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WWF Todos somos responsáveis pelo lixo disponível em: http://www.wwf.org.br/?

33482/Todos-somos-responsveis-pelo-lixo Acesso em 17/01 20:33

1 20 Dezembro 2012 | 1 Comment O jornal Correio Braziliense publica nesta quinta-feira (20) artigo da secretária-geral do WWF-Brasil, Maria Cecília Wey de Brito, sobre a urgência da implementação da coleta seletiva de resíduos em todo o país. Ela lembra que pesquisa Ibope encomendada pelo WWF-Brasil por meio do programa Água Brasil mostrou que a população quer cuidar melhor do lixo, mas não é atendida pelo poder público. O Água Brasil, concebido pelo Banco do Brasil, é desenvolvido em parceria com Fundação Banco do Brasil, Agência Nacional de Águas e WWF-Brasil. Um dos objetivos do programa é apoiar municípios, comunidades e catadores de materiais recicláveis a melhorar o manejo de resíduos sólidos e a difundir o conceito do consumo responsável. Veja abaixo a íntegra do artigo.

Brasileiros querem coleta seletiva Maria Cecília Wey de Brito – secretária geral do WWF-Brasil

Agentes públicos em geral e os prefeitos eleitos em particular precisam enfrentar com determinação uma agenda que tem sido frequentemente negligenciada em nosso país: o manejo de resíduos sólidos urbanos. Pesquisa que encomendamos ao Ibope mostra que o cuidado com o lixo já começa a fazer parte das preocupações da população, mas precisa entrar definitivamente para a agenda das prefeituras e das outras esferas de governo. O estudo revela, por exemplo, que a população quer participar da coleta seletiva, mas não é atendida pelo serviço na maioria dos municípios e no Distrito Federal.

O Brasil tem hoje uma legislação avançada, a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), que tramitou por duas décadas no Congresso Nacional. A lei prevê a obrigatoriedade da coleta seletiva, o fim dos lixões e o recolhimento de embalagens pelos próprios fabricantes ou importadores.

Nosso país tem uma particularidade interessante: o serviço de coleta seletiva e de triagem é feito. De acordo com o Ministério do Meio Ambiente (MMA). No WWF-Brasil. o valor dos resíduos recicláveis que vão para os lixões por falta de coleta seletiva chega a R$ 8 bilhões ao ano. Mas nada indica que estamos no caminho. Nesta experiência. Pirenópolis. há recursos disponíveis em diversas fontes. Rio Branco (AC) e Pirenópolis. pelos catadores. catadores e comunidades no processo de adaptação à legislação. temos acompanhado muito de perto a aplicação da PNRS. Natal (RN). a Fundação Banco do Brasil e a Agência Nacional de Águas. aterros sanitários e outras obrigações previstas na lei. encontramos bons exemplos e grandes desafios. que tem pouco mais de 20 mil habitantes. com o objetivo de desenvolver experiências que possam ser replicados em todos os municípios brasileiros. pode ser exemplo para cerca de 90% dos municípios brasileiros. Nestes locais. representa um enorme desperdício de recursos. Na verdade.Paralelamente. aqui do lado. E ainda deveríamos somar a isso os custos para coletar. que são cidades pequenas. com menos de 50 mil pessoas. o que coloca em risco o seu cumprimento. a . Em agosto passado. o país convive com o atraso na aplicação da lei. O fim dos lixões – e a implementação da coleta seletiva – também já tem data para se tornar realidade: agosto de 2014. A falta deste serviço. além de ser um problema ambiental. os municípios deveriam ter apresentado seus planos de gestão de resíduos sólidos. Entre estes. no Brasil. trabalhamos para apoiar prefeituras. em grande parte. mas o acesso a eles costuma esbarrar na falta de planejamento e de projetos. desenvolvemos projetos demonstrativos em cinco municípios: Belo Horizonte (MG). Mas apenas 10% conseguiram cumprir o prazo. Isso quer dizer que. transportar e dispor esse material. Caxias do Sul (RS). o maior talvez seja a efetiva implantação da coleta seletiva. dois anos depois de sancionada a PNRS. Os prefeitos reclamam que não têm orçamento para investir em coleta seletiva. Em conjunto com o Banco do Brasil.

ainda. responsável por gerar renda e trabalho para centenas de milhares de brasileiros. E. a atividade não deixa de ser poluidora. ainda que o argumento seja a geração de energia. em todos os níveis – mas também das pessoas e das empresas. além de serem fundamentais para a conservação de recursos naturais como a água. Disseminar a cultura do cuidado com o resíduo é dever do poder público. A correta destinação dos resíduos e a aplicação da PNRS colaboram para a construção de um país em que as cidades e a natureza convivam em harmonia .e tem sido assim com o Código Florestal. podado radicalmente para ficar à altura de seu descumprimento. Estamos perigosamente a caminho do famoso “fato consumado” – quando se torna quase impossível reverter o erro. Experiências desse tipo não são raras em nossa história recente. A ideia de queimar recursos é absurda. Foi assim com a aprovação dos transgênicos – depois que as lavouras foram inundadas com sementes contrabandeadas de um país vizinho . Este é mais um motivo para os administradores públicos olharem com mais carinho para esta agenda.reciclagem é. Temos alternativas limpas e renováveis. por mais que os propagandistas do modelo falem em filtros poderosíssimos. E também para tomarmos com mais cuidado os serviços oferecidos pela indústria da incineração de resíduos. Estas iniciativas são importantes para a economia do país e para a saúde da população.