DOS CRIMES DE TRÂNSITO- CAPÍTULO XIX DA LEI 9.

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DISPOSIÇÕES GERAIS De acordo com o disposto no artigo 291 do CTB, “aos crimes cometidos na direção de veículos automotores, previstos neste Código, aplicam-se as normas gerais do Código Penal e do Código de Processo Penal, se este capítulo não dispuser do modo diverso, bem como a Lei 9.099/95, no que couber”. No § 1º, elenca situações em que na lesão corporal culposa não incidirão alguns artigos da lei 9.99/95, os da composição civil, da transação penal e da representação penal, tornando-a incondicionada.
§ 1o Aplica-se aos crimes de trânsito de lesão corporal culposa o disposto nos arts. 74, 76 e 88 da Lei no 9.099, de 26 de setembro de 1995, exceto se o agente estiver: I - sob a influência de álcool ou qualquer outra substância psicoativa que determine dependência; II - participando, em via pública, de corrida, disputa ou competição automobilística, de exibição ou demonstração de perícia em manobra de veículo automotor, não autorizada pela autoridade competente; III - transitando em velocidade superior à máxima permitida para a via em 50 km/h (cinquenta quilômetros por hora). § 2o Nas hipóteses previstas no § 1o deste artigo, deverá ser instaurado inquérito policial para a investigação da infração penal. Art. 292. A suspensão ou a proibição de se obter a permissão ou a habilitação para dirigir veículo automotor pode ser imposta como penalidade principal, isolada ou cumulativamente com outras penalidades. Art. 293. A penalidade de suspensão ou de proibição de se obter a permissão ou a habilitação, para dirigir veículo automotor, tem a duração de dois meses a cinco anos. § 1º Transitada em julgado a sentença condenatória, o réu será intimado a entregar à autoridade judiciária, em quarenta e oito horas, a Permissão para Dirigir ou a Carteira de Habilitação. § 2º A penalidade de suspensão ou de proibição de se obter a permissão ou a habilitação para dirigir veículo automotor não se inicia enquanto o sentenciado, por efeito de condenação penal, estiver recolhido a estabelecimento prisional. Art. 294. Em qualquer fase da investigação ou da ação penal, havendo necessidade para a garantia da ordem pública, poderá o juiz, como medida cautelar, de ofício, ou a requerimento do Ministério Público ou ainda mediante representação da autoridade policial, decretar, em decisão motivada, a suspensão da permissão ou da habilitação para dirigir veículo automotor, ou a proibição de sua obtenção.

Parágrafo único. Da decisão que decretar a suspensão ou a medida cautelar, ou da que indeferir o requerimento do Ministério Público, caberá recurso em sentido estrito, sem efeito suspensivo. Art. 295. A suspensão para dirigir veículo automotor ou a proibição de se obter a permissão ou a habilitação será sempre comunicada pela autoridade judiciária ao Conselho Nacional de Trânsito - CONTRAN, e ao órgão de trânsito do Estado em que o indiciado ou réu for domiciliado ou residente. Art. 296 do CTB. Se o réu for reincidente na prática de crime previsto neste Código, o juiz aplicará a penalidade de suspensão da permissão ou habilitação para dirigir veículo automotor, sem prejuízo das demais sanções penais cabíveis.

A penalidade de suspensão da permissão ou habilitação para dirigir veículo automotor, não consta de todos os crimes de trânsito. Com a previsão deste artigo, a partir da alteração do texto legal, em 2008, em sendo o réu reincidente na prática destes crimes, o Juiz deverá lhe aplicar tal penalidade, sem prejuízo das demais sanções penais tipificadas em cada artigo da seção II deste capítulo. No texto anterior, o Juiz tinha a discricionariedade em poder aplicar.
Art. 297 CTB. A penalidade de multa reparatória consiste no pagamento, mediante depósito judicial em favor da vítima, ou seus sucessores, de quantia calculada com base no disposto no §1° do artigo 49 do Código Penal, sempre que houver prejuízo material resultante do crime. Art. 49 §1° do CP. “O valor do dia-multa será fixado pelo Juiz não podendo ser inferior a um trigésimo do maior salário mínimo mensal vigente ao tempo do fato, nem superior a 5 vezes esse salário.” §1 Art. 297. A multa reparatória não poderá ser superior ao valor do prejuízo demonstrado no processo. §2° Aplica-se à multa reparatória o disposto nos arts. 50 a 52 do CP. Art. 50 do CP. A multa deve ser paga dentro de 10 dias depois de transitada em julgado a sentença. A requerimento do condenado, e conforme as circunstâncias, o Juiz pode permitir que o pagamento se realize em parcelas mensais. §1° A cobrança da multa pode efetuarse mediante desconto no vencimento ou salário do condenado quando: a) aplicada isoladamente; b) aplicada cumulativamente com pena restritiva de direitos; c) concedida a suspensão condicional da pena. §2° O desconto não deve incidir sobre os recursos indispensáveis ao sustento do condenado e de sua família. Art. 51 do CP: Transitada em julgado a sentença condenatória, a multa será considerada dívida ativa da Fazenda Pública, inclusive no que concerne às causa interruptivas e suspensivas da prescrição. Art. 52 do CP: É suspensa a execução da pena de multa se sobrevém ao condenado doença mental.

§3° Art. 297 do CTB: Na indenização civil do dano, o valor da multa reparatória será descontado.

Há de se registrar que a multa reparatória não exclui a multa penal, eis que seus destinatários são diversos. A multa reparatória tem como destinatário a vítima ou seus sucessores e a multa penal, o Estado.
Art. 298 do CTB. São circunstâncias que sempre agravam as penalidades dos crimes de trânsito ter o condutor do veículo cometido a infração: I- com dano potencial para duas ou mais pessoas ou com grande risco de grave dano patrimonial a terceiros; II- utilizando o veículo sem placas, com placas falsas ou adulteradas; III- sem possuir Permissão para Dirigir ou Carteira de Habilitação; IV- com Permissão para Dirigir ou Carteira de Habilitação de categoria diferente da do veículo; V- quando a sua profissão ou atividade exigir cuidados especiais com o transporte de passageiros ou de carga; VI- utilizando veículo em que tenham sido adulterados equipamentos ou características que afetem a sua segurança ou o seu funcionamento de acordo com os limites de velocidade prescritos nas especificações do fabricante; VII- sobre faixa de trânsito temporária ou permanente destinada a pedestres.

As sete situações previstas nos incisos sempre irão agravar as penalidades dos crimes de trânsito, à exceção de quando também estiverem previstas como qualificadoras do crime, de acordo com o artigo 61 do CP, sob pena de violação ao princípio non bis in idem. Princípio da confiança Este princípio é de extrema importância para a análise concreta dos crimes de trânsito. Com efeito, trata-se de requisito para a existência do fato típico, não devendo ser relegado para o exame da culpabilidade. Funda-se na premissa de que todos devem esperar por parte das outras pessoas que estas sejam responsáveis e ajam de acordo com as normas da sociedade, visando a evitar danos a terceiros. Por essa razão, consiste na realização da conduta, na confiança de que o outro atuará de modo normal, já esperado, baseando-se na justa expectativa de que o comportamento das outras pessoas se dará de acordo com o que normalmente acontece. Por exemplo: nas intervenções médico cirúrgicas, o cirurgião tem de confiar na assistência correta que costuma receber dos seus auxiliares, de maneira que, se a enfermeira lhe

em face disso. DOS CRIMES EM ESPÉCIE 1. que é aquela que decorre do normal desempenho das atividades sociais. de 2 a 4 anos e suspensão ou proibição de se obter a permissão ou a habilitação para dirigir veículo automotor. mas deveria terse acautelado para não passar tão próximo. Assim. Outro exemplo é o do motorista que. Penas: detenção. acaba por envolver-se em situação em que um terceiro descumpriu seu dever de cuidado e de lealdade. passa por cruzamento. agindo no limite do que lhe era permitido. As penas cominadas ao tipo (PPL e PRD) são cumulativas. aquele que. não realiza conduta típica. É crime que especializa em relação à figura análoga ao CP. . quando o autor não deveria ter depositado no outro toda a expectativa. surge a confiança permitida. a ponto de criar uma situação de perigo. O médico ministrou a droga fatal impelido pela natural e esperada confiança depositada em sua funcionária. Art. o paciente vem a falecer. é chamado abuso da situação de confiança. mas com pena mais severa. trafegando pela preferencial. No caso de um acidente. não terá agido com culpa. e a confiança proibida. efeito da condenação e por medida cautelar. Porém.passa uma injeção com medicamento trocado e. Praticar homicídio culposo na direção de veículo automotor. na confiança de que o veículo da via secundária aguardará sua passagem. 302 CTB. Desse modo. Suspensão direito de dirigir: essa suspensão pode se dar por: pena. não haverá conduta culposa por parte do médico. agindo de acordo com o direito. A pena restritiva de direitos tem duração de 2 meses a 5 anos. Por exemplo: motorista que passa bem ao lado de um ciclista não tem porque esperar uma súbita guinada deste em sua direção. HOMICÍDIO CULPOSO – ARTIGO 302 DO CTB. o princípio da confiança não se aplica quando era função do agente compensar eventual comportamento defeituoso de terceiros. que violou o dever objetivo de cuidado. pois não foi sua ação. nas sim de sua auxiliar.

É assim. Desse modo.Este crime não exige para a consumação. Imprudência: consiste na violação das regras de conduta ensinadas pela experiência. ele não assumiu o risco do resultado. limitando-se a fazer referência a outra figura típica. art. que o condutor esteja conduzindo o veículo em via pública. O crime de homicídio culposo é um tipo penal aberto em que se faz a indicação pura e simples da modalidade culposa. A técnica legislativa empregada pelo legislador para descrever a conduta típica não foi apropriada. Há sempre um comportamento positivo. Melhor seria se ele tivesse descrito: “Matar alguém culposamente na direção de veículo automotor”.18 II). negligente ou imprudente. traz as suas diversas modalidades. Tipo objetivo: Prevê o artigo em estudo a conduta de “praticar homicídio culposo na direção de veículo automotor”. É atuar sem precaução. se foram. ou. quais sejam: a imprudência. realizar ultrapassagem proibida com veículo automotor. cujas consequências do ato descuidado. Negligência: é a culpa na forma omissiva. não define a culpa. 18 II. ao contrário da imprudência. O que se exige é que o condutor esteja à direção do veículo. O tipo fere o princípio da taxatividade. pois a abstenção de um comportamento que era devido. O negligente deixa de tomar. mas apenas prevista genericamente no tipo. precipitado. que ocorre . Estaremos então diante de um homicídio culposo sempre que o evento morte decorrer da quebra do dever de cuidado por parte do agente mediante conduta imperita. na medida que não descreve a conduta. imponderado. A culpa não está descrita nem especificada. dirigir em velocidade excessiva em local movimentado. a prática de um fato perigoso. não foram previstas pelo agente. as cautelas que devia. a negligência e a imperícia. e venha a agir com culpa. O Código Penal. O homicídio culposo nos crimes de trânsito deve ser analisado em combinação com esse dispositivo legal. antes de agir. isso porque é impossível prever todos os modos em que a culpa pode apresentarse na produção do resultado morte. Ao fazer referência ao homicídio culposo o tipo é classificado com tipo remetido. que eram previsíveis. assim. Implica. Ex: trafegar na contramão. sem fazer menção à conduta típica (embora ela exista) ou ao núcleo do tipo (CP. mas o seu art.

assim. é porque não houve culpa alguma do outro. não configura infração administrativa. quando a soma . pode agir com inobservância do cuidado necessário e. se feita em local permitido. que era previsível e que poderia ter sido evitado se o agente não tivesse agido com imprudência. sem que tenha havido excesso de velocidade ou qualquer outro motivo que justifique o evento. não existe compensação de culpas em direito penal. já que as culpas não se compensam. pois o agente. entretanto. não se pode falar em compensação. a negligência dá-se sempre antes do início da conduta. Nesse caso. quer pela ausência de conhecimento. por exemplo. responder pelo crime. a lesões no outro. dando causa. a falta de manutenção do freio ou de outros mecanismos de segurança do automóvel. dentro da velocidade permitida. inicialmente. Imperícia: é a falta de aptidão para a realização de certa conduta. negligência ou imperícia. A existência de culpa exclusiva da vítima afasta a responsabilização do condutor. se ela foi exclusiva de um. Essas condutas. não podendo o motorista ser responsabilizado pelo delito. a culpa é exclusiva do pedestre. cada qual. não constituem as únicas hipóteses de reconhecimento do crime culposo. quer pela falta de prática. quando dois motoristas agem com imprudência. (Capez) Veja-se que a caracterização da culpa nos delitos de trânsito provém. É a prática de certa atividade. se for efetuada sem a necessária atenção. do desrespeito às normas disciplinares contidas no próprio CTB. e acabou por atropelar um pedestre que atravessava correndo a avenida fora da faixa de pedestre. pois. Aliás. respondem ambos pelo crime. pode dar causa a acidente e implicar crime culposo. por alguém incapacitado para tanto. Por exemplo. pois. A ultrapassagem. de modo omissivo ou insensato. Podemos definir o crime culposo como a conduta humana voluntária que provoca de forma não intencional um resultado típico e antijurídico. mas.durante a ação. logo. cuja sinalização do semáforo lhe era favorável. se não há culpa do agente. ainda que não desrespeite as regras disciplinares do Código. Por exemplo: indivíduo que trafegava normalmente com seu veículo automotor. A jurisprudência reconhece existir imperícia quando o motorista perde o controle do automóvel e provoca acidente. Por sua vez.

e foram. em que o condutor estava embriagado. Assim.das condutas de dois condutores provoca a morte de terceiro. o criminoso será levado a Júri Popular. cujas consequências do ato descuidado. Concurso Quando o crime resultar em mais de uma vítima. com aumento da pena de um sexto até a metade. Via de regra. se agiria com culpa consciente ou dolo eventual. sempre se discutiu qual o elemento subjetivo que informaria sua conduta. terá cometido o crime de homicídio do CP. embriagado. negligente ou imprudente. conduz veículo automotor. não foram previstas pelo agente. Em muitos casos de homicídio no trânsito. ou em excesso de velocidade ou em decorrência de racha. se o agente desejou. que eram previsíveis. Se doloso. e o sujeito passivo. no homicídio culposo. isto é. ele não assumiu o risco do . ou. os delitos praticados na condução de veículo automotor são culposos. qualquer pessoa. o evento morte decorre da quebra do dever de cuidado por parte do agente mediante conduta imperita. incidirá a regra do concurso formal. Culpa consciente ou dolo eventual? Em situações em que o agente. existe a chamada culpa concorrente. nos termos do artigo 70 do CP. em que ambos respondem pelo crime. os delegados de polícia têm concluído pela tipificação do homicídio doloso (dolo eventual) e muitos promotores de justiça têm seguido a mesma linha de conduta. e dá causa à morte de outrem. Sujeitos do crime: O sujeito ativo será o condutor. Tentativa: Não se admite a tentativa de praticar esse crime. a fim de que se julgue se o acusado matou propositalmente uma pessoa utilizando de automóvel. ou com sua atitude admitiu a possibilidade da ocorrência do evento morte.

poderia .) Vide ementa do STF. implicando pena sobremodo onerosa e influindo na liberdade de ir e vir.resultado. impõe-se a desclassificação da conduta para a forma culposa”. Rel. 23-05-2006. Consigne-se que não se admite responsabilidade objetiva. A classificação do delito como doloso. em acidente de trânsito. embora não preordenada. Se a embriaguez foi intencionalmente procurada para a prática do crime. caracterizada a culpa consciente ou com previsão que é aquela em que o agente prevê o resultado. ACTIO LIBERA IN CAUSA. DESCLASSIFICAÇÃO PARA HOMICÍDIO CULPOSO NA DIREÇÃO DE VEÍCULO AUTOMOTOR. (STJ. em atenção ao brocardo in dúbio pro societate. Se. Não pode dizer que. 5. A doutrina clássica revela a virtude da sua justeza ao asseverar que “O anteprojeto Hungria e os modelos em que se inspirava resolviam muito melhor o assunto. já decidiu o STJ no sentido de que. na modalidade dolo eventual. comprovando-se que o agente se embebedou para praticar o ilícito ou assumir o risco de produzi-lo. O art. o agente é punível a título de dolo. EMBRIAGUEZ ALCOÓLICA. 302. § 1º. salvo quando fortuita ou involuntária. 3. 2. Min. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO ELEMENTO VOLITIVO. mercê de alterar o procedimento da persecução penal em lesão à cláusula do due process of law.311. ainda quando completa. DJ. assim. 20-8-2007. ORDEM CONCEDIDA. em tal estado. julgado em 2011: Ementa: PENAL. a embriaguez é voluntária e completa e o agente previu e podia prever que. In casu. De qualquer modo. não tendo sido comprovada a imprudência. 1. não exclui a responsabilidade. exige a presença de contexto que possa gerar dúvida a respeito da existência de dolo eventual. 4. o motorista seja presumidamente culpado. caput. Inexistente qualquer elemento mínimo a apontar para a prática de homicídio. “a pronúncia do réu. em caso de acidente com vítima. do exame da descrição dos fatos empregada nas razões de decidir da sentença e do acórdão do TJ/SP. O homicídio na forma culposa na direção de veículo automotor (art. não restou demonstrado que o paciente tenha ingerido bebidas alcoólicas no afã de produzir o resultado morte. p. Geralmente resta. j. § 2º. embora não o aceite. negligência ou imperícia. 31 e §§ 1º e 2º estabeleciam: 'A embriaguez pelo álcool ou substância de efeitos análogos. TRIBUNAL DO JÚRI. é reformável pela via do habeas corpus.416/SC. do CTB) prevalece se a capitulação atribuída ao fato como homicídio doloso decorre de mera presunção ante a embriaguez alcoólica eventual. A embriaguez alcoólica que conduz à responsabilização a título doloso é apenas a preordenada. REVALORAÇÃO DOS FATOS QUE NÃO SE CONFUNDE COM REVOLVIMENTO DO CONJUNTO FÁTICO-PROBATÓRIO. Paulo Medina. REsp 705. HABEAS CORPUS. 6º Turma. PRONÚNCIA POR HOMICÍDIO QUALIFICADO A TÍTULO DE DOLO EVENTUAL.

275/06 não se aplica ao caso em exame. a pena é aplicável a título de culpa. a fim de delimitar o elemento subjetivo.não possuir Permissão para Dirigir ou Carteira de Habilitação. configurado como homicídio culposo na direção de veículo automotor (art. 309). 68. Ação Penal: A ação penal é pública incondicionada. 2005. A Lei nº 11. 28/6/2011. Não poderá.São Paulo . Relator(a): Min. caput. HC 107801 / SP .590. ed. rel. . caput. relator o Ministro Moreira Alves. do CTB). aplicar duas elevações autônomas.praticá-lo em faixa de pedestre ou na calçada. (STF. Julgamento: 06/09/2011). Neste caso. do CTB). ao revés. Cármen Lúcia. j. (Guilherme Souza Nucci. do CP veda tal atitude. rev. o motorista que perde o controle e adentra na calçada. Pode ser tanto. RE 122. No homicídio culposo cometido na direção de veículo automotor. entretanto. porquanto não se revela lex mitior. Desta forma a pena máxima a ser aplicada ao homicídio culposo. Min. mas. 1º Turma. poderá ser de 6 anos. DJ de 17/8/1990. 8. Rel. No entanto. 302. atual.vir a cometer crime.Habeas Corpus. ao reconhecer mais de uma das causas de aumento.São Paulo: RT. Luiz Fux. e ampl. se a este título é punível o fato”. Min. vindo atingir a vítima. 302. determinando a remessa dos autos à Vara Criminal da Comarca de Guariba/SP. Luiz Fux. Parágrafo único. 5. uma vez que o art.820/SP. como quando estiver saindo da garagem ou efetuando qualquer outra manobra e acaba por colher o pedestre. 7. artigo 302 CTB. caberá ao julgador avaliar as circunstâncias concretas. Casos de aumento de pena: Há quatro situações que majoram a pena. p. parágrafo único. Código Penal Comentado. a pena será aumentada de um terço à metade. previu causa de aumento de pena para o crime sub judice e em tese praticado. Precedentes: HC 96. Alfredo Buzaid. II. A revaloração jurídica dos fatos postos nas instâncias inferiores não se confunde com o revolvimento do conjunto fático-probatório. .011. Concessão da ordem para desclassificar a conduta imputada ao paciente para homicídio culposo na direção de veículo automotor (art. Relator(a) p/ Acórdão: Min. não poderá ser reconhecido o crime autônomo de dirigir veículo na via pública sem permissão ou habilitação (art. se o agente: I. DJ de 6/4/1984. RE 99. sendo de um terço à metade. 243) 6.

O instituto não será aplicado se a vítima for. Aumenta-se a pena de um terço à metade. estiver conduzindo veículo de transporte de passageiros. 303 CTB. 303 CTB. É necessário resaltar. entretanto. aquele que.099/95. e também não é necessário que este crime seja praticado em via pública. não foram previstas pelo agente. A lesão corporal consiste em qualquer dano ocasionado à integridade física e à saúde fisiológica ou mental do homem. 88 da Lei 9. negligente ou imprudente. Penas . Assim.LESÃO CORPORAL CULPOSA – ART. Estaremos diante de uma lesão corporal culposa sempre que o evento decorrer da quebra do dever de cuidado por parte do agente por meio de conduta imperita. (Capez) No crime de lesões culposas continua a não existir diferenciação em face da gravidade das lesões para fim de tipificação da infração penal. ou. As demais regras referentes ao homicídio culposo aplicam-se às lesões culposas. O instituto não deixará de ser aplicado mesmo que o veículo de transporte de passageiros esteja vazio ou quando está sendo conduzido até a empresa após o término da jornada.detenção. que eram previsíveis. socorrida por terceira pessoa. Deve a gravidade ser considerada como circunstância judicial no momento da fixação da pena-base (consequências do crime). de seis meses a dois anos e suspensão ou proibição de se obter a permissão ou a habilitação para dirigir veículo automotor.III. se ocorrer qualquer das hipóteses do parágrafo único do artigo anterior. Parágrafo único. Mais uma vez a técnica legislativa empregada pelo legislador para descrever a conduta típica não foi apropriada. culposamente provocou um pequeno machucado no braço da vítima deverá sujeitar-se às mesmas penas de quem deu causa à imputação de um braço. cujas consequências do ato descuidado. de imediato. 2. IV. quando possível fazê-lo sem risco pessoal.no exercício de sua profissão ou atividade. Excepcione-se que. nas .deixar de prestar socorro. ele não assumiu o risco do resultado. em acidente de trânsito. Praticar lesão corporal culposa na direção de veículo automotor. se formam. à vítima do acidente. Art. que a ação penal depende de representação nos termos do art.

ter sido o agente beneficiado anteriormente. pela prática de crime. Art. em tais situações. de exibição ou demonstração de perícia em manobra de veículo automotor. o Ministério Público poderá propor a aplicação imediata de pena restritiva de direitos ou multas. nos termos deste artigo. 88. ser necessária e suficiente a adoção da medida. Além da hipóteses do Código Penal e legislação especial. no prazo de 5 anos. Lei 9. Desse modo. III-Transitando em velocidade superior à máxima permitida para a via em 50 km/h (cinquenta quilômetros por hora). 76 e 88 da Lei 9. por sentença definitiva. a ação penal será pública incondicionada. à pena privativa de liberdade. não autorizada pela autoridade competente.099/95: Art. com redação determinada pela lei 11. Parágrafo único. de corrida. 74. II-Participando. §3º Aceita a proposta pelo autor da infração e seu defensor. terá eficácia de título a ser executado no juízo civil competente.099/95. Havendo representação ou tratando-se de crime de ação penal pública incondicionada. que não importará em reincidência. a conduta social e a personalidade do agente. o acordo homologado acarreta a renúncia do direito de queixa ou representação.hipóteses do § 1º do artigo 291. 74.não indicarem os antecedentes. pela aplicação de pena restritiva ou multa.099/95. bem como os motivos e as circunstâncias. §5º Da sentença prevista no parágrafo anterior caberá a apelação referida no art. II. sendo registrada apenas para impedir novamente o mesmo benefício no prazo de cinco anos. homologada pelo Juiz mediante sentença irrecorrível. disputa ou competição automobilistica. §2º Não se admitirá a proposta se ficar comprovado: I. não sendo cabíveis os benefícios contemplados nos artigos 74 e 76 da Lei 9. 291 §1º Aplica-se aos crimes de trânsito de lesão corporal culposa o disposto nos art.099/95. será submetida à apreciação do juiz. §4º Acolhendo a proposta do Ministério Público aceita pelo o autor da infração. o juiz aplicará a pena restritiva de direitos ou multa. exceto se o agente estiver: I. cabeno aos interessados propor ação cabível no juízo civel.ter sido o autor da infração condenado. A lei 11. 82 desta lei. dependerá de representação a ação penal relativa aos crimes de lesões corporais leves e culposas. Lei 9.705 de 2008 alterou o §1º. . 76. salvo para os fins previstos no mesmo dispositivo e não terá efeitos civis. § 1º Nas hipóteses de ser a pena de multa a única aplicável. §6º A imposição da sanção de que trata o §4º deste artigo não constará de certidão de antecedentes criminais. artigo 291: Art.099/95: a composição dos danos civis será reduzida a escrito e. o juiz poderá reduzi-la a metade. Lei 9. Art.Sob a influência de álcool ou qualquer outra substância psicoativa que determine dependência. não sendo caso de arquivamento. em via pública.705/2008. a ser especificada na proposta. Tratando-se de ação penal de iniciativa privada ou de ação penal pública condicionada à representação. a ação penal será pública incondicionada. III.

Assim. arts. a materialidade delitiva será comprovada mediante exame de corpo de delito direto ou indireto (CPP. nos termos do art. Tratando-se de crime material. em razão deste parágrafo. em razão de sua pena não exceder a dois anos. o autor não poderá simplesmente comprometer-se a comparecer junto ao Juizado Especial Criminal em data e hora designados. deverá o condutor ser preso e apresentado à Autoridade Policial. Não existe tentativa nos crimes culposos próprios. 291 CTB: “Nas hipótese previstas no §1º deste artigo. §2º art. conforme o §2º do artigo 291 do CTB. 301 do CB e as circunstâncias do momento assim possibilitarem.156 e 167).Velocidade acima 50 km do previsto. não tenha providenciado o pronto e integral socorro à vítima. sempre que encontrar-se em situação de flagrante delito. mas sim.Racha . Reflexos da lei seca: REGRA Procedimento policial Ação penal pública Composição danos civis Transação penal TC Condicionada representação Admite Admite SE: (*) I.Embriaguez . Consumação e tentativa: A consumação ocorre no momento em que a vítima morre ou sofre as lesões corporais. deverá ser instaurado inquérito policial para a investigação da infração penal”. embora o artigo 303 do CTB continue a ser um delito de menor potencial ofensivo.P Incondicionada Não admite Não admite (*): Se: . Perdão Judicial: .

por sujeitar-se à ação penal publica incondicionada. Por outro lado.Não menciona a nova legislação a possibilidade de perdão judicial para hipóteses em que as circunstâncias do delito atinjam o agente de forma tão grave que a imposição da penalidade se torne desnecessária (morte de cônjuge ou parente próximo. no caso do crime de lesão corporal culposa. no crime de lesão culposa implica renúncia ao direito de representação (art. Para Fernando Capez. Reparação do dano: Em relação ao homicídio culposo tem-se admitido a aplicação do instituto do arrependimento posterior previsto no art. Em ambos os crimes. 65. Damásio de Jesus. Entende-se que no homicídio culposo. 74 da Lei 9. De outro lado. praticada nas condições do §1º do artigo 291. o Superior Tribunal de Justiça já decidiu pela possibilidade de aplicação do perdão judicial nos delitos de trânsito. que permite a redução da pena de 1/3 a 2/3 nos crimes cometidos sem violência ou grave ameaça quando a reparação do dano é feita antes do recebimento da denúncia. Mas. se a reparação do dano ocorre após o recebimento da denúncia e antes da sentença de primeira instância. Ressalta-se que. Concurso de crimes e absorção .). uma vez que entende que é incabível a aplicação do instituto quando a reparação não é integral.099/95).705/2008. antes do recebimento da denúncia. por exemplo. a reparação do dano. maior a diminuição da pena. etc. o melhor critério é o primeiro. com a redação determinada pela lei nº 11. sustenta que se deve levar em conta a presteza da reparação do dano. ou seja. III. Existem várias opiniões acerca do critério a ser utilizado para apurar o quantum da redução. c. não há que se falar em renúncia ao direito de representação. entretanto. graves lesões no próprio autor do crime. quanto mais rápida a conduta reparadora. do CP. por ser involuntária a violência. 16 do CP. Heleno Cláudio Fragoso entende que a redução deve manter relação de proporcionalidade com o quantum da reparação prestada. não fica afastada a possibilidade de incidência dessa causa de diminuição de pena. aplica-se a atenuante genérica do art.

aumentada de 1/6 até a metade. Na hipótese acima ventilada. dada a natureza do tipo legal. b) Mesmo no tipo culposo. Haverá. No caso do homicídio culposso. Ambos serão autores de homicídio culposo. quem estava conduzindo o veículo é o principal responsável pela morte. o juiz aplica uma única pena. entretanto. logo. aplica-se ao Código de Trânsito de tal modo que. uma vez que.. Por essa razão. será aplicada a pena do homicídio culposo (crime mais grave). posteriormente. em razão de sua embriaguez. dada a generalidade de sua definição. Desse modo. que trata do concurso formal de crimes.. na verdade. em que não existe descrição de conduta principal. não se podendo falar em participação. mas tão somente previsão genérica (“se o crime é culposo. a desenvolver velocidade incompatível com o local. que é acessória.Há que ressaltar que a lei 9. expõe pessoas a perigo em determinado momento e. a descrição típica é “matar alguém culposamente”. fica impossível detectar qual foi a conduta principal. Há duas posições. O artigo 70 do Código Penal. é . O concurso formal pode ser homogêneo (morte e lesão em pessoas distintas).099/95 criou diversos crimes que se caracterizam por uma situação de perigo (dano potencial) e que ficarão absorvidos quando ocorrer o dano efetivo (lesões corporais ou homicídio culposo na direção de veículo automotor). matou a vítima. havendo mais de uma vítima. Exemplo: motorista imprudente é instigado.”). No último caso. em outro local. por exemplo. provoca lesões corporais culposas em pessoas diversas. instigou ou induziu à conduta culposa é partícipe. até porque não estava dirigindo o automóvel. quem matou é o autor e quem auxiliou. Concurso de pessoas em crime culposo Discute-se na doutrina e na jurisprudência acerca da possibilidade da participação em crime culposo. como acontece. que é aberto. não há falar em participação. pois foi quem. por seu acompanhante. é possível definir qual a conduta principal. quando o condutor. acrescida de 1/6 até a metade. Vejamos: a) Tratando-se o tipo culposo de tipo aberto. concurso material quando as condutas ocorrerem em contextos fáticos distintos. toda concorrência culposa para o resultado constituirá crime autônomo. vindo a atropelar e matar uma pessoa. por exemplo. O acompanhante não matou ninguém.

. de modo a possibilitar que as consequências do evento sejam reduzidas ao máximo possível. O mesmo ocorre em relação a pessoas que não estejam na condução de veículos automotores. apontar uma conduta principal (autoria) e outra acessória (participação). parágrafo único.possível culposo. Parágrafo único. Assim. Objetividade jurídica É a vida e a saúde das pessoas. parágrafo único e 303. incidem no crime genérico de omissão de socorro descrito no art. em especial quando produzidas equimoses de absoluta inexpressividade em acidente de trânsito. inexpressiva. ou. 135 do CP. Incide nas penas previstas neste artigo o condutor do veículo. de 6 meses a um ano. artigos 302. de modo que se mostre irrelevante para o direito penal. ainda que a sua omissão seja suprida por terceiros ou que se trate de vítima com morte instantânea ou com ferimentos leves. deixam também de prestar socorro. na ocasião do acidente. não envolvidos no acidente. 3. se o fato não constituir elemento de crime mais grave. o legislador cria uma obrigação jurídica. Assim. se na mesma oportunidade motoristas de outros veículos. 304. por justa causa. é mesmo possível coautoria e participação em crime Casos de aumento de pena Os mesmos do homicídio culposo. Deixar o condutor do veículo.OMISSÃO DE SOCORRO – artigo 304 CTB Art. não podendo fazê-lo diretamente. Com a incriminação da conduta omissiva. deixar de solicitar auxílio da autoridade pública: Pena – detenção. Os tribunais superiores tem admitido a incidência do princípio da insignificância no delito de lesão corporal. Sujeito ativo O crime só pode ser cometido por condutor de veículo envolvido em acidente. Lesão Corporal culposa e princípio da insignificância Aplica-se o princípio da insignificância ao delito de lesão corporal sempre que a ofensa à integridade física ou à saúde da vítima for considerada mínima. de prestar imediato socorro à vítima. ou multa.

caso o tenha. consiste em uma atitude ativa do agente. A segunda conduta incriminada é deixar de solicitar auxílio à autoridade pública (quando. no caso. . que auxilia. Tipo objetivo Trata-se de crime omissivo puro. se diversos condutores de veículos. sob pena de o agente responder por omissão. O agente. Ausente a adesão de uma conduta à outra. não o faz. nesse caso não haverá crime.É também requesito desse crime que o agente não tenha agido de forma culposa. parágrafo único. CTB). podendo diretamente prestar socorro à vítima. Assim. em ambas as modalidades (coautoria. Cuida-se aqui do dever de assistência imediata. não for possível o socorro direto). para o que a lei descreve duas condutas típicas. É possível o concurso de pessoas. induz ou instiga o condutor do veículo a omitir a conduta devida. em conluio.e participação). II. se recusam. Assim. sem que tenham obrado com culpa no acidente. desde que haja adesão voluntária de uma conduta a outra. A primeira consiste em deixar de prestar imediatamente socorro à vítima. é possível que tanto o socorro quanto o pedido de auxílio à autoridade pública sejam inviáveis. O consentimento do ofendido é irrelevante. a prestar assistência à vítima. Cuida-se. devendo o socorro ser prestado mesmo que a vítima se recusa ao socorro. no caso. Sujeito passivo: é a vítima do acidente que necessite de socorro. responderão em coautoria pelo crime em estudo. 302 e 303. A coautoria também é possível. só se admite que o agente solicite ajuda da autoridade quando não houver condições para o auxílio direto e imediato. Por outro lado. de dever de assistência mediata. pois. o crime será de homicídio ou lesões culposas com a pena aumentada (arts. desde que sem risco pessoal. A participação. cada agente responderá autonomamente pelo delito de omissão de socorro. por justa causa. no crime omissivo próprio.

Tentativa Dá-se a consumação no momento da omissão. Ação penal. quando. de sorte que o crime de omissão somente será aplicável quando. Comentários ao parágrafo único do artigo 304 do CTB Nos termos do artigo 304 § ú do CTB. ferimentos leves ou morte instântanea. (Capez. a vítima sofre lesões graves ou morre. Não há delito quando. terceira pessoa se adianta ao condutor e presta socorro. não existe previsão legal de aumento de pena.099/95. Temos aqui a previsão legal de um crime impossível por absoluta impropriedade do objeto. quando a prestação desse socorro não chegou ao conhecimento dele.Consumação.099/95 Trata-se de crime de ação penal pública incondicionada. (Capez. Lei 9. Ao contrário do que ocorre na legislação comum. uma vez que o delito não tem objeto jurídico. apesar de os ferimentos serem leves. logo após o acidente. o dispositivo não é aplicado. em face da omissão. que o torna inaplicável. É evidente que o socorro não se faz necessário quando a vítima sofre simples escoriações ou pequenos cortes. o socorro seria absolutamente inócuo. persiste a omissão mesmo que a vítima seja socorrida por terceiros. está sujeito às disposições da lei 9. no mesmo sentido Damásio de Jesus) c) Vítima com lesões leves – o conceito de lesões corporais de natureza leve é muito extenso. HIPÓTESE RESPONSABILIDADE PENAL . não se admite a figura da tentativa. Tratando-se de crime omissivo próprio. a) Socorro por terceiro: o condutor somente responderá pelo crime no caso de ser a vítima socorrida por terceiros. em sentido contrário Marcelo Cunha de Araújo) b) Morte instantânea: no caso de vítima com morte instantânea. por já se haver evadido do local. esteja a vítima necessitando de algum socorro. Por se tratar de infração de menor potencial ofensivo. afinal.

Motorista causador do acidente Homicídio (302 CTB) ou lesão culposa (303 CTB) com majorante omissão socorro (302. afasta a imputação. o perigo de linchamento por exemplo. III. 305 CTB Art. ou multa. Afastar-se o condutor do veículo do local do acidente. CTB) Omissão de socorro (304 CTB) Omissão Socorro Comum (135 CP) Motorista sem culpa Pessoa não envolvida no acidente Garantidor. Objetividade jurídica Cuida-se de infração penal que tutela a administração da justiça. ou multa. de seis meses a um ano.FUGA DO LOCAL DO ACIDENTE – ART. 305. Parte da doutrina entende que o dispositivo fere o princípio da não autoincriminação. segundo o qual “ninguém é obrigado a fazer prova contra si mesmo”. para fugir à responsabilidade penal ou civil que lhe possa ser atribuída: Penas . Ex. comissivo omissivo médico- crime Responde pelo resultado (13. uma vez que tal atitude impede sua identificação e a consequente apuração do ilícito na esfera penal e civil. Assim. O tipo penal pune o agente que se afasta do local do acidente para se eximir da responsabilidade civil ou criminal que possam decorrer. 4. §2º CP) OBS1: Só incide a responsabilidade quando o socorro é possível e deliberadamente o agente deixa de presta-lo. Sujeito ativo . §ú.Penas: detenção de 6 meses a um ano. que fica prejudicada pela fuga do agente do local do evento.detenção.

assim. pois apenas este pode ser responsabilizado pela conduta. Concurso a) O agente que. parágrafo único. a punição do agente pressupõe que se prove. 303. Tentativa. se o . com a intenção de não ser identificado e. A consumação dá-se com a fuga do local. culposamente provoca lesões corporais na vítima sem prestar socorro responde pelo crime de lesões corporais com a pena aumentada (art. Entretanto. poderá haver a exclusão da ilicitude da conduta ante a presença do estado de necessidade. todas as pessoas que tenham estimulado a fuga ou colaborado diretamente para que ela ocorresse responderão pelo crime na condição de partícipes. por exemplo. na direção de veículo automotor. no mesmo sentido Damásio de Jesus) Consumação. que o réu foi responsável pelo ocorrido. ainda que o agente seja identificado e não atinja a sua finalidade de eximir-se da responsabilidade pelo evento. Somente responde pelo delito aquele que se envolve culposamente no acidente. a pessoa prejudicada pela conduta. Sujeito passivo É o Estado e. uma vez que os bens jurídicos são diversos. não responder penal ou civilmente pelo ato. A tentativa é possível. Tipo objetivo A conduta incriminada é o afastamento. II) em concurso material com o crime de fuga. (Capez. Trata-se de crime formal. que somente pode ser cometido pelo condutor do veículo envolvido no acidente e que fogem do local. Em razão disso. ainda que incidentalmente. a fuga do local do acidente. secundariamente. Ademais. desde que o agente não obtenha êxito em se afastar do locus delicti. Não se pode falar em absorção ou em post factum impunível. Na hipótese em que o agente é obrigado a afastar-se do local do acidente em virtude de grave risco a sua integridade física.Trata-se de crime próprio.

305). O Poder Executivo federal estipulará a equivalência entre distintos testes de alcoolemia. b) O agente que se envolve em acidente sem ter agido de forma culposa e foge sem prestar socorro à vítima responde apenas pelo crime de omissão de socorro do art. 306) em concurso material com o crime de fuga do local do acidente (art. para efeito de caracterização do crime tipificado neste artigo. em relação ao fato antecedente.detenção. 306. está sujeita às disposições da Lei n.099/95 Trata-se de crime de ação pública incondicionada. 306 CTB Art. c) A pessoa que. estando com concentração de álcool por litro de sangue igual ou superior a 6 (seis) decigramas. Lei n. 5.705/2008) idem idem Sob influência de álcool ou substância Concentração de 6 ou + decigramas efeitos análogos de álcool por litro de sangue ou influência de substâncias psicoativas Gerando perigo concreto ------ . Não se pode aplicar o crime de fuga do local do acidente. não existe responsabilidade penal ou civil por parte do indivíduo. REDAÇÃO ANTERIOR Direção de veículo automotor Via pública REDAÇÃO ATUAL (lei 11.crime de lesões corporais culposas absorvesse o delito de fuga. provoca choque de veículo em muro de residência e foge responde pelo crime de embriaguez ao volante (art. ou sob a influência de qualquer outra substância psicoativa que determine dependência: Penas . na via pública. Parágrafo único.099/05. 304. 9. Ação penal. 9.EMBRIAGUEZ AO VOLANTE – ART. este ficaria praticamente sem aplicação concreta. em estado de embriaguez. Por se tratar de infração de menor ofensivo. multa e suspensão ou proibição de se obter a permissão ou a habilitação para dirigir veículo automotor. de seis meses a três anos. uma vez que. Conduzir veículo automotor.

Sujeito passivo A coletividade. tornou-se imprescindível a comprovação cabal dessa dosagem sob pena da atipicidade da conduta. bastando que dirija embriagado. ou sob influência de qualquer outra substância psicoativa que determine dependência. ou sob a influência de qualquer outra substância psicoativa que determine dependência. estando com concentração de álcool por litro de sangue igual ou superior a 6 decigramas. A prova da embriaguez se dá por etilômetro e exame de sangue. O segundo requisito é que o agente esteja com concentração de álcool por litro de sangue igual ou superior a 6 decigramas. Conforme princípio da não auto.5 decigramas 0. Considera-se ter havido condução ainda que o veículo esteja desligado (mas em movimento) ou quando o agente se limita a efetuar uma pequena manobra. assim: Faz etilômetro Faz etilômetro Se recusa Até 0.6 decigramas ou + ---------Infração administrativa Infração administrativa + crime Infração administrativa Sujeito ativo É o sujeito que dirige veículo automotor. cocaína etc. pois presume-se o perigo. pode-se considerar como vítima a pessoa eventualmente exposta a risco pela conduta. considerando que o bem jurídico protegido é a segurança viária. como maconha. Secundariamente. Tipo objetivo O primeiro requisito do crime é conduzir veículo automotor. necessita de demonstração pericial.incriminação. . O nível de álcool. éter. não é mais necessário que a conduta do agente exponha a dano potencial a incolumidade de outrem. No momento em que o nível de alcoolemia foi inserido como elementar do tipo incriminador.Com a nova redação legal. não há obrigatoriedade em fazer tais testes. por se tratar de medida técnica.

Julgamento: 08/05/2012. Recurso não provido. 2. Ainda. Relator: Min. Recurso não provido.503/97).488. vulgarmente bafômetro. Alegada inconstitucionalidade do tipo por ser referir a crime de perigo abstrato. de 19. Ausência de constrangimento ilegal. mesmo o artigo 277. com o advento da Lei nº 11. No mesmo diploma legal. As ruas dos condomínios particulares pertencem ao Poder Público. Não ocorrência. salienta que o parágrafo único remete ao Poder Executivo Federal a responsabilidade em estipular a equivalência entre distintos testes de alcoolemia. o que ocorreu na hipótese dos autos. o STF. caput. por se referir a crime de perigo abstrato. 2º regulamenta a equivalência. ou seja. Publicação:24/05/2012) O terceiro requisito é que o veículo seja conduzido na via pública. 306 do Código de Trânsito Brasileiro – delito de embriaguez ao volante –.2008. autorizar esse e outros meios de aferição. dirigir embriagado nesses locais pode caracterizar a infração.06. nos termos de proposta formulada pelo Ministro de Estado da Saúde e até que isto ocorra. Por outro lado. não se . 306 da Lei nº 9. valem os valores definidos no respectivo Decreto. vulgo bafômetro e por ser o delito crime de perigo abstrato. cujo acesso seja sempre permitido. 3. portanto. vide jurisprudência: EMENTA: Recurso ordinário em habeas corpus. não é aceito pelo ordenamento jurídico brasileiro. Desnecessidade. já se manifestou pela aplicabilidade do etilômetro. sendo certo que a comprovação da mencionada quantidade de álcool no sangue pode ser feita pela utilização do teste do bafômetro ou pelo exame de sangue. Órgão Julgador: 1º Turma. em seu art. Já Ordeli Savedra Gomes.Dias Toffoli. inseriu-se a quantidade mínima exigível de álcool no sangue para se configurar o crime de embriaguez ao volante e se excluiu a necessidade de exposição de dano potencial. para efeito de caracterização deste delito. (Recurso Ordinário em Habeas Corpus –RHC 110258/ DF.705/08. em local aberto a qualquer pessoa. que detecte 6 decigramas de álcool por litro de sangue pelo etilômetro. O Decreto 6. 1º. em seu art. Esta Suprema Corte entende que. menciona que não há como substituir a prova pericial. devido o tipo falar em sangue por litro. 1.Capez. Perigo concreto. não prosperando a alegação de que o mencionado dispositivo. determinando que quando o teste ocorrer em aparelho de ar alveolar pulmonar (etilômetro). Embriaguez ao volante (art. refere-se que as margens de tolerância de álcool no sangue serão definidas em resolução do CONTRAN. a concentração de álcool deva ser igual ou superior a três décimos de miligrama por litro de ar expelido dos pulmões. A jurisprudência é pacífica no sentido de reconhecer a aplicabilidade do art.

099/95. 298. Elemento subjetivo É a intenção de conduzir o veículo estando embriagado. 307. de seis meses a um ano e multa. O tipo penal une o agente que viola a suspensão do direito de dirigir imposta com base no CTB. a agravante genérica do art.considera via pública o interior de fazenda particular. com a condução do veículo estando embriagado. responde apenas pelo primeiro. o pátio de um posto de gasolina. o interior de estacionamentos particulares. Tentativa Consuma-se com a prova da embriaguez. aplicando-se. 306) também não é habilitado para dirigir veículo (art.89). com exceção do instituto da suspensão condicional do processo (art. 6. . Violar a suspensão ou a proibição de se obter a permissão ou a habilitação para dirigir veículo automotor imposta com fundamento neste Código: Penas . Não se poderia cogitar da aplicação do concurso material ou formal. entretanto. Consumação. Ação Penal Trata-se de crime de ação penal pública incondicionada. Concurso Se o autor do crime de embriaguez ao volante (art. III. com nova imposição adicional de idêntico prazo de suspensão ou de proibição. que pode ser imposta judicial ou administrativamente às pessoas legalmente habilitadas. dado que a pena mínima cominada ao delito é de 6 meses de detenção. o qual é perfeitamente cabível. Não se aplicam as disposições da Lei 9. porque a situação de risco produzida é uma só. 309). o interior de garagem da própria residência. os estacionamentos de shopping centers etc. do CTB. A tentativa não é admissível. Trata-se de uma espécie de desobediência.VIOLAÇÃO DA PROIBIÇÃO OU SUSPENÇÃO DO DIREITO DE DIRIGIRARTIGO 307 CTB Art.detenção.

Consumação. O parágrafo único contempla pela hipótese de crime a prazo ou de tipicidade condicionada a elemento temporal. a Permissão para Dirigir ou a Carteira de Habilitação. Basta a conduta de dirigir o veículo automotor. 293. em face do desrespeito à penalidade imposta. Nas mesmas penas incorre o condenado que deixa de entregar. Tentativa Consuma-se com a condução. sujeito às disposições da lei 9. Sujeito ativo É o condutor do veículo que se encontra proibido da condução. Tipo objetivo A conduta típica. é inaplicável a agravante genérica do art. Sujeito passivo É o Estado. Em razão de ser consequência inevitável do delito. no prazo estabelecido no § 1º do art. do CP (ser o agente reincidente). colocar o veículo em movimento. I. Artigo 293 CTB. 61.099/95.Objetividade jurídica É o respeito à penalidade imposta por transgressão criminal cometida na direção de veículo automotor. A tentativa é inadmissível. implica dirigir veículo automotor durante o período em que essa conduta está vedada. PARÁGRAFO ÚNICO ARTIGO 307 CTB – OMISSÃO NA ENTREGA DA PERMISSÃO OU HABILITAÇÃO Parágrafo único. consistente em “violar” a suspensão ou proibição. É crime de menor potencial ofensivo. . tem 48 horas para devolver o documento. Ação Penal Trata-se de crime de ação pública incondicionada. independentemente de expor alguém a perigo.

Espectadores e passageiros que estimulem a corrida serão também responsabilizados na condição de partícipes (art. disputa ou competição automobilística não autorizada pela autoridade competente. 29 CP). 308 CTB. Objetividade jurídica O prestígio e a dignidade da Administração Pública e das decisões judiciais.art. . no prazo de 48 horas a contar da intimação. na direção de veículo automotor. em via pública. na verdade. sem que o agente entregue o documento à autoridade judiciária. Trata-se de crime de concurso necessário. desde que resulte dano potencial à incolumidade pública ou privada: Penas . de corrida. 308.O termo a quo é a ciência da obrigação de fazer a entrega do documento. de seis meses a dois anos.detenção. a partir da intimação. intimado. pois exige a participação de no mínimo dois agentes. Consumação. multa e suspensão ou proibição de se obter a permissão ou a habilitação para dirigir veículo automotor. Basta. a conduta incriminada dispensa a transgressão efetiva da penalidade imposta. Tentativa A consumação ocorre no momento em que decorre o prazo de 48 horas. que o agente não colabore com o início do cumprimento da reprimenda. a permissão ou habilitação. Ao contrário do que ocorre no crime previsto no caput. Sujeito passivo É o Estado. Participar.PARTICIPAÇÃO EM COMPETIÇÃO NÃO AUTORIZADA – RACHA. 7. Sujeito Ativo O condenado que. deixa de apresentar a Permissão para Dirigir ou Carteira de Habilitação à autoridade judiciária. deixando de entregar à autoridade judiciária. Art.

c) Se ocorrer dano potencial à incolumidade pública ou privada. Objetividade jurídica Tutela-se a segurança viária e. Dependendo do caso . Na realidade. Tipo objetivo O núcleo do tipo é a palavra participar. estando na direção de veículo automotor. Sujeito passivo É a coletividade e. tome parte da disputa. que pressupõe que o agente se envolva. O fato somente caracterizará crime: a) Se ocorrer na via pública. A tentativa é inadmissível. corrida ou competição não autorizada realizada com desrespeito às normas de segurança do trânsito. Tentativa Consuma-se no momento da disputa. de forma secundária e eventual. secundariamente. Consumação. Elemento subjetivo É a vontade livre e consciente de participar. a incolumidade pública e privada. b) Se não houver autorização das autoridades competentes. a disputa entre dois veículos em altíssima velocidade na via pública. de forma a estar caracterizado o delito. rebaixa o nível de segurança viária. haverá absorção pelo crime de homicídio culposo.Só se configura em via pública e se resultar em perigo concreto. por si só. O tipo penal derrogou o artigo 34 do decreto-lei 3688/41 (contravenções penais). Concurso Se em decorrência da disputa ocorre um acidente do qual resulta morte. a pessoa exposta a risco em virtude da disputa.

somente se pode cogitar de crime se o vencimento ocorreu há mais de 30 dias (art. categoria “menor” e com perigo de dano.concreto.DIREÇÃO SEM HABILITAÇÃO – art. colocando o veículo em movimento. se cassado o direito de dirigir. e que o condutor do veículo não possua Permissão para Dirigir ou Habilitação. 309 do CTB em concurso material com o crime de uso de documento falso. em via pública. O artigo 141 do CTB. ou seja. ao ser parado por policiais. Quando uma pessoa está dirigindo veículo automotor de forma a gerar perigo de dano e. que não o possibilite a condução. Há que lembrar que o estado de necessidade exclui o crime: quando o agente dirige sem habilitação para socorrer pessoa acidentada ou outras situações de extrema urgência. Ação Penal Ação penal pública incondicionada. ainda. Dirigir veículo automotor. apresenta habilitação falsa. 309 CTB Art. não é crime.162. é mera infração de trânsito administrativa. de seis meses a um ano. ou multa. No caso de Habilitação com prazo de validade expirado. Se o condutor possui CNH com categoria diversa.detenção. Incide lei 9099/95. portanto. constitui crime. Para que exista o crime é necessário que seja em via pública. gerando perigo de dano: Penas . Se não gerar perigo de dano é infração administrativa. 8. que a direção de ciclomotor sem autorização não está abrangida pelo tipo penal. estabelece que para os ciclomotores se exige autorização e não habilitação. . é até possível o reconhecimento do homicídio doloso. se apenas não portava o documento que possui. V CTB). Pode-se concluir. Tipo objetivo O núcleo do tipo é dirigir. responde pelo crime do art. 309. por assumir o risco de causar a morte de alguém. sem a devida Permissão para Dirigir ou Habilitação ou.

Trata-se de crime que efetivamente lesa o bem jurídico “segurança viária”. de forma que o sujeito passivo é toda a coletividade e não pessoa certa e individualizada. portanto. mas. não é crime. que admite o concurso de pessoas apenas na modalidade de participação. sendo incompatível a coautoria. Sujeito ativo É a pessoa que dirige o veículo automotor sem possuir Permissão ou Habilitação ou com o Direito de Dirigir cassado. É participe do crime aquele que.32 da Lei de Contravenções Penais no tocante à direção sem habilitação em vias terrestres”. A súmula 720 STF. de forma eventual. ainda que não tenha exposto diretamente alguém a risco. Sujeito passivo A coletividade e. a existência do crime pressupõe que a conduta provoque perigo de dano. Se conduzir o veículo sem habilitação. Tentativa A consumação ocorre no instante em que o agente dirige o veículo de forma irregular. derrogou o art. derrogou o art.Por fim. À acusação. Trata-se de crime de mão própria. Elemento subjetivo É a livre intenção e consciente de conduzir o veículo pela via pública de forma a gerar perigo de dano. por exemplo. A tentativa é inadmissível. sem perigo de dano. que reclama decorra do fato perigo de dano. Consumação. 32 Lei Contravenções: “O artigo 309 do Código de Trânsito Brasileiro. a pessoa exposta a perigo pelo agente. é mera infração administrativa. incumbe provar que o agente não possuía habilitação e que dirigia desrespeitando as normas de tráfego. ciente de que este não é habilitado. estimula o agente a dirigir de forma anormal. .

autoriza o filho. 310. ainda. aplicando-se. confiar ou entregar a direção de veículo automotor a pessoa não habilitada. III. .Absorção a) Se o agente provoca culposamente lesões corporais ou morte responde por crime de lesões culposas ou homicídio culposo na direção de veículo automotor. do CTB. não esteja em condições de conduzi-lo com segurança:Penas . ou multa. ao dirigir sem habilitação. O crime pode ser praticado por ação (ex. por seu estado de saúde. CTB). III. 9. Art. infringe também os crimes dos arts. sabe que o filho irá utilizar seu veículo e não toma providências). 306 (embriaguez).ENTREGA DA DIREÇÃO À PESSOA NÃO HABILITADA OU SEM CONDIÇÕES À CONDUÇÃO – artigo 310 CTB. Só se configura quando o agente tem ciência do fato. as quais possuem praticamente o mesmo significado. física ou mental. responderá apenas por essas infrações penais. a agravante genérica do art. ou por embriaguez. 298. Prevalece na doutrina que se trata de crime de perigo abstrato. confiar ou entregar a direção de veículo automotor a alguém. com a pena aumentada de 1/3 até a metade (arts 302 e 303. Objetividade jurídica É a segurança viária. 308 (participação em competição não autorizada) ou 311 (excesso de velocidade). b) Se o agente. a quem. pelo fato de não possuir habilitação. no sentido de evitar a entrega de veículos a pessoas não habilitadas o sem condições de dirigir. de seis meses a um ano. Tipo objetivo São condutas de permitir. Permitir. sob pena de se admitir responsabilidade penal objetiva. parágrafo único. com habilitação cassada ou com o direito de dirigir suspenso. Ação penal: pública incondicionada. entrega) ou omissão (ex.detenção. ou.

Trafegar em velocidade incompatível com a segurança nas proximidades de escolas. Ação penal: pública incondicionada. Sujeito passivo É a coletividade. 10. ou onde haja grande movimentação ou concentração de pessoas.VELOCIDADE INCOMPATÍVEL – artigo 311 CTB Art. Tentativa Somente será possível o seu reconhecimento se o terceiro foi impedido de dirigir em momento imediatamente anterior àquele em que iria colocar o veículo em movimento. hipótese em que estará absorvido o crime do art. 310. confiar ou entregar o veículo a outrem. hospitais. situação em que o agente será responsabilizado apenas pelo novo crime do art. portanto. confie ou entregue o veículo a uma das pessoas elencadas na lei. ao conduzi-lo. 310. Não basta. ou a permissão para usá-lo. comete crime culposo. De menor potencial ofensivo. que o agente permita. 311. estações de embarque e desembarque de passageiros. gerando perigo de dano: .Sujeito ativo É qualquer pessoa que possa permitir. uma vez que o terceiro pode até ser bom motorista. após ter recebido o veículo do agente. Consumação Ocorre apenas quando. logradouros estreitos. o terceiro o coloca em movimento. Absorção A jurisprudência se divide acerca da responsabilização de quem entrega veículo a terceiro que. Alguns julgados entendem que ambos respondem pelo crime culposo. Outros sustentam que a simples entrega do automóvel não configura necessariamente conduta culposa.

Elemento subjetivo É a intenção livre e consciente de dirigir em velocidade excessiva. estações de embarque e desembarque. ciente que se encontra próximo a hospitais. escolas. Objetividade jurídica É a segurança viária em locais onde normalmente existe maior concentração de pessoas. de seis meses a um ano. Consumação. Não se exige que o agente tenha a intenção de expor alguém a perigo. ciente de que se encontra próximo aos locais mencionados na lei. logradouros estreitos ou onde haja grande movimentação ou concentração de pessoas. escolas etc. não necessariamente excessiva com determinadas localidades ou situações.detenção. Sujeito ativo É o condutor do veículo que imprime velocidade excessiva. Sujeito passivo É a coletividade e. A infração penal pressupõe que o fato ocorra nas redondezas de hospitais. Tentativa . O tipo derrogou a contravenção do art. O tipo penal pune o agente que trafega em velocidade incompatível. 34 do decreto lei 3688/41 (lei contravenções). Tipo objetivo A conduta incriminada consiste em imprimir velocidade incompatível com a segurança do local. Não se exige que a prova seja feita por meio de radares ou equivalentes podendo as testemunhas atestar o excesso. a incolumidade da vida e da saúde das pessoas. a pessoa exposta a perigo.Penas . de forma secundária e eventual. Secundariamente. ou multa.

312. de seis meses a um ano. retirar placas de sinalização. A conduta típica consiste na modificação do estado do lugar. alterar o local dos carros. . Infração de menor potencial ofensivo. Abrange. de coisa ou de pessoa. 312 do CTB Art.347). portanto. o estado de lugar. Parágrafo único. Ação penal Pública Incondicionada. de coisa ou de pessoa. passa por os locais protegidos pela lei. Tipo objetivo A existência de delito pressupõe. 11. ficará absorvido o crime em análise. ou juiz: Penas .A consumação ocorre no momento que o agente. as ações de apagar marca de derrapagem. o procedimento preparatório. imprimindo velocidade incompatível. Fora dessa hipótese a fraude pode configurar o crime comum do Código Penal (art. Aplica-se o disposto neste artigo. inquérito policial ou processo penal. quando da inovação. limpar estilhaços do chão. ou multa. Objetividade jurídica Protege-se a administração da justiça. inicialmente. em caso de acidente automobilístico com vítima. ainda que não iniciados. a fim de induzir a erro o agente policial.detenção. a ocorrência de acidente de trânsito com vítima. É crime que se especializa em relação ao do artigo 347 do CP. A tentativa é inadmissível. o perito. alterar o local do corpo da vítima etc. Absorção Ocorrendo acidente do qual resulte morte ou lesão culposa. na pendência do respectivo procedimento policial preparatório.INOVAÇÃO ARTIFICIOSA – art. o inquérito ou o processo aos quais se refere. Inovar artificiosamente.

Tentativa Ocorre no exato momento em que o agente altera o estado do lugar. 5º ed. peritos ou o juiz. Legislação Penal Especial. Bibliografia CAPEZ. Consumação. entretanto. Curitiba: Juruá. GOMES. É possível a tentativa quando o agente é flagrado ao iniciar a fraude.Curso de Direito Penal.Elemento subjetivo O tipo penal exige que a fraude ocorra com a finalidade de enganar policiais. . Ordeli Savedra. Trata-se de crime menor potencial ofensivo. 5º ed. 2011. ainda que não atinja sua finalidade de enganar as autoridades. que a verdadeira intenção do agente é evitar a sua punição ou a de terceiro causador do evento. coisa ou pessoa. Código de Trânsito Brasileiro Comentado e Legislação Complementar. Trata-se de crime formal. São Paulo: Saraiva. Fernando. 2010. Está implícito. Ação penal Estamos diante de um crime de ação penal pública incondicionada.