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Educação em biossegurança: contribuições pedagógicas para formação profissional em saúde Marco Antonio Ferreira da Costa; Maria de Fátima Barrozo

da Costa. Introdução ● Biossegurança e suas vertentes (legal e a praticada); ● A defasagem atual, entre o mundo da escola e o mundo do trabalho no que se refere a biossegurança, faz-se necessário conhecer e compreender os processos de ensino em cursos de nível técnico na área da saúde. A biossegurança é a condição de segurança alcançada por um conjunto de ações destinadas a prevenir, controlar, reduzir ou eliminar riscos inerentes às atividades que possam comprometer a saúde humana, animal e o meio ambiente. Possui duas vertentes: a legal, que trata das questões envolvendo a manipulação de DNA (transgênicos) e pesquisas com células-tronco embrionárias (lei - nº 11.105, chamada Lei de Biossegurança, sancionada pelo governo brasileiro em 24 de março de 2005) e a praticada, desenvolvida principalmente nas instituições de saúde e que envolve os riscos por agentes químicos, físicos, biológicos, ergonômicos e psicossociais, presentes nesses ambientes. Como a uma diferença muito grande entre o ensino e a prática da biossegrança, fez-se necessário conhecer e compreender os processos de ensino em cursos de nível técnico na área da saúde, analisando questões como: conteúdo, práticas, avaliação, dificuldade de aprendizagem, entre outras. Objetivos Analisar as percepções docentes e discentes sobre os processos de ensino-aprendizagem praticados em sala de aula, relacionados ao tema biossegurança em cursos de nível médio da área da saúde. A pesquisa mostrar e analisar a visão, tanto dos alunos quanto dos professores, a respeito do processo de ensino-aprendizagem praticado nas salas de aula, referente à biossegurança. Metodologia ● Pesquisa teórico-empírica, com abordagem qualitativa e apoiada em observações e dados quantitativos. ● Fundação Oswaldo Cruz ● Instrumentos de coleta de dados: - Questionários; - Entrevistas; - Portfólio. Foi feita uma pesquisa com o intuito de aprimorar os fundamentos teóricos, produzir e analisar dados sem a imediata intervenção na realidade. Tem caráter exploratório, uma vez que estimulou o entrevistado a pensar e a se expressar livremente sobre o assunto, foi apoiada em números, gerando assim dados precisos e confiáveis. Foi realizada no período 2004-2005, em seis cursos da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). A Fiocruz foi escolhida por ser uma instituição que tem uma grande variedade de cursos voltados para o ensino médio na área de saúde e uma diversidade de perfil dos alunos. Participaram do estudo doze professores de biossegurança e de outras disciplinas que a biossegurança estava presente, e 82 alunos dos cursos de nível médio da área de saúde, que já haviam cursado a disciplina biossegurança. Foram aplicados questionários, previamente validados, com perguntas abertas e fechadas, aos alunos presentes em sala de aula nos dias da pesquisa, e entrevistas semiestruturadas aos docentes e a dez alunos, sendo que cinco já estavam inseridos no mercado de trabalho da área de saúde. Todos os sujeitos foram previamente informados sobre os objetivos da pesquisa e de que forma os dados seriam utilizados. Este portfólio de informações contribuiu para o alcance dos objetivos propostos. Resultados e discussões ● Insuficiência de estudos voltados a biossegurança na área da saúde. Foi verificado que a inserção da biossegurança ocorre de forma bastante diferenciada. Nas escolas técnicas, sua inclusão está em fase inicial, oferecendo poucos cursos voltados para a área da saúde. Nas universidades, as áreas de medicina, biologia, veterinária, farmácia, nutrição, enfermagem, entre outras, começam a incluir nos seus currículos o ensino da biossegurança. A área de odontologia, por outro lado, já incorporou essa temática aos seus currículos e processos de trabalho há algum tempo. Pouco se sabe sobre a adesão dos profissionais de saúde à biossegurança; em razão disso, faz-se necessário estabelecer novas políticas de saúde e segurança para aqueles que cuidam da saúde da população. Não distinção, acerca da biossegurança legal e a praticada, e sua exposição na mídia. A grande maioria dos alunos (80%) e metade dos professores, não percebeu a diferença entre a biossegurança legal e a praticada. A biossegurança que está na mídia é aquela atrelada à legislação específica, os termos substituídos pela palavra biossegurança estão relacionados à biossegurança praticada, desenvolvida principalmente nas instituições de saúde, fazendo com que o termo “biossegurança” fique banalizado. ●

o conhecimento científico vive em busca constante de explicações diferentes para um determinado fenômeno. A maioria dos alunos concordou que o ensino da biossegurança deve ser iniciado no ciclo fundamental. mas algumas vezes faz com que seja difícil chegar a um único objetivo e. variando muitas vezes com o contexto e com o meio. não segue um contrato didático e não busca a generalização. Uma minoria utiliza o método coletivo. O discurso científico. quanto os discentes. tendo cada termo um significado preciso. mas o que eles realizaram. Os métodos de ensino (expositivo e maiêutico) e passagem de conteúdo. já que não incomoda a coletividade. os conteúdos da biossegurança ministrados em cursos de nível médio da área de saúde devem possibilitar ao aluno uma visão integrada e interdisciplinar desses fatores. fomentando o equilíbrio das discussões acerca da abrangência da biossegurança e o consenso de uma relação “escola (teoria) e trabalho (prática)”. sentiram facilidade de na compreensão da biossegurança. Os métodos usados pelos docentes são o maiêutico. que deveriam estar próximos e estão ficando distantes. tanto os docentes. principalmente os que têm maior idade e já estão inseridos no mercado de trabalho. tem um perfil multiprofissional. através de troca de idéias e opiniões. uma vez que são necessárias ações simultâneas e conexões entre esses dois mundos. ● A dificuldade de um ensino que una a teoria e prática. citaram a prova escrita. na qual os resultados já são esperados. Foi constatado que a maior parte dos que acham que o ensino praticado em sala reflete na realidade profissional são alunos que não tinham nenhuma vivência profissional. os que já estavam inseridos no mercado de trabalho preferem o trabalho em grupo. os que sentiram dificuldade apontaram o método adotado como fator que interfere na compreensão de alguns conceitos da biossegurança. Por outro lado. como ocorre com o conhecimento científico. o que é muito importante. Pela riqueza de oportunidades pedagógicas encontradas no cotidiano. a técnica do diálogo. ele produz conhecimento. fazendo com que a linguagem cotidiana seja uma alavanca para a aprendizagem dos conceitos científicos. já o restante prefere avaliar de forma oral. mas os professores consideram que não afeta nos processos de trabalho. Muitos alunos. que também é necessário que se faça articulações entre o que se aprende na escola e o que é feito nos locais de trabalho. Conclusão O estudo realizado evidencia um público alvo de perfil multiprofissional. uma vez que as informações a serem transmitidas fazem parte da vivência pessoal do aluno e a sua manifestação se dará mediante situações pedagógicas que estimulem tal manifestação. Muitos alunos responderam já terem realizado atividade de experimentação. Discordância entre o aprender e o fazer. ● ● ● ● ● ● . Alguns alunos chegaram a dizer que não entendem o porquê de cursos de biossegurança. A experimentação e a prática na formação do profissional. se na prática não é levado a sério por parte de alguns profissionais. Ao final foi concluído que. Esses métodos são indispensáveis para o alcance dos objetivos de qualquer curso. A popularização do termo “biossegurança” e a quebra de seus paradigmas. Docentes e discentes apontaram que a biossegurança está focada em processos de prevenção e normas. Com relação aos alunos. nos quais o significado dos termos tem um caráter relativo. no sentido de “quebrar” paradigmas e a partir daí avançar. apresenta um perfil de generalização e universalidade. escrita e trabalhos em grupo). O ideal é a busca de uma articulação entre os diferentes discursos. A prática é uma experimentação formatada.A biossegurança é focada na prevenção e nas normas. buscando também manter sempre um diálogo. Os métodos de avaliação (oral. e o expositivo. O conhecimento cotidiano é de fácil acesso aos alunos. por sua vez. A grande maioria dos docentes afirmou que não faz nenhum tipo de avaliação com seus alunos. não é resultado de procedimentos metodológicos estruturados. já os que eram de cursos técnicos e estavam na faixa etária de quinze a dezenove anos. talvez este método seja o mais indicado para o ensino da biossegurança. O discurso cotidiano é fortemente influenciado por fatores socioculturais. A experimentação é um momento de criação do aluno. O conhecimento cotidiano procura compatibilizar os possíveis conflitos. foi uma prática.