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A função Social do Contrato no Combate a Lesão Contratual Lesão vem do latim “laesio”, significando ferir, danificar, prejudicar.

No que concerne ao direito se perfaz quando houver prejuízo ou perda, em face do Direito Civil e Comercial. Quanto aos contratos, deve haver equivalência para a prestação que não foi cumprida, desde que recebida em contratos cumulativos, no sentido de designar o prejuízo sofrido por uma das partes para que se cumpra o que foi estabelecido. Lesão é o prejuízo que uma pessoa sofre na conclusão de um ato jurídico, resultante da desproporção existente entre as prestações das duas partes. Aprimorou-se o instituto, após o advento da Revolução Francesa, na idade moderna e suas ideias, que foram contestadas ao extremo sendo equiparados como um sistema que colaborasse somente com uma das partes no contrato, embora houvesse os enfoques ao principio da autonomia da vontade e o da igualdade das partes. Contudo, o instituto foi comparado a um sistema arcaico desaparecendo como direito positivo na maioria dos países, retornando somente nas primeiras décadas do século XX. No direito brasileiro a lesão foi desconhecida no Código Civil de 1916, com tentativa infrutífera de tramitação, ocorrendo de forma esparsa durante vários anos, ate a formação do Código de Defesa do Consumidor em 1990, sendo estabelecido de forma mais incisiva. Em 1933, o Decreto 22.626 estabeleceu uma forma de pactuação que limitava a cobrança na taxa de juros, caso ocorrendo em abuso seria tipificado como pratica criminosa. A lei 1.521 de 1951 estabeleceu que a lesão pode ser estimada quantitativamente vedando em qualquer contrato a obtenção de lucro patrimonial que excedesse o quinto valor corrente ou justo. Este dispositivo se tornou inadequado pelas dificuldades de se estimar o valor corrente ou justo. Quanto à sua natureza, a lesão se forma através de um vicio de consentimento no negocio jurídico. Será levado em conta o principio da igualdade em face da vontade que deverá ser declarada com o objetivo de manter um equilíbrio na relação contratual na prestação e na contraprestação fazendo jus aos pressupostos de manifestação da vontade e a consciência, não devendo haver falhas na formação do consentimento que viciam o negocio e o contrato, de forma unilateral ou bilateral. O aspecto da consciência é muito relevante, pois na relação contratual é muito importante um esclarecimento profundo das diretrizes que se funda o contrato, para que não haja favorecimento em forma de abuso por uma das partes, atingindo a equidade necessária. Negocio defeituoso é aquele em que uma das partes, abusando da inexperiência ou da premente necessidade da outra, obtém vantagem manifestamente desproporcional ao proveito resultante da prestação, ou exageradamente exorbitante dentro da normalidade. O instituto da lesão de acordo com a teoria básica das invalidades não se confunde com os defeitos da vontade, pois consiste no temor determinado pelo estado da necessidade, uma vez que o contratante lesado quer o contrato e seus efeitos e compreende a desproporção entre as prestações. A lesão é caracterizada por elementos subjetivos ou objetivos: Os elementos subjetivos da lesão são: 1-premente necessidade, ou seja, o estado de necessidade do individuo será essencial para a formação dela, podendo afetar a decisão. É uma situação de risco, já que exige uma rápida solução do contratante, diante da eminente necessidade de solucionar os problemas. 2-a inexperiência, que se comprova com a falta de conhecimentos específicos pretendidas na formação do contrato que são indispensáveis na relação negocial. A comprovação da inexistência ocorrerá na celebração do contrato em face da falta de conhecimento na leitura deste.

é suscetível da anulação ou revisão do negocio jurídico. pois na lesão se realiza com uma exagerada desproporção entre as prestações com o conhecimento do lesado. não há presença do elemento da vontade. a vontade pode ser considerada ate inexistente. Somente a desapropriação evidente. O elemento objetivo de lesão é representado por uma prestação manifestamente desproporcional. a lesão se configura com a exagerada desproporção entre as prestações como o conhecimento do lesado. na coação. 2-Lesão especial: quando houver prejuízo em cima das partes. pois ocorrendo implicará em tipo penal quanto às regras do direito brasileiro. No que tange aos termos da lei quanto à caracterização do vicio da lesão. desde que se comprove aspectos paralelos ao contrato que acarretem na exploração ilícita por alguma razão ou objetivo alheio ao contrato. se comprovado o desequilíbrio exagerado. em decorrência do mesmo objetivo. que é manter a equivalência das relações contratuais. quanto a desproporção da prestação pactuados no contrato de comutatividade. Ocorrerá quando o contratante sabe do estado do contratado. Com relação entre lesão e coação. insensato e atrapalhado. quando os elementos sucessórios a formação do contrato. julgar se houver ou não lesão ou abuso. pois o erro representa uma ideia falsa da realidade quanto aos aspectos negociais. decorrente de um ato irresponsável na maneira de agir. Não se deve confundir a lesão com o erro. os dois devem concorrer. Visando a proteção da parte mais fraca na relação jurídica negocial no campo das obrigações. pois a lesão é um fator que inibe a prevalência da vontade da parte mais forte na relação contratual. ou seja. enquanto no erro ocorre uma falsa representação do objeto. por conta da inferioridade do contrato no momento. aproveitando da situação explora-o de má-fé imoralmente. Quanto ao dolo do aproveitamento. ou seja. todavia. . Portanto se faz necessário destacar as distinções quanto aos outros vícios. reger-se à em face dos requisitos objetivo e subjetivo cumulativamente.3-aproveitamento ou vantagem quando houver má-fé na atitude do lesionante. sendo necessário. tão perceptível que ninguém pode duvidar da existência dessa desarmonia que se afasta da normalidade. a lesão se evidencia com grande importância. Lesão e erro: embora em ambos sejam comuns à ausência da ideia verdadeira da coisa. sem que ocorra cada um por si só. distinguila de outros vícios. 3-Lesão consumerista: sem efeito de tarifa. Embora a lesão e a teoria do imprevisto sejam instituídas de forma parecida. a mera desproporção das prestações não configura a desproporção quando não ocorrer de forma exagerada. são diferentes. não se caracteriza como uma atitude culposa. Diante dos modelos atuais de contrato. na qual o sujeito não reflete antes de se contratar. 4-a leviandade. enquanto no erro ocorre uma falsa representação do objeto. fica a encargo do julgador. É uma falta de maturidade que acarreta um prejuízo a outra parte por apresentar alguma debilidade. Os tipos de lesão são: 1-Lesão enorme: quando há desproporção superior à metade do justo preço na compra e venda. já que a presença da vontade aparece de forma muito inibida. enquanto na Teoria da imprevisão ocorrerá à superveniência dos fatos somente após a contratação acarretando em um excesso quanto ao preço fixado. existe uma diferença cronológica: na lesão o vicio se configura no 1º ato do contrato quanto à sua formalização.

Por isso deve ser realizada a ciência da parte beneficiada que a obrigação foi assumida pela parte contraria para que se salve de grave dano. b) Principio do equilíbrio econômico do contrato (artigo 478). A responsabilidade de outra parte. A amplitude do princípio da boa-fé não representa somente no acordo em forma de convenção entre duas partes no campo da obrigação. isto sim. estes princípios estão dispostos da seguinte forma: a) Principio da boa-fé objetiva (artigo 422). Em relação ao Código Civil. Os princípios deveres inerentes a este principio são: o cuidado. aviso de esclarecimento. pois nem sempre as prestações poderão ser realizadas no futuro. segundo o qual a declaração de vontade considera-se defeituosa quem a emite. informação e o de prestar contas. ou a pessoa da família.O artigo 136 do Código Civil regula o instituto ao estado de perigo. que venha causar eminente perigo de vida ou de grave dano à saúde ou a integridade física de uma pessoa. boa-fé. pelo perigo de ocorrerem fatos alheios a vontade humana. No campo subjetivo da boa-fé representa o estado de espírito do agente que se depara em uma situação envolvendo um negocio jurídico que se presume como a boa-fé subjetiva. entre outros. também conhecido como da equivalência material. levando-se em conta o elemento subjetivo. para chegar-se a um entendimento mais amplo em face de uma relação material. informação. O risco quanto a contratos que perdurem muito tempo é eminente. Decorre. O estado de perigo se distingue da lesão. da equivalência material do contrato. diferentemente do que ocorre na lesão que é objetiva. Os princípios do contrato são: da boa-fé objetiva. c) principio da função social do contrato (artigo 421). do perigo ou dano grave conhecido pela outra parte. denominadas supervenientes como catástrofes. . provido pela necessidade de salvar-se. assume obrigações excessivamente onerosas. premido pela necessidade de salvarse. O principio da boa-fé encontra-se disposto no artigo 4º. O artigo 156 do Código Civil regula o instituto ao estado de perigo no ato de contratar. pois não é preciso que a outra parte saiba da necessidade ou inexperiência. previdência. III do Código do Consumidor . é o dever de fazer de qualquer pessoa. que possam levar o contrato à inadimplência. ou seja. Mas. as partes são obrigadas a guardar tanto na conclusão do contrato como em sua execução. e da função social do contrato e da teoria do abuso da posição jurídica. No Código de Defesa do Consumidor esses princípios são representados por meio de expressão como: transparência. de agir em consciência em assumir um compromisso excessivamente oneroso diante de um estado de premente necessidade na obrigação de assumir uma responsabilidade. de ter-se aproveitado da fragilidade volitiva do que estava em perigo. ou a pessoa da família. assume obrigação excessivamente onerosa. enquanto na lesão o risco será aferido a danos patrimoniais em virtude de se evitar falência nos negócios. O ato de contratar é perigoso e cada um deve suportar seu próprio perigo. já que neste estará o risco pessoal quanto ao negocio realizado. guerras. não vem do fato de ter sido ela a causadora do perigo. a probidade e a boa-fé. deve-se considerar os princípios da autonomia privada. diante da situação de perigo. do perigo ou dano grave conhecida pela outra parte. segurança. modelo objetivo de conduta. O elemento da vontade não é um requisito formal. mostrando a honestidade e lealdade do ser humano. O estado de perigo é um fundamento jurídico utilizado quando o negocio jurídico já foi estipulado sob essa tendência no dolo subjetivo. da obrigatoriedade contratual e da eficácia relativa somente às partes. O princípio da boa-fé é uma exigência a lealdade. segundo o qual a declaração de vontade considera-se defeituosa quem a emite.

No direito das obrigações a boa-fé objetiva é traduzida como uma responsabilidade civil em relação a um contrato. Assim. que é na realidade social. uma realidade complexa. A função social do contrato funciona em meio à circulação de riquezas. na busca de rebater os conflitos de ideias. foi implantado um sentimento de liberdade com o triunfo da autonomia da vontade. com o objetivo de regular a riqueza de cada pessoa em forma de representação jurídica. Em decorrência desta formação contratual. Com a influência do liberalismo econômico na teoria dos contratos em face da teoria dos contratos em meados dos séculos XVI e XIX. social e econômico medieval que assombrava a época. conforme Rousseau. em forma de cumprimento. referente à matéria contratual. Mas nem sempre a vontade do particular se sobrepõe em meio de operações econômicas que nem sempre caminham para um objetivo adequado e coerente em face de direitos e comportamentos. decorrerá em abuso contra a obrigação decorrente em lei. sendo a boa-fé objetiva dever formal realizado durante a formação das clausulas contratuais. Em defesa a essa influencia contra a arbitrariedade do absolutismo monárquico. mas prevalece sim o imperativo éticojurídico. pela . como direito positivo. cabe ressaltar que o seu conceito evoluiu a partir de sua origem. Um exemplo da boa-fé objetiva pode ser visto como dispõe o artigo 42 do Código do Consumidor que veda àquele que dispõe de um credito contra consumidor expor este ultimo a formas constrangedoras de cobrança. com finalidade de conclusão dos atos necessários à sua extinção. pois ele se funda cumulativamente com o desenvolvimento da civilização. para que se tornasse uma ideia que predominasse os interesses sociais sobre os individuais. A soberania do estado não detém autonomia. visando o direito e a equidade. aduziu o seguinte o enfoque: nenhum homem tem a autoridade natural sobre seu semelhante. ou seja. Em meio à vontade de cada contratante. já que não existe força que produza direito algum. ou seja. ganhando um aspecto próprio na atualidade quanto à sua função social. 421. não se pode precisar o marco ou inicio do instituto do contrato quanto a sua organização social e jurídica quanto ao seu momento histórico. pois somente as convenções são a base de toda autoridade do homem. Assim. devendo ser executado perante as clausulas contratuais. É necessário o dever de cooperação. a nova realidade do contrato era a modificação do estado liberal para o social com o fim do absoluto direito subjetivo. ou seja. já que as partes firmaram a convenção aceitando o dolo. estabelecido em legislação diante do artigo. estabelecendo o individualismo jurídico em confronto com todo sistema político. mormente às inovações no mundo financeiro visando à solidariedade social. a própria sobrevivência. Em meio há varias transformações por que passou o contrato até os dias atuais. O contrato é proveniente da boa-fé de se pactuar mediante o elemento da vontade entre duas ou mais partes em meio a uma realidade que busque a sobrevivência. As clausulas contratuais devem ser respeitadas. ficou estabelecido no Código Civil. A boa-fé objetiva tem como objetivo proibir que se cometa abusos no campo obrigacional. que é resguardar a intimidade privada. principalmente do devedor. ou seja. devendo estar atinente sempre ao principio da boa-fé. devido a obedecer a princípios regidos pelos ordenamentos. a partir do momento que uma sociedade evolui. caso não aconteça. a função social do contrato é combater a incoerência dos contratantes. Cabe ao estado somente a função regulamentadora como garantidor das regras de livre contratação. estabelecendo que a liberdade de contratar sua exercida em razão e nos limites da função social do contrato. consecutivamente evoluirá também suas relações econômicas que deverão ser reguladas de forma que se atinge a jurisdicionalização dos comportamentos e relações dos indivíduos na relação social. que é atingir bem comum. harmonizar o interesse de cada um perante o escopo da função social do contrato. ou seja.

colocando em pé de igualdade as partes perante uma legislação pertinente a todas camadas da civilização. A nova concepção do contrato é social deste instrumento jurídico. para a qual não só o momento da manifestação da vontade ou concessão importa. os efeitos do contrato na sociedade serão levados em conta e onde a condição social e econômica das pessoas nele envolvidos ganha uma importância. à igualdade se torna realidade.constituição jacente no país. mas onde também e principalmente. .