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1 Intensivo para o MP 2009 – Master Juris Processo Penal – Antônio José Data: 03/02/09 Aula 01 – 1ª Parte Vamos dar início

ao estudo de pontos polêmicos, pontos controvertidos do processo penal que podem ser eventualmente objeto de questionamento em prova preliminar. Vamos iniciar falando sobre três questões específicas acerca do arquivamento do inquérito policial. São três situações: Primeira situação: findas as investigações no inquérito policial, o MP constata que o fato investigado não constitui crime por ausência de tipicidade, o fato é atípico. Todas as provas, todos elementos de informação contidos no inquérito policial revelam que a hipótese é de fato atípica. Diante desse quadro probatório, cabe ao MP oferecer denúncia ou manifestar-se pelo arquivamento do inquérito policial? Induvidosamente, a hipótese é de arquivamento do inquérito policial, porquanto não se justifica a instauração de ação penal condenatória para a apuração de fato manifestamente atípico. Na dúvida, sobre a tipicidade do fato, dúvida existente mesmo depois de findas as investigações no inquérito, na dúvida cabe ao MP oferecer denúncia. Neste momento, nesta fase a dúvida se resolve em favor da sociedade. Pois bem, aqui é caso de arquivamento do inquérito policial malgrado a recente lei 11.719/2008, ao dar nova redação ao artigo 397 do CPP, preveja nesses casos a absolvição sumária do réu. A absolvição sumária do artigo 397, que é sentença de mérito, que é sentença definitiva, sentença absolutória proferida após o recebimento da denúncia e a apresentação de resposta pelo acusado. Como está no artigo 397, inciso II, que trata da absolvição sumária, absolvição sumária depois de recebida a denúncia, de citado o acusado e oferecida resposta, como está no artigo 397 parece que nessa hipótese o MP deva oferecer denúncia, por quê? Porque o juiz proferiria sentença de absolvição sumária, depois de recebida a denúncia, citado o acusado e de oferecida resposta. Todavia, esse entendimento é esposado pelo Marcelus Polastri no seu manual atualizado de processo penal, todavia não obstante a nova redação do artigo 397, nesses casos o MP deve, ao invés de oferecer a denúncia, manifestar-se pelo arquivamento do inquérito policial. É inconcebível o oferecimento da denúncia, inadmissível a instauração da ação penal se verificar desde logo, pela prova do inquérito, que o fato investigado é manifestamente atípico. Pois bem, nesta hipótese se o MP eventualmente oferecer denúncia... Repito: é caso de arquivamento do inquérito policial, mas se porventura o MP oferecer denúncia, deverá o juiz desde logo rejeitá-la absolvendo sumariamente o acusado. Não cabe ao juiz, nesta hipótese de denúncia que atribua ao acusado a prática de conduta manifestamente atípica, não cabe ao juiz receber a inicial

2 Intensivo para o MP 2009 – Master Juris Processo Penal – Antônio José acusatória, mandar citar o acusado, aguardar a resposta para, só então, proferir sentença de absolvição sumária. A rejeição da denúncia aqui constitui uma espécie de julgamento antecipado da lide penal, verdadeira decisão de mérito, decisão definitiva que inibirá, impedirá o oferecimento de uma nova denúncia. Mas será caso, repito, apesar da nova sistemática implantada pela lei 11.719, será caso de rejeição da inicial acusatória, rejeição que constitui verdadeiro julgamento antecipado da lide, rejeição da denúncia com a absolvição sumária do acusado. E se o juiz, nesta hipótese, receber a denúncia, deverá depois de recebida a resposta absolver sumariamente o réu, absolver sumariamente com base no artigo 397, inciso II. Numa interpretação literal dos artigos 395, 396, 396-A e 397 chega-se a uma conclusão diferente, chega-se à conclusão absurda de que o MP nesses casos deve oferecer denúncia, não obstante a manifesta atipicidade do fato objeto da investigação e diz que o juiz deve recebê-la para só depois que se apresentar a resposta absolver o acusado. Nada disso! O inquérito deve ser arquivado. Se por um acaso o MP oferecer denúncia, poderá o juiz, deverá mesmo o juiz desde logo rejeitá-la para absolver sumariamente o acusado. Na eventualidade de o juiz receber a denúncia, após apresentada resposta a que se refere o artigo 396-A, caberá ao magistrado absolver sumariamente o réu. Agora, repito, na dúvida a denúncia deve ser oferecida e recebida, na dúvida deve ser instaurada a ação penal. Na dúvida sobre a tipicidade do fato, não pode o juiz desde logo a absolver o réu com fundamento no artigo 397, inciso II. O artigo 397 fala em atipicidade manifesta do fato. Outra hipótese: finda a investigação, concluídas as diligências investigatórias, encerrado o inquérito policial, o MP constata, verifica que o indiciado praticou um fato típico sob o abrigo de uma causa de justificação. Não há dúvida alguma de que o indiciado, por exemplo, ofendeu a integridade corporal da vítima, causou lesões corporais na vítima em legítima defesa, legítima defesa inquestionável. Nesta hipótese, diante desse quadro probatório, deve o MP oferecer denúncia ou promover do inquérito policial? Também aqui, apesar (repito) do que dispõem os artigos 395 a 397 do CPP, com a redação que lhes deu a lei 11.719/2008, também aqui é caso de arquivamento. É caso de arquivamento, por quê? Porque não se concebe a instauração de ação penal condenatória para apurar fato típico que tenha sido evidentemente praticado sob o abrigo de uma causa de justificação. Não, por quê? Porque nessa hipótese o fato objeto da acusação, o fato investigado não constitui crime. Não constitui crime porque, apesar de típico, foi praticado sob o amparo, sob o abrigo de uma excludente da ilicitude. É o caso, portanto de arquivamento do inquérito policial.

hipótese em que o fato é típico e ilícito.3 Intensivo para o MP 2009 – Master Juris Processo Penal – Antônio José E se porventura o MP oferecer denúncia? O mesmo raciocínio. desde logo. não haverá produção de prova.. verifica a ocorrência de uma causa de exclusão da culpabilidade.. exceto de prova documental. O Polastri. é sentença absolutória. Isso é importante em concurso. o MP deve oferecer denúncia ou aqui também é caso de arquivamento do inquérito policial? Aqui é preciso um pouco mais de cuidado. ao tempo do crime. Outra hipótese. exauridas as diligências investigatórias. é quando se verifica que o indiciado. E é justamente por isso. mas sobretudo em prova já dissertativa. nem tanto em prova preliminar. excludente da culpabilidade. é julgamento antecipado. Nesta hipótese. Não haverá entre a resposta do acusado. Prestem atenção! A sentença de absolvição sumária a que se refere o artigo 397 é prolatada. é proferida com base na prova que instrui a acusação contida na denúncia. reformulou o seu pensamento. A primeira. essa decisão de mérito. era menor de 18 anos.719/2008. absolvendo sumariamente o réu. encerrada as investigações. Nesta hipótese. Caberá ao juiz rejeitá-la. passando portanto a defender posicionamento diverso daquele que consta de seus livros anteriores. dessa mudança é importante ressaltar que nunca houve controvérsia sobre a solução processual adequada em dois casos isenção de pena. resposta do artigo 396 A e a sentença de absolvição sumária. que certamente será examinador de processo penal do concurso do MP. com fundamento no artigo 397. deverá depois de apresentada a resposta.. Se a denúncia for recebida? Se o juiz receber a denúncia. com base na prova que instrui a inicial acusatória. por quê? Porque o Polastri. o MP constata. resposta a que se refere o artigo 396 A. se chega à conclusão de que mesmo nas hipóteses do artigo 397 deve o juiz.. liminarmente rejeitar a inicial acusatória. absolver sumariamente o réu. é decisão de mérito. a absolvição sumária será proferida com base na prova que acompanha a denúncia. mas o agente é isento de pena. terceira situação: findo o inquérito. tecnicamente ainda não se pode falar em réu. reformulou a sua orientação acerca desse tema. essa sentença absolutória é prolatada sem que haja em juízo dilação probatória. não haverá dilação probatória. diferentemente da rejeição liminar do artigo 395. Mas. que numa interpretação lógico sistemática do código. inciso I. Vale dizer. Lembrem-se sempre que a . à luz da lei 11. duas hipóteses de exclusão da culpabilidade demonstrada ainda na fase de inquérito policial. hipótese de prova incontroversa sobre a excludente da culpabilidade. Essa decisão. antes de falar dessa alteração de pensamento. comprovada sem dúvida no inquérito policial. Logo. absolvendo sumariamente o acusado.

rejeitá-la com fundamento no artigo 395. a culpabilidade do agente é sempre verificada ao tempo do crime. tomar? Caberá ao juiz rejeitar a denúncia. aqui apesar de a lei 11. era menor de 18 anos? O que providência deverá o juiz.4 Intensivo para o MP 2009 – Master Juris Processo Penal – Antônio José culpabilidade é auferida ao tempo do crime. não ter repetido no artigo 395 o que constava do parágrafo único do artigo 43. de qualquer maneira. Então. aqui especificamente inciso II. que está revogado. nesta hipótese não há dúvida alguma. no significado jurídico da expressão. Resposta: vamos imaginar que depois de rejeitada denúncia. se for o caso. não há dúvida alguma. ou por faltar condição da ação se se entender que é hipótese de ilegitimidade para a causa. neste caso. ao tempo do crime. a hipótese é de ilegitimidade para a causa. não podendo figurar no pólo passivo da ação penal condenatória. independentemente da orientação doutrinária que considerar correta. porventura o MP oferecer denúncia? Se passar desapercebido para o MP que o indiciado. Mas. Para alguns. o inquérito deve neste caso ser arquivado e remetido com cópia. Por que arquivamento no sentido jurídico e não de denúncia? A hipótese é de arquivamento. é caso de denúncia ou de arquivamento? Aqui. Foi um esquecimento do legislador não reproduzir no artigo 395 o que constava no . é a opinião do Polastri.719/2008 não ter reproduzido. é caso de arquivamento do inquérito policial. que não impede o oferecimento de uma nova denúncia. indiciado inimputável. II. ou rejeitá-la por falta de pressuposto processual se se considerar que a hipótese é de ilegitimidade para o processo. É possível neste caso o oferecimento de uma nova denúncia ou a decisão de rejeição proferida com fundamento no artigo 395. é caso de ilegitimidade para o processo penal. notem bem que a hipótese é de rejeição da denúncia. porque os menores de 18 anos são inimputáveis. depois de rejeitada a denúncia com fundamento no artigo 395. Vale aqui o que dispunha o antigo parágrafo único do artigo 43 permitindo nesse caso o oferecimento de uma nova denúncia. no sentido jurídico. inciso II se apura que o sujeito na época do crime era maior de 18 anos. decisão de conteúdo processual que não obsta. é caso. a Justiça da Infância e da Juventude. diferentemente da absolvição sumária. Para outros. E se. ao tempo do crime um indiciado era menor de 18 anos. é definitiva e obstando a instauração da ação penal condenatória? Vejam bem. é caso de arquivamento do inquérito policial. será possível o oferecimento de uma nova denúncia. inciso II. Rejeitá-la. inciso I. Pergunta do aluno. a rejeição liminar da denúncia com base no artigo 395. levando-se em conta as condições pessoais do agente ao tempo da realização da conduta típica. III é decisão meramente terminativa. O menor de 18 anos é parte ilegítima na ação penal condenatória. por quê? Porque a rejeição da denúncia. Pois bem.

o Polastri está sustentando que o MP. pode e deve o MP manifestar-se. funcionando a culpabilidade como pressuposto de aplicação da pena. é de denúncias e não de arquivamento do inquérito policial. que nesses casos. bastaria que o inquérito policial contivesse provas sobre a ocorrência de um crime. cuja aplicação exige o devido processo penal. nesses casos. ao tempo do crime tenha subtraído por completo a capacidade de entendimento (27:32) de determinação do indiciado. hipótese de indiciado inimputável nas condições do artigo 26 do código penal: doença mental. a própria lei hoje ressalva essa situação quando trata da absolvição sumária e a hipótese aqui é de denúncia. deve prosseguir até a sentença final. já que o indiciado é inimputável. por quê? Porque a denúncia. E vejam bem. ao contrário da doutrina majoritária. A própria lei ressalva. agora. não há dúvida alguma. o oferecimento da denúncia. Agora. e essa decisão é meramente terminativa. sempre sustentou que nesses casos. . ou seja. compreenderam? Eu acho correto. Se o juiz pode absolver sumariamente com base na prova que acompanha o inquérito. diferentemente da sentença de absolvição sumária do artigo 397. diferentemente sempre do que a doutrina majoritária defendeu. não obstante a inimputabilidade do réu. a hipótese aqui. deve descrever.5 Intensivo para o MP 2009 – Master Juris Processo Penal – Antônio José parágrafo único do artigo 43. E o Polastri segue o conceito bipartido de crime. Bom. O MP terá que processualizar. deve atribuir e imputar ao acusado a prática de um crime. pelo arquivamento do inquérito. perturbação da saúde mental que. a mudança de posicionamento do Polastri : o Polastri.. quando evidente a causa de exclusão da culpabilidade. deve manifestar-se pelo arquivamento do inquérito. salvo o de inimputável por menoridade e de inimputável por doença mental. Para a denúncia. a hipótese aqui não é evidentemente a revisão criminal pro societati no. terá que jurisdicionalizar sua pretensão submetendo o indiciado inimputável nas condições do artigo 26 a uma medida de segurança. o Polastri sempre sustentou que nesses casos de excludente da culpabilidade comprovada ainda na fase do inquérito. Por que é hipótese de denúncia. pode e deve o MP deixar de denunciar. inciso II. com base na prova que daria justa causa parar instauração da ação penal. Ressalta que o processo. sempre sustentou que o MP deve oferecer denúncia.. deve narrar. não por quê? Porque essa decisão que rejeita denúncia não é propriamente uma sentença. O juiz deveria decidir sobre a culpabilidade quando da sentença. A ressalva está no artigo 397. é isento de pena nas condições do artigo 26 do código penal? Porque o inimputável nas condições do artigo 26 do código penal é isento de pena. nesses casos. à luz do que dispõe o artigo 397. não é uma decisão de mérito. é dizer. inciso II que prevê a absolvição sumária quando manifesta. decisão de conteúdo processual. de um fato típico e ilícito. o crime é em uma visão analítica bipartida é a conduta típica e ilícita. mas se sujeita a medida de segurança onde a imposição. Pois bem. A outra hipótese em que nunca houve dúvida.

teria que oferecer denúncia e o juiz teria que recebê-la. dúvida alguma portanto sobre a caracterização de causa extintiva da punibilidade. Você é promotor ou promotora e verifica que ocorreu a prescrição. Diz o artigo 648. no sistema anterior da lei 11. ainda. Era mais ou menos a redação do antigo artigo 43. a decisão seria de arquivamento e não propriamente sentença. manifesta-se pelo arquivamento do inquérito ou pela prolação de sentença declaratória da extinção da punibilidade? É caso. não faria sentido algum o MP ter que oferecer a denúncia. Durante o inquérito policial. do inquérito .. Mas. como está na lei. mesmo estando extinta a punibilidade pela prescrição ou por qualquer outra causa. Ou seja. é decisão que põe termo ao processo. eu falei em três situações. sentença de declaração de extinção da punibilidade. fato típico abrigado por uma excludente da ilicitude e a ausência de culpabilidade. oferece a denúncia. arquivamento ou.. Se o MP oferecer denúncia. inquérito policial não é a fase integrante do processo penal. não obstante a extinção da punibilidade. Eu pergunto a vocês: o MP. óbvio! Óbvio por quê? Porque o código tem que ser interpretado sistematicamente. no curso do inquérito ocorre a prescrição. no caso de extinção da punibilidade oferecesse denúncia. inciso VII. evidentemente. o MP não deve evidentemente oferecer denúncia. caberá ao juiz desde logo rejeitá-la. Para o Polastri é caso de arquivamento. não há dúvida alguma. Inquérito é o inquérito e processo é processo. inciso II.. caberia ao juiz rejeitála.719. ou seja. meramente gramatical dos artigos 395 a 397.. vejam bem. é caso de arquivamento. para só depois de apresentada a resposta (resposta do artigo 396 A) absolver sumariamente o réu. diz que a coação considerar-se-á ilegal quando extinta a punibilidade. que trata do habeas-corpus. neste caso. o MP. revela induvidosamente que esta não é a melhor interpretação a ser dada aos artigos 395 a 397. o legislador prevê neste caso sentença de absolvição sumária. dúvida alguma que o indiciado morreu. mas essa referência a extinção da punibilidade. extinção da punibilidade pela prescrição. mas falta uma aqui que é importante. se o MP nesse caso. inciso II. o juiz ser obrigado a . rejeição da denúncia com base no antigo artigo 43. Então. de prolação de sentença declaratória da extinção da punibilidade? A resposta é óbvia. Isso é um absurdo! Eu comecei pelo mais difícil: fato atípico. Inquérito é procedimento é pré processual preparatório da ação penal. por definição do CPC.6 Intensivo para o MP 2009 – Master Juris Processo Penal – Antônio José Para finalizar. como prefere alguns. ou seja. Por que é decisão de arquivamento e não de sentença? Porque sentença. Rejeição a denúncia porque extinta a punibilidade pela prescrição ou por qualquer outra causa. deve oferecer denúncia. Estranhamente. diz o Polastri. mais uma vez em uma interpretação meramente literal. eu poderia falar por exemplo na morte do indiciado. Eu pergunto a vocês: não há dúvida alguma acerca da prescrição e se eu falo em prescrição. ou é caso de arquivamento do inquérito? Ou. também aqui nada mudou. seria caso de decisão de arquivamento do inquérito policial.

a denúncia é recebida no momento processual previsto no artigo 396. Se ele é a oferecê-la. Nesses casos do artigo 397. nesse caso. É recebimento da denúncia mesmo. Recebimento da denúncia que. deverá ser rejeitada liminarmente. a lei 11. nos crimes de competência originária dos Tribunais. por quê? Porque interrompe a prescrição. não como está no artigo 396. Se o juiz. Depois de apresentada a resposta. para só depois de apresentada a resposta do réu. citado para apresentar resposta. receber a denúncia aí sim . O acusado seria notificado e. não deve denunciar. o inquérito deve ser arquivado e se. O recebimento aqui. o projeto elaborado por uma comissão de juristas presidida pela professora Ada Pellegrini.719. inclusive tem enorme relevância penal. fisicamente o juiz já terá recebido a denúncia antes se for caso de rejeição liminar. como sustentam alguns.7 Intensivo para o MP 2009 – Master Juris Processo Penal – Antônio José recebê-la. sumário e sumaríssimo. Não é nada de recebimento físico! O recebimento da denúncia não se desdobra em duas fases. apesar da confusão que o legislador instaurou no CPP. A resposta seria prévia. não! A denúncia é recebida. que o legislador alterou. não há dúvida alguma. não deve oferecer denúncia.719 não prevê resposta do acusado anterior ao recebimento da denúncia. resposta anterior ao recebimento da denúncia.. tal qual sucede. Nesses casos de absolvição sumária. o projeto previa nos procedimentos ordinário. É que o projeto que foi encaminhado ao Congresso. Essa é a confusão. apesar do que ainda sustentam alguns poucos. contraditório prévio. contraditório anterior à própria instauração da ação penal. aqui também não mudou nada. preliminar. A palavra recebimento de denuncia. repito.. Não mudou nada. por exemplo. o juiz recebe a denúncia em mãos e manda citar o acusado. ou o juiz rejeitaria denúncia (decisão terminativa). A denúncia é recebida no momento processual prevista no artigo 396. é importante saber o porquê de toda essa confusão. desfigurou por completo o projeto. que seria proferida depois de apresentada resposta pelo acusado notificado para fins de resposta prévia. caberá ao juiz rejeitá-la. Não é. artigo 397. questão que tende a se pacificar rapidamente nos Tribunais. significa juízo positivo de admissibilidade da ação penal. como está na lei. técnico. a absolvição sumária ficou para depois do recebimento da denúncia. artigo 395 ou absolveria sumariamente o réu. absolver sumariamente o réu. isso é uma infantilidade! Até porque. nos crimes de responsabilidade dos funcionários públicos. O problema é que o código prevê absolvição sumária. por um acaso. não mudou nada. Agora. nos crimes da lei antidrogas. Depois de apresentada resposta. que são procedimentos comuns. o MP. Então. a denúncia for oferecida. A lei 11. a denúncia está recebida e a absolvição sumária. Sucede. aí sim. não há um primeiro recebimento antes da resposta e o segundo depois de oferecida a resposta. o recebimento físico da denúncia. Então. o porquê de todo esse problema. o projeto previa resposta preliminar. a expressão recebimento de denúncia tem acepção. a resposta precederia o juízo de admissibilidade da ação penal. o importante é saber explicar a conclusão. isso é uma bobagem. resposta preliminar.

Resposta: o problema é o seguinte. exceto prova documental.8 Intensivo para o MP 2009 – Master Juris Processo Penal – Antônio José proferirá sentença de absolvição sumária do artigo 397. pois uma nova denúncia depois de preclusa as vias impugnativas significará uma espécie de revisão criminal por via oblíqua. Será inadmissível uma nova denúncia. deve o juiz receber a denúncia. Na dúvida. diz a maioria e é a opinião do Polastri que o juiz pode rejeitar a denúncia. ao ler o inquérito. não haverá produção de prova.. isso é bobagem! Mas. depois de apresentada resposta. O juiz pode rejeitar a denúncia para absolver sumariamente o acusado. o juiz tem que examinar já quando do oferecimento da denúncia e não depois de recebida a denúncia e citado o acusado para resposta. Mas. o MP deve oferecer denúncia. porque a prova é induvidosa. a nova redação do artigo 363 diz só há processo. O problema é o seguinte: o problema é que o código prevê rejeição no artigo 395. o problema é o seguinte: a decisão que rejeitar a denúncia para julgar antecipadamente a lide ou para absolver sumariamente o réu é uma decisão definitiva. obsta. é sentença de absolvição sumária.. é decisão de mérito. Pergunta do aluno. Pergunta do aluno. não lê nem a denúncia e nem o inquérito e recebe a denúncia e manda citar o acusado ou o juiz. Se o juiz. E essa prova. antes disso. rejeitar a denúncia e absolver sumariamente o réu.. Agora. que a relação processual se aperfeiçoa com a citação. uma: ou o juiz. É decisão que. não pode absolver se não há processo. Essa absolvição sumária se for proferida. Essa decisão de sentença de absolvição sumária é proferida sem que haja dilação probatória. vai verificar que é caso de rejeição. essa decisão irá gerar o que a doutrina chama de coisa soberanamente julgada.. independentemente do momento processual em que for proferida. porque se houver dúvida não pode nem rejeitar e nem absolver. não pode juiz absolver sumariamente o réu. que é o que acontece na prática. ainda seja considerada de outra natureza. coisa julgada insuscetível de desconstituição. tem que ser causa de exclusão da ilicitude... sentença inclusive que desafia apelação. . O Polastri fala em julgamento antecipado. Ou seja. uma vez preclusa. exclusão da punibilidade manifesta. o juiz vai absolver sumariamente o réu com base na prova que daria justa causa para a instauração da ação penal. não há dúvida alguma. Essa é a única interpretação possível. é uma interpretação lógico sistemática. é definitiva. ou seja. a decisão seria sentença. De duas. Resposta: na dúvida. Então. Aí sim. a absolvição sumária no artigo 397. impede o oferecimento de uma nova denúncia. Na dúvida. tem que se extinção da punibilidade evidente e essa decisão é o ponto nodal do problema.

é sempre bom lembrar que vigora no processo penal o princípio da fungibilidade dos recursos. o perdão judicial pressupõe o reconhecimento da procedência da acusação. qual a característica básica? A absoluta separação entre as funções processuais de acusar e de julgar. porque. sem discussão probatória. Agora. ministerial. é sentença absolutória. o MP. o inocente é absolvido. Em última análise. É a terceira premissa. Resposta: o problema é o seguinte. a quem pertence a decisão de arquivar o inquérito policial? Quem decide efetiva e ontologicamente sobre o arquivamento? O MP. porque a sentença é absolutória. o perdão é judicial e não. não há dúvida alguma que nesta hipótese o MP. Pergunta do aluno. Esse é o problema que doutrina e jurisprudência terão que solucionar.9 Intensivo para o MP 2009 – Master Juris Processo Penal – Antônio José Pergunta do aluno. três premissas. vejam bem. mas o problema é o seguinte: sentença de absolvição sumária do artigo 397. nessa perspectiva o MP deve oferecer denúncia cabendo o juiz recebê-la e. Resposta: é definitiva. o MP estaria presumindo culpa sem processo. O inocente não é perdoado. por quê? Porque não se perdoa inocente. o juiz estaria subtraindo do MP (acho que o professor se confundir. entre aspas. é óbvio! Só pode deixar de oferecer denúncia quem tem legitimidade para oferecê-la e quem tem legitimidade para iniciar a ação penal. Quem é que concede perdão judicial? O juiz. uma explicação bem singela porque eu acho que é a melhor forma de explicar e de se compreender. o recurso é apelação. o que o perdão judicial e a decisão do juiz. nesta hipótese o juiz não pode absolver sumariamente o réu. perdão judicial. e não do MP. qual é a conclusão dessa premissa? Pode o MP deixar de oferecer denúncia com base em um hipotético perdão judicial? Não. ao falar em perdão judicial. o perdão é judicial. mais ainda. Essa é a segunda premissa. Para alguns. se o juiz rejeitar logo a denúncia para absolver sumariamente o réu? Aí é que é o problema. Segundo. recurso em sentido estrito. essas funções são entregues a sujeitos processuais diversos. Logo. Para outros. para formular a acusação? Nos crimes de ação pública. Quem acusa não julga e quem julga não acusa. apelação. a decisão é do MP. inverteu) a competência para conceder perdão. por quê? Porque o . Então. por quê? Primeiro. artigo 581. isso é o que distingue do sistema inquisitório. De qualquer maneira. Terceira premissa. Isso é um silogismo. Essa é característica básica do sistema acusatório do processo. por quê? Porque no sistema acusatório a decisão de deixar de acusar pertence a quem tem legitimidade para acusar. Qual o recurso cabível da sentença de absolvição sumária do artigo 397? Não há dúvida alguma. Vamos por etapas.. pressupõe? Pressupõe que o réu seja culpado. Então. Essa é a primeira premissa..

Mas. professora Flávia Ferrer. é o entendimento de muitos do MP e do próprio judiciário. esse parecer foi exarado naquele inquérito que apurou as circunstâncias do acidente que vitimou a mulher do Herbert Vianna. Isso é um pensamento. porque ele iria subtrair do réu o direito de defesa. mais ainda. não porque o juiz ou o MP concede o perdão.. É um raciocínio meio piegas. É evidente que há interesse de agir.. isso a época com base nesse parecer.719 absolvição sumária seria depois de resposta. porque na sistemática. isso é uma distorção completa do instituto. O juiz recusou o arquivamento dizendo que o perdão é ato do juiz. nessa perspectiva o MP tem que oferecer denúncia cabendo ao juiz recebê-la eu e.. o perdão judicial é completamente descaracterizado. É um jogo de palavras. E o inquérito foi arquivado com base nesse raciocínio: não é causa de perdão.. que examinou penal em concursos passados do MP. "A pessoa já sofreu com o fato. Resposta: o problema é esse. esse parecer foi exarado e o arquivamento foi confirmado pelo Procurador-Geral de Justiça. porque isso significaria reconhecimento de culpa sem o devido processo legal. não poderá o juiz absolver sumariamente o réu para perdoar.10 Intensivo para o MP 2009 – Master Juris Processo Penal – Antônio José juiz não pode absolver sumariamente o réu para conceder-lhe o perdão judicial. já (52:43) sentença definitiva. mas para prevalecer esse entendimento a que eu vou me referir agora. a denúncia não foi oferecida por esse fundamento.. Isso ocorreu. que perdão só ao final do processo. o direito de demonstrar. Aí. se entender que falta interesse de agir e o MP oferecer denúncia. caberá ao juiz rejeitá-la. não! Não. inciso II. mas falta interesse de agir. de comprovar a sua inocência. depois portanto de recebida . por que falta interesse de agir? Porque será caso de perdão e se é caso de perdão. inclusive porque você parte do pressuposto de que o sujeito é culpado. na estrutura da lei 11. se está presumindo a culpa. o interesse de agir. Há quem entenda. porque não se pode presumir o perdão. Pergunta do aluno. um raciocínio emotivo. Vejam bem. então não vou denunciar porque ao final será concedido perdão". Isso é complicado. rejeitá-la com base no artigo 395.. o hipotético perdão judicial iria subtrair do MP o interesse de agir e aí faltaria ao MP uma das condições da ação. Agora. porque o perdão não pode ser concedido senão depois de encerrada a instrução probatória. Então.. porque? Porque faltaria o interesse de agir. mas há quem sustente.. E há um artigo publicado em uma coletânea de artigos da Procuradora de Justiça. a entendimento consagrado dentro desse trabalho no sentido de que nesses casos o MP e não deve oferecer denúncia.

O que a maioria sustenta. Eu dei em uma aula dessas o seguinte exemplo: o sujeito está caçando na floresta da Tijuca e visualiza (1:00:32) seja um veadinho. §4º manda aplicar a todos os procedimentos penais de primeiro grau. artigo 415.11 Intensivo para o MP 2009 – Master Juris Processo Penal – Antônio José a denúncia. a decisão de mérito.396 A e 397. Bom. mas rejeitou denúncia e absolveu sumariamente o réu. então é recurso sentido estrito. em relação ao tribunal do júri é possível cogitar na aplicação do artigo 397 como está na lei? O §4º manda aplicar a todos os procedimentos. rejeitou a denúncia.719. um animal. erro de tipo escusável. isso não significa dizer que nesses casos o MP deva oferecer denúncia. o artigo 397 que cuida da absolvição sumária. Ah. o §4º do artigo 394 manda aplicar a todos os procedimentos o disposto nos artigos 395. desculpável. Agora. O artigo 394. de duas sentenças de absolvição sumária. ainda que em tese. de qualquer maneira. Também aqui. em resumo. era uma pessoa que ele supunha se um veado. só que o veadinho é um ser pertencente à raça humana. aí sim. resposta. pois se o erro é . isso inclui o procedimento bifásico do tribunal do júri. Então. Aí eu lembro. rejeita com efeitos de absolvição sumária. artigo 397 e a outra na fase da pronúncia. o artigo 397 o processo do júri? Evidentemente que não. E isso é um absurdo! É óbvio que não pode se conceber essa absolvição sumária no júri. Se o MP denunciar. o juiz deve desde logo rejeitar a denúncia e aí é que surge o problema: rejeita denúncia e absolve sumariamente o réu? Julga antecipadamente a lide? Mas. que vigora no processo penal. haveria a possibilidade. revoga. Aí a dúvida é sobre o recurso. a decisão é definitiva. se o fundamento for um daqueles previstos no artigo 397. Uma depois de apresentada resposta. lei 11. Em relação ao tribunal do júri. então é apelação. sem agir com dolo ou com culpa. o juiz recebê-la.396. e vem ocorrendo na prática. que há dois ou mais poderes legislativos no país. mas manda aplicar a todos os procedimentos da competência do juiz singular (essa é a leitura correta) o disposto nos artigos 395 a 398. manda aplicar inclusive um artigo que ela própria. já que estamos falando da absolvição sumária do artigo 397. §4º parece até que são dois ou mais legisladores. artigo 579. O parágrafo 4º manda aplicar o artigo 398 que a própria lei revoga. instrução probatória para só depois. absolvê-lo o sumariamente. É possível aplicar. é que nesses casos o MP sequer deve denunciar. Hipótese de erro de tipo. como manda a lei. Ele dá um tiro e atira no veadinho. na fase da pronúncia. citar o acusado. (57:17). não por quê? Porque se o artigo 397 pudesse ser aplicado ao procedimento do júri. O artigo 394. princípio da fungibilidade. o MP não oferece a denúncia e se oferecer o juiz rejeita e. Teoricamente: denúncia ou arquivamento? Arquivamento.

já passada a fase processual do artigo 397. decisão declaratória de extinção da punibilidade cabe. citado o acusado e apresentada resposta. porque a absolvição já seria na fase de pronúncia. ao contrário. depois de produzida a prova em juízo.. recurso em sentido estrito. (01:03:10) não levou em conta que contra a sentença declaratória. Depois de recebida a denúncia. a prescrição. Bom. por quê? Porque autoriza o juiz absolver sumariamente o réu por questões relativas a inexistência do fato e de sua autoria. artigo 397.689. a absolvição sumária na fase prevista. Para muitos. qual o recurso cabível dessa sentença? Se é sentença absolutória. nenhum questionamento sobre isso no STF. vejam bem. inciso VIII. mas não é o caso. apelação. Outro problema para vocês pensarem e fiquem estudando. ou seja. vamos ver o que diz o artigo 415 já com a redação da lei 11. a absolvição sumária do antigo artigo 411 previa (o artigo 411 tem hoje como correspondente o artigo 415) que se dava nos casos de prova incontroversa sobre a excludente da ilicitude ou da culpabilidade. sentença de absolvição sumária do artigo 415? O legislador agora prevê a possibilidade de absolvição sumária com reconhecimento categórico da inexistência do fato e da negativa de autoria. artigo 415 que trata da absolvição sumária na fase da pronúncia. já na audiência de instrução e julgamento. Ou seja. a vítima nem .. Quais as inovações no tocante aos fundamentos da sentença de absolvição sumária na fase da pronúncia. O promotor oferece denúncia. Agora. subtraindo a competência constitucional do tribunal popular.. absolve sumariamente o réu. mas a vítima do suposto homicídio aparece viva! Isso pode acontecer? Pode. Agora. de duvidosa constitucionalidade. no curso do processo. o inquérito deve ser arquivado. então na fase de diligências do artigo 402 ocorre a prescrição. no sistema do código. receber a denúncia para depois de recebida a denúncia proferir decisão de absolvição sumária. o juiz recebe ou rejeita a inicial? Rejeita e.. no mínimo. não é o que acontece comumente. Ah. uma coisa é a doutrina.. Qual o recurso que o código prevê contra a declaração de extinção da punibilidade? Recurso em sentido estrito. O problema é o seguinte: uma coisa é teoria. entre aspas. Não há. Extinção da punibilidade com fundamento da absolvição sumária. Já que falamos de absolvição sumária. pois pode ser que até o concurso vocês cheguem a uma conclusão. isso aí confunde. mas para muitos o artigo 415 neste ponto no que concerne aos seus incisos I e II é. digamos. Ficou também com uma coisa inusitada. não é caso de absolvição sumária porque ainda não ocorreu. Se o fato é atípico.12 Intensivo para o MP 2009 – Master Juris Processo Penal – Antônio José escusável o fato não pode ser punido e se quer é típico.. A prescrição ocorre já no final do processo. artigo 581. são os incisos I e II do artigo 415.

falta ao juiz da pronúncia ou da absolvição sumária competência para tanto. haverá se for sustentada a inimputabilidade por doença mental. nos termos do que dispõe o parágrafo único. vejam bem. malgrado se trate de réu inimputável nas condições do artigo 26.. Aqui. Finda a instrução. a absolvição sumária fere. É caso. a competência do júri. já que o júri decide de acordo com sua íntima convicção. mas o quesito de absolvição é um quesito genérico. parágrafo único do artigo 415) quando além da tese da ausência de culpabilidade na forma do artigo 26. que é nos crimes dolosos contra a vida o tribunal popular. duas teses: legítima defesa e inimputabilidade por doença mental. O júri absolve o réu e não diz mais o motivo da absolvição. Neste caso. E esse dispositivo vai se prestar na prática a que o juiz. Outro aspecto da questão que passa desapercebida da maioria. é a absolvição sumária na dúvida. essa competência é do júri. de ver apreciada a tese da legítima defesa por seu juiz natural. por quê? Porque o réu poderia. é melhor para o réu a pronúncia do que a absolvição sumária. Esse é que o problema. O réu sustenta. Hoje. retirando do júri a competência para julgar. se não houver controle. Se vai acontecer na prática. deve o juiz absolver sumariamente o réu. o juiz togado não tem competência para reconhecer se a acusação procede e absolver sumariamente o réu aplicando medida de segurança. absolvição sumária imprópria. agora reconhecido pela lei. e a própria jurisprudência do STF vem se conduzindo neste sentido. e falta ao juiz togado. absolvição sem medida de segurança. Agora. . essa ressalva que a lei faz para muitos. para muitos essa ressalva também fere a Constituição. o réu sustentar outras teses defensivas. Qual é o aspecto que passa desapercebido? É que o juiz na pronúncia. aqui não há mais de dúvida. salvo (e a ressalva agora é feita pela própria lei. a vítima não aparece nem viva e nem morta. porque a absolvição sumária será com imposição de medida de segurança. não há mais nem quesito sobre tese defensiva. que torna a absolvição sumária sobre esse fundamento inconstitucional.13 Intensivo para o MP 2009 – Master Juris Processo Penal – Antônio José aparece. nem viva e nem morta. Ou seja. Então. tem que primeiro reconhecer a culpa. é caso de pronúncia. muitas vezes até com a concordância do MP. de pronúncia ou de absolvição sumária? É o caso de pronúncia. nessa perspectiva. O juiz. o que é um absurdo porque tira do júri a competência constitucional do julgamento. o quesito da absolvição é um quesito genérico.. o júri poderia obter para o réu uma absolvição propriamente dita. não há dúvida alguma sobre a excludente da culpabilidade. para aplicar a medida de segurança (e isso passa desapercebido para a maioria). mesmo quando a tese da inimputabilidade é a única que é sustentada pela defesa. Outro aspecto importante da absolvição sumária do artigo 415 fundada na prova sobre a excludente da culpabilidade. Então. simplesmente elimine um processo. seria caso de pronúncia e não de absolvição sumária. mas é direito que lhe dá a Constituição. por quê? Porque o réu tem direito. por exemplo. por quê? Porque subtrai do réu o direito de defesa.

não pode ou não poderia a Constituição do Estado conferir prerrogativa por foro. revogado o artigo 574. inciso VI. seguindo a doutrina majoritária. recurso em sentido estrito. não haveria simetria entre a Constituição do Estado e a Lei Fundamental. que é melhor a pronúncia. havia o que o código chama de recurso de ofício. artigo 416. cabe contra a absolvição sumária apelação. mas que de certa forma é uma novidade. A Constituição da República não confere prerrogativa de foro. e muita gente boa só agora desperta para esse tema. Agora. Constituição Estadual e foro por prerrogativa de função em matéria criminal. não os contemplando com imunidade processual alguma.. agora apelação. A Constituição dá aos vereadores imunidade material. por exemplo. inciso II do CPP. não pode. Esse recurso. artigo 581. porque a absolvição sumária será sempre e sempre com medida de segurança. O STF. Está errado. 2ª Parte Vamos falar sobre algo que não é propriamente uma inovação. a Constituição do Estado não pode ampliar. que já tem mais de seis anos. Em outras palavras. não há mais recurso de ofício contra a sentença de absolvição sumária. agora. a absolvição sumária se sujeitava ao duplo grau de jurisdição. no tocante absolvição sumária. revogado. procuradores do estado. sem ter como parâmetro o regulamento da Constituição da República. por quê? Porque. foi suprimido. Não há mais recurso de ofício contra a absolvição sumária.. procuradores da assembléia legislativa e outros. Logo. recurso necessário. Intervalo. nem para os advogados dão união. recurso obrigatório. O recurso voluntário. vereadores. assim como cabe apelação contra a impronúncia. de acordo com a jurisprudência mais antiga do STF. Ou seja. por exemplo. por quê? Primeiro. a defensores públicos. aos defensores públicos da união. é o tema da prerrogativa de foro. No sistema anterior ao da reforma. vale dizer. . Por isso. Seria caso sempre e sempre de pronúncia. Não.14 Intensivo para o MP 2009 – Master Juris Processo Penal – Antônio José porque autoriza ao juiz reconhecer que a acusação procede para absolver sumariamente o réu aplicando medidas de segurança. Antes cabia recurso em sentido estrito. Estava errado no artigo 411 e continua errado no artigo 415. nesses casos. inciso II faz referência ao artigo 411. tinha jurisprudência em até os idos de 2002 e 2003. não pode largar o rol de pessoas contempladas por foro por prerrogativa de função em matéria criminal. Segundo. tinha jurisprudência tranqüila no sentido de que a Constituição do Estado-Membro não pode dispor sobre foro por prerrogativa de função em matéria criminal sem observar o princípio da simetria. porque o artigo 574. porque não há previsão no artigo 415 que substituiu o artigo 411. Antes. expressamente revogado o artigo 581. revogado. do que a absolvição sumária. tudo de acordo com o artigo 416. é a apelação. apesar da ressalva do código. inciso VI.

Se isso lhes for perguntado pode responder. E não adianta brigar com a jurisprudência. inciso XXXVIII. prerrogativa de foro cabendo ao Tribunal de Justiça processálos e julgá-los. por exemplo. o STF foi gradualmente. A partir daí. . alargar o rol de pessoas contempladas pela prerrogativa por foro. excluindo dessa possibilidade apenas os delegados de polícia. O STF foi corporificando esse entendimento. com base no artigo 125. embora criticando. súmula 721 que parte justamente dessa premissa. excluindo desse rol. os vereadores têm foro por prerrogativa de função que a Constituição do Estado lhes dá. o STF a partir daí passou a admitir que a Constituição local possa admitir foro. §1º da CF. súmula 721. §1º que diz que as Constituições dos Estados definirão a competência do Tribunal de Justiça local. o STF foi alterando a sua jurisprudência sobre esse assunto. quando então a competência será do tribunal do júri. salvo quando acusados da prática de crimes dolosos contra a vida. ressalvada a competência do Tribunal do Júri para o julgamento dos crimes dolosos contra a vida. procuradores da assembléia legislativa. mercê de habeas corpus. ao argumento de que dar prerrogativa de foro a delegados de polícia (única exclusão expressa que a jurisprudência do STF faz) significaria subtrair tanto do juiz como do MP o controle dos atos da autoridade policial.. consolidando esse entendimento e editou a súmula 721 . que não há mais discussão na jurisprudência do STF. apesar que o Polastri escreve sobre o tema. Aqui no RJ. e o leading case. no estado do Rio de Janeiro. Quando se tratar de crime doloso contra vida prevalecerá competência prevista na Constituição da República do Tribunal do Júri. procuradores do estado. da premissa de que é lícito ao constituinte estadual. muitos promotores e juízes de primeiro grau.. seguida pelo Órgão Especial do Tribunal de Justiça a respeito desse tema. artigo 5º. observados os princípios da Constituição. baseando suas decisões no artigo 125. o precedente mais importante é o julgamento da ação de argüição direta de inconstitucionalidade da Constituição do Estado de Goiás. pelo Tribunal de Justiça. menos ainda em um concurso público. b da CF.15 Intensivo para o MP 2009 – Master Juris Processo Penal – Antônio José De 2002 e 2003 para cá. Esse tem sido um dos temas mais recorrentes na prática do processo penal. §1º da CF. porque esse controle passaria a ser feito. alargar o rol de pessoas contempladas com foro por prerrogativa de função em matéria criminal. salvo quando a acusação versar sobre a prática de crime doloso contra a vida. defensores públicos. artigo 125 . sobretudo a partir da modificação da composição da Corte. a vereadores. alterando para passar a admitir a possibilidade de a Constituição do Estado ampliar. Procurador do estado. os vereadores vêm sendo processados e julgados originariamente no Tribunal de Justiça. defensor público e vereador têm aqui.

. duas hipóteses podem ocorrer e ocorrem freqüentemente: a primeira. ou seja. por exemplo.. atos instrutórios. pontuais sobre prerrogativa de foro em matéria criminal. o sujeito está na Seção Criminal.. pelo fim do mandato faz cessar igualmente a prerrogativa de foro. O privilégio é pessoal. o processo penal já está em curso. passando para a Seção Criminal.. Por que esses atos processuais. A competência sai do Órgão Especial. cessado definitivamente o exercício funcional. desaparece a prerrogativa de foro. a renúncia. cessa por igual a prerrogativa de foro. não há que se falar em nulidade dos atos até então praticados no processo. E. a competência passa para o juiz de primeiro grau. e isso tem ocorrido comumente aqui no Rio de Janeiro. Subsistindo válidos.. inclusive o próprio recebimento da denúncia. mas haverá uma mudança de competência no âmbito do próprio Tribunal de Justiça. A primeira: essa prerrogativa de foro não alcança os crimes praticados após a cessação definitiva do exercício funcional. esse deputado estadual concorre e é eleito e diplomado prefeito. Todos os atos do processo permanecem válidos. o sujeito é deputado estadual e está sendo processado pelo Órgão Especial do Tribunal de Justiça. mas sim de prefeito. entretanto. Serão. A prerrogativa não se confunde com privilégio. A competência passa para o Órgão Especial. Neste caso. Aqui no RJ. é o mais importante. a alteração da competência para o prosseguimento da ação penal condenatória. logo não alcança. atos postulatórios e atos decisórios subsistem válidos? Subsistem válidos porque praticados perante o juiz natural da época. que é decisão do colegiado. E pode ocorrer o seguinte. é prefeito. passa a ostentar agora a condição de prefeito. três questões específicas. nulos os atos processuais praticados perante o Tribunal depois de cessado definitivamente o exercício funcional. A cessação definitiva do exercício funcional acarreta a modificação. não mais deputado estadual. todos os atos processuais até então praticados. para o prosseguimento do processo penal. que é ato unilateral. . termina o mandato e é eleito e diplomado deputado estadual. às vezes. faz cessar definitivamente o exercício da função. Notem bem. súmula 451 do STF. causa interruptiva da prescrição. o Tribunal de Justiça terá que declinar de sua competência em favor de um juiz de primeiro grau. E mais. os prefeitos são processados e julgados pela Seção Criminal do Tribunal de Justiça.16 Intensivo para o MP 2009 – Master Juris Processo Penal – Antônio José Então. A cessação definitiva do exercício funcional. não se estende aos crimes praticados após a cessação definitiva do exercício funcional. o processo penal já está em andamento quando cessa definitivamente o exercício funcional. Por exemplo: o então deputado estadual renuncia ao mandato. ocorre o inverso. Pois bem.. Nesta hipótese. a prerrogativa é funcional. haverá não propriamente um deslocamento de competência do Tribunal para o juiz de primeiro grau.

depois deputado estadual. sai do STF para Tribunal de Justiça e o processo não termina jamais. Se o processo estiver em curso a competência passa imediatamente para o respectivo Tribunal. a competência se desloca. deverá ser respeitado o foro por prerrogativa. A competência passa para o STF tão só para o julgamento da apelação. essa condição é supervenientes ao crime. ainda que se trate de apelação. Notem bem. o fato criminoso é descoberto e a denúncia é oferecida. Por exemplo: deputado federal. Pergunta do aluno. Aliás. Neste caso. o Tribunal competente para processar e julgar a partir daí o originariamente aquela pessoa. essa condição é adquirida depois. Julgará o recurso. Os atos já praticados são válidos. o processo dificilmente começa. a ação penal nesses casos deve ser instaurada já perante o juiz singular. . Pergunta do aluno. Outra situação: o sujeito pratica o crime. Se fosse diplomado um governador? Caberia ao STJ julgar a apelação. Por exemplo: o réu é condenado por sentença de primeiro grau e. a competência desde logo será do juiz de primeiro grau. Resposta: você leve em conta a condição de sujeito a época do processo. no prazo para apelação. passa imediatamente para o respectivo Tribunal. ainda assim.17 Intensivo para o MP 2009 – Master Juris Processo Penal – Antônio José E a outra situação: a ação penal é instaurada depois de cessado definitivamente o exercício funcional.628. Pergunta do aluno. Cancelada a súmula 394 e depois declarada inconstitucional a lei 10. a ação penal deverá ser instaurada já perante o juiz singular. já está inclusive sendo processado quando adquire condição funcional que lhe dá direito a foro especial por prerrogativa de função. Neste caso.628. é diplomado deputado federal. Isso. É o que a doutrina convencionou chamar foro por prerrogativa de função superveniente a prática do delito. concorre para outro cargo e mantém a prerrogativa em outro Tribunal. Resposta: no Tribunal.. a época do crime o sujeito não ostentava condição funcional que lhe desse direito a foro especial por prerrogativa de função.. Quem julgará a apelação? O STF. Aí vai depender de qual Tribunal é competente para processar e julgar originariamente o (25:06). Mas têm corrido muito esses casos. é válida porque proferida pelo juiz competente a época. desde o cancelamento da súmula 394 do STF e depois da declaração de inconstitucionalidade da lei 10. findo o exercício. pois o recebimento da denúncia nesses casos é um processo a parte. quem julgará neste caso a apelação interposta contra a sentença condenatória? Essa sentença é válida. O crime é praticado durante o exercício. o sujeito tem foro de prerrogativa em um determinado Tribunal. ainda que o crime tenha sido praticado durante o exercício funcional. por que são válidos? Porque praticados perante juiz competente a época.

Todo o processo foi anulado.18 Intensivo para o MP 2009 – Master Juris Processo Penal – Antônio José Resposta: o entendimento hoje. pouco importa se a prerrogativa foro está prevista na Constituição da República ou na Constituição local. cabendo a lei definir-lhes a competência. Não há dúvida nenhuma. eu sei que essa história de prerrogativa de foro para defensor ou para procurador do estado está errado. Prerrogativa de foro nos crimes dolosos contra vida. o STJ tem anulado inclusive sentenças condenatórias já transitadas em julgado. o processo foi anulado desde a denúncia. porque a hipótese é de violação ao princípio do juiz constitucional. mas sob o aspecto prático é um processo ou outro. Pior: o STJ. anulando o processo com sentença condenatória transitada em julgado. o entendimento é de que a competência do juizado especial criminal não é propriamente de natureza constitucional. pessoa que tenha foro por prerrogativa de função acusado da prática de infração de menor potencial ofensivo. Então. neste caso prevalece a competência dos juizados ou competência por prerrogativa de foro prevista na Constituição da República ou na Constituição do Estado? Prevalece o foro especial por prerrogativa de função. eu já adiantei parte do assunto. Isso aí é um absurdo! O número de processos que vêm sendo oferecidos no Tribunal é enorme. vem sistematicamente (por isso que eu disse que essa é uma questão do momento) anulando processos penais instaurados contra prefeitos de municípios do estado RJ perante o juiz singular ao argumento de que a Constituição do Estado dá aos vereadores foro especial por prerrogativa de função. mas vamos agora abordá-lo com mais profundidade. não há dúvida nenhuma. procedimento da lei (30:20). Vejam bem. Agora. o que a lei faz não é propriamente definir a competência dos juizados. não adianta brigar com isso. é definir as infrações de menor potencial ofensivo. entretanto da aplicação das medidas despenalizadoras da lei 9099/95 pelo próprio Tribunal. A Constituição enuncia os juizados como princípio. Sem prejuízo. é outro aspecto importante. Na verdade. com base nesse entendimento de que os vereadores daquele município do estado do Rio de Janeiro têm a prerrogativa de foro em matéria criminal. . inclusive não têm sequer estrutura para processar e julgar essas ações penais. O processo penal tem que ser instaurado de novo: denúncia do Procurador-Geral. Nem o MP para oferecer denúncias e nem o judiciário para processar e julgar. E os Tribunais. inclusive. mas vereador é muita coisa. porque essa briga está produzindo conseqüências das mais desastrosas possíveis. Há um caso emblemático em que uma quadrilha de vereadores de um município. estavam todos presos e estão todos soltos. violação ao princípio do juiz natural. mais ainda. Eu não sei quem foi o vereador que o STF quis a época proteger. talvez incorreto mas hoje amplamente majoritário.

De acordo com a jurisprudência do STF. crime doloso contra vida é praticado por pessoa que goza de foro por prerrogativa de função previsto na Constituição da República. em relação aos vereadores. Por exemplo: crime doloso contra vida praticado por magistrado ou por um membro do MP. há nesses casos. Neste caso. A unidade de processo e julgamento é a conseqüência básica da conexão e da continência. Conflito aparente que se resolve. Qual a solução? Separar os processos. por ser especial. Súmula 721 do STF. mas na doutrina há controvérsia sobre esse tema. é preciso fazer um parêntese. de acordo com a jurisprudência da STF. a competência determinada pela prerrogativa de foro. um é deputado estadual e o outro é vereador. vai prevalecer a competência do Tribunal Popular porque prevista na Constituição da República. sobrepõe-se a competência do Júri afastando-a. Conflito aparente entre o artigo 5º. Não. De acordo com a jurisprudência do STF. XXXVIII. como falamos agora. não. do crime que não goza de prerrogativa de foro não pode ter subtraído seu direito de ser julgado pelo Tribunal do Júri. Vejam bem. Bom. processo penal simultâneo. . ocorre uma unidade de processo e julgamento. O Tribunal do Júri está inserido no rol dos direitos e garantias individuais. Aí. o co-réu não pode ser privado do seu direito de ser julgado pelo Tribunal Popular. E aí pode ocorrer o seguinte: uma família de delinqüentes políticos ou de políticos delinqüentes. Exemplo clássico: o prefeito contrata um pistoleiro para matar um inimigo político seu. artigo 96. por quê? Não porque o terceiro. d da CF. na doutrina. concorrer para a prática do crime? Concurso de pessoas envolvendo agentes que não tenha prerrogativa de foro em matéria criminal. um só julgamento. É caso de separação obrigatória dos processos. o co-réu não pode ser privado desse direito ou garantia individual. a sua jurisprudência. Hipótese de continência e cumulação subjetiva do artigo 77 inciso I do código. prevalecerá a competência do Tribunal de Justiça. na jurisprudência essa questão está mais ou menos pacificada. autor ou partícipe... que são causas de se modificação da competência? Em regra. Aí surge outra questão: e se terceiro. a pessoa detentora da prerrogativa de foro pelo respectivo Tribunal. E se a prerrogativa de foro estiver prevista exclusivamente na Constituição do Estado? Isso ocorre. Neste caso.19 Intensivo para o MP 2009 – Master Juris Processo Penal – Antônio José Bom. O terceiro é julgado pelo Tribunal do Júri. O que ocorre nos casos de conexão e de continência. mesmo essa composição nova. ambos são acusados de terem concorrido para a prática do crime de homicídio. que não tenha prerrogativa de foro. Quem processará e julgará o deputado estadual? Aqui. um só processo. e especificamente em relação aos juízes de direito e promotores. se tratar de promotor de justiça ou juiz de direito. uma espécie de conflito aparente entre normas constitucionais que tratam de competência penal. que dá ao júri competência para o julgamento dos crimes dolosos contra vida. competência em matéria criminal. haverá unidade processo e julgamento? Nos termos da jurisprudência do STF. inciso III. ou a competência é do Tribunal Popular? O STF já há muito resolveu essa questão e não alterou. pelo princípio da especialidade.

quando acusados da prática de crime doloso contra vida. E a prerrogativa de foro dos vereadores está prevista na Constituição do Estado. mas os crimes eleitorais são julgados e processados por uma justiça especializada. eu diria em regra porque há exceção no caso de pessoa que tem a prerrogativa de foro no STF e no STJ. pelo juiz eleitoral e não pelo TRE. porque eu estou esperando sair alguma decisão a respeito do tema. §1º manda a Constituição do Estado assegurar. porque prerrogativa de foro só valeria para os crimes da competência da justiça estadual. em regra. artigo 27. os crimes eleitorais são. pela Justiça Eleitoral que é uma Justiça Federal especializada. que os deputados estaduais devem. há um problema hoje sério e ainda sem solução que diz respeito à competência para processar e julgar o vereador acusado da prática de crime eleitoral. E o vereador? O vereador não tem prerrogativa de foro quando se tratar de crime doloso contra vida. §1º da CF e é explicitada no texto da Constituição local. Bom. logo prevalece a norma da Constituição Federal. por quê? Porque para os deputados estaduais aplica-se o princípio da simetria. ou o próprio artigo 27. o outro entendimento. e essa questão é polêmica. Pergunta do aluno.20 Intensivo para o MP 2009 – Master Juris Processo Penal – Antônio José Há quem entenda. enquanto que a competência do Tribunal de Justiça está prevista na Constituição do Estado. Ou seja. ou seja. aos deputados estaduais as mesmas prerrogativas e imunidades que conferem aos deputados federais. é o de que neste caso o prevalece a competência da justiça especializada. Resposta: eu ainda não falei sobre esse assunto. logo prevalece a competência do Tribunal de Justiça. orientação hoje minoritária. com o qual particularmente eu não concordo. porque pelo Tribunal do Júri? Porque a competência do Júri está prevista na Constituição da República. devem ser julgados pelo Tribunal do Júri. sem prejuízo entretanto da observância da prerrogativa de foro. Essa prerrogativa está prevista no artigo 27 . Agora. A competência de jurisdição: justiça federal especializada. essa competência não está prevista exclusivamente na Constituição do Estado. §1º assegura. separação obrigatória dos processos e quem julgará o vereador? O Tribunal do Júri. logo para alguns essa competência só vale para os crimes da alçada da justiça estadual. Então. Orientação do STF: não. órgão da justiça federal competente: não . ele está na Constituição Federal. §1º e na Constituição do Estado. O artigo 27. a competência seria do TRE. o vereador neste caso seria processado e julgado pela justiça eleitoral. a prerrogativa de foro dos deputados estaduais não está prevista exclusivamente na Constituição do Estado. excluídos os crimes dolosos contra vida. O outro entendimento. não se estendendo aos crimes da competência da justiça federal comum ou especializada.

Vamos imaginar o seguinte: um promotor de justiça aqui do MP do Rio de Janeiro e um terceiro praticam o crime de homicídio doloso em Porto Alegre. Essa disposição que está em lei orgânica nacional. falando sobre prerrogativa de foro. Não pode a legislação do estado interferir em definição de competência e jurisdição. lei 8625/93 tem respaldo na Constituição? Tem. novidade alguma. têm realmente essa dúvida nos crimes eleitorais. se eu não me engano. se fosse outro crime diferente dos crimes dolosos contra a vida? Ambos seriam julgados pelo Tribunal de Justiça do estado do Rio de Janeiro que teria sua competência prorrogada. quem julga? O TRF aqui da 2ª região. Mas. qual o Tribunal de Justiça competente para processar e julgar o promotor de justiça aqui do estado do Rio de Janeiro: o do lugar da consumação do crime. Tribunal de Justiça do estado do Rio de Janeiro. prorrogação de competência que o STF considera de acordo com a Constituição. mas sim respeitar a prerrogativa de foro pelo princípio da simetria.. no Rio Grande do Sul. artigo 96. co-autor ou partícipe. nos termos do artigo 78. a rigor nem poderia constituição do estado dispor sobre competência que é matéria de processo penal. privativa da União. vale dizer. a quem caberá julgá-lo? Ao Tribunal do Júri de Porto Alegre. Nesses casos. Aliás. Quem julga os juízes federais? O TRF da sua área de jurisdição. vamos falar ainda sobre esse assunto. de competência territorial do artigo 70 do CPP. o juiz eleitoral. Bom. artigo 22 da Constituição Federal. eu penso que vereador só goza da prerrogativa de função quando os crimes são da competência da justiça estadual.21 Intensivo para o MP 2009 – Master Juris Processo Penal – Antônio José como sustentam alguns. inciso I. Agora. a competência será do Tribunal de Justiça do estado a que pertencer um membro do MP. mas combinando dois temas. súmula 704. Logo. Juiz federal do RJ. . é matéria da alçada legislativa da União. porque isso está com todas as letras no artigo 108. Agora o terceiro. prevalece a competência territorial do Tribunal do Júri do lugar da consumação do crime. Eu penso que não. não há. é uma exceção. 2º Tribunal Regional Federal e pratica crime Porto Alegre. o do Rio Grande do Sul ou o do Rio de Janeiro? O do RJ. Até aqui. por quê? Porque o promotor será processado e julgado no Tribunal de Justiça. foi o que eu falei anteriormente. Agora. separação obrigatória dos processos. Então. ou seja. não se aplica a regra do foro locus comissi delicti. está no artigo 41. não se aplica a regra de competência territorial do artigo 70 do código. TRE. a em relação aos juízes federais. Mas. inciso III da CF e o co-autor ou partícipe do crime será julgado no Tribunal do Júri. isso está expresso na lei 8625/93. inciso III do CPP.. no exemplo. a regra é essa e os casos de prerrogativa de foro especial por prerrogativa de função não se aplica a regra. há um problema no que diz respeito à competência territorial.

portanto para o ofendido que no próprio processo penal o valor mínimo chegue próximo ao valor global da indenização. Agora. só no artigo 20 da lei 9605 e agora no artigo 387. Dois artigos: artigo 387. É melhor para o ofendido. Bom. logo esse título pode ser desde logo executado sem prejuízo da apuração do valor global da indenização. a segunda pergunta: bem. de fixar o valor mínimo da indenização devida. inciso IV do CPP. o juiz tem que falar o valor mínimo da indenização. por quê? Porque o valor global. Antes.22 Intensivo para o MP 2009 – Master Juris Processo Penal – Antônio José Vamos aproveitar para falar sobre os efeitos civis da sentença penal condenatória. Valor mínimo. Essa é uma novidade. que é uma ação de conhecimento e. era só na lei ambiental. §único do artigo 63. por quê? Porque essa é uma questão meramente patrimonial de direito disponível cuja tutela foge das funções do MP no processo penal.719. há liquidez. pois ele não precisará de uma . o MP terá interesse de recorrer de uma sentença condenatória postulam do tribunal que majore. A sentença penal condenatória como título executivo judicial e o interesse de recorrer.719 impõe ao juiz da sentença condenatória o dever de arbitrar. o MP eu penso que não tem interesse em recorrer e o ofendido habilitado ou não como assistente. inciso IV e artigo 63. agora é para todos os crimes. Não vejo interesse algum do MP de recorrer visando a majoração do valor mínimo da indenização. por quê? Porque esse valor mínimo poderá ser objeto desde logo de execução. Melhor. seus sucessores ou seu representante legal poderá desde logo executar esse valor mínimo do dano fixado na sentença penal condenatória. podendo o interessado em promover a execução no juízo cível. Vale dizer. que aumente o valor mínimo da indenização? Penso que não. é o que diz o artigo 63 . §único ambos com a redação da lei 11. será sempre do hipossuficiente assistido pela Defensoria. A sentença penal condenatória transitada em julgado torna certa a obrigação de indenizar o dano. Essa é uma exigência que com está agora no artigo 387. A vítima. o ofendido. porque isso já estava previsto na lei que trata dos crimes ambientais. terá interesse? Eu penso que sim. §único do código. o valor total da indenização poderá ser apurada no cível através de ação de liquidação de sentença. acredito que sim. sem prejuízo da apuração do valor global por uma ação de liquidação. mas a sentença penal condenatória transitada em julgado deixou de ser título executivo ilíquido. inciso IV do CPP. Agora. duas indagações devem ser aqui colocadas: primeira. Antes. que eleve. novidade em termos. mas se especificamente sobre os crimes ambientais. Resposta: a legitimidade jamais será Defensoria. Novidade: a novidade é que a lei 11. Pergunta do aluno. a sentença penal condenatória transitar em julgado constitui título executivo judicial. portanto mais demorada.

Se o MP apelar da sentença. por analogia nomear um curador especial. Não há dúvida de que o ofendido pode apelar da sentença absolutória. o ofendido tem legitimidade para recorrer da sentença condenatória e o interesse? O interesse surge sempre da inércia do MP. para agravar a pena imposta ao réu? O MP se conforma com a pena. habilitado ou não como assistente. se for o caso a execução não será promovida pelo MP. Outro assunto. Outra questão ainda sobre a sentença penal condenatória. certamente haverá quem discorde. não poderá fazê-lo o ofendido haja ou não se habilitado como assistente. salvo se se tratar de apelação parcial. mas a majoração desse valor mínimo no próprio processo penal. não o valor global. A doutrina nem fala sobre isso. Essa apelação é chamada de subsidiária ou supletiva. é. já que falamos no interesse de recorrer da sentença penal condenatória: o ofendido habilitado ou não como assistente do MP tem legitimidade para recorrer da sentença penal? Tem. a legitimidade. sem prejuízo da liquidação da sentença que irá apurar o valor restante. a apelação do artigo 598 é subsidiária. podendo ofendido apurar o valor global em ação de liquidação. justamente por isso... porque ele já poderá logo executar esse valor. legitimidade que lhe é assegurada pelo artigo 598 do CPP. Que é o mínimo. sempre supletivamente. Depois. quer dizer. seria caso de nomear curador especial do artigo 33. Pergunta do aluno. sempre subsidiária. Resposta: o problema é o seguinte. sobretudo porque a sentença condenatória transitada em julgado lhe assegura o direito a indenização pelos danos causados pelo crime.. eu acho que o MP não tem que cuidar dessas questões. Que o ofendido. está escrito na lei. Senão o MP deva ficar discutindo valor de indenização. terá.23 Intensivo para o MP 2009 – Master Juris Processo Penal – Antônio José ação de conhecimento de liquidação de sentença para apurar o valor global da indenização. porque essa apelação. Outros dirão que não ao argumento de que esse valor é mínimo. supletiva porque transpõe o trânsito em julgado da sentença para o MP. Ele já poderá postular. não apela da sentença . porque pressupõe o trânsito em julgado para o MP. o interesse de recorrer do ofendido. Agora. Se for apelação parcial do MP. Não é o MP que trata dos interesses patrimoniais da parte no processo penal. E apelar da sentença condenatória? Apelar da sentença condenatória para agravar a situação jurídica do réu.. Aí. Primeiro. tem interesse de recorrer da sentença absolutória não há dúvida alguma. poderá o ofendido apelar da parte da sentença já transitada em julgado para o MP. mas não tem mais nada a ver com raquetes civil da sentença penal condenatória. agora que o ofendido terá o interesse (55:55) em majorar esse valor. será promovida pelo curador especial aplicando-se por analogia o artigo 33. Agora.

Não é a melhor posição para o concurso do MP. que é o interessado. entre aspas. e penso eu. Resposta: porque aí é efeito civil. Essa novidade provoca uma alteração no raciocínio. é outra questão. direito disponível. Ele não será. Esse recurso não é meramente supletivo. É a posição do Tourinho que o Polastri sustenta. não é a posição do examinador. independentemente da pena aplicada ao réu. por quê? Porque. mas para majorar o valor da indenização. Veja bem. Ele não é supletivo. tem que esperar o transito em julgado da sentença para o MP. Isso é direito patrimonial. essa apelação ela não é propriamente uma . Pergunta do aluno. essa apelação ela não é propriamente supletiva. eu penso que esse recurso pode ser interposto antes mesmo do trânsito em julgado para o MP. o ofendido. O problema é que aqui o MP não tem interesse em recorrer desse ponto da sentença. porque o MP não pode recorrer.. Resposta: se ele quiser recorrer só disso. Como o MP não tem interesse em recorrer do valor da indenização. Resposta: aí. Pode. A outra orientação é a dos tribunais. não haverá interesse na apelação da sentença condenatória. que é do Polastri e de grande parte da doutrina: não. se o interesse meramente patrimonial. portanto o ofendido no caso de inércia do MP apelar da sentença para agravar a pena aplicada ao réu. o seu interesse não é meramente patrimonial. mas é a posição tranqüila da jurisprudência do STF e do STJ. porque esse recurso é só do ofendido. Pode e deve. Ele recorre da sentença condenatória não para alterar a sentença em prejuízo do réu sob o aspecto criminal. É a posição da STF. poderá fazê-lo supletivamente o ofendido habilitado ou não como assistente? Duas orientações: A primeira. Agora. porque o MP não recorre. pressupõe-se que o legitimado ordinário não exerça a faculdade processual. aí pode. Pergunta do aluno. poderá fazê-lo. a sentença condenatória garante ao ofendido o direito à indenização. que só o ofendido terá interesse. Aí recorre de tudo. se quiser recorrer só desse ponto da sentença. supletivo porque o MP não poderá recorrer desse ponto da sentença. por quê? Porque o interesse do ofendido no processo penal é meramente patrimonial. O MP recorre. Pode. Se o ofendido quiser recorrer disso e mais da pena e mais do regime de pena e mais outra coisa. Como auxiliar da acusação. do STF e do STJ: o ofendido atua no processo penal como um verdadeiro auxiliar da acusação. Logo. Essa é uma questão nova.24 Intensivo para o MP 2009 – Master Juris Processo Penal – Antônio José condenatória. o ofendido vai poder recorrer para majorar a indenização. Agora.. veja bem. quando se fala em recurso supletivo. Pergunta do aluno.

ela não é interposta no caso de inércia do MP.25 Intensivo para o MP 2009 – Master Juris Processo Penal – Antônio José apelação supletiva. Fim da aula. . essa apelação é só do ofendido.