Público

23­07­2013

Periodicidade: Diário Classe: Âmbito: Tiragem: Informação Geral Nacional 51453

Temática: Dimensão: Imagem: Página (s):

Justiça 480 S/Cor 47

Pai e mãe e a co adopção homossexual
DebateCo adopção JoséRibeiroeCastro
Houve quem falasse

entusiástica Isso

o como

inapropriadamente de totalitarismo a respeito das críticas à co adopção homossexual Mas já que se falou nisso convém ter presente que a convicção de que todo o poder está na ponta da caneta do legislador é essa sim em si mesma uma convicção de matriz totalitária A ideia de que o Estado pode criar a realidade através do poder da lei é um delírio perigoso que nos coloca no cimo da rampa de todas as derivas totalitárias O Direito é fonte de justiça quando limitado pela Humanidade ou subordinado ao Direito Natural mas fonte de abusos e violências quando se arvora ilimitada omnipotência As maiores violências começaram sempre aliás na própria lei e seu abuso a pena de morte a prisão perpétua a escravatura tortura perseguição expulsões arbitrárias As leis de Direito Privado são leis matricialmente narrativas não conformam a natureza conformam se a ela Não foi sequer um legislador qualquer que inventou os contratos quanto mais o resto Os contratos existem são como são a lei regula os Num Estado de Direito as leis privadas não criam a realidade aderem a ela Regulam ordenam mas não criam nem inventam muito menos contra a realidade Se o fizessem atropelariam a realidade e seriam de deriva totalitária Se todos nascemos de pai e de mãe é violência extrema privar alguém do direito a ter pai ou do direito a ter mãe A dupla referência masculina e feminina que é parte da nossa natureza integra a nossa própria identidade pessoal É o que somos é o nosso ser Por isso mesmo a generalidade das declarações de direitos humanos e das Constituições modernas como a portuguesa inclui o direito à identidade pessoal no elenco dos direitos fundamentais da pessoa humana sem isso não somos E esse direito à identidade é componente principal da dignidade da pessoa humana É desse direito fundamental à identidade pessoal que decorre por exemplo o dever de o Estado apoiar e promover a investigação da paternidade ou maternidade nos filhos do incógnito E é desse direito à identidade pessoal que decorre também a noção de adopção do nosso Código Civil art º 1598 º vínculo que se estabelece legalmente entre duas pessoas à semelhança da filiação natural mas independentemente dos laços do sangue

O projecto da co adopção homossexual é uma fraude intelectual e uma manipulação jurídica É uma

sofisticada Nem tanto sequer pelo que já foi dito ser a gazua que abre a porta à adopção homossexual em geral mas pelo resto A adopção tem um lado generoso que é atribuir pai e ou mãe mas outro violento que é tirar pai e ou mãe É isso que faz da adopção um instituto tão difícil e tão delicado e da sua decisão um processo sério melindroso e complexo Quando atribuímos juridicamente uma criança a um pai e ou uma mãe estamos a retirá la definitivamente de forma irrevogável a outro pai e ou outra mãe naturais a estes e simultaneamente a retirá los também da sua família respectiva de pertença natural irmãos primos tios avós que fossem A geração natural é apagada e substituída para todos os efeitos pela filiação jurídica A genealogia dessa criança é reescrita por inteiro Para sempre Só é possível diminuir levianamente a seriedade e delicadeza real ou potencial dos problemas a considerar se imaginarmos as crianças de que se trate como res nullius coisa de nada e de ninguém Mas nenhuma criança mesmo a mais só e abandonada é assim tão nullius tem uma história e

esperteza saloia masnão

uma realidade Que lhe pertence e a que pertence Adoptar a co adopção é consagrar que pela potente força imperial da lei uma criança pode passar a ser filha de pai e pai sem mãe ou filha de mãe e mãe sem pai e ipso facto negar lhe em definitivo o direito a ter uma mãe ou o direito a ter um pai proibindo o para todo o sempre Não se trata de saber quem cuida de quem mas de alterar radicalmente a genealogia de uma pessoa truncando para sempre a sua identidade pessoal Escusa de buscar mais tarde mãe ou família materna se a não conhecia ou de procurar pai ou família paterna que não soubera essas relações ter lhe iam sido apagadas e proibidas para todo o sempre pelo Direito Essa criança teria passado a ter sem apelo nem agravo duas mães e duas famílias maternas e nenhuma paterna ou dois pais e duas famílias paternas e nenhuma materna Mesmo o projecto de co adopção do PS reconhece e bem que aquilo que designa de parentalidade é dual isto é que somos filhos de dois Está certo Mas quem é que disse que são dois Quem foi esse ominoso criador que determinou que sejam dois e não quatro ou cinco ou n Garanto que não fui eu E não tendo sido eu essa dualidade parental também não resultou da autoridade da caneta da Dr ª Isabel Moreira ou da pena do Dr Pedro Delgado Alves ou do arrobo igualitário da escrita da Dr ª Elza Pais resulta de modo inteiramente prosaico da natureza da biologia vá lá… do Criador A realidade é de facto a da dualidade parental não uma parentalidade qualquer ou indiferente mas uma dualidade de maternidade e paternidade Somos filhos de dois mas não de quaisquer dois somos filhos de dois porque somos filhos de mãe e de pai Será isto homofobia Não É a biologia a natureza A natureza não das coisas mas a natureza das pessoas

Deputado do CDS PP

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