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Kant e a Questão da Dedução das Categorias Trabalho final da Disciplina Metafísica e Epistemologia XI Rodrigo Silva de Oliveira "Só há um problema estritamente

filosófico: traçar os limites da razão humana. “O resto, se o mundo tem três dimensões, se o espírito tem nove ou doze categorias”, se o homem pode ou não suportar uma existência racionalmente finita – para citar e metacitar Camus – “vem depois”. A filosofia pura trata da razão, através da própria razão." (Thiago Santoro, pág. 11 - Tese de Doutorado - PUCRS - 2009). O projeto kantiano consistia em investigar a razão através da própria razão para delimitar, no sentido geográfico, sua aplicação segura, ou seja, seus limites. Paralelamente a este projeto está o projeto de dar uma fundamentação última para o conhecimento. Para Kant o trabalho do intelecto consiste em ordenar as diversas representações que fazemos sob uma representação comum, ou seja, sob um conceito. Fazemos isto usando as categorias deduzidas por Kant do quadro de juízos da lógica formal. As categorias são, portanto, formas de juízo. Para Kant, “deste modo, originam-se tantos conceitos puros do entendimento, referidos a priori a objetos da intuição em geral, quantas as funções lógicas em todos os juízos possíveis que há na tábua anterior; pois o entendimento esgota-se totalmente nessas funções e a sua capacidade mede-se totalmente por elas.” (Anal. Dos Conceitos §10, A80). As categorias são os conceitos mais fundamentais do intelecto e são elas que determinam todo o conhecimento. Fazendo uso da distinção de Kant entre fenómeno e númeno, podemos afirmar que as categorias se aplicam sobre todos os fenómenos. “As categorias são, todavia, condições de validade objetiva do conhecimento, isto é, do juízo em que o conhecimento se concretiza. Com efeito, um juízo é a conexão entre representações, mas tal conexão não é subjetiva, logo não vale só para o sujeito isolado que a efetua, mas é feita em conformidade com uma categoria isto é, segundo um modo, uma regra que é igual para todos os sujeitos e que, portanto confere necessidade e objetividade àquilo a que se ligou na percepção.” (Abbagnano, pag. 122). Fazendo uso da doutrina das categorias podemos estabelecer o limite do conhecimento. Podemos conhecer fenômenos, mas não as coisas em si (númeno), estas, contudo, podem ser pensadas e a maneira pela qual podem ser pensadas Kant mostra na Dialética Transcendental, mas cairíamos em erro se aplicássemos sobre elas as categorias.

Sobre a Fundamentação do Conhecimento ." (Manfredo. não empírico que confere objetividade às minhas representações. A questão pendente é que.Apenas as categorias.Tese de Doutorado . EDIPUCRS. Immanuel – Crítica da Razão Pura. mas para justificar o conhecimento. Nicola – Dicionário de Filosofia. “ para demonstrar a validade das sentenças sintéticas a priori. É o eu penso transcendental. Oliveira a forma como Kant procedeu é criticável porque ele não escapa do trilema de Münchhausen. 29). Kant nunca fez isso. Calouste Gulbenkian. se as categorias dependem da apercepção transcendental. O argumento de Kant diz grosso modo que se negarmos as categorias teríamos que negar também a experiência possível. O eu penso (cogito) tem de poder acompanhar todas as minhas representações para que possa lhes conferir unidade e objetividade. 2003. o raciocínio de Kant depende da tese de que a experiência é possível. 29). pag. Como o professor disse em aula. Porto Alegre. Ele simplesmente extrai as categorias do quadro de juízos da Lógica formal. São Paulo. Martins Fontes. Manfredo Araújo de – Sobre a Fundamentação. Assim fica a dúvida: porque devemos aceitar estas e não outras categorias? Como Kant faz uso apenas de provas indiretas. apesar de serem exatamente estas sentenças que tornam a experiência possível. A crítica cedo constatou uma aparente circularidade no procedimento usado por Kant para fundamentar ou justificar a dedução das categorias. deduzimos as categorias. aceitamos as categorias. então também não y (a dificilmente questionável possibilidade da experiência) ou se y. que ele toma como dadas. KANT. OLIVEIRA. Desse modo fica a sensação de que Kant está pressupondo as ciências particulares. SANTORO. Thiago . tem que já pressupor a validade da experiência. então x. . Segundo Manfredo A. 1997. vimos durante o semestre que Kant hora nenhuma fornece uma dedução transcendental direta das categorias. fica frágil a relação que ele estabelece entre as categorias e o cogito. Para Kant a Apercepção pura ou transcendental é o princípio originário do conhecimento na medida em que é a condição de uso empírico das categorias. W. Lisboa. partindo do eu penso. Kulhamn diz que o argumento usado por Kant no fundo é um modus ponens: " se não x (a validade objetiva das categorias). no entanto não basta para que possamos conhecer. Bibliografia: ABBAGNANO. Além da crítica citada. pag. 1997. É certo que ele está pressupondo a validade das leis lógicas utilizadas e.PUCRS – 2009.” (Manfredo. além disso. Aceitando a experiência. segundo ele Kant não escapa do trilema porque intentou realizar uma fundamentação dedutiva e não uma fundamentação reflexiva. como um fato. 2001. 1997. seria de se esperar que Kant mostrasse como. ou seja.