A REFORMA LABORAL E A CRISE DO SINDICALISMO Matheus Jones Zago 1 Trabalho elaborado como requisito parcial para a aprovação na disciplina

de “Trabalho e Sociedade no Brasil” do curso de graduação em Ciências Sociais na Universidade Federal de Uberlândia, ministrado pelo professor Edilson José Gracioli. Resumo: O objetivo deste trabalho é contextualizar de forma superficial atual Reforma Laboral proposta por Felipe Calderón, apresentando os argumentos que a coloca como sendo um ponto essencial para ofensiva do capital contra as classes trabalhadoras. Procuro mostrar de forma sucinta a flexibilidade e precarização do trabalho em um padrão neoliberal de acumulação de capital que atinge tanto os trabalhadores como sindicatos. Tento concluir apresentando os principais argumentos defendidos por Armando Boito Jr e Ricardo Antunes sobre a crise do sindicato. Palavras-Chave: Reforma Laboral, Sindicato, Neoliberalismo, Autonomia Sindical Abstract: The objective of this paper is to contextualize the current Labour Reform proposed by Felipe Calderón, presenting the arguments which shows how this reform perform one essential point for offensive of capital against the working class. Carefully looking how the flexibility and precariousness of work appears into a neoliberal standard of accumulation that affects workers as well syndicates. I try to conclude presenting the main arguments managed by Armando Boito and Ricardo Antunes on the syndical crisis. Keywords: Labour Reform, Sydicate, Neoliberalism, Syndicate autonomy Introdução Está para ser aprovada no México um projeto de reforma trabalhista que definitivamente modificará o futuro das condições de trabalho deste país. O projeto enviado pelo presidente Felipe Calderón (PAN) 2à câmera foi aprovado com algumas modificações, porém seu texto ainda se apresenta como grande inimigo à classe trabalhadora. Segundo o texto original é objeto da reforma o aumento da produtividade e competitividade no país além da geração de empregos, modernização da justiça trabalhista, aumento das práticas democráticas nos sindicatos e imposição de sanções. Segundo alguns analistas a reforma foi elaborada com um trato economicista. Entre as novidades do projeto, está o pagamento por hora de trabalho, a contratação em período de experiência sem ónus para o empregador e a regulamentação de terceirizados 3. Mais será que essa reforma favorece realmente os trabalhadores ? Segundo sindicalistas não houve nem se quer uma discussão ou uma análise, simplesmente o projeto foi enviado aos senadores. “A reforma afeta de forma diretamente a questão da autonomia e democracia sindical 4 ”. Outro ponto é apresentado quando se trata da questão da flexibilidade dos contratos, segundo os sindicatos não existe nenhum fator de equilíbrio: a proposta apresenta 3 tipos de contrato, contratos por capacitação, contratos de provação (qualquer um desses dois contratos podem ser elaborados por apenas 6 meses) e contratos temporais que já existiam anteriormente. Especialistas que se posicionam contra a reforma laboral dizem que ela está relacionada em um contexto global. Embarcado em um modelo de produção capitalista conhecido como Neoliberalismo e que se explica no marco das reformas estruturais executado através de reuniões no G20, ou mesmo na europa ássia ou américa, orientados em aumentar a rentabilidade ou a produtividade do capital, transformando no mundo empresarial conceitos de produtividade e competência nas empresas como cargos chefes da administração. Como plano de fundo tendo sempre à usurpação do capital. Segundo Eliud de la Rosa Bia da Asesoría e Investigación essas ações são gesticuladas e impostas à governos locais, com “modificações necessárias para legalizar de diversas formas a chamada flexibilização do trabalho para minar ou inibir a capacidade organizativa dos trabalhadores, retirando forças aos instrumentos dos que ajudam os trabalhadores previstos em constituições políticas e nos marcos reguladores com leis regulamentares que em geral se integram à normas do chamado direito

Adeus trabalho? São Paulo: Cortez. “os trabalhadores sabem o que é trocar de turno. De acordo com Boito Jr. REFERÊNCIAS: ANTUNES. como “uma meta para o sindicalismo democrático independente”. Tudo isso ainda se agrava com a eleição de Enrique Peña Nieto 8 que recoloca o PRI novamente no governo após dois mandatos de PAN. perder as férias. (orgs) Além da fábrica. sindicatos e a nova . não estou falando apenas da reforma laboral. A.social 5”. Armando. RAMALHO. A crise do sindicalismo. Essa é uma discussão que aparece no interior do momento sindical para elaboração de um projeto e crescimento da força sindical. a questão da autonomia sindical. (BOITO. trabalhadores. trabalhadores do setor informal) e uma recuperação do sindicalismo. O erro teórico do raciocínio que estamos criticando consiste em analisar a classe operária e o sindicalismo separadamente do processo político nacional e internacional. Por um outro lado. Ricardo Antunes apresenta a ideia de que o princípio do pluralismo sindical garante. as direções sindicais concorrem frequentemente com elas num mesmo mercado de prestação de serviços”.C. uma luta incansável da classe operária visando o seu fortalecimento e união contra os interesses capitalistas. Porém uma estrutura burocrática pode restringir fortemente a autonomia e organização pelos trabalhadores. não programar suas férias. Um dos problemas enfrentado pelos sindicatos. constitui o princípio fundamental para a organização e funcionamento do sindicato. se cria várias centrais sindicais independentes entre si . ANTUNES. R. se não também como na subsequente reforma fiscal e energética que não nos alcança como sindicato”. Existem duas grandes referências no sindicalismo democrático do mexicano. M. extensão da jornada de trabalho. In: SANTANA. Dizer que o movimento sindical declinou porque a classe trabalhadora está mais fragmentada é ignorar que o aguçamento da luta de classes e da luta anti imperialista nos anos 1960 e 1970 teve uma influência positiva sobre o movimento sindical de então. No Brasil o desgaste do neoliberalismo tem propiciado o surgimento de novas lutas sociais (desempregados. De acordo com José Luna 6a reforma laboral é uma consequência que na prática que os trabalhadores já conhecem. 1995.. diminuiu sua atividade reivindicativa e perdeu influência política nas principais economias capitalistas. É correto afirmar que o sindicalismo perdeu filiados. Esse princípio segundo o autor vai de encontro aos interesses da burguesia pois em vez de se lutar pela criação de uma central sindical dos trabalhadores. o aparecimento de vários sindicatos de uma dada categoria e em uma única base territorial. aponta ainda. observadores e sindicalistas deixarem de lado o discurso da crise stricto sensu e começarem a discutir e entender essa recuperação” É essa conjuntura e a luta que dirá se é possível unificar os trabalhadores num amplo movimento social e político. 2003) Segundo Boito Jr O sindicalismo está dando claros sinais de recuperação e “já é hora de os cientistas sociais. 1980. Segundo Ricardo Antunes a luta pela unidade sindical tem sido desde os primeiros tempos. ocorrendo o inverso na situação atual. Jr. A Questão Sindical No título do texto de João Bernardo já é colocado o problema: Crise dos trabalhadores ou crise do sindicalismo? Observamos no Brasil e no mundo um caráter corporativista nos sindicatos que “cria obstáculos ao desenvolvimento de qualquer luta e a sua generalização a outras camadas de trabalhadores” em vez de “lutarem contra as administrações das empresas. a pretexto de uma falsa liberdade sindical. nunca isoladamente. que ainda não chegaram a um acordo comum. forte e unitária. dias de descanso. O que é sindicalismo? São Paulo: Brasiliense. Com questões legais a reforma se apresenta como uma correlação de forças. E hoje o que se pretende com essa reforma é legalizar o que é ilegal” Ainda em sua análise o secretário diz que o sindicalismo democraticático no México está estancado e apresenta baixo poder de atuação: “atualmente não temos como nos defender dessa ofensiva. Toda classe social deve ser analisada em sua relação com as demais classes sociais. é a baixa taxa de sindicalização 7 por parte dos trabalhadores e uma guerra imposta por Calderón combatendo o sindicalismo democrático. que é uma situação de ofensiva capitalista e imperialista sob a bandeira do neoliberalismo. Uma proposta apresentada foi a criação de uma nova central de trabalhadores. O ritmo e a intensidade do refluxo sindical variam muito de acordo com o setor econômico e o país considerado. Existe um embate ao propor o pluralismo sindical. BOITO. Jr. Tudo isso vem já vem ocorrendo à anos. a UNT "Union Nacional de Trabajadores" e Frente Sindical Mexicana. R.

Crise dos trabalhadores ou crise do sindicalismo? Revista Crítica Marxista. J.co Partido de Ação Nacional: É um partido Mexicano de direita que ganhou as eleições presidenciais de 2000 (com a eleição de Vicent Fox) acabando de vez com 70 anos de governo do PRI (Partido Revolucionário Institucional) considerado um partido de extrema direita marcado por supostas fraudes eleitorais. contratações coletivas.6% d esquerdista Andrés Manuel López Obrador in: http://www1. BERNARDO. G.infolatam.fes. 2003 p.333. nas greves de direito. direitos de férias. 319 . manifestações contidas pelo exército. nós acreditamos que temos que começar a construir uma nova corelação de forças.br/2012/09/28/mexico-deputados-aprovam-reformatrabalhista/ 4 De acordo com Beatriz Luján da Frente Auténtico del Trabajo a reforma trabalhista abrange duas questões de direito: O direit individual que nessa reforma estimula a flexibilização do trabalho e o direito coletivo que minimamente atende as questões do sindicato. na sociedade e na classe trabalhadora. in: Seminario Crisis Civilizatoria. repressões e violência. não é que os sindicatos intependentes ou democráticos retrocederam. Email: mjzago@gmail. na frente dos 31. José Humberto Montes de Oca Luna ainda de forma crítica apresent a questão dos contratos coletivos no México: “90% dos contratos trabalhistas são contratos de contenção.youtube. perdendo as eleições por menos de 1% de diferença nas urnas. São Paulo: Boitempo.uol.com/watch?feature=player_embedded&v=oPEhcIFa4EE 5 In: Idem 6 O Secretario del Exterior del Sindicato Mexicano de Electricistas. execução e prisões dos dirigentes in: Seminario Crisis Civilizatoria. transparências e na questão de contas. Analisis Político: Tasa de sindicalizacíon en México 2005 – 2008 Instituto Friedrich Ebert Stifung.P: Unicamp. eles foram barrados pela repressão. e não existe uma resposta social.folha. A. G-20 y alternativas. Campinas-S. Graduando em Ciências Sociais da Universidade Federal de Uberlândia.questão social.de/pdffiles/bueros/mexiko/08130. o PRD um partido de esquerda que teve um número expressivo de votos. dez 2010 in: http://library. G-20 y alternativas. 1997.04.br/mundo/1146454-tribunal-mexicano-valida-eleicao-evitoria-de-penanieto.shtml 1 2 . nos movimentos insurgentes dos anos 70 inicios dos 80 contidos pela repressão. 3 México: deputados aprovam reforma trabalhista em: Infolatam (Información y analisis de America Latina) Url http://www. Em 2006 o PAN conseguiu sua reeleição (agora com Felipe Calderón) derrotando um forte opositor. Panel La patronal Reforma 7 Desde os anos noventa a taxa de sindicalização no Mexico tem decrecido e se mantendo em 10% da população economicamente ativa In: GARCIA.com. Panel La patronal Reforma Laboral 08 oct 2012 URL: http://www. nas manifestações. “O que acontece na prática obviamente é: o PRI negogia com o PAN a parte coletiva dessa reforma e deixa para trás a parte individual que trata da flexibilização do trabalho”.2% de todos os emitidos. ataques para contratos coletivos já não existem há 2 décadas. n. è essa a "tendência democrática" de hoje.com.pdf 8 Enrique Peña Nieto ganhou as eleições Mexicanas com um percentual votos de 38.