atualizado: 25/07/2013 02:14 | Por Herton Escobar, enviado especial/Recife, estadao.com.

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Monitoramento de tubarões está parado há 7 meses
De acordo com líder do projeto, sistema, interrompido por falta de repasse do governo, reduziu ataques em 90% desde 2004

http://estadao.br.msn.com/ultimas-noticias/story-brasil.aspx?cp-documentid=259249461
José Patrício/AE "Câmeras de segurança da Secretaria de Defesa Social gravaram o momento do ataque"

O principal sistema de monitoramento de tubarões na costa do Recife (PE) estava inoperante havia sete meses, por problemas orçamentários, quando a uma jovem turista paulista foi atacada na manhã de segunda-feira. A informação é do especialista Fabio Hazin, pesquisador da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e um dos fundadores do Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit). Veja também: • Família pretende processar Estado por morte de turista atacada por tubarão • MP quer interdição de praias do PE para banho de mar Desde 2004, Hazin e outros cientistas ligados à ONG Instituto Oceanário operam um programa permanente de captura e remoção de tubarões do litoral do Recife. O sistema consiste em pescar os tubarões, marcá-los com etiquetas de rastreamento e soltá-los em águas mais profundas, bem longe das praias e dos banhistas. Mais de 80 tubarões de espécies consideradas "agressivas" (principalmente o tigre e o cabeça-chata) foram capturados assim nos últimos oito anos, e a redução do número de ataques foi de 90%, segundo Hazin. Vinte ataques foram registrados nesse período, sendo apenas três nos 83 meses em que o sistema estava operacional. Todos os outros ataques (17) ocorreram fora da área de monitoramento ou em períodos em que o programa não estava operacional, por falta de recursos - entre eles, este caso mais recente, de Bruna Gobbi, que foi mordida na segunda-feira. Ela foi levada a um hospital, com a perna dilacerada, mas morreu.

"É o programa de monitoramento de tubarões mais eficiente do mundo", disse Hazin ontem, em uma palestra na reunião anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que coincidentemente está ocorrendo nesta semana no Recife. "A primeira reação do tubarão quando ele é solto é se afastar da costa e migrar na direção norte", completou, citando dados de telemetria obtidos por meio de marcadores via satélite colocados nos animais. "Não há necessidade de sacrificar os tubarões, porque eles não voltam para a praia." "A taxa de ataques vem caindo, então consideramos que é um método eficaz", confirmou ao Estado a atual presidente do Cemit, Rosângela Lessa, que também é pesquisadora da UFRPE. O projeto Protuba é gerenciado pelo Instituto Oceanário com recursos da Secretaria de Defesa Social (SDS) do Estado. A informação do governo estadual é que o dinheiro foi depositado na terça-feira, e que o atraso no repasse ocorreu por "questões administrativas". O secretário de Comunicação do governo, Evaldo Costa, questionou, ironicamente, a possibilidade de haver relação entre a suspensão temporária do projeto e o ataque de segunda-feira. "Parece até que os pesquisadores treinam os tubarões para conseguir recursos. É muito curioso isso, muito estranho", disse. Segundo ele, o Protuba é um projeto de pesquisa e não de defesa das praias contra tubarões. "É incompreensível fazer uma interpretação de que haja qualquer vinculação entre uma coisa e outra." "As estatísticas falam por si só", rebateu Hazin. Segundo ele, seria necessário R$ 1 milhão para o programa funcionar o ano inteiro sem interrupção, com duas embarcações. Risco natural. Os ataques de tubarões no litoral de Pernambuco começaram a ocorrer há cerca de 20 anos. De 1992 até julho de 2013, segundo Hazin, foram registrados 59 ataques, que resultaram em 24 mortes. A maior parte deles (45%) ocorreu na costa do Recife. Segundo o pesquisador, isso deve-se a uma combinação de fatores que se somaram nas últimas décadas, incluindo a construção do Porto de Suape, ao sul da capital, e a degradação dos ecossistemas costeiros pela poluição orgânica da cidade, que atrai os tubarões para perto das praias. A maioria dos ataques envolve o tubarão-tigre, que é uma espécie migratória. Segundo Hazin, os estudos mostram que muitos deles chegam ao litoral pernambucano do mar aberto, acompanhando navios cargueiros que atracam no porto. Ao "bater na costa", eles seguem naturalmente o rumo das correntes marítimas para o norte, o que os leva diretamente para as praias de Piedade e Boa Viagem, onde acabam chegando muito perto de banhistas e surfistas (mais informações no infográfico acima). Ambas as praias são amplamente sinalizadas com placas de alerta sobre o risco de ataques de tubarão. "O risco nunca vai chegar a zero", avisa Hazin. "Sempre que pessoas e tubarões estiverem tão próximos uns dos outros, vão ocorrer ataques." Achar que é possível evitar isso completamente, segundo ele, é tão ilógico quanto achar que é possível eliminar o risco de picadas de cobra quando se anda no mato. "São acidentes naturais."

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Atualizado: 23/07/2013 10:45 | Por ANGELA LACERDA, estadao.com.br

Jovem paulista morre após ataque de tubarão no Recife
Morreu no final da noite de ontem, 22, a turista paulista Bruna Silva Gobbi, 18 anos, que passava férias com familiares...

Morreu no final da noite de ontem, 22, a turista paulista Bruna Silva Gobbi, 18 anos, que passava férias com familiares e foi atacada por um tubarão por volta das 13h20 na praia de Boa Viagem, no Recife. Ela foi mordida na altura da coxa esquerda, perdeu muito sangue e passou por uma cirurgia às 15 horas, no Hospital da Restauração (HR), quando teve a perna amputada. Antes de chegar ao HR, ela foi atendida na Unidade de Pronto Socorro (UPA) no bairro da Imbiribeira, zona sul da cidade, onde teve uma parada cardiorrespiratória. De acordo com testemunhas, ela tomava banho com água na cintura e teria sido alertada para sair do mar. Bruna foi socorrida por bombeiros imediatamente após o ataque. A assessoria do hospital confirmou que a morte ocorreu às 23h30, na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Ainda não há informação sobre o sepultamento. Bruna morava no bairro Jardim da Conquista, em São Paulo. De acordo com o Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit), esta foi a 24ª morte desde 1992 e a segunda neste ano. Cinquenta e nove ataques de tubarão ocorreram neste período. As espécies cabeça-chata e tubarão-tigre são as mais comuns na área. Em toda a extensão das praias de Boa Viagem e Piedade - no município vizinho de Jaboatão dos Guararapes - há placas alertando para o risco. Nesta área ocorreram 70% dos ataques nos últimos 21 anos.

Família pretende processar Estado por morte de turista atacada por tubarão
De São Paulo, Bruna Gobbi, de 18 anos, foi a segunda mulher a ser atacada por tubarão e a primeira a morrer em Pernambuco

RECIFE - A família de Bruna da Silva Gobbi, 18 anos, que morreu no fim da noite de segunda-feira, 22, depois de ter sofrido ataque de tubarão na Praia de Boa Viagem, no Recife, pretende processar o Estado. "A gente não tem nada contra os bombeiros, eles trabalharam o máximo para salvar Bruna", reconheceu o tio da moça, Davi

Leonardo Alves. No entanto, segundo ele, os guarda-vidas não alertaram o grupo em que ela se encontrava sobre o perigo de tubarão. Veja também: • Morre turista paulista atacada por tubarão no Recife De férias, Bruna veio de São Paulo com a mãe Josete e mais dois parentes. Ela e primos se divertiam na Praia de Boa Viagem na manhã da segunda-feira e um primo que adentrou mais no mar foi chamado e advertido por bombeiros sobre o risco de afogamento devido à corrente marítima. "Os bombeiros nada falaram sobre tubarão", confirmou Daniele Ariane da Silva Souza, de 26 anos, enfermeira, que viveu momentos de pavor, ao lado de Bruna, sua prima. Também de São Paulo, ela disse, no entanto, que ao sair da casa da tia onde estavam hospedados, em Olinda, receberam o alerta para terem cuidado com tubarão e o grupo chegou a fazer fotos de uma placa indicativa da presença do animal na área, próximo ao local do ataque. "Imagina um tubarão à beiramar, imagina isso", chegou a brincar Daniele, diante do que considerava uma impossibilidade, já que ela e Bruna se banhavam com água até a cintura. Câmeras de segurança da Secretaria de Defesa Social gravaram o momento do ataque. Inconsolável, Daniele contou que ela e Bruna estavam próximas à faixa de areia quando, de repente, começaram a ser puxadas por uma correnteza. Sentiu se desgarrar da mão de Bruna e já não tomava pé. Manteve a calma e começou a boiar. Bruna se desesperou e ela ouvia seus gritos pedindo ajuda "me tirem daqui, me ajudem pelo amor de Deus". Daniele estava a 50 metros da praia ao fundo e Bruna a 45 metros. Daniele percebeu o jet-ski ao seu lado e um bombeiro lhe pedindo para subir, mas sem forças para ajudar, foi levantada e puxada por ele. Viu outros dois bombeiros na água tentando resgatar o grupo. Desmaiou. Ao voltar a si, na areia, viu que Bruna estava com a perna dilacerada. "Bruna parecia inconsciente, pálida, irreconhecível, suas pupilas não reagiam, era como se ela estivesse se apagando aos poucos". Bruna foi levada em uma viatura da Polícia Militar à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) no bairro da Imbiribeira, na zona sul, porque, de acordo com o comandante do Corpo de Bombeiros, coronel Carlos Eduardo Casanova, a ambulância solicitada não chegou logo devido ao trânsito e eles acharam melhor não perder tempo. De lá uma ambulância a levou ao Hospital da Restauração, a maior emergência do Estado, onde se submeteu a cirurgia e teve a perna esquerda amputada na altura da coxa. Às 23h30 ela faleceu, na UTI. O corpo de Bruna será enterrado nesta quarta-feira, 24, à tarde, no município metropolitano de Escada, a 65 quilômetros do Recife, onde mora sua avó materna, Isaura, que a jovem não via há 10 anos. O reencontro com a avó e os familiares da idade ocorreu na semana passada, logo depois da chegada. O pai de Bruna está sendo aguardado pela família. Ele deve chegar de São Paulo na madrugada. Desde 1992, ocorreram 59 ataques de tubarão no litoral metropolitano - da Praia do Carmo, em Olinda, à Praia do Paiva, no município do Cabo de Santo Agostinho, numa extensão de 30 quilômetros. Deste total, 24

morreram. Bruna foi a primeira mulher a morrer e a segunda a sofrer ataque do animal no Estado, de acordo com o coronel Casanova. Ele informou que há 88 placas de advertência sobre a presença do animal nestes 30 quilômetros de praia. Nas praias do Pina e de Boa Viagem, no Recife, há dez postos de guarda-vidas com vídeomonitoramento e radiocomunicação e jet-ski em três pontos. Os guarda-vidas também possuem um aparelho que emite um campo eletromagnético que perturba o tubarão. "Todos correram risco", afirmou ao elogiar a ação dos guardavid

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