinistérioPúblico. comparecer ou não aos atos do processo. Frequentemente os tribunais decretam a nulidade do processo por falta de intervenção do Ministério Público. 284. afirmando-a absoluta e insanável. Ministério Público e suas atribuições no processo civil. de fiscal do Juiz. A não ser assim. assim lhe compete provocar ou não o pronunciamento da nulidade. sob pena de preclusão. o processo atingiu ou não sua finalidade. 161129-39. Moniz de Aragão ensina que 'o juiz ou o tribunal não são senhores de fixar a conveniência ou a intensidade e profundidade da atuação do Ministério Público. sem sua intervenção. Por isso mesmo. conforme entenda que. e não ao Judiciário. o Ministério Público. sob pena de nulidade (art. 246). precisa alegar a nulidade. Por essa mesma razão. por entender não ser o caso. produzir ou não produzir alegações e provas. verificando o juiz que o Ministério Público não foi intimado para acompanhar o feito. não deve de logo pronunciar a nulidade. Este é que a mede e a desenvolve. . na primeira oportunidade em que lhe é dado falar nos autos. Assim como pode o Ministério Público recusar-se a intervir. se. nem juiz. transformar-se-ia. em fiscalizaçãodele no que tange à sua própria intervenção fiscalizadora' " (João Lopes Guimarães J ú n i ~ r ) ~ . a decisão final a respeito da existência do interesse público e da forma de intervenção no processo. O que deve é determinar sua intimação. nem assistente de quem quer que seja. São situações em que o Ministério Público ostenta a face de parte. Todavia. e outras. Admite-se. não é nem parte. do juiz.como assistente de uma das partes. mas exerce função própria. São momentos em que os poderes e ônus do Ministério Público igualam-se aos das partes. Justitia. Cabe ao Ministério Público alegar ou não a nulidade. por ação ou omissão. assim como à parte. é impedido de praticar ato ou de estar presente em ato processual. Sendo o caso de intervençãodo Ministério Público. no que tem a Última palavra.

sanando-se o vício. o juiz determinará sua intimação. intervir no processo sem alegar a nulidade. por falta de intervenção do Ministério Público. Parágrafo único. também há de tê-los para dizer que de sua falta não decorreu prejuízo para o interesse público.. É a seguinte a leitura que fazemos do art.É possível que. não se lhe pode negar o menos. porque assim como tem poderes para negar a existência de interesse público que justifique sua intervenção. que é recusar-se a intervir. por falta de sua intervenção. Se o processo tiver corrido sem conhecimento do Ministério Público. . quando o Ministério Público não for intimado a acompanhar o feito em que deva intervir. Podendo o Ministério Público o mais. Isso demonstra a necessidade de se intimar o Ministério Público antes de se decretar a nulidade do processo. havendo o tribunal decretado a nulidade do processo. 246 do Código de Processo Civil: É nulo o processo. venha este a se pronunciar no sentido de não ser caso em que deva intervir. Cria-se então um impasse. não sendo a nulidade arguida na primeira oportunidade em que lhe couber falar nos autos. qual seja. porque o tribunal já decretou a nulidade do processo e não tem poderes para desconstituir sua própria decisão..

Admite. que a parte não tenha tido oportunidade de alegar o vício. com sua publicação. A nulidade transforma-se em rescindibiiidade. já não pode sê-10 depois de proferida a sentença. de regra terá ocorrido preclusão. que se . o juiz acaba o ofício jurisdicional (CPC. Isso por entender que somente se pode falar em nulidade havendo ela sido decretada. 245). art. dependente. infine) e a nulidade converte-se em rescindibiiidade. por embargos à execução ou por outro meio cabível. na hipótese de o advogado não ser intimado para a sessão de julgamento.o trânsito em julgado impede essa decretação. Em outras palavras. a nulidade (ou a ineficácia) persiste. Nesse caso. Poderá ser pronunciada em outro processo. É o que ocorre. Ora. parágrafo único.EFEITOS DO TRÂNSITO EM JULGADO SOBRE OS V~CIOS PROCESSUAIS O trânsito em julgado da sentença provoca alterações no regime das invalidades processuais. art. de arguição pelo interessado no prazo previsto em lei. pois. 463). o vício pode ser argiiido mesmo depois do decurso do prazo para a propositura de ação rescisória. mediante provocação do interessado. 245. porém. A nulidade que no curso do processo podia ser decretada de ofício. porém. pois. por exemplo. Aroldo Plínio Gonçalves a f i a ser logicamente impossível passar em julgado sentença absolutamente nula. Em casos raros. não se convertendo em mera rescindibilidade. Pode acontecer. como o de falta ou nulidade da citação em processo que correu à revelia. não prevalece a preclusão (art. Se exigida alegação (CPC.

que por suposto findou.. em outro processo. Toda sentença. dá-se por ação rescisória.485 do CPC. a qualquer tempo e até de ofício. 83. Outra categoria a considerar é a da sentença ineficaz. A nulidade resulta de sentença constitutiva negativa. a qualquer tempo. por nulidade ou por outro motivo previsto no a r t . Aqui. pode ser declarada como tal. 286. do CPC. contrariando-se o aforismo quod nullum est nullum producit efectum (o que é nulo não produz nem efeito). A sentença inexistente. Discordamos porque. Nisso estamos a seguir lição de Pontes de Miranda: "Só se declara inexistência. I. A inexistência é apenas declarada. Para os romanos. deixando assim de existir o que era existente e relativamente inválido"286. produzem efeitos enquanto não desconstituídospela forma prevista em lei. o nulo não existia. É a sentença que retira o ato do mundo jurídico. A desconstituição de sentença de mérito. sujeita a prazo de decadência. Podem ademais admitir a sanação do vício. Em suma. Tratado. cit. desde que existente. a qualquer tempo. mas isso acabou. os atos processuais. Nulidades. . embora nulos. embora a nulidade não possa ser decretada no mesmo processo.declare. É o que ocorre. podem ser desconstituídos por ação anulatória. no caso de 285. Não se cogita de decadência. ou ineficácia. 73.. e decreta-se a anulação. como a proferida por quem não é juiz. pelo decurso do tempo. p. p. Outros atos processuais eventualmente nulos.decreta-se a nulidade. enquanto não ocorre sua desconstituição. incidentemente. a inexistência da sentençazas. a nosso ver. somente é retirada do mundo juridico por ação desconstitutiva. se inexistentes. cit. o que faz o que é nulo passar a ser inexistente. tanto o nulo como o anulável tem de ser desconstituído. no caso do art. podem ser incidentemente declarados como tais. enquanto não ocorrer a decadência do direito. o nulo produz efeitos. pode ser decretada em outro. como a arrematação. . 741. nem é preciso que se proponha ação declaratória da inexistência. isto é.

no caso de ineficácia relativa. e somente este tem legitimação para provocar a declaração de ineficácia. por exemplo. A ineficácia. tem com ela de comum a circunstânciade poder ser declarada incidentementee a qualquer tempo. para a validade do processo. não oferece embargos ou. não argúi a nulidade. o que ocorre se. pode aceitar a sentença. leva à conclusão de que validade está. a sentença será ineficaz relativamente ao preterido. Todavia. Mas. que o revel. com falta ou nulidade da citação. ao passo que a inexistência pode ser sempre declarada de ofício. ao dispor que. necessidade de arguição pelo interessado. A promoção de tal declaração pelo litisconsorte preterido aproveita aos demais litisconsortes que forem unitários. teremos uma ineficácia absolu- . a sentença será ineficaz relativamente ao preterido. é indispensável a citação do réu. levando em conta a possibilidade de litisconsórcio passivo simples. b) Na hipótese de litisconsórcio necessário simples. citado para a execução. o mesmo raciocínio. Diz: "a) A iitisconsorciação necessária é pressuposto de eficácia da sentença e não de sua validade ou existência. em que o interesse litigioso seja disponível. No estudo intitulado "A sentença e a preterição de litisconsorte necessário". e não a inexistência ou nulidade da sentença. como no caso de ação proposta contra vários réus em litisconsórcio passivo simples. embargando. Nelson Azevedo Jobim apresenta conclusões que se afinam com as assertivas acima feitas. em que o interesse litigioso seja indisponível.sentença proferida em processo que correu à revelia. aí. d) Na hipótese de litisconsórcio necessário unitário. Entendemos. A sentença é ineficaz em relação ao réu não citado ou que foi nulamente citado. em lugar de eficácia. sendo este o único legitimado para promover a declaração de ineficácia. embora nulamente citado. 214 do Código de Processo Civil. embora suponha a existência do ato. c) Na hipótese de litisconsórcionecessário unitário. a declaração de ineficácia pode depender de declaração de vontade do interessado. no sentido de que a falta de citação acarreta a ineficácia. havendo. Uma aparente dificuldade resulta do art. podendo ser válida e eficaz em relação a outros réus validamente citados.

p. com a observação de que rescindir tem também o significado de anular e que. mas ato outro. outros. 287. mas autorizam a rescisão da sentença. construímos a seguinte classificação: vícios preclusivos. quando do exame dos pressupostos processuais de existência. razão pela qual todos são legitimados para a promoção da declaração de inefi~ácia"~~'. Um exemplo frequentemente apontado é a falta de rubrica do escrivão nas folhas dos autos. em alguns casos. Com base nesses elementos. 131 e S. podendo motivar. RESCIS~RIOSE TRANSRESCIS~RIOS Já se assinalou a existência de vícios que se desconsideram uma vez transitada em julgado a sentença. Elementos para uma teoria geral do processo. outros que persistem. como a arrematação. 1.ta da sentença (ineficaz em relação a todos. Passamos a apontar casos enquadráveis em cada uma das categorias. 1. vícios rescisórios e vícios transresci~órios~~~ Estarnos a mantê-la. tais como a proferida por não-juiz. alguns já indicados. de passagem. José Maria Rosa Tesheiner. VÍCIOS PRECLUSIVOS. . 28/32-46.1. A sentença e a pretenção de litisconsorte necessário. 486 do CPC). a declaração da inexistência ou da ineficácia da sentença ou a decretação de sua nulidade. validade e regularidade do processo. Meras irregularidades e vícios preclusivos Denominam-se meras irregularidades vícios de mínima importância para os fins do processo. a ação cabível não é a rescisória. mas a anulatória (veja-se o art. a qualquer tempo. a que o juiz não chegou a escrever ou a assinar ou a entregar em cartório para ser publicada. ainda. Só em casos raros se pode falar em sentença inexistente. que resistem até mesmo ao decurso do prazo para a propositura de ação rescisória. ou que se trata não de anular sentença. Ajuris. 288. inclusive àqueles que foram partes). Nelson de Azevedo Jobim.

de regra. e não nulidade. deve ser arguida no prazo legal. 13.CPC. sem o juspostulandi. 305).Os vícios preclusivos. . acarreta a revelia. 114). art. . somente autorizam a decretação da nulidade havendo prejuízo e alegação da parte prejudicada.A decisão interlocutória que rejeite a alegação de inadequação do procedimento (erro de forma do processo .Da decisão que indefere a produção de provas decorre preclusão. art. não são nulos. -Também há revelia. -Pressuposto processual é também a imparcialidade do juiz. ou por relativamente incapaz não assistido. -Se o advogado de réu incapaz. art. art.oferece contestação por ele próprio subscrita (CPC. Contudo. apresentase com procuração passada por absolutamente incapaz. 13. sua arguição. declarar a própria suspeição (CPC. embora apresentem maior gravidade. a incompetência.Também se sujeitam à preclusão: à decisão que rejei- . há defeito de representação que. a t o ~ processuais como a petição inicial. mera irregularidade ou se sujeita à preclusão.A inobservância de pressupostos formais constitui. considerando-se não oferecida a contestação. se não interposto agravo. pela parte. art. também precluindo a decisão do tribunal (CPC. ocorre preclusão e ela já não pode ser pronunciada. de ofício. no prazo legal. praticados em feriados ou férias forenses (falta de pressuposto formal referente ao tempo). II). $ 4Q). art. está sujeita ao prazo preclusivo de quinze dias (CPC. . 137).Fica a alegação de compromisso sujeita à preclusão (CPC. Se esta não argúi a nulidade na primeira oportunidade em que íhe cabe falar nos autos. . não sanado (CPC. validamente citado. Assim. se o réu. art. intimações e recursos.II). Deve este. -A competência do juiz para conhecer da ação é pressuposto processual. 301. art. Apenas têm sua eficácia diferida para o primeiro dia útil subsequente. sob pena de promgação da competência (CPC. quando relativa. 314) que rejeite a exceção. Todavia. -A falta ou nulidade da intimação da sentença apenas impede o seu trânsito em julgado. 250) preclui e não autoriza a rescisão da sentença.

sem ojuspostuiandi. dela pode o juiz conhecer de ofício. . de 4-7-1994).Não cabe ação rescisória por ofensa à litispendência. Por outro lado. conforme dispõe o art. 268. e autoriza a rescisão da sentença. 8. e autoriza a rescisão da sentença. . Se o juiz recebe petição oral e determina a citação do réu. É um caso em que a preclusão decorre do mero trânsito em julgado da sentença. 313). ter-se-á atingido o fim colimado pela norma. no curso do processo. 5 2*. Vícios rescisórios Denominamos "rescisórios" os vícios que sobrevivem ao trânsito em julgado da sentença.A procuração passada ao seu advogado.2. Igualmente não há preclusão. por erro de fato ou por violação de literal disposição de lei. 835 do Código de Processo Civil ou o depósito das custas e honorários a que se refere o art. há nulidade.906. 4* do Estatuto da OAB (Lei n. por autor menor. que pode ser decretada em qualquer tempo e grau de jurisdição. art. Não há preclusão. é anulável (CC. relativamente incapaz. é da essência do ato. caso em que.ta a alegação de perempção ou a de litispendência.A incompetência absoluta sana-se com a remessa ao juiz competente (CPC. embora por outra forma. há nulidade decretável a qualquer tempo. do Código de Processo Civil. do Código de Processo Civil. art. art. conforme o juiz se dê ou não conta da circunstância. 5 F). conforme dispõe o art. a que dispensa a caução prevista no art. embora não tendo havido tentativa de conciliação eventualmente exigida por lei. A incompetência absoluta pode ser declarada a qualquer tempo.II. Cabível rescisória por violação de literal disposição de lei. 485. Cabe rescisória. conforme dispõe o art. . 11. quando exigida. nos termos do art. 267. -A forma escrita da petição inicial. salvo se reduzidas a termo as declarações do autor. . bem como a que determina o prosseguimento da ação. O impedimento pode ser declarado a qualquer tempo. 485. no curso do processo.No caso de petição inicial firmada pessoalmente pelo autor. 113. no curso do processo. sem a devida assistência. . autorizando sua rescisão por ação própria. 1. -Também o vício decorrente de impedimento do juiz sana-se com a remessa dos autos ao substituto legal (CPC.

458. não impede a constituição da relação processual. A ratificação é possível (CC. o processo é nulo (CPC. julgue ultra petita ou extra petit~"~'~. como expressamente dispõe o art. do Código de Processo Civil. 1. I). 295.147.3. V. do Código de Processo Civil. 485. com a eventual condenação do autor nas custas e. -A falta de intervenção do Ministério Público autoriza ação rescisória (CPC.111). art. 485. porém importante. com o trânsito em julgado da sentença. 130.Sentença sem o relatório ou sem a fundamentação (CPC. v. art. 128. 5. Comentários.IV. Não ocorrendo a ratificação. no caso de falta de autorização. 11). V. art. "ao arrepio do preceito insculpido no art.s e autorizado a agir de ofício ou dizendo bastar pedido genérico e implícito de aplicação da lei) é rescindível. cit. 148). É rescindível.Da mesma forma. . -Cabe rescisória. se a sentença é ultra petita ou extra petita. art. dos vícios correspondentes a pressupostos cuja falta autoriza a declaraçãoda inexistência 289. Essa nulidade pode ser decretada em qualquer tempo e grau de jurisdição e converte-se em rescindibilidade. art. . parágrafo único. art. a sentença que. diz José Carlos Barbosa Moreira. . 487. -A existência de coisa julgada anterior autoriza ação rescisória. .O mesmo ocorre no caso de sentença que acolha pedido formulado sem indicação da causa de pedir. I). também em honorários advocaticios. 13. quando exigida para a propositura da ação (CPC. . com fundamentono art. I e 11) é desconstituível por ação rescisória fundada no art. III). Vícios iransrescisórios Aqui o grupo diminuto..Equiparável à ausência de causa de pedir é a falta de nexo lógico entre a narração dos fatos e a conclusão (CPC. -A falta de pedido. se o réu chegou a ser citado. 1998. na petição inicial. p. A sentença que o juiz profira ( h a n d o . 485.

é ineficaz (lembremo-nos de que pode haver outros réus. observa Adroaldo Furtado Fabrício. a sentença será ineficaz relativamente ao autor absolutamente incapaz. .. cit. seu pai. -Prescinde de rescisão. A sentença de procedência. a sentença acaso proferida será ineficaz com relação a quem podia ter ratificado a inicial. ex. com a condenação do autor nas custas. independentemente de ação rescisória. a sentença inexistente. cuja declaração independe de ação rescisória.. em processo que corra à revelia. absolutamente incapaz. Ajuris. Não será o decurso do prazo para a ação rescisória que tomará invulnerável a sentença. independentemente de ação rescisória.. é possível (CPC. ainda que decomdo o prazo para a propositura de ação rescisória. . Ineficácia declarável a qualquer tempo. 42/7-32. .. 37). 13). mãe ou tutor não foi intimado da citação. pelo representante do incapaz. I. em litisconsórcio facultativo simples). por força do art. Essa ineficácia pode ser declarada a qualquer tempo. ou certa pessoa. o processo existe e deve ser desconstituído por sentença. mas não o fez. ação contra órgão de pessoa jurídica). ou não se opera em dadas circunstância~~~'.Da inexistência ou nulidade da citação. do Código de Processo Civil. Réu revel não citado. art. assim como aquela cuja eficácia não alcança determinado lugar. sem exibir procuração (CPC.A falta de jurisdição determina a inexistência jurídica da sentença que profira o pretenso juiz. . art. ou a decretação de sua nulidade. não foi citado na pessoa de seu representante ou se. decorre a ineficácia da sentença em relação à parte 290. . Sem ela. -A hipótese de petição inicial firmada por advogado com procuração passada por absolutamente incapaz é equiparável à de ausência de mandato. acaso proferida.Se o demandado. 741. o que acarreta a ineficácia da sentença.. no caso de haver o advogado proposto a ação. A ratificação.ou ineficácia da sentença. -No caso de ação proposta contra quem não tenha capacidade de ser parte (p.No caso de não ser ratificada a inicial. há nulidade desta. relativamente incapaz.

em sua falta. significando isso que "não apenas os interessados cuja citação se omitiu. Também por ação rescisória. I). pode ser obtida. Se o dispositivo da sentença contém contradição invencível (como a decretação da nulidade do contrato e a condenação do réu em prestação dele decorrente).por embargos à execução. . ação rescisória. pois. de fato. art.que não foi citada ou foi nulamente citada. ou por outras que a essa equivalham" (Adroaldo Furtado Fabrí~io)~~'. pois essa deixará de existir 291. 741. no sentido de imposição de efeitos) do julgado. por decisão interlocutória.. . se cabíveis.. por mandado de segurança.. de jurisdição". -A declaração da inexistência ou ineficácia. Humberto Theodoro Júnior afirma. mas também os demais permanecem aptos a resistir à 'execução' (lutissimo sensu. Ajuris. IV e VI).A incompatibilidade de pedidos sana-se com a opção do autor por um deles ou mesmo com a sentença que. Argumenta: "Se tais requisitos são legalmente elevados à condição do exercício válido dajurisdição. pela via dos embargos. não obstante certa impropriedade do meio. por habeas corpus. há ineficácia. tanto que a lei obriga. ou se fez deficientemente. No caso de litisconsórcio passivo necessário. in concreto. dispensando. Consciente de estar assim a abrir uma perspectiva muito ampla de ataque à eficácia da coisa julgada. com a ressalva de não se tratar de uma posição "definitivamente assumida".. impedem a formação da coisa julgada. sentença de mérito proferida por quem não dispõe. 267. ou seja. art. a violação desses mesmos requisitos representa. interpretandoum como principal e o outro como subsidiário. 42/7-32. aqueles que atingem os pressupostos processuais e as condições da ação. não assinada ou sem o dispositivo é sentença inexistente. Réu revel não citado. essa ineficácia é absoluta. . conforme o caso. ou a decretação da nulidade da sentença. por ação declaratória e até incidentemente. a extinção do processo sem julgamento de mérito (CPC. que os "vícios profundos". acolha um único. cit.Sentença não escrita. Desnecessária a ação rescisória (CPC.

As nulidades. são sempre sanáveis. Revista. Mas. posto que estas. assim. é o maior rigor possível na conceituação e delimitação das figuras que realmente devem ser tratadas como pressupostos processuais. para caber por inteiro na cama. de fato. não podem ser considerados como pressupostos de validade do processo. Tome-se o caso da incompetência absoluta ou de impedimento do juiz. equivale a cortar os pés de quem dorme. 39-59.. tratou de restringir: "O que se impõe. como se passa com a petição inicial e os impedimentos processuais. aqueles atos a que a lei. que tal entendimento não corresponde ao sistema legal. cit. não há como excluir de sua com292. . Enfim. embora importantes. Seria o supremo absurdo assentar a res iudicata sobre o nada jurídico que é o processo absolutamente nulo"292. Parece-nos claro. situações que a lei e a doutrina consideram como simples impedimentos. nem mesmo a res judicata material poderá funcionar como sanatória. nem tampouco meras irregularidades formais. Criticando esse posicionamento. para o fim que pretendemos. como as hipóteses de petição inicial inepta ou de inobservância de rito adequado. Humberto Theodoro Júnior. Na verdade. para excluir os que evidentemente escapam à regra que o autor pretende fixar. ou dê um tratamento de simples anulabilidade.preclusão. para evitar que entre eles se incluam... admita convalidação.quando se descobrir alguma violação a qualquer pressuposto processual ou a qualquer condição da ação. Por mais que se restrinja o conceito de pressupostos processuais. indevidamente. p. a relação processual não tem condições de aperfeiçoar-se ou desenvolver-se validamente. outrossim. quando o vício da relação processual for insanável (como as questões de capacidade e legitimidade). Ficam.. nos casos de vícios. haveremos de ter como pressupostos processuais unicamente os requisitos sem os quais. para adoção da tese que estamos defendendo. de fora exigências do plano das formas. observamos que redefinir os pressupostos processuais. pela simples razão de que não se pode conceber a coisa julgada sem o lastro de uma relação processual válida.

afirmando que da falta de pressuposto processual decorre necessariamente a nulidade da sentença e. a tese do autor é. Concluímos manifestando nosso desejo de que ela possa ser útil aos operadores do direito e contribuir para a realização da justiça. se acolhida pelos tribunais. inconveniente. A classificação apresentada. vícios preclusivos. Na verdade. cumpre atender mais aos resultados sociais das teses apresentadas do que ao rigor lógico das deduções.preensão os pressupostos da competência e da imparcialidade do juiz. demonstrar que o adversário se fez representar no processo por advogado impedido ou incompatibilizado para o exercício da advocacia. rescisórios e transrescisórios. pelos maus resultados que produziria. de certo modo sintetiza a presente obra. os vícios processuais mencionados determinam a mera rescindibilidade da sentença. "em se tratando de defeito de pressupostos de validade da relação jurídica processual. a nulidade da sentença pode decorrer da falta de pressuposto processual. a nosso juízo. . para transformar em pó sentença por lei já insuscetível de ataque até mesmo por ação rescisória. 485. nulo é o processo instaurado por pessoa incapaz ou promovido por quem não detenha a habilitação técnico-profissional para postular em juízo". diz o autor que. Todavia. No direito. ao vencido. pois. a desnecessidade de rescisória. Bastaria. mas não se pode generalizar. que iniciou com o conceito de inexistência e passou em revista os pressupostos processuais e os atos do processo. como decorre do art. Embora com algum fundamento lógico. assim. do ponto de vista dos vícios que podem apresentar. TI. Efetivamente. do CPC.

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1146 Guamlhos-SP .Impressão e acabamento Editora SARANA Unidade Gráfica Av. Amâncio Gaiolli.

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