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XVI

Da Responsabilidade Civil nas Relações Parentais e de Afeto
1 NOTAS INTRODUTÓRIAS Cumpre inicialmente destacar que as leis que regulam as relações familiares não preveem indenização pelos eventuais danos sofridos, sejam morais, sejam materiais, decorrentes do descumprimento das obrigações parentais e afetivas, prevendo tão somente as questões atinentes ao patrimônio comum, à guarda dos filhos, ao dever de alimentos, à adoção do nome, dentre outras. Silenciam a esse respeito a Lei do Divórcio (Lei nQ 6.515, de 26 de dezembro de 1977), a Lei dos Alimentos (Lei nQ 5.478, de 25 de julho de 1968), as Leis da União Estável (Lei n2 8.971, de 29 de dezembro de 1994 e Lei nQ 9.278, de 10 de maio de 1996), o Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei n2 8.069, de 13 de julho de 1990), além de também silenciar sobre a matéria o Código Civil Brasileiro (Lei Í1Q 10.406, de 10 de janeiro de 2002). Há que se registrar por oportuno que a jurisprudência pátria é amplamente majoritária no sentido de inadmitir a indenização por danos morais decorrentes de agressões físicas ou de lesões a direitos da personalidade, oriundas das relações de parentesco. Há evidentemente alguns poucos casos isolados de reconhecimento dessa possibilidade, aos quais nos reportaremos mais adiante, contudo, longe ainda está de se constituir em jurisprudência consolidada.
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2 NA DISSOLUÇÃO DO CASAMENTO E DA UNIÃO ESTÁVEL Até poucos anos, Tribunais pelo Brasil afora acolhiam a malfadada tese da "legítima defesa da honra" para livrar da cadeia maridos que, alimentados pelo ódio do ciúme, vingavam-se, matando a mulher ou o seu parceiro, ou ambos. É importante salientar que esses mesmos Tribunais que deferiam ao marido o direito de matar impunemente são os mesmos que negavam, e negam ainda hoje, o legítimo direito das mulheres seviciadas e violentadas de se verem ressarcidas por danos materiais e morais decorrentes da ruptura violenta da vida em comum. Alguns,argumentam que essas indenizações teriam o manto de indenizar o amor desfeito. Porém, não é por essa trilha que se deve caminhar. Assim, como no passado recente em que a jurisprudência brasileira se recusava reconhecer o dano moral PMrO ao argumento de que a dor não poderia ser objeto de paga, hoje esses apegos ao passado ressurgem nas questões atinentes às relações familiares, sob o pífio argumento de que o "desamor não se paga". De outro lado, há aqueles que argumentam que não há previsão legal para acolhimento de pedido de indenização por danos morais nas relações afetivas. Ora, esse também é um argumento pífio. Não se pode fugir à realidade ao argumento fácil de que não há lei prevendo aquela determinada situação. Outro argumento bastante utilizado para justificar a recusa é que as relações de família se regem por institutos próprios e neles a figura do dano moral não se encontra prevista. Assim, ao argumento de que a legislação que rege a matéria não prevê a indenização por danos morais, recusa-se o pedido. A toda evidência, tais argumentos destoam da realidade do cotidiano, pois não há como justificar a negativa de indenização para casos em que o homem ou a mulher possam ter sido vítimas de agressão pelo seu parceiro, por exemplo. Há casos de sevicia ou lesão corporal infligida aos parceiros que, independentemente da respectiva ação penal e da ação de dissolução do casamento ou união estável, ensejam o direito de reparação por danos materiais e morais, em ação conjugada ou autônoma. Como preleciona Rui Stoco, nesse caso o "direito de indenização não nasce do só fato da separação judicial ou do divórcio, posto que os incômodos inerentes a um desfazimento de relação conjugal são previsíveis [...] em verdade, o direito à indenização nasce do dano (material ou moral) causado pelo comportamento culposo de alguém sobre o outro".' Da mesma forma, Ramón Daniel Pizarro que, abordando a questão à luz do Código Civil Argentino, pondera que em casos particulares pode caber indenização por dano moral e material, causado por um dos cônjuges ao outro, quando
1 Tratado

de responsabilidade civil. p. 653. 348 Da Culpa e do Risco • Meio

esse fato derive de lesão aos direitos personalíssimos (integridade psicofísica, in: timidade, honra etc.). Nesse caso, o lesado terá direito à reparação não em razão de sua qualidade de cônjuge, mas sim corno qualquer pessoa afetada por um ato ilícito extracontratual. 2 . Na abordagem do terna, Arnaldo Marmitt afirma que "no Direito de Família abundam os valores imateriais indenizáveis. Com frequência exsurgem lesões graves dessa área do Direito. São prejuízos morais resultantes de vulneração de virtudes da personalidade, dos atributos mais valiosos da pessoa, de sua riquezà interior, de sua paz jurídica, destruídas pelo parente, pelo esposo ou cónvivente". Para ao depois concluir que "a ofensa a esses bens superiores gera o dano moral ress arcível". 3 Assim, também, os casos de difamação que, em muitas vezes, se refletem no

já na sua obra de 1944. não paginado. excluindo a indeniza_ ção por danos morais ao entendimento de tratar-se de simples caso de desamor. razão por que é importante transcrever parte do mesmos 2 Dcno moral. que informa a ocorrência de dano patrimonial e moral pelo fim da sociedade concubinária.. 23/2/1999 .DOU 25/6/2001. reformou a decisão monocrática. RT 740/205). É preciso criar um contraditório para definir bem a situação da autora. Júris Síntese. que tendo ficado totalmente desamparada. a indenização por dano moral. apreciando recurso interposto pelo marido. cumpre informar que a decisão acima envolveu ação que tramitou na Comarca de Araraquara..) 350 Da Culpa e do Risco • MeIo Tribunal de Justiça do Estado.RT 765/192. portanto. ver atual art. A abertura da frente jurídica em favor dos reparos da honra. mostra-se razoabilíssirno debater a responsabilidade do companheiro que.ReI. Nunca a rejeição abrupta sem ao menos ouvir o réu da ação. inclusive no que se refere à perda do emprego. A inicial fora rejeitada ao argumento de impossibilidade jurídica do pedido. quanto ao ressarcimento do dano decorrente de um ilícito civil". em período sabidamente complicado (aborto involuntário).547 . moral. AADP. Nesse caso. 159 (atual 186 do novo Código Civil). com culpa ou não.] 3 Dano r Da Responsabilidade Civil nas Relações Paren tais e de Afeto 349 O Colendo Superior Tribunal de Justiça já teve oportunidade de decidir questão similar e. RT 727/123). 159 do Código Civil do 1916. cujo pleito fora realizado por mulher abandonada pelo companheiro na fase pós-aborto. A inicial não é inepta e. urna indenização do dano resultante da injúria (CC.referia-se ao CC de 1916.j. Independentemente da questão de mérito colocada em apreciação. entendia ter sofrido danos morais e materiais. Nesse caso. um escopo polírico claramente definido pela Constituição Federal. sem ao menos formar a relação processual com a citação do réu. pós-aborto. em tese. p. pelo voto do Desembargador Ênio Santarelli Zuliani. Ora. Nestas circunstâncias indaga-se: Cabe indenização por danos morais? O visionário Aguiar Dias.960-4/8 . com ou sem escrúpulos. o Tribunal entendeu que o cônjuge varão teve comportamento injurioso e admitiu a obrigação de indenizar por danos morais. cabe perguntar: qual o motivo determinante da inadmissibilidade do pedido indenitário formulado por mulher que se entrega de corpo e alma em uma sociedade concubinária e perde tudo." Nesse sentido é interessante destacar decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo. "o ultraje justifica não apenas a separação judicial contenciosa e. interesse e legitimidade na postulação. O A inicial de c. com base no art. em pedido de indenização por danos morais. 2086. e se baseia nos pressupostos do direito comum." 6 (STJ _ REsp nO37. data venia. Outra questão que se coloca é o cabimento da reparação civil decorrente do descumprimento dos deveres conjugais. que a propaganda enganosa que ilude interessados em adquirir imóveis igualmente fomenta reparabilidade por ofensa moral (acórdão do TSRJ (sic). tal pedido é possível: responde pela indenização o cônjuge responsável exclusivo pela separação". proferiu voto magistral. Cunha Abreu. além de ter invertido a guarda dos filhos. coopera com uma gravidez que desestrurura o trabalho da mulher e que. relatado pelo Des.. 588. Min. como de improcedência -.051-SP . Nilson Naves . "[. o que motivou o especial acima referido.] Resulta que a decisão de indeferimento por falta de sucedâneo jurídico. em julgado no qual foi reconsiderado o indeferimento sumário da petição inicial. p. o que caracteriza. um prato cheio para recidivas Importunas do gênero ou de maior nocividade. [. Estado de São Paulo. 953). p. um estímulo para a impunidade." À guisa de melhor aclarar a questão. nº 24. adequação e legitimidade na postulação. 169-e). donde então se não justificaria a indenização a tal título. engloba dois componentes: um do direito obrigacional e que recomenda atenção para a avaliação da conduta do sócio que impulsionou uma união de esforços e que caiu fora sem levar responsabilidades. articula uma pretensão amparada pelo direito e pela moral. 4 Dano moral e a culpa no incumprimento da obrigação alimentar. notadamente quando se tratar de adultério. e outra relacionada com a questão da aflição da mulher que. S Trechos do voto do reI. ainda. vigente à época dos fatos.. respondia de forma clara . por encontrar-se essa variante fática vinculada ao concubino. corno. p. e é independente da ação que vísaà dissolução litigiosa da sociedade conjugal e ao chamado divórcio-sanção.] Dentro de tal contexto e nos termos da inicial.. ao entendimento de que havia relevância no pedido. Juridicamente. considerando que o extravio de bagagem em transporte aéreo enseja indenização por dano moral (acórdão do Supremo Tribunal. é tomada como precipitada e de conteúdo incomparível com o progresso histórico do fenômeno que resguarda os dons da alma. 066.meio social e na atividade profissional do cônjuge atingido. pelo voto do ilustre Ministro Nilson Naves. é abandonada no auge de uma crise financeira aguda. Aindenização não tem. inclusive a autodeterminação e confiança. além de ter atribuído a guarda dos filhos à mulher. a pensão de alimentos. deixou assentado que "O sistema jurídico brasileiro admite. art. se for o caso. 00167. que a pessoa jurídica é alvo de resguardo da honra objetiva (Aoórdão do STJ. assevera Belmiro Pedro Welter. Des. [. O Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo reformou a decisão. Ênio Samarelli Zulini . absolutamente.tanto de procedência. da intimidade. caráter alimentar. A ação fundamenta-se nõ art. 113. 1. visto denegrirem sua reputação e sua honra. pelo egocentrismo do companheiro? Existe adequação jurídica. na separação e no divórcio. na condiçãode relatar. cria um estado de abandono cruel e traumático.. na qual o magistrado Ricardo Anders de Araújo proferiu sentença decretando a separação do casal e condenando o marido em alimentos e ao pagamento de indenização por 'danos morais. o voto proferido adentra por urna análise aprofundada do cabimento do dano moral em face da relação concubinária existente.. de boa ou má-fé. que.Ap. Boi. da reputação e de todos os atributos da personalidade faz naturalmente obrigatório um impulso do Juiz em busca de um resultado de mérito satisfatório .

porque tanto quanto possível não se pode deixar de estender a tutela do direito ao marido traído.e peremptória que sim. justamente contra aquele que jurou amar. transformaram-se os costumes. o que se tem é que o marido. princípio elevado à categoria de fundamento da República Federativa do Brasil (art. o sempre festejado Wilson Melo da Silva. o Tribunal de Justiça de São Paulo reformou a sentença. Cív. pelo seu ineditismo. com os seguintes argumentos: "O valor indenizatório está fixado em consonância com os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. quanto pelo Superior Tribunal de Justiça. não se pode comungar com o desmatamento do direito ao dano moral. em decorrência de tal atitude. Min. da CF)"Y. e tudo em nome do amor e da manutenção da unidade familiar. Não se pode olvidar. além de acolher o pedido de indenização por danos materiais a ser apurado em liquidação de sentença. Sem cogitar do dano moral que incontest<\velrnente acarreta. Arnaldo Marmitt preleciona que "o patrimônio moral e familiar é algo muito precioso e de grande estimação. 390. depois da separação consensual. e sim pagamento contra aquele que se aproveitou da relação jurídica que envolvia o amor para causar graves ofensas delituosas. confiscou-lhe a honra e a própria dignidade humana. mas sim remediar o mal já perpetrado. Respondendo a questão posta. 9 Dano moral. Por isso. morais e dor martirizante.663-4 . assim postos os fatos. veio a prova do adultério e da paternidade. a adrnissibilidade da ação reparatória não pode sofrer objeção. III.DJ 29/10/2007. 21/8/2007 . 352 Da Culpa e do Risco • MeIo Da Responsabilidade Civil nas Relações Parentais e de Afeto 353 tóxica. considera que a vitima de adultério. decisão que foi mantida tanto pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. 620-622. acolhendo o pedido de condenação por danos morais. quer parecer-me que até na fixação do valor indenizatório decidiu com inegável acerto a d. Tratava-se de ação de indenização por dano moral. Não o era. este com seu próprio nome. ao contrário. ainda assim seria melhor do que deixar o dano impune. com a sua conduta 10 (TJSP 11 (STJ . 113. Leva-se ainda em consideração a situação socioeconômica dos envolvidos. A pretensão do apelante é de indenização pelo dano material e mora!. 47). a uma. admitida por prova pericial e aquele. p. Nancy Andrighi . 8 O dano moral e sua reparação. proferiu voto que. em vista de importar pagamento do amor. O seu pleito tem suporte no artigo 159 do Código Civil (referia-se ao CC de 1916).Ap. Aquele. o Desernbargador Octávio Helene. de sorte que "a ofensa a esses bens superiores gera o dano moral ressarcível". em razão da vergonha a que será exposta no seio social. Outra decisão interessante e que bem ilustra o tema em foco ocorreu no Estado do Rio de Janeiro e chegou ao Superior Tribunal de Justiça./ Verifica-se assim que o fundamento para a indenização por danos morais de! rivado das relações parentais se encontra nos princípios gerais da responsabiJj.3" T. que "mudaram os tempos.2S anos. tornou conhecimento de que sua ex-rnulher tivera um relacionamento amoroso e desse relacionamento concebera uma filha que foi registrada pela presunção do Código Civil. o adultério pode produzir dano material e. quer pelo fato de ter assumido a paternidade de urna filha que não era sua. afeto e sentimento em cada minuto da vida". embora ressalvasse em notas de rodapé a inexistência de casos na jurisprudência brasileira (pelo menos naquele momento).. Da Responsabilidade Civil nas Relações Parentais e de Afeto 351 conduta da ex-mulher. 1º. esta. honorários pagos em razão do processo de separação judicial e no acordo judicial nos autos da ação de separação consensual. admitir-se qu~ o apelante sofreu um dano moral.000. pelo marido. filhos do amante de sua ex-esposa.LEX-JTJ. quer com o adultério confirmado pela 7 Da responsabilidade civil. despesas com o exame DNAe pensões alimentícias pagas à rnenina't. mas. a duração da ofensa . a ser indenizado com as despesas devidas desde a gravidez até o nascimento da filha. pedimos vênia para transcrever trecho: "[. fixando a indenização em 100 (cem) salários-míni~os. O autor pensou durante 2S anos que fosse pai de Patrícia e Pedro. visto ser construído com carinho. v. em presença dele.218). ainda que por parte dos que se negam a reconhecer a reparabilidade do dano moral. .j. 30/8/2000 . o juiz monocrático havia julgado improcedente a ação e. Posteriormente. em decorrência da conduta da mulher. nº 103. p. O juiz monocrático fixou a indenização em R$ 200." Para ao depois concluir: "Então. ~ovida por ex-rnarido que descobriu depois de 2S anos que os dois filhos que criara corno se fossem seus eram. pela mulher. disse mais o grande mestre: "À luz dos princípios expostos. na condição de relator..l? No casp acima.00 (duzentos mil reais). Não se está reclamando pecúnia do amor. O autor não mais pode ter filhos. . p. 9 Em julgado do Tribunal de Justiça de São Paulo. redefiniram-se novos valores éticos e morais.] Na hipótese em exame. Assim." Mais hodiernamente. em conclusão de brilhante trabalho realizado sobre o terna.:"! Não é sem razão que Belmiro Pedro Welter afirma. magístrada."? Na mesma linha de pensar.ReI. p. teria direito a urna reparação que não se pode chamar de "preço da vergonha".REsp 742137/ RJ .j. em apelação. 235. Considera ainda o grande mestre que se essa não é urna solução perfeita. parece plausível. a bem da verdade. . p. tendo-se abandonado o tempo em que a mulher absorvia silenciosamente as agressões físicas e morais de seu cônjuge. em sua obra histórica sobre o dano moral. não se pode senão sustentar a afirmativa. admitida a paternidade.

52. Carlos Roberto Gonçalves faz urna referência histórica afirmando.!" Pelo menos no âmbito penal a questão da violência doméstica agora já tem previsão legal específica. no que diz respeito ao tema em foco. 5. 6l. se desmanchasse o noivado injustamente't. dentre outras previsões. Não há dúvida razoável de que. Assim. Discorrendo sobre a matéria. porque quem causa prejuízo diminui o patrimônio alheio. de tal sorte que não se pode manejar ação. Nesse sentido. que o noivo perdia. p. corno forma de afastar a possibilidade de condenação do cônjuge ou companheiro faltoso por dano mõrà~. 17 Dano moral. com seu comportamento condenável. tanto em face do dano material. De direito. 742. 5º). a honra. Discorrendo ainda sobre as resistências à aceitação do instituto. Levenhagen afirma que. negue-se o direito de indenização por danos morais para o cônjuge ou convivente que saindo de urna relação familiar venha a sofrer injúria. configura-se o ato ilícito que dá ensejo à responsabilidade civil. pois. traição ou dilapidação do patrimônio em comum. p. . ou até as pagava em triplo ou em quádruplo. 758).-ÜI)": de sorte que não se pode alegar falta de previsão legal. semelhante proposição denota um mal-entendido. que "essa promessa (de casamento) era conhecida dos romanos pelo nome de sponsalia (esponsais). ainda. agressão física. que. 14 Reparação do dano moral no direito brasileiro. como de justiça. se verificados os pressupostos do ato ilícito ou abusivo". 3 NO NOIVADODESFEITO Cumpre destacar inicialmente que a promessa de casamento ou esponsais não foi recepcionada no nosso ordenamento juridico.daí não poder restar indene de apenação. 159 de nosso Código Civil (referia-se ao Código de 1916) possibilita. p. desfalca-o. sofrimento físico. do que a humilhação provocada pelo irresponsável rompimento de um noivado ou de um namoro seguido de assacadilhas à honra do parceiro't. vale o princípio do neminem Iaeâere independentemente do estado das pessoas. Ninguém de bom-senso sustentará que o automóvel danificado vale mais. v. 354 Da Culpa e do Risco • Melo Em contraposição. baseando-se no art. espanca a mulher' à ponto de aleijá-Ia ou lhe acarretar minusvalia neuropsíquica causa. "o marido que. não havendo de se confundir com a imposição de pensão alimentar. 1997. e de justiça. genericamente. dano moral a ela (podendo causar dano estético se lesar sua beleza física). p. Há que se considerar que a necessidade de reparação se funda da doutrina 'd~ responsabilidade civil e prima pela defesa da dignidade humana. cotejados com o princípio da dignidade da pessoa humana. p. porquanto esta não tem o caráter de sanção. p. seja qual for. do dano moral. porque o art. Amulher quê espalha perante a sociedade que o marido é impotente ou que não é o verdadeiro pai de seus filhos estará certamente infligindo-lhe dano moral't. 186 e 187). assacar contra a honra do parceiro(a) afirmativas que possam não corresponder à efetiva verdade.340/06). e.dade civil prevista no Código Civil (art. tendente a obrigar alguém ao cumprimento de tal desiderato. gerava efeitos. de modo completo e eficaz".. logo podendo ser indenizado(a) por danos morais. lesão. contrarual ou extracontratual. em assim procedendo. J 12 Dano moral no incumprimento da obrigação alimentar. inRevista Jurídica. a que os esposais possam dar causa a uma indenização de danos. Revista de Estudos Jurídicos. E conclui: "Rompido sem justa causa o compromisso esponsalício.l" Não é por outra razão que preleciona Yussef Said Cahali que "o silêncio do Código Civil (tanto do anterior quanto do atual) não obsta. 218 (apud: Yussef Said Cahali. e merece ser indenizado. nQ 236. 1º. o reclamo indenizatóriá não só de direito. Álvaro ViIlaça Azevedo é contundente ao afirmar que "provado o prejuízo decorrente do ato ilícito. configura violência doméstica e familiar contra a mulher qualquer ação ou omissão baseada no gênero que lhe cause morte. É preciso deixar claro que não é admissível que sob o pífio argumento de que não se paga a dor ou a vergonha. São Paulo: Saraiva. 159 do Código .'o pagamento de indenização para a cobertura de qualquer dano causado por âfuação ilícíta. repondo essa perda patrimonial ocasionada.P No dizer de Araken de Assis. pois a questão se encontra centrada no fato de que a ninguém é dado o direito de causar prejuízo a outrem. moral ou mesmo estético. traz em seu bojo o reconhecimento da ofensa moral ao preceituar que "Para os efeitos desta Lei. Dano'moral. em tese. covardemente. ln: Es~ tudos em homenagem ao Professor Washington de Barros Monteiro. nascerá para o prejudicado o direito de ressarcimento. com base em Ruggiero. sua extinção e renúncia a alimentos na separação consensual.13 Para Luiz Felipe Haddad. Havia uma espécie de sinal ou arras esponsaIícias. Júris Síntese n" 24 _ CD-ROM não paginado. a imagem e a paz jurídica constituem bens inestimáveis e superiores..:"? 15 Responsabilidade 16 Indenização civil. afirma ainda o autor que "a resistência ao dano moral puro. assegurado na Constituição Federal (art. além de solene. no confronto com o patrimônio. há ilicitude grave e causa humilhação contratar casamento e depois rompê-lo caprichosamente e. 2. sexual ou psicológico e dano moral ou patrimonial" (art. a partir da edição da chamada "LeiMaria da Penha" (Lei nº 11. é certo. 13 Co~trato de casamento. é de satisfazer-se.

ê? .ReI. significa sujeitar o inadimplente aos rigores do apenamento de prisão civil. Do casamento ao divórcio. com injusta agressão à dignidade. p. poderá o juiz.AC 0081708-9 . vejam-se as seguintes decisões: TJSP . Entendo ademais que.6ª CDPriv.). ra jurídica".262-4 . assaca contra o outro inverdades. em face do rompimento injustificado do noivado.perde. 17. seja ela provisória. constitui direito dos nubentes. p. vem a ser rompido por um dos nubentes e. tendo em vista. corno já ressalvado.. principalmente. os prejuízos morais de quem . se bem que de uso mais ou menos frequeme em outros países. a toda evidência. 284. os direitos da personalidade". via de regra. Obrigações: abordagem didática.. 40. dado que qualquer deles deve prever como possível a ruptura da prornessa. desde que haja rompimento injusto do noivado .23 Ainda nos dizeres de Yussef Said Cahali. igreja marc-ada. TJSP . reclamar indenização do prejuízo experimentado. igualmente.22 O rompimento do noivado pode gerar frustração em razão da expectativa não realizada do casamento.êNa opinião abalizada de Sílvio Rodrigues. não só em relação a si própria como também perante os grupos sociais com os quais se relaciona. e assim se expressa o mestre: "a meu ver. pelas despesas realizadas.ReI. o noivado não implica obrigatoriedade de casamento. de modo mais efetivo. Osvaldo Caron . a teor do que dispõe a Constituição Federal (art.2' C .SJ . Ainda nesse particular aspecto. implicam em injúrias e constrangÍlllentos que geram sofrimentos passíveis de serem reparados através de indenização por danos morais. 5. e nenhuma indenização lhes pode acarretar essa retratação. esperando a realização do matrimônio. 2. cit. 4 NO DESCUMPRIMENTO DO DEVER ALIMENTAR Não cumprir a obrigação alimentar. porém. colacionando. inclusos aqueles decorrentes das relações parentais ou afetivas. 5º. abalados os sentimentos da pessoa atingida. .yout.• " Em que pese as abalizadas opiniões em contrário.(4651) . Imagine-se a seguinte situação: casamento marcado. móveis e utensílios. Testa Marchi . mas encontram fundamento normativo no dispositivo mais abrangente inserido na Constituição Federal (art. Não se pode desconsiderar. antecedem o rompimento. ed.. p.5' C. 5º. podemos concluir que. de outro lado. morais. tendo surgido algumas decisões condenando pais que. com todas as providências de praxe já tomadas (aquisição de imóvel. 21 A título de exemplo. à estima e ao respeito que o ofendido faz por merecer. sendo possível seu rompimento de maneira unilateral a qualquer momento. qualquer violação a esses elementos subjetivos da pessoa humana pode causar danos extrapatrirnoniais. esse tipo de reparação nos casos de dissolução do vinculo conjugal. chegando a afirmar que "não há falar-se em danos morais no caso de rompimento de noivaclõ ou promessa de casamento. e. 327-329. considerando que o "assunto é extremamente polêmico. 24 Op. v.. .548. estão sob o manto protetor da Constituição Federal (art. ed.'? Na sua obra mais recente. com o transcurso do tempo. 4.j. é perfeitamente cabível a indeniza: ção por danos morais decorrente do rompimento do noivado. a despeito do silêncio da lei. LXVIII). 23 Noivado: Recentemente. não só o direito à indenização por danos materiais. Tal fato gera. natureza e efeitos jurídicos decorrentes do seu rompimento lesivo.AI 036. TJPR . o abuso no arrependimento". E conclui o referido autor: ''Aretratação. em seguida. 20 Idem. III. 3/2/2000. ele pode gerar consequências no mundo jurídico. o mesmo é mais cauteloso.Ilha Solteira/Pereira Barreto . "desde que identificada (no exame do caso concreto) a existência de um procedimento gravemente injurioso envolvendo o ato de' arrependimento. com mais razão. Assim sendo. 747.e esse José de Souza Levenhagen. o Judiciário foi instado a se manifestar sobre a questão de abandono moral. repito. até mesmo no instante da celebração do casamento.868-4/3 . Des. Cív. ineisos V e X). se a honra. independentemente . 5º. não tem encontrado receptividade no direito brasileiro. porquanto. que não tem sido concedída''. provisional ou definitiva. como também por danos. pode o prejudicado. Da Responsabilidade Civil nas Relações Parentais e de Afeto 355 18 Antonio 19 Luiz é O requisito básico para que a demanda possa prosperar -. 2001. p. a imagem e a autoestima. uma vez que. como não tem nenhum motivo plausível. 2512/1997. Júris Síntese. Entendimento contrário permitiria. nO 31. "há intérpretes ainda hoje favoráveis à possibilidad~ de exigir-se judicialmerite indenização por danos consequentes ao desfazimento do noivado.t'l" O professor Scavone era claramente contrário à aceitação da tese. somente uma diminuta minoria tem-se lançado a essa avenni. Obrigações: abordagem didática. Des. 24 Assim. o qual protege. mesmo entre os noivos frustrados. set. inc. inc. do Código Civil (referia-se ao CC1916). fixar urna indenização moderada para a reparação do dano moral". enquanto elementos da personalidade. Antonio Scavone Junior. evidencia-se a ocorrência de um dano moral passível de reparação". farta jurisprudência tanto contra quanto favorável. por via de consequência.Ressalte-se que essa 22 Direito civil: responsabilidade civil. Corno também assevera Eduardo Cambi. p. ousamos dissentir.j. "o rompimento do noivado pode causar danos extrapatrimonais. Antônio Gomes da Silva -DJPR 13/3/2000.Civil de 1916 (atual art. convites expedidos etc. hão de ser relevados os fatos que. a tutela compensatória dos danos morais não se restringe aos limites contidos no artigo 1.ReI. X). em razão da violação da honra subjetiva e objetiva da vitima. 186). Uma tal ação.AC 90. que no mais das vezes. Des.

mas. Caimmi e Desimone externam sua profunda preocupação com aqueles devedores de pensão que buscam diminuir o seu cabedal econômico e elidir o adimplemento de seu dever de assistência. Alerta ainda o mestre que "a reparação por agravo imaterial busca também desestimular o infrator. privando-o do di356 Da Culpa e do Risco • Meio Da Responsabilidade Civil nas Relações Parentais e de Afeto 357 é uma das duas únicas possibilidades de prisão civil previstas no nosso ordena. entendemos ser perfeitamente cabível a indenização por danos morais. faltaram com o dever de assistência moral aos seus filhos na exata medida em que se fizeram ausentes e. 358 Da Culpa e do Risco • MeIo reito à convivência. é a própria criança que passa a não querer ver a mãe ou o pai. Diz mais: "É preciso avaliar como a pessoa elaborou a indiferença paterna. invocando é provando que habitam em imóvel da nova parceira. de tal sorte que. é que cabe indenização. Não há duvida que a recusa em prestar alimentos afronta a moral e o direito. 2004. p. Não se pode esquecer que as separações de casais. sustentando a nova condição de empregado. favorecendo esta desordenada conduta do mau uso societário. a título de dano moral". fornece endereço de terceiro como sua residência. in Revista Brasileira de Direito de Famt1ia. 5 POR ABANDONO MORAL OU AFETIVO mento jurídico. configurado pelo descumprimento voluntário do dever de assistência familiar. no mais das vezes." Em conclusão. em muitos casos. moral. A questão é polêmica e controvertida. corno irreversível. Teresa Ancona Lopez. Nessas circunstâncias. de tal sorte que. supostamente responsável pelas mazelas que a outra parte incute em sua cabeça. Anosso sentir. no lugar do antigo empresário". Nesta hipótese. considerando que a aplicação da pena por danos morais tem. Somente por essas razões já se recomendaria cuidado na análise de procedência de pedido de indenização por dano moral com fundamento no abandono moral. configurando o dano psicológico. angústia. em verdadeira fraude aos credores. bem como do cabimento ou não da indenização por danos morais decorrentes do descumprimento desse dever alimentar. vivendo da caridade dos parentes. Acredito que só quando ficar constatado em perícia judicial que o projeto de vida daquele filho foi truncado pelo abandono. 27 Jornal do Advogado . 14-15. que não detém a guarda. pois "a ausência de qualquer dos pais causa sofrimento. não tenha acesso à criança. to da medida. ao amparo afetivo. qual papel cumpre a função alimentar e quais as responsabilidades que. quando diz que "a insolvência alimentar fraudulenta é mais uma variante do delito de abandono material. enfim. dor e forte sensação de abandono material e moral. 2S Nesse particular aspecto é relevante a lição de Arnaldo Marmitt. p. razão por que é preciso cautela e prudência para s~analisar cada caso concreto. sobretudo. podem-se elencar diversas razões pelas quais deva ser entendido como perfeitamente cabível a indenização por danos morais em razão do descum. ou a mãe. esse dano é presumido. 116. não tendo nenhuma relação com aspectos indenizatórios. o juiz deverá ser sábio na aplicação do direito em face de postulações a esse título.nº 289. psíquico e material é não só terrível. alerta para o fato de que "é muito comum as mães jogarem os filhos contra os pais. esconde os bens. além do objetivo de compensar o ofendido. puni-Io a fim de que não reincida no erro de violar compromissos éticos do seu estado familiar ou matrímonial". pode envolver o descumprirrisj-.ê" . alegando não poder cumprir com os alimentos impostos por carecerem de bens e ingressos. para quem os alimentos "não cobrem ou não abrangem a indenização também devida. Como adverte a Profa. Aduz ainda. em face da função pedagógica da condenação. interferindo na formação da criança. 26 Dano moral. Situações proliferam em que o devedor de alimentos. já apontando a defíciência de que padece a legislação vigente. do seu intelecto e sua personalidade". Comumente são transferidos à criança os sentimentos de ódio e vingança daquele que detém a sua guarda. para se safar da obrigação. porquanto não se pode transformar o Judiciário num instrumento tão somente de vingança pessoal. dez. A questão que se coloca é que. em defesa de sua tese.OAB/SP . razão por que concordamos com Rolf Madaleno. quando o certo seria tentar preservar a imagem paterna"27 Para Rui Stoco. p. fi experiência tem nos mostrado que aquele que fica com a guarda da criança quase sempre cria óbices e dificuldades para que o pai. primento do dever alimentar. não prestaram a devida assistência afetiva e amorosa durante o desenvolvimentó da criança. que "a dor sofrida pelo filho em razão do abandono e desamparo dos pais." Por tudo isso e. é preciso cuidado para não transformar as relações familiares em relações argentárias. com a qual concordamos plenamente. 25 O calvário da execução de alimentos. dependendo de cada caso concreto. 32.de terem se desincumbido do ônus alimentar. simula desemprego. por via de consequência. pelo incumprimento do dever alimentar. se processam num clima de ódio e vingança. uma certa dose de desestímulo à reiteração do ilícito. além da prisão. A mancha é indelével e o trauma irretírável't. disfarçado sob o manto da necessidade de punir a falta de assistência moral à criança. tendo a Constituição Federal tratado a questão dos alimentos com tanta severidade. Não há dúvida também que o fundamento jurídico do dever de alimentos se prende à necessidade do alimentário.

acolhendo o pedido de urna rapaz contra seu pai.htm> _ 31 Ibidem. br/ colunaespacovital18062004a. argumentando ter sofrido violento abalo psicológico. e foi proferida na Comarca de Capão de Canoas. Acesso em: 11 jan. Luis Fernando Cirillo. pelo voto do relator Unias Silva. que causa o trauma moral da rejeição e da indiferença't. considerando ainda que "a responsabilidade não se pauta tão somente no dever alimentar. violam a sua honra é a. p. cer paradigrnas. o padrasto mantinha lar convivencial com a mãe da criança. mas suprir as necessidades dos filhos". Concluindo que "a ausência. Disponível em: <hrrp:/ /www. o juiz da 31ª Vara Cível de São Paulo . transitada em julgado e. atualmente. afeto. com. O "enteado". relação essa que se iniciou quando a mulher ainda estava grávida. aproximadamente. viesse a pleitear ação com o intuito de compensar-se. o amparo afetivo. 29 Ibidern. pelo juiz Mario Romano Maggioni. jogar futebol.Dr. a indenizar sua filha. para que se preserve não o amor ou a obrigação-de amar. bem corno a referência paterna. o ilustre magistrado sentenciante ponderou. em sentença datadade agosto de 2003. os foros e tribunais estariam abarrotados de processos se. tendo em vista que "não cabe ao Judiciário condenar alguém ao pagamento de indenização por desamor". no importe de 190 salários-mínimos. que condenou um pai. a pessoa' que se sentisse abalada psicologicamente e moralmente pelo desamor da outra. a um rapaz cujo padrasto moveu ação negatória de paternidade para desconstituição do registro de nascimento. e que além da guarda. cuja condenação também foi fixada em 200 salários-mínimos. 22. o padrasto assumiu. e nem por isso se nega o direito à obtenção de um benefício econômico em contraposição à ofensa praticada contra esses bens"32 Outra dicisão que merece ser trazida à lume foi proferida pelo Tribunal de Alçada de Minas Gerais. 2005. passear.ê? Aprimeira decisão sobre a matéria vem do Rio Grande do Sul. vale mencionar outra decisão que. abordando a questão. Ocorre que. até de forma mais drástica. mas se insere no dever de possibilitar o desenvolvimento humano dos filhos. é abandono moral grave.. a paternidade da mesma. magoando seus mais sublimes valores". mas a responsabilidade ante o descumprirnento-db dever de cuidar. que reconheceu o direito à indenização por danos morais. o descaso e a rejeição do pai em relação ao filho recém-nascido. Nesse caso. estabels. no importe de 80 salários-mínimos. correspondente a 200 salários-mínimos. Em recente julgado. porque b seu parceiro ou seu amor platônico não a correspondesse.Ao fundamentar sua decisão. Apesar de considerar não ser razoável que um filho "pleiteie em Juízo indenização do dano moral porque não teria recebido afeto de seu pai".. A educação abrange não somente a escolaridade. de outro norte. baseado no princípio da dignidade da pessoa humana". amor. assim também em relação aos criminosos". porque também não tem sentido sustentar que a vida. visitar. O magistrado. cuja fundamentação principal foi a de que "ser pai não é só dar o dinheiro para as despesas. em fase de execução . a cargo do pai.. condenou um pai.t'êEssa não é a única decisão tratando da matéria. Da Responsabilidade Civil nas Relações Parentais e de Afeto 359 nos morais. foi proferida pela 10ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul. conforme parecer da promotora De Carli dos Santos. que "não se pode rejeitar a possibilidade de pagamento de indenização do dano decorrente da falta de afeto simplesmente pela consideração de que o verdadeiro afeto não tem preço. portanto independentemente dela.069/90). por ter sido exposto a situação vexatória. além de ter se submetido à realização de exame de . afirmou ser "legítimo o direito de se buscar indenização por força de uma conduta imprópria. justificando o dever indenizatório. a pagar urna indenização por danos morais. A promotora alertou ainda para os riscos do precedente: "Senão. da Lei nº 8. por abandono moral. Quando a criança nasceu. 30 De destacar que o Ministério Público. ao romper a relação convivencialcom a mãe do agora rapaz. que reformou sentença de primeiro grau. tendo intervindo no feito por haver interesse de menor. ou em desenvolvimento. sua imagem. ed. espacovital. guarda e educação dos filhos (art. o magistrado considerou que "aos pais incumbe o dev~r de sustento. diante de um amor platônico. que precisa merecer severa atuação do Poder Judiciário. mesmo sabendo não ser o pai biológico. criar condições para que a presença do pai ajude no desenvolvimento da criança". por da28 Tratado de responsabilidade civil.33 Ainda na mesma direção. ao término de qualquer relacionamento amoroso ou mesmo se. 7. moral e psíquico. espontaneamente. existe um dever. reconhecendo que a "paternidade não gera apenas deveres de assístência material. por abandono moral e afetivo de sua filha. brincar. carinho. a honra e a imagem e a dignidade de um ser humano tenham preço. mas também a convivência familiart. monetariamente. o que seria impossível.O professor Álvaro Villaça Azevedo considera que "o descaso entre pais e filhos é algo que merece punição. ir ao parque. registrandoa em seu nome. cujo entendimento foi o de que a questão não poderia ser resolvida com base na reparação financeira. Basta atentar para os jovens drogados e ver-se-á que grande parte deles derivam de pais que não lhes dedicam amor e carinho. 30 Conforme noticiado no site Espaço Vital. especialmente quando ao filho é negada a convivência. manifestou-se contrário à concessão da indenização. o padrasto ingressou com ação negativa de paternidade com o fim de alterar o registro de nascimento. 945. de ter o filho em sua companhia". de um ente querido.

As decisões referenciadas ainda' estão pendentes de recurso. dentre outras. a magistrada considerou sua atitude "contrária aos princípios maIS comezinhos da ética" na exata medida em que o mesmo deveria ter melhor avaH~: do a questão.036747-0 . _A o tema já chegou ao Superior Tribunal de Justiça e. O dano resta evidenciado com o sofrimento.. a ilustre relatora reconheceu que a matéria guardava contornos de dramaticidaCi'e1. com a dor. a filiação. calcados em axiomas que se focam na existência de singularidades na relação familiar . Considero. acolhendo voto da' re": latora. pois. negam a possibilidade de se indenizar ou compensar os danos decorrentes do descumprimento das obrigações parentais a que estão sujeitos os genitores". pois. que perdeu o nome. Gonçalves . Nesse contexto. no caso. pelo voto da Ministra Nancy Andrighi.Horizonre _73 Câm. o óbice daSúmula 279. entendeu a relatara. em face da ação negatória de paternidade. À liberdade de exercício das ações humanas corresponde a responsabilidade do agente pelo i. . premido pelas sucessivas negativas de paternidade daquele a quem conhe~~u como pai". sendo monótono o .ReL Juiza Conv. sendo isso inviável através do recurso extraordinário. proferida pelo magistrado Unias Silva.1004\ Da Responsabilidade Civil nas Relações Parenrals e de Afeto 361 lidade." Para ela. "Muitos. no caso.~ A sentença foi reformada pelo Tribunal de Justiça que. afoita. . 17/6/2004). pois isso demandaria a. 'se existente.Processo nO000.j. reside no âmbito da legislação infraconstitucional. de outro lado. inexistindo a possibilidade de reparação a que alude o art. rejeitou o recurso. do STF. por abandono afetivo.análise dos fatos e das provas contidas nos autos. Com esses argumentos a Ministra negou seguimento ao recurso. pela propositurá da indigitada ação negatória de paternidade.. 7/6/2004j. Apesar de ressalvar que o padrasto tinha o direito de perquirir sobie:a paternidade. julgada improcedente em primeiro grau. . Ana Lucia Carvalho-Pinto Vieira . Cív. ingressou com ação pedindo in~ denização por danos morais. porém sem adentrar no mérito. No mínimo.ê? Agora em 2012 a questão voltou novamente à pauta de julgamento do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e.e a natureza reflexa ou indireta de eventual ofensa ao texto constitucional". 159 do Código Civil de 1916. A Ministra Ellen Gracie descartou a possibilidade de reapreciar a matéria decidida no STJ. não há como reconhecera abandono afetivo como dano passível de indenização". constitucionalmente assegutâ~ do. quiçá prenhe de contornos pessoais. afirmou. o dano e o nexo de causa34 (TJRS . o enteado tinha. várias decisões de primeiro e segundo graus já ocõr~ reram reconhecendo a procedência do pedido de indenização por danos morais decorrente do abandono moral ou afetivo. na qual foi relator oMinistro Fernando Gonçalves e.sentimentos e emoções -. decorre uma conduta ilícita da parte do genitor que. que restou arquívado. cuidar é dever. \ 35 A decisão a quejá nos referimos. A Ministra destacou em seu voto que: "Amar é faculdade. reflexa".ReI.36 O Supremo Tribunal Federal. foi objeto de pauta. de acompanhá-Io e de dar-lhe o necessário afeto." E concluiu: "de maneira que. instado a se manifestar sobre a questão. Votou em sentido contrário e Ministro Barros Monteiro. o direito à dignidade e à privacidade. pois somente a sentença de Capão de Canoas é que tt. DNA. por adoção _ decorre sempre de ato de vontade do agente. Ainda segundo a ministra. Em seu voto.j. foi mantida condenação de um pai a indenizar filha. "Sob esse aspecto. seria de forma indireta. ocorreram a conduta ilícita.'s Conforme assinalado.32 (TJSP . nenhuma finalidade positiva seria alcançada com a indenização pleiteada.!n~! sitou em julgado. o apelado deveria ter sopesa."34 . do as consequências de seus atos". o referencial e. l/4/2())4)_ 360 Da Culpa e do Risco • Meio 33 (1AMG-Ap. "como escapa ao arbítrio do Judiciário obrigar alguém a amar. tem o dever de dar assistência moral ao filho. que restaram violados. respectívamenré. ônus decorrentes. o recurso especial foi conhecido e provido para o fim de afãstata condenação imposta ao pai pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais. não há por que excluir os danos decorrentes das relações familiares dos ilícitos civis em geral.' ou a manter um relacionamento afetivo. em 29 de novembro de 2005. quem sabe. com o abalo psíquico sofrido pelo autor durante todo esse tempo. por' voto da maioria. Disse mais: "Aatitude. indiscutível o vínculo J não apenas afetivo. afirmou a magistrada. em julgado de 1/41. Alegada ofensa à Constituição Federal. as seguintes considerações! "Penso que daí.P O relatar entendeu que. condenou o padrasi"õ'ãt pagamento de uma indenização equivalente a 80 salários-mínimos.biológico ou autoimposto. em R$ 200 mil. ao lado do dever de assistência material.Ap. fazendo.j.31' Vara Cível Central de São Paulo . "Sem hesitar. digo desnecessária-a situação pela qual passou o apelante. Juiz Unias Silva . nº0408550-5-B. Cív. ao argumento de que "a análise da indenização por danos morais por responsabilidade prevista no Código Civil. acarretando a quem contribuiu com o nascimento ou adoção a responsabilidade por suas ações e escolhas. Juíza-Convocada Ana Lúcia Carvalho Pinto Vieira. mas também legal que une pais e filhos. a segurança para interagir no seu convívio social. ser devida a indenização por dano moral no caso". redundou em prejuízos desmedidos ao rapaz. Cív nO 70007104326·B.0l. Concluiu afirmando que o caso "não tem lugar nesta via recursal considerados. 'dê conviver com ele. porquanto "não é difícil imaginar a tortura psicológica por que passou o apelan'= te. o vínculo . bem como da legislação infraconstítucíonaí que disciplina a matéria (Código Civil e o Estatuto da Criança e do Adolescente).

à dignidade. Todavia e apesar desse perigo. "as ações de dano moral por abandono afetivo preocupam os juristas devido ao risco de se tornarem meios para banalização do instituto. v. mesmo que não presenciais. sim. mas o descaso intencional pela sua criação. futuras que se assenta a esperança do porvir.j. entendido o abandono não apenas como o ato de deixar o filho sem assistência material. justíficou. Maia da Cunha . . p. 5º. Ellen Gracie . filosófico. discriminação.ReL Min. de criação e educação dos filhos. contatos. entre os deveres inerentes ao poder familiar.164-ED . tais corno o direito à intimidade.ReI. na forma prevista no Código Civil. III). Conforme também já assinalado. não se pode classificar de teratológicas as decisões judiciais que reconheceram a existência de dano moral por abandono afetivo. 36 (STJ . 6. impondo a proteção integral também aos pais. distinguindo_ -se do amar pela possibilidade de verificação e comprovação de seu cumprimentlD. Não bastaria a Constituição e a Lei previrem a garantia de tais direitos. dentre eles. 362 Da Culpa e do Risco • MeIo Em conclusão.Ap. é preciso encontrar urna solução equilibrada que as obrigue refletir sobre suas responsabilidadesv. e é nas gerações. Cível n" 545. a imposição biológica e legal de cuidar. explicou. rn. do art. sem que se autorizassem. para que pais negligentes e irresponsáveis se comprometam com a responsabilidade familiar. texto = 105567>. em corísequência.RE 567. à honra. O abandono moral ou afetivo encontra supedâneo jurídico para enquadramento corno ilícito no próprio Código Civil (art. Des. incluindo as emocionais e psíquicas. 85. Por isso. comparações entre o tratamento dado aos demais filhos . com absoluta prioridade. '37 (STF .REsp nO757. destacam-se o dever de convívio. A evolução social e científica. 227) e o Estatuto da Criança e do Adolescente .42 Dessa forma. inclusive de não amar o filho. é tisnado por elementos objetivos. hão de ser reparados pela via da indenização por danos morais. que passou a contemplar normas que protegem os direitos expatrirnoniais. p. por óbvio. O amor estaria alheio ao campo legal. Direito civil. ao respeito e à convivência familiar. 40 (TJSP .t" De outro lado. que exsurge da avaliação de ações concretas: presença. . a devida punição dos mesmos pela infringência de tais normas. Ademais. situando-se no metajurídico. corno outras situações já conhecidas. distintamente.stj. 41 Sérgio Cavalieri Filho. envolvem a necessária transmissão de atenção e o acompanhamento do desenvolvimento sociopsicológico da criança". 18/8/2009. Acesso em: 3 maio 2012. porquanto é preciso rememorar que existe em nosso ordenamento jurídico uma cláusula geral de proteção à pessoa humana. além daqueles.f' com reflexos inevitáveis na conceituação de dano moral. Da Responsabilidade Civil nas Relações Parentais e de Afeto 363 e outros bens inerentes aos direitos da personalidade que. na exata medida em que os valores que compõem a' dignidade humana são exatamente aqueles que dizem respeito aos valores íntimos da pessoa. Assim. corno . Embora caiba respeitar a liberdade das pessoas.entendimento doutrinário de que. 39 Silvio Rodrigues.4/5 . sustento e educação. 21/5/2009~' disponível no site do TJSP). da Constituição Federal .ReI.4ª Câm.411.MG (2005/0085464·3) . com lastro no princípio maior da dignidade da pessoa humana (CF. a preservação da dignidade realiza-se através da proteção aos direitos da personalidade. além de colocá-los "a salvo de toda a forma de negligência.638. pelas partes". 186 e art. Programa de responsabilidade civil.art. Min.br/portat stj/publicacao/ engine.Lei nº 8. de cuidado. nossa Constituição Federal (art. à privacidade.DPriv.'. a garantia de direitos outros. 1º. entre outras fórmulas possíveis que serão trazidas à apreciação do julgador. 4º) adotaram a doutrina da proteção integral da criança e do adolescente. assegurado o direito de indenização em face de sua eventual violação (CF. vetores que. que é dever jurídico. 1.352. Femando Gonçalves _ j. o dever-poder dos pais inclui. sentenciou: "Aqui não se fala ou se discute o amar e. "O cuidado. 39 . 187). violência. os quais não se limitam à guarda. crueldade e bpressão''. 29/11/2005 -DJ 27/3/2006. ao reconhecer que às necessidades do homem vão além das materiais e físicas. p. V e X). wsp ?tmp. porque -as crianças de hoje serão os homens de amanhã. corolário da liberdade das pessoas de gerarem ou adotarem filhos". 368-371. DJe 1119/2009). bem corno na Constituição . que assegura. area =3 98&tmp. não se pode olvidar de que ternos hoje o que pode ser chamado de direito subjetivo constitucional à dignidade. Disponível em: <http://www. 1º. em sendo violados. ações voluntárias em favor da prole.069/90 (art. à qual já nos referimos. crescimento. o cu'idado com a criação e educação da prole deve ser encarado como a questão mais rele~ vante.quando existirem =. exploração.a dignidade humana. servindo.2" T.1: Como destaca o magistrado Ênio Santarelli Zuliani.j. o Código Civil pune com â perda do poder familiar aquele que deixar o filho em abandono (art. refletiu no ordenamento jurídico pátrio. a proteção dos direitos infante-juvenis. psicológico ou religioso. 299).gov. desenvolvimento e moralidade. que está contida no inciso Ill. não há como ignorar que as' ~ei: vindicações justas são exemplares corno instrumentos de urna exigência legitimá e de cunho pedagógico. ao bom nome 38 Com informações obtidas no site do STJ (Coordenadoria de Editaria e Imprensa).art. inerentes ao exercício do poder familiar.lJ ingredientes de urna indústria do dano moral e quiçá de revanchismos por frustrações existenciais.ê" Essa decisão reforça nossa convicção de que dentro da vida familiar. ponderou a ministra.

2009/0025174-6 .P 42 (TJRJ _ AC 2006.2006. mas proporcionar-lhe uma situação positiva e. p. dentre outros. a inadequação do quantum arbitrado.já aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) que.ALIMENTOS .PARTILHA. tanto quanto possível.O valor da indenização não deve ser alterado quando o juiz. bem aplicados os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade.DJE 27/11/2009.Conduta continuada da ofensora que aniquila a honra do cônjuge ofendido. e disponível em <http://jus. do CC/02 (art. de tal sorte que não se venha a dar guarida a sentimento de vingança. (TJDFf _ Proc. não gera direito a indenização por danos morais. em si. especialmente porque o terna em foco deixa de ser urna mera questão vinculada. em moeda. já levou em conta a condição econômica dos envolvidos e a repercussão na vida socioafetiva da vítima. à integridade de sua inteligência. e ao Judiciário.RECONVENÇÃO.DJe 22/6/2011. a Justiça não pode compactuar. Reforma da sentença. desestimulando-o a reincidir em tal ~rica. ínciso I.DORJ 20/9/2007) .4ª Turma . O réu é estranho à relação jurídica existente entre o autor e sua ex-esposa.00l. ao seu pudor. somente rem aplicação quando o ato do coautor ou partídpe for. 5 _ Se ambas as partes saem vencidas. Alimentante que possui outras rendas paralelas a declaradas.Federal (art.ReI.que assim determine. em contrapartida. a fim de que não cause perecimento ao alimentado. Proviroento parcial do recurso. O dano moral representa "todo atentado à reputação da vítima.O cúmplice de cônjuge infiel não tem o dever de indenizar o traído. e não há no ordenamento jurídico pátrio norma de direito público ou privado que obrigue terceiros a velar pela fidelidade conjugal em casamento do qual não faz parte. dessa forma. venha tão somente a atender sentimentos menores com os quais. A conduta continuada de infidelidade da apelada dá ensejo a aniquilação da honra do recorrente.ADULTÉRIO . 2 . 136. apenas e tão somente. 2 . constitui ônus dele demonstrar. à sua autoridade legítima. observada a devida compensação (CPC.) f~__ DIREITO DE FAMILIA. o mesmo cita nosso artigo "Abandono moral: fundamentos da responsabilidade civil". Ill e art. ilícito.AC 200804299794 .INFIDELIDADE DEMONSTRADA NA CONSTÂNCIA DO CASAMENTO . restando.) UNIÃO ESTÁVEL _ DISSOLUÇÃO .j. Francisco Vildon Jose Valente . ao direito de família. ao fíxá-lo. 1º. com a devida vênia.APELAÇÃO CÍVEL DANO MORAL . Claudio de Mello Tavares .DJe 9/12/2010. r:i~. A fixação dos alimentos.Recurso Especial nãó conhecido. passível de indenização. à sua segurança e tranquilidade.DANO MORAL E MATERIAL _ 1 _ Havendo dissolução da união estável.AÇAO DE SEPARAÇAO JUDICIAL C/C ALIMENTOS . Cív. 1. uma vez que o conceito de ilicitude está iinbricado na violação de um dever legal ou contrarual. em quea criança. decorrendo disso a impossibilidade de se indenizar o ato por inexistência de norma posta legal e não moral.263-0/001 . nem sacrifício ao alirnentante. . não procede pedido de reparação por danos materiais.1 Dissolução do casamento ou da união estável RESPONSABILIDADE CML _ DANO MORAL . 10/11/2009 . em certo período. Configuração. após substitutivos passou a tramitar como proposta de alteração do Código Civil e do ECA "para caracterizar o abandono afetívo como ilícito civil. há que se fazer uma dupla advertência: ao profissional do direito. 52. 3 _ De outra parte.566. (TJPB . II/525).CONDIÇÃO ECONÔMICA DAS PARTES . Min. encontrando-se no acima exposto os postulados que autorizam a sua aplicação. 3 . Apelações conhecidas e desprovidas.Se não provado que o compã. 43 Está em tramitação no Senado Federal um projeto de lei de autoria do Senador Marcelo Crivella (Projeto de Lei n" 700).Proc.Jair Soares .518 do CC/16). p. o que não se verifica na hipótese dos auras. do Código Civil de 2002.62576 . 364 Da Culpa e do Risco • Meio Em face da jurisprudência que começa e ser formada a respeito do tema. qual o total de seus ganhos.SEPARAÇÃO LITIGIOSA . a suas afeições etc. 21. (STJ _ REsp 1.5ª C.ReI. ao Invés de remediar a situação.004. relação da qual se origina o dever de fidelidade mencionado no art. assim. Descabimento. da angústia ou da dor sentida pelo cônjuge traído. 942.INDENIZAÇÃO POR DANO MORAL ADULTÉRIO OU TRAIÇÃO . mesmo que em média.CONFIGURAÇÃO DO DANO MORAL . e justificar. ao seu amor-próprio estético. Minoração dos alimentos arbitrados em favor dos filhos do casal.INEÍasTÊNCIA _ AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DE NORMA POSTA .ReI. do qual resulta dano para outrem. art.122. que paute suas decisões pela prudência e severidade. sem comprovação de violação de direitos à personalidade.BENS .CULPA CARÁCTERIZADA.POSSIBILIDADE QUANTUM ARBITRADO .".AÇÃO AJUIZADA PELO MARIDO TRAÍDO EM FACE DO cúMPLICE DA EX-ESPOSA . seja usada como instrumento na obtenção de indenizações que. nheiro que postula alimentos não pode prover o próprio sustento.O que se busca com a indenização dos danos morais não é apenas a valoração. não se reconhece solidariedade do réu por suposto-ilicito praticado pela ex-esposa do autor. 4 .há como o Judiciário impor um "não fazer" ao cúmplice." Interessante destacar que no parecer do Senador Augusto Botelho na CCJ. 2 .MG . Apontado o excesso pelo recorrente no valor dos a1iroentos arbitrados. que tenha cautela na propositura de ações a esse título.j. caput e § único. Des.com. serão os ônus da sucumbência @tríbuídos proporcionalmente.Não comprovado ato ilícito ou prejuízO patrirooni al . inicialmente previa criminalização da conduta de abandono moral e que. deve ser proporcional a necessidade das partes. 11/4/2007 .1 .A dissoluçãõ d~ união estável.V e X). 367. tendo em vista que o art.ReI. 4 .ATO ILÍCITO . segundo lição de Savatier (traité de Ia responsabilité civile. os bens adquiridos na sua constância devem ser partilhados entre os conviventes. dentre os vários fundamentos utilizados. 20100610024492 .547 . capiLtl"'?Apelação provida em parte. 6 JURISPRUDÊNCIA 6.br/revista/texto/6247/abandono·moral>. improcede o'peditlo de alimentos.AC 013. Luis Felipe Salomão . PROCEDÊNCIA PARCIAL DE AMBOS OS PEDIDOS . 1.) Da Responsabilidade Civil nas Relações Parentais e de Afeto 365 APELAÇÃO CÍVEL . frear os atos ilícitos do infrator. exclusivamente. publicado em janeiro de 2005 no site Jus Navigandi. ensejando abalo psíquico considerável.1 . de forma clara e objetiva. salvo quando as partes não comprovam a propriedade ou posse dos bens ou direitos cuja partilha se postula. (TJGO .(513240) . para ser tratado à luz dos pressupostos da responsabilidade civil.Nâo.

12. pois o que se pretende é atingir a finalidade para a qual foi outorgada. Juiz Conv.Se houver manifestação expressa do magistrado singular quanto ao início da convivência. não há se falar em impossibilidade jurídica do pedido por inexistir manifestação judicial a esse respeito.PARTILHANOS MOLDES LEGAIS. sofrimento e dor . 14/7/2010 .DJMT 19/8/2010.RECONHECIMENTO E DISSOLUÇÃO DE UNIÃO ESTÁVEL.TRAIÇÃO NA CONSTÂNCIA DAUNIÃo ESTÁVEL. independentemente de tecnicamente o feito adequado ao caso ser diferente do consignado no instrumento particular.DANO MORAL CONFIGURADO .Capital. Quando a procuração outorgar poderes gerais aos advogados.2ª Câmara Cível . p.APL 59234/2009 .j. Os bens adquiridos na constância da convivência do casal devem ser partilhados igualitariamente. ao enganado e sem dúvida gera o dano moral indenizável. Antônio Bitar Filho . (TJMT .DJPB 10/12/2010.ReI. conforme precedentes dos tribunais pátrias.ReI.RECURSOS CONHECIDOS E PARCIALMENTEPROVIDOS . eles poderão ajuizar as demandas necessárias e capazes de solucionar os problemas do outorgante. p..) APELAÇÃOCÍVEL.REJEITADASAS PRELIMINARES DE IMPOSSIBILIDADE JURÍDICA DO PEDIDO E DEFEITO DEREPRESENfAÇÃO . 12 . Marcos William de Oliveira . Des. A traição na constância da união estável e devidamente comprovada certamente causa constrangimento.