You are on page 1of 7

TRIBUNAL DE JUSTIÇA DÉCIMA CÂMARA CÍVEL APELAÇÃO CÍVEL AUTOS N.º 0081874-19.2011.8.19.0001 Apelante: Ijuí Energia S.A.

Apelada: Naturasul Construtora LTDA Relator: Desembargador CELSO LUIZ DE MATOS PERES

Apelação

cível.

Ação

revisional

de

contratos

de

empreitada, cujas prestações obrigacionais de fazer, assumidas pela apelada, consistiam em cercar, desmatar e limpar áreas destinadas à construção de usina hidroelétrica. Aplicação dos postulados da teoria da imprevisão. Inteligência dos artigos 317 e 479 do Código Civil e dos Enunciados 17 e 176 do CEJ. Extraordinária precipitação pluviométrica de 725mm, verificada no mês de novembro de 2009, a justificar a invocada onerosidade excessiva no cumprimento do pacto. Ociosidade dos trabalhadores e do maquinário alugado, que restou devidamente demonstrada. Readequação econômicofinanceira que se impõe, em atendimento ao princípio da justiça contratual. Outros fatos descritos na inicial como embasadores do pedido que, contudo, não se enquadram no conceito de evento imprevisível e extraordinário. Honorários sucumbenciais, arbitrados em R$70.000,00 (setenta mil reais), que se mostram adequados à natureza e à importância da causa, bem como ao trabalho e ao grau de zelo demonstrados pelos causídicos. Apelo improvido, ficando esclarecidos, de ofício, os limites para a liquidação do julgado, omissão verificada na sentença de primeiro grau.

ACÓRDÃO
10ª Câmara Cível – AUTOS Nº 0081874-19.2011.8.19.0001 –

Fls.1

Assinado por Celso Luiz De Matos Peres:0113773 Data: 28/02/2013 17:11:22. Local: GAB. DES CELSO LUIZ DE MATOS PERES

sendo apelada Naturasul Construtora LTDA. nos termos do voto do Relator. A C O R D A M. prolatada pelo Juízo da 11ª Vara Cível da Comarca da Capital.Vistos. em que é apelante Ijuí Energia S.775/779. em votação unânime. com honorários advocatícios fixados em R$70. determinando a revisão contratual e o restabelecimento de seu equilíbrio.A.0001. NEGAR PROVIMENTO ao recurso.8.00 (setenta mil reais). Recorre tempestivamente Ijuí Energia S.775/779.19. com devida apuração dos prejuízos da parte autora.. Condenou a parte ré nos ônus da sucumbência. alvejando a sentença de fls.2011. em Apelação Cível que alveja a sentença de fls. 10ª Câmara Cível – AUTOS Nº 0081874-19. relatados e discutidos estes autos tombados sob o nº 0081874-19.8.A. oriunda da 11ª Vara Cível da Comarca da Capital.19. em ação revisional de contrato ajuizada por Naturasul Construtora LTDA. que julgou procedente o pedido.. a serem apurados em liquidação de sentença.2011.000. RELATÓRIO 1.0001 – Fls. os Desembargadores da Décima Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro.2 .

assim. em síntese.3 . Sustenta inexistir nos autos. 3. Alega. que se estenderia sobre vários municípios do Estado do Rio Grande do Sul.8. Por fim. das respectivas Trata-se de controvérsia estabelecidas em em que oito a (08) demandante procura a revisão. a configurar onerosidade excessiva. Contrarrazões às fls. 10ª Câmara Cível – AUTOS Nº 0081874-19. desmatamento e limpeza de áreas destinadas à construção da Usina Hidroelétrica Passo São José.815/826. argumentando que a ocorrência de chuvas durante a execução do contrato não pode ser entendida como evento extraordinário e imprevisível. ser inaplicável ao caso. requerendo. contraprestações contratos. a reforma da sentença. com base na Teoria da Imprevisão.2. consistentes no cercamento.19. tampouco indicação de vantagem extrema de sua parte. destaca ser excessivo o valor arbitrado a título de honorários sucumbenciais. a Teoria da Imprevisão. É O RELATÓRIO.2011. VOTO 4.0001 – Fls. qualquer elemento capaz de indicar que a parte autora tenha sofrido qualquer prejuízo contratual em razão das chuvas.

assolaram os considerações.2011. Porém.5. bem como gastos com trabalhadores e máquinas locadas. reajustes salariais.8. no que se refere às fortes chuvas que canteiros de obras.19. inflação local. de forma a justificar a readequação econômico-financeira do pacto. 7. enquadram no Por certo. Em atenta análise da peça inicial. em apertada síntese.0001 – Fls.4 . 6. tais motivos não devem servir de base ao julgado quando este for objeto de liquidação por arbitramento. os primeiros fundamentos não se conceito de superveniente acontecimento extraordinário e imprevisível. questões fundiárias não resolvidas. Muito embora não enfrentados especificamente pelo julgado recorrido. em razão das fortes chuvas que se verificaram na região em que se localizavam as obras. que ficaram temporariamente impedidos quanto ao exercício das atividades que lhes eram próprias. teve por fundamento. tal fato merece algumas 10ª Câmara Cível – AUTOS Nº 0081874-19. depreende- se que a invocada onerosidade excessiva no cumprimento do pacto.

no sentido de que a manutenção de uma média histórica descaracterizaria um fato imprevisível e inevitável.8. A singela conclusão a que chegou o expert. 10ª Câmara Cível – AUTOS Nº 0081874-19. mostrou-se capaz de impossibilitar que os funcionários e as máquinas da autora pudessem alcançar as frentes de trabalho. comunicados formais. causando-lhe indiscutíveis prejuízos.8. É verdade que ao tempo da contratação dos respectivos pactos comutativos de execução continuada. a fim de executar as atividades objeto dos aludidos contratos. se mostrou capaz de frustrar a justa expectativa que a demandante possuía no êxito do conteúdo contratual. mesmo assim. em respeito à força obrigatória do contrato. apesar da onerosidade excessiva. inclusive. por um lapso considerável de tempo.2011.0001 – Fls. 10.5 .19. 9. não pode ser levada em consideração. considerando-se que a precipitação intensa e contínua. diversas vezes noticiada em reuniões. fato que. havia total impossibilidade quanto à previsão da extraordinária precipitação pluviométrica de 725mm (setecentos e vinte cinco milímetros mensais) naquela localidade. a contratada manteve a adequada estrutura com o fim de cumprir sua obrigação convencionada. sendo imperioso notar que. por evidente. uma vez concretizado. Tal ocorrência foi.

portanto. providência reservada para casos extremos. onde se destaca a de fls. deve ser entendida como verdadeiro custo extraordinário.6 . impõe-se a conclusão de que a dentro dos riscos do negócio administrado pela ociosidade de trabalhadores e maquinários.0001 – Fls.432). sendo lamentável que tão expressivo numerário tenha sido despendido para irrisório esclarecimento técnico. fato que fugiu completamente da normalidade e não se encontrava empreiteira. decorrente da própria situação.178/179. 12. inclusive. como pretendido pela demandante às fls. dispensando. Justificável. Pouco importa se antes ou depois do ocorrido houve períodos de seca capazes de compensar a média anual. 10ª Câmara Cível – AUTOS Nº 0081874-19. A ocorrência de chuvas é sempre previsível. Desta forma. enquanto o canteiro de obras se viu transformado em verdadeiro “charco”. atendendo ao princípio da justiça contratual. a fim de readaptar a equivalência de sua comutatividade. evidenciam que no mês de novembro de 2009 a cidade de Cerro Largo (RS) vivenciou verdadeira calamidade.11. 13. um contexto probatório robusto neste sentido.428.19.8. mas não na intensidade como foi. a intervenção judicial no pacto.2011. a ponto de justificar a decretação do Estado de Emergência (fls. As inúmeras matérias jornalísticas juntadas aos autos.

Assim sendo. causada pelas chuvas extraordinárias de novembro de 2009 (fls. valor que corresponde ao percentual de 3% (três por cento) do valor atribuído à causa. havendo sido equilibradamente aplicado o disposto no artigo 20.7 . observando-se a inexistência de recurso dos causídicos da parte contrária quanto ao arbitramento da verba honorária sucumbencial. que o julgado de procedência deve se limitar à revisão dos pactos.14.2011.8.0001 – Fls. considerada a natureza e a importância da causa. Por fim. ficando mantidos todos os demais termos da sentença de primeiro grau. Desembargador CELSO LUIZ DE MATOS PERES Relator 10ª Câmara Cível – AUTOS Nº 0081874-19. se apresenta razoável o montante arbitrado em R$70. 15.19.421). RECURSO. É o voto.00 (setenta mil reais). o trabalho e o grau de zelo demonstrados pelos causídicos. §4º do CPC. no que se refere aos honorários sucumbenciais. Rio de Janeiro. em razão da onerosidade excessiva sofrida pela parte autora com a ociosidade de trabalhadores e maquinários. de de 2013.000. NEGA-SE PROVIMENTO AO esclarecendo-se. de ofício.