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UNIVERSIDADE FEDERAL DO MATO GROSSO DO SUL AMANDA CHRISTINA A.

LIMA CELINA GEORGES MARTINEZ FERNANDO DE OLIVEIRA GABRIEL DO CARMO YAMAMOTO JÉSSICA GOMES DÜCK FERREIRA LAURA REGINA DA SILVA ROCHA LING H SHIH MARCELA ELISA BERTIN RAFAELA QUINTANA BRUM ROGER PEÑA LOPEZ SILVIA KIMIKO OKAGAWA

RELATÓRIO DO CAPÍTULO 3: EL GRUPO HUMANO
LIVRO: SISTEMA, GRUPO Y PODER – IGNACIO MARTÍN-BARÓ

turma 2° semestre-diurno. sob a orientação do Prof. LIMA CELINA GEORGES MARTINEZ FERNANDO DE OLIVEIRA GABRIEL DO CARMO YAMAMOTO JÉSSICA GOMES DÜCK FERREIRA LAURA REGINA DA SILVA ROCHA LING H SHIH MARCELA ELISA BERTIN RAFAELA QUINTANA BRUM ROGER PEÑA LOPEZ SILVIA KIMIKO OKAGAWA RELATÓRIO DO CAPÍTULO 3: EL GRUPO HUMANO LIVRO: SISTEMA. Campo Grande – MS .2 Campo Grande – MS Janeiro/2013 AMANDA CHRISTINA A.( a) Mestre Jeferson Renato Montreozol. GRUPO Y PODER – IGNACIO MARTÍN-BARÓ Trabalho parcial de graduação apresentado como no Curso de Graduação em Administração da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul.

mas no fundo são distintas. o termo grupo é definido pela pluralidade de seres ou coisas que formam um conjunto material ou mentalmente considerado. Assim como não se pode pensar em grupo quando se trata de duas pessoas: se falar em grupos familiares se trata de pais e filhos entre outros parentes. No dicionário da real academia. um conjunto de amigos. Em italiano era um vocábulo técnico para designar a presença de várias pessoas em uma obra de pintura ou escultura. Daí a utilidade indiscriminada da palavra grupo para situações tão distintas pode servir de filtro ideológico que assimile unilateralmente a distorção da diversidade da natureza e do sentido dos grupos que existem em cada circunstância histórica e que tem um significado social real. mas sim como um fenômeno psicossocial que expresse um caráter próprio. Grupo é um termo abstrato que remete a realidades diferentes. etc. No caso de cônjuges . isso é uma condição inquestionável. O significado de grupo Aplicamos o termo grupo em diversas formas de relacionamentos das pessoas no seu cotidiano. ou seja. o fato de aplicar um termo ao nome tornando-se real. formando assim somente um assunto temático. se pretendermos usar o termo “grupo” não apenas como um simples nome. os alunos de uma escola. Um grupo deve ser constituído por várias pessoas. Grupo é uma família. Todas essas entidades humanas tem em comum abranger várias pessoas. isso nos alerta sobre o perigo de cair em um nominalismo. Em espanhol o termo designa a reunião de várias pessoas. grupo y poder Psicologia Social desde Centroamérica (II) Ignacio Martín-Baró Capítulo 3 El grupo Humano 1. Daí surge a necessidade de alcançar um conceito preciso. porém é muito difícil algum elemento comum em todas elas.3 Janeiro/2013 Sistema. Embora haja algumas diversidades a respeito dos limites numéricos tanto para mais quanto para menos. mas também pode se aplicar em situações aparentemente semelhantes.

postula-se a ideia de que a origem de um grupo social teria como condição necessária a percepção da unidade grupal e uma única ação conjunta do grupo . São eles: →A percepção entre os indivíduos: para muitos psicólogos a existência de um grupo ocorre apenas depois que os indivíduos do grupo percebem o vínculo com os demais indivíduos. podendo assim atuar em função dessa relação. Ainda segundo Merton não é qualquer unidade de uma pluralidade que deve ser considerada como grupo. mas nem todas as coletividades formam um grupo. Segundo Didier Anzieu. um quartel podem formar uma coletividade. porém não pode ser tratado como um grupo familiar. 2. O grupo denomina-se pessoas reunidas num mesmo determinado tempo e espaço. a imagem do grupo desperta nas pessoas tanto a esperança de satisfazer seus desejos quanto a angustia que surge com o confronto com os outros. indivíduos agregados de status sociais. E Armando Bauleo. embora tenham características sociais semelhantes. somente aquela que se dá quando os indivíduos interagem entre si com os mesmos objetivos e normas de interação. Como eles não atuam entre si não pode ser considerado um grupo de fato. cada um enfatizando um critério para a existência de um grupo. a atividade grupal na psicologia social apresentam seis enfoques principais. já que podemos supor que eles compartilham dos mesmos valores e atuam de acordo com objetivos determinados. Ex.1 Seis critérios para definir um grupo Segundo Marvin Shaw. Smith. que definem uma pluralidade de indivíduos que os analistas tradicionais chamavam de “mente grupal”. ou seja. coletividade significando pessoas que compartilham valores e atuam de acordo com as mesmas normas estabelecidas. sim como participantes de uma categoria social. Ainda há o problema fundamental da natureza dos grupos reside nos critérios de inclusão da unidade. Enfoques psicossociais sobre o grupo 2. Roberto Merton estabelece uma primeira distinção entre grupos. ou seja. E. mas elas não interagem entre si. Coletividade e categoria social. Todos os grupos são coletividades.4 fala-se em matrimônio. afirma que “o grupo é a excelência ideológica através do qual se destacam os diferentes mecanismos envolvidos em uma ideologia”. Grupo significando um número de pessoas que interagem entre si de acordo com seus objetivos em comum e. cujos ocupantes não estão em interação. De acordo com M.

apresenta-se a ideia de que os grupos não necessita apresentar uma característica em comum.5 →Uma motivação compartilhada: outros cientistas sociais afirmam que um grupo humano existe à medida que os indivíduos possuem uma mesma necessidade e/ou motivo em comum. →A interação entre os indivíduos: apesar de ser considerada como uma forma de interdependência está ocorre quando um grupo de indivíduos apresentam suas ações . M. cada jogador apresentar um grau de dependência sobre o outro. T. a natureza de um grupo não está nas partes (os indivíduos) e sim no todo (o grupo como tal). Bernard Bass. → Uma estrutura organizada: alguns psicólogos e sociólogos afirmam que um grupo só pode ser formado se houver uma estrutura organizacional e pelo menos uma estabilidade de vínculos. o que no caso entre o casal poderia ocorrer um divórcio. porém para cada um o desejo do uma família possa ser diferente. e quando esse relacionamento não traz mais beneficio para ambas as partes eles acabam rompendo as relações. Portanto. →A interdependência dos indivíduos: nesse enfoque. Sherif diz que um grupo é “uma unidade social que consta uma certa quantidade de indivíduos que tem um com os outros relações de e de status. Um exemplo desse tipo de grupo são os sindicatos aonde um grande número de trabalhadores de um mesmo ramo se reúne para conseguir um aumento salarial. tem-se a definição de grupo como “um conjunto de indivíduos cujas relações mútuas apresentam um grau de interdependência significativo”. entre os indivíduos. De acordo com Alvin Zander. que apresenta um grau de vinculo estabilizado e que possuem um próprio conjunto de valores e normas que regulem seu comportamento. Mills define os grupos como “unidades compostas por duas ou mais pessoas que entram em contato para alcançar um objetivo e que consideram esse contato importante”. Portanto. uma mesma meta. e buscam a sua satisfação através das relações com outras pessoas. ou seja. Um exemplo é um time de futebol. →Metas em comum: ocorre quando um número de indivíduos se une para alcançar um mesmo objetivo. afirma que um grupo é aquele “conjunto de indivíduos cuja existência em conjunto é gratificante para os indivíduos”. mas uma dependência dos indivíduos entre si. Como exemplo tem-se o grupo familiar na qual um casal e seus filhos têm como desejo a convivência juntos. pois se houver a falta de um goleiro ou até mesmo um jogador todo o time será prejudicado devido o grupo trabalhar de forma coletiva. tanto afetivos como até profissionais e sociais.

e o que liga os indivíduos com os líderes são primários enquanto o que liga os indivíduos entre si são derivados ou secundários. Para Freud. 2.2 Teoria grupal de Freud: solidariedade mecânica A teoria de Freud é exposta em duas obras: “Tótem y tabu” (1913/1967) e “Psicología de las masas” (1921/1972). depende da existência de ego ideal comum. a identificação com os líderes é de ordem primaria. exige justiça e igualdade: já que um não pode ser o preferido.6 interligadas de tal maneira que a ação de uma pessoa está essencialmente dependente das ações dos outros indivíduos. aceitando as suas exigências como resultante de si mesmo. o menino se identifica com o pai e projeta sua imagem como parte do seu próprio ego: o pai se converte em modela interno. isto é. Exemplo são a igreja católica e o exército. que ama igual todos os indivíduos. A existência do grupo tem que ser a partir de duas pergunta: . A principal distinção que Freud realiza situa-se entre grupos com líderes e grupos sem líderes. projetando como o seu ego ideal. Ele considera que a realidade do grupo se refere ao eixo articulador da configuração humana. que não é isento de ambivalência. O líder de um grupo é o mesmo que o pai de uma família. o elemento principal para a existência de um grupo é a identificação do líder. o conflito Édipo. e assim. limitando o trabalho dos outros funcionários.O que une os membros de um grupo? A resposta é a mesma para as duas perguntas: se trata de vínculos amorosos e libidinosos. Uma situação que demonstra essa característica é na gerência de um escritório aonde tudo que se necessita deve ser passado primeiramente por uma verificação da gerência. Bonner define o grupo como “um conjunto de pessoas com interação recíproca”. e com outros membros é de ordem secundaria. ninguém será. a ilusão da presença visível ou invisível de um líder (igreja católica o Cristo. Isso estabelece um forte vinculo entre eles. de amor e ódio. Assim. o ego ideal que o menino imita para alcançar seu objeto desejado. Confrontado com o conflito de Édipo. O desejo infantil para alcançar sua mãe para si e barrado pelo seu pai que impede a satisfação direta dos impulsos libidinosos do menino.o que liga os membros com o líder do grupo? . e no exército o comandante geral). O que ocorre com os membros do grupo e seus líderes constitui em repetição do conflito de Édipo. que produz a mesma ilusão coletiva. Por tanto. .

também. caso haja alguma mudança. a pessoa tenderá a agir de determinada forma. e em torno às crianças.3 Teoria grupal de Lewin: solidariedade mecânica A teoria de Kurt Lewin sobre o grupo é também. em seus estudos e experimentos. ou seja. Daí a busca insaciável de figuras paternas. os membros do grupo. Como exemplo. Estes dois fatores são denominados regiões. junto com o amor está o ódio pelo líder. haja vista que este se refere a todos os fatores psicológicos que determinam a conduta do ser humano em dada circunstância. como a de Freud. a identificação com o líder é sempre uma derivação psicológica do conflito de Édipo. se identifica por um processo que nunca é satisfatório. em suma. o conceito de espaço vital. mesmo com o resultado Édipo em sua família. Lewin foi considerado membro desse movimento mesmo que suas teorias tenham características divergentes entre si. Lewin adotou. o comportamento da pessoa também poderá mudar ou permanecer constante. na relação de percepção do indivíduo mediante estímulos do meio. Assim. E. Portanto será o espaço vital que determinará o comportamento do indivíduo. e cada região exerce uma certa influência atrativa ou repulsiva sobre a pessoa mediante cargas positivas (atração) e negativas (repulsão). e que provavelmente aparecerá na revolta. devido a determinada situação concreta do meio.7 Esta busca por outras imagens paternas das pessoas. já que a mescla de amor e ódio que o individuo experimenta e não desaparece se tornando interna e permanente. formando uma estrutura fortemente hierarquizada. em diversos fatores psicológicos que afetam o comportamento da pessoa em determinada circunstância e situação. 2. levando-o até onde se deseja alcançar um determinado objetivo. . no caso. Sendo assim. O modelo de grupo da teoria freudiana reflete um diagrama simplificado da família patriarcal. O espaço vital se constitui de um campo de forças que irá movimentar o indivíduo de um lado para o outro. o mais importante da sua teoria. como base e centro o pai de família. O espaço vital do ser humano se constitui de dois fatores: a pessoa e o seu ambiente psicológico. os fatores pessoa e meio estão divididos em várias sub-regiões. a compreensão da conduta individual. a percepção do complexo ao invés do simples. definindo assim o seu caráter e personalidade em determinadas situações ambientais. No entanto. ela é similar com a teoria da Gestalt. mais ou menos reprimido. Ou seja. a teoria de Lewin enfocava a análise e compreensão do todo e não somente da parte.

4 Reflexão crítica sobre as teorias grupais Por mais que haja uma grande separação entre a teoria grupal psicanalítica da teoria de campo. De acordo com o efeito Zeigarnick. as tarefas incompletas passam a ter mais importância do que as já completadas. para isso. postulado por Bluma Zeigarnick. ou seja. o entendimento do que é um grupo deveria ser buscado nas relações existentes entre os membros e não apenas nas características de cada um dos membros. A união dita por Freud ocorre com o . Sendo assim. a conduta da pessoa está constantemente mudando devido a este campo de forças o qual a pessoa tende a mudar a sua situação. O conceito desenvolvido por Lewin servia. Lewin destacava a importância de uma sistematização da mudança social dada em três fases: a primeira de desabituação dos costumes estabelecidos. como por exemplo. enquanto não é alcançado o objetivo desejado. e consequentemente. modificando a sua forma de agir devido a mudanças neste campo de forças. Essa situação de tensão que rege a conduta do ser humano é fixada até que se alcance um objetivo desejado. ao analisar Freud. chegar mais cedo em casa. Sendo assim. Ou seja. antes de tudo. instaurando um momento de tensão para alcance dos desejos dos indivíduos do grupo. e a última de roteirização para alcance do objetivo desejado recém-criado e. O campo de forças da situação acima exige da pessoa que haja conforme o planejado para alcançar seu objetivo. uma segunda de indução de novos objetivos a serem alcançados (figura). também para análise da conduta do grupo. por isso Lewin dizia que. para Lewin. assim como o espaço vital do indivíduo está em constante mudança. Essa relação entre tarefas completas e incompletas da teoria de Zeigarnick tem permitido o estudo sobre as motivações pessoais. Logo. são vínculos de mútua dependência. até então estabelecido como hábito. o estado de tensão continua atuando nas ações do indivíduo. 2. o mesmo encontra-se em constantes mudanças. entretanto. o espaço vital das relações grupais também se encontra num processo contínuo de mudanças e. Lewin trabalhava com a relação figura-fundo da teoria da Gestalt nos relacionamentos grupais. diz que um chefe unem os membros de um grupo.8 Justamente por existirem essas diversas sub-regiões no espaço vital. as ações resultantes de um grupo poderiam ser afetadas pelas regiões do espaço vital dos indivíduos ou pelos campos de forças. o indivíduo tenderá a cumprir todos os seus horários pré-estabelecidos para estar uma hora mais cedo em casa. deve-se considerar um grupo (todo) e não somente o integrante em particular (parte). Mas para existir essa relação de grupo é preciso que haja interesses comuns entre os indivíduos do grupo.

a crítica anterior é aplicada mais na Psicanálise. por exemplo. não observando suas ações no grupo. . sobre a teoria de campo. Já Lewin destaca um estilo informal de trabalho que revolucionou com a dinâmica de grupo. o que significativamente afetam as pessoas. Ambos os casos são grupos pequenos que mantém contato direto. Isso tira como um fato que grupos não são apenas indivíduos sobrepostos e sim uma diversidade de pessoas unidas. Na teoria de campo. e na teoria de campo o grupo é analisado como um todo. pois são tratados em grupos relativamente pequenos que são abstratos e sem nenhuma importância social. Pelo fato da psicologia social sempre abordar e estudar casos de microgrupos deixou-se processos e características dos grupos grandes. de partido político. Pois com a teoria de Lewin se aplica sobre seres dependentes. pois os indivíduos dos grupos são independentes e tem seus próprios lados subjetivos de relacionamento. muito estudados por discípulos de Lewin. Assim. Na psicanálise há uma dinâmica que faz os indivíduos do grupo se identificar com o chefe e haver uma relação de amor e ódio. estudando os membros dependendo um do outro. os de amigos de bar. Mesmo havendo os aspectos positivos das duas teorias. São grupos considerados de laboratório. entrando no perigo de reproduzir grupos maiores como se fossem a ampliação de grupos menores. O centro de interesse na Psicanálise é o individuo. surge esse dinamismo na troca de forças no interior do grupo. não há uma análise psicossocial do indivíduo. em geral as três críticas podem ser aplicadas devido à linha dominante na psicologia social para o estudo dos grupos humanos. os grupos familiares. os que mais afetam a psicologia social são: A parcialidade dos paradigmas predominantes. esquece-se da sua historia e dos seus interesses sociais dominantes. Na segunda problemática começa-se pela limitação tanto da psicanálise. E podendo haver essa análise poderá saber os processos sociais dominantes de certos indivíduos. a perspectiva individualista e o historicismo. há graves defeitos. que não mostra a vida real como. quando da teoria de campo Leviana de analisar o grupo pelo fato dos indivíduos terem comportamentos distintos. No primeiro. já essa. No historicismo. O erro acontece.9 descobrimento de caráter comum como libidinal e afetiva e para Lewin o encontro de necessidades e aspirações dos membros do grupo os une. Freud explica os grupos familiares e seus conflitos como o de Édipo. Embora cada uma das 3 objeções é mais aplicável a alguns modelos do que os outros.

aqueles como a família ou os amigos de bar sindicato ou partido político. Um grupo é em primeiro lugar uma estrutura social. um conjunto que não pode ser reduzido à soma de seus constituintes. 3.10 Os grupos sem sentido de laboratório próprio da dinâmica de grupo teria que se opõem grupos sociais. Em segundo lugar. mas que exista uma unidade um conjunto e que essa possa se destacar. B) Deve ser suficientemente compreensiva para incluir tanto os grupos pequenos quanto os grandes. O grupo é uma realidade total. 2) o poder que se dispõe o grupo em suas relações. diferenciar-se de outros grupos. Com ele está afirmado o caráter concreto. 1) a identidade do grupo. porém há também grupos que são a expressão e a materialização dos interesses coletivos. C) Deve-se incluir como um de seus aspectos básicos o caráter histórico dos grupos humanos. se afirma que a estrutura social que um grupo constitui é um canal de necessidades e interesses em uma situação e circunstancia especifica. Finalmente. 3.1 A identidade grupal A identidade de um grupo não significa que todos necessitem de um mesmo traço. uma história e tendem significativamente afetar as pessoas. Alguns grupos são primordialmente o resultado das necessidades peculiares dos indivíduos que os compõem. . acontecem na vida real. Dai que vêm os principais parâmetros para análise de um grupo. Essa concepção do grupo nos leva a examinar os fenômenos grupais ao interior da história de uma forma dialética. Uma teoria dialética sobre o grupo humano A partir das análises e reflexões anteriores surgem três condições que devem reunir uma teoria psicossocial sobre os grupos humanos mais adequados que os modelos em uso: A) Deve-se dar conta da realidade não redutível às características pessoais dos indivíduos que constituem o grupo. a definição proposta evidencia que o grupo canaliza tanto as necessidades pessoais como os interesses coletivos. histórico de cada grupo.

escrita como um regulamento refletindo uma melhor organização do grupo.1 A formalização organizacional Há um grau de estruturação interna dentro dos grupos. 3. mas há sempre alguns critérios que definem quem pertencem ao grupo ou não. Visto que a identidade objetiva dos grupos surge de sua conexão com os interesses sociais. explicita ou implícita. para ser considerado membro dela. Consciência de seus membros. Por exemplo. com os vínculos que se estabelecem sejam positivos ou negativos. criando essa realidade na medida em que se estabelece uma estrutura. Um aspecto mais definitivo de um grupo é sua conexão. podendo ser formais ou informais. Organizacional.1. deve-se existir algum grau de parentesco. um tipo de institucionalização ou regulamento que os tornam membros definindo uma tipificação destes. visto que para se pertencer a esse determinado grupo há uma certa formalização desse processo. Há normas que definem quem pode ou não pertencer a esse determinado grupo. podendo ser implícita. as normas de uma família. Suas relações com os outros grupos. 3. A realidade se define frente aos grupos que se relacionam (diga-me com quem tu andas e que te direi quem tu és).11 Três aspectos formam basicamente a identidade de um grupo: • • • Sua formação organizacional. sejam pessoais ou coletivos. rígidas ou flexíveis. devendo ter uma consciência coletiva. é possível que existam grupos com identidades contraditórias (classes sociais). E necessário que haja uma realidade social. um vínculo de ações interpessoais que criam um determinado interesse e objetivo em comum. A identidade de um grupo transcende a identidade individual.2 A relação com outros grupos São as relações com os outros grupos no processo histórico que configuram a interação. A formalização de um grupo requer uma definição de suas partes e uma regulação entre elas. com as exigências e necessidades e interesses de uma classe social. que se contraponha aos outros grupos. para depois se firmarem como uma identidade grupal. .1. ou formulada teoricamente.

verificável a partir de uma série de critérios. pois mesmo que o poder esteja representado nos recursos que um . mas estão intrinsecamente relacionadas. ou em outros casos o individuo recebe do grupo as orientações.1. mas carece de uma consciência que permite adequar sua identidade.12 Michael Billig distingue os grupos em: grupos em si e grupos para si. tem uma existência objetiva. Pode-se dizer que quando se orienta. Para Turner.3 A consciência da integralização a um grupo É importante não confundir o pertencimento de alguém em um grupo. supõe-se que um individuo tome esse grupo como uma referência para sua própria identidade ou vida. vínculos e objetivos. pode-se chamar de grupo para si. A consciência e a identificação não são a mesma coisa. ele não é em si um objeto caracterizado em unidades. sobre todos e se considera uma interação fundamental. 3. No pertencimento subjetivo de uma pessoa em um determinado grupo. pode-se gerar uma insatisfação e uma falta de comprometimento. mas quando não há ou está de alguma forma debilitada. No primeiro caso é um objetivo feito. John Turner. enquanto o outro se trata de um saber subjetivo. A interação dos membros de um grupo segue os interesses que se canalizam. aceitando essa situação. ou se canaliza os interesses de uma classe da qual faz parte. Sendo essa a forma de se distinguir o pertencimento de alguém a uma classe social. a identidade e a conduta enquanto grupo surge como efeito de uma categorização grupal sobre uma definição e percepção de cada pessoa.2 O poder grupal O segundo parâmetro para compreensão psicossocial de um grupo é seu poder. Um grupo psicológico pode ser definido como “um conjunto de pessoas que compartilham de uma mesma identificação social ou definem-se como a mesma categoria social dos outros membros”. valores e normas mediante as quais ele regula seu comportamento. O grupo em si. afirma que é o pertencimento subjetivo que determina a existência de um grupo psicológico. com a consciência de esta pertencer a ele. Embora o poder possa ser atribuído a elementos materiais. entendido como “um conjunto de indivíduos que se sentem e atuam como um grupo”. pelo menos nos aspectos pertinentes ao grupo. sendo que um alto grau de identificação ou consciência pode trazer um compromisso profundo com as pessoas do grupo. 3. metas. Pode ser socialmente prestigioso participar de um determinado grupo.

entende se que é a diversidade e importância desses recursos que definem o poder real de um grupo sobre outro. ele está mais ligado às vantagens que tais recursos proporcionam a um grupo sobre outro. mas que carece de capacidade intelectual pode quando queira importar o conhecimento que lhes falta. Um grupo pode ser poderoso pela capacidade técnico-científica ou profissional de seus membros. que com seu exercito pode alcançar com a força aquilo que não podem alcançar com a cabeça ou diplomacia. outro grupo pela quantidade de recursos materiais que possui como é o caso dos árabes com seu petróleo. Assim o poder de um grupo define o que são e o que podem fazer. portanto o poder é um elemento das relações sociais. Outro aspecto importante sobre o poder de um grupo é a autonomia e a dependência em relação aos recursos que possuem. quanto menos autônomo for o poder de um grupo. é impossível definir uma comparação de recursos uma vez que um grupo rico em recursos materiais. mais limitado será seu valor e o que com ele pode alcançar. fechamento esse que é fruto de um diferencial negativo de recursos. Com tudo. assim como o caráter e natureza deste dependem muito do poder que dispõem sobre outros grupos. como por exemplo. Seja numa nação ou numa pequena família o grupo sempre procura explorar seu poder de forma a alcançar seus objetivos. a transferência de tecnologia dos aviões de caça para sua força aérea.13 grupo possui. a natureza tranquila dos cidadãos norte americanos frente a outros grupos é proporcionada pelo seu poderio bélico e econômico.3 A atividade grupal . por exemplo. está condicionada a vontade do colonizador que pode vetar qualquer projeto que vá contra seus interesses. como por exemplo. 3. um país colônia que usufrui de seus recursos para alcançar seu avanço porem. como é o caso do Japão. posto que o poder pode ser imaginado com base nos recursos disponíveis. ou como outro exemplo podemos citar um grupo. um grupo que careça de recursos para se impor tende a se fechar e centralizar. o governo Brasileiro que negocia com a França. Portanto é mais poderoso aquele grupo que possui todo tipo de recurso. enquanto outro grupo pode ser poderoso pela riqueza moral e humana de seus membros. como toda colônia. O poder de um grupo é um dos elementos de sua identidade.

particularmente quando se trata dos grupos que pertencem por junção (por exemplo. Agora. um clube. Isto explica o aparecimento de grupos baseado em uma falsa consciência sobre objetivos comuns: este é o caso de um agricultor que se incorpora a um grupo paramilitar para combater os membros de sua própria classe social. No entanto. deparar-se cos membros de um mesmo grupo. Em um país como El Salvador. Deparar-se com a sociedade e outros grupos. O que faz um grupo? Que atividade ou atividades são desenvolvidas? Quais são seus objetivos? Qual é o produto de seu trabalho? A existência e a sobrevivência de grupo humano dependem essencialmente de sua capacidade para realizar ações significativas em uma determinada circunstância e situação histórica. cujos limites se enquadram no que é chamado de "o máximo de consciência possível”. Deparar com os membros do grupo. uma ordem religiosa). A mesma consciência que os membros têm sobre o grupo. deparar-se com a sociedade e outros grupos e a interna. muitas vezes a sua aparência ou sua dinamização. um partido político. Além . classe social).14 O terceiro parâmetro de base para a compreensão de um grupo é a sua atividade. Os interesses e objetivos dos membros de um grupo não constituem na raiz de um grupo. A importância da atividade para compreensão de um grupo se entende quando se analisa a natureza e o funcionamento de alguns grupos. família. cada grupo tem que ser capaz de produzir um efeito na vida social para afirmar sua identidade. raça. para obter a satisfação dos interesses que lhe representa. de sua natureza e do sentido social. se a consciência sobre os interesses ou objetivos comuns não é a raiz dos grupos. e também não pela realização pessoal ou decisão voluntária (por exemplo. um bom número de partidos políticos não são obrigados a participar dos desfiles cerimoniais Democráticas nos períodos eleitorais. grupo profissional. a importância da ação de uma atividade grupal tem duas dimensões: a externa. cegado pela miragem do nacionalismo anticomunista extrema . como tal. que como certas correntes de água aparece e desaparece de acordo com as suas circunstâncias históricas e a viabilidade prática da sua contribuição em cada situação social. a ação grupal é importante se obtiver a realização de tais objetivos que correspondente às suas aspirações individuais ou uma aspiração comum. posiciona as pessoas a realizar metas comuns ou buscar novos níveis e organização superior e estruturação do grupo. depende de das condições objetivas do grupo e está condicionada pelas exigências da sobrevivência do grupo.

Neste sentido. Mas o surgimento dos grupos depende de alguma forma da consciência social. um grupo surge com a reunião dos interesses de várias pessoas. Desta maneira através de uma ação constante e efetivo. por exemplo quando um governo caí devido ao falta de apoio internacional. a identidade. podemos dizer que o grupo é a materialização de uma consciência coletiva refletida. sua sobrevivência depende do poder que obtenha poder capaz de manter uma estrutura organizacional que torna possível satisfação das pessoas. a consciência surge da cristalização grupal. em cada situação. a demanda de um interesse pessoal ou coletiva. Em resumo. verdadeira ou distorcida. um grupo pode aumentar os seus recursos e o poder. . Em princípio. mas eles desaparecem bem rápidos em certos momentos. o grupo paramilitar converte em uma pequena máfia que usa seu poder violento e não obedece a políticos. e age pelo lucro particular de seus membros. e até mesmo tornar-se independente de instâncias ou interesses que deram a origem. tanto se essa consciência corresponde aos interesses reais dos próprios indivíduos. Não é incomum que certas associações ou grupos paramilitares que surgem como gasoduto circunstancial de interesses muito concreto para alcançar uma autonomia que lhes permitem sobreviver socialmente independente e até mesmo contra aqueles indivíduos ou setores que se originaram: a associação adquire uma instituição que destorce a vontade ou objetivo dos seus fundadores. Na medida em que as ações tomadas estão de acordo com os objetivos do grupo. os grupos se sobrepõem e entrelaçam tanto diretamente como através de seus membros. Portanto. a desintegração ou o desaparecimento de um grupo está vinculado com a perda de seu significado social. os recursos que forma o seu poder acabar. A ação grupal obtem efeito sobre o grupo.15 disso.ou ele consolida ou enfraquece e leva à sua desintegração. Um aspecto importante para compreender a natureza dos grupos é o fato de sua sobreposição. se a sua identidade se desconectar de sua raiz (já não serve mais os interesses traçados). como se fosse uma falsa consciência induzida por um estado de alienação social. o poder e a atividade são três parâmetros essenciais para definir a natureza de qualquer grupo. quando for incapaz de tomar medidas eficazes contra outros grupos ou para as aspirações e necessidades de seus próprios membros. ele fortalece e reforça a sua estrutura. certos grupos paramilitares "esquadrões da morte" sobrevive enquanto a sua ação é para defender os interesses da classe sociais dominantes em situações que desafia o status.

que são determinados pelas suas características. Desde os grupos pequenos. ou pode provoca a desintegração). Tipologias grupais O estudo dos traços característicos dos grupos sociais. quanto também do impacto das atividades do grupo sobre as pessoas e as estruturas sociais. Porém o caráter e importância social de um grupo determinado não dependem tanto de seu tamanho. Ela é baseada sobre o numero de membros pertencentes no grupo e também no tipo de relação que os membros estabelecem entre eles. Assim sendo. • Grupo primário – é um grupo pequeno. até os macro grupos suas relações estruturais estão enraizados nos fundamentos da organização social. A diferença entre os grupos década sociedade presente na pirâmide dos grupos se da ao analisar as características que são consideradas essências em cada um deles. aquelas unidades caracterizadas como primárias devido as suas configurações. • Grupo secundário – é um grupo grande. como um membro realizasse apenas mínimo o necessário para interagir com o outro. 4. mas sim do caráter das relações e entre seus membros. o tamanho e a afinidade entre os membros são fatores importantes para dizer o que um . poderes compartilhados por vários grupos (que às vezes pode somar os seus recursos. onde vários deles não tenham participado da atividade em questão. o mais importante socialmente de um grupo é o que ele produz e não sua formação como tal. associações que se identificam com partidos políticos. cujos membros mantêm relações pessoais. Ou seja. baseada numa compreensão mutua e um forte laço afetivo. e ações cujo efeito pode afetar mais de um grupo. Há empresas baseadas em grupos familiares. cada sociedade tem uma pirâmide de grupos que se sobrepõem e se misturam entre si como um tornado em constante movimento.16 Isto gera identidades grupais parcialmente comuns com fronteiras difusas. a relação entre os membros é impessoal. comunidades ou grupos de trabalho que atraem existência prática de igrejas ou organizações sociais mais amplas. e um grupo com mais de dez é considerado como “grande”. Para a psicologia social. é considerado um grupo “pequeno” se ele for composto por dez pessoas ou menos. De acordo com o texto. a diferenciação dos grupos mais conhecida é a que os separa entre os grupos primários e os secundários.

Por exemplo. porem não são elementos definitivos. pois pode realizar um grande impacto na sociedade a sua volta. . um grupo grande pode ter poder maior na hora de influenciar ou realizar alguma tarefa que afete os outros a sua volta.17 grupo é capaz de realizar. pela sua força e tamanho.