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Direito Processual Penal – Renato Brasileiro

Questões Prejudiciais - Conceito: - são questões que devem ser avaliadas pelo juiz com valoração penal ou extra-penal e devem ser decididas antes do mérito da ação principal; - ex.: o artigo 235 do CP traz o delito de bigamia, assim se o primeiro casamento for nulo, o acusado não pode ser condenado por delito de bigamia, sendo o fato do casamento anterior ser nulo uma questão prejudicial; - Natureza Jurídica: - a questão prejudicial funciona como elementar da infração penal (essa é a posição amplamente majoritária na doutrina); - Características: - anterioridade: a questão prejudicial deve ser decidida antes da questão prejudicada; - essencialidade ou interdependência: o mérito da ação principal depende da resolução da questão prejudicial; - autonomia: a questão prejudicial pode ser objeto de uma ação autônoma; - Questões Prejudiciais VS Questões Preliminares: QUESTÕES PREJUDICIAIS - são questões que devem ser avaliadas pelo juiz com valoração penal ou extra-penal e devem ser decididas antes do mérito da ação principal; - estão ligadas ao direito material; - estão ligadas ao mérito da infração penal; QUESTÕES PRELIMINARES - são os fatos processuais ou de mérito que impedem que o juiz aprecie o fato principal ou a questão principal;

- estão ligadas ao direito processual; - estão ligadas à existência de pressupostos processuais; - autônomas; - vinculadas; - pode ser decidida por um juízo penal ou - deve ser decidida sempre por um juízo extraextra-penal; penal; - Sistemas de Solução das Questões Prejudiciais: - Sistema da Cognição Incidental ou Sistema do Predomínio da Jurisdição Penal: o juiz penal é sempre competente para conhecer a questão prejudicial, mesmo sendo ela heterogênea – esse sistema tem a vantagem de ser mais célere, mas fere o princípio do juiz natural, pois o juiz penal estaria avaliando questões pertencentes à competência de outros juízos; - Sistema da Prejudicialidade Obrigatória ou Sistema da Separação Jurisdicional Absoluta: o juiz penal nunca será competente para decidir a questão prejudicial heterogênea, nem mesmo de maneira incidental – nota-se que esse sistema é absolutamente contrário ao anterior;

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- Sistema da Prejudicialidade Facultativa: o juiz penal tem a faculdade de decidir ou não sobre as questões prejudiciais heterogêneas; - Sistema Eclético ou Sistema Misto: é a fusão do Sistema da Prejudicialidade Obrigatória com o Sistema da Prejudicialidade Facultativa; SISTEMA ADOTADO PELO BRASIL: Quanto às questões prejudiciais heterogêneas, relativas ao estado civil das pessoas, vigora o sistema da prejudicialidade obrigatória (art. 92 do CPP); quanto às demais questões heterogêneas, vigora o sistema da prejudicialidade facultativa. - Classificação das Questões Prejudiciais: - Quanto à natureza da questão prejudicial: - questão prejudicial homogênea/comum/imperfeita: a questão prejudicial pertence ao mesmo ramo do direito da questão prejudicada (ex.: receptação e o crime anterior – artigo 180 do CP; lavagem de capitais e crime antecedente – art. 1° da lei 9.613); Obs.: o CPP não trata das questões prejudiciais homogêneas nos artigos 92 e 93, mas tão somente das questões heterogêneas. As questões prejudiciais homogêneas são resolvidas por meio da conexão e da continência. - questão prejudicial heterogênea/incomum/perfeita/jurisdicional: a questão prejudicial heterogênea pertence a ramo diverso da questão prejudicada; - Quanto à competência: - questão prejudicial não-devolutiva: será sempre analisada pelo juízo penal – são exatamente as questões prejudiciais homogêneas; - questão prejudicial devolutiva: o juiz penal devolve o conhecimento dessa questão prejudicial ao seu juiz natural. Ela subdivide-se em: - questão prejudicial devolutiva absoluta: jamais poderá ser analisada pelo juízo penal – questões heterogêneas relacionadas ao estado civil das pessoas; - questão prejudicial devolutiva relativa: pode eventualmente ser analisada pelo juízo penal – são as questões prejudiciais heterogêneas com exceção daquelas que estiverem ligadas ao estado civil das pessoas; - Quanto aos efeitos: - questão prejudicial obrigatória/necessária/em sentido estrito: sempre acarreta a suspensão do processo – é a questão heterogênea relativa ao estado civil das pessoas; - questão prejudicial facultativa/em sentido amplo: podem eventualmente acarretar a suspensão do processo – é o caso da questão prejudicial devolutiva relativa; - Questão Prejudicial Devolutiva Absoluta: - é a questão prejudicial heterogênea relativa ao estado civil das pessoas;

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- Pressupostos: - tem que ser uma questão prejudicial relativa à existência da infração penal, ou seja, deve ser uma elementar da infração penal; Portanto é importante saber diferenciar uma elementar de uma circunstância. Elementar é um dado essencial da figura típica cuja ausência pode produzir uma atipicidade absoluta ou relativa. Circunstâncias são dados periféricos que gravitam ao redor da figura típica, podendo aumentar ou diminuir a pena, mas não interferem no crime (ex.: circunstância agravante ou atenuante). - a questão prejudicial deve ser séria e fundada; - deve envolver o estado civil das pessoas; - Conseqüências: - obrigatória suspensão do processo de do prazo prescricional. Deve permanecer suspenso até o trânsito em julgado da ação civil;1 - possibilidade de produção de provas urgentes; - nos crimes de ação penal pública, o Ministério Público pode promover a ação civil referente à questão prejudicial, ou dar prosseguimento àquela já iniciada, mesmo que não tivesse legitimação originariamente; - Artigo 92 do CPP: - tal artigo é a síntese da matéria analisada, sendo de extrema importância sua leitura com o máximo de cautela; - Questão Prejudicial Devolutiva Relativa: - Pressupostos: - deve versar sobre a existência da infração penal; - deve ser de difícil solução; - não pode ser uma questão prejudicial heterogênea relativa ao estado civil das pessoas; - não deve o direito civil limitar a prova quanto à questão prejudicial2; - já deve ter sido proposta a ação civil; - Conseqüências: - o juiz tem a faculdade de reconhecer a existência ou não da questão prejudicial; - se o juiz reconhece a existência da questão prejudicial, vai ocorrer a suspensão do processo e também do prazo prescricional. Nesse caso o juiz estabelece um prazo para a suspensão do processo. Findo esse prazo sem a decisão, o juiz penal reassume a competência para decidir sobre a questão prejudicial; - produção de provas de natureza urgente; - nos crimes de ação penal pública deve o Ministério Público intervir na ação civil já proposta; - ler o artigo 93 do CPP que trata do tema;

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Geralmente, suspenso o processo, a prescrição também fica suspensa, sendo essa a regra. Mas no caso de superveniência de doença mental por exemplo, suspende-se o processo mas o prazo prescricional continua correndo normalmente. Portanto, a suspensão do processo, por si só, não gera a suspensão do prazo prescricional (ver artigo 152 do CPP). 2 Não se pode mandar alguém para o juízo cível se lá no cível determinada prova não vai ser produzida por haver limitação da prova no Direito Civil.
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o Ministério Público pode oferecer denúncia independentemente dessa representação fiscal. mas em regra ela pode ser questionada até o trânsito em julgado. o juiz criminal pode enfrentar toda a matéria. sobre a exigência fiscal do crédito tributário correspondente. mas com certeza seria a opinião que examinador do Ministério Público gosta de ouvir. sendo a decisão afetada pelo vício da nulidade absoluta decorrente da sua incompetência em razão da matéria.Questão de 2ª Fase de Concurso – Tema: Decisão final do procedimento administrativo nos crimes materiais contra a ordem tributária. pela lei não cabe recurso. a decisão do juiz criminal sobre questão prejudicial facultativa não faz coisa julgada na esfera civil.430/96 diz que a representação fiscal para fins penais relativa aos crimes contra a ordem tributária será encaminhada ao M.o artigo 83 não criou condição de procedibilidade na ação penal por crimes contra a ordem tributária.portanto. prevendo o momento em que devem encaminhar ao M. seja por meio de revisão criminal. notitia criminis em crime contra a ordem tributária. .esse dispositivo tem como destinatário as autoridades fazendárias. logo a apuração do débito tributário na via administrativa funciona como uma questão prejudicial facultativa. O artigo 83 da lei 9. caso tenha conhecimento da prática do delito por outros meios. Por outro lado. . só estaria autorizado a oferecer denúncia após o esgotamento da estância administrativa.no caso de deferimento da suspensão. após proferida a decisão final na esfera administrativa.Danilo Meneses – Intensivo II Página 4 . . a ação penal é suficiente para a análise da questão.princípio da suficiência da ação penal: em relação às questões prejudiciais heterogêneas que não versam sobre o estado civil das pessoas. .571. seja por meio de Habeas Corpus. mas segundo a doutrina cabe Habeas Corpus (art. salvo em benefício do acusado. cabe recurso em sentido estrito conforme o inciso XVI do artigo 581. o M. na medida em que sua apreciação se dá de maneira incidental.P. pouco importando se houve ou não a suspensão do processo criminal.se o juiz penal apreciou uma questão heterogênea em relação ao estado civil das pessoas.P. onde a nulidade absoluta poderá ser questionada mesmo após a formação da coisa julgada. §2°).P. ele estaria violando a definição de sua competência.Observações Finais: . que trouxe três conclusões firmadas pelo STF: . ou seja. Natureza jurídica da decisão final do procedimento administrativo: 1ª Corrente: é posição minoritária.não há suspensão de inquérito policial. Essa nulidade não está sujeita à preclusão. 93. Os advogados começaram a sustentar que a partir dessa lei. . Tal corrente diz que o Ministério Público não é obrigado aguardar o exaurimento da via administrativa para oferecer denúncia. .tem força de coisa julgada na esfera penal a decisão cível quando a questão prejudicial for heterogênea. . . Rede de Ensino Luiz Flávio Gomes – Direito Processual Penal . desde que essa questão não seja de grande dificuldade..no caso de indeferimento da suspensão. Contra tal artigo foi ajuizada a ADI 1.

3 4 Apesar de terem o mesmo procedimento. Rede de Ensino Luiz Flávio Gomes – Direito Processual Penal . . VI do C.: incompetência relativa no processo civil). .2ª Corrente: a decisão final do procedimento administrativo funciona como condição objetiva da punibilidade – essa é a posição que tem prevalecido nos tribunais superiores (RHc 90.essa decisão faz coisa julgada formal e material.Exceções dilatórias: é aquela que busca a simples procrastinação do processo.Exceções.exceção de suspeição/impedimento/incompatibilidade3. . pois todas as exceções podem ser conhecidas de ofício pelo juiz (art.Conceito: cuida-se de condição exigida do direito de ação. .a ausência verificada no início do .exceção em sentido estrito: é a defesa que só pode ser conhecida se alegada pela parte (ex. . a ausência verificada durante o fundamento de direito para o ajuizamento curso do processo gera a extinção do de uma ação penal.condições necessárias ao regular exercício .532/STF e Hc 54.o CPP usa a expressão exceção de maneira equivocada.a ausência.está ligada ao direito processual. . uma vez que alguns autores entendem que ela é dilatória (Mirabete e Capez) e outros entendem que ela é peremptória.Modalidades de Exceção: . . não são a mesma coisa.248/STJ). secundário da norma penal incriminadora.P.C. CONDIÇÃO DE PROCEDIBILIDADE CONDIÇÃO OBJETIVA DE PUNIBILIDADE . processo (aplica-se subsidiariamente o art. .encontra-se entre o preceito primário e específicas. .exceção de coisa julgada.exceção de litispendência.podem ser condições genéricas ou . se não ocorrido o processo gera a rejeição da peça implemento da condição. .Exceções peremptórias: provocam a extinção do processo. .). . . Chama-se condição objetiva porque independe do dolo ou da culpa do agente. PROCEDIMENTOS INCIDENTAIS . e que está fora do injusto culpável. . . não há acusatória. 95 do CPP). Nesse ponto há uma discussão na doutrina.ilegitimidade de parte5.exceção de ilegitimidade de parte4. .exceção de incompetência do juízo. pelo legislador para que o fato se torne punível. condicionando a existência da pretensão punitiva do Estado.está ligada ao direito material.a ausência faz coisa julgada formal.objeção: matéria de defesa que pode ser conhecida de ofício pelo juiz. .Exceção VS Objeção: . 267.Danilo Meneses – Intensivo II Página 5 .

Exceção de Suspeição (é o mesmo procedimento da exceção de impedimento e de incompatibilidade): . a matéria de exceção deve ser tratada por meio de exceção (ou seja.hipóteses de suspeição: . e. . VI – se for sócio. IV – se tiver aconselhado qualquer das partes. ascendente ou descendente.suspeição: .impedimento: . Eugênio Pacceli. . . a amizade íntima ou a inimizade capital com o advogado não é causa de suspeição. o pedido será apreciado da mesma forma (princípio da instrumentalidade das formas. seu cônjuge. . I do CPPP).a exceção de suspeição. acionista ou administrador de sociedade interessada no processo. salvo se o próprio juiz reconhecer sua suspeição. . sobre cujo caráter criminoso haja controvérsia. é colocado como preliminar em alegações finais ou em resposta à acusação. se não o fizer.essa é a regra.em regra.em regra.as exceções são apreciadas por um juiz de 1ª instância (em regra). ate o terceiro grau. autos apartados) – essa é uma simples formalidade. as hipóteses de suspeição se referem a uma situação externa ao processo.as hipóteses de suspeição são taxativas (são apenas as que estão no código).todas afetas a imparcialidade do juiz. tutor ou curador. Para a maioria da doutrina. 111.Art. caso seja reconhecida pela parte contrária a procedência. . . as hipóteses de impedimento referem-se a uma relação interna com o processo. em vez de ser tratado na exceção.as exceções não são dotadas de efeito suspensivo (art. mas comporta exceção: a exceção de suspeição será julgada pelo Tribunal.geralmente. V – se for credor ou devedor. poderá ser recusado por qualquer das partes: I – se for amigo íntimo ou inimigo capital de qualquer deles6. julgada procedente.se ele. III . consangüíneo ou afim. seu cônjuge.. . a amizade íntima ou a inimizade capital com o advogado não é causa de suspeição. é dotada de efeito suspensivo. 254 do CPP: O juiz dar-se-á por suspeito. inclusive sustentar demanda ou responder a processo que tenha de ser julgado por qualquer das partes.se o assunto. Para a maioria da doutrina. II – se ele.as exceções em regra são resolvidas em autos apartados. Rede de Ensino Luiz Flávio Gomes – Direito Processual Penal . . 5 6 Considerando a exceção de ilegitimidade da parte como peremptória: Luiz Flávio Gomes. . . .essa é a regra. de qualquer das partes. CPP). ou parente. estiver respondendo a processo por fato análogo. gera nulidade absoluta (art.Danilo Meneses – Intensivo II Página 6 . 564. mas comporta exceção: a exceção de suspeição.

essa petição será dirigida ao juiz. imediatamente exporá as razões desse ato à Corregedoria local ou órgão diverso designado pelo Tribunal. daí pelo fato de ser escrito.incompatibilidade: .de ofício: . II – ele próprio houver desempenhado qualquer dessas funções ou servido como testemunha. ao Conselho Superior da Magistratura e ao Conselho Nacional de Justiça. órgão do MP. 7 Deve ser feito por escrito uma vez que o fato imputado ao agente por ser muito grave (ex. inclusive. estará impedido de atuar no julgamento de eventual apelação (STF.tiver funcionado seu cônjuge ou parente. para a jurisprudência.pela parte: . Rede de Ensino Luiz Flávio Gomes – Direito Processual Penal . consangüíneo ou afim em linha reta ou colateral até o terceiro grau.é indispensável que o juiz tenha proferido algum tipo de decisão no processo. sobre a questão. mas a exceção de suspeição sempre deve ser feito por escrito7 (por meio de petição. trata-se de nulidade absoluta.procedimento das exceções de: suspeição/impedimento/incompatibilidade: .: prevaricação). .são as razões que afetam a imparcialidade do juiz que não estão incluídas nas suspeições e nos impedimentos (Eugênio Pacceli).os autos serão remetidos ao substituto legal.são causas amparadas em razões de conveniência previstas nas leis de organização judiciária. que deve ser assinada pela parte ou por advogado com procuração com poderes especiais). de fato ou de direito. auxiliar da justiça ou perito. . o substituto pode solicitar a remessa da decisão do juiz à Corregedoria. . o magistrado de primeiro grau fará essa afirmação nos autos e em ofício reservado. porém. for parte ou diretamente interessado no feito. 252 do CPP): I . . . HC 86. .as exceções podem ser feitas oralmente. . . inclusive como defensor ou advogado. IV – ele próprio ou seu cônjuge ou parente. .963).resolução 82 do CNJ (09/06/09)  no caso de suspeição por motivo íntimo. III – tiver funcionado como juiz de outra instância. o ato seria inexistente.hipóteses (art. que irá acolher ou rejeitar o pedido. pronunciando-se.contra a decisão que acolhe a suspeição.Danilo Meneses – Intensivo II Página 7 . .. .a doutrina considera que nos casos de impedimento. não cabe recurso.caso o juiz tenha se pronunciado de direito sobre a questão no julgamento de um recurso administrativo. constitui prova.quando o juiz manda ao substituto processo em razão de foro íntimo. autoridade policial. em linha reta ou colateral até o terceiro grau. . consangüíneo ou afim.contra essa decisão não cabe recurso.

o fato do promotor ter atuado na fase investigatória não impede que o promotor venha a atuar na fase processual (Súmula 234 do STJ: “A participação de membro do MP na fase investigatória não acarreta o seu impedimento ou suspeição para o oferecimento da denúncia. .para a defesa.se o juiz não acolhe a exceção de suspeição.quem vai decidir a suspeição do órgão do MP é o juiz de primeira instância8. Jurados excluídos por 8 Para prova do Ministério Público. . . cabendo a decisão ao Conselho Superior do Ministério Público. Rede de Ensino Luiz Flávio Gomes – Direito Processual Penal .momento para argüição: . deve ser apresentada juntamente com a denúncia ou com a queixa (em regra – pode ser que o juiz suspeito entre no processo depois). caso não seja oferecida no momento oportuno.tais exceções podem ser argüidas contra o MP quando ele atua como parte e quando ele atua como fiscal da lei. independentemente da causa determinante do julgamento posterior II – no caso do concurso de pessoas. mas resta saber se jurados excluídos por impedimento/suspeição/incompatibilidade são levados em consideração nesse número. . a quem cabe decidir a exceção de suspeição. junta documentos e vai remeter os autos ao Tribunal. . mas deverão elas declarar-se suspeitas.o art.suspeição/impedimento/incompatibilidade de jurados: . .. .. quem houver integrado o conselho de sentença q julgou o outro acusado III – tiver manifestado prévia disposição para condenar ou absolver o acusado . 107 do CPP diz que “*. é possível sustentar que o artigo 104 do CPP não teria sido recepcionado pela Constituição. presume-se que teria havido uma aceitação do juiz. 448 traz todas as restrições referentes ao juiz para os jurados.aplicam-se as mesmas causas de impedimento. 449 diz que são impedidos de atuar como jurados: I – quem tiver funcionado em julgamento anterior do mesmo processo.tratando-se de exceção de suspeição.Danilo Meneses – Intensivo II Página 8 .a garantia do devido processo legal e a garantia da imparcialidade do juiz trazem a regra de que mesmo que não argüida no momento oportuno. .”) . .. o momento correto é a resposta à acusação (art. o artigo não tem força coercitiva. impedindo posterior argüição. quando ocorrer motivo legal.o art.na verdade.suspeição/impedimento/incompatibilidade da autoridade policial: .” . ele apresenta suas resposta. .a suspeição no júri deve ser argüida de forma oral e deve ser decidida de plano pelo juiz. deve haver no mínimo 15 jurados.+não se poderá opor suspeição às autoridades policiais nos atos do inquérito.suspeição/impedimento/incompatibilidade do órgão do Ministério Público: . a suspeição do magistrado está ligada ao devido processo legal e à garantia da imparcialidade do juiz.para a acusação. 396-A do CPP). de suspeição e de incompatibilidade.o art.deve se dar na primeira oportunidade que a parte tiver de se manifestar no processo. .para dar início a sessão do júri. .

incidência de conexão e continência 9 .impedimento/suspeição/incompatibilidade são levados em consideração sim para o número mínimo de 15 jurados (art.simples nulidade relativa. por se vício de incompetência absoluta. é capaz de tratar de nulidade relativa.quadro comparativo de competência absoluta VS competência relativa: COMPETÊNCIA ABSOLUTA COMPETÊNCIA RELATIVA . momento.o Habeas Corpus acima citado poderia ser impetrado pelo MP pleiteando o reconhecimento de incompetência absoluta? 9 Vale lembrar que mesmo a nulidade absoluta. para saber a conseqüência. . .violação  nulidade absoluta . sua atuação no conselho de sentença será considerada causa de nulidade absoluta.como não mais é possível determinar o deveria ser comprovado. .o prejuízo deve ser comprovado (é muito da punibilidade  ainda que proferida com difícil comprovar o prejuízo na prática). de forma a saber se o voto do jurado impedido teve o condão de alterar o resultado.689/08 DEPOIS DA LEI 11. 451 do CPP).a votação será automaticamente interrompida quando atingirmos 4 votos em um sentido.para se comprovar o prejuízo. . . impedindo que o acusado seja novamente processado pela mesma imputação perante a justiça competente (princípio do ne bis in idem)10 .deve ser arguida a nulidade relativa no prejuízo é presumido (violação do princípio momento oportuno sob pena de reclusão (o constitucional do juiz natural).não incidência de conexão e continência . deveria ser analisado o número de votos. mesmo após o trânsito em julgado de sentença condenatória ou absolutória imprópria via REVISÃO CRIMINAL ou HABEAS CORPUS11 .689/08 . 10 É importante lembrar que não existe revisão criminal em desfavor do réu em nosso ordenamento penal. enquanto não declarada como tal.violação  nulidade relativa . o prejuízo . deve observar o seguinte quadro: ANTES DA LEI 11.proferida sentença condenatória  como o .improrrogável .interesse público . faz com que o ato processual produza seus efeitos regulares ( Princípio da Eficácia dos Atos Processuais). transitar em julgado e produzir seus efeitos. grau de influência do voto do jurado impedido.proferida sentença absolutória ou extintiva . Rede de Ensino Luiz Flávio Gomes – Direito Processual Penal .por ser relativa a nulidade.se o júri foi feito com um jurado impedido. 11 O Habeas Corpus pressupões algum risco à liberdade de locomoção.Exceção de Incompetência (declinatoria fori): .interesse das partes .prorrogável .Danilo Meneses – Intensivo II Página 9 . a momento é na resposta à acusação do artigo incompetência pode ser arguida a qualquer 396-A).

Rede de Ensino Luiz Flávio Gomes – Direito Processual Penal . não é dado ao tribunal reconhecer de ofício incompetência absoluta nem relativa (STF. 13 Tal observação está ligado ao princípio da non reformatio em pejus (lê-se péius).263).reconhecida a incompetência relativa  DOUTRINA: anula-se os atos decisórios.510).: porém. em função do atual princípio da identidade física do juiz. se não houver recurso de ofício. ressalvado os casos de recurso de ofício. HC 90.daí surge a dúvida de quando é que a prescrição tenha sido interrompida. .. a doutrina tem dito que a incompetência relativa deve ser declarada até o início da instrução do processo.305).reconhecida a incompetência absoluta  DOUTRINA: anula-se os atos decisórios e instrutórios.: a súmula 160 do STF diz que “[.]é nula a decisão do Tribunal que acolhe contra o réu. Obs.pode ser declarada de ofício14 pelo juiz  posição que sempre prevaleceu foi a de que poderia ser declarada tal incompetência até o momento da sentença Obs.pode ocorrer que o Habeas Corpus seja maligno para o acusado.: com o princípio da identidade física do juiz (advindo da reforma). . .Surgem duas correntes: 1ª Corrente  como o MP é o defensor da ordem jurídica e dos interesses individuais indisponíveis. Porém.Danilo Meneses – Intensivo II Página 10 . que na verdade quer ganhar tempo.. podem ser conhecidas pelo tribunal. a partir do HC 83. nulidade não arguida no recurso da acusação.o recebimento da denúncia (segundo o STF) pode ser ratificado pelo juízo competente. . que traz a orientação de que em recurso exclusivo da defesa. porém deve ser analisada a presença de um interesse de agir em favor da liberdade de locomoção do acusado12 (STF. como fica a decadência? 12 No caso de acusado solto.13 . o STF passou a admitir a possibilidade de ratificação pelo juízo competente. porém.15 . HC 80. os atos instrutórios 16 JURISPRUDÊNCIA: sempre entendeu que também deverão ser anulados . 14 No processo civil.Recebimento da denúncia ou queixa por juiz incompetente: . 16 Uma vez que o juiz da instrução deve ser o juiz que vai proferir a sentença.” Portanto. somente os atos decisórios seriam anulados. 2ª Corrente  não se nega que o MP tenha legitimidade. 1515 Tal posição da jurisprudência vai ter de começar a levar em consideração o princípio da identidade física do juiz (uma vez que introduzido em 2008 e os tribunais ainda não se posicionaram a respeito deles). não se admite o agravamento da situação do acusado.006. a grosso modo. HC 91. caso haja recurso de ofício. inclusive quanto aos atos decisórios.pode ser declarada de ofício pelo juiz  deve ser declarada até o momento da sentença Obs.em queixa oferecida perante juiz incompetente. a incompetência relativa não pode ser declarada de ofício. mas a orientação sedimentada é a de que a interrupção da prescrição só pode se dar no momento da ratificação. . pode sim impetrar Habeas Corpus (STF. em grau recursal.

Ilegitimidade ad processum: a legitimidade ad processum é pressuposto processual de existência.quanto à denúncia. portanto. . 17 Salvo suspeição. I).Exceção de Ilegitimidade: .: é indispensável uma das duas coisas: nova denúncia ou ratificação. XIII).julgando procedente o juiz a exceção de incompetência  Recurso em Sentido Estrito (art. mas pelo mesmo fato delituoso.declarando o juiz de ofício a incompetência17  Recurso em Sentido Estrito (art.Danilo Meneses – Intensivo II Página 11 ..ilegitimidade ad causam: a legitimidade ad causam é condição da ação.litispendência é a situação de o acusado estar respondendo à dois processos penais condenatórios distintos. ainda que oferecida a queixa-crime perante juízo incompetente. assim não se pode entrar com um RESE contra decisão que será do Tribunal.se o juiz rejeita a peça acusatória  Recurso em Sentido Estrito (art. . e não o juiz. e não do juiz. dependendo do caso. Não cabe RESE em relação a exceção de suspeição porque quem decide a suspeição do juiz é o Tribunal. em virtude do princípio da unidade e da indivisibilidade (STF HC 85.ratificação da peça acusatória oferecida pelo outro órgão do Ministério Público. para a jurisprudência a ratificação da peça acusatória não seria obrigatória. 581. estará superada a decadência. 581.oferecimento de nova peça acusatória.caso o Ministério Público Estadual ofereça denúncia perante o juiz estadual e o juiz entenda que a competência é da Justiça Federal. III).a decadência é a perda de um direito que não foi oferecido. . . III). Habeas Corpus ou pode a matéria ser preliminar de apelação). Rede de Ensino Luiz Flávio Gomes – Direito Processual Penal .se o juiz julga improcedente a exceção não cabe recurso (pode caber. . sendo exemplo da ilegitimidade ad causam o Ministério Público entrando com denúncia na ação penal privada. há duas possibilidades: . II).se o juiz anula a instrução processual por ilegitimidade  Recurso em Sentido Estrito (art. Nesse caso. . Em se tratando de órgãos pertencentes ao mesmo Ministério Público e de mesmo grau funcional. 581.se o juiz julga procedente a exceção de ilegitimidade  Recurso em Sentido Estrito (art.Exceção de litispendência: . . sendo que a ilegitimidade ocorre por exemplo quando um menor de 18 anos entra com uma queixa-crime.recursos cabíveis: . mas pode ser ajuizado HC ou ser alegado em preliminar de apelação. a denúncia feita pelo promotor estadual poderia ser aproveitada pelo Ministério Público Federal (procurador federal) ou estaria o procurador obrigado a oferecer nova denúncia? .julgando o juiz improcedente a exceção de incompetência  não há previsão legal. 581. . Obs. . independentemente da classificação que lhe seja atribuída. .137). .nessa exceção podemos abordar tanto a ilegitimidade ad causam quanto a ilegimitidade ad processum: . 581.recursos cabíveis: . . há apenas uma nulidade relativa.

mesmo pedido: quanto ao pedido. a decisão a respeito de um dos fato delituosos não faz coisa julgada em relação aos demais. tornando-se imutável.coisa julgada material: pressupõe a coisa julgada formal e se refere à imutabilidade da decisão projetando-se para fora do processo (ex.coisa julgada é a decisão jurisdicional da qual não cabe mais recurso. tal decisão tem força de definitiva. salvo na hipótese de sentença absolutória que reconheça a inexistência da ação ou da omissão. É correto usarmos a expressão “lide” no processo penal? Conforme a doutrina moderna. . não há a previsão de recurso. salvo se fundada em razões de natureza objetiva). que significa atribuir à alguém a prática de determinado fato delituoso. 8º.mesma causa de pedir: no processo penal tal expressão deve ser substituída pelo termo imputação. . impronúncia). item IV.se o juiz reconhece a litispendência de ofício.no concurso formal. pois extingue o processo sem o julgamento do mérito.Danilo Meneses – Intensivo II Página 12 .: a decisão absolutória em relação à um dos autores do crime não faz coisa julgada em relação aos demais.limites objetivos e subjetivos da coisa julgada: quanto aos limites objetivos. portanto. é fácil concluir que o pedido não serve de elemento para identificar dois processos. . III). mesmo que somente pelo advogado.essa exceção de litispendência tem seu amparo no princípio do ne bis in idem: ninguém pode responder duas vezes pelo mesmo fato delituoso.quando haverá identidade de ações no processo penal? . cabendo apelação.litispendência vem de LIDE. não ao pedido). .: absolvição sumária). dizem respeito ao fato natural imputado ao acusado. .a coisa julgada está ligada à segurança jurídica: a proteção à coisa julgada. . . 18 A sentença absolutória tem caráter absoluto. tem caráter relativo. se o pedido é sempre genérico de condenação. cabível habeas corpus ou poderá argüir-se o fato em questão preliminar de apelação. uma vez que a imutabilidade da sentença condenatória e absolutória imprópria18 não é absoluta. não devemos empregar o termo lide no processo penal pelos seguintes fundamentos: não haveria um conflito de interesses no processo penal + no processo penal sempre deve ocorrer resistência por parte da defesa. na medida em que se admite a revisão criminal e o habeas corpus mesmo após o trânsito em julgado. não há litispendência entre inquérito policial e processo penal.: arquivamento por falta de provas.Observações Finais: . mas seria em tese. no processo penal será sempre um pedido genérico de condenação (o juiz se vincula aos fatos.Exceção de coisa julgada: .recursos cabíveis: . . . pouco importando a qualificação que lhe seja atribuída. os limites subjetivos dizem respeito ao imputado ou imputados (obs. .julgada improcedente a execução. 581. recurso cabível seria o RESE (art. duas ações.identidade de partes: quanto à identidade de partes no processo penal. do decreto 678/92).se o juiz julga procedente a exceção.coisa julgada formal: é a imutabilidade da decisão no processo em que foi proferida (ex. Rede de Ensino Luiz Flávio Gomes – Direito Processual Penal . este princípio está inserido na Convenção Interamericana de Direitos Humanos (art. só se pode falar em litispendência a partir do momento que houver citação válida no segundo processo . .. . no processo penal. esse critério não importa para identificar dois processos.

. .julgada procedente a exceção de coisa julgada.norma processual-material: há duas correntes para defini-la: . 4º). no dia 10 de março de 2008.Direito Intertemporal: . e o julgamento vem a se dar no dia 30/06/2010 e o réu é condenado à 24 anos. . PROCEDIMENTO COMUM ORDINÁRIO . . atos processuais. . meios de prova. caso a primeira série de continuidade delitiva já tenha sido julgada. ou seja.uma primeira corrente (Luiz Fávio Gomes. . mesmo que não doloso contra a vida. tais como o direito de queixa ou de representação.julgada improcedente a exceção. 2º. aplica-se o princípio da aplicação imediata da norma processual (art. prescrição. assim. fiança e todas as demais normas que produzam reflexos no jus libertatis do agente.reconhecendo de ofício a coisa julgada. decadência e perempção. .Regra do Direito Processual -> deve-se observar qual a espécie de norma processual: . CPP – tempus regit actum). nada impede que o acusado seja novamente processado por outra série.corrente ampliativa: é aquela que estabelece condições de procedibilidade.689/08.aplica-se. . . diz que trata-se de norma genuinamente processual. o princípio da irretroatividade da lei penal mais gravosa ou o princípio da ultra-atividade a lei penal mais benéfica. pois é neste momento que a imputação é delimitada. portanto. portanto. os fatos posteriores podem ser objeto de um novo processo. dispõe sobre o conteúdo da pretensão punitiva. o problema surge no as de crime praticado por exemplo.Danilo Meneses – Intensivo II Página 13 . mas nada impede que se use o habeas corpus ou trabalhe o assunto em preliminar de apelação. o recurso correto seria o RESE. A lei que se aplica ao recurso é a lei vigente no momento em que a decisão recorrível foi proferida. caso o crime tenha sido cometido até a entrada em vigor da lei 11. não há previsão de recurso. Rogério Sanches) diz que trata-se de norma processual-material.crime habitual e crime permanente: a coisa julgada refere-se apenas aos fatos ocorridos até o oferecimento da peça acusatória. Em relação a essas normas. Pacceli. prisão preventiva. Denílson). Rede de Ensino Luiz Flávio Gomes – Direito Processual Penal .em se tratando de crime continuado. no caso de norma processual-material (independentemente da corrente adotada). teremos uma decisão com força de definitiva. técnicas do processo. etc. Deve-se analisar o tempus delicti. liberdade condicional.uma segunda corrente.norma genuinamente processual: são aquelas que cuidam de procedimentos. que na verdade tem prevalecido (Nucci.recursos cabíveis: . deve-se ficar atento à data do crime. sendo cabível o recurso de apelação. a uma pena igual ou superior a 20 anos. com posterior unificação de penas pelo juízo da execução (estelionato contra a previdência social). .Regra do Direito Penal -> princípio da irretroatividade da lei penal mais gravosa e princípio da ultra-atividade da lei penal mais benéfica. .processo por novo júri: de acordo com a lei 11. o acusado terá direito ao protesto por novo júri caso seja condenado por um delito. teria ele direito ao protesto por novo júri? Surgem duas correntes: .corrente restritiva: embora disciplinadas em diplomas processuais penais.689 de 9 de agosto de 2008 o procedimento foi extinto (art.

719/08 aos processos em andamento: para se analisar tal ponto. em crimes cuja pena máxima seja igual ou inferior a 2 anos. 28). b) Sistema das fases processuais: cada fase processual pode ser regulamentada por lei diferente. É o sistema adotado pelo código de processo penal. a competência é dos JEC´s). .pois. parágrafo único da lei 9. *obs²: para calcular o quantum da pena em razão de fixação do rito deve-se considerar as qualificadoras. c) procedimento comum sumaríssimo: aplica-se a regra dos JEC´s.Danilo Meneses – Intensivo II Página 14 . podendo tal fenômeno ocorrer em duas hipóteses: complexidade da causa + quando não for possível a citação pessoal do acusado (nos juizados não se admite citação por edital). porém se aplica aos atos processuais a praticar.: crimes de maltrato contra o filho e conexão com o homicídio do vizinho – aplicase o artigo 60. o processo apresenta uma unidade. . Deve-se ainda levar em consideração causas de aumento e de diminuição.homicídio + estupro = procedimento do júri. aquele que oferece às partes maiores oportunidades para o exercício de suas faculdades Rede de Ensino Luiz Flávio Gomes – Direito Processual Penal . Para a doutrina.099/95. c) Sistema do isolamento dos atos processuais: a lei nova não atinge os atos processuais já praticados. só pode ser regulado por uma única lei. cumulada ou não com multa. Portanto. b) procedimento comum sumário: aplicado aos crimes cuja pena máxima seja inferior a 4 anos e superior a 2 anos (uma vez que até dois anos. aplicando-se assim a lei antiga. No caso de concurso de crimes conta-se para fins de determinação do procedimento o quantum de pena dos crimes somados ou exasperados (ex.Procedimento no caso de crimes conexos: . *obs.: se o crime sair dos juizados especiais e for parar no procedimento comum vai ser adotado o procedimento comum sumário. . ou seja. deve ser o procedimento adotado em virtude de sua amplitude. Os procedimentos se classificam em: a) procedimento comum ordinário: aplicado aos crimes cuja pena máxima seja igual ou superior a 4 anos (ex. deve-se observar a regra de 3 sistemas: a) Sistema da unidade processual: apesar de se desdobrar em uma série de atos diversos. de forma a não haver retroatividade da lei nova. . o processo seria composto de cinco fases: fase postulatória + fase ordinatória + fase instrutória + fase decisória + fase recursal. usa-se a causa que menos diminui). submetidos ou não a procedimento especial. mas sim de acordo com a quantidade de pena imposta. nesse momento.Aplicação da lei 11. não há dispositivo semelhante. As agravantes e atenuantes não são levadas em consideração. De acordo com a doutrina. a gravidade do crime não deve ser o critério para se determinar o procedimento no caso de crimes conexos.tráfico + estupro = há controvérsias: de acordo com a antiga lei de drogas. e no caso de causas de diminuição. o procedimento seria determinado em virtude do crime mais grave (art.: furto). sendo possível em tese a aplicação dos benefícios da transação penal aplicado ao crime de menor potencial ofensivo).Classificação do procedimento comum: o procedimento não mais varia de acordo com o tipo da pena privativa de liberdade. na nova lei de drogas. porém. sempre buscando a maior pena (no caso de causas de aumento. usa-se a que mais aumenta. adquire-se direito à observância das regras recursais então vigentes.

já contra a rejeição. só pode ser essa inépcia argüida pela defesa até o momento da sentença. enquanto que no procedimento sumário é 5. por se tratar de direito material. 8 – alegações finais (revogado art. no embate então. 395 do CPP) . deveria dar ciência às partes. 21 Caso o juiz a determinasse.oferecimento da peça acusatória: .719/08 DEPOIS DA LEI 11.Análise do antigo procedimento comum ordinário: 1 – oferecimento da peça acusatória19. . devendo rejeição ser usada no mesmo sentido de não recebimento. do procedimento da lei de drogas e do procedimento comum ordinário.rejeição da peça acusatória: . Hipóteses de não recebimento: ANTES DA LEI 11.ausência dos pressupostos processuais: a) de existência: demanda (veiculada pela peça acusatória) + jurisdição (competência/imparcialidade do juízo) + partes que possam estar em juízo. Se a inépcia não for avaliada pelo juiz no momento da rejeição. 500). sendo este último mais amplo.fato narrado não constituir crime. 19 Alguns doutrinadores entendem que o processo têm início com o oferecimento e outros entendem que o início se dá com o recebimento.alguns doutrinadores diziam que o não recebimento estaria ligado à aspectos processuais e a rejeição à aspectos materiais. 22 Inépcia é inobservância dos requisitos obrigatórios da peça acusatória: a exposição do fato e a qualificação do acusado são imprescindíveis. 395). Rede de Ensino Luiz Flávio Gomes – Direito Processual Penal . . 9 – possibilidade de diligências ex officio pelo juiz21. . 7 – fase de diligências (revogado art. .719/08 (art. Esse fundamento se dá com base no RESE interposto pelo Ministério Público contra o não recebimento da denúncia.com a corrente tradicional (que ganha uma força da letra da lei – art.novo procedimento comum ordinário: .inépcia22 da peça acusatória. 20 Eram realizadas em duas audiências distintas: uma para ouvir as testemunhas de acusação e outra para ouvir as testemunhas de defesa. cabendo ao acusado contra-razoar (nesse sentido: Guilherme de Souza Nucci). 10 – sentença.processuais (mesmo diante do artigo 28 da antiga lei de drogas a doutrina já advogava este entendimento). ele pode aplicá-la depois? De acordo com a jurisprudência. 2 – recebimento da peça acusatória. 6 – oitiva das testemunhas de acusação e defesa20. deve adotá-lo. 4 – interrogatório do acusado. Eles sustentavam que contra o não recebimento. 499). caberia apelação.o número de testemunhas no procedimento ordinário é de 8 testemunhas.extinção da punibilidade.Danilo Meneses – Intensivo II Página 15 . caberia o RESE. sendo cabível sempre o RESE. apesar de alguns questionamentos doutrinários. . . Mesmo esses doutrinadores dizem que com a nova lei. 3 – citação: por mandado ou por edital. o processo já se iniciou. 35 do CPPM) o processo se inicia com o recebimento da peça acusatória. Doutrinadores mais modernos dizem que uma vez já oferecida a peça acusatória. 5 – defesa prévia (revogado art. .

por alguns chamada de resposta preliminar. .recebimento da peça acusatória: . . Caso o juiz rejeite a peça acusatória do promotor. sendo ainda muito importante que não se confunda com defesa prévia e resposta à acusação. Na verdade.lei de drogas (art.306 e Súmula 33027 do STJ). no HC 85. c) interesse de agir.” Rede de Ensino Luiz Flávio Gomes – Direito Processual Penal .429/92).lei de imprensa25 (art. 27 “É desnecessária a reposta preliminar de que trata o 514 o CPP na ação penal instruída por inquérito policial.a rejeição da peça acusatória só vai produzir coisa julgada formal.crimes funcionais afiançáveis (art. .não houver justa causa24 para a ação penal.Danilo Meneses – Intensivo II Página 16 .779 manifestou-se contrariamente à súmula 330 (orientando-se no sentido de que a inobservância geraria nulidade absoluta). §7º da lei 8. A defesa prévia podia ser apresentada tanto pelo acusado quanto pelo defensor. .a defesa preliminar deve ser apresentada entre o oferecimento e o recebimento da peça acusatória. O STF.lei de improbidade administrativa26 (at. 17.011). 514 do CPP). 43. uma vez que ela estava prevista no revogado artigo 395. .b) de validade: originalidade da demanda (inexistência de litispendência e de coisa julgada) + inexistência de vícios processuais . não existe em todos os procedimentos. em julgado mais recentes o próprio STF tem entendido se tratar de uma nulidade relativa (nesse sentido: HC 94.procedimento originário dos tribunais (art.a defesa preliminar só pode ser apresentada por advogado.038/90). e se dava após o interrogatório do acusado. A defesa preliminar está prevista em alguns casos: .343/06). ficando mais fácil corrigir o defeito processual que deu origem à peça acusatória. pode cair em prova. . o que poderia dar ensejo à nulidade seria a ausência de intimação para apresentar a defesa prévia. b) legitimidade ad causam. 24 Justa causa é um lastro probatório mínimo para a ação penal. a ausência de notificação para apresentação de defesa preliminar seria causa de mera nulidade relativa (HC 72.juizados especiais criminais. visando impedir a instauração de lides temerárias.ausência de condições da ação. A defesa prévia já não existe mais de acordo com o novo rito. Segundo a doutrina e jurisprudência. 55 da lei 11. deve este usar-se do RESE.ausência das condições da ação23: a) possibilidade jurídica do pedido. somente alguns procedimentos especiais irão tratar do assunto. Muitas vezes não vale a pena entrar com o RESE. Em caso de ausência de defesa preliminar. sendo que sua ausência não era causa de nulidade. . 4º da lei 8.defesa preliminar: essa defesa preliminar. inicialmente. para o STJ. . . §1º da lei de imprensa). . porém. . 26 Vale lembrar que essa lei não tem natureza criminal. 23 Para alguns (corrente mais moderna) doutrinadores haveria condições da ação próprias do processo penal: fato aparentemente criminoso + punibilidade concreta + legitimidade para agir + justa causa. 25 Embora a lei de imprensa tenha sido declarada inconstitucional.

desde que não fosse caso de rejeição. para prova de magistratura.resposta à acusação: prevista no artigo 396-A. afim de que o recebimento se desse logo após o oferecimento da peça acusatória.possibilidade de absolvição sumária. . da intimação ou da notificação estará sanada. o processo terá completada sua formação quando realizada a citação do acusado. .notificação do acusado. .recebimento. para que possa se defender. o projeto foi alterado no Congresso Nacional. o que se mostra um tremendo absurdo.” Página 17 Rede de Ensino Luiz Flávio Gomes – Direito Processual Penal . uma segunda corrente também surgiu. . e sustentava que a peça acusatória deveria ser recebida após a apresentação da resposta à acusação. .de acordo com a jurisprudência. . Porém. enquanto a segunda corrente se baseava no enunciado do artigo 399 do mesmo diploma normativo.citação.+ a falta ou nulidade da citação. é impossível que o processo esteja completo sem que antes tenho ocorrido o recebimento da peça acusatória. assim. . mostrando que não há nenhum dos requisitos negativos do artigo 395 que impedem o recebimento da denúncia. indica-se que observe o artigo 395 ao receber a denúncia.. A doutrina tem dito que a apresentação dessa resposta seria obrigatória. A primeira corrente teria fundamento no artigo 396 do CPP. se assim acontece. podendo ser apresentada somente por advogado. uma nulidade absoluta não pode ser sanada. salvo nas hipóteses em que haja defesa preliminar no procedimento.é o ato que se leva ao conhecimento do acusado a notícia de que contra ele foi recebida peça acusatória. com imediata interrupção da prescrição. Para a segunda corrente a absolvição sumária ocorreria antes do recebimento da peça acusatória.resposta à acusação. Em regra.recebimento da peça acusatória. No que se refere à ampla defesa. Ora. tem prevalecido a primeira corrente. . .momento do recebimento da peça acusatória: uma primeira corrente dizia que a peça acusatória deveria ser recebida logo após o oferecimento.. corrigida. Mas por via de exceção. . PRIMEIRA CORRENTE SEGUNDA CORRENTE .. A divergência surgiu pelo fato da lei usar o termo “recebimento” em dois momentos distintos. o recebimento da peça acusatória não precisa ser fundamentado. antes de o ato consumar-se.eventual vício relacionado com a citação será considerada nulidade absoluta. o artigo 570 do CPP diz que “*. Apesar da intenção dos autores do anteprojeto ter sido a criação de uma defesa preliminar.oferecimento da peça acusatória. caso não seja dada a oportunidade da resposta à acusação. nos moldes do que ocorre em outros procedimentos especiais. uma vez que de acordo com o artigo 363 do CPP. desde que o interessado compareça. . a citação caracteriza o chamamento do acusado para que possa se defender.oferecimento da peça acusatória. . gera-se nulidade absoluta. A citação acaba sendo um misto de contraditório e da ampla defesa. Como o tema é novo. . após o recebimento da peça acusatória). O contraditório se dá pelo fato da comunicação ao acusado acerca da existência de um processo. . os tribunais superiores ainda não se manifestaram.possibilidade de absolvição sumária.defesa preliminar. Porém. será apresentada após a citação do acusado (logicamente.sem sombra de dúvidas. e desde que não fosse caso de absolvição sumária.Danilo Meneses – Intensivo II . embora declare que o faz para o único fim de argui-la.citação do acusado: .

no processo penal.hipóteses anteriores à lei 11.citação da pessoa jurídica: a citação se dá na pessoa de seu representante legal.revelia -> é importante notar que o artigo 366 só se aplica ao citado por edital.Danilo Meneses – Intensivo II Página 18 . somente 28 29 Para o réu citado por hora certa também se aplica a regra da revelia. posicionou-se no sentido da aplicação da parte da norma processual de forma retroativa. pode ocorrer revelia no processo penal.719/08: a) acusado em local incerto ou não sabido29.: como a redação do artigo 366 é de 1.. . aplica-se o artigo 366 do CPP (que teve a alteração alterada pela lei 9.citação do inimputável: o inimputável deve ser citado na pessoa de seu curador. se traduzindo na desnecessidade de intimação do acusado para a prática dos demais atos processuais. mas essa posição não prosperou.271/96. b) acusado que se ocultava para não ser citado. Assim. d) qualificação incerta do acusado. . . com mandado de citação). Rede de Ensino Luiz Flávio Gomes – Direito Processual Penal .o artigo 366 trás algumas conseqüências: * suspensão do processo -> norma processual. d) qualificação incerta do acusado. a revelia no processo penal não acarreta a presunção de veracidade dos fatos.citação por hora certa: . b) acusado que se ocultava para não ser citado. mas essa nova redação fora vetada pelo presidente da república.efeitos da revelia no processo penal: na prática o efeito é único. A melhor das conclusões é a de que permanece em vigor o caput do artigo 366 com a redação da lei 9. Há algumas exceções a essa regra: . . ou muda de residência sem comunicar o juiz. c) acusado em local inacessível.271/96). .996. . A citação por edital deve se dar à título excepcional. * suspensão da prescrição -> norma de direito material gravosa. citado ou intimado pessoalmente 28 . . Obs.a regra. c) acusado em local inacessível. não comparece injustificadamente. A lei 11. É comum oficiar algumas empresas privadas prestadoras de serviço público para ver se encontra o acusado. salvo na hipótese de sentença condenatória (em decorrência da sua capacidade autônoma de recorrer). O artigo 366 tem natureza mista.719/08: a) acusado em local incerto e não sabido. surge a polêmica em relação á aplicação do artigo 366 aos crimes cometidos antes de 1.996: Luiz Flávio Gomes. é a de que a citação se dê de forma pessoal (oficial de justiça. Só se pode citar por edital após esgotar os meios de citação do acusado. no caso em que o acusado. à época. a lei também trouxe uma nova redação do caput do artigo 366.citação por edital: .citação por edital -> .citado o réu por edital. impedindo a retroatividade da parte material da norma.719/08 revogou os dois parágrafos do artigo 366 (§1º e §2º) e além disso. .hipóteses posteriores à lei 11.será citado por hora certa.

.antes da lei 11. quando o acusado se ocultou para não ser citado pessoalmente. que não pode ser substituída por nova citação agora por hora certa. aplica-se a nova regra? *1ª Corrente -> não é possível a citação por hora certa aos acusados já citados por edital em momento anterior à vigência da lei (22/08/08).no que se refere à produção antecipada de prova urgente. a suspensão do processo e da prescrição. deixará de ocorrer a suspensão da Rede de Ensino Luiz Flávio Gomes – Direito Processual Penal . pois trata-se a citação anterior de ato perfeito e acabado.hipótese de aplicação: a) acusado que se oculta para não ser citado.sendo aplicável aos crimes cometidos após a entrada em vigor da lei 9. mas sim o prosseguimento do feito. . .o artigo 366.1ª Corrente: admite-se como tempo máximo de suspensão do processo o tempo máximo de prescrição previsto no Código Penal (20 anos). . RE 460. *2ª Corrente -> o artigo 362 deve retroagir no tempo para alcançar os processos suspensos em virtude de citação por edital. surge algumas correntes: .no dos processos já em curso.719/08.Danilo Meneses – Intensivo II Página 19 .2ª Corrente: admite-se como tempo de suspensão do processo o tempo de prescrição pela pena máxima em abstrato do crime previsto na denúncia combinada com a regra do artigo 109 do CP.agora. Para o STJ.271/96 (foi essa a posição que prosperou). sobre o simples argumento de que a testemunha pode se esquecer dos fatos. b) haja suspeita de ocultação. a ocultação acarretaria a citação por edital. . a prova testemunhal. Promotores e procuradores argumentam que como as testemunhas esquecem fácil dos fatos. a citação será feita por hora certa. poderia se cogitar se a prova testemunhal é ou não é urgente. devendo essa prisão ficar condicionada às hipóteses do artigo 312 do CPP. . a prova testemunhal é urgente. Isso porquê. com a citação por hora certa. Quanto ao prazo de duração da suspensão. após o que. admite-se que a prova testemunhal seja urgente.requisitos/pressupostos: a) acusado procurado por três vezes em seu endereço e não seja encontrado. com a conseqüente suspensão do processo.719/08. vai ser aplicado logo após a citação por edital e antes da resposta à acusação . quando então devera se declarada a extinção da punibilidade. não haverá suspensão do processo. nomeando o juiz um advogado dativo.citação por hora certa -> .3ª Corrente: a suspensão do processo e da prescrição deve perdurar por prazo indeterminado (STF. portanto.971).a prisão preventiva no artigo 366 jamais poderá ser considerada uma prisão automática. a prescrição voltaria a correr novamente (sempre prevaleceu nos Tribunais Estaduais). . Por motivo de idade avançada ou outro motivo que indique que a testemunha não mais poderá dar o testemunho. . . não é considerada urgente. depois da lei 11.

a mesma justificação do processo civil). o defensor não poderá abandonar o processo. surgindo a necessidade do procedimento de justificação.absolvição sumária: .resposta à acusação: . por ser benéfica ao acusado (Andrey Borges de Mendonça adota essa posição). . c) Arguição de preliminares. deve o magistrado31 aplicar por analogia o artigo 409 do CPP.formação do processo: . sob pena de multa de 10 a 100 salários mínimos.compatibilidade com a Convenção Americana de Direitos Humanos: . Porém. se não o fizer nesse momento. sobretudo. comunicado previamente ao juiz.conteúdo da resposta à acusação: a) Juntada de documentos e de justificações -> justificações é prova pré-produzida que será posteriormente analisada em juízo (basicamente.” .prescrição.o art. b) Apresentação do rol de testemunhas30 ou requerer alguma prova que seja necessária.resposta à acusação é diferente de defesa prévia e que é diferente de defesa preliminar.de modo a se observar o princípio do contraditório. . e não da juntada aos autos do mandado ou da carta precatória ou de ordem. há preclusão (perante a lei). deve a norma retroagir.o artigo 363 do CPP reza que o processo terá completada a sua formação quando realizada a citação do acusado. . II. A justificação existe no processo penal porque infelizmente o inquérito é conduzido para colheita de informações que auxiliam o órgão acusatório. Nos termos do artigo 265 do CPP. contam-se os prazos da datada da intimação. Diante desse caráter híbrido do artigo 362. .em caso de não apresentação da resposta à acusação. a súmula 710 do STF. o advogado pode posteriormente pedir para que ouçam essas testemunhas como testemunhas de juízo. “b” da Convenção assegura à todos os acusados o direito da comunicação prévia e pormenorizada da acusação. dizendo que “*. posição essa que deve ser adotada somente em prova da defensoria.Danilo Meneses – Intensivo II Página 20 .+ no processo penal.oitiva do Ministério Público: . mas geralmente. 31 Essa exigência se dá principalmente no caso em que o juiz prever a possibilidade de absolvição sumária. . nomeia-se defensor dativo. 30 A não apresentação do rol de testemunhas nesse momento. no curso do processo penal. Nesse sentido.a absolvição sumária já vem sendo chamada por alguns doutrinadores de julgamento antecipado da lide32. . pelo princípio da busca da verdade pelo juiz (ou verdade real)... é muito comum que o delegado não aceite ouvir uma testemunha que a defesa indica. . caso a defesa apresente documentos dos quais o Ministério Público não tinha prévia ciência. Rede de Ensino Luiz Flávio Gomes – Direito Processual Penal . senão por motivo imperiosos.o prazo para a apresentação da resposta à acusação se dá em 10 dias contados após a efetiva citação (não da juntada). 8º. daí alguns sustentam a incompatibilidade com esse dispositivo.

se a decisão não depender de outras provas.” 33 A doutrina entende que a absolvição sumária do júri somente pode se dar nesse momento. para que se absolva em relação à causa excludente da ilicitude. Rede de Ensino Luiz Flávio Gomes – Direito Processual Penal .no caso da extinção da punibilidade. excludente da culpabilidade (salvo c) fato não constituir infração penal inimputabilidade).a decisão da absolvição sumária deve ser fundamentada. 581. No procedimento do júri. sendo o ato decisório atacado via RESE (art. apresentação da resposta à acusação. em despacho fundamento. deve) ser declarada a qualquer momento. b) existência manifesta de causa excludente da culpabilidade. salvo inimputabilidade c) o fato narrado evidentemente não constitui crime. ABSOLVIÇÃO SUMÁRIA NO ABSOLVIÇÃO SUMÁRIA NO PROCEDIMENTO COMUM PROCEDIMENTO DO JÚRI . do crime (excludente da ilicitude).. d) estiver extinta a punibilidade do agente. ou a improcedência da acusação. no prazo de 5 dias. a dúvida autoriza a absolvição. não podendo se dar anteriormente. já haviam dois exemplos: o primeiro era o artigo 516 do CPP (no procedimento de funcionários públicos) dizia que o juiz rejeitará a queixa ou a denúncia. excludente da ilicitude. com a conseqüente imposição da medida de segurança. 34 No momento da absolvição sumária.a decisão de absolvição sumária faz coisa 32 A absolvição sumária nos moldes atuais pode ser exemplo de julgamento antecipado da lide.36 . c) fato narrado evidentemente não d) demonstrada causa de isenção de pena constituir crime (atipicidade). sob pena de violar o artigo 93. . CPP). logo após a . 36 Mesmo que não prevista expressamente.038/90 (regular a competência originária dos tribunais). tendo natureza declaratória (súmula 18 do STJ). 34 b) provado não ser o acusado autor ou b) existência manifesta de causa partícipe do fato delituoso.o recurso cabível é apelação.hipóteses de absolvição sumária (art.no início do processo. . desde que a inimputabilidade seja sua única tese defensiva. se convencido pela resposta do acusado ou do seu defensor. *HIPÓTESES* *HIPÓTESES* a) existência manifesta de causa a) provada a inexistência do fato. que o inimputável pode ser absolvido sumariamente. deve-se ter certeza. dizia que “o relator pedirá dia para que o Tribunal delibere sobre o recebimento. mas apenas reconhece que o estado não pode impor uma sanção. a rejeição da denúncia ou queixa. que no artigo 6º.a grande novidade trazida pela lei 11.Danilo Meneses – Intensivo II Página 21 . vale lembrar. (atipicidade). o segundo exemplo está na lei 8.ao final da 1ª fase33. o juiz pode declarar a extinção da punibilidade do júri. uma vez que a extinção da punibilidade pode (ou melhor. Antes dessa nova regra. da inexistência do crime ou da improcedência da ação. 397 do CPP): a) existência manifesta de causa excludente da ilicitude. . agora passa a ser exigida no procedimento comum. 35 Não havia necessidade da previsão dessa hipótese. (excludente da culpabilidade) ou exclusão 35 d) quando estiver extinta a punibilidade . a sentença não é absolutória. IX da Constituição. Na sentença final. como no caso do procedimento comum. VIII.719/08 é que a absolvição sumária que era somente prevista no Tribunal do Júri. .

caso ele não respeite essa regra pode gerar nulidade absoluta (segundo o STJ. . No que se refere à desistência da oitiva de testemunhas. em junho de 2009). . que consiste em obrigar o juiz a ficar em contrato direto com as partes e com as provas. onde as partes formulam as perguntas diretamente às testemunhas. A testemunha que morar fora da jurisdição do juiz será inquirida pelo juiz do lugar de sua residência. A audiência una traz o princípio da oralidade. Rede de Ensino Luiz Flávio Gomes – Direito Processual Penal . sendo a orientação correta de que sim. foi mais categórico). A inversão da ordem de oitiva das testemunhas é ponto que está gerando muita polêmica. . buscando a proximidade entre o julgamento e a data do fato delituoso. deva arrolar as testemunhas já arroladas pela acusação). Mesmo que a pena mínima cominada seja superior a um ano. Outra dúvida seria a possível expedição de carta precatória. . No plenário do júri. para esse fim. . carta precatória. devendo ser comprovado o prejuízo. eventual inversão da ordem caracteriza nulidade absoluta.julgada formal e material .099/95 prevê o instituto em caso de pena mínima cominada em abstrato não superior a 1 ano. porém a jurisprudência diz que eventual inversão da ordem é causa de nulidade relativa. podendo o juiz complementar a inquirição (art. buscando a redução do procedimento. assim.princípio da identidade física do juiz. o caminho é aplicar analogicamente o artigo 28 do CPP (não podendo o juiz conceder de ofício). O juiz não gosta do cross examination. sendo plenamente possível a carta precatória ou rogatória (no que se refere à carta rogatória. expedindo-se.suspensão condicional do processo -> o art. é que surge a audiência una. . 212 do CPP).oitiva do ofendido: o ofendido pode ser levado a juízo coercitivamente.procedimento sumário: no prazo de 30 dias. Deve-se aplicar subsidiariamente o disposto no artigo 132 do CPC (uma vez que este regulamentou melhor.Danilo Meneses – Intensivo II Página 22 . . uma vez que o §2º do artigo 399 diz que o juiz que presidiu a instrução deverá proferir a sentença. caso entenda necessário. que desencadeia alguns princípios: . segundo a doutrina. assim. 89 da lei 9. a sua requisição precisa da comprovação da sua imprescindibilidade). é possível a qualquer momento. inclusive durante a própria audiência em relação ás testemunhas que ainda serão ouvidas (isso justifica o fato de que o defensor. Caso o promotor se recuse a conceder a suspensão.princípio da imediatidade.designação de audiência una de instrução e julgamento: . porém. O CPP diz que pode o juiz julgar sem que a precatória volte: alguns doutrinadores (não é maioria) sustentam que essa regra viola o direito à prova. O sistema do cross examination. por violação ao princípio da ampla defesa.procedimento da audiência una de instrução e julgamento: .oitiva das testemunhas: no procedimento ordinário o número máximo é de 8 enquanto no procedimento sumário o número máximo é de 5 testemunhas.trazendo a idéia de concentração. intimadas as partes.procedimento ordinário: no prazo de 60 dias. somente deve se sujeitar a exame pericial com sua autorização. O CPC prevê algumas exceções. com prazo razoável.se não for o caso de suspensão condicional do processo. lembrando que a expedição da precatória não suspende a instrução criminal. será cabível a suspensão condicional do processo quando a pena de multa estiver cominada de maneira alternativa (STF já consolidou esse entendimento).

com prazo de vinte minutos para o Ministério Público e para a defesa. tais alegações eram apresentadas por escrito. prorrogáveis por mais 10 minutos. portanto. . mais 10 minutos. Caso o juiz tenha dado as partes a prerrogativa para apresentar memoriais em escrito e o advogado da parte não a apresente. Prova impertinente é aquela que não diz respeito a questão objeto de discussão no processo. Prova protelatória é a que visa exclusivamente ao retardamento do processo (ex. ou seja. o advogado de defesa.Danilo Meneses – Intensivo II Página 23 . . Os memoriais que servem para qualquer crime (memoriais tabajara 37 ). ele nem vai na audiência.alegações orais: antes das alterações. em caso de provas irrelevantes. memoriais altamente genéricos. com as alterações trazidas pela lei 11. tempo individual. A não 37 Renato Brasileiro e suas doutrinas. Não é dado ao juiz valer-se de poderes premonitórios para firmar a irrelevância da prova. nas seguintes hipóteses: deferimento de pedido de diligências que não pode ser realizada imediatamente + complexidade da causa e/ou pluralidade de acusados. caso após a entrada em vigor da lei 11. novo interrogatório deve ser realizado.: art. A idéia do artigo é dizer respeito a alguma diligência cuja necessidade tenha surgido ao longo da instrução (esse sim é o verdadeiro objetivo desse pedido de diligência). não o fazendo. deve ser feita no momento da resposta à acusação. ahauhauha. o juiz não pode julgar. a regra é que essas alterações ocorram de forma oral. .esclarecimentos do perito: geralmente. por se tratar de norma processual material. Por via de exceção (que na verdade. Atualmente. provas impertinentes e provas protelatórias. Rede de Ensino Luiz Flávio Gomes – Direito Processual Penal .719/08. Prova irrelevante é aquela que apesar de tratar do objeto da causa.uma vez instalada a sessão de julgamento. . Porém. ou até mesmo sua não apresentação. os esclarecimentos dos peritos se dão por escrito. a desistência de testemunhas arroladas depende da concordância da parte contrária.719/08 ainda não tivesse ocorrido o encerramento da instrução. sob pena de. deve haver requerimento com 10 dias de antecedência. ou seja. não possui aptidão de influenciar o julgamento da causa. de acordo com o revogado art. 500. assim a perícia deve ser pedida no momento da peça acusatória pela acusação. por parte do juiz.acareação: . antigamente era feita por escrito. atualmente deve ser feito o pedido na própria audiência. seja a regra) as alegações podem se dar de forma de memoriais (alegações escritas). do juiz presidente e dos jurados. Em se tratando de mais de um acusado. tendo nesse caso. Advogado do assistente da acusação tem direito à 10 minutos. Caso seja necessário ouvir o perito. 222-A).interrogatório do acusado: em relação aos processos cuja instrução criminal já estivesse concluída em 22 de agosto de 2008 (data da entrada em vigor da nova lei) não será necessária a realização de novo interrogatório. ser-lhe nomeada a defensoria pública. não é dado ao juiz o poder de proferir sentença sem a apresentação de alegações orais ou de memoriais por parte da defesa. sob pena de nulidade absoluta por violação ao princípio da ampla defesa (súmula 523 do STF). faz com que o juiz deva intimar o acusado para que constitua um novo advogado.pedido de diligências: com previsão no artigo 499. no cotidiano. já na defesa.reconhecimento de pessoas e coisas: . O indeferimento pode se dar. O prazo para apresentação desses memoriais é de 5 dias (advogado dativo e defensor tem prazo em dobro).

o juiz verifica que trata-se de crime de menor potencial ofensivo: o juiz poderia julgar em função da perpetuatio jurisdictiones. se defende dos fatos que lhe são imputados. §1º diz expressamente que. atribui-lhe definição jurídica diversa. descobre-se a presença de violência ou grave ameaça. estaria ocorrendo violação aos seguintes princípios: ampla defesa e contraditório. sob pena de violação ao princípio da non reformatio in pejus. que diz que é cabível a suspensão condicional do processo. com a conseqüente extinção da punibilidade. em virtude da emendatio libelli o juiz verifica que a conduta da peça acusatória teria pena mínima de 1 ano ou menos. sendo acusado de furto. deve o juiz aplicar o artigo 28 do CPP. porém. o juiz procederá de acordo com a lei (prevalece a posição de que a suspensão condicional do processo depende do oferecimento de proposta. em se tratando de recurso exclusivo da defesa. . na desclassificação do crime e na procedência parcial da pretensão punitiva). a situação do acusado não poderá ser agravada com a alteração da classificação do crime para uma pena mais grave. Durante a oitiva do vovô. Caso. mas como isso não é possível (princípio da indisponibilidade). 617 do CPP).Danilo Meneses – Intensivo II Página 24 . a situação do acusado não poderá ser agravada (art.sentença: com base no princípio da correlação entre acusação e sentença o acusado. Portanto. seja por parte do querelante). aplica-se a mutatio libelli. havendo possibilidade de proposta de suspensão. a sentença deve guardar plena consonância com o fato descrito na peça acusatória. ainda que em consequência tenha que aplicar pena mais grave. não podendo dele se afastar sobe pena da violação aos princípios da ampla defesa e do contraditório. ou deve remeter os autos ao juízo competente? Se em virtude da emendatio libelli o juiz reconhecer que a infração penal é da competência de outro juízo. no caso de crime doloso contra a vida) nos termos do artigo 383. O artigo 383. com posterior oitiva da defesa. Em função do princípio da non reformatio in pejus. deve observar o procedimento do artigo 89 da lei dos juizados (súmula 337 do STJ. mesmo em se tratando de erro material (ex. é possível que o tribunal aplique a emendatio libelli. Nesse caso é impossível que o magistrado condene o acusado pelos fatos apurados na instrução. . Relacionado ao princípio da correlação entre acusação e sentença está a emendatio libelli e mutatio libelli. Exemplo claro é o vovô assaltado perto do banco que paga a aposentadoria.a emendatio libelli (art. seja por parte do MP. correlação entre acusação e sentença. no processo penal. A não apresentação de memoriais pelo advogado do querelante é causa de perempção. uma vez que ele deixou o dinheiro fácil no bolso da frente e pegaram sem que ele visse. estando-se diante de um crime de roubo. no momento da emendatio. sem modificar a descrição do fato contido na peça acusatória. §2º do CPP. A emendatio libelli pode acontecer tanto na ação penal pública quanto na ação penal privada. Se o acusado se visse condenado. Nessa hipótese.: erro no cálculo da pena). No momenta da sentença. a este serão remetidos os autos (tanto na remessa para os juizados como a remessa para o juízo sumariante. o próprio sistema acusatório. devendo o MP aditar a peça acusatória.apresentação de memoriais pelo Ministério Público seria uma tentativa de desistência da ação penal. no caso de recurso exclusivo da defesa. por esse motivo. Caso.mutatio libelli ocorre quando durante a instrução processual surge prova de circunstância ou elementar não contida na peça acusatória. 383 do CPP) ocorre quando o juiz. A súmula 696 do STF traz orientação no mesmo sentido. não pode o juiz condenar por crime de Rede de Ensino Luiz Flávio Gomes – Direito Processual Penal . . pois tais fatos não constaram da acusação e deles não teria se defendido o acusado.

reduzido a termo (embora na prática o aditamento em regra é feito escrito. e posteriormente. * Comparação entre a antiga redação do artigo 384 do CPP com sua nova redação -> na lei antiga. mas já na redação nova o legislador referiu a “elementos e circunstância”. defesa se refere à “defesa técnica”. regra que ainda é criticada. a qual não estará acobertada pelo manto da coisa julgada. sendo posteriormente. havia sempre a expressão “o juiz baixará o processo”. no prazo de 5 dias). nada impede que o órgão ministerial ofereça nova denúncia pela imputação superveniente. A mutatio libelli está prevista no artigo 384 do CPP. igual ou inferior à anterior. Caso o Procurador Geral se recuse a fazer o aditamento. que a muito se assemelha com a rejeição da própria peça acusatória). caput). há doutrinadores dizendo que. aplica-se. Caso o órgão do MP não venha a fazer o aditamento. o legislador se referiu às “circunstâncias-elementares”. posteriormente haverá oitiva da defesa38 (prazo de 5 dias). Essa nova instrução não necessariamente deve ocorrer. 384. Quando o juiz já tiver elementos suficientes e já tiver conduzido a audiência pensando na mutatio libelli. como de costume. na medida em que o acusado se via condenado por crime do qual não havia sido acusado. não mais podendo condenar o acusado pelo fato inicialmente descrito na denúncia. é cabível. sempre deverá ocorrer o aditamento. o aditamento pode ser feito oralmente na audiência (regra do CPP. Na redação antiga. era possível que o acusado fosse condenado tanto pela imputação originária quanto pela imputação superveniente. para que depois não seja necessária nova instrução. Na antiga redação do artigo 384. A nova redação não admite menção a essa “imputação implícita”. a pena se mantivesse igual ou inferior à pena do fato descrito na denúncia.Danilo Meneses – Intensivo II Página 25 . Na nova redação. Diante da inércia do MP. independentemente se da nova imputação resultar pena mais grave. Caso o juiz rejeite o aditamento. o juiz estaria pré-condenando). se em decorrência da nova definição jurídica do fato. o juiz nada poderá fazer senão absorver o acusado caso entenda que a imputação originária não restou comprovada. não da prática). o RESE será absorvido pela apelação com base no artigo 593. Na redação antiga. uma vez feito e recebido o aditamento pelo magistrado. Na ocasião em que o MP faz o aditamento. uma vez que a doutrina já criticava bastante essa hipótese por ferir o princípio da ampla defesa e do contraditório. Nesse caso. Rede de Ensino Luiz Flávio Gomes – Direito Processual Penal . esse aditamento deve se dar de maneira oral na própria audiência uma (em regra). Recebido o aditamento. Com a nova redação do artigo 384. o artigo 28 do CPP. Diante do novo §4º do artigo 384. 28 do CPP). fica este adstrito aos seus termos. bastando que o juiz abrisse vista à defesa para que se manifestasse no prazo de 8 dias (art. levando a questão ao PGJ. 38 39 Nesse caso. como o interrogatório do acusado é último ato. o juiz deve acionar o procurador geral (art. de acordo com a doutrina. Em regra. o juiz deverá realizar novo interrogatório do acusado (como se fosse uma nova instrução39). os atos remetidos ao juiz (para receber o aditamento). o aditamento deverá ser espontâneo. quando surgir prova de elementar ou circunstância não contida na acusação. seguindo o procedimento normal (lembrando que o interrogatório do acusado se dá no final). Criticavam a conduta do juiz baixar o processo para que o Ministério Público aditasse (na verdade. não haveria necessidade de aditamento. §4º. o legislador admitida uma “imputação implícita”. Na redação antiga. RESE (uma vez que é cabível RESE quanto à rejeição da peça acusatória. devendo o MP fazer o aditamento da peça acusatória. o juiz já pode tratar esse último ato com ênfase no aditamento. sendo a sentença proferida em seguida.roubo (sob pena de ser condenado por um crime que não lhe foi imputado). Esse dispositivo era criticado pela doutrina por violar o sistema acusatório. Porém. teoricamente.

* fato novo VS fato diverso -> o fato é novo quando os elementos do seu núcleo essencial constituem acontecimento criminoso inteiramente diferente daquele resultante dos elementos do núcleo essencial da imputação.1) imputação alternativa objetiva ampla -> é aquela que incide sobre a ação principal (ex.: furto + fato diverso = roubo. * mutatio libelli VS ação penal pública e ação penal privada -> de acordo com a redação do artigo 384 caput. c) imputação alternativa quanto ao momento -> é o momento da imputação que distingue nas duas hipóteses: c. sendo o caminho correto o pedido de absolvição por parte do MP em relação à imputação e em seguida oferecer nova denúncia (podendo utilizar a prova emprestada).2) imputação alternativa superveniente -> é aquela que surge à partir do aditamento da peça acusatória nos casos de mutatio libelli.1) imputação alternativa objetiva restrita -> é aquela que incide sobre uma qualificadora (ex. não sendo admitida pela doutrina e pela jurisprudência por violar a ampla defesa. Rede de Ensino Luiz Flávio Gomes – Direito Processual Penal .Danilo Meneses – Intensivo II Página 26 . como se dá quando os envolvidos se acusam reciprocamente (ex. o juiz fica adstrito aos termos do aditamento. onde a denúncia sempre vem qualificada. receptação + fato novo = furto). uma vez que não se sabe quem iniciou a agressão).: dúvida entre corrupção passiva praticada pelo funcionário público e corrupção ativa praticada pelo particular). há dúvida em relação ao autor e em relação ao crime praticado (ex. diante de fato novo. b) imputação alternativa subjetiva -> refere-se ao sujeito ativo da imputação.: pancadaria no final da balada. Tecnicamente.1) imputação alternativa originária -> a alternatividade está contida na própria peça acusatória. só é possível a mutatio libelli em crimes de ação penal pública ou no caso de ação penal privada subsidiária da pública. porém com o acréscimo de algum elemento que o modifique. c. a.719/08 o acusado poderia ser condenado tanto pela imputação originária quanto pela imputação superveniente.: homicídio. O fato é diverso quando os elementos do seu núcleo essencial correspondem parcialmente aos do fato da imputação. ou seja. ou uma ou outra). Fica claro portanto que a mutatio libelli somente é cabível quando se tratar de fato diverso. sendo.2) imputação alternativa subjetiva complexa -> é aquela que abrange não só o sujeito ativo do delito. * imputação alternativa -> o professor Afrânio Silva Jardim é o mestre na matéria no Brasil: a) imputação alternativa objetiva -> refere-se à dados objetivos do fato narrado a. Antes da lei 11. b.1) imputação alternativa subjetiva simples -> a alternatividade decorre de dúvida sobre a autoria do crime. (ex. como também a própria infração penal. b.: cidadão praticou furtou ou receptação). Com o novo parágrafo §4º do artigo 384. não é caso de mutatio libelli.

.+”.. essa execução de modo algum impede que se passe por uma liquidação para apuração do dano efetivamente sofrido. A não aplicação da mutatio libelli em segunda instância se dá pelo fato de supressão do duplo grau de jurisdição.antes da lei 11. não havia a fixação de valores (quantum debeatur). em função da existência de possibilidade de liquidação posterior para reparação do dano. nada impede a expedição de guia definitiva de execução da pena privativa de liberdade. ser permitida a execução para receber os valores. Se o acusado impugnar por meio da apelação o capítulo referente à condenação. por tal execução pressupõe o trânsito em julgado de sentença condenatória. para somente após. pode-se suscitar nulidade com base na mutatio libelli...* mutatio libelli VS segunda instância -> não é possível a aplicação do artigo 384 na segunda instância. Porém. já podendo iniciar uma execução por quantia certa que se dará no juízo cível. para que assim o processo volte à primeira instância e seja aplicado o procedimento da mutatio libelli.indenização civil: . o que forçava a existência de um processo de liquidação. c) assistente -> apesar de parte da doutrina prevê a legitimidade do assistente para recorrer.depois da lei 11. agora.719/08 -> a sentença condenatória com trânsito em julgado funcionava como título executivo.719/08 -> a matéria foi alterada.interesse recursal contra a fixação desse valor mínimo: a) recurso do acusado -> se o acusado recorre tão somente contra o valor fixado a título de indenização. Portanto.Danilo Meneses – Intensivo II Página 27 .+ transitada em julgado a sentença condenatória. pois se trata de efeito automático de toda e qualquer sentença condenatória com trânsito em julgado. não será possível a execução por quantia certa do valor mínimo fixado pelo juiz. sendo vedado tal entendimento em recurso exclusivo da defesa. a fixação de valor mínimo a título de indenização independe de pedido explícito. . Esse dano fixado pelo juiz deve ser somente o dano material (segundo a doutrina).de acordo com a doutrina. na própria sentença condenatória o magistrado já efetuará a fixação de valor mínimo a título de reparação pelos danos causados em razão do delito. Rede de Ensino Luiz Flávio Gomes – Direito Processual Penal . Nota-se que com o trânsito em julgado da sentença penal havia o reconhecimento da dívida (an debeatur). Esse valor mínimo não precisa ser liquidado. A súmula 453 do STF corrobora tal entendimento. . 63 do CPP Diz que “*. somente podendo o MP recorrer em favor de vítima pobre nas comarcas em que não haja defensoria pública.um dos efeitos da sentença penal é tornar certa a obrigação de indenizar o dano causado pelo delito (art. I do CP).. Na apelação. O parágrafo único do art. uma vez que se o tribunal a realizasse. O inciso IV do artigo 387 diz que poderá ser fixado um valor mínimo. Nesse caso deve haver recurso da acusação. não havendo como recorrer. b) Ministério Público -> o artigo 68 do CPP trata da matéria. não é improvável a futura sedimentação da jurisprudência e doutrina da orientação de que falta interesse de agir do assistente nesse caso. IV *. a execução poderá ser efetuada pelo valor fixado nos termos do artigo 387. porém. 91. . estaria sendo a primeira decisão. Porém. .

alguns doutrinadores dizem que o Tribunal do Júri tem origem em Roma e na Grécia. mais precisamente no inciso XXXVIII. .969 foi proposto por um advogado alegando nulidade pois a nomeação se deu com dois dias de antecedência do julgamento. o Tribunal do Júri acaba por ser disseminado pelo mundo ocidental. os doutrinadores de processo penal dizem que o Tribunal do Júri é sim um órgão do Poder Judiciário.215. uma vez que no Tribunal do Júri a defesa técnica e a própria autodefesa não precisam se limitar a uma argumentação exclusivamente jurídica. com o nítido objetivo de torná-lo uma cláusula pétrea. podendo neste caso. .com os ideais da Revolução Francesa. prevendo que os acusados seriam julgados com por seus pares. O segundo motivo da alteração foi no sentido de evitar a separação dos processos no julgamento de co-réus. uma vez que muitos dos operadores do Direito condenam a instituição.TRIBUNAL DO JÚRI . . Alguns dizem que plenitude de defesa é a ampla defesa em um grau mais elevado.segundo o artigo 447.Composição do Tribunal do Júri: .a inclusão do Tribunal do Júri como cláusula pétrea evitou sua supressão. Segunda a doutrina.o artigo 5º do nossa carta maior traz a previsão expressa do Tribunal do Júri.905 também tratou de matéria parecida.crimes de competência do Tribunal do Júri Federal são crimes praticados por ou contra funcionário público federal em razão do exercício de suas funções.Previsão constitucional: . . principalmente por sua imprevisibilidade. em seu artigo 38. Nota-se que o Tribunal do Júri está no rol dos direitos individuais da CRFB/88. com a nomeação ou a constituição de novo defensor. V traz como atribuição do juiz presidente a nomeação de defensor ao acusado quando considerá-lo indefeso. O HC 85.a lei somente regulamentou o Tribunal do Júri dentro da justiça estadual e dentro da justiça federal. podendo se valer de argumentos de ordem social.689/08 aumentou o número de jurados (de 21 para 25) para evitar o adiamento do julgamento. na grande maioria dos países. . b) sigilo das votações: não é a votação em si que é sigilosa. . o Júri será composto por um juiz presidente e mais 25 jurados. 7 dos quais irão compor o conselho de sentença. porém. . Outro exemplo seria crime doloso contra a vida praticado a bordo de navio ou de aeronave. sendo sigilosos os votos dos jurados.Garantias constitucionais do Tribunal do Júri: a) plenitude de defesa: não se confunde com ampla defesa.o Ministério Público não compõe o Tribunal do Júri. trouxe a instituição do Júri. deve o juiz presidente incluir no questionário quesito relativo à tese pessoal do acusado.Histórico: . uma vez que ele não se encontra no rol do artigo 92 da CRFB/88. O art.Danilo Meneses – Intensivo II Página 28 . O HC 96. . dissolver o Conselho e designar novo dia para o julgamento. Como em alguns plenários do júri não existe Rede de Ensino Luiz Flávio Gomes – Direito Processual Penal . . ele apenas atua perante o Tribunal do Júri. em 1. A votação deve se dar em sala secreta. 497.alguns doutrinadores dizem que o Tribunal do Júri não seria órgão do poder Judiciário. .a lei 11. Caso haja divergência de teses defensivas entre o advogado e o acusado.a Magna Carta do Rei João Sem Terra. . onde o STF anulou o processo. emocional e de política criminal.

podendo no máximo.”O juízo rescindente não pode ser confundido com o juízo rescisório: no juízo rescindente. onde irá se limitar a desconstituir a decisão anterior. na prática. O tribunal. ambas amparadas por provas nos autos. sendo o juiz presidente responsável por sua aplicação. b) decisão do juiz presidente contrária a lei expressa ou à decisão dos jurados  trata-se de hipótese mais difícil de ocorrer. Essa garantia tem caráter relativo: cabe recurso contra decisão do júri (a apelação. c) erro ou injustiça no tocante a aplicação da pena  o tribunal fará tanto o juízo rescindente quanto o juízo rescisório. Essa nulidade deve ter ocorrido após a pronúncia. ele poderá ficar na sala secreta. dizendo que “*. deve ela ter sido apreciada pelo juiz no momento da pronúncia.sala secreta.Danilo Meneses – Intensivo II Página 29 . c) soberania dos veredictos: um Tribunal formado por juízes togados não pode modificar no mérito a decisão dos jurados.+ o efeito devolutivo da apelação contra decisões do júri é adstrito aos fundamentos de sua interposição. ser invocado um de seus fundamentos. No Tribunal do Júri a lei já aponta a sua fundamentação. ela deve ter sido argüida em momento oportuno. súmula 713 do STF. o tribunal realizará tanto o juízo rescindente quanto o juízo rescisório. Segundo o artigo 593. na hora da votação as pessoas são retiradas do plenário do júri. são hipóteses de cabimento de apelação no Júri: a) ocorrer nulidade posterior a pronúncia  a nulidade pode ser tanto absoluta quanto relativa. diz que a lei somente poderá restringir a publicidade na defesa da intimidade ou do interesse social. para que se autorize a apelação. utilizará apenas do juízo rescindente (ou revindente). 483. §1º). IX prevê hipótese de restrição da publicidade dos atos processuais. os jurados. se ocorrida antes. nem manifestar a sua opinião sobre o processo. que contrapõe-se ao recurso de fundamentação livre). III. quando forem atingidos quatro votos em um sentido. Questiona-se na doutrina acerca da constitucionalidade da sala secreta. O artigo 5º. agravantes e atenuantes não são mais quesitadas para os jurados. a votação será automaticamente interrompida (art. por violação ao princípio da publicidade dos atos processuais: o artigo 93. sobre pena de preclusão. Essa garantia não tem caráter absoluto. ao analisar tal questão. o Tribunal limita-se a desconstituir a decisão anterior. inciso LX.689/08 quando a votação era unânime. podendo portanto. Segundo a nova lei. jurados não podem conversar entre si. pois diz respeito apenas a manifestações relativas ao processo (nesse sentido: STF. havia uma quebra. Atualmente.046). d) decisão dos jurados manifestamente contrária à prova dos autos  se há duas versões. o oficial de justiça.. uma vez que. Como o voto é sigiloso. porém. trata-se de recurso de fundamentação vinculada. ser tal matéria revista e alterada pelo Tribunal. No recurso de fundamentação livre pode ser devolvido ao Tribunal o conhecimento de tudo (matéria de fato/matéria de direito/matéria de prova). Rede de Ensino Luiz Flávio Gomes – Direito Processual Penal . Na sala secreta fica o juiz presidente. prevista no artigo 593. A violação a essa incomunicabilidade será causa de nulidade absoluta. Nessa ocasião.689/08. Antes da lei 11. com a lei 11. dos votos. Quando o acusado atuar em sua própria defesa (ele for o próprio advogado). já no juízo rescisório (ou revisório) o Tribunal substitui a decisão anterior por outra. tendo os jurados optados por uma 40 Ação ordinária. por isso o recurso é de fundamentação vinculada. no caso de nulidade relativa. III. Nesse sentido. e impugnada por meio de RESE. AO40 1. o Ministério Público e o advogado de defesa.. O acusado portanto não está presente na sala secreta. permanece a idéia de incomunicabilidade dos jurados: uma vez sorteados para compor o conselho de sentença.

Um exemplo seria o taxista.” 42 O bem jurídico tutelado é a existência de um grupo nacional. §2º. não será cabível apelação. nada impede que essa competência seja ampliada por lei ordinária.notória idoneidade. Serviço alternativo é o exercício de atividades de caráter administrativo. §2º previu única e exclusivamente a pena de multa. racial ou religioso. Tanto a revisão criminal quanto a soberania dos veredictos são garantias instituídas em prol da liberdade do acusado. os homicídios serão julgados por um tribunal do júri. HC.cidadão44 brasileiro nato ou naturalizado com mais de 18 anos45.689/08).689/08.Organização do júri: . assistencial. O tribunal nesse caso fará o juízo apenas rescindente. . 45 Antes da lei 11. HC 91.residência na comarca.689/08. agora.com a lei 11.003). demonstrando justo impedimento (incluído pela lei 11. salvo os militares e eleitorais. sem fazer qualquer ressalva quanto à possibilidade de cumulação da sanção de natureza civil ou administrativa com a de natureza penal (nesse sentido: STJ. diz que estão isentos do serviço do júri aqueles que o requerem. filosófica ou política. segunda a doutrina. não tinha nenhuma previsão de serviço alternativo. filantrópico ou produtivo. d) competência par ao julgamento dos crimes dolosos contra a vida: essa competência é uma competência mínima. 437.delas. Obs. A recusa por razão religiosa. Essa apelação somente é cabível uma única vez.recusa injustificada: . Rede de Ensino Luiz Flávio Gomes – Direito Processual Penal . Nos moldes da súmula 721 do STF: “A competência constitucional do tribunal do júri prevalece sobre o forro de prerrogativa de função estabelecido exclusivamente por constituição estadual. . porém. Esse jurado que recusou injustificadamente não pode responder por crime de desobediência. deve estar no gozo dos poderes políticos. no Poder Judiciário. não podem ser jurados. .: é cabível revisão criminal contra decisão do júri. 22. . antigamente. 43 Em regra. uma vez que o dispositivo do artigo 435. pouco importando quem tenha apelado. uma vez que seu serviço é necessário à sua sobrevivência.surdo mudo. . deficiente visual. .689/08. §3º) + ato infracional + foro por prerrogativa de função previsto na CRFB/8841 + genocídio42 + militar da ativa que mata militar da ativa43 + civil que mata militar das forças armadas em serviço (STF. étnico. Se o genocídio for cometido mediante morte de membros do grupo. X. caso requeira sua dispensa. 44 Para ser considerada cidadão.o art. que exercerá força atrativa em relação ao crime conexo de genocídio. A competência de julgamento do Tribunal do Júri abrange os crimes conexos.a consequência da recusa injustificada é uma multa no valor de 1 a 10 salários mínimos. militar da ativa é o não aposentado. Na hora da revisão criminal o tribunal fará tanto o juízo rescindente quanto o juízo rescisório. antes da lei 11. o idoso com mais de 70 anos está isento do júri. Há alguns crimes que geram morte da pessoa e não serão julgadas pelo júri: latrocínio + extorsão qualificada pela morte (inclusive na nova figura criada no 158. ou seja. . analfabeto. a idade era de 21 anos.Danilo Meneses – Intensivo II Página 30 . nos termos do artigo 436. no 41 A regra não se aplica aos foros por prerrogativa de função previstos em Constituição Estadual. a lei passou a prever o serviço alternativo sob pena de suspensão dos direitos políticos.721).requisitos para ser jurado: .

atingidos 4 votos em um sentido. a votação será interrompida. em caso de crime comum. 449. Parte da doutrina entende que o efetivo exercício se dá quando o jurado realmente integra o conselho de sentença (entre os 7 jurados). a suspeição e as incompatibilidades dos juízes togados. . em igualdade de condições.artigo 439  o exercício efetivo da função de jurado constituirá serviço público relevante. *com a lei 11. bem como nos casos de promoção funcional ou remoção voluntária.MP. até o julgamento definitivo. podendo o juiz fixar o serviço alternativo atendendo ao princípio da proporcionalidade e da razoabilidade. Não poderá servir o jurado que: I – tiver funcionado em julgamento anterior do mesmo processo. . houver integrado o Conselho de Sentença que julgou o outro acusado. Para a doutrina. São impedidos de servir no mesmo Conselho: I – marido e mulher. II – no caso do concurso de pessoas. independentemente da causa determinante do julgamento posterior. esse critério deve ser usado como o último critério de desempate. IV – irmãos e cunhados. hipótese em que deveria ser comprovado o prejuízo (ex. o § 1 O mesmo impedimento ocorrerá em relação às pessoas que mantenham união estável reconhecida como entidade familiar. 448. Como não é mais possível se saber o sentido do voto do jurado. * se o jurado integrou o conselho de sentença nos doze meses anteriores. mas para dar início à sessão deve se haver 15 jurados presentes.benefícios do efetivo exercício da função de jurado: .suspeição/impedimentos/incompatibilidade de jurados: . enquanto há outros doutrinadores que entendem que basta a convocação entre os números de jurados e o efetivo comparecimento por parte deste. ficará excluído da lista geral (nos termos do artigo 426 do CPP). mas seria levado em consideração o jurado impedido para a contagem dos 15 presentes? Sim. II – ascendente e descendente.Danilo Meneses – Intensivo II Página 31 .os artigos 448 e 449 do CPP regulam a matéria Art. Art.689/08. VI – padrasto. durante o cunhadio. V – tio e sobrinho. III – tiver manifestado prévia disposição para condenar ou absolver o acusado. mediante concurso.consequência da atuação de jurados impedidos no mesmo conselho: *antes da lei 11.Procedimento do Júri: . de cargo ou função pública. . a atuação de jurado impedido será causa de nulidade absoluta. madrasta ou enteado.é chamado pela doutrina de procedimento bifásico ou escalonado. o § 2 Aplicar-se-á aos jurados o disposto sobre os impedimentos.: votação de 4 a 3). na defensoria e em outros órgãos. a participação de jurados impedidos no mesmo conselho era causa de nulidade relativa. III – sogro e genro ou nora.artigo 440  preferência. . estabelecerá presunção de idoneidade moral e assegurará prisão especial. Rede de Ensino Luiz Flávio Gomes – Direito Processual Penal . nas licitações públicas e no provimento. jurados excluídos por impedimento/suspeição/incompatibilidade são levados em consideração para a contagem mínima de 15 jurados. * o juiz é composto por 25 jurados. .689/08.

impronúncia. o procedimento será concluído no prazo máximo de 90 dias. o presidente do júri intima o MP. Por se tratar de procedimento do júri.689/08. Assim. posição esta que parece que o legislador tenha adotado a corrente defendida por Guilherme Madeira e Gustavo Junqueira.o art. totalizam-se 35 dias. .Sumário da Culpa: .. A primeira fase termina com uma das 4 decisões: pronúncia.a primeira fase é conhecida como judicium acusationis (sumário da culpa) e a segunda fase é conhecida como judicium causae (juízo da causa). essa peça não mais existe no ordenamento.audiência de instrução: 46 Pode haver queixa-crime em Tribunal do Júri em duas hipóteses: ação penal privada subsidiária da pública. Gustavo Junqueira). . . mas apenas que este seja pronunciado.observações: . O oferecimento da peça acusatória tem prazo de 5 dias com réu prezo. A audiência deve dar no prazo máximo de 10 dias.segundo o artigo 412. o querelante e o defensor. vem o recebimento da peça acusatória.designação de audiência. terminando com o julgamento no plenário do Tribunal do Júri.citação.antes da lei 11. uma segunda corrente diz que esse prazo de dez dias é o prazo que o juiz tem para analisar o requerimento de provas e designar a audiência (Guilherme Madeira. mesmo prazo existente para o recebimento da denúncia. podendo ser dilatado em virtude da complexidade da causa e/ou pluralidade de acusados. contando todos esses prazos. e no dia do julgamento. Já na segunda fase. em primeiro momento. Atualmente. . a audiência de instrução deve ocorrer no prazo máximo de 10 dias. terá a participação dos jurados. no crime de ação penal privada. A resposta à acusação deve se dar em dez dias.a primeira fase tem início com o oferecimento da peça acusatória (denúncia ou queixa46). a segunda fase tinha início com o oferecimento libelo-acusatório. no crime de ação penal pública. .uma das quatro decisões a ser proferida pelo juiz: pronúncia. para no prazo de 5 dias apresentar o rol de testemunhas que irão depor em plenário. mas essa posição é dele. não devendo ser adotada em concurso. Os requisitos dessa denúncia estão previstos no artigo 41 do CPP. oportunidade em que poderão requerer diligências. . litisconsórcio ativo entre MP. . . de forma a qual não seria possível a questão de 90 dias defendida pelo professor Luiz Flávio Gomes. e o querelante.Guilherme de Souza Nucci vem trabalhando com a idéia de que o Tribunal do Júri atualmente tem se mostrado trifásico. o promotor não deve pedir a condenação do acusado. Rede de Ensino Luiz Flávio Gomes – Direito Processual Penal . . no prazo de 10 dias: segundo uma primeira corrente (Luiz Flávio Gomes e Gustavo Badaró) sustentam que segundo tal artigo. Na primeira há a atuação única e exclusiva do juiz sumariante.apresentação da resposta à acusação.absolvição sumária não é possível nesse momento. Deve ficar claro que esse prazo de 90 dias muito provavelmente será considerado pela jurisprudência como um prazo relativo.se inicia com o oferecimento da denúncia ou da queixa. desclassificação ou absolvição sumária. . iniciando a segunda fase do procedimento do júri com a fase de preparação do processo para julgamento em plenário. desclassificação ou absolvição sumária. impronúncia.o artigo 422 do CPP diz que ao receber os autos . . .depois disso.Danilo Meneses – Intensivo II Página 32 . . os autos são remetidos ao juiz presidente. . 410 diz que o juiz determinará a inquirição das testemunhas e a realização das diligências requeridas pelas partes.

não . para a jurisprudência (STJ) a não-apresentação de alegações orais ou sua apresentação de forma sucinta não irá caracterizar violação ao princípio da ampla defesa. quando o excesso violar o princípio da razoabilidade. prefira não antecipar as teses que seriam sustentadas em plenário. antecedência mínima de 3 dias úteis. no processo penal.Danilo Meneses – Intensivo II Página 33 .natureza jurídica: trata-se de decisão interlocutória mista terminativa. . provavelmente isso irá acontecer). em se tratando de acusado preso.a) juntada de documentos: em regra. se baseando na cláusula rebus sic stantibus. ou seja.689/08 DEPOIS DA LEI 11. Porém. não será permitida a leitura de documento permitida a leitura de documento que não tiver sido comunicada a ou exibição de objeto que não tiver parte contrária com antecedência sido juntado aos autos com de até 3 dias. Acaso haja inobservância desse prazo de 90 dias. assim não precisa-se avisar a parte contrária que irá ler determinado livro. d) alegações orais sucintas 48 : não há previsão expressa de substituição das alegações orais por memoriais (na prática. b) audiência: no procedimento do júri não há previsão expressa de requerimento de diligências. . Prova nova é aquela substancialmente inovadora.durante o julgamento. quando o excesso for causado pela inércia do poder judiciário. desde que o prazo de 3 dias úteis seja respeitados. segundo o artigo 412. ao contrário do procedimento comum. . deverá estar encerrada no prazo de 90 dias (sendo esse prazo relativo).essa primeira fase. Surgindo provas novas.durante o julgamento. 231 do CPP). é que o excesso de prazo estará caracterizado nas seguintes hipóteses: quando o excesso for causado por diligência requerida exclusivamente pela acusação. nada impede o oferecimento de nova peça acusatória. Rede de Ensino Luiz Flávio Gomes – Direito Processual Penal .coisa julgada: a decisão de impronúncia só tem aptidão para fazer coisa julgada formal. A decisão de impronúncia é muito semelhante ao arquivamento por falta de provas.deve o juiz sumariante impronunciar o acusado quando não estiver convencido da existência do crime ou de indícios suficientes de autoria (artigo 414 do CPP). é aquela capaz de produzir uma alteração do contexto probatório dentro do qual se deu a decisão de impronúncia: para a 47 Livros doutrinários estão inseridos nessa restrição? Não.impronúncia: . . dando-se ciência à outra parte47. segundo a jurisprudência. As imagens do Linha Direta podem ser mostrados para os jurados? Sim. É decisão interlocutória porque não há julgamento de mérito. é terminativa porque caso não haja recurso do MP. c) identidade física do juiz: na primeira fase também se aplica o princípio da identidade física do juiz. que antevendo provável pronúncia. já não existe mais.a restrição da juntada de era possível a juntada de qualquer documentos em alegações escritas documento. desde que essa seja uma estratégia da defesa em benefício do acusado. 48 Exemplo de alegações sucintas é dizer que o cliente é inocente. é mista porque põe fim a uma fase procedimental.689/08 .na fase de alegações escritas. não será . põe fim ao processo. há restrições ao momento da juntada de documentos: ANTES DA LEI 11. . pode-se juntar documentos a qualquer momento (art. a consequência.

despronúncia: ocorre quando a decisão proferida pelo juiz de pronúncia é transformada em impronúncia em virtude da interposição de um RESE.a desclassificação está prevista no artigo 419.a impronúncia se dava no caso de . .689/08 . acusado (caso o acusado demonstre que tem interesse recursal. constituísse crime ou quando ficasse provada a inexistência de fato delituoso ou quando provado não ser o acusado o autor ou partícipe do fato delituoso. quando restar caracterizado um excesso da acusação. . (acrescido da possibilidade de demonstração de causa de isenção de pena ou exclusão do crime). por analogia. a fim de que os jurados não sejam privados de sua competência.atualmente. atualmente. Quando o juiz afasta uma qualificadora.689/08 DEPOIS DA LEI 11.crime conexo: impronunciado o acusado. o juiz sumariante poderá afastar a qualificadora. Tem interesse recursal para apelar em relação à pronúncia: Ministério Público. . .: o juiz entende que não é homicídio mas entende que trata-se de infanticídio). mas ganhou posteriormente nova versão. . acontece a desqualificação. .maioria da doutrina. Quando o juiz sai de um crime doloso contra a vida e passa outro. as antigas hipóteses de impronúncia absolutória.: homicídio para latrocínio).os casos em azul tratam-se de . . não trata-se de desclassificação do crime. é como se tivesse ocorrido Rede de Ensino Luiz Flávio Gomes – Direito Processual Penal .recurso cabível contra a decisão de impronúncia: antes da lei 11. mas o juiz entenda que trata-se de um homicídio simples.desclassificação para crime mais grave: é perfeitamente possível a desclassificação para crime mais grave (ex. onde havia impronúncia absolutória tratam-se coisa julgada formal e material na hipóteses de absolvição sumária impronúncia. Quem é responsável pela despronúncia? Essa despronúncia poderá ser feita tanto pelo juiz sumariante (uma vez que o RESE admite retratação) como também pelo Tribunal. assistente da acusação. Não há recurso de ofício contra a decisão de impronúncia.ocorre quando o juiz sumariante entender que não se trata de crime doloso contra a vida.desqualificação: caso o acusado tenha sido denunciado por um homicídio qualificado. só fazendo coisa julgada formal. Porém.a impronúncia ocorrerá quando insuficiência de provas e também se estiver-se diante da insuficiência de dava quando o fato narrado não provas. o crime conexo não doloso contra a vida deve ser remetido ao juízo competente.689/08 o recurso cabível era o RESE. . o conceito da prova nova nesse momento é de que a prova pode ser substancialmente quanto formalmente nova. Trata-se de medida de natureza excepcional. pode apelar contra a impronúncia – esse interesse estará presente quando pretender a alteração da impronúncia para uma absolvição sumária. ANTES DA LEI 11.: encontro do cadáver). o artigo 419 do CPP.Danilo Meneses – Intensivo II Página 34 .desclassificação do delito: . aplicando-se. Prova substancialmente nova é aquela oculta ou inexistente à época da impronúncia (ex. o recurso correto é o de apelação. mas sim de pronúncia (ex. prova formalmente nova é aquela que foi produzida no processo. hipótese em que teremos coisa julgada formal e material).

Danilo Meneses – Intensivo II Página 35 .operando-se a desclassificação. no sentido de que depende do caso concreto. já uma segunda corrente. essa oitiva da defesa era obrigatória. porém.réu preso: a desclassificação não possibilita de imediato a colocação do acusado preso em liberdade (art. nada impede que o juízo militar suscite um conflito de competência (entendendo que o crime realmente trata-se de crime doloso contra a vida). este não terá interesse recursal (talvez a melhor sugestão para prova fechada). bastando apontar a inexistência de crime doloso contra a vida. há duas correntes: a primeira corrente (ideal para prova de marcar). elemento subjetivo indispensável para a caracterização de um homicídio”.crime conexo: o crime conexo será também remetido par ao juiz competente. podendo o Ministério Público apelar contra essa desqualificação. portanto. uma vez que a desclassificação no caso de emendatio libeli. Guilherme de Souza Nucci). Quando os autos dão entrada no juízo competente. deve o juiz fazer a nova capitulação legal? Não. 581. . o novo juízo está obrigado a receber o processo. uma segunda corrente diz que o interesse do assistente no processo penal não se limita à obtenção de uma condenação. 49 Surgem duas corrente em relação à legitimidade do assistente: segundo uma primeira corrente. Caso a desclassificação. uma segunda corrente diz que um RESE interposto contra a desclassificação é julgado por uma câmara qualquer do Tribunal de Justiça. a oitiva da defesa é obrigatória nesse caso. essa oitiva da defesa não é mais prevista expressamente: uma primeira corrente sustenta que. . não há necessidade de se ouvir a defesa. de modo a garantir a defesa. depois da referida lei. sendo necessária tal oitiva quando a desclassificação ocorra em razão de mutatio libeli. . . advoga entendimento contrário. não deve o juiz sumariante fixar a nova capitulação legal.689/08. tão logo os autos sejam recebidos pelo juízo competente.conflito de competência: se a desclassificação se der para crime não doloso contra a vida praticado por militar contra civil. sujeita a recurso cujo Tribunal tenha confirmado e resultar na remessa dos autos a um juiz estadual. . Tem legitimidade para recorrer: o Ministério Público. Como as justiças são diferentes. mas também à justa e proporcional condenação pelo fato delituoso praticado (posição adotada pela professora Ada Pelegrini Grinover). o acusado. 419. um conflito de competência no entanto. nada impede que seja suscitado o conflito negativo de competência (nesse sentido: Ada Pelegrine Grinover. sob pena do réu ficar preso em razão de decisão de juiz incompetente.uma impronúncia em relação à ela. operada a preclusão da decisão de desclassificação. . os autos serão remetidos ao juízo competente. o assistente49 (tema polêmico). uma vez que ao realizar a desclassificação. dizendo que como o interesse patrimonial do assistente não é prejudicado em razão da desclassificação. não podendo suscitar conflito negativo de competência (nesse sentido: Fernando Capez. os autos deverão ser remetidos à justiça militar. Rede de Ensino Luiz Flávio Gomes – Direito Processual Penal . Júlio Fabrini Mirabete). A doutrina entende que o ideal é que. porém. deve ser julgado pela Câmara Especial do TJ.recurso cabível: o recurso cabível contra a decisão de desclassificação continua sendo o RESE (art. a desclassificação usa muita a expressão “não vislumbro na conduta do acusado a presença do denominado animus necandi. Geralmente. como a última palavra acerca do assunto compete à Câmara Especial. deve ocorrer a oitiva da defesa? Antes da lei 11. II). parágrafo único). apesar de não estar prevista expressamente.nova capitulação legal: na hora de fazer a desclassificação. manifeste-se este quando à manutenção ou não da prisão do acusado.

a fim de se evitar qualquer influência indevida no posterior convencimento dos jurados.hipóteses: a) inexistência do fato delituoso: b) provado não ser o acusado autor ou partícipe: c) o fato não constituir infração penal (atipicidade): d) causa excludente da ilicitude ou da culpabilidade: . . O denominado recurso de ofício (reexame obrigatório. pode o juiz ter certeza quanto à inexistência do fato delituoso (absolvição sumária).na pronúncia. mas sim com o sentido de prova semi-plena. na medida em que a semi-imputabilidade é tão somente uma causa de diminuição de pena. negar provimento à apelação. REsp. segundo o antigo artigo 411. de forma que o crime conexo será remetido ao juízo competente. o semi-imputável deve ser pronunciado.123 do STF: o exagero no momento da fundamentação é conhecido como eloqüência Rede de Ensino Luiz Flávio Gomes – Direito Processual Penal .pronúncia: . deve o juiz sumariante aguardar o julgamento de eventual apelação interposta contra a absolvição sumária. 93.ocorre quando o juiz está convencido da materialidade do crime e dos indícios suficientes de autoria ou de participação.. a decisão de pronúncia deve sim ser fundamentada. HC 81. . que segundo alguns doutrinadores trata-se de condição objetiva de eficácia da decisão). transformando a absolvição sumária em uma pronúncia. e em termos sóbrios e comedidos. segundo a interpretação do artigo 413. ou seja.Danilo Meneses – Intensivo II Página 36 . Nesse sentido: STJ. não atingindo os crimes conexos. . São legitimados para tal recurso o Ministério Público e o assistente de acusação. Desde que haja prova do crime e indício de autoria. ao final da primeira fase.o juiz. 416 do CPP).natureza jurídica: trata-se de decisão terminativa de mérito.fundamentação: por força da própria Constituição (art. o juiz pode ter também dúvida em relação à materialidade (impronúncia). uma prova com menor valor persuasivo. . pois o Tribunal poderá: dar provimento à apelação.crime conexo: a absolvição sumária deve recair tão somente sobre o crime doloso contra a vida. . A expressão indício pode ser usado como prova indireta. uma vez que deve o juiz estar convencido dessa materialidade. . . Nesse caso. vige o princípio do in dúbio pro réu em relação à materialidade do crime.inimputável VS absolvição sumária do júri: o inimputável pode ser absolvido sumariamente desde que essa seja a sua única tese defensiva.646.se dá ao final da primeira fase do procedimento. .natureza jurídica: decisão interlocutória mista não terminativa. hipótese na qual o crime conexo será levado a júri. parágrafo único do CPP. Atenção para o HC 96. porém com moderação de linguagem. A nova redação do CPP não trouxe essa previsão. o juiz tem certeza da materialidade. O princípio do in dúbio pro societate vigora em relação à autoria. . Deve-se ter cuidado com o artigo 574. II . pode ter três diferentes graus de convencimento: em um primeiro caso. 876. STF. mas não foi nesse sentido que a expressão foi utilizada.recurso cabível: contra a absolvição sumária cabe o recurso de apelação (art.absolvição sumária: . era possível. IX).semi-imputável: a semi-imputabilidade encontra-se no artigo 26. deve resultar a ele a imposição de medida de segurança. Nesse caso.623. conforme redação do artigo.

sanação ou sanatória das nulidades relativas não argüidas anteriormente. seja pela inexistência de revisão criminal pro societate. nada mais poderá ser feito contra o acusado. o CPP trazia a prisão como efeito automático da pronúncia.Danilo Meneses – Intensivo II Página 37 . o que pode gerar certa influência no caso de eventual eloqüência acusatória. . o crime conexo será automaticamente remetido ao tribunal do júri. agravantes e atenuantes (é o juiz que julga. que é causa de nulidade da pronúncia -> nesse HC. O princípio da correlação entre pronúncia e quesitação consiste em um princípio novo que tem origem com a lei 11. como a decisão de pronúncia não pode ser usada (lida) aos jurados como argumento de autoridade. a exclusão de alguma qualificadora: o afastamento de uma qualificadora somente pode se dar à título excepcional. parágrafo único. 411.emendatio/mutatio libelli: tanto a emendatio libelli quanto a mutatio libelli podem ocorrer no momento da pronúncia (art. a pronúncia continua sendo causa interruptiva da prescrição.conteúdo: deve constar na decisão de pronúncia a classificação do delito. portanto. mantidos os pressupostos fáticos. deve ser mantida a pronúncia. imodificabilidade da pronúncia50 (alguns chamam de princípio da imodificabilidade da pronúncia). sendo que com o advento da lei 11. falecendo a vítima antes do julgamento em plenário.não precisa constar na decisão de pronúncia: causas de diminuição de pena. haja ou não indício suficiente acerca da autoria. quando caracterizado um excesso de acusação. ou seja. não haveria que se falar em nulidade por eventual eloqüência acusatória. devendo constar também os tipos por extensão.689/08. prisão decorrente da pronúncia (essa prisão era muito criticada com o advento da constituição atual. omissão penalmente relevante e concurso de pessoas. 418). há remessa dos autos ao Ministério Público a fim de adotar as providências cabíveis.acusatória. O melhor exemplo da modificação da pronúncia é o indivíduo pronunciado por tentativa de homicídio. uma vez que essa lei suprimiu o denominado libelo-acusatório. haja ou não prova suficiente da materialidade. esta somente poderá ser alterada diante de circunstâncias supervenientes que altere a classificação do delito. diz que cópia da sentença de pronúncia vai ser dirigida aos jurados. seja pelo princípio do ne bis in idem. desde que o acusado não fosse primário ou não tivesse bons antecedentes.689 ela foi definitivamente extinta. concurso de crimes (é matéria relativa à aplicação da pena). que funcionava como fonte dos quesitos. ainda com o novo rito.elementos probatórios em relação à terceiros: segundo o artigo 417 do CPP. . interrupção da prescrição51. mesmo que haja desclassificação do crime na sessão. assim. A leitura feita pela jurisprudência era a seguinte: se o 50 Preclusa a decisão de pronúncia. deve-se ter cuidado para não gerar a eloqüência acusatória. o STF sinaliza que diante da lei 11. incluindo qualificadoras e causas de aumento de pena. .efeitos da decisão de pronúncia: limitação da acusação em plenário. salvo no caso da tentativa. Rede de Ensino Luiz Flávio Gomes – Direito Processual Penal . os jurados continuam recebendo cópia da decisão de pronúncia. Na pronúncia ainda deve ter a chamada desqualificação. tentativa. Antes da lei. fornecendo ao defensor o exato alcance da imputação.689/08. é essencial que a pronúncia seja detalhada o suficiente de modo a limitar a atuação da acusação em plenário. §3º e art. 51 Segundo a súmula 191 do STJ. Se a vítima falece após o trânsito em julgado de sentença condenatória por tentativa de homicídio. . não anulando a pronúncia e seu efeito interruptivo da prescrição. O artigo 472.crime conexo: pronunciado o acusado. A decisão de pronúncia é baseada na famoso cláusula rebus sic stantibus. ou seja. depois do julgamento dos jurados). Por mais que a decisão de pronúncia não possa ser lida como argumento de autoridade. . . O Ministério Público pode aditar a própria peça acusatória ou preferir que o processo tramite de forma separada.

No que se refere ao assistente da acusação.trata-se do início da segunda fase do júri. §3º são medidas cautelares substitutivas e alternativas à prisão.intimação da pronúncia: ANTES DA LEI 11. . se o crime fosse inafiançável. pode apresentar testemunhas. . pois repercute no direito de liberdade do agente.preparação do processo para julgamento no plenário do júri: . desde que complementando o rol apresentado pelo Ministério Público. salvo se surgisse alguma hipótese que autorizasse sua prisão preventiva. o que no entanto. o momento processual oportuno já estaria precluso. assim.recurso cabível: RESE. . a prisão deixa de ser um efeito automático da pronúncia.690/08 O processo não teria continuidade Continua sendo indispensável a enquanto não houvesse a intimação da intimação da decisão de pronúncia. que pronúncia. deverá ser feita pessoalmente encontrado e o crime fosse afiançável. O julgamento no plenário do júri não poderia ser feito sem a presença do acusado. Diante acusado com base na garantia de do silêncio da lei.acusado estava preso quando da pronúncia ou da sentença condenatória recorrível. previstas no Projeto de Lei 4. é consequência era a paralisação do possível o julgamento em tribunal do processo. caso o era possível a intimação por edital. o qual ainda não foi aprovado pelo Congresso Nacional). Hoje. deveria permanecer preso. As medidas a que se refere o artigo 413. como o assistente já poderá estar habilitado. deveria permanecer solto. porém. acusado não seja encontrado. . §3º. Uma segunda corrente diz que não é dado ao assistente apresentar rol de testemunhas. ao acusado. o momento para a apresentação do rol de testemunhas é no momento do oferecimento da peça acusatória. 413. não impede que o Rede de Ensino Luiz Flávio Gomes – Direito Processual Penal . Consequentemente. devendo portanto ter efeitos retroativos. Com a lei 11. salvo se desaparecesse a hipótese que autorizava sua prisão preventiva. não se estendendo a legitimidade ao Ministério Público e ao assistente da acusação. A intimação por edital será do processo era denominada crise de possível mesmo em relação aos instância (o processo ficava paralisado processos que estavam paralisados. §3º. mas já na fase de preparação do processo.689/08. teoricamente. como o assistente somente é admitido posteriormente. é uma norma de natureza processual material .o juiz presidente abre o prazo de 5 dias para que defesa e Ministério Público (ou querelante) apresente rol de testemunhas (máximo de 5) e juntar documentos e requerimento de diligências.208/01. a possível a intimação por edital. surgem duas correntes: a primeira corrente diz que no procedimento comum. o prazo do edital. assim a inafiançável. Essa paralisação de 15 dias. mas a prescrição corria normalmente).689/08 DEPOIS DA LEI 11. nada impede que o juiz se refira aos pressupostos fáticos autorizadores de anterior prisão preventiva – o artigo 413.Danilo Meneses – Intensivo II Página 38 . pouco lei dizia que não era possível a importando se a infração é afiançável ou intimação por edital. será Porém. Se o acusado não fosse em regra. salvo se o crime fosse afiançável.art. decretando o juiz a prisão do júri sem a presença do acusado. ficando condicionada à demonstração dos pressupostos que autorizam a prisão preventiva . No momento da pronúncia é indispensável expressa fundamentação quanto à prisão preventiva: quanto à essa fundamentação. se o acusado estava solto. onde o legitimado será a defesa. será aplicação da lei penal.

desaforamento -> consiste no deslocamento da competência de uma comarca para outra.a regra da competência territorial é o artigo 70 do CPP (você é julgado pelas pessoas do local da consumação do delito). o foro competente é o do local da conduta (por questões probatórias e de política criminal). como o relatório somente será entregue aos jurados. . tem prioridade aquele que está preso a mais tempo.Danilo Meneses – Intensivo II Página 39 . . pode estar se dar posteriormente.689/08.competência territorial nos crimes dolosos contra a vida: . . desde que três dias úteis antes à data do julgamento. Não se deve esquecer do desaforamento previsto no CPPM.quem é julgado primeiro é o acusado preso. 430 do CPP). Rede de Ensino Luiz Flávio Gomes – Direito Processual Penal . cabido em relação à todo e qualquer delito. são eles seu destinatário. O desaforamento é um incidente exclusivo da segunda fase do procedimento do Tribunal do Júri.no caso de crimes de homicídio plurilocal. Esse relatório será entregue aos jurados logo após prestarem o juramento). O desaforamento não viola o princípio do juiz natural. o assistente gosta de aparecer nesse momento. O desaforamento deve ser determinado por uma Turma do TRF ou por uma Câmara do TJ.juiz resolva ouvi-las como testemunhas do juízo. somente podendo se dar após a pronúncia. acusado.havendo mais de um acusado preso.havendo igualdade de condições. .momento para o desaforamento -> na segunda fase do procedimento bi-fásico. Em qualquer hipótese. a fim de que nesta seja realizado o julgamento pelo tribunal do júri. em especial as periciais + resumo do interrogatório + resumo das alegações orais das partes + resumo da pronúncia + exposição de eventual prisão preventiva + provas requeridas ou já realizadas na fase de preparação do processo.: prescrição). . O desaforamento não pode ser encarado como uma decisão administrativa. defensor e assistente da acusação52. mas também o público. uma vez que há expressa previsão legal e porque não enseja a criação de um tribunal de exceção. . . o juiz dará um despacho de ordenamento do processo (como se fosse um despacho saneador no processo civil). como o relatório era lido em público. querelante. serão julgados aqueles que tenham sido pronunciados primeiro. .689/08. onde será feito um relatório (a confecção desse relatório deve abordar as principais partes do processo: resumo da peça acusatória + resumo da resposta à acusação + elenco das provas colhidas.habilitação do assistente: .689/08.essa ordem pode ser alterada em razão de motivo relevante (ex. Com a lei 11.legitimidade para o desaforamento -> Ministério Público. Antes da lei 11. Depois de apresentada pelas partes os pedidos.geralmente. entendia-se que tinha como destinatário não apenas as partes e os jurados. Já aconteceu no passado do desaforamento ser realizado pelo corregedor. Deve o advogado requerer sua habilitação no prazo de 5 dias antes do julgamento em plenário (art. .ordem do julgamento em plenário: . . será obrigatória a 52 A legitimidade do assistente da acusação foi incluída pela lei 11. No que se refere à juntada de documentos.

Porém. 427. assim. . HC 90. que não pode ser comprometida em caso de convulsão social ou risco à incolumidade do julgado (nesse sentido: STJ.reaforamento: . passou-se a ter previsão expressa da concessão de efeito suspensivo a ser concedido pelo relator (art.não há previsão expressa de recurso para atacar a decisão que acolhe ou que rejeita o desaforamento.707). . . . d) quando o julgamento não for realizado no prazo de 6 meses: esse prazo é contado do trânsito em julgado da decisão de pronúncia.689/08). mas desde que dentro dos limites territoriais de competência do respectivo TRF. .deslocamento: . .689/08 o prazo era de 1 ano) – caso o Tribunal entenda que não há excesso de serviço. em virtude do desaparecimento da causas que autorizaram o desaforamento.Pergunta: É possível o desaforamento para uma cidade de outro Estado da federação? No âmbito da competência da justiça estadual não é possível o desaforamento para a comarca pertencente a outro estado da federação. alguns doutrinadores vêm entendendo que diante da omissão da lei. . é possível que haja um novo desaforamento. . ao juiz é permitido requerer o desaforamento nessa hipótese.porém. c) falta de segurança pessoal do acusado: quando a integridade física ou moral do acusado está em risco em virtude de uma certa comoção social.Danilo Meneses – Intensivo II Página 40 . ao juiz não era dado requerer o desaforamento.deve o julgamento em plenário ser deslocado para outra comarca da mesma região.efeito suspensivo: .hipóteses de desaforamento: a) interesse de ordem pública: está ligado a tranqüilidade do julgamento.689/08. outros entendem que ao juiz continua sendo vedado representar pelo desaforamento.recurso: . §2º do CPP).seguida da jurisprudência. mudando o contexto fático e passando o motivo a estar presente. HC 95.a decisão de indeferimento do pedido de desaforamento é baseada na cláusula rebus sic stantibus. não há expressa previsão legal em relação a essa vedação ao juiz. onde não existam aqueles motivos. na lei antiga (antes da lei 11.crimes conexos e co-autores: . desde que comprovado excesso de serviço(antes da lei 11. a doutrina.o reaforamento não é permitido – embora o reaforamento não seja possível.reaforamento consiste no retorno do processo à comarca de origem. nada impede que o desaforamento se dê para outro estado da federação. assim. porém.com a lei 11. no âmbito da competência da justiça federal. pode ser determinado o desaforamento.tanto os crimes conexos quanto os co-autores serão atingidos pelo desaforamento. 53 Nessa hipótese. admitem a utilização do habeas corpus. na nova lei. poderá determinar a realização imediata do julgamento53. Rede de Ensino Luiz Flávio Gomes – Direito Processual Penal . preferindo-se as mais próximas. .oitiva do juiz presidente e da defesa (súmula 712 do STF: é nula a decisão que determina o desaforamento sem audiência da defesa). STJ. .801. b) dúvida sobre a imparcialidade do Júri: nesse sentido.

o CPP previa a nomeação de promotor “ad hoc”. por ferir o princípio do promotor natural (as funções do MP só poderão ser exercidas por integrantes da carreira regularmente aprovados em concurso público).801) . c) ausência do advogado do assistente: o julgamento será realizado normalmente (art. nada impede a imposição de multa pelo juiz bem como comunicação à OAB (art. pedido de dispensa deverá ser subscrito por seu advogado e pelo acusado. da lei 8. o julgamento não será adiado: porém. §2º traz expressa menção nesse sentido. entende que é perfeitamente possível o empréstimo de jurados. é claro): não havendo escolta e não sendo possível a presença por meio da vídeoconferência. em observância ao princípio da ampla defesa. O artigo 457 do CPP. b) ausência do advogado de defesa: ausente o advogado de defesa. Rede de Ensino Luiz Flávio Gomes – Direito Processual Penal . mesmo que o artigo 457 não faça nenhuma diferenciação. mas tal orientação se mostrava impossível diante da constituição de 1. o acusado deve ser intimado para que constitua novo advogado. da lentidão da justiça. independentemente do motivo. sendo que é amplamente majoritária a orientação de que não se admite o empréstimo de jurados. quando o promotor de justiça estivesse ausente. e não do assistente. e) ausência do acusado preso: deve ser possibilitado o deslocamento pelo Estado. em virtude da relevância para as partes do conhecimento prévio dos jurados convocados (nesse sentido: STF.689/08.906/94). comunicando-se o procurador-geral (e também o corregedor) – artigo 455 do CPP. com a lei 11.689/08.689/08. por violação ao princípio da ampla defesa. assim. 34. o julgamento não poderia ser realizado. caso a ausência do acusado solto for justificada. o julgamento deverá ser adiado. salvo na hipótese de vídeo-conferência. XI.689/08.Danilo Meneses – Intensivo II Página 41 . da busca pela eficiência.988. Para concurso. HC 88. em posição isolada. o julgamento será realizado normalmente (em prestígio ao princípio da proteção do direito ao silêncio). quem deve estar presente é o advogado do assistente. .os tribunais consideram o empréstimo de jurados como causa de nulidade absoluta. A peça processual necessária para argüir a nulidade é o habeas corpus.abertura da sessão de julgamento: . Pela leitura do artigo 457 do CPP (caput). Caso o preso não queira comparecer ao julgamento.ausências injustificadas: a) ausência do Ministério Público: antes da lei 11. Caracterizado o abandono do processo. isso já acontecia).empréstimo de jurados: é o chamamento de jurado incluído na lista de outro plenário do júri na mesma comarca: Guilherme de Souza Nucci. Com o advento da lei 11. argumentando com as dificuldades do poder judiciário. d) ausência do acusado solto: antes da lei 11. dá de se entender que caso o acusado solto não compareça. o julgamento deverá ser adiado.verificação da presença: verifica-se se estão presentes pelo menos 15 jurados dos 25 a serem sorteados. .. deve-se negar a posição de Nucci. o julgamento deverá ser adiado. Caso haja uma colidência de interesses. se o crime fosse inafiançável. a ausência do Ministério Público acarretará o adiamento do julgamento (na prática. 457 do CPP) – deve ficar claro que o assistente é a vítima ou seus sucessores. O estado é obrigado a providenciar a escolta (na ausência de vídeo-conferência. para a doutrina. Antes de se nomear um defensor dativo ou defensor público.

. uma vez que o direito de presença é dele. Argüida a suspeição ou impedimento. Cada parte tem direito a 3 recusas peremptórias.689/09 Advogado de “A” Advogado de “B” Ministério Público Jurado X Recuso aceito Recuso Jurado Y Aceito recuso Recuso Rede de Ensino Luiz Flávio Gomes – Direito Processual Penal . b) recusas imotivadas: também conhecidas como recusas peremptórias. Nesse caso. Caso haja mais de um acusado. havendo perempção em relação ao crime de ação penal privada. se houver mais de um acusado e as defesas forem patrocinadas por advogados diferentes e não haja acordo entre eles.a formação do conselho de sentença começa com a advertência aos jurados das causas de impedimento e de suspeição. Agora. Assim.sorteio dos jurados que irão compor o conselho de sentença e as respectivas recusas. Antes da lei 11. e não do advogado. esse advogado tem direito a três recusas. poderão ser utilizadas no Tribunal do Júri. . podem-se valer de quantas recusas quanto necessárias. . O julgamento será realizado mesmo na hipótese de a testemunha não ser encontrada no local indicado. 466 do CPP). . caso a testemunha tenha sido arrolada com a cláusula de imprescindibilidade e a parte tenha requerido sua intimação por mandado.instalação da sessão: . deve-se observar se cada um tem um defensor ou se são defendidos por defensores idênticos: se houver mais de um acusado cujas defesas são patrocinadas por um mesmo advogado.hipóteses em que haveria querelante no Júri: a) ação penal privada subsidiária da pública --> assim. cada um terá direito a três recusas (art. O advogado do assistente de acusação não tem legitimidade para as recusas peremptórias. que podem ser: a) recusas motivadas: feitas com base nas causas de impedimento e de suspeição. o julgamento deve ser adiado. se assim for certificado pelo oficial de justiça (§2º do artigo 462 do CPP). e pode pedir adiamento do julgamento para se interar melhor sobre os detalhes dos autos. 468 do CPP). ausente o querelante. não poderão comunicar-se entre si (art. mas.: testemunha em local incerto na hora do julgamento).prepondera a opção do acusado. f) ausência das testemunhas: o primeiro passo importante é determinar a condução coercitiva (testemunha conduzida coercitivamente não é uma boa testemunha na prática).escolha do conselho de sentença: . o juiz declarará aberta a sessão.preenchido todos os requisitos acima.Danilo Meneses – Intensivo II Página 42 .o juiz adverte os jurados que uma vez sorteados. b) litisconsórcio ativo entre Ministério Público e querelante –> conexão entre crimes de ação penal privada e crimes de ação penal pública. deve-se provar de plano caso o jurado a negue. . se por acaso não for possível a condução coercitiva (ex. São feitas de maneira aleatória. se o advogado do querelante não vai estar presente. não haverá pedido de condenação. o Ministério Público irá reassumir a ação.

Antes da lei 11. diz que poderá haver a leitura de peças “*.Danilo Meneses – Intensivo II Página 43 . quem definia o acusado que seria julgado primeiro era o Ministério Público.+ que se refiram exclusivamente.689/08. às provas colhidas por carta precatória e às provas cautelares.portanto. . passou a dizer que “*. ele já está excluído da sessão de julgamento.” . uma vez que mesmo depois da reforma. e em caso de co-autoria. deve-se interpretar no sentido de que a lei somente disse em relação a essas provas.início da instrução em plenário: .689/08.. pode-se requerer a leitura das seguintes provas: a) provas colhidas por precatória -> b) provas cautelares -> c) provas não repetíveis -> d) prova antecipada -> . aplica-se a norma do artigo 429 do CPP.689/08. era possível a leitura de qualquer peça. gerando como consequência o adiamento do julgamento.. com a reforma. O artigo 473. o autor. .Observação: ocorrendo o que demonstra o quadro. haveria separação do processo.observação: em concurso para a defensoria. com os jurados remanescentes”. Rogério Sanches e Luiz Flávio Gomes entendem que continua-se aplicando o sistema antigo. A intenção do legislador com a reforma foi evitar a separação do julgamento. conforme o artigo 472 do CPP.+ o jurado. uma vez que era ele quem deveria guardar sua recusa para usar no momento em que o acusado que ele queria que fosse julgado aceitasse o jurado. houve várias inovações em relação ao assunto.formação do conselho de sentença -> não havendo estouro de urna. Depois da lei 11.. sendo primeiro a ser julgado (no caso de separação). não havendo que se indagar as demais partes detentoras das recusas peremptórias. Com a lei 11.estouro de urna: ocorre quando não houver o número mínimo de 7 jurados para compor o conselho de sentença.Observação: o artigo 468. parágrafo único. .leitura de peças -> .antes da lei 11. §3º do CPP. a própria lei define quem será julgado primeiro. recusado imotivadamente por qualquer das partes será excluído daquela sessão de instrução e julgamento. haverá formação do conselho de sentença. não é unânime.689/09 Advogado de “A” Advogado de “B” Ministério Público Jurado X Recusa Jurado Y Aceito recuso Jurado W Aceito aceito Recuso .Jurado W Recuso aceito Recuso Jurado S Aceito recuso . a partir do momento em que um jurado foi recusado. Embora essa seja a orientação dominante.. não pode ser requerida a leitura de elementos informativos colhidos no inquérito e nem de provas produzidas Rede de Ensino Luiz Flávio Gomes – Direito Processual Penal . antecipadas ou não repetíveis. porém. prosseguindo-se o sorteio para a composição do Conselho de Sentença.assim. depois da lei.

4) interrogatório do acusado. 3) esclarecimento dos peritos + acariações + reconhecimento de pessoas. dando o sentido do seu voto). ele pode acabar extrapolando. . quem pergunta primeiro é o juiz presidente. quem pergunta primeiro são as partes.argumentos de autoridade: . A súmula vinculante 11 e o artigo 478. b) para prevenir a agressão contra terceiros ou contra si mesmo.a maioria da doutrina entende que havendo réplica. incluindo nas causas de nulidade por exemplo. complementando o juiz as questões que não foram esclarecidas). Rede de Ensino Luiz Flávio Gomes – Direito Processual Penal .uso de algemas: . Respeitável tal posição.observação: para a prova da defensoria. ficando prejudicada a tréplica.observação: no procedimento do júri.ordem dos atos processuais -> 1) oitiva do ofendido (quando possível). 478 do CPP não pode fazer referência à decisão de pronúncia ou a decisões supervenientes que tenham admitido a acusação. não com base na opinião do juiz.debates no tribunal do júri: .a réplica não é obrigatória.a acusação tem uma hora e meia para debates e posteriormente a defesa tem uma hora e meia (esse prazo aumenta-se em uma hora para cada acusado que aumentar). devese sustentar que apesar de não ser possível o requerimento de leitura dos elementos colhidos no inquérito. a tréplica por parte da defesa passa a ser obrigatória (em garantia a ampla defesa).o art. . . Os jurados formulam as perguntas por intermédio do juiz presidente (a razão de ser disso é porque caso o jurado pergunte sozinho. .Danilo Meneses – Intensivo II Página 44 . . Em prova do Ministério Público. também não se pode fazer referência ao uso de algemas como argumento de autoridade e também o silêncio do acusado ou de sua ausência em seu prejuízo. e depois as partes (vale lembrar que no procedimento comum. . somente cabendo em duas hipóteses: a) para impedir a fuga do acusado. nada impede que a parte utilize o seu tempo nos debates para a referida leitura. o próprio advogado pode requerer que o réu seja algemado. .Guilherme de Souza Nucci entende que a defesa pode inovar da tréplica sem necessidade de ser ouvido o Ministério Público depois. 2) testemunha de acusação e de defesa (número máximo de 5 para cada). é possível sustentar-se que o rol do artigo 478 é um rol meramente exemplificativo. É importante lembrar que as partes formulam as perguntas diretamente às testemunhas (sistema do cross examination). §1º do CPP disciplinam a questão do uso de algema. .na primeira fase do júri.observação: a depender do caso concreto. . .o uso de algemas é medida de natureza excepcional. a decisão que decretou a decisão preventiva. assim o Ministério Público pode dispensar a réplica. .a idéia de lei é que busque-se a condenação de alguém com base nas provas contidas nos autos.

.portanto. Porém. para que a outra possa falar. como não há como auferir o grau de influência que a exibição do documento ou a leitura da peça exerceu sobre o jurado. 231 do CPP. fotografias.689/08. No que se refere à arma do crime.direito ao aparte: .esse prazo concedido para o aparte implicará em prorrogação do prazo para a parte contrária .a não observância desse prazo de 3 dias úteis. inciso XI). tomar assento do lado direito dos Rede de Ensino Luiz Flávio Gomes – Direito Processual Penal . . deve ser considerado mera nulidade relativa. Obs. assim. croqui ou qualquer outro meio assemelhado cujo conteúdo versar sobre a matéria de fato submetida à apreciação e julgamento dos jurados. podendo conceder até três minutos quando requerido.aparte nada mais é do que uma interrupção na sustentação da parte contrária. o juiz deve conceder a palavra ao órgão ministerial (em obediência à garantia do contraditório) – nesse sentido.mas não é majoritária. HC 92.a lei diz que não será permitida a leitura do documento ou a exibição do objeto. e não mais a parte contrária.625/93. Depois da lei. STF. laudos. . b) exibição de vídeos.antes da lei 11. para concursos a posição mais acertada é a de permitir que a defesa inove no momento da tréplica (em prol da plenitude de defesa. o aparte era fruto do costume. não havendo necessidade de juntar com 3 dias de antecedência. segundo alguns doutrinadores.: todos essas vedações refere-se a não juntada com 3 dias úteis de antecedência. . Quem concede o aparte é o juiz presidente.posição ocupada pelo Ministério Público em plenário: . a doutrina majoritária entende que trata de nulidade absoluta. nesse caso. Deve-se entender como documento ou objeto para fins dessa vedação: a) leitura de jornais ou qualquer outro escrito. .exibição de documentos em plenário: . 41 da lei 8. no exercício de sua função (art. HC 61. . podendo ser usada sem prévia comunicação à parte contrária – nesse sentido. durante os debates. e no inciso XII diz que ao juiz compete.Danilo Meneses – Intensivo II Página 45 .o art. . uma garantia constitucional do tribunal do júri).o prazo concedido para o aparte será de 3 minutos. não havia ao menos previsão legal desse instituto. Livro de doutrina não entram nessa exceção. regulamentar. gravações. quadros. podendo ser mostrados se juntados dentro do prazo previsto em lei (3 dias). a arma apreendida já consta nos autos (uma vez que até mesmo já um auto de apreensão).958.a regra do CPP é a de que documentos poderão ser juntados a qualquer momento (diante do bem jurídico em disputa e diante da liberdade probatória) – nesse sentido: art. porém.a lei LONMP diz que constitui prerrogativas do membro do MP. ou seja. exceção a essa regra é a do plenário do júri: o artigo 479 do CPP diz que no plenário do júri não será possível a exibição ou a leitura de documentos que não tenha sido juntado aos autos com três dias úteis de antecedência. . 497 do CPP traz atribuições do juiz presidente. passou haver a previsão legal do aparte. a intervenção de uma das partes quando outra estiver com a palavra.615/STJ. .

Corrente 1: cabe ao juiz tão somente determinar a sua realização.prevista no artigo 497. ele continua inserindo outros quesitos (materialidade.) – antes da lei 11.Danilo Meneses – Intensivo II Página 46 . . qualificadora. Assim. cabe ao juiz decidir a respeito.dissolução do conselho de sentença: .sociedade indefesa: . . há duas correntes: . .a doutrina não tem tido uma unanimidade em relação ao tema. e marcar novo júri e comunicar o procurador-geral. e ainda exerce uma influência indevida no ânimo dos jurados. apesar de ter inserido esse novo quesito. alguns doutrinadores sustentam que ele poderia designar um novo membro do Ministério Público para atuar no caso concreto. onde aplica-se o artigo 28 do CPP).surge quando há uma atuação extremamente deficiente por parte do órgão ministerial. o jurado não estaria habilitado para realizar o julgamento. . . Câmara ou Turma.Corrente 2: cabe ao juiz presidente analisar a pertinência do pedido formulado pelo jurado. Para os doutrinadores que tratam desse assunto. O legislador brasileiro. além de ferir a inamovibilidade e o princípio do promotor natural – o ideal é que o procurador geral fosse notificado. caso contrário.689/08 foi inserido um quesito: “O jurado absolve o acusado?”. dissolver o conselho de sentença e designar outra sessão de julgamento.sistemas de quesitação: a) sistema francês: caracteriza-se pela formulação de vários quesitos ao jurados. Diante de uma atuação deficiente. mas que o mesmo promotor que já tenha atuado volte a atuar novamente. b) sistema anglo americano: uma única indagação é feita aos jurados54 (culpado ou inocente?). XI e também no artigo 481: cabe ao juiz determinar as diligências destinadas a sanar nulidade ou a suprir falta que prejudique esclarecimento da verdade (esse pedido pode ser partido dos jurados ou das partes). Se o requerimento for formulado pelos jurados. Isso deve ser aplicado não só no júri. 54 Vale lembrar que essa regra funciona bem no direito norte americano porque lá os jurados podem conversar entre si.quesitação: . ou seja. devendo ela ser aplicada. era o sistema adotado pelo Brasil. uma vez que essa designação não tem amparado legal (não é a mesma coisa que o arquivamento. os jurados julgam praticamente tudo (materialidade.com a lei 11. autoria. depois de comunicado o procurador geral. deferindo ou indeferindo o pedido. Há um julgado sobre isso: RMS. o juiz presidente pode declarar a sociedade indefesa. deve sustentar que há previsão legal da regra. uma vez que a sociedade está indefesa. Em concurso para o Ministério Público. autoria.tratando-se de requerimento formulado pelas partes. mas em qualquer audiência. .juízes de primeira instância ou do Presidente do Tribunal. deve sustentar que a norma da LONMP é mera vaidade. o juiz deve dissolver o conselho de sentença. Em prova para defensor público. Essa designação de outro membro do MP é complicada de se sustentar. Rede de Ensino Luiz Flávio Gomes – Direito Processual Penal .844/STF.689/08. etc. . 21.

. privilégios. há preclusão (portanto. passando a competência ao juiz presidente para apreciar eventual crime de lesão corporal.fonte dos quesitos  a fonte dos quesitos antes da lei 11.qualificadoras.formulação dos quesitos: . causas de diminuição. causas de aumento. HC 87. . dependendo do caso concreto).Danilo Meneses – Intensivo II Página 47 . ou seja.jurado é quesitado sobre matéria de fato. . a vítima foi atingida por disparo de arma de fogo sofrendo as lesões descritas no laudo pericial de página ________?” .o quesito pode ser formulado da seguinte forma: “O acusado ________ foi o autor dos disparos referidos no primeiro quesito?”. momento oportuno para eventual impugnação sob pena de preclusão – nesse sentido: STF.daí surge-se o segundo quesito: “Essas lesões foram a causa eficiente da morte da vítima?” . deve o advogado ou promotor argüir a reclamação. agora. constar da ata. .impugnação aos quesitos: . o quesito deve ser formulado no seguinte sentido: “No dia ________.ordem dos quesitos: 1) materialidade do fato: . a doutrina está dizendo que o sistema adotado pelo Brasil é o sistema misto (que resulta da fusão entre o sistema francês e o sistema anglo-americano). mesmo sem saber exatamente o motivo da impugnação. com a extinção dessa peça processual. .´s 482 do CPP). no sentido de que a morte não decorreu das lesões. para prevenir dúvidas nas cabeças dos jurados. ao induzir o acusado. dizendo que não houve um homicídio. A jurisprudência tem dito que se as partes se calaram nesse momento. devendo qualquer deles.os quesitos precisam ser formulados sempre em proposições afirmativas. após a formulação dos quesitos o juiz presidente formulará a sua leitura.um exemplo de primeiro quesito: “No dia ________.se a resposta desse último quesito for negativa (4 jurados respondam NÃO). a fonte dos quesitos passou a ser a pronúncia (ver art. ou seja. a vítima foi alvo de disparos de arma de fogo.).358. . . concorreu de qualquer modo para a realização dos disparos?” – vale Rede de Ensino Luiz Flávio Gomes – Direito Processual Penal .o artigo 484 do CPP diz que o presidente lerá os quesitos e indagará das partes se tem qualquer requerimento ou reclamação a fazer. no local _______. . em razão dessa nova sistemática. haverá desclassificação própria. mas somente lesão corporal (seja leve ou seguida de morte.689/08 era o libelo acusatório. sob pena de reclusão). bem como a decisão.na hipótese de tentativa branca/tentativa incruenta. sem que fosse atingida?” 2) autoria ou participação. etc.o quesito de participação pode ser formulado da seguinte forma: “O acusado _________ ao emprestar a arma. no local _______.

embora outros doutrinadores prefiram uma maneira mais detalhada: “O acusado ________ deu início à execução de um crime de homicídio que não se consumou por circunstâncias alheias a sua vontade55?” . terá havido desclassificação própria. socorro.lembrar que 4 respostas negativas implica em absolvição do acusado por negativa de autoria. *Observação* .surge a dúvida em relação ao quesito ser formulado conforme a lei ou se ele deve ser detalhado. ex.quesito da desclassificação para outro crime doloso contra a vida: “A acusada ________ agiu sob influência do estado puerperal matando o próprio filho durante ou logo após o parto?” . mas não passou o quesito dessa forma. por alguns motivos: perguntar o acusado em relação a legítima defesa é perguntar matéria de direito. . . Nesse caso. . .aqui nesse momento. No livro do professor Luiz Flávio e do Rogério Sanches. Apesar do brilhantismo da opinião dos nobres doutrinadores. poderia ser obrigado a se inserir o quesito da tentativa ou também o quesito da desclassificação para outro crime doloso contra a vida. trazem a opinião de que esse quesito. será possível saber quais são os reflexos de eventual sentença absolutória. não de fato + tanto o recorrente quanto o tribunal deverão estar atentos à ata de sessão de julgamento + para os autores do anti-projeto. o terceiro quesito será sempre obrigatório – esse quesito é muito bom para a defesa. o quesito não era nesse sentido.Danilo Meneses – Intensivo II Página 48 .no projeto de lei originário. esse quesito precisa ser detalhado: “O jurado absolve o acusado em virtude da legítima defesa? O jurado absolve o acusado em razão de coação moral irresistível?” – entendem os autores que explicar o motivo da absolvição é útil em dois sentidos: especificar a razão da absolvição possibilita que a parte possa recorrer (apontando esse fundamento) + uma vez especificado o quesito. prevalece que o quesito deve ser questionado de maneira genérica. por entender-se que essa redação afrontaria o princípio da presunção de inocência e de nãoculpabilidade.mesmo que a tese defensiva já tenha sido afastada pelos jurados em um dos quesitos anteriores (melhor exemplo: negativa de autoria).a redação desse quesito é formulada pela própria lei: “O acusado deve ser absolvido?”. é preferível 55 Substitui a “circunstâncias alheias a sua vontade” pela circunstância ocorrida no caso concreto.: intervenção de policiais. Rede de Ensino Luiz Flávio Gomes – Direito Processual Penal . . mas era formulado da seguinte forma: “O acusado deve ser condenado?”. passando-se a competência às mãos do juiz presidente 3) se o acusado deve ser absolvido.quesito da tentativa: “O acusado ________ tentou matar a vítima?”. caso haja várias teses defensivas.hipótese de desistência voluntária ou arrependimento eficaz: caso a única tese defensiva seja de desistência voluntária ou de arrependimento eficaz. deve os jurados negar o quesito relativo à tentativa de homicídio.

deixar em aberto a discussão na instância cível que comprometer a simplificação do quesito (a partir do momento em que não se sabe mais qual o motivo que se rendeu a absolvição, fica claro que a sentença penal não vai fazer coisa julgada no juízo cível); - inimputabilidade -> o inimputável vai parar no julgamento pelo conselho de sentença quando além de inimputabilidade, for sustentada outra tese de defesa. Respondido afirmativamente o quesito relativo à absolvição, deve o juiz presidente formular um outro quesito em seguida: “Deve ser aplicada medida de segurança ao acusado?”; - excesso doloso e excesso culposo -> caso os jurados respondam negativamente ao quesito relativo à absolvição, deverá o juiz presidente elaborar quesito específico acerca do excesso: “O excesso do acusado derivou de culpa?” – respondido afirmativamente esse quesito, estarão os jurados realizando uma desclassificação imprópria, passando ao juiz presidente a competência para julgamento do homicídio culposo. Caso os jurados respondam NÃO, os jurados estão automaticamente que o excesso foi doloso, prosseguindo a quesitação; 4) causas de diminuição de pena: - essas causas de diminuição de pena devem ser alegadas pela defesa em plenário para serem quesitadas (ex.: homicídio privilegiado – art. 121, §1º do CP). Nesse caso, o quesito deve repetir a letra da lei em relação ao homicídio privilegiado; - os jurados, ao serem questionados sobre isso, poderão responder SIM ou NÃO: assim, respondendo que sim (ou seja, confirmando a existência do homicídio privilegiado), os jurados já estarão afastando os quesitos relativos às qualificadoras de natureza subjetiva; - o homicídio privilegiado que tem qualificadora (lógico: qualificadora objetiva) é possível e não é crime hediondo: pode cair em prova, portanto, deve-se saber que nesse caso pode-se usar o nome “homicídio qualificado privilegiado” e a expressão “homicídio privilegiado qualificado”; - sustentando a nomenclatura homicídio qualificado privilegiado, têm-se o fato de que no critério Nélson Hungria de fixação da pena, analisa-se primeiro a qualificadora, e depois o privilégio; - sustentando a nomenclatura homicídio privilegiado qualificado, tem-se como parâmetro o momento da quesitação, já que a quesitação do privilégio se dá anteriormente à quesitação da qualificadora; *Observação* - as teses da defesa são sempre formuladas antes das teses da acusação; 5) qualificadoras ou causas de aumento de pena: - as qualificadoras e causas de aumento deverão obrigatoriamente ter constado da pronúncia (princípio da correlação entre a pronúncia e a quesitação);

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- no que se refere à “atividade típica de grupo de extermínio”, segundo a doutrina majoritária, é matéria que diz respeito à aplicação da pena, sendo desnecessária a quesitação aos jurados; 6) agravantes e atenuantes*: - antes da lei 11.689/08, agravantes e atenuantes eram quesitadas aos jurados (não só o eram, como também era obrigatória a inclusão de um quesito sobre a presença de atenuantes genéricas, mesmo que não tivesse havido sustentação em plenário a respeito – nesse sentido: súmula 153 do STF); - depois da lei 11.689/08, agravantes e atenuantes não são mais quesitadas aos jurados, sendo matéria exclusiva do juiz presidente. Guilherme de Souza Nucci entende que caso haja pedido das partes, agravantes e atenuantes devem ser quesitadas (posição amplamente minoritária); - exemplo de agravante -> crime cometido por motivo torpe, que é uma agravante, já é qualificadora do homicídio, não pode ser conhecida pelo juiz, uma vez que a competência para julgar a qualificadora não é do juiz presidente, e sim do conselho de sentença. Ou seja, caso a agravante funcione como uma qualificadora, deverá o acusado ser denunciado com base em tal qualificadora, razão pela qual tal agravante não poderá ser posteriormente reconhecida pelo juiz presidente; - concurso de crimes -> no caso de concurso de crimes, é matéria relativa à aplicação da pena, sendo matéria do juiz presidente, não precisando ser quesitada (essa posição apesar de conservadora, é majoritária). Há porém doutrinadores que entendem que (ex.: Denílson Feitosa) caso haja pedido das partes, deve ser formulado quesito aos jurados sobre a matéria relativa ao concurso de crimes; - desclassificação própria VS imprópria: - desclassificação própria: ocorre quando os jurados desclassificam o crime para um crime não doloso contra a vida, não especificando qual seria esse delito (ex.: típico é a desclassificação de tentativa de homicídio para lesão corporal, onde não se especifica qual tipo de delito, se é lesão grave, gravíssima, leve). Nesse caso, o juiz presidente assume total capacidade decisória – nesse caso o juiz não está obrigado a condenar, podendo julgar com liberdade, inclusive absolvendo o réu. Caso o delito seja de menor potencial ofensivo, que vai aplicar o procedimento dos juizados especiais é o próprio juiz presidente (art. 492. §1º), não devendo ser remetido o processo para o juiz dos juizados especiais criminais – porém, alguns doutrinadores entendem que a competência dos juizados é de natureza absoluta, devendo os autos ser remetidos ao juiz dos juizados especiais (nesse sentido: Gustavo Badaró)56; - desclassificação imprópria: ocorre quando os jurados reconhecem sua incompetência para julgar o delito, mas indicam qual teria sido a infração penal praticada. Nesse caso, o juiz presidente é obrigado à acatar a decisão dos jurados (a decisão dos jurados é uma decisão vinculativa);

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No caso de lesão corporal leve, por exemplo, há necessidade de representação. Assim, deve-se saber quando começa a contar o prazo decadencial para representação: como ainda não era possível a representação, o prazo para o seu oferecimento começa a contar à partir da desclassificação
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- desclassificação e crime conexo: - a título de exemplo, há um homicídio e um crime conexo (ex.: art. 213 do CP): no caso do homicídio ser desclassificado para lesão corporal conforme o §3º do art. 129, o crime vai para o juiz presidente, mas o crime conexo (art. 213 do CP), é de competência dos jurados ou do juiz presidente? O artigo 492, §2º, responde a dúvida, no sentido de que em caso de desclassificação, o crime conexo que não seja doloso contra a vida será julgado pelo juiz presidente do Tribunal do Júri; - porém, caso ao ser o crime de homicídio julgado pelos jurados e estes absolverem o réu, o crime conexo, implicitamente entenderam incompetente para julgar a imputação, assim, o crime conexo deverá também ser julgado pelos jurados;

NULIDADES - espécies de irregularidades: a) irregularidade sem consequências -> oferecer denúncia fora do prazo legal (em se tratando de acusado solto), usar abreviaturas; b) irregularidade com consequências extraprocessuais -> multa aplicada ao perito que apresenta o laudo pericial fora do prazo legal; c) irregularidades que acarretam a invalidação do ato processual -> o art. 564 do CPP traz um rol exemplificativo de nulidades, como por exemplo: incompetência, suspeição ou suborno do juiz + ilegitimidade da parte + etc.; d) irregularidade que acarreta inexistência do ato processual -> uma sentença sem dispositivo ou uma sentença dada por um não juiz; - espécies de atos processuais: a) ato perfeito -> é aquele ato praticado de acordo com um modelo legal, sendo portanto, plenamente válido e eficaz; b) ato meramente irregular -> não há qualquer consequência em relação à irregularidade ou a consequência é apenas extraprocessual. Esse ato também é considerado válido e eficaz; c) ato nulo -> a falta de adequação ao modelo típico pode levar ao reconhecimento de sua inaptidão para produzir efeitos no mundo jurídico – usa-se o termo “pode” pelo fato das nulidades processuais não serem automáticas, dependendo de pronunciamento judicial; d) ato inexistente -> falta de maneira absoluta um dos elementos exigidos pela lei; o vício é de tamanha gravidade que tal ato sequer pode ser considerado como ato processual; - conceito de nulidade: - é a sanção aplicada ao ato processual defeituoso, ou seja, a nulidade é compreendida como uma sanção de ineficácia; - a palavra nulidade também pode ser compreendida como uma nulidade ou característica do ato ou processo defeituoso, portanto, nesse caso, a palavra é usada como ineficácia, ou seja, no sentido de “dotado de vício”; - espécies de nulidade: - basicamente, há duas espécies de nulidade: absoluta e relativa; - nulidade absoluta: doutrina majoritária, ou tratar de uma nulidade absoluta, vai trazer duas características básicas que vai diferenciar das nulidades relativas: na nulidade absoluta o prejuízo é presumido + pode ser argüida a qualquer momento. - PERGUNTA: E em sede de recursos extraordinários? E depois do trânsito em julgado, pode ser argüida uma nulidade absoluta? RESPOSTA: Como o recurso extraordinário
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I – nulidades relativas na primeira fase do júri: deverão ser argüidas até as alegações orais. .tem como pressuposto um pré-questionamento. III . se verificadas depois desse prazo. IV – o Capítulo a que se refere esse inciso foi revogado pela parte geral do Código Penal.a súmula 273 do STJ diz que. sob pena de preclusão.038/90. 537. .quando ocorre a violação de norma protetiva de interesse público prevista na Constituição Federal. logo depois de aberta a audiência.se verificadas após a decisão da primeira instância. nos prazos a que se refere o art. no prazo a que se refere o art. 447).nulidade relativa: o prejuízo deve ser comprovado. 500. . VIII .as da instrução criminal dos processos de competência do juiz singular e dos processos especiais. é possível a argüição de nulidade absoluta por meio da revisão criminal ou de um habeas corpus. nos prazos a que se refere o art. As nulidades deverão ser argüidas: I . conforme o artigo 571 do CPP que se passa a ver: Art. nas razões de recurso ou logo depois de anunciado o julgamento do recurso e apregoadas as partes.as da instrução criminal dos processos da competência do júri. logo depois de anunciado o julgamento e apregoadas as partes (art. que.verificam nas nulidades cominadas no artigo 564 que não são sujeitas à sanação (interpretação a contrario sensu do artigo 572 do CPP). VII . VII – sem necessidade de comentários.hipóteses de nulidade absoluta: . II . V – as nulidades relativas ocorridas posteriormente a pronúncia deverão ser argüidas imediatamente depois do anúncio do julgamento ou de apregoadas as partes. logo depois de ocorrerem.o artigo 564 dá um rol de nulidades – o artigo 572 traz a lista de algumas irregularidades do artigo 564 que serão sanadas se não argüidas em tempo oportuno (assim. IV . nos prazos a que se refere o art. em se tratando de sentença condenatória ou absolutória imprópria com trânsito em julgado. salvo os dos Capítulos V e Vll do Título II do Livro II.as de instrução criminal dos processos de competência do Supremo Tribunal Federal e dos Tribunais de Apelação. deve olhar se essa nulidade foi questionada pelos Tribunais anteriores.” . II – nulidades relativas ocorridas no curso do procedimento comum deverão ser argüidas até a apresentação das alegações orais ou dos memoriais. VI . compreendemos. V . 500. . 571. logo depois de aberta a audiência e apregoadas as partes. VIII – em audiência. 406. “intimada a defesa da expedição da carta precatória.as do julgamento em plenário.as ocorridas posteriormente à pronúncia. III – no procedimento sumário segue a mesma regra do inciso anterior. em audiência ou em sessão do tribunal. nas demais nulidades não compreendidas no artigo 572. . serão nulidades absolutas). VI – atenção para os procedimento da lei 8.as do processo regulado no Capítulo VII do Título II do Livro II.as do processo sumário. torna-se desnecessária a intimação da data da audiência no juízo deprecado.a súmula 155 do STF diz que “é relativa a nulidade do processo criminal por falta de intimação da expedição de carta precatória para inquirição de testemunha. ou. Essa nulidade deve ser argüida no momento oportuno. a nulidade deve ser argüida logo depois de ocorrida. Em relação à nulidade absoluta ser argüida depois do trânsito em julgado.” Rede de Ensino Luiz Flávio Gomes – Direito Processual Penal .Danilo Meneses – Intensivo II Página 52 .

quando na falta de citação. situação na qual uma vez anulada a sessão de julgamento. se apesar do vício a finalidade foi atingida.Danilo Meneses – Intensivo II Página 53 . uma vez que nesse caso o interesse é de ordem pública. .a nulidade pode ser argüida por meio de recurso (em sede de preliminares). Como ao Ministério Público incumbe a tutela de direitos individuais indisponíveis.a nulidade também pode ser buscada através de habeas corpus – pode ser usado mesmo após o trânsito em julgado de sentença condenatória ou absolutória imprópria. Rede de Ensino Luiz Flávio Gomes – Direito Processual Penal . §1º diz que a nulidade de um ato uma vez declarada. o juiz que pronunciar a nulidade. não se aplica às hipóteses de nulidade absoluta. em razão do princípio do interesse. “Pas de nulite sans grecf” é o princípio em francês. é mais difícil de acontecer). devendo. Esse princípio do interesse não se aplica às hipóteses de nulidade absoluta.a nulidade também pode ser argüida por revisão criminal – pode ser usado mesmo após o trânsito em julgado de sentença condenatória ou absolutória imprópria.verificam-se nas nulidades cominadas no artigo 564 sujeitas à sanação (combinado com o artigo 572). O artigo 573. . “não será declarada a nulidade de ato processual que não houver influído na apuração da verdade substancial ou na decisão da causa”.nas nulidades não cominadas (não previstas no artigo 564 do CPP) violadoras de norma protetiva de interesse da parte. causa a nulidade dos atos que dele dependam ou sejam consequência. . nenhuma parte da sessão anterior poderá ser aproveitada. . . porém. Portanto.. não se deve invalidar o ato processual (ex.princípios relacionados ao tema “nulidades”: . Essa relação de dependência é uma relação lógica e não meramente cronológica. . .: artigo 570 do CPP. . .: inobservância do sistema do cross examination na oitiva de testemunhas) – esse princípio da lealdade.princípio do interesse: ninguém pode argüir nulidade referente a formalidade que somente interesse à parte contrária (ex. declarar os atos a que ela se estende.princípio da restrição processual a decretação da ineficácia: a invalidação de um ato somente pode ser decretada se houver instrumento processual e momento adequado: . 57 Os tribunais entendiam que era causa de mera nulidade relativa. em regra.princípio da lealdade: ninguém pode argüir nulidade para a qual tenha concorrido (ex. os atos processuais que dele dependam ou sejam consequência também deverão ser anulados. .princípio da tipicidade das formas: todo ato processual tem sua forma típica cuja inobservância pode gerar uma nulidade.princípio da conservação dos atos processuais: deve-se conservar o ato processual que não dependa do ato anterior declarado inválido (artigo 248 do CPC). por se tratar de audiência una. .antes de decretar a nulidade.segundo o artigo 566 do CPP. .: ausência do MP a oitiva de testemunhas da defesa57 – hoje em dia. tem a função de atingir determinada finalidade. nos termos do §2º.princípio da causalidade/consequencialidade: uma vez declarada a nulidade do ato processual. . há o comparecimento do réu). . Cuidado com a sessão de julgamento do plenário do júri.hipóteses de nulidade relativa: . nada impede a argüição de nulidade relativa pelo Ministério Público em favor do acusado.principio da eficácia dos atos processuais: o ato nulo continua a produzir seus efeitos enquanto uma decisão judicial não declarar a nulidade.princípio do prejuízo: não há nulidade sem prejuízo.princípio da instrumentalidade das formas: a existência do ato processual não é um fim em si mesmo. deve-se observar se há instrumento processual adequado e também um momento adequado.

” Assim.: nas hipóteses de defeitos na procuração ou de ilegitimidade processual). Quando a súmula faz menção às “agravantes”. depois da reforma do CPP advinda pela lei 11. Portanto. súmula 160 do STF.” .súmula 160 do STF -> “É nula a decisão do tribuna que acolhe contra o réu nulidade não argüida no recurso da acusação..PERGUNTA: Uma nulidade pode ser reconhecida de ofício pela segunda instância? RESPOSTA: Nesse caso deve haver cuidado com o efeito devolutivo. são supridas (ex.súmulas relativas às nulidades: . por exemplo. d) preclusão temporal -> perda da faculdade processual de se argüir nulidade relativa pela não impugnação no momento oportuno. abrange não somente estas. c) ratificação -> confirmação do ato processual (ex. assim.Danilo Meneses – Intensivo II Página 54 . somente a matéria impugnada pode ser analisada pelo tribunal. f) coisa julgada -> também conhecida como preclusão máxima ou sanatória geral. como deve).nas hipóteses de recurso de ofício. como também qualificadoras e causas de aumento de pena. no caso de testemunhas abonatórias. com a reforma. .” Essa súmula. §2º do CPC). b) retificação -> nesse caso. . Assim. o tribunal pode reconhecer uma nulidade em desfavor do réu. O artigo 483. tranquilamente. ressalvados os casos de recursos de ofício. ainda continua em vigor. Rede de Ensino Luiz Flávio Gomes – Direito Processual Penal .princípio da convalidação: significa a remoção do defeito. por força do princípio da reformatio in mellius. o tribunal pode reconhecer a nulidade que o favoreça mesmo sem impugnação. seja ela contra o acusado) – nesse sentido.689/08. não devendo o processo ser anulado. Quanto às agravantes em sentido estrito essa súmula perdeu a razão de ser (uma vez que não há mais quesitação dos jurados em relação à elas). . . Em se tratando de sentença condenatória ou absolutória imprópria. nos termos do artigo 251 do CPP (o juiz só não pode. Forma de convalidação do ato processual defeituoso: a) suprimento -> nesse caso as deficiência são completadas. Porém. §3º. e) prolação da sentença -> a decisão de mérito em favor do acusado afasta a conveniência de reconhecer nulidade relativa em seu benefício (art.súmula 162 do STF -> “É absoluta a nulidade do julgamento pelo júri quando os quesitos da defesa não precedem aos das circunstâncias agravantes.: aditamento da peça acusatória). a fim de que o ato processual defeituoso possa ser considerado válido e eficaz. o tribunal pode reconhecer nulidade livremente (seja ela em favor.PERGUNTA: Uma nulidade pode ser reconhecida de ofício pelo juiz na primeira instância? RESPOSTA: Sim. extrai-se a regra de que os quesito das qualificadoras e das causas de aumento de pena devem ser formulados após os quesitos de defesa. se houver impugnação por parte da acusação. em favor do acusado. porém. . uma vez que no grau de apelação. 249. essa súmula continua sendo válida no tocando ás qualificadoras e causas de aumento de pena. aplica-se o brocado “tantum devolutum quantum apelatum”.súmula 155 do STF -> “É relativa nulidade no processo criminal por falta de intimação da expedição de precatória para inquirição de testemunhas. nulidade absoluta pode ser reconhecida mesmo após o trânsito em julgado.nulidade na 2ª instância: . praticamente adotou a norma da súmula.nulidades na 1ª instância: . não haverá prejuízo. agravante em sentido amplo = agravante em sentido estrito + causas de aumento de pena + qualificadoras. Portanto. há correção do defeito.

” . conforme se vê na leitura do artigo 449.súmula 366 do STF -> “Não é nula a citação por edital que indica o dispositivo da lei penal.”Lembre-se que unidade da federação é o nome designado ao Estado.súmula 351 do STF -> “É nula a citação por edital de réu preso na mesma unidade da federação em que o juiz exerce a sua jurisdição. integração ou esclarecimento da decisão judicial anterior. O próprio STF já decidiu de forma contrária a essa súmula. e somente no caso de perícia realizada por perito não oficial é que será necessário dois ou mais peritos. que diz que as perícias serão realizadas por perito oficial (apenas um).conceito: é o instrumento processual voluntário de impugnação de decisões judiciais. §7º) pode exigir a necessidade da presença de mais de um perito oficial. citado por edital e não comparecer. . em julgados mais recentes (da 6ª Turma do STJ).súmula 361 do STF -> “No processo penal. . na diligência de apreensão”. é nulo o exame realizado por um só perito. no caso em que o réu estiver preso na mesma unidade da federação. . deve o processo ficar suspenso. a falta da defesa constitui nulidade absoluta.súmula 523 do STF -> “No processo penal. utilizado antes da preclusão e na mesma relação jurídica processual. sendo o recurso uma importante forma de evitar a revisão da decisão errônea. . A crítica que se faz a essa súmula é que somente há nulidade (segundo seu texto). .” A súmula portanto diz que a falta da defesa no processo penal constitui nulidade absoluta – deve-se entender por falta da defesa inclusive nos casos em que a defesa é tão precária que pode ser chamada de uma não-defesa. embora não transcreva a denúncia ou queixa.súmula 330 do STJ -> “É desnecessária a resposta preliminar de que trata o artigo 514 na ação penal instruída por inquérito policial”. considerando-se impedido o que tiver funcionado. c) duplo grau de jurisdição -> possibilidade de interposição de um recurso que seja capaz de devolver ao tribunal o conhecimento de toda a matéria de fato. Essa súmula precisa ser lida a partir da nova redação do artigo 159.Fundamentos: a) falibilidade humana -> o juiz é um ser humano.súmula 206 do STF -> “É nulo o julgamento ulterior pelo júri com a participação de jurado que funcionou em julgamento anterior do mesmo processo.Danilo Meneses – Intensivo II Página 55 .súmula 431 do STF -> “É nulo o julgamento de recurso criminal na segunda instância sem prévia intimação ou publicação da pauta. previsto em lei. No próprio STJ. invalidação. vem entendendo que a não observância da defesa preliminar é causa de nulidade absoluta.. “I” e “II” do CPP.” Essa súmula foi transformada em lei. objetivando a reforma. salvo no caso do habeas corpus”. ou não resuma os fatos em que se baseia. de direito e probatória apreciada na primeira instância. a intimação deve ser pessoal (alguns entendem que a regra também se estende ao advogado dativo). mas a sua deficiência só o anulará se houver prova de prejuízo para o réu. anteriormente. nos casos de tráfico de drogas. RECURSOS . conforme o artigo 159. podendo cometer um erro. quem atualmente. em função do artigo 366. . A pericio complexa (envolve mais de um campo de conhecimento.Noções Introdutórias: . Atualmente. b) inconformismo das pessoas -> a partir do momento que se possibilita que a decisão de um juiz pode ser reavaliada por um tribunal faz com que o inconformismo do jurisdicionado seja maior. No caso da defensoria pública. Alguns doutrinadores dizem que o duplo grau de jurisdição é Rede de Ensino Luiz Flávio Gomes – Direito Processual Penal .

o recurso será conhecido.pressupostos objetivos de admissibilidade recursal: a) cabimento -> deve haver previsão legal de recurso contra a decisão.em regra. .um princípio constitucional implícito. . as funções de juízo a quo e juízo ad quem são distintas.decisão preferida pelo TJ/SP -> julgamento pelo TJ/SP. .Danilo Meneses – Intensivo II Página 56 . Pessoas com foro por prerrogativa de função não tem direito ao duplo grau de jurisdição (o professor Luiz Flávio é contra essa orientação). cabe ao STF julgar a revisão criminal – porém.recurso provido: acata a pretensão recursal de mérito. . .recurso conhecido = os pressupostos de admissibilidade recursal estão presentes. . . .juízo ad quem -> juízo para o qual se recorre. O princípio da fungibilidade traz dois requisitos: não pode decorrer de 58 Só se chega a essa análise se o recurso for conhecido.os pressupostos recursais são analisados pelo juízo a quo e juízo ad quem.competência para o julgamento da revisão criminal -> em regra quem julga a revisão criminal são os tribunais. a revisão criminal será de competência do TJ/SP. b) adequação -> para cada decisão que comporte recurso. Rede de Ensino Luiz Flávio Gomes – Direito Processual Penal .recurso extraordinário interposto contra decisão do TJ/SP e conhecido pelo STF -> deve-se saber qual objeto de impugnação da revisão criminal. um único recurso será cabível. . assim. teria ela substituído a decisão do TJ/SP nesse ponto. a depender do caso específico. “h”. No que se refere à súmula 704 do STF.recurso não provido: não acolhe a pretensão recursal de mérito.: embargos de declaração). No RE 466. você pode abordar tal decisão em sede de preliminar de outro recurso.recurso não-conhecido = um dos pressupostos de admissibilidade recursal não estão presentes. .provimento VS não provimento do recurso58: . Esse pressuposto objetivo da adequação acaba sofrendo uma mitigação por força do princípio da fungibilidade (onde um recurso equivocado é reconhecido como recurso correto).343 (ler o RE obrigatoriamente). é de analisar se o Supremo vai mantê-la ou não. Não se pode esquecer o status supralegal de tratados internacionais de direitos humanos (antes de aprovados pelo quórum que os tornam norma constitucional). caso a parte impugnada pela revisão criminal não tenha sido avaliado pelo STF no recurso extraordinário. . .Pressupostos ou requisitos de admissibilidade recursal: . mas há exceção (ex. salvo se listadas no artigo 581 do CPP (atacável então. Decisões interlocutórias no processo penal em regra são irrecorríveis. .decisão proferida pelo juiz de São Paulo -> julgamento pelo TJ/SP. pois se foi esse ponto apreciado pelo STF. podendo ser extraído da ampla defesa e do devido processo legal. Presente os pressupostos. A Convenção Americana de Direitos Humanos assegura o duplo grau de jurisdição de maneira expressa no artigo 8º.conhecimento VS não-conhecimento do recurso: . Mesmo que determinada decisão seja irrecorrível. . via RESE).recurso extraordinário interposto contra decisão do TJ/SP e não conhecido -> julgamento pelo TJ/SP.juízo a quo -> juízo contra o qual se recorre. estando a idéia de provimento ligada ao mérito recursal. “2”.pressupostos de admissibilidade recursal podem ter tanto natureza objetiva quanto natureza subjetiva. .

a súmula 428 do STF). . pondo fim a estes prazos diferenciados. o defensor dativo.prazos recursais: . 639 do CPP).interposição de recurso por meio de faz -> o recurso pode ser interposto por meio de fax. . não é da data do recebimento do material por meio de fax (é importante ressaltar Rede de Ensino Luiz Flávio Gomes – Direito Processual Penal . e não da data da interposição do recurso ou seja. segundo o qual. assim.deve-se ter cuidado com o prazo em dobro da defensoria pública no âmbito do juizado especial criminal federal. O artigo 9º da lei dos juizados especiais federais (lei 10. Porém. segundo a jurisprudência. preocupado com a auto-defesa. uma vez que as razões recursais fora do prazo são consideradas mera irregularidade. Nos termos do artigo 575 do CPP não serão prejudicados os recursos que por erro dos funcionários.2 dias -> embargos de declaração em primeira ou segunda instância. uma vez que caso não conste.48 horas -> carta testemunhável (art. por esse motivo. eles têm direito a intimação pessoal. enquanto a restrição é oriunda de uma lei ordinária.: concessão de suspensão condicional do processo pelo juiz de ofício. Esse prazo deve ser contado após o encerramento do prazo recursal. O princípio da fungibilidade está expressamente previsto no artigo 579 do CPP (ex.erro grosseiro + boa fé por parte do recorrente. . A boa fé se dá pelo fato de que o recurso errado deve ter sido interposto no prazo do recurso correto. . a LC 80/94 foi alterada em 2.Danilo Meneses – Intensivo II Página 57 .a defensoria pública e. considerar como aplicável a regra do prazo em dobro para recorrer por parte da defensoria. uma vez que a lei teria primado pela celeridade. considera-se feita no primeiro dia útil subseqüente (o intimado no sábado. devendo então. não tiverem seguimento ou não forem apresentado dentro do prazo (no mesmo sentido. assim. não seria possível restringir tal prerrogativa através de uma lei ordinária – e mesmo assim. é como se estivesse sido intimado na segunda. .15 dias -> recurso extraordinário + recurso especial.intimação por meio de publicação em final de semana -> se a intimação se der por publicação em finais de semana. têm prazo em dobro para recorrer. O código. prevê que tanto o advogado quanto o acusado.259/01) diz que não haverá prazo diferenciado pelas pessoas jurídicas de direito público. onde alguns entendem que seria caso de apelação e outros entendem que seria caso de RESE – a doutrina prefere dizer apelação e a jurisprudência prefere dizer que trata-se de RESE).009 e continua dando a prerrogativa ao prazo em dobro. Além disso.5 dias -> apelação + RESE + protesto por novo júri + agravo + correição parcial + embargos de declaração nos juizados + ROC (para o STF e STJ). nem mesmo a defensoria pública teria prazo em dobro para recorrer. c) tempestividade -> o recurso deve ser interposto no prazo legal sob pena de preclusão temporal. Pode-se primeiramente apresentar uma petição de interposição e posteriormente apresentar as razões recursais – a tempestividade nos casos de recursos que podem ser separados é contado para a interposição. a prerrogativa do membro da defensoria pública está prevista na Lei Complementar 80/94. . devendo haver o prazo de 5 dias para apresentar o recurso em versão original.10 dias -> apelação nos juizados + embargos infringentes e de nulidades. há entendimento. por si só interponha o recurso. . por força desse artigo 9º. contando o prazo a partir de terça feira). esse prazo será contado em dias (dois dias). desde que no mandado conte a hora da intimação. . inclusive para a interposição de recurso. .

no sentido de que por meio de uma interpretação a contrario sensu do art. O Ministério Público pode renunciar o direito de recorrer? Há uma divergência na doutrina: Eugênio Pacceli de Oliveira entende que por força do princípio da indisponibilidade da ação penal pública o Ministério Público não pode renunciar ao direito de recorrer. d) inexistência de fato impeditivo -> são dois: renúncia e não recolhimento para prisão nos casos em que a lei o exige. 2º.072 ainda possuem dispositivos incompatíveis com a Convenção Americana de Direitos Humanos.034. que trata do tema. mas não é mais). No caso de divergência entre acusado e seu defensor. no processo penal. o prazo recursal começa a fluir a partir desse momento. o professor Denílson Feitosa sustenta uma segunda corrente. daí. a partir da efetiva intimação (súmula 710 do STF). A Lei 11. trazido pela Convenção Americana de Direitos Humanos (que tem status supralegal). não pode ser estabelecida uma forma de pedágio para os que desejam recorrer. 576. deve o membro do parquet se pronunciar em relação a isso. 9º da lei 9. positivando o enunciado dos pronunciamentos jurisdicionais (art. 443 do CPPM). a súmula 347 do STJ disse que o conhecimento da apelação do réu independe de sua prisão.420.613/98 e art. mas entende que quando não quiser recorrer. . pouco importando a data em que o promotor/defensor aponha seu ciente (STF.007. o novo promotor (que vai lhe substituir). que é o HC 88. devese observar o artigo 393. prevalece a vontade de quem tem interesse em recorrer (em decorrência do princípio da vedação da reformatio in pejus) – esse raciocínio encontra respaldo na súmula 705 e súmula 708 do STF. Toda essa sistemática mudou no ano de 2.Danilo Meneses – Intensivo II Página 58 . Caso um promotor entre de férias. mas antes. do CPC e os revogados §2º e 3º do art. Desistência é a manifestação da Rede de Ensino Luiz Flávio Gomes – Direito Processual Penal . art. e) inexistência de fato extintivo -> a doutrina cita a desistência e a deserção. interponha recurso. HC 83.intimação por precatória -> o prazo começa a contar. etc. ou seja. ocorrendo antes da interposição do recurso. a partir de um julgado. como por exemplo. . 387. dizendo que a exigência da prisão provisória para apelar não ofende a garantia constitucional da presunção de inocência. A desistência não se confunde com a denúncia por se dar após a interposição do recurso.343/06.255). Ver STF RHC 86. Renato Brasileiro entende que o promotor não é obrigado a recorrer. da leitura). §3º. No que se refere ao não recolhimento a prisão para recorrer.719/08 (reforma processual penal) buscou resolver o problema em sede legislativa. o art. I. art. §3º da lei 8. 59 da lei 11. Inexiste possibilidade do Ministério Público desistir de recurso interposto (conforme artigo 576 do CPP). § único. não pode mais haver impedimento de reconhecimento de recurso fundado no não recolhimento à prisão do recorrente. Há algumas leis especiais.). onde o STF entende a importância do duplo grau de jurisdição. não pode deixar de oferecer as razões do recurso (ele é obrigado a apresentar as razões do recurso). A renúncia ocorre quando a parte abre mão do seu direito de recorrer. 408 do CPP e também o artigo 585. antes de encerrada a sessão de instrução e julgamento (portanto. não devendo ser aplicada a restrição de prisão para apelar nesse caso – portanto. Na justiça militar a sentença pode ser lida na própria sessão de julgamento ou dentro do prazo de 8 dias (art.que antigamente o entendimento dominante era esse. 413. art. assim.952. .interposição de recursos e início do prazo recursal na justiça militar -> o artigo 493 do CPP diz que a sentença no júri será lida em plenário pelo presidente. o revogado artigo 594 e o artigo 595: o inciso “I” do artigo 393 do CPP foi aplicado por muito tempo.prazo recursal do Ministério Público -> o prazo recursal do Ministério Público e agora também da Defensoria Pública (em função da nova redação da Lei Complementar 80/94) começa a contar a partir do momento da entrega dos autos no setor administrativo. o Ministério Público pode renunciar ao direito de recorrer. a súmula 9 do STJ confirmava o entendimento do artigo. 3º da lei 9.

. ele pode recorrer buscando a modificação do fundamento da absolvição.contra a absolvição.o Ministério Público pode recorre em favor do acusado? Sim.contra a decisão extintiva da punibilidade. uma vez que ao Ministério Público incumbe a defesa dos direitos individuais indisponíveis.” . .: apesar do CPP somente mencionar a legitimidade recursal do assistente nessas três hipóteses. como por exemplo. dentre eles o direito de liberdade do acusado. 806. * súmula 208 do STF -> “O assistente do MP não pode recorrer extraordinariamente de decisão concessiva de habeas corpus. §2º do CPP). o prazo é de 5 (cinco) dias. pelo réu. diz que não se admitirá o recurso da parte que não tiver interesse na reforma ou modificação da decisão.pressupostos subjetivos de admissibilidade recursal: a) legitimidade recursal -> o artigo 577 do CPP diz que o recurso poderá ser interposto pelo Ministério Público. O interesse recursal. será possível a interposição pelo assistente. “I” do CPP. advogado de defesa. sempre que um outro recurso funcionar como desdobramento daqueles. O réu tem capacidade postulatória autônoma e distinta do seu advogado para interpor recursos. . 598 do CPP): . No recurso interposto pelo réu. se não estava habilitado. a fim de que o haja a possibilidade de apreciação de apelação.contra a impronúncia. inclusive extraordinariamente. o prazo é de 15 (quinze) dias. . . Em ambas as hipóteses. Rede de Ensino Luiz Flávio Gomes – Direito Processual Penal . deriva de uma situação de sucumbência: sucumbir é uma situação de desvantagem jurídica oriunda da emergente decisão recorrida. pelo querelante. .Danilo Meneses – Intensivo II Página 59 . . uma vez que alguns fundamentos fazem coisa julgada no cível. nos casos dos artigos 584. devendo o advogado apresentar razões. Surge a dúvida se essa nova interpretação tem o condão de retroagir: essa nova interpretação do STF possibilita o ajuizamento de revisão criminal a fim de rescindir sentenças condenatórias que transitaram em julgado em virtude do não recolhimento do acusado à prisão. parágrafo único.falta de preparo do recurso do querelante em crimes de exclusiva ação penal privada (nesse sentido: art. a grosso modo. . o prazo começa a contar depois do decurso do prazo para o Ministério Público (a súmula 448 do STF corrobora tal entendimento). b) interesse recursal -> o artigo 577. Deserção pode se dar de diversas formas. O assistente pode recorrer nas seguintes hipóteses (art.o acusado pode recorrer contra sentença absolutória? Sim.fuga do recorrente nos casos em que a lei exige o seu recolhimento à prisão (art.” * súmula 210 do STF -> “O assistente do MP pode recorrer.OBS. não é ele que apresenta as razões. 595 do CPP) – já há julgados do próprio STF entendendo que o artigo 595 é incompatível com a Convenção Americana de Direitos Humanos. é de ficar claro que o recurso do assistente é um recurso subsidiário. §1º e 598 do CPP. outros não.prazo para o recurso do assistente: se o assistente já estava habilitado.vontade de não prosseguir com o recurso já interposto. No que se refere ao assistente da acusação (que cada vez tem recebido mais importância). O fundamento da revisão criminal seria o artigo 621.

o conhecimento do tribunal fica delimitado por aquilo que foi objeto de impugnação.efeito regressivo/iterativo/diferido: . . mas que o autor do crime recorreu e foi absolvido em razão de legítima defesa. o Ministério Público tem interesse recursal. .942). desde que a decisão esteja fundamentada em razões de natureza objetiva (nesse sentido: HC 129.efeito suspensivo: . recentemente entendeu que apesar dos recursos extraordinários não serem dotados de efeito suspensivo.efeito devolutivo: .recurso do Ministério Público na ação penal privada: em favor do querelado (acusado). mas recurso contra sentença condenatória é dotada de efeito suspensivo (art.consagrado no termo latim “tantum devolutum quantum appelatum”. presente no RESE e também no caso do agravo em execução).quando o recorrente não delimita o objeto de impugnação na petição de interposição.efeitos dos recursos: .esse efeito extensivo pode e geralmente é obtido por meio de habeas corpus. . STF.consiste na devolução da matéria impugnada ao próprio órgão jurisdicional que prolatou a decisão recorrida (é o que se dá no chamado juízo de retratação.recurso contra sentença absolutória não é dotado de efeito suspensivo. . 596 e 597).efeito substitutivo: .esse efeito é inerente a todo e qualquer recurso. . HC 93.em se tratando do recurso de apelação no júri (artigo 593. . . .esse efeito extensivo está previsto expressamente no artigo 580 do CPP. a decisão proferida por este tem o condão de substituir a decisão recorrida naquilo que tiver sido objeto de impugnação (esse efeito está expressamente previsto no artigo 512 do CPC). sentença condenatória sem trânsito em julgado não pode ser executada provisoriamente.consiste no impedimento da eficácia da decisão recorrida em virtude da interposição de recurso. prevalece que se devolve a integralidade da matéria ao Tribunal (nesse sentido: Ada Pelegrini Grinover). onde o STJ entendeu que o partícipe em delito de homicídio que não teria recorrido. por força do princípio da disponibilidade da ação penal privada. . . somente sendo possível ao recolhimento à prisão se fundado em motivos de natureza cautelar (nesse sentido: HC 84.significa a extensão benéfica dos efeitos do recurso ao co-réu que não recorreu.. a consequência é que tal decisão deve ser extensiva ao partícipe). . O objeto de impugnação é delimitado em regra pela petição de interposição.efeito extensivo: . Porém. CPP) é possível que o recorrente delimite o objeto de impugnação nas razões recursais (nesse sentido. ao Ministério Público não será permitido recorrer. Rede de Ensino Luiz Flávio Gomes – Direito Processual Penal . III.Danilo Meneses – Intensivo II Página 60 .078. .078). .caso o recurso seja conhecido pelo Tribunal.o STF. caso o querelante não recorra de sentença absolutória em crimes de ação penal exclusivamente privada.

entendem que não se trata na verdade de um recurso. fica suspenso até a intimação da decisão dos embargos).. cabível recurso contra uma decisão. Nesse ponto deve-se ficar atento ao chamado recurso de ofício (ou reexame necessário/duplo grau de jurisdição obrigatório). como Ada Pelegrini Grinover.521/51). não sendo obrigados a recorrer (STJ. a segunda regra que deriva desse princípio é a de que quem recorreu não pode ter sua situação agravada. . que não autoriza que o Ministério Público venha a desistir de recurso. também se aplica ao processo penal o artigo 498 do CPC. mas sim de uma “condição de eficácia objetiva da decisão”. se não houve recurso da parte contrária (essa regra somente se aplica em favor do acusado. Rede de Ensino Luiz Flávio Gomes – Direito Processual Penal . . “I”onde da sentença que conceder habeas corpus cabe recurso de ofício – para o doutrina. só há que se falar no cabimento de um único recurso.princípio da personalidade dos recursos: . depois de ter optado por um recurso. 576 do CPP). permitindo-se a interposição de outros recursos. Esse princípio comporta exceções: uma primeira exceção seria a apelação em relação ao crime conexo e protesto por novo júri em relação ao delito cuja pena fixada tenha sido igual ou superior a 20 anos (deve ficar claro que o protesto por novo júri foi extinto pela lei 11.princípio da disponibilidade: . também se exige recurso de ofício da decisão que concede reabilitação (art.é importante saber se no caso do defensor público e do advogado dativo também se aplica o princípio da voluntariedade: mesmo esses dois estão abrangidos pelo princípio da voluntariedade. não podendo beneficiar aquele que não recorreu – uma exceção a esse princípio seria o efeito extensivo dos recursos (art.desse princípio da personalidade derivam duas regras fundamentais: a primeira delas diz que o recurso só pode aproveitar à parte que recorreu.a parte recorre se quiser.princípio da variabilidade dos recursos: . mas que atualmente vem sendo aceito: alguns doutrinadores. . não pode entrar com outro. ainda no prazo legal – ocorre preclusão consumativa em razão da não adoção desse princípio.princípio da complementariedade dos recursos: 59 No que se refere à desistência.princípio da voluntariedade dos recursos: . o inciso “II” do artigo 574 teria sido revogado pela lei 11. embargos infringentes para a parte não unânime e recursos extraordinários para a parte unânime da decisão (para o STJ. Exemplo claro é o artigo 574.a parte legitimada a recorrer pode dispor do recurso (seja por meio de uma renúncia. desde que no prazo legal. seja por meio de uma desistência59).Danilo Meneses – Intensivo II Página 61 . que diz que nesse caso o prazo para o RE e para o REsp. que foi bastante questionado. . deve haver uma atenção exclusiva ao artigo 576 do CPP.segundo esse princípio. . .689/08.719/08.princípios: . HC 105.a interposição de um recurso não liga o recorrente à impugnação. 7º da lei 1. porém não foi repetido no atual CPC e nem no CPP – esse princípio não tem aplicação no processo penal (portanto. uma vez que esse princípio é incompatível com a preclusão consumativa).princípio da unirrecorribilidade: . Esse princípio estava previsto no CPC de 1.845).939. outra possibilidade de recurso de ofício se dá no arquivamento em crimes contra a economia popular ao contra a saúde pública (art. 580 do CPP). recurso extraordinário e recurso especial.

601.princípio da “non reformatio in pejus” indireta: . para a jurisprudência do STF a ausência de contra-razões à apelação do Ministério Público não é causa de nulidade absoluta por violação à ampla defesa (STF. seria possível a correção pelo Tribunal de modo a prejudicar o acusado em seu recurso? Não. Uma segunda corrente (que prevalece no âmbito do STF) entende que mesmo nos casos de anulação da decisão em virtude de incompetência absoluta. o princípio da non reformatio in pejus indireta aplica-se irrestritamente aos julgamentos realizados pelo júri (esse posicionamento causou uma certa estranheza) Rede de Ensino Luiz Flávio Gomes – Direito Processual Penal . em recurso exclusivo da acusação.o recorrente pode complementar a fundamentação de seu recurso se houver integração ou complementação da decisão em virtude do acolhimento de embargos de declaração. ainda que invoque a qualidade de custus legis (contrariando o texto escrito do art. nesse caso. o juiz não poderá agravar a situação do acusado ao proferir nova sentença. parágrafo único do CPP). . poderá a parte contrária apresentar suas contra-razões. . o TJ reconheceu a incompetência absoluta do juiz estadual e anulou sua decisão.non reformatio in pejus indireta e soberania dos veredictos -> caso a decisão dos jurados no segundo julgamento seja idêntica à primeira decisão. porém. parágrafo único). para a doutrina. HC 91. somente assim.non reformatio in pejus indireta e incompetência absoluta -> caso um primeiro juiz (estadual) sentencie.princípio da “non reformatio in pejus”: . . e em recurso exclusivo da defesa. uma vez anulada a decisão recorrida em recurso exclusivo da defesa. nem mesmo um erro material pode ser corrigido em um recurso exclusivo de modo a piorar a situação do acusado (nesse sentido: STF. Para o STF.princípio da dialeticidade dos recursos: . no segundo julgamento. . não é possível o julgamento de um recurso sem razões ou contra-razões. determinando a remessa dos autos ao juiz federal. o representante do Ministério Público deve manifestar-se na sessão de julgamento antes da sustentação oral da defesa.segundo esse princípio. .251). não poderá o juiz presidente agravar a situação do acusado por ocasião da fixação da pena. aplica-se o princípio da non reformatio in pejus indireta.. que subiu para o TJ. . Porém. pois. Os jurados.tal princípio prevê que em recurso exclusivo da defesa. aplicaria o princípio da non reformatio in pejus indireta? Para o professor Pacceli o juiz natural não pode sofrer limitações em virtude de uma pena fixada por um juiz absolutamente incompetente (há alguns julgados do STJ nesse sentido). Para o STF.o recorrente deve declinar os motivos pelos quais pede o reexame da decisão.a súmula 707 do STF diz que constitui nulidade a falta de intimação do denunciado par oferecer contra razões ao recurso interposto contra o não recebimento da peça acusatória. .545). . são duramente criticados pela doutrina) dizem que pode o recurso ser apreciado sem razões e/ou contra razões. reconhecer causas de aumento ou qualificadoras rejeitadas no julgamento anterior. poderão.Danilo Meneses – Intensivo II Página 62 . observando-se o contraditório. a situação do acusado jamais poderá ser agravada (previsto no artigo 617 e no artigo 626.no caso de erro material. HC 83. no entanto. assim.os artigos 589 e 601 do CPP (que por sinal. .esse princípio também é chamado “efeito prodrômico”.

o RESE pode tanto ser pro et contra quanto secundum eventum litis. Nos juizados o recurso contra a rejeição do RESE é de apelação . pode o Tribunal melhorar a situação do acusado. A súmula 709 existe para fins de prescrição. Essa distinção é importante quando da análise do artigo 589. mesmo que tal decisão conste do rol do artigo 58161. talvez caiba RESE (verificar no rol do artigo 581 do CPP). O que não se admite é a interpretação extensiva quando ficar clara a intenção da lei de não abranger a hipótese. parágrafo único (que trata do juízo de retratação do RESE). .pro et contra e secundum eventum litis: . .Danilo Meneses – Intensivo II Página 63 . . 60 61 O agravo de execução está previsto no artigo 197 da LEP.210/84) tratou de esvaziar o rol do artigo 581 do CPP. o recurso cabível será o de apelação.súmula 707 e 709 do STF -> deve haver muita atenção para essas súmulas. RESE pro et contra ocorre quando se admite o RESE para ambas as situações.prazo: . . . não sendo possível a apresentação de razões na segunda instâncias. . §4º). XI e XII do artigo 581 do CPP. NÃO A SUPRINDO A NOMEAÇÃO DE DEFENSOR DATIVO. . É no momento da publicação da sentença recorrível que surge o direito adquirido à observância das regras processuais vigentes. Rede de Ensino Luiz Flávio Gomes – Direito Processual Penal .se a decisão for dada pelo juízo da execução. RESE secundum eventum litis ocorre quando o RESE é cabível para uma única situação. o recurso será o de agravo em execução60. SÚMULA Nº 707 CONSTITUI NULIDADE A FALTA DE INTIMAÇÃO DO DENUNCIADO PARA OFERECER CONTRA-RAZÕES AO RECURSO INTERPOSTO DA REJEIÇÃO DA DENÚNCIA.o prazo é de 5 dias para interposição (havendo 2 dias para apresentar razões).Direito intertemporal e recurso: . Alguns doutrinadores dizem que esse princípio não seria válido por contrariar a idéia do efeito devolutivo (posição que não prevalece).em um recurso exclusivo da acusação. . uma vez que violaria a questão do juízo de retratação. Exemplo de RESE pro et contra está no inciso X.momento da decisão e cabimento do RESE: . A partir da LEP (lei 7.Recurso em sentido estrito (RESE): . ainda que somente de parte da decisão se recorra (art. admite-se interpretação extensiva quando ficar clara a intenção da lei de também abranger a hipótese (exemplo: RESE contra a rejeição do aditamento à peça acusatória). 593.princípio da reformatio in mellius: . I -> segundo este inciso caberá RESE do não recebimento da denúncia ou queixa (não recebimento é o mesmo que rejeição).quanto ao rol do artigo 581. 581.observações: .a recorribilidade é determinada pela lei vigente na data em que a decisão recorrível foi publicada (não é a lei vigente no momento da interposição do recurso)..rol taxativo do artigo 581: .art.se a decisão é anterior à sentença condenatória ou absolutória.se a decisão estiver inserida na sentença condenatória ou absolutória.

Decisões com força de definitivas são aquelas que extinguem o processo sem julgamento do mérito. O art 2º. caberá RESE para o Tribunal. Também há previsão de apelação no artigo 416 do CPP. V -> segundo esse inciso. porém sem condenar ou absolver o acusado (ex. A apelação também será o recurso cabível contra a absolvição sumária no procedimento comum (nos termos do artigo 397 do CPP). . Contra a decisão que concluir pela competência do juízo não caberá RESE. seja ela de Direito). seja relativo a matéria de direito). HC 21. SÚMULA Nº 709 SALVO QUANDO NULA A DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU.: ações autônomas de impugnação). mais precisamente no artigo 82 e artigo 76. . . b) decisões definitivas ou com força de definitivas proferidas por juiz singular.art. não cabendo este recurso para atacar decisão de relator de 2º grau.988 que passou a prever foro por prerrogativa de função para prefeito perante os tribunais. prejudicado ou em confronto com súmula ou com jurisprudência dominante no respectivo tribunal.303. improcedente. 587 do CPC aplicado no processo penal -> segundo tal artigo “O relator negará seguimento a recurso manifestamente inadmissível. 581. O ACÓRDÃO QUE PROVÊ O RECURSO CONTRA A REJEIÇÃO DA DENÚNCIA VALE. Teoricamente. pois ela possibilita ao tribunal o reexame integral da matéria de fato e de direito (seja ela de fato.Apelação: .a apelação é um recurso por excelência no processo penal. 593 do CPP62): a) sentença condenatória ou absolutória proferida por juiz singular -> nesse caso a apelação será um recurso de fundamentação livre.263 e HC 103.SÚMULA Nº 708 É NULO O JULGAMENTO DA APELAÇÃO SE.art. O RÉU NÃO FOI PREVIAMENTE INTIMADO PARA CONSTITUIR OUTRO. do STF ou do STJ. II -> caberá RESE contra a decisão que concluir pena incompetência do juízo.art. . ou de afastamento do cargo do acusado. embora tenha previsão legal. DESDE LOGO.Danilo Meneses – Intensivo II Página 64 . o recurso cabível contra a decisão denegatória de prisão preventiva de prefeito não é RESE.099/95. 62 Trataremos aqui do CPP. sendo cabível habeas corpus. no que se refere á pronúncia e a absolvição sumária. seja relativo à fatos. mas também há apelação prevista na lei 9. §5º da lei. O decreto-lei 201/67 é anterior à Constituição de 1. desde que tais decisões não estejam submetidas ao RESE63 -> decisões definitivas são aquelas em que o juiz decide o mérito e extingue o processo ou o procedimento. 581. devolvendo-se ao tribunal tudo aquilo que se queira (seja relativo à provas.hipóteses de cabimento da apelação (art. APÓS A MANIFESTAÇÃO NOS AUTOS DA RENÚNCIA DO ÚNICO DEFENSOR. III do decreto lei 201/67 (que dispõe sobre crime de responsabilidade) prevê que do despacho concessivo ou denegatório de prisão preventiva. . caberia agravo regimental. É por meio da apelação que haverá a materialização do princípio do duplo grau de jurisdição.” Não é possível a aplicação analógica do artigo 587 no processo penal – nesse sentido: STJ. Portanto. cabe a apelação desde que tais decisões não estejam listadas no rol do artigo 581 do CPP. 63 Ou seja. cabe RESE da decisão que indeferir prisão preventiva ou revogá-la. PELO RECEBIMENTO DELA. uma vez que RESE é recurso previsto contra decisão de juiz em 1ª Instância. Rede de Ensino Luiz Flávio Gomes – Direito Processual Penal .

recurso cabível contra denegação da apelação: RESE.prazo: 5 dias para interposição e 8 dias para apresentação de razões e contra-razões. já na apelação sumária essa figura do revisor não tem previsão legal.Danilo Meneses – Intensivo II Página 65 . Na apelação ordinária a lei prevê a figura do revisor. etc.súmula 431 do STF -> a súmula 431 do STF diz que “é nulo o julgamento de recurso criminal na segunda instância sem a prévia intimação ou publicação da pauta. b) decisão não unânime -> a discrepância que autoriza a oposição dos embargos deve dizer respeito à conclusão do pronunciamento.apresentação de razões na 2ª instância: o CPP prevê a possibilidade que se venha a pedir para apresentar razões em segunda instância. sendo plenamente possível a emendatio libeli.Embargos infringentes e de nulidade: . . RESE ou agravo em execução. . o tribunal não pode fazer mutatio libelli.bem como aquelas que resolvem um procedimento incidental de maneira definitiva. . .embargos de nulidade -> dizem respeito ao direito processual. também chamada de decisão interlocutória mista terminativa (ex. os delitos deveriam ser considerados separadamente. 64 65 Nos juizados. Apresentada as razões de defesa perante o Tribunal. Nas hipóteses de concurso formal próprio e impróprio ou de crime continuado era cabível o protesto por novo júri considerando-se a pena final.719/08): . . pouco importando se esse delito era ou não doloso contra a vida. Rede de Ensino Luiz Flávio Gomes – Direito Processual Penal . §4º do CPP) – a doutrina entende que esse artigo 600. . . §4º somente se aplica ao recurso da defesa (até mesmo por questões funcionais por parte do Ministério Público). já a apelação sumária se dá nas demais hipóteses.protesto por novo júri (extinto pela lei 11. c) decisões do júri -> vide aula de soberania dos veredictos. O voto vencido funciona como limite dos embargos.pressupostos: a) pressupõe uma decisão de tribunal. No CPPM os embargos infringentes e de nulidade podem ser opostos também pela acusação. 600.65 d) exclusividade da defesa -> trata-se de recurso exclusivo da defesa.embargos infringentes -> dizem respeito ao direito material. e não à sua fundamentação. . a apelação tem o prazo de 10 dias. julgamento originário. ao promotor do caso será dada a função de apresentar as contra-razões (essa não é função do procurador que atua em 2ª instância). .procedimento da apelação64: .apelação ordinária VS apelação sumária: apelação ordinária se dá nos crimes punidos com reclusão.nas hipóteses de concurso material. desde que na peça de interposição o recorrente explicite tal intenção (art. Não cabe embargos infringentes de decisão não unânime no julgamento de revisão criminal. apelação ou agravo em execução -> só são cabíveis embargos em decisão não unânime de apelação. salvo em habeas corpus”. mas são estudados juntos por serem bem parecidos.: decisão que decide a restituição de coisa apreendida). . c) decisão proveniente de RESE.é cabível quando o indivíduo for condenado pelo tribunal do júri por um delito a uma pena igual ou superior a 20 (vinte) anos – revogado artigo 607 do CPP.mutatio libeli e emendatio libeli -> nos termos da súmula 453 do STF. .julgamento da apelação: . nos termos do artigo 581. habeas corpus. XV do CPP.são dois recursos diferentes. .

REVISÃO CRIMINAL . devemos cogitar do ajuizamento do agravo e da impetração de mandado de segurança para lhe atribuir efeito suspensivo (para o STJ.Agravo na execução: . e no mesmo sentido encontrase a súmula 98 do STJ. isso não é possível. porém essa legitimidade para recorrer não é dada ao Conselho Penitenciário e nem à qualquer outra autoridade administrativa.em se tratando dos juizados especiais. impossível o juízo de retratação.natureza jurídica: Rede de Ensino Luiz Flávio Gomes – Direito Processual Penal . . .legitimidade: previsto no artigo 195 da LEP. se tiverem provocado o incidente da execução.efeito: agravo em execução não é dotado de efeito suspensivo.aplica-se em decisões do juiz da execução. com fins de pré-questionamento (para fins de propositura de RE e REsp). sendo o recurso conhecido como inaudita altera pars. a revisão criminal será de competência das turmas recursais. Nesse caso. tais embargos significam embargos capazes de alterar o sentido da decisão.PERGUNTA: Existe juízo de retratação nos embargos infringentes? RESPOSTA: Deve ser analisado o regimento interno do Tribunal para ver se é possível. . porém em sua composição plena. A súmula 356 do STF diz que “o ponto omisso da decisão sobre o qual não foram opostos embargos declaratórios não podem ser objeto de recurso extraordinário por faltar o requisitos de pré-questionamento”.embargos de declaração com efeitos infringentes: efeitos infringentes significam efeitos modificativos.Danilo Meneses – Intensivo II Página 66 .o legislador opta por deixar de lado a segurança jurídica da coisa julgada em função do valor “justiça”. não é necessária a oitiva da parte contrária. . .previsto no artigo 197 da LEP. mas há casos em que os embargos são julgados pela mesma Câmara (por exemplo: SP). Para a prova do Ministério Público.830).prazo: no CPP o prazo é de 2 (dois) dias. No STF e no STJ. sendo portanto. . . quem julga os embargos é uma outra Câmara. é obrigatória a oitiva da parte contrária.conceito: . . . . .prazo: 5 dias. terão legitimidade para interpor agravo em execução. Os familiares.é uma ação autônoma de impugnação de competência originária dos tribunais que tem como objetivo a revisão de sentença condenatória ou absolutória imprópria com trânsito em julgado nas hipóteses de erro judiciário. Em alguns estados.o procedimento a ser observado é o do RESE.em regra. . por meio dos regimentos internos. Na lei dos juizados o prazo é de 5 dias.os embargos de declaração interrompem o prazo para o outro recurso. ou seja. ou seja.Embargos de declaração: .embargos de declaração para suprir omissão. o prazo é de 5 (cinco) dias. conforme demonstra o HC 45. hipótese em que seria cabível o juízo de retratação. . .

recurso VS ação autônoma de impugnação: revisão criminal só é cabível após o trânsito em julgado e forma uma nova relação jurídica processual.ambas as partes podem rescindir a .a doutrina entende que o fundamento da revisão criminal está no artigo 5º.ocorrendo a morte do paciente. .diferenças entre revisão criminal e ação rescisória.pressupõe decisão condenatória ou constrangimento à liberdade de absolutória imprópria com trânsito em locomoção.apesar de topologicamente incluída dentre os recursos. 68 Cônjuge. também pode ajuizar uma “revisão criminal”. da defesa67. Rede de Ensino Luiz Flávio Gomes – Direito Processual Penal .Danilo Meneses – Intensivo II Página 67 . . . . item 4. . nomeado curador (art. 631 do CPP).pressupõe constrangimento ou risco de . constrangimento à liberdade de locomoção. descendente e irmão (conforme o artigo 623 do CPP). b) procurador legalmente habilitado. mas desde que subsista morte do indivíduo66. a revisão criminal tem natureza jurídica de ação autônoma de impugnação.pode ser usado antes. durante o processo .há certos casos em que surge a dúvida do cabimento da revisão criminal ou do habeas corpus: HABEAS CORPUS REVISÃO CRIMINAL .não está sujeita a prazo decadencial e pode ocorrer mesmo depois da morte do agente.previsão constitucional: . . ascendente. . quando diz que o “Estado indenizará o condenado por erro judiciário. 66 Não só para buscar o status de dignidade do agente como também para buscar a indenização pela condenação indevida ou equivocada. . será perda do objeto do habeas corpus.resta saber se o legislador ordinário poderia incluir a revisão criminal em favor da sociedade: a resposta deve ser negativa. desde que em favor da defesa. julgado. LXXV da CRFB/88. d) Ministério Público -> desde que o faça em favor do condenado. probatória.ação autônoma de impugnação exclusiva sentença. da mesma forma que pode ajuizar recursos em favor da defesa. . .não há uma fase de dilação probatória.. . uma vez que o Pacto de São José da Costa Rica (Convenção Americana de Direitos Humanas).comporta uma fase de dilação devendo a prova ser pré-constituída. haverá a . 67 Parte da doutrina assevera que o Ministério Público. diz que “o acusado absolvido por sentença transitada em julgado não poderá ser submetido a novo processo pelos mesmos fatos”. .está sujeita a prazo decadencial. assim como o que ficar preso além do tempo fixado na sentença”. no artigo 8º.legitimidade: a) acusado. AÇÃO RESCISÓRIA REVISÃO CRIMINAL .no caso da revisão criminal. c) no caso de morte. do CCADI68. companheiro.pode ser ajuizada inclusive após o e até mesmo depois do trânsito em cumprimento da pena e até mesmo após a julgado.

. exames ou documentos comprovadamente falsos como fundamento da sentença: . . deve ser feito pelo próprio tribunal do júri. . . Rede de Ensino Luiz Flávio Gomes – Direito Processual Penal . mesmo em relação àquele que não foi discutido no processo original – o melhor exemplo de prova nova é o exame de DNA. .essa falsidade pode ser verificada na própria revisão criminal ou em um procedimento de justificação.essa contrariedade deve ser frontal.no processo penal. não havendo nenhuma incompatibilidade em razão da soberania dos veredictos.por “lei penal”. mesmo que a revisão criminal seja de seus próprios julgados. assim. Agora. . Tanto a revisão criminal quanto a soberania dos veredictos são garantias instituídas em prol da liberdade do acusado. a prova nova pode ser relativa a qualquer fato. prevalece o entendimento de que quem vai fazer o juízo rescisório é o próprio tribunal de apelação.: acusado absolvido por crime impossível nas hipóteses de “impotência coeundi”. mesmo após o cumprimento da pena. exame ou depoimento falso deve ter sido um dos fundamentos da sentença que sustentaram a condenação ou absolvição imprópria. sendo nesse caso.sentença contrária ao texto expresso da lei penal ou à evidência nos autos: . . O juízo rescindente nesse caso é feito pelo Tribunal de Justiça (ou TRF). logo será cabível revisão criminal.hipóteses de cabimento (art. .depoimentos.o interesse de agir caracteriza-se pela existência de coisa julgada.observação: quem julga revisão criminal é o próprio tribunal. . compreende-se a lei penal. não terá havido o trânsito em julgado. exigido o pré-questionamento. .revisão criminal em casos de prescrição -> em se tratando de prescrição da pretensão punitiva abstrata.o documento. como se fosse substitutivo da apelação.Danilo Meneses – Intensivo II Página 68 . ou seja.quanto à contrariedade da evidência dos autos. é plenamente cabível a revisão criminal. .. Ex. deve haver cuidado com a prescrição da pretensão executória.provas novas em favor do acusado: . já o juízo rescisório. em que terá havido o trânsito em julgado.interesse de agir: . a lei processual penal e a própria Constituição Federal. não sendo cabível o trânsito em julgado. porém. uma interpretação razoável feita pelo tribunal não admite revisão criminal. mesmo diante da decisão de um juiz de primeira instância. 621 do CPP): . não é necessário o pré-questionamento.admite-se a verificação da contrariedade da sentença em relação à “lei penal” de acordo com a lei e orientação jurisprudencial do momento do ajuizamento da revisão criminal.revisão criminal VS tribunal do júri -> é possível revisão criminal contra decisões do júri. . segundo alguns doutrinadores. uma vez que a revisão criminal não se confunde com os recursos nesse ponto. não cabe revisão criminal buscando a reapreciação da prova.cabe revisão criminal contra sentença de juiz de primeira instância com trânsito em julgado? Os recursos extraordinários pressupõe o prévio esgotamento do questionamento da matéria nas instâncias inferiores.revisão criminal para alterar o fundamento da absolvição própria -> não é permitida. .revisão criminal somente é cabível contra sentença condenatória ou absolutória imprópria. No que se refere à revisão criminal.

caso contrário. o §2º traz as situações em que a indenização não será devida: a) se o erro ou a injustiça da condenação proceder de ato ou falha imputável ao próprio impetrante. .prevalece na doutrina que no caso dos juizados. a competência será do tribunal de origem (nesse sentido: revisão criminal 319 e 717). b) se a acusação houver sido meramente privada -> essa hipótese parece absurda. . não o particular. a competência será do próprio STF.observação: o tribunal julga revisão criminal de seus próprios julgados (art.os tribunais têm admitido que a pessoa do condenado possa ajuizar a revisão criminal. a revisão criminal deve ser julgada improcedente. Rede de Ensino Luiz Flávio Gomes – Direito Processual Penal .indenização pelo erro judiciário: . .ônus da prova: . .na verdade. . responderá a União. que será liquidada no juízo cível.observação²: caso um recurso extraordinário não seja conhecido..competência: . se a justiça tiver *.aplica-se o “in dubio pro reo” na revisão criminal? Resposta: o princípio do “in dubio pro reo” é um desdobramento do princípio da presunção de inocência. 102. . c) um habeas corpus seja utilizado de modo a se evitar constrangimento à liberdade de locomoção.revisão criminal não é dotada de efeito suspensivo. HC 68. como a confissão ou a ocultação de prova em seu poder -> logicamente. poderá haver: a) concessão de tutela antecipada. . poderá reconhecer o direito de uma justa indenização pelos prejuízos sofridos”.não há necessidade de advogado para o ajuizamento de revisão criminal. quem vai julgar é a própria turma recursal dos juizados especiais.637). pois o ônus da prova é do autor.+”.a revisão criminal é uma ação de competência originária dos tribunais. deve se questionar se o objeto de impugnação da revisão criminal foi analisado pelo STF no julgamento do recurso extraordinário: caso afirmativo.o artigo 630 do CPP diz que “o tribunal. Essa aliena do §2º do artigo 630 do CPP não foi recepcionado pela CRFB/88. a confissão resultante de tortura não se inclui aqui.. aplica-se o princípio do “in dubio contra reo” (nesse sentido: STF. porque quem condena é o Estado-juiz. seguido do §1º que diz que “por essa indenização. Caso o recurso extraordinário foi conhecido.Danilo Meneses – Intensivo II Página 69 . . a revisão criminal deve ser julgada pelo próprio tribunal de origem. I. b) se valer do poder geral de cautela.efeito suspensivo: .pressupostos processuais: . . diante da responsabilidade objetiva do Estado.em hipóteses excepcionais de evidente erro judiciário (havendo prova pré-constituída).o pedido de indenização pode ser cumulado com a revisão do processo. . . . “j”). se o interessado requerer. assim.não há necessidade de recolhimento à prisão (súmula 393 do STF).. caso haja dúvida sobre a inocência do acusado.

restituição da liberdade .já há um constrangimento à sua liberdade de locomoção. .restituição de uma plena.HABEAS CORPUS . inciso LXVIII da CRFB/88.qualquer espécie de prisão. . .há uma ameaça concreta à liberdade de locomoção – é incabível o habeas corpus contra lei em tese. e em caso de não revogação.natureza jurídica: . autoriza o relaxamento da prisão pela autoridade policial (somente da prisão em flagrante).só se pode cogitar de habeas corpus caso haja um efetivo constrangimento à liberdade de locomoção. sendo verdadeira ação autônoma de impugnação. . . 70 Essa deve ser a posição adotada para prova de magistratura.“salvo-conduto” significa que o beneficiário da ordem pode se locomover sem que seja molestado. a matéria pode subir ao tribunal por meio de habeas corpus.prisão em flagrante. será o impetrante beneficiado com um “salvo-conduto”. a liberdade provisória ou até o relaxamento da prisão preventiva. impedindo a conversão de multa para pena privativa de liberdade. podendo nesse caso.prisão legal. . policial ou pelo juiz. liberdade vinculada. ser adotada alguma medida de cautela (não por força do relaxamento.quando concedida a ordem. .espécies: a) preventivo: . 71 Essa autoridade judiciária inicialmente é a mesma que decretou a prisão cautelar (preventiva/temporária). plena69.concedida pela autoridade . §1º. .há previsão do habeas corpus dentre os recursos.ação com status constitucional que tem como objetivo coibir qualquer ilegalidade ou abuso de poder contra a liberdade de locomoção. Rede de Ensino Luiz Flávio Gomes – Direito Processual Penal .prisão ilegal. não é cabível habeas corpus 69 Para o STF é possível a adoção do poder geral de cautela no processo penal. . O mesmo se aplica à liberdade plena do relaxamento de prisão. o caminho não é mais o “salvo-conduto”. . . . .ele não pode ser considerado recurso pois pode ser utilizado mesmo antes da relação jurídica processual e até mesmo após ao trânsito em julgado.nesse caso.restituição da liberdade .Danilo Meneses – Intensivo II Página 70 .concedida pela autoridade judiciária70.prisão preventiva e prisão . Parte da doutrina entende que o artigo 304. mas sim por força do poder geral de cautela). b) repressivo/liberatório: . . uma vez que o tema não é pacífico. mas não se trata de recurso.infrações punidas com pena de multa -> uma vez que o artigo 51 do CP foi alterado.conceito: . judiciária71. temporária.cabimento do habeas corpus: .o habeas corpus pode pedir o relaxamento da prisão. . mas sim a expedição de um “alvará de soltura”.prisão legal. interpretado “a contrario sensu”.concedida pela autoridade . RELAXAMENTO DA PRISÃO REVOGAÇÃO DA PRISÃO LIBERDADE PROVISÓRIA CAUTELAR . .está previsto no artigo 5º.

será cabível o habeas corpus. porém.a súmula 690 do STF diz que compete originariamente ao STF o julgamento de habeas corpus contra decisão de turma recursal de juizados especiais criminais. Deve ser feita a observação de que se o habeas corpus estiver relacionado à punição disciplinar deve ser objeto de análise pelo poder judiciário. procedimento.atualmente. .Danilo Meneses – Intensivo II Página 71 . O que não se pode admitir é que se impetre um habeas corpus questionando o mérito da punição. Rede de Ensino Luiz Flávio Gomes – Direito Processual Penal . .a súmula 691 do STF diz que “não compete ao STF conhecer de habeas corpus impetrado contra decisão do relator que em habeas corpus requerido a tribunal superior indefere a liminar”. desde que essa quebra do sigilo bancário possa ser usada em um inquérito policial ou processo criminal.previsão de recurso e cabimento de habeas corpus -> o melhor exemplo é o chamado habeas corpus substitutivo de recurso ordinário.punições disciplinares e habeas corpus -> o artigo 142. em hipóteses excepcionais e diante de decisões teratológicas.competência: .quebra ilegal de sigilo bancário -> é possível o habeas corpus nesse caso. mas pode ser questionada a competência. Tal súmula está em desuso. ou seja. Para o STF.pena cumprida -> não cabe habeas corpus de pena cumprida. . .pena de demissão de servidor público -> a súmula 694 do STF diz que “não cabe habeas corpus contra a imposição da pena de exclusão de militar ou de perda de patente ou de função pública”. etc. é cabível habeas corpus contra decisão de relator que indefere liminar. §2º da CRFB/88 vai dizer que não cabe habeas corpus em relação a punições disciplinares militares. é mais prudente impetrar o HC e também recorrer. . Para o STF. Segundo os tribunais. ultrapassada.assim. deve-se esperar o julgamento do mérito pela Câmara. A súmula 695 do STF diz que não cabe habeas corpus quando já extinta a pena privativa de liberdade. A súmula 693 do STF diz que “não cabe HC contra decisão condenatória à pena de multa ou relativa a processo em curso relativo à infração cuja pena pecuniária seja a única cominada”. é sim possível. .em infrações punidas com pena de multa. entende-se que o habeas corpus contra decisão de turma recursal de juizados especiais criminais vai para o TJ. dos quais possa resultar pena privativa de liberdade. . .