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Direito Processual Civil – Daniel Assunção

TUTELA JURISDICIONAL EXECUTIVA - Formas executivas: - alguns doutrinadores conceituam como a satisfação do direito. Preferencialmente, denomina-se meios materiais que o juiz tem a sua disposição; - Tipos de tutela: - tutela cognitiva1; - tutela executiva2; - tutela acautelatória; - Sincretismo processual: - sincretismo processual -> o sincretismo processual permite que em um mesmo processo possa ser efetuado atividades cognitivas, satisfativas e acautelatórias; - a expressão processo sincrético é espécie da qual sincretismo processual é gênero, referente ao processo com duas fazes sucessivas (conhecimento e satisfação, respectivamente) onde o legislador dá o nome de “cumprimento de sentença” Sincretismo processual -> gênero; Processo sincrético -> espécie; - Análise histórica: - antes de 1.990, vivíamos em um ordenamento que havia como regra o processo autônomo de execução, mas excepcionalmente poderia se admitir ação sincrética (ex.: despejo – nunca existiu processo autônomo de execução de despejo; ações possessórias – sempre foram ações sincréticas), o que era adotado apenas em raríssimos procedimentos especiais; - depois de 1.990 as coisas começaram a mudar. Em 1.990, vem a primeira mudança, por meio do artigo 84 do CDC (esse artigo está dentro de um capítulo que trata da tutela coletiva, não especificamente ao consumidor) e dizem respeito às obrigações de fazer e não fazer. Assim, todo processo na tutela coletiva que tivesse como objeto a obrigação de fazer ou não fazer passaram a ser de natureza sincrética; - posteriormente, em 1.994, o artigo 461 do CPC traz a regra de que todas as tutelas que tenham como objeto a obrigação de fazer ou não fazer seguirão as regras do processo sincrético. Já o artigo 273 trata da tutela antecipada, e em seu §3º reza sobre a efetivação dessa medida (o legislador optou pelo termo “efetivação” em vez de optar pelo termo “execução” para evidenciar que tratava-se de procedimento distinto); - em 1.995 surgiu a lei 9.099/95 (lei dos juizados especiais estaduais) trazendo a regra de que a tutela em relação a qualquer espécie de obrigação (fazer/não-fazer/entregar/pagarquantia) gera um processo sincrético. Processo autônomo de execução nos juizados especiais passou a ser possível somente no caso de execução de título extrajudicial; - em 2.002, o artigo 461-A do CPC passa a prever como sincrético todo processo que tenha como objeto a obrigação de entregar coisa;

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Há conhecimento, atividade investigatória e pesquisadora, buscando declarar, constituir, condenar. Trata-se de atos materiais que buscam a satisfação do direito.

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- em 2.005, a lei 22.232 (lei do cumprimento de sentença – assim conhecida vulgarmente) trazendo a idéia do processo sincrético também para os obrigações de pagar quantia (uma vez que esta é a mais freqüente); - nos dias atuais, a regra é o processo sincrético, sendo exceção o processo autônomo de execução. É óbvio que essa dicotomia de formas executivas é algo privativo dos títulos executivos judiciais, uma vez que nos títulos executivos extra-judiciais sempre será necessário um processo autônomo de execução; - como título executivo judicial gerando processo autônomo de execução nos diais atuais: - há uma corrente doutrinária muito forte (Humberto Theodoro Júnior, Nélson Néry) dizendo que a lei 11.232 é voltada exclusivamente à execução comum, assim, com relação às execuções especiais, não houve modificação, mantendo essas execuções a estrutura de processo autônomo de execução. São execuções especiais: execução contra a fazenda pública + execução contra devedor insolvente + execução de alimentos. - no que se refere a execução contra fazenda pública e contra devedor insolvente, realmente, a doutrina concorda que ficou de fora das inovações da lei 11.232. - o problema surge no caso de execução de alimentos, onde a doutrina não concorda com a posição de Humberto Theodoro e Néry, em que Alexandre Freitas Câmara, Marcelo Abelha3 dentro outros que entendem que a execução de alimentos também sofrem as mudanças da lei 11.232, fazendo-se a execução por meio de cumprimento de sentença nesse caso. - diante disso, surge uma terceira corrente (Costa Machado, Maria Berenice Dias), dizendo que depende: na execução de alimentos, cabe ao credor escolher pela execução de alimentos nos termos do artigo 732 do CPC ou a execução de alimentos nos termos do artigo 733 do mesmo codex; adotando o artigo 732, utiliza-se o procedimento comum, aplicando a lei 11.232, fazendo a execução por cumprimento de sentença, mas caso opte-se pelo execução do artigo 733 (procedimento que inclusive prevê a prisão civil), não se aplica a lei 11.232, mantendo-se o processo autônomo de execução; - o artigo 475-N, parágrafo único do CPC prevê os casos de execução de sentença arbitral, sentença penal, e homologação de sentença estrangeira, onde o código prevê a citação do executado. Sendo a citação o ato que integra o réu ao processo, estar-se-á portanto, diante da redação do artigo, criando-se um processo novo, assim, estruturalmente, está criando-se um processo novo, uma vez que haverá petição inicial e citação do executado, embora procedimentalmente haverá um cumprimento de sentença, salvo a petição inicial e citação, que não são típicos de cumprimento de sentença mas estão no procedimento. Tal fato acontece pela necessidade de unificação do procedimento usado na execução para os títulos executivos judiciais, sob pena da execução da sentença arbitral (por exemplo) ter uma execução mais difícil do que as sentenças comuns, criando uma espécie de sentença de segundo grau; - Execução por sub-rogação4 VS execução indireta: - as duas são espécies de execução forçada;
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Segundo esses doutrinadores, pelo fato da lei 11.232 ser uma lei altamente protetiva ao exeqüente. Dessa forma, tratando-se o credor de alimentos o que mais precisa de proteção, deve a lei ser aplicada ao credor de alimentos. 4 Também chamada de execução direta.
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- na execução por sub-rogação o Estado-juiz substitui a vontade do devedor pela vontade da lei. A vontade da lei é de satisfazer o Direito e a vontade da parte devedora é de resistir. O Estado-juiz possuir poderes para executar atos matérias que visam à satisfação do crédito (ex.: penhora; expropriação); - a execução indireta trabalha com a idéia de pressão psicológica, tendo como idéia o convencimento do devedor de que é melhor ele cumprir a obrigação, ou seja, convencer o devedor à adequar a sua vontade à vontade da lei. Na execução indireta, o exeqüente conta com a colaboração do devedor para que funcione (toda vez que ela funcionar ela vai gerar uma satisfação voluntária do direito). Nessa execução é levada em conta a voluntariedade do exeqüente, mas não a espontaneidade. Há duas formas de promover a pressão consistente na execução indireta: - ameaçar a piora da situação do devedor (ex.: astreintes); - oferecimento de uma melhora (ex.: art. 652-A, parágrafo único do CPC -> o executado citado tem 3 dias para pagar já com o desconto de 50% dos honorários); - a expressão “sanção premial” é de nomenclatura horrível, mas traduz a idéia acima elencada; - Exemplos: no caso de execução por quantia certa, a regra é a execução por sub-rogação5; o desconto na folha de pagamentos o relativo ao pagamento de alimentos também é execução por sub-rogação; - o artigo 475-J do CPC traz a regra de que se o réu não pagar em 15 dias, ele sofrerá uma multa de 10%, mas qual seria a natureza jurídica dessa multa? A professora Tereza Arruda Alvim Wambier e o professor Athos Gusmão Carneiro entendem ela ser uma espécie de astreinte (portanto, trata-se de execução indireta). Já Luiz Guilherme Marinoni e Sérgio Shimura, seguidos do STJ, dizem que tal multa tem natureza de sanção processual, uma vez que o valor é fixado em lei e não pode ser alterado pelo juiz, além de que a pressão psicológica somente pode ser aplicada se a obrigação for materialmente possível de ser cumprida. Vale lembrar que a aplicação da multa se dá independentemente (segundo essa posição) da condição financeira do executado; - o artigo 461, §4º6 seria ou não aplicado nas obrigações de pagar quantia? Embora haja corrente doutrinária (liderada por Luiz Guilherme Marinoni) entendendo que pode ser aplicada as astreintes nesse caso, o STJ entende que não se pode aplicar as atreintes nesse caso, fazendo o tribunal uma interpretação restritiva, no sentido de que o artigo 461 e 461-A são exclusivos das obrigações de fazer, não fazer e entregar coisa, sendo impossível sua aplicação no âmbito da obrigação de pagar. Segundo o STJ, efetuar crédito na conta do FGTS é obrigação de fazer, podendo usar as astreintes; - o informativo 549 do STF trata-se de caso extremamente excepcional, onde o STF em sede de tutela antecipada de obrigação de pagar quantia, aplicou as astreintes. Porém, tal informativo trata-se de situação excepcional e não é a posição dos tribunais superiores; - obrigação de entregar coisa: quando o processo tiver como objeto a obrigação de entregar coisa, você pode ser valer da execução por sub-rogação: no caso de móvel, ação de busca e apreensão; no caso de imóvel, imissão na posse. Pode-se também se valer dos meios de

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Como exceção, vê-se o artigo 652-A do CPC, onde há a presença de execução indireta na obrigação de pagar quantia. Outro exemplo de execução indireta é o caso da prisão civil (forma de pressionar o alimentante a pagar). 6 Trata-se das astreintes no sentido comum.
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ou seja. sendo que essa grande probabilidade é encontrada no título executivo. O princípio da patrimonialidade é o resultado da humanização da execução. sendo o título o bilhete que dá acesso á esse trem. Segundo Liebman.nulla executio sine lege -> não pode haver título embasado somente em doutrina. É importante lembrar que a prisão civil por dívida de alimentos não trata de satisfação da dívida através do corpo do devedor. .Princípios: . visto que o artigo 273. surgindo diferentes posições: . “caput” estabelece como requisito da tutela antecipada a verossimilhança da alegação. podendo o juiz. .execução indireta (ex. obrigações que podem ser cumpridas por outros sujeitos além do devedor. a execução é o trem.nulla executio sine titulo -> a existência do título é indispensável para a execução. a função de título executivo deriva da “grande probabilidade do direito a ser executado existir” . Posteriormente. que apesar de não ser sentença. pode ocorrer a execução por subrogação (nos termos do artigo 634 e seguintes do CPC). A última fase (a atual) se dá na execução patrimonial: no começo dessa fase. aquelas que somente podem ser cumpridas pelo devedor. não sendo cabível a execução por subrogação. a necessidade da atuação do executado se dá somente no sentido de evitar exageros8 (no sentido de fazer valer o artigo 620 do CPC – menor onerosidade para o executado da execução). No começo dos tempos a satisfação do crédito era pessoal: nas leis das dose tábuas. Esse é o aspecto processual da desvantagem. jurisprudência ou partes. também sendo cabível a execução indireta (por meio das astreintes). por meio da contratação judicial de terceiro. uma vez que apesar de cumprir a função de título executivo. É a lei quem deve estipular que determinado documento é título executivo. o devedor perdia todo o patrimônio (mesmo que a dívida 7 8 Há uma antiga expressão de que “e execução é um processo do credor”. aplicar as duas formas de execução. “I”. Rede de Ensino Luiz Flávio Gomes – Direito Processual Civil . A execução depende do título pelo fato de que o executado na execução é colocado em uma situação de desvantagem7. é título executivo.Danilo Meneses – Intensivo II Página 4 . só há duas alternativas: ou o devedor cumpre ou o devedor não cumpre. No caso de obrigações infungíveis.: astreintes). O executado está em desvantagem tanto processualmente quanto no aspecto material. ou seja. Não há ordem de preferência entre as duas execuções. havia a morte em decorrência de dívida. Uma decisão interlocutória (antecipação de tutela) vai ser executada (ou efetivada como diz a lei). . como meio de execução.Araken de Assis e o Ministro Zavascki defendem uma interpretação extensiva do artigo 475-N.princípio da patrimonialidade -> o que responde pela satisfação da dívida é sempre o patrimônio e nunca o corpo do devedor. não há na realidade um título executivo. . Tal corrente ainda dá o exemplo de acórdão. a satisfação do crédito se dava pela escravidão perpétua ou temporária (dependendo do quantum da dívida). mas seria essa decisão interlocutória título executivo? Não há na lei previsão expressa. onde deve-se ler “sentença” em sentido amplo (no sentido de pronunciamento decisório). assim. A justificativa para toda essa gama de desvantagens do executado é a grande probabilidade do direito exeqüendo exigido. ao mesmo tempo. A desvantagem material se dá pelo fato de que é na execução que o executado terá a constrição de bens e a restrição de direitos. portanto. cabe apenas a execução indireta (astreintes). .Luiz Guilherme Marinoni e José Miguel Garcia Medina entendem que no caso da execução da tutela antecipada há uma execução sem título.obrigação de fazer e de não-fazer: no caso das obrigações fungíveis.

. 269. no caso de dívidas de alimentos. tratando de embargos com matéria referente ao mérito executivo. a pendência dos embargos à execução não impede a desistência. no máximo.009/90 prevê algumas circunstâncias em que o bem de família pode ser penhorado: dívida de empregados que trabalharam no imóvel. O artigo 650 do CPC. sendo esta um incidente processual que se desenvolve na própria execução. uma vez que há por parte do órgão ministerial o dever funcional de executar a sentença coletiva. pode entregar a tutela jurisdicional ao autor (acolhe o pedido) ou ao réu (rejeita o pedido)10. uma vez que o desfecho normal é a satisfação do crédito por parte do credor. . gerariam o fim anômalo da execução através da sentença terminativa. . 11 Tal regra se dá pelo fato de que tais vícios procedimentais.o artigo 569 do CPC.não fosse desse montante. O fim anômalo do processo/fase é a extinção terminativa. . Dependendo da matéria alegada nos embargos. haverá incidência do artigo 269 do CPC. presente uma idéia de vingança na execução). o que o não é permitido pelo princípio. surgindo a idéia da impenhorabilidade de bens.no que se refere à impugnação ao cumprimento de sentença. trazendo a idéia de que haja a manutenção de um patrimônio mínimo que permite a sobrevivência digna do devedor. cujo acolhimento trata-se de sentença de mérito rejeitando o pedido do autor (art. gerando sentença de mérito que se dá a favor do executado.princípio do desfecho ou resultado único -> no caso do processo ou fase de conhecimento costuma se dizer que há apenas um fim normal desse processo/fase. tratando-se portanto de exceção. do CPC). . a doutrina majoritária entende que tal instrumento corresponde a um incidente processual de defesa do executado. I. atua baseado no princípio da indisponibilidade da execução. O fim normal no processo/fase de conhecimento é o mérito (resolução do mérito). inciso “IV” do CPC traz a regra da impenhorabilidade em relação aos ganhos de trabalho e valores de aposentadoria. No que se refere ao bem de família. . independentemente da concordância do executado. etc. inciso “I” (sentença de mérito que rejeita o pedido do autor). Rede de Ensino Luiz Flávio Gomes – Direito Processual Civil .segundo o STJ. deve-se realizar a intimação do 9 Tais bens somente são impenhoráveis se existirem outros que não podem ser penhorados (ex. sem que seja resolvido o mérito. No tempos mais modernos. dívidas tributárias relativas ao imóvel. gerando um fim normal em favor do réu. Segundo o artigo 649 do CPC cabe exceção em relação à impenhorabilidade dos ganhos de trabalho e aposentadoria. assim. posteriormente. trata dos embargos à execução. .o artigo 649.o Ministério Público. “I” do CPC. 10 Essa é a regra. na tutela coletiva. por sua vez.é possível também que o exequente desista apenas de determinados meios executivos (prevalece o princípio do dispositivo). a regra passou a ser de que somente poderia haver execução do valor da dívida. rege a impenhorabilidade relativa9. e nos termos do artigo 269.Danilo Meneses – Intensivo II Página 5 . o artigo 3º da lei 8.princípio da disponibilidade da execução -> o exeqüente pode desistir a qualquer momento da execução. O artigo 649 do CPC traz as regras de impenhorabilidade absoluta. há a idéia de patrimônio mínimo (uma das espécies de representação do princípio da dignidade da pessoa humana). A impugnação que tenha como matéria o mérito executivo e seja acolhida. podem estes sofrer diferentes efeitos em razão da desistência: tratando-se de matéria que alegam vícios formais (procedimentais) da execução.: objetos de natureza religiosa). os embargos serão extintos em razão da perda superveniente do objeto11. parágrafo único. discutir mérito executivo é discutir a existência e extensão da exceção de pré-executividade. O fim normal do processo/fase de execução é apenas um. .

caso este concorde. . c) resistência injustificada às ordens do juiz: quando se pratica um ato atentatório à justiça (art. também pratica-se um ato atentatório à jurisdição (artigo 14. analisaremos primeiro as intervenções de terceiros típicas. Atualmente. tanto na execução quanto nos embargos à execução. 600 e 601. havendo prazo de 5 dias contados da intimação para fazê-lo. o devedor deve indicar os bens. Por sua vez. 4. parágrafo único do CPC. 14 A qualquer momento da execução pode-se pedir a indicação dos bens. b) qualquer ato de oposição maliciosa à execução: a discussão da hipótese acima se torna vazia. uma vez que para ele.o sujeito ativo da execução é o credor/exequente. nesse caso. sendo exemplos: a) ato que fraudar a execução: uma corrente doutrinária (Araken de Assis) defende que o termo fraude a execução foi usado em seu sentido técnico. . fraudar a execução é praticar um daqueles atos do artigo 593 do CPC. Essas intervenções são típicas do processo de 12 Mesmo tratando os embargos de processo de conhecimento. passando esta ação a não ser mais “embargos a execução13” (uma vez que não pode haver embargos à execução sem execução). sendo espécie de ato que somente pode ser praticado pelo executado.Sujeitos Processuais: . não sendo necessário indicar todos os bens do executado. haverá extinção dos embargos12. Das 5 intervenções. porém. chamamento ao processo. não há bis in idem. mas já a apelação em relação a essa ação será recebido em duplo efeito (devolutivo/suspensivo).boa-fé/lealdade processual -> previsto nos artigos 600 e 601 do CPC que trazem os atos atentatórios à justiça. nomeação à autoria. denunciação. uma vez que quem diz se o bem é impenhorável ou não é o juiz. Rede de Ensino Luiz Flávio Gomes – Direito Processual Civil .a relação jurídica processual executiva é triangular (autor-réu-juiz). d) não indicação de bens sujeitos à execução: durante muito tempo imaginou-se que o sujeito passivo não deveria indicar os bens necessariamente. Deve-se indicar bens correspondentes ao valor da execução (assim. sob pena de estar fazendo prova de si mesmo (orientação sem noção).no que se refere à intervenção de terceiro.o sujeito passivo na execução é o devedor/executado. porém. 15 A informação pode ser pedida mais de uma vez durante a execução. podendo gerar. o embargante pode querer continuar com a ação. Como os credores são diferentes. assim. tendo como credor o exequente). daí decorre a importância de saber que embora originada dos embargos. pacificamente. não há preclusão: nem temporal14. . uma vez que essa hipótese é ampla e abrange todos os atos que se oponham maliciosamente à execução. 13 Os embargos a execução são recebidos em grau de apelação somente em efeito devolutivo. tal ação não trata-se de embargos.embargante. multa de até 20% do valor do crédito.Danilo Meneses – Intensivo II Página 6 . continua existindo o dever de informação. e não a parte. Cândido Rangel Dinamarco entende que o termo fraude a execução foi utilizado em sentido leigo. . com o sentido de “gerar indevidamente a sua frustração”. a desistência dos embargos não necessita ter a concordância do exequente (embargado). nem consumativa15. não cabem: oposição. por exemplo. tendo como credor o Estado). podendo gerar uma multa de até 20% do valor do crédito. para obter uma sentença de mérito que a desistência da execução não lhe concedeu. . Em caso do sujeito passivo da execução ter apenas bens impenhoráveis. há preservação do sigilo patrimonial).

que trata-se de decisão do TCE condenando um vereador a devolver R$4.00. uma vez que tratava-se de execução de patrimônio público meramente econômico. decidiu que o MP mantém a legitimidade nesse caso somente nos lugares em que a defensoria pública não autue. Na sentença coletiva. trata-se de legitimação originária/primária. em uma relação jurídica material controvertida entre um terceiro e uma ou ambas as partes que pode ser afetada pela sentença. .ainda há as intervenções de terceiro atípicas (não enquadradas no artigo 50 a 80). mas quando há credores de mesma qualidade (geralmente aparecerá na prova como credores quirografários). entendendo que a Fazenda Pública tem legitimidade para propor a execução. sendo o primeiro legitimado o credor a quem a lei confere o título executivo: em regra é o sujeito que figura no título executivo como credor. uma vez que o papel de defender o “pobre” é da defensoria pública. que pode ocorrer diante de várias circunstâncias em ambos os módulos (cognição/execução/cautelar) do processo. uma vez que estará em nome próprio defendendo interesse próprio. mas decidiu que o MP tinha legitimidade subsidiária para o feito. . O artigo 68 do CPP dá legitimidade ao MP de executar a sentença penal condenatória no caso de vítima pobre: Alexandre Freitas Câmara e Cândido Rangel Dinamarco sustentam a inconstitucionalidade desse dispositivo. Uma parcela da doutrina: Humberto Theodoro Júnior. o tema é polêmico: alguns advogam pela admissibilidade. mas tal efeito não é dado ao arresto cautelar. mas deve haver uma alteração: aonde o artigo 50 do CPC prevê sentença. podendo o fiador ingressar no processo para que o credor tenha o direito satisfeito por parte do devedor.000. pois a legitimação surge no momento da formação do título. sendo um exemplo claro de terceiros intervenientes em caso de intervenção atípica. argumentando que para que haja assistência.Danilo Meneses – Intensivo II Página 7 . a sentença satisfaz o direito ou não satisfaz o direito (frustração). conforme o próprio artigo 566. O STF porém. O registro da penhora é irrelevante para fins de direito de preferência. O STJ entendeu que a competência era da Fazenda Pública. O Dinamarco diz que está tão certo na sua orientação que existe um exemplo consagrado em lei. No que se refere à assistência. devese ler “resultado do processo”. Cândido Rangel Dinamarco e Araken de Assis entendem admissível a assistência na execução. na execução a sentença pode ter apenas dois resultados. O credor que atuar na execução nos casos acima estará exercendo legitimação ordinária. Exemplo claro é o artigo 685-A do CPC. outros não. Vale lembrar que as preferências do direito material se sobrepõe às preferências do direito processual. deve haver interesse jurídico. ou seja. 8. a preferência ficará para o credor que realizar a primeira penhora. Além disso.o artigo 566 do CPC regula o tema. Em contrapartida. o “concurso de credores” trata-se de incidente processual onde credores ingressam na execução para discutir com o exequente o direito de preferência.legitimidade ativa: . no caso em que o credor executa apenas o devedor e depois fica inerte. que é o artigo 834 do CC/02. 653 e 654 do CPC) também gera direito de preferência. O chamado arresto executivo (art. que lista uma quantidade de sujeitos que não participam da execução e podem adjudicar o bem. que trata a questão da fiança.906/94) que prevê que o advogado é o credor dos honorários fixados em sentença. não sendo cabíveis nem na execução e nem no processo cautelar. Como a sentença na execução é inapta a afetar relação jurídica material.o Ministério Público tem legitimidade nos casos previstos em lei.conhecimento. Ovídio Baptista dizem que não cabe a assistência na execução. sendo o artigo dotado Rede de Ensino Luiz Flávio Gomes – Direito Processual Civil . . como no caso do artigo 23 do Estatuto da OAB (Lei. A sentença no processo executivo apenas declara satisfeito o exequente e encerra o processo. mas pode acontecer da lei legitimar pessoa que não está figurando no título como credor (lembrando que essa não é a regra). nunca surgirá interesse para que se use a assistência. O julgado do informativo 404 do STJ. assim. o parquet tem um dever institucional na execução.

A legitimação ainda é superveniente/derivada/secundária. A legitimação será ordinária. necessário foi esse inciso para legitimar o fiador judicial para ficar no pólo passivo do título. não se herda dívidas). I). sucessor ou de espólio (representando pelo inventariante). dessa forma. II e III) cessionário² e sub-rogado³ -> a sub-rogação pode ser legal (art. III) novo devedor na hipótese de assunção de dívida -> o alguém assume a dívida de outrem. III (constando no título) ou vai constar na sentença condenatória. IV) fiador judicial -> fiador judicial é um terceiro que presta uma garantia em favor de uma das partes do processo. O sujeito estará atuando na demanda por meio de uma legitimação ordinária primária.062 do CPC). Assim. herdeiros e sucessores -> caso ainda não haja a execução.legitimidade passiva: . . já o fiador judicial. A ausência da anuência do devedor torna a cessão de débito ineficaz. uma vez que mudar o devedor significa mudar o patrimônio que responde pela satisfação da obrigação. herdeiros e sucessores -> o “benefício de inventário” garante que as dívidas do de cujus são satisfeitas nos limites da herança (portanto. 1. não vai constar no título. II) espólio.de uma inconstitucionalidade progressiva. uma vez que somente podese executar o fiador convencional se ele figurar no título executivo. uma vez que estarão tais pessoas agindo em nome próprio na defesa de interesse próprio. Ou o fiador vai estar no artigo 585. A cessão de débito/assunção de dívida depende da anuência do credor. essa ação de habilitação incidente seria desnecessária.: Carmona) que diz que dentro do sincretismo processual. No caso do Ministério Público.o artigo 567 traz três incisos com previsão de legitimados: I) espólio. não se pode executar o fiador. Na ausência desses títulos. devendo Rede de Ensino Luiz Flávio Gomes – Direito Processual Civil . mas uma das partes vai figurar no título como devedor (tendo legitimidade passiva pelo artigo 568. Seria aplicável a essa regra para o fiador convencional? A resposta é NÃO. sendo legitimado passivo para futura e eventual execução. Caso o credor morra durante a execução. tornando-se devedor. 347 do CC/02). uma vez que a legitimação surge após a formação do título executivo.055 a 1.previsto no artigo 568 do CPC: I) título reconhece como devedor -> o sujeito figura no título como devedor. Trata-se de legitimação ordinária superveniente/secundária/derivada. 346 do CC/02) ou convencional (art. . mas isso não exclui a legitimidade. Trata-se de legitimidade ordinária secundária/derivada/superveniente. o novo devedor não será legitimado. Trata-se de legitimação ordinária superveniente. devendo ser feito a sucessão por meio de simples petição. Há uma corrente doutrinária (ex.Danilo Meneses – Intensivo II Página 8 . os legitimados vão ingressar com a execução fazendo uma prova documental do falecimento e da sua qualidade de herdeiro. ele age em nome próprio defendendo interesse de outros (legitimação extraordinária). a sucessão processual para ingresso dos sucessores deve se dar por meio de uma ação de habilitação incidente (art. Não se deve confundir legitimidade com responsabilidade patrimonial: os herdeiros não respondem com seu patrimônio. O fiador judicial nunca consta da sentença do processo onde foi prestado a garantia (na sentença consta o autor e réu).

Leonardo Greco).o artigo 592 do CPC fala da responsabilidade patrimonial secundária. e para que se exerça o benefício de ordem. mas a competência para executar tal competência é da justiça federal de primeiro grau (ver artigo 102. com o novo procedimento executivo. tanto na petição inicial quanto no requerimento inicial o exequente pode desde já indicar bens a serem penhorados. esse deve chamar o devedor na lide16 para garantir o futuro benefício de ordem. uma vez que se encaixaria no inciso I. na CDA haverá o devedor e os responsáveis tributários. embora prevista para o STF. I. uma vez que deveria-se ajuizar a demanda em desfavor do devedor. . A competência executiva dos tribunais somente existe no caso de competência originária (essa é a regra). mas pode também atuar nas ações de competência originária. que é a responsabilização de quem não é devedor. Essa certidão é título executivo resultante de um processo administrativo. A doutrina majoritária (ex. mas não o é.competência na execução do título executivo judicial: . pode-se incluir o responsável desde início no pólo passivo. .: Sérgio Shimura.mover a fase de conhecimento colocando como réu o fiador convencional. Trata de legitimação extraordinária (o fiador age em nome próprio em defesa do interesse do devedor). ele indica bens do responsável secundário. Haveria legitimidade passiva na hipótese de responsabilidade secundária independentemente da existência de lei? Há hoje uma doutrina minoritária (ex. regra a qual. uma vez que se fosse o responsável tributário sujeito da CDA. I) Tribunais -> os tribunais podem atuar no âmbito recursal (atuação típica). O STJ dispensa a participação no processo administrativo do responsável tributário e a presença desses responsáveis tributários na CDA. CF. O fiador pode exercer o benefício de ordem (art.Competência: . Com a reforma processual civil. O benefício de ordem é um direito disponível (podendo o fiador abrir mão). ou seja. é aplicada em todos os 16 Trata-se de instituto parecido com o chamamento ao processo.tradicionalmente o tema era tratado pelo artigo 575 do CPC. porém esqueceram de revogar expressamente o artigo 575 do CPC. deve existir título executivo contra o devedor. se chamado somente o fiado na lide. V) responsável tributário -> quando se fala em responsabilidade tributário. Rede de Ensino Luiz Flávio Gomes – Direito Processual Civil . mesmo no processo administrativo deve respeitar o contraditório dessas pessoas. assim. Para a doutrina majoritária (Humberto Theodoro Júnior. mas a legitimação passiva depende da constrição judicial do bem do responsável (a idéia fundamental é de que teria-se um litisconsórcio passivo ulterior.: Araken de Assis. Vicente Greco Filho) entendem que os responsáveis secundários não têm legitimidade para figurar no pólo passivo em caso de ausência de previsão legal. preferência dos bens do devedor na satisfação da dívida. assim. 595 do CPC). Uma observação pertinente é feita por Humberto Theodoro Júnior: segundo o doutrinador. “m”. não haveria necessidade do inciso V. sendo possível que se atinja bens do responsável. Fux) entende que o simples fato do patrimônio responder pela dívida (responsabilidade) torna o sujeito legitimado passivo na execução. A exceção trata-se do caso de homologação de sentença estrangeira.Danilo Meneses – Intensivo II Página 9 . não ajuizando a demanda em favor do responsável no início). uma vez que o processo de homologação de sentença estrangeira é de competência originária do STJ. fala-se em CDA (Certidão da Dívida Ativa). e se nessa fase. o tema passou a ser regulado pelo artigo 475-P do CPC. sendo que ocorreu apenas uma revogação tácita.

fixa-se a competência pelo local do cumprimento da obrigação. Esse princípio sofre exceções. Araken de Assis e Nélson Nery diz que deve-se dar início ao cumprimento de sentença no novo foro. III) sentença penal e sentença arbitral -> se não há título. deve permanecer nele. mas resta saber em qual seção judiciária. sendo possível um juízo que processa diferente do juízo que decide a causa. haverá um momento para escolha (no momento da propositura do cumprimento de sentença). a competência será a do foro competente para julgar o processo de conhecimento que existiria (seria necessário) se não existisse título. Os Tribunais não estão organizados para a prática de atos executivos. ficando para o tribunal a competência para a decisão de mérito executivo (existência e extensão do direito exeqüendo). 17 A troca se dá logo no início da “execução” (cumprimento de sentença). . assim.caso no título exista uma cláusula de eleição de foro. usa-se o local do domicílio do executado. uma vez que sua determinação do caso concreto levará em conta a vontade do exequente. hasta pública. CRFB/88). No caso de convenção de arbitragem com cláusula de eleição de foro. os problemas estão resolvidos. que significa que a lei prevê mais de um foro competente à escolha do autor.). podendo ele escolher entre: o juízo atual (regra do inciso II) + domicílio do executado + foro do local dos bens do executado. X. requisitando o juiz o envio dos autos. é plenamente possível pegar uma sentença penal da justiça federal e executar na justiça estadual na esfera cível (valendo o mesmo par ao inverso). já se sabe de antemão a competência para execução de sentença arbitral. Scarpinella e Alexandre Freitas Câmara diz que o pedido deve ser feito ao atual juízo. O artigo 475-P. etc. sendo vedada a execução itinerante. criou o fenômeno dos foros concorrentes. parágrafo único. O artigo 484 do CPC diz que a execução da sentença estrangeira homologada segue as regras da execução de sentença nacional da mesma natureza: local do domicílio do executado ou local dos bens do executado. . na sentença arbitral não se tem como dizer a priori qual será a regra de competência. uma vez que para o primeiro grau ficam os atos materiais de execução (penhora. pedindo a remessa para o novo foro. fazer algumas observações: a competência do juízo que “processou” a causa passou a ser relativa.Tribunais).Danilo Meneses – Intensivo II Página 10 . não existe execução itinerante. parágrafo único do CPC diz que em caso de crime a competência é do foro do domicílio do autor do fato ou do local onde houve o crime. caso queira trocar o foro competente17. 109. sob pena de preclusão temporal. Rede de Ensino Luiz Flávio Gomes – Direito Processual Civil . assim eles podem delegar a função executiva para o primeiro grau de jurisdição: essa delegação é parcial. A execução da homologação de sentença estrangeira é de competência da justiça federal de primeiro grau (art. assim. uma vez que a competência está determinada. sendo nesse caso a competência do juízo que decide (percebe-se a péssima redação do inciso do CPC).competência para execução dos títulos executivos extra-judiciais: .caso não haja cláusula de eleição de foro. Deve-se portanto. ou seja.na ausência das duas regras acima. . intimação. II) Juízo de 1º grau que “processou” a causa -> a regra da perpetuatio jurisdictionis define que o juízo que processa a causa será o juízo que decide a causa. Algumas observações devem ser feitas: o artigo 100. ele deveria entrar com um processo de conhecimento. Escolhido um foro para “execução”.

como os autos estarão em recurso.decisão judicial -> não é impugnada.título executivo judicial -> artigo 475-I. CPC. não afetando o aspecto jurisdicional. 18 Em regra. sendo a competência absoluta do local do imóvel. principalmente de competência. .Danilo Meneses – Intensivo II Página 11 . Obs. Execução Provisória . ou seja.³: tema polêmico é a competência para a execução hipotecária.problema: o artigo 587 do CPC dá uma hipótese em que a execução começa definitiva mas ela vai se tornar provisória mediante: a) interposição de embargos a execução. 739-A do CPC.decisão judicial -> impugnada com recurso sem efeito suspensivo. b) a esses embargos à execução deverá ser atribuído efeito suspensivo (esse efeito hoje é exceção) – art. . assim. criação de novos autos. O STJ não se manifestou recentemente.aspectos procedimentais18: a) instrumentalização da execução provisória -> em regra. . É um título executivo provisório.¹: a competência é sempre relativa. uma vez que trata-se de ação pessoal que tem como objetivo o pagamento de quantia certa.não existe execução provisória. uma vez que já foi entendimento do STJ em tempos passados. logo a execução continua de forma provisória (será uma execução definitiva suspensa se houver efeito suspensivo). d) interposição de apelação contra sentença que julgou os embargos improcedentes. sendo um ato meramente administrativo. mas é importante ressaltar que há algumas diferenças.decisão judicial -> é impugnada com efeito suspensivo.título executivo extrajudicial: . se tornando um título executivo definitivo. Alguns doutrinadores como Araken de Assis. mas em provas fechadas sugerese que adote esse último entendimento.Obs. onde irá rejeitar. logicamente) de que os autos sejam duplicados. com nomes como Cândido Rangel Dinamarco e o Ministro Teori Albino Zavascki entendem que não se aplica o artigo 95 do CPC. notando-se que as regras podem ser modificadas pela vontade das partes. onde poderá ser reformado ou anulado em relação ao recurso pendente. Rede de Ensino Luiz Flávio Gomes – Direito Processual Civil . c) julgamento de improcedência dos embargos. Há porém uma outra corrente doutrinária. Somente se aplica essa súmula se os embargos a execução não tiverem efeito suspensivo. dizem que para a execução hipotecária é aplicado o artigo 95 do CPC (artigo que trata da competência das ações reais imobiliárias).conceito: . uma vez que ela sempre começa definitiva. assim. a execução provisória segue o mesmo procedimento da execução definitiva. a execução se torna definitiva. Leonardo Greco. que por consequência.²: o protesto do título executivo não afeta a competência da execução. . que diz que “é definitiva a execução de título executivo extrajudicial”.: há a súmula 317 do STJ que foi parcialmente revogada. Não tem efeito suspensivo. a execução se dá em primeiro grau de jurisdição. É eficaz. Obs. não haverá execução provisória nem definitiva. sendo o imóvel apenas a garantia do negócio jurídico. logo haverá o trânsito em julgado. . §1º. . Obs. haverá uma exigência (física.

para se levantar dinheiro (penhorar dinheiro) é necessário a prestação da caução. portanto. quem providenciava essa carga de sentença era o cartório judicial (o próprio cartório tirava as cópias necessárias e instruía a carta de sentença): atualmente. uma vez que o título executivo judicial pode ser reformado ou anulado.dispensa da caução: o artigo 475-O.006.para se praticar qualquer ato do qual possa resultar grave dano ao executado é necessária a prestação de caução (esse é aplicável a qualquer espécie de execução. uma vez que chegado o momento da prestação da caução previsto em lei. ou seja. não se pode dar em caução um bem litigioso. A caução será prestada “de plano nos próprios autos”. uma vez que é praticamente impossível definir o quantum do dano a ser suportado pelo executado). Porém. é feita uma análise a luz da razoabilidade. assim. Na prática. §3º do CPC (prevê as peças cujas cópias devem se extraídas para instruir a carta de sentença – não é necessário que o advogado autentique todas as cópias. dizendo que a caução tem “natureza cautelar”. Araken de Assis.dívida alimentar como objeto da execução (não interessando aqui a origem da natureza alimentar) no limite do valor de até 60 salários mínimos (essa limitação é no total. “III” diz que a caução deve ser suficiente e idônea. pode ser em 3 momentos distintos: . desde que o exequente prove que está em uma situação de necessidade19. vem se adotando a teoria sustentada por Ovídio Baptista. a caução deve ser formalmente confiável (a título de exemplo. não devendo ser requerida pelo juiz de ofício). tendo como adepto por exemplo o Ministro Zavascki. ou caução fidejussória realizada por fiador com histórico de não-pagador). O artigo 475-O. independentemente de provocação das partes. vai servir como uma garantia de ressarcimento de eventuais danos suportados pelo executado. §2º do CPC traz a previsão de dispensa da caução (assim sendo execução provisória sem caução). Caução idônea é a caução séria (no aspecto formal). o juiz determina a caução. ou seja. bastando que as declare verdadeiras). Caução suficiente é aquela que tem um valor suficiente para ressarcir os danos do executado (na praxe forense. Cássio Scarpinella Bueno) dizendo que a prestação da caução depende de pedido do executado. . não há a necessidade de se formar um processo de caução (sendo nítida a presença da idéia de sincretismo processual). Ainda é importante saber o momento de prestação da caução. o exequente deve respeitar o artigo 475-O. ela passa a ser exigida independentemente de qualquer outro requisito. O termo “de plano” significa o mesmo que “de ofício”. Nesse caso. . existe uma corrente doutrinária muito forte (Dinamarco. alguns doutrinadores não chamam mais essa cópia de carta de sentença). já que os dois momentos anteriores são aplicáveis somente à execução de pagar quantia). mas é responsável por criá-la o exequente (em razão disso. . o processo não deve ser extinto logo de cara. No caso de falta de juntada de uma peça obrigatória. ou seja. ainda que as partes não requeiram. devendo primeiro ser intimado o exequente para suprir a ausência da peça. Há uma discussão intensa na doutrina acerca da natureza jurídica da caução: Ovídio Baptista sustenta que a caução tem natureza de “garantia legal”. Rede de Ensino Luiz Flávio Gomes – Direito Processual Civil . não cabe mais ao cartório criar a carta de sentença. não por parcela). A caução.Tradicionalmente se dava o nome de “carta de sentença” a esses autos copiados para ampararem a execução provisória. e exigência dessa caução está condicionada a existência do fumus boni iuris e do periculum in mora. não tendo ela natureza cautelar. b) caução -> a caução é uma “contra-cautela”. uma vez que a caução interessa exclusivamente a esse (esses doutrinadores sustentam que a caução não tem natureza de ordem pública. São 3 as hipóteses de dispensa da caução: . que segundo o código. No sistema processual anterior a 2. ou seja. 19 A situação de necessidade é amparada pelo seguinte binômio: imprescindibilidade do recebimento + incapacidade de prestar a caução.Danilo Meneses – Intensivo II Página 12 . Uma outra corrente doutrinária.para se alienar a propriedade do bem penhorado é necessária a prestação de caução.

o exequente está condenado a ressarcir o executado de seus prejuízos. b) o STJ permite a expedição de precatório diante de parcela incontroversa da pretensão.542/SC (julgado esse da corte especial). há uma responsabilidade objetiva do exequente. não recurso). o exequente vai ser obrigado a caucionar o juízo. haverá uma inversão dos pólos no processo (o antigo exequente vira executado e o antigo executado passa a ser exequente). a execução pode se dar pelo sistema dos precatórios ou pelo sistema do RPV (Requisição de Pequeno Valor). Rede de Ensino Luiz Flávio Gomes – Direito Processual Civil . o que parece inadmissível. é uma responsabilidade que prescinde da culpa. uma vez que a CRFB/88 fala em trânsito em julgado do título exeqüendo). O artigo 14. não fazer e uma de entrega de coisa. . que pode se dar por arbitramento ou por artigos (embora o código fale apenas em artigos). o legislador usou a pouca probabilidade de vitória do executado no processo. Para se chegar a esse valor. o elemento culpa é irrelevante para caracterização da responsabilidade.Observação Superando a dívida (tanto no caso de dívida alimentar. O artigo 100. não há execução provisória na obrigação de pagar quantia em razão de existência de norma constitucional que a veda. Na verdade. Nesse diapasão. o r isco também vai ser todo dele.pendência do agravo do artigo 544 do CPC (agravo contra decisão denegatória de seguimento de recurso especial ou extraordinário). c) responsabilidade do exequente -> a execução provisória é baseada na “teoria do riscoproveito”. c) o reexame necessário está previsto no artigo 475 do CPC e busca proteger a fazenda pública.o problema surge na obrigação de pagar quantia certa. .Danilo Meneses – Intensivo II Página 13 . Nesse caso. ou seja. O artigo 475-O. REsp. Essa parcela incontroversa não é uma execução provisória. Surge a dúvida se na pendência do reexame necessário seria cabível a execução provisória (lembrando que reexame necessário é sucedâneo recursal. pode-se gerar a satisfação do direito sem caução até o limite legal. Essa inversão vai gerar tanto a liquidação quanto a futura execução “nos mesmos autos da execução provisória” – na verdade o que o legislador quis dizer foi que esse procedimento se dará no mesmo processo. caput e §1º e §3º da CRFB/88 exige tanto para o precatório quanto para a requisição de pequeno valor o trânsito em julgado a sentença. algumas observações devem ser feitas: a) no caso de título executivo extrajudicial contra a fazenda pública. não impede a geração de efeitos da decisão). não há qualquer empecilho legal à execução provisória. . mas sim uma execução definitiva. o proveito de uma execução provisória é todo do exequente.havendo uma obrigação de fazer. O reexame necessário impede a formação do trânsito em julgado. porém. Assim. 658. mas não impede a execução provisória (ou seja. desde que o exequente prove que está em situação de necessidade (no mesmo sentido da dívida alimentar). “II” diz que com a liquidação. aplica-se o artigo 587 do CPC (os mais protetores da fazenda pública poderão falar em trânsito em julgado dos embargos. Conclui-se que reformada ou anulada a decisão exeqüenda. §1º e §3º da lei 12. uma vez que nesse caso. ou seja.execução provisória contra a fazenda pública: . dispensando a caução. . assim. quanto no caso de crédito derivado de ato ilícito) os 60 salários mínimos.crédito derivado de ato ilícito no valor de até 60 salários mínimos. será necessária uma liquidação incidental..016/09 diz que a sentença do mandado de segurança está sujeito ao reexame necessário mas pode ser executado provisoriamente. Porém. Porém o CPC diz que se o executado provar que a dispensa da caução possa lhe gerar um dano grave irreparável ou de difícil reparação.

Depois de 2. uma vez que não adotando essa corrente. não podendo ser feita no “processo” de execução. seria necessário outro processo somente para proferir sentença condenatória. Elementos subjetivos são as pessoas envolvidas (credor e devedor). deve-se provar o advento deste.até 2. essa espécie de sentença já era título executivo judicial antes da redação do artigo 475-N e continua sendo título executivo depois de sua atual redação. por uma questão de economia processual. I – sentença que reconheça a existência de uma obrigação. mas sim da obrigação contida no título (obrigação exeqüenda). Deve ficar claro que essa prova deve se dar antes da execução. . Daí surge o questionamento se a sentença meramente declaratória pode ser objeto de execução (já que antigamente havia uma resistência muito grande à exeqüibilidade da sentença meramente declaratória). a determinabilidade deste valor. deve-se provar o implemento da condição. . .Danilo Meneses – Intensivo II Página 14 . deve-se provar o cumprimento desta. Deve ficar claro que a certeza da obrigação jamais significa a certeza da existência da obrigação. Isso revela que esse segundo processo seria um processo pelo qual o resultado já se conhece. Fredie Didier) dizem que a sentença meramente declaratória é título executivo judicial. o CPC teria adotado a “teoria quinária das sentenças”.exigibilidade da obrigação -> é a inexistência de impedimento à eficácia atual dessa obrigação. Para essa corrente. . Uma segunda posição (Zavascki. havendo um processo com sentença meramente declaratória. havendo contraprestação. Elemento objetivo é a espécie de execução e também a determinação de qual bem ou bens se farão incidir os atos executivos. mas sim. uma vez que houve uma modificação meramente redacional do artigo 584 para o artigo 475-N (para esses doutrinadores. A sentença meramente declaratória. em se tratando de sentença que declare a existência de uma obrigação inadimplida.previstos no artigo 475-N do CPC. condição ou contraprestação.liquidez da obrigação -> liquidez não é a determinação do valor da obrigação. só vai ter sentido nesse ponto a discussão. . Nélson Nery) dizem que a sentença meramente declaratória não é título executivo judicial.006. esses eram os requisitos do título executivo.006.títulos executivos judiciais: . que referia à “sentença civil condenatória”. uma vez que o juiz agiria como um “carimbador Rede de Ensino Luiz Flávio Gomes – Direito Processual Civil . “I” revogou o artigo 584.o artigo 475-N. daí essa corrente sustenta que na verdade a mudança no texto legal buscou evidenciar que tanto a sentença condenatória quanto a sentença executiva lato sensu são títulos executivos judiciais. havendo condição. Havendo termo.requisitos da obrigação exeqüenda: .certeza da obrigação exeqüenda -> significa a definição dos seus elementos subjetivos e objetivos. Essa inexistência resulta do inadimplemento e da inexistência de termo. tais requisitos não são mais do título. “I” do CPC. sendo para essa teoria a sentença condenatória inconfundível com a sentença executiva lato sensu. estando o juiz obrigado a considerar a existência do ditame contido na sentença meramente declaratória (eficácia positiva da coisa julgada material). mostrando-se inútil. Esses autores entendem assim por razões principiológicas: primeiro. .Título Executivo . Alguns doutrinadores (Araken de Assis.o artigo 586 do CPC traz requisitos clássicos: certeza + liquidez + exigibilidade. Sendo possível se chegar ao valor por mera operação aritmética a obrigação já é líquida.

. uma vez que tal título dá uma grande probabilidade de o direito existir.a sentença penal condenatória transitada em julgado pode ser objeto de revisão criminal (que não tem prazo). assim. há ainda uma terceira posição. satisfação do exequente). Para tais autores. na sentença penal. O entendimento de Teori Albino Zavascki. sustentar que a sentença meramente declaratória não cumpre essa função). essa não poderá existir mais (o título desaparece. fica a dúvida se o executado tem direito a “ação de repetição de indébito”. sustentada por Humberto Theodoro Júnior. ele tinha a redação antiga. que dizem que a luz do artigo 584. a sentença penal condenatória é título independente do processo cível. Zavascki diz que a sentença meramente declaratória cumpre essa função com folga (é mais provável que o direito exista em uma sentença meramente declaratória transitada em julgado do que em um cheque. em sua redação atual. por exemplo. impedindo a execução). . mas a aplicação de tal dispositivo não é obrigatória. .Danilo Meneses – Intensivo II Página 15 . houve. diz que o juiz penal. fixará um valor mínimo dos danos causados pelo ato 20 Palavras do Ministro Teori Albino Zavascki. e essa possibilidade dependerá do fundamento da revisão criminal: caso o fundamento excluir a responsabilidade civil do condenado. por exemplo. havendo uma sentença civil de improcedência transitada em julgado e uma sentença penal condenatória transitada em julgado.da eficácia executiva de sentença meramente declaratória”20.sempre se teve a idéia de que a sentença penal condenatória exigiria uma liquidação (geralmente por artigos). Daí deve ficar claro com a revisão criminal afeta a eficácia cível da sentença penal condenatória. sendo impossível. uma mudança de conteúdo da lei: porém. Nesse caso. uma vez que teria havido alteração de conteúdo sem que o projeto voltasse para a Câmara.266/RS). pode ser considerada a posição do STJ (nesse sentido: STJ. “I”. quando o projeto de lei que alterou o CPC foi aprovado pela Câmara. 609. Rede de Ensino Luiz Flávio Gomes – Direito Processual Civil . . a sentença meramente declaratória não era título executivo. portanto. uma vez que ela não seria líquida nunca. O art. ao condenar o réu. haverá perda superveniente do título. Imaginando que ainda não haja execução no juízo cível. II – sentença penal condenatória transitada em julgado. pode resultar um desfecho contraditório. segundo o Ministro. Outro fundamento (ainda dessa corrente sustentada por Zavascki e Didier) é que a função do título executivo é legitimar os atos executivos. “I”. IV do CPP. a sentença meramente declaratória passa a ser um título executivo. 475-N. sustentar que houve alteração do texto legal é o mesmo que dizer que houve uma inconstitucionalidade formal da lei. “I”) e depois foi para a sanção presidencial. caso o fundamento da revisão criminal não venha a excluir a responsabilidade civil (ex. extinguindo-se a execução. outro na esfera cível). ele recebeu a redação que hoje tem (art. Caso haja execução já extinta no juízo cível (ou seja.quando um fato jurídico é considerado ilícito na esfera civil e na esfera penal.a eficácia civil da sentença penal condenatória é limitada a pessoa do condenado. No caso de haver execução em trâmite no cível. surge a discussão se pode haver a execução da sentença penal no juízo cível: é majoritária a orientação de que vigora o “princípio da autonomia do título executivo”. cabe ação de repetição de indébito. Marcelo Abelha Rodrigues. é plenamente possível que haja dois processos concomitantes (um na esfera penal. ou seja. mas quando ele foi para o Senado. Diante do exposto. Assim. O artigo 387. REsp. Porém. em prova objetiva.: prescrição penal) não cabe “ação de repetição de indébito”. mas com a atual redação do artigo 475-N. 110 do CPC permite que o processo civil seja suspenso aguardando o prosseguimento do processo penal.

no CPC. ao fixar tal valor mínimo. parágrafo único. .099/95 já previa tal título executivo judicial.essa sentença homologatória pode ter como objeto matéria não posta em juízo. VII – o formal e a certidão de partilha.Danilo Meneses – Intensivo II Página 16 .a sentença arbitral não depende de homologação do judiciário para ser título executivo judicial.esse título executivo tem limitações. entre com uma execução pelo valor mínimo e faz uma liquidação para descobrir o valor real dos danos. . . uma vez que esta se dá mediante cognição exauriente. precisa ser homologada. uma vez que tal sentença é formada por um árbitro. ainda que parcialmente. Portanto.esse é o único título executivo judicial formado fora do judiciário. devendo seguir o artigo 585. mas o segundo acordo consiste em transformar o primeiro acordo em título executivo judicial (não dá para se fazer um acordo extrajudicial e somente uma das partes ir em juízo e homologar tal acordo). ou seja. . não há adstrição da homologação ao pedido. III – sentença homologatória de conciliação e transação. . A sentença estrangeira. no juízo cível. o valor real do dano vai ser superior ao valor mínimo decidido pelo juiz penal. . Rede de Ensino Luiz Flávio Gomes – Direito Processual Civil . . assim. tal previsão foi implantada em 2. IV – sentença arbitral. para gerar efeitos no Brasil. Na verdade. . .limitações objetivas: é impossível a existência de obrigação de fazer ou não fazer (somente sendo possível a existência de obrigação de pagar ou entregar coisa). a renúncia e o reconhecimento jurídico do pedido. salvo as sentenças previstas no artigo 15. Porém. no momento da liquidação do valor real. O artigo 63. mas o artigo 57 da lei 9. é possível que o valor a que chegou o juiz penal seja menor que o valor real do dano (conseguido no juízo cível).segundo Humberto Theodoro Júnior há um processo de nacionalização da sentença estrangeira. mas só o judiciário pode dar). sendo que sem essa homologação ela é ineficaz.tal título executivo somente existe caso haja dois acordos: o primeiro acordo é o extrajudicial (originário). o faz por meio de uma cognição sumária. vale a decisão da liquidação no juízo cível. da lei 4. a decisão cível dessa liquidação se sobrepõe à sentença penal.657/42 (LICC). . mas algumas observações devem ser feitas: apesar da redação da forma imperativa.005. É nítido caso em que o juiz penal afastará da sua função principal e passa a atuar. §2º (devem preencher tais requisitos). Na idéia de autocomposição entra a transação. portanto. sentenças meramente declaratórias do estado das pessoas. VI – sentença estrangeira homologada pelo STJ. com tal disposição. somente devendo o juiz fixar tal valor quando tal for possível através da sua conduta tradicional de juiz penal. V – acordo extrajudicial homologado em juízo. assim. que significa forma de solução do conflito pela vontade das partes. o CPP buscou proteger a vítima.conciliação deve ser interpretada como autocomposição. parágrafo único do CPP diz que esse valor mínimo faz com que a vítima pegue a sentença condenatória. vem se entendendo que não é dever do juiz fixar este valor mínimo. Normalmente. não devendo o juiz penal agir como um juiz cível buscando exclusivamente chegar a esse valor.um título executivo extrajudicial estrangeiro não precisa ser homologado no Brasil.ilícito. O juiz penal. Isso significa dizer que o objeto da transação pode ser mais amplo do que o objeto do processo. conclui-se que o pedido de homologação é um pedido de jurisdição voluntária (as duas partes querem a mesma coisa.

III – contrato de seguro de vida. que é o “princípio da circulabilidade”. .há um princípio importante. pode haver uma execução fundada em um título. . mas sim o contrato garantido pelo contrato de garantia. sucessores e inventariantes.tanto o Ministério Público quanto a defensoria pública possui uma atuação vinculada às suas finalidades institucionais.escritura pública é uma espécie de documento público (gênero). o código ao dizer caução. e caso o título não fique preso ao processo.títulos executivos extrajudiciais: . mas caso ocorra. .para ser considerado título executivo precisa preencher dois requisitos: ter a assinatura do devedor + assinatura de duas testemunhas para que confirmem que o documento particular foi elaborado com lisura. . É um ato privativo do tabelião de notas. . hipoteca e caução. sem vício de consentimento.documento público pode ser elaborado por qualquer outro agente público. letra de câmbio.estão previstos no artigo 585 do CPC. Não se pode confundir a prescrição do título com a prescrição da obrigação. .Danilo Meneses – Intensivo II Página 17 . .deve haver cuidado quando se fala em prescrição dos títulos de crédito. II – transação referendada pelos advogados dos transatores. por isso a petição inicial deve ser instruída com a certidão de óbito. nota promissória. debênture e duplicata). III – penhor. porém estas não precisam estar presentes no momento da formação do documento particular. . assim.penhor. II – transação referendada pelo MP ou pela defensoria pública.. II – escritura pública e documento público.o STJ (julgado 541. mantêm-se a natureza de título executivo. que diz que o credor do título de crédito é quem tem o título em seu poder.limitação subjetiva: o formal e a certidão de partilha somente é título executivo para os herdeiros. O agente público tem presunção de boa fé. ficou confusa a redação do código. Para ser título extrajudicial não depende da assinatura do devedor. . sendo o rol meramente exemplificativo. . . que é uma espécie de caução fidejussória. . o credor é obrigado a ajuizar a execução com o original do título executivo.estar-se aqui diante de um contrato de garantia. Na verdade. mas o título executivo não é o próprio contrato de garantia. queria na verdade se referir à fiança.a exigibilidade da obrigação contida nesse título.princípio da economia processual: o desvio de atuação deve ser evitado. podendo este último ajuizar uma nova execução. Daí porém. II – documento particular.pode haver um mesmo advogado que represente ambas as partes. ou seja. tratando-se da idéia de aproveitamento dos atos.não é necessário o protesto destes títulos para que sirvam como títulos executivos extrajudiciais. . . anticrese.267/RJ) diz que precisa das duas testemunhas. O evento requerido para que tal contrato seja exigível é o óbito. anticrese e hipoteca são espécies de caução real. Para ser título extrajudicial depende da assinatura do devedor. I – títulos de crédito (cheque. pode ser que tal título passe para outro credor o título. Rede de Ensino Luiz Flávio Gomes – Direito Processual Civil .por tal motivo. .

despesas condominiais..038 do CC/02).há uma presunção iuris tantum (relativa) de que essa certidão é verídica e de que o débito realmente existe.porém. intérprete. uma vez que apesar da previsão legal. V – crédito decorrente do aluguel de imóvel. é este o título executivo previsto no inciso V (ao menos em regra).esse crédito do serventuário é reconhecido por meio de uma decisão judicial. . .: oficial de justiça.entre condomínio e condômino não há relação locatícia.o contrato de seguro de acidentes pessoais. inaplicável o artigo 585. no caso de morte nesse tipo de contrato.como as enfiteuses foram vedadas no CC/02. não é mais. Assim.existe uma corrente doutrinária (liderada pelo processualista carioca Leonardo Greco) que diz que o inciso VI do artigo 585 está deslocado no CPC. Caso venha ser confirmada a posição de devedor do administrado. VII – Certidão da Dívida Ativa (CDA). não será encontrada tal dificuldade. 2. a Fazenda Pública expede a Certidão da Dívida Ativa (CDA). uma vez que a incapacidade e sua extensão são auferidas unilateralmente pelo credor. o débito é incluído na dívida ativa. . esse sim é um título executivo. avaliador) quanto os servidores eventuais da justiça (ex. .antes da morte. esses títulos executivos tendem a desaparecer. energia elétrica. trata-se de um título executivo judicial – argumenta o renomado autor que não cabe ao legislador alterar a natureza jurídica dos títulos e institutos.: telefone. até 2. portanto. . a leitura desse inciso leva uma parcela da doutrina (Cássio Scarpinella Bueno) a dizer que o inciso não exige o contrato de aluguel. . VI – crédito do serventuário da justiça. como resultado de uma intervenção jurisdicional.esse é o único título executivo extrajudicial formado unilateralmente pelo credor.Danilo Meneses – Intensivo II Página 18 . . o contrato de seguro de vida é um título executivo. Rede de Ensino Luiz Flávio Gomes – Direito Processual Civil . Assim. assim. etc.: perito. portanto. Porém. ou o acidente causa incapacidade ou o acidente causa morte. . . é complicado tal contrato ser um título executivo.nesse caso engloba-se tanto o serventuário fixo (ex. mas sim. . Humberto Theodoro Júnior diz que quando há contrato de acidentes pessoais. só existem atualmente as constituídas antes do novo código civil (art. o autor entende que o contrato de acidentes pessoais deve ser considerado título executivo quando ocorre o evento morte. É um título formado. porém. lhe falta a exigibilidade. Vale lembrar que se o condômino assinar “confissão de dívida”. .). um documento qualquer que comprove o crédito decorrente do aluguel. IV – foro e laudêmio.a relação locatícia em regra é provada através do contrato de locação. devendo o condomínio ajuizar ação de conhecimento (ação de cobrança). era considerado título executivo. .a Fazenda Pública institui um processo administrativo para verificar um débito do administrado para com ela.foro e laudêmio são as rendas imobiliárias decorrentes da enfiteuse. assim o processualista mineiro sugere que quando tal acidente causa incapacidade. pode-se cobrar outras dívidas decorrentes da relação locatícia (ex. tradutor). . V que ora se estuda.006. mas atualmente.além do aluguel.

responsável patrimonial) responde por todos os seus bens presentes e futuros. Nessa execução. mas sim um garante do devedor. Humberto Theodoro Júnior (seguido da doutrina majoritária) -> para esses autores e para a maioria da doutrina.. deve-se definir qual o sujeito terá os seus bens vinculados à satisfação da obrigação (esse sujeito é o responsável patrimonial).ainda segundo o artigo 591 do CPC. Com essa dívida. salvo as restrições estabelecidas em lei (as restrições são os bens impenhoráveis). Porém. assim. .. .em regra. porém. portanto. mas não é devedor. . . Quando há uma crise de inadimplemento.+o devedor responde *. o momento é o momento da execução.a responsabilidade é um instituto puramente processual. 649 do CPC).a responsabilidade patrimonial primária. mas não é responsável patrimonial. mas incluem-se os bens passados alienados em fraude contra credores.+”.responsabilidade patrimonial: .obrigação VS responsabilidade: . como no exemplo abaixo: a) dívida de jogo -> o sujeito é devedor. ter-se-á um mesmo sujeito sendo devedor e responsável patrimonial. . 591 do CPC): . o direito material torna o fiador um co-obrigado perante o credor. .portanto.. o devedor (rectius. que mais cedo ou mais tarde resultará em execução.Danilo Meneses – Intensivo II Página 19 . .observação: O fiador tem responsabilidade patrimonial primária ou secundária? O fiador não é devedor.bens sujeitos à satisfação da obrigação (art. .a obrigação está ligada ao direito material. surgindo algumas hipóteses: . surge a dívida (resultado da crise de inadimplemento). Os bens absolutamente impenhoráveis não podem ser penhorados (art. Não obstante ele não ser devedor. o código deveria ter dito que o responsável responde.segundo o artigo “*.. não podendo de forma alguma ser confundido com o devedor.momento da dívida: considerando o presente como o momento da dívida. não inclui-se no conceito os “bens passados). É aqui que surge a responsabilidade patrimonial secundária. chega-se à mesma conclusão da corrente anterior. é necessário uma intervenção jurisdicional. o devedor é o sujeito responsável pelo inadimplemento da obrigação. e os bens relativamente impenhoráveis (art. o direito material acaba dando ao fiador uma responsabilidade patrimonial primária. surge a pessoa do devedor.há a possibilidade excepcional de o sujeito ser devedor e não ser responsável patrimonial. . a responsabilidade patrimonial é primária. Assim. uma vez que a responsabilidade patrimonial somente existe na execução. criase uma situação de insegurança jurídica no âmbito negocial do patrimônio.não havendo adimplemento espontâneo.momento da execução: apesar de parecer uma solução boa. também é subsidiária (em razão do instituto do benefício de ordem). é a responsabilidade patrimonial do devedor. . que são bens que somente podem Rede de Ensino Luiz Flávio Gomes – Direito Processual Civil . deve determinar o que é presente para ser possível determinar o que é passado e o que é futuro. devido à intensa segurança jurídica que causa.Cândido Rangel Dinamarco.opções para resolver o problema: . porém. 650 do CPC). respondem todos os bens presentes e futuros.Daniel Assumpção -> considera que o momento presente é o surgimento da dívida. a determinação de tal momento como presente vai legitimar as fraudes do devedor.há ainda a figura do sujeito que é responsável patrimonial. porém. . . não o devedor.. . salvo os bens alienados sem fraude (no final. .segundo o CPC. Essa é uma solução que se mostra mais como um problema.

. etc. “disregard doctrine”). Na verdade. tal artigo trata da desconsideração da personalidade jurídica (ou. b) teoria maior da desconsideração da personalidade jurídica -> para essa teoria não basta a insolvência da pessoa jurídica.: sociedade em nome coletivo.107/SP diz que a teoria menor somente é aplicada no direito ambiental e no direito do consumidor. extrapolando suas funções. O informativo 417 do STJ. porém. no informativo 415. deve-se aplicar o artigo 135 do CTN. 593. . o ônus de provar que houve fraude é da Fazenda Pública. inciso IV.Danilo Meneses – Intensivo II Página 20 . afirmou que a aplicação dessa teoria é excepcional. mas além da insolvência.é a responsabilidade de quem não é devedor. serão necessários atos fraudulentos. montepios. Rede de Ensino Luiz Flávio Gomes – Direito Processual Civil . não constando o nome do sócio na CDA. .responsabilidade patrimonial secundária: . Há desvio de finalidade quando o sócio pratica algo não previsto pelo Estatuto/Contrato Social. em determinada situações. ou até mesmo desvio de finalidade22. . no julgamento do REsp.no verdade.há duas teorias em relação a desconsideração da personalidade jurídica: a) teoria menor da desconsideração da personalidade jurídica -> o sócio responde bastando a insolvência da pessoa jurídica. do julgado 904. é voltado para a sucessão causa mortis. Em se tratando de dívida tributária. na qual a responsabilidade do sócio seja primária (ex.observação: o artigo 649 do CPC. II. I do CPC). portanto. a impenhorabilidade relativa coloca o bem no último lugar da ordem da penhora. . do julgado 744. Agora. prevê a impenhorabilidade dos ganhos provenientes do trabalho (salários. ou a confusão patrimonial entre a empresa e os sócios.106. . lei do bem de família).131/RS) lembra que na hipótese de dívida tributária. A lei societária pode tornar o sócio. mas o artigo 649. 1.prevista no artigo 592 do CPC. O STJ. é do sócio o ônus de provar que não houve fraude. coobrigado.654/RJ disse que a penhora dos ganhos provenientes do trabalho em relação à dívida alimentar inclui-se as férias de o 13º salário. o salário é um bem absolutamente impenhorável que pode ser penhorado (mesma situação surge na lei 8. o artigo 592.009. .). ou seja. sociedade de fato). II – responsabilidade dos sócios nos termos da lei: .635-SP. sociedade irregular.dando-se essa sucessão inter vivos há uma fraude à execução (art. §2º diz que estes estão sujeitos à penhora em caso de dívida alimentar. I – sucessor de execução fundada em direito real ou obrigação reipersecutória21: . devendo ser aplicada em apenas duas hipóteses: o informativo 356 do STJ.ser penhorados sendo o único bem do patrimônio passível de penhora – na verdade. que é suficientemente claro em exigir a fraude para a responsabilização dos sócios – caso o nome do sócio conste da CDA.o direito societário pode criar algumas espécies de sociedade. do julgamento 970. 21 22 Obrigação voltada a restituição de um bem específico. . o STJ (informativo 416.não é das regras acima de direito societário que trata o artigo 592. soldos.pode-se no direito societário criar regras que criem para os sócios uma responsabilidade patrimonial primária. conforme o direito norte americano. I.devedor é a pessoa jurídica e o responsável patrimonial é o sócio (essa é a construção que precisamos buscar para compreender o inciso). surge a dúvida se o salário é absolutamente impenhorável ou relativamente impenhorável: na verdade.

estará condicionado ao fato da dívida ter ou não beneficiado o casal ou a família: tendo a dívida beneficiado o casal ou a família. para ter ou não responsabilidade secundária. ele está sujeito à execução. Rede de Ensino Luiz Flávio Gomes – Direito Processual Civil . 23 24 Dívidas referentes à manutenção do lar.644 do CC/02) acontece isso. O cônjuge não-devedor pode ingressar com esses embargos à execução e também pode ingressar com embargos de terceiro buscando proteger a meação (discutindo se a dívida foi em benefício do casal ou da família). O cônjuge devedor tem responsabilidade patrimonial primária. . O outro cônjuge. mas sim de direito material. Uma corrente doutrinária liderada por Cândido Rangel Dinamarco diz que o código acertou em determinar a intimação. V – fraude à execução: . o cônjuge não-devedor será responsável secundário. O STJ. preserva a sua meação24). que determina a intimação do cônjuge não-devedor. não havendo tal benefício em proveito do da família ou do casal. segundo o artigo 655-B do CPC significa dizer que o cônjuge não devedor ou não responsável vai receber 50% do produto da alienação do bem. previsto no artigo 158 a 165 do CC/02. uma vez que estar-se-á diante de um litisconsórcio ulterior. . atuando com nítida legitimação extraordinária (agindo em nome próprio defendendo o interesse do devedor).observação: o STJ.fraudes do devedor: a) fraude contra credores: . no julgamento do RE 740.100. ajuizar embargos à execução (somente parte pode ajuizar embargos à execução) alegando matérias de defesa do devedor. a execução começa somente contra o cônjuge devedor. depois de intimado da penhora. e o cônjuge não devedor é coobrigado. Preservar a meação. .o que tal inciso busca dizer é que independentemente de quem esteja em poder do bem do devedor.nesse caso. . Em dívidas referentes à economia doméstica23 (art.as hipóteses de fraude à execução estão previstas no artigo 593 do CPC. dispensa a existência de um processo autônomo para desconsiderar a personalidade da pessoa jurídica. A corrente liderada por Araken de Assis (na opinião do professor. uma vez que nesse caso os dois terão responsabilidade primária). O STJ.331/RS. IV – responsabilidade secundária do cônjuge meeiro: . No momento da penhora de um imóvel do casal. no julgado 418. surge a aplicação do artigo 655. a mais correta) critica o CPC por ter previsto o vocábulo “intimação”.o inciso trata da situação de um cônjuge devedor e de outro cônjuge não-devedor e não-coobrigado. o cônjuge não-devedor não tem responsabilidade patrimonial secundária (portanto.a situação de um cônjuge devedor e o outro cônjuge coobrigado também não é tratada pelo inciso..é sabido que o devedor tem responsabilidade patrimonial primária (não dá para entender o que está fazendo esse inciso na responsabilidade patrimonial secundária).a primeira situação imaginável é a de dois cônjuges devedores (mas não é disso de que o artigo trata. uma vez que na verdade o cônjuge deve ser citado do processo e intimado da penhora.643 e 1. admitindo tal desconsideração incidentalmente na própria execução.385/SP. .394/PR) decidiu que o pronunciamento judicial que desconsidera a personalidade jurídica é uma decisão interlocutória impugnável via agravo de instrumento.Danilo Meneses – Intensivo II Página 21 . diz que o cônjuge do devedor pode. evidentemente. uma vez que para essa corrente o cônjuge do não devedor não se torna parte na execução. III – responsabilidade do devedor e seus bens quando em poder de terceiro: . 1. no informativo 409 (do julgamento 1. §2º do CPC.fraude contra credores não é um instituto de direito processual.

. O 25 A corrente defendida por estes doutrinadores têm amparo em alguns julgados do próprio STJ (ver STJ. Humberto Theodoro Júnior25. direito ou indireto. ou seja.312/MS). .em regra.momento em que a fraude deixa de ser contra credores e passa a ser fraude à execução: . REsp. Cândido Rangel Dinamarco.mérito da ação pauliana: discute-se os requisitos da fraude contra credores (o eventus damni. passa-se a ter uma fraude à execução a partir da execução (citação em qualquer processo que tenha como objeto.toda a doutrina concorda que o ato praticado em fraude à execução é um ato válido mas ineficaz perante o credor. também muito forte. Luiz Guilherme Marinoni e Leonardo Greco entendem que o ato realmente é anulável. . 506. ou seja. esse ônus é do credor. sendo a prova maior disso a súmula 375 do STJ que diz que “o reconhecimento da fraude à execução depende do registro da penhora ou do bem alienado ou da prova de má-fé do terceiro adquirente”.a fraude à execução é considerada pelo artigo 660.requisitos: . . “I” do CPC. Nelson Néry. A legitimidade ativa da ação pauliana é do credor prejudicado. mas também o juiz. . Para o Cândido Rangel Dinamarco. Estar-se-á diante de uma relação jurídica incindível. não havendo registro). Sustentando que o ato é parcialmente ineficaz (parcialmente porque a eficácia é apenas contra o credor). bastando provar o eventus damni – deve-se observar que o STJ protege o terceiro de boa-fé. . o que vai gerar uma multa de até 20% do valor do crédito. . que diz que na verdade o ato não é anulável. parece melhor seguir a lei. No entanto.natureza jurídica da sentença de procedência: há uma discussão a respeito dessa natureza.litisconsórcio passivo necessário: forma-se um litisconsórcio passivo necessário entre o alienante e o adquirente. b) fraude à execução: . uma vez que a sentença se limita a declarar um vício/ineficácia que já existia. a sentença é constitutiva.. a prova da insolvência + consilium fraudis. ato atentatório à dignidade da justiça. .a fraude à execução é mais grave que a fraude contra credores. a dívida). e no pólo passivo ficará o devedor (alienante) e o terceiro adquirente.Danilo Meneses – Intensivo II Página 22 . existe uma corrente doutrinária. a intenção de fraudar). Rede de Ensino Luiz Flávio Gomes – Direito Processual Civil . a sentença tem nítido caráter desconstitutivo (constitutiva negativa). também chamada de “ação revocatória”.natureza do vício do ato praticado em fraude contra credores: o Código Civil diz que o ato é anulável (colocando nitidamente o ato no plano da validade).é instituto típico do direito processual. Entendendo que o ato é anulável.é necessária uma ação judicial específica para que a fraude seja considerada (reconhecida) – é a chamada “ação pauliana”. . antes da sentença o bem não podia ser penhorado. Já a corrente liderada por Humberto Theodoro Júnior diz que tal sentença é meramente declaratória. Porém. Nos caso em que seja necessário provar a má-fé do terceiro (ou seja. o registro da penhora causa presunção absoluta da máfé. uma vez que nesse caso o devedor não engana apenas o devedor. mostrando um desrespeito ainda maior do devedor. porém ineficaz perante o credor lesado (para essa corrente doutrinária o vício da fraude contra credores tem a mesma natureza da fraude à execução) – defendem essa corrente: Teori Albino Zavascki. e depois da sentença o bem passa a ser passível de penhora (a alteração da situação jurídica é a penhorabilidade do bem). a discussão cresce.não é exigido o consilium fraudis. ou seja. uma vez que a situação jurídica é alterada. sendo o ato válido. Em prova objetiva.

. A penhora se concretiza em determinado bem – a penhora é a concretização da responsabilidade patrimonial. esse reconhecimento tem eficácia ex tunc.efeitos processuais da penhora: . É aqui que entra o binômio penhora/expropriação.502/MS diz que o depósito é um ato complementar da penhora (ou seja.pratica-se então atos materiais de execução e estes atos materiais irão proporcionar a satisfação do direito. Haverá fraude à execução desde que se tenha uma prova inequívoca (prova séria. . pega-se no cartório uma certidão comprobatória da execução e averba no registro de bens do executado. que é ainda mais grave. salvo os bens impenhoráveis. Para essa fraude se constituir não é necessária a prova do consilium fraudis nem do eventus damni. e o STJ no julgado 990. não do depósito). aplicando novamente a súmula 375 do STJ.direito de preferência: no caso de mais de uma penhora sobre um mesmo bem.mesmo nessa situação o STJ protege o terceiro de boa-fé.penhora: . ele não faz parte da penhora. no qual o Estado substitui a vontade do executado. 159.efeitos materiais da penhora: Rede de Ensino Luiz Flávio Gomes – Direito Processual Civil . que dá base à satisfação da execução. segundo o artigo 591 do CPC todo o patrimônio presente e futuro responde pela execução. ou seja.na verdade trata-se de uma espécie de fraude à execução. Ao ajuizar a execução e essa ser distribuído. traz uma fraude à execução antes da citação do “executado”.Danilo Meneses – Intensivo II Página 23 . Para evitar uma fraude à execução. O direito de preferência da primeira penhora não é aplicado quando se tem preferências de direito material. O CPC sugere que o ato seja seguido do depósito (nomeando alguém como depositário). . para fins de direito de preferência. forte. .individualização do bem que responderá a execução: a responsabilidade patrimonial é abstrata. PROCESSO DE EXECUÇÃO DA OBRIGAÇÃO DE PAGAR QUANTIA . O executado não quer pagar. b) fraude contra bem constrito judicialmente: . deve-se ajuizar uma cautelar de arresto.garantia do juízo: significa a criação de condições materiais para que o direito de crédito seja satisfeito.considerações iniciais: . configurando fraude à execução. . Sendo os credores da mesma qualidade. tal regra comporta exceção. recebe primeiro o que realizou a primeira penhora (regra) – o registro da penhora é irrelevante para fins de direito de preferência. §3º.o artigo 615-A. . assim. as preferências de direito material se sobrepõe à regra da primeira penhora (nesse sentido: STJ. porém a vontade do Estado é de ver a lei cumprida e a obrigação satisfeita. A penhora recai sobre bens do executado para materialmente satisfazer o credor.é um exemplo clássico do processo de sub-rogação. relevante) da ciência do devedor da existência do processo. porém. conta-se a data da penhora. . deve ver a preferência da penhora para saber para quem vai o produto da alienação. sendo esta realizada independentemente do depósito. .porém.Ministro Luiz Fux do STJ diz que o reconhecimento da fraude à execução somente existe durante a execução. uma vez que.930/SP – o entendimento citado é pacífico no STJ).

645.000. o juiz aprova. se a dívida for de R$ 5.Danilo Meneses – Intensivo II Página 24 .000. o legislador coloca a penhora do faturamento no art. e houver cinco contas com esse valor. a penhora de dinheiro é “on line”. VII do CPC. Na “penhora on line” o juiz tem o poder de obter informações e realizar a restrição do crédito na instituição financeira até o valor do crédito exeqüendo. 656 do CPC): . Atualmente a “penhora on line” é um direito do exequente previsto em lei. Não confunda penhora de dinheiro com a penhora do faturamento de pessoa jurídica.substituição do bem penhorado (art. Daniel Assumpção entende que deve haver simples petição. contribuindo efetivamente para o resultado positivo da execução (nesse sentido: STJ. se encontrado dinheiro. .006. O legislador imaginou. CPC). uma vez que a posse direta é do juízo.101. seguem as regras do artigo 655-A. uma vez que para satisfazer o credor. planos de saúde. esse deve ser penhorado. por se tratar de matéria de ordem pública. será penhorado R$ 25. Atualmente a busca pelo dinheiro para ser penhorado tem sido facilitada pela existência do instituto da “penhora on line”.288/RS) no sentido de que independente de qualquer outra atividade voltada a busca patrimonial. 1.se o bem penhorado é dinheiro. Deve ficar claro que cabe ao executado o ônus de provar que aquele valor é impenhorável. que pode tanto ser o dinheiro em espécie quanto valores depositados em instituições financeiras. o STJ consolida a posição (mudando a orientação anteriormente adotada – ver REsp. e esse sujeito passa a prestar contas mensalmente. 655. protege o terceiro de boa-fé. §3º do CPC. 655 do CPC): .pretendendo substitui o bem penhorado por dinheiro ou por fiança bancária ou seguro garantia. há um cadastro de conta única. . O dinheiro é preferencial por ser o único bem que dispense a expropriação. basta o levantamento do dinheiro.o CPC criou uma ordem de preferência entre os bens. Oferecendo em substituição a fiança bancária e o seguro garantia (que segundo o artigo 656. etc). a fiança bancária e o seguro garantia não podem ser recusadas pelo exequente. IV. e a liberação da penhora também é “on line”.056/SP) dispensa a intimação/oitiva do exequente por uma razão muito simples: o dinheiro. indicando os tipos de bens penhorados antes dos outros. mas tal regra pode ser afastada no caso concreto mediante a seguinte ponderação do juiz: quando o juiz fizer uma análise da menor onerosidade para o executado e a maior efetividade para o exequente.1º bem da ordem legal -> dinheiro. §2º lembra que esse dinheiro penhorado pode ser impenhorável (art. a nomeação de um “depositário”.. por isso a liberação “on line” para facilitar o processo de liberação da penhora. Portanto. para os casos de litigantes contumazes (ex. . na súmula 375. . uma vez que a penhora do faturamento tem reflexos negativos na vida da pessoa jurídica – em caso de penhora do faturamento.retira a posse do bem do executado (devedor): em regra o devedor é o depositário do bem.00. Por isso o STJ. na resolução 61. Segundo Humberto Theodoro Júnior o executado deve ingressar com os embargos e pedir a tutela antecipada da liberação.ineficácia de atos de alienação ou oneração do bem: a alienação do bem vai caracterizar fraude a execução qualificada. mas mesmo assim ele não te a posse direta do bem. 984. Com a reforma da execução em 2.ordem legal de penhora (art. o STJ (REsp. 483. assim.00. para que o capital de giro não seja afetado. hoje. . . que oferece um plano de efetivação da penhora.789/MG). O artigo 655-A. §2º do Rede de Ensino Luiz Flávio Gomes – Direito Processual Civil .a ordem é a regra.o artigo 656 do CPC traz as causas de substituição do bem penhorado.: instituição financeira. Esse valor vai ser penhorado em várias contas de titularidade do devedor – assim. . STJ. não cabe substituição (regra).

Havendo um valor exeqüendo igual ao valor da adjudicação. §3º. o STJ permitiu a adjudicação por valor inferior ao da avaliação. fala-se em uma “adjudicação satisfativa”. e a preferência se dá da primeira penhora). existem outros legitimados para a adjudicação além do exequente. que pode adjudicar no caso de penhora de quotas sociais (é uma forma de manter o affectio societatis). quando o cônjuge também não é executado).: ascendentes e descendentes do devedor) – esses podem adjudicar qualquer bem. . Se essa substituição é admissível ou não. ou um valor da execução maior do que o valor da adjudicação. §2º do CPC traz outros legitimados (ex. tem preferência o que tem um grau de parentesco mais próximo26) -> credor com garantia real -> credores que tenham penhorado o bem (inclusive o exequente. . Caso no caso concreto apareça mais de um interessado. . é feita pelo oficial de justiça que penhora o bem. Havendo oferta no mesmo valor.CPC. 26 Sendo o grau de parentesco idêntico. A “adjudicação venda” se dá quando o valor da execução é menor do que o valor da adjudicação. . o sócio tem preferência sobre todos esses sujeitos. Deve ficar claro que quando se trata de quota social. Nesse caso. No julgado do STJ de número 435. porém. desde que antes da alienação do bem penhorado. devendo o exequente pagar a diferença quando adjudicar o bem. . caso o cônjuge anuir com a substituição.Danilo Meneses – Intensivo II Página 25 . Não há preclusão temporal para a adjudicação.momento da adjudicação: a adjudicação passa a ser a forma preferencial de expropriação. a sua meação vai estar garantida. a) adjudicação (art. deve ser 30% acima do valor exeqüendo). desde que presente uma excepcionalidade gritante (no caso concreto. ou seja. §4º. onde preferirá o que oferecer a maior oferta. haverá uma “licitação incidental”. houve 8 hastas públicas frustradas). a preferência obedecerá essa ordem: cônjuge do devedor -> descendentes do devedor -> ascendentes do devedor (entre os ascendentes e descendentes. podendo ser feita a qualquer momento.conceito: a adjudicação é uma espécie processual de “dação em pagamento”. ele terá renunciado ao seu direito de preservar a meação. deve-se fazer uma análise a luz do valor exeqüendo e do valor da adjudicação.o artigo 656. o valor mínimo da adjudicação é o valor da avaliação (que em regra. Para o devedor oferecer essa substituição.expropriação é transformar o bem penhorado em meio de satisfação do exequente. a escolha se dará por sorteio. . vamos ver: Humberto Theodor Júnior diz que tal substituição é admissível.valor da adjudicação: por expressa previsão legal. No artigo 685-A.formas de expropriação: . mas o artigo 685-A.adjudicação satisfativa VS adjudicação venda -> essas duas são ligadas à adjudicação do próprio exequente. e somente excepcionalmente haverá a figura do avaliador). há a figura do sócio não devedor. Rede de Ensino Luiz Flávio Gomes – Direito Processual Civil . Porém. Para esses outros legitimados. desde que a instituição financeira seja idônea. assim. não se dá para dizer que haverá uma “dação em pagamento”. 685-A do CPC): . vai ser necessária a anuência de seu cônjuge (logicamente.legitimados: o legitimado principal é o exequente. o primeiro ato de expropriação será a adjudicação (claro. Havendo mais de um interessado. não concordando o cônjuge com a substituição. traz a idéia de substituição do bem penhorado por um bem imóvel. uma vez que o bem não será destinado ao exequente: nesse caso é muito mais parecido com uma “arrematação antecipada”.120/SP. havendo interessados no caso concreto) – é de bom alvitre lembrar que essa sempre foi a idéia dos juizados especiais.

a iniciativa particular se exaure em levar o interessado a juízo.Araken de Assis entende que esse cadastro não deve ser feito pelo órgão do poder judiciário. . mas cabe exceção a essa regra: . sendo eles: Rede de Ensino Luiz Flávio Gomes – Direito Processual Civil . . .b) alienação por iniciativa particular (art.o intermediário pode ser o próprio exequente ou então a figura do corretor. assim como ocorre na hasta pública. a publicação será feita na imprensa oficial (jornal oficial). segundo o STJ. poderá o juiz alterar a forma e a freqüência da publicação. que deve ser publicado em uma única vez em um jornal de ampla circulação.quando o juiz defere essa alienação.obs. no que se refere ao corretor. . .levando em conta o valor dos bens e a condição do foro. que é auxiliar eventual do juízo. . a única publicidade do edital será a fixação no fórum (há uma “publicidade mitigada”). .a publicação pode se dar por via eletrônica também na página do tribunal.a hasta pública deve-se tornar pública. será necessário um edital (que é um ato processual solene – o artigo 686 e 687 do CPC traz uma série de requisitos formais que devem ser respeitados nesse edital). devendo ser feito no local determinado pelo juiz.o STJ. c.as ofertas podem ser aceitas fora das condições estabelecidas pelo juiz (na verdade.Danilo Meneses – Intensivo II Página 26 .1) praça -> hasta pública de bens imóveis. Caso os bens penhorados tenham um valor de avaliação inferior a 60 salários mínimos. . e para essa publicidade.: determinados sujeitos precisam de uma intimação específica com no mínimo dez dias de antecedência da hasta pública. aplica o princípio da instrumentalidade das formas com relação aos possíveis vícios do edital – assim. ele deve ter no mínimo 5 anos de experiência. feito pelo leiloeiro. realizada pelo serventuário da justiça no átrio do fórum. . simplesmente não há como habilitar tal corretor. §1º do CPC – que traz muitas exigências das condições para o negócio jurídico de aquisição (vale lembrar que o preço mínimo é o valor da avaliação). mas sim deve ser feito pelo próprio juízo da execução (nos mesmos termos do perito).a arrematação se dá em hasta pública.sendo o exequente beneficiário da assistência judiciária.há uma regra de publicação do edital.3) hasta pública eletrônica -> prevista no artigo 685-A do CPC. A alienação nesse caso é judicial. no julgado 520. c) arrematação: .2) leilão -> hasta pública de bens móveis. . . somente haverá anulação se o visto gerar prejuízo.: em qualquer hipótese o edital é fixado no fórum. . há uma decisão interlocutória que deve conter as informações previstas no artigo 685-C. .problema é que no sistema brasileiro há duas regras que acabam limitando essa forma de expropriação: essa forma depende de pedido do exequente.coloca-se intermediários para conseguir sujeitos interessados em adquirir o bem penhorado. c. exigindo-se o cadastro desse corretor perante o poder judiciário – enquanto os tribunais não regulamentarem esse cadastro. 685-C do CPC): .039/RS. .tradicionalmente existem duas espécies de hasta pública (há quem diga ser 4): c.obs². há algo análogo à negociação de uma compra).

27 Não havendo advogado constituído. há a penhora de um bem. as custas dessa nova hasta pública serão de responsabilidade do exequente. essa regra tem exceção. ele terá um prazo de 15 dias para pagar. por qualquer meio idôneo. Humberto Theodoro Júnior entende que não é necessária tal intimação. haverá ineficácia da arrematação e perda da caução em favor do exequente. Havendo nesse processo uma nova hasta pública. sendo a alienação ineficaz em relação ao credor com garantia real. É a única forma de expropriação onde o credor é satisfeito e o bem penhorado é mantido no patrimônio do devedor. . 29 Cândido Rangel Dinamarco e Leonardo Greco diz que o cônjuge deve ser intimado. porém ele deve prestar caução de imediato.o exequente pode realizar a arrematação: pensando em hipótese de ser o exequente o arrematante.: quando acontecer as hipóteses acima.Danilo Meneses – Intensivo II Página 27 . . uma vez que alguns casos. .trata-se de uma forma bem diferente de expropriação de bem.admite-se na hasta pública a arrematação por valor inferior ao da avaliação desde que não seja por “preço vil” (preço vil é o valor irrisório).na primeira hasta pública o valor mínimo da arrematação é o valor da avaliação. por uma questão de economia processual). Obs. há ineficácia da arrematação.há muito mais semelhança com a anticrese do que com o usufruto em si.o artigo 690-A do CPC traz exceções aos legitimados para a arrematação.176/RS).executado (que pode ser intimado na pessoa do seu advogado27).senhorio direto. . não precisa depositar o valor em juízo – porém. Não pagando nos três dias. mesmo o exequente arrematando o bem.alguns juízes consideram vil o valor de 50% do valor da avaliação. O STJ vem se filiando ao posicionamento de que a intimação da hasta pública para o cônjuge não devedor não é obrigatória (STJ. pegando a dívida com os frutos e rendimentos do bem até que o crédito seja satisfeito. . ou seja.: no caso de arrematação feita por terceiro..credor com garantia real28 . 30 Nesse caso. deverá ser depositada em juízo a diferença. ficando esse arrematante proibido de participar em novas hastas públicas naquele mesmo processo. 28 O direito de garantia continua existindo.credores que tenham averbado a penhora. Não realizando o pagamento nesse caso. A intimação da hasta pública somente se realizará para o executado que teve bem penhorado. deverá ser feito o depósito do valor em juízo: a) quando houver concurso de credores. Não ocorrendo a arrematação. haverão três dias para o credor providenciar o pagamento. 723. . Nesse caso. c) usufruto de móvel/imóvel: . . . .procedimento da hasta pública: . b) quando o valor da arrematação for superior ao valor da execução30. Obs.POLÊMICA -> cônjuge não devedor29. haverá uma segunda hasta pública (as duas hasta pública já saem publicada no edital. a intimação deve ser pessoal. Rede de Ensino Luiz Flávio Gomes – Direito Processual Civil . . ele em regra não “exibe o preço”.

. afasta a garantia do juízo como condição para admissão dos embargos. Rede de Ensino Luiz Flávio Gomes – Direito Processual Civil . . b) petição inicial inepta (decisão terminativa). haverá uma multa de até 20% do valor exeqüendo.embargos à execução: . a regra é que o termo inicial é contado da juntada da carta precatória aos autos principais.Danilo Meneses – Intensivo II Página 28 .garantia do juízo: o artigo 736. Nesse caso há rejeição dos embargos em um julgamento de mérito. sendo o termo inicial a contar da juntada do mandado de citação aos autos. o embargado será “citado” (segundo a melhor doutrina: Leonardo Greco e Luiz Guilherme Marinoni) na pessoa do seu advogado do embargado. já há doutrina (Marinoni. Wambier) dizendo que excepcionalmente (direito do embargante muito evidente e perigo muito grave).de plano.. porém. parágrafo único diz que nesse caso. acabou sendo substituída pela “penhora do faturamento”. podendo o juiz deferir mesmo que o executado não concorde. . em respeito ao contraditório. o juiz pode rejeitar liminarmente os embargos (art. c) perigo de grave dano -> só se obtém efeito suspensivo se o juízo estiver garantido. §1º do CPC: a) pedido expresso. O artigo 738 do CPC tem três regras interessantes em relação ao prazo: .defesas do executado: .o termo inicial é independente para os executados. 739 do CPC).a aplicação desse instituto não depende mais da anuência do executado. confirmando o que foi dito anteriormente. . .prazo: o prazo para os embargos é de 15 dias.desde 2. “caput” do CPC. no caso de citação realizada por carta precatória. nos casos de: a) intempestividade (decisão terminativa). abre-se o prazo para defesa do embargado (que 31 Embargos sem manifestação “fático-jurídica” séria. é legal que se ouça as partes. Porém. quando entender conveniente – logicamente.inaplicação do artigo 191 do CPC.procedimento: . .os embargos à execução tem natureza de “ação de conhecimento incidental”. Não há o chamado efeito suspensivo op legis – a lei não dá o efeito suspensivo aos embargos – porém a lei permite que haja o efeito suspensivo op iudicis – efeito suspensivo dado pelo juiz. c) embargos manifestamente protelatórios (decisão de mérito)31. A exceção é a presença de cônjuges no pólo passivo (litisconsórcio passivo entre cônjuges). segundo o artigo 738 do CPC basta uma informação por qualquer meio idôneo do juízo deprecado para o juízo deprecante. dispensa-se a penhora para concessão do efeito suspensivo. além dos embargos serem indeferidos. . parágrafo único.não sendo caso de “rejeição liminar”.006 não existe mais “usufruto de empresa” – que na praxe.inicia-se por petição inicial (já que tem natureza de ação) conforme o artigo 282 e 283 do CPC. prevê que os embargos serão “distribuídos por dependência”. .efeito suspensivo dos embargos: o artigo 739-A do CPC traz a regra de que os embargos não tenham efeito suspensivo. .a previsão contida no artigo 736. b) relevância da fundamentação -> boa probabilidade do embargante ter razão. onde o prazo para os dois começa da juntada do último mandado de citação cumprido. Os requisitos para concessão do efeito suspensivo por parte do juiz estão previstos no artigo 739-A. Daí. O artigo 740. .

chama-se impugnação. JUIZADOS ESPECIAIS . Caberá apelação se a decisão extinguir a execução. que manda utilizar as regras da execução. . mas segundo a melhor doutrina. 3º da 9. uma vez concedido.depois da resposta do embargado (ou não havendo ela). haverá revelia? O juiz pode presumir verdadeiro os fatos alegados pelo embargante? Apesar da discussão doutrinária. inicia-se a instrução probatória. . sendo possível todos os meios de prova (embora a cognição seja limitada no plano horizontal).para se descobrir o procedimento da impugnação.515/RJ) não se configura o efeito material da revelia nesse caso (não se presumem verdadeiros os fatos alegados pelo embargante.153/09 -> juizados especiais da fazenda pública. e caberá agravo de instrumento se a decisão prosseguir. mesmo a causa sendo de competência do juizado especial.previsão legislativa: . .impugnação: . Porém.9. tem natureza jurídica de “contestação”). . . . .competência: a) competência dos juizados especiais cíveis: .essa lei prevê uma vacância de 6 meses.12. utiliza-se o artigo 475-R da execução. .caso o embargado não impugne. O artigo 23 traz o prazo de 5 anos para o que o tribunal limite a atuação desse juizado (somente durante esse prazo). devendo o embargante provar o alegado). sendo admitidas ações até o valor de 40 salários mínimos. . Resta Rede de Ensino Luiz Flávio Gomes – Direito Processual Civil .10.o juizado especial estadual é facultativo. ou seja. por se tratar de título executivo judicial. V do CPC). o exequente pode revogar o efeito suspensivo atribuído à impugnação caso o ele preste caução.valor da causa: é o valor da pretensão. . permitindo (no artigo 22) o prazo até de 2 anos para que os tribunais se estruturem para sua aplicação.segundo a doutrina majoritária. 671. ou seja.Danilo Meneses – Intensivo II Página 29 .contra a sentença que resolver os embargos caberá apelação que não será recebida no efeito suspensivo (conforme o artigo 520. segundo o STJ (REsp. O enunciado 50 do FONAJE lembra que o salário mínimo nacional. mas sim o efeito da decisão no procedimento.o artigo 475-L do CPC indica um rol restritivo de matérias alegáveis em sede de impugnação – não se admite a discussão do direito exeqüendo nesse caso.é a defesa típica do cumprimento de sentença.art.099/95 -> juizados especiais estaduais. .não interessa o conteúdo da decisão para saber o recurso cabível. . sendo o valor considerado no momento de propositura da ação.259/01 -> juizados especiais federais.a regra para se adquirir o efeito suspensivo. tal impugnação tem natureza típica de “defesa incidental”. o autor pode optar pela justiça comum. . .099/95 -> causas de inclusão da competência: . as regras do artigo 739 e 740 do CPC.

a competência dos juizados especiais federais é obrigatória. segundo o enunciado 111 FONAJE. objeto da demanda): nesses casos o valor da causa é irrelevante (nesse sentido: informativo 392 do STJ do julgado 15. 32 Matérias que. massa falida. Isso significa que estando presentes as razões de competência dos juizados especiais federais. desde que haja renúncia ao excedente. b) competência dos juizados especiais federais: .União + autarquia. 3º. 6º da lei 10. §3º da lei 10. fundações e empresas públicas federais. .como autor: . O artigo 8º. seguem o rito sumário.pessoa física + microempresa + empresa de pequeno porte.259/01). . O enunciado 32 do FONAJE veda a inclusão de ações coletivas nos juizados especiais. podendo ser autoras no juizado especial. – ver artigo). preso.099/95 prevê essas exclusões absolutas (ex. . .valor da causa + matéria: são as ações possessórias sobre imóveis até o valor de 40 salários mínimos. queira ou não. sendo permitido tais sujeitos: . . porém.exclusões subjetivas parciais: nesse caso a vedação limita o sujeito apenas de ser autor. assim. A pessoa jurídica não pode ser autora na ação dos juizados especiais. etc.causas de exclusão (art. . muito comum em dano moral.Danilo Meneses – Intensivo II Página 30 . Havendo pedido genérico. Rede de Ensino Luiz Flávio Gomes – Direito Processual Civil . havendo a exigência do enunciado 110 do FONAJE de que na audiência deva comparecer o empresário individual ou o sócio gerente (não sendo admita a figura do preposto).é determinada pelo valor da causa (60 salários mínimos) e também pelos sujeitos processuais (art. a ação possessória é prevista como procedimento especial pelo CPC. . II do CPC32 e também a ação de despejo de imóvel para uso próprio. Ainda. se referindo a sujeitos que não podem participar da relação jurídica nos juizados especiais.como réu: .matéria (ou seja. Quando o condomínio participa como autor na ação. É de competência todas as matérias do artigo 275. . .: incapaz.o artigo 3º.259/01 cria para os juizados especiais uma competência absoluta. O enunciado 4 do FONAJE prevê que a única ação de despejo que pode seguir nos juizados especiais é essa para uso próprio. O enunciado 8 do FONAJE é expresso em dizer que não se admite nos juizados especiais procedimentos especiais. da lei 9.exclusões subjetivas absolutas: referem-se a sujeitos que não podem ser nem autor nem réu.465-SC).objetivas: algumas matérias não podem ser tratadas nos juizados especiais. Porém.saber se pode-se ingressar no juizado com uma pretensão acima de 40 salários mínimos? Sim.259/01): .causas de exclusão da competência: .subjetivas: a maioria das causas de exclusão são de ordem subjetiva. §1º da lei 10. na justiça comum estadual. caput. pessoa jurídica de direito público. é exigida a presença do síndico na audiência. o enunciado 72 do FONAJE diz que o espólio pode ser autor nos juizados especiais.deve ser feita uma leitura na lei. o valor vai ser estimativo e fatalmente não poderá exceder os 40 salários mínimos. insolvente civil. desde que não haja interesse de incapaz. microempresa e empresa de pequeno porte são exceção.

é plenamente possível a existência de uma sentença condenatória no valor superior a 60 salários mínimos. (art.099/95 prevê aquilo que se imagina ser uma “pseudo -arbitragem”. . e essa sentença somente pode ser dada por dois sujeitos: o juiz togado e o juiz leigo.259/01. ela deve ser remetida ao juiz togado. . b) juiz leigo: . distrito federal e territórios + autarquias fundações e empresas públicas municipais e estaduais.valor da causa: 60 salários mínimos. .o juiz leigo pode: . esse advogado deve ser a experiência de dois anos. Essa previsão pode levar a crer que vigora no juizado especial um juízo de equidade.proferir sentença -> quando o juiz leigo profere a sentença.Danilo Meneses – Intensivo II Página 31 .a previsão contida no artigo 6º da lei 9. .vigora nos juizados especiais o juízo da legalidade. . 15.153/09): . .conduzir a produção de provas. quando se faz um pedido genérico.nos juizados especiais da fazenda pública.153/01).porém. 2º. . municípios. havendo um pedido determinado acima de 60 salários mínimos.099/95 no sentido de que o juiz adotará em cada caso a decisão que entender mais justa e equânime. . . .ordenar que o juiz leigo colha novas provas. §4º da lei 12. atendendo aos fins sociais da lei e às exigências do bem comum. . §1º).sujeitos processuais: a) juiz togado: .deve ser feita uma leitura do dispositivo legal).sujeito passivo: estado.sujeito ativo: pode ser autor pessoa física. 5º da lei 12. .o artigo 25 da lei 9. No juizado especial cível. essa sentença somente tem validade jurídica se for homologada pelo juiz togado. . As partes podem escolher entre os juízes leigos alguém para atuar em seu processo Rede de Ensino Luiz Flávio Gomes – Direito Processual Civil . . o que não é verdade.ordenar o juiz leigo para refazer a sentença. §1º d da lei 12.também devem ser analisados os sujeitos processuais (art. .sujeitos: .o artigo 2º.causas de exclusão (art.conduzir a tentativa de conciliação. somente é cabível a competência do juizado especial com a renúncia do excedente. o juiz leigo deve ser um advogado com no mínimo 5 anos de experiência – o mesmo se aplicando aos juizados especiais federais. empresa de pequeno porte. que possui três opções: . Observação: . .a ação dos juizados vai precisar de uma sentença.c) competência dos juizados especiais da fazenda púbica: .153/09 determina que tal juizado especial possui uma competência absoluta.tanto nos juizados especiais federais quanto nos juizados especiais da fazenda pública.homologar a sentença do juiz leigo.o juiz leigo tem uma participação efetiva dentro do processo. . microempresa. o que faz com que a competência dos juizados especiais da fazenda pública seja obrigatória – nos mesmos termos da lei 10.quando o juiz leigo sentencia.

a participação do Ministério Público vai se dar nos casos do artigo 82 do CPC. . essa provocação se dá através de uma petição inicial que precisa preencher os requisitos do artigo 282 e 283 do CPC.o procedimento nos juizados especiais é chamado de “procedimento sumaríssimo”. o procedimento somente tem início com a provocação do interessado. Entendendo o juiz que esta produção da prova conduzida pelo conciliador é suficiente e não houver impugnação das partes.o artigo 23 do Estatuto de Ética da OAB proíbe a cumulação da figura do advogado com a do preposto – no mesmo sentido. . aonde se aplica o CPC.na prática. o juiz aplica a pena da revelia. que pode ser feito por escrito ou de maneira oral na sede do juízo. não é um sujeito processual.o preposto representa a pessoa jurídica em audiência.099. a maioria dos conciliadores são estudantes de direito. .o Ministério Público pode participar do processo em sede de juizado especial (nesse sentido: art. a presença de advogado é indispensável.como árbitro. Esse árbitro não resolve o processo com uma sentença arbitral. . ele pode julgar fundamentando sua sentença nessa prova colhida pelo conciliador (dispensando a audiência de instrução) – o artigo 26 da lei 12. caso no depoimento pessoal o preposto mostre desconhecimento dos fatos. f) Ministério Público: . Assim. . c) conciliador: . .153/09 a atuação do conciliador passa a ser bem mais ativa: a lei permite a ele fixar os contornos fáticos da demanda.Danilo Meneses – Intensivo II Página 32 .o preposto não precisa ter vínculo empregatício com a empresa. .nos juizados especiais.na prática.procedimento: . d) advogado: .em decorrência do princípio da inércia da jurisdição. Na justiça comum. tecnicamente falando. deve haver depoimento pessoal.no juizado especial federal a dispensa de advogado é até o teto permitido para o mesmo (até 60 salários mínimos). . Rede de Ensino Luiz Flávio Gomes – Direito Processual Civil . . . Esse “laudo arbitral” para ter eficácia jurídica deve ser homologado pelo juiz togado.099/95 que afirma que a provocação inicial será chamada de “pedido”. enunciado 98 do FONAJE. .no artigo 16 da lei 12. mas sim com um “laudo arbitral” que poderá ser baseado em juízo de equidade. mas será analisado o termo “sujeito processual” em sentido amplo.95). deve-se aplicar o artigo 14 da lei 9. . raramente o Ministério Público participa do processo em curso nos juizados especiais.a dispensa da capacidade postulatória nos juizados especiais cíveis é de 20 salários mínimos – isso significa dizer que entre 20 salários mínimos e 40.o advogado. . a função do conciliador é tentar a transação na audiência de conciliação. e) preposto: . qualificação e endereço das partes -> aqui é necessário apenas o mínimo para identificar as partes. podendo inclusive colher prova oral (ouvindo partes e testemunhas). 11 da lei 9.nos juizados especiais cíveis.deve ser preferencialmente bacharel em direito.quando há audiência de instrução e julgamento.153/09 manda aplicar essa norma para os juizados especiais federais. Há algumas exigências: I – nome.

intimação: . aplicando o princípio da “iura novit curia” (dai-me os fatos que eu te dou o direito). .o enunciado 73 do FONAJEF diz que a intimação pode ser feita até mesmo por telefone. . I da lei 9. deve-se utilizar qualquer meio idôneo para fazer tal intimação. a publicação é feita por meio de diário oficial. na sessão de conciliação não é necessária a presença do juiz togado nem a presença do juiz leigo. .postura do juiz diante do pedido: . .Danilo Meneses – Intensivo II Página 33 . é feita através de aviso de recebimento em mão própria (art.aplica-se o “princípio da aparência” no tocante à citação da pessoa jurídica. objeto e valor refere-se a um pedido.099/95). . . podendo ser feita até a audiência de instrução e julgamento (inclusive na própria audiência). segundo a lei. e a prova maior disso é o artigo 18. . A exceção se refere à atos praticados fora da audiência. aplicando a regra de que a pessoa física deve ser citada pessoalmente (não valendo citação de outra pessoa). o indeferimento liminar em razão da incompetência absoluta do juizado especial. que segundo o artigo 18.emenda do pedido -> é plenamente possível.o enunciado 7 do FONAJEF traz a regra de que nos juizados especiais federais não há intimação pessoal. devendo-se imediatamente instaurar uma sessão de conciliação para que possa ser resolvido.indeferimento liminar do pedido -> é possível.sem advogado.II – fatos e fundamentos do pedido -> é evidente que deve-se permitir que a alegação na inicial seja somente fática. Nesse caso. . embora nunca se dê por inépcia. Obs.é proibida a citação por edital. .a citação no juizado especial será feita em regra pelo correio.a regra é que as intimações ocorram sempre em audiência. . deve ser efetuada pela pessoa “encarregada da recepção”.099/95 permite que ambas as partes em conflito compareça em conjunto perante o juizado especial.099/95. II da lei 9.enunciado 101 do FONAJE -> permite a aplicação do artigo 285-A do CPC (julgamento liminar de improcedência em causas repetitivas). .: o artigo 17 da lei 9.citação: .a presença das partes é necessária (ônus perfeito). . Deixando o autor de comparecer a tal audiência. 18.nos termos o enunciado 6 do FONAJE. . principalmente por ser permitido que se provoque o judiciário sem a necessidade de um advogado.a citação da pessoa física. haverá extinção do processo por abandono – o enunciado 90 do FONAJE diz que é extinto o processo por abandono independentemente da intimação do réu. Rede de Ensino Luiz Flávio Gomes – Direito Processual Civil . . . Nesse caso não haverá um pedido inicial. III – objeto e valor -> na verdade. Nesse caso.sessão de conciliação: . É possível por exemplo. Há um enunciado antigo do FONAJE (Enunciado 5) que diz que na citação da pessoa física basta que qualquer sujeito identificado localizado no endereço do réu receba a citação. a intimação deve ser pessoal.apenas excepcionalmente ter-se-á o oficial de justiça participando da citação. não devendo exigir que haja fundamentação jurídica. III da lei 9.099/95.o enunciado 53 do FONAJE diz que nas ações consumeristas o juiz deve citar o réu já se referindo à possibilidade de inversão do ônus da prova.

parágrafo único da lei 9. Para se admitir o pedido contraposto é necessário que o pedido do réu contra o autor seja fundamentado na mesma situação fática narrada pelo autor34. sendo portanto. 33 Incompetência relativa se refere a competência territorial por natureza.o primeiro ato da audiência de instrução e julgamento é a tentativa de conciliação.essa audiência de instrução e julgamento deve transcorrer (art. O enunciado 31 do FONAJE permite que a pessoa jurídica faça pedido contraposto. no máximo 3 por fato. há a apresentação da defesa do réu. pode-se incluir outras reações que na justiça comum seriam feitas por peça autônoma. o que tornaria o pedido contraposto vazio. O “pedido contraposto” também é um contraataque do réu. no CPC. .: incompetência relativa33 b) exceção de impedimento e suspeição do juiz -> essa vai subir para o colégio recursal. . O objetivo do depoimento pessoal é a confissão. o momento de apresentação da defesa do réu é na audiência de instrução e julgamento. O réu possui. todos os meios de prova são em regra admitidos: a) depoimento pessoal -> no CPC o depoimento pessoal depende de pedido da parte contrária.Danilo Meneses – Intensivo II Página 34 . No juizado especial. mas admite o chamado “pedido contraposto”. . III da lei 9. b) prova testemunhal -> na justiça comum. depende. pelo CPC. como bem observado pelo enunciado 10 do FONAJE. que pode se dar tanto de maneira oral quanto de maneira escrita. como a regra). porém feito na própria contestação. No juizado especial. A exigência desse prazo mínimo. Nos juizados especiais. ocorre revelia. Rede de Ensino Luiz Flávio Gomes – Direito Processual Civil . ela será homologada e o processo extinto. mas o artigo 277 do CPC diz que o prazo mínimo deve ser de 10 dias. A hipótese de cabimento do pedido contraposto é mais restritiva do que a reconvenção. 27.audiência de instrução e julgamento: . Assim.não alcançando a conciliação. c) reconvenção -> o artigo 31 da lei 9. nos juizados especiais.a ausência do autor nessa audiência gera a extinção do processo e a ausência o réu gera a revelia. Portanto. o enunciado 89 do FONAJE diz que não obstante a natureza relativa da incompetência relativa referente à competência territorial. Nos juizados especiais. além da defesa do réu. fundamentalmente duas peças de defesa: a) contestação -> na contestação. Entendendo o juiz que não há prova a produzir. Havendo transação. sendo que. o número máximo de testemunhas é de 10. Na justiça comum.Não comparecendo o réu na audiência. Não há previsão na lei.099/95 proíbe a reconvenção. Qualquer que seja o juizado. toda testemunha deve ser arrolada antes da audiência. o que leva a crer que também será estendida tal vedação para os juizados especiais da fazenda pública. 34 Não é nos mesmos fatos. a incompetência territorial tem natureza peremptória (não dilatória. o número máximo é de 3 testemunhas. o depoimento pessoal pode ser feito através de pedido ou de ofício. . Reconhecida a incompetência territorial é caso de extinção do processo (art. o juiz não vai designar audiência de instrução e julgamento. O enunciado 12 do FONAJEF não admite pedido contraposto nos juizados especiais federais.099/95) em um prazo máximo de 15 dias após a sessão de conciliação frustrada (prazo impróprio). . o juiz irá designar audiência de instrução e julgamento. uma contestação até mais ampla do que a da justiça comum (ex. . deve-se usar como fundamento do pedido contraposto a mesma situação (episódio da vida) narrada pelo autor. 51.instrução -> na instrução será realizada a produção de provas.099/95). o juiz pode decretá-la de ofício.não havendo transação.

e) inspeção judicial -> esta se dá quando o juiz. o artigo 35 da lei 9. tratar-se-á de prova atípica). d) agravo interno36. . mas os enunciados 102 e 103 do FONAJE e enunciados 29 e 31 do FONAJEF permitem tal recurso.segundo o enunciado 46 do FONAJE a fundamentação pode ser gravada em fita magnética.recursos: . f) debates orais -> segundo o enunciado 35 do FONAJE não há alegações finais oralmente feitas nos juizados especiais.sentença -> o juiz pode proferir a sentença oralmente na sentença ou proferir a sentença por escrito no prazo de 10 dias que a lei lhe dá (prazo impróprio).Danilo Meneses – Intensivo II Página 35 . No CPC. pode-se apresentar a contestação até a audiência de instrução e julgamento (inclusive nela). .084/SC) que mesmo as questão complexas faticamente são de competência do juizado especial federal. pessoalmente. . c) prova documental -> a diferença em relação à prova documental se dá no momento adequado para produzi-la. parágrafo único da lei 9.099/95 diz que nos juizados especiais não há relatório na sentença. ou indicar pessoa de sua confiança para fazer a inspeção (nesse último caso. de uma coisa ou de um lugar. parágrafo único traz uma proibição expressa da prolação de sentenças ilíquidas nos juizados (por isso nos juizados especiais não existe liquidação de sentença). faz com que se chegue a conclusão de que sempre devem ser arroladas as testemunhas.099/95 prevê a perícia normalmente. a doutrina é bastante tranqüila em admitir a dispensa do arrolamento prévio caso não seja necessária a intimação.099/95 diz que a sentença é ineficaz no que se exceder o valor de 40 salários mínimos. Rede de Ensino Luiz Flávio Gomes – Direito Processual Civil . multa por litigância de má fé e também as astreintes.na lei 9. Caso essa prova pericial se mostre complexa. . . Não há previsão legal desse recurso.o artigo 39 da lei 9. mas para o cálculo desse valor se deve excluir os honorários advocatícios. Porém.só precisando arrolar quando necessária a intimação da testemunha (5 dias). o lugar desse processo não é os juizados especiais estaduais. o STJ já teve a oportunidade de decidir (informativo 391 no julgamento da 1º sessão. 103. d) prova pericial -> no juizado especial cível. . se interpretado literalmente.099/95 há a previsão de dois recursos: a) embargos de declaração. O artigo 35. b) recursos inominados contra sentença. sendo que obrigatoriamente escrito deve ser apenas o dispositivo.099/95 admite a chamada perícia informal. esse momento é o da petição inicial ou da contestação: nos juizados especiais. Por isso.o artigo 38 da lei 9. Segundo o artigo 544 e 557 do CPC.099/95.observação: nos juizados especiais federais e nos juizados especiais da fazenda pública o artigo 39 é inaplicável. Nos juizados especiais federais. O artigo 34 da lei 9. o artigo 12 da lei 9. A perícia informal é uma perícia feita na própria audiência de instrução e julgamento. c) recurso extraordinário35. faz um exame de uma pessoa.099/95 fala que o juiz pode fazer a inspeção.o artigo 38. . 35 36 O enunciado 63 do FONAJE permite também o recurso extraordinário (orientação pacífica).

contradição e obscuridade. O problema é que nos juizados especiais cíveis estaduais (lei 9.recurso inominado é o recurso cabível contra sentença. . mas sim de interrupção) o prazo.na justiça comum.recurso inominado: .nos juizados especiais.099/95) não existe tal uniformização. artigo 14 e na lei 12. o artigo 50 da lei 9.recurso especial: . .099/95 traz a regra de que o recurso é sem efeito suspensivo.o artigo 5º do JEF e do artigo 4º do JEFP admitem recurso das decisões que indeferem tutela de urgência. não há previsão na lei 9. daí resta saber como se controlam as decisões que afrontam jurisprudência pacificada no STJ: recentemente.153/09.Danilo Meneses – Intensivo II Página 36 . .o STJ diz que de decisão interlocutória de juizado cabe mandado de segurança.772 do STF. . Nos juizados especiais. há uma opção de se fazer por escrito ou oralmente na audiência.para ajuizar REsp.preparo -> com relação ao preparo do recurso inominado nos juizados especiais há duas diferenças fundamentais em relação ao preparo da justiça comum.099/95.. 511 do CPC – no ato de interposição do recurso deve se provar o recolhimento do preparo).na justiça comum. decidiu-se que enquanto não se cria a turma de uniformização jurisprudencial nos juizados especiais cíveis. e o enunciado 35 do FONAJEF diz que não há execução provisória no juizado especial federal. . Porém. é cabível a “reclamação constitucional”. Rede de Ensino Luiz Flávio Gomes – Direito Processual Civil . haverá suspensão do prazo.847 (julgado pelo pleno) diz que decisão interlocutória de juizado não cabe agravo nem mandado de segurança. Nos juizados especiais. O artigo 16 e 17 da lei 10.na lei 10.259/01. consegue-se chegar até o STJ. além de atacarem omissão. ele sempre é escrito. O juiz pode porém.o recurso inominado é mais amplo que a apelação. devendo usar a regra do CPC. aplica-se a regra da comprovação imediata (art. Na justiça comum. quando se tratar de embargos de declaração contra acórdão. . no caso concreto. conceder efeito suspensivo se entender que há um grave perigo de dano irreparável ou de difícil reparação.099/95 diz que quando os embargos forem interpostos contra sentença. que interrompe (não sendo caso de suspensão. porém o recurso inominado pode impugnar as decisões interlocutórias. exige-se uma decisão de tribunal. Nos juizados especiais. .não é cabível nos juizados especiais federais. a interposição dos embargos de declaração o prazo para outros recursos. no julgamento 571. . O STF no julgamento 576. e o colégio recursal (que dá a última palavra no juizado especial) não é tribunal. Na justiça comum. por meio de tal recurso. . ele também ataca a dúvida. Nos juizados especiais há até 48 horas após a interposição do recurso para se provar que fez o preparo. trabalha-se com a idéia da irrecorribilidade das decisões interlocutórias (não cabe agravo).embargos de declaração: .259/01 admite duplo efeito. .efeitos: o artigo 43 da lei 9.nos juizados especiais. artigos 17 e 18 há um recurso de uniformização de jurisprudência (quando a decisão contraria entendimento do STJ). . o artigo 511 do CPC admite a complementação do preparo em 5 dias. . o enunciado 80 do FONAJE diz que não há direito à complementação.

no juizado especial federal e da fazenda pública não cabe reexame necessário.observações: . .Danilo Meneses – Intensivo II Página 37 .não cabe recurso adesivo nos juizados (enunciado 88 do FONAJE e 59 do FONAJEF).. Rede de Ensino Luiz Flávio Gomes – Direito Processual Civil .