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Os sentidos do Golpe de 1964 nos livros didáticos de história (1970-2000): entre continuidades e descontinuidades1
Mateus H. F. Pereira2 Andreza C. I. Pereira
Nossa pesquisa pretende pensar sobre o Golpe de 1964, através da história escrita por autores de livros didáticos. Utilizamos como corpus documental livros editados de 1970 até 2000, a fim de apreender dimensões das metamorfoses do acontecimento. Pretendemos, assim, compreender e explicar como esses impressos de ampla circulação buscaram “origens” com fins de realizar didaticamente um trabalho de luto sobre o “acontecimento traumático” no tempo presente do próprio evento. Palavras-chave: Golpe Militar de 1964 – acontecimento – livro didático de história

The senses of the Blow of 1964 in the history text books (1970-2000): between continuous and discontinuous
Our research intends to think on the Blow of 1964, through written history by authors of text books. We used as documental corpus edited books from 1970 up to 2000, in order to apprehend dimensions of the event’s metamorphoses. We intend to understand and to explain as those printed papers of wide circulation searched for “origins” aiming

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Artigo recebido e aprovado para publicação em setembro de 2009.

Mateus Henrique de Faria Pereira é professor do Departamento de História da Universide Federal de Ouro Preto (UFOP), Andreza Cristina Ivo Pereira é graduada em história pela Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG). Agradecemos as sugestões de Juliana Melo, Flávia Lemos, Miriam Hermeto e dos pareceristas da revista Tempo. E-mail: matteuspereira@gmail.com e mundodemaya@ymail.com. Apoio: FAPEMIG e CNPq.

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Mateus H. F. Pereira e Andreza C. I. Pereira

Artigos

didactically accomplishing  a mourning work on the “traumatic event” in the present time of the own event. Keywords: The Blow of 1964 – event – history text books

Les sens du Coup d’État de 1964 dans les livres didactiques d’histoire (19702000): entre continuites et descontinuites
Notre recherche veut penser sur le Coup d’État de 1964, à travers l’histoire écrite par des auteurs de livres didactiques. Nous utilisons comme source livres édités de 1970 jusqu’à 2000, afin d’appréhender des dimensions des métamorphoses de l’événement. Nous prétendons, ainsi, comprendre et expliquer comme ces livres de large circulation ont cherché “origines” avec des fins de réaliser didactiquement un travail de deuil sur l’“ événement traumatique ” dans le temps présent de l’événement lui-même. Mots-clés: Coup d’État de 1964 – événement – livre didactique d’histoire

______________________________ Neste artigo, pretendemos problematizar algumas construções de sentido do Golpe de 1964, construídas por autores de alguns livros didáticos de história, editados no período entre 1970 e 2000.3 Buscaremos analisar as diversas interpretações existentes principalmente no que se referem às “origens” do evento, na intenção de compreender e explicar algumas das permanências e mudanças nos sentidos atribuídos ao “acontecimento traumático”4 na temporalidade própria do corpus documental de nossa pesquisa, isto é, pretendemos compreender e explicar as metamorfoses do Golpe de 1964 por meio do diálogo que procuramos estabelecer entre as interpretações dos livros didáticos escolhidos. É preciso destacar que de 1973 até 2000 a historiografia e o ensino de história mudaram em vários aspectos, assim como os olhares sobre o golpe também. A intenção deste texto é captar, mesmo que de forma lacunar, os sentidos produzidos pelos livros. Compreendemos que essa ênfase nos sentidos apresenta um risco: a perda de aspectos da “historicidade” dos livros. Pensamos que esse risco é válido, na medida em que os livros didáticos de história analisados são aqui entendidos
3 A seleção dos livros didáticos utilizados partiu de um levantamento prévio, por meio de informações de editoras e autores, das obras mais representativas e utilizadas no estado de Minas Gerais desde os anos 1970. Levamos em consideração, também, a quantidade de aparição de determinados livros em bibliotecas públicas e escolares. Ver anexo 1 e 2.

Sobre o conceito de “acontecimento traumático”, ver Paul Ricoeur, Écrire L’Histoire du Temps Present, Paris, Seuil, 1991. Para o conceito de trauma em Freud, ver, em especial, S. Freud, Obras Completas, Buenos Aires, Amorrortu, vol. XXIII, 1986, pp.70-73.
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p. mas à explicação de processos de transformação complexos. Rio de Janeiro. na crítica de Jaques Revel a ideia de contexto no singular – por meio dos usos retórico. Paris. Dissertação de Mestrado. por via dos textos dos livros didáticos contribuir para aquilo que o autor chama de “construir a pluralidade de contextos”. Trata-se aqui de seguir as orientações metodológicas sugeridas por Louis Queré. 1998.8 5 De algum modo. Ver. La mémoire. Rio de Janeiro.Os sentidos do golpe de 1964 nos livros didáticos de história (1970-2000): entre continuidades e descontinuidades como os intérpretes doadores de sentidos ao “acontecimento traumático” Golpe de 1964.5 Dessa maneira. l’oubli. em suas narrativas. Referimos-nos apenas. Neste aspecto. nesse sentido. 64-65. 2002. ao ano de publicação dos livros analisados. Paris: Seuil. veem-se aspectos que não são vistos em outra e cada olhar tem a sua legitimidade. “Um estudo sobre a causalidade no ensino de História”. mergulhar na descontinuidade da construção e produção de sentidos do “acontecimento traumático”6 a partir de uma escala específica: os livros didáticos de história produzidos entre 1970 e 2000. também. nosso trabalho insere-se no que Paul Ricoeur denomina grande conquista ou liberdade metodológica do trabalho do historiador: o jogo de escalas. que compreendem as permanências e transformações que se desenvolveram entre um estado inicial e um estado final demarcados pelo observador”. Pretendemos. A referida escolha se justifica também pelos limites de páginas que um artigo comporta. observadas nas abordagens acerca do Golpe realizadas pelos autores de livros didáticos. Jaques Revel. pois muitas vezes de uma edição para outra há grandes transformações explicativas. As “origens” do golpe cumprem o papel de escalas de observação para efetuarmos jogos de escalas.24. a causalidade não se refere apenas “às relações de causaefeito simples. também. “Un évenément indecidable?”. 1997. apoiamos-nos. pois indica uma saída para a falsa alternativa que estruturava o trabalho histórico entre os partidários do acontecimento e os da longa duração. circulação e apropriação dos livros. FGV. optamos por não referirmos à data de primeira edição dos livros analisados. Miriam Hermeto de Sá Motta. 1998. Por essas razões. l’histoire. também. em cada escala. 4. Jogos de escalas: a experiência da microanálise. FGV. Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais. enfatizando as causalidades ou as “origens” utilizadas nos livros. argumentativo e interpretativo – para construir efeitos de “verdade e/ou realidade” a determinada argumentação. tendo em vista essa escolha perdemos parte das dinâmicas contextuais de produção. Sentidos e “origens” do “acontecimento traumático” 1964 Nesse item.). 8 199 . A tipologia construída procura fornecer alguns elementos para que possamos problematizar as “origens” do Golpe de 1964. Paul Ricoeur. Belo Horizonte. 27. In: Jogos de escalas: a experiência da microanálise. 2000. Desse modo. Jaques Revel (org. “Microanálise e construção do social”.7 Apontamos algumas das mudanças mais significativas. 7 Metodologicamente. 6 Segundo Miriam Hermeto de Sá Mota. procuramos descrever e analisar as mudanças de sentido realizadas pelos autores de livros didáticos de história acerca do Golpe de 1964. p. assim. pretendemos. p. Espace Temps.

F. em 1 de abril de 1964. 185. e que “a partir de 1963. na medida em que João Goulart permaneceu no país até o dia 4 de abril de 1964. No dia 31 de março de 1964. aumento da inflação e do custo de vida”. In: Marcos Cezar Freitas (org. pois a vacância anunciada. Francisco Alencar. a crise econômica e política agravou-se. por exemplo. por Ranieri Mazzili. política e social do país é uma das principais causas para o desencadeamento do Golpe de 1964 para muitos livros didáticos. “Histórias que os livros didáticos contam. 1985. 1979. Editora Ao livro Técnico. teve “início. porque uma parte significativa de professores. 6ª série. A autora ainda afirma que o presidente foi “deposto em 24 horas e partiu para o Uruguai. nesta reflexão. em Minas Gerais. 1979. São Paulo.). 200 . alunos e público geral conhece e utiliza os livros tomando o(s) nome(s) do(s) autor(es) como referência. afirma que “durante a presidência de João Goulart. Ática. Lúcia Carpi Ramalho e Marcus Venício Toledo Ribeiro. foi inconstitucional.10 É importante destacar que há incorreção no que se refere à saída de Jango imediatamente para o Uruguai. p. É preciso destacar que. autora do livro História do Brasil (1979). Análises factuais se mesclam com análises conjunturais. I. legitima o Golpe. Maria Januária Vilela Santos. Podemos dizer que essa “escolha”. em boa parte. ocorrendo inclusive atos de indisciplina dentro das Forças armadas”. Marcus Venício Toledo Ribeiro. 6ª série. não é a categoria autor em si e sim a narrativa produtora de sentido. História da Sociedade Brasileira. como exilado político”. política e social A crise econômica. Ver. autores do livro História da Sociedade Brasileira (1985).11 afirmam que o Governo Goulart iniciava-se em um momento de crise econômica e financeira. A obra não explicita a que série se destina. São Paulo. Historiografia Brasileira em Perspectiva. greves. indica o caminho que muitos dos autores dos livros da primeira geração posterior a 1964 “escolheram” para compreender e explicar os eventos. Rio de Janeiro. Francisco Alencar. São Paulo. p. 2003. 185. O que nos importa. “Crise Maria Januária Vilela Santos.9 destinado à 6ª série. contribui para manter a ideia da inevitabilidade do Golpe. um movimento contra o governo”. Pereira e Andreza C. em geral. pp. Ática. Lúcia Carpi Ramalho.Mateus H. 288-306. A inserção ou não da temática da vacância nas narrativas presentes nos livros didáticos. os livros didáticos são produzidos por uma variedade de atores. presente em grande número dos livros mais recentes também. 9 10 11 Maria Januária Vilela Santos. o Brasil foi agitado por manifestações políticas. dentre outras razões. Kazumi Munakata. de algum modo. História do Brasil. depois que acabou a ditadura no Brasil”. Esta incorreção. Pereira Artigos “Origem”: crise econômica. conforme será analisado mais adiante. utilizamos o critério “autor” para analisar as construções de sentido sobre o Golpe de 1964. Contexto. No entanto. História do Brasil.

O gesto do presidente permanece sem explicações definitivas.12 No livro História (1991). A situação se complicou ainda mais. renunciou. manifestações de rebeldia. 1991. do custo de vida e a violenta pressão salarial que multiplicava os movimentos grevistas” e “os choques políticos entre a esquerda e os grupos conservadores que combatiam a proposta das reformas” também seriam fatores que teriam levado ao golpe. quando o Primeiro Ministro. pois aponta a forma pela qual ocorreu a industrialização “tardia” brasileira como origem da crise que gerou o Golpe. tratou-se de uma tentativa de golpe”. “Origem”: renúncia de Jânio Quadros Nos livros analisados. de 1983. os quais. afirma que “na manhã de 25 de agosto de 1961. Regina Célia de Moura Gomide Belisário. 14 Raymundo Campos. destinado ao Ensino Médio. Ensino Médio.. destinado ao Ensino Fundamental. vinham adquirindo conteúdos políticos. assaltos”. vol. Vigília. Belo Horizonte. Elian Alabi Lucci. autor do livro História do Brasil. Outros aspectos como “o agrupamento das lutas ideológicas nos períodos anteriores. Ensino Fundamental. em carta ao Congresso Nacional. cuja industrialização se baseava na substituição de importações e na alta exploração da força de trabalho. Atual.. aos poucos. 4. Tancredo Neves. História do Brasil. Jânio Quadros renunciava ao seu mandato. 129-131. Surgiram greves. p. Teria sido a política de Goulart a causadora do colapso final do estado populista. o crescimento da inflação. Kátia Corrêa Peixoto Alves.14 por exemplo. porém. 1983.) Um outro fenômeno iria contribuir também para o colapso do pacto populista: a ascensão de movimentos reivindicatórios dos trabalhadores rurais. quanto aos seus objetivos finais.Os sentidos do golpe de 1964 nos livros didáticos de história (1970-2000): entre continuidades e descontinuidades típica de um país dependente. Os autores ainda afirmam que o governo intentava uma política nacionalista reformista – em momento algum.13 escrito por Kátia Alves e Regina Belisário. (. 201 .” Percebemos aí uma análise com certa “tendência estrutural”. 224. pp. Raymundo Campos. O ex-presidente sempre é retratado como um homem carismático. mas ao que parece. São Paulo. História. imprevisível. há a perpetuação de uma representação acerca da personalidade de Jânio Quadros. a defesa da campanha das reformas de base por parte de Jango teria “provocado as suspeitas do centro. explicita-se o que se queria dizer com isso – em uma “etapa em que a burguesia e as classes trabalhadoras tinham sofrido transformações substanciais”. 12 13 Ibidem.

Cláudio Vicentino. Vozes. São Paulo. 1964. percebemos uma grande influência da reflexão de René Dreifuss que minimiza essa crise. História: memória viva. Saraiva. nos livros produzidos após a década de 1980. pelas referências historiográficas que servem de apoio aos autores dos livros. Porém. O golpe fundava-se no temor de setores da sociedade e de parte da opinião pública diante de um governo dirigido por Jânio Quadros”. Paz e Terra. foi apontada como uma das causas centrais do golpe militar em boa parte dos livros dos anos 1970 e 1980. Atual. Raymundo Campos. Pereira e Andreza C. afirma que. porém ela praticamente desaparece nos livros mais recentes. São Paulo. o Presidente preferiu renunciar. F. René Armand Dreifuss. se dá. afirma que a crise desencadeada pela renúncia de Jânio Qua15 Elian Alabi Lucci. percebemos que algumas obras citam os conflitos políticos de 1961-1964. 1985. no livro História do Brasil (1983). 202 . 2. Democracia ou Reformas? Alternativas democráticas à crise política: 1961-1964. 17 18 Raymundo Campos. I. de 1994. Brasil: de Getúlio Vargas a Castelo Branco (1930-1964). Essa mudança. É interessante notar que o trabalho de Argelina Figueiredo17 do início dos anos 1990. 1993. de 1985.Mateus H. Naquelas décadas. 1983. Dessa forma. Ensino Médio.15 destinada ao Ensino Médio. São Paulo. A conquista do Estado: ação política. ao passo que. percebemos uma forte influência do trabalho de Thomas Skidmore que enfatiza sobremaneira a crise de 1961. sem se referir à renúncia de Jânio Quadros como o início da crise política. Scipione. Tendo em vista essa permanência. que revaloriza a crise de 1961.18 destinado aos alunos do Ensino Médio. uma trama para reforçar seu próprio poder. em boa medida. p. Ao optar por legislar o país só por decretos. não cuidou de obter o apoio parlamentar. Argelina Cheibub Figueiredo. 16 Cláudio Vicentino. poder e golpe de classe.16 afirma que “a renúncia foi uma manobra política fracassada de Jânio Quadros. Pereira Artigos por sua vez. acabou provocando um conflito inevitável com o Poder Legislativo. a renúncia de Jânio Quadros. História do Brasil. Skidmore. O livro não diz a que série se destina. Rio de Janeiro. a república e o Brasil contemporâneo. perante as pressões internas e as dificuldades crescentes de governar o país sozinho. 1981. a república e o Brasil contemporâneo. 118. Brasil: período imperial e republicano. Ver Thomas E. em alguns momentos. autor do livro História: memória viva. São Paulo. 1994. em 1961. é mencionada por apenas um dos livros analisados. História do Brasil: o império. Paz e Terra. 93. na obra História do Brasil: o império. vol. indispensável para a execução de um plano de governo. 1969. Ensino Médio. p. São Paulo. apesar do presidente Jânio Quadros ter tido uma carreira rápida e brilhante.

História da vida privada no Brasil: contrastes da intimidade contemporânea. 8ª série. 2000.20 “Origem”: crise do populismo É interessante observar que esses autores e a maioria dos autores de livros didáticos analisados não procura definir ou problematizar o conceito de populismo. O populismo e sua história: debate e crítica. “A política brasileira em busca da modernidade: na fronteira entre o público e o privado”. 20 21 Ibidem.23 19 Andréa Montellato. 22 Ibidem. Segundo Andréa Montellato. Ricardo de Moura Faria e Flávio Costa Berruti. destaca a crise de 1961 como início do processo que culminou no Golpe. Conceição Cabrini. 544-551. Editora Lê. autores do livro História da Sociedade Brasileira. 19-22. 4. dos livros da década de 1990. Rio de Janeiro. constituindo-se na melhor tradução do impasse para a conquista da modernidade política. Ver Francisco Alencar. Adhemar Martins Marques. Porém.22 destinado ao Ensino Fundamental. 2001. História da Sociedade Brasileira. Companhia das Letras. Civilização Brasileira. pp. Ângela de Castro Gomes. não foi o ‘populismo’ o que limitou nossa experiência democrática. “a crise que levou ao regime instaurado pelo golpe de Estado de 31 de março de 1964 teve início com a renúncia do presidente Jânio Quadros. Roberto Catelli Junior. 2000. Destacamos. p.21 Aqueles que apontam a crise do populismo como uma das causas do golpe civil e militar abordaram o período de 1945-1964 como sendo o de uma experiência democrática em que o “povo” teve voz ativa. autores desse livro. pp. Tendo em vista os limites deste artigo não pretendemos entrar nas complexas discussões historiográficas a respeito do conceito de populismo. teria sido “no período em que Goulart governou que a crise do Populismo chegou a seu momento culminante”. autores do livro Brasil: História em Construção (1996).). Rio de Janeiro. exemplificam essa ausência de problematização. 1985. no entanto. também apontam como causa do Golpe Militar a crise do populismo. Para uma cartografia dos debates historiográficos ver Jorge Ferreira (org.19 destinado à 8ª série. em 1961”. mas o que a possibilitou”. Francisco Alencar. vol. Conceição Cabrini e Roberto Catelli Junior. São Paulo. São Paulo. Belo Horizonte. In: Lilia Moritz Schwarcs. que para Ângela de Castro Gomes. Ensino Fundamental. Adhemar Martins Marques. Segundo os autores. “numa leitura inversa e perversa. o conceito de “populismo” foi visto como uma espécie de “mal” do privado e do público. 23 203 . Marcus Venício Toledo Ribeiro. Ricardo de Moura Faria. Brasil: História em Construção. Editora Ao Livro Técnico. Lúcia Carpi Ramalho e Marcus Venício Toledo Ribeiro. pp. 1996. História Temática: O mundo dos cidadãos. Somente o livro História Temática (2000).Os sentidos do golpe de 1964 nos livros didáticos de história (1970-2000): entre continuidades e descontinuidades dros em setembro de 1961 quase levou o país a uma guerra civil e deixou grandes traumas. Flávio Costa Berruti. 226-227. Lúcia Carpi Ramalho. Scipione. 89.

percebemos a influência das reflexões que consideram o populismo como uma manipulação política. Ensino Médio.25 Notamos também que o progressivo questionamento desse conceito não está presente nos livros didáticos analisados. O autor não se preocupa em explicar que atitudes seriam essas. 2. vol. “Origem”: oposição ao governo de João Goulart Para Elian Alabi Lucci. afinal. “Estado Novo: Novas Histórias”. História do Brasil: o império. afirmando que “essas medidas provocaram agitações políticas e falta de disciplina. “algumas atitudes do Presidente [João Goulart] começavam a encaminhar o País para a adoção de medidas de caráter esquerdista”. autor do livro didático História do Brasil (1985). Contexto. F. Historiografia brasileira em perspectiva. Esse aumento da crise. I. políticos e militares? E qual seria a política imposta por Goulart? De acordo com o autor.).Mateus H. e continua. 93-94.26 destinado ao Ensino Médio. gerou revolta e mobilização nas classes popular e empresarial e desencadeou o Golpe de 1964. o planejamento do Golpe Militar. São Paulo: Saraiva. 2. denominado 24 25 Ibidem. dentre outros motivos. pp. a república e o Brasil contemporâneo. 26 Elian Alabi Lucci. Os autores afirmam que. vol. seus líderes pertenciam às elites tradicionais e não se encontravam realmente vinculados a causas populares. História do Brasil: o império.27 O que seriam medidas de caráter esquerdista? O que teria sido esse descontentamento nos âmbitos populares. Pereira e Andreza C. a república e o Brasil contemporâneo. ou mesmo socialista. como uma etapa do desenvolvimento latino-americano. Ensino Médio. o que gerou um clima de grande intranquilidade”. 1985. Essa ausência pode ser explicada. sendo a política de massas um momento necessário para a construção de uma sociedade desenvolvida e democrática. de acordo com os autores do livro.24 Indiretamente. inclusive em alguns setores militares. Saraiva. pelo luto inacabado que ainda persiste quando se refere às análises acerca do Golpe. Ver Maria Helena Rolim Capelato. 1985. São Paulo. p. 1998. pp. Pereira Artigos O que seria o populismo e quando a crise que terminaria com o Golpe teria tido início não são mencionados no decorrer do texto. a crise do populismo teria chegado a seu momento culminante sendo que “até o início de 1964 a crise só aumentou”. Os trabalhos sobre o populismo entendem-no como um momento de transição de uma sociedade tradicional para a moderna. 93-94. In: Marcos Cezar Freitas (org. conforme destacaremos em nossas considerações finais. no período do governo Goulart. 27 Elian Alabi Lucci. 183-213. 204 . São Paulo.

Raymundo Campos. 30 31 Ibidem. p. no livro História 28 29 Ibidem. Saraiva.30 De acordo com Mário Furley Schmidt. demonstrada na sua fuga do Brasil no momento em que os militares tomavam o poder. Começaram a tramar a queda de João Goulart”. Para outras obras. autor do livro História e reflexão (1996). Gilberto Cotrim. 8ª série. porém os grandes empresários nacionais e estrangeiros iriam reduzir seus “investimentos na produção. a Marcha da Família com Deus pela Liberdade em 19 de março de 1964 e a Revolta dos Marinheiros em 25 de março do mesmo ano foram algumas dessas agitações políticas explicitadas pelos livros. (. 115-117. Nova História Crítica.. por exemplo. 235. as reformas de base que seriam propostas por Jango em seu governo geraram uma mobilização popular que amedrontou as classes mais ricas.. História e reflexão. apoiados pelos governadores.. 4.29 destinado ao Ensino Fundamental. temiam “que as Reformas de Base fossem apenas o começo de uma série de transformações radicais no país”. A incapacidade de João Goulart diz respeito às escolhas feitas por ele e a sua suposta covardia.32 Outras “origens” Alguns livros destacam que as agitações políticas.28 Segundo Gilberto Cotrim. 32 Ibidem. Mário Furley Schmidt.) os chefes militares. São Paulo. Apavorados com a ideia de perder seus lucros e privilégios. vol. (. 1999. Ensino Fundamental. Em 1983. políticos e militares. os grandes empresários uniram-se aos militares.. O comício realizado em 13 de março de 1964. p. durante o governo de Goulart. Editora Nova Geração. teve início quando “começou a haver descontentamento nos âmbitos populares. a incapacidade do governo de João Goulart foi uma das principais causas do Golpe Militar e civil. São Paulo. 1996.). Essas classes tinham “medo de perder alguns privilégios”.Os sentidos do golpe de 1964 nos livros didáticos de história (1970-2000): entre continuidades e descontinuidades “Revolução de março de 1964”. 205 .31 destinado à 8ª série. autor do livro Nova História Crítica (1999). “João Goulart queria realizar um governo nacionalista e reformista”. organizaram um movimento que ficou conhecido como a Revolução de março de 1964 e que depôs João Goulart”. teriam desencadeado o Golpe de 1964. pois desconfiavam das intenções do governo.

dessa forma. os golpistas não seriam apontados como causa fundamental do Golpe. autores do livro História da Sociedade Brasileira (1985). História da Sociedade Brasileira. 4. o Governo Goulart – que voltara ao presidencialismo por decisão de plebiscito realizado a 6 de janeiro – era obrigado a abandonar o Plano Trienal. mais tarde teria se unido às conspirações que os grupos de oficias das Forças Armadas estavam tramando. a crises econômicas e à inabilidade de João Goulart no governo. 35 Francisco Alencar. Belo Horizonte. Por economia de espaço. Os autores afirmam que o primeiro gesto em oposição ao governo partiu da classe média. Editora Ao livro Técnico. Ensino Médio. São Paulo. 1983. São Paulo. revelando-se incapaz de sustar a crise econômica e financeira”. Pereira Artigos do Brasil. 227-229. ver Gilberto Cotrim. o apoio dos militares só aconteceu mais tarde. Antônio Pedro. política desenvolvimentista da década de 50 e o golpe de 64 teria sido um adiamento do golpe planejado em 1961. conferindo-lhes. Atual. Nos livros dessa época. Marcus Venício Toledo Ribeiro. Saraiva. para os autores. 2000. pressionado pela situação econômica. 1999. as origens do Golpe estão ligadas. Nos livros das décadas seguintes. 118. História do Brasil.Mateus H.33 destinado ao Ensino Médio. não detalharemos essas causas. FTD. um apoio político e social. Nas Trilhas da História. após a renúncia de Jânio Quadros. Dimensão. Lúcia Carpi Ramalho. porém surgem quatro causas novas: choques entre grupos de esquerda e grupos de direita. Saber e Fazer História: História Geral e do Brasil. F. pp. 4. Pereira e Andreza C. fatos que ocorreram em março de 1964. na maioria dos livros didáticos das décadas de 1970 e 1980.ed. História do Brasil. 1997. 184-185. 1985. 8ª série. tornando-se uma consequência lógica das ações de Jango no governo. Regina Célia de Moura Gomide Belisário. pp. Jornada para o nosso tempo. 3. pela direita. Kátia Corrêa Peixoto Alves. presente em todas as edições analisadas. com reduzida margem de manobra”. Belo Horizonte Editora Lê. afirma que “o governo revelaria acentuada fraqueza. Lúcia Carpi Ramalho e Marcus Venício Toledo Ribeiro.34 Pensar o “acontecimento traumático” Um aspecto que chama a atenção nos livros analisados é a ideia da inevitabilidade do Golpe de 1964. pela esquerda. Rio de Janeiro. vol. “em meados de 1963. 8a série. p. p. 136-139. vol. 1987. I. pp. Sobre essas causas. Ensino Fundamental. O golpe teria sido então inevitável. essas duas origens não aparecem.. Ainda segundo esses autores. 206 . Ensino Médio. 229.35 por exemplo. 33 34 Raymundo Campos. Gleuso Damasceno Duarte. Notamos que. Esse movimento. em geral. São Paulo. De acordo com Francisco Alencar.

37 38 Ibidem. 1993. pelo Congresso Nacional. vol. a partir do dia 31 de março de 1964. Sebastião Martins. como em 1961. “a inflação crescia e. o presidente saiu do país e as Forças Armadas baixaram um Ato Institucional. autor do livro História do Brasil (1977). que a inevitabilidade do Golpe (dele ser dado e ser bem sucedido) está presente.). 163. como naqueles em que se pensa o acontecimento como uma ação preventiva da direita em relação a uma futura ação da esquerda revolucionária. que marcava a eleição de um novo presidente. 8ª série. “Em seguida. O golpe e a ditadura militar: 40 anos depois (19642004). História: Assim Caminha a Humanidade. para tentar impedir a ocorrência do golpe. da péssima situação financeira. A junção de todos esses fatores levou as Forças Armadas a intervir no processo político. Lucilia de Almeida Neves Delgado. em 1994. por meio desses exemplos e dos dados anteriores. 2004. Em geral. Virgínia Trindade Valadares.”37 Para Vanise Ribeiro. Virgínia Trindade Valadares e Sebastião Martins. ao lado das crises econômicas. Afinal. Editora do Brasil. essas duas dimensões são confundidas. Nelson Werneck Sodré e Jacob Gorender. Edusc. dentre outros. Sodré afirmou: 36 Luciano Ramos. a questão de fundo da maioria das pessoas e/ou pesquisas que se debruçam sobre este evento é a seguinte: por quais razões o Golpe de 1964 foi bem sucedido e duradouro do ponto de vista daqueles que foram vitoriosos? Percebe-se. mais do que a ocorrência do Golpe. 39 207 . São Paulo. São Paulo. dois importantes historiadores marxistas. p. em 1964 não houve uma mobilização democrática. Para uma análise dessas interpretações na historiografia do Golpe de 1964.Os sentidos do golpe de 1964 nos livros didáticos de história (1970-2000): entre continuidades e descontinuidades De acordo com Luciano Ramos. Tropas do Exército se encaminharam para a Guanabara. junto com ela. In: Daniel Aarão Reis. As crises administrativas se sucediam. autores do livro História: Assim Caminha a Humanidade (1993). História do Brasil. ver. Belo Horizonte.39 É interessante observar que. “1964: temporalidade e interpretações”. 2.36 destinado ao Ensino Fundamental. Vanise Ribeiro.38 destinado à 8ª série. tanto nos livros cujos autores enfatizam a ideia de que 1964 foi fruto de uma conspiração. os preços e os problemas sociais. Talvez esse seja um dos poucos exemplos onde há certa preocupação por parte dos livros analisados em se pensar sobre a “inevitabilidade do golpe ser dado” e também dele ser bem sucedido. Ensino Fundamental. negam a inevitabilidade do golpe. portanto. Rodrigo Patto Sá Mota (orgs. Marcelo Ridenti. Editora do Brasil. da incapacidade administrativa”. 1977. Respondendo à pergunta “seria possível evitar o golpe de 64?”.

42 não são mencionadas pelos livros analisados. que. “Era o golpe de 64 inevitável?”. Argelina Cheibub Figueiredo. Bauru. as diversas possibilidades “perdidas” pelos “atores” entre 1961-1964. Império do sentido: a humanização das Ciências Humanas. “Les sciences sociales face à l’événement”. teria sido se realmente nossas instituições fossem democráticas e sólidas. também. um compromisso sobre estas reformas”. que. reduziram as oportunidades de implementar. após a hegemonia das concepções braudelianas na década de 1970. Democracia ou Reformas? Alternativas democráticas à crise política: 1961-1964. sob regras democráticas. A derrota das correntes que a eles se opunham também não era inevitável”. L’Harmattan. “entre 1961 e 1964. Le Goût de l’Enquête: pour Jean-Claude Passeron. “as alternativas disponíveis em conjunturas críticas durante a presidência de Goulart”. acreditamos que o acontecimento não pode ser reduzido a um contexto ou a uma construção. para que não haja uma ruptura no processo democrático. Paz e Terra. Ver. Argelina Cheibub Figueiredo. F. 44 Jacques Revel. Atual. 1964: visões críticas do golpe. p. 30. daí o cuidado que devemos ter. In: Caio Navarro de Toledo (org.). 38. n. pp.”40 Na mesma linha. EDUSC. 2003. o golpe não era inevitável.). 1993. In: Caio Navarro de Toledo (org. p. Editora Unicamp. São Paulo. In: Jean-Louis Fabiani (Dir. hoje. que procuraram “aprisionar” o evento na curta duração. escolhas e ações específicas solaparam as possibilidades de ampliação e consolidação de apoio para as reformas. Eric Fassin. em geral. Desse modo. Editora Unicamp. todavia.43 percebe-se que a disciplina história experimenta um retorno progressivo aos estudos sobre o acontecimento. Contudo. “Estruturas e escolhas: era o golpe de 1964 inevitável?”. I. 208 . nem os golpes. 1997.Mateus H. Paris. Jacob Gorender. In: 1964-2004: 40 anos do golpe. tornou-se inevitável na curta conjuntura dos dois ou três meses que o antecederam. gostaríamos de destacar. Paris. 7Letras: 2004 e Jorge Ferreira. 5-20. 41 Segundo Argelina Figueiredo. Pereira Artigos “Sim.41 Portanto.114. 42 43 François Dosse. março 2002. Terrain. “Era o golpe de 64 inevitável?”. 2006. Rio de Janeiro.107. 45 Ver Alban Bensa. Campinas. 2001. A Democracia no Brasil (19451964). desta forma. Refletir sobre o conceito de evento/acontecimento pode ser uma via interessante para se pensar o acontecimento para além de sua inevitabilidade. p.44 Essas abordagens procuram entrar na temporalidade do próprio evento ao invés de negar o acontecimento ou de situá-lo em níveis de temporalidades hierarquicamente mais importantes. Gorender afirmou que “visto de perspectiva ampla. Campinas.45 Deve-se reconstruí-lo em sua especificidade 40 Nelson Werneck Sodré. as descontinuidades. Pereira e Andreza C. Não haveria as intervenções. Ditadura Militar e Resistência no Brasil. Éditions du Patrimoine. 1964: visões críticas do golpe. “Retour sur l’événement: un intinéraire historiographique”. Cabe destacar. 1997. São Paulo. e.).

superar a concepção de causalidade. podem os autores. 16 (69): 3-9. não lineares.ed.. 4. é no entrecruzamento de durações que se ancora a dinâmica histórica dos atores que se movimentam em várias temporalidades. que abre e fecha séries de diversos e múltiplos horizontes temporais que não se resumem à epifania do instante. 134.Os sentidos do golpe de 1964 nos livros didáticos de história (1970-2000): entre continuidades e descontinuidades temporal. mesmo que traumático. p. 1. 1996. Rio de Janeiro. ao mesmo tempo.46 Consideramos. 152. Biographie croisée. editado. apesar de comportar essa dimensão também. na maioria das vezes. p. Porém. François Dosse. São Paulo. é uma linha divisória imaterial. vendido e comprado. a nosso ver. Porém. Em aberto. desse modo. A esse respeito Koselleck afirma que “a unidade de sentido que faz dos diferentes acontecimentos um acontecimento é composta de um mínimo de ‘antes’ e ‘depois’”. seria necessário. que tentar compreender e explicar um acontecimento em sua complexidade e lógicas de sentidos coloca em crise diversas concepções de história. como podemos perceber quando analisamos o jogo entre determinações e indeterminações que possibilitaram o Golpe de 1964. Decouvert. um antes e um depois do Golpe Militar de 1964. 2007. essa dimensão deve dialogar com a dimensão estrutural e conceitual. didático é “o livro que vai ser utilizado em aulas e cursos. realizar ou ousar a esse ponto? Para Marisa Lajolo. que provavelmente foi escrito. jan/mar. 1974. Contraponto. em livros como os didáticos. 384-388. como uma ruptura da inteligibilidade.48 Livros didáticos e causalidade Para problematizar a ideia de inevitabilidade. desse modo. Vale a pena destacar que para Koselleck o acontecimento é irredutível. Portanto. por exemplo. ligados à cronologia e empiricamente verificados. Gilles Deleuze. paradoxalmente. Lógica do Sentido. que pensar e trabalhar sobre o conceito de acontecimento pode nós auxiliar a romper com as amarras impostas pela ideia de inevitabilidade tal como encontramos nos livros didáticos analisados. “Livro Didático: um (quase) manual de usuário”. François Dosse comentando a obra de Deleuze afirma. pp. pois os acontecimentos e estruturas são. pois ele é constituído por um “nó” de temporalidades atualizadas em um momento dado. Gilles Deleuze et Félix Guattari. talvez. Reinhart Koselleck. Os acontecimentos são prisioneiros de um antes e de um depois. abstratos e concretos. por exemplo. Acreditamos. tendo em vista essa utilização escolar e sistemática”. Paris. p. rompermos com o conceito de causalidade linear ou mesmo. que os eventos partilham um tempo entre o passado e o futuro. Brasília. 2006. 209 . Perspectiva.49 Para que se possa considerar um livro 46 47 Ver.47 O acontecimento. 48 49 Marisa Lajolo. Futuro Passado: contribuição à semântica dos tempos históricos.

Citado por Miles Hewstone. insuperável. p.). Paris. Cabe aqui destacar a definição de contigência de Raymond Aron: “nous entendons par contingence à la fois la possibilité de concevoir l’événement autre et l’impossibilité de déduire l’événement d’ensemble de la situation antérieure”. Rio de Janeiro. É importante perceber que os livros didáticos não são uma mera transposição de um saber acadêmico para um saber escolar. 1986. a interpretação e a análise são deixadas de lado em certos aspectos pelos autores de livros didáticos. Paris.50 Ensinar. o Golpe de 1964. As disciplinas escolares não são reflexo nem vulgarização dos saberes da pesquisa acadêmica. Afinal. Paris. Já temos a maior dificuldade em apreender uma relação entre um efeito tão evidente como um árvore queimada e o raio que a incendiou: assim. Pereira e Andreza C. 2001. quando afirma que pensar as razões de aconteciAndré Chervel. portanto. 50 51 Antoine Prost. Essais sur les limites de l’objectivité historique. pois. após uma longa busca das causas “profundas” e “imediatas”. L’Harmattan. p. 277. Ensino de História: fundamentos e métodos. F. Raymond Aron. François Furet. 52 210 . Umberto Eco. EDUERJ. fortes e traumáticas forem as consequências de um evento. Jacques Revel. Pereira Artigos como didático. mais difícil é pensá-lo a partir de suas causas. 2.) porque raciocinar sobre as causas e sobre os efeitos é coisa muito difícil. “Representações sociais e causalidade”. 2001. antes de tudo. a contradição que os historiadores das origens pretendem superar é.). p. apresenta-nos um comentário que julgamos pertinente. afirmou que quanto mais pesadas. As representações sociais. Denise Jodelet (org.52 De qualquer maneira. a dois leitores distintos. fazer pensar. ao mesmo tempo. ele deve ser utilizado de forma sistemática no processo de ensinoaprendizagem.63. remontar encadeamentos às vezes muito longos de causas e efeitos parece-me tão louco quanto procurar construir uma torre que vá até o céu”. percebemos que. p . 217. In: Jean-Louis Fabiani (Dir. Ele se dirige. Seuil. n. a saber : “(.51 conflito e. I. em O Nome da Rosa.Mateus H. no nosso caso. Teoria e Educação. Seria necessário pensar a história para além da fascinação pela origem. Cortez. simplificar e vulgarizar. Jay Winter. tendemos a concordar com Lucilia Delgado. não é. também. do Golpe Militar de 1964. Assim como qualquer outro livro. “História das disciplinas escolares: reflexões sobre um campo de pesquisa”. Circe Bittencourt. problematizar. ao analisar a 1a Guerra Mundial. Introduction à la philosophie de l’histoire. o professor e o aluno. 182.. Le Goût de l’Enquête: pour Jean-Claude Passeron. 2004. no caso. Gallimard. o didático proporcionará leituras diferentes para leitores diferentes. 1990. Penser la Grande Guerre: un essai d’historiographie.. no que se refere ao Golpe de 1964. São Paulo. Deveria ser. no afã de hierarquizar e citar as origens do acontecimento. 102. eles retornam sempre ao caráter contingente do começo de uma guerra. 2004. “Retour sur l’événement: un intinéraire historiographique”. creio que o único juiz possível é Deus. p. em certa medida. Ver. No entanto.

pois cada dinâmica histórica é singular”. Trata-se. 54 55 Idem. especialmente a dos militares. p. pp. Carlos Fico. que não cabe ser interpretada através de qualquer tipo de esquema teórico preestabelecido. 211 . São Paulo. a propaganda política conservadora. In: Daniel Aarão Reis. de inscrever as possibilidades de interpretação no interior das limitações. nas quais os fenômenos anteriores determinariam os que seguem. são causas “macroestruturais ou micrológicas”. isto é. pois a reabertura do campo múltiplo das possibilidades do passado não é infinita. “conformando uma crise complexa. as incertezas do governo de João Goulart. a instabilidade institucional do país. 2004. a natureza golpista dos conspiradores. irreduções que não podem ser pensadas linearmente a partir de relações de causalidades. 333. ligada à crise do causalismo ou do monocausalismo. e outros não. 26. EDUSC. n. não havendo nenhuma fragilidade teórica em considerarmos como razões do golpe tanto os condicionantes estruturais quanto os processos conjunturais ou os episódios imediatos”. 24. O golpe e a ditadura militar: 40 anos depois (1964-2004). 2004. vol. François Dosse nos convida a pensar também em subdeterminações. 2003. assim. sem a desestabilização ocasionada pela propaganda ideológica e a mobilização da classe média. 56 François Dosse. “1964: temporalidade e interpretações”. supõe identificação e compreensão da multiplicidade de variáveis presentes nas conjunturas que precedem essas rupturas e supõe também identificação de elementos de longa duração que se atualizam nessas conjunturas”.53 Há. Marcelo Ridenti. 29-60. “Versões e controvérsias sobre 1964 e a ditadura militar”. Carlos Fico afirma que. Edusc.54 Na mesma direção. Rodrigo Patto Sá Mota. Revista Brasileira de História. como podemos perceber a partir do trabalho de Argelina Chei53 Lucilia de Almeida Neves Delgado. São Paulo. 47. o Golpe de 1964 seria difícil de eclodir. As mudanças estruturais do capitalismo brasileiro. “A noção de subterminação designa ao mesmo tempo a pluralidade dos possíveis e a existência de constrangimentos que têm como efeito que alguns possíveis aconteçam. Bauru.55 Nessa busca de sentido sem teleologia.Os sentidos do golpe de 1964 nos livros didáticos de história (1970-2000): entre continuidades e descontinuidades mentos como o Golpe “é tarefa complexa. um entrecruzamento de tempos históricos de longa e curta duração. além de uma mínima coordenação e planejamento da ação militar.”56 A indeterminação não é uma indistinção postulada. absoluta. Império do sentido: a humanização das Ciências Humanas. p. “que devem ser levadas em conta.

de mostrar que a concepção de história que privilegia as “possibilidades perdidas” e/ou “disponível” não está presente nos livros analisados. Pereira Artigos bub Figueiredo57 e das análises presentes. escolhas e ações específicas solaparam as possibilidades de ampliação e consolidação de apoio para as reformas. como inclusive é sugerido pelos atuais Parâmetros Curriculares Nacionais de História (PCN’s). 2001. É preciso. 7Letras. que a fascinação pela ideia de origem. em especial. Pereira e Andreza C. 2004 e Jorge Ferreira. p. Mas. Democracia ou Reformas? Alternativas democráticas à crise política: 1961-1964. possibilitam identificar a velocidade com que as mudanças ocorrem. no livro História Temática (2000). sob regras democráticas. Rio de Janeiro. o documento privilegia os eixos temáticos sobre a cronologia: “Os ritmos da duração. Guimarães. Não se trata aqui de criticar alguns livros a partir de critérios estabelecidos posteriormente. Ditadura Militar e Resistência no Brasil. Ver. e. Segundo Argelina Figueiredo. Manuel L. Seria um grande passo para que os livros didáticos de História assumissem um conceito de tempo mais heterogêneo e plural. por sua vez. 1993. F. 30. Baseado em categorias braudelianas. Rio de Janeiro. 1993. a nosso ver. Dessa maneira. p. podem ser identificados três tempos: o tempo do acontecimento breve. Atual. Vera Lúcia Bottrel Tostes (orgs. seria importante relativizar – e não abolir – noções determinantes como “origem” e/ou causa. Museu Histórico Nacional. L. A Democracia no Brasil (19451964). 2003. Paz e Terra. São Paulo. também. dada a intencionalidade didática do saber histórico escolar veiculado nas obras analisadas. desta forma. Ao que parece. As diversas possibilidades “perdidas” pelos “atores” entre 1961-1964. In: José Neves Bittencourt. como já referimos. assumir a concepção de que a história da historiografia deve refletir sobre as memórias construídas. São Paulo. Argelina Cheibub Figueiredo. da história e da ação. São Paulo. portanto. 2006. pensar em narrativas didáticas que questionem o causalismo é pensar uma didática da história em direção à complexidade. na medida em que a historiografia pode ser compreendida como “investigação sistemática acerca das condições de emergência dos diferentes discursos sobre o passado”. Apologia da História. “entre 1961 e 1964. “Estruturas e escolhas: era o golpe de 1964 inevitável?”. assim. Sara Fassa Benchetrit. Rio de Janeiro.Mateus H. ou o ofício do historiador. Pretendeu-se. “as alternativas disponíveis em conjunturas críticas durante a presidência de Goulart”58 não são mencionadas por nenhum dos 60 livros analisados. o da 212 . Democracia ou Reformas? Alternativas democráticas à crise política: 1961-1964. “múltiplo” e “multidirecionado”. Percebemos.). Argelina Cheibub Figueiredo. In: 1964-2004: 40 anos do golpe. permeia todos os livros didáticos analisados. S. um compromisso sobre estas reformas”. Paz e Terra. que os textos didáticos mostrem e demonstrem para os homens de hoje que é melhor para a vida compreender o tempo como “folheado”. História representada: o dilema dos museus. história e historiografia”. I. “Memória. Complexidade do tempo. 92. reduziram as oportunidades de implementar. Assim. as descontinuidades. 58 59 60 Ver Marc Bloch. denunciada por Marc Bloch59 na primeira metade do século XX. Zahar.60 Pensamos que as dificuldades em se 57 Argelina Cheibub Figueiredo.

Brasília. efetivamente. Parâmetros curriculares nacionais: História e Geografia. Apologia da História. como Marc Bloch aponta. em sua pluralidade. Os diversos sentidos que o Golpe de 1964 assume nas narrativas dos livros didáticos de História analisados em nossa pesquisa possibilitam compreender e explicar aspectos do processo de construção de sentidos desse “acontecimento traumático” em obras didáticas. História e Ciências Sociais. Rio de Janeiro. 349-372. 5. 1998. EDUSC. Lisboa. 63 Para François Dosse “independentemente dos atores do acontecimento. essas mudanças devem ser trabalhadas nos cursos de graduação que formam os professores de história. 42 e 46. como destaca Krzysztof Pomian. afinal. para. renunciar a Hegel. noções de indeterminação e subdeterminação. por exemplo. introduzindo. formam parte da trama do acontecimento. nas disciplinas ditas de “conteúdo” dos cursos de graduação. Periodização. Em outras palavras. nos livros didáticos. vol. Seuil. a evolução das representações deste. procurem conciliar descontinuidade e continuidade. 164-213. Obviamente. pp.63 Essa mudança de procedimento. p. François Dosse. Ministério da Educação. 2004. Até que ponto. sobretudo. atitude e postura frente às construções de sentido do passado poderia contribuir para mostrar que a história é antes de tudo uma construção e não um dado natural. 64 213 . 38.64 A insistente ideia de interpretar o acontecimento. partindo de causas e efeitos. Enciclopédia Einaudi. a diversidade das narrativas às quais ele dá origem fazem totalmente parte do acontecimento em si em sua eficácia flutuante ao longo do tempo”. de 1970 a 2000. as periodizações que levam a pensar o tempo histórico como linear só surgem após Hegel. 2001. Paris. essas análises e a recusa da obsessão pelas origens são levadas em consideração? É preciso ainda um longo trabalho. trata-se de considerar o(s) tempo(s) histórico(s) como plural. que evidenciem as descontinuidades. 61 62 Paul Ricoeur. conjuntura e o da estrutura.62 Seria interessante se os professores. não permite análises didáticas que desconstruam. Impressa Nacional. nos termos de Paul Ricoeur. 65. 29. Tempo/temporalidade. 3: Le temps raconté. pp. pp. folheado e multidirecionado. E.Os sentidos do golpe de 1964 nos livros didáticos de história (1970-2000): entre continuidades e descontinuidades trabalhar com um conceito de história mais complexo poderiam ser vencidas.” Brasil. p. As narrativas que reorganizam o acontecimento. Krzysztof Pomian. São Carlos. Marc Bloch. “nesta faculdade de apreensão do que é vivo é que reside. 1993. a qualidade fundamental do historiador”. ou o ofício do historiador. Secretaria de Educação Fundamental. são indissociáveis dele. futuros compradores indiretos dos livros. vol. Zahar. Temps et récit. ao menos parcialmente. autores e editoras ousassem em nome da vida.61 Afinal. 1985. alunos.

1991. EDUSC. 1991. A dificuldade. Para uma análise das relações entre história e psicanálise. em especial. mas ele avança no sentido de acreditar que a concessão do perdão está fundamentada no desligamento do ato de seu agente. Écrire L’Histoire du Temps Present. Paris. São Paulo. 67 Paul Ricoeur. o que é importante destacar é que é preciso pensar uma educação histórica que se preocupe em evitar a repetição de qualquer evento semelhante a 1964. nesses casos. O poder traumático dos eventos talvez possa não ter sido totalmente absorvido no momento em que ele escreveu. afinal. “Memoire: approches historiennes. 249. Seuil. concorda em parte com Hannah Arendt. entendida como sendo a impossibilidade de se “desfazer o que se fez. do conceito de trauma e a dialética entre passado e presente. p. l’oubli. pp. 2000. a reflexão. está contida na faculdade de prometer e cumprir promessas”. Considerações finais A história transforma o trabalho de memória em um trabalho de luto. Seuil. 59-61.Mateus H. embora não se soubesse nem se pudesse saber o que se fazia – é a faculdade de perdoar. Hannah Arendt afirmou que a única solução possível para o problema da irreversibilidade. sabemos que o luto inacabado não permite a edificação de uma tumba escriturária. que seria uma história com “distanciamento”. Pereira e Andreza C. História e Ciências Sociais. 214 . Pensamos que a lembrança. por sua vez. In: Le Débat. La mémoire. approche philosophique”. mas fazer corretamente o trabalho de luto. Ricoeur. marcam também o começo do trabalho de memória. mas que seriam agravadas quando ele participa de tal conjuntura. O perdão é sempre dirigido ao outro e não à ação mesma. Hannah Arendt. da caótica incerteza do futuro. essa é uma forma de retirar dor dos objetos históricos. Esse dado pode ser demonstrado pela ausência de determinadas “origens” como incapacidade de Goulart. interiorizando-os. o aumento de explica65 Paul Ricoeur.67 Entendemos que os “novos” sentidos que viriam a ser atribuídos ao Golpe. um trabalho de memória e um trabalho de luto. A fim de que o evento não caia no esquecimento e/ou impeça ao presente de criar o novo. Universitária.65 Pensar sobre os sentidos atribuídos ao Golpe pelos autores de livros didáticos de história é. ver François Dosse. ao mesmo tempo. 2004.66 Além disso. Galimard. 41-61. pp. A solução para o problema da imprevisibilidade. Muitas vezes. A condição humana. não é apenas conceituar e interpretar bem. Pereira Artigos 4. l’histoire. Porém. portanto. I. p. Paris. 65. 66 Paul Ricoeur. Da nossa parte. Paris. a interpretação e uma possível reconciliação crítica em relação ao “acontecimento traumático” pode ser um passo importante nesse tipo de educação histórica. principalmente nos livros didáticos mais recentes. o historiador-autor de livros didáticos teria determinadas “identificações” em relação ao acontecimento que são próprias ao seu ofício. F. 2002. São Carlos. principalmente quando estamos na “onda de choque” do “evento traumático”. A retirada da dor dos objetos e sua interiorização parecem ter sofrido uma diminuição.

Desse modo. vol. RAMALHO. 7. 1990 ALVES. História. Ensino Fundamental. BELISÁRIO. 1-2. 1979. vol. é verdade. História do Brasil. São Paulo: FTD. Antônio. Lúcia Carpi. CAMPOS. PEDRO. pp. Ensino Médio. 1983. Tempo Social. _____.68 Anexo 1 – Livros didáticos citados pelo texto (por década de edição) 1970 RAMOS. História do Brasil: O império. Marcus Venício Toledo. vol 4. USP. 1985. Nas Trilhas da História. 1977. 215 . LUCCI. 1995. foram importantes “atores” nesse processo de retirada da dor desse “acontecimento traumático” e também terrível que não deve ser esquecido.Os sentidos do golpe de 1964 nos livros didáticos de história (1970-2000): entre continuidades e descontinuidades ções mais ricas e menos simplistas nas narrativas didáticas acerca do Golpe de 1964 aparentam isso. Ensino Fundamental. Raymundo. História do Brasil. n. São Paulo: Editora do Brasil. 1991. uns mais do que outros. Kátia Corrêa Peixoto. 1987. 4. Francisco. História da Sociedade Brasileira. São Paulo: Atual. 68 Ver Irene de Arruda Ribeiro Cardoso. 1985. Elian Alabi. São Paulo. Ensino Médio. 1999. Maria Januária Vilela. Podemos dizer que os livros didáticos analisados. Belo Horizonte: Dimensão. 57-58. 2º vol. Belo Horizonte: Vigília. Luciano. “Foucault e a noção de acontecimento”. 6º série. História do Brasil. SANTOS. vol. 2. São Paulo: Ática. 1980 ALENCAR. São Paulo: Saraiva. RIBEIRO. “manter presente o acontecimento” para guardá-lo como algo a ser pensado é uma forma de impedir sua dispersão no tempo e no esquecimento. História do Brasil. a república e o Brasil contemporâneo. Ensino Fundamental. Rio de Janeiro: Editora do livro Técnico. Ensino Médio. Regina Célia de Moura Gomide.

1993. 8º série. 1997. F. ARRUDA. História Memória Viva. São Paulo: Scipione. I. Brasil: História em Construção. Nova História Crítica. 1994. 4 MARQUES. DUARTE. 1978. 8a série. vol. RIBEIRO. História Temática: O mundo dos cidadãos. Sebastião. Brasil Período imperial e republicano. 1999. Roberto. São Paulo: Editora Ática. 4. 1º grau. 4. CABRINI. Belo Horizonte: Editora Lê. MONTELLATO. Flávio Costa. Gleuso Damasceno. Andrea. Ensino Fundamental. 2º grau. História do Brasil. Gilberto. São Paulo: Saraiva. Ensino Médio. São Paulo: Ática. 1977. Mário Furley. 8ª série. Belo Horizonte: Editora do Brasil. Ricardo de Moura. SCHMIDT. FARIA. José Jobson de A. vol. Cláudio. Pereira Artigos COTRIM. História: Moderna e Contemporânea. São Paulo: Saraiva. Saber e Fazer História: História Geral e do Brasil. Anexo 2 – Demais livros didáticos utilizados pela pesquisa (por década de edição) 1970 ABRAMO. VALADARES. VICENTINO. 1996. FERREIRA. BERRUTI.Mateus H. Adhemar Martins. Belo Horizonte: Lê. 6ª série. Ensino Fundamental. Jornada para o nosso tempo. Virgínia Trindade. São Paulo: Scipione. MARTINS. 2000 COTRIM. vol. Vanise. CATELLI JUNIOR. Olavo Leonel. 1996. 8º série. 2000. Conceição. 1976. Gilberto. História: Assim Caminha a Humanidade. História e reflexão. Alcione. 2000. 8a série. 216 . Império e República. Ensino criativo de História do Brasil. Pereira e Andreza C. São Paulo: Editora Nova Geração. São Paulo: Editorado Brasil.

2o grau. HOLLANDA. Paulo César de. Ensino Médio e Concursos vestibulares. Souto. II. Layla Paranhos. 1973. Trabalho Dirigido de História do Brasil. 1980 ALCANTRA. Maria Luíza Santiago. 1973. A história de um povo.Os sentidos do golpe de 1964 nos livros didáticos de história (1970-2000): entre continuidades e descontinuidades FILHO. STOCKER. 2. COUTO. 1988. Nelson de. 1985. L. Antoracy Tortorelo. BARBOSA FILHO. A. 1978. vol. 1º grau. Paulo Miranda. História Geral da Civilização Brasileira. São Paulo: Editora Nacional. Brasil: uma perspectiva histórica. MAIOR. Ládmo. de. São Paulo: Editora do Brasil. 1973. 2º grau. DAROS. 1ºgrau. Milton Benecto. GONZALEZ. Denise Manzi Eraeyze. 1979. CARMO. PEREIRA. História do Brasil. Brasil Império e Republica. KOSHIBA.História do Brasil 2:da Independência aos nossos dias. Antônio José Borges. 1982. São Paulo: Atual. 1977. Sociedade Brasileira. História do Brasil. 1989. Ensino Fundamental. 2o vol. 2º grau. LUCCI. História do Brasil 2. São Paulo: Scipione. 1988. 1983. Alaíde Inah. estudos sociais.1o grau. Sonia Irene do. vol. Vital. História do Brasil: República e tempos atuais. 2ºgrau. Ensino Fundamental. HERMIDA. Joelza Ester. _____. História do Brasil. Arnaldo Fazoli. 217 . São Paulo: Editora Nacional. História do Brasil. MOURA. 1987. São Paulo: FTD. SP: Editora do Brasil. São Paulo: Atual. História do Brasil: Independência e Luta democrática. São Paulo: Editora Nacional. ARAÚJO. São Paulo: FTD. Eliane. Elian Alabi. GOMES. História do Brasil. Belo Horizonte: Editora Lê. DOMINGUES. São Paulo: Editora Brasil. História do Brasil. São Paulo: Editora do Brasil. 6ª série. Luiz. AZEVEDO. 1976. Império e Republica. 1974. VALUCE. Sérgio Buarque de.1o grau. São Paulo: Saraiva. LEITE. História do Brasil do Império a República. Belo Horizonte: Lê.

_____. vol. História Global: Brasil e Geral. História do Brasil. Ensino Médio e vestibulares. ARRUDA. STOCKER. I. COSTA. Belo Horizonte: Lê. 1990. História Global: Brasil e Geral. José Jobson. 1995. Belo Horizonte: Vigília. História do Brasil do Império a República. História. Ensino Médio. Cristina Visconti. Do fim do século XIX aos dias de hoje. Luís César Amad. GIOVANNI. único. 2. Ensino Médio. Raymundo. FARIA. 1997. vol. Jornada para o nosso tempo. 1999. Flávio Costa. 1991. vol. vol. 1998.Mateus H. TUONO. Kátia Corrêa Peixoto. São Paulo: FTD. São Paulo: Scipione. Maria Luíza Santiago. Gleuso Damasceno. CAMPOS. Pereira e Andreza C. 4. _____. Alfredo. vol. Ensino Médio. São Paulo: Saraiva. Belo Horizonte: Lê. único. Pereira Artigos MARQUES. História: Os Rumos da Humanidade. 1990 ALVES. vol. vol. BELISÁRIO. PILETTI. 1982. São Paulo: Scipione. 1997. 4. Adhemar Martins. Leonel Itaussu A. MELLO. História Global: Brasil e Geral. Gilberto. 1998. 1989. vol. Ricardo de Moura. Ensino Médio. JUNQUEIRA. São Paulo: Saraiva. História: Compreender para aprender. BARBOSA FILHO. 4. F. Milton Benecto. BOULOS JÚNIOR. Silvia Guena. Ensino Médio. 1994. 1991. Ensino Fundamental. São Paulo: FTD. Regina Célia de Moura Gomide. vol. História do Brasil. _____. 2. História do Brasil. 2. Império e Republica. 1995. único. BERRUTI. História. 1995. Belo Horizonte: Vigília. Ensino Fundamental. vol. COTRIM. São Paulo: Ática. História Integrada. História e Consciência do Brasil. Ensino Médio. São Paulo: Saraiva. 8a série. 218 . 1989. _____. São Paulo: Editora Ática. _____. 1993.. História. Belo Horizonte: Lê. DUARTE. 3. 8a série. Nelson. 8a série. São Paulo: Atual. Ensino Fundamental. História do Brasil. São Paulo: Saraiva. Zilda Almeida.

São Paulo: Editora do Brasil. ANASTASIA. BRAICK. 1997. História. História do Brasil: Da Pré-História do Brasil aos Dias Atuais. Ricardo de Moura. Belo Horizonte: Lê. vol. vol. vol. ANTUNES. vol. Maria Fernanda. História. 4. Toda a História: História Geral e História do Brasil. 1996. São Paulo: FTD. Ricardo de Moura. História. 1991. Ensino Fundamental. José Roberto Ferreira. Flávio Costa. _____. PILETTI. Ensino Médio. José Jobson de A. Ensino Médio. vol. Sebastião. TRINDADE. Flávio Costa. 1995. RIBEIRO. FARIA. 1993. Belo Horizonte: Lê. Ensino Fundamental. 3. Vanise. MOTA. Nelson. História do Brasil: Da Pré-História do Brasil aos Dias Atuais. Myriam Becho. FARIA. Ensino Fundamental. História do Brasil: Da Pré-História do Brasil aos Dias Atuais. 219 . Virginia. Patrícia Ramos. História: Os Caminhos do Homem. São Paulo: Ática. 1993. São Paulo: Moderna. Adhemar Martins. 2. MARQUES. MARTINS. 1997. 1995. São Paulo: Editora Moderna. BERRUTI. 4. Nelson. Ricardo. vol. Vanise. 8a série. MARQUES. Ensino Médio. São Paulo: Editora do Brasil. 4. Ensino Fundamental. 1999. Ensino Médio. RIBEIRO. 1990.Os sentidos do golpe de 1964 nos livros didáticos de história (1970-2000): entre continuidades e descontinuidades MARANHÃO. História das Cavernas ao Terceiro Milênio. Belo Horizonte: Lê. História e Vida. São Paulo: Ática.4. _____. Brasil: Encontros com a História. 1999. ARRUDA. PILETTI. Ensino Médio. São Paulo: Ática. PILETTI. História: Assim Caminha a Humanidade. Ensino Médio – vol.. _____. 3. 1991. PILETTI. BERRUTI. História. Brasil: Encontros com a História. 1991. São Paulo: Ática. vol. Belo Horizonte: Lê. São Paulo: Ática. Nelson. São Paulo: Editora do Brasil. Trabalho e Civilização: Uma História Global. Claudino. Adhemar Martins. O mundo contemporâneo (do século XIX aos Dias Atuais). Ensino Médio. 1997. Toda a História: Historia Geral e Historia do Brasil. 4. _____. MARTINS. São Paulo: Ática. 1999. Carla. _____. 1996. _____. Ensino Fundamental.

São Paulo: Scipione. 2000 BERUTTI. São Paulo: Ática. VICENTINO. História e Vida. São Paulo: Scipione. I. História: Brasil e Geral. 2000. 2002. PILETTI. São Paulo: FTD. 2002. MORAES. História Geral e Brasil. Nelson. 2003. vol.Mateus H. 8a série. 2002. Gilberto. São Paulo: Saraiva. História: Tempo e espaço. 2004. _____. São Paulo: Saraiva. PILETTI. 8a série. Flávio. _____. vol. São Paulo: Atual. F. História e Vida Integrada. Saber e Fazer História: História Geral e do Brasil. Cláudio. 8a série. 1995. único. 8a série. RODRIGUES. Belo Horizonte: Editora Formato. O século XX. 2005. História Integrada: Brasil e Geral. 2000. Cláudio. Pereira e Andreza C. 220 . Claudino. Ensino Médio. Joelza Ester. História. Ensino Médio. COTRIM. José Geraldo Vinci de. História em Documento: Imagens e Texto. Pereira Artigos VICENTINO. Mundo Contemporâneo e Brasil República. único. 8a série. São Paulo: Ática.