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Universidade Federal da Paraíba Centro de Tecnologia Departamento de Engenharia de Materiais Professora Liszandra Fernanda Araujo Campos

Propriedades Mecânicas dos Materiais Cerâmicos

José Inaldo do Nascimento Júnior – 11021335 Julianna Lianza – 11021348

João Pessoa, 26 de Março de 2013

José Inaldo do Nascimento Júnior Julianna Lianza Ferreira da Franca

Propriedades Mecânicas dos Materiais Cerâmicos

Trabalho apresentado a professora Liszandra Fernanda de Araújo da disciplina de Materiais Cerâmicos, do curso de Engenharia de Materiais na Universidade Federal da Paraíba – UFPB.

João Pessoa, 26 de Março de 2013

Sumario ₪ Introdução ₪ Estrutura cristalina ₪ Microestrutura ₪ Processo de fabricação ₪ Propriedades ₪ Ensaios ₪ Aplicações ₪ Conclusão ₪ Referencias bibliográficas .

entretanto sua resistência à tração é muitíssimo inferior. As cerâmicas possuem também. as relações entre a microestrutura e as propriedades. Em termos de propriedades mecânicas. além das resultantes da forma de processamento utilizado. Com isso é importante que resistam a tais esforços de forma satisfatória. em média. Neste trabalho serão abordados os ensaios utilizados para caracterização das propriedades mecânicas. entretanto sua aplicação em substituição aos metais. a resistência à compressão das cerâmicas é maior que a dos metais. . Por exemplo. Isto torna esta classe de materiais pouco confiável. Outras grandes desvantagens dos materiais cerâmicos são que falham por fratura frágil e que as tensões que provocam falhas das estruturas cerâmicas variam muito em torno de um valor médio. menor densidade que os metais. devido à enorme sensibilidade que têm os materiais cerâmicos à presença de defeitos estruturais introduzidos pelas técnicas de produção. e algumas aplicações das cerâmicas nas indústrias. assim como outros tipos de materiais. a resistência a abrasão. alta resistência a oxidação. em alguns casos. as propriedades mecânicas das cerâmicas são inferiores às propriedades mecânicas dos metais. são também utilizados em atividades que requerem resistência a esforços mecânicos. Em geral. e a grande resistência a altas temperatura além de maior dureza entre os materiais. inércia química.Introdução Os materiais cerâmicos. deve-se a outras propriedades dos materiais cerâmicos que são imbatíveis. em face à alta energia das ligações iônicas.

Em resposta a uma tensão cisalhante aplicada. Dificuldade de deslocamento em cerâmicos com caráter iônico (repulsão) Em materiais cerâmicos amorfos a deformação plástica não ocorre por movimento de discordância porque não existe nenhuma estrutura cristalina regular. íons com cargas positivas e negativas. e por isso interações eletrostáticas impedem a movimentação de discordâncias.Estrutura Cristalina As estruturas cristalinas cerâmicas são compostas em geral por mais de dois constituintes. a taxa de deformação é proporcional à tensão aplicada. esse modo de escorregamento é muito restringido. o que gera a dificuldade na existência de planos de escorregamentos. Fig. nos materiais cerâmicos. . .3 Movimento de cisalhamento do plano atômico. a mesma maneira na qual os líquidos se deformam.2 – Estrutura composta do espinélio Fig. que são responsáveis pela deformação plásticas dos materiais. átomos ou íons se deslizam uns sobre os outros quebrando e recompondo ligações interatômicas. A deformação plástica é resultado do movimento das discordâncias. estes materiais se deformam por escoamento viscoso . Em vez disto. essas movimentações põem íons de cargas iguais próximos uns dos outros. Isso não ocorre nos metais devido a todos os elementos serem iguais ou de valências muito próximas. e devido a força de repulsão ser muito mais forte que a de atração.1 – Estrutura do NaCl Fig.

como com as discordâncias.4 . .Entretanto. Fig.Representação do escoamento viscoso de um líquido ou vidro fluido em resposta a uma força cisalhante aplicada. não existe nenhuma maneira ou direção pré-escrita na qual isto ocorre.

A ampliação da tensão ocorre porque as paredes da trinca agem como alavancas. a tensão pode alcançar valores várias vezes superiores ao valor da tensão externa aplicada. Para uma trinca de formato elíptico que tem seu eixo maior orientado perpendicularmente à direção de aplicação da tensão externa. Callister . caso ela seja interna. na linha X-X’. como as pontas das trincas. Fonte: W. Nas proximidades dos poros e trincas. se ela for superficial. A ponta da trinca é uma grande concentração de tensão. a é o comprimento da trinca. Comprimento e raio de curvatura são parâmetros de interesse (a). ou metade do comprimento da trinca. supondo que seu eixo maior seja muito mais longo que seu eixo menor. a tensão na ponta da trinca é dada por ( ) onde é a tensão externa aplicada. de forma que no ponto de encontro das paredes da trinca (na ponta da trinca) a tensão é muito elevada. A Figura 5 (a) ilustra o caso de uma trinca superficial e uma trinca interna Figura 5: Trinca elíptica na superfície e no interior de um corpo sob tração. é o raio de curvatura da extremidade da trinca.Microestrutura Trincas ou poros são eficientes amplificadores de tensões. principalmente nas partes mais encurvadas destes defeitos. (b) Gráfico esquematizado do valor da tensão nas proximidades da ponta da trinca.

Grão grosseiros tambem agem como intensificadores de tensão uma vez que por serem maiores abrangem um maior numero de defeitos.Fig. Aumento de 100x.Fotomicrografia de refratario Silico-Aluminoso da seção transversal da amostra. mostrando grãos groseiros. Fig.6 MEV de seção transversal de amostra queimada a 1420ºC e atacada com acido fluorídrico a 40% por 10s. .7 . reduzindo mais a resistencia mecanica.

As trincas têm grande influência negativa na resistência mecânica da porcelana e a porosidade pode prejudicar na qualidade do material como resistência mecânica e tenacidade à fratura. ocorre a formação de fase vítrea na sinterização que fecha parcialmente os poros. os grãos do material sinterizado são apreciavelmente mais grosseiros do que os das partículas de partida. Desde a composição química das matérias primas utilizadas até as formas de queimal. densificando o material e aumentando sua resistência mecânica.Processamento A forma de processamento do material cerâmico é muito importante e influencia diretamente nas propriedades finais do produto. Durante a queima no caso de matéria prima rica em fundente. caso haja fase vítrea em excesso. garantem propriedades distintas ao material. da temperatura ou da taxa de aquecimento). Alguns dos principais problemas em corpos cerâmicos são surgimentos de trincas e porosidade indesejada. – O líquido não é suficiente para todos os interstícios. sem controle do patamar de queima. durante uma secagem rápida ou ineficiente ou durante queimas ineficientes (rápida ou lenta. . preencher – A organização e forma das partículas são extremamente modificadas. Este diagrama não mostra o engrossamento de grãos: de facto. no processo de conformação. resultando em tensões internas e concentrações de tensões externas. Fig. 8 – a fase líquida é abundante o suficiente para encher os interstícios entre as partículas. que se formam respectivamente a partir da diferença do coeficiente de dilatação entre as partículas de fases cristalinas com a matriz e presença de material orgânico na massa cerâmica durante a queima. Os defeitos são gerados principalmente durante o beneficiamento da matéria prima. Contudo. pode ocorrer uma redução na resistência devido ao fato de que o vidro é um material frágil. As fases cristalinas como mulita são de imensa importância para a resistência mecânica da cerâmica e sua quantidade varia de acordo com a temperatura de queima.

10 – MEV de cerâmica com trincas na microestrutura e pequenos poros. e seca pelo processo de spray dry. .Fig. onde a matéria prima cerâmica é moída em moinhos de bolas com 40% de água ate que alcance uma granulométria em torno de 25 vezes menor que 1mm. 9 – Micrografia obtida por MEV onde é possível observar uma trinca que se propaga pela superfície do material. Fig. para obtenção de uma maior resistência mecânica e menor absorção de água. A Elizabeth© através de um processo de atomização.

Neste. a tensão é definida como a razão entre a força (F) aplicada sobre uma dada seção transversal de área A. A figura 6. como em (c). ou pode ter apresentar um comportamento serrilhado. a deformação permanece após a tensão ser desativada. A deformação depende de que tipo de ensaio está sendo feito. A etapa linear recebe o nome de regime elástico. 1 – Gráficos tensãoXdeformação para materiais dúcteis (b) e (c). a deformação é definida como a tangente do ângulo de deformação (Relação 2). No caso de um ensaio de cisalhamento. No regime elástico. típico de cerâmicas que não apresentam deformação plástica. a deformação pode ser continuada com valores de tensão menores. Em um ensaio para levantamento do comportamento de tensão e deformação de um material. a deformação sofrida pela estrutura é totalmente recuperada quando a tensão é desativada. até um máximo. A tensão para se continuar a deformação deve ser cada vez maior. a tensão necessária para a deformação pode aumentar continuamente. A segunda etapa é caracterizada por um comportamento não linear. Os diagramas de materiais plásticos são compostos por duas etapas distintas. A primeira etapa. compressão e cisalhamento. O diagrama (a) representa um material com comportamento frágil. é caracterizada por uma reta. A partir daí. Relação 1 .Propriedades Mecânicas Em primeiro lugar iremos estudar o diagrama de tensão – deformação que mede os esforços de tração. e para material frágil (a) como uma cerâmicas. que ocorre nas tensões mais baixas. A parte não linear recebe o nome de regime plástico. No regime plástico. a deformação é definida como a razão entre a elongação sofrida pela peça sendo ensaiada e seu comprimento inicial (Relação 1). como em (b). No caso de um ensaio de tração.2 ilustra ambas situações.

Para muitos metais típicos a magnitude deste módulo varia entre 6.7 x 104MPa). – Deformação elástica Modulo de Elasticidade E O grau até onde uma estrutura se deforma ou se escoa depende da magnitude de uma tensão imposta. para o magnésio. e 59 x 106 psi (40. Valores de módulo de elasticidade para vários metais à temperatura ambiente são apresentados na tabela seguinte Tabela 1.Relação 2 Figura 11 . . Para muitos metais que são tensionados em tração e em relativamente baixos níveis.5 x 104 MPa). tensão e deformação são proporcionais entre si através da correlação: Esta é conhecida como a lei de Hooke e a constante de proporcionalidade E (psi ou MPa) é o módulo de elasticidade ou módulo de Young .Deformações do corpo de prova quando submetido à tensão de tração (a) e cisalhamento (b). para o tungstênio.5 x 106 psi (4.

ou seja. Logo. (2). Planos cristalinos mais distanciados possuem ligação mais fraca. Uma força compressiva tende a aproximar os átomos. Isto porque em monocristais. para o caso de monocristais. aumentando a força repulsiva. maior será o modulo de elasticidade. o módulo de elasticidade para esforços compressivos deve ser maior que o módulo de elasticidade para esforços de tração. independente de sua orientação particular. naquela direção. Cada orientação cristalina tem seu próprio módulo e elasticidade. entretanto esta força não é tão forte quanto a força repulsiva. Gráfico 2 – Relação entre a distancia interatômica e a energia de repulsão e de atração entre os átomos e que a media entre as duas no equilíbrio é o modulo de elasticidade. a distância entre planos paralelos depende da orientação cristalina. em princípio. Os grãos estão orientados aleatoriamente. Um material policristalino sofrendo um carregamento em uma determinada direção vai ser deformado naquela direção. É possível observar no próximo gráfico que a intensidade da força resultante varia diferentemente quando a distância é encurtada ou aumentada. Esta força compressiva encontrará uma resistência muito forte oferecida pela força de ligação atômica. É importante ressaltar que as forças repulsiva e atrativa são restauradoras. onde o modulo de elasticidade é relacionado ao ponto de fusão de alguns materiais. Ou seja. Portanto. elas tendem a trazer os átomos para a posição de equilíbrio. A deformação é a mesma para todos os grãos. sendo assim. Observe que a força de atração atinge um máximo e depois diminui assintoticamente. Isto significa que após o ponto de máximo. nas direções em que os planos cristalinos são mais distantes. quando a distância é encurtada. a força atrativa não aumenta tão rapidamente quanto a força repulsiva. Haverá uma força atrativa que tenta aproximar novamente os átomos. além da qual a ligação entre os átomos será rompida. quanto maior a energia de ligação. Isto caracteriza a deformação elástica. Portanto. A curva se inclina muito mais rapidamente. Se pegarmos dois . o valor do módulo de elasticidade medido em amostras policristalinas é um valor médio. O módulo de elasticidade também depende da orientação cristalina em que ele é medido. isto traz consequências. os átomos podem ser afastados com emprego de tensões menores. A distância correspondente ao máximo será uma distância crítica.O modulo de elasticidade está intimamente ligado a força de ligação entre os átomos. do que quando a distância é aumentada. O módulo resultante é uma média dos módulos de cada grão. Os materiais policristalinos são isotrópicos. e isso pode ser muito bem observado na próxima tabela. o módulo de elasticidade é menor que nas direções em que os planos cristalinos são mais próximos. A tensão externa é aplicada em uma direção. Uma força de tração tende a distanciar os átomos. Isto é mais um exemplo de anisotropia.

conforme comprovado por inúmeros experimentos. as tensões no seu interior são heterogeneamente distribuídas. sendo relacionado com a equação: . Note a relação entre estas propriedades. Tabela 2: Relação de módulo de elasticidade e ponto de fusão de diversos materiais. Assim. Estes grãos podem se romper antes que os demais e iniciar a falha da peça. pode-se deduzir que embora possamos tratar o módulo de elasticidade de um policristalino como um valor médio. Fig. Quanto maior o módulo de elasticidade maior o ponto de fusão Com o aumento da temperatura. De fato. devido à vibração mais intensa dos átomos. 13 – Célula unitária do NaCl mostrando os planos com maior susceptibilidade ao deslocamento. Aquele grão que tiver o maior módulo de elasticidade será submetido à tensão maior do que o outro. Desta forma. um grão terá módulo de elasticidade maior do que o outro. mas orientados diferentemente. alguns grãos estão sofrendo tensões muito maiores que outros. a distância média interatômica aumenta. Isto deve diminuir o módulo de elasticidade. Além desses fatores os poros também influenciam no modulo de elasticidade dos materiais.grãos igualmente deformados. o módulo de elasticidade decresce com o aumento da temperatura.

Módulo de cisalhamento Quando um corpo é exigido por uma tensão de cisalhamento.5.4 esquematiza a situação. O módulo de Poisson é sempre menor que 0. Módulo de Poisson Quando uma estrutura é exigida por tração. ocorre o alongamento da estrutura na direção do carregamento.onde E0 é o módulo de elasticidade do material com porosidade nula e P é a fração volumétrica dos poros na estrutura. Pode-se então definir uma constante de proporcionalidade denominada módulo de cisalhamento (G) onde é a tangente do ângulo de formação. assim também o é o módulo de Poisson. existe também uma relação linear entre a tensão cisalhante e a deformação que ela provoca. Do mesmo modo que o módulo de elasticidade é anisotrópico. A razão entre a deformação ortogonal e a deformação longitudinal é definida como o módulo de Poisson e também é uma característica de cada material. mas também ocorre uma contração na direção ortogonal. Para materiais isotrópicos. o módulo de elasticidade e o módulo de cisalhamento estão relacionados ao módulo de Poisson por E = 2G(1+ν) Figura 12: Relação entre deformações longitudinal de transversal para definição do módulo de Poisson . A figura 6. O módulo de Poisson para estruturas não compactas tende a ser menor que aquela para estruturas compactas. Este valor corresponde aquele para o qual a contração compensa o alongamento da estrutura de modo que nenhuma variação do volume da amostra acontece.

. Figura 15: Plano de escorregamento de discordância em rede cfc (plano supercompacto) (a) e direções de escorregamento neste plano (direções supercompactas) (b). . provocando deformação plástica. Figura 14: Discordância em cunha movendo-se em resposta a uma tensão de cisalhamento. A combinação de plano e direção de deslizamento de discordância é denominada de sistema de deslizamento. nas direções de maior empacotamento (veja figura 15). em geral naqueles mais compactos. o material se deslocará plasticamente. As discordâncias se movem em determinados planos. A expressão para a tensão de cisalhamento indica que ela depende da inclinação do plano de deslizamento e da direção de deslizamento neste plano. existam planos e direções para as quais a tensão de cisalhamento resultante seja superior à tensão crítica para mover discordâncias naqueles sistemas de deslizamento. O número de sistemas de deslizamento da estrutura cristalina é um dos determinantes de sua plasticidade. Neste caso. em relação à direção de aplicação da tensão externa. provocando o movimento das discordâncias (veja figura 14). e nestes planos. Pode acontecer que para uma dada tensão externa aplicada.Plasticidade em monocristais A tensão tangencial ou de cisalhamento é a responsável pela plasticidade dos materiais. Para fazer uma discordância se mover é necessário que haja uma tensão cujo valor ultrapasse um valor mínimo característico.

alguns grãos. penetrando no grão vizinho. Quando uma tensão externa é aplicada ao material em dada direção. alguns grãos podem iniciar um processo de deformação plástica. Plasticidade em vidros Materiais vítreos não possuem ordem cristalina. Para que isto ocorra é necessário que a tensão seja alta o suficiente para quebrar as ligações entre os átomos mais distanciados. definida como onde τ é a tensão de cisalhamento e dv/dx é o gradiente da taxa de deformação do material. portanto. A resistência à deformação viscosa é representada pe la viscosidade do material. os átomos cujas ligações se romperam se reorganizam segundo a tensão e novas ligações entre átomos mais distanciados são rompidas e o processo se repete. sistemas de escorregamento e grãos. Esta deformação é denominada de viscosa. forças de tração e cisalhamento vão existir em planos e direções distintos. não existem planos cristalinos. Como consequência. A tensão máxima de tração está na direção da própria tração externa (θ= 0°). podendo levar o corpo inteiro a fraturar. Como já visto anteriormente. mas na maioria das cerâmicas.Plasticidade em policristais Materiais policristalinos sejam metálicos ou cerâmicos são mais difíceis de serem deformados que os monocristalinos. Deste modo. As discordâncias só cruzarão o contorno. Atomisticamente significa que tão mais fortes serão as ligações entre os átomos. isto é comum. a fratura da estrutura vítrea por tração ocorrerá em um plano ortogonal à direção de aplicação da tensão. Em vista da anisotropia do módulo de elasticidade. ou seja. No caso dos metais. salvo se existirem defeitos orientados em outras direções ou se houver tensões residuais na estrutura. se houver um sistema de deslizamento no grão vizinho convenientemente orientado que permita o movimento das discordâncias. proibindo a estrutura de se deformar por inteira. discordâncias. o módulo de elasticidade depende da direção cristalina. há no máximo três sistemas de deslizamento. É reconhecido que materiais policristalinos apresentam plasticidade se possuírem um mínimo de cinco sistemas de deslizamento independentes. sofrem maiores tensões. a deformação plástica não se propaga em grãos adjacentes. Ao serem quebradas estas ligações. todos os grãos (monocristais) devem sofrer a mesma deformação. Portanto. portanto. enquanto outros tenderão a se romper. Um material policristalino é constituído por monocristais aleatoriamente orientados. poderá haver deformação do corpo na direção em que a tensão de cisalhamento for máxima. O aumento da temperatura diminui a viscosidade porque aumenta a . Em consequência estas estruturas tendem a ser isotrópicas e possuem um mecanismo de deformação plástica diferente dos sólidos cristalinos. em temperatura ambiente. as discordâncias caminharão e chegarão ao contorno de grão. Quanto mais viscosos forem os materiais mais difíceis de serem deformados por este mecanismo. da direção cristalina em que a tensão atua. pois a tensão sobre estes já pode ser suficiente para mover as discordâncias. a energia de ligação entre átomos vizinhos também varia. a tensão aumentará até que a estrutura seja rompida. No caso das tensões de cisalhamento. a distância interatômica varia dentro de certo intervalo. Para aqueles grãos que admitem deformação plástica. portanto. em consequência. Se uma tensão atua em uma dada direção no material e este. Na estrutura vítrea. sofre uma dada deformação. aqueles que são exigidos nas direções de maior módulo de elasticidade. Isto provoca a deformação da estrutura.

provocando a ruptura do material. a tensão é redistribuída entre os demais grãos íntegros. grãos grandes são submetidos a tensões além de seu limite e fraturam. A deformação deve ser lenta. Irregularidades na superfície dos materiais. A ocorrência de deformação viscosa depende fortemente da velocidade de deformação utilizada. poros podem não ser completamente fechados. Em outras palavras. Como a deformação plástica é muito difícil para materiais cerâmicos. tais como poros e trincas. Esta tensão máxima depende do número de ligações que devem ser rompidas e do afastamento entre átomos cujas ligações serão rompidas. sendo resultado da técnica utilizada para produzi-lo. esta tensão depende da direção cristalina. . Como muitas cerâmicas são consolidadas por sinterização. Para que isto ocorra. Além disso. fazendo com que a estrutura se rompa em tensões externas bastante inferiores ao valor teórico. pois deformação rápida leva ao rompimento de um grande número de ligações.distância média entre os átomos. Em outras palavras. Trincas podem aparecer como resultado de tensões térmicas. esta tensão pode ser decomposta em componentes de tração em outras direções e em componentes de cisalhamento. Quanto maior o tamanho médio de grão da estrutura menor sua resistência mecânica. verifica-se que as estruturas cerâmicas se rompem sujeitas a tensões da ordem de apenas 1% do valor teórico. uma certa quantidade de ligações entre seus átomos é rompida. ocorre o rompimento de grãos. também amplificam a tensão externa reduzindo a resistência mecânica do material. diminuindo ainda mais a energia da ligação entre eles. Estes defeitos estruturais existem naturalmente no material. que assim devem suportar níveis ainda mais altos de tensão. a tensão necessária para isto pode ser calculada por ( ) onde E é o módulo de elasticidade. Estes defeitos têm a capacidade de aumentar a tensão externa aplicada para valores que excedem o limite teórico. Resistência mecânica das cerâmicas Quando uma tensão externa (tração. separando o material em partes. que funcionam como amplificadores de tensão. Uma estrutura é rompida quando uma superfície é criada na estrutura. A resposta para isto é a impossibilidade de deformação plástica combinada à existência de defeitos na estrutura. Uma vez que estes grãos se rompem. Na prática. a0 é o espaço entre os átomos que têm ligações rompidas e é a energia interfacial do material. como um arranhão ou um canto vivo. com o aumento da tensão externa. pois mais heterogênea é a distribuição de tensão entre os grãos. ou seja. como já discutido. Primeiramente rompem-se aqueles grãos que estão orientados de modo que sofrem tensões maiores que a tensão máxima que poderiam suportar. a tensão sendo aplicada deve fornecer energia tal que supere a energia das ligações a serem rompidas. Isto torna o restante da estrutura menos resistente. Teoricamente. estas tensões são distribuídas diferentemente em cada grão em face da anisotropia do módulo de elasticidade. por exemplo) é aplicada em certa direção em um material policristalino (supondo que não contenha falhas estruturais como poros e trincas).

O alinhamento deve ser preciso para evitar a introdução de tensões de dobramento na peça. os defeitos na superfície podem provocar a falha do material e a distorção do resultado medido. Temos três tipos de ensaios: Tração. São definidos por ensaios mecânicos e o material mais duro encontrado ate hoje é o diamante. È possível o aumento da resistência ao choque térmico através de processos térmicos que provocam tensões superficiais que se contrapõem as causadas pela variação brusca de temperatura. Assim. Em medições precisas as tensões de dobramento devem ser estimadas e consideradas para que se tenha uma ideia de sua influencia sobre a medida de resistência mecânica. Choque térmico Choque térmico é o resultado de tensões internas provenientes de mudanças bruscas de temperatura na superfície do material resultando em trincas e por fim na ruptura do mesmo. -Tração: em geral não se empregam ensaios de tração para caracterizar materiais cerâmicos por duas razões importantes.Tabela 4 –Módulo de elasticidade. Dureza A dureza é uma propriedade utilizada principalmente para aplicação em ambientes abrasivos e é necessário uma grande resistência mecânica na superfície. a dificuldade de fabricar amostras no formato padrão e a necessidade de grande alinhamento no momento de acopla-la a maquina de ensaios. Ensaios Mecânicos São usados para caracterizar o comportamento mecânico de cerâmicos. Fluência e Fadiga São propriedades dos materiais cerâmicos que são interessantes na produção de refratários. pois são utilizados em altas temperaturas e sobre aplicação de carga. caso ocorra. Flexão e Compressão. resistência mecânica teórica. resistência mecânica medida de fibras e resistência mecânica de policristais. ate mesmo o encaixe da . Note que a resistência de policristalinos é muito inferior à resistência teórica estimada e também à resistência das fibras.

Temos dois tipos de ensaio de compressão: Compressão uniaxial e Compressão diametral. -Tensão hidrostática: o corpo de prova é um cilindro oco de paredes finas. Este tipo de teste apresenta problemas. como vedar as extremidades para evitar o vazamento do fluido. -Compressão: o ensaio de compressão é comum em cerâmicas usadas em aplicações sujeitas a cargas compressivas (Exemxxplos: tijolo. cimento. e etc. que é maior na compressão. e os defeitos estruturais são mais efetivos em provocar a falha quando usado ensaio de tração. Figura 16 – Corpo de prova para analise de tensão hidrostática. não pode ser feito em altas temperaturas. -Theta: o corpo de prova é mais engenhoso. A tração usa as trincas e poros como alavanca para aumentar os defeitos. Figura 17 – Corpo de prova em formato de theta para ensaios mecânicos.). o módulo de elasticidade. Figura 15 – Corpo de prova para ensaios de tração aplicada nos dois extremos.peça é difícil. uma força de tração é induzida na haste do meio. e etc. e mais difícil de ser preparado. na compressão ocorre o contrário as trincas e poros são fechados e a fratura ocorre em um plano na mesma direção da aplicação da compressão. Temos três tipos de medição de resistência a tração: -Resistência a tração uniaxial: é a mais comum. poros. onde um fluido é injetado em seu interior e exerce pressão sobre suas paredes. e diminui quando temos trincas. ao aplicarse um força compressiva nas hastes laterais. inclusões maclação e anisotropia do módulo de elasticidade. A resistência a compressão é muito maior que a resistência a tração nas cerâmicas por duas razões. pois produzem tensões sobre a peça que podem provocar sua falha. A resistência a compressão aumenta quando o tamanho de grão diminui. .

Figura 21 – Demonstração de ensaio de compressão em quatro pontos. Figura 18 – Corpo de prova para ensaio de compressão. A amostra de formato simples. . Figura 19 – Corpo de prova para ensaio de compressão diametral.-Compressão uniaxial: a força é aplicada ao longo da parte plana da peça. -Flexão: é muito comum nas cerâmicas pela facilidade de preparação das amostras e realização da medida. c é a distancia entre o eixo neutro e a superfície de máxima tração e l é o momento de inércia do corpo. é apoiada sobre dois suportes equidistantes de suas extremidades. Figura 20 – Demonstração de ensaio de flexão em três pontos. -Flexão por quatro pontos: A amostra é apoiada em dois suportes equidistantes e é aplicada uma força na parte superior da amostra por dois suportes. A carga é aplicada na parte superior da amostra por um ou dois suportes. -Flexão em três pontos: A amostra é apoiada em dois suportes equidistantes e é aplicada uma força na parte superior da amostra por um suporte. retangular ou circular. Calculamos da seguinte forma: Onde M é o momento. a pressão é exercida ate que a amostra se rompa. Definimos a resistência a flexão da amostra (Módulo de ruptura) como a tração máxima na amostra no momento da fratura. podendo ser quadrada. Temos dois tipos de ensaio de flexão: Flexão em três pontos e Flexão em quatro pontos. -Compressão diametral: a força é aplicada diametralmente.

principalmente na superfície inferior. Quanto menor o nível de tração local maior terá que ser o defeito crítico que poderá se propagar e provocar a fratura. é mais provável que haja um defeito de tamanho crítico na área maior do que na . e na parte inferior. isto está relacionado a distribuição de tensões e defeitos que iniciam a ruptura ao longo da estrutura da amostra. No caso de quatro pontos. tração e compressão. Inversamente. O plano médio que separa a região sob compressão da região sob tração é chamado de plano neutro. respectivamente. chegando a zero nos pontos de apoio inferiores. temos a presença da tração.B e C. O teste de flexão em três pontos fornece valores superiores a flexão do que aqueles em quatro pontos. (A) (B) (C) Figura 23 – ilustra a distribuição de tração na superfície inferior da amostra para testes de três e quatro pontos e de tração respectivamente em A. a amostra sofre dois tipos de tensões. onde a tração e compressão máximas ocorrem justamente na parte inferior e superior ao mesmo tempo. Figura 22 – Forças que atuam no corpo de prova durante ensaio de flexão em três pontos. o valor máximo mantém-se por toda a extensão entre os pontos superiores de aplicação da carga e cai entre estes pontos e os pontos inferiores de apoio. O corpo cerâmico é muito mais sensível a esforços de tração do que a de compressão. Como foi discutido anteriormente. Supondo que o valor de tração máxima é o mesmo em ambos os casos. nota-se que no caso de três pontos. Na parte superior da amostra temos a presença da compressão. este valor máximo ocorre no centro da amostra e cai à medida que se aproxima das extremidades. Desta forma.Nesse teste. como no teste de flexão com quatro pontos a área do material exposta a altos níveis de tração é maior de que para o teste de três pontos. onde a tração atinge valores máximos. a fratura da estrutura depende do nível de tração aplicado e da existência de um defeito estrutural de tamanho suficiente para se propagar com aquele nível de tração. quanto maior o nível de tração menor pode ser o tamanho do defeito crítico que poderá se propagar. a amostra deve falhar devido à tração atuando na metade inferior da peça. Sendo assim.

Um defeito de tamanho L foi criada nas duas amostras exatamente na superfície inferior a uma certa distância do extremo da amostra (ponto X na figura 23(a. Em comparação aos outros defeitos existentes na estrutura das amostras. a probabilidade de haver um defeito de tamanho crítico na região é maior. Esta tensão vai caindo em direção às extremidades da peça. . respectivamente. deste modo. suponha duas amostras A e B semelhantes que serão submetidas a testes de flexão a quatro e três pontos. Neste tipo de ensaio. Tabela 5 Valores de resistência à flexão e à tração para diversas cerâmicas em temperatura ambiente. No ensaio de três pontos. a tensão máxima existe bem no centro da superfície inferior. a tensão no local do defeito é igual ao valor máximo da tensão. tão logo o valor máximo de tensão atinja o valor crítico de falha.b).área menor. Isto significa que mesmo se a tensão máxima no centro exceder à tensão crítica de falha. a tensão no local do defeito pode ser inferior à tensão crítica e a peça não fratura. podese dizer que o defeito introduzido é tal que provocará a fratura do material quando a tensão local atingir certo nível. Para tornar isto mais claro. Assim. é submetido ao valor máximo de tração. No caso do ensaio de quatro pontos. a amostra falha em tensões ainda mais baixas do que aquelas medidas em ensaios de três e quatro pontos. a fratura ocorre. a amostra testada pelo ensaio de quatro pontos tende a falhar quando submetida a tensões menores que as tensões que provocam falhas em uma amostra semelhante ensaiada por três pontos. Como a tensão é bem mais uniformemente distribuída pela estrutura da amostra. Só para comparação. e não somente sua superfície. a Figura 23(c) exibe a distribuição de tração em um corpo de prova usado em testes de tração. Todo o volume útil do corpo.

Quando a região é submetida à tensão pode haver o rompimento da parede entre o poro e o exterior. -Tenacidade a Fratura: A medição da tenacidade à fratura é complicada porque ela deve ser feita conhecendo-se informações sobre uma trinca existente na estrutura. Quanto menos defeitos. Material cerâmico com uma trinca na superfície de comprimento a. se torna possível aumentar a resistência mecânica do material cerâmico. etc. Em ambos os casos. Isto diminui a resistência à fratura. e com um processo de sinterização que minimize a quantidade de poros na estrutura e a produção de trincas. melhor resistência mecânica o material vai apresentar. o não conhecimento do tipo e tamanho das trincas impossibilita a previsão da resistência mecânica dos corpos. Note a diferença entre os valores de resistência à flexão e de tração. -Processamento: o processo de fabricação das cerâmicas é importante. Com o controle da temperatura. Outro caso é o de um aglomerado de poros isolados. pois nos permite ter a minimização dos defeitos.A tabela 5 traz medidas de resistência à tração e resistência à flexão para diversos materiais cerâmicos. aumentando de tamanho. raios-X. As paredes que separam os poros podem se romper. Portanto.) a previsão é difícil. Veja o exemplo de um poro situado próximo à superfície. interligando os poros. aliado a processos de acabamento que reduzam ao máximo o numero de imperfeições na superfície e com tratamentos térmicos. Figura – 24. a trinca de forma e dimensões determinadas deve ser introduzida na estrutura. porém mesmo se forem usadas técnicas de medição de tamanho de defeito (ultrassom. porém próximos. O tratamento matemático introduzido aqui sobre resistência mecânica e tenacidade à fratura diz respeito somente a trincas de formato bastante simples (elíptico) e de dimensões perfeitamente conhecidas. o tamanho dos defeitos estruturais aumenta. tempo e velocidade de queima. Os poros existentes raramente têm forma esférica e estão isolados. . Na prática. os defeitos presentes em estruturas reais são de tipo bem mais complicado e desconhecido. menos intensificadores de tensões. pois os defeitos podem se modificar. Na verdade.

O métodos de processamento e acabamento das materiais primas são variáveis de grande importância. pois através destes é possível reduzir os defeitos que intensificam tensões interiores e externos como poros e trincas. Mesmo que não resista a grandes impactos ou a esforços físicos de tração. os materiais cerâmicos apresentam fratura catastrófica em cerca de 1% da tensão teórica.Conclusão Os materiais cerâmicos apresentam propriedades mecânicas inferiores e. Não são utilizado em aplicações onde esforços de tração ou impacto são necessário pois apresentam fratura frágil. Sua resistência à altíssima a abrasão. . consequentemente. principalmente como revestimentos. aumentando a resistência do material cerâmico. aplicabilidade limitada em relação aos metais. Devido à impossibilidade de produção de um material cerâmico livre de defeitos estruturais como poros. uma ampla gama de possibilidades de aplicação desses materiais existe. impulsionam muito a aplicação de materiais cerâmicos. e mobiliza um desenvolvimento surpreendente. em resultado da intensificação das tensões internas pelos defeitos. a ambientes aquoso e a altas temperaturas alem de ser resistente a contaminação por escoria liquida.

Editora da Universidade de São Paulo. Ciencia e engenharia de materiais. Capítulo VI: Propriedades Mecânicas Prof.H. W. Departamento de Engenharia de Materiais da Universidade de São Carlos.jpg http://www. da Silva Aula sobre propriedades mecânicas e estrutura de materiais cerâmicos. Sétima Edição. Propriedades dos Materiais Cerâmicos. do Departamento de Engenharia de Materiais da Ufpb. 2008 L. Angelus G. de Edgar Dutra Zanotto e Angelo Rubens Migliore Jr. P.scielo..Referencia Bibliográfica http://www. Editora LTC.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0366-69132004000400003 http://www.br/scielo. Estrutura e Propriedades de Materiais Cerâmicos.. da professora Liszandra Fernanda Araujo Campos. . uma introdução.scielo.scielo. VAN VLACK. 1973.php?script=sci_arttext&pid=S0366-69132007000300012 Artigo. CALLISTER Jr.D.br/img/revistas/ce/v53n327/a12fig11. Propriedades mecânicas de materiais cerâmicos.