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Simulação da construção do tabuleiro de pontes composto por vigas pré-fabricadas apoiada na tecnologia de Realidade Virtual

Luís Filipe Duarte Viana

Dissertação para obtenção do Grau de Mestre em

Engenharia Civil

Júri
Presidente: Orientadora: Vogal: Professor Doutor Fernando Manuel Fernandes Simões Professora Doutora Alcínia Zita de Almeida Sampaio Professor Doutor José Joaquim Costa Branco de Oliveira Pedro

Outubro de 2012

Agradecimentos
A elaboração da presente dissertação só foi possível com a colaboração e apoio de várias pessoas, às quais gostaria de agradecer, em especial: À minha orientadora científica, Professora Alcínia Sampaio, o interesse e rigor que sempre demonstrou ao longo da realização da mesma. A todos os professores e ao Instituto Superior Técnico pela formação e pela disponibilização dos meios que tornaram possível a realização desta dissertação. A todos os meus colegas e amigos, em especial ao Luís Ferreira e ao João Carvalho, que me acompanharam ao longo do curso, pelo incentivo, apoio e amizade demonstrados durante a realização deste trabalho. À minha família, mãe Maria Rosa, irmã Maria Teresa, sobrinha Adriana, pelo constante apoio, ajuda e paciência demonstrados ao longo do curso e sem os quais não seria possível realizar este trabalho.

À memória do meu pai, José Viana Luís

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Resumo e Palavras-chave Na execução de tabuleiros de pontes ou viadutos são aplicados diversos processos construtivos. permitindo que o utilizador tenha acesso a diferentes fases do processo construtivo. inicialmente. Nesta dissertação são apresentados os métodos construtivos mais frequentemente aplicados em tabuleiros de pontes compostos por vigas pré-fabricadas. Palavras-chave: Pontes. permitindo a visualização e a interação com as diversas etapas e os principais elementos intervenientes neste processo. processos construtivos. Realidade Virtual iii . o tipo e o modo de operação do equipamento requerido. O modelo tem um caracter didático podendo ser utilizado no apoio à formação de alunos e profissionais no domínio de Pontes. a compreensão deste método construtivo. de modo a obter distintas visualizações no tempo e no espaço ao longo do decorrer da construção da obra. Com base neste estudo. ainda. que simula a construção de um tabuleiro. em detalhe. vigas pré-fabricadas. foi efetuada a modelação geométrica 3D dos diferentes elementos que compõem o local da obra e estabelecida uma programação que permitisse simular a atividade da construção. analisados. os componentes da construção. as etapas inerentes ao processo e a sua sequência e. assim. Para a conceção do modelo virtual foram. O modelo é interativo. apoiando. Foi implementado um modelo geométrico 4D (3D + tempo) em ambiente de realidade virtual.

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Abstract and Keywords In the execution of bridge decks or viaducts. For the conception of the virtual model. construction methods. a 3D geometric modeling of the different elements that characterize the construction place was performed and a coding sequence was established that could allow simulating the construction activity in an interactive way. steps inherent to the process and his sequence as well as the type e and operation mode of the required equipment was performed. Virtual Reality v . The model has a didactic character and may be used as a support in the formation of students and professionals in the study area of Bridges. In this Thesis the construction methods most frequently applied in bridge decks using precast beams are presented. For the considered work a 4D (3D + time) geometric model was implemented in a virtual reality environment. improving that way the understanding of this constructive method. Based on that analysis. The model is interactive. which simulates the construction of a deck. several construction methods are adopted. an analysis of the construction components. Keywords: Bridges. thus obtaining distinct visualizations both in time and space through the lifetime of the construction. allowing the visualization and interaction with the several steps and key elements intervening in this process. allowing the user to have access to the different phases of the constructive process. precast beams.

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............. 29 4...................................................... 20 Tabuleiros contínuos com ligação sobre os apoios.....2 2.. 32 Pré-lajes .......................... 41 Acabamentos e obras complementares ................1 2.................... 51 Fase 2: Inserção de torres escada e plataformas de trabalho ........................................................ 23 Tabuleiros contínuos com ligação monolítica entre vigas e pilares .........................................................2 5.....................................................1 3.................................................... 24 Tabuleiros contínuos através de pré-esforço longitudinal .........2......................................................1 3............................................................................................................... 20 Tabuleiros isostáticos ....................................................................................4 5...................2...... 7 2........4 4.4 3........ 53 Fase 3: Colocação dos aparelhos de apoio ....3 5.......... 20 Tabuleiros isostáticos com laje contínua ................2...................................................................... 49 Fase 1: Cenário envolvente à construção ...............................6 Elementos da infraestrutura e equipamentos .............. 24 Laje de tabuleiro ....5 4.............................................3 3.................1 3........................ 1 1.........................2...............3 Evolução histórica ....................................... 19 Continuidade longitudinal.................. 14 3 Processo construtivo do tabuleiro com vigas pré-fabricadas ................3 2 Apresentação do tema e seu enquadramento..............4............. 44 Sistema informático de tecnologia RV ..2.................................. 1 Objetivos e metodologia . 42 5 Programação do processo construtivo em Realidade Virtual ...................................... 26 4 Modelação geométrica do tabuleiro e equipamento ....7 3......................................... 37 Armadura e betonagem da laje..........................3 Introdução à tecnologia de Realidade Virtual .....................2 3... 36 Carlingas .............. 12 Vigas com secção transversal em “U” .. 18 Colocação de vigas através de uma viga de lançamento ............................................................................................................... transporte e armazenamento ...............................................................................2 5..............2 3........... 7 Secção de vigas pré-fabricadas........................................... 4 Tabuleiro composto por vigas pré-fabricadas ....................................... 30 Viga pré-fabricada .............3 Colocação de vigas ...........................................................................................................2 2................................................................1 5........2 3...................... 43 5................................................................................. 3 Estrutura geral..............................4. 21 Tabuleiros contínuos com armaduras ordinárias ....................................................1 5.....2.................................... 43 Aplicação em Engenharia Civil ...............1 1.......................................................6 3.............................................................................................................. 48 Estabelecimento de fases e programação da interação ............................................................. 13 Pré-fabricação......... 18 Colocação de vigas através de gruas .........................Índice 1 Introdução .................................2 4........................1 4............................2 1.............................................................2............................... 22 Tabuleiros contínuos com ligação realizada fora dos apoios....4.......2..................................................1..........3 4....................1....................................................................................................................... 55 vii ................................. 11 Vigas com secção transversal em “I” ..............5 3.................................................................2.............................1 2........... 17 3.......................................

........................6 5.................................................... 62 Conclusões .................................................................................... 58 Fase 6: Execução de carlingas e laje ............... 74 viii ...........................4............................. 65 Referências Bibliográficas ..................................................................4....................................................4. 67 Anexos.............................................................. 61 Fase 8: Execução de acabamentos ......4.............................................................. 71 Anexo I – Torre escada ...................8 6 Fase 4: Posicionamento das vigas pré-fabricadas ...5...................................5 5........................................Aparelhos de apoio ..........................................................................................4...............................................................................7 5.................... 56 Fase 5: Colocação das pré-lajes ................ 73 Anexo II .....................4 5............................................ 59 Fase 7: Retirada dos aparelhos de apoios provisórios ..........................................

......... ......................................................................... 16 Figura 13 – Colocação de uma viga pré-fabricada através de gruas: (a) Utilização de uma grua para colocação de uma viga [5]................. 27 ix .... 25 Figura 24 – Diferentes alternativas para o faseamento construtivo de tabuleiros com pré-esforço de continuidade em todo o comprimento das vigas [5]............ ........ 19 Figura 17 – Laje de continuidade [14]....... ............... .................................... ........ .................................... ........................ ........................................... .............................................. .......................................................... .................... 24 Figura 22 – Solução de continuidade utilizando cabos retos de pré-esforço sobre os apoios [5]............. 24 Figura 23 – Forma dos topos das vigas.................... 19 Figura 16 – Viga de lançamento de vigas pré-fabricadas [13]......................... 9 Figura 4 – Pré-fabricação de tabuleiros completos tramo a tramo no viaduto da Ponte Vasco da Gama [1].......................................................... ...... 21 Figura 18 – Ligação de continuidade usando apenas armaduras ordinárias [5]........ das ancoragens e dos acopladores dos cabos de pós-tensão [5]......................... ............................................... 12 Figura 9 – Secção transversal do tabuleiro de uma ponte com vigas “U” utilizada na SCUT do Algarve [1]................................................................................................................................................ 22 Figura 20 – Tipos de ligação na zona dos vãos [14].................. ............... 9 Figura 5 – Construção por avanços sucessivos com aduelas pré-fabricadas na Ponte Vasco da Gama [1].................................................................................Índice de Figuras Figura 1 – Passagem superior na A23 executada com pré-fabricação [2].................................................... 10 Figura 7 – Tipos de secções de vigas pré-fabricadas utilizadas correntemente [5]............................................................................................ 18 Figura 14 – Colocação de uma viga pré-fabricada sobre o aparelho de apoio [11].. 14 Figura 11 – Transporte especial de viga com 160 toneladas [9]...... .................................................. ....................................................... 15 Figura 12 – Armazenamento de vigas e pré-lajes na construção do Viaduto sobre a Autoestrada A1 no Carregado [9]....................................... ...... 8 Figura 3 – Execução de um tramo de 50m da laje do tabuleiro da ponte de Viana do Castelo a com utilização de cimbre [1].... (b) Utilização de duas gruas para colocação de uma viga [10].................................................................... ........ 23 Figura 21 – Ligação monolítica entre vigas pré-fabricadas e pilar [5]...................... 2 Figura 2 – Evolução da utilização de pré-fabricação em Portugal [6]........................... 25 Figura 25 – Solução tipo de pré-lajes num tabuleiro com vigas em “I” [2]..... 22 Figura 19 – SCUT da Beira Interior – Pormenor de ligação na secção dos apoios [2]................................. 10 Figura 6 – Relação entre o vão em metros e o método construtivo [3]..... 13 Figura 10 – Vista de armadura a entrar no molde [9]............................................................................................................................. 11 Figura 8 – Secção transversal do tabuleiro de uma ponte com vigas “I” [5]...................... ........................ 19 Figura 15 – Esquema de montagem com recurso a uma viga de lançamento [12]....................................................................................................... ................................................ ........................................

............................... ............................ .............. ......... .............................. 47 x ......................................................... .............. 34 Figura 38 – Soluções alternativas para emenda da armadura inferior [5].... ..................................................................... 30 Figura 31 – Projeção do modelo 3D das guardas de segurança e plataforma de trabalho............ ........... 36 Figura 43 – Modelo 3D da pré-laje central e sua inserção no modelo virtual............................... 33 Figura 36 – Solução de distribuição de cordões de pré-esforço numa viga tipo adotada no projeto da SCUT da Beira Interior [1].................................................................................. ..................................... 35 Figura 41 – Colocação e posição das pré-lajes no tabuleiro [6]...................... 39 Figura 48 – Vista superior da cofragem da carlinga no modelo virtual................................................................................ 32 Figura 34 – Secção transversal da viga pré-fabricada usada no modelo virtual..................... 29 Figura 28 – Secção transversal do tabuleiro............... ..................... ...... 42 Figura 54 – Exemplos de realidade virtual imersiva [28].................................... 39 Figura 49 – Vista da cofragem no interior da carlinga........ ...................... .............. 29 Figura 29 – Vista de pilares e encontros do modelo virtual em ambiente EON................................................................... .................................................. 38 Figura 47 – Armaduras da carlinga em ambiente EON................ 28 Figura 27 – Vista longitudinal considerada no modelo virtual.................... ............... ........................................... . ................ 31 Figura 32 – Apoios provisórios colocados lateralmente e apoios definitivos sobre os plintos de nivelamento centrais.... . ...................... 45 Figura 58 – Modelo 4D e laboratório de RV.. 32 Figura 35 – Modelo de viga pré-fabricada..................................................................................Figura 26 – Exemplo de um faseamento construtivo de um viaduto com vigas de secção em “I“ e pré-esforço de continuidade na laje [2]..................... 45 Figura 57 – Fases distintas do Modelo 4D de Martin Fischer..... ..... 36 Figura 42 – Modelo 3D da pré-laje com consola e sua inserção no modelo virtual........ 33 Figura 37 – Soluções mais utilizadas para emendar a armadura inferior [5]............... ........................................... .................................................... da carlinga [1]............................................................... 42 Figura 53 – Vista da estrutura e seus acabamentos................................... 35 Figura 39 – Disposição das armaduras da emenda entre vigas pré fabricadas........... ....................................... ......... 35 Figura 40 – Emenda entre vigas pré-fabricadas usada no modelo virtual.............................. ............... 40 Figura 51 – Vista superior das armaduras da laje............ . 38 Figura 46 – Dimensões. em corte horizontal........ .......... 37 Figura 45 – Carlinga sobre os pilares no modelo virtual............................................................... .................................. 44 Figura 56 – Protótipo de Stefan Woksepp......................... 46 Figura 60 – Aplicação de realidade virtual no planeamento da construção de um edifício......... 46 Figura 59 – Aplicação de realidade virtual na construção de uma parede dupla de alvenaria.. 31 Figura 33 – Modelo 3D de uma grua e a sua inserção no cenário virtual.... 30 Figura 30 – O modelo criado em AutoCAD e a sua inserção no ambiente virtual............................................................................................. ...................................................... 37 Figura 44 – Diferentes configurações geométricas para a ligação entre vigas pré-fabricadas [5]......... 40 Figura 50 – Visualização de alguns pormenores da cofragem da carlinga.... 44 Figura 55 – Exemplos de realidade virtual não-imersiva [28]................................................ 41 Figura 52 – Vista da betonagem da laje.................................................................................................. .................

............... c) Ficheiro gerado ao executar o comando 3dsout.................... ...................................................................... 57 Figura 77 – Visualização de todas as vigas pré-fabricadas colocadas no ambiente virtual.............. 60 Figura 82 – Betonagem da laje do tabuleiro............................ ............................................................................... .. ............................................. 60 Figura 83 – Betonagem das carlingas.................... . 55 Figura 74 – Nós e ligações necessárias à elevação da viga pré-fabricada............................................ ........... .......................................................................... 61 Figura 84 – Descofragem das carlingas......................................................................................................................... 51 Figura 65 – Inserção do modelo 3ds no sistema EON.. 54 Figura 71 – Inserção das plataformas de trabalho............ ...................... ..... ................. 55 Figura 73 – Colocação dos aparelhos de apoio provisórios.... 51 Figura 66 – Características do nó Panorama.......................... 54 Figura 72 – Inserção dos aparelhos de apoio definitivos...................................................... 56 Figura 75 – Diferentes fases da colocação da viga pré-fabricada......... .............. ................................. ....... 59 Figura 80 – Colocação das armaduras da carlinga..... 62 Figura 88 – Visualização final da estrutura....................................................................................... 61 Figura 85 – Nós e ligações para retirar aparelhos de apoios provisórios...... 52 Figura 67 – Acesso ao modo de simulação e visualização da envolvente à construção........................... 61 Figura 86 – Retirada de aparelhos de apoio provisórios no cenário virtual... 58 Figura 78 – Colocação de pré-lajes....................... ........................................ 59 Figura 81 – Colocação das armaduras ordinárias da laje no cenário virtual..... 52 Figura 68 – Opção Hidden e características do nó KeyboardSensor........................ ......... 53 Figura 70 – Inserção das torres escada no cenário da obra.......................................................... ................................................................ 49 Figura 64 – a) Inscrição do comando appload.... b) Janela associada ao comando appload.....................Figura 61 – Aplicação de realidade virtual à construção de uma ponte pelo método de avanços sucessivos........................................ 47 Figura 62 – Realidade virtual aplicada numa ponte construída por lançamento incremental.... .......................... ............................................................................. .... 63 Figura 89 – Visualização da parte inferior do tabuleiro................. ............. 63 xi ....................... .................................. 58 Figura 79 – Inserção das cofragens das carlingas no cenário virtual........ 62 Figura 87 – Aplicação de acabamentos sobre o tabuleiro...... .................. .......................................................................... .................. 53 Figura 69 – Programação da ligação de nós............. .......... .................................................................. 47 Figura 63 – Ambiente de trabalho do EON Studio.................. ..................... 57 Figura 76 – Zona de ligação entre o cabo de suspensão da grua e a viga pré-fabricada..................

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Índice de Tabelas Tabela 1 – Diagrama da sequência de fases construtivas…………………………………………63 xiii .

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1 Apresentação do tema e seu enquadramento Uma ponte ou viaduto é constituída pela infraestrutura (pilares. Num concurso. encontros. quer durante o projeto quer no acompanhamento da construção. com a inovação associada a diferentes tecnologias e com o aumento de conhecimento relativo a novos materiais utilizados na construção. a madeira ou o betão armado e pré-esforçado).1 Introdução O desenvolvimento do projeto de uma obra de arte é condicionado por vários fatores. funcionalidade/condições de serviço e elegância/beleza. os prazos a cumprir. devem ser seguidos. e assim. cada empresa de construção apresenta. as propriedades técnicas do terreno para as fundações. viadutos e passagens desniveladas (figura 1). com base nas tecnologias que domina. no número e comprimento de vãos e nos métodos construtivos. as exigências de segurança. o valor estético requerido. 1. Devem ser analisadas as características da envolvente do local de implementação (ambiente urbano ou rural). em geral nas zonas de difícil colocação de 1 . O método construtivo é dos fatores mais condicionante e envolve diversas equipas técnicas. nomeadamente. a componente económica e. Na execução da superstrutura podem ser utilizados diferentes métodos construtivos. é frequente o recurso a elementos pré-fabricados. ou seja. As opções alternativas diferem na tipologia transversal e longitudinal. Na conceção de uma obra. como grandes objetivos da arte estrutural. Adicionalmente. seja um edifício ou uma ponte. Com base na sua análise são estudadas algumas soluções estruturais. naturalmente. pois pode influenciar a extensão de vãos e o tipo de secção transversal a adotar [3]. essencialmente. os métodos construtivos que podem ser aplicados. apoios e fundações) e pela superstrutura (parte da ponte que vence o vão a qual inclui o tabuleiro). A sua maior aplicação verifica-se em zonas urbanas. No projeto de uma obra de arte o processo construtivo deve ser tomado em consideração desde as primeiras fases. propostas concorrenciais. Na realização de obras de Engenharia Civil. Atualmente. o tipo de material a empregar (o aço. na construção de tabuleiros de pontes. os parâmetros estabelecidos pelo dono de obra. O presente trabalho analisa os vários métodos construtivos no projeto de obras de arte relacionados com o tabuleiro de pontes composto por vigas pré-fabricadas. três princípios: segurança/resistência. de forma a satisfazer os requisitos enunciados. Em Portugal tem havido uma crescente utilização de vigas pré-fabricadas na execução de superstruturas [5]. o conhecimento de diferentes processos construtivos em profundidade é bastante importante [4]. haverá que admitir o fator económico. tem havido um incremento na diversidade de novas técnicas disponíveis no mercado da construção. Assim. em obras sobre linhas férreas. podem apontar-se a eficiência técnica e económica e o aspeto estético [1].

existem. às soluções pré-fabricadas estarem associadas a projetos de qualidade inferior. no âmbito nacional. nas soluções de vigas pré-fabricadas é a necessidade de realizar capitéis nos topos dos pilares para apoiar as vigas. com deficiente execução e pouco cuidado estético. Na solução isostática os tramos ficam simplesmente apoiados sobre os pilares. Historicamente. O grande desafio à pré-fabricação de viadutos e pontes é manter estas mais-valias sem descurar a eficiência estrutural e. a pré-fabricação é extremamente vantajosa ao permitir a construção sem gerar constrangimentos locais significativos. Nestes casos. associada à repetitividade de vãos e. de materiais e de tolerâncias. a nível estético. pois admite a construção de um grande volume de obras em prazos reduzidos. Segundo Câmara [1]. em Portugal. Contudo. pois é um produto executado em fábrica ou em condições especiais de estaleiro. uma maior economia devido à racionalização dos meios de construção envolvidos e um maior controlo de qualidade de execução. originando opções pouco estéticas ou com pormenores descuidados nas zonas de ligação entre elementos pré-fabricados [1]. Este tipo de solução apresenta ainda outras vantagens. Em termos estruturais. Uma das desvantagens. também importante. Figura 1 – Passagem superior na A23 executada com pré-fabricação [2].cimbres. condições para que se verifique um incremento significativo da utilização da pré-fabricação. quando comparada com os tipos de construção de pontes executadas totalmente no local. verifica-se que a pré-fabricação tem alguma utilização em viadutos com elevada extensão. pois apresenta vantagens inerentes à diminuição de meios de escoramentos necessários durante a construção. Por exemplo. a estética da obra [1]. em projetos de grande envergadura há alguma aplicabilidade pois a pré-fabricação garante uma boa qualidade e o cumprimento de prazos de execução. permite uma maior rapidez na execução da estrutura. um melhor conforto para a circulação rodoviária. em soluções com tramos isostáticos e hiperstáticos. em zonas urbanas. Adicionalmente. viadutos ou passagens superiores com recurso a soluções pré-fabricadas não tem tido grande expressão. a construção de pontes. Este facto deve-se. enquanto na solução hiperstática os tramos são ligados entre si estabelecendo continuidade estrutural. as vigas pré-fabricadas são utilizadas na construção de pontes. essencialmente. um aumento da 2 . A opção hiperstática apresenta diversas vantagens em relação às isostáticas: permite ganhar reservas de resistências devido à hiperstaticidade da estrutura.

mais frequentemente aplicado. mas torna necessária uma cuidada avaliação do comportamento da estrutura. o que simplifica a sua execução. sobretudo nos viadutos e nas passagens superiores. normalmente. permitindo obter uma representação intuitiva e realista do ambiente da obra. necessárias a uma correta compreensão da atividade representada. sujeitas a uma observação mais próxima por parte dos utentes dessas obras. a adoção deste tipo de soluções dependerá da capacidade dos projetistas. 1. foi estudado com bastante detalhe um dos processos construtivos. os aspetos mais relevantes da atividade de construção associada ao tabuleiro de pontes composto com vigas pré-fabricadas de betão e o modo de efetuar a programação necessária à definição do ambiente virtual da obra. ou por recurso a técnicas de pré-esforço. De forma a garantir estas características é necessário que a ligação entre as vigas pré-fabricadas se execute de um modo adequado. por vezes também se aplica lajes totalmente pré-fabricadas apresentando vantagens estruturais nos problemas de retração do betão na laje. de uma forma bastante pormenorizada. intervenientes no processo e a apresentação animada da sequência das diferentes fases da construção do tabuleiro de uma ponte. totalmente betonadas in situ. da atividade construtiva.durabilidade devido à eliminação de juntas e a possibilidade de construção de tabuleiros de grande vãos e com uma boa qualidade estética. utilizando cabos de pós-tensão (aderente ou não aderente) ou barras de pré-esforço [5]. em ambiente de realidade virtual. Câmara [1] refere que. de modo a permitir criar com bastante rigor os modelos geométricos tridimensionais (3D) de todos os elementos relacionados com a construção e a estabelecer as etapas construtivas mais significativas. Neste sentido. Neste sentido. O modelo criado possibilita a representação dos elementos mais relevantes. construtores e industriais da pré-fabricação proporem soluções que consigam responder dum modo equivalente ou. pois nesta zona existem maiores esforços instalados. O tipo de ligação de continuidade pode ser materializado com armaduras ordinárias. na zona dos apoios. que as soluções tradicionais. no futuro. A localização destas ligações verifica-se. torna-se necessário reforçar a importância que o aspeto estético irá certamente ter na aceitação futura das soluções pré-fabricadas. Os tabuleiros mistos de vigas metálicas pré-fabricadas é uma solução bastante usada atualmente.2 Objetivos e metodologia O presente trabalho pretende contribuir para a divulgação da metodologia de construção de obras de arte por recurso a vigas pré-fabricadas de betão armado pré-esforçado. No seu desenvolvimento recorreu-se à tecnologia de Realidade Virtual. através da simulação visual. A presente dissertação descreve. ainda melhor. uma tecnologia avançada de visualização e de interação. 3 .

efetuada a modelação da infraestrutura e do espaço envolvente à obra. por recurso a vigas pré-fabricadas. pré-lajes. no apoio à apresentação desta temática e na formação de técnicos que venham a trabalhar neste tipo de obra. selecionando como representativo da tipologia referida. os equipamentos necessários e as diferentes soluções existentes. Em resumo.A tecnologia RV é aqui aplicada como um complemento à modelação 3D permitindo uma compreensão mais direta e intuitiva de todo o processo. as distintas opções de montagem das vigas e os métodos construtivos associados. os objetivos particulares desta dissertação são:  Analisar e sintetizar os métodos construtivos do tabuleiro de pontes realizados através de vigas pré-fabricadas de betão armado pré-esforçado. com um maior detalhe. O primeiro dos quais é constituído pelo presente texto de introdução ao trabalho. 1. assim como as ligações entre elementos. No final do capítulo é referido o processo de pré-fabricação das vigas e os modos de efetuar o seu transporte e armazenamento. a sua função e etapa na progressão da obra. são indicadas as soluções existentes relativas à ligação entre elementos pré-fabricados. São descritas as vigas pré-fabricadas utilizadas em viadutos tendo-se analisado.  Implementar o modelo virtual apresentando as fases de construção necessárias a um correto entendimento de toda a atividade em obra. É efetuada uma introdução sobre a evolução e as potencialidades da pré-fabricação.3 Estrutura geral A presente dissertação está organizada em seis capítulos. carlingas. através de pré-esforço ou com armaduras ordinárias assim como a sua geometria e localização relativamente aos elementos pré-fabricados. Adicionalmente. as secções transversais de forma em “I” e em “U”. O capítulo 3 analisa os diferentes tipos de tabuleiros constituidos por vigas préfabricadas. É. e de aplicação mais frequente. O modelo pode ser utilizado no ensino. 4 .  Executar uma modelação geométrica 3D de todos os elementos intervenientes no processo construtivo. seguindo-se a modelação das vigas pré-fabricadas. por serem as de maior aplicação neste contexto. Para cada elemento são descritas as suas caracteristicas. laje e acabamentos da ponte. No capítulo 4 realiza-se a modelação geométrica dos componentes que formam o tabuleiro assim como do equipamento de apoio necessário. inicialmente. O capítulo 2 apresenta as soluções correntemente estabelecidas na construção de tabuleiros contínuos de pontes.

o capítulo 6 apresenta uma síntese do trabalho realizado.No capítulo 5 é efetuada uma introdução à tecnologia de Realidade Virtual e é descrito o modo de implementação do modelo virtual do processo construtivo. Finalmente. 5 . salientando-se as conclusões mais relevantes e indicando perspetivas futuras.

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durante muitos anos. O desenvolvimento do método construtivo com base na pré-fabricação em betão estendeu-se dos edifícios de habitação a todas as áreas de construção [6]. estas podem ser executadas em fábrica. a um sobredimensionamento da secção da viga de forma a garantir a verificação da segurança na fase construtiva porque nas primeiras fases as vigas pré-fabricadas de betão armado pré-esforçado funcionam estruturalmente como simplesmente apoiadas estando sujeitas a grandes momentos fletores a meio vão [7]. a uma investigação permanente nesta área. geralmente. proporcionada pelo desenvolvimento de meios de transporte e de elevação com uma maior capacidade e. penalizada pois o processo construtivo aplicado obriga. apontado como um ponto negativo. em parte. Atualmente. normalmente. o comportamento das soluções de estruturas pré-fabricadas é bastante melhor conhecido. como forma de dar uma resposta rápida à falta de habitação nos países com um maior grau de destruição. encarada como uma solução de recurso. a utilizar em última opção [7]. devido. em geral. limitada a vigas de secção transversal pouco esbeltas. de 15 a 20 metros. devido à evolução da tecnologia de pré-esforço [5]. os meios de transporte e de elevação eram limitados e era difícil a obtenção de betões com resistências superiores a 35/40 Mpa [1]. A pré-fabricação de obras de arte iniciou-se na década de 30 do século passado.2 Tabuleiro composto por vigas pré-fabricadas 2. Nestas obras. A imagem da pré-fabricação esteve inicialmente ligada à construção de baixa qualidade sendo. Atualmente. ou então. ainda. Na figura 2 apresenta-se a evolução da utilização da pré-fabricação em Portugal. Nos anos 50 esta técnica é utilizada de uma forma mais intensa. 7 . ao aprofundamento das metodologias de análise estrutural e à experiência de mais de 25 anos em distintas aplicações [6]. e na sua prefabricação eram usados fios de aço pré-esforçados. e esteve. Eram utilizadas em pontes de pequeno vão. Relativamente às obras de arte com vigas pré-fabricadas. na pré-fabricação. são executadas no estaleiro da obra permitindo atingir maiores vãos. a estética é influenciada pelo conceito de esbelteza que é. sendo posteriormente transportadas para o local da obra. À época. o aspeto estético é. são frequentemente aplicadas em vãos superiores e a sua secção transversal apresenta maiores dimensões acompanhando o aumento de capacidade dos meios de elevação. Relativamente a obras de arte executadas com vigas pré-fabricadas.1 Evolução histórica A pré-fabricação aplicada em elementos de edifícios começa a ser relevante após a II Guerra Mundial. durante bastante tempo.

Com o aparecimento de meios de elevação com mais capacidade e a conceção de novas soluções de continuidade. é ainda desaconselhada relativamente à ação de esforços horizontais. não ser o mais adequado. apesar do seu comportamento. Brito refere que esta solução compete diretamente com soluções de tabuleiros realizados em laje nervurada ou laje vigada. sendo cada vão constituído por várias vigas ligadas entre si por uma laje betonada “in situ” e por carlingas. 8 . A laje pode ser executada “in situ” com recurso a cimbre (figura 3) ou através de pré-lajes que poderão colaborar na resistência estrutural ou servir apenas de cofragem durante a betonagem da laje do tabuleiro. No capítulo seguinte realiza-se uma análise mais detalhada sobre a construção de tabuleiros constituídos com vigas pré-fabricadas de secções em “I” e em “U”. pois a transmissão das forças sísmicas do tabuleiro aos apoios dos pilares não é eficiente [1]. construídas com vigas simplesmente apoiadas e com continuidade da laje de compressão. Desta forma. Adicionalmente. Estas vigas pré-fabricadas são. a ser adotada. enquanto que em Espanha são. é facilitada a sua execução mas não é assegurada a continuidade estrutural. As secções transversais mais comuns são em forma de “I” ou de “U”. geralmente. realizados com cimbre ao solo ou cimbre móvel [7]. as soluções com vigas pré-fabricadas são concebidas com uma parcela de pré-esforço de continuidade. Esta técnica é económica na construção de pontes com vãos até cerca dos 40 m. relativamente a ações verticais e a efeitos de deformação impostas. A construção do tabuleiro com vigas pré-fabricadas apresenta uma distribuição em paralelo de elementos isolados. Em Portugal. complementados com uma laje que estabelece a continuidade transversal na superfície do tabuleiro. este limite tem vindo a ser ultrapassado [5]. frequentemente. construídas com um comprimento igual ao do vão. Esta solução continua.Figura 2 – Evolução da utilização de pré-fabricação em Portugal [6]. contudo.

No método construtivo por avanços sucessivos os elementos de tabuleiro são de reduzido comprimento e são ligados por pré-esforço longitudinal após a montagem. das fundações. Figura 4 – Pré-fabricação de tabuleiros completos tramo a tramo no viaduto da Ponte Vasco da Gama [1]. que estabelecer em obra as necessárias ligações [1]. sobretudo em Espanha. e a sua influência no comportamento estrutural. este método é economicamente vantajoso apenas para pontes de grandes vãos. havendo. são semelhantes às secções utilizadas na construção “in situ” (figura 5). recentemente. ou de aduelas de betão armado que são ligadas por pré-esforço (figura 5). veio tornar mais flexível o projeto de construções deste tipo [1]. As técnicas de pré-fabricação de viadutos e pontes tiveram. e das potencialidades de cálculo ao dispor.Figura 3 – Execução de um tramo de 50m da laje do tabuleiro da ponte de Viana do Castelo a com utilização de cimbre [1]. 9 . geralmente em forma de caixão. Atualmente. O melhor entendimento técnico relativo aos fenómenos reológicos do betão. A pré-fabricação na construção do tabuleiro pode ser adotada na forma de vigas. Como os custos de fabrico dos segmentos e do equipamento são consideráveis. e. dos pilares e travessas. de tramos completos (figura 4). a pré-fabricação em betão estrutural de pontes e de viadutos pode ser utilizada ao nível do tabuleiro. um aumento significativo. As secções transversais utilizadas. em particular. eventualmente. então.

de peças com baixos 10 . nomeadamente. o projetista recorre a este tipo de soluções em atravessamentos sobre pequenos e médios cursos de águas ou sobre vias rodoviárias em serviço [7]. a continuidade estrutural. uma vez que a construção em fábrica permite a obtenção de betões de alta resistência. Regra geral.Figura 5 – Construção por avanços sucessivos com aduelas pré-fabricadas na Ponte Vasco da Gama [1]. no caso das aduelas pré-fabricadas estes vãos podem atingir dimensões muito superiores. Na fase de conceção. Podem enumerar-se as seguintes vantagens relativamente à utilização da pré-fabricação em pontes [5]:  a boa qualidade do betão e das peças produzidas. A pré-fabricação de vigas de betão armado e pré-esforçado é adequada para vãos completos de cerca de 40m e como solução menos aconselhada nas gamas de 20m e de 60m de vão. A figura 6 apresenta os vãos associados aos métodos construtivos mais utilizados [3]. o tipo e traçado de pré-esforço. o processo de execução da laje e a sequência construtiva. Figura 6 – Relação entre o vão em metros e o método construtivo [3]. a secção da viga. o projetista estabelece as opções que influenciam o comportamento estrutural do tabuleiro.

 a redução do congestionamento em obra e o encurtamento dos prazos de construção. pois diminui-se o número de tarefas a realizar em obra.desvios nos valores dos recobrimentos e com bom acabamento. devendo dispor-se no local espaço para armazenamento. em “T” invertido (e) não utilizado para pontes e em forma de “U” (f e g).  as vantagens económicas que resultam da utilização de formas otimizadas e de soluções padrão.   a dispensa parcial de cofragem e escoramento para a construção do tabuleiro.2 Secção de vigas pré-fabricadas O presente trabalho analisa os tabuleiros compostos por vigas pré-fabricadas de betão armado pré-esforçado com pós-tensão. em virtude da qualidade das cofragens utilizadas. com grande repetição. uma vez que o fabrico das peças pré-fabricadas pode começar em simultâneo com a construção da infraestrutura. o modo de transporte e montagem. tais como:     o procedimento de fabrico. 2. o sistema de pré-esforço utilizado. de secção em “I”. em “T” (d). com continuidade entre vãos realizados na secção de apoio. em “I” (b e c). A forma da secção é determinada por vários condicionamentos. Figura 7 – Tipos de secções de vigas pré-fabricadas utilizadas correntemente [5]. o método de construção da laje de tabuleiro. uma maior segurança. sem utilização de pré-esforço de continuidade. Os tipos mais comuns de secção transversal de vigas pré-fabricadas são (Figura 7): retangular (a). 11 .

as vigas pré-fabricadas. Normalmente. A laje. pois apresentam a vantagem de serem mais leves. 2. são adotadas carlingas apenas nos alinhamentos dos apoios as quais limitam a torção das vigas pré-fabricadas e permitem.As vigas em “I” são utilizadas com uma maior frequência que as vigas em “U”. escoramento e remoção da cofragem das carlingas [5]. pela laje e pelas carlingas (vigas perpendiculares ao eixo do tabuleiro). É menos comum a adoção de carlingas em secções no vão. facilitando o seu transporte e a colocação sobre os apoios. pois necessita de um número mais reduzido de vigas.1 Vigas com secção transversal em “I” Para vãos superiores a 15 metros. pois o número de vigas a colocar é menor. o levantamento do tabuleiro para a substituição dos aparelhos de apoio. à diminuição do tempo de execução. Os elementos pré-fabricados são projetados de forma a considerar a verificação da sua estabilidade durante o transporte. Em termos de durabilidade. forma uma secção composta (figura 8). a operação de construção fica simplificado. são de secção em “I”. Deste modo. em toda a largura do tabuleiro. As vigas podem apresentar um afastamento entre si de 0. É definida uma junta de betonagem horizontal entre o banzo superior da viga e a laje. Esta dificuldade resulta da necessidade de colocar armaduras no exterior das vigas pré-fabricadas e das operações de fixação. juntamente com as vigas. por serem difíceis de executar.60m até 6m. As vigas de secção em caixão têm uma maior aplicação em tabuleiros de grande largura transversal. Sobre as vigas é executada uma laje. o processo de montagem e aos esforços relativamente ao seu estado final de utilização [8]. A distribuição transversal de cargas pelas várias vigas é garantida pela rigidez à torção das vigas. 12 . conduzindo naturalmente. geralmente de betão armado. recebe as cargas aplicadas sobre a superfície do tabuleiro e descarrega-as nas vigas [2]. posteriormente. A laje.2. Figura 8 – Secção transversal do tabuleiro de uma ponte com vigas “I” [5]. este tipo de secção apresenta uma relação desfavorável entre a área e o perímetro exposto às condições ambientais [7]. mais frequentemente utilizadas.

mas menos agradável esteticamente. sendo L a extensão do vão a vencer. A largura do banzo superior é função de vários parâmetros. para um afastamento entre vigas de 2m a 3m. para acomodar a ancoragem dos cabos de pré-esforço [5]. Contudo.2 Vigas com secção transversal em “U” A utilização de vigas pré-fabricadas com secção transversal em “U” (figura 9) é uma solução que apresenta diversas vantagens relativamente à solução com vigas “I”. não devendo ser inferior a 7cm. a espessura mínima aconselhada é de 15cm. A altura da secção da viga (h) conduz normalmente a esbeltezas da ordem de L/20 a L/15. nomeadamente da posição do centro de gravidade pretendido das vigas (aproximadamente h/2). no caso de esbelteza de 15 consegue-se uma solução mais económica. a esbeltezas na ordem de L/18 a L/24. tendo o objetivo de obter uma redução do peso da secção. a utilização de banzos superiores com largura da ordem de 0. As vigas em “I” pré-esforçadas por pós-tensão precisam de um alargamento da alma nas extremidades. as soluções usuais recorrem a almas finas e fortemente armadas. em fase de serviço. o menor número de vigas na secção transversal do tabuleiro e a maior capacidade de acomodar as tensões de compressão nas secções de apoio devido à existência do banzo inferior [7]. por razões de pormenorização de armaduras e de durabilidade. As dimensões do banzo inferior são normalmente condicionadas pelo espaço necessário para colocação do pré-esforço e pelas tensões de compressão junto aos apoios [7]. Assim. A espessura do banzo superior é condicionada pelo apoio das pré-lajes e pelo recobrimento das armaduras. De uma forma geral. nomeadamente: a menor altura da secção. A tendência atual é a redução da espessura das almas ao mínimo. da estabilidade por flexão-torção em fase construtiva e do vão livre da laje entre vigas. Figura 9 – Secção transversal do tabuleiro de uma ponte com vigas “U” utilizada na SCUT do Algarve [1]. as vantagens estruturais de uma secção em caixão. normalmente. A largura mínima dos banzos superiores é em geral condicionada pelo espaço disponível para realizar o apoio de pré-lajes e para o 13 .6h garante a estabilidade durante o transporte e colocação. Este tipo de secção apresenta.As dimensões da secção devem ser pré-dimensionadas tendo em conta as exigências de verificação da segurança estrutural e de durabilidade. 2. do peso da secção. A altura da secção da viga com secção em “U” conduz.2.

Em fase construtiva. 2. por razões de estabilidade as vigas com este tipo de secção apresentam diafragmas na extremidade. a tomada de decisão relativamente ao local de construção das peças pré-fabricadas baseia-se em vários fatores. junto da obra. A imagem da figura 10 ilustra a colocação das armaduras no molde metálico num estaleiro montado junto à obra. como por exemplo. o que por vezes é difícil devido à falta de espaço ou a condicionamentos topográficos. 14 . Estes diafragmas são essenciais durante as fases de transporte e de colocação. em geral aplicado por pré-tensão. A obra refere-se ao Viaduto sobre a Autoestrada A1 no Carregado. ou num estaleiro de pré-fabricação junto do local onde se pretende implementar a obra. Em geral a largura mínima é da ordem dos 40cm. A segunda hipótese tem a vantagem de não exigir o transporte das vigas. o pré-esforço. A primeira opção pode não ser viável para grandes distâncias devido ao comprimento e peso das peças que dificultam o seu transporte. Para além de aumentarem a resistência da viga ao empenamento. o comprimento e o número de vigas necessárias. Este estaleiro foi montado próximo à obra devido ao grande número de vigas a pré-fabricar. Na fase definitiva contribuem para a degradação das tensões concentradas devidas às reações de apoio [7]. Figura 10 – Vista de armadura a entrar no molde [9].3 Pré-fabricação. mas tem o inconveniente de necessitar de um estaleiro de maiores dimensões.estabelecimento estrutural da ligação entre a viga e a laje. O banzo inferior apresenta a sua espessura condicionada pelo nível de tensões de compressão impostas na zona dos apoios. para permitir a fabricação das vigas. estas secções ficarão localizadas em zonas de momentos negativos o que também provoca compressão na zona inferior das vigas. transporte e armazenamento O fabrico de vigas pode ser efetuado: por execução das peças numa empresa de pré-fabricados. Na fase de serviço. provoca tensões de compressão bastante elevadas. o tipo de equipamento disponível da empresa construtora e as características do local da obra. Assim. a distância a percorrer.

Figura 11 – Transporte especial de viga com 160 toneladas [9].  Análise da compatibilização geométrica entre a ponte executada em obra e os elementos pré-fabricados.Para a movimentação de elementos pré-fabricados de dimensões e pesos apreciáveis.  Identificação do responsável pela operação no terreno.  Identificação do sistema de elevação a utilizar e sua localização. A figura 11 ilustra o tipo de veículo necessário para o transporte de uma viga de 160 toneladas. as inclinações máximas da via e a existência de rotundas de raio reduzido.   Analisar a capacidade resistente de pontes antigas existentes no percurso. em especial. face às solicitações das gruas e eventuais cimbres de apoio provisório dos elementos pré-fabricados. Definição de uma nota de cálculo. de modo a minimizar os constrangimentos no trânsito.  Verificação de condicionalismos.   Avaliar o peso e dimensões dos elementos pré-fabricados. 15 . como é o caso das vigas utilizadas em tabuleiros de Pontes. relativa aos pontos de fixação (acessório de elevação) dos elementos. acompanhada do respetivo termo de responsabilidade do projetista. é fundamental que seja efetuado o planeamento da segurança da operação de transporte. Definir um trajeto e um horário específico para a realização do transporte. as condições do piso. movimentação e colocação das vigas.  Parecer geotécnico. o diagrama de cargas que o transporte impõe sobre os elementos. através do levantamento altimétrico e planimétrico sobre as peças desenhadas. da capacidade resistente do solo. o qual é baseado em [8]:  Reconhecimento e verificação da adequabilidade dos acessos nomeadamente a largura. a existência de linhas elétricas aéreas.

Em alternativa a esta solução de vigas pré-fabricadas de betão armado e pré-esforçado o projetista pode recorrer a outro tipo de soluções pré-fabricadas. Soluções com recurso a tabuleiros mistos (vigas metálicas pré-fabricadas com laje em betão armado) ou com recurso a aduelas pré-fabricadas de betão armado também são bastante utilizadas.O tipo de armazenamento possível de vigas pré-fabricadas e das pré-lajes é ilustrado na figura 12. Figura 12 – Armazenamento de vigas e pré-lajes na construção do Viaduto sobre a Autoestrada A1 no Carregado [9]. 16 .

3

Processo construtivo do tabuleiro com vigas pré-fabricadas

O método construtivo aplicado a pontes com vigas pré-fabricadas pode apresentar diferenças no modo de colocação das vigas, no tipo de solução de ligação entre elementos e na execução das lajes. A descrição dos processos construtivos, associados a tabuleiros compostos por vigas pré-fabricadas, descritas neste capítulo é baseada essencialmente na bibliografia dos autores: Câmara [2], Sousa [5] e Brito [7]. Na conceção deste tipo de estruturas é fundamental prever as solicitações em todas as fases intermédias de construção, incluindo os efeitos dinâmicos relativos às fases de transporte e de colocação definitiva. Como são peças isostáticas, e por vezes bastante esbeltas, o equilíbrio estático e os problemas de encurvadura podem ser condicionantes durante a construção. A construção de um tabuleiro é iniciada com a colocação das vigas pré-fabricadas. Após a montagem das vigas, na sua posição definitiva (eventualmente colocadas sobre apoios provisórios), procede-se à colocação das pré-lajes e das armaduras das carlingas. Segue-se, a betonagem “in situ” das carlingas e da laje do tabuleiro. Esta atividade pode ser efetuada segundo um dos três modos: ● Betonagem da carlinga antes da laje. Nesta sequência a laje é betonada após a carlinga, é emendada a armadura superior das vigas pré-fabricadas. Assim, consegue-se o estabelecimento da continuidade antes de a estrutura ser submetida ao peso da laje. Relativamente às sequências construtivas seguintes, admite uma diminuição do momento fletor positivo na zona do vão, permitindo uma redução da quantidade de pré-esforço, no entanto, apresenta ainda o inconveniente de conduzir a uma maior complexidade construtiva e, ainda, a um aumento do valor do momento fletor negativo na zona de ligação entre vigas, podendo originar anomalias de fendilhação na fibra superior da carlinga; ● Betonagem da laje antes da carlinga. Nesta opção é possível minimizar os efeitos do calor de hidratação libertado após a betonagem da laje. Pois, quando a laje é betonada, a temperatura do betão aumenta devido à libertação do calor de hidratação do cimento, e, posteriormente, quando a laje arrefece provoca contração no betão. Embora o arrefecimento ocorra numa fase avançada de hidratação do cimento, numa altura em que o betão da laje já tem propriedades mecânicas relevantes, a contração do betão origina, contudo, alguns efeitos semelhantes aos provocados pela retração diferencial. Se o arrefecimento acontece antes da betonagem das carlingas, origina um diagrama de momentos fletores com valor nulo. No entanto, se este arrefecimento se verificar após o estabelecimento da continuidade, origina um diagrama de momentos fletores com valores negativos ao longo do desenvolvimento da estrutura;

17

● Betonagem simultânea da laje e da carlinga. Este processo constitui o método que construtivamente é o mais simples. A betonagem da laje e da carlinga é efetuada ao mesmo tempo o que provoca maiores esforços sobre as vigas devido ao peso próprio da laje, visto que na altura da betonagem ainda não estar estabelecida a continuidade. Este processo origina um diagrama de momentos fletores com valores negativos ao longo do desenvolvimento da estrutura devido a contração do betão.

3.1

Colocação de vigas
Os processos relacionados com a colocação das vigas sobre os apoios são

essencialmente dois: através de gruas ou por recurso a uma viga de lançamento. A seleção do método mais adequado depende da altura da rasante ao solo, da extensão do tabuleiro a construir e, ainda, da disponibilidade de determinado equipamento por parte do construtor.

3.1.1 Colocação de vigas através de gruas
No processo de elevação das vigas podem ser usadas uma ou mais gruas. O seu número depende fundamentalmente do peso e do comprimento das vigas pré-fabricadas e, naturalmente, da capacidade elevatória das gruas. A figura 13 apresenta a colocação de uma viga pré-fabricada com o recurso a uma e a duas gruas.

a)

b)

Figura 13 – Colocação de uma viga pré-fabricada através de gruas: (a) Utilização de uma grua para colocação de uma viga [5]; (b) Utilização de duas gruas para colocação de uma viga [10]. A figura 14 ilustra a fase final da colocação de uma viga pré-fabricada sobre o apoio. Podem observar-se os elementos necessários à elevação da viga pré-fabricada com a grua e os trabalhadores realizando as respetivas medições e posicionamento da viga ao mesmo tempo que transmitem instruções ao manobrador da grua relativamente à movimentação a impôr.

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Figura 14 – Colocação de uma viga pré-fabricada sobre o aparelho de apoio [11].

3.1.2 Colocação de vigas através de uma viga de lançamento
Uma viga de lançamento é uma estrutura metálica que suspende as vigas e as movimenta nas três direções até ficarem colocadas na sua posição definitiva. As Figuras 15 e 16 ilustram a colocação de vigas pré-fabricadas por recurso a uma viga de lançamento.

Figura 15 – Esquema de montagem com recurso a uma viga de lançamento [12].

Figura 16 – Viga de lançamento de vigas pré-fabricadas [13].

19

3.2

Continuidade longitudinal
De uma forma geral, o tabuleiro é construído tramo a tramo criando uma sequência de

vãos simplesmente apoiados. No entanto, o estabelecimento da continuidade entre os tramos tem vantagens de ordem económica, estrutural e de durabilidade. Existem várias técnicas para efetuar a ligação longitudinal entre as vigas pré-fabricadas. A redução do número de juntas de dilatação reflete-se a médio e a longo prazo na durabilidade da estrutura e nos custos de manutenção e de conservação associados à sua substituição ou reparação. A continuidade entre tramos garante um melhor comportamento da estrutura, nomeadamente, nos seguintes aspetos: 

Estados limites de utilização (redução das deformações e das vibrações); Estados limites últimos (aumento da resistência estrutural sob ações estáticas e dinâmicas porque a continuidade permite redistribuir esforços).

A continuidade poderá ser estabelecida através de pré-esforço ou, apenas, com armaduras passivas. Pode, ainda, ser conseguida uma continuidade parcial devido à betonagem de uma forma contínua da laje sobre os apoios. Esta laje é, em geral, fortemente armada de modo a garantir resistência às tensões de tração relativas aos momentos negativos provocados pelas sobrecargas e pela redistribuição de tensões originadas por efeitos diferidos [7].

3.2.1 Tabuleiros isostáticos
Os primeiros tabuleiros construídos por recurso a vigas pré-fabricadas eram formados por tramos independentes, separados por juntas de dilatação, simplesmente apoiados sobre os pilares através de aparelhos de apoio. Com esta técnica conseguiam-se tabuleiros cuja construção era fácil e rápida. No entanto, apresentam algumas desvantagens nomeadamente em termos de qualidade estética, conforto para a circulação rodoviária devido ao grande número de juntas de dilatação, durabilidade e elevado número de aparelhos de apoio o que origina mais despesas de manutenção.

3.2.2 Tabuleiros isostáticos com laje contínua
Os tabuleiros estruturalmente isostáticos podem ser complementados com uma laje contínua (figura 17). Esta solução consiste em interligar os diferentes tramos, na zona de apoio, apenas ao nível da laje. As vigas pré-fabricadas são montadas sobre apoios definitivos independentes, betonando-se depois a laje do tabuleiro que é, assim, o único elemento que estabelece a continuidade entre tramos. Esta ligação garante uma superfície do tabuleiro

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contínua, mas a ponte funciona estruturalmente como uma série de tramos simplesmente apoiados, uma vez que a reduzida rigidez da laje de continuidade não permite que se instalem na secção de apoio momentos fletores negativos significativos.

Figura 17 – Laje de continuidade [14]. A principal vantagem conseguida com esta solução é a eliminação das juntas sobre os pilares resultando, consequentemente, uma melhoria do conforto para a circulação rodoviária. No entanto, não é garantida a resolução dos problemas de durabilidade, uma vez que a membrana de impermeabilização (que pode ser aplicada sobre a laje como proteção adicional) pode deteriorar-se, e a fina laje de continuidade pode ter problemas de fissuração dando origem à penetração da água e de sais. O seu elevado número de aparelhos de apoio e sua manutenção é um fator económico importante. Adicionalmente, esta solução não garante um bom comportamento sísmico da estrutura uma vez que a laje de continuidade deve atuar como um tirante devido à força sísmica longitudinal induzida no tabuleiro.

3.2.3 Tabuleiros contínuos com ligação sobre os apoios
A solução correntemente adotada para a eliminação dos problemas referidos nos itens anteriores para os tabuleiros com tramos isostáticos, consiste na ligação das vigas pré-fabricadas para formar um tabuleiro contínuo. As vantagens desta técnica não se limitam ao melhor desempenho em termos de durabilidade. A opção pela continuidade estrutural conduz, normalmente, a um conjunto de vantagens, estruturais, estéticas e económicas:  a continuidade estrutural reduz os esforços provocados pelas sobrecargas nas secções do vão, introduz uma capacidade de redistribuição de esforços em estado limite último, conduz a menores deformações verticais, aumenta a frequência própria de vibração do tabuleiro na direção vertical e melhora o comportamento da estrutura sob as ações sísmicas;  do ponto de vista estético, a continuidade permite uma maior esbelteza do tabuleiro e uma maior uniformidade no alçado da obra, podendo ainda ser eliminados os tradicionais capitéis no topo dos pilares e, assim, obter uma solução esteticamente mais agradável pois a viga transversal está embebida na espessura do tabuleiro;

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Figura 18 – Ligação de continuidade usando apenas armaduras ordinárias [5]. a armaduras de pré-esforço na zona dos apoios com traçado reto ou a armaduras de pré-esforço com continuidade ao longo de todo o tabuleiro. Figura 19 – SCUT da Beira Interior – Pormenor de ligação na secção dos apoios [2]. estabelecida na zona dos apoios. a emenda das armaduras inferiores na zona de apoio e o funcionamento da ligação sob a atuação de momentos fletores negativos. existindo várias formas de realizar a sua emenda. sobre os apoios. em termos económicos. 22 . a geometria da zona de ligação. O faseamento construtivo. A armadura longitudinal inferior e a armadura de alma saem do topo das vigas.2. reduz-se o número de aparelhos de apoio e as quantidades de materiais que possam resultar da continuidade. Esta solução é referida por vários autores. são aspetos relevantes para o comportamento estrutural deste tipo de obras. A figura 19 ilustra a solução aplicada na zona de ligação nos apoios. no projeto da SCUT da Beira Interior.4 Tabuleiros contínuos com armaduras ordinárias A continuidade pode ser estabelecida através da colocação de armadura longitudinal contínua na laje. recorrem a armaduras ordinárias. como sendo a mais simples e a mais utilizada para a construção de tabuleiros contínuos de médio vão. e da betonagem do espaço entre vigas criando uma carlinga (figura 18). uma vez que se eliminam os problemas referidos anteriormente. 3. existe uma importante redução dos custos de manutenção. As soluções mais utilizadas para a realização de tabuleiros com continuidade estrutural.

Figura 20 – Tipos de ligação na zona dos vãos [14]. a utilização de vigas pré-fabricadas com comprimento inferior ao do vão. emendadas após montagem. escoramento e remoção da cofragem das carlingas. De facto. ainda. A continuidade pode ser efetuada por recurso a armaduras passivas colocadas tanto na laje de tabuleiro como na ligação entre banzos (Figura 20 c)) ou. “cruzando” ambos a junta de ligações entre as peças betonadas (Figura 20 a) e b)). A figura 20 apresenta diferentes soluções para a realização da ligação na zona dos vãos.2. É menos comum a adoção de carlingas em secções no vão. 3. podem determinar a realização de pontes com vãos tais que não seja viável a sua construção com vigas pré-fabricadas de comprimento igual ao do vão. são adotadas carlingas apenas nos alinhamentos dos apoios as quais limitam a torção das vigas pré-fabricadas e permitem. 23 .Normalmente. Pode ser adotado um sistema de continuidade em que o pré-esforço é aplicado na laje do tabuleiro enquanto o pré-esforço inferior é aplicado ao nível do banzo inferior. por serem difíceis de executar. como por exemplo a técnica da construção por avanços sucessivos. o levantamento do tabuleiro para a substituição dos aparelhos de apoio. vigas com comprimento superior a um determinado valor limite (geralmente cerca de 30 a 40 m) são demasiado longas ou demasiado pesadas. Nessas situações. poderá ser uma solução alternativa a outras técnicas construtivas. posteriormente. Esta dificuldade resulta da necessidade de colocar armaduras no exterior das vigas pré-fabricadas e das operações de fixação. tais como o atravessamento de rios ou o atravessamento a grande altura de zonas com más condições de fundação.5 Tabuleiros contínuos com ligação realizada fora dos apoios Condicionamentos vários. por aplicação de uma chapa metálica ou fibras sintéticas à base de carbono (Figura 20 d)). não sendo viável o seu transporte e a sua montagem.

2. 23 e 24 algumas das opções de utilização de pré-esforço. sem. é possível. Esta solução apresenta algumas vantagens económicas pois permite a eliminação de aparelhos de apoio e um melhor aproveitamento dos materiais. descrever em pormenor estas soluções. Incluíram-se nas figuras 22.3. contudo. Figura 21 – Ligação monolítica entre vigas pré-fabricadas e pilar [5]. ainda. 3. O presente trabalho não aborda a aplicação do pré-esforço. ou com recurso a ambas as técnicas. conceber soluções de tabuleiros realizadas com vigas pré-fabricadas monolíticas com os pilares (figura 21). A utilização da pré-tensão tem a importante vantagem de garantir uma maior proteção contra a corrosão das armaduras. 24 . conferida pelo betão.6 Tabuleiros contínuos com ligação monolítica entre vigas e pilares Embora pouco frequente. Figura 22 – Solução de continuidade utilizando cabos retos de pré-esforço sobre os apoios [5]. por pós-tensão.7 Tabuleiros contínuos através de pré-esforço longitudinal A aplicação de pré-esforço pode ser executada por pré-tensão. quando comparada com a proteção conferida pela calda de injeção em relação às armaduras de pré-esforço por pós-tensão.2. A ligação pilar-tabuleiro poderá ser parcial ou total em função da solução a adotar para a realização da ligação viga-pilar. As vigas em “I” pré-esforçadas por pós-tensão necessitam de um alargamento da alma nas extremidades para acomodar a ancoragem dos cabos de pré-esforço. O leitor mais interessado pode consultar a referência bibliográfica [5] onde este aspeto é analisado em pormenor.

Figura 23 – Forma dos topos das vigas. 25 . das ancoragens e dos acopladores dos cabos de pós-tensão [5]. Figura 24 – Diferentes alternativas para o faseamento construtivo de tabuleiros com pré-esforço de continuidade em todo o comprimento das vigas [5].

Para dimensões superiores é necessário garantir que a peça tenha rigidez suficiente para não perder a sua forma pois pode tornar-se numa estrutura laminar demasiado esbelta. O processo de betonagem da laje pode condicionar a geometria da secção da viga pois as vigas têm que resistir ao peso próprio da laje. sob o ponto de vista económico e estético. regra geral. a espessura mínima a adotar para a laje deve ser de 20cm. As pré-lajes são. em geral. peças realizadas em fábrica e transportadas para o local da obra. Em geral. Genericamente. com uma espessura que varia usualmente entre 6cm e 10cm. ser realizadas no estaleiro da obra e posteriormente colocadas sobre as vigas pré-fabricadas.3 Laje de tabuleiro A execução da laje é a última etapa do processo construtivo do tabuleiro composto por vigas pré-fabricadas. 26 . A admissão de uma equidistância exagerada entre vigas pode conduzir a um sobredimensionamento da secção da viga pelo que. é possível a utilização de torres na qual descarregam vigas metálicas que suportam a cofragem. assentes diretamente sobre o banzo superior das vigas pré-fabricadas. é. tubulares. preferível um afastamento entre vigas na ordem de 3 a 4 m. Existe. A espessura da laje está diretamente relacionada com a distância entre vigas. Para as restantes ações. a função de cofragem durante a fase construtiva.  Cofragem colaborante: Tem. a resistência conferida pela laje já é mobilizada. mas com funções resistentes na fase de serviço. Esta solução é morosa obrigando à remoção do cimbre para reutilização. A betonagem é realizada por processos tradicionais. no entanto. fixas aos banzos das vigas para suporte da cofragem. as pré-lajes podem ser utilizadas com duas funções:  Cofragem perdida: Na fase de construção permitem suportar apenas o betão da laje moldada em obra. Nestes casos. podendo. como por exemplo passagens superiores e inferiores. igualmente. Por razões de durabilidade. em geral. utilizam-se pré-lajes com dimensões na direção ortogonal à direção do vão próxima de 2m por razões de transporte e de colocação em obra.3. garantindo-se a transmissão da força. só viável para obras com rasantes baixas. antes dos restantes acabamentos constituintes da obra. no entanto uma variante desta solução. Neste caso as armaduras inferiores da laje na zona dos apoios serão empalmadas com as armaduras colocadas no interior do banzo superior das vigas pré-fabricadas. ● Solução através de pré-lajes: Este método consiste na substituição da cofragem e estrutura de suporte da solução anterior por lajes de betão armado ou pré-esforçado. que consiste em utilizar cimbre ao solo para suporte da cofragem. Para a realização das lajes existem essencialmente dois processos: ● Com cimbres fixos às vigas pré-fabricadas: Neste processo são montadas estruturas metálicas.

ainda. Quando se pretende utilizar a pré-laje como parte integrante da laje do tabuleiro é mais frequente a utilização de pré-lajes em betão armado com armaduras dispostas na direção longitudinal e transversal. Esta armadura treliçada assegura a ligação entre betões de idades diferentes e o equilíbrio da consola conferindo a rigidez e resistência à compressão necessária na fase de betonagem. Nesta situação. ser utilizadas como armaduras de esforço transverso para a fase de serviço. Sobre as pré-lajes é colocada uma malha de armadura que corresponde à armadura necessária para a fase de serviço. A figura 25 ilustra os tipos de pré-lajes usados na SCUT da Beira Interior.No primeiro caso é habitual dimensionar as pré-lajes apenas para o peso próprio do betão complementar e para uma sobrecarga construtiva. 27 . Estas armaduras podem. Para terminar este capítulo representa-se na figura 26 um exemplo ilustrativo da sequência de etapas relativas a um processo construtivo. é conveniente usar armaduras que formam treliças na direção do vão. de um vão de viaduto formado com vigas de secção em “I” e pré-esforço de continuidade na laje. essenciais para a verificação da deformação em fase construtiva. Figura 25 – Solução tipo de pré-lajes num tabuleiro com vigas em “I” [2].

Figura 26 – Exemplo de um faseamento construtivo de um viaduto com vigas de secção em “I“ e pré-esforço de continuidade na laje [2]. 28 .

4 Modelação geométrica do tabuleiro e equipamento Neste capítulo apresenta-se a modelação geométrica em 3D dos elementos que constituem o tabuleiro de uma ponte constituída com vigas pré-fabricadas e do equipamento necessário à sua construção. Os vãos centrais apresentam uma extensão de 30 metros e os vãos extremos 24 metros. Admitiu-se uma ponte com perfil de autoestrada constituída por cinco tramos (figura 27). O exemplo da ponte modelada neste trabalho não corresponde a uma reprodução exata de nenhuma obra específica. A escolha dos dados geométricos foi. No processo de modelação recorreu-se ao software AutoCAD [27]. O modelo criado reúne a informação mais relevante relacionada com a geometria dos elementos e dos processos construtivos associados. baseado na bibliografia de Câmara [1]. A figura 28 apresenta meia secção transversal adotada e as dimensões mais relevantes. na sua maioria. O modelo criado considera a ligação entre vigas pré-fabricadas na zona sobre os pilares efetuada por armaduras ordinárias e a utilização de pré-lajes colaborantes na execução da laje. O tabuleiro tem uma altura ao solo de 14 metros. A secção transversal do tabuleiro é constituída por 8 vigas pré-fabricadas em forma de “I”. recolhida de diferentes casos referenciados na bibliografia deste estudo. 29 . Figura 27 – Vista longitudinal considerada no modelo virtual. Figura 28 – Secção transversal do tabuleiro. Este exemplo ilustra as características mais frequentes relacionadas com esta tipologia.

80 metros de altura junto a um pilar. Por questões de segurança deve fazer-se um correto travamento das torre-escadas ao fuste do pilar. Na figura 30 apresenta-se o modelo criado em AutoCAD e a sua inserção em ambiente virtual. podendo destacar-se que permite o acesso a alturas até 100 m e a sua utilidade até 30 pessoas [www.com]. Como fator de escala colocou-se um homem com 1. 30 . Como o objetivo principal deste trabalho é apresentar o processo construtivo do tabuleiro constituído por vigas pré-fabricadas. Foram igualmente modeladas as torres-escadas requeridas para o acesso dos trabalhadores ao topo dos pilares. Figura 29 – Vista de pilares e encontros do modelo virtual em ambiente EON. O Anexo I inclui a informação sobre as suas características técnicas. não são descritos em detalhe os restantes elementos da estrutura como por exemplo: as fundações. A figura 29 inclui a modelação 3D dos pilares e dos encontros com base na bibliografia consultada. O exemplo selecionada é designado por Torre Escada CARL 02. Figura 30 – O modelo criado em AutoCAD e a sua inserção no ambiente virtual.1 Elementos da infraestrutura e equipamentos O modelo interativo usado admite um cenário envolvente do local de construção e dos diversos elementos da ponte e equipamentos necessários à simulação da construção.carldora. A torre-escada foi modelada com base na empresa Carldora SA.4. os encontros e os pilares.

O modelo do apoio definitivo foi criado com base no catálogo retirado da internet da empresa Rudloff [16]. A sua modelação foi apoiada em levantamentos fotográficos incluídas na bibliografia consultada. Os modelos de apoios provisórios correspondem a macacos hidráulicos.Podem visualizar-se. sobretudo recorrendo às fotografias da ponte sobre o Rio Ave [10]. os modelos 3D das guardas de segurança e da plataforma de trabalho para a movimentação dos operários de forma a poderem efetuar em segurança as tarefas requeridas nomeadamente a instalações dos aparelhos de apoios sobre os pilares. podem ser visualizados na perspetiva apresentada na figura 32. Os apoios definitivos colocados sobre o plinto de nivelamento e os apoios provisórios instalados no topo do pilar necessários. 31 . O Anexo II inclui mais informações sobre as suas características técnicas. antes do início da colocação das vigas pré-fabricadas. na figura 31. Figura 31 – Projeção do modelo 3D das guardas de segurança e plataforma de trabalho. Figura 32 – Apoios provisórios colocados lateralmente e apoios definitivos sobre os plintos de nivelamento centrais.

32 .8m. ilustradas na figura 33. que neste caso é de 30 metros.2 Viga pré-fabricada A figura 34 apresenta a secção transversal da viga tipo pré-fabricada a meio vão e sobre o apoio utilizada no tabuleiro da ponte. 4. as dimensões do banzo inferior é normalmente condicionada pelo espaço necessário para a colocação do pré-esforço e pelas tensões de compressão junto aos apoios. Figura 34 – Secção transversal da viga tipo pré-fabricada usada no modelo virtual.6h. Estas gruas são necessárias à simulação de elevação das vigas pré-fabricadas. uma vez que seria necessário efetuar verificações. para as espessuras da alma e dos banzos admitiram-se valores próximos dos mínimos aconselhados [7]. foi obtida através da expressão L/18. sendo L o vão dos tramos interiores.4m. neste caso adotou-se uma largura de 1. em relação ao estado limite último e estado limite de serviço. nomeadamente. de 1. foram adaptados a partir de modelos obtidos diretamente de bibliotecas de elementos acessíveis na página da internet do sistema AutoCAD [17].Os modelos das gruas. A sua forma e dimensões consideram as principais regras de pré-dimensionamento: a altura da viga. num projeto concreto as dimensões indicadas poderiam admitir alterações. No entanto. Figura 33 – Modelo 3D de uma grua e a sua inserção no cenário virtual. para a largura do banzo superior é usual a relação 0. mas como neste caso não se procedeu à aplicação de pré-esforço admitiu-se uma largura de 60cm.

Estes elementos não foram modelados pois ficam no interior das vigas. O modelo inclui as armaduras de reforço longitudinais inferiores (a amarelo) necessárias a uma correta emenda entre vigas pré-fabricadas. 33 .A figura 35 ilustra a viga pré-fabricada aplicada no tramo de menor vão. A figura apresenta em detalhe os elementos de suspensão integrados na viga (a azul) necessários à elevação da viga. A viga de maior vão modelada difere desta apenas no comprimento da zona de vão. É ainda possível observar parte das armaduras resistentes ao esforço transverso (a vermelho). O modelo virtual considera as características geométricas semelhantes às da viga-tipo adotada no projeto da SCUT da Beira Interior (figura 36). Figura 36 – Solução de distribuição de cordões de pré-esforço numa viga tipo adotada no projeto da SCUT da Beira Interior [1]. No desenho da figura pode observar-se como são distribuídos os cordões de pré-esforço e as zonas das dispensas dos cordões de pré-esforço. Figura 35 – Modelo de viga pré-fabricada. as quais contribuem para estabelecer posteriormente a ligação entre os betões de diferentes idades da viga e da laje.

através do desfasamento dessas mesmas armaduras. 34 . b). Emenda realizada na SCUT da Beira Interior recorrendo a armadura de reforço (figura 37. entre os topos das vigas pré-fabricadas deve ser suficiente para a realização da emenda. focado apenas no processo construtivo. A figura 37 apresenta alguns esquemas relativos aos tipos de soluções mais utilizadas para efetivar a emenda nas armaduras inferiores através de armaduras ordinárias. sendo a armadura dobrada em laço (figura 37. sugere-se a adoção de uma das soluções alternativas representadas na figura 38. Quando são usadas soluções de emenda por sobreposição. A bibliografia de Camara [1] inclui informação relativa ao projeto da SCUT da Beira Interior que serviu de base ao estabelecimento das características geométricas da simulação do método construtivo apresentado no modelo virtual. Emenda através de uma ligação soldada (figura 37. Para contornar esse problema quando se usa cordões de pré-esforço. A distância a adotar. dobrando as armaduras por forma a ser reduzido o comprimento de emenda. a). b). não são adequadas as emendas por sobreposição com varões retos. d) Figura 37 – Soluções mais utilizadas para emendar a armadura inferior [5]. c). no sentido longitudinal. Assim. Na zona sobre os apoios de continuidade a armadura inferior de uma viga contínua tem as seguintes funções:  Emenda por sobreposição. A ligação entre vigas realiza-se normalmente sobre os apoios nos pilares. mobilizando a aderência entre as armaduras e o betão. deve ser evitada a ocorrência de colisões entre as armaduras que se prolongam para o exterior do topo das vigas.    Emenda por sobreposição. não são referidos os critérios de dimensionamento dos cordões de pré-esforço usados para este tipo de soluções.Como o objetivo principal do trabalho é apresentar um modelo virtual interativo. podendo esta solução ser utilizada para emendar armaduras ordinárias ou cordões de pré-esforço salientes nos topos das vigas pré-fabricadas (figura 37.

35 . As soluções apresentadas na figura 38 são recomendadas em pontes curvas em planta. Figura 39 – Disposição das armaduras da emenda entre vigas pré fabricadas. Na figura 38 a) representa-se uma solução que só pode ser realizada com uma carlinga mais larga do que o necessário para materializar qualquer das soluções representadas na figura 37. A figura 40 apresenta uma perspetiva do modelo 3D.Figura 38 – Soluções alternativas para emenda da armadura inferior [5]. pois a curvatura agrava o problema da colisão entre armaduras [5]. Na figura 38 b) representa-se uma solução em que são usadas pequenas placas de ancoragem nas extremidades dos cordões de pré-esforço. Figura 40 – Emenda entre vigas pré-fabricadas usada no modelo virtual. Esta emenda é depois reforçada com as armaduras da carlinga que está rebaixada 5 cm para que as suas armaduras longitudinais e os seus estribos fiquem posicionados por debaixo destas armaduras reforçando e dando maior resistência à ligação. pois contém duas emendas consecutivas de armadura. A emenda é realizada através da disposição de 6Ø25 (a azul nas figuras 39 e 40) localizados junto dos 6Ø25 das vigas (a amarelo). A utilização desta última solução torna indispensável a realização de uma cintagem adequada do betão na zona de emenda de armaduras. A solução de emenda escolhida para o modelo virtual está representada na figura 39.

Figura 42 – Modelo 3D da pré-laje com consola e sua inserção no modelo virtual. A figura 41 apresenta uma imagem da posição da colocação de ambos os tipos de pré-laje.30 na direção ortogonal. Em função da sua localização na secção transversal. principalmente. é colocada nas duas extremidades da secção transversal. Para a emenda entre pré-lajes os Ø12a0. As dimensões aplicadas na criação do modelo das pré-lajes foram estabelecidas com base. a armadura inferior tem a seguinte distribuição: 2Ø12a0. O modelo virtual inclui os dois tipos de pré-lajes: pré-laje central e pré-laje com consola. nos desenhos do projeto dos viadutos da SCUT da Beira Interior [1].45 só numa direção. assim. a face superior tem Ø12a0. a zona de betão tem uma espessura de 8 cm. Figura 41 – Colocação e posição das pré-lajes no tabuleiro [6]. visualizada na figura 42. A cada varão de 12mm na face superior ligam-se dois varões de 10mm a 45º que fazem a ligação à face inferior formando uma armadura treliçada.3 Pré-lajes Para a execução da laje optou-se por usar pré-lajes colaborantes.45 da face inferior prolongam-se 60 cm. podem ser consideradas 2 tipos de pré-laje.45+Ø12a0. Esta armadura treliçada assegura a ligação entre betões de idades diferentes e o equilíbrio da consola na fase de betonagem. 36 .4.45 numa direção e Ø8a0. A pré-laje com consola. entre vigas ou na zona de consola.

Figura 43 – Modelo 3D da pré-laje central e sua inserção no modelo virtual. Para assegurar a ligação entre betões de idades diferentes a pré-laje apresenta mais 4 varões de 10 mm dispostos de acordo com a figura. e para aumentar a rigidez do tabuleiro. 4. a zona de betão tem uma espessura de 10 cm. A figura 44 esquematiza algumas das soluções mais frequentes.30+Ø12a0.A pré-laje central. normalmente sobre os apoios. junto à face inferior tem disposta uma armadura de varões de Ø12a0. Figura 44 – Diferentes configurações geométricas para a ligação entre vigas pré-fabricadas [5].30 numa direção e Ø8a0. 37 . é colocada no interior da secção transversal.30 da face inferior prolongam-se 60 cm para cada lado. Existem diversos modos de efetuar esta ligação. Para a emenda entre pré-lajes os Ø12a0.30 na outra direção. visualizada na figura 43.4 Carlingas A carlinga é usada para estabelecer a ligação entre as vigas pré-fabricadas.

Na figura 44 a). Figura 46 – Dimensões. Em obras em que a altura do tabuleiro em relação ao solo é pequena. enquanto na solução e) existe uma ligação monolítica entre o tabuleiro e a infraestrutura. em corte horizontal. As dimensões referentes ao corte horizontal estão apresentadas na figura 46. Estas soluções dispensam qualquer escoramento para suporte das vigas pré-fabricadas antes da betonagem das carlingas. b) e c) representam-se soluções em que as vigas pré-fabricadas são colocadas sobre apoios provisórios. da carlinga [1]. Figura 45 – Carlinga sobre os pilares no modelo virtual. A figura 45 apresenta a solução adotada no modelo virtual. Esta solução foi a adotada no modelo virtual criado. Após a betonagem e endurecimento do betão da carlinga e da laje. sendo posteriormente realizada a betonagem da carlinga. A carlinga foi definida com uma altura de 1. 38 . ficando a carlinga apoiada sobre uma linha de aparelhos de apoio definitivos.85m adicionada de 25cm para ficar ao nível da superfície superior da laje. pode usar-se escoramento (figura 44 g)). as vigas pré-fabricadas são colocadas sobre um escoramento provisório o qual só é removido após a execução da laje e da carlinga [5]. Na figura 44 d) e e) representam-se soluções em que a carlinga é betonada em duas fases. Na imagem é visível a carlinga localizada sobre os pilares. A figura 44 f) apresenta uma solução em que as vigas pré-fabricadas são montadas sobre aparelhos de apoio definitivos. os apoios provisórios são removidos. a ligação entre o tabuleiro e a infraestrutura é realizada por uma linha de aparelhos de apoio definitivos. Nesta solução. Na solução d). sendo as vigas pré-fabricadas pousadas sobre a zona betonada em primeira fase.

contribuem para a ligação à laje. a cofragem necessária para efetuar a betonagem da carlinga depois das respetivas armaduras terem sido colocadas. que tem uma maior altura em relação aos anteriores. Estes estribos. A figura 48 ilustra.  Os estribos da zona da carlinga mais larga foram modelados a amarelo. Figura 48 – Vista superior da cofragem da carlinga no modelo virtual. através de uma vista superior.No modelo de armadura da carlinga apresentado na figura 47 apresenta-se de um modo diferenciado por cor os vários tipos de armadura: Figura 47 – Armaduras da carlinga em ambiente EON. A face inferior é constituída por 8 varões de 16 mm de diâmetro. São constituídos por varões de 12 mm afastados de 15 cm.  Os estribos da carlinga referente à largura menor foram modelados a vermelho. 39 . sendo constituídos por varões de 12 mm afastados de 15 cm.  A verde é definida as armaduras longitudinal situada na lateral da carlinga constituída por 13 varões de 12 mm de diâmetro em cada face lateral.  A azul representa-se as armaduras longitudinais da carlinga. a face superior tem duas camadas de 11 varões de 16 mm cada.

as vigas de cofragem P20. posteriormente. A figura 50 apresenta uma perspetiva de alguns pormenores da cofragem da carlinga: o solho. 7 Figura 50 – Visualização de alguns pormenores da cofragem da carlinga.A figura 49 apresenta o molde de cofragem visualizado pelo seu interior onde. Estes elementos foram modelados com base em catálogos da empresa Catari [18] e em imagens da bibliografia consultada. serão colocadas as armaduras e realizada a respetiva betonagem. Figura 49 – Vista da cofragem no interior da carlinga. 40 . a estrutura metálica para escoramento da cofragem. Para se ter uma melhor perceção da cofragem da carlinga a imagem incluída na mesma figura apresenta a cofragem isolada dos restantes elementos da estrutura.

que pode ser efetuada segundo uma das três sequências seguintes [5]:    betonagem da carlinga antes da laje. neste trabalho. Figura 51 – Vista superior das armaduras da laje. As duas camadas de armadura na direção longitudinal do tabuleiro são necessárias porque as pré-lajes não são colaborantes nesta direção. a armadura do apoio. betonagem simultânea da laje e da carlinga. Neste modelo. assim. o peso da laje age sobre a viga isolada contrariando mais eficientemente a deformação inicial das vigas pré-fabricadas e. não foram consideradas. optou-se pela betonagem da laje antes da carlinga. Adotou-se. num projeto real esta pode sofrer alterações resultantes do cálculo de dimensionamento e pode também sofrer dispensas e alterações de diâmetros nas zonas de menores momentos fletores negativos que.5 Armadura e betonagem da laje A construção do tabuleiro inicia com a colocação das vigas pré-fabricadas.15 na direção longitudinal e uma camada de Ø20a0. pois as vigas foram dimensionadas para esta sequência construtiva. sendo assim. 41 . Existe também a possibilidade de a laje ser pré-fabricada sendo posteriormente ligada às vigas. as quais são constituídas por duas camadas de Ø20a0. betonagem da laje antes da carlinga. Após a montagem das vigas na posição definitiva procede-se à colocação das pré-lajes e das armaduras das carlingas e da laje. com base no projeto da SCUT da Beira Interior. como se observa na figura 52.15 na direção transversal da laje. A figura 51 apresenta as armaduras superiores da laje.4. Desta forma. Na fase seguinte procede-se à betonagem das carlingas tornando o tabuleiro estruturalmente continuo. diminuem-se os momentos negativos sobre os apoios. Esta armadura não foi obtida através de cálculo de dimensionamento. Segue-se a betonagem “in situ” das carlingas e da laje do tabuleiro.

as guardas de seguranças. as cornijas. são colocadas as juntas de dilatação. 42 .Figura 52 – Vista da betonagem da laje. Ou seja. 4. o betuminoso e outros elementos necessários ao bom funcionamento da estrutura (figura 53). o separador central que deve ser descontínuo entre os dois tabuleiros de modo a evitar a sua fendilhação.6 Acabamentos e obras complementares Efetuada a betonagem das carlingas do tabuleiro segue-se a execução dos acabamentos e de obras complementares necessárias para a finalização da ponte. Figura 53 – Vista da estrutura e seus acabamentos. os passeios.

ainda. A Bell Laboratories usou um HMD idêntico na pilotagem de helicópteros. no entanto. simulando a sua imersão nas histórias visionadas. uma cadeira móvel. uma ciência em contínuo desenvolvimento. Deste modo pretendia estimular os sentidos do público. Permite a criação de modelos virtuais de casos reais e. apenas no princípio dos anos 90 é referida como uma tecnologia com a qual é possível não só representar como também interagir com o representado. assim. A interação é realizada em tempo real. de forma a simular o processo construtivo. pelo menos. A tecnologia RV admite uma interface avançada entre o utilizador e o sistema computacional. permitir interagir com o ambiente representado. levando-o a imergir num cenário 3D ou. apoiar o estudo e a discussão em ambiente virtual de diversas situações que podem ocorrer na realidade. que incluía um monitor estereoscópico. designado por Headsight e composto por uma tela de vídeo e um dispositivo de rastreamento ligado a um sistema de câmara de circuito fechado. essencialmente. recriar a sensação de realidade a um indivíduo. os engenheiros da Philco Corporation desenvolveram o primeiro capacete head-mounted display (HMD). O presente capítulo expõe a aplicação da tecnologia de Realidade Virtual (RV) sobre o modelo 3D criado. a Engenharia ou a Arquitetura. em ambiente virtual. foram modelados tridimensionalmente e foi analisada a sequência construtiva a representar. A referência “tempo real” significa que o computador tem a capacidade de detetar qualquer alteração imposta pelo utilizador. seguindo-se a descrição pormenorizada da programação efetuada de forma a criar o ambiente virtual pretendido. Os modelos RV permitem a interação dos utilizadores através de dispositivos periféricos ao computador impondo em tempo real alteração à simulação representada. altifalantes estéreo e ventiladores. Em 1961. Apresenta várias vantagens quando aplicada em distintas áreas como a Medicina. As ideias de Heilig foram as precursoras da tecnologia RV. Em meados da década de 50 o cineasta Morton Heilig [28] desenvolveu o dispositivo Sensorama. Este dispositivo era conectado com uma câmara de infravermelhos. 5. a tecnologia RV é. O objetivo a atingir com esta tecnologia é. com o uso de 43 . colocado na parte inferior do helicóptero. Atualmente. É efetuada uma breve introdução à tecnologia RV e apresentado o seu domínio de aplicação na área de Engenharia Civil.5 Programação do processo construtivo em Realidade Virtual Os elementos necessários à representação do método construtivo de tabuleiros de pontes constituídos por vigas pré-fabricadas. e modificar o ambiente virtual instantaneamente [4]. permitindo ao piloto obter um campo de visão com suficiente clareza ao voar em ambiente noturno [28]. atualmente aplicada não só em áreas de entretenimento como em domínios da ciência e tecnologia.1 Introdução à tecnologia de Realidade Virtual O conceito de Realidade Virtual existiu durante décadas como um modo avançado de representação. aromas.

Figura 55 – Exemplos de realidade virtual não-imersiva [28]. etc. que embora desenvolvidos num âmbito académico. Figura 54 – Exemplos de realidade virtual imersiva [28]. Existem alguns trabalhos. 5.técnicas e de equipamentos computacionais que ajudam na ampliação do sentimento de “presença” do utilizador. pois. A RV imersiva é baseada no uso de capacete e de outros equipamentos numa sala de projeção envolvente. Stefan Woksepp [30] descreve esta tecnologia aplicada de um modo imersivo. É utilizado um monitor comum através do qual o utilizador manipula o ambiente virtual por recurso a um dispositivo de entrada (teclado. A aplicação desenvolvida neste trabalho insere-se nesta classificação. referida na bibliografia da especialidade. a tecnologia desenvolvida permite que as ações aplicadas sobre os objetos correspondam às interações realizadas pelo utilizador de um modo imediato. a maioria das aplicações de RV. A RV pode ser utilizada na forma imersiva ou não-imersiva.). rato. A figura 54 apresenta alguns exemplos de RV imersiva onde o utilizador tem a sensação real de estar dentro do mundo virtual e que é capaz de manipular os objetos como se estivesse de facto a tocar-lhes.2 Aplicação em Engenharia Civil No domínio da Engenharia Civil. A figura 55 apresenta exemplos de realidade virtual não-imersiva. A figura 56 44 . verifica-se na área da Construção. são de aplicação direta na indústria da Construção.

com ênfase em edifícios de construção complexa e conclui que o uso de protótipos digitais visualizados pela tecnologia RV facilita a identificação. Figura 57 – Fases distintas do Modelo 4D de Martin Fischer. Messner [32] elaborou. através da RV aplicada à indústria da Arquitetura. O autor refere que a RV pode ser usada durante a fase de planeamento. através do centro académico de investigação Center for Integrated Facility Engineering (CIFE) implementou vários modelos nesta área. permitindo que os alunos se desloquem no ambiente virtual representado. John I. conceção e desenvolvimento de projetos. Na imagem da direita pode observar-se um aluno imerso no laboratório de RV [32]. O objetivo deste centro de investigação é apoiar. A figura 58 apresenta um modelo 4D associado ao planeamento da construção. a fim de melhorar o processo de decisão e. Martin Fischer [31] na Universidade de Stanford. o projeto e a construção de edifícios. igualmente. modelos nesta área. Engenharia e Construção (AEC) o planeamento. Figura 56 – Protótipo de Stefan Woksepp. assim. coordenação e comunicação dos projetos. A figura 57 apresenta um modelo 4D elaborado por Martin Fischer que permite facilitar a gestão de todo o projeto no espaço e no tempo [31]. análise. o produto final. aplicando a RV imersiva. 45 .apresenta o protótipo usado na sua Tese de Doutoramento para expor distintas capacidades desta tecnologia. A imagem apresenta diversas fases do modelo físico da construção em distintos instantes de tempo.

A seguinte frase transcrita de um trabalho Aouad e Arayici [33]. eventualmente. Devido a esta falta de comunicação as equipas de projeto não podem compreender plenamente as necessidades dos seus clientes. apoiada numa ferramenta de RV. A figura 59 ilustra a aplicação de RV na construção de uma parede dupla de alvenaria [23]. através dos seus trabalhos. O modelo permite conhecer quais os elementos que compõem uma parede. como as autoridades locais e os moradores. 46 . No âmbito da atividade do Departamento de Engenharia Civil. ou não completa de informação expressa através dos desenhos em 2D do projeto de arquitetura e de engenharia. ilustram as potencialidades e os principais benefícios desta tecnologia. compreensível pelo cliente e pelos projetistas de Arquitetura.Figura 58 – Modelo 4D e laboratório de RV. têm uma perceção por vezes incorreta. Engenharia e Construção. Os modelos implementados utilizam a tecnologia RV de um modo não-imersivo. qual a configuração detalhada de cada componente e qual a sequência das etapas construtivas. justifica em si o interesse que há ainda atualmente no contínuo desenvolvimento desta tecnologia na indústria da Construção: Os clientes e outros intervenientes. Figura 59 – Aplicação de realidade virtual na construção de uma parede dupla de alvenaria. foram desenvolvidas algumas aplicações relacionadas com a Construção. Esta aplicação foi desenvolvida para ser utilizada como um modelo didático de apoio a disciplinas da área de Desenho e Construção. Estes autores. O modelo apoia o docente na introdução desta matéria e o aluno na consolidação de conhecimentos possibilitando que interajam com o modelo impondo o período de tempo e o ponto de vista que lhe pareçam mais adequado à compreensão do processo. É desejável estabelecer uma plataforma partilhada. do Instituto Superior Técnico.

Em ambas as situações são apresentadas as distintas etapas inerentes a cada tipo de construção e. Studer [23]. dirigida ao planeamento da construção de um edifício [29]. 47 . adicionalmente. definido nas formas de mapa de Gantt e lista de tarefas conectadas com o 3D representativo de cada fase construtiva. Refira-se a aplicação desenvolvida por P. Martins [4] que ilustra a construção de tabuleiros em caixão executado por lançamento incremental (figura 62). são apresentados os equipamentos necessários à sua execução e o correspondente modo de atuação. e o trabalho desenvolvido por O. O presente modelo referente à simulação do método construtivo do tabuleiro composto por vigas pré-fabricadas. Figura 61 – Aplicação de realidade virtual à construção de uma ponte pelo método de avanços sucessivos. segue outros trabalhos desenvolvidos igualmente na área de construção do tabuleiro de pontes. correspondente à construção do tabuleiro pelo método de avanços sucessivos (figura 61). Este modelo permite acompanhar a obra comparando fotografias obtidas no local com o plano de atividades estabelecido.A figura 60 ilustra uma outra aplicação. Figura 62 – Realidade virtual aplicada numa ponte construída por lançamento incremental. Figura 60 – Aplicação de realidade virtual no planeamento da construção de um edifício.

no entanto.3 Sistema informático de tecnologia RV No desenvolvimento da aplicação de simulação. O funcionamento do sistema EON é de programação dirigida a objetos tornando-se bastante intuitivo. assim. tornando-se bastante adequado. Routes: Simulation. fundada em 1999. sobre o modelo 3D. é possível aplicar. à obtenção dos resultados pretendidos neste trabalho. Certamente que um utilizador com treino no uso deste sistema e com uma maior experiência em programação poderia tornar esta simulação mais pormenorizada e mais rápida. Na figura 63 apresenta-se a organização do ambiente de trabalho adotada. automóvel. Este capítulo apresenta as etapas do processo construtivo consideradas as mais relevantes para uma adequada descrição do método construtivo de tabuleiro de pontes composto com vigas pré-fabricadas. A empresa EON Reality. Property Bar. de movimento e sensoriais. A interface é composta pelas janelas: Components. São expostos os principais pressupostos da aplicação virtual numa perspetiva de apresentar uma maior informação relativa ao método construtivo em detrimento de características do software. os quais são estabelecidos através da sua interface gráfica. a componentes do modelo 3D.com). evidenciando assim a componente de Engenharia Civil. apresenta-se como líder mundial na área da gestão visual de conteúdos tridimensionais de produção de software destinado à Realidade Virtual. Esta versão do sistema permite a criação de aplicações interativas em ambiente 3D. a que se utilizou foi o Eon StudioTM. disponível no laboratório de Arquitetura do IST (ISTAR). é necessário alguns conhecimentos do utilizador em programação. para aplicações menos básicas. A sua disposição e características de visualização podem ser personalizadas pelo utilizador. do presente trabalho. educação médica e outros sectores. Na produção de conteúdos relativamente simples. manufaturação. Neste sistema. âmbito deste trabalho. o que dificultou e tornou todo o processo de simulação mais lento.eonreality. foi utilizado o sistema informático de tecnologia RV. alguns comportamentos de interação. podendo. SimulationTree. O ambiente principal do EON é composto por várias janelas de informação.5. Das várias soluções informáticas enunciadas por esta empresa. 48 . Log e Barra de Ferramentas. a interface apresentar diferentes organizações de janelas. defesa. O autor deste trabalho não tinha inicialmente qualquer conhecimento do funcionamento do programa. as especificações do produto assumem não ser necessária experiência em programação. proporcionando uma produtividade versátil para o sector aeroespacial. designado Eon StudioTM (www. Defende que com o recurso às aplicações da empresa os utilizadores são capazes de criar resultados bastante realistas no campo da visualização 3D. A interatividade pretendida é conseguida pela associação de funções ou ações.

O modo e tipo de interação a aplicar aos elementos do cenário virtual é imposto através da associação de ações (nós) a cada elemento. − − A janela Components contém a lista de nós disponíveis para a criação de simulações. quando o respetivo ficheiro de desenho é importado pelo sistema EON.Figura 63 – Ambiente de trabalho do EON Studio. A tabela 1 inclui a sequência dos acontecimentos considerados na aplicação virtual. Os nós são transferidos para esta janela a partir da lista Components. de acordo com a hierarquia pretendida (estabelecidas previamente no sistema de modelação (AutoCAD). − A Barra de Ferramentas. a direção e o valor de um movimento de translação. A janela Property Bar é utilizada para estabelecer as propriedades de qualquer nó presente na SimulationTree. disponível usualmente na zona superior do ecrã junto aos menus descendentes. − Na janela Routes: Simulation são efetuadas as ligações entre os nós das ações associadas aos elementos. definindo-se o modo como as ações são iniciadas. − − A janela Log fornece a informação do registo sobre as operações internas do EON Studio. de modo a obter um modelo de simulação virtual interativo. 49 . através das definições de layers).4 Estabelecimento de fases e programação da interação O presente item apresenta as fases de construção que se selecionaram como necessárias para uma boa compreensão do método construtivo em análise e descreve os principais aspetos relativos à programação efetuada. 5. e quais as características dessa ação. é utilizada para um fácil acesso aos procedimentos mais comuns. como por exemplo. por imposição externa ou programada. A janela SimulationTree apresenta a organização dos elementos geométricos do modelo 3D.

50 . no AutoCAD. Na figura 64 e 65 apresenta-se os principais passos para efetuar a transposição do modelo geométrico para o sistema EON.3ds.Envolvente à construção do tabuleiro (cenário. Este ficheiro é importado posteriormente pelo EON. Como referido os modelos 3D dos elementos que compõem o cenário de construção foram criadas através do sistema AutoCAD. pilares e encontros) Colocação de torre escadas Execução das plataformas de trabalho no topo dos pilares e encontros Colocação de aparelhos de apoio definitivos Colocação de aparelhos de apoio provisórios Colocação das vigas pré-fabricadas através de gruas Colocação das pré-lajes Colocação de cofragens das carlingas Colocação de armadura das carlingas Colocação de armaduras da laje Betonagem da laje Betonagem das carlingas Descofragem das carlingas Retirada dos apoios provisórios Execução de acabamentos Retirada de plataformas e torres escadas Tabela 1 – Diagrama da sequência de fases construtivas. através do comando 3dsout. De forma a tornar o ficheiro criado do modelo 3D compatível com o sistema EON foi necessário gerar o correspondente ficheiro de extensão .

As características do elemento Panorama. a partir da janela de nós.a b c Figura 64 – a) Inscrição do comando appload.1 Fase 1: Cenário envolvente à construção O sistema EON permite a inserção de uma imagem de forma a simular a paisagem exterior envolvente do modelo 3D. podem ser alteradas através da correspondente janela de propriedades (Property Bar) em termos da representação do céu (SkyTexture).4. 51 . Figura 65 – Inserção do modelo 3ds no sistema EON. é efetuado através do ícon Play (localizado na barra de ferramentas). incluída na janela SimulationTree. para a Frame Scene. é visualizada uma nova janela. A ação é interrompida e a janela é retirada do ecrã. A interrupção da simulação em curso é imposta ao ser pulsado o botão Stop (localizado igualmente na barra de ferramentas). Este efeito é conseguido por meio da transferência do nó Panorama. b) Janela associada ao comando appload. De forma a ser visualizado o efeito da ação programada é necessário iniciar o modo de simulação. O acesso a este modo. c) Ficheiro gerado ao executar o comando 3dsout. Quando acionado. Simulation. assinalado na figura 67. usando assim uma imagem em fundo azul. limite do horizonte (HorisonTexture) e tipo de solo (GroundTexture). 5. apresentadas na figura 66. A envolvente foi inicialmente criada no AutoCAD. tendo-se usado este nó apenas para simular o céu. Para cada uma destas zonas podem ser selecionadas diferentes imagens.

Figura 67 – Acesso ao modo de simulação e visualização da envolvente à construção. via secundária. a percorrer o modelo 3D. todo o cenário envolvente composto por terreno.Figura 66 – Características do nó Panorama. Ou seja. Na janela de simulação pode navegar-se em todo o ambiente virtual através das opções do rato previamente definidas pelo utilizador. foram modelados em AutoCAD e. Assim. A figura ilustra dois instantes de simulação. a câmara de visualização. os quais se apresentam na figura 67. pilares e encontros. simulando a observação do utilizador. é posicionada e orientada por indicação do utilizador através da manipulação das teclas do rato. importados pelo EON. posteriormente. 52 . rio.

4. apenas. recorrendo ao nó KeyboardSensor e pressionar uma das teclas. Na figura 68 apresenta-se os nós e opções tomadas para introduzir sequencialmente estes elementos na simulação. Na figura 69 observam-se as ligações necessárias entre os respetivos nós na janela Routes: Simulation. apenas quando o utilizador impuser essa ação. relacionados com o processo construtivo do tabuleiro. Para tal é necessário recorrer ao nó Hidden. Figura 69 – Programação da ligação de nós. embora. 53 . estes nós funcionam como interruptor. localizadas junto a cada pilar. Ou seja. tenham sido inseridos no sistema EON (ver janela de simulação da figura 68) não são inicialmente visualizados no ecrã de simulação. Estes elementos devem ser observados. durante a simulação. Para que esta ação ocorra é necessário associar o nó anterior aos nós Latch e Frame. para possibilitar o acesso dos trabalhadores ao topo do pilar.5. Figura 68 – Opção Hidden e características do nó KeyboardSensor. a inserir no cenário da obra são as torres escada. quando o utilizador interagir com o modelo virtual. Estes elementos. Esta opção permite ocultar os objetos pretendidos e possibilita a sua observação no cenário. Estes elementos foram igualmente modelados em 3D no AutoCAD.2 Fase 2: Inserção de torres escada e plataformas de trabalho Os primeiros elementos. ativam e desativam dado acontecimento.

a plataforma é colocada a um nível inferior. Após a instalação das torres escada são colocadas as plataformas de trabalho para o apoio à movimentação e à realização de tarefas por parte dos operários. as restantes torres.20m relativamente à superfície do capitel dos pilares e associadas às requeridas guardas de segurança. Esta etapa foi igualmente programada de um modo faseado. Figura 70 – Inserção das torres escada no cenário da obra. As restantes torres escada são inseridas de seguida. posteriormente. as restantes.Na programação da simulação. optou-se pelo aparecimento de uma única torre escada num primeiro instante. após pressionar novamente a tecla que emite essa ação ao modelo. Figura 71 – Inserção das plataformas de trabalho. de 1. Inicialmente é colocada uma única plataforma e. a da direita. Como referido no capítulo anterior. A imagem da esquerda da figura 70 apresenta uma torre escada inserida no cenário virtual e. A figura 71 ilustra a inserção da uma plataforma de trabalho (à esquerda) e das restantes (à direita). Os nós/ações utilizados no processo de inserção das plataformas foram semelhantes aos usados na animação anterior. 54 .

Na sua inserção no cenário virtual usou-se o tipo de ação (Hidden) anteriormente utilizado.3 Fase 3: Colocação dos aparelhos de apoio A programação da animação prossegue com a instalação dos aparelhos de apoios no topo de cada pilar. Os aparelhos de apoio provisórios têm como função suportar as vigas pré-fabricadas na sua posição definitiva antes da betonagem das carlingas. Como referido no capítulo anterior. A programação da sua inserção no cenário virtual é idêntica à anterior.5. expecto os aparelhos de apoio de um dos encontros que impedem os dois movimentos de translação. 55 . De seguida. Figura 73 – Colocação dos aparelhos de apoio provisórios. Os aparelhos de apoio definitivos (aparelho unidirecional. Figura 72 – Inserção dos aparelhos de apoio definitivos. A figura 72 apresenta em detalhe o posicionamento de um dos aparelhos de apoio definitivo sobre um dos pilares. A figura 73 ilustra esta fase. Uma vez estabelecida a continuidade estrutural do tabuleiro. são instalados os aparelhos de apoio provisórios. devem dispor-se 2 tipos de apoios: definitivos e provisórios. no entanto.4. os aparelhos de apoio provisórios serão retirados. Na programação da simulação foi necessário recorrer a 48 aparelhos de apoio definitivos e a 80 apoios provisórios. o deslocamento na direção transversal. ver anexo II) efetuam a ligação do tabuleiro ao pilar. Estes apoios libertam a estrutura de se deslocar na direção longitudinal da ponte e permitem pequenos deslocamentos de rotação impedindo.

56 .5. A figura 74 apresenta a relação entre os nós estabelecida para a simulação do movimento de translação da viga em obra. Neste caso. Este nó requer a indicação da direção do movimento. A programação necessária à simulação da inserção e da movimentação das gruas utilizadas na elevação das vigas pré-fabricadas é mais complexa que a definida anteriormente. valor da distância a percorrer e. Para efetuar esta etapa foi necessário recorrer adicionalmente a outros tipos de nós: − O nó ClickSensor consegue identificar objetos na janela de simulação. Na presente situação. ao pressionar a tecla do rato e pressioná-lo sobre o modelo da haste de uma das gruas desencadeia-se a ação de içar a viga desde o solo até uma altura de 14 metros. definiu-se um período de tempo de 5 segundos para a simulação da elevação da viga. a duração pretendida para a ação. − O nó Place define uma translação.4 Fase 4: Posicionamento das vigas pré-fabricadas A etapa seguinte refere-se à colocação das vigas pré-fabricadas sobre os aparelhos de apoio provisórios. é desencadeada a ação programada para esses objetos. Neste caso. Cada viga é elevada por 2 gruas situadas no estaleiro da obra. A programação estabelecida permite que a viga se desloque para a sua posição definitiva sobre os aparelhos de apoio provisórios. − O nó DegreeOfFreedom estabelece um sistema de coordenadas a um conjunto de elementos e permite impor uma ação de movimento a esse grupo. ainda. este nó agrupa uma viga e as hastes das 2 gruas. e ao ser pressionada uma tecla do rato sobre esse objeto. permitindo que estes objetos se movimentem no espaço do cenário virtual ao mesmo tempo. Este nó foi aplicado ao conjunto de elementos viga e hastes.4. Figura 74 – Nós e ligações necessárias à elevação da viga pré-fabricada.

optou-se por colocar as restantes vigas pré-fabricadas logo na sua posição definitiva. assim. A figura 76 ilustra o detalhe da ligação do cabo suspensão à viga pré-fabricada. De modo a simplificar a programação da simulação virtual e não tornar os ficheiros muito pesados. Na programação da animação optou-se por apresentar a elevação de uma única viga. Figura 75 – Diferentes fases da colocação da viga pré-fabricada. Na figura 77 observa-se o cenário virtual com todas as vigas pré-fabricadas colocadas na sua posição definitiva. Podem ser observados distintos instantes da elevação da viga acompanhada do movimento de extensão das hastes das gruas. ilustrando-se. 57 . Figura 76 – Zona de ligação entre o cabo de suspensão da grua e a viga pré-fabricada.A figura 75 apresenta diversas imagens da sequência da simulação referente à colocação da viga pré-fabricada sobre um par de pilares. como na obra este trabalho é efetuado.

5.4.Figura 77 – Visualização de todas as vigas pré-fabricadas colocadas no ambiente virtual. Para a inserção das pré-lajes com consola e das pré-lajes centrais no cenário virtual usou-se o mesmo tipo de nós e ligações referidos anteriormente. modelados no capítulo anterior. Durante a visualização do modelo não é percetível ao utilizador que os varões têm uma secção quadrangular. nesta fase é permitida a circulação de operários sobre os elementos. Uma vez que. na animação optou-se pela colocação de pré-lajes iniciando numa das extremidades da estrutura e prosseguindo até à extremidade oposta. Figura 78 – Colocação de pré-lajes. ao serem inseridos no cenário virtual. Estes elementos. em obra. sobre as vigas pré-fabricadas. 58 . tornaram o ficheiro muito pesado e a visualização tornou-se mais lenta devido à modelação adotada para as armaduras da prélaje. Com o recurso a ficheiros mais leves a animação torna-se mais rápida. Na figura 78 observa-se a fase inicial e a fase final da colocação das pré-lajes.5 Fase 5: Colocação das pré-lajes A etapa seguinte consiste na colocação dos dois tipos de pré-lajes colaborantes. De forma a minimizar este efeito admitiu-se a alteração da geometria da secção transversal das armaduras de circular para quadrada.

como se observa na figura 82. Armada a totalidade da laje é iniciada a betonagem. apesar da simplificação anteriormente introduzida. ilustradas no capítulo anterior. nas fases seguintes. Depois de colocadas as armaduras das carlingas inicia-se a colocação das armaduras ordinárias da laje.4. pois já tinha sido ilustrado adequadamente a colocação destes elementos. 59 . para efetuar a ligação das vigas pré-fabricadas. No seguimento do processo construtivo são colocadas as armaduras das carlingas e as armaduras de reforço. A cofragem de cada carlinga foi colocada sobre os pilares. Figura 80 – Colocação das armaduras da carlinga. Figura 79 – Inserção das cofragens das carlingas no cenário virtual.6 Fase 6: Execução de carlingas e laje Colocadas as pré-lajes devem ser executadas as carlingas e antes da sua descofragem. verificou-se que devido à grande quantidade de armaduras definidas nas pré-lajes. A figura 79 apresenta esta fase. a laje. a movimentação pelo cenário de simulação era ainda muito lenta.5. como se observa na figura 81. como se apresenta na figura 80. Nesta fase de programação. não apresentar as armaduras das pré-lajes e os estribos das vigas pré-fabricadas. De maneira a contornar este problema optou-se por.

Figura 81 – Colocação das armaduras ordinárias da laje no cenário virtual. como se observa na figura 83. 60 . Finalmente são betonadas as carlingas. Figura 82 – Betonagem da laje do tabuleiro. Em termos de programação. e ao voltar a pressionar a tecla previamente programada estes elementos desaparecem do cenário virtual. tornando a estrutura contínua. Posteriormente. como se ilustra na figura 84. de forma a ocultar estes elementos no ambiente virtual. tendo o betão das carlingas atingido a resistência suficiente é iniciada a descofragem das carlingas. basta realizar uma nova ligação entre o nó Latch e o nó Frame com esta informação.

A figura 86 ilustra a retirada dos aparelhos de apoio provisórios. 5.Figura 83 – Betonagem das carlingas. Figura 85 – Nós e ligações para retirar aparelhos de apoios provisórios. 61 . mas em menor quantidade de nós como se observa na figura 85. O modelo permite observar.4. com o ponto de vista e a proximidade à zona de atuação adequadas. Figura 84 – Descofragem das carlingas. Para simular a retirada dos aparelhos de apoios provisórios usou-se o tipo de nós aplicados na elevação da viga pré-fabricada.7 Fase 7: Retirada dos aparelhos de apoios provisórios Os aparelhos de apoio provisórios são retirados ficando a estrutura do tabuleiro definitivamente assente nos outros aparelhos de apoio. um correto entendimento do processo.

os passeios.4. 62 . Figura 87 – Aplicação de acabamentos sobre o tabuleiro.8 Fase 8: Execução de acabamentos Terminada a construção da parte estrutural do tabuleiro são colocados os acabamentos. o separador central. as guardas de segurança.Figura 86 – Retirada de aparelhos de apoio provisórios no cenário virtual. os guarda corpos. as juntas de dilatação. 5. o betuminoso. as cornijas colocadas sobre a extremidade da laje do tabuleiro para melhorar esteticamente todo o tabuleiro. Estes elementos podem ser observados na figura 87. De um modo sequencial são inseridos no cenário virtual. os acrotérios.

63 . Para finalizar este capítulo. onde é possível visualizar os pilares. apresenta-se na figura 89. as vigas pré-fabricas. uma imagem do tabuleiro observado por debaixo. Figura 89 – Visualização da parte inferior do tabuleiro. as carlingas e as pré-lajes.A simulação virtual fica concluída após serem retiradas as plataformas de trabalho e das torres escada. Figura 88 – Visualização final da estrutura. A figura 88 ilustra a ponte concluída.

64 .

criar a sequência construtiva no tempo e no espaço simulando a progressão da construção do tabuleiro. desenvolver capacidades de modelação 3D avançado em AutoCAD. o que permite um correto entendimento de todo o processo. que através dos tradicionais desenhos de documentação gráfica do projeto de construção. a informação reunida sobre o método construtivo apresenta um grau de profundidade significativo. O desenvolvimento deste trabalho constitui um desafio interessante pois permitiu aprofundar os conhecimentos do método construtivo em estudo. Um utilizador treinado no uso deste software e com bons conhecimentos de programação e multimédia poderia realizar com mais detalhe algumas etapas e produzir uma apresentação em vídeo com melhor qualidade. Na criação do modelo recorreu-se à tecnologia de RV de forma a criar uma aplicação interativa. o que impossibilitou criar um modelo virtual com mais dinâmica e mais elementos. Foi criado um ambiente virtual onde o utilizador pode observar e interagir com as diversas fases e adequar o seu ponto de vista de modo a permitir esclarecer dúvidas referentes a este método construtivo. e adquirir conhecimentos relativos a uma tecnologia inovadora na área de Engenharia Civil. O modelo é dirigido a alunos que iniciam estudos sobre estes temas e a profissionais destas áreas como suporte a treino de operários. Pretende-se que o utilizador possa interagir com o modelo virtual de forma a compreender o método construtivo de tabuleiros de pontes compostos por vigas pré-fabricadas. que é por vezes mais difícil de entender. de forma a agilizar a simulação virtual. que não são muito aprofundados ao longo do curso.6 Conclusões Neste trabalho foram analisados alguns processos construtivos relacionados com os tabuleiros de pontes compostos por vigas pré-fabricadas e foi implementado um modelo interativo que simula a atividade inerente à execução do tabuleiro por um dos métodos mais frequentemente aplicado nesta tipologia. optando-se por simplificar secções da armadura e retirar as armaduras das pré-lajes em algumas das fases do processo construtivo. A Realidade Virtual permite. permitindo uma perceção mais aprofundada do relacionamento dos componentes da construção e do faseamento da obra. conduzindo a um melhor entendimento espacial relativa à movimentação de equipamentos e posicionamento de componentes em obra. através da interação com os modelos 3D representativos de componentes e equipamentos da construção. a Realidade Virtual. A compreensão do funcionamento do software utilizado foi a tarefa mais complexa de todo este trabalho. O modelo 4D (3D mais tempo) virtual oferece diversas vantagens. o qual foi necessário para a elaboração com algum detalhe do modelo RV. em particular no domínio de Pontes. Uma das grandes dificuldades deste trabalho foi o grande número de armaduras modeladas. 65 . Como é um trabalho desenvolvido na área da Engenharia Civil e.

No seguimento deste trabalho espera-se que possam ser desenvolvidos modelos de simulação visual interativa aplicada a outros processos construtivos. quer seja no domínio de Pontes quer seja noutras áreas de Construção. 66 .

Comportamento Dinâmico de Pontes Ferroviárias de Alta Velocidade constituídas por Vigas Pré-fabricadas. Reis – Pontes. Reis – Planeamento da segurança na execução de Tabuleiros com recurso a elementos Pré-fabricados. Camara – Pré-fabricação de Pontes e Viadutos.com. 10 de Fevereiro de 2006.engenhariacivil.Construção em Betão Pré-Fabricado. [13] www. [5] C. 1982. IST. L. Ferreira .com. Portugal. IST. Pavicentro – Pré-Fabricação.carldora. 67 . Comunicação sobre Estruturas PréFabricadas organizado pela Empresa Prefabricados Castelo. Sousa – Continuidade estrutural em tabuleiros de pontes construídos com vigas pré-fabricadas. [16] www. [11] www. Dissertação para obtenção do grau de Mestre em Estruturas de Engenharia Civil.rudloff. S. Transporte e Montagem em situações especiais. Soluções com ligação em betão armado.. IST. J. 2008. [10] www.consultary. L.N.A. Lisboa. Volume 6.mota-engil.A. [6] F. Fevereiro 2012. Brisa Engenharia e Gestão. 2009. P. RJ. Brito – Tabuleiros de Pontes executados com vigas pré-fabricadas – Aspetos particulares da análise e dimensionamento. [12] F. FEUP. [2] J. R. 2004. IST. Pavicentro. [9] J. S. F. Gomes.Referências Bibliográficas [1] J. J.N. A. Leonhardt – Princípios básicos da construção de pontes em betão.pt (Consultado em Dezembro de 2011). Alguns resultados de investigação no IST. Dissertação para obtenção do Grau de Mestre em Engenharia Civil. 18 de Janeiro de 2001. 2004. Saraiva – Estruturas Pré-fabricadas. Portugal. Ordem dos Engenheiros. [3] A. [7] V. [14] N. Dissertação para a obtenção do grau de Mestre em Engenharia Civil. [15] www. 2006.. Camara . [4] O.br (Consultado em Janeiro de 2012). AEIST. Ganicho – Execução em Estaleiro. Folhas da Disciplina.br (Consultado em Fevereiro de 2012).A Flexão e o Corte no Eurocódigo 2.com (Consultado em Janeiro de 2012). Um desafio para o “futuro” . M. Interciência. [8] A. F. Martins – Modelo virtual de simulação visual da construção de pontes executadas por lançamento incremental.com/ (Consultado em Dezembro de 2011). Dissertação para a obtenção do grau de Mestre em Engenharia Civil.

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70 .

Anexos 71 .

72 .

Anexo I – Torre escada 73 .

Aparelhos de apoio 74 .Anexo II .